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      <title>O Biscoito Fino e a Massa</title>
      <link>http://www.idelberavelar.com/</link>
      <description>Um blog sobre política, literatura, música e futebol basquetebol. Na rede desde outubro de 2004. </description>
      <language>pt</language>
      <lastBuildDate>Mon, 10 Aug 2009 15:58:46 -0300</lastBuildDate>
      <copyright>Idelber Avelar 2004-2006</copyright>
      <managingEditor>idelberavelar@gmail.com</managingEditor>
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      <title>O Biscoito Fino e a Massa</title>
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         <title>Este blog está em hibernação por tempo indeterminado</title>
<CommentCount>0</CommentCount> 
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        <![CDATA[<p>Caros leitores: </p>

<p>É hora de dar-lhes uma satisfação sobre os rumos do blog. Depois de muito pensar e examinar alternativas, decidi colocar o Biscoito em regime de hibernação por tempo indeterminado. Achei que conseguiria chegar ao quinto aniversário do blog, em outubro deste ano, no regime de postagens quase diário com o qual os leitores já se acostumaram. Mas não vai dar. Ficou impossível conciliar meu intenso envolvimento com a internet e o trabalho acadêmico que pretendo fazer nos próximos meses, que inclui três contratos de livros. </p>

<p>Claro que pensei na alternativa de manter o blog ativo e reduzir a frequência dos posts, o que teoricamente me permitiria dedicar mais tempo à pesquisa e à escrita acadêmica. No entanto, como sabe qualquer internauta viciado, as coisas não são tão simples. A vida online suga bastante e a minha, em particular, tem tido forte componente compulsivo. É mais ou menos como parar de fumar. No meu caso, “reduzir” não era uma opção. </p>

<p>Também pensei na possibilidade de convidar alguns dos muitos comentaristas do blog para postarem textos aqui a cada semana, transformando o Biscoito numa espécie de revista. Mas, além de que isso  me manteria ligado na caixa de comentários, a ideia não tem muito sentido, visto que praticamente todos os colaboradores em quem pensei têm os seus próprios blogs. </p>

<p>Vou manter minha conta <a href="http://twitter.com/iavelar">no Twitter</a> mas também por lá devo dar uma reduzida. Sigo colaborando com a <a href="http://www.revistaforum.com.br/sitefinal/">Revista Fórum</a>, em cujo site você poderá ler, mensalmente, meus artigos, que não pretendo continuar postando aqui. </p>

<p>Nestes dez dias sem blogar, redescobri um pouco do intenso prazer de ler a produção acadêmica recente em crítica literária, filosofia e estudos culturais: ler coisas com capa, desenvolvendo um longo, complexo argumento em centenas de páginas, produto de pesquisa e reflexão feita ao longo de anos. É uma experiência que, pelo menos para mim, a internet não substitui. Claro que continuo um entusiasta dos blogs, das redes sociais, das novas mídias. Claro que é possível conciliar as duas coisas, viver simultaneamente nos dois mundos. Este blog provou isso nos últimos cinco anos, em que minha produção acadêmica se manteve mais ou menos constante. Mas o fato é que não conheço, pelo menos em português, um blog de penetração e frequência de postagens comparáveis às do Biscoito que seja escrito por um acadêmico ativo, com produção constante. Dá um trabalho do cacete. Meu amigo Michael Bérubé teve um blog comparável durante alguns anos. Precisou parar. Ainda não voltou. Minha suspeita é que vou acabar voltando antes dele mas, agora, impõe-se uma pausa para respirar e recarregar as baterias do intelecto. </p>

<p>Fica aqui o convite para que você escarafunche os arquivos do blog sobre <a href="http://www.idelberavelar.com/archives/politica/">política</a>, <a href="http://www.idelberavelar.com/archives/direito_e_justica/">Direito</a>, <a href="http://www.idelberavelar.com/archives/literatura/">literatura</a>, <a href="http://www.idelberavelar.com/archives/filosofia/">Filosofia</a>, <a href="http://www.idelberavelar.com/archives/musica/">música</a>, <a href="http://www.idelberavelar.com/archives/futebol_e_redondezas/">esportes</a>, <a href="http://www.idelberavelar.com/archives/new_orleans/">New Orleans</a> e <a href="http://www.idelberavelar.com/archives/metablogagem/">metablogagem</a>. Há bastante material sobre a <a href="http://www.idelberavelar.com/archives/palestina_ocupada/">Palestina ocupada</a>. Há uma tag sob a qual está agrupada toda a cobertura da <a href="http://www.idelberavelar.com/archives/a_eleicao_de_obama/">eleição de Obama</a>. Para aqueles que se interessam pelos possíveis usos da internet na pesquisa sobre literatura, o <a href="http://www.idelberavelar.com/archives/clube_de_leituras/">Clube de Leituras</a> talvez possa oferecer algumas ideias. </p>

<p>Peço a compreensão de vocês por trancar a caixa de comentários deste post, mas é uma decisão que facilita a minha transição de volta à vida acadêmica em tempo integral. </p>

<p>Há uma teoria que reza que não existe ex-blogueiro e, como dito acima, pretendo voltar em algum momento. Encontrarei formas de avisar-lhes. Deixo o agradecimento a todos os leitores e comentaristas. Agradeço muito a todos os blogs que lincaram textos do Biscoito ao longo destes anos. Obrigado, de verdade. Valeu. </p>]]>
        
        </description>
         <link>http://www.idelberavelar.com/archives/2009/08/este_blog_esta_em_hibernacao_por_tempo_indeterminado.php</link>
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         <category>Metablogagem</category>
         <pubDate>Mon, 10 Aug 2009 15:58:46 -0300</pubDate>
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      </item>
            <item>
         <title>Drops</title>
<CommentCount>67</CommentCount> 
        <description>
        <![CDATA[<p>Os primeiros cinco links dos drops de hoje vêm do último número da Revista Fórum, que está muito bom: </p>

<p>Sergio Amadeu <a href="http://www.revistaforum.com.br/sitefinal/EdicaoNoticiaIntegra.asp?id_artigo=7250">dá uma entrevista</a> sobre a ética que animou o surgimento da internet, o conflito inevitável entre a lei de direitos autorais e o coletivismo internético e fala, como sempre, com autoridade, sobre o <a href="http://www.idelberavelar.com/archives/2009/07/entrevista_sobre_o_ai5_digital.php">AI-5 Digital</a>. </p>

<p>*****</p>

<p>Você sabe, caro leitor, quais são os três estados brasileiros onde não existem Defensorias Públicas? <a href="http://www.revistaforum.com.br/sitefinal/EdicaoNoticiaIntegra.asp?id_artigo=7240">Você leu na Fórum, via Biscoito</a>, primeiro: Santa Catarina, Paraná e Goiás. Três dos grandes – se não <b>os</b> três maiores – bastiões do anti-lulismo. O artigo de Cinthia Rodrigues é uma reflexão breve, mas informativa, incisiva, sobre o triste estado das nossas Defensorias. AC, AP, DF, MS, PB e RR tem 100% de suas comarcas atendidas por Defensorias. Só 47% das comarcas mineiras são atendidas por Defensorias. O estado de São Paulo? Quinto pior índice do Brasil, 7,1%. No artigo de <a href="http://www.revistaforum.com.br/sitefinal/EdicaoNoticiaIntegra.asp?id_artigo=7240">Cinthia Rodrigues</a>. </p>

<p>*****</p>

<p>Renato Rovai e Adriana Delorenzo <a href="http://www.revistaforum.com.br/sitefinal/EdicaoNoticiaIntegra.asp?id_artigo=7247">fizeram interessante entrevista</a> com <s>Valter</s> Wladimir Pomar (obrigado pela correção, André e <a href="http://www.verbeat.org/blogs/biajoni/">Biajoni</a>), talvez o maior especialista brasileiro em China, ainda que com uma versão forçada, oficial e ortodoxa sobre o massacre na Praça Tianamen. </p>

<p>******</p>

<p>Amanda Rossi <a href="http://www.revistaforum.com.br/sitefinal/EdicaoNoticiaIntegra.asp?id_artigo=7248">escreve sobre a medida provisória</a> que prevê a regularização de 67,4 milhões de hectares na Amazônia. </p>

<p>*****</p>

<p>Camila Souza Ramos escreve muito bem sobre a <a href="http://www.revistaforum.com.br/sitefinal/EdicaoNoticiaIntegra.asp?id_artigo=7241">contagem regressiva do kirchnerismo</a> e faz ótima entrevista com o historiador Osvaldo Coggliola. </p>

<p><br />
*****</p>

<p>Foi punida <a href="http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2009/07/31/materia.2009-07-31.6234595645/view">só com uma censura</a> a piradíssima psicóloga evangélica que se propõe a “curar” gays e lésbicas. Mas ainda está viva a <a href="http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2009/07/31/materia.2009-07-31.3898005372/view">possibilidade </a>de que seu registro seja cassado, o que é o correto segundo resolução já aprovada pelo Conselho Federal de Psicologia, que proíbe esse tipo de maluquice. </p>

<p>*****</p>

<p><a href="http://www.unb.br/fd/ced/index.php?option=com_content&task=view&id=25&Itemid=1">O artigo de Paulo Renó</a> sobre cotas e falácias lógicas foi um dos melhores textos que li sobre o assunto ultimamente. </p>

<p>*****</p>

<p>Sempre é bom lembrar que foi Leonardo Sakamoto, e não a grande imprensa, quem noticiou que uma escola pública de São Paulo <a href="http://colunistas.ig.com.br/sakamoto/2009/07/27/escola-vira-alojamento-de-escravos-em-sao-paulo/">virou alojamento de escravos</a>. </p>

<p>*****</p>

<p>Eu ando seguindo, sim, a <a href="http://www.urbanamente.net/blog/">linda série do Urbanamente sobre cidades literárias</a>. </p>

<p>*****</p>

<p>Análise sensata e bem informada, sempre, é o que se tem com Sergio Leo escrevendo sobre a América Latina. <a href="http://verbeat.org/blogs/sergioleo/2009/07/energia-paraguaia.html">Com o Paraguai não é diferente</a>. </p>

<p>******</p>

<p>Está no blog do Alon Feuerwerker o <a href="http://www.blogdoalon.com.br/2009/07/video-30-anos-de-reconstrucao-da-une.html">belo documentário feito pela TV Assembleia Legislativa</a> do Rio Grande do Sul em comemoração aos 30 anos da reconstrução da UNE. Parabéns ao Alon e a toda a geração da reconstrução. </p>

<p>*****</p>

<p>Alguém aí sabe quanto dinheiro público irrigou as Organizações Globo durante os 21 anos do regime militar? Existe alguma pesquisa minimamente fundamentada sobre esse mastodôntico número? Será que algum dos funcionários dos Marinho, ao falar de dinheiro público indo para isso ou aquilo, pensa em fazer essa pesquisa? </p>

<p>*****</p>

<p>Não sei se repararam, mas <a href="http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI3902205-EI13528,00-Bachelet+A+mae+do+Chile+e+o+Brasil.html">Michelle Bachelet deu a volta por cima</a>. </p>

<p>*****<br />
Excelente o texto de Alan Badiou sobre a arte, publicado em português no último número do <a href="http://www.culturaebarbarie.org/sopro/">Sopro</a>, revista editada por <a href="http://www.culturaebarbarie.org/blog/">Alexandre Nodari</a> e <a href="http://www.culturaebarbarie.org/mundoabrigo/">Flávia Cera</a>, que andam fazendo a peregrinação da capital mundial dos botecos. </p>

<p>*****</p>

<p>E, nas <a href="http://twitter.com/tuliovianna/status/3060264320">palavras </a>de Túlio Vianna, Gilmar Mendes <a href="http://www.stf.jus.br/arquivo/cms/noticiaNoticiaStfArquivo/anexo/ADPF186.pdf">indeferiu </a> (pdf) a liminar do DEM contra as cotas, mas preparou o terreno para votar com eles na questão de mérito. </p>]]>
        
