<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<?xml-stylesheet type="text/xsl" media="screen" href="/~d/styles/rss2full.xsl"?><?xml-stylesheet type="text/css" media="screen" href="http://feeds.feedburner.com/~d/styles/itemcontent.css"?><rss xmlns:feedburner="http://rssnamespace.org/feedburner/ext/1.0" version="2.0">
   <channel>
      <title>Ecce Medicus</title>
      <link>http://scienceblogs.com.br/eccemedicus/</link>
      <description />
      <language>en</language>
      <copyright>Copyright 2010</copyright>
      <lastBuildDate>Tue, 02 Feb 2010 18:34:49 -0300</lastBuildDate>
      <generator>http://www.sixapart.com/movabletype/?v=4.32-en</generator>
      <docs>http://blogs.law.harvard.edu/tech/rss</docs> 

      
      <atom10:link xmlns:atom10="http://www.w3.org/2005/Atom" rel="self" type="application/rss+xml" href="http://feeds.feedburner.com/ecce_medicus" /><feedburner:info uri="ecce_medicus" /><atom10:link xmlns:atom10="http://www.w3.org/2005/Atom" rel="hub" href="http://pubsubhubbub.appspot.com" /><feedburner:emailServiceId>ecce_medicus</feedburner:emailServiceId><feedburner:feedburnerHostname>http://feedburner.google.com</feedburner:feedburnerHostname><item>
         <title>Ecce Medicus - 2 anos</title>
          <description>O Ecce Medicus faz 2 anos. Considerando que são criados aproximadamente &lt;a target="_blank" href="http://www.problogger.net/archives/2008/05/19/understanding-the-blog-lifecycle-to-prevent-common-downfalls/"&gt;175.000 blogs por dia e que a grande maioria dos blogs têm uma vida média de 3 meses&lt;/a&gt;, o Ecce Medicus é um &lt;i&gt;&lt;b&gt;sobrevivente&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;. Isso só foi possível graças aos leitores que constroem o blog comigo. Muitas pessoas já me disseram que os comentários aqui são tão interessantes, ou mais, que os posts. Isso me deixa feliz. Feliz por ter proporcionado um fórum para discussão da medicina e de como ela deve ser pensada. Fosse só isso e eu já teria dado como pronto esse projeto que iniciou-se 2 anos atrás. Mas, há outros planos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segue uma antologia dos 10 posts mais visitados no último ano, já no &lt;a target="_blank" href="http://scienceblogs.com.br/"&gt;Scienceblogs Brasil&lt;/a&gt;, e dos últimos 10 posts preferidos meus. Podem dar palpite. O Ecce Medicus é uma "casa de tolerância" nesse sentido. Obrigado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;Os Dez Posts Mais Visitados - em ordem de popularidade &lt;/b&gt;&lt;/i&gt;(fonte Google Analytics - valeu &lt;a target="_blank" href="http://scienceblogs.com.br/rastrodecarbono/"&gt;Paulinha&lt;/a&gt;!)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1. &lt;a target="_blank" href="http://scienceblogs.com.br/eccemedicus/2009/11/o_bumbum_de_gisele.php%20"&gt;O Bumbum de Gisele&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;2. &lt;a target="_blank" href="http://scienceblogs.com.br/eccemedicus/2009/04/gripe_suina.php"&gt;Gripe Suína&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;3. &lt;a target="_blank" href="http://scienceblogs.com.br/eccemedicus/2009/07/sobre_a_letalidade_da_gripe_su.php"&gt;Sobre a Letalidade da Gripe Suína&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;4. &lt;a target="_blank" href="http://scienceblogs.com.br/eccemedicus/2009/06/mortes_por_gripe_suina.php"&gt;Mortes por Gripe Suína&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;5. &lt;a target="_blank" href="http://scienceblogs.com.br/eccemedicus/2009/06/resistencia_bacteriana.php"&gt;Resistência Bacteriana&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;6. &lt;a target="_blank" href="http://scienceblogs.com.br/eccemedicus/2009/03/cisto_sinovial.php"&gt;Cisto Sinovial&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;7. &lt;a target="_blank" href="http://scienceblogs.com.br/eccemedicus/2009/03/mais_rubor_facial.php"&gt;Mais Sobre o Rubor Facial&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;8. &lt;a target="_blank" href="http://scienceblogs.com.br/eccemedicus/2009/10/cientista_documenta_relacao_se.php"&gt;Cientista Documenta Relação Sexual dentro de Ressonância Magnética&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;9. &lt;a target="_blank" href="http://scienceblogs.com.br/eccemedicus/2009/05/a_teoria_da_vitamina_d_e_a_des.php"&gt;A Teoria da Vitamina D e a Despigmentação da Pele Humana&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;10. &lt;a target="_blank" href="http://scienceblogs.com.br/eccemedicus/2009/04/design_inconsequente.php"&gt;Design Pulmonar - Projeto Tabajara?&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;Meus Dez Posts Preferidos - sem ordem de preferência&lt;/b&gt;&lt;/i&gt; (fonte Sistema Límbico do Karl)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1. &lt;a target="_blank" href="http://scienceblogs.com.br/eccemedicus/2009/07/deus_um_desejo_1.php"&gt;Deus, Um Desejo&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;2. &lt;a target="_blank" href="http://scienceblogs.com.br/eccemedicus/2009/10/para-quedas_a_ciencia_e_eu.php"&gt;Pára-quedas, a Ciência e Eu&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;3. &lt;a target="_blank" href="http://scienceblogs.com.br/eccemedicus/2009/10/romances_e_pacientes.php"&gt;Romances e Pacientes&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;4. &lt;a target="_blank" href="http://scienceblogs.com.br/eccemedicus/2009/12/o_caramujo_e_a_estrela.php"&gt;O Caramujo e a Estrela&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;5. &lt;a target="_blank" href="http://scienceblogs.com.br/eccemedicus/2008/11/acromegalia-ii.php"&gt;Acromegalia II&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;6. &lt;a target="_blank" href="http://scienceblogs.com.br/eccemedicus/2009/05/sobre_elefantes_cegos_paralela.php"&gt;Sobre Elefantes, Cegos, Paralelas e Pacientes&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;7. &lt;a target="_blank" href="http://scienceblogs.com.br/eccemedicus/2010/01/diagnostico_e_intuicao.php"&gt;Diagnóstico e Intuição&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;8. &lt;a target="_blank" href="http://scienceblogs.com.br/eccemedicus/2008/06/o-desdiagnostico.php"&gt;O Desdiagnóstico&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;9. &lt;a target="_blank" href="http://scienceblogs.com.br/eccemedicus/2008/10/seria-a-informacao-cientifica-uma-commodity.php"&gt;Seria a Informação Científica uma &lt;i&gt;Commodity&lt;/i&gt;?&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;10. &lt;a target="_blank" href="http://scienceblogs.com.br/eccemedicus/2008/04/el-ingles-idioma-internacional-de-la-medicina.php"&gt;El Inglés, Idioma Internacional de la Medicina&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img class="zemanta-pixie-img" alt="" src="http://img.zemanta.com/pixy.gif?x-id=5b988d7a-7706-810f-8b23-3342cd191e7a" /&gt; &lt;a href="http://scienceblogs.com.br/eccemedicus/2010/02/ecce_medicus_-_2_anos.php#commentsArea"&gt;Read the comments on this post...&lt;/a&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/ecce_medicus/~4/kjDpYGkigMQ" height="1" width="1"/&gt;</description>
         <link>http://feedproxy.google.com/~r/ecce_medicus/~3/kjDpYGkigMQ/ecce_medicus_-_2_anos.php</link>
         <guid isPermaLink="false">http://scienceblogs.com.br/eccemedicus/2010/02/ecce_medicus_-_2_anos.php</guid>
         <category>Blogs</category>
         
         <pubDate>Tue, 02 Feb 2010 18:34:49 -0300</pubDate>
      <feedburner:origLink>http://scienceblogs.com.br/eccemedicus/2010/02/ecce_medicus_-_2_anos.php</feedburner:origLink></item>
      
      <item>
         <title>Piada de Médico</title>
          <description>As piadas sempre trazem alguma coisa de verdade. Quando são contadas pelos pelos próprios protagonistas então, nem se fala. Parece que o politicamente incorreto se dissolve na figura do contador e a situação fica mais engraçada. Especificamente, em relação às "piadas de médico", são revelados estereótipos da personalidade dos profissionais de diferentes especialidades. Vou contar duas das piadas que mais circulam no meio médico. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img style="float: left; margin-top: 10px; margin-bottom: 10px; margin-right: 10px;" alt="http://www.calculateme.com/MySpace/background-images/hundred-dollar-bill.jpg" src="http://www.calculateme.com/MySpace/background-images/hundred-dollar-bill.jpg" height="93" width="225" /&gt;&lt;b&gt;Nota de Cem Dólares&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Sabe como esconder uma nota de cem dólares de um médico? Você vai depender da especialidade dele para ter sucesso. Vejamos:&lt;br /&gt;Como se escondem 100 dólares de um anestesista? No paciente. E de um ortopedista? Num livro de medicina. De um clínico, não precisa esconder porque ele nunca viu e não sabe o que é. E de um cirurgião-plástico? Impossível, ele vai achar de qualquer jeito! &lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez uma das mais interessantes seja a estória d'...&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os caçadores&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img style="float: right; margin-top: 10px; margin-bottom: 10px; margin-left: 10px;" alt="http://www.monfortur.pt/IMAGENS_SETEMBRO_2006/LARGADA_PATOS_2.jpg" src="http://www.monfortur.pt/IMAGENS_SETEMBRO_2006/LARGADA_PATOS_2.jpg" height="235" width="314" /&gt;&lt;i&gt;Um grupo de médicos de especialidades diferentes resolveu sair num fim-de-semana para caçar patos. O grupo era constituído por um radiologista, um patologista, um anestesista, um sanitarista, um pediatra, um clínico, um cirurgião, um ortopedista e um psiquiatra. Depois de discutirem amplamente a verba necessária para o projeto com o sanitarista, embarcaram todos, no carro super-hiper-equipado, cheio de tecnologias inovadoras do radiologista... Este, ao chegar ao local, decide não sair do carro: "É mais confortável aqui... Espero vocês e depois vejo esses 'patos'. Depois de descerem do carro, o anestesista olha um nuvenzinha no final do horizonte e diz: "Vamos cancelar essa caçada!" No que o cirurgião imediatamente responde: "Ah, não, aqui também esse cara quer ser estraga-prazeres? Vamos caçar de qualquer jeito!". Preparam-se então para caçada... O pediatra aponta a espingarda, mas olhando para o alvo, diz: "Coitado do patinho, ah, tão pequenininho..." E não atirou. O clínico então aproxima-se, também prepara-se para atirar, mas raciocina: "Parece um pato, tem forma de pato, bico de pato, mas... talvez... a cor das penas... por outro lado... o estilo de vôo... talvez..." E o pato voa! O cirurgião, ansioso com o resultado da caçada até o momento, chega, toma a espingarda e sai atirando em tudo o que se mexe. Vira para o patologista e diz: "Vai lá e vê o que é pato e o que não é!" O ortopedista, voluntarioso, entra no mato, volta, entra de novo, e cansado ao sair, pergunta: "Gente, mas o que é pato mesmo?" Nesse momento, o psiquiatra intervém: "Mas, pessoal, por que O PATO?".&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;É isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="zemanta-pixie"&gt;&lt;img class="zemanta-pixie-img" alt="" src="http://img.zemanta.com/pixy.gif?x-id=cf419b2d-2a26-89fe-b90b-c88455be7fa7" /&gt;&lt;/div&gt; &lt;a href="http://scienceblogs.com.br/eccemedicus/2010/01/piada_de_medico.php#commentsArea"&gt;Read the comments on this post...&lt;/a&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/ecce_medicus/~4/Y6WHHbfUcfY" height="1" width="1"/&gt;</description>
         <link>http://feedproxy.google.com/~r/ecce_medicus/~3/Y6WHHbfUcfY/piada_de_medico.php</link>
         <guid isPermaLink="false">http://scienceblogs.com.br/eccemedicus/2010/01/piada_de_medico.php</guid>
         <category>Cultura</category>
         
         <pubDate>Sat, 30 Jan 2010 10:12:08 -0300</pubDate>
      <feedburner:origLink>http://scienceblogs.com.br/eccemedicus/2010/01/piada_de_medico.php</feedburner:origLink></item>
      
