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	<title>finito</title>
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		<title>A Sprint Ideal tem Duas Trilhas?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[pv]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 05 Oct 2020 17:59:37 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Já rabiscamos a estrutura de uma Sprint Ideal. Falamos sobre início e fim,  cerimônias, duração e a necessidade de folgas. O papo de hoje é sobre o que acontece dentro de uma sprint. Gente muito boa, como Marty Cagan e Jeff Patton, sugeriu o trabalho em duas trilhas (dual track). Há controvérsias, claro. Além de ideias que merecem dois ou três giros experimentais. ]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span class="medium-text"><span style="font-weight: 500;">Já rabiscamos a estrutura de uma </span><a href="https://www.pfvasconcellos.eti.br/blog/2020/09/09/sprint-ideal/"><b>Sprint Ideal</b></a><span style="font-weight: 500;">. Falamos sobre início e fim,  cerimônias, duração e a necessidade de folgas. O papo de hoje é sobre o que acontece </span><i><span style="font-weight: 500;">dentro</span></i><span style="font-weight: 500;"> de uma </span><i><span style="font-weight: 500;">sprint</span></i><span style="font-weight: 500;">. Gente muito boa¹, como Marty Cagan e Jeff Patton</span><span style="font-weight: 500;">, sugeriu o trabalho em duas trilhas </span><i><span style="font-weight: 500;">(dual track)</span></i><span style="font-weight: 500;">. Há controvérsias, claro. Além de ideias que merecem dois ou três giros experimentais. </span></span></p>
<p><span style="font-weight: 500;">Não estamos em uma corrida de revezamento, como aquele quadro kanban/scrum parece sugerir de vez em quando. Esse jeito de ver o desenvolvimento de produtos e soluções deveria ter sido definitivamente escanteado lá em meados dos anos 1980, quando Takeuchi e Nonaka nos apresentaram o jeito </span><i><span style="font-weight: 500;">scrum </span></i><span style="font-weight: 500;">de pensar</span><span style="font-weight: 500;"> &#8211; ou, melhor dizendo, o jeito japonês de desenvolver produtos².</span><span style="font-weight: 500;">Outro trabalho seminal da dupla, </span><b>Gestão do Conhecimento</b><span style="font-weight: 500;"> (Bookman, 2008), inspirou a matriz ao lado. No eixo horizontal navegamos do entendimento de um problema (análise) até a criação da solução (síntese). Na vertical diferenciamos a natureza de nossas fontes, matérias-primas e artefatos. Eles podem ser concretos (gentes, fatos, problemas) ou abstratos (hipóteses, personas, planos).  </span><span style="font-weight: 500;">É uma bela coincidência o encaixe sem gambiarras do ciclo OODA (Observe, Oriente, Decida, Aja) nesta matriz. </span><b>Observação </b><span style="font-weight: 500;">e </span><b>Ação </b><span style="font-weight: 500;">ocorrem aqui, no mundo real, concreto. Elas lidam com fatos e envolvem e afetam gente de carne e osso. Do outro lado, lá em cima, estão os trabalhos baseados em ideias e possibilidades. Na </span><b>Orientação </b><span style="font-weight: 500;">nós criamos opções para, logo depois, tomarmos </span><b>Decisões</b><span style="font-weight: 500;">. Os termos originais falavam com pilotos de combate. A partir deste ponto vamos chamar os trabalhos de </span><b>Descoberta</b><span style="font-weight: 500;">, </span><b>Exploração</b><span style="font-weight: 500;">, </span><b>Desenvolvimento </b><span style="font-weight: 500;">e </span><b>Entrega</b><span style="font-weight: 500;">. </span></p>
<h2><b>Aos Trabalhos</b></h2>
<p><span style="font-weight: 500;">Os proponentes do modelo </span><i><span style="font-weight: 500;">Dual Track</span></i><span style="font-weight: 500;"> falam em dois tipos de trabalho: descoberta </span><i><span style="font-weight: 500;">(discovery)</span></i><span style="font-weight: 500;"> e desenvolvimento </span><i><span style="font-weight: 500;">(development)</span></i><span style="font-weight: 500;">. Veja o desenho sugerido por Jeff Patton:</span><span style="font-weight: 500;">Patton, no mesmo artigo, reconhece a existência de um terceiro tipo de trabalho, o </span><i><span style="font-weight: 500;">design tático</span></i><span style="font-weight: 500;">. Ele defende que os trabalhos são diferentes porque requerem um </span><i><span style="font-weight: 500;">jeito de pensar </span></i><span style="font-weight: 500;">diferente. Vamos retomar a matriz sugerida anteriormente? Não são dois ou três tipos de trabalho. São quatro! Em cada quadrante temos fontes e materiais distintos. Mais que isso, temos objetivos bastante diferentes:</span></p>
<ul>
<li style="font-weight: 500;"><b>Descobrir: </b><span style="font-weight: 500;">revelar, jogar luz, tomar conhecimento, fazer conhecer.</span><span style="font-weight: 500;"><br />
</span><span style="font-weight: 500;">É neste momento que delineamos o problema ou parte dele. É aqui que conhecemos as pessoas envolvidas </span><i><span style="font-weight: 500;">(holders)</span></i><span style="font-weight: 500;"> e temos o primeiro contato com seus interesses </span><i><span style="font-weight: 500;">(stakes) </span></i><span style="font-weight: 500;">e dores. É aqui, no mundo real, que </span><i><span style="font-weight: 500;">descobrimos o que precisa ser feito</span></i><span style="font-weight: 500;">.</span></li>
<li style="font-weight: 500;"><b>Explorar</b><span style="font-weight: 500;">: percorrer (região, território) para estudar, pesquisar, conhecer.</span><span style="font-weight: 500;"><br />
</span><span style="font-weight: 500;">O entendimento do problema continua e se enriquece quando começamos a cogitar alternativas de solução. Brincamos com hipóteses, rabiscamos arquiteturas e validamos protótipos. É no campo das ideias que </span><i><span style="font-weight: 500;">exploramos o </span></i><span style="font-weight: 500;">como </span><i><span style="font-weight: 500;">fazer</span></i><span style="font-weight: 500;">. </span></li>
</ul>
<p><span style="font-weight: 500;">Aquilo que Patton e Cagan apresentam como a trilha </span><i><span style="font-weight: 500;">discovery </span></i><span style="font-weight: 500;">é a combinação de dois trabalhos. Pense no OODA original. Observação e Orientação são trabalhos distintos. Complementares, com certeza, mas muito diferentes. Fechando a matriz:</span></p>
<ul>
<li style="font-weight: 500;"><b>Desenvolver</b><span style="font-weight: 500;">: elaborar, criar. No OODA original, é o momento das tomadas de decisão. Dentre as diversas opções sugeridas durante a </span><i><span style="font-weight: 500;">Exploração</span></i><span style="font-weight: 500;">, algumas começarão a ganhar vida neste quadrante. Para encontrar o mundo real logo depois. </span></li>
<li style="font-weight: 500;"><b>Entregar</b><span style="font-weight: 500;">: para muita gente seria apenas uma questão de “colocar em produção”, “subir pra nuvem”, “mudar de assunto”&#8230; É claro que a entrega é muito mais que isso. Pode envolver a preparação das pessoas que receberão aquela mudança. Deveria incluir o monitoramento de indicadores que vão comprovar ou não a solução do problema dado. Enfim, é botando para rodar e quebrar que nós aprendemos e justificamos nossos ganhos e choros. É aqui, no mundo concreto, que encerramos e começamos tudo de novo.</span></li>
</ul>
<p><span style="font-weight: 500;">Patton e Cagan tratam os dois trabalhos acima na trilha de </span><i><span style="font-weight: 500;">desenvolvimento</span></i><span style="font-weight: 500;">. Nossa matriz, mais colorida abaixo, mostra como Desenvolvimento e Entrega são movimentos/momentos diferentes:</span></p>
<h2><b>Quatro Trabalhos / Duas Trilhas</b></h2>
<p><span style="font-weight: 500;">Durante muito tempo convivemos com o ciclo PDCA (Plan/Do/Check/Act) como se ele fosse o único ou o melhor molde para todos os nossos métodos. Apesar do berço esplêndido e de teimosos ilustres³</span><span style="font-weight: 500;">, faz tempo que o PDCA deu o que tinha que dar. Os problemas que merecem a nossa atenção pedem por novos modelos mentais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 500;">O ciclo OODA nasceu da necessidade de fazer com que pilotos de caça voltassem para casa sãos e salvos. O ciclo, naquele contexto, poderia girar dezenas de vezes em uma única missão. Tente calçar aqueles coturnos. Pense em como deve ser um combate nas alturas controlando uma máquina a, sei lá, 3.000 km/h?  Pois é, o OODA parece ser uma ideia &#8211; um jeito de pensar &#8211; bastante adequado para nossos tempos velozes e furiosos. Se você topa este entendimento, então aceita o fato de que temos quatro e não dois trabalhos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 500;">Quatro trabalhos em duas trilhas: </span><b>Divergente </b><span style="font-weight: 500;">e </span><b>Convergente</b><span style="font-weight: 500;">. Surrupio os termos sugeridos por Tim Brown em </span><b>Design Thinking</b><span style="font-weight: 500;"> (Alta Books, 2017). Na primeira nós criamos opções. No outra, tomamos decisões. Você prefere usar </span><b><i>Upstream </i></b><span style="font-weight: 500;">e </span><b><i>Downstream</i></b><span style="font-weight: 500;">? Fique à vontade.</span></p>
<h2><b>Como?</b></h2>
<p><span style="font-weight: 500;">Reclamações acerca das dificuldades de trabalhar com “ágil” &#8211; feitas por designers, analistas de negócios e afins &#8211; foram sumariamente ignoradas por muito tempo. Foi necessária a intromissão de nomes mais conhecidos &#8211; Marty Cagan, James Coplien, Peter Morville e Jeff Patton, por exemplo &#8211; para que a sugestão do trabalho em duas trilhas fosse percebida. Aceita não, percebida. </span></p>
<p><span style="font-weight: 500;">Confesso que ainda não vi o </span><i><span style="font-weight: 500;">dual-track</span></i><span style="font-weight: 500;"> rodando em sua plenitude. Muitos times preferem apostar em coisas como o refinamento ou workshops de requisitos. Repare: esses </span><i><span style="font-weight: 500;">eventos </span></i><span style="font-weight: 500;">parecem ser espaços abertos na agenda do time &#8211; concessões? &#8211; para a realização dos trabalhos de descoberta e exploração. Como se a realização deles fosse possível em dois ou três encontros por </span><i><span style="font-weight: 500;">sprint</span></i><span style="font-weight: 500;">. Sei não, mas isso tem jeito e cheiro de </span><i><span style="font-weight: 500;">cascata.</span></i></p>
<p><b>Descoberta e exploração deveriam acontecer todo santo dia</b><span style="font-weight: 500;">. É por isso que a convivência diária do time com gente do negócio é um requisito para o bom uso do XisPê, Scrum etc. </span></p>
<p><span style="font-weight: 500;">A gente tentou </span><i><span style="font-weight: 500;">encaixotar </span></i><span style="font-weight: 500;">o trabalho criativo em </span><i><span style="font-weight: 500;">timeboxes </span></i><span style="font-weight: 500;">que fazem muito sentido para desenvolvimento e entrega, mas nenhum sentido para descoberta e exploração. São ritmos diferentes, paradas e roteiros variados. </span></p>
<blockquote>
<p style="text-align: right;"><span style="font-weight: 500;">“Em vez de considerar essa característica </span><i><span style="font-weight: 500;">ad hoc</span></i><span style="font-weight: 500;"> como um dado de inferioridade do design, creio que isso atesta a independência epistemológica da área &#8211; o design não é necessariamente científico, mas pode estabelecer diálogos muito fecundos com a ciência”. </span><span style="font-weight: 500;"><br />
</span><span style="font-weight: 500;">&#8211; Caio Adorno Vassão em </span><b>Metadesign </b><span style="font-weight: 500;">(Blucher, 2010)</span></p>
</blockquote>
<p><span style="font-weight: 500;">Sigo confiando na proposta das duas trilhas. Aliás, dadas as críticas mais recentes⁴</span><span style="font-weight: 500;">, estou disposto a dobrar a aposta. Porque elas partem de um engano: há dois times trabalhando, um em cada trilha, cada um com seu </span><i><span style="font-weight: 500;">backlog</span></i><span style="font-weight: 500;">!? Não foi isso que Cagan e Patton escreveram. Caramba, basta ler os artigos: </span><b>há duas trilhas, não dois times</b><span style="font-weight: 500;">. Tá todo mundo junto, o tempo todo! O tempo todo? Veja bem&#8230;</span></p>
<h4>Notas</h4>
<ol>
<li><span style="font-weight: 500;">Marty Cagan escreveu </span><b>Inspired: How to Create Tech Products Customers Love</b><span style="font-weight: 500;"> (Wiley, 2018) e Patton ficou famoso por causa de </span><b>User Story Mapping</b><span style="font-weight: 500;"> (O’Reilly, 2014). Cagan escreveu o artigo </span><a href="https://svpg.com/dual-track-agile/"><b>Dual-Track Agile</b></a><span style="font-weight: 500;"> há oito anos. </span><a href="https://www.jpattonassociates.com/dual-track-development/"><span style="font-weight: 500;">Patton voltou ao tema logo depois</span></a><span style="font-weight: 500;">.</span></li>
<li><span style="font-weight: 500;">No artigo </span><b>The New New Product Development Game</b><span style="font-weight: 500;">, publicado na edição de jan-fev/1986 da Harvard Business Review.</span></li>
<li><span style="font-weight: 500;">O </span><a href="https://en.wikipedia.org/wiki/PDCA"><span style="font-weight: 500;">ciclo PDCA</span></a><span style="font-weight: 500;"> é cria de </span><a href="https://en.wikipedia.org/wiki/W._Edwards_Deming"><span style="font-weight: 500;">W. Edwards Deming</span></a><span style="font-weight: 500;"> e defendido, na comunidade Lean-Agile, por gente grande como Mary e Tom Poppendieck. Em </span><b>Implementando o Desenvolvimento Lean de Software</b><span style="font-weight: 500;"> (Bookman, 2011), por exemplo. É risível a forçada de barra dada para justificar o P (plan).</span></li>
<li><span style="font-weight: 500;"> </span><a href="https://medium.com/serious-scrum/we-need-one-complete-product-team-5d7508125505"><b>We Need One Complete Product Team</b></a><span style="font-weight: 500;">, de Todd Lankford (27/ago/20).</span><span style="font-weight: 500;"><br />
</span><span style="font-weight: 500;">  </span><a href="https://uxdesign.cc/time-to-say-goodbye-to-dual-track-agile-54e1b588f84c"><b>Time to Say Goodbye to Dual Track Agile?</b></a><span style="font-weight: 500;">, de Alex Ballarin (12/set/20).</span><span style="font-weight: 500;"><br />
</span></li>
<li>Foto de <a href="https://unsplash.com/@hngstrm?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Henry &amp; Co.</a> surrupiado no <a href="https://unsplash.com/?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Unsplash</a></li>
</ol>
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			</item>
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		<title>Precisamos Aposentar o Requisito</title>
		<link>https://www.pfvasconcellos.eti.br/blog/2020/09/15/precisamos-aposentar-o-requisito/</link>
