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	<title>Livros e afins</title>
	
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	<description>É para gostar de ler.</description>
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		<title>Estante de livros amiga dos gatos</title>
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		<pubDate>Fri, 03 Feb 2012 13:40:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alessandro Martins</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Uma estante de livros pensada especialmente para leitores que têm gatos, pensada por Corentin Dombrecht. Dica da leitora Patrícia Carneiro. Livros e afins<p><ul>
<li><a href="http://livroseafins.com">Livros e afins</a></li>
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<p>Uma estante de livros pensada especialmente para leitores que têm gatos, pensada por <a href="http://www.corentin.be">Corentin Dombrecht</a>. Dica da leitora Patrícia Carneiro.</p>
</div><p><ul>
<li><a href="http://livroseafins.com">Livros e afins</a></li>
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		<title>Por que não há grandes escritores no Brasil hoje?</title>
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		<pubDate>Fri, 03 Feb 2012 13:15:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rikard Amberlin</dc:creator>
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<li><a href="http://livroseafins.com">Livros e afins</a></li>
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<p>Sim, o título soa polêmico. Mas realmente existe um paradoxo aí que é preciso esclarecer. A América Hispânica conta seis prêmios Nobel e inúmeros romancistas de cunho universal, enquanto os últimos brasileiros que respondam a estas características, creio, foram Érico Vérissimo, Clarice Lispector e Jorge Amado (e nenhum sendo Nobel infelizmente).</p>
<p>De Língua Portuguesa, os grandes contemporâneos são sem dúvida o recém-falecido Saramago, Mia Couto (Moçambique), António Lobo Antunes e, provavelmente, Miguel Sousa Tavares pela elegância da reconstituição histórica numa ficção extremamente bem escrita (Equador). Entre eles, nenhum romancista brasileiro, ou quase. Chico Buarque alcança talvez esta âmbito universal em Budapeste, João Ubaldo Ribeiro em Sargento Getúlio.</p>
<p>E Edney Silvestre, prêmio Jabuti 2010, com Se Eu Fechar os Olhos Agora?</p>
<p>Sinto muito. Abandonei esta romance na página 85, por absoluta falta de tesão. Me entendam bem. A sua linguagem é de alto nível. Mas a história de Edney Silvestre não funciona para mim, nem como “noir”, nem como peça literária. Por que deveria ficar cativado pelo destino de dois meninos ordinários numa cidade qualquer do interior fluminense, em abril de 1961, no dia em que Yuri Gagarin sobrevoou a nossa “Terra Azul”? Por não ter conseguindo me seduzir em 85 páginas, o autor debutante me perdeu como leitor.</p>
<p>Em contrapartida, um romance <em>noir</em> brasileiro que estabelece perfeitamente o elo (desde as primeiras páginas) entre uma sórdida ocorrência policial e uma época conturbada pré-ditadura, de maneira empolgante e universal, é Agosto (1985), de Rubem Fonseca. Uma obra-prima. Quem são os herdeiros espirituais de Fonseca?</p>
<p>Eís, o dilema. Não há!</p>
<p>O Brasil consegue contribuir lá fora com grandes cineastas (Fernando Meirelles, Walter Salles&#8230;), artistas plásticos, compositores, arquitetos, designers. Mas cadê o Coetzee brasileiro, o Philip Roth brasileiro, o Jonathan Franzen brasileiro? Escritores ou escritoras que poderiam descrever o ethos brasileiro ( ou, aliás, o não-ethos diante do novoriquismo tupiniquim atingindo as esferas politicas&#8230;) através de personagens complexas e atuais. No Brasil sexta potência econômica. Com sua nova classe média. Com suas enormes ambiguidades&#8230;</p>
