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<?xml-stylesheet type="text/xsl" media="screen" href="/~d/styles/rss2full.xsl"?><?xml-stylesheet type="text/css" media="screen" href="http://feeds.feedburner.com/~d/styles/itemcontent.css"?><rss xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" xmlns:openSearch="http://a9.com/-/spec/opensearch/1.1/" xmlns:georss="http://www.georss.org/georss" version="2.0"><channel><atom:id>tag:blogger.com,1999:blog-1828449244272539790</atom:id><lastBuildDate>Tue, 10 Nov 2009 13:32:27 +0000</lastBuildDate><title>Coisas nossas...</title><description>Muito nossas!!!</description><link>http://blogcoisasnossas.blogspot.com/</link><managingEditor>everton_vidal@yahoo.com.br (Éverton Vidal Azevedo)</managingEditor><generator>Blogger</generator><openSearch:totalResults>130</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>25</openSearch:itemsPerPage><atom10:link xmlns:atom10="http://www.w3.org/2005/Atom" rel="self" href="http://feeds.feedburner.com/blogspot/RaZQ" type="application/rss+xml" /><atom10:link xmlns:atom10="http://www.w3.org/2005/Atom" rel="hub" href="http://pubsubhubbub.appspot.com" /><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1828449244272539790.post-3979764026619658159</guid><pubDate>Tue, 03 Nov 2009 17:40:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-11-03T15:41:33.505-02:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Carlos Heitor Cony</category><title>Carlos Heitor Cony</title><description>&lt;p&gt;&lt;em&gt;&lt;i&gt;&amp;quot;(...) Na hora de pagar, alegando não ter nota menor, deixei-lhe um troco generoso. Ele me olhou espantado, retribuiu a gorjeta me desejando em dobro tudo o que eu viesse a precisar nos restos dos meus dias.       &lt;br /&gt;Saí daquela cadeira com um baita sentimento de culpa. Que diabo, meus sapatos não estavam tão sujos assim, por míseros tostões, fizera um filho do povo suar para ganhar seu pão. Olhei meus sapatos e tive vergonha daquele brilho humano, salgado como lágrima.&amp;quot;&lt;/i&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p align="center"&gt;&lt;em&gt;(O suor e a lágrima)&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;img style="display: block; float: none; margin-left: auto; margin-right: auto" border="0" src="http://www.releituras.com/assinaturas/ccony.gif" width="342" height="41" /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;img style="display: block; float: none; margin-left: auto; margin-right: auto" src="http://pentimento.zip.net/images/193_entrevista01.jpg" /&gt; &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Filho de Ernesto Cony Filho, jornalista, e de Julieta de Moraes, &lt;b&gt;Carlos Heitor Cony&lt;/b&gt; nasceu no dia 14 de março de 1926 na cidade do Rio de Janeiro, no bairro de Lins de Vasconcelos, zona norte da cidade. Foi o terceiro dos quatro filhos do casal: Giovane Alceste (falecido em 1920), José Heitor, Cony e José Carlos.    &lt;br /&gt;Quatro anos depois muda-se para a cidade vizinha de Niterói - RJ, onde residiria por dois anos. Tido como mudo pela família, somente aos cinco anos pronuncia suas primeiras palavras. O fato ocorreu em virtude de um susto que levou com o barulho de um hidroavião que realizou um vôo rasante na praia de Icaraí, naquela cidade. Para evitar maiores constrangimentos ao menino, sua família decide educá-lo em casa.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Em 1934, já de volta ao Rio, faz sua primeira comunhão e passa a ser ajudante de missa na Igreja Nossa Senhora de Lourdes, no bairro de Vila Isabel. Sua dificuldade com a dicção das palavras - principalmente trocando o &amp;quot;g&amp;quot; pelo &amp;quot;d&amp;quot; - fazia com que fosse alvo das brincadeiras de seus amigos. Resolve, então, escrever inúmeras vezes a palavra fogão em seu caderno. Mostra aos amigos e, como eles não riram, entendeu que para não se tornar motivo de chacota deveria dedicar-se à palavra escrita.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Aos dezoito anos manifesta o desejo de tornar-se padre. Seu pai o prepara para o exame de admissão e, após aprovado, ingressa no Seminário Arquidiocesano de São José, em Rio Comprido - RJ, no dia 3 de março de 1938.   &lt;br /&gt;Livra-se definitivamente de seu problema da fala, em 1941, após uma operação realizada pelo médico Pedro Ernesto do Rego Batista, ex-prefeito do Rio de Janeiro.    &lt;br /&gt;Deixa o seminário em outubro de 1945 e ingressa, no ano seguinte, na Faculdade Nacional de Filosofia da Universidade do Brasil, hoje Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que abandona pouco depois.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Em 1947 surge a oportunidade de cobrir as férias de seu pai no Jornal do Brasil, então um grande diário da cidade. Para garantir seu ganha-pão, consegue nomeação e torna-se funcionário da Câmara Municipal do Rio de Janeiro.   &lt;br /&gt;No ano seguinte entra para o Curso de Preparação de Oficiais da Reserva (CPOR), na arma de Infantaria, de onde sairia dois anos depois.    &lt;br /&gt;Em 1949 casa-se com Maria Zélia Machado Velho, mãe de suas duas filhas: Regina Celi (1951) e Maria Verônica (1954). Esta é a primeira das seis uniões conjugais de &lt;b&gt;Cony&lt;/b&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Começa a trabalhar como redator na Rádio Jornal do Brasil, em 1952.   &lt;br /&gt;Influenciado por Jean Paul Sartre, filósofo e autor francês, escreve &amp;quot;O Ventre&amp;quot;. Em 1956 concorre ao Prêmio Manuel Antônio de Almeida (Romance), promovido pela Prefeitura do Rio de Janeiro. Austregésilo de Athayde, Celso Kelly e Manuel Bandeira, que compuseram a comissão julgadora, foram unânimes em dizer que o romance era &amp;quot;muito bom&amp;quot;, mas não poderiam premiá-lo por se tratar de uma obra forte demais para vencer um concurso oficial.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;No ano seguinte, irritado com a atitude da comissão julgadora, inscreve-se novamente com o romance &amp;quot;A verdade de cada dia&amp;quot;, escrito em apenas nove dias. Ao trabalho, analisado por Carlos Drummond de Andrade e Austregésilo de Athayde, é outorgado o Prêmio Manuel Antônio de Almeida.   &lt;br /&gt;&amp;quot;Tijolo de segurança&amp;quot; é o trabalho inscrito por &lt;b&gt;Cony&lt;/b&gt; para concorrer ao mesmo Prêmio no ano seguinte. É declarado novamente vencedor, tendo a comissão julgadora sido constituída por Rachel de Queiroz, Antônio Callado e Antônio Olinto. A Editora Civilização Brasileira, de propriedade de Ênio Silveira, publica &amp;quot;O Ventre&amp;quot;. Firma, nessa ocasião, contrato com o escritor para a entrega regular de obras de ficção, procedimento que não era freqüente à época.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Em 1959 lança &amp;quot;A verdade de cada dia&amp;quot; e escreve seu quarto romance, &amp;quot;Informação ao crucificado&amp;quot;.   &lt;br /&gt;Vai trabalhar no Correio da Manhã, jornal de renome no país, como copidesque, em 1960. No ano seguinte, revezando com Octávio de Faria, assina a coluna &amp;quot;Da arte de falar mal&amp;quot;. Esses artigos transformaram-se em livro de crônicas, editado em 1963 com o mesmo título da seção. Lança &amp;quot;Tijolo de segurança&amp;quot;.    &lt;br /&gt;Em 1961 é publicado &amp;quot;Informação ao crucificado&amp;quot; e, em 1962, lança seu quinto romance, &amp;quot;Matéria de memória&amp;quot;.    &lt;br /&gt;Passa a escrever coluna no jornal Folha de São Paulo, em 1963, revezando com Cecília Meireles.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Eclode a revolução, em 1964, e o escritor continua com a inspiração a todo vapor: lança &amp;quot;O ato e o fato&amp;quot;, crônicas escritas na imprensa; o romance &amp;quot;Antes, o verão&amp;quot;, e um conto sobre a luxúria para ser incluído na coletânea &amp;quot;Os sete pecados capitais&amp;quot;, editado naquele ano, com a participação de Otto Lara Resende, José Conde, Lygia Fagundes Telles, Guimarães Rosa, Mário Donato e Guilherme Figueiredo.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Em 1965 escreve uma crônica atacando o Ato Institucional nº. 2. Tal fato gera um atrito entre a direção do jornal Correio da Manhã e a redação. &lt;b&gt;Cony&lt;/b&gt;demite-se. É convidado pela TV Rio para escrever uma novela sobre a baixa classe média do Rio, ex-capital do país. O programa foi ao ar entre março e abril daquele ano, contando com Eva Wilma e John Herbert à frente do elenco e a direção de Antonino Seabra. Após 37 capítulos, problemas com a censura fazem com que o escritor seja substituído por Oduvaldo Viana. É preso, juntamente com Mário Carneiro, Glauber Rocha e Joaquim Pedro de Andrade, o embaixador Jaime Azevedo Rodrigues, o diretor teatral Flavio Rangel e os jornalistas Antônio Callado e Marcio Moreira Alves, quando participava de uma manifestação em frente ao Hotel Glória, no Rio de Janeiro. O grupo, que ficou conhecido como &amp;quot;Oito do Glória&amp;quot;, foi detido pela Polícia do Exército, em cujo quartel ficou prisioneiro. Esta seria a primeira das seis prisões do escritor por motivos políticos. Mesmo assim, lança &amp;quot;Posto Seis&amp;quot;, crônicas, e &amp;quot;Balé branco&amp;quot;, romance. Participa da coletânea &amp;quot;Os dez mandamentos&amp;quot; com o conto &amp;quot;Amar a Deus sobre todas as coisas&amp;quot;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;No ano seguinte participa da coletânea &amp;quot;64 D.C.&amp;quot; (o título, veladamente, dizia respeito a 64 Depois de Castello, primeiro militar a governar o país após a revolução de 1964).   &lt;br /&gt;Vai a Cuba, em 1967, onde fica por quase um ano. Participa, em Havana, como membro do júri do concurso promovido pela Casa de las Américas. Lança, no Brasil, seu oitavo romance, &amp;quot;Pessach:a travessia&amp;quot;. Seu romance &amp;quot;Matéria de memória&amp;quot; começa a ser adaptado para o cinema por Paulo Gil Soares, projeto que só seria terminado em 1968 por Fernando Coni Campos. O filme, com o título de Um homem e sua jaula, teve no elenco Helena Ignez e Hugo Carvana.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Retornando de Cuba, em 1968, é preso ao pisar em solo brasileiro. A convite de Adolpho Bloch, passa a trabalhar nas revistas do Grupo Manchete. Publica &amp;quot;Sobre todas as coisas&amp;quot;, contos. Em 1978 essa obra seria reeditada com o título &amp;quot;Babilônia!, Babilônia!&amp;quot;. Volta a ser preso pelo regime militar no dia 13 de dezembro, data da decretação do Ato Institucional nº. 5. Fica detido quase um mês. Seu romance &amp;quot;Antes, o verão&amp;quot; é adaptado para o cinema por Gerson Tavares. Nos papéis principais, Norma Benguell e Jardel Filho.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A convite das Edições de Ouro, do Rio de Janeiro, inicia um longo trabalho de adaptação de clássicos da literatura internacional, em 1970.   &lt;br /&gt;Em 1971 escreve seu nono romance, &amp;quot;Pilatos&amp;quot;.    &lt;br /&gt;Lança, pela Bloch Editores, que passou a publicar seus textos de não-ficção, &amp;quot;Quem matou Vargas?&amp;quot;, biografia do ex-presidente do Brasil inspirada em série que escrevera para a revista Manchete em anos anteriores, em 1972.    &lt;br /&gt;No ano seguinte nasce André Heitor, seu filho com Eleonora Ramos. Falece D. Julieta, sua mãe.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Seu romance &amp;quot;Pilatos&amp;quot; é publicado em 1974. Nessa ocasião, &lt;b&gt;Cony&lt;/b&gt; declara, para espanto geral, que jamais voltaria a escrever outro romance.    &lt;br /&gt;&amp;quot;O caso Lou&amp;quot;, livro-reportagem, é publicado em 1975. No ano seguinte, dirige &amp;quot;JK, a voz da História&amp;quot;, da Rede Manchete de Televisão. Casa-se com Beatriz Lazta, sua atual mulher.    &lt;br /&gt;A visita do papa João Paulo II ao Brasil, em 1980, é coberta por &lt;b&gt;Cony&lt;/b&gt; para a revista Manchete, trabalho que voltaria a fazer 11 anos depois.    &lt;br /&gt;Em 1981 lança novo livro-reportagem: &amp;quot;Nos passos de João de Deus&amp;quot;.    &lt;br /&gt;Seu pai, Ernesto Cony, falece em 1985.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Baseada em projeto e sinopse de sua autoria e de Adolpho Bloch, estréia na TV Manchete, em 1989, Kananga do Japão, novela de Wilson Aguiar Filho dirigida por Tisuka Yamasaki.   &lt;br /&gt;Em 1993, depois de sentido afastamento, volta à imprensa diária ao assumir a coluna &amp;quot;Rio&amp;quot; no jornal Folha de São Paulo, em substituição a Otto Lara Resende, que morrera no ano anterior. Em 1996 passa a escrever aos sábado no caderno &amp;quot;Ilustrada&amp;quot; daquele diário e, também, a integrar o Conselho Editorial da Folha.    &lt;br /&gt;Lança seu décimo romance, em 1995, &amp;quot;Quase memória&amp;quot;, editado pela Companhia das Letras. É dedicado a Mila, cadela que o acompanhava havia 13 anos. O livro foi inspirado em suas lembranças do pai.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Recebe o Prêmio Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras, pelo conjunto de sua obra, em 1996. O livro &amp;quot;Quase memória&amp;quot; ganha dois prêmios Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro (&amp;quot;Melhor Romance&amp;quot; e &amp;quot;Livro do Ano - Ficção&amp;quot;). Publica seu décimo primeiro romance, &amp;quot;O piano e a orquestra&amp;quot;, vencedor do Prêmio Nacional Nestlé de Literatura.   &lt;br /&gt;Em 1997 lança seu décimo segundo romance, &amp;quot;A casa do poeta trágico&amp;quot;, novamente premiado com dois Jabutis, pela Câmara Brasileira do Livro (&amp;quot;Melhor Romance&amp;quot; e &amp;quot;Livro do Ano - Ficção&amp;quot;).&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Recebe, em Paris, a comenda da &lt;i&gt;Ordre dês Arts et des Lettres&lt;/i&gt; no grau de&lt;i&gt;Chevalier&lt;/i&gt;, concedida pelo governo francês, em 1998. Participa da série &amp;quot;O escritor por ele mesmo&amp;quot;, do Instituto Moreira Salles, apresentando-se nos centros culturais de São Paulo e Belo Horizonte.    &lt;br /&gt;Por encomenda, em 1999, de sua editora Companhia das Letras, escreve &amp;quot;Romance sem palavras&amp;quot;, publicado nesse mesmo ano. Apresenta-se no Instituto Moreira Salles, em Poços de Caldas - MG, dentro da série &amp;quot;O escritor por ele mesmo&amp;quot;.    &lt;br /&gt;Em março de 2000 é eleito, com 25 dos 37 votos possíveis, para a cadeira número 3 da Academia Brasileira de Letras. Toma posse em maio daquele ano.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Seu décimo quarto romance, &amp;quot;O indigitado&amp;quot;, é escrito em 2001 por encomenda da Editora Objetiva, do Rio, que com ele inauguraria a coleção Cinco dedos de prosa, lançado em 2002.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;#160;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Fonte: &lt;a href="http://www.releituras.com/index.asp" target="_blank"&gt;Releituras&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1828449244272539790-3979764026619658159?l=blogcoisasnossas.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://blogcoisasnossas.blogspot.com/2009/11/carlos-heitor-cony.html</link><author>dullimi@gmail.com (Du)</author><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1828449244272539790.post-8661903633587807551</guid><pubDate>Wed, 28 Oct 2009 15:44:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-10-28T13:45:37.890-02:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Affonso Romano de Sant'Anna</category><title>Affonso Romano de Sant'Anna</title><description>&lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;&amp;quot;Às vezes, você perde vários poemas, porque sente uma frase, sente algo murmurado no seu espírito e não presta atenção porque está ocupado com os ruídos da vida. É necessário apurar o seu ouvido, ter a humildade de anotar a coisa mesmo quando ela não é muito boa. Pode, de repente, um texto meio nebuloso, meio esquisito, meio simplório demais, dar raiz a um poema posteriormente interessante.”&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;&amp;#160;&lt;/p&gt;  &lt;p align="center"&gt;&lt;img src="http://www.mao.org.br/noticias/240/fotos/interna c&amp;oacute;pia.jpg" /&gt; &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;Affonso Romano de Sant'Anna&lt;/b&gt; é um caso raro de artista e intelectual que une a palavra à ação. Com uma produção diversificada e consistente, pensa o Brasil e a cultura do seu tempo, e se destaca como teórico, como poeta, como cronista, como professor, como administrador cultural e como jornalista.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Com mais de 40 livros publicados, professor em diversas universidades brasileiras - UFMG, PUC/RJ, URFJ, UFF, no exterior lecionou nas universidades da California (UCLA), Koln (Alemanha), Aix-en-Provence (França). Seu talento foi confirmado pelo estímulo recebido de várias fundações internacionais como a Ford Foundation, Guggenheim, Gulbenkian e o DAAD da Alemanha, que lhe concederam bolsas de estudo e pesquisa em diversos países.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Nascido em Belo Horizonte (1937), desde os anos 60 teve participação ativa nos movimentos que transformaram a poesia brasileira, interagindo com os grupos de vanguarda e construindo sua própria linguagem e trajetória.   &lt;br /&gt;Data desta época sua participação nos movimentos políticos e sociais que marcaram o país. Embora jovem, seu nome já aparece nas principais publicações culturais do país. Por isto, como poeta e cronista foi considerado pela revista “Imprensa”, em 1990, como um dos dez jornalistas que mais influenciam a opinião de seu país.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Nos anos 70, dirigindo o Departamento de Letras e Artes, PUC/RJ, estruturou a pós graduação em literatura brasileira do Brasil, considerada uma das melhores do país. Trouxe ao Brasil conferencistas estrangeiros como Michel Foucault e apesar das dificuldades impostas pela ditadura realizou uma série de encontros nacionais de professores, escritores e críticos literários além de promover a “ Expoesia” - evento que reuniu 600 poetas num balanço da poesia brasileira.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Durante sua gestão, pela primeira vez no país a chamada literatura infanto-juvenil passou a ser estudada na universidade e a ser tema de teses de pós-graduação. Foram também abertos cursos de Criação Literária com a presença de importantes escritores nacionais.   &lt;br /&gt;Foi autor, dentro da universidade, de trabalhos pioneiros sobre música popular, como o livro &amp;quot;Música popular e moderna poesia brasileira&amp;quot;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Como jornalista trabalhou nos principais jornais e revistas do país: Jornal do Brasil (pesquisa e copydesk), Senhor(colaborador) ,Veja(critico), Isto É(Cronista), colaborador do jornal O Estado de São Paulo. Foi cronista d da Manchete e do Jornal do Brasil . e está n'O Globo desde 1988.   &lt;br /&gt;Considerado pelo crítico Wilson Martins como o sucessor de Carlos Drummond de Andrade, no sentido de desenvolver uma “linhagem poética” que vem de Gonçalves Dias, Bilac, Bandeira e Drummond, realmente substituiu este último como cronista no “Jornal do Brasil”, em 1984. E foi sobre Carlos Drummond de Andrade a sua tese de doutoramento (UFMJ), intitulada:&amp;quot;Drummond, o gauche no tempo&amp;quot;, que mereceu quatro prêmios nacionais.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Nos duros tempos da última ditadura militar, Affonso Romano de Sant'Anna publicou corajosos poemas nos principais jornais do país, não nos suplementos literários, mas nas páginas de política . Poemas como “ Que país é este?” (traduzido para o espanhol, inglês, francês e alemão), foram transformados em “posters”, aos milhares, e colocados em escritórios, sindicatos, universidades e bares.   &lt;br /&gt;Nessa época produziu uma série de poemas para a televisão (Globo) .Esses poemas eram transmitidos no horário nobre, no noticiário noturno e atingiam uma audiência de 60 milhões de pessoas.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Como presidente da Biblioteca Nacional — a oitava biblioteca do mundo, com oito milhões de volumes — realizou entre 1990 e 1996 a modernização tecnológica da instituição, informatizando-a, ampliando seus edifícios e lançando programas de alcance nacional e internacional.   &lt;br /&gt;Criou o Sistema Nacional de Bibliotecas, que reúne 3.000 instituições e o PROLER ( Programa de Promoção da Leitura), que contou com mais de 30 mil voluntários e estabeleceu-se em 300 municípios em 1991 lançou o programa “Uma biblioteca em cada município”.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Criou na Biblioteca Nacional os programas de tradução de autores brasileiros, de bolsa para escritores jovens e encontros internacionais com agentes literários.   &lt;br /&gt;Seu trabalho à frente da Biblioteca Nacional possibilitou que o Brasil fosse o país-tema da Feira de Frankfurt( 1994), o país-tema, na Feira de Bogotá(1995) e no Salão do Livro( Paris, 1998).    &lt;br /&gt;Lançou a revista “Poesia Sempre”, de circulação internacional, tendo organizado números especiais sobre a América Latina, Portugal, Espanha, Itália, França, Alemanha.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Foi Secretário Geral da Associação das Bibliotecas Nacionais Ibero-Americanas(1995-1996), que reúne 22 instituições desenvolvendo amplo programa de integração cultural no continente.   &lt;br /&gt;Foi Presidente do Conselho do Centro Regional para o Fomento do Livro na América Latina e no Caribe-CERLALC), 1993-1995.    &lt;br /&gt;Como poeta participou do “International Writing Program”(1968-1969) em Iowa, USA, dedicado a jovens escritores de todo o mundo.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Tem participado de dezenas de encontros internacionais de poesia. Esteve no Festival Internacional de Poesia Pela Paz, na Coréia(2005) , realizou uma série de leituras de poemas no Chile, por ocasião do centenário de Neruda (2004), esteve na Irlanda, no Festival Gerald Hopkins (1996), na Casa de Bertold Brecht, em Berlim (1994), no Encontro de Poetas de Língua Latina (1987), no México, no Encontro de Escritores Latino-americanos em Israel (1986).   &lt;br /&gt;Mereceu vários prêmios nacionais destacando-se o da Associação Paulista de Críticos de Arte pelo &amp;quot;conjunto de obra&amp;quot;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Foi júri de uma série de prêmios internacionais como o Prêmio Camões (Portugal/Brasil), Prêmio Rainha Sofia (Espanha), Prêmio Peres Bonald (Venezuela), Prêmio Pégaso/Mobil Oil (Colômbia/USA), Reina Sofia (Espanha).   &lt;br /&gt;Diversos textos seus foram convertidos em teatro, balé e música e tem diversos CDs de literatura gravados com sua voz e na voz de atores diversos.    &lt;br /&gt;Sua obra tem sido objeto de teses de mestrado e doutorado no Brasil e no exterior.    &lt;br /&gt;Recebeu algumas das principais comendas brasileiras como Ordem Rio Branco, Medalha Tiradentes, Medalha da Inconfidência, Medalha Santos Dummont.    &lt;br /&gt;É casado com a escritora Marina Colasanti.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Fonte: &lt;a href="http://www.releituras.com/index.asp" target="_blank"&gt;Releituras&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1828449244272539790-8661903633587807551?l=blogcoisasnossas.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://blogcoisasnossas.blogspot.com/2009/10/affonso-romano-de-sant.html</link><author>dullimi@gmail.com (Du)</author><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1828449244272539790.post-2501119009756447462</guid><pubDate>Thu, 15 Oct 2009 22:56:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-10-15T20:02:45.000-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Paulo Freire</category><title>Paulo Freire</title><description>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_FQTvlaqpcOo/Steo2qlXtyI/AAAAAAAAAKY/qnREnuzzFWg/s1600-h/paulo_freire1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5392964735896893218" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 218px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_FQTvlaqpcOo/Steo2qlXtyI/AAAAAAAAAKY/qnREnuzzFWg/s320/paulo_freire1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Paulo Reglus Neves Freire nasceu no dia 19 de setembro de 1921 em Recife, no nordeste do Brasil, e faleceu em 2 de maio de 1997 em São Paulo. Como estudioso, ativista social e trabalhador cultural, Freire desenvolveu, mais do que uma prática de alfabetização, uma pedagogia crítico liberadora. Em sua proposta, o ato de conhecimento tem como pressuposto fundamental a cultura do educando; não para cristalizá-la, mas como ”ponto de partida” para que ele avance na leitura do mundo, compreendendo-se como sujeito da história. É através da relação dialógica que se consolida a educação como prática da liberdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em sua primeira experiência, em 1963, Freire ensinou 300 adultos a ler e escrever em 45 dias. Esse método foi adotado em Pernambuco, um estado produtor de cana-de-açúcar. O trabalho de Freire com os pobres e, internacionalmente aclamado, teve início no final da década de 40 e continuou de forma ininterrupta até 1964. Os 16 anos de exílio foram períodos tumultuados e produtivos: uma estadia de cinco anos no Chile como consultor da UNESCO no Instituto de Capacitação e Investigação em Reforma Agrária; uma nomeação, em 1969, para trabalhar no Centro para Estudos de Desenvolvimento e Mudança Social da Universidade de Harvard; uma mudança para Genebra, na Suíça, em 1970, para trabalhar como consultor do Escritório de Educação do Conselho Mundial de Igrejas, onde desenvolveu programas de alfabetização para a Tanzânia e Guiné Bissau, que se concentravam na reafricanização de seus países; o desenvolvimento de programas de alfabetização em algumas ex-colônias portuguesas pós-revolucionárias como Angola e Moçambique; ajuda ao governo do Peru e da Nicarágua em suas campanhas de alfabetização.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Paulo Freire (1921-1997) representa um dos maiores e mais significantes educadores do século XX. Sua pedagogia mostra um novo caminho para a relação entre educadores e educandos. Caminho este que, consolida uma proposta político-pedagógica elegendo educador e educando como sujeitos do processo de construção do conhecimento mediatizados pelo mundo, visando a transformação social e construção de uma sociedade justa, democrática e igualitária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na América do Sul, Europa, África, América do Norte e Central, suas idéias revolucionaram o pensamento pedagógico universal, estimulando a prática educativa de movimentos e organizações de diversas naturezas. Três filosofias marcaram sucessivamente a obra de Paulo Freire: o existencialismo, a fenomenologia e o marxismo sem, no entanto adotar uma posição ortodoxa. Seu pensamento rompeu a relação cristalizadora de dominação, buscando pensar a realidade dentro do universo do educando, construindo a prática educacional considerando a linguagem e a história da coletividade elementos essenciais dessa prática.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Paulo Freire vida, pensamento e obra se juntam. Pensa a realidade e a ação sobre ela, trabalhando teoricamente a partir dela. Segundo ele, as questões e problemas principais de educação não são só questões pedagógicas, ao contrário, são políticas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sua proposta, a pedagogia crítica, como práxis cultural contribui para revelar a ideologia encoberta na consciência das pessoas Seu trabalho revela dedicação e coerência aliados a convicção de luta por uma sociedade justa, voltada para o processo permanente de humanização entre as pessoas onde ninguém é excluído ou posto à margem da vida. Paulo Freire provou que é possível educar para responder aos desafios da sociedade, neste sentido a educação deve ser um instrumento de transformação global do homem e da sociedade, tendo como essência a dialogicidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O "Método Paulo Freire"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Creio que é preciso, mesmo que numa biografia, fazer algumas considerações sobre o "Método Paulo Freire" uma vez que ele é ainda muito utilizado, com algumas adaptações, nos dias de hoje em todo o mundo, e quase sempre ao falar-se de Freire e alfabetização, a compreensão desta é reduzida a puro conjunto de técnicas ligadas à aprendizagem da leitura e da escrita. É preciso deixar este ponto mais claro para, sobretudo, quem se inicia em Freire.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O "convite" de Freire ao alfabetizando adulto é, inicialmente, para que ele se veja enquanto homem ou mulher vivendo e produzindo em determinada sociedade. Convida o analfabeto a sair da apatia e do conformismo de "demitido da vida" em que quase sempre se encontra e desafia-o a compreender que ele próprio é também um fazedor de cultura, fazendo-o apreender o conceito antropológico de cultura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O "ser-menos" das camadas populares é trabalhado para não ser entendido como desígnio divino ou sina, mas como determinação do contexto econômico-político- ideológico da sociedade em que vivem. Quando o homem e a mulher se percebem como fazedores de cultura, está vencido, ou quase vencido, o primeiro passo para sentirem a importância, a necessidade e a possibilidade de se apropriarem da leitura e da escrita. Estão alfabetizando-se, politicamente falando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os participantes do "círculo de cultura", em diálogo sobre o objeto a ser conhecido e sobre a representação da realidade a ser decodificada, respondem às questões provocadas pelo coordenador do grupo, aprofundando suas leituras do mundo. O debate que surge daí possibilita uma re-leitura da realidade de que pode resultar o engajamento do alfabetizando em práticas políticas com vista à transformação da sociedade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quê? Por quê? Como? Para quê? Por quem? Para quem? Contra quê? Contra quem? A favor de quem? A favor de quê? - são perguntas que provocam os alfabetizandos em torno da substantividade das coisas, da razão de ser delas, de suas finalidades, do modo como se fazem, etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As atividades de alfabetização exigem a pesquisa do que Freire chama "universo vocabular mínimo" entre os alfabetizandos. É trabalhando este universo que se escolhem as palavras que farão parte do programa. Estas palavras , mais ou menos dezessete, chamadas "palavras geradoras", devem ser palavras de grande riqueza fonêmica e colocadas, necessariamente, em ordem crescente das menores para as maiores dificuldades fonéticas, lidas dentro do contexto mais amplo da vida dos alfabetizandos e da linguagem local, que por isso mesmo é também nacional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A decodificação da palavra escrita, que vem em seguida à decodificação da situação existencial codificada, compreende alguns passos que devem, rigorosamente se suceder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tomemos a palavra TIJOLO, usada como a primeira palavra em Brasília, nos anos 60, escolhida por ser uma cidade em construção, para facilitar o entendimento do(a) leitor (a).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1º.) Apresenta-se a palavra geradora "tijolo" inserida na representação de uma situação concreta: homens trabalhando numa construção;&lt;br /&gt;2º.) Escreve-se simplesmente a palavra TIJOLO.&lt;br /&gt;3º.) Escreve-se a mesma palavra com as sílabas separadas: TI - JO – LO&lt;br /&gt;4º.) Apresenta-se a "família fonêmica" da primeira sílaba: TA - TE - TI - TO - TU&lt;br /&gt;5º.) Apresenta-se a "família fonêmica" da segunda sílaba: JA - JE - JI - JO - JU&lt;br /&gt;6º.) Apresenta-se a "família fonêmica" da terceira sílaba : LA - LE - LI - LO - LU&lt;br /&gt;7º.) Apresentam-se as "famílias fonêmicas" da palavra que está sendo decodificada:&lt;br /&gt;TA - TE - TI - TO - TU&lt;br /&gt;JA - JE - JI - JO - JU&lt;br /&gt;LA - LE - LI - LO – LU&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este conjunto das "famílias fonêmicas" da palavra geradora foi denominado de "ficha de descoberta" pois ele propicia ao alfabetizando juntar os "pedaços", isto é, fazer dessas sílabas novas combinações fonêmicas que necessariamente devem formar palavras da língua portuguesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;8º.) Apresentam-se as vogais : A-E-I-O-U.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em síntese, no momento em que o(a) alfabetizando(a) consegue, articulando as sílabas, formar palavras, ele ou ela, está alfabetizado (a). O processo requer, evidentemente, aprofundamento, ou seja, a pós-alfabetização.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A eficácia e validade do "Método" consistem em partir da realidade do alfabetizando, do que ele já conhece, do valor pragmático das coisas e fatos de sua vida cotidiana, de suas situações existenciais. Respeitando o senso comum e dele partindo, Freire propõe a sua superação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O "Método" obedece às normas metodológicas e lingüísticas, mas vai além delas, porque desafia o homem e a mulher que se alfabetizam a se apropriarem do código escrito e a se politizarem, tendo uma visão de totalidade da linguagem e do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O "Método" nega a mera repetição alienada e alienante de frases, palavras e sílabas, ao propor aos alfabetizandos "ler o mundo" e "ler a palavra", leituras, aliás, como enfatiza Freire, indissociáveis. Daí ter vindo se posicionando contra as cartilhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em suma, o trabalho de Paulo Freire é mais do que um método que alfabetiza, é uma ampla e profunda compreensão da educação que tem como cerne de suas preocupações a sua natureza política.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Concluiria esta abordagem sobre o "Método Paulo Freire" dizendo que a alfabetização do povo brasileiro - porque quando o criou jamais pensava que ele se expandiria pelo mundo - era então, no bom sentido da palavra uma tática educativa para atingir a estratégia necessária: a politização do povo brasileiro. Nesse sentido, é revolucionário porque ele pode tirar da situação de submissão, de imersão e de passividade aqueles e aquelas que ainda não conhecem a palavra escrita.&lt;br /&gt;A revolução pensada por Freire não pressupõe uma inversão nos polos oprimido-opressor, antes, pretende re-inventar, em comunhão, uma sociedade onde não haja a exploração e a verticalidade do mando, onde não haja a exclusão ou a interdição da leitura do mundo aos segmentos desprivilegiados da sociedade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Paulo Freire esteve no exílio por quase dezesseis anos, exatamente porque compreendeu a educação desta maneira e lutou para que um grande número de brasileiros e brasileiras tivesse acesso a esse bem a eles negado secularmente: o ato de ler a palavra lendo o mundo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1828449244272539790-2501119009756447462?l=blogcoisasnossas.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://blogcoisasnossas.blogspot.com/2009/10/paulo-freire.html</link><author>everton_vidal@yahoo.com.br (Éverton Vidal Azevedo)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://3.bp.blogspot.com/_FQTvlaqpcOo/Steo2qlXtyI/AAAAAAAAAKY/qnREnuzzFWg/s72-c/paulo_freire1.jpg" height="72" width="72" /><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">3</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1828449244272539790.post-3443529790171100840</guid><pubDate>Thu, 15 Oct 2009 01:17:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-10-14T22:20:32.074-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Lya Luft</category><title>Lya Luft</title><description>&lt;p&gt;&amp;#160;&lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;&lt;em&gt;&amp;quot;Não existe isso de homem escrever com vigor e mulher escrever com fragilidade. Puta que pariu, não é assim. Isso não existe. É um erro pensar assim. Eu sou uma mulher. Faço tudo de mulher, como mulher. Mas não&amp;#160; sou uma mulher que necessita de ajuda de um homem. Não necessito de proteção de homem nenhum. Essas mulheres frageizinhas, que fazem esse gênero, querem mesmo é explorar seus maridos. Isso entra também na questão literária. Não existe isso de homens com escrita vigorosa, enquanto as mulheres se perdem na doçura. Eu fico puta da vida com isso. Eu quero escrever com o vigor de uma mulher. Não me interessa escrever como homem.&amp;quot;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p align="center"&gt;&lt;a href="http://lh4.ggpht.com/_C88pfpvNkrg/StZ4yE75UZI/AAAAAAAAGm0/epFxO6wXJAg/s1600-h/Lya_Luft%5B3%5D.jpg"&gt;&lt;img style="border-bottom: 0px; border-left: 0px; display: inline; border-top: 0px; border-right: 0px" title="Lya_Luft" border="0" alt="Lya_Luft" src="http://lh5.ggpht.com/_C88pfpvNkrg/StZ43rzc98I/AAAAAAAAGm4/yLoPmEQFydY/Lya_Luft_thumb%5B1%5D.jpg?imgmax=800" width="252" height="375" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;Lya Luft&lt;/b&gt; nasceu no dia 15 de setembro de 1938, em Santa Cruz do Sul, Rio Grande do Sul.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Por se tratar de cidade de colonização alemã, as crianças, em quase sua totalidade, falavam alemão, e os livros utilizados nas escolas vinham da Alemanha. Com onze anos, &lt;b&gt;Lya&lt;/b&gt; decorava poemas de Goethe e Schiller.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Posteriormente, estudou em Porto Alegre (RS), onde se formou em pedagogia e letras anglo-germânicas.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Iniciou sua vida literária nos anos 60, como tradutora de literaturas em alemão e inglês. &lt;b&gt;Lya Luft&lt;/b&gt; já traduziu para o português mais de cem livros. Entre outros, destacam-se traduções de Virginia Wolf, Reiner Maria Rilke, Hermann Hesse, Doris Lessing, Günter Grass, Botho Strauss e Thomas Mann. Ela diz que traduzir é sua verdadeira profissão. E que faz tradução para ganhar dinheiro. Mas também porque gosta. Um trabalho que exige respeito. Seu desejo é aproximar o escritor estrangeiro do leitor brasileiro. Confessa que não pode ser inteiramente fiel, porque pode-se correr o risco de ninguém entender nada. Mas não faz um carnaval em cima do texto alheio, não inventa, não cria frases que não existem.