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		<pubDate>Tue, 15 Sep 2020 12:09:43 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Enxuto & Ágil]]></category>
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					<description><![CDATA[Requisito nunca foi o nome ideal para embalar as necessidades, vontades e restrições de nossos clientes e usuários, muito pelo contrário. É um termo ruim pelo que significa - uma condição - que piorou com o uso. Passamos décadas culpando os requisitos e quem os verbaliza (e muda!) pelos problemas e fracassos em nossos projetos. Enfim, se palavra tivesse ficha corrida, a do requisito seria tão extensa quanto a especificação funcional dos infernos. O que nos impede de aposentá-la?]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p><b>Re.qui.si.to</b> <i><span style="font-weight: 500;">s.m. </span></i><b>1</b><span style="font-weight: 500;"> condição necessária para alcançar certo fim; quesito</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 500;">Com pequenas variações, é assim que nossos dicionários definem </span><i><span style="font-weight: 500;">Requisito</span></i><span style="font-weight: 500;">. A engenharia, segundo a Wikipédia, entende requisito como uma “definição documentada de uma propriedade ou comportamento que um produto ou serviço deve atender.” Daí para </span><i><span style="font-weight: 500;">entregável </span></i><span style="font-weight: 500;">(sic) foi um pulinho. Um </span><i><span style="font-weight: 500;">entregável </span></i><span style="font-weight: 500;">inegociável, veja bem. Porque a explicação diz que o produto ou serviço “DEVE atender” aquela condição. </span></p>
<p><span style="font-weight: 500;">Requisito nunca foi o nome ideal para embalar as necessidades, vontades e restrições de nossos clientes e usuários, muito pelo contrário. É um termo ruim pelo que significa &#8211; uma </span><i><span style="font-weight: 500;">condição</span></i><span style="font-weight: 500;"> &#8211; que piorou com o uso. Passamos décadas culpando os requisitos e quem os verbaliza (e muda!) pelos problemas e fracassos em nossos projetos. Enfim, se palavra tivesse ficha corrida, a do </span><i><span style="font-weight: 500;">requisito </span></i><span style="font-weight: 500;">seria tão extensa quanto a especificação funcional dos infernos. O que nos impede de aposentá-la?</span></p>
<h2><b>Substantivo Ruim atrai Verbos Horrorosos</b></h2>
<p><span style="font-weight: 500;">Requisito é campeão neste </span><i><span style="font-weight: 500;">quesito</span></i><span style="font-weight: 500;">. Por exemplo: COLETAR REQUISITOS. Nós coletamos lixo; coletamos material para exames clínicos. Pra que colocar requisitos na mesma cumbuca? Além disso, o verbo </span><i><span style="font-weight: 500;">coletar</span></i><span style="font-weight: 500;"> dá a entender que requisitos são como frutos maduros no pé. Coitados. Eles despencam de velhos. Maduros, nunca estão.</span></p>
<p><span style="font-weight: 500;">LEVANTAR REQUISITOS nos leva para um caminho diferente e igualmente mentiroso. Dos 15 (!) significados do verbo </span><i><span style="font-weight: 500;">levantar </span></i><span style="font-weight: 500;">apresentados no </span><b>Houaiss</b><span style="font-weight: 500;">, apenas um nos atenderia parcialmente: listar como resultado de pesquisa. Pesquisar ou investigar </span><i><span style="font-weight: 500;">(inquiry)</span></i><span style="font-weight: 500;"> fariam melhor serviço do que listar. Quem lista parece estar </span><i><span style="font-weight: 500;">tirando pedidos</span></i><span style="font-weight: 500;">. Alguém <em>tira</em> requisitos?</span></p>
<p><span style="font-weight: 500;">Dados os mal entendidos e usos, uma turma legal daqui do Brasil achou por bem tropicalizar o verbo </span><i><span style="font-weight: 500;">to elicit</span></i><span style="font-weight: 500;"> e assim ganhamos o ELICITAR </span><i><span style="font-weight: 500;">(sic)</span></i><span style="font-weight: 500;"> REQUISITOS. </span><i><span style="font-weight: 500;">Elicit </span></i><span style="font-weight: 500;">significa tirar, extrair. A gente tira dentes e extrai leite de pedra. Mas não conseguimos </span><i><span style="font-weight: 500;">arrancar </span></i><span style="font-weight: 500;">requisitos não. Ou seja, abrasileirado ou não, o verbo é ruinzinho também. </span></p>
<p><span style="font-weight: 500;">Não é curioso que a gente ignore a sugestão apresentada no título de um dos melhores livros sobre requisitos já escrito¹</span><span style="font-weight: 500;">, EXPLORAR REQUISITOS? </span></p>
<p><span style="font-weight: 500;">Eu costumo sugerir o DESENVOLVER REQUISITOS. Mas não adianta não. Porque requisito, na cabeça de muita gente, continua sendo um </span><i><span style="font-weight: 500;">entregável inegociável</span></i><span style="font-weight: 500;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 500;">Repare: uma disciplina com tantos anos de vida ainda busca por um verbo para chamar de seu. Dá uma certa vergonha, não dá? Insisto: o que nos impede de aposentar o termo requisito e seus verbos desajeitados?</span></p>
<h2><b>Substantivo Ruim Não Funciona, Complica</b></h2>
<p><span style="font-weight: 500;">Não funciona porque não explica. Ruim que é, acaba ganhando complementos igualmente ininteligíveis. </span></p>
<p><span style="font-weight: 500;">Para descrever tudo o que um produto ou serviço deve <em>fazer</em> usamos a combinação REQUISITO FUNCIONAL. Teria sido bem mais simples falar FUNÇÃO. Mas houve um tempo em que as pessoas eram pagas pelo número de letras digitadas. Houve? Sei lá, é uma explicação plausível para tamanha complicação (19 toques ao invés de 6). Piora!</span></p>
<p><span style="font-weight: 500;">Porque todo produto ou serviço é repleto de ATRIBUTOS. Como a gente chama essas coisas? De REQUISITOS NÃO-FUNCIONAIS!?  </span></p>
<p><span style="font-weight: 500;">Se a </span><b><i>Ideia Ágil</i></b><span style="font-weight: 500;"> nasceu para combater as complicações, <a href="https://www.pfvasconcellos.eti.br/blog/2020/08/21/agile-pra-que-te-quero/">e nasceu</a>, então é questão de coerência a eliminação incondicional dessas aberrações. Elas são de outro tempo. </span></p>
<h2><b>Substantivo Ruim é imune aos bons Adjetivos</b></h2>
<p><span style="font-weight: 500;">Não adianta apelar para REQUISITO ÁGIL. Imagina: REQUISITO ÁGIL NÃO-FUNCIONAL. Se esta foi uma tentativa de gerar um oximoro, tipo </span><i><span style="font-weight: 500;">silêncio ensurdecedor</span></i><span style="font-weight: 500;">, não funcionou; E não teve graça também não. Aliás, esse artifício de anexar o adjetivo ÁGIL quase sempre depõe contra o substantivo e todo o seu passado. Se bobear, compromete o seu futuro também. </span></p>
<p><span style="font-weight: 500;">Enfim, parece que não há adjetivo que renove e dê esperanças para a palavra requisito. Requisito merece o mesmo destino do disquete, um museu. Ou o mesmo castigo do termo </span><i><span style="font-weight: 500;">requerimento</span></i><span style="font-weight: 500;">, ficar restrito ao uso por juízes e advogados. Precisamos aposentá-la. Neste caso, qual seria a melhor substituta?</span></p>
<h2><b>HISTÓRIA</b></h2>
<p><span style="font-weight: 500;">Kent Beck queria só assim mesmo: </span><b>HISTÓRIA</b><span style="font-weight: 500;">. Esse negócio de </span><i><span style="font-weight: 500;">história de usuário</span></i><span style="font-weight: 500;"> veio depois. Desnecessariamente. </span></p>
<p><span style="font-weight: 500;">Mas, por favor, entenda: História não é sinônimo de requisito. Não há uma relação 1:1 entre eles. Uma história pode conter ou esconder diversos requisitos. O que não faz dela um épico &#8211; outro engano comum. Uma história pode ser uma pequena crônica, um conto ou um grande romance. </span></p>
<p><span style="font-weight: 500;">Requisitos nos dão a impressão de algo estático. São documentos </span><i><span style="font-weight: 500;">entregáveis</span></i><span style="font-weight: 500;">. São condições para a realização de um objetivo. Ponto.</span></p>
<p><span style="font-weight: 500;">Histórias são dinâmicas. Você não as levanta, não coleta e nem </span><i><span style="font-weight: 500;">elicita</span></i><span style="font-weight: 500;">. Histórias se desenvolvem. Elas são contadas. São feitas de personagens, ação e contexto. Histórias têm sentido!</span></p>
<p><span style="font-weight: 500;">Contamos histórias desde que a gente é gente. De certa forma, para o bem ou para o mal, elas nos ajudaram a chegar até aqui. Ainda bem!</span></p>
<p><span style="font-weight: 500;">Já pensou se a nossa evolução dependesse de requisitos ágeis não-funcionais misturados com regras de negócios em uma especificação funcional? </span></p>
<h4>Notas</h4>
<ol>
<li><b>Explorando Requerimentos do Sistema</b><span style="font-weight: 500;"> foi como essa obra prima se chamou aqui no Brasil. De Donald Gause e Gerald Weinberg (Makron Books, 1991).</span></li>
<li>Foto de <a href="https://unsplash.com/@viktortalashuk?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Viktor Talashuk</a> no <a href="https://unsplash.com/?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Unsplash</a></li>
</ol>
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		<title>Aviso aos Navegantes Acelerados</title>
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		<pubDate>Thu, 10 Sep 2020 13:45:14 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[Aprendizagem]]></category>
		<category><![CDATA[Essencialismo]]></category>
		<category><![CDATA[Habilidades Essenciais]]></category>
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					<description><![CDATA[Eu sei, você está com pressa. Por isso este aviso não vai ultrapassar o limite de 250~300 palavras. Se a sua velocidade de leitura fica na média, isso significa que este post custará, mais ou menos, um minuto da sua vida. Sessenta segundos! Valerá a pena? Você dirá.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 500;">Eu sei, você está com pressa. Por isso este aviso não vai ultrapassar o limite de 250~300 palavras. Se a sua velocidade de leitura fica na média, isso significa que este </span><i><span style="font-weight: 500;">post</span></i><span style="font-weight: 500;"> custará, mais ou menos, um minuto da sua vida. Sessenta segundos! Valerá a pena? Você dirá.</span></p>
<p><span style="font-weight: 500;">Já me pediram para vender aulas gravadas. Assim a pessoa poderia </span><i><span style="font-weight: 500;">sorver </span></i><span style="font-weight: 500;">meu conteúdo de madrugada, distante dos ruídos da vida, tocando os vídeos a 1.5x. </span></p>
<p><span style="font-weight: 500;">Já sugeriram que eu disponibilizasse meus artigos na forma de </span><i><span style="font-weight: 500;">podcasts</span></i><span style="font-weight: 500;">. Seria mais um nessa cacofonia infinita. Mas, veja bem: a pessoa poderia </span><i><span style="font-weight: 500;">sorver </span></i><span style="font-weight: 500;">meu conteúdo enquanto cozinha, malha, se banha ou… </span></p>
<p><span style="font-weight: 500;">Já concluíram que a nova geração não lê. Portanto, eu deveria explorar os novos meios se não quiser ficar falando com as paredes. </span></p>
<p><span style="font-weight: 500;">135 palavras. As questões estão dadas. Respostas:</span></p>
<p><b>Aula é interação</b><span style="font-weight: 500;">. Aumentamos as nossas chances de troca e de aprendizagem se estivermos de fato juntos, ao vivo, síncronos. Conversando.</span></p>
<p><span style="font-weight: 500;">A leitura não é uma habilidade inata. É algo que devemos aprender. É hábito que se desenvolve. É um exercício que </span><i><span style="font-weight: 500;">movimenta </span></i><span style="font-weight: 500;">o cérebro de uma forma diferente. </span><b>A gente pensa diferente enquanto lê</b><span style="font-weight: 500;">. São pensamentos potencialmente melhores porque tendem a ser mais profundos, atentos. Como se não bastasse, nossa escrita tende a melhorar também. Daqui a cem anos, se ainda estivermos por aqui, leitura e escrita continuarão sendo habilidades essenciais. </span></p>
<p><span style="font-weight: 500;">O que não quer dizer que podcasts, vídeos e games não tenham o seu valor. Claro que têm. Mas não ao ponto de tornar obsoletas as conversas que acontecem <em>tête-à-tête</em> ou através das palavras escritas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 500;">De qualquer maneira, sou muito grato pela sua preocupação. E pelo seu tempo. Vai lá, deve estar na hora.</span></p>
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		<title>Sprint Ideal</title>
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		<pubDate>Wed, 09 Sep 2020 17:44:30 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Enxuto & Ágil]]></category>
		<category><![CDATA[Agile]]></category>
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					<description><![CDATA[O sprint ou A sprint? Nunca sei. Uso a segunda opção para combinar com a tradução mais comum: A iteração. Escrevendo ou falando, nem sempre me lembro disso. Mas, quem dera nosso maior problema com as sprints fosse determinar seu gênero na versão aportuguesada. A sprint, conceito que está no núcleo da proposta Scrum, é vítima e causa de muitos mal entendidos. Este artigo tenta esclarecê-los enquanto rabisca sugestões para uma Sprint Ideal.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 500;">O </span><i><span style="font-weight: 500;">sprint </span></i><span style="font-weight: 500;">ou A </span><i><span style="font-weight: 500;">sprint</span></i><span style="font-weight: 500;">? Nunca sei. Uso a segunda opção para combinar com a tradução mais comum: A </span><i><span style="font-weight: 500;">iteração</span></i><span style="font-weight: 500;">. Escrevendo ou falando, nem sempre me lembro disso. Mas, quem dera nosso maior problema com as </span><i><span style="font-weight: 500;">sprints </span></i><span style="font-weight: 500;">fosse determinar seu gênero na versão aportuguesada. A </span><i><span style="font-weight: 500;">sprint</span></i><span style="font-weight: 500;">, conceito que está no núcleo da proposta </span><i><span style="font-weight: 500;">Scrum</span></i><span style="font-weight: 500;">, é vítima e causa de muitos mal entendidos. Este artigo tenta esclarecê-los enquanto rabisca sugestões para uma </span><b><i>Sprint Ideal</i></b><span style="font-weight: 500;">.</span><span style="font-weight: 500;">Para começar, uma sprint ideal não se chamaria </span><i><span style="font-weight: 500;">sprint</span></i><span style="font-weight: 500;">. Porque o termo é ruim. S</span><i><span style="font-weight: 500;">print </span></i><span style="font-weight: 500;">significa uma corrida curta executada em velocidade máxima. Em corridas de longa distância, a </span><i><span style="font-weight: 500;">sprint </span></i><span style="font-weight: 500;">ocorre apenas no último trecho. Ou seja, o nome parece fazer muito mais sentido em trabalhos guiados pela mentalidade </span><i><span style="font-weight: 500;">cascata</span></i><span style="font-weight: 500;">. É neles que vemos uma correria que fica cada vez mais insana na medida em que nos aproximamos da linha de chegada</span><span style="font-weight: 500;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 500;">O desenvolvimento de produtos e projetos é, em boa parte das vezes, um empreendimento de prazo indeterminado ou longo. Fazer com que cada pequeno trecho seja executado como se fosse uma </span><i><span style="font-weight: 500;">sprint </span></i><span style="font-weight: 500;">&#8211; uma disparada na maior velocidade possível &#8211; é comprometer seriamente um dos princípios da Ideia Ágil: o desenvolvimento sustentável. Nenhum sistema, seja ele humano ou não, consegue operar de forma constante perto dos 100% de sua capacidade. E todos os sistemas, biológicos ou não, merecem folgas de vez em quando.</span></p>
