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&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essas propagandas me fazem pensar: será que na época de Natal ocorre uma "conversão radical" entre os grandes capitalistas e executivos e eles percebem que a vida é mais do que a busca ilimitada de riqueza e a sua ostentação? Uma conversão que, mesmo sendo por muito pouco tempo, mostraria o "poder" do espírito do Natal? Gostaria de acreditar, mas a vida real me lembra que não devemos confundir retóricas de propaganda com as reais intenções dos capitalistas e a lógica econômica capitalista. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É claro que deve haver algum grande empresário ou executivo desejando que a vida realmente seja assim, com o uso consciente do dinheiro, consumo sustentável, justiça social acima da acumulação da riqueza nas mãos de poucos, etc. Mas, ele também vai tomar consciência de que uma coisa é propaganda do final de ano e a outra é a "vida dura e crua" dos negócios.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A apropriação ou o seqüestro do "espírito de Natal" pelas propagandas das grandes empresas nos lembram que não basta líderes de igrejas ou teólogos/as propagarem discursos enaltecendo o espírito do Natal, pregando que todos nós deveríamos viver de acordo com os valores natalino. Esses discursos, por mais bonitos e tocantes que possam ser não fazem mais diferença no e para o mundo. Tudo ficou pasteurizado! E quando o anúncio da Boa Nova não faz mais diferença, não provoca mudança e não produz uma novidade, não é mais Evangelho.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Este é um dos grandes desafios do cristianismo em uma sociedade injusta que se legitima e funciona em nome dos valores ocidentais e cristãos. Esta identificação é tão profunda que a Igreja Católica, ou pelo menos a sua hierarquia que pensa que fala em nome de toda a Igreja Católica, luta para que os prédios das instituições públicas, as que representam o Estado e a sociedade, mantenham dentro delas o crucifixo. Isto para lembrar a todos/as que vivemos em uma sociedade "fundada" no cristianismo. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os presépios luxuosos espalhados pelos pontos centrais das cidades e em espaços comerciais de grande circulação também são expressões dessa perda da diferença. Mais do que a perda da diferença entre o anúncio da boa-nova aos pobres e o anúncio dos grandes feitos poderosos do Império, ocorreu entre nós uma profunda inversão. Esses presépios luxuosos, que vemos mesmo dentro das igrejas, pretendem representar um fato dramático, oposto: o nascimento de um menino pobre, de uma família pobre, em um estábulo no meio dos animais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Palavras românticas, embrulhadas em palavras espiritualizantes e religiosas, que tocam nossos corações são apropriadas para este tempo de Natal. Por isso elas fazem muito sucesso. Mas, quando até os grandes bancos, que estão na ponta do capitalismo global, as utilizam, é tempo de procurarmos novas palavras e imagens! Se não, a luz que nasce da manjedoura se misturará com as luzes potentes das grandes árvores de Natal ou decorações dos bancos e perderá a sua diferença, o seu brilho especial.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cristianismo só manterá a sua relevância no mundo de hoje se for capaz de manter a sua diferença! Não uma diferença que o faça se sentir especial, superior aos demais, mas sim uma diferença que sempre nos mostre que as luzes do Império são como holofotes que iluminam os grandes monumentos e os grandes "sucessos" (financeiros, políticos, religiosos...) e tiram do foco, da nossa vista, os sofrimentos das pessoas marginalizadas que estão abandonadas na escuridão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quem só olha para o que o holofote foca, ou busca ser iluminado pelo holofote - a grande tentação, da grandeza, do sucesso e da fama -, fica cego para tudo o que está em sua volta. A nossa diferença deve se manifestar como a pálida luz que vem de uma "manjedoura em Belém" e ilumina a vida das pessoas que vivem e lutam contra a luz que gera a escuridão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Autor: ,Jung Mo Sung, Coord. Pós-Graduação em Ciências da Religião, Universidade Metodista de São Paulo&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/879925348218720912-5422671473004048612?l=catafatico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/Catafatico/~3/fG9OL2DXcnM/o-sequestro-das-luzes-do-natal-e.html</link><author>noreply@blogger.com (Nilton Medeiros)</author><thr:total>0</thr:total><feedburner:origLink>http://catafatico.blogspot.com/2010/12/o-sequestro-das-luzes-do-natal-e.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-879925348218720912.post-4260279742168875392</guid><pubDate>Fri, 17 Dec 2010 13:02:00 +0000</pubDate><atom:updated>2010-12-17T11:02:09.069-02:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Teologia</category><title>O Triunfalismo e a Teologia da Precariedade</title><description>É normal nos enganarmos na vida (Jr 17.9) e na teologia (Jó 42.3; Rm 11.33). As igrejas cometeram enganos (At 6.1) e ainda os cometem. Olhando o quadro geral dos equívocos dos evangélicos, pergunto-me o que os causa. Talvez seja o triunfalismo, que precisa ser denunciado e contraposto a uma alternativa: uma teologia da precariedade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Defino o triunfalismo como a crença equivocada de que, por sermos crentes em Cristo, devemos ser vitoriosos em tudo, jamais experimentando fracassos ou reconhecendo fraquezas físicas, morais, intelectuais e espirituais. Falta ao triunfalista o sentimento trágico da vida, um reconhecimento de suas limitações.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A arrogância evangélica triunfalista vai das certezas inamovíveis dos teólogos até as irreverentes demandas para com Deus. A teologia da precariedade foca nossa condição espiritual precária, intelectualidade precária, moral precária, na compreensão de que não somos chamados para ser anjos, mas humanos que andam humildes diante de Deus (Mq 6.8), sabedores dos nossos limites e bondosos para com os outros em “seus” limites.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O contraste começa na oração. O cerne da piedade precária é uma vida de oração fragilizada, modelada pelos Salmos, em que se busca comunhão e intimidade com Deus por meio da gratidão, da autoexpressão (inclusive frustrações, Sl 13.1), do autoconhecimento (Sl 90.8), da confissão (Sl 51.9), da sujeição (Sl 25.4) e da comissão (Sl 143.10), em oposição às infindáveis petições típicas da oração triunfalista, que pede mal (Tg 4.3), almeja vitórias terrenas e vê na oração uma solução mágica. A petição precária pede sabedoria e espiritualidade (Lc 11.13) para lidar com problemas e sofrimentos, encarados como algo normal, e prefere rogar com Cristo: “faça-se a tua vontade” (Mt 6.10).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ser cristão não garante vitória em qualquer faceta da vida, da saúde às finanças, das ideias teológicas ao ministério. Dizem que não demandá-las de Deus é falta de fé (não sabem que “’tudo’ é vaidade”? Ec 1.2). Demonstram falta de contentamento (1Tm 6.6). Em Cristo temos vitórias espirituais: a justificação dos pecados, a santificação pessoal, a salvação eterna. Triunfamos sobre a morte espiritual sem nunca deixarmos de ser pecadores (1Jo 1.10). A jornada espiritual até a varonilidade de Cristo é fruto da ação paciente de Deus (Cl 2.8), livrando-nos do orgulho e da rebeldia que nos tentam a vida toda (Rm 8.19).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Seguir a Cristo é abnegação, é “tomar a cruz” (Mt 16.24). Não simplesmente sofrer, que é parte da condição humana (Tg 5.10), mas completar em nós os sofrimentos de Cristo (Cl 1.24) por meio do cumprimento de nosso ministério, assim como Cristo cumpriu o seu. Cristo não promete a seus discípulos uma vida fácil, com vitórias na vida financeira, na saúde e nos relacionamentos (Mt 10.5-23). Cristo e os apóstolos eram pobres, passavam por dificuldades (Hb 2.10), inclusive de saúde (Gl 6.11; 1Tm 5.23), e tinham toda sorte de complicações relacionais entre si (At 15.39; Gl 2.11). Estiveram presos, e viram isso como um privilégio e uma oportunidade (2Tm 1.8).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ensina-se equivocadamente que tornar-se um crente em Cristo significa ter acesso a uma vida de bênçãos materiais e de vitória sobre todos os males que afligem o corpo e a alma. Uma revista evangélica recentemente anunciou em sua capa que Cristo é a solução para a depressão. Há, porém, muitos fiéis com quadro clínico de depressão, e isso nada tem a ver com pecado ou falta de espiritualidade. Há toda sorte de enfermidades físicas e psíquicas a que estamos sujeitos, cristãos ou não, e por meio delas somos instruídos por Deus e temos oportunidades ministeriais. Se recebemos de Deus o bem, não receberemos dele também todos os males comuns da nossa condição humana (Jó 2.10)? Deus torna os males em bênçãos (Gn 50.20). Procuremos descobrir qual o seu significado em nossa vida e ministério.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O triunfalismo torna os crentes presunçosos (Sl 19.13). Em vez de estarmos dispostos a compartilhar todas as mazelas da existência humana, e dessa forma nos tornarmos capazes de empatia, queremos estar acima delas, e de todos os que as enfrentam. Isso leva a uma vida de mentiras que contamos aos outros e a nós mesmos. Na verdade, temos em comum uma vida de sofrimentos, enfermidades, relacionamentos imperfeitos e fracassos. Nossa fé e nossa comunhão com Deus em Cristo não impedem que enfrentemos crises e problemas, que vivenciemos fracassos, doenças e tristezas, pois são parte comum e inevitável da vida de qualquer pessoa neste mundo caído no pecado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A fé nos traz a esperança de um mundo melhor (Ap 21.14), a certeza de que tudo colabora para o bem (Rm 8.28), e de que nada acontece sem que Deus permita (Mt 10.29). Nossa comunhão com Cristo nos garante forças para suportar as aflições com paciência (Tg 5.11), e impede de sermos tentados pelo desânimo quando enfrentamos dificuldades na vida.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quando somos transformados pela ação do Espírito Santo, nos desapegamos dos bens materiais, e até do desejo neurótico pela saúde plena do corpo e da mente. Desprendemo-nos até da vida biológica como valor em si, pois já morremos com Cristo para esta vida terrena (Cl 2.11-12), e vivemos agora em Cristo e para Cristo somente, sem medo da morte biológica (Fp 1.21).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O triunfalismo também está por trás do amor ao sucesso de lideranças evangélicas que priorizam o crescimento e nivelam o ministério eclesial com o empreendimento comercial secular. Têm por modelo os empresários bem sucedidos, ostensivamente ricos, ou as celebridades, e não os pobres caminhantes da Galileia. Não percebem que ministério sem o sacrifício do prestígio é o sacrifício do ministério no altar do sucesso.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A piedade precária se contenta com ministérios desprestigiados e igrejas pequenas que encontram a sua força na fraqueza (2Co 12.10). Igrejas não precisam crescer, e não deveriam nem sequer almejar o crescimento, mas antes a fidelidade a Cristo e à vocação e testemunho cristãos. Igrejas não são fins em si mesmas, mas agências proclamadoras do reino de Deus. Por isso, elas podem ser provisórias, institucionalmente frágeis e, do ponto-de-vista secular do empreendedorismo, totais fracassos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O triunfalismo efetua ainda uma atitude moral equivocada em que os crentes passam a se ver como mais puros e santos que os pecadores incrédulos. O cristão é santo porque foi “separado” para a missão de seguir a Cristo. O que nos diferencia dos ímpios é sermos pecadores conscientes do pecado e da necessidade da graça e do perdão de Deus, consciência esta que os ímpios não têm.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A moralidade triunfalista parte da criação de Deus, mas ignora a queda, e prega uma proposta de conduta idealizada, mais adequada a anjos que a homens. No paradigma da piedade precária, adota-se a redução de danos, pois vivemos em mundo caído. Então deixamos de negar que as famílias evangélicas são disfuncionais e encaramos os dramas morais dos evangélicos como o padrão, e não mais como exceções.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O triunfalismo também nos torna soberbos intelectualmente (1Co 1.20), ignorando os efeitos do pecado sobre sua razão. A piedade precária nos convida a uma teologia fraca em que se reconhece que as opiniões teológicas e morais são apenas aproximações. Somos como cegos apalpando nosso caminho; nossas formulações doutrinárias e interpretações bíblicas são fruto da reflexão humana historicamente condicionada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O triunfalismo leva os evangélicos a achar que é errado ter incertezas e dúvidas, que é feio admitir a ignorância, que o questionamento é sinal de falta de fé. O cristão precário está sempre disposto a ouvir vozes discordantes, a aprender com quem pensa diferentemente, inclusive com os incrédulos. Podem-se aprender lições preciosas das pessoas mais incultas, bem como dos maiores pecadores e hereges, pois todos têm alguma lição a dar, e ninguém, além de Deus, é dono da verdade (1Co 8.1-3).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Convido todos os evangélicos a abandonar o triunfalismo, adotando uma teologia da precariedade: caminho da fraqueza, humildade, ignorância, resignação e desprendimento. Pensemos a comunhão com Cristo como uma jornada de santificação pessoal que implica os tremendos sofrimentos advindos do abandono dos desejos e concepções do velho homem (Ef 4.22), e não nas benesses de um favorecimento da parte de Deus que nos permita obter exatamente as coisas de que deveríamos antes nos desapegar. Abandonemos os desejos carnais pelo dinheiro, pela saúde, por longevidade, cujo preço é a decrepitude.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sacrifiquemos nossa vida no altar divino (Rm 12.1). Abandonemos o desejo carnal por sistemas de pensamento que nos dêem falsa certeza e tranquilidade (2Co 10.4-5). Que nossas opiniões sejam manifestadas com singeleza e reconhecimento da nossa imperfeição intelectual (Cl 4.6). Ambicionemos apenas que Cristo seja conhecido pelo nosso viver (Gl 2.20), ainda que saibamos desde já que também nisso fracassaremos, pois muitas vezes nossa carnalidade nos impedirá de exalar o bom perfume de Cristo (2Cr 2.14-17).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Artigo publicado na revista Ultimato, edição 321. Autoria de&amp;nbsp;Ricardo Quadros Gouvêa pastor presbiteriano e professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie e do Seminário Teológico Servo de Cristo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/879925348218720912-4260279742168875392?l=catafatico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/Catafatico/~3/8fMWgkWaZzs/o-triunfalismo-e-teologia-da.html</link><author>noreply@blogger.com (Nilton Medeiros)</author><thr:total>0</thr:total><feedburner:origLink>http://catafatico.blogspot.com/2010/12/o-triunfalismo-e-teologia-da.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-879925348218720912.post-2563241993395880219</guid><pubDate>Mon, 06 Dec 2010 17:42:00 +0000</pubDate><atom:updated>2010-12-06T15:42:54.675-02:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Sociedade</category><title>É a treva: rumo ao desastre</title><description>&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Uma jovem e talentosa atriz de uma novela muito popular, Isabelle Drummond, sempre que fracassam seus planos, usava o bordão:”É a treva”. Não me vem à mente outra expressão ao assistir o melancólico desfecho da COP 15 sobre as mudanças climáticas em Copenhague: é a treva! Sim, a humanidade penetrou numa zona de treva e de horror. Estamos indo ao encontro do desastre. Anos de preparação, dez dias de discussão, a presença dos principais líderes políticos do mundo não foram suficientes para espancar a treva mediante um acordo consensuado de redução de gases de efeito estufa que impedisse chegar a dois graus Celsius. Ultrapassado esse nível e beirando os três graus, o clima não seria mais controlável e estaríamos entregues à lógica do caos destrutivo, ameaçando a biodiversidade e dizimando milhões e milhões de pessoas. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;O Presidente Lula, em sua corajosa intervenção no dia mesmo do encerramento, 18 de dezembro, foi a único a dizer a verdade:”faltou-nos inteligência” porque os poderosos preferiram barganhar vantagens a salvar a vida da Terra e os seres humanos. Obama não trouxe nada de novo. Foi imperial, ao impor minuciosas condições aos pobres. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Duas lições se podem tirar do fracasso em Copenhague: a primeira é a consciência coletiva de que o aquecimento é um fato irreversível, do qual todos somos responsáveis, mas principalmente os paises ricos. E que agora somos também responsáveis, cada um em sua medida, pelo controle do aquecimento para que não seja catastrófico. Depois de Copenhague mudou a consciência coletiva da humanidade. Se irrompeu essa consciência por que não se chegou a nenhum consenso? &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Aqui surge a segunda lição que importa tirar da COP 15 em Copenhague: o grande vilão é o modo de produção capitalista, mundialmente articulado, com sua correspondente cultura consumista. Enquanto for mantido, será impossível um consenso que coloque no centro a vida, a humanidade e a Terra. Para ele o que conta é o lucro, a acumulação privada e o aumento de poder de competição. Faz tempo que ele distorceu a natureza da economia como técnica e arte de produção dos bens necessários à vida. Ele a transformou numa brutal técnica de criação de riqueza por si mesma sem qualquer outra consideração. Essa riqueza nem sequer é para ser desfrutada mas para produzir mais riqueza ainda, numa lógica obsessiva e sem freios. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Por isso, ecologia e capitalismo se negam frontalmente. Não há acordo possível.O discurso ecológico procura o equilíbrio de todos os fatores, a sinergia com a natureza e o espírito de cooperação. O capitalismo rompe com o equilíbrio ao sobrepor-se à natureza, estabelece uma competição feroz entre todos e pretende tirar tudo da Terra, até extenuá-la. Se assume o discurso ecológico é para ter mais ganhos &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Ademais, o capitalismo é incompatível com a vida. A vida pede cuidado e cooperação. O capitalismo sacrifica vidas, cria trabalhadores que são verdadeiros escravos “pro tempore” e pratica trabalho infantil em vários paises. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Os negociadores e os líderes políticos em Copenhague ficaram reféns deste sistema. Esse barganha, quer ter lucros, não hesita em pôr em risco o futuro da vida. Sua tendência é autosuicidária. Que acordo poderá haver entre o lobo e o cordeiro, quer dizer, entre a natureza que grita por respeito e aquele que a devasta sem piedade? &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Por isso, quem entende a lógica do capital, não se surpreende com o fracasso da COP 15. O único que ergueu a voz, solitária, como um “louco” numa sociedade de “sábios”, foi o presidente Evo Morales, da Bolívia: “Ou superamos o capitalismo ou ele destruirá a Mãe Terra”. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Gostemos ou não gostemos, esta é a pura verdade. Copenhague tirou a máscara do capitalismo, incapaz de forjar consensos porque pouco lhe importa a vida e a Terra, mas antes as vantagens e os lucros materiais&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;
