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	<title>Blog dos Poetas</title>
	
	<link>http://blogdospoetas.com.br</link>
	<description>Poemas de escritores famosos e consagrados</description>
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		<title>Eu queria trazer-te uns versos muito lindos - por  Mario Quintana</title>
		<link>http://blogdospoetas.com.br/poemas/eu-queria-trazer-te-uns-versos-muito-lindos/</link>
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		<pubDate>Sun, 12 May 2013 07:00:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ederson Peka</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Mario Quintana]]></category>

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		<description><![CDATA[Trago-te palavras, apenas...
e que estão escritas
do lado de fora do papel...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Eu queria trazer-te uns versos muito lindos<br />
colhidos no mais íntimo de mim&#8230;<br />
Suas palavras<br />
seriam as mais simples do mundo,<br />
porém não sei que luz as iluminaria<br />
que terias de fechar teus olhos para as ouvir&#8230;<br />
Sim! Uma luz que viria de dentro delas,<br />
como essa que acende inesperadas cores<br />
nas lanternas chinesas de papel!<br />
Trago-te palavras, apenas&#8230; e que estão escritas<br />
do lado de fora do papel&#8230; Não sei, eu nunca soube o que dizer-te<br />
e este poema vai morrendo, ardente e puro, ao vento<br />
da Poesia&#8230;<br />
como<br />
uma pobre lanterna que incendiou!</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Pranto Seco - por  Jorge de Lima</title>
		<link>http://blogdospoetas.com.br/poemas/pranto-seco/</link>
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		<pubDate>Sun, 28 Apr 2013 06:23:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ederson Peka</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Jorge de Lima]]></category>

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		<description><![CDATA[O que há sob essa máscara é um pranto seco,
pranto final, sem lágrimas, calado,
sem esponja de fel e último brado.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>O que há sob essa máscara é um pranto seco,<br />
pranto final, sem lágrimas, calado.<br />
A pele ressecou-se em fruto peco,<br />
a fronte dolorida, o olhar parado.</p>
<p>Não há saída mais para esse beco.<br />
Tudo perdido, tudo consumado.<br />
O que há sob essa máscara é um pranto seco,<br />
sem esponja de fel e último brado.</p>
<p>As formigas subiram pela fronte<br />
e desceram ligeiras pelos cravos<br />
das patas ressequidas, pelas unhas&#8230;</p>
<p>Cadáver seco em solitário monte,<br />
sem complacências e sem desagravos,<br />
sem madalenas e sem testemunhas.</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Mancha - por  Manuel Bandeira</title>
		<link>http://blogdospoetas.com.br/poemas/mancha/</link>
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		<pubDate>Sun, 14 Apr 2013 06:36:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ederson Peka</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Manuel Bandeira]]></category>

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		<description><![CDATA[Há mais do inferno ali do que do paraíso...
O amor é tão-somente um pretexto de riso
Para esse coração flutuante e singular.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Para reproduzir o donaire sem par<br />
Desse alvo rosto e desse irônico sorriso<br />
Que desconcerta e prende e atrai, fora preciso<br />
A mestria de Helleu, de Boldini ou Besnard</p>
<p>Luz faiscante malícia ao fundo desse olhar,<br />
E há mais do inferno ali do que do paraíso&#8230;<br />
O amor é tão-somente um pretexto de riso<br />
Para esse coração flutuante e singular.</p>
<p>Flor de perfume raro e de esquisito encanto,<br />
Ela zomba dos que (pobres deles!) sem cor<br />
Vão-lhe aos pés ajoelhar ingenuamente&#8230; Enquanto</p>
<p>Alguém não lhe magoar a boca de veludo&#8230;<br />
E não a fizer ver, por si, que isso de amor<br />
No fundo é amargo e triste e dói mais do que tudo.</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>A Pulga - por  Hermes Fontes</title>
		<link>http://blogdospoetas.com.br/poemas/a-pulga/</link>
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		<pubDate>Tue, 02 Apr 2013 06:10:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ederson Peka</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Hermes Fontes]]></category>

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		<description><![CDATA[O pontinho escuro anima-se; e, ágil, breve,
Salta aqui, salta ali e vem pousar em mim.
Sinto-o no corpo: o inseto, a mais e mais se atreve.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Um sinalzinho preto em teu colo de neve:<br />
Examino se é próprio, ou fingido a nanquim&#8230;<br />
Mas o pontinho escuro anima-se; e, ágil, breve,<br />
Salta aqui, salta ali e vem pousar em mim.</p>
<p>Sinto-o no corpo: o inseto, a mais e mais se atreve.<br />
Põe-me um ardor de urtiga em cada poro, e, assim,<br />
Fervo e salto, eu também&#8230; Ao seu contacto, leve,<br />
A epiderme é um incêndio, o sangue é um torvelim.</p>
<p>É uma pulga! Tirou-me o bom humor e o agrado!<br />
- Serena perfeição em que a gente se julga,<br />
Morre num sopro: é grão de pó, miga qualquer&#8230;</p>
<p>Quanto orgulho se tem despido e desmanchado,<br />
Por um nada, um nadinha, uma pulga!? É que a pulga<br />
Em astúcia é igual à raposa e à mulher&#8230;</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Princesa Desalento - por  Florbela Espanca</title>
		<link>http://blogdospoetas.com.br/poemas/princesa-desalento/</link>
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		<pubDate>Thu, 07 Mar 2013 17:16:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ederson Peka</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Florbela Espanca]]></category>

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		<description><![CDATA[Vive do riso duma boca fria:
Minh’alma é a Princesa Desalento…]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Minh&#8217;alma é a Princesa Desalento,<br />
Como um Poeta lhe chamou, um dia.<br />
É magoada, e pálida, e sombria,<br />
Como soluços trágicos do vento!</p>
<p>É frágil como o sonho dum momento;<br />
Soturna como preces de agonia,<br />
Vive do riso duma boca fria:<br />
Minh&#8217;alma é a Princesa Desalento&#8230;</p>
<p>Altas horas da noite ela vagueia&#8230;<br />
E ao luar suavíssimo, que anseia,<br />
Põe-se a falar de tanta coisa morta!</p>
<p>O luar ouve minh&#8217;alma, ajoelhado,<br />
E vai traçar, fantástico e gelado,<br />
A sombra duma cruz à tua porta&#8230;</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Exortação - por  Hermes Fontes</title>
		<link>http://blogdospoetas.com.br/poemas/exortacao/</link>
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		<pubDate>Tue, 26 Feb 2013 17:08:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ederson Peka</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Hermes Fontes]]></category>