<h2><b>Folgas</b></h2>
<p><span style="font-weight: 500;">Problema apenas resvalado em artigo anterior: a nossa mania de emendar uma </span><i><span style="font-weight: 500;">sprint </span></i><span style="font-weight: 500;">atrás da outra sem um mínimo intervalo entre elas. Não precisa ser assim. Aliás, se a preocupação com a sustentabilidade é real, então não pode ser assim. Ou abrimos um intervalo de tempo entre </span><i><span style="font-weight: 500;">sprints </span></i><span style="font-weight: 500;">ou alocamos algo entre 25% e 35% de folga dentro das </span><i><span style="font-weight: 500;">sprints</span></i><span style="font-weight: 500;">. Pensando bem: uma </span><i><span style="font-weight: 500;">sprint </span></i><span style="font-weight: 500;">Ideal deveria contemplar as duas possibilidades. Explico.</span></p>
<p><span style="font-weight: 500;">A folga interior é o que a gente já chamou de </span><i><span style="font-weight: 500;">buffer</span></i><span style="font-weight: 500;">, </span><i><span style="font-weight: 500;">slack time</span></i><span style="font-weight: 500;">, gordurinha e afins. Trata-se de uma reserva &#8211; uma margem de segurança. Desconfio que todo mundo, instintivamente, já faz algo parecido. Seria apenas questão de formalizar. Porque o que é ágil de verdade é transparente de verdade. Incertezas ou riscos assumidos justificariam flutuações no percentual aplicado. O time vai aprender e fazer ajustes a cada </span><i><span style="font-weight: 500;">sprint</span></i><span style="font-weight: 500;">. Também não deveríamos nos preocupar com a subutilização deste recurso. É muito pouco provável que isso aconteça.</span></p>
<p><b>O intervalo entre </b><b><i>sprints </i></b><b>tem outra utilidade: é só para descanso mesmo. E deveria ser formalizado assim: DESCANSO. </b></p>
<p><span style="font-weight: 500;">Descanso não quer dizer, necessariamente, dois ou três dias inteiros na praia ou em campeonatos de videogame. Já vi times descansando e se divertindo enquanto faziam </span><i><span style="font-weight: 500;">spikes </span></i><span style="font-weight: 500;">(pequenos experimentos) e até refatoração. Coisas que clientes e POs não veem com bons olhos quando não são bem instruídos. </span><span style="font-weight: 500;"> </span></p>
<p><span style="font-weight: 500;">Enfim, o descanso pretendido aqui é uma folga dos prazos, das cobranças, da dívida </span><i><span style="font-weight: 500;">(backlog)</span></i><span style="font-weight: 500;">. O time descobrirá a melhor maneira de aproveitá-lo . Se for com uma maratona de videogames e séries, que seja. Se isso renovar o pique para a próxima </span><i><span style="font-weight: 500;">sprint</span></i><span style="font-weight: 500;">, o descanso estará muito bem pago. </span></p>
<p><span style="font-weight: 500;">Qual deveria ser o tamanho da folga? É outra variável que pode ser negociada dependendo de quão estressante tenha sido a </span><i><span style="font-weight: 500;">sprint </span></i><span style="font-weight: 500;">anterior. O esquema Brasília-DF &#8211; folga na segunda E na sexta &#8211; é um bom ponto de partida. </span></p>
<h2><b>As Cerimônias</b></h2>
<p><span style="font-weight: 500;">Uma </span><i><span style="font-weight: 500;">sprint </span></i><span style="font-weight: 500;">tradicional é delimitada por cerimônias: uma na abertura (planejamento) e duas no fechamento (revisão e retrospectiva). Não são raros os casos em que os três eventos são enfileirados em um único dia. Por conveniência. Porque isso evitaria deslocamentos, por exemplo. Não sei dizer até que ponto a imposição do trabalho remoto mudou isso. De uma forma ou de outra, uma </span><i><span style="font-weight: 500;">sprint </span></i><span style="font-weight: 500;">Ideal não espreme suas cerimônias em um único dia / encontro. A separação fica muito lógica quando adotamos a sugestão anterior, de um intervalo entre </span><i><span style="font-weight: 500;">sprints</span></i><span style="font-weight: 500;">. O </span><i><span style="font-weight: 500;">planning </span></i><span style="font-weight: 500;">só ocorreria após o descanso, aproveitando a cuca fresca de todo mundo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 500;">Há um outro tipo de evento que vem sendo confundido com cerimônias: é o refinamento, antigo </span><i><span style="font-weight: 500;">grooming</span></i><span style="font-weight: 500;">. A confusão é tão grave que talvez mereça um artigo só para ela. Por enquanto, apenas uma provocação¹</span><span style="font-weight: 500;">: o refinamento ocorre diariamente durante uma </span><i><span style="font-weight: 500;">sprint </span></i><span style="font-weight: 500;">Ideal. Aliás, deveria ser assim em qualquer <em>sprint</em>, ideal ou não.</span></p>
<h2><b>As Entregas</b></h2>
<p><span style="font-weight: 500;">Um engano tão danoso quanto o da </span><i><span style="font-weight: 500;">sprint </span></i><span style="font-weight: 500;">vista como uma carreta sem freios é o entendimento de que as entregas ocorrem apenas uma vez a cada </span><i><span style="font-weight: 500;">sprint</span></i><span style="font-weight: 500;">. Isso quer dizer que um item que está pronto para entrar em produção e gerar valor fica esperando porque a </span><i><span style="font-weight: 500;">sprint </span></i><span style="font-weight: 500;">está longe do final? De onde veio essa ideia? O que compensa o atraso? </span></p>
<p><span style="font-weight: 500;">As entregas </span><i><span style="font-weight: 500;">congestionadas </span></i><span style="font-weight: 500;">no término de uma </span><i><span style="font-weight: 500;">sprint </span></i><span style="font-weight: 500;">podem esconder outros problemas. Dentre eles, eventuais deficiências nos trabalhos de entendimento, quebra e priorização das histórias, o que nos leva de volta à conversa sobre o refinamento. Parece que a gente não vai escapar de conversar sobre isso. Outra hora. Porque, agora&#8230;</span></p>
<h2><b>Por que Sprints?</b></h2>
<p><span style="font-weight: 500;">Afinal, se as <em>sprints</em> não servem para <em>forçar</em> as entregas</span><span style="font-weight: 500;">, então qual é o sentido delas²? </span></p>
<p><b>A duração fixa de uma </b><b><i>sprint </i></b><b>é uma das poucas certezas, se não a única, que podemos oferecer aos clientes, usuários e times</b><span style="font-weight: 500;">. Não é absoluta &#8211; pequenas variações podem acontecer. Mas, ainda assim, uma certeza. A pergunta seria: por que não?</span></p>
<p><span style="font-weight: 500;">Os encontros regulares, margeados por cerimônias bem definidas, podem nos oferecer benefícios que tendem a ficar mais caros e menos prováveis quando buscados por outros meios. Por exemplo:</span></p>
<ul>
<li style="font-weight: 500;"><span style="font-weight: 500;">É mais fácil destacar o que funcionou e o que não funcionou dentro de um intervalo limitado de tempo </span><i><span style="font-weight: 500;">(retro!)</span></i><span style="font-weight: 500;">. Se os intervalos são regulares, a aprendizagem fica cadenciada. Ao que tudo indica, nossos cérebros gostam disto: organização, ritmo e alguma previsibilidade³</span><span style="font-weight: 500;">.</span></li>
<li style="font-weight: 500;"><span style="font-weight: 500;">Clientes costumam gostar dessas coisas também. E pagar por elas. Por isso faz sentido falar em uma prestação de contas formal </span><i><span style="font-weight: 500;">(review!)</span></i><span style="font-weight: 500;"> atrelada ao término de cada </span><i><span style="font-weight: 500;">sprint</span></i><span style="font-weight: 500;">. </span></li>
<li style="font-weight: 500;"><span style="font-weight: 500;">O trabalho criativo fica caótico ou muito bagunçado quando ocorre sem nenhum tipo de restrição. Além das limitações orçamentárias e tecnológicas, calendários e relógios podem ajudar bastante.</span></li>
<li style="font-weight: 500;"><span style="font-weight: 500;">Por fim, mas não menos importante: </span><i><span style="font-weight: 500;">Sprints </span></i><span style="font-weight: 500;">facilitam</span><span style="font-weight: 500;"> a definição do que seriam pequenas vitórias, a sua eventual comemoração e a consequente recarga motivacional. Que não sejam </span><i><span style="font-weight: 500;">fakes </span></i><span style="font-weight: 500;">nem as vitórias e nem as recargas! E que as ressacas sempre caibam nas folgas.</span></li>
</ul>
<h2><b>A Duração</b></h2>
<p><span style="font-weight: 500;">Somos humanos. Além das certezas da morte e dos impostos que a antecedem</span><span style="font-weight: 500;">, temos outra que justifica essa verborragia toda: nós vamos errar. Muito! </span></p>
<p><span style="font-weight: 500;">Por isso não faz muito sentido falar em </span><i><span style="font-weight: 500;">sprints </span></i><span style="font-weight: 500;">com duração maior que duas semanas. O volume de cagadas pode ser assustador. Lembre-se: a Ideia Ágil “</span><a href="https://www.pfvasconcellos.eti.br/blog/2020/08/28/o-quao-ferrados-estamos/"><b><i>é sobre saber, o quanto antes, o quão ferrados estamos</i></b></a><span style="font-weight: 500;">”. A </span><i><span style="font-weight: 500;">sprint </span></i><span style="font-weight: 500;">pode representar o mais longo ciclo de </span><i><span style="font-weight: 500;">feedback </span></i><span style="font-weight: 500;">em </span><span style="font-weight: 500;">uma iniciativa Ágil. Defina sua duração com obcecada moderação.</span></p>
<h2><b>A Orientação</b></h2>
<p><span style="font-weight: 500;">Não é porque a jornada é curta que ela pode ser feita sem o apoio de bússolas e mapas. Dada a alta nebulosidade de quase todos os empreendimentos que valem a pena, a navegação sem rumo &#8211; uma </span><i><span style="font-weight: 500;">sprint </span></i><span style="font-weight: 500;">sem objetivo claro &#8211; é um contrassenso total. Inexplicavelmente comum.</span></p>
<p><span style="font-weight: 500;">Um time deve se comprometer com a realização de um ou mais objetivos do negócio a cada </span><i><span style="font-weight: 500;">sprint</span></i><span style="font-weight: 500;">, não com a entrega de </span><i><span style="font-weight: 500;">n</span></i><span style="font-weight: 500;"> pontos, tarefas ou itens do </span><i><span style="font-weight: 500;">backlog</span></i><span style="font-weight: 500;">. É isto que a gente celebra: o gol, não o número de passes trocados.</span></p>
<p><span style="font-weight: 500;">A reincidência do aviso acima deveria nos preocupar mais. Qual é a raiz desse problema tão estranho, aparentemente bobo e muito comprometedor?</span></p>
<h2><b>A Sua </b><b><i>Sprint Ideal</i></b></h2>
<p><span style="font-weight: 500;">Pode ser que a sua </span><i><span style="font-weight: 500;">sprint </span></i><span style="font-weight: 500;">Ideal não contemple nenhuma das sugestões acima. Talvez você nem use ou finja não usar </span><i><span style="font-weight: 500;">sprints</span></i><span style="font-weight: 500;">. E daí? Seja como for, já que você chegou até aqui, considere o seguinte:</span></p>
<ol>
<li style="font-weight: 500;"><span style="font-weight: 500;">O time já está na segunda ou terceira </span><i><span style="font-weight: 500;">sprint </span></i><span style="font-weight: 500;">e o cliente ainda está a ver navios. Como ele não comprou nenhum tipo de embarcação, essa canoa furada pode ser tudo, mas ágil ela não é não.</span></li>
<li style="font-weight: 500;"><span style="font-weight: 500;">O time já está na segunda ou terceira </span><i><span style="font-weight: 500;">sprint </span></i><span style="font-weight: 500;">e ainda não mudou uma vírgula em seu jeito de trabalhar. Como perfeição não existe, a única conclusão possível é a de que o time não está aprendendo nada. E se não aprende, ágil não é.</span></li>
<li style="font-weight: 500;"><span style="font-weight: 500;">O time </span><i><span style="font-weight: 500;">ainda </span></i><span style="font-weight: 500;">está na segunda ou terceira </span><i><span style="font-weight: 500;">sprint </span></i><span style="font-weight: 500;">e </span><i><span style="font-weight: 500;">já </span></i><span style="font-weight: 500;">está cansado e/ou desmotivado e/ou zangado. Se está assim, ágil não está. Se não mudar, ágil não ficará.</span></li>
</ol>
<h4>Notas</h4>
<ol>
<li><span style="font-weight: 500;">Também reservo um tempo para conversar sobre o </span><i><span style="font-weight: 500;">refinamento </span></i><span style="font-weight: 500;">e respectivos mal entendidos na </span><a href="https://www.pfvasconcellos.eti.br/blog/aulas/aula-de-historias/"><b>Aula de Histórias</b></a><span style="font-weight: 500;">.</span></li>
<li>A reincidência desta pergunta é curiosa: <em>se não é para forçar entregas, para que servem as sprints?</em></li>
<li><span style="font-weight: 500;">Veja, por exemplo, </span><b>A Mente Organizada</b><span style="font-weight: 500;"> de Daniel Levitin (Objetiva, 2015).</span></li>
<li>Foto de <a href="https://unsplash.com/@atluminon?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Clark Gu</a> no <a href="https://unsplash.com/?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Unsplash</a></li>
</ol>
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		<title>O Quão Ferrados Estamos?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[pv]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 28 Aug 2020 14:26:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Enxuto & Ágil]]></category>
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					<description><![CDATA[“Algumas pessoas acham que Agile é sobre ir mais rápido. Não é. Nunca foi. Agile é sobre saber, o quanto antes, o quão ferrados estamos.” ]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 500;">Tempo de espera. Tempo de ciclo. O dobro do trabalho na metade do tempo. Nenhuma dessas preocupações é nova. Elas estavam com Ford e Taylor lá no início do século passado. Também acompanharam Taiichi Ohno, um dos pais do Sistema Toyota de Produção, por toda a sua vida. Já velhinho, perguntado sobre o que estava fazendo, ele respondeu¹</span><span style="font-weight: 500;">: </span><i><span style="font-weight: 500;">“pensando em maneiras de reduzir o tempo gasto entre o pedido colocado pelo cliente e o tilintar do dinheiro entrando no caixa”</span></i><span style="font-weight: 500;">. Essa pressa não disfarçada é vício antigo. A </span><b><i>Ideia Ágil</i></b><span style="font-weight: 500;"> não tem nada a ver com isso.</span></p>