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         <link>http://www.idelberavelar.com/archives/2009/08/drops_6.php</link>
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         <category>Metablogagem</category>
         <pubDate>Sat, 01 Aug 2009 07:16:49 -0300</pubDate>
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         <title>Times Inesquecíveis que eu vi, V</title>
<CommentCount>103</CommentCount> 
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        <![CDATA[<p><em>(esta adormecida série já homenageou o <a href="http://www.idelberavelar.com/archives/2005/09/times_inesqueci_1.php">Grêmio 1981-83</a>, o <a href="http://www.idelberavelar.com/archives/2005/07/times_inesqueci.php">Internacional 1975-76</a>, o <a href="http://www.idelberavelar.com/archives/2005/11/times_inesqueci_2.php">Fluminense 1976</a> e o <a href="http://www.idelberavelar.com/archives/2007/05/times_inesqueciveis_que_eu_vi_iv.php">Guarani 1978</a>. Agora, finalmente é a vez do <strong>Galo 1976-1985</strong>)</em></p>

<p><br />
Das equipes homenageadas até agora, esta talvez tenha sido a que durou mais tempo praticando futebol de altíssimo nível. De 1976 a 1985, o Galo venceu 10 dos 12 campeonatos mineiros que jogou. Foi campeão de todos os torneios de verão imagináveis na Europa, numa época em que o prestígio dessas competições estava em seu auge. Chegou às semifinais de metade dos campeonatos brasileiros de que participou. Sagrou-se o único vice-campeão invicto da história, numa disputa de pênaltis fatídica contra um adversário que acumulara 10 pontos a menos que ele em 21 jogos. Vingou-se contra a mesma equipe, no ano seguinte, na final do torneio dos Campeões do Brasil. Foi novamente vice-campeão brasileiro na mais sensacional final de todos tempos. Deixou de vencer uma Libertadores na pior vergonha da arbitragem brasileira. Estabeleceu recordes de público e de vitórias consecutivas sobre o maior rival. Foi uma das bases da última Seleção Brasileira a realmente encantar o mundo. É verdade que lhe faltaram dois ou três troféus nacionais e internacionais que coroassem seu reinado, mas ninguém menos que Paulo Roberto Falcão a considera a melhor equipe do futebol brasileiro pós-Pelé. </p>

<p>Obra das categorias de base do Atlético, a geração que surge por volta de 1976 (parte dela depois de um estágio no Nacional de Manaus) reconquista a hegemonia do futebol mineiro sobre o Campeão da Libertadores. O Cruzeiro tinha um equipaço, experiente. Mas Jairzinho, Palhinha, Nelinho, Raul e Zé Carlos levaram um baile homérico do Galo de Cerezo, Reinaldo, Marcelo e Paulo Isidoro na final de 1976, no jogo que marca a virada da hegemonia. De todas as encarnações da Máquina, esta era a mais leve, lépida, ágil. O 2 x 0 de 1976 ainda é tido como um dos placares mais injustos do retrospecto do clássico. Consulte os velhos cruzeirenses e eles reconhecerão: o jogo era para ter sido uns cinco ou seis. Nessa final, o goleiro ainda era o argentino Ortiz. A zaga era Getúlio, Modesto, Vantuir e Dionísio; no meio, Cerezo, Danival e Paulo Isidoro; na frente, Marinho, Reinaldo, Marcelo. Essa equipe viveu algo que seria inimaginável hoje em dia: um de seus reservas, Marcelo, chegou a ser titular da Seleção Brasileira de Osvaldo Brandão. </p>

<p><br><br />
<img alt="Galo-1976.jpeg" src="http://www.idelberavelar.com/Galo-1976.jpeg" width="400" height="322" /></p>

<p>A alma da equipe era a dupla Cerezo-Reinaldo, que se entendiam de maneira impressionante a 30, 40 metros de distância. A marca registrada de Cerezo era o passe longo que mudava completamente o mapa do jogo. Característico de Reinaldo era o seco, rápido, imprevisto toque de gênio: em geral, um ou dois, no máximo, antes da finalização fulminante. Antes de 1976 já se iniciara, com a conivência criminosa dos árbitros, a caça aos joelhos e tornozelos de Reinaldo. A final de 1976 foi uma triste amostra do estrago que açougueiros como Morais e Darci Menezes eram capazes de fazer. Contra Reinaldo, figura particularmente odiada pela CBD do General Heleno Nunes, com frequência valia tudo. </p>

<p>Mesmo assim, marcou mais de 250 gols pelo Galo. Detém o absurdo recorde -- que dificilmente será batido -- de 1,55 gol por jogo no Campeonato Brasileiro de 1977. É o maior artilheiro da história do clássico de Minas Gerais. É o maior artilheiro da história do Mineirão. Fez apresentações memoráveis pela Seleção Brasileira, mas na hora H, em 1982, não pôde completar a equipe dos sonhos de <a href="http://www.idelberavelar.com/archives/2005/07/feliz_aniversar_2.php">Telê Santana</a>. Entre os que o viram jogar ao vivo, poucos não o consideram o maior de todos. </p>

<p>Aqui, uma seleção de jogadas de Reinaldo. A 1:46s, você verá um dos gols mais incríveis que já presenciei no Mineirão, criado por um drible de corpo com o qual Reinaldo quebra a cintura de toda a defesa do América-RN sem tocar na bola, num 6 x 0 de 1977: </p>

<p><br><br />
<object width="425" height="344"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/byOT5OJXUC4&hl=pt-br&fs=1&"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/byOT5OJXUC4&hl=pt-br&fs=1&" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"></embed></object></p>

<p><br />
A equipe que termina o Campeonato Brasileiro de 1977 vice-campeã invicta, com 17 vitórias, 4 empates e nenhuma derrota, substituíra Ortiz por João Leite (que seria o goleiro em todo o hexacampeonato de 78-83), Getúlio por Alves (um talentosíssimo lateral que certamente teria tido chance na Seleção se tivesse jogado no eixo SP-RJ), Modesto por Márcio e coloca um ponta-esquerda legítimo, Ziza. Ângelo se firma no meio-campo e Marcelo e Paulo Isidoro se alternam ao lado de Reinaldo na frente. Cerezo passa por sua mais luminosa fase, ao mesmo tempo gênio e desengonçado. </p>

<p>Reinaldo, que havia sido expulso numa partida no início do campeonato, só é julgado e suspenso na véspera da final contra o São Paulo. O mesmo Arnaldo César Coelho que hoje pontifica que "a regra é clara" não expulsa Chicão, quanto este pisoteia um Ângelo que já se contorcia no chão depois de uma solada criminosa de Neca em seu abdômen. João Leite defende duas cobranças são-paulinas, mas Cerezo, Márcio e Joãozinho Paulista (que Barbatana inexplicavelmente escolhera como substituto de Reinaldo, deixando Marcelo no banco!) chutam seus pênaltis quase na arquibancada, afetados pela catimba de Waldir Perez. A cena dos meninos enlameados, deixando o campo abraçados sob os aplausos de 100.000 atleticanos e uns 5.000 são-paulinos, ainda é das <a href="http://www.idelberavelar.com/archives/2005/05/nascer_para_o_f.php">imagens mais trágicas</a> da história do futebol brasileiro. Na foto, falta Cerezo, mas esta era a equipe de 1977: </p>

<p><br><br />
<img alt="Galo-1977.jpeg" src="http://www.idelberavelar.com/Galo-1977.jpeg" width="440" height="289" /></p>

<p><br><br />
A encarnação de 1980 -- reforçada em 1981 por Nelinho -- ainda é a favorita de muitos atleticanos da velha guarda. Essa é a equipe que põe fim à maior dinastia do futebol brasileiro dos anos 70. Nas semifinais de 1980, o grande Internacional veio a Belo Horizonte e arrancou um 2 x 2. No jogo de volta, em que o Colorado, por sua história recente, era o favorito, o Galo aplicou contundentes 3 x 0 no Beira-Rio, numa das maiores apresentações da equipe. O 1 x 0 e o 2 x 3 que decidiram o Campeonato de 1980 para o Flamengo -- com arbitragens bem conturbadas e 3 expulsões atleticanas no segundo jogo -- ainda são, sem dúvida, a maior final de todos os tempos no Brasileirão. João Leite, Orlando, Osmar, Luisinho e Jorge Valença; Chicão, Cerezo e Palhinha; Pedrinho, Reinaldo, Éder eram os titulares de 1980. </p>

<p><br></p>

<p><img alt="Galo-1980.jpeg" src="http://www.idelberavelar.com/Galo-1980.jpeg" width="432" height="269" /></p>

<p><br>Ao longo da primeira metade dos anos 80, o Galo foi o convidado de preferência dos torneios de verão europeus. Venceu praticamente todos: Paris, Amsterdã, Vigo, Bilbao e Ramón de Carranza viram apresentações históricas dessa equipe. O 4 x 1 sobre o Hamburgo em 1981 realmente deveria ser recuperado para as novas gerações. Aqui, deixo com vocês os gols do 3 x 0 sobre o Paris Saint-Germain. Depois do terceiro gol, de placa, de Reinaldo, o Galo passa a ser aplaudido de pé pelo público francês: </p>

<p><br />
<object width="425" height="344"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/FHGWrtYjubY&hl=pt-br&fs=1&"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/FHGWrtYjubY&hl=pt-br&fs=1&" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"></embed></object></p>

<p><br />
A equipe de 1985, com Nelinho em grande fase, ainda teve chances de voltar à final do Campeonato Brasileiro. Mas num daqueles cataclismos que só acontecem com o Galo, parou na retranca do Coritiba, num 0 x 0 em que um bigodudo chamado Rafael fechou o gol e classificou o time coxa-branca para a final mais melancólica da história do Brasileirão, contra o Bangu. </p>

<p>Durante esse período, o Galo teve, sim, três ou quatro derrotas traumáticas ou revoltantes em jogos decisivos, mas o normal, de todos os dias, era ir ao estádio para ver show de bola. Apesar da horrível década que tem tido desde 2000, o Galo ainda tem vantagem na história do confronto direto contra a maioria dos grandes clubes, fundamentalmente pelas vitórias acumuladas por Cerezo, Luizinho, Paulo Isidoro, Palhinha, Éder, Nelinho, João Leite. Se os Campeonatos Brasileiros tivessem sido disputados no sistema de pontos corridos, essa geração teria se sagrado pentacampeã nacional. A Libertadores e o bi brasileiro não pintaram, mas o Galo 1976-1983 é lembrado com orgulho <a href="http://www.idelberavelar.com/archives/2008/01/galo_aos_sabados_a_mistica_da_massa.php">pela Massa</a> e com carinho por todos os amantes do futebol que o viram jogar. </p>]]>
        
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         <link>http://www.idelberavelar.com/archives/2009/07/equipes_inesqueciveis_que_eu_vi_v.php</link>
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         <category>Futebol e redondezas</category>
         <pubDate>Thu, 30 Jul 2009 02:28:56 -0300</pubDate>
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         <title>Honduras: mais sobre a lógica do golpe</title>
<CommentCount>87</CommentCount> 
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        <![CDATA[<p>Não é necessariamente um problema oferecer uma teoria da conspiração para explicar um acontecimento. Acho fraco o recurso à desqualificação de uma “teoria da conspiração” sem mais argumentar, como se o fato de uma explicação recorrer a um enredo conspiratório a invalidasse ou tornasse falsa sempre. Se o acontecimento em pauta é um golpe militar, bem, é tautológico dizer houve uma conspiração. O tema é se você desvenda a conspiração <a href="http://www.pagina12.com.ar/diario/elmundo/4-128866-2009-07-26.html">certa </a>ou a <a href="http://www.lahaine.org/index.php?blog=3&p=39278">errada</a>. </p>

<p>O que o excelente trabalho jornalístico do Página 12 demonstra é que não dá para se entender o golpe em Honduras sem remissão aos norte-americanos, inclusive por razões históricas. A relação de Honduras com os Estados Unidos não é comparável à de nenhuma república centro-americana. Ao contrário de Nicarágua, El Salvador e Guatemala, Honduras não passou por processo revolucionário durante os anos 80. Foi, inclusive, a base americana para o lançamento da contra-revolução que derrotou o regime sandinista, e que levou a Guatemala e El Salvador às piores matanças de todos os tempos no istmo. Honduras já servira de base para o golpe militar que derrubou o Presidente Arbenz, na Guatemala, em 1954 e também para a tentativa de invasão de Cuba em 1961. Trata-se de uma história singular, marcada pela relação com os EUA como poder imperialista. Todos esses cachimbos, claro, deixam uma vasta coleção de bocas tortas. </p>

