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	<title>Lendo.org</title>
	
	<link>http://www.lendo.org</link>
	<description>Indicações de Livros, Literatura, Resenhas e Faculdade de Letras</description>
	<lastBuildDate>Sun, 05 Feb 2012 12:42:09 +0000</lastBuildDate>
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		<title>10 dicas para melhorar seu aprendizado</title>
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		<pubDate>Sat, 04 Feb 2012 17:54:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Gazola</dc:creator>
				<category><![CDATA[Acadêmico]]></category>
		<category><![CDATA[Aprender melhor]]></category>
		<category><![CDATA[Metodologias de ensino]]></category>

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		<description><![CDATA[Como professor e aluno, eu sempre estou interessado em encontrar novas formas de aprender melhor e mais rápido. Sendo professor de Literatura, Filosofia e História da Arte, problogger, candidato à pós-graduação em uma universidade federal e enxadrista, a quantidade de tempo que disponho para aprender coisas novas é limitada, por isso é importante conseguir extrair [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Como professor e aluno, eu sempre estou interessado em encontrar novas formas de aprender melhor e mais rápido. Sendo professor de Literatura, Filosofia e História da Arte, problogger, candidato à pós-graduação em uma universidade federal e enxadrista, a quantidade de tempo que disponho para aprender coisas novas é limitada, por isso é importante conseguir extrair o máximo possível de cada coisa que eu estudar.</p>
<p>Porém, o que significa exatamente <strong>aprender melhor</strong>? Há três palavras muito importantes quando pensamos nisso: <strong>retenção</strong>, <strong>memória</strong> e <strong>transferência</strong>. Ou seja, é preciso reter aquilo que aprendemos na memória, relembrar esse aprendizado em um momento posterior e ter a capacidade de aplicá-lo efetivamente em diferentes situações.</p>
<p>Abaixo selecionei 10 dicas que aprendi ao longo de alguns anos de estudo árduo e também através de leituras recentes, indicadas no final do artigo.</p>
<h3>1. Melhore sua memória</h3>
<p>Existem diversos livros e cursos que prometem milagres para sua memória &#8212; alguns muito bons como o <a href="http://www.lendo.org/comprar/curso-memorizacao-leitura-dinamica/" title="Curso de Memorização e Leitura dinâmica">Curso de Memorização e Leitura Dinâmica</a> que eu fiz recentemente. Porém, dicas simples como melhorar seu foco, evitar sessões de estudo desorganizadas e estruturar seu tempo de estudo são bons modos de começar. Contudo, há muitas outras contribuições da psicologia que podem aumentar dramaticamente a eficiência de seu aprendizado. Particularmente, gosto do livro <a href="http://www.lendo.org/comprar/aprendizagem-memoria/">Aprendizagem e Memória, de Francoise Cordier</a>.</p>
<h3>2. Continue aprendendo (e praticando) coisas novas</h3>
<p>Uma forma completamente garantia de aprender com mais facilidade é simplesmente continuar aprendendo coisas novas, sempre. Um artigo de 2004 da revista <em>Nature </em>relatou que pessoas que aprenderam a fazer malabarismo aumentaram a quantidade de massa cinzenta em seus lobos occipitais, a área do cérebro associada à memória visual(1). Porém, quando esses indivíduos pararam de praticar essa habilidade, a massa cinzenta desapareceu.</p>
<p>Então, se você estiver aprendendo um novo idioma, por exemplo, é importante continuar praticando para manter esse aprendizado intacto. Esse fenômeno &#8220;use-o ou perca-o&#8221; envolve um processo cerebral conhecido como &#8220;poda&#8221; &#8212; certas conexões cerebrais são mantidas, enquanto outras são eliminadas. Por isso, é preciso usar continuamente tudo que aprendemos para que aquilo continue vivo no cérebro.</p>
<h3>3. Aprenda de formas variadas</h3>
<p>Esforce-se para aprender de formas diferentes. Ao invés de ouvir uma aula em mp3, que envolve apenas o sentido da audição, encontre formas de repassar a informação tanto visual quando verbalmente. Você pode fazer isso descrevendo aquilo que você aprendeu para um amigo, tomando notas, ou desenhando um esquema ou mapa mental. Ao aprender de formas diferentes o mesmo conteúdo, você fixa melhor aquilo em seu cérebro. De acordo com a neurologista Judy Willis:</p>
<blockquote><p>Quanto mais regiões do cérebro armazenarem dados sobre um determinado assunto, mais interconexões haverá. Essa aparente redundância significa que o estudante terá mais chances de resgatar aquelas informações espalhadas pelo seu cérebro quando for aplicar aquele conhecimento em uma questão individual. Essa referência cruzada de informações significa que nós realmente aprendemos, não apenas memorizamos. [tradução livre](2)</p></blockquote>
<h3>4. Ensine o que você aprendeu para outra pessoa</h3>
<p>Professores sabem do que eu estou falando. Uma das melhores formas de aprender algo é ensinar aquilo para outras pessoas. Entendeu o motivo de você ter que apresentar alguns trabalhos para toda a turma, seja na escola ou na universidade? Ao ensinar algum conteúdo para o resto dos seus colegas, nós professores esperamos que você aprenda ainda mais a partir dessa experiência. Você pode aplicar esse mesmo princípio sem ser dentro da escola. Tem muita gente interessada no que você aprende, basta começar a lhes contar!</p>
<p>Você pode começar traduzindo em suas próprias palavras uma determinada matéria ensinada pelo professor. Esse processo, por si só, já ajuda a solidificar o conhecimento no cérebro. Depois, encontre alguma forma de compartilhar o que você aprendeu. Esse é um dos motivos de eu adorar escrever artigos em blogs! Além de ajudar outras pessoas, eu aumento meu próprio aprendizado. Legal, né?</p>
<h3>5. Utilize aprendizados antigos para facilitar os atuais</h3>
<p>Outro jeito fantástico de aprender mais rápido e melhor é fazendo relações, o que significa associar novas informações com coisas que você já sabe. Por exemplo, se você está aprendendo sobre Romeu e Julieta, você pode associar o que você está aprendendo sobre a peça com aquilo que você já sabia sobre Shakespeare, o período histórico em que o autor viveu e outras informações relevantes.</p>
<h3>6. Ganhe experiência prática</h3>
<p>Para muitos de nós, aprender costuma ser uma prática que envolve ler livros, assistir aulas e fazer pesquisas na internet ou biblioteca da escola. Apesar da importância disso tudo, praticar efetivamente novos conhecimentos pode ser uma das melhores formas de aumentar o aprendizado. Se você está tentando adquirir uma nova habilidade, faça tudo que for possível para ganhar experiência prática. Se for um esporte ou atividade física, pratique regularmente. Se está aprendendo um novo idioma, pratique conversando com outra pessoa.</p>
<h3>7. Procure soluções ao invés de se esforçar para lembrar a resposta</h3>
<p>Obviamente o aprendizado não é um processo perfeito. Às vezes nós esquecemos detalhes sobre coisas que já aprendemos. Quando você se encontrar em dificuldades para relembrar pequenas quantidades de informação, pesquisas sugerem que a melhor coisa a fazer é simplesmente olhar a resposta correta. Um estudo demonstrou que quanto mais tempo você gastar tentando resgatar a resposta, maior será a possibilidade de você esquecê-la novamente no futuro. Por quê? Segundo o estudo, essas tentativas de relembrar informações previamente aprendidas, na verdade, resultam no aprendizado de um &#8220;estado de erro&#8221; ao invés da resposta certa.</p>
<h3>8. Entenda como você aprende melhor</h3>
<p>Outra fabulosa estratégia para melhorar a eficiência de sua aprendizagem é reconhecer seus hábitos e estilo de aprendizado. Há numerosas teorias sobre como as pessoas aprendem que podem ajudar você a entender melhor de que forma você aprende. A <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Intelig%C3%AAncias_m%C3%BAltiplas" rel="nofollow">teoria das inteligências múltiplas, de Gardner</a>, descreve oito tipos diferentes de inteligência, o que pode ajudar você descobrir seus pontos fortes. Dar uma lida nas <a href="https://docs.google.com/viewer?a=v&amp;q=cache:PcBcbcMImQUJ:www.et.cefetmg.br/permalink/a2888022-14cd-11df-b95f-00188be4f822.pdf+Dimens%C3%B5es+de+estilos+de+aprendizagem&amp;hl=pt-BR&amp;gl=br&amp;pid=bl&amp;srcid=ADGEESg-W-CSQNQwxj25hqYVwQzqWiytVuHat9gGKZXn3fwb6o1f3f-OQZusHqpbrNiIGFrfooHz5D9x_AAV8zsChHF_uEEe2vA5LPUu6W1fR-2wEy1J5VrsKU66eHVN2zvW0hjKGpaK&amp;sig=AHIEtbTR2AVV2jtG6ztDROMuzetmPAt9PQ&amp;pli=1">dimensões dos estilos de aprendizagem de Carl Jung</a> também vai ajudar a entender quais estratégias funcionam melhor no seu caso.</p>
<h3>9. Use as provas para maximizar seu aprendizado</h3>
<p>Pode parecer que passar mais tempo estudando é uma das melhores formas de aumentar o aprendizado. No entanto, uma pesquisa demonstrou que fazer provas, na verdade, ajuda muito mais a lembrar aquilo que aprendemos, mesmo que determinado conteúdo não caia na avaliação(3). O estudo relevou que alunos que estudaram e então foram submetidos a uma prova conseguiram lembrar por mais tempo dos conteúdos, mesmo que eles não tenham caído na prova. Já aqueles alunos que tiveram tempo extra para estudar, mas não fizeram prova nenhuma, tiveram um desempenho significativamente pior. Compreende agora o motivo das provas na escola?</p>
<h3>10. Pare de fazer tudo ao mesmo tempo!</h3>
<p>Por muitos anos, acreditou-se que as pessoas capazes de realizar diversas tarefas ao mesmo tempo tinham vantagem sobre as outras. No entanto, as pesquisas estão cada vez mais sugerindo que fazer muitas coisas ao mesmo tempo torna o aprendizado menos efetivo. No estudo, participantes perderam quantidades significativas de tempo mudando entre as tarefas e perderam ainda mais tempo conforme elas ficavam mais complexas(4). Mudando continuamente de uma atividade para outra, você aprende mais devagar, torna-se menos eficiente e comete mais erros. É a prova conclusiva de que ouvir música ou assistir televisão ao mesmo tempo em que faz a lição de casa vai atrapalhar MUITO seu aprendizado.</p>
<p>Como evitar esse problema? Comece a focar sua atenção para apenas uma tarefa por vez e continue trabalhando nela durante um tempo predeterminado por você. </p>
<h4>Referências</h4>
<p>1 Draganski, B., Gaser, C., Busch, V., &amp; Schuierer, G. (2004). Neuroplasticity: Changes in grey matter induced by training. Nature, 427(22), 311-312.</p>
<p>2 Willis, J. (2008). Brain-based teaching strategies for improving students&#8217; memory, learning, and test-taking success.(Review of Research). Childhood Education, 83(5), 31-316.</p>
<p>3 Chan, J.C., McDermott, K.B., &amp; Roediger, H.L. (2007). Retrieval-induced facilitation. Journal of Experimental Psychology: General, 135(4), 553-571.</p>
<p>4 Rubinstein, Joshua S.; Meyer, David E.; Evans, Jeffrey E. Journal of Experimental Psychology: Human Perception and Performance, 27(4), 763-797.
<p></p>
<ul>
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<hr />
<small>Este artigo pertence ao site <a href="http://www.lendo.org">Lendo.org</a> e foi escrito por André Gazola</small></p>
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		<title>Literatura: dúvidas de última hora – Vestibular UFRGS 2012</title>
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		<comments>http://www.lendo.org/literatura-duvidas-de-ultima-hora-vestibular-ufrgs-2012/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 05 Jan 2012 01:55:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Gazola</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literário]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Brasileira]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Portuguesa]]></category>

