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		<title>O Time Lord que viajou no tempo (e no espaço).</title>
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		<pubDate>Thu, 26 Jan 2012 14:20:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thiago Henrique Santos</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O filme Contato, adaptação da obra de mesmo nome escrita por Carl Sagan, tem uma sequência inicial memorável. Basicamente vemos a Terra do espaço e ouvimos todo o caos das transmissões de rádio e televisão vindo do planeta. A imagem então começa a se afastar do planeta e a medida em que vamos viajando através [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O filme<a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Contact"> Contato</a>, adaptação da obra de mesmo nome escrita por Carl Sagan, tem uma sequência inicial memorável.</p>
<p>Basicamente vemos a Terra do espaço e ouvimos todo o caos das transmissões de rádio e televisão vindo do planeta. A imagem então começa a se afastar do planeta e a medida em que vamos viajando através do sistema solar, vamos também viajando através do tempo, ouvindo transmissões cada vez mais antigas até que tudo o que nos resta é o silêncio absoluto de um universo que não faz a menor ideia de que na terceira pedra depois de uma inexpressiva estrela, existe um monte de criaturinhas bípedes que  escutam o espaço na esperança de ouvir a história de outra civilização com o mesmo habito dionísico de gravar os próprios ruídos para que outros o apreciem.</p>
<p><iframe src="http://www.youtube.com/embed/VuxTTVtgjb4" frameborder="0" width="560" height="315"></iframe></p>
<p>No filme esta cena tem o papel fundamental de explicar para o espectador em três minutos que 1- transmissões de rádio e televisão feitas na Terra viajam para fora do planeta, 2- estes sinais viajam próximo à velocidade da luz e 3- é possível acompanhar toda a história televisionada ou radiodifundida da humanidade caso você possa se mover mais rápido do que estes sinais ou viva em um planeta que esteja no meio do caminho deles.</p>
<p>Este conceito é importante pro filme por que no final do primeiro ato ele é invertido, somos nós que recebemos um sinal alienígena (com um pequeno plot twist que eu não vou estragar dando spoilers, vá correndo assistir Contato).</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Doctor Who?</strong></p>
<p>Acontece que <a href="http://www.rimmell.com/bbc/news.htm">em 2009 algo muito semelhante aconteceu na vida real mesmo</a>, o que torna o caso todo muito mais interessante. Não, não recebemos sinais alienígenas, embora existam alienígenas nos sinais.</p>
<p>Explico. O radiotelescópio de Arecibo (que é o mesmo radiotelescópio que aparece no começo do filme Contato) começou a detectar sinais de VHF vindos do espaço. Segundo o Dr. Venn, que é o radioastrônomo que detectou tais sinais, eles eram claramente sinais antigos de tv aqui da Terra mesmo, mas estranhamente estavam vindo de um ponto no espaço.</p>
<p>Para o Dr. Venn era evidente o que estava acontecendo, sinais com quase 50 anos de idade viajaram 25 anos luz para longe da Terra e rebateram em algo que os mandou de volta para nós.</p>
<p>Ninguém sabe ao certo o que estava no caminhos dos sinais. Na época até a Nasa apontou o Hubble para o local, sem sucesso em obter qualquer dica do que está refletindo os sinais de volta para nós. A teoria é a de que existe uma nuvem de asteroides funcionando como uma espécie de espelho.</p>
<p>Ah sim! Já ia me esquecendo da parte alienígena nessa história toda. Acaba que os sinais de televisão detectados eram da programação de 50 anos atrás da BBC inglesa e, entre outras coisas, o sinal continha episódios perdidos da série <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Doctor_who">Doctor Who.</a></p>
<p>O caso é que por alguma razão as redes de televisão não pensavam na possibilidade de fazer reprise de seus programas e uma série de conteúdo se perdeu, incluindo episódios antigos de  uma série de televisão sobre um alienígena com dois corações que viaja no tempo em uma cabine de polícia azul que, graças à um pouco de ciência, um radiotelescópio e um cientista com um nome maneiríssimo, foram recuperados e digitalizados.</p>
<p>Só eu me divirto com a ironia dessa história?</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_919" class="wp-caption aligncenter" style="width: 610px"><a rel="lightbox" href="http://polegaropositor.com.br/wp-content/uploads/2012/01/Doctor-Who.jpg"><img class="size-full wp-image-919" title="Doctor-Who" src="http://polegaropositor.com.br/wp-content/uploads/2012/01/Doctor-Who.jpg" alt="" width="600" height="450" /></a><p class="wp-caption-text">Bow ties are cool!!</p></div>
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		<title>Aos periódicos tudo, à ciência o que sobrar…</title>
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		<pubDate>Thu, 19 Jan 2012 20:13:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thiago Henrique Santos</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Ciência 2.0]]></category>
		<category><![CDATA[Ciência FAIL]]></category>
		<category><![CDATA[História da Ciência]]></category>

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		<description><![CDATA[Antes de mais nada leiam este texto&#8230; Não leu? Não sabe inglês? Eu resumo rapidinho. Basicamente o texto chama atenção para um artigo que relata a pratica de alguns periódicos de pedir para autores de artigos aceitos para publicação citarem outros artigos publicados no mesmo periódico. O título do texto do Ben Goldacre resume bem [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Antes de mais nada <a href="http://bengoldacre.posterous.com/well-take-your-study-but-could-you-er-cite-so">leiam este texto&#8230;</a></p>
<p>Não leu? Não sabe inglês? Eu resumo rapidinho. Basicamente o texto chama atenção para um artigo que relata a pratica de alguns periódicos de pedir para autores de artigos aceitos para publicação citarem outros artigos publicados no mesmo periódico.</p>
<p>O título do texto do Ben Goldacre resume bem a situação: “nós aceitamos seu artigo para publicação mas&#8230; ééé&#8230; Você poderia citar outros artigos de nosso periódico?”.</p>
<p>Absurdo? Uma ofensa? Violação ética? Sim, todas as anteriores e, mais do que isso, completamente esperado.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Ciência e periódicos BFF’s.</strong><br />
A primeira coisa que precisamos entender sobre os periódicos é que eles eram necessários, MUITO necessários, no século XIX. Ok, muito necessários por mais tempo do que isso. O caso é que inicialmente eles surgiram para resolver o problema de comunicar para a comunidade os trabalhos sendo apresentados nas sociedades científicas de modo a ampliar o diálogo.</p>
<p>Tudo ia bem, ciência e periódicos viraram melhores amigos para sempre. A comunidade foi depositando cada vez mais sua confiança nestes nem sempre pequenos amontoados de papel e letras com ideias tão incríveis e que mudaram o mundo. Mas acaba que os periódicos são daqueles amigos interesseiros que só temos quando estamos bem. Eles não estão lá por que gostam de nós e se preocupam com o nosso futuro, não, eles só estão lá por que esperam lucrar com a relação de amizade.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>It’s a trap!</strong><br />
Óh comunidade científica, você não aprendeu nada com O Retorno do Jedi? Acaba que a Estrela da Morte não só está operacional como tem seu escudo de força funcionando a todo vapor. E a culpa é só nossa, por termos permitido que o lado negro nos seduzisse.</p>
<p>Fomos nós, enquanto comunidade, que demos aos periódicos a capacidade de ditar nossa posição profissional, a qualidade do nosso trabalho acadêmico, se nossa produção científica vale a pena ser publicada, se podemos ou não ter acesso aos trabalhos uns dos outros&#8230;</p>
<p>Sim, tivemos um ou outro Almirante Ackbar nos avisando “é uma armadilha”, sim temos um ou outro Han Solo e Princesa Léia tentando contornar o problema do escudo de força (<a href="www.plos.org">PLoS</a>?), mas ainda estamos parados dentro de uma arma de destruição em massa ouvindo palavras sedutoras ao pé do ouvido de um velho caquético.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>À ciência o que sobrar.</strong><br />
E é por isso que não devia ser surpresa para ninguém atitudes como a do periódico comentado no artigo indicado pelo Goldacre. Os periódicos não fazem caridade, não estão a serviço da ciência, não se sentem compelidos a seguir regras éticas caso violá-las seja mais rentável.</p>
<p>Periódicos e revistas científicas são, essencialmente, um modelo de negócio que vem dando certo a despeito de não fazerem mais sentido. A favor deles está a narrativa de que o processo de peer-review só é válido quando feito de forma “casada” à publicação do artigo, de que o fator de impacto diz qualquer coisa a respeito da qualidade do periódico, de que os melhores cientistas (ou ao menos os que valem a pena receber atenção do grande público e governo) são os que publicam em periódicos com alto fator de impacto.</p>
<p>Narrativas que a comunidade científica não só aceita de bom grado como não se preocupa em discutir muito. Sim, há vozes dissonantes. Sim, há gente preocupada com o cenário atual, mas em sua maior parte a ciência está preocupada demais com aceleradores de partículas e formas de vida sintéticas para se importar com questões tão menos exotéricas.</p>
<p>O que me deixa mais triste é que a discussão que irá surgir por conta do artigo, prevejo eu querendo muito estar errado, é sobre o que fazer com o periódico X ou Y, ou sobre como modificar o fator de impacto para ficar menos suscetível a “gaming”. Discutir toda a cadeia de produção, validação e publicação de artigos? Pffff, pra que?</p>
<p>Para uma comunidade feita de mentes tão brilhantes, capazes de moldar o futuro da sociedade e os rumos da humanidade, fica difícil entender e aceitar que estamos presos a um modelo que foi criado no século XIX. Nós sequer estamos seguindo aquele modelo que, pelo menos, estava a serviço da ciência.</p>
<p>É inacreditável que o mundo todo esteja passando por uma verdadeira revolução na maneira como as pessoas se comunicam e interagem e que a ciência ainda se deixe constrangir pelos limites do papel (ainda que ele seja um papel digital), dos bloqueios de acesso à produção intelectual (que, é preciso lembrar sempre, é comercializada sem que parte dos lucros reverta ao cientista) e da burocracia do peer-review (que poderia ser feito de uma maneira bem mais eficiente em um sistema mais aberto).</p>
