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<?xml-stylesheet type="text/xsl" media="screen" href="/~d/styles/rss2full.xsl"?><?xml-stylesheet type="text/css" media="screen" href="http://feeds.feedburner.com/~d/styles/itemcontent.css"?><rss xmlns:geo="http://www.w3.org/2003/01/geo/wgs84_pos#" xmlns:feedburner="http://rssnamespace.org/feedburner/ext/1.0" version="2.0"><channel><title>Viciado Carioca - Literatura underground e Rock and Roll na veia!</title><link>http://vicarioca.blogspot.com/</link><atom10:link xmlns:atom10="http://www.w3.org/2005/Atom" rel="self" type="application/rss+xml" href="http://feeds.feedburner.com/ViciadoCarioca" /><description></description><language>en</language><managingEditor>noreply@blogger.com (Viciado Carioca)</managingEditor><lastBuildDate>Sun, 25 Dec 2011 16:18:56 PST</lastBuildDate><generator>Blogger</generator><atom:id xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom">tag:blogger.com,1999:blog-2288834542821220975</atom:id><openSearch:totalResults xmlns:openSearch="http://a9.com/-/spec/opensearch/1.1/">99</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex xmlns:openSearch="http://a9.com/-/spec/opensearch/1.1/">1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage xmlns:openSearch="http://a9.com/-/spec/opensearch/1.1/">25</openSearch:itemsPerPage><feedburner:info uri="blogspot/ovrn" /><feedburner:emailServiceId>blogspot/ovRn</feedburner:emailServiceId><feedburner:feedburnerHostname>http://feedburner.google.com</feedburner:feedburnerHostname><atom10:link xmlns:atom10="http://www.w3.org/2005/Atom" rel="self" type="application/rss+xml" href="http://feeds.feedburner.com/ViciadoCarioca" /><feedburner:info uri="viciadocarioca" /><atom10:link xmlns:atom10="http://www.w3.org/2005/Atom" rel="hub" href="http://pubsubhubbub.appspot.com/" /><geo:lat>-23.218546</geo:lat><geo:long>-44.710025</geo:long><feedburner:emailServiceId>ViciadoCarioca</feedburner:emailServiceId><feedburner:feedburnerHostname>http://feedburner.google.com</feedburner:feedburnerHostname><item><title>Vida de escritor</title><link>http://feedproxy.google.com/~r/ViciadoCarioca/~3/W1ne3vYqAQw/vida-de-escritor.html</link><category>Comunicado</category><author>noreply@blogger.com (Viciado Carioca)</author><pubDate>Wed, 08 Jun 2011 01:40:00 PDT</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-2288834542821220975.post-5864968840928166963</guid><description>&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;A maior mentira que alguém pode contar é que o maior problema para um escritor é encarar a página em branco. Para mim, ele está encarando a própria criatividade. Um escritor que diz não ter inspiração para escrever, é para mim um escritor morto. Um ninguém. Ou pior ainda, um ninguém se fingindo de escritor.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Um escritor escreve e ponto final. Escreve em linhas, escreve em prosa, escreve na mente dele. Escreve certo como os escritores que ganham dinheiro ou escreve errado como eu que sou uma criança brincado de ser escritor. Mas escreve. Um escritor que não escreve, é um cara. Ponto final. Não é um escritor. No máximo, um babaca com idéias interessantes.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Fico bastante puto com os “escritores” que existem por ai. Dizem que encarar uma página vazia é muito difícil. Para mim, o difícil é encarar o teclado. É o ato de escrever em si. É me motivar a bater essas merdas dessas teclas e ter certeza que o que escrevo é alguma coisa. Faz sentido? Faz alguma diferença para alguém? É conversar com o teclado. Isso tudo vale a pena? Será que vou bater em você simplesmente por bater? Para satisfazer uma tara pessoal? No final....que final?....tem final?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Eu sou auto-destrutivo. Eu sou um babaca. Eu sou um merda. Minha vida sempre anda quando eu escrevo e estaciona quando não escrevo. Mesmo assim eu me martirizo toda vez que eu tenho que escrever. Por favor, não estou entrando no julgamento que o que eu escrevo é bom ou ruim. É simplesmente o ato de escrever.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(para mim tudo que escrevo é muito foda, mas quem entende da mesma forma é simplesmente maluco, porque no final eu acho que o que escrevo é apenas merda com atitude e vocês são pessoas que por algum desvio não conseguem entender a pura verdade. É tudo merda!).&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;O que sobra? Uma luta insana, absurda e idiota entre eu e eu mesmo. To be or not to be? Mas afinal, essa não é a luta de todos nós? A briga do escritor com os teclados não é a nossa luta para ser o que sempre sonhamos ser? Por todos os motivos que sempre inventamos, deixamos de ser aquilo que queríamos? É certo cobrar de um escritor por ele não escrever se nós mesmos acordamos todas as manhãs e enfrentamos a rotina do dia-a-dia sem a coragem de ser aquela pessoa que gostaríamos de ser?&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Eu pergunto e eu respondo. Sim. É certo. O escritor não tem essa escolha depois que ele decidiu o caminho que ele trilhou. É dever do escritor fazer as pessoas sonharem. Não é dever do escritor escrever corretamente. Não é dever do escritor agradar a todos. Tão pouco ter uma regularidade na escrita. Mas o escritor é o arauto da esperança e é dever do escritor oferecer alguns segundos, minutos ou horas de entretenimento, de esperança ou simplesmente de anulação do mundo real. E para isso, é um trabalho de observação e de criatividade. Você pode reclamar da sua motivação de fazer isso, mas não culpar simplesmente a sua incapacidade de fazer isso em uma página em branco que não tem nada de ameaçadora.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Mais uma vez eu quero agradecer meus leitores e me desculpar. A página em branco não me ameaça. Mas toda vez que eu encaro os teclados, eu encaro a mim mesmo. Toda vez que escrevo eu não só modifico a vida dos outros, mas a minha mesmo. Me pergunto, será que vale&amp;nbsp; a pena? &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;a href="http://vicarioca.blogspot.com/"&gt;Leia mais&lt;/a&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2288834542821220975-5864968840928166963?l=vicarioca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="feedflare"&gt;
&lt;a href="http://feeds.feedburner.com/~ff/ViciadoCarioca?a=W1ne3vYqAQw:YVgcTFXl2Qc:yIl2AUoC8zA"&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~ff/ViciadoCarioca?d=yIl2AUoC8zA" border="0"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt; &lt;a href="http://feeds.feedburner.com/~ff/ViciadoCarioca?a=W1ne3vYqAQw:YVgcTFXl2Qc:63t7Ie-LG7Y"&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~ff/ViciadoCarioca?d=63t7Ie-LG7Y" border="0"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt; &lt;a href="http://feeds.feedburner.com/~ff/ViciadoCarioca?a=W1ne3vYqAQw:YVgcTFXl2Qc:dnMXMwOfBR0"&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~ff/ViciadoCarioca?d=dnMXMwOfBR0" border="0"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt; &lt;a href="http://feeds.feedburner.com/~ff/ViciadoCarioca?a=W1ne3vYqAQw:YVgcTFXl2Qc:F7zBnMyn0Lo"&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~ff/ViciadoCarioca?i=W1ne3vYqAQw:YVgcTFXl2Qc:F7zBnMyn0Lo" border="0"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt; &lt;a href="http://feeds.feedburner.com/~ff/ViciadoCarioca?a=W1ne3vYqAQw:YVgcTFXl2Qc:7Q72WNTAKBA"&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~ff/ViciadoCarioca?d=7Q72WNTAKBA" border="0"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt; &lt;a href="http://feeds.feedburner.com/~ff/ViciadoCarioca?a=W1ne3vYqAQw:YVgcTFXl2Qc:V_sGLiPBpWU"&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~ff/ViciadoCarioca?i=W1ne3vYqAQw:YVgcTFXl2Qc:V_sGLiPBpWU" border="0"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt; &lt;a href="http://feeds.feedburner.com/~ff/ViciadoCarioca?a=W1ne3vYqAQw:YVgcTFXl2Qc:qj6IDK7rITs"&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~ff/ViciadoCarioca?d=qj6IDK7rITs" border="0"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt; &lt;a href="http://feeds.feedburner.com/~ff/ViciadoCarioca?a=W1ne3vYqAQw:YVgcTFXl2Qc:KwTdNBX3Jqk"&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~ff/ViciadoCarioca?i=W1ne3vYqAQw:YVgcTFXl2Qc:KwTdNBX3Jqk" border="0"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt; &lt;a href="http://feeds.feedburner.com/~ff/ViciadoCarioca?a=W1ne3vYqAQw:YVgcTFXl2Qc:l6gmwiTKsz0"&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~ff/ViciadoCarioca?d=l6gmwiTKsz0" border="0"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt; &lt;a href="http://feeds.feedburner.com/~ff/ViciadoCarioca?a=W1ne3vYqAQw:YVgcTFXl2Qc:gIN9vFwOqvQ"&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~ff/ViciadoCarioca?i=W1ne3vYqAQw:YVgcTFXl2Qc:gIN9vFwOqvQ" border="0"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt; &lt;a href="http://feeds.feedburner.com/~ff/ViciadoCarioca?a=W1ne3vYqAQw:YVgcTFXl2Qc:TzevzKxY174"&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~ff/ViciadoCarioca?d=TzevzKxY174" border="0"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;
&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/ViciadoCarioca/~4/W1ne3vYqAQw" height="1" width="1"/&gt;</description><atom:updated xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom">2011-06-08T05:43:43.836-03:00</atom:updated><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">12</thr:total><feedburner:origLink>http://vicarioca.blogspot.com/2011/06/vida-de-escritor.html</feedburner:origLink><feedburner:origLink>http://feedproxy.google.com/~r/blogspot/ovRn/~3/-L0s4dnO3IU/vida-de-escritor.html</feedburner:origLink></item><item><title>Grande Promoçao de Natal</title><link>http://feedproxy.google.com/~r/ViciadoCarioca/~3/RNxeKPFp9nc/grande-promocao-de-natal.html</link><category>Comunicado</category><author>noreply@blogger.com (Viciado Carioca)</author><pubDate>Tue, 16 Nov 2010 07:36:00 PST</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-2288834542821220975.post-331812429614885051</guid><description>&lt;b&gt;Natal está chegando, muita gente para presentear. Tem amigo oculto, secreto e aqueles velhos amigos de todas as horas.&amp;nbsp; O grande problema é gastar pouco e dar um presente legal.&amp;nbsp; &lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por isso, estou fazendo uma grande queima de estoque do meu livro “&lt;i&gt;&lt;b&gt;Viciado Carioca – Amor &amp;amp; Rock and Roll&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;”.&amp;nbsp; Uma bela oportunidade para quem ainda não comprou o livro, para os que já conhecem e querem dar de presente para um amigo e ainda de quebra, ajudar a divulgar o trabalho do velho Vic.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para os que ainda estão pensando se vale a pena, se o livro é bom e tudo mais segue alguns links de resenhas de leitores que não conheciam o blog. São leitores isentos e críticos, pois trabalham com isso e fazem resenhas todos os dias:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;a href="http://literaturadecabeca.blogspot.com/2010/08/viciado-carioca.html" target="new"&gt;Literatura de Cabeça&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;a href="http://sentimentonoslivros.blogspot.com/2010/10/viciado-carioca-claudio-formiga.html" target="new"&gt;Sentimento nos Livros&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;a href="http://www.psychobooks.com.br/2010/10/viciado-carioca-amor-e-rock-and-roll.html" target="new"&gt;Psychobooks&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;a href="http://www.viajenaleitura.com.br/2010/10/viciado-carioca-claudio-formiga.html" target="new"&gt;Viaje na Leitura&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;a href="http://virandoapagina.mypodcast.com/2010/10/Vcio_amor_e_penitenciria-329102.html?utm_source=feedburner&amp;amp;utm_medium=feed&amp;amp;utm_campaign=Feed%3A+virandoapagina+%28Virando+a+p%C3%A1gina%29" target="new"&gt;Virando a página&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;a href="http://skoob.com.br/livro/112559" target="new"&gt;Skoob&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;b&gt;Como funciona a promoção?&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não teria sentido dar desconto em um livro apenas se o grande lance é ter um presente bom e barato para dar aos amigos. Por isso decidi em parceria com a Editora Parênteses de dar descontos progressivos.&amp;nbsp; O preço de tabela do livro é R$23,00 e é por esse preço que você encontrará nas livrarias e no site da editora. Mas aqui no meu blog até o final do ano os preços serão:&lt;br /&gt;
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&lt;div style="color: black;"&gt;&lt;br /&gt;
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&lt;b&gt;Gostaram? Está moleza para comprar, hein? Através do Pagseguro você pode comprar com todos os cartões de crédito, boleto bancário, transferência online.&amp;nbsp;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
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&lt;b&gt;Então, não perca tempo, pois eu tenho um número limitado de livros que eu posso vender nessas condições. &lt;i&gt;Para quem desejar dedicatória, basta me mandar um e-mail com o nome da(s) pessoa(s). &lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style="color: red;"&gt;&lt;b&gt;Peço também a ajuda para divulgar a promoção. Postem em seus blogs, Twitter, Facebook.Obrigado! Forte abraço, boas compras e boas festas!&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;a href="http://vicarioca.blogspot.com/"&gt;Leia mais&lt;/a&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2288834542821220975-331812429614885051?l=vicarioca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="feedflare"&gt;
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&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/ViciadoCarioca/~4/RNxeKPFp9nc" height="1" width="1"/&gt;</description><atom:updated xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom">2010-11-16T13:36:04.850-02:00</atom:updated><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">12</thr:total><feedburner:origLink>http://vicarioca.blogspot.com/2010/11/grande-promocao-de-natal.html</feedburner:origLink><feedburner:origLink>http://feedproxy.google.com/~r/blogspot/ovRn/~3/QSIz_nzy0T4/grande-promocao-de-natal.html</feedburner:origLink></item><item><title>Em algum lugar de Zion durante Matrix Reloaded</title><link>http://feedproxy.google.com/~r/ViciadoCarioca/~3/wVwM4GMIgtQ/em-algum-lugar-de-zion-durante-matrix.html</link><category>Contos Proibidos</category><author>noreply@blogger.com (Viciado Carioca)</author><pubDate>Tue, 16 Nov 2010 01:49:00 PST</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-2288834542821220975.post-5214835916358002040</guid><description>&lt;div style="font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;b&gt;Agenor fumava um cigarro no cantinho da caverna enquanto observava Zac carregando algumas caixas de tambores para a festa de mais tarde. Entre uma baforada e outra, ele soltou:&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
- Eu não acredito que vai ser mesmo uma Rave.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
- Por que não? – perguntou Zac colocando algumas caixas no chão - É a onda do momento, e disseram que até o Escolhido vai aparecer.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
- Meu problema não é a festa. É o estilo musical. Música eletrônica. Não é um contra senso? Estamos lutando contra as máquinas e vamos escutar música eletrônica!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;Agenor deu mais uma baforada no cigarro. Zac abriu uma das caixas e ficou batucando de leve no tambor. &lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
- Qual seria a sua sugestão, Age?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
- Por que não o bom é o velho Rock and Roll? Cara, desde que eu saí da Matrix que não escuto uns bons acordes. Meu Deus, nunca achei que ia sentir tanta falta do meu Ipod...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
- Não era um Ipod de verdade e sim um programa que simulava...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
- Eu sei, eu sei... mesmo nada sendo real, eu sinto muita falta de certas coisas do outro mundo.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
- Tipo? &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
- Um bom vinho, sushi, filmes em geral, mas principalmente os pornôs.&amp;nbsp;&amp;nbsp; Droga, Zac ! Desde que o mundo é mundo existe pornografia! Somente nessa maldita Zion que não tem um puterinho, internet, uma revistinha de mulher pelada. Nem uma revistinha em quadrinho erótica! &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
- Você arrependeu-se de ter tomada a pílula vermelha, Age?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
- Se eu me arrependi? Eu não entendi porra nenhuma quando me procuraram! Quando vi, eu estava nessa caverna amaldiçoada!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;Zac arrastou a caixa para mais perto. Agenor levantou-se. &lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
- Como foi que aconteceu então, Age?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
- Minha noiva terminou comigo. Relacionamento sério, uns quatro anos de namoro. Ela disse que estávamos vivendo um conto de fadas e que nosso namoro não era real. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
- Mal sabia ela.... &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
- Pois é. Não era real mesmo.De qualquer forma, eu fiquei bem abalado. Saía todas as noites, enchia a cara, pegava umas mulherzinhas, essas coisas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
-&amp;nbsp; Você queria farrear!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
- Exatamente, Zac. Foi quando Morpheus apareceu. Eu cheio de cachaça na mente, aquele puta negão forte com uma roupinha meio esquisita e uma branquela do lado. Começou um papo estranho de escolhido e coisa e tal. Pensei que ele era um desses malucos que gostam de ver a esposa transando com outro cara, saca? &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
- Nossa! E aí?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;- Daí ele me ofereceu a pílula e eu achei que era uma anfetamina e nem pensei duas vezes. Grande erro. Vim parar aqui e eu não tenho nada haver com esse mundo real, Zac.&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
- Nada haver?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
- Olha em volta, Zac! Dentro da Matrix nós tínhamos tudo. Tínhamos conforto,&amp;nbsp; Tevê a cabo, Jack Daniel´s, Jim Morrison! Aqui a gente mora dentro de cavernas, com um número bem limitado de mulher. Porra, o próprio Morpheu que é um dos manda-chuvas não tem mulher, como eu vou arrumar alguém? Você tem que ser realmente o Escolhido para conseguir uma gatinha.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
-&amp;nbsp; Você disse que o Morpheus achava que você era o Escolhido.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
- Pois é. Maior micão. Morpheu se enganou por conta do meu nome. Todo mundo por aqui tem um nome bacana. Neo, Cypher, Trinity. Até você mesmo! Zac. Um puta nome maneiro. O meu. Agenor. Ele achou que isso era um sinal. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
- Você foi escolhido pelo seu nome.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
- O pior nem é isso, Zac. O pior foi visitar a Oráculo. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;- Você conheceu a Oráculo?&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
- Infelizmente. Puta velha maconheira neo age desgraçada. Logo que cheguei foi me dando esporro “Não vai quebrar essa merda de vaso porque só o escolhido de verdade é que tem esse direito”. Tentei não tocar em nada. Ela colocou a mão no meu rosto, olhou no fundo dos meus olhos e disse: “você gosta de transar?” . Mesmo com medo daquela velha querer me carcar, respondi que sim. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
- E ela?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
- Ela começou a rir. Eu perguntei o que era e ela respondeu que não iria me dizer “porque certas pessoas não estão preparadas para a verdade”.&amp;nbsp; Só não enfiei um dos garfos tortos que as crianças estavam brincando na bunda dela porque Morpheus me proibiu. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
- Que fase, heim?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
- Pois é, Zac. Quando saímos do apartamento da bruxa pedi para me deixar na Matrix e ele disse que não dava, tinha um monte de rolo burocrático e ele não ia assinar a papelada porque tinha perdido muito tempo comigo. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
- Putz.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
- No final eles carregaram um monte de programas de controle de estoque no meu cérebro e me jogaram aqui no almoxarifado de Zion. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
- Sinto muito, Age.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
- E no final, a velha coronga estava certa. Estou na seca há seis anos. Seis anos sem sexo. Sabe como eu me sinto?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
- Como?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;- Eu me sinto uma máquina.&lt;/b&gt; Seis anos sem sexo. Ainda dizem que estamos salvando a humanidade. Para isso, deveríamos estar nos reproduzindo igual coelhos. Porém aqui estou eu. Seis anos sem sexo. Que motivação que eu tenho de lutar contra as maquinas se eu também sou uma?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
- Que isso, Agenor. Anima-se de repente você conhece alguém legal na Rave.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
- Não tem jeito, a minha última esperança é o Arquiteto.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
- Quem?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
- O Arquiteto. O cara de fala enrolada que construiu essa porra toda. Ele vai dizer para o Neo entrar na fonte da Matrix e dar um ctrl+alt+del na coisa toda. Daí ele terá que escolher 23 indivíduos - 16 mulheres e 7 homens - a fim de reconstruir Zion. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
- Reconstruir Zion?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;- Sim! Sete homens para dezesseis mulheres! Todo mundo vai ter duas namoradas e dois sortudos vão ter três.&amp;nbsp; Nem posso esperar esse dia chegar!&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
- E como você pretende ser um dos escolhidos?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
- Da maneira mais antiga e eficiente de conseguir o sucesso no mundo coorporativo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
- Trabalhando?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
- Sendo baba ovo. O saco do chefe é o corrimão do sucesso! Afinal, são duas mulheres para cada homem!!!! Ainda chamam isso aqui de mundo real! &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;a href="http://vicarioca.blogspot.com/"&gt;Leia mais&lt;/a&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2288834542821220975-5214835916358002040?l=vicarioca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="feedflare"&gt;
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&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/ViciadoCarioca/~4/wVwM4GMIgtQ" height="1" width="1"/&gt;</description><atom:updated xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom">2010-11-16T07:54:57.199-02:00</atom:updated><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">3</thr:total><feedburner:origLink>http://vicarioca.blogspot.com/2010/11/em-algum-lugar-de-zion-durante-matrix.html</feedburner:origLink><feedburner:origLink>http://feedproxy.google.com/~r/blogspot/ovRn/~3/9OJ64NZH7Kc/em-algum-lugar-de-zion-durante-matrix.html</feedburner:origLink></item><item><title>Do pó viemos e ao pó voltaremos</title><link>http://feedproxy.google.com/~r/ViciadoCarioca/~3/Br0Au8rVe3k/do-po-viemos-e-ao-po-voltaremos.html</link><category>Vic  ANO I - 3º arco</category><author>noreply@blogger.com (Viciado Carioca)</author><pubDate>Mon, 25 Oct 2010 16:54:00 PDT</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-2288834542821220975.post-652044332777687278</guid><description>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;b&gt;V&lt;i&gt;iciado Carioca - Ano I – Arco 3 – Parte 15&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;b&gt;A história até agora:&lt;i&gt; &lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;i&gt;Ainda desolado pelo termino da relação com Nicole, Vic recebe um telefonema que vai mudar totalmente o rumo de sua vida. Pra pior, é claro.&amp;nbsp;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;Sugestão de música:&lt;/b&gt;&lt;i&gt; Legião Urbana - Os Anjos &lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;- Eu não consigo dormir. Eu não consigo dormir de maneira nenhuma e a culpa é totalmente sua, seu merda!&amp;nbsp;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mesmo com tanto ódio, dor e xingamentos, ainda era confortante ouvir a voz da Ruiva do outro lado da linha. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Calma Nicole é somente o efeito das bolinhas. Uma hora isso vai passar e você vai dormir. – eu tentava dizer com a voz mais carinhosa possível. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Meu coração batia forte só de ouvir a voz de Nicole, a minha paixão. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;Nicole, a mulher da minha vida.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nicole, a ruiva.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nicole, a louca.&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ela afinou a voz e começou a me imitar:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fica calma! Fica calma! – daí a voltou a gritar furiosa – Eu estou aqui sozinha e morrendo e você só sabe dizer isso! &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Foi você que me expulsou e terminou comigo, você queria que eu fizesse o que? – eu respondi com raiva. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Eu já tinha aprendido que não devia reagir dessa maneira. Da última vez quase bati nela por agir assim. Fiz uma anotação mental para me controlar mais. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Eu não estou te ligando porque eu te quero de volta, Vic. Estou te ligando porque foi você que me colocou nessa furada e é você que vai me tirar disso. Tudo que aconteceu é culpa sua! &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ela me culpava por que eu não avisei que era apenas para tomar uma bolinha. Eu não iria discutir isso. Eu não iria alimentar mais aquela briga. Afinal, nada disso mais importava. Nem se eu iria conseguir conquistá-la novamente importava. A saúde de Nicole que era a prioridade naquele momento.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Eu estou indo para ai, Nic. Vou te colocar na Falcon Milenium e nós vamos a um hospital!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- É Milenium Falcon, seu imbecil! Quantas vezes eu vou ter que te dizer isso? Que merda de nerd você é que nem decorar a porra do nome correto da nave você consegue? – eu comecei a contar até dez e ignorar os seus comentários jocosos. Ela continuou disparando – Eu não vou a hospital porra nenhuma! Eu não vou dizer oficialmente que eu sou uma drogada! &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Só Nicole mesmo. Desesperada com as drogas que tomou, porém irredutível em procurar ajuda profissional.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- O que você quer que eu faça então, Nic?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Eu não sei o que fazer, porra! Ou não estava te ligando! Você me colocou nessa, você me tira dessa, Vic! Ou a casa vai cair para todo mundo, seu babaca! Quero ver sua mãezinha católica ouvindo da sua namorada macumbeira que o caçulinha queridinho dela é um maconheiro sem-vergonha. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O sangue ferveu a minha cabeça. Podem fazer qualquer coisa comigo, mas ameaçar a minha mãe eu não iria admitir. Nem mesmo da mulher que eu amo. Não estava preocupado com a minha reputação, mas nada poderia interferir na felicidade da coroa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não mesmo. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Nic, seja lá o que você esteja pensando sobre mim nesse momento, você está errada. Eu vou te ajudar não é porque eu sou culpado de alguma coisa ou porque eu te amo. Eu vou te ajudar porque é a coisa certa a fazer. Mas se você ameaçar mais uma vez a minha família ou você fizer alguma coisa para magoar a minha mãe, Ruiva, você vai conhecer um outro Vic.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fiz uma pausa e ela calou do outro lado. O meu sangue estava fervendo. Maldito pacto. Maldito fantasma. Maldita vida. Eu respirei e voltei a falar:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Sem piadinhas, sem choro e sem reclamação. Mais uma vez, fique calma que tenho uma idéia do que vou fazer. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Desliguei o telefone sem escutar a resposta e a deixando pensar que eu era o cara mais cheio de certezas do mundo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fui tomar um banho rezando para que alguma idéia surgisse na minha cabeça. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Terminei o banho e a única idéia que eu tinha era voltar a casa do Dez e perguntar a ele o que fazer. Não era algo que me agradava, depois de ter largado Luther desacordado no banheiro do quarto dos seus pais, mas era a minha única opção. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;Decidi tentar uma ajuda extra para aquela tarefa e liguei para o Gordo. Afinal, para que servem os amigos?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quase caí para traz da cadeira da forma que ele atendeu o telefone:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- O que é agora? – ele gritou. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Normalmente eu largaria uma piada, mas eu não estava bom para pensar em uma e obviamente ele não estava no espírito de ouvir.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Algum problema, Gordo? &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Ah, é você. – ele parou alguns segundos surpreso e depois continuou com um tom um pouco desolado - Desculpa, Vic. Mas agora não dá para falar, estou no meio de uma briga telefônica com Wendy. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Domingo continuava sangrento para todos nós. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Desculpa, cara.&amp;nbsp; Deixa para lá, depois a gente se fala. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Pensei em oferecer ajuda nesse momento, mas desisti. Eu estava atolado em confusão e não tinha como auxiliar alguém.. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- É... depois a gente se fala... – ele respondeu desanimado. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Droga, Lucas era meu amigo e eu não poderia deixá-lo na merda, por mais enrolado que eu tivesse. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Olha, Gordo, se eu puder ajudar em alguma coisa...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Não sei, Vic.... &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Cara, se você não desembuchar eu não poderei te ajudar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Deixa pra lá, Vic. Depois a gente se fala. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ele estava decidido. Eu não estava tão determinado.&lt;br /&gt;
&amp;nbsp; &lt;br /&gt;
- Até mais, Gordo. – então desliguei.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sem nenhum Robin para me ajudar na minha cruzada, segui solitário para casa do Dez.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;A tarde de Domingo já estava avançada e muito silenciosa.&lt;/b&gt; Todos de luto com a morte de Ayrton Senna. Observei em várias janelas a bandeira do Brasil pendurada e em algumas um pano preto por cima. Um país de luto. Enquanto a minha vida e a dos meus amigos desmoronavam os brasileiros choravam. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Morreríamos todos abraçados na lama.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A ligação para Lucas acabou não sendo em vão. Ela me afastou dos pensamentos negativos sobre eu e Nicole e me fez pensar em outras coisas. Estranhamente me lembrei de quando era um pouco mais jovem e meu irmão mais velho já estava se envolvendo com garotas e vivendo as desilusões do amor.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;Lembrei-me de um dia específico.&lt;/b&gt; Eu devia ter uns onze anos e meu brother uns dezoito. Eu estava jogando Atari e ele conversava com um amigo pelo telefone. Eu sabia que alguma coisa estava ruim, porque ele não estava implicando comigo. Thomas sempre foi assim. Se as coisas iam mal na sua vida particular, ele ficava um doce em casa. Se as coisas iam bem na vida, ele arrumava um monte de confusão em casa. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Meu irmão sempre gostou de viver no olho do furacão. Provavelmente um mal de família.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Pois é, aquela piranha! Que raiva que eu estou dela! – ele falava com seu amigo, Madson, enquanto eu controlava o meu pequeno Smurf para salvar a Smurfet de aranhas e pontes que abriam e fechavam rapidamente. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- O que foi, Mad? Sua garota terminou com você também? &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Meu irmão na parecia surpreso. Ele ficou quieto ouvindo as lamurias de seu amigo do outro lado da linha e eu tinha sido pego pela aranha mortal.&amp;nbsp; Foi quando o meu irmão disse uma frase que eu nunca esqueci. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Quando um cai, todos caem. Minha namorada me traiu, a tua te largou e o Fabiano também tomou um pé na bunda. Quando um cai, todos caem, Mad. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Eu também não consegui salvar a Smurfet naquele dia. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quando um cai, todos caem. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É o efeito dominó do amor. Essas coisas que não tem nenhuma explicação científica, mas que acontecem. Eu não acredito em bruxas, mas elas existem. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Depois que meu irmão desligou o telefone, ele pegou o segundo controle e fomos jogar aquele emocionante Tênis do Atari onde os jogadores se moviam na velocidade impressionante de menos de um milímetro por segundo.&amp;nbsp; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Eu venci o primeiro jogo, o que era uma coisa rara pois ele sempre me vencia. Mas ele não reclamou. Ele soltou o controle e falou:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Irmãozinho, eu vou te dizer uma coisa sobre mulheres: aconteça o que acontecer, nunca deixe se levar muito por elas, ou elas arrancam seu couro. Se possível, não se apaixone nunca. O primeiro suspiro da paixão é o último da razão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Gostaria de ter ouvido mais atentamente o meu irmão. Talvez não teria entrado de cabeça e me entregando tanto no relacionamento com a Ruiva. Agora era inevitável. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quando um cai, todos caem. Nicole tinha me dado o fora, Lucas estava prestes a também levar um pé na bunda. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os heróis morrem jovens, principalmente em um Domingo sangrento como aquele. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No final, meu irmão acabou arrumando uma outra mulher, se casou e tem um filho. Parece um chefe de família feliz e aquelas cicatrizes de amor curadas e esquecidas. Mas eu sei que de vez em quando, principalmente quando ele bebe e fica um pouco nostálgico, esses cortes se abrem e ainda pingam uma ou duas gotas de sangue por lá.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O primeiro suspiro da paixão é o último da razão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;Cheguei em frente ao prédio de Dez.&lt;/b&gt; Eu iria aparecer no apartamento do traficante predileto da galera depois de largar um Luther drogado em quarto destruído. O ladrão sempre volta a cena do crime. Mais uma dessas coisas que não tem nenhuma explicação científica, mas que acontecem. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fiquei pensando se aquela ela a melhor coisa a fazer. Possivelmente não. Eu deveria levar Nicole para o hospital, deixar tudo bem e assumir todas as conseqüências. Por que envolver um traficante naquilo tudo?&amp;nbsp; Por mais que o Dez fosse um cara gente boa, não gostaria de ficar devendo um favor a ele. Mas que opções eu tinha? Depois de toda a briga com a Nicole, o esperado esporro que o Dez me daria pela overdose de anfetaminas nem me assustava. Ele iria reclamar e dizer que nunca mais forneceria algo para mim. Eu pediria desculpas e cagaria para o resto. Afinal, eu nunca gostei de atravessadores. Só queria que ele me disesse o que fazer. Um calmante para dar a ela, uma lavagem estomacal caseira. Qualquer coisa. Essas informações que só drogados experientes conhecem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Apertei o interfone&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Dez? Aqui é o Vic. Eu preciso falar com você.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
-. Pode subir. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Aquela viagem de elevador até a cobertura foi longa. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ele abriu a porta. Vestia uma cueca e um roupão. Incrivelmente sua cara não era de um homem que acabara de acordar. Era de um que nem mesmo tinha dormido. Provavelmente igual a minha.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entrei no apartamento e tudo estava impecavelmente limpo. Como se nunca tivesse tido uma festa de arromba há umas doze horas antes. Como eu gostaria que nada daquilo tivesse acontecido. Sem festas, sem bolinhas, sem a transa louca durante a madrugada, sem Luther jogado no banheiro, sem minha briga com Nicole. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- O pessoal da Colurb trabalhou direitinho hoje.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- É claro que sim. Contratei duas faxineiras de primeira linha para deixarem o apartamento um brinco. – vamos lá para o quarto. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Segui pelo corredor até chegar ao quarto psicodélico. Por alguma razão Dez não demonstrava surpreso pela a minha visita. Provavelmente estava doido de mais para ficar pensando sobre aquilo. Pelo menos, ele estava doido de mais para me levar ao seu sem se importar com aquela garota dormindo nua sobre a cama. Sentei na poltrona bolha:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Noite intensa, heim?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Pois é, Vic. A noite mais incrível de todas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ele andou até o seu armário especial onde guardava alucinógenos o bastante para recriar um novo Woodstock.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Mas acredito que você não veio aqui conversar sobre a festa de ontem, não é mesmo Vic?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Dez, é que ontem aconteceu um acidente. Sem querer Nicole acabou tomando três bolinhas ao invés de uma e agora o coração dela desparou e ela não consegue dormir. Estive pensando se você poderia dar uma dica para sair dessa solução.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;Ele continuou com o corpo enfiado para dentro do armário.&lt;/b&gt; Quando retirou, estava com uma pistola 9mm na mão. Ele enfiou um cartucho de balas na arma e a preparou. Eu queria levantar da cadeira, mas minhas pernas tremiam sem parar. Ele andou na minha direção, puxou uma cadeira e colocou na minha frente. Então apontou a arma para mim e disse:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Sabe, da primeira vez que eu ouvi falar de você, eu gostei logo de cara. Um sujeitinho com o apelido de “Viciado Carioca”. Sabia que em breve eu teria um cliente preferencial ou até mesmo um bom soldadinho para distribuir a minha mercadoria.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Enquanto apontava a arma com a mão direita, ele pegou um cigarro de dentro do bolso do ropão com a mão esquerda. Depois tirou um isqueiro e acendeu.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Mas o tempo passou e o tão falado “Viciado Carioca” na verdade era um maconherinho playboy de quinta igual tem vários por aí. Mas te achei gente boa e te tratava com respeito, apesar de você sempre me esnobar. Nunca comprou nada de mim, mesmo sabendo que eu tenho coisas da melhor qualidade para oferecer.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O suor na minha testa caía para o olho. Meu coração pulava até a boca e voltava. Minhas palavras pareciam de uma menininha de 8 anos:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- D-desculpa D-dez. E-eu não queria incomodar. Eu s-sempre comprei direto da fonte. S-sem atravessadores....&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ela levantou e começou a gritar:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- ATRAVESSADOR? Você acha realmente que quando você sobe o morro você está cortando os atravessadores? AQUELES FAVELADOS COM AK-47 NA MÃO QUE NÃO CONSEGUEM NEM ARTICULAR DUAS FRASES É QUE SÃO OS ATRAVESSADORES, SEU IMBECIL. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Então deu uma coronhada com a arma na minha testa. Minha cabeça foi para trás batendo contra o sofá bolha. Uma dor de cabeça instantânea se instalou e o sangue começou a correr. Ele pegou uma toalha jogada em cima de uma mesa e jogou para mim:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Vê se não vão sujar o meu tapete caro com o seu sangue sujo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Eu pressionei a toalha sobre o ferimento. OK, então era disso que Guilherme me avisou. Agora eu ia realmente morrer pelo traficante predileto entre 8 de 10 drogados da zona sul do Rio de Janeiro. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Então, você tinha que se meter com a mulher do Luther. Quando ele chegou aqui pedindo a sua vida eu disse que não. Sabe como é, não ia ser bom para os negócios. Qualquer hora um policial querendo ser herói ou um deputado querendo aparecer poderia descobrir a nossa pequena movimentação no Casarão e isso não é nada bom. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ele deu algumas baforadas em seu cigarro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Nosso volume de vendas no Casarão é excelente. Ali as pessoas se sentem seguras de comprar e consumir. Além do mais, é muito bom para o marketing quando você mistura vendas com filosofia. Então, disse para ele esquecer. Que aquilo era uma paixão adolescente e que ele poderia comer qualquer roqueirinha dessa cidade. Ele deixou para lá. Luther é um bom soldado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A toalha estava pesada de tão molhada, mas o sangramento parecia ter parado. Mas não a dor de cabeça. Como eu fui tão estúpido. Me envolvi com um dos vendedores prediletos de um traficante. Ele foi até o armário, mas matinha a arma apontada para mim, enquanto pegava alguma coisa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Mas você, Vic. Você não poderia deixar para lá. Resolveu no meu aniversário preparar a sua vingança. Deixou sua garotinha tomar uma overdose com as minhas bolinhas. Me pediu calmantes para dopar Luther e se masturbar em cima dele. Você é um doente!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- N-não Dez. Não foi isso que aconteceu!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ele saiu disparado do armário e colou a arma na minha testa!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;- CALA BOCA SEU FILHO DA PUTA SE NÃO EU TE APAGO AGORA MESMO!&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Engoli as palavras, a minha língua e o resquício que eu tinha de coragem. Muito em breve eu iria visitar Guilherme do outro lado da vida e ficaria assombrando jovens drogados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Quanto dinheiro você tem no bolso?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- O que? – eu perguntei desnorteado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Eu estou falando outra língua, seu merda? Perguntei quanto dinheiro você tem no bolso.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Coloquei a mão e puxei a grana. Quase uns cinqüenta reais. Ele tirou o dinheiro da minha mão e jogou as moedas para cima de mim.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Eu não sou mendigo.&amp;nbsp; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Então ele lançou para mim três saquinhos cheios de pó branco.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Agora escuta o que vou falar. Mantém isso longe dela. Isso é para você não apagar. Pelas minhas contas essa mulher vai ficar acordada por uns dois dias e eu quero você tão aceso quanto ela. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Mas...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ele me deu outra coronhada com a arma. Dessa vez não sangrou mais a dor de cabeça que já estava insuportável aumentou em cem vezes. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Presta atenção seu merdinha. Você vai passar na farmácia e vai comprar algum comprimidinho qualquer. Um Melhoral, uma Novalgina, qualquer porcaria dessas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Comprar remédio para dor de cabeça depois de tanta porrada na cabeça? Disso eu não tinha dúvida nenhuma.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Você vai dar para ela e dizer que é uma coisa que vai acalmá-la. Não vai fazer diferença nenhuma, mas uma coisa que eu aprendi é que drogados tem uma tendência em acreditar em Placebos. Então você vai ficar ao lado dela e o seu único objetivo é não deixar ela morrer.Se ela piorar, faça ela vomitar, qualquer coisa. A última coisa que eu quero é essa garota morta e um monte de policiais perguntando onde ela arrumou as drogas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Eu nunca contaria...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Claro que não. Você está aí quase cagando em cima do meu sofá de tanto medo. Mas quando essas piranhas da Zona Sul morrem, a mãe quer justiça, a imprensa faz um circo. Vão começar a perguntar para um e para outro e vão concluir que ela esteve aqui. Entendido?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Entendido.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Depois você vai voltar aqui. Vai comprar um pouco para repassar na sua rua, no seu colégio ou sei lá onde. Você vai pagar toda a dor de cabeça que você me causou.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Claro, Dez.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Agora rala peito. Some da minha frente, antes que eu faça uma besteira, seu merdinha carioca. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Levantei e comecei a andar rapidamente para a porta. Quando já estava saindo do quarto ele colocou a arma na minha nuca:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- E, Vic. Assim que ela melhorar você vai terminar com essa mulher. Nunca mais vai aparecer no Casarão, em um show rock and roll ou em qualquer bar sujo que estiver tocando Metallica. Você vai sumir e deixar que Luther tenha um pouco de paz. Eu não sei qual é dessa garota, mas a buceta dela deve ser mais gostosa que chocolate para vocês todos ficarem em cima dela. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ele empurou minha cabeça com a arma e eu sai do quarto, corri pelo corredor de sua casa, sai do apartamento e desci pelas escadas correndo. Acho que só fui respirar quando já estava a uns 4 quarteirões de distância daquele prédio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Eu tinha a certeza que só não morri naquele dia porque iria causar mais problemas do que soluções para Dez. Mas estava claro que os meus dias de Viciado Carioca estavam contados. Depois daquilo tudo que vi naquele quarto, tudo o que ele me disse e, sobretudo o que eu fiz, ele não me deixaria circulando por aí. Provavelmente iria mandar alguém simular um assalto na rua, uma bala perdida, qualquer coisa. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;Viciado Carioca iria morrer. &lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;No próximo capíutlo: Os últimos passos de um homem.&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;a href="http://vicarioca.blogspot.com/"&gt;Leia mais&lt;/a&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2288834542821220975-652044332777687278?l=vicarioca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="feedflare"&gt;