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		<description><![CDATA[Noite quer dizer sono e quer dizer loucura:
aquele - exerce-o o corpo em tréguas;
esta, exerce-a a alma - boêmia...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Noite&#8230;, silêncio&#8230;, paz&#8230;, calma&#8230;, sossego&#8230;, inércia&#8230;<br />
Noite quer dizer sono e quer dizer loucura:<br />
aquele &#8211; exerce-o o corpo em tréguas; esta, exerce-a<br />
a alma &#8211; boêmia, a alma-louca, a alma leviana e impura.</p>
<p>Noite: estrelas e luar&#8230; colméia astral&#8230; Disperse-a<br />
o sol &#8211; o caçador desalmado da Altura,<br />
e as estrelas virão, novamente à solércia,<br />
à atividade, à lei que as harmoniza e apura.</p>
<p>Noite: árvore de sóis, hospitaleira e boa!<br />
Oásis de redenção &#8211; para as consciências presas<br />
pelo Amor e que o Amor povoa e despovoa!</p>
<p>Noite: as estrelas são como chagas acesas&#8230;<br />
Noite &#8211; viúva do Sol &#8211; acolhe-me e perdoa<br />
minhas divagações e minhas incertezas&#8230;</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Noturno - por  Cecília Meireles</title>
		<link>http://blogdospoetas.com.br/poemas/noturno-cecilia-meireles/</link>
		<comments>http://blogdospoetas.com.br/poemas/noturno-cecilia-meireles/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 27 Jan 2013 03:56:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ederson Peka</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Cecília Meireles]]></category>

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		<description><![CDATA[Suspiro do vento,
lágrima do mar,
meu pensamento
não sabe matar!]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Suspiro do vento,<br />
lágrima do mar,<br />
este tormento<br />
ainda pode acabar?</p>
<p>De dia e de noite,<br />
meu sonho combate:<br />
vem sombras, vão sombras,<br />
não há quem o mate!</p>
<p>Suspiro do vento,<br />
lágrima do mar,<br />
as armas que invento<br />
são aromas no ar!</p>
<p>Mandai-me soldados<br />
de estirpe mais forte,<br />
com todas as armas<br />
que levam à morte!</p>
<p>Suspiro do vento,<br />
lágrima do mar,<br />
meu pensamento<br />
não sabe matar!</p>
<p>Mandai-me esse arcanjo<br />
de verde cavalo,<br />
que desça a este campo<br />
a desbaratá-lo!</p>
<p>Suspiro do vento,<br />
lágrima do mar,<br />
que leve esse arcanjo meu longo tormento,<br />
e também a mim, para o acompanhar!</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Meu Desejo - por  Álvares de Azevedo</title>
		<link>http://blogdospoetas.com.br/poemas/meu-desejo/</link>
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		<pubDate>Sun, 13 Jan 2013 04:54:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ederson Peka</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Álvares de Azevedo]]></category>

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		<description><![CDATA[Meu desejo? era ser a luva branca
Que essa tua gentil mãozinha aperta]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Meu desejo? era ser a luva branca<br />
Que essa tua gentil mãozinha aperta:<br />
A camélia que murcha no teu seio,<br />
O anjo que por te ver do céu deserta&#8230;.</p>
<p>Meu desejo? era ser o sapatinho<br />
Que teu mimoso pé no baile encerra&#8230;.<br />
A esperança que sonhas no futuro,<br />
As saudades que tens aqui na terra&#8230;.</p>
<p>Meu desejo? era ser o cortinado<br />
Que não conta os mistérios do teu leito;<br />
Era de teu colar de negra seda<br />
Ser a cruz com que dormes sobre o peito.</p>
<p>Meu desejo? era ser o teu espelho<br />
Que mais bela te vê quando deslaças<br />
Do baile as roupas de escomilha e flores<br />
E mira-te amoroso as nuas graças!</p>
<p>Meu desejo? era ser desse teu leito<br />
De cambraia o lençol, o travesseiro<br />
Com que velas o seio, onde repousas,<br />
Solto o cabelo, o rosto feiticeiro&#8230;.</p>
<p>Meu desejo? era ser a voz da terra<br />
Que da estrela do céu ouvisse amor!<br />
Ser o amante que sonhas, que desejas<br />
Nas cismas encantadas de langor!</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>O Nosso Mundo - por  Florbela Espanca</title>
		<link>http://blogdospoetas.com.br/poemas/o-nosso-mundo/</link>
		<comments>http://blogdospoetas.com.br/poemas/o-nosso-mundo/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 30 Dec 2012 04:52:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ederson Peka</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Florbela Espanca]]></category>

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		<description><![CDATA[A Vida, meu amor, quero vivê-la!
Na mesma taça erguida em tuas mãos,
Bocas unidas hemos de bebê-la!]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Eu bebo a Vida, a Vida, a longos tragos<br />
Como um divino vinho de Falerno<br />
Poisando em ti o meu olhar eterno<br />
Como poisam as folhas sobre os lagos&#8230;</p>
<p>Os meus sonhos agora são mais vagos<br />
O teu olhar em mim, hoje é mais terno&#8230;<br />
E a Vida já não é o rubro inferno<br />
Todo fantasmas tristes e presságios!</p>
<p>A Vida, meu amor, quero vivê-la!<br />
Na mesma taça erguida em tuas mãos,<br />
Bocas unidas hemos de bebê-la!</p>
<p>Que importa o mundo e as ilusões defuntas?&#8230;<br />
Que importa o mundo e seus orgulhos vãos?&#8230;<br />
O mundo, Amor!&#8230; As nossas bocas juntas!&#8230;</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Ah, Um Soneto… - por  Álvaro de Campos</title>
		<link>http://blogdospoetas.com.br/poemas/ah-um-soneto/</link>
		<comments>http://blogdospoetas.com.br/poemas/ah-um-soneto/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 16 Dec 2012 04:16:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ederson Peka</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Álvaro de Campos]]></category>