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		<description><![CDATA[Domingo começa o vestibular de uma das maiores universidades do país, a UFRGS. Muitos de meus alunos(as) e ex-alunos(as) farão as provas, que vão até quarta-feira. Para ajudar a todos que entrarão nessa batalha, estou abrindo o espaço de comentários do blog para perguntas de última hora sobre Literatura Brasileira e Portuguesa. Não é preciso [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Domingo começa o vestibular de uma das maiores universidades do país, a UFRGS. Muitos de meus alunos(as) e ex-alunos(as) farão as provas, que vão até quarta-feira.</p>
<p>Para ajudar a todos que entrarão nessa batalha, estou abrindo o espaço de comentários do blog para perguntas de última hora sobre <strong>Literatura Brasileira e Portuguesa</strong>. </p>
<p><img src="http://www.lendo.org/wp-content/uploads/2012/01/interrogacao.jpg" alt="" title="question mark" width="347" height="346" class="aligncenter size-full wp-image-2184" /></p>
<p>Não é preciso que você tenha sido meu aluno, nem que vá fazer vestibular UFRGS, basta fazer a pergunta &#8212; que deve ser pontual e objetiva, não vou ficar explicando generalidades &#8212; e eu vou responder o mais rápido possível.</p>
<p>Aproveite! Divulgue para seus amigos, curta no Facebook! É só até quarta-feira, dia 11/01!
<p></p>
<ul>
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		<title>Não deixe os livros tornarem-se obsoletos!</title>
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		<pubDate>Sun, 25 Dec 2011 18:24:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Gazola</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literário]]></category>
		<category><![CDATA[Vida de leitor]]></category>

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		<description><![CDATA[Sempre vi os livros como maravilhosas peças de arte que têm feito parte da história há vários séculos, contendo o passado, o presente e também o futuro da humanidade entre suas páginas ora empoeiradas, ora perfumadas por suas gramaturas modernas. Com as últimas inovações tecnológicas, no entanto, eles estão sob iminente ameaça de virarem coisa [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Sempre vi os livros como maravilhosas peças de arte que têm feito parte da história há vários séculos, contendo o passado, o presente e também o futuro da humanidade entre suas páginas ora empoeiradas, ora perfumadas por suas gramaturas modernas. Com as últimas inovações tecnológicas, no entanto, eles estão sob iminente ameaça de virarem coisa do passado. Com a internet e os computadores cada vez mais frequentes em nossas vidas, ficamos com a impressão de que praticamente tudo que costumávamos fazer no dia-a-dia pode-se fazer on-line. Pagar contas, ler o jornal, baixar músicas. O uso dos bancos e de alguns tipos de loja está rapidamente virando prática de pessoas saudosistas. </p>
<p>Não estou aqui para escrever um texto apocalíptico. Porém, apesar de ser um grande simpatizante das novas tecnologias, não desejo vê-las varrer o passado, pois sou um grande defensor da ideia de que é justamente ele que nos permite ser fortes no presente.</p>
<p>Simplesmente não consigo pensar na ideia de um mundo sem livros fisicamente palpáveis, o que seria menos catastrófico que o &#8220;futuro do pretérito&#8221; representado no filme <strong>Fahrenheit 451</strong>, mas ainda assim terrível. Apesar de entender a praticidade que significa poder carregar bibliotecas em seus dedos através de aparelhos como o Kindle, segurar um livro de verdade evoca sentimentos que, para mim, nunca poderão ser replicados.</p>
<p>Há algo de único e especial no ato de abrir um livro de verdade e ler palavras em uma folha de papel. Se existe algo que amo é olhar para minha prateleira de livros e ver volumes de cores e tamanhos diferentes ocupando aquele espaço. Você já ficou preso em uma biblioteca por horas olhando as lombadas? Então sabe do que estou falando &#8212; tirar um tempo para olhar todos os livros que nos chamem a atenção, às vezes sem motivo aparente. Os livros, para mim, representam algo universal, um legado da humanidade para o universo. </p>
<p>Os livros são imortais, também. Não importa quantas novas cópias sejam impressas, seu conteúdo sempre será o mesmo &#8212; uma mensagem pode ser transmitida através do tempo sem que a força desse elemento que nos destrói seja capaz de freá-la. Nada pode substituí-la.</p>
<p>É por essas razões que os livros são tão importantes. É até difícil de acreditar que eles têm feito parte de nossa história por tanto tempo, você não acha? Tenho certeza de que não sou o único que tem essa sensação de que estamos começando a ir longe demais com os avanços tecnológicos. </p>
<p>Depois de um bom tempo sem escrever aqui, lhe apareço com um texto saudosista como esse. O fato é que realmente desejo saber sua opinião sobre o futuro dos livros. Chegará o dia em que cada um de nós precisará decorar um livro inteiro para que sua história continue viva?
<p></p>
<ul>
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<hr />
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		<title>A educação – ontem e hoje</title>
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		<comments>http://www.lendo.org/a-educacao-ontem-e-hoje/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 18 Oct 2011 19:57:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Gazola</dc:creator>
				<category><![CDATA[Acadêmico]]></category>
		<category><![CDATA[Educação no Brasil]]></category>

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		<description><![CDATA[Os professores conhecem bem esse cenário, mesmo os que nunca viram a charge abaixo. Confira os últimos lançamentos em livros Veja a lista dos livros mais vendidos Este artigo pertence ao site Lendo.org e foi escrito por André Gazola]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Os professores conhecem bem esse cenário, mesmo os que nunca viram a charge abaixo.</p>
<p><img src="http://www.lendo.org/wp-content/uploads/2011/10/educacao-hoje-ontem.jpg" alt="A educação ontem e hoje" title="A educação ontem e hoje" width="500" height="339" class="aligncenter" />
<p></p>
<ul>
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<li><a href="http://www.lendo.org/comprar/livrosmaisvendidos/">Veja a lista dos livros mais vendidos</a></li>
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<hr />
<small>Este artigo pertence ao site <a href="http://www.lendo.org">Lendo.org</a> e foi escrito por André Gazola</small></p>
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		<title>País sem Chapéu, de Dany Laferrière</title>
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		<comments>http://www.lendo.org/resenha-pais-sem-chapeu/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 05 Oct 2011 13:59:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Gazola</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literário]]></category>
		<category><![CDATA[Autores Convidados]]></category>
		<category><![CDATA[Dany Laferrière]]></category>

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		<description><![CDATA[O texto a seguir é uma colaboração do leitor Marcos Fidalgo. Se você também gostaria de participar do blog, entre em contato. Em País sem chapéu, Dany Laferrièri traz perspectiva de dentro pra fora sobre o Haiti. Seja com a ocupação do exército brasileiro, o terremoto ou a fome, o Haiti não sai de pauta. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O texto a seguir é uma colaboração do leitor <strong>Marcos Fidalgo</strong>.</p>
<p>Se você também gostaria de participar do blog, <a href="http://www.lendo.org/contato/">entre em contato</a>.</p>
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<p><em>Em <a href="http://www.lendo.org/comprar/pais-sem-chapeu/" title="Compre o livro País sem Chapéu">País sem chapéu</a>, Dany Laferrièri traz perspectiva de dentro pra fora sobre o Haiti.</em></p>
<p>Seja com a ocupação do exército brasileiro, o terremoto ou a fome, o Haiti não sai de pauta. Correspondentes vão até lá, enviam-nos imagens heroicas que são exibidos no domingo à noite, ou escrevem reportagens de um par de toques sobre as calamidades do lugar, listando tudo aquilo que falta, como se o país fosse a dispensa vazia de uma casa. E é justamente a partir de sua casa, e das figuras da mãe e da tia, que Dany Laferrièri traz uma perspectiva pessoal do Haiti, uma alternativa ao olhar viciado que temos sobre o país. Lançado este ano no Brasil pela editora 34, País sem chapéu é um livro de dentro pra fora, escrito com a naturalidade de um nativo que volta à sua pátria após vinte anos de um autoexílio no Canadá e nos Estados Unidos.</p>
<p><a href="http://www.lendo.org/comprar/pais-sem-chapeu/"><img src="http://www.lendo.org/wp-content/uploads/2011/10/pais-sem-chapeu.jpg" alt="País sem Chapéu, de Dany Laferrière" title="País sem Chapéu, de Dany Laferrière" width="181" height="271" class="alignleft size-full wp-image-2165" /></a>Nascido em Porto Príncipe, em 13 de abril de 1953, Dany Laferrièri era um jornalista de vinte e três anos quando deixou o Haiti, em 1976, para fugir da ditadura do presidente Baby Doc. Durante seus vinte e seis anos de carreira como escritor, já publicou mais de uma dezena de romances, muitos calçados em sua biografia, assim como País sem chapéu.</p>
<p>Dany inicia o livro dizendo que está no quintal de sua casa, escrevendo à máquina, enquanto cai uma manga de seu pé. Eis aí a primeira descoberta. No Haiti há mangas e mangueiras. Depois, à medida que Dany sai para dar suas voltas em Porto Príncipe, vão surgindo comerciantes, trambiqueiros, amigos de longa data, que desviam o caminhar de carros decrépitos, que se fundem aos transeuntes em um único trânsito. E ao cair da primeira noite de sua volta, Dany é coberto por um luar de causar inveja. Sim, no Haiti também há lua, e há um escritor em baixo dela.</p>
<p>E é durante as noites, com ou sem luar, que zumbis vão às ruas para misturar-se aos vivos, conforme acreditam os seguidores do vodu haitiano, religião local e de raízes africanas. Intrigado com a crença, da qual estava duas décadas distante, Laferrièri vai atrás de professores e especialistas religiosos, para saber mais daquilo que intitula de &#8220;País inventado&#8221;. Em um momento, aceita a proposta de um feiticeiro conhecido de sua tia, e faz uma viagem para a metade inventada de seu país, habitada por deuses do vodu. Ali passa um tempo, suficiente para decepcionar-se, e retorna ao Haiti dos vivos e devotos.</p>
<p>Dany observa tudo com certa frieza. Se o olho é haitiano, seu olhar parece norte-americano. O calor dos abraços, dos beijos e das palavras fica por conta da mãe, a tia e os amigos. Suas maiores palpitações ocorrem quando revê uma antiga paixão adolescente, e ao relatar a tentativa frustrada de encontrar o pai nos Estados Unidos, onde exilou-se quando Dany ainda era Windsor Klébert, seu nome de registro.</p>
<p><a href="http://www.lendo.org/comprar/pais-sem-chapeu/" title="Compre o livro País sem Chapéu">País sem chapéu</a> prende pelo fato de que Laferrièri mostra o Haiti pelos haitianos. Com essa luz indireta sobre o país jogada pelo autor, conseguimos ver o que nele falta, com aquilo que ele tem. Mesmo com uma defasagem de quinze anos de sua publicação original, o livro se mantem, apesar de não se dispor a tal, como a melhor crônica publicada no Brasil sobre o Haiti. Isso por que, ao imergir em si e visitar seu passado, o autor redescobre e nos descobre um país, real e inventado, que nenhum jornalista ou ficcionista conseguiu nos relatar.
<p></p>
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<small>Este artigo pertence ao site <a href="http://www.lendo.org">Lendo.org</a> e foi escrito por André Gazola</small></p>
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		<title>Novelas de Cavalaria</title>
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		<pubDate>Mon, 03 Oct 2011 15:56:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Gazola</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literário]]></category>
		<category><![CDATA[Autores Convidados]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Espanhola]]></category>
		<category><![CDATA[Miguel de Cervantes]]></category>

