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	<title>ExtraLibris</title>
	
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	<description>Informação, Cultura e Tecnologia</description>
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		<title>Ontologias são Superestimadas: Categorias, Links e Etiquetas</title>
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		<comments>http://extralibris.org/artigos-e-estudos/ontologias-sao-superestimadas-categorias-links-e-etiquetas/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 12 Jun 2010 03:42:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ExtraLibris</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos e Estudos]]></category>

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		<description><![CDATA[Hoje eu quero falar sobre categorização e quero convencê-los de que muito do que pensamos saber sobre categorização está errado. Em particular, quero convencê-los de que várias das tentativas de aplicar a categorização ao mundo eletrônico são na verdade inadequadas, porque adotamos hábitos mentais que são frutos de estratégias antigas.

Também quero convencê-los de que o que vemos na Web é na verdade uma ruptura radical com as estratégias prévias de categorização, em vez de uma extensão delas. A segunda parte da palestra é mais especulativa, por que geralmente acontece de os velhos sistemas se quebrarem antes mesmo que as pessoas saibam o que tomará o seu lugar. (Qualquer pessoa que observa a indústria musical pode ver isso acontecendo hoje). Isso é o que eu acho que está acontecendo com a categorização.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Esse texto é baseado em duas palestras que dei na primavera de 2005 &#8212; uma na conferência O&#8217;Reilly ETech em março, intitulada &#8220;Ontologias são superestimadas&#8221; e outra no IMCExpo em abril entitulada &#8220;Folksonomias &amp; Etiquetas: a emergência da classificação desenvolvida por usuários&#8221;. A versão escrita é uma grande edição destas duas palestras.</em></p>
<p>Hoje eu quero falar sobre categorização e quero convencê-los de que muito do que pensamos saber sobre categorização está errado. Em particular, quero convencê-los de que várias das tentativas de aplicar a categorização ao mundo eletrônico são na verdade inadequadas, porque adotamos hábitos mentais que são frutos de estratégias antigas.</p>
<p>Também quero convencê-los de que o que vemos na Web é na verdade uma ruptura radical com as estratégias prévias de categorização, em vez de uma extensão delas. A segunda parte da palestra é mais especulativa, por que geralmente acontece de os velhos sistemas se quebrarem antes mesmo que as pessoas saibam o que tomará o seu lugar. (Qualquer pessoa que observa a indústria musical pode ver isso acontecendo hoje). Isso é o que eu acho que está acontecendo com a categorização.</p>
<p>O que acho que está por vir são modos muito mais orgânicos de organização da informação &#8211; do que os nossos atuais esquemas de categorização permitem &#8211; baseado em duas unidades: o link, que pode apontar para qualquer coisa, e a tag (etiqueta), que é uma forma de anexar marcações em links. A estratégia de etiquetagem (tagging) &#8212; uma forma livre de marcação, sem levar em conta restrições de categorias &#8212; parece ser uma receita para o desastre, mas como a Web tem nos mostrado, você pode extrair uma quantidade surpreendente de valor de conjuntos de informações completamente bagunçados.</p>
<p><strong>PARTE I: Classificação e seus (Des)Conteúdos</strong></p>
<p>Q: O que é Ontologia? A: Depende de qual o significado de &#8220;é&#8221; é.</p>
<p>Preciso fornecer algumas definições rápidas, começando com ontologia. É uma rica ironia que a palavra &#8220;ontologia&#8221;, que tem a ver com esclarecer e explicitar afirmações sobre entidades num domínio particular, tenha tantas definições conflitantes. Oferecerei duas definições gerais.</p>
<p>A principal definição de ontologia no sentido filosófico é o estudo das entidades e suas relações. A questão que a ontologia pergunta é: quais tipos de coisas existem ou podem existir no mundo, e que tipo de relações essas coisas podem ter umas com as outras? Ontologia está menos preocupada com o que é do que com o que é possível.</p>
<p>As comunidades de gestão do conhecimento e inteligência artificial tem uma definição relacionada &#8212; eles pegaram a palavra &#8220;ontologia&#8221; e aplicaram-na mais diretamente ao seu problema. O sentido de ontologia é algo como &#8220;uma especificação explicita de uma conceitualização&#8221;.</p>
<p>O ponto comum entre as duas definições é a essência, o qualidade/capacidade de ser. Em um domínio particular, quais tipos de coisas nós podemos dizer que existem naquele domínio e como nós podemos dizer que essas coisas relacionam-se entre si?</p>
<p>O outro par de termos que preciso definir é categorização e classificação. Esses são os atos de organizar uma coleção de entidades, sejam coisas ou conceitos, em grupos relacionados. Embora existam algumas distinções de campo para campo, os termos são usados em geral de forma intercambiável.</p>
<p>E então há a categorização ou classificação ontológica, que é organizar um conjunto de entidades em grupos, baseados em suas essências e possíveis relações. Um catálogo de biblioteca, por exemplo, entende que para cada livro novo, seu lugar lógico já existe dentro do sistema, mesmo antes de o livro ser publicado. Essa estratégia de designação de categorias para cobrir possíveis casos antecipadamente é o que me preocupa, pois é tanto amplamente usado quanto totalmente ultrapassado em termos de valor no mundo digital.</p>
<p>Agora, qualquer pessoa que lide com categorização em sua profissão irá dizer que nunca se pode conseguir um sistema perfeito. Em sistemas de classificação que funcionam, o sucesso não é &#8220;Conseguimos o arranjo ideal?&#8221; mas &#8220;O quão perto chegamos e em que medidas?&#8221;. A idéia de um esquema perfeito é simplesmente um ideal platônico. Entretanto, quero argumentar que mesmo o ideal ontologico é um erro. Até mesmo usar perfeição teórica como medida de sucesso prático leva a má aplicação de recursos.</p>
<p>Agora, aos problemas da classificação.</p>
<p style="text-align: left;"><strong>Dividindo a natureza em suas articulações</strong></p>
<p style="text-align: left;"><img src="http://www.shirky.com/writings/ontology_images/periodic.jpg" alt="" width="422" height="267" /></p>
<p style="text-align: left;">[ A Tabela Periódica de Elementos ]</p>
<p>A tabela periódica de elementos é o meu voto para &#8220;Melhor Classificação de Todos os Tempos&#8221;. Parece que ao organizar elementos pelo número de prótons no núcleo, você tem todo esse valor fantástico, tanto descritivo quanto previsível. E já que o que você está fazendo é organizar coisas, a tabela periódica está tão próxima de fazer afirmações sobre essência tanto quanto for fisicamente possível. Esse é um esquema realmente poderoso, quase perfeito. Quase.</p>
<p>Ali na coluna do lado direito, a coluna rosa, estão os gases nobres. Bem, gás nobre é uma categoria estranha, porque hélio não é mais gás do que mercúrio é um líquido. Hélio não é fundamentalmente um gás, é só um gás nas temperaturas mais altas, mas as pessoas que o estudavam na época não sabiam isso, porque elas não eram capazes de fazê-lo frio o suficiente para ver que hélio, como qualquer outra coisa, tem estados diferentes da matéria. Sem as medidas corretas, eles assumiram que a gasosidade era um aspecto essencial &#8211; literalmente, parte da essência &#8211; destes elementos.</p>
<p>Mesmo num esquema de categorização quase perfeito, existem esses tipos de erro de contexto, onde as pessoas estão colocando algo que é meramente verdade em temperatura ambiente, e é absolutamente não relacionado à essência, bem no centro da categorização. E a categoria &#8216;gás nobre&#8217; permaneceu lá desde o dia em que a colocaram, por que nós todos nos acostumamos a essa anomalia como se fosse um acidente congelado.</p>
<p>Se é impossível criar uma categorização completamente coerente, mesmo quando você está fazendo algo fisicamente relacionado a essência como química, imagine os problemas encarados por qualquer um que esteja lidando com um domínio onde a essência é ainda menos óbvia.</p>
<p>O que me leva ao assunto das bibliotecas.</p>
<p>Sobre fichas e catálogos</p>
<p>A tabela periódica leva meu voto para melhor esquema de categorização de todos os tempos, mas as bibliotecas tem os melhores esquemas de categorização conhecidos. A experiência do catálogo de biblioteca é provavelmente o que as pessoas conhecem melhor como uma visão altamente ordenada do mundo, e esses sistemas de catalogação contém todos os tipos de mapeamentos estranhos entre as categorias e o mundo que eles descrevem.</p>
<p>Aqui está a categoria de primeiro nível nos sistemas de biblioteca soviéticos:</p>
<p style="padding-left: 30px;"><strong>A: Marxismo-Leninismo</strong><br />
A1: Trabalhos clássicos de Marxismo-Leninismo<br />
A3: Vida e trabalho de K.Marx, F.Engels, V.I.Lenin<br />
A5: Filosofia Marxista-Leninista<br />
A6: Economia Política Marxista-Leninista<br />
A7/8: Comunismo Científico</p>
<p>Algumas dessas categorias estão começando a parecer um pouco datadas.</p>
<p>Ou, a minha favorita &#8212; essa é a categorização do sistema decimal de Dewey para religiões do mundo, que está na categoria 200.</p>
<p style="padding-left: 30px;"><strong>Dewey, 200: Religião</strong><br />
210 Teologia Natural<br />
220 Bíblia<br />
230 Teologia cristã<br />
240 Moral cristã &amp; teologia de devoção<br />
250 Ordens cristãs e igrejas locais<br />
260 Teologia social cristã<br />
270 História da igreja cristã<br />
280 Divisões cristãs e denominações<br />
290 Outras religiões</p>
<p>O quanto essa não é o tipo de categorização que queremos no século 21?</p>
<p>Esse tipo de parcialidade existe muito em sistemas de categorização. Aqui está a categorização de história da Biblioteca do Congresso. Essas são todas as categorias de primeiro nível &#8212; todas essas são apresentadas como sendo de mesmo nível.</p>
<p style="padding-left: 30px;"><strong>D: História (geral)</strong><br />
DA: Grã Bretanha<br />
DB: Áustria<br />
DC: França<br />
DD: Alemanha<br />
DE: Mediterrâneo<br />
DF: Grécia<br />
DG: Itália<br />
DH: Países Baixos<br />
DJ: Holanda	DK: Antiga União Soviética<br />
DL: Escandinávia<br />
DP: Peninsula Ibérica<br />
DQ: Suíça<br />
DR: Península Balcânica<br />
DS: Ásia<br />
DT: África<br />
DU: Oceania<br />
DX: Ciganos</p>
<p>Eu gostaria de chamar atenção para os que estão em negrito: a Península Balcânica. Ásia. Africa.<br />
E só, enfim, reveja a geografia:</p>
<p><img src="http://www.shirky.com/writings/ontology_images/map.jpg" alt="" width="438" height="233" /></p>
<p style="text-align: left;">[ Viu a diferença? ]</p>
<p>Porém, por toda a esquisitice de colocar a Peninsula Balcã e a Ásia no mesmo nível, isso é ainda mais difícil de rir do que o exemplo de Dewey, por ser tão intrigante. A Biblioteca do Congresso &#8212; não há folgados no departamento de inteligência, fundado por Thomas Jefferson &#8212; tem um staff de pessoas que não fazem nada a não ser pensar em categorização o dia inteiro. Então o que está sendo otimizado aqui? Não é geografia. Não é a população. Não é o PIB regional.</p>
<p>O que está sendo otimizado é o número de livros na estante. É isso o que o esquema de categorização está categorizando. É tentador pensar que os sistemas de classificação que as bibliotecas otimizaram no passado podem ser estendidos de forma descomplicada para o mundo mundo digital. Isto subestima horrivelmente, no meu ponto de vista, o quanto aquilo que as bibliotecas têm organizado historicamente se configura em um problema completamente distinto.</p>
<p>A musculatura do esquema de categorização da Biblioteca do congresso parece se basear em conceitos. É organizado em categorias que não se sobrepõem, ficando mais detalhadas em níveis menores &#8212; qualquer conceito deve encaixar-se em uma categoria e em nenhuma outra categoria. Mas vez e outra, o esqueleto transparece, e esse esqueleto, a estrutura de apoio na qual o sistema é realmente construído, é designado para minimizar o tempo de busca nas estantes.</p>
<p>A essência de um livro não são as idéias que ele contém. A essência de um livro é &#8220;livro&#8221;. Pensar que catálogos de biblioteca existem para organizar conceitos confunde o recipiente por aquilo que ele contém.</p>
<p>O esquema de categorização é uma resposta às restrições físicas de armazenamento e à incapacidade das pessoas de manterem a localização de mais de uma centena de coisas em suas mentes de uma vez. Uma vez que você tem mais de uma centena de livros, você tem que organizá-los de alguma forma. (Minha mãe, que era uma bibliotecária de referência, disse que ela queria reorganizar toda a biblioteca universitária por cor, porque os estudantes chegavam nela e diziam &#8220;Estou procurando por um livro verde de sociologia&#8230;&#8221;). De qualquer maneira que você faça isso, a fragilidade da memória humana e o fato físico de livros tornarem algum tipo de esquema organizacional um requisito, e a hierarquia, é um bom modo de administrar objetos físicos.</p>
<p>O tipo de desequilibrio &#8220;Península Balcânica/Ásia&#8221; é simplesmente um subproduto de restrições físicas. Não são as idéias em um livro que tem que estar em um lugar &#8212; o livro pode ser de várias coisas ao mesmo tempo. É o livro em si, o fato físico do objeto relacionado, que tem que estar em um lugar, e se está em um lugar, não pode estar em outro. E isso significa que um livro tem que declaradamente ser sobre uma coisa principal. Um livro que é igualmente sobre duas coisas quebra o requerimento de &#8216;estar em um lugar&#8217;, então cada livro precisa ser declarado ser sobre uma coisa mais que outras, independente de seu conteúdo de fato.</p>
<p>As pessoas tem se assustado com a virtualidade das informações por décadas e você pensa que nós internalizamos a verdade óbvia: não existem prateleiras. No mundo digital, não existem restrições físicas que nos obrigam a esses tipos de organização. Nós podemos fazer sem ele, e você acha que já deveríamos ter aprendido uma lição até então.</p>
<p>E ainda&#8230;</p>
<p><strong>A parábola do ontólogo, ou, &#8220;Não existem estantes&#8221;</strong></p>
<p>Um pouco mais de 10 anos atrás, alguns caras da Stanford lançaram um serviço chamado Yahoo que oferecia uma lista de coisas disponíveis na Web. Foi a primeira tentativa realmente significativa de tentar trazer ordem à Web. Como a Web expandiu-se, a lista do Yahoo se desenvolveu numa hierarquia de categorias.Como a Web expandiu-se mais ainda eles perceberam que, para manter o valor no diretório, eles teriam que sistematizar, então eles contrataram um ontólogo profissional e desenvolveram suas próprias categorias de alto nível, agora familiares, que tem subcategorias e cada subcategoria contém links para ainda outras subcategorias, e assim por diante. Agora temos essa lista ontologicamente administrada sobre o que existe por aí.</p>
<p>Aqui estamos em uma das categorias de alto nível do Yahoo, Entretenimento.</p>
<p style="text-align: left;"><img src="http://www.shirky.com/writings/ontology_images/entertainment.jpg" alt="" width="509" height="310" /></p>
<p style="text-align: left;">[ Categoria de Entretenimento do Yahoo ]</p>
<p>Você pode ver o que as sub-categorias de entretenimento são, tenham ou não novas adições, e quantos links ficam embaixo dessas subcategorias. Exceto, no caso de Livros e Literatura, aquela sub-categoria não te diz quantos links tem abaixo dela. Livros e Literatura não terminam com um número de links, mas com um sinal de &#8220;@&#8221;. Esse sinal está te dizendo que a categoria de Livros e Literatura não é &#8216;na realidade&#8217; na categoria de entretenimento. O Yahoo está dizendo &#8220;Nós colocamos esse link aqui para sua conveniência, mas isso é apenas pra te levar onde Livros e Literatura &#8216;realmente&#8217; estão&#8221;. Ao que podemos apenas responder &#8212; &#8220;O que é real?&#8221;</p>
<p>O Yahoo está dizendo &#8220;Nós entendemos melhor que você como o mundo é organizado, por que nós somos profissionais treinados. Então se você pensar erroneamente que Livros e Literatura são entretenimento, nós colocaremos um sinalzinho para que você entenda mas para ver esses links, você terá que &#8216;ir&#8217; onde eles &#8216;estão&#8217;&#8221;. (Meus dedos irão cair por causa de todas essas apóstrofes). Quando você vai para Literatura &#8212; que é parte de Humanidades e não Entretenimento &#8212; dizem pra você, similarmente, que os vendedores de livros não estão &#8216;realmente&#8217; ali. Por serem um serviço comercial, vendedores de livros estão &#8216;na verdade&#8217; em Negócios.</p>
<p style="text-align: left;"><img src="http://www.shirky.com/writings/ontology_images/books.jpg" alt="" width="512" height="254" /></p>
<p style="text-align: left;">[ 'Literatura' no Yahoo ]</p>
<p>Veja o que aconteceu aqui. O Yahoo, encarando a possibilidade de que eles poderiam organizar coisas sem restrições físicas, adicionaram de volta a estante. Eles não poderiam imaginar a organização sem as limitações das estantes, então eles as adicionaram de volta. É perfeitamente possível para qualquer número de links estar em qualquer número de lugares numa hierarquia, ou em várias hierarquias, ou em nenhuma hierarquia sequer. Mas o Yahoo decidiu privilegiar um modo de organizar os links sobre todos os outros, por que eles queriam fazer afirmações sobre o que é &#8220;real&#8221;.</p>
<p>Uma explicação caridosa para isso é que eles pensaram nesse tipo de organização a priori como seu trabalho e como algo que seus usuários valorizariam. A explicação não caridosa é que eles pensaram que existia valor de negócios em determinar a visão que o usuário teria de adotar para usar o sistema. Ambas explicações podem ter sido verdade em tempos diferentes e em medidas diferentes, mas o efeito foi sobrepor a conclusão dos usuários sobre onde as coisas deveriam estar e insistir na visão do Yahoo.</p>
<p><strong>Sistemas de Arquivos e Hierarquia</strong></p>
<p>É fácil ver como a hierarquia do Yahoo mapeia as restrições tecnológicas bem como as físicas. As restrições no diretório do Yahoo descrevem tanto um esquema de categorização da biblioteca e, obviamente, um sistema de arquivo – o sistema de arquivo é tanto uma ferramenta poderosa quanto uma metáfora poderosa, e estamos tão acostumados a ela que parece natural.</p>
<p style="text-align: left;"><img src="http://www.shirky.com/writings/ontology_images/hierarchy.jpg" alt="" width="376" height="220" /></p>
<p style="text-align: left;">[ Hierarquia ]</p>
<p>Há um nível no topo e os subdiretórios ficam abaixo dele. Subdiretórios contém arquivos ou outros subdiretórios e assim por diante, até embaixo. Tanto bibliotecários e cientistas da computação chegam à mesma idéia similar, que é “Bem, não faz mal adicionar alguns poucos links secundários aqui” &#8212; links, aliases e atalhos simbólicos, como quiser chamá-los.</p>
<p style="text-align: left;"><img src="http://www.shirky.com/writings/ontology_images/hierarchy_links.jpg" alt="" width="391" height="220" /></p>
<p style="text-align: left;">[ Mais Links ]</p>
<p>A biblioteca do congresso tem algo similar em sua categorização de segunda ordem &#8212; “Esse livro é principalmente sobre a Península Balcânica, mas também é sobre arte, ou é principalmente sobre arte, mas também sobre a Península Balcânica”. A maioria das tentativas hierárquicas de subdividir o mundo utilizam algum sistema assim. Então, no início dos anos 90, uma das coisas que o Berners-Lee nos mostrou é que você poderia ter vários links. Você não precisa ter só alguns poucos links, você poderia ter vários deles.</p>
<p style="text-align: left;"><img src="http://www.shirky.com/writings/ontology_images/hierarchy_lots_links.jpg" alt="" width="394" height="235" /></p>
<p style="text-align: left;">[ Mais Vários Links ]</p>
<p>Foi aqui que o Yahoo entrou na contramão. Eles disseram “Saiam daqui com essa conversa maluca. Uma URL pode apenas aparecer em três lugares. Essa é a regra do Yahoo”. Eles fizeram isso em parte por que eles não queriam receber spam, uma vez que eles estavam fazendo um diretório comercial, então eles colocaram um limite no número de links simbólicos que pudessem interferir em sua visão de mundo. Eles perderam o final dessa progressão, que é, se você tem links o suficiente, você não precisa mais de hierarquia. Não existem estantes. Não existem sistemas de arquivos. Links por si sós são suficientes.</p>
<p><img src="http://www.shirky.com/writings/ontology_images/just_links.jpg" alt="" width="383" height="234" /></p>
<p style="text-align: left;">[ Apenas Links (Não há Sistemas de Arquivos) ]</p>
<p>Um motivo pelo qual o Google foi adotado tão rapidamente quando ele apareceu foi porque ele compreendeu que não existem estantes e que não existem sistemas de arquivos. O Google pode decidir o que vai com o que depois de ouvir o usuário, ao invés de tentar prever antecipadamente o que você precisa saber.</p>
<p>Vamos dizer que eu preciso de todas as páginas da web com as palavras “incontrolável” e “Minnesota”. Você não pode perguntar antes a um catalogador para dizer “Bem, essa será uma categoria útil, então deveríamos codificar isso antecipadamente”. Ao invés disso, o que o catalogador dirá é “Incontrolável mais Minnesota! Esqueça, nós não vamos otimizar coisas assim”. Google, por outro lado diz, “Quem se importa? Não iremos dizer ao usuário o que fazer, por que a estrutura de links é mais complexa do que podemos ler, exceto em resposta a uma busca de um usuário”.</p>
<p>Navegação versus busca é um aumento radical na confiança que colocamos na infraestrutura de link, e no grau de poder derivado dessa estrutura de links. Navegar ou “dar uma olhada” diz às pessoas que estão fazendo a ontologia, às pessoas fazendo a categorização, que elas tem a responsabilidade de organizar o mundo antecipadamente. Dado esse requisito, os pontos de vista dos catalogadores necessariamente sobrepõem-se às necessidades dos usuários e às suas visões de mundo. Se você quer algo que ainda não tenha sido categorizado na forma que você pensou, azar o seu.</p>
<p>O paradigma da busca diz o inverso. Diz que ninguém pode dizer a você antecipadamente o que você precisa. A busca diz que, no momento em que você procura, nós faremos nosso melhor para servi-lo baseado nessa estrutura de link, por que nós acreditamos que podemos construir um mundo onde não precisamos de hierarquia para coexistir com a estrutura de link.</p>
<p>Muito das conversas que estão acontecendo agora sobre categorização têm início em uma segunda etapa &#8212; “Uma vez que a categorização é uma boa forma de organizar o mundo, nós deveríamos&#8230;” Mas o primeiro passo é se fazer a pergunta crítica: a categorização é mesmo uma boa idéia? Nós podemos ver, através do exemplo Yahoo versus Google que existe um número de casos onde você pode extrair valor significante da não categorização. Até o Google adotou o DMOZ, a versão aberta do diretório do Yahoo e depois eles diminuíram sua presença no site porque quase ninguém o usava. Quando as pessoas tiveram o serviço de busca e categorização lado a lado, menos e menos gente estava usando categorização para achar as coisas.</p>
<p><strong>Quando a classificação ontológica funciona bem?</strong></p>
<p>A classificação ontológica funciona bem em alguns lugares, claro. Você precisa de um catálogo de fichas se você estiver trabalhando numa biblioteca física. Você precisa de uma hierarquia para a gestão de um sistema de arquivos. Então o que você quer saber, quando pensa em como organizar qualquer coisa, é se esse tipo de classificação é uma boa estratégia.</p>
<p>Aqui está uma lista parcial de características que ajuda a fazer isso:</p>
<p><strong>Domínio a ser organizado</strong></p>
<p>*  Pequeno corpus<br />
*  Categorias formais<br />
*  Entidades estáveis<br />
*  Entidades restritas<br />
*  Limites claros</p>
<p>Essas são todas as coisas de domínio-específico que você gostaria que fossem verdades, se você está tentando fazer uma classificação transparente. A tabela periódica de elementos tem todas essas coisas – existem apenas cem elementos ou quase isso; as categorias são simples e deriváveis; prótons não mudam por causa de circunstâncias políticas; apenas elementos podem ser classificados, não moléculas; existem elementos mesclados; e assim por diante. Quanto mais dessas características forem verdade, melhor adequada a ontologia será.</p>
<p>Outra questão chave, além das características do próprio domínio, é “Como são os participantes?”. Aqui estão algumas coisas que, se verdadeiras, ajudam a fazer com que a ontologia seja uma estratégia de classificação que funcione:</p>
<p><strong>Participantes</strong></p>
<p>*   Catalogadores experientes<br />
*   Fonte autoritativa de julgamento<br />
*   Usuários coordenados<br />
*   Usuários experientes</p>
<p>DSM-IV, a quarta versão do Manual Diagnóstico e Estatístico de Psiquiatria, é um exemplo clássico de um esquema de classificação que funciona por causa dessas características. DSM IV permite que os psiquiatras de todo os EUA, em teoria, façam o mesmo julgamento sobre uma doença mental, quando apresentada com a mesma lista de sintomas. Existe uma fonte de autoridade para o DSM-IV, a Associação Americana de Psiquiatras. A APA diz quais sintomas levam à psicose. Eles tem tanto catalogadores especialistas quanto usuários especialistas. A quantidade de &#8216;infraestrutura pessoal&#8217; que está por trás de um sistema de trabalho como o DSM IV é uma grande parte o que faz esse tipo de categorização funcionar.</p>
<p>Essa &#8216;infraestrutura pessoal&#8217; é muito cara, no entanto. Um dos problemas que os usuários tem com as categorias é que quando estamos fazendo exames cara a cara – descrevemos algo e então questionamos usuários para que adivinhem como descrevemos – os resultados são bastante discrepantes. Usuários tem muitas dificuldades tentando adivinhar como algo que eles querem foi categorizado, a menos que eles tenham sido educados sobre essas categorias também, e quanto maior a base do usuário, mais funcional é a educação desse usuário.</p>
<p>Você também pode inverter essa lista. Você pode dizer “aqui estão algumas características onde a classificação ontológica não funciona bem”:</p>
<p><strong>Domínio</strong><br />
* Amplo corpus<br />
* Sem categorias formais<br />
* Entidades instáveis<br />
* Entidades irrestritas<br />
* Sem limites claros</p>
<p><strong>Participantes</strong><br />
* Usuários sem coordenação<br />
* Usuários amadores<br />
* Catalogadores ingênuos<br />
* Sem autoridade</p>
<p>Se você em um corpus amplo e mal definido, se você tem usuários amadores, se seus catalogadores não são especialistas, se não há ninguém com autoridade para dizer o que está acontecendo, então a ontologia será uma má estratégia.</p>
<p>A lista de fatores que faz com que a ontologia seja uma aplicação ruim é, também, uma descrição quase perfeita da Web – maiores corpus, usuários mais ingênuos, nenhuma autoridade global e assim por diante. Quanto mais você empurra a direção de escala, amplitude, fluidez, flexibilidade, o mais difícil se torna para lidar com o custo de iniciar um sistema de catalogação e o esforço de mantê-lo, para não falar da quantidade de domínio que você deve ter sobre os usuários para que eles desistam de suas próprias visões de mundo em favor da sua.</p>
<p>O motivo de sabermos que as SUVs são um tipo de camionete leve ao invés de um carro, é que o Governo diz que eles são um camionete leve. Isso é categorização vodu, onde a ação no modelo muda o mundo – quando o Governo diz que uma SUV é uma camionete, ela é uma camionete por definição. Muito do apelo de categorização surge deste tipo de vodu, onde as pessoas que fazem a categorização acreditam, mesmo que inconscientemente, que nomear o mundo pode mudá-lo. Infelizmente, a maioria do mundo não está isento da categorização vodu.</p>
<p>A razão pela qual não sabemos se Buffy, A caça vampiros, é ficção científica ou não, por exemplo, é por que ninguém pode dizer definitivamente sim ou não. Em ambientes em que não há autoridade e nenhuma força pode ser aplicada ao usuário, é muito difícil apoiar o estilo vodu de organização. Meramente nomear o mundo não cria nenhuma mudança efetiva, nem no mundo, nem na mente dos potenciais usuários que não entendem o sistema.</p>
<p><strong>Leitura de mentes</strong></p>
<p>Um dos maiores problemas em categorizar as coisas antecipadamente é que isso força os categorizadores a lidarem com dois trabalhos que tem sido historicamente bem difíceis: leitura de mentes e previsão do futuro. Isso força os categorizadores a adivinharem o que seus usuários estão pensando, e fazerem previsões sobre o futuro. O aspecto de leitura de mente aparece em conversas sobre vocabulários controlados. Sempre que é concedida permissão aos usuários para etiquetar coisas, alguém sempre diz “Ei, eu sei! Vamos fazer um tesauro, porque se você etiquetar algo como &#8216;Mac&#8217; e eu etiquetar &#8216;Apple&#8217; e alguém mais etiquetar como &#8216;OSX&#8217;, nós todos acabamos procurando pela mesma coisa!” Eles apontam para a perda de sinal sobre o fato que usuários, embora usando diferentes etiquetas, estejam falando sobre a mesma coisa.</p>
<p>O entendimento é que nós tanto podemos e deveríamos ler as mentes das pessoas, que nós podemos entender o que elas querem dizer quando elas usam uma etiqueta em particular, e, entendendo isso, nós podemos começar a restringir essas etiquetas, ou ao menos mapeá-las facilmente uma nas outras.</p>
<p>Isso parece relativamente simples com o exemplo Apple/Mac/OSX, mas quando começamos a expandir a outros grupos de trabalhos relacionados, como filmes, filmagens e cinema, o caso para tesauro se torna muito mais claro. Aprendi isso com o design de Brad Fitzpatrick para o LiveJournal, que permite que o usuário liste seus próprios interesses. LiveJournal não faz absolutamente nenhuma tentativa de reforçar solidariedade ou um tesauro ou um conjunto mínimo de termos, nenhum check-box, nenhum drop-box, apenas texto livre. Algumas pessoas dizem que têm interesse em filmes. Algumas dizem que estão interessadas em filmagens. Algumas pessoas dizem que estão interessadas em cinema.</p>
<p>A primeira reação dos catalogadores a isso é “Meu deus, isso significa que você não estará apresentando as pessoas dos filmes para as pessoas do cinema!” para qual a resposta óbvia é “Bom. As pessoas dos filmes não querem se relacionar com as pessoas do cinema”. Esses termos na verdade codificam coisas diferentes, e a afirmação que restrição de vocabulário melhora o sinal assume que não há sinal na diferença em si, e nenhum valor em proteger o usuário de vários sinônimos.</p>
<p>Quando falamos sobre termos realmente controversos como bicha/gay/homossexual, nesse ponto, toda a perda de sinal está no colapso, não na expansão. “Oh, as pessoas falando sobre &#8216;políticas públicas GLBT&#8217; e as pessoas falando sobre a &#8216;agenda homossexual&#8217;, eles estão falando na verdade sobre a mesma coisa”. Oh não, não estão. Se você achava que as pessoas dos filmes e do cinema poderiam ter uma briga, espere até você colocar as pessoas dos políticas GLBT e agenda homossexual no mesmo lugar&#8230;</p>
<p>Você não pode fazer isso. Você não pode colapsar categorizas sem alguma perda de sinal. O problema é que, uma vez que os catalogadores assumem que sua classificação deveria ter força no mundo, eles subestimam a dificuldade de compreender o que os usuários estão pensando, e eles superestimam a quantidade de usuários que irão concordar, sejam entre si mesmos ou com os catalogadores, sobre a melhor forma de categorização. Eles também subestimam a perda de apagar a diferença de expressão, e eles superestimam a perda da falta de um tesauro.</p>
<p><strong>Previsão do Futuro</strong></p>
<p>O outro grande problema é que prever o futuro pode vir a ser difícil, e ainda qualquer sistema de classificação feito para ser estável por muito tempo coloca o categorizador na posição de previsor do futuro. Leitores atentos serão capazes de notar a diferença entra a frase A e a frase B.</p>
<p>A: “Eu te amo.”</p>
<p>B: &#8220;Eu sempre irei te amar.&#8221;</p>
<p>Ai da pessoa que profere a frase B quando o que eles quiseram dizer foi a frase A. A frase A é uma afirmação. A frase B é uma previsão. Mas este é o dilema ontológico. Considere as seguintes afirmações:</p>
<p>A: &#8220;Este é um livro sobre Dresden.&#8221;</p>
<p>B: &#8220;Este é um livro sobre Dresden,</p>
<p>e ele fica na categoria &#8216;Alemanha Oriental.&#8221;</p>
<p>Essa segunda frase parece tão óbvia, mas a Alemanha Oriental na verdade tornou-se uma categoria instável. Cidades são reais. Elas são fatos físicos, reais. Países são ficções sociais. É muito mais fácil para um país desaparecer do que uma cidade desaparecer, então quando você está dizendo que a pequena coisa está contida pela coisa grande, você está na verdade misturando radicalmente tipos diferentes de entidades. Nós fingimos que &#8216;país&#8217; refere-se a uma área física da mesma forma que &#8216;cidade&#8217; o faz, mas não é verdade, como podemos saber de lugares como a antiga Iugoslávia.</p>
<p>Existe uma categoria de nível máximo, você pode ter visto ela mais cedo no esquema da Biblioteca do Congresso, chamada Antiga União Soviética. O melhor que eles puderam fazer foi apenas adicionar “antiga” em toda aquela zona que eles previamente categorizaram como União Soviética. Não por que eles achassem que isso fosse a verdade sobre o mundo, mas por que eles não tinham staff suficiente para reorganizar todos os livros na estante. Essa é a restrição.</p>
<p><strong>Parte II: O único grupo que pode categorizar tudo é todo mundo</strong></p>
<p><strong>&#8220;Meu Deus. Está cheio de links!&#8221;</strong></p>
<p>Quando nós re-examinamos a categorização sem assumir as restrições físicas nem de hierarquia em disco ou em hierarquia no mundo físico, nós temos respostas muito diferentes. Digamos que você quer mesclar duas bibliotecas – a minha e a Biblioteca do Congresso. (Você pode dizer que a Biblioteca do Congresso é a da direita, por que eles tem alguns livros a mais que eu).</p>
<p><img src="http://www.shirky.com/writings/ontology_images/book_clouds.jpg" alt="" width="355" height="148" /></p>
<p>[ Duas Coleções Categorizadas de Livros ]</p>
<p>Então como fazermos isso? Eu preciso sentar com a Biblioteca do Congresso e dizer, “Bem, no meu mundo, Python in A Nutshell é um trabalho de referência, e eu mantenho todos os meus livros sobre criatividade juntos”. Eu preciso evidenciar a diferença entre o meu esquema de categorização e o deles antes que a Biblioteca do Congresso seja capaz de levar meus livros?</p>
<p>Não, claro que não precisamos fazer nada do tipo. Eles são capazes de levarem meus livros enquanto ignoram minhas categorias, por que todos os meus livros tem ISBN. Eles não estão mesclando num nível categórico. Eles estão mesclando ao nível de item globalmente único. Minhas entidades, meus livros unicamente etiquetados, entram no esquema da Biblioteca do congresso trivialmente. A presença de etiquetas únicas significa que mesclar bibliotecas não requere a mescla de esquemas de categorização.</p>
<p><img src="http://www.shirky.com/writings/ontology_images/book_isbn_merged.jpg" alt="" width="354" height="145" /></p>
<p>[ ISBNs Mescladas ]</p>
<p>Agora imagine um mundo onde tudo pode ter um identificador único. Isso deveria ser fácil, uma vez que é o mundo em que atualmente vivemos – a URL nos arranja um modo de criar uma ID globalmente única para o que quer que precisemos apontar. Às vezes os apontadores são diretos, como quando uma URL aponta para os conteúdos de uma Web page. Às vezes são indiretas, quando você usa um link da Amazon para apontar para um livro. Às vezes existem camadas de indireção, como quando você usa uma URI, uma fonte identificadora uniforme, para nomear algo que tem uma localização indeterminada. Mas o esquema básico nos dá modos de criar um identificador único globalmente pra tudo.</p>
<p>E uma vez que você faça isso, qualquer um pode etiquetar esses apontadores, pode etiquetar essas URLs, de modos que os façam mais valorosos, e tudo sem requerir esquemas top-down de organização. E isso &#8212; uma explosão da livre forma de etiquetagem de links, seguido por todos os tipos de busca de valor dessas etiquetas &#8212; é o que eu acho que está ocorrendo agora.</p>
<p><strong>Grandes mentes não pensam parecido</strong></p>
<p>Este é o del.icio.us, o serviço social de bookmarking (favoritos) de Joshua Shachter. É para pessoas que querem cuidar de suas URLs sozinhos, mas que querem compartilhar globalmente uma visão do que estão fazendo, criando uma visão agregada de todos os favoritos dos usuários, bem como uma visão pessoal para cada usuário.</p>
<p><img src="http://www.shirky.com/writings/ontology_images/del.jpg" alt="" width="541" height="330" /></p>
<p>[ Página Inicial do del.icio.us ]</p>
<p>Como você pode ver aqui, as características de uma entrada no del.icio.us são um link, uma descrição estendida opcional, e um conjunto de tags, que são palavras ou frases que os usuários anexam a um link. Cada usuário que adiciona um link ao sistema pode dar a ele um conjunto de tags – alguns o fazem, outros não. Anexadas a cada link na página inicial estão as tags, o nome do usuário que a colocou, o número de outras pessoas que adicionaram o mesmo link e o tempo.</p>
<p>As tags são simplesmente etiquetas para URLs, selecionadas para ajudar o usuário na recuperação posterior dessas URLs. As tags tem o efeito adicional de agruparem URLs relacionadas. Não há um conjunto fixo de categorias ou escolhas oficialmente aprovadas. Você pode usar palavras, acrônimos, números, o que fizer sentido pra você, sem se preocupar com as necessidades, interesses ou requerimentos de ninguém mais.</p>
<p>A adição de algumas simples etiquetas dificilmente parece tão momentânea, mas a surpresa aqui, bem como geralmente é com a Web, é a surpresa da simplicidade. Tags são importantes principalmente pelas coisas que elas deixam de fora. Por ir além da classificação formal, as tags permitem uma grande quantidade de valor organizacional produzido pelo usuário, a um custo impressionantemente pequeno.</p>
<p>Existe uma comparação útil entre o gopher e a Web, onde o gopher era melhor organizado, melhor mapeado a práticas institucionais existentes, e intrínsecamente inadequado para se trabalhar numa escala de internet. A web, em contraste, foi e é uma completa bagunça, com apenas uma marca de apontador, a URL, e nenhum mecanismo para organização global ou fontes. A web é geralmente notável por duas coisas – a forma que ignorou a maioria das teorias de hipertexto e metadados ricos, e como funciona melhor do que qualquer uma das alternativas propostas. (As estratégias Yahoo/Google que mencionei mais cedo também entram nessas linhas).</p>
<p>Com essas mudanças em andamento, aqui estão algumas das coisas que eu acho que estão aparecendo, como vantagens de sistemas de tags:</p>
<p><strong>Lógica de Mercado</strong> – Como nos acostumamos à falta de restrições físicas, enquanto internalizamos o fato de que não existem prateleiras e não existem discos, nós estamos indo em direção à lógica de mercado, onde você lida com motivação individual, mas valor de grupo.</p>
<p>Como o Schachter diz do del.icio.us, “Cada esquema de categorização individual vale menos do que um esquema de categorização profissional. Mas existem vários, vários outros deles”. Se você achar um modo de fazer que a etiquetagem seja valorosa para os indivíduos, você gerará muito mais dados sobre qualquer objeto do que se você pagasse um profissional para etiquetar uma vez apenas. E se você pode encontrar qualquer modo de criar valor de combinar uma miríade de classificações amadoras ao longo do tempo, eles serão mais valorosos do que esquemas de categorizações profissionais, particularmente com relação à robustez e custo de criação.</p>
<p>O outro valor essencial da lógica de mercado é que as diferenças individuais não precisam ser homogenizadas. Busque pela palavra “gay” em quase qualquer categoria de nível alto. Você não irá achá-la, mesmo, como um princípio de organização para um grande grupo de pessoas, essa palavra importe muito. Usuários não participam desse tipo de discussões sobre esquemas tradicionais de categorização, mas com a etiquetagem, qualquer um é livre para usar as palavras que ele ou ela pensa que sejam apropriadas, sem ter de concordar com ninguém mais sobre como algo “deveria” ser etiquetado. A lógica de mercado permite que vários pontos distintos de visão co-existam, por que permite que indivíduos preservem seu ponto de vista, mesmo em face de um desacordo geral.</p>
<p>Usuário e Tempo são Atributos centrais – Isso é absolutamente essencial. A atitude do ontologista do Yahoo e de sua equipe foi &#8212; “Nós somos o Yahoo, nós não temos preconceitos. É assim que o mundo funciona. O mundo é organizado em uma dúzia de categorias”.</p>
<p>Aqui, por que você pode derivar &#8216;isso é quem esse link é foi etiquetado por&#8217; e &#8216;isso é quando foi etiquetado, você pode começar a fazer inclusão e exclusão acerca de pessoas e tempo, não apenas tags. Você pode começar a fazer agrupamento. Você pode começar a decair. “Deixe-me ver as tags desse grupo de usuários, eu queria ver sobre o que eles estão falando” ou “Me dê todas as tags com essa assinatura, mas qualquer coisa que seja mais velho do que uma semana ou um ano”.</p>
<p>Isso é etiquetagem em grupo – não toda a população e não apenas eu. É como permissões do Unix – agora mesmo temos tags para usuário e mundo, e esta é a base na qual estaremos inventando etiquetas de grupos. Nós vamos começar a ser capazes de fazermos subconjuntos de nossos esquema de categorização. Ao invés de ter categorizações massivas e então categorização especializada, nós teremos um espectro entre elas, baseado no tamanho e feitura de vários grupos de etiquetagem.</p>
<p><strong>Perda de Sinal da Expressão</strong> – A perda de sinal em esquemas de categorização tradicionais vem da compressão de coisas em um número restrito de categorias. Com a etiquetagem, quando há perda de sinal, ele vem de pessoas que não tem nada em comum ao falar de determinado assunto. A perda é da multiplicidade de pontos de vista, ao invés de compressão em torno de um único ponto de vista. Mas num mundo onde pontos de vista suficientes podem prover algum tipo de comundade, a perda de sinal agregado cai em escala em sistemas de etiquetagem, enquanto cresce em escala em sistemas com únicos pontos de vista.</p>
<p>A solução para este tipo de perda de sinal é o crescimento. Esquemas bem administrados bem organizados ficam piores com escala, tanto por que os custos em apoiar tais esquemas em largos volumes são proibitivos, e, como notei mais cedo, a escala ao longo do tempo é também um problema sério. Etiquetagem, ao contrário, fica melhor em larga escala. Com uma multiplicidade de pontos de vista a questão não é mais “Está todo mundo etiquetando os links &#8216;corretamente&#8217;”, mas “Está todo mundo etiquetando como eu?”. Ao longo que pelo menos uma pessoa etiquete algo do mesmo modo que você, você achará – usando um tesauro para forçar as etiquetas de todo mundo em uma sincronicidade mais afiada na verdade pioraria o ruído que você conseguiria com seu sinal. Se não existem estantes, então mesmo imaginar que existe um modo certo de organizar as coisas é um erro.</p>
<p><strong>A filtragem é feita Post Hoc</strong> – Existe uma analogia aqui com cada jornalista que já olhou a Web e disse “Bem, isso precisa de um editor”. A web tem um editor, e é todo mundo. Num mundo onde publicações são caras, o ato de publicar é também um atestado de qualidade – o filtro vem antes da publicação. Num mundo onde publicação é barato, colocar algo a mostra não diz nada sobre sua qualidade. É o que acontece depois que é publicado o que importa. Se as pessoas não apontam pra ele, outras pessoas não lerão. Mas a idéia que a filtragem seja depois da publicação é incrívelmente forasteira para os jornalistas.</p>
<p>Similarmente, a idéia de que a categorização é feita depois de as coisas serem etiquetadas é incrívelmente estranha para catalogadores. Muito do gasto de sistemas de catalogação existentes está na tentativa de prevenir categorias únicas. Com etiquetagem, o que você diz é “Contanto que várias pessoas estejam etiquetando qualquer link, as tags raras podem ser usadas ou ignoradas, com o gosto do usuário. Nós não precisaremos nem aumentar o custo para prevenir que as pessoas o usem. Nós só ajudaremos outros usuários a ignorá-las se quiserem”.</p>
<p>Novamente, escala vem salvar o sistema de um modo que simplesmente quebraria os esquemas de catalogação tradicionais. A existência de uma etiqueta esquisita ou incomum é um problema se é a única forma que um determinado link possa ser etiquetado, ou se não há outra forma de um usuário evitar esta tag. Uma vez que o link foi etiquetado mais de uma vez, no entanto, usuários podem ver ou ignorar as tags esquisitas como bem querem, e a decisão sobre quais tags a serem usadas surgirão após os links já terem sido etiquetadas, não antes.</p>
<p><strong>Mesclados de URLs, não Categorias</strong> – Você não mescla esquemas de etiquetagem no nível de categoria e então vê quais são os conteúdos. Com a idéia de mesclar ISBNs, você mescla conteúdos individuais, por que nós agora temos URLs únicas. Você mescla das URLs, e então tenta derivar algo sobre a categorização a partir daí. Isso permite que mesclagens parciais, incompletas ou propabilísticas que são melhores encaixem-se em ambientes incertos – tais como o mundo real – do que esquemas rígidos de classificação.</p>
<p><strong>Mesclagens são Probabilísticas, não binárias</strong> – Mesclagens criam uma sobreposição parcial entre tags, ao invés de definirem tags como sinônimos. Ao invés de dizerem que qualquer tag “é” ou “não é” o mesmo que outra tag, o del.icio.us é capaz de recomendar tags relacionadas dizendo “Várias pessoas que etiquetaram isso como &#8216;Mac&#8217; também etiquetaram como &#8216;OSX&#8217;”. Mudamos de uma escolha binária entre dizer que duas tags são a mesma ou diferente a opção do diagrama de Venn de “tipo/de alguma forma é/tipo é/sobrepõe neste grau”. Essa é uma mudança realmente profunda.</p>
<p><strong>Distribuições de Tag no del.icio.us</strong></p>
<p>Aqui está algo que demonstra o que quero dizer sobre o fim da categorização binária.</p>
<p><img src="http://www.shirky.com/writings/ontology_images/del_users.jpg" alt="" width="551" height="367" /></p>
<p>[ Tags por usuário ]</p>
<p>Essa é uma tabela baseada numa pequena amostra de links da página inicial do del.icio.us, tirada durante um intervalo de 2 horas. O eixo X são os 64 usuários que postaram links durante esse período. O eixo Y é o número total dos tipos discretos de tags que esses usuários já usaram em sua história no del.icio.us</p>
<p>A tabela mostra uma grande variedade em estratégias entre os vários usuários. O usuário da extrema esquerda tem um enorme número de tags únicas, quase 600. E então existe esse grupo de pessoas que não são etiquetadores muito ativos mas que tem algumas tags, e claro na direita deles há a cauda longa característica de pessoas que usam bem menos tags do que os etiquetadores ativos. (Uma vez que é só uma imagem de duas horas, existe uma tendência natural sobre usuários frequentes do del.icio.us. Estou tentando conseguir um conjunto mais amplo de informações. Minha opinião é que a cauda vai um pouco mais longe que isso). Mas é assim que a organização se parece quando você a entrega aos usuários &#8212; várias estratégias diferentes, cada uma funciona em seu próprio contexto, mas que também pode ser mesclada.</p>
<p><img src="http://www.shirky.com/writings/ontology_images/del_user.jpg" alt="" width="578" height="311" /></p>
<p>[ Tags de um único usuário ]</p>
<p>Essas são as tags de um único usuário. Daqui, você pode dizer algo sobre essa pessoa &#8212; ele ou ela é obviamente um programador de Flash &#8212; a tag mais comum aqui é Flash, seguido por um número de outras tags frequentes principalmente relacionadas a programação. Como a página inicial, essa distribuição tem a assinatura orgânica. Especialistas não catalogam assim; especialistas, que aprendem como catalogar produzem etiquetagens bem mais consistentes. Aqui, é o que quer que o usuário pensou que pudesse ajudá-lo a lembrar do link depois.</p>
<p>Você pode ver que há uma tag &#8220;to_read&#8221; (&#8220;para_ler&#8221;). Um catalogador profissional olharia pra essa tag horrorizado &#8212; &#8220;Isso é dependente de contexto e temporário&#8221;. Bem, também era a categoria &#8220;Alemanha Oriental&#8221;. Uma vez que você expande a sua escala de tempo para incluir a vida real da categorização do esquema em si, você reconhece que a distinção entre temporário e permanente é terrivelmente vaga. Não há na verdade uma condição binária de uma tag que não possa sobreviver a qualquer tipo de uma examinação a longo prazo.</p>
<p><img src="http://www.shirky.com/writings/ontology_images/del_urls.jpg" alt="" width="525" height="393" /></p>
<p>[ 'Assinaturas' diferentes de tags para diferentes URLs ]</p>
<p>E então existe esse conjunto de gráficos. Isso é pra mim a mais interessante e menos compreendida parte do del.icio.us agora mesmo &#8212; essas são duas URLs diferentes e as tags que um grupo inteiro de usuários aplicou a elas. O gráfico embaixo refere-se a um site para download de antigas versões de programas que não são mais distribuídos. Você pode ver aqui que há um amplo consenso comum. 140 pessoas etiquetaram Software. Então, a próxima tag em comum, com apenas 20 ocorrências é Windows e então Velho, e Download, e assim por diante. Para essa URL, há um consenso núcleo &#8212; esse link é sobre software &#8212; e depois desse pequeno pedaço de comunidade, há uma queda muito brusca das tags.</p>
<p>O gráfico no canto superior direito, em contraste, mostra as tags para uma página detalhando como incorporar pesquisas permanentes no Gmail. Você pode ver as tags &#8212; Gmail, Firefox, Search, Javascript, GreaseMonkey &#8212; essa é uma distribuição muito mais dispersa, com uma queda muito menor. A visão de consenso é que esse link é sobre mais tipos de coisas do que o link de download de software é, ou, ainda, ocupa mais contextos para os usuários do del.icio.us do que o link de download de software.</p>
<p>Olhando para esse tipo de informação, nós podemos começar a dizer, de URL particulares, que os usuários etiquetando essa URL centralizaram ou não acerca de uma tag núcleo, com seu grau de certeza, e, graças aos moldes temporais, nós podemos até começar a entender como a distribuição de tags de URL muda através do tempo. Foram 5 anos entre espalhar o link e o Google perceber como usar coleções inteiras de links para criar valor adicional. Estamos no início do uso de etiquetas, então nós ainda não temos conjuntos amplos e de longa data de informações para olharmos, mas eles estão sendo construídos rapidamente, e nós estamos começando a descobrir como extrair um novo valor de coleções inteiras de etiquetas.</p>
<p><strong>A Organização torna-se orgânica</strong></p>
<p>Estamos mudando da categorização binária &#8212; livros são ou não são entretenimento &#8212; para esse mundo probabilístico, onde N% dos usuários pensam que livros são entretenimento. Pode até ser que dentro do Yahoo, tenha existido um grande debate sobre livros serem ou não entretenimento. Mas esse debate não se refletiu de nenhuma forma ou eles decidiram não expôr isso aos usuários. O que aconteceu ao invés disso foi que isso se tornou uma categorização tudo ou nada, &#8220;Isso é entretenimento, isso não é&#8221;. Nós estamos deixando de lado esse tipo de declaração absoluta, e seguindo na direção de sermos capazes de desenvolver esse tipo de valor observando como as pessoas lidam com isso na prática.</p>
<p>Aparece ultimamente como uma questão filosófica. O mundo faz sentido ou nós fazemos o sentido do mundo? Se você acredita que o mundo faz sentido, então qualquer um que tente fazer sentido do mundo diferentemente de você está lhe apresentando uma situação que precisa ser reconciliada formalmente, por que se você entendê-la errado, você está entendendo o mundo de forma errada.</p>
<p>Se, por outro lado, você acredita que nós fazemos sentido do mundo, se nós estamos, de um bando de diferentes pontos de vista, aplicando algum tipo de sentido ao mundo, então você não precisa privilegiar uma categoria em detrimento de outras. O que você faz ao invés disso é tentar achar modos que o sentido individual possa desenvolver-se para algo que é de valor agregado, mas você faz isso sem um objetivo ontológico. Você faz isso sem um objetivo de explicitamente tentar ou até mesmo combinar alguma visão teoricamente perfeita do mundo.</p>
<p>Criticamente, a semântica aqui está nos usuários, e não no sistema. Esse não é um modo de fazer com que os computadores entendam as coisas. Quando o del.icio.us está me recomendando etiquetas, o sistema não está dizendo &#8220;eu sei que o OSX é um sistema operacional. Entretanto, eu posso usar lógica predicada para aparecer com recomendações &#8212; usuários usam software, software é usado em sistemas operacionais, OSX é um tipo de sistema operacional &#8212; e então dizer &#8216;Aqui Sr. usuário, você pode gostar destes links&#8221;.</p>
<p>O que ele está fazendo ao invés disso é muito mais simples:&#8221;vários usuários etiquetando coisas como foobar também estão etiquetando coisas como forbnitz. Eu direi ao usuário que foobar e frobnitz são relacionados&#8221;. Cabe ao usuário decidir se aquela recomendação é ou não útil &#8212; del.icio.us não faz idéia do que aquela etiqueta significa. A sobreposição da etiqueta está no sistema, mas a semântica está nos usuários. Essa não é uma forma de injetar significado linguístico na máquina.</p>
<p>Tudo é dependente do contexto humano. Isso é o que estamos começando a ver com del.icio.us, com o Flickr, com sistemas que estão permitindo e agregando tags. O benefício notório desses sistemas é que eles não recriam a categorização estruturada e hierárquica que geralmente nos é forçada pelos nossos sistemas físicos. Ao invés disso, estamos lidando com um rompimento significativo &#8212; por deixar os usuários etiquetarem URLs e agregarem essas etiquetas, nós seremos capazes de construir sistemas organizacionais alternados, sistemas que, como a Web em si, fazem um trabalho melhor de deixar individuos criarem valor uns para os outros, geralmente sem perceber isso.</p>
<p>Muito Obrigado.</p>
<p>Obrigada a Alicia Cervini pela inestimável ajuda editorial.</p>
<p>-</p>
<p>Tradução livre: Isadora Garrido. Revisão superficial: Fabiano Caruso.</p>
<p>Original disponível no <a href="http://www.shirky.com/writings/ontology_overrated.html">Clay Shirky&#8217;s Writings About the Internet</a></p>
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		<item>
		<title>Dez motivos para “bibliotecários profissionais” serem um oxímoro</title>
		<link>http://feedproxy.google.com/~r/extralibris/~3/vP04GC52zfE/</link>
		<comments>http://extralibris.org/ensaio/dez-motivos-para-bibliotecarios-profissionais-serem-um-oximoro/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 26 May 2010 23:53:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ExtraLibris</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ensaio]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://extralibris.org/?p=1082</guid>
		<description><![CDATA[Ryan Deschampa (Tutor de e-Learning na Biblioteca Pública de Halifax, Nova Escócia) propôs um desafio a todos os bibliotecários: provem que são profissionais. Se bibliotecários não podem pessoalmente endereçar as afirmações anti-profissionais a seguir com indivíduos, eles não podem chamar a si próprios de profissionais. O que estou dizendo é que o MLIS ou o que quer que seja equivalente que um bibliotecário tenha na sua parede não conta como status na sociedade. Cada bibliotecário precisa responder pessoalmente às 10 seguintes coisas para assumir seu statur como profissional.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h1><em> </em></h1>
<h2><strong>Da área: você se diz profissional? Dez motivos para  &#8220;bibliotecário profissional&#8221; ser um oxímoro</strong></h2>
<p><strong>Ryan Deschamps propõe um desafio: defenda seu título</strong></p>
<p>Ryan Deschampa (Tutor de e-Learning na Biblioteca  Pública de Halifax, Nova Escócia) propôs um desafio a todos os  bibliotecários: provem que são profissionais.</p>
<p>Em seu blog <a href="http://otherlibrarian.wordpress.com/" target="_blank">The  Other Librarian</a>, ele lista &#8220;<a href="http://otherlibrarian.wordpress.com/2010/04/30/ten-reasons-why-professional-librarian-is-an-oxymoron/" target="_blank">Ten Reasons Why &#8216;Professional librarian&#8217; is an Oxymoron</a>&#8221;  (reproduzido abaixo), e convida bibliotecários a dizê-lo  exatamente &#8220;por que essas dez razões  são besteira&#8221;.</p>
<p>Como ele escreve,</p>
<blockquote><p>Se bibliotecários não podem pessoalmente endereçar as  afirmações anti-profissionais a seguir com indivíduos, eles não podem  chamar a si próprios de profissionais. O que estou dizendo é que o MLIS  ou o que quer que seja equivalente que um bibliotecário tenha na sua  parede não conta como status na sociedade. Cada bibliotecário precisa  responder <em>pessoalmente</em> às 10 seguintes coisas para assumir seu statur como  profissional.</p></blockquote>
<p>Na próxima semana,  Deschamps irá fire back e endereçar sua tese [veja a resposta dele,"<a href="http://www.libraryjournal.com/article/CA6728382.html" target="_blank">(More Than) Ten Reasons Why "Professional librarian" <em>Isn't</em> an Oxymoron</a>" <em>não serem</em> um  oxímoro]. Ele também endereçará algumas das respostas que o post gerou  em seu site e em outros lugares, incluindo comentários citando Sandy  Berman e Nancy Pearl como grandes bibliotecárias, entre outros  desacordos.</p>
<p>Mas primeiro, perguntamos à você: por que você se  considera um profissional?</p>
<h2><strong>Dez motivos para &#8220;bibliotecários  profissionais&#8221; serem um oxímoro</strong></h2>
<p><strong>1.  Bibliotecários não tem monopólio sobre as atividades que exercem<br />
</strong></p>
<p>Você precisa passar pelo exame da OAB pra ser advogado.  Você não pode fazer cirurgias a não ser que seja cirurgião. Você não  pode construir uma ponte sem um título de engenheiro. A informação é  livre. Seu filho de 12 anos pode ensinar a vovó a fazer uma pesquisa no  Google.</p>
<p><strong>2. Não existem consequencias em  fracassar a aderir a práticas éticas<br />
</strong></p>
<p>Apesar do risco de ser considerado não-empregável, um  bibliotecário não tem nenhuma obrigação profissional real de aderir a  qualquer um dos valores resolvidos pela ALA ou qualquer outro então  chamado corpo profissional. Não há nenhum processo de comum acordo para  lidar com brechas éticas, nem uma entidade para reportar essas brechas  éticas.</p>
<p><strong>3. A  biblioteconomia é muito generalizada para exercer qualquer tipo de  expertise</strong></p>
<p>O número de livros  na área escritos &#8216;para bibliotecários&#8217; é análogo aos livros escritos  &#8216;para dummies&#8217;. A questão é que bibliotecários, ao invés de terem uma  área específica de expertise, na verdade precisam de conhecimentos  superficiais de uma variedade de coisas &#8211; administração, tecnologia,  desenvolvimento de comunidades e etc. Enquanto alguém poderia dizer que  ser generalista é a própria expertise, existem áreas mais amplas e  profundas de estudo como a administração, engenharia e educação que  poderiam afirmar o mesmo.</p>
<p><strong>4. O  &#8216;Bibliotecário&#8217; assume um cargo, ao invés do trabalho em si</strong></p>
<p>Apesar de afirmações contrárias, &#8216;bibliotecário&#8217; vem de  &#8216;biblioteca&#8217; que é o lugar onde estão os livros. Não é uma atividade,  mas um produto ou serviço. Ainda, bibliotecários deveriam ser tratados  legitimamente como se estivessem providenciando qualquer produto ou  serviço.</p>
<p><strong>5. A revisão de pares na  biblioteconomia não funciona pois não é processo competitivo para  corroborar com isso</strong></p>
<p>O motivo pelo  qual a literatura para bibliotecas geralmente é horrível é que  bibliotecários são seres colaborativos por natureza. Artigos são aceitos  por que eles satisfazem um padrão mínimo, não por que eles representem o  melhor e mais a mais brilhante pesquisa no campo. Verdadeiros  profissionais são muito mais duros com sua revisão de pares por que eles  tem um interesse pessoal em recusar aos competidores o privilégio de  serem publicados.</p>
<p><strong>6.  Valores não são o suficiente</strong></p>
<p>Valores  em comum ocorrem em uma ampla variedade de comunidades, muitas das  quais são atividades de leitura. Não há nada associado com os valores  dos bibliotecários que difere de qualquer outro grupo de apoio.  Bibliotecários não merecem ser recompensados simplesmente por que eles  pensam que a informação quer ser livre.</p>
<p><strong>7. A motivação primária para  profissionalização é o monopólio de trabalho</strong></p>
<p>A principal motivação para bibliotecários afirmarem seu  status profissional é que eles podem reinvidicar a posições melhores e  mais bem pagas (“ALA Accredited Degree or  Equivalent”) em bibliotecas. Nós não podemos aceitar qualquer  reinvidicação de profissionalismo bibliotecário sem evidências objetivas  por que há um auto-interesse inerente nessa reinvidicação.</p>
<p><strong>8. Escolas de  Biblioteconomia não preparam estudantes para o trabalho em bibliotecas</strong></p>
<p>O processo de criação de bibliotecários &#8216;profissionais&#8217;  foi criticado por muito tempo por sua falta de relevância ao trabalho  de biblioteca na vida real. É como dizer que somos o grande espresso-making experts por que entendemos os  segredos do design de um saquinho de chá.</p>
<p><strong>9.  Profissões que competem estão oferecendo diferentes paradigmas para os  mesmos objetivos</strong></p>
<p>Cientistas da  Computação e engenheiros estão descobrindo modos de fazer a informação  acessível ao público usando algoritmos de busca, design de interfaces e  plataformas de mídia social. As práticas de biblioteca atuais estão  seguindo seus líderes e não outros modos.</p>
<p><strong>10. Ninguém  pode lembrar de um &#8216;grande&#8217; bibliotecário<br />
</strong></p>
<p>Vá a uma  universidade típica e peça aos professores para nomearem um grande  Doutor (‘Albert Schweitzer’), Arquiteto (‘I. M. Pei’), ou Jurista  (‘Johnny Cochran’). Nenhum bibliotecário destaca-se da mesma forma que  esses grandes profissionais. Ninguém fora do campo da biblioteconomia  irá nomear o Ranganathan.</p>
<p>Aí  está. Espero que esses dez itens coloquem um diabinho no ombro esquerdo  de cada bibliotecário que se diz profissional sem uma boa dose de  crítica para acompanhá-lo. Na realidade, eu acho que esses 10 itens  colocam uma responsabilidade especial nos ditos bibliotecários  &#8216;profissionais&#8217; para apresentarem-se e oferecerem um serviço exemplar às  suas comunidades. O status de profissional não significa nada no mundo  da informação &#8211; você precisa fazer por merecer sua titulação.</p>
<p>Tradução livre: <strong>Isadora Garrido</strong>,<strong> </strong>Revisão superficial: <strong>Fabiano Caruso</strong></p>
<p><span style="font-size: small;">Original disponível no <a href="http://www.libraryjournal.com/article/CA6727944.html" target="_blank"><span style="font-size: small;">Library Journal</span></a></span></p>
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		<title>O bibliotecário e a mediação</title>
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		<pubDate>Sat, 09 Jan 2010 15:49:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ExtraLibris</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ensaio]]></category>