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Conheceu Celso Pedro Luft, seu primeiro marido,&amp;#160; quando tinha 21 anos. Ele tinha quarenta. Era irmão marista. Foi numa prova de vestibular. Achou-se ridícula quando pensou: esse é o homem da minha vida! O irmão marista tirou a batina para casar com ela em 1963.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Nessa paixão, começou a escrever poesia. Os primeiros poemas foram reunidos no livro &amp;quot;Canções de Limiar&amp;quot; (1964).&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Tiveram três filhos: Suzana, em 1965; André, em 1966; e Eduardo, em 1969.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Em 1972 lança mais um livro de poemas, &amp;quot;Flauta Doce&amp;quot;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Em 1976, escreveu alguns contos e mandou para Pedro Paulo Sena Madureira, que era editor da Nova Fronteira. Pedro Paulo respondeu dizendo que os contos eram todos “publicáveis”. Pedro Paulo, no entanto, aconselhou Lya a escrever um romance, dizendo que ela era romancista. Dois anos depois ela escreveu &amp;quot;As Parceiras&amp;quot;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Em 1978 lança seu primeiro livro de contos, &amp;quot;Matéria do Cotidiano&amp;quot;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A ficção entrou em sua vida dois anos depois de um acidente automobilístico quase fatal em 1979. Como teve uma visão mais próxima da morte, diz a autora que começou a fazer tudo que evitava.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Primeiro foram crônicas, com o lançamento de &amp;quot;As Parceiras&amp;quot;, em 1980, e &amp;quot;A Asa Esquerda do Anjo&amp;quot;, em 1981. Textos amenos. Uma espécie de fingimento de que na vida tudo é bom. A morte é encarada como uma coisa normal. Mas gostaria que todos os seus amigos fossem eternos. Mesmo assim, acha a morte uma coisa mágica.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Em apenas oito anos &lt;b&gt;Lya Luft&lt;/b&gt; sofreu duas perdas grandes demais. Dos 25 aos 47 anos foi casada com Celso Pedro Luft. Separou-se dele em 1985 e foi viver com o psicanalista e escritor Hélio Pellegrino, que morreu três anos depois. Em 1992 voltou a casar-se com o primeiro marido, de quem ficou viúva em 1995.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A escritora é conhecida por sua luta contra os estereótipos sociais. &amp;quot;Essas coisas que obrigam as pessoas a ser atletas. Hoje é quase uma imposição: a ordem é fazer sexo sem parar, o tempo todo. A ordem é não fumar, não beber. É essa loucura o dia inteiro na cabeça. Quem não for resistente acaba enlouquecendo. E a vida fica para trás. Hoje as pessoas estão sofrendo muito. Um sofrimento absolutamente desnecessário. Especialmente as mulheres que fazem plástica logo que vêem uma ruga no rosto. Plásticas de inteira inutilidade&amp;quot;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;Lya Luft&lt;/b&gt; deixa claro que nada tem contra as cirurgias plásticas, mas contra o rumo disso tudo. &amp;quot;Na ambição de serem sempre jovens, as mulheres acabam perdendo o próprio rosto. São os falsos mitos da juventude para sempre. E isso também inclui a febre atual da mídia, particularmente nas revistas femininas. Só se fala como se pode ter vários orgasmos numa única noite. Só se fala em como a mulher deve agir para segurar seu homem pelo sexo, especialmente o oral. São fórmulas de um mundo conturbado, que foge ao afeto, distante de qualquer felicidade. Essa é outra coisa para o enlouquecimento. Em todo lugar, o que existe é a supervalorização do sexo. Quem não estiver fazendo sexo sem parar o tempo todo passa a ser anormal. Muita gente fica complexada porque não consegue vários orgasmos numa noite. É tudo uma imposição&amp;quot;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A autora diz ser uma constatação precária dizer que ela escreve sobre mulheres. Mulheres não são seus personagens exclusivos. “Escrevo sobre o que me assombra”, observa. E nisso está a infância. O importante é o compromisso com a dignidade. Toda a sua obra poderia ser resumida — como afirma — num livro de indagações.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Em 1982 publica &amp;quot;Reunião de Família&amp;quot;, e em 1984 outros dois livros: &amp;quot;O Quarto Fechado&amp;quot; e &amp;quot;Mulher no Palco&amp;quot;. &amp;quot;O Quarto Fechado&amp;quot; foi lançado nos E.U.A. sob o título &amp;quot;The Island of the Dead&amp;quot;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Quem é &lt;b&gt;Lya Luft&lt;/b&gt;? Uma mulher gaúcha, brasileira, que faz cada vez mais, aos sessenta e um anos, o que desde os três ou quatro desejava fazer: jogar com as palavras e com personagens, criar, inventar, cismar, tramar, sondar o insondável. &amp;quot;Tento entender a vida, o mundo e o mistério e para isso escrevo. Não conseguirei jamais entender, mas tentar me dá uma enorme alegria. Além disso, sou uma mulher simples, em busca cada vez mais de mais simplicidade. Amo a vida, os amigos, os filhos, a arte, minha casa, o amanhecer. Sou uma amadora da vida. O que você nunca vai esquecer? Escutar o vento e a chuva nas árvores do imenso jardim que cercava a casa de meu pai, na minha infância&amp;quot;. Puro maravilhamento. O que lhe causa repugnância? Preconceito, hipocrisia. Vale a pena escrever? &amp;quot;Não escrevo porque “valha a pena”, mas porque me faz feliz, simplesmente&amp;quot;. O que falta à literatura brasileira? &amp;quot;Nada, não falta nada. Ela é o que é, simplesmente, cheia de graça, desgraça, florescente, múltipla, lutando com a crise econômica que atinge também as editoras, mas, como não se escreve para ficar rico, tudo bem&amp;quot;. E Deus? &amp;quot;Deus eu imagino como força de vida: luminosa, positiva, imperscrutável&amp;quot;. E o Brasil? Brasil cujo jeito é parecer não ter jeito. &amp;quot;Não quero jamais ter de morar longe dele. Aqui tudo é possível. E tanto está ainda por fazer&amp;quot;. O que fazer para reverter esse quadro de miséria? &amp;quot;Que os responsáveis por isso criem vergonha na cara&amp;quot;. Quem não merece respeito algum de ninguém? &amp;quot;Todos merecem algum respeito, no mínimo compaixão&amp;quot;. Você costuma rezar? &amp;quot;Não tenho nenhuma religião instituída, mas tenho uma profunda visão “religiosa”, sagrada, da natureza, das pessoas, do outro&amp;quot;. Qual é seu momento ideal para escrever? &amp;quot;O momento em que meu livro quer ser escrito. Mas normalmente produzo mais de manhã bem cedo. Gosto de ver o dia nascer, aqui na minha mesa de trabalho e do meu computador&amp;quot;. Se confessa uma mulher tímida, embora não pareça.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Em 1987 lança &amp;quot;Exílio&amp;quot;; em 1989 o livro de poemas &amp;quot;O Lado Fatal&amp;quot; e, em 1996, o premiado &amp;quot;O Rio do Meio&amp;quot; (ensaios), considerado a melhor obra de ficção do ano.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;Lya Luft&lt;/b&gt; afirma que hoje prefere ficar quieta consigo mesma. Já casou demais. Já enviuvou demais. Não se imagina mais vivendo ao lado de ninguém. Mas não quer desprezar os encantamentos que surgem por seu caminho. &lt;b&gt;Lya &lt;/b&gt;afirma ter sido um privilégio ter conhecido e vivido com dois homens que muito lhe ensinaram. Sua visão do masculino é muito positiva. Foram três homens, na verdade, que a influenciaram e percorreram sua vida, erguendo seu rosto, seu percurso, abrindo seus rumos: seu pai, Arthur Germano Fett, que considerava um homem culto, amigo e também solitário; seu cúmplice, Celso Pedro Luft, de quem herdou o sobrenome; e Hélio Pellegrino. Três homens inesquecíveis. Que sempre vão permanecer nas palavras, nos pensamentos, nos acenos possíveis.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Não faz tarde de autógrafos, sente-se desconfortável com isso. Não gosta de discutir teorias literárias, especialmente quando se referem à sua obra. Nunca pensou em tradição literária ou, especialmente, em tradição literária gaúcha. Não quer fazer literatura regional. Não quer ser representante de descendentes. Não quer pertencer a grupo nenhum. Quer mesmo é ser livre. Quer ficar quieta no seu canto. No livro &amp;quot;Secreta Mirada&amp;quot;, lançado em 1997, ela se deixou com ela mesma e discorreu sobre temas que nunca fala em discussões literárias, em entrevistas, depoimentos.&lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;&amp;quot;Sou dos escritores que não sabem dizer coisas inteligentes sobre seus personagens, suas técnicas ou seus recursos. Naturalmente, tudo que faço hoje é fruto de minha experiência de ontem: na vida, na maneira de me vestir e me portar, no meu trabalho e na minha arte/ Não escrevo muito sobre a morte: na verdade ela é que escreve sobre nós - desde que nascemos vai elaborando o roteiro de nossa vida/ O medo de perder o que se ama faz com que avaliemos melhor muitas coisas. Assim como a doença nos leva a apreciar o que antes achávamos banal e desimportante, diante de uma dor pessoal compreendemos o valor de afetos e interesses que até então pareciam apenas naturais: nós os merecíamos, só isso. Eram parte de nós./ O amor nos tira o sono, nos tira do sério, tira o tapete debaixo dos nossos pés, faz com que nos defrontemos com medos e fraquezas aparentemente superados, mas também com insuspeitada audácia e generosidade. E como habitualmente tem um fim - que é dor - complica a vida. Por outro lado, é um maravilhoso ladrão da nossa arrogância./ Quem nos quiser amar agora terá de vir com calma, terá de vir com jeito. Somos um território mais difícil de invadir, porque levantamos muros, inseguros de nossas forças disfarçamos a fragilidade com altas torres e ares imponentes./ A maturidade me permite olhar com menos ilusões, aceitar com menos sofrimento, entender com mais tranqüilidade, querer com mais doçura./ Às vezes é preciso recolher-se&amp;quot;.&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;Em 1999 a escritora lança o livro &amp;quot;O Ponto Cego&amp;quot;.&lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;“A vida é maravilhosa, mesmo quando dolorida. Eu gostaria que na correria da época atual a gente pudesse se permitir, criar, uma pequena ilha de contemplação, de autocontemplação, de onde se pudesse ver melhor todas as coisas: com mais generosidade, mais otimismo, mais respeito, mais silêncio, mais prazer. Mais senso da própria dignidade, não importando idade, dinheiro, cor, posição, crença. Não importando nada”.&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt; &lt;i&gt;&lt;/i&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;Bibliografia:&lt;/strong&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;u&gt;&lt;b&gt;No Brasil:&lt;/b&gt;&lt;/u&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;- Canções de Limiar&lt;/i&gt;, 1964      &lt;br /&gt;&lt;i&gt;- Flauta Doce&lt;/i&gt;, 1972      &lt;br /&gt;- &lt;i&gt;Matéria do Cotidiano&lt;/i&gt;, 1978      &lt;br /&gt;- &lt;i&gt;As Parceiras&lt;/i&gt;, 1980      &lt;br /&gt;- &lt;i&gt;A Asa Esquerda do Anjo&lt;/i&gt;, 1981      &lt;br /&gt;- &lt;i&gt;Reunião de Família&lt;/i&gt;, 1982      &lt;br /&gt;- &lt;i&gt;O Quarto Fechado&lt;/i&gt;, 1984&lt;i&gt;       &lt;br /&gt;- Mulher no Palco&lt;/i&gt;, 1984      &lt;br /&gt;-&lt;i&gt; Exílio&lt;/i&gt;, 1987      &lt;br /&gt;- &lt;i&gt;O Lado Fatal&lt;/i&gt;, 1989&lt;i&gt;       &lt;br /&gt;- O Rio do Meio&lt;/i&gt;, 1996      &lt;br /&gt;- &lt;i&gt;Secreta Mirada&lt;/i&gt;, 1997      &lt;br /&gt;- &lt;i&gt;O Ponto Cego&lt;/i&gt;, 1999      &lt;br /&gt;- Histórias do Tempo, 2000      &lt;br /&gt;- Mar de dentro, 2000      &lt;br /&gt;&lt;em&gt;(Todos os livros foram publicados pelas Edições Siciliano e Mandarim, São Paulo - SP)&lt;/em&gt;      &lt;br /&gt;- Perdas e ganhos, 2003 - Editora Record&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;i&gt;     &lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;b&gt;&lt;u&gt;No exterior:&lt;/u&gt;&lt;/b&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;em&gt;- The Island of the Dead (O Quarto Fechado), E. U. A.&lt;/em&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;em&gt;Os dados acima foram obtidos em livros da autora, páginas da Internet e em artigo publicado por Álvaro Alves de Faria, jornalista, poeta e escritor.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Fonte: &lt;a href="http://www.releituras.com/index.asp" target="_blank"&gt;Releituras&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1828449244272539790-3443529790171100840?l=blogcoisasnossas.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://blogcoisasnossas.blogspot.com/2009/10/lya-luft.html</link><author>dullimi@gmail.com (Du)</author><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1828449244272539790.post-1514696365901895022</guid><pubDate>Fri, 09 Oct 2009 03:01:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-10-09T09:52:58.661-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">João Cabral de Melo Neto</category><title>9 de outubro de 1999 - Morre João Cabral de Melo Neto</title><description>&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;img height="384" src="http://www.algumapoesia.com.br/poesia/joaocabral6.jpg" width="257" /&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;&lt;i&gt;"...E não há melhor resposta        &lt;br /&gt;
que o espetáculo da vida:         &lt;br /&gt;
vê-la desfiar seu fio,         &lt;br /&gt;
que também se chama vida,         &lt;br /&gt;
ver a fábrica que ela mesma,         &lt;br /&gt;
teimosamente, se fabrica,         &lt;br /&gt;
vê-la brotar como há pouco         &lt;br /&gt;
em nova vida explodida;         &lt;br /&gt;
mesmo quando é assim pequena         &lt;br /&gt;
a explosão, como a ocorrida;         &lt;br /&gt;
mesmo quando é uma explosão         &lt;br /&gt;
como a de há pouco, franzina;         &lt;br /&gt;
mesmo quando é a explosão         &lt;br /&gt;
de uma vida severina."&lt;/i&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;&lt;i&gt;(Morte e Vida Severina)&lt;/i&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;img border="0" height="55" src="http://www.releituras.com/assinaturas/jocabral.GIF" style="display: block; float: none; margin-left: auto; margin-right: auto;" width="300" /&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;João Cabral de Melo Neto &lt;/b&gt;nasceu na cidade de Recife - PE, no dia 09 de janeiro de 1920, na rua da Jaqueira (depois Leonardo Cavalcanti), segundo filho de Luiz Antônio Cabral de Melo e de Carmem Carneiro-Leão Cabral de Melo. Primo, pelo lado paterno, de &lt;i&gt;Manuel Bandeira &lt;/i&gt;e, pelo lado materno, de&lt;i&gt;Gilberto Freyre&lt;/i&gt;. Passa a infância em engenhos de açúcar. Primeiro no Poço do Aleixo, em São Lourenço da Mata, e depois nos engenhos Pacoval e Dois Irmãos, no município de Moreno.&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em 1930, com a mudança da família para Recife, inicia o curso primário no Colégio Marista. &lt;b&gt;João Cabral &lt;/b&gt;era um amante do futebol, tendo sido campeão juvenil pelo Santa Cruz Futebol Clube em 1935.&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Foi na Associação Comercial de Pernambuco, em 1937, que obteve seu primeiro emprego, tendo depois trabalhado no Departamento de Estatística do Estado. Já com 18 anos, começa a freqüentar a roda literária do Café Lafayette, que se reúne em volta de &lt;i&gt;Willy Lewin &lt;/i&gt;e do pintor Vicente do Rego Monteiro, que regressara de Paris por causa da guerra. &lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em 1940 viaja com a família para o Rio de Janeiro, onde conhece &lt;i&gt;Murilo Mendes. &lt;/i&gt;Esse&lt;i&gt; &lt;/i&gt;o apresenta a Carlos Drummond de Andrade e ao círculo de intelectuais que se reunia no consultório de &lt;i&gt;Jorge de Lima&lt;/i&gt;. No ano seguinte, participa do Congresso de Poesia do Recife, ocasião em que apresenta suas&lt;i&gt;Considerações sobre o poeta dormindo.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;1942 marca a publicação de seu primeiro livro, &lt;i&gt;Pedra do Sono.&lt;/i&gt; Em novembro viaja, por terra, para o Rio de Janeiro.&amp;nbsp; Convocado para servir à&amp;nbsp; Força Expedicionária Brasileira (FEB), é dispensado por motivo de saúde. Mas permanece no Rio, sendo aprovado em concurso e nomeado Assistente de Seleção do DASP (Departamento de Administração do Serviço Público). Freqüenta, então, os intelectuais que se reuniam no Café Amarelinho e Café Vermelhinho, no Centro do Rio de Janeiro. Publica &lt;i&gt;Os três mal-amados&lt;/i&gt;na &lt;i&gt;Revista do Brasil.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;O engenheiro&lt;/i&gt; é publicado em 1945, em edição custeada por &lt;i&gt;Augusto Frederico Schmidt. &lt;/i&gt;Faz concurso para a carreira diplomática, para a qual é nomeado em dezembro. Começa a trabalhar em 1946, no Departamento Cultural do Itamaraty, depois no Departamento Político e, posteriormente, na comissão de Organismos Internacionais. Em fevereiro, casa-se com Stella Maria Barbosa de Oliveira, no Rio de Janeiro. Em dezembro, nasce seu primeiro filho, Rodrigo.&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É removido, em 1947, para o Consulado Geral em Barcelona, como vice-cônsul. Adquire uma pequena tipografia artesanal, com a qual publica livros de poetas brasileiros e espanhóis. Nessa prensa manual imprime &lt;i&gt;Psicologia da composição. &lt;/i&gt;Nos dois anos seguintes ganha dois filhos: Inês e Luiz, respectivamente. Residindo na Catalunha, escreve seu ensaio sobre &lt;i&gt;Joan Miró,&lt;/i&gt;cujo estúdio freqüenta. &lt;i&gt;Miró&lt;/i&gt; faz publicar o ensaio com texto em português, com suas primeiras gravuras em madeira.&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Removido para o Consulado Geral em Londres, em 1950, publica &lt;i&gt;O cão sem plumas. &lt;/i&gt;Dois anos depois retorna ao Brasil para responder por inquérito onde é acusado de subversão. Escreve o livro &lt;i&gt;O rio&lt;/i&gt;, em 1953, com o qual recebe o Prêmio José de Anchieta do IV Centenário de São Paulo (em 1954). É colocado em disponibilidade pelo Itamaraty, sem rendimentos, enquanto responde ao inquérito, período em que trabalha como secretário de redação do Jornal &lt;i&gt;A Vanguarda&lt;/i&gt;, dirigido por &lt;i&gt;Joel&lt;/i&gt; &lt;i&gt;Silveira&lt;/i&gt;. Arquivado o inquérito policial, a pedido do promotor público, vai para Pernambuco com a família. Lá, é recebido em sessão solene pela Câmara Municipal do Recife.&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em 1954 é convidado a participar do Congresso Internacional de Escritores, em São Paulo. Participa também do Congresso Brasileiro de Poesia, reunido na mesma época. A Editora Orfeu publica seus &lt;i&gt;Poemas Reunidos. &lt;/i&gt;Reintegrado à carreira diplomática pelo Supremo Tribunal Federal, passa a trabalhar no Departamento Cultural do Itamaraty.&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Duas alegrias em 1955: o nascimento de sua filha Isabel e o recebimento do Prêmio Olavo Bilac da Academia Brasileira de Letras. A Editora José Olympio publica, em 1956, &lt;i&gt;Duas águas&lt;/i&gt;, volume que reúne seus livros anteriores e os inéditos: &lt;i&gt;Morte e vida severina, Paisagens com figuras &lt;/i&gt;e &lt;i&gt;Uma faca só lâmina.&lt;/i&gt;Removido para Barcelona, como cônsul adjunto, vai com a missão de fazer pesquisas históricas no Arquivo das Índias de Sevilha, onde passa a residir.&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em 1958 é removido para o Consulado Geral em Marselha. Recebe o prêmio de melhor autor no Festival de Teatro do Estudante, realizado no Recife. Publica em Lisboa seu livro &lt;i&gt;Quaderna&lt;/i&gt;, em 1960. É removido para Madri, como primeiro secretário da embaixada. Publica, em Madri, &lt;i&gt;Dois parlamentos.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em 1961 é nomeado chefe de gabinete do ministro da Agricultura, Romero Cabral da Costa, e passa a residir em Brasília. Com o fim do governo &lt;i&gt;Jânio Quadros&lt;/i&gt;, poucos meses depois, é removido outra vez para a embaixada em Madri. A Editora do Autor, de &lt;i&gt;Rubem Braga &lt;/i&gt;e &lt;i&gt;Fernando Sabino, &lt;/i&gt;publica&lt;i&gt;Terceira feira, &lt;/i&gt;livro que reúne &lt;i&gt;Quaderna, Dois parlamentos, &lt;/i&gt;ainda inéditos no Brasil, e um novo livro: &lt;i&gt;Serial.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Com a mudança do consulado brasileiro de Cádiz para Sevilha, &lt;b&gt;João Cabral&lt;/b&gt;muda-se para essa cidade, onde reside pela segunda vez. Continuando seu vai-e-vem pelo mundo, em 1964 é removido como conselheiro para a Delegação do Brasil junto às Nações Unidas, em Genebra. Nesse ano nasce seu quinto filho, João.&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Como ministro conselheiro, em 1966, muda-se para Berna. O Teatro da Universidade Católica de São Paulo produz o auto &lt;i&gt;Morte e Vida Severina&lt;/i&gt;, com música de Chico Buarque de Holanda, primeiro encenado em várias cidades brasileiras e depois no Festival de Nancy, no Théatre des Nations, em Paris e, posteriormente, em Lisboa, Coimbra e Porto.&amp;nbsp; Em Nancy recebe o prêmio de Melhor Autor Vivo do Festival. Publica &lt;i&gt;A educação pela pedra, &lt;/i&gt;que recebe os prêmios Jabuti; da União de Escritores de São Paulo; Luisa Cláudio de Souza, do Pen Club; e o prêmio do Instituto Nacional do Livro. É designado pelo Itamaraty para representar o Brasil na Bienal de Knock-le-Zontew, na Bélgica.&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;1967 marca sua volta a Barcelona, como cônsul geral. No ano seguinte é publicada a primeira edição de &lt;i&gt;Poesias completas.&lt;/i&gt; É eleito, em 15 de agosto de 1968, para a &lt;i&gt;Academia Brasileira de Letras&lt;/i&gt; na vaga de &lt;i&gt;Assis&lt;/i&gt; &lt;i&gt;Chateaubriand.&lt;/i&gt; É recebido em sessão solene pela Assembléia Legislativa de Pernambuco como membro do Conselho Deliberativo da Sociedade Brasileira de Autores Teatrais (SBAT).&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Toma posse na Academia em 06 de maio de 1969, na cadeira número 6, sendo recebido por José Américo de Almeida. A &lt;i&gt;Companhia Paulo Autran&lt;/i&gt; encena&lt;i&gt;Morte e vida severina &lt;/i&gt;em diversas cidades do Brasil. É removido para a embaixada de Assunção, no Paraguai, como ministro conselheiro. Torna-se membro da Hispania Society of America e recebe a comenda da Ordem de Mérito Pernambucano.&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Após três anos em Assunção, é nomeado embaixador em Dacar, no Senegal, cargo que exerce cumulativamente com o de embaixador da Mauritânia, no Mali e na Giné-Conakry.&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em 1974 é agraciado com a Grã-Cruz da Ordem de Rio Branco. No ano seguinte publica &lt;i&gt;Museu de Tudo, &lt;/i&gt;que recebe o Grande Prêmio de Crítica da Associação Paulista de Críticos de Arte. É agraciado com a Medalha de Humanidades do Nordeste.&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em 1976 é condecorado Grande Oficial da Ordem do Mérito do Senegal e, em 1979, como Grande Oficial da Ordem do Leão do Senegal. É nomeado embaixador em Quito, Equador e publica &lt;i&gt;A escola das facas.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A convite do governador de Pernambuco, vai a Recife (em 1980) para fazer o discurso inaugural da Ordem do Mérito de Guararapes, sendo condecorado com a Grã-Cruz da Ordem. Ali é inaugurada uma exposição bibliográfica de sua obra, no Palácio do Governo de Pernambuco, organizada por Zila Mamede. Recebe a Comenda do Mérito Aeronáutico e a Grã-Cruz do Equador.&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No ano seguinte vai para Honduras, como embaixador. Publica a antologia&lt;i&gt;Poesia crítica. &lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em 1982 é agraciado com o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Vai para a cidade do Porto, em Portugal, como cônsul geral. Recebe o Prêmio Golfinho de Ouro do Estado do Rio de Janeiro.&amp;nbsp; Publica &lt;i&gt;Auto do frade&lt;/i&gt;, escrito em Tegucigalpa.&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ganha o Prêmio Moinho Recife, em 1984 e, no ano seguinte, publica os poemas de &lt;i&gt;Agrestes.&lt;/i&gt; Nesse livro há uma sessão dedicada à morte ("A indesejada das gentes"). Em 1986 é agraciado com o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade Federal de Pernambuco. Sua esposa, Stella Maria, falece no Rio de Janeiro. &lt;b&gt;João Cabral &lt;/b&gt;reassume o Consulado Geral no Porto. Casa-se em segundas núpcias com a poeta &lt;i&gt;Marly de Oliveira.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em 1987 publica &lt;i&gt;Crime na Calle Relator, &lt;/i&gt;poemas narrativos. Recebe o prêmio da União Brasileira de Escritores. É removido para o Rio de Janeiro.&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em Recife, no ano de 1988, lança sua antologia &lt;i&gt;Poemas pernambucanos&lt;/i&gt;. Publica, também, o segundo volume de poesias completas: &lt;i&gt;Museu de tudo e depois.&lt;/i&gt; Recebe o Prêmio da Bienal Nestlé de Literatura pelo conjunto da obra, e o Prêmio Lily de Carvalho da ABCL, Rio de Janeiro.&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Aposenta-se como embaixador em 1990 e publica &lt;i&gt;Sevilha andando.&amp;nbsp; &lt;/i&gt;É eleito para a Academia Pernambucana de Letras, da qual havia recebido, anos antes, a medalha Carneiro Vilela.&amp;nbsp; Recebe os seguintes prêmios: Criadores de Cultura da Prefeitura do Recife, Luis de Camões (concedido conjuntamente pelos governos de Portugal e do Brasil), em Lisboa. É condecorado com a Grã-Cruz da Ordem do Mérito Judiciário e do Trabalho. A Faculdade Letras da Universidade Federal do Rio de Janeiro publica &lt;i&gt;Primeiros Poemas&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Outros prêmios: Pedro Nava (1991) pelo livro &lt;i&gt;Sevilha andando;&lt;/i&gt; Casa das Américas, concedido pelo Estado de São Paulo (1992); e também nesse ano o Neustadt International Prize for Literature, da Universidade de Oklahoma. Viaja a Sevilha para representar o presidente da República nas comemorações do dia 7 de Setembro, que tiveram lugar na Exposição do IV Centenário da Descoberta da América. No Pavilhão do Brasil, foi distribuída sua antologia&lt;i&gt;Poemas sevilhanos&lt;/i&gt;, em edição especial. No Rio de Janeiro, na Casa da Espanha, recebe do embaixador espanhol a Grã-Cruz da Ordem de Isabel, a Católica.&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em 1993 recebe o Prêmio Jabuti, instituído pela Câmara Brasileira do Livro.&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;João Cabral &lt;/b&gt;era atormentado por uma dor de cabeça que não o deixava de forma alguma. Ao saber, anos atrás, que sofria de uma doença degenerativa incurável, que faria sua visão desaparecer aos poucos, o poeta anunciou que ia parar de escrever. Já em 1990, com a finalidade de ajudá-lo a vencer os males físicos e a depressão, &lt;i&gt;Marly&lt;/i&gt;, sua segunda esposa, passa a escrever alguns textos tidos como de autoria do biografado. Conforme declarações de amigos, escreveu o discurso de agradecimento feito pelo autor ao receber o Prêmio Luis de Camões, considerado o mais importante prêmio concedido a escritores da língua portuguesa, entre outros. Foi a forma encontrada para tentar tirá-lo do estado depressivo em que se encontrava. Como não admirava a música, o autor foi perdendo também a vontade de falar ("Não tenho muito o que dizer", argumentava). Era, sem dúvida, o nosso mais forte concorrente ao prêmio Nobel, com diversas indicações dos mais variados segmentos de nossa sociedade.&amp;nbsp; &lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Transcrevemos abaixo o discurso proferido por &lt;i&gt;Arnaldo Niskier&lt;/i&gt;, presidente da Academia Brasileira de Letras, por ocasião da morte do poeta, em 09/10/99:&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;"Adeus a João Cabral"&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;i&gt;"Severino retirante,      &lt;br /&gt;
deixe agora que lhe diga:       &lt;br /&gt;
eu não sei bem a resposta       &lt;br /&gt;
da pergunta que fazia,       &lt;br /&gt;
se não vale mais saltar       &lt;br /&gt;
fora da ponte e da vida;       &lt;br /&gt;
nem conheço essa resposta,       &lt;br /&gt;
se quer mesmo que lhe diga;       &lt;br /&gt;
é difícil defender,       &lt;br /&gt;
só com palavras, a vida,       &lt;br /&gt;
ainda mais quando ela é       &lt;br /&gt;
esta que vê, Severina;       &lt;br /&gt;
mas se responder não pude       &lt;br /&gt;
à pergunta que fazia       &lt;br /&gt;
ela, a vida, a respondeu       &lt;br /&gt;
com sua presença viva."&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vida que foi para João Cabral uma bonita e ao mesmo tempo sofrida obra de engenharia poética, como demonstrou no seu inesquecível &lt;i&gt;Morte e Vida Severina&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Aqui está o poeta João Cabral de Melo Neto, presente pela última vez na Academia Brasileira de Letras, de que foi, por 30 anos, uma das figuras fundamentais. Aos 79 anos, apaga-se a voz de significação universal, com a singularidade do seu verso, tantas vezes lembrado para a glória do Prêmio Nobel de Literatura.&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A nossa dor, que é também a da sua companheira Marly de Oliveira e dos seus filhos e demais parentes, não apaga da nossa memória a convicção de que foi ele um dos maiores poetas brasileiros de todos os tempos - o poeta da razão - que jamais esqueceu, mesmo nos 40 anos de vida diplomática, as suas raízes pernambucanas. O homem que soube desenhar em versos cálidos a saga do retirante nordestino, quando ainda não havia passado dos 35 anos de idade.&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;João Cabral, o poeta João, que não se conformava em perfumar a flor, é o mesmo que escreveu aos 22 anos o livro &lt;i&gt;Pedra do Sono&lt;/i&gt;, para depois nos brindar, entre outros, com &lt;i&gt;O engenheiro&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;O cão sem plumas&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;Poesias completas&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;A educação pela pedra&lt;/i&gt; e o antológico &lt;i&gt;Morte e Vida Severina&lt;/i&gt;, com versões no teatro e na mídia eletrônica.&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Fecham-se os olhos cansados do poeta João e não conseguimos realizar o sonho que agora desvendo: ver o América Futebol Clube voltar aos seus dias de glória. Nem o daqui do Rio, nem aquele que era a sua verdadeira paixão: o América do Recife.&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando preparava com ele a &lt;i&gt;Cabraliana&lt;/i&gt;, que foi o seu primeiro audiolivro, ouvi fantásticas histórias da vida diplomática, especialmente dos tempos de Portugal, Espanha e Marrocos, além de nele reconhecer um orgulho especial pela família, parente que foi de grandes escritores brasileiros, como Gilberto Freyre, Manuel Bandeira, Mauro Mota e Antônio de Moraes e Silva, o famoso Moraes do Dicionário de Língua Portuguesa. Parece que era herdeiro, no seu jeito tão humilde e cativante, de uma genética literária originalíssima.&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É compreensível a nossa consternação. Enquanto a saúde permitiu, honrou esta casa com a sua assiduidade e o seu sentimento da mais pura cordialidade. Sofrendo agora com o seu silêncio, curvamo-nos diante do grande poeta, para afirmar que a Academia sempre o terá presente, com a saudade e a admiração de todos os seus confrades.&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Descanse em paz, poeta João. A sua presença jamais deixará de estar conosco. Teremos o consolo da sua poesia imortal."&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;a href="http://www.releituras.com/joaocabral_bio1.asp"&gt;CLIQUE AQUI E ACESSE A BIBLIOGRAFIA DO AUTOR&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
Fonte: &lt;a href="http://www.releituras.com/index.asp" target="_blank"&gt;Releituras&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1828449244272539790-1514696365901895022?l=blogcoisasnossas.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://blogcoisasnossas.blogspot.com/2009/06/joao-cabral-de-melo-neto.html</link><author>dullimi@gmail.com (Du)</author><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">1</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1828449244272539790.post-494818888115866496</guid><pubDate>Tue, 06 Oct 2009 23:51:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-10-06T20:57:47.966-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Manaus</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">crônicas</category><title>Sou de Manaus</title><description>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_FQTvlaqpcOo/SsvYwiTvEOI/AAAAAAAAAKA/lx13tVE2jzU/s1600-h/Manaus.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 267px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5389639707433832674" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_FQTvlaqpcOo/SsvYwiTvEOI/AAAAAAAAAKA/lx13tVE2jzU/s320/Manaus.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;  &lt;div align="justify"&gt;Brasiléia e Manaus se abraçaram para me trazer ao mundo, tal como o Negro e o Solimões para gerar o rio Amazonas. Brasiléia me pariu, Manaus me adotou. Em Brasiléia eu vim ao mundo, em Manaus o mundo veio a mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje vou cantar Manaus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ser de Manaus é comer frutas que aparentemente foram proibidas de nascer em outro canto. Pupunha, cupuaçu, pitomba, tucumã, buriti, açaí, mari-mari e abil, só pra citar algumas, todas elas de nomes indígenas – nomes seminus. É conhecer de cor as sensações e saudades que esses sabores e cheiros despertam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ser de Manaus é gostar de peixe frito, assado ou caldeirado, com farinha do Uarini e molho de pimenta tucupi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ser de Manaus é ter dois dos maiores rios do mundo por piscina no fundo do quintal, à beira da casa. O Negro orla a cidade e o Solimões passa bem pertinho, vindo lá de Manacapuru. Os dois se abraçam próximo à ilha de Marapatá - porta de Manaus – caminham juntos por 6km se transformando no imenso rio Amazonas. O Madeira se intromete lá na frente engordando o Amazonas que vai no rumo do Atlântico após banhar Itacoatiara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ser de Manaus é adorar deitar de atravessado numa rede.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É ter feições caboclas, senão no rosto, sem dúvidas na alma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É ser garantido e caprichoso, se balançar com os bumbás de Parintins... ou também com o som safado do forró. É viver entre Cileno, Felicidade Suzy, Anibal Beça, Zezinho Correia, Chico da Silva, George Jucá, Nicolas Jr., Banda Casulo e muitos outros... gentes que cantam as energias, manias e idiossincrasias, tristezas e nostalgias da gente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só manauaras compram bala de mangarataia dos Hare Krishnas nos ônibus. Só manauara compra verdura cheirosa e novinha na feira da Panair.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ser de Manaus é ter por olhos o guaraná, e por sangue o seu suco, misturado com amendoim e outras coisas, e batido no liqüidificador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ser de Manaus é falar “chibata” quando é bom, “no balde” quando é bastante, “vô mermo” quando não vai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É falar “égua!” quando se assusta, “agorinha”, “maninho”, “lesera”, “eu vô lá eu”, sempre de forma faceira e manhosa. É também falar segurando os braços e ombros dos outros e apontar com os lábios “bem ali” quando nem é tão perto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É ter chuva quase todos os dias e calor o dia todo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ser de manaus é ser hospitaleiro e solidário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Manaus tem seus defeitos, muitos por sinal... Mas suas belezas e virtudes, suas particularidades que cativam os visitantes (e eu nem falei da beleza das mulheres) são tão numerosas que cobrem suas imperfeições, e o bom mesmo no fundo é a mistura de ambas, como dizem os poetas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“&lt;em&gt;Ah! Manaus é preciso ser teu filho para decifrar-te.”&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ser de Manaus é ser assim como eu sou...&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Abraços.&lt;br /&gt;Inté!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1828449244272539790-494818888115866496?l=blogcoisasnossas.