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	<title>O Papel das Notícias</title>
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	<description>Um Jornal Por Dia</description>
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		<title>A &#8220;Fraqueza&#8221; de Obama no Mercado Global da Opinião</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Afonso Duarte Pimenta]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 10 Feb 2013 12:24:44 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[informação]]></category>
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					<description><![CDATA[Barack Obama, de acordo com determinada visão, quanto a mim bastante apressada pela necessidade, comercial e civilizacional actual, do post e do perpétuo comentário; principalmente por uma facção, embora não só, mais interessada: parece ter sido, em primeiro mandato, um &#8220;líder fraco&#8221;. Dado à palavra. Ao discurso. Ao sermão. Não tanto à &#8220;decisão&#8221;. Isto: apesar [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p align="JUSTIFY"><em>Barack Obama</em>, de acordo com determinada visão, quanto a mim bastante apressada pela necessidade, comercial e civilizacional actual, do <i>post </i>e do perpétuo comentário; principalmente por uma facção, embora não só, mais <i>interessada</i>: parece ter sido, em primeiro mandato, um &#8220;líder fraco&#8221;. Dado à palavra. Ao discurso. Ao sermão. Não tanto à &#8220;decisão&#8221;. Isto: apesar de um, bem &#8220;político&#8221;, perverso e contínuo, bloqueio por parte de congressistas republicanos. Objectivo: &#8220;Paralisar primeiro. Culpar Depois&#8221;. Para uma, <i>larga, </i>camada da população, representada por esse centro de infestação denominado por <i>Fox News</i>,  nada disto interessou. É que não obteve um, <i>mais visivel, </i>&#8220;resultado imediato&#8221;.<i> </i></p>
<p align="JUSTIFY">&#8220;Um líder fraco&#8221;: segundo a lógica, míope, mais ou menos generalizada da <i>indústria &#8220;</i>informativa<i>&#8221; </i>e<i> </i>do ecrã omnipresente. Do <i>sound bite. </i>Da pose. Do gesto. Do, bem &#8220;americano&#8221;, &#8220;murro em cima da mesa&#8221;. Mentalidade que radica &#8211; se quisermos ser, unicamente, &#8220;objectivos&#8221; &#8211; no favorecimento, social, da cultura &#8220;económica&#8221;, embora precária, do &#8220;curto- prazo&#8221;. Que avalia &#8211; soluça &#8211; e carimba tudo apressadamente. É <i>feed, </i>ininterrupto, de lados B. O pormenor é dado &#8220;desinteressadamente&#8221;. Não tanto desenvolvido e integrado: compreendido. Apesar da disponibilidade do <i>link: </i>o contexto &#8211; a <i>demora</i> na explicação<i>; </i>numa real percepção do momento político &#8211; prende, durante &#8220;muito tempo&#8221;, o leitor à mesma página. E as receitas publicitárias, cada vez mais disseminadas &#8211; são criados, por dia e apenas através do <i>WordPress</i>, cerca de 100.000 blogues &#8211; valem, por esta razão, cada vez menos. &#8220;É preciso&#8221;, por isso, <i>acelerar</i>. Mesmo que tal signifique: não perceber.</p>
<p align="JUSTIFY">Porque não, já agora, encurtarmos, em nome da &#8220;competitividade&#8221;, o tempo de governação? Para que possa, desta forma, adequar-se melhor à rapidez com que a &#8220;informação&#8221; &#8211; não tanto o &#8220;conhecimento&#8221; &#8211; tem, agora, que circular? Parece ser, mais ou menos, como o &#8220;capitalismo&#8221;. Os &#8220;dados&#8221;, cada vez &#8220;mais fora&#8221; da dimensão humana, &#8220;auto- regulam-se&#8221;<i>. </i></p>
<p>O que poderemos considerar como <i>excrescência </i>é, agora, &#8220;conteúdo exclusivo&#8221;. Quase tudo é noticiado, espremido e pontuado: &#8220;transparency&#8221;. <i>Exagerado</i>. Segundo o espírito, <i>multitask</i>, de &#8220;eficácia&#8221; momentânea. Foi, de facto, uma veloz &#8211; quase arbitrária: alguém se dá ao trabalho de a tentar explicar? &#8211; mutação de valores.</p>
<p align="JUSTIFY">Algum do &#8220;jornalismo- cidadão&#8221; perde, assim, moral relativamente ao processo. Na crítica, fácil e usual, ao &#8220;sensacionalismo dos média&#8221;. Se tudo era generalizado e os jornais metidos no mesmo saco: este ficou ainda maior. Em nome do <i>post </i>formatado para que seja melhor encontrado no motor de busca. Do <i>networking</i>. Da necessidade, &#8220;colectiva&#8221;, de trabalho &#8211; bastante &#8220;chinês&#8221;: Já começamos a <i>preparar caminho </i>&#8211; mal remunerado.</p>
<p align="JUSTIFY">A velocidade determina, assim, a expectativa política. A tolerância relativa ao resultado. Obama é, na minha opinião e apesar de todo o escrutínio, dos <i>drones, </i>erros, impasses e más decisões, um líder mais forte do que aquilo que se tem vindo, normalmente, a admitir. Teve, inevitavelmente, que lidar com um irrealismo de novo tipo. Enfrentar o mercado, alargado, do comentário e da &#8220;conversa global&#8221;. A isto: <i>gadget oblidge</i>.<i> </i></p>
<p align="JUSTIFY">Não é, obviamente, uma vítima. Não é que em campanha não o tenha alimentado. Mas em vez da seta apontada, previsivelmente, ao suspeito do costume e com um, mais convincente, <i>olhar em redor</i>: talvez o desvalorizado &#8220;yes, we can&#8221; tivesse sido iluminado com <i>o outro </i>significado. E esse: é sem dúvida <i>mais abrangente</i>. <i> </i></p>
<p align="JUSTIFY"><em>Afonso Duarte Pimenta</em></p>
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		<title>O Público Está &#8220;Morto&#8221;</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Afonso Duarte Pimenta]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 19 Oct 2012 17:17:44 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Crónicas]]></category>
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					<description><![CDATA[Senão: está a caminho de morrer. Espero que me perdoem o empréstimo nietzschiano &#8211; o que, nesta altura, pouca diferença fará: estamos em época de entronização do plágio em nome “colectivo” -: mas também somos nós, os indiferentes, que o estamos a matar. 48 é o número de trabalhadores “dispensados”. &#8211; Print is Dead: este [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Senão: está a caminho de morrer. Espero que me perdoem o empréstimo <i>nietzschiano &#8211;</i> o que, nesta altura, pouca diferença fará: estamos em época de entronização do plágio em nome “colectivo” -: mas também somos nós, <em>os</em><i> indiferentes</i>, que o estamos a matar. 48 é o número de trabalhadores “dispensados”.</p>
<p style="text-align:justify;">&#8211; <i>Print is Dead: </i>este <i>slogan, </i>continuamente repetido para que se venha a  tornar, definitivamente, realidade, resulta de uma constatação? Ou, pelo contrário, de um <i>desejo?</i> De uma vontade de superação, de <i>destruição, </i>daquilo que se resolveu catalogar como “tradicional” (desculpemos. Mesmo que mal esgalhada: foi necessário encontrar uma narrativa para um outro comércio; para a “revolução”) ? De uma necessidade, ansiosa, de <i>fuga </i>e, por isto, de renovação?</p>
<p style="text-align:justify;">&#8211; <i>Digital Is The Future: </i>propaganda que se generalizou desde o advento da <i>internet</i>. Monótona; cansativa; pouco criativa: não há <i>marketeer </i>que lhe resista. E, para lá das monetárias, que se aperceba das razões profundas dessa <i>inquietação</i>. De tão aproveitada: converteu-se em verdade presente. Continuamos, contudo, a ver, ainda, bastante papel. Ali: onde a informação, de qualidade, está <i>visível</i>. Não diluída. Não parece que nos afecte. Mas, se acontecer, conseguiremos ser, um pouco mais, tolerantes?  Menos apressados<i>?</i> Mais integrados e ambivalentes? Não esqueci: é- nos conveniente. Podemos, desta forma, olhar para o lado. Não gastamos dinheiro. ”Estamos em época de crise”. De disseminação e desvalorização das receitas publicitárias – senhores: por isto mesmo -.  Além, claro, do “direito à informação”.</p>
<p style="text-align:justify;">Porém: quantas vezes nos lembramos e quantas vezes esquecemos, o que é ligeiramente distinto, que de nada vale o “direito” a essa informação se ela estiver, também por nós, empobrecida? Que necessita, <i>urgentemente, </i>de financiamento para que nos “devolva” a democracia?</p>
<p style="text-align:justify;">Em Portugal, ao contrário de países como França ou Espanha – mesmo que insuficiente -, não existiu discussão sobre o assunto. Quase que não foram organizados debates, programas de rádio ou de televisão. Sobre o que está a suceder ao jornalismo. Para além da frase feita. Do artigo de “opinião” do “guru da comunicação”. Em nome das <i>pageviews</i>: tiveram medo de nos ofender. Como se fossemos crianças amedrontadas. Com a possibilidade de perdermos a quota habitual de escapismo e entretenimento. Sem nunca darmos, absolutamente nada, em troca. Será que somos?</p>
<p style="text-align:justify;">Existe, contudo, um obstáculo: esta tentativa de <i>sacralização´- </i>com todas as suas coordenadas; toda uma moral orientadora – de um império que se resolveu denominar como “digital”. Como se não houvesse nada, para além dele – como o temos <em>agora</em> -, que merecesse ser pensado ou avaliado. É esta certeza absoluta – <i>este engano </i>&#8211; que precisa de ser demolido. Questionado. Não para ser eliminado. Tarefa absurda e impossível. Mas para que seja alterado. Em direcção a uma cultura que não seja, apenas, a da valorização do <i>sound- byte</i>. Do curto prazo. Da irresponsabilidade pessoal. Para que se concretizem, um pouco melhor, os <em>outros dois anúncios. </em>Para que não se satisfaçam pelo facto de permanecerem em estado de utopia: “a sociedade do conhecimento” e &#8211; <em>esse mesmo </em>! -: o “espírito de colaboração”.</p>
<p style="text-align:justify;"><em>Afonso Duarte Pimenta</em></p>
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		<title>Formatação Informativa e Cultura PowerPoint</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Afonso Duarte Pimenta]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 11 Feb 2012 20:07:24 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Apesar de toda a exaltação &#8211; &#8220;Era da Criatividade&#8221; -: este é, conjuntamente, um momento no qual se consegue testemunhar, em determinadas áreas, uma tentativa de simplificação. Ao mesmo tempo em que é utilizada e incentivada uma retórica que se apropria de conceitos como &#8220;liberdade&#8221; ou &#8220;diversidade&#8221; distribuem-se &#8220;directrizes&#8221; de género algo contrário. Facilitar, dar [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p align="JUSTIFY">Apesar de toda a <em>exaltação </em>&#8211; &#8220;Era da Criatividade&#8221; -: este é, conjuntamente, um momento no qual se consegue testemunhar, em determinadas áreas, uma tentativa de simplificação. Ao mesmo tempo em que é utilizada e incentivada uma retórica que se apropria de conceitos como &#8220;liberdade&#8221; ou &#8220;diversidade&#8221; distribuem-se &#8220;directrizes&#8221; de género algo contrário.</p>