<p>Enquanto o mundo se democratiza, a ciência continua reforçando um modelo aristocrático. Em épocas de Twitter e Facebook, de blogs e Wikipédia, <a href="http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/j.1538-7836.2011.04601.x/pdf">ainda temos que pagar</a> para ler o artigo que pautou este texto e o do Goldacre.</p>
<p>É como se o Mestre Yoda cobrasse do Luke (por mês ou por dica recebida) para alertar sobre os perigos do lado negro da força, e ele pagasse sem questionar.</p>
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		<title>Plágio e Remix: Uma narrativa de duas culturas.</title>
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		<pubDate>Tue, 29 Nov 2011 12:52:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thiago Henrique Santos</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Ciência 2.0]]></category>
		<category><![CDATA[Ética]]></category>
		<category><![CDATA[Filosofia da Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Open Science]]></category>

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		<description><![CDATA[No dia 02 de outubro o blog de ciências da Folha, o Laboratório, soltou um post chamado Educar para não plagiar. O texto chama atenção para um congresso sobre plágio e má conduta científica e aponta algumas conclusões tiradas durante o evento. A primeira conclusão é a de que hoje em dia, por conta da [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>No dia 02 de outubro o blog de ciências da Folha, o <a href="http://laboratorio.folha.blog.uol.com.br/">Laboratório</a>, soltou um post chamado <a href="http://laboratorio.folha.blog.uol.com.br/arch2011-10-02_2011-10-08.html#2011_10-02_21_29_55-153602802-0">Educar para não plagiar.</a> O texto chama atenção para um congresso sobre plágio e má conduta científica e aponta algumas conclusões tiradas durante o evento.</p>
<p>A primeira conclusão é a de que hoje em dia, por conta da facilidade de acesso à informação, está mais fácil plagiar. A segunda conclusão, que de acordo com o texto é mais filosófica, diz que a facilidade de acesso à informação científica não deveria justificar o aumento do número de casos de plágio (o texto original da Folha diz “fraude” e não plágio neste ponto específico, mas <a href="http://aulete.uol.com.br/site.php?mdl=aulete_digital&amp;op=loadVerbete&amp;pesquisa=1&amp;palavra=fraude">fraude</a> segundo o dicionário Aulete quer dizer falsificação de uma forma geral o que, acredito eu, não tem relação direta com a facilidade de acesso à informação, neste caso <a href="http://aulete.uol.com.br/site.php?mdl=aulete_digital&amp;op=loadVerbete&amp;pesquisa=1&amp;palavra=pl%E1gio">plágio</a> parece-me ser o mais correto). Uma última conclusão argumenta que estudantes e pesquisadores mais novos não foram ensinados a lidar com toda essa informação e plagiam por pura ignorância.</p>
<p>Curioso ver que nos comentários do texto da Folha alguém que assina como Roberto faz uma pergunta simples mas que está no centro desta questão: “Afinal a internet ajuda ou atrapalha a ciência”?</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Duas culturas.</strong></p>
<p>Então, depende&#8230; Eu sei que parece papo de filósofo mas é preciso levar em consideração que a ciência moderna nasceu no século XIX e deste herdou uma série de valores e regras e convenções. Valores e regras e convenções que diziam respeito a uma cultura construída com papel, tinta e tipos (McLuhan chamava de Cultura Tipográfica)</p>
<p>Valores e regras e convenções que estavam intimamente ligados não à dificuldade de acesso à informação, mas ao meio rígido e pouco interativo de um mundo impresso no papel. Vejam, o que mudou de lá pra cá nada tem a ver com o acesso facilitado à informação. Sim, é mais fácil conseguir informação hoje do que era antes, mas esta é a consequência da mudança e não a mudança em si.</p>
<p>O que a cultura digital trouxe para o mundo é a democratização da comunicação em massa, antes restrita a um grupo de privilegiados. Essa democratização não tem a ver unicamente com a facilidade de acesso. Uma sociedade com a cesso facilitado à informação ainda é uma sociedade “<a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Lawrence_Lessig#Cultura_Livre">read-only</a>”, ou seja, de consumidores passivos de um produto acabado. Os primórdios da Internet e a Web 1.0 estão aí pra provar meu ponto.</p>
<p>Democratizar<strong>*</strong> é fornecer os meios para o desenvolvimento de uma sociedade “read/write”, ou seja, de indivíduos capazes também de contribuir, de lidar com a informação como se ela fosse um pedaço de argila esperando para ser moldado em algo que transcenda o valor de si própria.</p>
<p>E é justamente aqui que se encontra a maior diferença entre a cultura tipográfica e a digital. A primeira valoriza muito mais autoria e produção (o texto sobre a <a href="http://polegaropositor.com.br/%E2%80%9Csalami-science%E2%80%9D-autoria-contestavel-e-o-alpinismo-cientifico/">salami science da Veronica</a> é bastante certeiro neste ponto), a segunda colaboração e mash-up’s.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Plágio e Remix.</strong></p>
<p>O texto da Folha, <a href="http://www.nytimes.com/2010/08/02/education/02cheat.html?pagewanted=all">bem como este outro do New York Times</a>, reforça a ideia de que estudantes estão plagiando por ignorância de como lidar com informação digital. Talvez o problema não seja este, talvez nós é que somos ignorantes em entender como a geração nascida no meio da cultura digital lida com informação.</p>
<p>O artigo do New York Times chega mesmo a dizer que “muitos alunos simplesmente não compreendem que usar palavras que não foram escritas por eles é um crime grave,” e que a maioria dos casos de plágio nas escolas tem a ver justamente com este fato.</p>
<p>Nestes casos, aquele que copia sem dar os devidos créditos à fonte não está assumindo a autoria pelo que copiou. Está meramente distribuindo uma informação que já está disponível livremente na internet ou em livros ou em artigos científicos.</p>
<p>Para a geração da cultura digital informação tem um valor tão baixo que receber os créditos pela autoria de algo, assim como reconhecer a autoria de algo, é desimportante e desinteressante e efetivamente não acrescenta absolutamente nada no valor daquela informação.</p>
<p>Para a cultura digital, informação é a matéria prima usada para construir redes de interação entre pessoas e ideias. Isso significa que um artigo ou texto ou livro pode sim ser importante, mas pela mensagem que ele transmite e pela capacidade que ele tem de promover a formação dessas redes. Pouco importa aqui se o artigo ou texto ou livro (ou, claro, música ou vídeo ou qualquer material áudio visual) é a voz única e singular de seu autor ou se é uma colagem de frases de vários autores.</p>
<p>Na cultura digital do remix e do mash-up, o foco está na rede e não no indivíduo e é por isso que o plágio é mais um problema de choque de gerações do que um problema ético.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Educar para não plagiar</strong></p>
<p>O texto da Folha, diferente do texto do New York Times, aborda essa questão do plágio de um só prisma. Deixa clara a mensagem de que trata-se de um problema educacional que precisa ser corrigido.</p>
<p>Mas será mesmo preciso reforçar no processo educacional valores que talvez estejam desconectados da realidade presente das novas gerações de alunos e pesquisadores ainda em formação? É preciso mesmo usar o processo educacional como um meio de impor regras e valores “de cima para baixo”?</p>
<p>A questão ética existe, claro. É preciso combater o plágio intencional e feito de maneira desonesta, que é realmente prejudicial e deletério para qualquer atividade intelectual. É preciso sim mostrar para as novas gerações que existe valor no esforço intelectual, sem reduzir este esforço a uma maneira particular de organizar palavras em um &#8220;papel em branco.&#8221;</p>
<p>É fundamental entender que existem regras e valores emergentes da cultura digital e que estas regras e valores não são piores ou melhores do que os valores sociais tradicionais, são apenas diferentes. Tentar sufocar estes valores através da educação não vai ajudar na formação de cientistas melhores ou mais honestos.</p>
<p>Criminalizar a maneira que uma cultura em particular achou para se expressar certamente não vai resolver o problema do plágio, assim como não resolveu o problema da pirataria, que é análogo.</p>
<p>Para a ciência fica a oportunidade de se transformar e entender essa nova expressão cultural, encontrar um meio termo entre o velho e o novo e se reinventar para continuar progredindo. Não se pode esquecer que há séculos atrás era a ciência que estava do outro lado da moeda, desafiando a tradição e sendo criminalizada por isso.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>*</strong>Para entender melhor esse processo de democratização (ou descentralização) leia os<em> <a href="http://www.bookess.com/read/2618-2009-10-escritos-sobre-redes-sociais/">10 escritos sobre redes sociais</a></em> de Augusto de Franco gratuitamente.</p>
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		<pubDate>Tue, 22 Nov 2011 17:35:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Renato Chaves Azevedo</dc:creator>
				<category><![CDATA[blog]]></category>
		<category><![CDATA[Alfabetização Científica]]></category>
		<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Religião]]></category>

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		<description><![CDATA[A discórdia é o motor propulsor da Ciência. É a partir do embate de ideias, do ataque fervoroso aos pilares teóricos e às evidências que sustentam as teorias que o conhecimento científico avança. Algumas vezes, no entanto, depois de extensas discussões acadêmicas sobre um assunto (que pode demorar décadas), pode acontecer de os cientistas perceberem [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A discórdia é o motor propulsor da Ciência. É a partir do embate de ideias, do ataque fervoroso aos pilares teóricos e às evidências que sustentam as teorias que o conhecimento científico avança. Algumas vezes, no entanto, depois de extensas discussões acadêmicas sobre um assunto (que pode demorar décadas), pode acontecer de os cientistas perceberem que aquela questão é “insolúvel”, que nunca haverá consenso. Quando isso acontece, uma espécie de “pacto” é feito, um acordo oculto entre os cientistas de que eles simplesmente vão ter que concordar em discordar.</p>