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&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/ViciadoCarioca/~4/Br0Au8rVe3k" height="1" width="1"/&gt;</description><atom:updated xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom">2010-10-26T07:09:37.273-02:00</atom:updated><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">9</thr:total><feedburner:origLink>http://vicarioca.blogspot.com/2010/10/do-po-viemos-e-ao-po-voltaremos.html</feedburner:origLink><feedburner:origLink>http://feedproxy.google.com/~r/blogspot/ovRn/~3/4YUkhvqKNhk/do-po-viemos-e-ao-po-voltaremos.html</feedburner:origLink></item><item><title>Não é mais Domingo desde a sua morte...</title><link>http://feedproxy.google.com/~r/ViciadoCarioca/~3/6LngE1LXEI4/nao-e-mais-domingo-desde-sua-morte.html</link><category>Vic  ANO I - 3º arco</category><author>noreply@blogger.com (Viciado Carioca)</author><pubDate>Thu, 30 Sep 2010 04:37:00 PDT</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-2288834542821220975.post-8129156102055392327</guid><description>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;Viciado Carioca - Ano I – Arco 3 – Parte 14&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;b&gt;A história até aqui: &lt;/b&gt;&lt;i&gt;Depois da noite mais longa de todas, o pior aconteceu. Vic e Nic terminaram seu namoro. Que rumo o Vic dará para sua vida agora? Se você ainda não sabe o que está acontecendo, acesse os capítulos anteriores no menu lateral. Para os fieis leitores, recomendo que releia toda a saga clicando no menu lateral para não perder nenhum detalhe dessa grande história. &lt;/i&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;b&gt;Sugestão de música: &lt;/b&gt;&lt;i&gt;Alice in Chains - Down in a Hole&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Promoção:&lt;/span&gt; &lt;a href="http://migre.me/rrSI" target="new"&gt;Compre agora na Saraiva &lt;b&gt;  &lt;/b&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;Viciado Carioca – Amor &amp;amp; Rock and Roll &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;–  o livro que reúne os Arcos I e II dessa incrível saga!&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;O meu pé ainda doía com o corte feito pelo caco de vidro quebrado da noite anterior, mas isso não me impedia a dar mais um passo. &lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Caminhando eu saí de Botafogo e cheguei no limite entre o Catete e a Glória. Estava cansado, mas isso também importava. Tão pouco eu ligava se meu rosto fervia com os sol que já queimava no céu, com os socos e tapas que Nicole me dera ou com as lágrimas que pareciam não acabar. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nada mais fazia sentido sem ela. A dor, o cansaço ou a vida. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“Todo amor tem os ingredientes para se tornar uma grande bomba e destruir a vida dos dois de forma irreparável.”. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essas foram às palavras de Guilherme que se tornaram reais depois de uma super-dosagem de anfetaminas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Parei um instante e notei que as pessoas me ignoravam na rua apesar de eu ser o único vestido com roupas “de noite” em pleno Domingo pela manhã. Para elas eu era tão invisível quanto um fantasma. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mal elas sabiam o estrago que um fantasma podia causar. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Aquela indiferença me causou um mal estar e decidi acabar com aquilo. Se estava morto, iria ficar quieto no meu caixão e tentar me isolar o maximo possível do mundo dos vivos. Eu ficaria dentro da caixa sem nenhuma esperança de alguém vir me salvar. Peguei um ônibus direto para casa e esse foi a última fagulha de pensamento racional que tive. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;De resto eu só pensava em morrer. &lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cheguei em casa e tudo estava tão silencioso quanto a minha alma. Meus pais tinham ido a Missa de Domingo. De certa forma, aquilo era uma benção. Eu não iria precisar explicar o que eu fazia em casa tão cedo. Ou tão tarde, dependendo do ponto de vista. Não sentia sono nem fome. Apenas sede e uma vontade infinita de morrer. Todos os meus movimentos eram lentos e pesados. Peguei uma garrafa de água e me tranquei no meu quarto. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Liguei a televisão, mas não prestava atenção no que estava acontecendo. Eu estava muito desolado para me entreter com algo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mesmo assim, coloquei a fita do Alice in Chains no walkman e ouvia aquele lamurio enquanto lembrava da minha briga com Nicole. Os discos quebrados, o cinzeiro estilhaçado, o buraco na parede, o meu nariz sangrando e as palavras ríspidas da Ruiva. Nenhuma briga deveria ir tão longe. Se Nicole não tivesse tão sensível e fragilizada pelas drogas certamente aquilo não teria acontecido. Se eu tivesse raciocinado que relembrar o pai falecido para a minha namorada depressiva era uma péssima idéia, aquilo não teria acontecido. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se ela me amasse de verdade, aquilo não teria acontecido!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;Sobretudo, se Guilherme nunca tivesse aparecido e dito as coisas que disse, certamente aquilo não teria acontecido!!!!&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Que tipo de visão era aquela que vinha alertá-lo sobre o futuro e acaba mudando o rumo do destino? Ele me avisou que nosso namoro iria morrer e que eu aprenderia sobre sofrimento, mas se eu não soubesse disso, eu nunca teria pego aqueles discos, não teríamos brigado e tudo continuaria como sempre foi. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Comecei a odiar aquele suicida mais do que nunca. Não entendia o objetivo daquilo. Não estava certo. Afundei a minha cabeça entre as minhas mãos e o amaldiçoei com toda a raiva do mundo. Era como se eu tivesse seguido a risca um plano maquiavélico pré-formatado para mim e sem chance de escolha. Onde estava o raio do livre-arbítrio afinal?&amp;nbsp; Era essa porcaria que o destino me reservava? &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se fosse possível matar o morto, eu o faria.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Estava terminado. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Eu não conseguia absorver, mas era a mais pura verdade. Era algo muito esquisito. Como estar vivendo a vida de outra pessoa. O fim. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Gostaria de acordar na cama, ao lado da Ruiva, com a testa suada e contando a ela o pesadelo horrível que tivera. Ela iria colocar o livro da Polyanna de lado, me beijaria e diria que tudo tinha passado. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas não ia acontecer. Estava terminado. Eu estava na vida real e nem sempre o “jogo do contente” funciona por aqui. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tudo perdia o sentido. Até beber aquela água para saciar a minha sede, não tinha razão. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;Talvez eu estivesse experimentando o primeiro sintoma do “vazio” que a Ruiva descrevera&lt;/b&gt;. Conseguia prever meus dias; Em uma semana eu estaria enchendo a cara, chorando como um bebê e Lucas me consolando dizendo para ter calma e que o tempo era o melhor remédio. Os dias virariam semanas e depois meses. Nicole provavelmente estaria com outra pessoa e eu andaria novamente por aí, tentando preencher o vazio com atitudes misóginas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Estava terminado e eu tinha sido feliz até onde o destino permitira. Pois é, nós morremos jovens.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Antes de conhecer Nicole eu me orgulhava de ser inconseqüente. Vivia a vida da forma que ela se oferecia para mim sem me importar com o que viria depois. Não queria nem saber. Nunca acreditei ou me importei com o destino. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No primeiro instante que eu vi a Ruiva caminhando pela grama do Casarão do rock, eu me apaixonei quase que imediatamente. Nesse nosso primeiro encontro ela pediu para que eu retirasse uma carta do maço de tarot e eu tirei justamente a carta da Morte. Lembro-me que fiquei assustado e ela me acalmou revelando que não era uma morte literal, mas se eu tomasse a atitude correta eu iria passar por varias transformações e no final, seria um homem diferente. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi o que aconteceu. Comecei a acreditar em destino e no amor. Aprendi a valorizar as mulheres, as minhas amizades e a não ser tão inconseqüente. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;Agora o que eu era?&lt;/b&gt; Um garoto assustado de cara com a morte. Ferido, rasgado, perdido e esquecido. A verdade é que o amor é tão bom que faz você pensar que controla a sua vida, mas isso é uma mentira. Ninguém controla nada. Basta um segundo para que o jogo vire, a máscara da felicidade caia e o sofrimento surja como uma fênix renascida e fortalecida para queimar toda e qualquer alegria.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Afinal, isso era só fruto da tristeza que afundava a minha alma. Pois a grande verdade que negava era que tudo era minha culpa. Minha tão grande culpa. Eu fui atrás de Nicole enquanto ela tinha um namorado. Eu continuei com Nicole sabendo que ela gostava de garotas e eu forcei a todo o momento que ela declarasse um amor que ela nunca sentiu ou iria sentir por mim. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Estava tudo acabado, o mundo continuava girando, as pessoas continuariam as suas vidas e pouco se importando se eu estava morto por dentro ou não. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Comecei a desejar profundamente nunca ter conhecido Nicole, o amor e vivido tudo aquilo. Você pega um homem, o faz acreditar no amor. Dê para ele toda a felicidade que ele pode conceber. No final, você tira isso tudo em um estalar de dedos. O que sobra?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dizem que a felicidade não se compra, mas será mesmo que se você nunca tivesse existido faria alguma diferença para o mundo? Se o poder absoluto corrompe absolutamente, do mesmo modo, a felicidade absoluta quando acabar trará a tristeza absolutamente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;Será que sua vida é tão importante assim?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tentei apagar a minha mente disso tudo. Onde eu iria chegar com tantos pensamentos mórbidos? Mais um pouco eu literalmente iria pegar uma arma e estourar os meus miolos no banheiro. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sabia que não iria conseguir dormir, não só por conta das anfetaminas, mas também pelo meu estado de espírito. Tão pouco eu iria me alegrar, mas também eu não precisava piorar a situação. Decidi deixar o Alice in Chains de lado e pegar algum livro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Desliguei o walkman. Foi que eu percebi a televisão. A esperança estava morta, pois ele estava morto. Ele que acelerava rápido aos Domingos trazendo um pouco de vigor, de felicidade e de sonhos para todos nós acabara de falecer.&amp;nbsp; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na televisão as pessoas estavam desesperadas. Notei que meus pais tinham retornado da igreja e choravam na sala. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;Senna estava morto.&lt;/b&gt; O maior herói brasileiro dos últimos tempos, ou talvez de todos os tempos, não estava mais entre nós. O acidente fatal naquela curva maldita.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Todos precisam de heróis. Não precisamos do Super-homem e sua capa, da Mulher Maravilha e seu laço mágico, do Batman e seu cinto ou do Flash e sua velocidade. Precisamos de pessoas reais que superam todos os limites e nos mostrem que é possível realizar os nossos sonhos, independente de qualquer coisa. Basta ter a vontade e a determinação para vencer os obstáculos. Precisávamos de Ayrton e seu heroísmo todas as manhãs. Ele dava aos brasileiros algo muito valioso que muitos tentam vender, mas não conseguem. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ele dava sonhos. Ele dava esperança. Mas nem mesmo o mais destemido herói pode lutar contra o seu destino.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os heróis também morrem jovens. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fui até a janela e olhei o mundo lá fora. De alguma forma eu sabia que todos choravam. Por alguns segundos, eu percebi que o Brasil estava tão triste como eu. Por alguns segundos eu me senti mais tranqüilo por não está sofrendo sozinho. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Até hoje me odeio por esse pensamento. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Minhas opções não eram nada boas. Poderia ligar para a Nicole e tentar uma reconciliação. E ouvir um monte de desaforos. Poderia pegar uma faca e cortar os pulsos. E acabar com uma vida aparentemente perfeita da minha família. Ou poderia simplesmente ficar ali parado esperando a morte chegar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Desliguei a televisão e voltei a ouvir Alice in Chains no walkman. Fiquei deitado na cama virando a fita do lado A para o B e do B para o A durante horas sem nenhuma perspectiva da vida melhorar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;Até que o telefone tocou....e a vida piorou!&amp;nbsp;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Promoção:&lt;/span&gt; &lt;a href="http://migre.me/rrSI" target="new"&gt;Compre agora na Saraiva &lt;b&gt;  &lt;/b&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;Viciado Carioca – Amor &amp;amp; Rock and Roll &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;–  o livro que reúne os Arcos I e II dessa incrível saga!&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;b&gt;No próximo capítulo: &lt;i&gt;Do pó viemos e ao pó voltaremos&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt; &lt;/b&gt;&lt;/i&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;a href="http://vicarioca.blogspot.com/"&gt;Leia mais&lt;/a&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2288834542821220975-8129156102055392327?l=vicarioca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="feedflare"&gt;
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&lt;div align="center" class="MsoNormal" style="text-align: center;"&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center" class="MsoNormal" style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;Viciado Carioca - Ano I – Arco 3 – Parte 13&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center" class="MsoNormal" style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: left;"&gt;&lt;b&gt;A história até agora: &lt;/b&gt;&lt;i&gt;Depois de uma noite de anfetaminas e sexo descontrolado, Vic e Nic seguem para seu apartamento para a noite mais longa de todas. Se você está seguindo essa história desde o começo eu só tenho que agradecer a dedicação, a fidelidade e sobretudo a fé que eu vou continuar postando até o final.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: left;"&gt;&lt;b&gt; &lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: left;"&gt;&lt;i&gt;E acredite. Eu vou continuar até o fim.&lt;/i&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: left;"&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: left;"&gt;&lt;b&gt;Sugestão de Música: &lt;/b&gt;The Doors - The End&lt;i&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Promoção:&lt;/span&gt; &lt;a href="http://migre.me/rrSI" target="new"&gt;Compre agora na Saraiva &lt;b&gt;  &lt;/b&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;Viciado Carioca – Amor &amp;amp; Rock and Roll &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;–  o livro que reúne os Arcos I e II dessa incrível saga!&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Chegamos à casa da Ruiva e o dia iniciava a sua luta com a noite.&lt;/b&gt; Estávamos sozinhos. A mãe de Nicole mais uma vez viajava com o namorado no fim de semana e só deveria voltar na segunda. Poderíamos dormir tranquilamente sem ser incomodados. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Pelo menos, esse era o meu plano. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Fiz um pequeno lanche na cozinha enquanto Nicole preparava o quarto. Ofereci a ela um dos meus maravilhosos queijos quentes temperados com orégano e alecrim, mas ela disse que não sentia fome. Com certeza efeito das bolinhas. A Ruiva é uma das maiores adeptas a larica pós balada que eu conheci. Acabei tendo que degustar o meu sanduíche com um refrigerante sem gás sozinho. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Quando terminei, fui para o quarto e desabei na cama. Eu estava totalmente esgotado. Nicole deitou ao meu lado e começou a acariciar a minha cabeça. Sua voz era tão macia quanto o de uma criança quando ela disse:&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- É estranho. Sinto-me cansada, mas não tenho sono. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- O sono vai chegar logo, Nic. Só se acalme e procure não pensar muito. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Nem sei como respondi. Estava morto. Ficamos na festa o tempo todo em pé e logo depois veio à olimpíada sexual. Com certeza eu não acordaria antes das quatro horas da tarde. Não precisei de muito tempo. Em menos de dois minutos eu estava roncando. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Eu estava na minha casa. Tudo era silencioso e sem cor. As paredes, o sofá, as flores no vazo. Eu estava em um filme mudo e preto em branco. &amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Guilherme sorriu, parado no corredor. Olhei para ele e levantei a mão para cumprimentá-lo, mas ele deu as costas e sumiu para dentro do apartamento.&amp;nbsp; &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Eu o segui.&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Ele parou na porta do meu quarto. Com sua voz tenra, ela cantou:&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Venha, Vic! Venha para a caixa! &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;A situação era linda. Hipnótica. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Eu entrei no quarto e ele fechou a porta. Virei para tentar encontrá-lo, mas ele não estava mais lá. Eu queria gritar seu nome, mas não fiz. Simplesmente deitei na cama, fechei os olhos e percebi que seria uma idiotice chama-lo. Por que ele estava ali comigo. Não ao meu lado, mas comigo. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Ele não estava sozinho. Deus estava conosco e todo os anjos e santos. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Ainda deitado na cama, abri os olhos e vi meu pai vestindo um terno preto. Meu irmão mais velho estava ao seu lado, segurando a sua mão. Meu pai chorava e gritava:&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Por que isso foi acontecer? Não é justo! Eu deveria ir primeiro. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Está tudo bem. Está tudo bem. – meu irmão tentava acalma-lo.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Era exatamente o que eu sentia. Apesar de morto, tudo estava bem. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Tudo era belo e bonito. Não deveria existir sofrimento. Eu iria dizer isso ao meu pai. Então, levantei-me e toquei a sua mão para conforta-lo. Minha mão o atravessou e eu não toquei a sua carne e sim a sua alma. Ela estava tão escura, tão fria e tão seca quanto nenhuma dor que eu conhecia conseguiria causar. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Eu queria gritar, mas foi nesse momento que a Ruiva me chamou.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Nicole me acordou apenas trinta minutos após a minha cochilada. Minha boca estava amarga e uma azia de cerveja misturada com maconha transformava o meu estômago em gelatina. Ela estava sentada na cama e seus olhos continuavam tão arregalados quanto na primeira hora que ela tomara os remédios. Ela disse afobada, com uma voz vacilante:&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Não consigo dormir. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Pega o pior livro da casa e leia uma ou duas páginas. Tenho certeza que você vai sonhar antes de terminar um capítulo. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Depois de responder eu me virei de lado, ajeitando o travesseiro. Mal acabei de me acomodar e estava dormindo novamente, mas ela me balançou outra vez.Vire-me e ela mostrou uma edição tão antiga de Pollyanna que os ácaros naquelas páginas deveriam ser tombados como patrimônio histórico. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Eu tentei isso. Mas esse livro é muito depressivo. Essa garota é muito feliz! Ninguém pode ser tão contente assim. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Eu achava que seu mau humor matutino era por acordar, mas parecia que mesmo depois de uma noite em claro ela era naturalmente depressiva no início do dia. Eu nem conseguia raciocinar direito. Eu tentava abrir os olhos, mas as palbrebas queimavam o meu rosto:&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Escolhe outro livro, Ruiva. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Eu acho que nunca mais vou conseguir dormir, Vic. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;A ruiva estava assustada e suas veias continuavam saltadas. Suspirou e por fim disse:&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;– Eu acho que vou morrer.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Esforcei-me para levantar e sentei na cama. Olhei para Nicole e o seu brilho tinha desaparecido. Sua cara estava abatida, seus cabelos alaranjados estavam desarrumados e ganhavam uma tonalidade acinzentada em algumas partes. Ela apoiou a cabeça em meus ombros e começou a chorar copiosamente. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Fique calma. Você não vai morrer, Nic. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Sinceramente, nem eu acreditava em minhas palavras.&lt;/b&gt; Como tinham passado algumas horas desde que ela tomou os comprimidos e nada mais aconteceu além da sua velocidade exacerbada e seu apetite insaciável por sexo, pensei que a maior parte do efeito tinha passado. Porém, sua imagem fragilizada me abismava. Nicole era um reflexo distorcido daquela pessoa que apenas algumas horas antes era um vulcão sexual. Foi como se tivesse encontrado cara a cara com a morte que roubou um pouco de sua alma. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Não me deixe sozinha! Por favor! – ela suplicou.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Eu fiquei pensando se estivesse ciente após o encontro com o fantasma de seu pai, eu não teria a mesma reação. Deus, eu só fui recobrar a consciência no dia seguinte e estava me cagando de medo. Nicole era sensitiva, ela limpava a aura e falava sobre o destino através das cartas de tarô. Será que ela também tinha tido uma experiência metafísica? &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Você está tendo alucinações? Viu algum espírito ou algo do tipo?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Minha voz soava fraca. Eu estava muito cansado. Mesmo preocupado, seria difícil fazer companhia a Ruiva.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Não. Isso também está me assustando. Nem sua aura eu consigo mais enxergar. Quando forço para lembrar como era na festa, eu simplesmente não lembro. Não consigo recordar se eu enxergava ou não o espectro das pessoas na noite passada. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Ela voltou a chorar e enfiou a cara novamente no meu ombro:&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;– Eu já li isso em um livro, Vic. Quando um médium vai desencarnar, ele perde a sua sensibilidade momentos antes de sua morte. Eu vou morrer. EU VOU MORRER, VIC!. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Para com isso, Ruiva. Eu já disse, você não vai morrer. Só está muito acesa para dormir. Fica clama. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Cada lágrima que caia no seu rosto era um rasgo no meu coração. Eu senti uma pontada na cabeça e paulatinamente a dor foi aumentando, como se uma serra elétrica tivesse sido ligada na velocidade máxima no meu cérebro. Era o sono. Eu precisava dormir.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Não me deixe sozinha. Por favor, Vic! &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Mais do que qualquer coisa, eu precisava muito de algumas boas horas de sono. Mas eu não poderia. Eu tinha que ficar ao lado de Nicole. Segurei seu rosto desesperado entre as palmas da minha mão e falei em um tom calmo, quase sedutor:&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Tudo bem. Você só precisa se distrair. Por que não vai me fazer um café enquanto eu procuro uma aspirina para curar a minha ressaca, ok? Eu não vou dormir até você conseguir. Eu prometo. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Ela concordou comigo. Me abraçou, me beijou e então levantou. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Eu esfreguei o rosto. Minha cabeça doía como eu nunca tinha sentido antes. Maldita ressaca. Mesmo com todo café do mundo, eu não iria conseguir ficar acordado. Eu poderia ter despertado naquele momento, mas depois que Nicole se acalmasse, provavelmente eu iria cair no sono outra vez. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Era difícil de admitir, mas só existia uma coisa a se fazer.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Catei a minha calça jeans em um canto do quarto e não foi difícil encontrar a cartela dentro do meu bolso. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;A última bala que restara.&lt;/b&gt; &amp;nbsp;O ecstasy que eu precisava. A pílula que Nicole poupou, pensando que estava sendo prudente. Na cabeça dela, era para tomar as quatro de uma vez, e tomou “apenas” três para experimentar a droga. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Saí do quarto e cheguei a cozinha com o comprimido na mão. Ela estava fazendo o café e deu um sorriso ao perceber a minha presença. Peguei um copo d’agua e mostrei a ela o remédio. Nicole se desesperou:&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- O que você vai fazer? Você não está pensando em tomar isso!&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- É a única maneira de me manter acordado.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Você está maluco? É isso que está me matando e você pretende engolir esse veneno? &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Não acredito que isso esteja te matando, Nic. Não vou deixá-la sozinha nesse seu estado tão depressivo. De qualquer forma, esse comprimido vai me manter acordado. &amp;nbsp;.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Isso é suicídio, Vic. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Se for, seremos um Romeu e Julieta modernos. – Coloquei o comprimido na boca, levantei o copo em reverência - Senhorita Capuleto, ao pacto! – &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Engoli a bolinha. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Imediatamente caí no chão da cozinha com a mão apertando o meu peito e estrebuchando de dor. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;– Estou morrendo! – eu gritava.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Nicole me chutou:&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Não tem graça, seu babaca. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Levantei-me com um sorriso idiota nos lábios. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Eu só queria cortar um pouco a tensão. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Segui para o quarto de Nicole novamente. Ainda não sentia nada de diferente. Não podia me deitar. Talvez um pouco de música pudesse cortar o clima pesado. Comecei a pegar os vinis para colocar alguma alegria no ambiente. Eram seis horas da manhã e eu teria um dia inteiro pela frente. Um pouco de música não faria mal. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Minha mente começou a martelar que aquela era uma bela hora para matar uma dúvida. Deixei os discos da Nicole de lado e fui até a sala. Comecei a revirar os discos. Era uma grande coleção apesar do gosto questionável. A quantidade de LP’s de novela e os promocionais de rádio eram ridiculamente constrangedores. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Não demorou muito e os encontrei. Contei no mínimo uns cinco do Gonzaguinha. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Por que você está mexendo nessas velharias? &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Nicole entrou na sala com duas xícaras altas de café. O cheiro era maravilhoso, apesar de eu não estar tão interessado na bebida. Ela se aproximou e notei que a droga já fazia efeito na minha mente. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Quando ela arriou a xícara na minha direção, entendi perfeitamente o que ela quis dizer com as gotas do chuveiro. Eu conseguia ver cada “frame” do movimento. Era como se um estrobo tivesse ligado na sala e congelasse os movimentos a cada segundo. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Eu queria ouvir algo diferente. Algo com otimismo e acho que Gonzaguinha vem bem a calhar. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Ela olhou indiferente enquanto eu tentava escolher o disco certo. Não tive dúvidas quando vi o homem barbudo, com aquele semblante de malandro, sentado no quintal de alguma casa na capa de “Caminhos do Coração”. Escrito a caneta estava a assinatura de Guilherme e o ano 1982. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Era o cantor predileto do meu pai. Ele escutava isso o tempo todo. Eu nunca te contei isso? – ela disse tomando uma golada no café, claramente se controlando. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Acho que não. Isso te deprime? – eu disse sem perceber como era idiota aquela idéia. Mas ela evidenciou isso enfaticamente:&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Se me deprime? Vic, se Pollyana me deprime, o que você acha que vai acontecer ouvindo as canções favoritas do meu pai suicida? Você é um imbecil. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Ela voltou a chorar.&lt;/b&gt; Larguei os discos de lado e fui abraçar a Ruiva. Eu realmente não tinha pensado na sua reação. Eu queria saber se o encontro com o fantasma fora verdade. O contato com aquela visão. Entender mais um pouco sobre a psicologia de Guilherme e talvez compreender perfeitamente a sua mensagem para mim. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Desculpa, Nic. Mil desculpas, eu não pensei direito. Eu só achei que precisávamos de um pouco de alegria e as músicas do Gonzaguinha são tão otimistas. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Minhas palavras se atropelavam. Meu sono tinha sumido de vez e eu não me sentia tão cansado como no momento que chegara. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Na verdade, me sentia cheio de energia.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Gonzaguinha é tão otimista que o seu maior fã colocou uma pistola na boca e explodiu a sua cabeça dentro daquele banheiro. Para merda com Gonzaguinha! &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Nicole correu até os discos e começou a pular em cima deles. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;– Eu odeio isso. Odeio essa vida. Eu odeio tudo. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Dava para escutar o barulho dos discos quebrando enquanto a Ruiva gritava a sua ira. Eu me sentia mais culpado do que nunca. Mais uma de minhas idéias imbecis. Eu devia lembrar que a última vez que ela me falou do pai estava em prantos. Mesmo assim, só para satisfazer a minha curiosidade, eu abri uma cicatriz que nunca fora curada por completo. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;A saudade paterna iria sangrar na alma da Ruiva por toda a sua vida. Eu andei lentamente ao seu encontro e tentei abraça-la. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Desculpa, Nic. Vamos esquecer isso. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Ela desvencilhou dos meus braços e começou a socar o meu peito. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Você não entende. Nunca perdeu alguém que não teve tempo o suficiente para amar de verdade. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Ela me empurrou para longe e caiu ajoelhada no chão. Apertava os discos com força e contra o peito. Voltou a falar:&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;– No início você só chora e as pessoas dizem que o tempo vai te consolar, mas quando ele passa, você não sente mais dor, saudades ou sofrimento. A única coisa que você tem é um vazio enorme que você não consegue preencher. Você nunca consegue superar isso e nunca consegue chorar de verdade quando quer se aliviar. Só existe o nada. O vazio. – ela amassava as capas dos discos e quebrava os poucos pedaços que ainda restavam. – Você me pede para esquecer isso, Vic? Eu nunca vou esquecer isso!&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Meus olhos estavam cheios de lágrimas, mas nenhuma gota escorria pelo o meu rosto.&lt;/b&gt; Eu me segurava para não chorar. Não poderia me dar esse luxo. Eu tinha que ser forte para reerguer a Ruiva. Abracei forte e dessa vez ela não fugiu. Apenas aceitou aquele abrigo carinhoso e ficamos ali por algum tempo. Depois levantou-se e eu a acampanhei. Ela olhou para mim de maneira séria e disse:&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Por que você fez isso? Por que pegou nesses discos agora? &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Eu tinha a resposta na ponta da língua, mas não poderia dizer-la. Não poderia contar a ela sobre a minha alucinação. Sobretudo naquele momento, depois de todo o desabafo e com nós dois sob o efeito das anfetaminas. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Eu não pensei direito. Desculpa. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Seu corpo tremeu. Ela fechou os braços tentando segurar o máximo. Mas no fim, sua fúria explodiu e ela desferiu um sonoro tapa no meu rosto.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Seu merda. Olha o que você me fez fazer! Eu quebrei todos os discos do meu pai. Os discos prediletos dele e isso porque você “não pensou direito”. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Eu não reagi e isso a motivou a me bater mais. Deu outro tapa e começou a me chutar. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Eu te odeio! Eu te odeio! Eu te odeio! &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Nicole gritava enquanto continuava me batendo. Eu tentava segura-la, mas ela escapava, me arranhando e me socando. Meu corpo estava em chamas e adrenalina corria como uma manada descontrolada. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Para Nicole, porra! &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Meu grito não adiantou.&lt;/b&gt; Ela bateu mais duas vezes em meu rosto com a mão fechada e uma gota de sangue caiu do meu nariz em cima do meu peito desnudo. Então, eu armei um soco para dar na cara de Nicole. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Pura reação de defesa. Minhas pupilas dilatadas, o sangue pingando, o corpo fervendo e a minha cara de raiva.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Foi o seu rosto assustado que me deteve antes que eu cometesse a maior besteira da minha vida. Ela ficou me olhando e eu baixei a mão não acreditando no que eu estava prestes a fazer.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Você ia me bater seu merda? Quer dizer que você iria me bater?? &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Ela gritava e eu não encontrava uma maneira de justificar aquilo. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Eu não pensei, eu só reagi. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Você nunca pensa, seu escroto. Você é burro de mais! &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Ela voltou a me bicar. Pegou um cinzeiro na mesa da sala e jogou na direção da minha cabeça. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Eu desviei no último momento e o cinzeiro se espatifou contra a parede, fazendo um pequeno buraco e quebrando-se em vários pedacinhos. Comecei a acreditar que aquele seria o momento da minha morte. Eu seria assassinado pela única mulher que amei verdadeiramente. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;A Ruiva estava furiosa e todas as veias do seu corpo estavam sobressaltadas. Era uma cena até patética de se ver. Ela com um pijaminha de pano rosado. Infantil. Eu apenas de cueca e aquela briga infernal. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Limpei o sangue do meu nariz e ela partiu para cima de mim, apontando o seu dedo na minha cara:&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Saí daqui. Eu quero você fora dessa casa e fora da minha vida. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Seus olhos estavam injetados de sangue e seu rosto totalmente vermelho. Ela me bateu mais uma vez e naquele nosso melhor momento, o interfone do apartamento tocou. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Ah, que merda! – ela gritou e correu para a cozinha. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Meu nariz ainda sangrava e fui até o banheiro. Peguei um papel higiênico. De lá de dentro, podia ouvir os gritos da Ruiva no interfone &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;– Aquela velha está reclamando do barulho? Manda ela enfiar o barulho dentro daquela bunda caída! &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Meu Deus, onde fomos chegar? &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Eu voltei para a sala e coloquei a minha cabeça para o alto, rezando para que o sangramento parasse.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Se ela quiser chamar a polícia, que chame! &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Nicole gritou e escutei ela batendo o interfone violentamente. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Eu não acreditava que aquilo estava acontecendo. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Ela voltou para a sala furiosa e olhou desdenhosamente para mim. Eu não disse nada, apenas a observava como um garoto assustado. Ela colocou a mão na cintura e determinou: &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Eu vou tomar um banho e quando eu acabar espero que você tenha ido embora. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Saiu da sala e bateu forte a porta do banheiro.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Era o fim. &lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;A grande paixão da minha vida terminava da maneira mais truculenta e brutal que eu jamais poderia imaginar. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Eu temia o fim o tempo todo. Mas achei que aconteceria de maneira tranqüila. Ela finalmente iria confessar que não me amava e voltar para o Luther. Arrumar uma garota &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;ou até, muito provavelmente com um idiota do tipo o Pedro dos Garotos Radioativos.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Se você não ama ninguém, mas não quer ficar sozinho, a melhor opção é escolher alguém com personalidade mais fraca possível, para não ter tantos problemas. E Pedro, o vocalista da pior banda de rock and roll era a melhor opção. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Finalmente concluí o óbvio. &lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;O que Guilherme me alertara o tempo todo e eu com meu medo infantil não enxerguei. A morte que ele anunciara, não era uma morte física. Não era a morte de fato e sim o fim do meu relacionamento com Nicole. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;A primeira gota salgada brotou preguiçosa em um dos meus olhos. Como se não acreditasse na verdade incontestável, ela desceu lentamente pelo o meu rosto e morreu inerte no meu lábio. A segunda veio naturalmente e antes de tocar meu queixo, já era seguida pela terceira. A quarta e quinta gota se transformaram rapidamente em uma cachoeira que nascia dos meus olhos.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Me vesti e fui embora.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Estava tudo acabado entre eu e Nicole.&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Promoção:&lt;/span&gt; &lt;a href="http://migre.me/rrSI" target="new"&gt;Compre agora na Saraiva &lt;b&gt;  &lt;/b&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;Viciado Carioca – Amor &amp;amp; Rock and Roll &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;–  o livro que reúne os Arcos I e II dessa incrível saga!&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: right;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;i&gt;No próximo capítulo: O Domingo não é o mesmo desde que você se foi... &lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;a href="http://vicarioca.blogspot.com/"&gt;Leia mais&lt;/a&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2288834542821220975-6220460916639039679?l=vicarioca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="feedflare"&gt;