<p>Mas na leitura de Petras – que é, eu suponho, como uma força política tipo PSTU, no Brasil, leria o golpe hondurenho --,  os militares americanos da base de Soto Cano, o embaixador Hugo Llorens, o Pentágono, Hillary Clinton, a Casa Branca de Obama e a oligarquia golpista hondurenha se transformam numa massa indiferenciada, como se não houvesse contradições entre esses elementos. Elas existem, mas Petras não as vê. </p>

<p><br />
<img alt="honduras-2.jpg" src="http://www.idelberavelar.com/honduras-2.jpg" width="358" height="465" /><br />
<em>Foto: Gustavo Amador, <a href="http://www.publico.es/internacional/235329/4/golpe/honduras">daqui</a>. </em></p>

<p><br />
É fato que Llorens se reuniu com os golpistas e que ele tem uma história anterior, na Argentina, de lobismo e articulações com os setores mais reacionários. Para o Página 12, enquanto Tom Shannon, subsecretário para a região, chega transmitindo o recado não intervencionista de Obama -- “não fomentaremos golpes” --, as forças golpistas já haviam convencido Llorens de que havia uma alternativa para impedir que Honduras caísse de vez na órbita chavista, e era o golpe militar. O equivalente americano dessa postura é a interpretação paranoica da realidade, que vê o continente supostamente ameaçado pelo “expansionismo” chavista. Não surpreende que as justificativas do golpe (e mesmo algumas de suas análises "ponderadas") recorram à <a href="http://www.cartamaior.com.br/templates/colunaMostrar.cfm?coluna_id=4384">lógica do ia</a>, inventando, por exemplo, uma tentativa de segundo mandato de Zelaya que jamais havia estado em pauta ou tomado parte na consulta popular. </p>

<p>O que mostra o Página 12 é a contradição que vive Obama: para ser coerente com sua política externa, teria que condenar o golpe e trabalhar pela restauração da legalidade. Mas pela própria dinâmica dos acontecimentos, a restauração pura e simples de Zelaya significaria um triunfo de Hugo Chávez, cuja foto vitoriosa é tudo o que a direita americana sonha para apresentar Obama como fraco em política externa. A hipótese do Página 12 me parece correta: não há que se esperar que Obama polarize a cena política americana para ser o paladino da legalidade hondurenha em vésperas de votação do seu plano de reforma da saúde. </p>

<p>Daí a necessidade que os EUA tiveram de instalar a mediação do presidente Óscar Arias, de tantos serviços prestados a eles durante as matanças dos anos 80.  Enquanto a Casa Branca vacilava, a OEA – liderada pela Alba, deixando, quiçá pela primeira vez, os EUA a reboque --, havia condenado o golpe em termos inequívocos. O plano apresentado por Arias forçava Zelaya a uma série de concessões mas, para a surpresa de muitos, foram os golpistas que não o aceitaram. </p>

<p>A sinuca de bico em que se encontra a administração democrata é um componente chave para se explicar o porquê dessa situação tão insólita: um mês de golpe em Honduras, o governo de fato não foi reconhecido por país nenhum, mas ainda assim ele se sustenta, em parte pelo jogo ambíguo feito pelos EUA. A situação no país centro-americano é, evidentemente, cada vez pior. Ontem a Liga Camponesa anunciou que já contabilizara pelo menos <a href="http://www.cadenaglobal.com/noticias/default.asp?Not=221605&Sec=6">184 desaparecidos</a>. </p>]]>
        
        </description>
         <link>http://www.idelberavelar.com/archives/2009/07/honduras_a_logica_do_golpe.php</link>
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         <category>Polí­tica</category>
         <pubDate>Tue, 28 Jul 2009 04:48:42 -0300</pubDate>
         <comments>http://www.idelberavelar.com/mt336/xyz457.cgi?entry_id=1276</comments>
      </item>
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         <title>Um blog aos sábados: Uma Malla pelo Mundo</title>
<CommentCount>27</CommentCount> 
        <description>
        <![CDATA[<p><a href="http://www.interney.net/blogs/malla">Lucia Malla</a> é das pessoas mais queridas da blogosfera brasileira. Cientista de mão cheia, viajante contumaz, estudiosa atenta da questão ambiental, Lucia é conhecida, principalmente, pela extrema gentileza com que trata a todos: uma daquelas pessoas cuja verdadeira ponderação e respeito pelo interlocutor são mesmo incomuns, irradiam compreensão e diálogo por onde passam. Orgulho-me de ser seu amigo e o seu blog é um de meus favoritos de todos os tempos. Se você anda estressado e cedendo à tentação de bater boca, a sugestão é que dê uma passada no <a href="http://www.interney.net/blogs/malla">blog da Lucia</a>, mergulhe nos arquivos e tome um banho de alto astral, saber científico-viajante e alegria de viver. Lu integra meu blogroll desde o minuto 1, contemporâneos que somos. </p>

<p>Em <a href="http://www.interney.net/blogs/malla/2009/05/26/industria_farmaceutica_1/">Indústria Farmacêutica 1</a> e <a href="http://www.interney.net/blogs/malla/2009/05/27/industria_farmaceutica_2/">Indústria Farmacêutica 2</a> está o cruzamento entre Lucia cientista e Lucia ativista-blogueira-popularizadora de sua ciência. É uma fundamental leitura de nosso tempo. Mas o blog dela é muito mais. Característica que me faz gostar muito é a série <a href="http://www.interney.net/blogs/malla?cat=1126">Pequenas anotações de viagens virtuais</a>, em que ela linka generosamente, sempre, os blogs que lê. Trata-se de uma arte essencial que Lu sempre exerceu com maestria. </p>

<p>Além do grande conteúdo, o blog de Lu é dos visualmente mais lindos, registro que é das viagens de dois grandes biólogos pelo mundo. As imagens são assinadas por Andre, marido e fotográfo, além de profissional da biologia. Aqui, Lu com um tubarão, uma de suas <a href="http://www.interney.net/blogs/malla/2006/08/23/os_tubaroes_de_recife/">especialidades</a>: </p>

<p><img alt="lu-malla-1.jpg" src="http://www.idelberavelar.com/lu-malla-1.jpg" width="428" height="281" /></p>

<p><br />
Mas é, acima de tudo, como blog de viagem que Lu deixou uma marca inesquecível na internet. Ela testemunhou <a href="http://www.interney.net/blogs/malla/2005/06/05/fernando_de_noronha_exemplo_para_o_mundo/">Fernando de Noronha</a>, <a href="http://www.interney.net/blogs/malla/2005/06/12/romance_no_hawai_i/">Havaí</a>, <a href="http://www.interney.net/blogs/malla/2004/11/22/a_febre_do_everest/">Everest</a>, <a href="http://www.interney.net/blogs/malla/2006/06/07/ligseattle_rocksl_ig/">Seattle</a>, <a href="http://www.interney.net/blogs/malla/2008/03/17/aspsp/">Arquipélago de São Pedro e São Paulo</a>, <a href="http://www.interney.net/blogs/malla/2005/03/12/ilhas_marshall_o_pais_detonado_pela_bomb/">Ilhas Marshall</a>, <a href="http://www.interney.net/blogs/malla/2005/02/15/china_capitalista_hong_kong/">Hong Kong</a> e tantos outros lugares que nunca nem sonhei visitar. </p>

<p>Companheira de ateísmo e de <a href="http://www.interney.net/blogs/malla/2005/03/31/cidadaos_do_mundo/">cosmopolitismo</a>, <a href="http://www.interney.net/blogs/malla/2004/11/15/ser_cientista/">cientista</a>, atenta às <a href="http://www.interney.net/blogs/malla/?cat=1080">questões </a>do seu <a href="http://www.interney.net/blogs/malla/2005/11/14/algumas_colocacoes_sobre_diabetes_e_afin/">tempo</a>, Lu já enfrentou obstáculos mil para viajar com os bichos que ama -- mas arrancou, de saldo, <a href="http://www.interney.net/blogs/malla/2006/11/06/um_gato_pelo_mundo/">incríveis histórias</a>. </p>

<p>Bióloga brasileira já citada por revistas de ponta da ciência internacional, Lu foi a encarregada de<a href="http://www.interney.net/blogs/malla/2005/05/24/uma_lula_para_o_lula/"> dar uma lula a Lula</a> quando o Presidente visitou a Coreia. Além de testemunhar mais de quatro <a href="http://www.interney.net/blogs/malla/2005/10/30/parque_nacional_de_seoraksan/">cantos </a>do mundo, ensinar-nos muito sobre a <a href="http://www.interney.net/blogs/malla/2008/03/26/boto_rosa_de_novo_airao/">conservação </a>do planeta, esbanjar sabedoria e alto astral, Lu imortalizou uma frase na internet brasileira: </p>

<p>Tudo de bom, sempre. </p>

<p>Obrigado, Lu. </p>]]>
        
        </description>
         <link>http://www.idelberavelar.com/archives/2009/07/um_blog_aos_sabados_uma_malla_pelo_mundo.php</link>
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         <category>Metablogagem</category>
         <pubDate>Sat, 25 Jul 2009 22:43:37 -0300</pubDate>
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      </item>
            <item>
         <title>Convite aos belo-horizontinos: Lançamento do novo livro de Márcia Bechara</title>
<CommentCount>27</CommentCount> 
        <description>
        <![CDATA[<p>Como já disse aqui, sou fã do <a href="http://books.google.com.br/books?id=xk3NHr-DfakC&printsec=frontcover&source=gbs_v2_summary_r&cad=0">Casa das Feras</a>, da minha conterrânea <a href="http://www.marciabechara.blogspot.com/">Márcia Bechara</a>. Na próxima quinta-feira, a partir das 20:00, na Livraria Quixote (ali na Fernandes Tourinho), Márcia lança seu novo livro: <a href="http://metodosextremosdesobrevivencia.wordpress.com/2009/05/27/tudo-sobre-o-lancamento-em-bh-uai/">Métodos extremos de sobrevivência</a>: </p>

<p><br><br />
<img alt="bechara.jpg" src="http://www.idelberavelar.com/bechara.jpg" width="550" height="384" /><br />
<br><br />
Eu estarei lá. Adoraria rever os conterrâneos. </p>

<p><br><br />
<strong>PS</strong>: Enquanto eu preparo outro texto, <a href="http://namarianews.blogspot.com/">não deixe de ler o NaMaria News</a>. </p>

<p><strong>PS 2</strong>: Se tiver estômago, visite esse festival de<a href="http://oglobo.globo.com/pais/noblat/posts/2009/07/21/a-cara-de-sempre-da-une-206965.asp"> injúrias e xingamentos travestidos de notícia</a>. </p>]]>
        
        </description>
         <link>http://www.idelberavelar.com/archives/2009/07/convite_aos_belohorizontinos_lancamento_do_novo_livro_de_marcia_bechara.php</link>
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         <category>Literatura</category>
         <pubDate>Wed, 22 Jul 2009 05:42:53 -0300</pubDate>
         <comments>http://www.idelberavelar.com/mt336/xyz457.cgi?entry_id=1274</comments>
      </item>
            <item>
         <title>Cinco truísmos que querem silenciar o debate</title>
<CommentCount>189</CommentCount> 
        <description>
        <![CDATA[<p>Meu amigo <a href="http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.jsp?id=K4732097E2">Fabio Durão</a> escreveu um livro assombroso. Chama-se <em>Rio-Durham-Berlim: Um diário de idéias</em> (Unicamp, 2009). São fragmentos, no estilo da <a href="http://books.google.com.br/books?id=ZiD-I5vX-oMC&printsec=frontcover&source=gbs_v2_summary_r&cad=0">Mínima Moralia</a>, de Adorno, compostos nas manhãs anteriores ao trabalho diário que Fabio realizava para sua tese doutoral, já publicada como <a href="http://www.amazon.com/Modernism-Coherence-Chapters-Negative-Aesthetics/dp/3631569491">Modernism and Coherence</a>. Copio o fragmento que inspira este post. Diz Fabio, na página 15: </p>

