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	<title>Presbíteros</title>
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	<description>Uma ampla biblioteca para formação permanente, com temas de espiritualidade, pastoral, teologia, direito canônico e liturgia, além de roteiros homiléticos e diversos outros materiais, sempre em total sintonia com o Magistério da Igreja.</description>
	<lastBuildDate>Mon, 28 Sep 2026 19:13:42 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Presbíteros</title>
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		<title>Preces – XXVII Domingo do Tempo Comum – Ano A</title>
		<link>https://presbiteros.org.br/preces-xxvii-domingo-do-tempo-comum-ano-a/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Pe. Demétrio Gomes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 28 Sep 2026 19:11:59 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Subsídios Litúrgicos]]></category>
		<category><![CDATA[xxvii domingo do tempo comum ano a 2026]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Sacerdote: Irmãos e irmãs, unidos a Cristo, como as vides ligadas à cepa, que as faz viver, peçamos ao Senhor a graça de dar fruto abundante, dizendo (ou: cantando), com fé e humildade: R. Abençoai, Senhor, o vosso povo. 1. Pelos cristãos da nossa Diocese de N., para que sejam verdadeiros, justos e puros, e [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><strong>Sacerdote:</strong> Irmãos e irmãs, unidos a Cristo, como as vides ligadas à cepa, que as faz viver, peçamos ao Senhor a graça de dar fruto abundante, dizendo (ou: cantando), com fé e humildade:</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>R. Abençoai, Senhor, o vosso povo.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">1. Pelos cristãos da nossa Diocese de N., para que sejam verdadeiros, justos e puros, e ponham em prática o que escutaram na Palavra, oremos ao Senhor.</p>
<p style="text-align: justify;">2. Pelos governantes dos países mais poderosos, para que assegurem a paz entre as nações e edifiquem um mundo novo aberto a Cristo, oremos ao Senhor.</p>
<p style="text-align: justify;">3. Pelo povo de Israel, vinha de Deus, plantada de cepas escolhidas, para que descubra em Jesus o Salvador, oremos ao Senhor.</p>
<p style="text-align: justify;">4. Por nós próprios e pela nossa comunidade (paroquial), para que o Espírito Santo nos ensine a orar, a suplicar e a dar graças, oremos ao Senhor.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Sacerdote:</strong> Senhor, Deus do universo, olhai dos Céus e vede esta vinha que a vossa mão direita plantou e fazei-nos encontrar na Eucaristia a seiva que nos faz produzir frutos de vida eterna. Por Cristo, nosso Senhor.</p>
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		<title>Comentário Exegético – XXVII Domingo do Tempo Comum – Ano A</title>
		<link>https://presbiteros.org.br/comentario-exegetico-xxvii-domingo-do-tempo-comum-ano-a-2/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Pe. Demétrio Gomes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 28 Sep 2026 19:10:55 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Exegese]]></category>
		<category><![CDATA[Subsídios Litúrgicos]]></category>
		<category><![CDATA[xxvii domingo do tempo comum ano a 2026]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>EPÍSTOLA (Fl 4, 6-9) (Pe. Ignácio, dos padres escolápios) SEM ANSIEDADE: Nada vos perturbe, mas em toda oração e petição com ação de graças, vossos pedidos sejam conhecidos por Deus (6). Nihil solliciti sitis sed in omni oratione et obsecratione cum gratiarum actione petitiones vestrae innotescant apud Deum. Paulo escreve da prisão e, não obstante, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<h2>EPÍSTOLA (Fl 4, 6-9)</h2>
<p dir="ltr"><strong>(Pe. Ignácio, dos padres escolápios)</strong></p>
<p dir="ltr"><strong>SEM ANSIEDADE:</strong> Nada vos perturbe, mas em toda oração e petição com ação de graças, vossos pedidos sejam conhecidos por Deus (6). Nihil solliciti sitis sed in omni oratione et obsecratione cum gratiarum actione petitiones vestrae innotescant apud Deum. Paulo escreve da prisão e, não obstante, a recomendação de alegria é própria desta carta. Por isso, termina a primeira parte pedindo: resta, irmãos meus, que vos regozijeis no Senhor (3, 1). A alegria cristã nasce de fontes mais profundas que as alegrias das categorias humanas. É um elemento, esta alegria, integrante da vida de um cristão, pois está formando parte das petições -fazendo sempre com alegria oração por vós em todas as minhas súplicas- e na iminência da morte Paulo tem uma palavra alegre: folgo e me regozijo com todos vós. São os amados e queridos, que constituem, como ele diz, minha alegria e coroa. Nesta carta, Paulo se preocupa de que todos vivam unidos; e para isso recomenda tanto as virtudes cristãs, com o exemplo da humildade de Cristo, como as virtudes humanas que enumera no versículo 8 deste trecho: verdade, honestidade, justiça, pureza. O cristão deve ser perfeito, de modo que os próprios pagãos estimem  sua conduta como uma consequência de uma filosofia que nada tem a desejar da dos estóicos e cínicos do momento. Nada vos PERTURBE [merimnatelo&lt;3309&gt;=solliciti sitis] é o imperativo do verbo merimnö com o significado de ter ansiedade, estar preocupado, perturbado, como em Mt 6, 25: Por isso vos digo: Não andeis preocupados quanto à vossa vida, pelo que haveis de comer ou pelo que haveis de beber; nem quanto ao vosso corpo, pelo que haveis de vestir. Entre as diversas recomendações, Paulo em primeiro lugar cita a oração, que não deve ser um pedido de bens materiais ou espirituais, mas antes uma ação de graças. ORAÇÃO [proseuchë &lt;4335&gt;=oratio] é a oração de petição como em Mt 17, 21:  esta casta de demônios não se expulsa senão pela oração e pelo jejum. PETIÇÃO [deësis&lt;1162&gt;=obsecratio] com o significado de rogo, súplica, solicitação. O exemplo é Lc 1, 13: Mas o anjo lhe disse: Zacarias, não temas, porque a tua oração foi ouvida. Em grego, temos a simples oração [proseuchë] como ato de devoção e de religiosidade, súplica [deësis] como expressão de uma necessidade pessoal, que pode ser dirigida até a um homem; e finalmente, intercessão [enteuxis] que indica uma conversação filial do homem com Deus, como um filho com seu pai. Sai duas vezes em 1Tm 2.1.: Admoesto-te, pois, antes de tudo, que se façam deprecações [deëseis= obsecrationes], orações [proseuchas=orationes, intercessões [enteuxeis = postulatones], e ações de  graças, por todos os homens. Na outra vez que enteuxis sai é em 1Tm 4,5 em que enteuxis está unida a palavra [logos] de Deus: Porque pela palavra de Deus e pela oração [enteusis] é santificada. PEDIDOS [aitëmata&lt;156&gt;=petitiones] em grego, uma demanda, uma solicitação, um pedido formal como em Lc 23, 24: Pilatos julgou que devia fazer o que eles demandavam.</p>
<p dir="ltr">A PAZ: E a paz de Deus a que supera todo entendimento, guardará vossos corações e vossas mentes em Cristo Jesus (7). Et pax Dei quae exsuperat omnem sensum custodiat corda vestra et intellegentias vestras in Christo Iesu. A PAZ [eirënë&lt;1515&gt;=pax] de Deus é diferente da paz humana. É a bênção divina que traz descanso, esperança de salvação e felicidade a quem se encontra nos braços de Deus como filho amado. Tudo provém de que Cristo é o príncipe da paz e com ela se identifica, pois justificados pela fé, estamos em paz com Deus por nosso Senhor Jesus Cristo (Rm 5, 1). GUARDARÁ [frourësei &lt;5432&gt; =custodiat] futuro de froreuö de significado proteger, guardar, conservar, reservar, manter, sustentar e, finalmente, preservar. Paulo usa este verbo em Gl 3, 23: Mas, antes que a fé viesse, estávamos guardados debaixo da lei, e encerrados para aquela fé que se havia de manifestar. O CORAÇÃO, [kardia&lt;2588&gt;=cordum] segundo o pensar da época era o centro da vida espiritual, fonte dos pensamentos, paixões, desejos, apetites, afetos, propósitos e empenhos. É o Leb do AT. A MENTE [noëma &lt;3540&gt;=intelligentia] a inteligência ou o pensamento. Paulo usa o termo em 2 Cor 3, 14 falando dos judeus:  Eles tinham o entendimento fechado. Ainda hoje, quando leem os livros da antiga aliança, esse mesmo véu continua por levantar, pois só com Cristo é que ele desaparece. Diante desta última frase, entendemos que Paulo ensina como pela oração podemos descobrir o verdadeiro sentido da presença de Cristo em nossas vidas.</p>
<p dir="ltr">VALORES DESEJÁVEIS: Do resto, irmãos, quantas são verdade, quantas honestas, quantas justas, quantas puras, quantas agradáveis, quantas dignas de encômio, se algo virtuoso, se algo digno de louvor, essas coisas pensai (8). De cetero fratres quaecumque sunt vera quaecumque pudica quaecumque iusta quaecumque sancta quaecumque amabilia quaecumque bonae famae si qua virtus si qua laus haec cogitate. Uma vez firme a fé em Cristo Jesus, Paulo dirige sua doutrina aos valores humanos que devem adornar todo cristão, que por ser tal,  não deixa de ser homem e viver entre os homens e como tal, dele se espera uma conduta irrepreensível. O que é VERDADEIRO [alethë&lt;227&gt;=vera] embora o grego use o plural neutro que o latim respeita, nas línguas vernáculas é melhor usar o singular. Assim diremos: tudo o que é verdadeiro. RESPEITÁVEL [semna &lt;4586&gt; =pudica] coisas dignas, honoráveis, dignas de respeito. JUSTO [dikaia&lt;1342&gt;iusta] também em plural, como coisas conformes à lei. SEM IMPUREZA [agna&lt;53&gt;=sancta] ou limpas e puras. AGRADÁVEL [prosfilë&lt;4375&gt;=amabilia] coisas agradáveis ou amáveis, DIGNO DE APLAUSO [eufëma&lt;2163&gt;=bonae famae] dignas de aprovação, de boa fama. Se existe alguma VIRTUDE [aretë&lt;703&gt;=virtus] no sentido bíblico, poder divino; no sentido humano, conduta excelente que chamamos hoje de virtude. Se alguma coisa é LOUVÁVEL [epainos&lt;1868&gt;=laus] plausível, reconhecível como digna de aplauso. PENSAI [logisesthe&lt;3049&gt;=cogitate] imperativo do verbo  logizomai, de significado considerar, avaliar, se propor, intentar, almejar. Paulo, no contato com o mundo, escolhe a verdade e o bem que claramente dominam a conduta da maioria dos homens.</p>
<p dir="ltr">A TRADIÇÃO: As que também aprendestes e recebestes e ouvistes e vistes em mim, essas praticai e o Deus da paz estará convosco (9). Quae et didicistis et accepistis et audistis et vidistis in me haec agite et Deus pacis erit vobiscum. Paulo agora propõe como modelo de vida os seus ensinamentos –aprendestes, recebestes e ouvistes &#8211; e a sua conduta pessoal &#8211; vistes. APRENDESTES [emathete&lt;3129&gt;=didicistis] do verbo manthanö com o significado de aprender. RECEBESTES [parelabete&lt;3880&gt;=accepistis] é o receber da tradição, transmitido oralmente, como indica pelo OUVISTES [ëkousate&lt;194&gt;=audistis] aoristo do verbo akouö, ouvir. Essas palavras indicam a força da tradição que a Igreja Católica sempre tem proposto como acompanhante da escrita bíblica que é interpretada essencialmente por essa tradição como fonte da exegese da Escritura. Finalmente Paulo apresenta sua vida como modelo, escrevendo VISTES [&lt;eidete&gt;=vidistes] EM MIM. Oxalá todo evangelizador pudesse apresentar sua vida como modelo a ser seguido pelos evangelizados! Não é a primeira vez que Paulo se propõe como modelo. Ver Fl 3, 17: Sede também meus imitadores, irmãos, e tende cuidado, segundo o exemplo que tendes em nós, pelos que assim andam A consequência é que se isso é praticado, o Deus da paz estará com eles. DEUS DA PAZ [‘o Theos tës eirënës] é uma frase que Paulo usa como saudação final em suas cartas. Assim em Rm 15, 33 e 16, 20, 2 Cor 13, 11 e 1 Ts 5, 23. Em 1 Cor 14, 33 podemos ver uma explicação desta frase paulina: Porque Deus não é Deus de confusão, senão de paz, como em todas as igrejas dos santos. Paulo estima a união dos fiéis como um fato extremamente importante, como Jesus pedia ao Pai: E eu já não estou mais no mundo, mas eles estão no mundo, e eu vou para Ti. Pai santo guarda em teu nome aqueles que me deste, para que sejam um, assim como nós (Jo 17, 11). Seguindo, pois, os ensinamentos de Paulo e imitando sua conduta, haverá entre os filipenses união e paz, que Paulo deseja de todo o coração.</p>