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://blogcoisasnossas.blogspot.com/2009/10/sou-de-manaus.html</link><author>everton_vidal@yahoo.com.br (Éverton Vidal Azevedo)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://3.bp.blogspot.com/_FQTvlaqpcOo/SsvYwiTvEOI/AAAAAAAAAKA/lx13tVE2jzU/s72-c/Manaus.jpg" height="72" width="72" /><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">3</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1828449244272539790.post-8319943504130907400</guid><pubDate>Tue, 29 Sep 2009 19:49:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-09-29T16:56:15.946-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">literatura</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Ariano Suassuna</category><title>Auto da Compadecida</title><description>&lt;b&gt;Análise da obra&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna, é uma peça clássica do teatro brasileiro, escrita em 1955 e publicada em 1957. Virou minissérie de televisão e ganhou uma versão para o cinema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abordando temas universais como a avareza humana e suas amargas conseqüências, por meio de personagens populares, Suassuna, nesta obra, prepara o espectador para um desfecho moralizante conforme os preceitos do cristianismo católico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A visão cristã da vida presente no Auto traz uma concepção da religião como algo simples, agradável, doce e não como uma coisa formal e solene, difícil e mesmo penosa. Essa intimidade com Deus, e a idéia de simplicidade nas relações dele com os homens, essa compreensão da vida e fé na misericórdia, parecem aspectos primordiais no sentido religioso da obra: a compreensão das faltas humanas, atribuída à Nossa Senhora, que, como mulher, simples e do povo, explica-as e pede para elas a compaixão divina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A obra trata-se de uma farsa que é igualmente uma reflexão sobre as relações entre Deus e os homens: um milagre de Nossa Senhora, como os medievais, apresentado sob a forma de uma pantomima de circo. Até o seu catolicismo é popular, favorecendo os humildes contra os ricos, menos por influência política do que por uma profunda simpatia cristã pelos fracos e desprotegidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, o que Suassuna passa é que o homem do sertão deve ser perdoado, de seus pecados, por experimentar inúmeras dificuldades, tanto de ordem climática, quanto social. O sofrimento passado em vida já é capaz, por si só, de absolver todos os pecados – conseqüências de seu cotidiano exigente e de sua luta por sobreviver. O sertão é terra de ninguém, deserto ameaçador donde emergem deuses e diabos, sob a égide do acaso, do caos e da fatalidade. Esses seres-ameaçadores espreitam o homem por dentro e por fora. Em meio ao caos que os alimentam, estabelecem continuamente a recriação da ordem, num processo infinito de auto-eco-organização.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O autor mostra um povo religioso, de pé no chão, acuado pela seca, atormentado pelo fantasma da fome e em constante luta contra a miséria. Traça o perfil dos sertanejos nordestinos que estão submetidos à opressão a que foram, e ainda hoje são, subjugados por famílias de poderosos coronéis que possuem terras e almas por vastas áreas do Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dentro desse contexto, João Grilo é a figura que representa os pobres oprimidos, é o homem do povo, é o típico nordestino amarelo que tenta viver no sertão de forma imaginosa, utilizando a única arma do pobre, a astúcia, para conseguir sobreviver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Suassuna leva a julgamento almas, diante do tribunal, dirigido por Deus e o diabo, que são pecadoras devido às condições sociais existenciais, que se apresentam mais fortes que os valores morais. São acusados o bispo e o padre João, por se utilizarem da autoridade religiosa para enriquecerem. No entanto, com a intercessão de Nossa Senhora, a sentença é atenuada e eles se encaminham para o purgatório. O padeiro, por ser sovina, e sua mulher, por adultério, também recebem a sentença final de ocuparem, juntamente com o padre, o bispo e o sacristão, os cinco lugares vagos do purgatório. São acusados também o cangaceiro Severino e o cabra dele, por tirarem a vida das pessoas sem autorização divina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A oposição bem x mal, tipicamente da visão maniqueísta cristã, que conseqüentemente divide o mundo em céu e inferno, é característica que consta na peça. O julgamento é moral, portanto condenam-se os vícios e as vaidades e glorifica-se a modéstia e a humildade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se encontra também uma severa crítica aos maus costumes dos representantes da Igreja, que abusam de seu poder, contribuindo para a corrupção da instituição, uma vez que favorecem os ricos e têm hábitos que são condenados pela própria Igreja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O título da obra remete à noção de que o homem é um ser passível de erro, mas é possível que seja perdoado, por intermédio da “Compadecida”, Nossa Senhora, que, na Igreja Católica, é considerada pelos fiéis a advogada capaz de interceder pelos pecadores junto a Jesus Cristo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dessa forma, em diversas passagens da obra, podem-se interpretar tanto o comportamento de Manuel, como o da Compadecida, como mais humanizados e condescendentes com as falhas humanas, retratados, às vezes, até com uma boa dose humor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O autor permite-se o exercício de um diálogo simultaneamente complementar e antagônico entre morte e vida. Por meio dele abre-se uma brecha, que introduz a dimensão da imortalidade desvelada, por exemplo, na ressurreição do personagem João Grilo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Auto da Compadecida, Ariano Suassuna consegue realizar uma magnífica síntese de duas tradições: a dos autos da era medieval e a da literatura picaresca espanhola. Na era medieval, a cultura era indissociável da religião, mesmo porque a Igreja controlava tudo com mão de ferro. A Igreja cultivava os autos dramáticos de devoção aos santos para doutrinar e tolerava os autos cômicos para divertir o povo. A tradição da literatura picaresca espanhola vem da cultura popular e chega ao ápice no Dom Quixote, de Cervantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo o autor, a peça nasceu da fusão de três folhetos de cordel: O enterro do cachorro, O cavalo que defecava dinheiro e O castigo da soberba.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A obra apresenta os seguintes elementos que permitem a identificação de sua participação num determinado estilo de época da evolução cultural brasileira:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1- O texto propõe-se como um auto. Dentro da tradição da cultura de língua portuguesa, o auto é uma modalidade do teatro medieval, cujo assunto é basicamente religioso. Assim o entendeu Paula Vicente, filha de Gil Vicente, quando publicou os textos de seu pai, no século XVI, ordenando-os principalmente em termos de autos e farsas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa proposta conduz a que a primeira intenção do texto está em moldá-lo dentro de um enquadramento do teatro medieval português, ou mais precisamente dentro das perspectivas do teatro de Gil de Vicente, que realizou o ideal do teatro medieval um século mais tarde, isso no século XVI, portanto, em plano Quinhentismo (estilo de época).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2- O texto propõe-se como resultado de uma pesquisa sobre a tradição oral dor a romanceiros e narrativas nordestinas, fixados ou não em termos de literatura de cordel. Propõe, portanto, um enfoque regionalista ou, pelo menos, organiza um acervo regional com vistas a uma comunicação estética mais trabalhada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3- A síntese de um modelo medieval com um modelo regional resulta, na peça, como concebida pelo Autor. Se verificar que as tendências mais importantes do Modernismo definem-se no esforço por uma síntese nacional dos processos estáticos, pode-se concluir que o texto do Auto da Compadecida se insere nas preocupações gerais desse estilo de época, deflagrado a partir de 1922, com a Semana de Arte Moderna, em São Paulo. Um modelo característico dessa síntese se encontra em Macunaíma, de Mário de Andrade, de 1927, e em Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa (1956), entre outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;O ESTILO DO AUTOR&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;Quando se faz a interpretação de uma peça teatral, o estilo do autor deve ser analisado dentro de uma perspectiva totalmente diferente daquela que adota-se para a interpretação do romance, do conto, da novela, do poemas - da Literatura, enfim. Isso acontece porque a concepção do texto teatral baseia-se na finalidade do mesmo: a representação por atores. Já o texto literário é concebido para ser lido e meditado pelo leitor, assumindo, portanto, outra feição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Feita essa observação, observa-se que Ariano Suassuna procura definir a forma final de seu texto através dos seguintes elementos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1- O autor não propõe, nas indicações que servem de base para a representação, nenhuma atitude de linguagem oral que seja regionalista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2- O autor busca encontrar uma expressão uniforme para todas a personagens, na presunção de que a diferença entre os atores estabeleça a diferença nos chamados registros da fala.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3- A composição da linguagem é a mais próxima possível da oralização, isto, é, o texto serve de caminho para uma via oral de expressão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4- Os únicos registros diferentes ocorrem, como indicados no próprio texto:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a) do Bispo, "personagem medíocre, profundamente enfatuado" (p.72), como se nota nesta passagem: Deixemos isso, passons, como dizem os franceses (p.74).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;b) de Manuel (Jesus Cristo) e da Compadecida (Nossa Senhora), figuras desataviadas, embora divinas, porque são concebidas como encarnadas em pessoas comuns, como o próprio João Grilo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;MANUEL&lt;/b&gt;: Foi isso mesmo, João. Esse é um dos meus nomes, mas você pode me chamar de Jesus, de Senhor, de Deus... Ele / isto é, o Encourado, o Diabo / `gosta de me chamar Manuel ou Emanuel, porque pensa pode persuadir de que sou somente homem. Mas você, se quiser, pode me chamar de Jesus. (p.147)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;A COMPADECIDA&lt;/b&gt;: Não, João, por que iria eu me zangar? Aquele é o versinho que Canário Pardo escreveu para mim e que eu agradeço. Não deixa de ser uma oração, um invocação. Tem umas graças, mas isso até a torna alegre e foi coisa de que eu sempre gostei. Quem gosta de tristeza é o diabo (p.171).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5- Quatro denominações de personagens referem-se a determinados condicionamentos regionais: João Grilo, Severino do Aracaju, o Encourado (o Diabo) e Chicó. Quanto ao Encourado, o autor dá a seguinte explicação:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este é o diabo, que, segundo uma crença do sertão do Nordeste, é um homem muito moreno, que se veste como um vaqueiro. (p.140)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;6- Na estrutura da peça, isto é, na forma final do texto é que se revela o estilo do autor, concebido com o a linguagem através da qual ele cria e comunica sua mensagem fundamental.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;ESTRUTURA&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A peça não se apresenta dividida em atos. Como o autor dá plena liberdade ao encenador e ao diretor para definirem o estilo da representação, convém anotar que são por ele sugeridos três atos, cuja divisão ou não por conta dos responsáveis pela encenação:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui o espetáculo pode ser interrompido, a critério do ensaiador, marcando-se o fim do primeiro ato. E pode-se continuá-lo, com a entrada do Palhaço (p.71).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se se montar a peça em três atos ou houver mudança de cenário, começará a aqui a cena do Julgamento, com o pano abrindo e os mortos despertando(p.137).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do ponto de vista técnico, o autor concebe a peça como uma representação dentro de outra representação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;/.../ o Autor gostaria de deixar claro que seu teatro é mais aproximado dos espetáculos de circo e da tradição popular do que do teatro moderno (p.22).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A representação dentro da representação caracteriza-se:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a) pela apresentação do Auto da Compadecida como parte de um espetáculo circense, espetáculo esse simbolizado no Palhaço, que faz a apresentação da peça e dos atores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;b) pela apresentação do Auto propriamente dito, com sua personagens. Como a representação ocorre num circo, o Palhaço marca as situações técnicas e estabelece a ligação entre o circo e a representação no circo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;c) Ariano Suassuna dá plena liberdade ao diretor, no que respeita à definição do cenário, que poderá "apresentar uma entrada de igreja à direita, com um apequena balaustrada ao funda /../. Mas tudo isso fica a critério do ensaiador e do cenógrafo, que podem montar a peça com dois cenário /.../" (p.21).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;d) Percebe-se, portanto, que a técnica de composição da peça segue uma linha simplista, solicitada pelo próprio autor, o que faz residir a importância da mesma apenas na proposição dos diálogos e no decurso da ação conseqüente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A estrutura propriamente dita, isto é, a forma final do texto é o elemento fundamental par a compreensão da peça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;PERSONAGENS&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A peça apresenta quinze personagens de cena e uma personagem de ligação e comando do espetáculo. As personagens assumem uma posição simbólica, e é desse simbolismo que deriva a importância do texto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Principal: João Grilo é a personagem principal porque atua como criador de tosa as situações da peça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outras: Chicó, Padre João, Sacristão, Padeiro, Mulher do Padeiro, Bispo, Cangaceiro, o Encourado, Manuel, A Compadecida, Antônio Morais, Frade, Severino do Aracaju, Demônio. Essas personagens compõem o quadro de cada situação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ligação: Palhaço, representando o autor, liga o circo à representação do Auto da Compadecida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Organizado o quadro desses personagens, vejamos agora as características de cada uma delas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;1. JOÃO GRILO&lt;/b&gt;. A dimensão de sua importância surge logo no início da peça quando as personagens são apresentadas ao público pelo Palhaço. Apenas duas personagens se dirigem ao público. Uma, a chamado do Palhaço, a atriz que vai representar a Compadecida, e João Grilo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"&lt;b&gt;PALHAÇO&lt;/b&gt;: Auto da Compadecia! Umas história altamente moral e um apelo à misericórdia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;JOÃO GRILO&lt;/b&gt;: Ele diz "à misericórdia", porque sabe que, se fôssemos julgados pela justiça, toda a nação seria condenada (p.24).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a importância inequívoca de João Grilo na estrutura da peça define-se a partir do fato de que as situações do Auto da Compadecida são todas desenvolvidas por essa personagem:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- a benção do cachorro, e o expediente utilizado: o Major Antônio Morais. JOÃO GRILO: "Era o único jeito de o padre prometer que benzia. Tem medo da riqueza do major que se péla. Não viu a diferença? Antes era " Que maluquice, que besteira!", agora "Não veja mal nenhum em se abençoar as criatura de Deus!" (p.33).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- a loucura do Padre João, como justifica para o Major Antônio Morais. JOÃO GRILO: /.../ "É que eu queria avisar para Vossa Senhoria não ficar espantado: o padre está meio doido".(p.40). "Não sei, é a mania dele agora. Benzer tudo e chama a gente de cachorro"(p.41).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- o testamento do cachorro. JOÃO GRILO: "Esse era um cachorro inteligente. Antes de morrer, olhava para a torre da igreja toda vez que o sino batia. Nesses últimos tempos, já doente para morrer, botava uns olhos bem compridos para os lados daqui, latindo na maior tristeza. Até que meu patrão entendeu, coma a minha patroa, é claro, que ele queria ser abençoada e morrer como cristão. Mas nem assim ele sossegou. Foi preciso que o patrão prometesse que vinha encomendar a benção e que, no caso de ele morrer, teria um enterro em latim. Que em troca do enterro acrescentaria no testamento dele dez contos de réis para o padre e três para o sacristão" (p.63-64).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- o gato que "descome dinheiro". JOÃO GRILO: "Pois vou vender a ela, para tomar lugar do cachorro, um gato maravilhoso, eu descome dinheiro" (p.38). "Então tiro. (Passa a mão no traseiro do gato e tira uma prata de cinco tostões). Esta aí, cinco tostões que o gato lhe dá de presente"(p.96).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- a gaita que fecha o corpo e ressuscita. JOÃO GRILO: "Mas cura. Essa gaita foi benzida por Padre Cícero, pouco antes de morrer" (p.122).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- a "visita" ao Padre Cícero. JOÃO GRILO: "Seu cabra lhe dá um tiro de rifle, você vai visitá-lo. Então eu toco na gaita e você volta" (p.127). Essa situação decorre da anterior, mas pode ser considerada com o independente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- o julgamento pelo Diabo (o Encourado). JOÃO GRILO: "Sai daí, pai da mentira! Sempre ouvi dizer que para se condenar uma pessoa ela tem de ser ouvida!"(p.144).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- o apelo à misericórdia (À Virgem Maria). JOÃO GRILO: "Ah, isso é comigo. Vou fazer um chamado especial, em verso. Garanto que ela vem, querem ver?" (p.169).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Observa-se agora a distribuição das personagens nas situações acima definidas, situações essas todas elas deflagradas por João Grilo, como já foi observado:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Situação / Personagens / Conteúdo da situação&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1ª. João Grilo - Chicó - Padre João: a bênção do cachorro da mulher do padeiro. Expediente de João Grilo: o cachorro pertence ao Major Antônio Morais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2ª. João Grilo - Chicó - Antônio Morais - Padre: chega o Major Antônio Morais. Expediente de João Grilo: o Padre João está maluco, benze a todos e chama todo mundo de cachorro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3ª. João Grilo - Padre - Mulher - Padeiro - Chicó - Sacristão - Bispo: o testamento do cachorro morto. Expediente de João Grilo: o cachorro morto, encomendado em latim e tudo mais, deixa no seu testamento dinheiro para o Sacristão, para o Padre e para o Bispo. Fonte do dinheiro: o Padeiro e sua mulher.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4ª. João Grilo - Chicó - Mulher: a mulher do Padeiro lamenta a perda de seu cachorro. Expediente de João Grilo: arranja-lhe um gato que descome dinheiro. Vende-o e faz seu lucro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5ª. João Grilo - Chicó - Bispo - Padre - Padeiro - Frade - Sacristão - Mulher - Severino (do Aracaju) - Cangaceiro: o assalto do cangaceiro Severino do Aracaju. Expediente de João Grilo: a gaita que fecha o corpo e ressuscita. A bexiga cheia de sangue. Evento especial: todas as personagens morrem, inclusive João Grilo. Salva-se Chicó.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;6ª. Palhaço - João Grilo - Chicó - Todas as demais personagens Demônio - O Encourado - Manuel: ressurreição no picadeiro do circo. O Julgamento pelo Demônio, pelo Encourado e por Manuel (Cristo). Expediente de João Grilo: forçar o julgamento, ouvindo os pecadores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;7ª. Todas as personagens - A Compadecida: condenação dos pecadores. Expediente de João Grilo: apelo à misericórdia da Virgem Maria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pela composição do quadro acima, nota-se que em todas as seqüências a presença de João Grilo é fundamental. Daí a afirmação de que a peça gira em torno dessa personagem, do ponto de vista estrutural.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João Grilo é uma figura típica do nordestino sabido, analfabeto e amarelo. Habituado a sobreviver e a viver a partir e expedientes, trabalha na padaria, vive em desconforto e a miséria é sua companheira. Sua fé nas artimanhas que cria, reflete, no fundo, uma forma de crença arraigada na proteção que recebe, embora sem saber, da Compadecida. É essa convicção que o salva. E ele recebe nova oportunidade de Manuel (Cristo), retornando- à vida e à companhia de Chicó. É uma oportunidade inusitada de ressurreição e retorno à existência. Caberá a ele provar que essa oportunidade foi ou não bem aproveitada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;2. CHICÓ&lt;/b&gt;. Companheiro constante de João Grilo e, especialmente, seu diálogo. Chicó envolve-se nos expedientes de João Grilo e é seu parceiro, mais por solidariedade do que por convicção íntima. Mas é um amigo leal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;3. PADRE JOÃO, O BISPO e o SACRISTÃO&lt;/b&gt;. Essas personagens, embora de atuação diversa, estão concentradas em torno de simonia e da cobiça, relacionada com a situação contida no testamento do cachorro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;4. ANTÔNIO MORAIS&lt;/b&gt;. É a autoridade decorrente do poder econômico, resquício do coronelismo nordestino, a quem se curvam a política, os sacerdotes e a gente miúda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;5. PADEIRO&lt;/b&gt; e sua &lt;b&gt;MULHER&lt;/b&gt;. Encarnam, um lado, a exploração do homem pelo homem e, de outro, o adultério.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;6. SEVERINO DO ARACAJU e o CANGACEIRO&lt;/b&gt;. Representam a crueldade sádica, e desempenham um papel importante na seqüência de número cinco, porque nessa seqüência matam e são mortos. Com isso propicia-se a ressurreição e o julgamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;7. O ENCOURADO e o DEMÔNIO&lt;/b&gt;. Julgam, aguardando seu benefício, isto é, o aumento da clientela do inferno. É importante verificar que representam, de alguma forma, um instrumento da Justiça, encarnado em Manuel (O Cristo).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;8. MANUEL&lt;/b&gt;. É o Cristo negro, justo e onisciente, encarnação do verbo e da lei. Atua como julgador final dos da prudência mundana, do preconceito, do falso testemunho, da velhacaria, da arrogância, da simonia, da preguiça. Personagem a personagem têm seu pecado definido e analisado, com sabedoria e com prudência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;9. A COMPADECIDA&lt;/b&gt;. É Nossa Senhora, invocada por João Grilo, o ser que lhe dará a Segunda oportunidade da vida. Funciona efetivamente como medianeira, plena de misericórdia, intervindo a favor de quem nela crê, João Grilo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pela atuação das personagens, pelo sentido global que encima a peça, percebemos claramente que nela existe uma proposição metafísica, vinculada à Igreja Católica e à idéia da salvação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao lado da significação global do texto, como estrutura, o Palhaço define essa proposição claramente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Palhaço realiza, nessa peça, o papel do Corifeu, no teatro clássico, e sua intervenção corresponde à parábase da comédia clássica - trecho fora do enredo dramático em que as idéias e as intenções ficam claramente expressas:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;PALHAÇO&lt;/b&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao escrever esta peça, onde combate o mundanismo, praga de sua igreja, o autor quis ser representado por um palhaço, para indicar que sabe, mais do que ninguém, que sua lama é um velho catre, cheio de insensatez e de solércia. Ele não tinha o direito de tocar nesse tema, mas ousou fazê-lo, baseado no espírito popular de sua gente, porque acredita que esse povo sofre, é um povo e tem direito a certas intimidades (p.23-24).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;/.../ Espero que todos os presente aproveitem os ensinamentos desta peça e reformem suas vidas, se bem que eu tenho certeza de que todos os que estão aqui são uns verdadeiros santos, praticantes da virtude, do amor a Deus e ao próximo, sem maldade, sem mesquinhez, incapazes de julgar e de falar mal dos outros, generosos, sem avareza, ótimos patrões, excelentes empregados, sóbrios, castos e pacientes (p.137).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A intenção moral, ou moralidade da peça, fica muito clara, desde que se torne claro, também, que essa intenção vincula-se a uma linha de pensamento religioso, e da Igreja Católica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;PROBLEMÁTICA DA OBRA&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pela estrutura da peça, pode-se notar que:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1- sua intenção clara e expressa é de natureza moral, e de moral católica;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2- os componentes estruturais do texto revelam personagens que simbolizam pecados (maiores ou menores), que recebem o direito ao julgamento, que gozam do livre-arbítrio e que são ou não condenados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Percebe-se, de outro lado, que a preocupação maior reside em compor um auto de moralidade, ao estilo quinhentista português (modelo Gil Vicente), mas seguindo alinha do teatro dirigido aos catecúmenos, do Padre Anchieta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para tanto, a peça se embasa em determinadas tradições localistas e regionalistas do folclore, com vistas à sua sublimação como instrumento pitoresco de comunicação com o público (que, no caso, seriam os catecúmenos).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com isso, nota-se que a realidade regional brasileira, especificamente a realidade nordestina, está presente através de seus instrumentos culturais mais significativos, as crenças e a literatura de cordel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O autor não pretende analisar essa realidade brasileira, mas a partir dela moralizar os homens, isto é, dinamizar nas usas consciências a noção do dever humano e da responsabilidade de cada um em relação a seus semelhantes e em relação a Deus, onisciente e onipresente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como proposição estética, o Auto da Compadecida procura corporificar as seguintes noções:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1- a criação artística, o teatro em particular, devem levar o povo, a cultura desse povo a ele mesmo. Daí o circo, seu picadeiro e a representação dentro da representação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2- menos do que essa realidade regional e cultural de um povo, o que importa é criar um projeto que defina idéias e concepções universais (as da Igreja, no caso) com o fim de consciencializar o público. Por esse motivo a realidade regional nordestina é, no caso, instrumento de uma idéia e não fim em si nessa;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3- criar um texto teatral é, antes de tudo, criá-lo para uma encenação, daí a absoluta liberdade que o autor 'da para qualquer modalidade de encenação. O próprio texto final da peça, como editado, é o resultado da experiência colhida a representação pública.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Créditos: Sâmara Rodrigues de Ataíde, Especialista em Lingüística e Literatura Comparada - UFV | Biblioteca Digital Unec | Vestibular-76 (1976), profs. Delson Gonçalves Ferreira, Teotônio Marques Filho, Juarez Távora de Freiras e Luís Paulo de Brito, Editora O Lutador-MG, edição dirigida aos exames vestibulares da UFMG.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Fonte: Blog &lt;a href="http://descansodaalma.blogspot.com/2009/09/auto-da-compadecida-de-ariano-suassuna.html#comment-form"&gt;Descanso da Alma&lt;/a&gt; (via &lt;a href="http://www.passeiweb.com/na_ponta_lingua/livros/analises_completas/a/auto_da_compadecida"&gt;Passeiweb&lt;/a&gt;)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1828449244272539790-8319943504130907400?l=blogcoisasnossas.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://blogcoisasnossas.blogspot.com/2009/09/auto-da-compadecida.html</link><author>everton_vidal@yahoo.com.br (Éverton Vidal Azevedo)</author><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1828449244272539790.post-6031592886323104192</guid><pubDate>Thu, 24 Sep 2009 23:30:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-09-24T21:10:33.101-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Cego Aderaldo</category><title>Cego Aderaldo</title><description>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_FQTvlaqpcOo/SrwI6SJlgHI/AAAAAAAAAJw/H3p87vlcOOk/s1600-h/Cego_Aderaldo_60_anos_105.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 248px; DISPLAY: block; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5385189051825750130" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_FQTvlaqpcOo/SrwI6SJlgHI/AAAAAAAAAJw/H3p87vlcOOk/s320/Cego_Aderaldo_60_anos_105.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Lendário como o Padre Cícero, como Frei Damião, Virgulino Lampião, ou em termos mais recentes, tão famoso e querido quanto Luis “Lua” Gonzaga, o Cego Ade-raldo vagueou por todos esses rincões ora cinza, outra, ora ver-de-jantes do Nordeste brasileiro. Com sua rabeca melodiosa e os versos a brotar fáceis do seu estro, tornou-se uma referência regional, para ganhar depois notoriedade em todo o País.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Aderaldo Ferreira de Araújo não nasceu cego. Veio ao mundo com a luz dos seus olhos em 24 de junho de 1878, numa ruazinha suburbana da cidade do Crato. Muitos o consideravam filho de Quixadá, onde se radicou desde os primeiros meses de vida.&lt;/div&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;“Tenho aqui minha morada&lt;br /&gt;como residência e pouso&lt;br /&gt;Vivo alegre e cheio de vida&lt;br /&gt;Que não me falta conforto&lt;br /&gt;Penso que só saio daqui&lt;br /&gt;Um dia depois de morto” &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;Versava para esclarecer a sua relação com Quixadá, onde o pai Joaquim Rufino Araújo, alfaiate de profissão, chegou naqueles finais do Século XIX com a mulher, Dona Olímpia e três filhos, dos quais Abelardo - o nome verdadeiro do famoso cego - era o caçula. Ninguém o chamaria por todo o sempre de Abelardo, e sim de Aderaldo, tomando a deficiência visual a condição de pré-nome.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Órfão bem cedo, pois tinha poucos anos quando faleceu o pai, vítima de um derrame (congestão, como se dizia outrora) que o deixou inválido por muito tempo, o que levou Aderaldo, com tenra idade, a começar a lutar pela sobrevivência. Foi aprendiz de carpinteiro, auxiliar de ferreiro, trabalhou de um tudo, “só não fui guia de cego”, costumava dizer. E cego se tornaria já quando rapaz, aos 24 anos, abruptamente, em plena rua de Quixadá, após ingerir um copo d’água. Trabalhava então como ajudante de uma caldeira, sob alta temperatura. Sentiu uma sede imensa, o que o levou a pedir um copo d’água numa casa próxima. Mal acabara de sorver a água, sentiu uma dor inconmensurável na cabeça, uma sensação de aperto sobre os olhos, que pareciam receber uma carga de espinhos. Em minutos, a escuridão absoluta tomou posse dele. A vida seria outra dali em diante. O que fazer, sem a vista? Cansado, adormeceu e no sono sonhou que estava cantando. E foi assim, ao levantar-se, que pela primeira vez Aderaldo recorreu à inspiração poética que guardava no peito, fazendo, em versos, uma prece a São Francisco: &lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;“Ó Santo de Canindé&lt;br /&gt;que Deus te deu cinco chagas&lt;br /&gt;fazei com que este povo&lt;br /&gt;pra mim faça as pagas&lt;br /&gt;uma sucedendo as outras&lt;br /&gt;como o mar soltando vagas”.&lt;/div&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;Milagre do santinho de Canindé, protetor dos pobres e desvalidos, ou fruto da necessidade de arranjar o pão de cada dia sem a luz dos olhos, Aderaldo tomou prontamente a decisão de que não iria estender a mão à caridade, encontrando na sua arte o meio de sensibilizar o povo a oferecer-lhe “as pagas como o mar soltando vagas”.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Para felicidade sua, uma moça de Quixadá, sua conhecida, e apiedando-se de sua inesperada cegueira, doou-lhe um cavaquinho, instrumento que, sem ninguém para ensinar, aprendeu a manejar em curto espaço de tempo. Todo o seu talento musical se projetaria a partir daí. Além do cavaquinho, tornou-se exímio tocador de violino (rabeca), de bandolim e quantos outros instrumentos de corda lhe caíssem às mãos.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Começaram as cantorias. Garante o pesquisador João Eudes Costa, autor de um cuidadoso estudo sobre Cego Aderaldo, que sua primeira estrofe, em som abafado, teria sido esta:&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;..&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;“Ah! Se o passado voltasse&lt;br /&gt;todo cheio de ternura&lt;br /&gt;eu ainda tendo vista&lt;br /&gt;saía da vida escura.&lt;br /&gt;Como o passado não volta&lt;br /&gt;aumenta a minha tristeza&lt;br /&gt;só conheço o abandono&lt;br /&gt;necessidade e pobreza”.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;/span&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O desabafo de quem ainda não dimensionara toda a grandeza do seu próprio valor que iria, pouco a pouco, se afirmando nos desafios emocionantes nas feiras ou nos terreiros das fazendas, provocando lágrimas e gargalhadas dos circundantes, sempre em número crescente.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;De acordo com o mesmo depoente, Aderaldo teria lhe confessado que se sentia feliz após uma cantoria, quando recebia, além de alguns níqueis, muitas prendas - milho, feijão, queijo, farinha, rapadura, essas coisas típicas do sertão, que lhe garantiam o seu sustento e de sua mãe viúva. Tinha na mãe um esteio espiritual, um objetivo de vida. Cantava e versejava pensando nela, para dar-lhe o que precisava em sua solidão na velhice.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;..&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Um dia, quando retornava risonho de um desafio de viola, com o alforje prenhe de mantimentos, deparou-se com a mãezinha querida agonizando. Morreria momentos depois, coberta pelas lágrimas derramadas dos olhos opacos do filho generoso.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;..&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A pobreza era de tal monta, que - contava Cego Aderaldo - não dispunha de vintém para fazer o sepultamento da velhinha, que teve o corpo estirado sobre uma esteira de palha, enquanto ele saía transido de dor, em busca de meios para dar um enterro cristão à mãe que idolatrava. Soube que, no único hotel de Quixadá naquele tempo, estavam hospedados uns &lt;em&gt;paroaras&lt;/em&gt;, como se chamavam os nordestinos que retornavam da Amazônia endinheirados. Os homens bebiam em grande algazarra, deles se aproximando, Cego Aderaldo para pedir uma ajuda destinada ao enterro da mãe. Um dos homens, muito embriagado, disse que só ganha dinheiro quem trabalha e zombou do pedinte humilhado. Mesmo assim, entre lágrimas, Aderaldo disse que diria uns versos para justificar a caridade e improvisou na hora:&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;..&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;“Ó Deus,&lt;br /&gt;lá do alto do céu,&lt;br /&gt;de sua celeste cidade,&lt;br /&gt;ouça-me cantar a força&lt;br /&gt;devido à necessidade:&lt;br /&gt;aqui chorando e cantando&lt;br /&gt;e mãe na eternidade”. &lt;/div&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;E continuou soluçante:&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;..&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;“Perdoe-me minha mãe querida&lt;br /&gt;não é por minha vontade&lt;br /&gt;são as torturas da vida&lt;br /&gt;que vêm com tanta maldade&lt;br /&gt;chorarei meus sentimentos&lt;br /&gt;de vê-la na eternidade”. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Os paroaras, mesmo bêbados, não esconderam a emoção e lhe deram 20 mil réis, dinheiro bastante para as despesas com o sepultamento.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;RUMO À AMAZÔNIA&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;A seca de 1915 provocou o esvaziamento dos sertões do Nordeste, em especial os do Ceará. Milhares e milhares de homens, mulheres e crianças embarcaram pelo porto de Fortaleza com destino a Manaus e daí para as impenetráveis florestas amazônicas. Cego Aderaldo foi um dos cearenses a ir embora, traduzindo em versos, aos que o escutam a bordo do vapor do Loide, as razões da sua partida:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;“Canto para distrair&lt;br /&gt;este meu curto poema&lt;br /&gt;vou fugindo da miséria&lt;br /&gt;que é este o penoso tema&lt;br /&gt;desta terra de Alencar&lt;br /&gt;deste berço de Iracema.&lt;br /&gt;Fugi com medo da seca&lt;br /&gt;Do pesadelo voraz&lt;br /&gt;Que alarmou todo o sertão&lt;br /&gt;Da cidade aos arraiás”. &lt;/div&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não foi das mais longas a permanência de Aderaldo no Amazonas, voltando carregado pela saudade de sua terra sofrida que não tinha olhos para ver, mas um imenso coração para sentir. De sua passagem pelo “inferno verde”, restou um dueto que disputou com um cantador índio por nome &lt;em&gt;Azubrin&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;ENCONTRO HISTÓRICO&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Em 15 de fevereiro de 1924 aconteceu em Juazeiro um encontro memorável reunindo algumas figuras marcantes do Nordeste: Padre Cícero Romão Batista, Doutor Floro Bartolomeu, Virgulino Ferreira, o Lampião, e Cego Aderaldo. &lt;/div&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Lampião quis ouvir a cantoria do célebre violeiro e Aderaldo não se fez de rogado. Puxou a rabeca, tirou a nota mais apropriada e soltou o verbo: &lt;/div&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;“Existem três coisas&lt;br /&gt;que se admira no sertão:&lt;br /&gt;o cantar de Aderaldo,&lt;br /&gt;a coragem de Lampião&lt;br /&gt;e as cousas prodigiosas do Padre Cícero Romão”. &lt;/div&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O temível cangaceiro envaideceu-se, abraçou Cego Aderaldo ofertando-lhe, na ocasião, umas moedas de vintém e uma pistola de estimação que carregava na cintura. Consta que Lampião, tirando as vezes de cantador, improvisou uns versos para Aderaldo:&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;..