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	<title>Paragrafo - Manual de Sobrevivência do Novo Escritor</title>
	
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		<title>Faça o que eu faço. Se quiser…</title>
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		<pubDate>Fri, 24 Jul 2009 14:30:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fabio Marchioro</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Se você gosta de escrever contos ou romances acho que vai gostar do que relaciono abaixo. São algumas das práticas que, como escritor, adoto no dia-a-dia. São também hábitos profissionais positivos de outros escritores que acabei incorporando na minha atividade. Mas lembre: não são verdades absolutas. Funcionam para mim.
Já ouviu aquela história de que um [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-580" title="As técnicas do escritor são como o martelo favorito de um marceneiro." src="http://www.paragrafo.org/wp-content/uploads/2009/07/fazer_00.jpg" alt="As técnicas do escritor são como o martelo favorito de um marceneiro." width="100" height="100" />Se você gosta de escrever contos ou romances acho que vai gostar do que relaciono abaixo. São algumas das práticas que, como escritor, adoto no dia-a-dia. São também hábitos profissionais positivos de outros escritores que acabei incorporando na minha atividade. Mas lembre: não são verdades absolutas. Funcionam para mim.</p>
<p>Já ouviu aquela história de que um marceneiro sempre tem um martelo ou serrote preferido? O mesmo acontece com advogados, médicos, engenheiros e mecânicos. Não vamos nem falar em chefes de cozinha e suas facas. Com a experiência aparecem pequenas idiossincrasias que afetam, às vezes para melhor e às vezes para pior, o trabalho do profissional. O uso de certas ferramentas ou determinadas práticas podem determinar, em longo prazo, o sucesso ou o fracasso de um projeto.</p>
<p>Por exemplo, por muitos anos eu só conseguia sentar para escrever depois de lavar a louça, limpar o banheiro dos gatos, colocar a roupa para lavar e tomar banho. Esta preparação (doentia, eu sei) tomava em torno de 90 minutos. Com freqüência eu gastava mais tempo me preparando do que escrevendo (eu sei, eu sei, não diga nada). O resultado é óbvio: muito tempo investido e pouca produtividade.</p>
<p>Se o seu negócio é escrever <a href="http://www.seabra.com/cgi-seabra/haikai/randtxt.pl/haikai.html" target="_blank">hai kais</a> o tempo total de edição será provavelmente menor do que aquele para escrever um livro de 300 páginas. Mas se todo dia antes de escrever você cumpre um ritual que demora duas horas, o tempo total de edição vai ficando ridiculamente longo. O que acontece então com o tal livro de 300 páginas? Exato, demora anos para ser terminado.</p>
<p>Vamos fazer um acordo? Analisando friamente, não faz diferença na qualidade de seu texto se sobre a pia estão empilhados dois ou três pratos. Não vou processar você se suas roupas forem lavadas somente no final da tarde e as xícaras do café da manhã não gritam e se suicidam no chão da cozinha se você deixá-las lá sozinhas por mais uma hora.</p>
<p>Então vá escrever, ok? Mas antes dê uma olhada não nas manias, mas nas práticas positivas que escritores adotam.</p>
<ul>
<li>Nunca&#8230; nunca jogue fora as suas anotações de pesquisas.</li>
<li>Mantenha uma agenda atualizada com os nomes e os telefones e/ou e-mails de todas as pessoas que você precisou entrevistar para produzir seu texto.</li>
<li>É imperativo que você inclua nos agradecimentos do seu livro uma menção a todas as pessoas que você entrevistou. É também muito bom mencionar aqueles que leram o original antes do livro ser publicado.</li>
<li>Contrate um profissional para corrigir seu texto. Você não terá dificuldades para encontrar um professor de língua portuguesa ou literatura que, mediante um valor previamente acordado, corrija seus originais e converse com você sobre o livro como um todo. Dê preferência para professores universitários dos cursos de letras ou jornalismo. Pagar até US$ 1,50 por página é razoável.</li>
<li>Deixe seu revanchismo de fora dos agradecimentos e dedicatórias. Publicar uma obra deverá ser mais do que suficiente para apagar de sua memória os desgostos, os sorrisos velados e os comentários à meia voz pelas suas costas. Você não precisa carregar o resto da vida o peso das pessoas que não acreditavam em você.</li>
<li>Deixe que outros façam certas pesquisas para você. É possível encontrar informações valiosas com agentes de viagens, em panfletos, com bibliotecários e donos de lojas.</li>
<li>É muito importante saber escrever diálogos. Como um exercício, reproduza uma linha de diálogo que você tenha ouvido em qualquer lugar. Em seguida faça com que a conversa “caminhe”, não importa para que lado.</li>
<li>Abra um dicionário e escolha uma palavra qualquer. Escreva uma pergunta usando esta palavra e depois escreva a resposta.</li>
<li>Ao escrever um diálogo, analise as falas do ponto de vista da personagem, do local e do enredo. Depois faça-se as seguintes perguntas: Quem está dizendo isto, como é esta personagem fisicamente e qual sua ocupação? Porque esta personagem diria algo assim? Qual é a emoção dominante desta personagem neste momento? O que fez esta personagem dizer isto? Com quem ela estava conversando? Quais são os objetivos específicos desta cena? Quais são os sons e odores ambientes que seriam capazes de influenciar esta conversa? Este diálogo evidencia algum traço importante da personagem que contribui de alguma forma para o andamento do enredo? Se estas perguntas tiverem respostas insatisfatórias, repense o uso do diálogo e até da cena como um todo.</li>
<li>Escreva “resmas” de diálogos. É muito melhor na hora da revisão final ter à sua disposição várias opções e poder dar-se ao luxo de escolher entre as melhores.</li>
<li>Os textos que você produz não são como seus filhos: intocáveis, puros e perfeitos. Se alguém lhe der sugestões, ouça todas. Descarte o que não for útil e use o resto.</li>
<li>Lembre-se que o papel do editor não é só publicar seu livro. Ele tem direito (e provavelmente fará uso dele) para editar seu texto. Isto é: ele poderá sugerir e mesmo fazer alterações. Poderá até condicionar a publicação a certas alterações.</li>
<li>Dependendo do texto que você esteja escrevendo, talvez seja necessário fazer entrevistas. Faça então uma lista com os nomes de todos as pessoas que você vai entrevistar, separando-as em categorias como: fontes oficiais, especialistas e fontes acadêmicas que desenvolvem estudos ou trabalhos na área de seu interesse. Depois, entreviste “pessoas reais” que são afetadas direta ou indiretamente pelo assunto que você está pesquisando.</li>
<li>Quando for realizar entrevistas, leia o máximo que puder sobre o assunto e leve suas perguntas por escrito. Comece com perguntas mais fáceis, para ir “aquecendo” a pessoa. Termine com as perguntas que podem perturbar ou até enraivecer o entrevistado.</li>
<li>Quando for marcar um horário para entrevistar alguém, esteja pronto caso a pessoa diga: &#8211; Ok, vamos fazer a entrevista agora.</li>
<li>Se você estiver com dificuldades para fazer aquele primeiro rascunho, faça o seguinte: leia a respeito do assunto. Tome notas. Leia de novo, prestando atenção para “o que não está ali”.</li>
<li>Faça pesquisas em bibliotecas, na Internet e/ou entrevistando pessoas. Quando as informações começarem a soar repetitivas, chegou na hora de parar a pesquisa.</li>
<li>Arquive suas anotações e informações imediatamente. Use um sistema funcional de organização para suas anotações, seja em computador ou fichas de arquivo: nada é mais frustrante e desgastante do que passar horas procurando uma informação que você &#8220;achava que estava lá&#8221;.</li>
<li>Leia e releia suas anotações. Sublinhe as partes mais importantes. Faça um esquema. Depois detalhe o esquema. Transforme este esquema detalhado em um resumo. Desenvolva o resumo. Mas lembre-se que vai chegar um momento em que você vai ter que escrever o texto propriamente dito.</li>
<li>Quando estiver escrevendo uma história complicada, faça um roteiro resumido das cenas. Se ainda assim estiver perdido, escreva as cenas resumidamente em pequenas fichas e espalhe tudo na sua frente. Assim você terá uma visão de conjunto da sua obra, facilitando a análise da seqüência de cenas e capítulos.</li>
<li>“Ouça” sua intuição. Ela é como uma amiga fiel. Se você a trair vai se arrepender amargamente.</li>
<li>Não confie só no seu computador.</li>
<li>No faça backups só em meios eletrônicos. Além de CDs, DVDs, arquivos virtuais em servidores na internet e flash drives, que tal imprimir seus textos de vez em quando?</li>
<li>Tenha cópias (mesmo que seja só em meios eletrônicos) das diversas fases do seu processo. E mantenha cópias em lugares diferentes de onde fica o seu computador. Seguro morreu de velho&#8230; e tranqüilo, com cópias de segurança do seu trabalho.</li>
<li>Nunca mande textos para análise sem antes revisar o material em uma cópia impressa.</li>
<li>Sempre escreva uma “primeira versão”. Não crie desnecessariamente a imensa pressão de escrever sua “obra prima” assim que seus dedos toquem no teclado.</li>
<li>Com freqüência sua “primeira versão” poderá ser muito longa. Não tenha medo de cortar palavras, parágrafos e até cenas inteiras. Tirar um personagem do livro não é o mesmo que matar um amigo. Você acaba esquecendo e usando “o amigo” em outra situação. Mas use o bom senso. Em ficção, muitas vezes, menos é mais.</li>
<li>Quando estiver satisfeito com seu texto, verifique todos os fatos. Duas vezes.</li>
<li>Quando o texto estiver terminado, afaste-se dele. Fique algum tempo sem ler nada sobre o assunto. Pelo menos dois meses. É o suficiente para você criar um distanciamento em relação à sua criação. Você terá &#8220;esquecido&#8221; certas partes. Arme-se então do mais afiado senso crítico e aborde o texto como um pirata, pronto a cortar, eliminar, saquear e só levar consigo o que é realmente bom e valioso.</li>
</ul>
<p>Você tem manias ou práticas quando escreve? Divida com a gente!</p>
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		<title>E quando a musa está ocupada?</title>
