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No dia que aconteceu tudo de pior no Pinheirinho, em São José dos Campos (ocupação em terreno ocioso de um pilantra imbecil que tem costas-quentes num governo louco por poder e que adora bater – literalmente - em quem atrapalha seu caminho), eu estava em Embu das Artes, de volta por um dia. Fui ajudar uma amiga numa pesquisa envolvendo as casas do pessoal reassentado em três projetos habitacionais de lá (no qual tive prazer de conhecer tanto a obra quanto os moradores, na minha passagem de dois nos por lá).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cheguei em casa à meia-noite com um misto de alegria e de saudade. Feliz demais com o dia. Mas dou uma zapeada pelo facebook e leio milhares de mensagens sobre a violência covarde da PM em São José dos Campos. O que me fez escrever a história de um morador do Valo Verde, um dos locais de intervenção urbanística e habitacional que eu mais frequentava em Embu (e o que eu mais gostava - ainda gosto até hoje).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Valo Verde era um dos lugares mais perigosos de Embu na década de 70 até o fim dos anos 90 [Embu das Artes era sinônimo de desova de corpos, ironicamente conhecida também pela feirinha de artes]. O Valo era uma favela sem as mínimas condições de habitabilidade. Barraco em cima de barraco, com o agravante de estarem próximos a um córrego que era o esgoto a céu aberto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[Não conheci o bairro naquela época, mas quando ajudei na mudança do lugar onde trabalhei, achei uma caixa cheia de fotos e notícias do lugar, as quais fiquei horas olhando enquanto deixava a chefe na mão durante a mudança. E é essa a impressão que tenho de lá, naquele tempo].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em cima da favela, na parte mais alta, a CDHU era - e ainda é - dona de um grande terreno, e queria fazer mais prédios por lá. Para fazer a obra, era necessário “limpar” o lugar para construir um muro de arrimo gigantesco. O “limpar” era retirar o pessoal da favela.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um dia os moradores são surpreendidos por uma cavalaria da polícia militar e cerca de 20 caminhões-baú, para remover toda aquela gente de lá. Uma baita de uma confusão se instaurou no lugar, com os policiais querendo tirar o povo, e um vereador novato fazendo a negociação com o chefe da operação. Alguns moradores se exaltaram e brigaram com a polícia, mas não foram bem sucedidos. Ao fim, negociaram e deixaram a população lá. Não haveria reintegração de posse (nem deveria, o terreno que queriam limpar era – e ainda é – municipal).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O governo estadual teve a derrota. Governo, na época, de Mário Covas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas isso não era sinal de calma. Por muitos dias a polícia aparecia insistentemente na área, causando medo na população, mesmo sem fazer nada fisicamente. Alguns dias depois, alguém do governo municipal apareceu por lá e pediu pra montar uma comissão urgente de três representantes da favela, para irem a uma reunião na CDHU exporem seu ponto de vista e pressionarem por paz. Um dos integrantes era o morador que me contou essa história. Ele me diz que foram à CDHU (que na época era na avenida Nove de Julho) e lá soube que o dirigente com quem conversaram tinha dito que já havia feito acordo com o município e não teria nenhuma ação por conta deles. A favela estava salva.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O fato é que a CDHU construiu mais prédios na área, não fez remoções indevidas, o município passou a investir um pouco mais no local e hoje, me dizem, o Valo Verde é um paraíso perto do que era.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;
&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-m1RX6wA7I5M/Tx4MDmE1nlI/AAAAAAAAAWw/g58UpOysssE/s1600/a_d.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="145" src="http://3.bp.blogspot.com/-m1RX6wA7I5M/Tx4MDmE1nlI/AAAAAAAAAWw/g58UpOysssE/s400/a_d.JPG" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;
&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Valo Verde - em 2003 e em 2007&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
Coincidentemente, soube dessa história no mesmo dia da covardia em São José dos Campos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21487595-5116537832307680436?l=smarthead.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2012-01-23T23:46:12.076-02:00</app:edited><media:thumbnail url="http://3.bp.blogspot.com/-m1RX6wA7I5M/Tx4MDmE1nlI/AAAAAAAAAWw/g58UpOysssE/s72-c/a_d.JPG" height="72" width="72" /><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total><feedburner:origLink>http://smarthead.blogspot.com/2012/01/mais-uma-historia-de-resistencia.html</feedburner:origLink></item><item><title>O centro de SP</title><link>http://feedproxy.google.com/~r/Smarthead/~3/ziMAhthPqh0/o-centro-de-sp.html</link><category>caos</category><author>noreply@blogger.com (leila)</author><pubDate>Mon, 09 Jan 2012 17:40:51 PST</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-21487595.post-4241183415183566088</guid><description>Morei 16 anos no Jardim Ângela (tido como o segundo bairro mais perigoso de SP, na época em que estava lá), depois fiquei 7 anos em Campinas (no centrinho do bairro classe média-alta perto da UNICAMP, lugar de estupros e assaltos constantes), voltei pra SP, fiquei mais 6 meses no Ângela, e logo me mudei pro centro de SP.&amp;nbsp;Moro aqui há dois anos e meio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No começo, a vida era ótima. Ônibus pra tudo quanto é lado, metrô do lado de casa, tudo é perto e os bares são baratos. Mas logo reparei que a ladeira da Memória era a casa de inúmeras crianças em situação de rua. A frente do meu prédio amanhecia com vários saquinhos com resquícios de cola de sapateiro. Quase toda noite tinha agentes de limpeza da prefeitura enxotando as crianças para poderem lavar a ladeira. Elas logo voltavam, arrumavam seus colchões e iam pedir dinheiro no bar mais próximo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No primeiro ano de vivência no centro fui assaltada por uma dessas crianças. Eu estava na companhia de uma amiga, e tanto a criança tava louca de cola, quanto a gente tava doida de cerveja. A criança não quis meu celular (rejeitou na cara dura), e pudemos ir embora. A criança tinha 10 anos. Ao tomar o café da manhã no bar perto da casa dela, ela foi à nossa mesa pedir dinheiro. Minha amiga quis tirar foto com nosso assaltante, que admitiu, com palavras tortas, que foi ele mesmo. Nunca vi uma criança tão feliz por aparecer numa foto. Pagamos um lanche pra ele.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Uns 3 meses depois, as crianças tinham desaparecido. Logo imaginei grupos de extermínio. Mas, um ano depois, estavam de volta, para sumirem de vez meses depois.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nesse segundo ano no centro, tive a idéia de ir andando à União de Mulheres de SP, no Bixiga. Dez minutos de caminhada, pertinho. Era domingo. No caminho, pela avenida Nove de Julho, um grupo de crianças doidas de cola me abordaram. Eu estava com um refrigerante, que deixei com elas. Eram mais de 10. Uma delas abriu minha mochila, que estava nas minhas costas, e prontamente foi repreendida pela criança mais velha, que me pediu desculpas. Não tive reação alguma.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Eu costumo chegar tarde em casa. Mas, em dois anos, tive apenas esses dois incidentes. Com crianças, que na abstinência, faziam qualquer coisa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Hoje eu vi como vai ser o centro a partir de agora, com a política de dor e desespero. Se crianças nos deixam sem ação, com jovens e adultos a situação não melhora. É difícil falar de segurança pública com um governo desse. Que prioriza a truculência à ajuda. Que prefere mobilizar policiais para bater em estudantes e deixar o centro (e outras regiões tão perigosas quanto) desfalcado. Que prefere incitar o ódio da população aos que mais precisam dela. Que faz de tudo para que a população clame por gentrificação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Estou de saco cheio disso tudo. Mas, pior ainda, estou de saco cheio de não saber como ajudar, sem depender do governo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21487595-4241183415183566088?l=smarthead.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2012-01-09T23:40:51.647-02:00</app:edited><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">1</thr:total><feedburner:origLink>http://smarthead.blogspot.com/2012/01/o-centro-de-sp.html</feedburner:origLink></item><item><title>Hora do balanço de 2011</title><link>http://feedproxy.google.com/~r/Smarthead/~3/BkDVZqDfcwg/hora-do-balanco-de-2011.html</link><category>vida</category><author>noreply@blogger.com (leila)</author><pubDate>Tue, 27 Dec 2011 17:20:28 PST</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-21487595.post-1171194677512705182</guid><description>&lt;br /&gt;
&lt;div class="MsoNormal"&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal"&gt;
Ano que conheci muitas favelas. E, de quebra, muitas vidas e muitas histórias. Que trabalhei nelas com um prazer imenso (em feriados, sábados e domingos). Que conheci arquitetas ótimas – inclusive ganhando uma co-orientadora. Que reafirmou em mim mesma o que quero da vida. Quem me vê hoje mal sabe o quanto da vida nesse ano me dediquei ao trabalho. E, quem sabe, ano que vem volte a esta rotina.&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal"&gt;
Ano que decidi sair de Embu, mesmo gostando muito das pessoas de lá. A politicagem falou mais alto, meu sangue subiu e não consegui ficar com a cabeça tranquila. Foi um mal extremamente necessário. Ano que reafirmei minhas convicções políticas, mesmo não podendo segui-las tão bem. As contas sempre falam mais alto que tudo.&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal"&gt;
Ano que consolidei bons amigos de Embu, e que espero que fiquem por um bom tempo presentes na minha vida. Amigos a quem sou grata todos os dias. Que eu trouxe, indiretamente, alguém que sabe fazer bem meu papel (até melhor) por lá. Alguém que espero que não desanime e seja mais forte que eu. Deixei amigos-colegas que me ensinaram que hierarquia de trabalho é a maior besteira que alguém já inventou. Hierarquia essa que me faz tanto mal hoje em dia. Amigos que me ensinaram a dar risada e mesmo assim levar o trabalho a sério. Que me ensinaram que o importante é a coletividade e o senso de ajuda ao próximo. Ano em que as conversas com a (ex)chefe firmaram meu caráter.&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal"&gt;
Ano que a única conversa com a madrinha valeu o ano inteiro. Que felizmente vi meu padrinho muitas vezes, sempre com boas conversas, idéias e conselhos. Que vi mais meus dois amigos mais antigos e nos divertimos bastante, com muitas conversas e muitos jogos. Que reativei amizade com uma distante conhecida dos tempos do colegial, e que vem me ajudando em muitas reflexões. Que revi alguns da faculdade, sempre com a mesma bebedeira e alegria de sempre.&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal"&gt;
Ano que finalmente tirei boas férias, e finalmente saí do país. Que fiquei de boa em Recife, com praia e camarão à vontade. &amp;nbsp;Que consegui me desligar e pude descansar, mesmo com o trampo paralelo correndo à vontade.&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal"&gt;