&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;“Aderaldo seu pedido&lt;br /&gt;pra mim foi muito belo&lt;br /&gt;se você não fosse cego&lt;br /&gt;lhe dava um “papo-amarelo”&lt;br /&gt;tome esta pistola velha&lt;br /&gt;que matou Antonio Castelo”. &lt;/div&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;A pistola e uma das moedas são entesouradas pelo pesquisador João Eudes, de Quixadá, que as recebeu de Aderaldo alguns anos antes de sua morte.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;UMA ORQUESTRA EM CINEMA&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Aderaldo Araújo não casou, mas se tornou pai adotivo de, nada menos, que 26 crianças pobres do interior nordestino, a quem cuidou com carinho e devoção paternos, educando-os e encaminhando-os na vida. Com vários deles, que possuíam ouvido para música, formou uma orquestra de cordas, que animava as suas célebres apresentações por diferentes rincões do Nordeste. &lt;/div&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Já consagrado, não apenas nessa região, mas em todo o País, o Cego Aderaldo conseguiu fazer um vasto número de amigos; gente importante no Brasil como o ex-Governador Adhemar de Barros, de São Paulo, que lhe presenteou um projetor de cinema. Este projetor e a orquestra constituíam atrações nas noitadas de Aderaldo por toda parte. O mais curioso: o filme era mudo, mas o Cego fazia a narração dos episódios a partir do conhecimento prévio da história.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Um dos filmes que os sertanejos mais aplaudiam era a “&lt;em&gt;Paixão de Cristo&lt;/em&gt;”, um velho celulóide silencioso que, por anos seguidos, durante a Semana Santa, atraía centenas de espectadores. Num vilarejo miserável, certa feita, assistindo à fita, o cangaceiro “João Vinte e Dois” revoltou-se com as torturas impostas pelos judeus a Jesus Cristo. Sacou a garrucha e sapecou um tiro certeiro num dos soldados, vazando a tela improvisada...&lt;/div&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Outra curiosa passagem da vida de Aderaldo aconteceu quando da visita de Adhemar de Barros a Quixadá. Candidato à Presidência da República, o governador paulista fez questão de receber a visita do “seu amigo Aderaldo”, a quem já presenteara com o tal projetor. Aderaldo animou o encontro com suas cantorias, regadas a muita cerveja. Lá pelas tantas, sentindo que começava a ficar tonto com a bebida, chamou o guia e lhe disse em voz alta os versos que arrancaram a risada do Governador e demais convivas: &lt;/div&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;“Menino vamos s’imbora&lt;br /&gt;que a cidade está em jogo&lt;br /&gt;é o guia puxando o cego&lt;br /&gt;e o cego puxando fogo”... &lt;/div&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Um dos 26 filhos adotivos de Aderaldo, Geraldo Rodrigues, guarda um repertório de histórias do pai, cuja memória venera fortemente. “Foi um ótimo pai, educador de todos os filhos que lhe obedeciam e lhe devotavam o maior respeito, dele recebendo em troca o maior carinho”, recorda Geraldo.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;COM ROGACIANO LEITE E SÍLVIO CALDAS&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Cego Aderaldo, em suas andanças pelo Brasil, ia difundindo cultura e preservando as tradições da gente nordestina. Nessas viagens pressentia o despontar dos talentos que o sertão escondia, a exemplo do grande poeta e cantador Rogaciano Leite, que anos depois viria morar em Fortaleza, onde constituiu família, formou-se, publicou vários livros e militou na imprensa. &lt;/div&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Rogaciano andejou com Aderaldo por muitas vilas e povoados do Nordeste, antes de se tornar um nome consagrado das letras nacionais. O poeta e jornalista pernambucano tornara-se amigo de Sílvio Caldas, o célebre cantor romântico apelidado de “caboclinho querido do Brasil”, sendo dele parceiro na bela canção “Cabelos Cor de Prata”, que o cantor incluiu em seu repertório. Um dia Rogaciano levou Cego Aderaldo para conhecer Sílvio Caldas, que deixou gravado este depoimento formidável, em poder de Eudes Costa e com o qual, inclusive, ilustrou um extraordinário programa radiofônico sobre a vida e a obra do menestrel cearense, divulgado em emissora de Quixadá. &lt;/div&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nesse depoimento, Sílvio Caldas conta que teve ocasião de assistir a uma cantoria entre Cego Aderaldo e Rogaciano Leite em determinado lugarejo. Com a palavra o saudoso cantor de “Deusa da Minha Rua”:&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;“A feira estava animada, o povo em redor dos violeiros, vibrando a cada desafio. Rogaciano Leite, jovem e bonito, empolgado com a presença de muitas cabrochas atraentes na platéia, achou à certa altura de fazer uma provocação com o parceiro, dizendo mais ou menos assim:&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;“Tô cantando com este velho&lt;br /&gt;este velho que não dá mais nada&lt;br /&gt;este velho todo enferrujado&lt;br /&gt;já devia estar na cama deitado”... &lt;/div&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Os jovens, mais as mocinhas, gostaram da tirada e cobriram de aplausos as palavras de Rogaciano, mas Aderaldo tinha a resposta na “ponta da língua”:&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;“Andei procurando um besta&lt;br /&gt;e de tanto procurar um besta&lt;br /&gt;encontrei este rapaz&lt;br /&gt;que nem serve pra ser besta&lt;br /&gt;porque é besta demais”.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Gargalhada geral. Cego Aderaldo liquidara ali mais um parceiro de viola, segundo o depoimento de Sílvio Caldas.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;COM OS ANJOS LÁ NO CÉU &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Cego Aderaldo morreu no dia 29 de junho de 1967, aos 89 anos de idade. Partiu pobre como viveu. De herança para o filho Mário, que o acompanhou até o fim dos seus dias, uma casinha num bairro de Fortaleza que lhe fora doada pela grande escritora Rachel de Queiroz, uma das suas mais renomadas admiradoras, e outra em Quixadá. A rabeca, que adquirira no distante ano de 1916 por 200 mil réis, ele doou ainda em vida ao filho Geraldo Rodrigues.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Verdadeiro mito dos sertões, Cego Aderaldo ainda hoje é mote constante dos desafios de violas que se fazem nos pequenos burgos do interior. O cantador Adalberto Ferreira, em uma de suas cantorias, afirmava que “vi o anjo Gabriel há tempo chamado e vi Cego Aderaldo cantando com os anjos lá do céu”. &lt;/div&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Uma das primeiras homenagens ao genial cantador sertanejo se encontra em forma de estátua, defronte à rodoviária de Quixadá, num trabalho do escultor João Bosco do Vale e por iniciativa de Alberto Porfírio, também cantador, e um dos mais denodados batalhadores pelo resgate da genuína cultura do Nordeste.&lt;/div&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Fonte: &lt;/em&gt;&lt;a href="http://www.sac.org.br/60_anos_005.htm"&gt;Livro&lt;/a&gt; &lt;span style="color:#333333;"&gt;"&lt;em&gt;Ensinando a ver o Mundo" &lt;/em&gt;de&lt;em&gt; &lt;/em&gt;Blanchard Girão. Sociedade de Assistência aos cegos 60 anos, ABC Editora (2002). &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1828449244272539790-6031592886323104192?l=blogcoisasnossas.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://blogcoisasnossas.blogspot.com/2009/09/cego-aderaldo.html</link><author>everton_vidal@yahoo.com.br (Éverton Vidal Azevedo)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://1.bp.blogspot.com/_FQTvlaqpcOo/SrwI6SJlgHI/AAAAAAAAAJw/H3p87vlcOOk/s72-c/Cego_Aderaldo_60_anos_105.jpg" height="72" width="72" /><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1828449244272539790.post-6855400658842560303</guid><pubDate>Wed, 23 Sep 2009 16:31:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-09-23T13:43:38.118-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">poesia</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Leminski</category><title>Paulo Leminski</title><description>&lt;p&gt;&amp;#160;&lt;img style="display: block; float: none; margin-left: auto; margin-right: auto" src="http://3.bp.blogspot.com/_C88pfpvNkrg/SrpN5bAJO2I/AAAAAAAAGgI/uq7psDb7Ve8/s400/poemas-de-paulo-leminski-pichados-muro-curitiba.jpg" /&gt; &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Paulo Leminski, nascido em Curitiba/PR, em 1944, e falecido nesta mesma cidade em julho de 1989, foi um escritor muito criativo que, desde a sua adolescência, andou por caminhos pouco trilhados na literatura brasileira. Primeiro, compôs um romance experimental – Catatau – com toda a liberdade que esse rótulo implica: neologismos, prosa bêbada, duzentas páginas, um só capítulo, um só parágrafo; segundo, caminhou todo o seu tempo de vida pela poesia concreta, pelo haicai, pela poesia sintética e rítmica.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;#160;&lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p align="center"&gt;sossegue coração      &lt;br /&gt;ainda não é agora       &lt;br /&gt;a confusão prossegue       &lt;br /&gt;sonhos a fora&lt;/p&gt;    &lt;p align="center"&gt;calma calma logo mais a gente goza      &lt;br /&gt;perto do osso       &lt;br /&gt;a carne é mais gostosa&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;&amp;#160;&lt;/p&gt;  &lt;div style="padding-bottom: 0px; margin: 0px auto; padding-left: 0px; width: 425px; padding-right: 0px; display: block; float: none; padding-top: 0px" id="scid:5737277B-5D6D-4f48-ABFC-DD9C333F4C5D:f7314db0-7c0a-4465-92aa-70e4e0a339d6" class="wlWriterEditableSmartContent"&gt;&lt;div id="eeb643bb-7338-41b1-98db-720802611ed6" style="margin: 0px; padding: 0px; display: inline;"&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=O2Jf5RCyZYg" target="_new"&gt;&lt;img src="http://lh4.ggpht.com/_C88pfpvNkrg/SrpNS8PeslI/AAAAAAAAGgQ/msUz2EykJ6c/videof64a17916fa8%5B2%5D.jpg?imgmax=800" style="border-style: none" galleryimg="no" onload="var downlevelDiv = document.getElementById('eeb643bb-7338-41b1-98db-720802611ed6'); downlevelDiv.innerHTML = &amp;quot;&amp;lt;div&amp;gt;&amp;lt;object width=\&amp;quot;425\&amp;quot; height=\&amp;quot;355\&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;param name=\&amp;quot;movie\&amp;quot; value=\&amp;quot;http://www.youtube.com/v/O2Jf5RCyZYg&amp;amp;hl=en\&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;\/param&amp;gt;&amp;lt;embed src=\&amp;quot;http://www.youtube.com/v/O2Jf5RCyZYg&amp;amp;hl=en\&amp;quot; type=\&amp;quot;application/x-shockwave-flash\&amp;quot; width=\&amp;quot;425\&amp;quot; height=\&amp;quot;355\&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;\/embed&amp;gt;&amp;lt;\/object&amp;gt;&amp;lt;\/div&amp;gt;&amp;quot;;" alt=""&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;  &lt;h3 align="center"&gt;&lt;font size="3"&gt;Obras de Paulo Leminski para Download&lt;/font&gt;&lt;/h3&gt;  &lt;p align="center"&gt;- &lt;a href="http://www.livrosparatodos.net/livros-downloads/paulo-leminski-agora-e-que-sao-elas.html"&gt;Agora é Que são Elas&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p align="center"&gt;- &lt;a href="http://www.livrosparatodos.net/livros-downloads/paulo-leminski-caprichos-e-relaxos.html"&gt;Caprichos e Relaxos&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p align="center"&gt;- &lt;a href="http://www.livrosparatodos.net/livros-downloads/paulo-leminski-catatau.html"&gt;Catatau&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p align="center"&gt;- &lt;a href="http://www.livrosparatodos.net/livros-downloads/distraidos-venceremos.html"&gt;Distraídos Venceremos&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p align="center"&gt;- &lt;a href="http://www.livrosparatodos.net/livros-downloads/paulo-leminski-jesus-ac.html"&gt;Jesus a.C.&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p align="center"&gt;- &lt;a href="http://www.livrosparatodos.net/livros-downloads/paulo-leminski-la-vie-en-close.html"&gt;La Vie En Close&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;#160;&lt;/p&gt;  &lt;div style="padding-bottom: 0px; margin: 0px auto; padding-left: 0px; width: 425px; padding-right: 0px; display: block; float: none; padding-top: 0px" id="scid:5737277B-5D6D-4f48-ABFC-DD9C333F4C5D:e5e286a0-ee46-4b09-bb63-4ecaf1723812" class="wlWriterEditableSmartContent"&gt;&lt;div id="0a72232c-dfd9-428d-b552-16d52baef931" style="margin: 0px; padding: 0px; display: inline;"&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=mVpNUlZ-4S0" target="_new"&gt;&lt;img src="http://lh3.ggpht.com/_C88pfpvNkrg/SrpQCdSzHfI/AAAAAAAAGgY/ZvBUH0NPqPg/video789e5071de5f%5B3%5D.jpg?imgmax=800" style="border-style: none" galleryimg="no" onload="var downlevelDiv = document.getElementById('0a72232c-dfd9-428d-b552-16d52baef931'); downlevelDiv.innerHTML = &amp;quot;&amp;lt;div&amp;gt;&amp;lt;object width=\&amp;quot;425\&amp;quot; height=\&amp;quot;355\&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;param name=\&amp;quot;movie\&amp;quot; value=\&amp;quot;http://www.youtube.com/v/mVpNUlZ-4S0&amp;amp;hl=en\&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;\/param&amp;gt;&amp;lt;embed src=\&amp;quot;http://www.youtube.com/v/mVpNUlZ-4S0&amp;amp;hl=en\&amp;quot; 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&lt;/p&gt; &lt;b&gt;&lt;i&gt;     &lt;p&gt;       &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;   &lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;img style="display: block; float: none; margin-left: auto; margin-right: auto" border="0" src="http://www.releituras.com/assinaturas/ferreiragullar.gif" width="207" height="91" /&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;Ferreira Gullar &lt;/b&gt;(José Ribamar Ferreira), nasceu no dia 10 de setembro de 1930, na cidade de São Luiz, capital do Maranhão, quarto filho dos onze que teriam seus pais, Newton Ferreira e Alzira Ribeiro Goulart. Inicia seus estudos no Jardim Decroli, em 1937, onde permanece por dois anos. Depois, estuda com professoras contratadas pela família e em um colégio particular, do qual acaba fugindo. Em 1941, matriculou-se no Colégio São Luís de Gonzaga, naquela cidade.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Aprovado em segundo lugar no exame de admissão do Ateneu Teixeira&amp;#160; Mendes, em 1942, não chega a concluir o ano letivo nesse colégio. Ingressa na Escola Técnia de São Luís, em 1943. Apaixonado por uma vizinha, Terezinha, deixa os amigos e passa a se dedicar à leitura de livros retirados da Biblioteca Municipal e a escrever poemas.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Na redação sobre o Dia do Trabalho, onde ironizava o fato de não se trabalhar nesse dia, em 1945, obtém nota 95 e recebe elogios pelo seu texto. Só não obteve a nota máxima em virtude dos erros gramaticais cometidos. Face ao ocorrido, dedica-se ao estudo das normas da língua. Essa redação foi inspiradora do soneto &amp;quot;O trabalho&amp;quot;, primeiro poema publicado por &lt;b&gt;Gullar &lt;/b&gt;no jornal &amp;quot;O Combate&amp;quot;, de São Luís, três anos depois.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Torna-se locutor da Rádio Timbira e colaborador do &amp;quot;Diário de São Luís&amp;quot;, em 1948.   &lt;br /&gt;Editado com recursos próprios e o apoio do Centro Cultural Gonçalves Dias, publica seu primeiro livro de poesia, &amp;quot;Um pouco acima do chão&amp;quot;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Em 1950, após haver presenciado o assassinato de um operário pela polícia, durante um comício de Adhemar de Barros na Praça João Lisboa, em São Luís, nega-se a ler, em seu programa de rádio, uma nota que aponta os &amp;quot;baderneiros&amp;quot; e &amp;quot;comunistas&amp;quot; como responsáveis pelo ocorrido. Perde o emprego, mas é convidado para participar da campanha política no interior do Maranhão. Vence o concurso promovido pelo &amp;quot;Jornal de Letras&amp;quot; com o poema &amp;quot;O galo&amp;quot;. A comissão julgadora era formada por Manuel Bandeira, Odylo Costa Filho e Willy Lewin. Começa a escrever poemas que, mais tarde, integrariam seu livro &amp;quot;A luta corporal&amp;quot;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Muda-se para o Rio de Janeiro (RJ), em 1951. Passa a trabalhar na redação da &amp;quot;Revista do Instituto de Aposentadoria e Pensão do Comércio&amp;quot;, para onde foi indicado por João Condé. Torna-se amigo do crítico de arte Mário Pedrosa. A publicação de seu conto &amp;quot;Osiris come flores&amp;quot; na &amp;quot;Revista Japa&amp;quot; rende-lhe mais um emprego: o de revisor da revista &amp;quot;O Cruzeiro&amp;quot;, por indicação de Herberto Sales, que se encantou com o conto publicado. Vai até a cidade de Correias (RJ) onde, por três meses, trata-se de uma tuberculose.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Oswald de Andrade, que havia lido &amp;quot;A luta corporal&amp;quot;, texto inédito e recém-concluído de &lt;b&gt;Gullar&lt;/b&gt;, no dia de seu aniversário, em 1953, presenteia-o com dois volumes teatrais de sua autoria: &amp;quot;A morta&amp;quot;, &amp;quot;O Rei da Vela&amp;quot;, e &amp;quot;O homem a cavalo&amp;quot;.    &lt;br /&gt;Em 1954, casa-se com a atriz Thereza Aragão, com quem teve três filhos: Paulo, Luciana e Marcos. Lança &amp;quot;A luta corporal&amp;quot;, que causou desentendimentos com os tipógrafos em função do projeto gráfico apresentado. Após sua leitura, Augusto e Haroldo de Campos e Décio Pignatari manifestam-lhe, por carta, o desejo de conhecê-lo. No fim desse ano, passa a trabalhar como revisor na revista &amp;quot;Manchete&amp;quot;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Seu encontro com Augusto de Campos se dá às vésperas do carnaval de 1955, resultando inúmeras discussões sobre a literatura. Trabalha como revisor no &amp;quot;Diário Carioca&amp;quot; e, posteriormente, engaja-se no projeto &amp;quot;Suplemento dominical&amp;quot; do &amp;quot;Jornal do Brasil&amp;quot;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A convite do trio de escritores paulistas acima citados, participa da I Exposição Nacional de Arte Concreta, no Museu de Arte Moderna de São Paulo, em 1956. Em janeiro do ano seguinte, o MAM carioca recebe a citada exposição. &lt;b&gt;Gullar &lt;/b&gt;discorda da publicação do artigo &amp;quot;Da psicologia da composição à matemática da composição&amp;quot;, escrito pelo grupo concretista de São Paulo. Redige resposta intitulada &amp;quot;Poesia concreta: experiência fenomenológica&amp;quot;. Os dois textos são publicados lado a lado na mesma edição do &amp;quot;Suplemento Dominical&amp;quot;. Com seu artigo, &lt;b&gt;Gullar&lt;/b&gt; marca sua ruptura com o movimento.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Em 1958, lança o livro &amp;quot;Poemas. No ano seguinte, escreve o &amp;quot;Manifesto Neo-concreto&amp;quot;, publicado no &amp;quot;Suplemento Dominical&amp;quot; e que foi também assinado por, entre outros, Lygia Pape, Franz Waissman, Lygia Clark, Amilcar de Castro e Reynaldo Jardim. Ali também foi publicado &amp;quot;Teoria do não-objeto. Criou o &amp;quot;livro-poema&amp;quot; e o &amp;quot;Poema enterrado&amp;quot;, que consistia de uma sala subterrânea, dentro da qual&amp;#160; havia um cubo de madeira de cor vermelha, dentro desse um outro, verde, de menor diâmetro, e, finalmente, um último cubo de cor branca que, ao ser erguido, permitia a leitura da palavra &amp;quot;Rejuvenesça&amp;quot;. Construído na casa do pai do artista plástico Hélio Oiticica, a &amp;quot;instalação&amp;quot; não pode ser vista pelo público: uma inundação, provocada por fortes chuvas, alagou a sala e destruiu os cubos.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;É nomeado, em 1961, com a posse de Jânio Quadros, diretor da Fundação Cultural de Brasília. Elabora o projeto do Museu de Arte Popular e inicia sua construção. Revê sua postura poética, até então muito marcada pelo experimentalismo, e passa a não atuar nos movimentos de vanguarda. Fica no cargo até outubro/61.   &lt;br /&gt;Emprega-se, em 1962, como copidesque na filial carioca do jornal &amp;quot;O Estado de São Paulo&amp;quot;, para o qual trabalharia por 30 anos. Ao mesmo tempo, ingressa no Centro Popular de Cultura da União Nacional dos Estudantes (CPC). Publica &amp;quot;João Boa-Morte, cabra marcado para morrer&amp;quot; e &amp;quot;Quem matou Aparecida&amp;quot;. Assume, com essas publicações, uma nova atitude literária de engajamento político e social.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;No ano seguinte é eleito presidente do CPC. Lança o ensaio &amp;quot;Cultura posta em questão&amp;quot;. Em 1964, a sede da União Nacional dos Estudantes (UNE) é invadida e a primeira edição do citado ensaio acaba queimada. No dia 1º de abril de 1964, filia-se ao Partido Comunista Brasileiro. Ao lado de Oduvaldo Viana Filho, Paulo Pontes, Thereza Aragão, Pichin Pla, entre outros, funda o &amp;quot;Grupo Opinião&amp;quot;.   &lt;br /&gt;O ensaio &amp;quot;Cultura posta em questão&amp;quot; é reeditado em 1965.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Em 1966, a peça &amp;quot;Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come&amp;quot;, escrita em parceria com Oduvaldo Viana Filho, é encenada pelo &amp;quot;Grupo Opinião&amp;quot; no Rio de Janeiro, e conquista os prêmios Molière e Saci. No ano seguinte o mesmo grupo encena, também no Rio, a peça &amp;quot;A saída? Onde está a saída?, escrita em parceria com Antônio Carlos Fontoura e Armando Costa.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;quot;Por você, por mim&amp;quot;, poema sobre a guerra do Vietnã, é publicada em 1968, juntamente com o texto da peça &amp;quot;Dr. Getúlio, sua vida e sua glória&amp;quot;, escrita em parceria com Dias Gomes e montada nos teatros &amp;quot;Opinião&amp;quot; e &amp;quot;João Caetano&amp;quot;, no Rio de Janeiro, com a direção de José Renato. Com a assinatura do Ato Institucional nº 5, é preso, em companhia de Paulo Francis, Caetano Veloso e Gilberto Gil.   &lt;br /&gt;Em 1969, lança o ensaio &amp;quot;Vanguarda e subdesenvolvimento&amp;quot;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;1970 marca sua entrada na clandestinidade. Passa a dedicar-se à pintura.   &lt;br /&gt;Informado por amigos, em 1971, do risco que corria se continuasse no Brasil, decide partir para o exílio, morando primeiro em Moscou (Russia) e depois em Santiago (Chile), Lima (Peru) e Buenos Aires (Argentina). Durante esse período, colabora com o semanário &amp;quot;O Pasquim&amp;quot;, sob o pseudônimo&amp;#160; de Frederico Marques. Seu pai falece em São Luís (MA).&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Em 1974, por unanimidade, é absolvido no Supremo Tribunal Federal, da acusação.   &lt;br /&gt;Publica, em 1975, &amp;quot;Dentro da noite veloz&amp;quot;. O &amp;quot;Poema sujo&amp;quot; é escrito entre maio de outubro desse ano. Em novembro, lê o novo trabalho na casa de Augusto Boal, em Buenos Aires, para um grupo de amigos. Vinicius de Moraes, que organizou a sessão de leitura, pede uma cópia do poema para trazer ao Rio. Por precaução, o poema é gravado em fita cassete. No Rio, Vinicius promove diversas sessões para que intelectuais e jornalistas ouvissem o &amp;quot;Poema sujo&amp;quot;. Ênnio Silveira, editor, pede uma cópia do texto para publicá-lo em livro. Enquanto isso não acontece, diversas cópias da gravação circulam pela cidade em sessões fechadas de audição.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;No ano seguinte, sem a presença do poeta, o &amp;quot;Poema sujo&amp;quot; é lançado, enquanto &lt;b&gt;Gullar&lt;/b&gt; dá aulas particulares de português em Buenos Aires, para poder sobreviver. Amigos tentam um salvo-conduto junto às autoridades militares, procurando obter garantias para que ele volta ao país.    &lt;br /&gt;Somente em 10 de março de 1977 desembarca no Rio. No dia seguinte, é preso pelo Departamento de Polícia Política e Social, órgão sucessor do famoso &amp;quot;DOPS&amp;quot;. As ameaças feitas por agentes policiais, que se estendiam a membros de sua família, só terminaram após 72 horas de interrogatórios, ocasião em que é libertado face à movimentação de amigos junto às autoridades do regime militar.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Retorna, aos poucos, às atividades de crítico, poeta e jornalista. Lança &amp;quot;Antologia Poética&amp;quot;. &amp;quot;La lucha corporal y otros incendios&amp;quot; é publicada em Caracas, Venezuela. No ano seguinte, 1978, grava o disco &amp;quot;Antologia poética de Ferreira Gullar&amp;quot; e, sob a direção de Bibi Ferreira, é encenada a peça teatral &amp;quot;Um rubi no umbigo&amp;quot;. Começa a escrever para o Grupo de Dramaturgia da Rede Globo, indicado pelo amigo Dias Gomes.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Seu livro &amp;quot;Na vertigem do dia&amp;quot; é publicado em 1980 e &amp;quot;Toda poesia&amp;quot;, reunião de sua obra poética, comemora seus 50 anos de vida. Estréia a versão teatral do &amp;quot;Poema sujo&amp;quot;, com a interpretação de Esther Góes e Rubens Corrêa, sob a direção de Hugo Xavier, na Sala Sidney Miller, no Rio de Janeiro.   &lt;br /&gt;Lança o livro &amp;quot;Sobre arte&amp;quot;, coletânea de artigos publicados na revista &amp;quot;Módulo&amp;quot;, entre 1975 e 1980.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A Rede Globo exibe o seu especial &amp;quot;Insensato coração&amp;quot;, em 1983.   &lt;br /&gt;Em 1984, recebe o título de &amp;quot;Cidadão Fluminense&amp;quot; na Assembléia Legislativa do Rio. Profere a conferência &amp;quot;Educação criadora e o desafio da transformação sócio-cultural&amp;quot; na abertura do 25º Congresso Mundial de Educação pela Arte, realizado na Universidade Estadual do Rio de Janeiro.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Com a tradução de &amp;quot;Cyrano de Bergerac&amp;quot;, de Edmond Rostand, publicada em 1985, é agraciado como prêmio Molière, até então inédito para a categoria tradutor.   &lt;br /&gt;Em 1987 lança &amp;quot;Barulhos&amp;quot;. Dois anos depois, publica ensaios sobre cultura brasileira e a questão da vanguarda em países desenvolvidos, no livro &amp;quot;Indagações de hoje&amp;quot;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;quot;A estranha vida banal&amp;quot;, uma coletânea de 47 crônicas escritas para &amp;quot;O Pasquim&amp;quot; e &amp;quot;Jornal do Brasil&amp;quot;, são publicadas em 1990. Colabora com Dias Gomes na novela &amp;quot;Araponga&amp;quot;. Morre, no Rio, seu filho mais novo, Marcos.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Nomeado diretor do Instituto Brasileiro de Arte e Cultura (IBAC), em 1992, lá permanece até 1995. A Rede Globo exibe a minissérie &amp;quot;As noivas de Copacabana&amp;quot;, escrita em parceria com Dias Gomes e Marcílio Moraes.   &lt;br /&gt;Lança, em 1993, &amp;quot;Argumentação contra a morte da arte&amp;quot;, que provoca polêmica entre artistas plásticos.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Morre, no Rio, sua mulher Thereza Aragão, em 1994. Seu livro &amp;quot;Luta corporal&amp;quot; ganha edição comemorativa a seus 40 anos de publicação. No Centro Cultural Banco do Brasil - Rio, ocorre um evento sobre o trabalho do poeta.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Em 1997, lança &amp;quot;Cidades inventadas&amp;quot;, coletânea de contos escritos ao longo de 40 anos. Passa a viver com a poeta Cláudia Ahimsa.   &lt;br /&gt;No ano seguinte publica &amp;quot;Rabo de foguete - Os anos de exílio&amp;quot;. É homenageado no 29º Festival Internacional de Poesia de Rotterdã.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Lança, em 1999, o livro &amp;quot;Muitas vozes&amp;quot; e é agraciado com o Prêmio Jabuti, categoria poesia. Recebe, também, o Prêmio Alphonsus de Guimarães, da Biblioteca Nacional.   &lt;br /&gt;&amp;quot;Ferreira Gullar 70 anos&amp;quot; foi o nome dado à exposição aberta em setembro de 2000, no Museu de Arte Moderna do Rio, para marcar o aniversário do poeta. Ocorre o lançamento da nona edição de &amp;quot;Toda poesia&amp;quot;, reunião atualizada de todos os poemas de Gullar. O poeta recebe o prêmio Multicultural 2000, do jornal &amp;quot;O Estado de São Paulo&amp;quot;. No final do ano, lança &amp;quot;Um gato chamado Gatinho &amp;quot;, 17 poemas sobre seu felino escritos para crianças.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;É publicado na coleção Perfis do Rio “Ferreira Gullar - Entre o espanto e o poema”, de George Moura em 2001. São reunidas crônicas escritas para o “Jornal do Brasil” nos anos 60 no livro “O menino e o arco-íris”. Lança uma coleção infanto-juvenil “O rei que mora no mar”, poemas dos anos 60 de &lt;b&gt;Gullar&lt;/b&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Em 2002, é indicado ao Prêmio Nobel de Literatura por nove professores titulares de universidades de Brasil, Portugal e Estados Unidos. São relançados num só livro, os ensaios dos anos 60: “Cultura posta em questão” e “Vanguarda e subdesenvolvimento”. Em dezembro o poeta recebe o Prêmio Príncipe Claus, da Holanda, dado a artistas, escritores e instituições culturais de fora da Europa que tenham contribuído para mudar a sociedade, a arte ou a visão cultural de seu país.   &lt;br /&gt;Lança “Relâmpagos”, reunindo 49 textos curtos sobre artes, abordando obras de Michelangelo, Renoir, Picasso, Calder, Iberê Camargo e muitos outros.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;a href="http://literal.terra.com.br/ferreira_gullar/" target="_blank"&gt;Site Oficial do Autor&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Fonte: &lt;a href="http://www.releituras.com/index.asp" target="_blank"&gt;Releituras&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1828449244272539790-335572373305651758?l=blogcoisasnossas.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://blogcoisasnossas.blogspot.com/2009/09/ferreira-gullar.html</link><author>dullimi@gmail.com (Du)</author><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1828449244272539790.post-3734337386943510191</guid><pubDate>Mon, 14 Sep 2009 16:16:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-09-14T14:17:30.173-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">folclore</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">cultura brasileira</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">cultura amazonense</category><title>Boi Caprichoso</title><description>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_FQTvlaqpcOo/Sq5wJYo32XI/AAAAAAAAAJA/tZ215-hGbUU/s1600-h/crapri.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5381361911289338226" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 285px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_FQTvlaqpcOo/Sq5wJYo32XI/AAAAAAAAAJA/tZ215-hGbUU/s320/crapri.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O Caprichoso é um dos dois bois que disputam o Festival Folclórico de Parintins. É o Boi da estrela, defensor das cores azul e branco. Mais que um boi, ele representa a paixão de sua torcida, chamada carinhosamente de Nação Azul e Branca, Falange Azulada, dentre outros nomes. Boi de garra, boi de fibra, boi que capricha, boi que conta as lendas e o folclore dos povos da Amazônia. É boi de pescadores, boi dos caboclos, boi dos ribeirinhos, boi da Amazônia e defende o verde das matas.. O Boi-Bumbá Caprichoso tem sua história atrelada a uma família. A professora e folclorista parintinense Odinéia Andrade afirma que o bumbá foi fundado em 1913 pelos irmãos Raimundo Cid, Pedro Cid e Félix Cid.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Os três teriam migrado do município de Crato, no Ceará, passando pelos estados do Maranhão e Pará, até chegarem à ilha, onde fizeram uma promessa a São João Batista para obterem prosperidade na novo município.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Isso foi motivado pelas influências recebidas pelos Cid durante a trajetória até a ilha, quando puderam conhecer vários folguedos juninos por onde passaram. Duas manifestações folclóricas chamaram a atenção: o Bumba-Meu-Boi, maranhense, e a Marujada paraense.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Andrade (2006) afirma que o Boi Caprichoso assimilou elementos desses dois folguedos, uma vez que o bumbá adotou como cores oficiais o azul e o branco, usadas nos trajes dos marujos, e denominou seu grupo de batuqueiros, responsáveis pelo ritmo na apresentação do boi de Marujada de Guerra. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5381364656390470530" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 193px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_FQTvlaqpcOo/Sq5ypK7--4I/AAAAAAAAAJI/bblxYkd3VjI/s320/caprichoso-itens-marujada.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;As Toadas&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até o final dos anos 80 as toadas eram músicas cujas letras exaltavam o boi e demais personagens como Pai Francisco, a Sinhazinha, dentre outros, além de exaltarem a cultura cabocla parintinense.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No início dos anos 90, a temática indígena, já introduzida com sucesso no Boi Bumbá pelo Boi Caprichoso, ganhou mais força, principalmente com o advento dos rituais indígenas, que se tornaram o ponto alto do Festival. O Boi Caprichoso foi o que melhor utilizou a temática, alcançando grande destaque graças ao sucesso que crítica e público concederam a toadas indígenas como Fibras de Arumã, Unankiê, e Kananciuê.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o sucesso de tais toadas, O público da capital, Manaus, que gostava timidamente do ritmo, passou a abraçar a toada e a adotou como símbolo da cultura amazonense.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No ano seguinte, o grupo Canto da Mata, composto por Maílzon Mendes, Alceo Ancelmo e Neil Armstrong, iniciou um outro estilo de toada que também tomaria conta do grande público de Manaus e de Parintins, a Toada Comercial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1995, com o uso dos teclados - que tinham sido usados pela primeira vez de maneira tímida em 1994 - o grupo compôs a toada Canto da Mata, que foi um grande sucesso nas rádios e ajudou o Boi Caprichoso a vencer o Festival.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1997, compuseram uma toada que se tornou fenômeno no Amazonas: Ritmo Quente, grande sucesso nos ensaios do boi e também em eventos turísticos da Capital Manaus, como o Boi Manaus e o Carnaboi, até os dias de hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Os rituais&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1994 o Boi Bumbá Caprichoso, deu um espetáculo inesquecível com belíssimas alegorias, tudo culminando num momento mágico: o ritual indígena. Naquele ano foram encenados os rituais Unankiê, Fibras de Arumã e Urequeí.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1995 foram outros três grandes rituais: Lagarta de Fogo, Templo de Monan e o inesquecível ritual Kananciuê, que mostrava um Urubú-Rei lutando com o pajé, Valdir Santana. Durante esse ritual, a Marujada parou e pela primeira vez houve texto em uma apresentação de ritual: o pajé perguntava "onde está a luz" e o urubu-rei respondia "eu não sei". No momento em que o urubu foi derrotado, um espetáculo pirotécnico saiu de dentro da alegoria representando a libertação da luz, para delírio e êxtase da galera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Os campeonatos&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;A década de 90 representou um dos melhores momentos da história do Boi Caprichoso. De 1990 a 1999, ganhou seis dos dez festivais disputados - perdeu em 1991, 1993, 1997 e 1999. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5381366830636981682" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 240px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_FQTvlaqpcOo/Sq50nuov3bI/AAAAAAAAAJQ/byn4c4mCAnM/s320/cunha.bmp" border="0" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Cunhã poranga do Boi Caprichoso&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5381367916918363634" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 299px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_FQTvlaqpcOo/Sq51m9WaVfI/AAAAAAAAAJg/WNGtiSj7DKU/s320/ritual.bmp" border="0" /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Ritual&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5381368492348963218" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 240px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_FQTvlaqpcOo/Sq52Ic_weZI/AAAAAAAAAJo/jf15kG9MVNM/s320/apresenta%C3%A7ao.jpg" border="0" /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Apresentação do Boi&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Fonte da pesquisa: &lt;a href="http://portalamazonia.globo.com/pscript/amazoniadeaaz/artigoAZ.php?idAz=842"&gt;Amazônia de A a Z&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Boi_Caprichoso"&gt;Artigo na Wikipédia&lt;/a&gt;, site do &lt;a href="http://www.boicaprichoso.com/bemvindo.asp"&gt;Caprichoso&lt;/a&gt;.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1828449244272539790-3734337386943510191?l=blogcoisasnossas.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://blogcoisasnossas.blogspot.com/2009/09/boi-caprichoso.html</link><author>everton_vidal@yahoo.com.br (Éverton Vidal Azevedo)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://1.bp.blogspot.com/_FQTvlaqpcOo/Sq5wJYo32XI/AAAAAAAAAJA/tZ215-hGbUU/s72-c/crapri.jpg" height="72" width="72" /><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">1</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1828449244272539790.post-1412044935491634104</guid><pubDate>Thu, 10 Sep 2009 23:39:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-09-10T20:40:07.169-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Luis Fernando Veríssimo</category><title>Luis Fernando Verissimo</title><description>&lt;blockquote&gt;&lt;i&gt;&amp;quot;Um escritor que passasse a respeitar a intimidade gramatical das suas palavras seria tão ineficiente quanto um gigolô que se apaixonasse pelo seu plantel. Acabaria tratando-as com a deferência de um namorado ou com a tediosa formalidade de um marido. A palavra seria sua patroa! Com que cuidados, com que temores e obséquios ele consentiria em sair com elas em público, alvo da impiedosa atenção de lexicógrafos, etimologistas e colegas. Acabaria impotente, incapaz de uma conjunção. A Gramática precisa apanhar todos os dias para saber quem é que manda.