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&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/ViciadoCarioca/~4/D0cb9TDZBEM" height="1" width="1"/&gt;</description><atom:updated xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom">2010-09-23T06:30:47.918-03:00</atom:updated><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">3</thr:total><feedburner:origLink>http://vicarioca.blogspot.com/2010/09/o-vazio-que-nos-preenche.html</feedburner:origLink><feedburner:origLink>http://feedproxy.google.com/~r/blogspot/ovRn/~3/HOYV2YkxuUY/o-vazio-que-nos-preenche.html</feedburner:origLink></item><item><title>Lust for life</title><link>http://feedproxy.google.com/~r/ViciadoCarioca/~3/bwGuChsGlQs/lust-for-life.html</link><category>Cotidiano Maldito</category><author>noreply@blogger.com (Viciado Carioca)</author><pubDate>Wed, 15 Sep 2010 04:46:00 PDT</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-2288834542821220975.post-3645476453646215788</guid><description>&lt;m:smallfrac m:val="off"&gt;    &lt;m:dispdef&gt;    &lt;m:lmargin m:val="0"&gt;    &lt;m:rmargin m:val="0"&gt;    &lt;m:defjc m:val="centerGroup"&gt;    &lt;m:wrapindent m:val="1440"&gt;    &lt;m:intlim m:val="subSup"&gt;    &lt;m:narylim m:val="undOvr"&gt;   &lt;/m:narylim&gt;&lt;/m:intlim&gt; &lt;/m:wrapindent&gt;  &lt;/m:defjc&gt;&lt;/m:rmargin&gt;&lt;/m:lmargin&gt;&lt;/m:dispdef&gt;&lt;/m:smallfrac&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;b&gt;- Ei, chega mais perto. Posso falar com você em particular?&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Meus amigos diriam que era a tarde errada para aquilo. Mas existe tarde certa? Os mais experientes diriam que não existe hora para isso. Os mais católicos diriam que isso nunca é certo. Os menos experientes nem pensariam nisso.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Mais como vocês sabem, eu sou eu. Não existe certo ou errado. Apenas, o que eu quero fazer.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;O farmacêutico me olhou com cara desconfiada. Talvez pensando que eu fosse viado. Na imaginação machista dele, as coisas acontecem desse jeito. Alguém entra numa farmácia morrendo de coceira no rabo, oferecendo a rodela para qualquer um.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Sei lá, não sou viado. Talvez seja sim. De qualquer forma, ele perguntou com toda a mal vontade:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;- O que é? Se for Viagra eu não vendo sem prescrição...&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;- Não amigo... – eu disse - não é isso...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;- Ih... lá vem...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Sua cara era de poucos amigos. Menos do que a torcida do Botafogo, ou seja, quase ninguém. Eu olhei para um lado e para o outro e perguntei:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;- Eu quero comprar um perfume.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;- Hum... qual?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;- Não é um qualquer... é um com cheiro específico.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;A cara de “esse viado vai ter que me dar” mudou para “o que esse viadinho quer”. Nada muito amistoso, eu concordo. Mas já era um avanço.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;- Você ta procurando”tesão de vaca”?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Eu, com toda a sabedoria que o Didi Mocó me ensinou ao longo da minha vida, perguntei:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;- Cuma?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;- Você sabe.. tesão de vaca... aquele perfume com feromônios masculinos as mulheres ficam locas e querem transar com você quase que instantaneamente!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Arregalei os olhos:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;- Não... não foi isso que eu vim procurar. Mas se você tem isso para vender, eu compro agora.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;- Não.. não temos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;- Porra, então por que você ofereceu?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;- Só par ver a sua cara de desesperado!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Eu abri um sorriso amarelo. Ele dava gargalhadas do outro lado do balcão. Eu cocei a cabeça e tentei ignorar nosso último dialogo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;- Veja bem, eu estou procurando um perfume, que é doce mais não é doce de mais, porém gruda na pele e no nariz como um cri-cri nos seus pentelhos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Ele abriu os braços e sua alegria era uma só:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;- Por que você não disse antes? Você ta procurando o famoso “perfume de puta”!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;- Exatamente!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;O homem saiu do balcão e mexeu nas prateleiras. Quando voltou, sua mão estava cheias de frascos. Jogou todos na minha frente:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;- Bem, vamos lá. Esse daqui é o mais caro. Cheiro de puta de luxo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;- Eu passo. Nunca senti isso de perto. Prefiro que a primeira vez seja in natura.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;- Certo &amp;nbsp;– ele respondeu – vamos passar para o seguinte. Esse é o genérico. É mais barato, mais o cheiro não fica tanto tempo no corpo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;- Esse seria perfeito se eu tivesse namorando. Mas não é o caso. Eu quero aquele brabeira mesmo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;- Aquele que fica uma inhaca por cinco dias te lembrando a puta feia que você comeu por que estava bêbado? – ele perguntou.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;- Esse mesmo. Como você sabe tanto?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Ele esticou o braço até o meu nariz. Estava lá. Era inegável.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;- Vila Mimosa. Dois dias atrás.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;- É esse mesmo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;- Três pratas, chefe. Paga no caixa.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Aviso aos solitários. Melhor custo benefício não existe.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Para quer gastar com o sexo pago? Toda a inconveniência. A borracha, os erros de português, os gemidos falsos e o papo idiota &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;no travesseiro &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;de “to saindo dessa vida”? Você pode simplesmente substituir pelo auto-amor, depois joga o perfuminho no braço.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;O efeito é o mesmo. Acredite.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;b&gt;Essa longa introdução foi para explicar porque eu estava cheirando igual a uma puta barata naquela festinha, até que animada, porém com mais Iggy Pop do que deveria.&amp;nbsp;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Eu havia gastando uns meses vadiando com uma mulher magra de mais que super valorizava o sexo oral, bebendo vinho de qualidade questionável e gastando toda a minha teoria sobre a vida, o universo e todas as porcarias.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Quando consegui me separar daquele zumbi, decidi entrar em uma verve mais “Legião Urbana” e ir para essas festas de rock para “me libertar”. Agora você veja, logo eu que sempre disse que essa letra era apenas uma desculpa para dar a bunda.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Nunca usei o tal tesão de vaca, mas o meu odor de piranha de três reais, por algum acaso fez efeito nessa morena. Ok, concordo que eu estava jogando sujo.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Hoje, sou quase um matusalém do rock and roll carioca quando entro nessas festinhas escuras. E, convenhamos, apesar de gordo, esses garotos com os cabelos estrategicamente descabelados &amp;nbsp;para o lado ou os meninos de cabelo ruim e grande - como uma espécie de repolho geneticamente modificado - não tem muita chance no papo, vamos dizer, mais cabeça.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Por favor, entenda como “mais cabeça” falar de vampiros antes da época Crepúsculo. Como por exemplo, o papo que eu tive com essa morena de bunda larga e com lente de contato verde para tentar distrair a atenção do que realmente importa. Eu bebendo uma gin tônica e pouco me lixando com o que ela estava enfrentando aquela noite:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;- Fala a verdade. Seu nome não pode ser Bella.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;- Estou falando sério, garoto. – ela dá um tapinha de leve no meu peito – Isabella, mas todo mundo me chama de Bella. Não é o máximo?&amp;nbsp; Só falta eu encontrar o meu vampiro...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Eu dei um gole na gin tônica. Fala sério, tapinha no peito, essa menina estava no papo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;- Bem, eu não me chamo Eduardo, mas sou quase um vampiro.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;- Jura que você é um vampiro?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;A maneira que os adolescentes acreditam em qualquer merda que você fala é quase patética.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;- Claro que não é no sentido literal, Bella. Mas entenda bem, eu passo a noite em claro, quando estou com pouco dinheiro bebo coisas tão bizarras que um ser humano normal não bebe, tipo gin. Não entro em igrejas e seu eu visse um lobisomem com certeza cairia na porrada com ele. – Dei um gole no meu gin – Tirando a parte que eu adoro um macarrão alho e óleo, eu poderia ser um vampiro.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;- Há, ta certo, Vic. Mas diz aí, você viu Crepúsculo?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Eu cocei o nariz. Aquele era um momento fatal. Mentir e conseguir sexo com uma menina quase com a metade da minha idade ou falar a verdade e manter os princípios? O grande dilema.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Foda-se. Eu sou um homem de princípios.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;- Claro que não. Eu não apoio a pedofilia.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Bella deu um passo para traz e depois dois para frente. Ela devia ter um rol de respostas na sua cabeça e eu com certeza dei a única que não estava na lista.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;- O que? – ela perguntou atordoada.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;- Você sabe bem, Bella. Quando a sua xará conhece o vampiro emo, ela só tem dezessete anos e ele tem quantos? Cento e cinquenta? Duzentos anos? &amp;nbsp;Se isso não é pedofilia...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;- Mas eu tenho dezenove e você tem trinta e veio me cantar...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Como um hipnotizador de galinhas, peguei ela pela nuca e respondi:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;-&amp;nbsp; Gata, se passou dos dezoito anos, saiu da minha área de proteção para entrar na zona da curtição.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Daquele beijo, veio mais um, mais outro, o coração batendo forte, uma mão ali, outra mão acolá, deixei me envolver com o momento e quando menos percebi, a empolgação nos levou até a minha casa.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;b&gt;O juiz do Mortal Kombat já gritava no meu ouvido: FINISH HER!&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;E quando eu iniciava os movimentos do Fatality, foi quando eu percebi o meu erro.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Fui à farmácia e não comprei o mais importante.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Puta que pariu. Eu não acredito.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Depois de tanta lenga lenga.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Eu queria me matar.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;De tudo, a única coisa que eu não podia deixar de comprar, eu não comprei.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;É claro que não dá para seguir em frente sem isso...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Como eu fui esquecer o KY? Sem KY não dá. A não ser que você seja o Marlon Brando e tenha muita manteiga na sua casa.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Bem, ficamos no básico.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;O básico durou a noite inteira.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Essa é a juventude, compensando a sua inexperiência com uma garra e uma vontade inesgotável. Eu deitado na cama e aquela mulher querendo mais e mais.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;b&gt;Aquilo não era tesão. Era a ira dos Deuses.&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Ela montava contra o meu corpo e pulava como se o mundo fosse acabar. Eu, acuado nos travesseiros, tentando me manter ali. Uma situação quase constrangedora. A virilidade de Bella era agressiva e eu deixava a garota se divertir.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify; text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Então o momento chegou. Eu sabia que ele iria vir. Era uma questão de tempo. A sede que parecia implacável, saciou.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Ela, caiu de lado. As pernas tremendo, a respiração ofegante e o coração explodindo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Ok. Era a minha vez.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Parti para cima com tudo. Com o corpo inclinado para o lado, fui procurando o ritmo. A batida perfeita. A afinação do instrumento. Os ouvidos atentos. Esperando. Escutei o gritinho verdadeiro. Mantive a pegada com toda a energia que eu economizei.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Toquei aquela música até o fim.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;As unhas delas rasgavam as minhas costas, seus gemidos ecoaram pelos quarteirões e o lençol da cama...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Bem... coitado do lençol.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Todos os músculos da menina tremiam. Ela não tinha forças para levantar o braço. Muito menos para tirar o sorrisinho do rosto.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;- O que é isso? – ela perguntou desnorteada.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;- Isso se chama múltiplos orgasmos, baby. – eu respondi.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;O cinturão era meu. A história se repetia. Muhammad Ali VS George Foreman. A luta terminou antes do Amanhecer. E eu só tinha uma coisa na cabeça.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;b&gt;Crepúsculo é o caralho. &lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-indent: 14.2pt;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;a href="http://vicarioca.blogspot.com/"&gt;Leia mais&lt;/a&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2288834542821220975-3645476453646215788?l=vicarioca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="feedflare"&gt;
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&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/ViciadoCarioca/~4/bwGuChsGlQs" height="1" width="1"/&gt;</description><atom:updated xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom">2010-09-15T08:48:24.893-03:00</atom:updated><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">6</thr:total><feedburner:origLink>http://vicarioca.blogspot.com/2010/09/lust-for-life.html</feedburner:origLink><feedburner:origLink>http://feedproxy.google.com/~r/blogspot/ovRn/~3/bNq_oYj0VK8/lust-for-life.html</feedburner:origLink></item><item><title>Viciado Carioca - Amor &amp; Rock and Roll "O melhor lançamento do ano até agora!"</title><link>http://feedproxy.google.com/~r/ViciadoCarioca/~3/fALWvOLTlvI/viciado-carioca-amor-rock-and-roll-o.html</link><category>Comunicado</category><author>noreply@blogger.com (Viciado Carioca)</author><pubDate>Wed, 12 May 2010 10:20:00 PDT</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-2288834542821220975.post-692671430935456246</guid><description>&lt;div style="font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;b&gt;"O melhor lançamento do ano até agora!"&lt;/b&gt; - Essa foi a frase usada pela equipe de eventos da Saraiva Megastore do Botafogo Praia Shopping.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Em uma noite animada regada de papo interessante mais de cem pessoas chegaram para conferir o lançamento do livro. Além de amigos e familiares, muitos leitores compareceram e fizeram desse evento um sucesso.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Só tenho que agradecer todo o apoio e carinho dos amigos e fieis leitores por me darem mais uma noite de alegria e lembrar aqueles que não conseguiram aparecer que vocês ainda podem comprar exemplares do livro com preço promocional de lançamento no &lt;a href="http://migre.me/rrSI"&gt;site da Saraiva&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Em breve colocarei as fotos do evento.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana,sans-serif;"&gt;Abraços &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;a href="http://vicarioca.blogspot.com/"&gt;Leia mais&lt;/a&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2288834542821220975-692671430935456246?l=vicarioca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="feedflare"&gt;
&lt;a href="http://feeds.feedburner.com/~ff/ViciadoCarioca?a=fALWvOLTlvI:jOsQCNq8H6s:yIl2AUoC8zA"&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~ff/ViciadoCarioca?d=yIl2AUoC8zA" border="0"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt; &lt;a href="http://feeds.feedburner.com/~ff/ViciadoCarioca?a=fALWvOLTlvI:jOsQCNq8H6s:63t7Ie-LG7Y"&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~ff/ViciadoCarioca?d=63t7Ie-LG7Y" border="0"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt; &lt;a href="http://feeds.feedburner.com/~ff/ViciadoCarioca?a=fALWvOLTlvI:jOsQCNq8H6s:dnMXMwOfBR0"&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~ff/ViciadoCarioca?d=dnMXMwOfBR0" border="0"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt; &lt;a href="http://feeds.feedburner.com/~ff/ViciadoCarioca?a=fALWvOLTlvI:jOsQCNq8H6s:F7zBnMyn0Lo"&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~ff/ViciadoCarioca?i=fALWvOLTlvI:jOsQCNq8H6s:F7zBnMyn0Lo" border="0"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt; &lt;a href="http://feeds.feedburner.com/~ff/ViciadoCarioca?a=fALWvOLTlvI:jOsQCNq8H6s:7Q72WNTAKBA"&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~ff/ViciadoCarioca?d=7Q72WNTAKBA" border="0"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt; &lt;a href="http://feeds.feedburner.com/~ff/ViciadoCarioca?a=fALWvOLTlvI:jOsQCNq8H6s:V_sGLiPBpWU"&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~ff/ViciadoCarioca?i=fALWvOLTlvI:jOsQCNq8H6s:V_sGLiPBpWU" border="0"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt; &lt;a href="http://feeds.feedburner.com/~ff/ViciadoCarioca?a=fALWvOLTlvI:jOsQCNq8H6s:qj6IDK7rITs"&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~ff/ViciadoCarioca?d=qj6IDK7rITs" border="0"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt; &lt;a href="http://feeds.feedburner.com/~ff/ViciadoCarioca?a=fALWvOLTlvI:jOsQCNq8H6s:KwTdNBX3Jqk"&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~ff/ViciadoCarioca?i=fALWvOLTlvI:jOsQCNq8H6s:KwTdNBX3Jqk" border="0"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt; &lt;a href="http://feeds.feedburner.com/~ff/ViciadoCarioca?a=fALWvOLTlvI:jOsQCNq8H6s:l6gmwiTKsz0"&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~ff/ViciadoCarioca?d=l6gmwiTKsz0" border="0"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt; &lt;a href="http://feeds.feedburner.com/~ff/ViciadoCarioca?a=fALWvOLTlvI:jOsQCNq8H6s:gIN9vFwOqvQ"&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~ff/ViciadoCarioca?i=fALWvOLTlvI:jOsQCNq8H6s:gIN9vFwOqvQ" border="0"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt; &lt;a href="http://feeds.feedburner.com/~ff/ViciadoCarioca?a=fALWvOLTlvI:jOsQCNq8H6s:TzevzKxY174"&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~ff/ViciadoCarioca?d=TzevzKxY174" border="0"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;
&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/ViciadoCarioca/~4/fALWvOLTlvI" height="1" width="1"/&gt;</description><atom:updated xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom">2010-05-12T14:20:23.587-03:00</atom:updated><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">24</thr:total><feedburner:origLink>http://vicarioca.blogspot.com/2010/05/viciado-carioca-amor-rock-and-roll-o.html</feedburner:origLink><feedburner:origLink>http://feedproxy.google.com/~r/blogspot/ovRn/~3/DfEAskHcQ-M/viciado-carioca-amor-rock-and-roll-o.html</feedburner:origLink></item><item><title>Lançamento do livro Viciado Carioca - Amor &amp; Rock and Roll</title><link>http://feedproxy.google.com/~r/ViciadoCarioca/~3/nHcY5aEV_6U/lancamento-do-livro-viciado-carioca.html</link><category>Comunicado</category><author>noreply@blogger.com (Viciado Carioca)</author><pubDate>Wed, 14 Apr 2010 17:15:00 PDT</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-2288834542821220975.post-1388630476825310303</guid><description>&lt;a href="http://migre.me/rrSI" target="new"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
&lt;a href="http://migre.me/rrSI" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img alt="" border="0" src="http://lojavirtual.parentese.com.br/media/catalog/product/cache/1/image/5e06319eda06f020e43594a9c230972d/l/i/livroviciado_site.jpg" style="display: block; height: 223px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 162px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;b&gt;Chegou a hora. O Evento ocorre dia 11/05 - 19:00 na livraria Saraiva do Botafogo Praia Shopping.&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Isso não é um simples convite, é uma convocação. Todos sabem como eu penei para publicar um livro e agora que estou em uma boa editora e lançando o livro em uma livraria top de linha, necessito da presença de todos para fazer desse evento um sucesso.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Vá, leve os amigos, os parentes, as namoradas o cachorro, o papagaio e aquela tia velha que está encalhada.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Para os fieis leitores que não moram no Rio,&amp;nbsp; Podem clicar nos liinks abaixo&amp;nbsp; e aproveitar o desconto de lançamento comprando através das livrarias:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;a href="http://migre.me/rrSI"&gt;Livraria Sariava&amp;nbsp;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;a href="http://migre.me/wyfT"&gt;Livraria Cultura &lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;a href="http://lojavirtual.parentese.com.br/viciado.html"&gt;Direto do site da Parêntese Editora&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: red; font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;b&gt;Com um estilo ágil, Viciado Carioca – Amor &amp;amp; Rock and Roll é uma história repleta de referências pop e com altas doses de humor.&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Voltada para o público jovem adulto, conta a saga do anti-herói, Viciado Carioca, um garoto que depois de experimentar um cigarro de maconha, vê o seu mundo mudado de forma irreversível. “É uma história de amor. Do primeiro amor que é o mais bonito de todos” – explica o autor. Ele afirma que as drogas entram como pano de fundo para mostrar o dia-a-dia tão comum de vários jovens brasileiros. “Eu não queria escrever um novo Cristiane F... ou mesmo fazer apologia as drogas. Só queria contar essa história de amor retratando como os entorpecentes fazem parte do cotidiano da nossa juventude assim como os filmes, a música e todo o resto” – complementa. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Quando a história foi publicada na internet, o sucesso foi imediato. As pessoas não se importam com o tamanho do texto ou se ele vai demorar um ano para ser publicado. Elas se importam em ler algo de qualidade.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Verdana,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Viciado Carioca – Amor &amp;amp; Rock and Roll é a prova disso.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;a href="http://vicarioca.blogspot.com/"&gt;Leia mais&lt;/a&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2288834542821220975-1388630476825310303?l=vicarioca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="feedflare"&gt;
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&lt;br /&gt;
Estou precisando de dicas sobre hotelaria boa e barata, bares rock and roll, cerveja artesanal, vinho de qualidade, lugares e pessoas para conhecer. Por favor, enviem e-mail para: viciadocarioca@gmail.com&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A diretoria agradece.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;a href="http://vicarioca.blogspot.com/"&gt;Leia mais&lt;/a&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2288834542821220975-5762486858278239611?l=vicarioca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="feedflare"&gt;
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&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/ViciadoCarioca/~4/anVhQyHYuGA" height="1" width="1"/&gt;</description><atom:updated xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom">2010-04-13T17:25:52.496-03:00</atom:updated><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total><feedburner:origLink>http://vicarioca.blogspot.com/2010/04/porto-alegre-gramado-canela-bento.html</feedburner:origLink><feedburner:origLink>http://feedproxy.google.com/~r/blogspot/ovRn/~3/a9EL04wLI7E/porto-alegre-gramado-canela-bento.html</feedburner:origLink></item><item><title>A Dama de Ouro</title><link>http://feedproxy.google.com/~r/ViciadoCarioca/~3/BRvhW6tF5ao/dama-de-ouro.html</link><category>Vic  ANO I - 3º arco</category><author>noreply@blogger.com (Viciado Carioca)</author><pubDate>Mon, 12 Apr 2010 16:50:00 PDT</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-2288834542821220975.post-6141359954425014204</guid><description>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;Viciado Carioca - Ano I – Arco 3 – Parte 12&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;A História até agora:&lt;/span&gt; &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Durante a festa de aniversário de Dez, o traficante mais simpático da galera, Nicole toma uma super dosagem de Anfetaminas. Se você não lembra das partes anteriores, refresque a sua memória no menu ao lado.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Promoção:&lt;/span&gt; &lt;a href="http://migre.me/rrSI" target="new"&gt;Compre agora na Saraiva &lt;b&gt;  &lt;/b&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:large;"&gt;Viciado Carioca – Amor &amp;amp; Rock and Roll &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;–  o livro que reúne os Arcos I e II dessa incrível saga!&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Sugestão de Música:&lt;/span&gt; Deep Purple - Speed King&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você tomou três comprimidos de uma só vez? – eu sabia a resposta mas não queria acreditar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tomei, porra! Qual é o problema? Era para tomar os quatro?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Nicole estava diferente.&lt;/span&gt; As veias do seu rosto estavam pulsando freneticamente e seus olhos estavam tão arregalados que faziam um peixe morto parecer um japonês. Ela não parava de se mexer enquanto falava e era como o seu mau humor matinal tivesse sido multiplicado por mil e somado com uma TPM.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Era para tomar apenas um, Nicole!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu disse colocando os meus dedos em seus olhos, tentando estudar suas pupilas. Como seu eu soubesse alguma coisa sobre pupilas e tudo mais. O que poderia acontecer? Aquela mulher ter uma taquicardia e cair dura no chão? Será que o sofrimento e morte que o fantasma tinha me alertado era sobre a Ruiva?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Porra, porque você não me avisou, Vic?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela trincou os dentes. Depois olhou para trás, olhou para mim e olhou para trás novamente. Parecia um brinquedinho a corda: muita energia e pouca direção. Lucas e Marcelo aproveitaram a deixa e saíram de mansinho. Ninguém gosta de presenciar briga de namorados caretas. Coloque três anfetaminas e o resultado é uma bomba relógio sentimental pronta para explodir ressentimentos e desaforos para todos os lados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sei lá, Nicole. Pensei que fosse óbvio. Achei que você fosse me esperar para tomarmos juntos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela atochou seu dedo indicador tão fundo no meu peito que pensei que iria perfurar o meu coração. Se continuássemos seguindo com essa linha, em breve ela estaria me batendo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Óbvio, Vic? Eu pedi a minha droga e você me entregou a cartela inteira, o que você queria que eu pensasse? –&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu não pedi para você pensar nada, eu achei que você fosse esperar! – fiz uma pausa e a peguei pela mão - Isso não importa agora. Vamos, eu tenho que te levar a um hospital.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela puxou o braço, escapando de mim. Balançou umas duas vezes a cabeça para traz e gritou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Hospital? Para que? Eu estou bem! – Deu mas umas três balançadas com a cabeça e completou: - Na verdade, eu estou ótima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Realmente ela estava ótima para ter um infarto na minha frente.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nic, você tomou uma dose equivalente para três pessoas, isso vai dar merda! Quanto mais cedo você for medicada será melhor para a sua saúde!&lt;br /&gt;Claro que minhas palavras fora ao vento. Ela estava ligadona e a anfetamina tinha despertado o seu monstro interior. Ela me deu dois tapinhas no rosto:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você é um fraco, Vic. Você é um covarde. Sempre foi. Eu estou ótima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu ainda estava tentando raciocinar o que fazer. Pensei em agarrá-la pelas pernas. Iria a força para o hospital. Com certeza ela iria fazer um escândalo. Quando ainda tentava decidir o que fazer, Nicole tomou a decisão por todos nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vamos descer que eu vou tirar aquele merdinha do som agora mesmo. –&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Aquela nova Nicole era bem estranha.&lt;/span&gt; Durona e cheia de disposição. Não tinha nada que eu pudesse fazer para convencê-la que a coisa mais correta seria procurar um médico. Decidi pelo menos não piorar a situação. Arranquei a pílula da mão dela e guardei :&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Me dá esse último comprimido!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela começou a rir em deboche:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não vai tomar a sua? E o pacto, Mcfly? Vai desistir?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Foda-se o pacto! A sua saúde é mais importante para mim. Acho que devemos sair daqui e ir a um hospital.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela começou a dançar e balançar as suas mãos para o alto:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nós deveríamos mudar o seu apelido para “Covardão Carioca”. Eu nunca estive melhor em toda a minha vida e não vai ser o seu medo que vai estragar isso. Eu vou dançar e me divertir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela partiu para a escada. Sem ter o que fazer, segui a Ruiva me martirizando por ter aceitado aquele trato idiota. Se algo acontecesse com Nicole, eu nunca iria me perdoar. Eu iria vigiá-la enquanto tentava bolar uma maneira de levá-la ao hospital.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Descemos e a pista estava lotada.&lt;/span&gt; O Place Stealer tinha comandado muito bem as pick up’s desde que tomou o lugar do Marcelo. A mulherada tinha invadido a sala e os homens, é claro, acompanharam o movimento. A Ruiva iria causar uma revolução se tentasse tirar o sujeito dali. E era exatamente o que ela planejava fazer. No momento ele tocava “O amor é uma gota” dos Garotos Radioativos e eu comecei a apoiar a idéia de interromper aquilo. Uma das piores músicas que eu já ouvi em toda a minha vida da pior banda de rock and roll do planeta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela mal colocou os pés naquela sala, agarrou o braço do Marcelo e o puxou com toda a força em direção ao som. Ele me olhava assustado e eu demonstrava que também não fazia idéia do que ela iria fazer.  Lucas vendo a movimentação nos seguiu um pouco mais atrás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não me decepcione e coloque as músicas mais agitadas que você puder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de instruir Marcelo, Nicole virou-se para o Place Stealer que a fitava. Ela agarrou o sujeito pela camisa e o puxou deixando os seus rostos afastados por pouco centímetros. Então, cuspiu na cara do sujeito e disse:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Game Over, Place Stealer!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela o empurrou com toda a sua força, jogando-o no chão. Antes que ele pudesse fazer qualquer coisa, disse antes de empurrá-lo para longe o jogando no chão. Eu parei de braços cruzados atrás da Ruiva e ladeado por Marcelo e Lucas. O homem não seria louco de tentar fazer algo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levantou-se e caminhou lentamente para fora da pista, sumindo no meio da multidão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marcelo voltou para as pick-up’s explodindo um AC/DC para uma pista em delírio. Soltou um sorriso e disse ao meu ouvido:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você arrumou uma namorada que é mais macho do que você!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Acho que ela é mais macho do que todos nós juntos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Marcelo continuou com a levada forte com Slayer, Megadeth, Napalm e outras maluquices. &lt;/span&gt;Nicole dominava a pista balançando sensualmente seu corpo enquanto entornava latinhas goela abaixo como eu nunca tinha visto. Quando eu cheguei a muito custo na minha terceira, ela já tinha derrubado oito. Ela roubava a cerveja dos marmanjos que babavam com o rebolado da ruiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Isso vai dar merda, Lucas. Eu tenho certeza disso!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Enquanto ela se mantiver pulado, está tudo certo. Quanto mais ela suar, mais ela vai colocar a droga para fora, Vic –&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;No fundo, nem eu e nem ele sabíamos se aquilo tinha algum embasamento científico.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marcelo também ajudava a manter a Ruiva pulando. Seu repertório não baixou o tom em nenhum momento e quando alguns eram derrotados pelo cansaço, outros chegavam com uma disposição renovada para balançar a cabeleireira com a nata do Rock and Roll.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Ruiva iniciou algumas rodas de polgo que eu me esforçava para desfazê-las tão depressa que nasciam. Mesmo tendo que levar um soco ou dois, eu tinha que fazer aquilo. Não é uma das coisas mais inteligentes do mundo deixar a sua namorada sob efeito de anfetaminas “brincar de brigar” com outras pessoas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi durante “Born to raise hell” do Motorhead que a situação tomou outro rumo. Nicole começou a rebolar na minha frente, agarrou a minha cabeça e começou a chupar os meus lábios. Ela deslizava sua mão sobre o meu corpo e escorregou a sua língua até a minha orelha e disse:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Estou tão excitada que eu poderia transar com você aqui na frente de todo mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sabia se ela estava brincando ou falando sério.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não sei se seria uma boa idéia, Nic.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela respondeu com uma risadinha maléfica:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Então, vamos ter que encontrar outro lugar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Agarrou a minha mão e foi me puxando através da sala. &lt;/span&gt;Não fiquei me perguntando se era moralmente correto transar com uma alucinada. Afinal, não seria a primeira vez. Apenas me foquei no fato que seria uma maneira bem eficiente de fazer a Ruiva suar mais um pouco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela passou pelo corredor, testando as portas. A do banheiro estava trancada assim como a do quarto do Dez, o que era triste. Seria uma ótima oportunidade de realizar a minha fantasia de transar em cima de uma mesa de pinball.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A última porta estava destrancada. Ela invadiu aquela suíte escura me puxando para dentro e trancando rapidamente o aposento. A única iluminação vinha do banheiro o que me fez concluir imediatamente que aquele era o quarto dos pais do Dez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Uma suíte, que sorte! – ela disse quando notou o banheiro. – Me dê um minutinho e eu já volto para acabar com você!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seu excesso de empolgação me assustava e eu estava ansioso e amedrontado com o que viria em seguida. Ela entrou no banheiro e bateu a porta. Eu acendi a luz para me familiarizar com o quarto. Foi quando eu descobri que não estávamos sozinhos ali.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Tomei um susto assim que vi aquele corpo deitado na cama. &lt;/span&gt;Logo, fui tomado por um riso bobo que se transformou em uma gargalhada. Luther estava desmaiado, quase em estado vegetativo. Aproximei-me rindo e ele estava dormindo profundamente. Um ronco leve, mas a boca aberta deixando soltar uma baba que escorria pelo queixo e criava uma poça na bonita colcha da cama dos pais do Dez. Minha bomba de calmantes dera certo. Dei um tapa em seu rosto e ele não esboçou nenhuma reação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não me parece tão poderoso agora, Luther boy.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;eu me divertia com o meu inimigo indefeso. Provavelmente eu teria feito algumas maldades mais pesadas se o barulho no banheiro não me lembrasse que eu tinha que arrumar um jeito de me livrar dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Puxei Luther pelos braços e ele desabou da cama para o chão.&lt;/span&gt; Mesmo com a pancada forte, ele não reagiu. Comecei a puxá-lo pelo chão do quarto. Era uma tarefa difícil. Seu corpo pesado fazia uma marca no tapete marrom escuro e provavelmente queimava um pouco a pele nas partes desprotegidas pela roupa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Isso não é nada perto do que os militares fizeram com o seu braço. – eu me desculpei com o moribundo que continuava dormindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escutei o barulho da descarga no banheiro e sabia que não teria tempo o suficiente para arrastá-lo para fora do quarto. Se eu não podia fazê-lo sair dali, teria que esconde-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agarrei rapidamente os pés de Luther e comecei a arrastá-lo para de baixo da cama. O que mais eu poderia fazer? Joguei suas pernas e depois empurrei o resto do seu corpo que sumiram na escuridão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Fique quietinho aí e tenha bons sonhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Joguei-me para cima da cama enquanto Nicole saía do banheiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nossa! Como está claro isso aqui! – ela reclamou.&lt;br /&gt;Acendi o abajur que estava ao meu lado enquanto ela desligava a luz principal. Na penumbra, aquele quarto de móveis de madeira escura e pesada ficava com um aspecto macabro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas situações clássicas de traição, o amante se esconde dentro do armário ou em baixo da cama. Eu era o único homem do mundo que estava feliz de transar com a minha namorada sabendo que o seu ex-namorado estava tão próximo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Ela começou a despir e sentou em cima de mim:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;- Venha Vic&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O abajur emitia uma luz fraca e reluzia em sua pele branca fazendo todo o quarto brilhar. Atrás dela, um enorme crucifixo de madeira estava pendurado na parede. Ao invés de inibir o clima romântico, aquilo glorificava o momento dando uma divindade maior a Nicole. Ela não era um anjo e sim uma deusa louca do amor. Ela arrancou a minha roupa e pulava com força sobre mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nunca te desejei tanto, Vic!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sua respiração ofegante fazia o meu coração disparar. Será que me amava? Não importava naquele momento. Eu passava a mão em seus seios e ia descendo pela barriga até chegar à altura de suas tatuagens de estrelas. Eram quatro que saiam a poucos centímetros do umbigo e sumiam em direção as costas.  Ela ria descontroladamente. Seus cabelos alaranjados voavam e caiam em uma dança sensual e erótica. Fiquei a admirando por muito tempo. Ela estava alucinada e eu estava apaixonado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você é linda. – eu disse em êxtase. – Eu te amo com toda a força do universo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu glorificava a minha deusa da luxúria. Ela ouvia as minhas palavras e pulava com mais entusiasmo sobre o meu corpo. No clímax de toda aquela energia eu agarrei fortemente suas estrelas finalizando aquele momento deslumbrante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Virei o meu rosto para o lado tentando recuperar o fôlego. Ela inclinou o seu rosto contra o meu peito e ouviu o meu coração descompassado. Nem mesmo a escuridão daquele quarto escondia os pêlos arrepiados da minha pele quente e suada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu ainda não terminei com você, Vic.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela desceu a sua língua pela a minha barriga. Ela não iria me dar descanso e me manteria alerta. Eu sentia os seus lábios subindo e descendo rapidamente e comecei a balbuciar:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Louca, louca, louca, louca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela continuava trabalhando com a sua boca e eu passava a mão sobre aqueles cabelos ruivos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fechei os olhos e deixei ser levado apenas pela aquela sensação. Eu sentia a minha pulsação em sua língua macia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perdido na enxurrada de sentimentos escutei um barulho mais forte. Abri os olhos e vi o braço de Luther saindo debaixo da cama. Nicole nem percebeu e continuava aumentando a velocidade.  Vigiei por algum momento para ver se ele tinha acordado, mas o braço ficou inerte. Ele apenas se mexeu dormindo, eu pensei. Peguei a cabeça da Ruiva e coloquei para o lado oposto da cama. Ela ficou de costas e eu desci para o chão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mete com força!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- As your wish.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu respondi dando um chute violento no braço de Luther que chegou a estalar quando bateu em seu corpo. Então penetrei em Nicole de maneira intensa. Ela gritava elétrica e inclinava o seu corpo. Puxei os seus cabelos e continuamos naquele balanço nervoso. Eu observava o seu corpo branco indo para frente e para traz e a sensação de poder dentro de mim aumentava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mais forte! – ela gritava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Peguei impetuosamente o seu corpo e a coloquei de pé na minha frente e a joguei contra a parede. Ela se aparou com o braço e bateu com a coxa contra o criado-mudo, derrubando o abajur. Continuei insanamente tentando satisfazê-la e ela continuava gritando para eu acelerar. Apertava os seus seios e suas nádegas e nada diminuía a sua vontade. Estava sedenta por prazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mantive a intensidade enquanto consegui, mas em algum momento minhas pernas começaram a fraquejar. Ela notou, se virou e me jogou no chão. Não me deixaria sucumbir Meu corpo despencou.  Mais uma vez montou em mim e cavalgou cegamente. Agora era a minha pele que queimava friccionada no carpete. Eu não me importava. Nicole segurava os meus braços e mordia os meus lábios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não para! Não para! – ela gritava enquanto me dava tapas na cara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A nova Nicole gostava de ficar no comando. Aquela dominação feroz a excitava e a fazia revirar os olhos. Colou suas unhas no meu peito e arrancou com força a minha pele. Uma pequena gota de sangue deslizou pelo meu corpo e morreu no meu umbigo quando chegamos juntos ao orgasmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente saciada, a Ruiva riu descontrolada, deferiu outro tapa em meu rosto e disse absoluta:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você está liberado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Levantou-se e desfaleceu sobre a cama. &lt;/span&gt;Eu tentei levantar, mas não tinha forças. Como uma vampira, Nicole sugou toda a minha energia. Inclinei meu corpo em direção da cama e lá estava ela deitada me admirando enquanto Luther dormia profundamente naquele chão duro. Então, comecei a rir. Minhas costas e minha bunda ardiam pelo atrito com o carpete. Meu peito queimava pelos arranhões da ruiva. Minhas pernas estavam bambas e mesmo assim eu ria como um idiota.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Arrastei-me até a cama, passando pelo abajur caído e o porta-retrato que mostrava os pais do Dez em alguma cachoeira perdida pelo Brasil. Consegui ficar de pé e ainda admirava aquela foto. Será que eles tinham noção que os loucos estavam fazendo na festa de aniversário do seu filho traficante? Será que minha mãe tinha noção o que eu estava fazendo na festa do meu amigo traficante?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu preciso de um banho. – disse num suspiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela apenas fez sinal com as mãos e eu segui para o banheiro. A água fria caía sobre o meu corpo diminuindo um pouco a dor das queimaduras no carpete e aumentando a ardência no peito. Não me importava com aquilo. Valia a pena. Tudo por Nicole valia a pena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Decidi mudar a temperatura do chuveiro. Um banho quente para reanimar e recuperar as forças. Deixava a água bater no meu pescoço. Aquilo era bem relaxante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nicole veio ao meu encontro e surgiu dentro do box em uma nuvem de vapor. Ela pegou a esponja e começou a esfregar forte as minhas costas. Ela nem notava as queimaduras, apenas passava aquela esponja para cima e para baixo como se estivesse polindo o seu velho Santana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pega leve aí, Ruiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Virei e notei que ela ainda estava ligadona. Por isso que usava uma força desproporcional. Mesmo depois de pular na pista e atravessar uma maratona sexual, Nicole continuava acelerada. Eu estava planejando ir embora para descansarmos, mas com ela ainda sob o efeito das anfetaminas, a noite prometia ser longa.  