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<?xml-stylesheet type="text/xsl" media="screen" href="/~d/styles/rss2full.xsl"?><?xml-stylesheet type="text/css" media="screen" href="http://feeds.feedburner.com/~d/styles/itemcontent.css"?><rss xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" xmlns:openSearch="http://a9.com/-/spec/opensearch/1.1/" xmlns:georss="http://www.georss.org/georss" xmlns:gd="http://schemas.google.com/g/2005" xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0" xmlns:feedburner="http://rssnamespace.org/feedburner/ext/1.0" version="2.0"><channel><atom:id>tag:blogger.com,1999:blog-4491479200954329699</atom:id><lastBuildDate>Tue, 31 Jan 2012 13:22:02 +0000</lastBuildDate><category>arte</category><category>metalinguagem</category><category>contos</category><category>comparações</category><category>tecnologia</category><category>crítica</category><category>música</category><category>ecologia</category><category>crônica</category><category>culinária</category><category>citação</category><title>Pare e Pense - Blog</title><description>Pare e Pense. Conceito simples, porém esquecido pela sociedade rápida, sem medidas e sem tempo de parar e refletir. Experiências de vida serão externadas em um diário de confissão, em um recanto da expressão humana de quem tem na prosa a melhor forma de comunicar</description><link>http://pareepenseblog.blogspot.com/</link><managingEditor>noreply@blogger.com (Jorge dos Santos Valpaços)</managingEditor><generator>Blogger</generator><openSearch:totalResults>257</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>25</openSearch:itemsPerPage><atom10:link xmlns:atom10="http://www.w3.org/2005/Atom" rel="self" type="application/rss+xml" href="http://feeds.feedburner.com/pareepense" /><feedburner:info uri="pareepense" /><atom10:link xmlns:atom10="http://www.w3.org/2005/Atom" rel="hub" href="http://pubsubhubbub.appspot.com/" /><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4491479200954329699.post-5244864901404013816</guid><pubDate>Thu, 19 Jan 2012 16:16:00 +0000</pubDate><atom:updated>2012-01-19T14:16:38.366-02:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">crônica</category><title>Relações sociais no coletivo 10: Desligue essa TV!</title><description>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;
&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-cbv0tvLoeSs/TxIUtrq_sNI/AAAAAAAAAQc/itIMH0XidKo/s1600/smash-tv-break.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="240" src="http://1.bp.blogspot.com/-cbv0tvLoeSs/TxIUtrq_sNI/AAAAAAAAAQc/itIMH0XidKo/s320/smash-tv-break.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Cinco da manhã. O sol ainda estava escovando os dentes e eu já subia as escadas do ônibus que me levavam à senzala remunerada de cada dia. O horário de verão deixa as manhãs do Rio mais góticas, do jeito que gosto. Melhor para dar uma cochilada no trajeto para o trabalho.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Entrei no coletivo, rodei a roleta. Vi algo novo ali no canto, do lado do balaústre, do lado direito do corredor. O que é aquilo ali? - pensei. Não, não pode ser, não pode ser um monitor, uma... uma televisão no buzão! Sim, era aquilo mesmo. O único lugar disponível no coletivo que encontrei seria iluminado pelos leds do monitor tela plana. Pelo menos não há som, pelo menos...&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Depois de alguns dias já tinha me acostumado a dormir com aquela iluminação insistente. Mas o mal estava feito: os monitores passaram a acompanhar todas as viagens. As TVs se tornaram pragas e estão em todos os coletivos que passei a tomar. Ok, aquelas telas transmitem algumas notícias relevantes como informações sobre meteorologia, cultura e trânsito. Mas a presença hipnótica daquela caixinha iluminada está desestruturando as relações sociais no coletivo.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Dia desses me peguei olhando para as notícias. Reflexo automático, ficamos acesos com o brilho e com o movimento. A novidade é sempre um atrativo para esse tal &lt;i&gt;homo-sapiens-sapiens&lt;/i&gt;. Parei quando percebi que havia alguém do meu lado que merecia mais atenção que qualquer&amp;nbsp;tabloide&amp;nbsp;digital. A TV em qualquer lugar tem esse potencial de desagregar. Mas aqui não!&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Os coletivos sempre foram meu local especial para ver todos que - como eu - estamos em transição de um lugar para outro, de um pensamento para outro, de uma relação para outra. Plasmados naquelas caixas coloridas os olhares deixariam de se entrecruzar, as vozes se calariam e as conversas assim ficariam seladas definitivamente no território do passado. Não quero que as relações sociais no coletivo se tornem apenas crônicas, ou seja, fiquem apenas no vagão da nostalgia. Então: desligue essa TV!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4491479200954329699-5244864901404013816?l=pareepenseblog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="feedflare"&gt;
&lt;a href="http://feeds.feedburner.com/~ff/pareepense?a=qoLPKwh185k:5Sx0Y85O7Fo:yIl2AUoC8zA"&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~ff/pareepense?d=yIl2AUoC8zA" border="0"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;
&lt;/div&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/pareepense/~3/qoLPKwh185k/relacoes-sociais-no-coletivo-10.html</link><author>noreply@blogger.com (Jorge dos Santos Valpaços)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://1.bp.blogspot.com/-cbv0tvLoeSs/TxIUtrq_sNI/AAAAAAAAAQc/itIMH0XidKo/s72-c/smash-tv-break.jpg" height="72" width="72" /><thr:total>0</thr:total><feedburner:origLink>http://pareepenseblog.blogspot.com/2012/01/relacoes-sociais-no-coletivo-10.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4491479200954329699.post-7057004701889976600</guid><pubDate>Sat, 14 Jan 2012 12:29:00 +0000</pubDate><atom:updated>2012-01-14T10:29:31.603-02:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">crônica</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">crítica</category><title>O tal veneno necessário</title><description>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;
&lt;a href="http://imagesus.aluguetemporada.com.br/vd2/files/WVR/400x300/x-48u2/x-594222394/x_1282520433623.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="240" src="http://imagesus.aluguetemporada.com.br/vd2/files/WVR/400x300/x-48u2/x-594222394/x_1282520433623.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Um pouco de veneno no sangue é necessário. Temos que nos envenenar um pouco pra sabermos como nos defender frente a uma real intoxicação. Biologia na vida, eu acredito. Sempre me aproximei um pouco do que eu depreciava para ter subsídios para desconstruir. Nunca me contaminei demais, pois minhas raízes sempre foram muito fortes. Fui plantado em solo suburbano, fui adubado com coronhadas de PMs e regado com carinho de quituteira. Cresci no mercado de trabalho e dei frutos sempre um pouco amargos. Me podar não é tão fácil assim.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Férias sempre foram momentos de laboratório para mim. Tento experimentar um pouco do conto de fadas do território do ócio. Mas minha cara fechada denuncia que minha cabeça voa longe, longe das casas de praias, churrascos e sobremesas geladas. Não que não goste disso, mas fazê-lo sem qualquer preocupação é artificial. Daí ouço que é importante viajar, se desconectar, deixar seus problemas de lado. Fácil dizer isso enquanto a caixa de correio coleciona contas e os famosos impostos de início de ano.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Mas os problemas nem são apenas "meus". Tragédias que as chuvas trazem predizem as eleições desse ano. Tudo isso foi temperado por cloro de piscina. E eu com radinho ligado e sempre ligado pra minha família. Tudo certo, o teatro não existiria sem o palco e seus atores, afinal?&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Não digo que não me diverti. Ri muito, brinquei, joguei bola como criança. As drogas também tem seus efeitos positivos, não seriam elas nossos remédios? Venenos bons também, drogas que escolho voluntariamente. Servem para adormecer, e preparar para o acordar com mais ímpeto. Até porque de que serviria todos os papos sem conscientização senão para adubar um pouco mais a árvore que sou?&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;
&lt;object width="320" height="266" class="BLOGGER-youtube-video" classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0" data-thumbnail-src="http://2.gvt0.com/vi/qoemE2UPJEo/0.jpg"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/qoemE2UPJEo&amp;fs=1&amp;source=uds" /&gt;
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&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4491479200954329699-7057004701889976600?l=pareepenseblog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="feedflare"&gt;
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&lt;/div&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/pareepense/~3/cI1i6wehBvY/o-tal-veneno-necessario.html</link><author>noreply@blogger.com (Jorge dos Santos Valpaços)</author><thr:total>1</thr:total><feedburner:origLink>http://pareepenseblog.blogspot.com/2012/01/o-tal-veneno-necessario.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4491479200954329699.post-6086310782530357710</guid><pubDate>Sun, 25 Dec 2011 03:05:00 +0000</pubDate><atom:updated>2011-12-25T01:05:32.918-02:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">crônica</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">metalinguagem</category><title>Fotos, não retratos.</title><description>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;
&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_7KN5u03aQJ4/TKJptzzY6kI/AAAAAAAAArI/L0q1xM6g7YA/s1600/FOTOGRAFIA+1.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://4.bp.blogspot.com/_7KN5u03aQJ4/TKJptzzY6kI/AAAAAAAAArI/L0q1xM6g7YA/s320/FOTOGRAFIA+1.jpg" width="314" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Uma campainha. Click. Uma árvore morta. Click. Uma matilha na madrugada. Click. Desde quando ganhei minha primeira - e ainda funcional - câmera digital, aprendi a ter a fotografia como uma distração. Talvez o custo das antigas câmeras impediram minha entrada nesse mundo tão divertido.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Mas não sou um fotógrafo profissional, quiçá amador. Sou um amante das fotos apenas. Tenho uma câmera bem modesta, me contento com instantâneas tiradas do telefone móvel e faço poucos ajustes em programas de tratamentos de imagens. Gosto simplesmente de captar instantes. Vou além, legendo minhas fotos. Tenho alguns álbuns digitais em que catalogo minhas criações fotográficas. Mas, como nas antigas iluminuras, a imagem não é simplesmente legendada, ela compõe um texto à parte. As fotos passaram a me acompanhar.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Mas notei que tempos pra cá minhas fotos foram se tornando apenas conceituais. Deixei de "tirar retratos" como diziam os antigos. E cada vez mais deixei de tirar fotos da família ou de amigos. Agora não faço a menor questão de tê-las comigo. Ok, poso para fotos, até clico algumas, mas não tenho nem pasta no meu computador para guardá-las. Por que isso?&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Depois do falecimento de minha mãe não consegui mais olhar para os álbuns antigos. Tive um trabalho absurdo para digitalizar mais de 300 fotos em vão. Digitalizei e cataloguei todas as imagens do meu passado, bem como de toda a família Valpaços. Agora, não consigo nem me aproximar delas. O falecimento da minha mãe foi um marco. Não quero vê-las em fotos. Ela se foi. Ela foi. Não é mais. A sua memória sempre estará comigo. A imagem dela é apenas um fetiche do passado, que não quero que consuma meu presente.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Notei que esse marco alterou minha própria relação com fotografias. Não faço questão de levar para casa todas as fotos dos amigos em uma reunião. Prefiro tirar foto de alguma ocasião específica, ou ainda de um pé, mochila ou comida qualquer. As pessoas e a "reunião" vão se transformar em nostalgia aos primeiros tons sépia que envelhecem as fotos. Eis o passado que deve ser morto a cada momento por mim.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Esse natal não é diferente. Minha família mutilada está reunida. Não vou registrar esse momento sem minha mãe. Não vou registrar uma reunião de amigos para que, ao revê-la pense "era tão bom" ou ainda "fulana já morreu". Deixo a fotografia então ser simplesmente arte. Arte que se propôs inicialmente a registrar com mais fidelidade o real, mas que, para mim é apenas arte. Conceitual, apaixonante e amante.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4491479200954329699-6086310782530357710?l=pareepenseblog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="feedflare"&gt;