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		<pubDate>Thu, 23 Jul 2009 00:33:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fabio Marchioro</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Sou uma besta. Quando sento para escrever, não importa o texto, a circunstância ou a necessidade, é sempre na última hora possível, no último minuto possível. E o que acontece? O texto sai. E o que acontece quando não estou inspirado? O texto sai. E quando estou cansado, com dor de cabeça, com fome, sono, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.answers.com/topic/gustave-moreau"><img class="alignleft size-full wp-image-562" title="Gustave Moreau, Hesiod and the Muse (1891) - Musée d'Orsay, Paris" src="http://www.paragrafo.org/wp-content/uploads/2009/07/musa_00.jpg" alt="Gustave Moreau, Hesiod and the Muse (1891) - Musée d'Orsay, Paris" width="100" height="100" /></a>Sou uma besta. Quando sento para escrever, não importa o texto, a circunstância ou a necessidade, é sempre na última hora possível, no último minuto possível. E o que acontece? O texto sai. E o que acontece quando não estou inspirado? O texto sai. E quando estou cansado, com dor de cabeça, com fome, sono, preocupado? Isto mesmo, o texto sai.</p>
<p>Será que minha Musa tem uma conexão ADSL, um <em>Messenger </em>Cósmico e, em cima da hora, arranja uma forma de entrar em contato? Claro que não. Basta sentar na frente do computador e o texto flui. Conclusão: não adianta só ficar esperando um momento místico de elevação quando ocorreria aquele <em>insight </em>único sobre a alma humana. Não espero mais pela visita da Musa Inspiradora que vai me ajudar a produzir o perfeito e completo conceito sobre o amor, o sentido da vida ou o propósito da morte em um parágrafo maravilhoso.</p>
<p>Se a Zefa, como chamo minha Musa (o nome verdadeiro dela é Yorka Horgálica Noviranda &#8211; prima distante das parcas), resolver aparecer, ótimo, melhor para mim. Ela será bem-vinda. Café passado na hora, vela branca, incenso e música do Bill Evans. Ou Brian Eno.</p>
<p>Caso contrário, mãos ao teclado. <em>Escritor não é quem publica, é quem escreve.</em></p>
<p>Claro que tudo isto não é culpa dela. É minha. A vida da Zefa é um misto de devaneio e sonho em que ela delira e enlouquece um pouco com cada um de seus &#8220;inspirados&#8221; para que sejam um pouco mais criativos. Óbvio, não estou na sua lista de prioridades.</p>
<p>Andei dando uma olhada na relação, uma vez em que ela estava por aqui e foi fazer xixi. No topo da página, já meio amarelada, (só) dois políticos que ainda não haviam nascido, vários autores, filósofos, alguns músicos, nenhum apresentador de programa de auditório, muitas mães e pais, alguns professores e cinco pesquisadores da cura de doenças complicadas (Alzheimer, câncer, esclerose múltipla, AIDS e chulé). No final da lista, comigo, aspirantes a escritor.</p>
<p>Naquela noite, Zefa, sábia como o tempo, quando voltou do banheiro retocando a maquiagem (sempre muito pesada, já disse para ela) perguntou:</p>
<p>– Gostou da sua posição na lista?</p>
<p>Constrangido, abaixei os olhos. Fiquei tentando desvendar os mistérios dos cadarços dos meus tênis, que nunca ficam atados.</p>
<p>Enquanto pegava um Marlboro, antes de sair, Zefa deixou escapar:</p>
<p>– Quanto mais você trabalhar, mais sobe na lista. Não me espere. Sou eu que espero.</p>
<p>E foi embora.</p>
<hr />
<h3><a title="O livro está disponível através do Submarino" href="http://www.submarino.com.br/produto/1/234570/vida+das+musas,+a?franq=100535" target="_blank"><img class="alignleft size-full wp-image-563" title="A Vida das Musas - Francine Prose" src="http://www.paragrafo.org/wp-content/uploads/2009/07/musa_01.jpg" alt="A Vida das Musas - Francine Prose" width="130" height="180" /></a>Mais histórias de musas&#8230;</h3>
<p><a title="O livro está disponível através do Submarino" href="http://www.submarino.com.br/produto/1/234570/vida+das+musas,+a?franq=100535" target="_blank"><strong>A Vida das Musas</strong><br />
<em>Francine Prose &#8211; Nova Fronteira, 2004</em></a><br />
Francine Prose escreve sobre nove mulheres que despertaram a imaginação de alguns dos mais inimitáveis artistas e pensadores dos séculos 19 e 20. Mostra como estas mulheres foram tanto exemplos de suas épocas, assim como iconoclastas lutando para afirmar suas identidades através dos relacionamentos inconvencionais que tiveram com estes homens. Francine embarca em uma análise do conceito de musa e de todas as suas permutações &#8211; das nove musas na mitologia Grega clássica, a frequentemente reciclada Beatriz de Dante, até a personificação irônica na cultura popular contemporânea.</p>
<p>As musas descritas inspiraram personalidades como Lewis Carrol, John Lennon, Sigmund Freud, Nietzsche, Rainer Maria Rilke, Man Ray, Salvador Dalí, entre outros. Francine Prose utiliza fotografias, diários, correspondências, biografias e obras originais de arte, que revelam a complexidade do relacionamento artista-musa, e dirige seus leitores para outros livros caso desejem saciar a curiosidade despertada. A autora tem um talento para escrever de forma provocadora e revigorante que inspira o leitor a pesquisar ainda mais profundamente o assunto. (fonte: Amazon)</p>
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		<title>Quando Rastro brigou com Avanço.</title>
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		<pubDate>Wed, 08 Jul 2009 01:54:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fabio Marchioro</dc:creator>
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		<description><![CDATA[“Marchioro, pereaí. Só mais uma pergunta. É verdade que o escritor só publica para não ter mais que revisar o texto?” Noite de sexta-feira, 22:45, inverno, no estacionamento da Universidade Positivo em Curitiba. Sem me virar reconheci a voz. Boa aluna. Criativa. Culta. Dedicada. Pensei: “Duvido que seja só uma pergunta”. Enquanto abria o carro [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-556" title="&quot;Marchioro peraí!&quot;" src="http://www.paragrafo.org/wp-content/uploads/2009/07/avanco_00.jpg" alt="&quot;Marchioro peraí!&quot;" width="100" height="100" />“Marchioro, pereaí. Só mais uma pergunta. É verdade que o escritor só publica para não ter mais que revisar o texto?” Noite de sexta-feira, 22:45, inverno, no estacionamento da Universidade Positivo em Curitiba. Sem me virar reconheci a voz. Boa aluna. Criativa. Culta. Dedicada. Pensei: “Duvido que seja só uma pergunta”. Enquanto abria o carro e jogava minha bagulhada no banco traseiro, ela veio na minha direção, arrumando o capuz do casaco para proteger-se do frio.</p>
<p>Pensei&#8230; putz! Não existe como dar uma resposta rapidinha para uma pergunta como esta. Sem contar o cansaço, o frio, a fome e um bando de amigos em casa, já comendo o churrasco que eu deveria estar assando. O que eu falei para ela está refletido no conteúdo do artigo <a title="arquivado em Artigos, Técnicas" href="/?p=464">&#8220;Faça-se um favor, revise seu texto!&#8221;</a>, publicado anteriormente aqui no Parágrafo.  Em síntese, você é obrigado, nem que seja só por respeito aos seus leitores ou editores, a revisar seu texto com microscópio. Quando achar que chegou a hora de publicá-lo ele tem que estar perfeito, livre de erros. Para que isto aconteça, revise seu texto quantas vezes forem necessárias.</p>
<p>Naquela noite o final da conversa aconteceu já pela janela do carro, meio fechada e eu acelerando. O que não falei para a aluna é que chega um momento em que, como diz o ditado, “o ótimo vira inimigo do bom”. Isto é, quando você perceber que está lendo o texto, relendo o texto, lendo de novo, e de novo e já chegou a um ponto onde está simplesmente trocando palavras sem introduzir mudanças significativas, passou da hora de declarar o material pronto para lançamento.</p>
<p><img class="alignright size-full wp-image-557" title="Geena de Fábio Marchioro e Gabriel Campanholo - Ed. Pós-Escrito 2003" src="http://www.paragrafo.org/wp-content/uploads/2009/07/avanco_01.jpg" alt="Geena de Fábio Marchioro e Gabriel Campanholo - Ed. Pós-Escrito 2003" width="123" height="180" />Lembro quando estava escrevendo “Geena” com Gabriel Campanholo. Na fase final do livro era como se determinado capítulo se recusasse a ficar pronto. Acho que era porque nós não gostávamos do personagem que era introduzido ali: Oliveira, um tipinho cafajeste, safado, imoral e com hábitos de higiene pouco recomendáveis.</p>
<p>Certo dia recebi um envelope com uma nova versão do capítulo sobre o Oliveira. Em tese, a final. Gabriel havia declarado o texto pronto. Abri e, seguindo um impulso, peguei a caneta e comecei a revisar o texto. Percebi que o Gabe havia mudado pouca coisa: o desodorante que o fedido do Oliveira estava usando nesta <em>enésima </em>versão do texto era “Rastro”. Na versão que mandei para o Gabriel revisar eu tinha escrito que ele usava “Avanço”. E na anterior, revisada pelo Gabriel&#8230; sim: Rastro. Que eu já tinha alterado para Avanço! Este sim é o clássico exemplo de se trocar seis por meia-dúzia.</p>
<h2>Entregue e publique</h2>
<p>Se, e quando isto acontecer, entregue o material. Publique. Imprima e mande. Anexe ao e-mail e clique <em>enviar</em>. Nada é mais precioso do que o tempo. Em uma situação como aquela do Oliveira e seu <em>desfedorante</em>, estávamos perdendo muito tempo.</p>
<p>É necessário deixar o texto descansar e voltar para ele com um olhar renovado? Claro. Mas esta regra tem um corolário: sempre que possível. E às vezes, não será possível. E, juro, às vezes é bom que não seja possível.</p>
<p>Neste caso use o bom senso. Deixe o texto dormir nem que seja enquanto você toma uma xícara de café. Quando terminar de escrever, olhe pela janela. Ouça uma música&#8230; UMA música&#8230; e volte para o computador. Revise com atenção, prestando atenção na gramática, na concordância, na coerência e na lógica do texto. Neste momento evite se apaixonar pelo que acabou de produzir. Não fique dando tapinhas nas próprias costas, admirando seu talento. Seja crítico, frio, profissional. Não fique simplesmente embaralhando palavras, mudando a ordem dos parágrafos, e trocando Rastro por Avanço. O que acontece é que chega um ponto onde caímos em um poço escuro chamado de <em>atenção seletiva</em>.</p>