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		<description><![CDATA[Quem leu um dos maiores livros da história da humanidade jamais se esquecerá das loucas aventuras de Dom Quixote de la Mancha, seu pajem Sancho Panza e seu cavalo Rocinante contadas por Miguel de Cervantes Saavedra. O autor era apaixonado por novelas de cavalaria (consideradas os primeiros best sellers da humanidade), possuindo em sua biblioteca [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Quem leu um dos maiores <a href="http://www.livronauta.com.br/" title="Livronauta">livros</a> da história da humanidade jamais se esquecerá das loucas aventuras de Dom Quixote de la Mancha, seu pajem Sancho Panza e seu cavalo Rocinante contadas por Miguel de Cervantes Saavedra. O autor era apaixonado por novelas de cavalaria (consideradas os primeiros best sellers da humanidade), possuindo em sua biblioteca pessoal diversas obras como: Amadis de Gaula, Palmerin<br />
de Oliva, Palmerin de Inglaterra, Olivante de Laura, Espelho de príncipes e cavaleiros,<br />
Tablante de Ricamonte e Tirante o branco. <img src="http://www.lendo.org/wp-content/uploads/2011/10/novelas-cavalaria.jpg" alt="Novelas de Cavalaria" title="Novelas de Cavalaria" width="250" height="361" class="alignright size-full wp-image-2160" /></p>
<p>As novelas da cavalaria eram derivadas de poemas épicos e das canções de gesta Francesas e Inglesas, provavelmente das lendas do rei Arthur e da Távola Redonda. Descreviam cavaleiros de sangue azul que nunca existiam, separados de seus pais na infância e com a missão de fazer justiça no mundo. Estes cavaleiros tinham ideais cristãos, ajudavam reis em desgraça, damas em apuros, libertavam prisioneiros injustiçados, e lutavam contra feras que só existiam na imaginação do autor.</p>
<p>Estes feitos eram apresentados como verdadeiros e chegaram a enganar muitas pessoas. Em pouco tempo, nobres, classe média alta, Santa Tereza, Inácio de Loyola e muitos conquistadores da América traçaram seus caminhos inspirados nas ideias loucas das novelas.</p>
<p>Cervantes, que já conhecia o mundo e era aficionado ao extremo pela leitura deste gênero, soube fazer uma crítica completa sobre o fenômeno narrando Quixote. Este mal conseguiu sair de La Mancha &#8212; sua terra &#8212; onde pouco depois voltou doente. Mais tarde recuperado, Quixote saiu novamente cada vez mais fora de si, pensando somente em ser igual a aqueles heróis, fiéis aos ideais, batendo sempre de frente com a realidade e dando um exemplo de que cada louco tem em si, o cerne da verdade. Na incansável busca pela justiça acaba perdendo sua saúde física e mental, porém cultivando seus ideais.</p>
<p>Ao lançar seu herói no mundo, Cervantes nos apresentou um filósofo, uma forma de ver que toda moeda tem duas caras, que toda reflexão pode ser válida de acordo com o contexto. Que qualquer bússola que coloquemos em nossa vida atua diretamente sobre o nosso presente. Ao longo da obra não fica claro se ele defendeu os ideais das novelas de cavalaria ou se as expôs ao ridículo, tamanha é a quantidade de situações hilárias e sem nexo com a realidade.</p>
<p>Como crítico literário e admirador desta arte, Cervantes chegou ao ponto mais alto neste gênero nascente: colaborar com a gênese do romance moderno. Fazendo a sátira das novelas de cavalaria, escreveu a mais humana, profunda e bonita de todas, marcando o fim do gênero com o seu melhor trabalho.</p>
<p><strong>Sobre o autor</strong></p>
<p>Alejandro Rubio trabalha em um <a href="http://www.livronauta.com.br/" title="Sebo Livronauta">sebo </a>e é aficionado por novelas de cavalaria.
<p></p>
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		<title>Oriente, Ocidente, de Salman Rushdie</title>
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		<comments>http://www.lendo.org/oriente-ocidente-de-salman-rushdie/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 28 Aug 2011 16:23:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Gazola</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literário]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Islâmica]]></category>
		<category><![CDATA[Salman Rushdie]]></category>

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		<description><![CDATA[O texto a seguir é uma colaboração da leitora Violeta Ayumi Teixeira Araki. Se você também gostaria de participar do blog, entre em contato. Tal qual muitos de seus personagens, o anglo-indiano Salman Rushdie parece também um ser preso entre dois mundos segregados. Nasceu na antiga Bombaim, atual Mumbai, mas passou boa parte da vida [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O texto a seguir é uma colaboração da leitora <strong>Violeta Ayumi Teixeira Araki</strong>.</p>
<p>Se você também gostaria de participar do blog, entre em <a href="http://www.lendo.org/contato/">contato</a>.</p>
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<p>Tal qual muitos de seus personagens, o anglo-indiano Salman Rushdie parece também um ser preso entre dois mundos segregados. Nasceu na antiga Bombaim, atual Mumbai, mas passou boa parte da vida num país de princesas muito belas e rainhas muito velhas chamado Inglaterra. O Oriente nunca saiu de seu sangue e se manifestou de alguma forma em todos os seus romances. O Ocidente, porém, estava logo ali, visível pela janela, e Rushdie não pôde ignorá-lo a cada frase que escrevia. A tentativa de junção desses universos totalmente distintos aparece em várias de suas obras (Em <em>Fúria</em>, por exemplo, a vivência nos EUA é contada a partir da visão de um oriental).</p>
<p>Ao que tudo indica quando ameaçados de morte os escritores aprimoram ainda mais seu talento literário. Foi o que  aconteceu com Rushdie. Depois de lançar o polêmico <a title="Versos Satânicos, de Salman Rushdie" href="http://www.lendo.org/comprar/versos-satanicos/">Os Versos Satânicos</a> em 1989, foi sentenciado à execução no Irã, por ter desrespeitado o profeta Maomé, segundo os fundamentalistas da época. A bem da verdade, a obra pretendia condenar o islamismo devido a condutas violentas de repressão a cristãos e hindus. Salman Rushdie afirmava, através do livro, já não crer mais na religião muçulmana. Teve que viver anos se escondendo, período, aliás, em que se penitenciava por não ser um pai presente para o filho pequeno. Haroun e o mar de Histórias nasceu justamente da necessidade que tinha de explicar a seu filho porque não tinha mais liberdade de expressão. Foi somente em 1998 que o Irã retirou a sentença contra o autor. Mas o tempo de escuridão há havia passado. “Eu consegui atravessar o túnel do medo e hoje levo uma  vida normal”, disse Rushdie em entrevista à Veja em 2003*. Nessa mesma entrevista o autor revela o que pensa a respeito dos romances literários. Para ele, o gênero tem uma flexibilidade única, por sua imensa capacidade de registrar a realidade e comenta ainda que os grandes romances  informam mais do que qualquer outro documento sobre uma determinada época da sociedade.</p>
<p><a href="http://www.lendo.org/comprar/oriente-ocidente/"><img class="alignleft size-full wp-image-2151" title="livro Oriente, Ocidente, de Salman Rushdie" src="http://www.lendo.org/wp-content/uploads/2011/08/oriente-ocidente-rushdie.jpg" alt="livro Oriente, Ocidente, de Salman Rushdie" width="200" height="289" /></a> <a title="Oriente, Ocidente, livro de Salman Rushdie" href="http://www.lendo.org/comprar/oriente-ocidente/">Oriente, Ocidente</a> une todos os requisitos necessários para que não se consiga largá-lo. A comicidade, o drama, a  pretensão, o inesperado. Em cada história cresce a ânsia de saber logo o que vai acontecer com seus personagens insólitos. Entre uma fina ironia e uma técnica de narração precisa, espontânea, Rushdie parece tecer suas frases num ritmo delirante. É com este  mesmo toque suave de sarcasmo que vai sendo construída a ponte que pretende ligar os dois pólos, o misterioso e  indecifrável mundo oriental e o nem sempre civilizado, mas de qualquer modo inflexível mundo ocidental. São ambos  fascinantes e contados sob uma ótica poética e adjetivada parecem ficar ainda mais caracterizados.</p>
<p>A obra é o tipo do que se pode chamar de “drama cômico”. Podemos refletir sobre os dramas pessoais dos personagens de  cada conto, mas ao tempo as risadas são inevitáveis porque as situações se mostram exageradas e eles fazem coisas pelas  quais não esperamos. “Descobriram-no dirigindo na contramão da estrada, a cem por hora, com uma daquela máscara de dormir nos olhos”.  Mesmo que não sejam tão implausíveis, muitas passagens do livro nos remetem sobretudo a uma identificação. Afinal, quem  nunca se sentiu pressionado a decidir entre dois caminhos? “E o passaporte libertou-me, de várias maneiras.  Permitia-me ir e vir, fazer escolhas que não as que papai desejaria. Mas também eu tenho cordas em torno de meu pescoço,  puxando para esta e aquela direção, Oriente e Ocidente, os laços apertando, ordenando: escolha”. A derradeira mensagem  de Rushdie é essa mesma. Seja por um lado ou outro, todos nós temos que escolher o rumo a seguir.</p>
<p style="text-align: right;"><em>*entrevista publicada na edição de Veja n°1802, de 14 de maio de 2003.</em></p>
<h3>Citações do livro</h3>
<blockquote><p>(&#8230;) aqueles olhos fizeram mal ao tubo digestivo dele.</p></blockquote>
<blockquote><p>No luminoso teatro de sombras das labaredas, todos nós parecíamos insanos.</p></blockquote>
<blockquote><p>Aos dezesseis anos a gente não ouve o sussurro do pai em nosso sangue.</p></blockquote>
<blockquote><p>(&#8230;) uma jornada na contramão da escuridão.</p></blockquote>
<blockquote><p>(&#8230;) e as quentes e escuras marés do oceano índico subiam toda noite por suas veias.</p></blockquote>
<blockquote><p>(&#8230;) ele iria encontrar outra forma de erguer uma ponte entre o aqui e o acolá, entre minhas alteridades, meu duplo não  pertencer. Naquele mundo de mágica e poder, parecia existir a espécie de fusão de visões de mundo, européia ameríndia  oriental nas quais eu desesperadamente queria acreditar.</p></blockquote>
<blockquote><p>Naquelas caixas de delírio encontrei centenas de páginas sem destinatário certo e incompletos discursos contra o  universo em geral.</p></blockquote>
<blockquote><p>Se você senta num escritório não tem sequer a mínima idéia de como é o mundo real. O mundo dos feitos, das coisas que  são feitas e que também podem ser desfeitas. O mundo da vida e da morte.</p></blockquote>
<blockquote><p>A tragédia não é a maneira como alguém morreu. É a maneira como alguém viveu.</p></blockquote>
<p></p>
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		<title>Vamos mudar o ensino da Literatura nas escolas?</title>
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		<comments>http://www.lendo.org/vamos-mudar-o-ensino-da-literatura-nas-escolas/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 16 Aug 2011 20:13:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Gazola</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literário]]></category>
		<category><![CDATA[Educação no Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura na sala de aula]]></category>
		<category><![CDATA[Metodologias de ensino]]></category>