<p>Pergunte a um biólogo o que é uma espécie e terá uma boa noção do que eu estou falando. O conceito de espécie em Biologia é uma questão que foi (e de vez em quando ainda é) extensamente debatida e, no final de toda essa discussão, o que vemos é existem diversas definições diferentes para este conceito e que cada cientista usa o que melhor lhe convir e ninguém vai “encher o saco” dele por causa disso. Isso a princípio pode parecer absurdo, pois todos os biólogos trabalham com espécies e&#8230; como assim nenhum deles sabe ao certo o que é uma espécie? Que contradição!</p>
<p>Há um outro exemplo muito mais chocante, mas, por ser mais conhecido, as pessoas parecem não ligar muito pra ele: O que é Ciência? Há diversas maneiras de tentar responder essa pergunta, desde aquelas mais metodológicas até as sociológicas, passando, é claro, pelas filosóficas (onde se enquadram nossos queridos Popper, Kuhn, Feyrabend, etc.). Há livros e mais livros dedicados exclusivamente a tentar responder essa pergunta (temos até um <a title="PolegarCast Ciência" href="http://polegaropositor.com.br/polegarcast-episodio-1-o-que-e-ciencia%e2%80%a6-ou-nao/" target="_blank">PolegarCast</a> a esse respeito, confiram!), mas, no final das contas, cada cientista vai pro seu laboratório e faz o seu trabalho sem ficar esquentando muito a cabeça com essa questão. Desde que saia um <em>paper</em> publicado (<a title="Salami science" href="http://polegaropositor.com.br/%e2%80%9csalami-science%e2%80%9d-autoria-contestavel-e-o-alpinismo-cientifico/" target="_blank">de preferência dois ou três</a>), tá valendo.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Enquanto isso, fora dos laboratórios&#8230;</strong></p>
<p>Às vezes jogar o problema pra baixo do tapete e fazer um acordo oculto de não discuti-lo muito pode ajudar. A Ciência vai avançando, mesmo que ninguém saiba definir ao certo o que ela é (como sabemos, então, se ela está avançando? Isso é assunto pra outro texto!). Produzir conhecimento e publicá-lo é o que importa. Mas, se por um lado esse pacto funciona para os cientistas, por outro ele pode ser uma verdadeira pedra no sapato quando se sai da esfera acadêmica.</p>
<p>Se não sabemos claramente o que a Ciência é, como podemos avaliar se a população está sabendo Ciência? Como sabemos se as aulas de Ciências que são ministradas em nossas escolas têm alguma ver a com a Ciência de verdade? Como avaliamos se a população está <em>alfabetizada cientificamente</em>?</p>
<p>Já há um bom tempo vem se tornando consensual a ideia de que algumas noções ingênuas sobre a Ciência devem ser desconstruídas durante a escolarização. Sendo assim, seria ideal que um aluno, ao concluir a educação básica, soubesse que os cientistas não trabalham sozinhos, que eles não são super gênios sobrehumanos, que a Ciência já foi diferente em outras épocas, que o contexto histórico influencia nos interesses das pesquisas, que a Ciência não determina verdades absolutas, que existem critérios de validação do conhecimento científico, etc. Além disso, é claro, é imprescindível que as pessoas conheçam os principais conceitos e as teorias aceitas como verdadeiras pela comunidade científica e como esses conhecimentos afetam a sociedade.</p>
<p>Para avaliar como as pessoas enxergam essas questões, é comum a aplicação de <em>questionários de alfabetização científica</em>. Trata-se de uma lista de perguntas estrategicamente elaboradas por especialistas cujas respostas, depois de passadas por tratamento estatístico, podem indicar o nível de entendimento da população acerca da Ciência, o que é muito importante na tomada de decisões políticas, por exemplo.</p>
<p>Percebam que esses questionários tentam “se esquivar” dos grandes debates e discórdias filosóficas acerca do que é a Ciência, focando mais naquilo que supostamente é “consensual”, que seria aquilo que um cidadão “deveria” saber sobre a Ciência. Estamos num campo polêmico. Ninguém sabe o que é a Ciência, então escolhemos pontos de menor discórdia e “por coincidência” os elegemos como os mais importantes, e aí fazemos questionários pra saber como a população está. Mas a polêmica está só começando.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Questionando o questionário</strong></p>
<p>A pesquisadora americana Ann Arbour desenvolveu um questionário de alfabetização científica que foi traduzido e exportado para vários outros países por ser “bem completo”. Nos EUA ele é aplicado a cada dois anos, e ano que vem ele será aplicado novamente. Mas algumas alterações foram sugeridas, e (mais) uma grande controvérsia se formou.</p>
<p>O que acontece é o seguinte: percebeu-se que nas últimas pesquisas a população americana tem ido muito mal nesse teste e que existem algumas perguntas do questionário que são notadamente difíceis, ou seja, que quase todo mundo erra. Duas questões específicas, ambas de verdadeiro ou falso, se destacam: (1) “Os seres humanos, como os conhecemos hoje, se desenvolveram a partir de espécies mais antigas de animais” e (2) “o universo começou com uma grande explosão”.</p>
<p>Há um grupo de especialistas que acredita que os americanos erram essas duas questões em demasia por causa de suas crenças religiosas. Pessoas que acreditam que Deus criou o universo e o homem não marcariam nenhuma dessas afirmações como verdadeiras. Sendo assim, eles sugeriram que as afirmações fossem modificadas com a adição de qualificadores. Elas ficariam assim: “<em>de acordo com a teoria da evolução</em>, os seres humanos&#8230;” e “<em>de acordo com os astrônomos</em>, o universo&#8230;”. Afinal, a pessoa pode conhecer as teorias, mas não acreditar nelas. A autora do questionário, junto com vários outros especialistas, ficou revoltada. Eles declararam: “<em>Se você mudar o questionário desse jeito, você está fazendo isso por motivos religiosos. (&#8230;) Nós não fazemos declarações do tipo ‘de acordo com alguns economistas, nós tivéssemos uma recessão’ ou ‘de acordo com o cara do tempo, nós tivemos um tsunami’</em>”. Segundo esse pessoal, a simples proposição desse tipo de mudança no questionário já é absurda. Seria como mudar as regras do jogo só para que os americanos possam ter melhor desempenho.</p>
<p>Esse debate certamente continuará por um bom tempo, pois os dois lados têm argumentos bastante razoáveis, e o cerne da questão é o seguinte: saber Ciência é acreditar na Ciência? Qual é a diferença? Uma pessoa que não aceita a teoria da evolução e o big bang pode ser considerada alfabetizada cientificamente?</p>
<p>Esse é um campo delicado. Vivemos hoje num paradigma social em que a Ciência tem um papel legitimador muito forte. Sendo assim, não acreditar na Ciência é quase que visto como não acreditar na “verdade”. A Ciência é um tipo de autoridade, e “desrespeitá-la” adotando outras formas de entender o mundo não é muito bem visto. Esse tom valorativo do conhecimento científico sobre os demais pode atrapalhar na hora de pensar sobre questões como essa.</p>
<p>Na minha opinião, a Ciência é, entre outras coisas, uma forma de pensar. É uma forma de ver o mundo que conta muito com a racionalidade e que se baseia em fatos e evidências para sustentar suas afirmações. É necessário que as pessoas não só percebam isso (para que entendam como o conhecimento é construído), mas saibam pensar dessa forma quando conveniente, já que essa maneira de pensar, é claro, não é útil somente dentro dos laboratórios de pesquisa. Podemos utilizá-la para a tomada de decisões no dia a dia e nos beneficiar da sua forma “fria” e crítica de analisar as situações. Mas essa forma de pensar não é adequada para todos os tipos de situação. Quanto maior o número de variáveis subjetivas, como fatores pessoais, inter-pessoais, emocionais, etc., mais complicado é usar a forma científica de pensar. Ninguém vai querer usá-la na hora de escolher uma namorada, por exemplo, pegando a genealogia da pretendente para checar as doenças genéticas presentes na família para averiguar se ela seria uma boa parceira. Pra quem assiste o seriado “The Big Bang Theory”, o Sheldon é um ótimo exemplo de como a forma científica de se pensar pode ser inadequada (até mesmo ridícula) em diversas situações.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>O buraco é (bem) mais embaixo</strong></p>
<p>Mas quem somos nós para dizer onde essa linha deve ser desenhada? A forma científica de pensar deveria estar no hall de opções de todas as pessoas, até mesmo porque essa é única forma de entender como a Ciência funciona, mas não tem como avaliar quando ela deve ou não ser usada. Uma pessoa que não acredita na teoria da evolução ou no big bang por motivos religiosos está preferindo usar uma outra forma de pensar quando o assunto é a origem do homem e do universo. Há quem diga que o entendimento dessas teorias é suficiente para a sua aceitação, mas a realidade é bem mais complexa que isso.</p>
<p>O discernimento entre conhecer as teorias científicas e aceita-las é importante, mas não pode ser feito de maneira rasa. Todo mundo sabe que a Ciência acredita que as espécies evoluem e que o universo começou com uma grande explosão, mas quantas pessoas conhecem as evidências que sustentam essas teorias? Estar alfabetizado cientificamente é entender como os cientistas elaboraram essas e outras teorias e porque acreditam nelas até hoje, e uma marcação de “verdadeiro” ou “falso” num questionário não passa nem perto de nos dar essa resposta, seja a pergunta montada da forma que for.</p>
<p>Não devemos entrar no mérito de fazer julgamentos sobre as pessoas que não acreditam nas teorias científicas, mas temos a obrigação de fazer questionamentos sobre as escolas que não as ensinam. Afinal, se a escola estivesse em condições de cumprir seus objetivos, nem haveria razão para que questionários desse tipo fossem feitos, já que um diploma de ensino médio seria mais do que suficiente para se ter certeza de que aquela pessoa tem essas habilidades. A discussão a respeito da modificação nesse questionário é pertinente, já que levanta questões importantes, mas impressiona ver como em pleno século XXI ainda este ainda é o tópico de discussão.</p>