&lt;a href="http://feeds.feedburner.com/~ff/pareepense?a=6BMllfsEypQ:aeq5NleQKHU:yIl2AUoC8zA"&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~ff/pareepense?d=yIl2AUoC8zA" border="0"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;
&lt;/div&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/pareepense/~3/6BMllfsEypQ/fotos-nao-retratos.html</link><author>noreply@blogger.com (Jorge dos Santos Valpaços)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://4.bp.blogspot.com/_7KN5u03aQJ4/TKJptzzY6kI/AAAAAAAAArI/L0q1xM6g7YA/s72-c/FOTOGRAFIA+1.jpg" height="72" width="72" /><thr:total>0</thr:total><feedburner:origLink>http://pareepenseblog.blogspot.com/2011/12/fotos-nao-retratos.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4491479200954329699.post-1317478102510771082</guid><pubDate>Thu, 22 Dec 2011 14:00:00 +0000</pubDate><atom:updated>2011-12-22T12:11:47.163-02:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">crônica</category><title>A bruxa do supermercado</title><description>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;
&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-0lXT5MXZkI0/TuVKmBsJfTI/AAAAAAAAAO8/d5qMMa5UBbA/s1600/IMG0090A.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="240" src="http://3.bp.blogspot.com/-0lXT5MXZkI0/TuVKmBsJfTI/AAAAAAAAAO8/d5qMMa5UBbA/s320/IMG0090A.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Passeio de pobre é supermercado. Máxima suburbana que revela um certo preconceito, mas que infelizmente não deixa de ser verdade. Como suburbano que sou, piloto o carrinho de supermercado sempre que possível. Mas sou um pouco diferente dos habituès dos mercados. Ao invés de prestar atenção nas gôndolas e promoções, me atenho às pessoas que frequentam os supermercados.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Fico mais atento na fila, até porque não muito o que olhar. Dia desses em um supermercado na Tijuca, deparei-me com uma bruxa. Nada de verrugas ou vassouras. A bruxa que vi era &amp;nbsp;- a princípio - &amp;nbsp;uma tatuagem. Sobre o a pela branca com pintinhas, as cores da bruxa envolta por galhos vibravam ao lado do vermelho de seus cabelos. Não vi os olhos da bruxa pois seu chapéu os escondia. Bruxa colorida, jovem, viva. Bem diferente do estereótipo que conhecemos. Fiquei a pensar sobre os percalsos dos pagãos ou heréticos no medievo e no renascimento que sofreram perseguições mil só por ter uma relação com a natureza um tanto diferente.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Em meio de meu devaneio senti um forte cheiro de ervas. Seria a bruxa? Olhei para a tatuagem e o cheiro ficava mais forte. Pensei que estava ficando louco, quando notei que aquele braço também era de uma bruxa. Uma jovem senhora usando roupas brancas parecia se divertir ao notar que eu olhava para aquela tatuagem. Na hora me espantei ao ser surpreendido por seu olhar. A bruxa - de verdade - não tinha chapéu...&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
A bruxa do supermercado retribuiu meu elogio a sua tatuagem com um aceno de cabeça. Não seria eu o seu inquisidor. Vivemos em um mundo em que os preconceitos se dão de outra forma. Bruxas vivem soltas e voam em seus Fiats pelas ruas. Mas agora têm que comprar seus ingredientes de feitiços. Mas podem ficar na mesma fila que eu sem qualquer preocupação em serem queimadas. Aliás, com o calor aqui do Rio, talvez possam ir à praia para se queimarem voluntariamente...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4491479200954329699-1317478102510771082?l=pareepenseblog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="feedflare"&gt;
&lt;a href="http://feeds.feedburner.com/~ff/pareepense?a=0zF1VweQ__A:UmN6xwbfPgo:yIl2AUoC8zA"&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~ff/pareepense?d=yIl2AUoC8zA" border="0"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;
&lt;/div&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/pareepense/~3/0zF1VweQ__A/br.html</link><author>noreply@blogger.com (Jorge dos Santos Valpaços)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://3.bp.blogspot.com/-0lXT5MXZkI0/TuVKmBsJfTI/AAAAAAAAAO8/d5qMMa5UBbA/s72-c/IMG0090A.jpg" height="72" width="72" /><thr:total>0</thr:total><feedburner:origLink>http://pareepenseblog.blogspot.com/2011/12/br.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4491479200954329699.post-3850313210041314747</guid><pubDate>Sat, 17 Dec 2011 01:45:00 +0000</pubDate><atom:updated>2011-12-16T23:46:25.131-02:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">crônica</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">comparações</category><title>O homem-ilha, ou o café da vitória</title><description>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;
&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-GmVNAxNFbIs/TuVK1iJ1ibI/AAAAAAAAAPE/Px0x6Uzgodg/s1600/IMG0083A.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="240" src="http://2.bp.blogspot.com/-GmVNAxNFbIs/TuVK1iJ1ibI/AAAAAAAAAPE/Px0x6Uzgodg/s320/IMG0083A.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
O homem não é uma ilha. Dito popular foi assoprado no ouvido do imberbe. Depois que ele cresceu, leu Waly Salomão: "a memória é uma ilha de edição". Mas isso não é contraditório, ao que parece. Quando selecionamos nossas memórias, sentimentos e demais segredos, nos transformamos literalmente em uma ilha.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
É impossível dividir sucessos. Também não dividimos frustrações. Ganhamos ou perdemos, juntos ou sozinhos. O ato significa e encerra a cena, o processo posterior é sempre individual.Não fazemos algo e depois distribuímos. O processo de formação da memória é solitário: não selecionamos bons ou maus momentos acompanhados. Quando introjetamos no nosso âmago as boas ou mais sensações, somos acompanhados apenas pelo mar salgado.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
É claro que a memória é uma construção social e apenas se faz pela inserção que temos no mundo, pela relação que temos com outros indivíduos. Para além, a memória não é um conteúdo estático. Reorganizamos nossas lembranças a todo momento. Deixamos fragmentos bem escondidos e revelamos &amp;nbsp;outros outrora foscos. E criamos, ah se criamos! Criamos as melhores memórias de passados incompletos. Basta não lembrarmos perfeitamente de algo que aconteceu para que nossa ilha de edição ganhe um toque lúdico: passamos a fantasiar o passado com o que queremos. Todos somos trovadores da poesia do passado que se escreve em nossa memória. Se não nos permitíssemos inventar um pouco e fantasiar, simplesmente não lembraríamos de nada, porque é mais fácil lembrar de uma canção do que de um simples texto.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Dia desses pensei em todos os cafés que tomei depois que consegui algo bom em minha vida. Criei a categoria "café da vitória" para rotular as entradas de conquistas em meu catálogo do passado. Sinto o gosto amargo e o calor na boca ao lembrar de algo bom que fizera. E não seria mesmo assim? As vitórias não tem sempre um quê amargo - da luta - &amp;nbsp;e um calor próprio da conquista?&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Mas ao fim de tudo a ilha não quer apenas o mar. Prefere tornar-se uma península ligando ao continente por alguma faixa da terra. Só assim, quando deixo de ser ilha, lembro que o café não serve para ajudar a lembrar - algo que sempre foi lento e sonolento - mas para se ater ao presente, a ficar bem acordado.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Entre cafés e ilhas, lembro que já em Cabo Verde se plantava café... bem antes de Pindorama.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4491479200954329699-3850313210041314747?l=pareepenseblog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="feedflare"&gt;
&lt;a href="http://feeds.feedburner.com/~ff/pareepense?a=AzUKWZLa_Xg:oIywRtxRSDs:yIl2AUoC8zA"&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~ff/pareepense?d=yIl2AUoC8zA" border="0"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;
&lt;/div&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/pareepense/~3/AzUKWZLa_Xg/o-homem-ilha-ou-o-cafe-da-vitoria.html</link><author>noreply@blogger.com (Jorge dos Santos Valpaços)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://2.bp.blogspot.com/-GmVNAxNFbIs/TuVK1iJ1ibI/AAAAAAAAAPE/Px0x6Uzgodg/s72-c/IMG0083A.jpg" height="72" width="72" /><thr:total>0</thr:total><feedburner:origLink>http://pareepenseblog.blogspot.com/2011/12/o-homem-ilha-ou-o-cafe-da-vitoria.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4491479200954329699.post-8089540682898371063</guid><pubDate>Thu, 08 Dec 2011 12:30:00 +0000</pubDate><atom:updated>2011-12-08T10:49:28.678-02:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">música</category><title>Neguinho</title><description>&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Todos já ouviram falar do tal "neguinho". Neguinho tem culpa de nada e neguinho tem culpa de tudo... não? Escute a música para refletir um pouco sobre a questão...&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;iframe allowfullscreen="" frameborder="0" height="315" src="http://www.youtube.com/embed/K4LHqlR-1-c" width="420"&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
Neguinho não lê, neguinho não vê, não crê, pra quê&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
Neguinho nem quer saber&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
O que afinal define a vida de neguinho&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
Neguinho comprou o jornal, neguinho furou o sinal&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
Nem bem nem mal, prazer&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
Votou, chorou, gozou: o que importa, neguinho?&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
Rei, rei, neguinho rei&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
Sim, sei: neguinho&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
Rei, rei, neguinho é rei&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
Sei não, neguinho&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
Se o nego acha que é difícil, fácil, tocar bem esse país&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
Só pensa em se dar bem - neguinho também se acha&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
Neguinho compra 3 TVs de plasma, um carro GPS e acha que é feliz&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
Neguinho também só quer saber de filme em shopping&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
Rei, rei, neguinho rei&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
Sim, sei: neguinho&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
Rei, rei, neguinho é rei&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
Sei não, neguinho&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
Se o mar do Rio tá gelado&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
Só se vê neguinho entrar e sair correndo azul&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
Já na Bahia nego fica den'dum útero&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
Neguinho vai pra Europa, States, Disney e volta cheio de si&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
Neguinho cata lixo no Jardim Gramacho&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
Neguinho quer justiça e harmonia para se possível todo mundo&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
Mas a neurose de neguinho vem e estraga tudo&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
Nego abre banco, igreja, sauna, escola&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
Nego abre os braços e a voz&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
Talvez seja sua vez:&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
Neguinho que eu falo é nós&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
Rei, rei, neguinho rei&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
Sim, sei: neguinho&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
Rei, rei, neguinho é rei&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: center;"&gt;
Sei não, neguinho&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4491479200954329699-8089540682898371063?l=pareepenseblog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="feedflare"&gt;
&lt;a href="http://feeds.feedburner.com/~ff/pareepense?a=XgzzKrPy_yQ:IzSlW5xs_To:yIl2AUoC8zA"&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~ff/pareepense?d=yIl2AUoC8zA" border="0"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;