      <item>
         <title>Animação Francesa para Campanha da AIDS</title>
          <description>&lt;p&gt;Gerou uma certa polêmica - o leitor logo verá porque - esse filme para a campanha de combate à AIDS na França. A partir de uma "estética de grafitagem de banheiro público", o autor dá vida a um recém-chegado "membro" do grupo e passa seu recado com extrema criatividade e bom humor. Uma mistura de "dirty Toy Story" com "Roger Rabbit pornô" bem ao gosto de uma adolescência cada vez mais acostumada a lidar com esses problemas mas a qual, nunca é demais lembrar os perigos de relações sexuais desprotegidas, e não só por conta da AIDS.&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;div class="youtube-video"&gt;&lt;object height="355" width="425"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/DDPsTwK0Zhw&amp;amp;feature=youtube_gdata"&gt; &lt;/param&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt; &lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/DDPsTwK0Zhw&amp;amp;feature=youtube_gdata" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent" height="355" width="425"&gt; &lt;/embed&gt;     &lt;/object&gt;&lt;/div&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;Será que uma campanha como essa seria veiculada na TV brasileira? Que tipo de reação provocaria? Bom, que cada um tire sua própria conclusão. A caixa de comentários está à disposição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="zemanta-pixie"&gt;&lt;img class="zemanta-pixie-img" alt="" src="http://img.zemanta.com/pixy.gif?x-id=84f87078-6a60-8a67-90bf-69a1e95a5edd" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/p&gt; &lt;a href="http://scienceblogs.com.br/eccemedicus/2010/01/animacao_francesa_para_campanh.php#commentsArea"&gt;Read the comments on this post...&lt;/a&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/ecce_medicus/~4/rOHLn_z31yI" height="1" width="1"/&gt;</description>
         <link>http://feedproxy.google.com/~r/ecce_medicus/~3/rOHLn_z31yI/animacao_francesa_para_campanh.php</link>
         <guid isPermaLink="false">http://scienceblogs.com.br/eccemedicus/2010/01/animacao_francesa_para_campanh.php</guid>
         <category>Cultura</category>
         
         <pubDate>Sat, 23 Jan 2010 09:46:13 -0300</pubDate>
      <feedburner:origLink>http://scienceblogs.com.br/eccemedicus/2010/01/animacao_francesa_para_campanh.php</feedburner:origLink></item>
      
      <item>
         <title>O Esteto e o Esteta</title>
          <description>&lt;p&gt;&lt;a target="_blank" href="http://vectroave.com/wp-content/uploads/2009/12/Jorge-Miguel-Photography-6.jpg"&gt;&lt;img style="float: left; margin-top: 10px; margin-bottom: 10px; margin-right: 10px;" src="http://scienceblogs.com.br/eccemedicus/moz-screenshot-17.png" alt="" height="275" width="275" /&gt;&lt;/a&gt;Conversa de médico é sempre muito chata. Onde há uma "rodinha" de médicos conversando é muito difícil um não-médico ficar muito tempo ouvindo ou participando, seja porque não entende absolutamente nada do que está sendo discutido, seja porque alguns dos juízos emitidos são, para dizer o menos, fora do padrão ao qual estão habituados. Falar sobre a morte e o morrer, sobre secreções e vísceras, não é lá muito agradável. Mas, uma das coisas que mais choca os não-médicos é nosso conceito de "beleza".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dizer que uma lesão é "linda" ou que uma cirurgia foi "maravilhosa" é quase um pecado! Certa vez, levei uma bronca de uma professora ao fazer um comentário assim: "Meu conceito de beleza é outro" - disse. "Não diga que a morte ou a doença são belos. Diga que são, no máximo, interessantes." Fiquei pensando muito tempo naquilo. Esse raciocínio me pareceu bastante coerente e em concordância com o sofrimento dos pacientes, mas "desceu torto". Não há um prazer mórbido, um gosto pelo sofrimento. Mas há, sim, uma admiração por uma entidade, um conceito que se autoexplica, um padrão que se confirma. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Aquele paciente tem um sopro aórtico muito bonito". O que isso quer dizer? Que é um sopro prototípico. O reconhecimento de uma entidade real com todas as nuances que lhe foram atribuídas por autores e/ou professores em textos e aulas teóricas é um prazer sensorial que, se não é exatamente o que se chama de prazer estético, em muito se aproxima dele. Uma cirurgia de reconstrução por mais cruenta e exposta pode - por que não? - ser considerada uma obra de arte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na última Piauí, há uma &lt;a target="_blank" href="http://www.revistapiaui.com.br/edicao_40/artigo_1233/Artur_tem_um_problema.aspx"&gt;matéria muito interessante&lt;/a&gt; (para assinantes) sobre um matemático brasileiro cujo título é: "Artur tem um problema" de João Moreira Salles. Ao falar do modo como os matemáticos "descobrem" seus objetos virtualíssimos, o autor escreve:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;"A beleza seria essa intuição de uma totalidade. Esse sentimento estético é a peneira que separa o joio do trigo. Por ela só passam os objetos que, por belos, anunciam: &lt;/i&gt;Existo&lt;i&gt;. "&lt;/i&gt;Passamos a vida pensando em objetos lindos&lt;i&gt;", diz Yoccoz, com um sorriso de felicidade. "O prazer estético é comparável ao da música." Grandes matemáticos são estetas, e a beleza será, para todos eles, uma das mais poderosas ferramentas da descoberta. Pelo entusiasmo com que falam do que lhes passa pela cabeça, é como se existisse música e nós, os não-matemáticos, fôssemos todos surdos."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;Fico pensando se grandes médicos não seriam também estetas. A beleza como ferramenta de conhecimento. Aliás, a mim me parece que todo profissional que faz o que gosta poderia ser um esteta. Quem faz o que gosta busca a excelência por um prazer estético: tornar o que faz mais bonito, é sentir-se melhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foto:&lt;a target="_blank" href="http://www.valenciadealcantara.net/inda/inda.htm"&gt; Jorge Miguel&lt;/a&gt;&lt;img class="zemanta-pixie-img" alt="" src="http://img.zemanta.com/pixy.gif?x-id=5bb545b0-cc94-8b4a-b93d-5a76459c947a" /&gt; no &lt;a target="_blank" href="http://streetanatomy.com/"&gt;Street Anatomy&lt;/a&gt; (anatomia e estética).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="zemanta-pixie"&gt;&lt;img class="zemanta-pixie-img" alt="" src="http://img.zemanta.com/pixy.gif?x-id=04c3ee65-c55c-8364-a7d6-7acd8f434d2d" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/p&gt; &lt;a href="http://scienceblogs.com.br/eccemedicus/2010/01/o_esteto_e_o_esteta.php#commentsArea"&gt;Read the comments on this post...&lt;/a&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/ecce_medicus/~4/HmB0TT8KQas" height="1" width="1"/&gt;</description>
         <link>http://feedproxy.google.com/~r/ecce_medicus/~3/HmB0TT8KQas/o_esteto_e_o_esteta.php</link>
         <guid isPermaLink="false">http://scienceblogs.com.br/eccemedicus/2010/01/o_esteto_e_o_esteta.php</guid>
         <category>Cultura</category>
         
         <pubDate>Thu, 21 Jan 2010 18:20:28 -0300</pubDate>
      <feedburner:origLink>http://scienceblogs.com.br/eccemedicus/2010/01/o_esteto_e_o_esteta.php</feedburner:origLink></item>
      
