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	<title>Blog dos Poetas</title>
	
	<link>http://blog.sitedepoesias.com.br</link>
	<description>Poemas de escritores famosos e consagrados</description>
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		<title>Coitado! que em um tempo choro e rio - por  Luís Vaz de Camões</title>
		<link>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/coitado-que-em-um-tempo-choro-e-rio/</link>
		<comments>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/coitado-que-em-um-tempo-choro-e-rio/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 14 Mar 2010 04:39:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ederson Peka</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Luís Vaz de Camões]]></category>

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		<description><![CDATA[Queria, se ser pudesse, o impossível;
Queria poder mudar-me e estar quedo;
Usar de liberdade e estar cativo;
Queria que visto fosse e invisível;]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Coitado! que em um tempo choro e rio<br />
Espero e temo, quero e aborreço;<br />
Juntamente me alegro e entristeço;<br />
Du&#8217;a cousa confio e desconfio.</p>
<p>Voo sem asas; estou cego e guio;<br />
E no que valho mais menos mereço.<br />
Calo e dou vozes, falo e emudeço,<br />
Nada me contradiz, e eu aporfio.</p>
<p>Queria, se ser pudesse, o impossível;<br />
Queria poder mudar-me e estar quedo;<br />
Usar de liberdade e estar cativo;</p>
<p>Queria que visto fosse e invisível;<br />
Queira desenredar-me e mais me enredo:<br />
Tais os extremos em que triste vivo!</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Maria do Futuro - por  Taiguara</title>
		<link>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/maria-do-futuro/</link>
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		<pubDate>Thu, 11 Mar 2010 06:00:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Célia de Lima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Taiguara]]></category>

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		<description><![CDATA[E em cadeias de amor puro viver guardado]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Duna branca, lua imensa, Maria deita<br />
nua e branda como as nuvens que a lua enleita.<br />
Duas tranças, uma flor e Maria enfeita<br />
suas mansas curvas cheias que a areia aceita.</p>
<p>Era noite de verão,<br />
vi o amor nascer num sorriso seu.<br />
O luar me convidou,<br />
o mar nos temperou e ela me envolveu&#8230;</p>
<p>Nessa rede ela prendeu<br />
minha dor civil, minha solidão.<br />
Nessa rede eu vi nascer minha liberdade.</p>
<p>Tua rede, minha sede,<br />
e o amor te trouxe&#8230;<br />
Quero ver o mar salgando teu seio doce&#8230;<br />
E em cadeias de amor puro<br />
viver guardado&#8230;<br />
Joga areias do futuro no meu passado.</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Hino à Razão - por  Antero de Quental</title>
		<link>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/hino-a-razao/</link>
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		<pubDate>Sun, 07 Mar 2010 05:50:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ederson Peka</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Antero de Quental]]></category>

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		<description><![CDATA[É por ti que a virtude prevalece,
E a flor do heroísmo medra e viça.
Por ti, na arena trágica, as nações
Buscam a liberdade, entre os clarões...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Razão, irmã do Amor e da Justiça,<br />
Mais uma vez escuta a minha prece.<br />
É a voz dum coração que te apetece,<br />
Duma alma livre, só a ti submissa.</p>
<p>Por ti é que a poeira movediça<br />
De astros e sóis e mundos permanece;<br />
E é por ti que a virtude prevalece,<br />
E a flor do heroísmo medra e viça.</p>
<p>Por ti, na arena trágica, as nações<br />
Buscam a liberdade, entre os clarões;<br />
E os que olham o futuro e cismam, mudos,</p>
<p>Por ti, podem sofrer e não se abatem,<br />
Mãe de filhos robustos, que combatem<br />
Tendo o teu nome escrito em seus escudos!</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Intransitivo - por  Bruna Lombardi</title>
		<link>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/intransitivo/</link>
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		<pubDate>Thu, 04 Mar 2010 04:00:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Célia de Lima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Bruna Lombardi]]></category>

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		<description><![CDATA[deveríamos desobedecer secretamente a nós mesmos,
imitar um pouco mais os bichos]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A carne anda cada vez mais fraca<br />
e o silencio cada vez mais comprometedor<br />
cômicos somos nós que estamos falando sério<br />
e pobres são todos, de uma pobreza irremediável<br />
de uma doença incurável, apesar de todos os esforços<br />
da medicina, da psicoterapia, da parapsicologia<br />
quando a única solução seria um sortilégio.</p>
<p>Há políticas bastantes para não pensarmos em nada<br />
e condicionamento suficiente para termos a ilusão de que pensamos<br />
de que somos livres e vivemos como queremos.<br />
Temos vontades baratas: um novo par de sapato<br />
um pouquinho mais de espaço para alongar as pernas<br />
e se possível mais tempo pra reclamar da vida.</p>
<p>Ah, deveríamos desobedecer secretamente a nós mesmos,<br />
imitar um pouco mais os bichos<br />
inventar qualquer forma mais pura<br />
do que esta selvageria civilizada<br />
do que este progresso cheio de violência<br />
do que esta racionalidade que não deu certo.</p>
<p>Meu irmão, o absurdo somos nós.</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Gozo e Dor - por  Almeida Garret</title>
		<link>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/gozo-e-dor/</link>
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		<pubDate>Sun, 28 Feb 2010 03:47:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ederson Peka</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Almeida Garret]]></category>

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		<description><![CDATA[O excesso de gozo é dor.
Dói-me alma, sim; e a tristeza
Vaga, inerte e sem motivo,
No coração me poisou.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Se estou contente, querida,<br />
Com esta imensa ternura<br />
De que me enche o teu amor?<br />
Não. Ai não; falta-me a vida;<br />
Sucumbe-me a alma à ventura:<br />
O excesso de gozo é dor.</p>
<p>Dói-me alma, sim; e a tristeza<br />
Vaga, inerte e sem motivo,<br />
No coração me poisou.<br />
Absorto em tua beleza,<br />
Não sei se morro ou se vivo,<br />
Porque a vida me parou.</p>
<p>É que não há ser bastante<br />
Para este gozar sem fim<br />
Que me inunda o coração.<br />
Tremo dele, e delirante<br />
Sinto que se exaure em mim<br />
Ou a vida ou a razão.</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Entre o Ser e as Coisas - por  Carlos Drummond de Andrade</title>
		<link>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/entre-o-ser-e-as-coisas/</link>
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		<pubDate>Thu, 25 Feb 2010 06:00:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Célia de Lima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Carlos Drummond de Andrade]]></category>

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		<description><![CDATA[e a tudo me arremesso, nesse quando
amanhece frescor de coisa viva]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Onda e amor, onde amor, ando indagando<br />
ao largo vento e à rocha imperativa,<br />
e a tudo me arremesso, nesse quando<br />
amanhece frescor de coisa viva.</p>
<p>As almas, não, as almas vão pairando,<br />
e, esquecendo a lição que já se esquiva<br />
tornam amor humor, e vago e brando<br />
o que é de natureza corrosiva.</p>
<p>N&#8217;água e na pedra amor deixa gravados<br />
seus hieróglifos e mensagens, suas<br />
verdades mais secretas e mais nuas.</p>
<p>E nem os elementos encantados<br />
sabem do amor que os punge e que é, pungindo,<br />
uma fogueira a arder no dia findo.</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Árvores do Alentejo - por  Florbela Espanca</title>
		<link>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/arvores-do-alentejo/</link>
		<comments>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/arvores-do-alentejo/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 21 Feb 2010 05:43:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ederson Peka</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Florbela Espanca]]></category>