<p><span style="font-weight: 500;">Robert ‘Uncle Bob’ Martin gasta um tempinho em seu </span><b>Clean Agile</b><span style="font-weight: 500;"> (Pearson, 2020) para nos lembrar:</span></p>
<blockquote><p><i><span style="font-weight: 500;">“Algumas pessoas acham que </span></i><span style="font-weight: 500;">Agile </span><i><span style="font-weight: 500;">é sobre ir mais rápido. Não é. Nunca foi. </span></i><span style="font-weight: 500;">Agile </span><i><span style="font-weight: 500;">é sobre saber, o quanto antes, o quão ferrados estamos.” </span></i></p></blockquote>
<p><b>Saber, </b><b><i>o quanto antes</i></b><b>, o quão ferrados estamos</b><span style="font-weight: 500;">. Esse é o espírito da </span><i><span style="font-weight: 500;">coisa </span></i><span style="font-weight: 500;">Ágil. Pragmático e poético como ele só. Na Toyota há um mecanismo que ilustra bem essa </span><i><span style="font-weight: 500;">atenção </span></i><span style="font-weight: 500;">com as más notícias. É a </span><i><span style="font-weight: 500;">Corda Andon</span></i><span style="font-weight: 500;">, que pode &#8211; deve! &#8211; ser puxada por qualquer pessoa que veja qualquer problema na linha de produção. O acionamento da corda simplesmente para tudo. Ela funciona bem em um fluxo linear, previsível pra chuchu e de baixa variabilidade. Ou seja, funciona em fábricas. Uma versão adaptada da corda funcionaria em um contexto não linear, cheio de incertezas e dependente de variedade? É pouco provável.</span></p>
<p><span style="font-weight: 500;">Ainda que a gente faça de conta que as nossas burocracias não detestam más notícias. Ainda que todos trabalhemos em ambientes psicologicamente seguros onde as cagadas são recebidas sem choro nem vela, sem chiliques nem berros. Ainda assim, qual é a chance de nossas organizações ou times desenvolverem um reflexo que simplesmente pare tudo quando se deparar com um problema? </span></p>
<p><span style="font-weight: 500;">Um </span><b><i>reflexo </i></b><span style="font-weight: 500;">é automático, inconsciente e inconsequente. Apesar de mirar isto, funcionar como se fosse um reflexo, o acionamento da corda Andon é uma </span><b><i>reação</i></b><span style="font-weight: 500;">. É um hábito que precisou ser treinado. Ainda mais lentas que as reações são as </span><b><i>respostas</i></b><span style="font-weight: 500;">.</span> <span style="font-weight: 500;">Porque elas sempre significam um esforço consciente, uma tomada de decisão. Respostas requerem o uso do nosso lento e preguiçoso Sistema 2²</span><span style="font-weight: 500;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 500;">Uma típica </span><i><span style="font-weight: 500;">instância </span></i><span style="font-weight: 500;">Ágil dedica pelo menos três cerimônias para a celebração das más notícias: a Diária, a Revisão e a Retrospectiva. Nenhuma delas aparenta a ambição de ser um reflexo ou pelo menos um reação. São respostas e isso não é necessariamente ruim. Desde que a gente saiba que:</span></p>
<ul>
<li style="font-weight: 500;"><b>Diária</b><span style="font-weight: 500;">: é totalmente desnecessária quando o time </span><i><span style="font-weight: 500;">coopera </span></i><span style="font-weight: 500;">de verdade. Por favor entenda que POs, ANs e/ou outros representantes </span><i><span style="font-weight: 500;">do negócio</span></i><span style="font-weight: 500;"> são parte indissociável de um time. De uma maneira ou de outra, tratar as </span><i><span style="font-weight: 500;">Dailys </span></i><span style="font-weight: 500;">como se fossem um tipo de prestação de contas para um cliente ou gerente é desvirtuar sua intenção original: saber o quão ferrados estamos ou podemos ficar. Quando um time de fato </span><i><span style="font-weight: 500;">co-opera,</span></i><span style="font-weight: 500;"> os problemas e riscos pipocam na cara de todos, dispensando um evento ou comunicação formal. O distanciamento de membros ou pares pode justificar a realização das Diárias. Ainda assim, é bom entender que má notícia que se preze não pode e não vai esperar pela manhã seguinte.</span></li>
<li style="font-weight: 500;"><b>Revisão</b><span style="font-weight: 500;">: Encontro periódico que deveria envolver o maior número possível de interesses. Na Revisão nós validamos a </span><b><i>eficácia </i></b><span style="font-weight: 500;">do time, ou seja, se ele </span><i><span style="font-weight: 500;">está fazendo a coisa certa</span></i><span style="font-weight: 500;">. Tem potencial para se transformar em um festival de saias justas se este for o único momento da iteração ou </span><i><span style="font-weight: 500;">sprint </span></i><span style="font-weight: 500;">em que a turma do negócio vê a evolução de sua cria. Tanto pior se a experiência se resume à uma </span><i><span style="font-weight: 500;">demo</span></i><span style="font-weight: 500;"> pilotada por </span><i><span style="font-weight: 500;">devs</span></i><span style="font-weight: 500;">. O time, neste encontro, deveria ser a parte passiva. O comando da festa deve ficar com quem está pagando. Enfim, a </span><i><span style="font-weight: 500;">Review </span></i><span style="font-weight: 500;">deveria ser uma celebração totalmente livre de surpresas. Isso só vai acontecer se a patota de negócios interagir diariamente com o time e o produto. Testando &#8211; ou seja, gerando más notícias. Todo santo dia.</span></li>
<li style="font-weight: 500;"><b>Retrospectiva</b><span style="font-weight: 500;">: Tem má notícia que a gente só entende plenamente em retrospecto, depois de um certo tempo. Com calma é possível avaliar causas e efeitos. É por isso que todos os times, particularmente os piores, merecem um refresco recorrente chamado </span><i><span style="font-weight: 500;">Retro</span></i><span style="font-weight: 500;">. É um momento de reflexão, quando o time avalia a sua </span><b><i>eficiência</i></b><span style="font-weight: 500;">, ou seja, se ele </span><i><span style="font-weight: 500;">está trabalhando do jeito certo. </span></i><span style="font-weight: 500;">A gente sabe, ele nunca está! Sempre, sempre haverá algo para melhorar. Uma boa retrospectiva não fica </span><i><span style="font-weight: 500;">ensanduichada </span></i><span style="font-weight: 500;">entre uma </span><i><span style="font-weight: 500;">review </span></i><span style="font-weight: 500;">e uma </span><i><span style="font-weight: 500;">planning</span></i><span style="font-weight: 500;">. Refresco, gente. Entre </span><i><span style="font-weight: 500;">sprints</span></i><span style="font-weight: 500;">, todo time merece um refresco. Senão não aprende, não melhora, e as más notícias seguirão evoluindo como bolas de neve.</span></li>
</ul>
<h2><b>PS,</b><b><i> post-mortem</i></b></h2>
<p><span style="font-weight: 500;">Alguém pode concluir que a reincidência desse assunto, nesta altura do campeonato, é uma prova de que estamos bem ferrados em relação ao entendimento da </span><i><span style="font-weight: 500;">Ideia Ágil</span></i><span style="font-weight: 500;">. Pode até ser. Mas a teimosia também pode confirmar que o assunto vale a pena, a atenção e o nosso tempo. Afinal, acho que ninguém em sã consciência quer voltar para a época em que as más notícias só circulavam formalmente, com muitos choros e velas, numa reunião chamada </span><i><span style="font-weight: 500;">post-mortem</span></i><span style="font-weight: 500;">. </span></p>
<h4>Notas</h4>
<ol>
<li><span style="font-weight: 500;">Anedota contada por John Seddon no ótimo </span><b>Freedom from Command and Control: Rethinking Management for Lean Service</b><span style="font-weight: 500;"> (Productivity Press, 2005). Ótimo ao ilustrar o </span><i><span style="font-weight: 500;">Lean </span></i><span style="font-weight: 500;">funcionando bem longe do chão de fábrica.</span></li>
<li><span style="font-weight: 500;">O papo sobre reflexos, reações e respostas eu aprendi com Russell Ackoff em </span><b>Differences that make a Difference</b><span style="font-weight: 500;"> (Triarchy, 2010). O preguiçoso Sistema 2 é apresentado por Daniel Kahneman em </span><b>Rápido e Devagar</b><span style="font-weight: 500;"> (Objetiva, 2012).</span></li>
<li>Foto de <a href="https://unsplash.com/@jxk?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Jan Kopřiva</a> no <a href="https://unsplash.com/?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Unsplash</a>.</li>
</ol>
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		<title>Agile, pra que te quero?</title>
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		<pubDate>Fri, 21 Aug 2020 16:10:18 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Te quero para dar roupa e nomes novos para meus velhos hábitos e habitats. Quero tribos, guildas e esquadrões bem alinhados em minha mal disfarçada organização matricial. Assim mantenho o statu quo de um jeito SEGURo. Com certificados e atestados de maturidade. E daí se a ideia original era cancelar esse mindset de certificações e modelos de maturidade? Entenderam nada, inocentes!]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 500;">Te quero para </span><i><span style="font-weight: 500;">fazer o dobro do trabalho na metade do tempo</span></i><span style="font-weight: 500;">. Topo tudo por eficiência$ &#8211; para fazer bem mais com muito menos. Para seguir retorcendo e esticando a corda colocada por Taylor e Ford lá no início do século passado. </span></p>
<p><span style="font-weight: 500;">Te quero para dar roupa e nomes novos para meus velhos hábitos e habitats. Quero tribos, guildas e esquadrões bem alinhados em minha mal disfarçada organização matricial. Assim mantenho o </span><i><span style="font-weight: 500;">statu quo</span></i><span style="font-weight: 500;"> de um jeito SEGURo. Com certificados e atestados de maturidade. E daí se a ideia original era </span><i><span style="font-weight: 500;">cancelar </span></i><span style="font-weight: 500;">esse </span><i><span style="font-weight: 500;">mindset</span></i><span style="font-weight: 500;"> de certificações e modelos de maturidade? Entenderam nada, inocentes!</span></p>
<p><span style="font-weight: 500;">Nosso rocambole é </span><i><span style="font-weight: 500;">pós-moderno</span></i><span style="font-weight: 500;">. Vou provar através de uma matriz 2&#215;2 que não pode ser chamada de matriz 2&#215;2 com um buraco no meio &#8211; saca </span><a href="https://cdn.culturagenial.com/imagens/f7155e16cf09272a3563e01dec98a4ab-cke.jpg" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><span style="font-weight: 500;">Magritte</span></a><span style="font-weight: 500;">? &#8211; que a nossa </span><i><span style="font-weight: 500;">metodologia </span></i><span style="font-weight: 500;">é o única que está pronta para lidar com essa tal complexidade. Prontinha: </span><i><span style="font-weight: 500;">Out-of-the-box!</span></i></p>
<p><span style="font-weight: 500;">Ah, $cara agilidade, te quero como sombrinha e sombreiro. Faça chuva ou faça sol, seja qual for a pergunta, você será a resposta. Devidamente embrulhada num pacote de jargões, nomes esquisitos e anglicismos que vão separar nitidamente os fortes dos fracos, os verdadeiros agilistas dos céticos e patéticos cascateiros. Que venham os épicos!</span></p>
<h2><b>Terra Arrasada</b></h2>
<p><span style="font-weight: 500;">Não é por acaso que Kent Beck, um dos pais dessa ideia sem mãe, recentemente disse¹</span><span style="font-weight: 500;"> que o Ágil </span><b><i>“virou terra arrasada. A vida foi toda sugada para fora dele. Virou um conjunto de rituais religiosos realizado por gente que não entende o propósito original desses rituais”</i></b><span style="font-weight: 500;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 500;">Não é de hoje que os signatários do Manifesto Ágil lamentam o </span><i><span style="font-weight: 500;">estado deplorável </span></i><span style="font-weight: 500;">de sua cria. Assim como acontece com o </span><i><span style="font-weight: 500;">rock’n’roll</span></i><span style="font-weight: 500;">, pela enésima vez vão anunciar a morte do </span><i><span style="font-weight: 500;">Agile²</span></i><span style="font-weight: 500;">. Só para confirmar, pela enésima vez, sua teimosia. Apesar de todos os sopapos e mal entendidos. Apesar do marketing desastrado/desastroso que o acompanha desde o berço.</span></p>
<h2><b>Anarquistas, graças ao marketing</b></h2>
<p><span style="font-weight: 500;"><img decoding="async" fetchpriority="high" class="alignright wp-image-9160" src="https://www.pfvasconcellos.eti.br/blog/wp-content/uploads/2020/08/SD_Agile-224x300.jpg" alt="" width="305" height="409" srcset="https://www.pfvasconcellos.eti.br/blog/wp-content/uploads/2020/08/SD_Agile-224x300.jpg 224w, https://www.pfvasconcellos.eti.br/blog/wp-content/uploads/2020/08/SD_Agile-764x1024.jpg 764w, https://www.pfvasconcellos.eti.br/blog/wp-content/uploads/2020/08/SD_Agile-768x1029.jpg 768w, https://www.pfvasconcellos.eti.br/blog/wp-content/uploads/2020/08/SD_Agile-600x804.jpg 600w, https://www.pfvasconcellos.eti.br/blog/wp-content/uploads/2020/08/SD_Agile.jpg 800w" sizes="(max-width: 305px) 100vw, 305px" />Dezessete caras pançudos de meia idade se reuniram em um resort para “esquiar, relaxar, colocar o papo em dia e encontrar pontos comuns em suas ideias sobre o desenvolvimento de software”. O processo durou três dias e gerou um </span><a href="http://agilemanifesto.org/iso/ptbr/manifesto.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><span style="font-weight: 500;">documento de duas páginas</span></a><span style="font-weight: 500;">. Em agosto de 2001 a </span><b><i>Software Development</i></b><span style="font-weight: 500;"> anunciou a boa nova com a capa ao lado. O artigo, de onde surrupiei as aspas anteriores, foi escrito por Jim Highsmith e Martin Fowler, dois dos dezessete barrigudos. O que nos permite entender que eles não se incomodaram com a </span><i><span style="font-weight: 500;">tag </span></i><span style="font-weight: 500;">anarquistas nem com a mensagem da capa. </span></p>
<p><span style="font-weight: 500;">Hoje, quase vinte anos depois, o manifesto segue sendo mal apresentado pra chuchu. Há poucos dias </span><a href="https://exame-com.cdn.ampproject.org/c/s/exame.com/carreira/com-pandemia-interesse-na-metodologia-agil-nas-empresas-aumenta-20/amp/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><span style="font-weight: 500;">a revista EXAME colocou na conta da pandemia um crescente interesse por uma </span><i><span style="font-weight: 500;">metodologia ágil</span></i></a><span style="font-weight: 500;">. Dá a entender, por exemplo, que a adoção do modelo </span><i><span style="font-weight: 500;">Spotify</span></i><span style="font-weight: 500;">, algo que nem a empresa sueca faz, seria condição para a agilidade. A sucessão de mal entendidos não é exclusividade nossa. Saca só um recorte da </span><b><i>Harvard Business Review</i></b><em><span style="font-weight: 500;">:</span></em></p>