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		<description><![CDATA[Por várias vezes, em diferentes lugares do Brasil e do exterior, afirmei que uma revolução qualitativa da leitura brasileira tem de contemplar, necessariamente, questões relacionadas com a existência de uma rede articulada de bibliotecas e pela ampliação pedagógica do trabalho dos bibliotecários.

Neste texto, retomo, reitero e amplifico esse posicionamento mesmo porque os governos continuamente cometem verdadeiros crimes para escamotear as necessidades de trabalho científico, tecnológico e técnico no âmbito da organização e disponibilização de acervos de leitura para as múltiplas comunidades existentes nas regiões brasileiras. ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Iniciativas comunitárias que apostam no poder libertador da leitura são louváveis, mas não eximem os governos de sua responsabilidade de criar uma rede articulada de bibliotecas<br />
Por <strong>Ezequiel Theodoro da Silva</strong></p>
<p><a href="http://revistaeducacao.uol.com.br/textos.asp?codigo=12833">Revista Educação &#8211; Edição 153</a></p>
<p>&#8220;<em>Talvez nenhum lugar em qualquer comunidade seja tão amplamente democrático como a biblioteca pública. A única exigência para entrar é o interesse!</em>&#8221; &#8211;<br />
Lady Bird Johnson</p>
<p>Por várias vezes, em diferentes lugares do Brasil e do exterior, afirmei que uma revolução qualitativa da leitura brasileira tem de contemplar, necessariamente, questões relacionadas com a existência de uma rede articulada de bibliotecas e pela ampliação pedagógica do trabalho dos bibliotecários.</p>
<p>Neste texto, retomo, reitero e amplifico esse posicionamento mesmo porque os governos continuamente cometem verdadeiros crimes para escamotear as necessidades de trabalho científico, tecnológico e técnico no âmbito da organização e disponibilização de acervos de leitura para as múltiplas comunidades existentes nas regiões brasileiras. </p>
<p>As duas pesquisas nacionais sobre hábitos de leitura do povo brasileiro, publicadas com o nome &#8220;Retratos da Leitura&#8221; (ver http://www.prolivro.org.br/ipl/publier4.0/texto.asp?id=48), mostram que 34% da população nunca foi a uma biblioteca; nas classes D e E, esse percentual sobe para 49%. Esses indicadores mostram a imensa distância que existe entre a casa do cidadão e os espaços formais onde se tem acesso à cultura escrita.</p>
<p><strong>Inexistentes ou anacrônicas</strong><br />
Tais &#8220;retratos&#8221;, em verdade, apenas fazem redundar o óbvio no que se refere às bibliotecas: ou elas inexistem ou estão paradas no tempo ou ficaram apenas nas intenções, sem nunca terem sido organizadas e postas a funcionar condignamente. Em que pesem os cursos de biblioteconomia e de ciências da informação, a mostrar, de forma escancarada, que existe profissional graduado e habilitado para atuar na sociedade, a atitude das autoridades tem sido a de fuga ou de esquiva da responsabilidade, deixando que as comunidades &#8220;se virem&#8221; no que se refere à convivência com livros e outros suportes de escrita.</p>
<p>Recentemente, telefonou-me uma repórter de um jornal curitibano para perguntar o que eu achava de uma experiência de formação de uma biblioteca comunitária. Disse-me ela que os catadores de lixo da cidade tinham &#8220;catado&#8221; livros e revistas e fundado uma biblioteca para o segmento de catadores de lixo. Louvei a iniciativa, informei que os livros poderiam expandir os horizontes de mundo dos catadores de lixo etc., etc., mas, quando disse que era o governo que deveria organizar e manter as bibliotecas, a repórter entrou em parafuso, achando que não dera a devida importância à iniciativa grandiosa daquela comunidade.</p>
<p>Essa experiência com a &#8220;biblioteca catada&#8221; não é muito diferente de outras que conheço pelo Brasil, como borracharia-biblioteca, baú-biblioteca, peixaria-biblioteca, boteco-biblioteca, jumento-biblioteca etc., enaltecidas e espetacularizadas pela mídia como soluções absolutas para o problema da nossa vergonhosa situação nessa área. Numa análise mais fria e crítica e sem querer de maneira nenhuma desmerecer as iniciativas do borracheiro, do peixeiro e/ou do dono do jumento, o que vemos, de maneira reiterada, é a escamoteação dos governos, no passar dos anos, com aquilo que é mais do que claro, cristalino e evidente: que sem bibliotecas na real acepção da palavra e sem gente especializada, formada em biblioteconomia, para dinamizá-las profissionalmente, continuaremos incentivando os arremedos e, pior, curvando-nos à fuga de responsabilidade pelas esferas governamentais.</p>
<p>&#8220;Melhor isto do que nada&#8221;, dirão as más línguas. E talvez a minha própria língua já tenha dito isto à luz das possibilidades libertárias dos processos de leitura em si: o fenômeno de que a leitura autônoma pode levar à emancipação das pessoas e gerar a consciência das necessidades. Esse processo pode ser mais bem conhecido através da leitura do livro O queijo e os vermes &#8211; o cotidiano e as ideias de um moleiro perseguido, de Carlo Ginzburg (Companhia das Letras, 1987). Entretanto, o crescimento do número de livros desses acervos comunitários, a diversificação dos suportes da leitura, a organização, preservação e recuperação das obras, a sofisticação dos serviços de apoio aos usuários, a seleção de livros de interesse da comunidade em seus segmentos (infantil, adulto, 3ª idade) impõem, necessariamente, a presença de serviços especializados para fazê-los. E daí a esperança de que o profissional bibliotecário possa ser envolvido para cuidar dessas tarefas e encaminhar os trabalhos de maneira objetiva e embasada nos saberes sistematizados, oriundos da área de biblioteconomia.</p>
<p>Os estereótipos em torno da figura do bibliotecário são também escaramuças para se esquivar da responsabilidade de sua contratação para trabalhos em diferentes tipos de bibliotecas, principalmente as escolares e as comunitárias. De fato, ao longo da nossa história e sendo muito fortalecida após a década de 1960, foi construída a imagem do bibliotecário como um trabalhador insensível, normatizado e normativista, catalogador de livros, controlador do silêncio dos espaços, estafeta dos castigos escolares, que em muito contribuíram para a sua &#8220;dispensa&#8221; no momento de constituição e de desenvolvimento das bibliotecas.<br />
<strong><br />
A briga de Darcy Ribeiro</strong><br />
Recordo-me, por exemplo, das grandes escaramuças entre Darcy Ribeiro, trabalhando para o governo Brizola no Rio de Janeiro (1983-1987), e a classe dos bibliotecários, com aquele afirmando que estes nada tinham a contribuir com a educação pública e com os CIEPs então estruturados. Tal estereótipo, infelizmente, ainda está muito presente no imaginário de muitas autoridades brasileiras, mas convém perguntar a quem esse estereótipo está servindo realmente&#8230; No meu ponto de vista, ele também serve à política de esquiva que vem sendo adotada pelos governos em relação à implantação de bibliotecas municipais, escolares e comunitárias neste país. Quer dizer, em se tratando de bibliotecas, sempre se dá um jeitinho e dentro desse jeitinho o bibliotecário nunca está incluído!</p>
<p>Para não colocar o bibliotecário como &#8220;vítima&#8221; de uma história meio ao contrário, acredito ser também importante uma visada crítica para dentro dos cursos de biblioteconomia ou de ciências de informação, oferecidos por diferentes instituições de ensino superior. Com o fim das habilitações, são raros os cursos que desenvolvem uma base adequada de conhecimentos e práticas para atuação que não seja em centros de informações e/ou empresas. A realidade escolar e as realidades comunitárias não são refletidas e discutidas ou então são tangencialmente tratadas, fechando o círculo vicioso de que o governo não contrata bibliotecários para as escolas e comunidades e, portanto, não existe por que tratá-las durante o período de formação básica. Daí que, quando da necessidade de profissionais para trabalhar nas bibliotecas escolares, ajeita-se, às carreiras, uma oficina rápida para que professores ou membros de uma comunidade recebam dois pingos de biblioteconomia para &#8220;tomar conta da biblioteca&#8221;.</p>
<p>Em recente visita que fiz a minha cidade natal, cruzei com a filha de um amigo que, sei, possui tão somente o diploma do ensino fundamental. Portanto, sem ensino médio e muito menos o superior. Depois dos apertos de mãos e dos abraços, perguntei o que ela vinha fazendo. Ela me disse que era a responsável pela biblioteca da faculdade local e me pedia, naquele instante, que eu enviasse os meus últimos livros porque os professores e alunos tinham muito interesse nos meus escritos.</p>
<p><strong>Um navio à deriva</strong><br />
Ora, sem querer desmerecer a escolaridade dessa conhecida e sua dedicação à biblioteca, fiquei perguntando se uma biblioteca de ensino superior poderia ser responsavelmente organizada e dinamizada por uma pessoa tão jovem e com formação leiga ou muito precária. Vê-se, aqui, mais um episódio desta comédia tragicômica chamada &#8220;biblioteca brasileira&#8221;. Sei, também, por exemplo, que falar para muitos prefeitos sobre a necessidade de contratação de bibliotecário é estar disposto a ouvir impropérios de volta.</p>
<p>Finalizando esta reflexão, creio que a melhor imagem da problemática das bibliotecas no Brasil seja a do filme E la nave va, de Federico Fellini. De fato, igual ao infindável problema da leitura no país, &#8220;haja paciência&#8221; para tanta contradição, para tanto descaso, para tanto cinismo. Se considerarmos uma biblioteca como um lugar para o qual constantemente nos dirigimos a fim de incrementar a nossa humanidade, então cabe indagar se a falta de humanidade em solo nacional, reiterada pela mídia todos os dias, não tem uma relação com a ausência e falta de bibliotecas em solo brasileiro.</p>
<p><strong>Ezequiel Theodoro da Silva</strong> é professor colaborador voluntário junto à Faculdade de Educação da Unicamp. Foi Presidente da Associação de Leitura do Brasil (ALB) de 1982 a 1986 e de 2007 a 2008. Foi secretário municipal de Cultura, Esportes e Turismo e secretário municipal de Educação de Campinas na década de 1990.</p>
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		<item>
		<title>Transporte de livros em bibliotecas – projeto de produto</title>
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		<comments>http://extralibris.org/especial/projeto-produto-design-relatorio-usp-transporte-livros-biblioteca/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 23 Oct 2009 00:32:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ExtraLibris</dc:creator>
				<category><![CDATA[Especial]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://extralibris.org/?p=1063</guid>
		<description><![CDATA[O presente projeto apresentado à matéria AUP 2410 Projeto de Produto V - Transporte tem com objetivo atender às necessidades de uma definida problemática, seja ela na área doméstica ou de trabalho, por intermédio de um transporte movido a força humana.

Para definir-se a problemática, um processo de brainstorming foi aplicado, perguntando-se quais situações do dia-a-dia ofereciam algum tipo de dificuldade ou afim que pudesse ser solucionada com um transporte. A opção escolhida pelos alunos em conjunto com os professores foi a de transporte de livros dentro da biblioteca.