<p>Graciela Inchausti de Jou no seu artigo <em><a title="artigo de Graciela Inchausti de Jou" href="http://www.psicologia.com.pt/artigos/ver_artigo.php?codigo=A0305" target="_blank">Atenção seletiva: um estudo sobre cegueira por desatenção</a></em> afirma que “existe a convicção de que tudo o que nossos olhos vêm é percebido e lembrado como uma experiência de nossa vida. No entanto às vezes não percebemos o que os olhos vêm e, outras, percebemos o que os olhos nunca viram.” Segundo ela a cegueira por desatenção é um efeito da atenção seletiva, pois quanto mais o foco da atenção estiver centrado no estímulo selecionado, neste caso um texto ou um trecho de um texto, maior será a possibilidade de percebê-lo, processá-lo e lembrá-lo conscientemente. Ao mesmo tempo, menor será a possibilidade de perceber e lembrar outros estímulos. Assim é que nossa atenção seletiva nos permite suprimir detalhes que, aparentemente, não são relevantes naquele momento em favor de outros que parecem ser.</p>
<p>É por isto que os <em>auto-tapinhas</em> nas costas ou outras atitudes <em>auto-congratulatórias</em> têm que necessariamente ser abandonadas no momento da revisão. Concentre-se. Revise. Pare de perder tempo. Seja honesto consigo mesmo, com seus leitores e seu editor: declare o texto pronto e parta para o próximo. É muito mais confortável e menos trabalhoso ficar revisando um texto já escrito. Tenha coragem e vá em frente. Claro que se você acha que precisa fazer mais uma entrevista, ou expandir a pesquisa, ou aprofundar detalhes da personalidade de uma personagem, seu texto não deverá ser declaro terminado.</p>
<p>Mas saiba identificar aquele momento vital para sua carreira quando deverá ficar claro que o texto está pronto. Lembre que o escritor sempre é perseguido pelo resultado da equação <strong>tempo versus qualidade</strong>. Esta equação terá que ser balanceada. Sempre.</p>
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		<title>Esboçando um artigo</title>
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		<pubDate>Fri, 03 Jul 2009 00:02:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fabio Marchioro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Técnicas]]></category>
		<category><![CDATA[bloqueio criativo]]></category>
		<category><![CDATA[escrever]]></category>
		<category><![CDATA[estilo]]></category>
		<category><![CDATA[ferramenta]]></category>
		<category><![CDATA[prazo]]></category>
		<category><![CDATA[prazo de entrega]]></category>
		<category><![CDATA[produtividade]]></category>
		<category><![CDATA[técnica]]></category>

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		<description><![CDATA[Prazo de entrega é inimigo da inspiração? Não necessariamente. Existem muitas formas, técnicas, manias e estilos diferentes para a produção de artigos, relatórios, textos de ficção ou não-ficção e acredite, até e-mails. Esta é uma técnica que pode solucionar o problema.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.paragrafo.org/wp-content/uploads/2009/07/esculpindo_00.jpg" alt="esculpindo a pedra bruta" title="esculpindo a pedra bruta" width="100" height="100" class="alignleft size-full wp-image-551" />Prazo de entrega é inimigo da inspiração? Não necessariamente. Existem muitas formas, técnicas, manias e estilos diferentes para a produção de artigos, relatórios, textos de ficção ou não-ficção e acredite, até e-mails.</p>
<h3>Os três tipos</h3>
<p>Sucintamente, existe aquela pessoa que tem um único objetivo: limpar a mesa. Assim que chega a determinação ou ela tem a idéia, arregaça as mangas e só para quando dá o texto por terminado.</p>
<p>Existem os mais calmos, que ficam jogando com as idéias, aliando tempo e técnica, pesquisa e reflexão. Concluem, para então escrever.</p>
<p>E existem os que planejam o texto de trás para frente. A primeira pergunta é: quando é o prazo? Vamos supor que a entrega do texto seja para o dia 02 de julho, 17 horas. Claro que estas pessoas planejam a entrega para o dia 2 de julho, às 16:59. Eles vão ficar todo o tempo pensando, ruminando as informações, na esperança de que algum fato novo, uma informação diferente apareça e que possa ser incorporada ao material que está sendo produzido. Existe aqui, claro, uma certa dose de procrastinação: só fazer quando não puder mais empurrar com a barriga.</p>
<p>Os do primeiro grupo dizem que não agüentariam jamais ter um trabalho e não fazê-lo. Os do segundo grupo não concebem trabalhar sem liberdade. Os do terceiro grupo não querem abrir mão da reflexão que o tempo proporciona, ou o tempo que permite uma pesquisa mais aprofundada. No final das contas, os três grupos entregam o material, mas são sujeitos a tipos diferentes de pressão.</p>
<p>Ter em mente em qual das categorias você se enquadra é muito interessante. Você pode acabar identificando uma fonte de estresse que pode ser eliminada com um pequeno ajuste de comportamento. Filosoficamente dizem que o caminho do meio, ou seja, o da moderação é o melhor, mas sei que ele não funciona para todo mundo. Ache o seu. E aprenda a ser feliz com ele.</p>
<p>A propósito, não pergunte a qual grupo eu pertenço. Não vou responder. Tenho vergonha.</p>
<h3>Inspiração ou técnica</h3>
<p>Além dos prazos, das manias e das técnicas, existe outra variável nesta equação: a inspiração. Se você escreve regularmente sabe que às vezes ela está ocupada em outro lugar e esquece da gente. Quando isto acontecer, saiba como resolver o problema e ainda entregar o texto no prazo.</p>
<p>Primeiro, claro, não deixe o desespero chegar perto. Não abra a porta. Não deixe este capeta nem entrar no portão. Antes, use uma das seguintes técnicas para estruturar seu texto ou para produzir, por exemplo, um artigo:</p>
<ul>
<li>A mais utilizada no jornalismo é a da <a title="Leia &quot;Uma técnica jornalística no primeiro contato&quot; - sobre a técnica da pirâmide invertida" href="/?p=501">pirâmide invertida</a> onde já no primeiro parágrafo devem-se prover respostas para as seis perguntas chave: Quem? O quê? Como? Quando? Onde? Por quê? O problema é que com toda fórmula vem a repetição e a falta de inovação.</li>
<li>Qual a alternativa? Uma técnica que se revela muito eficiente é a elaboração de um <strong>esboço estruturado</strong>. A formatação não importa basta seguir o exemplo a seguir e adaptá-lo de acordo com a sua necessidade.</li>
</ul>
<h3>Esboço estruturado</h3>
<p>Veja o esboço que criei para escrever este artigo, por exemplo. As primeiras idéias que surgiram foram:</p>
<p><code>Solução: Esboçar artigos<br />
Exemplos<br />
Problema: Cumprir prazos<br />
Vantagens</code></p>
<p>Ordenei e hierarquizei as idéias além de preencher o conteúdo com exemplos.</p>
<ol style="font-family:Courier New; list-style-type: upper-roman;">
<li>Problema: Cumprir prazos
<ol style="list-style-type: upper-alpha; color:#49917D;">
<li>Tipos de escritores</li>
<li>Escritores e prazos</li>
</ol>
</li>
<li>Solução: Esboçar artigos</li>
<li>Exemplo de esboço
<ol style="list-style-type: upper-alpha; color:#49917D;">
<li>Primeiras idéias</li>
<li>Ordenação de conteúdo</li>
<li>Preenchimento das lacunas</li>
<li>Detalhamento</li>
</ol>
</li>
<li>Vantagens</li>
<li>Conclusão</li>
</ol>
<p>Os exemplos me ajudaram a lembrar de mais assuntos que seriam interessantes. Com isso pude encaixá-los onde seria lógico dentro da sequência do texto.</p>
<ol style="font-family:Courier New; list-style-type: upper-roman;">
<li>Problema: Cumprir prazos
<ol style="list-style-type: upper-alpha;">
<li>Tipos de escritores</li>
<li>Escritores e prazos</li>
</ol>
</li>
<li style="color:#49917D;">Inspiração e Técnica
<ol style="list-style-type: upper-alpha;">
<li>Piramide invertida</li>
<li>Esboço estruturado</li>
</ol>
</li>
<li>Solução: Esboçar artigos
<ol style="list-style-type: upper-alpha; color:#49917D;">
<li>Apresentação</li>
<li>Formatação</li>
</ol>
</li>
<li>Exemplo de esboço
<ol style="list-style-type: upper-alpha;">
<li>Primeiras idéias</li>
<li>Ordenação de conteúdo</li>
<li>Preenchimento das lacunas</li>
<li>Detalhamento</li>
</ol>
</li>
<li>Vantagens
<ol style="list-style-type: upper-alpha; color:#49917D;">
<li>Visão estratégica do texto</li>
<li>Referência para memória</li>
<li>Organizar o fluxo do texto</li>
</ol>
</li>
<li>Conclusão
<ol style="list-style-type: upper-alpha; color:#49917D;">
<li>Aplicação da técnica</li>
<li>Adaptação ao estilo individual</li>
</ol>
</li>
</ol>
<p>Finalmente, detalhei cada tópico antes de começar a produção propriamente dita. Observe como o artigo final ficou muito próximo do esboço estruturado inclusive os termos utilizados.</p>
<ol style="font-family:Courier New; list-style-type: upper-roman;">
<li>Problema: Cumprir prazos
<ol style="list-style-type: upper-alpha;">
<li>Tipos de escritores</li>
<li>Escritores e prazos</li>
</ol>
</li>
<li>Inspiração e Técnica
<ol style="list-style-type: upper-alpha;">
<li>Piramide invertida</li>
<li>Esboço estruturado</li>
</ol>
</li>
<li>Solução: Esboçar artigos
<ol style="list-style-type: upper-alpha;">
<li>Apresentação</li>
<li>Formatação</li>
</ol>
</li>
<li>Exemplo de esboço
<ol style="list-style-type: upper-alpha;">
<li>Primeiras idéias</li>
<li>Ordenação de conteúdo</li>
<li>Preenchimento das lacunas</li>
<li>Detalhamento</li>
</ol>
</li>
<li>Vantagens
<ol style="list-style-type: upper-alpha;">
<li>Visão estratégica do texto</li>
<li style="color:#49917D;">Condução do leitor</li>
<li>Referência para memória do texto</li>
<li style="color:#49917D;">Agrupamento de conteúdo</li>
<li>Organizar o fluxo do texto</li>
<li style="color:#49917D;">Reduz revisões</li>
<li style="color:#49917D;">Acelera a produção</li>
</ol>
</li>
<li>Conclusão
<ol style="list-style-type: upper-alpha;">
<li>Aplicação da técnica
<ol style="list-style-type: decimal; color:#49917D;">
<li>Textos curtos: contos, artigos</li>
<li>Textos longos: novelas, romances</li>
</ol>
</li>
<li>Adaptação ao estilo individual</li>
<li style="color:#49917D;">Convite para o leitor</li>
</ol>
</li>
</ol>
<p>As vantagens desta técnica são várias:</p>
<ul>
<li>Oferece uma visão tática do conteúdo e seu propósito.</li>
<li>Permite que você conduza o leitor através das idéias de forma organizada e fluída.</li>
<li>Ajuda a lembrar de todos os pontos que precisam ser tratados.</li>
<li>Organiza as idéias e agrupa conteúdos.</li>
<li>Auxilia a estruturar o texto de forma natural com introdução, conteúdo e conclusão.</li>