<h2>EVANGELHO  (Mc 12, 1-12; Lc 20, 9-19)</h2>
<h3>OS ARRENDATÁRIOS INDIGNOS</h3>
<p dir="ltr"><strong>(Pe. Ignácio, dos padres escolápios)</strong></p>
<p dir="ltr">INTRODUÇÃO: É a terceira parábola de Jesus dirigida contra os representantes da autoridade em Israel (Mt 20, 1-16 [dos trabalhadores da vinha]; 21, 28-32 [dos dois filhos] e 21, 33-43 [esta de hoje]). Na parábola de hoje, com alguns momentos de alegoria, podemos distinguir a razão pela qual foi retirado o Reino aos judeus. Encontramos nela, Jesus como a pedra angular do novo edifício, que será o próximo Reino.  Também o particular conceito eclesiológico de Mateus, refletido no versículo 43: o Reino deve dar frutos como a vinha da parábola; do contrário, os dirigentes do mesmo serão reprovados. Daí o traspasso do Reino de Deus como nação escolhida, a um novo povo que, no caso, serão os gentios. A Nova Igreja não terá como fundador Moisés, mas Jesus, que é constituído pedra angular como remate do edifício. A parábola tem rasgos alegóricos e conecta com o canto da vinha da primeira leitura. Esta parábola dos vinhateiros homicidas constitui um compêndio da história da salvação desde a Aliança do Sinai até a pessoa de Cristo, o Filho assassinado pelos arrendatários homicidas fora da cidade. E a vinha que representava o antigo Israel, agora significa o novo Israel, a igreja como Reino de Deus.</p>
<p dir="ltr">OUTRA PARÁBOLA: Escutai outra parábola. Certo homem era dono da casa, que plantou uma vinha e a rodeou com uma cerca e cavou nela um lagar e edificou uma torre e a arrendou a agricultores e ausentou-se (33). aliam parabolam audite homo erat pater familias qui plantavit vineam et sepem circumdedit ei et fodit in ea torcular et aedificavit turrem et locavit eam agricolis et peregre profectus est. OIKODESPOTËS Mateus fala de um homem que era OIKODESPOTËS, ou seja, dono da casa ou como traduz o latim pater famílias; a bíblia de Jerusalém traduz por proprietário. Marcos e Lucas, em lugares paralelos só falam de um certo homem. Nas vezes que esta palavra aparece sempre é para se referir a um chefe de família que tem bens e pode usar os serviços de servos ou empregados. Um verdadeiro proprietário duma casa e de bens que exigem o serviço de empregados. A VINHA: A palavra AMPELON é traduzida por vinha, mas hoje dificilmente entendemos o verdadeiro significado da palavra. Como vemos nos relatos de Marcos e Mateus, o trabalho não se reduzia a plantar, mas também era o de construir uma cerca ou muro, o lagar e a torre de vigilância. Parece que isto não era infrequente na época, pois a vinha era com os olivais, a base da economia de mercado na época. Em Isaías (5, 10), falando da infertilidade da terra por castigo divino, temos: dez jeiras [espaço de terra que uma junta de bois pode arar num dia] da vinha produzirão 45 litros de vinho [uma metreta]. E um coro [450 litros] de sementes só dá um efá [45]. As vinhas eram mais produtivas que os campos de cereais de trigo e cevada. A vinha era símbolo do povo de Israel, cuidado com esmero por Jahweh como vemos no salmo 80, 9: Arrancaste uma vinha do Egito e para transplantá-la expulsaste as nações. Isaías 3, 14, fala dos dirigentes de Israel como sendo não guardadores, mas devastadores da vinha: Vós sois os que consumistes esta vinha; o que roubastes do pobre está em vossa casa. Mas muito mais que essas anteriores citações é importante o início do capítulo V de Isaías, que diz: Vou cantar a meu amado o cântico do meu amigo para a sua vinha. O meu amado tinha uma vinha em uma encosta fértil. Ele cavou-a, removeu  a pedra e plantou nela uma vinha de uvas vermelhas. No meio delas construiu uma torre e cavou um lagar. Com isso, esperava que ela produzisse uvas boas, mas só produziu uvas azedas. Agora, ó moradores de Jerusalém e homens de Judá, servi de juízes entre mim e minha vinha. Que me restava ainda fazer à minha vinha que eu não tenha feito? Por que quando eu esperava que ela desse uvas boas, deu apenas uvas azedas? Agora vos farei saber o que vou fazer de minha vinha! Arrancarei a sua cerca para que sirva de pasto. Derrubarei o seu muro para que seja pisada; reduzi-la-ei a um matagal: ela não será mais podada, nem cavada: espinheiros e ervas daninha crescerão no meio dela. Quanto às nuvens, ordenar-lhes-ei que não derramem a sua chuva sobre ela. Pois bem, a vinha de Jahweh dos Exércitos é a casa de Israel, e os homens de Judá são a sua plantação preciosa. Deles esperava o direito, mas o que produziram foi a transgressão; esperava a justiça, mas o que apareceu foram gritos de desespero. (5,1-7).</p>
<p dir="ltr">O FRUTO: Quando, pois, se aproximou o tempo dos frutos enviou seus escravos aos agricultores para receberem seus frutos (34). Cum autem tempus fructuum adpropinquasset misit servos suos ad agricolas ut acciperent fructus eius. Na vida real, o fruto era recolhido pelo proprietário em dinheiro, após a vindima. Temos o relato de um dono que enviou seu servo para recolher mil denários de uma vinha. A vinha tem como base as vides ou videiras, que são plantas lenhosas e, portanto, muito perduráveis de até 100 anos. Uma nova videira precisa de 3 a 4 anos para dar frutos. Por isso, segundo a lei (Lv 19, 23-25), os frutos dos três primeiros anos serão considerados como frutos de um incircunciso e os frutos do quarto ano serão entregues como primícias, como sagrados, numa festa de louvor a Jahweh. No inverno ela deve ser adubada e também no início da floração deve ser podada tirando sarmentos velhos para não carregar o tronco ou cepa com incrementos que produziriam galhos menos produtivos. Entre os brotos de primavera estão as gemas e filamentos que são apreciados pelo gado caprino e até pelos humanos,  como comida esquisita. Os sarmentos são úteis, do ponto de vista de lenha, para um fogo sem fumo e com bastante intensidade calórica. Regiões existem onde esta maneira de fazer churrascos ou assar pimentões é tradicional em terras em que as vinhas constituem cultivos normais.  As traduções vernáculas falam de servos [do latim servi], mas o grego douloi deve ser traduzido por escravos, como faz a literal de Green. A espanhola fala de criados. Mas, no tempo de Jesus, os criados das casas ricas eram escravos. Sendo os enviados escravos compreende-se melhor, embora seja injusta, a conduta dos arrendatários.</p>
<p dir="ltr">OS ENVIOS: E os agricultores tendo tomado os escravos dele, a um espancaram e a outro mataram e a outro apedrejaram (35). Et agricolae adprehensis servis eius alium ceciderunt alium occiderunt alium vero lapidaverunt.  PRIMEIRO ENVIO: Chegada a hora da colheita, enviou seus escravos [doulos] para receberem os frutos que lhe correspondiam. Os lavradores, agarrando os servos, espancaram um, mataram outro e o terceiro apedrejaram (Mt 34-35).  Porém, tanto Marcos (3) como Lucas (10) reduzem o número a um só servo, que foi espancado e despachado vazio. É este um lugar em que Mateus, nem sempre estritamente histórico especialmente nas parábolas, enriquece os ditos de Jesus para transformar a parábola numa alegoria mais em conformidade com os fatos históricos do passado? Como explicarmos essas diferenças que não são essenciais e não mudam a parábola quod ad sensum? Não existe inconveniente num relato em que a ideia central é mantida e até reforçada para melhor entendimento dos leitores. Mas estas diferenças devem ter uma correspondente razão nos escritos dos outros evangelistas. E encontrar a razão dessas diferenças é evidentemente exegese verdadeira. Mas dizer sem motivo que uma narração é trabalho do evangelista e não pertence aos fatos ou ditos de Jesus só porque não concorda com nosso modo ideológico de pensar, isso não é método histórico nem rigor exegético.</p>
<p dir="ltr">SEGUNDO ENVIO: De novo, enviou outros escravos em maior número dos primeiros, e lhes fizeram de modo semelhante (36). Iterum misit alios servos plures prioribus et fecerunt illis similiter. Outros escravos, em maior número, foram tratados do mesmo modo (Mt 36). De novo (Mc), ou em vista disso (Lc) enviou-lhes outro escravo ao qual esbordoaram na cabeça, e insultaram (Mc 4), ou segundo Lucas (11), o espancaram e insultando-o o enviaram vazio.</p>
<p dir="ltr">TERCEIRO ENVIO: Mais tarde, enviou-lhes o seu filho, dizendo: respeitarão meu filho (37). Porém os agricultores, tendo visto o filho, disseram entre eles: este é o herdeiro. Vamos, matemo-lo e possuiremos a herdade dele (38). E, tendo o agarrado, jogaram fora da vinha e o mataram (39). Novissime autem misit ad eos filium suum dicens verebuntur filium meum. Agricolae autem videntes filium dixerunt intra se hic est heres venite occidamus eum et habebimus hereditatem eius, et adprehensum eum eiecerunt extra vineam et occiderunt. Marcos dirá que o terceiro envio foi  depois de outros muitos, e a uns espancaram e a outros mataram (12, 5). Lucas limita o número do terceiro a um só indivíduo (20, 17) e eles, após feri-lo, o arrojaram. Como vemos, não existe uma ordem clara nos envios e nos tratamentos dos servos pelos arrendatários. É o que parece ser produto da redação dos diversos evangelistas que tinham um respeito supremo pelas palavras diretas de Jesus, mas que sabiam que era impossível recordar os detalhes das parábolas que eles ordenavam segundo normas de redação mais conformes às suas maneiras de relatá-las. A moderna edição da bíblia de King James distingue perfeitamente as palavras de Jesus em vermelho, da redação do evangelho em letra negra comum. Se esta interpretação vale para as introduções como egeneto [sucedeu] de Lucas, ou levantou-se e disse de Mateus, podemos sem dúvida ampliar a redação para parágrafos que nada dizem à essência do evangelho. ALEGORIA DOS SERVOS-ESCRAVOS? Já falamos no comentário do domingo XXIV como os administradores eram em geral escravos domésticos. Como a parábola tem elementos alegóricos, fundados precisamente no parágrafo anterior, sabemos que a vinha representa o povo de Israel, que o dono da vinha é Javé-Deus e que os arrendatários eram os dirigentes do povo, especialmente os religiosos. Logo os servos são evidentemente os profetas. De fato, os judeus distinguiam entre antigos profetas como Moisés, Josué, Juízes, Samuel, Davi e os profetas compreendidos no reinado de Davi; e os últimos profetas, a começar por Isaías e terminar com Malaquias. Isso poderia explicar as duas levas de douloi [escravos] da parábola, segundo Mateus. A primeira antes do exílio (586 a.C.) e a segunda, após o mesmo (539 a.C.). De fato, sabemos que muitos dos profetas foram rejeitados e até perseguidos pelos reis, tanto de Israel como de Judá. Elias teve que fugir por sua vida (1 Rs 19, 3), e lemos de Jeremias que provavelmente, após ser jogado numa cisterna, foi levado ao Egito para morrer lá, segundo alguns, de modo discutível (Jr 43,1-7). Temos Miqueias que foi esbofeteado por Sedecias falso profeta (2 Cr 18, 23). Alguns dos profetas foram mortos à espada como vemos em 1Rs 19, 14 ou Dn 111, 33. Finalmente temos Zacarias que foi apedrejado no pátio do templo segundo 2 Cr 24, 21 por ordem do rei Joás. Vemos como a palavra profeta tem um sentido muito mais amplo que o do enviado diretamente por Deus: é o sentido do justo, do