A partir da problemática formulada, começamos a pesquisar em diversas bibliotecas dentro e fora da USP. Conversamos com funcionários e percebemos muitos aspectos parecidos, inclusive sobre o sistema de funcionamento, explanados a seguir:]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Univesidade de São Paulo</p>
<p>AIMEÊ DA SILVA FERREIRA<br />
ANDRÉ NOBORU SIRAIAMA<br />
DEBORA MIDORI SUGURI MOTOKI</p>
<p>Trabalho apresentado ao Professor Doutor João Bezerra de Menezes e à Professora Doutora Denise Dantas da disciplina AUP 2410 – Projeto de Produto 5 – Transporte da turma 2 do curso de Design da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo.</p>
<p><strong><br />
Definição da Proposta</strong><br />
O presente projeto apresentado à matéria AUP 2410 Projeto de Produto V &#8211; Transporte tem com objetivo atender às necessidades de uma definida problemática, seja ela na área doméstica ou de trabalho, por intermédio de um transporte movido a força humana.</p>
<p>Para definir-se a problemática, um processo de brainstorming foi aplicado, perguntando-se quais situações do dia-a-dia ofereciam algum tipo de dificuldade ou afim que pudesse ser solucionada com um transporte. A opção escolhida pelos alunos em conjunto com os professores foi a de transporte de livros dentro da biblioteca.</p>
<p>A partir da problemática formulada, começamos a pesquisar em diversas bibliotecas dentro e fora da USP. Conversamos com funcionários e percebemos muitos aspectos parecidos, inclusive sobre o sistema de funcionamento, explanados a seguir:</p>
<p>Atualmente, no processo de devolução dos livros aos seus respectivos lugares, o funcionário deve colocá-los no carrinho e, quando sente que o acúmulo é suficiente, transportá-los até as estantes. O acúmulo é feito em um carrinho estacionário junto à recepção, para os livros emprestados que são devolvidos pelos alunos. Já no caso dos livros em consulta, o funcionário passa em certos momentos propícios para recolhê-los de uma vez em todas as mesas. Neste último processo, vimos em nossa pesquisa certas preferências: como a de não esperar-se por um alto volume de livros a serem recolhidos (para não haver grande acúmulo de livros, já que esse pode dificultar a procura por títulos e sobrecarregar muito um único funcionário); o uso praticamente nulo da última prateleira do carrinho (por ser muito baixa e prejudicar a coluna de quem a utiliza); e a pré-organização dos livros por seus códigos, para facilitar o passo seguinte.</p>
<p>Após isso, o funcionário deve distribuir os livros em mais carrinhos estacionados; estes, parados ao lado de cada estante da biblioteca, funcionam como um ponto de espera dos livros. Ao final do dia, cada funcionário responsável por uma seção tira os livros desse carrinho estacionado e os coloca em seus devidos lugares.<br />
Além das questões ergonômicas mal resolvidas, o que chamou nossa atenção nessa problemática foi o número de passos necessários para concluir a tarefa. Pretendíamos diminuir este número.</p>
<p>Sendo assim, nosso projeto se estende ao próprio sistema da biblioteca, pois, com o sistema atual, a melhora que conseguiríamos fazer seria tão somente ergonômica, não englobando outros aspectos do uso, e nem atendendo à premissa de projetarmos algo novo.</p>
<p>Vimos que o modo como o código é colocado não é eficiente pelos seguintes motivos: ele é complicado, pois determina as seções por meio de muitos números (o que pode causar certa confusão &#8211; principalmente aos usuários, que não são familiarizados a eles como os funcionários). Ele é extenso, pois cada grupo de números remete a algum tema ou subtema do livro; e isso acaba fazendo com que o código seja escrito numa fonte pequena, uma vez que deve caber no espaço da lombada.</p>
<p>Pensamos em formas de tornar a assimilação mais imediata. Tendo isso em mente, pensamos que a solução mais fácil e eficiente seria a de juntar cores aos códigos.</p>
<p>A classificação mais utilizada atualmente é o Decimal Universal (CDU), baseado no conceito de que “&#8230; todo o conhecimento pode ser dividido em dez classes principais, e estas podem ser infinitamente divididas numa hierarquia decimal. (&#8230;) As principais divisões da CDU são:<br />
· 0 – Generalidades. Informação. Organização.<br />
· 1 – Filosofia. Psicologia.<br />
· 2 – Religião. Teologia.<br />
· 3 – Ciências Sociais. Economia. Direito. Política. Assistência Social. Educação.<br />
· 4 – Classe vaga.<br />
· 5 – Matemática e Ciências Naturais.<br />
· 6 – Ciências Aplicadas. Medicina. Tecnologia.<br />
· 7 – Arte. Belas Artes. Recreação. Diversões. Desportos.<br />
· 8 – Linguagem. Lingüística. Literatura.<br />
· 9 – Geografia. Biografia. História.</p>
<p>Os documentos são classificados de acordo com o assunto principal que determina a cota que lhes é colocada na lombada e são arrumados na estante com o número de classe atribuído. (&#8230;) Se tomarmos uma classe principal, por exemplo, 6 – Ciências Aplicadas. Medicina. Tecnologia., podemos ver como se subdivide:<br />
· 61 – Ciências médicas.<br />
· 62 – Engenharia. Tecnologia em Geral.<br />
· 63 – Agricultura. Silvicultura. Agronomia. Zootecnia.<br />
· 64 – Ciência Doméstica. Economia Doméstica.<br />
· 65 – Organização e Administração da Indústria, do Comércio e dos Transportes.<br />
· 66 – Tecnologia Química. Indústrias Químicas.<br />
· 67 – Indústrias e Ofícios Diversos.<br />
· 68 – Indústrias, Artes e Ofícios de Artigos Acabados.<br />
· 69 – Construção Civil. Materiais de Construção. Prática e Processos de Construção.</p>
<p>A subclasse 62 – Engenharia. Subdivide-se por sua vez em:<br />
· 620 – Engenharia em Geral. Testes dos Materiais. Energia.<br />
· 621 – Engenharia Mecânica.<br />
· 622 – Engenharia de Minas.<br />
· 623 – Engenharia Naval e Militar.<br />
· 624 – Engenharia Civil e Estruturas em Geral. Infra-estruturas. Fundações. Construção de Túneis e de Pontes. Superestruturas.<br />
624 – Engenharia Civil divide-se em áreas diferentes que podem por sua vez ser divididas novamente em áreas ainda mais especializadas:<br />
· 624.01 – Estruturas e Elementos Estruturais Segundo o Material e o Processo de Construção.<br />
o 624.011 – Estruturas e Materiais de Origem Orgânica.<br />
o 624.012 – Estruturas de Alvenaria.<br />
624.012.45 – Estruturas de Betão Armado.<br />
· 624.1 – Infra-estruturas das construções. Fundações. Construção de Túneis.<br />
· 624.2/8 – Construção de Pontes, etc.</p>
<p>E assim infinitamente&#8230;” (retirado de http://www.bib.ualg.pt/bibliotecas/cdu.htm)</p>
<p>Sendo assim, separamos a biblioteca em 10 cores diferentes, cada uma referente a uma seção diferente. Dessa forma, a assimilação é muito mais imediata. Juntamente a isso, seria necessária uma forte comunicação visual, ou seja, sinalização em cada prateleira sobre quais cores, ou seja, seções, ali se encontram. </p>
<p>Dependendo do tamanho da biblioteca &#8211; aqui nesse projeto pensamos principalmente nas de médio porte &#8211; a sinalização se faria necessária em diferentes formas, podendo haver placas fixadas ao teto para indicar melhor os assuntos e etc. Não entramos muito nesse mérito uma vez que devíamos nos dedicar ao projeto do transporte.</p>
<p>Além das cores, projetamos a etiqueta fixada no livro de forma diferente da utilizada atualmente. Achamos que essa é muito pequena, e que, portanto, dificulta muito a leitura do código. Assim, aumentamos a área da etiqueta (sua altura é de 7 centímetros).</p>
<p>Testamos isso em alguns livros e percebemos que em alguns, o nome da editora e/ou o nome do autor e/ou o título do livros ficaram comprometidos. Pensando nisso, uma parte da etiqueta adentraria à capa em 3 centímetros; nessa parte estariam escritos o título, o autor e a editora. Dessa forma, não comprometemos nenhuma informação contida na parte exterior do livro.</p>
<p><span style="font-size: large;">Leia o projeto da íntegra &#8211; <a title="projeto produto biblioteca" href="http://extralibris.org/wp-content/uploads/2009/10/projeto-produto-biblioteca.pdf" target="_blank">download pdf 13MB</a><br />
</span></p>
<p><span style="font-size: large;"> </span>Alguns croquis e imagens do projeto:</p>

<a href='http://extralibris.org/especial/projeto-produto-design-relatorio-usp-transporte-livros-biblioteca/attachment/01/' title='01'><img width="150" height="150" src="http://extralibris.org/wp-content/uploads/2009/10/01-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail" alt="01" title="01" /></a>
<a href='http://extralibris.org/especial/projeto-produto-design-relatorio-usp-transporte-livros-biblioteca/attachment/02/' title='02'><img width="150" height="150" src="http://extralibris.org/wp-content/uploads/2009/10/02-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail" alt="02" title="02" /></a>
<a href='http://extralibris.org/especial/projeto-produto-design-relatorio-usp-transporte-livros-biblioteca/attachment/03/' title='03'><img width="150" height="150" src="http://extralibris.org/wp-content/uploads/2009/10/03-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail" alt="03" title="03" /></a>
<a href='http://extralibris.org/especial/projeto-produto-design-relatorio-usp-transporte-livros-biblioteca/attachment/04/' title='04'><img width="150" height="150" src="http://extralibris.org/wp-content/uploads/2009/10/04-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail" alt="04" title="04" /></a>
<a href='http://extralibris.org/especial/projeto-produto-design-relatorio-usp-transporte-livros-biblioteca/attachment/05-2/' title='05'><img width="150" height="150" src="http://extralibris.org/wp-content/uploads/2009/10/05-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail" alt="05" title="05" /></a>

<img src="http://feeds.feedburner.com/~r/extralibris/~4/68g_JSM1-MY" height="1" width="1"/>]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Uma biblioteca para sempre</title>
		<link>http://feedproxy.google.com/~r/extralibris/~3/SrnakbSlnQc/</link>
		<comments>http://extralibris.org/ferramentas-recursos/sergey-brin-google-books-uma-biblioteca-para-sempre/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 22 Oct 2009 11:40:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ExtraLibris</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ferramentas e Recursos]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://extralibris.org/?p=1043</guid>
		<description><![CDATA[Em razão dos livros serem uma parte tão importante do conhecimento coletivo do mundo e do patrimônio cultural, Larry Page, co-fundador do Google, propôs pela primeira vez  uma década atrás que todos os livros fossem digitalizados, quando ainda éramos principiantes. Na época o projeto foi visto como muito ambicioso e desafiador, o que tornou impossível atrair gente para trabalhar nele. Mas cinco anos depois, em 2004, o Google Books (então chamado de Google Print) nasceu, permitindo aos usuários pesquisar centenas de milhares de livros. Hoje, eles contam com mais de 10 milhões de títulos. No ano seguinte, fomos processados pela Associação de Autores e a Associação de Editores Americanos por causa do projeto.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>por <strong>Sergey Brin, </strong>co-fundador e o presidente de tecnologia do Google.<strong> <a href="http://extralibris.org/wp-content/uploads/2009/10/sergey.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-1044" style="margin-left: 4px; margin-right: 4px;" title="sergey" src="http://extralibris.org/wp-content/uploads/2009/10/sergey.jpg" alt="sergey" width="160" height="141" /></a></strong><BR><BR></p>
<p>Tradução colaborativa de <span style="font-size: x-large;">Sibele Fausto</span>, <span style="font-size: x-large;">Isadora Garrido</span>, <span style="font-size: large;">Moreno Barros, Fabíola Pinudo</span>, Jacqueline Cunha e Ana Patricia Guimarães.</p>
<p>versão para impressão &#8211; <a title="uma biblioteca para sempre sergey brin" href="http://extralibris.org/wp-content/uploads/2009/10/biblioteca-para-sempre-sergey-brin.pdf" target="_blank">download pdf</a><BR><BR></p>
<p>&#8220;As razões fundamentais pelas quais o carro elétrico não tenha atingido a popularidade que merece são (1) O fracasso dos fabricantes em educar de maneira adequada o público em geral a respeito da maravilhosa utilidade do carro elétrico;  (2) O fracasso das [empresas de energia] em tornar mais fácil para manter e operar o carro elétrico por meio de uma distribuição adequada de postos de recarga e abastecimento. A velocidade, alcance e utilidade limitados dos primeiros carros elétricos produziram impressões populares que ainda permanecem. &#8221;</p>
<p>Essa citação dificilmente surpreenderia qualquer pessoa que entende de veículos elétricos. Mas pode ser surpreendente saber que no ano em que foi escrita milhares de carros elétricos foram produzidos e esse ano foi há quase um século atrás. Isso apareceu numa edição de 1916 da revista Electrical World (Mundo Elétrico), que encontrei no Google Books, nosso repositório de busca de milhões de livros. Pode parecer estranho voltar o olhar cem anos atrás num assunto que é tão contemporâneo, embora eu ainda ache que o passado tenha lições valiosas para o futuro. Nesse caso, eu tive sorte &#8211; veículos elétricos foram estudados e têm uma literatura extensa no início do século XX, e existem vários livros sobre o assunto para se escolher. Como os livros publicados antes de 1923 estão em domínio público, eu posso vê-los facilmente.</p>
<p>Mas a grande maioria dos livros produzidos não é acessível a ninguém, exceto os pesquisadores mais tenazes nas grandes bibliotecas acadêmicas. Os livros escritos depois de 1923 desaparecem rapidamente em um buraco negro literário. Com raras exceções, é possível comprá-los apenas por um pequeno período de anos enquanto estão sendo impressos. Depois disso, eles são encontrados somente em um número ínfimo de bibliotecas e sebos. Com o passar dos anos, os contratos se perdem ou são esquecidos, autores e editoras desaparecem, os detentores dos direitos se tornam impossíveis de rastrear.</p>
<p>Inevitavelmente, as poucas cópias remanescentes de livros são deixadas à lenta deterioração ou perdem-se em queimadas, enchentes e outros desastres. Enquanto eu estava em Stanford em 1998, enchentes prejudicaram ou destruíram dezenas de milhares de livros. Infelizmente, tais eventos não são incomuns &#8211; uma enchente similar aconteceu em Stanford há 20 anos atrás. Você poderia ler sobre isso no Relatório da Inundação da Biblioteca Stanford-Lockheed Meyer (The Stanford-Lockheed Meyer Library Flood Report), publicado em 1980, mas esse livro não está mais disponível.</p>
<p>Em razão dos livros serem uma parte tão importante do conhecimento coletivo do mundo e do patrimônio cultural, Larry Page, co-fundador do Google, propôs pela primeira vez  uma década atrás que todos os livros fossem digitalizados, quando ainda éramos principiantes. Na época o projeto foi visto como muito ambicioso e desafiador, o que tornou impossível atrair gente para trabalhar nele. Mas cinco anos depois, em 2004, o Google Books (então chamado de Google Print) nasceu, permitindo aos usuários pesquisar centenas de milhares de livros. Hoje, eles contam com mais de 10 milhões de títulos.</p>
<p>No ano seguinte, fomos processados pela Associação de Autores e a Associação de Editores Americanos por causa do projeto. Embora tenhamos tido divergências, temos um objetivo comum &#8211; liberar o conhecimento preso a um enorme número de livros que não são mais impressos (esgotados), enquanto compensamos de forma justa os detentores dos direitos. Como resultado, fomos capazes de trabalhar juntos para desenvolver um acordo que atendesse nossa visão compartilhada. Embora este acordo seja uma vitória para autores, editores e Google, os verdadeiros vencedores são os leitores que agora terão acesso a um mundo muito maior de livros.</p>
<p>Temos tido alguns debates sobre o acordo, e vários grupos mostraram suas opiniões, tanto a favor como contra. Eu gostaria de aproveitar essa oportunidade para dispersar alguns mitos sobre o acordo e partilhar de por que de eu ter orgulho deste projeto. Esse acordo tem a finalidade de tornar disponíveis milhões de livros que não são mais produzidos, mas que ainda estão sob direitos autorais, seja por meio de um taxa, ou grátis em função da veiculação de anúncios, com a maioria da renda decorrente sendo revertida para os detentores dos direitos, sejam eles autores ou editores.</p>
<p>Alguns alegam que este acordo é uma forma de licença compulsória, pois,  como na maioria dos acordos em ações coletivas, a decisão se aplica a todos os membros que não optarem por uma determinada data. A realidade é que os titulares de direitos podem a qualquer momento definir preços e direitos de acesso para suas obras ou retirá-los do Google Books definitivamente.  Para os livros cujos detentores de direitos não tenham se posicionado, padrões razoáveis de preços e políticas de acesso serão definidos. Isso permite o acesso à muitas obras órfãs, cujos proprietários ainda não foram encontrados e acumulam receitas para os detentores de direitos, dando-lhes um incentivo para tomar partido.</p>
<p>Outros questionam o impacto do acordo sobre a concorrência, ou têm afirmado que ele limitaria a escolha do consumidor no que se refere aos livros esgotados. Na realidade, nada nesse acordo impede qualquer companhia ou organização de se empenhar em esforços semelhantes. O acordo limita a escolha do consumidor por livros esgotados tanto quanto limitaria sua escolha por unicórnios. Hoje, se você quer acessar um típico livro que não é mais publicado, você tem apenas uma escolha &#8211; voar para uma das poucas bibliotecas de ponta no país e esperar achá-lo entre as prateleiras.</p>
<p>Eu gostaria que existissem cem serviços com os quais eu pudesse facilmente olhar para tal livro; pouparia-me muito tempo, e pouparia ao Google uma tremenda quantidade de esforço. Mas apesar de um número de importantes esforços de digitalização hoje (o Google até mesmo ajudou a fundar outros, incluindo alguns da Library of Congress), nenhum esteve em uma escala comparável, simplesmente porque ninguém mais optou por investir os recursos necessários. Pelo menos um serviço como este terá que existir para que algum dia existam centenas deles.</p>
<p>Se o Google Books for bem sucedido, outros seguirão seu exemplo. E eles terão um caminho mais fácil: esse acordo cria um registro de direitos autorais que irá encorajar os detentores de direitos a aparecerem e irá prover uma forma conveniente para que outros projetos obtenham permissões. Apesar de novos projetos não obterem imediatamente os mesmos direitos a obras órfãs, o acordo será um sinal de compromisso em caso de um processo similar, e servirá como um precedente para a legislação de obras órfãs, a qual o Google sempre apoiou e continuará apoiando.</p>
<p>Por fim, houve objeções aos aspectos específicos do produto Google Books e o seu serviço futuro como previsto no acordo, incluindo questões sobre a qualidade da informação bibliográfica, nossa escolha pelo sistema de classificação e detalhes a respeito da nossa política de privacidade. Todos esses questionamentos são válidos, e sendo uma empresa obcecada ao extremo pela qualidade dos nossos produtos, estamos trabalhando bastante para respondê-los &#8211; melhorando a informação bibliográfica e a categorização e ainda, detalhando nossa política de privacidade. E se nós não nos sairmos bem com o nosso produto, outros conseguirão. Mas uma coisa certa é que impedir tal progresso é o mesmo que não se chegar a nenhum acordo.</p>
<p>Nos Anais de Seguros de 1880-1881, que eu achei no Google Books, Cornelius Walford registra a destruição de dezenas de bibliotecas e milhões de livros, na esperança que tal registro irá &#8220;deixar clara a necessidade de que algo precisa ser feito&#8221; para preservá-los. A famosa biblioteca de Alexandria foi destruída por incêndios três vezes em 48 A.C., 273 D.C 273 e 640 D.C., bem como a Library of Congress, onde um incêndio em 1851 destruiu dois terços da coleção.</p>
<p>Espero que tal destruição nunca aconteça de novo, mas a história sugere o contrário. E mais importante, mesmo que a nossa herança cultural permaneça intacta nas melhores bibliotecas do mundo, ela é efetivamente perdido se ninguém pode acessá-la facilmente. Muitas empresas, bibliotecas e organizações desempenharão um papel em salvar e tornar disponíveis as obras do século XX. Juntos, autores, editores e o Google estão dando apenas um passo em direção a esse objetivo, mas é um passo importante. Não vamos perder essa oportunidade.</p>
<p>Artigo original: <a title="a library to last forever" href="http://www.nytimes.com/2009/10/09/opinion/09brin.html" target="_blank">A Library to Last Forever, publicado como editorial no NYT</a></p>
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		<title>Os bibliotecários estão completamente obsoletos?</title>
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		<comments>http://extralibris.org/ensaio/bibliotecarios-obsoletos-importancia-bibliotecas/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 19 Oct 2009 00:00:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ExtraLibris</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ensaio]]></category>

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		<description><![CDATA[Muitos acreditam que a era digital irá acabar com as estantes públicas e extinguir permanentemente a era centenária das bibliotecas. A desconcertante proeza e progresso da tecnologia fez até um bibliotecário prever a queda da instituição. Ele pode estar certo. Porém, se estiver, então a perda será irreparável. Conforme a relevância das bibliotecas entra em questão, elas encaram uma crise existencial em uma época onde elas talvez sejam mais necessárias. Apesar de sua percebida obsolescência em uma era digital, tanto bibliotecas - quanto bibliotecários - são insubstituíveis por várias razões. 33, de fato. Nós as listamos aqui.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>33 razões por que as bibliotecas e bibliotecários ainda se mantêm extremamente importantes<br />
</strong>artigo de <span style="font-size: large;">Will Sherman</span></p>
<p>tradução colaborativa de:</p>
<p><span style="font-size: x-large;">Moreno Barros<br />
Isadora Garrido </span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Fabíola Pinudo<br />
Sibele Fausto</span></p>
<p>Viviane Neves<br />
Polyanha Hudson<br />
Aline Gonçalves<br />
Gustavo Henn</p>
<p>versão para impressão &#8211; <a title="bibliotecarios obsoletos" href="http://extralibris.org/wp-content/uploads/2009/10/bibliotecarios-obsoletos.pdf" target="_blank">download pdf</a></p>
<p><strong>33 razões por que as bibliotecas e bibliotecários ainda se mantêm extremamente importantes</strong></p>
<p>Muitos acreditam que a era digital irá acabar com as estantes públicas e extinguir permanentemente a era centenária das bibliotecas. A desconcertante proeza e progresso da tecnologia fez até um bibliotecário prever a queda da instituição.</p>
<p>Ele pode estar certo.</p>
<p>Porém, se estiver, então a perda será irreparável. Conforme a relevância das bibliotecas entra em questão, elas encaram uma crise existencial em uma época onde elas talvez sejam mais necessárias. Apesar de sua percebida obsolescência em uma era digital, tanto bibliotecas &#8211; quanto bibliotecários &#8211; são insubstituíveis por várias razões. 33, de fato. Nós as listamos aqui:</p>
<p><strong>1. Nem tudo está disponível na Internet</strong></p>
<p>O incrível volume de informação útil na Web tem, para alguns, engendrado a falsa premissa de que tudo pode ser encontrado online. Isso simplesmente não é verdade. O Google Book Search reconhece isso. Por isso eles tomaram a tarefa monolítica de digitalizar milhões de livros das maiores bibliotecas do mundo. No entanto, mesmo que o Google consiga com sucesso digitalizar toda a soma dos conhecimentos humanos ela é diferente da soma dos autores e editores contemporâneos que não permitem que suas obras sejam gratuitamente acessíveis na Internet. Já é proibido por lei disponibilizar livremente no Google Book Search os livros com direitos autorais vigentes; apenas partes. E levará muito tempo antes que o bestseller recomendado pelo New York Times seja disponibilizado gratuitamente na Internet: as leis de direitos autorais atuais protegem as obras por 70 anos após a morte do autor. Mesmo algumas obras sob domínio público sofrem algumas restrições. Se uma cópia sem copyright incluir prefácio, introdução ou apêndices que ainda estejam sob copyright, a obra toda fica sob o status de copyright.</p>
<p><strong>2. Bibliotecas digitais não são a Internet</strong></p>
<p>Um entendimento fundamental do que a Internet é &#8211; e do que ela não é &#8211; pode ajudar mais claramente a definir o que uma biblioteca é e por que bibliotecas ainda são extremamente importantes. A Elmer E. Rasmuson Library da Universidade do Alaska em Fairbanks deixou clara a diferença entre &#8220;Coleções Online&#8221; e &#8220;Fontes Web”.  A Internet, seu site explica, é uma massa larga de materiais não publicados produzidos por organizações, empresas, indivíduos, projetos experimentais, webmasters, etc. &#8220;Coleções Online&#8221;, todavia, são diferentes. São tipicamente oferecidas por bibliotecas e incluem materiais que foram publicados por meio de rigoroso processo editorial. Trabalhos selecionados para inclusão em um catálogo de bibliotecas passaram pelo veto de uma equipe qualificada. Os tipos de materiais incluem livros, periódicos, documentos, jornais, revistas e relatórios que foram digitalizados, armazenados e indexados em uma base de dados de acesso limitado. Mesmo que alguém use a Internet ou um motor de busca para encontrar estas bases de dados, o acesso mais avançado requer registro. Você ainda está online, mas não vai muito lontg na Internet. Você está em uma biblioteca.</p>
<p><strong>3. A internet não é livre<br />
</strong>Embora o Projeto Gutenberg alardeie 20.000 <em>e-books</em> para <em>download</em> gratuito em sua <em>homepage</em>, somos imediatamente lembrados que esses livros são acessíveis apenas porque eles não estão mais sob direitos autorais. E os livros são apenas a ponta do <em>iceberg</em>. Numerosos trabalhos de pesquisa acadêmica, revistas e outros materiais importantes são praticamente inacessíveis para alguém tentar obtê-los de graça na web.  Em vez disso, o acesso é restrito a assinaturas caras, que são normalmente pagas por bibliotecas. Visitar a biblioteca, pessoalmente, ou acessar a biblioteca por meio de sua conta de membro, é, portanto, a única maneira de se obter acesso a recursos documentais essenciais.</p>
<p><strong>4. A internet complementa as bibliotecas, mas não as substitui</strong></p>
<p>Para orientar as pessoas a achar informação, a Universidade de Long Island fornece uma explicação útil de quais tipos de recursos podem ser acessados por meio da biblioteca. Estes incluem notícias, periódicos, livros e outros recursos. Curiosamente, a World Wide Web está entre estes recursos como mais um meio para encontrar informações. Mas não é uma substituta. A página diferencia e explica as vantagens das bibliotecas em relação à busca pela internet. Cita os benefícios da internet, includindo &#8220;amostras de opinião pública&#8221;, uma coletânea de &#8220;fatos rápidos&#8221; e &#8220;uma ampla gama de idéias&#8221;. De forma geral, o ponto é bem correto: bibliotecas são instituições completamente diferentes da web. Sob essa ótica, falar sobre uma substituindo a outra começa a parecer absurdo.</p>
<p><strong>5. Bibliotecas escolares e bibliotecários melhoram as pontuações médias dos estudantes em testes<br />
</strong>Um estudo de 2005 das Bibliotecas Escolares do Illinois mostra que os estudantes que visitam frequentemente bibliotecas escolares com acervos bem abastecidos e com boa equipe terminam com pontuações mais altas em testes ACT e um melhor desempenho em exames de leitura e escrita.<br />
Interessantemente, o estudo aponta que a tecnologia de acesso digital desempenha um papel importante nos resultados dos testes, observando que &#8220;escolas com computadores que se conectam aos catálogos de bibliotecas e bases de dados obtêm uma média de 6,2% de melhora nas pontuações de testes ACT&#8221;.</p>
<p><strong>6. Digitalização não significa destruição</strong></p>
<p>A avidez com que as bibliotecas investiram na parceria com o Google Book Search não é o trabalho de uma mentalidade impulsiva. Bibliotecas incluindo a Universidade de Oxford, da Universidade de Michigan, Harvard, da Universidade Complutense de Madri, a Biblioteca Pública de Nova York, a Universidade do Texas, da Universidade da Califórnia e muitos outros se uniram ao projeto do Google, em vez de evitá-lo. Na abertura de seus acervos, essas bibliotecas terão todos os seus livros eletronicamente disponíveis para seus usuários. Embora se possa esperar que livros sem direitos autorais, que em muitas ocasiões são totalmente disponíveis ao público, os materiais protegidos por direitos autorais &#8211; incluindo assinaturas de periódicos &#8211; ainda serão mantidos sob acesso restrito. A razão para isto é, em parte, porque as cláusulas indenizatórias do Google Book Search não chegam muito longe; o Google Book Search não isenta as bibliotecas de qualquer responsabilidade que possa incorrer caso elas ultrapassem os limites do direito autoral. E há uma causa real para esta cautela &#8211; o Google Book Search está enfrentando atualmente dois processos importantes de autores e editores.</p>
<p><strong>7. Na verdade, digitalização significa sobrevivência</strong></p>
<p>Daniel Greenstein da Universidade da Califórnia cita uma razão prática para a digitalização de livros: em formato eletrônico os livros não estão vulneráveis aos disastres naturais ou à &#8220;pulverização” causada pelo tempo. Ele ainda cita a destruição de bibliotecas pelo furacão Katrina como um importante lembrete da vulnerabilidade da &#8220;memória cultural&#8221;.</p>
<p><strong>8. A digitalização levará algum tempo. Um bom tempo.</strong></p>
<p>Enquanto a digitalização desenvolveu um ar de movimento incessante rapidamente acabando com as paredes das bibliotecas e expondo tesouros intocados, ela está bastante longe de alcançar seu objetivo. Com um número estimado de 100 milhões de livros impressos desde a invenção da imprensa, o processo dificilmente fez progresso. Digitalizar é caro e complicado, e até então o milhão de livros digitalizados do Google é apenas uma gota no oceano. &#8220;A maior parte da informação&#8221;, diz Jens Redmer, o diretor europeu do Google Book Search, &#8220;está fora da internet&#8221;.</p>
<p>Mas quanto tempo levará para indexar o conhecimento do mundo todo? Em 2002, Larry Page disse que o Google poderia digitalizar aproximadamente sete milhões de livros em seis anos. Desde 2004 o Google Book Search tem lidado com uma série de encaixes e começos. Em 2007, eles conseguiram indexar um milhão de livros. Então, numa média de aproximadamente meio milhão de livros por ano, digitalizar 100 milhões de livros levaria cerca de 200 anos. Assumindo que o Google saberia lidar com os desafios logísticos e legais e finalizasse 7 milhões de livros a cada 6 anos, o ano mais aproximado do término ainda seria 2092. No meio tempo, uma base usuária mais ampla se apoiará em bibliotecas, ou coleções online do que já foi digitalizado. Jogar fora bibliotecas físicas antes da digitalização ser completa deixaria os clientes da biblioteca no limbo.</p>
<p><strong>9. Bibliotecas não são só livros</strong></p>
<p>A tecnologia está se integrando aos sistemas de bibliotecas, e não os intimidando. Levando esse assunto ao seu extremo lógico (embora isso seja pouco provável de não acontecer), nós poderíamos eventualmente ver prateleiras inteiras de bibliotecas relegadas a bases de dados, e ter livros apenas acessíveis digitalmente. Então como isso deixa os bibliotecários? Eles estão sendo dominados pela tecnologia, a inimiga sem fim do trabalho? Não dessa vez. Na verdade, a tecnologia está revelando que o verdadeiro trabalho dos bibliotecários não é apenas colocar os livros na estante. Ao invés disso, seu trabalho envolve guiar e educar visitantes em como encontrar informação, independente se estiver em livros ou em formato digital. Tecnologia provê melhor acesso a informação, mas é uma ferramenta mais complexa, geralmente requerindo know-how especializado. Essa é uma especialidade do bibliotecário, uma vez que eles se dedicam a aprender as técnicas mais avançadas para ajudar visitantes a acessarem a informação efetivamente. Isso está em sua descrição de trabalho.</p>
<p><strong>10. Dispositivos móveis não são o fim dos livros ou das bibliotecas</strong></p>
<p>Previsões sobre o fim do livro são uma resposta previsível para a digitalização e outras tecnologias, e a bola de cristal de alguns que são pró-papel parecem também revelar um concomitante desmoronamento da civilização. Uma das últimas ameaças obscuras ao papel (e à sociedade) parece ser o plano do Google de tornar e-books disponíveis para download para dispositivos móveis. A versão iPod do romance chegou. O Google já escaneou um milhão de livros. Usuários dos trens japoneses estão lendo bestsellers inteiros em seus celulares. O fim está próximo. Mas se o e-book movel é um hit e um fenômeno duradouro, é improvável que eles serão uma transição para todos os tipos de leitores.  O rádio continuou a viver apesar da TV, o cinema ainda tem alta demanda apesar do vídeo, as pessoas ainda falam no telefone apesar do e-mail. Pessoas que gostam de livros de papel continuarão a ler livros de papel mesmo se downloads móveis induzir a maioria dos editores a liberarem e-books ao invés de papel. Afinal, uma imensa reserva de livros impressos ainda será acessível aos leitores. Aonde quer que as bibliotecas se enquadrem ao supor que e-books móveis realmente substituam os livros impressos, a presença da biblioteca digital continuará a ser extremamente importante, seja baseada em papel ou eletronicamente.</p>
<p><strong>11. O hype de repente é só hype</strong></p>
<p>Os livros impressos não estão exatamente condenados, mesmo anos depois da invenção do <em>e-book</em>. Na verdade, ao se contrastar os méritos do <em>e-book</em> com os de um livro impresso, poderia-se argumentar que os livros em papel são de fato um produto melhor. Seria prematuro apagar as bibliotecas os seus livros grátis em função das previsões sobre a eminente proeminência dos <em>e-books</em>. A sociedade poderia perder um valioso acesso a um meio confiável &#8211; mesmo se os <em>e-books</em> vingarem.</p>
<p><strong>12. O atendimento das bibliotecas não está fracassando &#8211; é apenas mais virtual agora</strong></p>
<p>Com aproximadamente 50,000 visitantes por ano, a visitação aos Arquivos da História Americana (American History Archives) na Sociedade Histórica de Wisconsin (Wisconsin Historical Society) caiu 40% desde 1987. Essa estatística, quando colocada sozinha, pode se provar suficiente para qualquer pessoa que casualmente prevê o colapso das bibliotecas. Mas é apenas metade da história. Os arquivos também foram digitalizados e disponibilizados online. Todo ano a biblioteca recebe 85,000 visitantes únicos online. O número de escolas online oferecendo graduações online está constantemente aumentando também. Várias dessas escolas estão melhorando também suas bibliotecas virtuais.</p>
<p><strong>13. Como as empresas, as bibliotecas digitais ainda precisam de recursos humanos</strong><br />
Mesmo as empresas online contam com suporte de qualidade para as melhores vendas e satisfação do cliente. A disponibilidade de e-mail, telefone e chat ao vivo melhoram a experiência de pessoas que procuram produtos e serviços. O mesmo vale para as pessoas que procuram informações. Em troca do pagamento de impostos ou taxas da biblioteca embutidos nas mensalidades da universidade, os membros da biblioteca devem esperar um confiável “suporte ao cliente” em troca de seus pagamentos. Os bibliotecários são de fato muito importantes no atendimento aos seus visitantes. E ainda hoje não há nenhum substituto equivalente para a biblioteca, que fornece acesso a montanhas de conteúdo que não está disponível através de motores de busca ou mesmo o Google Books Search, que só oferece trechos e links para lojas onde os livros podem ser comprados.</p>
<p><strong>14. Nós simplesmente não podemos contar com bibliotecas físicas desaparecendo</strong><strong> </strong><br />
Bibliotecas físicas nunca irão desaparecer. Mesmo que o Google Book Search pegue o ritmo e as bibliotecas financiem seus próprios projetos de digitalização, o futuro do espaço físico das bibliotecas continua a ser necessário.<br />
Isso ocorre porque muitas bibliotecas ainda não estão digitalizando e muitas nunca poderão digitalizar. Há uma boa razão: este processo é caro. Numa estimativa baixa de 10 dólares por livro (e provavelmente muito mais para obras mais antigas, mais delicadas), digitalizar uma biblioteca inteira de, digamos, mais de 10.000 livros &#8211; bem, é bastante caro. E para muitos usuários da biblioteca, eles ainda dependem da tradicional abordagem eficaz para localizar informações com computadores no local ou bibliotecários disponíveis para ajudá-los.</p>
<p><strong>15. O Google Book Search &#8220;não funciona</strong>&#8221;<br />
Se a indexação ao estilo do Google para os livros de todo o mundo espelhasse o bem conhecido serviço de busca da empresa, isto valeria como um forte argumento contra a manutenção das bibliotecas. Afinal, o Google tem uma grande tecnologia para pesquisar na web, certo? Nós não poderíamos simplesmente ignorar as bibliotecas?<br />
Mas os especialistas lembram que o Google Book Search está longe de garantir tais facilidades como é experienciado com o serviço de busca na internet da companhia. Os elevados ideais da informação-para-todos são impedidos não só por conta das ações judiciais, mas pelo próprio desejo do Google de ser o poderosos chefão. Eles não estão prestes a entregar o seu índice para os outros concorrentes, como a Microsoft, Yahoo, Amazon e outros projetos independentes de digitalização. O usuário perde por não ser capaz de acessar tudo através do seu serviço preferido de busca por livros digitalizados.<br />
Ao não conceder os arquivos digitais aos seus concorrentes, as empresas que assumem esta abordagem competitiva e corporativa em relação ao processo de digitalização, arriscam a sumirem do mapa, para bem longe da filosofia da biblioteca pública. Enquanto isso, as bibliotecas devem permanecer intactas e disponíveis ao público em geral.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>16. Bibliotecas físicas podem se adaptar às mudanças culturais</strong></p>
<p>A Comissão Nacional de Bibliotecas e Serviços de Informação dos Estados Unidos (NCLIS) é uma entre os muitos grupos que estudam e debatem a função das bibliotecas físicas na era digital. Em um <a title="simpósio" href="http://www.lib.umich.edu/mdp/symposium/webcast.html" target="_blank">simpósio</a> da NCLIS, no ano de 2006, foi criado um relatório que clama por uma redefinição do que é o espaço físico da biblioteca. Menos como &#8220;depósitos&#8221;, foi uma das conclusões, e mais como uma junção de trabalho, aprendizado, ensino e novos tipos de programas.</p>
<p><strong>17. As bibliotecas físicas estão se adaptando à mudança cultural</strong><br />
Qualquer pessoa subscrevendo as teorias do pensador do século 20 Marshal McLuhan poderia dizer que, junto com as mudanças no padrão de vida provocadas pelas tecnologias eletrônicas, o conhecimento que já foi encerrado em livros e compartimentado em áreas temáticas, está agora a ser livremente divulgado em uma explosão de democracia, tornando obsoleto a austeridade do solitário, ecoando os corredores da Biblioteca. Curiosamente McLuhan, que morreu em 1980, ainda disse certa vez: &#8220;O futuro do livro é a sinopse&#8221;.</p>
<p>Na verdade, esta mudança cultural antecede o uso generalizado da internet, bem como o Google Book Search. Por décadas a sociedade vem buscando uma compreensão mais holística do mundo, e maior acesso à informação. A busca por novos métodos de organização das estruturas educativas (incluindo as  bibliotecas) tem sido ativa. E apesar de as bibliotecas não estarem em muitas das listas pessoais de &#8220;10 Mais Inovadoras&#8221;, elas têm se adaptado.</p>
<p>A diretora de bibliotecas da Washington State University, Virginia Steel, por exemplo, é uma defensora de maximizar a natureza social e interativa do espaço físico da biblioteca. Grupos de estudo, exposições de arte, lanchonetes e cafés &#8211; falar, e não sussurrar; esta é a nova biblioteca. Não é obsoleta, é apenas mudanças.</p>
<p><strong>18. Eliminar bibliotecas representaria um corte no processo de evolução cultural</strong><br />
A biblioteca que estamos mais familiarizados hoje &#8211; uma instituição pública ou acadêmica que empresta livros gratuitamente &#8211; é um produto da democratização do conhecimento. Anteriormente, os livros nem sempre eram tão acessíveis, e as bibliotecas privadas ou os clubes do livro, eram um privilégio dos ricos. Isso começou a mudar durante o século XVII, com mais bibliotecas públicas surgindo e a invenção do sistema de Classificação Decimal de Dewey para padronizar os catálogos e índices.<br />
As bibliotecas começaram a florescer sob o olhar do presidente Franklin Roosevelt, em parte como uma ferramenta para diferenciar os Estados Unidos dos nazistas queimadores de livros. Este aumento do interesse na construção de uma sociedade mais perfeita e liberal culminou em 1956 com o Ato dos Serviços de Bibliotecas, que introduziu o financiamento federal pela primeira vez. Hoje, existem dezenas de milhares de bibliotecas públicas nos Estados Unidos.</p>
<p><strong>19. A internet não é &#8220;faça você mesmo&#8221;</strong></p>
<p>É possível dizer que a internet presenteou a sociedade com um senso vertiginoso de independência. Acesso a informação do mundo todo &#8211; e máquinas de buscas gratuitas para poder pesquisar &#8211; traz a tona a questão da necessidade de bibliotecários, moderadores e outros mediadores; a rede, como parece, é um meio &#8220;faça você mesmo&#8221;.</p>
<p>Mas uma rápida olhada nas forças motrizes da internet de hoje em dia nos mostra algo diferente. A internet é intensamente social e interativa, e criou comunidades de usuários que geralmente são bem organizadas e integradas uma vez que são grandes. A internet está servindo como ferramenta para que humanos preencham seus instintos naturais de criação de comunidades &#8211; compartilhando, interagindo e fazendo negócios.</p>
<p>A economia online é dirigida em grande parte pela filosofia da web 2.0 de interação humana, revisão por pares e a democratização de conhecimento e análise. Máquinas de buscas fazem o ranking de páginas baseados em popularidade, plataformas de redes sociais atraem milhões de visitantes por dia e a enciclopédia mais popular da internet é escrita pelas mesmas pessoas que a lêem.</p>
<p>Como a Wikipedia, as terras online de encontro mais populares são geralmente as mais bem moderadas. Uma vez que bobagens e spammers são uma parte inevitável de qualquer sociedade (física ou virtual), o controle de qualidade ajuda a contribuir à melhores experiências online. Boa cidadania entre comunidades online (contribuição inteligente para a discussão e não spam) é um modo muito seguro de melhorar sua reputação como um membro útil do grupo. Para ser adotado, esse tipo de ambiente deve ser moderado.</p>
<p>Interessantemente, o papel do moderador é muito paralelo ao do bibliotecário: para salva-guardar um ambiente no qual o conhecimento pode ser acessado e idéias possam ser partilhadas.</p>
<p>A noção de que bibliotecas são algo do passado e que a humanidade abriu suas asas e vôou para uma nova era de verdade auto-guiada nada mais é do que ridícula.  Infelizmente, é esta mesma noção que levaria ao desmembramento das bibliotecas como bagunçadas e datadas. Na realidade, a qualidade da rede depende da direção de um modelo acadêmico, um modelo de biblioteca. Enquanto os moderadores tem como melhorarem o novo e selvagem cenário cibernético, os bibliotecários já trilharam partes significantes desta viagem.</p>
<p><strong>20. A sabedoria das multidões não é confiável, por causa do ponto de desequilíbrio</strong></p>
<p>A alta visibilidade de certos pontos de vista, análises e mesmo fatos encontrados online através dos sites de redes sociais e wikis é construída &#8211; idealmente &#8211; para ser o resultado do consenso do grupo. O algoritmo do Google também se baseia nesse princípio coletivo: no lugar de um expert arbitrariamente decidir qual recurso é o mais &#8220;importante&#8221;, deixe que  a web decida. Sites com alta popularidade de links tendem a ser os primeiros do ranking nos motores de busca. O algoritmo é baseado no princípio de que o consenso do grupo revela uma melhor e mais acurada análise da realidade do que um único expert poderia fazer. O escritor James Surowieki chamou isso de &#8220;sabedoria das massas&#8221;.</p>
<p>Em um vácuo, as multidões são provavelmente muito sábias. Mas muitas vezes nós percebemos a advertência da sabedoria das multidões de James Surowiecki no “ponto de desequilíbrio” de Malcolm Gladwell, que, neste contexto, explica que os grupos são facilmente influenciados pela sua vanguarda &#8211; aqueles que são os primeiros a fazer alguma coisa e que têm automaticamente influência extra, mesmo que o que estejam fazendo não seja necessariamente a melhor idéia.<br />
A natureza altamente social da web, portanto, torna altamente suscetível, por exemplo, o sensacionalismo, a informação de baixa qualidade, com o único mérito de ser popular. Bibliotecas, em contrapartida, fornecem controle de qualidade na forma de um substituto a esta questão. Apenas a informação que é cuidadosamente analisada é permitida. As bibliotecas são propensas a permanecer separadas da Internet, mesmo que elas possam ser encontradas online. Portanto, é extremamente importante que as bibliotecas continuem vivas e bem, como um contraponto ao populismo frágil da web.</p>
<p><strong>21. Bibliotecários são as contrapartes insubstituíveis dos moderadores da  web</strong><br />
Os indivíduos que, voluntariamente, dedicam o seu tempo para moderar fóruns e wikis estão desempenhando um papel semelhante aos bibliotecários que supervisionam as estantes &#8211; e aqueles que visitam as estantes.<br />
A principal diferença entre os bibliotecários e os moderadores é que, enquanto os primeiros guiam os usuários através de um conjunto de obras altamente autoritativas, publicadas, o moderador é responsável por tomar o leme quando o consenso é criado. Apesar de os papéis serem distintos, cada um está evoluindo junto com o crescimento rápido da Internet e a evolução das bibliotecas. Ambos moderadores e bibliotecários terão muito a aprender uns com os outros, por isso é importante que ambos se aproximem.</p>
<p><strong>22. Ao contrário dos moderadores, os bibliotecários devem delimitar a linha entre bibliotecas e a Internet</strong><br />
Evidentemente, as bibliotecas já não são tanto do ponto de partida e término de toda a pesquisa acadêmica. A Internet está efetivamente puxando os alunos para longe das estantes e revelando uma riqueza de informações, especialmente para quem está equipado com as ferramentas para encontrá-la. Na verdade, o sonho de eliminar o intermediário é possível de atingir. Mas a que preço?<br />
A literacia mediática, apesar de ser um ativo extremamente importante para os estudiosos e pesquisadores, está longe de ser universal. Quem vai realizar a educação midiática? Muitos argumentam que os bibliotecários são os mais indicados para educar as pessoas sobre a web.<br />
Afinal, os moderadores da web estão preocupados principalmente com o ambiente que eles supervisionam e menos com o ensino de habilidades web para estranhos. Os professores e os pesquisadores estão ocupados com suas disciplinas e especializações. Os bibliotecários, portanto, devem ser os únicos que atravessam a internet para tornar a informação mais facilmente acessível. Em vez de eliminar a necessidade de bibliotecários, a tecnologia está a reforçar a sua validade.</p>
<p><strong>23. A internet é uma bagunça</strong><strong> </strong><br />
Como um website pró-bibliotecário coloca, &#8220;A internet em pouquíssimas maneiras se assemelha a uma biblioteca. A biblioteca oferece um conjunto claro e padronizado de recursos facilmente recuperáveis&#8221;.<br />
Apesar da natureza um pouco combativa desta frase, sua premissa é essencialmente correta. Apesar das melhorias na tecnologia de pesquisa e a criação de sites surpreendentemente abrangentes como a Wikipedia, a internet ainda é, em muitos aspectos, um vale-tudo. Inundada com sites provenientes de todos os tipos de fontes que, inexplicavelmente, definham ou galopam por posições no topo dos rankings, a web é como um velho oeste super populoso. Muitas pessoas confrontam este caos com exemplos populares de sites de redes sociais ou grandes, complexos e altamente bem sucedidos esforços de organização da informação(Google, Wikipedia, et al). Mas, apesar desses esforços, um volume de páginas questionáveis ainda tende a ser oferecido em muitos resultados de pesquisa, e a credibilidade de cada fonte inerentemente acessada deve ser questionada.<br />
Não que isso seja uma coisa ruim. Os oceanos da informação, a incerteza e a espontaneidade na web pode proporcionar uma experiência excitante e enriquecedora. Mas se você precisa limitar a sua pesquisa aos recursos logicamente indexados que foram publicados e avaliados por uma equipe de profissionais, a biblioteca ainda é a melhor aposta.</p>
<p><strong>24. A internet está sujeita à manipulação</strong><br />
Ao mesmo passo que as mentes brilhantes por trás do Google estão vindo acima com um algoritmo de busca melhor, as mentes brilhantes de otimizadores de motores de busca continuarão a burlá-lo. Isto poderia envolver estar em conformidade com as normas de qualidade do Google, ou, em muitos casos, contornando-as. É importante que o usuário tenha em mente as limitações do Google. Em muitos casos, o gigante das buscas é bem sucedido ao servir boa informação. Mas em muitos casos, ainda está aquém.<br />
Em contraste, é extremamente difícil penetrar nos índices das bibliotecas. Livros, periódicos e outros recursos devem ser nada menos do que material publicado de alto calibre. Se não forem, eles simplesmente não entram.<br />
Além disso, o incentivo econômico para manipular as coleções de bibliotecas é muito menos intenso do que na internet. Estima-se que apenas 4% dos títulos de livros sejam rentabilizados.<br />
Enquanto isso, o Google sozinho consegue ganhos incríveis com publicidade online, para não mencionar todos os outros se posicionando por um pedaço da torta da Internet.<br />
Mas as bibliotecas simplesmente não estão enfrentando esse tipo de pressão. Sua maneira de fornecer informações, portanto, será menos influenciada por interesses corporativos.</p>
<p><strong>25. As coleções de bibliotecas empregam um sistema bem formulado de citações</strong><br />
Livros e revistas encontrados em bibliotecas foram publicados sob diretrizes rigorosas de citação e precisão e, assim, são permitidos em coleções das bibliotecas.<br />
Estes padrões simplesmente não são impostos aos sites. Eles podem aparecer nos resultados de pesquisa independente de fornecerem citação. Com bastante pesquisa, a precisão dos recursos da web muitas vezes <em>podem</em> ser determinados. Mas perde-se muito tempo. As bibliotecas realizam pesquisas muito mais eficientes.</p>
<p><strong>26. Pode ser difícil isolar informações concisas na internet</strong><strong> </strong><br />
Determinadas áreas, como condições médicas ou aconselhamentos financeiros são muito bem mapeados na web. Sites de qualidade para áreas mais marginais, no entanto, são menos fáceis de encontrar através de pesquisa na web. Seria preciso saber qual site se deseja visitar, e o Google não vai necessariamente servir exatamente o que você está procurando.<br />
A Wikipedia, que possui um bom ranking para uma ampla variedade de áreas especializadas, está melhorando a concisão da web. Mas a Wikepedia é apenas um site, que qualquer pessoa pode editar, e sua veracidade não é garantida. Bibliotecas mantêm coleções indexadas de materiais de pesquisa muito mais abrangentes e concisas.</p>
<p><strong>27. As bibliotecas podem preservar a experiência do livro</strong><br />
Consumir 900 páginas sobre a história intelectual da Rússia é uma experiência única para o livro. Em geral, o livro fornece um foco de estudo, porém abrangente, que resume anos de pesquisa de um autor &#8211; ou a equipe de autores &#8211; que dedicaram sua vida acadêmica a uma área temática específica.<br />
Através do Google Book Search, a internet pode ser uma ferramenta para descobrir onde comprar um livro. Resultados da buscas normais revelam também uma variedade de revendedores de livros, cursos acadêmicos ou projetos web a serem apresentados.<br />
Mas mesmo quando a internet oferece conteúdo real (como em uma pesquisa sobre a história da Rússia) a informação é muitas vezes pequena ou superficial &#8211; uma espécie de consulta de referência rápida. O conhecimento pode ser encontrado, mas a experiência de mergulhar em um livro de centenas de páginas não acontece online. A preservação das estantes, consequentemente, ajudará a preservar o acesso a esta forma de aprendizagem e a forma mais tradicional de aprendizagem pode continuar lado a lado com a novo.</p>
<p><strong>28. Bibliotecas são estáveis, enquanto a Web é transitória</strong><br />
Em um esforço para melhorar o seu serviço e derrotar os spammers, os motores de busca estão constantemente atualizando seus algoritmos. Muitas vezes, porém, os danos colaterais irão nocautear sites inocentes, incluindo, talvez, recursos autoritativos. Além disso, sites comumente saem do ar ou alteram seus endereços. Outros sites que apontam para esses recursos (que eram bons) podem facilmente e sem querer agrupar um sem número de &#8220;links quebrados&#8221;. Esses sites podem permanecer sem qualquer edição por anos. As bibliotecas, por outro lado, tem um estoque seguro de recursos disponíveis e um sistema de indexação padrão que oferece resultados estáveis e confiáveis de forma consistente.</p>
<p><strong>29. As bibliotecas podem ser surpreendentemente úteis para as coleções e arquivos de notícias</strong><br />
Em muitos aspectos, as bibliotecas ficam aquém da Internet quando se trata de agregar conteúdo de notícias. A TV, rádio e jornais online &#8211; para não mencionar a abundância de blogs referenciando e comentando sobre os acontecimentos diários em todo o mundo &#8211; muitas vezes pode saciar qualquer pessoa.<br />
Enquanto isso, as bibliotecas continuam a assinar e armazenar uma determinada lista de jornais, e arquivam as edições anteriores. Este esforço pode parecer humilde ao lado dos longas listas de agregadores de notícias online e acesso instantâneo a artigos publicados em tempo real.</p>
<p>No entanto, a catalogação de notícias por uma biblioteca pode fornecer uma série de vantagens. Para começar, muitas publicações continuam a existir offline. Para quem procura um artigo específico de um jornalista específico, uma biblioteca poderia render melhores resultados &#8211; mesmo que a publicação tenha que ser rastreada através de empréstimo entre bibliotecas.<br />
Bibliotecas frequentemente fornecem livremente exemplares de periódicos importantes que de outra maneira exigem assinaturas on-line, como muitas seções do New York Times.<br />
Além disso, normalmente os arquivos desaparecem offline, ou tornam-se cada vez mais caros online. (Experimente a busca do Google News Archive). Isto pode deixar as bibliotecas com as únicas cópias acessíveis.</p>
<p><strong>30. Nem todo mundo tem acesso à internet</strong></p>
<p>Nas nações menos desenvolvidas ou mesmo nas regiões mais pobres dos Estados Unidos, acessar a biblioteca é quase sempre o único jeito de um indivíduo realizar uma pesquisa séria. Há pelo menos duas principais razões pelas quais a internet talvez não seja sequer uma alternativa ilusória às bibliotecas. Primeiramente, acesso online pode ser muito mais difícil do que o acesso à biblioteca. Uma biblioteca pública  pode ter pelo menos um computador, enquanto outros pontos de acesso à internet podem cobrar  alguém que simplesmente não possui meios de pagar  pelo acesso. Em segundo lugar, mesmo se o acesso à internet for obtido, o lapso de educação tecnológica nas áreas pobres do mundo irá deixar a tecnologia muito menos útil do que seria para uma pessoa com mais experiência de navegação na web.</p>
<p><strong>31. Nem todos podem pagar pelos livros</strong><br />
Fora dos países desenvolvidos, os livros são mais raros e muitas vezes mais caros do que suas contrapartes de primeiro mundo. Compondo o problema está um incrivelmente baixo salário mínimo, tornando o custo real dos livros astronômicos. A biblioteca pública, sempre que ela existe, portanto, torna-se muito mais crucial para a democratização da informação.<br />
Como os Estados Unidos tende a ser um líder de tendências, especialmente em termos tecnológicos, deve ressaltar a importância das bibliotecas, mesmo quando a tecnologia avança. Divulgar a cultura de aparelhos eletrônicos sobre os livros pode colocar em risco a existência de bibliotecas tradicionais, deixando os pobres sem livros ou estas tecnologias.</p>
<p><strong>32. As bibliotecas são um substituto para o anti-intelectualismo</strong><br />
Não é que a internet seja anti-intelectual; suas raízes acadêmicas e a imensa quantidade de sites acadêmicos com certeza atestam que seja um meio inteligente. Mas para alguns, o imediatismo sedutor da internet pode levar à falsa impressão de que apenas a discussão imediata, interactiva e simultânea possui valor. Livros empoeirados em prateleiras altas parecem então representar o conhecimento estagnado, e seus curadores (bibliotecários), ultrapassados. Os livros e a leitura fácilmente são considerados elitistas e inativos, enquanto o blog torna-se o aqui e agora.<br />
Mas, como mencionado anteriormente, nem tudo está na internet. O acesso aos livros e teorias de centenas de anos de história cultural é essencial para o progresso. Sem isso, a tecnologia poderá se tornar a ferramenta irônica das tendências culturais sensacionais e retrógradas. Preservar bibliotecas para armazenar o conhecimento e ensinar as limitações da tecnologia pode ajudar a evitar a arrogância e o narcisismo da novidade tecnológica.</p>
<p><strong> 33. Livros antigos são valiosos</strong><br />
A idéia de uma biblioteca se tornar um &#8220;museu de livros&#8221; na era da digitalização é, às vezes, lançada como um discurso apocalítico. Isso é um pesadelo real para os bibliotecários. O termo insinua que, ao invés de se tornar contemporânea e útil, as bibliotecas poderiam se transformar em fetiches históricos como discos de vinil ou máquinas de escrever. Em vez de se manterem como profissionais de pesquisa, os bibliotecários seriam forçados a se tornar &#8220;curadores de museus&#8221; &#8211; ou, mais provavelmente, perderiam seus empregos. Mas se a evolução da biblioteca caminha no sentido de se tornar um lugar interativo para eventos culturais e troca de idéias, a preservação e exibição de relíquias literárias poderiam ser mais uma faceta da sua importância (e também, intriga). De fato, livros antigos não têm somente valor momenetário, mas são parte da memória cultural e histórica que não deve ser perdida para a digitalização.</p>
<p><strong>Conclusão</strong></p>
<p>A sociedade não está pronta para abandonar a biblioteca, e provavelmente nunca estará. Bibliotecas podem adaptar-se as mudanças sociais e tecnológicas, mas elas não são substituíveis. Enquanto que as bibliotecas são distintas da internet, os bibliotecários são os melhores profissionais para guiar acadêmicos e cidadãos para um melhor entendimento de como encontrar informação de valor online. Certamente, existe muita informação online. Mas ainda existe muita informação em papel. Ao invés de taxar as bibliotecas como obsoletas, os governos estaduais e federais deveriam aumentar os recursos para garantir melhores funcionários e tecnologias. Ao invés de galopar cegamente através da era digital, guiado apenas pelos interesses corporativos da economia da web, a sociedade deveria adotar uma cultura de guias e sinalizações. Hoje, mais do que nunca, as bibliotecas e os bibliotecários são extremamente importantes para a preservação e melhoria da nossa cultura.</p>
<p><span style="font-family: Georgia; font-size: 13px;">Artigo original: <strong>Are Librarians Totally Obsolete?</strong><br />
Disponível em: <a title="librarians obsolete" href="http://www.degreetutor.com/library/adult-continued-education/librarians-needed" target="_blank">degreetutor.com</a></span></p>
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		<title>Análise da construção de identidades de marcas a partir de suas dinâmicas informacionais</title>
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		<pubDate>Sun, 18 Oct 2009 23:20:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ExtraLibris</dc:creator>
				<category><![CDATA[Especial]]></category>