      <item>
         <title>Diagnóstico e Intuição</title>
          <description>Muita gente pergunta como é fazer um &lt;i&gt;&lt;b&gt;diagnóstico clínico&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;. Como elevar o "particular" de um paciente no consultório ou hospital ao "universal" da doença descrita no livro. O diagnóstico clínico é o momento em que o médico tenta identificar a doença através da história clínica (ativa ou passiva), procurando sinais e/ou interpretando exames subsidiários, com o desafio de não perder de vista, o próprio paciente, devido ao caráter psicológico e social que as enfermidades apresentam segundo a definição do prof. Milton Martins [1]. Não é difícil entender que o ato do diagnóstico clínico é indissociável da atividade racional ou razão. Podemos considerar, grosso modo, que a atividade racional possui duas modalidades básicas: a &lt;i&gt;&lt;b&gt;intuição&lt;/b&gt;&lt;/i&gt; (ou razão intuitiva) e o &lt;i&gt;&lt;b&gt;raciocínio&lt;/b&gt;&lt;/i&gt; (ou razão discursiva). O &lt;a target="_blank" href="http://scienceblogs.com.br/eccemedicus/2010/01/diagnostico.php"&gt;post&lt;/a&gt; anterior, tentava esboçar por meio de problemas simples, a diferença cognitiva entre os dois. Segundo Chauí [2], razão discursiva, como o próprio nome indica, discorre por uma realidade para chegar a conhecê-la, isto é, realiza vários atos de conhecimento até conseguir captá-la. Em uma sucessão de esforços de aproximação (por vários métodos) chega-se ao conceito da realidade que se quer conhecer, no nosso caso, a doença do paciente. A razão intuitiva, ao contrário, consiste num único ato do espírito, que, de uma só vez, capta por inteiro e completamente o objeto. O ato do diagnóstico clínico apesar de sua importância óbvia, por razões inexplicadas, não faz parte da grande maioria dos livros-texto de medicina. Quando abordado, é dada sempre maior importância à razão discursiva - o raciocínio clínico. O objetivo primordial desse post é chamar a atenção para o fato de que a intuição ou razão intuitiva é, no mínimo, tão importante quanto o raciocínio clínico para se chegar a um diagnóstico. Além disso, só após o reconhecimento da importância da intuição no ato do diagnóstico clínico poderemos estudá-la, disciplinando-a e colocando-a a favor do trabalho do médico, como já foi, exaustivamente realizado com sua contrapartida cognitiva, o raciocínio clínico. Talvez a principal causa destas distorções sejam interpretações do modelo de estratégias diagnósticas proposto por David Sackett [3]. Com a publicação do excelente livro &lt;i&gt;Clinical Epidemiology&lt;/i&gt; em 1985, o modelo foi ganhando contexto e corpo e vem se popularizando principalmente entre os clínicos, sendo incorporado gradativamente ao ensino da prática médica. Em linhas gerais, segundo Sackett, seriam quatro as estratégicas básicas para chegarmos a um diagnóstico:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1) &lt;i&gt;&lt;b&gt;Reconhecimento de padrão&lt;/b&gt;&lt;/i&gt; (ou método do &lt;i&gt;gestalt&lt;/i&gt;). É a percepção instantânea de que o quadro clínico do paciente é indistinguível de um padrão previamente aprendido de síndrome ou doença. O exemplo utilizado pode ser uma criança com síndrome de Down ou o "fácies" característico da doença de Graves (um forma de hipertireoidismo em que os olhos ficam saltados).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2) &lt;i&gt;&lt;b&gt;Método do Algoritmo&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;. No qual o processo diagnóstico progride de acordo com uma seqüência lógica de vias pré-formatadas dicotomizadas por perguntas e respostas do tipo sim/não ou presente/ausente. São os fluxogramas de diagnóstico. O exemplo mais característico, para usar algo hoje muito em moda, são os algoritmos de trabalho do &lt;i&gt;Advanced Cardiac Life Support &lt;/i&gt;(ACLS). Por intermédio desses algoritmos, o médico sob a pressão de uma situação crítica, pode chegar a um diagnóstico de embolia pulmonar ou pneumotórax hipertensivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3) &lt;i&gt;&lt;b&gt;Método da Exaustão&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;. Esse método ficou conhecido por esse nome pelo fato do médico não se preocupar em raciocinar sobre o dado que está por receber de seu paciente, ocupando-se apenas de acumular exaustivamente, o maior número possível de informações. A estratégia da exaustão implica no fato de que o diagnóstico deva ser feito em duas etapas. Primeiro coleta-se tudo que poderia ser pertinente ao caso depois, e apenas depois disso, procede-se à segunda etapa que consiste em pinçar as informações potencialmente úteis para se fechar um diagnóstico. Foi assim que aprendi a "tirar história" dos pacientes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4) &lt;i&gt;&lt;b&gt;Método Hipotético-Dedutivo&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;. Consiste na formulação de uma pequena lista de hipóteses seguida de manobras clínicas (história e exame físico) e paraclínicas (radiografias e exames laboratoriais) visando à redução dramática dessa pequena lista e finalmente ao diagnóstico mais provável. Ao mesmo tempo em que as hipóteses são geradas, o médico vai simultaneamente realizando pequenos "bits" de procura por dados e sinais físicos que suportem sua hipótese. Essa estratégia é utilizada pela grande maioria de clínicos experimentados inconscientemente e parece ser algo inerente ao raciocínio investigacional humano, pois, mesmo alunos do primeiro ano da faculdade de medicina, submetidos ao mesmo estudo, demonstraram o mesmo tipo de comportamento. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Podemos analisar as estratégias diagnósticas sob a ótica de quem procura por indícios de &lt;i&gt;&lt;b&gt;intuição&lt;/b&gt;&lt;/i&gt; nelas. De imediato, o reconhecimento de padrão parece ser a categoria que melhor preenche a definição de razão intuitiva: captação de uma só vez da essência do objeto a ser conhecido, como um ato único do espírito. Entretanto, em análise mais cuidadosa percebemos que o reconhecimento de padrão é um &lt;i&gt;re-conhecimento&lt;/i&gt;. O indivíduo deve ter "conhecido" a doença pelo menos uma vez antes. Normalmente, isto se dá através de outro médico, o que o torna refém do ponto-de-vista de um terceiro. Que dizer então, de doenças que nunca vimos antes? Em se tratando de razão intuitiva, nos permitimos intuir um conceito que não temos, mas não costumamos usar a intuição, até por uma questão de treinamento profissional, para conhecer uma doença que nunca vimos! Esse procedimento seria um "gerador" de doenças na dependência da variedade de seus quadros clínicos, e de fato, era assim que ocorria antes. Portanto, o reconhecimento de padrão é uma estratégia que parece mais se utilizar de padrões pré-formatados de entidades patológicas. O diagnóstico é então, efetuado por simples comparação não se constituindo assim, num meio para utilização da razão intuitiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se por um lado, as estratégias do algoritmo e da exaustão são quase que abordagens mecanicistas do ato diagnóstico, por outro, a estratégia hipotético-dedutiva envolve uma etapa de geração de hipóteses que parece ter algo de intuitivo. O próprio Sackett faz a pergunta crucial: de onde vêm as hipóteses? Em apenas um parágrafo, a resposta de E. J. Moran Campbell, o grande fisiologista respiratório: "muitas, se não a maioria (das hipóteses), provém de nossa visão de rótulos diagnósticos como idéias explicativas que amarram nossa compreensão da biologia humana às enfermidades de nossos pacientes. Também, e especialmente com a experiência, muitas hipóteses saltam aos olhos por reconhecimento de padrão de um tipo que gera possibilidades múltiplas em lugar de uma única, de muito alta probabilidade". Não há maiores comentários sobre o assunto no livro apesar da beleza e profundidade da frase. A primeira oração refere-se à tensão que é quebrada quando fazemos um diagnóstico (ou pensamos que fazemos). Cuidar de um paciente sem diagnóstico é um dos fatores de maior estresse psicológico para um médico. Daí a tensão que faz gerar hipóteses. Quando uma delas se encaixa (ou parece se encaixar), o médico se sente em território conhecido e fica seguro de si e de seus atos. A segunda oração merece um pouco mais de reflexão. Diz ela que com a experiência, algumas hipóteses são criadas por reconhecimento de padrão, mas de um tipo especial, pois ao invés de uma hipótese de alta probabilidade como já discutido acima, gera várias que necessitam ser demonstradas através de uma atividade intelectual. Seriam a geração de hipóteses e sua posterior dedução apenas uma seqüência de tentativas frustradas de reconhecimento de padrão na qual se necessitam mais dados para sua comprovação? Para responder a essa pergunta, precisamos conhecer um pouco mais sobre o mecanismo gerador das hipóteses. Há evidências [4] de que uma hipótese diagnóstica é formulada antes do primeiro minuto de uma consulta. E, aproximadamente 6 minutos após ouvir a queixa principal do paciente, um médico bem treinado é capaz de formular uma hipótese diagnóstica que em 75% das vezes é o diagnóstico correto. Ora, todos esses achados lembram muito um processo intuitivo. A intuição, por sua vez, pode ser o ponto de chegada, a conclusão de um processo de conhecimento, e pode também ser o ponto de partida de um processo cognitivo. O processo de conhecimento, seja o que produz uma intuição, seja o que parte dela, constitui a razão discursiva ou o raciocínio. Pode-se então, imaginar que a estratégia hipotético-dedutiva parte de uma intuição e através do raciocínio chega a confirmação desta intuição ou a uma nova, com &lt;i&gt;outputs&lt;/i&gt; de hipóteses diagnósticas como mostra a figura. Da maneira como vemos a estratégia hipotético-dedutiva, a intuição é, no mínimo, tão utilizada quanto raciocínio clínico para se atingir um diagnóstico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;img src="http://scienceblogs.com.br/eccemedicus/moz-screenshot-15.png" alt="" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;[1] Nunes, MPT &amp;amp; Martins, MA. &lt;i&gt;História Clínica&lt;/i&gt;. Semiologia Clínica. 2001. páginas 11-19.&lt;br /&gt;[2] Chauí, M. &lt;i&gt;Convite à Filosofia&lt;/i&gt;. 2000.&lt;br /&gt;[3] Sackett D, Haynes B, Guyatt G, Tugwell P. &lt;i&gt;Clinical Epidemiology. A basic science for clinical medicine.&lt;/i&gt; páginas 3-18.&lt;br /&gt;[4] Barrows HS, Norman GR, Neufeld VR, Feightner JW. The clinical reasoning of randomly selected physicians in general medical practice. &lt;i&gt;Clin Invest Med&lt;/i&gt;. (5) 1:49-55. 1982.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="zemanta-pixie"&gt;&lt;img class="zemanta-pixie-img" alt="" src="http://img.zemanta.com/pixy.gif?x-id=1a3576f6-92d0-84a4-9cf3-bab357cb63d5" /&gt;&lt;/div&gt; &lt;a href="http://scienceblogs.com.br/eccemedicus/2010/01/diagnostico_e_intuicao.php#commentsArea"&gt;Read the comments on this post...&lt;/a&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/ecce_medicus/~4/iktOiiwB0go" height="1" width="1"/&gt;</description>
         <link>http://feedproxy.google.com/~r/ecce_medicus/~3/iktOiiwB0go/diagnostico_e_intuicao.php</link>
         <guid isPermaLink="false">http://scienceblogs.com.br/eccemedicus/2010/01/diagnostico_e_intuicao.php</guid>
         <category>Medicina</category>
         
         <pubDate>Fri, 15 Jan 2010 11:05:27 -0300</pubDate>
      <feedburner:origLink>http://scienceblogs.com.br/eccemedicus/2010/01/diagnostico_e_intuicao.php</feedburner:origLink></item>
      
      <item>
         <title>Saúde, Doença, Êxito Técnico e Sucesso Prático</title>
          <description>&lt;p&gt;&lt;span style="padding: 5px; float: left;"&gt;&lt;a href="http://www.researchblogging.org"&gt;&lt;img alt="ResearchBlogging.org" src="http://www.researchblogging.org/public/citation_icons/rb2_large_gray.png" style="border: 0pt none ; float: left; margin-top: 10px; margin-bottom: 10px; margin-right: 10px;" /&gt;&lt;/a&gt;Uma série de posts do Cretinas (&lt;a target="_blank" href="http://scienceblogs.com.br/cretinas/2010/01/sus_torra_r_7_milhoes_em_place.php"&gt;aqui&lt;/a&gt; e &lt;a target="_blank" href="http://scienceblogs.com.br/cretinas/2010/01/por_que_terapias_fajutas_parec.php"&gt;aqui&lt;/a&gt;) servirão como mote para uma delimitação que há tempos eu gostaria de ter feito. Nos posts é feita uma crítica sobre os gastos do SUS com métodos "alternativos" de tratamento como homeopatia, acupuntura, tai-chi-chuan, etc. Longe, mas muito longe mesmo, de defender o governo quanto a algumas políticas de saúde adotadas, e de defender tais práticas "alternativas" sobre as quais já confessei minha ignorância (&lt;a target="_blank" href="http://scienceblogs.com.br/eccemedicus/2009/10/para-quedas_a_ciencia_e_eu.php"&gt;aqui&lt;/a&gt; e &lt;a target="_blank" href="http://scienceblogs.com.br/eccemedicus/2009/10/hermeneutica_medica.php"&gt;aqui&lt;/a&gt;), acho que chamar esse tipo de atitude de &lt;i&gt;desonestidade intelectual&lt;/i&gt; é "pegar um pouco pesado". Em particular, pelo fato de que, na minha opinião, há uma confusão conceitual entre &lt;i&gt;&lt;b&gt;saúde&lt;/b&gt;&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;&lt;b&gt;doença&lt;/b&gt;&lt;/i&gt; na base desse raciocínio e que será o motivo desse post.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Antes de mais nada, ninguém perguntou aos pacientes submetidos a esses programas se eles sentiram melhor ou não. Era a primeira coisa a ser feita antes de qualquer tipo de crítica. O acolhimento que determinadas práticas dentro de um contexto do "cuidado em saúde", proporcionam é, por si mesmo, terapêutico. Pelo que pude apurar (informalmente), houve aumento dos gastos em decorrência do aumento enorme das solicitações desse tipo de programa. Ver o outro lado é fundamental.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas façamos um exercício - &lt;a target="_blank" href="http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;amp;pid=S0103-73312007000100004&amp;amp;lng=en&amp;amp;nrm=iso"&gt;como Zé Ricardo Ayres&lt;/a&gt; fez - para tentarmos aumentar nossa compreensão sobre o binômio saúde-doença. Se perguntarmos a um grupo de pessoas "você se sente saudável?" quantos responderiam "sim", quantos "não" e quantos não saberiam dizer, é difícil de estimar. Se, por outro lado, perguntássemos "você está doente?" as respostas seriam presumivelmente mais uniformes. A ideia aqui será demonstrar que &lt;i&gt;saúde&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;doença&lt;/i&gt; fazem parte de universos bastante diferentes, falam de coisas diferentes e de maneiras inteiramente diferentes. Alguém com diabetes controlado ou soropositivo para o HIV pode responder que se sente saudável apesar de ter de fato, uma doença. Por outro lado, um indivíduo em quem não se diagnostica nenhuma doença, pode não ter a vivência da saúde. A alguém que respondesse "sim" à pergunta se estava doente, poderíamos continuar perguntando "mas que tipo de doença você tem?". Entretanto, ao que respondeu "sim" à pergunta se estava saudável, não faz sentido perguntar "mas que tipo de saúde você tem?". Talvez, fosse mais racional perguntar "o que você quer dizer com isso?". Já, perguntar ao "doente" "o que você quer dizer com estar doente, ou estar diabético ou estar com HIV?" é que não faz sentido! O significado de "diabetes" e "HIV" está validado em qualquer discussão sobre o assunto. Isso quer dizer que tem validade&amp;nbsp; &lt;i&gt;&lt;b&gt;intersubjetiva&lt;/b&gt; &lt;/i&gt;(entre sujeitos). Dito de outro modo, no caso do diabetes, uma "racionalidade de caráter instrumental já deixou claro de antemão para os participantes do diálogo que o conhecimento das regularidades e irregularidades do nível de glicose circulante em nosso sangue fornece elementos para prever e controlar alterações morfofuncionais indesejáveis, com efeitos que vão de sensação de fraqueza até a morte." O lado da saúde, não tem a mesma validação. Existe, portanto, uma &lt;i&gt;&lt;b&gt;assimetria&lt;/b&gt;&lt;/i&gt; enorme de legitimidade de discursos, favorecendo o que se chamou de discurso casual-controlista da abordagem biomédica que predomina amplamente. Essa predominância é que permite a algumas correntes tachar as atuais práticas de saúde como "desumanizadas" por um lado e, por outro, abre a perspectiva a críticas sobre a cientificidade de determinadas políticas, em especial, às relacionadas à medicinas alternativas, como fez o Cretinas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É preciso separar os conceitos de &lt;i&gt;&lt;b&gt;êxito técnico&lt;/b&gt;&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;&lt;b&gt;sucesso prático&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;. Êxito técnico refere-se à razão instrumental da ação - por exemplo, se uso um vasodilatador para redução da pressão arterial, consigo diminuir o risco de acidentes cardiovasculares, ponto final. Sucesso prático diz respeito à atribuição de valores e implicações simbólicas, relacionais e materiais do fato de um paciente ser hipertenso. O que significa para esse paciente assumir a identidade de hipertenso? Nas palavras de Ayres, "êxito técnico diz respeito a &lt;i&gt;&lt;b&gt;relações&lt;/b&gt;&lt;/i&gt; entre meios e fins para o controle do risco ou dos agravos à saúde, delimitados e conhecidos pela biomedicina. O sucesso prático diz respeito ao &lt;i&gt;&lt;b&gt;sentido&lt;/b&gt;&lt;/i&gt; assumido por meios e fins relativos às ações de saúde frente aos valores e interesses atribuídos ao adoecimento e à atenção à saúde por indivíduos e populações". As relações são objeto da razão instrumental e da ciência médica, já sabemos. Já, as ações de saúde causam efeitos nos indivíduos e os significados desses efeitos - o sentido - são objeto de uma razão prática. É aqui que a coisa se complica. A razão prática é eminentemente ética: se preocupa com os meios para atingir os fins. Digo a um paciente "o Sr. é hipertenso, precisa tomar esse remédio!" Ele poderia responder "Dr., não tenho dinheiro para tomar esse remédio; ou, não quero tomar esse remédio; ou ainda, não sou hipertenso!" Como proceder? Deveria mostrar a esse paciente um artigo dizendo que é melhor ele tomar a medicação? Um êxito técnico não garante o sucesso prático. Cabe discutir se o contrário, o sucesso prático sem sua contrapartida instrumental do êxito técnico, é lícito ou não. Entretanto, só essa discussão já valeria todo o trabalho do post, pois sua simples instauração reconhece que a medicina não é redutível à ciência médica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Z3988" title="ctx_ver=Z39.88-2004&amp;amp;rft_val_fmt=info%3Aofi%2Ffmt%3Akev%3Amtx%3Ajournal&amp;amp;rft.jtitle=Physis%3A+Revista+de+Sa%C3%BAde+Coletiva&amp;amp;rft_id=info%3Adoi%2F10.1590%2FS0103-73312007000100004&amp;amp;rfr_id=info%3Asid%2Fresearchblogging.org&amp;amp;rft.atitle=Uma+concep%C3%A7%C3%A3o+hermen%C3%AAutica+de+sa%C3%BAde&amp;amp;rft.issn=0103-7331&amp;amp;rft.date=2007&amp;amp;rft.volume=17&amp;amp;rft.issue=1&amp;amp;rft.spage=&amp;amp;rft.epage=&amp;amp;rft.artnum=http%3A%2F%2Fwww.scielo.br%2Fscielo.php%3Fscript%3Dsci_arttext%26pid%3DS0103-73312007000100004%26lng%3Dpt%26nrm%3Diso%26tlng%3Dpt&amp;amp;rft.au=Ayres%2C+J.&amp;amp;rfe_dat=bpr3.included=1;bpr3.tags=Health%2CMedicine%2C+Medical+Ethics"&gt;Fonte: Ayres, J. (2007). Uma concepção hermenêutica de saúde &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Physis: Revista de Saúde Coletiva, 17&lt;/span&gt; (1) DOI: &lt;a rev="review" href="http://dx.doi.org/10.1590/S0103-73312007000100004"&gt;10.1590/S0103-73312007000100004&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="zemanta-pixie"&gt;&lt;img class="zemanta-pixie-img" alt="" src="http://img.zemanta.com/pixy.gif?x-id=fe1d8dc2-6df0-841a-a924-f2e7412769e2" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/p&gt; &lt;a href="http://scienceblogs.com.br/eccemedicus/2010/01/saude_doenca_exito_tecnico_e_s.php#commentsArea"&gt;Read the comments on this post...&lt;/a&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/ecce_medicus/~4/e_rP8qFAX1M" height="1" width="1"/&gt;</description>
         <link>http://feedproxy.google.com/~r/ecce_medicus/~3/e_rP8qFAX1M/saude_doenca_exito_tecnico_e_s.php</link>
         <guid isPermaLink="false">http://scienceblogs.com.br/eccemedicus/2010/01/saude_doenca_exito_tecnico_e_s.php</guid>
         <category>Ciência Médica</category>
         