<p><em>Não tarda muito até que, no meio de uma interpretação de um texto, o professor de literatura se depare com a mais irritante das interjeições: “cada um tem sua opinião”, exclama o estudante, com a firmeza, ou até o ultraje, de quem defende a democracia. A resposta deve ser clara e firme: em primeiro lugar, este argumento impede o diálogo antes mesmo que ele comece, fazendo assim da sala de aula um ambiente supérfluo. Além disso, note-se, a opinião que conseguisse traduzir o grau de individualidade pressuposto nesta posição deixaria de sê-lo, e se tornaria uma leitura forte. Ou seja, aqui, quanto mais se valoriza a singularidade, mais se expressa o lugar comum, as idéias que ninguém questiona e que circulam com a liberdade das mercadorias mais baratas. É importante que o professor vença sua raiva, que naturalmente nasce desta situação de impotência, por entendê-la. Como toda burrice (infinitamente distante da ingenuidade), esta sabe mais do que pensa. Pois ela na realidade encena o toque de retirada do “eu” para a proteção das muralhas do conhecido. Dificilmente o estudante usaria a mesma expressão se estivesse discutindo, digamos, futebol, em um bar com os amigos. Na verdade, o aluno sabe exatamente o que está se passando: “cada um tem sua opinião” representa um movimento defensivo diante do novo e do difícil (que tantas vezes são indissociáveis). Cabe ao professor entender este medo e reconhecer, talvez com júbilo, que esta ocasião já é sintoma de um primeiro encontro com algo de novo. </em></p>

<p>Todo o livro de Fabio exibe esse mesmo brilhantismo. São 85 fragmentos, em 76 páginas. Quem gosta de uma leitura inteligente da realidade devorá-lo-á em poucas horas. <br></p>

<p>**********<br />
<br><br />
Truísmo é o nome que reservamos, em filosofia, para a banalidade que, verdadeira, produz efeitos que vão muito além daqueles que estritamente poderíamos derivar da veracidade que enuncia. Num comentário a um <a href="http://www.culturaebarbarie.org/blog/2009/07/o-incomparavel.html">post de Alexandre Nodari</a>, eu desenvolvia a tese de que o truísmo funciona mais ou menos com a dinâmica que Marx identificou para as forças produtivas. Se você se lembra, as forças produtivas, para Marx, vão se desenvolvendo até que elas já não “cabem” no modo de produção no qual elas se encontram, forçando a turbulência revolucionária a partir da qual surgiria outro. Assim (resumindo brutalmente), o desenvolvimento de um sistema de trocas mais amplo na Europa tardo-medieval foi corroendo as bases do Feudalismo e criando as condições para as revoluções burguesas, que romperam as travas que aquele modo de produção impunha às forças produtivas. </p>

<p>Pois bem, os truísmos funcionam assim. Todo truísmo tem seu momento liberador. Ele expressa, como todo clichê, uma banalidade que não é falsa, mas que pode muito bem funcionar para falsificar a realidade – especialmente depois que, já disseminado, passa a ser usado para travar o pensamento e, não raro, silenciar o outro. Já que tirei a semana para fazer posts que vão me servir no futuro, aproveito para tratar de cinco truísmos que encontro com frequência por aí. </p>

<p><br />
1. <em>Cada um tem sua opinião</em>. É o pai, ou a mãe, de todos os truísmos. Como todos os outros, ele é vítima da reversibilidade: ora, se “cada um tem sua opinião”, seria possível, em tese, formular a opinião contrária – a de que cada um <b>não tem</b> sua opinião. Isso significa que, para que esse truísmo seja verdadeiro, ele tem que ser falso. O paradoxo é que quem recorre ao “cada um tem sua opinião” como instrumento de debate não está jamais exprimindo opinião própria. Está, invariavelmente, repetindo opinião ouvida alhures. Afinal de contas, quer afirmação mais universalizante que “cada um tem sua opinião”? Quem diz isso no interior de uma discussão não está abrindo-se para o diálogo. Está fechando-o antes que ele se inicie. Dizer “cada um tem sua opinião” é como dizer “eu sou mentiroso”: trata-se de uma afirmação que implode no momento em que ela é feita. </p>

<p>2. <em>Futebol não tem lógica</em>. Este é o truísmo a que recorremos quando fracassa nossa explicação do jogo. Como todo truísmo, ele é verdadeiro e falso. Afinal, haverá coisa no mundo que tenha <b>mais</b> lógica do que o futebol? Simplesmente trata-se de que o futebol não se pauta por aquilo que costumamos chamar de “lógica” no discurso cotidiano, ou seja, a lógica positivista do encadeamento das causas e efeitos, que ordena esportes mais gerenciais e matemáticos como o futebol americano e o basquete. O futebol funciona de acordo com a <a href="http://www.idelberavelar.com/archives/2005/05/por_que_os_grin.php">lógica da contingência</a> que, se você for observar bem, está muito mais próxima da lógica que ordena o mundo. </p>

<p>3. <em>Não se pode comparar (cinema e literatura)</em>: Deixo os dois termos da comparação entre parênteses porque não importa quais eles sejam. A coisa funciona da mesma forma. No caso em questão, o truísmo teve seu momento liberador quando serviu para combater certa tendência a se trabalhar adaptações de romances ou contos a partir de uma metafísica da fidelidade. Ele desnudava uma certa prepotência literária, que insistia em pensar sua arte como superior, e o cinema como acessório que não podia se ombrear com ela. Hoje esse clichê já é, como o "cada um tem sua opinião", um apêndice da preguiça de pensar. Basta relacionar um livro e um filme para que você ouça isso. É invariavelmente um instrumento para silenciar o debate. Basta estabelecer uma comparação para que alguém diga que não se podem comparar coisas diferentes. Como se houvesse algum sentido em comparar coisas idênticas. Esta crítica ao truísmo não implica, claro, que eu ache que toda comparação procede. Há que se ver caso a caso. </p>

<p>4. <em>Todos os que se sentem ofendidos têm o direito de procurar a justiça</em>. É o truísmo favorito dos advogados (não todos, claro), ao qual recorrem quando se critica a decisão de algum <a href="http://www.idelberavelar.com/archives/2009/07/ronaldo_maiorana_da_corja_dos_marinho_espanca_e_sai_livre_lucio_flavio_pinto_faz_jornalismo_e_e_cond.php">Maiorana </a>de processar um <a href="http://www.idelberavelar.com/archives/2009/07/solidariedade_a_lucio_flavio_pinto.php">Lúcio Flávio</a>, ou de uma <a href="http://www.idelberavelar.com/archives/2009/06/leticia_wierzchowski_a_casa_das_sete_leticias_por_marcelo_backes.php">Leticia W.</a> de processar um <a href="http://miltonribeiro.opsblog.org/">Milton Ribeiro</a>. Evidentemente, o argumento é verdadeiro. Todo mundo tem o direito de procurar a justiça quando se sentir ofendido. O problema é que ele é, como todo truísmo, tautologicamente reversível: a mesma Constituição que assegura o direito de cada ofendido procurar a justiça assegura a liberdade de crítica -- incluindo-se aí o direito de criticar alguém por judicializar discussões políticas ou literárias. Nas conversas sobre a daninha judicialização do debate político no Brasil, <em>todos os que se sentem ofendidos têm o direito de procurar a justiça</em> não costuma funcionar como argumentação: é mecanismo de silenciamento mesmo.  Uma variante dele é o truísmo <em>cada um deve se responsabilizar pelo que diz</em>. Ora, isso é evidente. Mas a brincadeirinha da reversibilidade se aplica aqui também: se cada um deve se responsabilizar pelas consequências do que diz, cada um deve também se responsabilizar pelas consequências de seus atos, incluindo-se o ato de decidir processar alguém por ter dito algo. Se você é escritor e decide processar alguém por uma resenha, viverá com a reputação advinda disso, a qual -- diz a história da literatura -- não costuma ser muito boa. Reitero que não sou crítico de <b>todos</b> os processos por injúria, calúnia ou difamação. Os critérios aqui são aqueles, óbvios: extensão do dolo, clareza do propósito de difamar, diferença de acesso aos meios de comunicação etc. Se eu fosse MV Bill, por exemplo, já teria <a href="http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com/2009/07/mv-bill-e-celso-athayde-desmentem.html">processado Diogo Mainardi</a>. Sim, eu sei que essa decisão cabe ao MV Bill. </p>

<p>5. <em>O problema são os radicalismos dos dois lados</em>. Eis aqui mais um que é pai, ou mãe, ou tio, de vários outros truísmos. Os que anunciam que <em>o problema são os radicalismos dos dois lados</em> gostam de se apresentar como moderados, ponderados, razoáveis, racionais. É o truísmo preferido dos que justificam a barbárie na <a href="http://www.idelberavelar.com/archives/palestina_ocupada/">Palestina Ocupada</a>. É o truísmo favorito dos que justificam a <a href="http://www.idelberavelar.com/archives/2009/06/serra_nao_pode_ser_presidente_notas_sobre_a_barbarie_na_usp.php">violência policial contra estudantes</a> (cujo movimento tem, sim, vários problemas). Esse é um truísmo particular, porque ele se baseia num uso completamente enganoso da palavra “radicalismo”. Ora, só é possível ser radical numa direção: a da raiz. Basta ir ao seu dicionário etimológico e ver de onde vem a palavra. Quando alguém reduzir um problema político ao “radicalismo dos dois lados”, você pode ter certeza de que: 1) ele não é equidistante em relação aos <a href="http://www.idelberavelar.com/archives/2009/05/a_critica_ao_fla_x_flu_como_uma_cortina_de_fumaca_do_nosso_tempo.php">dois lados</a>; 2) ele quer que você acredite que ele é isento ou equidistante com respeito aos “dois lados”. </p>

<p>Há muitos outros, mas comecemos com estes cinco. Estão todos convidados a completar a lista. </p>]]>
        
        </description>
         <link>http://www.idelberavelar.com/archives/2009/07/cinco_truismos_que_querem_silenciar_o_debate.php</link>
         <guid isPermaLink="true">http://www.idelberavelar.com/archives/2009/07/cinco_truismos_que_querem_silenciar_o_debate.php</guid>
         <category>Filosofia</category>
         <pubDate>Tue, 21 Jul 2009 07:39:08 -0300</pubDate>
         <comments>http://www.idelberavelar.com/mt336/xyz457.cgi?entry_id=1273</comments>
      </item>
            <item>
         <title>Respostas a algumas perguntas frequentes</title>
<CommentCount>55</CommentCount> 
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        <![CDATA[<p>Aí vai um post que explica alguns dos princípios que regem a relação deste espaço com seus leitores e com outros blogs. Senti a necessidade de escrevê-lo depois de receber dois emails de pessoas que haviam aberto blogs e me procuraram pedindo a tal fatídica “parceria de links”. Como sabe quem bloga há algum tempo, não há nada que tire um blogueiro do sério como esse pedido. O que era diferente nesses casos é que os dois blogs em questão eram promissores. Mas o pedido é muito brochante. Aí pensei que valeria a pena aproveitar e esclarecer algumas coisas. </p>

<p>1.<em>Podemos fazer uma parceria de links?</em> Mô fio, não peça isso a um blogueiro jamais. Você queima seu filme antes de entrar na roda. “Parceria de links”, pelo menos aqui, não existe. Quando vejo um blog de que gosto, divulgo-o sem pedir nada em troca. Qual a melhor forma de trazer leitores ao seu blog então? Ora, ir armando uma rede de contatos e fazer comentários nos posts sobre os quais você tem algo relevante a dizer. Eu, pelo menos, nunca recebo aqui um comentário de blogueiro ainda não conhecido sem que eu dê uma clicadinha para visitá-lo. Se gosto do que vejo, copio o link para o meu Google Reader. Se começo a lê-lo regularmente, ele passa ao blogroll aí à esquerda. Quando vejo algum post que acho que pode ser do interesse de quem me lê, dou o link aqui no corpo dos textos. O Biscoito linka muito e com frequência há  anos. Não leio religiosamente todos os blogs linkados aí à esquerda, mas não há blog em língua portuguesa que eu leia com regularidade que não esteja listado aí. Cada um faz isso de uma forma: existe gente que é completamente pautada por blogs ausentes de seu blogroll. Eu prefiro usar meu blogroll para dizer com clareza ao leitor a quem eu leio. Se não está aí, é porque não leio ou, pelo menos, não passei a ler regularmente ainda. </p>