<p align="JUSTIFY">Facilitar, dar a entender<em>, </em>integrar o leitor, &#8220;comunicar&#8221;: &#8220;readability&#8221; &#8211; legibilidade &#8211; é expressão que &#8220;cai bem&#8221; na &#8220;Sociedade do Conhecimento&#8221;. Será que, algumas vez, <em>James Joyce </em>conseguiria ser nomeado para o prémio, literário, <em>Man Booker</em>? Um <a href="http://www.guardian.co.uk/commentisfree/2011/oct/16/observer-editorial-man-booker-prize">editorial</a> no <em>The Observer </em>formulou esta pergunta a 16 de Outubro de 2011. O júri tem que ler cerca de 120 romances num período de seis meses: um e meio de dois em dois dias<em>. </em>Uma das exigências: que sejam obras <em>fáceis </em>de assimilar. &#8220;Readability&#8221;.<em> </em>Dá jeito a toda a gente: quem julga não pensa muito e integra-se a &#8220;comunidade&#8221;. O troféu <em>Literature</em>, entretanto, parece ter surgido com vista a um equilíbrio. <em>Andrew Kidd</em>, porta-voz, sentiu, como foi noticiado a 13 de Outubro de 2011, no artigo &#8220;New literature prize launched to rival Booker&#8221;, por <em>Tim Masters </em>na plataforma, em linha, pertencente à <em>BBC News</em>, necessidade de se justificar: &#8220;é uma acusação &#8211; a de elitismo &#8211; tola. Tem mais a ver com a nossa sensação de que se abriu um espaço para um prémio que tenha a ver, inequivocamente, com excelência. Mesmo que isso, por vezes, signifique que os vencedores sejam desafiantes e que não caiam, necessariamente, em categorizações, simplistas, de legibilidade&#8221;. A especificidade, a criatividade e, por isso, a liberdade são, assim, <em>dissolvidas </em>para que não exista espectro desta continua paranóia que constitui este &#8220;medo do elitismo&#8221;. Esta acusação abre portas à standardização em vários sectores. Por exemplo: jornalísticos e musicais. &#8220;Cuidado! Nada de tiques! Nada de <em>si</em>. Pode <em>ofender&#8221;</em>. Em época ultra- individualista. Contradição? Não. Por isso mesmo: <em>esmaguemo-nos uns aos outros. </em>É &#8220;necessário&#8221; que tudo se encontre dentro dos limites bem definidos do espírito das &#8220;indústrias culturais e criativas&#8221;. Ou seja: pensar dentro da caixa do &#8220;pensar fora da caixa&#8221;. É a formatação da mensagem ao serviço de um nivelamento. Artificial e forçado. Onde não interessa, tanto, uma verdade interior, uma originalidade ou o confronto de ideias. Importa a <em>sensação &#8211; </em>uma aparência &#8211; de compreensão.</p>
<p align="JUSTIFY">Assiste-se a uma sobrevalorização do conceito de &#8220;comunicação&#8221;. Da &#8220;conectividade&#8221; pela &#8220;conectividade&#8221;. Nem que, devido a condicionantes relativos ao <em>negócio </em>e ao suporte, se altere, muitas vezes para pior, a forma e o enquadramento. A velocidade, na publicação, ou a diminuição do número de caracteres, a nível textual, é defendida em, múltiplos, artigos de opinião, diáriamente, de modo aberto ou indirecto. Sem, qualquer, vestigio de análise sociológica. Que resultados e objectivos, jornalísticos, globais e colectivos, de médio e longo prazo &#8211; quando nem mesmo os mercantis o estão -, se poderão garantir se tal condicionar densidade, investigação e reflexão? Principalmente numa altura em que se ataca, cada vez mais, a figura do jornalista como intermediário? Quando está em marcha este anseio, tão em voga, de destruição do denominado &#8220;middleman&#8221;? Ficaremos, devido a esta mistura, confusa, de &#8220;revolução democrática&#8221;, <em>ressentimento </em>e<em> branding, </em>comercial, individualista, satisfeitos, apenas, com um &#8220;jornalismo- cidadão&#8221;, impreparado e insuficiente? Com a comunicação, directa, do líder político e empresarial? Sujeitos a todo o tipo de manipulações, discursivas, e simplificações? Neste momento, delicado, de reascenção de nacionalismos? A &#8220;Sociedade da Informação&#8221; deseja, realmente, contacto com o diverso? Há, demasiada, relativização sobre este assunto.</p>
<p align="JUSTIFY"><em>José Pacheco Pereira</em>, num artigo, de opinião, essencial no jornal <em>Público, </em>de<em> </em>04 de Fevereiro de 2012, responde a uma das &#8220;Perguntas que não levam a parte nenhuma&#8221;: &#8220;Porque razão os blogues têm cada vez menos importância?&#8221;. Uma questão, abrangente, que não ignora mas que ultrapassa, na minha opinião, razões políticas. Ou, qualquer, dinâmica de &#8220;conversação&#8221;. A imposição económica e a &#8220;incorporação&#8221;, faseada e social, da ideia de &#8220;tempo real&#8221;, uma, certa, impaciência para a reflexão, em <em>silêncio, </em>sem &#8220;partilha&#8221; ou <em>interrupção </em>e esta pulsão, recentemente, fabricada para a, perpétua, intervenção &#8211; para a &#8220;revolução&#8221; &#8211; substituem, tendencialmente, a leitura &#8220;mergulhada&#8221;. O impulso para a escrita longa e demorada</p>
<p align="JUSTIFY">O <em>Twitter &#8211; </em>arma de &#8220;curadoria&#8221;, organização e protesto &#8211; para a defesa de valores distintos e, por vezes, opostos -; de disseminação, ultra- rápida, de informação; de <em>marketing </em>pessoal e empresarial &#8211; construiu-se, essencialmente, à custa do impacto forte, minimalista, da obrigatoriedade do uso de 140 caracteres. Confrontamo-nos, ultrapassando a linha vermelha, com uma, armadilhada, inversão de ideal´que nos deixa &#8220;paralisados&#8221; e sem reacção: &#8220;terá que ser mais inteligente&#8221;. É todo um, novo, caminho a ser criado.</p>
<p align="JUSTIFY">Jornais adoptam a imediatez e o brilho como forma de captação de receitas publicitárias e atenção. Numa tentativa para se combater a <em>dispersão </em>do usuário. Vulgariza-se, assim, a ampliação do tamanho da letra, a utilização da cor forte, o &#8220;abandono&#8221; &#8211; em certos casos: a predominância da &#8211; à imagem, ao vídeo, à oralidade. Reduz-se o alcance e a dimensão do artigo. Integra-se o <em>live- blogging.</em> Para uma &#8211; na falta de meios &#8211; substituição: a ilusão de se estar a ser, melhor, informado. Como &#8220;testemunha&#8221;. &#8220;No local da acção&#8221;. Importa &#8220;criar&#8221; &#8211; em sociedade &#8220;artística&#8221;; da &#8220;manipulação&#8221; -; <em>fingir </em>um movimento. Para favorecer &#8211; não tanto a compreensão do acontecimento &#8211; a clicagem constante. Reina a voragem da busca e do <em>link. </em>Não raras vezes: mais da busca do que do <em>link. </em>Chamemos-lhe<em>: zapping</em> digital.</p>
<p align="JUSTIFY">O problema, principal, de todo este discurso e desta tendência, excessivamente, direccionada para o mercado é, exactamente, esse: normalmente <em>só </em>está preocupada com o mercado. Evita a interpretação, a perspectva, a causa e a consequência de médio ou de longo prazo. O &#8220;jornalismo&#8221;, <em>quando é discutido</em>, circunda questões relacionadas com &#8220;rentabilidade&#8221;. A importância do rigor e da investigação são relativizadas a favor de uma noção, indiscriminada, de &#8220;conteúdo&#8221;. Não se questiona, tanto e por exemplo, o facto de existir alguma falta de paciência para a escrita densa e bem fundamentada. Caminha-se muitas vezes, pelo contrário, ainda mais nesse sentido. O artigo &#8220;<a href="http://www.editorsweblog.org/newspaper/2012/01/what_newspapers_have_to_learn_from_magaz.php">What newspapers have to learn from magazines</a>&#8220;, postado por <em>Emma Heald, </em>em 24 de Janeiro de 2012, no <em>Editors Weblog,</em> aponta aquilo que segundo o director da área de <em>design </em>da <em>Bonnier Business Press,</em> <em>Jacek Utko,</em> deve ser a abordagem &#8220;criativa&#8221; &#8211; expressão que, neste momento, serve para tudo &#8211; da imprensa escrita para fazer face à decepção, comercial, que o <em>tablet, </em>também<em>,</em> tem constituído. A &#8220;solução&#8221;, <em>desta vez</em>, passa pela adopção de, pequenas, formas visuais já que estas reinam no universo do <em>Twitter </em>e do <em>SMS. </em>Aconselha, por isso, o uso de secções mais pequenas, com mais pontos, listas, caixas e gráficos para que a informação seja <em>facilmente </em>compreendida. Já não falamos, aqui, de <em>fast- food</em>. Entramos no terreno de uma estética <em>PowerPoint</em>. A estupidificação, clara, do leitor e usuário. A falha deste tipo de abordagem, puramente mercantil, reside no facto de <em>Utko &#8211; </em>como de grande parte dos &#8220;especialistas de comunicação&#8221; &#8211; não entender, ou fingir que não percebe, que esta facilitação obrigaria, depois de cristalizada em norma e moral, mais tarde a uma, nova, adaptação em nome da &#8220;competitividade&#8221;. E o sentido não seria, com certeza absoluta, o da complexificação.</p>
<p align="JUSTIFY">Parece não bastar a proliferação de dicas sobre &#8220;como <em>escrever bonito </em>na internet&#8221; ou &#8220;como escrever <em>com resultados </em>para a internet&#8221;. Surgem, adicionalmente, fenómenos como o do <em>workshop </em>para se &#8220;aprender a ler mais rápido&#8221;. No planeta comunicacional das <em>Breaking News </em>e da última hora: interessa a quantidade. Das postagens que se lêem ou distribuem. É &#8220;informação&#8221; pela &#8220;informação&#8221;. Em detrimento de uma <em>intimidade</em> com o texto. Para que seja, melhor, sentido. E, por isto, compreendido e memorizado.</p>
<p align="JUSTIFY">Escreve<em>, </em>num artigo de opinião, intitulado &#8220;<a href="http://blogues.publico.pt/pagina23/">Mais informação, menos conhecimento</a><em>&#8220;, </em>que pode ser encontrado no blogue Página 23, <em>Eduardo Jorge Madureira: &#8220;</em>Não é estranho, por isso, que alguns fanáticos da <em>Web</em>, como o professor <em>Joe O’Shea</em>, filósofo da Universidade da Florida, afirmem<em>: Sentar-se e ler um livro do princípio ao fim não tem sentido. Não é um bom uso do meu tempo, já que posso ter toda a informação que queira com maior rapidez através da Web. Quando alguém se torna um caçador experiente na Internet, os livros são supérfluos</em>. O atroz desta frase não é a afirmação final, mas que o filósofo julgue que se lêem livros apenas para obter <em>informação</em>&#8220;. Está &#8220;tudo&#8221; ali: a sobrevalorização do conceito de &#8220;informação&#8221; em época de comparação, crescente, entre o cérebro e o digito, a velocidade e já agora, vou &#8220;abusar&#8221;, a, inescapável, perda de &#8220;capacidade&#8221; para a demora. Para a concentração. Já lá chegou. Numa assentada: é toda uma &#8220;filosofia&#8221; &#8211; <em>um forma de estar </em>&#8211; a &#8220;destruir&#8221; outra. Se &#8220;toda a informação&#8221; está na internet: tudo o que foi escrito, até hoje e em literatura, tornou-se irrelevante? Que sentido toma &#8211; com que finalidade; devido a qual origem &#8211; esta <em>necessidade de esquecimento </em>e de fragmentação? <em>Porque foge, este homem, do passado</em>?</p>
<p align="JUSTIFY">Nada disto se resume a questões de conteúdo ou formato. O idioma &#8211; esse imaginário e &#8220;esperanto&#8221; anglo- saxónico predominante &#8211; <em>formata</em>. A ânsia de se aumentar a popularidade mundial, de se ser detentor do &#8220;perfil mais seguido&#8221; ou a demanda por uma posição, considerável, no &#8220;top&#8221;, literário, da <em>Amazon</em> conduzem a uma &#8220;exigência&#8221; de mercado para a utilização do inglês. Que empobrece a representação e o imaginário pessoal. &#8220;Conversamos&#8221; mais. Contudo: também, mais, da mesma forma. E é, exactamente, porque nos &#8220;seguimos&#8221; uns aos outros que não é rara a repetição e a imitação de expressões em diferentes plataformas quando estão em causa assuntos iguais. Um exemplo, exaustivo e recente, é a utilização do termo &#8220;behemoth&#8221; como adjectivo referente a grandes companhias do sector digital ou da comunicação. Outros exemplos: &#8220;transparency&#8221;, &#8220;content&#8221;, &#8220;narrative&#8221;, &#8220;innovation&#8221;. Na &#8220;Era da Criatividade&#8221;: <em>também se imita melhor</em>. Por outro lado: inúmeros &#8220;evangelistas&#8221; dos média e canais informativos incentivam, <em>insistentemente</em>, à utilização de palavras- chave, consideradas, populares. Para que os artigos sejam encontrados, mais facilmente, através dos motores de busca.</p>
