Tecnologias Emergentes: reflexões a partir da Intelectualidade de Milton Santos

No último congresso da INTERCOM, tive a oportunidade de coautorar com a Taís Oliveira o artigo “Tecnologias Emergentes: reflexões a partir da Intelectualidade de Milton Santos“. Foi apresentado no Grupo de Pesquisa em Comunicação Antirracista e Afrodiaspórica, que teve seu primeiro encontro neste ano. O artigo debateu tecnologias emergentes em diálogo com premissas do intelectual Milton Santos. Buscando evocar a análise afiada e premonitória de Milton Santos em diálogo com fenômenos e debates contemporâneos sobre tecnologias emergentes, em especial a plataformização; explora quatro categorias de fenômenos: ideologia tecnosolucionista; artificialização e intermediação; divisão internacional do trabalho digital; exploração de subjetividades e medo através dos dados.

Acesse em https://www.portalintercom.org.br/anais/nacional2022/resumo/0720202221300262d89e0a4b119

Racismo e Xenofobia em Portugal: a normalização dos discursos de ódio no espaço público da internet

O projeto “Racismo e Xenofobia em Portugal: a normalização dos discursos de ódio no espaço público da internet” buscou realizar análise crítica dos discursos de ódio racial produzidos e reproduzidos na internet no país lusitano. Respondendo à necessidade em criar pesquisas que partam de um corpo teórico crítico, a investigação fundamentou-se, em grande parte, numa metodologia qualitativa de análise de plataformas virtuais. Assim, monitorizou compreendeu e caracterizou as narrativas que sustentam a propagação dos discursos de ódio racial no contexto português. A linha teórica na qual a investigação se apoia, fundamenta a ideia de que o racismo não constitui um epifenómeno na história ocidental e europeia. Pelo contrário, é justamente o seu caráter estrutural que criou condições para a consolidação e banalização dos discursos abertamente racistas. Acesse o site com resultados e relatório:

Racismo e desinformação: apontamentos sob a perspectiva antirracista

De que modo a desinformação fortalece e é implicada por lógicas racistas? Como as fake news se articulam com outros fenômenos, como o discurso de ódio, e, deste modo, aprofundam violências contra grupos racializados? O que os diversos conteúdos enganosos sobre Marielle Franco, que circularam rapidamente na internet após o seu assassinato, nos dizem sobre desinformação como expressão do ódio racial? As diferentes narrativas que surgem sobre jovens negros logo após serem assassinados, como se fossem criminosos, e como se isso fosse justificativa para suas mortes, não materializam uma simbiose entre desinformação e racismo?

Buscando refletir sobre essas questões, o texto representa uma contribuição no sentido de pluralizar o debate sobre desinformação no Brasil, tendo como base o entendimento de que não é possível falar em desinformação ou fake news desconsiderando o racismo e as desigualdades raciais que nos caracterizam. Foi redigido pelas coordenadoras e membros do Grupo de Pesquisa em Comunicação Antirracista e Afrodiaspórica e publicado como capítulo do livro “Comunicação e ciência: reflexões sobre a desinformação” editado pela INTERCOM.

Reconhecimento Facial nos espaços públicos em Curitiba: em direção ao banimento

Espaços Públicos e Reconhecimento Facial em Curitiba

O mandato da vereadora Carol Dartora e a rede Lavits realizaram no dia 25 de agosto o evento “Espaços Públicos e Reconhecimento Facial em Curitiba”, a partir das 19h, na Sala de Videoconferência, no 3º andar do Prédio Histórico da UFPR, nas dependências do Programa de Pós-graduação em Direito da UFPR.

No evento foram apresentadas as características da tecnologia de reconhecimento facial e serão debatidos os riscos do emprego desta tecnologia na segurança pública e no monitoramento de espaços públicos na cidade de Curitiba, especialmente no âmbito do sistema Muralha Digital, que integra a Política Municipal de Videomonitoramento de Curitiba. Realizei uma apresentação sobre os problemas técnicos e sociopolíticos da tecnologia, em mesa com a vereadora Carol Dartora, os professores Rodrigo Firmino (PPGTU/PUCPR) e Katie Arguello (PPGD/UFPR) e os mestrandos Julia Abad (PPGTU/PUCPR) e Henrique Kramer (PPGTU/PUCPR).