Ano em que decidi mergulhar no futuro mestrado, mas que vi o falecimento da minha futura orientadora. Coisa que não pude pensar até hoje em como assimilar [e toda vez que penso me traz uma grande dor].&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="MsoNormal"&gt;
Ano de muito movimento, mas que pra mim ainda não acabou. Enquanto não me firmar novamente, o ano vai escoando...quem sabe, em abril, no meu ano novo particular, tenha melhores notícias!&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21487595-1171194677512705182?l=smarthead.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2011-12-27T23:20:28.522-02:00</app:edited><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">1</thr:total><feedburner:origLink>http://smarthead.blogspot.com/2011/12/hora-do-balanco-de-2011.html</feedburner:origLink></item><item><title>Do centro velho</title><link>http://feedproxy.google.com/~r/Smarthead/~3/58mMLt2PA9A/do-centro-velho.html</link><category>homenagens</category><author>noreply@blogger.com (leila)</author><pubDate>Thu, 22 Dec 2011 14:43:00 PST</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-21487595.post-6261782909021682468</guid><description>&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tenho um amigo que se tornou uma das pessoas mais importantes pra mim, de 2006 pra cá. Ele não é meu amigo de faculdade, de colegial, não me conhece a tempos. Mas é a pessoa que mais recorro quando quero ir pro bar falar da vida. Principalmente quando alguma coisa muito ruim acontece comigo. Porque eu sei que, além dele me acalmar, vai me fazer ver a vida diferente e me puxar pro que eu realmente preciso fazer.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ele é daqueles que xinga quando tem de xingar, não importa quem seja [e já me xingou diversas vezes - mas, obviamente, eu levo a sério e acabamos tomando mais cervejas e discutindo mais coisas]. Ele é daqueles que uma conversa de bar dura 8 horas, e que a cada meia hora eu teria uma vida pra pensar sobre o assunto. Ele é a pessoa com quem eu aprendi realmente o que é Política, o que é mediar debate, o que é ter uma visão e saber abrir mão dela em prol do coletivo. Não que eu saiba fazer isso muito bem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ele é daqueles que me ouve falar dos meus problemas prosaicos e até relativamente simples, mas que pra mim são grandes pedras no caminho. É quem me ouve falar dos problemas da minha família e me faz ver o lado bom e como resolver tudo. É quem tem paciência de ficar horas me falando da vida e eu mais ouvindo que comentando. É quem tem paciência de me ouvir falando da vida e das minhas angústias.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E não acho que seja por causa de um "simples" ritual que ele tenha se tornado tão importante pra mim. Não acho que seja depois daquilo que me fez ficar tão ligada a ele, e nem acho que foi isso que o faz ter a obrigação de me ouvir sempre. Porque quando ele decidiu aparecer quase do nada na UNICAMP, em outubro de 2006, sem me conhecer direito, isso já queria dizer alguma coisa. Talvez não pra ele, mas foi naquela hora que eu vi que teria um amigo pro resto da vida, ele querendo ou não.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E escrevi tudo isso porque essa madrugada [21/07/09 - meus pais estavam prestes a se separarem] foi mais um dia de bar com ele. Mais de 6 horas bebendo e falando da vida. Do passado, do presente e do futuro. E talvez ninguém mais imagina como isso me faz bem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[De 2009 pra cá, conseguimos nos ver com muita frequência. Já passamos por muitas angústias e alegrias, sempre compartilhadas. Ele me ensinou o básico sobre Dança e me fez ver muitos espetáculos de uma arte que nunca soube entender. Em pouco mais de 6 anos, a amizade segue cada vez mais forte. E as cervejas, mais frequentes do que nunca!]&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21487595-6261782909021682468?l=smarthead.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2011-12-22T20:43:00.968-02:00</app:edited><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">1</thr:total><feedburner:origLink>http://smarthead.blogspot.com/2011/12/do-centro-velho.html</feedburner:origLink></item><item><title>Risadas, sempre</title><link>http://feedproxy.google.com/~r/Smarthead/~3/WhEMxUeiRNM/risadas-sempre.html</link><category>vida</category><category>cerveja</category><author>noreply@blogger.com (leila)</author><pubDate>Sun, 27 Nov 2011 16:51:17 PST</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-21487595.post-6096695731596366482</guid><description>A sexta-feira foi de cerveja na Vila Madalena.&lt;br /&gt;
O domingo foi de torta no Campo Limpo.&lt;br /&gt;
[O sábado foi de uma das piores ressacas que já tive].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dois grupos totalmente distintos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O de sexta reuniu amigos de longa data e recentes. A maioria existente por causa do movimento estudantil, dos encontros e conselhos (como bem lembrado num dos brindes, só estávamos todos lá, bebendo, rindo, falando besteira, por causa da FeNEA). Outros, por conta da intervenção urbana nas cidades.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O de domingo reuniu ex-colegas de trabalho, mulheres que se animam com as minhas risadas e que adoram contar as fofocas do meu ex-trabalho. Dessa vez, com pouca bebida (somente 6 latas, de minha parte) e muita comida, como era de se esperar (são as melhores cozinheiras que já conheci).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mesmo sendo grupos distintos, muitas coisas em comum. O desânimo do futuro, a alegria das histórias distantes, a incerteza da vida. De um jeito tão pontual que acho que, com mais um pouco de conversa em ambos os grupos, teríamos resolvido os problemas do mundo. Tendo somente a nós mesmos como fiadores de idéias que seriam geniais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas, assim como em tudo, a urgência da vida é maior. A solução existe, mas a vida suga muito mais do que simples conversas. E assim passamos os dias somente conjecturando, nunca tendo tempo, disposição, ânimo e apoio para mudanças.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Independente do aparente gosto amargo que esse texto produz, é bom contar com amigos. É bom ter como escapar de tudo e poder se permitir dar risadas com quem se merece. E fico feliz de poder ter essa chance. E vejo a importância da risada na vida. Porque, mais que os problemas, a risada foi a coisa mais comum e mais presente nesse fim de semana.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21487595-6096695731596366482?l=smarthead.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2011-11-27T22:51:17.102-02:00</app:edited><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total><feedburner:origLink>http://smarthead.blogspot.com/2011/11/risadas-sempre.html</feedburner:origLink></item><item><title>À espera...</title><link>http://feedproxy.google.com/~r/Smarthead/~3/rNxQ2fDLlzc/espera.html</link><category>vida</category><author>noreply@blogger.com (leila)</author><pubDate>Sat, 19 Nov 2011 18:44:21 PST</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-21487595.post-7695694475585410801</guid><description>Finalmente me entendi e entendi minha vida nesse período de mudanças.&lt;br /&gt;
Eu acho. Mas estou mais tranquila.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No mercado tradicional de Arquitetura, existem subclasses para nos definir, e definir o que somos e o que faremos. Pelo que entendi até agora, há os seniores e o juniores. E o arquiteto que dá nome ao escritório, que vou chamar de master, para manter a escala hierárquica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os juniores são arquitetos formados a menos de 5 anos. São arquitetos que denotam pouca experiência pelo pouco tempo de formado. Os seniores são os que estão formados a mais tempo, e denotam grande experiência. Eu, no caso, sou uma arquiteta-júnior. Meu novo chefe, obviamente, um senior.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O que me dá um grande nó na cabeça, além do fato de não aceitar esse tipo de hierarquia [nem nenhum outro - meu lado anarquista está sempre me pondo à prova], é que nesse mundo arquitetônico, pelo menos, não se conhece a palavra "diferente" - do ponto de vista do trabalho. Por exemplo, eu tenho certeza de que tenho mais experiência com obras e projetos em favelas do que meu novo chefe, mesmo tendo quase 3 anos de formada, contra 27 dele. E eu tenho certeza de que ele sabe mais de organização do trabalho do que eu. Mas, não basta saber coisas distintas e, com isso, haver uma construção coletiva de um projeto. O que basta é o tempo de formação e a submissão a uma hierarquia imposta, pronta desde o começo dos tempos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas, enfim, entendi que não vou ter mais a correria de antes. Se em Embu eu tava acostumada a fazer 15 coisas diferentes ao mesmo tempo, a trabalhar em sábados e feriados, a fazer hora extra por gosto sem ganhar nada, agora estou me acostumando a idéia de fazer uma coisa por vez, a trabalhar 8 horas por dia, a fazer coisas que até agora não me acrescentaram em nada, a esperar o chefe dar algum trabalho, nem que seja para imprimir 236 páginas de planilhas - porque eu sou junior, e minha função é também ser estagiária.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Espero, todo dia, pelo momento de finalmente começar um projeto, ou de desenhar algo de útil no CAD. E é essa espera que me detona, porque eu não sou pessoa de ficar parada. Mas, por outro lado, está sendo o dinheiro mais fácil que já ganhei na vida.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Então, entendi que a lição que estou aprendendo no momento é a paciência - e isso, de fato, é um grande aprendizado. Entendi que, no momento, estou descansando depois de um período turbulento, o que é ótimo também. Entendi que é hora de botar tudo nos eixos e programar melhor a vida.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Desde que vim pro novo trabalho sabia que ia retroceder. Sabia que seria uma vida absolutamente mais tranquila. Sabia que eu poderia emburrecer mais. Sabia que podia me arrepender. E, por saber de tudo isso é que tá na hora de botar velhos planos em prática. Mestrado, cineclube, desenhos...é hora de retomar um pouco da vida boa que já tinha em mente. Só o arrependimento, que nunca veio. Reforçando o escrito passado, não tenho vontade de voltar pra Embu [apesar de sentir falta dos amigos de lá - o que é natural em qualquer saída de qualquer lugar em que se viva intensamente].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quando o trabalho estiver de fato bom, escrevo algo mais animado. Por enquanto, sobram dúvidas e um gosto amargo de submissão. Eu estava muito acostumada a ter liberdade e responsabilidade...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21487595-7695694475585410801?l=smarthead.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2011-11-20T00:44:21.845-02:00</app:edited><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total><feedburner:origLink>http://smarthead.blogspot.com/2011/11/espera.html</feedburner:origLink></item><item><title>Último dia da boa e velha vida</title><link>http://feedproxy.google.com/~r/Smarthead/~3/8zlP_kihMbo/ultimo-dia-da-boa-e-velha-vida.html</link><category>mudança</category><category>vida</category><author>noreply@blogger.com (leila)</author><pubDate>Wed, 09 Nov 2011 17:01:22 PST</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-21487595.post-4247725702683422246</guid><description>Último dia, por ora.&lt;br /&gt;