Autor: &lt;a href="http://www.domtotal.com/colunas/detalhes.php?artId=1696"&gt;Leonardo Boff&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/879925348218720912-2563241993395880219?l=catafatico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/Catafatico/~3/VtS9mT3TZoM/e-treva-rumo-ao-desastre.html</link><author>noreply@blogger.com (Nilton Medeiros)</author><thr:total>0</thr:total><feedburner:origLink>http://catafatico.blogspot.com/2010/12/e-treva-rumo-ao-desastre.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-879925348218720912.post-1656003906663413368</guid><pubDate>Sat, 06 Feb 2010 19:44:00 +0000</pubDate><atom:updated>2010-02-06T17:44:45.055-02:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Igreja</category><title>A voz de Deus, a voz da covardia?</title><description>Do meu lado um jovem líder que trabalhou alguns anos comigo discutia com outro: &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
-- O palestrante quer ir comigo jantar fora, por que eu não posso levá-lo? &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
-- Por quê? Ué, porque eu não quero e pronto. Não preciso te dar nenhuma razão, sou o líder desta conferência. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Eu era apenas uma expectadora fortuita da discussão, mas na hora em que ouvi “não quero e pronto, sou o líder” na boca daquele jovem, senti um vento frio soprar no mundo, como daqueles que sopram quando alguém comete um pecado capital contra o universo. Conversei depois com o rapaz, me desculpando, certamente eu devo ter falado assim com ele muitas vezes no passado. Foi como assistir a um filme de terror onde eu mesma era a protagonista. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Igreja lotada, domingo à noite, o louvor flui suave. O pregador no microfone diz:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
-- Vamos ouvir agora uma mensagem vinda de Deus. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ouvimos, se foi Deus não sei, mas não me disse muita coisa. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O louvor continua a nos embalar. O encarregado da oferta aproveita e convence: &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
-- Você não está dando para nós. Está dando para Deus. E ele vai retribuir sua generosidade, mas vai também saber punir se você pode dar e não quer. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim que ouço a frase categórica sou transportada para uma masmorra da Idade Média, à espera da sentença do inquisidor. Tudo é escuro, úmido e frio, minhas mãos e rosto se apertam na grade de ferro, o coração bate forte de medo e dor sabendo que meu destino está nas mãos de pessoas que se sentem capazes de serem a própria voz de Deus na terra. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ajudei na revisão de um livro e enquanto lia o texto em voz alta repetidas vezes não pude deixar de notar o tom extremamente apologético da autora. Como a conheço pessoalmente, chamei-a para uma conversa “internética”. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
-- Landa, suas declarações são muito tímidas, você se defende muito. Acho que talvez em inglês isto seja necessário, mas em português fica meio estranho. Parece que você duvida do que diz, se desculpa demais ao afirmar certas coisas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
-- Bráulia, tem que ser assim. Não se preocupe se parecer demais. Meu tom humilde foi intencional. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“Tratutore traittore”, claro continuei arrancando umas trezentas frases desculpadoras e permitindo, por causa da vontade da autora, umas tantas outras que gostaria de ter tirado. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tem uma coisa que se chama espírito da época. Por espírito não quero dizer uma entidade mística sobrenatural, mas uma atmosfera cognitiva, uma nuvem de conhecimento que envolve toda a humanidade nos tornando sensíveis para algumas coisas, conscientes de algumas ideias e alheios a outras. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os seres humanos hoje são profundamente conscientes de sua individualidade. São conscientes de sua habilidade de tomar decisões, de seu poder de fogo. O jovem se sente dono de seu destino, e é. É parte do espírito da época a autoajuda, autoconquista, a independência, o se reinventar, o recomeço. Deveria agora acrescentar uma série de acadêmicos famosos que concordam comigo, mas, me desculpem, não faço por absoluta falta de espaço. Melhor ainda seria dar exemplos musicais e de filmes, porque na arte vemos este espírito bem claramente. Tenho certeza de que se você pesquisar vai encontrá-los em profusão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A igreja evangélica brasileira, no entanto, na contramão da história, continua usando uma retórica medieval. Não somos capazes de propor ideias com coerência e argumentação inteligente. Por isto, na maioria das vezes, optamos por impor ideias por meio de manipulação mística. As expressões “foi Deus”, “é de Deus”, “em nome de Deus”, corroboram afirmações desconexas, interesseiras, cruéis, ou simplesmente inúteis. Usamos clichês religiosos por falta de raciocínios pautados pela lógica. Nos ocultamos atrás da suposta vontade de Deus para não nos expor ao escrutínio de nossos liderados. Tratamos as pessoas como um rebanho de ovelhas burras e a nós mesmos como seres semidivinos, infalíveis, um verdadeiro ato de esquizofrenia religiosa. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esquecemos que as metáforas que Cristo usava para si hoje se aplicam a nós, seu corpo. Não somos simplesmente ovelhas. Somos pastores, somos o pão, a porta, o caminho, a verdade e a vida. Esta “verdade”, devidamente traduzida para o espírito da época, não deve se impor. Ela chega como uma proposta lógica, coerente respaldada pela própria realidade humana que nos cerca. Ela não chega como a única opção de maneira alguma. No mundo de “fast-everything”, multiuso, multifacetas, tudo é possível. As propostas são inúmeras, as opções religiosas customizadas, a verdade (qualquer que seja ela) está ao alcance de todos. Deu-se a largada. Todos correm em busca de fregueses. Os prepotentes encontrarão súditos. Os mais humildes encontrarão os verdadeiros servos. (Fp 2.5-8)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Uma teologia coerente com o século 21 admite seus erros, revisa sua história, reconhece seus dogmas, tem medo de si ensimesmar, de se afogar em seu próprio vômito. É uma teologia dialógica. Ela necessita do diálogo com o outro como ar para respirar; checa sua autenticidade nas ruas e não nas catedrais. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Hoje, se pudesse, revisaria de novo o livro da Landa e lhe devolveria as frases que cortei. Hoje, se eu pudesse, não seria a líder, seria a serva. Hoje, se eu pudesse, não seria Deus, seria o outro. Assim penso que cumpriria a lei de Cristo. Só hoje. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Artigo publicado originalmente na revista Eclésia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Autora: Bráulia Ribeiro, missionária em Porto Velho, RO, é autora de Chamado Radical (Editora Ultimato).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/879925348218720912-1656003906663413368?l=catafatico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/Catafatico/~3/odGDrgcRS2E/voz-de-deus-voz-da-covardia.html</link><author>noreply@blogger.com (Nilton Medeiros)</author><thr:total>1</thr:total><feedburner:origLink>http://catafatico.blogspot.com/2010/02/voz-de-deus-voz-da-covardia.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-879925348218720912.post-6181310489730379519</guid><pubDate>Wed, 03 Feb 2010 22:12:00 +0000</pubDate><atom:updated>2010-02-03T20:12:02.018-02:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Religião</category><title>Lamento junto a Deus pelo Haiti</title><description>Há uma via-sacra de sofrimento com estações que nunca acabam no pequeno e pobre país do Haiti. Sofrimento no corpo, na alma, no coração, na mente assaltada por fantasmas de pânico e de morte.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há também muito sofrimento em todos os humanos que não perderam o senso mínimo de humanidade e de solidariedade. Desta com-paixão universal nasce uma misteriosa comunidade que anula as diferenças, as religiões, as ideologias que antes nos separavam e até nos dividam.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Agora só conta a comum humanitas absurdamente maltratada e que deve ser socorrida.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em cada haitiano que sofre soterrado ou que morre de sede e de fome, morremos um pouco também todos nós junto com eles. Finalmente somos irmãos e irmãs da única e mesma família humana. Como não sofrer?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas há também um sofrimento profundo e dilacerante nas pessoas de fé que proclamam que Deus é Pai e Mãe de bondade e de amor.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como continuar a crer? Queixosos nos perguntamos: "Deus, onde estavas quando se formou aquele tremor raso que dizimou os teus filhos e filhas mais pobres e sofridos de todo o extremo Ocidente? Por que não intervieste? Não és o Criador da Terra com seus continentes e suas placas tectônicas? Não és Pai e Mãe de ternura, especialmente, daqueles que são como teu Filho Jesus os injustamente crucificados da história? Por quê"?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Este silêncio de Deus é aterrador porque ele simplesmente não tem resposta. Por mais que gênios como Jó, Buda, Santo Agostinho, Tomás de Aquino, Leibniz e outros tivessem arquitetado argumentos para isentar Deus e esclarecer a dor, nem por isso a dor desaparece e a tragédia deixa de existir.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A compreensão da dor não suspende a dor, assim como ouvir receitas culinárias não faz matar a fome.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O próprio Jesus não foi poupado da angústia do sofrimento. Do alto da cruz lançou um brado lancinante ao céu, queixando-se: "Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste"?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Damos razão a Jó, irritado com seus "amigos" que lhe queriam explicar o sentido de sua dor: "Vós não sois senão charlatães, não sois senão médicos de mentira; se ao menos vos calásseis, os homens tomar-vos-iam por sábios". Mas não podemos calar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A dor é demasiada e a noite, tenebrosa. Precisamos de alguma luz. Mesmo sem luz, continuamos a crer com o coração partido, porque estamos convencidos de que o caos e a tragédia não podem ter a última palavra. Deus é tão poderoso que pode tirar um bem do mal. Apenas não sabemos como.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esperançosos, fazemos uma aposta nesta possibilidade que não deixa nossas lágrimas serem vãs. Ademais, cremos que Deus pode ser aquilo que nós não compreendemos. Acima da razão que quer explicações, há o mistério que pede silêncio e reverência.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ele esconde o sentido secreto de todos os eventos também daqueles trágicos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Identifico-me com o poema de um grande argentino, Juan Gelman, que perdeu um filho na repressão militar:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
"Pai, desce dos céus, esqueci as orações que me ensinou minha avó, pobrezinha, ela agora repousa, não tem mais que lavar, limpar, não tem mais que preocupar-se, andando o dia todo atrás da roupa, não tem mais que velar de noite, penosamente, rezar, pedir-te coisas, resmungando docemente".&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
"Pai, desce dos céus, se estás, desce, então, pois morro de fome nesta esquina, não sei para que serve haver nascido, olho as mãos inchadas, não tem trabalho, não tem, desce um pouco, contempla isto que sou, este sapato roto, esta angústia, este estômago vazio, esta cidade sem pão para meus dentes, a febre, cavando-me a carne, este dormir assim, sob a chuva, castigado pelo frio, perseguido".&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
"Te digo que não entendo, Pai, desce, toca-me a alma, toca-me o coração, eu não roubei, nem assassinei, fui criança e em troca me golpeiam e golpeiam, te digo que não entendo, Pai, desce, se estás, pois busco resignação em mim e não tenho e vou encher-me de raiva e estou disposto a brigar e vou gritar até estourar o pescoço de sangue, porque não posso mais, tenho rins, e sou um homem, desce".&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
"Que fizeram de tua criatura, Pai? Um animal furioso que mastiga a pedra da rua? Pai, desce".&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Que o Pai desça sobre os haitianos com seu amor.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Segue a versão original do poema:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
«Padre,&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
desde los cielos bájate, he olvidad&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
las oraciones que me enseñó la abuela,&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
pobrecita, ella reposa ahora,&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
no tiene que lavar, limpiar, no tiene que preocuparse andando el día por la ropa,&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
no tiene que velar la noche, pena y pena,&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
rezar, pedirte cosas, rezongarte dulcemente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Desde los cielos bájate, si estás, bájate entonces,&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
que me muero de hambre en esta esquina,&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
que no sé de qué sirve haber nacido,&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
que me miro las manos rechazadas,&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
que no hay trabajo, no hay,&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
bájate un poco, contempla&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
esto que soy, este zapato roto,&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
esta angustia, este estómago vacío,&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
esta ciudad sin pan para mis dientes, la fiebre&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
cavándome la carne,&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
este dormir así,&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
bajo la lluvia, castigado por el frío, perseguido&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
te digo que no entiendo, Padre, bájate,&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
tócame el alma, mírame&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
el corazón,&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
yo no robé, no asesiné, fui niño&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
y en cambio me golpean y golpean,&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
te digo que no entiendo, Padre, bájate,&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
si estás, que busco&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
resignación en mí y no tengo y voy&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
a agarrarme la rabia y a afilarla&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
para pegar y voy&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
a gritar a sangre en cuell&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
por que no puedo más, tengo riñone&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
y soy un hombre,&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
bájate, ¿qué han hecho&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
de tu criatura, Padre?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
¿un animal furioso&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