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		<description><![CDATA[Este artigo visa refletir sobre a construção de identidades de marca na indústria da moda a partir das dinâmicas informacionais de seus atores. Propõe um modelo de análise baseado em uma nova metáfora organizacional e na opção por uma abordagem em diferentes níveis daquela dinâmica. Demonstra sua aplicabilidade a partir do exemplo de uma empresa atuante no setor.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-size: medium;"><span style="font-size: xx-large;"><span style="font-size: small;">artigo de</span> Vladimir Sibylla Pires</span>1</span></p>
<p>THE ANALYSIS OF BRAND IDENTITIES DEVELOPMENT FROM AN INFORMATIONAL DYNAMIC PERSPECTIVE2</p>
<p>1 Museólogo (UNIRIO), com especializações em Sociologia Urbana (UERJ) e Marketing (UCAM), MBKM em Gestão do Conhecimento e Inteligência Empresarial (CRIE/COPPE/UFRJ) e mestrado em Ciência da Informação (UFF/IBICT). e-mail: vladimir@osklen.com.br.</p>
<p>2 Este artigo é baseado na dissertação “Estratégias empresariais, dinâmicas informacionais e identidade de marca na economia criativa”, defendida em abril de 2009 sob orientação da professora-doutora Sarita Albagli no âmbito do PPGCI do convênio UFF/IBICT.</p>
<p><strong>RESUMO</strong><br />
Este artigo visa refletir sobre a construção de identidades de marca na indústria da moda a partir das dinâmicas informacionais de seus atores. Propõe um modelo de análise baseado em uma nova metáfora organizacional e na opção por uma abordagem em diferentes níveis daquela dinâmica. Demonstra sua aplicabilidade a partir do exemplo de uma empresa atuante no setor.</p>
<p>Palavras-chave: Indústria da moda, centrais de criatividade, dinâmicas informacionais.</p>
<p><strong>ABSTRACT</strong><br />
This article aims to reflect on the development of brand identities in the fashion industry from the point of view of its actors’ informational dynamics. It proposes a model of analysis based on a new organizational metaphor and on a multi levels approach of that dynamic. It also demonstrates its applicability using the example of an acting company of that sector.</p>
<p>Key-words: Fashion industry, creativity centrals, informational dynamics.</p>
<p><strong>INTRODUÇÃO</strong><br />
Este artigo visa refletir sobre a construção de identidades de marca na indústria da moda sob a ótica da dinâmica informacional de seus atores. Propõe, assim, um modelo de análise baseado na emergência de uma nova metáfora organizacional (centrais de criatividade) e em uma abordagem em diferentes níveis (poliepistêmica) desse processo. A pesquisa que o embasou partiu de uma estreita relação entre a economia criativa e as identidades de marcas na contemporaneidade.</p>
<p>Desse pressuposto, derivamos outros dois: (a) as centrais de criatividade emergem para lidar com as transformações que vêm ocorrendo no ambiente empresarial; (b) a compreensão do fenômeno informacional nesses ambientes não pode se restringir à sua dimensão física (documental), devendo abordar também suas dimensões relacional e performativa. Veremos, a seguir, os principais aspectos do modelo sugerido e, mais adiante, sua aplicabilidade a partir de uma representante da indústria da moda.</p>
<p><strong>O QUE SÃO CENTRAIS DE CRIATIVIDADE?</strong><br />
As empresas que constroem suas identidades de marcas a partir de idéias-força demandam, a nosso ver, uma conformação própria à qual demos o nome de central de criatividade, em alusão às centrais de cálculo de Bruno Latour (2000). O cerne de uma central de cálculo é o fato de a ciência ser feita por ciclos de acumulação e pela conformação de redes. As condições que possibilitam esse ciclo constituem um movimento sempar em prol da atuação à distância de um ponto – transformado em centro – sobre outros pontos (a periferia). Porém, mais importante do que compreender o que se acumula nesses centros é compreender como atuar à distância sobre eventos, lugares e pessoas pouco conhecidos. Assim, a questão passa a ser: como trazê-los para casa se estão distantes? Inventando meios que: (a) os tornem móveis para serem trazidos; (b) os mantenham estáveis para que não se distorçam, decomponham ou deteriorem; e (c) sejam combináveis de tal modo que, qualquer que seja sua matéria, possam ser acumulados, agregados ou embaralhados. Os meios que possibilitam isso são expedições, coleções, sondas, observatórios, pesquisas, etc. Na verdade, os cientistas “transitam pelo interior de uma rede [onde] aperfeiçoam a circulação de traçados de todo tipo, e a capacidade de se combinarem” (LATOUR, 2000, p. 377). A construção, a ampliação e a manutenção dessas redes tornam possível a ação à distância fazendo, nesses centros, certas coisas que lhes permitem dominar espacial e cronologicamente a periferia.</p>
<p>Entendemos que essas noções também se aplicam ao fazer de base artística: as centrais de criatividade emergem focadas na importância assumida pela captação de idéias-força dispersas na sociedade e transformadas em identidades de marcas. Tais centrais lidam com conteúdos dispersos em redes sociais oriundas das interações estabelecidas entre suas equipes e a sociedade. Interações mediadas pela linguagem, mais do que por recursos tecnológicos; redes sociocriativas, mais do que sociotécnicas. E é isto que dá sustentação aos esforços de captação e 3 Vale frisar que é necessário também compreender o movimento de volta, do centro para a periferia, se quisermos seguir os cientistas até o fim. interpretação dessas idéias-força, bem como de outras fontes de inspiração, informação e conhecimento.</p>
<p><strong><br />
O QUE É A ABORDAGEM POLIEPISTÊMICA DO FENÔMENO INFORMACIONAL?</strong><br />
Em tais centrais de criatividade impera uma noção relacional do fenômeno informacional. As dinâmicas desse fenômeno são conformadas pela cultura organizacional e pelas estratégias empresariais, e extrapolam os limites de áreas e departamentos para se valerem das referidas redes sociais, onde se retro-alimentam.</p>
<p>Compreender isso é considerar que: (a) informação é processo; (b) ações de informação (WERSIG; WINDEL, 1985; GONZÁLEZ DE GÓMEZ, 2000) articulam, em contextos concretos, a linguagem, os sistemas sociais de inscrição de significação e os sujeitos que a geram/ usam (GONZALEZ DE GÓMEZ, 2000); e (c) conhecimento se constrói em meio a interações comunicacionais e pela mediação da linguagem. Com isso, a ênfase recai sobre as relações humanas, o intercâmbio de informações e o agir comunicativo. Postura mais adequada para uma compreensão da informação enquanto objeto da cultura, no processo gerador das ações de informação. Estas articulam os extratos acima citados (item b) em três dimensões: a infraestrutural refere-se às redes sociais oriundas da interação entre as equipes internas às empresas e os grupos e atores sociais externos a elas. A meta-informacional refere-se às regulamentações, normas e contratos que conformam o ambiente informacional, estabilizando suas práticas. Neste modelo refere-se à cultura organizacional e à memória empresarial. Por fim, a semântico-discursiva associa-se à significação e às definições socioculturais de geração, transmissão, recepção e adesão das informações. Relaciona-se aqui com as interações comunicacionais e as estruturas discursivas dos grupos de trabalho diante das fontes de informação, conhecimento e inspiração: é o território da pragmática. Vejamos como tudo isso contribui para a leitura aqui sugerida tomando como base a grife carioca Osklen.</p>
<p>leia o artígo na íntegra &#8211; <a title="identidade de marcas" href="http://extralibris.org/wp-content/uploads/2009/10/construcao-identidade-marcas.pdf" target="_blank">download pdf</a></p>
<p><strong><br />
REFERÊNCIAS</strong></p>
<p>BOURDIEU, Pierre. Reprodução cultural e reprodução social. In _____. A economia das trocas simbólicas. 5.ed. São Paulo: Perspectiva, 1999. p.295-336.</p>
<p>GONZÁLEZ DE GÓMEZ, Maria Nélida. Metodologia de pesquisa no campo da Ciência da Informação. In DataGramaZero – Revista de Ciência da Informação, Rio de Janeiro, v. 1, n. 6, dez. 2000.</p>
<p>GORZ, André. O imaterial: conhecimento, valor e capital. São Paulo: Annablume, 2005.</p>
<p>LATOUR, Bruno. Centrais de cálculo. In _____. A ciência em ação. São Paulo: UNESP, 2000. p.349-420.</p>
<p>MIGUEZ, Paulo. Repertório de fontes sobre economia criativa. Parte integrante do projeto de pesquisa “Economia criativa – em busca de paradigmas: (re)construções a partir da teoria e da prática” financiado pela FAPESB – Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia, e executado entre 2006 e 2007 no CULT – Centro de Estudos Multidisciplinares em Cultura (UFBA). Universidade Federal do Recôncavo Baiano, 2007. 86p.</p>
<p>SETTON, Maria da Graça Jacintho. A teoria do habitus em Pierre Bourdieu: uma leitura contemporânea. In Revista Brasileira de Educação, n.20, mai./ago. 2002, p.60-70.</p>
<p>WERSIG, G.; WINDEL, G. Information Science needs a theory of “Information Action”. In Social Science Information Studies, v.5, p.11-23, p.1985.</p>
<p>WITTGENSTEIN, Ludwig. Investigações filosóficas. 2.ed. São Paulo: Abril Cultural, 1979. Coleção os pensadores.</p>
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		<title>O livro – termos e condições</title>
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		<pubDate>Fri, 16 Oct 2009 12:54:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ExtraLibris</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ensaio]]></category>

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		<description><![CDATA[Esta declaração dos termos de serviço do Livro é derivada dos princípios da esfera pública, cobertos pela Declaração Universal dos Direitos Humanos, a Declaração da Independência Americana, a Magna Carta, a regra de Ouro, o Bhagavad Gita, bem como as obras de Virginia Woolf, Friedrich Nietzsche, Booker T. Washington, Emily Dickinson, Karl Marx, Thomas Carlyle, Ralph Waldo Emerson, Thomas Paine, Mary Shelley, John Locke, Jean-Jacques Rousseau, Voltaire, Marquês de Sade, John Milton, Michel de Montaigne, Erasmus, Francis Bacon, Martinho Lutero, Tomás de Aquino, Maimonides, Hypatia, Agostinho, Aristóteles e Platão, entre outros documentos, não exclusivos de outros atos e acordos passados, presentes e futuros. Ao utilizar O Livro, quer pela criação de trabalhos em forma de Livro (escrito) ou para derivação de informação e /ou prazer de outras obras na forma falada (leitura), você não precisa, necessariamente, subscrever aos princípios previsto nestes referidos documentos. Mas eles protegem os seus direitos e sugerem suas responsabilidades.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>texto de<strong> MATTHEW BATTLES<br />
</strong>Tradução de<strong> Fabíola Pinudo</strong></p>
<p>O LIVRO<br />
Termos de serviço<br />
<strong><br />
Declaração de Direitos e Responsabilidades</strong><br />
Esta declaração dos termos de serviço do Livro é derivada dos <strong>princípios da esfera pública</strong>, cobertos pela Declaração Universal dos Direitos Humanos, a Declaração da Independência Americana, a Magna Carta, a regra de Ouro, o Bhagavad Gita, bem como as obras de Virginia Woolf, Friedrich Nietzsche, Booker T. Washington, Emily Dickinson, Karl Marx, Thomas Carlyle, Ralph Waldo Emerson, Thomas Paine, Mary Shelley, John Locke, Jean-Jacques Rousseau, Voltaire, Marquês de Sade, John Milton, Michel de Montaigne, Erasmus, Francis Bacon, Martinho Lutero, Tomás de Aquino, Maimonides, Hypatia, Agostinho, Aristóteles e Platão, entre outros documentos, não exclusivos de outros atos e acordos passados, presentes e futuros. Ao utilizar O Livro, quer pela criação de trabalhos em forma de Livro (escrito) ou para derivação de informação e /ou prazer de outras obras na forma falada (leitura), você não precisa, necessariamente, subscrever aos princípios previsto nestes referidos documentos. Mas eles protegem os seus direitos e sugerem suas responsabilidades.</p>
<p><strong>I.Privacidade</strong><br />
O que acontece na troca entre seu cérebro e conteúdos do Livro diz respeito apenas a você. O livro nunca fará &#8220;downloads&#8221; dos conteúdos em seu cérebro, nem inteiramente, nem em partes.</p>
<p><strong>II.Propriedade intelectual</strong><br />
A. Frequentemente, o Livro contém idéias e informações criadas por outros. O aparecimento contínuo de tais idéias e informações depende do reconhecimento de um direito de propriedade limitado, garantido aos criadores de tais idéias e informações. Mas reconhecendo que os termos de serviço também exigem acesso às idéias e informações e a possibilidade de reaplicá-las para a criação de novas obras, o direito de monopólio do criador deve ser compreendido como limitado e circunscrito.</p>
<p>B. A fim de facilitar a troca de idéias e informações, o Livro não reividica licença, exclusiva ou não, dos pensamentos e experiências do usuário (&#8220;leitor&#8221;). Quando você experimenta as idéias e informações contidas no Livro, tais experiências permanacem sendo sua propriedade exclusiva, para serem transferidas, transformadas, reaplicadas ou esquecidas, sujeitas somente aos limites reconhecidos por outros usuários, como descrito no tópico II.A, acima.</p>
<p><strong><br />
III.Registro</strong><br />
O Livro não possui um procedimento de registro ou inscrições. Não exige cartão de crédito, número de seguro social, passaporte, diploma, tipo sanguíneo, teste de visão ou a renuncia de certos direitos como exigência para usar o Livro. Essa condição está sujeita às perversões políticas, religiosas e às forças do mercado além do controle do Livro.</p>
<p><strong>IV.Uso do Livro</strong><br />
O Livro é um trabalho artístico e artesanal, e como tal, está aberto para qualquer uso ou reaplicação na imaginação de leitores, escritores e outros usuários, que poderão rabiscar o Livro, decorar, apagar, polir, escrever no rodapé, ilustrar, esculpir, guardar em pilhas ou em prateleiras, esconder, pedir, emprestar ou roubar , sujeito apenas às expetativas dos usuários e políticos, religiosos, ou forças do mercado, as quais foram mencionadas no tópico III, ou seja, aquelas além do controle do Livro.</p>
<p><strong><br />
V. Disposições especiais</strong><br />
A. O Livro não colocará anúncios em seus cérebro, nem preocupa-se em controlar o posicionamento destes anúncios por outros.</p>
<p>B. O Livro não rejeita usuários por qualquer razão que seja.</p>
<p>C. O livro não vai deixar de prover seus serviços se você violar o espírito ou o conteúdo deste acordo ou colocar em perigo o livro ou a esfera pública em que este opera. Mas a última consequência de tal violação, bem como a supracitada perversão política, religiosa ou econômica, podem tornar unúteis os serviços do Livro.<br />
<a href="http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/6/62/Edward_Hicks_-_Peaceable_Kingdom.jpg">Clique aqui se você concorda com os termos do Livro.<br />
</a><br />
<a href="http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/e/e1/Brueghel-tower-of-babel.jpg">Clique aqui se você não concorda.A vida é sórdida, bruta e curta.<br />
</a></p>
<p><a title="o livro" href="http://bnreview.barnesandnoble.com/t5/In-the-Margin/Terms-and-Conditions/ba-p/1443" target="_blank">The Book &#8211; terms and conditions</a></p>
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		<title>O manifesto da biblioteca pública</title>
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		<comments>http://extralibris.org/politicas/manifesto-da-biblioteca-publica-ifla/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 16 Oct 2009 12:08:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ExtraLibris</dc:creator>
				<category><![CDATA[Políticas]]></category>

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		<description><![CDATA[A Seção de Biblioteca Pública da IFLA produziu algumas recomendações adicionais para complementar o Manifesto da Biblioteca Pública, para que as bibliotecas possam adequar seus serviços ao século XXI utilizando tecnologias modernas que estão disponíveis desde 1994.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color: #000000;"><strong style="color: #cc0000;"><span style="color: #000000;">Tradução de Isadora Garrido</span><br />
</strong><br style="color: #cc0000;" />A Seção de Bibliotecas Públicas da IFLA produziu algumas recomendações adicionais para complementar o <a title="ifla public library 1994" href="http://archive.ifla.org/VII/s8/unesco/eng.htm" target="_blank">Manifesto da Biblioteca Pública</a>, para que as bibliotecas possam adequar seus serviços ao século XXI utilizando tecnologias modernas que estão disponíveis desde 1994.</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Esperamos que você compartilhe conosco a convicção que nossas bibliotecas públicas tem um papel relevante no mundo em desenvolvimento da internet e da oferta digital. As habilidades dos bibliotecários devem ser continuamente desenvolvidas e melhoradas, mas acreditamos que o grau de sucesso da biblioteca pública e o seu papel frente a essas tecnologias nos próximos anos será determinado como a chave para os portões de uma nova comunidade global. <br style="color: #cc0000;" /><br style="color: #cc0000;" />Nós temos que ser &#8220;corajosos&#8221; e propor novas idéias para melhorar nossos serviços.</span></p>
<p><span style="color: #000000;">1. Desenvolver prédios de bibliotecas públicas com a ênfase de um espaço cultural/comunitário e não apenas um depósito físico de conhecimento. <br style="color: #cc0000;" /><br style="color: #cc0000;" />2. Disponibilizar nossos serviços usando a Web 2.0 e avançar para Web 3.0 e 4.0<br />
<br style="color: #cc0000;" />3. Entrar em contato com as nossas comunidades, educar e treinar as pessoas. Bibliotecários e Cientistas da Informação podem agir como educadores e conselheiros pessoais de conhecimento e não apenas os donos das chaves ou guardiões da Internet.<br />
<br style="color: #cc0000;" />4. Desenvolver uma &#8220;sabedoria em rede&#8221; &#8211; um conhecimento e compreensão globais através da criação de rotas culturais internacionais na rede.<br />
<br style="color: #cc0000;" />5. Trabalhar internacionalmente para vencer barreiras e censura, respeitando todas as culturas.<br />
<br style="color: #cc0000;" />6. Apoiar nossos funcionários com treinamento contínuo e encorajando a proatividade.</span></p>
<p><span style="color: #000000;">7. Desenvolver nossas coleções, serviços e conhecimento &#8211; a biblioteca híbrida &#8211; conhecimento, educação e informação em diversas formas.<br style="color: #cc0000;" /><br />
8. Melhorar a acessibilidade aos nossos catálogos e bases de dados especialmente para usuários com dificuldades visuais.</span></p>
<p><span style="color: #000000;">9. Estabelecer padrões nacionais e internacionais no ambiente da Internet.<br style="color: #cc0000;" /><br />
10. Bibliotecas públicas como armazéns culturais &#8211; o ambiente &#8220;vivo&#8221; juntamente com o &#8220;registrado&#8221; &#8211; arquivos, museus, bibliotecas e cultura combinados: uma &#8220;biblioteca combinada&#8221;. <br style="color: #cc0000;" /><br />
Seção de Bibliotecas Públicas da IFLA. 2009.</span></p>
<p><span style="color: #000000;"><span style="color: #000000;">Texto original:  <a title="ifla public library" href="http://www.ifla.org/en/publications/10-ways-to-make-a-public-library-work-update-your-libraries" target="_blank">10 ways to make a public library work</a></span><br />
</span></p>
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		<item>
		<title>A morte iminente da Universidade</title>
		<link>http://feedproxy.google.com/~r/extralibris/~3/o1ebjZTaGao/</link>
		<comments>http://extralibris.org/ensaio/a-morte-iminente-da-universidade-dan-tapscott/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 27 Sep 2009 21:38:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ExtraLibris</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ensaio]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://extralibris.org/?p=995</guid>
		<description><![CDATA[Nos campi existe um desafio fundamental ao modus operandi que é a base da Universidade - o modelo de pedagogia. Especificamente, há uma lacuna que se amplia entre o modelo de aprendizagem oferecido por várias grandes universidades e a forma natural como jovens que cresceram no mundo digital aprendem melhor.

As aulas feitas como antigamente, com o professor no pódio em frente a um grande grupo de estudantes, ainda é um acessório da vida universitária em vários campi. É um modelo que é centrado no professor, de mão única, um único tamanho serve a todos e o estudante é isolado no processo de aprendizagem. Por outro lado, os estudantes, que cresceram em um mundo interativo digital, aprendem de maneira diferente. Alfabetizados no Google e na Wikipedia, eles querem questionar e não se basear no professor para um mapeamento detalhado. Eles querem uma conversação animada, não uma aula. Eles querem educação interativa, não uma transmissiva que pode ter sido ótima para a Era Industrial, ou até mesmo para os boomers. Esses estudantes estão fazendo novos demandas das universidades e se elas os ignorarem, elas o farão a seu próprio risco.

