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	<title>Edifício 256</title>
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	<description>A sua novelinha diária!</description>
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	<title>Edifício 256</title>
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		<title>Capítulo 5</title>
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		<dc:creator><![CDATA[felipebarenco]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 19 Oct 2020 14:55:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Primeiro Ato]]></category>
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					<description><![CDATA[#PintoAwards Caio Pinto recebeu as boas-vindas acompanhadas por uma cópia do comunicado pregado no mural da portaria. Filho único de mãe abusiva, alugar um apartamento sozinho era como pisar na lua. CAIO – Um pequeno passo para o homem, um salto gigante para a minha dignidade! Ele assinou o contrato de locação enquanto um Carregador...]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<h3>#PintoAwards</h3>



<p>Caio Pinto recebeu as boas-vindas acompanhadas por uma cópia do comunicado pregado no mural da portaria. Filho único de mãe abusiva, alugar um apartamento sozinho era como pisar na lua.</p>



<p>CAIO – Um pequeno passo para o homem, um salto gigante para a minha dignidade!</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img src="https://edificio256.com.br/wp-content/uploads/2020/10/256-10mandamentos.jpg" alt="" class="wp-image-520" srcset="https://edificio256.com.br/wp-content/uploads/2020/10/256-10mandamentos.jpg 515w, https://edificio256.com.br/wp-content/uploads/2020/10/256-10mandamentos-206x300.jpg 206w, https://edificio256.com.br/wp-content/uploads/2020/10/256-10mandamentos-343x500.jpg 343w" sizes="(max-width: 515px) 100vw, 515px" /></figure>



<p></p>



<span id="more-519"></span>



<p>Ele assinou o contrato de locação enquanto um Carregador Sem Camisa terminava de subir a última caixa. A Kombi da mudança fez duas viagens. Na primeira, descarregou meia dúzia de móveis. Em seguida, entulhou o apartamento de Caio com caixas e caixas de quadrinhos, dvds, jogos de videogame, artigos de papelaria e papel. Muito papel. Eram dezenas de croquis, pranchas e projetos. O tipo de pessoa que tem mais livro do que roupa.</p>



<p>CAIO – Não tô acreditando que vou morar sozinho. E, ainda por cima, no Doiscincomeia!</p>



<p>BENEDITO – Você vai gostar. O Edifício Vânia é bem família.</p>



<p>E como família costuma brigar bastante, Eva invadiu a portaria, faca de cozinha em punho, correndo atrás do ex-marido. Mafalda, vestida com o uniforme do colégio, apenas ria.</p>



<p>EVA – Se atrasar a pensão de novo, corto fora! – mirou a faca nos olhos de Caio – Nesse prédio só tem puta e viado!</p>



<p>O ex-casal continuou a briga na praça, esperando a van escolar.</p>



<p>BENEDITO – A baiana tem sangue quente.</p>



<p>CAIO – Reparei.</p>



<p>BENEDITO – Eva cuida da lavanderia do edifício. Atende o bairro inteiro. Se precisar, fica no subsolo.</p>



<p>A expressão de Caio era igual a de um neném prestes a gorfar a papinha.</p>



<p>BENEDITO – O que foi, rapaz? Tá passando mal de novo?</p>



<p>CAIO – Morar sozinho, pagar aluguel, lavar roupa&#8230; Virei adulto de vez.</p>



<p>BENEDITO – É um caminho sem volta.</p>



<p>O celular de Caio vibrou em cima da bancada. No visor, o nome “Bates”.</p>



<p>CAIO – Fala, Bates.</p>



<p>CATARINA PINTO – Odeio esse apelido!</p>



<p>A voz de Catarina era IDÊNTICA À DA MARCIA CABRITA. Ao fundo, era possível ouvir o barulho do copo de whisky.</p>



<p>CATARINA – Um arquiteto que se preze devia morar num lugar melhor! Você confiaria num dentista com o dente podre?</p>



<p>CAIO – Os clientes não precisam saber onde eu moro, mãe.</p>



<p>CATARINA – Se eu morasse na Lapa, estaria sempre bêbada.</p>



<p>CAIO – Mas você sempre está.</p>



<p>CATARINA – Meu filhote me abandonou!</p>



<p>CAIO – Ah, não, esse assunto de novo, não.</p>



<p>CATARINA – Deixa eu falar com a Benedita da Silva.</p>



<p>CAIO – Mãe!</p>



<p>Imagine se Benedito soubesse que já tinha ganhado apelido e tudo.</p>



<p>CAIO – Depois eu te ligo com calma.</p>



<p>Caio passeou os olhos pelas regras de convivência.</p>



<p>CAIO – Seu Benedito, o décimo mandamento diz que&#8230;</p>



<p>BENEDITO – O Treze continua em obras. Alguém pode se machucar. Além disso, não há motivo para ficar circulando num andar que não seja o seu.</p>



<p>CAIO – Claro, claro&#8230;</p>



<p>Um breve silêncio.</p>



<p>CAIO – O senhor acredita em fantasma?</p>



<p>BENEDITO – Até de Deus ando duvidando.</p>



<p>CAIO – Me incomoda pacas que o Lúcio Okner seja lembrado como um fantasma. O cara era um gênio.</p>



<p>BENEDITO – Me incomoda é que ele seja lembrado. – pensou alto.</p>



<p>CAIO – O senhor o conheceu?</p>



<p>BENEDITO – Oxe, nem era nascido nessa época. – ele desviou do assunto fazendo piada.</p>



<p>CAIO – Uma vez eu falei com o senhor por telefone. Quer dizer, o senhor desligou na minha cara, mas beleza. Era uma entrevista pro meu TCC.</p>



<p>BENEDITO – Não me recordo.</p>



<p>CAIO – Trabalho de Faculdade e tal.</p>



<p>Benedito teve medo de perguntar, mas não resistiu.</p>



<p>BENEDITO – Você estudou onde?</p>



<p>CAIO – Na Vitruviana! – estufou o peito.</p>



<p>A Vitruviana é a escola mais tradicional da galáxia nas artes arquitetônicas. Por consequência, o vestibular mais concorrido do país.</p>