santo, diríamos nós. Temos também dois textos de Jesus sobre a sorte dos profetas nas mãos dos antigos dirigentes de Israel: vós que sois filhos dos que mataram os profetas (Mt 23, 31) ou na lamentação de Jesus em Mt 23, 37 sobre Jerusalém que matas os profetas e apedrejas os que te são enviados; por isso, pedirão contas do sangue de todos os profetas &#8230;do sangue de Abel até o sangue de Zacarias que pereceu entre o altar e o santuário (Lc 11, 50-51). E em Hebreus 11, 36-37: escárnios, açoites, prisões, lapidações, serramentos e mortes com a espada. O FILHO (37-39): Após a terceira leva inútil, o dono da vinha apela para a distinção e excelência do filho. Não era um escravo comum, mas o filho único, o herdeiro. Mateus só fala do filho, mas Marcos (6) e Lucas (13) falam do filho amado ou o amado, que logicamente indica o herdeiro. Mesmo que Mateus só fala do filho sabemos, com certeza, que era único porque os agricultores falam de matá-lo para herdar a propriedade. Isto era lógico já que não tendo herdeiros diretos, segundo a lei, os bens pertenciam aos que cultivavam os mesmos, quando faltasse o dono. Foi o caso de Abraão que, ao não ter filhos, disse ao Senhor que um dos servos de minha casa será meu herdeiro (Gn 15, 3). Era o uso capientis. Eles se apoderam do filho herdeiro, o expulsam da vinha como se não fosse sua propriedade, e o matam fora dela. Em Marcos o crime é ainda mais repugnante; pois, morto dentro da vinha, o cadáver é lançado fora aparentemente sem sepultá-lo, o que constituía, segundo os costumes da época, um ato de maldição, porque os cadáveres insepultos se deixavam propositadamente para serem comida de cães e aves de rapina. Assim vemos na maldição de Elias sobre a casa de Acab (1 Rs 21, 24). Por isso, Tobias arrisca sua vida para enterrar os mortos de Israel (2, 7). Além disso, um cadáver tornava impuro o lugar e isso impedia se aproveitar dos frutos da vinha. Tomando esta passagem como alegórica, vemos como Jesus foi morto fora dos muros de Jerusalém, que precisamente era, segundo os profetas, a vinha particularmente amada de Jahveh, como vemos em Isaías 5, 3.</p>
<p dir="ltr">PERGUNTA E RESPOSTA (40-41): Portanto, quando vier o dono da vinha que fará àqueles agricultores? (40). Disseram-lhe: De modo ignominioso os  destruirá e arrendará a vinha a outros agricultores os quais lhe entregarão os frutos nos seus  tempos próprios (41). Cum ergo venerit dominus vineae quid faciet agricolis illis. Aiunt illi malos male perdet et vineam locabit aliis agricolis qui reddant ei fructum temporibus suis. Que vos parece? (21, 28) Está dirigida aos chefes dos sacerdotes e aos anciãos do povo (21, 23). E agora também pergunta aos mesmos que irá fazer o dono com esses vinhateiros? (40). Logicamente a resposta não podia ser outra, dadas as leis do olho por olho do tempo: Destruirá de maneira ignominiosa esses infames e arrendará a vinha a  outros vinhateiros que entregarão os frutos no tempo devido (41). Marcos dirá que o dono virá e destruirá os vinhateiros para dar a vinha a outros. Em Lucas é o próprio Jesus que responde a si mesmo usando as palavras de Marcos (16). Ante esta proposição de Jesus os ouvintes exclamaram: Não seja [assim] (16). Isso indica que eles entenderam muito bem o significado oculto da parábola. Nesta conclusão há duas proposições que podemos considerar como complementares: a destruição dos assassinos e a entrega da vinha a outros arrendatários que sirvam melhor aos propósitos do dono, que são, em definitivo, obter os frutos devidos de sua propriedade.</p>
<p dir="ltr">O COMENTÁRIO DE JESUS (42-43): Diz-lhes Jesus: Nunca leste nas Escrituras: (A) pedra que os construtores rejeitaram, esta se tornou  em cabeça de ângulo; da parte de (o) Senhor foi feita e é admirável aos nossos olhos? (42). Por isso, vos digo que será arrebatado de vós o Reino d(o) Deus e será dado a uma nação que produza os frutos dele. Dicit illis Iesus numquam legistis in scripturis lapidem quem reprobaverunt aedificantes hic factus est in caput anguli a Domino factum est istud et est mirabile in oculis nostris. Ideo dico vobis quia auferetur a vobis regnum Dei et dabitur genti facienti fructus eius. Marcos traz a sentença íntegra que em Lucas é mais breve. Que significa CABEÇA DE ÂNGULO? Os três evangelistas falam com o mesmo termo cabeça de ângulo [Kefalê gonias]. Vejamos os dois textos do AT. Salmo 144, 12: Que nossos filhos sejam na sua mocidade como plantas viçosas e nossas filhas como pedras angulares lavradas como colunas de palácio. E o Salmo 118,22: A pedra que os construtores rejeitaram, essa veio a ser a principal pedra angular. Isto procede do Senhor e é maravilhoso aos nossos olhos. Como vemos até palavra por palavra os dois textos gregos coincidem. Que era a pedra cabeça de ângulo? Provavelmente havia uma pedra para cada um dos quatro ângulos da casa sobre os alicerces da mesma. Daí a principal [uma das quatro]. As quatro eram escolhidas  e lavradas [como colunas Sl 14, 12] para dirigir toda a obra desde o início, como balizas da mesma. Delas, poderiam se tirar as cordas de alinhamento para a construção. Jeremias profetiza uma tal destruição de Jerusalém que dela não se poderiam tirar pedras nem para o ângulo nem para os fundamentos (52, 26). Parece que o resto da casa era de material que podemos chamar tipo argamassa. Por isso as pedras angulares eram especialmente lavradas e escolhidas, pesadas e especialmente desenhadas. Isaías 28, 16 diz: Eis que firmo em Sião uma pedra, uma pedra a toda prova, uma pedra angular preciosa, estabelecida para sua fundação. No NT temos textos sobre esta pedra base. At 4, 11: Ele (Jesus) é a pedra rejeitada por vós, os construtores, mas que se tornou a pedra angular. E 1 Pd 2, 6: Eis que ponho em Sião uma pedra angular [akrogöniaion], eleita e preciosa: quem nela crê não será confundido.  Os judeus sabiam que na construção das sinagogas, casas de pedra, havia diferença em relação a construção das casas comuns de adobes. No entanto, existiam duas pedras importantes: uma era a que ocupava o ângulo da edificação nos fundamentos e era a que servia de base para a construção. A outra era a pedra remate do arco de entrada do edifício. O salmo 118 fala de Israel que como povo foi desprezado, oprimido e quase aniquilado pelos povos e reis pagãos, mas que foi escolhido por Deus como base das promessas messiânicas. Como vemos em Atos e na carta de Pedro a pedra angular é a pedra sobre a qual todo o edifício era planificado. Paulo fala de que o único fundamento é Jesus Cristo (1 Cor 3, 11). Os judeus costumavam chamar seus rabis e doutores de construtores, porque eles estudavam continuamente os fundamentos do mundo que era a lei. Quem é a pedra rejeitada pelos construtores em tempos de Jesus? Evidentemente é ele mesmo. O costume do mestre da construção de revisar as pedras e aceitar, ou rejeitar as mesmas, está na frase de Pedro em At 4, 11 que temos citado acima. Como afirmava Lucas por meio da palavra profética de Simeão seria alvo de contradição (Lc 2, 34). Por isso, o mesmo evangelista registra um parágrafo próprio dele que diz: Quem tropeçar nessa pedra ficará quebrado e sobre quem cair essa pedra será esmagado. Por esta última frase alguns comentaristas falam da pedra angular como sendo a pedra remate superior do arco da entrada. Porém podemos explicar o fato da pedra cair porque aqui estamos dentro de uma linguagem metafórica em que não devemos abranger como realistas todos os requisitos da comparação. A TRANSFERÊNCIA: O reino, que era a grande promessa de Israel, será arrebatado dos dirigentes do povo e será dado a uma nação que produza os frutos esperados. Qual é a nova nação? Evidentemente, pela História, devemos pensar em Roma. E os frutos é a aceitação de Jesus como o novo Senhor. É uma profecia que, em tempos dos escritos evangélicos, ainda não podia ser confirmada. Somente com o Imperador Teodósio (379-394) o cristianismo foi declarado religião do Estado. A separação entre o <a href="about:blank">Cristianismo</a> e o Judaísmo, efetivada teologicamente em <a href="about:blank">325</a> no <a href="about:blank">Primeiro Concílio de Niceia</a>, era agora lei (388) sob os imperadores romanos.</p>
<p dir="ltr">REFLEXÃO: 1) Qual foi a razão última pela qual os dirigentes de Israel não entraram no novo Reino como povo escolhido? Diríamos que a razão imediata era o seu interesse material na religião que a transformava numa fonte de rendas e, portanto, numa visão espúria da espiritualidade religiosa.</p>
<p dir="ltr">2) Em segundo lugar, seu orgulho que não permitia que alguém interpretasse a lei de modo diferente do seu. Segundo sua interpretação, os pobres estavam longe de Deus, considerando a pobreza como uma espécie de rejeição e castigo divinos, como era interpretada  a doença. Quem pecou, este ou os pais para nascer cego? Perguntarão os discípulos (Jo 9,2). Do mesmo modo, a pobreza era considerada como o pior dos castigos divinos e a riqueza como o melhor dos benefícios. Nós vemos no evangelho uma clara alusão  a esta cosmovisão, quando, após Jesus declarar que um rico dificilmente entrará no Reino dos céus, a pergunta dos discípulos será de um desânimo total: Então quem poderá se salvar? (Mt 19,25). A doutrina de Jesus devia escandalizar os legistas e peritos da lei, quando em suas bemaventuranças declara o Reino como herança dos pobres.</p>
<p dir="ltr">3) Com respeito à razão última, é Paulo quem o explica na sua epístola aos romanos: Tanto judeus como gentios se tornaram pecadores. Na frase de Paulo estão sob o império do pecado (9,13). Mas Deus, gratuitamente pela fé em Cristo, salva o homem; porque se a lei veio para que proliferasse a falta, porém onde proliferou o pecado superabundou a graça (5,21). E logicamente a graça foi maior ao admitir os pagãos ao Reino.</p>
<p dir="ltr">4) Podemos perguntar: e nós? Qual é a razão para que o Reino não seja o valor principal – o tesouro, a pérola – em nossas vidas? Cada um de nós poderá dar uma resposta particular, mas existe uma geral e comum nos tempos modernos: o estado de bem-estar, confundido com a felicidade final, que nos transforma em verdadeiros ricos, num mundo de quase absoluta pobreza espiritual. E no lugar das bemaventuranças, dirigidas aos pobres, aos que sofrem, aos que choram, aos que são perseguidos, encontramos as censuras de Jesus que atingem os ricos, os fartos, os que aparentemente são felizes.</p>
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		<title>Roteiro Homilético – XXVII Domingo do Tempo Comum – Ano A</title>
		<link>https://presbiteros.org.br/roteiro-homiletico-xxvii-domingo-do-tempo-comum-ano-a-2/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Pe. Demétrio Gomes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 28 Sep 2026 19:09:01 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Roteiros Homiléticos]]></category>
		<category><![CDATA[Subsídios Litúrgicos]]></category>
		<category><![CDATA[xxvii domingo do tempo comum ano a 2026]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>RITOS INICIAIS Est 13, 9.10-11 ANTÍFONA DE ENTRADA: Senhor, Deus omnipotente, tudo está sujeito ao vosso poder e ninguém pode resistir à vossa vontade. Vós criastes o céu e a terra e todas as maravilhas que estão sob o firmamento. Vós sois o Senhor do universo. Introdução ao espírito da Celebração Deus Pai misericordioso criou o [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2>RITOS INICIAIS</h2>
<p><em>Est 13, 9.10-11</em></p>
<p>ANTÍFONA DE ENTRADA: Senhor, Deus omnipotente, tudo está sujeito ao vosso poder e ninguém pode resistir à vossa vontade. Vós criastes o céu e a terra e todas as maravilhas que estão sob o firmamento. Vós sois o Senhor do universo.</p>