O modelo de pedagogia, é claro, é apenas um alvo da crítica dirigida às universidades.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color: #000000;"><a id="tapscott" name="tapscott"></a></span><span style="color: #000000;"><strong>por Don Tapscott<br />
</strong></span></p>
<p align="left"><span style="color: #000000;">DON TAPSCOTT é autor de 13 livros sobre novas tecnologias na sociedade e sua última obra é <em>Grown Up Digital</em>. Recentemente, Tapscott completou uma investigação de 4 milhões de dólares sobre a Geração Net. Ele é o chairman do &#8220;think tank&#8221; nGenera Insight e professor adjunto da Rotman School of Management, na Universidade de Toronto.<br />
</span></p>
<p align="left"><span style="color: #000000;"><br />
</span></p>
<hr size="1" />
<p style="margin-left: 40px;"><span style="color: #000000;"><br />
</span></p>
<p><span style="color: #000000;"><strong>THE IMPENDING DEMISE OF THE UNIVERSITY</strong></span></p>
<p><span style="color: #000000;"><strong>Publicado originalmente no Edge<br />
</strong></span></p>
<p><span style="color: #000000;"><a id="qjv8" title="http://www.edge.org/3rd_culture/tapscott09/tapscott09_index.html" href="http://www.edge.org/3rd_culture/tapscott09/tapscott09_index.html">http://www.edge.org/3rd_culture/tapscott09/tapscott09_index.html</a></span></p>
<p><span style="color: #000000;"><strong>tradução colaborativa de Isadora Garrido, Gustavo Henn e Moreno Barros</strong><br />
</span></p>
<p><span style="color: #000000;"><br />
</span></p>
<p><span style="color: #000000;"> </span></p>
<p><span style="color: #000000;"><strong>A morte iminente da Universidade</strong></span></p>
<p><span style="color: #000000;">Durante 15 anos, eu tenho argumentado que a revolução digital desafiará muitos aspectos fundamentais da Universidade. E não estou sozinho. Em 1998, ninguém menos que Peter Drucker previu que as grandes universidades seriam &#8220;relíquias&#8221; dentro de 30 anos.<br />
</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Acelere o tempo para os dias de hoje e você não estará errado em pensar que nós estávamos completamente errados. As inscrições em Universidades nunca foram tão altas. A porcentagem de jovens se matriculando em instituições que oferecem diplomas cresceu mais de 115% no período de 1969-1970 a 2005-2007, ao mesmo passo em que dobrou a porcentagem de americanos com idade entre 25 e 29 anos com diploma universitário. A competição para entrar nas melhores universidades nunca foi tão forte. Numa primeira olhada a universidade parece estar com uma demanda jamais vista.<br />
</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Porém, existem indicadores problemáticos de que a figura não é um mar de rosas. E não estou falando apenas da redução dos dotes da universidade em razão da atual crise econômica. As universidades estão finalmente perdendo seu monopólio do ensino superior, uma vez que a web inexoravelmente se torna a infraestrutura dominante para o conhecimento, servindo tanto como um container como uma plataforma global para o intercâmbio de conhecimento entre as pessoas.<br />
</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Enquanto isso no campus, existe um desafio fundamental ao modus operandi que é a base da Universidade &#8211; o modelo de pedagogia. Especificamente, há uma lacuna que se amplia entre o modelo de aprendizagem oferecido por várias grandes universidades e a forma natural como jovens que cresceram no mundo digital aprendem melhor.<br />
</span></p>
<p><span style="color: #000000;">As aulas feitas como antigamente, com o professor no pódio em frente a um grande grupo de estudantes, ainda é um acessório da vida universitária em vários campi. É um modelo que é centrado no professor, de mão única, um único tamanho serve a todos e o estudante é isolado no processo de aprendizagem. Por outro lado, os estudantes, que cresceram em um mundo interativo digital, aprendem de maneira diferente. Alfabetizados no Google e na Wikipedia, eles querem questionar e não se basear no professor para um mapeamento detalhado. Eles querem uma conversação animada, não uma aula. Eles querem educação interativa, não uma transmissiva que pode ter sido ótima para a Era Industrial, ou até mesmo para os boomers. Esses estudantes estão fazendo novos demandas das universidades e se elas os ignorarem, elas o farão a seu próprio risco.</span></p>
<p><span style="color: #000000;">O modelo de pedagogia, é claro, é apenas um alvo da crítica dirigida às universidades.<br />
</span></p>
<p><span style="color: #000000;"> </span></p>
<p><span style="color: #000000;"><strong>Os vários desafios à Universidade</strong></span></p>
<p><span style="color: #000000;">A maioria dos recursos das grandes universidades são direcionados a pesquisa, não ao aprendizado. As universidades não são primariamente institutos de aprendizagem superior, mas institutos para a ciência e a pesquisa. Em seu livro Rethinking Science, Michael Gibbons desenvolveu uma crítica severa ao atual modelo de ciência conduzido nas universidades.<br />
</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Recentemente o questionamento apareceu em outros lugares. No New York Times mês passado, Mark Taylor, reitor do departamento religioso da Universidade de Columbia, deu inicio a uma tempestade de controvérsia acadêmica com uma artigo OpEd entitulado &#8220;O fim da Universidade como a conhecemos&#8221;.<br />
</span></p>
<p><span style="color: #000000;">&#8220;A educação na graduação&#8221; ele começou &#8220;é a Detroit do ensino superior. A maioria dos programas nas universidades americanas produzem um produto para o qual não há mercado (candidatos para posições de ensino que não existem) e desenvolvem habilidades para as quais há uma demanda decrescente (pesquisa em sub-áreas dentro de sub-áreas e publicações em jornais que não são lidos por ninguém que não sejam colegas que pensam parecido), tudo a um custo crescente (as vezes mais de U$100.000 em taxas)&#8221;. O problema chave, ele notou, começou com Kant em seu trabalho de 1798, &#8220;O conflito das faculdades&#8221;. Kant argumentou que as universidades deveriam &#8220;lidar com todo o conteúdo de aprendizagem pela produção de massa, por assim dizer, por uma divisão do trabalho, para que então cada galho das ciências tivesse um professor público ou doutor colocado como seu conselheiro&#8221;.</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Taylor argumentou que a graduação deve ser reestruturada em um nível fundamental para sair da aprendizagem ultra-estreita. Entre outras coisas, ele falou sobre mais questionamentos inter-disciplinares, a criação de programas focados em problemas, com cláusulas, bem como mais colaboração entre todas instituições educacionais, e a abolição das barreiras entre elas. Uma semana mais tarde, as lamentações de acadêmicos preencheram toda a página de cartas do New York Times de domingo. Um de seus próprios colegas de Columbia disse que foi &#8220;alarmante e constrangedor&#8221; ouvir um &#8220;anti-intelectualismo crasso&#8221; advindo de sua própria instituição. Outro acadêmico acusou Taylor de &#8220;envenenar as águas da educação superior&#8221;.<br />
</span></p>
<p><span style="color: #000000;"><strong><span style="font-size: x-small;"><br />
</span></strong></span></p>
<p><span style="color: #000000;"><strong>O Modelo de Pedagogia</strong></span></p>
<p><span style="color: #000000;">Quaisquer que sejam os méritos da chamada de Taylor para reestruturar o ensino superior, eu acho que ele está certo em chamar atenção para um profundo debate sobre como as universidades funcionam em uma sociedade em rede. Porém, acredito que ele perdeu o desafio mais fundamental para a universidade como a conhecemos. O modelo básico de pedagogia está ultrapassado. &#8220;Aprendizado transmitido&#8221; como eu o chamei não é mais apropriado para a era digital e para uma nova geração de estudantes que representam o futuro da aprendizagem.<br />
</span></p>
<p><span style="color: #000000;">No modelo industrial de produção em massa de estudantes, o professor é um transmissor. Uma transmissão é por definição o envio de informação de um transmissor para um receptor de um modo linear. O professor é o transmissor e o estudante é um receptor no processo de aprendizagem. A formula acontece assim: &#8220;Eu sou um professor e eu tenho conhecimento. Você é um estudante e é como um vaso vazio e não tem. Prepare-se e aí vai. A sua meta é guardar essa informação em sua memória de curto-prazo e através da prática e repetição construir estruturas cognitivas mais profundas para que você possa se lembrar disso para mim, quando eu testá-lo&#8221;. </span></p>
<p><span style="color: #000000;">A definição de uma aula tornou-se o processo no qual as anotações do professor vão para as anotações do estudante sem permear os cérebros de nenhum dos dois.</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Como alguém que apresenta várias aulas por ano, eu aprecio a ironia dessa visão. Mas eu entendo que as minhas aulas não são uma boa forma de aprendizagem. Elas tem um papel limitado em interessar uma audiência, mudar sua opinião ou possivelmente motivá-los a fazer algo diferente. Mas eu ouso dizer que 90 por cento do que eu disse é perdido.</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Verdade, esse modelo de transmissão é melhorado em algumas disciplinas através de trabalhos, laboratórios e até seminários. E é claro que vários professores estão trabalhando duro para ultrapassar esse modelo. Entretanto, ele permanece dominante.<br />
</span></p>
<p><span style="color: #000000;">A tecnologia e a web provém um importante elemento de um novo modelo, mas até agora poucos o adotaram. Se alguém congelado há 300 anos atrás miraculosamente ressucitasse hoje e olhasse para as profissões &#8211; um físico em um teatro em operação, um piloto no cockpit de um jumbo, um engenheiro fazendo o design de um automóvel no CAD &#8211; ele com certeza ficaria maravilhado de como as tecnologias transformaram o conhecimento do trabalho. Mas se ele entrasse em um hall de salas de aula em uma universidade, ele sem dúvidas ficaria reconfortado em notar que algumas coisas não mudaram.<br />
</span></p>
<p><span style="color: #000000;"><br />
</span></p>
<p><span style="color: #000000;"><strong>A Nova Geração de Estudantes</strong></span></p>
<p><span style="color: #000000;">O modelo de transmissão pode ter sido perfeitamente adequado para os baby-boomers, que cresceram no modo de transmisão, assistindo 24 horas por semana de televisão (pra não dizer que receberam as transmissões na condição de crianças para seus pais, como estudantes pelos professores, como cidadãos pelos políticos, e quando eles fizeram parte da força de trabalho como empregados por seus chefes). Mas os jovens que cresceram no meio digital estão abandonando a TV de mão-única pelo maior estímulo da comunicação interativa que encontram na Internet. Na verdade assistir televisão está em processo de diminuição e a TV tornou-se nada mais que mídia ambiente para a juventude &#8211; parecido com o Muzak. Sentar-se mudamente na frente da TV &#8211; ou de um professor &#8211; não parece ter apelo ou funcionar para essa geração. Eles aprendem melhor de forma diferente através do não sequencial, do interativo, do assíncrono, da multitarefa e do colaborativo.<br />
</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Jovens americanos com menos de 30 anos foram os primeiros a terem crescido no meio digital. Crescer numa época em que celulares, a Internet, SMS e Facebook são tão normais quanto uma geladeira. Essa imersão em mídias interativas como um estágio formativo da vida afetou o desenvolvimento de seus cérebros e consequentemente a forma que eles pensam e aprendem.<br />
</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Alguns escritores, claro, pensam que o Google te deixa burro; é tão difícil se concentrar e pensar profundamente no meio de enormes quantidades de bits de informação online, eles contrapõem. Mark Bauerlein, um professor de inglês da Universidade de Emory, até os chama de &#8220;a geração mais burra&#8221; em seu livro mais recente sobre o assunto.<br />
</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Minha pesquisa sugere que estes críticos estão errados. Crescer de modo digital mudou a forma que suas mentes trabalham de uma maneira que irá ajudá-lo a lidar com os desafios da era digital. Eles estão acostumados com multi-tarefas, e aprenderam a lidar com a sobrecarga de informação. Eles esperam uma conversação de via dupla. Ainda mais, crescer no meio digital encorajou essa geração a serem questionadores ativos e exigentes. Ao invés de esperarem por um professor dizer a eles o que está acontecendo, eles acham por si sós em tudo do Google à Wikipédia.<br />
</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Se as universidades querem adaptar as técnicas de ensino a sua audiência atual, eles deveriam, como eu tenho dito por anos, fazer mudanças significativas na pedagogia. E o novo modelo de aprendizagem não é apenas apropriado para a juventude &#8211; mas cada vez mais para todos nós.<br />
</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Os professores que permanecem relevantes terão que abandonar as aulas tradicionais, e começarem a ouvir e conversar com os estudantes &#8211; mudando de um estilo de sistema de transmissão e adotando um sistema interativo. Segundo, eles deveriam encorajar os estudantes a descobrir a si mesmos, e aprender um processo de descoberta e pensamento crítico ao invés de apenas memorizar o estoque de informação do professor. Terceiro, eles precisam encorajar os estudantes a colaborarem entre si e com outros de fora da universidade. Finalmente, eles precisam costurar o estilo de educação para os estilos individuais de aprendizagem de seus estudantes.<br />
</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Por causa da tecnologia isso agora é possível. Mas isso não é fundamentalmente sobre tecnologia per se. Isso representa uma mudança no relacionamento entre estudantes e professores no processo de aprendizagem.<br style="font-family: Georgia;" /></span></p>
<p><span style="color: #000000;"><br style="font-family: Georgia; color: #20124d;" /></span></p>
<p style="font-family: Georgia;"><span style="color: #000000;"><strong>As Universidades Mais Vulneráveis</strong><br />
</span></p>
<p style="font-family: Georgia;"><span style="color: #000000;">A habilidade para engajar jovens na universidade obviamente depende da instituição, e do professor individualmente. As grandes escolas de artes liberais estão fazendo um maravilhoso trabalho de estímulo a mentes juvenis, pois com grandes investimentos e classes pequenas, os estudantes podem ter acesso a uma experiência colaborativa customizada. Meu filho Alex graduou-se no Amherst College, uma pequena universidade de graduação com uma média de 8 alunos por professor. Entre seus professores incluem-se um vencedor do prêmio Pullitzer, uma láurea Nobel e professores em geral que vivem para trabalhar com estudantes que os permitem aprender.<br />
</span></p>
<p style="font-family: Georgia;"><span style="color: #000000;">Mas o mesmo não pode ser dito da maioria das grandes universidades que focam seu papel principal em ser um centro de pesquisa, com o ensino sendo um incoveniente processo secundário, e com salas tão grandes que eles só querem &#8220;ensinar&#8221; atr<span style="background-color: #ffffff;">avés d</span><span style="background-color: #ffffff;">e aulas.</span><br />
</span></p>
<p><span style="color: #000000;">Essas universidades são vuneráveis, especialmente em um tempo onde os estudantes podem assistir aulas online gratuitas dos principais professores do mundo em sites como o Academic Earth. Eles até mesmo podem fazer um curso inteiro online, por créditos. De acordo com o Sloan Consortium, um artigo recente na <span style="font-family: Georgia;">Chronicle of Higher Education nos disse que &#8220;aproximadamente 20 por cento dos estudantes universitários &#8211; algo em torno de 3,9 milhões de pessoas &#8211; fizeram cursos online em 2007, e esses números estão aumentando para centenas de milhares a cada ano. A Universidade de Phoenix inscreve mais de 200.000 a cada ano&#8221;.</span><br />
</span></p>
<p><span style="color: #000000;"><br style="color: #20124d; font-family: Georgia;" /></span></p>
<p style="font-family: Georgia;"><span style="color: #000000;"><strong>O Novo Modelo</strong></span></p>
<p style="font-family: Georgia;"><span style="color: #000000;">Alguns educadores líderes estão chamando atenção para esse tipo de mudança em massa; um desses é Richard Sweeney, bibliotecário universitário no Instituto de Tecnologia de New Jersey. Ele diz que o modelo de educação tem que mudar para se ajustar a sua geração de estudantes. Inteligentes mas impacientes, eles gostam de colaborar e rejeitam aulas de mão-única, ele nota. Enquanto alguns educadores enxergam isso como ceder às vontades de uma geração, Sweeney é firme: &#8220;eles querem aprender, mas eles querem aprender apenas do que precisam aprender, e eles querem aprender em um estilo que é melhor para eles&#8221;.</span></p>
<p style="font-family: Georgia;"><span style="color: #000000;">Existem exemplos brilhantes de educação interativa, entretanto. Dra. Maria Terrell, que leciona cálculo na Universidade de Cornell, usou um método interativo que é parte de um programa chamado &#8220;Boas Perguntas&#8221;, financiado pela National Science Foundation (Fundação de Ciência Nacional).</span></p>
<p style="font-family: Georgia;"><span style="color: #000000;">Uma estratégia que está sendo usada nesse programa é a chamada educação em tempo real; é uma estratégia pedagógica e de aprendizagem que combina os benefícios de tarefas com base na web e uma turma de alunos ativos onde os cursos são customizados para as necessidades particulares da classe. Questões &#8220;para aquecer&#8221;, escritas pelos alunos, são tipicamente resolvidas poucas horas antes da aula, dando ao professor a oportunidade de ajustar a lição em &#8220;tempo real&#8221;, de maneira que o tempo da turma possa focar nas partes das lições que os alunos tiveram dificuldades. O professor de Harvard Eric Mazur, que utiliza essa estratégia em sua turma de física, coloca dessa forma: &#8220;A educação é muito mais do que a mera transferência de informação. A informação precisa ser assimilada. Os estudantes precisam conectar a informação com aquilo que eles já sabem, desenvolver modelos mentais, aprender como aplicar o novo conhecimento e como adaptar esse conhecimento à situações novas e desconhecidas.<br />
</span></p>
<p style="font-family: Georgia;"><span style="color: #000000;">Essa técnica produz resultados reais. Um estudo que avaliou 350 alunos de Cornell indicou que aqueles a quem eram perguntados &#8220;questões profundas&#8221; (que exigem pensamento de alta profundidade) com frequente discussão entre os pares anotaram pontos consideravelmente maiores em seus exames de matemática do que os estudantes a quem não foram perguntadas questões profundas ou que tiveram pouca ou nenhuma chance de discussão com os pares. Dr. Terell explica: &#8220;É quando os alunos falam sobre o que eles pensam e o por que, é aí que acontece o maior aprendizado para eles&#8230; Você pode ouvir pessoas dizeram algo do tipo, &#8220;Ah sim, entendi&#8221;&#8230; e então eles explicam essa coisa para outra pessoa&#8230; e então ocorre um entendimento autêntico do que está acontecendo. Muito melhor do que aconteceria se eu, como a pessoa do professor, explicasse. Algo realmente acontece nessa instrução entre pares&#8221;.</span></p>
<p style="font-family: Georgia;"><span style="color: #000000;">Educação interativa permite que os estudantes aprendam em seu próprio ritmo. Eu vi isso por mim mesmo na metade dos anos 70 quando eu estava tendo um curso de estatística na minha graduação em psicologia educacional na Universidade de Alberta no Canadá. Foi uma das primeiras aulas conduzidas online &#8211; uma inovação educacional do Dr. Steve Hunka, um visionário da educação mediada por computador. Isso foi antes dos PCs, então nós sentamos na frente de um terminal de computador que estava conectado a um monitor com quadros deslizantes controlado por computador. Eu poderia parar a qualquer hora e revisar e testar a mim mesmo para ver como estava indo. A prova também era feita online.<br />
</span></p>
<p style="font-family: Georgia;"><span style="color: #000000;">Não existiam aulas. Como também: as aulas de estatística são por definição um fracasso. Não existe um &#8220;tamanho único&#8221; para estatísticas &#8211; todo mundo na sala de aula ou está entediado ou não entende. Ao invés disso, nós ficamos cara a cara com o Dr. Hunka que era liberto de ser um transmissor de informação para alguém que customizou uma experiência de aprendizagem para cada um de nós, um a um.</span></p>
<p style="font-family: Georgia;"><span style="color: #000000;">Anteriormente, a aprendizagem online era cara, mas hoje as ferramentas na internet facilitam o ensino e liberam o professor para formular a experiência de aprendizagem e conversar com os estudantes de modo mais individual e mais significativo. Isso funciona. A evidência das pesquisas é bem sólida e vêm de anos: &#8220;Comparados com estudantes que frequentaram cursos convencionais, os estudantes que recebem instrução mediada por computador bem elaborada&#8230;em geral atingem maiores notas em testes de revisão, aprendem suas lições em menos tempo, gostam mais de suas aulas e desenvolvem mais atitudes positivas em direção ao assunto que estão aprendendo&#8221;, de acordo com um artigo de 1997 chamado &#8220;Tecnologia na sala de aula: da teoria à prática&#8221;, que foi publicado na Educom Review. &#8220;Esses resultados representam uma gama ampla de alunos desde a escola fundamental até a universidade, estudando uma gama ampla de disciplinas da matemática às ciências sociais às humanidades&#8221;.<br />
</span></p>
<p style="font-family: Georgia;"><span style="color: #000000;"><br />
<strong>Desafiando o Propósito das Universidades</strong></span></p>
<p style="font-family: Georgia;"><span style="color: #000000;"><span style="color: #000000;">A questão da pedagogia faz surgir uma questão ainda mais profunda &#8211; o pro</span>pósito da universidade. No velho modelo, professores ensinavam e esperava-se que estudantes absorvessem vasta quantidade de conteúdo. A educação era sobre a absorção de conteúdo e ser capaz de lembrar dele nas provas. Você se graduava e então estava pronto para a vida &#8211; apenas mantendo-se informado no seu campo escolhido. Hoje quando você se gradua, você está livre por, digamos, 15 minutos. Se você fez um curso técnico metade do que você aprendeu no primeiro ano pode estar obsoleto no quarto ano. O que conta é a sua capacidade de aprendizagem de longo termo, pensar, pesquisar, encontrar informação, analisar, sintetizar, contextualizar, valoriza-lo criticamente; aplicar a pesquisa a solução de problemas; colaborar e comunicar.</span></p>
<p style="font-family: Georgia;"><span style="color: #000000;">Mas agora que estudantes podem obviamente achar a informação que estão procurando num instante online, no crânio de outras pessoas online, esse velho modelo não faz mais sentido. Não é apenas o que você sabe que conta quando você se gradua; é como você navega no mundo digital, e o que você faz com a informação que descobre. Essa nova forma de aprendizagem, eu acredito, servirá a eles.</span></p>
<p style="font-family: Georgia;"><span style="color: #000000;">Universidades deveriam ser lugares para se aprender, não pra se ensinar.<br />
</span></p>
<p style="font-family: Georgia;"><span style="color: #000000;">Os nascidos na Geração Net, imersos em tecnologia digital, são sedentos por tentar coisas novas, aprendendo geralmente com muita rapidez. Eles querem que a universidade seja divertida e interessante. Para que eles possam curtir as maravilhas de descobrir as coisas por si só. Como Seymour Papert, um dos maiores especialistas do mundo sobre como a tecnologia pode prover novas formas de aprendizagem coloca: &#8220;O escândalo da educação é que cada vez que você ensina algo, você priva uma criança do prazer e benefício da descoberta&#8221;.<br />
</span></p>
<p style="font-family: Georgia; color: #20124d;"><span style="color: #000000;"><br />
</span><span style="color: #000000;"><strong>Um Desafio à Docência</strong></span><span style="color: #000000;"><br />
</span></p>
<p style="font-family: Georgia;"><span style="color: #000000;">John Seely Brown é diretor emérito da Xerox PARC e acadêmico vistante da USC. Ele percebeu que quando uma criança aprende a falar, ela ou ele está totalmente imerso em um contexto social e altamente motivado a engajar no aprendizado desse novo, incrível complexo sistema da linguagem. Ele começou a pensar que &#8220;quando você começa a frequentar a escola, de alguma maneira você começa a aprender bem mais devagar porque você está sendo ensinado, diferente do que acontece quando você está aprendendo para que possa realizar coisas com que se preocupa&#8230;Muito comumente apenar ir afundo em um ou dois tópicos que você realmete se importa permite que você aprecie a imensidão do mundo&#8230;quando você aprende a honrar os mistérios do mundo, você está de certo modo propenso a sempre querer provar as coisas&#8230; você pode até gostar de descobrir algo que você não conhecia&#8230; e você pode esperar sempre a necessidade de provar as coisas. E então isso define o estágio de questionamento perpétuo&#8221;.<br />
</span></p>
<p style="font-family: Georgia;"><span style="color: #000000;">Outro acessório da aprendizagem de estilo antigo é a suposição de que os alunos devem aprender por conta própria. Partilhar notas em uma sala de provas, ou colaborando em algumas das redações e trabalhos de casa, era estritamente proibido. No entanto, o modelo de aprendizagem individual é um território estranho para a maioria dos alunos da geração Net, que  cresceu colaborando, compartilhando e criando coisas juntos online. Os educadores progressistas estão reconhecendo isso. Os alunos começam a internalizar o que aprenderam em sala de aula apenas quando começam a falar uns com os outros, diz Seely Brown: &#8220;A noção de audiência passiva e recepção de informação não tem quase nada a ver com a maneira como você interioriza a informação em algo que faz sentido para você. A aprendizagem começa quando você deixa a sala de aula, quando você começa a discutir com as pessoas ao seu redor o que acabou de ser dito. É na conversa que você começa a interiorizar o que algum pedaço de informação significou para você.&#8221;</span></p>
<p style="font-family: Georgia;"><span style="color: #000000;">O auditório é um excelente exemplo da educação de massa. Ele veio junto com a produção em massa, marketing de massa e a mídia de massa. A escolaridade, diz Howard Gardner, é uma idéia de produção em massa. &#8220;Você ensina a mesma coisa para os alunos da mesma maneira e avalia a todos da mesma maneira.&#8221; A pedagogia é baseada na idéia questionável de que experiências eficientes de aprendizagem podem ser construídas para grupos de alunos com a mesma idade cronológica. Nesta perspectiva, o currículo é desenvolvido com base em informações pré-digeridas e estruturado para a transmissão ideal. Se o currículo está bem estruturado e interessante, então grandes proporções de estudantes de qualquer nível irão &#8220;sintonizar&#8221; e ficar comprometidos com a informação. Mas muitas vezes, não funciona dessa maneira.</span></p>
<p style="font-family: Georgia;"><span style="color: #000000;">Considere um dos maiores hits do YouTube ano passado, um vídeo curto chamado &#8220;Uma Visão dos Estudantes Hoje&#8221;.</span></p>
<p style="color: #20124d; font-family: Georgia;"><span style="color: #000000;">Criado por Michael Wesch, um professor assistente de antropologia cultural na Kansas State University</span><span style="color: #000000;">, é uma acusação pungente ao ensino ministrado pelas grandes universidade americano. Wesch recrutou 200 estudantes colaboradores para descrever a sua visão da educação que estão recebendo. Sua sentença: nada mudou muito desde o início do século XIX, quando o quadro negro foi introduzido como uma nova maneira brilhante de ajudar os estudantes a visualizar a informação. Eles pintaram um quadro sombrio da vida universitária &#8211; turmas enormes, professores que não sabem os nomes dos alunos, estudantes que não completaram as leituras designadas, exames de múltipla-escolha que eram um desperdício de capital intelectual.</span></p>
<p style="font-family: Georgia; color: #20124d;"><span style="color: #000000;">Conheço vários estudantes brilhantes que se sentem da mesma forma. A grande coisa esses dias é conseguir um &#8220;10&#8243; sem nunca mesmo ter ido a uma aula. Quando o</span><span style="color: #000000;"> crème de la crème de uma geração inteira é boicotar o modelo formal de pedagogia em nossas instituições educacionais, a escrita está gravada na parede.<br />
</span></p>
<p style="font-family: Georgia;"><span style="color: #000000;"> </span></p>
<p style="font-family: Georgia;"><span style="color: #000000;"><strong>Um desafio ao modelo de mensalidades</strong><br />
</span></p>
<p style="font-family: Georgia;"><span style="color: #000000;">Conforme o modelo de pedagogia é desafiado, é inevitável que o modelo de lucros também mude. A chegada da educação online trás a questão: se tudo que as grandes universidades tem a oferecer aos estudantes são aulas que você pode ter online de graça &#8211; de outros professores &#8211; por que pagar mensalidades? Se as universidades querem sobreviver à chegada da educação online livre de nível universitário, eles precisam mudar a forma que professores e estudantes interagem no campus. Alguns estão dando passos grandes para reinventar a si mesmos, com a ajuda da Internet. O Instituto de Tecnologia de Massachusetts, por exemplo, está oferecendo notas e apontamentos de aulas grátis, provas e aulas gravadas em vídeo por professores do MIT para o mundo online.<br />
</span></p>
<p style="font-family: Georgia;"><span style="color: #000000;">Qualquer pessoa no mundo pode assistir toda série de aulas para uns 30 cursos, tais como o curso introdutório de física mais popular de Walter Lewins, que é visto por mais de 40 mil pessoas por mês no OpenCourseWare, a versão MIT de filantropia intelectual. Universidades do mundo todo uniram-se ao movimento.</span></p>
<p style="font-family: Georgia;"><span style="color: #000000;"><br />
</span></p>
<p style="font-family: Georgia; color: #20124d;"><strong><span style="color: #000000;">Um desafio ao credenciamento</span></strong><span style="color: #000000;"><strong><span style="font-size: x-small;"><br />
</span></strong></span></p>
<p style="font-family: Georgia;"><span style="color: #000000;">É claro, universidade tem um importante papel na escolha de indivíduos da sociedade, através de processos de admissão e garantia de titulações. Um dos papéis mais importantes da universidade é peneirar o capital humano para futuros empregadores, e mais amplamente estratificando a sociedade. Aqueles que tem boas notas no ensino médio e em seus SATs [prova de aptidão, similar ao vestibular], que provam ser trabalhadores e ter outros talentos, entram nas melhores universidades. Aqueles que se graduam &#8211; melhor ainda com distinção &#8211; tem uma credencial para conseguir os empregos mais desejados ou entrada em programas de graduação. Eles provaram ter um nível de disciplina e que estão preparados para jogar de acordo com as regras.</span></p>
<p style="font-family: Georgia;"><span style="color: #000000;">Mas uma credencial e até mesmo o prestígio de uma universidade está enraizado em sua efetividade como uma instituição educacional. Se essas instituições demonstram ser ambientes de aprendizagem inferiores a outras alternativas, sua capacidade de credenciamento certamente diminuirá.  <br style="font-family: Georgia; color: #20124d;" /></span></p>
<p style="font-family: Georgia;"><span style="color: #000000;">Quanto tempo vai demorar para, digamos, um curso de gradução de Harvard, ensinado em turmas de grande porte por professores assistentes, amplamente por meio de palestras, ser capaz de competir em status com as turmas pequenas das faculdades de artes liberais ou sistemas de ensino superior que oferecem os novos modelos de aprendizagem? Certamente, a provação estar no pudim irá alterar o estado de várias receitas para a aprendizagem.</span></p>
<p><span style="color: #000000;"><br style="font-family: Georgia; color: #20124d;" /></span></p>
<p style="font-family: Georgia;"><span style="color: #000000;"><strong>Um Desafio ao Campus</strong></span></p>
<p style="font-family: Georgia;"><span style="color: #000000;">O campus universitário tem sido &#8220;um maravilhoso lugar para jovens pessoas irem por quatro anos para ficarem mais velhos&#8221;, como o sociólogo de Princeton Marvin Dressler me disse há uma década atrás. &#8220;Enquanto eles estão lá, estão compelidos a aprender algo&#8221; ele disse. Mas se os campus são vistos como lugares onde a aprendizagem é inferior aos outros modelos, ou lugares ruins onde a aprendizagem é restrita e sufocada, o papel da experiência do campus também será minado.</span></p>
<p style="font-family: Georgia;"><span style="color: #000000;">Campus que dão boas vindas aos novos modelos se tornam ambientes mais efetivos e lugares mais desejáveis. Mesmo algo tão simples quanto leituras online não reduzem o valor da educação fora do campus, eles a melhoraram. As aulas por vídeo permitem que estudantes absorvam o conteúdo do curso online &#8211; quando quer que seja conveniente &#8211; e então eles se juntam para remendar, inventar novas coisas, ou discutir o material. A experiência mostrou ao MIT que o valor real do que eles oferecem não é a aula per se, mas o pacote todo &#8211; o conteúdo amarrado a experiencia humana de aprendizado no campus, mais a certificação. Universidades, em outras palavras, não podem sobreviver apenas de aulas.</span></p>
<p style="font-family: Georgia;"><span style="color: #000000;">Gravar aulas pode libertar o capital intelectual &#8211; tanto para os professores quanto para os estudantes &#8211; de gastar seu tempo no campus pensando e questionando e desafiando uns aos outros, ao invés de apenas absorver informação.<br />
</span></p>
<p><span style="color: #000000;"><br style="font-family: Georgia; color: #20124d;" /></span></p>
<p style="font-family: Georgia;"><span style="color: #000000;"><strong>Um Desafio ao Relacionamento da Universidade com Outras Instituições</strong></span></p>
<p style="font-family: Georgia;"><span style="color: #000000;">&#8220;Chegou a hora para algumas mudanças drásticas na universidade, nosso modelo de pedagogia, como operamos, e nosso relacionamento com o resto do mundo&#8221;, diz Luis M. Proenza, presidente da Universidade de Akron.<br />
</span></p>
<p style="font-family: Georgia;"><span style="color: #000000;">Ele faz uma pergunta provocativa: por que um estudante universitário deveria ser restrito a aprender com os professores das universidades que estão frequentando? Verdade, estudantes podem obviamente aprender com intelectuais do mundo todo através de livros, ou pela Internet. Em um mundo digital, por que um estudante não poderia ser capaz de ter um curso de um professor em outra universidade? Proenza acha que as universidades deveriam usar a Internet para criar um centro global de excelência. Em outras palavras, escolher os melhores cursos que você tem e linká-los com a melhor num número de universidades do mundo todo para criar um programa de ensino inquestionável para estudantes. Eles aprenderiam com as melhores mentes do mundo em sua área de interesse &#8211; seja na sala de aula física ou online. Essa academia global também seria aberta para qualquer pessoa online. Esse é um belo exemplo de colaboração que descrevi no livro de minha co-autoria, Wikinomics.<br />
</span></p>
<p style="font-family: Georgia;"><span style="color: #000000;">Então por que isso ainda não aconteceu? &#8220;É o legado da infraestrutura humana e educacional estabelecida,&#8221; diz Proenza. A analogia não é o mercado de jornais, que foi enfraquecido pela distribuição de conhecimento na Internet, ele nota. &#8220;Somos mais como o seguro saúde. Somos desafiados por modelos de negócios obstrutivos, não baseados em mercado. Também somos penitenciados por uma sensação de que o médico sabe melhor, ou o professor sabe melhor&#8221;.</span></p>
<p style="font-family: Georgia;"><span style="color: #000000;">&#8220;Existem várias vacas sagradas&#8221;, ele disse. Por que, por exemplo, as universidades são julgadas pelo número de estudantes que excluem ou por quanto gastam? Por que não são julgadas por como bem ensinam e por qual preço?</span></p>
<p style="font-family: Georgia;"><span style="color: #000000;">O mundo digital, que treinou jovens mentes a questionar e colaborar, está desafiando não apenas as tradições voltadas para aulas das universidades, mas também a própria noção de uma instituição entre paredes que exclui um grande número de pessoas. Por que não permitir que um aluno brilhante da oitava série colegial tenha aulas do primeiro semestre da graduação universitária em matemática, sem abandonar a vida social de seu colégio? Por que não estender o poder interativo da internet para transformar a universidade num lugar de aprendizagem de longo prazo, não apenas um lugar pra crescer?<br />
</span></p>
<p style="font-family: Georgia;"><span style="color: #000000;"> </span></p>
<p><span style="color: #000000;"><br style="font-family: Georgia; color: #20124d;" /></span></p>
<p style="font-family: Georgia;"><span style="color: #000000;"><strong>Velhos paradigmas são difíceis de matar</strong></span></p>
<p style="font-family: Georgia;"><span style="color: #000000;">Entretanto, o modelo de educação da Era Industrial é difícil de mudar. Novos paradigmas causam deslocamento, rupturas, confusão, incerteza. Eles são quase sempre recebidos com frieza ou hostilidade. Interesses empossados lutam contra mudanças. E líderes dos velhos paradigmas são geralmente os últimos a aceitarem o que é novo.</span></p>
<p style="font-family: Georgia;"><span style="color: #000000;">Em 1997 eu apresentei minhas idéias para um grupo de cerca de 100 reitores universitários em um jantar oferecido pela Ameritech em Chicago. Depois da minha fala eu sentei na minha mesa e perguntei ao grupo menor o que eles pensaram sobre o que disse. Eles responderam positivamente. Então perguntei a eles &#8220;por que isto está demorando tanto?&#8221;, &#8220;O problema são recursos,&#8221; um reitor disse. &#8220;Nós não temos o dinheiro para reinventar o modelo de pedagogia&#8221;. Um outro educador colocou da seguinte forma: &#8220;Modelos de aprendizagem que são muito antigos são difíceis de mudar&#8221;. Algum outro sorriu abafado em volta da mesa quando ele disse, &#8220;Eu acho que o problema são os professores &#8211; a média de idade deles é 57 e estão ensinando de modo pós-Gutemberguiano&#8221;.</span></p>
<p style="font-family: Georgia;"><span style="color: #000000;">Um homem muito pensativo chamado Jeffery Bannister, que na época era o reitor do Butler College, estava sentado perto de mim. &#8220;Pós-Gutemberguiano?&#8221; ele disse. &#8220;Eu acho que não! Ao menos não na Butler. Nosso modelo de aprendizagem é pré-Gutemberguiano! Nós temos um monte de professores lendo de notas escritas a mão, escrevendo em quadros-negros, e os estudantes estão copiando o que eles dizem. Esse é um modelo pré-gutemberguiano &#8211; a imprensa escrita não é nem mesmo uma parte importante do paradigma de aprendizagem&#8221;. Ele ainda disse, &#8220;Espere até que esses estudantes que tem 14 anos e cresceram aprendendo na onda da Net entrem nas salas de aulas (universitárias) &#8211; faíscas vão rolar<strong>.</strong>&#8220;</span></p>
<p style="font-family: Georgia;"><span style="color: #000000;">Bannister tinha razão. Uma força poderosa para mudar a universidade são os estudantes. E faíscas estão voando hoje. Existe uma imenso choque de gerações nessas instituições. O que ocorre é que a crítica da universidade de anos atrás eram idéias em espera &#8211; esperando pela nova web e uma nova geração de nativos digitais que podiam efetivamente desafiar o velho modelo. Mudar o modelo de pedagogia para essa geração é crucial para a sobrevivência da universidade. Se os estudantes ignorarem uma educação universitária tradicional, isso irá erodir o valor das credenciais universitárias, sua posição como centros de ensino e pesquisa, e como campus onde pessoas jovens tem uma chance de &#8220;crescer&#8221;.</span></p>
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		<title>Bibliotecários e Softwares Sociais</title>
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		<pubDate>Thu, 24 Sep 2009 18:43:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ExtraLibris</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ferramentas e Recursos]]></category>

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		<description><![CDATA[Por que os bibliotecários deveriam se importar com softwares sociais? Software social é obviamente uma tendência importante, mas por que os bibliotecários deveriam se preocupar com isso? Primeiramente, e mais importante, nossos usuários estão utilizando estas ferramentas. Não importa o tipo de biblioteca em que você trabalha, seus usuários estarão usando algum tipo de software [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Por que os bibliotecários deveriam se importar com softwares sociais?</p>
<p>Software social é obviamente uma tendência importante, mas por que os bibliotecários deveriam se preocupar com isso? Primeiramente, e mais importante, nossos usuários estão utilizando estas ferramentas. Não importa o tipo de biblioteca em que você trabalha, seus usuários estarão usando algum tipo de software social, seja através de mensagem instantânea/MSN, blogs, ou escutando podcasts. É importante estar ciente das ferramentas que os usuários utilizam para ver se você pode fornecer serviços fazendo uso das mesmas ferramentas. Se a vasta maioria dos seus usuários utiliza MSN, pode fazer sentido oferecer serviços virtuais de referência através de MSN. Se seus usuários são leitores ávidos de blogs, sua biblioteca pode querer começar um blog para disseminar informação sobre programas, serviços ou recursos.</p>
<p>Da mesma maneira que os softwares sociais podem melhorar as maneiras em que as bibliotecas comunicam-se com os usuários, eles podem também melhorar a comunicação interna e o compartilhamento do conhecimento. Blogs, wikis e social bookmarking podem exercer um papel. Um wiki sobre a base de conhecimento da biblioteca pode diminuir a dependência de uma pessoa sobre seus colegas. Blogs são uma grande maneira de disseminar notícias sobre impressoras quebradas ou bases de dados novas. Bookmarking social ajuda colegas a compartilhar links úteis. As bibliotecas devem examinar não somente como o software social pode melhorar serviços a seus usuários, mas devem também considerar como estas ferramentas podem melhorar a comunicação e a colaboração interna.</p>
<p>Finalmente, os bibliotecários frequentemente falam sobre fornecer expansão a seus usuários. Isto geralmente significa sair da biblioteca e fornecer os serviços onde os usuários congregam. Mas e se seus usuários estão se congregando online? As bibliotecas devem estar cientes dos mundos sociais online dos seus usuários, quer que seja jogos online Multiplayer (MMOGs), sites de relacionamento [Orkut] ou outras comunidades online. O que quer que seja o ambiente de seu usuário, considere como você pode fornecer serviços lá. Os bibliotecários podem fazer pesquisa de mercado, construir presença, fornecer serviços da referência e desenvolver portais de recursos da biblioteca nestes mundos online. Se os usuários gastam mais tempo online do que na biblioteca, faz sentido que as bibliotecas forneçam uma extensão online. As bibliotecas precisam olhar os softwares de aplicações sociais como ferramentas valiosas para comunicar-se com e servir a seus usuários atuais, bem como atrair usuários novos para a biblioteca. O software social pode fornecer uma cara humana a biblioteca além de suas paredes. Pode oferecê-las diversas maneiras de comunicar-se, colaborar, educar e dirigir serviços a seus usuários e outros membros da comunidade. O software social pode também ajudar as bibliotecas a posicionar-se como o centro online de suas comunidades. A tecnologia pode tornar as bibliotecas mais relevantes às pessoas que pensam que podem encontrar toda sua informação na Web, e ao mesmo tempo atrair uma população inteiramente nova para a biblioteca.</p>
<p><a href="http://www.sociallibraries.com/farkaschap1.pdf">Meredith Farkas</a></p>
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		<item>
		<title>Reinventando a publicação acadêmica online. Parte I: Rigor, relevância e prática</title>
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		<comments>http://extralibris.org/artigos-e-estudos/reinventando-a-publicacao-academica-online-parte-i-rigor-relevancia-e-pratica/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 05 Sep 2009 23:00:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ExtraLibris</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos e Estudos]]></category>