<p>CAIO – O Lúcio é meu ídolo nível pôster no armário. Mais até do que o Darth Vader.</p>



<p>Benedito não fazia a menor ideia de quem era esse tal Darth.</p>



<p>CAIO – Caraca! Não conhece Star Wars?! Um dos personagens, o Luke, também teve a mão decepada!</p>



<p>BENEDITO – Não ligo pra cinema. – arrependido de entrar no assunto – Outra hora conversamos mais. Já conheceu a Chuviscaria?</p>



<p>CAIO – Ainda não.</p>



<p>BENEDITO – Pronto. Vou te apresentar o melhor bolinho de chuva da cidade.</p>



<p>CAIO – Tem diet?</p>



<p style="background-color:#6eefd8" class="has-background">Tá curtindo a história? Deixe o seu recadinho e até amanhã. ^^</p>
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		<title>Capítulo 4</title>
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		<dc:creator><![CDATA[felipebarenco]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 16 Oct 2020 14:29:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Primeiro Ato]]></category>
		<category><![CDATA[Caio Pinto]]></category>
		<category><![CDATA[Carmela]]></category>
		<category><![CDATA[Diabético]]></category>
		<category><![CDATA[Dona Perpétua]]></category>
		<category><![CDATA[Pâmela]]></category>
		<category><![CDATA[Treze]]></category>
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					<description><![CDATA[#DiadaToalha A privacidade de um único apartamento por andar, o imóvel espaçoso e o aluguel baratíssimo pareciam atrativos irresistíveis no Aluga-se. Porém, duas semanas se passaram e nada. Nenhuma alma viva parecia interessada em morar no prédio. Benedito não queria acreditar que boatos sobre um fantasma afugentassem novos&#160;inquilinos, embora não encontrasse outra explicação. Carmela cantou...]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<h3>#DiadaToalha</h3>



<p>A privacidade de um único apartamento por andar, o imóvel espaçoso e o aluguel baratíssimo pareciam atrativos irresistíveis no <em>Aluga-se</em>. Porém, duas semanas se passaram e nada. Nenhuma alma viva parecia interessada em morar no prédio. Benedito não queria acreditar que boatos sobre um fantasma afugentassem novos&nbsp;inquilinos, embora não encontrasse outra explicação.</p>



<p>Carmela cantou a bola enquanto lavava a escadaria com folhas de arruda:</p>



<p>CARMELA – Mau agouro! – jogou um punhado de sal grosso na entrada do prédio.</p>



<span id="more-511"></span>



<p>BENEDITO – Chega de despacho na minha porta.</p>



<p>CARMELA – O sal grosso é pra limpar os teus caminhos. O senhor devia tomar um banho de pipoca na cachoeira também.</p>



<p>BENEDITO – Era só o que me faltava&#8230; nessa idade!</p>



<p>CARMELA – Dou sete dias pra alugar tudinho.</p>



<p>BENEDITO – Deus te ouça. Tô na tábua da beirada. Meus problemas não acabam nunca.</p>



<p>CARMELA – Os problemas também têm alma. Quando a criatura não os resolve, eles reencarnam em novas pessoas ou situações.</p>



<p>BENEDITO – Pronto, tem razão. – ele disse, se referindo a Dona Perpétua, parada em pé na portaria.</p>



<p>Ela havia acabado de descer doze andares de escada para manter a forma e aporrinhar a paciência do síndico. Carregou o pombo de estimação junto, dentro do cesto de palha.</p>



<p>BENEDITO – Qual o motivo do resmungo dessa vez, Perpétua?</p>



<p>Ela reclamou com o síndico por conta do arrasta-móveis no andar de cima.</p>



<p>BENEDITO – Não existe fantasma nenhum. Os barulhos que a senhora escuta no Treze são por conta da reforma. O Rufus trabalha lá.</p>



<p>Ela respondeu, ele riu.</p>



<p>BENEDITO –Não me leve a mal, a senhora tá escutando coisa.</p>



<p>Ela rebateu, ele prosseguiu.</p>



<p>BENEDITO – Sim, fui ao Treze de madrugada porque também acompanho o andamento das obras. A moda agora é vigiar minha vida?</p>



<p>O desejo mais profundo do síndico era mandar Perpétua para aquele lugar. Respirou fundo e manteve a política da boa vizinhança. Ele dependia dela. O Doze era o único apartamento que ele não conseguiu comprar.</p>



<p>BENEDITO – A senhora prometeu que me venderia o Doze.</p>



<p>Ela recusou, ele insistiu.</p>



<p>BENEDITO – Pense melhor na minha oferta.</p>



<p>CARMELA – Se eu fosse a senhora, pegava essa bufunfa e comprava uma casinha na serra.</p>



<p>Perpétua se mostrou irredutível. Pelo visto, ela tinha assistido <em>Aquarius</em>.</p>



<p>BENEDITO – Chega de conversa mole. Preciso trabalhar. Passar bem!</p>



<p>Perpétua sorriu, debochada. Ao sair do prédio, quase foi atropelada por um #@$%! de bicicleta.</p>



<p>O motorista da bicicleta era A CARA DO CHADWICK BOSEMAN. Mas sem a imponência do manto de Wakanda e com óculos de armação quadrada.</p>



<p>Caio Pinto veio num embalo só desde que fora cercado por um grupo de pivetes do bairro. Escapou do assalto graças ao canudo de arquiteto preso à mochila, e que ele usou como espada. Limpou o suor, bebeu água. Havia um rasgo na sua camisa do filme <em>De Volta para o Futuro</em>. Malditos. Ainda com a respiração ofegante, sacou o celular do bolso e postou a foto no Instagram com o filtro P&amp;B. Uau. #doiscincomeia #luciookner #edificiovania.</p>