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		<description><![CDATA[Corações, almas que choram,
Almas iguais à minha, almas que imploram
Em vão remédio para tanta mágoa!
Árvores! Não choreis!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Horas mortas&#8230; Curvada aos pés do Monte<br />
A planície é um brasido e, torturadas,<br />
As árvores sangrentas, revoltadas,<br />
Gritam a Deus a benção duma fonte!</p>
<p>E quando, manhã alta, o sol posponte<br />
A oiro a giesta, a arder, pelas estradas,<br />
Esfíngicas, recortam desgrenhadas<br />
Os trágicos perfis no horizonte!</p>
<p>Árvores! Corações, almas que choram,<br />
Almas iguais à minha, almas que imploram<br />
Em vão remédio para tanta mágoa!</p>
<p>Árvores! Não choreis! Olhai e vede:<br />
Também ando a gritar, morta de sede,<br />
Pedindo a Deus a minha gota de água!</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Fecundação - por  Gilka Machado</title>
		<link>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/fecundacao/</link>
		<comments>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/fecundacao/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 18 Feb 2010 04:00:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Célia de Lima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Gilka Machado]]></category>

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		<description><![CDATA[é uma ave aflita
meu pensamento
na tua mão]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Teus olhos me olham<br />
longamente,<br />
imperiosamente&#8230;<br />
de dentro deles teu amor me espia.</p>
<p>Teus olhos me olham numa tortura<br />
de alma que quer ser corpo,<br />
de criação que anseia ser criatura</p>
<p>Tua mão contém a minha<br />
de momento a momento:<br />
é uma ave aflita<br />
meu pensamento<br />
na tua mão.</p>
<p>Nada me dizes,<br />
porém entra-me a carne a persuasão<br />
de que teus dedos criam raízes<br />
na minha mão.</p>
<p>Teu olhar abre os braços,<br />
de longe,<br />
à forma inquieta de meu ser;<br />
abre os braços e enlaça-me toda a alma.</p>
<p>Tem teu mórbido olhar<br />
penetrações supremas<br />
e sinto, por senti-lo, tal prazer,<br />
há nos meus poros tal palpitação,<br />
que me vem a ilusão<br />
de que se vai abrir<br />
todo meu corpo<br />
em poemas.</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Amor, que o gesto humano na alma escreve - por  Luís Vaz de Camões</title>
		<link>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/amor-que-o-gesto-humano-na-alma-escreve/</link>
		<comments>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/amor-que-o-gesto-humano-na-alma-escreve/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 14 Feb 2010 04:37:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ederson Peka</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Luís Vaz de Camões]]></category>

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		<description><![CDATA[Jura Amor que brandura de vontade
Causa o primeiro efeito; o pensamento
Endoudece, se cuida que é verdade.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Amor, que o gesto humano na alma escreve,<br />
Vivas faíscas me mostrou um dia,<br />
Donde um puro cristal se derretia<br />
Por entre vivas rosas e alva neve.</p>
<p>A vista, que em si mesma não se atreve,<br />
Por se certificar do que ali via,<br />
Foi convertida em fonte, que fazia<br />
A dor ao sofrimento doce e leve.</p>
<p>Jura Amor que brandura de vontade<br />
Causa o primeiro efeito; o pensamento<br />
Endoudece, se cuida que é verdade.</p>
<p>Olhai como Amor gera, num momento<br />
De lágrimas de honesta piedade,<br />
Lágrimas de imortal contentamento.</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Auto-retrato - por  Natália Correia</title>
		<link>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/auto-retrato/</link>
		<comments>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/auto-retrato/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 11 Feb 2010 06:00:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Célia de Lima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Natália Correia]]></category>

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		<description><![CDATA[E aos pés um coração de louça]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Espáduas brancas palpitantes:<br />
asas no exílio dum corpo.<br />
Os braços calhas cintilantes<br />
para o comboio da alma.<br />
E os olhos emigrantes<br />
no navio da pálpebra<br />
encalhado em renúncia ou cobardia.<br />
Por vezes fêmea. Por vezes monja.<br />
Conforme a noite. Conforme o dia.<br />
Molusco. Esponja<br />
embebida num filtro de magia.<br />
Aranha de ouro<br />
presa na teia dos seus ardis.<br />
E aos pés um coração de louça<br />
quebrado em jogos infantis.</p>
]]></content:encoded>
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		<slash:comments>6</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Com os Mortos - por  Antero de Quental</title>
		<link>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/com-os-mortos/</link>
		<comments>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/com-os-mortos/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 07 Feb 2010 03:49:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ederson Peka</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Antero de Quental]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blog.sitedepoesias.com.br/?p=1941</guid>
		<description><![CDATA[Mas se paro um momento,
se consigo fechar os olhos,
sinto-os a meu lado de novo]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Os que amei, onde estão? Idos, dispersos,<br />
arrastados no giro dos tufões,<br />
Levados, como em sonho, entre visões,<br />
Na fuga, no ruir dos universos…</p>
<p>E eu mesmo, com os pés também imersos<br />
Na corrente e à mercê dos turbilhões,<br />
Só vejo espuma lívida, em cachões,<br />
E entre ela, aqui e ali, vultos submersos…</p>
<p>Mas se paro um momento, se consigo<br />
Fechar os olhos, sinto-os a meu lado<br />
De novo, esses que amei vivem comigo,</p>
<p>Vejo-os, ouço-os e ouvem-me também,<br />
Juntos no antigo amor, no amor sagrado,<br />
Na comunhão ideal do eterno Bem.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/com-os-mortos/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>5</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Minha Rua - por  Virgílio Moojen de Oliveira</title>
		<link>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/minha-rua/</link>
		<comments>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/minha-rua/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 04 Feb 2010 06:00:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Célia de Lima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Virgílio Moojen de Oliveira]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blog.sitedepoesias.com.br/?p=1972</guid>
		<description><![CDATA[Foi pista dos meus brinquedos,
de jogos de correrias...
Foi dona dos meus segredos
viu tristezas, alegrias...
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Minha rua era tão minha<br />
em sua simplicidade&#8230;</p>
<p>Não sei de onde é que ela vinha,<br />
mas ia para a cidade.</p>
<p>Com suas pedras redondas<br />
e duas magras calçadas,<br />
não tinha praia nem ondas,<br />
mas como tinha enxurradas!</p>
<p>Era alegre, era risonha,<br />
tinha orquestra de pardais,<br />
e a cantilena enfadonha<br />
de mil pregões matinais.</p>
<p>Ali cresci, me fiz homem,<br />
e a minha rua, coitada&#8230;<br />
qual as mães que se consomem,<br />
foi tudo, sem querer nada.</p>
<p>Foi pista dos meus brinquedos,<br />
de jogos de correrias&#8230;<br />
Foi dona dos meus segredos<br />
viu tristezas, alegrias&#8230;</p>
<p>Viu meus passos imprecisos,<br />
viu-me garoto, um traquinas,<br />
e viu-me trocar sorrisos<br />
nas rondas pelas esquinas.</p>
<p>Viu-me também, certo dia,<br />
sair da lá, nem sei quando&#8230;</p>
<p>Por fora sei que sorria,<br />
por dentro estava chorando&#8230;</p>
<p>guardei, porém, na lembrança<br />
aquele encanto que tinha<br />
a rua em que fui criança,<br />
a rua que foi tão minha&#8230;</p>
<p>Sugerido e enviado pelo colega e amigo Ediloy Ferraro, o poema da sua infância, localizado por ele, na internet, depois de muita persistência <img src='http://blog.sitedepoesias.com.br/wp-includes/images/smilies/icon_smile.gif' alt=':)' class='wp-smiley' />   </p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Destino - por  Almeida Garret</title>
		<link>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/destino-almeida-garret/</link>
		<comments>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/destino-almeida-garret/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 31 Jan 2010 04:46:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ederson Peka</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Almeida Garret]]></category>