Não que não pretenda voltar. Mas não faz parte mais da minha rotina, definitivamente.&lt;br /&gt;
Fiz bons amigos por lá.&amp;nbsp;Eu, que sou tímida, antissocial e não sei falar, fiz amigos.&lt;br /&gt;
E hoje, no último dia, demos boas risadas. Como nos tempos que eu trabalhava feliz e contente por lá.&lt;br /&gt;
Hoje eu apareci e resolvi atrapalhar o trabalho de quem me importava.&lt;br /&gt;
Almocei com amigos que me parecem conhecidos de longa data. Conseguimos ir a um restaurante muito bom porque "seria a última tentativa para que nós quatro almoçássemos num lugar legal".&lt;br /&gt;
Ri muito das conversas. Besteiras e coisas sérias. Como se estivéssemos num bar tomando cerveja numa noite agradável.&amp;nbsp;[E quem me conhece sabe o quão sagrado é pra mim tomar cerveja com amigos num bar].&lt;br /&gt;
Me diverti sabendo que, por mais que tenha valorizado cada momento com eles, é o que mais sinto falta hoje em dia. E sei que não vou ter mais isso na vida.&lt;br /&gt;
Igualmente, fiquei feliz de ver outros amigos, de outra sala, dizendo que "não iam mais ao Galpão porque eu não estava lá para dar risada".&lt;br /&gt;
Não sabia que tinha algum tipo de presença marcante para alguém. Mas hoje soube que, pelo menos uma ala me considerava, de alguma forma.&lt;br /&gt;
Eu não chorei quando estive lá. Nem quando me despedi de vez de todos. Não senti nenhuma vontade de voltar, embora saiba que tenha feito estragos com minha ausência na força de trabalho. Um dia, espero que compreendam minha posição.&lt;br /&gt;
Mas, escrevendo tudo isso agora, fica difícil segurar as lágrimas.&lt;br /&gt;
Porque fiz bons amigos, porque aproveitei cada segundo, porque não me arrependo de nada. Mas a saudade já começa a doer.&lt;br /&gt;
Aprendi muito lá. De cada amigo levo algo.&lt;br /&gt;
E tomara que sempre seja assim, enquanto houver honestidade nas relações.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21487595-4247725702683422246?l=smarthead.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2011-11-09T23:01:22.188-02:00</app:edited><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">1</thr:total><feedburner:origLink>http://smarthead.blogspot.com/2011/11/ultimo-dia-da-boa-e-velha-vida.html</feedburner:origLink></item><item><title>Mas</title><link>http://feedproxy.google.com/~r/Smarthead/~3/O7W9rTLASTs/mas.html</link><category>vida</category><category>trampo</category><author>noreply@blogger.com (leila)</author><pubDate>Mon, 26 Sep 2011 19:45:46 PDT</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-21487595.post-2896818361793156183</guid><description>Eu minto quando digo que quero sair de Embu. Eu minto quando digo que é melhor sair de lá e ir pra outro lugar. Eu minto, quando percebo que minha ironia é tanta que esconde a realidade: meu nervosismo, meu medo, meu fracasso.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O que eu queria era sobrar sozinha, ou com mais gente competente ao meu lado. Pessoas que me ensinam, que possam me ensinar muito mais. E que eu, na minha modéstia, possa passar um pouco do que sei a quem merece. A quem me ouve, mesmo nos meu murmúrios, lamentos e frases rápidas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas, isso nunca vai acontecer. Eu nunca vou concordar com imposições ridículas, mas também nunca vou conseguir mudar mentalidades banais. Quiçá mentalidades inteligentes. Aliás, porque mudar as pessoas? Aliás, porque aceitá-las tão frivolamente?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Descobri onde eu pertenço. Descobri a quem trabalhar. Não sei se daria certo em algum outro lugar. Mas, descobri também, que não pertenço a lugar sujo. Não pertenço a administrações sujas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Acho que é hora de ter iniciativa e colocar algo de bom em prática. Sem governos, sem hierarquia. Apenas com pessoas compromissadas ao lado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas, também acho que isso nunca vai acontecer.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas, sou teimosa e burra o suficiente para tentar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21487595-2896818361793156183?l=smarthead.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2011-09-26T23:45:46.751-03:00</app:edited><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total><feedburner:origLink>http://smarthead.blogspot.com/2011/09/mas.html</feedburner:origLink></item><item><title>Confiança e decepção</title><link>http://feedproxy.google.com/~r/Smarthead/~3/dPYV9a3l-7w/confianca-e-decepcao.html</link><category>vida</category><category>casinha</category><author>noreply@blogger.com (leila)</author><pubDate>Wed, 24 Aug 2011 18:20:59 PDT</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-21487595.post-8705285753400869470</guid><description>&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   &lt;w:view&gt;Normal&lt;/w:View&gt; 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A primeira coisa que aprendi foi a ter confiança. Não sei precisar porque. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;A gente dormia todos juntos, em colchonetes, em salas de aula, em sítios, em casas de amigos. Quando entrei, alguns já se conheciam há um tempo, outros, a poucos Conselhos atrás. Mas, em geral, éramos todos desconhecidos. O que não parecia, porque depois de um Conselho, todos pareciam amigos para sempre, até alguém desaparecer dessa vida, seja por causa dos estudos, da família de sangue, da vida lá fora. Aos que persistiam nessa vida de estudante-militante-apaixonado sem rumo, uma família era formada. Para alguns em especial, a amizade dura bem até hoje.
&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;Na época, eu morava em Campinas. Havia, regionalmente, um Conselho a cada 3 meses. Depois que fui no primeiro, não é forçoso dizer que mal via a hora de ir ao próximo. Porque me apaixonei por isso tudo. Pelas discussões, pelas pessoas. O que é, de fato, algo difícil para eu reconhecer. Gostava muito mais de encontrar esses amigos militantes do que minha família de sangue. Embora me conhecessem há pouco tempo, eles faziam a diferença na minha vida. Logo, entendi quando alguns chamavam outras de mãe e outros de pai. E, logo, entendi a confiança que pairava no ar. Coisa que não se explica nem hoje, há um tempo fora desse mundo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;E, com a confiança – que se resume em confiança nas pessoas, nas decisões, nas ações – vinha junto a ética. Éramos todos éticos, modéstia a parte. Claro, alguns tinham uma visão muito diferente dos outros, e tomavam decisões desastrosas. Mas, não via nisso um desvio de ética. Não vou saber explicar porque, mas no meu coração sabia que não existia nada errado, apenas diferente. A essência da Federação continuava presente em todos.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;Com isso, achava que os dinossauros da época eram todos confiáveis, porque todos passaram por esta experiência e duraram bem mais que 2 ou 3 Conselhos. Quando conhecia algum das antigas, eu já sabia seu passado, mesmo sem conhecer pessoalmente até então. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;Eu pensava assim até hoje. Nem todos que tiveram a mesma experiência, passaram tanto tempo dentro da casinha, tiveram a mesma percepção que eu e mais outros que duraram tanto quanto. Talvez eu sempre estivesse errada nesse lance de ética, mas com certeza sempre estive errada na percepção igual a todos. Com alguma certeza, sei que tem gente que entrou nesse mundo paralelo para se dar bem no que houvesse. Disputa clara de poder. Hierarquia, patriarcado, tinha gente preocupada com essas coisas mesquinhas mas que, infelizmente, fazem sentido para alguns.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;Não sei precisar o que alguém que passou tanto tempo na Federação vê na disputa de poder, em ser anti-ético, em desprezar opiniões, agora no mundo profissional. Porque, pra mim, não faz sentido quem passou pela casinha ser algo que nunca demos bola e nunca incentivamos. Pelo contrário: provávamos que com ética e confiança irrestrita as ações davam certo (ou, na maioria da vezes). &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNoSpacing"&gt;Enfim, o longo texto é só pra extravasar mais uma decepção. Espero não ter mais envolvendo as pessoas da casinha que conheci a um tempo atrás. Ou, então, espero estar mais atenta e menos romântica. O mundo aqui fora, de fato, é muito mais real que se imagina.
&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21487595-8705285753400869470?l=smarthead.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2011-08-24T22:20:59.503-03:00</app:edited><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">1</thr:total><feedburner:origLink>http://smarthead.blogspot.com/2011/08/confianca-e-decepcao.html</feedburner:origLink></item><item><title>Alberguistas</title><link>http://feedproxy.google.com/~r/Smarthead/~3/NchaW0p52gI/alberguistas.html</link><category>viagens</category><author>noreply@blogger.com (leila)</author><pubDate>Wed, 24 Aug 2011 10:30:56 PDT</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-21487595.post-6626235610009717630</guid><description>De longe, o que mais me chamou minha atenção nessas férias foram os alberguistas. Tanto em Buenos Aires, Montevideo e Recife.
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;Confesso que não fico em albergue para procurar amizades. Quem me conhece sabe que não sou de fazer amigos nem de sair conversando por aí com qualquer um. Albergue pra mim é somente a única opção plausível de hospedagem em outra cidade. Enquanto hotéis e pousadas cobram 70, 100 reais por uma diária, em albergue sai por 35. O que ainda acho caro, porque multiplicando por 30 dias dá 1050 reais, muito mais que o aluguel e as contas que pago aqui em SP. Mesmo considerando que albergue/hotel/pousada é para pouco tempo.
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;Enfim, nas 3 cidades que me hospedei, a atitude dos alberguistas é exatamente a mesma. Muita gente viaja sozinho por aí, e quando chegam no albergue, ficam ansiosos e aflitos por fazerem amizades. Conversam qualquer besteira com o primeiro que vêem pela frente, o papo engrena. Na maioria das vezes, querem ser companhias de passeios. Tem medo de irem sozinhos. Tem uma necessidade inexplicável de terem alguém ao lado, mesmo que seja um completo desconhecido.
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;Quando eu dizia que eu estava sozinha em Recife, me chamavam de corajosa. Quando me viam sair do albergue sem companhia e sem rumo, me viam com desconfiança e um pouco de escárnio (senti, várias vezes, o olhar de pessoas me julgando como antipática). Poucas vezes conversei com o restante dos hóspedes, e quando tentei, me frustrei. Conversas rasas, muito preconceito.
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;Nãi vi ninguém se arriscar sozinho. Pelo contrário, tanto em Buenos Aires quanto em Montevideo e Recife vi pessoas que não se conheciam trocar duas frases (algo do tipo: "Você tá indo pra tal lugar? Posso ir com você?") e serem melhores amigos.
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;Mas, ao contrário, não fiquei ranzinza com isso. Só achei muito esquisito a pessoa viajar mais de mil quilômetros para fazer amizades rápidas e, muitas vezes, continuar na mesma rotina de onde vive, sem aproveitar a cidade de fato.