<p>A arquitetura do Doiscincomeia é um exemplar do estilo <em>frankenstein </em>de construção, um remendo de vários estilos arquitetônicos que resultou num prédio assimétrico e deprimido. Era como uma pessoa alta com a coluna encurvada, quase desabando. Mesmo assim, o coração do rapaz disparou quando entrou na portaria.</p>



<p>Ficou encantado com a imponência do pé direito, o lustre prestes a despencar, o mosaico de ladrilhos hidráulicos, a tinta descascando da parede e a barata de barriga para cima ao lado do sofá velho.</p>



<p>CAIO – Bom dia. – ele se aproximou da bancada – Seu Benedito, por favor.</p>



<p>BENEDITO – Se não for cobrança, sou eu.</p>



<p>CAIO – A respeito do anúncio no jornal. – ficou constrangido ao ver o cotoco no lugar da mão esquerda do síndico.</p>



<p>BENEDITO – Só um minuto. – foi até a porta e berrou – Rufus!</p>



<p>CARMELA – Sua aura é linda.</p>



<p>CAIO – Minha o quê?</p>



<p>CARMELA – É violeta. – puxou a mão do rapaz para si – Sabia que o tamanho do dedo médio equivale ao tamanho do&#8230; sucesso? Tá tenso, menino!</p>



<p>Desde pequeno, Caio tinha pavor das ciganas lerem a sua mão na rua. A mãe dele dizia que elas sequestravam as crianças que tiravam nota baixa e comiam doce escondido. Hoje, um jovem adulto, ele tinha pavor de gente como Carmela, com mania de pegar e encostar para falar. Ele prezava por seu espaço íntimo.</p>



<p>Carmela continuava segurando a mão dele.</p>



<p>CARMELA – Hmmm, saúde frágil. Um grande desafio profissional no futuro. E a linha do amor é longa.</p>



<p>CAIO – Aham.</p>



<p>Caio acreditava no apocalipse zumbi; no apocalipse amoroso, não. Chamou o elevador para escapar do assédio de Carmela. Era um elevador velho, estilo jaula.</p>



<p>CARMELA – As linhas da mão são como estradas.</p>



<p>CAIO – Ah, tá.</p>



<p>CARMELA – Sua estrada amorosa andava engarrafada.</p>



<p>CAIO – Isso é verdade.</p>



<p>CARMELA – Mas voltou a fluir.</p>



<p><em>Socorro, socorro!</em> Os gritos da moça, acompanhados por pancadas na porta do elevador, interromperam a consulta forçada. Era a voz de Pâmela.</p>



<p>PÂMELA – <em>Ai, meus sais! Alguém me tira daqui!</em></p>



<p>CAIO – Acho que o elevador travou.</p>



<p>CARMELA – Cadê o Benedito, gente!?</p>



<p>PÂMELA – <em>Corre, amada, tô com falta de ar. Sou ninfomaníaca!</em></p>



<p>CAIO – Não seria claustrofóbica?</p>



<p>PÂMELA – <em>Tanto faz!</em></p>



<p>Caio arremessou a mochila no sofá, apoiou o pé na parede e puxou a porta de madeira do elevador com as duas mãos. Quando a porta destravou, abriu a grade sanfonada.</p>



<p>Pâmela saiu correndo, com falta de ar.</p>



<p>CAIO – Moça! Você tá bem?!</p>



<p>PÂMELA – Agora eu tô!</p>



<p>CAIO – Ótimo, porque eu&#8230; – pálido, a visão escurecendo – Não tô não.</p>



<p>Arrastou-se até o sofá e desmaiou na espuma. O esforço físico somado à adrenalina disparou a hipoglicemia. Os sentidos do rapaz voltaram aos poucos, e ele escutou, beeeeeeem ao longe, frases desconexas como <em>Dá Coca-Cola pra ele</em>!, <em>Nem guindaste</em> e <em>Vou fazer respiração boca a boca!</em></p>



<p>CAIO – Quem sou eu? Onde eu tô? Em Grayskull?</p>



<p>O borrão ganhando forma eram os cílios postiços de Pâmela.</p>



<p>PÂMELA – Ele ressuscitou!</p>



<p>CARMELA – Vou buscar água com açúcar!</p>



<p>CAIO – Não precisa, tenho jujuba na mochila. – pegou o pacote, suando frio. Engoliu as gomas sem mastigar – Sou diabético.</p>



<p>Pâmela sentou ao lado dele no sofá e pousou a mão sobre o peito do rapaz.</p>



<p>PÂMELA – Seu coração tá disparado. O meu também. Sente só.</p>



<p>Ficaram sentadinhos no sofá, ombro a ombro, um com a mão sobre o peito do outro. Respiraram juntos e sentiram os batimentos cardíacos desacelerarem.</p>



<p>Caio se deu conta que estava praticamente com a mão no seio de Pâmela e se recompôs.</p>



<p>CAIO – Foi mal.</p>



<p>Benedito fixou a placa “Em Manutenção” na porta do elevador.</p>



<p>CARMELA – Ontem fiquei presa também!</p>



<p>BENEDITO – Podemos subir de escada?</p>



<p>PÂMELA – Ele tá passando mal, Bené.</p>



<p>BENEDITO – O que houve, rapaz?</p>



<p>PÂMELA – A glande dele não produz insulina.</p>



<p>CAIO – GLÂNDULA, né? O nome é pâncreas e&#8230; bem, deixa quieto, melhorei. – acenou sem jeito, risonho – Tchau.</p>



<p>Pâmela ficou atordoada, como se o GPS tivesse quebrado. A mágica acontece com todo mundo pelo menos uma vez na vida: você bate o olho na pessoa e sabe que vai dar merda.</p>