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		<description><![CDATA[Meu coração é um almirante louco
que abandonou a profissão do mar
e que a vai relembrando pouco a pouco]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Meu coração é um almirante louco<br />
que abandonou a profissão do mar<br />
e que a vai relembrando pouco a pouco<br />
em casa a passear, a passear&#8230;</p>
<p>No movimento (eu mesmo me desloco<br />
nesta cadeira, só de o imaginar)<br />
o mar abandonado fica em foco<br />
nos músculos cansados de parar.</p>
<p>Há saudades nas pernas e nos braços.<br />
Há saudades no cérebro por fora.<br />
Há grandes raivas feitas de cansaços.</p>
<p>Mas &#8211; esta é boa! &#8211; era do coração<br />
que eu falava&#8230; e onde diabo estou eu agora<br />
com almirante em vez de sensação?&#8230;</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Evolução - por  Antero de Quental</title>
		<link>http://blogdospoetas.com.br/poemas/evolucao/</link>
		<comments>http://blogdospoetas.com.br/poemas/evolucao/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 02 Dec 2012 03:05:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ederson Peka</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Antero de Quental]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blogdospoetas.com.br/?p=2265</guid>
		<description><![CDATA[Hoje sou homem, e na sombra enorme 
Vejo, a meus pés, a escada multiforme:
Interrogo o infinito e às vezes choro...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Fui rocha em tempo, e fui no mundo antigo<br />
Tronco ou ramo na incógnita floresta&#8230;<br />
Onda, espumei, quebrando-me na aresta<br />
Do granito, antiquíssimo inimigo&#8230; </p>
<p>Rugi, fera talvez, buscando abrigo<br />
Na caverna que ensombra urze e giesta;<br />
Ou, monstro primitivo, ergui a testa<br />
No limoso paul, glauco pascigo&#8230; </p>
<p>Hoje sou homem &#8211; e na sombra enorme<br />
Vejo, a meus pés, a escada multiforme,<br />
Que desce, em espirais, na imensidade&#8230; </p>
<p>Interrogo o infinito e às vezes choro&#8230;<br />
Mas, estendendo as mãos no vácuo, adoro<br />
E aspiro unicamente à liberdade.</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Pequenina - por  Florbela Espanca</title>
		<link>http://blogdospoetas.com.br/poemas/pequenina/</link>
		<comments>http://blogdospoetas.com.br/poemas/pequenina/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 18 Nov 2012 05:03:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ederson Peka</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Florbela Espanca]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blogdospoetas.com.br/?p=2263</guid>
		<description><![CDATA[O ver o teu olhar faz bem à gente... 
E cheira e sabe, a nossa boca, a flores 
Quando o teu nome diz]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>És pequenina e ris&#8230; A boca breve<br />
É um pequeno idílio cor-de-rosa&#8230;<br />
Haste de lírio frágil e mimosa!<br />
Cofre de beijos feito sonho e neve! </p>
<p>Doce quimera que a nossa alma deve<br />
Ao Céu que assim te faz tão graciosa!<br />
Que nesta vida amarga e tormentosa<br />
Te fez nascer como um perfume leve! </p>
<p>O ver o teu olhar faz bem à gente&#8230;<br />
E cheira e sabe, a nossa boca, a flores<br />
Quando o teu nome diz, suavemente&#8230; </p>
<p>Pequenina que a Mãe de Deus sonhou,<br />
Que ela afaste de ti aquelas dores<br />
Que fizeram de mim isto que sou!</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Primavera - por  Olavo Bilac</title>
		<link>http://blogdospoetas.com.br/poemas/primavera/</link>
		<comments>http://blogdospoetas.com.br/poemas/primavera/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 04 Nov 2012 04:01:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ederson Peka</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Olavo Bilac]]></category>

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		<description><![CDATA[A alma da terra gorjeava e ria... 
Nascia a primavera...
E eu te levava]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Ah! quem nos dera que isto, como outrora,<br />
Inda nos comovesse! Ah! quem nos dera<br />
Que inda juntos pudéssemos agora<br />
Ver o desabrochar da primavera! </p>
<p>Saíamos com os pássaros e a aurora.<br />
E, no chão, sobre os troncos cheios de hera,<br />
Sentavas-te sorrindo, de hora em hora:<br />
&#8220;Beijemo-nos! amemo-nos! espera!&#8221; </p>
<p>E esse corpo de rosa recendia,<br />
E aos meus beijos de fogo palpitava,<br />
Alquebrado de amor e de cansaço. </p>
<p>A alma da terra gorjeava e ria&#8230;<br />
Nascia a primavera&#8230; E eu te levava,<br />
Primavera de carne, pelo braço!</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Criança - por  Cecília Meireles</title>
		<link>http://blogdospoetas.com.br/poemas/crianca/</link>
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		<pubDate>Fri, 19 Oct 2012 14:48:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ederson Peka</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Cecília Meireles]]></category>

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		<description><![CDATA[Cabecinha boa de menino mudo 
que não teve nada, que não pediu nada, 
pelo medo de perder tudo.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Cabecinha boa de menino triste,<br />
de menino triste que sofre sozinho,<br />
que sozinho sofre, &#8211; e resiste, </p>
<p>Cabecinha boa de menino ausente,<br />
que de sofrer tanto se fez pensativo,<br />
e não sabe mais o que sente&#8230; </p>
<p>Cabecinha boa de menino mudo<br />
que não teve nada, que não pediu nada,<br />
pelo medo de perder tudo. </p>
<p>Cabecinha boa de menino santo<br />
que do alto se inclina sobre a água do mundo<br />
para mirar seu desencanto. </p>
<p>Para ver passar numa onda lenta e fria<br />
a estrela perdida da felicidade<br />
que soube que não possuiria.</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>O primeiro poema - por  Manoel de Barros</title>
		<link>http://blogdospoetas.com.br/poemas/o-primeiro-poema/</link>
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		<pubDate>Fri, 31 Aug 2012 01:44:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ederson Peka</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Manoel de Barros]]></category>

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		<description><![CDATA[Tinha um índio terena que diz-que
falava azul.
Mas ele morava longe.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>O menino foi andando na beira do rio<br />
e achou uma voz sem boca.<br />
A voz era azul.<br />
Difícil foi achar a boca que falasse azul.<br />
Tinha um índio terena que diz-que<br />
falava azul.<br />
Mas ele morava longe.<br />
Era na beira de um rio que era longe.<br />
Mas o índio só aparecia de tarde.<br />
O menino achou o índio e a boca era<br />
bem normal.<br />
Só que o índio usava um apito de<br />
chamar perdiz que dava um canto<br />
azul.<br />
Era que a perdiz atendia ao chamado<br />
pela cor e não pelo canto.<br />
A perdiz atendia pelo azul.</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Triunfo Supremo - por  Cruz e Sousa</title>
		<link>http://blogdospoetas.com.br/poemas/triunfo-supremo/</link>
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		<pubDate>Wed, 20 Jun 2012 22:27:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ederson Peka</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Cruz e Sousa]]></category>

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		<description><![CDATA[É quem ficou no mundo redimido,
expurgado dos vícios mais singelos
e disse a tudo o adeus indefinido...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Quem anda pelas lágrimas perdido,<br />
sonâmbulo dos trágicos flagelos,<br />
é quem deixou para sempre esquecido<br />
o mundo e os fúteis ouropéis mais belos!</p>
<p>É quem ficou no mundo redimido,<br />
expurgado dos vícios mais singelos<br />
e disse a tudo o adeus indefinido<br />
e desprendeu-se dos carnais anelos!</p>
<p>É quem entrou por todas as batalhas,<br />
as mãos e os pés e o flanco ensangüentando,<br />
amortalhado em todas as mortalhas.</p>
<p>Quem florestas e mares foi rasgando<br />
e entre raios, pedradas e metralhas,<br />
ficou gemendo, mas ficou sonhando!</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Matinal - por  Mario Quintana</title>
		<link>http://blogdospoetas.com.br/poemas/matinal/</link>
		<comments>http://blogdospoetas.com.br/poemas/matinal/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 21 May 2012 14:00:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ederson Peka</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Mario Quintana]]></category>