<h3>Introdução ao espírito da Celebração</h3>
<p>Deus Pai misericordioso criou o céu e a terra e cumulou de bens todos os homens; tendo estes pecado, Deus enviou, na plenitude dos tempos, o seu Filho Unigénito, Jesus Cristo Nosso senhor, nascido da Virgem Maria, para os libertar do pecado e da morte; e para que a salvação chegasse a todos os homens, de todos os tempos, Jesus fundou a sua Igreja sobre os 12 Apóstolos, que enviou a todos os confins da terra a anunciar e a comunicar essa salvação, através da Palavra e dos Sacramentos. Esta Igreja é a nova Vinha do Senhor; Jesus é a Cepa e nós somos os ramos. Deus espera de nós muitos frutos.</p>
<p>Ouçamos neste Domingo, com atenção, o cântico de amor à Vinha do Senhor que o Profeta Isaías entoa na primeira leitura e a Parábola da Vinha que Jesus nos apresenta no Evangelho.</p>
<p>ORAÇÃO COLECTA: Deus eterno e omnipotente, que, no vosso amor infinito, cumulais de bens os que Vos imploram muito além dos seus méritos e desejos, pela vossa misericórdia, libertai a nossa consciência de toda a inquietação e dai-nos o que nem sequer ousamos pedir. Por Nosso Senhor&#8230;</p>
<h2>LITURGIA DA PALAVRA</h2>
<h3>Primeira Leitura</h3>
<p><strong>Monição</strong><strong>:</strong> A vinha do Senhor do Universo é a Casa de Israel. Ouçamos o belo cântico do Profeta Isaías à vinha do Senhor.</p>
<p><em><strong>Isaías</strong> 5, 1-7</em></p>
<p><em><strong><sup>1</sup>Vou cantar, em nome do meu amigo, um cântico de amor à sua vinha. O meu amigo possuía uma vinha numa fértil colina. <sup>2</sup>Lavrou-a e limpou-a das pedras, plantou-a de cepas escolhidas. No meio dela ergueu uma torre e escavou um lagar. Esperava que viesse a dar uvas, mas ela só produziu agraços. <sup>3</sup>E agora, habitantes de Jerusalém, e vós, homens de Judá, sede juízes entre mim e a minha vinha: <sup>4</sup>Que mais podia fazer à minha vinha que não tivesse feito? E quando eu esperava que viesse a dar uvas, apenas produziu agraços. <sup>5</sup>Agora vos direi o que vou fazer à minha vinha: vou tirar-lhe a vedação e será devastada; vou demolir-lhe o muro e será espezinhada.<sup>6</sup>Farei dela um terreno deserto: não voltará a ser podada nem cavada, e nela crescerão silvas e espinheiros; e hei-de mandar às nuvens que sobre ela não deixem cair chuva. <sup>7</sup>A vinha do Senhor do Universo é a casa de Israel e os homens de Judá são a plantação escolhida. Ele esperava rectidão e só há sangue derramado; esperava justiça e só há gritos de horror.</strong></em></p>
<p>O «<em>cântico da vinha»,</em> uma das mais belas passagens de toda a Sagrada Escritura, foi escolhido para hoje em função do Evangelho da parábola dos vinhateiros homicidas. É frequente, na Sagrada Escritura, o uso da imagem da vinha para designar o povo de Deus: <em>Jer</em> 2, 21; <em>Ez</em> 15, 1-8; 17, 3-10; 19, 10-14; <em>Jl</em> 1, 7; <em>Sl</em> 79 (80), 9-17. Este texto põe em contraste a amorosíssima solicitude de Yahwéh para com o seu povo e a ingrata correspondência deste, o que lhe acarretará tremendas consequências: o amor de Deus, assim como o amor dos pais, não pode ser impunemente desprezado, pois é um amor criador de tudo o que somos e temos. Nos vv. 1-4, o profeta expõe a parábola, sob a forma de um amoroso idílio; nos vv. 5-6 é introduzido Deus a vituperar a negra ingratidão do seu povo, que não corresponde, ao não dar mais que uvas amargas; no v. 7 o Profeta explica a parábola.</p>
<p><strong>2</strong> A<em> «torre» </em>e o<em> «lagar» </em>não tem nenhum simbolismo especial. A torre servia para um guarda defender a vinha dos ladrões, chacais e raposas. O lagar era <em>escavado</em> no chão, nalgum sítio rochoso da zona da vinha.</p>
<h3>Salmo Responsorial</h3>
<p><em>Sl 79 (80), 9.12.13-14.15-16.19-20 (R. Is 5, 7a)</em></p>
<p><strong>Monição:</strong> O Salmo Responsorial que vamos meditar é uma súplica ao Senhor para que visite de novo a sua vinha e a proteja, para que dê frutos abundantes de salvação.</p>
<p><strong>Refrão:</strong> <em> A VINHA DO SENHOR É A CASA DE ISRAEL.</em></p>
<p><em><strong>Arrancastes uma videira do Egipto,</strong></em></p>
<p><em><strong>expulsastes as nações para a transplantar.</strong></em></p>
<p><em><strong>Estendia até ao mar as suas vergônteas</strong></em></p>
<p><em><strong>e até ao rio os seus rebentos.</strong></em></p>
<p><em><strong>Porque lhe destruístes a vedação,</strong></em></p>
<p><em><strong>de modo que a vindime</strong></em></p>
<p><em><strong>quem quer que passe pelo caminho?</strong></em></p>
<p><em><strong>Devastou-a o javali da selva</strong></em></p>
<p><em><strong>e serviu de pasto aos animais do campo.</strong></em></p>
<p><em><strong>Deus dos Exércitos, vinde de novo,</strong></em></p>
<p><em><strong>olhai dos céus e vede, visitai esta vinha.</strong></em></p>
<p><em><strong>Protegei a cepa que a vossa mão direita plantou,</strong></em></p>
<p><em><strong>o rebento que fortalecestes para Vós.</strong></em></p>
<p><em><strong>Não mais nos apartaremos de Vós:</strong></em></p>
<p><em><strong>fazei-nos viver e invocaremos o vosso nome.</strong></em></p>
<p><em><strong>Senhor Deus dos Exércitos, fazei-nos voltar,</strong></em></p>
<p><em><strong>iluminai o vosso rosto e seremos salvos.</strong></em></p>
<h3>Segunda Leitura</h3>
<p><strong>Monição: </strong>S. Paulo lembra-nos que a prática da vida cristã, através da oração e do exercício das virtudes, é a condição indispensável para darmos frutos de paz e serenidade, sem qualquer inquietação.</p>
<p><em><strong>Filipenses</strong> 4, 6-9</em></p>
<p><em><strong>Irmãos: <sup>6</sup>Não vos inquieteis com coisa alguma. Mas, em todas as circunstâncias, apresentai os vossos pedidos diante de Deus, com orações, súplicas e acções de graças. <sup>7</sup>E a paz de Deus, que está acima de toda a inteligência, guardará os vossos corações e os vossos pensamentos em Cristo Jesus. <sup>8</sup>Quanto ao resto, irmãos, tudo o que é verdadeiro e nobre, tudo o que é justo e puro, tudo o que é amável e de boa reputação, tudo o que é virtude e digno de louvor é o que deveis ter no pensamento. <sup>9</sup>O que aprendestes, recebestes e vistes em mim é o que deveis praticar. E o Deus da paz estará convosco.</strong></em></p>
<p>No capítulo 4 «a carta atinge o ponto culminante do desenvolvimento do pensamento» (H. Schlier). «<em>Em todas as circunstâncias…, orações com súplicas e acções de graças»</em> (v. 6). A oração não é apenas para alguns momentos particulares da vida, ou do dia; a oração deve ser constante (cf. 1 <em>Tes</em> 1, 2; 5, 17; <em>Lc</em> 18, 1); e não se trata de uma vaga união a Deus, mas de uma oração concreta com súplicas e acções de graças. Para quem vive em união com Deus, não há lugar para andar aflito<em>.</em> Pouco antes, no v. 4, após um insistente apelo à alegria (4, 4; 2, 18; 3, 1) – uma «alegria no Senhor», que é algo de fundamental na vida cristã –, S. Paulo adverte: «<em>não vos inquieteis com coisa alguma»</em> (v. 6); e, como consequência natural, «<em>a paz de Deus»</em> vos guardará, o que dito como uma bênção (v. 7). Esta «<em>paz de Deus, que está acima de toda a inteligência»</em> é «incompreensível: quem a recebe não a explica com reflexões racionais… Não há paz sem batalha, interna e externa; mas na batalha interna, por exemplo, na renúncia, na necessidade mais tremenda, na solidão, na dor, vem sobre nós a paz de Deus, a paz mandada por Deus, a paz que é o próprio Deus, como amor e bondade que Ele é» (H. Schlier).</p>
<p><strong>8-9</strong><em> «Tudo o que é virtude…»</em> Temos aqui a <em>canonização</em> das virtudes morais naturais, ou humanas. O cristianismo assume e eleva à ordem sobrenatural os valores humanos. O Concílio encarece estas virtudes aos presbíteros, citando esta passagem (PO 3). S. Paulo usa aqui – a única vez – o mesmo vocábulo da filosofia ética grega:<em> «aretê».</em> E O Apóstolo não receia apresentar-se como modelo a seguir: «<em>o que aprendestes, recebestes e vistes em mim».</em></p>
<h3>Aclamação ao Evangelho</h3>
<p><em>Jo 15, 16</em></p>
<p><strong>Monição</strong>: «Eu vos escolhi do mundo para que vades e deis fruto e o vosso fruto permaneça», diz o Senhor</p>
<h3>ALELUIA</h3>
<p><em>Eu vos escolhi do mundo, para que vades e deis fruto e o vosso fruto permaneça, diz o Senhor.</em></p>
<h2>Evangelho</h2>
<p><em><strong>São Mateus</strong> 21, 33-43</em></p>
<p><em><strong>Naquele tempo, disse Jesus aos príncipes dos sacerdotes e aos anciãos do povo: <sup>33</sup>«Ouvi outra parábola: Havia um proprietário que plantou uma vinha, cercou-a com uma sebe, cavou nela um lagar e levantou uma torre; depois, arrendou-a a uns vinhateiros e partiu para longe. <sup>34</sup>Quando chegou a época das colheitas, mandou os seus servos aos vinhateiros para receber os frutos. <sup>35</sup>Os vinhateiros, porém, lançando mão dos servos, espancaram um, mataram outro, e a outro apedrejaram-no. <sup>36</sup>Tornou ele a mandar outros servos, em maior número que os primeiros. E eles trataram-nos do mesmo modo. <sup>37</sup>Por fim, mandou-lhes o seu próprio filho, dizendo: ‘Respeitarão o meu filho’. <sup>38</sup>Mas os vinhateiros, ao verem o filho, disseram entre si: ‘Este é o herdeiro; matemo-lo e ficaremos com a sua herança’. <sup>39</sup>E, agarrando-o, lançaram-no fora da vinha e mataram-no. <sup>40</sup>Quando vier o dono da vinha, que fará àqueles vinhateiros?» <sup>41</sup>Eles responderam: «Mandará matar sem piedade esses malvados, e arrendará a vinha a outros vinhateiros, que lhe entreguem os frutos a seu tempo». <sup>42</sup>Disse-lhes Jesus: «Nunca lestes na Escritura: ‘A pedra que os construtores rejeitaram tornou-se a pedra angular; tudo isto veio do Senhor e é admirável aos nossos olhos’? <sup>43</sup>Por isso vos digo: Ser-vos-á tirado o reino de Deus e dado a um povo que produza os seus frutos. Quem cair sobre esta pedra ficará despedaçado e aquele sobre quem ela cair será esmagado».</strong></em></p>
<p>A parábola de hoje está na sequência da lida há oito dias, a dos dois filhos. O «<em>proprietário»</em> é Deus; a «<em>vinha» </em>é o povo de Israel; «<em>uns agricultores» </em>representam os chefes e orientadores do povo: «<em>príncipes dos sacerdotes a anciãos do povo».</em> «<em>Os criados» </em>são os profetas; estes foram, em geral, mal recebidos e maltratados pelos responsáveis do povo (cf. <em>Mt</em> 23, 37; <em>Act</em> 7, 42; <em>Heb</em> 11, 36-38). «<em>Por fim, mandou-lhes o próprio filho». </em>Fica aqui patente a natureza divina de Jesus, que não é mais um enviado de Deus, entre outros, mas é «<em>o seu próprio Filho».</em></p>
<p><strong>39 </strong><em>«Lançaram-no fora da vinha e mataram-no»:</em> uma alusão à crucifixão de Jesus, que se veio a fazer fora dos muros de Jerusalém.</p>
<p><strong>41</strong><em> «Arrendará a vinha a outros vinhateiros»:</em> assim, a Igreja é designada como o novo «Israel de Deus» (cf. <em>Gal</em> 6, 16).</p>
<p><strong>Sugestões para a homilia</strong></p>
<p><strong>1. A Antiga Vinha de Deus- o Povo de Israel.</strong></p>
<p><strong>2. A Nova Vinha de Deus- a Igreja Católica</strong></p>
<p><strong>3. A obrigação de dar frutos de boas obras</strong></p>
<p>1. A Antiga Vinha de Deus- o Povo de Israel</p>
<p>Deus escolheu o Povo de Israel como sua vinha predilecta, libertou-o da escravidão do Egipto, conduziu-o à terra prometida, cuidou dele com o mesmo carinho com que o vinhateiro cuida a sua vinha, defendeu-o dos inimigos que o cercavam…Que mais poderia ter feito por este povo, para que desse frutos abundantes e saborosos de boas obras: de fidelidade à Aliança, de cumprimento fiel dos Mandamentos, de amor misericordioso?&#8230;Porém, muitas vezes não foi assim. Israel deu frutos amargos, uvas más, obras perversas. Em lugar de frutos de justiça e de fidelidade, Israel abandonou o Senhor, desprezou o seu Deus, virou-se para os deuses dos povos pagãos que o rodeavam, caindo na idolatria. Revoltaram-se contra o dono da vinha, perseguiram e mataram muitos profetas e acabaram por matar o próprio Filho Unigénito, crucificando-O no Calvário.</p>