<p>CARMELA – Hummmmm. Reparei, hein.</p>



<p>PÂMELA – Não começa, amada, que eu faço a maluca na portaria!</p>



<p>Leitorxs, não se iludam. É um amor impossível.</p>



<p>PÂMELA – Afinal, eu pertenço à casta das prostitutas.</p>



<p style="background-color:#6eefd8" class="has-background">Participe nos comentários! Até segunda. &lt;3</p>
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		<title>Capítulo 3</title>
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		<dc:creator><![CDATA[felipebarenco]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 15 Oct 2020 13:24:10 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Primeiro Ato]]></category>
		<category><![CDATA[Anos 80]]></category>
		<category><![CDATA[Benedito]]></category>
		<category><![CDATA[Construtora Okner]]></category>
		<category><![CDATA[Dona Perpétua]]></category>
		<category><![CDATA[Manifestação]]></category>
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					<description><![CDATA[#MinhaVóTáMaluca No capítulo anterior&#8230; Benedito finalmente inaugurou o Doiscincomeia, mas uma manifestação interrompeu a festa. Eram as famílias que adquiriram na planta um dos duzentos e tantos apartamentos do projeto original e jamais tiveram seus imóveis entregues. No final dos anos 80, após a morte de Lúcio Okner, os compradores dos imóveis na planta exigiram...]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<h3>#MinhaVóTáMaluca</h3>



<p class="has-background has-very-light-gray-background-color">No capítulo anterior&#8230; Benedito finalmente inaugurou o Doiscincomeia, mas uma manifestação interrompeu a festa. Eram as famílias que adquiriram na planta um dos duzentos e tantos apartamentos do projeto original e jamais tiveram seus imóveis entregues.</p>



<p>No final dos anos 80, após a morte de Lúcio Okner, os compradores dos imóveis na planta exigiram que a Okner prosseguisse com a construção dos duzentos e cinquenta e seis andares do empreendimento. Foram dois anos de enrolação até que a construtora emitiu uma nota alegando, marca texto nesse trecho: “<em>Carência de profissionais qualificados para concluir o projeto original, pois o Edifício Vânia foi desenvolvido sob sigilo absoluto e, infelizmente, os segredos do projeto foram enterrados com o seu idealizador. A Okner está empenhada em honrar seus compromissos como sempre fez nestes 40 anos de mercado</em>”.</p>



<p>Ou seja, ninguém sabia como levantar uma torre tão alta.</p>



<span id="more-500"></span>



<p>Veio o Plano Collor, o país quebrou, a Okner faliu. Foram décadas de batalha judicial até que os próprios compradores começaram a brigar entre si. De um lado, os treze proprietários dos apartamentos já erguidos exigiam que a Okner entregasse seus imóveis. Do outro, os donos dos duzentos e tantos apartamentos fantasmas exigiam o dinheiro de volta. “Ou entrega tudo ou não entrega nada”, estes últimos diziam.</p>



<p>Benedito, proprietário do apartamento Um, aproveitou o desespero dos colegas. Certos de que jamais reaveriam seu investimento, venderam as cartas para ele por um valor irrisório.</p>



<p>BENEDITO – O prédio é meu. Fiz tudo dentro da lei!</p>



<p>EVA – Essa festa virou um enterro.</p>



<p>CARMELA – Conheço a rapaziada – tomou a frente das negociações – Companheiros!</p>



<p>O povo parou para ouvir Carmela. Ela era A CARA DA MARÍLIA PERA. Quem sabe a aparência hippie inspirasse confiança?</p>



<p>CARMELA – Por favor, resolvam essa pendenga sem violência.</p>



<p>MANIFESTANTE 1 – O prédio é nosso, comunista!</p>



<p>MANIFESTANTE 3 – Sem indenização, tem ocupação!</p>



<p>BENEDITO – A indenização é compromisso da Okner.</p>



<p>MANIFESTANTE 2 – Mas a Okner faliu!</p>



<p>BENEDITO – Pronto, aí já não é problema meu.</p>



<p>Um engraçadinho puxou o coro “Puta que pariu! A Okner faliu!” Começou a batucada.</p>



<p>MANIFESTANTES – Puta que pariu! A Okner faliu! Vai! Puta que&#8230;</p>



<p>BENEDITO – Reclamem com o juiz. E quem tiver insatisfeito, que entre com uma ação.</p>



<p>MANIFESTANTE 2 – A única ação que nós vamos entrar é a ação de entrar no prédio.</p>



<p>PÂMELA – Até posso abrigar uns dez lá em casa, mas só maior de idade. Não quero ser processada. – deu um beijinho na testa de uma das crianças.</p>



<p>A multidão se agitou. Gritaram palavras de ordem como “Uh-hu-vamo-invadí!” empunhando foices e facões.</p>



<p>MANIFESTANTES – É um!</p>



<p>CARMELA – Calma, minha gente!</p>



<p>MANIFESTANTES – É dois!</p>



<p>MANOEL – Aceitam uns vulinhos?</p>



<p>MANIFESTANTES – É três!</p>



<p>EVA – Corre!</p>



<p>MANIFESTANTES – É JÁ!</p>



<p>A multidão avançou e os moradores correram para dentro do prédio.</p>



<p>E o milagre chegou. Uma caminhonete velha surgiu a toda velocidade e quase atropelou meia-dúzia de manifestantes. Ao volante, uma senhorinha de noventa anos buzinava enquanto a mudança dava sinais de que ia tombar da carroceria.</p>



<p>Estacionou. A motorista abaixou o vidro e o cheiro forte de alfazema com cachimbo infestou o ar. Ela esticou a cabeça para fora da janela e era A CARA DA DERCY GONÇALVES. No banco do carona, havia um pombo de óculos escuro.</p>



<p>BENEDITO – Dona Perpétua! – milagre ou não, o santo dele era forte.</p>



<p>Máquina de fumaça. Dona Perpétua desceu da carroça e se alongou. O tamanco queimou o asfalto. A vovó exibia um físico invejável graças a uma vida dedicada à natação. Ela apitou e um grupo de carregadores musculosos sem camisa começou a descarregar os móveis no meio da praça. Um deles desfez o nó da corda que sustentava o piano de cauda. O pombo pousou sobre o piano.</p>