<li>Reduz o número de vezes que um texto precisa ser reescrito.</li>
<li>Acelera o processo de escrever, pois basta preencher e detalhar o esboço.</li>
</ul>
<p>Esta mesma técnica também pode ser aplicada na criação de um romance. Ao planejar a história você vai dominar o enredo e conduzir de forma mais eficaz as emoções do leitor. Você conhecerá muito mais profundamente as personagens e a história além de conseguir responder qualquer pergunta que surja no processo.</p>
<p>Comece com um texto mais curto, como um conto, para sentir se a técnica serve para você. Tente adaptá-la ao seu estilo. O importante é sentir-se confortável. Conte-nos o que achou e divida sua experiência: A técnica foi útil? Quais adaptações você teve de fazer para torná-la sua?</p>
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		<title>Monitorando sua reputação</title>
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		<pubDate>Wed, 01 Jul 2009 01:36:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fabio Marchioro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Mercado]]></category>
		<category><![CDATA[divulgação]]></category>
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		<description><![CDATA[Você já é celebridade e nem sabia! Já pensou que agora mesmo pode ter gente pela internet afora escrevendo sobre você e seu trabalho? Raciocine comigo: não existe escritor sem público e espera-se que, assim que você comece a divulgar seu trabalho, falem de você. Que falem muito de você. O Google Alerts é a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-513" title="Google" src="http://www.paragrafo.org/wp-content/uploads/2009/06/alerts_00.jpg" alt="Google" width="100" height="100" />Você já é celebridade e nem sabia! Já pensou que agora mesmo pode ter gente pela internet afora escrevendo sobre você e seu trabalho? Raciocine comigo: não existe escritor sem público e espera-se que, assim que você comece a divulgar seu trabalho, falem de você. Que falem muito de você. O <a title="Google Alerts" href="http://www.google.com/alerts/" target="_blank">Google Alerts</a> é a ferramenta perfeita para ajudar no acompanhamento do que estão dizendo a seu respeito na Rede. Afinal acompanhar é imprescindível!</p>
<h3>Para obter os melhores resultados</h3>
<p>Vamos agora falar de um pouco de estratégia. Você não está sozinho neste mundão literário. Milhares (e aqui não é figura de linguagem) de novos e experientes escritores estão tentando abrir uma porta (serve uma janela) para levar luz para sua carreira. Tem até gente se espremendo por aquelas janelinhas basculantes de área de serviço. Assim, além de monitorar referências ao seu nome, é recomendável ainda você saber o que está acontecendo com seus “competidores” (sim, entre aspas), clientes (no caso de um escritor freelance) e, de forma geral, com o mercado. Esta é uma forma fácil e gratuita de ficar sempre ligado nos seus interesses e negócios. E sem muito esforço. Algumas sugestões:</p>
<ul>
<li> <strong>Você e sua organização</strong> – Para receber alertas quando seu nome é mencionado crie um alerta digitando-o entre aspas, por exemplo: “João da Silva”. O <a title="Google Alerts" href="http://www.google.com/alerts/" target="_blank">Google Alerts</a> irá notificá-lo automaticamente quando encontrar um novo resultado na internet. Se possuir uma empresa faça o mesmo com o nome e o slogan, se possuir um.</li>
<li><strong>Projetos e setores do mercado</strong> – Crie alertas com os títulos dos seus livros ou a respeito de especialidades que sejam relevantes ao seu nicho de mercado. Por exemplo: ficção científica; gastronomia; lasanha; o nome de uma editora cuja linha editorial seja interessante.</li>
<li><strong>Competidores e parceiros</strong> – Mantenha-se informado dos acontecimentos mais recentes de pessoas que admira ou que fazem um trabalho semelhante ao seu. Isso irá ajudá-lo a ter novas idéias e a agir estrategicamente. Você conseguirá perceber tendências e, quem sabe, novas oportunidades.</li>
</ul>
<p>Ao criar os alertas seja o mais específico possível quando escolher as palavras chave. Quanto mais palavras usar tanto mais relevante será o resultado. Por exemplo: se tiver interesse na produção de literatura de ficção científica no Brasil, colocando as palavras literatura, ficção científica e Brasil, você conseguirá resultados mais interessantes. Note que expressões mais longas devem ser sempre colocadas entre aspas, como “ficção científica”, para garantir que o resultado seja exatamente o que procura.</p>
<p>Você poderá acompanhar estes resultados por e-mail ou, como prefiro pessoalmente, através de um leitor de notícias como o <a title="Google Reader - Leitor e administrador de notícias em formato RSS" href="http://www.google.com/reader" target="_blank">Google Reader</a>. Caso possua uma conta no <a title="Crie uma conta no Google para usar todos os serviços." href="https://www.google.com/accounts/" target="_blank">Google</a>, você pode optar por criar um RSS para cada alerta que será incluído automaticamente no leitor.</p>
<h3>Alertas entrando! Como agir?</h3>
<p>Você decidiu ser proativo: configurou o <a title="Google Alerts" href="http://www.google.com/alerts/" target="_blank">Google Alerts</a> e está acompanhando resultados. O importante agora é alavancar este potencial a seu favor.</p>
<ol>
<li><strong>Gratificação instantânea</strong> – sempre que seu alerta identificar as condições que você configurou e, por exemplo, seu nome for mencionado, você saberá. Se a menção for positiva, escreva sobre a pessoa que produziu a citação ou visite o site e faça um comentário para reforçar o resultado positivo, seja para começar uma amizade e possivelmente expandir seus contatos ou diversificar sua abrangência. Um elogio merecido e bem colocado, até mesmo um pouquinho de lisonja, têm um novo significado na era digital: a pessoa mencionada muito provavelmente também ficará sabendo.</li>
<li><strong>Você também saberá quando falarem mal</strong> – seja nobre e resista à tentação de retrucar críticas fúteis. Se tiver a oportunidade de responder sem se rebaixar ao nível do antagonista, faça-o construtiva e cuidadosamente.</li>
<li><strong>Tenha muito, muito cuidado</strong> – Não escreva mal do editor que rejeitou seu livro pois certamente ele ficará sabendo. Nada destrói uma possibilidade de um contrato futuro do que um <a title="Google Alerts" href="http://www.google.com/alerts/" target="_blank">Google Alert</a> às 9h da manhã avisando seu editor potencial de que você o chamou de “ignorante incompetente”.</li>
<li><strong>Saiba onde seus textos andam no exato momento em que andaram</strong> – Alguém plagiou seu material ou copiou trechos de seus textos sem consentimento expresso? Resolva a questão no exato momento em que ocorrer e não seja surpreendido, um dia, por acaso.</li>
<li><strong>Conheça e monitore seus sósias</strong> – Tome cuidado com pessoas que têm o mesmo nome que o seu. Pode ser interessante fazer este acompanhamento e estar preparado para responder quando alguém perguntar por que você fica falando constantemente dos escolhidos e rejeitados no Big Brother Brasil ou porque você nunca mencionou ter participado de um ensaio sensual para uma revista Neo Zelandesa. Eu tenho um sósia: é um goleiro de um time de futebol na Itália. E eu sigo o cara.</li>
</ol>
<p>Última dica: obviamente que para cada estilo e cada personalidade o serviço poderá ter usos e propósitos diferentes. Adapte-o para reforçar a imagem que deseja transmitir ao seu público.</p>
<p>Você já usou alguma vez este serviço? Acredita que seja útil? Conte-nos como!</p>
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		<title>Brinque!</title>
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		<pubDate>Thu, 25 Jun 2009 13:30:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fabio Marchioro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Criatividade]]></category>
		<category><![CDATA[bloqueio criativo]]></category>
		<category><![CDATA[brincar]]></category>
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		<description><![CDATA[Pais e mães, especialmente aqueles que são marinheiros de primeira viagem, deveriam ser instruídos a estimular a criançada com atividades lúdicas e, assim, exacerbar a criatividade dos filhos. Se isto é verdade com a piazada (como se fala lá em Curitiba), por que seria diferente conosco, os adultos? Brincar é um dos verbos da nossa [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-514" title="material de pintura" src="http://www.paragrafo.org/wp-content/uploads/2009/06/brinque_00.jpg" alt="material de pintura" width="100" height="100" />Pais e mães, especialmente aqueles que são marinheiros de primeira viagem, deveriam ser instruídos a estimular a criançada com atividades lúdicas e, assim, exacerbar a criatividade dos filhos. Se isto é verdade com a <em>piazada</em> (como se fala lá em Curitiba), por que seria diferente conosco, os adultos? <em>Brincar</em> é um dos verbos da nossa infância que JAMAIS deveríamos aposentar.</p>
<p>Aqui no Parágrafo a gente deseja trocar idéias sobre como melhorar nossa produção textual. Mas que fique claro: escrever sem criatividade é olhar para a vida como se ela fosse inteira em preto e branco; é aniversário sem presente; réveillon sem beijo; pipoca sem manteiga. É estar na cozinha quando o pão sai do forno e não ser capaz de sentir seu perfume ou roubar uma fatia quentinha. É&#8230; tudo bem&#8230; já parei. Ficou claro?</p>
<p>Sabe de uma coisa? Só para ter certeza, vai lá só mais uma: a criatividade é como um conjunto de músculos que não pode ser exercitado apenas com um único movimento repetitivo. São precisos vários tipos diferentes de estímulos para dar força, flexibilidade e equilíbrio à produção criativa. Por isso é importante expor-se a novas experiências, testar seus limites, explorar possibilidades, estimular os sentidos e aguçar a percepção para que esta nova habilidade seja traduzida, adaptada e transportada de volta para o ato de escrever.</p>