<p><span style="font-weight: 500;"><img decoding="async" class="alignnone wp-image-9162 " src="https://www.pfvasconcellos.eti.br/blog/wp-content/uploads/2020/08/EfeRCDqXsAEiRhs.png" alt="" width="799" height="173" srcset="https://www.pfvasconcellos.eti.br/blog/wp-content/uploads/2020/08/EfeRCDqXsAEiRhs.png 674w, https://www.pfvasconcellos.eti.br/blog/wp-content/uploads/2020/08/EfeRCDqXsAEiRhs-300x65.png 300w, https://www.pfvasconcellos.eti.br/blog/wp-content/uploads/2020/08/EfeRCDqXsAEiRhs-600x130.png 600w" sizes="(max-width: 799px) 100vw, 799px" /></span></p>
<p><span style="font-weight: 500;">Pois é, creditam Sutherland como grande liderança por trás da “invenção” da </span><i><span style="font-weight: 500;">ideia ágil</span></i><span style="font-weight: 500;">. Sutherland é o mesmo que promete na capa de um livro “a arte de fazer o dobro do trabalho na metade do tempo”. O faz porque parece estar apostando corrida contra o cara que pegou um time CMMI nível 5 na Índia e aumentou sua produtividade em 200%! </span></p>
<p><span style="font-weight: 500;">Quem resiste a tanto apelo? Que pessoa de negócios em sã consciência pode se dar ao luxo de ignorar propostas tão ambiciosas? </span></p>
<p><span style="font-weight: 500;">Só tem um probleminha: o </span><i><span style="font-weight: 500;">Ágil </span></i><span style="font-weight: 500;">nunca prometeu nada disso. </span></p>
<h2><b>Agilidade, para que serves?</b></h2>
<p><span style="font-weight: 500;"><img decoding="async" class="alignright wp-image-9165 " src="https://www.pfvasconcellos.eti.br/blog/wp-content/uploads/2020/08/complica-300x149.png" alt="" width="559" height="278" srcset="https://www.pfvasconcellos.eti.br/blog/wp-content/uploads/2020/08/complica-300x149.png 300w, https://www.pfvasconcellos.eti.br/blog/wp-content/uploads/2020/08/complica-1024x509.png 1024w, https://www.pfvasconcellos.eti.br/blog/wp-content/uploads/2020/08/complica-768x382.png 768w, https://www.pfvasconcellos.eti.br/blog/wp-content/uploads/2020/08/complica-600x298.png 600w, https://www.pfvasconcellos.eti.br/blog/wp-content/uploads/2020/08/complica-1536x763.png 1536w, https://www.pfvasconcellos.eti.br/blog/wp-content/uploads/2020/08/complica.png 1956w" sizes="(max-width: 559px) 100vw, 559px" />Ao priorizar a gente e as nossas conversas, o resultado concreto de nosso trabalho e respostas rápidas &#8211; ciclos bem curtos de </span><i><span style="font-weight: 500;">feedback</span></i><span style="font-weight: 500;">, o </span><i><span style="font-weight: 500;">Manifesto Ágil</span></i><span style="font-weight: 500;"> aponta para uma grande inimiga: a </span><b>Complicação</b><span style="font-weight: 500;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 500;">Nossos negócios ficaram 35 vezes mais complicados nos últimos cinquenta anos³</span><span style="font-weight: 500;">. Esta foi a nossa resposta inconsequente à crescente complexidade: Inventamos departamentos, seções, funções, tribos, capítulos, guildas, escritórios disso e daquilo; Desenhamos processos cada vez mais prescritivos, minuciosos e paranóicos; Despejamos um sem número de políticas e regras que são cada vez mais efêmeras e frágeis; Impusemos uma enxurrada de indicadores que atestam um único fato: a nossa insegurança. Enfim, bagunçamos o coreto do negócio dificultando a convivência interna e comprometendo todas as relações que existem da porta para fora. </span></p>
<p><span style="font-weight: 500;">A “ideia Ágil” não foi a primeira nem será nossa última </span><i><span style="font-weight: 500;">invenção </span></i><span style="font-weight: 500;">para combater as burocracias que emperram nossas organizações e nos dão tanta canseira. Cedo ou tarde ela merecerá uma lápide bonitinha no museu de grandes novidades onde descansam a Reengenharia, TQM, BPM, SOA, KM…</span></p>
<p><span style="font-weight: 500;"><img decoding="async" loading="lazy" class="alignright wp-image-9168 " src="https://www.pfvasconcellos.eti.br/blog/wp-content/uploads/2020/08/confia-300x180.png" alt="" width="499" height="300" srcset="https://www.pfvasconcellos.eti.br/blog/wp-content/uploads/2020/08/confia-300x180.png 300w, https://www.pfvasconcellos.eti.br/blog/wp-content/uploads/2020/08/confia-1024x615.png 1024w, https://www.pfvasconcellos.eti.br/blog/wp-content/uploads/2020/08/confia-768x461.png 768w, https://www.pfvasconcellos.eti.br/blog/wp-content/uploads/2020/08/confia-600x361.png 600w, https://www.pfvasconcellos.eti.br/blog/wp-content/uploads/2020/08/confia-1536x923.png 1536w, https://www.pfvasconcellos.eti.br/blog/wp-content/uploads/2020/08/confia.png 1779w" sizes="(max-width: 499px) 100vw, 499px" />Até lá &#8211; até que se </span><i><span style="font-weight: 500;">invente </span></i><span style="font-weight: 500;">algo melhor &#8211; faz sentido que a gente tente tirar o melhor possível da ideia. As exigências são mínimas: 1) </span><b>alinhamento:</b><span style="font-weight: 500;"> saber o que precisa ser feito e por que; e 2) </span><b>autonomia: </b><span style="font-weight: 500;">para definir a melhor maneira de realizar aquele objetivo. Repare, há apenas uma condição para a realização dos dois fatores: </span><b>confiança</b><span style="font-weight: 500;">. E como saber se podemos confiar nas pessoas? Oras, como ensinou o ágil <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Ernest_Hemingway" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Papa Hemingway</a>, confiando nelas.</span></p>
<h2><b>PS</b></h2>
<p><span style="font-weight: 500;">Se a velha guarda pançuda estivesse mesmo abandonando sua cria, por que então se preocuparia em escrever e receber tão bem um trabalho como </span><b>Clean Agile &#8211; Back to Basics</b><span style="font-weight: 500;"> (Robert Martin &#8211; Pearson, 2020)? É claro que a </span><i><span style="font-weight: 500;">Ideia Ágil</span></i><span style="font-weight: 500;"> merece uma nova chance. Porque, quando bem entendida, ela é muito boa. </span></p>
<p><span style="font-weight: 500;">Curioso é vê-la muito bem entendida e aplicada numa seara que não tem nada a ver com software nem com negócios. É o que documenta Zaid Hassan no livro </span><b>The Social Labs Revolution</b><span style="font-weight: 500;"> (Berrett-Koehler, 2014) sem disfarçar seu entusiasmo: “<strong><em>o Ágil come cisnes negros no café da manhã</em></strong>”. </span></p>
<h4>Notas</h4>
<ol>
<li><a href="https://builtin.com/software-engineering-perspectives/kent-beck-geeks-gusto-globalization" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><span style="font-weight: 500;">Nesta entrevista</span></a><span style="font-weight: 500;"> publicada pela </span><b><i>Built In</i></b><span style="font-weight: 500;"> no último dia 18/08/2020.</span></li>
<li><span style="font-weight: 500;">Há uma extensa coletânea de obituários </span><a href="https://www.linkedin.com/pulse/agile-dead-matthew-kern/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><span style="font-weight: 500;">neste artigo publicado no </span><b><i>LinkedIn</i></b></a><span style="font-weight: 500;">.</span></li>
<li><span style="font-weight: 500;">Segundo pesquisa do </span><i><span style="font-weight: 500;">Boston Consulting Group</span></i><span style="font-weight: 500;"> apresentada em </span><b>Six Simple Rules</b><span style="font-weight: 500;">, de Yves Morieux e Peter Tollman (HBR Press, 2014 &#8211; p. 7).</span></li>
<li>Foto de <a href="https://unsplash.com/@kellysikkema?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Kelly Sikkema</a> no <a href="https://unsplash.com/?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Unsplash</a></li>
</ol>
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		<title>Times Líquidos, Parte 2</title>
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		<pubDate>Fri, 14 Aug 2020 13:42:17 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Como uma organização pode promover fluidez entre seus times sem comprometer a coesão interna das equipes, as relações com clientes, a qualidade e o ritmo das entregas? O post anterior tentou explicar a motivação para este movimento. É hora de conversar sobre como ele pode ser feito.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span class="medium-text"><span style="font-weight: 500;">Como uma organização pode promover fluidez entre seus times sem comprometer a coesão interna das equipes, as relações com clientes, a qualidade e o ritmo das entregas? O </span><a href="https://www.pfvasconcellos.eti.br/blog/2020/08/08/times-liquidos/"><span style="font-weight: 500;">post </span></a><span style="font-weight: 500;">anterior tentou explicar a motivação para este movimento. É hora de conversar sobre como ele pode ser feito.</span></span><span style="font-weight: 500;">Que o profissional possa conhecer todas as alternativas e escolher o projeto, processo ou produto onde trabalhar é requisito tanto óbvio quanto raro, particularmente em terras tupiniquins. Normalmente contratamos para uma posição pré-determinada. Quase sempre para apagar incêndios. A inexistência de testes &#8211; de um </span><i><span style="font-weight: 500;">onboarding </span></i><span style="font-weight: 500;">minimamente planejado &#8211; explica boa parte dos problemas que testemunhamos desde sempre. Essa mentalidade mecanicista &#8211; a peça que deve porque deve se encaixar em dado mecanismo &#8211; tem poucas chances de sucesso em trabalhos criativos. E este é só o começo da história.</span></p>
<p><span style="font-weight: 500;"><img decoding="async" loading="lazy" class="alignright wp-image-9136" src="https://www.pfvasconcellos.eti.br/blog/wp-content/uploads/2020/08/BondingBuilding-300x170.png" alt="" width="400" height="226" srcset="https://www.pfvasconcellos.eti.br/blog/wp-content/uploads/2020/08/BondingBuilding-300x170.png 300w, https://www.pfvasconcellos.eti.br/blog/wp-content/uploads/2020/08/BondingBuilding-1024x582.png 1024w, https://www.pfvasconcellos.eti.br/blog/wp-content/uploads/2020/08/BondingBuilding-768x436.png 768w, https://www.pfvasconcellos.eti.br/blog/wp-content/uploads/2020/08/BondingBuilding-600x341.png 600w, https://www.pfvasconcellos.eti.br/blog/wp-content/uploads/2020/08/BondingBuilding-1536x872.png 1536w, https://www.pfvasconcellos.eti.br/blog/wp-content/uploads/2020/08/BondingBuilding-412x232.png 412w, https://www.pfvasconcellos.eti.br/blog/wp-content/uploads/2020/08/BondingBuilding.png 1794w" sizes="(max-width: 400px) 100vw, 400px" />Porque, nos atos seguintes, trabalhamos pela manutenção daquela estrutura. Não vou negar o que escrevi no <a href="https://www.pfvasconcellos.eti.br/blog/2020/08/08/times-liquidos/">artigo anterior</a>: devemos premiar as equipes duradouras. Faltou alertar: desde que tenhamos ciência e antídotos para os riscos que elas representam. </span></p>
<p><span style="font-weight: 500;">Um time com estrutura estável tende a ter uma forte coesão interna </span><i><span style="font-weight: 500;">(bonding)</span></i><span style="font-weight: 500;">. Se essa estrutura for pouco porosa &#8211; de poucas trocas com outras equipes (baixo </span><i><span style="font-weight: 500;">building</span></i><span style="font-weight: 500;">) &#8211; ela se torna um silo. Pois é, uma estrutura moderna &#8211; multidisciplinar, autônoma e bem alinhada &#8211; está sujeita ao mesmo mal que aflige as unidades funcionais das organizações tradicionais: se transformar num silo que pouco colabora e não raro atua como se fosse o fim e não apenas um meio¹</span><span style="font-weight: 500;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 500;">O alto nível de </span><i><span style="font-weight: 500;">building </span></i><span style="font-weight: 500;">&#8211; de convivência e trocas constantes entre times &#8211; é a principal condição para o desenho de uma organização flexível. Se o </span><i><span style="font-weight: 500;">building </span></i><span style="font-weight: 500;">é alto, os profissionais vão transitar com mais facilidade entre os diversos times²</span><span style="font-weight: 500;">. </span></p>
<h2><b>Guildas e Capítulos</b></h2>
<p><span style="font-weight: 500;">Não é por outra razão que não seja a promoção do </span><i><span style="font-weight: 500;">building </span></i><span style="font-weight: 500;">a presença de guildas e capítulos no modelo Spotify. Essas formações visam a troca de experiências e conhecimentos. São releituras pouco criativas das </span><i><span style="font-weight: 500;">Comunidades de Prática</span></i><span style="font-weight: 500;">, outra ideia elegante, simples e pouco eficaz na promoção de trocas entre times. Essas propostas são fracas para o </span><i><span style="font-weight: 500;">building </span></i><span style="font-weight: 500;">porque:</span></p>
<ul>
<li style="font-weight: 500;"><span style="font-weight: 500;">seus encontros são esporádicos (os ciclos de </span><i><span style="font-weight: 500;">feedback</span></i><span style="font-weight: 500;"> são longos);</span></li>
<li style="font-weight: 500;"><span style="font-weight: 500;">geralmente envolvem muita gente (12+ é muita gente);</span></li>
<li style="font-weight: 500;"><span style="font-weight: 500;">têm sérias restrições de tempo;</span></li>
<li style="font-weight: 500;"><span style="font-weight: 500;">favorecem temas amplos visando atender o maior número possível de colegas, o que aumenta o risco de papos superficiais e pouco práticos;</span></li>
<li style="font-weight: 500;"><span style="font-weight: 500;">muitos usam os formatos de palestra, aula ou demonstração. Leia-se: há grande risco de tédio, alienação, papos paralelos etc. </span></li>
</ul>
<p><span style="font-weight: 500;">Ou seja, essas estruturas são caras, de difícil implantação e com resultados no mínimo duvidosos. Apesar do início promissor, da motivação natural que vem das coisas </span><i><span style="font-weight: 500;">novas</span></i><span style="font-weight: 500;">, esses grupos tendem ao esvaziamento em poucos meses. O </span><i><span style="font-weight: 500;">building </span></i><span style="font-weight: 500;">pede por desenhos mais criativos e ambiciosos.</span></p>
<h2><b>Desenhando o Intercâmbio entre Times</b></h2>
<p><span style="font-weight: 500;">Uma das receitas mais enxutas e promissoras é o </span><b>Pareamento Promíscuo³</b><span style="font-weight: 500;"> ou Pareamento Cruzado. É simples pra chuchu.</span></p>