que mastica la piedra de la calle?»&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Autor: &lt;a href="http://www.leonardoboff.com.br/"&gt;Leonardo Boff&lt;/a&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Extraído do &lt;a href="http://oglobo.globo.com/pais/noblat/posts/2010/01/25/lamento-junto-deus-pelo-haiti-259628.asp"&gt;blog do Noblat&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/879925348218720912-6181310489730379519?l=catafatico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/Catafatico/~3/RgVR2oLEX1c/lamento-junto-deus-pelo-haiti.html</link><author>noreply@blogger.com (Nilton Medeiros)</author><thr:total>0</thr:total><feedburner:origLink>http://catafatico.blogspot.com/2010/02/lamento-junto-deus-pelo-haiti.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-879925348218720912.post-3827213689607093999</guid><pubDate>Mon, 01 Feb 2010 23:55:00 +0000</pubDate><atom:updated>2010-02-01T21:55:44.300-02:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Cristianismo</category><title>Do bom uso do relativismo</title><description>Cada um é portador de verdade, mas ninguém pode ter o monopólio dela. Todos, de alguma forma, participam da verdade. Mas podem crescer para uma verdade mais plena, na medida em que mais e mais se abrem uns aos outros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Hoje pela multimídia, imagens e gentes do mundo inteiro nos entram pelos telhados, portas e janelas e convivem conosco. É o efeito das redes globalizadas de comunicação. A primeira reação é de perplexidade que pode provocar duas atitudes: ou de interesse para melhor conhecer que implica abertura e dialogo ou de distanciamento que pressupõe fechar o espírito e excluir. De todas as formas, surge uma percepção incontornável: nosso modo de ser não é o único. Há gente que, sem deixar de ser gente, é diferente. Quer dizer, nosso modo de ser, de habitar o mundo, de pensar, de valorar e de comer não é absoluto. Há mil outras formas diferentes de sermos humanos, desde a forma dos esquimós siberianos, passando pelos yanomamis do Brasil até chegarmos aos sofisticados moradores de Alphaville onde se resguardam as elites opulentas e amedrontadas. O mesmo vale para com as diferenças de cultura, de língua, de religião, de ética e de lazer. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Deste fato surge de imediato, o relativismo em dois sentidos: primeiro, importa relativizar todos os modos de ser; nenhum deles é absoluto a ponto de invalidar os demais; impõe-se também a atitude de respeito e de acolhida da diferença porque, pelo simples fato de estar-ai, goza de direito de existir e de co-existir; segundo, o relativo quer expressar o fato de que todos estão de alguma forma relacionados. Eles não podem ser pensados independentemente uns dos outros porque todos são portadores da mesma humanidade. Devemos alargar, pois, a compreensão do humano para além de nossa concretização. Somos uma geosociedade una, múltipla e diferente. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Todas estas manifestações humanas são portadoras de valor e de verdade. Mas é um valor e uma verdade relativos, vale dizer, relacionados uns aos outros, auto-implicados, sendo que nenhum deles, tomado em si, é absoluto. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Então não há verdade absoluta? Vale o every thing goes de alguns pós modernos? Quer dizer, o “vale tudo”? Não é o vale tudo. Tudo vale na medida em que mantém relação com os outros, respeitando-os em sua diferença. Cada um é portador de verdade mas ninguém pode ter o monopólio dela. Todos, de alguma forma, participam da verdade. Mas podem crescer para uma verdade mais plena, na medida em que mais e mais se abrem uns aos outros. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Bem dizia o poeta espanhol António Machado: ”Não a tua verdade. A verdade. Vem comigo buscá-la. A tua, guarde-a”. Se a buscarmos juntos, no dialogo e na cordialidade, então mais e mais desaparece a minha verdade para dar lugar a Verdade comungada por todos. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A ilusão do Ocidente é de imaginar que a única janela que dá acesso à verdade, à religião verdadeira, à autêntica cultura e ao saber crítico é o seu modo ver e de viver. As demais janelas apenas mostram paisagens distorcidas. Ele se condena a um fundamentalismo visceral que o fez, outrora, organizar massacres ao impor a sua religião e, hoje, guerras para forçar a democracia no Iraque e no Afeganistão. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Devemos fazer o bom uso do relativismo, inspirados na culinária. Há uma só culinária, a que prepara os alimentos humanos. Mas ela se concretiza em muitas formas, as várias cozinhas: a mineira, a nordestina, a japonesa, a chinesa, a mexicana e outras. Ninguém pode dizer que só uma é a verdadeira e gostosa e as outras não. Todas são gostosas do seu jeito e todas mostram a extraordinária versatilidade da arte culinária. Por que com a verdade deveria ser diferente?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Autor: &lt;a href="http://www.leonardoboff.com.br/"&gt;Leonardo Boff&amp;nbsp;&lt;/a&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Extraido do site: &lt;a href="http://www.domtotal.com.br/colunistas/detalhes.php?artId=1174"&gt;Dom Total&lt;/a&gt; &lt;br /&gt;
&amp;nbsp;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/879925348218720912-3827213689607093999?l=catafatico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/Catafatico/~3/MlQk1op_PgE/do-bom-uso-do-relativismo.html</link><author>noreply@blogger.com (Nilton Medeiros)</author><thr:total>0</thr:total><feedburner:origLink>http://catafatico.blogspot.com/2010/02/do-bom-uso-do-relativismo.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-879925348218720912.post-3750463662346357364</guid><pubDate>Mon, 01 Feb 2010 23:50:00 +0000</pubDate><atom:updated>2010-02-01T21:50:22.026-02:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Igreja</category><title>Jesus Cristo foi uma pessoa comunitária</title><description>Na sua primeira manifestação pública, em Caná da Galiléia, ele estava com os seus alunos. Jo 2.1-11&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Seu primeiro milagre, que foi discreto, até onde um milagre pode ser discreto, provocou fé, primeiramente, em seus alunos. Jo 2.1-11&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Andava sempre em comunidade. Lc 8.1-3&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Apresentou como sua família, a comunidade. Mt 12.47-49&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ele disse a Pedro que edificaria uma comunidade em torno da identidade dele, como Deus, que veio em carne e osso para nos salvar. Mt 16.18&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Disse que era pela comunidade que formara, e que seria acrescida, que ele se separava para a cruz e a ressurreição, para que sua comunidade se separasse para viver segundo a palavra do Pai. Jo 17.17&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em seu último relatório ao Pai, fez questão de dizer que preservara a comunidade recebida do Pai. Jo 17.6-20&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Pediu ao Pai que a comunidade que ele formara, e que seria acrescida, se tornasse uma comunidade perfeitamente unida. Jo 17.21&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Vivia de ofertas. Lc 8.3&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ensinou que o Pai é da comunidade, e que é a partir da comunidade que devemos orar. Mt 6.9&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ensinou que o pão deve ser comunitário, e para a comunidade deve ser pedido. Mt 6.11&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Reconhecia os que viviam em comunidade e os que não viviam, e rogava pelos que viviam em comunidade. Jo 17.9&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Disse que ele seria anunciado quando, em comunidade, comêssemos do pão e bebêssemos do vinho, em memória dele. Lc 22.15-17&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se via como um pastor que queria reunir, em comunidade, as suas ovelhas. Jo 10.14-16&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Muitos começaram a criticar a ênfase no uso da imagem do templo para designar o local de reunião da comunidade. Correto! O templo de Deus é a comunidade e não o lugar onde a comunidade se reúne. Agora, entretanto, muitos dos que fizeram a crítica primeira, começam a dizer da não necessidade de vida comunitária. Errado! Deus é uma comunidade, e é na vivência comunitária que expressamos sua imagem. O ser humano nasce da comunidade, na comunidade e para a comunidade. Jesus Cristo veio buscar e salvar o que se havia perdido: a unidade humana! É nesse propósito que cada ser humano, que crê, é salvo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Autor: &lt;a href="http://www.irmaos.com/ariovaldoramos/artigos?id=3386"&gt;Ariovaldo Ramos&lt;/a&gt; &lt;br /&gt;
&amp;nbsp;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/879925348218720912-3750463662346357364?l=catafatico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/Catafatico/~3/_vwspWhzhfM/jesus-cristo-foi-uma-pessoa-comunitaria.html</link><author>noreply@blogger.com (Nilton Medeiros)</author><thr:total>0</thr:total><feedburner:origLink>http://catafatico.blogspot.com/2010/02/jesus-cristo-foi-uma-pessoa-comunitaria.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-879925348218720912.post-7164565278383885409</guid><pubDate>Mon, 18 Jan 2010 21:13:00 +0000</pubDate><atom:updated>2010-01-18T19:13:09.025-02:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Cristianismo</category><title>O legado profético de Zilda Arns</title><description>Já se fizeram todos os elogios devidos à médica brasileira, Zilda Arns, irmã do Cardeal dos direitos humanos, Paulo Evaristo Arns, que sucumbiu sob as ruínas do terremoto no Haiti. Talvez a opinião pública mundial não se tenha dado conta da importância desta mulher que, em 2006, foi apontada como candidata ao prêmio Nobel da Paz. E bem que o merecia, pois dedicou toda sua vida à saúde das pessoas mais vulneráveis. Por 25 anos coordenou a Pastoral da Criança acompanhando mais um milhão e 800 mil menores de cinco anos e mais de um milhão e 400 famílias pobres. A partir de 2004, iniciou a Pastoral da Pessoa Idosa com mais de cem mil idosos envolvidos. Com meios simples, como o soro caseiro, o alimento à base da multimistura e outros recursos mínimos, salvou milhares de crianças que antes fatalmente morriam. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Seria longo historiar seu extraordinário trabalho difundido já em mais de 20 países pobres do mundo. O que pretendo é enfatizar os valores do capital espiritual que sustentaram a sua prática. Nisso ela ia contra o sistema dominante e serve de inspiração para hoje.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É convicção crescente que não sairemos da crise de civilização atual se continuarmos com os mesmos hábitos e os mesmos valores consumistas e individualistas que temos. Ela mostrou como pode ser diferente e melhor.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Dr. Zilda honrou o cristianismo, vivendo uma mística de amor à humanidade sofredora, de esperança de que sempre se pode fazer alguma coisa para salvar vidas, de fé na força dos fracos que se organizam e na escuta de todos até das crianças que ainda não falam.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ela tinha clara consciência de que a solução vem de baixo, da sociedade que se mobiliza, sem com isso dispensar o que o Estado deve fazer. Problemas sociais se resolvem a partir da sociedade. Para isso, ela suscitou a sensibilidade humanitária que se esconde em cada pessoa e inaugurou a política da boa vontade. Mais de 250 mil voluntários, sem nenhum ônus financeiro, se propuseram assumir os trabalhos junto com ela.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Uma idéia-geradora movia sua ação, copiada da prática de Jesus: multiplicar. Não apenas pães e peixes como Ele fez, mas, nas condições de hoje, multiplicar o saber, a solidariedade e os esforços. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Multiplicar o saber implica repassar às pessoas simples os rudimentos de higiene, o cuidado pela água, a medição do peso e a alimentação adequada às crianças. Esse saber reforça a auto-estima das pessoas e confere autonomia à sociedade civil.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Multiplicar a solidariedade que, para ser universal, deve partir dos últimos, buscando atingir as pessoas que vivem nos rincões onde ninguém vai, tentar salvar a criança mais desnutrida e quase agonizante. Essa solidariedade é a que menos existe no mundo atual.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Multiplicar esforços, envolvendo as políticas públicas, as ONGs, os grupos de base, as empresas em sua responsabilidade social, enfim, todos os que colocam a vida e o amor acima do lucro e da vantagem. Mas antes de tudo multiplicar a boa-vontade generosa. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ora, são estes conteúdos do capital espiritual que devem estar na base da nova sociedade mundial que importa gestar. O século XXI será o século do cuidado pela vida e pela Terra ou será o século de nossa auto-destruição. Até agora globalizamos a economia e as comunicações. Temos que globalizar a consciência planetária e multiplicar o saber útil à vida, a solidariedade universal, os esforços que visam construir aquilo que ainda não foi ensaiado. Amor e solidariedade não entram nas estatísticas nem nos cálculos econômicos. Mas são eles que mais buscamos e que nos podem salvar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A médica Zilda Arns, seguramente sem o saber, mas profeticamente, nos mostrou em miniatura que esse mundo não é só possível, mas é realizável já agora.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Artigo escrito por Leonardo Boff; Autor de Saber cuidar: ética do humano, compaixão com a Terra, Vozes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fonte: &lt;a href="http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?lang=PT&amp;amp;cod=44262"&gt;Adital&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/879925348218720912-7164565278383885409?l=catafatico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/Catafatico/~3/jKmxkkq7GY8/o-legado-profetico-de-zilda-arns.html</link><author>noreply@blogger.com (Nilton Medeiros)</author><thr:total>0</thr:total><feedburner:origLink>http://catafatico.blogspot.com/2010/01/o-legado-profetico-de-zilda-arns.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-879925348218720912.post-4136811616502470440</guid><pubDate>Mon, 18 Jan 2010 21:09:00 +0000</pubDate><atom:updated>2010-01-18T19:09:03.549-02:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Religião</category><title>Haiti e o sofrimento sem sentido</title><description>As imagens de destruição da capital de Haiti e dos corpos estendidos nas calçadas, cobertos com o que é possível, como uma forma de última homenagem ou de fazer sair da vista a miséria e a dor das mortes sem sentido, de vidas já muito sofridas ceifadas por um inesperado terremoto, tocam os lugares mais profundos do nosso ser. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Muito já se falou e ainda vai se falar sobre os aspectos geológicos, econômicos, sociais e políticos dessa grande tragédia que abateu sobre o país mais pobre das Américas. É claro que se a população não fosse tão pobre, se as infra-estruturas funcionassem e se tantas outras coisas fossem diferentes, o número dos mortos e feridos seria menor. Muitos vão exaltar a solidariedade que situações desse tipo fazem brotar, outros vão aproveitar o desastre para falar mal da globalização, do imperialismo ou da soberba humana que não respeita a natureza. Falar e falar muito, até como uma forma de catarse do mal estar que se estabelece em nós.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Desastres naturais de grandes proporções sempre nos incomodam profundamente porque questionam a nossa forma rotineira e ordenada de ver e viver a vida e porque nos colocam diante de perguntas difíceis que surgem com o mal e os sofrimentos inesperados que atingem indistintamente "os bons e os maus". Essa indistinção corrói a nossa forma de ver o mundo, que é sempre uma forma de ordenar a partir das diferenças, e nos introduz em um mundo de desordem e caos. Em momentos assim, a tentação imediata é buscar um "culpado" para tentar explicar a situação e nos tirar do mal-estar. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Alguns responsabilizam a "misteriosa vontade de Deus", pois preferem crer que tudo o que acontece nas nossas vidas ocorrem segundo a vontade onipotente de Deus. Se o mal e o sofrimento vieram das mãos de Deus, devem ter alguma função salvífica. Mesmo que esse Deus pareça meio cruel, essa visão religiosa tem o papel de tentar restabelecer uma ordem estável e segura para o seu mundo e vida, ameaçados pela desordem e caos. Assim, o sofrimento sem sentido poderia encontrar algum sentido.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outros preferem culpar a sociedade moderna e o capitalismo selvagem que explora os pobres e destrói a natureza. Mesmo que a origem do desastre tenha sido uma falha geológica na crosta terrestre, a culpabilização da sociedade moderna e do capitalismo globalizado tem seus atrativos porque exerce a mesma função de oferecer um "culpado" no qual podemos canalizar as nossas frustrações e raiva. Além disso, é fundamental para manter a idéia ou o projeto do mundo moderno de que é possível criar uma "nova sociedade" isenta desses desastres e crises, assim como de todos os tipos de males. Isto é, o sonho da criação de um mundo totalmente ordenado, sem sofrimentos imprevisíveis. E a realização plena desse sonho só será possível se todos os males e sofrimentos tiverem origem e causa nas ações humanas e na própria sociedade, e se formos capazes de criar um ser humano e uma sociedade sem esses problemas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No fundo, essa postura é uma forma de manter a ilusão de que nós somos, podemos ou devemos ser messias de nós mesmos e salvar a humanidade da sua condição de precariedade, contradições, com seus potenciais e limites.