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		<title>“Salami science”, autoria contestável e o alpinismo científico</title>
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		<pubDate>Sun, 13 Nov 2011 14:27:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Veronica Slobodian</dc:creator>
				<category><![CDATA[blog]]></category>
		<category><![CDATA[Ciência Brasileira]]></category>
		<category><![CDATA[Divulgação Científica]]></category>
		<category><![CDATA[Ética]]></category>

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		<description><![CDATA[Ninguém gosta de ser avaliado e criticado. Para os cientistas, tão acostumados com suas idéias estarem “certas” e serem corroboradas e publicadas, a avaliação se torna algo até mais temeroso do que para a maioria da população. Entretanto, ninguém escapa de ser avaliado, ainda mais sob a perspectiva de ganhar financiamento (e status, claro, por [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify">Ninguém gosta de ser avaliado e criticado. Para os cientistas, tão acostumados com suas idéias estarem “certas” e serem corroboradas e publicadas, a <span style="color: #b12724">avaliação</span> se torna algo até mais temeroso do que para a maioria da população. Entretanto, ninguém escapa de ser avaliado, ainda mais sob a perspectiva de ganhar financiamento (e <em>status</em>, claro, por que não?), passando para isso pelo “simples” desconforto e pressão de ter seu trabalho avaliado.</p>
<p style="text-align: justify">Um aluno comum, na escola, quando sob pressão é levado a tomar atitudes contra a nossa moral, como a “cola”. O mundo adulto não é tão diferente, por mais que nos recusemos a acreditar. As atitudes que tomamos em medidas desesperadas apenas apresentam uma “roupagem” mais bonita, com a qual podemos <span style="color: #b12724">disfarçar</span> o que foi feito e ganhar a simpatia da nossa classe, que pode aprovar até mesmo as atitudes mais imorais. São as desculpas que damos a nós mesmos para escapar de uma avaliação ruim, seja ela qual for.</p>
<p style="text-align: justify">No paradigma atual da avaliação dos programas de pós-graduação e seus pesquisadores, a CAPES se torna um fantasma assombrando a vida de todos minimamente ligados ao âmbito acadêmico. Suas normas, equações, pontuações e avaliações levam os pesquisadores muitas vezes a medidas desesperadas. Mas creio que o maior impacto de um método de avaliação tão “espartano” (joguem os fracos do precipício e fiquem com os soldados mais eficientes) é a legitimação de atitudes <span style="color: #b12724">fraudulentas</span> e pouco éticas.</p>
<p style="text-align: justify"><span style="color: #b12724">Escalando o caminho para o “sucesso”</span></p>
<p style="text-align: justify">Principalmente em campos mais competitivos, a <span style="color: #b12724">“salami science”</span> é encarada como uma prática habitual, até mesmo normal. Afinal, para que fazer do seu doutorado, quatro anos de trabalho intenso, apenas uma publicação se você pode dividi-lo em duas, três ou mais partes? E dessa forma, encontramos diversos trabalhos de <span style="color: #b12724">pequeno impacto</span> publicados para fornecer mais uma linha no currículo do pesquisador.</p>
<p style="text-align: justify">Como exemplo do absurdo que a postura “salami science” pode produzir, o professor Sidney Redner da Universidade de Boston fez uma pesquisa sobre as publicações de uma das revistas de sua área, a Physical Review. Os números obtidos são assustadores: de <span style="color: #b12724">353.000 artigos publicados</span>, apenas 11 tiveram mais de 1000 citações; 245.000 (a maior parte) tiveram menos de 10 citações; <span style="color: #b12724">100.000 tiveram uma ou nenhuma citação</span>. Com isso podemos ver que <span style="color: #b12724">1/3 das publicações dessa revista não tem impacto algum</span>. E apesar da ausência de outros estudos do gênero, há especulações que para a maioria das revistas haja um comportamento semelhante. Com isso, temos o desperdício de tempo dos pares na revisão de artigos, desperdício de tempo e dinheiro de revisores e outros trabalhadores do jornal, desperdício de impressão e postagem além do desperdício na indexagem de tais artigos. Em suma, a única pessoa que ganha com isso é o autor, uma linha a mais no currículo, um ponto a mais na sua avaliação e uma probabilidade um pouco maior de se sobressair a outro candidato em um concurso.</p>
<p style="text-align: justify">Dessa maneira, uma das estratégias de <span style="color: #b12724">alpinismo científico</span> se torna legitimada em diversos laboratórios. Ao ponto de você conversar com os professores e alunos e eles acreditarem piamente que estão trabalhando de maneira idônea. E se as publicações nos dão vantagem em concurso, além da dividir o próprio trabalho, a cooperação com outros pesquisadores também deve ser frutífera para tais objetivos. Aqui vemos a segunda estratégia de alpinismo científico mais praticada: <span style="color: #b12724">a autoria irresponsável</span>.</p>
<p style="text-align: justify">Uma idéia concebida num grupo de discussão, o uso de estrutura laboratorial e insumos de um professor, dados de coleta de informações e mesmo a figura do orientador. Quais das desculpas acima justifica a <strong>autoria</strong> de um trabalho? Quem estipula onde pára o agradecimento e começa a autoria? Até dia 16 de Setembro deste ano, ninguém.</p>
<p style="text-align: justify"><span style="color: #b12724">Regulando uma postura responsável</span></p>
<p style="text-align: justify">Eis que a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) elaborou uma cartilha para dizer aos pesquisadores quem está fazendo ciência certo e quem está fazendo ciência errado (ou ao menos, quem divulga seus resultados de tal maneira). Pela primeira vez para o Brasil foi tomada uma iniciativa reguladora, na qual a FAPESP lançou o “<span style="color: #b12724"><a title="Código de boas práticas científicas- FAPESP" href="http://www.fapesp.br/boaspraticas/codigo_050911.pdf" target="_blank"><span style="color: #b12724">Código de Boas Práticas científicas</span></a></span>” que, infelizmente, ainda não apresenta medidas punitivas e corretivas específicas, mas já deve ter assustado diversos pesquisadores.</p>
<p style="text-align: justify">E em um dos tópicos mais amados (ou odiados) a FAPESP pronuncia que “<em>Em um trabalho científico, devem ser indicados como seus <span style="color: #b12724">autores</span> todos e apenas os pesquisadores que, tendo concordado expressamente com essa indicação, tenham dado<span style="color: #b12724"> contribuições intelectuais diretas</span> e substanciais para a concepção ou realização da pesquisa cujos resultados são nele apresentados. Em particular, a <span style="color: #b12724">cessão de recursos</span> infraestruturais ou financeiros para a realização de uma pesquisa (laboratórios, equipamentos, insumos, materiais, recursos humanos, apoio institucional, etc.) <span style="color: #b12724">não é condição</span> suficiente para uma indicação de autoria de trabalho resultante dessa pesquisa.</em>” (tópico 2.2.6, página 6, grifo meu). Com isso, poderíamos esperar que as publicações se atentassem mais a tais especificações. Entretanto, há duas barreiras a se transpor para que isso ocorra.</p>
<p style="text-align: justify">A primeira é da <span style="color: #b12724">comodidade</span> e do lugar-comum. Não é um código com medidas punitivas <span style="color: #b12724">etéreas</span> que conduzirá o trabalho e publicações científicas de maneira mais <span style="color: #b12724">ética</span>. Para tal, ou o pesquisador se predispõe a repensar sua prática ou medidas sancionadoras chegam “de cima para baixo” e o colocam nas normas (seja a revista na qual publica, a pós-graduação que o abriga ou sua agência de fomento).</p>
<p style="text-align: justify">A segunda barreira é a nossa própria visão do <span style="color: #b12724">“certo e errado”</span> em ciência. Em um momento no qual somos bombardeados com informação de diversos tipos, e que nem toda informação apresenta autoria específica, fica difícil discutir o que é nosso e o que proveio de outrem. E a <span style="color: #b12724">internet</span> apresenta um papel fundamental nessa questão. E se o problema de autoria se encontra nos laboratórios, devemos verificar se não ocorre algo semelhante durante o processo de <span style="color: #b12724">formação</span> do pesquisador. Se durante a faculdade sua maneira de pesquisar e não citar fontes for legitimada pela correção do professor, o sentimento de que ninguém o observará a fundo prevalece. Atualmente, alguns scripts funcionam na internet para detectar os plágios, como o <a title="Farejador de plágios" href="http://www.farejadordeplagio.com.br/" target="_blank">Farejador de Plágios</a>, mas será que apenas a detecção do plágio é o suficiente?</p>
<p style="text-align: justify"><span style="color: #b12724">Da formação à informação</span></p>
<p style="text-align: justify">A meu ver, assim como acontece com o ensino público brasileiro, a responsabilidade está passando cada vez mais adiante. É preciso<span style="color: #993300"> ensinar as pessoas a pesquisar</span>, derrubando a visão de que o conceito de pesquisa consiste em entrar num site de busca e coletar as informações dos primeiros sites que retornam. O<span style="color: #b12724"> senso crítico</span> não pode ser deixado de lado em prol da informação <em>per se</em>. A formação do aluno vai além da reprodução do conhecimento obtido por outras pessoas. Se não abordarmos este tipo de assunto durante a formação dos pesquisadores, teremos um número cada vez maior de cientistas pouco “intelectuais” e mais “executores”, os quais não entenderão a ética nas suas atitudes e, por fim, formarão um número cada vez maior de organismos reprodutores de informação pouco críticos, cujos trabalhos não tem impacto nenhum para a sociedade (seja a sociedade geral ou acadêmica), interessados apenas no <span style="color: #b12724">alpinismo científico</span>.</p>
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		<title>Kuhn, Einstein e os neutrinos mais rápidos do mundo.</title>
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		<pubDate>Thu, 29 Sep 2011 20:23:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thiago Henrique Santos</dc:creator>