<p><b><img decoding="async" loading="lazy" class="alignright wp-image-9141" src="https://www.pfvasconcellos.eti.br/blog/wp-content/uploads/2020/08/Pareamento-300x179.png" alt="" width="302" height="180" srcset="https://www.pfvasconcellos.eti.br/blog/wp-content/uploads/2020/08/Pareamento-300x179.png 300w, https://www.pfvasconcellos.eti.br/blog/wp-content/uploads/2020/08/Pareamento-600x359.png 600w, https://www.pfvasconcellos.eti.br/blog/wp-content/uploads/2020/08/Pareamento.png 699w" sizes="(max-width: 302px) 100vw, 302px" />Ingrediente</b><span style="font-weight: 500;">: Um par, sendo cada membro de um time diferente</span></p>
<p><b>Modo de uso</b></p>
<ol>
<li style="font-weight: 500;"><span style="font-weight: 500;">A dupla se encontra diariamente</span></li>
<li style="font-weight: 500;"><span style="font-weight: 500;">O encontro dura entre uma e duas horas</span><span style="font-weight: 500;"><br />
</span><span style="font-weight: 500;">(Claro, a dupla tem autonomia para definir o melhor momento)</span></li>
<li style="font-weight: 500;"><span style="font-weight: 500;">A cada dia ou semana eles atuam em um dos dois projetos</span></li>
<li style="font-weight: 500;"><span style="font-weight: 500;">Eles </span><i><span style="font-weight: 500;">paream</span></i><span style="font-weight: 500;">, ou seja, trabalham juntos em uma mesma história ou item do </span><i><span style="font-weight: 500;">backlog</span></i></li>
<li style="font-weight: 500;"><span style="font-weight: 500;">Este </span><i><span style="font-weight: 500;">casamento </span></i><span style="font-weight: 500;">deve durar pelo menos um mês. E não mais do que dois ou três meses, dependendo da complexidade dos domínios envolvidos.</span></li>
</ol>
<p><span style="font-weight: 500;">O trabalho em pares, uma prática essencial da XP </span><i><span style="font-weight: 500;">(eXtreme Programming)</span></i><span style="font-weight: 500;">, não é uma exclusividade dos desenvolvedores. </span><i><span style="font-weight: 500;">Designers</span></i><span style="font-weight: 500;">, analistas e zagueiros também podem trabalhar em duplas. Por que não? Como não?</span></p>
<p><span style="font-weight: 500;">Preciso me distanciar da ideia para fazer uma avaliação mais isenta. Porque, neste momento, vejo só benefícios: o potencial do olhar </span><i><span style="font-weight: 500;">de fora</span></i><span style="font-weight: 500;"> para descobrir novas possibilidades; o refresco da troca de contexto; a possibilidade de trabalhar em outro domínio e/ou com outras tecnologias e ferramentas; além, claro, da intenção original da </span><i><span style="font-weight: 500;">polinização cruzada</span></i><span style="font-weight: 500;">. Tudo isso a custo zero? Pois é, parece bom demais para ser verdade. O que estou ignorando?</span></p>
<p><span style="font-weight: 500;"><img decoding="async" loading="lazy" class="alignright wp-image-9143" src="https://www.pfvasconcellos.eti.br/blog/wp-content/uploads/2020/08/PlugIn-300x126.png" alt="" width="381" height="160" srcset="https://www.pfvasconcellos.eti.br/blog/wp-content/uploads/2020/08/PlugIn-300x126.png 300w, https://www.pfvasconcellos.eti.br/blog/wp-content/uploads/2020/08/PlugIn-768x322.png 768w, https://www.pfvasconcellos.eti.br/blog/wp-content/uploads/2020/08/PlugIn-600x252.png 600w, https://www.pfvasconcellos.eti.br/blog/wp-content/uploads/2020/08/PlugIn.png 997w" sizes="(max-width: 381px) 100vw, 381px" />Uma estrutura tão promissora e rica mas não tão econômica quanto a sugerida acima é o </span><b>Time </b><b><i>Plugin<span style="font-weight: 500;"><span style="font-size: small;"><sup>4</sup></span></span></i></b>.</p>
<p><b>Ingredientes</b></p>
<ul>
<li>O time <em>Plugin</em> formado por 2+ profissionais que não estejam alocados em nenhum projeto específico.</li>
<li style="font-weight: 500;"><span style="font-weight: 500;">Se envolver um processo de <em>onboarding</em>, então os integrantes do <em>Plugin</em> são um tutor (</span><i><span style="font-weight: 500;">coach</span></i><span style="font-weight: 500;"> não, tutor! &#8211; alguém que senta, ensina pareando e entrega) e pelo menos um novato (na organização, não necessariamente na profissão)</span></li>
<li style="font-weight: 500;"><span style="font-weight: 500;">Um time <em>hospedeiro</em>. A equipe ideal deve ter pelo menos uma das seguintes características:<br />
</span><span style="font-weight: 500;">&#8211; Um ou mais membros prestes a sair do time em caráter temporário (férias ou licença programada) ou permanente<br />
</span><span style="font-weight: 500;">&#8211; Código relativamente antigo (2+ anos)<br />
</span><span style="font-weight: 500;">&#8211; Um cliente que há tempo (12+ meses) só demanda mais do mesmo</span></li>
</ul>
<p><b>Modo de Uso</b></p>
<ol>
<li style="font-weight: 500;"><span style="font-weight: 500;">Conecte o time </span><i><span style="font-weight: 500;">Plugin</span></i><span style="font-weight: 500;"> ao time hospedeiro</span></li>
<li style="font-weight: 500;"><span style="font-weight: 500;">O acoplamento deve ser muito suave. Leia-se: os hábitos e rotinas do time hospedeiro não devem ser alterados</span></li>
<li style="font-weight: 500;"><span style="font-weight: 500;">O time </span><i><span style="font-weight: 500;">Plugin</span></i><span style="font-weight: 500;"> pode ou não participar das cerimônias </span><i><span style="font-weight: 500;">(dailys, retros, reviews etc)</span></i><span style="font-weight: 500;">. A palavra final é do time hospedeiro ou de seu cliente</span></li>
<li>Se o objetivo é uma substituição, então</li>
<li style="font-weight: 500;"><span style="font-weight: 500;">Após 15~30 dias de conexão, espera-se que o membro novato </span><span style="font-weight: 500;">tenha condições de assumir uma posição, qualquer posição, no time principal</span></li>
<li style="font-weight: 500;"><span style="font-weight: 500;">Isso é possível porque o novato realmente trabalhou naquele projeto, orientado inicialmente pelo tutor e depois por membros do time principal com quem pareou</span></li>
<li style="font-weight: 500;"><span style="font-weight: 500;">No início da conexão, pelo menos por duas semanas, é indicado que o novato atue exclusivamente em refatoração. Depois, oportunamente, ele pode se aventurar em itens novos ou até mesmo participando de alguns experimentos </span><i><span style="font-weight: 500;">(spikes)</span></i><span style="font-weight: 500;">.</span></li>
</ol>
<p><b>Casos de Uso</b></p>
<p><span style="font-weight: 500;">Um time </span><i><span style="font-weight: 500;">plugin </span></i><span style="font-weight: 500;">pode oferecer diversas funcionalidades para uma organização:</span></p>
<ul>
<li style="font-weight: 500;"><span style="font-weight: 500;">Cobertura de férias e licenças.</span></li>
<li style="font-weight: 500;"><span style="font-weight: 500;">Substituição permanente de membros.</span></li>
<li style="font-weight: 500;"><b>Área de </b><b><i>onboarding</i></b><span style="font-weight: 500;">: região segura onde um novo colaborador pode ser acomodado para entender o que é trabalhar naquela organização (cultura, métodos, ferramentas etc). Neste caso, a estrutura deve ser </span><i><span style="font-weight: 500;">plugada </span></i><span style="font-weight: 500;">nos diversos times existentes. Recomenda-se conexões com duração mínima de uma semana. Claro, desde que isso não resulte em meses e meses de </span><i><span style="font-weight: 500;">onboarding</span></i><span style="font-weight: 500;">.</span></li>
<li style="font-weight: 500;"><b>Refatoração Oportunista</b><span style="font-weight: 500;">: todas as refatorações são oportunistas de alguma forma. Aqui a intenção parece ser outra: a cobertura de férias, por exemplo. A usamos como </span><i><span style="font-weight: 500;">desculpa </span></i><span style="font-weight: 500;">para dar um belo tapa (por 15 ou 30 dias!) no código. O cliente fica duplamente agradecido: pela manutenção da estrutura do time e pelo código que ganhou um </span><i><span style="font-weight: 500;">banho de loja</span></i><span style="font-weight: 500;"> a custo zero.</span></li>
<li style="font-weight: 500;"><b><i>Spikes </i></b><b>Interesseiros</b><span style="font-weight: 500;">: há tempo o cliente não desafia o time principal. O relacionamento caiu na rotina. Há o risco do cliente cancelar ou pedir pela redução do contrato. É chegada a hora do </span><i><span style="font-weight: 500;">código vendedor</span></i><span style="font-weight: 500;">. Que o time </span><i><span style="font-weight: 500;">plugin </span></i><span style="font-weight: 500;">faça pesquisas e experimentos </span><i><span style="font-weight: 500;">(spikes)</span></i><span style="font-weight: 500;"> na esperança de descobrir novas oportunidades de negócio para aquele cliente. Esta proatividade tende a render, no mínimo, uma boa surpresa e ótima impressão. </span></li>
</ul>
<p><span style="font-weight: 500;">Quanto maior a rotatividade no time </span><i><span style="font-weight: 500;">plugin</span></i><span style="font-weight: 500;">, maior o nível de </span><i><span style="font-weight: 500;">building </span></i><span style="font-weight: 500;">alcançado. Quanto ele custa? Cerca de 10% de sua folha de pagamento atual, se houver a intenção de cobrir férias. Não é uma estrutura barata. Por isso é importante que ela seja rica em termos de funcionalidades oferecidas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 500;">Nada impede que você mantenha as guildas e capítulos enquanto testa as duas sugestões acima. Não há conflito. E você ganha a possibilidade de fazer uma comparação mais objetiva dos benefícios e custos de cada estrutura. Se você o fizer, por favor, não deixe de compartilhar. </span>Os desenhos sugeridos acima foram testados em apenas uma organização. Há outras referências (veja notas abaixo), mas nada substitui a validação no mundo real, com <em>times de verdade</em>. Se você quer conversar mais sobre as ideias e não gosta do formato assíncrono, considere a participação em uma edição da aula sobre <a href="https://www.pfvasconcellos.eti.br/blog/aulas/grandes-times-pequenos/"><strong>Grandes TIMES Pequenos</strong></a>. Se pretende colocar as ideias para rodar e quer alguma orientação, conte comigo.</p>
<h4>Notas</h4>
<ol>
<li><span style="font-weight: 500;">Um mal muito bem documentado em </span><b>The Silo Effect</b><span style="font-weight: 500;">, de Gillian Tett (Simon &amp; Schuster, 2016).</span></li>
<li><i><span style="font-weight: 500;">Bonding </span></i><span style="font-weight: 500;">(coesão entre membros de um time), </span><i><span style="font-weight: 500;">Building </span></i><span style="font-weight: 500;">(desenvolvimento de parcerias com outros times) e </span><i><span style="font-weight: 500;">Believing </span></i><span style="font-weight: 500;">(confiança na organização) são os três tipos de Capital Social apresentados por Robert Bruce Shaw em </span><b>Extreme Teams</b><span style="font-weight: 500;"> (Amacom, 2017). A matriz sugerida acima não é de Shaw. Sua elaboração é possível através de pesquisas internas. O </span><i><span style="font-weight: 500;">building </span></i><span style="font-weight: 500;"><span style="font-weight: 500;">pode ser capturado através de duas perguntas: 1) Com que frequência você </span></span>aprende coisas com outros times; e 2) Com que frequência você tem a oportunidade de ensinar coisas para membros de outros times.</li>
<li><span style="font-weight: 500;">Na versão original, citada por Scott Ambler em </span><b>Beautiful Teams</b><span style="font-weight: 500;"> (O’Reilly, 2009), a </span><i><span style="font-weight: 500;">promiscuidade </span></i><span style="font-weight: 500;">é total: os casais são trocados todo santo dia. A diferença é que todos atuam no mesmo produto / projeto. Na versão aqui sugerida os participantes são necessariamente de times diferentes. E o par não é trocado diariamente. Caso contrário, não há </span><i><span style="font-weight: 500;">building</span></i><span style="font-weight: 500;">. A versão aqui apresentada recebeu colaborações inestimáveis de Altieres Lopes, Will Marcondes, Klaus Wuestefeld e grande elenco. </span></li>
<li><span style="font-weight: 500;">Pode ser confundido com os times capacitadores </span><i><span style="font-weight: 500;">(enabling)</span></i><span style="font-weight: 500;"> propostos por Matthew Skelton e Manuel Pais em </span><b>Team Topologies</b><span style="font-weight: 500;"> (IT Revolution Press, 2019). A versão aqui sugerida é um tanto mais ambiciosa em termos de funcionalidades oferecidas.</span></li>
<li>Foto de <a href="https://unsplash.com/@kdghantous?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Karim Ghantous</a> no <a href="https://unsplash.com/?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Unsplash</a></li>
</ol>
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		<title>Times Líquidos</title>
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		<pubDate>Sat, 08 Aug 2020 11:44:01 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Times Líquidos]]></category>
		<category><![CDATA[Zygmunt Bauman]]></category>
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					<description><![CDATA[Quanto tempo dura um time de verdade? A partir de que momento as mudanças em sua estrutura se tornam necessárias? Nesses tempos líquidos, faz sentido brigar por times estáveis? Se não, o que pode ser feito para mitigar os efeitos das mudanças constantes?]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 500;">Quanto tempo dura um time de verdade? A partir de que momento as mudanças em sua estrutura se tornam necessárias? Nesses </span><i><span style="font-weight: 500;">tempos líquidos¹</span></i><span style="font-weight: 500;">, faz sentido brigar por times estáveis? Se não, o que pode ser feito para mitigar os efeitos das mudanças constantes?</span></p>
<h2><b>Que seja eterno enquanto gerar resultados</b></h2>
<p><span style="font-weight: 500;">Que seja eterno enquanto promover relacionamentos saudáveis e inspiradores. Não parece haver uma idade ideal para times. Nem pesquisas minimamente abrangentes sobre o assunto. Seria fácil chutar algo entre um e quatro anos. Dadas a velocidade das mudanças e a reincidência dos </span><a href="https://www.pfvasconcellos.eti.br/blog/2020/05/11/timecidio/"><i><span style="font-weight: 500;">timecídios</span></i></a><span style="font-weight: 500;">, parecem anacrônicos os times que conseguem sobreviver por mais de doze meses.</span></p>
<p><span style="font-weight: 500;">Configura-se um </span><i><span style="font-weight: 500;">timecídio </span></i><span style="font-weight: 500;">o desmanche de um time que estava gerando valor </span><i><span style="font-weight: 500;">de facto</span></i><span style="font-weight: 500;"> ou demonstrava potencial para fazê-lo. Além do grande desconforto gerado, para os integrantes do time e para todos que se relacionavam com ele, um </span><i><span style="font-weight: 500;">timecídio </span></i><span style="font-weight: 500;">é causa clara e nunca contabilizada de grandes desperdícios. Porque aquele </span><i><span style="font-weight: 500;">capital social</span></i><span style="font-weight: 500;"> &#8211; a coesão interna entre membros do time e as relações de confiança construídas com entes externos &#8211; não caiu do céu nem custou barato. E porque, claro, aquele ritmo de entrega de valor foi quebrado e pode demorar para ser retomado. </span></p>