Comecei a ensaboá-la enquanto ela admirava os pingos de água caindo do chuveiro:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É engraçado. E os vejo em câmera lenta. Consigo perceber cada uma das gotas que caem antes de atingir o chão. É lindo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mesma mulher que acabara de gritar “mete com força” para o seu namorado agora via poema na água do seu banho. Tínhamos trocado de papeis. Se antes ela era a mulher dominadora, sobrepujando o seu amante com mordidas e arranhões, agora ela parecia uma criança que se divertia com o chuveiro enquanto o pai a lavava. Sua coxa estava roxa, provavelmente quando batera no abajur. Nicole era muito branca e qualquer pancada formava um hematoma. Seus joelhos estavam quase em carne viva, queimados pelo carpete.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não está doendo? – eu perguntei quando passei levemente a esponja para não machuca-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela olhou admirada para o joelho e apenas fez um bico demonstrando que acabara de descobrir o ferimento. Terminei de ensaboá-la e ela se enxaguou. Comecei a finalizar ao meu banho, quando ela ajoelhou-se e começou a beijar a minha coxa e foi subindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Eu não acreditava que ela já queria fazer aquilo novamente. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela tentava refilmar Nove Semanas e Meia de Amor em apenas meia hora de selvageria. Tentei afasta-la, mas não com muita disposição. Ela se segurou firme em mim. Então, apenas deixei continuar. A água quente batendo nas minhas costas e Nicole ali. Eu não conseguiria imaginar algo mais relaxante. Continuamos por um tempo e mesmo cansado, a sensação era maravilhosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nicole levantou-se, passou suas pernas pelo meu corpo e me abraçou com um beijo desesperado. Ela sabia muito bem subir as marchas e acelerar quando queria. Apoiei as suas costas contra a parede e levantava o seu corpo enquanto beijava seus seios e sua barriga. Ela se agarrava nos meus ombros e puxava os meus cabelos exigindo que eu fosse mais rápido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mais forte, Vic! Mais forte, porra!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela gritava e mais uma vez as minhas pernas falhavam. Juntei o pouco das forças que me restavam e carreguei-a para fora do boxe, jogando-a em cima da pesada pia de mármore. Com o movimento, perfumes, saboneteira e o vasinho onde ficavam as escovas de dente voaram pelo banheiro. Ela ficou sentada e me prendeu com suas pernas, me jogando para frente e para trás. Eu arranhava as suas costas o que a deixava mais louca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Mais forte, porra! Você é homem ou não é?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela urrava para me enfurecer e eu extravagava a minha catarse em seu corpo. O cheiro misturado dos perfumes quebrados subia e empestava o banheiro, mas aquilo não nos fazia diminuir o ritmo nem um pouco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu apertava as suas coxas e ela me balançava mais forte, quando notei que chegaria ao êxtase, suspendi mais uma vez o seu corpo, fazendo ela dançar no ar, joguei contra a parede oposta. Ela comemrou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Isso! Isso! Isso!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Puxou o meu pescoço e o mordeu forte e finalmente foi afrouxando as mandíbulas e deslizando pela parede até que seus pés alcançassem o chão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, mirou fundo nos meus olhos e começou a rir. Eu olhei o banheiro e vi o sangue vermelho sobre o piso branco. Meu pé foi cortado por um caco de vidro do frasco de perfume. Não tinha vontade de rir. Sabe como é, não é muito prudente você destruir o banheiro dos pais do seu amigo traficante, por mais camarada que ele seja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O Dez vai ficar muito puto quando ver isso aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quem se importa? Você é um animal, Vic.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não era possível, mas a Ruiva continuava acesa. Tínhamos que limpar aquilo e rezar para O Dez nunca descobrir o que acontecera. Principalmente a escova de dente que caiu estrategicamente dentro da privada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pelo menos não quebramos o blindex do box. Peguei uma toalha de rosto e apertei contrao o meu pé cortado para o sangue estancar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Já que a merda foi feita, por que não piora-la?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não tinha jeito, o Dez iria nos matar. Esse seria o fim trágico de Vic. Assassinado pelo cara mais simpático da galera por conta de um acesso sexual de loucura da sua namorada doidona por anfetaminas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muito chique. Coisa de capa de jornal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Voltamos para o quarto e a Ruiva começou a se vestir. &lt;/span&gt;Ela cantarolava alguma música não se importando com a confusão que criamos. Eu já planejava a minha estratégia. Enrolaria tudo naquela toalha com sangue e jogaria pela janela. Não era um plano muito bom, mas me pareceu funcional momentaneamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comecei a me vestir. Procurei a minha meia e vi que ela foi parar quase embaixo da cama e foi isso que disparou mais uma das minhas idéias malucas. Eu não precisava limpar nada, apenas precisava de um culpado e sabia muito bem onde achar um.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vamos para casa, Nic?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela concordou com a cabeça sorrindo. Depois de múltiplos orgasmos uma mulher concorda com qualquer coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– O Dez não pode ver o que fizemos no banheiro dos pais dele. Então, vamos fazer o seguinte. Você vai na frente, acha o Lucas e a Wendy e me esperem lá embaixo. Eu vou logo assim que terminar aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela ficou me fitando tentando descobrir o que passava na minha mente. Eu não dava nenhuma pista, apenas alertei-a antes de sair:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não deixe ninguém ver você saindo desse quarto. Ela abriu a porta lentamente, viu que estava tranqüilo e fugiu. Eu corri até a porta e a tranquei novamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentei na beira da cama e acendi um cigarro. Eu já estava praticamente vestido, faltando apenas calçar a meia e o tênis do pé cortado. Terminei calmamente o cigarro, estava dando tempo para Nicole desaparecer com Lucas e Wendy.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segui até o banheiro. Revirei o armário e não foi difícil encontrar um curativo. Voltei para o quarto e fui buscar o meu amigo embaixo da cama. Agarrei as suas pernas e o arrastei até o banheiro. Se antes havia sido difícil, depois da maratona sexual aquilo foi um sacrifício. A pior parte foi achar o ângulo para fazê-lo entrar no banheiro. Mas no final, lá estava Luther, o culpado da noite. Quando acordasse ou quando alguém o encontrasse concluiria o óbvio. O cara estava doidão e destruiu tudo. Peguei um caco de vidro e fiz um pequeno corte em seu braço. Coloquei a toalha do lado e antes de sair, dei uma última olhada para aquela cena de crime montada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi daí que eu vi aquele negócio branco em seu cabelo. Pensei de imediato que era xampu ou espuma. Mas tinha mais consistência. Só quando eu me aproximei que eu descobri que porra era aquela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Era a minha porra.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Devia ter caído no chão e grudou em Luther quando eu o puxei. Ela grudou em seu cabelo e escorria para o canto da face. Finalmente eu comecei a rir. É uma pena ainda não terem inventado celulares com máquinas fotográficas naquela época.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Da próxima vez, vê se bebe com moderação. – eu disse antes de partir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abri lentamente a porta e o corredor estava vazio. Esguiei agilmente para fora. Apesar de mancando por conta do pé cortado, passei rapidamente pela sala, alcançando a porta do apartamento e finalmente o lado de fora. O elevador estava no térreo. Eu não poderia esperar ali, alguém poderia aparecer e seria um saco explicar porque eu estava com o cabelo molhado e indo embora sozinho. Desci um andar pelas escadas e esperei o elevador por lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pronto, estava salvo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encontrei o pessoal na frente da Milenium Falcom. Estavam encostados conversando. Eram umas quatro horas da manhã e a festa continuava a toda no topo do prédio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lucas foi o primeiro a quebrar o silêncio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Qual é desse mistério todo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não tem mistério nenhum. Aconteceu exatamente o que Nicole falou. – eu respondi. – Cadê as chaves? – eu pedi para a Ruiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas ela não disse nada!&lt;br /&gt;Ele reclamou. Ela também reclamou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quem disse que você vai dirigir?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- As anfetaminas disseram que eu vou dirigir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Peguei as chaves de suas mãos. Ela seguiu contrariada para o carona. Eu abri as portas e entramos no carro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Se ela não disse nada, então não aconteceu nada. Vamos embora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquilo foi o suficiente para o Lucas concluir que eu provavelmente tinha brigado com a Ruiva ou tinha feito uma merda tão grande que não poderia contar no momento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De qualquer maneira, ele desistiu do assunto. Apensas conferiu como eu estava:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você está bem para dirigir?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu empurrei a fita do Bob Dylan para dentro do som, liguei o carro e parti.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu não fumei maconha na festa e nem tomei anfetaminas, acho que sou o sujeito certo para o trabalho.  –&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seguimos para casa calados ao som de Lay, Lady, Lay. Eu estava cansado e só queria dormir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém, para mim a noite estava só começando. A maior e pior noite de todas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right; font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;No próximo capítulo: sangue, choro e ranger de dentes.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;a href="http://vicarioca.blogspot.com/"&gt;Leia mais&lt;/a&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2288834542821220975-6141359954425014204?l=vicarioca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="feedflare"&gt;
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E muito.  Provavelmente se minha bola de cristal não tivesse parado de funcionar e eu soubesse exatamente o que iria acontecer naquela madrugada fedida, eu não sairia para beber. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Beber e tentar arrumar alguém para ficar ao meu lado pelo menos uma noite dizendo no meu ouvido que essa merda de mundo ainda pode ser bom. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Mas como eu disse, a porcaria da minha bola de cristal estava quebrada.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Isso, e minha libido gritando nos meus ouvidos, explica porque fui tomar uns tragos no Heaven, um inferninho que ainda toca alguma coisa de rock que fica no lado errado de Botafogo. O meu lado. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Mais uma cerveja, Vic?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- João, quantas vezes eu tenho que dizer que não precisa perguntar. Apenas fique trocando as latinhas vazias por outra cheia e eu digo quando for pra parar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Você nunca pede pra parar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Agora você está entendendo o meu ponto de vista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Ele me encarou por alguns segundos mexendo as sobrancelhas peludas como uma barata esmagada tentando sobreviver. Depois  jogou seu pano imundo sobre o ombro e pegou mais uma gelada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;O bar não estava cheio. Alguns batutas sentados em uma mesa contando mentiras e rindo de tudo de um lado, alguns gênios do futebol do outro lado, um casal que bastava você olhar para cara da mulher para entender porque o sujeito bebia demasiadamente na calçada e eu sentado no balcão esperando algum lixo para chafurdar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Acendi um Marlboro. Deus como eu precisava de alguém pelo menos naquela noite. Faz quantos meses? Quatro? Cinco? Eu acho que parei de contar no segundo mês. Por algum motivo as coisas não estão acontecendo como antes. Talvez eu tenha perdido o meu charme, o senso de humor, as cantadas. Ou talvez elas finalmente tenham percebido que eu sou de se jogar fora. Eu sou dor de cabeça. Eu, meu ego inflado e meu senso de humor doentio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;E claro, a fumaça irritante dos meus cigarros.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Fiquei decidindo o que fazer em seguida. Poderia ir a uma discoteca dessas e tentar arrumar alguma garota bêbada o bastante para se importar. Poderia ir para o lado certo de Botafogo, fingir que sou decente e enganar alguma alma perdida. Ou, é claro, poderia apelar para o gênio da tequila. E dentro de todas as opções oferecidas, como sempre eu escolhi a pior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- João, me dá uma dose de tequila.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Tequila? Sal, limão e cachacinha de playboy? Qual é a sua? Tá afrescalhando?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- João, se eu quisesse ouvir filosofia barata teria ido a igreja e não nesse buraco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Ele mexeu as baratas de sua testa outra vez, preparou a tequila e colocou o som para tocar Depeche Mode. Eu conhecia o João a muito tempo para saber que ele só colocava Depeche quando estava realmente puto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Caguei para ele. Eu tinha um pedido a fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;O desejo da tequila funciona comigo porque eu não bebo essa porcaria o tempo todo. Então o gênio mexicano que existe em toda garrafa da bebida sempre escuta o meu pedido. Ele é um pouco tinhoso, às vezes demora a te atender, mas tudo é uma questão de fé. De acreditar ou de não acreditar. De fazer a magia acontecer. De ser mais Fox e menos Scully de vez em quando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Bem, já deu para sacar e como eu disse ao João, vamos deixar a filosofia de lado. Coloquei o sal na mão, peguei o limão e antes de chupa-lo, pedi com toda confiança:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Gênio da tequila, me arrume uma mulher para eu não ficar sozinho essa noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Lambi o sal, chupei o limão, engoli a tequila e esperei a magia acontecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;font-size:100%;" &gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;****&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;font-family:verdana;" &gt;O Heaven foi enchendo com o passar do tempo. Na primeira hora chegou um gay com duas amigas que me fizeram crer que meu pedido seria entregue em uma carruagem cor de rosa. Porém, depois de alguns minutos de flerte ficou claro que minha única chance naquela mesa seria com Pink Brother. Chegaram também dois casais que ocuparam o lugar deixado pelos batutas. Ponderei se meu desejo não iria aparecer em forma de traição. Quando a tequila não é de boa qualidade, uma vez ou outra, ao invés de gênio eu sou atendido por um cramulhão que gosta de pregar umas peças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Eu estava enganado. Acredito que meu pedido foi atendido pelo próprio Mefistófeles. O Mastema. Azazel. Asmodeu. Quazet. Ou melhor simplificando, o próprio capeta em gritinhos histérico que surgiu nas minhas costas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Eu não a-cre-di-to!   É você mesmo!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Minha mente reconheceu a voz e minhas pernas tentaram em vão fazer meu corpo escapar antes mesmo de eu virar. Puro instinto. Mas eu só percebi quem era mesmo no momento que virei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Oi, Núria. Quanto tempo, hein?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Doze anos e alguns meses, para sermos um pouco mais precisos, ursinho. Eu ainda posso te chamar de ursinho, ou você está com alguma garota?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Ela lambeu os lábios avermelhados pelo seu batom barato, jogou seus cabelos desgrenhados para trás das orelhas e desabou no banco ao meu lado antes que eu pudesse dizer:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Eu não estou com uma garota, mas corta esse papo de ursinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;João se aproximou do balcão para trocar a minha latinha. As baratas de sua testa estavam mais suaves e ele estava com um sorriso bem babaca no rosto. Provavelmente foi ele que prendeu o satã naquela garrafa de tequila. Núria aproveitou a aproximação do João e não perdeu a oportunidade de demarcar seu terreno. Ela pediu com uma piscadela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Traga uma para mim também, meu bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Claro, doçura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;João pegou uma latinha para ela e mandou uma piscadinha sacana para mim. Ele estava se deliciando com aquilo. Núria ameaçou abrir a latinha, mas empurrou para mim me mostrando as suas horríveis unhas pintadas de um vermelhão tão desbotado quanto o seu batom.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Eu estou morando aqui perto e nem acreditei quando passei e te vi. Me conte, ursinho, por onde você se escondeu por todo esse tempo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Em um esconderijo não tão bom já que você me achou, não é verdade?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Ela apertou as minhas bochechas com uma risada:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Você é um fofo, Vic.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Depois com a mesma mão ela ajeitou sua camisa para baixo, fazendo suas peitolas saltarem  um pouco mais do decote. Foi assim que ela chamou a minha atenção da primeira vez. Mas com o tempo, ela foi perdendo a habilidade. Além dos peitos, seu sutiã bege nada sex apareceu. Seu corpo não era mais ou mesmo, provavelmente depois de algumas rejeições curadas a chocolate.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Mas diga, Núria, o que você anda fazendo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Ela começou a explicar como morou bastante tempo no exterior ao mesmo tempo em que meus ouvidos pararam de escutar. Só queria mantê-la ocupada enquanto raciocinava sobre a situação. Ela estava claramente para jogo, isso eu não tinha dúvidas. Porém,  será que o tempo de carência era tão grave para  ficar outra vez com a Núria?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Lembro-me muito bem que a carência foi o fator determinante para ficar com ela da primeira vez.  Até porque alguém para ficar com aquela máquina de falar deve estar tão louco quanto uma mãe deve ser louca para colocar o nome da filha de Núria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Outra coisa que me recordo foi como foi difícil tira-la do meu pé. Ela tem essa personalidade Stalker de ficar aparecendo em todos os lugares que você freqüenta. Para ela, uma noite vira mil e uma com uma facilidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Então, pode chorar porque eu voltei. Mas e você? O que anda fazendo, meu ursão?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Nada em especial. Trabalhando em uma firma que me paga muito mal, bebendo e morrendo aos poucos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Você finalmente escreveu um livro?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Não. Parei de ter esses sonhos bobos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Ah, Vic. Você deveria voltar. Você tem talento. Eu adorava o que você escrevia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Nem louco eu iria falar para ela sobre livros, blog e coisas do tipo. Seria dar um tiro na cabeça e ser enforcado ao mesmo tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Ela começou a lembrar de alguns de meus textos enquanto eu comecei a ponderar se realmente deveria partir para cima ou não. Tomei um gole e comecei a fazer uma lista mental de pontos positivos e negativos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;font-family:verdana;" &gt;Positivos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:verdana;" &gt;1. Ela está para jogo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:verdana;" &gt;2. Ela é uma mulher que realmente se entregava na cama&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:verdana;" &gt;3. Mora perto e isso evitaria levá-la ao meu apartamento &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;4. Eu estou bêbado&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;font-family:verdana;" &gt;Negativos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:verdana;" &gt;1. Ela é do tipo grude &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:verdana;" &gt;2. Ela é do tipo Stalker (que é absolutamente diferente do item 1)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:verdana;" &gt;3. Ela tem um papo chato&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:verdana;" &gt;4. Ela gosta de separar sílabas quando está excitada. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:verdana;" &gt;5. Ursinho, Ursão e outras coisas&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:verdana;" &gt;6. Não era exatamente bonita / gostosa&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:verdana;" &gt;7. Ela se chama Núria&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Em números absolutos a decisão já estava tomada, mas a vida não deve ser analisada em números absolutos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Por exemplo, o item 4 da lista dos pontos positivos faz eu aturar o item 3 e 4 e um pouco da 5 dos pontos negativos, sem querer dar um soco na cara dela. O item 4 dos pontos positivos  e me faz esquecer totalmente o item 5 dos pontos negativos.  Porém ele aumenta o efeito do item 7, porque eu sei que uma voz vai ficar gritando essa frase no meu ouvido a noite toda “Ela se chama Núria”. Pior, quando eu estiver transando a voz gritará “Ela se chama Nú-ri-a” enquanto a própria Núria gritará no outro ouvido “enfia gos-to-so”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Enquanto eu estava fazendo a análise da lista, Núria colocou a mão na minha perna e começou a alisá-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Você não mudou quase nada daquela época para cá. Ganhou alguns quilinhos, é claro, mas ficou mais charmoso. Por que homem fica mais charmoso quando envelhece?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- É o efeito colateral do Viagra. Um minutinho, eu tenho que ir ao banheiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Saí do balcão com o pequeno Vic já gritando no meu ouvido. Quando passei pelo balcão, João estava com dois cd’s na mão e suas sobrancelhas tão suaves que pareciam duas suaves camurças.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Não sei o que coloco para gente escutar agora. “Evil Dick” do Body Count ou “Self Esteem” do Offspring. Alguma sugestão?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Levantei o dedo médio e segue para o banheiro. Anos e anos atrás do balcão deram a ele a leitura perfeita de tudo o que ocorre em seu bar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Olhei-me no espelho. Realmente os anos de bebida, cigarro e drogas não foram nada generosos comigo. Para malucas desesperadas como a Núria eu posso ter meu charme, mas na vida normal eu tenho que jogar sujo, descolar tiradas geniais e dar o máximo para conseguir alguma coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Uma noite. Ninguém está vendo. Poucas horas de felicidade descartável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Me disse a imagem acabada e excitada do outro lado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Você está dizendo isso agora. Aposto o que você quiser que em algumas horas você estará pedindo para eu fugir para o mais longe que eu puder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Fiquei esperando o que a imagem do espelho iria me responder. Ele soltou um sorriso que eu já conheço desde a minha mais estranha infância e cuspiu de volta:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Aposto o quanto você quiser que se você não tentar acabar a noite com essa mulher, você vai passar meses se martirizando perguntando “o que aconteceria se”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Sabe, Vic mau, eu realmente te odeio por está sempre certo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Sabe, Vic bom, eu realmente te amo por você ser sempre tão manipulável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Dei a minha mijada, lavei a mão e a última piscadela para a imagem no espelho. Tirei a carteira do bolso para uma verificação rápida. Se eu iria seguir com o plano do Vic mau, eu precisava de duas coisas:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Camisinha e dinheiro para ficar mais bêbado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Eu estava bem no primeiro item. Depois de anos de rodagem, mesmo em uma grande entre safa dessas, eu nunca deixo de estar preparado para as oportunidades. O dinheiro já era um problema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com as cervejas que eu tinha tomada, cigarro e mais a tequila, eu estava bem curto. Duas cervejas de distância para ser mais exato. Como sempre, eu teria que improvisar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Saí do banheiro. João tinha optado por Offspring. Andei pelo balcão e  o alcancei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Sabe, amigo, estava precisando que você quebrasse uma para mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Corta essa, Vic.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Qual é, João. Eu sempre te paguei no dia seguinte. Só queria mais uma dose daquele veneno branco de playboy para executar um serviço sujo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Você sempre honrou com seus compromissos, mas sabe Vic? Eu tenho a pequena impressão que depois do que vai fazer essa noite, você vai ficar um bom tempo sem aparecer por essas bandas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Qual é, pelos bons e velhos tempos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Ele deu uma olhada para o início do balcão onde ela estava sentada, jogou seu paninho sujo por cima do ombro e suas baratas voltarão a aparecer na testa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Acho que você já vai fazer alguma coisa pelos bons e velhos tempos com aquela madame ali sentada. Pelo menos, se você for rápido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Uma de suas baratas apontou em direção a Núria. Olhei e o que era esperança desesperada virou decepção angustiante. A situação tinha mudado novamente e não estava nada boa.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;div style="text-align: center; font-weight: bold;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;****&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt; &lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-weight: bold;font-family:verdana;" &gt;Lembro da primeira vez que fiquei com Núria. Eu também estava em uma situação desesperadora. Só que a da época era realmente ruim. Eu estava um bagaço humano. Um amigo me apresentou e ela me pegou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Namoramos alguns meses. No início não era exatamente bom. A verdade é que eu não me importava. O sexo era bom, isso ficou marcado na minha memória. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-weight: bold;font-family:verdana;" &gt;Tanto faz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-weight: bold;"&gt;O tempo passou e eu comecei a voltar quem eu era. Era tarde. Ela estava me transformando em um dos seus milhares de bichinhos de pelúcia. Como uma vampira de alma, ela chupou todos os obsessores que me atormentavam. Depois que a minha personalidade voltou, ela a estava consumindo com o mesmo poder que o fogo devasta uma floresta.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;font-size:100%;" &gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;****&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Retornei e sentei no meu banco tentando tirar um sorriso, mesmo que amarelo do fundo do meu bolso.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Estou de volta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Olha Ursinho. Deixa eu te apresentar meu marido, Esteban.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;O moreno de bigodinho engraçado e cabelo de cuia sentado ao lado de Núria acenou com a cabeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Ola Ursinho Vic.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Buenas, Esteban.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;É claro que por essa eu não esperava. Eu estava muito ocupado comigo mesmo, fazendo listas e coisas do tipo para prestar atenção na parte que Núria disse que morou fora do país, conheceu Esteban, casou e voltou para o Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Não tinha muito o que fazer naquela situação, somente:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Bem pessoal, foi muito legal encontrar vocês, mas tenho que puxar o meu carro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Que isso Vic, a noite ainda nem começou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Núria colocou a mão na minha perna evitando que eu levantasse. Esteban, por sua vez gastou seu dinheiro e seu portunhol cantado com João.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Três doses de tequila para nós, por favor hombre!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Obrigado gente, mas eu tenho que realmente que ir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Eu estava tentando levantar, fugindo da mão de Núria quando João colocou os três copinhos em cima do balcão.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Para o inferno, mais uma tequila antes de ir partir. É possível que chupar um limão poderia adocicar a minha situação. Depois casa, punheta e cama.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Viramos os copos. Núria fez uma careta, balançou sua cabeleira preta para cima e para baixo e deu um grito:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Tequila me deixa louquinha, louquinha!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Arriba, muchacha!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;O casal estava bem animado. João balançou suas camurças para cima e para baixo e riu da minha cara quando retirou os meus copos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Bem, é hora do hasta La vista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Núria não me deixou levantar. Apertou a minha perna com mais força, rodou a cabeça algumas vezes e parou com o seu rosto próximo ao meu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Calma aí, Vic. Deixa eu te falar uma coisa. Somente una cosita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Una cosita, Núria?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Si. Una cosita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Afastei meu rosto e dei uma olhada para Esteban. Ele estava bebendo uma caipirinha e parecia pouco se importar com a sua esposa apertando a perna do pequeno urso Vic.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Sabe, Vic. Es-ta-va pen-san-do se vo-cê não que-ri-a ir lá pa-ra ca-sa....Você sabe...pa-ra gen-te lem-brar a-que-la é-po-ca...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Núria, você não está esquecendo nada? Tipo, um metro e setenta, pele morena, bigode de gosto duvidoso, estrangeiro e que às vezes atende pelo nome de Esteban. Porque ele está sentado ao seu lado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Com uma risada e outra rodada de cabeça ela me respondeu:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Vic, deixa de ser bobo. Ele também vai. Afinal, ele mora lá.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Ele também vai...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Fica calmo, Vic. Tem Núria para todo mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Eu não sabia se estava rindo de nervoso ou pelo convite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Você está me convidado para fazer sexo com você e com o seu Marido?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Bem, não com meu marido. Você não virou gay, ursinho?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Claro que não, sua louca. E para com essa coisa de ursinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Tá bom, Vic. Eu só queria ser carinhosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Sua mão subiu da minha perna, chegando a minha virilha. Ela deu uma apertada no pequeno Vic:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- E aí, topa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Eu me levantei com um pulo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Eu vou ao banheiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Mal chegue diante do espelho e o Vic mau estava com a cara amarrada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Afinal, o que você está esperando?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Você não pode estar falando sério.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Qual é, Vic Bom? Não vai ser a primeira vez que você e outro cara dividem a mesma mulher, ao mesmo tempo e no mesmo lugar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Eu sei. Mas isso é diferente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Diferente como?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Veja bem, Vic mau. Aquele cara é casado com ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- E?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- E ele aceita dividir a mulher com outro cara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- E?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- E o que isso significa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Vic mau ficou me olhando. Ele sabia aonde eu queria chegar. Ele baixou a guarda:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Sabe, Vic bom, eu realmente te odeio por acertar de vez em quando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Sabe, Vic bom, eu realmente te amo por concordar comigo de vez em quando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Saí do banheiro e João estava na beira do balcão com aquela cara marota.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- As baratas voltaram a ser pelúcia, heim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- O que?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Agora elas voltaram a ser baratas novamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Voltei andando para o meu pequeno grupinho sexualmente depravado que estavam curtindo umas cervejas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Olha, Vic. Peguei uma para você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Peguei a cerveja, fiz Núria se levantar e fui até o lado de fora do bar com ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Obrigado Núria. Obrigado pela bebida e pelo convite, mas não vai rolar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- É por causa do Esteban, não é?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Claro que é por causa do Esteban.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Fala sério, Vic. Vai falar que você nunca fez isso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- É claro que eu já fiz isso, mas nesse tipo de situação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Por que ele é meu marido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Sim. Por que ele é seu marido e aceita que você transe com outro cara na frente dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- E daí?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- E daí que isso o excita. Não é você que excita ele, mas o fato de eu estar lá. E eu não quero estar em uma situação onde eu esteja nu e outro cara esteja excitado por minha causa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Mas ele não vai fazer nada com você, não vai nem te tocar. Se isso te deixa mais tranqüilo, ele nem vai apertar a sua mão na hora que você for embora, Vic.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Você acha que eu apertaria a mão dele depois dele ficar brincando com o pequeno muchacho dele?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Então estamos resolvidos? Sem toques.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Não. Isso não vai acontecer, Núbia. Eu não quero estar em uma situação sexual, que mesmo sem toque eu excite outro cara. Isso é muito gay para mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Você é homofóbico, Vic.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Eu não sou homofóbico, mas não quero deixar outro cara de pau duro pelo fato de eu estar comendo a esposa dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Tudo bem, Vic. Tudo bem. Eu vou pedir para Esteban dormir em um hotel hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Você o que?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Vou pedir para ele dormir em um hotel para podermos ficar lá em casa sossegados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Você vai pedir para homem não dormir na sua própria casa para você poder transar com outro cara?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Isso é muito ouver, né? É melhor nós dois irmos para um hotel e deixar Esteban dormir na cama dele. Você tem dinheiro para um motel?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Não eu tô duro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Então vou pedir dinheiro a ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Núria, não. Que loucura é essa? Ele é teu marido. Você vai para casa com ele e eu vou para minha casa tocar punheta sozinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Não foi exatamente nessa parte que as outras pessoas começaram ouvir o nosso papo, mas foi nessa parte que eu notei que elas estavam ouvindo. Definitivamente João estava certo em uma coisa. Eu não vou aparecer naquele bar por um bom tempo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Núria me abraçou e me deu um beijo. Ela começou a colocar a sua língua dentro da minha boca e aquilo estava ficando bom, mas tive que afasta-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- O que você quer afinal, Vic?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- O que eu quero? O que você quer, sua maluca? Você é casada!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Sim, eu sou casada e quero dar para você hoje. Será que eu vou ter que me separar do meu marido para isso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Não. Para. Você não pode querer isso, Núria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Olha Vic, eu e Esteban temos uma relação aberta e sólida. Ele saí com algumas garotas eu saio com alguns caras. As vezes transamos juntos, as vezes transamos separados. Isso funciona para gente muito bem. Se você quiser me comer, tudo bem. Se você não quiser, beleza. Eu não vou ficar aqui implorando para dar pra um cara que me largou sem um motivo concreto. E aí? Qual vai ser?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Ela falou tão rápido e tão determinada que eu fiquei sem fala. O Vic mau se aproveitou da oportunidade e respondeu para mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Beleza. Manda ele dormir em um hotel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- A-do-rei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Me deu um beijo e volto para o bar para conversar com Esteban. Eu andei até a calçada, encontrei um carro estacionado e encontrei o Vic mau no vidro do banco de trás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Você ta maluco, Vic mau? Você não pode pegar o controle.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Que se foda, Vic bom. A mulher que te dar e o Pepe Legal não se importa, qual é o problema?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Sabe, Vic mau, eu realmente te odeio. Te odeio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Sabe, Vic bom, eu realmente de amo. Te amo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- O que você está fazendo no meu carro, seu maluco?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Um sujeito grande e com cara de poucos amigos estava atrás de mim. Mostrei os dentes para ele e comecei a futuca-los com o meu dedo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Estava vendo sem tinha alface nos meus dentes, tem? Você está vendo algum?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Fica longe do meu carro, seu doido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Voltei para próximo do bar. Núria se despedia de Esteban que me mandou um sorriso e um tchau. Imagino se eu estivesse mais próximo ele daria um leve soco no queixo e diria “vá com tudo, Gatón”.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: center; font-weight: bold;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;****&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Estávamos no apartamento de Núria.&lt;/span&gt;  O lugar era bem maior que o quarto e sala que ela vivia quando estávamos juntos.  Fora isso, a decoração repleta de bichinhos de pelúcia se mantinha. A única diferença é que tinhas fotos dela com Esteban em vários lugares da América latina. Eles na Argentina dançando tango. Eles no Paraguai comprando muamba. Eles na Colombia visitando o Museu do Ouro. Eles no Peru...bem chega de detalhes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Núria não perdeu muito tempo. Entrou no quarto e disse que iria trocar de roupa. Eu fui até a cozinha procurar algo para beber. Abri um armário e encontrei atrás de um cinzeiro com bagas de maconha uma garrafa de vodka.  Abri e bebi no gargalo. Achei que Esteban que era tão generoso com a sua mulher não iria esperar que eu fosse cuidadoso em outras questões mundanas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;A bebida desceu cortando a garganta.&lt;/span&gt; Fiquei alerta e me climatizou na situação. Temos que ser sórdidos de vez em quando, diria o Vic mau. Dei outro gole na garrafa. Núria saiu do quarto. Vestia apenas uma camisola verde e transparente o suficiente para mostrar os seus mamilos. Não sei se era a roupa ou a bebida, mas ela não parecia estar tão gorda quando andou até a cozinha. Tirou a garrafa de mim e bebeu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Afinal, você veio aqui para acabar com a minha bebida ou comigo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Bem, como diz o ditado, se você está no inferno, abraça o capeta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Fomos aos beijos até o quarto. Parte da minha roupa ficou pelo meio do caminho. O resto ela fez questão de tirar antes que eu caísse na cama e ela viesse por cima de mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Com certeza era a bebida, pude perceber seus quilinhos a mais assim que ela deslizou pelo meu corpo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Ela começou os trabalhos com sua mão e lábios. Vic, o bom, o mau e o pequeno agradeciam. Virei o meu rosto e lá estava mais uma foto de Esteban ao lado de um coelho de pelúcia azul. Peguei um travesseiro e joguei de encontro ao porta retratos. Não queria aquele latino maluco me observando com sua esposa nem em fotografia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Núria levantou o seu corpo e fez que iria sentar em cima de mim. Eu deslizei para o lado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Deixa eu pegar a camisinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Ah! Esquece isso! Eu quero que você me coma to-di-nha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Tudo bem, me dá só um segundo para eu colocar a camisinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Tentei descer na cama e ela agarrou meus braços. Me jogou contra o colchão, beijou minha boca, meu rosto e passou a língua nos meus ouvidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Não podemos parar agora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Ainda nem começamos, meu bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Afastei a louca. Eu não iria colocar o pequeno Vic sem nenhuma armadura para se proteger de tudo que ele corpo já tinha consumido. Desci da cama e peguei a minha calça na entrada do corredor. Tirei a camisinha de dentro da carteira e voltei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Vamos logo, Vic. Eu estou esperando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Bem, acho que não preciso dizer o que ela estava fazendo para me esperar.  Eu tentava rasgar a camisinha,  Núria me apressando e Estaban abrindo a porta da sala.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Blam.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Pulei para o fundo do quarto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Que porra é essa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Esteban chegou!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Que parte de “você vai dormir no hotel enquanto eu dou para o meu ex-namorado” ele não entendeu?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Calma, Vic. Eu resolvo isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Ela saiu do quarto e puxei as minhas roupas do corredor e encostei a porta. Não sei por que fui deixar o Vic mau entrar no controle. Aposto que aquele cara estava arrependido e iria me matar por ciúmes. Eu sempre digo a mim mesmo que não vou me envolver com mulher casado e vivo me metendo nesse tipo de situação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Comecei a me vestir. Olhei pela janela e não daria para escapar do sétimo andar sem ser o Homem-Aranha. Por vinte segundos todo um texto como ter super poderes facilitaria a minha vida sexual correu pela minha mente. Ele sumiu na minha mente quando eu acabei de me vestir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Abri a porta e consegui perceber que eles estavam conversando na cozinha. Não parecia que iria ocorrer um crime pacional. A situação estava até muito bem controlada. Mesmo assim, decidi não arriscar mais. Fui andando em ponta de pé pelo corredor até a porta da sala. Coloquei a minha mão na maçaneta e....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;A porta estava trancada e sem chave nela. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Ei, Ursinho. Não vá embora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Núria estava na porta da cozinha. Eu abri um sorriso falso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Acho que é melhor eu me mandar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Esta tudo bem. Não é Esteban?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Si. Si. Não se vá, muchacho.  Yo estou de saída.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Maldita hora para um portunhol. Esteban saiu da cozinha com as chaves na mão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Que isso Esteban. A casa é sua, a mulher é sua. É melhor eu ir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Por favor, fique e divirta a minha doce Núrita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Que isso. Eu não sei se posso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Mi Casa, Su casa. Mi mujer, Su mujer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Ta aí uma frase que não se escuta todo dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Yo posso te ensinar....truques para satisfazer Nurita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Não Esteban, eu só quero as drogas das chaves.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Núria começou a elevar o tom de voz e dar tapas em Esteban.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Viu? Por que você foi aparecer? Você espantou o garoto. Eu nunca te atrapalho quando você traz as suas piranhas para cá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Núria, está tudo bem. Eu vou embora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Fique e transe com Ella, hombre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Vamos, ursinho. Ele vai embora agora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Andei em direção dos dois e tomei as chaves na mão de Esteban. Comecei a testá-las até que encontrei a certa. Com a porta entreaberta voltei-me para os dois e disse:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Vocês dois deviam consultar uma porra de um psicólogo. E por favor, nunca pensem em ter filhos, sacou?  Nada de Muchachitos. Seus loucos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Saí do apartamento. Não poderia seguir mais com aquilo. Sabia que provavelmente Esteban estaria em quarto de hotel se masturbando pensando em mim e Núria. Que toscaria. Tentei pensar em outra coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Não conseguia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Ai meu Deus, eu tinha que afastar aquele pensamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Super poderes na hora do sexo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Esteban tocando punheta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Como eu iria me livrar daquilo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Já sei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Antes de bater a porta, voltei para o apartamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Os dois ficaram me olhando. Andei na direção deles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Dá licença.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Fui até a cozinha e peguei a garrafa de vodka. Passei de volta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;- Muchas Gracias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Daí sim bati a porta e fui embora sem a certeza se depois de uma garrafa de vodka eu conseguiria afastar aquele pensamento de mim.&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;a href="http://vicarioca.blogspot.com/"&gt;Leia mais&lt;/a&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2288834542821220975-3234670185663836348?l=vicarioca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="feedflare"&gt;