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		<description><![CDATA[Antes de abrir os olhos, sei que o dia
virá olhar-me por detrás das árvores.
Ah! sentir-me ainda vivo sobre a face da Terra
enquanto a vida me devora...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Entra o sol, gato amarelo, e fica<br />
à minha espreita, no tapete claro.<br />
Antes de abrir os olhos, sei que o dia<br />
virá olhar-me por detrás das árvores.</p>
<p>Ah! sentir-me ainda vivo sobre a face da Terra<br />
enquanto a vida me devora&#8230;<br />
Me espreguiço, entredurmo&#8230; O anjo da luz espera-me<br />
Como alguém que vigiasse uma crisálida.</p>
<p>Pé ante pé, do leito, aproxima-se um verso<br />
para a canção de despertar:<br />
os ritmos do tráfego vibram como uma cigarra,</p>
<p>a tua voz nas minhas veias corre,<br />
e alguns pedaços coloridos do meu sonho<br />
devem andar por esse ar, perdidos&#8230;</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>O mundo é grande - por  Carlos Drummond de Andrade</title>
		<link>http://blogdospoetas.com.br/poemas/o-mundo-e-grande/</link>
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		<pubDate>Sun, 06 May 2012 04:21:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ederson Peka</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Carlos Drummond de Andrade]]></category>

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		<description><![CDATA[O mundo é grande e cabe nesta janela...
O mar é grande e cabe na cama...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>O mundo é grande e cabe<br />
nesta janela sobre o mar.<br />
O mar é grande e cabe<br />
na cama e no colchão de amar.<br />
O amor é grande e cabe<br />
no breve espaço de beijar. </p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Fados Contrários - por  Castro Alves</title>
		<link>http://blogdospoetas.com.br/poemas/fados-contrarios/</link>
		<comments>http://blogdospoetas.com.br/poemas/fados-contrarios/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 22 Apr 2012 03:07:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ederson Peka</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Castro Alves]]></category>

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		<description><![CDATA[Tudo é luz!
Há muito prisma doirado
Que pelos ares transluz...
Tuas pétalas são asas...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><small>(A José Jorge.)</small></p>
<p>Num álbum</p>
<p>Diz à flor a borboleta:<br />
&#8220;Vamos, irmã, tudo é luz!<br />
Há muito prisma doirado<br />
Que pelos ares transluz&#8230;<br />
Tuas pétalas são asas&#8230;<br />
Das nuvens nas tênues gazas,<br />
D&#8217;aurora nos seios nus<br />
Tens um ninho entre perfumes&#8230;<br />
Vamos boiar, entre lumes<br />
Desses páramos azúis&#8221;.</p>
<p>À linda filha dos ares,<br />
Responde a silvestre flor:<br />
&#8220;Eu amo o gemer das auras<br />
E o beijo do beija-flor&#8230;<br />
Se és do céu a violeta,<br />
Sigo um destino menor.<br />
Buscas o céu — eu a alfombra,<br />
Queres a luz — quero a sombra,<br />
Pedes glória — eu peço amor.</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Fragmento 4 - por  José Saramago</title>
		<link>http://blogdospoetas.com.br/poemas/fragmento-4/</link>
		<comments>http://blogdospoetas.com.br/poemas/fragmento-4/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 08 Apr 2012 03:15:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ederson Peka</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[José Saramago]]></category>

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		<description><![CDATA[O homem que saiu de casa depois da hora de recolher
não dirá por que saiu
E os inquiridores não sabem...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>O interrogatório do homem que saiu de casa depois da hora de recolher começou há quinze dias e ainda não acabou</p>
<p>Os inquiridores fazem uma pergunta em cada sessenta minutos vinte quatro por dia e exigem cinqüenta e nove respostas diferentes para cada uma</p>
<p>É um método novo</p>
<p>Acreditam que é impossível não estar a resposta verdadeira entre as cinqüenta e nove que foram dadas</p>
<p>E contam com a perspicácia do ordenador para descobrir qual delas seja e a sua ligação com as outras</p>
<p>Há quinze dias que o homem não dorme nem dormirá enquanto o ordenador não disser não preciso de mais ou o médico não preciso de tanto</p>
<p>Caso em que terá o seu definitivo sono</p>
<p>O homem que saiu de casa depois da hora de recolher não dirá por que saiu</p>
<p>E os inquiridores não sabem que a verdade está na sexagésima resposta </p>
<p>Entretanto a tortura continua até que o médico declare </p>
<p>Não vale a pena</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Epitáfio - por  Castro Alves</title>
		<link>http://blogdospoetas.com.br/poemas/epitafio/</link>
		<comments>http://blogdospoetas.com.br/poemas/epitafio/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 25 Mar 2012 05:02:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ederson Peka</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Castro Alves]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blogdospoetas.com.br/?p=2234</guid>
		<description><![CDATA[Como o sol nascente a gota enxuga
Que a noite derramou sobre os escolhos,
O anjo da Crença nos enxuga os olhos
E faz do pranto uma oração...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><small>(Para um túmulo de mãe.)</small></p>
<p>Como o orvalho das ramas do salgueiro<br />
Resvala sobre a lápide do trilho,<br />
Assim gotejam lágrimas de filho,<br />
Ó, Minha Mãe! sobre o sepulcro teu.<br />
Mas como o sol nascente a gota enxuga<br />
Que a noite derramou sobre os escolhos,<br />
O anjo da Crença nos enxuga os olhos<br />
E faz do pranto uma oração&#8230; no céu!</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Risco - por  Oswald de Andrade</title>
		<link>http://blogdospoetas.com.br/poemas/risco/</link>
		<comments>http://blogdospoetas.com.br/poemas/risco/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 11 Mar 2012 04:55:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ederson Peka</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Oswald de Andrade]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blogdospoetas.com.br/?p=2231</guid>
		<description><![CDATA[Um poema irmão
de outros poemas
que bebem a correnteza
e brilham...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Um poema livre<br />
da gramática, do som<br />
das palavras<br />
livre<br />
de traços</p>
<p>Um poema irmão<br />
de outros poemas<br />
que bebem a correnteza<br />
e brilham<br />
pedras ao sol</p>
<p>Um poema<br />
sem o gosto<br />
de minha boca<br />
livre da marca<br />
de dentes em seu dorso<br />
Um poema nascido<br />
nas esquinas nos muros<br />
com palavras pobres<br />
com palavras podres<br />
e<br />
que de tão livre</p>
<p>traga em si a decisão<br />
de ser escrito ou não</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Capricho - por  Castro Alves</title>
		<link>http://blogdospoetas.com.br/poemas/capricho/</link>
		<comments>http://blogdospoetas.com.br/poemas/capricho/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 29 Feb 2012 09:54:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ederson Peka</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Castro Alves]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blogdospoetas.com.br/?p=2229</guid>
		<description><![CDATA[Num leito feito de cheirosas rosas,
Risonhos sonhos sonharemos nós...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Ai! quando<br />
Brando<br />
Vai o vento<br />
Lento<br />
À lua<br />
Nua<br />
Perpassar sutil;</p>
<p>E a estrela<br />
Vela,<br />
E sobr&#8217;a linfa<br />
A ninfa<br />
Suspira<br />
Mira<br />
O divinal perfil;</p>
<p>Num leito<br />
Feito<br />
De cheirosas<br />
Rosas,<br />
Risonhos<br />
Sonhos<br />
Sonharemos nós;</p>
<p>Revoltos,<br />
Soltos<br />
Os cabelos<br />
Belos,<br />
Vivace<br />
A face,<br />
Tremulante a voz</p>
<p>Cantos<br />
E prantos<br />
Que suspira<br />
A lira,<br />
A alfombra,<br />
À sombra,<br />
Encontrarei pra ti;</p>
<p>Celuta,<br />
Escuta<br />
De meu seio<br />
O enleio&#8230;<br />
Vem, linda,<br />
Ainda<br />
Há solidões aqui.</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Trindade - por  Álvares de Azevedo</title>
		<link>http://blogdospoetas.com.br/poemas/trindade/</link>
		<comments>http://blogdospoetas.com.br/poemas/trindade/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 31 Jan 2012 03:22:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ederson Peka</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Álvares de Azevedo]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blogdospoetas.com.br/?p=2227</guid>
		<description><![CDATA[A vida é uma planta misteriosa 
Cheia d'espinhos, negra de amarguras 
Onde só abrem duas flores puras...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>A vida é uma planta misteriosa<br />
Cheia d&#8217;espinhos, negra de amarguras<br />
Onde só abrem duas flores puras -<br />
Poesia e amor&#8230; </p>
<p>E a mulher&#8230; é a nota suspirosa<br />
Que treme d&#8217;alma a corda estremecida,<br />
É fada que nos leva além da vida<br />
Pálidos de langor! </p>
<p>A poesia é a luz da mocidade,<br />
O amor é o poema dos sentidos,<br />
A febre dos momentos não dormidos<br />
E o sonhar da ventura&#8230; </p>
<p>Voltai, sonhos de amor e de saudade!<br />
Quero ainda sentir arder-me o sangue,<br />
Os olhos turvos, o meu peito langue,<br />
E morrer de ternura!</p>
]]></content:encoded>
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		<slash:comments>8</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Canção de Outono - por  Cecília Meireles</title>
		<link>http://blogdospoetas.com.br/poemas/cancao-de-outono/</link>
		<comments>http://blogdospoetas.com.br/poemas/cancao-de-outono/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 16 Jan 2012 06:36:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ederson Peka</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Cecília Meireles]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blogdospoetas.com.br/?p=2224</guid>
		<description><![CDATA[Choro pelo que não fiz.
E pela minha fraqueza
é que sou triste e infeliz.
Perdoa-me, folha seca!]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Perdoa-me, folha seca,<br />
não posso cuidar de ti.<br />
Vim para amar neste mundo,<br />
e até do amor me perdi.</p>
<p>De que serviu tecer flores<br />
pelas areias do chão,<br />
se havia gente dormindo<br />
sobre o própro coração?</p>
<p>E não pude levantá-la!<br />
Choro pelo que não fiz.<br />
E pela minha fraqueza<br />
é que sou triste e infeliz.<br />
Perdoa-me, folha seca!<br />
Meus olhos sem força estão<br />
velando e rogando áqueles<br />
que não se levantarão&#8230;</p>
<p>Tu és a folha de outono<br />
voante pelo jardim.<br />
Deixo-te a minha saudade<br />
- a melhor parte de mim.<br />
Certa de que tudo é vão.<br />
Que tudo é menos que o vento,<br />
menos que as folhas do chão&#8230;</p>
]]></content:encoded>
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		<slash:comments>13</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>A Tentação - por  Murilo Mendes</title>
		<link>http://blogdospoetas.com.br/poemas/a-tentacao/</link>
		<comments>http://blogdospoetas.com.br/poemas/a-tentacao/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 25 Dec 2011 03:39:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ederson Peka</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Murilo Mendes]]></category>