<p><span style="font-weight: 500;">Assim como devemos incentivar a cooperação²</span><span style="font-weight: 500;">, faz sentido que a gente celebre e até mesmo premie os times longevos. Isso é facilitado quando a empresa se organiza em torno de produtos e não de projetos. </span></p>
<h2><b>A Estabilidade Requerida</b></h2>
<p><span style="font-weight: 500;">Nesses </span><i><span style="font-weight: 500;">tempos líquidos</span></i><span style="font-weight: 500;">, quanta estabilidade é possível? E quanta estabilidade é desejável? </span></p>
<p><span style="font-weight: 500;">Há tempo nos ensinam que a aquisição de novos clientes é seis vezes mais cara do que a manutenção de um. É bem possível que essa conta esteja defasada. Porque, aparentemente, a infidelidade da freguesia só faz aumentar. </span></p>
<p><span style="font-weight: 500;">Um time estável tende a aumentar a </span><i><span style="font-weight: 500;">intimidade</span></i> <span style="font-weight: 500;">da organização com seus clientes e usuários. A confiança aumenta. É um ciclo virtuoso que deve ser motivado. Porque é mais fácil atender um cliente bem conhecido; Porque fica mais difícil perder um cliente bem atendido. Nesses tempos de vacas magérrimas, perder clientes por conta de mau atendimento/entendimento é um luxo só. </span></p>
<p><span style="font-weight: 500;">Portanto, se não por outros motivos, a estabilidade de um time é desejável por significar relacionamentos melhores e mais estáveis com clientes. O que é um tanto mais notável e caro, mas não exclusivo, em empresas prestadoras de serviços. </span></p>
<h2><b>A Instabilidade Inevitável</b></h2>
<p><span style="font-weight: 500;">Até que ponto as pessoas querem </span><i><span style="font-weight: 500;">amarrar </span></i><span style="font-weight: 500;">sua carreira a um produto ou linha de produtos? Quantos, hoje, topariam vincular sua evolução à permanência em uma mesma organização? A infidelidade é regra. E erram feio &#8211; feio em mais de um sentido &#8211; aqueles que atribuem apenas ao dinheiro a razão para tanta volatilidade. </span></p>
<p><span style="font-weight: 500;">Muita gente, conscientemente ou não, busca variedade. Elas querem assuntos, funções e responsabilidades diferentes. Há mais opções supostamente mais atraentes a cada dia. É um mal dos nossos tempos o </span><i><span style="font-weight: 500;">medo de ficar de fora³</span></i><span style="font-weight: 500;">. Não será através de chantagens ou </span><i><span style="font-weight: 500;">doping &#8211; </span></i><span style="font-weight: 500;">os viciantes bônus, prêmios e promoções &#8211;</span> <span style="font-weight: 500;">que conseguiremos a motivação e consequente lealdade de um time. Ou seja, aquela estabilidade requerida pelas organizações raramente encontrará respaldo nos planos das pessoas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 500;">Nem sempre foi assim. Nossos pais e avós contam com orgulho a história de uma vida profissional que se desenvolveu em apenas uma ou duas empresas; Em um mundo que não existe mais. Ao  invés de cobrar por uma fidelidade impossível, as organizações precisam ser desenhadas não apenas para acomodar mas para incentivar essa fluidez. </span></p>
<p><span style="font-weight: 500;">Como? </span></p>
<h4>Notas</h4>
<ol>
<li><span style="font-weight: 500;">Definição de <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Zygmunt_Bauman" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><strong>Zygmunt Bauman</strong></a>, em livro homônimo (Zahar, 2007), para os nossos tempos de extremas incertezas.</span></li>
<li><span style="font-weight: 500;">Em uma das edições da conversa sobre </span><a href="https://www.pfvasconcellos.eti.br/blog/aulas/grandes-times-pequenos/"><b>Grandes TIMES Pequenos</b></a><span style="font-weight: 500;"> rolou um debate sobre o uso do termo </span><b><i>cooperação </i></b><span style="font-weight: 500;">em detrimento de </span><b><i>colaboração</i></b><span style="font-weight: 500;">. Opto pelo primeiro desde que aprendi que </span><i><span style="font-weight: 500;">co-opera</span></i><span style="font-weight: 500;">, do original em latim, significa comprometimento com o resultado. </span><i><span style="font-weight: 500;">Co-labora</span></i><span style="font-weight: 500;">, também do latim, refere-se ao trabalho em equipe, no mesmo local, ombro a ombro &#8211; mas não fala sobre resultados. A distinção é bem didática em </span><b>Six Simple Rules</b><span style="font-weight: 500;">, de Yves Morieux e Peter Tollman (HBR, 2014).</span></li>
<li><b><i>Fear of Missing Out</i></b><span style="font-weight: 500;">, ou </span><b>FoMO</b><span style="font-weight: 500;">, no original em inglês. Na Wikipédia: </span><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%ADndrome_de_FOMO" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><span style="font-weight: 500;">https://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%ADndrome_de_FOMO</span></a></li>
<li>Foto de <a href="https://unsplash.com/@devano23?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Devon Janse van Rensburg</a> no <a href="https://unsplash.com/?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText">Unsplash</a>.</li>
</ol>
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		<title>Pra Pensar</title>
		<link>https://www.pfvasconcellos.eti.br/blog/2020/07/14/pra-pensar-2/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[pv]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 14 Jul 2020 15:10:53 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Sistêmico]]></category>
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		<category><![CDATA[Scott Page]]></category>
		<category><![CDATA[The Model Thinker]]></category>
		<category><![CDATA[Tom Peters]]></category>
		<category><![CDATA[Variedade]]></category>
		<category><![CDATA[Warren Buffett]]></category>
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					<description><![CDATA[Neurônios ligados disparam juntos. E quanto mais são acionados, mais ágeis e eficientes se tornam. É como aquela trilha que se destaca no gramado por ser muito usada.  O bom pensador é um colecionador de variadas trilhas. Ele cuida de sua especialidade. Mas apreende, com igual interesse, o que é essencial nas principais áreas do conhecimento.  ]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 500;">Nosso cérebro gosta de organização. Ele classifica, rotula e relaciona tudo o que decide guardar. Assim, o ato de lembrar fica mais econômico. Sofisticado como ele só, o cérebro é um recurso caro. Tem apenas 2% de nosso peso,  torra 20% de nossas energias. Por isso evoluímos obedecendo, </span><i><span style="font-weight: 500;">pianinhos</span></i><span style="font-weight: 500;">, a lei do menor esforço. Por isso carregamos por aí um sistema bem lerdo e preguiçoso, como mostra Daniel Kahneman em <strong>Rápido e Devagar</strong> (Objetiva, 2012).</span></p>
<p><b>Neurônios ligados disparam juntos</b>¹<span style="font-weight: 500;">. E quanto mais são acionados, mais ágeis e eficientes se tornam. É como aquela trilha que se destaca no gramado por ser muito usada.  O bom pensador é um colecionador de variadas trilhas. Ele cuida de sua especialidade. Mas apreende, com igual interesse, o que é essencial nas principais áreas do conhecimento.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 500;">O professor e psicólogo Edward De Bono &#8211; que nos deu, entre outras coisas, o </span><i><span style="font-weight: 500;">Pensamento Lateral</span></i><span style="font-weight: 500;"> e o </span><i><span style="font-weight: 500;">Método dos Seis Chapéus</span></i><span style="font-weight: 500;"> &#8211; vive reclamando a falta da disciplina PENSAMENTO. Ele tenta impulsionar uma área de conhecimento que nos ensine a pensar. Ela teria caráter técnico</span><span style="font-weight: 500;">; Seria diferente da Filosofia e Psicologia. Nunca precisamos tanto de uma matéria assim: multidisciplinar, prática, sistêmica. É difícil dizer como ela seria estruturada. Mas é fácil chutar que ela nos ensinaria </span><b><i>Modelos Mentais</i></b><span style="font-weight: 500;">: ideias, padrões e heurísticas que agilizam e melhoram nossos pensamentos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 500;">Modelos mentais são como </span><i><span style="font-weight: 500;">apps </span></i><span style="font-weight: 500;">para o nosso cérebro. Eles agregam </span><i><span style="font-weight: 500;">funcionalidades</span></i><span style="font-weight: 500;">. As possibilidades são tantas que é fácil criar confusão. Assim como bagunçamos nossos </span><i><span style="font-weight: 500;">smartphones</span></i><span style="font-weight: 500;">. Por isso é fundamental uma classificação dos modelos. Desconheço uma sugestão de </span><i><span style="font-weight: 500;">taxonomia </span></i><span style="font-weight: 500;">que tenha sido replicada em mais de um trabalho. Torço para que prevaleça uma organização baseada no tipo de pensamento que queremos provocar. É assim que está estruturada a aula </span><a href="https://www.pfvasconcellos.eti.br/blog/aulas/modelos-pra-pensar/"><b><i>Modelos para Pensar</i></b></a><span style="font-weight: 500;">, com três partes: Curiosidade, Crítica e Criatividade. </span></p>
<h2><b>Curiosidade</b></h2>
<p style="text-align: right;"><b><i>“A curiosidade é a cura para o tédio; </i></b><b><i><br />
</i></b><b><i>Não há cura para a curiosidade.”</i></b><span style="font-weight: 500;"><br />
</span><span style="font-weight: 500;">&#8211; Dorothy Parker</span></p>
<p><span style="font-weight: 500;"><br />
</span><span style="font-weight: 500;">A curiosidade nos empurra para novos conhecimentos. É ela que nos faz descobrir novos campos, oportunidades e ferramentas. Por isso a aula começa com um modelo sugerido por Warren Buffett²</span><span style="font-weight: 500;">, o </span><i><span style="font-weight: 500;">Círculo das Competências</span></i><span style="font-weight: 500;">. Proponho um autoexame enfileirando modelos. Minha intenção é mostrar como essas ideias funcionam em conjunto. Estou com Scott Page, em </span><b><i>The Model Thinker</i></b><span style="font-weight: 500;"> (Basic Books, 2018): precisamos de diversos modelos para pensar melhor. Page não cita, mas está apenas respeitando a </span><b>Lei de Ashby</b><span style="font-weight: 500;">: </span><i><span style="font-weight: 500;">só a variedade absorve variedade</span></i><span style="font-weight: 500;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 500;">A mistura de ideias acaba virando um exemplo prático de outro modelo mental: </span><i><span style="font-weight: 500;">Juros Compostos</span></i><span style="font-weight: 500;">. “A maior força da natureza”, teria dito Einstein. Experimente: aplique a ideia de juros sobre juros em sua estratégia de estudos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 500;">Opa! Não há uma estratégia? Você está confusa/o? Quem não está? Segundo Tom Peters, só não está um tanto perdido “quem não está prestando atenção”. Nosso cérebro, o mais complexo sistema conhecido, não está bem preparado para tanto ruído, desinformação e mentira. O que justifica o segundo bloco da aula: crítica. </span></p>
<h2><b>Crítica</b></h2>
<p style="text-align: right;"><b><i>“Cadê a sabedoria que perdemos com o conhecimento?</i></b><b><i><br />
</i></b><b><i>Cadê o conhecimento que perdemos com a informação?”</i></b><b><i><br />
</i></b><span style="font-weight: 500;">&#8211; T.S. Elliot (1934)</span></p>
<p><span style="font-weight: 500;">Cadê a informação que perdemos com o </span><i><span style="font-weight: 500;">big data</span></i><span style="font-weight: 500;">? Porque “informação é a diferença que faz diferença”, avisou Gregory Bateson. Desses zilhões de bits que nos bombardeiam incessantemente, quantos de fato prestam? </span></p>
<p><span style="font-weight: 500;">Este hardware extraordinário que carregamos entre as orelhas tem bons filtros que vêm instalados de fábrica. Dos oito bilhões de bits que chegam aos nossos sentidos a cada segundo, ficamos com apenas algumas centenas. Todo o resto é ignorado. Depois, quando dormimos, outro filtro entra em ação. E faz uma faxina para eliminar tudo o que não deve nos fazer falta porque não lhes </span><i><span style="font-weight: 500;">pagamos </span></i><span style="font-weight: 500;">a devida atenção enquanto despertos. Há quem ache que a gente só dorme pra isto mesmo: limpar a cuca, rever e reforçar as boas relações entre neurônios. </span></p>
<p><span style="font-weight: 500;">A </span><i><span style="font-weight: 500;">configuração </span></i><span style="font-weight: 500;">dos filtros nos atendeu bem até pouco tempo atrás. Mas está falhando feio neste século da </span><i><span style="font-weight: 500;">infobesidade</span></i><span style="font-weight: 500;">. Tanto que está virando questão de saúde pública e prateleira de livros com títulos curiosos. Sim, precisamos de mais e melhores </span><i><span style="font-weight: 500;">fodasses</span></i><span style="font-weight: 500;">. Que não são uma arte nem precisam ser sutis. </span></p>
<p><span style="font-weight: 500;">Existem, por exemplo, as navalhas de </span><i><span style="font-weight: 500;">Occam</span></i><span style="font-weight: 500;">, </span><i><span style="font-weight: 500;">Hanlon</span></i><span style="font-weight: 500;">, </span><i><span style="font-weight: 500;">Taleb </span></i><span style="font-weight: 500;">e </span><i><span style="font-weight: 500;">Caetano</span></i><span style="font-weight: 500;">. O princípio de </span><i><span style="font-weight: 500;">Pareto</span></i><span style="font-weight: 500;"> também é um tipo de navalha. Navalhas também são um tipo de modelo mental. Dos mais funcionais. Dispensam o manual de operação. O mesmo não pode ser dito do </span><i><span style="font-weight: 500;">Facão de Bayes</span></i><span style="font-weight: 500;">. Que não deixa de ser muito útil por causa disso. </span></p>
<p><span style="font-weight: 500;">Três dos nossos ativos mais valiosos são atenção, confiança e tempo. Se nós não os protegermos, ninguém o fará. Nós filtramos &#8211; nos </span><i><span style="font-weight: 500;">liberamos </span></i><span style="font-weight: 500;">&#8211; para ter tempo e espaço para exercer o que nos torna mais humanos: criar.</span></p>
<h2><b>Criatividade</b></h2>
<p style="text-align: right;"><b><i>“Criatividade é a inteligência se divertindo.”</i></b><span style="font-weight: 500;"><br />
</span><span style="font-weight: 500;">&#8211; Albert Einstein</span></p>
<p><span style="font-weight: 500;">Traiçoeiro terreno. Porque muita gente acha que criatividade é uma característica inata, um talento: ou você nasce com ele ou estaria condenada/o a uma vida sem sal nem graça. Outros tantos parecem defender que esse papo de criatividade é para quem faz arte; o atributo não teria muita utilidade no dia a dia nem no mundo <em>sério</em> &#8211; o do trabalho. Há uma frase anônima que incomoda por ilustrar bem esse preconceito: “o adulto criativo é a criança que sobreviveu”. </span></p>