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<p></p>
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		<title>Projeto Literatura, Mitologia e Videogames – Uma experiência com God of War</title>
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		<pubDate>Fri, 08 Jul 2011 15:56:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Gazola</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literário]]></category>
		<category><![CDATA[Educação no Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura na sala de aula]]></category>
		<category><![CDATA[Metodologias de ensino]]></category>

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		<description><![CDATA[Você que dá aula de história ou literatura já pensou em entrar na sala de aula, dar suas explicações sobre determinada matéria e sequer ver os alunos piscarem lhe ouvindo? Bem, eu pensei! E fiz um projeto, que acaba de ser aprovado na escola em que dou aulas, baseado no trabalho com o jogo God [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Você que dá aula de história ou literatura já pensou em entrar na sala de aula, dar suas explicações sobre determinada matéria e sequer ver os alunos piscarem lhe ouvindo?</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-2147" title="Projeto Literatura, Mitologia e Videogames - Uma experiência com God of War" src="http://www.lendo.org/wp-content/uploads/2011/07/literatura-mitologia-god-of-war.jpg" alt="Projeto Literatura, Mitologia e Videogames - Uma experiência com God of War" width="520" height="675" /></p>
<p>Bem, eu pensei! E fiz um projeto, que acaba de ser aprovado na escola em que dou aulas, baseado no trabalho com o jogo <strong>God of War</strong> &#8212; um game da Sony em que o jogador tem contato com figuras mitológicas tais como os titãs Gaia e Chronos, os deuses Zeus, Atena e Poseidon, os monstros Medusa, Minotauro e Cíclope, entre muitos outros.</p>
<p>É a mitologia grega levada a um novo patamar, no qual os alunos são submetidos a um processo de imersão completo e fascinante.</p>
<p>Quer fazer também? <a title="Projeto Literatura, Mitologia e Videogames - Uma experiência com God of War" href="http://www.lendo.org/wp-content/uploads/2011/07/Projeto-Literatura-Mitologia-e-Videogames-André-Gazola-www.lendo_.org_.pdf">Baixe o meu projeto</a> (PDF, 3.65MB), faça livremente as adaptações que quiser e contribua para levar o ensino no Brasil para o próximo nível.</p>
<p>Obs.: Se alguém não conseguir abrir o PDF, <a href="https://docs.google.com/viewer?a=v&amp;pid=explorer&amp;chrome=true&amp;srcid=0Bx8RukEiqjTFY2U4ODViNTYtZTBkZS00YjdkLWExMmQtYzY4MWI0ODYxODlj&amp;hl=en_US" target="_blank">acesse por este link do Google Docs</a>.
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<ul>
<li><a href="http://www.lendo.org/comprar/livroslancamentos/">Confira os últimos lançamentos em livros</a></li>
<li><a href="http://www.lendo.org/comprar/livrosmaisvendidos/">Veja a lista dos livros mais vendidos</a></li>
</ul>
<p><a href="http://www.submarino.com.br/homecache/books.aspx?Query=ProductPage&#038;ProdTypeId=1&#038;franq=262104"><img src="http://i.S8.com.br/images/afiliados/banner/468x60_livros.jpg" border="0"></a></p>
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<small>Este artigo pertence ao site <a href="http://www.lendo.org">Lendo.org</a> e foi escrito por André Gazola</small></p>
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		<title>O Estrangeiro, de Albert Camus</title>
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		<pubDate>Fri, 24 Jun 2011 20:05:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Gazola</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literário]]></category>
		<category><![CDATA[Albert Camus]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Francesa]]></category>