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		<description><![CDATA[Apesar de práticas de uso de computadores estarem repletas de inovações como leilões online, blogs, wikis, twitter, redes sociais e jogos sociais em rede, poucas, ou nenhuma, novas teorias genuínas tiveram efeito no que corresponde aos grandes periódicos acadêmicos. As pessoas que criam o progresso da computação enxergam esses periódicos como ilegíveis, ultrapassados e irrelevantes. Mesmo com o evolução das práticas tecnológicas, a teoria tecnológica está se tornando cada vez mais conformista e menos relevante. Nós atribuimos isso à suposição errônea de que o rigor na pesquisa é a sua excelência, um mito que se contradiz pelo próprio método científico. O rigor em excesso sustenta as demandas dos comitês de agendamentos, concessões e promoções, mas está secando as fontes de inspiração acadêmica. A Parte 1 deste artigo é uma crônica dos inevitáveis limites daquilo que pode apenas ser chamado de um sistema acadêmico feudal de compartilhamento de conhecimento, permeado por tendências como a exclusividade, a lentidão, o reducionismo, o conservadorismo, o incesto e a inacessibilidade. Nós prevemos uma ruptura social nas publicações acadêmicas na medida em elas saem de uma forma feudal para uma democrática, do modelo de conhecimento administrado por poucos, para o conhecimento administrado por muitos. O gatilho tecnológico são os avanços sócio-técnicos. A motivação é que apenas a forma de compartilhamento democrático do conhecimento é capaz de sustentar o aumento, a velocidade e a flexibilidade que a pesquisa moderna interdisciplinar necessita. A parte 2 sugere o tipo de modelo sócio-técnico necessário para trazer essa transformação à tona.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>por <em>Brian Whitworth e Rob Friedman</em></p>
<p><em>tradução colaborativa de Isadora Garrido, Gustavo Henn e Moreno Barros</em></p>
<p><em>Artigo original publicado no </em><a title="Reinventing academic publishing online. Part I: Rigor, relevance and practice" href="http://firstmonday.org/htbin/cgiwrap/bin/ojs/index.php/fm/article/view/2609/2248" target="_blank">First Monday, Volume 14, Número 8 &#8211; Agosto 2009</a></p>
<p><em> Traduzido com autorização dos autores.<br />
</em></p>
<p><strong> </strong></p>
<hr size="2" /><strong>O papel do intercâmbio de conhecimento acadêmico </strong></p>
<p>Introdução</p>
<p><em>Caveat lector</em>: iterações anteriores do que você está prestes a ler foram descartadas por editores e revisores de sistemas de informações (SI), desde o primeiro esboço escrito em 1999, após uma discussão sobre rigor/relevência no ISWorld. Muitos anos de rejeição o confirmam como impublicável no SI. Isso se dá, em uma parte, porque artigos de alto nível sempre apresentam falhas, e em outra parte porque sugerir aos seu alfaiates que o imperador da publicação acadêmica está vestindo apenas o tapa-sexo do rigor é imprudente. Se você acredita que o sistema de publicação acadêmica está &#8220;perfeitamente vestido&#8221;, não precisa continuar lendo esse artigo, pois aqui nós argumentamos que existem problemas sérios em relação a isso e que precisam ser abordados. Os nossos alvos não são os diversos bons autores, sábios revisores e editores de nossa área, muitos dos quais são nossos amigos pessoais. O nosso alvo é o sistema de troca de conhecimento feudal sob o qual eles atualmente trabalham. Enquanto a academia abrange muitas disciplinas, o nosso processo evidencial é o campo de uso tecnológico &#8211; o leitor deve julgar por si mesmo em sua área. Ainda que muito do mesmo processo já tenha sido realizado no campo da física quântica (Smolin, 2006), nossas conclusões podem beneficiar outros campos.</p>
<p>A parte I argumenta que o atual modelo de entraves [gate-keeping] da publicação acadêmica está funcionando pobremente enquanto o conhecimento se abrange e interage, e que a publicação acadêmica precisa se reinventar para se tornar inclusiva e democrática em vez de exclusiva e plutocrática. A parte II sugere um modelo para alcançar isso utilizando ferramentas sócio-técnicas bem sucedidas.</p>
<p><strong>Sistemas de Intercâmbio de Conhecimento</strong></p>
<p>Seguindo o modelo troca de conhecimento de Willinsky (2000) um <em>sistema de intercâmbio de conhecimento (SIC)</em> tem a intenção de produzir conhecimento humano de qualidade através de:</p>
<p>1. <em>Desenvolvimento:</em> Criar novos conhecimentos que não existiam antes. O sistema prevê hoje as idéias importantes de amanhã? A pesquisa está no estado da arte?</p>
<p>2. <em>Discriminação:</em> Discriminar a boa qualidade do conhecimento através da avaliação por pares. O conhecimento parece ser verdadeiro? Os argumentos são lógicos e as afirmações válidas?</p>
<p>3. <em>Disseminação</em>: Disseminar e apresentar bem o conhecimento. Os leitores são educados? O conhecimento é útil, bem escrito, claro e atual?</p>
<p>Um sistema de intercâmbio de conhecimento é bem sucedido se ele produz bons conhecimentos, seja fisica ou electronicamente. Essa definição inclui sistemas não-acadêmicos como a Wikipedia, caso eles criem, discriminem e disseminem conhecimentos. Certamente é esperado que uma revista acadêmica incentive novas pesquisas, separe as boas pesquisas das pesquisas ruins e eduque seus leitores (Paul, 2005).</p>
<p>Nós vislumbramos um SIC (sistema de intercâmbio de conhecimento) como um pomar cujo &#8220;frutos&#8221; de pesquisa surgem a partir dos seus papéis:</p>
<p>1. Desenvolvimento: novas idéias entram no mundo acadêmico como sementes, inicialmente pequenas e frágeis, necessitando de tempo e apoio para crescer. Da mesma forma quealguém pode não saber o que uma semente se tornará até que ela brote, uma nova idéia pode ser pouco clara até que se desenvolva. Assim como um pomar que não é regado ou adubado produz apenas frutos atrofiados, aos artigos precisam de revisão para se desenvolver. Assim como um pomar que não planta novas sementes logo terá somente plantas velhas, um SIC que não planta novas teorias logo se tornará intelectualmente improdutivo.</p>
<p>2. Discriminação: Esse papel é como cortar o mato ou podar galhos doentes das árvores, sem os quais o pomar crescerá demais e a doença pode se espalhar. Da mesma forma, um SIC que não discrimina uma má pesquisa pode crescer em falso, uma vez que erros reproduzem erros, assim como o mato reproduz mato.</p>
<p>3. Disseminação: Esse papel compara-se a empacotar e entregar as frutas ao consumidor. Como as frutas devem parecer boas na loja, da mesma forma os trabalhos publicados devem parecer profissionais, e assim como a fruta deve sair do pomar para a loja antes de apodrecer, os periódicos devem publicar um artigo enquanto ele ainda é relevante.</p>
<p>A visão alternativa, e dita estabelecida, é de que os acadêmicos são os mantenedores dos &#8220;canais guardados do conhecimento&#8221; [<a href="http://www.uic.edu/htbin/cgiwrap/bin/ojs/index.php/fm/article/viewArticle/2609/2248#1">1</a>], que protegem o conhecimento de alta qualidade como soldados guardam um castelo. Por conta disso, não é com surpresa que vários periódicos hoje tem a mentalidade de estar &#8220;sob cerco&#8221; semelhante aos donos de castelos [<a href="http://www.uic.edu/htbin/cgiwrap/bin/ojs/index.php/fm/article/viewArticle/2609/2248#2">2</a>]. Socialmente falando, aqueles que administram os &#8220;memes&#8221; de conhecimento aceito construiram em torno de si mesmos muros de conhecimento protecionistas que contêm jargões e costumes tão fortes que apenas as pessoas de dentro são capazes de cruzá-los. O conhecimento acadêmico tornou-se o monopólio de uma classe ou casta protecionista, que zelozamente guarda seu acesso[<a href="http://www.uic.edu/htbin/cgiwrap/bin/ojs/index.php/fm/article/viewArticle/2609/2248#3">3</a>].</p>
<p>Enquanto a ciência uma vez já consistiu de amadores cultivando jardins de conhecimento privado, hoje ela é organizada em feudos especialistas que defendem-se vigorosamente. Os acadêmicos são agora guardiões dos castelos do conhecimento feudal, e não humildes jardineiros do conhecimento. Eles têm por mais de um século organizado, especializado e construído com sucesso os muros contra erros. Entretanto o problema com os castelos, sejam físicos ou intelectuais, é que eles dominam a paisagem, fazem com que a maioria seja subserviente e apática, e luta para que seu poder reduza a produtividade. Enquanto a pesquisa cresce, o feudalismo do conhecimento, assim como a sua vertente física, é um avanço social que já teve o seu momento.<br />
<strong> </strong></p>
<p><strong>A divisão entre teoria e prática </strong></p>
<p>Apesar dos progressos da pesquisa parecerem contínuos e racionais, na realidade eles são marcados por frequentes descontinuidades (Bryson, 2003) e revoluções ocasionais (Kuhn, 1970). É fácil esquecer como invenções &#8220;óbvias&#8221; como o celular e o email estiveram além do zeitgeist de seus tempos (Smith, et al., 2002). As previsões de 1995 para o futuro do software por exemplo não incluiram o desenvolvimento do código aberto, embora o Linux estivesse lá para todos verem (Campbell-Kelly, 2008). Avanços como salas de chat, blogs, mensagens instantâneas e wikis não são altamente noticiados, ainda que esses simples sistemas distribuídos sejam “aplicações sensacionais”, enquanto os tão falados sistemas centralizados como os da IBM estavam fadados à irrelevância (Nunamaker, et. al., 1991).</p>
<p>O Google, com sua simplória tela branca e um retângulo para inclusão de texto &#8220;dominou&#8221; o mercado dasmáquinas de busca, e não o Yahoo, com seus gráficos multimídia. Pessoas que investiram em banda larga esperando um aumento da demanda por multimídia perderam dinheiro, assim como aqueles que investiram em capacetes multimídia para jogos de realidade virtual. Os videofones não estão varrendo o mundo, apesar da tecnologia e do marketing, mas ao contrário, já que as mensagens de texto se tornam mais populares do que as conversas telefônicas.</p>
<p>Certamente a riqueza da mídia é importante, mas quem previu os jogos em rede, onde a &#8220;riqueza&#8221; é criada pela interação humana e não o meio em que ocorre? As teorias de usabilidade daquela época, junto com 25.000 horas de testes de usuários, previram que os gráficos amigáveis do Mr. Clippy [o boneco em forma de clipe no Microsoft Word] seriam um enorme sucesso (Horvitz, 2004), mas na verdade foi um dos maiores fracassos dos softwares em 2001 (PC Magazine, 2001). Quando perguntados por que produtos baseados em texto como os blogs e e-mail foram bem sucedidos enquanto produtos multimídia e amigáveis como o Mr. Clippy falharam, os principais expoentes teóricos dos SI se mantêm estranhamente silenciosos. A Microsoft ainda parece não estar ciente ser do problema (Pratley, 2004) de que o Mr. Clippy é socialmente indesejado (Whitworth, 2005).</p>
<p>Se serve de consolo, a máxima que diz &#8220;a prática floresce aonde a teoria enfraquece&#8221; tem uma longa história na computação. Mais de 25 anos atrás críticos proclamaram que o papel estava morto e que seria trocado pelo &#8220;escritório sem papel&#8221; eletrônico (Toffler, 1980), mas apesar disso hoje nós usamos mais papel do que nunca. James Martin previu que os geradores de programa tornariam os programadores obsoletos, e apesar disso a programação permanece como uma próspera indústria. Supôs-se que uma semana com só três dias de trabalho se tornaria real na &#8220;sociedade do ócio&#8221; no momento em que as máquinas realizassem todo o trabalho humano, mas os trabalhadores de hoje estão muito mais ocupados do que jamais estiveram (Golden and Figart, 2000). Supôs-se que o e-mail serveria apenas para tarefas de rotina, que a Internet entraria em colapso sem um controle central e que a Inteligência Artificial tomaria o lugar das pessoas, e por aí vai.</p>
<p>Cada caso tem um grão de verdade, mas para o uso da tecnologia o poder de previsão da teoria tem sido fraco e a distância entre a teoria e a prática está se ampliando. Na analogia de Eric Raymond (1997), o bazar da prática tecnológica está &#8220;bombando&#8221; enquanto a catedral da teoria tecnológica está em declínio, já que uma encontra-se aberta e a outra, fechada.</p>
<p><strong>Reduzindo a distância</strong></p>
<p>Dado o distanciamento entre ambas, pode a teoria ou a prática seguirem seus caminhos sozinhas (Kock, et al., 2002)? A teoria sozinha oferece especulações metafísicas sobre o número de anjos na cabeça de um alfinete, enquanto a prática sozinha significa uma dolorosa evolução de tentativas e erros. A teoria e a prática devem trabalhar juntas, apontando dois caminhos para o progresso:</p>
<p>1. O caminho da prática: encontrar o que funciona por meio de tentativa intuitivas e erros, e então explicar o processo com teorias. Aqui, a teoria é aplicada depois de um avanço prático ter sido concluído.</p>
<p>2. O caminho da teoria: desenvolver uma nova visão teórica e então desenvolvê-la na prática. Aqui, a teoria é usada antes do progresso ocorrer.</p>
<p>No primeiro caminho, a prática inova e então a teoria explica, enquanto que no segundo caminho, a teoria visiona e então a prática constrói. Programas bem sucedidos normalmente envolvem os dois caminhos, por exemplo, os foguetes foram construídos inicialmente sem uma base teórica, mas agora a teoria é primordial para que um foguete espacial decole. Nenhuma das abordagens é &#8220;melhor&#8221; já que o progresso necessita de ambas. No campo da tecnologia da informação, todavia, a relação teoria/prática parece quebrada, como se os construtores do foguete achassem que quanto menos soubessem sobre a ciência dos foguetes seria melhor para que seu foguete decolasse.</p>
<p>Os pesquisadores de hoje normalmente constroem primeiro um novo website, uma interface ou ferramenta, e depois procuram por uma teoria conveniente para publicá-la, isto é, a teoria agora meramente assessora a prática. De fato a abordagem &#8220;todo poder para o artefato de TI&#8221; (Benbasat e Zmud, 2003) leva acadêmicos a teorizarem sobre como os artefatos de TI são construídos, como são usados e como eles impactam organizações, de maneiro que primeiro se cria um artefato e então, a teoria. Contraditoriamente os teóricos de SI/TI cada vez mais dão uma resposta à suas idéias do tipo &#8220;mostre-me, não fale”.</p>
<p>O que é uma teoria senão a destilação da prática prévia? Se os físicos tivessem tratado Einstein desse jeito ele teria que construir um acelerador de partículas para ser ouvido. No casamentos da teoria e prática nos SI os parceiros raramente falam um com o outro – a prática acha que a teoria é improdutiva e a teoria reclama que a prática nunca a escuta (Klein e Hirschheim, 2003).</p>
<p>Entretanto, uma abordagem pragmática do tipo &#8220;tentar e analisar&#8221; trabalhando sozinha tem sérios limites. Apesar de os frutos iniciais da árvore do conhecimentos aparecem facilmente nos galhos mais baixos, percebe-se rapidamente que a árvore não oferece grandes frutos com muita frequênca. É necessário usar a escada da teoria para alcançar aos frutos mais altos. A abordagem da caixa de ferramentas esbarra em sistemas complexos os quais por definição possuem mais chances dar errado do que certo, por exemplo, imagine gerenciar o programa espacial ou o programa nuclear por tentativa e erro!</p>
<p>Criar uma nova sociedade online global é um sistema tecno-social tão complexo quanto qualquer programa espacial, já que os sistemas tecno-sociais precisam tanto da performance social quanto técnica para serem bem sucedidos (Whitworth and Moor, 2009c). Nós não podemos esperar progredir apenas por &#8220;tentativa e erro&#8221;. Se a teoria e a prática são as duas pernas do progresso científico, uma perna teórica machucada é um problema grave. Nós agora vamos apontar a principal causa deste rigor desequilibrado.</p>
<p><strong>A questão do rigor </strong></p>
<p>Se o trabalho rigoroso é menos propenso a apresentar erros, então nos parece que quanto mais rigor, inevitavelmente melhor o trabalho será. Todavia, a pesquisa teórica possui dois tipos de erros, e não um:</p>
<p>1. Tipo I. Erros de <em>comissão</em>: coisas realizadas que estão erradas.</p>
<p>2. Tipo II. Erros de <em>omissão</em>: coisas não realizadas que poderiam ter dado certo.</p>
<p>O erro do Tipo I considera um resultado falso como verdade, enquanto o erro do Tipo II rejeita um resultado verdadeiro, dizendo-o ser falso.(Rosenthal and Rosnow, 1991) [<a href="http://www.uic.edu/htbin/cgiwrap/bin/ojs/index.php/fm/article/viewArticle/2609/2248#4">4</a>]. Assim, os periódicos podem errar de duas maneiras:</p>
<p>I. Publicando o que depois se mostra errado (erro de comissão)</p>
<p>II. Não publicando o que depois se mostra certo (erro de omissão)</p>
<p>Enquanto o segundo caso normalmente é negligenciado, os custos de oportunidade (o valor perdido pelas oportunidades perdidas) são uma das principais causas do insucesso desse modelo (Bowman, 2005). O WordPerfect não domina mais o processamento das textos não por conta das falhas cometidas, mas por perder a oportunidade de usabilidade que o Microsoft Word tomou pra si. Do mesmo modo, a comunidade acadêmica do hipertexto subestimou a idéia de World Wide Web de Berners-Lee, vendo o HTML como uma linguagem de marcação muito simples, mas não conseguiu perceber o seu enorme potencial (Berners-Lee, 2000). Rejeitar a ideia por trás da World Wide Web foi um erro do tipo II cometido por essa comunidade acadêmica, que perdeu a chance de fazer parte daquele progresso. O ponto em questão é que os erros do <em>tipo II são erros verdadeiros com consequências reais</em>.</p>
<p>Esses erros se equiparam, de modo que a redução de um aumenta o outro, por exemplo, um jornal pode reduzir os erros de Tipo I a 0% simplesmente rejeitando todas as submissões, mas isso também faz com que os erros de Tipo II aumentem para 100 por cento uma vez que nada útil é publicado. O príncipio do senso comum é que para ganhar na loteria (ser valorizado) você tem que fazer alguma jogada (arriscar). Nas publicações acadêmicas, <em>o problema de rigor</em> ocorre quando a redução do erro de Tipo I aumenta os erros de Tipo II, isto é, quando <em>mais rigor representa a diminuição da performance do SIC</em>.</p>
<p>Um bom intercâmbio de conhecimento reduz os tipos I e II de erros, evitando falhas e garantindo oportunidades. Ou seja, rejeitar um artigo com nove boas idéias e um ruim em nome do rigor seria o mesmo que trocar nove oportunidades por um risco. Considerando o objetivo geral do SIC de ampliar o conhecimento, essa pode ser uma má idéia.</p>
<p>A &#8220;ladeira&#8221; uni-dimensional do rigor não é o caminho para melhores pesquisas (Davenport and Markus, 1999). Se o rigor é meramente um fator higiênico para a relevância, ele apenas tem valor se estiver combinado a ela. Enquanto a comida sem higiene pode nos deixar doentes e nos levar a morte, a higiene sem comida nos leva a morte certa. Da mesma maneira, embora reduzir rigorosamente os erros de Tipo I melhora a saúde dos periódicos, evitar os erros de relevância Tipo II é crítico para a sua sobrevivência.</p>
<p>Nós acreditamos em rigor, mas enxergamos a performance do sistema como um misto de vários critérios (Whitworth, <em>et al.</em>, 2008), que &#8220;contra-atacam&#8221; se um critério é exclusivamente reverenciado à custa de outros (Tenner, 1996). O melhor modelo de performance de intercâmbio de conhecimento é o de uma fronteira <em>eficiente</em> &#8211; uma linha de vários pontos que define o melhor que se pode conseguir de rigor dado um valor de relevância (Keeney and Raiffa, 1976). Buscar o rigor por si só produz rigor mortis na vertente teórica do progresso científico.</p>
<p><strong>O papel da pesquisa</strong></p>
<p>Se o excesso de rigor reduz a inovação e faz com que a teoria se distancie da prática, pelo menos no SI, por que não mudar a estratégia? Certamente acadêmicos preferem fazer parte da onda de tecnologia do que correr atrás dela.</p>
<p>Esses problemas tem sido aparentes por algum tempo (Szajna, 1994; Robey and Markus, 1998; Davenport and Markus, 1999). A falta de mudança real sugere que este é um problema social e não informacional. Originalmente, o objetivo principal da academia era produzir, assessorar e disseminar o conhecimento, e seu papel secundário era ajudar a alocar recursos de investimentos. Hoje pode-se discutir que o papel de alocação de investimentos supera o papel do crescimento de conhecimento.</p>
<p>No grande negócio da administração de universidades, rankings de departamentos, fundos para pesquisa, bolsas de estudo e alocações de bibliotecas, todos dependem das publicações (Rainer and Miller, 2005). Enquanto o objetivo principal da pesquisa é buscar a verdade, as publicações hoje são o primeiro mecanismo para agendas acadêmicas, verbas e promoções (Katerattanakul, <em>et al.</em>, 2003). Dizer que o objetivo das publicações acadêmicas é desenvolver, selecionar e difundir conhecimento é ingênuo quando as revistas acadêmicas direcionam todas as contratações e demisssões de uma universidade (Lowry, <em>et al.</em>, 2007).</p>
<p>Quando um sistema se torna o mecanismo para o poder, enriquecimento e controle, os objetivos idealizados, como a busca pela verdade, podem facilmente ficar em segundo plano. Autores podem não querer que seu trabalho fique trancafiado em revistas caras que apenas universidades ocidentais financiadas podem comprar, mas a exclusividade do negócio exige isso. Autores podem pessoalmente ver os outros como colegas em uma jornada de pesquisa cooperativa, mas o sistema os coloca como competidores por empregos e financiametos. Uma vez que a academia se torna um negócio, novas idéias tornam-se ameaças ao poder, ao invés de oportunidades para o crescimento do conhecimento. As revistas se tornam guardiãs do poder acadêmico ao invés de cultivadoras do conhecimento, e as teorias se tornam armas de batalha em arenas de promoção, ao invés de aradores em campos de conhecimento.</p>
<p>Que a maioria dos periódicos populares de SI agora aceitam em porcentagem de apenas um dígito ilustra o quão longe nós nos movemos da publicação para o aumento do conhecimento à publicação para relocar recursos. Pode um sistema onde a rejeição é a norma clamar que seu objetivo principal é produzir valor de conhecimento? Os cursos universitários também objetivam trocar conhecimento, mas um curso com 90% de reprovações seria moralmente inaceitável. No entanto, o intercâmbio de conhecimento acadêmico popular no SI funciona dessa forma. Simplesmente não é verdade que mais de 90% dos artigos rejeitados pelos &#8220;principais&#8221; periódicos tenham um valor mínimo. Na verdade nós sugerimos que são precisamente as novas idéias que são bloqueadas. Essa exclusividade já apresentou em seu nível máximo, nós argumentamos, um efeito tóxico na criatividade em pesquisas acadêmicas. A troca de conhecimento acadêmico tornou-se um sistema de autoridade e controle.</p>
<p>Pode-se justificar a distribuição de recursos financeiros excassas para os poucos, já que não há muito para distribuir, mas não se pode justificar distribuir o conhecimento desta forma, uma vez que distribuir conhecimento não o diminui. Enquanto os recursos físicas são distribuídos através de um modelo de soma zero, as fontes de informação seguem um modelo de soma não-zero (Wright, 2000), onde quanto mais se distribui, mais sinergia é criada (Whitworth, 2009a). A escassez esconomica não é argumento para a exclusividade do conhecimento.</p>
<p><strong>Treinando o conformismo</strong></p>
<p>O sistema acadêmico moderno se tornou praticamente um campo de treinamento para o conformismo. Estudantes de PhD [doutorado] passam de três a seis anos como aprendizes sob orientação, depois passam outros 3 a 6 anos buscando a segurança de um cargo estável. Em ambos estágios, criticar o establishment é arriscado, se você quiser uma carreira. Não é surpresa que seis a doze anos de treinamento produzam pessoas que seguem o decoro de suas frentes políticas. Ainda que se espere que jovens pesquisadores realizem avanços, um artigo escrito após um debate sobre rigor/relevância no ICIS 2005 os adverte:</p>
<table style="height: 78px;" border="0" cellpadding="0" width="711">
<tbody>
<tr>
<td>&#8220;Por ora, infelizmente, eu não   recomendaria aos estudantes de PhD ou graduação a buscar por uma   &#8220;pesquisa no SI que realmente importa&#8221;. Minha recomendação   seria&#8230;. atenham-se aos caminhos de suas carreiras&#8230;. poucas pesquisas que   realmente importam parecem ser publicáveis&#8221;. (Desouza, <em>et al.</em>,   2006)</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>Em função da <em>pressão por publicação</em>, os líderes sêniors do SI <em>explicitamente advertem</em> os novos acadêmicos a não inovarem se eles desejam uma carreira! Como a palavra &#8220;infelizmente&#8221; sugere, eles não assumem responsabilidade por um sistema que ativamente leva os inovadores a realizarem seus avanços na prática, por exemplo, o movimento de indexação automática surgido nas universidades e transformado em empresas comerciais como o Google (Arms, 2008).</p>
<p>Enquanto a estratégia de evitar riscos &#8211; &#8220;risco-baixo, ganho-baixo&#8221; &#8211; pode funcionar para tarefas como a produção de rotina de uma fábrica, ela falha desastrosamente em áreas como o desenvolvimento de novas tecnologias, onde o sucesso requer uma estratégia de &#8220;risco-alto, ganho-alto&#8221;. Se a academia escolhe a segurança do rigor, isso reduzirá o seu valor percebido externamente:</p>
<table border="0" cellpadding="0" width="60%">
<tbody>
<tr>
<td>“A síndrome publicar ou perecer   desvalorizou o propósito original da pesquisa na universidade&#8230; levou   líderes políticos e empresários a duvidar se o valor esperado das pesquisas   em defesa, saúde e progresso realmente tem ocorrido.” [<a href="http://www.uic.edu/htbin/cgiwrap/bin/ojs/index.php/fm/article/viewArticle/2609/2248#5">5</a>]</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>Paradoxalmente, enquanto motivos acadêmicos como a verdade fazem da academia um bom negócio, os motivos &#8220;de negócios&#8221; como buscar o progresso tornam a academia falida. Quando um sistema acadêmico se torna um sistema de negócios ele perde ambos valores acadêmico e de negócio, e quando os objetivos de negócios superam os objetivos acadêmicos, ambos falham.</p>
<p><strong>Mudando o sistema</strong></p>
<p>Pode este sistema mudar a si mesmo? Pesquisadores IS tradicionalmente julgam a importância de um periódico por medidas como as percepções dos experts internos, o número de citações e o número de publicações (Hamilton e Ives, 1982). Todas estas medidas geradas internamente e auto-alimentadas favorecem o status quo. Como observa uma publicação acadêmica: &#8220;<em>o que dá esse ambiente sua peculiar casta é o fato dos produtores do conhecimento serem também seus consumidores primários</em>&#8220;. [<a href="http://www.uic.edu/htbin/cgiwrap/bin/ojs/index.php/fm/article/viewArticle/2609/2248#6">6</a>]</p>
<p>Sugestões para fazer os sistemas de avaliação de periódicos mais relevantes, acrescentando critérios como idade da publicação (Rainer and Miller, 2005), o tempo que leva para aprovação dos artigos (Snodgrass, 2003), o tamanho do público leitor e a avaliação da utilidade da publicação pelos leitores (Nerur, <em>et al.</em>, 2005) tiveram pouco efeito.</p>
<p>Pesquisas atuais sobre a qualidade dos periódicos ilustram o contraste entre a ciência em busca de lucros e a ciência em busca pela verdade. Apesar de aceitar que &#8220;a ciência pode ser percebida como uma rede social que acumula, distribui e processa novos conhecimentos&#8221; [<a href="http://www.uic.edu/htbin/cgiwrap/bin/ojs/index.php/fm/article/viewArticle/2609/2248#7">7</a>], elas vêem a &#8220;qualidade&#8221; dos periódicos em termos de lucros dos atores:</p>
<p>1. De forma que os autores possam publicar em periódicos de qualidade (para melhor impacto na carreira);</p>
<p>2. De forma que os leitores possam selecionar periódicos de qualidade (para poupar tempo);</p>
<p>3. De forma que os comitês de promoção e decanos possam escolher sua equipe (mais facilmente); e,</p>
<p>4. De forma que as bibliotecas possam mais facilmente escolher as publicações de qualidade.[<a href="http://www.uic.edu/htbin/cgiwrap/bin/ojs/index.php/fm/article/viewArticle/2609/2248#8">8</a>].</p>
<p>A análise não contém nenhuma menção para o bem da comunidade que a descoberta da verdade proporciona, nem alguma realidade além dos ganhos individuais. A &#8220;qualidade&#8221; é assumida para se igualar ao rigor:</p>
<table border="0" cellpadding="0" width="60%">
<tbody>
<tr>
<td>“É sabido que os periódicos de maior   qualidade tendem a ter uma revisão mais exigente e maior controle de   qualidade; então, os resultados contidos em seus artigos normalmente tem   maior validade e autenticidade do que aqueles publicados em jornais de menor qualidade.”   [<a href="http://www.uic.edu/htbin/cgiwrap/bin/ojs/index.php/fm/article/viewArticle/2609/2248#9">9</a>]</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>Ou seja, como arguido, igualar qualidade com rigor é um erro, posto que a qualidade necessita tanto de rigor quanto de relevância. Quando a academia incestuosamente avalia a si mesma por estudos de citação e avaliação de especialistas ela pode facilmente se tornar um sistema auto-sustentado desconectado da realidade externa (Kerattanakul, et al., 2003).</p>
<p><strong>O caso dos Sistemas de Informação (SI)</strong></p>
<p>A disciplina de sistemas de informação, que ensina como as pessoas e organizações usam tecnologia para processar, transmitir e armazenar informação, fornece um caso interessante.</p>
<p><em>A diáspora SI</em></p>
<p>Conforme as pessoas usam computadores para mais tarefas alguém pode achar que SI é um disciplina em rápido crescimento, mas esse não é o caso. Ainda que a prática tenha inovado na década passada sistemas como eBay, Wikipedia e YouTube, o SI da  academia, enfraquecido pelo rigor, tem rastejado o melhor que pode. Conforme foi encarando a inevitabilidade do deserto de irrelevância, seu valor passou a ser questionado, e os financiamentos das pesquisas em SI começaram a secar (Robey e Markus, 1998):</p>
<p>&#8220;Devido à descontinuidade na transferência do conhecimento criada pelo SI acadêmico para todos os praticantes do SI, as fontes de financiamento para os esforços de pesquisas em IS são poucas e também estão em perigo&#8221;[<a href="http://www.uic.edu/htbin/cgiwrap/bin/ojs/index.php/fm/article/viewArticle/2609/2248#10">10</a>]</p>
<p>A pesquisa em SI combina contructos técnicos, humanos e sociais, requer métodos, medidas e análises mais complexas, que levam mais tempo para se realizarem. Quando disciplinas &#8220;lentas&#8221; como o SI rigorosamente se auto-sacrificam, o status de suas publicações sofre queda relativa a disciplinas mais especializadas em níveis de rigor comparáveis (Valacich, et al., 2006), causando diminuição da promoção, da segurança e das avaliações de peso para o campo do SI em comparação a outros campos (Kozar, et al., 2006). Seguir a exclusiva religião do rigor trouxe fome em vez de prosperidade para o SI.</p>
<p>Consequentemente, apesar de o crescente uso de tecnologias ao redor de mundo ter criado mais trabalhos, oportunidades e pesquisas, os docentes e pesquisadores do SI tem sido demitidos ou sub-utilizados. <em>A disciplina de SI, por sua própria estratégia, conseguiu reduzir a si mesmo dentro de um mercado em expansão.</em> O crescimento no número de alunos, funcionários e pesquisas foi absorvido por disciplinas vizinhas como a administração, engenharias, saúde, educação e computação, que adicionaram grupos de TI (Klein e Hirschheim, 2003); exemplificando, a computação médica e a informática emergiram para realizar um trabalho que a pesquisa estéril de SI falhou ao tentar.</p>
<p>Apesar da &#8220;diminuição do corpo docente de SI ter sido uma realidade durante anos&#8221; [<a href="http://www.uic.edu/htbin/cgiwrap/bin/ojs/index.php/fm/article/viewArticle/2609/2248#11">11</a>], refúgiados da debandada dos grupos de sistemas de informação agora existem em enclaves de disciplinas distintas<strong>, </strong>da engenharia a psicologia, quase sempre sob o nome de TI; por exemplo, o primeiro autor está em uma escola de ciências enquanto o segundo está nas artes liberais. O originalmente trans-disciplinar &#8220;sistemas de informação&#8221; é cada vez mais o negócio sub-disciplinar da gestão de sistemas de informação (GSI). Ao mesmo tempo que &#8220;&#8230; os conceitos pelos quais SI eram focados estão se tornando cada vez mais similares aos das outras disciplinas de administração.&#8221; (Hovorka, et al., 2009). Desde 1990 a função do SI no currículo de computação tem minguado e o currículo de TI tem se expandido em seu lugar  [<a href="http://www.uic.edu/htbin/cgiwrap/bin/ojs/index.php/fm/article/viewArticle/2609/2248#12">12</a>].</p>
<p>Esta <strong><em>diáspora disciplinar</em></strong> cresceu parcialmente através de uma tomada de assalto vinda de fora mas também através de uma visão interna míope preocupada em encontrar o santo graal da &#8220;identidade do SI&#8221;, seguindo estritamente a religião do rigor (Benbasat e Zmud, 2003). Esta visão umbigo-cêntrica focou a disciplina dentro de si mesma, quando ela deveria estar olhando para fora de si. Houve uma falha estratégica principal da visão e da liderança em SI, já que uma crescente disciplina acadêmica deveria ser um &#8220;pote de ouro&#8221; de novas idéias, e não uma piscina estagnada de velhas idéias.</p>
<p><em>Como o rigor restringe</em></p>
<p>Mesmo editores respeiados de Periódicos de SI reconhecem que há um problema: &#8220;<em>Publicações de pesquisa em SI parecem não publicar o tipo ou conteúdo certo de pesquisa</em>.&#8221;[<a href="http://www.uic.edu/htbin/cgiwrap/bin/ojs/index.php/fm/article/viewArticle/2609/2248#13">13</a>]. A causa que nós sugerimos está em conformidade social com velhas teorias. Por exemplo, duas teorias bem conhecidas em SI são:</p>
<p>1. <em>Modelo de aceitação de tecnologia</em> (TAM), que sugere avaliação dos usuários de tecnologia pela facilidade de uso e usabilidade (Davis, 1989).</p>
<p>2. Teoria da riqueza midática (MTR), que liga mídia &#8220;rica&#8221; a interações ricas (Daft, et al., 1987).</p>
<p>Essas teorias dominam o arcabouço teórico em SI, apesar delas terem mais de 20 anos e estarem mostrando sua idade &#8211; por exemplo, a &#8220;riqueza&#8221; da MRT sugere que pessoas não usarão mídia &#8220;tendênciosa&#8221; como o e-mail em relações sociais &#8220;ricas&#8221;, mas os amigos de hoje com frequência usam texto e chat. Ou o e-mail texto plano é uma &#8220;multimídia&#8221; rica ou a MRT hiper-simplifica a comunicação humana (Whitworth, 2009b). Similarmente, a premissa do TAM de que a facilidade de uso e usabilidade definem a aceitação de tecnologia é válida, mas omite critérios como segurança, confiabilidade e privacidade &#8211; críticos na Internet de hoje.</p>
<p>Certamente a TAM foi &#8220;extendida&#8221; por muitos fatores, como usabilidade, credibilidade, atratividade, auto-eficácia, controle comportamental, satisfação do usuário, aproveitamento e confiança (Moon e King, 2001;Heijden, 2003; Ong, <em>et al.</em>, 2004; Taylor and Todd, 1995; Shih, 2004; Yu, <em>et al.</em>, 2005; Pavlou, 2003).  Há um sabor de TAM para cada paladar ou necessidade, mas como todas essas variações trabalham juntas não está claro, já que nenhuma das que se enraizaram na árvore TAM de fato &#8220;pegou&#8221;. Esses vários pequenos &#8220;ajustes&#8221; para um modelo principal tem cancelado uns aos outros, levando a: &#8220;&#8230;<em>um estado de caos teórico e confusão no qual não está claro qual versão das muitas versões de TAM é a versão comumente aceita</em>.&#8221; [<a href="http://www.uic.edu/htbin/cgiwrap/bin/ojs/index.php/fm/article/viewArticle/2609/2248#14">14</a>]</p>
<p>A teoria unificada de aceitação e uso de tecnologia (UTAUT) (Venkatesh, <em>et al.</em>, 2003) objetivou autoritariamente “atualizar” a TAM. Mesmo que repleta de detalhes acadêmicos, ela meramente renomeou o construto de usabilidade do TAM para uma expectativa de performance, renomeou o construto facilidade de uso para esforço de expectativa, e então combinou essa &#8220;maquiagem&#8221; TAM com 8 outros igualmente antigos construtos psico e sociológicos para criar um &#8220;novo&#8221; modelo. Tais tentativas de reanimar velhas teorias produzem <em>teorias zumbis </em>que vivem brevemente e então morrem sem &#8220;alarde&#8221;. Um exemplo antigo era a &#8220;teoria do processo de ganhos&#8221; (Nunamaker, <em>et al.</em>, 1991; Vogel, 1993), que adaptou e com breve sucesso ressuscitou a antiga teoria do processo de perdas (1972) de Steiner<strong>.</strong></p>
<p>Os praticantes de computadores não são tolos:</p>
<table style="height: 106px;" border="0" cellpadding="0" width="702">
<tbody>
<tr>
<td>“Apesar   de seus clamores de tentar acabar com problemas futurísticos, vários   acadêmicos da ciência da computação continuam a possuir avenidas infrutíferas   de pesquisa e resolvem problemas para, bem, ninguém. Numa tentativa constante   de criar uma fachada de relevância e atrair fundos, eles reinventam sua   pesquisa simplesmente mudando a terminologia usada em artigos antigos para   refletir as novas tendências da indústria. É um modo fácil de publicar   artigos que ninguém vai ler.” [<a href="http://www.uic.edu/htbin/cgiwrap/bin/ojs/index.php/fm/article/viewArticle/2609/2248#15">15</a>]</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>O problema não está nas &#8220;velhas mas boas&#8221; teorias mas sim em um sistema que parece incapaz de fazer crescer novas teorias ao seu redor. Dadas as enormes mudanças na computação desde a década passada, a falta de inovações teóricas nesse mesmo período é no mínimo perturbadora.</p>
<p>Estaria a incapacidade de criar novas idéias para uma nova geração computacional acontecendo por que não existem idéias disponíveis? Por que os autores novos acreditam que a única forma de obter uma nova idéia além dos atuais gatekeepers é associando-a a uma idéia antiga, como o TAM? O processo é implícito para que não saibamos, mas na experiência direta do primeiro autor um experimento validando uma teoria alternativa à TAM foi editorialmente rejeitado por <em>JAIS</em> em 2005 pela razão de que artigos que criticam a TAM nunca passavam da revisão. Essencialmente o mesmo artigo foi enviado e publicado em um boa via não-SI (Whitworth, <em>et al.</em>, 2008). Incrívelmente, em 2007, uma série de artigos da JAIS se perguntavam se a TAM tinha &#8220;sobre-conquistado&#8221; o SI (Benbasat and Barki, 2007; Straub, 2007; Venkatesh, <em>et al.</em>, 2007). Para ser claro, quando teorias idosas negam as luzes da publicação para novas, não se trata de uma conquista, e sim de uma exclusão.</p>
<p>Os periódicos de SI dizem que aceitam novas teorias mas na verdade as rejeitam em nome do rigor? <em>MISQ</em> recentemente rejeitou ediorialmente uma latente análise de método de categorização de 180 periódicos americanos e europeus que concluiu que fatores de comunidade estão por trás das publicações em SI  (Larsen, <em>et al.</em>, 2008). Logo após isso, <em>MISQ</em> publicou um mesmo artigo com o método usando apenas 3 dos maiores periódicos americanos &#8211; que descobriur que o artefato de TI era central para a pesquisa em SI [<a href="http://www.uic.edu/htbin/cgiwrap/bin/ojs/index.php/fm/article/viewArticle/2609/2248#16">16</a>], seguindo uma teoria do editor senior (Benbasat and Zmud, 2003).</p>
<p>Os leitores podem julgar por si mesmos por que um amplo estudo com uma nova conclusão foi rejeitado mas um estudo limitado com uma velha conclusão foi aceito. O futuro do SI se baseia em artefatos ou comunidades? O leitor pode novamente decidir, mas artefatos são o nível mais baixo de tecnologia e comunidades são o nível mais alto do social, e conforme os sistemas sócio-tecnicos evoluem, os níveis mais altos são os que cada vez mais dirigem o progresso (Whitworth, 2009b)</p>
<p>A verdade é que é difícil publicar uma nova teoria num SI popular, se o &#8220;novo&#8221; não representa apenas um ajuste na teoria antiga e a &#8220;teoria&#8221; significa mais do que conjecturas especulativas. Inovação não é um termo que vem a mente quando alguém revisa a teoria do uso tecnológia, entretanto, na prática do uso tecnológico a verdade é precisamento o oposto. O fato de o progresso advir da prática – e não da teoria – sugere que as prioridades da teoria estão equivocadas.</p>
<p><strong>Tendências feudais de intercâmbio de conhecimento</strong></p>
<p>Nós descrevemos um sistema de intercâmbio de conhecimento feudal administrado por poucos voltado para poucos, apoiado ideologicamente pela igreja do rigor, financiado pelas fábricas universitárias de conhecimento, cujos objetivos são dominar e defender a pureza de feudos intelectuais especializados. Agora nós apontamos algumas tendências inevitáveis de tal sistema, novemente para o caso do SI.</p>
<p><strong>Exclusivo</strong></p>
<p>Um sistema de intercâmbio de conhecimento (SIC) é exclusivo quando o seu fluxo de informação dominante é restrito em escopo e contribuição. Numa economia competitiva, a escassez requer demanda, então taxas altas de rejeições em periódicos se tornam indicadores de qualidade. Isso cria um sistema auto-reforçante, onde periódicos exclusicos que rejeitam mais atraem mais, uma vez que sua exclusividade os faz mais atraentes. Quando o &#8220;fator de impacto&#8221; de um periódico é o número de citações dividido pelo número de publicações, publicar vários papers dilui o ranking de citação de um periódico (Lamp, <em>et al.</em>, 2007). Quando a exclusividade é baseada no rigor, evitar erros se torna mais importante do que ter novas idéias. Aceitar erroneamente um paper com falhas oferece consequencias às reputações, enquanto erradamente rejeitar um papel útil não deixa evidência alguma, uma vez que não chega a ver a luz do dia.</p>
<p>Enquanto o campo de SI mudou consideravelmente na última década, seus rankings de periódicos permaneceram extraordinariamente estáticos ao longo do tempo (Rainer and Miller, 2005), e tentativas de criar mais periódicos &#8220;A&#8221; enfrentaram dificuldades (Avison, <em>et al.</em>, 2006; Gallivan and Benbunan–Fich, 2007; Paul, 2007b). Ainda que uma pequena parcela dos principais periódicos seja a reponsável pela maior parte do &#8220;impacto&#8221; em artigos de SI, digamos, cerca de 60 papers por ano, representa pobremente um campo com potencialmente mais de 10.000 pesquisadores. Além disso,  MISQ e ISR geralmente apresentam contribuintes repetidos, geralmente professores seniors que editam ou fazem revisões para esses periódicos e conhecem as normas. O fato de revisores serem convidados, a maioria a partir de conexões informais entre os editores, clama criticas a uma &#8220;panelinha” que replica em sua própria imagem (Furnham, 1990).</p>
<p>A tendência é de alguns poucos periódicos exclusivos dominarem o cenário teórico. A alternativa proposta na Parte II, é um sistema mais democrático.</p>
<p><strong>Datado</strong></p>
<p>Um SIC é datado quando os seus fluxos de informação reportam principalmente assuntos que não são mais atuais. A falta de frequência em função da lentidão da publicação é uma perda de oportunidade do Tipo II. Qual é a utilidade da qualidade quando ela está atrasada o bastante para afetar as coisas, enquanto outros ou já resolveram ou ultrapassaram o problema? MISQ recentecem indicou que a lista de espera de artigos aceitos se extendeu por mais de um ano (Saunders, 2005). Hoje em dia tais demoras não são incomuns. Acrescente a isso um ou dois anos de revisão e um ou dois anos de coleta de dados e composição do artigo, e então os artigos “recém nascidos” já tem três-cinco anos de idade – um período de gestação extraordinariamente longo em qualquer definição. Muitos artigos de periódicos estão desatualizadas antes mesmo de serem publicados.</p>
<p>O rigor é mais fácil de ser mantido em relação a conteúdo conhecido. Uma revisão descobriu que os pesquisadores de SI em 1990 focaram nas questões que os praticantes da área enfrentaram uma década antes (Szajna, 1994), e a situação permanece a mesma nos dias de hoje. Quando os periódicos acadêmicos buscas os tópicos que interessam seus conselhos editoriais, eles se tornam registros do passado do conhecimento em vez de criadores de conhecimento.</p>
<p>A justificativa do rigor de que os artigos realmente bons serão publicados de alguma maneira em algum lugar, de forma que nada seja perdido por erros do Tipo II simplesmente não é verdadeira. No mundo glacial da publicação acadêmica, uma rejeição pode representar um atraso na publicação por cerca de dois-quatro anos. Dos bons artigos rejeitados, alguns desistem, outros se mudam para campos mais férteis, mas a maioria apenas se conforma com as “sugestões” dos revisores. Se os rejeitados não tentam novamente, publicação atrasada, como a jutiça, é publicação rejeitada, o que faz alguns sairem da academia por bem:</p>
<table style="height: 64px;" border="0" cellpadding="0" width="664">
<tbody>
<tr>
<td>“Para   jovens estudantes uma rejeição constante os deixa desiludidos e   desapaixonados, especialmente se eles percebem que o processo de revisão é   errôneo e destrutivo. Alguns deixam o jogo acadêmico depois de investir tanto   de suas vidas equipando-se para jogá-lo”. [<a href="http://www.uic.edu/htbin/cgiwrap/bin/ojs/index.php/fm/article/viewArticle/2609/2248#17">17</a>]</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>O oposto de datado é atual, e apenas um sistema eletrônico de acesso aberto, como descrito na parte II, pode acompanhar os passos da mudança moderna.</p>
<p><strong>Conservador</strong></p>
<p>Um SIC é conservador se ele resiste à mudança e à inovação. Uma barra de rigor em crescimento significa que novas teorias enfrentam com uma carga de refutação maior do que as teorias antigas (Avison, et al., 2006). Que as novas teorias respeitem as antigas é sensato, mas quando elas enfrentam críticas que as antigas teorias também não respondem, então essas tomaram um atalho ao subir a árvore do conhecimento. Novas teorias raramente emergem do oceano como Venus, perfeitamente formadas e isenta de falhas. Geralmente, as novas idéias surgem imperfeitas e se desenvolvem apenas ao longo do tempo com a ajuda de outras. Então de qualquer modo, a presunção deveria ser ao contrário. Quando novas teorias precisam ser inteiramente provadas antes mesmo de serem propostas como questões de pesquisa, então nós temos a ciência ao avesso. Como Einstein disse (dizem): “<em>Se nós soubessemos o que estamos fazendo, não seria chamado pesquisa, seria?”</em></p>
<p>Os docentes enfrentam longos períodos de tempo de revisão e baixos índices de aceitação, mas não há nada mais vital para sua sobrevivência do que mais publicação. Já que os membros dos comitês universitários geralmente classificam seus candidatos além de suas especialidades, a maneira mais fácil de garantir a aprovação é contabilizando o número de artigos publicados em periódicos qualis. Tais comitês raramente consideram o conteúdo diretamente, lendo os artigos de fato. Os números são ostensivamente mais “objetivos”, e também, convenientemente, poupam tempo.</p>
<p>Entretanto, para os autores, um artigo inovador envolvendo anos de trabalho, que transforma um campo e oferece uma pequena mudança em um artigo previamente publicado são considerados apenas como “um”. Quando o que é mensurado são as “visualizações” e não o valor do conhecimento, cabe aos autores elevar as visualizaçãos em vez do valor do conhecimento, publicando em grupos e “liberando aos poucos” as descobertas em vez de explorar outros tópicos – em outras palavras, se especializando.</p>
<p>Autores que inovam arriscam suas carreiras, mesmo que suas grandes inovações não tenham chance de florescer antes da decisão acerca dos seus vínculos com uma universidade. Não deveria ser assim. Os inovadores são os “agitadores” da academia – eles desafiam afirmações falsas de progressos no conhecimento. Um sistema que rejeita seus próprios agentes de mudança rejeita seu próprio progresso.</p>
<p>Novas idéias por definição contradizem a norma convencional, então há de se esperar que elas polarizem os revisores. Uma proposta que não ofenda alguém provavelmente não mudará nada. Porém, nas contratações acadêmicas, uma referência negativa pode acabar com um canditato[<a href="http://www.uic.edu/htbin/cgiwrap/bin/ojs/index.php/fm/article/viewArticle/2609/2248#18">18</a>], e em submissões à periódicos e preenchimentos de editais de financiamento, uma candidatura “perfeita” garante a pontuação máxima se ninguém se opor. Entretanto, se ninguém se opor ao seu trabalho você provavelmente não está fazendo nada de relevante. Uma marca da inovação é que ela <em>polariza as pessoas</em> – algumas amam, outras odeiam. O sistema de pontos da maioria das revisões despacha a criatividade.</p>
<p>Cem anos atrás Einstein inventou a relatividade especial trabalhando no escritório de patentes da Suíca, porque nenhuma universidade aceitou sua indicação. Entretanto, ele revolucionou a física. O sistema acadêmico de hoje é de alguma maneira mais convidativo aos não-ortodoxos? Será que o Einstein seria capaz hoje de conseguir um emprego <em>e</em> conseguir publicar? Se sim, a comunidade da ciência é a perdedora. Escolher a conformidade atraente em vez da inovação controversa é um erro estratégico do mais alto grau. Essa é a política que já produziu uma recessão no SI. Deve a academia em geral seguir o mesmo caminho? Como anotou o presidente da Academia Nacional de Ciência em 2003:</p>
<table style="height: 78px;" border="0" cellpadding="0" width="650">
<tbody>
<tr>
<td>“Nós   desenvolvemos um sistema de incentivos para jovens cientistas que é avesso   aos riscos… os pares afiram que admiram quem assume riscos, mas geralmente   investem em pesquisas seguras na hora de alocar recursos&#8230; isso ajuda a   explicar porque muitos dos nossos melhores jovens estão fazendo a ciência do   ‘eu também’”. [<a href="http://www.uic.edu/htbin/cgiwrap/bin/ojs/index.php/fm/article/viewArticle/2609/2248#19">19</a>]</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>A Parte II explora como mudar isso.</p>
<p><strong>Não lido</strong></p>
<p>Um SIC é considerado não-lido quando a maior parte de seu fluxo de informação não é lido ou compreendido. A leitura assídua de periódicos como o MISQ tem entrado em um agudo declínio há algum tempo (Benbasat and Zmud, 1999). Um levantamento entre 476 leitores de 130 periódicos sobre gestão indicou que 90 por cento dos artigos acadêmicos não são nem mesmo lidos pelos assinantes dos periódicos (Siggelkow, 2001). Como um antigo presidente da ACM nota <em>&#8220;&#8230; cerca de dois milhões de artigos acadêmicos na ciência e nas engenharias são publicados a cada ano por 72.000 periódicos; a vasta maioria desses papers são lidos por algumas centenas de pessoas no máximo; na maioria das disciplinas, cerca da metade dos papers nunca são citados por nenhum outro autor&#8221;.</em> [<a href="http://www.uic.edu/htbin/cgiwrap/bin/ojs/index.php/fm/article/viewArticle/2609/2248#20">20</a>]</p>
<p>A apatia de conteúdo é ilustrada quando os periódicos acadêmicos fazem convites para publicação, mas o editor não recebe nenhum. O &#8220;publicar ou perecer&#8221; produz acadêmicos interessados em seu próprio trabalho mas não no trabalho de outros? Por exemplo, autores que publicam em conferências, mas não participam delas, ou autores despreocupados se você acha que suas idéias estão erradas &#8211; contanto que você as cite. Por outro lado, por que tantos tentam publicar se tão poucos lêem seu trabalho? É uma crença ingênua de que outros se importam ou uma visão cínica de que contanto que você seja publicado/a, quem se importa se vão ler ou não?</p>
<p>Os leitores querem valores de conhecimento em troca pelo seu esforço de leitura. Mais rigor significa que artigos mais complexos requerem mais esforço para ler por geralmente o mesmo valor. Se os periódicos se sentem obrigados a publicar o artigo rigoros n+1 acerca de um tópico, esteja ele agregando valor ou não, os leitores recebem menos impacto semântico pelo seu investimento cognitivo, uma vez que autores reciclam as mesmas idéias em formas ainda mais sofisticadas. Se o rigor aumenta a complexidade do artigo e reduz as novas idéias por artigo, então os leitores podem se adequar a esse desequilíbrio reduzindo o esforço de leitura; por exemplo, passar os olhos sobre títulos ou resumos ao invés de todo o artigo. A moda do rigor faz com que os leitores criem seus “macetes” de leitura, ao invés de digerirem, o que depõe contra novas idéias.</p>
<p>Se o SIC democrático enunciado na Parte II permite que todos publiquem, isso não pioraria o problema da não-leitura, uma vez que teremos mais coisas pra ler? Sim – apenas se a motivação não mudasse, mas ela mudará. Enquanto em um sistema em que se evita o risco mais artigos representam mais erros a serem evitados, em um sistema que busca valores mais artigos representam mais valor potencial. Leitores usarão ferramentas eletrônicas como o Google Scholar, para fazer pesquisas positivas. Enquanto a literatura parece imensa, uma busca em um tópico específico pode produzir apenas um punhado de papers relevantes. Até mesmo papers imperfeitos podem ter partes boas ou estimular novas idéias. Quando o motivo move-se de seguir idéias normativas para a busca pelo conhecimento útil, mais pessoas lerão uma ainda maior <em>variedade</em> de papers.</p>
<p>O oposto de apatia é envolvimento e participação, e na Parte II nós sugerimos que ferramentas sócio-tecnicas possam transformar leitores de recipientes passivos de &#8220;qualidade&#8221; pré-selecionada para participantes ativos na geração de valor.</p>
<p><strong>Inacessível</strong></p>
<p>Um SIC é inacessível quando a maioria dos seus usuários potenciais não podem escrever para ele ou lê-lo. Na academia, para contribuir alguém tem que passar pelo firewall do revisor. Ainda assim, os revisores, que trabalham sem reconhecimento e sem remuneração, são também demasiadamente atribulados. Quando fazem a revisão, uma escolha é aceitar o paper, mas se outros revisores encontrarem erros isso pode ser profissionalmente embaraçoso. Em um ambiente onde admira-se o rigor, a opção segura é achar erros, e enquanto aclamar quando outros condenam supõe ingenuidade, uma revisão contundente entre aclamações é considerado um rigor louvável.</p>
<p>Para um revisor anônimo, gastar tempo avaliando um artigo representa não apenas um grande consumo tempo, mas é também um processo invisível. Se o conselho de um revisor é ignorado, eles perdem o tempo deles, e se for acatado, os autores recebem créditos pelas idéias dos revisores. Um presidente da AIS resumiu essa tendência há uma década atrás: &#8220;<em>As alegações feitas geralmente são as de que os revisores não são velozes, que sua qualidade é baixa, que eles não estão apoiando e afirmando os autores, e que eles refletem os preconceitos de uma &#8220;elite&#8221; que controla os periódicos&#8230; Baseado nas minhas próprias experiências, eu acredito que as alegações tem algum fundamento</em>&#8220;. [<a href="http://www.uic.edu/htbin/cgiwrap/bin/ojs/index.php/fm/article/viewArticle/2609/2248#21">21</a>] A moda do rigor sugere revisões com tendências negativas baseadas na negação dos erros em vez do crescimento do valor. Em contraste, o SIC democrático sugerido na Parte II pode reportar contribuições de revisão e ainda respeitar o anonimato, que aumenta o incentivo para uma revisão de qualidade.</p>
<p><strong>Especializado</strong></p>
<p>O rigor é mais fácil de ser mantido para o conteúdo restrito, então vale a pena levantar e defender castelos de conhecimento especializado. A pesquisa inter-disciplinar, onde os acadêmicos cruzam em outros campos, raramente sobrevive a crítica especializada, da mesma maneira quando os pesquisadores se movimentam em campos relacionados: &#8220;Não importa o quão original e útil seja seus insights, seu trabalho não impressionará tecnicamente os especialistas da área&#8221;. Entretanto, é nas áreas inter-disciplinares que historicamente o conhecimento se expande; por exemplo, a computação se desenvolveu da intersecção entre a matemática e a engenharia. A abordagem SIC feudal favorece mais a especialização do que a integração, uma vez que seus castelos são cosntruídos para excluir, não para conectar. Apesar de novas áreas começarem a abrir, logo também construirão muros do conhecimento para excluir e dominar seu campo.</p>
<p>Que a abertura do intercâmbio do conhecimento melhora a performance acadêmica é um fato ilustrado por um quasi &#8220;experimento&#8221; realizado em 1999 quando a Associação para Sistemas de Informação (AIS) iniciou dois periódicos online, o primeiro um rigoroso e tradicional periódico baseado em revisão por pares duplamente anônimo [double-blind peer review] (JAIS) e o segundo &#8220;mais leve&#8221;, <em>Communications of the AIS (CAIS),</em> sobre o qual Paul Gray deu aos autores a escolha de uma revisão leve feita por uma pessoa, ou completa feita por três. Estranhamente, em 2001, o CAIS foi avaliado como significantemente melhor (18) do que a JAIS (30) em rankings de impactos de periódicos (Barnes, 2005; Mylonopoulos and Theoharakis, 2001). É digno de nota que em 2003 o CAIS publicou 95 artigos enquanto o JAIS publicou 16. Pode-se concluir que <em>reduzir o rigor aumenta a performance de publicação acadêmica</em>.</p>
<p>Uma vez que mais &#8220;especialidades&#8221; rigorosas e exclusivas emergem, a tendência esperada é um sistema de publicação acadêmica que produz <em>mais e mais sobre menos e menos</em>. A alternativa proposta na Parte II é acabar com os muros para ao invés disso permitir mais e mais sobre mais e mais.</p>
<p><strong>O ponto final</strong></p>
<p>Sob uma tendência de rigor os grandes periódicos serão exclusivos em participação, avessos à inovação, poucos em números, terão conteúdos desatualizados, serão restritos em seu escopo, amplamente não lidos e cada vez mais especializados. Autores irão duplicar, imitar e suplicar ao invés de inovar. Eles irão reciclar velhas teorias com novos nomes, desenvolver pequenas atualizações para teorias canonizadas e nunca irão modificar a forma como encaram a opinião recebida. Revisores irão negar, criticar e se opor as tentativas dos autores de publicar, enquanto que os leitores irão apenas passar os olhos sobre as velhas idéias em novas roupas que forem publicadas &#8211; se eles lerem tudo. A resposta feudal a mais pessoas escrevendo é mais rejeições e mais pessoas não lendo. O ponto final esperado serão periódicos mais rigorosos do que relevantes, autores mais prolíficos do que produtivos, revisores negando e não inspirando e leitores lendo superficialmente mas não digerindo. O leitor pode decidir se isso se aplica ao campo deles.</p>
<p>Essa visão final de periódicos como castelos exclusivos e isolados de conhecimento, capitaneados por editores-soberanos e revisores-barões, levantando a barricada do rigor contra um assalto em massa por parte dos autores-camponeses que buscam posses de nobreza, não é inspirador.</p>
<p>No feudalismo uma pequena parte da elite administra as fontes de valor. Quando a fonte é o conhecimento a &#8220;verdade&#8221; se torna o que seus guardiões internos dizem o que é, e a inovação é rejeitada juntamente com os erros. Não é &#8220;Deixem que publiquem em qualquer outro lugar&#8221; o conhecimento equivalente ao de Maria Antonieta &#8220;que comam brioches&#8221;? Um sistema onde poucos escolhem o que é melhor para vários lerem não pode ser sustentado uma vez que no final as pessoas devem escolher por si mesmas.</p>
<p>No feudalismo os rostos mudam mas o sistema continua o mesmo, como no mote do sistema feudal &#8220;O rei está morto. Vida longa ao rei&#8221;. Com as publicações acadêmicas acontece o mesmo. Um artigo de Fred Davis na TAM foi rejeitado uma vez para uma conferência mas hoje é parte do sistema que rejeita as teorias de amanhã. Por que cada geração de inovação acadêmica deve quebrar a &#8220;Bastilha&#8221; de seus predecessores? Por que não transferir o poder de conhecimento como as democracias transferem poder econômico &#8211; por uma pacífica decisão da maioria? As democracias mudam de poder por consenso comum e não por meio de caras batalhas políticas, então por que não um SIC não pode fazer o mesmo?</p>
<p>A preocupação de que a abertura dos portões da cidadela do conhecimento deixará que uma enchente de erros tome conta, confunde democracia com anarquismo. O governo feito pelas pessoas não significa ausência de regras, apenas significam novas regras. Não destrói hierarquias, apenas as abre para todos por mérito. Para os acadêmicos realistas de hoje que fazem o jogo das publicações, este é &#8220;o jeito que é&#8221;, e idéias de conhecimento e democracia são um idealismo irreal. O mesmo poderia ter sido dito sobre a democracia física na idade média. A mudança social emerge uma vez que os indivíduos evoluem.</p>
<p>As falhas no sistema atual já estão mostrando e a <em>First Monday</em> pode ser uma delas. Uma economia democrática do conhecimento irá ultrapassar seu equivalente feudal pela mesma razão que as economias físicas democráticas ultrapassaram as feudais &#8211; que as pessoas produzem mais quando o controle é compartilhado. Uma força motriz desta mudança será a amplitude e velocidade do intercâmbio de conhecimento requerido pela pesquisa interdisciplinar.</p>
<p><strong>Pesquisa inter-disciplinar</strong><strong> </strong></p>
<p>Na pesquisa acadêmica multi-disciplinar especialistas trabalham lado a lado com a sua crença de que idéias especializadas irão inter-fertilizar, mas o aumento da especialização reduz essa probabilidade. Em contraste, a pesquisa inter-disciplinar usa os pesquisadores treinados em mais de uma disciplina para fundir conhecimento entre especialidades. Equipes inter-disciplinares tem tanto generalistas inter-treinados<strong> </strong>e especialistas de disciplinas.</p>
<p><strong>O viés do uso tecnológico</strong></p>
<p>Nós identificamos a <em>pesquisa inter-disciplinar no cerne do uso da tecnologia como uma área de expansão do conhecimento</em>. Termos como Web science (Fischetti, 2006), sistemas sócio-tecnicos (Whitworth and Moor, 2009c), tecnologias da informação e comunicação (TICs), sistemas de informação, computação social, ciência da informação, informática e ciência 2.0 (Shneiderman, 2008) todos apontam para uma &#8220;flor do conhecimento&#8221; crescendo nas encruzilhadas do uso da tecnologia (Figura 1).</p>
<p>Se o conhecimento cresce na intersecção de disciplinas então ele deveria crescer no ponto de uso da tecnologia, já que várias disciplinas se interseccionam aqui. Uma década atrás alguém escolheria o SI para essa novo campo inter-disciplinar, mas uma <em>sub-disciplina de administração</em> é improvavel de capturar o ponto central de várias disciplinas. Ainda que a evolução dessa encruzilhada de conhecimento seja incerta, não há dúvida que ela irá se expandir. Para capturar o núcleo deste conhecimento em expansão é requerida uma <em>meta-disciplina</em> que entrecorta outras disciplinas.</p>
<p>Para criar pessoas inter-disciplinares a academia precisa de centros inter-disciplinares, para apoiar a criatividade em pesquisa e atrair pesquisadores qualificados e estudantes buscando viajar entre as bordas do conhecimento. Várias universidades já tem centros inter-disciplinares para desenvolver melhores concessões. Um currículo de uso de tecnologia inter-disciplinar combinaria um núcleo tecnologico com outra disciplina principal, por exemplo, música e computação, contabilidade e computação, etc. Tal &#8220;disciplina das disciplinas&#8221; atrairia gente e estudantes de campos externos como a psicologia, engenharia, ciência da computação, ciência da informação, ciências da saúde, educação, negócios e matemática, diferente da SI que se difundiu em disciplinas vizinhas. Um &#8220;portal do conhecimento eletrônico&#8221; inter-disciplinar se tornaria a &#8220;Cingapura&#8221; do intercâmbio de conhecimento acadêmico &#8211; o lugar em que as pessoas vão para alcançar outros ambientes de conhecimento.</p>
<table style="height: 41px;" border="0" cellpadding="0" width="18">
<tbody>
<tr>
<td></td>
</tr>
<tr>
<td></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<div class="wp-caption alignnone" style="width: 535px"><img title="flor" src="http://img443.imageshack.us/img443/6544/florb.jpg" alt="flor" width="525" height="544" /><p class="wp-caption-text">flor</p></div>
<p align="center"><strong>Figura 1:</strong> A &#8220;flor do conhecimento&#8221; inter-disciplinar do uso da tecnologia. <strong> </strong></p>
<p>Dentro desta discussão também estará o número de estudantes. Tópicos &#8220;difíceis&#8221; como a computação tem tradicionalmente lutado para atrair mulheres, que são agora a maioria dos estudantes universitários. Isso não é por que as mulheres <em>não conseguem</em> aprender tecnologia, mas por que elas geralmente <em>escolhem</em> por não aprendê-la. O problema de poucas mulheres no campo da tecnologia será resolvido mudando a natureza da tecnologia, não mudando a natureza das mulheres. Uma vez que a tecnologia se transforma em socio-tecnologia, a escolha tradicional de social ou técnica, modelo ou geek, dará caminho a uma nova opção: social <em>e</em> técnica, como é ilustrado por sistemas de redes sociais como o Facebook. Conforme a computação reconhece o valor do conhecimento social, jovens mulheres com habilidades irão cada vez mais escolher estudar computação humanizada.</p>
<p><strong>Explosão inter-disciplinar</strong></p>
<p>Como o número de especialidades do conhecimento aumenta, o número de conexões inter-disciplinares aumenta geometricamente. A Figura 1 bi-dimensional não pode ilustrar isso, pois com oito disciplinas deveriámos ter 256 potenciais sobreposições, não apenas oito como mostrado. Uma ciência com centenas de disciplinas distintas tem dezenas de milhares de intersecções do conhecimento, cada uma potencialmente uma outra especialidade.</p>
<p>Deveria cada uma desenvolver seu próprio grupo de interesse especial, conferências e periódicos? De fato, nós já vemos uma nova indústria de periódicos de intersecção, liderados por IGI, com titulos como <em>International Journal of Computational Models and Algorithms in Medicine</em> (<em>IJCMAM</em>) (ciência da computação mais medicina), ou o  <em>International Journal of Adult Vocational Education and Technology</em> (<em>IJAVET</em>) (tecnologia mais educação). Essa expansão do conhecimento satisfaz as necessidades da maioria de publicar, mas retém a tradição de dividir o conhecimento em artificial e feudos desconectados; por exemplo, ele meramente adiciona mini-castelos em volta dos grandes.</p>
<p>A explosão inter-disciplinar ocorrerá quando o conhecimento gerado nas intersecções disciplinares excederem aqueles gerados pelos pólos especializados. Quando o progresso criado em campos abertos entre castelos excede os gerados dentro dos castelos, como no uso da tecnologia hoje, os castelos serão desnecessários a todos, menos àqueles que estão dentro deles. Como o sistema feudal de conhecimento isola e purifica, será visto como a maioria das pessoas vê as aristocracias feudais hoje &#8211; símbolos de uma era que já se foi. Quando a banda larga do intercâmbio de conhecimento inter-disciplinar exceder o do intercâmbio de conhecimento especializado, o sistema acadêmico de conhecimento feudal entrará em colapso.</p>
<p>A expansão do conhecimento na intersecção das disciplinas é mais uma chance para o progresso evolucionário, do que um sinal de fracasso. Construir muros para proteger o conhecimento é necessário numa terra de bandidos e ladrões, mas numa terra de artesãos honestos apenas reduz as sinergias beneficiais e força cada especialidade a reinventar as rodas intelectuais de outras.</p>
<p>Um diagrama de rede social baseado nas citações de 120 periódicos de SI em 2003 mostram claramente que hoje existem mais conexões do que pólos [<a href="http://www.uic.edu/htbin/cgiwrap/bin/ojs/index.php/fm/article/viewArticle/2609/2248#23">23</a>]. Enquanto o generalista <em>Communications of the ACM</em> é centralizado e influente, o rigoroso cluster &#8220;puro&#8221; do SI é centralizado em volta do <em>MISQ &#8220;&#8230; é amplamente isolado de outros periódicos na rede&#8221;. </em>[<a href="http://www.uic.edu/htbin/cgiwrap/bin/ojs/index.php/fm/article/viewArticle/2609/2248#24">24</a>] Para uma rede de conhecimento interconectada a necessidade motriz é o intercâmbio de conhecimento e não o seu estoque, que criará novas formas de busca por máquinas &#8220;cyber-acadêmicas&#8221; (Arms, 2008).</p>
<p><strong>Conclusões</strong></p>
<p>A demanda por pesquisas inter-disciplinares sugere que a academia deveria:</p>
<p>1. Substituir o mito de que rigor é excelência com a pesquisa como um misto de risco e oportunidade;<br />
2. Reduzir a influência dos negócios baseados na idéia que a verdade acadêmica é um bom negócio; e,<br />
3. Reinventar a publicação acadêmica como um sistema de intercâmbio democrático de conhecimento aberto.</p>
<p>As tecnologias sociais como wikis mostram o que é possível quando as comunidades são ativas, mas os wikis não são a resposta acadêmica uma vez que eles não atribuem ou alocam contabilizações, nem oferecem revisão anônima. As opções mais simples na publicação acadêmica já foram tentadas, então a Parte II deste papel sugere um híbrido sócio-tecnico.</p>
<p>Um SIC democrático reafirmaria o objetivo original da academia de publicar conhecimento livremente para a crítica e benefício mútuo. A busca por conhecimento deveria ser aberta e não fechada, dinâmica e não estática, inclusiva e não exclusiva, atual e não datada, afirmativa e não negativa, inovadora e não conservadora e acima de tudo, viva não morta. Para alcançar esse objetivo os acadêmicos devem ter em mente o objetivo do crescimento do conhecimento. Se fizermos nosso dever como outros fazem os deles, o progresso ocorrerá naturalmente. Não deixar que academia esqueça que sua principal razão de existir é para ampliar o conhecimento, não para guardá-lo, e nem lucrar com isso.</p>
<p><strong>Sobre os autores</strong><strong> </strong></p>
<p><strong>Brian Whitworth</strong> é professor da Massey University (Albany), Auckland, Nova Zelândia. Possui gradução em matemática, bacharel em psicologia, mestrado em neuro–psicologia e Ph.D. em sistemas de informação. Ele publicou em periódicos como <em>Small Group Research, Group Decision &amp; Negotiation, Database for Advances in IS, Communications of the AIS, IEEE Computer, Behavior and Information Technology (BIT), Communications of the ACM</em> e <em>IEEE Transactions on Systems, Man and Cybernetics</em>. Tópicos incluem a geração de acordos online, votação antes de discussão, legitimidade pelo design, spam e o abismo sócio-técnicno, e a web de performance de sistemas. Junto com Aldo de Moor, editou o <em>Handbook of Research on Socio–Technical Design and Social Networking Systems</em> (Hershey, Pa.: Information Science Reference, 2009). Visite <a href="http://brianwhitworth.com/">http://brianwhitworth.com</a>.</p>
<p><strong>Rob Friedman</strong> é professor de humanidades e tecnologia da informação e dirige o programa de ciência, tecnologia e sociedade na New Jersey Institute of Technology. Sua pesquisa examina a ciência e a culutra, design de sistemas sócio-técnicos e o papel da tecnologia na educação. Ele é autor de uma obra de referência no tópico de teoria e pesquisa de suporte ao campo da tecnologia e gestão da inovação <em>Principle Concepts of Technology and Innovation Management: Critical Research Models</em>, publicada em agosto de 2008 pela IGI Publishing. Friedman trabalha como edito-chefe da newsletter SIGITE (Special Interest Group for Information Technology Education) da ACM. Ele leciona em cursos de gradução e pós-graduação sobre sistemas sócio-técnicos em seus contextos culturais.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Agradecimentos</strong><strong> </strong></p>
<p>Agradecimentos a Paul Gray por uma crítica penetrante, a Marilyn Tremaine por insights, a Karen Patten e Elizabeth Whitworth por uma breve ajuda, a Jeff Axup por comentários úteis, a Peter Denning por um re-direcionamento valoroso, aos nossos revisores no First Monday por insights críticos e para os colegas IIMS primeiros autores por conselhos, comentários e tolerância.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Notas</strong><strong> </strong></p>
<p><a href="http://www.uic.edu/htbin/cgiwrap/bin/ojs/index.php/fm/article/viewArticle/2609/2248#1a">1.</a> Lyytinen, <em>et al.</em>, 2007, p. 317.</p>
<p><a href="http://www.uic.edu/htbin/cgiwrap/bin/ojs/index.php/fm/article/viewArticle/2609/2248#2a">2.</a> Grudin, 2004, p. 20.</p>
<p><a href="http://www.uic.edu/htbin/cgiwrap/bin/ojs/index.php/fm/article/viewArticle/2609/2248#3a">3.</a> Csikszentmihalyi, 1999, p. 320.</p>
<p><a href="http://www.uic.edu/htbin/cgiwrap/bin/ojs/index.php/fm/article/viewArticle/2609/2248#4a">4.</a> Ver <a href="http://researchroadmap.org/content/Element/ErrorType">http://researchroadmap.org/content/Element/ErrorType</a> para detalhes.</p>
<p><a href="http://www.uic.edu/htbin/cgiwrap/bin/ojs/index.php/fm/article/viewArticle/2609/2248#5a">5.</a> Denning, 1997, p. 132.</p>
<p><a href="http://www.uic.edu/htbin/cgiwrap/bin/ojs/index.php/fm/article/viewArticle/2609/2248#6a">6.</a> PHER, 1998, p. 3.</p>
<p><a href="http://www.uic.edu/htbin/cgiwrap/bin/ojs/index.php/fm/article/viewArticle/2609/2248#7a">7.</a> Lowry, <em>et al.</em>, 2007, p. 358.</p>
<p><a href="http://www.uic.edu/htbin/cgiwrap/bin/ojs/index.php/fm/article/viewArticle/2609/2248#8a">8.</a> Lowry, <em>et al.</em>, 2007, p. 352.</p>
<p><a href="http://www.uic.edu/htbin/cgiwrap/bin/ojs/index.php/fm/article/viewArticle/2609/2248#9a">9.</a> <em>Ibid.</em></p>
<p><a href="http://www.uic.edu/htbin/cgiwrap/bin/ojs/index.php/fm/article/viewArticle/2609/2248#10a">10.</a> Bakshi, <em>et al.</em>, 2007, p. 139.</p>
<p><a href="http://www.uic.edu/htbin/cgiwrap/bin/ojs/index.php/fm/article/viewArticle/2609/2248#11a">11.</a> Darroch and Toleman, 2007, p. 1072.</p>
<p><a href="http://www.uic.edu/htbin/cgiwrap/bin/ojs/index.php/fm/article/viewArticle/2609/2248#12a">12.</a> Denning, 2008, Figure 1.</p>
<p><a href="http://www.uic.edu/htbin/cgiwrap/bin/ojs/index.php/fm/article/viewArticle/2609/2248#13a">13.</a> Paul, 2007a, p. 194.</p>
<p><a href="http://www.uic.edu/htbin/cgiwrap/bin/ojs/index.php/fm/article/viewArticle/2609/2248#14a">14.</a> Benbasat and Barki, 2007, p. 2.</p>
<p><a href="http://www.uic.edu/htbin/cgiwrap/bin/ojs/index.php/fm/article/viewArticle/2609/2248#15a">15.</a> Gorton, 2008, p. 99.</p>
<p><a href="http://www.uic.edu/htbin/cgiwrap/bin/ojs/index.php/fm/article/viewArticle/2609/2248#16a">16.</a> Sidorova, <em>et al.</em>, 2008, Figure 4.</p>
<p><a href="http://www.uic.edu/htbin/cgiwrap/bin/ojs/index.php/fm/article/viewArticle/2609/2248#17a">17.</a> Weber, 1999, p. 4.</p>
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<p><a href="http://www.uic.edu/htbin/cgiwrap/bin/ojs/index.php/fm/article/viewArticle/2609/2248#19a">19.</a> <a href="http://video.nationalacademies.org/ramgen/news/042803.rm">http://video.nationalacademies.org/ramgen/news/042803.rm</a>.</p>
<p><a href="http://www.uic.edu/htbin/cgiwrap/bin/ojs/index.php/fm/article/viewArticle/2609/2248#20a">20.</a> Denning, 1997, p. 132.</p>
<p><a href="http://www.uic.edu/htbin/cgiwrap/bin/ojs/index.php/fm/article/viewArticle/2609/2248#21a">21.</a> Weber, 1999, p. 1.</p>
<p><a href="http://www.uic.edu/htbin/cgiwrap/bin/ojs/index.php/fm/article/viewArticle/2609/2248#22a">22.</a> Smolin, 2006, p. 343.</p>
<p><a href="http://www.uic.edu/htbin/cgiwrap/bin/ojs/index.php/fm/article/viewArticle/2609/2248#23a">23.</a> Polites and Watson, 2008, Figure 1, p. 97.</p>
<p><a href="http://www.uic.edu/htbin/cgiwrap/bin/ojs/index.php/fm/article/viewArticle/2609/2248#24a">24.</a> Polites and Watson, 2008, p. 98.</p>
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		<title>O bibliotecário que mediu a Terra</title>
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		<pubDate>Tue, 01 Sep 2009 12:29:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ExtraLibris</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A idéia de uma Terra esférica provavelmente cresceu independentemente em muitas culturas, mas o que nós sabemos é que os influentes gregos filósofos como Platão e Aristóteles quem estabeleceram essa idéia no pensamento ocidental. Com a força da lógica convincente de Aristóteles, os gregos aceitaram a esfericidade da Terra como um fato, mas eles não tinham resposta para a próxima pergunta: qual é o tamanho dessa esfera? A primeira medição conhecida da Terra não aconteceu antes que, no terceiro século antes de Cristo, um bibliotecário chamado Eratóstenes teve uma inspiração.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div>
<p>A idéia de uma Terra esférica provavelmente cresceu independentemente em muitas culturas, mas o que nós sabemos é que os influentes gregos filósofos como Platão e Aristóteles quem estabeleceram essa idéia no pensamento ocidental. “A esfericidade da terra”, Aristóteles escreveu em Metereologia, na última metade do quarto século antes de Cristo, “é provada pela evidência de nossos sentidos”.</p>
<p>Como outros antes dele, Aristóteles observou o aparentemente movimento das estrelas. Mas Aristóteles notou algo mais. Quando se viajava para norte ou sul, novas estrelas apareciam sobre o horizonte à frente e outras desapareciam sobre o horizonte atrás. O céu parecia de alguma maneira diferente em diferentes latitudes da Terra. Isso sugeriu a Aristóteles que a Terra é uma esfera, e uma não muito larga. Se fosse diferente, as viagens teriam de ser muito mais longas, mais do que do Egito a Atenas para que a diferença nas estrelas pudesse ser notada.</p>
<p>Outros dois fenômenos atraíram a atenção de Aristóteles. Navios desembarcando de um porto desapareciam com os cascos primeiro em qualquer direção que viajassem; se a Terra fosse plana, os navios deveriam ficar menores e menores, se tornar um ponto e então desaparecer. Um eclipse lunar forneceu outra dica. A sombra que caiu sobre a Lua – a sombra da Terra – era sempre curva. “Conseqüentemente”, Aristóteles concluiu, “se o eclipse é causado pela interposição da Terra, a linha curvada é resultado de seu formato esférico”.</p>
<p>Com a força da lógica convincente de Aristóteles, os gregos aceitaram a esfericidade da Terra como um fato, mas eles não tinham resposta para a próxima pergunta: qual é o tamanho dessa esfera?</p>
<p>No início havia apenas estimativas. Apesar de serem profundos conhecedores de lógica, os gregos algumas vezes burlavam a experimentação e a observação sistemática. Platão não fez mais do que uma suposição vaga. Em Phaedo, ele escreveu o que Sócrates disse: “eu acredito que a Terra é muito grande e que nós que habitamos entre os Pilares de Hércules [Gibraltar] e o rio Phasis [no Cáucaso] vivemos em uma pequena parte sobre o mar, como formigas ou sapos em um lago, e que muitas outras pessoas vivem em muitas outras regiões como esta”.</p>
<p>Aristóteles, o qual as observações das estrelas sugeriram que o tamanho da Terra não era grande, calculou a circunferência em aproximadamente 64.000 kilômetros. Arquimedes posteriormente reduziu a estimativa para 48.000. Mas nenhum dos casos indicava como havia se chegado a tais números.</p>
<p>Os chineses, desconhecidos pelos contemporâneos helênicos, devem ter enfrentado as mesmas questões. De acordo com várias estórias, diz a lenda, dois irmãos mediram a Terra. Eles andaram de norte a sul, e então de leste a oeste, e nas duas vezes eles alcançaram o mesmo resultado – 134.000 kilômetros. Se mais do que nada, essa estória prova que os gregos não estavam sozinhos em sua curiosidade pelo tamanho da Terra, ou em sua ignorância sobre como encontrar o resultado.</p>
<p>A primeira medição conhecida da Terra não aconteceu antes que, no terceiro século antes de Cristo, um bibliotecário chamado Eratóstenes teve uma inspiração. Eratóstenes viveu entre 276 e 196 A.C., depois da morte de Alexandre o Grande e antes da ascensão de Roma, em um tempo em que Alexandria superava todas as outras cidades do mundo Helênico. Fundada em 332 A.C. por Alexandre, a cidade se tornou mais rica do que Mileto e Atenas em seu auge, mais poderosa do que qualquer outra cidade então, Antioch ou Smyrna, Ephesus ou Nicaea. Era uma magnífica cidade beirando o Mediterrâneo e o delta do Nilo, uma cidade de palácios de pedra, avenidas largas, parques espaçosos, comércio fervilhante, e um porto conhecido pelos navegantes pelo magnífico faról de mármore branco na ilha de Pharos. Nesse centro comercial circulavam Macedônios, Gregos, Egípcios, Judeus, Persas, Sírios e Negros, dando vibração e agitação ao lugar. Como Herodas, um poeta grego do terceiro século antes de Cristo escreveu: “Alexandria é a casa de Afrodite, e tudo se encontra lá – riqueza, parques, um grande exército, um céu sereno, espaços públicos, filósofos, metais preciosos, rapazes atraentes, uma boa casa real, uma academia de ciências, vinhos finos e mulheres bonitas”.</p>
<p>Os governantes de Alexandria, e de todo o Egito, eram os Ptolomeus. Dentre todos os herdeiros do império do conquistador, eles eram os mais astutos e poderosos. Eles eram ditadores que cobravam altas taxas e mantinham o poder através de um imponente exército. Mas, não diferente de outros ditadores desejosos de prestígio e poder, os Ptolomeus também tinham ambições culturais. Nesse sentido, eles estabeleceram um templo para as Musas, e em tempo se tornou a Meca científica e literária do Mediterrâneo e a maior glória de Alexandria.</p>
<p>Como a sua evolução, o Museu de Alexandria trouxe mais semelhanças com os modernos centros de pesquisa, os chamados think tank, do que outros museus. Astrônomos, matemáticos, físicos, escritores, historiadores e filósofos de todas as partes do mundo Helênico foram convidados para o museu. Seus salários eram pagos pelo tesouro real. Eles viviam e trabalhavam e pensavam em construções dentro da zona real, o Bruchium. A eles eram oferecidos um hall de leitura, uma sala de jantar, laboratórios, jardins botânico e zoológico, um observatório astronômico, e quietos quintais para contemplação. Apesar de um padre egípcio estar por determinação encarregado, provavelmente um artifício real para os contribuintes nativos, os estudiosos pareciam ser independentes de qualquer influência religiosa sobre seus pensamentos. Também não havia qualquer indicação de que os Ptolomeus exigiam resultados “práticos” relacionados aos empreendimentos dos pensadores. Dentre os estudiosos atraídos para o museu estavam Demétrio, Strato, Euclides, Arquimedes, Apolônio, Calimacus e Eratóstenes. Por volta de 240 A.C., Ptolomeu III nomeou Eratóstenes chefe da biblioteca do museu, provavelmente a mais cobiçada posição de sabedoria no mundo Helênico. A biblioteca era o repositório de grande parte do conhecimento mundial registrado, o equivalente em rolos de papiro a 100.000 livros no sentido moderno. Ptolomeu III cometeu atos inescrupulosos para aumentar essa coleção. Por ordem real, qualquer pessoa chegando em Alexandria era revistada por quaisquer rolos em suas possessões, e esses rolos eram confiscados e entregados aos escribas para cópia. As cópias eram eventualmente retornadas aos seus donos, mas os originais permaneciam na biblioteca real.</p>
<p>Eratóstenes tinha tudo para ser mesmo um bibliotecário. Ele era um homem de muitos talentos, que testou e estudou quase todo o conhecimento da época. Ele estudou como gramático e poeta em sua terra natal Cyrene, oeste do Egito. Ele se mudou para Atenas, onde mergulhou na filosofia, ciência e matemática. De acordo com alguns relatos, Eratóstenes escreveu um volume de versos, uma história da comédia, e uma cronologia dos maiores acontecimentos na história Mediterrânea. Se tal versatilidade encantou Ptolomeu III, trouxe para si o desprezo por parte de seus pares, que estavam se tornando cada vez mais especializados. Eles o chamavam de beta e pentatlo. O último era o nome dos atletas que se distinguiam em cinco modalidades esportivas, sugerindo que Eratóstenes era um estudioso de muitos talentos, e talvez – na opinião dos críticos – mestre de nada. O beta significava ser o número dois, depois de alfa, implicando que ele era segundo escalão nos muitos campos do conhecimento em que se aplicava. Essa perversa caracterização pareceu seguir Eratóstenes ao decorrer de sua longa carreira, mesmo depois de seus experimentos para medição do tamanho da Terra.</p>
<p>Mas talvez apenas um homem como Eratóstenes, um polímata e aventureiro intelectual, poderia compreender a história do poço, a história que supostamente lhe deu a idéia para o experimento.</p>
<p>Entre as histórias de viajantes circulando em Alexandria na época, havia uma sobre um poço em Syene, no norte do Nilo em sua primeira catarata, onde o sol brilhou diretamente sobre suas águas profundas ao meio-dia do dia mais longo do ano, 21 de junho. Nada mais estranho havia sido visto em Alexandria. Para Eratóstenes a história significava que Syene (nome grego para Aswan) deveria estar localizada no limite norte dos trópicos.</p>
<p>A suposição baseava-se em observações feitas anteriormente por astrônomos. Por séculos, homens olharam o Sol, a Lua e as estrelas e concluíram que eles deveriam estar fixos dentro de uma grande esfera celeste que girava ao redor de uma Terra estática. O que poderia ser mais plausível?</p>
<p>Afinal, qualquer um poderia ver os movimentos no céu, mas quem poderia dizer que viu ou sentiu a Terra movendo? A Terra, os astrônomos acreditavam, era o centro estacionário de todas as coisas. Os antigos astrônomos começaram a perceber que, pela sua perspectiva de alguma maneira, o Sol não apenas girava ao redor da Terra todos os dias, mas também se movia pra cima e pra baixo no céu dentro de ciclos de 36 dias, maiores em algumas estações e menores em outras. Eles chamaram essa aparente jornada anual do Sol de elipse. Ao delinear a elipse, os astrônomos constataram que o Sol estava quase sempre em um ângulo em relação com o equador celestial, a linha imaginária em que eles dividiram a esfera celeste. Outras observações mostraram que o Sol parecia migrar aproximadamente do 240 sul do equador celestial, para o 240 norte, e então retrocedia o mesmo curso. Isso se tornou conhecido como a obliqüidade da elipse.</p>
<p>Significa que apenas duas vezes por ano, em 21 de março e 23 de setembro, a trajetória do Sol intersecta o equador celestial. Quando isso ocorre, as horas do dias e da noite são iguais &#8211; equinócio. E duas vezes por ano, quando o Sol atinge um dos extremos em sua migração norte ou sul, ele permanece no seu maior ângulo em relação ao equador celestial.</p>
<p>Cada uma das linhas imaginárias no céu marcando os extremos da migração solar foi chamada de trópicos, em função da palavra grega tropos, uma “volta”, ao que parecia nesta linha, o Sol parava, girava ou retornava. Ao norte do equador celestial, isso ocorre em 21 de junho, contabilizando o dia mais longo do ano para as pessoas do norte. Ao sul do equador, isso ocorre em 22 de dezembro, fazendo o dia mais curto do ano no norte e o dia mais longo para as pessoas do sul &#8211; mas os gregos daquela época geralmente não acreditavam que pessoas poderiam existir ao sul.</p>
<p>Na época de Eratóstenes, os homens haviam traduzido o que ele enxergavam no céu em relação à Terra. Eles falavam de terras abaixo dos trópicos e abaixo do equador. Esse pensamento marcou a origem das zonas geográficas baseadas em latitude e o equador da terra, em um plano com o equador celestial, como um círculo imaginário dividindo a Terra em hemisférios. Tal concepção deu à cartografia suas três primeiras linhas de referência para mapas &#8211; o Trópico de Câncer, o Equador, e o Trópico de Capricórnio. O trópico ao norte tornou-se conhecido como o Trópico de Câncer porque o Sol faz sua volta por lá no mês do caranguejo (Câncer), uma das constelações do zodíaco, e sua primeira aparição no ano. Da mesma forma, o trópico ao sul foi chamado de Trópico de Capricórnio por sua relação com a primeira aparição do ano da constelação de Capricórnio.</p>
<p>Agora, claro, nós sabemos que é a Terra, não o Sol, que está se movendo e causando as mudanças dos dias e das estações. O que os gregos do tempo de Eratóstenes não sabiam é que a Terra gira de oeste para leste em seu eixo (a cada 24 horas) e orbita o Sol (uma vez a cada 365 dias). Mas o eixo da Terra não é perpendicular ao plano da órbita da Terra ao redor do Sul. Se não fosse, o Sol brilharia verticalmente apenas sobre o equador da Terra.<br />
Ao invés disso, a Terra está inclinada em um ângulo de mais ou menos vinte e três graus e meio, muito próxima da estimativa dos gregos de vinte e quatro graus para a obliqüidade da elipse do Sol.</p>
<p>Exceto por uma leve oscilação, a Terra inclina-se no mesmo ângulo o ano inteiro, com o seu eixo sempre apontando na direção de Polaris, a estrela do norte. Conseqüentemente, quando a Terra está em uma parte de sua órbita, o pólo norte está inclinado em direção ao Sol e é verão no hemisfério norte e inverno no sul. No outro ponto da órbita, o pólo norte está com inclinação afastada do Sol, e é inverno no hemisfério norte e verão no sul.</p>
<p>Mas se os gregos antigos estavam errados sobre as causas do que eles haviam observado, eles estavam completamente corretos em relação a um efeito: apenas nos trópicos pode existir um sol de meio-dia capaz de irradiar sobre as águas de um poço profundo.</p>
<p>Com isso em mente, Eratóstenes sentiu que ele possuía todo o necessário para medir a circunferência da Terra. Ele estava atento ao fato de que os raios de Sol são, para todos os propósitos e intenções, paralelos quando eles atingem a Terra. Então, se a Terra é uma esfera, a luz do Sol deve atingir diferentes partes da Terra em diferentes ângulos, a curvatura da Terra sendo responsável pela diferença. Isso lhe ocorreu quando, no dia em que o Sol brilhava diretamente sobre o poço em Syene bem ao meio-dia e não havia sombras na cidade, ele lembrou ter visto muros produzindo sombras em Alexandria. Se ele pudesse medir o ângulo da sombra em Alexandria ao meio-dia daquele dia, Eratóstenes pensou, ele poderia calcular o tamanho da Terra sem ter de sair de dentro da biblioteca.</p>
<p>Eratóstenes fez exatamente isso, usando o Sol, o poço, e uma coluna vertical.</p>
<p>Do que Eratóstenes podia aprender com os viajantes, Syene supostamente se localiza ao sul de Alexandria, o que era particularmente conveniente. Isso significava que dois lugares deveriam estar localizados sob o mesmo meridiano e então apontar o mesmo grande círculo da Terra. Um meridiano é metade de qualquer círculo que cruza o equador em um ângulo certo e circunda todo o globo.</p>
<p>Ainda em relação a localização de Syene e Alexandria, significava que se ele determinasse a distância entre as duas cidades, ele saberia a distância exata de um arco do meridiano &#8211; ou seja, o tamanho de uma parte do meridiano e conseqüentemente uma parte da circunferência da Terra. Eratóstenes soube que uma caravana de camelos precisava de 50 dias para fazer a jornada e que camelos geralmente percorrem 100 stadia por dia. A distância então deveria ser de 5.000 stadia. Inspetores reais, de acordo com algumas versões da história, percorreram a rota em uma tentativa de confirmar a distância.</p>
<p>Com essas duas informações &#8211; a localização no mesmo meridiano e a distância &#8211; faltava apenas uma para os cálculos de Eratóstenes. Se o arco do meridiano entre Syene e Alexandria media 5.000 stadia, qual fração do círculo completo isso representava? Era uma pequena ou grande fração? Era isso que Eratóstenes tinha de descobrir.</p>
<p>Seu próximo passo foi um engenhoso exercício de geometria elementar.</p>
<p>No 21 de junho seguinte, quando ele sabia que o Sol brilharia verticalmente sobre o poço em Syene, Eratóstenes foi até um obelisco usado para mostrar as horas através do Sol. Chamado de gnomon, essa coluna vertical apoiava-se em uma base horizontal sobre uma linha norte-sul. O gnomon era tão verticalmente perpendicular ao chão que se você desenhasse uma linha do alto dele até a sua base, a linha passaria pelo centro da Terra.</p>
<p>Quando a sombra do obelisco atingiu a linha do meridiano, significando que o Sol estava no ponto mais alto sobre Alexandria, Eratóstenes se agachou e cuidadosamente marcou o limite da sombra e então mediu o tamanho desde a base do gnomon. E foi isso. Ele havia medido a Terra.</p>
<p>Eratóstenes já sabia então o tamanho da sombra e a altura do gnomon, e isso lhe deu dois lados medidos de um triângulo. Sabendo isso, ele poderia desenhar o terceiro lado do triângulo e então encontrar o ângulo entre o topo do gnomon e os raios do Sol.</p>
<p>Era um ângulo pequeno 7³12’, aproximadamente 1/50 de um círculo completo. Já que não havia sombras em Syene naquele exato momento, com o Sol a pino, Eratóstenes concluiu que a distância entre Syene e Alexandria era de 1/50 da distância de uma volta na Terra. Então, ele calculou, 50 x 5.000 stadia = 250.000 stadia, ou 46.250 kilômetros. A circunferência da Terra teria então, aproximadamente 46.000 kilômetros. Era mais ou menos 16% superior; a circunferência hoje é sabida a ter pouco mais de 40.000 kilômetros. Mas Eratóstenes passou muito perto, considerando que ele trabalhou sem nenhum benefício das ferramentas de medição modernas.</p>
<p>Uma certa dose de sorte favoreceu Eratóstenes, já que, sem tomar conhecimento, ele cometeu diversos erros. Um de seus erros teoréticos, afirmar a perfeita esfericidade da Terra, fez pouca diferença. Mais importante, entretanto, era o fato de que Syene não está localizada exatamente no Trópico de Câncer, mas aproximadamente 60 kilômetros ao norte. Syene e Alexandria não estão nem mesmo sobre o mesmo meridiano, com Syene 3³3’ a leste. E, como era de se esperar, as caravanas de camelos provaram ser menos precisas em suas medições de distância; a metrópole e o oásis estão distantes entre si menos de 5000 stadia – ou seja, 725 kilômetros de distância, ao invés de 800. Mas os vários erros devem ter cancelado uns aos outros.</p>
<p>Eratóstenes, em seu experimento para medição da Terra, foi certamente primeiro escalão, alpha, não beta. George Sarton, o historiados da ciência, escreveu: “Havia entre eles um homem genial, mas como trabalhava em um novo campo, eles eram muito estúpidos para reconhecê-lo. Usual como nestes casos, eles provaram não a ignorância dele, mas de si próprios”.</p>
<p>Foi Eratóstenes que primeiro provou a “capacidade exploratória da mente humana” em uma escala global, condensando o tamanho da Terra de imensidão desconhecida para uma dimensão capaz de ser medida. Ele morreu com 80 anos sabendo com incrível precisão o tamanho e o formato da Terra – mas sem conhecer muito sobre as terras e mares que cobrem a Terra que ele mediu.</p>
<p><a href="http://www.amazon.com/Mapmakers-Revised-John-Noble-Wilford/dp/product-description/0375409297">John Noble Wilford</a></div>
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		<title>Prostituição acadêmica: publicando o que os pares querem</title>
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		<pubDate>Wed, 26 Aug 2009 18:50:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ExtraLibris</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ensaio]]></category>