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&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/ViciadoCarioca/~4/XI8OXTBv86U" height="1" width="1"/&gt;</description><atom:updated xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom">2010-03-25T22:11:16.205-03:00</atom:updated><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">7</thr:total><feedburner:origLink>http://vicarioca.blogspot.com/2010/03/pode-chorar-eu-voltei-o-bom-o-mau-e.html</feedburner:origLink><feedburner:origLink>http://feedproxy.google.com/~r/blogspot/ovRn/~3/tMKkfiU9Srs/pode-chorar-eu-voltei-o-bom-o-mau-e.html</feedburner:origLink></item><item><title>Os tipos de drogados</title><link>http://feedproxy.google.com/~r/ViciadoCarioca/~3/mSF6Z7aHPQQ/os-tipos-de-drogados.html</link><category>Comunicado</category><author>noreply@blogger.com (Viciado Carioca)</author><pubDate>Mon, 21 Dec 2009 08:29:00 PST</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-2288834542821220975.post-8217497220709981119</guid><description>&lt;div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml"&gt;&lt;p&gt;&lt;object height="350" width="425"&gt;&lt;param value="http://youtube.com/v/n_fYF3a3wOw" name="movie"&gt;&lt;embed height="350" width="425" type="application/x-shockwave-flash" src="http://youtube.com/v/n_fYF3a3wOw"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Ronald Rios ataca novamente. Com o auxílio de Marianna Gomes, os dois mostram porque você só deve cantar uma mulher quando estiver careta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E não perca tempo! Aproveite para garantir um dos últimos exemplares do meu novo livro com super desconto promocional. De R$40 por apenas R$17!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://lojavirtual.parentese.com.br/viciado.html"&gt;http://lojavirtual.parentese.com.br/viciado.html&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;a href="http://vicarioca.blogspot.com/"&gt;Leia mais&lt;/a&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2288834542821220975-8217497220709981119?l=vicarioca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="feedflare"&gt;
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&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/ViciadoCarioca/~4/mSF6Z7aHPQQ" height="1" width="1"/&gt;</description><atom:updated xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom">2009-12-21T14:30:17.402-02:00</atom:updated><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">4</thr:total><feedburner:origLink>http://vicarioca.blogspot.com/2009/12/os-tipos-de-drogados.html</feedburner:origLink><feedburner:origLink>http://feedproxy.google.com/~r/blogspot/ovRn/~3/UgZ9i8kXxEI/os-tipos-de-drogados.html</feedburner:origLink></item><item><title>Últimos Exemplares</title><link>http://feedproxy.google.com/~r/ViciadoCarioca/~3/TOVX7v1a6tA/ultimos-exemplares.html</link><category>Comunicado</category><author>noreply@blogger.com (Viciado Carioca)</author><pubDate>Thu, 17 Dec 2009 07:22:00 PST</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-2288834542821220975.post-2804477041805955875</guid><description>&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A Pré-venda do meu livro está chegando ao fim, mas ainda existem alguns exemplares com o super desconto promocional. Essa é a chance de quem ainda não comprou e quer economizar uns trocados de aproveitar para garantir o seu livro. Essa é a oportunidade de quem já comprou, comprar mais um exemplar para dar um presente bacana, barato e diferente para aquela pessoa querida. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O Lançamento oficial do livro deve ocorrer em Janeiro. Quando eu souber a data exata eu informo para vocês. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Para o pessoal que possui blogs, frequenta fóruns, participa de lista de e-mails, não deixem de divulgar para os amigos sobre o livro. Com certeza ainda tem muita gente por aí que ainda não faz parte da nossa pequena máfia.  Para ajudar na divulgação coloco abaixo o texto da orelha do livro e o release do livro. Lembrando que o link para o site da editora é:  &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://lojavirtual.parentese.com.br/viciado.html"&gt;http://lojavirtual.parentese.com.br/viciado.html&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;Sexo, drogas e rock and roll.&lt;/b&gt; Para inúmeros fiéis e infiéis do mundo inteiro, esta é uma trindade muito mais sagrada, inspiradora e, até mesmo, transcendental do que a sua versão católica apostólica romana. O Viciado Carioca é uma dessas ovelhas desgarradas que não acreditam no destino, no amor e muito menos no destino do amor. Até que uma epifania canábica no carnaval de Minas Gerais muda o rumo do nosso anti-herói.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;A partir dessa pequena inconfidência mineira,&lt;/b&gt; Vic, o protagonista dessa trama underground, nos conduz por um passeio pela cena musical carioca dos anos 1990 com seus personagens boêmios, loucos e divertidos. Levando-nos, até mesmo, a uma obscura comunidade heavy metal, cheia de regras e princípios e liderada por Luther, um metaleiro veterano que controla e sabe de tudo o que ocorre no velho Casarão do Rock.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;A descoberta do amor pela ruiva Nicole&lt;/b&gt;, até então namorada de Luther, as importantes amizades que faz no Casarão e os devaneios acerca de uma verdadeira mitologia roqueira, são os fios condutores deste romance, que tem no senso de humor um dos seus pontos fortes.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;Viciado Carioca é um desses livros para quem gosta de sexo, drogas e rock and roll&lt;/b&gt;, juntos ou separadamente, comedida ou desbragadamente, nesta ou em outra ordem. Ou seja, trata-se de um livro recomendado principalmente para quem ainda não morreu.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://lojavirtual.parentese.com.br/media/catalog/product/cache/1/image/5e06319eda06f020e43594a9c230972d/c/p/cp_mm_viciado.jpg"&gt;&lt;img style="text-align: left;display: block; margin-top: 0px; margin-right: auto; margin-bottom: 10px; margin-left: auto; cursor: pointer; width: 320px; height: 451px; " src="http://lojavirtual.parentese.com.br/media/catalog/product/cache/1/image/5e06319eda06f020e43594a9c230972d/c/p/cp_mm_viciado.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;a href="http://vicarioca.blogspot.com/"&gt;Leia mais&lt;/a&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2288834542821220975-2804477041805955875?l=vicarioca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="feedflare"&gt;
&lt;a href="http://feeds.feedburner.com/~ff/ViciadoCarioca?a=TOVX7v1a6tA:rF6e3Ivz030:yIl2AUoC8zA"&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~ff/ViciadoCarioca?d=yIl2AUoC8zA" border="0"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt; &lt;a href="http://feeds.feedburner.com/~ff/ViciadoCarioca?a=TOVX7v1a6tA:rF6e3Ivz030:63t7Ie-LG7Y"&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~ff/ViciadoCarioca?d=63t7Ie-LG7Y" border="0"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt; &lt;a href="http://feeds.feedburner.com/~ff/ViciadoCarioca?a=TOVX7v1a6tA:rF6e3Ivz030:dnMXMwOfBR0"&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~ff/ViciadoCarioca?d=dnMXMwOfBR0" border="0"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt; &lt;a href="http://feeds.feedburner.com/~ff/ViciadoCarioca?a=TOVX7v1a6tA:rF6e3Ivz030:F7zBnMyn0Lo"&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~ff/ViciadoCarioca?i=TOVX7v1a6tA:rF6e3Ivz030:F7zBnMyn0Lo" border="0"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt; &lt;a href="http://feeds.feedburner.com/~ff/ViciadoCarioca?a=TOVX7v1a6tA:rF6e3Ivz030:7Q72WNTAKBA"&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~ff/ViciadoCarioca?d=7Q72WNTAKBA" border="0"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt; &lt;a href="http://feeds.feedburner.com/~ff/ViciadoCarioca?a=TOVX7v1a6tA:rF6e3Ivz030:V_sGLiPBpWU"&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~ff/ViciadoCarioca?i=TOVX7v1a6tA:rF6e3Ivz030:V_sGLiPBpWU" border="0"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt; &lt;a href="http://feeds.feedburner.com/~ff/ViciadoCarioca?a=TOVX7v1a6tA:rF6e3Ivz030:qj6IDK7rITs"&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~ff/ViciadoCarioca?d=qj6IDK7rITs" border="0"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt; &lt;a href="http://feeds.feedburner.com/~ff/ViciadoCarioca?a=TOVX7v1a6tA:rF6e3Ivz030:KwTdNBX3Jqk"&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~ff/ViciadoCarioca?i=TOVX7v1a6tA:rF6e3Ivz030:KwTdNBX3Jqk" border="0"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt; &lt;a href="http://feeds.feedburner.com/~ff/ViciadoCarioca?a=TOVX7v1a6tA:rF6e3Ivz030:l6gmwiTKsz0"&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~ff/ViciadoCarioca?d=l6gmwiTKsz0" border="0"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt; &lt;a href="http://feeds.feedburner.com/~ff/ViciadoCarioca?a=TOVX7v1a6tA:rF6e3Ivz030:gIN9vFwOqvQ"&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~ff/ViciadoCarioca?i=TOVX7v1a6tA:rF6e3Ivz030:gIN9vFwOqvQ" border="0"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt; &lt;a href="http://feeds.feedburner.com/~ff/ViciadoCarioca?a=TOVX7v1a6tA:rF6e3Ivz030:TzevzKxY174"&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~ff/ViciadoCarioca?d=TzevzKxY174" border="0"&gt;&lt;/img&gt;&lt;/a&gt;
&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/ViciadoCarioca/~4/TOVX7v1a6tA" height="1" width="1"/&gt;</description><atom:updated xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom">2009-12-17T13:36:49.401-02:00</atom:updated><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">0</thr:total><feedburner:origLink>http://vicarioca.blogspot.com/2009/12/ultimos-exemplares.html</feedburner:origLink><feedburner:origLink>http://feedproxy.google.com/~r/blogspot/ovRn/~3/ZaZo90oP7pw/ultimos-exemplares.html</feedburner:origLink></item><item><title>Charlie e a Fantástica Fábrica de Alucinações!</title><link>http://feedproxy.google.com/~r/ViciadoCarioca/~3/3p65-0i82G4/charlie-e-fantastica-fabrica-de.html</link><category>Contos Proibidos</category><author>noreply@blogger.com (Viciado Carioca)</author><pubDate>Tue, 15 Dec 2009 10:12:00 PST</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-2288834542821220975.post-4398467274545138565</guid><description>&lt;i&gt;&lt;b&gt;Pré Venda:&lt;/b&gt;  &lt;/i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:large;"&gt;&lt;a href="http://lojavirtual.parentese.com.br/teste/viciado.html" target="new"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FF0000;"&gt;Viciado Carioca – Amor &amp;amp; Rock and Roll &lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;i&gt;– o livro que reúne os Arcos I e II dessa incrível saga! 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A criatura arregalou os olhos e perguntou para Charles:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Você sabe quem eu sou?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Claro. Você é o Visconde de Sabugosa! &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A figura abriu um sorriso e Charles também mostrou os seus dentes maltratados pela vida.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Errado, meu nobre, meu nome é Willy Marofa e você é um dos cinco doidões sorteados para visitar a minha Fantástica Fábrica de Alucinações! &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Charles ficou boquiaberto e não conseguia emitir nenhuma palavra. Willy Marofa envergou seu imenso corpo como se fosse uma vara de pescar e estendeu a mão para Charles:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Vamos rapaz, será uma viagem única.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Charles não conseguia acreditar naquilo. Tinha acabado de jogar fora seus discos do Dixie Dregs e não estava preparado para uma viagem psicodélica. Deveria aceitar o convite de Willy Marofa? Fechou os olhos e desejou sorte a si mesmo. Então estendeu a mão e tocou nos dedos da estranha figura. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;Luzes caleidoscópicas explodiram através do quarto. &lt;/b&gt;Charles e Willy Marofa voavam ao som do bater de asas de mil e um Borboletofantes cor de rosa. Naturalmente surgiu outro Willy Marofa logo abaixo deles carregando um outro rapaz gorducho. Antes que Charles pudesse entender aquilo, outro Willy Marofa surgiu pelo lado, agora carregando uma garota de vestido violeta. Um Willy Marofa gritou para o outro:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- A comunidade está se formando! &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Então eles apontaram para cima e outro Willy Marofa surgiu carregando um rapaz franzino. Charles estava maravilhado com aquela visão. Ele pensou em perguntar para o seu Willy o que estava acontecendo, mas seus pensamentos foram interrompidos por um grito ao seu lado:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Ei, rapazes, esperem por mim!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Um outro Willy surgiu pela direita carregando mais outra garota. Essa não era tão bonita quanto a primeira, possuía uma horrenda verruga no nariz e mantinha uma cara triste. Charles não entendia como alguém poderia estar triste com uma viagem daquelas, mas resolveu não concentrar os seus pensamentos naquilo. Ficou admirando os borboletofantes cor de rosa durante o restante da viagem. A velocidade deles então foi diminuindo, diminuindo, diminuindo, até que aterrizaram diante de uma velha fábrica toda colorida. Um dos Willy pousou primeiro no chão e os outros Willy foram um por um descendo dentro do primeiro quando finalmente só tinha um Willy Marofa diante deles:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Eu a-do-ro esse lance de múltiplas personalidades físicas! &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Tirando a menina com a verruga, todos estavam maravilhados com aquela visão dos múltiplos Willys se tornando apenas um. Marofa apontou para a fábrica que jogava sua fumaça verde e laranja no ambiente através de uma chaminé azul e amarela.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Essa é a minha Fantástica Fábrica de Alucinações e vocês, meus cinco amiguinhos doidões, serão os primeiros a conhecê-la por dentro!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Que droga! – lamentou a menina da verruga!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Vou fumar e quebra a porra toda! – anunciou o gordão!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Que legal! – comemorou Charles!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Espero que ninguém veja a gente aqui! – disse o rapaz franzino olhando para todos os lados.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Alguém pode apertar um baseado pra galera? – perguntou a menina de vestido violeta. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;Willy Marofa ajeitou o sua cartola e riu dos comentários de seus convidados. Ele andou até a porta da fábrica e notou que todos se entreolhavam, estranhando a situação, então antes mesmo de tocar a maçaneta, ele anunciou:&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Não seria interessante os cabeçudinhos se apresentarem uns aos outros para que nossa pequena viagem seja mais agradável?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A garota da verruga deixou os braços caírem ao lado do corpo e disse em um sussurro arrastado:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Eu me apresento por última, por que sempre sou a última. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Faremos melhor ainda, meu poço infinito de tristeza, deixa que eu te apresente e assim não teremos mais o desprazer de ouvir a sua voz por algum tempo! – disse Willy Marofa abrindo seu característico sorriso largo.  – Essa aqui é Maria Verruga. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Olá Maria Verruga! – disseram todos de uma só vez.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Maria olhou com desdém para eles todos, de um muxoxo e ficou olhando como suas unhas eram feias enquanto o gordo se apresentava:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Meu nome é Augusto, o gordo! Eu encontrei o Cogumelo de Willy Marofa quando eu estava fazendo uma festinha de cogumelos, com maconha, com vodka, com absinto. Eu já estava ficando doidão e o pessoal pedindo para eu parar, foi quando eu quebrei uma televisão velha na cabeça da minha irmã mais nova e quebrei os dentes do namorado dela com um cabo de vassoura. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Os outros ficaram olhando constrangidos com aquele excesso de informação enquanto Augusto batia no peito gordo e anunciava que somente ele sabia se divertir.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Meu nome é Violeta e eu acho que estou aqui por acaso. Ninguém podia acender um baseadinho para quebrar o gelo dessa apresentação? – houve um silêncio durante alguns segundos e como ninguém se mexeu, Violeta continuou. - Eu fui na casa de uma amiga para ver se ela tinha um fininho para cortar a minha fissura quando eu descubro que ela estava fazendo um chá com um cogumelo estranho que ela encontrou no jardim. Ela mexia na panela e dizia que não ia me dar um gole, mas eu fui lá e filei uma caneca antes de todo mundo e agora estou aqui!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ela terminou a apresentação abrindo um pequeno sorriso tentando inutilmente conquistar a simpatia dos outros. Charles achou que era a hora certa dele se apresentar:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Meu nome É Charles e eu estava tomando um chá com esse cogumelo dourado que encontrei por acaso e acabei conhecendo esse homem maravilhoso chamado Willy Marofa. Acho que essa é uma das viagens mais sensacionais que eu já tive!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O rapaz franzino observou Charles terminar sua apresentação com seus olhos arregalados, depois de olhar umas três vezes que não tinha ninguém por perto e de se certificar mais outras cinco que era realmente a sua vez ele disse:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Meu nome é Mike e se isso for uma pegadinha de algum amigo meu, eu vou me vingar. Isso tá parecendo coisa do Bronha. Vocês conhecem o Bronha? Ele é um amigo meu que fuma pra caramba e de vez em quando faz uns trabalhos de vapor para levantar uma grana. Olha gente, isso fica entre a gente. O Bronha não gosta que ninguém fique falando por aí que ele é vapor. Vocês não conhecem ele, né? Conhecem? Conhecem?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O sujeito estava todo elétrico e mesmo com todos dizendo que não ele olhava para todo mundo com olhos desconfiados. Charles não entendeu porque ele contou sobre o tal do Bronha para depois dizer que era segredo. Resolveu não tentar entender aquelas pessoas neuróticas com quem dividia aquela viagem maravilhosa e decidiu apenas curtir.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Já chega desse blá, blá, blá e agora vamos ao que interessa.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;Willy Marofa tirou uma chave grande e dourada e enfiou uma das pontas na porta e virou a outra ponta que era em formato de folha de cannabis&lt;/b&gt;. Eles atravessaram o portal e entraram no mundo mágico da Fantástica Fábrica de Alucinações.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Atravessaram um grande corredor enquanto Violeta insistia para alguém acender um fininho. O Corredor era decorado com quadros de figuras importantes como Bob Marley e Philip K Dick. Augusto não escondia dos seus amigos a ansiedade de experimentar as famosas bolinhas de Willy Marofa enquanto Verruga achava tudo aquilo um saco. Só Charles e Mike pareciam admirados com tudo aquilo, mas enquanto o primeiro demonstrava em um belo sorriso, o segundo tinha olhos preocupados.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Finalmente chegaram ao fim do corredor. Marofa abriu um portão e o grupo chegou em um grande jardim. Arbustos de Sativa misturavam-se com arbustos de Salvia Divinorum entre cogumelos e mescais gigantes.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Tudo aqui é alucinógeno, inclusive eu. Mas certas pessoas vão sentir dificuldade em me fumar. – disse Willy Marofa entre alguns gritinhos e sorrisos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Nós podemos consumir o que quisermos? – perguntou Augusto visivelmente excitado.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- É claro, amiguinho. Só não percam a linha. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Foi o suficiente para Augusto sair como um trator destruindo arbustos e cogumelos. Enquanto engolia alguns, ele destruía outros com socos e ponta pés. Charles resolveu apertar um fininho e dividiu sem problemas o seu cigarro com Violeta. Enquanto Verruga estava indecisa se utilizava maconha ou salvia.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Eu sei que a maconha vai me deixar com azia, mas com certeza a salvia vai me deixar mais louca do que o gordão. Ah, que saco!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mike estava puxando um pó escondido atrás de um arbusto quando Augusto apareceu e tomou a droga do coitado.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- É tudo meu! É tudo meu! – disse ele enfiando o pó dentro do nariz enquanto dava um soco na cara de mike.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mike absorveu a bofetada, mas não pensou duas vezes. Correu em direção de Willy Marofa para denunciar o mal comportamento do amigo. Não precisava, Augusto já estava chamando a atenção de todo mundo. Ele quebrou mas alguns arbustos e enfiou as folhas na boca, arrancou a roupa e pulou no estilo “bomba” dentro do rio de Ayahuasca que passava por ali. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Todos estavam paralisados com o colega perdendo não só a linha, mas o resto do carretel inteiro.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- O que os jacarés coloridos estão olhando? Eu nem comecei ainda o concurso de barrigadas! – disse Augusto para a turma.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O que Augusto não notou é que a atenção do grupo já tinha desviado dele para um grupo estranho de anões que estavam se aproximando da margem do Rio.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Seu Marofa, o que é aquilo? Eles são tão feios que me deprimem! – perguntou Verruga.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- São da polícia, eu tenho certeza! –  disse Mike. Então, ele começou a gritar em direção dos anões enquanto aspirava o resto de pó que ainda tinha nas mãos - Olha eles que estavam fumando, eu não estava usando nada! &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Ora bolas, eles são Songa-mongas! – disse Willy intrigado com a burrice dos seus novos amiguinhos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Eles têm dedo de gorila! – observou Charles!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- E perninha de grilo! Você me deixa fumar um? – pediu Violeta.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Não, não e negativo! – respondeu Willy Marofa. – Foi muito difícil trazer esses Songa-mongas até aqui. Eles são criaturas que gostam de se drogar e de cantar, o que é muito bom porque economiza o custo de um rádio.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Ah, acho que eles vão começar a cantar. Eu odeio música! – comentou Verruga.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Sim, eles vão começar a cantar! Vamos ouvir! – mandou Willy.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;Songa-monga... onga-dee-dee&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;Você quer fumar, aperta um aí&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;Songa-monga... onga-dee-dica&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;Vamos comer e matar larica!&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Nesse momento os Songa-mongas tiraram zarabatanas do bolso e começaram a assoprar dardos recheados de heroína em direção de Augusto. Enquanto uns assopravam outros começaram outra música:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;Augusto, Augusto seu gordão&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;Não pensa, mete logo o narigão&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;Na sua viagem, perde a noção&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;Deixa todo mundo Boladão!&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;A nossa viagem você não vai atrapalhar&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;Você é mais inútil que uma fimose&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;Nós ainda temos muito que fumar&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;E você vai morrer de Overdose!&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;Augusto, Augusto seu gordão&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;Não pensa, mete logo o narigão&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;Na sua viagem, perde a noção&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;Deixa todo mundo Boladão!&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Seu Willy, ele vai realmente morrer? – perguntou Verruga quase chorando.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Não só ele, como todos vocês, eu e o planeta. Afinal, a esperança é a ultima que morre, mas ela fatalmente sempre morre!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Verruga começou a chorar com a Bad trip, Violeta decidiu que não iria mais filar nenhum cigarro de Willy Marofa, Mike tinha certeza que ele era um agente da polícia disfarçado. Mas e Charles? O que Charles achava daquilo tudo?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Charles não sabia. Gostava da fábrica e do jeito meio louco de Willy Marofa e no fundo achava que Augusto merecia ser punido por perder a noção. Charles odiava quando estava fumando um tranquilamente e algum amigo ficava doido além da conta e começava a fazer brincadeiras desagradáveis. Mas aquilo não era um pouco além da conta? &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Charles refletiu um pouco e pensou que fatalmente aquele seria o destino de Augusto de um jeito ou de outro. Ninguém pode perder a linha sempre e achar que nunca vai sofrer as conseqüências. No fim, o gordo colheu o que sempre plantou. Ao concluir isso um pequeno sorriso se formou no canto da boca de Charles. Ele não deu bola e acompanhou Willy e o resto do grupo até a outra sala. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;Willy abriu uma grande porta e todos entraram em uma sala que o chão era feito de terra.&lt;/b&gt; No chão existiam quatro buracos onde Willy pediu para que todos se deitarem. Entre alguns estranhamentos por parte de Mike e algumas reclamações por parte de Verruga todos se deitaram. Então Songa-Mongas vieram e os cobriram com terra deixando apenas a cabeça dos quatro visitantes de fora.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Essa é a sala Castanheda e espero que todos vocês tenham uma experiência cognitiva muito especial. – disse Willy enquanto enfiava alguns capacetes cheios de eletrodos no crânio de todos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Ei, o que é isso? De alguma forma você vai denunciar a gente? Se você me entregar eu te entrego também! – ameaçou Mike.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Sim, meu amiguinho de língua solta. Eu vou denunciar vocês. Irei denunciar vocês a vocês mesmo! &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Willy Marofa abriu um sorriso e puxou a alavanca de um estranho aparelho que se encontrava do outro lado da sala. Raios de diversas cores saíram do aparelho em direção aos capacetes. Charles ao ver aquilo fechou os olhos e se preparou para o que ele tinha certeza de ser uma experiência única. Violeta notou com o canto do olho o sorriso de Charles e começou a imaginar que viagem fantástica ele estava tendo e desejou estar dentro da cabeça dele. Mike começou a rezar para que nem seus pais, seu chefe ou a polícia descobrisse que ele estava ali e que no fundo Willy Marofa fosse um bom sujeito. Todos começaram a ter uma viagem fantástica, menos Verruga. Ela surtou.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Quando o terceiro raio atingiu o capacete de Verruga e ela começou a ser transportada para um mundo onde não existia guerra, doenças, fome, pobreza ou morte ela empurrou o seu capacete para longe. Aquilo era tão irreal que não poderia existir nem no mundo das alucinações. Ela tinha certeza que não existia amor sem dor. Não era possível e a felicidade era algo tolo que as pessoas inventavam para fugir da verdadeira crueldade que era o mundo.  &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Para com isso, você vai matar todos nós! – disse ela se balançando e batendo com a cabeça na direção do chão tentando destruir o capacete.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Não faça isso, minha belezinha. Você pode inverter os raios de felicidade cognitiva da minha máquina de...de...como mesmo se chama essa máquina que gera felicidade cognitiva? – perguntou Willy Marofa para um Songa-monga.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Máquina de felicidade cognitiva, mestre Marofa. – respondeu um Songa-monga.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Ah, claro! Eu sempre me esqueço dessa parte.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Enquanto Marofa conversava com o Songa-monga Verruga batia mais forte com o capacete até que os raios da máquina pararam de ser coloridos e se tornaram negros.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Rápido, amigos Songa-Mongas, desliguem a máquina!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Os Songa-mongas começaram a apertar alguns botões mas a máquina de recusava a  parar. Então Willy apontou para os quatro que estavam deitados nas covas e os pequenos homens com dedos de gorila e perninhas de grilo entenderam o recado. Pularam em direção ao grupo e trataram de arrancar os capacetes. O primeiro foi de Mike, logo em seguida de Violeta e Charles. Porém a dupla que ficou responsável em tirar o capacete de Verruga não conseguia arranca-lo. A menina tinha o amassado de um jeito que a máquina ficou grudada na sua cabeça. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;- O que aconteceu? Em um momento eu estava voando pelas praias da Indonésia e de repente eu comecei a cair e cair. – disse Charles assustado!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Eu também estava lá. Você estava me levando e de repente virou para mim e disse que não iria mais compartilhar a sua viagem comigo! – Violeta estava espantada!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Calma, meus miuxos. Vocês estavam tendo uma felicidade cognitiva até a sua amiga começar a ter pensamentos tão ruins que destruiu a minha maquina. – explicou Marofa.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Mas como ela conseguiu fazer isso? – perguntou Mike.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Ora, seu tolo. Vocês humanos lêem tantos livros sobre o poder do pensamento positivo mas nunca se preocupam com o poder do pensamento negativo? – Marofa estava cada vez mais intrigado com a burrice daquele grupinho.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Os Songa-mongas desistiram de tentar arrancar o capacete de Verruga ou de desligar a máquina. Qualquer coisa que tentavam era impossível de realizar. Por fim, resolveram acender um do bom e cantar mais uma música:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;Songa-monga onga-dee-dee&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;Você quer fumar, aperta um aí&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;Songa-monga onga-dee-dica&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;Vamos comer e matar larica!&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Enquanto eles colocavam Verruga e a máquina em um suporte com rodas, mudaram o rítimo e cantaram uma música diferente:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Maria Verruga, Maria Verruga&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Atrás da sua orelha sempre tem uma pulga&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;A tristeza você divulga&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Para infelicidade, não tem fuga!&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;A nossa viagem você não vai atrapalhar&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Você não teve muito carinho fraterno&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Nós ainda temos muito que fumar&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;E você vai queimar no inferno!&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Maria Verruga, Maria Verruga&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Atrás da sua orelha sempre tem uma pulga&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;A tristeza você sempre divulga&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Da infelicidade você não tem Fuga!&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Willy Marofa começou a empurrá-los para fora da sala. Mike e Violeta ainda estavam assustados com aquilo. Charles mais uma vez refletia. Augusto mereceu o que teve, mas será que Verruga tinha alguma saída para a sua infelicidade profunda? Tudo bem que ser negativa não é uma coisa muito agradável, mas uma pessoa merece ir para o inferno apenas por isso.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mais uma vez Charles concluiu que de uma forma ou de outra Verruga já estava no inferno. Qualquer pessoa que só vê o lado negativo das coisas vive em um inferno eterno. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O sorriso de Charles ao concluir isso ficou um pouco mais aberto e até lembrava o sorriso estranho de Willy Marofa.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;Entraram em uma outra sala. &lt;/b&gt;Estava tinha uma cor verde oliva nas paredes e três confortáveis poltronas onde os convidados de Willy Marofa logo de ajeitaram. A vitrola massageava o ouvido de todos com o leve som de um álbum do The Alan Parsons Project.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- O que vocês vão experimentar aqui é uma erva tão suave e única que foi projetada especialmente para cada um dos meus amiguinhos. – disse Willy Marofa.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Os três pareciam estar bem felizes e despreocupados, parte pela música e parte pela ausência de Verruga no grupo. Nem Mike, sempre preocupado em se livrar de flagrante, estava mais tão estressado. Willy Marofa estava orgulhoso e demosntrou isso durante sua explicação enquanto os Songa-mongas entregavam um diminuto cigarrinho para cada um deles.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- O lance é que para fazer algo tão específico e único os Songa-mongas tiveram que colher mais de vinte tipos diferentes de plantas e fizeram experiências com várias gramaturas para encontrar a mistura perfeita. Eu apresento a vocês o “Phelps” &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O cigarro chamado “Phelps” era tão pequeno que quase sumia entre os dedos. Charles calculou que aquilo daria para duas ou três tragadas no máximo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Por que tão pequeno? – perguntou Charles.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Ora, mas isso é lógico. A perfeição está nos mínimos detalhes. – respondeu Marofa que não ficava mais tão impressionado como os seus convidados depois de tantas experiências não conseguiam abrir a mente.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Por que não juntamos os três e fazemos um beck decente? – sugeriu Mike.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Não, não e negativo! – respondeu Willy de imediato – cada um desses cigarrinhos foram totalmente planejados para cada um de vocês. Como diria meu amigo Raul, o que eu como a prato pleno, pode ser o seu veneno. – então Marofa completou bem baixinho sem que ninguém pudesse escutar, porém Charles ouviu:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- E eu espero que seja.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Os Songa-mongas trouxeram os isqueiros e eles acenderam os baseados. Charles deu uma pequena tragada e realmente o negócio era muito bom:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Nossa é maravilhoso! É mágico.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Sim. É fantástico! – concordou Mike.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Violeta ao ouvir aquilo ficou elétrica. Matou o seu cigarro em três profundas e rápidas tragadas e chegou ao êxtase. Orgasmos múltiplos era uma sensação efêmera perto da maravilha que era aquele baseado. Ela não conseguia se segurar. Arrancou o cigarro na mão de Mike rapidamente:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Me dá um tapinha do seu! &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ela pegou a maconha especial de Mike e matou em uma só tragada. Mike não teve tempo de reagir. Quando percebeu que seu cigarro estava na mão de Violeta, correu para contar a Willy o ocorrido. Willy fez sinal para que ele ficasse quieto e apontou para que ele observasse a menina.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Os órgãos internos de Violeta começaram a balançar dentro do corpo. Ela podia sentir o pulmão começar a caminhar para frente do seu peito e o seu coração caminhar em direção ao estômago. A dor era indescritível. Na tentativa de abrandar um pouco o sofrimento, roubou a última tragada do cigarro de Charles que estava alheio a tudo, apenas viajando. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Charles afastou-se da garota a tempo que um olho que saltou da cara retorcida de Violeta não lhe acertasse a teste. No meio da fuga, passou pelos Songa-mongas que cantavam alegremente:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;Songa-monga onga-dee-dee&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;Você quer fumar, aperta um aí&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;Songa-monga onga-dee-dica&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;Vamos comer e matar larica!&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A pele de Violeta estava esticada tentando segurar os órgão que dançavam freneticamente sob ele. Violeta gritou de dor quando um rim saiu pela sua boca e caiu em cima da cabeça de um Songa-monga, parecendo uma boina. Ele começou a cantar outra música:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Violeta vem serrotar, Violeta vem serrotar&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Nunca compra, ela só sabe filar&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Só comparece se for para roubar&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Nem a pontinha ela deixa escapar!&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;A nossa viagem você não vai atrapalhar&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Os dados já foram lançados&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Nós ainda temos muito que fumar&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Enquanto os seus órgãos serão arrancados e doados!&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Violeta vem serrotar, Violeta vem serrotar&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Nunca compra, ela só sabe filar&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Só comparece se for para roubar&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Nem a pontinha ela deixa escapar!&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Pâncreas, intestino, útero pulavam como pipoca do corpo de Violeta enquanto os Songa-mongas a tiravam da sala. “Coloquem tudo no gelo rápido, os doadores estão esperando” lembrava Willy Marofa enquanto os anãozinhos corriam com suas perninhas de grilo para frente e para trás para pegar os órgãos da menina antes que encostassem no chão. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mike se mijou de medo ao ver aquela cena dantesca enquanto Charles nem ponderou muito. A menina que tinha roubado o seu tão maravilhoso cigarro teve o que merecia. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O sorriso de Charles estava cada vez mais parecido com o do Willy Marofa.