				<category><![CDATA[blog]]></category>
		<category><![CDATA[Filosofia da Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Física]]></category>
		<category><![CDATA[Thomas Kuhn]]></category>

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		<description><![CDATA[As duas últimas semanas vêm sendo bastante agitadas para a Física moderna. A razão é a alegação feita por um grupo de cientistas europeus de que neutrinos foram pegos em flagrante se movendo 0.00025% mais rápido do que a velocidade da luz. Como bem lembra o colega blogueiro Dulcidio Braz, partículas que se movem mais [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>As duas últimas semanas vêm sendo bastante agitadas para a Física moderna. A razão é a alegação feita por um grupo de cientistas europeus de que neutrinos foram pegos em flagrante se movendo 0.00025% mais rápido do que a velocidade da luz.</p>
<p>Como bem lembra o colega blogueiro <a href="http://fisicamoderna.blog.uol.com.br/arch2011-09-25_2011-10-01.html">Dulcidio Braz</a>, partículas que se movem mais rápido que a luz não são exatamente novidade, nem resultam em grande polêmica. O que realmente surpreendeu os cientistas é que tais neutrinos parecem estar se movendo mais rápido que a luz NO VÁCUO, o que cria uma situação um tanto embaraçosa.</p>
<p>Embaraçosa por que de acordo com a teoria da relatividade, que é a pedra fundamental de toda a física moderna, NADA deveria se mover mais rápido do que a luz no vácuo, o que nos deixa com duas possibilidades plausíveis: 1) as medições estão incorretas e os neutrinos estavam se movendo a velocidades esperadas ou 2) Albert Einstein está ENGANADO.</p>
<p>Apesar da minha ênfase no “enganado” na frase anterior, não há de fato nada de surpreendente em nenhuma das duas alternativas. Medições erradas acontecem com frequência e cientistas famosos (ou mesmo os não tão famosos), em geral, não sobrevivem ao teste do tempo. Enfim, não sou físico e vocês deveriam ler uma seleção <a href="http://www.centauri-dreams.org/?p=19896">melhor </a>de <a href="http://www.guardian.co.uk/science/2011/sep/23/physicists-speed-light-violated">artigos </a>de <a href="http://io9.com/5843112/">divulgação </a> sobre o assunto e seus possíveis desdobramentos.</p>
<p>O que eu quero de fato é aproveitar a oportunidade pra abordar essa questão toda do ponto de vista da filosofia de Thomas Kuhn e mostrar que a despeito das críticas que Kuhn sofreu e ainda sofre, sua filosofia pode sim ser usada para melhor compreender a comunidade científica e, em muitos casos, prever o comportamento que está irá tomar.</p>
<div id="attachment_874" class="wp-caption aligncenter" style="width: 440px"><a rel="lightbox" href="http://polegaropositor.com.br/wp-content/uploads/2011/09/flash.jpg"><img class="size-full wp-image-874" title="The Flash" src="http://polegaropositor.com.br/wp-content/uploads/2011/09/flash.jpg" alt="" width="430" height="390" /></a><p class="wp-caption-text">Vocês não conseguem ver, mas há um neutrino se movendo mais rápido que a luz nesta imagem.</p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Kuhn 101</strong><br />
Antes de tudo é preciso lembrar rapidamente a essência da filosofia de Kuhn. Thomas Kuhn era americano e físico. Após o doutorado ainda em física, se viu dando aulas em história da ciência. O contato com a ciência sob uma perspectiva histórica, sobretudo com a influência dos trabalhos de <a title="Alexandre Koyré: Soldado, filósofo, historiador." href="http://polegaropositor.com.br/alexandre-koyre-soldado-filosofo-historiador/">Alexandre Kouré</a>, acabou por levar Kuhn a interpretá-la não como uma atividade estritamente racional, mas sim como uma atividade permeada por contextos sociais que acabavam por influenciar a pretendida racionalidade científica.</p>
<p>Em outras palavras, o que Kuhn acabou por defender é que a tese de que a ciência se fazia através de um método rígido, racional, incondicionalmente neutro e asséptico não se sustentava historicamente. O que acontece de fato é que há toda uma dinâmica social subjetiva muito presente nas comunidades científicas, e essa dinâmica esta intimamente ligada com o desenvolvimento científico.<br />
Kuhn então formulou seu famoso conceito de revoluções científicas (e que não está diretamente ligado à grande Revolução Científica do século XVII). Para Kuhn a ciência passa por fases cíclicas (por isso o termo revoluções, de revolver, dar uma volta) e que pode resultar na substituição de uma teoria por uma nova, ou na mudança fundamental da própria ciência.</p>
<p>A estrutura proposta por Kuhn para as revoluções científicas (ahá!) é a seguinte: a ciência em geral se encontra em um período conhecido como ciência normal, aonde um <a title="Os 22 paradigmas de Thomas Kuhn." href="http://polegaropositor.com.br/os-22-paradigmas-de-thomas-kuhn/">paradigma </a>(que em sua forma mais básica é o equivalente a uma teoria, mas também pode ser todo o conjunto de metodologia de trabalho e linguagem, um modelo de mundo, de uma comunidade científica) é tido como bem estabelecido e usado amplamente, ainda que tenha certos limites para a sua aplicação.</p>
<p>Historicamente, todo paradigma passa, com o tempo, a acumular resultados e evidências que o contradizem, as chamadas anomalias. Eventualmente as anomalias afetam a credibilidade do paradigma vigente, o que resulta na proposta de novos paradigmas para substituí-lo. Neste ponto entramos na fase de ciência extraordinária, em que a comunidade científica em questão entra em uma espécie de crise de meia idade e passa a rediscutir a si própria. Por fim, temos a substituição do paradigma antigo pelo novo e o estabelecimento de uma nova identidade para aquela comunidade científica, o que encerra o período de ciência extraordinária e marca o retorno do período da ciência normal.</p>
<p>Esta revolução em geral leva algum tempo (gerações por vezes) e levanta grandes disputas e controvérsias. É um processo doloroso por resultar no abandono de parte do conhecimento tido como adquirido em prol da possibilidade de se encontrar soluções para mais problemas ou para problemas mais fundamentais. É também um processo historicamente inevitável.</p>
<div id="attachment_875" class="wp-caption aligncenter" style="width: 557px"><a rel="lightbox" href="http://polegaropositor.com.br/wp-content/uploads/2011/09/pd-thomas-kuhn.jpg"><img class="size-full wp-image-875" title="Thomas Kuhn" src="http://polegaropositor.com.br/wp-content/uploads/2011/09/pd-thomas-kuhn.jpg" alt="" width="547" height="450" /></a><p class="wp-caption-text">Thomas Kuhn se movendo mais rápido que a luz na foto???</p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>O que aconteceu ao paradigma mais famoso do mundo?</strong><br />
Voltemos ao neutrino mais veloz que a luz no vácuo. No dia em que as primeiras notícias apareceram o <a href="http://polegaropositor.com.br/author/renato/">Renato </a>me escreveu sugerindo a pauta para este texto e durante nossa breve conversa eu disse pra ele que era fácil saber qual seria a primeira reação da comunidade científica em face a descoberta: Negar, negar até a morte.</p>
<p>Isso não pressupõe desonestidade, o caso é que em vista de uma anomalia tão relevante, a comunidade científica tende a adotar uma postura protecionista do paradigma vigente. Ou seja, é muito mais provável que os cientistas tentem por em cheque a validade dos resultados ao invés de questionar o modelo teórico em risco.</p>
<p>Isso significa que até que novas medições sejam feitas por outros laboratórios, ninguém (a não ser os mais sensacionalistas) vai apostar que a teoria da relatividade está errada e que Einstein cometeu um engano. Nem mesmo o próprio grupo de cientistas europeus que trouxe a público as tais medições se arriscou a por em cheque uma das teorias científicas mais famosas da história. Limitaram-se a dizer que fizeram as medições, refizeram as medições, tentaram descobrir algum erro ou engano e por fim passaram a bola à comunidade para que ela procure confirmar os dados, contestá-los, desmenti-los ou reinterpretá-los.</p>
<p>O caso é que de uma perspectiva kuhniana, estamos vendo uma anomalia gravíssima (ou nem tão grave assim, físicos por favor se manifestem nos comentários) atingindo gravemente as bases de um paradigma importantíssimo (desculpem os superlativos a lá José Dias). Mas ainda estamos longe de ver a física entrar na fase de ciência extraordinária.</p>
<p>É preciso ainda que os dados anômalos sejam de fato comprovados independentemente por outros laboratórios. E mesmo que o sejam, é mais provável vermos o surgimento de novas teorias e explicações que buscam não substituir a teoria da relatividade, mas blindar ela dos efeitos negativos da descoberta de partículas mais velozes que a luz no vácuo.</p>
<p>Com efeito, o próprio texto do Dulcidio (li outros artigos que levantam a mesma possibilidade) diz que pode ser o caso de os neutrinos estarem pegando um atalho extradimensional, o que dá a impressão de que eles estão se movendo mais rápido quando na verdade estão percorrendo um caminho menor do que o esperado. Não que esta não seja uma explicação possível, mas é de fato uma explicação que até ser propriamente investigada e confirmada ou descartada, serve bem ao propósito de amenizar o impacto da anomalia gravíssima no paradigma importantíssimo.</p>
<p>Quero reiterar que não sou físico e qualquer suposição que eu faça neste campo deve ser vista com total parcimônia, meu ponto é que a despeito de muitas vezes ser completamente ignorada pelos cientistas, a filosofia da ciência pode ser muito útil para entendermos o comportamento da comunidade, e também para termos uma visão mais honesta de que a racionalidade cientifica existe, mas está longe de ser tão rígida e relevante como nós cientistas as vezes acreditamos.</p>
<p>No mais, leiam Kuhn mesmo que para depois criticá-lo. Sua contribuição para o estudo social da ciência é de grande importância, além de ser um bom ponto de partida para, quem sabe, passarmos por nossa própria revolução.</p>
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		<title>Porquê o CDF é o contrário do que a ciência precisa.</title>
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		<pubDate>Mon, 22 Aug 2011 21:07:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thiago Henrique Santos</dc:creator>
				<category><![CDATA[blog]]></category>
		<category><![CDATA[Ciência 2.0]]></category>