<p>Você já deve ter ouvido mil vezes aquele papo de que a gente tem que continuar criança, tomar banho de chuva, andar descalço na grama e coisas assim. Quem falou isto para você, estava certo. Faça tudo isto sempre que possível. Mas quando decidir fazer, não se importe se alguém vai ver. Este é um dos momentos cruciais na vida de quem trabalha com a criatividade. É preciso ter coragem para fazer isto. Muita coragem. Quando fazemos uma coisa inesperada em público, a gente chama a atenção. Quando chamamos a atenção, as pessoas vão olhar para a gente não mais como “mais um” ali no metrô. A gente se destaca e instantaneamente é julgado. É então que entra em cena a pergunta que vale um milhão de dólares: e daí? Fiz uma coisa inesperada sim, e daí? Estou assobiando no ponto de ônibus, e daí? Estou brincando com massinha de modelar no meu horário de almoço, e daí?</p>
<p>As chances de contato com a natureza são sempre estimulantes, mas e aqueles que moram no 32º andar de uma torre residencial e que saem de casa de carro, enfrentam congestionamento, param na garagem do escritório e passam o dia trabalhando no 42º andar de uma torre comercial? Existem alternativas:</p>
<h3>Tenha sempre por perto:</h3>
<ul>
<li><strong>Massinha de      modelar</strong> – esta      sim é brincadeira de macho. Conquiste aquela “coisa” amorfa, domine o      espaço que a cerca, subjugue aquele monstro colorido. Sem contar que é uma      forma fácil, limpa e rápida de estimular sua visão tri-dimensional. Ou até      uma quarta dimensão: o tempo. Monte, desmonte, amasse, remodele&#8230; acabe      com ela! Estou falando da massinha, claro.</li>
<li><strong>Materiais de      desenho</strong> – guache,      aquarela, giz de cera, lápis ou canetas coloridas e muito papel. Você não      precisa produzir obras de arte. Cores e formas são os primeiros elementos      a que uma criança é exposta. Volte à infância e refaça contato com um      tempo onde você não se importava quando alguém via você desenhando. Se      você for capaz unicamente de desenhar aqueles bonequinhos de palito de      fósforo, como eu, vivencie a experiência dos seus personagens. Eles são      magrinhos e parecem frágeis, eu sei, mas quem disse que eles não podem ser      cavaleiros, astronautas, fadas ou dragões?</li>
<li><strong>Máquina      fotográfica</strong> – uma      das minhas brincadeiras preferidas ao lado de vídeo games. Se escultura e      pintura não é a sua praia, quem sabe capturar imagens seja um meio mais      fácil de exprimir sua visão do mundo. Aliás, o termo “capturar” não tem      uma conotação de caça? Em última análise quando você sai para fotografar      você está saindo para “caçar imagens”. Divirta-se com este conceito.</li>
<li><strong>Instrumento      musical</strong> –      Aprenda a tocar violão, flauta ou tambor. Faça percussão com as mãos no      seu peito, use uma caixa de fósforos, faça um chocalho com latinhas de      cerveja. Em último caso, tamborile as unhas em qualquer superfície.      Desenvolva ritmo, harmonia e musicalidade.</li>
<li><strong>Quebra-cabeça</strong> – Sinta a satisfação de      produzir, construir. Passo a passo monte algo maior, mais complexo e mais      impressionante. Blocos <em>Lego</em> são      um dos mais interessantes na minha opinião, pois não existem formas      predeterminadas e a imaginação fica solta.</li>
</ul>
<p>Depois de modelar, desenhar, fotografar, tocar ou “quebra-cabeçar” (na falta de um termo melhor) quais foram as idéias que surgiram? Faça assim: junte todas em um projeto. Fotografe, filme, coloque no Youtube e mande o link para a gente dividir com os outros leitores do Parágrafo!</p>
<p>Um dos personagens mais célebres da história da literatura, Sherlock Holmes, de Sir Arthur Conan Doyle, que tinha uma mente absolutamente analítica, escapava de tempos em tempos para o universo da música tocando seu violino. Isto o inspirava a encontrar novos nexos causais nos crimes que investigava.  A arte imita a realidade ou será que é ao contrário? Acho que o que importa, é que funciona.</p>
<h3>Sem maiores demoras</h3>
<p>Para não precisar esperar a próxima visita à papelaria ou loja de instrumentos musicais comece já com alguns dos jogos online abaixo. Você vai se divertir, descontrair e estimular a criatividade. Só não perca a noção do tempo e do propósito! Preciso dizer qual é?</p>
<ul>
<li><a title="Wolfram Tones" href="http://tones.wolfram.com/" target="_blank">Wolfram Tones</a> &#8211; crie e baixe a sua composição musical sem nem precisar aprender um instrumento. (precisa do plugin QuickTime)</li>
<li><a title="Make-a-flake" href="http://snowflakes.barkleyus.com/" target="_blank">Make-a-flake</a> -  recorte flocos de neve num papel dobrado.</li>
<li><a title="Line Rider" href="http://www.linerider.eu/game37.php" target="_blank">Line rider</a> &#8211; O desafio é manter o personagem em movimento constante. Veja alguns <a title="videos de Line Rider" href="http://video.google.ca/videosearch?q=line+rider" target="_blank">vídeos</a> dos resultados obtidos por outras pessoas.</li>
<li><a title="Kaleidoscope" href="http://www.zefrank.com/byokal/kal2.html" target="_blank">Kaleidoscope</a> &#8211; Crie seu próprio caleidoscópio.</li>
<li><a title="Tangram" href="http://www.puzzlechoice.com/pc/Tangramx.html" target="_blank">Tangram</a> &#8211; um quebra-cabeças chinês onde o desafio é recriar objetos a partir de formas geométricas pré-determinadas.</li>
</ul>
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		<title>Rebeldia cerebral</title>
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		<pubDate>Tue, 23 Jun 2009 12:30:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fabio Marchioro</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A palavra criatividade traz, em seu corpo, o seu espírito: criar. Que é produzir algo do nada. É a habilidade de fazer com que as pessoas fiquem chocadas, impressionadas, incomodadas, mesmerizadas, abismadas, enlevadas, maravilhadas ou, simplesmente, de boca aberta. A criatividade é um processo mental ligado à geração de novas idéias e conceitos bem como [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-517" title="rebeldia cerebral" src="http://www.paragrafo.org/wp-content/uploads/2009/06/cerebro_00.jpg" alt="rebeldia cerebral" width="100" height="100" />A palavra criatividade traz, em seu corpo, o seu espírito: criar. Que é produzir algo do nada. É a habilidade de fazer com que as pessoas fiquem chocadas, impressionadas, incomodadas, mesmerizadas, abismadas, enlevadas, maravilhadas ou, simplesmente, de boca aberta. A criatividade é um processo mental ligado à geração de novas idéias e conceitos bem como à produção de relações entre idéias e conceitos já existentes.</p>
<p>Esta definição, baseada tanto na minha experiência quanto em pedacinhos de tantas fontes diferentes que se fosse citá-las a lista ficaria maior do que este artigo, é tremendamente (para não dizer perigosamente) resumida e serve unicamente como um guia para o que será dito em seguida. Não tenho treinamento específico em psicologia comportamental, psicologia social, nunca estudei processos cognitivos, inteligência artificial e meu flerte com filosofia durou menos do que um beijo na boca. Sou um jornalista e escritor com certa experiência. Descobri uns truques e algumas técnicas que resolvi dividir com as pessoas. É importante ficar claro que estas são técnicas que funcionam para mim. Não são as únicas que existem por aí. E para ser franco não tenho certeza de nada. Mesmo porque concordo com Erich Fromm quando ele diz que criatividade requer a coragem de se abrir mão das certezas.</p>
<h3>E cadê esta tal da criatividade?</h3>
<p>Ela se manifesta quando o cérebro percorre um caminho não usual. A forma mais fácil de exemplificar isso é você pensar no caminho que faz da sua casa até o mercado.</p>
<p>Pensou? Lembrou de todos os detalhes? Quando pega o elevador ou sai pela porta da frente ou dá partida no seu carro? Por que ruas você passa? Está bem claro o caminho na sua memória? No cenário que percorreu da sua casa até o mercado, lembrou-se do caminho como se fosse um dia de Sol ou de chuva? Lembrou daquele jardim bem cuidado, do bebedor de passarinho naquela outra varanda? Colocou no cenário a casa antiga com a pintura descascando? Estava frio? Calor? Que roupa você estava usando? Você estava caminhando ou dirigindo com alguém?</p>
<p>Agora, de que outra forma você poderia realizar a mesma tarefa? Por que outras ruas você poderia chegar ao mesmo destino? Você poderia ir de bicicleta? Que elementos você pode introduzir ou retirar desta atividade tão corriqueira que fariam com que ela fosse ao mesmo tempo uma ida ao mercado (ou seja, algo cotidiano) e uma atividade cujo processo fosse diferente do primeiro? Fosse “novo” em relação ao primeiro?</p>
<p>Ao responder a esta última pergunta é que surge a possibilidade de uma resposta criativa.</p>
<p>Esta tal da criatividade aflora de um ambiente desorganizado, onde ainda não existem padrões estabelecidos e regras de comportamento. É uma explosão de idéias que parte de um momento de completa liberdade.</p>
<p>Não estou aqui dizendo que as técnicas (e existem muitas) devam ser abandonadas. Muito pelo contrário. Todas as técnicas de planejar, escrever, editar e publicar necessariamente tem lugar cativo neste processo todo, mas devem ser aplicadas depois da deflagração criativa para que ela possa fluir sem amarras. A criatividade é a idéia original e as técnicas são os veículos para que a idéia chegue, conquiste e mantenha o leitor.</p>
<p>E, como você bem sabe, não é fácil criar. A maioria de nós sequer foi educada para pensar de forma original. Vivemos submersos em um universo de inimigos mortais da Dona Criatividade:</p>
<ul>
<li>Achamos que existe apenas uma resposta certa para cada problema.</li>
<li>Achamos que a resposta de um problema precisa ser lógica.</li>
<li>Achamos que sempre precisamos obedecer a regras.</li>
<li>Temos medo de correr riscos.</li>
<li>Temos medo de errar.</li>
<li>Temos medo de não sermos bons o suficiente.</li>
<li>Temos medo de não sermos capazes de repetir um sucesso.</li>
</ul>
<p>Vivemos em sociedade e, claro, temos que nos submeter a certas regras. Mas descubra quais destas regras são absolutamente intangíveis (isto é fácil), quais você pode “dobrar” um pouquinho e quais você pode e deve quebrar, estilhaçar, esmigalhar e soprar os pedacinhos ao vento. O espaço entre as regras que você dobra e aquelas que você quebra é o campo onde vai florescer sua criatividade.</p>