         <pubDate>Sun, 10 Jan 2010 20:09:35 -0300</pubDate>
      <feedburner:origLink>http://scienceblogs.com.br/eccemedicus/2010/01/saude_doenca_exito_tecnico_e_s.php</feedburner:origLink></item>
      
      <item>
         <title>Diagnóstico</title>
          <description>&lt;div align="left"&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;a target="_blank" href="http://xandyrodrigues.zip.net/images/alvo.jpg"&gt;&lt;img style="float: none;" alt="http://xandyrodrigues.zip.net/images/alvo.jpg" src="http://xandyrodrigues.zip.net/images/alvo.jpg" height="178" width="349" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;Diagnóstico&lt;/i&gt; vem do grego, pra variar: &lt;i&gt;διάγνωση&lt;/i&gt;, onde &lt;i&gt;δια&lt;/i&gt; dia- "por meio de", and &lt;i&gt;γνώση&lt;/i&gt; gnosis "conhecer". Para os gregos era a identificação da natureza de alguma coisa. Já falamos sobre &lt;a target="_blank" href="http://scienceblogs.com.br/eccemedicus/2008/06/o-medico-diagnosticador.php"&gt;diagnóstico&lt;/a&gt; e &lt;a target="_blank" href="http://scienceblogs.com.br/eccemedicus/2008/06/o-desdiagnostico.php"&gt;desdiagnóstico&lt;/a&gt;. O momento do diagnóstico é um aliviador de tensão dos dois lados da mesa do consultório, apesar de ser mais um começo do que um fim. Muita gente já se interessou sobre esse momento e tentou entender como um médico chega a ele. Eu vou tentar dar minha contribuição. Para isso, vou utilizar alguns exemplos tirados de um interessante livro chamado "&lt;a href="http://www.submarino.com.br/produto/1/156697?franq=251474#A1"&gt;A Banheira de Arquimedes&lt;/a&gt;" de David Perkins, matemático e estudioso de inteligência artificial do Massachusetts Institute of Technology. Os exemplos são próximos de dois modos-padrão de como um médico diagnostica certas doenças. Depois discutiremos a resolução de cada um.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Exemplo 1 - A soma abaixo está expressa em letras. No lugar de um dos dígitos de 0 a 9, temos as letras A, B e C. Dada a soma, qual o valor de A, B e C?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;font style="font-size: 1.5625em;"&gt;A A&lt;br /&gt;+ &lt;u&gt;B B&lt;/u&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;C B C&lt;/font&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Exemplo 2 - Faça quatro linhas retas que passem por todos os nove pontos no diagrama a seguir, sem levantar o lápis do papel (Moçada, não vale passar pela mesma reta 2 vezes, ok?).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;font style="font-size: 1em;"&gt;&lt;b&gt;&lt;big&gt;&lt;big&gt;.&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; .&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; .&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; .&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; .&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.&amp;nbsp; &amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; .&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; .&lt;/big&gt;&lt;/big&gt;&lt;/b&gt;&lt;/font&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;E aí? Conseguiu resolver, digo diagnosticar? O leitor perceberá que os problemas são bastante diferentes em relação às aptidões cognitivas requeridas para sua resolução. No exemplo 1 podemos chegar a resposta correta apenas nos utilizando de um raciocínio lógico - passo a passo, por eliminação e tentativa-e-erro. O exemplo 2 é diferente. Ficamos muito tempo girando em círculos, quase que sem sair do lugar. Rabiscamos várias retas, mas parece haver uma "pegadinha" (que não há!) na solução. Estudos indicam que esse tipo de problema, ou é resolvido em alguns minutos ou a tendência é abandoná-lo. Qual será sua alternativa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Clique na foto para ver o link)&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;img class="zemanta-pixie-img" alt="" src="http://img.zemanta.com/pixy.gif?x-id=f976dc6a-4079-879b-a9ec-12294208935f" /&gt; &lt;a href="http://scienceblogs.com.br/eccemedicus/2010/01/diagnostico.php#commentsArea"&gt;Read the comments on this post...&lt;/a&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/ecce_medicus/~4/DzQoZuoUv2c" height="1" width="1"/&gt;</description>
         <link>http://feedproxy.google.com/~r/ecce_medicus/~3/DzQoZuoUv2c/diagnostico.php</link>
         <guid isPermaLink="false">http://scienceblogs.com.br/eccemedicus/2010/01/diagnostico.php</guid>
         <category>Cultura</category>
         
         <pubDate>Sat, 09 Jan 2010 01:18:58 -0300</pubDate>
      <feedburner:origLink>http://scienceblogs.com.br/eccemedicus/2010/01/diagnostico.php</feedburner:origLink></item>
      