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		<description><![CDATA[Que eras tu meu ser, querida,
Teus olhos a minha vida,
Teu amor todo o meu bem...
Ai! não mo disse ninguém.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Quem disse à estrela o caminho<br />
Que ela há-de seguir no céu?<br />
A fabricar o seu ninho<br />
Como é que a ave aprendeu?<br />
Quem diz à planta: &#8220;Floresce!&#8221;<br />
E ao mudo verme que tece<br />
Sua mortalha de seda<br />
Os fios quem lhos enreda?</p>
<p>Ensinou alguém à abelha<br />
Que no prado anda a zumbir<br />
Se à flor branca ou à vermelha<br />
O seu mel há-de ir pedir?</p>
<p>Que eras tu meu ser, querida,<br />
Teus olhos a minha vida,<br />
Teu amor todo o meu bem&#8230;<br />
Ai! não mo disse ninguém.<br />
Como a abelha corre ao prado,<br />
Como no céu gira a estrela,<br />
Como a todo o ente o seu fado<br />
Por instinto se revela,<br />
Eu no teu seio divino<br />
Vim cumprir o meu destino&#8230;<br />
Vim, que em ti só sei viver,<br />
Só por ti posso morrer.</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Sonho domado - por  Thiago de Mello</title>
		<link>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/sonho-domado/</link>
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		<pubDate>Wed, 27 Jan 2010 06:00:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Célia de Lima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Thiago de Mello]]></category>

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		<description><![CDATA[Não vinga o sonho da folha 
se não crescer incrustado 
no sonho que se fez árvore. ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Sei que é preciso sonhar. </p>
<p>Campo sem orvalho, seca<br />
A frente de quem não sonha. </p>
<p>Quem não sonha o azul do vôo<br />
perde seu poder de pássaro. </p>
<p>A realidade da relva<br />
cresce em sonho no sereno<br />
para não ser relva apenas,<br />
mas a relva que se sonha. </p>
<p>Não vinga o sonho da folha<br />
se não crescer incrustado<br />
no sonho que se fez árvore. </p>
<p>Sonhar, mas sem deixar nunca<br />
que o sol do sonho se arraste<br />
pelas campinas do vento. </p>
<p>É sonhar, mas cavalgando<br />
o sonho e inventando o chão<br />
para o sonho florescer.</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>A Nossa Casa - por  Florbela Espanca</title>
		<link>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/a-nossa-casa/</link>
		<comments>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/a-nossa-casa/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 24 Jan 2010 04:42:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ederson Peka</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Florbela Espanca]]></category>

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		<description><![CDATA[Sonho... que eu e tu, dois pobrezinhos,
Andamos de mãos dadas, nos caminhos
Duma terra de rosas, num jadim,
Num país de ilusão que nunca vi...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A nossa casa, Amor, a nossa casa!<br />
Onte está ela, Amor, que não a vejo?<br />
Na minha doida fantasia em brasa<br />
Costrói-a, num instante, o meu desejo!</p>
<p>Onde está ela, Amor, a nossa casa,<br />
O bem que neste mundo mais invejo?<br />
O brando ninho aonde o nosso beijo<br />
Será mais puro e doce que uma asa?</p>
<p>Sonho&#8230; que eu e tu, dois pobrezinhos,<br />
Andamos de mãos dadas, nos caminhos<br />
Duma terra de rosas, num jadim,</p>
<p>Num país de ilusão que nunca vi&#8230;<br />
E que eu moro &#8211; tão bom! &#8211; dentro de ti<br />
E tu, ó meu Amor, dentro de mim&#8230;</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Anúncio - por  Alda Lara</title>
		<link>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/anuncio/</link>
		<comments>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/anuncio/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 20 Jan 2010 11:00:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Célia de Lima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Alda Lara]]></category>

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		<description><![CDATA[E quando os pés abram sendas
e os braços se risquem cruzes]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Trago os olhos naufragados<br />
em poentes cor de sangue&#8230;</p>
<p>Trago os braços embrulhados<br />
numa palma bela e dura<br />
e nos lábios a secura<br />
dos anseios retalhados&#8230;</p>
<p>Enrolada nos quadris<br />
cobras mansas que não mordem<br />
tecem serenos abraços&#8230;<br />
E nas mãos, presas com fitas<br />
azagaias de brinquedo<br />
vão-se fazendo em pedaços&#8230;</p>
<p>Só nos olhos naufragados<br />
estes poentes de sangue&#8230;</p>
<p>Só na carne rija e quente,<br />
este desejo de vida!&#8230;</p>
<p>Donde venho, ninguém sabe<br />
e nem eu sei&#8230;</p>
<p>Para onde vou<br />
diz a lei<br />
tatuada no meu corpo&#8230;</p>
<p>E quando os pés abram sendas<br />
e os braços se risquem cruzes,<br />
quando nos olhos parados<br />
que trazem naufragados<br />
se entornarem novas luzes&#8230;</p>
<p>Ah! Quem souber,<br />
há-de ver<br />
que eu trago a lei<br />
no meu corpo&#8230;</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Ditoso seja aquele que somente - por  Luís Vaz de Camões</title>
		<link>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/ditoso-seja-aquele-que-somente/</link>
		<comments>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/ditoso-seja-aquele-que-somente/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 17 Jan 2010 05:36:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ederson Peka</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Luís Vaz de Camões]]></category>