<p>2.<em>Você não respondeu meu comentário</em>: Sempre foi minha prática responder os comentários. Ficou impossível, como qualquer pessoa razoável pode atestar visitando as caixas do Biscoito. Mas tenha certeza de que seu comentário foi lido com atenção e de que sou grato pela visita. Não tem sentido ficar entupindo a caixa com “obrigados” e “volte sempre”, mas espero que a apreciação esteja implícita. Responder ou não a um comentário é, na maioria dos casos, produto de fatores aleatórios: tempo, disposição, ter ou não ter algo que acrescentar, ter ou não ter chegado a tempo de respondê-lo antes que um monte de outros comentários tenham sido feitos etc. Se respondi ao comentário de outro leitor que não você, não pense que aquele foi mais apreciado que o seu. Na verdade, boa parte dos meus comentários favoritos aqui ficou sem resposta. </p>

<p>3.<em>Você ignorou meu email / meu twitt / minha chamada no MSN / Gtalk / Facebook</em>: Sempre foi minha prática responder os emails que recebo, mas já está ficando impossível. Se você precisa de algum link ou informação, envie um breve email ao endereço disponível aí à esquerda, e as chances são de praticamente 100% de que você receberá uma resposta. Se você me enviar um email de 17 parágrafos debatendo algum tema do blog, as chances são de praticamente 100% que ele ficará sem resposta. Não vejo muito sentido em discutir opiniões por email. Para isso está a caixa de comentários. Quanto ao MSN / Gtalk / Facebook: eu não bloqueio ninguém nessas ferramentas de comunicação instantânea. Eu praticamente não as uso. </p>

<p>4.<em>Você está interessado em uma parceria para avaliar o produto tal e escrever sobre ele? </em> Terminantemente não. O Biscoito não faz propaganda de nada a não ser do que leio e gosto, ouço e gosto, vejo e gosto. Não estou interessado em conversar com nenhuma empresa sobre nenhum produto. </p>

<p>5.<em>Gostaria de enviar-lhe o meu livro ou ensaio</em>. Receberei com todo prazer e muito provavelmente lerei. É só enviar um email e pedir o endereço. Você com certeza receberá o agradecimento pelo envio. No entanto, lembremos Derrida: o dom deixa de ser dom no momento em que se inscreve numa expectativa de economia de troca. Se você quer me dar algo, eu aceito, se for dádiva mesmo. Não me cobre nada. Eu posso fazer uma resenha ou não. Isso depende não só de eu ter gostado, mas também de eu sentir que tenho algo a dizer sobre a obra. Recebi vários livros de que gostei muito e que ainda não foram resenhados aqui – em parte por falta de tempo mesmo. <a href="http://books.google.com.br/books?id=xk3NHr-DfakC&printsec=frontcover&source=gbs_v2_summary_r&cad=0">Casa das feras</a>, de <a href="http://www.marciabechara.blogspot.com/">Márcia Bechara</a>, <a href="http://www.tuliovianna.org/index.php?page=shop.product_details&flypage=flypage.tpl&product_id=1&category_id=1&option=com_virtuemart&Itemid=84&vmcchk=1&Itemid=84">Transparência pública,  opacidade privada</a>, de <a href="http://tuliovianna.wordpress.com/">Túlio Vianna</a>, <a href="http://www.editoramultifoco.com.br/catalogo2.asp?lv=70">Segurança Pública, Direitos Humanos e Violência</a>, de <a href="http://rafaelfortes.wordpress.com/">Rafael Fortes</a> e <a href="http://books.google.com.br/books?id=A0W1Q4CcgfQC&dq=visita+%C3%A0+casa+de+freud+sergio+telles&printsec=frontcover&source=bl&ots=TIi-oIeZRQ&sig=RIouZcg3Ld6x2bmfW61dwjF3NDo&hl=pt-BR&ei=nTZkSuyVAeGBtgfZke0B&sa=X&oi=book_result&ct=result&resnum=10">Visita às casas de Freud e outras viagens</a>, de <a href="http://blog.sergiotelles.com.br/">Sérgio Telles</a> são quatro magníficas obras que já li e gostaria de resenhar. Pode ser que role ou não. Portanto, a ausência de comentário sobre o seu envio não quer dizer nada. A certeza que você pode ter é que, se você for um jovem contista, me enviar o seu livro e eu achar que ele é uma porcaria, eu <b>não</b> farei uma resenha dizendo isso. Não tenho o menor interesse em detonar um jovem escritor. </p>

<p>6.<em>Estamos concorrendo no concurso de blogs tal e qual, você pode ajudar?</em> Já fiz isso muito mas, sinceramente, acho que já deu. Os concursos de blogs cumprem lá o seu papel, sempre é bacana a divulgação extra que eles trazem, mas me cansei um pouco deles. Acho, inclusive, que a grande maioria dos leitores não está muito interessada se você ganhou o selinho do concurso tal. Isso vale tanto para outros blogs como para mim. Com certeza o Biscoito voltará a ser indicado para concursos, mas eu não planejo voltar a divulgar nenhum deles aqui.  </p>

<p>7.<em>Estou cursando a disciplina tal e quero fazer uma entrevista com você</em>. Sim, estou à disposição, desde que seja algo que eu não tenha respondido antes. Portanto, se você é estudante universitário e gostaria de fazer uma entrevista comigo, eu sugeriria que você desse uma olhada nas mais de dez que fiz por aí na web. Se as perguntas forem <em>qual é o potencial dos blogs e das novas mídias?</em> ou <em>você acha que os blogs vão substituir a grande imprensa?</em>, aí não, porque eu já respondi isso umas trinta vezes. Se as perguntas forem novas, em geral dá.  </p>

<p>8.Se posso aproveitar para fazer uma sugestão, aí vai: o silêncio do outro, na internet, raramente significa o que achamos que ele significa. Trata-se de um mundo superpovoado de signos e, na ausência deles, é melhor não interpretar muito. Eu tenho visto ao longo dos anos que essa é uma boa técnica para manter a sanidade mental. </p>

<p>Se algum blogueiro quiser completar com algo que vem da sua experiência, fique à vontade. Se algum leitor quiser usar o espaço para saber algo mais, fique à vontade também. Sei que este é um post que em alguns momentos pareceu meio rabugento, mas eu tinha a necessidade de escrevê-lo, inclusive para ter o link na próxima vez que eu receber alguma dessas perguntas, o que vem acontecendo quase diariamente. Boa semana para todos. <br />
<br></p>

<p><strong>PS</strong>: O blogroll dá as boas vindas a dois blogs que comecei a ler com muito gosto e proveito: <a href="http://ademonista.wordpress.com/">Ademonista </a>e <a href="http://tiagopereira.wordpress.com/">Tiago Pereira</a>. </p>

<p><strong>PS 2</strong>: Quem esteve aqui em Minas este fim de semana e me encarou bravamente numa maratona de Originais foi a turma que escreve <a href="http://guaciara.wordpress.com/">o excelente blog do Guaciara</a>.<br />
</p>]]>
        
        </description>
         <link>http://www.idelberavelar.com/archives/2009/07/respostas_a_algumas_perguntas_frequentes.php</link>
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         <category>Metablogagem</category>
         <pubDate>Mon, 20 Jul 2009 07:15:32 -0300</pubDate>
         <comments>http://www.idelberavelar.com/mt336/xyz457.cgi?entry_id=1272</comments>
      </item>
            <item>
         <title>A esquerda e o unicameralismo</title>
<CommentCount>117</CommentCount> 
        <description>
        <![CDATA[<p><em>(esta é minha coluna deste mês na <a href="http://www.revistaforum.com.br/sitefinal/default.asp">Revista Fórum</a>. Acompanhe também o <a href="http://twitter.com/iavelar">Twitter </a>da <a href="http://twitter.com/revistaforum">revista</a>).</em> </p>

<p><br />
O senso comum da classe média brasileira aceita indignar-se contra políticos individuais acusados ou culpados de corrupção. Também aceita vociferar contra todo o sistema político, com diferentes versões da cantilena <em>todo político é igual</em>. A última delas é a <a href="http://www.idelberavelar.com/archives/2009/05/nao_reeleja_ninguem_e_uma_campanha_burra_e_alienada.php">Não reeleja ninguém</a>, vergonhosa campanha pseudopolítica lançada por Daniela Thomas e disseminada por Marcelo Tas. Mas esse senso comum só consegue oscilar entre entender a corrupção como defeito moral individual ou como inevitabilidade de nosso sistema ou raça. Daí que a conversa sobre corrupção no seio da classe média brasileira seja tão enfadonha. Ela passa do moralismo individual ao fatalismo coletivo (humano ou nacional) sem espaço para que uma conversa realmente política se estabeleça. Curiosamente, isso acontece no interior de uma sociedade que, apesar de complexa, enorme e em franca democratização, ainda não construiu canais para a discussão do unicameralismo.<br />
 <br />
Digo “curiosamente” porque seria de se esperar que a estrutura bicameral do Congresso brasileiro e a desproporcionalidade que caracteriza o Senado já teriam entrado em pauta nas discussões políticas sobre corrupção. Mas não é esse o caso. A julgar pela mídia e pelo senso comum da classe média, pareceria que essas duas coisas não estão relacionadas. Sem emplacar um debate real sobre as relações entre a corrupção e as estruturas do sistema político brasileiro, fica mais fácil apresentá-la como uma questão de origem moral. E qualquer pessoa de esquerda sabe que quando um problema político vem embrulhado como se fosse um problema moral, são os defensores do status quo, os poderosos e as forças conservadoras que se beneficiam.<br />
 <br />
No Brasil, o unicameralismo ainda se vincula, na cabeça de muitos, a uma adesão supostamente inconclusa, fingida ou formal à democracia representativa. Existe gente inteligente, como Antonio Cícero, que associa o unicameralismo ao perigo de abolição da democracia representativa no chavismo plebiscitário e na democracia “direta”, como se uma coisa fosse prima da outra. É como se, para que as pessoas acreditassem que você realmente defende a existência de <em>um </em>parlamento, fosse necessário achar natural a existência de <em>dois</em>. É uma lógica bizarra, mas que tem suas raízes históricas.<br />
 <br />
Não se podem tirar conclusões apressadas de uma lista aleatória dos países que adotam o unicameralismo. Um rol não exaustivo inclui: China, Portugal, Suécia, Finlândia, Islândia, Dinamarca, Israel, Estônia, Croácia, Cuba, Venezuela, Peru, Equador, Angola, Líbano, Grécia, Guatemala, Honduras, Turquia, Sérvia, Hungria, Coreia do Sul, Ucrânia, Nova Zelândia, Estônia, Macedônia, Chipre, Bulgária e Bangladesh. Há sistemas políticos de todo tipo nessa lista, evidentemente. É fato que o unicameralismo predomina em países menores, sem as proporções continentais do Brasil. Também é correto que são democracias bicamerais os Estados Unidos, a Rússia, o Canadá e a Índia. Também é certo que o único país unicameral territorialmente comparável ao Brasil é a China, não exatamente um modelo de democracia. Mas a discussão está longe de se esgotar aí.</p>

<p><img alt="Unibicameral_Map-1.jpg" src="http://www.idelberavelar.com/Unibicameral_Map-1.jpg" width="350" height="174" /><br />
<em><br />
(mapa dos países uni- e bicamerais, <a href="http://reference.findtarget.com/search/unicameralism/">daqui</a>)</em></p>