<p align="JUSTIFY">Nada disto ficará por aqui. Um artigo de <em>Steve Lohr ,</em> &#8220;<a href="http://www.nytimes.com/2011/09/11/business/computer-generated-articles-are-gaining-traction.html?pagewanted=1&amp;_r=2&amp;ref=business">In Case You Wondered, a Real Human Wrote This Column</a>&#8220;, publicado a 10 de Setembro de 2011, no <em>New York Times</em>, destaca o trabalho desenvolvido pela empresa <em>Narrative Science </em>no campo da inteligência artifical. Nomeadamente no departamento da criação de <em>software </em>que, segundo responsáveis, imita o raciocínio humano. Recolhe dados, por exemplo, de resultados desportivos para os converter em &#8220;artigos&#8221;, curtos, que são postados um ou dois minutos depois do fim de cada partida. Tem clientes como a <em>The Big Ten Network, </em>uma parceria entre a <em>Big Ten Conference</em> e a <em>Fox Networks, </em>que passou a usar, a partir da primavera do ano de 2010, a escrita automatizada para recapitular jogos de <em>baseball </em>e <em>softball. Builderonline.com, </em>um sítio dedicado ao mercado imobiliário, utiliza-o para a postagem de relatórios mensais porque, segundo <em>Andrew Reid &#8211;  </em>presidente na área dos média digitais &#8211;<em>, &#8220;</em>contratar pessoas ficaria muito caro&#8221;. Vamos utilizar a tecnologia como muleta? Ou, afinal, também como substituta &#8211; ultrapassando o &#8220;manual&#8221; &#8211; do trabalho &#8220;criativo&#8221;? De qualquer forma é evidente a <em>formatação </em>estilística e da mensagem que promete a implementação. A comunicação e o jornalismo ultrapassam, assim, a esfera humana.</p>
<p align="JUSTIFY">Existe, claro, &#8220;criação&#8221;. Mas é dinâmica que em, grande medida, se inclina para o campo da tecnologia, das aplicações, do desenvolvimento de redes sociais, do <em>open source. </em>Estratégias e refúgios de um mundo instável e atomizado onde a sobrevivência, individual, não está garantida. Um &#8220;gesticular&#8221; que é causa e espelho da crise económica e financeira.</p>
<p align="JUSTIFY">Tende, por outro lado, para a imagem, o <em>design</em>, a &#8220;interactividade&#8221;. Para o <em>comércio da sensação </em>que os valida. Este impulso para o toque, a sensualidade e a manipulação &#8211; uma forma, algo, inquieta, para se interferir; &#8220;participar&#8221; sem esperar  &#8211; reduz a relevância do que é, textualmente, transmitido, da interpretação e do contexto. Mas o <em>multitask </em>que inquietou &#8211; reduziu, <em>com o passar dos anos</em>, a &#8220;capacidade&#8221; de concentração do usuário &#8211; serve, agora, de motivo e justificação. O aumento da utilização do vídeo, a <em>gamification of news, </em>a mulher, na imagem em movimento, de saia ao vento: a informação é agora, mais do que divertimento, &#8220;experiência&#8221;. Nada poderá ser &#8220;boring&#8221;. É exigência <em>grátis </em>e &#8220;fun&#8221;. O que existe de &#8220;realidade&#8221; &#8211; de responsabilidade &#8211; é, não convertido, mas moldado na direcção de, ainda mais, entretenimento.</p>
<p align="JUSTIFY">Proponho por isso, sempre que possível, um exercicio de &#8220;força contrária&#8221;. Existe um paradoxo entre um mundo que se complica e um imaginário que, de forma extrema, se comercializa; se simplifica. Parece-me ser necessária uma <em>resistência</em>. Evitar regras, &#8220;requentadas&#8221;, servidas, muitas vezes, por quem nunca teve um interesse, genuíno, pela escrita ou por um tipo de &#8220;literatura&#8221; que não seja comercial. Fugir, um pouco, à noção de <em>fabricação </em>do &#8220;conteúdo&#8221;. Não ter, demasiado, receio da metáfora devido a uma &#8220;necessidade&#8221; de se alcançar a &#8220;legibilidade&#8221; perfeita. Que, no fim de contas, é baseada em conceitos abstractos, pessoais e subjectivos, de &#8220;normalidade&#8221; ou &#8220;igualdade&#8221;. Que acabam, sempre, por tudo nivelar e, por isso, <em>empobrecer</em>. A atenção à forma não é, apenas, estilo e &#8220;arrogância&#8221;. A diferença e a experimentação constituem, também, uma mensagem e um sentido. Nem que seja: o da <em>liberdade pessoal</em>. <em>Esquecer</em>, por momentos,<em> a popularidade</em>. Transferir a noção de quantidade. Da postagem para a letra. Para um <em>significado</em>. Precisamos de &#8220;mundo&#8221;; de &#8220;complicação&#8221;. A realidade, bem o sei, é, actualmente, distinta. Cada um poderá construir, contudo, um  <em>tempo próprio</em>. Para que exista <em>interpretação</em>. Mais pessoal. Também por isso: mais rica e verdadeira. É que nem tudo é &#8220;data&#8221;. E, com certeza, nem tudo é &#8220;content&#8221;.</p>
<p align="JUSTIFY">Afonso Duarte Pimenta</p>
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		<title>&#8220;Conectividade&#8221; limitada: &#8220;igualitarismo&#8221; informativo e ilusão democrática</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Afonso Duarte Pimenta]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 11 Feb 2012 19:58:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Crónicas]]></category>
		<category><![CDATA[jornalismo]]></category>
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		<category><![CDATA[comunicação]]></category>
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					<description><![CDATA[É o momento para sermos exigentes: o ponto em que promessas, por vezes, um pouco vagas e, em certos casos, bastante ilusórias, sobre comunicação e &#8220;liberdade&#8221;, nos parecem asseguradas. A rede social promove e desenvolve a, muito, publicitada &#8220;conectividade&#8221;. Não lhe confere, contudo, qualidade no que respeita ao &#8220;conhecimento&#8221; &#8211; à &#8220;informação&#8221; &#8211; que distribui. [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p align="JUSTIFY">É o momento para sermos <em>exigentes</em>: o ponto em que promessas<em>, </em>por vezes, um pouco vagas e, em certos casos, bastante ilusórias, sobre comunicação e &#8220;liberdade&#8221;, nos parecem asseguradas.<em> </em></p>
<p align="JUSTIFY">A rede social promove e desenvolve a, muito, publicitada &#8220;conectividade&#8221;. Não lhe confere, contudo, qualidade no que respeita ao &#8220;conhecimento&#8221; &#8211; à &#8220;informação&#8221; &#8211; que distribui. Em tempos de &#8220;curadoria&#8221; &#8211; do &#8220;jornalista- cidadão&#8221; &#8211; levanta-se a necessidade de uma &#8220;educação para a fonte&#8221;: para a leitura, <em>completa, </em>do artigo, da notícia ou reportagem. Antes da, respectiva, postagem. Para que se evite, o mais possível, &#8220;a conversa&#8221;, simplesmente, em redor do título ou da leitura em estilo &#8220;diagonal&#8221;; o comentário, irreflectido e impulsivo, motivado pelo desejo de &#8220;participação&#8221;.</p>
<p align="JUSTIFY">Nada se constrói com um fluxo, ininterrupto, que descure a <em>selecção</em>. De nada serve, para uma observação, objectiva, da realidade, somente &#8220;comunicar&#8221;. &#8220;Exige-se&#8221;, ao mesmo tempo em que aumenta a produção e a circulação, numa internet que se agiganta, diáriamente, com, múltiplas, perspectivas e &#8220;conteúdos&#8221;, um certo travão e, algum, refrear: o &#8220;regresso&#8221; da &#8220;edição&#8221;.</p>
<p align="JUSTIFY">É comum o &#8220;ódio&#8221; ao jornalista, o de aparência <em>mainstream, </em>na caixa de comentário. Como também o é a, demagógica e conveniente<em>, </em>defesa da &#8220;internet&#8221; contra aquilo que é denominado, artificialmente &#8211; não sem prazer e desprezo -, como &#8220;jornalismo tradicional&#8221;. Como se aquela se fizesse, ou actuasse, apenas por si. Não devido a uma intervenção humana. Como se fosse batalha, imprescindível, em nome de uma noção, muito confusa e baralhada, de &#8220;igualdade&#8221;. Em vez de se tentar a, mais do que necessária, <em>síntese</em> e, verdadeira, &#8220;colaboração&#8221;. É que &#8220;tradição&#8221; é denominação que se perdeu &#8211; esvaziou &#8211; face a uma, bem fomentada, dinâmica, &#8220;perpétua&#8221;, de inovação industrial e tecnológica. Tudo é, simultâneamente, passado, presente e futuro: &#8220;arcaismo&#8221;, novidade e <em>aspiração</em>.. É, contudo, expressão, eficazmente, aproveitada. No incentivo ao <em>gadget </em>sucessivo<em>. </em>À atenção, redobrada, ao &#8220;guru&#8221;, de mercado, que se segue. O próximo, &#8220;especialista&#8221;, a levantar o dedo. Na multidão: &#8220;Eu tenho A solução&#8221;. Escusado será dizer: uma solução para a continuidade <em>da necessidade</em>. A estabilidade, aqui, não interessa. Nem alimenta a economia digital. Deitemos fora as ilusões. Vendem-se, novas, dependências. O êxtase e o, rápido, orgasmo desta <em>sensação </em>de modernidade: &#8220;Por favor! Uma nova aplicação!&#8221;</p>
<p align="JUSTIFY">Múltiplos suportes e plataformas &#8220;respiram&#8221; ainda, apesar de tudo &#8211; embora não só -, através do que lhes é fornecido por, alguns, orgãos de comunicação &#8220;com história&#8221;. Onde meios e quantidade não significam, unicamente, lucro ou &#8220;controle corporativo&#8221;. Mas <em>qualidade </em>que se tornou padrão, referência, imagem de marca. Jornais há muito reconhecidos, agora também em linha, estão entre os que continuam a atrair um grande número de visitantes. Moldando &#8211; também para o bem &#8211; o panorama, político  e social, informativo.</p>
<p align="JUSTIFY">Não existe blogue, comentário ou texto avulso, fundamentado, que possa dispensar uma comunicação social financiada. &#8220;Novos modelos de negócio&#8221; eficazes, para uma informação séria, tardam, apesar de, sistemáticos e repetitivos, anúncios anuais, em se solidificar. Os, cada vez mais, baixos rendimentos de uma publicidade, digital, dispersa e fragmentada mostram-se insuficientes para garantir uma democracia que não derive para uma preferência, maior, por um entretenimento que tende a isolar em vez de &#8220;pôr em contacto&#8221;; de contribuir para uma atitude critica &#8211; <em>documentada &#8211; </em>relativamente ao poder estatal e empresarial.</p>
<p align="JUSTIFY">Relativizar &#8211; desvalorizar- a sociedade do gratuito pelo gratuito, da oferta contínua e do garantido; resistir à chantagem, em espiral, por parte de um tipo de consumidor infantilizado: ergue-se, aqui, a necessidade de um apelo, superior, ao papel da responsabilidade pessoal. <em>Que estamos a dar em troca</em>?  É, precisamente, devido à, actual, crise, económica e financeira, internacional, ao recuar de liberdades que a desatenção<em>, </em>crónica,  considerava garantidas, ao &#8220;ressurgir&#8221; &#8211; como se não estivessem, sempre, <em>à espera </em>&#8211; dos nacionalismos e fanatismos, morais, habituais &#8211; que deveriamos voltar<em>, </em>sempre que pudéssemos, a pagar por uma informação que valorizamos &#8211; porque, afinal, nos servimos dela, constantemente, para &#8220;enfeitar o perfil&#8221; -. Porque <em>nos permite </em>continuar, ainda, em democracia. Para que dependa menos de uma publicidade ou direcção, ideológica, &#8220;encapotada&#8221;, de &#8220;subsídios&#8221; e &#8220;reestruturações&#8221;. Para que sejam reduzidas falências e despedimentos. Para que seja protegido um género de investigação que nada substitui. Para que meios de comunicação e informação, ainda, com qualidade não se vejam obrigados &#8211; como tem acontecido habitualmente &#8211; a mudar de estratégia. Em direcção a critérios de selecção, unicamente, comerciais. <em>Contribuimos</em>, ao descartá-lo, também para a crise.</p>