<p>Pam-pam-pam-pam, ela invocou as primeiras notas da <a href="https://www.youtube.com/watch?v=aoyw1Yuolfw" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><em>Quinta Sinfonia de Beethoven</em>.</a></p>



<p>A nuvem cinzenta trovejou como se respondesse aos comandos do maestro.</p>



<p>Pam-pam-pam-pam.</p>



<p>Dona Perpétua abriu a cauda do piano com a calma invejável da terceira idade enquanto os manifestantes não esboçaram reação. Estavam atônitos com a performance.</p>



<p>Dona Perpétua ergueu a espingarda. Tentou um tiro para o céu, mas falhou. Logo em seguida, pegou uma granada. Tudo parte do arsenal de seu falecido marido, um soldado italiano morto na guerra. Arremessou o artefato fora de validade em direção ao povo.</p>



<p>MANIFESTANTE 2 – A velha é terrorista!</p>



<p>Tiro, porrada e bomba. A muvuca se dispersou em poucos segundos e a praça ficou vazia.</p>



<p>Carmela saiu do prédio para acudir Benedito e foi cercada pela polícia – que, na ficção, chega rápido – disparando jatos de spray de pimenta.</p>



<p>POLICIAL 1 – Mão na cabeça, mão na cabeça!</p>



<p>CARMELA – Não atira moço, pelo amor de Deus!</p>



<p>POLICIAL 2 – Se tá correndo é porque tá devendo.</p>



<p>POLICIAL 1 – Passa tua bolsa pra cá. Quero vê o que a senhora tá escondendo aí.</p>



<p>CARMELA – Só tem incenso de sete ervas, eu juro.</p>



<p>POLICIAL 2 – Meu chapa, dá uma averiguada nesse bagulho.</p>



<p>CARMELA – Eu trabalho. Sou honesta! – mostrou a carteirinha – Do camelódromo e tudo, ó.</p>



<p>POLICIAL 1 – Tu tem cara de maconheira. Deixa eu vê se o teu olho tá vermelho, cigana.</p>



<p>CARMELA – Eu não sou cigana!</p>



<p>POLICIAL 2 ­– Mas maconheira tu é.</p>



<p>POLICIAL 1 – Vai passar a noite com a gente.</p>



<p>PÂMELA – Ei, covarde! Solta a minha amiga ou faço a maluca na portaria!</p>



<p>POLICIAL 2 – Opa, delícia.</p>



<p>BENEDITO – Está tudo bem, meus amigos. Carmela é minha inquilina.</p>



<p>POLICIAL 2 – Se o amigo tá dizendo&#8230; e essa velha aí? – se referindo a  Perpétua.</p>



<p>Perpétua entregou a carteira de motorista vencida.</p>



<p>POLICAL 2 – A senhora tá bem diferente da foto.</p>



<p>PÂMELA – Exagerou no botox, amada!</p>



<p>BENEDITO – Perpétua também é moradora.</p>



<p>POLICIAL 1 – Se o senhor precisar, já sabe.</p>



<p>Benedito molhou a mão dos nobres trabalhadores. Os policiais entraram no carro e desligaram a sirene da viatura.</p>



<p>EVA – Cadê a Mafalda?!</p>



<p>MANOEL – A miúda estás comigo! Aqui no alto, oh pá! – acenaram de cima da árvore.</p>



<p>EVA – Maneco, você é meu herói!</p>



<p>CARMELA – Precisa benzer esse prédio. A energia está carregadíssima.</p>



<p>PÂMELA – Graças a Deus que acabou tudo bem, graças a Deus.</p>



<p>As primeiras gotas despencaram do céu.</p>



<p>BENEDITO – Fim de festa. Vai cair um temporal.</p>



<p>Os moradores dispersaram com a tempestade de verão. Benedito desabou de joelhos e foi apedrejado pela chuva. Desejou voltar no tempo para apagar os sonhos rabiscados na juventude.</p>



<p style="background-color:#6eefd8" class="has-background">Comente aí e até amanhã!</p>
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		<title>Capítulo 2</title>
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		<dc:creator><![CDATA[felipebarenco]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 14 Oct 2020 12:05:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Primeiro Ato]]></category>
		<category><![CDATA[Benedito]]></category>
		<category><![CDATA[Inauguração]]></category>
		<category><![CDATA[Manifestação]]></category>
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					<description><![CDATA[#andorinhafezverão O termômetro da praça marcou quarenta graus com sensação térmica de pré-AVC. Benedito, um senhor de sessenta e tantos anos, A CARA DO CHICO ANYSIO, apareceu por volta de meio-dia. Vestia a mesma camisa desbotada de costume. O resquício de vaidade era notado nos cabelos recém-pintados de acaju e nos sapatos engraxados. Sentado na...]]></description>
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<h3>#andorinhafezverão</h3>



<p>O termômetro da praça marcou quarenta graus com sensação térmica de pré-AVC.</p>



<p>Benedito, um senhor de sessenta e tantos anos, A CARA DO CHICO ANYSIO, apareceu por volta de meio-dia. Vestia a mesma camisa desbotada de costume. O resquício de vaidade era notado nos cabelos recém-pintados de acaju e nos sapatos engraxados. Sentado na escadaria do prédio, a camisa encharcada de suor, berrou pelo faz-tudo:</p>



<p>BENEDITO – Rufus! Pare de amornar os ovos!</p>



<span id="more-490"></span>



<p>Os inquilinos disputavam um espaço entre a sombra da árvore, embora a árvore em questão tivesse pouca sombra a oferecer. Se é verdade que as plantas purificam a energia pesada do ambiente, a coitada chupou tanta energia ruim que os galhos secaram. Era uma legítima representante da natureza-morta.</p>



<p>E a natureza viva aguardava o discurso prestes a começar. Pâmela e Manoel eram os mais empolgados: ela, empinando as próteses de silicone e os balões de gás; ele, a bandeja com os bolinhos de chuva. Carmela ocupou as mãos com o leque e a sidra quente.</p>