<h3>E antigamente?</h3>
<p>Na antiga Grécia juravam de pé junto que a criatividade e a inspiração provinham dos seres divinos e os romanos acreditavam em gênios, seres mágicos que viviam nas paredes e que saiam de lá para auxiliar os artistas. Independente da época ou da cultura, podemos resumir esta relação da seguinte forma: toda inspiração era coisa de espíritos protetores que vinham de lugares distantes e desconhecidos. Para apoiar ou inspirar o ser humano aquelas entidades tinham sua própria agenda. Suas verdadeiras intenções eram desconhecidas. A criatividade (inspiração) e seu resultado (música, teatro, dança, pintura, escultura, literatura, plano de batalha) eram mero subproduto da interação entre divindade e ser humano.</p>
<p><a title="video no Ted Talks (inglês)" href="http://www.ted.com/talks/elizabeth_gilbert_on_genius.html" target="_blank">Elizabeth Gilbert</a> afirma que, na verdade, estas “relações” eram usadas como um mecanismo para remover a pressão psicológica de estar certo e ficar famoso, ou de errar e fracassar. Serviam como uma forma de proteção para as pessoas criativas. Sem contar que evitavam o narcisismo, já que não se podia assumir todo o crédito e colher os louros pela obra bem sucedida ou afundar-se em depressão no caso contrário. A culpa era do gênio (espírito, entidade, deidade). Claro, era muito mais fácil viver assim.</p>
<p>A verdadeira crise criativa começou na Renascença quando o homem foi colocado no centro do universo e tornou-se responsável por tudo à sua volta.</p>
<p>E viva o pensamento racional e lógico!</p>
<p>Foi aqui que o ser humano tornou-se o gênio ao invés de ter um gênio. Claro que isso resultou em uma enorme e pesada responsabilidade depositada sobre os ombros daqueles que tinham que criar. Com isso, o ego foi sendo distorcido e foram geradas expectativas irreais com relação aos resultados que deveriam ser produzidos. Esta “crise pessoal” tem sido ao longo da história uma das razões pela morte de inúmeros artistas.</p>
<p>Não podemos voltar no tempo e apagar a história do pensamento racional para novamente acreditar em gênios e fadas, mas certamente esta “muleta”, leia-se também “crença”, descreve muito bem a sensação que se tem quando “surge” a inspiração. É uma experiência quase paranormal, extra-sensorial, uma forma diferente de compreender e interpretar o mundo a nossa volta.</p>
<h3>Impulsionando a criatividade</h3>
<p>O importante é entender que todas estas dúvidas que poderiam impedir o afloramento da criatividade também podem ser um combustível que impulsione a inspiração. Quando reagimos e nos rebelamos contra estas dúvidas é que encontramos a liberdade para deixá-la fluir.</p>
<p>É nesse momento que “coincidências” ocorrem. Coisas acontecem, mas tudo isto nada mais é do que o resultado de estarmos abertos, atentos, percebendo o que se encontra a nossa volta. Tudo muda quando relaxamos e permitimos que nossa percepção, através dos seus filtros, absorva tudo o que precisamos para desempenhar o ato criativo.</p>
<p>Podemos, espontaneamente, atingir este estado mental. No começo, como sempre, são necessárias técnicas, exercícios e métodos. Com o passar do tempo conseguimos caminhar com nossas próprias pernas. Para isto acontecer temos que realmente QUERER e não apenas desejar sermos criativos. O <strong>QUERER </strong>implica em <strong>ATIVIDADE </strong>enquanto que o desejar é meramente passivo.</p>
<p>Este não é um artigo sobre dicas ou técnicas para desenvolver a criatividade, mas aqui vai uma: comece reduzindo o que eu chamo de “ansiedade do primeiro parágrafo”: ele não tem que ser perfeito de primeira. Nada do que você escreve tem que ser irretocável, perfeito e divino a partir do instante em que você digita a primeira palavra ou termina o rascunho da primeira frase. A palavra “rascunho” diz tudo: processo, esboço, primeira versão. Relaxe. Escrever é uma delícia. E lembre o que Erich Fromm disse: abra mão das certezas.</p>
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		<title>Uma técnica jornalística no primeiro contato</title>
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		<pubDate>Fri, 19 Jun 2009 19:28:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fabio Marchioro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
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		<description><![CDATA[A técnica da pirâmide invertida é a mais utilizada no jornalismo diário. Chama-se assim em virtude da forma com que as informações são hierarquizadas no texto. Os dados mais importantes devem estar disponíveis ao leitor no início do texto e os demais, em seguida, em ordem decrescente de importância. Aplica-se a técnica respondendo, de preferência [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="size-full wp-image-503 alignleft" title="piramide invertida" src="http://www.paragrafo.org/wp-content/uploads/2009/06/piramide_00.jpg" alt="piramide invertida" width="100" height="100" />A técnica da pirâmide invertida é a mais utilizada no jornalismo diário. Chama-se assim em virtude da forma com que as informações são hierarquizadas no texto. Os dados mais importantes devem estar disponíveis ao leitor no início do texto e os demais, em seguida, em ordem decrescente de importância. Aplica-se a técnica respondendo, de preferência no primeiro parágrafo, as perguntas: Quem? O que? Como? Quando? Onde? Por quê? O propósito é rebitar o leitor no seu texto indo direto ao ponto de maior interesse, traçando uma linha direta do “geral” para o “específico”.</p>
<p>Porque mencionar uma técnica jornalística em um site sobre literatura? Porque cogitar a hipótese de usá-la? Um escritor hoje não pode mais se limitar apenas à produção e criação literária. Precisa trabalhar na divulgação de si mesmo e de sua obra, como já <a title="leia sobre auto publicação." href="http://www.paragrafo.org/?p=348">mencionamos</a> <a title="leia sobre divulgar seu trabalho" href="http://www.paragrafo.org/?p=485">anteriormente</a>. A técnica da pirâmide invertida ajuda a alcançar este objetivo.</p>
<h3>Um pouco de história</h3>
<p>Houve um tempo em que o padrão era começar artigos com o chamado “<a title="Leia mais sobre o processo de produção jornalismo" href="http://intercom.org.br/papers/nacionais/2006/resumos/R1408-2.pdf" target="_blank">nariz de cera</a>”, ou seja, uma introdução longa, rebuscada e vazia, que não era bem jornalismo nem literatura. Era um híbrido que servia mais para massagear o ego do autor do que informar.</p>
<p>Visando a redução dos custos de transmissão de informações (telégrafo), com a restrição do espaço para publicação e do tempo de escrita e leitura, a fórmula da pirâmide invertida, prática e objetiva, surgiu para produzir textos e transmitir fatos de forma rápida. Atualmente a utilização da técnica prevalece de forma esmagadora em jornais e agências de notícias.</p>
<h3>O leitor na internet</h3>
<p>O comportamento de uma pessoa que busca algo na internet é norteado pela premissa: a perda de tempo é inaceitável. Lembre sempre que a impaciência reina na internet. O leitor busca, no menor tempo possível e num relance, determinar o assunto do texto. Em menos de 15 segundos decide se o texto responde ou não a sua dúvida e parte para a busca seguinte. A técnica da pirâmide invertida fornece as respostas que o leitor busca de forma direta e rápida. O segredo, e sempre existe um segredo guardado na manga, está em utilizá-la de forma atrativa.</p>
<p>A pirâmide invertida serve especificamente ao nosso propósito nesses primeiros 15 segundos: um título relevante, um subtítulo explicativo e um primeiro parágrafo que diz o propósito do artigo. É depois de atrair e ganhar um leitor nesse primeiro momento que começa a odisséia de mantê-lo interessado até o final do texto com criatividade e inovação.</p>
<h3>Ser encontrado no Google</h3>
<p>Outro efeito da utilização da pirâmide invertida é ser encontrado com facilidade pelos mecanismos de busca. Em torno de 60-80% das visitas de um site são oriundas destes mecanismos, uma razão fortíssima para atender essa demanda quando o propósito é promover a sua obra.</p>
<p>O Google, buscador mais usado hoje em dia, utiliza o primeiro parágrafo de um texto para avaliar a relevância do seu conteúdo em relação às palavras chave que foram buscadas.</p>
<p>É claro que as coisas não são tão simples. Além do primeiro parágrafo são utilizados ainda como referência “título” e “subtítulo”. Cabe aqui salientar que no Brasil certos veículos chamam o subtítulo de “gravata” ou até “linha-fina”. O título, conforme indica o <a title="Compre o Manual de Redação da Folha de São Paula no Submarino" href="http://www.submarino.com.br/produto/1/150297/manual+da+redacao+da+folha+de+sao+paulo:franq=100535" target="_blank">Manual da Redação da Folha de São Paulo</a> deve ser uma síntese precisa da informação mais importante do texto. O subtítulo (ou gravata, ou linha-fina) é uma frase ou período que aparece abaixo do título e serve para completar seu sentido ou dar mais informações.</p>
<p>Estes elementos, articulados com a técnica da pirâmide invertida, são os veículos para seu contato direto com o leitor. Naturalmente devem carregar palavras de peso que ajudem a sinalizar o assunto do artigo e, por conseqüência, facilitar a busca pelo Google.</p>
<p>Não importa a eterna dúvida “quem veio primeiro o ovo ou a galinha”. Isto é, se o jornalismo contemporâneo continua usando a pirâmide invertida por causa do Google ou se é o buscador que&#8230; bem, você entendeu. O que fica claro é que o Google baseou seu algoritmo de busca na velha técnica e as pessoas hoje usam a técnica em textos publicados na internet porque querem ser encontradas através do Google.</p>
<p>O que importa é que a pirâmide invertida tem seu lugar garantido. Mas <a title="Artigos sobre criatividade no Parágrafo" href="http://www.paragrafo.org/?cat=6">seja criativo</a> na hora de usar esta técnica ou seu leitor o largará depois do primeiro parágrafo.</p>
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		<title>Escreva textos cativantes para seu blog de divulgação.</title>