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		<description><![CDATA[Porque, inda mais que se tema de mudanças,
Menos se teme a dor quando se sente.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ditoso seja aquele que somente<br />
Se queixa de amorosas esquivanças;<br />
Pois por elas não perde as esperanças<br />
De poder nalgum tempo ser contente.</p>
<p>Ditoso seja quem, estando absente,<br />
Não sente mais que a pena das lembranças,<br />
Porque, inda mais que se tema de mudanças,<br />
Menos se teme a dor quando se sente.</p>
<p>Ditoso seja, enfim, qualquer estado,<br />
Onde enganos, desprezos e isenção<br />
Trazem o coração atormentado.</p>
<p>Mas triste de quem se sente magoado<br />
De erros em que não pode haver perdão,<br />
Sem ficar na alma a mágoa do pecado.</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Os lírios - por  Henriqueta Lisboa</title>
		<link>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/os-lirios-2/</link>
		<comments>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/os-lirios-2/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 13 Jan 2010 09:35:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Célia de Lima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Henriqueta Lisboa]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blog.sitedepoesias.com.br/?p=1907</guid>
		<description><![CDATA[Certa madrugada fria
irei de cabelos soltos
ver como crescem os lírios]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Certa madrugada fria<br />
irei de cabelos soltos<br />
ver como crescem os lírios.</p>
<p>Quero saber como crescem<br />
simples e belos &#8211; perfeitos! -<br />
ao abandono dos campos.</p>
<p>Antes que o sol apareça<br />
neblina rompe neblina<br />
com vestes brancas, irei.</p>
<p>Irei no maior sigilo<br />
para que ninguém perceba<br />
contendo a respiração.</p>
<p>Sobre a terra muito fria<br />
dobrando meus frios joelhos<br />
farei perguntas à terra.</p>
<p>Depois de ouvir-lhe o segredo<br />
deitada por entre os lírios<br />
adormecerei tranqüila.</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Judeu Errante - por  Vinícius de Moraes</title>
		<link>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/judeu-errante/</link>
		<comments>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/judeu-errante/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 10 Jan 2010 05:23:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ederson Peka</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Vinícius de Moraes]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blog.sitedepoesias.com.br/?p=1814</guid>
		<description><![CDATA[Certo, dista muitas e muitas léguas de caminho...
Não importa.
O que importa é ir em fora...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Hei de seguir eternamente a estrada<br />
Que há tanto tempo venho já seguindo<br />
Sem me importar com a noite que vem vindo<br />
Como uma pavorosa alma penada.</p>
<p>Sem fé na redenção, sem crença em nada<br />
Fugitivo que a dor vem perseguindo<br />
Busco eu também a paz onde, sorrindo<br />
Será também minha alma uma alvorada.</p>
<p>Onde é ela? Talvez nem mesmo exista&#8230;<br />
Ninguém sabe onde fica&#8230; Certo, dista<br />
Muitas e muitas léguas de caminho&#8230;</p>
<p>Não importa. O que importa é ir em fora<br />
Pela ilusão de procurar a aurora<br />
Sofrendo a dor de caminhar sozinho.</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Janeiro - por  Guilherme de Almeida</title>
		<link>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/janeiro/</link>
		<comments>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/janeiro/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 06 Jan 2010 04:21:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rosely Tavares</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Guilherme de Almeida]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blog.sitedepoesias.com.br/?p=1857</guid>
		<description><![CDATA[Jasmineiro em flor.
Ciranda o luar na varanda.
Cheiro de calor.
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Jasmineiro em flor.<br />
Ciranda o luar na varanda.<br />
Cheiro de calor.</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Envelhecer (II) - por  Bastos Tigre</title>
		<link>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/envelhecer-ii/</link>
		<comments>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/envelhecer-ii/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 03 Jan 2010 05:17:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ederson Peka</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Bastos Tigre]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blog.sitedepoesias.com.br/?p=1812</guid>
		<description><![CDATA[Não esperava, agora, a tua vinda.
Eu tão despreocupado estava, ainda,
Levando a vida como num brinquedo...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Boa noite, velhice, vens tão cedo!<br />
Não esperava, agora, a tua vinda.<br />
Eu tão despreocupado estava, ainda,<br />
Levando a vida como num brinquedo&#8230;</p>
<p>Tens tão meigo sorriso e um ar tão ledo;<br />
Nos teus cabelos como a prata é linda!<br />
Ao meu teto, velhice, sê bem-vinda!<br />
Fica à vontade. Não me fazes medo.</p>
<p>E ela assim me falou, em tom amigo:<br />
- Estranha me supões, mas, em verdade,<br />
Há muito tempo que, ao teu lado, eu sigo.</p>
<p>Mas, da vida na estúrdia alacridade,<br />
Não me viste viver, seguir contigo&#8230;<br />
Eu sou, amigo, a tua mocidade.</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Renova-te - por  Cecília Meireles</title>
		<link>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/renova-te/</link>
		<comments>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/renova-te/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 30 Dec 2009 21:00:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Célia de Lima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Cecília Meireles]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blog.sitedepoesias.com.br/?p=1889</guid>
		<description><![CDATA[Renasce em ti mesmo]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Renasce em ti mesmo.<br />
Multiplica os teus olhos, para verem mais.<br />
Multiplica os teus braços, para semeares tudo.<br />
Destrói os olhos que tiverem visto.<br />
Cria outros, para as visões novas.<br />
Destrói os braços que tiverem semeado,<br />
Para se esquecerem de colher.<br />
Sê sempre o mesmo.<br />
Sempre outro.<br />
Mas sempre alto.<br />
Sempre longe.<br />
E dentro de tudo.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/renova-te/feed/</wfw:commentRss>
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		</item>
		<item>
		<title>Velha Chácara - por  Manuel Bandeira</title>
		<link>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/velha-chacara/</link>
		<comments>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/velha-chacara/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 27 Dec 2009 05:15:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ederson Peka</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Manuel Bandeira]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blog.sitedepoesias.com.br/?p=1810</guid>
		<description><![CDATA[A casa era por aqui...
Onde? Procuro-a e não acho.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A casa era por aqui&#8230;<br />
Onde? Procuro-a e não acho.<br />
Ouço uma voz que esqueci:<br />
É a voz deste mesmo riacho.</p>
<p>Ah quanto tempo passou!<br />
(Foram mais de cinqüenta anos.)<br />
Tantos que a morte levou!<br />
(E a vida&#8230; nos desenganos&#8230;)</p>
<p>A usura fez tábua rasa<br />
Da velha chácara triste:<br />
Não existe mais a casa&#8230;</p>
<p>- Mas o menino ainda existe.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/velha-chacara/feed/</wfw:commentRss>
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		</item>
		<item>
		<title>As estrelas - por  Olavo Bilac</title>
		<link>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/as-estrelas-2/</link>
		<comments>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/as-estrelas-2/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 24 Dec 2009 23:00:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Célia de Lima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Olavo Bilac]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blog.sitedepoesias.com.br/?p=1879</guid>
		<description><![CDATA[uma divina música serena]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Desenrola-se a sombra no regaço<br />
Da morna tarde, no esmaiado anil;<br />
Dorme, no ofego do calor febril,<br />
A natureza, mole de cansaço.</p>
<p>Vagarosas estrelas! passo a passo,<br />
O aprisco desertando, às mil e às mil,<br />
Vindes do ignoto seio do redil<br />
Num compacto rebanho, e encheis o espaço&#8230;</p>
<p>E, enquanto, lentas, sobre a paz terrena,<br />
Vos tresmalhais tremulamente a flux,<br />
- Uma divina música serena</p>
<p>Desce rolando pela vossa luz:<br />
Cuida-se ouvir, ovelhas de ouro! a avena<br />
Do invisível pastor que vos conduz&#8230;</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/as-estrelas-2/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>2</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Natal - por  Auta de Souza</title>
		<link>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/natal-auta-de-souza/</link>
		<comments>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/natal-auta-de-souza/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 20 Dec 2009 06:28:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ederson Peka</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Auta de Souza]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blog.sitedepoesias.com.br/?p=1816</guid>
		<description><![CDATA[Ó velho sino, ó bronze abençoado,
Na alegria e na mágoa companheiro!
Tu me recordas o sorrir primeiro
Do menino Jesus imaculado.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><small>(às moças da Serra)</small></p>
<p>É meia-noite&#8230; O sino alvissareiro,<br />
Lá da Igrejinha branca pendurado,<br />
Como um sonho místico e fagueiro,<br />
Vem relembrar o tempo do Passado.</p>
<p>Ó velho sino, ó bronze abençoado,<br />
Na alegria e na mágoa companheiro!<br />
Tu me recordas o sorrir primeiro<br />
Do menino Jesus imaculado.</p>
<p>E enquanto escuto a tua voz dolente,<br />
Meu ser, que geme dolorosamente<br />
Da desventura aos gélidos açoites,</p>
<p>Bebe em teus sons tanta alegria, tanta!<br />
Sino que lembras uma noite santa,<br />
Noite bendita mais que as outras noites!</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/natal-auta-de-souza/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>4</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Nuvens Correndo Num Rio - por  Natália Correia</title>
		<link>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/nuvens-correndo-num-rio/</link>
		<comments>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/nuvens-correndo-num-rio/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 16 Dec 2009 03:42:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Célia de Lima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Natália Correia]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blog.sitedepoesias.com.br/?p=1826</guid>
		<description><![CDATA[Não corras, ó meu navio
Navega mais devagar]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Nuvens correndo num rio<br />
Quem sabe onde vão parar?<br />
Fantasma do meu navio<br />
Não corras, vai devagar!</p>
<p>Vais por caminhos de bruma<br />
Que são caminhos de olvido.<br />
Não queiras, ó meu navio,<br />
Ser um navio perdido.</p>
<p>Sonhos içados ao vento<br />
Querem estrelas varejar!<br />
Velas do meu pensamento<br />
Aonde me quereis levar?</p>
<p>Não corras, ó meu navio<br />
Navega mais devagar,<br />
Que nuvens correndo em rio,<br />
Quem sabe onde vão parar?</p>
<p>Que este destino em que venho<br />
É uma troça tão triste;<br />
Um navio que não tenho<br />
Num rio que não existe.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/nuvens-correndo-num-rio/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>8</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Voz Interior - por  Bastos Tigre</title>
		<link>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/voz-interior/</link>
		<comments>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/voz-interior/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 13 Dec 2009 05:11:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ederson Peka</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Bastos Tigre]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blog.sitedepoesias.com.br/?p=1808</guid>
		<description><![CDATA[Nessa esfinge da Vida a verdade se esconde;
O espírito concentro e consulto a razão,
E uma voz interior, sincera, me responde...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Quem sou eu? de onde venho e onde, acaso me leva<br />
O Destino fatal que os meus passos conduz?<br />
Ora sigo, a tatear, mergulhado na treva,<br />
Ou tateio, indeciso, ofuscado de luz.</p>
<p>Grão, no campo da Vida, onde a morte se ceva?<br />
Semente que apodrece e não se reproduz?<br />
De onde vim? Da monera? ou vim do beijo de Eva?<br />
E aonde vou, gemendo, a sangrar os pés nus?</p>
<p>Nessa esfinge da Vida a verdade se esconde;<br />
O espírito concentro e consulto a razão,<br />
E uma voz interior, sincera, me responde:</p>
<p>- Quem és tu? Operário honesto da nação.<br />
De onde é que vens? De casa. Onde é que estás? No bonde.<br />
Para onde vais? Não vês? Para a repartição.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/voz-interior/feed/</wfw:commentRss>
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		</item>
		<item>
		<title>Chove. Que fiz eu da vida? - por  Fernando Pessoa</title>
		<link>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/chove-que-fiz-eu-da-vida/</link>
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		<pubDate>Wed, 09 Dec 2009 19:31:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rosely Tavares</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Fernando Pessoa]]></category>

