Relembre meu título em Roma, em 1999
Tenho ótimas recordações do Masters Series de Roma – onde sempre contei com muito apoio da torcida – em especial da edição de 1999. Não só por ter erguido lá o quinto título da minha carreira, mas por ter alcançado dois feitos inéditos na minha trajetória até então: vencer três top 10 na mesma semana, incluindo minha primeira vitória contra um líder do ranking.
Naquele ano, cheguei a Roma como o 14º do mundo e confiante por ter vencido um dos dois outros Masters Series no saibro, em Monte Carlo, e por ter ajudado o Brasil a derrotar a Espanha, fora de casa, pela Copa Davis. Era a segunda vez que disputava o torneio italiano. Em 1998, então como o nono do mundo, ganhei quatro jogos e alcancei as semifinais.
Meu primeiro adversário em 1999 foi o espanhol Fernando Vicente, que ocupava o 54º lugar no ranking e venci em sets diretos, por 6-4 e 6-3. Joguei bem os pontos importantes e sabia que ele ia lutar muito, mas eu estava concentrado, corri também e variei bastante os golpes.
Na rodada seguinte, outro representante da Armada Espanhola: Francisco Clavet, então 21º do mundo. Minha vitória foi por duplo 6-3. Apesar do placar, foi uma partida equilibrada. Joguei com inteligência, variando bastante, e saquei muito bem.
Para avançar às quartas de final, sabia que teria de me superar, já que meu rival seria o russo Yevgeny Kafelnikov. Já havíamos jogado quatro vezes, com duas vitórias para cada. A torcida me incentivou bastante, me senti em casa e ganhei esse tira-teima por 7-5 e 6-1. Depois que salvei dois set points e ganhei a primeira série, me soltei, bati bonito e deslanchei. Joguei incrível no segundo set, bem profundo, deixando o cara o tempo todo no fundo da quadra pra ele não atacar. Foi minha primeira vitória contra um número 1 do mundo.
Contra o eslovaco Karol Kucera (12º do mundo), na rodada seguinte, eu não estava jogando bem. Fui botando bola para o outro lado, trocando bastante e ganhei. Quando eu jogava melhor, o cara jogava melhor ainda. Foi uma vitória da garra. Ganhei porque lutei muito mesmo. Foi um jogo muito duro. Venci por 3-6, 6-4 e 7-5, perdendo meu único set naquela campanha, mas ganhando fôlego para seguir lutando pelo título.
Nas semifinais, tive pela frente o terceiro espanhol naquela semana: Alex Corretja, que ocupava o sétimo lugar do ranking. Sabia que seria outra batalha. E venci por 6-4 e 6-2.
O australiano Patrick Rafter, número 4 do mundo, foi meu adversário na final, que naquela época era decidida em melhor de cinco sets. Após 2h39m, ganhei por 6-4, 7-5 e 7-6(6). Na premiação, arrisquei algumas palavras em italiano, fiz questão de citar o ex-jogador de futebol Falcão, conhecido como o Rei de Roma, e dediquei o título ao gênio Larri Passos. Afinal, havia chegado cansado à cidade italiana naquele ano, mas ele preparou tudo para que desse certo. E deu.
Ainda cheguei à final em Roma nos dois anos seguintes. Mas, se o título não veio nessas duas vezes, quem sou eu para reclamar. Mesmo porque as campanhas em 2000 e 2001 me deram a confiança necessária para voltar a vencer em Roland Garros, logo após o torneio italiano.