      <item>
         <title>O Palácio Industrial</title>
          <description>&lt;font face="arial,helvetica" color="#000000"&gt;(via &lt;a target="_blank" href="http://scienceblogs.com.br/100nexos"&gt;100nexos&lt;/a&gt;)&lt;/font&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="zemanta-pixie"&gt;&lt;img class="zemanta-pixie-img" alt="" src="http://img.zemanta.com/pixy.gif?x-id=3d62da72-a2df-8d2c-b222-cd6afe18b915" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;font face="arial,helvetica" color="#000000"&gt;&lt;i&gt;&lt;a href="editor-content.html?cs=utf-8" name="2"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/i&gt;&lt;/font&gt;&lt;a href="http://www.sld.cu/galerias/imagen/sitios/embriologia/wilhelm_roux.jpg" name="2"&gt;&lt;font face="Arial"&gt;&lt;strong&gt;&lt;img style="float: left; margin-top: 10px; margin-bottom: 10px; margin-right: 10px;" src="http://www.sld.cu/galerias/imagen/sitios/embriologia/wilhelm_roux.jpg" height="188" hspace="5" vspace="5" width="141" align="right" /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/font&gt;&lt;/a&gt;&lt;font face="arial,helvetica" color="#000000"&gt;&lt;i&gt;&lt;a href="editor-content.html?cs=utf-8" name="2"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;"Mechanistic explanations seek to reduce principles to the least possible number, to explain in terms of the least common denominator, of parts rather than wholes, conditions rather than reasons. They seek to place all explanations at one level. A mechanistic explanation must be both logically simple and automatic." (Marjorie Grene)&lt;/i&gt;&lt;/font&gt;&lt;font face="Arial"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/font&gt;&lt;font face="arial,helvetica" color="#000000"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/font&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;font face="arial,helvetica" color="#000000"&gt;Segundo Ernst Cassirer [1] parece ter sido Driesch em 1904&lt;/font&gt;&lt;font face="arial,helvetica" color="#000000"&gt; quem primeiro adiantou a ideia de "mecânica do desenvolvimento".&amp;nbsp;&lt;/font&gt;&lt;font face="arial,helvetica" color="#000000"&gt;&lt;a target="_blank" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Wilhelm_Roux"&gt;Roux&lt;/a&gt;&lt;/font&gt;&lt;font face="arial,helvetica" color="#000000"&gt; [2] (foto), entretanto, radicalizou o conceito e&lt;/font&gt;&lt;font face="arial,helvetica" color="#000000"&gt; sugeriu um "novo ramo na ciência biológica cuja missão seria demonstrar a completa analogia entre a biologia e a física". Para que esse intento tivesse êxito, era necessário que o organismo fosse regido eminentemente por forças mecânicas. O mecanicismo começava a fazer frente às potencialidades aristotélicas, &lt;/font&gt;&lt;font face="arial,helvetica" color="#000000"&gt;&lt;i&gt;dínamys&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;enteléquia, &lt;/i&gt;que&lt;i&gt; &lt;/i&gt;tanta confusão e discussão haviam causado até então.&lt;/font&gt;&lt;font face="arial,helvetica" color="#000000"&gt; &lt;/font&gt;O mecanicismo ainda povoa o pensamento ocidental, seja por suas explicações, seja pelo temor da influência no modo de ser humano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;font face="arial,helvetica" color="#000000"&gt;Um bom exemplo disso é &lt;a target="_blank" href="http://www.fritz-kahn.com/person.php?site=person&amp;amp;lang=en"&gt;Fritz Kahn&lt;/a&gt;. Em 1927, ele concebeu o homem como palácio industrial e várias outras ilustrações que recentemente foram compiladas em um &lt;a target="_blank" href="http://www.fritz-kahn.com/book.php?site=book&amp;amp;lang=en"&gt;livro&lt;/a&gt;. Sua figura do homem-máquina pode ser vista &lt;a target="_blank" href="http://scienceblogs.com.br/100nexos/2009/10/o_corpo_como_mquina.php"&gt;aqui&lt;/a&gt;.&lt;a target="_blank" href="http://vimeo.com/6505158"&gt; Henning Lederer&lt;/a&gt; é um artista plástico contemporâneo fanático por mecanismos. Além de "animar" o Palácio Industrial de Kahn, animou outras obras de arte sempre tendo como tema mecanismos altamente complexos que acabam por determinar a vida do homem, quase que como uma inversão do "mecanicismo" original. Abaixo vão o "Homem como Palácio Industrial" e o "Showreel" ambos de 2009. Feliz 2010 a todos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="youtube-video"&gt;&lt;object height="220" width="400"&gt;&lt;param name="allowfullscreen" value="true" /&gt; &lt;param name="allowscriptaccess" value="always" /&gt; &lt;param name="movie" value="http://vimeo.com/moogaloop.swf?clip_id=6505158&amp;amp;server=vimeo.com&amp;amp;show_title=1&amp;amp;show_byline=1&amp;amp;show_portrait=0&amp;amp;color=&amp;amp;fullscreen=1" /&gt; &lt;embed src="http://vimeo.com/moogaloop.swf?clip_id=6505158&amp;amp;server=vimeo.com&amp;amp;show_title=1&amp;amp;show_byline=1&amp;amp;show_portrait=0&amp;amp;color=&amp;amp;fullscreen=1" type="application/x-shockwave-flash" allowfullscreen="true" allowscriptaccess="always" height="220" width="400"&gt;   &lt;/object&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;a href="http://vimeo.com/6505158"&gt;Der Mensch als Industriepalast [Man as Industrial Palace]&lt;/a&gt; from &lt;a href="http://vimeo.com/user1208362"&gt;Henning Lederer&lt;/a&gt; on &lt;a href="http://vimeo.com/"&gt;Vimeo&lt;/a&gt;.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="youtube-video"&gt;&lt;object height="220" width="400"&gt;&lt;param name="allowfullscreen" value="true" /&gt; &lt;param name="allowscriptaccess" value="always" /&gt; &lt;param name="movie" value="http://vimeo.com/moogaloop.swf?clip_id=6725407&amp;amp;server=vimeo.com&amp;amp;show_title=1&amp;amp;show_byline=1&amp;amp;show_portrait=0&amp;amp;color=00ADEF&amp;amp;fullscreen=1" /&gt; &lt;embed src="http://vimeo.com/moogaloop.swf?clip_id=6725407&amp;amp;server=vimeo.com&amp;amp;show_title=1&amp;amp;show_byline=1&amp;amp;show_portrait=0&amp;amp;color=00ADEF&amp;amp;fullscreen=1" type="application/x-shockwave-flash" allowfullscreen="true" allowscriptaccess="always" height="220" width="400"&gt;   &lt;/object&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;a href="http://vimeo.com/6725407"&gt;Showreel 2009&lt;/a&gt; from &lt;a href="http://vimeo.com/user1208362"&gt;Henning Lederer&lt;/a&gt; on &lt;a href="http://vimeo.com/"&gt;Vimeo&lt;/a&gt;.&lt;/p&gt;[1] &lt;b&gt;Cassirer, E&lt;/b&gt;. &lt;i&gt;El problema del conocimiento IV&lt;/i&gt;. Fondo de Cultura Económica. Mexico. 5a reimpressão. 1993. pág 229-262.&lt;br /&gt;[2] &lt;b&gt;Roux, W&lt;/b&gt;. &lt;i&gt;Der Entwicklungs-Mechanik&lt;/i&gt;. 1905. apud [1].&lt;br /&gt;Foto de Wilhelm Roux &lt;a href="http://www.sld.cu/temas.php?idv=8161"&gt;daqui&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/font&gt; &lt;a href="http://scienceblogs.com.br/eccemedicus/2010/01/o_palacio_industrial_1.php#commentsArea"&gt;Read the comments on this post...&lt;/a&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/ecce_medicus/~4/I00mXXDm6TY" height="1" width="1"/&gt;</description>
         <link>http://feedproxy.google.com/~r/ecce_medicus/~3/I00mXXDm6TY/o_palacio_industrial_1.php</link>
         <guid isPermaLink="false">http://scienceblogs.com.br/eccemedicus/2010/01/o_palacio_industrial_1.php</guid>
         <category>Cultura</category>
         
         <pubDate>Mon, 04 Jan 2010 22:37:40 -0300</pubDate>
      <feedburner:origLink>http://scienceblogs.com.br/eccemedicus/2010/01/o_palacio_industrial_1.php</feedburner:origLink></item>
      
      <item>
         <title>Schopenhauer, Rogozov e Apêndices</title>
          <description>&lt;span style="padding: 5px; float: left;"&gt;&lt;a href="http://www.researchblogging.org/"&gt;&lt;img alt="ResearchBlogging.org" src="http://www.researchblogging.org/public/citation_icons/rb2_large_gray.png" style="border: 0pt none ;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;Frequentemente me perguntam se eu &lt;i&gt;&lt;b&gt;me&lt;/b&gt;&lt;/i&gt; trato ou trato meus parentes mais próximos. Digo sempre que não gosto e evito ao máximo, mas que se alguma emergência surgir, estarei lá, de prontidão. Sempre. É preciso, como já &lt;a target="_blank" href="http://scienceblogs.com.br/eccemedicus/2009/12/o_caramujo_e_a_estrela.php"&gt;comentamos&lt;/a&gt;, um certo &lt;i&gt;&lt;b&gt;distanciamento&lt;/b&gt;&lt;/i&gt; para "objetivar" um indivíduo e considerá-lo um paciente. No caso de parentes próximos, esse distanciamento fica mais difícil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que dizer de si mesmo? Quanto de distanciamento é possível conseguir de si mesmo? Schopenhauer considerava o corpo uma &lt;i&gt;&lt;b&gt;encruzilhada&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;. Na impossibilidade de conhecer a "coisa-em-si", tudo que conhecemos é mediado pelo nosso corpo e se torna uma representação em nossa consciência. Mas como conhecemos nosso próprio organismo? Se por um lado, não podemos conhecer a realidade dele em si, por outro, o sentimos e vivemos nele como nenhum outro ser pensante no universo. Isso nos permite uma "visão" privilegiada do nosso corpo: percebemo-lo de forma &lt;i&gt;&lt;b&gt;imediata&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;. Dessa forma, segundo Schopenhauer, ele se torna o &lt;i&gt;&lt;b&gt;ponto de partida&lt;/b&gt;&lt;/i&gt; do conhecimento. Mas, e quando esse corpo, ponto de partida, é, ele mesmo, objetivado, numa reviravolta metafísica, e submetido ao escrutínio da razão e da técnica que ele proporciona?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;img style="float: left; margin-top: 10px; margin-bottom: 10px; margin-right: 10px;" src="http://scienceblogs.com.br/eccemedicus/moz-screenshot-14.png" alt="" /&gt;Esse rapaz bonitão da foto é Leonid Ivanovitch Rogozov. Em 5 de Novembro de 1960, ele embarcou em Leningrado na sexta expedição soviética para Antártica. Tinha 27 anos e interrompeu sua carreira acadêmica (uma dissertação sobre câncer de esôfago) para se alistar numa aventura. Depois de 36 dias, chegaram ao local programado. Iniciaram então, a construção de uma base militar chamada &lt;i&gt;Novolazarevskaya&lt;/i&gt; que ficou pronta 9 semanas depois. O navio deixou então 12 tripulantes que deveriam passar o inverno na base antártica. Rogozov era o único médico do grupo (não havia enfermeiras, nem mesmo técnicos de qualquer espécie).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia 29 de Abril de 1961, Rogozov sentiu-se mal. Náuseas, vômitos, febre baixa e dor abdominal que logo localizou-se no quadrante inferior direito do abdome. Rogozov diagnosticou-se uma &lt;i&gt;&lt;b&gt;apendicite aguda&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;. Tomou antibióticos, analgésicos e antitérmicos sem resultado. Compressas produziam alívio fugaz. Ele sabia: "não há tratamento clínico para doenças cirúrgicas". Todas as tentativas nesse sentido só conduzem à catástrofes. Na impossibilidade de retornar e/ou de obter qualquer tipo de auxílio (hoje temos robôs que operam à distância), ele treinou 3 de seus colegas (um metereologista, um mecânico e o chefe da base) em procedimentos básicos como aplicar medicamentos e o que fazer em determinadas situações, esterilizou instrumentos e se preparou para &lt;i&gt;&lt;b&gt;operar-se&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele realizou uma anestesia local e após 15 min, fez uma incisão (me pareceu, pela descrição, uma incisão clássica no ponto de &lt;a target="_blank" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Ponto_de_McBurney"&gt;McBurney&lt;/a&gt;) de 10-12 cm e começou a procurar o apêndice. Ele operava sem luvas porque tinha que trabalhar basicamente dependendo de seu tato. Depois de 30-40 min, seus assistentes notaram respirações rápidas, palidez cutânea e sudorese, indicando que Rogozov estaria com vertigens. Como a visão era muito prejudicada, ele frequentemente tinha que levantar a cabeça para tentar ver o que estava fazendo, o que foi ficando cada vez mais difícil. A cirurgia durou 1 h e 45 min. Ele mesmo terminou toda a sutura. O apêndice estava necrótico. Ao final, ensinou seus assistentes a lavar a ferida e a realizar os curativos, tomou pílulas para dormir e descansou. No dia seguinte, teve febre 38,1 C, continuou a tomar antibióticos e foi melhorando lenta mas progressivamente. Ao cabo de 2 semanas, ele estava apto a trabalhar normalmente. Voltou à Rússia e ainda teve tempo de casar e ter um filho médico que escreveu sua história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;O que nos ensina a experiência radical de Leonid Rogozov? Quão poderosa é a capacidade de abstrairmos nossa realidade? Mais que a realidade, o próprio instrumento sensitivo que a proporciona, o corpo que somos? Abstrair nosso corpo é como abstrair a própria essência do humano. Ou nossa essência é nossa própria capacidade de abstração?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;img src="http://scienceblogs.com.br/eccemedicus/Rogozov.jpg" alt="" height="350" width="449" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Z3988" title="ctx_ver=Z39.88-2004&amp;amp;rft_val_fmt=info%3Aofi%2Ffmt%3Akev%3Amtx%3Ajournal&amp;amp;rft.jtitle=BMJ&amp;amp;rft_id=info%3Adoi%2F10.1136%2Fbmj.b4965&amp;amp;rfr_id=info%3Asid%2Fresearchblogging.org&amp;amp;rft.atitle=Auto-appendectomy+in+the+Antarctic%3A+case+report&amp;amp;rft.issn=0959-8138&amp;amp;rft.date=2009&amp;amp;rft.volume=339&amp;amp;rft.issue=dec15+1&amp;amp;rft.spage=0&amp;amp;rft.epage=0&amp;amp;rft.artnum=http%3A%2F%2Fwww.bmj.com%2Fcgi%2Fdoi%2F10.1136%2Fbmj.b4965&amp;amp;rft.au=Rogozov%2C+V.&amp;amp;rft.au=Bermel%2C+N.&amp;amp;rfe_dat=bpr3.included=1;bpr3.tags=Health%2CMedicine%2C+Medical+Ethics"&gt;Rogozov, V., &amp;amp; Bermel, N. (2009). Auto-appendectomy in the Antarctic: case report &lt;span style="font-style: italic;"&gt;BMJ, 339&lt;/span&gt; (dec15 1) DOI: &lt;a rev="review" href="http://dx.doi.org/10.1136/bmj.b4965"&gt;10.1136/bmj.b4965&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;small&gt;Fotos modificadas do artigo original. Sem permissão (por enquanto).&lt;/small&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="zemanta-pixie"&gt;&lt;img class="zemanta-pixie-img" alt="" src="http://img.zemanta.com/pixy.gif?x-id=7d553e3d-0c4c-8972-87e9-c3452ca5c36b" /&gt;&lt;/div&gt; &lt;a href="http://scienceblogs.com.br/eccemedicus/2009/12/schopenhauer_rogozov_e_apendic.php#commentsArea"&gt;Read the comments on this post...&lt;/a&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/ecce_medicus/~4/QIOOJr7jm_E" height="1" width="1"/&gt;</description>
         <link>http://feedproxy.google.com/~r/ecce_medicus/~3/QIOOJr7jm_E/schopenhauer_rogozov_e_apendic.php</link>
         <guid isPermaLink="false">http://scienceblogs.com.br/eccemedicus/2009/12/schopenhauer_rogozov_e_apendic.php</guid>
         <category>Filosofia</category>
         