&amp;quot;&lt;/i&gt;&lt;em&gt; (O Gigolô das palavras).&lt;/em&gt;&lt;/blockquote&gt;  &lt;div align="justify"&gt;&lt;img style="display: block; float: none; margin-left: auto; margin-right: auto" border="0" src="http://www.releituras.com/assinaturas/lfverissimo.gif" width="350" height="105" /&gt;&lt;/div&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;Luis Fernando Verissimo &lt;/strong&gt;nasceu em 26 de setembro 1936, em Porto Alegre, Rio Grande do Sul. Filho do grande escritor Érico Veríssimo, iniciou seus estudos no Instituto Porto Alegre, tendo passado por escolas nos Estados Unidos quando morou lá, em virtude de seu pai ter ido lecionar em uma universidade da Califórnia, por dois anos. Voltou a morar nos EUA quando tinha 16 anos, tendo cursado a &lt;em&gt;Roosevelt High School &lt;/em&gt;de Washington, onde também estudou música, sendo até hoje inseparável de seu saxofone.    &lt;br /&gt;É casado com Lúcia e tem três filhos.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Jornalista, iniciou sua carreira no jornal &lt;em&gt;Zero Hora,&lt;/em&gt; em Porto Alegre, em fins de 1966, onde começou como &lt;em&gt;copydesk&lt;/em&gt; mas trabalhou em diversas seções (&amp;quot;editor de frescuras&amp;quot;, redator, editor nacional e internacional). Além disso, sobreviveu um tempo como tradutor, no Rio de Janeiro. A partir de 1969, passou a escrever matéria assinada, quando substituiu a coluna do Jockyman, na &lt;em&gt;Zero Hora&lt;/em&gt;. Em 1970 mudou-se para o jornal &lt;em&gt;Folha da Manhã, &lt;/em&gt;mas voltou ao antigo emprego em 1975, e passou a ser publicado no Rio de Janeiro também. O sucesso de sua coluna garantiu o lançamento, naquele ano, do livro &amp;quot;&lt;em&gt;A Grande Mulher Nua&lt;/em&gt;&amp;quot;, uma coletânea de seus textos.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Participou também da televisão, criando quadros para o programa &amp;quot;&lt;em&gt;Planeta dos Homens&lt;/em&gt;&amp;quot;, na Rede Globo e, mais recentemente, fornecendo material para a série &amp;quot;&lt;em&gt;Comédias da Vida Privada&lt;/em&gt;&amp;quot;, baseada em livro homônimo.    &lt;br /&gt;Escritor prolífero, são de sua autoria, dentre outros, &lt;em&gt;O Popular, A Grande Mulher Nua, Amor Brasileiro, &lt;/em&gt;publicados pela José Olympio Editora; &lt;em&gt;As Cobras e Outros Bichos, Pega pra Kapput!, Ed Mort em &amp;quot;Procurando o Silva&amp;quot;, Ed Mort em &amp;quot;Disneyworld Blues&amp;quot;, Ed Mort em &amp;quot;Com a Mão no Milhão&amp;quot;, Ed Mort em &amp;quot;A Conexão Nazista&amp;quot;, Ed Mort em &amp;quot;O Seqüestro do Zagueiro Central&amp;quot;, Ed Mort e Outras Histórias, O Jardim do Diabo, Pai não Entende Nada, Peças Íntimas, O Santinho, Zoeira , Sexo na Cabeça, O Gigolô das Palavras, O Analista de Bagé,&lt;/em&gt;&lt;em&gt;A Mão Do Freud, Orgias, As Aventuras da Família Brasil, O Analista de Bagé,O Analista de Bagé em Quadrinhos, Outras do Analista de Bagé, A Velhinha de Taubaté, A Mulher do Silva, O Marido do Doutor Pompeu, &lt;/em&gt;publicados pela L&amp;amp;PM Editores, e &lt;em&gt;A Mesa Voadora, &lt;/em&gt;pela Editora Globo e &lt;em&gt;Traçando Paris, &lt;/em&gt;pela Artes e Ofícios.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Além disso, tem textos de ficção e crônicas publicadas nas revistas &lt;em&gt;Playboy, Cláudia, Domingo (&lt;/em&gt;do &lt;em&gt;Jornal do Brasil), Veja, &lt;/em&gt;e nos jornais &lt;em&gt;Zero Hora, Folha de São Paulo, Jornal do Brasil &lt;/em&gt;e, a partir de junho de 2.000, no jornal &lt;em&gt;O Globo.&lt;/em&gt;    &lt;br /&gt;Na opinião de &lt;strong&gt;Jaguar &lt;/strong&gt;&amp;quot;Verissimo é uma fábrica de fazer humor. Muito e bom. Meu consolo — comparando meu artesanato de chistes e cartuns com sua fábrica — era que, enquanto eu rodo pelaí com minha grande capacidade ociosa pelos bares da vida, na busca insaciável do prazer (B.I.P.), o campeão do humor trabalha como um mouro (se é que os mouros trabalham). Pensava que, com aquela vasta produção, ele só podia levantar os olhos da máquina de escrever para pingar colírio, como dizia o Stanislaw Ponte Preta. Boemia, papos furados pela noite a dentro, curtir restaurantes malocados, lazer em suma, nem pensar. De manhã à noite, sempre com a placa &amp;quot;&lt;em&gt;Homens Trabalhando&lt;/em&gt;&amp;quot; pendurada no pescoço.&amp;quot;    &lt;br /&gt;Extremamente tímido, foi homenageado por uma escola de samba de sua terra natal no carnaval de 2.000.     &lt;br /&gt;Após mais de 20 anos tendo seus trabalhos publicados pela L&amp;amp;PM Editores, de Porto Alegre (RS), foi anunciada, em 05/07/2000, sua contratação pela Editora Objetiva, do Rio de Janeiro (RJ).    &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div style="text-align: center; clear: both" class="separator"&gt;&lt;a style="margin-left: 1em; margin-right: 1em" href="http://3.bp.blogspot.com/_C88pfpvNkrg/SqmN2SuGIHI/AAAAAAAAGes/1nI-NRvlMpc/s1600-h/verissimo.jpg" imageanchor="1"&gt;&lt;img border="0" src="http://3.bp.blogspot.com/_C88pfpvNkrg/SqmN2SuGIHI/AAAAAAAAGes/1nI-NRvlMpc/s320/verissimo.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;  &lt;div style="text-align: center"&gt;&lt;/div&gt;  &lt;br /&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;div align="center"&gt;Tentei dizer quanto te amava, aquela vez,      &lt;br /&gt;baixinho mas havia um grande berreiro,       &lt;br /&gt;um enorme burburinho e, pensado bem,       &lt;br /&gt;o berçário não era o melhor lugar.       &lt;br /&gt;Você de fraldas, uma graça, e eu pelado lado a lado,       &lt;br /&gt;cada um recém-chegado você em saber ouvir,       &lt;br /&gt;eu sem saber falar.       &lt;br /&gt;Tentei de novo, lembro bem, na escola.       &lt;br /&gt;Um PS no bilhete pedindo cola interceptado       &lt;br /&gt;pela professora como um gavião.       &lt;br /&gt;Fui parar na sala da diretora e depois na rua       &lt;br /&gt;enquanto você, compreensivelmente, ficou na sua.       &lt;br /&gt;A vida é curta, longa é a paixão.       &lt;br /&gt;Numa festinha, ah, nossas festinhas, disse tudo:       &lt;br /&gt;&amp;quot;Eu te adoro, te venero, na tua frente fico mudo&amp;quot;       &lt;br /&gt;E você não disse nada. E você não disse nada.       &lt;br /&gt;Só mais tarde, de ressaca, atinei.       &lt;br /&gt;Cheio de amor e Cuba,       &lt;br /&gt;me enganei e disse tudo para uma almofada.       &lt;br /&gt;Gravei, em vinte árvores, quarenta corações.       &lt;br /&gt;O teu nome, o meu, flechas e palpitações:       &lt;br /&gt;No mal-me-quer, bem-me-quer, dizimei jardins.       &lt;br /&gt;Resultado: sou persona pouco grata corrido a gritos de       &lt;br /&gt;&amp;quot;Mata! Mata!&amp;quot; por conservacionistas, ecólogos e afins.       &lt;br /&gt;Recorri, em desespero, ao gesto obsoleto:       &lt;br /&gt;&amp;quot;Se não me segurarem faço um soneto&amp;quot;       &lt;br /&gt;E não é que fiz, e até com boas rimas?       &lt;br /&gt;Você não leu, e nem sequer ficou sabendo.       &lt;br /&gt;Continuo inédito e por teu amor sofrendo.       &lt;br /&gt;Mas fui premiado num concurso em Minas.       &lt;br /&gt;Comecei a escrever com pincel e piche num muro branco,       &lt;br /&gt;o asseio que se lixe, todo o meu amor para a tua ciência.       &lt;br /&gt;Fui preso, aos socos, e fichado.       &lt;br /&gt;Dias e mais dias interrogado:       &lt;br /&gt;era PC &amp;lt; PC do B ou alguma dissidência?       &lt;br /&gt;Te escrevi com lágrimas , sangue, suor e mel       &lt;br /&gt;(você devia ver o estado do papel)       &lt;br /&gt;uma carta longa, linda e passional.       &lt;br /&gt;De resposta nem uma cartinha       &lt;br /&gt;nem um cartão, nem uma linha!       &lt;br /&gt;Vá se confiar no Correio Nacional.       &lt;br /&gt;Com uma serenata, sim, uma serenata       &lt;br /&gt;como nos tempos da Cabocla Ingrata me declararia,       &lt;br /&gt;respeitando a métrica.       &lt;br /&gt;Ardor, tenor, a calçada enluarada...       &lt;br /&gt;havia tudo sob a tua sacada       &lt;br /&gt;menos tomada pra guitarra elétrica.       &lt;br /&gt;Decidi, então, botar a maior banca no       &lt;br /&gt;céu escrever com fumaça branca:       &lt;br /&gt;&amp;quot;Te amo, assinado..&amp;quot; e meu nome bem legível.       &lt;br /&gt;Já tinha avião, coragem, brevê tudo para       &lt;br /&gt;impressionar você mas veio a crise, faltou o combustível.       &lt;br /&gt;Ontem você me emprestou seu ouvido e na discoteca,       &lt;br /&gt;em meio do alarido, despejei meu coração.       &lt;br /&gt;Falei da devoção ha anos entalada e você disse       &lt;br /&gt;Disse &amp;quot;eu não escuto nada&amp;quot;.       &lt;br /&gt;Curta é a vida, longa é a paixão.       &lt;br /&gt;Na velhice, num asilo, lado a lado em meio a um silêncio       &lt;br /&gt;abençoado direi o que sinto, meu bem.       &lt;br /&gt;O meu único medo é que então empinando a orelha com a       &lt;br /&gt;mão você me responda só: &amp;quot;Heim?&amp;quot;&lt;/div&gt;    &lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://www.pensador.info/autor/LUIZ_FERNANDO_VERISSIMO/"&gt;LUIZ FERNANDO VERISSIMO&lt;/a&gt;&lt;/div&gt; &lt;/blockquote&gt; Fonte: &lt;a href="http://www.releituras.com/index.asp" target="_blank"&gt;Releituras&lt;/a&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1828449244272539790-1412044935491634104?l=blogcoisasnossas.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://blogcoisasnossas.blogspot.com/2009/09/luis-fernando-verissimo.html</link><author>dullimi@gmail.com (Du)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://3.bp.blogspot.com/_C88pfpvNkrg/SqmN2SuGIHI/AAAAAAAAGes/1nI-NRvlMpc/s72-c/verissimo.jpg" height="72" width="72" /><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">1</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1828449244272539790.post-8368211505168069960</guid><pubDate>Sun, 06 Sep 2009 01:10:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-09-05T22:10:06.774-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Mario Quintana</category><title>Mario Quintana</title><description>&lt;p align="center"&gt;&lt;em&gt;&lt;i&gt;&lt;img src="http://blogmais.files.wordpress.com/2008/07/mario20quintana61.jpg" width="201" height="230" /&gt;&amp;#160;&lt;/i&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p align="center"&gt;&lt;em&gt;&lt;i&gt;&amp;quot;Olho em redor do bar em que escrevo estas linhas.&amp;#160; &lt;br /&gt;Aquele homem ali no balcão, caninha após caninha,&amp;#160; &lt;br /&gt;nem desconfia que se acha conosco desde o início&amp;#160; &lt;br /&gt;das eras. Pensa que está somente afogando problemas&amp;#160; &lt;br /&gt;dele, João Silva... Ele está é bebendo a milenar&amp;#160; &lt;br /&gt;inquietação do mundo!&amp;quot;&lt;/i&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p align="center"&gt;&lt;img border="0" src="http://www.releituras.com/assinaturas/maquintana.gif" width="319" height="79" /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;Mario &lt;/b&gt;de Miranda &lt;b&gt;Quintana &lt;/b&gt;nasceu na cidade de Alegrete (RS), no dia 30 de julho de 1906, quarto filho de Celso de Oliveira Quintana, farmacêutico, e de D. Virgínia de Miranda Quintana. Com 7 anos, auxiliado pelos pais, aprende a ler tendo como cartilha o jornal &lt;i&gt;Correio do Povo&lt;/i&gt;. Seus pais ensinam-lhe, também, rudimentos de francês.     &lt;br /&gt;No ano de 1914 inicia seus estudos na Escola Elementar Mista de Dona Mimi Contino.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Em 1915, ainda em Alegrete, freqüentou a escola do mestre português Antônio Cabral Beirão, onde conclui o curso primário. Nessa época trabalhou na farmácia da família. Foi matriculado no Colégio Militar de Porto Alegre, em regime de internato, no ano de 1919. Começa a produzir seus primeiros trabalhos, que são publicados na revista &lt;i&gt;Hyloea&lt;/i&gt;, órgão da Sociedade Cívica e Literária dos alunos do Colégio.     &lt;br /&gt;Por motivos de saúde, em 1924 deixa o Colégio Militar. Emprega-se na &lt;i&gt;Livraria do Globo,&lt;/i&gt; onde trabalha por três meses com &lt;i&gt;Mansueto Bernardi. &lt;/i&gt;A &lt;i&gt;Livraria &lt;/i&gt;era uma editora de renome nacional.     &lt;br /&gt;No ano seguinte, 1925, retorna a Alegrete e passa a trabalhar na farmácia de seu pai. No ano seguinte sua mãe falece. Seu conto, &lt;b&gt;&lt;i&gt;A Sétima Personagem&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;, é premiado em concurso promovido pelo jornal &lt;i&gt;Diário de Notícias&lt;/i&gt;, de Porto Alegre.     &lt;br /&gt;O pai de &lt;b&gt;Quintana &lt;/b&gt;falece em 1927. A revista &lt;i&gt;Para Todos&lt;/i&gt;, do Rio de Janeiro, publica um poema de sua autoria, por iniciativa do cronista &lt;i&gt;Álvaro Moreyra,&lt;/i&gt;diretor da citada publicação.     &lt;br /&gt;Em 1929, começa a trabalhar na redação do diário &lt;i&gt;O Estado do Rio Grande,&lt;/i&gt;que era dirigida por &lt;i&gt;Raul Pilla. &lt;/i&gt;No ano seguinte a &lt;i&gt;Revista do Globo e o Correio do Povo &lt;/i&gt;publicam seus poemas.&amp;#160; &lt;br /&gt;Vem, em 1930, por seis meses, para o Rio de Janeiro, entusiasmado com a revolução liderada por Getúlio Vargas, também gaúcho, como voluntário do Sétimo Batalhão de Caçadores de Porto Alegre.     &lt;br /&gt;Volta a Porto Alegre, em 1931, e à redação de &lt;i&gt;O Estado do Rio Grande.&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;O ano de 1934 marca a primeira publicação de uma tradução de sua autoria:&lt;i&gt;&lt;b&gt;Palavras e Sangue&lt;/b&gt;, &lt;/i&gt;de &lt;i&gt;Giovanni&lt;/i&gt; &lt;i&gt;Papini. &lt;/i&gt;Começa a traduzir para a &lt;i&gt;Editora Globo &lt;/i&gt;obras de diversos escritores estrangeiros: &lt;i&gt;Fred Marsyat&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;Charles Morgan, Rosamond Lehman, Lin Yutang, Proust, Voltaire, Virginia Woolf, Papini, Maupassant, &lt;/i&gt;dentre outros&lt;i&gt;. &lt;/i&gt;O poeta deu uma imensa colaboração para que obras como o denso &lt;i&gt;Em Busca do Tempo Perdido&lt;/i&gt;, do francês &lt;i&gt;Marcel&lt;/i&gt; &lt;i&gt;Proust&lt;/i&gt;, fossem lidas pelos brasileiros que não dominavam a língua&lt;i&gt; &lt;/i&gt;francesa.     &lt;br /&gt;Retorna à &lt;i&gt;Livraria do Globo, &lt;/i&gt;onde trabalha sob a direção de Érico Veríssimo, em 1936.     &lt;br /&gt;Em 1939, &lt;i&gt;Monteiro Lobato&lt;/i&gt; lê doze quartetos de &lt;b&gt;Quintana&lt;/b&gt; na revista&lt;i&gt;lbirapuitan&lt;/i&gt;, de Alegrete, e escreve-lhe encomendando um livro. Com o título &lt;i&gt;&lt;b&gt;Espelho Mágico &lt;/b&gt;&lt;/i&gt;o livro&lt;i&gt;&lt;b&gt; &lt;/b&gt;&lt;/i&gt;vem a ser publicado em 1951, pela &lt;i&gt;Editora Globo.      &lt;br /&gt;&lt;/i&gt;A primeira edição de seu livro&amp;#160; &lt;b&gt;&lt;i&gt;A Rua dos Cataventos&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;, é lançada em 1940 pela Editora Globo. Obtém ótima repercussão e seus sonetos passam a figurar em livros escolares e antologias.     &lt;br /&gt;Em 1943, começa a publicar o &lt;i&gt;Do Caderno H, &lt;/i&gt;espaço diário&lt;i&gt; &lt;/i&gt;na &lt;i&gt;Revista Província de São Pedro.      &lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Canções&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;, seu segundo livro de poemas, é lançado em 1946 pela Editora Globo. O livro traz ilustrações de &lt;i&gt;Noêmia.      &lt;br /&gt;&lt;/i&gt;Lança, em 1948, &lt;i&gt;&lt;b&gt;Sapato Florido&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;, poesia e prosa, também editado pela Globo. Nesse mesmo ano é publicado &lt;b&gt;&lt;i&gt;O Batalhão de Letras&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;, pela mesma editora.&amp;#160; &lt;br /&gt;Seu quinto livro, &lt;b&gt;&lt;i&gt;O Aprendiz de Feiticeiro&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;, versos, de 1950, é uma modesta plaquete que, no entanto, obtém grande repercussão nos meios literários. Foi publicado pela Editora Fronteira, de Porto Alegre.     &lt;br /&gt;Em 1951 é publicado, pela Editora Globo, o livro &lt;b&gt;&lt;i&gt;Espelho Mágico&lt;/i&gt;, &lt;/b&gt;uma coleção de quartetos, que trazia na orelha comentários de &lt;i&gt;Monteiro Lobato.      &lt;br /&gt;&lt;/i&gt;Com seu ingresso no &lt;i&gt;Correio do Povo&lt;/i&gt;, em 1953, reinicia a publicação de sua coluna diária &lt;i&gt;Do Caderno H (até 1967)&lt;/i&gt;. Publica, também, &lt;b&gt;&lt;i&gt;Inéditos e Esparsos&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;, pela Editora Cadernos de Extremo Sul - Alegrete (RS).     &lt;br /&gt;Em 1962, sob o título &lt;b&gt;&lt;i&gt;Poesias&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;, reúne em um só volume seus livros &lt;i&gt;A Rua dos Cataventos, Canções, Sapato Florido, espelho Mágico &lt;/i&gt;e&lt;i&gt; O Aprendiz de Feiticeiro, &lt;/i&gt;tendo a primeira edição, pela Globo, sido patrocinada pela Secretaria de Educação e Cultura do Rio Grande do Sul.     &lt;br /&gt;Com 60 poemas inéditos, organizada por &lt;i&gt;Rubem Braga&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;Paulo Mendes Campos&lt;/i&gt;, é publicada sua &lt;i&gt;&lt;b&gt;Antologia Poética&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;, em 1966, pela Editora do Autor - Rio de Janeiro. Lançada para comemorar seus 60 anos, em 25 de agosto o poeta é saudado na &lt;i&gt;Academia Brasileira de Letras&lt;/i&gt; por &lt;i&gt;Augusto Meyer&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;Manuel Bandeira&lt;/i&gt;, que recita o seguinte poema, de sua autoria, em homenagem a&lt;b&gt;Quintana:&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p align="center"&gt;Meu Quintana, os teus cantares    &lt;br /&gt;Não são, Quintana, cantares:     &lt;br /&gt;São, Quintana, quintanares.     &lt;br /&gt;Quinta-essência de cantares...     &lt;br /&gt;Insólitos, singulares...     &lt;br /&gt;Cantares? Não! Quintanares!     &lt;br /&gt;Quer livres, quer regulares,     &lt;br /&gt;Abrem sempre os teus cantares     &lt;br /&gt;Como flor de quintanares.     &lt;br /&gt;São cantigas sem esgares.     &lt;br /&gt;Onde as lágrimas são mares     &lt;br /&gt;De amor, os teus quintanares.&lt;/p&gt;  &lt;p align="center"&gt;São feitos esses cantares    &lt;br /&gt;De um tudo-nada: ao falares,     &lt;br /&gt;Luzem estrelas luares.     &lt;br /&gt;São para dizer em bares     &lt;br /&gt;Como em mansões seculares     &lt;br /&gt;Quintana, os teus quintanares.     &lt;br /&gt;Sim, em bares, onde os pares     &lt;br /&gt;Se beijam sem que repares     &lt;br /&gt;Que são casais exemplares.     &lt;br /&gt;E quer no pudor dos lares.     &lt;br /&gt;Quer no horror dos lupanares.     &lt;br /&gt;Cheiram sempre os teus cantares&lt;/p&gt;  &lt;p align="center"&gt;Ao ar dos melhores ares,    &lt;br /&gt;Pois são simples, invulgares.     &lt;br /&gt;Quintana, os teus quintanares.     &lt;br /&gt;Por isso peço não pares,     &lt;br /&gt;Quintana, nos teus cantares...     &lt;br /&gt;Perdão! digo quintanares.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;#160;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;img style="display: block; float: none; margin-left: auto; margin-right: auto" src="http://mywordpress2.files.wordpress.com/2006/08/mario400.jpg" /&gt; &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A &lt;b&gt;&lt;i&gt;Antologia Poética&lt;/i&gt;&lt;/b&gt; recebe em dezembro daquele ano o Prêmio Fernando Chinaglia, por ter sido considerado o melhor livro do ano. Recebe inúmeras homenagens pelos seus 60 anos, inclusive crônica de autoria de &lt;i&gt;Paulo Mendes Campos &lt;/i&gt;publicada na revista &lt;i&gt;Manchete &lt;/i&gt;no dia 30 de julho.     &lt;br /&gt;Preso à sua querida Porto Alegre, mesmo assim &lt;b&gt;Quintana&lt;/b&gt; fez excelentes amigos entre os grandes intelectuais da época. Seus trabalhos eram elogiados por &lt;i&gt;Carlos Drummond de Andrade, Vinícius de Morais, Cecília Meireles e João Cabral de Melo Neto&lt;/i&gt;, além de &lt;i&gt;Manuel Bandeira&lt;/i&gt;. O fato de não ter ocupado uma vaga na Academia Brasileira de Letras só fez aguçar seu conhecido humor e sarcasmo. Perdida a terceira indicação para aquele sodalício, compôs o conhecido&lt;/p&gt;  &lt;p align="center"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;&lt;u&gt;Poeminho do Contra&lt;/u&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p align="center"&gt;&lt;i&gt;Todos esses que aí estão      &lt;br /&gt;Atravancando meu caminho,       &lt;br /&gt;Eles passarão...       &lt;br /&gt;Eu passarinho!&lt;/i&gt;     &lt;br /&gt;(Prosa e Verso, 1978)&lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p&gt;A Câmara de Vereadores da capital do Rio Grande do Sul — Porto Alegre — concede-lhe o título de Cidadão Honorário, em 1967. Passa a publicar &lt;i&gt;Do Caderno H&lt;/i&gt; no &lt;i&gt;Caderno de Sábado&lt;/i&gt; do &lt;i&gt;Correio do Povo&lt;/i&gt; (até 1980).       &lt;br /&gt;Em 1968, &lt;b&gt;Quintana&lt;/b&gt; é homenageado pela Prefeitura de Alegrete&amp;#160; com&amp;#160; placa de bronze na praça principal da cidade, onde estão palavras do poeta: &amp;quot;&lt;i&gt;Um engano em bronze, um engano eterno&amp;quot;.&amp;#160; &lt;/i&gt;Falece seu irmão Milton, o mais velho.       &lt;br /&gt;1973. Nesse ano o poeta e prosador lançou, pela &lt;i&gt;Editora Globo &lt;/i&gt;— &lt;i&gt;Coleção Sagitário&lt;/i&gt; — o livro &lt;i&gt;&lt;b&gt;Do Caderno H&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;. Nele estão seus pensamentos sobre poesia e literatura, escritos desde os anos 40, selecionados pelo autor.       &lt;br /&gt;Em 1975 publica o poema infanto-juvenil &lt;b&gt;&lt;i&gt;Pé de Pilão&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;, co-edição do Instituto Estadual do Livro com a Editora Garatuja, com introdução de Érico Veríssimo. Obtém extraordinária acolhida pelas crianças.       &lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;         &lt;br /&gt;Quintanares&lt;/i&gt; &lt;/b&gt;é impresso em 1976, em edição especial, para ser distribuído aos clientes da empresa de publicidade e propaganda MPM. Por ocasião de seus 70 anos, o poeta é alvo de excepcionais homenagens. O Governo do Estado concede-lhe a medalha do Negrinho do Pastoreio — o mais alto galardão estadual. É lançado o seu livro de poemas&lt;b&gt; &lt;i&gt;Apontamentos de História Sobrenatural&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;, pelo Instituto Estadual do Livro e Editora Globo.       &lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;         &lt;br /&gt;A Vaca e o Hipogrifo&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;, segunda seleção de crônicas, é publicado em 1977 pela Editora Garatuja. O autor recebe o Prêmio Pen Club de Poesia Brasileira, pelo seu livro&lt;b&gt; &lt;i&gt;Apontamentos de História Sobrenatural.          &lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;Em 1978 falece, aos 83 anos, sua irmã D. Marieta Quintana Leães. Realiza-se o lançamento de &lt;b&gt;&lt;i&gt;Prosa &amp;amp; Verso&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;, antologia para didática, pela Editora Globo. Publica &lt;b&gt;&lt;i&gt;Chew me up slowly&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;, tradução &lt;i&gt;Do Caderno H&lt;/i&gt; por &lt;i&gt;Maria da Glória Bordini e Diane Grosklaus &lt;/i&gt;para a Editora Globo e Riocell (indústria de papel).       &lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;         &lt;br /&gt;Na Volta da Esquina&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;, coletânea de crônicas que constitui o quarto volume da Coleção RBS, é lançado em 1979, Editora Globo. &lt;b&gt;&lt;i&gt;Objetos Perdidos y Otros Poemas &lt;/i&gt;&lt;/b&gt;é publicado em Buenos Aires, tradução de Estela dos Santos e organização de Santiago Kovadloff.       &lt;br /&gt;Seu novo livro de poemas é publicado pela L&amp;amp;PM Editores - Porto Alegre, em 1980: &lt;b&gt;&lt;i&gt;Esconderijos do Tempo&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;. Recebe, no dia 17 de julho, o Prêmio &lt;i&gt;Machado de Assis&lt;/i&gt; conferido pela Academia Brasileira de Letras pelo conjunto de sua obra. Participa, com Cecília Meireles, Henrique Lisboa e Vinicius de Moraes, do sexto volume da coleção didática &lt;i&gt;Para Gostar de Ler, &lt;/i&gt;Editora Ática.       &lt;br /&gt;Em 1981, participa da Jornada de Literatura Sul Rio-Grandense, uma iniciativa da Universidade de Passo Fundo e Delegacia da Educação do Rio Grande do Sul. Recebe de quase 200 crianças botões de rosa e cravos, em homenagem que lhe é prestada, juntamente com José Guimarães e Deonísio da Silva, pela Câmara de Indústria, Comércio, Agropecuária e Serviços daquela cidade. No&lt;i&gt;Caderno Letras &amp;amp; Livros &lt;/i&gt;do &lt;i&gt;Correio do Povo,&lt;/i&gt; reinicia a publicação &lt;i&gt;Do Caderno H. &lt;b&gt;Nova Antologia Poética&lt;/b&gt;&lt;/i&gt; é publicada pela Editora Codecri - Rio de Janeiro.       &lt;br /&gt;O autor recebe o título de Doutor Honoris Causa, concedido pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, no dia 29 de outubro de 1982.       &lt;br /&gt;É publicado, em 1983, o IV volume da coleção &lt;i&gt;Os Melhores Poemas&lt;/i&gt;, que homenageia &lt;b&gt;Mario Quintana&lt;/b&gt;, uma seleção de Fausto Cunha para a Global Editora - São Paulo. Na III Festa Nacional do disco, em Canela (RS), é lançado um álbum duplo: &lt;i&gt;Antologia Poética de &lt;b&gt;Mario Quintana&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;, pela gravadora Polygram. Publicação de &lt;b&gt;Lili Inventa o Mundo&lt;/b&gt;, Editora Mercado Aberto - Porto Alegre, seleção de Mery Weiss de textos publicado em &lt;i&gt;Letras &amp;amp; Livros &lt;/i&gt;e outros livros do autor. Por aprovação unânime da Assembléia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul, o prédio do antigo Hotel Magestic (onde o autor viveu por muitos e muitos anos), tombado como patrimônio histórico do Estado em 1982, passa a denominar-se Casa de Cultura &lt;b&gt;Mário Quintana&lt;/b&gt;.       &lt;br /&gt;Em 1984 ocorrem os lançamentos de &lt;b&gt;&lt;i&gt;Nariz de Vidro&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;, seleção de textos de Mery Weiss, Editora Moderna - São Paulo, e &lt;i&gt;&lt;b&gt;O Sapo Amarelo&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;, Editora Mercado Aberto - Porto Alegre.       &lt;br /&gt;O álbum &lt;b&gt;&lt;i&gt;Quintana dos 8 aos 80&lt;/i&gt;&lt;/b&gt; é publicado em 1985, fazendo parte do Relatório da Diretoria da empresa SAMRIG, com texto analítico e pesquisa de Tânia Franco Carvalhal, fotos de Liane Neves e ilustrações de Liana Timm.       &lt;br /&gt;Ao completar 80 anos, em 1986, é publicada a coletânea &lt;b&gt;&lt;i&gt;80 Anos de Poesia&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;, organizada por Tânia Carvalhal, Editora Globo. Recebe o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade do Vale dos Sinos (UNISINOS) e pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). Lança &lt;b&gt;&lt;i&gt;Baú de Espantos&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;, pela Editora Globo, uma reunião de 99 poemas inéditos.       &lt;br /&gt;Em 1987, são publicados &lt;i&gt;&lt;b&gt;Da Preguiça como Método de Trabalho&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;, Editora Globo, uma coletânea de crônicas publicadas em &lt;i&gt;&lt;b&gt;Do Caderno H&lt;/b&gt;, &lt;/i&gt;e&lt;i&gt;&lt;b&gt;Preparativos de Viagem&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;, também pela Globo, reflexões do poeta sobre o mundo.       &lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;         &lt;br /&gt;Porta Giratória&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;, pela Editora Globo - Rio de Janeiro, é lançada em 1988, uma reunião de crônicas sobre o cotidiano, o tempo, a infância e a morte.       &lt;br /&gt;Em 1989 ocorre o lançamento de &lt;b&gt;&lt;i&gt;A Cor do Invisível&lt;/i&gt; &lt;/b&gt;pela Editora Globo - Rio de Janeiro. Recebe o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade de Campinas (UNICAMP) e pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). É eleito o Príncipe dos Poetas Brasileiros, entre escritores de todo o Brasil.       &lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;         &lt;br /&gt;Velório sem Defunto&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;, poemas inéditos, é lançado pela Mercado Aberto em 1990.       &lt;br /&gt;Em 1992, a editora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) reedita, em comemoração aos 50 anos de sua primeira publicação, &lt;b&gt;&lt;i&gt;A Rua dos Cataventos&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;.       &lt;br /&gt;Poemas inéditos são publicados no primeiro número da &lt;i&gt;Revista Poesia Sempre&lt;/i&gt;, da Fundação Biblioteca Nacional/Departamento Nacional do Livro, em 1993. Integra a antologia bilíngüe &lt;i&gt;Marco Sul/Sur - Poesia&lt;/i&gt;, publicada Editora Tchê!, que reúne a poesia de brasileiros, uruguaios e argentinos. Seu texto &lt;b&gt;&lt;i&gt;Lili Inventa o Mundo&lt;/i&gt;&lt;/b&gt; montado para o teatro infantil, por &lt;i&gt;Dilmar Messias&lt;/i&gt;. Treze de seus poemas são musicados pelo maestro &lt;i&gt;Gil de Rocca Sales&lt;/i&gt;, para o recital de canto Coral Quintanares - apresentado pela &lt;i&gt;Madrigal de Porto Alegre&lt;/i&gt; no dia 30 de julho (seu aniversário) na Casa de Cultura &lt;b&gt;Mario Quintana&lt;/b&gt;.       &lt;br /&gt;Alguns de seus textos são publicados na revista literária &lt;i&gt;Liberté&lt;/i&gt; - editada em Montreal, Quebec, Canadá - que dedicou seu 211&lt;sup&gt;o&lt;/sup&gt; número à literatura brasileira (junto com &lt;i&gt;Assis Brasil &lt;/i&gt;e &lt;i&gt;Moacyr Scliar&lt;/i&gt;), em 1994. Publicação de&lt;b&gt;&lt;i&gt;Sapato Furado&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;, pela editora FTD - antologia de poemas e prosas poéticas, infanto - juvenil. Publicação pelo IEL, de &lt;i&gt;Cantando o Imaginário do Poeta,&lt;/i&gt;espetáculo musical apresentado no Teatro Bruno Kiefer pelo Coral da Casa de Cultura &lt;b&gt;Mário Quintana&lt;/b&gt;, constituído de poemas&amp;#160; musicados pelo maestro&lt;i&gt;Adroaldo Cauduro&lt;/i&gt;, regente do mesmo Coral.       &lt;br /&gt;Falece, em Porto Alegre, no dia 5 de maio de 1994, próximo de seus 87 anos, o poeta e escritor &lt;b&gt;Mario Quintana&lt;/b&gt;.       &lt;br /&gt;Escreveu &lt;b&gt;Quintana:&lt;/b&gt;       &lt;br /&gt;&lt;i&gt;       &lt;br /&gt;&amp;quot;Amigos não consultem os relógios quando um dia me for de vossas vidas... Porque o tempo é uma invenção da morte: não o conhece a vida - a verdadeira - em que basta um momento de poesia para nos dar a eternidade inteira&amp;quot;&lt;/i&gt;.&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p&gt;   &lt;br /&gt;E, brincando com a morte: &lt;i&gt;&amp;quot;A morte é a libertação total: a morte é quando a gente pode, afinal, estar deitado de sapatos&amp;quot;&lt;/i&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;#160;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Fonte: &lt;a href="http://www.releituras.com/index.asp" target="_blank"&gt;Releituras&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1828449244272539790-8368211505168069960?l=blogcoisasnossas.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://blogcoisasnossas.blogspot.com/2009/09/mario-quintana.html</link><author>dullimi@gmail.com (Du)</author><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1828449244272539790.post-3239328681837635299</guid><pubDate>Thu, 03 Sep 2009 17:34:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-09-03T15:14:51.864-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Garantido</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">cultura amazonense</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Boi-bumbá</category><title /><description>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_FQTvlaqpcOo/SqACVAjj7CI/AAAAAAAAAH4/FtoLQ0nW-XM/s1600-h/garantido.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5377300515030035490" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 294px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_FQTvlaqpcOo/SqACVAjj7CI/AAAAAAAAAH4/FtoLQ0nW-XM/s320/garantido.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;"Acorda morena bela vem ver, o meu boi serenando no terreiro, &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;é assim mesmo que ele faz lá na fazenda, quando ele avista o vaqueiro".&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;O Boi vermelho e branco, o Garantido, boi-bumbá que disputa todos os anos contra o boi Caprichoso a consagragação no Festival Folclórico de Parintins, no Amazonas, tem uma história muito curiosa.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Monteverde ouvia muitas estórias do seu avô, ex-escravo de origem maranhense. Uma delas era a de um boi que dançava para divertir adultos e crianças. O boi era feito da carcaça (caveira) de uma rês morta, coberta com tecido. O corpo do boi terminava numa barra de tecido e a pessoa que fazia o boi dançar era chamada “tripa”. Além disso, havia toda uma história sobre o roubo da língua do boi que incluía o Pai Francisco, Mãe Catirina, o amo do boi e outras figuras. Era o ritual do boi. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5377301955971956002" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 105px; CURSOR: hand; HEIGHT: 120px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_FQTvlaqpcOo/SqADo4e4vSI/AAAAAAAAAIA/sHPIRH0Y6po/s320/105px-LindolfoMonteverde.jpg" border="0" /&gt; &lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Lindolfo fundou o boi-bumbá Garantido com a vontade de seguir a brincadeira que seu avô lhe ensinara, em 12 de junho de 1913, véspera do dia de Santo Antônio.O que começou como brincadeira junina, ficou mais séria quando, ao servir no Exército, Lindolfo ficou muito doente e fez uma promessa a São João Batista. Se ficasse bom, seu boizinho não deixaria de sair na rua enquanto ele vivesse. Ele ficou bom e o Boi-bumbá Garantido é conhecido entre os brincantes mais antigos como o “Boi da Promessa”. &lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Todos os anos, no Curral do Garantido, acontece a ladainha, que é uma reza oferecida a São João Batista, padroeiro do Boi-bumbá, no dia 24 de junho. Até hoje o Garantido sai pelas ruas de Parintins nos dias 12 de junho (véspera de Santo Antônio) e 24 de junho (São João) e dança na frente das casas que têm uma fogueira acesa. Antigamente, brincava também nos dias 29 (São Pedro) e 30 (São Marçal), hoje nestes dias se apresenta no Bumbódromo.&lt;/div&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Os brincantes do Garantido adotam as cores vermelha (do coração) e branca (a cor do boi).O Garantido já foi criado com o coração na testa, enquanto o Caprichoso adotou uma estrela na testa no ano de 1996. A fundação do Garantido deu-se na antiga estrada Terra Santa, hoje avenida Lindolfo Monteverde, onde se localiza o seu curral. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Dizem que a voz de Lindolfo, primeiro levantador de toadas e tirador de versos era tão possante e metálica que alcançava longa distância, isto sem utilizar qualquer aparelho sonoro. Suas toadas até hoje são conhecidas, aplaudidas e cantadas. Elas transmitem as saudades, os sonhos, as alegrias e os lamentos dos velhos tempos. &lt;/div&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Lindolfo Monteverde chamou o Bumbá de Garantido porque nos confrontos das ruas com os contrários (Campineiro, Galante, Caprichoso, etc.) a cabeça de seu boi nunca quebrava ou ficava pendente. Ele dizia que o Garantido “sempre saía inteiro, isso era garantido”. E acabou sendo esse o nome do boi de Lindolfo.&lt;/div&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5377302718067306338" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 214px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_FQTvlaqpcOo/SqAEVPgk72I/AAAAAAAAAII/wlBjpL_JlgA/s320/597-g.jpg" border="0" /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;O Garantido e Ana Paula, a atual sinhazinha do boi.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5377303498556069234" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 228px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_FQTvlaqpcOo/SqAFCrDmVXI/AAAAAAAAAIQ/M8airFYneTI/s320/Ritualxauara.jpg" border="0" /&gt; &lt;p align="center"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Lenda amazônica "Anhangá" (2008)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5377303932585759074" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 215px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_FQTvlaqpcOo/SqAFb78V0WI/AAAAAAAAAIY/K5rv7AGIeU4/s320/Ritualdeusescanibais2005.jpg" border="0" /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Ritual indígena "deuses canibais" (2005)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5377304548723269426" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 220px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_FQTvlaqpcOo/SqAF_zO-HzI/AAAAAAAAAIg/SSVPxglvHF8/s320/garantido.jpg" border="0" /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Garantido e Mãe Catirina (2009)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Fontes: &lt;a href="http://portalamazonia.globo.com/pscript/amazoniadeaaz/artigoAZ.php?idAz=236"&gt;Amazônia de A a Z&lt;/a&gt;, Artigo na &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Boi_Garantido"&gt;wikipédia&lt;/a&gt;, Canal &lt;a href="http://www.canalgarantido.com/"&gt;Garantido&lt;/a&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1828449244272539790-3239328681837635299?l=blogcoisasnossas.