<p>Receio que antigos paradigmas literários não foram superadas ainda por aqui. Quem sabe escrever romance no Brasil hoje, quem mexe com literatura, não quer descer na rua, ir na ação, examinar a sociedade de 2012! Me toquei disso outra semana quando, numa reunião social, bati um papo com Renato Rezende, poeta reconhecido, escritor, tradutor e editor de livros, pessoa legal e brilhante.</p>
<p>Ok, o mundo da poesia é particular, em qualquer parte do mundo. Sua circulação está restrita em qualquer idioma, a sua publicação depende de patrocínio. Mas contei para Renato como funciona na Suécia, onde escritores debutantes colocam seus textos curtos ou longos num site especializado para trocar idéias, experiências e&#8230;críticas construtivas na fase antes de procurar editor. Certos manuscritos alcançam até 14.000 acessos (num país de 10 milhões de habitantes).</p>
<p>O poeta/escritor/editor/tradutor era categórico: &#8220;Isto nunca ia funcionar no Brasil&#8230;aqui você procuraria um mentor, diretamente, nos restritos circulos literários&#8221;. Eu não disse nada, mas sentia um calafrio diante de tal “mode d´emploi”! A palavra <strong>elitismo</strong> estava escrito no ar. Havia de um lado nós – “the happy few ” – que entendemos de literatura, do outro “the crowd” os leitores de best-sellers, os adeptos de Paulo Coelho&#8230;</p>
<p>Talvez eu seja conservador. Mas os criadores do moderno romance eram todos populares: Balzac, Flaubert, Dickens, Dostojevskij, Dumas, Victor Hugo, Stendahl, Tolstói, Zola&#8230; Nos tempos de hoje, Umberto Eco é best-seller, seu último romance é sarcástico, complexo e abre para profundas reflexões. Não me parece que no dinâmico contexto brasileiro (a leitura per capita cresce segundo as estatísticas, abertura de novas livrarias nos grandes centros, mais dinheiro sobrando para atividades de lazer, mais jovens com acesso à cultura&#8230;), grande tiragem equivale necessariamente a má qualidade.</p>
<p>Agora, concordo que não é tão fácil realizar tal proeza literária, atingir um público maior com textos de qualidade. É preciso uma linguagem fluida, transparente, uma estrutura contundente, que possam igualmente veicular grandes imagens ou idéias, assim que temas da atualidade. Simplificar sim, atrair certamente, mas também densificar&#8230;</p>
<p>Este é o caminho que os criadores literários no Brasil precisam redescobrir. Procurar de novo a universalidade, a partir da atual sociedade brasileira. A inspiração literária precisa ser buscada também no presente, nas mudanças sociais! Numa visão clara dos acontecimentos! Por que as telenovelas brasileiras são tão insípidas e medíocres hoje? Por que falta veia criadora e posicionamento diante da sociedade. Confiram em Roque Santeiro, novela de 1986. Grande novela satírica cujo argumento foi assinado por Dias Gomes, gênio lúcido.</p>
<p>Vou terminar com um caso estrangeiro bem pertinente. O escritor sueco Stieg Larsson fez sucesso mundial com a trilogia noir Millennium a partir de 2006. 70 milhões de exemplares vendidos até agora (no Brasil menos que em outros paises, pelo fato de que noir é um gênero menor por aqui, mas os três volumes foram agora relançados no País com a versão cinematografica de David Fincher, atualmente em cartaz). O público adora, é claro, mas a crítica também. Segundo Vargas Llosa, a receita de êxito de Stieg Larsson (jornalista e militante que partiu em guerra contra a extrema direita europeia, já falecido) está baseada num coquetel literário bem dosado, casando veracidade atual/reportagem com lenda/mitologia.</p>
<p>Exatamente o que Alexandre Dumas fazia há 160 anos atrás, nas páginas do Conde de Monte-Cristo&#8230;</p>
</div><p><ul>
<li><a href="http://livroseafins.com">Livros e afins</a></li>
<ul></p>
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		<title>Sobrecapa para 100 Anos de Solidão para baixar</title>