		<category><![CDATA[Método Científico]]></category>
		<category><![CDATA[Open Science]]></category>
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		<description><![CDATA[No meu texto anterior chamei a atenção (de forma bastante superficial é verdade) para a questão de como o paper científico transposto do meio físico para o meio digital traz consigo todos os problemas do paper físico aproveitando muito pouco das qualidades do meio digital. Também chamo atenção para o fato de que Stephen Wolfram [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>No meu <a href="http://polegaropositor.com.br/para-onde-vai-o-paper-cientifico/">texto anterior</a> chamei a atenção (de forma bastante superficial é verdade) para a questão de como o paper científico transposto do meio físico para o meio digital traz consigo todos os problemas do paper físico aproveitando muito pouco das qualidades do meio digital.<br />
Também chamo atenção para o fato de que Stephen Wolfram também reconhece parte destes problemas e, na tentativa de encontrar alguma solução, criou o formato CDF. Recomendo que assistam ao vídeo do Wolfram apresentando o formato, caso ainda não tenham assistido.</p>
<p style="text-align: center;"><iframe src="http://www.youtube.com/embed/_eu7oPLm2XA" frameborder="0" width="420" height="345"></iframe></p>
<p>Reparem que ele começa argumentando que os documentos online de hoje são como o papel físico, “monótonos, sem vida, inertes” são as três características que ele nomeia. Vejam, é importante notar que o Wolfram está se referindo especificamente à documentos que podem ser baixados (ou visualizados pelo navegador com a ajuda de um plugin), muito embora faça referência à “documentos online”. Trata-se de uma crítica direta ao formato PDF, que é o mais utilizado para distribuição de arquivos digitais. Acontece que arquivos PDF’s podem estar online, mas não são documentos online, são documentos disponíveis na internet, mas que mesmo abertos via plugin no browser, são lidos localmente na máquina do usuário. Estão, portanto, longe de serem documentos online.</p>
<p>O problema seguinte para o qual o Wolfram chama atenção é que estes documentos disponíveis online não costumam carregar em si uma série de informações relevantes (como, nos exemplos do Wolfram, os dados sem tratamento, algoritmos, instruções para re-execução de código). Este problema esta relacionado, normalmente, ao limite de páginas imposto por alguns periódicos para a publicação de artigos. O vídeo segue mostrando que problemas similares acontecem com apresentações profissionais e livros didáticos. Todos sofrem por serem, mais uma vez citando o próprio Wolfram, “documentos mortos”.</p>
<p>Como o Wolfram pretende solucionar estes problemas? Surpreendentemente, criando mais um formato proprietário (o próprio CDF), que só pode ser gerado por um outro software proprietário (o <a href="http://www.wolfram.com/mathematica/">Mathematica</a>) que custa US$ 2.495,00, e que impõe restrições na maneira como você vai distribuir o conteúdo que gerou. Se você distribuir gratuitamente é obrigado a deixar a marca d’água e logo do Wolfram aparecendo o tempo todo na sua apresentação ou artigo (parte do <em>branding</em> obrigatório da licença gratuíta de uso e distribuição), se comercializar seu conteúdo, é preciso pagar uma taxa para a Wolfram. Todas estas informações (com exceção do valor do <em>Mathematica</em> que pode ser consultado <a href="http://store.wolfram.com/view/app/mathematica/">aqui</a>) estão no <a href="http://www.wolfram.com/cdf/faq/">FAQ </a>na página oficial do CDF.</p>
<p>Em outras palavras, o CDF até pode ser interativo e conter dados que não seriam facilmente distribuídos de outra maneira, mas o faz de forma a ser ainda mais restritivo do que o formato que ele crítica, o PDF.</p>
<p>Com efeito, é possível até questionar se o CDF é tão interativo quanto o Wolfram deseja que ele seja. Sim, é possível ter toda uma gama de dados disponíveis no documento e que podem ser retrabalhados de forma dinâmica, mas por outro lado, estes dados continuam encapsulado, inacessíveis, desconectados. Eles não podem ser acessados por outros CDF’s, não podem receber <em>imput</em> dinâmico de outras fontes de dados, não podem ser atualizados sem que um novo CDF seja gerado.</p>
<p>A ciência precisa sim de uma maneira mais dinâmica de ser apresentada, o cientista precisa sim de mais liberdade na maneira em que expõe seu trabalho e seus resultados. O que a ciência e os cientistas precisam é da plasticidade da Web 2.0, e não de um documento que simula a Web à maneira que o PDF simula o papel.</p>
<p>Isso significa que existe um nicho no mercado para a construção de uma ferramenta capaz de criar documentos, apresentações, artigos e livros didáticos que sejam compatíveis com uma variedade crescente de dispositivos (smartphones, tablets, computadores com diferentes sistemas operacionais e tamanhos de tela). Uma ferramenta capaz de fazer uso, por exemplo, de <a href="http://www.w3.org/">web standards </a>(HTML, CSS, XML, arquivos de imagens PNG ou arquivos vetoriais SVG além de formatos de vídeo e audio ainda por serem padronizados), além de uma API de acesso padronizada para que os dados contidos nestes documentos verdadeiramente online possam ser extraídos, atualizados, remodelados da maneira como o autor E O leitor/usuário quiserem.</p>
<p>Esta é,  na minha visão, o caminho em que a comunicação da ciência deve seguir. Adoção das práticas cada vez mais consolidadas da Web 2.0 para não só comunicar seus resultados, mas para permitir que eles sejam reinterpretados livremente, acessados sem restrições, incrementados colaborativamente.</p>
<p>Se eu estiver com alguma razão, fica fácil entender por que acredito no fim dos papers científicos como os conhecemos. Eles representam um processo que teve começo, meio e fim, sendo o paper a síntese deste processo. Se a ciência caminha em direção à Web 2.0, então podemos esperar que ela seja levada a cabo de forma mais orgânica e contínua, sem pontos claros de interrupção, sem estar centrada nos resultados finais mas sim num processo contínuo de desenvolvimento. Uma <a href="http://polegaropositor.com.br/ciencia-em-fase-beta/">ciência em fase beta</a>, pouco preocupada com sua versão final.</p>
<p>Vejam que não acredito que TODA a ciência irá seguir por este caminho. Mas acredito que boa parte dela irá se dar conta de que está presa em um mundo feito de papel, ainda que este só exista na tela de um computador.</p>
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		<title>Fogo que arde sem se ver: uma reflexão sobre o incêndio na floresta da USP de Ribeirão Preto</title>
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		<pubDate>Thu, 18 Aug 2011 04:42:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Renato Chaves Azevedo</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Banco Genético]]></category>
		<category><![CDATA[Divulgação Científica]]></category>

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		<description><![CDATA[Ontem a tarde uma fumaça escura pairava sobre o campus da USP de Ribeirão Preto. Todo aquele carbono, que irritava os olhos e as vias aéreas dos estudantes, professores, funcionários e curiosos, era, até aquela manhã, parte integrante de uma floresta de mais de 700.000 m² de extensão. O estrago foi devastador em todas as [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ontem a tarde uma fumaça escura pairava sobre o campus da USP de Ribeirão Preto. Todo aquele carbono, que irritava os olhos e as vias aéreas dos estudantes, professores, funcionários e curiosos, era, até aquela manhã, parte integrante de uma floresta de mais de 700.000 m² de extensão. O estrago foi devastador em todas as dimensões imagináveis. Pra começar, a área atingida passou de 430.000 m². Como se não bastasse, nessa área estava contido o único banco genético de mata mesófila semidecidual do Brasil.</p>
<p>Um banco genético é exatamente o que o nome sugere: um local onde se deposita o material genético dos organismos. Quanto maior a variabilidade genética, melhor. Existem duas razões principais pelas quais o material genético dos indivíduos de uma espécie pode ser depositado num banco genético: (1) porque a espécie é (ou tem potencial para ser) interessante economicamente para o ser humano ou (2) porque a espécie precisa ser conservada. No primeiro caso, é comum os bancos genéticos estarem associados à instituições de pesquisa em melhoramento genético, que utilizam o material lá depositado para conduzir seus experimentos. Já no segundo caso, o panorama é bem diferente.</p>
<p>Como sabemos a variabilidade genética de uma população é um fator fundamental para a sua sobrevivência em longo prazo. Quanto maior a variabilidade genética, maior a chance de que alguma dessas variantes seja resistente às mudanças ambientes que inevitavelmente acontecem quando pensamos numa escala geológica de tempo. E quando áreas de matas nativas são derrubadas para a construção de cidades ou para fins agro-pecuários, a variabilidade genética das populações vegetais e animais diminui junto com o tamanho da floresta.</p>
<p>Sendo assim, quando pensamos em reflorestar uma área nativa degradada, não adianta só aumentarmos o número de indivíduos das espécies de plantas, por que se todos os indivíduos tiverem a mesma matriz genética (isto é, se todos forem descendentes de um grupo muito pequeno), a menor variação ambiental poderá devastar a área novamente. O ideal é plantar sementes de árvores com matrizes genéticas diferentes, para que a variabilidade genética total da população da área reflorestada seja alta (pool gênico diversificado). Isso significa que não adianta pegar as sementes geradas pelas poucas árvores que restaram na área degradada e sair plantando que nem louco, pois isso resultará numa melhoria apenas “aparente” da situação daquele ambiente.</p>
<p>Dessa forma, a existência de bons bancos genéticos é absolutamente fundamental quando pensamos em reflorestamentos. A área florestal que estava em chamas ontem armazenava 45 espécies e tinha uma diversidade de 4000 progênies coletados em mais de 400 localidades diferentes. Quase duas décadas de investimento e pesquisa ali, pegando fogo. Como já foi dito, esse era o único banco genético de plantas de mata mesófila semidecidual no Brasil. Além de funcionar como banco genético, muita pesquisa acadêmica também era realizada nessa área, que também abrigava projetos de ensino e de extensão universitária.</p>