<p>A vinha do Senhor, por Israel ter abandonado o seu Deus, veio a ser vítima do seu próprio desregramento, até à queda de Jerusalém, à destruição do seu Templo e `dispersão dos judeus por todas as nações.</p>
<p>2. A Nova Vinha de Deus – a Igreja Católica</p>
<p>Porém, as promessas de Deus permanecem. O projecto salvífico do Senhor não mudou. A vinha do Senhor não acabou: foi dada a um outro povo que produza os seus frutos, ao novo Israel de Deus, à Igreja de Jesus Cristo. Esta eleição tem como ponto de partida um acto de pura benevolência da parte de Deus, sem qualquer mérito da nossa parte. A nova Vinha, a Igreja, o povo cristão é o Corpo de Jesus Cristo. E porque Cristo é fiel, a Igreja também o será e dará fruto e fruto abundante. Ao longo dos séculos, o Povo de Deus tem trazido todas as nações aos pés de Jesus Cristo.</p>
<p>Porém, cada um de nós, como membros que somos desta Igreja Santa, como ramos desta Cepa que Jesus plantou, pode falhar e ser estéril e, o que é pior, pode ser infiel à sua vocação, ser cortado e ser lançado ao fogo. As próprias comunidades menores podem também desaparecer, se os seus membros não derem os frutos que Deus espera delas. Foi o drama das igreja da Ásia Menor de que fala o Apocalipse, de algumas comunidades cristãs do norte de África tão florescentes nos primeiros séculos do cristianismo, é o drama de países inteiros que caíram na indiferença religiosa e até na incredulidade depois de muitos anos de fidelidade e de boas colheitas.</p>
<p>3. Obrigação de dar frutos de boas obras.</p>
<p>Deus espera de nós frutos saborosos de boas obras. Mas só os daremos na medida da nossa união a Cristo: «Eu sou a Cepa, vós as varas. Aquele que permanece em Mim e em quem Eu permaneço é que dá muito fruto, porque, sem Mim, nada podeis fazer» (<em>Jo</em> 15,5). Esta vida íntima de união com Cristo na Igreja é alimentada pelos auxílios espirituais comuns a todos os fiéis, de modo especial, pela participação activa na sagrada Liturgia e pela oração contínua.</p>
<p>Os lares cristãos estão a dar os frutos de filhos que Deus espera deles? Os esposos cristãos estão a dar frutos de fidelidade que os faça cada vez mais felizes? As comunidades cristãs estão a dar os frutos apostólicos que o mundo necessita? Os cristãos estão a dar frutos de entrega aos seus irmãos pobres e necessitados? Existem os frutos de generosidade e entrega neste mundo tão necessitado de mais vocações?</p>
<p><strong>Fala o Santo Padre</strong></p>
<p>«Deus espera-nos. Ele quer ser amado por nós.»</p>
<p>A leitura tirada do profeta Isaías e o Evangelho deste dia expõem diante dos nossos olhos uma das grandes imagens da Sagrada Escritura: a figura da videira. Na Sagrada Escritura, o pão representa tudo aquilo de que o homem tem necessidade para a sua vida quotidiana. A água dá fertilidade à terra: é o dom fundamental, que torna possível a vida. O vinho, por sua vez, exprime a excelência da criação, dá-nos a festa em que ultrapassamos os limites da quotidianidade: o vinho «alegra o coração», diz o Salmo. Assim o vinho, e com ele a videira, tornaram-se imagem também do dom do amor, em que podemos fazer alguma experiência do sabor do Divino. E assim a leitura do profeta, que acabámos de ouvir, começa como cântico de amor: Deus criou uma vinha para si esta é uma imagem da história de amor pela humanidade, do seu amor por Israel, que Ele escolheu para si. Portanto, o primeiro pensamento das leituras hodiernas é este: no homem, criado à sua imagem, Deus infundiu a capacidade de amar e, por conseguinte, a capacidade de amar também Ele mesmo, o seu Criador. Com o cântico de amor do profeta Isaías, Deus deseja falar ao coração do seu povo e também a cada um de nós. «Criei-te à minha imagem e semelhança», diz-nos. «Eu mesmo sou o amor, e tu és a minha imagem, na medida em que em ti brilha o esplendor do amor, na medida em que me respondes com amor». Deus espera-nos. Ele quer ser amado por nós: um apelo semelhante não deveria, talvez, tocar o nosso coração? Precisamente nesta hora em que celebramos a Eucaristia, […] Ele vem ao nosso encontro, vem ao meu encontro. Encontrará Ele uma resposta? Ou acontece connosco como aconteceu com a vinha, da qual Deus diz em Isaías: «Ele esperou que produzisse uva, mas ela produziu uva azeda»? A nossa vida cristã não é, porventura, muitas vezes mais vinagre do que vinho? Autocomiseração, conflito e indiferença?</p>
<p>Com isto chegámos, automaticamente, ao segundo pensamento fundamental das leituras hodiernas.</p>
<p>Elas falam em primeiro lugar da bondade da criação de Deus e da grandeza da eleição com que Ele nos procura e nos ama. Mas depois falam também da história que aconteceu sucessivamente do fracasso do homem. Deus tinha plantado videiras excelentes e, todavia, amadureceu a uva azeda.</p>
<p>Perguntamo-nos: em que consiste esta uva azeda? A uva boa que Deus esperava diz o profeta consistiria na justiça e na rectidão. A uva azeda é, ao contrário, a violência, o derramamento de sangue e a opressão, que fazem as pessoas gemer sob o jugo da injustiça. No Evangelho, a imagem muda: a videira produz uva boa, mas os arrendatários conservam-na para si mesmos. Não estão dispostos a entregá-la ao proprietário. Espancam e matam os seus mensageiros e matam também o seu filho. A sua motivação é simples: querem tornar-se eles mesmos proprietários; apoderam-se daquilo que não lhes pertence. No Antigo Testamento, em primeiro plano há a acusação pela violação da justiça social, pelo desprezo do homem por parte do homem. Porém, no fundo revela-se que, com o desprezo da Torah, do direito doado por Deus, é o próprio Deus que é desprezado; deseja-se somente gozar do próprio poder. Este aspecto é salientado plenamente na parábola de Jesus: os arrendatários não querem ter um patrão e estes arrendatários constituem um reflexo também para nós. Nós homens, a quem a criação, por assim dizer, é confiada para ser administrada, usurpamo-la. Queremos ser os seus senhores, pessoalmente e sozinhos. Desejamos possuir o mundo e a nossa própria vida de modo ilimitado. Deus é um obstáculo para nós. Ou faz-se dele uma simples frase devota, ou Ele é totalmente negado, banido da vida pública, a ponto de perder todo o significado. A tolerância que, por assim dizer, admite Deus como opinião particular, mas que lhe rejeita o domínio público, a realidade do mundo e da nossa vida, não é tolerância mas hipocrisia. Porém, lá onde o homem se torna o único senhor do mundo e proprietário de si mesmo, não pode existir a justiça. Lá só pode predominar o arbítrio do poder e dos interesses. Sem dúvida, pode-se expulsar o Filho para fora da vinha e matá-lo, para gozar egoistamente sozinho dos frutos da terra. Mas assim a vinha transforma-se muito cedo num terreno inculto, devastado pelos javalis, como nos diz o Salmo responsorial (cf. <em>Sl</em> 79,14).</p>
<p>Assim, chegamos ao terceiro elemento das leituras hodiernas. Tanto no Antigo como no Novo Testamento, o Senhor anuncia o juízo à vinha infiel. O juízo que Isaías previa realizou-se nas grandes guerras e exílios, por obra dos Assírios e dos Babilónicos. O juízo anunciado pelo Senhor Jesus refere-se sobretudo à destruição de Jerusalém no ano 70. Mas a ameaça de juízo diz respeito também a nós, à Igreja na Europa, à Europa e ao Ocidente em geral. Com este Evangelho, o Senhor brada também aos nossos ouvidos as palavras que, no Apocalipse, dirigiu à Igreja de Éfeso: «Se não&#8230; te arrependeres, virei ter contigo e retirarei o teu candelabro da sua posição» (2, 5). Também de nós pode ser tirada a luz, e agimos bem se deixarmos ressoar esta admoestação em toda a sua seriedade na nossa alma, bradando ao mesmo tempo ao Senhor: «Ajuda-nos a converter-nos! Concede-nos a todos a graça de uma verdadeira renovação! Não permitas que se apague a tua luz no meio de nós! Reforça a nossa fé, a nossa esperança e o nosso amor, para podermos produzir bons frutos!».</p>
<p>Porém, nesta altura surge em nós a pergunta: «Mas não há qualquer promessa, qualquer palavra de conforto na leitura e na página evangélica de hoje? A última palavra é a ameaça?». Não! Há a promessa, e esta é a última e essencial palavra. Ouvimo-la no versículo do Aleluia, tirado do Evangelho de João: «Eu sou a videira; vós, os ramos. Quem permanece em mim e Eu nele, esse produz muito fruto» (<em>Jo</em> 15, 5). Com estas palavras do Senhor, João explica-nos o último, o verdadeiro êxito da história da vinha de Deus. Deus não fracassa. No final Ele vence, vence o amor. Uma alusão velada a isto já se encontra na parábola da vinha, proposta pelo Evangelho de hoje e nas suas palavras conclusivas. Também ali a morte do Filho não é o fim da história, embora não seja directamente narrada. Mas Jesus exprime esta morte mediante uma nova imagem tirada do Salmo: «A pedra que os construtores rejeitaram transformou-se em pedra angular&#8230;» (<em>Mt</em> 21, 42; <em>Sl</em> 117, 22). Da morte do Filho nasce a vida, forma-se um novo edifício, uma nova vinha. Ele, que em Caná mudou a água em vinho, transformou o seu sangue no vinho do verdadeiro amor e assim transforma o vinho no seu sangue. No cenáculo, antecipou a sua morte e transformou-a no dom de si mesmo, num acto de amor radical. O seu sangue é dom, é amor, e por isso é o verdadeiro vinho que o Criador esperava. Deste modo, o próprio Cristo tornou-se a videira, e esta videira produz sempre bom fruto: a presença do seu amor por nós, que é indestrutível. […]</p>
<p>Bento XVI, Domingo, 2 de Outubro de 2005</p>
<p><strong>LITURGIA EUCARÍSTICA</strong></p>
<p>ORAÇÃO SOBRE AS OBLATAS: Aceitai, Senhor, o sacrifício que Vós mesmo nos mandastes oferecer e, por estes sagrados mistérios que celebramos, confirmai em nós a obra da redenção. Por Nosso Senhor&#8230;</p>
<p><strong>SANTO</strong></p>
<p>Monição da Comunhão</p>
<p>Deus Nosso senhor plantou esta vinha que somos nós, os cristãos, lavrou-a e limpou-a das pedras e das silvas, regou-a com o seu Sangue e alimentou-a com o seu Corpo, feito alimento na Sagrada Eucaristia. Só na união com Cristo poderemos dar frutos de santidade e de apostolado.</p>
<p>Aproximemo-nos, pois, com devoção e comamos deste Pão descido do Céu e penhor de vida eterna. E aprendamos com Jesus a amar e a dar a vida pelos nossos irmãos.</p>
<p><em>Lam</em> 3, 25</p>
<p>ANTÍFONA DA COMUNHÃO: O Senhor é bom para quem n&#8217;Ele confia, para a alma que O procura.</p>
<p>Ou</p>
<p>cf. 1 <em>Cor</em> 10, 17</p>
<p>Porque há um só pão, todos somos um só corpo, nós que participamos do mesmo cálice e do mesmo pão.</p>
<p>ORAÇÃO DEPOIS DA COMUNHÃO: Deus todo-poderoso, que neste sacramento saciais a nossa fome e a nossa sede, fazei que, ao comungarmos o Corpo e o Sangue do vosso Filho, nos transformemos n&#8217;Aquele que recebemos. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.</p>
<p><strong>RITOS FINAIS</strong></p>
<p>Monição final</p>
<p>Alimentados e fortificados por estes divinos Sacramentos, procuremos dar frutos abundantes de boas obras, dando testemunho de Jesus Cristo através da palavra e do exemplo da nossa vida virtuosa: tudo o que é verdadeiro e nobre, tudo o que é justo e puro, tudo o que é amável e de boa reputação, tudo o que é virtude e digno de louvor, tudo isso devemos praticar, com a ajuda de Nosso Senhor Jesus Cristo e intercessão poderosa da nossa Mãe do Céu.</p>