&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21487595-6626235610009717630?l=smarthead.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2011-08-24T14:30:56.393-03:00</app:edited><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total><feedburner:origLink>http://smarthead.blogspot.com/2011/08/alberguistas.html</feedburner:origLink></item><item><title>Primeira reunião</title><link>http://feedproxy.google.com/~r/Smarthead/~3/kgpn50GURZM/primeira-reuniao.html</link><category>vida</category><category>trampo</category><author>noreply@blogger.com (leila)</author><pubDate>Tue, 05 Jul 2011 18:53:45 PDT</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-21487595.post-1054583800797841882</guid><description>Hoje me lembrei da primeira reunião que tive numa das comunidades que trabalhamos em Embu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu era novata no trampo, devia ser a terceira semana de trabalho. Isso foi em julho de 2009.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de ouvir, numa reunião geral, que deveríamos fazer uma reunião no Valo Verde por causa de algum relatório que a Caixa pedia, a idéia ficou no ar. Minha chefe ia sair de férias, eu mal tinha tempo de entender onde ficava tais lugares que fazíamos intervenção, e ainda por cima tinha de me apressar para fazer dois orçamentos de duas obras que não fazia idéia nenhuma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ficava enfurnada com o computador o dia inteiro, o que me fez levar minha primeira de inúmeras broncas da chefe (algo do tipo: "Leila, quando é que você vai falar comigo? Eu nem conheço tua letra!).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, um belo dia às quatro da tarde a atual assistente social me "intima" a ir na reunião que ela marcou no Valo Verde, de um pessoal que já tinha recebido a casa em 2008. A reunião seria à noite, eu tava empolgada com o trampo e disse que tudo bem. Às cinco horas vejo ela indo embora, e ninguém ficando pra ir na reunião comigo. Ainda recebi bronca porque não tinha combinado com ninguém pra ir (porque eu precisava pelo menos de um motorista - não sei dirigir). Acho que foi ela que ligou pra antiga assistente social, que tinha saído a pouco tempo do escritório e trabalhava em outra prefeitura, mas tenho mais certeza de que foi a orientadora social da época (que também já saiu do escritório), que no fim aceitou ir comigo. As duas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, eu não sabia onde era, não tinha marcado a reunião, não sabia quem eram as pessoas, nunca tinha tocado reunião em comunidades, era novata no trampo e de profissão, os mais velhos de escritório tinham jogado a bomba na minha mão, e eu não sou assistente social. Pra mim, seria um desafio, e abracei de corpo e alma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fomos no carro da antiga assistente social, e chegamos na casa de uma das moradoras. Nunca "apanhei" tanto na vida, porque obviamente eu não sabia de nada. Dos problemas e das promessas. As duas do Social me ajudaram muito. Me apresentaram, disseram que sou novata, consegui resolver alguns problemas, e outros deixei pra pensar depois. Acho que me saí muito bem, modéstia à parte, para quem nem sabia onde estava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A moradora que cedeu a casa se tornou uma boa companheira de conversa durante as visitas que faço à obra. Me dá café, me conta da vida, me ajuda ao contar das inúmeras histórias do Valo Verde. E eu ajudo no que posso, em questões técnicas de Arquitetura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando minha chefe voltou das férias, ela recebeu uma ligação da moradora acima, dizendo que tinha alguém da prefeitura querendo derrubar o muro dela, e que eu tinha autorizado a fazer, com algumas modificações que fizemos nessa mesma reunião. Quando ouvi a chefe dizer "-Se a Leila falou, tá valendo, é como se eu estivesse na reunião e autorizado também.", senti o peso da responsa e orgulho de ter alguma confiança sobre mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o caso é que me lembrei da assistente social que me ajudou e me apoiou na minha primeira reunião na favela à noite por causa de uma conversa com a chefe, hoje à noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E me lembro dos detalhes acima como se tivesse acontecido ontem. Me marcaram bastante.&lt;br /&gt;E me lembrei porque tá foda aguentar muita coisa. Lembrar esses tipos de coisa me fazem ficar mais tranquila e ver algum sentido nessa vida embuense.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21487595-1054583800797841882?l=smarthead.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2011-07-05T22:53:45.451-03:00</app:edited><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total><feedburner:origLink>http://smarthead.blogspot.com/2011/07/primeira-reuniao.html</feedburner:origLink></item><item><title>Sobre os moradores de favelas</title><link>http://feedproxy.google.com/~r/Smarthead/~3/KGfV1G9REAQ/sobre-os-moradores-de-favelas.html</link><category>trampo</category><author>noreply@blogger.com (leila)</author><pubDate>Sun, 05 Jun 2011 14:21:22 PDT</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-21487595.post-3460455778441289969</guid><description>Em praticamente dois anos de trabalho com habitação de interesse social, sempre me surpreendo com os moradores das áreas que trabalhamos. Com as suas ações, indignações, alegrias e esperanças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem de tudo um pouco. Moradora que "bateu" uma laje nos fundos e fez uma varanda no quarto; morador que transformou a entrada da casa em comércio de n tipos (cabeleireiro, bar, floricultura); cores e mais cores dentro das casas, tv's de plasma na maioria delas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobre a interação com eles, também tem de tudo. Já bati boca com morador teimoso que queria alargar o muro de entrada; com morador que achava que rolava privilégios estranhos para atendimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas já recebi inúmeros convites para tomar café. Já tomei café e coca-cola com outros tantos, já sentei e tomei café da manhã com outra moradora, já conversei e falei da vida com mais um monte. Almocei na casa de uma, ganhei um perfume de outra. Já me pagaram um café na padaria, já paguei muitas cocas nos mercadinhos locais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Soube da vida de muita gente que trabalhou comigo nos mutirões. Recebi muitos elogios de muitos moradores, e muita compaixão de outra parte que acha que não mando nada (e, talvez, seja isso mesmo). Recebi muitos xingos e muitos dedos em riste, por não saber resolver na hora problemas geralmente complicados. Lidei com problemas sociais que passam ao largo da necessidade de uma casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já passei por situações em que não sabia o que fazer. De casas caindo que não estão contempladas em projeto algum, de cubículos sem infra-estrutura básica com mais de 5 pessoas morando, quando nem uma caberia. De mulheres violentadas pelos maridos. Enfim, situações arquitetônicas, urbanísticas e, principalmente, sociais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei que represento, pra muita gente, o descaso do Estado com eles. Mas,  sei também que às vezes represento a única pessoa do poder público que  conversa com eles. Nem que seja pra falar de futebol. Sei, também, que com um pouco mais de dedicação e ambição, posso trazer um pouco mais de conteúdo político, e pode ser que a organização deles deixe de ser um pouco menos individualista e mais coletivista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não sei se eles pensam que tô nessa vida pela grana; se eu tenho algum esquema na política; se eu tô lá a passeio. Eu não sei o que acham quando eu apareço aos sábados e domingos, trabalhando por algo que vai beneficiar a eles, e não a mim (até porque, faz uns 5 meses que não tenho fim de semana tranquilo). Eu acho que nem meus colegas queridos de trabalho e nem meus amigos chegados sabem exatamente porque trabalho nessa área. Porque sacrifico muitos fins de semana por isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só sei que, apesar de tudo, trabalhar em favelas me fez ver sentido em muita coisa. Me fez desapegar muito de coisas materiais. Me fez dar o devido valor a tudo que tenho. Me fez ser uma profissional transparente (até demais da conta). Me fez reavaliar minhas convicções políticas. Me fez ter lapsos de esperança na humanidade. Me fez, finalmente, dar o devido retorno a quem realmente precisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, acredito que, assim como a FeNEA começou a moldar meu caráter, esses trampos em favelas me fizeram ter certeza de quem eu sou. Mudou minha vida na mesma proporção.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21487595-3460455778441289969?l=smarthead.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2011-06-05T18:21:22.013-03:00</app:edited><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total><feedburner:origLink>http://smarthead.blogspot.com/2011/06/sobre-os-moradores-de-favelas.html</feedburner:origLink></item><item><title>Taubaté, de novo</title><link>http://feedproxy.google.com/~r/Smarthead/~3/n556UpHDiB8/taubate-de-novo.html</link><category>casinha</category><author>noreply@blogger.com (leila)</author><pubDate>Tue, 26 Apr 2011 18:54:22 PDT</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-21487595.post-5610705095402046966</guid><description>Voltei à cidade, depois de 2 anos.&lt;br /&gt;Na última vez, o coração voltou apertado. De apreensão, de raiva, de mudança negativa.&lt;br /&gt;Dessa vez, voltou cheio de esperança.&lt;br /&gt;Não vou conseguir explicar porquê.&lt;br /&gt;Mas acho que consegui entender porque o pessoal "dinossauro" de EREA/ENEA continua indo.&lt;br /&gt;Porque a sensação de rever os amigos, ficar totalmente à toa, ajudar nas horas que se precisa, fez todo o sentido.&lt;br /&gt;Não imaginava ser chamada de dinossaura.&lt;br /&gt;Não imaginava causar comoção na chegada do EREA Taubaté.&lt;br /&gt;Não imaginava que chegar ao Encontro com mais duas gerações de diretores regionais significaria tanto.&lt;br /&gt;Não imaginava causar na plenária, embora fosse um desejo antigo.&lt;br /&gt;Não imaginava chorar ao abraçar a diretora regional atual.&lt;br /&gt;[E, não, não era porque estava viajando. Aconteceria, de uma forma ou outra.]&lt;br /&gt;Não imaginava ter saudades.&lt;br /&gt;Consegui me divertir muito, mesmo sem ter função.&lt;br /&gt;Ajudei no que podia, desencanei de outras tantas coisas.&lt;br /&gt;Não vi nenhuma atividade.&lt;br /&gt;Aliás, minha única atividade, junto com amigos também dinossauros, foi beber e fumar.&lt;br /&gt;O coração voltou cheio de esperança.&lt;br /&gt;Uma Federação que vi fadada ao fracasso, incrivelmente, se renova.&lt;br /&gt;E nos surpreende.&lt;br /&gt;Claro que é uma avaliação muito superficial, racionalmente falando.&lt;br /&gt;Mas, em termos de Federação, o coração e a energia contam muito mais.&lt;br /&gt;E é nisso que sempre me baseei ao analisar esse mundo, que me faz tanta falta aqui fora.&lt;br /&gt;No fim, não me importei com a mudança da geração.&lt;br /&gt;Uma geração que não fuma. Nada.&lt;br /&gt;Que prefere funk a Chico Science.&lt;br /&gt;Que deixa Comorg entrar no bar.&lt;br /&gt;Porque aceitei as mudanças. Fiz parte da virada.&lt;br /&gt;E vi que isso pouco importa.&lt;br /&gt;Porque o espírito continua o mesmo, no fundo.&lt;br /&gt;Foi bom ter ido a Taubaté.&lt;br /&gt;E eu mordi a língua. Porque, apesar de preferir Conselhos a Encontros, esses últimos ainda valem muito a pena.&lt;br /&gt;[Mas, talvez, só com amigos das antigas pra poder ficar comparando os tempos.]&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21487595-5610705095402046966?l=smarthead.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2011-04-26T22:54:22.554-03:00</app:edited><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total><feedburner:origLink>http://smarthead.blogspot.com/2011/04/taubate-de-novo.html</feedburner:origLink></item><item><title>Impressões</title><link>http://feedproxy.google.com/~r/Smarthead/~3/VP7TudFofj0/impressoes.html</link><category>trampo</category><author>noreply@blogger.com (leila)</author><pubDate>Wed, 20 Apr 2011 19:20:27 PDT</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-21487595.post-7510599022650956147</guid><description>No trampo, sou conhecida como:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- a mau humorada;&lt;br /&gt;- a quieta e tímida;&lt;br /&gt;- a que odeia eventos políticos e faz questão de dizer isso;&lt;br /&gt;- a que só se alimenta de coisas toscas (como por exemplo café da manhã = coxinha e coca-cola, além do gosto por chocolate recheado com conhaque da Pan);&lt;br /&gt;- a que adotou o mutirão como estilo de vida;&lt;br /&gt;- a que é chamada de Xeila por todos, graças à falha de comunicação da advogada (que pra mim vai fazer uma falta enorme. Por ser uma das pessoas mais éticas que já conheci. Por ser uma das 2 pessoas que confiaram em mim nos quiproquós do fim do ano passado).