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Contudo, o terremoto que atingiu Haiti, assim como o tsunami que atingiu a Indonésia e arredores, teve origem em fenômeno geológico que independe da vontade ou da ação humana ou da sociedade. É claro que há aspectos humanos e sociais que agravam ou minoram os sofrimentos humanos, mas pouco podemos fazer para evitar que ocorram, por ex., terremotos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É claro que não quero, com essas reflexões, propor uma postura de passividade ou resignação frente à morte e sofrimento que assolam o povo de Haiti e ao grande desafio de reconstruir aquele país e de ajudar o seu povo a superar a situação de miséria e pobreza que deve agravar ainda mais nos próximos meses. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O que eu quero é simplesmente propor que antes de nos deixarmos levar pela tentação de "falar e falar" e de procurar "respostas fáceis", mergulhemos no silêncio, nas regiões mais profundas do nosso ser para meditarmos sobre a fragilidade e imprevisibilidade que marcam as nossas vidas. Como diz o Evangelho, precisamos ficar atentos e "vigiar". Não porque devamos viver com medo, mas porque, reconciliando com a nossa condição humana, reconhecemos que não há religião, razão, tecnologia ou política que possam impor uma "ordem de harmonia perfeita" sobre a vida e a natureza; não há como prever e controlar todos os aspectos da vida (seja na relação dos seres humanos com a natureza, seja com outros seres humanos e com sociedades). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O que podemos e somos chamados é viver vigilantes a vida no espírito de amor e solidariedade, sentindo em nós a dor e o sofrimento do nosso próximo (mesmo que geograficamente longe), fazendo o melhor possível para construirmos relações humanas e sociais que possibilitem uma vida digna e alegre para as pessoas. Mesmo que não encontremos sentido (se é que há) para tanto sofrimento inocente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(Artigo de autoria de Jung Mo Sung, Professor de Pós-Grad em Ciências da Religião e autor, entre outros, de "Cristianismo de Libertação").&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fonte: &lt;a href="http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?lang=PT&amp;amp;cod=44252"&gt;Adital&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/879925348218720912-4136811616502470440?l=catafatico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/Catafatico/~3/v2Vz34h6uCQ/haiti-e-o-sofrimento-sem-sentido.html</link><author>noreply@blogger.com (Nilton Medeiros)</author><thr:total>0</thr:total><feedburner:origLink>http://catafatico.blogspot.com/2010/01/haiti-e-o-sofrimento-sem-sentido.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-879925348218720912.post-482201801619874647</guid><pubDate>Mon, 18 Jan 2010 21:04:00 +0000</pubDate><atom:updated>2010-01-18T19:04:18.500-02:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Insight</category><title>Contrição profunda</title><description>Amanheço casmurro. Preciso isolar-me. Meu grau de toxicidade em dias assim pode causar sérios danos à saúde emocional - O Ministério da Saúde recomenda que a leitura deste texto seja interrompida agora mesmo. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Exasperado com a superficialidade ao derredor, quero sentar-me na roda dos taciturnos Fernando Pessoa, Machado de Assis e Eclesiastes. Contemplo a lista de outros mestres da melancolia que poderiam caminhar ao meu lado nessas alamedas bucólicas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Estou também enfastiado com a lucidez de quem consegue sintetizar e esquematizar pensamentos profundos. Dou de ombros às racionalidades absolutas, às lógicas verdadeiras. Chega! Chega! Chega! Por favor não me exortem. Assim, vão quebrar a cana já trincada. Não passo de pavio que fumega.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Decepcionado comigo mesmo, despeço pretensos seguidores. Abro mão de ser referência para qualquer coisa. Também admito: um impostor mora dentro de mim; e nem sempre eu o tolero. Quero arrancar fardas, jogar por terra elmos emprestados, descalçar botas e deixar que o menino de calção, que pescava no ribeiro, ressuscite. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Abatido, pretendo refugiar-me no banco de uma catedral. De joelhos, repetirei batendo no peito a litania Minha culpa, minha culpa, minha máxima culpa; meu clamor de purgar inadequações, pecados e imaturidades. Ferido de vergonha, busco purificar os ossos com o sal de minhas lágrimas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Transformo os versos de Drummond em um Eloi, lama sabactani: “Os ombros suportam o mundo/Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus./Tempo de absoluta depuração./Tempo em que não se diz mais: meu amor./Porque o amor resultou inútil./E os olhos não choram./E as mãos tecem apenas o rude trabalho./E o coração está seco”. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sou ao mesmo tempo Jeremias banhado de lágrimas, Oséias envergonhado, Elias fatigado e Pedro culpado. Sou Fênix que ressurge - Mas pássaro de asa quebrada pode voltar a alçar vôo, porém nunca tão alto. Mofina e vago, constato que as minhas dores são irrelevantes. Disperso e impotente, acovardo-me diante de grandes questões existenciais. O mundo agoniza ao meu redor e cá estou com lamúrias ridículas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tomo emprestado de Clarice Lispector sua poesia lancinante para exprimir o peso que me arqueia as costas: “Tudo me tinge – vejo demais, ouço demais, tudo exige demais de mim”. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Igual a ela, também não consigo enfrentar o mundo. Eu sou só eu; um euzinho frágil, que tenta superar-se cotidianamente na exuberante tarefa de não sobreviver, apenas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Soli Deo Gloria&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Autor: Pr. &lt;a href="http://www.ricardogondim.com.br/Artigos/artigos.info.asp?tp=65&amp;amp;sg=0&amp;amp;id=2313"&gt;Ricardo Gondim&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/879925348218720912-482201801619874647?l=catafatico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/Catafatico/~3/5OVRorpAn_k/contricao-profunda.html</link><author>noreply@blogger.com (Nilton Medeiros)</author><thr:total>0</thr:total><feedburner:origLink>http://catafatico.blogspot.com/2010/01/contricao-profunda.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-879925348218720912.post-3733800732955670599</guid><pubDate>Mon, 18 Jan 2010 01:20:00 +0000</pubDate><atom:updated>2010-01-17T23:20:18.732-02:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Sociedade</category><title>Homenagem póstuma a Dra Zilda</title><description>Lembro-me, idos do início dessa década, em frente da Universidade Metodista de Rudge Ramos, São Bernardo do Campo, SP, num pequeno e singelo restaurante, conversava com a Dra Zilda Arns, sobre uma palestra que daríamos, na Metodista, sobre segurança alimentar. Éramos membros do CONSEA - Conselho de Segurança Alimentar e Nutricional, da Presidência da República.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Lembro-me da presença e da força da Dra Zilda, no CONSEA, sua vigilância para que a questão fosse tratada com a objetividade necessária, em benefício dos despossuídos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Lembro-me de como seu interesse era abrangente, não apenas as crianças, alvo de sua organização, mas de todo o leque de necessitados. Sua preocupação com a população indígena, por exemplo, era notória. População que, até hoje, padece de insegurança alimentar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Lembro-me de sua capacidade de acionar os responsáveis. Bastava um telefonema e o responsável era acionado, fosse Ministro de Estado, fosse o que fosse. Gente, que, muitas vezes, debalde, tentávamos alcançar, a Dra Zilda colocava em linha na primeira chamada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Lembro-me quando a Visão Mundial, ONG, que, então, eu presidia, decidiu criar o programa de ataque à subnutrição, e, depois de muita pesquisa, concluiu que o método da Pastoral da Criança, liderada por Dra Zilda, era o melhor que se podia utilizar, e passamos a aprender e a replicar o que faziam com eficácia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Lembro-me que a seriedade da Dra Zilda com a sua fé, não a fez segregar quem quer que fosse, que desejasse somar na causa da proteção a criança e na luta contra a desnutrição. Na conversa, no restaurante, Dra Zilda me dizia que um dos cooperadores locais da Pastoral era membro de denominação protestante. Que a Pastoral vivia um ecumenismo, na prática.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Lembro-me dos enfrentamentos levados a efeito por ela. De como sua opinião era respeitada. De como ela conseguia influenciar o pleno do CONSEA, fazendo-nos lembrar do porquê estávamos ali.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Lembro-me de quando esperava que ela fosse laureada com o Nobel da Paz, e da frustração por ela não o ter sido. Bem... Depois do prêmio para o atual Presidente do EUA, fica a dúvida sobre o significado da homenagem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dra Zilda Arns... Como é triste falar dessa brasileira, excelente e por excelência, no passado! Lembro-me da Dra Zilda... E sempre me lembrarei!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Autor: &lt;a href="http://www.irmaos.com/ariovaldoramos/artigos?id=3363"&gt;Ariovaldo Ramos&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/879925348218720912-3733800732955670599?l=catafatico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/Catafatico/~3/yoa81XxuMqg/homenagem-postuma-dra-zilda.html</link><author>noreply@blogger.com (Nilton Medeiros)</author><thr:total>0</thr:total><feedburner:origLink>http://catafatico.blogspot.com/2010/01/homenagem-postuma-dra-zilda.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-879925348218720912.post-7424773799978115503</guid><pubDate>Sun, 17 Jan 2010 13:18:00 +0000</pubDate><atom:updated>2010-01-17T11:18:46.653-02:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Cristianismo</category><title>O Haiti, a mão de Deus e algo que não encaixa</title><description>Não demora muito a de se pronunciar no meio protestante conservador alguma voz arbitrando às avessas em favor de Deus o mando, ou pelo menos a supervisão divina na catástrofe que se abateu sobre o povo haitiano. Sacando de qualquer manual de teologia sistemática uma pilha de versículos que legitime expressões como ira, cólera, vingança, juízo, relacionados a Deus no exercício da sua implacável justiça, devem em breve chuviscar em alguns púlpitos. Para estes, endossar qualquer dessas expressões é tão fácil quanto colocar a cabeça no travesseiro e dormir sossegadamente, crente que os fragmentos com que monta sua teologia - sempre em tese -, bastam por si mesmos. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fragmentos que servem de argumento, que podem até silenciar para si os gritos das vítimas durante seu anestésico e proposital sono do esquecimento, mas não lá no mundo real, pelas ruas, debaixo dos escombros, cobertos com farrapos ensaguentados, com membros gangrenados, morrendo de sede, fome e medo. Lá os gritos não silenciam. Lá não há o sono do esquecimento. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não é preciso discorrer os argumentos sobre os quais descansam estes que ao invés de silenciar e chorar, o que seria mais digno e humano, preferem lançar sobre Deus todo o ônus da tragédia. Não é preciso, pois, basta vasculhar o imaginário mítico arcaico e medieval para perceber que os acovardados sempre usaram do mesmo expediente para camuflar uma indiferença patológica em relação à vida, com uma pretensa reverência a Deus. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Neste caso o que importa é que seus argumentos são o que basta para seu modo de vida evasivo, denunciado pela incoerência entre o belo arranjo teológico em contraste com a dor humana, onde qualquer teoria que não tem liga com a vida se dissolve. Constroem um suntuoso castelo, mas eles mesmos, não moram sequer na pocilga nos fundos do quintal (Kierkegaard). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Também não é necessário discorrer sobre como coadunam a ideia de justiça divina com o fato das tragédias. Basta lembrar que (para estes) em última análise Deus tem algo a ver com isso, e que, de alguma maneira que nós vermes ignorantes, que só usamos 10% da nossa cabeça animal, estamos distantes de compreender. Seja, Deus tem um propósito maior em causar dano às pessoas, não sabemos qual, mas tem. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Promovem com isso um fatalismo no qual tudo já está por ordenação divina pré-determinado, inclusive e principalmente tragédias como a do Haiti. Algo como uma imensa rede armada pelo próprio Deus, onde por Sua vontade fixou o que os homens devem fazer, sendo a liberdade uma ilusão, pois, habitamos prosaicamente um mundo de antemão programado (José María Mardones). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se a Razão não tivesse encarnado seria tão mais fácil resignar e aceitar passivamente o fatalismo, calcado sobre a imagem de um Deus ambíguo, atacado e furioso com a raça humana, despejando diariamente raiva e disciplina na forma de assombrosas tragédias. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Encarnar não quer dizer simplesmente encher temporariamente um corpo com alma. Encarnar significa se fazer corpo nos embates da vida que produzem cicatrizes que a ressurreição não apagam, pois, são as consequencias de se fazer como um de nós. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Encarnar é criar uma identidade. Criar identidade não significa se auto afirmar como ser-em-si, opaco, maciço, incólume. Antes, criar identidade é reconhecer-se um ser coletivo, pelo envolvimento com outros da mesma espécie, tornando um ser-para-os-outros, para todo o sempre. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O envolvimento do Cristo foi proféticamente antecipado pelo profeta que disse que ele tomou para si as dores que nos afligem, fazendo seu o nosso drama (Is 53.4). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se ele toma para si nossas dores, como pode então ser Deus à causá-las? A não ser que estejamos numa brincadeira cósmica em que o papel que cada um interpreta seja fictício e toda dor e lágrima é como prêmio para o Grande Jogador. Embora a quem se sinta confortável nas mãos de um Deus que joga com os destinos das pessoas, viver debaixo dessa lógica nada mais que é que um mecanismo de fuga. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como então alinhar a concepção de justiça divina ligada à imagem de um Deus belicista e vingativo, em comparação com a justiça do Reino a ser buscada anunciada por Jesus? &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se por um lado o conservadorismo de extrema direita diz que Deus é soberano e ponto final, por isso mata, aleija, faz mendigar o pão a quem Ele bem entende, por outro lado, Jesus desfaz essa lógica insana pela prática da compaixão e do envolvimento com os outros. É que para Jesus justiça tem a ver com cuidado, preservação e restauração da vida, libertação das amarras sociais e das estruturas malignas de coerção que desumanizam o humano. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como harmonizar a ideia de um Deus que mata pessoas de fome, enquanto Jesus se compadece de uma multidão faminta, reproduzindo pães e peixes para lhes aliviar o vazio na barriga?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como pensar que Deus tira arbitrariamente a vida, se Jesus, condoído, a devolve?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como acreditar que Deus se utiliza de doenças e tira proveito da dor humana para atingir Seus fins, se Jesus sara a dor, curando quem se põe em seu caminho? &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como viver debaixo da supervisão de um Deus encolerizado com a raça humana enquanto Jesus caminha na contramão, pregando e vivendo a justiça em outras categorias, cuja ética é seu mais legítimo dever? &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se o homem que é mau sabe dar boas dádivas, quem dirá Deus (Mt 7.11). No caso do Haiti a ajuda humanitária que chega de todas as partes do globo fica na conta de quem, do Deus que é bom ou do homem que é mau? Parece que os papeis se invertem caso seja Deus o causador, ou o supervisor dessa tragédia em Porto Príncipe. Enquanto Deus esmaga e condena à danação, gente que já vivia num inferno existencial infindável, o homem cuida e tenta amenizar a dor de quem na vida só recebeu males. Se realmente é assim, o homem então está numa qualificação superior a Deus, já que mesmo sendo mau consegue sentir compaixão pelo semelhante, mesmo que tardiamente. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Faço minhas as palavras de Paulo Roberto Gomes em O Deus Im-Potente, quando diz que o Deus que Jesus nos apresenta não é um poder frio e distante que podemos acusar quando somos atingidos pela dor e pelo mal, mas alguém que, em Cristo, se tornou Deus humano, gritando conosco, intercedendo por nós quando silenciamos na angústia, quando protestamos contra o destino através do nosso grito, porque amamos e confirmamos a vida. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Autor: &lt;a href="http://herdeirosdodeserto.blogspot.com/2010/01/o-haiti-mao-de-deus-e-algo-que-nao.html"&gt;Alex Carrari&amp;nbsp;&lt;/a&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Via site do Pr: [&lt;a href="http://www.ricardogondim.com.br/Artigos/artigos.info.asp?tp=69&amp;amp;sg=0&amp;amp;id=2312"&gt;Ricardo Gondim&lt;/a&gt;].