<p><strong>HOMILIA FERIAL</strong></p>
<p>TEMPO COMUM</p>
<p>27ª SEMANA</p>
<p>2ª Feira, 6-X: Imitar o bom samaritano.</p>
<p>Gal 1, 6-12 / Lc 10, 25-37</p>
<p>(Jesus): Qual destes três te parece ter sido o próximo daquele que caiu em poder dos salteadores?&#8230; (O doutor da Lei): O que usou de compaixão para com ele.</p>
<p>No nosso caminho de cada dia encontramos sempre algum <em>ferido</em> (cf Ev). Há pessoas que atravessam circunstâncias dolorosas: da falta de carinho, de abandono, de miséria. E há outras igualmente <em>feridas na alma</em>afastadas de Deus por razões pouco importantes, desconhecedoras das verdades da fé… Esperam que sejamos o <em>bom samaritano</em> que delas se ocupa, lhes dedica tempo e amizade.</p>
<p>S. Paulo faz de bom samaritano ao denunciar os que pretendem anunciar um Evangelho diferente do que lhe tinha sido revelado por Cristo (cf Leit).</p>
<p>Celebração e Homilia:                     ALFREDO MELO</p>
<p>Nota Exegética:       GERALDO MORUJÃO</p>
<p>Homilia Ferial:          NUNO ROMÃO</p>
<p>Sugestão Musical:    DUARTE NUNO ROCHA    	</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Homilia do D. José Maria Pereira – XXVII Domingo do Tempo Comum – Ano A</title>
		<link>https://presbiteros.org.br/homilia-do-d-jose-maria-pereira-xxvii-domingo-do-tempo-comum-ano-a/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Pe. Demétrio Gomes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 28 Sep 2026 19:08:26 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Homilias]]></category>
		<category><![CDATA[Homilias Dominicais]]></category>
		<category><![CDATA[Subsídios Litúrgicos]]></category>
		<category><![CDATA[xxvii domingo do tempo comum ano a 2026]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A Vinha, os Frutos e a Correspondência ao Amor Deus! Dom José Maria Pereira A leitura tirada do Profeta Isaías (Is 5, 1-7) e o Evangelho deste dia (Mt 21, 33-43) põem diante dos nossos olhos uma das grandes imagens da Sagrada Escritura: a figura da videira. Os textos mostram como Deus manifestou o seu [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><b>A Vinha, os Frutos e a Correspondência ao Amor Deus!</b></p>
<p><b>Dom José Maria Pereira</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A leitura tirada do Profeta Isaías (Is 5, 1-7) e o Evangelho deste dia (Mt 21, 33-43) põem diante dos nossos olhos uma das grandes imagens da Sagrada Escritura: a figura da videira. Os textos mostram como Deus manifestou o seu amor, os seus cuidados pela vinha, por Israel, pelo povo eleito e a falta de correspondência a esse amor. Descrevem Israel como uma plantação de Deus, tratada com todos os cuidados possíveis: “Vou cantar para o meu amado o cântico da vinha de um amigo meu: um amigo meu possuía uma vinha em fértil encosta. Cercou-a, limpou-a de pedras, plantou videiras escolhidas, edificou uma torre no meio e construiu um lagar: esperava que ela produzisse uvas boas, mas produziu uvas azedas. O que poderia eu ter feito a mais por minha vinha e não fiz?” (Is 5, 1-4). Na Sagrada Escritura, o pão representa tudo aquilo de que o homem tem necessidade para a sua vida quotidiana. A água dá fertilidade à terra: é o dom fundamental, que torna possível a vida. O vinho, por sua vez, exprime a excelência da criação, dá-nos a festa em que ultrapassamos os limites da quotidianidade: o vinho “alegra o coração”, diz o Salmo. Assim, o vinho, e com ele a videira, tornaram-se imagem também do dom do amor, em que podemos fazer alguma experiência do sabor do Divino.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A Liturgia da Missa, através de uma das mais belas alegorias, fala-nos do amor de Deus pelo seu povo e da falta de correspondência a esse amor.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A Palestina era um lugar rico em vinhedos, e os Profetas recorreram com frequência a essa imagem, tão conhecida por todos, para falar do Povo eleito. Israel era a vinha de Deus, a obra do Senhor, a alegria do seu coração. O próprio Senhor, como se lê no Evangelho, em Mt 21, 33-43, referindo-se ao Profeta Isaías, revela-nos a paciência de Deus, que manda os seus mensageiros, um após outro, em busca de frutos. Por fim, envia o seu Filho amado, o próprio Jesus, que os vinhateiros acabarão por matar: “E, lançando- lhe as mãos, puseram-no fora da vinha e mataram-no.” É uma referência clara à crucifixão, que teve lugar fora dos muros de Jerusalém. “Ele é a pedra que os construtores rejeitaram” (Mt 21, 42), porque O julgaram inimigo da lei e perigoso para a ordem pública; mas Ele mesmo, rejeitado e crucificado, ressuscitou, tornou-se a “pedra angular” sobre a qual se podem apoiar com segurança absoluta as bases de qualquer existência humana e do mundo inteiro. Dessa verdade fala a parábola dos vinhateiros infiéis, aos quais um homem confiou a sua vinha, para que a cultivassem e recolhessem os frutos. O proprietário da vinha representa o próprio Deus, enquanto que a vinha simboliza o seu povo, assim como a vida que Ele nos doa para que, com a sua Graça e com o nosso compromisso, pratiquemos o bem. Santo Agostinho comenta que “Deus nos cultiva como um campo para nos tornar melhores” (Sermão 87). Deus tem um projeto para os seus amigos, mas, infelizmente, a resposta do homem orienta-se, com frequência, para a infidelidade, que se traduz em rejeição. O orgulho e o egoísmo impedem que se reconheça e acolha até o dom mais precioso de Deus: o seu Filho Unigênito. Com efeito, quando “lhes enviou o seu próprio filho – escreve São Mateus – os vinhateiros, agarrando-O, lançaram-nO fora da vinha e mataram-nO” (Mt 21, 37.39). Deus entrega-se a Si mesmo nas nossas mãos, aceita fazer-se Mistério imperscrutável de debilidade e manifesta a sua onipotência na fidelidade a um desígnio de amor que, no final, prevê, contudo, também a justa punição para os malvados (Mt 21, 41). Aquilo, que é denunciado por essa página do Evangelho, interpela o nosso modo de pensar e de agir. Não fala somente da “hora” de Cristo, do Mistério da Cruz naquele momento, mas da presença da Cruz em todos os tempos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A imagem da vinha, com as suas implicações morais, doutrinais e espirituais, voltará no discurso da Última Ceia: quando, despedindo-se dos Apóstolos, o Senhor disser: “Eu sou a verdadeira Videira e meu Pai é o Agricultor. Todo o ramo que em Mim não dá fruto, Ele corta-o e poda todo aquele que dá fruto, para que dê mais fruto” (Jo 15, 1-2). A partir do acontecimento pascal, a história da salvação conhecerá, portanto, uma mudança decisiva, e serão protagonistas aqueles “outros camponeses” que, enxertados como rebentos em Cristo, verdadeira videira, darão abundantes frutos de vida eterna. Entre esses “camponeses” encontramo-nos também nós, enxertados em Cristo, que quis tornar-se Ele mesmo a “verdadeira videira”. Peçamos ao Senhor que nos dá o seu Sangue, que se nos dá a si mesmo na Eucaristia, a fim de que nos ajude a “dar fruto” para a vida eterna e para esta nossa época.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A consoladora mensagem que tiramos desses textos bíblicos é a certeza de que o mal e a morte não têm a última palavra, mas, no final, quem vence é Cristo, e vence sempre!</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Histórica ou literalmente, a vinha descreve o povo hebreu, que não correspondeu aos cuidados divinos. Deus escolheu este povo, libertou-o do Egito e transplantou-o para a terra prometida, como se transplanta uma parreira. Aqui, cercou – o de mil atenções, como faz um viticultor com seu parreiral, ou melhor, como faz o esposo com sua esposa. Cercou – a, defendeu – a. Também a Igreja, bem como cada um de nós: “Cristo é a verdadeira videira, que dá vida e fecundidade aos ramos, quer dizer, a nós que pela Igreja permanecemos nEle e sem Ele nada podemos fazer” (Jo 15, 1-5). A história é evocada pelo Salmo 79 (80). É uma alusão clara ao destino do povo de Israel: tendo recusado os profetas e maltratado “o Filho”, ele vai ser disperso, e o herdeiro das promessas será outro povo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Meditemos hoje se o Senhor pode encontrar frutos abundantes na nossa vida; abundantes porque é muito o que nos foi dado. Frutos de caridade, de trabalho bem feito, de apostolado com os amigos e familiares; jaculatórias, atos de amor de Deus e de desagravo ao longo do dia, ações de graças, contrariedades acolhidas com paz, pequenos sacrifícios praticados discretamente e com toda a naturalidade. Examinemos também se, ao mesmo tempo, não produzimos essas uvas amargas que são os pecados, a tibieza, a mediocridade espiritual, a desordem, as faltas de que não pedimos perdão ao Senhor…</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A Vinha foi cercada, fez nela um lagar… A cerca, o lagar e a torre significam que Deus não economizou nada para cultivar e embelezar a sua vinha.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esperava uvas boas e produziu uvas azedas. O pecado é o fruto amargo das nossas vidas. A experiência das fraquezas pessoais ressalta com demasiada evidência na história da humanidade e na de cada homem. “Ninguém se vê inteiramente livre da sua fraqueza, solidão ou servidão. Antes, pelo contrário, todos precisam de Cristo modelo, mestre, libertador, salvador e vivificador” (Ad Gentes, 8). Os nossos pecados estão inteiramente relacionados com essa morte do Filho amado, de Jesus. Somente a Palavra de Deus pode transformar profundamente o coração do homem, e por isso é importante que, com ela, entrem numa intimidade cada vez maior os fiéis individualmente e as comunidades. É interessante, a este propósito, a consideração de São Jerônimo: “Quem não conhece as Escrituras, não conhece o poder de Deus, nem a sua Sabedoria. Ignorar as Escrituras significa ignorar Cristo”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para produzirmos os frutos de vida que Deus espera diariamente de cada um de nós, temos, em primeiro lugar, de pedir ao Senhor e fomentar uma santa aversão por todas as faltas – mesmo veniais- que ofendem a Deus. Os descuidos na caridade, os juízos negativos sobre esta ou aquela pessoa, as impaciências, os agravos não esquecidos, a dispersão dos sentidos internos e externos, o trabalho mal feito!</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“ Os pecados veniais fazem muito mal à alma. Por isso, diz o Senhor no Cântico dos Cânticos: caçai as pequenas raposas que destroem a vinha” (Caminho, 329). É necessário que nos empenhemos continuamente em afastar tudo aquilo que não é grato ao Senhor. A alma que detesta o pecado venial deliberado, pouco a pouco vai crescendo em delicadeza e em finura no trato com o Mestre.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">São Paulo (Fl 4, 6-9) lembra que, na nossa fraqueza, é preciso que nos apoiemos na oração. Devemos pedir a graça da fidelidade para que possamos dar muitos frutos, guardando nossos corações e pensamentos, em Cristo Jesus.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Somos todos nós, membros do Povo de Deus, a Igreja, que tem a missão de produzir seus frutos, para não frustrar as esperanças do Senhor na hora da colheita.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Que frutos estamos produzindo para a realidade do Reino de Deus? Nesse Mês Missionário, somos convidados a renovar com Deus a Aliança. Se hoje não somos missionários, não é esse um sinal de que estamos sendo maus vinhateiros?</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O povo, a quem foi confiado o Reino, somos nós, cristãos, que formamos a Igreja. Nós somos, agora, em sentido especial, a vinha de Deus.