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		<description><![CDATA[O texto a seguir é uma colaboração da leitora Violeta Ayumi Teixeira Araki. Se você também gostaria de participar do blog, entre em contato. Numa terra onde tudo convidava a viver, com areias reluzentes e um mar insanamente azul, Albert Camus (lê-se Albert Câmi) aprendeu bem cedo que a miséria limitava o paraíso argeliano a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O texto a seguir é uma colaboração da leitora <strong>Violeta Ayumi Teixeira Araki</strong>.</p>
<p>Se você também gostaria de participar do blog, <a href="http://www.lendo.org/contato/">entre em contato</a>.</p>
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<p>Numa terra onde tudo convidava a viver, com areias reluzentes e um mar insanamente azul, Albert Camus (lê-se Albert Câmi) aprendeu bem cedo que a miséria limitava o paraíso argeliano a um lugar sem muitas oportunidades. Nascido em uma pobre família do interior da Argélia (de descendência francesa), foi graças a uma bolsa de estudos que Camus conseguiu entrar no liceu da capital. Sob o sol ardente, batendo sem cessar sobre o bairro Belcourt, o então garoto estudava o dobro de seus colegas, chegando à universidade em 1931. Quatro anos mais tarde, sua vida literária começa a engrenar. Fundou o <em>Teatro do Trabalho</em> e o jornal <em>Alger Republicaine</em>.</p>
<p><a href="http://www.lendo.org/comprar/o-estrangeiro/"><img class="alignleft size-full wp-image-2141" title="O Estrangeiro, de Albert Camus" src="http://www.lendo.org/wp-content/uploads/2011/06/o-estrangeiro-albert-camus.jpg" alt="O Estrangeiro, de Albert Camus" width="200" height="305" /></a>Em 1940, já em Paris como jornalista, a atmosfera da 2ª Guerra Mundial vinha tornando difícil a vida na França, de modo que Camus voltou para a Argélia, trazendo consigo o manuscrito de um romance. Era <a title="O Estrangeiro, de Albert Camus" href="http://www.lendo.org/comprar/o-estrangeiro/">O Estrangeiro</a>, livro que faria seu autor se transformar numa das figuras mais nobres da literatura francesa.</p>
<p>Escrito em uma época sombria de guerra, <a title="O Estrangeiro, de Albert Camus" href="http://www.lendo.org/comprar/o-estrangeiro/">O Estrangeiro</a> narra com incrível capacidade o que de mais trágico existe na condição humana: o absurdo, o limite entre aspirações e realidade.</p>
<p>Mersault, que reside em Argel, tem sua vida modificada bruscamente ao matar um árabe. Não pelos motivos óbvios.</p>
<p>A história se inicia com Mersault indo ao enterro de sua mãe. Um dia depois inicia um caso amoroso com Marie e se distrai alegremente no cinema com um filme de Fernandel.</p>
<p>Tem dois vizinhos de prédio. Um deles é Salamano, velho ranzinza cujo maior sentido na vida é castigar seu cão. O outro é Raymond, agiota de personalidade duvidosa que, no fim, é o grande responsável pelas desgraças de Mersault.</p>
<p>Em um dia quente Raymond, Mersault e Marie vão à praia. E é nesse cenário que o protagonista depara-se com o árabe inimigo de Raymond. O árabe puxa uma navalha e Mersault puxa o gatilho, disparando cinco vezes. Logo em seguida é acusado de assassinato e vai preso. Durante o processo muitos pormenores de sua vida vão adquirindo relevância extrema, como o fato de ter fumado no enterro de sua mãe. É tachado como insensível, um homem sem alma, considerado um forasteiro quanto aos ditames da sociedade. Seu advogado pouco pode fazer e Mersault recebe sentença de morte.</p>
<p>O protagonista da obra, Mersault, vive em permanente indiferença a todos os valores morais. É o homem que não aceita as regras do jogo. Mas também está disposto a ir até o fim defendendo a única verdade na qual acredita. Mersault nasceu para desmascarar o cinismo e o vazio por trás da sociedade como um todo e do indivíduo como elemento principal. O homem é um nada, abandona aqueles que ama e também é abandonado. O homem é impotente perante as desgraças que presencia, e por isso mesmo finge não as ver. <a title="O Estrangeiro, de Albert Camus" href="http://www.lendo.org/comprar/o-estrangeiro/">O Estrangeiro</a> está ali justamente para dissecar aquilo que está errado e nos abrir os olhos para a estupidez de nossa falsas regras morais.</p>
<p><img class="alignright size-full wp-image-2140" title="Uma revolta que apaixona" src="http://www.lendo.org/wp-content/uploads/2011/06/quote.gif" alt="Uma revolta que apaixona" width="305" height="106" /></p>
<p>Quanto mais o conhecemos menos temos certeza se Mersault é o herói ou anti-heroi dessa história, cujo desenrolar nos joga de um lado para o outro, tal como ventríloquos de Camus, sem saber direito mais o que é certo e o que não é. Pois nossas crenças mais sagradas serão de repente questionadas, à medida que avançamos sobre o psicológico de Mersault. Não estaremos prontos para isso. Cada frase dele nos soará como absurda, desprovida de qualquer contato com a razão ou com o sentimento.  Porém, quanto mais se indaga sobre sua sanidade, mais se fascina com a idéia por ele pregada. Tudo é permitido, pois todos nós morreremos e os valores todos se desmoronarão. Para Mersault, não é preciso justificar nada, por isso ele não explica, apenas descreve. Seu silêncio reforça o mistério que seu ser emana. Se ele não tem o que dizer, simplesmente não se obriga a falar. Por isso é desesperadamente verdadeiro, sem jamais pisar no território das mentiras.</p>
<p>A revolta do personagem é uma revolta que apaixona.  Seu espírito rebelde se iguala a uma espada, com a qual ele defende como um guerreiro os poucos certezas dessa sua vida pelas quais ainda vale à pena lutar ou morrer.</p>
<p>Na obra de Camus todos os personagens secundários merecem um olhar mais atento. Podemos perceber que nenhum deles está alí por acaso. Cada um contribui com um lampejo de lucidez. Cada um deles é construído para conduzir Mersault a trilhas incertas.</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-2142" title="Albert Camus" src="http://www.lendo.org/wp-content/uploads/2011/06/albert-camus.jpg" alt="Albert Camus" width="520" height="226" /></p>
<p>No centro do caos instalado, sem começo nem fim, Camus não deixa de mencionar os cenários insólitos daquela capital encravada entre o mar e areia. A paisagem é peça fundamental da narrativa, colada a seu corpo ela dramatiza ainda mais o enredo. A sequência dos dias melancolicamente cintilantes de luz e calor, os fins de tarde cheios de uma magia indescritível, as noites desiludidas. Tudo isso faz parte uma beleza que salta para fora do livro. A técnica da descrição de Camus é tão poderosa que é quase como se pudéssemos sentir os aromas vindos do porto de Argel.</p>
<p>Não há definitivamente como escapar da sedução desse estrangeiro, a quem, ao final de páginas e páginas, ainda não temos a plena certeza de compreender. Mas a graça reside aí. Justamente porque não conseguimos decifrá-lo é porque nunca mais poderemos esquecê-lo.</p>
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		<title>Professor de literatura, enfim!</title>
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		<pubDate>Tue, 21 Jun 2011 18:37:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Gazola</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literário]]></category>
		<category><![CDATA[Educação no Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Metodologias de ensino]]></category>
		<category><![CDATA[Vida Acadêmica]]></category>

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		<description><![CDATA[Hoje um post bem rápido para dizer que estou vivo e que a jornada que deu início ao Lendo.org teve mais um clímax há algumas semanas: fui contratado por uma escola privada para dar aulas de literatura para o Ensino Fundamental e, posteriormente, Ensino Médio. É um orgulho e uma felicidade enorme poder ter contato [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Hoje um post bem rápido para dizer que estou vivo e que a jornada que deu início ao Lendo.org teve mais um clímax há algumas semanas: fui contratado por uma escola privada para dar aulas de literatura para o Ensino Fundamental e, posteriormente, Ensino Médio.</p>
<p>É um orgulho e uma felicidade enorme poder ter contato com mais de 100 alunos semanalmente e levar a eles todo o conhecimento e o amor pela literatura que adquiri ao longo dos últimos anos. Além disso, por ser uma escola privada, tenho a vantagem de dispor de recursos e de uma estrutura fantástica que me permite levar adiante praticamente qualquer ideia de aula que eu deseje, o que também me fascinou.</p>
<p>Um exemplo básico, mas muito importante em literatura, é que praticamente todos alunos têm condições de comprar os livros solicitados, então o trabalho com as obras pode ter um direcionamento bastante específico e profundo.</p>
<p>No momento, estou lecionando para uma sexta série, duas sétimas e duas oitavas, um período de 60 minutos por semana.</p>
<p>Na escola há um projeto &#8212; que funciona &#8212; no qual todas as turmas devem ler ao menos um livro por mês, sendo que a lista é estabelecida ainda no início do ano. Por essa razão, considerei tal lista para os títulos que irei trabalhar em sala de aula, sem deixar de fazer algumas modificações. Veja:</p>
<h3>6ª série</h3>
<ul>
<li>Junho: <a title="Aprendiz de Inventor" href="http://www.lendo.org/comprar/aprendiz-de-inventor/">Aprendiz de Inventor</a>, de João Carrascoza</li>
<li>Julho: <a title="Cazuza" href="http://www.lendo.org/comprar/cazuza-viriato/">Cazuza</a>, de Viriato Correa</li>
<li>Agosto: <a title="O Mistério do 5 estrelas" href="http://www.lendo.org/comprar/misterio-do-5-estrelas/">O Mistério do 5 estrelas</a>, de Marcos Rey</li>
<li>Setembro: <a title="O Santinho" href="http://www.lendo.org/comprar/o-santinho/">O Santinho</a>, de Luis Fernando Veríssimo</li>
<li>Outubro: <a title="Para gostar de ler - Poesias" href="http://www.lendo.org/comprar/para-gostar-de-ler-vol-6/">Para gostar de ler Vol. 6 – Poesias</a>, de José Paulo Paes, Henriqueta Lisboa, Mário Quintana, Vinícius de Moraes</li>
<li>Novembro: <a title="A chave do tamanho" href="http://www.lendo.org/comprar/a-chave-do-tamanho/">A Chave do tamanho</a>, de Monteiro Lobato</li>
</ul>
<h3>7ª séries</h3>
<ul>
<li>Junho: <a title="A Bolsa amarela" href="http://www.lendo.org/comprar/a-bolsa-amarela/">A bolsa amarela</a>, de Lygia Bojunga</li>
<li>Julho: <a title="Os meninos da rua da praia" href="http://www.lendo.org/comprar/os-meninos-da-rua-da-praia/">Os meninos da rua da praia</a>, de Sérgio Caparelli</li>
<li>Agosto: <a title="O menino no espelho" href="http://www.lendo.org/comprar/o-menino-no-espelho/">O Menino no Espelho</a>, de Fernando Sabino</li>
<li>Setembro: <a title="William Shakespeare e seus atos dramáticos" href="http://www.lendo.org/comprar/william-shakespeare-e-seus-atos-dramaticos/">William Shakespeare e seus atos dramáticos</a>, de Andrew Donkin</li>
<li>Outubro: <a title="As viagens de Gulliver" href="http://www.lendo.org/comprar/as-viagens-de-gulliver/">As Viagens de Gulliver</a>, de Jonathan Swift</li>
<li>Novembro: <a title="Os deuses do Olimpo" href="http://www.lendo.org/comprar/os-deuses-do-olimpo/">Os deuses do Olimpo</a>, de Menelaos Stephanides</li>
</ul>
<h3>8ª séries</h3>
<ul>
<li>Junho: <a title="Capitães da Areia" href="http://www.lendo.org/comprar/capitaes-da-areia/">Capitães da Areia</a>, de Jorge Amado</li>
<li>Julho: <a title="Olhai os lírios do campo" href="http://www.lendo.org/comprar/olhai-os-lirios-do-campo/">Olhai os lírios do Campo</a>, de Erico Veríssimo</li>
<li>Agosto: <a title="Frankenstein" href="http://www.lendo.org/comprar/frankenstein/">Frankenstein</a>, de Mary Shelley</li>
<li>Setembro: <a title="Exército de um Homem Só" href="http://www.lendo.org/comprar/exercito-de-um-homem-so/">Exército de um homem só</a>, de Moacyr Scliar</li>
<li>Outubro: <a title="Os Natos" href="http://www.lendo.org/comprar/os-natos-vol-1/">Os Natos vol. 1</a>, de Beto Junqueyra</li>
<li>Novembro: <a title="Vidas Secas" href="http://www.lendo.org/comprar/vidas-secas/">Vidas Secas</a>, de Graciliano Ramos</li>
</ul>
<p>Posteriormente, se houver interessados, pretendo publicar aqui meus planos de aula e materiais completos utilizados para trabalhar cada um dos livros.
<p></p>
<ul>
<li><a href="http://www.lendo.org/comprar/livroslancamentos/">Confira os últimos lançamentos em livros</a></li>
<li><a href="http://www.lendo.org/comprar/livrosmaisvendidos/">Veja a lista dos livros mais vendidos</a></li>
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<small>Este artigo pertence ao site <a href="http://www.lendo.org">Lendo.org</a> e foi escrito por André Gazola</small></p>
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		<title>Paz Guerreira, de Talal Husseini</title>
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		<pubDate>Sun, 29 May 2011 14:07:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Gazola</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literário]]></category>
		<category><![CDATA[Filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Brasileira]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Contemporânea]]></category>
		<category><![CDATA[Talal Husseini]]></category>