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Semana do cão no trabalho. Se acreditasse em deus, rezaria por tempos melhores. Mas, "pra tudo mudar, tem seu tempo".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem perspectivas pra mudanças pra melhor, por enquanto. Infelizmente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21487595-7510599022650956147?l=smarthead.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2011-04-20T23:20:27.647-03:00</app:edited><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total><feedburner:origLink>http://smarthead.blogspot.com/2011/04/impressoes.html</feedburner:origLink></item><item><title>Do Morumbi</title><link>http://feedproxy.google.com/~r/Smarthead/~3/fY3dhhDu8B4/do-morumbi.html</link><category>homenagens</category><category>casinha</category><author>noreply@blogger.com (leila)</author><pubDate>Sun, 10 Apr 2011 16:03:58 PDT</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-21487595.post-6878232354477038945</guid><description>[Da série "homenagens". Porque, parafraseando minha mãe, "sou da escrita, e não da fala". E porque deu saudades imensas...]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Ela nunca teve nada a ver comigo. Na primeira vez que a vi, eu tava com a camiseta com o nome do bisavô dela, e alguém me disse: “Você sabe que a bisneta desse cara aí tá presente nesse Conselho, né?”. Não acreditei, obviamente, e nem dei bola pra conhecer também. Era fã do cara, e não dela. Isso foi em setembro de 2006, em Campinas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Demoramos mais de 6 meses pra trocar um diálogo ao vivo. O tempo foi menor pela internet, quando ela elogiou um texto que fiz sobre Reforma Urbana, 2 meses depois de tê-la conhecido ao vivo. Eu não era nada, ela já era respeitada e tinha opinião forte sobre muita coisa, sem medo de dar a cara a tapa. Estivesse certa ou errada. E acho que foi esse jeito meio arrogante que me conquistou, até porque era a única coisa em comum entre nós, até então.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o tempo, aquela pessoa que não dava muita bola pro povo mais novo, principalmente pros tímidos como eu, foi me conquistando. Começamos a falar de música, mesmo que bem de leve. Começamos a falar de Arquitetura, a beber junto com os amigos dela (que viriam a ser parte da minha família, mais tarde). No mesmo dia que falamos sobre música, ela me convidou pra ver o acervo de projeto do bisavô dela. Foi ao fim desse mesmo dia que eu, chapada, dizia a ela que tudo bem ir numa balada coberta de purpurina e com o cabelo todo destrambelhado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim foi. A arrogância foi perdendo campo, e me toquei que ela transmitia uma energia muito boa. Vê-la nos Conselhos me fazia muito bem, pela força de vontade, pela vontade de mudar muita coisa, pelo amor e pela paixão de tudo aquilo. Via nela uma pessoa que dava de tudo pela causa, e foi isso que me fez uma grande diferença. Mesmo que na hora eu não soubesse captar exatamente o que era.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi passando o tempo, a sintonia foi afinando. Não dá pra esquecer quando ela me disse pra eu não sumir, quando eu tava prestes a me formar, em 2007. Não dá pra esquecer a alegria dela quando falei que ia trancar o curso pra assumir uma Diretoria. Não dá pra esquecer o orgulho que tive quando ela me disse que continuava nisso porque eu resolvi continuar também. Tudo isso foi me enchendo de orgulho e de medo de desapontar uma das pessoas que eu tinha como referência. Uma menina que é 2 anos mais nova que eu, mas que tem uma maturidade muito superior que a minha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A gente continuava a ter pouca coisa em comum, mesmo assim. Mas desenvolvemos uma amizade e cumplicidade que eu nunca teria com quem conhecia a pouco tempo e via a cada 2 meses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um famoso ritual, num distante 2007, veio reafirmar esta relação, e ela se consolidou como uma das melhores pessoas que tenho na vida. Foi aí que eu servi de apoio pra ela, foi aí que ficou reafirmado que eu teria com quem contar pra vida inteira, foi aí que firmamos um pacto de amizade fraterna. Aí que ela virou a pessoa para repartir alegrias e tristezas, de chorar junto, de sentir as mágoas da mesma forma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Virou a pessoa que me dá bronca, que sabe o jeito que eu sou e sabe o que eu preciso ouvir pra desabar em choro. E sabe que isso me faz bem, mesmo que eu pareça sofrer muito na hora. A pessoa que me diz que, apesar de tudo, vai dar tudo certo. A pessoa que cuida de mim e que me defende, estando eu certa ou errada. A pessoa que às vezes esquece que eu existo, mas que sempre que precisa sabe que vou estar aqui, de braços abertos. A pessoa que às vezes eu esqueço que existe, porque quando me lembro dela é que eu noto o tanto que ela já fez por mim. E o quanto a saudade dela me aperta o coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já faz cinco anos que nos conhecemos. De uns tempos pra cá, nos vemos uma vez por ano, quando muito. Mas, quando a encontro, parece que nos vimos ontem. Pode parecer o clichê mais idiota para amizades, mas não escreveria se não fosse verdade. Só espero que ela saiba que, mesmo me dizendo um monte de coisas totalmente bêbada, e mesmo que eu nunca consiga retribuir publicamente os elogios, o carinho, a atenção e o amor, que ela saiba que a reciprocidade existe, a admiração é forte e o amor é grande. Do tipo que, mesmo se eu não fosse tímida, não teria palavras pra dizer."&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21487595-6878232354477038945?l=smarthead.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2011-04-10T20:03:58.309-03:00</app:edited><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">4</thr:total><feedburner:origLink>http://smarthead.blogspot.com/2011/04/do-morumbi.html</feedburner:origLink></item><item><title>Mais um ano</title><link>http://feedproxy.google.com/~r/Smarthead/~3/xNVPYh6FVP0/mais-um-ano.html</link><category>vida</category><category>trampo</category><author>noreply@blogger.com (leila)</author><pubDate>Thu, 07 Apr 2011 18:17:19 PDT</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-21487595.post-2946436822087293936</guid><description>Diminuí consideravelmente a quantidade de palavras por aqui.&lt;br /&gt;Por falta de tempo, falta de assunto, falta de vontade.&lt;br /&gt;Mas os pensamentos continuam fortes, pesados e confusos. Pra variar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas acho que, agora, pós-aniversário, a vida vai tomar um rumo e um sentido, e ficar menos "ao deus dará".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aniversário, aliás, que consegui reunir os bons amigos de sempre que estavam por SP, que bebi até fechar os bares do centro. Que teve boas conversas, um bom clima e bons pensamentos. Que teve bom abraço da arquiteta e Red Label do arquiteto, confiáveis amigos que Embu me trouxe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, no dia após a bebedeira do ano, finalmente retomei a história do mestrado, que parece que vai virar um projeto temático, algo maior do que tinha pensado. Com a ajuda de uma grande pessoa que vai me guiar no fantástico e obscuro mundo do mestrado na USP.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fora o trampo em Embu, em Taboão, com os sócios da faculdade, o possível mestrado e os bares semanais, a vida continua bem. Só falta paciência para acabar com os momentos baixos ou, pelo menos, tirar uma lição melhor deles.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21487595-2946436822087293936?l=smarthead.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2011-04-07T22:17:19.165-03:00</app:edited><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total><feedburner:origLink>http://smarthead.blogspot.com/2011/04/mais-um-ano.html</feedburner:origLink></item><item><title>Criatividade e ideologia</title><link>http://feedproxy.google.com/~r/Smarthead/~3/9UOsZxeo9O8/criatividade-e-ideologia.html</link><category>vida</category><author>noreply@blogger.com (leila)</author><pubDate>Sat, 26 Feb 2011 15:41:53 PST</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-21487595.post-2703304385459048395</guid><description>Eu não sou dessas arquitetas que são criativas. Não gosto de projetar e, quando tenho de fazer isso, saem umas coisas bem simples, tranquilas e úteis. Mas não criativas. Chego a pensar que até um engenheiro faria melhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca fui de ficar viajando numa idéia, propor soluções de impacto. Sei solucionar o espaço, e isso me basta. Ainda mais agora, sabendo da qualidade da mão-de-obra de nossa construção civil, me limito cada vez mais a fazer o prático, tanto em termos projetuais quanto em estética.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não fica uma coisa super legal, mas resolve.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez por isso eu tenha me juntado com mais três amigos pra montar um escritório e poder desenvolver mais o lado criativo do meu cérebro. E ainda assim vai ser algo meio falso. Porque a pessoa nasce criativa, não se aprende a ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sou mais do tipo de arquiteta que não se incomoda em ser &lt;span style="font-style: italic;"&gt;sidekick&lt;/span&gt;. Aquele cara que tá do lado do herói, ajudando quando a barra pesa. Assim como na minha vida de modo geral, prefiro muito mais ajudar a consolidar uma idéia boa do que desenvolver algo do zero. E aí eu desenvolvo mais meu lado ideológico do que criativo, porque pra ajudar em alguma idéia eu tenho de lutar por ela, vestir a camisa, mesmo reconhecendo as possíveis falhas. E, por tabela, consigo desenvolver argumentos para a defesa e passar para a sociedade, e estabelecer um diálogo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, juntando à minha timidez característica, ao meu não-gosto de conversar e à minha objetividade de fazer o trabalho rápido e bem feito, é comum eu nunca dar minha opinião durante o processo. Porque, no fim, me relaciono com pessoas muito eloquentes e muito mais inteligentes e experientes que eu. Por tabela, já dizem meus argumentos sem saberem e eu, que não gosto de falar, não preciso falar tudo de novo. Só minha presença no projeto já deveria dizer que eu concordo e bola pra frente. Se eu discordasse de algo, diria alguma coisa e cairia fora. Sem crises.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre foi assim, desde os tempos de movimento estudantil até agora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No fim, me acostumei a não ter nenhum papel de destaque em nada que eu faça. Nem no trabalho, nem nos projetos paralelos, com meus sócios ou com minhas amigas. O que não é comum são as demais pessoas aceitarem isso. Ficam incomodadas de eu não dar opinião nenhuma, de eu ficar quieta, prestando atenção. Mas é muito normal pra mim ser dessa forma. Gosto de ajudar, de qualquer forma possível, sem me preocupar com créditos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21487595-2703304385459048395?l=smarthead.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2011-02-26T20:41:53.413-03:00</app:edited><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total><feedburner:origLink>http://smarthead.blogspot.com/2011/02/criatividade-e-ideologia.html</feedburner:origLink></item><item><title>Resumo da vida</title><link>http://feedproxy.google.com/~r/Smarthead/~3/s3FZO7wFWCU/resumo-da-vida.html</link><category>vida</category><author>noreply@blogger.com (leila)</author><pubDate>Tue, 22 Feb 2011 17:28:49 PST</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-21487595.post-8099123433057116734</guid><description>Ultimamente, minha vida se resume a:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Trabalhar até às 19h todo dia útil em Embu. Mais por gosto do que por obrigação (e eu nunca imaginei que pensaria assim).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Trabalhar com mutirão aos sábados (por enquanto o recorde é de 4 sábados seguidos, e que seriam mais, mas uma hora o corpo não aguenta).