<p align="JUSTIFY">Apesar de, alguma, standardização, fictícia e formal, que surgiu com o digital: <em>nem tudo vale o mesmo</em>. O <em>Daily Mirror </em>não é o <em>El País</em>. Uma plataforma, de rumores, como <em>Drudge Report </em>ainda menos pode ser colocada a par de um <em>Le Monde Diplomatique</em>. A temida &#8220;propaganda&#8221; e &#8220;manipulação&#8221;, em tempos de uma certa paranóia, generalizada, <em>anti- establishment, </em>não se detém nos veículos que mais nos parecem ameaçar. Pelo poder que aparentam ou que, sobre eles, projectamos. O usuário &#8220;comum&#8221; e a escrita que instrumentaliza não são menos perversos, em intenção, quando pretendem difundir a mensagem que lhes interessa. A desinformação, em redes sociais, blogues e caixas de comentários, é mais do que vulgar. Com uma &#8220;agravante&#8221;: ao ser, superficialmente, &#8220;inofensiva&#8221; é mais tolerada. Não tem uma ética, um nome, uma carteira, profissional, a defender. Deixemo-nos de paixões. Precisamos de jornalismo como ele precisa de nós. Um <em>smart- phone </em>ou meia dúzia de opiniões, embora indispensáveis, não bastam.</p>
<p align="JUSTIFY">A &#8220;conectividade&#8221; <em>não é</em>, por isso, suficiente. Precisamos de sentido, interpretação e contexto. Não tanto de uma &#8220;personalização&#8221; que nos distancie. Cabe-nos &#8220;recuperá-los&#8221;. É que a noção de &#8220;igualdade&#8221;, aqui, pode ser sinónimo de populismo. Ficção e <em>desistência</em>. Por paradoxal que pareça: de anti- democracia. Por evitar distinguir. Por pretender fingir &#8211; ao ponto de o &#8220;materializar&#8221; &#8211; que, <em>para melhor se integrar, </em>há um esforço que deixou de ser critério. O problema de fundo é o ataque, indiscriminado, a tudo o que tenha ares de &#8220;poder instituído&#8221;. Em nome de que substituição ou, nova, &#8220;manipulação&#8221;? De que, outro, &#8220;poder instituído&#8221;? Fazer &#8220;a revolução&#8221;: sim. Sem <em>auto- destruição.</em></p>
<p align="JUSTIFY"><em>Afonso Duarte Pimenta</em></p>
<p align="JUSTIFY">
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		<title>Download: &#8220;Passivo&#8221; (Consumismo Agressivo/ Do Medo do &#8220;Elitismo&#8221; II)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Afonso Duarte Pimenta]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 25 Sep 2011 16:36:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Crónicas]]></category>
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					<description><![CDATA[Não estamos, felizmente, ainda a partir montras. Para além de uma obsessão &#8211; um fascínio &#8211; pelo ecrã, devido a uma capacidade de representação &#8211; e publicação &#8211; colectiva, o que o diluiu, tornando-o, ao mesmo tempo, impessoal e omnipresente, imprescindível e irrelevante, diversificando o &#8220;consumidor&#8221;, colocando-o, finalmente, como &#8220;artista&#8221;; figura &#8220;mediática&#8221;; mais do que [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p align="JUSTIFY"><img class="aligncenter" src="https://i0.wp.com/www.spiritsurfers.net/monastery/wp-content/uploads/spot-light-animation_b2.gif" alt="" width="500" height="365" /></p>
<p style="text-align:justify;" align="JUSTIFY">Não estamos, felizmente, <em>ainda a partir montras</em>. Para além de uma obsessão &#8211; um fascínio &#8211; pelo ecrã, devido a uma capacidade de <em>representação</em> &#8211; e publicação &#8211;<em> </em>colectiva, o que o diluiu, tornando-o, ao mesmo tempo, impessoal e omnipresente, imprescindível e irrelevante, <em>diversificando</em> o &#8220;consumidor&#8221;, c<em>olocando-o</em>, <em>finalmente</em>, como &#8220;artista&#8221;; figura &#8220;mediática&#8221;; mais do que uma pulsão para a filmagem e transmissão: abraçamos uma <em>aparência</em>; um ideal, <em>forjado, </em>de &#8220;democratização&#8221;.</p>
<p style="text-align:justify;" align="JUSTIFY">Estamos, por causa de uma necessidade de <em>desforra </em>relativamente ao fenómeno de glamourização &#8211; construção do estatuto de &#8220;estrela&#8221; &#8211; da sociedade do espectáculo que percorreu, principalmente com a <em>ascenção</em> do cinema<em>, </em>todo o século XX, a reduzir as possibilidades de remuneração em determinados sectores do trabalho jornalístico e cultural. Não os financiando. Sem &#8220;novos modelos de negócio&#8221; que, embora amplamente anunciados, os substituam, verdadeiramente. Limitamo-nos, progressivamente, a uma realidade tecnológica em constante mutação e fragmentação. Que assegura, essencialmente, a distribuição. Através de uma publicidade de retorno reduzido. Por causa de uma <em>dispersão </em>e <em>impossibilidade </em>de financiamento suficiente &#8211; ou <em>possibilidade</em> de financiamento insuficiente: resistindo, o usuário, a pagar pelo que consome &#8211; é obrigada a reduzir a mão- de- obra &#8211; para lá da exploração, via <em>substituição </em>e <em>submissão</em>, graças ao aumento da mecanização, robótica e do <em>software </em>disponível<em> -, </em>favorecendo o <em>multi-task </em>e, por isto, a erosão de uma capacidade de concentração, análise e reflexão. Indispensáveis a uma interpretação individual e, por isso, social, mais ou menos, objectiva. Imprescindível a uma produção, densa e fundamentada. Que nos afaste, um pouco, da desinformação &#8211; do <em>espírito de fábrica </em>&#8211; vinculada por um mercado escravizado pela rapidez, pelos &#8220;objectivos&#8221; e &#8220;resultados&#8221; imediatos. Precisamos, mais do que nunca, de uma visão de conjunto. De um espírito, de <em>integração, </em>que<em> </em>beneficie o produzido. Em detrimento da forma. E do efeito.</p>
<p style="text-align:justify;" align="JUSTIFY">Embora exista um discurso, actual, que <em>parece</em> valorizar o &#8220;conteúdo&#8221;: este é apenas acessório, facilmente substituível pelas <em>condicionantes</em>, arbitrárias, do mercado tecnológico. Meio descartável e, sempre que necessário, modificável. Veículo para uma disseminação do <em>gadget</em>, da plataforma, da aplicação. O que nos desloca para um género de pensamento, tendencialmente, <em>enclausurado </em>na<em> </em>programação informática, na &#8220;ditadura&#8221; da &#8220;conectividade&#8221;. Em certo sentido: numa predominância do raciocínio<em> matemático.</em></p>
<p style="text-align:justify;">O aperfeiçoamento das técnicas de sedução &#8211; não sem alguma perversidade &#8211; por parte de um, venerado, espirito de <em>marketing </em>que está, actualmente, por todo o lado &#8211; para se atingir uma &#8220;marca&#8221;; um &#8220;valor de mercado&#8221; &#8211; fazia algum sentido quando não era, ainda, parte constituinte de um tipo de sistema que, entretanto, se tornou <em>auto- destrutivo </em>e <em>desesperado</em>. Devido, em grande medida, a uma atomização e multiplicação das actividades comerciais: todos somos, a partir de agora &#8211; e simultaneamente -, &#8220;CEO´s&#8221; e o artigo que vendemos. Media-se uma eficácia quando se <em>considerava</em> o &#8220;cultural&#8221; em pé de igualdade com outro produto qualquer. Integrado e <em>inerente: </em>não <em>escravizado</em> por um olhar &#8211; uma ideologia -, exclusivamente, digital. Merecedor de uma valorização que se despreza, agora, como <em>adicional</em>.</p>
<p style="text-align:justify;" align="JUSTIFY">Embora, <em>para se pacificar</em>, haja quem o tente negar: um preço &#8211; interpretado, aqui, como &#8220;dificuldade&#8221;; acima de tudo: responsabilidade &#8211; acrescenta, sempre, algo ao desejado: <em>a existência do outro</em>, nada virtual, que o concebe. O que pode, dentro desta perspectiva, significar <em>quase tudo. </em>Uma obra de ficção, um álbum de originais ou um jornal serão melhor <em>aproveitados</em> se for &#8220;complicada&#8221; a aquisição. Ganhando, com isto, um significado &#8211; aqui sim &#8211; &#8220;comunitário&#8221;. Porque <em>o discutido é aprofundado</em>.</p>
<p style="text-align:justify;" align="JUSTIFY">Mas o individualismo, contemporâneo, exige conforto &#8211; &#8220;receamos&#8221;, contudo, que tenha, <em>brevemente,</em> que se adaptar <em>à impossibilidade de um regresso</em>; a <em>uma outra forma de estar. </em>A <em>desestruturante</em> competição &#8220;empresarial&#8221; desenha-se sobre uma, inesgotável, demanda pela oferta e facilidade. Acontece que o bem estar físico não se traduz, de forma inevitável, em emocional. Levanta-se, pelo <em>excesso, </em>&#8220;estranha&#8221; <em>intuição. </em>A chegada desta sensação, <em>afinal, </em>entediante: de a tudo se aceder. Um enfraquecimento dialético. Não parece, por aqui, haver muito <em>a conquistar.</em></p>
<p style="text-align:justify;">A noção de valor é anarquizada e subjectivada ao afastarmos o &#8220;criador&#8221; do processo. Sujeita, em larga escala, a variáveis que em nada se relacionam com o objecto. Mas com inclinações momentãneas &#8211; inconscientes, desonestas, <em>ressentidas &#8211; </em>por parte de quem &#8220;avalia&#8221;. Com uma tendência, natural, para uma diminuição, em espiral, ou eliminação. Por se encontrar ausente de uma normalização ou regulamentação que lhe confira <em>protecção</em>; um maior equilíbrio. Relativamente à utilização, anterior, do adjectivo &#8220;criador&#8221;: tenho que ironizar. Não no sentido que se possa, normalmente, considerar. Há que usar, aqui &#8211; <em>para se fazer um favor &#8211; </em>, um jargão pouco &#8220;económico&#8221;. Embora exista, por vezes, a sensação de que é, exactamente, terminologia como esta &#8211; <em>contaminada, moralmente, por uma raiva &#8211; </em>que<em> &#8220;</em>condiciona&#8221;, por vezes, <em>a um não pagamento.</em></p>
<p style="text-align:justify;">Generalizou-se, nos últimos anos, com a proliferação de estratégias de divulgação que têm por base o conteúdo oferecido &#8211; na impossibilidade: com a multiplicação de mecanismos, como o<em> download, </em>para o <em>tornar oferecido &#8211; </em>uma espécie de &#8220;feira digital&#8221; que o confundiu ao ponto de ser considerado como &#8220;direito&#8221;, no tempo de todos os direitos &#8211; principalmente de alguns que devido a um abuso, talvez &#8211; quem sabe &#8211; <em>excesso de mimo, </em>provocam uma inversão tal que quase &#8211; ? &#8211; roça a <em>desigualdade: </em>o de &#8220;sermos informados&#8221; &#8211; sem uma contribuição; quando se fala &#8211; <em>tanto</em> &#8211; de &#8220;sociedade civil&#8221; &#8211; mas, <em>preferencialmente</em>, <em>entretidos. </em>O<em> </em>que se converteu, rapidamente, em <em>exigência, </em>tornada inevitável, de fuga e alheamento. Mesmo que estas sejam também <em>uma causa. </em>Porque<em> o método </em>é apenas <em>atalho.</em> Tudo isto é, igualmente, arbitrariedade: devido a uma dificuldade em legislar; incapacidade, <em>até ao momento</em>, de controle &#8211; do <em>estado &#8211; </em>da internet; da internet como <em>estado: </em>um governo, se impotente &#8211; quando se vê incapacitado para agir -, também costuma, para se popularizar &#8211; <em>e fazer esquecer -,</em> &#8220;<em>privatizar&#8221;</em>.</p>
<p style="text-align:justify;" align="JUSTIFY">Existem termos que se adequam menos do que se pretende acreditar: &#8220;espírito de colaboração&#8221;: que género de &#8220;partilha&#8221; existe no facto de se fazer uma descarga, desde sempre <em>não consentida, </em>de um ficheiro, com uma obra que nunca nos pertenceu, ainda está por apurar. Beneficiar o consumidor, pondo de parte o &#8220;autor&#8221; &#8211; &#8220;esse prepotente; como ousa intitular-se assim?&#8221; -, é metade da &#8220;revolução&#8221;. Mas &#8211; creio poder-se dizer -: não há memória de alguma sem um pouco de &#8220;sangue&#8221;. É claro que o tentaremos &#8220;limpar&#8221; ao, como exemplo, exclamarmos: &#8220;Com o <em>download</em> dou visibilidade a um agrupamento que, de outra forma, seria, <em>para sempre, </em>desconhecido&#8221;. <em>Um salvador. </em>Os diferentes processos que levaram à fabricação e aceitação deste tipo de <em>falsificações </em>como &#8220;verdades&#8221; e normas sociais foram, contudo, indispensáveis ao mecanismo de transição para o digital, à emergência e tomada de poder por parte de novos actores, empresariais e profissionais, na re &#8211; hierarquização, mundial, em curso. Foi fácil persuadir: a quantidade &#8211; <em>uma maioria </em>&#8211; transforma tudo &#8211; <em>à primeira vista</em> &#8211; em &#8220;democracia&#8221;. Não está &#8211; pelo contrário &#8211; em formação uma distribuição das oportunidades nos termos em que se pretende assegurar. Foi este o <em>golpe de génio</em>. Inatacável pelas expectativas que criou. A &#8220;promessa&#8221; que constituiu, essencialmente, uma <em>manobra </em>para efeitos de propaganda. A manipulação argumentativa a olear a engrenagem.</p>