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		<pubDate>Fri, 03 Feb 2012 00:10:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alessandro Martins</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Clique na imagem para baixar ou aqui. Ela cabe em um livro de aproximadamente 23 cm de altura e 16 de largura. Mas se preciso, acho que você consegue fazer adaptações. Imprima em uma folha A3 e coloque em volta do livro de Gabriel García Marquez para protegê-lo. Se você fizer, mande uma foto para [...]<p><ul>
<li><a href="http://livroseafins.com">Livros e afins</a></li>
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<p>Clique na imagem para baixar ou <a href="http://livroseafins.com/wp-content/uploads/2012/02/sobrecapa-para-100-anos-de-solidão.jpg">aqui</a>. Ela cabe em um livro de aproximadamente 23 cm de altura e 16 de largura. Mas se preciso, acho que você consegue fazer adaptações.</p>
<p>Imprima em uma folha A3 e coloque em volta do livro de Gabriel García Marquez para protegê-lo.</p>
<p>Se você fizer, mande uma foto para publicarmos.</p>
</div><p><ul>
<li><a href="http://livroseafins.com">Livros e afins</a></li>
<ul></p>
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		<title>Lixo não é livro para doação e biblioteca comunitária não é lixão</title>
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		<pubDate>Thu, 02 Feb 2012 13:32:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alessandro Martins</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Algumas coisas que você precisa saber antes de doar livros para uma biblioteca, comunitária ou não: os livros servem para serem lidos: se eles não estão em condições físicas para você ler (faltando páginas ou se desmanchando), do mesmo modo, não servirão para outras pessoas; há situações em que não é possível restaurar ou recuperar [...]<p><ul>
<li><a href="http://livroseafins.com">Livros e afins</a></li>
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<p>Algumas coisas que você precisa saber antes de doar livros para uma biblioteca, comunitária ou não:</p>
<ul>
<li><strong>os livros servem para serem lidos</strong>: se eles não estão em condições físicas para você ler (faltando páginas ou se desmanchando), do mesmo modo, não servirão para outras pessoas; há situações em que não é possível restaurar ou recuperar o livro; infelizmente, mesmo livros às vezes tem que ir para a reciclagem</li>
<li><strong>livros didáticos são ótimos</strong>: para escolas; e se estiverem atualizados; algumas bibliotecas comunitárias aceitam esse tipo de livro, mas se informe antes</li>
<li><strong>procure também se informar se a biblioteca comunitária aceita livros técnicos</strong>; muitas vezes esse tipo de livro não atende o tipo de serviço que a biblioteca  oferece</li>
</ul>
<p>E, absurdo ter de dizer, mas vamos lá:</p>
<ul>
<li><strong>lista telefônica não é livro</strong>: vale para assemelhados a listas telefônicas.</li>
</ul>
<p>Doação é um ato de amor e desprendimento.</p>
<p>O melhor livro para doar é aquele que você daria a um amigo, emprestado ou de presente. Doação não é algo que não serve para nada ou que está ocupando espaço ou algo de que gostaríamos de nos livrar simplesmente.</p>
<p>Doação não é lixo.</p>
<p>Alguém pode sugerir: os responsáveis pela biblioteca deveriam encaminhar esses livros inutilizáveis para a reciclagem. Desculpe-me, mas os responsáveis pelas bibliotecas já tem trabalho suficiente. O encaminhamento para a reciclagem ou para outro fim menos definitivo deve ser responsabilidade do antigo dono dos livros.</p>
<p>Escrevi isto depois do desabafo da Daniele Carneiro, uma das  responsáveis pela Biblioteca Comunitária Sítio Vanessa &#8211; que atende leitores em plena floresta atlântica, no litoral paranaense, emprestando livros sem prazo de devolução e promovendo a leitura em uma comunidade que, de outra forma, não teria acesso a livros.</p>