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“Ao chamar os seus para que O sigam, Jesus lhes dá uma missão muito precisa: anunciar o Evangelho do Reino a todas as nações (cf. Mt 28,19; Lc 24, 46-48). Por isso, todo discípulo é missionário, pois Jesus o faz partícipe de sua missão, ao mesmo tempo que o vincula como amigo e irmão. Cumprir essa missão não é tarefa opcional, mas parte integrante da identidade cristã, porque é a extensão testemunhal da Vocação mesma” (Doc. de Aparecida, 144).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Interessa que permaneça a fé em Jesus Cristo, a aceitação de sua Palavra. Se essa faltar como videira, somos rejeitados, somos galhos secos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A Palavra de Deus é, ainda mais séria, se aplicada a cada um de nós. Deus deu-nos tudo. Plantou – nos na Igreja, enxertados em Jesus Cristo no Batismo, podou-nos e alimentou-nos. Agora, tem o direito de vir pedir os frutos. E vem, com efeito, também se nós não percebemos suas visitas. Vem como o dono vinha procurar figos em sua árvore e não encontrava senão folhas. Todo ramo que não der fruto em mim, ele o cortará; e podará todo o que der fruto, para que produza mais fruto (Jo 15, 1- 2).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A Palavra de Deus apresenta-se-nos hoje feita espada que penetra em nós e nos obriga a tomar posição, coloca – nos em estado de ter de decidir. O que queremos ser? Um ramo unido a Cristo, à sua Palavra, a seus Sacramentos, em estado de crescimento (e, por isso, de conversão), ou um ramo estéril, coberto somente de folhas, isto é, um cristão de palavras, não de fatos?</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Voltemos a unir-nos à videira! A Eucaristia oferece-nos a possibilidade de reativar em nós o nosso Batismo e a circulação daquela seiva, que vem da videira.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nessa perspectiva, consideremos e meditemos nas palavras de S. Paulo: “Irmãos, ocupai-vos com tudo o que é verdadeiro, respeitável, justo, puro, amável, honroso, tudo o que é virtude ou de qualquer modo mereça louvor; é o que deveis ter no pensamento” (Fl 4,8).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Firmemente ancorados na fé à pedra angular, que é Cristo, permaneçamos n’Ele como o ramo que não pode dar fruto sozinho se não permanecer na videira. Só n’Ele, por Ele e com Ele se edifica a Igreja, povo da nova Aliança. A esse propósito, São Paulo Vl (Papa) escreveu: “O primeiro fruto do aprofundamento da consciência da Igreja sobre si mesma é a renovada descoberta da sua relação vital com Cristo. Aspecto notório, fundamental, indispensável, mas nunca conhecido, meditado nem celebrado o suficiente” (Enc. Ecclesiam Suam).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Estamos no mês missionário. No dia 01 de outubro, celebramos Santa Teresinha do Menino Jesus, Padroeira das Missões. Nesse ano de 2026, a Igreja celebra o mês missionário cujo tema é: “Um em Cristo, unidos na missão”. Disse o Papa Leão XlV: Após o Ano Jubilar, desejo exortar toda a Igreja a prosseguir o caminho missionário com alegria e zelo no Espírito Santo, o que requer corações unificados em Cristo, comunidades reconciliadas e, em todos, disponibilidade para colaborar com generosidade e confiança.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Refletindo sobre o nosso ser um, em Cristo, e unidos na missão, deixemo-nos guiar e inspirar pela graça divina, para “renovar em nós o fogo da vocação missionária” e avançar juntos, no  empenho pela evangelização, numa “nova era missionária”: Ser discípulo missionário está além de cumprir tarefas ou fazer coisas. O Papa Francisco lembra que “a missão, no coração do povo, não é uma parte da minha vida, ou ornamento a ser posto de lado. É algo que não posso arrancar do meu coração” (Alegria do Evangelho).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Invoquemos a Virgem Maria, que, no corrente mês de outubro, veneramos com uma devoção especial, com o título de Nossa Senhora do Rosário, para que, dóceis ao Espírito Santo, possamos ajudar o mundo a tornar-se, em Cristo e com Cristo, a fecunda Videira de Deus! Que Maria acolha nossa súplica fervorosa, para que seja derrotado o mal e se revele, em plenitude, a bondade de Deus.</span></p>
<p style="text-align: right;"><b>Dom José Maria Pereira</b></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Homilia do D. Henrique Soares da Costa – XXVII Domingo do Tempo Comum – Ano A</title>
		<link>https://presbiteros.org.br/homilia-do-d-henrique-soares-da-costa-xxvii-domingo-do-tempo-comum-ano-a-2/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Pe. Demétrio Gomes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 28 Sep 2026 19:08:04 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Homilias]]></category>
		<category><![CDATA[Homilias Dominicais]]></category>
		<category><![CDATA[Subsídios Litúrgicos]]></category>
		<category><![CDATA[xxvii domingo do tempo comum ano a 2026]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Is 5,1-7 Sl79 Fl 4,6-9 Mt 21,33-43 A Palavra de Deus deste XXVII Domingo Comum recorda-nos uma história de amor, misteriosa, triste e destinada a nos fazer pensar… É a história do Povo de Israel. Não sua história simplesmente na forma de crônica, de rosário de fatos, um após o outro, no correr do tempo. [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Is 5,1-7<br />
Sl79<br />
Fl 4,6-9<br />
Mt 21,33-43</p>
<p>A Palavra de Deus deste XXVII Domingo Comum recorda-nos uma história de amor, misteriosa, triste e destinada a nos fazer pensar… É a história do Povo de Israel. Não sua história simplesmente na forma de crônica, de rosário de fatos, um após o outro, no correr do tempo. Aqui a história é apresentada em forma de parábola, uma parábola do amor de Deus, o Amado, por sua vinha; uma parábola de decepção, de vinhateiros assassinos, de um Filho querido jogado fora da vinha…</p>
<p>Na primeira leitura, de Isaías, Deus se queixa de sua vinha pela boca de seu profeta: <em>“Um amigo meu plantou videiras escolhidas… esperava que ela produzisse uvas boas, mas produziu uvas selvagens”</em>. Eis a história de Israel, a vinha amada: o Senhor plantou seu povo: esperou bons frutos, mas vieram frutos azedos: <em>“A vinha do Senhor dos exércitos é a casa de Israel, e o povo de Judá é sua amada plantação; eu esperava deles frutos de justiça – e eis a injustiça; esperava obras de bondade – e eis a iniquidade”.</em> Ante tal infidelidade, o Senhor diz pelo profeta: <em>“Vou desmanchar a cerca, e ela será devastada, vou derrubar o muro, e ela será pisoteada. Vou deixá-la inculta e selvagem…”</em> Eis o triste resumo da história do Povo de Deus da antiga aliança. Tão amado, tão preferido, Israel não foi fiel à aliança, Israel não deu os frutos de amor, de sensibilidade para com seu Deus, de total dedicação a ele que o Senhor esperava.</p>
<p>Caríssimos, essa atitude do primeiro povo chegou ao extremo na atitude dos chefes judeus da época de Jesus: misteriosamente, eles rejeitaram Jesus, expulsaram-no da vinha de Deus e mataram-no. O fato é que Israel foi se fechando para aliança com o seu Deus e, quando o Messias veio, o Povo amado não teve a capacidade para reconhecê-Lo e acolhê-Lo… Recordemos como Jesus fala de seu próprio destino na parábola de hoje: o proprietário que planta a vinha é o Pai do céu, a vinha amada é a casa de Israel – essa vinha que, já vimos, deu frutos azedos; os vinhateiros são os chefes do povo, aos quais Deus confiou sua vinha; o Senhor enviou seus empregados para receber os frutos: são os profetas e todos aqueles que advertiram o povo de Deus para que se convertesse. Os vinhateiros espancaram e mataram esses enviados. O Pai, então, enviou o Filho, o Amado, o Herdeiro. <em>“Vinde, vamos matá-lo!”</em> – eis a terrível palavra dos vinhateiros, a sentença dos chefes judeus! E tomam o Filho amado, expulsam-no como um maldito e matam-no! Diante disso, a conclusão do Evangelho é tremenda, é misteriosa: a vinha será tirada e dada a outros. A eleição de Israel passará para um novo Povo, a Igreja; Jesus, a pedra rejeitada, será a pedra angular de uma nova construção – o Novo Povo de Deus, a Igreja do Novo Testamento, nascida do seu sangue.</p>
<p>Caríssimos, que história impressionante: um povo tão amado, um povo singular. Um povo de santos… e que perdeu a oportunidade de reconhecer e acolher o Messias tão esperado e tão desejado! Um povo que deveria ser ministro da salvação de toda a humanidade e não soube compreender sua missão… Ao mesmo tempo, nosso misterioso nascimento: somos a Igreja, resto de Israel, do qual Deus fez, em Cristo, um Novo Povo, para testemunhar o Senhor e levar seu nome aos confins da terra. Somos um povo, caríssimos: mais que brasileiros, somos Igreja; mais que tudo, somos o Povo de Deus da nova aliança, somos a vinha do Senhor, enxertada no verdadeiro tronco, que é Jesus, a verdadeira videira! Sem merecer, por graça de Deus, eis o que somos!</p>
<p>Irmãos e irmãs, a Escritura nos diz que todas essas coisas aconteceram para nos servir de exemplo (cf. 1Cor 10,6). Não somos melhores que os judeus, não devemos desprezá-los nem condená-los! É verdade que jamais a aliança passará para um terceiro povo, jamais a Igreja perderá sua condição de Novo Povo de Deus. Compreendamos: a verdadeira vinha nova é o próprio Cristo: <em>“Eu sou a verdadeira videira e meu Pai é o agricultor” (Jo 15,1).</em> Vinha bendita, verdadeira cepa da antiga vinha, Israel! Jesus é a videira, nós, os ramos: <em>“Eu sou a videira e vós os ramos” (Jo 15,5)</em>. Ele é o tronco bendito e nós, sua Igreja, os ramos que não se podem separar dele! É por isso que jamais essa Igreja, nova vinha unida ao tronco, poderá perder a condição de videira escolhida, amada e eleita. Mas, atenção: os ramos, individualmente, podem ser arrancados: <em>“Todo ramo que em mim não produz fruto o Pai o corta” (Jo 15,2)</em>. Eis, meus caros: devemos, sim, perguntar pela nossa fidelidade a Deus que, em Jesus, nos fez ramos da sua nova vinha! Que frutos, caríssimos, estamos dando? Uvas doces? Uvas azedas? Nenhuma uva? Quais são nossos frutos? São nossas obras, são nossas atitudes, é nosso modo de viver? O Senhor espera de nós uma vida segundo a sua vontade, segundo aquilo que o Senhor Jesus nos mostrou e viveu; o Senhor espera de nós um testemunho de amor profundo a Ele, para que o mundo descubra e corresponda ao seu amor! Na segunda leitura, o Apóstolo nos exorta: “Irmãos, ocupai-vos com tudo o que é verdadeiro, respeitável, justo, puro, amável, honroso, tudo o que é virtude ou de qualquer modo mereça louvor. Praticai o que aprendestes e recebestes. Assim o Deus da paz estará convosco”. Eis aqui um belo programa de frutos dados por um ramo enxertado em Cristo!</p>
<p>Igreja de Deus, aqui reunida para a Eucaristia, é a vinha amada do Senhor! Vinha por vezes ameaçada de devastação, seja pela perseguição do mundo que não crê, seja pelos seus próprios pecados, que azedam os frutos que deveriam ser doces! Convertei-vos, Igreja de Deus em Cristo; convertei-vos e dai frutos em vossa vida!</p>
<p>Quanto a vós, Senhor Deus, Senhor da vinha, <em>“Voltai-vos para nós, Deus do universo! Olhai dos altos céus e observai! Visitai a vossa vinha e protegei-a! Foi a vossa mão direita que a plantou; protegei-a, e ao Rebento que firmastes!”</em> Olhai, Pai Santo, a face do vosso Filho Jesus, morto e ressuscitado, que oferecemos em sacrifício eucarístico: tende piedade de nós; dai-nos força, vida e paz! Amém.</p>
<p><strong>Dom Henrique Soares da Costa</strong></p>
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			</item>
		<item>