<p style="text-align:justify;" align="JUSTIFY">O universo empresarial pensou a sociedade do gratuito como &#8220;inevitável&#8221;. Incorporando-a; <em>favorecendo-a</em>. Colocando-a, de vez, no patamar da moral: uma causa a defender. Não se trata, já, do &#8220;melhor produto&#8221; a ser vendido ao menor preço: a competição é pela oferta. Devido a uma abundância: o &#8220;normal&#8221; passou a ser, frequentemente, desinteressante. O &#8220;exclusivo&#8221; ou &#8220;especial&#8221;considerado como algo vulgar; mais ou menos apreciável, dependendo do &#8220;tempo&#8221;, de uma tolerância e disposição. De uma &#8220;boa vontade&#8221;. Não é difícil compreender que tanta <em>espera &#8211; tão pouco esforço &#8211; </em>não revela &#8211; beneficia &#8211; um crescimento ou maturidade. Há qualquer coisa de falha fundamental nesta <em>tentativa </em>de erosão de uma possibilidade de trabalho em sectores, teoricamente, desejados.</p>
<p style="text-align:justify;" align="JUSTIFY">Podem &#8211; jornalista, escritor, cineasta, compositor &#8211; continuar a esbracejar. Dir- lhes- emos &#8211; <em>para uma consciência mais tranquila &#8211; </em>que o fazemos, únicamente, para &#8220;os ajudar&#8221;. Em prol de uma luta &#8211; pedida por quem?<em> </em>Não chegou<em> ao contrato</em>? &#8211; contra a &#8220;exploração da multinacional&#8221;. Como se não estivesse a ser posto em causa, a partir deste momento, também um mundo &#8220;independente&#8221;. Por vezes, e em última análise, bastante <em>solitário</em>. Mesmo que, com esta atitude, façamos quadruplicar os lucros de outra. Desta vez em sector <em>alheio: </em>o tecnológico e o digital. Poderiamos, num repente, inventar uma designação. Talvez: <em>sobre- exploração?</em>.</p>
<p style="text-align:justify;" align="JUSTIFY">Tudo isto se assemelha a &#8220;espírito de natal&#8221;. Vem-nos, subitamente, à memória <em>aquela criança &#8211; </em>asfixiada por prendas; cercada de adultos &#8211; que começa a rasgar o segundo embrulho antes de acabar, de abrir, o primeiro. <em>Finalizou a visualização do último vídeo dos Artic Monkeys antes de o colocar na rede social?</em></p>
<p style="text-align:justify;">Não ajuda qualquer <em>negócio: </em>palavra intrusiva, chata, inoportuna. &#8220;Devia resguardar-se; mostrar algum decoro&#8221;. Isto: se aplicada ao sector cultural. Mesmo que seja, <em>por aí, </em>distribuído &#8211; com toda a sabedoria do &#8220;guru&#8221; da economia &#8211; que<em> </em>&#8220;acabou o tempo do emprego para a vida&#8221;. O tipo de <em>advertência </em>que<em>, </em>para além de ser alarme, <em>materializa</em> uma sentença. Contudo: bateremos palmas ao <em>ultra- monopólio </em>que nos fizer a vontade &#8211; mesmo que, pelo caminho, arrecade vários milhões; nos disponibilzar <em>a biblioteca </em>ou<em> </em>uma &#8220;nuvem&#8221;; nos substituir a cópia pelo original: uma das &#8220;caracteristicas&#8221; da <em>cloud &#8211; </em>da <em>Apple</em> &#8211; é, exactamente, a possibilidade de &#8220;renovação&#8221; automática, através de um sistema de detecção, de temas musicais, anteriormente, adquiridos por nós. Agora com qualidade sonora superior. Uma porta, aberta, fatal. Para a institucionalização da pirataria. Para uma injusta distribuição. Entretanto: as &#8220;indústrias culturais&#8221; são realçadas &#8211; pelo governo; por um &#8220;criativo&#8221; &#8211; como &#8220;motor&#8221; de uma <em>futura &#8211; </em>e, aqui, atenção ao advérbio &#8211; &#8220;recuperação económica&#8221;. <em>Mea culpa</em>: eu, no passado, incluído.</p>
<p style="text-align:justify;" align="JUSTIFY">Não beneficia o &#8220;consumidor&#8221; que poderá aspirar, um dia destes, a ser autor. Mas que, provavelmente, acabará, <em>também</em>, a desenvolver &#8220;aplicações&#8221;. Por exemplo: de &#8220;conteúdos personalizados&#8221;. Uma das propostas mais recentes, <em>antes da próxima</em>, para se &#8220;monetizar&#8221; informação &#8211; devedora, sem dúvida, de uma certo egocentrismo e <em>autismo</em> existencial; ou a conceber outra qualquer &#8211; talvez desnecessária até ao momento da sua criação &#8211; para telemóvel. Se, entretanto, o conceito não tiver desaparecido. Sido substituído devido a uma inovação permanente. Que não &#8220;pretende&#8221;, porque incontrolável, mudar de direcção. Para onde o limite de velocidade seja um pouco <em>mais humano. </em>Prefere, de facto, o desvio contínuo. <em>O desatino contínuo? </em>Instabilidade perpétua a ser vendida como &#8220;progresso&#8221;.</p>
<p style="text-align:justify;" align="JUSTIFY">Há uma diminuição, considerável, em termos de satisfação quando se encontra ausente uma luta pela obtenção. Do que o <em>outro</em> produz. A não ser que, através desta <em>passividade, </em>tenhamos descoberto &#8211; e <em>aproveitado &#8211;</em> para <em>um</em> <em>novo prazer: usufruir da recusa. </em>Exactamente: <em>porque o outro produz. </em>Todos, somos, agora: um &#8220;artista&#8221;, &#8220;actor&#8221; e <em>avatar</em>. Atravessamos o ecrâ. Estamos, <em>por fim</em>, no centro do palco. Se<em>, contra toda a lógica, acreditamos nisto</em>: para quê pagar? Debaixo de um outro foco &#8211; <em>um pouco mais real</em> &#8211; alguém se ri. Sabe o que iremos comprar. Conhece a razão. E, antes de correr as cortinas: <em>agradece</em>.</p>
<p style="text-align:justify;" align="JUSTIFY"> <em>Afonso Duarte Pimenta</em></p>
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		<title>Cumplicidade: entre online e papel, entre jornalistas e leitores</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Nuno R.]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 28 Jul 2010 09:52:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Crónicas]]></category>
		<category><![CDATA[jornais]]></category>
		<category><![CDATA[jornalismo]]></category>
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					<description><![CDATA[Nuno Miranda Ribeiro Já aqui o disse, não há nenhum motivo para que o online e o papel  sejam concorrentes ou adversários. Pelo contrário, estão reunidos todos os elementos necessários para que sejam complementares. Sou crítico de uma parte dos motivos para o recurso ao chamado &#8220;jornalismo de cidadão&#8221;, mas isso também não significa que  [&#8230;]]]></description>
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<div data-shortcode="caption" id="attachment_347" style="width: 310px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://mfjep.wordpress.com/wp-content/uploads/2010/07/puzzle.jpg"><img aria-describedby="caption-attachment-347" data-attachment-id="347" data-permalink="https://mfjep.wordpress.com/2010/07/28/cumplicidade-entre-online-e-papel-entre-jornalistas-e-leitores/puzzle-2/" data-orig-file="https://mfjep.wordpress.com/wp-content/uploads/2010/07/puzzle.jpg" data-orig-size="300,300" data-comments-opened="1" data-image-meta="{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;}" data-image-title="puzzle" data-image-description="" data-image-caption="&lt;p&gt;Imagem obtida em http://foreverandeveryday.wordpress.com/&lt;/p&gt;
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<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;"><em>Nuno Miranda Ribeiro</em></p>
<p style="text-align:justify;">Já aqui o disse, não há nenhum motivo para que o online e o papel  sejam concorrentes ou adversários. Pelo contrário, estão reunidos todos os elementos necessários para que sejam complementares. Sou crítico de uma parte dos motivos para o recurso ao chamado &#8220;jornalismo de cidadão&#8221;, mas isso também não significa que  desconfie de tudo o que é produzido pelos cidadãos, muito menos desta forma de trabalhar voluntariamente, em regime colaborativo, que está na génese de projectos como a Wikipedia, o WikiLeaks e de inúmeras aplicações open source, como o Linux e de produtos como o Firefox e o Gimp.</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">O mundo não é o mesmo de quando os jornais eram a principal fonte de informação sobre os acontecimentos e a realidade. Os cidadãos já não são meros receptores, assimilando a informação de forma directa e passiva, como descrito na <a title="Uma das teorias clássicas das Teorias da Comunicação" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Teoria_da_comunica%C3%A7%C3%A3o#Teoria_Hipod.C3.A9rmica" target="_blank">Teoria da Agulha Hipodérmica</a>. Mesmo as perguntas feitas no modelo de Lasswell já não são suficientes para se poder compreender como a informação é produzida, difundida, recebida e retransmitida. Há uma noção de que cada pessoa é, por si só, um produtor de informação. Existe nessa ideia simplista algum excesso de optimismo que deturpa, ou pelo menos amputa a realidade. Talvez seja útil usar uma analogia das tecnologias de comunicação.</p>
<p style="text-align:justify;">Dentro de recintos de grande dimensão, como os centros comerciais, existem inúmeras pequenas antenas, conhecidas, entre outras designações, como reflectores, e que têm por função precisamente reflectir o sinal das antenas maiores, localizadas no exterior, para que os utilizadores dos recintos tenham rede de telemóvel. A ideia de que cada cidadão é um produtor de informação parece implicar que cada pessoa seria uma redacção (digamos, uma redacção de uma rádio), produzindo o seu conteúdo e difundindo-o. Ora, estou convencido de que cada um de nós é como uma dessas pequenas antenas reflectoras, que servem para reflectir o sinal, dentro de determinado contexto e com alcance razoavelmente limitado. Não quero insinuar que a nossa capacidade de &#8220;reflectir&#8221; a informação que captámos é menosprezável. Pelo contrário,  é potencialmente muito poderosa esta capacidade de inúmeras antenas formarem uma rede ampla, de &#8220;contaminação&#8221; rápida e eficaz. Prova-o a propagação viral de memes, de todo o tipo de vídeos e textos, que alguém concebeu e que os utilizadores da internet em todo o mundo retransmitem com enorme rapidez.</p>
<p style="text-align:justify;">O que pretendo dizer com o recurso a esta analogia é que a eficácia da retransmissão da informação (aliada a uma crescente e exponencial desvalorização da autoria) nos dá uma falsa sensação de poder. Falsa, não porque o poder não exista, mas porque pensamos que o poder está onde não está, verdadeiramente. Ser reflector, com imensa capacidade de propagar informação (quando e se  aliado a um número considerável de outros reflectores), é ser parte de uma rede de retransmissão, não é ser produtor da informação. Existe, creio, uma dificuldade de auto-contextualização. Acredito que a maior parte da informação credível e fundamentada que circula continua sobretudo a ser produzida pelos jornalistas, mesmo se depois é retransmitida nas redes sociais, dissipando-se a autoria e a proveniência, havendo mesmo deturpações e omissões em relação à informação original.</p>