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		<description><![CDATA[Durante meu curso universitário tive um contato bastante precário e num nível bastante acadêmico com filosofia. Falou-se de Platão, Kant, Nietzsche, e alguns outros, com suas contribuições para a educação e para a literatura, sempre de modo bem teórico. Assim, nada foi visto em relação ao sentido prático da filosofia, que na sua origem, na [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Durante meu curso universitário tive um contato bastante precário e num nível bastante acadêmico com filosofia. Falou-se de Platão, Kant, Nietzsche, e alguns outros, com suas contribuições para a educação e para a literatura, sempre de modo bem teórico. Assim, nada foi visto em relação ao sentido prático da filosofia, que na sua origem, na antiguidade clássica, era o que realmente importava.</p>
<p>Certo dia, visitando a biblioteca pública da minha cidade, encontrei um panfleto curioso de uma instituição chamada <a href="http://www.nova-acropole.org.br/">Nova Acrópole</a>, informando ser uma <em>escola de filosofia à maneira clássica</em>.</p>
<p>Era um prato cheio para um literato recém saído da universidade.</p>
<p><span id="more-2129"></span></p>
<p>Fui até o local indicado no panfleto, na data e hora em que seria dada uma aula inaugural-demonstrativa do curso desenvolvido pela escola. Era uma sala pequena e simples. A professora mostrou-me a pequena biblioteca com diversos títulos magníficos &#8212; todos de filosofia, obviamente &#8212; e explicou-me sobre o que se tratava no curso e o que era a Nova Acrópole.</p>
<p>Minha surpresa foi grande quando soube que aquela instituição, fundada em 1957, existe em mais de 50 países, contando com mais de 10 mil membros ativos e centenas de milhares de simpatizantes! A Nova Acrópole, através de seus cursos, busca ser um local onde é possível compartilhar ensinos sobre diferentes tradições espirituais e filosóficas da humanidade, recuperando assim, o ideal clássico da filosofia como meio para se viver uma existência mais humana e completa. Seu fundador, o professor Jorge Angel Livraga Rizzi, dedicou a vida à fraternidade entre os indivíduos e os povos, ao combate da miséria material e moral de seus contemporâneos e à defesa da liberdade de consciência e de expressão onde estivessem ameaçadas. São esses mesmos ideais que a escola vem mantendo e disseminando até hoje.</p>
<p>Nem preciso dizer que resolvi fazer o curso de primeiro nível e que estou gostando bastante, afinal esses princípios estão alinhados à <a href="http://www.lendo.org/pela-humanidade-literaria/">teoria da humanidade literária</a> a qual sou adepto e desenvolvi ao longo de diversos textos, acadêmicos ou não.</p>
<p><a href="http://www.lendo.org/comprar/paz-guerreira/"><img class="alignleft" title="Paz Guerreira, de Talal Husseini" src="http://www.lendo.org/wp-content/uploads/2011/05/paz-guerreira.jpg" alt="Paz Guerreira, de Talal Husseini" width="180" height="261" /></a></p>
<p>Outra coisa que descobri é que a Nova Acrópole possui <a href="https://edicoesna.websiteseguro.com/index.php">publicações próprias</a> &#8212; inclusive uma revista muito boa chamada <em>Esfinge</em>. A mais recente dessas publicações é um livro que ganhei da minha professora e que me surpreendeu bastante: <strong>Paz Guerreira, de Talal Husseini</strong>.</p>
<p>Para resgatar o que há de humano no próprio ser humano &#8212; o objetivo principal da escola &#8212; é preciso destacar algumas das características que acabaram ficando para trás na sociedade atual. É a partir daí que surge a ideia do <em>caminho das dezesseis pétalas</em>, uma metáfora utilizada ao longo do enredo como forma de representar cada um desses valores: humildade, admiração, força, liderança, obediência, nobreza, honra, cavalaria, retidão, coragem, respeito, regulamento, paciência, valor, determinação e destino.</p>
<p>Não pense você, no entanto, que se trata de mais um daqueles livros que tentam lhe ensinar questões comportamentais através de conceitos repetitivos e contraditórios. Ao longo dos desesseis capítulos de <a href="http://www.lendo.org/comprar/paz-guerreira/">Paz Guerreira</a> você será levado a um universo épico comparável àquele representado em <em>O Senhor dos Anéis</em>, onde conflitos milenares e missões impossíveis permeiam duas realidades paralelas em que sonho e realidade se confundem para culminar com uma grande batalha que decidirá o destino da humanidade.</p>
<p>Com referências filosóficas abundantes para um olho mais acurado &#8212; eu, que não tenho grande conhecimento da área, identifiquei conceitos de Platão e Kant, principalmente &#8212; , a questão dos valores é tratada de forma representativa nas ações e decisões das personagens, o que leva o leitor a reflexões bastante necessárias hoje em dia, como, por exemplo, o problema do egoísmo em conflito com o altruísmo.</p>
<p>Paz Guerreira é um livro no qual a combinação de fantasia, aventura e filosofia deu muito certo no sentido de alcançar seu propósito, que é apresentar a filosofia de forma menos acadêmica ao leitor médio, permitindo que outras formas de pensar sejam difundidas e, quem sabe, adotadas por muitos que desejam um mundo em que o ser humano tome consciência de tudo aquilo que o diferencia de um animal irracional.</p>
<ul>
<li><a href="http://www.lendo.org/comprar/paz-guerreira/">Compre o livro na Livraria Cultura</a></li>
<li><a href="http://pazguerreira.com.br/">Acesse o site do livro</a></li>
<li><a href="http://twitter.com/#!/pazguerreira">Siga o Twitter do livro</a></li>
<li>Leia mais: <a href="http://nosgeeks.pop.com.br/paz-guerreira-livro-brasileiro-e-comparado-a-harry-potter-e-senhor-dos-aneis/">Paz Guerreira, livro brasileiro, é comparado a Harry Potter e O Senhor dos Anéis</a></li>
</ul>
<p></p>
<ul>
<li><a href="http://www.lendo.org/comprar/livroslancamentos/">Confira os últimos lançamentos em livros</a></li>
<li><a href="http://www.lendo.org/comprar/livrosmaisvendidos/">Veja a lista dos livros mais vendidos</a></li>
</ul>
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<small>Este artigo pertence ao site <a href="http://www.lendo.org">Lendo.org</a> e foi escrito por André Gazola</small></p>
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		<title>Relógio Sem Sol, de Cadão Volpato</title>
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		<pubDate>Mon, 09 May 2011 17:53:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Gazola</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literário]]></category>
		<category><![CDATA[Cadão Volpato]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Brasileira]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Contemporânea]]></category>