<p>Ela enviou o desabafo por email:</p>
<blockquote><p>Oi, Alessandro, tudo bem?</p>
<p>Gostaria de compartilhar com você algumas experiências sobre doação de livro, pelas quais passei últimos tempos com a Biblioteca Comunitária Sítio Vanessa, algumas que me fizeram perder bastante tempo, energia, e algumas até dinheiro. Eu acredito que você possa tirar algumas dicas desse meu relato, sobre doação de livros para todos aqueles que estão pensando em doar.</p>
<p>Aconteceu de me deslocar grandes distâncias, gastar gasolina, pagar pedágio para ir buscar caixas de doações e ao chegar em casa, os livros são enciclopédias didáticas com mais de 40, 50 anos, desatualizadas. Alguns fascículos até interessantes, mas ao serem tocados vão se desmanchando. Enciclopédias desatualizadas e livros didáticos, daqueles usados diariamente em sala de aula não despertam a atenção de novos leitores, não servem para conquistar novos leitores, nem para encantar pessoas que já leem, porque não são atraentes, já cumpriram seu dever em sala de aula.</p>
<p>As pessoas têm pena de jogar fora as apostilas de cursinho vestibular e livros didáticos, e acabam doando achando que alguém fará uso delas. Mas não farão. Chegam muitas doações de livros de curso de inglês com todos os exercícios completos a lápis ou a caneta. De uma doação de 500 volumes, aproveitamos 30, o resto foi tudo para o lixo, porque estavam se desmanchando ao toque.</p>
<p>Livros e revistas religiosos também não servem e chegam em grande quantidade. Se nem os donos acharam utilidade para esses livros, imagine para um leitor iniciante. Alguns livros têm teorias religiosas absurdas (tipo a Terra não é redonda), que não acho que seriam construtivas para pessoas que estão começando a se habituar à leitura agora.</p>
<p>Pela nossa experiência nesses meses com a Biblioteca Sítio Vanessa, eu vejo que as pessoas são apegadas muitas vezes a um acervo totalmente despedaçado e que não serve para ser repassado para outras pessoas. “Repassar” não significa trocar o lixo de lugar. São livros totalmente riscados, sujos, sem capa, faltando páginas, rasgados. Material que é lixo reciclável sem a menor possibilidade de oferecer uma leitura agradável, não teria condições de passar por restauro, e não serviria para um novo leitor. São muitos livros infantis e universitários (livros técnicos) riscados pelas próprias crianças, e pelos antigos donos, que não tem como serem repassados para outros leitores. E mesmo assim as pessoas doam, porque tem um afeto por aquele material, e acham que a gente poderá fazer um milagre da restauração naquilo, e repassar como mágica para outras pessoas.</p>
<p>Acredito que meu trabalho daqui pra frente, além de reunir livros para a Biblioteca Comunitária Sítio Vanessa, será a de orientar as pessoas para separar aquilo que é lixo daquilo que é doação. Na cabeça de muitas pessoas é o nosso trabalho ver isso, como se elas já estivessem conscientes de que ali naquele bolo de papel, só tem lixo mesmo. Eu queria poder desassociar a palavra “doação” de “lixo”. Fazer uma seleção do que ainda é aproveitável demostra respeito àqueles que irão receber esses livros.</p>
<p>Tem livros, vários deles que merecem ser restaurados, e mesmo com a nossa pouca habilidade na arte do restauro, fazemos o possível para dar uma sobrevida à eles, e repassamos. Esses livros vieram apenas com as marcas de uso, ou dos anos, alguns velhinhos, a maioria em estado excelente, que serão lidos por muitas gerações.</p>
<p>Mas também quando vêm em grande quantidade, livros com muitos problemas, o que acontece com eles é que vão ficando empilhados pelos cantos, porque além de não sermos restauradores, necessitam de um maior cuidado, e não temos tanto tempo disponível para nos dedicar a eles, porque afinal, nós também temos nossa vida, nossas atividades, faculdade e problemas para resolver. E livro parado é justamente aquilo que a gente quer evitar. Queremos livros circulando.</p>