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://blogcoisasnossas.blogspot.com/2009/09/acorda-morena-bela-vem-ver-o-meu-boi.html</link><author>everton_vidal@yahoo.com.br (Éverton Vidal Azevedo)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://2.bp.blogspot.com/_FQTvlaqpcOo/SqACVAjj7CI/AAAAAAAAAH4/FtoLQ0nW-XM/s72-c/garantido.jpg" height="72" width="72" /><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">1</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1828449244272539790.post-7174853085879094480</guid><pubDate>Wed, 02 Sep 2009 16:12:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-09-02T13:13:28.203-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Vinícius de Moraes</category><title>Cronologia da Vida e da Obra de Vinícius de Moraes</title><description>&lt;p align="center"&gt;&lt;b&gt;&lt;img src="http://www.unerj.br/blogbiblioteca/wp-content/uploads/2009/06/vinicius.jpg" /&gt; &lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&lt;b&gt;1913&lt;/b&gt;     &lt;br /&gt;Nasce, em meio a forte temporal, na madrugada de 19 de outubro , no antigo nº 114 (casa já demolida) da rua Lopes Quintas, na Gávea, ao lado da chácara de seu avô materno, Antônio Burlamaqui dos Santos Cruz. São seus pais d. Lydia Cruz de Moraes e Clodoaldo Pereira da Silva Moraes, este, sobrinho do poeta, cronista e folclorista Mello Moraes Filho e neto do historiador Alexandre José de Mello Moraes.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&lt;b&gt;1916&lt;/b&gt;     &lt;br /&gt;A família muda-se para a rua Voluntários da Pátria, nº 192, em Botafogo, passando a residir com o aos avós paternos, d. Maria da Conceição de Mello Moraes e Anthero Pereira da Silva Moraes.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&lt;b&gt;1917&lt;/b&gt;     &lt;br /&gt;Nova mudança para a rua da Passagem, nº 100, ainda em Botafogo, onde nasce seu irmão Helius. Vinicius e sua irmã Lygia entram para a escola primária Afrânio Peixoto, à rua da Matriz.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&lt;b&gt;1919&lt;/b&gt;     &lt;br /&gt;Transfere-se para a rua 19 de fevereiro, nº 127&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&lt;b&gt;1920&lt;/b&gt;     &lt;br /&gt;Mudança para a rua Real Grandeza, nº130. Primeiras namoradas na escola Afrânio Peixoto. È batizado na maçonaria, por disposição de seu avô materno, cerimônia que lhe causaria grande impressão.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&lt;b&gt;1922&lt;/b&gt;     &lt;br /&gt;Última residência em Botafogo, na rua Voluntários da Pátria, nº 195. Impressão de deslumbramento com a exposição do Centenário da Independência do Brasil e de curiosidade com o levante do Forte de Copacabana, devido a uma bomba que explodiu perto de sua casa. Sua família transfere-se para a Ilha do Governador, na praia de Cocotá, nº 109-A, onde o poeta passa suas férias.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&lt;b&gt;1923&lt;/b&gt;     &lt;br /&gt;Faz sua primeira comunhão na Matriz da rua Voluntários da Pátria.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&lt;b&gt;1924&lt;/b&gt;     &lt;br /&gt;Inicia o Curso Secundário no Colégio Santo Inácio, na rua São Clemente.     &lt;br /&gt;Começa a cantar no coro do colégio, durante a missa de domingo. Liga-se de grande amizade a seus colegas Moacyr Veloso Cardoso de Oliveira e Renato Pompéia da Fonseca Guimarães, este, sobrinho de Raul Pompéia, com os quais escreve o &amp;quot;épico&amp;quot; escolar, em dez cantos, de inspiração camoniana: os acadêmicos.     &lt;br /&gt;A partir daí participa sempre das festividades escolares de encerramento do ano letivo, seja cantando, seja atuando nas peças infantis.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&lt;b&gt;1927&lt;/b&gt;     &lt;br /&gt;Conhece e torna-se amigos dos irmãos Paulo e Haroldo Tapajoz, com os quais começa a compor. Com eles, e alguns colegas do Colégio Santo Inácio, forma um pequeno conjunto musical que atua em festinhas, em casa de famílias conhecidas.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&lt;b&gt;1928&lt;/b&gt;     &lt;br /&gt;Compõe, com os irmãos Tapajoz, &amp;quot;Loura ou morena&amp;quot; e &amp;quot;Canção da noite&amp;quot;, que têm grande sucesso popular.     &lt;br /&gt;Por essa época, namora invariavelmente todas as amigas de sua irmã Laetitia.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&lt;b&gt;1929&lt;/b&gt;     &lt;br /&gt;Bacharela-se em Letras, no Santo Inácio. Sua família muda-se da Ilha do Governador para a casa contígua àquela onde nasceu, na rua Lopes Quintas, também já demolida.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&lt;b&gt;1930&lt;/b&gt;     &lt;br /&gt;Entra para a faculdade de Direito da rua do Catete, sem vocação especial. Defende tese sobre a vinda de d. João VI para o Brasil para ingressar no &amp;quot;Centro Acadêmico de Estudos Jurídicos e Sociais&amp;quot; (CAJU), onde se liga de amizade a Otávio de Faria, San Thiago Dantas, Thiers Martins Moreira, Antônio Galloti, Gilson Amado, Hélio Viana, Américo Jacobina Lacombe, Chermont de Miranda, Almir de Andrade e Plínio Doyle.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&lt;b&gt;1931&lt;/b&gt;     &lt;br /&gt;Entra para o Centro de Preparação de Oficiais da Reserva (CPOR).&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&lt;b&gt;1933&lt;/b&gt;     &lt;br /&gt;Forma-se em Direito e termina o Curso de Oficial de Reserva.     &lt;br /&gt;Estimulado por Otávio de Faria, publica seu primeiro livro, O caminho para a distância, na Schimidt Editora.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&lt;b&gt;1935&lt;/b&gt;     &lt;br /&gt;Publica Forma e exegese, com o qual ganha o prêmio Felipe d’Oliveira.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&lt;b&gt;1936&lt;/b&gt;     &lt;br /&gt;Publica, em separata, o poema &amp;quot;Ariana, a mulher&amp;quot;.     &lt;br /&gt;Substitui Prudente de Morais Neto, como representante do Ministério da Educação junto à Censura Cinematográfica.     &lt;br /&gt;Conhece Manuel Bandeira e Carlos Drummond de Andrade, dos quais se torna amigo.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&lt;b&gt;1938&lt;/b&gt;     &lt;br /&gt;Publica novos poemas e é agraciado com a primeira bolsa do Conselho Britânico para estudar língua e literatura inglesas na Universidade de Oxford (Magdalen College), para onde parte em agosto do mesmo ano.     &lt;br /&gt;Funciona como assistente do programa brasileiro da BBC.     &lt;br /&gt;Conhece, em casa de Augusto Frederico Schimidt, o poeta e músico Jayme Ovalle, de quem se torna um dos maiores amigos.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&lt;b&gt;1939&lt;/b&gt;     &lt;br /&gt;Casa-se por procuração com Beatriz Azevedo de Mello.     &lt;br /&gt;Regressa da Inglaterra em fins do mesmo ano, devido à eclosão da II Grande Guerra. Em Lisboa encontra seu amigo Oswald de Andrade com quem viaja para o Brasil.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&lt;b&gt;1940&lt;/b&gt;     &lt;br /&gt;Nasce sua primeira filha, Susana.     &lt;br /&gt;Passa longa temporada em São Paulo, onde se liga de amizade com Mário de Andrade.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&lt;b&gt;1941&lt;/b&gt;     &lt;br /&gt;Começa a fazer jornalismo em A Manhã, como crítico cinematográfico e a colaborar no Suplemento Literário ao lado de Rineiro Couto, Manuel Bandeira, Cecília Meireles e Afonso Arinos de Melo Franco, sob a orientação de Múcio Leão e Cassiano Ricardo.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&lt;b&gt;1942&lt;/b&gt;     &lt;br /&gt;Inicia seu debate sobre cinema silencioso e cinema sonoro, a favor do primeiro, com Ribeiro Couto, e em seguida com a maioria dos escritores brasileiros mais em voga, e do qual participam Orson Welles e madame Falconetti.     &lt;br /&gt;Nasce seu filho Pedro.     &lt;br /&gt;A convite do então prefeito Juscelino Kubitschek, chefia uma caravana de escritores brasileiros a Belo Horizonte, onde se liga de amizade com Otto Lara Rezende, Fernando Sabino, Hélio Pelegrino e Paulo Mendes Campos.     &lt;br /&gt;Inicia, com seus amigos Rubem Braga e Moacyr Werneck de Castro, a roda literária do Café Vermelhinho, à qual se misturam a maioria dos jovens arquitetos e artistas plásticos da época, como Oscar Niemeyer, Carlos Leão, Afonso Reidy, Jorge Moreira, José Reis, Alfredo Ceschiatti, Santa Rosa, Pancetti, Augusto Rodrigues, Djanira, Bruno Giorgi.     &lt;br /&gt;Freqüenta, nessa época, as domingueiras em casa de Aníbal Machado.     &lt;br /&gt;Conhece e se torna amigo da escritora Argentina Maria Rosa Oliver, através da qual conhece Gabriela Mistral.     &lt;br /&gt;Faz uma extensa viagem ao Nordeste do Brasil acompanhando o escritor americano Waldo Frank, a qual muda radicalmente sua visão política, tornando-se um antifacista convicto. Na estada em Recife, conhece o poeta João Cabral de Melo Neto, de quem se tornaria, depois, grande amigo.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&lt;b&gt;1943&lt;/b&gt;     &lt;br /&gt;Publica suas Cinco elegias, em edição mandada fazer por Manuel Bandeira, Aníbal Machado e Otávio de Faria.     &lt;br /&gt;Ingressa, por concurso, na carreira diplomática.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&lt;b&gt;1944&lt;/b&gt;     &lt;br /&gt;Dirige o Suplemento Literário de O Jornal, onde lança, entre outros, Oscar Niemeyer, Pedro Nava, Marcelo Garcia, francisco de Sá Pires, Carlos Leão e Lúcio Rangel, em colunas assinadas, e publica desenhos de artistas plásticos até então pouco conhecidos, como Carlos Scliar, Athos Bulcão, Alfredo Ceschiatti, Eros (Martim) Gonçalves, Arpad Czenes e Maria Helena Vieira da Silva.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&lt;b&gt;1945&lt;/b&gt;     &lt;br /&gt;Colabora em vários jornais e revistas, como articulista e crítico de cinema.     &lt;br /&gt;Faz amizade com o poeta Pablo Neruda.     &lt;br /&gt;Sofre um grave desastre de avião na viagem inaugural do hidro Leonel de Marnier, perto da cidade de Rocha, no Uruguai. Em sua companhia estão Aníbal Machado e Moacir Werneck de Castro.     &lt;br /&gt;Faz crônicas diárias para o jornal Diretrizes.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&lt;b&gt;1946&lt;/b&gt;     &lt;br /&gt;Parte para Los Angeles, como vice-cônsul, em seu primeiro posto diplomático. Ali permanece por cinco anos sem voltar ao Brasil.     &lt;br /&gt;Publica em edição de luxo, ilustrada por Carlos Leão, seu livro, Poemas, sonetos e baladas.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&lt;b&gt;1947&lt;/b&gt;     &lt;br /&gt;Em Los angeles, estuda cinema com Orson Welles e Gregg Toland. Lança, com Alex Viany, a revista Film.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;1949    &lt;br /&gt;João Cabral de Melo Neto tira, em sua prensa mensal, em Barcelona, uma edição de cinqüenta exemplares de seu poema &amp;quot;Pátria minha&amp;quot;.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&lt;b&gt;1950&lt;/b&gt;     &lt;br /&gt;Viagem ao México para visitar seu amigo Pablo Neruda, gravemente enfermo. Ali conhece o pintor David Siqueiros e reencontra seu grande amigo, o pintor Di Cavalcanti.     &lt;br /&gt;Morre seu pai.     &lt;br /&gt;Retorno ao brasil.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&lt;b&gt;1951&lt;/b&gt;     &lt;br /&gt;Casa-se pela segunda vez com Lila Maria Esquerdo e Bôscoli.     &lt;br /&gt;Começa a colaborar no jornal Última Hora, a convite de Samuel Wainer, como cronista diário e posteriormente crítico de cinema.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&lt;b&gt;1952&lt;/b&gt;     &lt;br /&gt;Visita, fotografa e filma, com seus primos, Humberto e José Francheschi, as cidades mineiras que compõe o roteiro do Aleijadinho, com vistas à realização de um filme sobre a vida do escultor que lhe for a encomendado pelo diretor Alberto Cavalcanti.     &lt;br /&gt;É nomeado delegado junto ao festival de Punta Del Leste, fazendo paralelamente sua cobertura para o Última Hora. Parte logo depois para a Europa, encarregado de estudar a organização dos festivais de cinema de Cannes, Berlim, Locarno e Veneza, no sentido da realização dos Festival de Cinema de São Paulo, dentro das comemorações do IV Centenário da cidade.     &lt;br /&gt;Em Paris, conhece seu tradutor francês, Jean Georges Rueff, com quem trabalha, em Estrasburgo, na tradução de suas Cinco elegias.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&lt;b&gt;1953&lt;/b&gt;     &lt;br /&gt;Nasce sua filha Georgiana.     &lt;br /&gt;Colabora no tablóide semanário Flan, de Última Hora, sob direção de Joel Silveira.     &lt;br /&gt;Aparece a edição francesa das Cinq élégies, em edição de Pierre Seghers.     &lt;br /&gt;Liga-se de amizade com o poéta cubano Nicolás Guillén.     &lt;br /&gt;Compõe seu primeiro samba, música e letra, &amp;quot;Quando tú passas por mim&amp;quot;.     &lt;br /&gt;Faz crônicas diárias para o jornal A Vanguarda, a convite de Joel Silveira.     &lt;br /&gt;Parte para Paris como segundo secretário de Embaixada.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&lt;b&gt;1954&lt;/b&gt;     &lt;br /&gt;Sai a primeira edição de sua Antologia Poética. A revista Anhembi publica sua peça Orfeu da Conceição, premiada no concurso de teatro do IV Centenário do Estado de São Paulo.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&lt;b&gt;1955&lt;/b&gt;     &lt;br /&gt;Compões em Paris uma série de canções de câmara com o maestro Cláudio Santoro. Começa a trabalhar para o produtor Sasha Gordine, no roteiro do filme Orfeu Negro. No fim do ano vem com ele ao Brasil, por uma curta estada, para conseguir financiamento para a produção da película, o que não consegue, regressando em fins de dezembro a Paris.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&lt;b&gt;1956&lt;/b&gt;     &lt;br /&gt;Volta ao Brasil em gozo de licença-prêmio.     &lt;br /&gt;Nasce sua terceira filha, Luciana.     &lt;br /&gt;Colabora no quinzenário Para Todos a convite de seu amigo Jorge amado, em cujo primeiro número publica o poema &amp;quot;O operário em construção&amp;quot;.     &lt;br /&gt;Paralelamente aos trabalhos da produção do filme Orfeu Negro, tem o ensejo de encenar sua peça Orfeu da Conceição, no Teatro Municipal, que aparece também em edição comemorativa de luxo, ilustrada por Carlos Scliar.     &lt;br /&gt;Convida Antônio Carlos Jobim para fazer a música do espetáculo, iniciando com ele a parceria que, logo depois, com a inclusão do cantor e violonista João Gilberto, daria início ao movimento de renovação da música popular brasileira que se convencionou chamar de bossa nova.     &lt;br /&gt;Retorna ao poste, em Paris, no fim do ano.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&lt;b&gt;1957&lt;/b&gt;     &lt;br /&gt;É transferido da Embaixada em Paris para a Delegação do Brasil junto à UNESCO. No fim do ano é removido para Montevidéu, regressando, em trânsito, ao Brasil.     &lt;br /&gt;Publica a primeira edição de seu Livro de Sonetos, em edição de Livros de Portugal.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&lt;b&gt;1958&lt;/b&gt;     &lt;br /&gt;Sofre um grave acidente de automóvel. Casa-se com Maria Lúcia Proença. Parte para Montevidéu. Sai o LP Canção do Amor Demais, de músicas suas com Antônio Carlos Jobim, cantadas por Elizete Cardoso. No disco ouve-se, pela primeira vez, a batida da bossa novas, no violão de João Gilberto, que acompanha a cantora em algumas faixas, entre as quais o samba &amp;quot;Chega de Saudade&amp;quot;, considerado o marco inicial do movimento.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&lt;b&gt;1959&lt;/b&gt;     &lt;br /&gt;Sai o Lp Por Toda Minha Vida, de canções suas com Jobim, pela cantora Lenita Bruno.     &lt;br /&gt;O filme Orfeu negro ganha a Palme d’Or do Festival de Cannes e o Oscar, de Hollywood, como melhor filme estrangeiro do ano.     &lt;br /&gt;Aparece o seu livro Novos poemas II.     &lt;br /&gt;Casa-se sua filha Susana.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&lt;b&gt;1960&lt;/b&gt;     &lt;br /&gt;Retorna à Secretria do Estado das Relações Exteriores.     &lt;br /&gt;Em novembro, nasce seu neto, Paulo.     &lt;br /&gt;Sai a segunda edição de sua Antologia Poética, pela Editora de Autor; a edição popular da peça Orfeu da Conceição, pela livraria São José e Recette de Femme et autres poèmes, tradução de Jean-Georges Rueff, em edição Seghers, na coleção Autour du Monde.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&lt;b&gt;1961&lt;/b&gt;     &lt;br /&gt;Começa a compor com Carlos Lira e Pixinguinha.     &lt;br /&gt;Aparece Orfeu Negro, em tradução italiana de P.A. Jannini, pela Nuova Academia Editrice, de Milão.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&lt;b&gt;1962&lt;/b&gt;     &lt;br /&gt;Começa a compor com Baden Powell, dando inicio à série de afro-sambas, entre os quais, &amp;quot;Berimbau&amp;quot; e &amp;quot;Canto de Ossanha&amp;quot;.     &lt;br /&gt;Compõe, com música de Carlos Lyra, as canções de sua comédia-musicada Pobre menina rica.     &lt;br /&gt;Em agosto, faz seu primeiro show, de larga repercussão, com Antônio Carlos Jobim e João Gilbert,na boate AuBom Gourmet, que daria início aos chamados pocket-shows, e onde foram lançados pela primeira vez grandes sucessos internacionais como &amp;quot;Garota de Ipanema&amp;quot; e o &amp;quot;Samba da bênção&amp;quot;     &lt;br /&gt;Show com Carlos Lyra,na mesma boate, para apresentar Pobre menina rica e onde é lançada a cantora Nara Leão.     &lt;br /&gt;Compõe com Ari Barroso as últimas canções do grande compositor popular, entre as quais &amp;quot;Rancho das namoradas&amp;quot;.     &lt;br /&gt;Aparece a primeira edição de Para viver um grande amor, pela Editora do Autor, livro de crônicas e poemas.     &lt;br /&gt;Grava, como cantor, seu disco com a atriz e cantora Odete Lara.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&lt;b&gt;1963&lt;/b&gt;     &lt;br /&gt;Começa a compor com Edu Lobo.     &lt;br /&gt;Casa-se com Nelita Abreu Rocha e parte em posto para Paris, na delegação do Brasil junto a UNESCO.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&lt;b&gt;1964&lt;/b&gt;     &lt;br /&gt;Regressa de Paris e colabora com crônicas semanais para a revista Fatos e Fotos, assinando paralelamente crônicas sobre música popular para o Diário Carioca.     &lt;br /&gt;Começa a compor com Francis Hime.     &lt;br /&gt;Faz show de grande sucesso com o compositor e cantor Dorival Caymmi, na boate Zum-Zum, onde lança o Quarteto em Cy. Do show é feito um LP.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&lt;b&gt;1965&lt;/b&gt;     &lt;br /&gt;Sai Cordélia e o peregrino, em edição do Serviço de Documentação do Ministério da Educação e Cultura.     &lt;br /&gt;Ganha o primeiro e o segundo lugares do I Festival de Música Popular de São Paulo, da TV Record, em canções de parceria com Edu Lobo e Baden Powell.     &lt;br /&gt;Parte para Paris e St.Maxime para escrever o roteiro do filme Arrastão, indispondo-se, subseqüentemente, com seu diretor, e retirando suas músicas do filme. De Paris voa para Los Angeles a fim de encontrar-se com seu parceiro Antônio Carlos Jobim.     &lt;br /&gt;Muda-se de Copacabana para o Jardim Botânico, à rua Diamantina, nº20.     &lt;br /&gt;Começa a trabalhar com o diretor Leon Hirszman, do Cinema Novo, no roteiro do filme Garota de Ipanema.     &lt;br /&gt;Volta ao show com Caymmi, na boate Zum-Zum.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&lt;b&gt;1966&lt;/b&gt;     &lt;br /&gt;São feitos documentários sobre o poeta pelas televisões americana, alemã, italiana e francesa, sendo que os dois últimos realizados pelos diretores Gianni Amico e Pierre Kast.     &lt;br /&gt;Aparece seu livro de crônicas Para uma menina com uma flor pela Editora do Autor.     &lt;br /&gt;Seu &amp;quot;Samba da bênção&amp;quot;, de parceria com Baden Powell, é incluída, em versão de compositor e ator Pierre Barouh, no filme Un homme… une femme, vencedor do Festival de Cannes do mesmo ano.     &lt;br /&gt;Participa do jurí do mesmo festival.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&lt;b&gt;1967&lt;/b&gt;     &lt;br /&gt;Aparecem, pela Editora Sabiá, a 6ª edição de sua Antologia poética e a 2ª do seu Livro de sonetos (aumentada).     &lt;br /&gt;É posto à disposição do governo de Minas Gerais no sentido de estudar a realização anual de um Festival de Arte em Ouro Preto, cidade à qual faz freqüentes viagens.     &lt;br /&gt;Faz parte do jurí do Festival de Música Jovem, na Bahia.     &lt;br /&gt;Estréia do filme Garota de Ipanema.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&lt;b&gt;1968&lt;/b&gt;     &lt;br /&gt;Falece sua mãe no dia 25 de fevereiro.     &lt;br /&gt;Aparece a primeira edição de sua Obra poética, pela Companhia José Aguilar Editora.     &lt;br /&gt;Poemas traduzidos para o italiano por Ungaretti.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&lt;b&gt;1969&lt;/b&gt;     &lt;br /&gt;É exonerado do Itamaraty.     &lt;br /&gt;Casa-se com Cristina Gurjão.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&lt;b&gt;1970&lt;/b&gt;     &lt;br /&gt;Casa-se com a atriz baiana Gesse Gessy.     &lt;br /&gt;Nasce Maria, sua quarta filha.     &lt;br /&gt;Início da parceria com Toquinho.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&lt;b&gt;1971&lt;/b&gt;     &lt;br /&gt;Muda-se para a Bahia.     &lt;br /&gt;Viagem para Itália.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&lt;b&gt;1972&lt;/b&gt;     &lt;br /&gt;Retorna à Itália com Toquinho onde gravam o LP Per vivere un grande amore.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&lt;b&gt;1973&lt;/b&gt;     &lt;br /&gt;Publica &amp;quot;A Pablo Neruda&amp;quot;.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&lt;b&gt;1974&lt;/b&gt;     &lt;br /&gt;Trabalha no roteiro, não concretizado, do filme Polichinelo.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&lt;b&gt;1975&lt;/b&gt;     &lt;br /&gt;Excursiona pela Europa. Grava, com Toquinho, dois discos na Itália.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&lt;b&gt;1976&lt;/b&gt;     &lt;br /&gt;Escreve as letras de &amp;quot;Deus lhe pague&amp;quot;, em parceria com Edu Lobo.     &lt;br /&gt;Casa-se com Marta Rodrihues Santamaria.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&lt;b&gt;1977&lt;/b&gt;     &lt;br /&gt;Grava um LP em Paris, com Toquinho.     &lt;br /&gt;Show com Tom, Toquinho e Miúcha, no Canecão.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&lt;b&gt;1978&lt;/b&gt;     &lt;br /&gt;Excursiona pela Europa com Toquinho.     &lt;br /&gt;Casa-se com Gilda de Queirós Mattoso, que conhecera em Paris.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&lt;b&gt;1979&lt;/b&gt;     &lt;br /&gt;Leitura de poemas no Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo, a convite do líder sindical Luís Inácio da Silva.     &lt;br /&gt;Voltando de viagem à Europa, sofre um derrame cerebral no avião. Perdem-se, na ocasião, os originais de Roteiro lírico e sentimental da Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&lt;b&gt;1980&lt;/b&gt;     &lt;br /&gt;É operado a 17 de abril, para a instalação de um dreno cerebral.     &lt;br /&gt;Morre, na manhã de 9 de julho, de edema pulmonar, em sua casa, na Gávea, em companhia de Toquinho e de sua última mulher.     &lt;br /&gt;Extraviam-se os originais de seu livro O dever e o haver.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&amp;#160;&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&lt;a href="http://www.viniciusdemoraes.com.br/" target="_blank"&gt;Site Oficial&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1828449244272539790-7174853085879094480?l=blogcoisasnossas.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://blogcoisasnossas.blogspot.com/2009/09/cronologia-da-vida-e-da-obra-de.html</link><author>dullimi@gmail.com (Du)</author><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1828449244272539790.post-1346950634530808156</guid><pubDate>Sat, 29 Aug 2009 14:13:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-08-29T12:15:04.783-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Mário de Andrade</category><title>A poesia de Mário de Andrade</title><description>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_FQTvlaqpcOo/Spk-BTOqc1I/AAAAAAAAAHo/4qRDL-RxhDU/s1600-h/Mario+de+Andrade.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5375395822305964882" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 292px; CURSOR: hand; HEIGHT: 280px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_FQTvlaqpcOo/Spk-BTOqc1I/AAAAAAAAAHo/4qRDL-RxhDU/s320/Mario+de+Andrade.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mário Raul de Morais Andrade é por muitos considerado a maior figura do nosso modernismo inicial. Nasceu em São Paulo, em 9 de outubro de 1893 e faleceu no dia 25 de fevereiro de 1945. Não deixou nome somente como poeta, mas também como crítico literário, ficcionista e estudioso de folclore, música e artes plásticas. Sob o pseudônimo de Mário Sobral publicou em 1917 seu primeiro livro, "&lt;em&gt;Há Uma Gota de Sangue em Cada Poema"&lt;/em&gt;, de caráter antigermânico (estava-se na 1ª Grande Guerra), onde já demonstrava sinais de inconformação, embora não se destaque em originalidade. Mas poema de Vanguarda, mesmo escreveu-o em dezembro de 1920, &lt;em&gt;Paulicéia Desvairada&lt;/em&gt;, “chuço dourado” que se cravou no coração do “passadismo” e que Oswald de Andrade tomou como obra futurista, no sentido de inovadora. O “Papa do novo Credo”, como foi chamado por Menotti Del Picchia, antecedeu a Paulicéia Desvairada com um “&lt;em&gt;prefácio interessantíssimo&lt;/em&gt;” no qual expôs suas idéias de que poesia nao era apenas lirismo, mas lirismo somado à arte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O livro seguinte de Mário, "&lt;em&gt;A Escrava que não é Isaura"&lt;/em&gt;, também é de teoria poética; O "&lt;em&gt;Losango Cáqui"&lt;/em&gt;, de versos, foi bastante atacado, pois julgaram alguns que não representava o Modernismo: assim Sérgio Milliet. Observa Manuel Bandeira, contudo, que nesse livro em que “o poeta se inebriou de manhã e de imprevistos” há uma frescura de sensações e de imagens sem igual na obra restante do autor – e o livro é de fato um hino às sensações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em "&lt;em&gt;Clã do Jabuti&lt;/em&gt;" há o aproveitamento de raízes populares, indígenas ou históricas, e surge a nota da solidariedade humana, que marcaria agudamente o fim da vida do poeta; em "&lt;em&gt;Remate de Males&lt;/em&gt;" Mário já está muito longe do desvairismo do início: atinge uma expressão simples e densa, sem nada de “arlequinal”, e depois disso o que há a ressaltar é que a poesia de Mário se fêz definitivamente solidária, interessada pelo destino e pela dignidade da vida dos homens. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;Inspiração&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;“Onde até na força do verão havia&lt;br /&gt;tempestades de ventos e frios de&lt;br /&gt;crudelíssimo inverno.”&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Fr. Luís de Sousa&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;São Paulo! Comoção de minha vida...&lt;br /&gt;Os meus amores são flores feitas de original...&lt;br /&gt;Arlequinal!... Traje de losangos... Cinza e ouro...&lt;br /&gt;Luz e bruma... Forno e inverno morno...&lt;br /&gt;Elegâncias sutis sem escândalos, sem ciúmes...&lt;br /&gt;Perfumes de Paris... Arys!&lt;br /&gt;Bofetadas líricas no Trianon... Algodoal!...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São Paulo! Comoção de minha vida...&lt;br /&gt;Galicismo a berrar nos desertos da América!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;Lundu do escritor&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;difícil&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu sou um escritor difícil&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Que a muita gente enquizila,&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Porém essa culpa é fácil&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;De se acabar duma vez:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É só tirar a cortina&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Que entra luz nesta escurez.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Cortina de brim caipora,&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Com teia caranguejeira&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E enfeite ruim de caipira,&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Fale fala brasileira&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Que você enxerga bonito&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tanta luz nesta capoeira&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tal-e-qual numa gupiara.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Misturo tudo num saco,&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas gaúcho maranhense&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Que pára no Mato Grosso,&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Bate este angu de caroço&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ver sopa de caruru;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A vida é mesmo um buraco, &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Bobo é quem não é tatu!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu sou um escritor difícil, &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Porém culpa de quem é!...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Todo difícil é fácil, &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Abasta a gente saber.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Bajé, pixé, chué, ôh "xavié"&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;De tão fácil virou fóssil, &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O difícil é aprender!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Virtude de urubutinga&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;De enxergar tudo de longe!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não carece vestir tanga&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Pra penetrar meu caçanje!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Você sabe o francês "singe"&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas não sabe o que é guariba?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;— Pois é macaco, seu mano, &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Que só sabe o que é da estranja.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;A serra do rola-moça&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A Serra do Rola-Moça&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não tinha esse nome não...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eles eram do outro lado,&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Vieram na vila casar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E atravessaram a serra,&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O noivo com a noiva dele&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Cada qual no seu cavalo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Antes que chegasse a noite&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Se lembraram de voltar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Disseram adeus pra todos&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E se puseram de novo&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Pelos atalhos da serra&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Cada qual no seu cavalo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Os dois estavam felizes,&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Na altura tudo era paz.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Pelos caminhos estreitos&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ele na frente, ela atrás.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E riam. Como eles riam!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Riam até sem razão.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A Serra do Rola-Moça&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não tinha esse nome não.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;As tribos rubras da tarde&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Rapidamente fugiam&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E apressadas se escondiam&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Lá embaixo nos socavões,&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Temendo a noite que vinha.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Porém os dois continuavam&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Cada qual no seu cavalo,&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E riam. Como eles riam!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E os risos também casavam&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Com as risadas dos cascalhos,&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Que pulando levianinhos&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Da vereda se soltavam,&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Buscando o despenhadeiro.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ali, Fortuna inviolável!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O casco pisara em falso.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Dão noiva e cavalo um salto&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Precipitados no abismo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nem o baque se escutou.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Faz um silêncio de morte,&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Na altura tudo era paz ...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Chicoteado o seu cavalo,&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;No vão do despenhadeiro&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O noivo se despenhou.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E a Serra do Rola-Moça&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Rola-Moça se chamou.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;Descobrimento&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Abancado à escrivaninha em São Paulo&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Na minha casa da rua Lopes Chaves&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;De supetão senti um friúme por dentro.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Fiquei trêmulo, muito comovido&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Com o livro palerma olhando pra mim.&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não vê que me lembrei que lá no Norte, meu Deus! &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;muito longe de mim&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Na escuridão ativa da noite que caiu&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Um homem pálido magro de cabelo escorrendo nos olhos,&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Depois de fazer uma pele com a borracha do dia,&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Faz pouco se deitou, está dormindo.&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Esse homem é brasileiro que nem eu.&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;***&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Fontes da pesquisa: &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;- Péricles Eugênio da Silva Ramos. &lt;em&gt;Poesia Moderna: Antologia&lt;/em&gt;. Melhoramentos - São Paulo (1967).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;- Mário de Andrade no site &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.releituras.com/marioandrade_bio.asp"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Releituras&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1828449244272539790-1346950634530808156?l=blogcoisasnossas.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://blogcoisasnossas.blogspot.com/2009/08/poesia-de-mario-de-andrade.html</link><author>everton_vidal@yahoo.com.br (Éverton Vidal Azevedo)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://3.bp.blogspot.com/_FQTvlaqpcOo/Spk-BTOqc1I/AAAAAAAAAHo/4qRDL-RxhDU/s72-c/Mario+de+Andrade.bmp" height="72" width="72" /><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1828449244272539790.post-5104964867826469747</guid><pubDate>Thu, 27 Aug 2009 17:28:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-08-27T14:29:18.418-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Castro Alves</category><title>Castro Alves</title><description>&lt;p&gt;&lt;img style="display: block; float: none; margin-left: auto; margin-right: auto" src="http://noitesevagalumes.zip.net/images/ch056d.jpg" width="392" height="323" /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Aos quatorze dias do mês de março, no ano de 1847, nasceu Antônio de Castro Alves, na fazenda Cabaceiras, a sete léguas da vila de Curralinho, hoje cidade de Castro Alves. Era filho do Dr. Antônio José Alves e D. Clélia Brasília da Silva Castro. Passou a infância no sertão natal, e em 54 iniciou os estudos na capital baiana. Aos dezesseis anos foi mandado para o Recife. Ia completar os preparatórios para se habilitar à matrícula na Academia de Direito. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A liberdade aos 16 anos é coisa perigosa. O poeta achou a cidade insípida. Como ocupava os seus dias? Disse-o em carta a um amigo da Bahia: &amp;quot;Minha vida passo-a aqui numa rede olhando o telhado, lendo pouco fumando muito. O meu ‘cinismo’ passa a misantropia. Acho-me bastante afetado do peito, tenho sofrido muito. Esta apatia mata-me. De vez em quando vou à Soledade.&amp;quot; Que era a Soledade? Um bairro do Recife, onde o poeta tinha uma namorada. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;O resultado dessa vadiagem foi a reprovação no exame de geometria. Mas em 64 consegue o adolescente matricular-se no Curso Jurídico. Se era tido por mau estudante, já começava a ser notado como poeta. Em 62 escrevera o poema &amp;quot;A Destruição de Jerusalém&amp;quot;, em 63 &amp;quot;Pesadelo&amp;quot;, &amp;quot;Meu Segredo&amp;quot;, já inspirado pela atriz Eugênia Câmara, &amp;quot;Cansaço&amp;quot;, &amp;quot;Noite de Amor&amp;quot;, &amp;quot;A Canção do Africano&amp;quot; e outros. Tudo isso era, verdade seja, poesia muito ruim ainda. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;O menino atirava alto. &amp;quot;A poesia&amp;quot;, dizia, &amp;quot;é um sacerdócio — seu Deus, o belo — seu tributário, o Poeta.&amp;quot; O Poeta derramando sempre uma lágrima sobre as dores do mundo. &amp;quot;É que&amp;quot;, acrescentava, &amp;quot;para chorar as dores pequenas, Deus criou a afeição, para chorar a humanidade — a poesia.&amp;quot; Mas, no dia 9 de novembro de 1864, ao toque da meia-noite, na sotéia em que morava, o poeta, que sem dúvida se balançava na rede, fumando muito, sentiu doer-lhe o peito, e um pressentimento sinistro passou-lhe na alma. Pela primeira vez ia beber inspiração nas fontes da grande poesia: essa a importância do poema &amp;quot;Mocidade e Morte&amp;quot; na obra de Castro Alves. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Uma dor individual, dessas para as quais &amp;quot;Deus criou a afeição&amp;quot;, despertou no poeta os acentos supremos, que ele depois saberá estender às dores da humanidade, aos sofrimentos dos negros escravos (O Navio Negreiro), ao martírio de todo um continente (Vozes d'África). Não era mais o menino que brincava de poesia, era já o poeta-condor, que iniciava os seus vôos nos céus da verdadeira poesia. Naquela mesma noite escreve o poema, tema pessoal, logo alargado na antítese mocidade-morte, a mocidade borbulhante de gênio, sedenta de justiça, de amor e de glória, dolorosamente frustrada pela morte sete anos depois.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A versão primitiva do Poema foi conservada em autógrafo, documento precioso porque revela duas coisas: o poeta não se contentava com a forma em que lhe saíam os versos no primeiro momento da inspiração; na tarefa de os corrigir e completar procedia com segura intuição e fino gosto. Cotejada a primeira versão com a que foi publicada pelo poeta em São Paulo, por volta de 68-69, verifica-se que todas as emendas foram para melhor. Baste um exemplo: o sexto verso da segunda oitava era na primeira versão &amp;quot;Adornada&amp;quot; com os prantos do arrebol, substituído na definitiva por &amp;quot;Que&amp;quot; banharam de prantos as alvoradas, verso que forma com o anterior um dístico de raro sortilégio verbal.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;quot;vem! formosa mulher — camélia pálida,    &lt;br /&gt;Que banharam de pranto as alvoradas&amp;quot;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Quase a meio do curso, em 67, o poeta, apaixonado pela portuguesa Eugênia Câmara, parte com ela para a Bahia, onde faz representar um mau drama em prosa — &amp;quot;Gonzaga&amp;quot; ou a &amp;quot;Revolução de Minas&amp;quot;. Era sua intenção concluir o bacharelato em São Paulo, aonde chegou no ano seguinte. A sua passagem pelo Rio assinalou-se pelos mesmos triunfos já alcançados em Pernambuco. Em São Paulo, nos fins de 68, feriu-se num pé com um tiro acidental por ocasião de uma caçada, do que resultou longa enfermidade, em que teve o poeta que se submeter a várias intervenções cirúrgicas e finalmente à amputação do pé. O depauperamento das forças conduziu-o à tuberculose pulmonar, a que sucumbiu em 71 no sertão de sua província natal. Antes de regressar a ela, publicara, em 70, o livro &amp;quot;Espumas Flutuantes&amp;quot;, cantos por ele definidos como rebentando por vezes, ao estalar fatídico do látego da desgraça&amp;quot;, refletindo por vezes &amp;quot;o prisma fantástico da ventura ou do entusiasmo&amp;quot;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Vulgarmente melodramático na desgraça, simples e gracioso na ventura, o que constituía o genuíno clima poético de Castro Alves era o entusiasmo da mocidade apaixonada pelas grandes causas da liberdade e da justiça — as lutas da Independência na Bahia, a insurreição dos negros de Palmares, o papel civilizador da imprensa, e acima de todas a campanha contra a escravidão. Mas este último tema não figurava nas &amp;quot;Espumas Flutuantes&amp;quot;. As composições em que o tratava deveriam formar o poema &amp;quot;Os Escravos&amp;quot;, o qual teria como remate &amp;quot;A Cachoeira de Paulo Afonso&amp;quot;, publicada postumamente. Deixava ainda o poeta outras poesias avulsas, que era seu propósito reunir em outro livro intitulado &amp;quot;Hinos do Equador&amp;quot;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Ao livro &amp;quot;Os Escravos&amp;quot; pertenceriam &amp;quot;Vozes d'África&amp;quot; e &amp;quot;O Navio Negreiro&amp;quot;, os dois poemas em que o poeta atingiu a maior altura de seu estro. O primeiro é uma soberba apóstrofe do continente escravizado, a implorar justiça de Deus. O que indignava o poeta era ver que o Novo Mundo, &amp;quot;talhado para as grandezas, pra crescer, criar, subir&amp;quot;, a América, que conquistara a liberdade com formidável heroísmo, se manchava no mesmo crime da Europa.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;No &amp;quot;O Navio Negreiro&amp;quot; evocava o poeta os sofrimentos dos negros na travessia da África para o Brasil. Sabe-se que os infelizes vinham amontoados no porão e só subiam ao convés uma vez ao dia para o exercício higiênico, a dança forçada sob o chicote dos capatazes.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Em Castro Alves cumpre distinguir o lírico amoroso, que se exprimia quase sempre sem ênfase e às vezes com exemplar simplicidade, como no formoso quadro do poema &amp;quot;Adormecida&amp;quot;, o poeta descritivo, pintando com admirável verdade e poesia a nossa paisagem, tal em &amp;quot;O Crepúsculo Sertanejo&amp;quot;, cumpre distingui-lo do épico social desmedindo-se em violentas antíteses, em retumbantes onomatopéias. A este último aspecto há que levar em conta a intenção pragmática dos seus cantos, escritos para serem declamados na praça pública, em teatros ou grandes salas —, verdadeiros discursos de poeta-tribuno. E há que reconhecer nele, mau grado os excessos e o mau-gosto ocasional, a maior força verbal e a inspiração mais generosa de toda a poesia brasileira.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;#160;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;font size="3"&gt;O fantasma e a canção&lt;/font&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;font size="3"&gt;&lt;/font&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p align="right"&gt;Orgulho! desce os olhos dos céus    &lt;br /&gt;sobre ti mesmo, e vê como os nomes     &lt;br /&gt;mais poderosos vão se refugiar numa canção.     &lt;br /&gt;BYRON.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;#160;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;— Quem bate? — &amp;quot;A noite é sombria!&amp;quot;    &lt;br /&gt;— Quem bate? — &amp;quot;É rijo o tufão! ...     &lt;br /&gt;Não ouvis? a ventania     &lt;br /&gt;Ladra à lua como um cão.&amp;quot;     &lt;br /&gt;— Quem bate? — &amp;quot;0 nome qu'importa?     &lt;br /&gt;Chamo-me dor... abre a porta!     &lt;br /&gt;Chamo-me frio... abre o lar!     &lt;br /&gt;Dá-me pão... chamo-me fome!     &lt;br /&gt;Necessidade é o meu nome!&amp;quot;     &lt;br /&gt;— Mendigo! podes passar!&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;   &lt;br /&gt;&amp;quot;Mulher, se eu falar, prometes     &lt;br /&gt;A porta abrir-me?&amp;quot; — Talvez.     &lt;br /&gt;— &amp;quot;Olha... Nas cãs deste velho     &lt;br /&gt;Verás fanados lauréis.     &lt;br /&gt;Há no meu crânio enrugado     &lt;br /&gt;O fundo sulco traçado     &lt;br /&gt;Pela c'roa imperial.     &lt;br /&gt;Foragido, errante espectro,     &lt;br /&gt;Meu cajado — já foi cetro!     &lt;br /&gt;Meus trapos — manto real!&amp;quot;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;   &lt;br /&gt;— Senhor, minha casa é pobre...     &lt;br /&gt;Ide bater a um solar!     &lt;br /&gt;— &amp;quot;De lá venho... O Rei-fantasma     &lt;br /&gt;Baniram do próprio lar.     &lt;br /&gt;Nas largas escadarias,     &lt;br /&gt;Nas vetustas galerias,     &lt;br /&gt;Os pajens e as cortesãs     &lt;br /&gt;Cantavam! ... Reinava a orgia! ...     &lt;br /&gt;Festa! Festa! E ninguém via     &lt;br /&gt;O Rei coberto de cãs!&amp;quot;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;   &lt;br /&gt;— Fantasmas! Aos grandes, que tombam,     &lt;br /&gt;É palácio o mausoléu!     &lt;br /&gt;— &amp;quot;Silêncio! De longe eu venho...     &lt;br /&gt;Também meu túmulo morreu.     &lt;br /&gt;O séc’lo — traça que medra     &lt;br /&gt;Nos livros feitos de pedra —     &lt;br /&gt;Rói o mármore, cruel.     &lt;br /&gt;O tempo — Átila terrível     &lt;br /&gt;Quebra co'a pata invisível     &lt;br /&gt;Sarcófago e capitel.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;   &lt;br /&gt;&amp;quot;Desgraça então para o espectro,     &lt;br /&gt;Quer seja Homero ou Solon,     &lt;br /&gt;Se, medindo a treva imensa     &lt;br /&gt;Vai bater ao Panteon...     &lt;br /&gt;o motim — Nero profano —     &lt;br /&gt;No ventre da cova insano     &lt;br /&gt;Mergulha os dedos cruéis.     &lt;br /&gt;Da guerra nos paroxismos     &lt;br /&gt;Se abismam mesmo os abismos     &lt;br /&gt;E o Morto morre outra vez!&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;   &lt;br /&gt;&amp;quot;Então, nas sombras infindas,     &lt;br /&gt;S'esbarram em confusão     &lt;br /&gt;Os fantasmas sem abrigo     &lt;br /&gt;Nem no espaço, nem no chão...     &lt;br /&gt;As almas angustiadas,     &lt;br /&gt;Como águias desaninhadas,     &lt;br /&gt;Gemendo voam no ar.     &lt;br /&gt;E enchem de vagos lamentos     &lt;br /&gt;As vagas negras dos ventos,     &lt;br /&gt;Os ventos do negro marl&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;   &lt;br /&gt;&amp;quot;Bati a todas as portas     &lt;br /&gt;Nem uma só me acolheu!...&amp;quot;     &lt;br /&gt;— &amp;quot;Entra! —: Uma voz argentina     &lt;br /&gt;Dentro do lar respondeu.     &lt;br /&gt;— &amp;quot;Entra, pois! Sombra exilada,     &lt;br /&gt;Entra! O verso — é uma pousada     &lt;br /&gt;Aos reis que perdidos vão.     &lt;br /&gt;A estrofe — é a púrpura extrema,     &lt;br /&gt;Último trono — é o poema!     &lt;br /&gt;Último asilo — a Canção!...&amp;quot;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;a href="http://www.revista.agulha.nom.br/calves.html" target="_blank"&gt;Fonte de pesquisa&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1828449244272539790-5104964867826469747?l=blogcoisasnossas.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://blogcoisasnossas.blogspot.com/2009/08/castro-alves.html</link><author>dullimi@gmail.com (Du)</author><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1828449244272539790.post-2922082105739175066</guid><pubDate>Mon, 24 Aug 2009 23:11:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-08-24T20:32:14.734-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Dinorath do Valle</category><title>A Hora da Pedra - Dinorath do Valle</title><description>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Céu limpo é ilusão. Sentar-se na mulher sentada na cadeira de vime e bordando flores de linha, separada da rua pela vidraça é ilusão ou não. Metralhadoras automáticas por trás das nuvens armando a emboscada não é ilusão, delas resultam pedras de gelo que negam a natureza pacífica do tal céu expelindo projéteis de água desfolhando árvores viciadas em água líquida. Que despenquem ninhos contendo a vida embrionária dos ovos prestes a alar. Que o chão desprezível se torne o longo arraiolo verde de folhas que o verão ignorou. Choques de sólidos com sólidos enchendo o ar, tamborilar das migalhas de gelo musicado. Do afiado estilete do pistão nem sinal, só o trombone elogia o raio. Os tiros de água alcançam todas as direções fazendo pedras atacarem telhados de amianto inventando peneiras. A mulher sentada acerta o véu saudita sob os olhos com medo de Bush desembuche até que a pedra perdida lhe atinja a boca para salgá-la. É lágrima de medo da guerra ou granizo temperado? O céu despenca na lona do asfalto, arena retilínea do circo da vida. A enxurrada atropela a si mesmo reservando aicebergues esculpidos por El Niño com a talentosa candura da mais rude inocência.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#ffffff;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Moara tenta esquecer seu narciso, guloso de comer escondido em prato alheio. Hoje farto e conciliador, choraminga arrependido de perder beneses. Verte o mea culpa tardio enquanto trambolhões da enxurrada diluem o pó do eterno amor. E o cheiro de seu salgado corpo liso contrastando com a barba e mãos de pescador de ilusões. A volúpia do escoar tem ecos. Gorgolejos consumindo monólogos, ex-diálogos não travados por armadilhas dialéticas. A aptidão do Homem-Peixe é e será sempre mergulhar na água intranqüila, recebendo do cordão umbilical da atmosfera o suprimento ao pulmão nas profundezas. É seu reduto de buscas, polvos escuros são o tesouro que repassa do saco-rede repleto de tentáculos, petisco dos hotéis de cinco estrelas. O apanhador do campo de centeio colhe e se reafirma como campeão predador na ordem natural das coisas. Momentos de pódio e glória suprem a incomunicabilidade e os conceitos que são fronteiras divisórias entre mergulho e não-mergulho, muros virtuais. Moara planeja ser a sereia que compreende a inexpressão. Mulher-Peixe por metamorfose, sem respostas às perguntas, mas com fartura de escamas que tornam escorregadio o corpo-a-corpo, a luta corporal, e os tépidos carinhos, propícios aos silêncios enquanto as bocas se beijam e se aprofundam do mergulho mental do mar das idéias. Querer ser Peixe-Mulher é difícil, faltam-lhe guelras, a sereia. E a peixa definha entre o encantamento dos sentidos e o sentido das idéias que esvoaçam como gaivotas famintas. Nada o tempo que lhe cabe e acaba sentada na mulher sentada em busca de um lar que não pareça berço.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#ffffff;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Foi quando aconteceu a chuva de pedra caindo lá fora e nos corações, fria, estranha e metafórica. Soa agressiva e incomum na pacífica paisagem mandando um de seus tiros através da vidraça fechada, atingir a boca de Moara com seu gosto de sal estranho e amargo. Ela não soube se a chuva de fato existiu. Se fora de cascalho, conchas, granizos da tristeza. A realidade presente era o marejar do asfalto invadido, o contraste dos aicebergues cercando a casa, tentando sustê-la de pé contra os borbotões da nova realidade. O mastro vergava, talvez despencasse de vez, acabando com o eterno ninar da escuna ancorada na angra régia. O eixo do mundo porém permaneceu ereto, como se mofasse da vela nunca desfraldada, inútil ao galeio empurrado por mãos oleosas do diesel embebedando o motor. Moara espera que a casa navegue. E talvez por um pier, marina ou porto que albergasse a saudade do tempo em que tentou pensar menos nas filosofias terráqueas sem receber o suprimento das marítimas para o grande oco cheio de tentáculos camaleões pintando-se de azul, fingindo-se nuvens, salvando-se da inexorável cadeia alimentar. A mulher da cadeira saiu e nela restou Moara, amante do Homem-Peixe e viciada no sal que sai das rochas submersas desde que o resolveram alhures o destino do planeta de água mais salgada do que doce, ó doce água salgada!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;26/9/2002&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5373672279914522770" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 180px; CURSOR: hand; HEIGHT: 185px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_FQTvlaqpcOo/SpMed7erKJI/AAAAAAAAAHI/1utl-zTwE1A/s320/DinorathdoValle_no43738.jpg" border="0" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;------------------------------------------------------&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Dinorath do Valle. Professora, jornalista, historiadora, escritora e roteirista de cinema (Itápolis SP 10/7/1926 – SJRio Preto 1/5/2004) diretora da Casa de Cultura de 1968 a 1996 e consultora até 2000, autora dos seguintes livros:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;O Vestido Amarelo&lt;/em&gt;, de 1976 (laureado com o prêmio Governador do Estado de São Paulo).&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Enigmalião&lt;/em&gt;, de 1980.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;A Idade da Cobra Lascada&lt;/em&gt;, de 1982.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Pau Brasil&lt;/em&gt;, de 1985 (obra laureada com o Prêmio Casa de Las Américas em 1982 em Havana, Cuba).&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Totó Piruleta e o Menino do Povo&lt;/em&gt; (1985).&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Memórias da menina do Povo&lt;/em&gt; (1985).&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Dias Verdes&lt;/em&gt; (1989).&lt;br /&gt;&lt;em&gt;História do Município de São José do Rio Preto para Crianças&lt;/em&gt; (1969).&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Monumento à Vida&lt;/em&gt; em parceria com Walter do Valle (1997).&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Jornais de Rio Preto&lt;/em&gt; (1994).&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tem contos publicados nas seguintes antologias:&lt;br /&gt; &lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Coletâneas de premiados nos XIII Jogos Florais Luso-Brasileiros&lt;/em&gt; em Portugal, 1969.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;60 Contos Eróticos&lt;/em&gt; (1978).&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Criança Brinca, Não Brinca?&lt;/em&gt;, (1978).&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Contos Premiados&lt;/em&gt; (1981).&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;No cinema, é roteirista do curta-metragem &lt;em&gt;RG-O&lt;/em&gt; (1975), ganhando os prêmios de melhor roteiro e direção no Festival Nacional de Curta-Metragem do Recife; com os filmes "&lt;em&gt;A Cartilha"&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;"Criança do Morro da Sereia"&lt;/em&gt;, "&lt;em&gt;Oropa Luanda Bahia"&lt;/em&gt;; em 1973 ganhou o &lt;em&gt;Prêmio Rockefeller&lt;/em&gt;, dos EUA, de melhor roteiro com "&lt;em&gt;Heteros, A Comédia"&lt;/em&gt;, que recebeu o prêmio da crítica do Festival de Vancouver, no Canadá, e o Prêmio Charleston, da Carolina do Norte, EUA; o filme &lt;em&gt;"Pau-Brasil"&lt;/em&gt;, do livro homônimo de sua autoria e premiado em Cuba, foi considerado um dos dez melhores roteiros de longa-metragem no &lt;em&gt;Sundance Festival do Brasil&lt;/em&gt;; o roteiro do curta-metragem "&lt;em&gt;Pixaim"&lt;/em&gt;, com Fernando Belens, ganhou em 1999, concurso promovido pelo Ministério da Cultura. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Fontes: Da biografia, a postagem no blog &lt;/span&gt;&lt;a href="http://apaginadavida.blogspot.com/2008/07/dinorath-do-valle-domingas-ricci-do.html"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;páginas da vida&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;. O conto foi-me enviado há um tempo atrás pela sua filha Moema do Valle.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1828449244272539790-2922082105739175066?l=blogcoisasnossas.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://blogcoisasnossas.blogspot.com/2009/08/hora-da-pedra-dinorath-do-valle.html</link><author>everton_vidal@yahoo.com.br (Éverton Vidal Azevedo)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://4.bp.blogspot.com/_FQTvlaqpcOo/SpMed7erKJI/AAAAAAAAAHI/1utl-zTwE1A/s72-c/DinorathdoValle_no43738.jpg" height="72" width="72" /><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1828449244272539790.post-1933526487584849893</guid><pubDate>Fri, 21 Aug 2009 12:00:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-08-21T09:00:00.621-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Acre</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">crônicas</category><title>Acre. Um Brasil do Brasil</title><description>&lt;div align="justify"&gt;É com muito prazer que inauguro minha participação neste espaço que há muito admiro. Pra começo de conversa, resolvi principiar com uma crônica que escrevi ano passado sobre uma coisa nossa, mais que tudo minha, um Estado maravilhoso ainda pouco conhecido pelo restante do Brasil. Espero que gostem. Abraços. Inté!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;----------------------------------------&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A comissária de vôo avisa que em alguns minutos chegaremos a Rio Branco. Olho pela janela do avião, o verde intenso se espalha por toda parte em forma de pastos, plantações, pontas de florestas, e o mundo abaixo é dividido em dois pelas águas barrentas do Rio Acre. Logo se vê a cidade deitada no horizonte. Pousamos. Sinto um uma sensação indefinida, um não-sei-o-quê, são dez anos longe daqui, dez anos longe da infância. &lt;p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A cidade agora é outra, relativamente limpa e bem organizada, novas praças, pontes, e edifícios, a ‘vida ta bem melhor aqui’ me diz um senhor. Rio Branco realmente está linda. Olhando-a agora, penso no seu passado, no passado dos acreanos... &lt;p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Penso na colonização que realizaram os nordestinos, principalmente cearenses, começada no fim do século XIX, quando chegaram aqui cheios de sonhos. Penso naquela extração em massa do látex, que trouxe esses "primeiros" brasileiros pra cá, e que só serviu para enriquecer ainda mais os países que já eram ricos. Penso naquelas repúblicas acreanas independentes, naqueles embates contra os bolivianos comandados pelo General Pando, nos seringueiros que lutavam sem saber bem porque lutavam, posto que perdendo ou ganhando a semi-escravidão era a mesma. Daí, lembro daqueles nomes - muitos nomes-histórias, quase estórias - que aprendi na escola, Galvez, Barão do Rio Branco, Plácido de Castro, Neutel Maia... E nos anos às margens do Brasil, e naquela antiga fama de ‘Brasil que o Brasil não quis’. Lembro também das lutas mais recentes, dos problemas da saúde e da educação. Lembro de Chico Mendes. &lt;p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E os índios? Totalmente alheios às divisões do mundo moderno, não eram bolivianos, nem peruanos e nem brasileiros, nem eram índios, “índio” é o apelido que eles - os verdadeiros donos da região – receberam dos des-cobridores. Lembro também que a cada ano as reservas indígenas são menores devido à ganância dos "civilizados&lt;em&gt;"&lt;/em&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;p&gt;&lt;p&gt;Mas essas coisas eu lembro porque quero lembrar e me esforço pra não esquecer, todavia, há lembranças que já não são mais lembranças, são eu. Pisando aqui lembro-me da infância, das mangueiras e goiabeiras, da Av. Antônio da Rocha Viana, das quatro-bocas, do Bairro Tancredo Neves, do Bosque, da Vila Ivonete, da ladeira da Bola Preta, da gameleira. Lembro-me da casa da minha avó, com as imagens, o Santo Daime, o Irineu Serra... E as igrejas, as escolas, os cemitérios, as pontes... Lembro porque é impossível não lembrar. Lembro automaticamente, inconscientemente como quem se lembra de piscar os olhos. &lt;p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E como escrever isso? Como escrever o que é o Acre para um acreano, principalmente um acreano como eu que vive longe do Acre? Como transformar em palavras escritas o que eu sinto agora a respeito da terra que me pariu? Que imagem me representaria e representaria o Acre de fato?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;p&gt;&lt;p&gt;Bandeiras às centenas tremulam no cume dos edifícios, adornam o vidro dos automóveis, e postes, e pontes, e até nossas estampas de camisas denunciam o nosso amor, ‘sou acreano’, ‘Rio Branco’, ‘Xapuri’, não demoro pra comprar a minha: “Brasiléia”. &lt;p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Agora estou nela, em Brasiléia, cidade onde nasci e vivi até os três anos quando a família se mudou pra Manaus. As ruas são estreitas, o povo é alegre e hospitaleiro, ouve-se forró em toda parte, busco a casa de parentes pra conhecê-los e/ou revê-los. Bem ali já é Cobija capital do Departamento boliviano de Pando, aqui um Brasil que é Brasil e do Brasil até no nome. &lt;p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O Acre é lindo. Não para os olhos que buscam ‘belezas’ (pós)modernas, ou mansões à européia. É lindo pra quem sabe ver beleza na modéstia, na simplicidade, e antes de tudo, no modo de ser de um povo especial.Agora estou “longe”, sim, entre aspas, já que muitas vezes é na ausência que se sente mais de perto a presença. &lt;p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_FQTvlaqpcOo/So2mFFrKFkI/AAAAAAAAAGo/F8sfeep6qxY/s1600-h/BandeiraEstadoIndependenteDoAcre.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5372132536875619906" style="WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 135px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_FQTvlaqpcOo/So2mFFrKFkI/AAAAAAAAAGo/F8sfeep6qxY/s200/BandeiraEstadoIndependenteDoAcre.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_FQTvlaqpcOo/So2lz-ou7fI/AAAAAAAAAGg/TAz05w1MB7I/s1600-h/borracha.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5372132242928627186" style="WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 134px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_FQTvlaqpcOo/So2lz-ou7fI/AAAAAAAAAGg/TAz05w1MB7I/s200/borracha.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_FQTvlaqpcOo/So2k5R3WNPI/AAAAAAAAAGY/Ha-zNIM0KBc/s1600-h/Brasil%25C3%25A9ia_NSdasDores.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5372131234477913330" style="WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 148px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_FQTvlaqpcOo/So2k5R3WNPI/AAAAAAAAAGY/Ha-zNIM0KBc/s200/Brasil%25C3%25A9ia_NSdasDores.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_FQTvlaqpcOo/So2jd3KSVnI/AAAAAAAAAGQ/ui5tI_o19aw/s1600-h/canoa.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5372129663941498482" style="WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 150px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_FQTvlaqpcOo/So2jd3KSVnI/AAAAAAAAAGQ/ui5tI_o19aw/s200/canoa.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_FQTvlaqpcOo/So2jR3LhysI/AAAAAAAAAGI/2cloIEzNv9c/s1600-h/Casa%2Bdo%2BChico%2BMendes%2B4145.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5372129457788275394" style="WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 149px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_FQTvlaqpcOo/So2jR3LhysI/AAAAAAAAAGI/2cloIEzNv9c/s200/Casa%2Bdo%2BChico%2BMendes%2B4145.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_FQTvlaqpcOo/So2i4laZqUI/AAAAAAAAAGA/hSxJT_liuJc/s1600-h/casinhasRioAcre.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5372129023522089282" style="WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 150px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_FQTvlaqpcOo/So2i4laZqUI/AAAAAAAAAGA/hSxJT_liuJc/s200/casinhasRioAcre.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_FQTvlaqpcOo/So2inWgTdtI/AAAAAAAAAF4/Oy5cj0UfUVw/s1600-h/centro+gameleira.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5372128727462541010" style="WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 139px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_FQTvlaqpcOo/So2inWgTdtI/AAAAAAAAAF4/Oy5cj0UfUVw/s200/centro+gameleira.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_FQTvlaqpcOo/So2ifMs27GI/AAAAAAAAAFw/4mnnnI5Aw88/s1600-h/paisagemacre.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5372128587391888482" style="WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 139px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_FQTvlaqpcOo/So2ifMs27GI/AAAAAAAAAFw/4mnnnI5Aw88/s200/paisagemacre.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_FQTvlaqpcOo/So2iOxkRJaI/AAAAAAAAAFo/2g9iaBN7a2g/s1600-h/palacio.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5372128305230194082" style="WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 150px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_FQTvlaqpcOo/So2iOxkRJaI/AAAAAAAAAFo/2g9iaBN7a2g/s200/palacio.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_FQTvlaqpcOo/So2g_pvGbUI/AAAAAAAAAFg/KrK0b5L-Id8/s1600-h/parquedaMaternidade.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5372126945918479682" style="WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 150px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_FQTvlaqpcOo/So2g_pvGbUI/AAAAAAAAAFg/KrK0b5L-Id8/s200/parquedaMaternidade.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_FQTvlaqpcOo/So2g11apCpI/AAAAAAAAAFY/DBJZkEqNdlc/s1600-h/ponte.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5372126777255201426" style="WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 150px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_FQTvlaqpcOo/So2g11apCpI/AAAAAAAAAFY/DBJZkEqNdlc/s200/ponte.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_FQTvlaqpcOo/So2guzQQKuI/AAAAAAAAAFQ/8X_9a68asWA/s1600-h/ponte+nova.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5372126656415673058" style="WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 150px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_FQTvlaqpcOo/So2guzQQKuI/AAAAAAAAAFQ/8X_9a68asWA/s200/ponte+nova.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_FQTvlaqpcOo/So2goun1acI/AAAAAAAAAFI/dkbdjTqPzA0/s1600-h/povosdafloresta.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5372126552093190594" style="WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 150px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_FQTvlaqpcOo/So2goun1acI/AAAAAAAAAFI/dkbdjTqPzA0/s200/povosdafloresta.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_FQTvlaqpcOo/So2gfltgfCI/AAAAAAAAAFA/swKPuzT762E/s1600-h/prato%2Bt%25C3%25ADpico.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5372126395082243106" style="WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 150px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_FQTvlaqpcOo/So2gfltgfCI/AAAAAAAAAFA/swKPuzT762E/s200/prato%2Bt%25C3%25ADpico.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_FQTvlaqpcOo/So2gZfol_GI/AAAAAAAAAE4/ZlwCSiw5XMM/s1600-h/rio+Acre.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5372126290371804258" style="WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 150px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_FQTvlaqpcOo/So2gZfol_GI/AAAAAAAAAE4/ZlwCSiw5XMM/s200/rio+Acre.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_FQTvlaqpcOo/So2gRan0KDI/AAAAAAAAAEw/nOI3RzO3iJU/s1600-h/Rio%2520Acre,%2520entardecer.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5372126151587407922" style="WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 148px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_FQTvlaqpcOo/So2gRan0KDI/AAAAAAAAAEw/nOI3RzO3iJU/s200/Rio%2520Acre,%2520entardecer.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1828449244272539790-1933526487584849893?l=blogcoisasnossas.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://blogcoisasnossas.blogspot.com/2009/08/acre-um-brasil-do-brasil.html</link><author>everton_vidal@yahoo.com.br (Éverton Vidal Azevedo)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://2.bp.blogspot.com/_FQTvlaqpcOo/So2mFFrKFkI/AAAAAAAAAGo/F8sfeep6qxY/s72-c/BandeiraEstadoIndependenteDoAcre.jpg" height="72" width="72" /><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">5</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1828449244272539790.post-4715769024702280327</guid><pubDate>Thu, 20 Aug 2009 16:31:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-08-20T13:31:46.984-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Egberto Gismonti</category><title>Egberto Amin Gismonti</title><description>&lt;p align="center"&gt;&lt;img src="http://3.bp.blogspot.com/_81w1HeaG99I/SGPzN2miyZI/AAAAAAAAAdk/BHAodMkFhS8/s320/egberto-gismonti-10.jpg" /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;O multi-instrumentista, compositor e arranjador brasileiro Egberto Amin Gismonti é certamente dono de uma das obras mais vastas e coerentes dentro da música brasileira. Nascido no Rio de Janeiro, numa família bastante musical, começou seus estudos aos cinco anos de idade. Estudou flauta, clarinete, violão e piano - este último, inclusive tendo como professor o renomado Jacques Klein. Em 1968 chamou a atenção do público e da crítica com sua composição “O Sonho”. De 1968 a 1971 residiu na França, onde estudou com os expoentes da música erudita contemporânea Jean Barraqué e Nadia Boulanger. Esta o encorajou a se voltar para as linguagens musicais brasileiras e não se deixar influenciar demasiado pela música européia. Em 1969 lançou seu primeiro disco, intitulado &lt;i&gt;Egberto Gismonti&lt;/i&gt;. Ao voltar ao Brasil, estabeleceu-se em Teresópolis. No decorrer dos anos 70, a música de Gismonti foi se orientando para o lado instrumental e para estruturas mais complexas, o que dificultou seu relacionamento com o selo EMI/Odeon, para o qual gravava.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Em 1976 gravou, com o grande percussionista &lt;a href="http://www.ejazz.com.br/detalhes-artistas.asp?cd=176"&gt;Naná Vasconcelos&lt;/a&gt;, o seu primeiro disco para a ECM, o hoje clássico &lt;i&gt;Dança das Cabeças&lt;/i&gt;. Nesse trabalho, internacionalmente elogiado, o virtuosismo violonístico de Gismonti aparece em toda a sua plenitude. É interessante notar que Gismonti só começou a tocar seriamente o violão em 1968, após muitos anos de estudo sistemático de piano. Em busca de um veículo mais adequado à sua música e à sua técnica, Gismonti migrou, ao longo dos anos, do violão de seis cordas sucessivamente para instrumentos de 8, 10, 12 e 14 cordas. Paralelamente, nunca deixou de ser um virtuose do piano.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;De volta ao Brasil, Gismonti passou um mês entre os índios Yawaiapiti do Alto Xingú, tendo conhecido o chefe Sapaim. A comunicação entre Gismonti e os integrantes da tribo se dava principalmente através da linguagem da música. A experiência foi determinante na elaboração de seu trabalho seguinte, &lt;i&gt;Sol do Meio-Dia&lt;/i&gt;, com a participação de astros em ascensão no selo ECM, o saxofonista &lt;a href="http://www.ejazz.com.br/detalhes-artistas.asp?cd=228"&gt;Jan Garbarek&lt;/a&gt;, o percussionista Colin Walcott e o violonista Ralph Towner. A partir do final dos anos 70, Gismonti se tornou uma unanimidade entre os apreciadores da música instrumental brasileira. Realizou turnês pela Europa e tocou com grandes nomes do jazz e da world music: além de Naná, Garbarek, Walcott e Towner, podemos mencionar também &lt;a href="http://www.ejazz.com.br/detalhes-artistas.asp?cd=135"&gt;Herbie Hancock&lt;/a&gt;, Airto Moreira, Flora Purim e &lt;a href="http://www.ejazz.com.br/detalhes-artistas.asp?cd=111"&gt;Charlie Haden&lt;/a&gt; (que participou de seus discos &lt;i&gt;Folk Songs&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;Mágico&lt;/i&gt;, de 1979). Em 1985 gravou &lt;i&gt;Sanfona&lt;/i&gt;, um notável disco duplo: em um dos CDs, Gismonti toca sozinho, e no outro é acompanhado pelo grupo&lt;i&gt;Academia de Danças&lt;/i&gt;, formado pelo saxofonista e flautista Mauro Senise, o baterista Nenê e o contrabaixista Zeca Assumpção. Em 1995 gravou com a Orquestra Sinfônica Estatal da Lituânia o disco &lt;i&gt;Meeting Point&lt;/i&gt;, consagrando-se como compositor erudito.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;A música de Egberto Gismonti abrange uma vasta gama de paletas sonoras, texturas, dialetos musicais e estados de espírito. Pode soar grandiosa ou introspectiva, dramática ou lúdica, nostálgica ou futurista, brasileira ou oriental. Suas composições são concebidas para os mais variados efetivos instrumentais, desde o violão solo até a orquestra sinfônica, passando pelos instrumentos étnicos e os teclados eletrônicos. Entre as principais influências de sua linguagem musical, podemos citar Heitor Villa-Lobos, Maurice Ravel, &lt;a href="http://www.ejazz.com.br/detalhes-artistas.asp?cd=124"&gt;Django Reinhardt&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://www.ejazz.com.br/detalhes-artistas.asp?cd=142"&gt;John McLaughlin&lt;/a&gt;, Baden Powell, Astor Piazzolla, o folclore nordestino e do centro-oeste brasileiro, a música indígena e a música indiana, entre outras.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Fonte: (&lt;a href="http://www.ejazz.com.br/"&gt;V.A. Bezerra, 2001&lt;/a&gt;) &lt;/p&gt;  &lt;p align="center"&gt;Este vídeo é maravilhoso!!!&lt;/p&gt;  &lt;div style="padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; width: 425px; padding-right: 0px; display: block; float: none; margin-left: auto; margin-right: auto; padding-top: 0px" id="scid:5737277B-5D6D-4f48-ABFC-DD9C333F4C5D:45416070-7aa9-4cbd-998a-2200c6a460a5" class="wlWriterEditableSmartContent"&gt;&lt;div id="1b868bc0-4075-4c97-b2bf-518ae7793a16" style="margin: 0px; padding: 0px; display: inline;"&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=aG9K81NMhSs" target="_new"&gt;&lt;img src="http://lh6.ggpht.com/_C88pfpvNkrg/So16cfE_N_I/AAAAAAAAGXE/5wihDIkKaHA/videob8dc33592e93%5B3%5D.jpg?imgmax=800" style="border-style: none" galleryimg="no" onload="var downlevelDiv = document.getElementById('1b868bc0-4075-4c97-b2bf-518ae7793a16'); downlevelDiv.innerHTML = &amp;quot;&amp;lt;div&amp;gt;&amp;lt;object width=\&amp;quot;425\&amp;quot; height=\&amp;quot;355\&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;param name=\&amp;quot;movie\&amp;quot; value=\&amp;quot;http://www.youtube.com/v/aG9K81NMhSs&amp;amp;hl=en\&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;\/param&amp;gt;&amp;lt;embed src=\&amp;quot;http://www.youtube.com/v/aG9K81NMhSs&amp;amp;hl=en\&amp;quot; type=\&amp;quot;application/x-shockwave-flash\&amp;quot; width=\&amp;quot;425\&amp;quot; height=\&amp;quot;355\&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;\/embed&amp;gt;&amp;lt;\/object&amp;gt;&amp;lt;\/div&amp;gt;&amp;quot;;" alt=""&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1828449244272539790-4715769024702280327?l=blogcoisasnossas.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://blogcoisasnossas.blogspot.com/2009/08/egberto-amin-gismonti.html</link><author>dullimi@gmail.com (Du)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://3.bp.blogspot.com/_81w1HeaG99I/SGPzN2miyZI/AAAAAAAAAdk/BHAodMkFhS8/s72-c/egberto-gismonti-10.jpg" height="72" width="72" /><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">1</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1828449244272539790.post-6739079601965392777</guid><pubDate>Mon, 17 Aug 2009 00:33:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-08-16T21:42:35.001-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Raul Seixas</category><title>Raul Seixas</title><description>&lt;p&gt;&lt;img style="display: block; float: none; margin-left: auto; margin-right: auto" src="http://tvglobo.sombrasil.globo.com/files/694/2008/11/raul.JPG" /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Raul dos Santos Seixas nasceu em Salvador, Bahia, em 28 de junho de 1945, filho de Raul Varella Seixas e Maria Eugênia Seixas. Filho da mesma região e geração que Gilberto Gil, Caetano Veloso e Gal Costa entre tantos outros que definiram o movimento chamado Tropicália, Raul teve ao contrário destes em sua infância maior contato e assimilação do rock and roll em virtude de ser vizinho e amigo de filhos de famílias americanas que trabalhavam para o consulado americano na Bahia. Tornou-se logo fã ardoroso de Elvis Presley, fundando aos 14 anos um fã-clube brasileiro do cantor (Elvis Rock Club). Engana-se porém quem pensa que Raul renegou a cultura brasileira adotando o rock and roll; odiava a bossa nova mas acrescentou ao seu rock elementos de música nordestina como o baião, xaxado, música brega.