<p>Dois figurantes bêbados também se juntaram ao grupo.</p>



<p>BENEDITO – Rufus! Vou esperar até quando, peste? – o faz-tudo finalmente apareceu, segurando uma latinha de cerveja – Largue essa cerveja!</p>



<p>RUFUS – Festa sem bebida não é festa, pô.</p>



<p>Rufus trouxe o microfone ligado à extensão que vinha da portaria. Por distração (ou maldade), o entregou justamente à mão que faltava em Benedito. O patrão teve a mão esquerda mutilada num acidente e, talvez por isso, detestasse ser o alvo das atenções. Desde jovem era assim; olhar de pena dos amigos, cara de nojo dos estranhos.</p>



<p>BENEDITO – Tes-tan-do. &#8211; segurou o microfone com a palma suada e levou um choque &#8211; Arre-égua!</p>



<p>Benedito foi embora de Fortaleza novinho, mas o sotaque não o abandonou. O discurso foi no gogó mesmo.</p>



<p>BENEDITO – (tímido) Boa tarde.</p>



<p>CARMELA – Projeta essa voz, homem!</p>



<p>Deu as costas para o público, como se fizesse reverência ao prédio. “Finalmente”, ele pensou. A matemática é injusta. A pessoa gasta mais tempo esperando do que vivendo dias felizes. No caso do Benedito então&#8230; aquele dia feliz levou três décadas para chegar.</p>



<p>Encarou o prédio em silêncio e só depois da permissão autoconcedida voltou à fala.</p>



<p>BENEDITO – Prometo não me estender.</p>



<p>FIGURANTE BÊBADO – Sai daí, corno!</p>



<p>BENEDITO – Apesar dos falsos amigos sumirem nos momentos difíceis e uns e outros tentarem me passar a perna, eu persisti.</p>



<p>CARMELA – Essa obstinação é Touro com ascendente em Capricórnio. – cochichou com Pâmela.</p>



<p>BENEDITO – Meu pai sempre repetia que cada homem é como se fosse uma casa e o tijolo mais importante dessa casa é a fé. Agradecido.</p>



<p>PÂMELA – Ué, já acabou o discurso?!</p>



<p>MANOEL – Bravo, bravíssimo!</p>



<p>No lugar dos aplausos, uma ratazana correu na fachada do prédio e um reboco de cimento despencou lá de cima. Os amigos espantaram o constrangimento soltando gritinhos de U-hu!</p>



<p>CARMELA – Um brinde ao novo ciclo!</p>



<p>PÂMELA – Lacrou, Bené! Viva o Doiscincomeia!</p>



<p>Benedito amarrou a cara.</p>



<p>BENEDITO – Não me diga isso. É Edifício Vânia.</p>



<p>Pâmela não falou por mal. É que ninguém conhecia o prédio como Edifício Vânia. Era Doiscincomeia e pronto, ora.</p>



<p>O culpado pelo apelido era um arquiteto chamado Lúcio Okner, pós-graduado em Engenharia com especialização em Estrutura, que decidiu construir um prédio de duzentos e cinquenta e seis andares na Lapa. A torre mais alta do mundo. Acontece que alguma coisa deu errado nos planos de Lúcio e ele morreu após erguer os primeiros treze andares. Desde então o Doiscincomeia figura na lista dos 10 maiores fiascos arquitetônicos da história.</p>



<p>BENEDITO – Rufus! Me traga a tesoura, imprestável!</p>



<p>Havia um laçarote roxo estendido de ponta a ponta nas extremidades da porta. Benedito pegou a tesoura e cortou o laço enquanto uma discreta lágrima escapou dos olhos. Aplausos. Beijos e abraços.</p>



<p>BENEDITO – Obrigado, meus amigos. Um dia ainda esfrego na cara dos descrentes: “Quando eu comecei, só o português, a quenga e uma macumbeira me apoiaram”.</p>



<p>PÂMELA – Amém!</p>



<p>O sotaque baiano de Eva cortou o clima. Ela era A CARA DA REGINA DOURADO. Acabara de retornar do mercado com a filhinha de seis anos, Mafalda. A menina era negra e usava dreads com lã colorida.</p>



<p>EVA – O prédio tá caindo aos pedaços. Nem parece que reformaram!</p>



<p>CARMELA – Que tal deixarmos as críticas pra outra ocasião?</p>



<p>EVA – Pra quando desabar? <em>Mafalda, desce da árvore!</em> Ainda coloca o nome da mãe no prédio. Isso não é homenagem, é ofensa.</p>



<p>BENEDITO – Vânia é uma amiga.</p>



<p>PÂMELA – E cadê a homenageada, Bené?</p>



<p>BENEDITO – Infelizmente teve outro compromisso.</p>



<p>MANOEL – Ora pois! Vânia é a louca, a viúva de cuesto fantasma.</p>



<p>Ao ouvir “fantasma”, Mafalda quase engasgou com o chiclete.</p>



<p>BENEDITO – Pronto, voltou essa bobagem de assombração! O fantasma não existe. É lenda.</p>



<p>EVA – Há! Só falta dizer que a piranha do sexto andar também é lenda!</p>



<p>PÂMELA – Opa, opa, opa!</p>



<p>Assim como acontece no amor, existe o ódio à primeira vista. Pâmela e Eva não se bicavam desde a primeira reunião de condomínio. O barraco desabou, vozes sobrepostas. Manoel tentou separar as duas.</p>



<p>EVA – E se der mole pro meu ex de novo, enfio a mão na tua cara!</p>



<p>PÂMELA – Se não vai comer, não mexe! Ou faço a maluca na portaria!</p>



<p>A discussão só parou porque dezenas de pessoas marchavam em direção ao prédio.</p>



<p>CARMELA – É um bloco fora de época ou teus convidados só vieram para o coquetel?</p>