&lt;/div&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/pareepense/~3/XgzzKrPy_yQ/neguinho.html</link><author>noreply@blogger.com (Jorge dos Santos Valpaços)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://img.youtube.com/vi/K4LHqlR-1-c/default.jpg" height="72" width="72" /><thr:total>0</thr:total><feedburner:origLink>http://pareepenseblog.blogspot.com/2011/12/neguinho.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4491479200954329699.post-5864883385707402928</guid><pubDate>Thu, 01 Dec 2011 13:45:00 +0000</pubDate><atom:updated>2011-12-01T11:45:01.299-02:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">crônica</category><title>Relações sociais no coletivo 9: A ruiva maquiada da Pavuna</title><description>&lt;br /&gt;
&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;
&lt;a href="http://i.s.hapenas.com/0000019268/Kit-Sombras-Maquiagem-240-1.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://i.s.hapenas.com/0000019268/Kit-Sombras-Maquiagem-240-1.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Final de expediente, cansaço, vontade de chegar logo em casa. Dia como outro qualquer se não fosse temperado pela satisfação de boas aulas dadas naquela noite de quinta-feira. Por mais uma vez voltaria para casa com aquele sorriso no rosto igual ao de um adolescente que está voltando para casa depois de uma noite na casa da namorada.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Tomei o primeiro dos dois ônibus no trajeto Acari-Pavuna-Olaria. A baixa iluminação dava um certo tom de suspense à cena. Percebi que havia poucos lugares, todos compartilhados. Decidi sentar-me ao lado de uma ruiva no lado direito, relativamente bem iluminado. Ao sentar notei que todos olhavam para aquele banco duplo. Obviamente não estavam olhando para mim, mas para a ruiva, que se maquiava.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Sobrehumana é essa técnica que algumas mulheres têm. Como conseguem riscar os olhos com lápis negro, passar batom e se olhar no espelho com as trepidações dos coletivos?&amp;nbsp;Garanto que não conseguiria fazer tal peripécia com medo de enfiar algum dos apetrechos - que para mim são uma mescla de instrumentos cirúrgicos com pincéis artísticos - nos seus olhos. Mas, como mortal e homem que sou, admiro, apenas.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Mas naquela noite não prestei atenção à cena. Notei que era devorado pelos outros marmanjos que queriam sentar ao lado da ruiva, mas que não tiveram tal ousadia. Explico: a pequena ruiva, única mulher na condução, estava bem arrumada demais para o clima de final de expediente suburbano. Todos os homens - inclusive eu - estávamos suados e cansados. Estragaríamos a candura do momento. Não percebi esse "código oculto" e sentei ali como se não violasse nenhum tabu. Daí para frente fui condenado pelos olhares sequiosos dos companheiros de viagem.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Conforme dizia: não prestei atenção, e persisti não prestando. Não sou daqueles que fica babando em mulheres, sobretudo em situações como aquela. Peguei um livro e comecei a ler. Daí pra frente o rito mudou. Notei que a ruiva queria atenção de todos - e isso não seria comum para todas as mulheres? - e passou fazer movimentos exacerbados. Mas ela não tinha a atenção dos marmanjos? Tinha. Mas não tinha a minha atenção. Seus movimentos peripatéticos eram destinados a mim, aquele que se esgueirava dos encantos da sereia de cabelos de fogo.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Ao notar que ela flertava, ignorava-a. Cada vez que ela esbarrava em mim ou me olhava, me enfiava mais no enredo do livro. Brinquei com ela. Brinquei muito. A ruiva queria a minha atenção, os marmanjos queriam a atenção da ruiva. Não dava atenção à ruiva e os marmanjos ficavam com mais raiva de mim. Primeiro, tinha sentado ao lado dela. Depois, a esnobava. Descobri-me enquanto centro da gravidade daquele 665.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;
Fim de viagem, hora de descer. Ainda tinha que tomar outra condução antes de chegar ao meu bairro. Pulei do banco e fui o primeiro a descer do ônibus. Duas quadras a frente me viro e noto que a ruiva estava me seguindo. Ao encará-la ela virou a face para disfarçar. "Quem seria aquele que me ignorou por tanto tempo?", deveria ter pensado. Ora, eu não fico encantado assim tão facilmente. Já tenho minha ruiva que se maquia em ônibus. Essa sim, se maquia pra mim. Não preciso de outra.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4491479200954329699-5864883385707402928?l=pareepenseblog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="feedflare"&gt;
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&lt;/div&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/pareepense/~3/cCWNNcL0B_A/relacoes-sociais-no-coletivo-9-ruiva.html</link><author>noreply@blogger.com (Jorge dos Santos Valpaços)</author><thr:total>0</thr:total><feedburner:origLink>http://pareepenseblog.blogspot.com/2011/12/relacoes-sociais-no-coletivo-9-ruiva.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4491479200954329699.post-310526487026679143</guid><pubDate>Sat, 19 Nov 2011 02:01:00 +0000</pubDate><atom:updated>2011-11-19T00:01:18.057-02:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">crítica</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">metalinguagem</category><title>Aula de conversação</title><description>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_s2xmgnROydw/TF1gs3b6yLI/AAAAAAAAASI/bd9KxlnA8ew/s1600/17706-Clipart-Illustration-Of-Two-Orange-Businessmen-Having-A-Conversation-With-A-Text-Bubble-Above-Them.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="285" src="http://1.bp.blogspot.com/_s2xmgnROydw/TF1gs3b6yLI/AAAAAAAAASI/bd9KxlnA8ew/s320/17706-Clipart-Illustration-Of-Two-Orange-Businessmen-Having-A-Conversation-With-A-Text-Bubble-Above-Them.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sempre tive uma certa pinima - isso mesmo, pinima - com cursos de idiomas. Não tenho um pensamento pequeno e até acho muito interessante a ideia de viajar pelo mundo. Acho que justamente por ter algum de "aventuresco" em mim que não aprecio a ideia dos "cursos de idiomas". Uma ideia muito boa para mim é viajar para um local desconhecido sem saber uma palavra daquele idioma, ou pelo menos sabendo muito pouco. Daí, pelas relações que desenvolveria naquele "mundo estranho" eu aprenderia o idioma. Isso mesmo, sem gramática, sem regras, pela fala, pela prática, pelo contato entre as pessoas. Aliás, não foi assim que aprendemos a nos comunicar? Creio que nossos ancestrais não leram manuais para se comunicar com seus pares...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ok, a ideia do intercâmbio poderia até ser essa, se não fosse escondida pelo raio do ideal último dos cursos de qualquer coisa: emprego, mercado de trabalho e dinheiro mesmo. Pelo menos gostaria de pessoas mais sinceras e honestas consigo mesmas e que falassem os motivos para aprender outros idiomas. É claro que há pessoas que aprendem outro idioma porque gostam, porque apreciam uma outra cultura, por exemplo. Mas a finalidade de qualquer língua não é sua contemplação/erudição, mas seu uso. Isso mesmo, os idiomas foram feitos para serem um elo de entendimento entre pessoas. Parece banal não? Pois é, parece e é, mas garanto que uma boa parcela das pessoas que "usa outro idioma" não pensa nisso.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O principal motivo para o aprendizado de um idioma é o "consumo". Não aprendemos inglês ou francês para falarmos em inglês ou francês, mas para que entendamos um texto ou uma música ou filme nesses idiomas. Ainda se fôssemos usar o idioma para nos comunicarmos com outrem, tudo bem. Mas aí vem o pior... a tal aula de conversação...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vamos entender a cena: pessoas pagam pra conversar em uma pseudo aula com roteiro estruturado em um idioma que vão usar apenas naquele momento no dia. Sim, se nunca olharam por esse ponto de vista é exatamente isso que é uma aula de conversação. Em resumo, pagamos para falar com desconhecidos, mas não temos coragem para falar com desconhecidos fora dessa estranha "aula". Pior, podemos desenvolver laços de amizade com esses desconhecidos, mas não nos arriscaríamos de forma alguma em nos encontrar com eles fora "do curso".&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quase sempre os cursos se voltam mesmo pra a a escrito e para a "audição". Acho mais honesto ser um "especialista no consumo" do que ser um real entendedor de outro idioma, o que implica em pensar através de outra gramática, o que minimamente é complicado, já que cada linguagem tem um suporte cultural e cosmovisão minimamente estruturada. Não sou contra os que aprendem e realmente se comunicam em outro idioma, mas isso deve ser uma ação feita por adultos, e não por crianças. Sei que vão dizer - com razão - que a plasticidade neural de crianças é superior a de adultos, mas é aí que eu ataco. As crianças "daqui" devem pensar de acordo com nosso suporte linguístico e cultural. É, isso mesmo. Falo de bases, de enraizamento sócio-cultural. Isso não é visto pelos pais que colocam filhos em escolas n-língues, justamente porque o objetivo é o mesmo de sempre: sucesso, lucro, dinheiro.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Digo que as pessoas mais interessantes que conheci foram em "conversações descompromissadas" sem roteiro. Simplesmente decidi puxar assunto e conversar com desconhecidos. Fiz isso com a minha língua. Fiz isso do meu jeito. Fiz isso e ainda faço. Tenho uma vida minimamente sem roteiros no quesito "conhecer pessoas". E há milhões de pessoas com quem posso conversar usando o meu léxico, mesmo que em cada lugar elas falem idiomas - culturalmente falando - distintos. Prefiro esse desafio a estar em aulas de conversação... até porque não se aprende a conversar, não é mesmo?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4491479200954329699-310526487026679143?l=pareepenseblog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="feedflare"&gt;
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&lt;/div&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/pareepense/~3/I0862K5ztSA/aula-de-conversacao.html</link><author>noreply@blogger.com (Jorge dos Santos Valpaços)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://1.bp.blogspot.com/_s2xmgnROydw/TF1gs3b6yLI/AAAAAAAAASI/bd9KxlnA8ew/s72-c/17706-Clipart-Illustration-Of-Two-Orange-Businessmen-Having-A-Conversation-With-A-Text-Bubble-Above-Them.jpg" height="72" width="72" /><thr:total>2</thr:total><feedburner:origLink>http://pareepenseblog.blogspot.com/2011/11/aula-de-conversacao.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4491479200954329699.post-1714846491585055285</guid><pubDate>Mon, 07 Nov 2011 11:18:00 +0000</pubDate><atom:updated>2011-11-07T09:18:34.084-02:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">crônica</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">metalinguagem</category><title>Dando nome aos bois</title><description>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://free.clipartof.com/49-Free-Cartoon-Cow-Clip-Art.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="200" src="http://free.clipartof.com/49-Free-Cartoon-Cow-Clip-Art.jpg" width="176" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"Olha para aquele passarinho, menino!" Esbugalho os olhões de criança curiosa e disparo: "É Joãozinho o nome dele!"&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu sempre gostei de nomear os animais, brinquedos e quaisquer objetos "animados" que estavam ao meu redor. &amp;nbsp;Fiquei matutando sobre isso depois de apontar para um pombo na rua e inquirir a patroa: "Qual o nome desse pombo?". Ela respondeu: "Sei lá, mô." Fiquei algum tempo espantado com o hábito que compartilho com o personagem &amp;nbsp;Germain Chazes, interpretado magistralmente por Gérard Depardieu em Minhas Tardes com Margueritte. E daí lembrei que esse hábito vem da minha infância e que ainda hoje o faço. Mesmo que guarde&amp;nbsp;apenas&amp;nbsp;para mim mesmo, vou nomeando tudo que vejo pela rua, até as pessoas.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nomear é ter poder sobre o outro, dizem alguns. Realmente quando damos um nome passamos a identificar do nosso jeito. É como se estivesse etiquetando o mundo. Mas acho que esse meu hábito não tem requintes de possessividade ou de megalomania. Apenas nomeio por diversão e por fantasiar um pouco tudo que me cerca.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Aliás, há um pouco de loucura nisso sim. Ok, não sou megalomaníaco, pelo menos espero. Mas com certeza &amp;nbsp;há uma perturbação em minha mente ao dar nomes quase automaticamente para tudo que se move. Mas alto lá, sou um pouco criterioso nos meus batismos. Não coloco um nome próprio em cada objeto que vejo, senão seria uma loucura, imaginem só. Olho para um pacote de biscoitos e comento "esse é o pacote de biscoitos Cléber" ou ainda "essa é a garrafa pet Mariana". Claro que não faço isso, pelo menos por enquanto. Meus nomes próprios são destinados a seres humanos, animais ou objetos animados pelo homem, como bonecos, marionetes, etc. Minha loucura tem arestas...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Acredito que essa mania de dar nome para tudo - que cobro aos demais como se fosse bem natural - se relacione com minha criatividade. Olho para as pessoas na rua e imagino como a Paula está se sentindo ou ainda se o Jonas está com calor ou frio. Ainda penso se o Marquinho está com aquela feição porque está atrasado. Em um mundo tão vasto, gosto de nomear os personagens anônimos das&amp;nbsp;várias histórias que me cercam. Tudo bem, isso pode ser uma vontade possessiva de guiar a vida dos outros, ou ainda uma mania de observar que pode ter seu lado de "perseguição". Mas acho que essa minha mania não chegou nesses extremos e ela me ajuda muito a criar e a encarar as outras pessoas como indivíduos e não apenas como figurantes da minha história.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Espero que não tenha parecido muito louco ao falar isso para vocês todos,&amp;nbsp;Jaime, Paulo, Bruno,&amp;nbsp;Marcela,&amp;nbsp;Eduarda,&amp;nbsp;Larissa, Jéssica, Marco Antônio,&amp;nbsp;Leandro,&amp;nbsp;Caio, Gláucio, Júlio, Nayanna, Jefferson, João, Elaine, Paula, Tadeu, Fabiana, Vítor, Marília, Bianca, Alfredo, Osvaldo...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4491479200954329699-1714846491585055285?l=pareepenseblog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="feedflare"&gt;