<p style="text-align:justify;">No entanto, muitos cidadãos de todo o mundo, de facto produzem e ajudam a partilhar informação, como demonstra o exemplo óbvio da Wikipedia e o recentemente noticiado caso do WikiLeaks. Mais dentro do contexto a que me refiro, vários jornais estimulam o envio de textos &#8220;mais ou menos jornalísticos&#8221; por parte dos leitores e publicam-nos. No Editors Weblog, é analisado <a href="http://www.editorsweblog.org/analysis/2010/07/zero_horas_online_strategy_promoting_int.php" target="_blank">o caso do Jornal Brasileiro Zero Hora</a>. Este jornal, com uma penetração de 78% na faixa etária dos 20 aos 29 anos e de 71% dos 15 aos 19 anos, publica conteúdo enviado pelos leitores. O aumento de 2% da circulação do jornal impresso em 2009 é um sinal de que as estratégias adoptadas estão a dar bons resultados. Desengane-se quem pense que receber textos e imagens dos leitores é uma forma de o Zero Hora compensar o fraco investimento nos meios humanos, como é comum acontecer noutros jornais. O jornal brasileiro tem uma redacção de 210 jornalistas,  integrando equipas especializadas na versão online e na versão impressa, que procuram trabalhar de forma integrada.</p>
<p style="text-align:justify;">É frequente encontrar, em jornais que já existiam muito antes de começarem os jornais online, um padrão de evolução que é diferente do caso do Zero Hora, ou, pelo menos, a evolução do Zero Hora levou-o a uma situação actual diferente do mais comum. Muitos jornais abriram o site, inicialmente com pouca informação, para se projectarem como jornais modernos, que não perdem o comboio. Era, como antes acontecia com a maior parte dos sites institucionais, uma forma de afirmarem a presença online, mesmo se o site não oferecia mais do que um rosto dessa presença na web. Gradualmente, o contéudo da versão impressa foi passando para a versão online. Por esta altura já era comum haver &#8220;notícias de última hora&#8221;, ou pelo menos algumas notícias breves que iam sendo publicadas online ao longo do dia. A partir de certa altura começaram a popularizar-se os feeds e os jornais adoptaram-nos. Primeiramente, criando apenas um ou dois feeds, agregando todas as notícias no mesmo feed, ou separando-as num feed de notícias de última hora e noutro feed com as notícias principais. Rapidamente, começaram a segmentar os feeds, passando a haver um feed para notícias de economia, outro para notícias de política, outro para desporto, outro para sociedade e assim por diante. Vários jornais melhoraram a busca de notícias no site, proporcionando na sua página web uma forma muito prática de consultar edições passadas. Alguns jornais de maior dimensão e capacidade de investimento, transferiram mesmo todas as edições passadas para um arquivo online. Nesta altura, era já frequente encontrar avisos do género &#8220;conteúdo premium, para aceder, por favor registe-se&#8221;, já que algumas ferramentas, como a busca dentro do arquivo, passaram a ser pagas. Uns jornais foram mais longe do que outros, na transição para os serviços pagos. Alguns jornais acharam que os artigos de opinião seriam mais valorizados e tornaram-nos conteúdos pagos, outros jornais acharam que o que os leitores valorizariam mais, ao ponto de aceitarem pagar, seriam funcionalidades, como a busca avançada (por exemplo, fazer pesquisas no arquivo inteiro do jornal). Chegados ao presente, mesmo alguns dos jornais que sempre mantiveram a sua edição online inteiramente gratuita, passaram a cobrar alguns conteúdos e funcionalidades ou estão a ponderar fazê-lo.</p>
<p style="text-align:justify;">Segundo o artigo, a edição online do Zero Hora dedica-se sobretudo às notícias de última hora e ao multimédia, como é comum com outros jornais. A opção que os distingue é que no site são publicados &#8220;teasers&#8221;, chamando a atenção para a reportagem de fundo que será publicada na versão impressa no dia seguinte. Altair Nobre, o editor do Zero Hora, disse ao Editors Weblog que não faz sentido esconder conteúdo da edição online, porque isso afecta o impacto que a informação poderia ter. De facto, o que acontece é que as notícias, os artigos de fundo, têm prioridade na versão impressa, sendo nesta publicados primeiro; mas, mais tarde, durante o dia, passam também a estar publicadas na versão online. Neste caso específico, os leitores não parecem sucumbir à filosofia, &#8220;se está ou vai estar disponível online, não vale a pena comprar o jornal impresso&#8221;. Pelo contrário, o online tem ajudado à venda do jornal impresso. Nada de muito dramático, nenhuma tecnologia de ponta, nenhuma invenção espectacular foram usadas. Simplesmente se procurou promover o jornal impresso como o local de destaque e eleição para o aprofundamento das notícias. E os leitores, que no caso deste jornal, são sobretudo leitores jovens, aderiram. Talvez não sejam universalmente aplicáveis as estratégias do Zero Hora. Mas parece-me inspirador que um jornal cujo público alvo é o público jovem consiga valorizar a versão impressa, que, sendo paga, ajuda também a pagar a versão online.</p>
<p style="text-align:justify;">O envolvimento dos leitores é valorizado por este jornal brasileiro, sendo mais substancial, parece-me, do que noutros jornais que também o procuram alcançar. Além das imagens e textos de leitores que são publicados, há o caso de um jornalista que publica vídeos na sexta-feira sobre a história que será publicada no sábado no jornal impresso, criando mais proximidade com os leitores e envolvendo-os mesmo antes da publicação de facto.  Mas não existe propriamente um deslumbramento com o caudal de informação propagada pelos cidadãos. Diz Nobre que os jornalistas do Zero Hora usam as redes sociais para acompanhar aquilo de que as pessoas estão a falar, mas avisa que esses meios podem ser uma boa fonte de notícias mas também uma armadilha. Além disso os jornalistas com contas em redes como o Twitter são aconselhados a ter cuidado com o que publicam nesses meios, para que não ponham em causa a sua credibilidade enquanto profissionais. O relativo sucesso do Zero Hora deve inspirar-nos. Sem ter descoberto uma fórmula milagrosa, antes usando integradamente estratégias que já existiam, consegue ter sucesso simultaneamente com a versão online e a versão impressa. Uma sustenta a outra e as duas prosperam &#8211; não será isto aquilo a que a maior parte dos jornais aspira?</p>
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		<title>O que é isso de defender o Jornalismo Escrito Pago?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Nuno R.]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 20 Oct 2009 21:48:24 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Crónicas]]></category>
		<category><![CDATA[jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[jornalistas]]></category>
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					<description><![CDATA[ Nuno Miranda Ribeiro  Porque o MFJEP é um projecto de  três pessoas, com divergências e concordâncias (as segundas sendo mais abundantes que as primeiras) e porque não existe um manifesto ou uma lista de intenções, decidi expor, de forma clara, as ideias que defendo neste contexto. Sei que são muito próximas, e coincidentes em alguns [&#8230;]]]></description>
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<div data-shortcode="caption" id="attachment_327" style="width: 410px" class="wp-caption aligncenter"><img aria-describedby="caption-attachment-327" data-attachment-id="327" data-permalink="https://mfjep.wordpress.com/2009/10/20/o-que-e-isso-de-defender-o-jornalismo-escrito-pago/notebook_reporter-4/" data-orig-file="https://mfjep.wordpress.com/wp-content/uploads/2009/10/notebook_reporter3.jpg" data-orig-size="400,300" data-comments-opened="1" data-image-meta="{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;}" data-image-title="Notas" data-image-description="&lt;p&gt;Imagem obtida em o-estuque.blogspot.com&lt;/p&gt;
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<p style="text-align:justify;"><em> </em><em>Nuno Miranda Ribeiro</em></p>
<p style="text-align:justify;"> Porque o MFJEP é um projecto de  três pessoas, com divergências e concordâncias (as segundas sendo mais abundantes que as primeiras) e porque não existe um manifesto ou uma lista de intenções, decidi expor, de forma clara, as ideias que defendo neste contexto. Sei que são muito próximas, e coincidentes em alguns casos, com as ideias do Afonso Pimenta.  Mas irei falar em meu nome. Para contextualizar as posições e as motivações que nos levaram a iniciar o MFJEP é bom relembrar os textos com que tudo começou, agrupados em &#8220;<a title="Os dois textos iniciais, de Afonso Pimenta e Nuno Miranda Ribeiro " href="https://mfjep.wordpress.com/about-2/" target="_blank">Porquê o MFJEP?</a>&#8220;.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>I &#8211; Defender o jornalismo escrito pago não é defender o papel contra o online</strong></p>
<p style="text-align:justify;">Sobre o futuro das publicações em papel só conheço especulações e exercícios mais ou menos interessantes de adivinhação. Reduzir o uso  do papel parece-me bem, do ponto de vista ambiental. Reconheço que as novas gerações terão muito menos apego aos livros de papel, aos jornais e revistas que a minha geração e as anteriores. E isso, só por si, não me alarma. Tenho curiosidade em relação ao leitores de e-books, acompanho as novidades no que toca à organização dos feeds, sou cliente habitual de páginas online. Não vejo um conflito directo entre o papel e o online &#8211; e talvez isso seja uma característica essencial da minha geração (falo, obviamente, dos que se interessam em ler e em acompanhar as notícias). A minha geração, a dos que agora são trintões, fez a transição. Tive endereço de email aos 17, 18 anos. Comecei a ler jornais na versão online aos 23, 24 anos. Tive o primeiro blogue aos 28 anos. Comecei com o papel, como todos os que têm a minha idade. E se tive um ZX Spectrum aos 10 anos de idade, só tive o primeiro PC  pessoal já com 27, 28 anos &#8211; embora trabalhasse, na escola e no trabalho, com computadores desde os 16 anos. Não tenho nostalgia em relação a uma era dourada, nem fobia em relação a um futuro incerto. Os meios vejo-os como são: meios e não fins. A vinda das ferramentas online recebi-a com entusiasmo, que se vai renovando.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>II &#8211; Defender que o </strong><strong>jornalismo deve ser pago é essencial</strong></p>
<p style="text-align:justify;">O jornalismo sempre se debateu com as questões da independência editorial e da viabilidade financeira. Sempre houve tentativas de controle, por parte dos poderes políticos e económicos, sobre o conteúdo e a orientação dos jornais. Assegurar a autonomia, garantir independência editorial e sustentabilidade económica, sempre foi problemático. O modelo económico com que chegámos a este ponto assenta na publicidade nas páginas dos jornais e no preço da capa. A publicidade é mais cara se aparecer num produto de grande consumo e mais barata quando aparece num produto de pequeno consumo &#8211; com a excepção de alguns nichos mais bem pagos. Para os jornais, ver as vendas baixar é ver reduzir o preço a que podem vender espaço para publicidade. Somos nós, consumidores, leitores, cidadãos, que podemos e devemos financiar o jornalismo. É a forma de financiamento mais simples, mais directa e a que faz mais sentido. É que somos nós os destinatários das notícias. É por nós que se fazem reportagens e entrevistas. Não faria sentido esperar que o Estado financiasse os jornais (que são e devem ser independentes). Não podemos esperar que os agentes económicos financiem todos os jornais de forma benemérita e desinteressada. Mas podemos comprar j0rnais. Está ao nosso alcance e ao alcance da nossa carteira. Um euro por dia não é uma fortuna. E se fizermos subir as vendas dos jornais, ajudamos a que se tornem viáveis.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>III &#8211; O modelo do <a href="http://www.huffingtonpost.com/" target="_blank">Huffington Post</a> não é exportável</strong></p>