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		<description><![CDATA[Diante do crucifixo 
Eu paro pálido tremendo...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Diante do crucifixo<br />
Eu paro pálido tremendo<br />
“Já que és o Verdadeiro Filho de Deus<br />
Desprega a humanidade desta cruz”.</p>
]]></content:encoded>
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		<slash:comments>11</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>A minha estrela - por  Augusto dos Anjos</title>
		<link>http://blogdospoetas.com.br/poemas/a-minha-estrela/</link>
		<comments>http://blogdospoetas.com.br/poemas/a-minha-estrela/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 18 Dec 2011 03:47:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ederson Peka</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Augusto dos Anjos]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blogdospoetas.com.br/?p=2211</guid>
		<description><![CDATA[E a estrela foi p’ra o Céu subindo, 
Minh’alma que de longe a acompanhava, 
Viu o adeus que do Céu ela enviava...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><small>A meu irmão Aprígio dos Anjos</small></p>
<p>E eu disse &#8211; Vai-te, estrela do Passado!<br />
Esconde-te no Azul da Imensidade,<br />
Lá onde nunca chegue esta saudade,<br />
- A sombra deste afeto estiolado. </p>
<p>Disse, e a estrela foi p’ra o Céu subindo,<br />
Minh’alma que de longe a acompanhava,<br />
Viu o adeus que do Céu ela enviava,<br />
E quando ela no Azul foi-se sumindo </p>
<p>Surgia a Aurora &#8211; a mágica princesa!<br />
E eu vi o Sol do Céu iluminando<br />
A Catedral da Grande Natureza. </p>
<p>Mas a noute chegou, triste, com ela<br />
Negras sombras também foram chegando,<br />
E nunca mais eu vi a minha estrela!</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blogdospoetas.com.br/poemas/a-minha-estrela/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>8</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Prazer e Pesar - por  Gregório de Matos</title>
		<link>http://blogdospoetas.com.br/poemas/prazer-e-pesar/</link>
		<comments>http://blogdospoetas.com.br/poemas/prazer-e-pesar/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 11 Dec 2011 03:33:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ederson Peka</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Gregório de Matos]]></category>

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		<description><![CDATA[Mas ai fado cruel! que são azares
Toda a sorte, que dás dos teus haveres,
Pois val o mesmo dares, que não dares.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Um prazer, e um pesar quase irmanados,<br />
Um pesar, e um prazer, mas divididos<br />
Entraram nesse peito tão unidos,<br />
Que Amor os acredita vinculados.</p>
<p>No prazer acha Amor os esperados<br />
Frutos de seus extremos conseguidos,<br />
No pesar acha a dor amortecidos<br />
Os vínculos do sangue separados.</p>
<p>Mas ai fado cruel! que são azares<br />
Toda a sorte, que dás dos teus haveres,<br />
Pois val o mesmo dares, que não dares.</p>
<p>Emenda-te, fortuna, e quando deres,<br />
Não seja esse prazer em dois pesares,<br />
Nem prazer enterrado nos Prazeres.</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Rosa Rilke Raimundo Correia - por  Paulo Leminski</title>
		<link>http://blogdospoetas.com.br/poemas/rosa-rilke-raimundo-correia/</link>
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		<pubDate>Sun, 04 Dec 2011 06:46:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ederson Peka</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Paulo Leminski]]></category>

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		<description><![CDATA[Uma pálpebra,
Mais uma, mais outras,
Enfim, dezenas
De pálpebras sobre pálpebras...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Uma pálpebra,<br />
Mais uma, mais outras,<br />
Enfim, dezenas<br />
De pálpebras sobre pálpebras<br />
Tentando fazer<br />
Das minhas trevas<br />
Alguma coisa a mais<br />
Que lágrimas</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Modinha do Empregado de Banco - por  Murilo Mendes</title>
		<link>http://blogdospoetas.com.br/poemas/modinha-do-empregado-de-banco/</link>
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		<pubDate>Sun, 27 Nov 2011 03:38:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ederson Peka</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Murilo Mendes]]></category>