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Estudar sobre Anarquismo, e começando a encarar estudos sobre autogestão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tomar umas brejas de vez em quando, quase nunca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Dormir tarde e acordar cedo pra caramba graças à uma "ótima" reunião no escritório no começo do ano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Fazer parte de uma das melhores equipes que já trabalhei num trampo paralelo que tem tudo pra ser referência (enquanto damos um tempo no escritório próprio com meu sócios).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Rever inúmeras fotos antigas e sair publicando por aí.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ficar entre o desânimo e o orgulho de muitas coisas que acontece em Embu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Cozinhar algumas coisas diferentes e ficando feliz com cada resultado bom.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resumindo mais: muito trampo, pouca cerveja.&lt;br /&gt;E, pra ficar mais esquisito, achar que isso não é a pior coisa do mundo.&lt;br /&gt;E achar que, no fim, apesar de tudo que anda acontecendo por lá, o trabalho ainda vale bem a pena.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21487595-8099123433057116734?l=smarthead.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2011-02-22T22:28:49.468-03:00</app:edited><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total><feedburner:origLink>http://smarthead.blogspot.com/2011/02/resumo-da-vida.html</feedburner:origLink></item><item><title>2010/2011</title><link>http://feedproxy.google.com/~r/Smarthead/~3/Di-IxLONtBE/20102011.html</link><category>vida</category><author>noreply@blogger.com (leila)</author><pubDate>Mon, 03 Jan 2011 17:09:58 PST</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-21487595.post-1972827576832529232</guid><description>2010&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ano que me estabeleci de vez no centro de SP.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que participei de quatro concursos. Sem ganhos materiais, mas com inúmeros imateriais. Concursos que me valeram conhecer melhor pessoas novas incríveis e velhos conhecidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ano em que a Copa me aproximou de colegas de trabalho e de velhos amigos e me valeu bebedeiras homéricas em poucos dias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que acompanhei mais de perto a vida dos meus irmãos. Que pude sair com eles com mais frequência que nos anos anteriores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que as conversas e a confiança da chefe me valeram muita coisa. Imensurável.&lt;br /&gt;Que as conversas com o colega do trampo me divertiram mais que o normal.&lt;br /&gt;Que metade dos demais colegas de trampo se mostraram totalmente inconfiáveis. Mas que valorizei cada bom senso e profissionalismo da outra metade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ano em que os bares e os trabalhos com o padrinho valeram muitos conselhos e muita risada.&lt;br /&gt;É pena que tenha perdido contato com a madrinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ano em que bebi, como sempre. Que tentei parar de fumar.&lt;br /&gt;Que me engajei mais em Embu, mesmo não fazendo muito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2011&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ano que pretendo implantar de vez o cineclube em Embu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que pretendo me manter mais esperta. E trabalhar melhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que pretendo manter os bons laços de amizade com o pessoal de lá. Sem esquecer o pessoal de SP.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ano que pretendo fazer mestrado. E estudar mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que pretendo ficar mais tranquila e ligar menos para besteiras que só trazem energia ruim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ano que pretendo ser mais tolerante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que pretendo levar mais a sério o escritório próprio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, que venham mais concursos! E, quem sabe, projetos novos.&lt;br /&gt;Que venham mais desafios. Porque agora terei mais paciência.&lt;br /&gt;Que venham mais cervejas e mais amizades.&lt;br /&gt;Que venha mais profissionalismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De resto, que venha muita energia boa. Porque de ruim, já bastou esse fim de 2010.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com a certeza de que o mergulho no mar nos primeiros minutos de 2011 vão me guiar no melhor caminho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com a certeza de que aprendi com os erros.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21487595-1972827576832529232?l=smarthead.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2011-01-03T23:09:58.772-02:00</app:edited><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">1</thr:total><feedburner:origLink>http://smarthead.blogspot.com/2011/01/20102011.html</feedburner:origLink></item><item><title>Mutirão</title><link>http://feedproxy.google.com/~r/Smarthead/~3/fBO4uN7SDRo/mutirao.html</link><category>vida</category><category>trampo</category><author>noreply@blogger.com (leila)</author><pubDate>Sat, 18 Dec 2010 15:00:33 PST</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-21487595.post-1470551852428608029</guid><description>Eu nunca tinha participado de um mutirão. Só visto e lido sobre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daí que na primeira reunião com a demanda das obras do Valo Verde, foram os próprios futuros moradores que se ofereceram pra ajudar, mesmo com a gente (mais eu e minha chefe) pensando seriamente em propor isso a eles na reunião.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi um tanto espontâneo, e na semana seguinte lá estava eu organizando o primeiro dia de mutirão. Eu, que nunca participei, estava coordenando o que fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, no dia anterior, lá estava eu nervosa sobre como lidar com isso. Porque no fim eu iria sozinha. Eu e mais um mestre-de-obras novato em mutirão. O que me valeu uma boa conversa com a chefe no dia anterior, me acalmando e passando todas as dicas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquei a semana inteira pensando, organizando, monitorando a obra pra ver o que o pessoal podia fazer no sábado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No sábado, eu cheguei 10 minutos atrasada. Todo mundo já tava lá, com tarefas específicas. Homens e mulheres fazendo um pouco de tudo. O mestre soube bem organizar e despachar tarefas sem mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cheguei, passei protetor solar (tava um calor de 30ºC) e comecei a ajudar em tudo. Porque, se era pra fazer parte, tinha de ajudar no trabalho pesado também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Separamos material, limpamos a obra e levamos o material pra dentro dos tapumes. Tudo isso antes do almoço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na volta, concretagem. Trabalho pesado que foi divertido com 12 pessoas. Mas, ainda assim, estava nervosa. Pelo traço do concreto certo, pelo enchimento correto, por assegurar trabalho pra todo mundo. No fim, em duas horas, tudo certo. Acabamos a tempo, pois logo começou a chover forte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois disso, todos prontos pro mutirão do fim de semana que vem, agora com a chefe coordenando enquanto eu resolvia outras coisas em Embu mesmo. Assim que resolvi, parti pra lá pra fazer parte. Passei o resto da manhã desse sábado carregando blocos e ajudando a organizar tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E foi legal perceber que, por mais que a gente programe e organize, os mutirantes tiveram a boa vontade e a garra de fazer de tudo pra ajudar. Levaram o mutirão pra frente sem ter de receber ordens, só aceitando sugestões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Valeu a pena ficar com o corpo doendo o domingo inteiro, dormir mal de ansiedade, "perder" o sábado trabalhando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque fez a diferença conhecer melhor o pessoal que vai morar lá. Ganhar um "feliz natal" deles, mesmo para alguém que não é católico. Receber o respeito e o reconhecimento deles hoje, quando só passei pra dar um alô e na volta, quando voltei pra ajudar. Conversar de igual pra igual, sabendo mais da vida deles e eles, da minha. Fazer brincadeiras no meio do trampo pesado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque percebi que esse tipo de trabalho me fez esquecer todos os  problemas que estão acontecendo comigo. Tipo uma limpeza da alma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Incrivelmente, deu tudo certo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21487595-1470551852428608029?l=smarthead.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2010-12-18T21:00:33.374-02:00</app:edited><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total><feedburner:origLink>http://smarthead.blogspot.com/2010/12/mutirao.html</feedburner:origLink></item><item><title>Fim</title><link>http://feedproxy.google.com/~r/Smarthead/~3/yFbAmQnFVGo/fim.html</link><category>vida</category><author>noreply@blogger.com (leila)</author><pubDate>Wed, 08 Dec 2010 17:57:00 PST</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-21487595.post-2711768210954849665</guid><description>E hoje teve fim mais um ciclo.&lt;br /&gt;O ciclo das energias ruins, que começou a mais ou menos mais de um mês atrás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje foi a reunião derradeira, depois de dias de mentiras.&lt;br /&gt;Na qual eu fiquei mais quieta do que falante.&lt;br /&gt;Até porque eu não estava nem aí.&lt;br /&gt;Até porque, é o meu jeito.&lt;br /&gt;Eu estava, na verdade, mais a fim de ouvir as acusações de minha acusadora.&lt;br /&gt;Eu estava, na verdade, a fim de que tudo terminasse logo.&lt;br /&gt;E me deliciei, sem remorsos ou falsos moralismos, com cada deslize dela.&lt;br /&gt;Com cada mentira sendo resolvida de bate-pronto.&lt;br /&gt;Ou nem tanto.&lt;br /&gt;Eu esperava ela falar, e falar.&lt;br /&gt;As demais diretoras me defendiam.&lt;br /&gt;Aliás, não defendiam a mim, pessoa física. Mas como profissional.&lt;br /&gt;E eu me defendia na medida do possível.&lt;br /&gt;Me defendia quando ela parava de falar tanto.&lt;br /&gt;E tinha o respaldo dos demais.&lt;br /&gt;Principalmente em cada deslize dela.&lt;br /&gt;Eu sabia que minha melhor defesa seria o ataque dela.&lt;br /&gt;Porque sabia que ela iria se embananar toda.&lt;br /&gt;E essa foi minha tática, que felizmente deu certo.&lt;br /&gt;Um peixe morre pela boca, como diz o ditado.&lt;br /&gt;Há outro, mais real: Goebbels, ministro da propaganda de Hitler, dizia que uma mentira dita muitas vezes virava verdade.&lt;br /&gt;E isso quase virou realidade hoje.&lt;br /&gt;A boa notícia é que eu trabalho. E muito. Tô na área pra qualquer coisa, não me importando com salário e horário.&lt;br /&gt;E isso me deu respaldo pra muita coisa. Me deu confiança a quem precisava.&lt;br /&gt;E foi isso que derrubou o ditado.&lt;br /&gt;Que derrubou o senso comum.&lt;br /&gt;Porque, apesar de nova de profissão, de idade e de cidade, eu não estou em Embu pra brincadeira.&lt;br /&gt;Estou pra trabalhar. E pra ser honesta.&lt;br /&gt;E vou morrer sendo o máximo de honesta que conseguir.&lt;br /&gt;Mesmo que isso signifique derrubar alguns tabus.&lt;br /&gt;Mesmo que isso signifique lutar por algo melhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No fim, não fiquei exatamente feliz. Porque queria que acabasse de outra forma.&lt;br /&gt;Mas, fico feliz de ter tido um fim.&lt;br /&gt;Mesmo sabendo que isso vai me acarretar muitas consequencias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, agora mais do que nunca, estou disposta a lutar.&lt;br /&gt;Posso perder batalhas, mas ganho a guerra.&lt;br /&gt;Quando sei que mereço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E fico, mais do que nunca, feliz de ter a confiança de amigos e de pessoas importantes. De tê-los ao meu lado. Não pelo lado pessoal, mas pelo lado profissional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que tudo continue dando certo daqui pra frente!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21487595-2711768210954849665?l=smarthead.