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&lt;/div&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/pareepense/~3/avBmldErP-w/dando-nome-aos-bois.html</link><author>noreply@blogger.com (Jorge dos Santos Valpaços)</author><thr:total>0</thr:total><feedburner:origLink>http://pareepenseblog.blogspot.com/2011/11/dando-nome-aos-bois.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4491479200954329699.post-3166110635857072720</guid><pubDate>Fri, 28 Oct 2011 22:50:00 +0000</pubDate><atom:updated>2011-10-28T20:50:00.948-02:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">crítica</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">metalinguagem</category><title>Porque gosto do horário de verão?</title><description>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_OwU0DTGlzJI/S4Fs9H8fADI/AAAAAAAAD7o/68oydOKlhYE/s400/m+coelho.gif" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="195" src="http://3.bp.blogspot.com/_OwU0DTGlzJI/S4Fs9H8fADI/AAAAAAAAD7o/68oydOKlhYE/s320/m+coelho.gif" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Todo ano é a mesma coisa. Todo ano a mesma ladainha. Nos meados da primavera, aos toques dos clarins da impressa, é anunciado o início do horário de verão. Não, a ladainha não é o anúncio oficial de uma prática um tanto antiga no Brasil, e presente em tantos cantos do mundo. A ladainha vem dos comentários pró e contra o horário de verão.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Argumentos não faltam para defender ou criticar aquela hora que se desloca pra lá e pra cá. O próprio final de semana em que começa o horário de verão é alvo de polêmica. "Perdemos uma hora!" dizem os que se esquecem que ao término do horário de verão essa hora "volta". Acredito que a resistência ao horário de verão se relacione também com uma certa nostalgia. Convenhamos, aqui para o Brasil não é algo tão antigo, logo a resistência é natural.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na minha concepção acho um tanto vazia a crítica ao horário de verão. Normalmente há três argumentos. O primeiro é que a economia de energia - o motivo para adiantarmos o relógio - não compensaria. Mas há economia real de energia. Qualquer esforço em reduzir o consumo é válido, no meu ponto de vista. O segundo argumento se relaciona com a falta de segurança das ruas pelas manhãs. Isso é uma questão de segurança pública e nada tem a ver com o horário de verão. As ruas devem ser seguras pelas manhãs, tardes, noites e madrugadas. A terceira toca o tema "hábito" que é mudado. Pois bem, há países com vários fusos horários e pessoas que atravessam-no cotidianamente. Ser historiador me faz lembrar que o relógio e a forma de marcar o tempo é uma convenção. Por que esse tempo que se marca como duas da tarde não pode ser quatro da manhã?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Retirando toda a argumentação racional, lembrei-me que antes de pensar em todas as refutações aos críticos do horário de verão já gostava desse período. Por quê?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O horário de verão para mim tem uma relação intensa com uma certa memória afetiva dos tempos em que estudava. Horário de verão sempre rimou com final de ano letivo, tempo de soltar pipa na laje até oito da noite sem escurecer, de tomar sacolé feito pela minha mãe, de jogar bola com o pessoal, de alugar jogos de videogame. Ok, fazia tudo isso durante o ano letivo, mas normalmente nos finais de semana. Sempre fui muito "caxias" nos estudos. Outro motivo para gostar de horário de verão era as férias do meu pai. Ele sempre tirava as férias no verão e eu sempre tive o meu pai como um grande amigo e conselheiro, diferente de outros garotos que sempre brigavam com os pais.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Gostava de ver o o sol nascer, não gostava de vê-lo se por. Tinha a boba ilusão que o dia era maior. E ainda tenho. Concluo que não gosto do horário de verão por causas racionais, calculadas. Gosto pelas coisas pequenas, pela felicidade da quebra da rotina, pelo calor do sol que bronzeia um pouco as peles brancas das salas de escritório. Gosto de ainda sentir tudo isso no presente, pois se tudo ficasse no passado certamente me faria mais sofrer que celebrar...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4491479200954329699-3166110635857072720?l=pareepenseblog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="feedflare"&gt;
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&lt;/div&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/pareepense/~3/IsOZBNjaXCA/porque-gosto-do-horario-de-verao.html</link><author>noreply@blogger.com (Jorge dos Santos Valpaços)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://3.bp.blogspot.com/_OwU0DTGlzJI/S4Fs9H8fADI/AAAAAAAAD7o/68oydOKlhYE/s72-c/m+coelho.gif" height="72" width="72" /><thr:total>2</thr:total><feedburner:origLink>http://pareepenseblog.blogspot.com/2011/10/porque-gosto-do-horario-de-verao.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4491479200954329699.post-6412858438500469068</guid><pubDate>Mon, 24 Oct 2011 17:35:00 +0000</pubDate><atom:updated>2011-10-24T15:35:11.781-02:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">citação</category><title>Quem para e pensa...</title><description>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;"Historiador/professor sem utopia é cronista e, sem conteúdo, nem cronista pode ser."&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;Jaime &amp;nbsp;Pinsky e Carla Pinsky&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;Por uma História Prazerosa e Consequente,&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;In: História na sala de aula, p.19&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4491479200954329699-6412858438500469068?l=pareepenseblog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="feedflare"&gt;
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&lt;/div&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/pareepense/~3/8RmAPKl9wGc/quem-para-e-pensa.html</link><author>noreply@blogger.com (Jorge dos Santos Valpaços)</author><thr:total>0</thr:total><feedburner:origLink>http://pareepenseblog.blogspot.com/2011/10/quem-para-e-pensa.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4491479200954329699.post-5675391007031158008</guid><pubDate>Sat, 15 Oct 2011 17:54:00 +0000</pubDate><atom:updated>2011-10-15T14:54:31.101-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">crítica</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">metalinguagem</category><title>A melhoria na educação brasileira não pode ser um sonho</title><description>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://www.ladocevita.com.br/image/cache/data/produtos/sonho-de-doce-de-leite-500x500.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://www.ladocevita.com.br/image/cache/data/produtos/sonho-de-doce-de-leite-500x500.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;Hoje é o dia do professor aqui no Brasil. Não sou hipócrita. Não comemoramos isso mesmo. &lt;b&gt;Nunca comemorei e acho que poucos realmente comemoram.&lt;/b&gt; Nas escolas de classes iniciais há uma nefasta entrega de presentes comprados pelos pais aos professores, quase nunca com alguma reflexão sobre o papel do professor. No ensino médio apenas perguntam: "Vai ter aula". E os próprios educadores anseiam avidamente pela "folga" do dia. Isso não é comemoração, é a simples a inserção da data no calendário capitalista vigente. Para distoar do ufanismo raso que envolve o dia de hoje, eu decidi refletir um pouco acerca do que o imaginário social construiu sobre o "estado de coisas" de nossa educação. Aos quatro ventos o vento que sopra carrega a mensagem: &lt;b&gt;"A educação é ruim, mas &lt;u&gt;tenho um sonho&lt;/u&gt; em que ela será melhor"&lt;/b&gt;. Particularmente eu não concordo com a segunda parte da frase acima.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu nunca tive o &lt;b&gt;sonho &lt;/b&gt;de ser um professor. Sempre tive o &lt;b&gt;desejo&lt;/b&gt;, sempre tive a &lt;b&gt;vontade&lt;/b&gt; de lecionar. Digo isso porque nunca me senti como um sonhador nesse caso. Eu tenho minhas utopias, projetos e desejos, mas desde pequeno acho que o sonho é algo para ser mantido no território do lúdico, do belo mas&amp;nbsp;inalcançável.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O sonho sempre pareceu para mim como um fragmento de algo irrecuperável, como uma fábula de um reino distante que você sabe que não existe. &lt;b&gt;Sonho é diferente de utopia&lt;/b&gt;. Esta move e impulsiona os projetos. &lt;b&gt;Sonho também não é um desejo&lt;/b&gt;. Nós&amp;nbsp;buscamos nossos desejos, nos mexemos para alcançá-los. Sonhar é contemplar, é admirar, é suspirar. Eu sou pragmático, gosto de agir e fazer. Sou assim pois acredito que são as ações dos indivíduos que grafam as páginas do livro que decidir ler e escrever a vida toda: a &lt;b&gt;História&lt;/b&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nesses anos de magistério encontrei e ainda encontro muitos professores sonhadores. Muitos "colegas" que&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;sonhavam em lecionar em um reino muito, muito distante há muito, muito tempo atrás. Certamente durante seus cursos tiveram acesso aos desafios que se colocariam frente a eles, mas seguiram em seus sonhos até serem jogados nas salas de aula. Lá, tiveram de acordar e assim se frustraram nos primeiros anos (ou meses) letivos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Como a sonolência é agradável, é muito difícil conversar com eles para traçar projetos e atitudes concretas para alterar o quadro complexo em que a educação se encontra. Não irei listar a sequência de problemas que a educação pública no Brasil possui. Apenas retorno minha concepção inicial que indica que &lt;b&gt;todos fazemos parte das páginas das História&lt;/b&gt;. Continuar sonhando com um futuro melhor e não propor e fazer, mesmo que seja o mínimo para alterar esse quadro é uma atitude no mínimo &lt;b&gt;covarde&lt;/b&gt;. Não se mexer é contribuir para reproduzir esse "estado de coisas".&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O sonho funciona como uma droga que anestesia os docentes. Ao mesmo tempo essa droga &lt;b&gt;imobiliza e relaxa&lt;/b&gt; os educadores. Fica fácil falar que é difícil, que a turma não ajuda, que o sistema é problemático. Ok, eu sei - e muito bem - que todas as críticas são corretas, mas apenas reproduzi-las e não discuti-las criticamente &lt;b&gt;propondo uma solução, mesmo que em microescala, em nada muda&lt;/b&gt;. E será que realmente queremos mudar? Digo isso pois é exatamente essa a característica do sonho. Ele nunca deve mudar, ele deve permanecer confortavelmente distante do "sonhador", até porque no reino do sonho é fácil, fácil descansar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Reservo duas instâncias para que analisemos a expressão do sonho nas escolas: a &lt;b&gt;sala dos professores&lt;/b&gt; e o &lt;b&gt;conselho de classe&lt;/b&gt;. Nas salas de professores &lt;b&gt;praticamente não há uma discussão sobre educação&lt;/b&gt;. Isso mesmo! Os professores costumam conversar sobre tudo, absolutamente tudo, menos sobre educação. Alto lá quem diz que nas salas dos professores há fortes críticas ao governo, ao sistema. Eu sou um dos que mais as faço, mas não na sala dos professores. Digo isso porque todo mundo critica a educação, mas enquanto educador, &lt;b&gt;preciso dar o passo além da crítica&lt;/b&gt;. Eu tenho que propor algo para mudar, mesmo que seja apenas na minha turma. Ora, isso é o mínimo que se espera em que estudou anos para isso e trabalha com isso.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Já os conselhos de classe &lt;b&gt;mostram o sonho realizado coletivamente&lt;/b&gt;. Não são apenas os professores que sonham esse sonho distante da educação. Nos conselhos vemos diretores, coordenadores, todos na mesma "levada". Os conselhos de classe para mim são o limite absoluto entre o sonhar e o agir. Ocorre uma funesta discussão de sonâmbulos sobre promoção ou reprovação de alunos, há uma aberta crítica aos "alunos-problemas" e todas aquelas piadas de mau gosto que o senso comum faz sobre a educação estão presentes. Nos conselhos de classe fica tudo aberto e claro. Não é em vão que apenas os funcionários - na maioria das vezes - se faz presente nos conselhos...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sonho por sonho, eu fico com o de doce de leite. Na educação e na vida em termos gerais não acredito que o sonho resolva alguma coisa. E é assim que eu "comemoro", pensando que comemorar é lembrar coletivamente. Assim eu comemoro o dia dos professores refletindo sobre um sonho que jamais deve ser sonhado.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4491479200954329699-5675391007031158008?l=pareepenseblog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="feedflare"&gt;