<p>PÂMELA – Devem ser do <em>DST</em>.</p>



<p>CARMELA – MST, querida.</p>



<p>Era uma manifestação das famílias que adquiriram na planta um dos duzentos e tantos apartamentos do projeto original. E jamais tiveram seus imóveis entregues. Alguns manifestantes vestiam camisas da CBF e ergueram faixas como “Queremos Justiça”, “Ocupa Já!” e “Volta, Ditadura”.</p>



<p>Ergueram foices e facões.</p>



<p>BENEDITO – Faça alguma coisa, Rufus!</p>



<p>RUFUS – Tu não me paga pra ser teu segurança!</p>



<p>MANOEL – Ora pois, vamos ligaire pro 190!</p>



<p>PÂMELA – Vamos! Alguém tem o número?!</p>



<p>EVA – Eu tô sem crédito. <em>Mafalda, sai daí!</em></p>



<p>Benedito tomou a frente e ergueu os braços como o Cristo Redentor. Só um milagre impediria que ele fosse pisoteado.</p>



<p style="background-color:#6eefd8" class="has-background">Participe nos comentários e até amanhã!</p>
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		<title>Portaria</title>
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		<dc:creator><![CDATA[felipebarenco]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 13 Oct 2020 12:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Alugue seu AP]]></category>
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					<description><![CDATA[Boas-vindas ao novos leitores.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<div class="wp-block-image is-style-default"><figure class="aligncenter size-large"><img src="http://edificio256.com.br/wp-content/uploads/2020/10/teste-post.jpg" alt="" class="wp-image-180" srcset="https://edificio256.com.br/wp-content/uploads/2020/10/teste-post.jpg 500w, https://edificio256.com.br/wp-content/uploads/2020/10/teste-post-217x300.jpg 217w, https://edificio256.com.br/wp-content/uploads/2020/10/teste-post-362x500.jpg 362w" sizes="(max-width: 500px) 100vw, 500px" /><figcaption>Ilustração de Guilherme de Sousa</figcaption></figure></div>



<p>Que tal acompanhar uma história no formato de blognovela? Edifício 256, escrita pelo roteirista Felipe Barenco, mistura humor e suspense num prédio com fama de mal-assombrado.</p>



<p class="has-background has-very-light-gray-background-color">Serão 51 capítulos, publicados de segunda à sexta. </p>



<p>Para pegar a chave do seu apartamento: leia a <a rel="noreferrer noopener" href="https://edificio256.com.br/historia/" target="_blank">sinopse</a>, depois <a href="https://edificio256.com.br/personagens/">conheça os moradores</a> e boas-vindas ao <a href="https://edificio256.com.br/cap1/">Capítulo 1</a>. </p>



<p>Ah, leia o <a href="https://edificio256.com.br/prologo">Prólogo</a> também. É um capítulo especial, para ler na hora que quiser.</p>



<p>Divirta-se e compartilhe com os amigos!</p>
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		<title>Capítulo 1</title>
		<link>https://edificio256.com.br/cap1/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[felipebarenco]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 13 Oct 2020 09:16:23 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Primeiro Ato]]></category>
		<category><![CDATA[13° andar]]></category>
		<category><![CDATA[Fantasma]]></category>
		<category><![CDATA[Lúcio]]></category>
		<category><![CDATA[Obras]]></category>
		<category><![CDATA[Operário]]></category>
		<category><![CDATA[Pâmela]]></category>
		<category><![CDATA[Rufus]]></category>
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					<description><![CDATA[#Aluga-se Fantasmas têm a rotina diferente da nossa. Eles despertam quando o sol descansa. Era domingo e o céu escurecia rápido. Dois operários perturbavam o sono dos mortos trabalhando no décimo terceiro andar de um prédio na Lapa. A Lapa é um bairro de todas as tribos, no centro do Rio de Janeiro. Passear por...]]></description>
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<h3>#Aluga-se</h3>



<p>Fantasmas têm a rotina diferente da nossa. Eles despertam quando o sol descansa. </p>



<p>Era domingo e o céu escurecia rápido. Dois operários perturbavam o sono dos mortos trabalhando no décimo terceiro andar de um prédio na Lapa. A Lapa é um bairro de todas as tribos, no centro do Rio de Janeiro. Passear por lá é uma delícia. Você tem a sensação de que será esfaqueado por um pivete em qualquer esquina ou, menor dos males, só vai carregar algum espírito obsessor para casa.</p>



<span id="more-364"></span>



<p>Passaram-se mil dias desde o início das reformas. Foi difícil segurar a mão de obra. Os boatos no bairro construíram a fama de que o edifício era mal-assombrado. Especialmente o 13° andar. Inúmeros operários relataram  barulhos estranhos enquanto trabalhavam e um deles até pediu demissão após ter visto a loira do banheiro enquanto se masturbava lá em cima.</p>



<p>O único que batia no peito <em>Sou gostosão e não tenho medo de nada</em> era o Rufus. Ele era A CARA DO HEATH LEDGER. Bolsominion, cabelo raspado na máquina dois e o corpo tatuado. O companheiro dele no serviço é um personagem do elenco de apoio nomeado Operário 1.</p>



<p>OPERÁRIO 1 – O povo aumenta, mas não inventa. – ele resmungou vendo o crepúsculo – Não gosto de ficar depois da Ave-Maria.</p>



<p>RUFUS – Larga de ser fresco.</p>



<p>A dupla terminou de instalar uma placa de vidro numa das janelas do Treze e começaram a trocar de roupa. Sobre a mesa improvisada com tábua e tijolos, havia um radinho velho e uma garrafa térmica com café doce e gelado. De repente, o rádio ligou sozinho.</p>



<p>OPERÁRIO 1 – Crê em Deus, pai!</p>



<p>RUFUS – É mau contato no fio, animal.</p>



<p>OPERÁRIO – Sei.</p>



<p>Rufus reparou na cara pálida do colega, suja de argamassa. Ele não resistiu:</p>