<p> <br />
Nos EUA, existem alguns motivos sólidos que justificam o Congresso bicameral. Apesar das semelhanças raciais e territoriais entre os dois países, esses motivos não se aplicam ao Brasil. Os EUA foram criados a partir da expansão de um núcleo migratório concentrado em 13 colônias de território bem menor que aquele que o país viria a ocupar no século XIX. Com a compra da Louisiana e o roubo, via guerra, de um enorme pedaço do México, os EUA fundaram um sistema em que se faziam necessárias algumas concessões à paridade entre estados desiguais – tratou-se, literalmente, de avançar rumo ao Oeste. No Brasil, o federalismo serve aos interesses de oligarquias, chefes locais, capangas de vários tipos e, acima de tudo, ao PMDB, expressão mor do clientelismo nacional. Por tudo isso, é dificílimo emplacar uma discussão real sobre o unicameralismo no interior das estruturas políticas brasileiras.<br />
 <br />
A Índia é bicameral, mas sua Câmara Alta, chamada de Conselho dos Estados (Rajya Sabha), elege seus representantes de forma quase proporcional. Estados populosos, como Uttar Pradesh e Maharashtra, têm respectivamente 31 e 19 assentos, contra 1 representante para estados menores como Mizoram ou Sikkim. Na Rússia, o bicameralismo é até mais excludente que no Brasil. O Conselho da Federação (Câmara Alta) concede dois representantes a cada um dos 84 “sujeitos federais” do país, entre repúblicas, províncias ou territórios. Eles não são, no entanto, eleitos diretamente. Um deles é escolhido pelo Legislativo da província e o outro é nomeado pelo governador e referendado por esse mesmo Legislativo regional. A queda de braço com os capangas que tendem a controlar o Conselho da Federação é, aliás, um dos elementos chave para se entender o governo de Vladimir Putin. Já no Canadá, o Senado tem alguma proporcionalidade, ao contrário do Brasil. De seus 105 membros, cada uma das grandes quatro regiões do país recebe 24 assentos, com o restante sendo dividido entre as províncias menores. Em compensação, sua forma de escolha é menos democrática. Os senadores canadenses são nomeados pelo Governador Geral.<br />
 <br />
<a href="http://www.idelberavelar.com/archives/2007/10/sobre_a_democracia_unicameral.php">Sempre acreditei</a> que a democracia brasileira ganharia muito se fossem criados canais onde a discussão sobre o unicameralismo prosperasse. Não é, evidentemente, uma bandeira que um grande partido possa assumir sem um tremendo desgaste. O PT, com sua respeitável bancada de 11 senadores, não a levantaria mesmo que houvesse avançado mais em seu interior o debate sobre o unicameralismo – um modelo de organização do legislativo muito mais próximo da visão de democracia genuinamente representativa que animou boa parte do partido em sua origem. Eis aqui, pois, a trava à reforma política brasileira: ela só pode florescer quando adquirir força suficiente no interior de espaços cuja existência ela ameaçaria. Vivemos nesse paradoxo, que explica por que a reforma política é bem mais difícil do que foi a reforma da Previdência. Mais uma crise de legitimidade do Senado, no entanto, pode acabar abrindo a fresta para que a reflexão sobre as instituições saia do chato terreno moral e ouse imaginar formas de organização política cujo poder democratizador nós talvez nem possamos ainda vislumbrar.<br></p>

<p><strong>PS</strong>: Veja também o <a href="http://tiagopereira.wordpress.com/2009/07/03/senado-em-crise-%e2%80%93-renovacao-e-reforma/">post do Tiago Pereira sobre o assunto</a>, com o qual estou inteiramente de acordo. </p>]]>
        
        </description>
         <link>http://www.idelberavelar.com/archives/2009/07/a_esquerda_e_o_unicameralismo.php</link>
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         <category>Polí­tica</category>
         <pubDate>Fri, 17 Jul 2009 13:41:21 -0300</pubDate>
         <comments>http://www.idelberavelar.com/mt336/xyz457.cgi?entry_id=1271</comments>
      </item>
            <item>
         <title>Machado de Assis e a música: "O machete"</title>
<CommentCount>71</CommentCount> 
        <description>
        <![CDATA[<p><img alt="machado_de_assis.jpg" src="http://www.idelberavelar.com/machado_de_assis.jpg" width="180" height="211" align=left hspace="5" vspace="5"/><a href="http://portal.mec.gov.br/machado/arquivos/html/contos/macn081.htm">O Machete</a> foi, durante mais de um século, um conto praticamente desconhecido na fortuna crítica de Machado de Assis. Nos últimos anos, a partir de um trabalho de <a href="http://www.idelberavelar.com/archives/2006/05/jose_miguel_wisnik_entrevista_exclusiva.php">José Miguel Wisnik</a>, da nova antologia editada por John Gledson e de umas tutameias que eu também andei fazendo, o relato ganhou certa circulação. Note-se a ironia de que este conto, que narra a dissolução de uma família, foi publicado ... no <em>Jornal das Famílias</em>! Não é genial? A data é 1878. Machado escolhe não incluí-lo em <em>Papéis avulsos</em> (1882) nem em qualquer outra de suas antologias. Por que, se o conto é danado de bom? É impossível saber, claro, mas  gosto de brincar com a hipótese de que a representação debochada de um dos primeiros cornos de nossa prosa de ficção e a associação explicita da sexualidade com a música popular tenham feito dele um relato perturbador demais. </p>

<p>A história vocês conhecem: Inácio Ramos recebe do pai, “músico da imperial capela”, rudimentos de música. Faz-se exímio executor e um rabequista de primeira categoria. Depois veremos que sua queda não é alheia a essa limitação frequente nos artistas de Machado: a de saber copiar e executar, mas quase nunca <strong>criar</strong>. Já rabequista, Inácio continua buscando um instrumento que corresponda às “sensações da alma”, quando é cativado pelo violoncelo de um músico alemão em excursão no Rio. Torna-se violoncelista e começa a viver a oposição entre o “simples meio de vida”, a rabeca tocada por dinheiro, e “sua arte”, o violoncelo, para o qual reservava “as melhores das suas aspirações íntimas”. Ele tem isso em comum com Pestana, o criador de <a href="http://www.biblio.com.br/defaultz.asp?link=http://www.biblio.com.br/conteudo/MachadodeAssis/umhomemcelebre.htm">Um homem célebre</a>, que é capaz de conseguir para si uma grande fatia do mercado compondo polcas, mas sempre fracassa em seus desejos de ser um músico erudito, um sonatista. Esse tipo de dilema atravessa toda a obra de Machado. No caso da música, ele vai ficando mais agudo na medida em que avança <a href="http://www.idelberavelar.com/archives/2005/12/valsa_polca_e_m.php">o processo de amaxixamento da polca</a>. </p>

<p>Inácio Ramos é o músico erudito condenado à tristeza tropical. Tocava “a rabeca para os outros, o violoncelo para si, quando muito para sua velha mãe”. O narrador registra a presença da mãe como única figura a dar entrada no espaço de execução da “arte pura” de Inácio. Ao executar sua elegia à mãe falecida, diante da mulher Carlotinha, oito dias depois de casado, a “mocinha de dezessete anos, parecendo dezenove” se lança à celebração com gritos de “lindo, lindo”. Inácio se ofende, como se a mulher houvesse incompreendido a profundidade e a melancolia da peça. Onde Inácio queria o descanso e o luto, Carlota era puro entusiasmo. Onde ele queria coqueiro, ela era revólver. Embora os dois personagens ainda não saibam, esse <strong>descompasso </strong>entre a recepção real da música e a recepção idealizada pelo artista erudito nacional já anuncia a chegada do terceiro, do tocador de machete, do homem que vem da rua. </p>

<p>Um par de transeuntes, Amaral e Barbosa, estudantes de Direito em férias no Rio, ouvem o violoncelo de Inácio e lançam gritos de “bravo, artista divino!” Só numa visita subsequente Amaral menciona que o amigo Barbosa também é músico. Vale citar o diálogo de Inácio com Barbosa como registro do horizonte de expectativas de um violoncelista encontrando pela primeira vez a cultura popular:</p>

<p><em>- Também! exclamou o artista<br />
- É verdade, mas um pouco menos sublime do que o senhor, acrescentou ele<br />
sorrindo.<br />
- Que instrumento toca?<br />
- Adivinhe.<br />
- Talvez piano. . .<br />
- Não.<br />
- Flauta?<br />
- Qual!<br />
- É instrumento de cordas?<br />
- É.<br />
- Não sendo rabeca . . . disse Inácio como a esperar uma confirmação.<br />
- Não é rabeca, é machete. <br />
</em><br />
Esse diálogo é importante porque revela um dado chave: Inácio é músico e vive no Rio de Janeiro no fim da década de 1870, mas simplesmente <strong>não possui registro</strong> de instrumentos de cordas além dos usuais na música burguesa de salão. Ele passa ao largo do processo vivo de constituição de uma linguagem musical brasileira através das rodas de chorões, já em estágio avançado na década de 70. Esse é o processo que, em diálogo com as sonoridades afro-brasileiras -- chamadas no século XIX pelo nome genérico de batuque --, levaria à constituição do primeiro gênero popular urbano brasileiro: o <a href="http://www.idelberavelar.com/archives/2005/06/machado_de_assi.php">maxixe</a>. </p>

<p>A escolha do instrumento de Inácio não poderia ser mais contrastante com o cavaquinho (podemos aqui usar “cavaquinho” e “machete” como termos intercambiáveis, apesar de algumas diferenças, de afinação inclusive). O violoncelo é um instrumento que, na segunda metade do século XIX, já indicia uma música erudita algo ancilosada e melancólica, em descompasso inclusive com as preferências da elite. A polca já era a música de preferência da elite carioca desde logo depois da sua chegada ao Rio, em 1845. Quando Inácio convida Barbosa para uma demonstração no cavaquinho, trata-se quase que de um chamado a uma exibição folclórico-etnográfica que não mereceria o nome de arte. <img alt="maxixe.JPG" src="http://www.idelberavelar.com/Post-images/maxixe.JPG" width="192" height="200" align=right></p>

<p>Para Machado, o problema é que essa arte, ao contrário daquela do performático cavaquinho, já se encontra <strong>divorciada da experiência</strong>. O machete de Barbosa passa a fazer sucesso e ser conhecido da vizinhança, em saraus estimulados por Carlotinha, que “não cessava de o elogiar em toda parte” . Arma-se o contraste entre Inácio e Barbosa: o artista que se relaciona com a autoria alheia como a dos “mestres” versus o artista que executa composições de autoria próxima, pessoal, coletiva ou desconhecida, mas sempre com liberdade de improvisação sobre elas. O corpo está sempre presente nas apresentações de Barbosa.</p>

<p>Depois do regresso de Amaral e Barbosa a São Paulo, chega a notícia de que eles estariam de novo no Rio por três dias. Aí o leitor já tem elementos para adivinhar o fim. Amaral fica o período combinado e volta. Barbosa adoece e recebe uma carta que “lhe obriga a ficar algum tempo”. Quando Amaral retorna para visitar o casal nas férias seguintes, só encontra Inácio com o violoncelo, uma criança de alguns meses ao pé do instrumento, “dominada ao que parece pela música” e ouve o relato da boca do próprio Inácio: “ela foi-se embora, foi-se com o machete. Não quis o violoncelo, que é grave demais. Tem razão; o machete é melhor”. Como notou Wisnik em seu trabalho, as duas frases finais do conto replicam a fórmula do melodrama: “A alma do marido chorava mas os olhos estavam secos. Uma hora depois enlouqueceu”. O que Wisnik não diz é que essa fórmula – o enlouquecimento ao final – é sempre utilizada no melodrama com personagens femininas. </p>

<p>Tenho com meu amigo e mestre José Miguel Wisnik uma diferença importante na leitura do conto. No seu “Machado Maxixe”, Wisnik afirma que o relato “supõe e promove a identificação positiva com o mundo representado pelo violoncelo, em clara oposição ao mundo representado pelo cavaquinho” (p. 25). Ou seja, meu querido amigo lê no conto um <b>lamento</b> pela queda da arte erudita. Eu já acredito que quando o narrador fala de “arte celestial”, afeita às “sensações da alma” para designar o violoncelo, ou quando, em discurso indireto livre, coloca-se na cabeça de Amaral para perguntar <em>que rivalidade era aquela entre a arte e o passatempo?</em>, há uma nítida ironia. Há um sorriso de canto de lábios. Há um gesto: <em>olha aí, meu chapa, chegou a arte da rua</em>. A obra de Machado de Assis, que foi com frequência acusada de ignorar as classes populares e apresentar um quadro “elitista” do Brasil do Segundo Império, nos ofereceu o esboço de um mapa da constituição de um campo genuinamente popular e urbano na música brasileira. </p>