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;- Tomem esses cigarrinhos de maconha para acalmar os ânimos. Não é um cigarro campeão como o Pehlps, mas quebra o galho&lt;/b&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mike e Charles aceitaram a oferta e começaram a fumar o beck de Willy. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Nossa, toda essa explosão meu tirou um fôlego. Vamos respirar um ar puro.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Dizendo isso Marofa abriu mais uma porta que dava para o pátio da fábrica. O céu estava amarelo e o sol brilhando de um azul tão intenso enquanto nuvens voavam para o Sul cantando alegremente enquanto atravessavam pássaros fofinhos e volumosos no caminho.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Charles e Mike admiravam tudo enquanto Willy acendia um cigarro para ele próprio. O seu cigarro era branco com listras vermelhas em volta e soltava uma fumaça anil enquanto o esguio homem fumava.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Nada como dividir um beck com os meus amiguinhos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Foi nesse momento de tranqüilidade que a polícia invadiu o pátio da fábrica. Homens vestindo coletes e capacetes desciam em cordas do telhado enquanto outros surgiam por todas as janelas e portas da fábrica.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Todo mundo no chão! Todo mundo no chão!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Os três deitaram com o peito colado no chão ainda com os baseados entre os lábios. Willy Marofa olhou para eles e disse pelo canto da boca:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Fofinhos, hora de engolir o flagrante.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Marofa sugou seu baseado como se fosse um macarrão e engoliu-o inteiro de uma vez. Charles entendeu o recado e mastigou o seu rapidamente e engolindo aos poucos conforme a saliva ia se juntando dentro da sua boca. Antes que Mike pudesse fazer qualquer coisa, um policial chegou por trás e pegou o seu beck.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- O que nós temos aqui? Esse garoto está fumando tóxico capitão!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mike se tremia de medo enquanto o policial o colocava de pé. Em sua direção caminhava um homem duas vezes maior do que o policial que o segurava. Ele não conseguia ver o rosto do sujeito por causa do capacete que ele usava, mas Mike podia jurar que o homem era pior do que o próprio demônio. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O sujeito colocou a mão no ombro de Mike e apertou. Antes que pudesse falar alguma coisa, Mike já foi entregando tudo:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Isso não é meu! É tudo desse homem de cartola. É ele que vocês estão procurando. Ele tem um monte de droga lá dentro! Eu nunca usei nada, eu juro! Se você quiser..blouf..blouf..blouf&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mike não conseguia falar mais nada. O sujeito segurou sua língua enquanto ele estava falando. O homem puxou uma faca afiada da cintura e sem pestanejar cortou a língua de Mike.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A língua ainda pulava no chão como um rabo sem lagartixa enquanto os policiais abriam os seus casacos e retiravam os capacetes revelando-se nada mais do que Songa-mongas um em cima do outro:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Songa-monga onga-dee-dee&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Você quer fumar, aperta um aí&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Songa-monga onga-dee-dica&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Vamos comer e matar larica!&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Eram quatro Songa-mongas que formavam o capitão. Eles formaram uma rodinha em volta de Mike que apertava a sua mão contra a boca sangrando enquanto a sua língua pulava no pátio da fábrica. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;Mike, dedo duro, Mike, dedo duro&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;não sabe o significado de "eu juro"&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;Não guarda segredo, sempre dá um furo&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;Agora você deu de cara contra o muro!&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;A nossa viagem você não vai atrapalhar&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;A galera não vai ficar bolada&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;Nós ainda temos muito o que fumar&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;Agora que sua língua foi cortada!&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;Mike, dedo duro, Mike, dedo duro&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;não sabe o significado de "eu juro"&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;Não guarda segredo, sempre dá um furo&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;Agora você deu de cara contra o muro!&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Os Songa-mongas levaram Mike para fora da fábrica enquanto outros ficaram brincando de futebol com a sua língua. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Charles não conseguia mais conter o seu sorriso ao ver todos os outros sofrerem. Se dessem uma cartola ele seria o próprio Willy Marofa em pessoa. Ele só não entendia porque ele ainda estava ali. Por que ele ficou por último?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Agora só resta eu e você! – disse ele a Willy.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- E nesse exato momento você deve estar se perguntando por que, não é mesmo amiguinho?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;Charles começou a pensar sobre a visita na fábrica.&lt;/b&gt; Logo depois que Augusto sofreu aquele ataque de dardos dos Songa-mongas eles entraram em uma sala que só tinha quatro buracos. Por que não cinco? Por que os Songa-mongas só fizeram três baseados? Por que Willy Marofa armou com os anões esse lance da polícia se já não soubesse que Mike iria se entregar? &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Você testou todos eles nas suas fraquezas e você sabia que eles não iriam resistir.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Sim, meu amiguinho.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- E, eu? Também não vou ser testado?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Mas você foi o mais testado, meu miuxo. Desde o início.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Só que eu gostei de tudo. Eu concordei com tudo. Eu sorria enquanto as pessoas tinham a língua cortados, os órgãos arrancados ou iam para o inferno. Eu sou igual a você.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Exatamente... &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Eu poderia ficar no seu lugar e controlar a fábrica caso você desejasse e você teria a certeza que tudo isso ficaria exatamente como você sempre fez. – disse Charles em um salto de excitação.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Sim. Eu tenho certeza que você seria um grande administrador da minha fábrica. – Disse Willy - mas a pergunta que você quer realmente fazer é....&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Charles fitou o fundo dos olhos de Willy e viu uma pequena chama brilhar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Quem é você? Quem é Willy Marofa? – perguntou Charles.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Pense bem, Charles. Como chegou até aqui?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- O Cogumelo dourado.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Exato. Você acha correto um homem normal tomar um chá de um cogumelo dourado, um negócio quase parecido com um lixo atômico e ainda ficar vivo para ter alucinações?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Não, obvio que não... isso quer dizer que o tempo todo nós já estávamos mortos. E se nós estamos mortos, o que é esse lugar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Onde é o lugar que os miuxos malvados vão para aprender e pagar pelos seus erros? &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Marofa estava com um sorriso que Charles teve certeza que por mais que treinasse, ele nunca conseguiria ter igual. O único sorriso que não transmite felicidade e sim desdém. Charles estava tão incrédulo que não conseguia dizer nada.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Deixa eu te ajudar, é a palavra que começa com I e é quente, ah, me desculpe a redundância, mas é quente para diabo!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;Marofa gargalhava enquanto colunas de fogo arrebentavam o chão&lt;/b&gt;, as paredes da fábrica, as chaminés e tudo mais. Em poucos segundos o fogo do inferno ardia em volta deles e Willy Marofa já não fazia questão de esconder seus chifres com a cartola ou seu rabo pontudo com o seu terno.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- E você acha, Charles, que eu estou procurando um substituto? Você acha que eu vou abrir mão de todo esse divertimento para um sujeito idiota que ficou me invejando por todo o tempo?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Os braços e pernas de Charles foram presos por correntes e em um piscar de olhos seu corpo estava preso a quatro estacas que saiam do chão.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Por que você fez isso? Por que? – perguntava Charles com lágrimas nos olhos enquanto pequenos anzóis perfuravam espetavam seu corpo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- O que você quer que eu responda? Que fiz isso para provar que até mesmo os heróis sofrem de tantos ou mais defeitos que os fazem perseguir os bandidos? Para provar que todo coração bom tem seu lado negro? Eu não fiz isso para provar nada, Charles! Eu já sei disso! Eu fiz isso apenas por que é divertido pacas! Agora sofra!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Com um gesto de Willy Marofa os anzóis espetados pelo corpo de Charles foram puxados cada um em uma direção, arrancando a pele, o tecido muscular e nervoso. Um anzol arrancou o tampão de sua cabeça e seu cérebro escorreu pelo crânio e evaporou antes de tocar o chão em chamas do inferno.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Charles acordou suado de uma das piores Bad trips de sua vida. Em sua mão a caneca vazia do chá de cogumelos dourado. Na televisão um clássico filme infantil terminava. Ele limpou o suor de sua testa e tentava controlar os espasmos musculares que o faziam tremer. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Charles correu até um espelho e ficou procurando as marcas de anzol pelo seu corpo, mas não tinha nada. Fora apenas um sonho, ele pensou.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- A pior Bad trip de todos os tempos! - Comentou em voz alta para si mesmo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;Por fim sorriu aliviado com tudo aquilo. Então congelou novamente. Aquele sorriso não era dele. Aquele era o sorriso exato de Willy Marofa. Charles correu até a janela e gritou em fúria para o mundo lá fora. &lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Pré Venda:  &lt;/b&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:large;"&gt;&lt;a href="http://lojavirtual.parentese.com.br/teste/viciado.html" target="new"&gt;Viciado Carioca – Amor &amp;amp; Rock and Roll &lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;– o livro que reúne os Arcos I e II dessa incrível saga! Pré Venda com um preço super promocional e para um número limitado de livros. 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&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/ViciadoCarioca/~4/3p65-0i82G4" height="1" width="1"/&gt;</description><atom:updated xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom">2009-12-15T16:26:09.357-02:00</atom:updated><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">6</thr:total><feedburner:origLink>http://vicarioca.blogspot.com/2009/12/charlie-e-fantastica-fabrica-de.html</feedburner:origLink><feedburner:origLink>http://feedproxy.google.com/~r/blogspot/ovRn/~3/CM-bDPPy48M/charlie-e-fantastica-fabrica-de.html</feedburner:origLink></item><item><title>Speed</title><link>http://feedproxy.google.com/~r/ViciadoCarioca/~3/Uv29TnbMyt8/speed.html</link><category>Vic  ANO I - 3º arco</category><author>noreply@blogger.com (Viciado Carioca)</author><pubDate>Mon, 07 Dec 2009 09:44:00 PST</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-2288834542821220975.post-6305973242590835792</guid><description>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Viciado Carioca - Ano I – Arco 3 – Parte 11&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;A história até agora:&lt;/b&gt; Vic segue com Dez para pegar suas anfetaminas, mas antes tem um encontro inesperado com Luther.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Pré Venda:  &lt;/b&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:large;"&gt;&lt;a href="http://lojavirtual.parentese.com.br/teste/viciado.html" target="new"&gt;Viciado Carioca – Amor &amp;amp; Rock and Roll &lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;– o livro que reúne os Arcos I e II dessa incrível saga! 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Vamos conosco, tem um pouco para todo mundo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Muito obrigado, mas acho que vou deixá-los a sós e dá um giro na festa maravilhosa que você proporcionou para nós. – agradeceu Luther mostrando as palmas das mãos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tem certeza? - insistiu Dez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nos esbarramos depois. - ele respondeu. Abriu mais uma vez aquele sorriso cínico e se despediu - Vicky Boy.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Luther. - eu simplesmente respondi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Ele deu as costas e voltou para a festa e eu fiquei perdido em meus pensamentos.&lt;/b&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Luther era cerebral demais e todas as suas palavras eram cuidadosamente escolhidas. “Conquistar qualquer coisa” era obviamente uma mensagem cifrada para mim. Aquele cara estava me forçando em um péssimo momento da minha vida. Se ele achava que eu iria aturar seus joguinhos mentais por muito tempo, ele estava enganado. Ele não tinha deixado o Casarão em um dia de sábado por um motivo qualquer. Tinha algo por trás daquilo e eu sentia que muito em breve eu descobriria o porquê.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dez não notou o veneno nas nossas palavras. Seu coração era muito bom para perceber seus amigos aproveitadores ou arquiinimigos velados destilando hipocrisia. Eu não sabia se o melhor era enfrentar Luther e resolver nossas diferenças de uma vez por todas ou continuar deixando ele assombrando o meu namoro com Nicole. Com tanta coisa para me preocupar como o pacto, o meu sogro suicida e sem a confirmação real dos sentimentos de Nicole por mim, achei melhor deixar Luther brincar um pouco e vê no final o que iria acontecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segui o meu anfitrião até o seu quarto certo da minha decisão mas sem conseguir tirar o ex-namorado de Nicole totalmente da minha cabeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;O quarto de Dez lembrava mais a casa de um pop star dos anos 80 que o dormitório de um típico jovem carioca.&lt;/b&gt; Quem tem um Junk Box e um Pinball do Baywatch em um aposento? Eu pergunto e eu respondo. A mesma pessoa que dorme em uma cama com uma brega iluminação azul néon e sob uma bola de espelhos no teto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Psicodélico, heim? – eu disse um pouco assustado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Maneiro né? As mulheres amam esse covil. – ele soltou no meio de seu sorriso carcateristico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Certamente elas deveriam chegar ao orgasmo imaginado a oportunidade de redecorar aquele quarto.” Eu pensei enquanto ele atravessou o tapete mostarda até um armário vermelho de mogno. Eu me sentei em uma cadeira em formato de bolha e fiquei admirando o pôster falso do Exterminador do Futuro 2 com Sylvester Stallone no lugar do Schwarzenegger. O mesmo pôster falso que aparece no filme O Último Grande Herói.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele destrancou o cadeado do armário evidenciando um estoque gigantesco de remédios de todas as cores e formatos. Parecia que um caminhão de M&amp;amp;M tinha explodido ali dentro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sobrou alguma coisa na Colômbia depois que você passou por lá?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele riu da minha pergunta, mas não disse nada. Pegou um pote bem ornamentado, uma espécie de porta jóias muito caro, e com um canudinho aspirou o pó dali de dentro. Deu uma fungada, fechou os olhos e virou o rosto para o teto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Acho que não sobrou muito por lá. – ele disse com outra risada. – Quer uma rapa? Esse daqui é do meu estoque especial. –&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A tentação de experimentar foi grande. Se eu seguisse com o pacto de drogas uma hora ou outra teria que dar um teco em uma carrerinha. Poderia começar com um pó com qualidade que dificilmente eu encontraria novamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Acho que vou passar dessa vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dez deu de ombro e fechou a cara. Ele ainda estava balançando negativamente a cabeça enquanto pegava cartela e cortou quatro comprimidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Presta bem atenção, Vic. Um rebite para cada um de vocês. Não vai deixar o Lucas ou a Nicole tomarem mais de um ou um e meio.  Essa merda aqui é forte, não é aqueles comprimidinhos que as crianças compram em farmácia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu Peguei a cartela na mão e imaginei escravas chinesas trabalhando nuas na fábrica clandestina de anfetaminas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Deixa comigo. – eu concordei em tom sério.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele ficou me encarando para provar a seriedade do negócio. Mas ele sentiu que eu era consciente. Afinal, eu acabara de negar um teco em um pó com grau de pureza elevado. Ele retornou ao armário e puxou mais uma carreira de cocaína. Eu fiquei admirando aquelas pílulas todas e então, uma das minhas idéias loucas surgiu na minha mente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Dez, sem querer abusar, será que você tem um calmante bom para me arrumar? – ele me olhou estranhando o pedido e eu expliquei – Fiquei pensando, eu sou um cara meio ativo e acho que posso ter uma dificuldade para dormir depois disso aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você tá maluco? Se você misturar os dois pode ter uma parada cardíaca! – ele respondeu de forma agitada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não é para hoje. Normalmente eu tenho dificuldade para dormir. Sou um cara muito aceso. Você tem tanta bolinha nessa sua farmácia particular, que eu pensei que você deveria ter algo para me ajudar a pegar no sono. – nem eu engoli aquela mentira deslavada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele ficou me encarando por um tempo. Depois mexeu em uma gaveta e me deu uma cartela de calmante. Quando foi me entregar, ele segurou firme o remédio:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Estou te avisando, essa bolinha que você tem no bolso é bem forte. Cuidado, não misture ou tome em excesso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pode deixar, Dez. Eu sou mais responsável do que pareço. –&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele apenas abriu um sorriso e soltou a cartela. Guardei os calmantes no outro bolso enquanto ele trancava o armário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- It’s Paty time! – ele disse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Oh, Yeah baby! – eu respondi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Ele deveria estar confuso como eu não tinha aceitado aquela cocaína extremamente pura, mas aceitado as anfetaminas.&lt;/b&gt; Eu não estava ali para me explicar a ele, mas eu não achei certo. Eu estava ali por conta do pacto. Eu estava ali pelas bolinhas. Não sabia nem o efeito que a anfetamina iria me fazer, misturar aquilo com coca me pareceu um grande convite para um enfarto. Não que fosse fazer muita diferença já que eu ira morrer logo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas ao ver aquele armário foi que eu me toquei que o meu amigo não era uma pessoa normal. Um homem comum não teria tanta coisa assim em sua casa. Meu Deus, uma pessoa normal nem trancaria o seu próprio armário com um cadeado. Dez era um traficante e de repente toda aquela imagem glorificada que eu tinha dissipou-se. Se eu tinha até um pouco de inveja de seu otimismo com tudo, aquilo de alguma forma se transformou em um pouco de pena e desprezo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei por qual motivo eu me sentia daquele jeito. Eu era um usuário e os traficantes eram as pessoas que proporcionavam o acesso ao meu vício. Mas acho que nós ficamos arrumando desculpas para tudo. Sempre temos uma resposta. Sou viciado porque quero, ou porque gosto ou porque sou fraco. No caso dos traficantes na favela, eu sempre os enxergava como pessoas com poucas opções na vida e até entendia aqueles homens e suas metralhadoras. Mas o Dez? Um rapaz de classe média, simpático e com todas as oportunidades na sua frente. Qual era a sua desculpa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo estando na festa de aniversário e até então eu considerar ele o sujeito mais simpático do pessoal, eu não tinha dúvidas na minha mente. Eu deveria me afastar de Dez. Não me sentia mais tão a vontade na sua presença. Tão pouco iria dizer a ele que Lucas e Wendy não iriam tomar as anfetaminas e que aquilo era um pacto entre eu e Nicole. Eu iria guardar os comprimidos excedentes para um outro dia caso eu gostasse da viagem de anfetaminas. Como diz o ditado, bolinha dada não se olha a quantidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Saímos do quarto e seguimos de volta em direção a sala.&lt;/b&gt; Lucas estava na pista ao lado de Wendy e suas amigas. Apesar de estar cercado de mulheres gostosas, Lucas metralhava com os olhos o Place Stealer que tinha abandonado o melhor lugar da sala e dava sugestões de músicas para o Marcelo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Cara, você está apaixonado por esse cara. – eu disse para ele rindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu vou ferrar com esse motherfucker. – ele me respondeu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Cuidado. Troquei dois dedos de prosa com ele e o cara é durão. – eu o alertei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vamos ver, Vic. Vamos ver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Cadê Nicole? Está no banheiro?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- No banheiro? Eu sei lá onde está a Nicole!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Porra, Lucas, ela estava com você quando eu desci!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É, mas depois eu desci para encarar o Place Stealer! – eu não acreditava no que ele estava falando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você deixou Nicole lá em cima sozinha sabendo que o Luther está nessa festa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Qual é o problema, Vic? Não confia no seu taco, man? –&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você não entende nada mesmo, Gordo! – praguejei e fui rapidamente para as escadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Eu sabia o que iria encontrar e sabia que teria que me controlar para não fazer o show do namorado ciumento e inseguro. &lt;/b&gt;Mas era difícil. Cheguei ao terraço e lá estava ele conversando com a Ruiva. Achei que Lucas nunca deixaria Nicole sozinha. Porra, foi ele que me avisou sobre Luther. O gordo não sabia o tamanho da tensão que rolava entre nós, mas é óbvio para qualquer um que não é uma boa idéia dar espaço para o ex-namorado se aproximar da garota do seu amigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qualquer um, menos pro Lucas, é claro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Luther disse alguma coisa e Nicole riu batendo em seu peito. O vulcão explodiu. Eu iria esperar para colocar meu plano dos calmantes em jogo, mas a raiva fez eu antecipar as coisas. Ao invés de ir à direção dos dois, fui para lado oposto. Na direção do banheiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entrei, tranquei a porta e com raiva arranquei um pouco de papel higiênico do rolo. Coloquei sobre a pia e derramei os calmantes sobre o papel em uma virada só. Embrulhei bem, coloquei no chão e imaginei a cara de Luther.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então eu pisei com toda a raiva do mundo. Lembrei de Luther soltando uma piada e Nicole rindo e pisei mais forte. Ela batendo de leve no seu peito e eu esmagando aquela merda. Eles dois transando e eu pulando sobre os comprimidos como se fosse o crânio dele sendo destruído e seu cérebro maquiavélico explodindo em mil pedacinhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentei na privada e tentei me acalmar. Devo ter contado até cem. Peguei então aquele embrulho e delicadamente passei o pó para um outro papel novinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tenha bons sonhos, Luther. – eu disse rindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levantei-me e me olhei no espelho. Fiquei me admirando. Mandei um beijo para mim mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Você é um cara foda, Vic. Ela pode não te amar, mas eu te amo de paixão e vou sentir muito a sua falta quando você morrer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saí calmamente do banheiro, peguei a bebida e a batizei. Se eu soubesse assoviar, eu estaria fazendo quando cheguei perto dos dois com as três cervejas na mão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Essa para você – entreguei a da Nicole – essa para você – entreguei a de Luther – e essa para mim. Saúde! –&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nós três brindamos e nenhum dos três demonstrava qualquer constrangimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu estava fazendo companhia a Nicole enquanto você estava lá embaixo, Vicky Boy.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você foi um amigo melhor que Lucas, aquele Gordo ingrato que a abandonou nesse terraço frio. – eu respondi tentando disfarçar o meu nervosismo e segurando a minha risada enquanto ele bebia a sua cerveja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Luther estava me contando que eles estão reformando todo o Casarão. Agora eles vão construir um palco semi-profissional! – ela disse mais com o objetivo de mostrar que estavam em um papo inocente do que para me atualizar das novidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aproveitei esse momento para abrir um sorriso largo e aliviar um pouco a ansiedade de ver aquele sujeito bebendo a sua própria condenação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A realização de um sonho! – eu anunciei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Brindamos mais uma vez e ele tomou outro grande gole. Se eu não tivesse agido com raiva, teria levado aquela lata para o banheiro e dado uma pequena mijada lá dentro. Talvez em outra oportunidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Bem, agora que você voltou, eu vou deixá-los namorar.  Foi bom conversar com você, Nicole. – ele disse com seu tom simpático.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Legal te ver também, Luther. – ela respondeu mais alegre do que eu gostaria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vicky Boy.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Luther.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele se afastou e eu continuava o seguindo com os olhos. A cada gole que ele dava na cerveja eu dava uma risada. Ele parou em outro grupo e eu continuava vigiando ele beber a cerveja e rindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que foi heim, Vic? Algum problema de eu estar conversando com o Luther? – disse Nicole raivosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não. Eu tô tranqüilo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Então porque você nem olha para a minha cara e fica ai dando essas risadinhas debochadas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Fiquei tão hipnotizado com a queda do meu inimigo que até tinha esquecido de Nicole. &lt;/b&gt;Eu não poderia dizer a verdade e a solução mais óbvia era improvisar uma  boa explicação. Esses são os dilemas que você enfrenta quando fica alimentando segredos e mais segredos dentro da sua alma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- As vezes eu me acho muito sortudo de você ter o largado para ficar comigo. Ele é um cara fodão, não é a toa que comanda um dos melhores lugares de Rock and Roll dessa cidade. E mesmo assim, você o deixou para ficar comigo. Era nisso que eu estava pensado e rindo, Nic. – olhei nos seus olhos - De verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela ficou um pouco sem graça. Então a peguei e dei um beijo. Passei a mão naqueles cabelos laranjas e a abracei como se a protegesse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Afinal, você trouxe ou não trouxe a parada?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Claro que eu trouxe, senhora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Então, me dê a minha droga! – ela disse brincando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu tirei a cartela do bolso e entreguei a ela. Ela ficou admirando os comprimidos por um tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Fase dois do pacto?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Fase dois. – eu disse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Lucas apareceu nesse momento. Ao invés de Wendy, ele tinha Marcelo a tira colo.&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vic! Eu disse para você, man! O cara é um Place Stealer! – não precisava ser muito esperto para saber onde aquela história iria chegar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Se eu soubesse, nunca tinha pedido para o cara tomar conta do som enquanto eu ia ao banheiro! – lamentou Marcelo. Eu e Nicole começamos a rir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu vou pegar outra rodada para tomarmos essas belezinhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nicole foi até as cervejas e os dois assaltados pelo ladrão de lugares continuavam a sua triste história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quando ele roubou o meu lugar, na verdade ele estava estudando o Marcelo. Ficou calculando pelas cervejas a hora que ele precisaria ir ao banheiro e se aproximou falsamente para fazer amizade. – Lucas despejava a sua teoria da conspiração enquanto Eu ria como uma criança em um parque de diversões:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Foi só eu sair para o cara mudar de rock para dance. Agora as garotas estão empolgadas dançando e não me deixaram reassumir o controle das pick-ups.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marcelo estava desolado. Para ele ser o DJ era a resposta por não tocar nenhum instrumento. Agora ele tinha perdido o seu talento especial. Roubar o seu posto de DJ era como entregar kryptonita para o Super-Homem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu te falei que as mulheres não curtem muito o seu repertório rock junk box. Convenhamos, Marcelo, ninguém consegue dançar “Who Wants to Live Forever”!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas é um clássico nas nossas festas, Vic!- ele se desculpou&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É, mas as mulheres não ficam brigando de higlander com espadas imaginárias na pista, ficam? Elas gostam de Dee-lite e porcarias do tipo. Porra, você é o DJ e eu não deveria estar te falando isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você está me dizendo para eu deixar de ser rock e ser pop? Eu não acredito que o Viciado Carioca, um dos caras mais rock and roll que eu conheço está me dando esse conselho!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que eu estou te dizendo é que você tem que conhecer o seu público. Por mim você colocava o Loco Live do Ramones na vitrola e deixava tocando a noite toda. Mas eu não sou ponto de comparação. Você não me vê muito na pista de dança, vê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não. – ele disse vencido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É disso que eu estou te falando. Bicho, toca dois roques e duas dançantes. Não tem erro. – eu sugeri&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Acho que você tem razão. O problema vai se tirar o Place Stealer de lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pois é. Como nós vamos fazer para roubar o lugar do Place Stealer? Isso é quase tão difícil quanto fazer uma mágica para enganar o David Copperfield! – completou Lucas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era um grande problema. Ficamos os três tentando bolar um esquema para vencer o mestre de roubar o lugar dos outros. Estava tão absorto com aquele papo surreal que não percebi Nicole atrás de mim. Ela chegou com os olhos arregalados e falando alto:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Me mostra quem é esse filho da puta que eu dou uma surra nele!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Em uma de suas mãos ela segurava uma latinha e na outra a cartela de anfetaminas restando apenas um comprimido.&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;No próximo capítulo: Kate Mahoney&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;a href="http://vicarioca.blogspot.com/"&gt;Leia mais&lt;/a&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2288834542821220975-6305973242590835792?l=vicarioca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="feedflare"&gt;
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&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/ViciadoCarioca/~4/_fcT8KMscC4" height="1" width="1"/&gt;</description><atom:updated xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom">2009-12-01T16:04:13.094-02:00</atom:updated><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">1</thr:total><feedburner:origLink>http://vicarioca.blogspot.com/2009/12/5-dicas-para-esconder-drogas.html</feedburner:origLink><feedburner:origLink>http://feedproxy.google.com/~r/blogspot/ovRn/~3/8pLpkjpIIHY/5-dicas-para-esconder-drogas.html</feedburner:origLink></item><item><title>Santíssima Trindade</title><link>http://feedproxy.google.com/~r/ViciadoCarioca/~3/-xvtdoJ7cBk/santissima-trindade.html</link><category>Vic  ANO I - 3º arco</category><author>noreply@blogger.com (Viciado Carioca)</author><pubDate>Tue, 03 Nov 2009 01:50:00 PST</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-2288834542821220975.post-2845066032799511837</guid><description>&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;Viciado Carioca - Ano I – Arco 3 – Parte 10&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;A História até agora:&lt;/b&gt; &lt;i&gt;Mesmo depois dos conselhos de um fantasma suicida, Vic segue com seu pacto de drogas rumo as anfetaminas ao mesmo tempo que tenta convencer Nicole e Lucas a participarem de um evento nada emocionante. Se você ainda não leu os capítulos anteriores, procures as outras partes na coluna lateral.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;Sugestão de Música:&lt;/b&gt; &lt;i&gt;The Beatles - Penny Lane&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;- Desculpa, Vic. Eu sou meio burro você pode explicar isso de novo? &lt;/b&gt;– Eu, Lucas e Nicole estávamos na Millenium Falcon. Íamos buscar Wendy, a namorada do Gordo, e de lá partiríamos para casa do nosso amigo Dez, onde a festa rock and roll iria rolar. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Nicole comandava o volante e o som. Escutávamos um Bob Dylan bem leve. Tínhamos acabado de fumar um baseado venenoso e apesar de uma azia desgraçada queimando o meu estômago, eu estava bem animado. Por algum motivo a maconha começara a trazer como conseqüência uma queimação no estômago quase instantânea. A dor era enorme e eu tinha a impressão nítida que estava sendo comido por dentro. De qualquer forma eu procurava não ligar para aquilo e tentava ser feliz. Acredito que todos nós estávamos alegres antes de eu contar a novidade.  &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Eu não via nada de mais no pedido. Era um favor que os meus dois melhores amigos podiam me fazer. Achei que eles topariam na mesma hora. Mais uma vez eu estava enganado. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Não é grande coisa. Nós vamos fazer uma reza lá em casa e minha mãe pediu a presença de vocês dois. – na verdade ela exigiu os dois no nosso primeiro encontro. Talvez minha mãe achasse que Nicole iria ficar satisfeita, pois era uma católica fervorosa; Além disso, pensando que catequizando o Lucas, ela me converteria também. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Isso eu entendi, Vic. O que me escapou foi a parte que a Nicole deve ir vestida de freira e eu de macumbeiro, man! – porque todo mundo acha que espírita é macumbeiro?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Quer dizer que a sogrona acha que eu sou católica fervorosa? Logo eu que nem sei o Pai Nosso inteiro. – a Ruiva também não estava muito feliz em colaborar. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Gente, é só um dia. Depois vocês podem seguir a vida esotérica ou ateísta de vocês. É só aparecer lá em casa, participar das rezas, escutar as leituras, fazer uma cara simpática e ganhar uns pontos com a coroa. – na verdade aquilo era um saco. Ninguém quer ir a um culto religioso sem vontade alguma. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- O problema não é apenas ir e sim a interpretação. Como eu vou fingir acreditar em uma coisa que eu desconheço? Agora eu vou ter que colocar um crucifixo no pescoço toda vez que eu for a sua casa? – argumentava Nicole. Como uma garota que fazia viagens astrais, lia a sorte em um baralho de tarô e montava mapas astrológicos não conhecia algo tão básico como um Pai Nosso? &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Eu posso dizer que tenho poderes telepatas? Tipo fingir que sou um mutante? I’m a X-men!– eu não sabia se Lucas estava brincando ou falava a verdade. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;Quando eu aceitei convida-los, pensei que não teria problemas e faria a coroa ficar contente.&lt;/b&gt; Agora eu mesmo tinha dúvidas se queria que eles aparecessem. O resultado podia ser desastroso. Eles poderiam exagerar na interpretação, ou pior, dizer coisas que soariam ofensivas. Onde eu estava com a cabeça? Comecei a desistir da idéia.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Olha gente, deixa para lá. Se vocês não quiserem ir eu invento uma desculpa qualquer e ponto final. – tentei encerrar o assunto, mas eu tinha trilhado uma estrada sem volta, como Nicole deixou bem claro:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Eu não tenho mais escolha, Vic. Uma hora ou outra eu terei que ir a sua casa e sua mãe vai acabar tocando no assunto. Eu vou aparecer lar e serei a maior católica que sua mãe jamais conheceu! Só espero que fingir acreditar em uma religião não me dê um karma muito grande.  &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Eu não disse nada, mas por dentro eu tentava me matar aos poucos, arrependido de ter me metido naquela encrenca. As vezes, idéias que parecem geniais no momento, transformam-se em arapucas mortais. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Você quer mesmo que eu minta para a sua mãe? – Disse Lucas. Foi a oportunidade perfeita de me livrar de uma parte do problema.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Não. Deixa pra lá. – eu disse fingindo desinteresse. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Mas eu vou. Ou você acha que eu iria perder essa festinha dos Deuses? No mínimo isso vai ser engraçado.  – ele respondeu. Eu estava perdido.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Olha, Gordo, se você vai para lá só de zoeira, esqueça. Será um momento ecumênico e bonito para todos nós.  &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Pensei que assim iria fazer ele desistir. Ele deu uma balançada no banco de trás, me deu um tapa na cabeça e soltou:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- I'm kidding, man! Eu vou na boa! Eu estou mesmo precisando de uma reza. Ultimamente a cada cinco baseados que eu fumo, pelo menos três me dão onda ruim! &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Essa era a fé que movia o nosso estranho trio. Eu iria rezar para agradar a minha mãe. Nicole iria rezar porque não tinha escolha. Lucas iria rezar para poder fumar maconha em paz. Acho que não seríamos os primeiros da lista da salvação no dia do juízo final. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Eu não iria esperar até terça-feira para começar as minhas preces.  Comecei a orar desde aquele momento para que nada desse errado no encontro.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;Nicole continuou nos guiando pela noite.&lt;/b&gt; Primeiro para a casa da Wendy. Depois, para o apartamento do Dez. A festa prometia ser boa. A cobertura era enorme e estava recheada de álcool e drogas ilícitas. Tudo cortesia do nosso anfitrião. Não era a toa que seu apelido era Nota Dez, ou simplesmente Dez. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Marcelo, um dos sujeitos mais sinistros da nossa turma, seria o encarregado pelo som. Eu não o considerava tão cavernoso por ele ter tendências psicopatas ou algo do tipo. Simplesmente por ele sempre andar com caras que eram chamados de Boca, Mettal, Thor e Caveira e ainda conseguir ser conhecido pelo nome, mereceu meu respeito. Ele era o DJ oficial de todas as festinhas da turma. Naquela noite específica, ele tocaria para bastante gente.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Normalmente esse pessoal estaria no Casarão em um sábado como aquele. Um lugar no coração de Santa Tereza onde os roqueiros cariocas se reuniam para escutar metal e se drogarem sem serem incomodados. O lugar funciona como uma comunidade socialista-anarquista em um esquema bem familiar. Somente um evento da magnitude do aniversário do Dez para fazer os pirados deixarem de ir lá. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Eu, por outro lado, evitava aparecer no Casarão a todo custo. O dono e chefe do local, Luther, era o ex-namorado de Nicole. Quando ela contou que estava terminando o relacionamento para ficar comigo, ele maquiavelicamente fingiu aceitar de forma natural e madura. Tudo para continuar perto da Ruiva e tentar reconquista-la na primeira oportunidade. Eu sei disso, porque ele me contou logo depois de transformar a minha cara em purê. Socialmente fingíamos simpatia um pelo outro. Internamente ele apenas aguardava o momento certo para acabar comigo. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Luther era a minha maior insegurança no meu relacionamento com Nicole. Ele era um homem mais velho, estabilizado e teve uma vivência nada convencional, principalmente durante a época da ditadura. Um homem interessante que provavelmente preenchia o espaço deixado pela ausência paterna na vida da Ruiva. Se ele movesse corretamente as peças no tabuleiro, poderia me colocar para fora do jogo. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Além disso, ainda tinha o fato dela curtir garotas. Nicole era uma mulher com sentimentos aflorados. Eu temia que a qualquer momento ela se apaixonaria por outra pessoa e eu fosse colocado para escanteio. Desde que começamos a namorar, Nicole deixou bem claro que quando sentisse vontade, ela ficaria com uma mulher. Nunca tinha acontecido até Anita no fatídico dia do chá de cogumelos. Tudo bem que ela estava em transe e em contato com o Umiverso. Mas nada me garantia que ela começasse a fazer aquilo de forma rotineira e finalmente notasse que seu namorado não passava de um adolescente babaca, sem muito futuro e totalmente inseguro. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;Por isso tudo eu estava tão obcecado em ouvir as palavras “eu te amo” daqueles lábios carnudos. Queria ter a certeza que o nosso namoro era sólido e duradouro.&lt;/b&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Pelo menos, antes da minha vida chegar à fase de sofrimento e morte como Guilherme me avisou. Eu precisava desesperadamente de diversão. Os efeitos eufóricos das anfetaminas nunca foram tão sedutores. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Finalmente chegamos à cobertura. Meu Deus, aquele era um belo lugar para se morar. A sala era enorme. Eles colocaram os sofás nos cantos e instalaram ali o equipamento de som.  Marcelo comandava a dança com sua música e luzes piscando freneticamente. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Em um canto da sala brotava uma escada em caracol que levava para ao terraço do apartamento. Lá de cima tínhamos a visão completa da praia de Botafogo, um pedaço da Urca e o Pão de Açúcar. Se você fosse até o outro lado poderia deslumbrar o resto da Zona Sul e avistar o Corcovado. Somente com muito dinheiro para morar em um lugar como aquele. Isso o Dez tinha de sobra. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Vou pegar uma cerva e admirar um pouco essa vista maravilhosa. – eu disse a Lucas no terraço. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Wendy quer curtir o som e eu vou fazer companhia. – respondeu de volta o Gordo e desceu junto com sua companheira. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Fui até um dos isopores espalhados pela casa e peguei duas latinhas. A chuva finalmente tinha dado uma trégua naquela noite. Porém, O vento batia forte lá em cima e afastava a maioria das pessoas. Mas não parecia assustar a Ruiva. Ficamos abraçados admirando o Rio de Janeiro iluminado naquela noite de Sábado. Normalmente, qualquer lugar visto daquela altura parece tranqüilo. Mas a Cidade Maravilhosa é diferente. Ela dança freneticamente ao ritmo contagiante dos cariocas. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Como um lugar tão bonito pode ser ao mesmo tempo tão inseguro e sujo? Dá até pena e às vezes eu não entendo como conseguimos viver nessa cidade. – filosofou Nicole. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Minha resposta foi automática, quase por instinto.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Porque temos o Cristo nos protegendo acima de tudo. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;Congelei imediatamente assim que terminei a frase. Eram as palavras de Guilherme saindo da minha boca. &lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- O filinho católico da mamãe e suas crenças divinas. Acho que continuamos aqui porque sabemos que iremos morrer de qualquer jeito, então escolhemos um lugar bonito para passar nossos últimos dias. – ela disse, mas eu nem prestei muita atenção. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Estava ainda perdido e pensando porque tinha recitado as palavras do meu sogro falecido. Independente de qualquer coisa que eu acreditasse que fora aquela experiência, ela de alguma forma tinha me mudado. Uma parte da essência de Guilherme grudou em mim em uma simbiose nada saudável. Até que eu resolvesse aquele assunto, descobrisse o significado daquele encontro e o que realmente o destino me reservava, provavelmente eu não conseguiria ser eu mesmo. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Muito da minha autoconfiança tinha desaparecido desde que eu encasquetei que queria ouvir uma confissão amorosa de Nicole. O pouco que sobrara estava totalmente deficiente pelo fantasma suicida. Talvez se eu contasse para a Ruiva sobre a minha suposta conversa com seu pai, me ajudaria a tirar um pouco daquela angustia do peito. Mas como ela iria reagir? Não me parecia justo faze-la trazer a tona esse sentimento apenas para me sentir bem. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Terra chamando Vic. Terra chamando Vic. – a Ruiva balançava o meu braço chamando a minha atenção. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Eu mirei em seus olhos, e ela estava naturalmente bonita. Se aqueles eram os últimos momentos da minha vida, de alguma forma eles seriam bons por ter aquele lindo anjo rebelde ao meu lado. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;Abracei-a suavemente e dei um beijo apaixonado.&lt;/b&gt; Ela não estava na mesma sintonia e tentou escapar, mas se rendeu ao meu carinho e retribui fogosamente. O vento frio deu mais um forte tapa em nossos corpos, mas meu sangue fervilhava. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Por fim, o beijo terminou e ficamos apenas nos admirando. Nicole mantinha um sorriso no rosto tentando entender aquele ato romântico espontâneo. Eu mantinha a fisionomia séria e admirava a minha namorada. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- O que foi isso, afinal? – Ela perguntou.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Nada. Apenas para te lembrar que seu namorado te ama. – abri um sorriso e apertei sua bochecha.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ela me deu mais um beijo. Não tão demorado quanto o anterior, mas ainda assim muito carinhoso. Meu coração disparou. O momento tão esperado se aproximava. Quando terminamos, ela repetiu o meu ato e apertou a minha bochecha. Eu sabia o que vinha em seguida. Os momentos de espera tinham terminado. Ela finalmente ira confessar o seu amor:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Você é muito fofinho. – ela disse. Balançou o meu rosto e me deu mais um beijo, só que dessa vez na face. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Sorri sem graça tentando disfarçar a decepção. Esperava ouvir um romântico “eu te amo”. Engoli a minha insegurança e dei um longo gole na cerveja, esvaziando a lata. Catei um dos meus Marlboros e disse por fim:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Preciso de mais combustível, Nic. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;Ela entornou a sua cerveja goela abaixo, amassou a latinha, deu um sonoro arroto e disse com uma voz máscula:&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Me traga uma latinha, sua puta! – e riu de sua performace. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Eu retribui o sorriso e fui ao encontro do isopor. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Tentava não me abater pela circunstância. Mas estava muito óbvio para não enxergar. Nicole não me amava. Aquele era o momento perfeito e qualquer outra pessoa naquela situação teria se declarado. Quando a conheci, ela também não amava Luther. Talvez nunca tenha se apaixonado por homem algum. Quem sabe a ausência do pai tenha tirado esse sentimento dela. Ficava comigo porque era divertido e certamente gostava de mim, da minha presença. Mas certamente aquilo não era amor. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;Eu queria fugir daqueles pensamentos.&lt;/b&gt; Não precisava daquilo no momento. Queria me afastar de tudo e simplesmente me divertir. Viver com alegria as minhas últimas horas entre os mortais. Curiosamente, meu anjo da guarda ouviu as minhas preces e realizou o meu desejo com as palavras de Lucas que surgiu atrás de mim:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Filho da puta! – o Gordo estava irritado. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Qual foi? – perguntei.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ele passou a mão pelos seus longos cabelos oleosos e ajeitou o seu rabo de cavalo. Sua testa estava suada e eu não conseguia determinar se sua fala ofegante era por conta da ira ou pelo esforço de subir as escadas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Não sei se você notou um sujeito todo arrumadinho, de blusão quadriculado destoando de toda a festa? &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Não, Gordo. Homens assim não fazem muito meu estilo. Prefiro os obesos cabeludos. – eu disse brincando, mas ele nem me deu bola.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Você vai notar na hora que esbarrar com ele. O desgraçado é um Place Stealer! – eu juro que me esforcei para entender, mas estava difícil.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- O que? – aquilo só irritou mais o Gordo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Um Place Stealer, porra! – ele balançou a cabeça e deu um gole na cerveja. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Nicole se cansou de esperar o meu retorno e nos encontrou na frente daquele isopor.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Não acredito que você trocou uma Ruiva maravilhosa por um homem feio como esse. – ela disse brincando e roubando a latinha em minha mão. Eu fiz um sinal para ela cortar a piadinha. Lucas balançou a cabeça e voltou a falar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Wendy foi dançar com as amigas na sala. Eu não sou muito de dança, então peguei uma cerveja e encontrei esse lugar na sala. Ele é perfeito. O melhor da sala. Dava para olhar a pista e sem que o som ficasse incomodando muito. – ele voltou a dar um gole na cerveja e continuou. – Esse cara, estava do outro lado. Sentado em um sofá. Tudo normal. Então, minha cerveja acaba, eu vou até a cozinha buscar outra e quando eu retorno o cara estava no meu lugar. Coisa de um minuto o Place Stealer levantou e pegou o meu lugar! Filho da puta! &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Eu e Nicole começamos a rir da situação. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Deixa de ser criança, Lucas! Vai lá e encontra outro lugar! – Eu argumentei.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- O problema não é esse, o problema é a intenção. Ele fez isso de propósito. Ele estava confortavelmente sentado no sofá, por que iria trocar isso para ficar em pé em uma parede?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Porque é o melhor lugar da sala! – respondeu Nicole de imediato. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Não, porque ele é um Place Stealer, motherfucker! Ele está fudido, eu vou ferrar com ele! – O gordo estava enfurecido. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Eu ainda não entendia porque ele se irritava tanto com isso:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- O que você vai fazer? Vai bater nele? &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Não. Eu vou esperar o momento certo e vou roubar o lugar dele. Vou vigiá-lo a noite toda e passarei o resto da festa roubando os seus lugares. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Isso é insano. Nunca vai acontecer. Esquece isso e vai se divertir, cara. – eu disse. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- É uma questão de honra, Vic. Eu subi aqui para fumar unzinho, abrir a mente e traçar a melhor estratégia para me vingar do Place Stealer. Então, vamos carburar? &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Essa foi a única coisa inteligente que você falou desde que subiu, Lucas. – disse Nicole animada. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Vocês podem fumar. Eu estou legal. Eu vou procurar o Dez e perguntar sobre as bolinhas. – eu respondi de forma convicta. Ainda não tinha me recuperado da azia que o último baseado deixara corroendo o meu estômago. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Vocês dois vão mesmo tomar anfetaminas? – perguntou Lucas. Eu olhei para Nicole e ela confirmou na mesma hora:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Elementar, meu caro Lucas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Só não tomo se algum “Drug Stealer” aparecer antes. – eu complementei.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Há, há, há, Vic! Muito engraçado. – Ele respondeu. Eu apenas sorri em resposta e fui em direção a escada.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt; Quando eu já tinha me afastado um pouco, o Gordo correu até mim e me alertou:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Vic! Só uma coisinha. – Nicole estava um pouco distante, mesmo assim o Gordo baixou o tom de voz para que ela não escutasse – Quando eu estava subindo, eu vi que Luther tinha acabado de chegar.  &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Foi como se um raio me atingisse. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Luther? O que ele está fazendo aqui? Ele nunca saí do Casarão! Sobretudo em um Sábado. – eu disse resignado.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Foi o que me perguntei também. Talvez o Dez seja tão maneiro que o tenha tirado da toca. Só quis te avisar para você não tomar um susto quando esbarrar com ele. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Obrigado, Gordo. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;Como sempre o meu alívio cômico foi mais breve do que eu gostaria&lt;/b&gt;. Era só o que me faltava. Esbarrar com o ex-namorado de Nicole. Não era a primeira vez desde que ela o largou para ficar comigo. Mas nunca era agradável encontrar com Luther. Para ele sair de seu refúgio, ainda por cima em um Sábado, alguma coisa tinha em mente. Eu deveria ficar atento e cancelar a viagem de anfetaminas. Seria o mais correto a fazer. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Pena que eu nunca fui muito adepto a seguir regras. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Eu tinha problemas o bastante e decidi não me focar muito naquilo. Tentei me convencer que não importava. Eu ia tomar as minhas bolinhas e buscar um pouco de euforia química. Se Luther decidisse finalmente tentar algum movimento, que Deus o ajudasse porque com certeza eu tinha muita frustração para descontar em alguém. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Desci as escadas e tomei um susto quando dei de cara com Wendy e seu grupo de garotas dançando animadamente ao som de Pearl Jam. O problema não era com Wendy e suas amigas, mas sim o cara que estava junto com elas. Por alguns segundos esqueci de Luther, anfetaminas ou do “Place Stealer”. Esqueci de Guilherme e seus conselhos fantasmagóricos e que a minha namorada não me amava. Esqueci até mesmo da minha morte eminente e onde eu estava. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Pedro, o vocalista dos Garotos Radioativos, dançava animadamente com a namorada do Gordo e suas amigas. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ele era apaixonado por Nicole e pagava uma de amigo dela para sempre estar ao seu lado. Na verdade ele contava os dias para que a Ruiva terminasse com Luther e ele pudesse avançar para cima dela. Era um plano quase que perfeito se eu não tivesse aparecido e estragado a coisa toda. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Com certeza Lucas não sabia que o Radioativo estava urubuzando por ali ou então não deixaria Wendy solta. Pois quando Pedro descobriu que eu estava com Nicole, resolveu me bater. O Gordo interveio e humilhou o líder da pior banda de rock do planeta na frente de todos no Casarão. Desde então os dois se evitam, apesar de se cumprimentarem fingindo educação. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Eu entrei na rodinha e ele puxou uma garota para longe e sumiu entre o resto das pessoas que dançavam na pista. Ele também evitava a minha presença sempre que possível. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- O que aquele babaca queria por aqui? – perguntei a Wendy. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ela me fitou por uns instantes. Senti alguma coisa estranha no seu olhar. Estava mais seco, quase raivoso. Apesar de sairmos em grupo, eu, Nicole, ela e Lucas, nunca fui muito próximo da magrela. No início achei que era apenas timidez, mas depois que Lucas me contou sobre seu preconceito com Nicole não foi difícil somar dois mais dois. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Ele está ficando com a Fernanda, a minha melhor amiga. – ela respondeu parecendo irritada por ter que me dar alguma explicação.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Eu não forcei nenhuma gentileza, pelo contrário, fiz questão de deixar claro na minha expressão que não gostei do que ouvi.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- O que ela está fazendo com ele? Você sabe mais do que ninguém que aquele cara é um idiota. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- A única coisa que eu sei é que você e ele brigaram e Lucas se meteu apenas para te salvar de uma surra. – ela disse levantando a sobrancelha. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Fiquei consternado com aquilo. Não era possível que a namorada do meu melhor amigo estava defendendo aquele imbecil. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Wendy, eu não vou discutir isso. Você estava lá naquele dia e viu tudo. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ela explodiu de volta.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Realmente eu vi tudo, vi a covardia que vocês fizeram com o Pedro. Todos juntos batendo no coitado. – ela colocou o dedo no meu peito – Mas eu estou me lixando para a briguinha infantil de vocês. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Sua reação me pegou de surpresa.  Eu não estava gostando nem um pouco daquilo. Resolvi tentar acalma-la, até porque eu não tinha nenhuma intenção de brigar com a namorada do meu melhor amigo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Não precisa ficar nervosa, Wendy. Lucas sabe disso? – perguntei.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Olha só “Viciado Carioca”, o mundo não gira em volta do seu umbigo. Se uma amiga minha quer ficar com alguém, eu não preciso alertar você, Lucas ou qualquer outra pessoa. - ela respondeu com uma raiva fora do comum. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;Eu apenas sorri e me afastei.&lt;/b&gt; Não valia a pena ficar discutindo aquilo. Principalmente naquela hora e lugar. Sabia que ela não aceitava a condição de Nicole, o nosso namoro e a coisa toda. Além disso, eu achava que ainda tinha mais alguma coisa.. No fundo eu acreditava que Wendy com seu jeito calado e introspectivo tivesse notado o que muitos não tinham porque estavam muito ocupados esperando a sua vez de falar. Ela conseguia enxergar o meu lado negro. Conseguia ver todos os meus defeitos que eu tentava esconder entre cigarros e piadinhas infames. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Para mim, ela era a única pessoa entre meus amigos que conseguia ver o quanto babaca, vazio e superficial eu era na verdade. E aquilo me assustava muito. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Segui atravessando a pista e avistei o “Place Stealer”. Não tinha como não reconhece-lo. Ele era normal demais no meio de tanto roqueiro. Roupinha toda engomada, cabelinho louro jogadinho, sapatinho caro. Em uma coisa, Lucas estava certo. Aquele era o melhor lugar da sala. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Fiz uma busca pelo Dez pelo recinto e não o avistei. Deveria estar na cozinha ou em algum dos quartos. Para chegar até lá eu deveria passar pelo arrumadinho e não pude resistir. A idéia de confrontá-lo surgiu como um estalo na minha cabeça e era muito sedutora. Poderia me render algumas piadas e me afastar novamente de qualquer preocupação. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Andei com um olhar meio perdido e um sorriso amigável no rosto. Ele respondeu simpaticamente, então eu disse:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Você encontrou o melhor lugar da sala. Dá para olhar a pista sem ser muito incomodado pelo som alto. – eu disse de maneira tola.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ele abriu um sorriso no rosto. Estava satisfeito pela sua conquista:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Sim, é ótimo. – ele fez uma pausa e desapareceu com o sorriso - Você não esta aqui porque pretende rouba-lo, está? – ele era arisco. Desafiei-o com um olhar profundo e ele não arregou me encarando. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Não, amigo. Eu odeio Place Stealers. – então eu apertei o olho esperando que ele se denunciasse, mas ele permaneceu calado. Tentei tirar algo a mais – Você não me perguntou isso porque roubou esse lugar de alguém, roubou? – mantive meu olhar cínico e ele também.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Eu? Nunca. Eu também odeio ladrões de lugares. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O cara era realmente bom. Sujeito durão. Lucas teria que se esforçar para vencê-lo. Por fim, desisti do confronto. Apenas acenei com a cabeça e segui em direção da cozinha. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Não foi difícil reconhecer o Dez no meio dos outros caras vestidos de preto. Mesmo baixinho, com cabelo castanho cortado ao estilo militar e sem nenhum traço marcante em especial, o Dez se destaca. Não existe um sujeito igual. Sua felicidade constante é contagiante. Nunca o vi cabisbaixo ou triste. O que é engraçado, porque isso acaba sendo sua característica principal e de uma forma estranha, o torna fisicamente mais bonito que verdadeiramente é. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Grande Dez! Dez dias, dez meses, dez anos e dez vidas de felicidades para você, meu chapa. – eu o felicitei pelo seu aniversário. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Obrigado mesmo Vic. Veio sozinho? Cadê a patroa? – ele disse me abraçando e mostrando um sorriso largo. Eu deveria andar mais com ele. Bastava a sua presença e sua alegria irradiante para aliviar a tensão dos problemas. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Chegamos mais cedo e não te encontramos. Ela está perdida por aí com o Gordo. Tenho que te dar os parabéns, é um festão.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Com certeza. Será um dia inesquecível para todos nós. Tenho absoluta certeza disso – ele levantou os olhos e soltou uma longa risada e completou - Hoje não vai faltar nada. Nadinha.  &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Era a minha deixa. Puxei-o pelo braço, o afastando do resto do pessoal e disse:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Eu estava atrás daquelas bolinhas que você comentou que arrumaria. – eu estava um pouco sem graça. Sabia que muitas pessoas se aproximavam de Dez por conta do seu dinheiro e viviam se aproveitando do altruísmo do rapaz. Talvez por isso que não éramos tão próximos. Não queria ser visto como oportunista, apesar de estar sendo exatamente isso naquele momento. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Sem problemas, Vic. Eu te prometi e como eu falei, hoje não falta nada. Vamos até o meu quarto. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Saímos da cozinha e fomos andando para o interior do apartamento.  O Dez contava que estava planejando aquela festa há meses e agora que o momento tinha chegado ele estava extremamente contente. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- A vida é curta demais para perdemos tempo não sendo felizes. Não quero estragar nada, mas preparei algumas surpresas para hoje. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Eu até poderia imaginar. O Dez era famoso por isso. Uma vez, ele estava indo ao churrasco de aniversário de um amigo nosso, o Décio, e no meio do caminho se deparou com um carro de uma rádio famosa fazendo promoção. Não pensou duas vezes, foi até o veículo, jogou sua fala mansa e seu sorriso alegre. Ele conseguiu convencer os sujeitos não só a irem ao churrasco, como colocar a galera falando ao vivo no ar, mandando abraços e escolhendo músicas. Tudo isso apenas sendo agradável. O cara descobriu o verdadeiro poder da Força e se tornou um Jedi somente sendo simpático e extremamente feliz. Não preciso nem dizer que foi o aniversário inesquecível do Décio. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Eu deveria aprender mais com o Dez. Realmente a vida é muito curta para perdemos tempo não sendo felizes. A minha naquele momento era mais curta do que de qualquer um. Sei que nem todos têm a vida fácil do Dez com seus abundantes recursos financeiros, mas a todo o momento ouvimos histórias de ricos infelizes. E conhecendo o Dez e suas histórias eu tinha certeza que mesmo que ele fosse pobre, não mudaria o seu jeito alegre de ser. Talvez ele não seria tão excêntrico, mas com certeza continuaria sendo “Nota Dez”. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Vindo de você eu espero qualquer coisa. – eu respondi.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;Estávamos quase chegando ao quarto e eu tinha esquecido completamente qualquer preocupação quando reconheci aquela voz atrás de nós&lt;/b&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Olá Dez e Vicky Boy. – antes mesmo de me virar conseguia visualizar Luther parado atrás de nós com sua pose e olhar imponente – Uma bela festa que temos aqui e tenho certeza que hoje todos teremos uma noite especial! – e ao visualizar aquele risinho cínico eu tinha certeza que ele estava tramando algo. Todos os planos de ignorar Luther e tentar apenas me divertir foram dissipados com aquela visão. Nem a felicidade contagiante de Dez poderia me salvar e dificilmente aquela festa acabaria bem. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;Adoraria saber se o Place Stealer gostaria de trocar de lugar comigo naquele momento.&lt;/b&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;No próximo capítulo: Bolinhas &amp;amp; Breguice&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;a href="http://www.comediadavidafumada.com.br/"&gt;&lt;img src="http://4.bp.blogspot.com/_4BnN8YQGuPY/StxDp2VKrVI/AAAAAAAAAI4/y8iB6qboIwM/s320/capablog.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Compre agora o livro do Viciado Carioca. Trinta contos de humor viciantes que te deixarão de olhos vermelhos de tanto rir. &lt;/a&gt;&lt;/center&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;a href="http://vicarioca.blogspot.com/"&gt;Leia mais&lt;/a&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2288834542821220975-2845066032799511837?l=vicarioca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="feedflare"&gt;
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&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/ViciadoCarioca/~4/-xvtdoJ7cBk" height="1" width="1"/&gt;</description><atom:updated xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom">2009-11-03T08:04:04.917-02:00</atom:updated><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://4.bp.blogspot.com/_4BnN8YQGuPY/StxDp2VKrVI/AAAAAAAAAI4/y8iB6qboIwM/s72-c/capablog.jpg" height="72" width="72" /><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">6</thr:total><feedburner:origLink>http://vicarioca.blogspot.com/2009/11/santissima-trindade.html</feedburner:origLink><feedburner:origLink>http://feedproxy.google.com/~r/blogspot/ovRn/~3/j6BHKFiQ0y8/santissima-trindade.html</feedburner:origLink></item><item><title>Sucesso total no lançamento do livro “Comédia da Vida Fumada!”</title><link>http://feedproxy.google.com/~r/ViciadoCarioca/~3/6eixttztOLg/sucesso-total-no-lancamento-do-livro.html</link><category>Comunicado</category><author>noreply@blogger.com (Viciado Carioca)</author><pubDate>Mon, 19 Oct 2009 15:48:00 PDT</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-2288834542821220975.post-5627602368770101375</guid><description>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Quem não foi, perdeu.&lt;/span&gt; Entre a chuva que não deu trégua, ruas fechadas e helicóptero pegando fogo, o lançamento do livro no último sábado foi um sucesso total.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A festa planejada para terminar às seis horas da noite foi estendida até as dez, quando o pessoal da Multifoco teve que retirar os últimos doidões a vassouradas!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Para mim, foi a realização de um sonho&lt;/b&gt;. Os leitores fiéis mais antigos, que acompanham a minha saga aqui na internet desde o primeiro endereço, sabem que esse sempre foi o objetivo. Lutei bastante, não desanimei com algumas respostas negativas e o resultado está aí.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi muito gratificante também conhecer alguns leitores pessoalmente. Era até uma sensação estranha pois ninguém sabia quem estava mais “sem graça”, eles por estarem ali dando uma força ou eu que nem sabia como expressar a minha felicidade por conhece-los. Não quero listar nomes, pois depois de algumas cervejas eu já não lembro o nome de um por um :-) , mas quero registrar o quanto vocês me deixaram contente pela visita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algumas ausências foram sentidas, pessoal que confirmou presença mas furou. Mas serão perdoados depois que comprarem cada um três exemplares como desculpa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Ponto alto da festa foi o doidão gritando no meio da parada: “Lançamento do Comédia da Vida Fumada e ninguém vai me oferecer nem um fininho????”. Hilário. &lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quero também registrar o agradecimento ao site co-irmão &lt;a href="http://www.hempadao.com/" target="new"&gt;Hempadão&lt;/a&gt; . Cadu, João e toda a equipe. Trocamos um papo aberto e dei a minha primeira entrevista bêbado. Qualquer hora isso vai estar rodando por aí.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Agora, como diria o Capitão Planeta, O Poder é de Vocês! Pessoal que comprou, indique para os amigos, divulgue o livro, spread the word! Pessoal que ainda não comprou, vamos dar uma força aí! &lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para finalizar uma boa notícia que vem acoplada com uma má. Estou negociando de maneira intensa a publicação do meu primeiro romance. A história é a mistura do primeiro e segundo arco do ANO I, mas com muitas modificações, novos capítulos e um final totalmente diferente. O projeto que me ofereceram é muito bom, mas como estamos já um pouco avançados nesse acordo, eu me comprometi a retirar os textos do blog até segunda ordem. Quem leu, leu, quem não leu pode ir se divertindo com o Arco III, isso se eu, como um capitalista maldito, não vender os direitos por qualquer Big Mac que me oferecerem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;É isso pessoal. Um forte abraço, obrigado do fundo do coração pela força e vamos agora para a segunda etapa do projeto: Spread the Word! &lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;a href="http://www.comediadavidafumada.com.br/"&gt;&lt;img src="http://4.bp.blogspot.com/_4BnN8YQGuPY/StxDp2VKrVI/AAAAAAAAAI4/y8iB6qboIwM/s320/capablog.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/center&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;a href="http://vicarioca.blogspot.com/"&gt;Leia mais&lt;/a&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2288834542821220975-5627602368770101375?l=vicarioca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="feedflare"&gt;
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&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/ViciadoCarioca/~4/6eixttztOLg" height="1" width="1"/&gt;</description><atom:updated xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom">2009-10-19T20:55:34.674-02:00</atom:updated><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://4.bp.blogspot.com/_4BnN8YQGuPY/StxDp2VKrVI/AAAAAAAAAI4/y8iB6qboIwM/s72-c/capablog.jpg" height="72" width="72" /><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">7</thr:total><feedburner:origLink>http://vicarioca.blogspot.com/2009/10/sucesso-total-no-lancamento-do-livro.html</feedburner:origLink><feedburner:origLink>http://feedproxy.google.com/~r/blogspot/ovRn/~3/TGm7Y81IekE/sucesso-total-no-lancamento-do-livro.html</feedburner:origLink></item><item><title>Respondendo as Perguntas sobre o lançamento de 17/10</title><link>http://feedproxy.google.com/~r/ViciadoCarioca/~3/ebWFWqkJ2Ew/respondendo-as-perguntas-sobre-o.html</link><category>Comunicado</category><author>noreply@blogger.com (Viciado Carioca)</author><pubDate>Tue, 13 Oct 2009 13:07:00 PDT</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-2288834542821220975.post-4531114479310213137</guid><description>&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold; "&gt;1 - O livro será vendido pela internet?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mas é claro, Padawan. Como eu, um bicho de internet não venderia meus livros por aqui?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ele estará disponível no site da editora Multifoco em breve. Quando eu tiver o permilink eu passarei para vocês.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;2 - Quais são os contos que estarão no livro?&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;São 30 contos na seguinte ordem: Viva la revolución (Peça em um ato) ; Harvest Of Sorrow ; Sim, por favor ; Homossexualismo latente ; Pelo contrário ; King and Queen ; Ervas na mesa ;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Amigo, estou aqui ; Era uma vez uma flor... ; Mudança de hábito ; Eu nem sei o que eu fumei no verão passado! ; Existem mais coisas entre o céu e a terra ; Adolescentes ; Kurt Vonnegut morreu ; NA ; Tonho , Chico e Mimosa ; Nossa Senhora! ; Amor bandido ; O abominável filho do seu Neves ; Quem tem seda? ; Promoção ; As aventuras de Pedrinho &amp;amp; Puffy : Episódio de hoje: Sexo Selvagem ; Internet ; A doce vingança de Abraham Van Helsing ; 10km/h ; Walk of Life ;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Quem morreu? ; Jogo da Vida ; Onde os fracos não têm vez ; Fã Nº1&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;3 - Terá bebidas e salgadinhos de graça?&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;É o mínimo que eu posso oferecer. Uma cervejinha gelada e uns salgados para matar a larica de todos que aparecerem para prestigiar esse mega evento.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;4 - E produtos entorpecentes além de álcool?&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Claro que não. Afinal, eu sou um escritor de respeito e a Multifoco é uma Casa Editorial de família.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Além disso, minha própria família estará lá e eles acham que eu sou e sempre fui um rapaz comportado.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;5 - Posso chamar os amigos?&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Deve. Esse é um momento crucial e preciso que todos apareçam. Preciso encher esse evento para garantir as publicações dos meu outros livros.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;6- Eu não sei chegar na sede da Editora Multifoco que fica na Av Mem de Sá 126, Lapa - Rio de Janeiro.&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Bem, existe o google maps e vários apontadores na internet para traçar a rota. Mas essa rua é muito conhecida na Lapa. É onde tem aquele posto de Gasolina, o Teatro Odisséia, o Brazuca, Bar Brasil, Carioca da Gema, etc etc etc....&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;7- Quanto irá custar o livro?&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Apenas R$35,00. Uma quantia totalmente irrisória. Você estará pagando apenas R$0,23 por página e míseros R$1,16 por cada conto. Levando em conta o trabalho que deu para escrever e quanto eu vou levar nessa brincadeira toda, está praticamente de graça.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;8 - É verdade que você contratou um pai de santo para fazer macumba e atrasar a vida de quem não for?&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;É mentira. Eu contratei duas Mães de Santo, Pretinha Tranca-Rua &amp;amp; Vovó Cagona, porque o preto velho já tinha compromisso de levar a pessoa amada para alguém no Sábado a noite.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;9 - Ouvi dizer que você fez um site todo bonitinho para tentar parecer que seu livro é um produto literário de qualidade e não uma porcaria que reúne vários posts de um blog de qualidade questionável.&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;É verdade. A url é &lt;a href="http://www.comediadavidafumada.com.br"&gt;www.comediadavidafumada.com.br&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;10 - Fala sério, depois do lançamento do seu livro você se tornará mais uma dessas estrelinhas babacas que nem tem saco para responder as perguntas dos leitores, não é verdade?&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;...&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_4BnN8YQGuPY/SspSHpW3cdI/AAAAAAAAAIw/SM09ZP3ttvs/s320/flyer_blog.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 320px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_4BnN8YQGuPY/SspSHpW3cdI/AAAAAAAAAIw/SM09ZP3ttvs/s320/flyer_blog.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;a href="http://vicarioca.blogspot.com/"&gt;Leia mais&lt;/a&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2288834542821220975-4531114479310213137?l=vicarioca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="feedflare"&gt;
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&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/ViciadoCarioca/~4/ebWFWqkJ2Ew" height="1" width="1"/&gt;</description><atom:updated xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom">2009-10-15T19:49:02.388-03:00</atom:updated><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://2.bp.blogspot.com/_4BnN8YQGuPY/SspSHpW3cdI/AAAAAAAAAIw/SM09ZP3ttvs/s72-c/flyer_blog.jpg" height="72" width="72" /><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">8</thr:total><feedburner:origLink>http://vicarioca.blogspot.com/2009/10/respondendo-as-perguntas-sobre-o.html</feedburner:origLink><feedburner:origLink>http://feedproxy.google.com/~r/blogspot/ovRn/~3/ThiJWPu5p8k/respondendo-as-perguntas-sobre-o.html</feedburner:origLink></item><item><title>Lançamento do livro "Comédia da Vida Fumada" 17/10</title><link>http://feedproxy.google.com/~r/ViciadoCarioca/~3/KtJDxmrG0yI/lancamento-do-livro-comedia-da-vida.html</link><category>Comunicado</category><author>noreply@blogger.com (Viciado Carioca)</author><pubDate>Mon, 05 Oct 2009 13:03:00 PDT</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-2288834542821220975.post-7160937617678983378</guid><description>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_4BnN8YQGuPY/SspSHpW3cdI/AAAAAAAAAIw/SM09ZP3ttvs/s1600-h/flyer_blog.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 320px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_4BnN8YQGuPY/SspSHpW3cdI/AAAAAAAAAIw/SM09ZP3ttvs/s320/flyer_blog.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5389210195416543698" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;Criado em 2005, o blog '&lt;/b&gt;&lt;a href="http://vicarioca.blogspot.com/"&gt;&lt;b&gt;Viciado Carioca&lt;/b&gt;&lt;/a&gt;&lt;b&gt;'  conquistou leitores fiéis e causou muita polêmica.&lt;/b&gt; Agora o autor lança pela Editora Multifoco o livro 'Comédia da Vida Fumada', uma coletânea de 30 contos de humor, com a mesma temática que popularizou seu blog. Nos textos, personagens comuns vivem situações insólitas, como o pai maconheiro que não aceita que a filha tenha um namorado careta, ou o usuário que ganha um anão de brinde em uma promoção na boca de fumo. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Textos como 'Viva la Revolución', 'Adolescentes', 'Promoção' e 'Walk of Life' (que até virou um curta-metragem que pode ser visto &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=Gop1mu4qzyI"&gt;aqui&lt;/a&gt;) são apontados pelo autor como os que tiveram maior repercussão em seu blog, e estão no livro. Mas os leitores do 'Viciado Carioca' não precisam se preocupar: 'Comédia da Vida Fumada' apresenta também textos inéditos, escritos especialmente para o livro.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;O autor conta que fazer humor com esta questão delicada o fascina: "humor bom é o que mexe com algo 'proibido', algo que é um 'tabu'. É um campo minado você querer tratar as drogas de um jeito 'light', de um jeito 'cômico'. Eu adoro campos minados."&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A abordagem bem humorada sobre drogas já deu muita dor de cabeça ao autor. O blog 'Viciado Carioca' chegou a ser tirado do ar devido a uma denúncia de apologia feita ao Ministério Público. Mas ele não se deu por vencido: reabriu o blog em outro domínio, agora com um aviso de que o conteúdo é literário e destinado a maiores de 18 anos, e alertando para os perigos das drogas. Ele refuta as acusações: "não vejo apologia em nenhum dos meus textos. Até porque eles não devem ser levados a sério. Dizer que ficou compelido a fumar maconha porque leu um conto sobre um camarada que ganhou um anão como 'brinde' na boca de fumo, para mim é o mesmo que dizer que alguém virou homossexual porque assistiu o 'Seu Peru' na Escolinha do Professor Raimundo."&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;O livro 'Comédia da Vida Fumada' será lançado dia 17 de outubro, às 15h, na Editora Multifoco (Rua Mem de Sá, 126 - Lapa - RJ), em tarde de autógrafos do autor. Informações pelo telefone 21 2222-3034.&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;a href="http://vicarioca.blogspot.com/"&gt;Leia mais&lt;/a&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2288834542821220975-7160937617678983378?l=vicarioca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="feedflare"&gt;
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&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/ViciadoCarioca/~4/KtJDxmrG0yI" height="1" width="1"/&gt;</description><atom:updated xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom">2009-10-05T17:10:24.354-03:00</atom:updated><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://2.bp.blogspot.com/_4BnN8YQGuPY/SspSHpW3cdI/AAAAAAAAAIw/SM09ZP3ttvs/s72-c/flyer_blog.jpg" height="72" width="72" /><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">6</thr:total><feedburner:origLink>http://vicarioca.blogspot.com/2009/10/lancamento-do-livro-comedia-da-vida.html</feedburner:origLink><feedburner:origLink>http://feedproxy.google.com/~r/blogspot/ovRn/~3/M8V4mn_mQNE/lancamento-do-livro-comedia-da-vida.html</feedburner:origLink></item><item><title>Mais um capítulo</title><link>http://feedproxy.google.com/~r/ViciadoCarioca/~3/Vsqt2-uXxJE/mais-um-capitulo.html</link><category>Comunicado</category><author>noreply@blogger.com (Viciado Carioca)</author><pubDate>Tue, 15 Sep 2009 23:21:00 PDT</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-2288834542821220975.post-7087990554064459344</guid><description>Algumas pessoas entendem que eu estou publicando um romance em capítulos mensais aqui no blog. E diferente do rítimo de qualquer postagem em qualquer blog por aí, essa história tem seu rítmo próprio e pede períodos de ação com outros de pura reflexão.&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mas fã é fã, e cliente sempre tem a razão. Como entendo que nessa parte a história tem uma passagem maior de reflexão do que reação, estou burlando uma regra que eu mesmo me coloquei de postar um capítulo por mês. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Espero que vocês todos estejam na mesma empolgação que eu para chegar até o fim dessa odisseia. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Do mais, continuo adorando todos os comentários nas postagens e vou anunciar oficalmente o lançamento do meu livro de contos em uma outra postagem.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Valeu Galera.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Vic&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;a href="http://vicarioca.blogspot.com/"&gt;Leia mais&lt;/a&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2288834542821220975-7087990554064459344?l=vicarioca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="feedflare"&gt;