<p>Por cima disso tudo, há um fator agravante sério. Enquanto helicópteros voavam pra lá e pra cá carregando água pra tentar apagar o incêndio, causando alvoroço dentro da USP, fora dos muros da universidade parecia que nada estava acontecendo. Repórteres e jornalistas pareciam ter algo mais importante pra cobrir do que a perda de um valioso banco genético. Quando informado sobre o assunto, o principal jornal regional limitou-se a escrever que “<a title="Jornal A Cidade" href="http://www.jornalacidade.com.br/editorias/cidades/2011/08/16/incendio-queima-30-ha-e-causa-panico-na-usp-de-ribeirao.html" target="_blank">Pacientes que aguardavam atendimento foram retirados às pressas do campus; pelo menos 30 hectares de floresta queimaram</a>”.</p>
<p>Depois de uma noite de intensa movimentação sobre o assunto nas redes sociais, feita principalmente pelos alunos da Biologia, uma manhã com resquícios de fumaça. Ao invés de helicópteros, aves carniceiras sobrevoavam o local em busca de uma refeição fácil. O descaso da mídia fez com que os docentes entrassem em contato com as agências de notícias, quase que implorando para que fosse feita uma reportagem decente sobre o ocorrido. Com esse esforço, as notícias mais recentes (como as do<a title="iG" href="http://ultimosegundo.ig.com.br/educacao/incendio+atinge+banco+genetico+da+usp+de+ribeirao+preto/n1597160522974.html" target="_blank"> iG</a>, <a title="UOL" href="http://noticias.uol.com.br/educacao/2011/08/17/incendio-na-usp-de-ribeirao-destroi-parte-do-unico-banco-genetico-de-arvores-nativas-do-pais.jhtm" target="_blank">UOL</a> e <a title="O Globo" href="http://oglobo.globo.com/cidades/mat/2011/08/17/sp-incendio-na-usp-de-ribeirao-preto-destruiu-banco-genetico-usado-em-pesquisas-925145797.asp" target="_blank">O Globo</a>) citam o banco genético, mas não explicam para o leitor leigo a importância desses lugares.</p>
<p>O que acontece? Por que o câncer do Gianecchini é considerado uma tragédia enorme em todos os noticiários, mas a perda real de uma área florestal que funcionava como banco genético custa pra virar notícia? É possível que as pessoas de fato se interessem mais por celebridades do que por ciência ou meio ambiente, mas é claro que essa pergunta não tem uma resposta simples. No entanto, talvez fosse interessante pensar sobre isso porque, pelo que parece, tem um incêndio muito mais sério se alastrando por aí, e ele está queimando a curiosidade e a inquietude das pessoas, deixando apenas galhos secos de alienação e indiferença.</p>
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		<title>Para onde vai o “paper” científico?</title>
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		<pubDate>Mon, 08 Aug 2011 16:27:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thiago Henrique Santos</dc:creator>
				<category><![CDATA[blog]]></category>
		<category><![CDATA[Ciência 2.0]]></category>
		<category><![CDATA[Filosofia da Ciência]]></category>
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		<description><![CDATA[Para a lata do lixo seria a resposta mais evidente, não estivessem todos eles se transformando em arquivos digitais que, bem, por enquanto até podem ir para a lixeira&#8230; Mas até quando? Essa pergunta também tem uma resposta simples: Até quando o paper científico fizer sentido e continuar importante para uma ciência que, queiram os [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Para a lata do lixo seria a resposta mais evidente, não estivessem todos eles se transformando em arquivos digitais que, bem, por enquanto até podem ir para a lixeira&#8230; Mas até quando? Essa pergunta também tem uma resposta simples: Até quando o paper científico fizer sentido e continuar importante para uma ciência que, queiram os mais apaixonados ou não, está caminhando na direção de uma profunda reformulação de si mesma.</p>
<p>Eu sei, eu sei. Estou como um profeta do apocalipse segurando uma placa “prepare-se, o fim dos papers esta próximo” e, como qualquer profeta do apocalipse, posso estar parecendo um pouco fora da minha sanidade mental. Mas se pararmos um segundo para olhar para a história da comunicação da ciência, chegaremos à conclusão de que o fim do modelo atual de comunicação de resultados e validação da própria atividade científica não é tão absurda assim.</p>
<p><strong>Livros são tão século XVI&#8230;</strong><br />
A ciência (e qualquer outra atividade intelectual na verdade) depende da capacidade de poder registrar a si própria em um meio que possa sobreviver à passagem do tempo e de seus praticantes. Foi a invenção da escrita que permitiu que a filosofia surgisse, e que depois desse frutos na forma da filosofia natural, que iria resultar numa sementinha que começou a crescer no século XVI com a Revolução Científica e terminou virando esta árvore que é a ciência moderna e todas as suas ramificações tão especializadas.</p>
<p>O grande salto para a escrita foi a invenção da imprensa de tipos móveis no século XIII, seguido da constituição de um dos mais antigos meios de comunicação, o livro. Até pouco mais da metade do século XVII os livros eram a forma usual de se comunicar ciência*, mas eram custosos demais (tanto do ponto de vista financeiro quanto do ponto de vista do tempo investido em garantir uma impressão de qualidade). O crescimento da comunidade e de sua produção acabou por deixar claro que o livro de ciência já não era a solução ideal para a comunicar resultados e estabelecer o diálogo entre os cientistas.</p>
<p>A solução veio através do <em>Philosophical Transactions</em> (cuja <a rel="lightbox" href="http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/4/43/1665_phil_trans_vol_i_title.png">primeira edição</a> é de 1666) da <em>Royal Society of London</em>, que copiou o modelo usado na época pelos folhetins, mas para distribuir de forma ampla novidades científicas ligadas aos membros da sociedade. Nascia assim o periódico científico, mas não o paper propriamente dito. Levaria ainda bons dois séculos para a ciência encontrar seu próprio estilo de escrita e, com efeito, o paper científico como conhecemos hoje só foi se estabelecer na segunda década do século XX**.</p>
<p><strong>O problema do papel digital&#8230;</strong><br />
Não quero entrar na discussão sobre a função do paper e sua validade enquanto meio principal de comunicar avanços científicos. Basta saber que se a invenção do periódico e do paper foi importante pra viabilizar a ampla comunicação da ciência num século em que era extremamente complicado manter o diálogo entre comunidades científicas espalhadas pelas mais diversas localizações geográficas, hoje percorremos o caminho inverso. Os periódicos e o paper dificultam o diálogo da comunidade científica, diminuem a velocidade em que novas descobertas se tornam públicas, limitam o acesso ao conhecimento por um público ampliado (e que paga as contas da ciência) além de esconderem a maior parte do processo científico envolvido na produção do próprio documento.</p>
<p>Pode parecer exagero, mas me arrisco a afirmar que o paper científico, ao menos no que diz respeito à ciência de hoje, tem muito pouco valor informativo, revelando quase nada sobre a verdadeira natureza da atividade científica e de seus processos. É mais fácil aprender “do que a ciência é feita” no Google do que no documento oficialmente utilizado pelos cientistas como meio de contarem uns aos outros sobre o resultado de seus trabalhos.</p>
<p>É claro que se pode argumentar que o paper não precisa ser muito mais do que um “resumão” de meia dúzia de páginas sobre o trabalho de anos de um grupo de cientistas, e se concordo com isso olhando pra uma época que era majoritariamente analógica, discordo completamente quando vivemos em um mundo digital.</p>
<p>Ficam de fora do paper não só os dados detalhados recolhidos durante os anos em que a pesquisa foi levada à cabo, como também toda a série de erros e percalços encontrados no caminho em que o cientista trilhou. Todas estas informações possuem um valor que acaba desprezado na medida em que o paper precisa ter um tamanho redusido para ser publicado. Mas, como sabemos, esta é essencialmente uma limitação do meio impresso e que é reproduzida artificialmente no meio digital.</p>
<p>Infelizmente, temos ainda de lidar com outras tantas limitações que não tem razão de ser no meio digital, mas que foram herdadas de um modelo já bem estabelecido no meio impresso. Ainda precisamos lidar com a dificuldade em se atualizar ou corrigir papers que foram aceitos mesmo em periódicos que só existem online, ou a limitação para o uso de hyperlinks e elementos multimídia como vídeos e trilhas de audio e mesmo imagens animadas.</p>
<p>É ingênuo dizer que não há razão para a ciência não abandonar de vez o pdf (ou qualquer outro formato que limite o uso dos recursos disponíveis em um ambiente digital), estou certo que existem razões. O fato é que a cultura do paper impresso vai mais além do que o simples meio em que se está comunicando ciência. Como McLuhan cansou de nos alertar meio é mensagem, e a própria ciência foi construída em valores que muitas vezes só fazem sentido em um meio impresso. Perdem sua razão de ser em um meio digital  (discuto esse assunto mais a fundo no capítulo 4.2 da minha tese de mestrado, que pode ser <a href="http://bit.ly/dF07PQ">acessada livremente</a>). Meu ponto é que seja lá quais forem estas razões, é preciso colocá-las à prova contra a gama de possibilidades que se abre em passar a usar o ambiente digital em sua totalidade, e não como forma de emular uma tecnologia nascida antes da própria ciência.</p>
<p>Críticas ao modelo atual de publicação e sugestões sobre como o ambiente virtual pode ser usado para melhorar estes problemas existem aos montes e eu deixo abaixo algumas sugestões de artigos interessantes neste sentido, além de recomendar meu grupo de Ciência 2.0 no Mendeley.</p>
<p>Seja como for, uma das alternativas ao modelo atual de publicação foi recentemente proposta pelo Stephen Wolfram. A alternativa do Wolfram pode ser vista em mais detalhes no vídeo abaixo, mas volto em breve com um texto novo só para discutir melhor se a solução do Wolfram é ideal***.</p>
<p><iframe src="http://www.youtube.com/embed/_eu7oPLm2XA" frameborder="0" width="425" height="349"></iframe></p>
<p><strong>Referências e artigos recomendados:</strong><br />