<p>Por isso apoio muito a iniciativa de que as pessoas doem livros direto de suas estantes. Livros em bom estado. E “bom estado” algumas pessoas não compreendem bem. A matemática é fácil de fazer o que é bom pra mim, é bom para o outro. O fator apego é que atrapalha. As pessoas olham com carinho, amor e lealdade para algo que não presta mais, e acham que aquilo ali vai se transformar em algo sem traças, sem bolor, sem manchas, sem rasgos, e recriar páginas e capas só pelo amor. Apoio muito a ideia de que as pessoas doem seus livros que não serão relidos, porque eles terão uma vida bem mais duradoura, atingindo um número enorme de pessoas, como aqueles nossos primeiros trinta livros que deram o pontapé inicial a Biblioteca do Sítio. Queria poder desassociar a ideia de que doação é relacionada a objetos velhos, imprestáveis, que já cumpriram seu uso. As palavras que tenho ouvido muito “descarte” e “repasse”, já não me soam bem quando chego para buscar uma doação, porque aí já sei que só terá porcaria.</p>
<p>Vamos desassociar a doação da ideia de “desentulhar” cantos e armários. Queria poder desassociar a palavra “doação” do ato de “livrar-se” de várias coisas que estão atrapalhando, porque é exatamente isso que a gente não quer. Nós queremos livros que outras pessoas possam ler com algum conforto.</p>
<p>Após receber uma grande doação, de 500, 700 livros, nosso trabalho é igual à de qualquer biblioteca: limpamos os livros, apagar todos os sublinhados, colamos capas e páginas e por fim carimbamos com as orientações de uso. Os livros que levamos para o Sítio Vanessa são todos analisados, selecionados pelos assuntos que os leitores mais se identificam e nos pedem pessoalmente. Ou seja, nosso trabalho não é diferente do trabalho de qualquer outro funcionário que trabalhe numa biblioteca pública ou particular. Não chegamos com a caixa cheia de entulho para os leitores e dizemos “revirem!”. Seria bacana que os futuros doadores tivessem o cuidado em separar aquilo que é lixo daquilo que é genuinamente uma doação.</p>
<p>Sei que é um trabalho árduo desassociar essa ideia de coisa imprestável, “que eu não quero mais, mas não consigo jogar no lixo” de doação, mas acredito que não é impossível.</p>
<p>Não quero que as pessoas se sintam desestimuladas a doar, nós precisamos dos livros. Mas acredito que elas possam ser orientadas, e poderiam ser mais cuidadosas. Poderiam fazer uma pequena seleção do que deve ser doado, e do que não deve. Porque o que é lixo é lixo mesmo, qualquer um vê ao bater os olhos, não sou eu, ou outras pessoas que têm bibliotecas que irão definir que aquilo ali vai milagrosamente se reverter num livro que possa ser utilizado no próximo ano, por várias pessoas. Não estou de forma alguma reclamando das doações que recebemos, se não fossem por essas doações não teríamos alcançado 500 volumes em seis meses de funcionamento, mas às vezes é apenas falta de conhecimento. É uma questão de começar a despertar a sensibilidade das pessoas para os objetos que serão doados. Doação é amor, é muito mais que &#8220;se livrar&#8221; de algo que está atravancando o caminho, é respeito pelo próximo, é cuidado. O cuidado que você tem com suas coisas sendo repassado para outra pessoa. Doar é se colocar no lugar da outra pessoa, ser capaz de por um instante tentar compreender a situação dela, e se colocar naquela situação.</p>
<p>Um grande abraço para você, obrigada por sempre divulgar a Biblioteca Comunitária Sítio Vanessa, e vida longa às Biblioteca Livres.</p>
<p>Dani Carneiro.</p></blockquote>
</div><p><ul>
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