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		<description><![CDATA[Quem eu pudera ter sido, que é dele?
Entre ódios pequenos de mim,
Estou de mim partido.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Chove. Que fiz eu da vida?<br />
Fiz o que ela fez de mim&#8230;<br />
De pensada, mal vivida&#8230;<br />
Triste de quem é assim!</p>
<p>Numa angústia sem remédio<br />
Tenho febre na alma, e, ao ser,<br />
Tenho saudade, entre o tédio,<br />
Só do que nunca quis ter&#8230;</p>
<p>Quem eu pudera ter sido,<br />
Que é dele? Entre ódios pequenos<br />
De mim, estou de mim partido.<br />
Se ao menos chovesse menos!</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>A Estrela - por  Manuel Bandeira</title>
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		<pubDate>Sun, 06 Dec 2009 05:08:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ederson Peka</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Manuel Bandeira]]></category>

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		<description><![CDATA[Por que da sua distância
Para a minha companhia
Não baixava aquela estrela?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Vi uma estrela tão alta,<br />
Vi uma estrela tão fria!<br />
Vi uma estrela luzindo<br />
Na minha vida vazia.</p>
<p>Era uma estrela tão alta!<br />
Era uma estrela tão fria!<br />
Era uma estrela sozinha<br />
Luzindo no fim do dia.</p>
<p>Por que da sua distância<br />
Para a minha companhia<br />
Não baixava aquela estrela?<br />
Por que tão alta luzia?</p>
<p>E ouvi-a na sombra funda<br />
Responder que assim fazia<br />
Para dar uma esperança<br />
Mais triste ao fim do meu dia.</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Sofredora - por  Augusto dos Anjos</title>
		<link>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/sofredora/</link>
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		<pubDate>Sun, 29 Nov 2009 03:59:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ederson Peka</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Augusto dos Anjos]]></category>

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		<description><![CDATA[Tenta às vezes, porém, nervosa e louca
Esquecer por momento a mágoa intensa
Arrancando um sorriso à flor da boca.
Mas volta logo um negro desconforto...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Cobre-lhe a fria palidez do rosto<br />
O sendal da tristeza que a desola;<br />
Chora &#8211; o orvalho do pranto lhe perola<br />
As faces maceradas de desgosto.</p>
<p>Quando o rosário de seu pranto rola,<br />
Das brancas rosas do seu triste rosto<br />
Que rolam murchas como um sol já posto<br />
Um perfume de lágrimas se evola.</p>
<p>Tenta às vezes, porém, nervosa e louca<br />
Esquecer por momento a mágoa intensa<br />
Arrancando um sorriso à flor da boca.</p>
<p>Mas volta logo um negro desconforto,<br />
Bela na Dor, sublime na Descrença.<br />
Como Jesus a soluçar no Horto!</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Poema da Purificação - por  Carlos Drummond de Andrade</title>
		<link>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/poema-da-purificacao/</link>
		<comments>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/poema-da-purificacao/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 22 Nov 2009 06:57:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ederson Peka</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Carlos Drummond de Andrade]]></category>