         <pubDate>Wed, 30 Dec 2009 23:16:17 -0300</pubDate>
      <feedburner:origLink>http://scienceblogs.com.br/eccemedicus/2009/12/schopenhauer_rogozov_e_apendic.php</feedburner:origLink></item>
      
      <item>
         <title>Sobre Fatos</title>
          <description>&lt;div align="right"&gt;&lt;a target="_blank" href="http://www.flickr.com/photos/8216432@N05/2049446691/"&gt;&lt;img style="float: left; margin-top: 10px; margin-bottom: 10px; margin-right: 10px;" src="http://farm3.static.flickr.com/2093/2049446691_2b307796a3.jpg" alt="Joker shadow by ita145117." title="" class="reflect" height="195" width="306" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;small&gt;&lt;i&gt;"Me ensinaram que eu tenho um destino. Não sabiam que eu era uma fatalidade."&lt;/i&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;@millorfernandes [no &lt;a target="_blank" href="http://twitter.com/"&gt;Twitter&lt;/a&gt;]&lt;/small&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Achei esse texto apropriado às discussões recentes, a saber, o de entender algumas diferenças entre a &lt;i&gt;&lt;b&gt;interpretação&lt;/b&gt;&lt;/i&gt; dos fatos quando dentro de um contexto que tem o &lt;i&gt;&lt;b&gt;homem&lt;/b&gt;&lt;/i&gt; como objeto. É um pequeno excerto de um livro bastante interessante chamado "Trem Noturno para Lisboa" de Pascal Mercier [Record, 2009. Tradução de Kristina Michahelles]. Ainda comentarei mais sobre esse livro.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;As Sombras da Alma&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;i&gt;As histórias que os outros contam sobre nós e as histórias que nós mesmos contamos - quais delas se aproximam mais da verdade? É tão certo que sejam as próprias histórias? Somos autoridades para nós mesmos? Mas não é essa a questão que me preocupa. A verdadeira questão é: existe, nessas histórias, alguma diferença entre certo e errado? Nas histórias sobre coisas exteriores, sim. Mas quando tentamos compreender alguém em seu interior? Esta viagem algum dia chega a um fim? Será a alma um lugar de fatos? Ou seriam os supostos fatos apenas uma sombra fictícia das nossas histórias? &lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;"Ou seriam os supostos fatos apenas uma sombra fictícia das nossas histórias?" é de uma crueza nietzscheana. O pequeno parágrafo junta teorias psicanalíticas, a formação do "eu" e a fundamentação da moral no sujeito. Qualquer consulta médica que se preze começa com o que se convencionou chamar &lt;i&gt;&lt;b&gt;anamnese&lt;/b&gt;&lt;/i&gt; (literalmente, não não-lembrar). Um paciente produz uma história sobre seu sofrimento, mas o médico deve estimulá-lo a produzir uma narrativa sobre si. Seu sofrimento não faz sentido se não for assim. Mas, seres humanos são bons para falar de coisas, não deles mesmos. A descrição formal das "coisas" permitiu o aparecimento da ciência. As descrições de si, são "loucuras" psicanalíticas, metade pseudociência, metade religião, com linguagem rebuscada e imprecisa, que frequentemente não chegam a lugar algum. É mais fácil falar dos outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O escândalo da vida é um fato. O aparecimento da consciência, uma fatalidade. &lt;a target="_blank" href="http://www2.uol.com.br/millor/"&gt;Millôr&lt;/a&gt; sabe das coisas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foto: L'ombra burlona de &lt;a target="_blank" href="http://www.flickr.com/photos/8216432@N05/"&gt;ita145117&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="zemanta-pixie"&gt;&lt;img class="zemanta-pixie-img" alt="" src="http://img.zemanta.com/pixy.gif?x-id=e2f70bde-ffa9-86aa-89a6-a5bd50fec859" /&gt;&lt;/div&gt; &lt;a href="http://scienceblogs.com.br/eccemedicus/2009/12/sobre_fatos.php#commentsArea"&gt;Read the comments on this post...&lt;/a&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/ecce_medicus/~4/BMMrfNlR4RI" height="1" width="1"/&gt;</description>
         <link>http://feedproxy.google.com/~r/ecce_medicus/~3/BMMrfNlR4RI/sobre_fatos.php</link>
         <guid isPermaLink="false">http://scienceblogs.com.br/eccemedicus/2009/12/sobre_fatos.php</guid>
         <category>Filosofia</category>
         
         <pubDate>Wed, 16 Dec 2009 18:02:00 -0300</pubDate>
      <feedburner:origLink>http://scienceblogs.com.br/eccemedicus/2009/12/sobre_fatos.php</feedburner:origLink></item>
      
      <item>
         <title>Tecnologias do Corpo</title>
          <description>&lt;div class="youtube-video"&gt;&lt;object width="445" height="364"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/NWMOmBohlTE&amp;amp;hl=en_US&amp;amp;fs=1&amp;amp;border=1" /&gt; &lt;param name="allowFullScreen" value="true" /&gt; &lt;param name="allowscriptaccess" value="always" /&gt; &lt;embed src="http://www.youtube.com/v/NWMOmBohlTE&amp;amp;hl=en_US&amp;amp;fs=1&amp;amp;border=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="445" height="364"&gt;      &lt;/object&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Há um campo da ciência médica que origina o que se pode chamar de &lt;i&gt;&lt;b&gt;tecnologias do corpo&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;, por falta de uma expressão mais adequada. Não é medicina porque não diz respeito à saúde ou a doença especificamente. Alguém sempre pode argumentar que questões menos palpáveis como inadequações sociais e/ou sofrimento psíquico possam ser causados por, digamos, "problemas" orgânicos ou funcionais. Entretanto, exemplos como próteses de silicone, cirurgias para aumentar o tamanho do pênis, &lt;a target="_blank" href="http://scienceblogs.com.br/eccemedicus/2008/09/o-ponto-g-da-medicina.php"&gt;implantes clitorianos de colágeno&lt;/a&gt;, plástica de vulvas, despigmentação anal, anabolizantes de uma forma geral, uso recreacional dos inibidores da fosfodiesterase 5 (PDE5) (ex.: sildenafil) - em geral associados a antidepressivos que têm como efeito colateral a &lt;i&gt;&lt;b&gt;anorgasmia&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;, de modo a retardar maximamente o orgasmo e manter pelo maior tempo possível a ereção possibilitando um desempenho sexual mais parecido com o de um atleta do que de um amante - não se constituem, convenhamos, algo que possa ser chamado de medicina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre que falo sobre esse assunto, alguém tenta correlacionar as tecnologias do corpo com a contemporaneidade, com nossa época atual e sua vertiginosa maneira lidar com o tempo: como que através de uma janela de um trem de alta velocidade. Mas as tecnologias do corpo são muito antigas. Desde métodos de tortura até a circuncisão, o homem vasculha seu corpo (e também o corpo de seus semelhantes) em busca de respostas, de performance, ou de simples satisfação de sua infinita curiosidade. Uma das mais comoventes e belas histórias sobre as tecnologias do corpo é a dos &lt;b&gt;&lt;i&gt;castratti&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;. O filme acima, um fragmento de &lt;a target="_blank" href="http://www.interfilmes.com/filme_13346_Farinelli-%28Farinelli.Il.Castrato%29.html"&gt;Farinelli, Il castrato&lt;/a&gt;, é uma ária da ópera &lt;a target="_blank" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Rinaldo_%28opera%29"&gt;Rinaldo&lt;/a&gt; de Haendel. Os &lt;i&gt;castratti&lt;/i&gt; eram meninos que tinham o dom de cantar e que, para manter a voz num timbre muito especial, eram castrados antes que ela adquirisse o tom mais baixo, característico dos homens adultos. Esse timbre era cultuado nos meios musicais e o filme conta a história do último desses meninos, Carlo Broschi. A voz que canta a ária no filme é uma mixagem de uma voz feminina e outra masculina (Derek Lee Ragin, um contra-tenor inglês e Ewa Mallas Godleska, uma mezzo-soprano polonesa) o que, segundo alguns especialistas, fez com que o timbre se aproximasse do original de um &lt;i&gt;castrato&lt;/i&gt;. O filme mostra também o momento da castração com o menino imerso em uma banheira de leite. É emocionante e triste.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vejo ainda o corpo como Nietzsche, que o chamava de &lt;i&gt;&lt;b&gt;a grande razão&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;. Não concordo com a forma como tem-se disposto dele, o corpo, quase que escravizando-o, a serviço de &lt;i&gt;&lt;b&gt;pequenas razões&lt;/b&gt;&lt;/i&gt; banais. Lamento que muitos médicos se mostrem como veículos dessa vontade. Se o mundo ganhou Farinelli, perdeu&amp;nbsp;Carlo Broschi,&amp;nbsp;um menino normal. E&amp;nbsp;pelo menos para a medicina,&amp;nbsp;isso não tem preço.&lt;img class="zemanta-pixie-img" alt="" src="http://img.zemanta.com/pixy.gif?x-id=1bc879aa-c837-8f73-97df-9763f2617b47" /&gt; &lt;a href="http://scienceblogs.com.br/eccemedicus/2009/12/tecnologias_do_corpo.php#commentsArea"&gt;Read the comments on this post...&lt;/a&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/ecce_medicus/~4/Z45cvL4QlMk" height="1" width="1"/&gt;</description>
         <link>http://feedproxy.google.com/~r/ecce_medicus/~3/Z45cvL4QlMk/tecnologias_do_corpo.php</link>
         <guid isPermaLink="false">http://scienceblogs.com.br/eccemedicus/2009/12/tecnologias_do_corpo.php</guid>
         <category>Cultura</category>
         
         <pubDate>Fri, 11 Dec 2009 17:59:26 -0300</pubDate>
      <feedburner:origLink>http://scienceblogs.com.br/eccemedicus/2009/12/tecnologias_do_corpo.php</feedburner:origLink></item>
      