&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/879925348218720912-7424773799978115503?l=catafatico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/Catafatico/~3/nhgjIZknQ5E/o-haiti-mao-de-deus-e-algo-que-nao.html</link><author>noreply@blogger.com (Nilton Medeiros)</author><thr:total>0</thr:total><feedburner:origLink>http://catafatico.blogspot.com/2010/01/o-haiti-mao-de-deus-e-algo-que-nao.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-879925348218720912.post-4117533448454105851</guid><pubDate>Sun, 17 Jan 2010 13:08:00 +0000</pubDate><atom:updated>2010-01-17T11:08:23.222-02:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Na mídia</category><title>Deus e o Diabo no Haiti</title><description>O evangélico Pat Robertson, um dos líderes da direita religiosa americana, tem uma explicação para as desgraças do Haiti que culminaram com esse terremoto demolidor. Um dos países mais miseráveis do mundo, com uma história ininterrupta de privações, violência e instabilidade política, o Haiti estaria pagando por um pacto que fez com o Diabo em 1804, quando pediu sua ajuda para expulsar os colonizadores franceses e tornar-se uma república.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Desde então, os haitianos viveriam sob uma maldição. O terremoto, segundo Pat Robertson, é apenas o castigo mais recente. Mas o religioso pediu a seus fiéis que rezassem pelos haitianos. E, presumivelmente, pedissem a Deus que esquecesse velhos ressentimentos e lhes desse uma folga.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se o Diabo ajudou mesmo os haitianos contra os franceses foi por uma causa nobre. O Haiti foi o primeiro país do mundo a abolir a escravidão, dando um exemplo que custou a ser seguido pelos outros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A república, também inédita, fundada depois da expulsão dos franceses era de ex-escravos, e acolhia escravos fugidos ou alforriados de outros países. E se Deus os castigou por esta audácia, não foi o único. A França exigiu e recebeu reparação pela colônia perdida, o que aleijou a economia da nova república por muito tempo. A vizinhança com os Estados Unidos também não ajudou. Os americanos chegaram a ocupar o Haiti durante vinte anos, sem muito proveito para o país. Grandes negócios foram feitos na época dos ditadores Papa Doc e Baby Doc Duvalier, também sem muito proveito para o país. Nos últimos tempos, apoiando e desapoiando líderes mais ou menos populares, os americanos têm tentado manter no Haiti uma democracia representativa, mas não representativa demais, a ponto de armar politicamente uma massa de desesperançados, com o risco de eles também convocarem o Diabo. Agora não se sabe o que vai surgir dos escombros da tragédia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Deus vingativo de Pat Robertson certamente não era o Deus de Zilda Arns, que morreu no Haiti trabalhando pela causa da sua vida, a ajuda aos pobres e, principalmente, às crianças. O seu era um Deus solidário. Infelizmente, pouca gente no mundo está disposta a fazer um pacto como o que Zilda Arns fez com este outro Deus. Ela sobreviverá como um exemplo e uma inspiração.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Luís Fernando Veríssimo, escritor, em artigo publicado no jornal O Globo, 17-01-2010.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/879925348218720912-4117533448454105851?l=catafatico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/Catafatico/~3/kbrYLIfwEUo/deus-e-o-diabo-no-haiti.html</link><author>noreply@blogger.com (Nilton Medeiros)</author><thr:total>0</thr:total><feedburner:origLink>http://catafatico.blogspot.com/2010/01/deus-e-o-diabo-no-haiti.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-879925348218720912.post-8408343793303742430</guid><pubDate>Fri, 15 Jan 2010 00:20:00 +0000</pubDate><atom:updated>2010-01-14T22:20:57.671-02:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Insight</category><title>Sobre a natureza e a solidão.</title><description>Só no campo posso conhecer a solidão. Não existe um homem sequer que venha ao campo e não se sinta logo rodeado pela solidão. Ele sempre termina por buscá-la e amá-la.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Afirmar que ele está ante a natureza, que faz parte dela ou é seu devoto não é o suficiente. Ele habita onde Deus fez a morada, onde o céu é o teto e a terra o piso. Em todo canto escuta-se a linguagem com que Deus lhe fala, e de que a árvore, a flor ou o inseto recita as sílabas. Ele está sozinho e Deus*, sem conseguir desfitar os olhos do imenso depoimento da criação, que é uma como revelação contínua, sempre idêntica e sempre renovada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Afinal, ele fugiu ou se encontrou? A alma está mais povoada, quando o homem está só. O encontro com outrem é incapaz de acabar com sua solidão – ele como que faz o outro entrar nela. Quem sabe se, por estar chantado no mundo, o mundo se chantou nele. Para conter em si o mundo, é preciso estar só; e que nenhum ser fechado em si mesmo e miserável como ele venha interpor-se entre ele e o mundo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas na cidade cada homem só se relaciona com outro homem. Diante de si, só uma paisagem de pedras acumuladas pelo esforço humano. O ar e o céu são apenas distâncias que os separam. A lembrança derrisória do campo subsiste nalgumas poucas árvores, plantas aprisionadas, flores fanadas. Já não há horizonte, o milagre do horizonte aonde o céu e a terra, o finito e o infinito chegam a coincidir. Os outros seres com quem me encontro acorrem para suas tarefas banais, as quais executam dentro de células donde não há céu para contemplar sobre suas cabeças, nem terra para fecundar sob seus pés.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A natureza sufoca o homem primitivo como a cultura o homem hodierno. Mas um é o remédio do outro. A cultura libera o espírito até então subjugado às forças da natureza; e a natureza é o remédio do excesso de cultura, devolvendo-lhe a solidão, solidão perdida que, encontrada, devolve-o a si mesmo. O homem do campo nos ensina a solidão, porque está só com a natureza, como o filósofo com Deus.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Leia-se "sozinho e Deus" como quem lê "Cruz e Souza". [N. do T.]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Autor: Louis Lavelle&amp;nbsp;&amp;nbsp; Via: [ &lt;a href="http://www.cafeteologico.com.br/br/index.php?option=com_content&amp;amp;task=view&amp;amp;id=183&amp;amp;Itemid=7"&gt;Café Teologico&lt;/a&gt;] &lt;br /&gt;
&amp;nbsp;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/879925348218720912-8408343793303742430?l=catafatico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/Catafatico/~3/TlRRRL2Le5U/sobre-natureza-e-solidao.html</link><author>noreply@blogger.com (Nilton Medeiros)</author><thr:total>0</thr:total><feedburner:origLink>http://catafatico.blogspot.com/2010/01/sobre-natureza-e-solidao.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-879925348218720912.post-6607458296668633130</guid><pubDate>Fri, 15 Jan 2010 00:13:00 +0000</pubDate><atom:updated>2010-01-14T22:13:46.434-02:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Insight</category><title>Os sinos dobram no meu aniversário</title><description>Hoje, 14 de janeiro, celebro meu aniversário com a bandeira hasteada a meio pau. Ouço sinos a dobrar no horizonte e me pergunto: Por quem dobram os sinos? A resposta ressoa em um uivo melancólico: Eles dobram pelo povo do Haiti, e por ti. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Celebro a minha existência com o sabor amargo de uma catástrofe que engasga a alma. Meu sorriso não disfarça o desalento. Sinto-me no vórtice desse evento trágico que aflige o povo famigerado do Haiti. O badalar dos sinos lembra o poeta inglês do século XVI, John Donne. Suas palavras tingem meu aniversário de um baço consternado: “A morte de qualquer homem me diminui, porque eu sou parte da humanidade; e por isso, nunca procure saber por quem os sinos dobram, eles dobram por ti”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Haiti consta entre os mais miseráveis do planeta. Não tem um Estado que gerencie minimamente o dia a dia dos cidadãos. Sem Corpo de Bombeiros, não tem qualquer serviço de ambulância; os hospitais, precaríssimos matam mais do que curam. Embora localizado nas barbas dos Estados Unidos, por anos contou com uma ajuda “humanitária” insignificante, migalhas que caem da mesa dos filhos preferidos de Deus. Pingos de creolina para um oceano de fezes. O mundo não teve dificuldades de encontrar bilhões para resgatar mega corporações financeiras, mas joga sobejos para os haitianos que rastejam na absoluta desgraça.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Já estou preparado para ouvir os argumentos dos arautos do conservadorismo teológico: “Deus, em sua presciência e eterna sabedoria, pré-ordenou todas as coisas. Ele organizou o mundo de tal maneira que até a desgraça de milhões traz glória para seu santo nome”. Fundamentados na literalidade de textos dos genocídios, limpezas étnicas e pragas atribuídas ao furor divino, os arautos da Reta Doutrina fazem de Deus não só o autor, mas o gerente de calamidades tão dantescas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sim, os relatos da Bíblia hebraica revelam uma Divindade que, uma vez ofendida, não hesita em destruir tudo e todos os que se interpõem ao seu propósito. O pensamento que transforma Deus no autor de calamidades elabora da seguinte maneira: “Deus é bom, mas também justo. E se no passado matou cidades inteiras, crianças, animais, idosos, também tem o direito arrasar com milhões de pessoas nos dias atuais. E ninguém seria sábio ou misericordioso o suficiente para questioná-lo”. Entendo que este tipo de leitura da Bíblia se sustenta, porque possui uma lógica interna rigorosa – alguns desses pensadores são pós-doutores em teologia. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Contudo, eu já me despedi da racionalidade desse pacote. Não tolero que as conclusões medievais de Santo Anselmo calcem o meu chão teológico. Ele pensou a partir da ideia sinistra de que a Divindade estava ofendida pelo pecado da humanidade. Praga bubônica, tsunamis, devastação de colheitas por secas e inundações ainda são insuficientes para aplacar o ódio do Senhor – segundo o calvinismo, as crianças já chegam ao mundo condenadas; devido ao pecado original, “nascem debaixo da ira de Deus”. Antecipo dizerem que vez por outra Deus precisa mesmo dar uma mexidinha nas placas tectônicas para mostrar seu grau de cólera com a humanidade. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não refuto tais argumentos. Eles fecham o esquema lógico do raciocínio daqueles que se autodenominam Reformados. Porém, como acreditar em um Deus que escolheria exatamente os haitianos para revelar o tamanho de sua ofensa? Por que exatamente sobre um povo já esquecido em sua indigência? Os calvinistas que fiquem com esta divindade, eu não posso acreditar que exista um Deus que sempre começa a sua vingança com os indefesos. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Claro que os ricos se protegem melhor das tragédias enviadas pelo Altíssimo. No Japão, um terremoto dessa magnitude traria sérias consequências, mas os danos seriam minorados pela belíssima infra estrutura do país – ressalte-se que a maioria de japoneses é secularizada, e como outros povos abastados, não se interesse muito pelo Deus dos cristãos. Se o Todo Poderoso castigou a pequena ilha do Caribe devido a sua idolatria primitiva e grosseira, porque não pune os Países do Primeiro Mundo pela idolatria sofisticada e dissimulada do materialismo? &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Que Deus é esse que permite que ricos se defendam de sua ira extrema? New Orleans está conseguindo voltar ao normal depois do Catrina. Para os haitianos condenados ao charco pútrido, as mortes continuarão por décadas. O que lhes acontecerá quando o próximo furacão voltar a açoitar sem misericórdia?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Acredito em um Deus que se relaciona com a humanidade em outras bases. Deus é amor. A bonança e a tempestade são elementos da Contingência, espaços para a liberdade. Não creio na teologia da Providência (se não conhecer o seu significado, bastar pesquisar nos melhores manuais calvinistas). Aceito que Deus amorosamente participa nas iniciativas de bondade e nos movimentos de justiça que um cataclismo possa desencadear. Não imagino que o Deus de Jesus Cristo possa estar por detrás de um acidente tão horrendo. Ele é luz e interpela homens e mulheres de bem para que se façam presentes na catástrofe, minorando o sofrimento dos pobres. Descreio das lógicas que transformam os pensamentos divinos em maldição. Deus é o Deus da paz.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As lágrimas de Deus pelo Haiti são semelhantes às de Jesus diante da sepultura de Lázaro. Seu lamento ressoa no repique dos sinos que devem bater mansos, hoje, 14 de janeiro. No meu aniversário, partilho a dor dos negros, pardos e brancos que choram a morte de seus queridos ainda debaixo de escombros em Port-au-Prince.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Soli Deo Gloria&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Autor: &lt;a href="http://www.ricardogondim.com.br/Artigos/artigos.info.asp?tp=61&amp;amp;sg=0&amp;amp;id=2310"&gt;Ricardo Gondim&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/879925348218720912-6607458296668633130?l=catafatico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/Catafatico/~3/_aGj5u-jsB0/os-sinos-dobram-no-meu-aniversario.html</link><author>noreply@blogger.com (Nilton Medeiros)</author><thr:total>0</thr:total><feedburner:origLink>http://catafatico.blogspot.com/2010/01/os-sinos-dobram-no-meu-aniversario.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-879925348218720912.post-3808425440257890413</guid><pubDate>Fri, 15 Jan 2010 00:09:00 +0000</pubDate><atom:updated>2010-01-14T22:23:53.028-02:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Cristianismo</category><title>Eles não falam linguas e não entendem linguagem.</title><description>Aquilo que dia a dia mais me fascina na presente existência é justamente sua multiformidade; ou seja: sua total impossibilidade de ser percebida por um olhar ou apenas por um modo único de olhar a vida.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por isto me interesso por tudo... Tento me pôr a par de tudo... Examino todas as coisas... E, assim, à Luz do Absoluto do Evangelho, depois de a tudo ver sem medo, retenho o que seja bom; ou seja: guardo de tudo [...] aquilo que se coerentiza com o fluxo do que Jesus chama Vida.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para isto, no entanto, duas coisas são essenciais: a primeira é ter Jesus como Chave Interpretativa para Tudo na Existência; e a segunda coisa é não temer aproveitar nada que seja coerente, sensato e verdadeiro [...] apenas porque tal coisa não tenha sido explicitamente afirmada pelo Evangelho, embora mantenha sua coerência com o ensino e o espírito de Jesus.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ora, a dificuldade de tal tarefa para os crentes é que na maioria das vezes, sem que um texto, uma descoberta ou um ensino não venham a se utilizar das terminologias “teológicas ou bíblicas” — as quais para os crentes religiosos são aquilo que designa a “verdade”; ou seja: a terminologia bíblia ou teológico/cristã é também a “Verdade” do ponto de sentir dos crentes... — são considerados heréticos pelos “cristãos” apenas em razão do vernáculo, e não do conteúdo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na verdade crente não sabe interpretar!...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ou ele [o crente] ouve tudo conforme a linguagem do gueto, que é sempre a linguagem da seita [...]; ou seja: que diz dogmas que nada explicam, mas dão a sensação de continuidade e coerência aos ouvidos dos que apenas ouvem letras e nunca discernem o espírito da palavra dita e ouvida —; ou, quando assim não seja [...], então, eles [os crentes] rejeitam a mais cristalina Verdade de Deus apenas porque foi dita com palavras não usadas no gueto, ou foi expressa por um código de conhecimento científico, filosófico ou psicológico que no gueto não seja utilizado [...]; ou ainda: porque no gueto não se prepara ninguém nem para entender as Escrituras e o Evangelho, quanto mais para entender e interpretar a Verdade dita com palavras “pagãs” ou por mensageiros “não autorizados” em razão de não serem “cristãos” [...]; ou então por não falarem a nossa língua estranha de comunicação religiosa alienada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Desse modo o “crente” só considera de Deus aquilo que se declare de Deus; e, por tal razão [...] o crente também não enxerga Deus onde de Deus não se fale ou não se use nada que tenha sido “consagrado” como palavreado de Deus entre os homens...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esta foi a razão pela qual Jesus fez tanta questão de usar uma linguagem que não se conhecia...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“Por que não entendeis a minha linguagem?” — indagava Ele [...] enquanto falava a língua mais popular de Seus dias em Israel; posto que os Seus ouvintes entendessem o aramaico, mas ainda assim não compreendessem a linguagem de Jesus.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Leia: VOCÊ COMPREENDE A LINGUAGEM DE JESUS?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Meu exercício diário é entender as pessoas, os espíritos, as essências, posto que sejam essas coisas que correspondam à realidade ou à verdade do que esteja sendo dito; ainda que a linguagem ou os modos sejam diferentes dos códigos aos quais meus ouvidos tenham se habituado entender de modo relacionado às coisas de Deus.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Discernimento de espíritos e de essências é a verdadeira compreensão da linguagem de cada um, independentemente do que a pessoa fale ou de como diga o que diz.