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		<description><![CDATA[O sistema de publicação científica que existe em nosso campo no tempo atual virtualmente força os acadêmicos a tornarem-se prostitutas: vendem-se por dinheiro (e uma boa vida). Ao contrário das prostitutas que vendem seus corpos por dinheiro (Edlund e Korn, 2002), os acadêmicos vendem sua alma para se conformar à vontade de outros, os editores, a fim ganhar uma vantagem, a publicação.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div>
<p>O sistema de publicação científica que existe em nosso campo no tempo atual virtualmente força os acadêmicos a tornarem-se prostitutas: vendem-se por dinheiro (e uma boa vida). Ao contrário das prostitutas que vendem seus corpos por dinheiro (Edlund e Korn, 2002), os acadêmicos vendem sua alma para se conformar à vontade de outros, os editores, a fim ganhar uma vantagem, a publicação.</p>
<p>O processo de ir de humilde graduando ao professor onisciente segue mais ou menos este caminho:</p>
<p>1.<strong>Graduando</strong>: Escrever uma monografia (para obter boas recomendações da escola de graduação)<br />
2.<strong>Pós-graduando</strong>: Publicar pelo menos 1 artigo todos os anos nos principais periódicos (conferências, se for de engenharias) em seu campo. Passar pelas avaliações<br />
3.<strong>Professor assistente</strong>: Publicar diversos artigos (incluindo aqueles que você “co-autora” com seus alunos); comece a receber financiamentos (bolsas). Repita por 6 anos<br />
4.<strong>Professor adjunto</strong>: Você venceu, é isso. Receba os créditos…</p>
<p>Obviamente, ser publicado é o fator mais importante de uma carreira acadêmica. Entretanto, para entrar nos grandes periódicos da sua área seu trabalho tem que ser aprovado pelos editores. Se o editor aceitar seu artigo na primeira tentativa, diversos conselheiros revisam-no e oferecem sugestões para melhorias. Possuem também o poder do veto e seu artigo pode ser rejeitado por qualquer membro do conselho editorial. Somente quando você fêz todas as mudanças “sugeridas” (e esta pode passar por diversas revisões), você terá uma possibilidade da aceitação para a publicação.</p>
<p>Fazer as revisões força-o a publicar algo diferente de seu trabalho original sob as demandas de uma pessoa anônima. Custa também tempo precioso, e o tempo está sempre voando em sua carreira acadêmica.</p>
<p>Isto apresenta uma dissonância no sistema porque os editores têm o poder de ditar mudanças a um artigo, mas nenhum direito de propriedade nos periódicos. Podem parecer agir no interesse do periódico, mas não lhes há nenhum benefício econômico para fazer dessa maneira.</p>
<p>Para opôr isto, Frey propõe um sistema de publicação modificado onde os editores de periódicos fazem a aceitação/decisão da rejeição no momento do recebimento dos artigos, e os revisores propõem as sugestões que caberá  ao autor livremente executar ou ignorar. Este sistema trata os acadêmicos como artistas, reduzindo a prostituição intelectual e promovendo a criatividade em artigos publicados.</p>
<p>É improvável que o processo acadêmico de publicação mude em curto prazo, mas escrever livros e colocar artigos na web dentro de um repositório de artigos (tal como <a href="http://www.ssrn.com/">SSRN</a> ou <a href="http://arxiv.org/">arXiv</a>) são alternativas potenciais para alguns acadêmicos.</p>
<p>Frey, B. S. (2003). Publishing as prostitution? &#8211; Choosing between one’s own ideas and academic success. Public Choice, 116, 205-223.</p>
<p>via <a href="http://tastyresearch.wordpress.com/2006/10/15/academic-prostitution-publishing-what-the-referees-want/">Tasty Research</a></div>
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		<title>Não publicar e não perecer</title>
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		<pubDate>Sun, 02 Aug 2009 16:07:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>ExtraLibris</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos e Estudos]]></category>
		<category><![CDATA[colaboração]]></category>
		<category><![CDATA[comunicação científica]]></category>
		<category><![CDATA[metodologia]]></category>
		<category><![CDATA[peer review]]></category>
		<category><![CDATA[redes sociais]]></category>
		<category><![CDATA[revisão por pares]]></category>