<p>Ano passado, em New Orleans, meus alunos e amigos <a href="http://www.interney.net/blogs/lll/">Alex </a>e <a href="http://rre.opensadorselvagem.org/">Camila </a>presenciaram uma inesquecível experiência: eu e o querido Zé Miguel nos sentamos, às 4 da manhã, ao fim de uma festa em minha casa, para reler o conto e decidir quem tinha razão. Como fui eu o encarregado de ler o conto em voz alta para todo o público, manipulei a intonação das palavras descaradamente em prol da minha interpretação. Mesmo assim, é óbvio, não resolvemos nada. </p>

<p>Está aberto, pois, o espaço para o bate-papo sobre o conto. A única regra é que você não pode se desculpar por não ser especialista em literatura. </p>

<p><br><br />
<strong>PS</strong>: No Consenso só no Paredão, vai rolar hoje também <a href="http://www.culturaebarbarie.org/blog/2009/07/clube-de-leituras-extincao-de.html">a conversa sobre <em>Extinção</em>, de Paulo Arantes</a>. </p>]]>
        
        </description>
         <link>http://www.idelberavelar.com/archives/2009/07/machado_de_assis_e_a_musica_o_machete.php</link>
         <guid isPermaLink="true">http://www.idelberavelar.com/archives/2009/07/machado_de_assis_e_a_musica_o_machete.php</guid>
         <category>Clube de leituras</category>
         <pubDate>Wed, 15 Jul 2009 06:24:45 -0300</pubDate>
         <comments>http://www.idelberavelar.com/mt336/xyz457.cgi?entry_id=1270</comments>
      </item>
            <item>
         <title>Clube de Leituras: "O Machete", de Machado de Assis</title>
<CommentCount>22</CommentCount> 
        <description>
        <![CDATA[<p>'Bora fazer outra edição do <a href="http://www.idelberavelar.com/archives/clube_de_leituras/">Clube de Leituras</a>? Então vamos. A proposta é que vocês leiam nas próximas 24 horas um conto genial de Machado de Assis. Trata-se de “O Machete”, publicado originalmente no <em>Jornal das Famílias</em>, em 1878, e jamais compilado por Machado em livro. O relato só viria a ser republicado muito tempo depois. Ele está, claro, disponível na internet. Se você prefere o formato pdf, <a href="http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/fs000186.pdf">clique aqui</a>. Se prefere ler em html mesmo, <a href="http://portal.mec.gov.br/machado/arquivos/html/contos/macn081.htm">clique aqui</a>. </p>

<p>Não quero adiantar muita coisa sobre o conto, mas trata-se de uma das primeiras reflexões sobre a música popular do Rio de Janeiro na era de surgimento e consolidação do então demonizado maxixe. A discussão será sobre “O Machete”, mas há outro conto de Machado que pode iluminá-lo consideravelmente. É o clássico “Um homem célebre”, que também está disponível <a href="http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/bv000260.pdf">em pdf</a> ou <a href="http://www.biblio.com.br/defaultz.asp?link=http://www.biblio.com.br/conteudo/MachadodeAssis/umhomemcelebre.htm">em html</a>. </p>

<p>Para preparar a discussão, você pode consultar um post do Biscoito: <a href="http://www.idelberavelar.com/archives/2005/06/machado_de_assi.php">Machado de Assis e a invenção do pop</a>. Eu fiz também um <a href="http://www.idelberavelar.com/abralic/txt_19.pdf">trabalhinho acadêmico</a> (pdf) sobre Machado e a música, que não faz muita falta ler agora, já que o post de amanhã será, em grande medida, baseado nele. </p>

<p>Então, temos quorum para uma conversa sobre Machado de Assis e a música amanhã? Quem se alista? </p>]]>
        
        </description>
         <link>http://www.idelberavelar.com/archives/2009/07/clube_de_leituras_o_machete_de_machado_de_assis.php</link>
         <guid isPermaLink="true">http://www.idelberavelar.com/archives/2009/07/clube_de_leituras_o_machete_de_machado_de_assis.php</guid>
         <category>Clube de leituras</category>
         <pubDate>Tue, 14 Jul 2009 08:04:25 -0300</pubDate>
         <comments>http://www.idelberavelar.com/mt336/xyz457.cgi?entry_id=1269</comments>
      </item>
            <item>
         <title>Ateus, saiam do armário! Ateísmo e falsas simetrias</title>
<CommentCount>626</CommentCount> 
        <description>
        <![CDATA[<p>O Biscoito Fino e a Massa combate as falsas simetrias desde outubro de 2004. Outro dia, numa mesa de bar, tive que ouvir a velha história de que “machismo” e “feminismo” são duas coisas idênticas; de que as mulheres deveriam abandonar essa história de feminismo porque ... afinal de contas, somos todos seres humanos! Uma amiga querida, feminista, encarregou-se de explicar o óbvio: que o machismo é a justificativa ideológica de uma opressão milenar, que subjuga as mulheres, relega-as à condição de serventes, e que o feminismo representa a luta por uma sociedade em que todos tenhamos os mesmos direitos-- uma sociedade em que as mulheres possam, por exemplo, legislar sobre seu próprio útero. Daí, a conversa da nossa interlocutora descambou para a discussão do racismo, onde ela de novo repetia a ladainha de que uma camisa <em>100% negro</em> e uma camisa <em>100% branco</em> representavam coisas igualmente reprováveis, como se não tivesse havido aquele pequeno detalhe chamado escravidão. </p>

<p>Está em curso uma perigosa tendência a <a href="http://gretachristina.typepad.com/greta_christinas_weblog/2009/02/shut-up-thats-why.html">silenciar os ateus</a>. O argumento – calhorda, cafajeste, ignorante – é que cada vez que um ateu sai do armário, se assume como tal e começa, a partir dali, a articular publicamente suas razões para ser ateu, ele está repetindo, mimetizando, reproduzindo a doutrinação evangélica com a qual somos bombardeados todos os dias. Cada vez que os ateus começamos a falar publicamente sobre essa mais óbvia e razoável das escolhas vem alguém nos acusar de ... estar querendo evangelizar os outros! </p>

<p>Dá pra imaginar uma simetria mais falsa? </p>

<p>Uma <a href="http://www.e-paulopes.blogspot.com/2009/05/ateus-e-usuarios-de-drogas-sao-os-mais.html">pesquisa </a>recente, da Fundação Perseu Abramo, mostra que os ateus representamos o grupo social mais discriminado socialmente. Mais que negros. mulheres, travestis, gays, lésbicas. Mais, até mesmo, que transsexuais. Eu não estou dizendo que a discriminação cotidiana que sofre, por exemplo, um ateu branco, é comparável à que sofre um negro de qualquer crença. Não é. Não é, em primeiro lugar, porque ser negro e, até certo ponto, ser gay, são coisas impossíveis de se esconder. Ser ateu, não. Mas se você perguntar a um brasileiro em qual membro de grupo social ele não aceitaria votar de jeito nenhum, os ateus estamos, disparados, em primeiro lugar. Vivemos ainda nesse estranho regime que associa a moralidade à crença religiosa, como se existisse alguma relação entre religiosidade e comportamento moral, como se não soubéssemos nada sobre a lambança feita pelos padres com as crianças e adolescentes – para não falar dos séculos de lambança obscurantista e anticientífica promovida pelas religiões. </p>

<p>A crítica que ouço por aí a <a href="http://www.idelberavelar.com/archives/2007/04/a_ilusao_de_deus_de_richard_dawkins.php">Richard Dawkins</a> – que ele está liderando um movimento ateu que tem caráter evangelizante, doutrinador, e que portanto ele acaba se parecendo a um crente – é de uma burrice digna de um cristão. Nós passamos séculos em que os ateus não tínhamos sequer o direito de falar na esfera pública enquanto tais. Nós vivemos num mundo onde professores <a href="http://www.democracyforamerica.com/blog_posts/27752-texas-teacher-suspended-for-being-liberal-and-an-atheist">são despedidos por serem ateus</a>; adolescentes recebem suspensão na escola <a href="http://abcnews.go.com/2020/Story?id=3164811&page=1">por serem ateus</a>; políticos que se declaram ateus têm <a href="http://gretachristina.typepad.com/greta_christinas_weblog/2008/10/anti-atheist-bigotry-in-the-senate-campaign.html">pouquíssimas chances de serem eleitos</a>. Essa mais razoável e óbvia das conclusões filosóficas – a de que o mundo não foi criado por nenhum ser onipotente – ainda é motivo de perseguição severa para qualquer um que a abrace. </p>

<p>Apesar do caráter laico da República Federativa do Brasil, garantido na nossa constituição, as religiões ainda gozam desses estranhos privilégios: não pagam impostos, por exemplo. A pior parte é que elas podem dar palpite em absolutamente tudo -- desde o currículo escolar até o útero alheio – mas, no momento em que são questionadas, o debate é silenciado com aquele mais cretino dos argumentos, <em>ah, tem que respeitar minha religião</em>. </p>

<p>Entendam o ponto de vista d' O Biscoito Fino e a Massa sobre isso: <b>tem que respeitar religião porra nenhuma</b>. Tem que acabar com essa história de que, todas vezes que apontamos a misoginia, a homofobia, os <a href="http://unabrasil.wordpress.com/2009/07/08/crimes-sexuais-e-o-vaticano/">estupros de crianças</a>, a guerra anticiência, os séculos de lambança obscurantista, sempre aparece alguém para dizer "ah, tem que respeitar minha religião". </p>

<p>Ideias não foram feitas para serem "respeitadas". Ideias foram feitas para serem debatidas, questionadas, copiadas, circuladas, disseminadas, combatidas e defendidas, parodiadas e criticadas. De preferência com argumentos. Seres humanos merecem respeito. Pregação contra o que seres humanos são, por sua própria essência e identidade (gênero, raça, orientação sexual) não pode ser confundida com sátira antirreligiosa. A maioria dos carolas adora confundir sátira antirreligiosa com ataque misógino ou homofóbico. Não entendem que sua superstição é, essa sim, uma opção. </p>

<p>As três famílias que chamo de minhas – a sanguínea, a de <a href="http://anamariagoncalves.blogspot.com/">meu amor</a> e a da mãe de meus filhos, todas elas majoritamente católicas – são testemunhas de que jamais invadi um ritual religioso deles para fazer sátira, questionar o que quer que seja ou tentar converter quem quer que seja. O ritual acontece no espaço privado – que é onde ele tem o direito constitucional de acontecer – sem que eu jamais o desrespeite. Mas isso não é porque eu “respeito a religião”. Isso é porque eu <b>os</b> respeito, como pessoas. Tenho a opção de acompanhar o ritual em silêncio ou afastar-me porque, afinal de contas, são três famílias maravilhosas. </p>

<p>Entendam: <strong>o debate na esfera pública são outros quinhentos</strong>. E, neste debate, <a href="http://www.alternet.org/story/140914/why_do_atheists_have_to_talk_about_atheism_because_we%27re_right./">nós chegamos para ficar</a>. Ateus, <a href="http://www.youtube.com/watch?v=WMF7g4C6WRE">saiam do armário</a>. Sem medo. É muito melhor. <br />
</p>]]>
        
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         <link>http://www.idelberavelar.com/archives/2009/07/ateus_saiam_do_armario_ateismo_e_falsas_simetrias.php</link>
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         <category>Polí­tica</category>
         <pubDate>Mon, 13 Jul 2009 07:05:26 -0300</pubDate>
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      </item>
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         <title>Um blog aos sábados: Rafael Galvão</title>
<CommentCount>36</CommentCount> 
        <description>
        <![CDATA[<p><a href="http://www.rafael.galvao.org">Rafael Galvão</a> é, antes de tudo, um preguiçoso. Ele é a prova definitiva de que a natureza faz as coisas direitinho. Com a erudição e o talento absurdos que possui, já teria dominado o mundo, caso se empenhasse. Tal como está, ele é só o autor de um dos melhores blogs já escritos em qualquer língua. Sem o menor <a href="http://www.rafael.galvao.org/2006/07/a-bunda-da-mulher-de-john-lennon/">respeito </a>pelas mais elementares etiquetas do politicamente correto, implicando com <a href="http://www.rafael.galvao.org/2006/08/de-goiania-para-o-mundo/">cidades</a>, com o <a href="http://www.rafael.galvao.org/2006/07/os-abacaxis-de-neopolis/">orgulho local</a>, com o que ele chama de <a href="http://www.rafael.galvao.org/2008/10/o-estuprador-e-as-pseudo-feministas/">pseudo-feministas</a>, sem mover uma palha para responder aos seus comentaristas e sem comentar em lugar nenhum, ele é uma lenda viva entre os que presenciamos a pré-história dos blogs brasileiros. </p>