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Às vezes vejo a reação das pessoas a algo que esteja sendo dito, com verdade, embora com uma linguagem que em geral não invólucra a terminologia “cristã”... Na maioria das vezes as pessoas balançam a cabeça, ou fazem muxoxos, ou recriminam [...] — e isto apenas porque ouvem letras feitas sons, mas não ouvem a palavra, o conteúdo, a essência, o dito...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A forma mais sutil de idolatria é aquela que se vincula às palavras!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sim! Não se faz ídolos de barro ou de pedra, mas de palavras, de letras, de formas de dizer e de nomenclaturas oficiais...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A grande idolatria dos Monoteístas é a idolatria das letras e das doutrinas fixas em terminologias mais santas que a Verdade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi em razão da Idolatria à Torá [ou seja: das “Escrituras”] que Jesus não foi discernido e nem compreendido; posto que o culto a forma do dizer fosse mais importante do que o que Jesus dissesse e o que Ele fizesse como prova do amor de Deus.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim, foi e é o culto à palavra como imagem, como forma, como modo e como letra [...], justamente aquilo que mais impede as pessoas de discernirem a Palavra fora da Escritura ou do ambiente religioso e teológico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quem, todavia, não entende isto, jamais estará pronto para viver a compreensão da verdade nas linguagens mais estranhas deste mundo...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A ironia é que o “Pentecoste” dos crentes faz com que “falem em outras línguas”, mas não se façam jamais entender; ou, quando se fazem entender [...] mostram eles mesmos que nada entenderam do que ensinam e divulgam; ou, ainda, demonstram que existem para falar o que não compreendem, enquanto eles próprios não conseguem entender ou interpretar nada [...]; posto que o “Cristianismo” tenha se tornado uma religião sem interpretação [...], tamanha é a sua incapacidade de entender linguagens...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um “Pentecoste” que nos faça falar em outras línguas, mas que não nos capacite a entender muitas linguagens, não é o Pentecoste, sendo apenas mais uma terminologia de seita gerar a presunção de algo que não se compreende...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O verdadeiro Pentecoste faz falar em outras línguas, tanto quanto nos faz entender todas as linguagens humanas; posto que o verdadeiro Pentecoste não seja um fenômeno “lingüístico”, mas sim um fenômeno de discernimento, encontro e compreensão do que a vida diz, não do que os indivíduos falem; posto que o que dizem sempre vem carregado do que eu não sou; sendo, portanto, essencial que eu transcenda as formas e me vincule aos espíritos a fim de discernir o que me dizem [...] pelo que são, e não pelo que apenas falem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Pense nisso!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Autor: &lt;a href="http://www.caiofabio.com/"&gt;Caio Fabio&lt;/a&gt;.&amp;nbsp;&amp;nbsp; Via: &lt;a href="http://www.folhagospel.com/htdocs/modules/soapbox/article.php?articleID=469"&gt;Folha Gospel&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/879925348218720912-3808425440257890413?l=catafatico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/Catafatico/~3/5oCSprWPegk/eles-nao-falam-linguas-e-nao-entendem.html</link><author>noreply@blogger.com (Nilton Medeiros)</author><thr:total>0</thr:total><feedburner:origLink>http://catafatico.blogspot.com/2010/01/eles-nao-falam-linguas-e-nao-entendem.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-879925348218720912.post-8280036953644225125</guid><pubDate>Wed, 13 Jan 2010 01:55:00 +0000</pubDate><atom:updated>2010-01-12T23:55:19.999-02:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Cristianismo</category><title>Novo olhar sobre o universo</title><description>Carlos Mesters, o mais popular biblista do Brasil, sublinha que há no Antigo Testamento dois decálogos, o da Aliança e o da Criação. O da Aliança surgiu primeiro, embora o outro já existisse. Ocorre que o povo de Deus, por não levar a sério o da Aliança, não tinha olhos para perceber o Decálogo da Criação. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ao longo dos 400 anos da monarquia (de 1000 a 600 a.C.), Javé, o Deus libertador do Êxodo, foi reduzido a um ídolo manipulado pelos poderes civil e religioso para legitimar a corrupção e a ganância dos reis. E ninguém dava ouvidos às denúncias dos profetas. Até que Nabucodonosor, rei da Babilônia, invadiu a Palestina em 587 a.C. e destruiu Jerusalém. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O choque da dominação e do exílio abriu os olhos do povo de Deus para o Decálogo da Criação: “O ritmo da natureza, do sol, da lua, das estações, das chuvas, das estrelas, das plantas, revela o poder criador de Deus” – afirma Mesters. “É a expressão do bem-querer do Deus Criador, da pura gratuidade! É uma certeza que não falha. É a prova de que Deus não rejeitou seu povo. Nossa fraqueza pode levar-nos a romper com Deus (como de fato aconteceu), mas Deus não rompe conosco, pois cada manhã, através da sequência dos dias e das noites, ele nos fala ao coração”. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nossa visão do mundo interfere em nossa visão de Deus, assim como o modo de concebermos Deus influi na visão que temos da vida e do mundo. Ao longo de 1.000 anos predominou, no Ocidente, a cosmovisão de Ptolomeu, que considerava a Terra o centro do Universo. Isso favoreceu a hegemonia espiritual, cultural e econômica da Igreja, encarada pela fé como imagem da Jerusalém Celeste. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com o advento da Idade Moderna, graças à nova cosmovisão de Copérnico, logo completada por Galileu e Newton, constatou-se que a Terra é apenas um pequeno planeta que, qual mulata de escola de samba, dança em torno da própria cintura (24 horas, dia e noite) e do mestre-sala, o sol (365 dias, um ano). O paradigma da fé deu lugar à razão, a religião à ciência, Deus ao ser humano. Passou-se da visão geocêntrica à heliocêntrica, da teocêntrica à antropocêntrica. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Agora, a modernidade cede lugar à pós-modernidade. Mais uma vez, nossa visão do Universo sofre radicais mudanças. Newton cede lugar a Einstein, e o advento da astrofísica e da física quântica nos obrigam a encarar o Universo de modo diferente e, portanto, também a ideia de Deus. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se na Idade Média Deus habitava “lá em cima” e, na Idade Moderna, “aqui embaixo”, dentro do coração humano, agora conhecemos melhor o que o apóstolo Paulo quis dizer ao afirmar: "Ele não está longe de cada um de nós, pois nele vivemos, nos movemos e existimos, como alguns dentre os poetas de vocês disseram: ´Somos da raça do próprio Deus´" (Atos dos Apóstolos 17, 27-28). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A física quântica, que penetra a intimidade do átomo e descreve a dança das partículas subatômicas, nos ensina que toda a matéria, em todo o Universo, não passa de energia condensada. No interior do átomo, a nossa lógica cartesiana não funciona, pois ali predomina o princípio da indeterminação, ou seja, não se pode prever com exatidão o movimento das partículas subatômicas. Essa imprevisibilidade só predomina em duas instâncias do Universo: no interior do átomo e na liberdade humana. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em que a física quântica modifica nossa visão do Universo? Ela nos livra dos conceitos de Newton, de que o Universo é um grande relógio montado pelo divino Relojoeiro e cujo funcionamento pode ser bem conhecido estudando cada uma de suas peças. A física quântica ensina que não há o sujeito observador (o ser humano) frente ao objeto observado (o Universo). Tudo está intimamente interligado. O bater de asas de uma borboleta no Japão desencadeia uma tempestade na América do Sul... Nosso modo de examinar as partículas que se movem no interior do átomo interfere no percurso delas... Tudo que existe coexiste, subsiste, pré-existe, e há uma inseparável interação entre o ser humano e a natureza. O que fazemos à Terra provoca uma reação da parte dela. Não estamos acima dela, somos parte e resultado dela; ela é Pacha Mama ou, como diziam os antigos gregos, Gaia, um ser vivo. Deveríamos manter com ela uma relação inteligente de sustentabilidade. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esse novo paradigma científico nos permite contemplar o Universo com novos olhos. Nem tudo é Deus, mas Deus se revela em tudo. Nossa visão religiosa é agora pananteísta. Não confundir com panteísta. O panteísmo diz que todas as coisas são Deus. O pananteísmo, que Deus está em todas as coisas. “Nele vivemos, nos movemos e existimos”, como disse Paulo. E Jesus nos ensina que Deus é amor, essa energia que atrai todas as coisas, desde as moléculas que estruturam uma pedra às pessoas que comungam um projeto de vida. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como dizia Teilhard de Chardin, no amor tudo converge, de átomos, moléculas e células que formam os tecidos e órgãos do nosso corpo às galáxias que se aglomeram múltiplas nesta nossa Casa Comum que chamamos, não de Pluriverso, mas de Universo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Autor: Frei Betto. [Fonte: &lt;a href="http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?lang=PT&amp;amp;cod=44237"&gt;Adital&lt;/a&gt;]&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/879925348218720912-8280036953644225125?l=catafatico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/Catafatico/~3/M_p5RfMWpII/novo-olhar-sobre-o-universo.html</link><author>noreply@blogger.com (Nilton Medeiros)</author><thr:total>0</thr:total><feedburner:origLink>http://catafatico.blogspot.com/2010/01/novo-olhar-sobre-o-universo.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-879925348218720912.post-5454229132634450215</guid><pubDate>Sat, 09 Jan 2010 05:19:00 +0000</pubDate><atom:updated>2010-01-09T03:19:36.886-02:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Igreja</category><title>Perdoem-me o desgosto!</title><description>Perdoem-me, irmãos, eu confesso a tão aguardada confissão de minha boca. Sim, eu confesso que não posso mais deixar de declarar a minha alma. Para mim é questão de vida ou morte. Perdoem-me, irmãos, mas eu preciso confessar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sim, eu confesso...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Está insuportável. Se eu não abrir a minha boca, minha alma explodirá em mim.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É insuportável ligar a televisão e ver o culto que se faz ao Monte Sinai, que gera para escravidão. Os Gálatas são o nosso jardim da infância. Nós nos tornamos PHDs do retrocesso à Lei e aos sacrifícios. Pisa-se sobre a Cruz de Cristo em nome de Jesus. Insuportável! Seja anátema!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É insuportável ver o culto à fé na fé, e também assistir descarados convites feitos em nome de Deus para que se façam novos sacrifícios, visto que o de Jesus não foi suficiente, e Deus só atende se alguém fizer voto de freqüência ao templo, e de dinheiro aos sacerdotes do engano e da ganância. Insuportável!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É insuportável assistir ao silêncio de todos os dantes protestantes—e que até hoje ofendem os cultos afro-ameríndios por seus sacrifícios, sendo que estes ainda têm razão para sacrificar, visto que não confessam e não oram em nome de Jesus—ante o estelionato feito em e do nome de Jesus, quando se convida o povo para sacrificar a Deus, tornando o sacrifício de Jesus algo menor e dispensável. Insuportável!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É insuportável ver o povo sendo levado para debaixo do jugo da Lei quando se ressuscitam as maldições todas do Velho Testamento, e que morreram na Cruz, quando Jesus se fez maldição em nosso lugar. Insuportável!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É insuportável ver que para a maioria dos cristãos a Lei não morreu em Cristo, conforme a Palavra, visto que mantêm-na vigente como “mandamento de vida”, mas que apenas existe para gerar culpa e morte, também conforme a Escritura. Insuportável!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É insuportável ver e ouvir pastores tratando a Graça de Deus como se fosse uma parte da Revelação, como mais uma doutrina, sem discernir que não há nada, muito menos qualquer Revelação, se não houver sempre, antes, durante, depois, transcendentemente e imanentemente, Graça e apenas Graça. Misericórdia!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É insuportável ver a Bíblia sendo ensinada por cegos e que guiam outros cegos, visto que nem mesmo passaram da Bíblia como livro santo, desconhecendo a Revelação da Palavra da Graça do Evangelho de Deus. Insuportável tristeza!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É insuportável ver que os cristãos “acreditam em Deus”, sem saber que nada fazem mais que os demônios quando assim professam, posto que não estamos nesta vida para reconhecer que Deus existe, mas para amá-Lo e conhecê-Lo. Insuportável desperdício!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É insuportável enxergar que a mensagem do Evangelho foi transformada em guia religioso, no manual da verdade dos cristãos, mais uma doutrina da Terra. Insuportável humilhação!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É insuportável ver os que pensam que possuem a doutrina certa jamais terem a coragem de tentar vivê-la como mergulho existencial de plena confiança, mas tão somente como guia de bons costumes e de elevados padrões morais. Insuportável religiosidade!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É insuportável ver gente tentando “estudar Deus”, e a ensinar aos outros a “anatomia do divino”, ou a buscar analisar Deus como parte de um processo, no qual Deus está aprendendo junto conosco, não sabendo tais mestres que são apenas fabricantes de ídolos psicológicos. Insuportável sutileza!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É insuportável ver que há muitos que sabem, mas que nada dizem; vêem, mas nada demonstram; discernem, mas em nada confrontam; conhecem, mas tratam como se nada tivesse conseqüências... Insuportável... &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É insuportável ver que se prega o método de crescimento de igreja, não a Palavra; que se convida para a igreja, não mais para Jesus; e que a cada cinco anos toda a moda da igreja muda, conforme o que chamam de “novo mover”. Insuportável vazio! &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É insuportável ouvir pastores dizendo que o que você diz é verdade, mas que eles não têm coragem de botar a cara para apanhar, mesmo que seja pela verdade e pela justiça do evangelho do reino de Deus. Insuportável dissimulação!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É insuportável ver um monte de homens e mulheres velhos e adultos brincando com o nome de Deus, posando de pastores, pastoras, bispos, bispas, apóstolos e apostolas, sendo que eles mesmos não se enxergam, e não percebem o espetáculo patético no qual se tornaram, e o ridículo de suas aspirações messiânicas estereotipadas e vazias do Espírito. Insuportável jactância e loucura!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É insuportável ver Jesus sendo tratado como “poder maior” e não como único poder verdadeiro. Insuportável idolatria!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É insuportável ver o diabo ser glorificado pela freqüência com a qual se menciona o seu nome nos cultos, sendo que Paulo dele falou menos de uma dúzia de vezes em todas as suas cartas, e as alusões que Jesus fez a ele foram mínimas. No entanto, entre nós o diabo está entronizado como o inimigo de Cristo e o Senhor das Culpas e Medos. E, assim, pela freqüência com a qual ele é mencionado, ele é crido; e seu poder cresce na alma dos humanos, a maioria dos quais sabe apenas do Medo da Lei, e nada acerca da Total Libertação que temos da Lei e do diabo na Graça de Jesus, que o despojou na Cruz. Insuportável culto!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É insuportável ver seres humanos sendo jogados fora do lugar de culto por causa de comida, bebida, cigarro, roupa, sexualidade, ou catástrofes de existência. Isto enquanto se alimenta o povo com maldade, inveja, mentira, politicagem, facções, e maldições. Insuportável é coar o mosquito e engolir o camelo!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É chegada a hora do juízo sobre a Casa de Deus!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De Deus não se zomba, pois aquilo que o homem semear, isto também ceifará. A eternidade está às portas. Então todos saberão que não minto, mas falo a verdade, conforme a Palavra do Evangelho de Jesus.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com tremor e temor, porém certo da verdade de Jesus,&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;a href="http://www.caiofabio.com/2009/conteudo.asp?codigo=02679"&gt;Caio&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/879925348218720912-5454229132634450215?l=catafatico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/Catafatico/~3/6HNQlD0EiO8/perdoem-me-o-desgosto.html</link><author>noreply@blogger.com (Nilton Medeiros)</author><thr:total>0</thr:total><feedburner:origLink>http://catafatico.blogspot.com/2010/01/perdoem-me-o-desgosto.