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Aluno relapso (repetiu várias vezes a segunda série ginasial) apesar de muito inteligente e leitor voraz, rapidamente se cansa da escola decidindo pela profissionalização como músico. Em 1962 em meio ao movimento bossa nova que explodia no Brasil, Raul monta sua primeira banda, Os Relâmpagos do Rock, que mais tarde teria seu nome mudado para The Panthers e finalmente Raulzito e os Panteras. Pela formação do grupo passaram entre outros além de Raul (vocal e guitarra), Thildo Gama, Perinho (guitarra), Mariano Lanat (baixo), Carleba (bateria). Logo abandona a faculdade de direito.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Gravam um compacto que seria distribuido para rádios com duas músicas (sendo uma versão de Elvis Presley). Apresentam-se em clubes e algumas vezes em rádio e TV. Começam a formar fama como expressão local do movimento Jovem Guarda da época (liderado por Roberto Carlos, Jerry Adriani, Erasmo Carlos, Wanderléa, etc, por sua vez versões brasileiras do sucesso dos Beatles).&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Com o apoio de Jerry Adriani sai em turnê pelo Brasil com os Panteras (abrindo os shows do primeiro) e grava em 1968 o seu primeiro LP, auto entitulado. Não alcançando nenhuma repercussão a nível nacional Raul volta para Salvador possivelmente pretendendo abandonar a música. Sairia da Bahia novamente para tentar carreira de produtor na CBS onde produziria e comporia para Jerry Adriani, Renato e Seus Blue Caps, Trio Ternura, Sérgio Sampaio, entre outros astros da época. Perderia este emprego por produzir e gastar dinheiro sem conhecimento dos seus superiores na prensagem de seu segundo LP, Sociedade da Grã Ordem Kavernista Apresenta Sessão das Dez.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Em 1972 alcançou a tão desejada repercussão nacional classificando duas músicas no Festival Internacionl da Canção, evento de grande repercussão montado anualmente pela Rede Globo, um concurso de músicas. Raul participou com Let Me Sing Let Me Sing (que chegaria às finais) e Eu Sou Eu Nicuri é o Diabo. A boa aceitação lhe valeu seu primeiro contrato com uma gravadora, a Philips Phonogram. Lançou um compacto de Let Me Sing Let Me Sing e o LP coletânea de covers 24 Maiores Sucessos da Era do Rock (que nem mesmo traz o nome de Raul, sendo lançado sobre o nome de uma banda Rock Generation). O segundo compacto, Ouro de Tolo, foi o seu primeiro grande sucesso.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Em 1973 saiu o LP Krig-Ha Bandolo! apresentando as primeiras parcerias de Raul com o companheiro de estudos esotéricos Paulo Coelho. Começaram a formar em parceria o grupo Sociedade Alternativa, anarquista, baseado na doutrina de Aleister Crowley e também destinado a estudos esotéricos. Chegariam a pensar em construir em Minas Gerais a comunidade alternativa Cidade das Estrelas. O movimento foi porém considerado subversivo pelo governo militar. Raul (que aparentemente passou por sessões de tortura), Paulo e as respectivas esposas (Edith e Adalgisa) foram exilados nos estados unidos. Raul viria a conhecer durante o exílio alguns de seus ídolos, Elvis Presley, John Lennon e Jerry Lee Lewis.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Voltaram ao Brasil em 1974 em meio ao sucesso do segundo LP, Gita, possivelmente o seu lançamento de maior vendagens e repercussão, ganhando discos de ouro e participando da trilha sonoras da novela O Rebu. A Philips chegou a relançar 24 Maiores Sucessos... sobre um novo nome, 20 Anos de Rock e dessa vez sobre o nome de Raul. Seguiriam-se então LPs de grande repercussão, Novo Aeon, Há 10 Mil Anos Atrás (último em parceria com Paulo Coelho), Raul Rock Seixas, O Dia Em Que a Terra Parou.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;No início da década de 80 Raul Seixas começou a apresentar problemas de saúde em virtude de consumo exagerado de álcool. Não parou porém de lançar discos e projetos, Mata Virgem, Por Quem os Sinos Dobram, Abre-te Sésamo. Passou a sofrer de hepatite crônica em virtude da bebida e estava em um hiato de contratos e shows.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Após a queda de vendagens nos últimos discos e um longo boicote de gravadoras, estourou novamente em 1978 com a música Carimbador Maluco do LP Raul Seixas, parte do especial infantil Plunct Plact Zumm da Rede Globo. Seguiram-se os discos Metrô Linha 743, Uah Bap Lu Bap La Bein Bum (com o que seria seu último grande hit, Cowboy Fora da Lei) e A Pedra do Gênesis (que deveria ser apenas parte de um projeto maior chamado Opus 666 que não chegou a ser lançado).&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Em 1988 Raul passou a compor, gravar e excursionar com o também baiano Marcelo Nova, vocalista da banda Camisa de Vênus (então em fase de extinção).&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Em 21 de Agosto de 1989, apenas dois dias após o lançamento de A Panela do Diabo, Raul Seixas morre de um ataque cardíaco em virtude de problemas causados pela bebida. Curiosamente após a sua morte tem o seu talento mais reconhecido do que nunca, arregimentando a cada dia mais seguidores, sendo lançados postumamente registros inéditos e coletâneas, todos sucessos de vendas.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Em sua carreira foi pioneiro na mistura de todo tipo de influência musical ao rock and roll, passeando e acrescentado com desenvoltura e sem preconceitos ritmos nordestinos (Aventuras de Raul Seixas na Cidade de Thor), folk ao estilo Bob Dylan (Ouro de Tolo), música brega (Sessão das 10), umbanda (Mosca na Sopa). Em suas letras abordava com igual desenvoltura temas tão díspares quanto sentimentos humanos, críticas ao sistema, esoterismo e agnosticismo. A sua mensagem muitas vezes está implícita em letras que podem ser taxadas de bobas pelos menos perspicazes (vide a letra de Carimbador Maluco) e em outros momentos é pura poesia (como em Canção Para Minha Morte).&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;#160;&lt;/p&gt;  &lt;div style="padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; width: 425px; padding-right: 0px; display: block; float: none; margin-left: auto; margin-right: auto; padding-top: 0px" id="scid:5737277B-5D6D-4f48-ABFC-DD9C333F4C5D:1ca92c87-9c40-40d0-8986-c0cbd9807091" class="wlWriterEditableSmartContent"&gt;&lt;div id="e6b562ea-5079-4a9b-b623-a933760125a6" style="margin: 0px; padding: 0px; display: inline;"&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=KQ0geVSXTN8" target="_new"&gt;&lt;img src="http://lh4.ggpht.com/_C88pfpvNkrg/SoindCdjyYI/AAAAAAAAGVc/P85rZQGiSgw/videoa5e51a31e233%5B3%5D.jpg?imgmax=800" style="border-style: none" galleryimg="no" onload="var downlevelDiv = document.getElementById('e6b562ea-5079-4a9b-b623-a933760125a6'); downlevelDiv.innerHTML = &amp;quot;&amp;lt;div&amp;gt;&amp;lt;object width=\&amp;quot;425\&amp;quot; height=\&amp;quot;355\&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;param name=\&amp;quot;movie\&amp;quot; value=\&amp;quot;http://www.youtube.com/v/KQ0geVSXTN8&amp;amp;hl=en\&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;\/param&amp;gt;&amp;lt;embed src=\&amp;quot;http://www.youtube.com/v/KQ0geVSXTN8&amp;amp;hl=en\&amp;quot; type=\&amp;quot;application/x-shockwave-flash\&amp;quot; width=\&amp;quot;425\&amp;quot; height=\&amp;quot;355\&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;\/embed&amp;gt;&amp;lt;\/object&amp;gt;&amp;lt;\/div&amp;gt;&amp;quot;;" alt=""&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;  &lt;p&gt;&amp;#160;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Fonte: &lt;a href="http://www.casadobruxo.com.br/index.htm" target="_blank"&gt;A casa do Bruxo&lt;/a&gt;&amp;#160;&amp;#160; imagem &lt;a href="http://tvglobo.sombrasil.globo.com/som-brasil/category/raul-seixas/" target="_blank"&gt;daqui&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1828449244272539790-6739079601965392777?l=blogcoisasnossas.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://blogcoisasnossas.blogspot.com/2009/08/raul-seixas.html</link><author>dullimi@gmail.com (Du)</author><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">1</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1828449244272539790.post-1740841092484701447</guid><pubDate>Mon, 10 Aug 2009 01:29:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-08-09T22:29:07.890-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Marina Lima</category><title>Marina Lima</title><description>&lt;p&gt;&lt;img style="display: block; float: none; margin-left: auto; margin-right: auto" src="http://www.universomix.info/wp/wp-content/uploads/marina_lima_13112008_.jpg" /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&amp;#160;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Carioca, morou boa parte da infância e adolescência nos Estados Unidos, onde começou a se interessar pela música. No Brasil, teve uma música gravada por Gal Costa em 1977 (&amp;quot;Meu Doce Amor&amp;quot;), e dois anos depois lançou seu primeiro disco individual, &amp;quot;Simples Como Fogo&amp;quot;, em que interpretava, além de composições próprias, músicas de Dolores Duran, Caetano Veloso, Ângela Rô Rô.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Utilizando-se de uma estética urbana e pop, com incursões pelo rock, alcançou o sucesso em 1984, quando lançou pela Polygram o LP &amp;quot;Fullgás&amp;quot;. Além da faixa-título, emplacaram também suas versões de &amp;quot;Mesmo que Seja Eu&amp;quot; (Roberto/ Erasmo Carlos) e &amp;quot;Me Chama&amp;quot; (Lobão).&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Com 24 discos lançados (incluindo coletâneas e lançamentos apenas para o mercado norte-americano), Marina consolidou-se como uma das mais bem-sucedidas estrelas da música pop brasileira. Mesmo o rótulo de &amp;quot;diva pop&amp;quot; não a impede de fazer incursões por outros gêneros, como o jazz, blues e samba.    &lt;br /&gt;Inicialmente conhecida apenas como Marina, incorporou o último sobrenome ao nome artístico na década de 90. Entre seus maiores sucessos estão &amp;quot;Pra Começar&amp;quot;, &amp;quot;Ainda É Cedo&amp;quot;, &amp;quot;À Francesa&amp;quot;, &amp;quot;Não Sei Dançar&amp;quot;, &amp;quot;Uma Noite e Meia&amp;quot;, &amp;quot;Eu Te Amo Você&amp;quot;.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Em 2003 Marina emplaca nas rádios sua música “Sugar”, que fez parte da trilha sonora da novela global “Agora é que são elas”. Em junho do mesmo ano, lança o CD “Acústico MTV – Marina Lima” (EMI), com versão também em DVD, uma revisão de sua obra em versão unplugged.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Em outubro de 2005, Marina volta aos palcos com o elogiadíssimo show &amp;quot;Primórdios&amp;quot;, no novo Auditório do Ibirapuera, São Paulo. No repertório, a cantora apresenta quatro músicas inéditas: &amp;quot;Anna Bella&amp;quot;, &amp;quot;Três&amp;quot;, &amp;quot;Valeu&amp;quot; e &amp;quot;Entre as Coisas&amp;quot;. Está sendo anunciado para 2006 o lançamento de um novo CD.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Saiba mais sobre Marina Lima no &lt;a href="http://www.marinalima.com.br/" target="_blank"&gt;Site Oficial&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;a href="http://cliquemusic.uol.com.br/br/home/home.asp" target="_blank"&gt;Fonte&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div class="wlWriterEditableSmartContent" id="scid:5737277B-5D6D-4f48-ABFC-DD9C333F4C5D:0a98f019-c337-4669-95fa-5de8205e69dd" style="padding-right: 0px; display: block; padding-left: 0px; float: none; padding-bottom: 0px; margin-left: auto; width: 425px; margin-right: auto; padding-top: 0px"&gt;&lt;div id="412d9f03-b734-4a83-bc88-5978f53a6ec9" style="margin: 0px; padding: 0px; display: inline;"&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=1Fg7xGZM8s4" target="_new"&gt;&lt;img src="http://lh6.ggpht.com/_C88pfpvNkrg/Sn934OnudyI/AAAAAAAAGSU/n_WZ1OuN8qM/video7d56ccd10cb0%5B3%5D.jpg?imgmax=800" style="border-style: none" galleryimg="no" onload="var downlevelDiv = document.getElementById('412d9f03-b734-4a83-bc88-5978f53a6ec9'); downlevelDiv.innerHTML = &amp;quot;&amp;lt;div&amp;gt;&amp;lt;object width=\&amp;quot;425\&amp;quot; height=\&amp;quot;355\&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;param name=\&amp;quot;movie\&amp;quot; value=\&amp;quot;http://www.youtube.com/v/1Fg7xGZM8s4&amp;amp;hl=en\&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;\/param&amp;gt;&amp;lt;embed src=\&amp;quot;http://www.youtube.com/v/1Fg7xGZM8s4&amp;amp;hl=en\&amp;quot; type=\&amp;quot;application/x-shockwave-flash\&amp;quot; width=\&amp;quot;425\&amp;quot; height=\&amp;quot;355\&amp;quot;&amp;gt;&amp;lt;\/embed&amp;gt;&amp;lt;\/object&amp;gt;&amp;lt;\/div&amp;gt;&amp;quot;;" alt=""&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1828449244272539790-1740841092484701447?l=blogcoisasnossas.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://blogcoisasnossas.blogspot.com/2009/08/marina-lima.html</link><author>dullimi@gmail.com (Du)</author><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">2</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1828449244272539790.post-1198494362098598756</guid><pubDate>Fri, 31 Jul 2009 03:44:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-07-31T01:00:00.327-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Adélia Prado</category><title>Adélia Prado</title><description>&lt;span style="-webkit-border-horizontal-spacing: 7px; -webkit-border-vertical-spacing: 7px; font-family: 'times new roman';"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_C88pfpvNkrg/SnJods6cPYI/AAAAAAAAGPY/QmDE-0Qa2fQ/s1600-h/AdeliaPrado.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://3.bp.blogspot.com/_C88pfpvNkrg/SnJods6cPYI/AAAAAAAAGPY/QmDE-0Qa2fQ/s320/AdeliaPrado.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: x-large;"&gt;&lt;span style="-webkit-border-horizontal-spacing: 2px; -webkit-border-vertical-spacing: 2px; font-size: 24px; white-space: pre;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana;"&gt;&lt;span style="-webkit-border-horizontal-spacing: 2px; -webkit-border-vertical-spacing: 2px; font-family: Arial; white-space: pre;"&gt;&lt;span style="font-size: x-large;"&gt;Sem Enfeite Nenhum&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-size: 13px;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;A mãe era desse jeito: só ia em missa das cinco, por causa de os gatos no escuro serem pardos. Cinema, só uma vez, quando passou os Milagres do padre Antônio em Urucânia. Desde aí, falava sempre, excitada nos olhos, apressada no cacoete dela de enrolar um cacho de cabelo: se eu fosse lá, quem sabe?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Sofria palpitação e tonteira, lembro dela caindo na beira do tanque, o vulto dobrado em arco, gente afobada em volta, cheiro de alcanfor.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Quando comecei a empinar as blusas com o estufadinho dos peitos, o pai&amp;nbsp; chegou pra almoçar, estudando terreno, e anunciou com a voz que fazia nessas ocasiões, meio saliente: companheiro meu tá vendendo um relogim que é uma gracinha, pulseirinha de crom', danado de bom pra do Carmo. Ela foi logo emendando: tristeza, relógio de pulso e vestido de bolér. Nem bolero ela falou direito de tanta antipatia. Foi água na fervura minha e do pai.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Vivia repetindo que era graça de Deus se a gente fosse tudo pra um convento e várias vezes por dia era isto: meu Jesus, misericórdia... A senhora tá triste, mãe? eu falava. Não, tou só pedindo a Deus pra ter dó de nós.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Tinha muito medo da morte repentina e pra se livrar dela, fazia as nove primeiras sextas-feiras, emendadas. De defunto não tinha medo, só de gente viva, conforme dizia. Agora, da perdição eterna, tinha horror, pra ela e pros outros.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Quando a Ricardina começou a morrer, no Beco atrás da nossa casa,&amp;nbsp;&amp;nbsp; ela me chamou com a voz alterada: vai lá, a Ricardina tá morrendo, coitada,&amp;nbsp; que Deus perdoe ela, corre lá, quem sabe ainda dá tempo de chamar o padre, falava de arranco, querendo chorar, apavorada: que Deus perdoe ela, ficou falando sem coragem de aluir do lugar.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Mas a Ricardina era de impressionar mesmo, imagina que falou pra mãe, uma vez, que não podia ver nem cueca de homem que ela ficava doida.&amp;nbsp; Foi mais por isso que ela ficou daquele jeito, rezando pra salvação da alma da Ricardina.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Era a mulher mais difícil a mãe. Difícil, assim, de ser agradada. Gostava que eu tirasse só dez e primeiro lugar. Pra essas coisas não poupava, era pasta de primeira, caixa com doze lápis e uniforme mandado plissar. Acho mesmo que meia razão ela teve no caso do relógio, luxo bobo, pra quem só tinha um vestido de sair.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Rodeava a gente estudar e um dia falou abrupto, por causa do esforço de vencer a vergonha: me dá seus lápis de cor. Foi falando e colorindo laranjado, uma rosa geométrica: cê põe muita força no lápis, se eu tivesse seu tempo, ninguém na escola me passava, inteligência não é estudar, por exemplo falar você em vez de cê, é &amp;nbsp; tão mais bonito, é só&amp;nbsp; acostumar. Quando o coração da gente dispara e a gente fala cortado, era desse jeito que tava a voz da mãe.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Achava estudo a coisa mais fina e inteligente era mesmo, demais até, pensava com a maior rapidez. Gostava de ler de noite, em voz alta, com tia Santa, os livros da Pia Biblioteca, e de um não esqueci, pois ela insistia com gosto no titulo dele, em latim: Máguina pecatrís. Falava era antusiasmo e nunca tive coragem de corrigir, porque toda vez que tava muito alegre, feito naquela hora, desenhando, feito no dia de noite, o pai fazendo serão, ela falou: coitado, até essa hora no serviço pesado.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Não estava gostando nem um pouquinho do desenho, mas nem que eu falava. Com tanta satisfação ela passava o lápis, que eu fiquei foi aflita, como sempre que uma coisa boa acontecia.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Bom também era ver ela passando creme Marsílea no rosto e Antissardina n° 3, se sacudindo de rir depois, com a cara toda empolada. Sua mãe é bonita, me falaram na escola. E era mesmo, o olho meio verde.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Tinha um vestido de seda branco e preto e um mantô cinzentado que ela gostava demais.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Dia ruim foi quando o pai entestou de dar um par de sapato pra ela. Foi três vezes na loja e ela botando defeito, achando o modelo jeca, a cor regalada, achando aquilo uma desgraça e que o pai tinha era umas bobagens. Foi até ele enfezar e arrebentar com o trem, de tanta raiva e mágoa.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Mas sapato é sapato, pior foi com o crucifixo. O pai, voltando de cumprir promessa em Congonhas do Campo, trouxe de presente pra ela um crucifixo torneadinho, o cordão de pendurar, com bambolim nas pontas, a maior gracinha. Ela desembrulhou e falou assim: bonito, mas eu preferia mais se fosse uma cruz simples, sem enfeite nenhum.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Morreu sem fazer trinta e cinco anos, da morte mais agoniada, encomendando com a maior coragem: a oração dos agonizantes, reza aí pra mim, gente.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Fiquei hipnotizada, olhando a mãe. Já no caixão, tinha a cara severa de quem sente dor forte, igualzinho no dia que o João Antônio nasceu. Entrei no quarto querendo festejar e falei sem graça: a cara da senhora, parece que tá com raiva, mãe.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;
&lt;blockquote&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;O Senhor te abençoe e te guarde,&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Volva a ti o Seu Rosto e se compadeça de ti,&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;O Senhor te dê a Paz.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Esta é a bênção de São Francisco, que foi abrandando o rosto dela, descansando, descansando, até como ficou, quase entusiasmado.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Era raiva não. Era marca de dor.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-size: 13px;"&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;
&lt;em&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: x-small;"&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;span style="text-decoration: none;"&gt;&lt;a href="http://www.releituras.com/aprado_bio.asp"&gt;Leia a Biografia completa da Autora aqui.&amp;nbsp;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;Texto publicado em "Prosa Reunida", Editora Siciliano - São Paulo, 1999, foi incluído por Ítalo Moriconi no livro "Os Cem Melhores Contos Brasileiros do Século", Editora Objetiva - Rio de Janeiro, 2000, pág. 349.&lt;/blockquote&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1828449244272539790-1198494362098598756?l=blogcoisasnossas.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://blogcoisasnossas.blogspot.com/2009/07/adelia-prado.html</link><author>dullimi@gmail.com (Du)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://3.bp.blogspot.com/_C88pfpvNkrg/SnJods6cPYI/AAAAAAAAGPY/QmDE-0Qa2fQ/s72-c/AdeliaPrado.jpg" height="72" width="72" /><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">4</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1828449244272539790.post-3109893661997928124</guid><pubDate>Sat, 25 Jul 2009 15:27:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-07-25T12:28:07.128-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">poesia</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Elisa Lucinda</category><title>Elisa Lucinda</title><description>&lt;blockquote&gt;   &lt;p align="center"&gt;&lt;img src="http://www.escolalucinda.com.br/imagens/elisalucindagrande3.jpg" /&gt; &lt;/p&gt;    &lt;p align="center"&gt;&amp;#160;&lt;/p&gt;    &lt;p align="center"&gt;&lt;font size="3"&gt;Cor-respondência &lt;/font&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p align="center"&gt;Remeta-me     &lt;br /&gt;os dedos      &lt;br /&gt;em vez de cartas de amor      &lt;br /&gt;que nunca escreves      &lt;br /&gt;que nunca recebo.      &lt;br /&gt;Passeiam em mim estas tardes      &lt;br /&gt;que parecem repetir      &lt;br /&gt;o amor bem feito      &lt;br /&gt;que você tinha mania de fazer comigo.      &lt;br /&gt;Não sei amigo      &lt;br /&gt;se era seu jeito      &lt;br /&gt;ou de propósito      &lt;br /&gt;mas era bom      &lt;br /&gt;sempre bom      &lt;br /&gt;e assanhava as tardes      &lt;br /&gt;Refaça o verso      &lt;br /&gt;que mantinha sempre tesa      &lt;br /&gt;a minha rima      &lt;br /&gt;firme      &lt;br /&gt;confirme      &lt;br /&gt;o ardor dessas jorradas      &lt;br /&gt;de versos que nos bolinaram os dois      &lt;br /&gt;a dois      &lt;br /&gt;Pense em mim      &lt;br /&gt;e me visite no correio      &lt;br /&gt;de pombos onde a gente se confunde      &lt;br /&gt;Repito:      &lt;br /&gt;Se meta na minha vida      &lt;br /&gt;outra vez meta      &lt;br /&gt;Remeta.&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p align="center"&gt;&amp;#160;&lt;/p&gt;  &lt;p align="center"&gt;&lt;img src="http://www.escolalucinda.com.br/imagens/elisalucindagrande2.jpg" /&gt; &lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Elisa Lucinda nasceu num domingo, 2 de fevereiro, em Vitória do Espírito Santo, onde se formou em jornalismo e chegou a exercer a profissão. Em 1986, mudou-se para o Rio de Janeiro disposta a seguir a carreira de atriz. &lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Sempre atuando em teatro, cinema e televisão, publicou seu primeiro livro de poesia “O Semelhante”, em 1994. Este foi um passo para que a peça de mesmo nome, onde ela dizia seus versos e conversava com a platéia, permanecesse em cartaz durante seis anos, no Brasil e no exterior. &lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;No mesmo formato, apresentou “Eu te amo Semelhante” e atualmente excursiona pelo país com mais um espetáculo solo, “Parem de falar mal da rotina”, sucesso de crítica e público no Fórum Internacional de Culturas, Barcelona, em 2004. Recentemente esteve representando o Brasil na XIV Feira do Livro de Cuba – 2005. &lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Popularizando a poesia com seu jeito coloquial de escrevê-la e dizê-la, sua presença cênica tanto no palco como na tela é impressionante. &lt;/p&gt;  &lt;p align="center"&gt;&lt;img src="http://www.escolalucinda.com.br/imagens/elisalucindagrande.jpg" /&gt; &lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Elisa Lucinda é considerada um dos maiores fenômenos da poesia brasileira. “A menina transparente”, poema que marca sua estréia na literatura infantil, recebeu Prêmio Altamente Recomendável, da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil – FNLIJ. &lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Reconhecida pela sua literatura poética (“O semelhante”, “Eu Te Amo e Suas Estréias”, os infantis “A menina transparente”, “Lili a rainha das escolhas”, “O órfão famoso”, “O menino inesperado” e seus mais recentes livros “Cinqüenta poemas escolhidos pelo autor”, “Contos de Vista” e seu mais novo livro &amp;quot;A Fúria da Beleza&amp;quot; ), além de seus espetáculos, recitais e workshops apresentados no Brasil e exterior; por seus trabalhos na área de recursos humanos junto à diversas empresas e instituições como Petrobrás, Banco Real, Fiocruz e por seus recentes trabalhos: na televisão, onde viveu a cantora Pérola em “Mullheres Apaixonadas” - novela de Manoel Carlos no horário nobre na Rede Globo, &amp;quot;Páginas da Vida&amp;quot; também de Manoel Carlos, ; no cinema, como protagonista ao lado da amiga e atriz Zezé Polessa, no filme “Alegres comadres” (lançado no Festival BR de Cinema 2003); Elisa ainda mantém a “&lt;a href="http://www.escolalucinda.com.br/index.htm" target="_blank"&gt;Escola Lucinda de Poesia Viva&lt;/a&gt;” onde ensina interpretação teatral da poesia seguindo o lema: “Falando poesia sem ser chato”. &lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;A notável Capixaba vem ao longo de sua carreira presenteando o público com seu jeito peculiar e natural de falar poesia sem representar o verso mas apresentando as emoções que as palavras podem proporcionar... Compartilhe com Elisa Lucinda de seus versos! Brindemos à vida!&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;a href="http://www.escolalucinda.com.br/index.htm" target="_blank"&gt;Site&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1828449244272539790-3109893661997928124?l=blogcoisasnossas.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://blogcoisasnossas.blogspot.com/2009/07/elisa-lucinda.html</link><author>dullimi@gmail.com (Du)</author><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">2</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-1828449244272539790.post-8016403101151583674</guid><pubDate>Sun, 19 Jul 2009 00:13:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-07-18T21:13:12.143-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">poesia</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Hilda Hilst</category><title>Hilda Hilst</title><description>&lt;p&gt;&lt;img style="display: block; float: none; margin-left: auto; margin-right: auto" src="http://www.revista.agulha.nom.br/hildahilst.jpg" /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p align="center"&gt;&amp;#160;&lt;/p&gt;  &lt;blockquote&gt;   &lt;p align="justify"&gt;&amp;quot;...e tudo é tão redondo e completo na hora da morte, pois aí sim é que estás completamente acabado, inteirinho tu mesmo, nítido nítido, preciso, exato como um magnífico teorema...&amp;quot;&lt;/p&gt; &lt;/blockquote&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&amp;#160;&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;HILDA HILST nasceu em Jaú, São Paulo, em 21 de Abril de 1930. O pai, Apolônio de Almeida Prado Hilst, fazendeiro e poeta, era filho de Eduardo Hilst, imigrante que veio da Alsácia-Lorena ao Brasil, e de Maria do Carmo Ferraz de Almeida Prado. A mãe, Bedecilda Vaz Cardoso, era filha de portugueses.   &lt;br /&gt;Depois de terminar o curso clássico na Escola Mackenzie, estudou na Faculdade de Direito do Largo São Francisco. Formada em 1952, a jovem bacharel exerceu durante alguns meses a advocacia, profissão que, segundo confessa, a deixou &amp;quot;apavorada&amp;quot;.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Poeta, dramaturga e ficcionista, HILDA HILST escreve há quase cinqüenta anos - publicou seu primeiro livro de poesias aos vinte anos (Presságio) - tendo sido agraciada com os mais importantes prêmios literários do país. Participa, desde 1982, do Programa do Artista Residente, da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP.   &lt;br /&gt;Em 1957 e 1961 HILDA HILST fez viagens maiores pela Europa, demorando-se na França, Itália e Grécia.    &lt;br /&gt;Muito bonita, despertou grandes paixões, inclusive, do poeta Vinicius de Moraes e foi namorada do ator Dean Martin. Casou-se em 1968 com o escultor Dante Casarini.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Seu arquivo pessoal foi comprado pelo Centro de Documentação Alexandre Eulálio, Instituto de Estudos de linguagem, IEL, UNICAMP, em 1995, estando aberto a pesquisadores do mundo inteiro.   &lt;br /&gt;Alguns de seus textos foram traduzidos para o francês, inglês, italiano e alemão. Em março de 1997, seus textos Com os meus olhos de cão e A obscena senhora D foram publicados pela Ed. Gallimard, tradução de Maryvonne Lapouge, que também traduziu Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Desde 1966, HILDA HILST mora na Casa do Sol, uma chácara próxima a Campinas-SP. Ali dedica todo seu tempo à criação literária. Quem visitá-la em sua chácara, vai encontrá-la rodeada por pilhas de livros, mas poucos deles tratam de literatura. Em sua maioria, são leituras teóricas, relacionadas à física, à filosofia e à matemática, com as quais ela procura refletir sobre questões como a imortalidade da alma, &amp;quot;do ponto de vista científico, não apenas metafísico&amp;quot;, como ela diz. Por isso, Hilda vive mergulhada na obra do físico Stephane Lupasco, que defende a idéia de que a alma é feita de matéria quântica.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Foi a preocupação com a imortalidade da alma, aliás, que a levou, na década de 70, a realizar uma série de experiências com o intuito de gravar vozes de mortos. O estímulo surgiu a partir de pesquisas semelhantes feitas pelo cientista sueco Friederich Yuergenson, cujos resultados foram estudados pelo Instituto Max Planck, da Alemanha. Sob o olhar incrédulo, mas interessado, de físicos respeitados, como César Lattes, Mário Schenberg e Newton Bernardes, Hilda passou a esparramar gravadores de rolo pela sua chácara, deixando-os ligados. Trocou-os depois por gravadores cassetes acoplados a rádios sintonizados entre duas estações. Foi assim que captou e gravou vozes enigmáticas pronunciando palavras e fragmentos de frases, algumas, segundo ela, com até 12 vocábulos. Não foi levada a sério e suas experiências acabaram postas de lado. &amp;quot;Fosse hoje, com os cientistas buscando novos paradigmas, eu não passaria por louca&amp;quot;, ironiza.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Na literatura, Hilda viveu a situação contrária: foi sempre levada a sério. Até demais. Carregou durante toda a sua carreira literária a fama de escritora difícil e de poucos leitores. Resolveu acabar com a pecha seis anos atrás, ao publicar uma trilogia pornográfica, iniciada com &amp;quot;O Caderno Rosa de Lory Lambi&amp;quot;, que deixou os críticos de cabelos em pé. Conseguiu o que queria: chamar a atenção sobre o seu trabalho.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Hoje, de volta à literatura &amp;quot;séria&amp;quot;, ela se divide entre o novo livro e a idéia de transformar sua chácara num centro de estudos psíquicos, filosóficos e científicos, que promova a integração entre diversas áreas do conhecimento.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Embora preocupada com a morte e a finitude das coisas, Hilda não perde, na vida e na arte, a sua conhecida irreverência. Talvez seja esta a sua principal marca, que um episódio acontecido anos atrás ilustra bem. Durante uma aula na Unicamp, ao lado de Mário Schenberg, Hilda falava para uma platéia de físicos e estudantes. No meio da exposição, notou que um físico presente caçoava de suas idéias, ao mesmo tempo em que insistia em coçar as virilhas. Lá pelas tantas, ele torpedeou: &amp;quot;Quer dizer que a senhora acredita realmente na imortalidade da alma?&amp;quot; E Hilda, rápida: &amp;quot;Eu acredito na imortalidade da minha alma, porque se o senhor continuar apenas rindo e coçando o saco, sequer constituirá uma alma.&amp;quot;&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;   &lt;br /&gt;&lt;b&gt;OBRA&lt;/b&gt;&lt;/p&gt; &lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;  &lt;p align="justify"&gt;   &lt;br /&gt;&lt;strong&gt;POESIA     &lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;- Presságio - SP: Revista dos Tribunais, 1950.    &lt;br /&gt;- Balada de Alzira - SP: Edições Alarico, 1951.    &lt;br /&gt;- Balada do festival - RJ: Jornal de Letras, 1955.    &lt;br /&gt;- Roteiro do Silêncio - SP: Anhambi, 1959.    &lt;br /&gt;- Trovas de Muito Amor Para um Amado Senhor - SP: Anhambi, 1959. SP: Massao Ohno,    &lt;br /&gt;1961.    &lt;br /&gt;- Ode Fragmentária - SP: Anhambi, 1961.    &lt;br /&gt;- Sete cantos do Poeta Para o Anjo - SP: Massao Ohno, 1962.    &lt;br /&gt;- Poesia (1959/1967) - SP: Editora Sal, 1967.    &lt;br /&gt;- Júbilo, Memória, Noviciado da Paixão - SP: Massao Ohno, 1974.    &lt;br /&gt;- Poesia (1959/1979) - SP: Quíron/INL, 1980.    &lt;br /&gt;- Da Morte. Odes Mínimas - SP: Massao Ohno, Roswitha Kempf, 1980.    &lt;br /&gt;- Da Morte. Odes Mínimas - SP: Nankin/Montréal: Noroît, 1998. (Edição bilíngüe,    &lt;br /&gt;francês-português.)    &lt;br /&gt;- Cantares de Perda e Predileção - SP: Massao Ohno/Lídia Pires e Albuquerque Editores,    &lt;br /&gt;1980.    &lt;br /&gt;- Poemas Malditos, Gozosos e Devotos - SP: Massao Ohno/Ismael Guarnelli Editores,    &lt;br /&gt;1984.    &lt;br /&gt;- Sobre a Tua Grande Face - SP: Massao Ohno, 1986.    &lt;br /&gt;- Alcoólicas - SP: Maison de vins, 1990.    &lt;br /&gt;- Amavisse - SP: Massao Ohno, 1989.    &lt;br /&gt;- Bufólicas - SP: Massao Ohno, 1992.    &lt;br /&gt;- Do Desejo - Campinas, Pontes, 1992.    &lt;br /&gt;- Cantares do Sem Nome e de Partidas - SP: Massao Ohno, 1995.    &lt;br /&gt;- Do Amor - SP: Massao Ohno, 1999.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;   &lt;br /&gt;&lt;strong&gt;PROSA     &lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;- Fluxo - Floema - SP: Perspectiva, 1970.    &lt;br /&gt;- Qadós - SP: Edart, 1973.    &lt;br /&gt;- Ficções - SP: Quíron, 1977.    &lt;br /&gt;- Tu Não te Moves de Ti - SP: Cultura, 1980.    &lt;br /&gt;- A Obscena Senhora D - SP: Massao Ohno, 1982.    &lt;br /&gt;- Com Meus Olhos de Cão e Outras Novelas - SP: Brasiliense, 1986.    &lt;br /&gt;- O Caderno Rosa de Lory Lambi - SP: Massao Ohno, 1990.    &lt;br /&gt;- Contos D'Escárnio/Textos Grotescos - SP: Siciliano, 1990.    &lt;br /&gt;- Cartas de Um Sedutor - SP: Paulicéia, 1991.    &lt;br /&gt;- Rútilo Nada - Campinas: Pontes, 1993.    &lt;br /&gt;- Estar Sendo Ter Sido - SP: Nankin, 1997.    &lt;br /&gt;- Cascos e Carícias - crônicas reunidas (1992-1995) - SP: Nankin, 1998.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;   &lt;br /&gt;&lt;strong&gt;TEATRO     &lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;- A Possessa - 1967.    &lt;br /&gt;- O Rato no Muro - 1967.    &lt;br /&gt;- O Visitante - 1968.    &lt;br /&gt;- Auto da Barca de Camiri - 1968.    &lt;br /&gt;- O Novo Sistema - 1968.    &lt;br /&gt;- Aves da Noite - 1968.    &lt;br /&gt;- O Verdugo - 1969 (Prêmio Anchieta)    &lt;br /&gt;- A Morte de Patriarca - 1969.    &lt;br /&gt;NOTA: Todas as peças, à execeção de &amp;quot;O Verdugo&amp;quot;, são inéditas.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;   &lt;br /&gt;&lt;strong&gt;PRÊMIOS     &lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;HILDA HILST recebeu sete prêmios literários. Em 1962, o Prêmio PEN Clube de São Paulo, por &amp;quot;Sete Cantos do Poeta para o Anjo&amp;quot; (Massao Ohno Editor, 1962). Em 1969, a peça &amp;quot;O Verdugo&amp;quot; arrebata o prêmio Anchieta, um dos mais importantes do país na época. A Associação Paulista dos Críticos de Arte (Prêmio APCA) considera &amp;quot;Ficções&amp;quot; (Edições Quíron, 1977) o melhor livro do ano. Em 1981, Hilda Hilst recebe o Grande Prêmio da Crítica para o Conjunto da Obra, pela mesma APCA. Em 1984, a Câmara Brasileira do Livro concede o Prêmio Jabuti a &amp;quot;Cantares de Perda e Predileção&amp;quot; (Massao Ohno - M. Lydia Pires e Albuquerque editores, 1983). No ano seguinte, a mesma obra recebe o Prêmio Cassiano Ricardo (Clube de Poesia de São Paulo). Por último, &amp;quot;Rútilo Nada&amp;quot;, publicado em 1993, pela editora Pontes, leva o Prêmio Jabuti como melhor conto.&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;&amp;#160;&lt;/p&gt;  &lt;p align="justify"&gt;Fonte: &lt;a href="http://www.revista.agulha.nom.br/hilda.html#inicio" target="_blank"&gt;Jornal de Poesia&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1828449244272539790-8016403101151583674?l=blogcoisasnossas.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://blogcoisasnossas.blogspot.com/2009/07/hilda-hilst.html</link><author>dullimi@gmail.com (Du)</author><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">3</thr:total></item></channel></rss>