      <item>
         <title>O Caramujo e a Estrela</title>
          <description>&lt;div align="right"&gt;&lt;img style="cursor: -moz-zoom-in; float: left; margin-top: 10px; margin-bottom: 10px; margin-right: 10px;" alt="http://www.imotion.com.br/imagens/data/media/24/11422caramujo.jpg" src="http://www.imotion.com.br/imagens/data/media/24/11422caramujo.jpg" height="179" width="241" /&gt;&lt;small&gt;&lt;i&gt;"Compreensão, nas Humanidades, é compreender-se"&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;Hans-Georg Gadamer&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/small&gt;&lt;small&gt;&lt;i&gt;"A seleção natural pode ser pensada como um processo puramente *mecanicista*."&lt;/i&gt;&lt;/small&gt;&lt;br /&gt;&lt;small&gt;Roberto Takata&lt;br /&gt;&lt;/small&gt;&lt;small&gt;&lt;br /&gt;&lt;/small&gt;&lt;div align="left"&gt;Nas ciências naturais o objeto de estudo do homem é bastante bem delimitado e usa um arcabouço teórico e lógico ancestral. Podemos dizer que essa abordagem produz resultados que se traduzem em conhecimento instrumental e tecnologia. Se estudamos um caramujo ou uma galáxia sabemos exatamente que o objeto de nosso estudo é bastante outro que nós mesmos e nos apropriamos de suas características de acordo a matriz conceitual que aplicamos. Mesmo na medicina, ao estudar as moléstias e o modo de funcionamento do organismo humano na doença, "objetivamos" nossos orgãos, nossa fisiologia, nossas queixas de modo a aplicar os conhecimentos adquiridos de outros animais e de outros seres humanos de maneira sistemática e conseguir os resultados esperados. A objetivação que permite às ciências naturais fazer com que um estudante de anatomia olhe para um cadáver humano e o esfole com "fins científicos" depende de que o estudante não se veja nele (o que no início, não é lá muito fácil) ou seja, depende de um &lt;i&gt;&lt;b&gt;distanciamento&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;. Para objetivar algo é preciso inicialmente que se materialize um sujeito. Da relação sujeito-objeto surgirá o conhecimento. O sujeito se apropria da forma como o objeto se lhe expõe. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As ciências ditas "humanas" ou históricas (que Aristóteles chamava de Política, Dilthey, de &lt;i&gt;Geistwissenschaften&lt;/i&gt; - literalmente, ciências do espírito - e Kant, de razão prática) têm um status epistemológico diferente. Foi o próprio &lt;a target="_blank" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Wilhelm_Dilthey"&gt;Wilhelm Dilthey&lt;/a&gt; quem talvez primeiro tenha tido a percepção primordial. As ciências do espírito implicam uma relação histórica. Eu "sou" mas antes de mim, há uma história que me precede. Nas ciências naturais o homem se distancia pois estuda fenômenos distintos dele. Bastante influenciado pelo neokantismo, pelo positivismo e pelos grandes historiadores alemães do século XIX, Dilthey ficou fascinado por essa oposição entre as &lt;i&gt;&lt;b&gt;explicações&lt;/b&gt;&lt;/i&gt; empíricas das ciências naturais e a &lt;i&gt;&lt;b&gt;compreensão&lt;/b&gt;&lt;/i&gt; movediça da história. &lt;i&gt;&lt;b&gt;Explicar&lt;/b&gt;&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;&lt;b&gt;compreender&lt;/b&gt;&lt;/i&gt; são coisas bem diferentes. Eu explico o sistema respiratório do caramujo; explico o movimento das estrelas, explico até sintomas psicológicos humanos, mas posso não compreendê-los. O que faz esse caramujo aí? Por que essa estrela? Como posso amar essa mulher e não Gisele? Não obstante, posso compreender o choro e o gozo de outros homens! (Aliás, nisso se baseia toda a literatura).&lt;img style="float: right; margin-top: 10px; margin-bottom: 10px; margin-left: 10px;" alt="http://marciliomedeiros.zip.net/images/Estrela5pontas.jpg" src="http://marciliomedeiros.zip.net/images/Estrela5pontas.jpg" height="183" width="244" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As coisas têm trilhado caminhos diferentes desde então. Exceto por algumas áreas de fronteira que, como toda boa área de fronteira, fazem-se presentes pela tensão existente entre os dois lados. Uma área nítida de tensão é a medicina. Dizem que a medicina é a "mais científica das humanidades e a mais humana das ciências". Sua vinculação à prática configura-lhe um status epistemológico incerto: intuição e algoritmo, acaso e necessidade, desordem e coerência, população e indivíduo. É esse o caminho dos médicos: um trapézio por sobre as fronteiras. Quanto mais facilmente o trapezista passa de uma barra a outra, melhor o médico. Alguns até fazem piruetas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma outra área fronteiriça é a grande clareira aberta pela teoria da evolução. A publicação d' "A Origem das Espécies" há 150 anos causou uma revolução nas ciências naturais. Provocou também, tal qual a teoria psicanalítica de Freud, uma nova forma de nos vermos. Uma nova história. A apropriação da teoria da evolução pelos cientistas foi feita de acordo com o distanciamento peculiar do modo de ser científico e produziu (e produz ainda) muitos frutos. Do lado humanístico do problema, a nova forma de ser-no-mundo foi uma paulada no pensamento metafísico. A Inglaterra vitoriana era também a capital da teologia natural. Estudava-se "história natural" para mostrar como Deus era sábio em seus desígnios e exaltar a beleza da Natureza por Ele criada. Não é exagero dizer que uma boa parte do "longo argumento" darwiniano foi dedicada desmontar o reconhecidamente admirado raciocínio de &lt;a target="_blank" href="http://www.ucmp.berkeley.edu/history/paley.html"&gt;William Paley&lt;/a&gt;. Sua eficiência em fazê-lo foi um dos pilares da polêmica que se seguiu. Se considerarmos que a teoria da evolução é apoiada no gradualismo, na variação das espécies e na seleção natural, temos um "mecanismo" de produção de novas espécies e seres - nós, inclusos - que funciona independentemente de qualquer desígnio, projeto ou mesmo, vontade metafísica. A &lt;i&gt;&lt;b&gt;explicação&lt;/b&gt;&lt;/i&gt; empírica e natural é o &lt;i&gt;&lt;b&gt;mecanismo&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;. A &lt;i&gt;&lt;b&gt;compreensão&lt;/b&gt;&lt;/i&gt; histórica da mudança do ser-no-mundo é a contingência da &lt;i&gt;&lt;b&gt;ausência de projeto&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim. O acaso permeia a teoria da evolução e &lt;a target="_blank" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Jacques_Monod"&gt;Jacques Monod&lt;/a&gt; o &lt;a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?isbn=9721050423&amp;amp;sid=9102992471112555064678567"&gt;intuiu&lt;/a&gt;. O &lt;a target="_blank" href="http://nobelprize.org/nobel_prizes/medicine/laureates/1965/monod-bio.html"&gt;Nobel de Medicina&lt;/a&gt; não o aliviou das críticas de seus pares. Poucos entenderam que ele falava do outro lado da fronteira que lhe concedera o prêmio: "O puro acaso, só o acaso, liberdade absoluta mas cega, está na raiz do prodigioso edifício da evolução".&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="zemanta-pixie"&gt;&lt;img class="zemanta-pixie-img" alt="" src="http://img.zemanta.com/pixy.gif?x-id=c41f1b83-8dde-8a9e-8589-291491cfb95a" /&gt;&lt;/div&gt; &lt;a href="http://scienceblogs.com.br/eccemedicus/2009/12/o_caramujo_e_a_estrela.php#commentsArea"&gt;Read the comments on this post...&lt;/a&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/ecce_medicus/~4/CUM7GapCxvk" height="1" width="1"/&gt;</description>
         <link>http://feedproxy.google.com/~r/ecce_medicus/~3/CUM7GapCxvk/o_caramujo_e_a_estrela.php</link>
         <guid isPermaLink="false">http://scienceblogs.com.br/eccemedicus/2009/12/o_caramujo_e_a_estrela.php</guid>
         <category>Evolução</category>
         
         <pubDate>Fri, 04 Dec 2009 20:32:28 -0300</pubDate>
      <feedburner:origLink>http://scienceblogs.com.br/eccemedicus/2009/12/o_caramujo_e_a_estrela.php</feedburner:origLink></item>
      
      <item>
         <title>Caos e Ruína</title>
          <description>&lt;img style="float: left; margin-top: 10px; margin-bottom: 10px; margin-right: 10px;" src="http://elespejoimposible.files.wordpress.com/2007/09/orden-y-caos-3.jpg" alt="orden y caos" height="256" width="245" /&gt;Num mês em que comemorou-se 150 anos do lançamento da primeira edição d' "A Origem das Espécies" (o leitor(a) pode ver excelentes revisões no SBB como pex, &lt;a target="_blank" href="http://scienceblogs.com.br/discutindoecologia/2009/11/150_anos_de_origem_das_especie.php"&gt;DE&lt;/a&gt;, &lt;a target="_blank" href="http://scienceblogs.com.br/bessa/2009/11/o_que_pensam_os_leitores_sobre.php"&gt;CB&lt;/a&gt;, &lt;a target="_blank" href="http://scienceblogs.com.br/psicologico/2009/11/a_selecao_natural_do_comportam.php"&gt;Psicológico&lt;/a&gt;, &lt;a target="_blank" href="http://scienceblogs.com.br/marcoevolutivo/2009/11/origem_das_especies_faz_150_an.php"&gt;Marco Evolutivo&lt;/a&gt; e &lt;a href="http://genereporter.blogspot.com/2009/11/origem-150-parte-1-de-7.html"&gt;Gene Reporter&lt;/a&gt;, supercompletas), resolvi falar da razão (uma das!) da minha admiração pelo pensamento darwiniano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Darwin é um poeta do acaso. Ele produziu a maior e mais demolidora ideia contra o conceito clássico de Natureza, que pode ser entendido como uma instância primitiva de interações entre os seres. Darwin criou uma história que, se contada da forma correta, dá conta de toda a brutal variedade biológica do planeta. Mas isso não é o que mais impressiona, nem o que incomodou o pensamento tradicionalista. O desconforto causado pela teoria da evolução vem do fato, no meu modo de ver, de ela ser uma apologia do &lt;i&gt;&lt;b&gt;acaso&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;. Esse mesmo acaso que é a mais humilhante e incômoda ideia imposta ao homem desde o aparecimento de sua consciência e que tem na teoria da evolução, sua mais bem acabada e venal sinfonia. A história da filosofia poderia então, ser dividida entre filósofos naturalistas e anti-naturalistas, que podem ser chamados também de artificialistas ou partidários do artifício. Segundo Clement Rosset [1], fazem parte deste último grupo, nomes como os sofistas, Empédocles, os atomistas, Lucrécio, Maquiavel, Montaigne, Hume, Hobbes, Nietzsche e eu incluiria, Richard Rorty. "Somente a ideia de acaso permite a passagem do inerte ao vivo, sem que se recorra a um referencial metafísico".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mundo de Darwin se opõe ao de Platão. Platão desvaloriza o mundo sensível em detrimento a um onde moram as ideias primordiais e perfeitas. Ora, se somos criados no esplendor da perfeição, esse excesso de êxito só nos trará a possibilidade de degradação. Não é possível melhorar o que é perfeito. É preciso cuidar &lt;i&gt;&lt;b&gt;apenas&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;, para que não se degrade. Segundo Rosset, toda a filosofia de Platão gira em torno desse esforço para evitar a corrupção de algo que era resplandescentemente perfeito. Por aqui, ainda vemos vestígios da perfeição por exemplo, nos corpos dotados de beleza, nos raciocínios claros e nas virtudes. Então, o mundo sensível de Platão, esse mundo que vemos, vivemos e interagimos, é um mundo em &lt;i&gt;&lt;b&gt;ruínas&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;. Um mundo que olha o passado, lamenta o presente e aspira a outro mundo futuro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mundo de Darwin não é assim. É um só. Não há outro mundo. Apenas esse, e ele é &lt;i&gt;&lt;b&gt;caótico&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;. Caos que não pressupõe uma ordem prévia que se corrompeu. Não vê uma ordem oculta ou providência. A total falta de propósito desse raciocínio é uma vertigem. Não há ordem, nem necessidade. Não é uma explicação, é uma constatação trágica. E pulsa, arrastando-nos para o presente, juntamente com tudo que realmente é. &lt;i&gt;De rerum Natura.&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;small&gt;[1] &lt;b&gt;C. Rosset&lt;/b&gt;. &lt;i&gt;A Anti-Natureza - Elementos para uma Filosofia Trágica&lt;/i&gt;. Rio de Janeiro. Espaço e Tempo. 1989.&amp;nbsp; &lt;/small&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="zemanta-pixie"&gt;&lt;img class="zemanta-pixie-img" alt="" src="http://img.zemanta.com/pixy.gif?x-id=07856de3-70c6-8a2d-9868-c2f28016d73e" /&gt;&lt;/div&gt; &lt;a href="http://scienceblogs.com.br/eccemedicus/2009/12/caos_e_ruina.php#commentsArea"&gt;Read the comments on this post...&lt;/a&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/ecce_medicus/~4/fET-HdCrfvc" height="1" width="1"/&gt;</description>
         <link>http://feedproxy.google.com/~r/ecce_medicus/~3/fET-HdCrfvc/caos_e_ruina.php</link>
         <guid isPermaLink="false">http://scienceblogs.com.br/eccemedicus/2009/12/caos_e_ruina.php</guid>
         <category>Filosofia</category>
         
         <pubDate>Tue, 01 Dec 2009 00:36:26 -0300</pubDate>
      <feedburner:origLink>http://scienceblogs.com.br/eccemedicus/2009/12/caos_e_ruina.php</feedburner:origLink></item>
      