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-879925348218720912.post-8310142666967851959</guid><pubDate>Wed, 06 Jan 2010 13:57:00 +0000</pubDate><atom:updated>2010-01-06T11:57:18.909-02:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Sociedade</category><title>É a treva: rumo ao desastre</title><description>Uma jovem e talentosa atriz de uma novela muito popular, Beatriz Drumond, sempre que fracassam seus planos, usa o bordão: ‘É a treva’. Não me vem à mente outra expressão ao assistir o melancólico desfecho da COP 15 sobre as mudanças climáticas em Copenhague: é a treva! Sim, a humanidade penetrou numa zona de treva e de horror. Estamos indo ao encontro do desastre. Anos de preparação, dez dias de discussão, a presença dos principais líderes políticos do mundo não foram suficientes para espancar a treva mediante um acordo consensuado de redução de gases de efeito estufa que impedisse chegar a dois graus Celsius. Ultrapassado esse nível e beirando os três graus, o clima não seria mais controlável e estaríamos entregues à lógica do caos destrutivo, ameaçando a biodiversidade e dizimando milhões e milhões de pessoas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Presidente Lula, em sua intervenção no dia mesmo do encerramento, 18 de dezembro, foi a único a dizer a verdade: faltou-nos inteligência porque os poderosos preferiram barganhar vantagens a salvar a vida da Terra e os seres humanos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Duas lições se podem tirar do fracasso em Copenhague: a primeira é a consciência coletiva de que o aquecimento é um fato irreversível, do qual todos somos responsáveis, mas principalmente os países ricos. E que agora somos também responsáveis, cada um em sua medida, do controle do aquecimento para que não seja catastrófico para a natureza e para a humanidade. A consciência da humanidade nunca mais será a mesma depois de Copenhague. Se houve essa consciência coletiva, por que não se chegou a nenhum consenso acerca das medidas de controle das mudanças climáticas?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Aqui surge a segunda lição que importa tirar da COP 15 de Copenhague: o grande vilão é o sistema do capital com sua correspondente cultura consumista. Enquanto mantivermos o sistema capitalista mundialmente articulado será impossível um consenso que coloque no centro a vida, a humanidade e a Terra e se tomar medidas para preservá-las. Para ele centralidade possui o lucro, a acumulação privada e o aumento de poder de competição. Há muito tempo que distorceu a natureza da economia como técnica e arte de produção dos bens necessários à vida. Ele a transformou numa brutal técnica de criação de riqueza por si mesma sem qualquer outra consideração. Essa riqueza nem sequer é para ser desfrutada mas para produzir mais riqueza ainda, numa lógica obsessiva e sem freios.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por isso que ecologia e capitalismo se negam frontalmente. Não há acordo possível. O discurso ecológico procura o equilíbrio de todos os fatores, a sinergia com a natureza e o espírito de cooperação. O capitalismo rompe com o equilíbrio ao sobrepor-se à natureza, estabelece uma competição feroz entre todos e pretende tirar tudo da Terra, até que ela não consiga se reproduzir. Se ele assume o discurso ecológico é para ter ganhos com ele.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ademais, o capitalismo é incompatível com a vida. A vida pede cuidado e cooperação. O capitalismo sacrifica vidas, cria trabalhadores que são verdadeiros escravos ‘pro tempore’ e pratica trabalho infantil em vários países.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os negociadores e os lideres políticos em Copenhague ficaram reféns deste sistema. Essa barganha; quer ter lucros; não hesita em por em risco o futuro da vida. Sua tendência é autosuicidária. Que acordo poderá haver entre os lobos e os cordeiros, quer dizer, entre a natureza que grita por respeito e os que a devastam sem piedade?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por isso, quem entende a lógica do capital, não se surpreende com o fracasso da COP 15 em Copenhague. O único que ergueu a voz, solitária, como um louco numa sociedade de sábios, foi o presidente Evo Morales: Ou superamos o capitalismo ou ele destruirá a Mãe Terra.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Gostemos ou não gostemos, esta é a pura verdade. Copenhague tirou a máscara do capitalismo, incapaz de fazer consensos porque pouco lhe importa a vida e a Terra, mas antes as vantagens e os lucros materiais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Autor: Leonardo Boff,&amp;nbsp;teólogo, filósofo e escritor.&amp;nbsp;&amp;nbsp; via site: &lt;a href="http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?lang=PT&amp;amp;cod=44229"&gt;Adital&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/879925348218720912-8310142666967851959?l=catafatico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/Catafatico/~3/SpRDP9Xf9FA/e-treva-rumo-ao-desastre.html</link><author>noreply@blogger.com (Nilton Medeiros)</author><thr:total>0</thr:total><feedburner:origLink>http://catafatico.blogspot.com/2010/01/e-treva-rumo-ao-desastre.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-879925348218720912.post-8115722309930812145</guid><pubDate>Sat, 02 Jan 2010 18:05:00 +0000</pubDate><atom:updated>2010-01-02T16:31:51.076-02:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Cristianismo</category><title>Ele é Jesus</title><description>Por que tu choras ó alma inquieta,&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por que estás triste ó coração?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ouve o que diz o teu profeta,&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Pois hoje é tempo de salvação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quem hoje chora terá consolo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não sejas tolo, prefere a cruz.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Vida que é vida só será vida&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se concebida em Cristo Jesus.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tão fria e escura sombra da morte,&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quem ouve busca e muda a sorte.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Onde ele entrar haverá luz,&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ele é o caminho, ele é Jesus.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É luz é vida ele é verdade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entrega a ele tua ansiedade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É paz é graça e te conduz.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ele é o caminho, ele é Jesus.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Alma ferida, vem sem demora,&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Jesus te chama, oh vem agora,&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Aos quebrantados eu curarei,&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Aprisionados libertarei.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Aos enlutados consolarei,&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Este é o dia, proclamarei.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É só buscar de coração,&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Pois hoje é tempo de salvação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp; &lt;br /&gt;
No You tube: &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=pQAk1ROTk_E"&gt;http://www.youtube.com/watch?v=pQAk1ROTk_E&lt;/a&gt; &lt;br /&gt;
&amp;nbsp; &lt;br /&gt;
&amp;nbsp; &lt;br /&gt;
Letra: Delis Ortiz&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Musica: Toninho Zemuner &lt;br /&gt;
&amp;nbsp;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/879925348218720912-8115722309930812145?l=catafatico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/Catafatico/~3/5ZEWCw8L_j0/ele-e-jesus.html</link><author>noreply@blogger.com (Nilton Medeiros)</author><thr:total>0</thr:total><feedburner:origLink>http://catafatico.blogspot.com/2010/01/ele-e-jesus.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-879925348218720912.post-5458590601427747893</guid><pubDate>Tue, 24 Nov 2009 09:49:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-11-24T07:49:43.438-02:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Insight</category><title>Mapeando o Deus que não faz barganhas</title><description>Falar é interpretar, escrever é ler, e todo vocabulário contém em si sua própria mitologia1. Na literatura recente e emergente de espiritualidade cristã, um dos modos mais populares de se descrever a postura divina está na idéia de que – para usar a expressão do modo como a uso sempre – Deus não faz barganhas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quem interpreta a coisa dessa forma enxerga com dardejante clareza que, como apresentado na Bíblia (ou, pelo menos, nos evangelhos), o Deus da Bíblia (em contraposição ao mais inofensivo – e, digamos, mais pagão – Deus do cristianismo institucional) absolutamente não se dobra barganhas: não as oferece, não as estimula e, no fim das contas, não as aceita. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esta, que eu saiba, é uma leitura muito recente do texto bíblico. Pode ter espreitado desde sempre, em regime potencial, nas páginas da Bíblia; pode ser uma leitura acurada, «Não há privilégios, não há abatimentos e não há desculpas no reino do céu.» coerente e no fim das contas muito natural, mas penso só ter sido articulada com a devida contundência em tempos recentes. Na verdade, pode ser que tenha sido apenas recentemente que a humanidade tenha adquirido as ferramentas necessárias para apreender este aspecto da revelação na inteireza de seu caráter revolucionário e desconcertante beleza. A noção de um Deus que não faz barganhas encontra muita ressonância na cínica e generosa cosmovisão pós-moderna, pois propõe ou demonstra uma divindade inclusiva e subversiva, inteiramente à margem das estruturas e sistemas usuais de poder. Fala de um Deus livre, gratuito e libertário: free as in beer, free as in freedom.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um dos maiores campeões contemporâneos desta leitura do Deus cristão e de sua Bíblia é o insubmisso Brennan Manning, que em provocações como O Evangelho Maltrapilho propõe aos seus ouvintes um retorno radical à mais radical das idéias cristãs: a da graça pura, simples (”e sem gelo”) – aquela que não requer nada em troca e por isso abomina e exclui qualquer mecanismo de retribuição, negociação, crédito ou descrédito. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No Brasil, provavelmente ninguém trabalhou mais para divulgar esta singela revolução do que o sempre incandescente reverendo Caio Fábio. Um de seus livros mais populares,«Todos que acolhe em seu reino Deus serve da mesma forma.» escrito em 2002 mas que recupera idéias de obras anteriores, chama-se precisamente Sem barganhas com Deus. O evangelho, explica Caio Fábio, existe para denunciar e reverter a Teologia Moral de Causa e Efeito, que permanece sendo, em última análise, a teologia da igreja cristã – “uma quase-graça que, não sendo totalmente-graça, é des-graça”. E, dizendo isso, o brasileiro Caio Fábio ecoa sem ruído o norte-americano Manning: “Dito sem rodeios: a igreja evangélica dos nossos dias aceita a graça na teoria, mas nega-a na prática. Dizemos acreditar que a estrutura mais fundamental da realidade é a graça, não as obras – mas nossa vida refuta a nossa fé”.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se digo tudo isso é para fazer uma confissão e para dar um testemunho.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A confissão é que embora endosse a idéia como se fosse minha e tenha me tornado praticamente incapaz de ler a Bíblia sem que seja através da sua lente, não cheguei por mim mesmo à noção do Deus que não faz barganhas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O testemunho é que não foram Caio Fábio ou Brennan Mannigan que me conduziram a ela, mas – mais uma vez – a prosa lúcida do agnóstico H. G. Wells. Em outro trecho de sua Breve História do Tempo (1922), Wells segue expondo sua visão sobre as impensáveis demandas do ensino de Jesus:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os judeus estavam persuadidos de que Deus, o único Deus do mundo inteiro, era um Deus justo – mas achavam também que fosse um Deus negociador, que fizera acerca deles uma barganha com seu patriarca Abraão (uma barganha na verdade muito favorável para eles), de alçá-los por fim à supremacia sobre a terra. Com horror e ódio eles ouviram Jesus varrendo para longe essas suas acalentadas seguranças. Deus, ensinava ele, não fazia barganhas; não havia povo escolhido nem favoritos no reino do céu. Deus era o pai amoroso de toda a vida, tão incapaz de demonstrar favoritismo quanto o universal sol. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Todos os homens eram irmãos – tanto os pecadores quanto os filhos amados – desse divino pai. Na parábola do bom samaritano Jesus lança seu escárnio contra nossa tendência natural a glorificar nossa própria gente e minimizar a virtude dos povos de outros credos e raças. Na parábola dos trabalhadores ele rejeita a pretensão obstinada dos judeus de possuírem um crédito especial diante de Deus. Todos que Deus acolhe em seu reino, ensinava ele, Deus serve da mesma forma; não há distinção no seu tratamento, porque não há medida para sua liberalidade. De todos, além disso – como dá testemunho a parábola dos talentos e reforça o episódio da moeda da viúva, – ele exige o absoluto máximo. Não há privilégios, não há abatimentos e não há desculpas no reino do céu.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Porém não era apenas o patriotismo tribal dos judeus que Jesus ultrajava. Os judeus eram um povo que valorizava intensamente a lealdade familiar, e Jesus queria que a estreiteza das restritas afeições familiares fosse levada de arrasto pela grande torrente do amor de Deus. Para os seus seguidores, “família” deveria ser o reino do céu inteiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Jesus não se contentava ainda em investir contra o patriotismo e contra os laços de família em nome da paternidade universal de Deus e da irmandade de toda a humanidade; fica claro que seu ensino condenava também todas as gradações do sistema econômico, toda a riqueza privada e todas as vantagens pessoais. Todos os homens pertenciam ao reino; todas as suas posses pertenciam ao reino; o modo de vida íntegro para todos os homens, o único modo de vida íntegro, era o serviço de Deus com tudo que temos, com tudo que somos – pelo que, vez após outra, Jesus denunciava as riquezas privadas e as reservas de qualquer vida privada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Finalmente, em sua tremenda profetização desse reino que consistia em todos os homens unidos em Deus, Jesus reservava pouca paciência para com a integridade de barganha da religião formal. Uma porção significativa de suas palavras registradas nos evangelhos está dirigida contra a meticulosa observância de regras por parte dos seguidores da piedosa carreira.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Autor: Paulo Brabo em seu blog &lt;a href="http://www.baciadasalmas.com/2009/mapeando-o-deus-que-nao-faz-barganhas/"&gt;A bacia das almas&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/879925348218720912-5458590601427747893?l=catafatico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/Catafatico/~3/BjVkSdWOgcw/mapeando-o-deus-que-nao-faz-barganhas.html</link><author>noreply@blogger.com (Nilton Medeiros)</author><thr:total>0</thr:total><feedburner:origLink>http://catafatico.blogspot.com/2009/11/mapeando-o-deus-que-nao-faz-barganhas.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-879925348218720912.post-2834667901625821240</guid><pubDate>Tue, 24 Nov 2009 09:30:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-11-24T07:30:01.165-02:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Cristianismo</category><title>O amor e os abraços</title><description>“Os humanos sofrem bastante. Muito, para não dizer a maior parte, do nosso sofrimento tem origem na relação com aqueles que nos amam. Estou constantemente ciente de que a minha agonia profunda provém não dos terríveis eventos que leio nos jornais ou vejo na televisão, mas da relação com as pessoas com quem partilho a minha vida diária. São precisamente os homens e mulheres, que me amam e que estão muito perto de mim, os que me ferem. À medida que ficamos mais velhos, geralmente vamos descobrindo que nem sempre fomos bem amados. Com frequência, os que nos amaram também nos usaram. Os que se interessaram por nós foram, por vezes, também invejosos. Os que nos deram muito, por vezes, exigiram também muito em troca. Os que nos protegeram quiseram também possuir-nos nos momentos críticos. Habitualmente, sentimos a necessidade de esclarecer como e por que é que estamos feridos; e, com frequência, chegamos à alarmante descoberta de que o amor que recebemos não foi tão puro e simples como tínhamos julgado. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É importante esclarecer estas coisas, especialmente quando nos sentimos paralisados por medos, preocupações e anseios obscuros que não compreendemos. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas compreender as nossas feridas não basta. Ao fim, temos que encontrar a liberdade para passar por cima das nossas feridas e a coragem para perdoar aos que nos feriram. O verdadeiro perigo está em ficarmos paralisados pela raiva e pelo ressentimento. Então começaremos a viver o complexo do 'ferido', queixando-nos sempre de que a vida não é 'justa'. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Jesus veio livrar-nos destas queixas auto-destrutivas. Ele nos ensina a por de lado as nossas queixas, perdoar os que nos amaram mal, passar por cima da sensação que temos de sermos rejeitados e ganharmos coragem para acreditar que não cairemos no abismo do nada, mas no abraço seguro de Deus cujo amor curará todas as nossas feridas.” &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[Henri Nouwen]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Deus tem um coração que abraça o mundo. Não pode ser outro o nosso coração. O amor de Deus não pode ser contido. Sempre que derramado sobre alguém, transborda para quem está em volta. E quanto mais se derrama, mais se espalha. Não faz sentido pretender abraçar o mundo sem a disposição de amar quem está ao lado. Nisso consiste o desafio do amor: amar quem não nos amou bem, quem nos feriu, quem nos usou ou de nós abusou, amar quem nos oprimiu com seu amor não tão puro, ou com seu jeito meio estúpido de ser e amar. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Demorou muito para que eu percebesse que quando Jesus disse que deveríamos amar nossos inimigos e aqueles que nos perseguem, na verdade estava falando inclusive de nossos familiares ou das pessoas com quem cultivamos as relações mais afetivas e fraternas. Nouwen tem razão, “à medida que ficamos mais velhos, geralmente ficamos mais capazes de discernir os falsos amores”. Mas é igualmente a maturidade que nasce das dores de amor, que nos capacita a amar verdadeiramente. Talvez por isso o apóstolo Paulo testemunhou que, ao deixar as coisas de meninos e meninas, descobrimos o amor de Deus e, no amor de Deus, o poder de amar. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Autor: &lt;a href="http://www.ibab.com.br/ed091122.html"&gt;Ed Réne Kivitz&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/879925348218720912-2834667901625821240?l=catafatico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/Catafatico/~3/yxqDYai0SFU/o-amor-e-os-abracos.html</link><author>noreply@blogger.com (Nilton Medeiros)</author><thr:total>0</thr:total><feedburner:origLink>http://catafatico.blogspot.com/2009/11/o-amor-e-os-abracos.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-879925348218720912.post-5371347488629580135</guid><pubDate>Sun, 22 Nov 2009 01:35:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-11-21T23:35:48.079-02:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Insight</category><title>A arte de viver</title><description>Definitivamente viver não é fácil. Basta observar as fatalidades que poluem as estradas da história. Milhões morreram sem conseguir aprimorar-se na difícil arte de existir. A vida muitas vezes é áspera, arriscada e sempre perigosa. A toada inclemente do tempo, a tensão de ter que conviver com pessoas impiedosas, o peso de ter que decidir entre o certo e o errado exigem cuidados extremos. Não basta viver -- é preciso viver bem e para isso é necessário concentração, bom siso e uma pitada de humildade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A arte de viver requer que se rompam os confinamentos. Toda marginalização ou reclusão imposta é nitroglicerina que detona a alma e forma abismos que sorvem a alegria de viver. No ventre da história conturbada e triste do século 21, somente artistas e poetas conseguiram recuperar o verbo coexistir de sua insignificante função. Antigamente coexistir descrevia a tolerância como mero dever. Os civilizados precisavam de resignação para aguentar o próximo. De repente, coexistir passou a significar a beleza de reconhecer a dignidade dos que pensam diferente, transmitindo a ideia de que ninguém será discriminado, diminuído ou marginalizado por causa de sua fé, cor da pele ou ideologia política.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As diferentes cosmovisões possuem valor idêntico. Na boca dos poetas, as expectativas dos profetas por um mundo sem cadeias de absolutismo já começaram a acontecer. Eles intuem que em breve a humanidade não suportará racismos, ódios e desprezos sociais. Um dia, os campos de batalha serão arados e semeados com amor para que nunca mais se confunda o choro de crianças com os hinos marciais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A arte de viver requer que se ame a poesia. Só ela pode apagar o ódio. Os poetas se unirão a homens e mulheres de boa vontade para soterrar os charcos da maldade com benignidade e beleza. Estes serão chamados filhos de Deus, pois carregam o antídoto capaz de salvar o mundo. Nervos gripados de vingança e olhos enrubescidos de brutalidade se confrontarão com a singeleza da palavra, mas a ternura triunfará -- quem tem ouvidos para ouvir, ouça.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A arte de viver requer que sempre se opte pela simplicidade, porque a vida verdadeira se esconde na realidade mais frágil. Os que se encantam com as sofisticações não conseguem enxergar a beleza que mora nas coisas efêmeras; só o insubstancial é eterno. É necessário um olhar singelo para perceber a graça que há no comum. Os pobres de espírito entrarão nos átrios sagrados de Deus. Os puros de coração perceberão na bruma silenciosa a voz do Espírito.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A arte de viver requer integridade. Uma vida abundante precisa juntar os fragmentos da alma para viver com uma santidade não restrita à obediência religiosa ou ao cumprimento de mandamentos moralistas. Não basta resignar-se. Santidade é plenitude do ser, do ser-homem, do ser-mulher. Só os verdadeiramente santos eternizam os instantes para, inteiros, saborearem as chances fugazes de felicidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A arte de viver requer respeito aos ciclos da vida. As estações se alternam do verão ao inverno, da primavera ao outono, e quem não experimenta cada tempo com suas peculiaridades acaba adoecendo. No tempo de nascer faz-se festa, no de morrer lamento; no tempo de plantar semeia-se esperança, no de colher o que foi plantado lida-se com a derrota; no tempo de matar se aprende a dizer adeus, no de sarar o poder do perdão; no tempo de demolir se despede da onipotência, no de construir adquire-se fé na ressurreição; no tempo de chorar se convive com a fraqueza, no de rir com a força da alegria; no tempo da guerra se percebe o perigo da perversidade, no da paz a felicidade da sabedoria.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A arte de viver requer sensibilidade transcendental. Contentar-se com os horizontes do mundo material e imanente significa abrir mão da vida eterna. Os seres humanos nasceram com sede pelo que está além do céu, além da última galáxia, além do tempo Pulsa no coração humano a litania que repete: “Por que te escondes, Senhor?”. Tudo passa. Todas as emoções perdem o encanto. Todos os prazeres são provisórios, mas a sede pelo divino permanece. Quem beber de um gole d’água da vida, quem receber uma visitação do Espírito e quem ouvir uma só palavra do Cordeiro de Deus, jamais se contentará com o brilho deste mundo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A difícil arte de viver não aceita procrastinação. Quem deseja experimentar o céu e evitar o inferno deve começar já, antes que se rompa o fio de prata.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Soli Deo Gloria&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Autor: &lt;a href="http://www.ricardogondim.com.br/Artigos/artigos.info.asp?tp=65&amp;amp;sg=0&amp;amp;id=2296"&gt;Ricardo Gondim.&lt;/a&gt; &lt;br /&gt;
&amp;nbsp; &lt;br /&gt;
&amp;nbsp;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/879925348218720912-5371347488629580135?l=catafatico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/Catafatico/~3/_FSwhtOVPJM/arte-de-viver.html</link><author>noreply@blogger.com (Nilton Medeiros)</author><thr:total>0</thr:total><feedburner:origLink>http://catafatico.blogspot.com/2009/11/arte-de-viver.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-879925348218720912.post-8754193732268119072</guid><pubDate>Fri, 11 Sep 2009 23:59:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-09-11T20:59:00.093-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Insight</category><title>Duas leis a respeito da administração de riquezas</title><description>Outro dia um casal amigo precisou de subsídios para decidir a venda de um dos seus imóveis. Na verdade, era bem mais do que um imóvel, era uma propriedade que simbolizava anos de sua parceria conjugal, um lugar muito especial, daqueles feitos a quatro mãos com todos os detalhes contando uma história. Depois de conversar ao telefone, dediquei alguns instantes à oração e depois escrevi para eles um texto resumindo algumas coisas interessantes que aprendi com os rabinos, com referência especial a Nilton Bonder, A cabala do dinheiro, a respeito de propriedades e posses. Duas especialmente. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A primeira é a "lei do máximo proveito", que diz que o justo não abre mão do que é seu, mas percebe quando o que é seu lhe representa maior ganho não mais sendo seu. O justo passa adiante sua propriedade quando esta transação de transferir a posse lhe proporciona mais prazer, conforto e retorno. Isto é, o justo sabe quando o máximo proveito de uma propriedade está em abrir mão dela. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Conta-se que o Reb Zalman foi abordado por uma pessoa que ficou maravilhada pelas cores do seu manto. A reação dessa pessoa foi tão intensa que o Reb Zalman ofereceu-lhe o manto de presente. O Reb percebeu que a pessoa havia ultrapassado o limite de desejo e naquele instante houve uma mudança sutil no nível de "direito de propriedade". Reb Zalman poderia ter retido o manto, mas não quis, pois já não lhe pertencia mais, isto é, o máximo proveito que ele poderia extrair de sua propriedade naquele momento era ofertá-la. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em outras palavras, existe no universo uma cadeia ou fluxo de posses, e a riqueza do universo consiste em entrar na onda desse fluxo, sem represar nem desperdiçar nada. A gente tem que saber quando uma propriedade começa a desequilibrar o universo ficando em nossas mãos. Às vezes, abrir mão de uma propriedade é uma forma de alimentar esse fluxo de riquezas que gera mais riquezas para nós e para as pessoas ao nosso redor. Lembro de uma expressão que muito me desafia: "Quando você tem uma coisa que não pode entregar nas mãos de Deus, na verdade não é você quem tem a coisa, é a coisa quem tem você". E quando uma coisa tem a gente, é muito perigoso ficar com ela na mão. O melhor proveito está em abrir mão daquilo. Sempre digo a Deus que não quero deixar de lado qualquer coisa que Ele queira me dar, mas também não quero ter nas mãos qualquer coisa que não tenha sido abençoada por Ele. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O outro ensinamento dos rabinos trata do que eu chamo de "lei do enriquecimento integral". Todos nós temos várias contas correntes: saúde, caráter, relacionamentos, dinheiro, realização, conforto, tranqüilidade, sono, coração e consciência em paz, e assim por diante. O enriquecimento integral acontece quando a gente consegue fazer com que todas as contas cresçam ao mesmo tempo. O justo jamais saca da conta caráter para depositar na conta corrente; jamais saca da conta família para depositar na conta realização pessoal. Mais do que isso, o justo sabe quais das contas sacrificar mais e quais sacrificar menos. Isto é, na hora de escolher entre perder dinheiro e perder a integridade, o justo sempre perde dinheiro. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esse ensinamento me traz duas considerações. A primeira é que o bem estar pessoal e familiar, o conforto, a tranqüilidade e a paz de espírito são riquezas imensuráveis. Não devemos nem precisamos abrir mão de uma vida confortável. Apenas devemos cultivar um coração capaz de viver no desconforto sem murmurar e sem permitir que isso nos infelicite. Tem gente, por exemplo, que prefere perder dinheiro que perder a paz de espírito, a pureza da consciência e leveza do sono. Prefere abrir mão de uma propriedade que comprometer seu ambiente familiar com ansiedade e o stress de uma dívida ou de uma vida com inquietações desnecessárias ou que poderiam ser evitadas. Em outras palavras, todos nós devemos fazer uma lista de valores inegociáveis. Caso você não a tenha, é bom providenciar com urgência, e depois verificar se Deus concorda com ela. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A segunda aplicação é que sempre devemos fazer distinção entre perda e transferência. Às vezes, queimamos riquezas de uma conta para cobrir os déficits de outra. Mas há casos quando transferimos fundos. Como sabemos a diferença? Quando o depósito numa conta não é uma forma de gerar mais riqueza, então estou pagando dívida. Mas quando o depósito em uma conta gera mais riqueza, então estou fazendo investimento, alavancando resultados, multiplicando recursos e fazendo transferência de fundos. Precisamos discernir quais as contas estão desequilibradas ou precisando de um reforço. E precisamos saber de qual conta vamos sacar o necessário para promover o equilíbrio ou potencialização. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por exemplo, vale a pena ser promovido para ter um percentual de aumento de salário e partir da nova função ter que viajar e passar a semana longe da família? A recusa do novo cargo acarreta danos aos meus projetos profissionais, e caso positivo, ainda assim, vale a pena ficar longe de casa? Ou, então, esse é mesmo o momento de iniciar uma pós-graduação? Quais as contas ficarão descobertas ou sofrerão saques durante este período? Será que vale mesmo a pena comprar um terreno que vale 70 mil reais sendo que para conseguir os tais 70 mil eu vou me comprometer com dois plantões semanais durante dois anos? Às vezes precisamos dedicar mais atenção à conta "trabalho", em detrimento de outras, porque o momento exige, e de vez em quando precisamos colocar a conta trabalho em segundo plano para cuidar da conta "filhos" ou "cônjuge". &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Portanto, para administrar posses, sempre me pergunto se terei mais ganho retendo ou transacionando (comprando, vendendo, doando) o objeto? No caso optar por transacionar o objeto, de qual(ais) conta(s) estou sacando e em qual(ais) conta(s) estou depositando? Esta transação do objeto é uma queima de gordura para quitar débitos, um desperdício de recursos, ou uma forma de investimento para alavancar mais riquezas (em todas as dimensões)?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Autor: Ed René Kivitz&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; [ fonte: &lt;a href="http://www.betesdaantoniobezerra.com.br/informes/mostranews.php?id=312"&gt;Igreja Betesda Antonio Bezerra&lt;/a&gt; ].&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/879925348218720912-8754193732268119072?l=catafatico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/Catafatico/~3/sxBG4nn0PFA/duas-leis-respeito-da-administracao-de.html</link><author>noreply@blogger.com (Nilton Medeiros)</author><thr:total>0</thr:total><feedburner:origLink>http://catafatico.blogspot.com/2009/09/duas-leis-respeito-da-administracao-de.html</feedburner:origLink></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-879925348218720912.post-375070518587786285</guid><pubDate>Fri, 11 Sep 2009 23:56:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-09-11T20:56:29.282-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Insight</category><title>Eclesiastes, sempre Eclesiastes</title><description>A vida dá guinadas. O torvelinhar dos vendavais joga a existência contra rochedos pontiagudos. Impotentes, somos tangidos por decisões alheias. Inaptos e entupidos de receios, notamos nossa história tornar-se um trágico enredo de folhetim. O que fazer? Não dispomos de meios para controlar, subjugar, impor, nossa estúpida vontade. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A vida esbofeteia. A reputação protegida despenca até bater no lajeado seco. Piranhas, de fisgada em fisgada, nos tiram a vontade. Nossa dignidade é arrancada devagarinho. Dói descobrir que não somos o personagem que imaginávamos. O esforço para não repetir desastres, pifou. Prometemos não perpetuar ciclos e mordemos a língua. Juramos que não aceitaríamos repetir biografias, tudo inútil. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A vida se esvai sem muitas opções. Longevidade cobra em libras esterlinas. Quem durar se condena a encarquilhar. Morrer cedo ou virar caquético, eis a questão! Lemos, aprendemos, amamos e nos emocionamos, mas uma foice pode acabar com tudo. Basta um coágulo, um aneurisma, um curto circuito em uma sinapse e vegetamos. O tiquetaqueador genético não acompanha os cronômetros. Poucos, pela robustez, dão prejuízo às companhias de seguro. A grande maioria, previsívelmente, se esmiuça. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A vida exige conformação. Não adianta relutar. Azeda quem não aceita solavancos, dias maus, lobos e traições. Indinação somatiza úlcera duodenal. Os revoltados esmurram pontas de faca. As oligarquias se perpetuam nos palácios. Chacais, em matilhas, continuarão a vagar pelo parlamento. Amebas infestarão as águas bentas. Sarnentos vão calar o profeta. O Coisa-ruim continuará a degolar as santas. O Tinhoso se confundirá com o pregoeiro da justiça.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A vida debilita. Portanto, os impotentes, só eles, conseguem viver um dia de cada vez. Todos os demais se condenam ao enfado. Resta reafirmar: bem aventurados os humildes. Eles esperam o Reino que, fora da história, foi o tema de Jesus. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Soli Deo Gloria&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Autor: &lt;a href="http://www.ricardogondim.com.br/Artigos/artigos.info.asp?tp=65&amp;amp;sg=0&amp;amp;id=2270"&gt;Ricardo Gondim&lt;/a&gt;. &lt;br /&gt;
&amp;nbsp; &lt;br /&gt;
&amp;nbsp;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/879925348218720912-375070518587786285?l=catafatico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://feedproxy.google.com/~r/Catafatico/~3/awRV8YIorjQ/eclesiastes-sempre-eclesiastes.html</link><author>noreply@blogger.com (Nilton Medeiros)</author><thr:total>0</thr:total><feedburner:origLink>http://catafatico.blogspot.com/2009/09/eclesiastes-sempre-eclesiastes.html</feedburner:origLink></item><language>en-us</language><media:rating>nonadult</media:rating></channel></rss>