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		<pubDate>Thu, 11 Jun 2009 14:00:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fabio Marchioro</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Como escritor, nos dias de hoje, você terá que ser também blogueiro. Nem que seja somente para divulgar seu próprio material. O problema é que, com tanto conteúdo inédito e de qualidade rolando por aí, se os textos que você produzir não forem densos e consistentes, você não terá leitores. Meia dúzia de amigos, sua [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-486" title="leitor" src="http://www.paragrafo.org/wp-content/uploads/2009/06/cativante_00.jpg" alt="leitor" width="100" height="100" />Como escritor, nos dias de hoje, você terá que ser também blogueiro. Nem que seja somente para divulgar seu próprio material. O problema é que, com tanto conteúdo inédito e de qualidade rolando por aí, se os textos que você produzir não forem densos e consistentes, você não terá leitores. Meia dúzia de amigos, sua mãe e, talvez, seu “cacho” do momento. Mas você não terá Leitores, assim, com “L” maiúsculo. A competição está mais acirrada a cada dia. Sua resposta ao desafio? Mais empenho.</p>
<p>Você tem idéia de quantos blogs existem espalhados pela internet? Só em português você pode encontrar dezenas de milhares. Mas tudo que está sendo produzido é bom? Ao contrário. A maioria dos blogueiros consegue, com muito esforço, empilhar dois parágrafos meramente legíveis. Notou que eu não falei “parágrafos lógicos”? Nem “compreensíveis”? Você consegue imaginar a que distância estamos de afirmar que um blog assim tem “bons textos”?</p>
<p>O problema é que, considerado o número de blogs ativos (um monte, lembra?) mesmo os poucos bons e criativos, percentualmente falando, são muitos. Explico: em um universo enorme, um pequeno percentual ainda é muita coisa.</p>
<p>Considerando isso, a qualidade do conteúdo é tudo. Lembre-se que seu site é seu portfólio. Não publique conteúdo sem propósito ou sem revisão. A internet tem memória que às vezes parece eterna. Quando menos você esperar, algo que publicou sem pensar poderá voltar para assombrá-lo.</p>
<p>São inúmeros os casos de pessoas que blogaram a respeito de algo que parecia ser inócuo e, alguns anos depois, achando que o blog estava morto e enterrado, em uma entrevista de emprego, por exemplo, foram severamente cobradas por opiniões que emitiram ou posicionamentos que adotaram.</p>
<p>Então lembre bem desse primeiro fato: a internet tem memória. O segundo é que o espírito da internet é o mesmo do escambo. A rede inteira é baseada em relações de troca que seguem uma diretriz: primeiro é preciso dar para então receber. Existem duas formas de encarar esta relação:</p>
<ul>
<li><strong>Você dá só aquilo que está disposto para aqueles que quiserem receber: </strong>neste caso para fazer a divulgação do seu trabalho será necessário descobrir onde está essa tribo que “quer receber” e torcer para que eles queiram o que você está oferecendo. O processo é descontrolado e ineficiente.</li>
<li><strong>Você descobre quem são seus leitores, onde estão eles, o que eles querem e fornece seu produto sob medida: </strong>A vantagem suprema é que você terá controle da situação e, ao contrário do primeiro método, é eficiente. Não significa que você vai “vender a alma ao Demo”. Significa apenas que fará um esforço para compreender o seu mercado. Você vai identificar quem é o seu público alvo. Isso ajudará a focar seus objetivos e metas, escolher os assuntos a serem abordados e o enfoque que será dado. Sem contar que vai aproximar você do seu público e facilitará tremendamente a promoção da sua produção.</li>
</ul>
<p>Se você optar pela segunda situação (obviamente a melhor escolha), primeiro tente definir-se como escritor. Pense ao longo destas linhas: considerando tudo o que você já escreveu, qual gênero predomina? Romace? Suspense? Policial? Grandes reportagens? Lembre-se que cada nicho possui seus próprios leitores. Mas quem são essas pessoas? Quem você imagina que seria o seu leitor ideal e como seria necessário conversar com ele?</p>
<p>Por quais assuntos ele se interessa? Um leitor de ficção científica muito certamente gostaria de ciências. Um leitor de romances em tese tenderia a apreciar as relações humanas, um apreciador de livros de espionagem mergulharia com prazer em páginas e paginas de intrigas sobre política internacional, e assim por diante.</p>
<p>No seu blog, mostre sua habilidade de escritor escrevendo textos variados para que, com o passar do tempo, ele se torne uma referência na área, o que vai lhe conferir um status de autoridade diante de seus leitores.</p>
<p>E por falar neles, cultive relacionamentos com seus leitores. Faça com que se sintam parte do seu processo de criação, como se fossem membros de “sua família estendida”. Faça com que se importem com você e com o que faz. É muito mais fácil vender para um amigo que confia em você do que para alguém que nunca ouviu falar de você. Cultive estes novos amigos!</p>
<p>Aqui estão alguns exemplos de escritores que cultivam seus leitores.</p>
<ul>
<li><strong><img class="alignright size-full wp-image-490" title="Neil Gaiman" src="http://www.paragrafo.org/wp-content/uploads/2009/06/cativante_011.jpg" alt="Neil Gaiman" width="120" height="120" />Neil Gaiman</strong> – <a title="Blog do Neil Gaiman" href="http://journal.neilgaiman.com/" target="_blank">http://journal.neilgaiman.com/</a> &#8211; além de blogar com voz própria, ele ainda usa uma ferramenta que é a mais nova febre da rede: o Twitter. Ele publica comentários curtos diversas vezes por dia, sempre de natureza muito pessoal informando onde vai estar autografando seus livros e, depois, conta como foi em detalhes.</li>
<li><strong><img class="alignright size-full wp-image-491" title="Warren Ellis" src="http://www.paragrafo.org/wp-content/uploads/2009/06/cativante_02.jpg" alt="Warren Ellis" width="120" height="120" />Warren Ellis</strong> &#8211; <a title="Blog do Warren Ellis" href="http://www.warrenellis.com/" target="_blank">http://www.warrenellis.com/</a> &#8211; ele é o que se poderia chamar de um “bad boy”. Mas ele encontrou seu nicho e, como um bom profissional, ordenha a imagem de “perigoso” até a última gota. À exemplo de Gaiman, também usa o Twitter dezenas de vezes por dia, com freqüência informando que está indo para o bar, ou quantas doses tomou, ou como está se sentindo em virtude dos excessos da noite anterior.</li>
<li><strong><img class="alignright size-full wp-image-492" title="Wil Wheaton" src="http://www.paragrafo.org/wp-content/uploads/2009/06/cativante_03.jpg" alt="Wil Wheaton" width="120" height="120" />Wil Wheaton</strong> <a title="Blog do Wil Wheaton" href="http://wilwheaton.net" target="_blank">http://wilwheaton.net/</a> &#8211; está muito mais para a linha de Gaiman do que de Ellis. É um dos namoradinhos da “literatura indie”, bom moço, bom marido, bom pai, ator, escritor&#8230; e, claro, encontrou seu público. Usa a internet e suas ferramentas para aproximar-se de seus leitores e promover sua obra.</li>
</ul>
<p>Como exemplo prático para ilustrar o artigo, divida a sua experiência. Responda aqui estas duas perguntas: Que tipo de escritor você é? Quem você acredita ser seu público?</p>
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		<title>Loucura pega</title>
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		<pubDate>Mon, 08 Jun 2009 15:00:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fabio Marchioro</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Asilo Arkahm, anos depois, ainda é inovador.
Meu primeiro sobressalto com histórias em quadrinhos aconteceu no início dos anos 70. Sofrendo os efeitos da minha gripe de entrada de inverno, minha mãe me levou no pediatra. Para suportar as agruras do exame, a promessa: “A gente compra uma revista do Capitão América na volta, tá bom?” [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><img class="alignleft size-full wp-image-478" title="asiloarkham_00" src="http://www.paragrafo.org/wp-content/uploads/2009/06/asiloarkham_00.jpg" alt="asiloarkham_00" width="100" height="100" />Asilo Arkahm, anos depois, ainda é inovador.</strong></p>
<p>Meu primeiro sobressalto com histórias em quadrinhos aconteceu no início dos anos 70. Sofrendo os efeitos da minha gripe de entrada de inverno, minha mãe me levou no pediatra. Para suportar as agruras do exame, a promessa: “A gente compra uma revista do Capitão América na volta, tá bom?” Ela cumpriu a promessa. E mudou minha infância.</p>
<p>Em casa, debaixo das cobertas, a salvo da pneumonia, tudo parecia bem. Relaxei, baixei a guarda e comecei a ler a revista. O escudo do Capitão não foi suficiente para me proteger das convulsões sociais pelas quais o mundo passava. A guerra do Vietnam, a corrida armamentista e o problema racial nos Estados Unidos, em debate no mundo inteiro, chegavam com algum atraso ao Brasil e invadiam a minha cama. Na revista, um estudante era baleado e morto em uma passeata pela paz na universidade de Berkley.</p>
<p>Política, pacifismo, militarismo, conflitos psicológicos. Nada de super. Nem heróis, nem vilões, nem vitórias. Só a realidade que passava a tomar conta das histórias em quadrinhos. A queda nas vendas em virtude do amadurecimento dos leitores levou os editores a trazer os personagens para fora das revistas. Decisões do governo quanto à política social, diplomacia ou interferências internacionais afetavam os roteiros. O mundo em que os heróis passaram a viver, é o nosso mundo. O Batmóvel podia ser multado e guinchado. Super-Homem tinha problemas conjugais e o Capitão América, meu repositório infantil de salvaguardas, tinha de pagar imposto de renda.</p>
<p>Vinte anos depois, saindo de uma estafante audiência em que minha atuação como advogado de uma grande empresa não foi nada “super”, a capa de uma revista em quadrinhos chamou minha atenção em uma banca de revistas. Era cara, lembro bem. Mas o pagamento trouxe a remissão daquela minha tarde com febre, anos antes. Uma revolução acontecia pelas mãos da editora DC Comics (republicada no Brasil pela Abril), pelo roteiro de <a title="Site oficial de Grant Morrison" href="http://www.grant-morrison.com/" target="_blank">Grant Morrison</a> e pelas maravilhosas ilustrações de <a title="Site oficial de Dave McKean" href="http://www.mckean-art.co.uk/" target="_blank">Dave McKean</a>. Batman e o Coringa vieram me socorrer.</p>
<h3>Asilo Arkham</h3>