#SaiDaMinhaCara – Também foi apresentada a Proposição 005.00138.2022, projeto de lei de iniciativa da vereadora Carol Dartora, que dispõe sobre a restrição do uso, pelo Poder Público, da tecnologia de reconhecimento facial em espaços públicos. A proposição faz parte da campanha #SaiDaMinhaCara, iniciativa nacional que reúne mais de 50 parlamentares de vários partidos e de todas as regiões do Brasil que apresentaram projetos pelo banimento do reconhecimento facial em espaços públicos.

Até agora, 12 estados e o Distrito Federal tiveram PLs apresentados no Brasil, seja no nível estadual ou municipal. São eles: Bahia, Ceará, Espírito Santo, Distrito Federal, Minas Gerais, Pará, Pernambuco, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Sergipe e São Paulo. A iniciativa demonstra um consenso multipartidário sobre o caráter invasivo e discriminatório dessa tecnologia, principalmente quando aplicada sob uma pretensa narrativa de segurança pública.

Ação Educativa lança edital sobre práticas pedagógicas e antirracismo nas tecnologias digitais

Com inscrições abertas até 30 de junho, o projeto busca reunir e publicar planos de aula e sequências pedagógicas que aliam práticas antirracistas e tecnologias digitais em escolas e coletivos

Educadoras e educadores podem participar, até o dia 30 de junho, do edital  Práticas Pedagógicas Antirracistas sobre Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação (TDICs). Lançado pela TECLA – Tecnologia em Ação, iniciativa da organização Ação Educativa para promoção de direitos digitais, a iniciativa resultará em mapeamento, repositório e publicação impressa.

A Ação Educativa convida escolas, universidades, organizações da sociedade civil, coletivos, movimentos sociais, profissionais de educação e demais educadoras e educadores a compartilhar propostas de planos de aula comprometidos com a promoção da igualdade racial nas tecnologias digitais.  

Na interseção das desigualdades raciais, econômicas e políticas com a era digital, educadoras e educadores têm abordado temas como exclusão digital, discurso de ódio, desinformação e racismo algorítmico em sala de aula. Para Juliane Cintra, coordenadora da TECLA e da unidade de T.I. da Ação Educativa, “Partir do conhecimento construído coletivamente, alinhado com as diferentes realidades vividas, seja no chão da escola, ou em diferentes espaços formativos, é uma possibilidade de pensar direitos digitais e novas soluções tecnológicas de modo democrático, sintonizado com aqueles e aquelas que estão na linha de frente da construção de um novo mundo plural. É impossível seguir com esse debate sem considerar o universo da tecnologia e seus impactos tão marcantes em nosso dia a dia. ”. O projeto fortalece a importância destas iniciativas para a promoção de direitos humanos no século XXI, convidando submissões de todo o país. 

O edital faz parte de parceria da organização brasileira com a Fundação Mozilla, grupo que promove a criação e uso saudáveis e responsáveis de tecnologias digitais, da internet à inteligência artificial. Entre as iniciativas da Fundação Mozilla estão o navegador de código aberto web Firefox e a iniciativa Common Voice, que armazena voz natural de pessoas de todo o mundo, para combater os vieses algorítmicos. Tarcízio Silva, fellow da fundação alocado na Ação Educativa, acredita que “as trocas entre educadores engajados com o tema ajudam a preencher as lacunas de conhecimento sobre o papel das tecnologias digitais no combate ao racismo”.

Até o dia 30 de junho, educadores e educadoras em escolas, universidades, organizações da sociedade civil, coletivos ou movimentos sociais poderão submeter seus projetos ou relatos de práticas pedagógicas em um formulário online. Além da publicação no repositório digital, todas as submissões válidas também serão avaliadas por comitê de especialistas e poderão ser publicadas em material impresso editado pela Ação Educativa.

Informações Importantes

Edital Práticas Pedagógicas Antirracistas sobre Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação (TDICs)

Período de Inscrições: 23 de março a 30 de junho

Íntegra do Edital: https://acaoeducativa.org.br/editais/edital-praticas-pedagogicas-antirracistas-sobre-tecnologias-digitais-de-informacao-e-comunicacao-tdics/ 

Link para o Formulário: https://aeduc.typeform.com/to/FHpWAX6N