      <item>
         <title>O Bumbum de Gisele</title>
          <description>&lt;p&gt;&lt;img style="float: left; margin-top: 10px; margin-bottom: 10px; margin-right: 10px;" alt="http://images.askmen.com/galleries/model/gisele-bundchen/pictures/gisele-bundchen-picture-4.jpg" src="http://images.askmen.com/galleries/model/gisele-bundchen/pictures/gisele-bundchen-picture-4.jpg" height="228" width="174" /&gt;Normalmente, as doenças são associadas ao feio ou mesmo à repugnância. Essa semana, me fizeram uma pergunta muito interessante. Haveria alguma doença ou anomalia que pudesse causar um efeito esteticamente mais agradável? Que desafio! Pensei várias coisas. A doença de Addison e a hemocromatose dão uma coloração bronzeada à pele - a la Índia - que me pareceu interessante, mas insuficiente para um efeito estético de impacto. A anorexia nervosa perdeu muito de seu apelo estético na era pós-AIDS. Mesmo as modelos, mudaram o protótipo de seus corpos depois dela. A própria Gisele Bündchen... ops, sim, Gisele! Acho que tenho uma resposta! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gisele Bündchen é a &lt;i&gt;top model&lt;/i&gt; mais badalada do mundo. Quando surgiu, me lembro de avaliações dizendo que seu sucesso era devido ao fato de não ser tão magrela quanto as outras e ter, digamos, seios e glúteos mais fartos que suas concorrentes. Quanto aos belíssimos seios, nada a dizer (só a suspirar...). Quanto aos glúteos, bem, acho que podemos revelar alguns segredos da top.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;img style="float: none;" src="http://scienceblogs.com.br/eccemedicus/moz-screenshot-12.png" alt="" height="249" width="221" /&gt;&lt;img style="float: none;" alt="http://www.hyscience.com/gisele_bundchen_113566a.jpg" src="http://www.hyscience.com/gisele_bundchen_113566a.jpg" height="250" width="156" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;font face="tahoma"&gt;&lt;small&gt;Curvatura normal&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp;&amp;nbsp; Lordose&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp;&amp;nbsp; Gisele desfilando, belíssima&lt;br /&gt;&lt;/small&gt;&lt;/font&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gisele tem uma pequena deformidade da coluna lombar chamada &lt;b&gt;lordose&lt;/b&gt;. A lordose e a cifose são acentuações de curvaturas normais da coluna vertebral, como mostra a figura ao lado. (Ver interessante &lt;a href="http://scienceblogs.com.br/rnam/2009/10/gravidez_lordose_e_evolucao_cu.php"&gt;post&lt;/a&gt; sobre as vantagens evolutivas da lordose nas mulheres no &lt;a href="http://scienceblogs.com.br/rnam/"&gt;RNAm&lt;/a&gt;). Além disso, para desfilar e posar, ela exagera essa curvatura, dando ao seu quadril e bumbum um aspecto, digamos, bastante agradável ; ), como mostra a figura. Repare (se conseguirem), que a coluna lombar desenha um sulco bastante profundo nas costas da modelo. Os ombros jogados para trás facilitam essa postura e, sua viradinha na passarela, uma de suas marcas registradas, é clássica nessa posição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="mt-enclosure mt-enclosure-image" style="display: inline;"&gt;&lt;img alt="ChildLordosis.jpeg.jpg" src="http://scienceblogs.com.br/eccemedicus/ChildLordosis.jpeg.jpg" class="mt-image-right" style="margin: 0pt 0pt 20px 20px; float: right;" height="300" width="100" /&gt;&lt;/span&gt;Entretanto, a lordose é uma deformidade que se for muito acentuada é passível até de correção cirúrgica pois pode dificultar a marcha. Essa foto ao lado (&lt;a target="_blank" href="http://users.chariot.net.au/%7Eposture/CauseOfPoorPosture.html"&gt;daqui&lt;/a&gt;), mostra uma menina anormalmente magra, trajando o que me parece, um aparelho ortopédico, com uma acentuada lordose. Note como, mesmo sendo muito magra, o bumbum fica empinado. O inconveniente dessa postura é que, mesmo a menor gordurinha abdominal, faz aparecer uma barriguinha indesejável. Mas, convenhamos. No caso de Gisele, é difícil prestar atenção nesses detalhes.&lt;br /&gt;&lt;img style="cursor: -moz-zoom-in; float: left; margin-top: 10px; margin-bottom: 10px; margin-right: 10px;" alt="http://histgeodubreucq.blog.lemonde.fr/files/2007/03/la-naissance-de-venus-botticelli-1485-detail-musee-des-offices-florence.1173337625.jpg" src="http://histgeodubreucq.blog.lemonde.fr/files/2007/03/la-naissance-de-venus-botticelli-1485-detail-musee-des-offices-florence.1173337625.jpg" height="320" width="246" /&gt;&lt;br /&gt;Com essa estória, acabei por refletir sobre a relação entre deformidades anatômicas e beleza. As formas curvas e sinuosas sempre foram associadas à feminilidade e a beleza. Ao avaliar a primeira foto de Gisele acima lembrei de uma outra, também um modelo feminino. Numa época em que as mulheres bonitas eram bem mais rechonchudas do que os padrões de beleza exigem hoje, Sandro Botticelli pintou o quadro "O nascimento de Vênus" (mais ou menos em 1485). Quem vê o quadro todo, a leveza dos tecidos, a harmonia das figuras e a extrema beleza da Vênus, não se dá conta de seu pescoço extremamente alongado e do descaimento absurdo de seus ombros (ver detalhe ao lado). Esse tipo de deformidade é visto em pacientes que se submeteram a um antigo procedimento para tratamento de tuberculose - a toracoplastia - e, garanto-lhes, não é nada bonito. De onde Botticelli tirou esse tipo de postura? Baseado no que, pôde ele combinar a anatomia levemente deformada de várias partes do corpo para criar um padrão de beleza único? E por que achamos que uma mulher de pescoço comprido e ombro caído, e outra, com uma deformidade na coluna, são tão belas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conclusão: se nem todas as doenças e/ou deformidades são associadas a feiúra; o imperfeito, o anormal, o incomum também podem gerar o belo. Se é possível ver o belo na imperfeição é porque "beleza" é diferente de "perfeição anatômica". Então, é isso que Gisele me ensina como deusa estética que é! Peço então, que os deuses e deusas da medicina me ensinem sempre a ver o ser humano para além da doença. Me ensinem também já, se não for pedir muito, a desfocar meus olhos das repetições supernormais da vida de modo que eu possa compreender a fúria luxuriante de uma redenção estética da humanidade e não me deter na sua anêmica e total falta de sentido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Atualização&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tive que trocar a foto da menina porque o site original saiu do ar.&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;img class="zemanta-pixie-img" alt="" src="http://img.zemanta.com/pixy.gif?x-id=bc2390fc-70e7-8903-a48b-928f66720855" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt; &lt;a href="http://scienceblogs.com.br/eccemedicus/2009/11/o_bumbum_de_gisele.php#commentsArea"&gt;Read the comments on this post...&lt;/a&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/ecce_medicus/~4/Orxnd78YwkA" height="1" width="1"/&gt;</description>
         <link>http://feedproxy.google.com/~r/ecce_medicus/~3/Orxnd78YwkA/o_bumbum_de_gisele.php</link>
         <guid isPermaLink="false">http://scienceblogs.com.br/eccemedicus/2009/11/o_bumbum_de_gisele.php</guid>
         <category>Cultura</category>
         
         <pubDate>Sun, 22 Nov 2009 16:18:07 -0300</pubDate>
      <feedburner:origLink>http://scienceblogs.com.br/eccemedicus/2009/11/o_bumbum_de_gisele.php</feedburner:origLink></item>
      
      <item>
         <title>Battisti, Lula e a Prática Médica</title>
          <description>&lt;img style="float: left; margin-top: 10px; margin-bottom: 10px; margin-right: 10px;" src="http://scienceblogs.com.br/eccemedicus/moz-screenshot-11.png" alt="" /&gt;O Ecce Medicus não é um blog sobre política. Entretanto, o &lt;a target="_blank" href="http://g1.globo.com/Noticias/Politica/0,,MUL1383781-5601,00-STF+AUTORIZA+EXTRADICAO+DO+EXATIVISTA+CESARE+BATTISTI.html"&gt;caso Battisti&lt;/a&gt; se desenrolou de tal forma que gostaria de usá-lo como exemplo para discutir o caráter das decisões médicas. O leitor deverá estar pensando "mas o que isso tem a ver?" Eu digo que bastante, como tentarei mostrar nas próximas linhas. Um resumo da história pode ser encontrado &lt;a target="_blank" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Cesare_Battisti_%281954%29"&gt;aqui&lt;/a&gt; e cada um pode tirar suas próprias conclusões sobre a legitimidade da extradição. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cesare Battisti participou de um grupo armado há 30 anos ao qual são atribuídas 4 mortes. Tem um histórico de fugas para França e Brasil onde foi detido em 2007. O estado italiano o considera um assassino. Foi julgado em condenado à prisão perpétua sem exposição à luz solar. A Itália solicitou sua extradição e o governo brasileiro vem resistindo a essa decisão, que foi parar no Supremo Tribunal Federal. O Supremo, depois de meses de avaliação, optou pela extradição em decisão bastante apertada (5x4) e deixou a &lt;a target="_blank" href="http://g1.globo.com/Noticias/Politica/0,,MUL1384055-5601,00-PALAVRA+FINAL+SOBRE+EXTRADICAO+DE+BATTISTI+SERA+DE+LULA+DIZ+SUPREMO.html"&gt;&lt;b&gt;decisão final&lt;/b&gt;&lt;/a&gt; ao presidente Lula. A Lula, portanto, caberá decidir agora, praticamente, sozinho, sobre o futuro de Cesare Battisti. Alguns devem estar pensando que é uma decisão bastante difícil, essa de definir o destino e mesmo a própria vida de um ser humano. E é mesmo. Como Lula deve proceder? Que tipo de arcabouço teórico Lula deveria utilizar-se para tomar essa decisão específica? Grosso modo, se levar em conta sua ideologia, por exemplo, não o libera. A Itália de Berlusconi está mais à direita que nunca. E se estiverem &lt;a href="http://www.jornaldedebates.com.br/debate/brasil-mesmo-um-pais-independente/link/caso-cesare-battisti-na-hora-verdade"&gt;caçando as bruxas&lt;/a&gt; de um "comunismo" que já não existe? A própria França, tradicionalmente abrigou Battisti por um período. Por outro lado, se tomar por base o fato de a Itália ser um país com o qual o Brasil mantém relações diplomáticas importantes, ser um estado soberano, ter elegido um primeiro-minstro democraticamente e ter um sistema judiciário confiável, deve-se respeitar a dor das famílias que perderam seus membros e a decisão do tribunal italiano, extraditando Battisti. Não importam os argumentos aqui. Importa a decisão de um homem sobre a vida de outro homem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De que adiantaria demonstrar cartesianamente o envolvimento de Battisti nos assassinatos? Que tipo de ideologia poderia justificar um crime? A discussão é &lt;a href="http://blogs.band.com.br/barbaragancia/index.php/2008/12/01/va-para-o-inferno-cesare-battisti/"&gt;interminável&lt;/a&gt;. Nos interessa o caminho que será necessário para chegar a uma decisão baseada em algum tipo de racionalidade, e não simplesmente, a opinião e as idiossincrasias da arbitrariedade. Qual &lt;i&gt;guideline&lt;/i&gt;, diretriz, recomendação poderia ajudar Lula a tomar uma conduta como essa? O direito tem uma figura de racionalidade chamada jurisprudência que pode basear uma decisão em decisões tomadas anteriormente. Mas Lula, não é um juiz! Estes por sua vez, já deram seu veredito. Cabe a Lula decidir e decidir baseado no coração ou no medo, não me parecem formas racionais de decisão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando digo que me sinto só e que a &lt;a target="_blank" href="http://scienceblogs.com.br/eccemedicus/2009/10/para-quedas_a_ciencia_e_eu.php"&gt;ciência é um luxo com o qual não se pode contar sempre&lt;/a&gt; é sobre isso que estou falando. Deve ser o mesmo sentimento do presidente Lula agora.&lt;img class="zemanta-pixie-img" alt="" src="http://img.zemanta.com/pixy.gif?x-id=7f39702a-d529-81f0-ac66-56f36bdf6665" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;a href="http://scienceblogs.com.br/eccemedicus/2009/11/battisti_lula_e_a_pratica_medi.php#commentsArea"&gt;Read the comments on this post...&lt;/a&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/ecce_medicus/~4/Ahw55893VDQ" height="1" width="1"/&gt;</description>
         <link>http://feedproxy.google.com/~r/ecce_medicus/~3/Ahw55893VDQ/battisti_lula_e_a_pratica_medi.php</link>
         <guid isPermaLink="false">http://scienceblogs.com.br/eccemedicus/2009/11/battisti_lula_e_a_pratica_medi.php</guid>
         <category>Opinião</category>
         
         <pubDate>Sat, 21 Nov 2009 12:39:01 -0300</pubDate>
      <feedburner:origLink>http://scienceblogs.com.br/eccemedicus/2009/11/battisti_lula_e_a_pratica_medi.php</feedburner:origLink></item>
      
   </channel>
</rss>