<p style="text-align:justify;">Sim, existe pelo menos um jornal no mundo que, tendo apenas versão online, é um sucesso comercial e produz jornalismo de qualidade.  Mas isso não nos pode alimentar a esperança de que se os nossos jornais portugueses passarem a ter apenas versão online poderão funcionar, financeira e jornalisticamente. O Huffington Post é um jornal estado-unidense, com base no país com a maior economia mundial e que é escrito na língua mais falada no mundo. Os seus potenciais leitores contam-se em centenas de milhões. Nenhum jornal português pode ambicionar ter as visitas diárias que o Huff Post tem. E, online, o valor a que se vende espaço para a publicidade depende disso, do número de visitas diárias. Neste momento, a receita publicitária dos sites dos nossos jornais é escassa, não chega para financiar a página online. E não vejo, sinceramente, maneira de a coisa evoluir de forma positiva. Eliminar os custos da versão em papel é também eliminar a receita da publicidade no papel. E sem esta onde é que se vai buscar forma de financiar os jornais portugueses? Seria viável financiar um jornal (que passasse a ser apenas online) apenas com a receita da publicidade online mais a receita de algumas centenas de subscrições? Numa era em que o gratuito se vai tornando a regra é realista esperar que os leitores, que vão diminuindo, passassem a aceitar que para ler um jornal online é preciso pagar a subscrição?</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>IV &#8211; Está em perigo a qualidade do jornalismo</strong></p>
<p style="text-align:justify;">A situação actual está longe de ser a ideal. Não defendo a o jornalismo em Portugal conforme está contra um futuro ameaçador. Actualmente as redacções estão cheias de estagiários não-pagos ou muito mal pagos, em situação precária e sem tempo nem formação nem memória para se saberem defender ou para saberem defender a integridade da deontologia a que estão obrigados. Muitos dos jornalistas seniores, com mais experiência e memória, foram afastados, despedidos ou isolados. Cada vez há menos dinheiro e menos vontade de gastar dinheiro na investigação. Um jornalista típico é alguém que tirou a licenciatura nos últimos 3 anos, não está vinculado com o seu empregador, muitas vezes não é pago e que, sem sair da redacção, tem de escrever várias notícias para a versão em papel e actualizar a versão online. Tudo em pouco tempo. E sem tempo dificilmente se ouvem todas as partes, se confirmam convenientemente as pistas das fontes &#8211; sem tempo, o jornalismo é uma sucessão de relatos apressados, incompletos e minados de erros, e não a construção de histórias bem contadas, fundamentadas e assertivas. Sejamos claros, o jornalismo português actual tem muitos problemas. O facto de o seu modelo de financiamento estar em ruínas, sem substituto à vista, só vem agravar a situação. Redacções com pessoas inexperientes, pseudo-especialistas em conteúdos e actualizações do twitter,  com pouco de jornalista ou de repórter; departamentos de marketing com muito mais peso e capacidade de decisão sobre conteúdos e orientações do que os editores é o que parece vir aí. É a qualidade do jornalismo que está em causa. Se lemos em papel ou em ecrã também importa. Mas isso é pormenor, pesado na balança com a ameaça séria à qualidade da informação produzida. A democracia precisa da vigilância, da independência e da força dos jornalistas. Tendo em conta o que está em causa, um euro por dia é um preço muito razoável a pagarmos.</p>
<p style="text-align:justify;"> </p>
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		<title>Do Medo do &#8220;Elitismo&#8221;: Chantagem Cultural</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Afonso Duarte Pimenta]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 03 Oct 2009 02:53:42 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Crónicas]]></category>
		<category><![CDATA[elitismo]]></category>
		<category><![CDATA[internet]]></category>
		<category><![CDATA[jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[ Afonso Pimenta Começou a guerra pela exposição. Embora a noção “jornalismo de cidadão”; apesar da justificação democrática: o twitter é, além de atalho, mais do que um passo na aniquilação da diferença. Apelidá-lo de “jornalismo”, apesar de instrumental, peca por abuso. Na ausência de um provedor. Na inexistência de um livro de estilo. Mesmo que [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div style="width: 395px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" title="Imagem retirada de http://www.ehow.com/" src="https://i0.wp.com/img.photobucket.com/albums/v18/wildhoneypt/disappear_Full.jpg" alt="" width="385" height="220" /><p class="wp-caption-text">Imagem retirada de <a href="http://www.ehow.com/" rel="nofollow">http://www.ehow.com/</a></p></div>
<p style="text-align:justify;"><em> </em><em>Afonso Pimenta</em></p>
<p style="text-align:justify;">Começou a <em>guerra</em> pela <em>exposição</em>. Embora a noção “jornalismo de cidadão”; apesar da <em>justificação</em> democrática: o <em>twitter</em> é, além de <em>atalho,</em> mais do que um passo na aniquilação da <em>diferença</em>. Apelidá-lo de “jornalismo”, apesar de <em>instrumental, </em>peca por abuso. Na ausência de um provedor. Na inexistência de um livro de estilo. Mesmo que utilizado, como exemplo, para relato, mais ou menos nebuloso, de manifestações de vigília e protesto como as que ocorreram no Irão. Ou para denúncia face à fraude eleitoral por parte do regime de Mahmoud Ahmadinejad. A não ser que “cidadão”, aqui, seja sinónimo de <em>impreparação.</em> Posto <em>às claras.</em></p>
<p style="text-align:justify;">Na recente <em>aproximação</em> cultural entre leitor e jornalista – audiófilo e compositor; <em>aspirante</em> e autor – um criador está, doravante, sujeito a <em>inclinar-se</em> – e a <em>oferecer – </em>em nome de um novo conceito <em>libertário.</em> Sob pena de ser  rejeitado. “Preserva, <em>ainda,</em> uma intimidade? O <em>seu</em> direito? Individualidade? Aponto-lhe um dedo. Anti- democrata!”. Contudo, como bom “comunismo”<em>, </em>será, ainda assim, consumido. Mesmo que mal <em>digerido</em>: será bem descartado. Com 140 caracteres.</p>
<p style="text-align:justify;">O sonho, a projecção e a imaginação tomam a forma de uma <em>amizade.</em> Redutora de conteúdos. A <em>megalomania, </em>hoje <em>incolor, </em>era <em>privacidade. </em>Vontade de criação para algo maior. Agora é plural, de contacto, de <em>partilha </em>e, <em>acima de tudo</em>, acessível: <em>nivelada. </em>Em detrimento de um confronto: <em>originalidade </em>perigosa. Criar, na <em>zona cinzenta</em>, não é nada civilizado. É o medo do <em>elitismo. </em>Promovido, e <em>utilizado</em>, pela demagogia panfletária digital. Que usa o modelo de <em>negócio</em>, cada <em>rede </em>social, como <em>instrumento</em> para a ascenção <em>ilusória</em> individual. O cidadão, na ânsia de poder, é <em>desviado. </em>Para uma reorganização, apesar de <em>dispersa </em>culturalmente, mais concentrada economicamente. Dominam, subvertendo regras anteriormente – <em>exteriormente </em>– lógicas de propriedade pessoal, os gigantes da World Wide Web. E ganham. Por terem a <em>base</em> a seu lado. O resultado, por não permitir uma <em>audácia, </em>é, afinal, o <em>esbatimento</em> da vontade pessoal. E deriva, antes de mais, de uma sensação, difusa e oculta, de inveja social:</p>
<p style="text-align:justify;"><em>O gratuito é o instrumento de vingança contra a sociedade do espectáculo.</em></p>
<p style="text-align:justify;">O <em>marketing</em>, na identificação do processo, tornou-o <em>consciente</em>. E, mais uma vez, <em>potenciou</em> a realidade em nome da publicidade. Em nome, na configuração actual, do “nicho de mercado” e do “<em>brand yourself”. </em>Contacto directo entre consumidor e produto. A <em>exigência</em> do indivíduo é a prioridade. Mesmo que se ponha em causa um <em>valor.</em> Se abra caminho ao <em>favor. </em>A obra secundariza-se. Ser-se <em>criativo</em> é fazer “<em>marketing</em> de aproximação”.</p>
<p style="text-align:justify;">Sejamos claros: vislumbrar o <em>essencial </em>na sociedade do <em>livre</em> acesso torna-se, <em>no meio dos escombros, </em>uma <em>tarefa</em>. A consequente eliminação do desejo e vontade de criação – esforçada; demorada – conduz, a meu ver, a um movimento de atracção mútua através da qual a substância passa, definitivamente, para segundo plano. A agregação de <em>quem se deseja ser</em> aquele <em>que deseja ser</em> tem como objectivo, bem <em>disfarçado</em> por uma retórica, a ultrapassagem do segundo pelo primeiro. Nada de novo.</p>
<p style="text-align:justify;">Olhando o jornalista, o músico ou o <em>designer</em> que se promovem, minuto a minuto, através da <em>actualização, </em>na ilusão propagandeada de tal ser necessário (acaba por ser, por <em>um</em> momento), só nos <em>atrevemos </em>a uma expressão: <em>desespero</em>. <em>Links </em>irreflectidos atrás de <em>posts</em> ignorados. Consideramos, se ainda fossemos suficientemente <em>humanos</em> para isso, o que se tornou <em>dispensável</em>. É verídico: estamos às <em>apalpadelas. </em>A <em>fuga</em> ao instinto através do <em>gadget</em> tecnológico. Está em curso a ligação <em>neurona</em>l pré- biónica planetária. E já <em>acena, </em>por aí, o <em>Google Wave.</em></p>
<p style="text-align:justify;">Apesar do extremo <em>conseguido </em>até agora foi ao <em>Myspace </em>que coube a inauguração da <em>desmoralização </em>do <em>estatuto. </em>Se <em>Madonna </em>era <em>religião</em> agora <em>suplica. </em>Que sejamos, na <em>sua </em>página, um <em>amigo. </em>O mistério e o mundo interior, <em>arrancados</em> à força, perderam valor moral. Esta  <em>necessidade, </em>de agradar, transforma- nos, consumidores, em <em>parasita</em>s. Exigimos gratuitidade. Deixamos, aos poucos, de conceber o seu contrário. Estamos <em>demasiado</em> perto. Ainda assim, perdidos num <em>excesso</em>, intitulamo-nos “democratas”. <em>Útil </em>virtude<em> </em>a favor da <em>chantagem.</em></p>
<p style="text-align:justify;">Os <em>Radiohead</em>, ao iniciarem o ciclo das ofertas <em>conscientes </em>de um álbum de originais, elevaram-se a símbolo de uma <em>subserviência</em>. Que contamina outros sectores culturais. Entre os quais o jornalismo. Relevante por <em>representar </em>um intuito concreto: <em>manutenção</em> do regime democrático. Este objectivo – mais ou menos <em>evitado;</em> mais ou menos <em>esquecido &#8211;</em> implica a <em>aceitação </em>social da <em>especialização. </em>Da importância de um financiamento <em>responsável.</em></p>
<p style="text-align:justify;">Mas a <em>criança</em>, hoje, é <em>rei.</em> <em>Exige </em>ser tratada por “tu”. Denunciamos, também aqui, um <em>masoquismo</em>. E constatamos: proliferam <em>workshops</em>, formações, espectáculos musicais, debates culturais, cineastas, jornalistas, “bienais”, exposições e instalações artísticas. E nunca foi tão <em>vulgar</em> o <em>download. </em>Mas <em></em>gostaríamos de ver,  no meio do <em>pântano</em>, uma planta <em>carnívora.</em> Mas é o medo do <em>elitismo. </em>E, por certo: <em>pouca vontade de sobrevivência</em>.</p>
<p style="text-align:justify;">
]]></content:encoded>
					
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			<media:title type="html">Afonso Pimenta</media:title>
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			<media:title type="html">Imagem retirada de http://www.ehow.com/</media:title>
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		<title>Suplemento de Outono</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Afonso Duarte Pimenta]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 12 Sep 2009 17:01:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Apontamento]]></category>