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		<description><![CDATA[Quantas meninas pela vida afora!
E eu alinhando no papel as fortunas dos outros.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Eu sou triste como um prático de farmácia,<br />
sou quase tão triste como um homem que usa costeletas.<br />
Passo o dia inteiro pensando nuns carinhos de mulher<br />
mas só ouço o tectec das máquinas de escrever.</p>
<p>Lá fora chove e a estátua de Floriano fica linda.<br />
Quantas meninas pela vida afora!<br />
E eu alinhando no papel as fortunas dos outros.<br />
Se eu tivesse estes contos punha a andar<br />
a roda da imaginação nos caminhos do mundo.<br />
E os fregueses do Banco<br />
que não fazem nada com estes contos!<br />
Chocam outros contos para não fazerem nada com eles.</p>
<p>Também se o diretor tivesse a minha imaginação<br />
o Banco já não existiria mais<br />
e eu estaria noutro lugar.</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Hino à dor - por  Augusto dos Anjos</title>
		<link>http://blogdospoetas.com.br/poemas/hino-a-dor/</link>
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		<pubDate>Sun, 20 Nov 2011 03:51:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ederson Peka</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Augusto dos Anjos]]></category>

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		<description><![CDATA[Riqueza da alma, psíquico tesouro,
Alegria das glândulas do choro
De onde todas as lágrimas emanam...
És suprema!]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Dor, saúde dos seres que se fanam,<br />
Riqueza da alma, psíquico tesouro,<br />
Alegria das glândulas do choro<br />
De onde todas as lágrimas emanam&#8230;</p>
<p>És suprema!  Os meus átomos se ufanam<br />
De pertencer-te, oh!  Dor, ancoradouro<br />
Dos desgraçados, sol do cérebro, ouro<br />
De que as próprias desgraças se engalanam!</p>
<p>Sou teu amante!  Ardo em teu corpo abstrato.<br />
Com os corpúsculos mágicos do tacto<br />
Prendo a orquestra de chamas que executas&#8230;</p>
<p>E, assim, sem convulsão que me alvorece,<br />
Minha maior ventura é estar de posse<br />
De tuas claridades absolutas!</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Inconstância - por  Gregório de Matos</title>
		<link>http://blogdospoetas.com.br/poemas/inconstancia-matos/</link>
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		<pubDate>Sun, 13 Nov 2011 04:32:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ederson Peka</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Gregório de Matos]]></category>

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		<description><![CDATA[Porém, se acaba o Sol, por que nascia?
Se é tão formosa a Luz, por que não dura?]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Nasce o Sol, e não dura mais que um dia,<br />
Depois da Luz se segue a noite escura,<br />
Em tristes sombras morre a formosura,<br />
Em contínuas tristezas a alegria.</p>
<p>Porém, se acaba o Sol, por que nascia?<br />
Se é tão formosa a Luz, por que não dura?<br />
Como a beleza assim se transfigura?<br />
Como o gosto da pena assim se fia?</p>
<p>Mas no Sol, e na Luz falte a firmeza,<br />
Na formosura não se dê constância,<br />
E na alegria sinta-se tristeza.</p>
<p>Começa o mundo enfim pela ignorância,<br />
E tem qualquer dos bens por natureza<br />
A firmeza somente na inconstância.</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Ali - por  Paulo Leminski</title>
		<link>http://blogdospoetas.com.br/poemas/ali/</link>
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		<pubDate>Sun, 06 Nov 2011 03:45:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ederson Peka</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Paulo Leminski]]></category>

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		<description><![CDATA[se alice
ali se visse
quanto alice viu
e não disse...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>ali<br />
só<br />
ali<br />
se</p>
<p>se alice<br />
ali se visse<br />
quanto alice viu<br />
e não disse</p>
<p>se ali<br />
ali se dissesse<br />
quanta palavra<br />
veio e não desce</p>
<p>ali<br />
bem ali<br />
dentro da alice<br />
só alice<br />
com alice<br />
ali se parece</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Duas estrofes - por  Augusto dos Anjos</title>
		<link>http://blogdospoetas.com.br/poemas/duas-estrofes/</link>
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		<pubDate>Sun, 30 Oct 2011 04:50:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ederson Peka</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Augusto dos Anjos]]></category>

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		<description><![CDATA[A queda do teu lírico arrabil
De um sentimento português ignoto
Lembra Lisboa...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>A queda do teu lírico arrabil<br />
De um sentimento português ignoto<br />
Lembra Lisboa, bela como um brinco,<br />
Que um dia no ano trágico de mil<br />
E setecentos e cincoenta e cinco,<br />
Foi abalada por um terremoto!</p>
<p>A água quieta do Tejo te abençoa.<br />
Tu representas toda essa Lisboa<br />
De glórias quase sobrenaturais,<br />
Apenas com uma diferença triste,<br />
Com a diferença que Lisboa existe<br />
E tu, amigo, não existes mais!</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Ao Aleijadinho - por  Murilo Mendes</title>
		<link>http://blogdospoetas.com.br/poemas/ao-aleijadinho/</link>
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		<pubDate>Sun, 23 Oct 2011 03:37:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ederson Peka</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Murilo Mendes]]></category>

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		<description><![CDATA[Fatigados caminhos refazemos
Da outrora máquina da mineração.
É nossa própria forma, o frio molde
Que maduros tentamos atingir...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Pálida a lua sob o pálio avança<br />
Das estrelas de uma perdida infância.<br />
Fatigados caminhos refazemos<br />
Da outrora máquina da mineração.</p>
<p>É nossa própria forma, o frio molde<br />
Que maduros tentamos atingir,<br />
Volvendo à laje, à pedra de olhos facetados,<br />
Sem crispação, matéria já domada.</p>
<p>O exemplo recebendo que ofereces<br />
Pelo martírio teu enfim transposto,<br />
Severo, machucado e rude Aleijadinho</p>
<p>Que te encerras na tenda com tua Bíblia,<br />
Suplicando ao Senhor — infinito e esculpido —<br />
Que sobre ti descanse os seus divinos pés.</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>És Terra - por  Gregório de Matos</title>
		<link>http://blogdospoetas.com.br/poemas/es-terra/</link>
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		<pubDate>Sun, 16 Oct 2011 04:31:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ederson Peka</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Gregório de Matos]]></category>