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&lt;/div&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/pareepense/~3/eZPP7ZKkD8Y/melhoria-na-educacao-brasileira-nao.html</link><author>noreply@blogger.com (Jorge dos Santos Valpaços)</author><thr:total>2</thr:total><feedburner:origLink>http://pareepenseblog.blogspot.com/2011/10/melhoria-na-educacao-brasileira-nao.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4491479200954329699.post-4711616497946064730</guid><pubDate>Wed, 12 Oct 2011 02:25:00 +0000</pubDate><atom:updated>2011-10-11T23:26:46.963-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">crônica</category><title>Relações sociais no coletivo 8: Um companheiro sino-suburbano</title><description>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-X4WgZLnIpCw/TpT6pjhZnKI/AAAAAAAAANU/1p3k6X5hqqA/s1600/incriveis-pasteis-doces-1-75-441%255B1%255D.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="231" src="http://1.bp.blogspot.com/-X4WgZLnIpCw/TpT6pjhZnKI/AAAAAAAAANU/1p3k6X5hqqA/s320/incriveis-pasteis-doces-1-75-441%255B1%255D.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os primeiros raios de sol esquentam a lateral do ônibus. O coletivo para lentamente e abre suas portas para os passageiros rotineiros. E assim vão os muitos para outro dia de trabalho. Olhos bem treinados podem desvelar pequenos detalhes dessa rotina. Por vezes as trocas de olhares mostram uma intimidade, amizade, e até uma certa cumplicidade daqueles que pouco se conhecem. E isso tudo sem uma sequer palavra. Aquele mesmo trajeto compartilhado por pessoas com rotinas tão diferentes realmente estreita relações entre pessoas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Já havia notado há algum tempo um rapaz que sempre senta nos bancos da frente. Quando entro na condução ele já está lá, sempre na frente. Eu prefiro ficar mais recuado. Aprendi que ficar entre os eixos do ônibus significa menos sacolejos, ou seja, um soninho mais gostoso nos 40 minutos do trajeto para o trabalho. Mas faz algum tempo que notei que aquele rapaz descia no mesmo ponto que eu. Uma vez até cheguei a acordá-lo pois dormia e passaria do ponto, literalmente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nunca troquei uma frase com o rapaz que besunta seu cabelo com gel e tem algumas tatuagens no corpo. Inclusive quando o salvei de passar do ponto de descida, apenas toquei em seu ombro e nada mais. Nenhuma palavra foi dita, apenas seu olhar "falou" obrigado para mim.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E com o tempo notei que ele não apenas descia no mesmo ponto que eu, mas também seguia pela mesma rua que tomo para chegar ao meu serviço. Óbvio que ele não era meu colega de trabalho. Sou um pouco desligado, mas nem tanto. Daí concluí que meu companheiro trabalha na pastelaria da rua. Isso mesmo, uma daquelas milhares de "franquias das comida rápida chinesa". Chegando cedo o vi abrindo o negócio com os donos de olhos puxados por algumas vezes.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas na última semana me surpreendi. Não é que o rapaz estava falando em chinês ou sei lá em que língua com os seus patrões? Efeito da globalização ou simples devaneio causado por meu sono? Isso nunca irei saber, pelo menos até que ocorra novamente. Só sei que daí em diante notei que os seus olhos estavam ficando cada vez mais puxados...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4491479200954329699-4711616497946064730?l=pareepenseblog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="feedflare"&gt;
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&lt;/div&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/pareepense/~3/bXy3JKUx-po/relacoes-sociais-no-coletivo-8-um.html</link><author>noreply@blogger.com (Jorge dos Santos Valpaços)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://1.bp.blogspot.com/-X4WgZLnIpCw/TpT6pjhZnKI/AAAAAAAAANU/1p3k6X5hqqA/s72-c/incriveis-pasteis-doces-1-75-441%255B1%255D.jpg" height="72" width="72" /><thr:total>0</thr:total><feedburner:origLink>http://pareepenseblog.blogspot.com/2011/10/relacoes-sociais-no-coletivo-8-um.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4491479200954329699.post-5727308441192415026</guid><pubDate>Fri, 30 Sep 2011 16:00:00 +0000</pubDate><atom:updated>2011-09-30T13:00:31.647-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">citação</category><title>Quem para e pensa...</title><description>É difícil ser intelectual porque não faz parte da cultura brasileira ouvir tranquilamente uma palavra crítica.&lt;br /&gt;
&lt;div style="text-align: right;"&gt;&amp;nbsp;- Milton Santos&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4491479200954329699-5727308441192415026?l=pareepenseblog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="feedflare"&gt;
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&lt;/div&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/pareepense/~3/Hr7IK2KLySo/quem-para-e-pensa.html</link><author>noreply@blogger.com (Jorge dos Santos Valpaços)</author><thr:total>0</thr:total><feedburner:origLink>http://pareepenseblog.blogspot.com/2011/09/quem-para-e-pensa.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4491479200954329699.post-4634269677020914410</guid><pubDate>Sun, 25 Sep 2011 02:34:00 +0000</pubDate><atom:updated>2011-09-24T23:34:26.472-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">crítica</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">contos</category><title>O conto do sr. Você e de seu amigo "Mercado"</title><description>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-0XR-F2AHjEI/Ta3DeGXT_MI/AAAAAAAAAEw/lcPRKWBYyic/s320/whynotfollowyourheart.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://3.bp.blogspot.com/-0XR-F2AHjEI/Ta3DeGXT_MI/AAAAAAAAAEw/lcPRKWBYyic/s320/whynotfollowyourheart.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Era uma vez um moço. Ele era tão parecido contigo que passou a ser chamado de Sr. Você. Ele até tinha alguns &amp;nbsp;amigos quando criança, mas quando foi tornando adolescente foi se afastando cada vez mais deles. Seus pais e seus professores apresentaram à ele um novo amigo, o Mercado.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No final do Ensino Médio, disseram que era o momento fundamental para escolher a profissão para seguir por "toda a vida".&amp;nbsp;Na hora de escolher o curso para o vestibular que prestaria, ouviu "escolhe esse aí não, escolhe esse aqui que é melhor para o Mercado". Pronto! Daí pra frente o Sr. Você e o Mercado começaram uma amizade muito forte. Bem, acho que o termo certo não é amizade, mas deixemos isso quieto, por enquanto...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Durante vários momentos o Mercado apareceu na vida do Sr. Você...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Então o Mercado mandou: especialize-se. Claro que o Sr. Você faz isso, com cursos, especializações, livros, workshops, etc. Então o&amp;nbsp;Sr. Você passou a ganhar mais, mas o seu círculo social fez com que o Sr. Você consumisse mais...&amp;nbsp;Foi quando o Sr. Você notou que o fluxo de capital que possuía praticamente escoava completamente de volta para o Mercado.&amp;nbsp;Mas o Mercado logo aconselha: Pegue um empréstimo. O Sr.&amp;nbsp;Você tomou um empréstimo e assim jogou mais dinheiro no colo do Mercado.&amp;nbsp;Mas o Mercado sempre estava pronto para ajudar: Diversifique suas aplicações, projete sua vida. O Sr. Você com essa, depois de completamente estressado com a vida, exaurido de suas forças, deprimido e solitário, finalmente notou que tudo o que pensava que eram&amp;nbsp;"projetos" apenas são metas de consumo. Casa, carro, TV, livros. Não se pensa em Casa junto à família, por exemplo. Não se projeta uma viagem para um aprendizado. Tudo é consumo, todos projetos eram produtos ou serviços.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Então o Sr. Você pensou: ESSES REALMENTE SÃO OS MEUS PROJETOS DE VIDA? Até agora tudo o que fiz foi para suprir o "mercado" ou para mim mesmo? Qual o peso das pessoas em minha vida?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não, você não pensa nisso. Não pensa porque o Mercado nunca falou com o Sr. Você. Nunca falou nem falará, já que isso é um conto. Mas no outro lado da prosa da vida, são os "agentes do Mercado" que endereçam todas as mensagens para que o Sr. Você possa suprir a insaciável sede pelas cédulas de papel que valem mais que uma amizade.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas ainda é tempo para descobrir que você como o Sr. Você é um ser humano e que o Mercado não é um ente em si. É claro que há pessoas que trabalham no e para o Mercado e você pode ser um deles. Basta não questionar todas as atitudes que faz. A decisão em continuar o conto e não viver feliz para sempre é sua. Então, vamos ajudar a criar um paradoxo nesse conto? Vamos fazer o primeiro final feliz com o término de uma "amizade"? Acho que é hora do Sr. Você romper as relações com o Mercado, não?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4491479200954329699-4634269677020914410?l=pareepenseblog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="feedflare"&gt;
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&lt;/div&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/pareepense/~3/o3pGYyTSawE/o-conto-do-sr-voce-e-de-seu-amigo.html</link><author>noreply@blogger.com (Jorge dos Santos Valpaços)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://3.bp.blogspot.com/-0XR-F2AHjEI/Ta3DeGXT_MI/AAAAAAAAAEw/lcPRKWBYyic/s72-c/whynotfollowyourheart.jpg" height="72" width="72" /><thr:total>1</thr:total><feedburner:origLink>http://pareepenseblog.blogspot.com/2011/09/o-conto-do-sr-voce-e-de-seu-amigo.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4491479200954329699.post-5990500246479620866</guid><pubDate>Wed, 21 Sep 2011 12:47:00 +0000</pubDate><atom:updated>2011-09-21T09:47:18.248-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">metalinguagem</category><title>Sobre o tempo...</title><description>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quanto tempo custa o seu tempo? Você diz: Não "perco meu tempo", não "gasto" meu tempo. Convido-o a refletir. Diz que que "apenas vive"?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;De certa forma concordo que quanto menos tempo pensamos no tempo, mais tempo temos para viver. Mas, pensar no tempo também é uma experiência de vida. Quem "só vive por viver" e não para por um momento para não "perder tempo" também perde. Dessa forma, deixamos de apreciar instantes em que apenas os flashes das fotos da vida podem capturar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por vezes parar de andar é necessário para correr. Por vezes é melhor deixar a ampulheta de lado, para que a areia de nossas vidas não seja despejada para fora de nosso relógio.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4491479200954329699-5990500246479620866?l=pareepenseblog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="feedflare"&gt;