<p>RUFUS – É o Lúuuuuuuucio!</p>



<p>Bastou evocar o nome do defunto e o vidro despencou no chão, fazendo um estrondo. Os marmanjos deram um berro. Rufus catou cavaco enquanto o operário saltou no monte de entulho com a calça ainda no joelho.</p>



<p>Nesse mesmo instante, surgiu a silhueta de uma garota. As pernas eram de carne e osso. <a rel="noreferrer noopener" href="https://www.youtube.com/watch?v=Tgj5LWUfZ0U&amp;list=PL9-014ErkG8RARYBcLY5MBuMpaXF_jGo1" target="_blank">O rádio sintonizou noutra estação por conta própria.</a> </p>



<p>Pâmela deixou os moleques babando. Ela era A CARA DA MARILYN MONROE. Linda e estabanada na mesma proporção. Quantas vezes, escutando música no celular, Pâmela se distraiu e enfiou o pirulito na orelha ao invés do fone de ouvido. Usava salto para parecer um pouco mais alta. Os longos cabelos eram tratados no salão mais chique da cidade. Não era rica, mas tinha contatos. As pocs do salão amavam Pâmela. Morena de nascimento, loura para a profissão.</p>



<p>PÂMELA – Ai, meus sais! – a mão no tornozelo.</p>



<p>RUFUS – Machucou, princesa?</p>



<p>PÂMELA – Torci o pé!</p>



<p>Cacos de vidro espalhados por todo canto. Após segundos de encantamento, o operário vestiu as calças e voltou a si.</p>



<p>OPERÁRIO 1 – Que susto, garota! É proibido subir aqui, sabia? Ainda quebrou o vidro.</p>



<p>PÂMELA – Desculpa, moço, eu pago o prejuízo.</p>



<p>RUFUS – Relaxa, vem cá. – guiou Pâmela até os sacos de cimento e ela se sentou. – Você não tem culpa.</p>



<p>O operário pegou a vassoura e começou a varrer os caquinhos. A poeira subiu junto.</p>



<p>OPERÁRIO 1 – Como você entrou? Até parece assombração.</p>



<p>RUFUS – Se for, pode me atacar.</p>



<p>Pâmela ignorou a cantada.</p>



<p>PÂMELA – Tô procurando um apartamento pra alugar.</p>



<p>OPERÁRIO 1 – Num domingo à noite? Estranho, hein.</p>



<p>PÂMELA – Trabalhar a essa hora também é. Quer dizer, no meu caso é normal.</p>



<p>RUFUS – Tamo na correria. A obra atrasou.</p>



<p>Pâmela caminhou, mancando, até a varanda. O edifício foi construído em 1989 e o décimo terceiro andar ostentava uma vista privilegiada dos Arcos da Lapa.</p>



<p>PÂMELA – A vista é linda!</p>



<p>RUFUS – Apaixonei no teu sotaque. Você não é daqui, né?</p>



<p>PÂMELA – Deu pra perceber? – ela desconversou – Preciso tanto arrumar um cantinho pra morar.</p>



<p>OPERÁRIO 1 – Nesse prédio?!</p>



<p>PÂMELA – Qual o problema?</p>



<p>OPERÁRIO – Ninguém quer morar no Doiscincomeia, né, moça? O edifício é… meio… deixa quieto.</p>



<p>RUFUS – O prédio é suave.</p>



<p>OPERÁRIO – Um homem pulou daqui de cima.</p>



<p>Pâmela sentiu a vertigem da queda ao olhar para baixo. O calafrio percorreu a espinha.</p>



<p>OPERÁRIO 1 – Só doido pra morar aqui. – mostrou os pelinhos do braço arrepiados – Oh, como eu fico, só de pensar no fantasma!</p>



<p>PÂMELA – Fantasma?! – beijou o escapulário que carregava no pescoço – Só me faltava essa.</p>



<p>RUFUS – Fala com o Benedito. O velho é tão pão-duro que tá morando na loja enquanto não inaugura o prédio. &#8211; anotou o endereço num pedaço de papel.</p>



<p>OPERÁRIO 1 – Mas não conta pra ele que <em>subiu aqui em cima</em>, hein? Vamo levar esporro.</p>



<p>PÂMELA – Nem fiador eu tenho. Será que o Benedito aceita <em>cheque calcinha</em>?</p>



<p>RUFUS – (rindo) Com certeza.</p>



<p>PÂMELA – Torçam por mim, amados. Tchau.</p>



<p>Rufus barrou a passagem.</p>



<p>RUFUS – Já vai? A gente podia se divertir um pouquinho.</p>



<p>OPERÁRIO 1 – Deixa a garota, pô.</p>



<p>Os vivos são piores do que os mortos. Pâmela quase se apavorou, afinal, era noite e ela estava sozinha com estranhos no alto do edifício. Porém, “sozinha” não é sinônimo de “indefesa”. Por força do trabalho, ela aprendeu a se virar muito bem, obrigada.</p>



<p>PÂMELA – Quero ver se você aguenta então. – ela pegou um frasco na bolsa – Curte morango?</p>



<p>Rufus sorriu, excitado.</p>



<p>Dizem que mulheres como Pâmela jamais beijam seus clientes. O frasco era spray de pimenta e ela espirrou na cara dele.</p>



<p>RUFUS – Ai, ai, ai! Porra, que merda é essa?! – se ajoelhou no chão, esfregando os olhos – Tô cego!</p>



<p>PÂMELA – O efeito dura só alguns dias, amado.</p>



<p>RUFUS – Dias?!</p>



<p>Pâmela sumiu do mesmo jeito que apareceu.</p>



<p>O operário zombou de Rufus enquanto o ajudava a lavar os olhos. Depois, apagou as luzes do último andar e carregou o colega nos ombros até a rua. Assim que entraram no ônibus, as luzes do 13 acenderam novamente.</p>



<p style="background-color:#6eefd8" class="has-background">Deixe o seu comentário, compartilhe com os amigos e até amanhã!</p>
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