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		<description><![CDATA[Há escritores que investem todas as suas energias na trama, urdindo histórias tão fantásticas que muitas vezes só podem ser narradas de maneira simples e direta, como se o narrador fosse um amanuense. Franz Kafka e Murilo Rubião fazem parte deste time. Há escritores que voltam seus esforços sobre a linguagem. O código é o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Há escritores que investem todas as suas energias na trama, urdindo histórias tão fantásticas que muitas vezes só podem ser narradas de maneira simples e direta, como se o narrador fosse um amanuense. Franz Kafka e Murilo Rubião fazem parte deste time. Há escritores que voltam seus esforços sobre a linguagem. O código é o alvo. À trama não é dada tanta importância. São os virtuoses. Se fossem guitarristas seriam Edie Van Halen, ou Stevie Vai. Como são escritores, chamam-se James Joyce, Lobo Antunes, Oswald de Andrade. Existem também escritores que criam tramas poderosas, escritas numa linguagem ainda mais poderosa. As dark plays, de Shakespeare, ou o <em>Grande Sertão</em>, do Rosa, são exemplos. Há ainda escritores, ou escritoras, que usam da pena como quem usa de uma britadeira. Estão escavando. Tanto a trama quanto a linguagem são meros instrumentos para algo que está além da escrita. A palavra aqui é instrumento de busca para o mistério amorfo da condição humana e da própria linguagem. Escrevem assim Clarice Lispector e Katherine Mansfield, entre outras. Mas há alguns escritores, ou melhor,  algumas obras de certos escritores, que não nos seduzem pela trama, pela busca, ou pela linguagem, e sim por um certo estranhamento diante do absurdo que é a vida. O cotidiano e o banal nos são esfregados na face de forma tão nua que ficamos com um gosto amargo na boca e uma sensação terrível de vazio. Exemplos? <em>O estrangeiro</em>, do Camus, <em>Esperando Godot</em>, do Beckett, <em>A cantora careca</em>, do Ionesco e também <a href="http://www.lendo.org/comprar/relogio-sem-sol/">Relógio Sem Sol</a>, do <strong>Cadão Volpato</strong>, livro que me surpreendeu demais.</p>
<p><span id="more-2122"></span></p>
<p><a href="http://www.lendo.org/comprar/relogio-sem-sol/">Relógio Sem Sol</a> é um livro pequeno, 115 páginas. Três <em>short long story</em> divididas em duas partes: Relógio Sem Sol, dois contos, e Homem Sem Ouro, um conto. Parece pouco, né? Parece, mas não se enganem, leitores, os relógios são maiores por dentro e, quando abertos, revelam mundos estranhos&#8230; Indefiníveis.</p>
<p><a href="http://www.lendo.org/comprar/relogio-sem-sol/"><img class="alignleft size-full wp-image-2123" title="Relógio sem Sol, de Cadão Volpato" src="http://www.lendo.org/wp-content/uploads/2011/05/relogio-sem-sol.jpg" alt="Relógio sem Sol, de Cadão Volpato" width="180" height="343" /></a> O estranhamento começa logo de cara, porque há histórias demais para títulos de menos. Então, ou nenhuma das três histórias tem título, ou as duas histórias da primeira parte têm o mesmo título, ou as três histórias podem estar separadas, mas serem unidas por um fio condutor invisível. Tudo é possível, porque o narrador nunca mantém um esquema linear, mas vai e volta o tempo todo, atrasando ou adiantando seu relógio como bem lhe convém. É como se estivéssemos vendo fotos aleatoriamente, sem qualquer preocupação cronológica. Ora estamos no século XXI, ora estamos nos anos sessenta, setenta, ou oitenta do século passado. Não é um jogo simples, véus e desvendas. E o pior é que há um nível de importância para determinados fatos nos serem revelados e outros não, entretanto tudo o que é contado parece ser extremamente banal, cotidiano. Observamos as personagens se movimentarem, como se estivessem em busca de algo, mas do que? Elas, as personagens, são como espelhos no escuro, relógios sem Sol. Sentimos que Miguel&#8230; Ilíria&#8230; David&#8230; Solange estão orbitando em volta de algo, mas este algo não é o Sol, é o nada, o vácuo, o absurdo da existência que não tem fim Sublime algum. De certa maneira, o livro do Cadão nos remete a <em>O Estrangeiro</em>, do Camus, mas a experiência aqui é ainda mais radical, porque Mersault, ainda que não soubesse, girava ao redor de um crime, de um assassinato, era atraído por ele, ainda que não tivesse vontade de matar. Aqui não há sequer um crime. Só existe o vazio, sem revolta, sem nada além de um conformismo melancólico. É como pensa Miguel, observando o filho, num determinado momento do primeiro conto: “Por favor, não chore&#8230; o tempo está ruim para todo mundo”.  O livro todo me lembrou um certo niilismo drummondiano, mas este trecho, talvez por também acontecer numa praia, me fez recitar <em>Consolo na Praia</em> baixinho.</p>
<p>O Sol é outro elemento que, como n<em>O Estrangeiro</em>, ocupa um papel importante na trama, a começar pelo título. Todo o tempo vemos referências ao astro rei. Talvez, por isso mesmo, considerei Relógio um livro extremamente apolíneo. Nietzsche definiu como apolíneo tudo o que é ligado ao claro, ao racional, ao direito, ao másculo, ao pictórico. Em contraposição, temos o dionisíaco, ligado a tudo o que é escuro, intuitivo, esquerdo, feminino, musical. Determinadas cenas do livro do Cadão são quase que pinturas. Um exemplo: “Em alguma praia deserta ao Sul da Bahia, o menino sacode um peixe metálico na porta da cabana, cujo retângulo de luz cega o interior. Miguel está deitado numa esteira, reluta em acordar, tudo está acontecendo de manhã”. Pode ser viagem minha, mas o retângulo de luz me fez lembrar Piet Mondrian. Numa tela cairia tão bem quanto numa página. O lado Dionisíaco, o ritmo, pode ser contido, uma música de câmara, como disse Marçal Aquino, as cores e formas, no entanto, são exuberantes.</p>
<p>Escrevi os quatro parágrafos anteriores há umas dez horas, hoje pela manhã. Agora são 20:26 do dia 27 de abril de 2011. Quebrei a cabeça a tarde inteira, procurando um gran finale para esta resenha. Queria algo poderoso, que transmitisse todo o meu entusiasmo durante a leitura dos três contos. Vislumbrei agora há pouco uma ideia. Seguinte, acredito que o Brasil tem grandes escritores, mas existem três que, pra mim, são soberanos, estão fora de qualquer batalha canônica. São eles: Campos de Carvalho, Guimarães Rosa e Raduan Nassar. O que isso tem a ver com o meu gran finale? Bem, há uns oito ou dez anos, fui ao cinema. Enquanto esperava o filme começar, peguei uma revista do Instituto Moreira Salles sobre o Raduan Nassar, estava jogada na mesinha do café. Havia ali um conto chamado Hoje de madrugada. Comecei a ler. Parecia uma história tão comum, narrada de uma maneira tão simples, mas por trás daquela cena singela havia um universo de desencontros. O filme começou, estávamos eu, minha mulher, que na época era namorada, e mais uma amiga. Elas me chamaram. Continuei lendo. Elas entraram para ver o filme. Continuei lendo. Depois de terminar a leitura, reli o conto inteiro. Quando entrei na sala, já tinha passado mais de meia hora de filme. Minha mulher, que na época era namorada, brigou um bocado. Não consegui prestar atenção em nada do que passava na tela. Estava perplexo com a história do Raduan. De ontem pra hoje experimentei a mesma sensação outra vez, depois que o carteiro entregou <a href="http://www.lendo.org/comprar/relogio-sem-sol/">Relógio Sem Sol</a> aqui em casa&#8230; é uma espécie de êxtase triste, deixa um gosto estranho na boca que nem pipoca, nem coca-cola, nem comédia americana conseguem arrancar. Puta livro.</p>
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<p>Resenha escrita por <a href="http://pianistaboxeador21.blogspot.com/">Daniel Lopes</a>, autor com textos  publicados  nas  revistas  literárias Amálgama, Meio Tom, Germina e Escritoras Suicidas. Publicou em 2008 o romance <em>É preciso ter um caos dentro de si para criar uma estrela que dança</em>, em 2010  publicou  o  livro  de  contos <em>Pianista boxeador</em>.  Foi  vencedor  do  prêmio  Valeu  Professor  2010,  categoria conto.</p>
<p>Para enviar sua resenha, <a href="http://www.lendo.org/contato/">entre em contato</a>.
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<ul>
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<small>Este artigo pertence ao site <a href="http://www.lendo.org">Lendo.org</a> e foi escrito por André Gazola</small></p>
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		<title>Os Malaquias, de Andrea del Fuego</title>
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		<pubDate>Wed, 04 May 2011 13:31:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Gazola</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literário]]></category>
		<category><![CDATA[Andrea del Fuego]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Brasileira]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Contemporânea]]></category>

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		<description><![CDATA[Toda menina que começa a escrever no Brasil tem sobre os ombros um imenso espectro observando a tela do computador ou o caderno: o espectro de Clarice Lispector. É fatal, sempre que um crítico que trabalha de maneira comparada tiver em mãos o trabalho de uma jovem escritora, vai buscar conexões e convergências com o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Toda menina que começa a escrever no Brasil tem sobre os ombros um imenso espectro observando a tela do computador ou o caderno: o espectro de Clarice Lispector. É fatal, sempre que um crítico que trabalha de maneira comparada tiver em mãos o trabalho de uma jovem escritora, vai buscar conexões e convergências com o trabalho da nossa maior literata. Mesmo porque Clarice é imensa, seus tentáculos se movimentam para todos os lados e alcançam os textos mais recônditos. Eu bem que poderia começar esta resenha comparando a escritora mineira <strong>Andrea del Fuego</strong> à Clarice que, a seu modo, fez literatura regional em <em>A hora da estrela</em>. Eu bem que poderia começar o texto com a frase de Clarice que se aplica tão bem à literatura de Andrea: &#8220;Se for pra escrever, que não se esmague com palavras as entrelinhas&#8221;, mas tudo isso seria forçar a barra e eu quero fugir do estereótipo. De modo que, se a ideia for buscar analogias e estabelecer uma genealogia literária a partir de outros escritores, Andrea seria uma mistura do também mineiro Murilo Rubião com o alagoano Graciliano Ramos, ou com o pernambucano João Cabral de Melo Neto. Agora tem o seguinte&#8230; A narrativa que, a meu ver,  é a avó do primeiro romance da escritora mineira é <em>Pedro Páramo</em>, do mexicano Juan Rulfo. </p>
<p>Vamos por partes, como diria Jack.</p>
<p><span id="more-2119"></span></p>
<p><a href="http://www.lendo.org/comprar/os-malaquias/"><img src="http://www.lendo.org/wp-content/uploads/2011/05/os-malaquias.jpg" alt="Os Malaquias, de Andrea del Fuego" title="Os Malaquias, de Andrea del Fuego" width="180" height="262" class="alignleft size-full wp-image-2120" /></a><a href="http://www.lendo.org/comprar/os-malaquias/">Os Malaquias</a> conta a história de três crianças, moradoras de uma cidadezinha chamada Serra Morena, que são separadas depois que um raio mata seus pais. Basicamente, o enredo do romance é este, entretanto o tratamento dado pela autora a este enredo simples é que são outros quinhentos. Andrea é concisa, dura, parece ter recebido uma educação pela pedra na escola das facas de João Cabral. Pau é pau, pedra é pedra. Em seu estilo não há espaço para adjetivos e a elipse de artigos e pronomes é freqüente. Qualquer semelhança com Graciliano Ramos seria mera coincidência, ou a linguagem econômica é fruto dos twitteres, facebooks e blogues? Só a autora mesmo pra responder. Eu, contudo, acredito que essa forma de escrever se associa ao regional, principalmente por causa da musicalidade cortante e da prosódia sertaneja de sua narrativa. Apesar de concisa, Andrea não abre mão da poiesis, ela, a poesia, flutua sobre suas palavras secas e certeiras leve como “a memória minúscula e transparente” da defunta Geraldina. Um post do facebook dificilmente alcança a força estética que encontramos aqui.</p>
<p>Outra característica presente n’<a href="http://www.lendo.org/comprar/os-malaquias/">Os Malaquias</a> que não pode ser deixada à margem é a presença do insólito, do absurdo, em meio ao real. Como afirmava Alejo Carpentier na teoria do Real Maravilhoso, o insólito na América Latina é cotidiano, devido principalmente à mestiçagem. A Geraldina d’Os Malaquias é filha de índios, ligação entre o mundo dos vivos e o mundo xamânico dos espíritos,  arquétipo do bode expiatório em Serra Morena, cujo sacrifício é exigido na tessitura do romance e em quase todas as sociedades primitivas. É mesmo cotidiano, o insólito, abaixo da linha do equador. Exatamente como na Comala de Juan Rulfo, na Serra Morena de Andréa, mortos e vivos caminham lado a lado, juntos, na mesma cidade. Ambos, mortos e vivos, são formados pelas mesmas moléculas que ora estão em um, ora estão em outro. Morto/Vivo, Vivo/Morto. É possível uma analogia com O Pirotécnico Zacarias, do mágico mineiro Murilo Rubião?</p>
<p>Um ponto que chama a atenção no romance é a  humanização dada aos objetos e a fusão dos personagens ao ambiente, como se um fosse parte integrante do outro. Imagem muito forte que fica na mente do leitor, ocorre quando o embrião de Maria, mulher de Nico, um dos órfãos, é desmanchado pela água e agregado à entidade Geraldina, ao mesmo tempo em que essa, com a mudança de cenário (rural/urbano/progresso) se transforma também, dando uma impressão de imortalidade aos seres. A morte aqui seria apenas uma mudança de estados, do sólido para o gasoso, do gasoso para o líquido (Quando Geraldina está por perto o leite não ferve). De certo modo é uma ideia encontrada também no Paraíso Líquido, de Luiz Brás: uma morte filosófica, como no mito do eterno retorno. De alguma forma, Geraldina, algum dia, depois de todas as combinações possíveis dos átomos, retornaria à vida. </p>
<p>A ambivalência, característica dos grandes textos literários, também dá as caras por aqui. Um dos personagens é anão. Quando tal fato é constatado o médico declara: &#8220;&#8230;os antepassados explicariam a inibição das glândulas de crescimento. Ou o problema pode ter se iniciado nele mesmo. Que Deus não me ouça, mas já ouvi casos em que a mulher adúltera é castigada com um filho defeituoso&#8221;. Houve adultério ou não? É o embate entre a ciência e o misticismo. Mais tarde Júlia, também dá a luz a um filho anão, como os irmãos Malaquias foram separados muito cedo, nem ela nem o marido sabem que o irmão também sofre do mesmo problema. A dúvida a respeito da traição se instaura outra vez e desemboca no&#8230; Ops&#8230; Não contamos mais nada porque senão perde a graça.</p>
<p>Estamos nos aproximando do final e toda crítica que se preze tem um senão. O senão em <a href="http://www.lendo.org/comprar/os-malaquias/">Os Malaquias</a> é dúbio, tanto pode ser encarado como uma qualidade, quanto como um defeito. Como tudo o mais na vida, depende do ponto de vista. Andrea trabalha como um relojoeira, cada palavra está no seu exato lugar, tudo funciona milimetricamente conforme o planejado, percebe-se que o romance foi bem arquitetado previamente. E qual é o problema com isso? &#8211; Vocês me perguntariam. Problema nenhum, porque é literatura e não vida. Na vida as pessoas tropeçam, caem, levantam, pensam fazer uma coisa e fazem outra. Numa entrevista recente, Andrea confessa que pensou ter achado o mapa da mina quando descobriu a escaleta. Pode ser, mas ela, a escaleta, ao mesmo tempo em que sustenta o texto e aponta um caminho, de certa maneira, também engessa a escrita e limita a fruição, o som, o jazz, a irrupção do subconsciente, tão necessária para quem trabalha com um universo mágico.</p>
<p>Poético. Ótimo. Mágico. Transcedental. Insólito. São todos adjetivos que cabem a <a href="http://www.lendo.org/comprar/os-malaquias/">Os Malaquias</a>, mas que não apareceriam de modo algum no corpo deste romance. Um grande livro que renova o realismo mágico e que aponta uma forma de regionalismo possível para o século XXI.</p>
<hr />
<p>Resenha escrita por <a href="http://pianistaboxeador21.blogspot.com/">Daniel Lopes</a>, autor com textos  publicados  nas  revistas  literárias Amálgama, Meio Tom, Germina e Escritoras Suicidas. Publicou em 2008 o romance <em>É preciso ter um caos dentro de si para criar uma estrela que dança</em>, em 2010  publicou  o  livro  de  contos <em>Pianista boxeador</em>.  Foi  vencedor  do  prêmio  Valeu  Professor  2010,  categoria conto.</p>
<p>Para enviar sua resenha, <a href="http://www.lendo.org/contato/">entre em contato</a>.
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<p><a href="http://www.submarino.com.br/homecache/books.aspx?Query=ProductPage&#038;ProdTypeId=1&#038;franq=262104"><img src="http://i.S8.com.br/images/afiliados/banner/468x60_livros.jpg" border="0"></a></p>
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<small>Este artigo pertence ao site <a href="http://www.lendo.org">Lendo.org</a> e foi escrito por André Gazola</small></p>
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		<title>Alameda Santos, de Ivana Arruda Leite</title>
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		<pubDate>Thu, 28 Apr 2011 19:45:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Gazola</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literário]]></category>
		<category><![CDATA[Ivana Arruda Leite]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Brasileira]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Contemporânea]]></category>