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&lt;/div&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/pareepense/~3/8LRqrTnWyJI/sobre-o-tempo.html</link><author>noreply@blogger.com (Jorge dos Santos Valpaços)</author><thr:total>0</thr:total><feedburner:origLink>http://pareepenseblog.blogspot.com/2011/09/sobre-o-tempo.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4491479200954329699.post-6989959515058015480</guid><pubDate>Thu, 01 Sep 2011 12:20:00 +0000</pubDate><atom:updated>2011-09-01T09:21:55.457-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">metalinguagem</category><title>Amizades inexplicáveis ou ode ao manjar de coco</title><description>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://www.radioglobolondrina.com.br/Imagens/Receitas/M/manjar-branco-f8-2982.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://www.radioglobolondrina.com.br/Imagens/Receitas/M/manjar-branco-f8-2982.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"Ser amigo é..." Já me cansei de ler correntes de e-mail e cartões de presentes começando com essa frase. Sou daqueles que pensa que certas coisas na vida são tão difíceis de definir que o próprio esforço em entendê-las já é em vão, pois deturpa o seu sentido. Aqui estão alguns exemplos: saudade, amor, amizade, arte abstrata, derrota em clássico de futebol, sexo, piada, conto de fadas, traição e manjar de coco. Tudo isso e muitos outros exemplos estão na categoria "quanto menos explicado melhor". Por quê? Porque não se explica, simplesmente se experimenta. Ou é algo bom, ou não. E ainda há certos exemplos - como a traição - que nem é preciso experimentar para saber se é bom ou não. Mas experimente só explicar uma traição para alguém. Simplesmente não se explica. Por isso que eu nem me atrevo em trair. Já sei o que penso, sei o que acho certo e o que acho errado. Não é preciso experimentar tudo na vida, não é?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Dentro da categoria dos "inexplicáveis" eu volto à amizade e àquelas correntes que ainda recebo. Quase todas dizem que amigo é dizer não e não apenas sim. Isso soa tão vazio para mim. Ora, quem é que só disse sem na vida para alguém? Ainda dizem que a a amizade é estar presente. Mas quem não tem um amigo muito distante que se corresponde poucas veze, mas que realmente faz diferença, é importante e que se pode confiar? É por essas e outras assertivas que penso que cada amigo cria seu próprio conceito de amizade. Cada qual sabe como o outro satisfaz e, se são amigos é porque está dando certo. Bem simples, não?&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É aqui que o amor fica pra trás quando comparado com a amizade, no termo da reciprocidade. Já pararam para pensar que não existe amir unidirecional ao passo que o amor pode - e muitas vezes apenas é - platônico, ou seja,&amp;nbsp;inalcançável. Mas alto lá! Não podemos comparar completamente cada um "inexplicável". Cada qual tem seu valor, tem seu sentido. Só quis expor uma possibilidade de comparação, para que pudéssemos entender o que penso sobre a amizade. Mas reitero: cada "inexplicável" tem seu valor e não pode ser substituído por outro. Por exemplo, o manjar de coco para mim é insubstituível.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quase toda amizade tem um certo quê de inexplicável. Podemos começar a conversar com alguém com gostos parecidos e mesmo assim nunca nos tornaremos amigos daquela pessoa. Logo, a afinidade não garante os vínculos futuros, como muitos podem pensar. Estar junto também não significa muito para saber se ele - ou ela - é ou não seu amigo.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Todo esse devaneio pode estar confundindo mais ainda o que é ser amigo, mas ao fim espero ter feito isso mesmo. Queria deixar esses "inexplicáveis" mais difíceis de entender, porque eles devem ser entendidos, mas vivenciados. Quero mesmo que todos não tivessem muita certeza sobre quem é e quem não é amigo, pois assim valorizariam mais àqueles que não "consideram" e estariam mais abertos a novos contatos, novas conversas, novas experiências de vida, ou seja, novas amizades. Sendo assim, ficaríamos menos restritos a um pequeno "círculo de amigos".&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pode parecer paradoxal esse comportamento, pois eu, que prezo tanto a abertura para novos horizontes, sou muito apegado aos que mantenho um vínculo mais forte. Não acredito que uma coisa invalide a outra, pois é possível que uma árvore tenha vários galhos, mas uma raiz sólida e um tronco firme. Mas como sei que a explicação não foi muito boa... espero que os "inexplicáveis" persistam sendo assim, e que todos tenham algum vínculo com algum deles. Pelo menos eu tenho um vínculo inexplicável com o manjar de coco...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4491479200954329699-6989959515058015480?l=pareepenseblog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="feedflare"&gt;
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&lt;/div&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/pareepense/~3/DbYIPlpwIIQ/amizades-inexplicaveis-ou-ode-ao-manjar.html</link><author>noreply@blogger.com (Jorge dos Santos Valpaços)</author><thr:total>1</thr:total><feedburner:origLink>http://pareepenseblog.blogspot.com/2011/09/amizades-inexplicaveis-ou-ode-ao-manjar.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4491479200954329699.post-5782252575698339000</guid><pubDate>Fri, 19 Aug 2011 11:00:00 +0000</pubDate><atom:updated>2011-08-19T08:21:10.886-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">culinária</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">metalinguagem</category><title>Espero que esse pudim não deixe de ser feito tão cedo...</title><description>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://criarefazer.com.br/wp-content/uploads/2011/03/pudim-de-leite-condensado-delicioso-natal-ano-novo.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="239" src="http://criarefazer.com.br/wp-content/uploads/2011/03/pudim-de-leite-condensado-delicioso-natal-ano-novo.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Um pudim. Um pudim de leite condensado. Um doce tradicional, daqueles fáceis de encontrar em qualquer padaria. Um quitute tão comum que há muito não aparece como sobremesa de restaurantes. O pudim nem pode ser chamado de retrô. Ele é velho mesmo. Velho mas nem por isso sem uma aura própria. Mas não é por isso que qualquer conhece as magias para fazê-lo. As horas de cozimento em banho maria em forno fechado e todos os malabarismos para fazer uma calda caramelizada já indicam um pouco do "quê" do pudim. Ora, o pudim tem seu valor! Não foi ele quem batizou a fôrma com furo no meio? Ninguém fala "fôrma de bolo" ou "fôrma de cuscuz". Pelo menos aqui no Rio, fôrma com furo no meio é de pudim.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O pudim é doce simples, familiar. E justamente por ser bem "família" que ele tem um significado especial para mim: ele é o doce de festa do meu pai. Sempre presente nos aniversários, dias dos pais ou outras comemorações, o pudim nunca falhou. Não importa quando ou onde. No último dia dos pais não foi diferente: o pudim, que já veio até de outro bairro sacolejando em ônibus, estava lá.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu puxei o pouco apreço por doces do Seu Jaime, que faz do pudim sua excessão, o que dá mais charme ainda ao doce. No meu caso a excessão é o manjar de côco, também feito em fôrma de pudim. Aliás, para o meu pai, o pudim virou nome genérico de doce. Tem bolo de aniversário, é pudim. Doce de compota, pudim. Sorvete com calda, pudim. Goiabada na sobremesa, pudim. Pudim se traduziu em momento feliz para meu pai. E, cá pra nós, tem sido difícil ter pudins na vida do Seu Jaime.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Algo mórbido passou em minha mente ao ver o pudim sendo cortado delicadamente. Os dias de pudins vão acabar. Meu pai está envelhecendo... e... sabem como é... a calda entorna mais hora, menos hora. Mas não me deprimi, isso é natural, não? Importa mesmo é comer pudins enquanto se pode e não deixar de fazê-lo, sempre que possível. Apesar do dia dos pais ser normalmente uma data em que os filhos presenteiam seus pais, foi mais uma vez ele quem me presenteou. Ano que vem - ou até esse ano - vai ter manjar. Ah se vai. E vai ser pra sempre.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4491479200954329699-5782252575698339000?l=pareepenseblog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="feedflare"&gt;
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&lt;/div&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/pareepense/~3/Kh7MrI9-aCY/espero-que-esse-pudim-nao-deixe-de-ser.html</link><author>noreply@blogger.com (Jorge dos Santos Valpaços)</author><thr:total>0</thr:total><feedburner:origLink>http://pareepenseblog.blogspot.com/2011/08/espero-que-esse-pudim-nao-deixe-de-ser.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4491479200954329699.post-3747693779070633442</guid><pubDate>Wed, 10 Aug 2011 19:40:00 +0000</pubDate><atom:updated>2011-08-10T16:43:16.080-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">crônica</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">metalinguagem</category><title>As tais pequenas vitórias... Uma crônica com cara de hq</title><description>&lt;br /&gt;
&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://s3.amazonaws.com/kym-assets/entries/icons/original/000/006/548/Freddie%20Mercury.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://s3.amazonaws.com/kym-assets/entries/icons/original/000/006/548/Freddie%20Mercury.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tudo começou com uma apalpação fora do comum. Comecei a me apalpar procurando um adaptador do plugue do fone de ouvido. Vasculhei os bolsos da calça, da camisa. O zíper da bolsa abria e fechava ao passo que meu nervosismo crescia. "Não posso ter perdido esse plugue!" O problema não era o preço, o problema era o acesso. Minha agenda estava tão cheia que tinha certeza que não poderia passar em nenhuma eletrônica ou ambulante até a próxima semana. "E olha que é ainda é segunda-feira!" Ficaria contados 7 dias, ou 168 horas sem ouvir minhas músicas, podcasts e o rádio de notícias.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Hábito antigo esse de grudar fones de ouvido nas conduções. Vez por outra prefiro ler, dormir, ou apenas observar o que se passa nos ônibus e trens da vida. Mas quase sempre estou com o fone de ouvido, até porque não aderi a moda de ser o DJ dos coletivos. Perder aquele plugue seria instaurar o silêncio em minhas viagens e caminhadas...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O nervosismo foi aumentando. Fiquei nervoso. Olhares condenavam minha revolta. Esbarrava em outros passageiros olhando para todos os lados. "Onde estaria aquele plugue?" Tinha certeza que estava ali, pois tinha tocado nele há pouco tempo. "Roubaram!", pensei. Certo tempo depois ponderaria, pois realmente não fazia nenhum sentido alguém roubar justamente aquilo. "Já foi quebrado, pisado, pisoteado!" Mexia no chão com os olhos como um faiscador buscando uma pepita de ouro nos riachos. Nada, nada, nada.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pontos depois olhei sob o banco. Lá estava o plugue, lá estava a salvação. Dei um soco do ar, estufei o peito como o Freddie Mercury em We Are The Champions. Venci! Voltaria pra casa com aquele plugue. Mal o peguei já conectei no fone e fiz questão de ouvir a música mais animada e agitada que tinha. O pulsar do coração outrora agitado pela angústia e pelo medo fora compassado pelo pedal duplo e pela distorção da guitarra.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Saí de mim por 3 segundos e pude enxergar tudo em quadrinhos. Essa cena toda se desenhou em duas dimensões bem no estilo hq. Ri ao término daquilo tudo, bem no estilão de um jovem das histórias pop.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Naquele momento de descarregamento de adrenalina eu pude experimentar algo miseravelmente incrível. Pude saber exatamente o que é comemorar as tais pequenas vitórias que todos falam que temos todos os dias. Ali eu pensei que se pudesse dar aquele murro no ar mais vezes por coisas bobas assim poderia equilibrar as minhas frustrações com coisas tão bobas quanto...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4491479200954329699-3747693779070633442?l=pareepenseblog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="feedflare"&gt;