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		<description><![CDATA[Que és terra, homem, e em terra hás de tornar-te,
Te lembra hoje Deus por sua Igreja;
De pó te faz espelho, em que se veja
A vil matéria, de que quis formar-te.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Que és terra, homem, e em terra hás de tornar-te,<br />
Te lembra hoje Deus por sua Igreja;<br />
De pó te faz espelho, em que se veja<br />
A vil matéria, de que quis formar-te.</p>
<p>Lembra-te Deus, que és pó para humilhar-te<br />
E como o teu baixel sempre fraqueja<br />
Nos mares da vaidade, onde peleja,<br />
Te põe à vista a terra, onde salvar-te.</p>
<p>Alerta, alerta, pois, que o vento berra.<br />
Se assopra a vaidade e incha o pano,<br />
Na proa a terra tens, amaina e ferra.</p>
<p>Todo o lenho mortal, baixel humano,<br />
Se busca a salvação, tome hoje terra,<br />
Que a terra de hoje é porto soberano.</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Apagar-me - por  Paulo Leminski</title>
		<link>http://blogdospoetas.com.br/poemas/apagar-me/</link>
		<comments>http://blogdospoetas.com.br/poemas/apagar-me/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 09 Oct 2011 04:44:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ederson Peka</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Paulo Leminski]]></category>

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		<description><![CDATA[Apagar-me
diluir-me
desmanchar-me...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Apagar-me<br />
diluir-me<br />
desmanchar-me<br />
até que depois<br />
de mim<br />
de nós<br />
de tudo<br />
não reste mais<br />
que o charme.</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Montanhas de Ouro Preto - por  Murilo Mendes</title>
		<link>http://blogdospoetas.com.br/poemas/montanhas-de-ouro-preto/</link>
		<comments>http://blogdospoetas.com.br/poemas/montanhas-de-ouro-preto/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 02 Oct 2011 05:36:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ederson Peka</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Murilo Mendes]]></category>

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		<description><![CDATA[Montes contempladores, circunscritos
Entre cinza e castanho, o olhar domado
Recolhe vosso espectro permanente.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Desdobram-se as montanhas de Ouro Preto<br />
Na perfurada luz, em plano austero.<br />
Montes contempladores, circunscritos<br />
Entre cinza e castanho, o olhar domado</p>
<p>Recolhe vosso espectro permanente.<br />
Por igual pascentais a luz difusa<br />
Que se reajusta ao corpo das igrejas,<br />
E volve o pensamento à descoberta</p>
<p>De uma luta antiqüíssima com o caos,<br />
De uma reinvenção dos elementos<br />
Pela força de um culto ora perdido,</p>
<p>Relíquias de dureza e de doutrina,<br />
Rude apetite dessa cousa eterna<br />
Retida na estrutura de Ouro Preto.</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Amor e religião - por  Augusto dos Anjos</title>
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		<pubDate>Sun, 25 Sep 2011 04:49:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ederson Peka</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Augusto dos Anjos]]></category>

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		<description><![CDATA[No entanto dizem que este padre amara.
Morrera um dia desvairado, estulto...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Conheci-o: era um padre, um desses santos<br />
Sacerdotes da Fé de crença pura,<br />
Da sua fala na eternal doçura<br />
Falava o coração. Quantos, oh! Quantos </p>
<p>Ouviram dele frases de candura<br />
Que d’infelizes enxugavam prantos!<br />
E como alegres não ficaram tantos<br />
Corações sem prazer e sem ventura! </p>
<p>No entanto dizem que este padre amara.<br />
Morrera um dia desvairado, estulto,<br />
Su’alma livre para o Céu se alara. </p>
<p>E Deus lhe disse: &#8220;És duas vezes santo,<br />
Pois se da Religião fizeste culto,<br />
Foste do amor o mártir sacrossanto.&#8221;</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>A Dor - por  Gregório de Matos</title>
		<link>http://blogdospoetas.com.br/poemas/a-dor-matos/</link>
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		<pubDate>Sun, 18 Sep 2011 03:29:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ederson Peka</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Gregório de Matos]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blogdospoetas.com.br/?p=2178</guid>
		<description><![CDATA[De uma falsa esperança fantasia,
Que faz que de um momento passe a um dia,
E que de um dia passe à eternidade!]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Em o horror desta muda soledade,<br />
Onde voando os ares a porfia,<br />
Apenas solta a luz a aurora fria,<br />
Quando a prende da noite a escuridade.</p>
<p>Ah, cruel apreensão de uma saudade!<br />
De uma falsa esperança fantasia,<br />
Que faz que de um momento passe a um dia,<br />
E que de um dia passe à eternidade!</p>
<p>São da dor os espaços sem medida,<br />
E a medida das horas tão pequena,<br />
Que não sei como a dor é tão crescida.</p>
<p>Mas é troca cruel, que o fado ordena;<br />
Porque a pena me cresça para a vida,<br />
Quando a vida me falta para a pena.</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>O Rito Humano - por  Murilo Mendes</title>
		<link>http://blogdospoetas.com.br/poemas/o-rito-humano/</link>
		<comments>http://blogdospoetas.com.br/poemas/o-rito-humano/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 11 Sep 2011 04:35:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ederson Peka</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Murilo Mendes]]></category>

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		<description><![CDATA[Ouço balidos pelo mundo inteiro:
Matam o cordeiro branco redentor.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Pelas curvas da tarde vem surgindo<br />
A inefável palavra Agnus Dei.<br />
Ouço balidos pelo mundo inteiro:<br />
Matam o cordeiro branco redentor.</p>
<p>As armas do futuro desenhadas<br />
Vejo no espaço, túmulos abertos:<br />
Os balidos rebentam das gargantas<br />
Até dos que inda estão para nascer.</p>
<p>De variadas maneiras matam o homem.<br />
Matam a pureza, a paz, a liberdade,<br />
Pelo cutelo, a bomba, a guilhotina,</p>
<p>Pelo silêncio, a fome, a solidão.<br />
Fecha o leque de plumas o Oriente,<br />
Abre o Ocidente o tanque de terror.</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Amor Bastante - por  Paulo Leminski</title>
		<link>http://blogdospoetas.com.br/poemas/amor-bastante/</link>
		<comments>http://blogdospoetas.com.br/poemas/amor-bastante/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 04 Sep 2011 03:42:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ederson Peka</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Paulo Leminski]]></category>