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2010-12-08T23:57:00.370-02:00</app:edited><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">1</thr:total><feedburner:origLink>http://smarthead.blogspot.com/2010/12/fim.html</feedburner:origLink></item><item><title>Sobre a semana</title><link>http://feedproxy.google.com/~r/Smarthead/~3/EYZ6A7CfYoE/sobre-semana.html</link><category>vida</category><category>arquitetura</category><author>noreply@blogger.com (leila)</author><pubDate>Sun, 28 Nov 2010 17:33:59 PST</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-21487595.post-3556238994362655609</guid><description>A semana começou com Paul McCartney. Já falei sobre antes. Mas nunca vou cansar de falar disso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seguiu com mais um concurso de projetos. O último do ano. Cujo projeto ainda está rolando nesse exato momento. E que tem me ensinado muito sobre o Rio de Janeiro e, sobretudo, sobre fazer projetos de urbanização de modo relâmpago.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continuou com as obras do Valo Verde, projeto interminável no Jardim Santo Eduardo, apreensão pela ligação de água, esgoto e energia no Jardim Vazame. Em Embu, a semana terminou com uma boa reunião com os novos moradores, com uma proposta séria de mutirão, com a minha empolgação meio contida, meio apreensiva. Com um almoço às 17h. Com conversas boas com a chefe e com a tiração de sarro habitual do meu arquiteto-amigo de trabalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em São Paulo, a semana continuou com uma festa de uma grande amiga, na sexta à noite. Há tempos não voltava às quatro da manhã, semi bêbada. Há tempos não bebia com os amigos até essa hora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a semana terminou com a visita ao mutirão Paulo Freire. O mesmo que fui ver em 2005, na Semana de Arquitetura da UNICAMP. Quando, na época, eu ainda não ligava para movimentos sociais, e muito menos para arquitetura na periferia. E que, surpresamente, virou minha atual paixão arquitetônica. Só hoje, 5 anos depois, dei o real valor à essa obra concluída que fui ver hoje. A obra que vi só na estrutura, hoje completa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E é essa paixão e seus reflexos que tem consumido boa parte do meu pensamento todo dia, desde o revés pré-feriado de Finados. Aliás, esse revés ainda está na minha cabeça e no meu coração. Acho que sou uma pessoa muito rancorosa. Mas vou tentar deixar isso de lado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Preciso dar valor e pensar mais nas demais coisas que fazem bem. Que me fazem ser melhor. E parar de guardar rancor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21487595-3556238994362655609?l=smarthead.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2010-11-28T23:33:59.313-02:00</app:edited><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total><feedburner:origLink>http://smarthead.blogspot.com/2010/11/sobre-semana.html</feedburner:origLink></item><item><title>Two of us*</title><link>http://feedproxy.google.com/~r/Smarthead/~3/900c7cg1h1s/two-of-us.html</link><category>música</category><author>noreply@blogger.com (leila)</author><pubDate>Thu, 25 Nov 2010 15:43:25 PST</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-21487595.post-2683337229221669027</guid><description>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_JwKhhsFYW6w/TO70fv21NkI/AAAAAAAAATY/x1sQXSCXX20/s1600/HG_Remembering_JohnGeorge.jpg"&gt;&lt;img style="display: block; margin: 0px auto 10px; text-align: center; cursor: pointer; width: 312px; height: 209px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_JwKhhsFYW6w/TO70fv21NkI/AAAAAAAAATY/x1sQXSCXX20/s320/HG_Remembering_JohnGeorge.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5543637017599227458" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;*título roubado na cara dura &lt;a href="http://imprensarocker.wordpress.com/2010/11/25/two-of-us/#comment-4090"&gt;do site de um amigão meu&lt;/a&gt;. E o texto veio de lá também, que por tabela também foi copiado &lt;a href="http://champ-chronicles.blogspot.com/2010/11/two-of-us.html"&gt;desse lugar&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por trás dos cabelos longos e bigode, ele está olhando para baixo,  observando algo fixamente. É surpreendido pela chegada do companheiro,  que possui cabelos ainda mais longos que quase escondem os óculos de aro  fino. &lt;p&gt;O recém-chegado senta-se ao lado do amigo, olhando para baixo e  apertando os olhos devido à miopia. Após alguns segundos, pergunta:&lt;/p&gt; &lt;p&gt;– Ele já entrou no palco?&lt;/p&gt; &lt;p&gt;– Já. Está tocando há alguns minutos – responde o amigo.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;– Onde é?&lt;/p&gt; &lt;p&gt;– No Brasil. Em São Paulo, acho.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;– Está cheio?&lt;/p&gt; &lt;p&gt;– Muito.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;O de óculos permanece em silêncio alguns segundos, tentando captar o som que vem de baixo, de longe.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;– O que ele está tocando agora? Jet?&lt;/p&gt; &lt;p&gt;– Acho que sim, não dá para ouvir direito por causa da gritaria. Mas acho que é sim.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;– Eu gosto desta música.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;– Ele está falando com a platéia, mas não consigo entender nada.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;– Acho que é português. Não dá para ouvir direito, o público não deixa.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;– Com a gente era assim, também. Lembra no Japão? Ninguém ouvia nada.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;– Olhe! All My Loving!&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Ambos começam a bater as mãos no joelho, de forma quase inconsciente,  acompanhando o ritmo da música. “I’ll pretend that I’m kissing…”, o de  bigode canta baixinho.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;– George! Você ainda se lembra da letra!&lt;/p&gt; &lt;p&gt;– Tem como esquecer? Aposto que você se lembra também.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;– Eu me lembro de todas. Todas as músicas. Todos os versos.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;– Ele está afinado ainda, não?&lt;/p&gt; &lt;p&gt;– Ele sempre cantou muito bem. Desde menino, ele sempre cantou muito.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Ficam em silêncio mais um pouco, olhando para baixo atentamente.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;– Qual é agora? Drive my Car? A platéia esta fazendo barulho demais.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;– Drive my Car. Essa é quase toda dele, sabia? Eu apenas ajudei em uns trechos.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;– Está no Rubber Soul, né?&lt;/p&gt; &lt;p&gt;– Acho que sim. Sim.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;– A platéia está cantando a música inteira.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;– Como eles sabem a letra? Eles não eram nem nascidos quando lançamos isso.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;– Não sei… Mas eles estão cantando a música inteira, John. Dá para ver daqui.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Permanecem em silêncio por mais algum tempo. O de óculos, mesmo sem  perceber, balança a cabeça para os lados discretamente, ao som da  música.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;– Ele foi para o piano.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;– Eu nunca entendi como ele sabia tocar tantos instrumentos. Isso não é normal.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;That leads to your door&lt;br /&gt;Will never disappear&lt;/p&gt; &lt;p&gt;– Qual ele está tocando agora? The Long and Winding Road?&lt;/p&gt; &lt;p&gt;– Sim. Veja! As pessoas estão chorando!&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Afastando os cabelos do rosto, o míope aperta ainda mais os olhos, vasculhando a multidão.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;– Não gosto dessa música – ele diz, mais para si mesmo que para o amigo.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;– É linda. Ninguém conseguia fazer baladas como ele.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;– Mas não gosto. Nós mal nos falávamos na época.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;– Acontece. Acontece com todo mundo, por que não iria acontecer com a gente?&lt;/p&gt; &lt;p&gt;– Verdade.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;– Ele está tocando as nossas, olhe. Antes foi And I Love Her. Agora é Blackbird.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;– Eu não acredito que as pessoas ainda cantam junto, depois de tantos  anos… A letra não está aparecendo no telão? – pergunta o de óculos,  abaixando-se ainda mais e tentando ver o palco.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;– Não, elas sabem mesmo. Dá para perceber daqui.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;– Ele disse meu nome?&lt;/p&gt; &lt;p&gt;– Sim. Você sabe qual ele vai tocar. Ele escreveu para você.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;I still remember how it was before,&lt;br /&gt;and I’m holding back the tears no more…&lt;/p&gt; &lt;p&gt;– Você está legal, John?&lt;/p&gt; &lt;p&gt;– Eu e ele perdemos muito tempo. Hoje eu sei disso.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;– Eu sei.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;– Sabe, George… Se nós soubéssemos que eu teria tão pouco tempo, talvez tivéssemos nos comportado de outra maneira.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;– Talvez não. Vocês sempre foram melhores amigos. Ele sabia disso.  Ele faz questão de cantar essa, todo show. E ele sabe que você está  vendo. Ele não canta para a platéia, ele canta para você. É a forma que  ele encontra de matar a saudade um pouco.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;– Será?&lt;/p&gt; &lt;p&gt;– Sim. Eu senti muito sua falta antes de nos reencontramos. Olhe as pessoas lá embaixo, estão soluçando. Todos sentem sua falta.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;– Eu sinto muito a falta dele. Eu sinto muita saudade da gente. Especialmente do começo. Lembra da Alemanha?&lt;/p&gt; &lt;p&gt;– A gente ainda era menino… Tudo era o máximo, tudo era novidade. Nós éramos novidade.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;– Nós ainda somos novidade. Olhe, essa é sua!&lt;/p&gt; &lt;p&gt;You’re asking me, my love will grow?&lt;br /&gt;I don’t know, I don’t know&lt;/p&gt; &lt;p&gt;– Eu me lembro de quando escrevi. Era difícil escrever algo com vocês ali.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;– Essa música é linda.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;– Olhe! No telão! Ele colocou uma foto minha!&lt;/p&gt; &lt;p&gt;– A gente gostava demais de você. Você era mais novo, víamos você como uma espécie de caçula.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;– Eu sei – concorda o de bigode, rindo alto.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Esperam em silêncio a plateia aplaudir. Ao final da música, ambos  estão visivelmente emocionados, cada qual com suas lembranças. Os  acordes de uma nova canção parecem despertá-los.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;– Eu gosto dessa!&lt;/p&gt; &lt;p&gt;– Essa é dele, não é nossa.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;– Band on the Run? Mas poderia ser nossa.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;– Se dependesse de mim, seria.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;– Ah, sim. De todos nós, você sempre foi o mais roqueiro, essa música é a sua cara.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;– Ele fez muita coisa boa, né?&lt;/p&gt; &lt;p&gt;– Sim.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Enquanto o de óculos bate os dedos no joelho, o de bigode, sentado de  pernas cruzadas transforma sua própria coxa no braço de uma guitarra  imaginária. Ambos parecem distantes, talvez pensando não no que foi, mas  no que poderia ter sido.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;I read the news today oh boy&lt;br /&gt;About a lucky man who made the grade&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Enquanto o de bigode tamborila os dedos no ritmo, seu amigo remove os óculos rapidamente. Está chorando.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;– Você sempre chora nessa.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;– Foi uma das últimas que escrevemos juntos. Mesmo separados. Metade é  minha, metade é dele. É estranho, hoje, vê-lo cantando minha parte, e  eu aqui.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;– Ele não está cantando sozinho.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;– Como não?