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&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/ViciadoCarioca/~4/Vsqt2-uXxJE" height="1" width="1"/&gt;</description><atom:updated xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom">2009-09-16T06:59:38.081-03:00</atom:updated><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">3</thr:total><feedburner:origLink>http://vicarioca.blogspot.com/2009/09/mais-um-capitulo.html</feedburner:origLink><feedburner:origLink>http://feedproxy.google.com/~r/blogspot/ovRn/~3/PtwXmpqlF_Q/mais-um-capitulo.html</feedburner:origLink></item><item><title>Nosso Lar</title><link>http://feedproxy.google.com/~r/ViciadoCarioca/~3/945zcjd0QKw/nosso-lar.html</link><category>Vic  ANO I - 3º arco</category><author>noreply@blogger.com (Viciado Carioca)</author><pubDate>Tue, 15 Sep 2009 23:07:00 PDT</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-2288834542821220975.post-2875121842143625069</guid><description>&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: center; "&gt;&lt;i&gt;Viciado Carioca - Ano I – Arco 3 – Parte 9&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center; "&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left; "&gt;&lt;b&gt;A História até agora:&lt;/b&gt; &lt;i&gt;Depois de uma orgia de drogas, Vic reencontra a familia. O que parecia ser mais uma conversa familiar se transforma em uma grande armadilha. Se você não leu os outros capítulos, por favor procure a barra lateral para se atualizar&lt;/i&gt;&lt;i&gt;.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left; "&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left; "&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;Sugestão de Música:&lt;/span&gt;&lt;/b&gt; Kiss - God Gave Rock ’n’ Roll To You&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left; "&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left; "&gt;&lt;b&gt;Minha mãe ficou mais possessiva depois do casamento do meu irmão.&lt;/b&gt; Quando o primogênito ainda morava sob o nosso teto, raramente fazíamos as refeições juntos. Após o casamento, o almoço em família de sábado tornou-se uma religião sagrada. Se eu faltasse por algum motivo, aquilo era assunto para toda a semana. O almoço de sábado virou mais importante que a Missa de Domingo. Inclusive, era a minha ausência dominical na Igreja que estávamos discutindo enquanto saboreávamos um simples, mas delicioso bife a cavalo com fritas. &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Acho que foi a minha viagem no Sábado anterior que obrigou a minha mãe a cozinhar um dos meus pratos prediletos. Possivelmente, enquanto eu tomava o chá de cogumelos e conversava com um defunto, minha mãe planejava aquele almoço. Quando acordei e senti o cheiro de feijão fresco misturado com a da farofa de alho, eu sabia que ela iria me fisgar. Só não imaginava que iria rolar uma sabatina religiosa.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Filho, eu e seu pai gostaríamos muito que você voltasse a freqüentar a Missa aos Domingos conosco. – sempre que ela dizia “eu e seu pai” na verdade era “Eu acho isso e ai dele de discordar”. Até porque meu pai é uma pessoa que dificilmente faz questão de alguma coisa, portanto que ninguém incomode quando está de porre. Eu não respondi. Simplesmente continuei comendo e a fitando seriamente, mas sem parecer desafiador. Não sabia o que dizer. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;Desde os dezesseis anos que eu raramente ia a Igreja.&lt;/b&gt; Começou por conta dos meus porres homéricos aos Sábados. Nunca conseguia acordar no Domingo pela manhã. Comecei a freqüentar sozinho a Missa de Domingo a noite. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mas aquilo me entediava e o questionamento começou a ser mais freqüente. Quanto mais eu freqüentava a Igreja, mais os seus dogmas irracionais e seus contos de fadas me pareciam enfadonhos. O que mais me incomodava era perceber que o pilar do catolicismo não é o amor, é a culpa. Ela é o grande motivo para aquelas pessoas se comportarem como cachorros adestrados durante uma hora da semana. Sentavam, levantavam, ajoelhavam e levantavam mais uma vez. Se fizessem tudo certo, poderiam voltar a se comportar como selvagens durante o resto da semana. Até porque no Domingo seguinte eles  sentam, levantam, ajoelham e levantam outra vez. Tudo movido a culpa, a nossa tão grande culpa. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Uma semana simplesmente não fui. Não me senti culpado ou qualquer coisa do tipo. Para não ficar mal com a coroa, comecei a mentir. Eu não ia mais a Missa e dizia que ia. Às vezes, eu passava na Igreja e pegava o folheto e esquecia dobrado dentro da calça. Assim, quando ela encontrava tinha certeza que eu estava em dia com os meus compromissos católicos. Com o tempo eu parei com isso e finalmente, parei de mentir. Ela torceu um pouco o nariz mais engoliu. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;Acredito que o maior medo dela era perder totalmente os filhos.&lt;/b&gt; Um estava casado e freqüentava a nossa casa moderadamente. O caçula arrumou uma namorada e ficava mais tempo na rua que outra coisa. Aquele pedido podia até ter motivação religiosa, mas no fundo era criar mais um pretexto para estarmos juntos. Eu entendia isso, e com a morte iminente batendo a minha porta, talvez ir a Igreja e ficar um pouco mais de tempo com os meus pais não era uma má idéia. Mas esse era o mesmo motivo que eu não queria retornar a Igreja. Não queria passar o pouco tempo que me sobrava sentando, levantando, ajoelhando e levantando de novo. Não acreditava que a culpa era o motivador para as pessoas serem bondosas. Percebi que faltava filosofia nos dogmas inflexíveis da Igreja e não queria fazer parte daquilo. Por isso tudo, me mantive calado. Queria encontrar uma solução para não voltar a Igreja sem magoar a minha mãe. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Você não pode ficar sem religião. Isso é muito ruim para qualquer um. Será que é muito sacrifício perder uma hora da sua semana para dedicar a Deus? – enquanto o forte do meu pai era comédia, o da minha mãe sempre foi drama. Os dois juntos, às vezes, davam um filme de terror bem assustador. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Existia uma maneira de eu escapar daquela obrigação. Eu ia escutar um pouco, mas podia dar certo. O que é uma conquista sem sacrifícios? Resolvi arriscar:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Mãe, o lance é que eu tenho religião. Agora eu tenho outra religião. Eu sou espírita. – eu não era espírita. Mas gostaria de ser. Só não freqüentava as reuniões por pura preguiça. No momento estava vivendo a religião “Fé em Deus, Dee Jay” enquanto Nicole limpava a minha aura e me dava alguns passes de Reiki de vez em quando. Mas se eu fosse obrigado a escolher uma, essa seria a mais provável. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Minha mãe, é claro, pulou da cadeira e fechou a cara. Não era o que ela esperava. Eu sabia que ela iria argumentar, mas no final ela ia acabar respeitando. Ela até tinha alguns livros do Chico Xavier. Obvio que eles estavam escondidos dentro do armário para que nenhuma amiga beata encontrasse e questionasse a fé da mamãe nos irrefutáveis dogmas ortodoxos da Igreja Católica. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Escutou isso? – ela virou para o meu pai que estava me fitando com um olhar do tipo “que merda você foi arrumar?”. Para ele, mesmo que eu fosse espírita o correto seria eu concordar com ela e ir para a Missa aos domingos só para não criar confusão.  – Você está indo para macumba? &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Não, mãe. É claro que não. – ela sabia que não era macumba, mas queria confirmar. Ela apenas balançou a cabeça processando aquela nova informação. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Desde quando você é Espírita?  - Eu esperava por isso, então respondi sem pestanejar:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Uns três meses. Acho legal. Tem palestras e eles unem as suas crenças com filosofia. – ela continuava ponderando aquilo. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A comida havia perdido o sabor e ela apenas fingia que estava almoçando. Ficou com um aspecto mais envelhecido. Seus cabelos loiros encaracolados tinham perdido um pouco de vida e seu rosto magro, estava mais fino. Até sua sobrancelha pintada, agora estava mais caída. Eu iria levar aquilo até o final, mesmo achando que meu pai estava certo. Segundo a filosofia paternal, eu deveria concordar e dar um pouco de felicidade para a minha mãe. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Foi a Nicole que te levou a isso, não foi? – ela disse em um tom baixo como se não quisesse fazer aquela pergunta. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ela tratava a Ruiva muito bem, mas mantinha aquele ciúme materno. Eu não esperava aquela pergunta, mas deveria. Toda inquisição deve ter a sua bruxa. Eu não queria estragar o relacionamento da Nicole com a minha família. Se dissesse que foi a Ruiva que me converteu ao espiritismo, ela passaria a ser persona non grata por lá. Então, respondi por puro instinto:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Nicole? Tá maluca! Nic é católica fervorosa. Ela nem gosta muito que eu vá para os encontros. – no mesmo momento que eu disse isso eu me arrependi. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Eu deveria ter dito apenas não. Que a Ruiva não tinha nada a ver com aquilo. Mas na minha ânsia de fazer a minha mãe aceita-la, acabei exagerando. Mamãe abriu um sorriso nesse momento. Visualizava uma futura aliada para me catequizar outra vez. Fiz uma anotação mental para lembrar Nicole de não comentar sobre os chakras da coroa na próxima visita a minha casa. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Foi quem então? – ela me perguntou e eu respondi o primeiro nome que me veio a cabeça.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Foi o Lucas! – eu não poderia ter feito pior. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Esqueci que minha mãe não via com bons olhos a minha amizade com o Gordo. Devia ser um pouco do seu instinto materno cheirando a marola da maconha empestada nos cabelos mal lavados de Lucas. Ela o tratava de forma educada nas poucas vezes que ele me visitou. Mas logicamente, não morria de amores por aquele gordo, de cabelo encaracolado, olhos vermelhos e com um vocabulário recheado de palavrões. De qualquer forma ele apenas subiu de nível no rank de desafetos. Foi de desagradável para inimigo número um. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Ai, meu filho, você tem certeza disso? – comecei a ter muita pena da minha mãe. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Não pela situação que criei, mas por ela se magoar com aquilo. Seus pais te ensinam a respeitar as diferenças raciais, sexuais, políticas, religiosas, esportivas e tudo mais, só que nunca aprenderam a tolerar isso sob seu teto. É triste. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;Ficamos os três calados e constrangidos.&lt;/b&gt; Não era o clima que eu precisava naquele momento delicado da minha vida. Eu possuía muita angústia para lidar. Também era contraditório eu bradar pelo amor da minha namorada e não semear esse mesmo amor dentro da minha casa. Para complementar, ia de contra a regra de ouro. Eu sempre me esforcei para andar o mais correto possível dentro de casa para não levantar nenhuma suspeita sobre a maconha. Tentava ser o filho perfeito. Era o meu Modus Operandi. Olhando a minha mãe abatida,  comecei a me sentir um pouco mais católico, porque o meu peito estava cheio de culpa. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Acreditava que a motivação da minha mãe era mais me ter por perto do que religiosa. No fim, um pouco de reza não seria ruim para minha aura. Pouparia um pouco o trabalho da Nicole e suas limpezas rotineiras. Cortei o silêncio e fiz a minha proposta:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Mãe, meu problema não é com Deus e sim com a Igreja. Respeito a escolha de vocês, mas no momento não me vejo indo a Missa. Então, porque não separamos uma hora, toda a terça-feira, e nos reunimos aqui, nessa mesa, e fazemos as nossas orações? Podemos rezar, ler alguns trechos da Bíblia e debate-los. – seus lábios caídos se transformaram em um sorriso em um piscar de olhos. Seus cabelos voltaram a brilhar e seus grandes olhos castanhos ganharam vida. Sua cara fina pareceu mais rechonchuda e suas sobrancelhas pintadas pareciam reais. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Perfeito. Eu posso chamar o seu irmão e você pode trazer a Nicole. Adorei. Vai ser ótimo! – Senhor, fazei-me instrumento de vossa paz. Onde houver tristeza, que eu leve a alegria. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;Saí revitalizado daquele almoço.&lt;/b&gt; Gostaria que todos os meus outros problemas também fossem resolvidos dessa forma. Minha mãe seguiu o resto da tarde fazendo planos para o primeiro encontro de terça-feira. Meu pai foi beber para comemorar a volta da harmonia no lar. Eu fiquei descansando para a noite das anfetaminas que se aproximava. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Depois de todos os probelmas caseiros resolvidos, eu só podia esperar uma noite de alegria. Infelizmente, eu nunca poderia imaginar tudo o que aconteceu naquela festa. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;No próximo capítulo: Place Stealer!&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;a href="http://vicarioca.blogspot.com/"&gt;Leia mais&lt;/a&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2288834542821220975-2875121842143625069?l=vicarioca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="feedflare"&gt;
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&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/ViciadoCarioca/~4/945zcjd0QKw" height="1" width="1"/&gt;</description><atom:updated xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom">2009-11-03T07:50:43.012-02:00</atom:updated><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">7</thr:total><feedburner:origLink>http://vicarioca.blogspot.com/2009/09/nosso-lar.html</feedburner:origLink><feedburner:origLink>http://feedproxy.google.com/~r/blogspot/ovRn/~3/O86t3vfAWeQ/nosso-lar.html</feedburner:origLink></item><item><title>Cinco coisas que eu odeio no Rock and Roll</title><link>http://feedproxy.google.com/~r/ViciadoCarioca/~3/aPxoBglwmvg/cinco-coisas-que-eu-odeio-no-rock-and.html</link><category>Cotidiano Maldito</category><author>noreply@blogger.com (Viciado Carioca)</author><pubDate>Fri, 11 Sep 2009 16:20:00 PDT</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-2288834542821220975.post-8071718378646550183</guid><description>&lt;div&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Gostar de um estilo de música é uma coisa, ter rock and roll na veia é outra totalmente diferente. &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Rock não é apenas um estilo, é filosofia, é uma religião. É um conjunto de atitudes, modo de pensar e de compreender o mundo que acredito que nenhum outro estilo musical traz como bagagem. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Gostar de rock une tantas coisas, tantas nuances específicas, mas que são tão naturais para os roqueiros, que eu nunca conseguiria colocar em palavras mesmo se conhecesse elas todas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Porém nem tudo é um mundo maravilhoso com fundo musical de acordes de guitarra no mundo do rock. Existem várias coisas que o rock possui e que eu realmente odeio. Irei lista-las aqui com a certeza que alguém não vai gostar do que eu disse e vai me mandar a merda. Sinceramente, para os que discordam eu quero mais é que se fodam, pois isso é rock and roll.  &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:x-large;"&gt;5 - Música de trabalho&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;Quando alguma banda diz que a música tal é a “sua música de trabalho” eu já começo a risca-la do meu rol de bandas rock and roll.&lt;/b&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Primeiro que rock não tem nada haver com trabalho e sim com espírito. Se uma música foi escrita para dar certo, porque é comercialmente viável, provavelmente ela está se afastando da sua alma. A música pode continuar sendo boa, mas ela está deixando de ser rock para ser pop. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Esse é um terreno muito perigoso. No momento que uma banda de rock começa a ter “músicas de trabalho”, provavelmente começam a compor mais “baladas”. Vocês sabem como é, começam a encaixar um “love” aqui, um “baby” ali. E quando você vai ver, seu ídolo roqueiro virou um Bom Jovi. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Sei muito bem como é isso. Sempre fui fã de Aerosmith e quando digo isso hoje em dia eu tenho que fazer uma ressalva. “Sou fã do Aerosmith antes da aviadação”. Os discos primordiais da banda glorificam o rock and roll. “Rocks” é um diamante da discografia deles. Mas no final dos anos 90 para cá os caras conseguiram ir aviadando, aviadando, aviandando tanto que eu tenho certeza que eles “miss a thing”. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Uma banda brasileira que segue o mesmo caminho é o Titãs. Sei lá, sair de “Cabeça de Dinossauro” para “Por que eu sei que é amor” não é um bom exemplo de “saber viver”. Pelo menos, de saber viver o rock and roll.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:x-large;"&gt;4 - Caras pintadas&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;Ok, você é mal. Você toca Black Metal. Você é true. Você é cabeludo, você tem tatuagem, canta músicas sobre anti-cristo e provavelmente sodomiza gatos na rua.&lt;/b&gt; Agora me explica, o que isso tem haver com passar batom no lábio?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ah tá, o batom é preto, você usa kajal no olho e maquiagem no resto da cara. Desculpa bicho, mas isso não te faz mais homem nem aqui e nem na Noruega. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Nada contra o Black Metal. O antigo Mayhen é do cacete. Mas eu realmente não entendo essa porra de se pintar. Não entendo de verdade. E quando chega ao nível do Glam eu só consigo sentir vergonha alheia. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Daí alguém vai falar: “Mas e o Kiss? Porra, o Kiss pintado é melhor do que o Kiss cara limpa e coisa e tal”. Tudo bem, eu também concordo. Mas se toda regra existe uma exceção, o Kiss é ela. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Sério, Se Rock and Roll fosse um brinquedo de criança ele seria Comandos Em Ação e não Barbie Make-up.  &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:x-large;"&gt;3 - Fãs possessivos&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;Você vai a um show mainstream tipo Pear Jam.&lt;/b&gt; Chega cedo para tomar umas biritas, fumar uma erva, dá em cima das roqueiras de cabelo rosa. Logo faz amizades e o papo não pode ser outro a não ser música. Você fala que gosta de Pearl Jam faz uns quinze e anos e acorda o demônio dentro da alma de alguém.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Na mesma hora o cara rebate e diz que gosta de Pearl Jam há quinze anos e dois dias. Vocês diz que tem todos os discos e o cara fala que tem todos os discos duas vezes (um é para ficar guardado e outro para ouvir). Você diz que foi expulso de sala uma vez que estava cantando Even Flow para uma gatinha ao seu lado e o cara responde dizendo que foi expulso do colégio porque estava comendo uma gatinha enquanto tocava Even Flow na bateria. Não importa o que você diga, seu amigo sempre conhecerá mais de Pearl Jam do que você e o Eddie Vedder juntos. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Por conta dessa característica filosófica o rock and roll tem uma mania de criar esses malucos possessivos. Veja bem, eles não chegam a ser violentos mas fazem questão de demonstrar que sabem mais daquela banda do que você. E o pior, na maioria das vezes eles realmente sabem. Não adianta você ficar debatendo que Porch tocou mais vezes do que Black com um cara desses&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Nesse caso só tem uma solução. Ela tem uma tarja preta no rótulo e é um pouco complicado de conseguir em uma farmácia se você não tiver um esquema muito bom com o farmacêutico. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Existe uma versão hard core plus do fã possessivo. Esse cara não vai ficar discutindo com você para provar que sabe muito sobre uma banda. Ele vai te meter a porrada para te provar isso.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Esses caras você detecta em 10 segundos de conversa. Por exemplo, você diz que Roling Stones é melhor do que Beatles e o cara em fração de segundos já responde: você tá falando merda, seu imbecil. Esses são daquele tipo que levam o vinil da banda pro banheiro e toca uma bronha em cima. Eles se vestem igual a banda, tem o logo da banda desenhada em sangue na parede do quarto e na maioria das vezes recebem mensagens telepáticas do vocalista da banda mandando assassinar qualquer um que não goste do som que ele idolatra. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Preste bem atenção com esses sujeitos que nem tarja preta resolve. Nesse caso só o bom e velho 38 de cano curto mesmo. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:x-large;"&gt;2 - Guitarristas de banda de garagem&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;No início não existia nada&lt;/b&gt;. Então o guitarrista de banda de garagem inventou Deus que levou seis dias para construir o universo e descansou no sétimo. Coisa que o guitarrista teria feito com apenas um acorde. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Esqueça tudo que você sabe sobre música, pois certamente é tudo besteira. Fãs possessivos e Fanáticos? Esses caras possuem a mente mais simplória do mundo perto de um guitarrista de banda de garagem. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Não existe feito no universo que se compare com um solo de um guitarrista de banda de garagem. Não existe banda iniciante mais promissora do que a do guitarrista de banda de garagem. Não existe namorada mais gostosa do que a de um guitarrista de banda de garagem. A única coisa que esse sujeito nunca conseguiu foi compor uma música tão grande quanto o seu ego. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Esses caras não entendem apenas de música mais do que você, eles entendem de tudo mais do que você. Eles entendem até mesmo de você mais do que você. Eles são uma espécie de Chuck Norris do mundo musical e não existe nada que se compare com tão grande sapiência, amém. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Não me levem a mal, nem todo guitarrista de banda de garagem é assim tão egocêntrico. Tem uns que são super gente boa, conversam na moral e sempre são muito solícitos em tudo. Só que nas bandas não chamam ele de guitarrista, chamam baixistas. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:x-large;"&gt;1 - Courtney Love&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;Se existe um esgoto no rock and roll, esse esgoto se chama Courtney Love.&lt;/b&gt; Acho que seu passasse dois minutos com essa mulher eu teria vontade de colocar uma espingarda na minha cara e estourar os meus miolos. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Talvez eu pedisse alguém para atear fogo no meu corpo depois, só para garantir.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Eu não tenho muito a dizer sobre essa mulher, o meu ódio por ela se resume a esse vídeo do Guitar Heroes onde Kurt Cobain está cantando Bom Jovi.  &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=-UuAoEW5MbI"&gt;Kurt Cobain Bon Jovi&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;a href="http://vicarioca.blogspot.com/"&gt;Leia mais&lt;/a&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2288834542821220975-8071718378646550183?l=vicarioca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="feedflare"&gt;
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&lt;/div&gt;&lt;img src="http://feeds.feedburner.com/~r/ViciadoCarioca/~4/aPxoBglwmvg" height="1" width="1"/&gt;</description><atom:updated xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom">2009-09-11T20:25:42.175-03:00</atom:updated><thr:total xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0">5</thr:total><feedburner:origLink>http://vicarioca.blogspot.com/2009/09/cinco-coisas-que-eu-odeio-no-rock-and.html</feedburner:origLink><feedburner:origLink>http://feedproxy.google.com/~r/blogspot/ovRn/~3/xnlF4ufn90M/cinco-coisas-que-eu-odeio-no-rock-and.html</feedburner:origLink></item><item><title>Fatalidade</title><link>http://feedproxy.google.com/~r/ViciadoCarioca/~3/TGTlu7REI9o/fatalidade.html</link><category>Vic  ANO I - 3º arco</category><author>noreply@blogger.com (Viciado Carioca)</author><pubDate>Mon, 31 Aug 2009 01:38:00 PDT</pubDate><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-2288834542821220975.post-7092372522716080793</guid><description>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;Viciado Carioca - Ano I – Arco 3 – Parte 8&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;b&gt;A História até agora:&lt;/b&gt; &lt;i&gt;Vic conta a Lucas a viagem de Nicole pensando que isso iria tirar a vontade do amigo de experimentar os cogumelos. Porém o tiro saiu pela culatra. Se você ainda não leu os capítulos anteriores, visite o menu ao lado. &lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;b&gt;Sugestão de música:&lt;/b&gt; &lt;i&gt;Body Count - Evil Dick&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;- Quer dizer que você broxou, man?&lt;/b&gt; – o Gordo me perguntou não exatamente depois que eu terminei o relato, mas quando ele parou de rir. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Lucas, fala baixo. Nós estamos em público. – apesar do avançar da hora, nunca é seguro você dizer certas coisas alto. É a ironia da vida, depois de certa quantidade de álcool, você consegue até sexo com uma mulher que nunca te deu bola, mas é impossível você fazer o seu amigo falar baixo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Foi mal, pau-molão. –&lt;br /&gt;Eu sabia que não deveria ter dito nada. Estava tentando dissuadi-lo de usar o chá de cogumelos, então chegamos a isso: a minha ridicularização pública.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu não broxei. Isso não é broxar. Pelo amor de Deus, fala baixo. – eu olhava para um lado e para o outro procurando quem podia estar escutando aquilo. Por sorte, tinha apenas uma mesa no fundo do bar. Uma turma de garotos comemorando alguma coisa. Talvez sua virilidade inabalável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Para mim isso é broxar. Você está no chuveiro com mais duas mulheres se agarrando e nega fogo. Desculpa, Vic. Estou olhando aqui no meu livro e isso é broxar feio. – depois da história, Lucas mantinha um sorriso permanente em seu rosto. Eu jurei que não contaria aquilo a ninguém. O que a angustia de um fantasma suicida e umas garrafas de cerveja não fazem? Desnecessariamente eu tinha mais um problema para resolver, recuperar a minha reputação masculina diante o meu amigo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tecnicamente, isso não é broxar. Você só pode broxar quando está consciente do fato e não consegue ir adiante. Eu não sabia de nada. Eu nem lembro disso. Só descobri tudo porque Nicole me contou na viagem de volta ao Rio. – era uma boa linha de argumentação. Coerente, factível, cientifica e inútil quando o seu amigo está disposto a te sacanear.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Bullshit! Para mim isso é uma conversa mole igual ao seu pau...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Lucas, você é o pior amigo que alguém pode pedir e eu estou extremamente arrependido de confidenciar essa história. – onde a razão falha, o sentimentalismo há de vencer. Eu não podia culpar o Gordo. O que eu faria se os papéis fossem inversos? Com certeza ele sofreria muito na minha mão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ok, man! Eu estou de zoeira. Mas uma coisa você não quer notar. – ele dizia em um tom sério e eu achei que tinha escapado das brincadeiras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Essa sua broxada... – impossível. Aquilo iria me perseguir para o resto da minha vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não foi broxada. Eu estava doidão, tinha acabado de conversar com um defunto e nem tinha consciência do que estava acontecendo. Se eu encontrar a Nicole agora e não conseguir transar com ela, isso é uma broxada clássica. O que aconteceu foi apenas...uma...fatalidade. – eu sabia que poderíamos ficar ali a noite toda e não sairíamos do lugar. Era a vingança final do gordo sobre o magro. É o mito que construímos nas pessoas que não tem os nossos defeitos. Criamos teorias para sentirmos bem. Você escuta isso o tempo todo. Ela é loira, mas é burra. Ele é forte, mas tem o pau pequeno. Ela é rica, mas é fútil. Ele tem uma namorada bissexual, mas é broxa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu sei Maria Mole, mas o que eu quero perguntar é se você pensou que essa sua broxada....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;- Fatalidade. Vamos chamar de fatalidade.&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ok, Vic. Essa sua “fatalidade” – ele fez o sinalzinho das aspas quando pronunciou fatalidade de forma irônica – pode levar Nicole a concluir que você não funciona com duas mulheres. Certamente você desperdiçou a chance de ouro de realizar a fantasia masculina mais clássica do mundo. - fiz uma longa pausa tentando inutilmente expulsar aquilo da minha cabeça. Tenho uma namorada que não me ama, sou assombrado pelo fantasma do meu sogro suicida, broxo aos dezenove anos e vou morrer sem nunca ter experimentado uma suruba. Se alguém decidisse limpar a minha aura, teria que usar um aspirador industrial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Gordo, te procurei para tentar me animar, mas agora estou cogitando seguir os passos do meu sogro. – Lucas apenas sorriu e completou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas o Umiverso te ama, seu broxa. – eu fiquei apenas com o sorriso amarelo sem graça. Quanto mais eu cavava a viagem de cogumelos, mais eu me arrependia. Eu não disse ao Lucas, mas uma coisa me incomodava mais do que não realizar os sonhos eróticos de suruba. Nicole amando o universo, amando Anita, amando até a porra da grama que ela vomitou, mas não podia dizer isso para mim. Nem uma viagem profunda de cogumelos venenosos quebrava as barreiras daquela Ruiva. Isso era mais torturante do que saber da broxada, digo, da fatalidade. Lucas tinha esquecido da minha conversa com o morto e agora só pensava na minha namorada transando com outra mulher: - Como alguém fica pelado com duas lindas mulheres em um chuveiro e não se lembra de nada? Nem quando você fecha os olhos e pensa forte sobre isso, nada vem na sua cabeça?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nada, Gordo. – eu mantinha o sorriso amarelo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nem um peitinho? – ele forçou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Uma bunda? Uma bandinha balançando?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Geralmente quando eu fecho os olhos, a única coisa que eu consigo lembrar é do Pai da Nicole e seu crânio aberto. – nem invocando essa imagem macabra cortou a disposição de Lucas:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Lá vem você com esse papo broxa-gótico. Talvez fosse sobre a morte do seu pau que o Guilherme tentava te alertar. Think about it! – ele brincou, mas a minha disposição parar rir me escapou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;- Muito engraçado, Gordo&lt;/b&gt;. Acho que vou morrer agora mesmo de tanto rir.  – queria fugir dali. Gostaria de ter a máquina do tempo do McFly. Eu poderia me avisar que às vezes o mais inteligente é ser medroso e não levar adiante planos imbecis como pactos inúteis de se drogar. Inclusive, essa é a mensagem no final da trilogia “De Volta para o Futuro”. Muitas vezes é mais esperto ser covarde. Lucas seguiu com seu interrogatório:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ok. Esquece isso. Vamos nos concentrar no dia seguinte. Onde você acordou?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pelado no meio do banheiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Anita ainda estava no quarto?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, só Nicole. – até mesmo relembrar esses momentos era difícil. O dia seguinte da experiência com cogumelos era uma lembrança torturante e nebulosa dentro da minha mente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você não lembrava de nada?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Já disse, Gordo. Eu não lembro de nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Um mamilo talvez...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, Lucas! Porra. – eu disse dando um soco na mesa. O Gordo recuou um pouco, mas não parou com o inquérito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;- Calma! Só para ter certeza&lt;/b&gt;. Quem sabe eu falando a memória retorna. – ele deu tempo para eu recuperar o fôlego. Como naqueles interrogatórios que o carrasco permite o condenado respirar antes de voltar a enfiar a sua cabeça no vaso sanitário. Depois, voltou a me afogar: - Você encontrou com Anita depois disso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sim, durante o dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ela não disse nada?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Só as coisas básicas. Disse que eu fiquei muito mal conversando com os postes do quiosque e fumando cigarro com ele. Eles encontraram um monte de Marlboros no chão e eu fui alvo de gozações. – obviamente, eu não contei sobre a minha conversa com Guilherme e deixei eles me zoarem. Essa é a melhor tática quando você quer esconder a verdade, deixar que as pessoas pensem a coisa mais ridícula sobre você. Como você não se defende, automaticamente eles assumem que aquela é a pura verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ela não falou nada sobre você, Nicole e ela no quarto?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nadinha. Nenhum comentário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;- E com Nicole?&lt;/b&gt; Ela a tratou normalmente? – nesse momento comecei a revirar a memória e repassar todos os momentos do dia seguinte. Eu não me lembrei de nenhum pequeno episódio onde as duas demonstraram qualquer intimidade. As mulheres são ótimas para esconder os seus esqueletos no armário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sim, normalmente. Nicole também foi alvo das gozações. Por mais que ela tentasse explicar a sua versão mística da história, ela saiu como a doida esotérica que nadou com os peixes na fonte. Ganhou até um apelido. Aquawoman. – nessa hora eu esbocei um sorriso. Lucas se calou chateado. Ele não poderia admitir que eu tivesse chegado tão perto do paraíso e não lembrasse nem da cara do anjo na portaria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mesmo depois que Nicole te contou toda a história, nothing?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Bem, eu fiquei puto e excitado. – Lucas deu um saltinho da cadeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você ficou excitado? – ele arregalou os olhos e ponderou. - Bem, isso é um alívio, quer dizer que ele ainda está vivo. – disse brincando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;- É claro que ele está vivo. Quer ver?&lt;/b&gt; – Lucas dispensou a demonstração e deu fim ao interrogatório. Pedimos as saideiras e seguimos bebendo calados. Realmente é estranho você passar por uma situação dessas e não lembrar de nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De certa forma, comecei a achar que até tive sorte. Pelo menos foram duas mulheres que me resgataram da doideira. Se fossem dois homens, eu poderia estar ali sentado tentando explicar uma sodomia. Provavelmente eu não estaria sentado. Certamente não estaria contando. De qualquer forma, eu tinha que saber se eu consegui o meu objetivo contando aquela história para o Lucas. Depois de tanta zoação, eu torcia para que tivesse valido a pena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Então, Gordo? Ainda está disposto a experimentar o chá mágico? – eu perguntei com um sorriso no canto da boca. Ele ponderou bastante e concluiu:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu acredito muito no poder da mente. Tenho certeza que o seu encontro com o pai da Nicole não passou de uma criação do seu cérebro para você se sentir melhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas o que isso tem haver com...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Me deixa terminar. Dizem que você pode não voltar de uma viagem de cogumelos. Eu estou tão impressionado com a sua história, com o fato de você ter broxado e não lembrar nem de um mamilo. A resposta é sim, agora eu estou com medo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É? – eu perguntei um pouco animado. De um jeito ou de outro, a minha história vergonhosa acabou servindo para algo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sim. Medo de eu broxar tão feio como você broxou, e pior, não conseguir voltar. Qualquer um que escutar a sua história vai ter o mesmo pavor. Porque essa imagem ficou gravada na mente, e sabendo do infinito poder do subconsciente, eu vou acabar seguindo os seus passos e fatalmente broxando.  – dessa vez fui eu que comecei a rir. Ele sorriu de volta, mas a sua cara era de preocupado. - Imagina! Broxar e não voltar da viagem de cogumelos. Eu posso até conviver com o fato de ser maluco, mas nunca mais poder dar uma bimbada? Esse é o maior pesadelo de qualquer homem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Era a mesma coisa que dizer alguém para fechar os olhos&lt;/b&gt; e tentar com todas as suas forças não imaginar, por uns dez segundos, um urso polar tomando uma Coca-cola. Impossível. Por mais que você tente aqueles pelos brancos e macios vão tomando forma na sua mente. Aquele urso com cara amigável vai colocando a mão na garrafa, toma um longo e delicioso gole e manda aquele sorriso companheiro mostrando o refrigerante. O logo vermelho pula do seu cérebro e fica piscando na frente dos seus olhos. Por mais que você tente, você não consegue escapar. Lucas sabia que se um dia tomasse chá de cogumelos, ao mesmo tempo em que o líquido descesse pela sua garganta, ele iniciaria uma batalha com a sua mente para não passar pelo que eu passei. Mas antes que percebesse, um urso polar broxa iria aparecer. Estava amaldiçoado. Mesmo que nunca experimentasse o tal chá, apenas a menção da palavra cogumelos faria correr um frio pelo seu corpo chegando até a sua virilha. O objetivo estava cumprido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Depois dessa, com certeza você e Nicole cancelaram o pacto. – ele disse de forma absoluta. Eu sorri e respondi:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O trato está mais de pé do que nunca. Amanhã partiremos para a segunda etapa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Segunda etapa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Bolinhas. – ele virou o resto da cerveja e se levantou de uma só vez. Eu fiz o mesmo. Tínhamos fechado a conta. Ele partiu na frente e balançando a cabeça e eu o segui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vocês são malucos. Onde isso vai parar, Vic? Daqui a pouco vocês vão tomar pico na veia, cheirar cola em sinal, roubar para sustentar o vício. – então, eu complementei:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ou morrendo. Não tem como fugir do seu destino. Se isso vai acontecer, de uma forma ou de outra, porque não curtir o pouco da vida que me resta?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;- Você não vai curtir. &lt;/b&gt;Você vai acelerar o processo. Isso é insano. Quando vocês vão parar?– o maior maconheiro que conheci tentando me convencer dos maléficos das drogas. Estranhamente eu ficava mais tranqüilo em experimentar as anfetaminas do que estava antes de tomar o chá de cogumelos. Acreditava que alguns estimulantes me ajudariam a lidar com o meu estado depressivo. Poderia acelerar o meu cérebro a encontrar uma resposta criativa para tudo aquilo. Além disso, alguns momentos de euforia cairiam como uma luva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nós vamos parar quando acharmos que é a hora. – eu disse encerrando aquele papo. Não precisava de conselhos moralistas. A única coisa que eu queria era viver momentos bons. Queria que a minha namorada me amasse com a mesma intensidade que eu a amava e queria esquecer as palavras daquele fantasma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Seguimos andando por uma Botafogo ainda acordada.&lt;/b&gt; Às vezes eu achava que as noites de sexta ainda eram mais agitadas que as de Sábado. Provavelmente as pessoas tem grande necessidade de aliviar a tensão da semana. Os carros continuavam a descer a Voluntários da Pátria e a todo o momento grupo de jovens bêbados passavam por nós dois. Era a Botafogo dos Malditos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tem uma coisa que eu queria falar com você.... – demorou umas duas quadras para Lucas finalmente se abrir. Ele estava com algo engasgado, mas o me relato fantástico não deu espaço para que ele pudesse falar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Se for para falar sobre a “fatalidade”, esquece. – eu disse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Fuck you, man! Não tem nada haver com a sua broxada! Não sei se você notou, Vic, mas nem tudo que acontece no mundo tem haver com você. – ele disse raivoso. Eu baixei a cabeça e me desculpei:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Foi mal, Lucas. Eu sei que dominei a noite com o meu papo sobre cogumelos, fantasmas e lésbicas e nem dei chance de você falar. – ele me olhou e eu continuei de cabeça baixa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Whatever. O lance é o seguinte... – ele hesitou um instante, ponderou suas palavras e disse – Meu namoro com a Wendy está meio mal das pernas. – O Gordo tendia a fazer um grande drama em tudo que se relacionava a Wendy. Ele nunca me disse, mas acho que ela era a sua grande primeira namorada. Talvez a sua primeira garota.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Por que você acha isso? –&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ah, man! Tanta coisa. Ela tem ficado cada vez mais fria e cada vez mais distante. Hoje eu me sinto mais afastado dela do que antes de começarmos a namorar, quando éramos apenas amigos. – Lucas era apaixonado por Wendy quando eu o conheci, mas nunca teve coragem de se declarar. Fiz a cabeça dele para deixar o medo de lado e se declarar para a magrela. Foi o que fez e conseguiu o que tanto desejava e de certa forma esse foi o estopim para a nossa amizade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Garotas são assim mesmo, Gordo. As vezes elas ficam estranhas, introspectivas e questionam tudo. Deve ser só uma fase. Tente ser mais paciente e mais romântico com ela. – Por ser gordo e ela magra, Lucas tinha muita insegurança quanto ao seu namoro. Tendia a ser muito ciumento e qualquer pequeno acontecimento para ele era um turbilhão de emoções. Ele a amava, mas seu medo de perde-la não era apenas isso. Acredito que ele achava que se o namoro terminasse, ele nunca mais conseguiria uma mulher tão bonita como Wendy. Ele nem se importava em engolir alguns sapos se fosse para manter o seu relacionamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas não é simples assim, Vic. Eu estou começando a desconfiar que ela esta saindo com alguém. – eu olhei para ele que balançou a cabeça positivamente confirmando o que acabara de dizer. Ele acreditava naquilo, não era apenas um ciúmes bobo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que ela fez que desapertou a sua desconfiança?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Coisas bobas. Antigamente eu ligava para ela em certas horas e sempre conseguia falar com ela, agora geralmente seu telefone está ocupado. É um telefone só dela, que fica no quarto dela e só ela usa. Ela sempre dá uma desculpa que estava falando com uma amiga, mas eu sinto que é mentira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas pode ser verdade...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Então, ela começou a fazer uns programas alternativos no horário em que eu estou trabalhando na locadora. Uma hora ela diz que foi no cinema com as amigas, outra hora que foi ao shopping e até visitar uma prima que eu nunca ouvi falar ela já disse que foi. – ele parou e viu que eu estava ponderando que tudo aquilo poderia ser verdade e a sua paranóia era apenas insegurança. Para matar esse pensamento, ele complementou. – Mas quando eu confronto com detalhes, ela sempre se enrola. Ela diz que foi ver um filme, mas não fala nada além do óbvio sobre o filme. Ela vai ao shopping mas não conta nenhuma situação, comentário ou qualquer coisa que tenha acontecido lá. Diz que visitou a prima, mas vacila quando eu perguntei onde a prima mora. Saca?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;- É fogo, Lucas&lt;/b&gt;. Eu entendo que tudo isso pode fazer você pensar besteira, mas nada disso prova coisa alguma. Obviamente eu conheço a Wendy menos que você, mas ela é uma garota pacata e não me parece do tipo que traí o namorado. Ela parece mais aquela garota que se apaixonar por outro homem vai imediatamente terminar com o namorado. Ela falou alguma coisa em terminar o namoro?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não. Mas ela não está... como eu vou dizer... ela não esta mais tão fogosa como éramos no inicio de namoro. Antes eu achei que fosse normal, uma esfriada naquele tesão todo de casal recém formado. Mas agora já estou começando a achar que ela esta me evitando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Isso é mal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pois é. E tem mais. Agora nas festas que vamos, nunca ficamos sozinhos. Ela sempre leva uma ou duas amigas. Ou encontra com elas lá. Essas coisas. – uma coisa passou na minha cabeça. Não sabia se Lucas iria pensar que eu estava fazendo uma piada, mas eu tinha que dizer de qualquer forma.&lt;br /&gt;- Será que ela faz parte do Umiverso? – ele parou e começou a me olhar seriamente. Percebeu que eu não estava brincando e começou a processar a informação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A Wendy com outra garota? Acho que não. – ele respirou e soltou – Fica entre nós, mas ela tem uma certa ressalva com a Nicole por ela ser bissexual. Ela é preconceituosa nesse ponto, acha que as pessoas que são assim, não são por conta da natureza e sim por uma falha de caráter.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Por safadeza. – eu complementei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Exatamente. Ela acha que todo homossexual é na verdade um devasso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A Wendy não é um S do GLS, então. Para ela as bichas estão proibidas na Terra do Nunca! – eu disse cortando o gelo. O Gordo se animou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que é uma contradição, não é? Existe coisa mais viada do que o Peter Pam?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu acho até a Sininho Viado, nem fale do Peter Pam! – nós dois rimos. Eu fiquei um pouco chocado. Os roqueiros sempre foram bem tolerantes e defensores do pensamento livre. A mulher aceitava muito bem o namorado maconheiro e seus amigos drogados, mas não aceitava o homossexualismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Bem, dizem que quem desdenha quer comprar. Talvez ela esteja se descobrindo agora e ainda não se assumiu. – O Gordo pensou um pouco sobre o assunto. Já estávamos parado na frente de seu prédio e agora conversávamos encostados na grade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;- Talvez, man&lt;/b&gt;. Mas eu não acredito muito nisso. Ainda acho que ela conheceu alguém. Sei lá. Estou muito inseguro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Por que você não joga limpo com ela? Sem brigar ou sem ser raivoso. Se essa for a verdade, com certeza ela vai se abrir. – ele pensou mais um pouco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Acho que eu posso fazer isso... Só não garanto o lance de não ficar com raiva. Se ela estiver me traindo....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que você vai fazer? Tu não pode fazer nada... Se for o caso é até melhor você saber logo para não ficar fazendo papel de babaca. Se não for o caso, você tira esse peso da cabeça e tenta ser mais romântico, mais atencioso para reconquistar a garota de volta. – Lucas ficou processando aquilo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Falar é fácil, Vic. So Easy! Quando estamos de fora, tudo parece muito simples. Mas as coisas são mais complicadas do que parecem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu sei disso, Lucas. Eu sei muito bem disso. Mas o que eu posso fazer? Eu sou seu amigo e tenho que dizer o obvio para você. Assim como você fez comigo com o lance do fantasma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não é um fantasma, Vic! Aquilo foi uma viagem sua!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;- Falar é fácil, Gordo!&lt;/b&gt; – nós rimos e nos despedimos. O Gordo foi ruminar os seus pensamentos quanto a possível traição de sua namorada e eu segui para casa sem saber da pequena crise familiar que minha mãe iria criar no dia seguinte. &lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;i&gt;no próximo capítulo: Sagrada Família&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;a href="http://vicarioca.blogspot.com/"&gt;Leia mais&lt;/a&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2288834542821220975-7092372522716080793?l=vicarioca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="feedflare"&gt;
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