		<category><![CDATA[internet]]></category>
		<category><![CDATA[jornais]]></category>
		<category><![CDATA[jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[leitores]]></category>
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					<description><![CDATA[  Cheira-nos a outono e é isto. Recomeçamos a dar aquilo que existe de mais maduro em nós. Permitam-me iniciar já com um desplante. Se o virtual não glorifica a densidade correremos em sentido contrário. Se recusamos uma certa tuiterização não é porque a renegamos. Precisávamos, para isso, ter-lhe dado verdadeira existência. Acusam-nos de não vermos o [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;"> </p>
<div style="width: 290px" class="wp-caption aligncenter"><em><img loading="lazy" class="  " src="https://i0.wp.com/img.photobucket.com/albums/v18/wildhoneypt/20634810_9ca8319791.jpg" alt="Imagerm retirada de http://www.flickr.com/photos/untitlism" width="280" height="400" /></em><p class="wp-caption-text">Imagem retirada de <a href="http://www.flickr.com/photos/untitlism" rel="nofollow">http://www.flickr.com/photos/untitlism</a></p></div>
<p style="text-align:justify;">Cheira-nos a outono e é isto. Recomeçamos a <em>dar</em> aquilo que existe de mais <em>maduro</em> em nós. Permitam-me iniciar já com um <em>desplante.</em> Se o <em>virtual</em> não glorifica a densidade correremos em sentido <em>contrário. </em>Se <em>recusamos </em>uma certa <em>tuiterização</em> não é porque a renegamos. Precisávamos, para isso, ter-lhe dado <em>verdadeira</em> existência. Acusam-nos de não vermos o <em>&#8220;</em>futuro&#8221;. Evitamos <em>desfocar</em> os olhos. Temo-los bem fixos no <em>presente</em>.<br />
 <br />
Para os que não têm <em>ouvidos</em> há que o clarificar: não somos, nunca fomos, contra a internet. Há que transpor o radicalismo da metáfora. Por isso uso, tantas vezes, o <em>itálico. </em>Há uma distância que separa o MFJEP da <em>realidade. </em>Não pretendemos impor nem inverter o mundo. Iremos, brevemente, dar passadas mais largas e ultrapassar o formato escrito. Mas este é um projecto, acima de tudo, de<em> interpretação.</em> Existe uma base comum em torno de um <em>ideal. Mas </em>não existem argumentos aproximados, para a sua defesa, em nenhum dos intervenientes. Deixemos, pois, a <em>moralidade</em> para o leitor.<br />
 <br />
Lemos jornalismo digital. Mas não acreditamos na gratuitidade sem um modelo, a par,  financiado e baseado na noção de responsabilidade pessoal. Que o suporte. Não pretendemos convencer mais que <em>dois </em>ou<em> três. </em>Eis, para nós, um <em>triunfo. </em>Somos, <em>se calhar,</em> uns <em>elitistas. </em>E, exactamente por isso,<em> q</em>ueremos continuar a <em>provar,</em> dentro de momentos, a nossa <em>inutilidade.</em><br />
 <br />
Afonso Pimenta</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>O meio e a mensagem</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Nuno R.]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 14 Jul 2009 18:52:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Crónicas]]></category>
		<category><![CDATA[comunicação]]></category>
		<category><![CDATA[hábitos]]></category>
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					<description><![CDATA[Nuno Miranda Ribeiro No que diz respeito à internet, eu subscrevo primeiro e pergunto depois. Sou, fui, em muitos serviços, o que se chama um early adopter. Foi o caso do Twitter, que subscrevi e deixei em suspenso durante mais de um ano (principalmente porque me fartei  das constantes falhas no servidor, que faziam interromper [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div data-shortcode="caption" id="attachment_277" style="width: 256px" class="wp-caption aligncenter"><img aria-describedby="caption-attachment-277" loading="lazy" data-attachment-id="277" data-permalink="https://mfjep.wordpress.com/2009/07/14/o-meio-e-a-mensagem/gutenberg/" data-orig-file="https://mfjep.wordpress.com/wp-content/uploads/2009/07/gutenberg.gif" data-orig-size="329,400" data-comments-opened="1" data-image-meta="{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;}" data-image-title="gutenberg" data-image-description="&lt;p&gt;Imagem obtida em inkart.com: http://3.ly/gUa&lt;/p&gt;
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<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;"><em>Nuno Miranda Ribeiro</em></p>
<p style="text-align:justify;">No que diz respeito à internet, eu subscrevo primeiro e pergunto depois. Sou, fui, em muitos serviços, o que se chama um <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Early_adopter" target="_blank">early adopter</a>. Foi o caso do Twitter, que subscrevi e deixei em suspenso durante mais de um ano (principalmente porque me fartei  das constantes falhas no servidor, que faziam interromper o serviço). Sou dos que têm demasiadas contas nas redes sociais (no meu caso, exceptuando o hi5, Orkut, Facebook e sites desse género), tantas que  não me lembro de todas.</p>
<p style="text-align:justify;">Quando descobri os feeds, passei a ler demasiados blogues. Depois descobri o Google Reader e subscrevi tantos feeds que deixei de ler blogues. Recentemente passei a usar o Feedly, o que fez com que voltasse, timidamente, a ler blogues. Gosto do facto de haver, para cada serviço, muitas opções &#8211; quando me inscrevi no Geni, abri conta em mais 5 ou 6 sites de criação e gestão de árvores genealógicas. Uso, ao mesmo tempo, o Last.fm e o Grooveshark e estou inscrito em mais uma dezena de serviços semelhantes &#8211; embora só use os dois que referi. Não vou continuar a dar exemplos, porque me envergonha um pouco a forma deslumbrada, festiva e caudalosa de me relacionar com os serviços online.</p>
<p style="text-align:justify;">Penso que posso afirmar com alguma exactidão que qualquer pessoa que tenha um curso de jornalismo, comunicação, marketing ou publicidade, conhece a expressão &#8220;O Meio é a mensagem&#8221;. E muitos conseguirão relacioná-la com <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Marshall_McLuhan" target="_blank">Marshall McLuhan</a>. A expressão não é inteiramente pacífica. Na sua formulação hermética, foi muitas vezes recebida mais  como uma provocação e um jogo de palavras do que  como a síntese de uma ideia. É tão relevante, no estudo dos fenómeno envolvidos na comunicação, que mereceu a sua própria <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/The_medium_is_the_message" target="_blank">página na Wikipédia</a>.</p>
<p style="text-align:justify;">A forma como entendo a expressão de McLuhan deixa-me apreensivo em relação a uma tendência minha de me deslumbrar e envolver no meio (e o contexto é o da internet), desinteressando-me da eficácia da transmissão de conhecimento ou da utilidade didáctica das ferramentas online a que adiro entusiasticamente. Se faço disso motivo de crónica é porque me parece que apenas sou um exemplo de como as pessoas se relacionam com os media. E se o meu comportamento é consonante com o comportamento mais frequente na minha geração e seguintes, a gravidade da minha preocupação está, suspeito, longe de ser habitual.</p>
<p style="text-align:justify;">O You Tube, os feeds, o Twitter, o Facebook e o Myspace são menos ferramentas a que se recorre e mais o ambiente em que se está. Muitos sites procuram criar uma atmosfera lounge, confortável e apelativa, exactamente por perceberem que os utilizadores têm o site aberto e frequentam-no como a uma esplanada, uma biblioteca ou um bar. A diferença é que nesses locais não estamos isolados, medindo tudo pela satisfação do ego. É verdade que comunicamos, que dizemos coisas que são entendidas e entendemos coisas que nos são ditas. Dizemos muito mais coisas do que diziam os nossos avós. Ou melhor, linkamos, reencaminhamos, partilhamos, clicamos.</p>
<p style="text-align:justify;">O que quero sugerir talvez seja mais fácil de entender com o exemplo do telemóvel. Antes de existir a possibilidade de levarmos connosco um engenho que permite fazer chamadas telefónicas, não havia uma necessidade terrível a que fosse imperioso corresponder. Os telefones fixos serviam-nos muito bem. Neste momento, uma empresa que ficasse sem telemóveis, teria imensas dificuldades. Fala-se ao telemóvel porque se pode. E porque se pode falar ao telemóvel, organizamos os nossos compromissos, o nosso quotidiano e a nossa forma de pensar à volta disso. O exemplo do telemóvel vai para além da função inicial do aparelho: falar à distância.</p>
<p style="text-align:justify;">É um exercício interessante observarmos, num local público, as pessoas que estão sozinhas. Uma parte certamente estará de telemóvel na mão, manipulando-o com a perícia do hábito. Sim, desses uma parte estará a enviar sms&#8217;s. Mas os outros não. Têm o telemóvel na mão e rodam-no na mesa do café ou passam o polegar pelo ecrã ou vêm as horas, de minuto a minuto. A nova tendência dos ecrãs tácteis, veio exponenciar este contacto sensual e íntimo com o que começou por ser um aparelho telefónico. A forma como nos relacionamos com o telemóvel dá sentido a algo que o McLuhan afirmou: os meios de comunicação são uma extensão do nosso sistema nervoso central, ligando-nos a todos em rede. Proferimos metáforas McLuhanianas diariamente, sem nos apercebermos: &#8220;estou sem rede&#8221;, &#8220;fiquei sem bateria&#8221;, &#8220;dá-me um toque&#8221;. Sou eu que estou sem rede, eu que fiquei sem bateria, eu que receberei um toque. Lembro-me de quando, há uns 8, 9 anos, me surpreendi com as palavras de um homem que fez uma chamada do seu telemóvel, quando o comboio em que seguíamos estava a chegar ao destino. Quando atenderam do outro lado, disse &#8220;olha, estou a chegar, sim, não se atrasou, estás aí como combinado?, ok, o comboio está quase a parar, sim, até já&#8221;. Espantei-me, divertido e incrédulo, com a inutilidade do telefonema. Hoje, uma parte dos meus telefonemas devem ser assim, inúteis e redundantes &#8211; mas cumprem a sua função de me fazer sentir próximo, ligado, disponível.</p>
<p style="text-align:justify;">Quando estamos no Facebook ou no Msn, as coisas passam-se a um nível mais complexo. Sentados em frente ao computador, somos (corpo e máquina) um ser simbiótico, uma silhueta cibernética, de poderes e alcance aparentemente ilimitados. Gostamos de ser estimulados, apaparicados, de receber links e smileys, partilhar o riso à volta de um vídeo, carregar no enter, no fim de uma frase, para poder voltar a encarar a webcam. E o que estamos a comunicar?</p>
<p style="text-align:justify;">Cada vez se começa a usar o telemóvel mais cedo. Os pais parecem aliviados por viver num tempo em que é possível ligar a meio do dia para um número e falar com a cria, para confirmar que tudo está bem. É um cordão umbilical McLuhaniano, que passa a fazer falta, a partir do momento em que é disponibilizado. Enquanto crescia, não tive esta possibilidade de ligar do meu próprio telefone (e portátil, ainda por cima) para os meus amigos. Não tive um computador ligado à internet no quarto onde continuar a conversar com os amigos, mesmo depois das aulas. As crianças, e de forma muito intensa na pré-adolescência, têm esse espaço de ligações e contactos, que não me atrevo a chamar de virtual, que se acrescenta ao espaço físico da rua &#8211; menos frequentada -, da carteira da sala, do quarto. Para um adolescente, ficar sem rede, ficar sem bateria, é mesmo um problema.</p>
<p style="text-align:justify;">Todos estes meios que usamos aumentam a eficácia da comunicação? E sem eles, conseguimos comunicar de forma completa, pertinente? Mais ainda, o objectivo principal, ao usarmos telemóveis e computadores, é comunicar?</p>
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