&lt;/p&gt; &lt;p&gt;– Olhe o estádio. É uma voz só, uma voz de sessenta mil pessoas.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;– O que são aquelas coisas brancas? Balões de gás?&lt;/p&gt; &lt;p&gt;– Sim.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;– Como isso fica bonito, vendo daqui de cima.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;– Espere… Give peace a chance? Isso não era da música, certo?&lt;/p&gt; &lt;p&gt;– Não.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;– Isso é seu!&lt;/p&gt; &lt;p&gt;– Sim.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;– O estádio inteiro está cantando! Olhe os balões de gás! As pessoas estão chorando, se abraçando.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;O de óculos resmunga um palavrão, sorrindo. Seus óculos estão embaçados, molhados de saudade.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;– Let it be. Essa não poderia faltar.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;– Eu não me conformo com isso, com as pessoas ainda saberem as letras inteiras.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;But in this ever changing world&lt;br /&gt;in which we live in&lt;/p&gt; &lt;p&gt;– Eu gosto dessa também.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;– Uau! Você viu aquilo, John? São fogos?&lt;/p&gt; &lt;p&gt;– Ficou demais, né?&lt;/p&gt; &lt;p&gt;– Nós não tínhamos isso no nosso tempo.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;– Nós não precisávamos.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;– Mas ele também não precisa. Mesmo assim, ficou lindo.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;– O que as pessoas estão cantando, agora? Hey Jude?&lt;/p&gt; &lt;p&gt;– Sim… Estão abraçados, cantando junto com ele.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;– É engraçado, George… Eu sei que nós éramos bons… Mas acho que nunca  entendi a importância que temos na vida das pessoas, até pouco tempo  atrás. Quando eu assisto aos shows dele, e vejo as pessoas cantando  junto, chorando… Mexe demais comigo.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;– Nós éramos bons, John. Você sabe disso.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;– Aparentemente, ainda somos. As pessoas ainda…&lt;/p&gt; &lt;p&gt;– Ainda o quê?&lt;/p&gt; &lt;p&gt;– Sabe, eu estava errado.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;– Oi?&lt;/p&gt; &lt;p&gt;– Quando eu disse que o sonho acabou. Eu estava errado.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;– Nós três sempre soubemos disso, que você estava errado. Você sempre  falou demais. Lembra aquela confusão de sermos maiores que Deus?&lt;/p&gt; &lt;p&gt;– Sim… Mas o sonho… O sonho não acabou nunca. Eu errei.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;– John?&lt;/p&gt; &lt;p&gt;– Sim?&lt;/p&gt; &lt;p&gt;– O sonho nunca vai acabar. Não enquanto as pessoas se lembrarem. E elas vão se lembrar para sempre.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Sorrindo, John Lennon levanta-se e oferece a mão a George Harrison.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;– Você está com sua guitarra?&lt;/p&gt; &lt;p&gt;– Eu sempre estou com minha guitarra, você sabe.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;– Vamos tocar um pouco?&lt;/p&gt; &lt;p&gt;– Qual?&lt;/p&gt; &lt;p&gt;– Qualquer uma. Deu saudade.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Milhões de quilômetros abaixo, Paul McCartney, emocionado, agradece à platéia. &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21487595-2683337229221669027?l=smarthead.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2010-11-25T21:43:25.459-02:00</app:edited><media:thumbnail url="http://4.bp.blogspot.com/_JwKhhsFYW6w/TO70fv21NkI/AAAAAAAAATY/x1sQXSCXX20/s72-c/HG_Remembering_JohnGeorge.jpg" height="72" width="72" /><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">1</thr:total><feedburner:origLink>http://smarthead.blogspot.com/2010/11/two-of-us.html</feedburner:origLink></item><item><title>O melhor show da vida</title><link>http://feedproxy.google.com/~r/Smarthead/~3/xmukfS-cQ2Y/o-melhor-show-da-vida.html</link><category>música</category><category>shows</category><author>noreply@blogger.com (leila)</author><pubDate>Mon, 22 Nov 2010 16:07:06 PST</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-21487595.post-1632784438554383657</guid><description>E Paul veio e foi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não chorei só na Let'em In. Chorei em todas as músicas. Copiosamente na Something e na Here Today, as duas que ele dedicou aos beatles mortos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas demais, fiquei agradecendo internamente por estar ouvindo as músicas. Por ter tido a honra de estar lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O show foi o melhor da vida por diversos motivos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1. Teve uma puta energia boa. Sem brigas, sem desavenças. Todos na mesma sintonia.&lt;br /&gt;2. Teve as músicas que mais queria ouvir ao vivo.&lt;br /&gt;3. Teve amizades instantâneas que me valeram muito.&lt;br /&gt;4. Teve a alegria dos meus irmãos, felizes demais de estarem lá.&lt;br /&gt;5. Teve choro bom, desses que lavam a alma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E não me importo se é "só" um ex-beatle, se não eram os Beatles de verdade, se Paul está velho. Era o Paul, e isso me bastava profundamente. Eu fui pra ver ele, fui pra ouvir as versões dele das músicas dos Beatles, fui pra ouvir as músicas que ele fez nos Wings. Fui por ele, não pelos Beatles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E estou extremamente feliz e radiante com isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque mudou meu humor. Me fez lavar a alma, de verdade.&lt;br /&gt;Porque me retomou a crença em muitas coisas.&lt;br /&gt;Acho que era exatamente isso que eu precisava na minha vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obrigada, Paul. De coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ps.: Eu já fui a muitos shows nesta vida. De todo tipo de música. Todos de ídolos, de artistas que me balizam a vida. O show do Paul foi, de longe, o mais intenso.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21487595-1632784438554383657?l=smarthead.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2010-11-22T22:07:06.280-02:00</app:edited><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total><feedburner:origLink>http://smarthead.blogspot.com/2010/11/o-melhor-show-da-vida.html</feedburner:origLink></item><item><title>Let'em in</title><link>http://feedproxy.google.com/~r/Smarthead/~3/B63EyQ-Gx4A/letem-in.html</link><category>música</category><author>noreply@blogger.com (leila)</author><pubDate>Tue, 16 Nov 2010 16:03:24 PST</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-21487595.post-868514454048110521</guid><description>Acho que vou chorar quando ouvir esta música em especial, no próximo dia 20, ao vivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As músicas pós-Beatles do Sir Paul me surpreendem sempre, mesmo eu conhecendo 90% das músicas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não tenho um beatle favorito, não consigo gostar mais de um do que de outro. Gosto do grupo como um todo, sem fanatismo, sem diferenças. Sabendo que cada um fez sua parte para contribuir no todo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E numa fase que tô bem descrente em muita coisa, acho que uma música que diz que se deixem entrar as pessoas queridas, que elas procurem um lugar de confraternização e de amizade, uma música que diz da reunião de tanta gente diferente e igual ao mesmo tempo, [interpretação livre da música pela minha pessoa], vem a calhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E lembrando da conversa do almoço de hoje com a chefe, como é bom às vezes a gente perder o travamento a coisas simples e confiar um pouco mais nas pessoas, sem esperar nada de volta. mas, também, como é bom ter um olhar desconfiado acerca de tudo, até sentir que a energia é a mesma. Que a sincronia existe. Daí a desconfiança desaparece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, a música e a letra.&lt;br /&gt;Let'em in!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;object style="background-image: url(&amp;quot;http://i3.ytimg.com/vi/nUG1boE8SH8/hqdefault.jpg&amp;quot;);" width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/nUG1boE8SH8?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/nUG1boE8SH8?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR" allowscriptaccess="never" allowfullscreen="true" wmode="transparent" type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Someone's knockin at the door&lt;br /&gt;Somebody's ringin' the bell&lt;br /&gt;Someone's knockin at the door&lt;br /&gt;Somebody's ringin' the bell&lt;br /&gt;Do me a favor&lt;br /&gt;Open the door and let'em in.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Someone's knockin at the door&lt;br /&gt;Somebody's ringin' the bell&lt;br /&gt;Someone's knockin at the door&lt;br /&gt;Somebody's ringin' the bell&lt;br /&gt;Do me a favor&lt;br /&gt;Open the door and let'em in.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sister Suzie&lt;br /&gt;Brother John&lt;br /&gt;Martin Luther&lt;br /&gt;Phil and Don&lt;br /&gt;Brother Michael&lt;br /&gt;Auntie Gin&lt;br /&gt;Open the door and let'em in.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sister Suzie&lt;br /&gt;Brother John&lt;br /&gt;Martin Luther&lt;br /&gt;Phil and Don&lt;br /&gt;Uncle Ernie&lt;br /&gt;Auntie Gin&lt;br /&gt;Open The Door&lt;br /&gt;And Let 'Em In&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Someone's knockin at the door&lt;br /&gt;Somebody's ringin' the bell&lt;br /&gt;Someone's knockin at the door&lt;br /&gt;Somebody's ringin' the bell&lt;br /&gt;Do me a favor&lt;br /&gt; Open the door and let'em in.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sister Suzie&lt;br /&gt;Brother John&lt;br /&gt;Martin Luther&lt;br /&gt;Phil and Don&lt;br /&gt;Uncle Ernie&lt;br /&gt;Uncle Ian&lt;br /&gt;Open The Door&lt;br /&gt;And Let 'Em In&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Someone's knockin at the door&lt;br /&gt;Somebody's ringin' the bell&lt;br /&gt;Someone's knockin at the door&lt;br /&gt;Somebody's ringin' the bell&lt;br /&gt;Do me a favor&lt;br /&gt; Open the door and let'em in.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/21487595-868514454048110521?l=smarthead.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2010-11-16T22:03:24.263-02:00</app:edited><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total><enclosure url="http://www.youtube.com/v/nUG1boE8SH8?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR" length="1099" type="application/x-shockwave-flash" /><media:content url="http://www.youtube.com/v/nUG1boE8SH8?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR" fileSize="1099" type="application/x-shockwave-flash" /><itunes:explicit>no</itunes:explicit><itunes:subtitle>Acho que vou chorar quando ouvir esta música em especial, no próximo dia 20, ao vivo. 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E lembrando da conversa do almoço de hoje com a chefe, como é bom às vezes a gente perder o travamento a coisas simples e confiar um pouco mais nas pessoas, sem esperar nada de volta. mas, também, como é bom ter um olhar desconfiado acerca de tudo, até sentir que a energia é a mesma. Que a sincronia existe. Daí a desconfiança desaparece. Enfim, a música e a letra. Let'em in! Someone's knockin at the door Somebody's ringin' the bell Someone's knockin at the door Somebody's ringin' the bell Do me a favor Open the door and let'em in. Someone's knockin at the door Somebody's ringin' the bell Someone's knockin at the door Somebody's ringin' the bell Do me a favor Open the door and let'em in. Sister Suzie Brother John Martin Luther Phil and Don Brother Michael Auntie Gin Open the door and let'em in. Sister Suzie Brother John Martin Luther Phil and Don Uncle Ernie Auntie Gin Open The Door And Let 'Em In Someone's knockin at the door Somebody's ringin' the bell Someone's knockin at the door Somebody's ringin' the bell Do me a favor Open the door and let'em in. Sister Suzie Brother John Martin Luther Phil and Don Uncle Ernie Uncle Ian Open The Door And Let 'Em In Someone's knockin at the door Somebody's ringin' the bell Someone's knockin at the door Somebody's ringin' the bell Do me a favor Open the door and let'em in.</itunes:summary><itunes:keywords>música</itunes:keywords><feedburner:origLink>http://smarthead.blogspot.com/2010/11/letem-in.html</feedburner:origLink></item><media:rating>nonadult</media:rating></channel></rss>