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		<description><![CDATA[Mas uma luz que ninguém soube
dizer de onde tinha vindo
apareceu para clarear o mundo]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Depois de tantos combates<br />
o anjo bom matou o anjo mau<br />
e jogou seu corpo no rio.</p>
<p>As água ficaram tintas<br />
de um sangue que não descorava<br />
e os peixes todos morreram.</p>
<p>Mas uma luz que ninguém soube<br />
dizer de onde tinha vindo<br />
apareceu para clarear o mundo,<br />
e outro anjo pensou a ferida<br />
do anjo batalhador.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/poema-da-purificacao/feed/</wfw:commentRss>
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		</item>
		<item>
		<title>Cristo - por  Cruz e Sousa</title>
		<link>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/cristo/</link>
		<comments>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/cristo/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 19 Nov 2009 01:07:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rosely Tavares</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Cruz e Sousa]]></category>

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		<description><![CDATA[Nunca ninguém tão firme combateu
Da humanidade todas as torturas.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Cristo morreu, ó tristes criaturas,<br />
Era matéria como vós, morreu;<br />
E quando a noite sepulcral desceu<br />
Gelou com Ele o oceano das ternuras.</p>
<p>Nunca outro sol de irradiações mais puras<br />
Subiu tão alto e tanto resplendeu,<br />
Nunca ninguém tão firme combateu<br />
Da humanidade todas as torturas.</p>
<p>Morreu, que se Ele, o Deus, ressuscitasse,<br />
Limpa de sangue e lágrimas a face,<br />
Os seus olhos tranqüilos, virginais,</p>
<p>Dons inefáveis, corações piedosos,<br />
Tinham de abrir-se muito dolorosos,<br />
Também chorando quando vós chorais!</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Súplica - por  Aníbal Teófilo</title>
		<link>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/suplica/</link>
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		<pubDate>Sun, 15 Nov 2009 05:44:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ederson Peka</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Aníbal Teófilo]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blog.sitedepoesias.com.br/?p=1799</guid>
		<description><![CDATA[Desde, Senhora, que cheguei a ver-vos,
Ao juízo recusam-se-me os nervos,
E sucede-me insólita mudança.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A provar que hei perdido a segurança<br />
Desde, Senhora, que cheguei a ver-vos,<br />
Ao juízo recusam-se-me os nervos,<br />
E sucede-me insólita mudança.</p>
<p>Tremo por mim, pesar que a linda e mansa<br />
Face vossa me induza a vir dizer-vos<br />
Esta infinita insânia de querer-vos<br />
E na alma quanto sinto de esperança.</p>
<p>Apiedai-vos de mim, cuja loucura<br />
Em toda parte só divisa abrolhos<br />
Depois de ter o olhar de leve posto</p>
<p>Em vosso airoso talhe, em vossa alvura,<br />
Nas duas noites que mostrais nos olhos,<br />
Nas duas rosas que trazeis no rosto.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/suplica/feed/</wfw:commentRss>
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		</item>
		<item>
		<title>No Campo - por  Augusto dos Anjos</title>
		<link>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/no-campo/</link>
		<comments>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/no-campo/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 08 Nov 2009 04:39:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ederson Peka</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Augusto dos Anjos]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blog.sitedepoesias.com.br/?p=1797</guid>
		<description><![CDATA[Os astros rumorejam um presságio de noute luminosa
E ei-la que assoma - a Louca tenebrosa, branca,
emergindo às trevas...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Tarde. Um arroio canta pela umbrosa<br />
Estrada; as águas límpidas alvejam<br />
Com cristais. Aragem suspirosa<br />
Agita os roseirais que ali vicejam.</p>
<p>No alto, entretanto, os astros rumorejam<br />
Um presságio de noute luminosa<br />
E ei-la que assoma &#8211; a Louca tenebrosa,<br />
Branca, emergindo às trevas que a negrejam.</p>
<p>Chora a corrente múrmura, e, à dolente<br />
Unção da noute, as flores também choram<br />
Num chuveiro de pétalas, nitente,</p>
<p>Pendem e caem &#8211; os roseirais descoram<br />
E elas bóiam no pranto da corrente<br />
Que as rosas, ao luar, chorando enfloram.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/no-campo/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>2</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Poesia - por  Carlos Drummond de Andrade</title>
		<link>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/poesia/</link>
		<comments>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/poesia/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 02 Nov 2009 13:31:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ederson Peka</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Carlos Drummond de Andrade]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blog.sitedepoesias.com.br/?p=1795</guid>
		<description><![CDATA[A pena não quer escrever.
No entanto ele está cá dentro
inquieto...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Gastei uma hora pensando em um verso<br />
que a pena não quer escrever.<br />
No entanto ele está cá dentro<br />
inquieto, vivo.<br />
Ele está cá dentro<br />
e não quer sair.<br />
Mas a poesia deste momento<br />
inunda minha vida inteira.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/poesia/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>5</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Passa uma Borboleta - por  Fernando Pessoa</title>
		<link>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/passa-uma-borboleta/</link>
		<comments>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/passa-uma-borboleta/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 25 Oct 2009 04:26:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ederson Peka</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Fernando Pessoa]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blog.sitedepoesias.com.br/?p=1793</guid>
		<description><![CDATA[As borboletas não têm cor nem movimento,
Assim como as flores não têm perfume nem cor.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Passa uma borboleta por diante de mim<br />
E pela primeira vez no Universo eu reparo<br />
Que as borboletas não têm cor nem movimento,<br />
Assim como as flores não têm perfume nem cor.<br />
A cor é que tem cor nas asas da borboleta,<br />
No movimento da borboleta o movimento é que se move,<br />
O perfume é que tem perfume no perfume da flor.<br />
A borboleta é apenas borboleta<br />
E a flor é apenas flor.</p>
<p><small>(do &#8220;Guardador de Rebanhos&#8221; &#8211; Alberto Caeiro)</small></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/passa-uma-borboleta/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>3</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Mau Despertar - por  Ferreira Gullar</title>
		<link>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/mau-despertar/</link>
		<comments>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/mau-despertar/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 18 Oct 2009 04:24:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ederson Peka</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Ferreira Gullar]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blog.sitedepoesias.com.br/?p=1791</guid>
		<description><![CDATA[Saio do sono como de uma batalha
travada em lugar algum]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Saio do sono como<br />
de uma batalha<br />
travada em<br />
lugar algum</p>
<p>Não sei na madrugada<br />
se estou ferido<br />
se o corpo<br />
        tenho<br />
        riscado<br />
de hematomas</p>
<p>Zonzo lavo<br />
       na pia<br />
os olhos donde<br />