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		<description><![CDATA[Um crítico deve ser flexível. Não é a obra que deve se adaptar à visão do crítico e sim o contrário. Com o espírito aberto, a primeira coisa a fazer é observar qual a intenção do autor e o tipo de público que ele deseja atingir. Depois, é necessário analisar se o autor fez bem [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Um crítico deve ser flexível. Não é a obra que deve se adaptar à visão do crítico e sim o contrário. Com o espírito aberto, a primeira coisa a fazer é observar qual a intenção do autor e o tipo de público que ele deseja atingir. Depois, é necessário analisar se o autor fez bem aquilo que se propôs a fazer. Nem todo mundo quer ser Shakespeare. O problema com a crítica que temos é que ela ainda não percebeu isso e, se percebeu, não tem competência e desprendimento para analisar uma obra pop por aquilo que ela deseja ser: POP. Simplesmente.</p>
<p><span id="more-2114"></span></p>
<p><a href="http://www.lendo.org/comprar/alameda-santos/"><img src="http://www.lendo.org/wp-content/uploads/2011/04/alameda-santos.jpg" alt="Alameda Santos, de Ivana Arruda Leite" title="Alameda Santos, de Ivana Arruda Leite" width="181" height="271" class="alignleft size-full wp-image-2115" /></a></p>
<p>	Falei essas coisas a respeito da crítica porque terminei de ler <a href="http://www.lendo.org/comprar/alameda-santos/">Alameda Santos</a>, da Ivana Arruda Leite. Gosto de Shakespeare e gostei do livro da Ivana. Cada um no seu quadrado. Shakespeare é Shakespeare. Ivana é outro papo, tenta desvendar a condição humana por meio do desbunde&#8230; do riso, mas não pensem que é um riso fácil&#8230; solto. Não Senhor. Nada disso. O nosso riso, lendo <a href="http://www.lendo.org/comprar/alameda-santos/">Alameda Santos</a>, é o mesmo riso dolorido de quando lemos <em>Dom Quixote</em>, ou de quando ouvimos The Smiths e a melodia solta e leve de Johnny Marr nos faz acreditar que o som induz ao sorriso. Só que aí prestamos atenção às letras do Morrisey e nosso riso se torna enviesado, como se houvesse um espinho ao lado&#8230; inflamando&#8230; enchendo de pus nossa comédia.</p>
<p>	Acho que fui feliz na comparação com os Smiths, porque a música, inclusive com trechos transcritos, atravessa toda a obra. Não tanto o Rock, mais a música popular brasileira. Música é música, não é? Se fosse pintura, poderíamos dizer que o som é como uma imensa diagonal cortando a tela. O próprio texto são as fitas que a protagonista grava todo final de ano, enquanto toma umas e outras e relembra as desventuras. Até a capa do livro parece a capa de um daqueles LP´s new wave dos anos 80. POP.</p>
<p>	Contudo, não é só a música, nem só o desbunde que compõem o romance. Há muito mais coelhos nessa cartola. Ralph Waldo Emerson, gênio, afirma em um de seus <em>Ensaios</em> que não existe História, só Biografia. O livro da Ivana funciona como uma prova dos nove dessa afirmação. Vai vendo. Durante o desenrolar da narrativa, a protagonista (não nomeada) tenta de tudo para dar sentido à existência. Do marxismo à magia. Da vida na cidade à vida no sítio. Da renovação carismática católica a Nietzsche. Ocorre aqui, no microcosmo da ficção (ficção?) o mesmo que ocorre no macrocosmo da História. Na mesma época em que a narradora (a própria Ivana?)  batia a cabeça nas arestas do mundo e de seus relacionamentos, procurando encontrar um rumo; o país  saía da ditadura militar, lutava por diretas, enterrava Tancredo ao som de coração de estudante, encarava Sarney e a inflação, Fernando Collor e o assassinato de Daniela Perez. De certa maneira, é o que Milan Kundera sempre fez de forma magistral, mas sem o veio cômico.</p>
<p>	Outro ponto interessante do livro é que, a seu modo meio tresloucado, ele também é um romance de formação, <em>Um Retrato do Artista Quando Jovem</em>, embora a Artista não seja tão jovem assim. Nada é mesmo convencional aqui. O fato é que vemos um coração sensível, perdido, artístico, se debatendo contra o mundo, essa máquina de moer gente. Não é no primeiro plano, mas ao fundo que vemos grassar o sonho da escrita. Esse sonho que, ao mesmo tempo em que conforta, também destrói um bocado de gente. “Os artistas estão mesmo fodidos nesse mundo”. É isso que a voz de Ivana, ela mesma, nos diz em suas fitas, ora sussurrando, ora vociferando, conforme o lirismo dos bêbados e dos clowns de Shakespeare. <em>The girl with the thorn in his side</em>.</p>
<p>	O livro grita ainda outra verdade, um misto de Nelson Rodrigues: “Só os neuróticos verão a Deus” e Allen Ginsberg  “santo, santo, santo, tudo é santo”. Os santos, digo, os personagens de <strong>Ivana Arruda Leite</strong> são todos neuróticos. Charles (o mais doido), Eduardo, Tereza, Caio, Guto, todos são desajustados. Todos queimam e queimam e queimam como o Dean Moriarty de Kerouac. Todos estão se debatendo com a vida e enfrentando a moral dos fracos (no sentido nietzscheano) que se tornou alicerce de tantos poderosos hipócritas. Todos se machucam. Ninguém sai ileso de um confronto assim. O mundo é foda. Viver é difícil. Essa é uma das idéias.</p>
<p>	Poderia ficar falando aqui a tarde toda sobre o livro. Também sou meio verborrágico, feito a narradora, mas é preciso terminar. A vida ruge lá fora. Fico imaginando então, pra concluir, não a influência de Ivana em <a href="http://www.lendo.org/comprar/alameda-santos/">Alameda Santos</a>, mas a influência de Alameda Santos em Ivana Arruda Leite. É um livro-catarse, esse, um acerto de contas com a vida e com o passado. Algo que paira sobre o céu da literatura brasileira hoje. Andréa del Fuego escreveu <em>Os Malaquias</em>, Michel Laub escreveu <em>Diário da queda</em>. Não sei a que conclusões Ivana chegou ao término do livro, não consigo sequer fantasiar. Como leitor, se pudesse dizer alguma coisa, diria só:</p>
<p>	- Valeu à pena, Ivana, outros corações encontram agora espelho e consolo no seu coração. – E não é essa mesma uma das razões da Arte? Chegar até outros corações cansados como o nosso e dizer que eles não estão sozinhos&#8230; que, apesar de todos os Fortes do Mal, formamos uma corrente? Corrente e não pirâmide, que pirâmide dá muita confusão.</p>
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<p>Resenha escrita por <a href="http://pianistaboxeador21.blogspot.com/">Daniel Lopes</a>, autor com textos  publicados  nas  revistas  literárias Amálgama, Meio Tom, Germina e Escritoras Suicidas. Publicou em 2008 o romance <em>É preciso ter um caos dentro de si para criar uma estrela que dança</em>, em 2010  publicou  o  livro  de  contos <em>Pianista boxeador</em>.  Foi  vencedor  do  prêmio  Valeu  Professor  2010,  categoria conto.</p>
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<small>Este artigo pertence ao site <a href="http://www.lendo.org">Lendo.org</a> e foi escrito por André Gazola</small></p>
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