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		<description><![CDATA[basta um instante
e você tem amor bastante]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>quando eu vi você<br />
tive uma idéia brilhante<br />
foi como se eu olhasse<br />
de dentro de um diamante<br />
e meu olho ganhasse<br />
mil faces num só instante</p>
<p>basta um instante<br />
e você tem amor bastante</p>
<p>um bom poema<br />
leva anos<br />
cinco jogando bola,<br />
mais cinco estudando sânscrito,<br />
seis carregando pedra,<br />
nove namorando a vizinha,<br />
sete levando porrada,<br />
quatro andando sozinho,<br />
três mudando de cidade,<br />
dez trocando de assunto,<br />
uma eternidade, eu e você,<br />
caminhando junto</p>
]]></content:encoded>
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		<slash:comments>3</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Abandonada - por  Augusto dos Anjos</title>
		<link>http://blogdospoetas.com.br/poemas/abandonada/</link>
		<comments>http://blogdospoetas.com.br/poemas/abandonada/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 28 Aug 2011 03:48:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ederson Peka</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Augusto dos Anjos]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blogdospoetas.com.br/?p=2213</guid>
		<description><![CDATA[O brilho se apagou daquela estrela
Que a vida lhe tornava venturosa!]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><small>Ao meu irmão Odilon dos Anjos</small></p>
<p>Bem depressa sumiu-se a vaporosa<br />
Nuvem de amores, de ilusões tão bela;<br />
O brilho se apagou daquela estrela<br />
Que a vida lhe tornava venturosa! </p>
<p>Sombras que passam, sombras cor-de-rosa<br />
- Todas se foram num festivo bando,<br />
Fugazes sonhos, gárrulos voando<br />
- Resta somente um’alma tristurosa! </p>
<p>Coitada! o gozo lhe fugiu correndo,<br />
Hoje ela habita a erma soledade,<br />
Em que vive e em que aos poucos vai morrendo! </p>
<p>Seu rosto triste, seu olhar magoado,<br />
Fazem lembrar em noute de saudade<br />
A luz mortiça d’um olhar nublado.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://blogdospoetas.com.br/poemas/abandonada/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>3</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Senhor Doutor - por  Gregório de Matos</title>
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		<pubDate>Sun, 21 Aug 2011 03:28:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ederson Peka</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Gregório de Matos]]></category>

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		<description><![CDATA[Muito bem-vinda seja a esta mofina e mísera cidade,
Sua justiça agora, e eqüidade, e letras
com que a todos causa inveja.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Senhor Doutor, muito bem-vinda seja<br />
A esta mofina e mísera cidade,<br />
Sua justiça agora, e eqüidade,<br />
E letras com que a todos causa inveja.</p>
<p>Seja muito bem-vindo, porque veja<br />
O maior disparate e iniqüidade,<br />
Que se tem feito em uma e outra idade<br />
Desde que há tribunais, e quem os reja.</p>
<p>Que me há de suceder nestas montanhas<br />
Com um ministro em leis tão pouco visto,<br />
Como previsto em trampas e maranhas?</p>
<p>É ministro de império, mero e misto,<br />
Tão Pilatos no corpo e nas entranhas,<br />
Que solta a um Barrabás, e prende a um Cristo.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Meditação da Noite - por  Murilo Mendes</title>
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		<pubDate>Sun, 14 Aug 2011 03:34:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ederson Peka</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Murilo Mendes]]></category>

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		<description><![CDATA[Templo de experiência e expiação,
O incenso da matéria se respira
Nas tuas arcadas nuas e rochosas.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Noites de lanças e estandarte azul,<br />
Não vertes sobre a terra desconforme<br />
O teu bálsamo antigo de sossego:<br />
Vem antes o veneno da tua esfera.</p>
<p>Que destruições geraste no teu ventre<br />
Enquanto os homens se velavam a face!<br />
Templo de experiência e expiação,<br />
O incenso da matéria se respira</p>
<p>Nas tuas arcadas nuas e rochosas.<br />
Somos agora a raça clandestina<br />
Que, noite hostil, ainda não pudeste</p>
<p>Das dobras dos teus panos remover:<br />
Ululantes erramos pelo mundo,<br />
Conduzindo nossa morte corporal.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Incenso Fosse Música - por  Paulo Leminski</title>
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		<pubDate>Sun, 07 Aug 2011 03:41:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ederson Peka</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Paulo Leminski]]></category>

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		<description><![CDATA[isso de querer 
ser exatamente aquilo 
que a gente é...]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>isso de querer<br />
ser exatamente aquilo<br />
que a gente é<br />
ainda vai<br />
nos levar além</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Corte Transversal do Poema - por  Murilo Mendes</title>
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		<pubDate>Sun, 31 Jul 2011 03:40:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ederson Peka</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Murilo Mendes]]></category>

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		<description><![CDATA[Alguém anda a construir uma escada pros meus sonhos.
Meu pensamento desloca uma perna,
o ouvido esquerdo do céu não ouve a queixa dos namorados.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>A música do espaço pára, a noite se divide em dois pedaços.<br />
Uma menina grande, morena, que andava na minha cabeça,<br />
fica com um braço de fora.<br />
Alguém anda a construir uma escada pros meus sonhos.<br />
Um anjo cinzento bate as asas<br />
em torno da lâmpada.<br />
Meu pensamento desloca uma perna,<br />
o ouvido esquerdo do céu não ouve a queixa dos namorados.<br />
Eu sou o olho dum marinheiro morto na Índia,<br />
um olho andando, com duas pernas.<br />
O sexo da vizinha espera a noite se dilatar, a força do homem.<br />
A outra metade da noite foge do mundo, empinando os seios.<br />
Só tenho o outro lado da energia,<br />
me dissolvem no tempo que virá, não me lembro mais quem sou.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Soneto Inglês N° 1 - por  Manuel Bandeira</title>
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		<pubDate>Sun, 26 Jun 2011 04:05:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ederson Peka</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Manuel Bandeira]]></category>

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		<description><![CDATA[Um dia hei de ir embora
Adormecer no derradeiro sono
Um dia chorarás... Que importa?
Chora.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Quando a morte cerrar meus olhos duros<br />
- Duros de tantos vãos padecimentos,<br />
Que pensarão teus peitos imaturos<br />
Da minha dor de todos os momentos?<br />
Vejo-te agora alheia, e tão distante:<br />
Mais que distante &#8211; isenta. E bem prevejo,<br />
Desde já bem prevejo o exato instante<br />
Em que de outro será não teu desejo,<br />
Que o não terás, porém teu abandono,<br />
Tua nudez! Um dia hei de ir embora<br />
Adormecer no derradeiro sono<br />
Um dia chorarás&#8230; Que importa? Chora.</p>
<p>Então eu sentirei muito mais perto<br />
De mim feliz, teu coração incerto.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Soneto do Beijo - por  Álvares de Azevedo</title>
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		<pubDate>Sun, 19 Jun 2011 04:03:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ederson Peka</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Álvares de Azevedo]]></category>

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		<description><![CDATA[Junto de teu seio
Que treme-te e palpita em doce enleio
Beba eu o amor que teu olhar revela.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Um beijo ainda! os lábios teus, donzela,<br />
Nos meus se pousem &#8211; junto de teu seio<br />
Que treme-te e palpita em doce enleio<br />
Beba eu o amor que teu olhar revela.</p>
<p>Vem ainda uma vez! és pura e bela,<br />
Arfa-te o seio, amor, n&#8217;olhos te leio&#8230;<br />
Que importa o mais? vem, anjo, sem receio!<br />
Um beijo em tua face! ind&#8217;outro nela!</p>
<p>Aperta-me ao teu colo &#8211; assim &#8211; um beijo<br />
Desses em que ao céu um&#8217;alma se transporta!&#8230;<br />
- E o mundo?&#8230; &#8211; Um louco. &#8211; E o crime? &#8211; Só te vejo.</p>
<p>- Mas quando a vida em nós gelou-se morta<br />
- E o inferno? &#8211; Contigo eu o desejo.<br />
- E Deus? &#8211; Meu Deus és tu. &#8211; E o céu? &#8211; Que importa!</p>
]]></content:encoded>
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