<p><span style="font-weight: 500;">Tento driblar essas restrições lançando mão de um </span><i><span style="font-weight: 500;">funil </span></i><span style="font-weight: 500;">sugerido por Ken Robinson em </span><b>Somos Todos Criativos</b><span style="font-weight: 500;"> (Benvirá, 2019): a </span><i><span style="font-weight: 500;">inovação </span></i><span style="font-weight: 500;">que todo mundo parece buscar &#8211; ainda que da boca pra fora &#8211; não é possível sem </span><i><span style="font-weight: 500;">criatividade </span></i><span style="font-weight: 500;">que, por sua vez, não existe sem uma </span><i><span style="font-weight: 500;">imaginação </span></i><span style="font-weight: 500;">bem solta. Não é mera coincidência o fato desta sequência ser muito parecida com o </span><i><span style="font-weight: 500;">Funil do Conhecimento</span></i><span style="font-weight: 500;"> sugerido por Roger Martin em </span><b>Design de Negócios</b><span style="font-weight: 500;"> (Alta Books, 2010). </span></p>
<p><span style="font-weight: 500;">Os modelos mentais apresentados nesta parte da aula não tentam provar a relevância da criatividade. Para isso bastam dois ou três empurrões/citações. Os modelos aqui apresentados tentam mostrar </span><b><i>como é natural criar</i></b><span style="font-weight: 500;">. Em trabalhos solitários ou em times; lidando com grandes ou pequenos problemas. A gente complicou bastante nos últimos séculos. Mas não é nada que a gente não consiga desaprender ou desfazer com um pouco de </span><i><span style="font-weight: 500;">criatividade</span></i><span style="font-weight: 500;">. </span></p>
<h2><b>Conclusão</b></h2>
<p><span style="font-weight: 500;">Os três traços &#8211; Curiosidade, Crítica e Criatividade &#8211; foram escolhidos porque são atributos que </span><i><span style="font-weight: 500;">ainda </span></i><span style="font-weight: 500;">nos diferenciam das inteligências sem vida. Reforçá-los através de bons </span><a href="https://www.pfvasconcellos.eti.br/blog/aulas/modelos-pra-pensar/"><i><span style="font-weight: 500;">modelos pra pensar</span></i></a><span style="font-weight: 500;"> parece ser um bom investimento. </span></p>
<h4>Notas</h4>
<ol>
<li><span style="font-weight: 500;">Tradução mequetrefe de </span><i><span style="font-weight: 500;">neurons that fire together wire together.</span></i></li>
<li><span style="font-weight: 500;">Não é mera coincidência: Charlie Munger, sócio de Buffett, ajudou a impulsionar esse papo sobre Modelos Mentais. Em várias palestras e no seu </span><b><i>Poor’s Charlie Almanack</i></b><span style="font-weight: 500;"> (Donning, 2005).</span></li>
</ol>
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		<title>Timecídio</title>
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		<dc:creator><![CDATA[pv]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 11 May 2020 13:23:18 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Times]]></category>
		<category><![CDATA[Daryl Kulak]]></category>
		<category><![CDATA[Ernest Hemingway]]></category>
		<category><![CDATA[Formação de Times]]></category>
		<category><![CDATA[Hong Li]]></category>
		<category><![CDATA[Peopleware]]></category>
		<category><![CDATA[The Journey to Enterprise Agility]]></category>
		<category><![CDATA[Timecídio]]></category>
		<category><![CDATA[Timothy Lister]]></category>
		<category><![CDATA[Tom DeMarco]]></category>
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					<description><![CDATA[Ti.me.cí.di.o (s.m.) 1. crime que consiste em desmontar um time, equipe ou grupo de trabalho 2. É tão notável quanto indesejável quando afeta uma unidade de trabalho  que estava gerando valor ou demonstrava potencial para tanto.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span class="medium-text"><b>Ti.me.cí.di.o</b> <i><span style="font-weight: 500;">(s.m.)</span></i> <b>1</b><span style="font-weight: 500;">. crime que consiste em desmontar um time, equipe ou grupo de trabalho </span><b>2</b><span style="font-weight: 500;">. É tão notável quanto indesejável quando afeta uma unidade de trabalho  que estava gerando valor ou demonstrava potencial para tanto </span><b>3</b><span style="font-weight: 500;">. O termo </span><i><span style="font-weight: 500;">Teamicide</span></i><span style="font-weight: 500;"> apareceu originalmente em </span><b><i>Peopleware¹</i></b></span><span style="font-weight: 500;"><span class="medium-text">.</span> </span></p>
<p><span style="font-weight: 500;"><a href="https://www.pfvasconcellos.eti.br/blog/2020/05/01/grandes-times-de-verdade/">Times de verdade são raros</a>. <a href="https://www.pfvasconcellos.eti.br/blog/2020/05/04/grandes-times-maduros/">Times maduros são raríssimos</a>. Tanto mais em uma cultura que ainda não percebeu quanto desperdício e mal estar causa toda vez que desmonta um time ou não dá bola para seu desmanche. Um economista chutador não hesitaria em cravar que os </span><i><span style="font-weight: 500;">timecídios </span></i><span style="font-weight: 500;">custam bilhões de dólares anualmente. Ele não estaria errado. Porque é difícil e demorado formar um time de verdade.</span></p>
<h2><b>Formação: O Parto</b></h2>
<p><span style="font-weight: 500;">Dado um desafio, quase sempre nebuloso e ambíguo, é preciso descobrir e classificar as competências necessárias para vencê-lo. Tentamos simplificar a coisa com profissionais </span><i><span style="font-weight: 500;">full-stack.</span></i><span style="font-weight: 500;"> Só para relembrar como são mentirosos os atalhos e ineficazes os times de iguais. Cedo ou tarde vamos descobrir que só a variedade de talentos e interesses será capaz de absorver toda a variedade que virá das partes envolvidas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 500;">Esses talentos (o que sabem fazer) e interesses (o que pretendem aprender) precisam se encaixar. A isso chamamos entrosamento. Sabemos que ele não acontecerá do dia para a noite. Desconfiamos que ele pode não acontecer. </span></p>
<p><span style="font-weight: 500;">Inventamos divertidos jogos e dinâmicas para </span><i><span style="font-weight: 500;">team building &#8211; </span></i><span style="font-weight: 500;">para a formação de times. Alimentamos a esperança de que seria possível acelerar com brincadeiras algo que só ocorre quando a conversa é séria. Entrosamento </span><i><span style="font-weight: 500;">de verdade</span></i><span style="font-weight: 500;"> só é alcançado quando o time resolve conflitos e problemas </span><i><span style="font-weight: 500;">de verdade</span></i><span style="font-weight: 500;">. Quando cria confiança. Os jogos, neste momento, não servem para muita coisa além de quebrar o gelo e provocar risadas ou vergonha alheia. </span></p>
<p><span style="font-weight: 500;">Só saberemos se aquele time-</span><i><span style="font-weight: 500;">todo </span></i><span style="font-weight: 500;">tem potencial para ser maior que a soma das partes jogando-o, o quanto antes, para as feras </span><i><span style="font-weight: 500;">(aka stakeholders)</span></i><span style="font-weight: 500;">. Todo parto é um choque de realidade. Não há razão para adiar este encontro. Porque só assim o time conhecerá as fronteiras, interfaces e modos que guiarão o seu funcionamento. </span></p>
<h2><b>Confrontação: A Infância Difícil</b></h2>
<p><span style="font-weight: 500;">Toda novidade causa estranheza e algum nível de desconforto. Estamos tratando de um grupo de pessoas que foi reunido pela primeira vez e </span><i><span style="font-weight: 500;">jogado</span></i><span style="font-weight: 500;"> em um contexto diferente. Ainda que o ambiente seja receptivo, haverá desconfiança. Haverá insegurança. E tudo isso é muito normal. Usando aquele raciocínio linear proposto pelo modelo de Tuckman²</span><span style="font-weight: 500;">, entramos na etapa de confrontação </span><i><span style="font-weight: 500;">(storming)</span></i><span style="font-weight: 500;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 500;">Nosso principal objetivo aqui é reduzir o </span><i><span style="font-weight: 500;">frio na barriga</span></i><span style="font-weight: 500;"> &#8211; é eliminar o grosso das incertezas. Para tanto, precisamos fazer perguntas e testar as respostas em ciclos bem curtos. Estamos tateando no escuro, descobrindo um caminho. Por isso os ciclos rápidos de </span><i><span style="font-weight: 500;">feedback</span></i><span style="font-weight: 500;"> são cruciais. </span></p>
<p><span style="font-weight: 500;">O modelo de Tuckman, cuja versão original é de 1965, não esconde o jeito </span><i><span style="font-weight: 500;">cascata</span></i><span style="font-weight: 500;"> de pensar. Cabe aqui a observação de que a confrontação </span><i><span style="font-weight: 500;">(storming)</span></i><span style="font-weight: 500;"> pode ocorrer a todo instante e isso não é necessariamente ruim. Um time em que tudo parece estar funcionando o tempo todo é muito mais preocupante do que um time onde os confrontos são relativamente comuns. </span></p>
<p><span style="font-weight: 500;">Este primeiro confronto merece destaque porque é ou deveria ser a única infância de um time. Acontece que cada mínima mudança em sua estrutura significa um novo começo. Justificável ou não, cada troca de membros de um time é quase um </span><i><span style="font-weight: 500;">reset</span></i><span style="font-weight: 500;">. Porque afeta todo mundo. </span></p>
<h2><b>Normatização: A Confiança Adquirida</b></h2>
<p><span style="font-weight: 500;">Um time se estabiliza quando há confiança compartilhada entre os membros e entre estes, como entidade única, e as demais partes envolvidas. Palavra chave: CONFIANÇA. </span></p>
<p><b>Confiança = (credibilidade * intimidade) / risco</b></p>
<p><span style="font-weight: 500;">Para entender³</span><span style="font-weight: 500;">:</span></p>
<ul>
<li style="font-weight: 500;"><span style="font-weight: 500;">Credibilidade: coloco a mão no fogo por fulana/o?</span></li>
<li style="font-weight: 500;"><span style="font-weight: 500;">Intimidade: quão bem a/o conheço?</span></li>
<li style="font-weight: 500;"><span style="font-weight: 500;">Risco: o que pode acontecer se fulana/o pisar na bola?</span></li>
</ul>
<p><span style="font-weight: 500;">Confiança de verdade não acontece por decreto nem é garantida por diplomas ou certificados. A única maneira de saber se podemos confiar em alguém é confiando, ensinou Hemingway. Confiança se ganha e se perde no dia a dia. Caramba, estamos cansados de saber disso. Mas, por favor, me siga. Imagine um time com 5 pessoas. </span></p>
<p><b>R = (N (N-1))/2</b></p>
<p><span style="font-weight: 500;">R é o número de relações possíveis em um time. N é o tamanho do time. Neste caso, temos 10 relacionamentos. São dez relações de confiança que precisam ser cultivadas. Insisto: isso não acontece da noite para o dia.</span></p>
<p><span style="font-weight: 500;">Pense em todos os membros de seu time atual. Há  quanto tempo vocês estão juntos? Você colocaria a mão no fogo por todos? Quanto tempo demorou para você desenvolver essa (des)confiança? </span></p>
<h2><b>Velozes e Curiosos</b></h2>
<p style="text-align: right;"><em><span style="font-weight: 500;">“É incrível o quanto a gente consegue </span><span style="font-weight: 500;">enxugar &#8211; </span><span style="font-weight: 500;">em termos de documentos e processos &#8211; quando há confiança mútua.”<br />
&#8211; Daryl Kulak e Hong Li<sup>4</sup></span></em></p>
<p><b>Confiança = Velocidade</b><span style="font-weight: 500;">. Velocidade na tomada de decisões e em resoluções de conflitos. Velocidade dos ciclos de feedback. Velocidade que destaca um time.</span></p>
<p><span style="font-weight: 500;">Quanto tempo um time demora para atingir essa velocidade, esse nível de confiança? Quanto isso custa? Cada </span><i><span style="font-weight: 500;">timecídio</span></i><span style="font-weight: 500;"> representa esse custo multiplicado por dois. Porque aquilo que foi descartado deverá ser reconstruído do zero.</span></p>
<p><span style="font-weight: 500;">Se ser enxuto de verdade significa combater desperdícios, então uma de nossas prioridades deveria ser a redução drástica dos </span><i><span style="font-weight: 500;">timecídios</span></i><span style="font-weight: 500;">. Algumas sugestões:</span></p>
<ul>
<li style="font-weight: 500;"><span style="font-weight: 500;">Enxergar PRODUTOS e não projetos;</span></li>
<li style="font-weight: 500;"><span style="font-weight: 500;">Contratar PESSOAS FÍSICAS COMO PESSOAS FÍSICAS;</span></li>
<li style="font-weight: 500;"><span style="font-weight: 500;">Reconhecer e bonificar O MÉRITO DOS TIMES e não dos indivíduos;</span></li>
<li style="font-weight: 500;"><span style="font-weight: 500;">Incentivar e bonificar a LONGEVIDADE DOS TIMES;</span></li>
<li style="font-weight: 500;"><span style="font-weight: 500;">Ler </span><i><span style="font-weight: 500;">Peopleware</span></i><span style="font-weight: 500;"> e entender porque burocracia, mau uso do tempo, prazos mentirosos e desleixo com a qualidade são </span><i><span style="font-weight: 500;">desmotivadores</span></i><span style="font-weight: 500;"> e, consequentemente, causas comuns de timecídios.</span></li>
</ul>
<p><span style="font-weight: 500;">Quanto tempo dura um time de verdade? Quanto deveria durar?<br />
</span></p>
<h4>Notas</h4>
<ol>
<li><span style="font-weight: 500;">Tom DeMarco e Timothy Lister</span><span style="font-weight: 500;"> (Dorset House, 1987-2013). Em edição tupiniquim, a tradutora Kátia Aparecida Roque optou por </span><i><span style="font-weight: 500;">Equipecídio </span></i><span style="font-weight: 500;">(Makron Books, 1990).</span></li>
<li><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Modelo_de_Tuckman" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://pt.wikipedia.org/wiki/Modelo_de_Tuckman</a></li>
<li><span style="font-weight: 500;">Surrupiei a fórmula de </span><b>The Fractal Organization: Creating sustainable organizations with the Viable System Model</b><span style="font-weight: 500;">, de Patrick Hoverstadt (Wiley, 2011).</span></li>
<li><b>The Journey to Enterprise Agility</b><span style="font-weight: 500;"> (Springer, 2017). Veio do mesmo livro a afirmação seguinte, </span><i><span style="font-weight: 500;">Confiança = Velocidade</span></i><span style="font-weight: 500;">. Este é o primeiro princípio do Pensamento Sistêmico colocado por Daryl Kulak e Hong Li.</span></li>
<li>Foto de <a href="https://unsplash.com/@heftiba?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Toa Heftiba</a> no <a href="https://unsplash.com/s/photos/hands?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Unsplash</a></li>
</ol>
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