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&lt;/div&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/pareepense/~3/W8v9ci2Vj5g/as-tais-pequenas-vitorias-uma-cronica.html</link><author>noreply@blogger.com (Jorge dos Santos Valpaços)</author><thr:total>0</thr:total><feedburner:origLink>http://pareepenseblog.blogspot.com/2011/08/as-tais-pequenas-vitorias-uma-cronica.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4491479200954329699.post-2247826205285640305</guid><pubDate>Thu, 28 Jul 2011 10:20:00 +0000</pubDate><atom:updated>2011-07-28T07:20:30.783-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">crônica</category><title>Tentação ou tabu? Um certo vestido preto na Sacadura Cabral</title><description>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://pt.dreamstime.com/barriga-da-mulher-gravida-no-vestido-preto-thumb10303295.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="271" src="http://pt.dreamstime.com/barriga-da-mulher-gravida-no-vestido-preto-thumb10303295.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os finais de tarde sempre reservam boas surpresas para aqueles que perambulam nas idas e vindas do trabalho. O trajeto até o ponto do ônibus pode revelar a vida que ficou&amp;nbsp;plasmada naquelas muitas horas de serviço.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em uma quarta-feira comum na Sacadura Cabral na altura da Praça Mauá duas pernas se alternavam em um equilíbrio sutil. Sobre as sandálias de saltos finos ela insistia em desafiar&amp;nbsp;as falhas no calçamento. Malabarismo puro - sempre penso - daquelas que ousam em andar nas famosas pedras portuguesas do Rio de Janeiro. Sobre aquelas pernas que apenas&amp;nbsp;revelavam parte das canelas havia um vestido preto esvoaçante. Esvoaçante mas comportado, falo logo. Não se viam coxas ou quadris marcados por ele, apesar daquele largo cinto&amp;nbsp;delinear a cintura da dona do vestido. Um pouco mais acima não vejo decotes. O semilongo comportado denuncia: não foi feito para atiçar os desejos. Aliás, será que há esse tal desejo? Ela não era feia, mas a silhueta de seu corpo estampado na calçada revelava aquilo que seria um tabu: estava grávida de pelo menos 4 meses. Cocei a cabeça.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Que desejo era aquele de tantes homens que torciam seus pescoços e inflavam seu peito ao olhar aquela mulher que não se oferecia e nem se insinuava? Seria um tabu? Seria uma tentação impossível? Fiquei a me perguntar por muito tempo, pois não acredito em um fetiche coletivo, logo tão "incomum" assim.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Longe de mim de ser um Nelson Werneck Sodré, um Moacyr Scliar ou ainda um Rubem Fonseca. Estou muito distante dos mestres das crônicas e contos eróticos. Tão longe que o questionamento do olhar masculino reorganizou minha questão. Passei a me perguntar a razão para a atração àquela mulher. Ora, não é interdito ao homem desejar uma grávida, mas sou homem e não entendia aquele alvoroço. Fugi do desejo meramente carnal para resolver minha questão. Ela atraía os olhares de todos não por seus apelos vulgares ou carnais - que, digo de passagem, se o fizessem também seriam de total direito dela, longe de mim ser puritano! Era o jeito de andar que flutuava pelas calçadas e a sua altivez de seu semblante que atraíam. Ela era uma grávida, mas saía completamente do "estereótipo de grávida". Sua postura somada ao bom gosto daquele semilongo preto transformaram-na de um arquétipo de mulher-doente, tão comum ainda nos dias de hoje, em uma mulher desejada. E por que não desejada sexualmente?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Caminhadas em finais de tardes nos fazem repensar nesses tabus e estereótipos que carregamos. Uma mulher grávida quer ser desejada e não está doente. Uma mulher não precisa mostrar todo seu corpo para causar furor entre marmanjos. E marmanjos também não precisam "comer com olhos as mulheres". Se bem que, quando algum daqueles homens for falar daquela mulher do vestido preto esvoaçante, farão um parto mental &amp;nbsp;antes de contar que viram uma mulher incrível.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4491479200954329699-2247826205285640305?l=pareepenseblog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="feedflare"&gt;
&lt;a href="http://feeds.feedburner.com/~ff/pareepense?a=naZSmZxKaeE:yzq6ja75hbs:yIl2AUoC8zA"&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~ff/pareepense?d=yIl2AUoC8zA" border="0"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;
&lt;/div&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/pareepense/~3/naZSmZxKaeE/tentacao-ou-tabu-um-certo-vestido-preto.html</link><author>noreply@blogger.com (Jorge dos Santos Valpaços)</author><thr:total>0</thr:total><feedburner:origLink>http://pareepenseblog.blogspot.com/2011/07/tentacao-ou-tabu-um-certo-vestido-preto.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4491479200954329699.post-6006462087189034366</guid><pubDate>Thu, 14 Jul 2011 13:00:00 +0000</pubDate><atom:updated>2011-07-14T10:00:09.700-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">crônica</category><title>Relações sociais no coletivo 7: O irlandês da baixada</title><description>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-m2mrkljY4gs/TWBGzZBGuRI/AAAAAAAARFM/ZBqkRnYFNFQ/s1600/trevo-de-quatro-folhas.png" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="319" src="http://2.bp.blogspot.com/-m2mrkljY4gs/TWBGzZBGuRI/AAAAAAAARFM/ZBqkRnYFNFQ/s320/trevo-de-quatro-folhas.png" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Cinco e meia da tarde no relógio de 10 reais do pulso de um dos muitos Joãos naquele trem do ramal Saracuruna. Uma sexta-feira como outra qualquer, pensei. Um pouco de aperto, uns risos e em alguns minutos deceria em minha estação. Saindo da Central do Brasil como centenas ou talvez milhares de trabalhadores pensei que nada mais me surpreenderia da caixa de surpresas que é o trem em fim de expediente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas na parada de São Cristóvão entrou&amp;nbsp; um rapaz franzino, branco, sardento e ruivo. Ruivo, ruivo mesmo, não sarará. Também não tinha os cabelos pintados. Ele era um ruivo no melhor padrão irlandês. Bastou entrar no terceiro quadro daquela composição para que os olhares se voltassem para ele.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Teria alguma ascendência estrangeira? Seria chamado de foguinho quando criança? Ou russo? Todas essas perguntas silenciosas - apenas reveladas pelos olhares - fizeram com que seu rosto se tingisse da cor de seu cabelo. Conheço uma menina que iria gostar dessa cena... menina que gosta de meninos envergonhados, olhe só. Sou do tempo que o rapaz tem que se mostrar presente e não ser coagido.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Decidir dar-lhe o apelido mental de irlandês. Fiquei conjecturando prováveis destinos de meu colega enlatado na condução até minha descida. Seria um suburbano como eu ou um morador da baixada? Optei pela segunda opção pois deixaria minha imaginação ficar mais solta. Dali pra frente fiquei a pensar em sua provável infância em Duque de Caxias, mas nada muito fantasioso.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Lembrei que conheci também um rapaz ruivo e meio magricelo. Morador de Santíssimo - zona Oeste - ele também chamava atenção por onde passava. Mas não sei se conseguiria parar a sueca dos vagões como meu colega irlandês.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Atentei para sua mochila, que tinha a marca de um fabricante de computadores, possivelmente indicando seu emprego. Notei também para seu relógio, que marcava 18h. Percebi que era hora de descer, pois em meio aos meus devaneios deixei de olhar para meu próprio trajeto. Fica aí a dica: é bom ter os olhos atentos e deixar-se fascinar pelo mundo que o rodeia, mas sempre com o outro olho no próprio caminho, pois pra perder o ponto de descida basta um cochilo.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E foi com um "dá licença" de passagem que eu me despedi do devoto de São Patrício da baixada.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4491479200954329699-6006462087189034366?l=pareepenseblog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="feedflare"&gt;
&lt;a href="http://feeds.feedburner.com/~ff/pareepense?a=K8DC3UPPbcE:Ac71IYhJOkY:yIl2AUoC8zA"&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~ff/pareepense?d=yIl2AUoC8zA" border="0"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;
&lt;/div&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/pareepense/~3/K8DC3UPPbcE/relacoes-sociais-no-coletivo-7-o.html</link><author>noreply@blogger.com (Jorge dos Santos Valpaços)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://2.bp.blogspot.com/-m2mrkljY4gs/TWBGzZBGuRI/AAAAAAAARFM/ZBqkRnYFNFQ/s72-c/trevo-de-quatro-folhas.png" height="72" width="72" /><thr:total>0</thr:total><feedburner:origLink>http://pareepenseblog.blogspot.com/2011/07/relacoes-sociais-no-coletivo-7-o.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4491479200954329699.post-5951574710738065536</guid><pubDate>Fri, 08 Jul 2011 19:05:00 +0000</pubDate><atom:updated>2011-07-08T16:08:00.894-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">metalinguagem</category><title>O silêncio é a melhor resposta</title><description>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-VCgUZdKA9dM/ThdT4UI8-MI/AAAAAAAAAM0/2P8WINfUIZ8/s1600/silencio%2525255B1%2525255D%255B1%255D.jpg" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="240" src="http://1.bp.blogspot.com/-VCgUZdKA9dM/ThdT4UI8-MI/AAAAAAAAAM0/2P8WINfUIZ8/s320/silencio%2525255B1%2525255D%255B1%255D.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não,  sou arrogante. Parafraseei minha falecida mãe para resumir minha postura frente aos problemas que me ocorrem. Definitivamente não sou uma  pessoa que se acomoda. Sou relativamente calmo, porém tenho explosões  de ironia. Esse "silêncio" serve como a primeira reação aos problemas  que aparecem para mim. Primeira, segunda e terceira resposta, aliás. &lt;b&gt;Ao  invés de desabafar soprar aos 7 ventos os sabores e dessabores do vinho  de minha'lma, fico quieto.&lt;/b&gt; Sou daquelas pessoas que "dá terreno" até ter  certeza que pode atacar seu adversário. Minha estratégia sempre foi de  esconder o máximo o jogo até deferir o golpe certeiro. Nunca fui um  "batedor" que sai de peito aberto atacando. Prefiro guardar meus  segredos de planos, de sucessos e de fracassos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É muito estranho pensar nisso. Eu gosto de relacionamentos e conversas,  mas me considero bem fechado para tantos assuntos - meus - que posso ser um poço  de mistérios. &lt;b&gt;Meu "universo particular" é cheio de meandros e esquinas  difíceis de dobrar. Por isso guardo tudo com 14 chaves em meu cofre de  projetos e sentimentos. &lt;/b&gt;Posso dizer que sou uma pessoa bem fechada que  finge ser aberta. Não, não sou falso, mas carrego como herança paterna a  desconfiança lusitana. Do lado africano que formou minha mãe recebi o peso do mistério e do segredo para o sucesso pessoal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O folclore popular tem o português como uma figura turrona e fechada, de  poucos sorrisos. Definitivamente sou assim. Estudei algum tempo a  cosmovisão africana e escrava e aprendi que para tais comunidades o  sucesso se encontra no mistério de sua execução. Provavelmente esse  hábito foi intensificado aqui no Brasil, onde realmente as ações  escravas tinham de ser tomadas em segredo, sob penas que passavam de  surras no pelourinho até a própria morte.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Séculos depois cá estou eu com meu jeito enigmático-boa-praça. &lt;b&gt;Sou um  livro aberto, mas a sintaxe da minha vida complicada para que possa guardar meus tesouros.&lt;/b&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Dia desses decidi por essa "superstição do mistério" à prova  revelando alguns deles. Surpreendi-me com fracassos. Bastava falar alguma  coisa para alguém e pronto: não conseguia sucesso na tarefa ou projeto. E  ainda mais, quanto mais falava para outras pessoas, pior ficava. &lt;b&gt;Pode ser coincidência, mas gostei de ter essa superstição, pois me aproximava das tradições de minha família. &lt;/b&gt;Don'Ana estava certa com seu come-queto-mineirês que a formou, e que me  formou também.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Refletindo sobre minha não-inserção no padrão verborrágico cotidiano,  muito comum aos cariocas, encontrei-me preso às minhas raízes. Mesmo  sendo racional, decidi dobrar-me à essa herança de família e, em pouco  tempo, minha vido voltou aos rumos. &lt;b&gt;O mágico realmente faz parte do  cotidiano, e isso independe do paradigma que seguimos.&lt;/b&gt; Mesmo os  tecnocratas e cientificistas tem de "crer" na ciência. Se não  acreditarem naquilo - o que é uma superstição, uma ação subjetiva - não  compreenderão seu mundo. Não há como ser uma pessoa sem essas pequenas -  ou grandes - crendices, não? &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4491479200954329699-5951574710738065536?l=pareepenseblog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="feedflare"&gt;
&lt;a href="http://feeds.feedburner.com/~ff/pareepense?a=u-rVcq8U438:h0D74z0aWNE:yIl2AUoC8zA"&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~ff/pareepense?d=yIl2AUoC8zA" border="0"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;