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		<description><![CDATA[Tecnologias web e a dinâmica das redes sociais online são capazes de reverter a máxima do “publicar ou perecer” tradicional, no sensu strictu de que não seria mais obrigatoriamente necessário tornar público idéias em periódicos qualis para ser considerado autoritativo dentro de uma determinada comunidade científico-profissional. Neste ensaio advoga-se novas metodologias de validação qualitativa do conhecimento, ao mesmo tempo em que evita-se comparações equivocadas entre a publicação independente e a publicação tradicional acadêmica. Por fim, critica-se algumas dinâmicas de consolidação da autoridade.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 1.5em; padding-left: 0px; margin: 0px; border: 0px initial initial;">Tecnologias web e a dinâmica das redes sociais online são capazes de reverter a máxima do “publicar ou perecer” tradicional, no sensu strictu de que não seria mais obrigatoriamente necessário tornar público idéias em periódicos qualis para ser considerado autoritativo dentro de uma determinada comunidade científico-profissional. Neste ensaio advoga-se novas metodologias de validação qualitativa do conhecimento, ao mesmo tempo em que evita-se comparações equivocadas entre a publicação independente e a publicação tradicional acadêmica. Por fim, critica-se algumas dinâmicas de consolidação da autoridade.</p>
<p style="padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 1.5em; padding-left: 0px; margin: 0px; border: 0px initial initial;">Palavras-chave: comunicação científica, revisão por pares, autoridade, redes sociais, mídias sociais.</p>
<p style="padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 1.5em; padding-left: 0px; margin: 0px; border: 0px initial initial;">Abstract:<br style="padding: 0px; margin: 0px; border: 0px initial initial;" />Web technologies and the dynamics of online social networks are capable of reversing the traditional wisdom of “publish or perish” in the strictest sense that would not be a requirement to make ideas public in academic qualified journals to be considered authoritative within a certain scientific and professional community. This essay advocates new methods for the validation of qualitative knowledge, while avoiding mistaken comparisons between the independent publishing and traditional academic publishing. Finally, it criticizes some of the dynamics of authority consolidation.</p>
<p style="padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 1.5em; padding-left: 0px; margin: 0px;">artigo publicado originalmente na revista <a title="Reviu revista informação e universidade" href="http://www.siglinux.nce.ufrj.br/~gtbib/site/2009/07/moreno-barros-nao-publicar-e-nao-perecer/" target="_blank">Informação e Universidade</a></p>
<p style="padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 1.5em; padding-left: 0px; margin: 0px;">disponível para <a style="color: #304b6e; text-decoration: none; padding: 0px; margin: 0px;" title="moreno barros publicar perecer" href="http://www.siglinux.nce.ufrj.br/~gtbib/site/wp-content/uploads/2009/07/moreno-barros-publicar-perecer.pdf">download &#8211; arquivo pdf</a> em formato de impressão</p>
<p style="padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 1.5em; padding-left: 0px; margin: 0px;">&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;-</p>
<p><iframe src="http://docs.google.com/gview?url=http://www.siglinux.nce.ufrj.br/~gtbib/site/wp-content/uploads/2009/07/moreno-barros-publicar-perecer.pdf&#038;embedded=true" style="width:600px; height:500px;" frameborder="0"></iframe></p>
<p>É possível não ter um artigo sequer publicado em periódicos acadêmicos e ainda assim ser considerado relevante para a área do conhecimento ou profissional em que atua? É possível não publicar e não perecer?</p>
<p>Eu sustento o argumento que, em 2009, um indivíduo é capaz de alcançar notoriedade e garantir legitimidade científico-profissional por meio unicamente da web. Isto é, fazendo uso de tecnologias web e da dinâmica das redes sociais online, reverter a máxima do “publicar ou perecer” tradicional, no sensu strictu de que não seria mais obrigatoriamente necessário tornar público idéias em periódicos qualis para ser considerado autoritativo dentro de uma determinada comunidade científico-profissional.</p>
<p>Esta idéia simples não é original e talvez já soe saturada. Ela só se justifica porque nosso modelo de públicação de idéias permanece altamente balizado nas noções clássicas da comunicação de massa e da autoridade científica. Por essa razão, este tópico deverá ser discutido até que não se ignore mais que a web atual requer uma nova compreensão no que concerne à sua capacidade de oferecer à qualquer indivíduo condições de tornar idéias públicas e garanti-las autoridade e legitimidade com base nas ferramentas que a própria web oferece.</p>
<p>Com aporte de ferramentas web e da dinâmica das redes sociais online, eu sou capaz de produzir, mesmo estando fora da círculo acadêmico; posso ser avaliado por diversos outros mecanismos de refino e validação que não exatamente um grupo restrito de pares pesquisadores ou especialistas de uma área do conhecimento; e posso publicar em diversos veículos de comunicação e disseminação que não exclusivamente um periódico acadêmico.</p>
<p>Em qual momento, é obrigatoriamente necessário que eu siga as regras estabelecidas pelas sociedades científicas tradicionais, para garantir os mesmos resultados que elas oferecem? A minha resposta é nenhum momento. Você consegue não publicar (nos veículos tradicionais) e não perecer.</p>
<p><strong>A questão da comunicação</strong></p>
<p>A comunicação científica clássica se sustenta em cânones desde os primórdios do Journal des sçavans e do Philosophical Transactions da Royal Society e vem funcionando perfeitamente bem há mais de três séculos. Por que haveria de se preocupar com uma nova frente de circulação de idéias que em um primeiro momento não vê necessidade de fazer parte do seu modelo secular?</p>
<p>Para as instituições de publicação científica tradicionais, seria muito fácil simplesmente ignorar que um grupo de indivíduos, mesmo publicando boas idéias livremente na web, não esteja disposto a compactuar com o seu modelo. Se um profissional autônomo ou pesquisador independente não deseja fazer parte desse sistema, o problema é unicamente de si próprio.</p>
<p>Não há dúvidas que o sistema de avaliação por pares é um conceito central da comunicação científica clássica. Além de prevenir plágios, a avaliação por pares garante o mérito da publicação da produção científica de qualidade.</p>
<p>Este sistema tende a funcionar bem ou mal dependendo da área de pesquisa. Suas falhas, critérios e limitações já foram questionados de várias formas possíveis, porém, mesmo casos polarizados como os de Sokal e dos irmãos Bogdanov, não seriam necessários para ilustrar melhor as presunções que levanto.</p>
<p>Então considere o seguinte: é perfeitamente possível que um pesquisador independente encontre a cura para uma doença rara. Diante da necessidade de tornar público o mais rápido possível seu achado, e não se sujeitar a uma eventual demora no processo de submissão a um periódico científico da área, ele decide publicar os resultados de suas pesquisas em um blog, ou no twittter. O que ele publicou deixa de ser ciência simplesmente porque publicou em um blog ou no twitter o resultado de suas pesquisas? Evidente que não, pois ciência é sobre método, não sobre o formato de divulgação da ciência.</p>
<p>O que advogo aqui não é simplesmente não publicar e não perecer. Já que a ciência é sobre método, acredito serem necessárias novas metodologias de validação qualitativa do conhecimento, considerando que os métodos clássicos já não são mais compatíveis com o modus operandi que temos hoje na “sociedade da informação”.</p>
<p>Os novos serviços e redes sociais que recentemente emergiram causaram uma série de transformações na web, extrapolando seus domínios. A transformação no modus operandi, entretanto, não é baseada apenas em mudanças tecnológicas, mas principalmente, em uma mudança de mentalidade.<br />
Percebe-se uma singularidade no que concerne à necessidade de visibilidade e de se fazer ouvir. Há de se considerar que desde tempos antigos os indivíduos têm necessidade de expressar e disseminar suas idéias e experiências. Porém, a voz normalmente ouvida na memória informacional era de pessoas que alcançaram projeção pública.</p>
<p>Hoje, a web permite que pessoas comuns (ainda que somente aquelas situadas em um lado da divisão digital) expressem suas próprias vozes com regularidade, e em alguns casos, alcançar reconhecimento. Nesse sentido, plataformas como blogs e as redes sociais online enquanto sistemas de produção e difusão de informação podem ser entendidos como uma marca de emancipação.</p>
<p>A busca por expressão por parte daqueles marginalizados no espaço informacional é facilitada por blogs e redes sociais que permite centenas de milhares de pessoas a publicarem e compartilharem sobre suas vidas, seus trabalhos, suas dúvidas e achados, independente das suas motivações para tanto, e da forma em que esse tipo de conteúdo é difundido.</p>
<p><strong>Comparações equivocadas</strong></p>
<p>Coloco em evidência dois segmentos distintos. Compará-los utilizando a mesma metodologia de medição seria um erro primário, porque suas características não são similares. Deixar que se isolem em seus mundos de cânones e rituais seria um erro maior ainda.</p>
<p>Para alguém que não vêm acompanhando as discussões em torno de descentralização e colaboração, discussões revigoradas com o advento de dinâmicas sociais na web, os argumentos que levanto podem parecer descompromissados.</p>
<p>A própria diferenciação entre termos como legitimade, relevância, validez, autoridade, fator de impacto, notoriedade, não creio ser necessária pois, ainda que completamente distintos etimologica e lexicalmente, qualquer um destes poderia servir como palavra-referência para os propósitos deste texto.</p>
<p>Uma das minhas preocupações é como um texto como este pode ser interpretado por alguém que não está a par de toda a discussão acerca de diversos pontos que são mencionados implicitamente. Conveniente seria um pouco de empirismo para aumentar o poder da argumentação no texto opinativo.</p>
<p>Eu poderia inclusive gastar algumas linhas citando pensadores e autores que vêm lidando diretamente com o problema (Michael Jensen, Andrew Keen, Don Tapscott, James Surowiecki, Clay Shirky, Cass Sunstein, David Weinberger, Jeff Howe, Henry Jenkins, Jimmy Wales) e explicando como funcionam redes sociais online como Twitter, Orkut, Linkedin, Facebook, Flickr, Ning, que nada mais são do que evoluções dos colégios invisíveis precursores da Royal Society, ou os métodos de ranking, fator de impacto, referências cruzadas e citações de sistemas como PageRank, Digg, Delicious, StumbleUpon, trackbacks de blogs, entre outros, que nada mais são do que evoluções do próprio sistema de comunicação científica tradicional.</p>
<p>Entretanto, prefiro resumir explicando que muitas das discussões em torno desses tópicos revelam-se desnecessárias já que comparam equivocadamente meios distintos para que se atinja os mesmos fins. Mesmo que inicialmente, e somente na intenção de tornar esse texto mais chamativo, eu tenha sugerido a idéia de que a publicação independente é capaz de garantir os mesmos resultados que os veículos tradicionais de comunicação científica, esta comparação só seria válida se a publicação independente fosse sujeita aos mesmo critérios de validação impostos pela comunicação científica tradicional.</p>
<p><strong>A questão da validade</strong></p>
<p>Pode-se acreditar que em um universo de abundância de informação, a importância dos periódicos científicos e da revisão por pares é garantir a manutenção qualitativa da tríade produção-avaliação-publicação.</p>
<p>Casos de descobertas científicas simultâneas eram bastante comuns no séc. XVII, mas o número dessas disputas reduziu progressivamente a medida que a prioridade sobre a originalidade das descobertas era tornada pública por meio dos periódicos científicos. Ficou claro que a ciência só progridiria através de uma circulação transparente de idéias, sujeitas à critérios estabelecidos de validação e relevância.</p>
<p>Mas existe informação falsa e irrelevante em diversos formatos. A diferença é que as instituições tradicionais estabeleceram-se para padronizar e definir critérios de qualidade e consequentemente garantir certa autoridade, credibilidade e confiança em relação a produção do conhecimento. Evidente que tais instituições não estão isentas de corrupção – em especial quando tratam-se de instituições que lidam com problemas de pesquisa sociais.</p>
<p>A minha defesa para uma melhor compreensão e sensibilidade para o que é publicado livremente na web, não é necessáriamente que o sistema de revisão por pares termine, mas que a web possa se sustentar como uma espécie de camada ou selo editorial independente da permissão para publicação.</p>
<p>Ao invés de uma universidade ou grupo de professores e estudantes defenderem a criação de repositórios, de periódicos institucionais, deveriam estimular cada vez mais a responsabilidade individual dos pesquisadores em publicar as suas pesquisas em sites pessoais, por exemplo (uma versão do Currículo Lattes, em que a produção intelectual não esteja somente referenciada ali, mas que todo o volume possa ser publicado e associado a um currículo pessoal).</p>
<p>Então, revistas, associações, poderiam divulgar e ressaltar os materiais que foram avaliados por determinado grupo, segundo determinados critérios, para a massa na web. Ou seja, esta discussão crítica que os pesquisadores e profissionais estebelecem em canais informais (twitter, blogs, msn, rodinhas de conversa, e-mails entre colegas, etc) poderia ser melhor evidenciada através da web.</p>
<p>Discussões acerca de disponibilização pré-print, técnicas de captura de literatura cinzenta e iniciativas open-access acontecerem exaustivamente no passado. Mas elas ainda possuem laços bastante próximos com os preceitos e critérios da comunicação científica tradicional. Diferentemente, as redes sociais emergentes na web serviriam para definir critérios inteiramente novos de reputação e qualificação da produção de idéias (e não exclusivamente científicas).</p>
<p>Enquanto na academia julga-se mais importante na pesquisa científica a publicação de artigos em periódicos Qualis A, a disseminação em eventos científicos e a troca entre pares e outros interessados, incluída aí toda a sociedade, a metodologia que eu suponho ser coerente para publicação autoritativa dentro das mídias sociais online é exatamente o inverso: divulgação para o sociedade em geral, público leigo; troca entre interessados; disseminação em eventos; publicação em periódicos.</p>
<p>Me parece até mesmo que este seria um processo mais criterioso, pois uma idéia tornada pública deverá passar por vários estágios de compartilhamento antes que seja determinada como definitiva.</p>
<p>De qualquer forma, mesma que frente às novas tecnologias colaborativas na web a avaliação por pares tradicional pareça superestimada e desatualizada, ela é apenas a ponta do iceberg de um problema maior, que existia antes, mas hoje é possível de se resolver: o mecanismo de consolidação de autoridade.</p>
<p><strong>Crítica mais apurada</strong></p>
<p>Muitas vezes as críticas à democratização das massas em relação à utilização de ferramentas como blogs, twitter, é nada menos do que uma crítica que confunde controle da informação com a produção de conhecimento e inovação.</p>
<p>A Ciência é o melhor exemplo de como uma grande comunidade de agentes independentes consegue, através de critérios simples, produzir conhecimento.</p>
<p>Infelizmente, o modelo científico é mal compreendido pela sociedade em geral. É importante ressaltar que a ciência não é hierárquica, fechada e autoritária. Mas que a hierarquia é uma manifestação natural da autoridade. Imagine, por exemplo, se um especialista tivesse que sempre tentar explicar e justificar para um leigo a natureza do seu trabalho.</p>
<p>Mas o que é preciso ter como perspectiva, é que em certas comunidades de pesquisas (ditas as pós-modernas principalmente), a autoridade é consolidada por outro tipo de dinâmica em que a titulação confunde-se com autoridade e competência.</p>
<p>O que pretende-se defender muitas vezes, é uma maior transparência em relação a algumas dinâmicas de consolidação da autoridade. No caso de um pesquisador ou profissional independente, quando ele tenta manifestar sua competência sobre determinado assunto nos canais tradicionais de comunicação, dificilmente ele é reconhecido pela comunidade.</p>
<p>Na visão do leigo em ciência (e diga-se, grande parte dos estudantes), uma pessoa com uma titulação acima da dele teria mais autoridade para abordar o mesmo assunto &#8211; o que necessariamente não precisa ser verdadeiro.</p>
<p>Mas o problema é quando acadêmicos fazem críticas a um modelo pela sua forma, não pelo conteúdo. Insisto em evitar comparações entre meios distintos, mas é uma lástima o pior artigo publicado em um periódico científico, ter mais autoridade do que um artigo crítico excelente publicado em uma revista informal ou um blog.</p>
<p>Prefiro acreditar que esse infortúnio se deve à ausência de metodologias específicas aplicáveis aos novos modelos de produção independentes e emergentes, e não simplesmente porque existe a crença de que o que é publicado em desconformidade com os padrões tradicionais acadêmicos, não é autoritativo e o que não passa pelo crivo de pares, não possui valor.</p>
<p>O que define qualidade do que é publicado em um periódico especializado vai evidenciar de uma maneira muito interessante a cultura por trás dessa comunidade. Como em algumas áreas técnico-científicas não temos critérios para avaliar o impacto do que é publicado em veículos tradicionais na formação do indivíduo, ou de que forma o que é escrito pode melhorar o intelecto ou atuação profissional de uma pessoa, ou determinar avanços concretos para a área do conhecimento, o que é de impacto no final das contas é a política.</p>
<p>Este maniqueísmo só serve para a manutenção de um modelo de status muitas vezes baseado em titulações. Mas não na consolidação da autoridade através de uma dinâmica honesta e responsável em relação a produção do conhecimento.</p>
<p>E por mais irônico que possa parecer a veiculação deste texto em uma publicação <em>quasi</em>-acadêmica, adicionada à ironia de ter solicitado opiniões à amigos próximos durante a maturação das idéias aqui expostas (peer-review), o que está no cerne deste texto não é uma argumentação inflamada em pról de um movimento revolucionário.</p>
<p>Apesar do entusiasmo com as tecnologias web e com o que as redes sociais online podem nos oferecer, o discurso é moderado. Pessoas que vestem ideologias e paradigmas em sua totalidade, acabam por perder a capacidade de avaliação. Os conceitos de publicar (em periódicos científicos tradicionais) ou perecer, e publicar por conta própria, talvez não venham a substituir um ao outro. Se o mais provável e mais coerente é que eles coexistam, solucionando problemas específicos, então devemos concentrar esforços para isso.</p>
<p>——</p>
<p>As discussões com <a title="Fabiano Caruso" href="http://fabianocaruso.com/" target="_blank">Fabiano Caruso</a>, <a title="Gustavo Henn" href="http://gustavohenn.com/" target="_blank">Gustavo Henn</a>, <a title="Alex Lennine" href="http://alexlennine.com/" target="_blank">Alex Lennine</a> e <a title="Leandro Cianconi" href="http://cianconi.com/leandro/" target="_blank">Leandro Cianconi</a> contribuiram diretamente para a construção deste texto. Meus agradecimentos.</p>
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