<p>Se você nunca ouviu a expressão <a href="http://www.rafael.galvao.org/category/as-alegrias-que-o-google-me-da/">As alegrias que o Google me dá</a> (atenção: no fim da página há um link para a continuação da festa), você está perdendo o que de mais divertido – e ao mesmo tempo revelador – já foi feito nos blogs. As respostas do Rafael às expressões que lhe trazem leitores pelo motor de busca são um achado sensacional, não só pelas pérolas de humor que ele extrai da coisa, mas porque o “Alegrias que o Google me dá” é um verdadeiro retrato da miséria humana, inconcebível antes da internet. O Google ocupa hoje, claro, a posição que Jacques Lacan chamava de sujeito suposto saber. Ele é o Grande Outro ante o qual não só projetamos o não-saber, mas vivemos a ilusão de fazê-lo privadamente. Eu daria tudo para ver a cara de um sujeito que reencontrasse um dos seus termos de busca (<em>penes piqueno</em>) no interior de uma sátira do Paraíba.  </p>

<p>Eu não teria nenhum motivo para gostar do Rafael Galvão: o cabra é stalinista, flamenguista, fã de Paul McCartney e redige melhor que eu. O texto é sempre escrito naquele português escorreito, límpido. Não há nem sombra das estrovengas barrocas que eu enfio no meio das frases. Sobre os Beatles, eu, <a href="http://www.rafael.galvao.org/2006/09/john-lennon-2/">lennonmaníaco</a>, não seria louco de polemizar com o Paraíba. Eu sairia machucado. Ele é, provavelmente, a pessoa que mais conhece Beatles no Brasil. </p>

<p>Para aqueles leitores que às vezes se deixam influenciar pela paupérrima retórica indignada da República Morumbi-Leblon, eu recomendo fortemente o blog do Paraíba. Ali você aprende um pouco sobre o que é a política na realidade, vista sem hipocrisia, longe da vociferação que sobre ela nos oferecem aqueles que a odeiam. Leia <a href="http://www.rafael.galvao.org/2008/09/meu-presidente/">Meu presidente</a>, <a href="http://www.rafael.galvao.org/2006/10/sobre-o-bolsa-familia/">Sobre o Bolsa Família</a>, <a href="http://www.rafael.galvao.org/2006/10/a-udn-vestida-de-azul-e-amarelo/">A UDN vestida de azul e amarelo</a>, <a href="http://www.rafael.galvao.org/2006/10/orgulho-de-ser-brasileiro/">Orgulho de ser brasileiro</a>, <a href="http://www.rafael.galvao.org/2006/10/petrobras-e-politica/">Petrobras e política</a>, <a href="http://www.rafael.galvao.org/2006/09/neo-nazistas-agora-do-outro-lado-2/">Neo-nazistas, agora do outro lado</a> e <a href="http://www.rafael.galvao.org/2009/01/os-que-defendem-o-genocidio-palestino/">Os que defendem o genocídio palestino</a>. Para começar. Quando se cansar da política, leia o <a href="http://www.rafael.galvao.org/2009/01/manual-do-bem-foder/">Manual do Bem Foder</a> e a<a href="http://www.rafael.galvao.org/2009/03/pequena-eulogia-a-um-genio-da-raca-que-desgracou-a-si-e-ao-seu-mister/"> Pequena eulogia a um gênio da raça que desgraçou a si e ao seu mister</a>. Rafael também é mestre na arte de <a href="http://www.rafael.galvao.org/2006/02/por-que-o-brasil-nao-vai-ganhar-a-copa/">fazer previsões</a>, entrar em <a href="http://www.rafael.galvao.org/2006/07/sobre-a-liberdade-de-escolha/">polêmicas </a>e transformar comentários de leitores imbecis <a href="http://www.rafael.galvao.org/2006/10/um-ditadorzinho-de-alguma-republica-2/">em posts geniais</a>. </p>

<p>Eu tenho a honra de ser co-autor de um post no blog do Paraíba. Ainda acho que é o melhor post que já escrevi, e é quase tão bom como os posts dele. Antes de oferecer o link, faz-se necessária uma explicação. Lá nos primórdios, quando ainda blogávamos com a inocência de quem faz uma traquinagem de moleque, eu cometi a irresponsabilidade de fazer uma brincadeira. No meio de um chat organizado pelo <a href="http://www.interney.net/blogs/lll/">Alex</a>, onde se reuniram vários blogueiros, apareceu uma figura de codinome <strong>Solitária 4.2</strong>, que ninguém conhecia. Depois de trocar com ela uns flertes virtuais – eu era solteiro --, <a href="http://idelberavelar.blog.uol.com.br/arch2005-02-01_2005-02-28.html#2005_02-25_01_21_14-8136302-0">inventei </a>a história de que alguém havia sequestrado meu perfil para dar as cantadas. Depois, fui ao blog e <a href="http://idelberavelar.blog.uol.com.br/arch2005-02-01_2005-02-28.html#2005_02-26_01_41_37-8136302-0">inventei </a>a história de que o blog também havia sido sequestrado. Exagerei tudo deliberadamente, para que os leitores percebessem a brincadeira. Ali eu aprendi que, na internet, não se brinca com a credulidade humana. </p>

<p>Foi um fuzuê. Alguns leitores entenderam e se divertiram. Outros, não. Comecei a receber telefonemas de amigos e familiares em pânico. Era a véspera de uma palestra minha em Northwestern University, em Chicago, e um professor de lá, leitor do blog, resolveu entrar na brincadeira. Deu-me a ideia de anunciar que um impostor havia aparecido, passando-se por mim, e que ele havia sido recebido com a seguinte pergunta: <em>se você é mesmo o Idelber, diga lá: quem foi o artilheiro do Campeonato Brasileiro de 1977, em que ano se publicou o primeiro poema gauchesco argentino e onde nasceu Raul Seixas?</em> A história que se seguiu foi narrada por Rafael <a href="http://www.rafael.galvao.org/2005/02/o-estranho-caso-do-professor-idelber-e-do-doutor-avelar/">numa inesquecível entrevista</a>. </p>

<p>Homenagear o Paraíba é uma forma de me lembrar do porquê de eu escrever aqui: porque, sim, cumpre algum papel político, constrói redes sociais, compartilha conhecimento, <em>et cetera</em> e tal. Mas, acima de tudo, porque é divertido. Quando deixar de ser, a gente fecha a bodega. </p>

<p>Obrigado, Paraíba. </p>]]>
        
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         <link>http://www.idelberavelar.com/archives/2009/07/um_blog_aos_sabados_rafael_galvao.php</link>
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         <category>Metablogagem</category>
         <pubDate>Sat, 11 Jul 2009 08:09:41 -0300</pubDate>
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      </item>
            <item>
         <title>Solidariedade a Lúcio Flávio Pinto</title>
<CommentCount>77</CommentCount> 
        <description>
        <![CDATA[<p>Este é um convite a que você faça uma doação à conta bancária de Lúcio Flávio Pinto, um dos mais valentes jornalistas brasileiros, condenado a pagar 30 mil reais de indenização à família Maiorana, dona do grupo Liberal, afiliado paraense da Rede Globo de Televisão. A história da condenação de Lúcio e todos os links relevantes estão disponíveis <a href="http://www.idelberavelar.com/archives/2009/07/ronaldo_maiorana_da_corja_dos_marinho_espanca_e_sai_livre_lucio_flavio_pinto_faz_jornalismo_e_e_cond.php">nesse post</a> publicado aqui no Biscoito anteontem. O <a href="http://www.lucioflaviopinto.com.br/">Jornal Pessoal</a>, informativo quinzenal e independente editado por Lúcio, não aceita propaganda e se mantém com a venda em bancas. A condenação é um golpe duro contra esse veículo. </p>

<p>Aí vai, por questão de transparência, o comprovante da minha doação de 100 reais: </p>

<p>**** (comprovante retirado por múltiplas sugestões de amigos). </p>

<p>Os <a href="http://www.lucioflaviopinto.com.br/?page_id=71">dados </a>da conta são: </p>

<p>Lúcio Flávio Pinto<br />
UNIBANCO (banco 409)<br />
Conta: 201.512-0<br />
Agência: 0208<br />
CPF: 610.646.618-15 </p>

<p><br />
Acabo de ter a notícia de que Lúcio está no hospital acompanhando seu irmão, Raimundo José, também jornalista, dois anos mais novo que ele. Raimundo está enfrentando o estágio final de um câncer. </p>

<p>Uma das coisas que aprendi a admirar nos EUA é uma certa cultura da doação. Não fosse por ela, provavelmente estaríamos agora amargando John McCain e Sarah Palin na Casa Branca. Eu ficaria muito honrado se conseguíssemos dar uma demonstração de força e levantássemos uma contribuição legal para o Lúcio. É evidente que qualquer quantia ajuda: 5, 10, 20 reais, o que puder. O importante é o gesto. Caso você o faça, deixe aqui o alô. </p>]]>
        
        </description>
         <link>http://www.idelberavelar.com/archives/2009/07/solidariedade_a_lucio_flavio_pinto.php</link>
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         <category>Polí­tica</category>
         <pubDate>Fri, 10 Jul 2009 06:41:02 -0300</pubDate>
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      </item>
            <item>
         <title>Entrevista sobre o AI-5 Digital</title>
<CommentCount>28</CommentCount> 
        <description>
        <![CDATA[<p>Acho que ainda não coloquei este vídeo aqui no blog. É a entrevista que fizeram comigo os gentilíssimos profissionais da TV Assembleia de Minas Gerais, sobre o <a href="http://www.idelberavelar.com/archives/2009/06/notas_soltas_sobre_o_mega_nao_em_bh.php">AI-5 Digital</a>, do Senador Eduardo Azeredo -- aquele que <a href="https://twitter.com/iavelar/status/1869989200">estreou </a>na política dando uma facada nas costas do irmão. </p>

<p>Chegam de Brasília notícias de que são muito boas as chances de derrotar o orwelliano projeto do senador do PSDB. Mas todo cuidado é pouco. Aí vai o papo. A entrevistadora, Vivian, foi uma gentileza só. Bem informada, clara, incisiva, ela fez as perguntas que tinham que ser feitas, me questionou, interrogou, mas me deu tempo para explicar o ponto de vista dos que lutamos contra o AI-5 Digital. Se você ainda não viu, aqui está o vídeo. A edição é cortesia de <a href="http://www.interney.net/blogs/inagaki">Alexandre Inagaki</a>. </p>

<p><br />
<embed src='http://www.videolog.tv/ajax/codigoPlayer.php?id_video=444820&relacionados=S&default=S&lang=PT_BR&cor_fundo=000000&swf=1&width=424&height=318' width='424' height='318' type='application/x-shockwave-flash' allowFullScreen='true' AllowScriptAccess='always'></embed> <p style='display:none'><a href='http://www.videolog.tv/video.php?id=444820'>Entrevista com Idelber Avelar sobre o AI-5 Digital</a></p></p>

<p><br><br></p>

<p><strong>PS</strong>: Na caixa de comentários do <a href="http://www.idelberavelar.com/archives/2009/07/ronaldo_maiorana_da_corja_dos_marinho_espanca_e_sai_livre_lucio_flavio_pinto_faz_jornalismo_e_e_cond.php">post </a>anterior, começou a se articular uma vaquinha em solidariedade ao bravo jornalista Lúcio Flávio Pinto, do Pará. O próximo post trará detalhes sobre como você pode contribuir. </p>]]>
        
        </description>
         <link>http://www.idelberavelar.com/archives/2009/07/entrevista_sobre_o_ai5_digital.php</link>
         <guid isPermaLink="true">http://www.idelberavelar.com/archives/2009/07/entrevista_sobre_o_ai5_digital.php</guid>
         <category>Polí­tica</category>
         <pubDate>Thu, 09 Jul 2009 04:58:15 -0300</pubDate>
         <comments>http://www.idelberavelar.com/mt336/xyz457.cgi?entry_id=1265</comments>
      </item>
      
   </channel>
</rss>