&lt;/div&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/pareepense/~3/u-rVcq8U438/o-silencio-e-melhor-resposta.html</link><author>noreply@blogger.com (Jorge dos Santos Valpaços)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://1.bp.blogspot.com/-VCgUZdKA9dM/ThdT4UI8-MI/AAAAAAAAAM0/2P8WINfUIZ8/s72-c/silencio%2525255B1%2525255D%255B1%255D.jpg" height="72" width="72" /><thr:total>0</thr:total><feedburner:origLink>http://pareepenseblog.blogspot.com/2011/07/o-silencio-e-melhor-resposta.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4491479200954329699.post-2131590759383406978</guid><pubDate>Fri, 01 Jul 2011 20:00:00 +0000</pubDate><atom:updated>2011-07-01T17:02:31.861-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">crítica</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">comparações</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">metalinguagem</category><title>Profanando escolas bentas</title><description>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_vj9K9bC36XY/SfzOsT6jG4I/AAAAAAAAAFU/3ENOZNDFxAk/s400/monge+Escriba+medieval.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="247" src="http://3.bp.blogspot.com/_vj9K9bC36XY/SfzOsT6jG4I/AAAAAAAAAFU/3ENOZNDFxAk/s320/monge+Escriba+medieval.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Dupla-jornada de trabalho é regra para professores da rede pública. Não conheço um professor que se mantém apenas com uma matrícula na rede Estadual de Ensino. É fácil notar isso analisando a rotina do professor, sobretudo do noturno. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Considero o professor do noturno uma figura um pouco diferente das demais. Ele não está tão distante dos alunos quanto o professor que leciona na manhã ou na tarde. Primeiro, &lt;b&gt;pela idade dos alunos&lt;/b&gt;, que é a mesma e por vezes até maior que a do docente. Segundo pela própria &lt;b&gt;condição de classe&lt;/b&gt; de ambos. Tanto o professor quanto o aluno chegam às aulas exauridos após um dia de trabalho. A troca de olhares cansados, o jantar comum no refeitório e as conversas de quem labuta criam uma &lt;b&gt;cumplicidade &lt;/b&gt;impensável para o ensino "regular". Em turmas do ensino regular, o professor normalmente é o &lt;b&gt;inimigo &lt;/b&gt;do aluno. Já para as classes noturnas - sobretudo de EJA - é mais fácil o professor ser um &lt;b&gt;companheiro &lt;/b&gt;do aluno.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um rápido estudo de caso torna transforma o ensaio em constatação. Um professor, morador do subúrbio, sai do trabalho no centro da cidade e toma a condução em frente a uma das instituições mais renomadas e tradicionais do Estado. Obviamente trata-se de uma centenária instituição confessional, que tem uma das mensalidades mais caras do país. Nos finais da tarde, surpreendido pelos carros de luxo que conduziam os jovens estudantes para suas casas (ou clubes, viagens, cursos de idomas, etc.), o professor fica inquieto aguardando seu ônibus que cortaria por várias uma via expressa até chegar ao seu colégio. Grande ironia. Mesmo trabalhando tão perto de uma instituição particular de ensino de excelência, vai para tão longe para lecionar. Realmente é uma ironia incrível, pois se tivesse poucas turmas naquela escola-mosteiro não precisaria nem de seu trabalho do turno da manhã.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Após vários ônibus passarem, finalmente entra naquele que percorrerá quilômetros. Fica ali, imóvel, espremido com seus alunos. &lt;b&gt;Sim, seus alunos também lá estão&lt;/b&gt;. Algumas vezes ele se diverte com o fato de alguns pensarem que todos os professores têm carro ou ainda que não precisariam passar por aquele sufoco. Pausa na narrativa: os alunos do noturno certamente entendem as regras do "jogo da vida" mais facilmente que aqueles da instituição "pia e casta".&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ao passo que o professor se afasta da escola-mosteiro, se aproxima de escola na favela (me recuso de usar o eufemismo vazio "comunidade"). Enquanto uma recebe os&lt;b&gt; belos e bons&lt;/b&gt; (na accepção da educação grega mesmo) a outra fica com os &lt;b&gt;feios e maus&lt;/b&gt;. Ah, se houvesse escola confessional para os segundos, seria obviamente de uma ordem mendicante, talvez de São Domingos ou São Francisco... Pelo menos há uma certa coerência religiosa por aqui. Mas deixemos as querelas de lado...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A escola na favela se transforma em&lt;b&gt; favela-escola&lt;/b&gt; quando recebe o professor. Mesmo longe de sua casa, aquelas horas que passa na escola conseguem pagar o que a Secretaria de Educação não coloca no contracheque. Alto lá, diria o professor. Ele não é conformista, pelo contrário. É um daqueles que apoia salários dignos aos professores e acha vexatório o tratamento dos profissionais da educação pelos setores políticos. &lt;b&gt;Porém, essa profunda relação com os alunos e com toda a comunidade escolar, passando da merendeira à diretora, justifica a permanência dos profissionais do ensino&lt;/b&gt;. A dificuldade é extrema, mas o próprio aluno entende de alguma forma que o professor precisa de alguma força para estar lá, a mesma que ele precisa. &lt;b&gt;Forma-se um acordo silencioso, invisível, que faz com que muitas classes rompam com dificuldades e "surpreendam" com o desempenho de seus alunos.&lt;/b&gt; Aliás, onde está a surpresa nisso?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;Não, não ficaria surpreso com o bom desempenho de quem labuta para viver e ainda investe na educação. Não ficaria surpreso com a garra dos professores que permanecem lecionando, apesar de tão longes das turmas "bentas"&lt;/b&gt;. Também não me surpreenderia com os fracassos que são fruto desse sistema desigual em que a própria sociedade clama por educação mas reitera valores hierarquizantes e exclusivistas. A surpresa, como diziam alguns antigos, é o indício do desconhecimento. E assim segue aquele professor que é cúmplice de seus alunos, na busca por conhecer cada vez mais, mesmo que seja preciso cortar cidades nas noites repassando a matéria da prova durante a viagem.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ao fim, por vezes é preciso ter a serenidade de um monge para lecionar... e para viver...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4491479200954329699-2131590759383406978?l=pareepenseblog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="feedflare"&gt;
&lt;a href="http://feeds.feedburner.com/~ff/pareepense?a=Bn1TxQ6NXls:8-cFKpcNPYo:yIl2AUoC8zA"&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~ff/pareepense?d=yIl2AUoC8zA" border="0"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;
&lt;/div&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/pareepense/~3/Bn1TxQ6NXls/profanando-escolas-bentas.html</link><author>noreply@blogger.com (Jorge dos Santos Valpaços)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://3.bp.blogspot.com/_vj9K9bC36XY/SfzOsT6jG4I/AAAAAAAAAFU/3ENOZNDFxAk/s72-c/monge+Escriba+medieval.jpg" height="72" width="72" /><thr:total>0</thr:total><feedburner:origLink>http://pareepenseblog.blogspot.com/2011/07/profanando-escolas-bentas.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4491479200954329699.post-3978153124853369428</guid><pubDate>Wed, 29 Jun 2011 19:15:00 +0000</pubDate><atom:updated>2011-06-29T16:15:00.996-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">citação</category><title>Quem para e pensa...</title><description>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;b&gt;Só para os sentimentalmente ativos......&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;
Na era da geração auto-suficiente ser sentimentalmente ativo é um privilégio. Na geração em que a aparência vale mais que mil palavras, colocar o coração pra funcionar é quase artigo raro. Ponto para aqueles que “sobreviveram” as atitudes egoístas e que não se venderam a nenhum ato mesquinho. Sorte de quem enche a boca pra dizer o que sente e acende os olhos pra comprovar que é verdade. Graças a esse seleto grupo sentimentalmente ativo, o amor ainda resiste e é praticado em todos os gêneros e de todas as formas. Porque a boa vontade das pessoas até pode ficar inativa, mas aqui, o altruísmo é quem vai comandar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;Créditos para &lt;a href="https://www.facebook.com/profile.php?id=100002274686192"&gt;Suzana Moura&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4491479200954329699-3978153124853369428?l=pareepenseblog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="feedflare"&gt;
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&lt;/div&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/pareepense/~3/KRLZD3ln98A/quem-para-e-pensa.html</link><author>noreply@blogger.com (Jorge dos Santos Valpaços)</author><thr:total>0</thr:total><feedburner:origLink>http://pareepenseblog.blogspot.com/2011/06/quem-para-e-pensa.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-4491479200954329699.post-7380861114180401944</guid><pubDate>Wed, 22 Jun 2011 17:20:00 +0000</pubDate><atom:updated>2011-06-22T14:20:00.943-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">crônica</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">metalinguagem</category><title>Três gaúchas que pararam o tempo</title><description>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_Z8Gc8bm2BTE/TE-dNjup1WI/AAAAAAAAATE/dC-FUs40r-o/s1600/cerebro+006.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="240" src="http://1.bp.blogspot.com/_Z8Gc8bm2BTE/TE-dNjup1WI/AAAAAAAAATE/dC-FUs40r-o/s320/cerebro+006.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Num fim de tarde parto em disparada. Saio do trabalho e vou ao encontro dela, na mesma faculdade em que me formei. Refaço aquele trajeto já decorado pelos meus sentidos. O percurso sequer é pensado. Tudo é instinto. Rasgo o asfalto vestindo a camisa pólo surrada e de bolsa a tira-colo. Nem percebo se o sinal está aberto ou não. Atinjo a margem. Salto o meio-fio. Não olho pra trás. O tempo é curto. Quatro faixas da avenida já são passado para a sola do tênis que carrega meu cansaço.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
Do outro lado desenho um novo salto entre as bordas daquela transversal que já ataco com os olhos. Aumento a velocidade. Sou parado por uma voz desconhecida:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
- Ei, o sr. é daqui?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
Parei. Ali todo o caminho que palpitava em minha retina e no fervilhava nas veias do tempo presente começou a desacelerar. E de tanto desacelerar chegou ao passado. Apenas aquela frase fez com que tudo parasse. Respondi:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
- Sou.&lt;br /&gt;
- Nós três queremos chegar no ponto de vans que levam ao Recreio.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
Mostraram um mapa feito de papel branco e esferográfica azul.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
- Ah, vocês estão aqui. - Giro o mapa como um mímico para que elas percebessem que estava de ponta-cabeça. - Se querem chegar à Uruguaiana basta dobrar a primeira, aqui ó. - Aponto com o indicador.&lt;br /&gt;
- Bá! Mas tu viu! Estava ao contrário! Bom mesmo é contar com alguém assim daqui mesmo. Muito obrigada, hein!&lt;br /&gt;
- De nada. - Dei uma risada pelo gauchês que ouvi naquele fim de tarde. Voltei à minha corrida. O tempo voltou ao presente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
Horas depois lembrei daquele encontro, mas sem um possível altruísmo barato no estilo "fiz minha boa ação do dia". Pensei que, naquele momento, o presente se fez passado quando trocou a correria do serpentear travessas e esquinas pela reflexão mais crítica sobre a primeira pergunta da breve prosa: "o sr. é daqui?". Ingênua pergunta que me fez correr - dessa vez por dentro de mim mesmo - para encontrar alguma resposta. Fui surpreendido ao deixar de ser alguém no meio da loucura do fim de expediente para ser (que pecado!) alguém parado em uma esquina ajudando três desconhecidas. Ali, quando o presente se fez passado, notei que deixava de ser mais um para ser alguém que fazia a diferença. Me reencontrei no passado através da Uruguaiana. Não a rua do centro do Rio, mas aquela cidade lá do Rio Grande do Sul...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4491479200954329699-7380861114180401944?l=pareepenseblog.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="feedflare"&gt;
&lt;a href="http://feeds.feedburner.com/~ff/pareepense?a=R-esjkrFKyY:A2b4FywmtUg:yIl2AUoC8zA"&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~ff/pareepense?d=yIl2AUoC8zA" border="0"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;
&lt;/div&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/pareepense/~3/R-esjkrFKyY/tres-gauchas-que-pararam-o-tempo.html</link><author>noreply@blogger.com (Jorge dos Santos Valpaços)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://1.bp.blogspot.com/_Z8Gc8bm2BTE/TE-dNjup1WI/AAAAAAAAATE/dC-FUs40r-o/s72-c/cerebro+006.jpg" height="72" width="72" /><thr:total>0</thr:total><feedburner:origLink>http://pareepenseblog.blogspot.com/2011/06/tres-gauchas-que-pararam-o-tempo.html</feedburner:origLink></item></channel></rss>