Antelman, K. (2004). Do open-access articles have a greater research impact? <em>College &amp; Research Libraries</em>, <em>65</em>(5), 372-382. ASSOC COLL RESEARCH LIBRARIES. Retrieved from <a href="http://apps.isiknowledge.com/CitedFullRecord.do?product=UA&amp;db_id=WOS&amp;SID=V1@kc79NaoCc98onfd@&amp;search_mode=CitedFullRecord&amp;isickref=136742423">http://apps.isiknowledge.com/CitedFullRecord.do?product=UA&amp;db_id=WOS&amp;SID=V1@kc79NaoCc98onfd@&amp;search_mode=CitedFullRecord&amp;isickref=136742423</a></p>
<p>Breivik, M., Hovland, G., &amp; From, P. J. (2009). Trends in Research and Publication: Science 2.0 and Open Access. <em>Modeling, Identification and Control: A Norwegian Research Bulletin</em>, <em>30</em>(3), 181-190. MIC. doi:10.4173/mic.2009.3.8</p>
<p>Odlyzko, A. (2000). The future of scientific communication. <em>Access to Publicly Financed Research: The Global</em>, <em>53</em>(1), 13-5. Retrieved from <a href="http://citeseerx.ist.psu.edu/viewdoc/download?doi=10.1.1.32.3333&amp;amp;rep=rep1&amp;amp;type=pdf">http://citeseerx.ist.psu.edu/viewdoc/download?doi=10.1.1.32.3333&amp;amp;rep=rep1&amp;amp;type=pdf</a></p>
<p>Waldrop, M. (2008). Science 2.0: Great New Tool, or Great Risk? Retrieved April 22, 2010, from <a href="http://www.scientificamerican.com/article.cfm?id=science-2-point-0-great-new-tool-or-great-risk">http://www.scientificamerican.com/article.cfm?id=science-2-point-0-great-new-tool-or-great-risk</a></p>
<p>Young, N. S., Ioannidis, J. P. A., &amp; Al-Ubaydli, O. (2008). Why current publication practices may distort science. <em>PLoS medicine</em>, <em>5</em>(10), e201. Public Library of Science. doi:10.1371/journal.pmed.0050201</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>*Me refiro aqui aos grandes tratados científicos (lembrando que o termo &#8220;ciência&#8221; e &#8220;científico&#8221; estão sendo usados de forma anacrônica, à época a ciência ainda não era chamada assim).</p>
<p>**Montgomery, S. “Scientific discourse and its history.” In: <em>Communicating Science</em>, por Eileen Scanlon,Roger Hill e Kirk Junker, 315. Inglaterra: The Open University, 1999.</p>
<p>***Dica: Não é.</p>
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		<title>Comunicação da Ciência e Web 2.0: A Tese.</title>
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		<pubDate>Tue, 10 May 2011 19:58:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thiago Henrique Santos</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Ciência 2.0]]></category>
		<category><![CDATA[Divulgação Científica]]></category>
		<category><![CDATA[Filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[Pós-Graduação]]></category>
		<category><![CDATA[Web 2.0]]></category>

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		<description><![CDATA[Há pouco mais de dois anos eu decidi atravessar o Atlântico em direção à Lisboa com o intuito de fazer um mestrado em História e Filosofia das Ciências, na Secção Autónoma de História e Filosofia das Ciências da Universidade de Lisboa. na época em que fui, imaginava fazer algo relacionado à divulgação científica, mas não [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Há  pouco mais de dois anos eu decidi atravessar o Atlântico em direção à  Lisboa com o intuito de fazer um mestrado em História e Filosofia das  Ciências, na <a href="http://hfc.fc.ul.pt/">Secção Autónoma de História e Filosofia das Ciências</a> da  Universidade de Lisboa. na época em que fui, imaginava fazer algo  relacionado à divulgação científica, mas não tinha uma ideia muito clara  ainda.</p>
<p>É  curioso pra mim falar sobre esse processo agora sem me recordar de um  vídeo muito interessante em que o cocriador da Apple, Steve Jobs, <a href="http://www.youtube.com/watch?v=yplX3pYWlPo">fala  como experiências de vida</a> aparentemente sem relação qualquer o ajudaram  depois a revolucionar o próprio conceito de computador pessoal que ele  próprio havia criado anos antes.</p>
<p>Não  estou me comparando de modo algum ao Steve Jobs, evidente, mas acredito  que passei por um processo similar. Com dezesseis anos comecei a  trabalhar em uma gráfica como artefinalista. Por conta disso passei a me  interessar por comunicação visual e design, o que me levou anos depois a  fazer o curso de design gráfico da <a href="http://www.escola-panamericana.com.br/">Escola Panamericana de Artes</a>.</p>
<p>Terminado  o curso, decidi entrar em uma faculdade. Fiz vestibular pra direito e  passei mas, por uma série de complicações, acabei trocando pra ciências  biológicas, sem muita vontade de seguir com o curso. Bastou-me uma  semana de aulas pra eu ficar apaixonado pelo curso e seguir até o fim.</p>
<p>Entre  o curso de design e a faculdade de biologia, eu que já era um viciado  em computadores e tinha acesso à internet desde 1996, passei a me  interessar por blogs. Comecei, como todo mundo que conheço, com um blog  sobre coisas pessoais e fui mudando gradativamente até que 2007 comecei  este singelo blog de divulgação científica. No ano seguinte, justamente  por causa do blog, acabaria por me inscrever no curso de divulgação  científica do Núcleo José Reis de Divulgação Científica.</p>
<p>E  daí volto à minha tese. Estávamos lá eu e minha orientadora, a  professora <a href="http://cfcul.fc.ul.pt/equipa/3_cfcul_elegiveis/olga%20pombo/opombo.htm">Olga Pombo</a>, olhando para todo este meu background quando  ouvimos, os dois, quase que ao mesmo tempo, o “clic” característico das  engrenagens se encaixando e botam tudo pra funcionar. Decidimos que o  tema da minha tese seria “Comunicação da Ciência e Web 2.0”.</p>
<p>Ora,  trata-se de um tema mais que pertinente para mim. Eu poderia usar minha  bagagem na comunicação visual, minha graduação em uma disciplina  científica, meu interesse pela Web e meu trabalho de divulgação  científica para tratar de um tema tão recente e tão importante não só  para a ciência enquanto atividade, mas também para a filosofia das  ciências como disciplina.</p>
<p>O  processo do mestrado me tomou mais tempo, energia e dedicação do que eu  jamais poderia prever. Como consequência, este pobre blog que foi tão  importante pra que tudo isso acontecesse, acabou ficando negligenciado  por este que voz escreve. Negligenciado por mim, mas não abandonado, e  aqui fica meu agradecimento público, pelos meus tão queridos amigos e  colaboradores que continuaram doando um pouco de seu tempo e intelecto  para este singelo sítio.</p>
<p>Enfim,  o mestrado está <del>praticamente no fim* </del>finalmente concluído. A tese já foi terminada e <del>estou  aguardando a defesa que deverá ocorrer nas próximas semanas e</del>* já foi defendida, no melhor  espírito Web 2.0, gostaria de compartilhar o fruto deste trabalho que  tomou conta dos últimos dois anos e pouco da minha vida. Disponibilizo  então, para leitura online ou download, a minha querida tese.</p>
<p>O  título é, como já ficou evidente, <a href="http://bit.ly/dF07PQ">COMUNICAÇÃO DA CIÊNCIA E WEB 2.0</a>. Pro  caso do título sozinho não chamar a sua atenção, deixo abaixo o índice e  o resumo. Feedbacks são SEMPRE bem vindos, nem que forem só pra  criticar o trabalho (desde que respeitosos, é claro).</p>
<p>Mas chega desse papo furado e conversa fiada e vamos de uma vez ao que interessa&#8230;</p>
<p>&nbsp;</p>
<blockquote>
<p style="text-align: center;"><a href="http://bit.ly/dF07PQ">COMUNICAÇÃO DA CIÊNCIA E WEB 2.0</a></p>
<p style="text-align: center;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: left;">Resumo: Os processos comunicativos estão na base da construção da própria Ciência. Como tal, segundo a teoria de McLuhan, estão sujeitos à mudança dos meios pelos quais esta comunicação é feita, o que acaba por alterar a própria comunicação em si. Meio é mensagem, e nos últimos anos estamos acompanhando a solidificação de um novo meio digital, a Web 2.0, que permite novas formas de interação e provoca mudanças na forma como a Ciência é feita, seja ao nível horizontal da comunicação legitimadora entre os pares, seja ao nível vertical da comunicação entre as gerações (ensino), seja ao nível transversal da comunicação entre Ciência e sociedade. O que vemos hoje é a constituição de uma nova cultura acostumada à abundância e livre acesso à informação, que está no centro de uma revolução cultural e comunicativa que afeta diretamente a maneira como produzimos e comunicamos a Ciência.</p>
<p style="text-align: left;">Índice:</p>
<ul>
<li>1- Introdução</li>
<li>2- Da tribo ao livro, da tinta ao pixel</li>
<li>3- Conceitos de Comunicação da Ciência</li>
<li>3.1- Comunicação e Construção do Conhecimento</li>
<li>3.1.1- Comunicação horizontal entre pares</li>
<li>3.1.2- Comunicação transversal entre a Ciência e a Sociedade</li>
<li>3.1.3- Comunicação vertical entre Gerações</li>
<li>3.2- Comunicação da Ciência, agentes comunicadores e comunicação transdisciplinar</li>
<li>3.2.1- Do caráter multiplo do agente comunicador</li>
<li>3.2.2- Divulgação Transdisciplinar</li>
<li>4- Ciência 2.0: Comunicação horizontal da ciência em um ambiente aberto</li>
<li>4.1- Investigação 2.0</li>
<li>4.2- Publicação em um ambiente digital</li>
<li>4.3- Ciência e a cultura do remix</li>
<li>5- Divulgação Científica: A comunicação transversal da ciência</li>
</ul>
</blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<p>PS1: Como a tese foi feita em Portugal, o texto por vezes sofreu modificações para evitar possíveis confusões. É o exemplo do uso da palavra &#8220;investigação&#8221;, quando no Brasil usaríamos &#8220;pesquisa&#8221;. Em todo caso, são poucas as vezes em que esse tipo de &#8220;correção&#8221; foi empregado e o texto não sofre em clareza por conta disso.</p>
<p>PS2: Subi para o Google Docs uma versão em PDF para evitar a perda da formatação do texto em geral. Se vocês acham que o formato dificulta a leitura de alguma forma, aceito sugestões de opções melhores para a disponibilização da tese.</p>
<p>*UPDATE: A tese foi defendida no final de maio, muitas questões relevantes foram abordadas durante a defesa e eu gostei muito do processo como um todo, embora ele não deixe de ser um pouco assustador no começo. Seja como for, a nota final ficou em 17 valores, ou no esquema de notas brasileiro, 8,5 <img src='http://polegaropositor.com.br/wp-includes/images/smilies/icon_smile.gif' alt=':)' class='wp-smiley' /> </p>
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