ainda escorre<br />
uns restos de treva.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/mau-despertar/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>6</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Compensação - por  Cecília Meireles</title>
		<link>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/compensacao/</link>
		<comments>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/compensacao/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 11 Oct 2009 08:21:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ederson Peka</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Cecília Meireles]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blog.sitedepoesias.com.br/?p=1789</guid>
		<description><![CDATA[Hoje eu queria estar entre as nuvens, na velocidade das nuvens, na sua fragilidade, na sua docilidade de ser e deixar de ser.
Livremente.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>(&#8230;)<br />
Esta ignorância humana.<br />
Este silêncio do universo.<br />
A sabedoria.<br />
Hoje eu queria estar entre as nuvens, na velocidade das nuvens, na sua fragilidade, na sua docilidade de ser e deixar de ser.<br />
Livremente.<br />
Sem interesse próprio.<br />
Confiante.<br />
À mercê da vida.<br />
Sem nenhum sonho de durarem até o ano 2000, de terem emprego público, férias, abono de Natal, montepio, prêmio de loteria, discurso à beira do túmulo, nome em placa de rua, busto no jardim&#8230;<br />
(Ó nuvens prodigiosas, criaturas efêmeras que estais tão alto e não pretendeis nada, e sois capazes de obscurecer o sol e de fazer frutificar a terra, e não tendes vaidade nenhuma nem apego a esses ocasos!)<br />
Hoje eu queria andar lá em cima nas nuvens, com as nuvens, pelas nuvens, para as nuvens&#8230;</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/compensacao/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>5</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>O Tempo Passa? Não Passa - por  Carlos Drummond de Andrade</title>
		<link>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/o-tempo-passa-nao-passa/</link>
		<comments>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/o-tempo-passa-nao-passa/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 04 Oct 2009 07:20:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ederson Peka</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Carlos Drummond de Andrade]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blog.sitedepoesias.com.br/?p=1787</guid>
		<description><![CDATA[O meu tempo e o teu, amada,
transcendem qualquer medida.
Além do amor, não há nada,
amar é o sumo da vida.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O tempo passa? Não passa<br />
no abismo do coração.<br />
Lá dentro, perdura a graça<br />
do amor, florindo em canção.</p>
<p>O tempo nos aproxima<br />
cada vez mais, nos reduz<br />
a um só verso e uma rima<br />
de mãos e olhos, na luz.</p>
<p>Não há tempo consumido<br />
nem tempo a economizar.<br />
O tempo é todo vestido<br />
de amor e tempo de amar.</p>
<p>O meu tempo e o teu, amada,<br />
transcendem qualquer medida.<br />
Além do amor, não há nada,<br />
amar é o sumo da vida.</p>
<p>São mitos de calendário<br />
tanto o ontem como o agora,<br />
e o teu aniversário<br />
é um nascer toda a hora.</p>
<p>E nosso amor, que brotou<br />
do tempo, não tem idade,<br />
pois só quem ama escutou<br />
o apelo da eternidade.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/o-tempo-passa-nao-passa/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>9</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>O Convertido - por  Antero de Quental</title>
		<link>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/o-convertido/</link>
		<comments>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/o-convertido/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 27 Sep 2009 07:03:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ederson Peka</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Antero de Quental]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blog.sitedepoesias.com.br/?p=1785</guid>
		<description><![CDATA[Erma, cheia de tédio e de quebranto,
Rompendo os diques ao represo pranto,
Virou-se para Deus minha alma triste!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Entre os filhos dum século maldito<br />
Tomei também lugar na ímpia mesa,<br />
Onde, sob o folgar, geme a tristeza<br />
Duma ânsia impotente de infinito.</p>
<p>Como os outros, cuspi no altar avito<br />
Um rir feito de fel e de impureza…<br />
Mas um dia abalou-se-me a firmeza,<br />
Deu-me um rebate o coração contrito!</p>
<p>Erma, cheia de tédio e de quebranto,<br />
Rompendo os diques ao represo pranto,<br />
Virou-se para Deus minha alma triste!</p>
<p>Amortalhei na Fé o pensamento,<br />
E achei a paz na inércia e esquecimento…<br />
Só me falta saber se Deus existe!</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/o-convertido/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>O Ramo de Flores do Museu, 2 - por  Cecília Meireles</title>
		<link>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/o-ramo-de-flores-do-museu-2/</link>
		<comments>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/o-ramo-de-flores-do-museu-2/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 20 Sep 2009 05:00:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ederson Peka</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Cecília Meireles]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blog.sitedepoesias.com.br/?p=1783</guid>
		<description><![CDATA[Ó cinérea Princesa, é muito densa
do mundo humano a trama das neblinas...
A floresta do absurdo é negra, é imensa,
e as sibilas se escondem, repentinas.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Que fantasmas lerão, nas incolores<br />
pétalas, as mensagens não aceitas<br />
em nítidos momentos anteriores?</p>
<p>Que fantasmas verão a vossa airosa<br />
figura erguendo as claras mãos desfeitas,<br />
noutro império, a uma luz mais gloriosa?</p>
<p>Ó cinérea Princesa, é muito densa<br />
do mundo humano a trama das neblinas&#8230;<br />
A floresta do absurdo é negra, é imensa,<br />
e as sibilas se escondem, repentinas.</p>
<p>Crepitam os junquilhos e as boninas<br />
a um vento secular de indiferença.<br />
Mas, entre vãs paredes vespertinas,<br />
o ramo existe, sem que a morte o vença.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/o-ramo-de-flores-do-museu-2/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>O Ramo de Flores do Museu, 1 - por  Cecília Meireles</title>
		<link>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/o-ramo-de-flores-do-museu-1/</link>
		<comments>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/o-ramo-de-flores-do-museu-1/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 13 Sep 2009 08:05:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ederson Peka</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Cecília Meireles]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blog.sitedepoesias.com.br/?p=1781</guid>
		<description><![CDATA[As vossas flores
ficarão para sempre mais perfeitas,
já que o tempo extinguiu brilhos e cores;]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ó cinérea Princesa, as vossas flores<br />
ficarão para sempre mais perfeitas,<br />
já que o tempo extinguiu brilhos e cores;</p>
<p>já que o tempo extinguiu a habilidosa<br />
mão que elevou, serenas e direitas,<br />
a tulipa sucinta e a ardente rosa</p>
<p>Não há mais ilusão de outra presença<br />
que o Amor, que inspirou graças tão finas<br />
- que ninguém viu e em que ninguém mais pensa -<br />
porque os homens e o mundo são de ruínas</p>
<p>E este ramo de pétalas franzinas,<br />
leve, liberto da mortal sentença,<br />
tinha, ó Princesa, fábulas divinas<br />
em cada flor, sobre o nada suspensa</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Brasil! - por  Martins Fontes</title>
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		<pubDate>Sun, 06 Sep 2009 09:30:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ederson Peka</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Martins Fontes]]></category>