<p><a title="Graphic Novel no submarino" href="http://www.submarino.com.br/produto/1/217235/batman:+asilo+arkham+-+edicao+especial?franq=100535" target="_blank"><img class="alignright size-full wp-image-480" title="asiloarkham_02" src="http://www.paragrafo.org/wp-content/uploads/2009/06/asiloarkham_02.jpg" alt="asiloarkham_02" width="117" height="180" /></a>Batman é louco. Todo mundo sabe. Caso contrário não estaria tentando combater o crime, andando pelos telhados da cidade, à noite, fantasiado de morcego. Na infância, Bruce Waine, sua personalidade diurna, presenciou o assassinato dos pais. Traumatizado, usa os aparentemente inesgotáveis recursos de sua herança para montar um refúgio em uma caverna em baixo de sua mansão. Cria equipamentos para auxiliar sua missão de vingador e, para se movimentar de forma “discreta” e prender os bandidos, constrói um veículo que está menos para camburão e mais para carro alegórico de <a title="Clóvis Bornay no Wikipédia" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Cl%C3%B3vis_Bornay" target="_blank">Clóvis Bornay</a>.</p>
<p>Bruce-Batman não está sozinho neste louco mundão de Deus. Em uma citação de Alice no País das Maravilhas, reproduzida nas primeiras páginas de <a title="Graphic Novel no submarino" href="http://www.submarino.com.br/produto/1/217235/batman:+asilo+arkham+-+edicao+especial?franq=100535" target="_blank">Asilo Arkham</a>, a sentença é dada: “Aqui somos todos loucos. Eu sou louco. Você é louca.”</p>
<p>Todos os grandes vilões derrotados por Batman foram considerados insanos e presos no mesmo lugar, o <a title="Graphic Novel no submarino" href="http://www.submarino.com.br/produto/1/217235/batman:+asilo+arkham+-+edicao+especial?franq=100535" target="_blank">Asilo Arkham</a>. Resgatando informações do “universo quiróptero” a instituição foi fundada em 1921 por Amadeus Arkham para que pessoas com problemas mentais desfrutassem de um local seguro onde repousar e se recuperar. Amadeus, médico proeminente, reformou completamente a gigantesca casa onde morava com a família nos arredores de Gotham City. Seu primeiro paciente agradeceu a generosidade de Amadeus assassinando a esposa e a filha do médico que, tempos depois acabou sendo internado no próprio asilo.</p>
<p>Mais tarde, quando a fama do asilo como depósito de criminosos estava estabelecida, Jeremiah Arkham, sobrinho de Amadeus, reestruturou o edifício que recebeu a forma de um labirinto. O conceito da nova construção: trabalhar para “encontrar a saída”.</p>
<h3>O Roteiro</h3>
<p><img class="alignleft size-full wp-image-479" title="asiloarkham_01" src="http://www.paragrafo.org/wp-content/uploads/2009/06/asiloarkham_01.jpg" alt="asiloarkham_01" width="147" height="180" />A trama em 10 palavras: prisioneiros se revoltam; fazem reféns; Batman tenta controlar a situação. O personagem principal não é Batman, é o Asilo. Em seguida, o Coringa. O morcegão vem em um distante terceiro lugar. Só por isso, o livro já inova. Quando o público percebeu que o Coringa passava a maior parte do tempo humilhando e ridicularizando o “Cavaleiro das Trevas” (até eu tiraria um sarro dele por causa deste “sobrenome”), elevou o status do livro ao de obra controversa. E, ao espalharem as notícias sobre as insinuações homossexuais feitas pelo Coringa em relação à dupla Batman/Robin, <a title="Graphic Novel no submarino" href="http://www.submarino.com.br/produto/1/217235/batman:+asilo+arkham+-+edicao+especial?franq=100535" target="_blank">Asilo Arkham</a> chegou a ser banido de certos círculos de fãs. Assim que Batman entra no Asilo, percebe um pó branco nas suas luvas. O Coringa diz: “Isto é sal. Por que não salpica um pouco em mim, querido? Não sou gostoso o bastante para ser comido?”</p>
<p>O livro não é uma história em quadrinhos tradicional. Está mais para fãs de David Lynch (Veludo Azul, Coração Selvagem) do que para Disney ou DC Comics. Propõe uma atmosfera de solidão, de rua vazia, em madrugada chuvosa de dia de semana. Passa longe de uma tarde ensolarada de domingo com a família. Como toda obra que inova, <a title="Graphic Novel no submarino" href="http://www.submarino.com.br/produto/1/217235/batman:+asilo+arkham+-+edicao+especial?franq=100535" target="_blank">Asilo Arkham</a> recebeu ácidas críticas e foi acusada de exibir um roteiro vazio. Desculpa para ostentar a arte de McKean. Não concordo. Os inimigos de Batman, agora reais, nossos inimigos, não são mais caricaturas que, ao levar um soco, produzem um “POW” animadinho. São pessoas insanas, trancadas em um asilo.</p>
<p>Batman, ele sim, é uma desculpa para ser nossos olhos no Asilo, do lado de dentro da loucura, nosso salvo (mas nem tanto) conduto, para caminhar por aqueles corredores perigosos, escuros e fétidos. Esta é, de longe, a mais violenta das histórias de Batman. Para melhorar o conjunto, o roteiro inclui dezenas de referências à psicologia, mitologia, misticismo, religiões e simbolismo. Algumas referências são evidentes, outras para lá de herméticas, se perdem pelos corredores.</p>
<p>Batman, o tempo inteiro, é só uma sombra vagando pelo asilo atrás de respostas e significados para suas ações. Caímos de novo na analogia à obra de Lewis Carrol, “Alice no País das Maravilhas”. Lá (ou aqui), no escuro, onde ninguém ouve gritos e gemidos, o Coelho Branco e o Chapeleiro Maluco copulam como (claro) loucos. Se você entrar na sala (cela) errada e surpreendê-los, eles vão caçá-lo pelos corredores, escadarias e salões fedorentos do Asilo e vão arrancar sua cabeça.</p>
<h3>O Escritor</h3>
<p>Em entrevistas, Grant Morrison, o roteirista, diz coisas como: (Mondo-1994) “Minha vida é calma, inofensiva, quase como a de um monge, mas lá no fundo o que eu quero mesmo é destruir o universo” e (Comics Journal &#8211; 1995) “Passei anos inteiros da minha vida completamente chapado e fazendo uma série de outras coisas que normalmente não se deve fazer.”</p>
<p>Inglês, mora em Glasgow. Foi o primeiro roteirista de Graphic Novels do mundo a ser considerado pela revista Entertainment Weekly uma das 100 pessoas mais criativas a ser publicada nos Estados Unidos. Escreve romances e tem diversos roteiros para cinema e tv (projetos desenvolvidos para Ridley Scott e para a BBC). Traz na bagagem duas peças de teatro premiadas (“Red King Rising” e “Depravity”). Morrison publica artigos e contos em vários jornais ingleses, manifestando-se sempre de forma contundente. Escreveu há pouco tempo em uma de suas colunas: “A melhor coisa da internet é o seu efeito equalizador. On-line todas as opiniões são inúteis”. E delira: “Reuni evidências suficientes para concluir que o universo é uma larva fractal criada em um meio fluído e penta-dimensional de informações. Só tenho medo de aranhas grandes e de mariposas”. Entenda como quiser.</p>
<p><a title="Graphic Novel no submarino" href="http://www.submarino.com.br/produto/1/217235/batman:+asilo+arkham+-+edicao+especial?franq=100535" target="_blank">Asilo Arkham</a>, sua obra mais famosa até agora, vendeu mais de 200.000 cópias nos três primeiros meses de lançamento nos Estados Unidos e ganhou praticamente todos os prêmios internacionais. Suas Graphic Novels “St. Swithins´s Day” (um rapaz que tenta assassinar Margaret Thatcher) e “The Invisibles” (longa série de seis anos sobre um grupo terrorista) levantou debates no governo Inglês. Seus créditos incluem ainda “The New Adventures of Hitler” e “Kill your Boyfriend”, entre mais de 20 séries, com um total de mais de 100 volumes.</p>
<h3>O Ilustrador</h3>
<p><img class="alignright size-full wp-image-477" title="asiloarkham_03" src="http://www.paragrafo.org/wp-content/uploads/2009/06/asiloarkham_03.jpg" alt="asiloarkham_03" width="180" height="132" /><a title="Graphic Novel no submarino" href="http://www.submarino.com.br/produto/1/217235/batman:+asilo+arkham+-+edicao+especial?franq=100535" target="_blank">Asilo Arkham</a> não atingiria o sucesso internacional não fossem as ilustrações de Dave McKean. Atualmente escrevendo seus próprios roteiros (já publicou “Cages” – 1998), sugeriu a retirada de Robin e da personalidade “humana” de Batman (Bruce Wayne) do roteiro original.</p>
<p>O artista, em retrospectiva, afirma que a parceria com Morrison, apesar de aclamada, ofereceu pouco conteúdo e que as ilustrações e a concepção artística desviam a atenção do leitor. “E daí que o Batman é um psicopata? Quem se importa?”</p>
<p>Suas obras estão pelo mundo inteiro: galerias de arte em Nova Iorque, capas de revistas e livros, encartes em CDs, cartazes, tudo o que possa aceitar arte radical. Inovou além da insanidade em <a title="Graphic Novel no submarino" href="http://www.submarino.com.br/produto/1/217235/batman:+asilo+arkham+-+edicao+especial?franq=100535" target="_blank">Asilo Arkham</a>. Com ele, as capas das GN deixaram de ser acessórios dos roteiros, amplificando a experiência além do gráfico, para o emocional.</p>
<p>Dificilmente McKean assina suas obras. Não é preciso. Seus fãs reconhecem seu estilo. Único, mescla técnicas de pintura com construção, sucata, fotografia, aquarela, grafite e depois junta (embaralha, confunde, mixa) tudo usando o Adobe Photoshop no seu computador.</p>
<h3>Loucura X Vitória</h3>
<p>Nenhuma vitória de super-herói é definitiva. Os arqui-inimigos sempre voltam, mesmo que em uniformes, máscaras, maquiagens ou com sotaques diferentes. Batman, chamado para resolver a crise no Asilo, tem o mesmo destino. Sofre alucinações, se esfaqueia, chama pela mãe, chora, se perde. Quando sai não está revigorado pela vitória, mas destruído pela loucura que domina o Asilo.</p>
<p>Mas onde é dentro e onde é fora? Não são definidas as fronteiras entre certo e errado, sanidade e loucura, branco e preto. Vivemos em uma região cinza. Diferenças sutis nos tons dos nossos comportamentos muitas vezes não são percebidas até que, irremediavelmente, estamos no escuro. Não faz diferença se entramos no Arkham, em uma biblioteca, universidade, redação de jornal ou escritório de advocacia. Levamos conosco a nossa vida e nossos tons de claro e escuro. <a title="Graphic Novel no submarino" href="http://www.submarino.com.br/produto/1/217235/batman:+asilo+arkham+-+edicao+especial?franq=100535" target="_blank">Asilo Arkham</a> é mais uma prova de que a insanidade é contagiosa. Loucura, se pega.</p>
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