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		<description><![CDATA[Mas quem é
Que não se abrasa de esperança e fé,
Ante esta voz que o sonho acordará?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Brasil! palavra mágica! Quem há<br />
Que o não evoque, ouvindo-a? Mas quem é<br />
Que não se abrasa de esperança e fé,<br />
Ante esta voz que o sonho acordará?</p>
<p>Em &#8211; Brasil &#8211; há o sabor do cambucá,<br />
Do caju, do ananás ou do café,<br />
O cheiro dos jasmins no Sumaré,<br />
Das mangas fulvas de Itamaracá!</p>
<p>Brasil! brasume irial, nome rubi!<br />
Tão perfumado quanto o bacuri,<br />
Quanto a gardênia do Caparaó!</p>
<p>Brasil! se és beijo, flor e fruto és tu!<br />
Vergel que o ouro do sol transmuda em pó,<br />
E onde canta ao luar o irapuru!</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Conclusões de Aninha - por  Cora Coralina</title>
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		<pubDate>Sun, 30 Aug 2009 08:54:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ederson Peka</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Cora Coralina]]></category>

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		<description><![CDATA[Da mesma forma aquela sentença:
"A quem te pedir um peixe, dá uma vara de pescar."
Pensando bem, não só a vara de pescar, também a linhada,
o anzol, a chumbada, a isca...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Estavam ali parados. Marido e mulher.<br />
Esperavam o carro. E foi que veio aquela da roça<br />
tímida, humilde, sofrida.<br />
Contou que o fogo, lá longe, tinha queimado seu rancho,<br />
e tudo que tinha dentro.<br />
Estava ali no comércio pedindo um auxílio para levantar<br />
novo rancho e comprar suas pobrezinhas.</p>
<p>O homem ouviu. Abriu a carteira tirou uma cédula,<br />
entregou sem palavra.<br />
A mulher ouviu. Perguntou, indagou, especulou, aconselhou,<br />
se comoveu e disse que Nossa Senhora havia de ajudar<br />
E não abriu a bolsa.<br />
Qual dos dois ajudou mais?</p>
<p>Donde se infere que o homem ajuda sem participar<br />
e a mulher participa sem ajudar.<br />
Da mesma forma aquela sentença:<br />
&#8220;A quem te pedir um peixe, dá uma vara de pescar.&#8221;<br />
Pensando bem, não só a vara de pescar, também a linhada,<br />
o anzol, a chumbada, a isca, apontar um poço piscoso<br />
e ensinar a paciência do pescador.<br />
Você faria isso, Leitor?<br />
Antes que tudo isso se fizesse<br />
o desvalido não morreria de fome?<br />
Conclusão:<br />
Na prática, a teoria é outra.</p>
]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>A Espera - por  Ferreira Gullar</title>
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		<comments>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/a-espera/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 23 Aug 2009 05:52:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ederson Peka</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Ferreira Gullar]]></category>

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		<description><![CDATA[Ninguém sabe de que forma desta vez a necessidade
se manifestará:
Ninguém sabe.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Um grave acontecimento está sendo esperado por todos</p>
<p>Os banqueiros os capitães de indústria os fazendeiros<br />
ricos dormem mal. O ministro<br />
da Guerra janta sobressaltado,<br />
a pistola em cima da mesa.</p>
<p>Ninguém sabe de que forma desta vez a necessidade<br />
se manifestará:<br />
se como<br />
um furacão ou um maremoto<br />
se descerá dos morros ou subirá dos vales<br />
se manará dos subúrbios com a fúria dos rios poluídos </p>
<p>Ninguém sabe.<br />
Mas qualquer sopro num ramo<br />
o anuncia </p>
<p>Um grave acontecimento<br />
está sendo esperado<br />
e nem Deus e nem a polícia<br />
poderiam evitá-lo.</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Soneto Antigo - por  Cecília Meireles</title>
		<link>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/soneto-antigo/</link>
		<comments>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/soneto-antigo/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 16 Aug 2009 06:45:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ederson Peka</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Cecília Meireles]]></category>

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		<description><![CDATA[Recolho do que em mim observo e escuto
muda lição, que ninguém mais entende.
O que sou vale mais do que o meu canto.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Responder a perguntas não respondo.<br />
Perguntas impossíveis não pergunto.<br />
Só do que sei de mim aos outros conto:<br />
de mim, atravessada pelo mundo.</p>
<p>Toda a minha experiência, o meu estudo,<br />
sou eu mesma que, em solidão paciente,<br />
recolho do que em mim observo e escuto<br />
muda lição, que ninguém mais entende.</p>
<p>O que sou vale mais do que o meu canto.<br />
Apenas em linguagem vou dizendo<br />
caminhos invisíveis por onde ando.</p>
<p>Tudo é secreto e de remoto exemplo.<br />
Todos ouvimos, longe, o apelo do Anjo.<br />
E todos somos pura flor de vento.</p>
]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Aspiração - por  Antero de Quental</title>
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		<pubDate>Sun, 09 Aug 2009 07:44:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ederson Peka</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Antero de Quental]]></category>

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		<description><![CDATA[Mas, se a beleza aqui nos aparece,
Logo outra lembra de mais puros gozos.
Minha alma, ó Deus! a outros céus aspira:]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Meus dias vão correndo vagarosos,<br />
Sem prazer e sem dor parece<br />
Que o foco interior já desfalece<br />
E vacila com raios duvidosos.</p>
<p>É bela a vida e os anos são formosos,<br />
E nunca ao peito amante o amor falece&#8230;<br />
Mas, se a beleza aqui nos aparece,<br />
Logo outra lembra de mais puros gozos.</p>
<p>Minha alma, ó Deus! a outros céus aspira:<br />
Se um momento a prendeu mortal beleza,<br />
É pela eterna pátria que suspira&#8230;</p>
<p>Porém, do pressentir dá-ma a certeza,<br />
Dá-ma! e sereno, embora a dor me fira,<br />
Eu sempre bendirei esta tristeza!</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Assim eu vejo a vida - por  Cora Coralina</title>
		<link>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/assim-eu-vejo-a-vida/</link>
		<comments>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/assim-eu-vejo-a-vida/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 02 Aug 2009 06:41:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ederson Peka</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Cora Coralina]]></category>

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		<description><![CDATA[O passado foi duro
mas deixou o seu legado
Saber viver é a grande sabedoria]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A vida tem duas faces:<br />
Positiva e negativa<br />
O passado foi duro<br />
mas deixou o seu legado<br />
Saber viver é a grande sabedoria<br />
Que eu possa dignificar<br />
Minha condição de mulher,<br />
Aceitar suas limitações<br />
E me fazer pedra de segurança<br />
dos valores que vão desmoronando.<br />
Nasci em tempos rudes<br />
Aceitei contradições<br />
lutas e pedras<br />
como lições de vida<br />
e delas me sirvo<br />
Aprendi a viver.</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>O Boi - por  Ferreira Gullar</title>
		<link>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/o-boi/</link>
		<comments>http://blog.sitedepoesias.com.br/poemas/o-boi/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 26 Jul 2009 05:36:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ederson Peka</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Ferreira Gullar]]></category>

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		<description><![CDATA[Ele é o campo como o capim, que é o campo se dando para que haja sempre boi e campo; que campo e boi é o boi andar no campo e comer do sempre novo chão.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>(trecho de &#8220;Carta do morto pobre&#8221;)</p>
<p>Vai o animal no campo; ele é o campo como o capim, que é o campo se dando para que haja sempre boi e campo; que campo e boi é o boi andar no campo e comer do sempre novo chão. Vai o boi, árvore que muge, retalho da paisagem em caminho. Deita-se o boi, e rumina, e olha a erva a crescer em redor de seu corpo, para o seu corpo, que cresce para a erva. Levanta-se o boi, é o campo que se ergue em suas patas para andar sobre o seu dorso. E cada fato é já a fabricação de flores que se erguerão do pó dos ossos que a chuva lavará,</p>
<p>quando for tempo.</p>
]]></content:encoded>
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