		<title>XXVII Domingo do Tempo Comum – Ano A</title>
		<link>https://presbiteros.org.br/xxvii-domingo-do-tempo-comum-ano-a-2/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Pe. Demétrio Gomes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 28 Sep 2026 19:07:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Homilética]]></category>
		<category><![CDATA[Subsídios Litúrgicos]]></category>
		<category><![CDATA[xxvii domingo do tempo comum ano a 2026]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Leituras e subsídios para liturgia e homilia do XXVII Domingo do Tempo Comum – Ano A</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Leituras e subsídios para liturgia e homilia:</p>
<ul>
<li><a href="https://presbiteros.org.br/roteiro-homiletico-xxvii-domingo-do-tempo-comum-ano-a-2/">Roteiro Homilético</a></li>
<li><a href="https://presbiteros.org.br/comentario-exegetico-xxvii-domingo-do-tempo-comum-ano-a-2/">Comentário Exegético</a></li>
<li><a href="https://presbiteros.org.br/homilia-do-d-henrique-soares-da-costa-xxvii-domingo-do-tempo-comum-ano-a-2/">Homilia do D. Henrique Soares da Costa</a></li>
<li><a href="https://presbiteros.org.br/preces-xxvii-domingo-do-tempo-comum-ano-a/">Preces</a></li>
</ul>
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			</item>
		<item>
		<title>Homilia do D. Anselmo Chagas de Paiva, OSB – XXVI Domingo do Tempo Comum – Ano A</title>
		<link>https://presbiteros.org.br/homilia-do-d-anselmo-chagas-de-paiva-osb-xxvi-domingo-do-tempo-comum-ano-a/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Pe. Demétrio Gomes]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 25 Sep 2026 16:00:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Homilias]]></category>
		<category><![CDATA[Homilias Dominicais]]></category>
		<category><![CDATA[Subsídios Litúrgicos]]></category>
		<category><![CDATA[xxvi domingo do tempo comum ano a 2026]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Parábola dos dois filhos chamados à vinha Mt 21,28-32 Caros irmãos e irmãs O texto evangélico deste domingo nos apresenta uma cena ocorrida na cidade de Jerusalém, onde os líderes judeus encontraram Jesus no Templo e perguntaram a Ele com que autoridade agia e quais eram as suas credenciais (cf. Mt 21,23-27). Jesus responde convidando-os [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><b><i>Parábola dos dois filhos chamados à vinha</i></b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mt</span><span style="font-weight: 400;"> 21,28-32</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Caros irmãos e irmãs</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O texto evangélico deste domingo nos apresenta uma cena ocorrida na cidade de Jerusalém, onde os líderes judeus encontraram Jesus no Templo e perguntaram a Ele com que autoridade agia e quais eram as suas credenciais (cf. Mt 21,23-27). Jesus responde convidando-os a pronunciarem-se sobre a origem do batismo de João. Os líderes judaicos não quiseram responder, pois se dissessem que João Batista não vinha de Deus, temiam a reação da multidão, por ser considerado por muitos como um profeta; se admitissem que o batismo de João viesse de Deus, temiam eles um questionamento de Jesus acerca da não aceitação da sua mensagem. Na sequência, Jesus apresenta três parábolas, destinadas a ilustrar a recusa de Israel em acolher a proposta de salvação.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma das parábolas ilustra duas atitudes diversas de dois filhos mediante a ordem do pai. Os dois filhos são convidados pelo pai para irem trabalhar na vinha. O primeiro filho respondeu: “‘Não quero’. Mas depois mudou de opinião e foi” (v. 29).  O outro filho, ao contrário, disse ao pai: “‘Sim, senhor, eu vou’. Mas não foi” (v. 30).  Em seguida, Jesus pergunta sobre qual dos dois cumprira a vontade do pai; e os ouvintes respondem: “O primeiro” (v. 31). </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Jesus dirige esta parábola aos sumos sacerdotes e aos anciãos do povo de Israel, isto é, aos peritos de religião do seu povo. Eles começam por dizer “sim” à vontade de Deus; mas não aceitaram a mensagem de João Batista e a de Jesus. Por isso, as palavras finais da parábola são fortes: “Em verdade vos digo que os cobradores de impostos e as prostitutas vos precedem no Reino de Deus. Porque João veio até vós, num caminho de justiça, e vós não acreditastes nele. Ao contrário, os cobradores de impostos e as prostitutas creram nele. Vós, porém, mesmo vendo isso, não vos arrependestes para crer nele” (v.31-32).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esta parábola nos ensina que, na perspectiva de Deus, o importante não é quem se comportou bem e não escandalizou os outros; mas, quem cumpriu realmente, a vontade do Pai. É certo que os fariseus, os sacerdotes, os anciãos do povo, disseram “sim” a Deus ao aceitar a Lei de Moisés, mas, posteriormente, eles também se recusaram a acolher o convite de João à conversão, assim como o filho que disse “sim”, e depois não foi trabalhar na vinha. Isto mostra que não são as palavras que contam, mas o agir, os atos de conversão e de fé.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">João Batista mostrou o caminho da salvação, mas, os escribas e os fariseus, que se envaideciam por serem fiéis seguidores da vontade divina, não lhe deram importância. Teoricamente, eram os cumpridores da Lei, porém, não souberam ser dóceis ao querer divino, manifestado também através da mensagem de Cristo. Em contrapartida, aqueles que, num primeiro momento disseram “não”, por exemplo, os cobradores de impostos e as prostitutas, posteriormente disseram “sim”: acolheram a mensagem e se converteram, acolhendo a proposta do Reino apresentada por Jesus (v. 32).  Atenderam ao apelo à conversão e arrependeram-se: como o filho que em princípio disse “não vou”, mas depois foi.  O importante é fazer a vontade de Deus. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Também em nossos dias, Deus continua tendo dois filhos: alguns, no batismo, dizem &#8220;sim&#8221;, mas depois, na vida concreta, transformam o &#8220;sim&#8221; em &#8220;não&#8221;. Todos nós devemos ter consciência de que também somos chamados a trabalhar na vinha do Senhor.  Os chamados de Deus, nós os conhecemos pela Sua Palavra, contida na Sagrada Escritura. O Senhor continua a nos dizer: &#8220;Felizes os que ouvem a Palavra de Deus e a põem em prática!&#8221; (Lc 11, 28).  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Deus não leva em conta as aparências, por isso, afirma: “Nem todo aquele que me diz: Senhor, Senhor, entrará no Reino dos céus, mas sim aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus” (Mt 7,21).  Não é suficiente apenas ouvir a pregação, mas é necessário colocar em prática os ensinamentos. Deus respeita a nossa liberdade; não nos constrange. Ele aguarda o nosso “sim”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O filho que foi trabalhar na vinha representa os pecadores e os marginalizados que aceitaram a mensagem de Jesus. O próprio evangelista Mateus está entre eles, pois ele era cobrador de impostos (cf. Mt 9,9s).  Jesus mostra que estes irão preceder os demais no Reino de Deus.  Este linguajar “preceder, entrar antes” é um modo de afirmar a exclusão. Não é que os cobradores de impostos e as prostitutas entrarão antes e os outros entrarão depois. Na verdade, os primeiros entram e os segundos ficam fora. E isso está de acordo com a parábola, pois o filho mais novo diz inicialmente “sim”, mas não vai trabalhar na vinha. É o que afirma também Jesus: “Digo-vos, pois, se vossa justiça não for maior que a dos escribas e fariseus, não entrareis no Reino dos céus” (Mt 5,20).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A parábola procura ressaltar que devemos ser humildes, imitando o próprio Cristo, que cumpriu com fidelidade a vontade do Pai. É o que nos diz São Paulo na segunda leitura: “Não façais nada por rivalidade ou vanglória, mas cada um de vós, com toda humildade, considere os outros superiores a si mesmo” (Fl 2,3). São estes os mesmos sentimentos de Cristo que, despojado da glória divina por amor a nós, fez-se homem e se rebaixou até morrer crucificado (cf. Fl 2,5-8).  O apelo à humildade, ao desprendimento, ao dom da vida que Paulo faz aos Filipenses, também é dirigido a todos nós: o cristão deve ter como exemplo esse Cristo, servo sofredor e humilde, que fez da sua vida um dom a todos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesta leitura, São Paulo sublinha o amor de Jesus Cristo pela virtude da obediência.  Naqueles tempos, a morte de cruz era a mais infame, pois estava reservada aos piores criminosos.  Eis porque a máxima expressão do amor de Cristo pelos planos salvíficos do Pai consistiu em ser obediente até à morte. Cristo obedece por amor; este é o sentido da obediência cristã. A obediência é o oposto da soberba, que nos inclina a fazer a vontade própria.  São Bento, em sua Regra, faz um grande elogio à obediência, ao mesmo tempo em que condena a soberba (cf. RB 7). </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para os discípulos de Jesus a humildade é uma virtude.  A palavra latina “humilitas”, tem a ver com “humus”, isto é, com a aderência à terra, à realidade.  As pessoas humildes vivem com ambos os pés na terra; mas, sobretudo, escutam Cristo, a Palavra de Deus, que ininterruptamente renova a cada um de nós.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É a humildade que nos torna cada dia conscientes de que não somos nós que construímos o Reino de Deus, mas é sempre a graça do Senhor que age em nós; é a humildade que nos impele a dedicarmos inteiramente ao serviço de Cristo, sendo fiéis operários da sua videira.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Peçamos ao Senhor que nos conceda a graça de progredirmos sempre na humildade, fundamento de todas as virtudes, pois, pela humildade, reconhecemos a nossa pequenez diante da grandeza do Senhor, que a todo o momento nos chama a trabalhar na sua vinha. Assim seja.</span></p>
<p style="text-align: right;"><strong>Anselmo Chagas de Paiva, OSB<br />
Mosteiro de São Bento/RJ</strong></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Preces – XXVI Domingo do Tempo Comum – Ano A</title>
		<link>https://presbiteros.org.br/preces-xxvi-domingo-do-tempo-comum-ano-a-2/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Pe. Demétrio Gomes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 21 Sep 2026 12:37:59 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Subsídios Litúrgicos]]></category>
		<category><![CDATA[xxvi domingo do tempo comum ano a 2026]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Sacerdote: Irmãs e irmãos em Cristo: Oremos pelos filhos que dizem “sim” e por aqueles que só sabem dizer “não” ao convite para trabalharem na vinha do Pai, e supliquemos (ou: e cantemos), todos juntos: R. Pela vossa misericórdia, salvai-nos, Senhor. 1. Pelo Papa N. e pelos bispos, que nos confirmam na fé, pelos presbíteros [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><strong>Sacerdote:</strong> Irmãs e irmãos em Cristo: Oremos pelos filhos que dizem “sim” e por aqueles que só sabem dizer “não” ao convite para trabalharem na vinha do Pai, e supliquemos (ou: e cantemos), todos juntos:</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>R. Pela vossa misericórdia, salvai-nos, Senhor.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">1. Pelo Papa N. e pelos bispos, que nos confirmam na fé, pelos presbíteros e diáconos, que nos servem, e por todos os discípulos de Cristo, oremos ao Senhor.</p>
<p style="text-align: justify;">2. Pelos que procuram agradar a Deus, pelos pecadores que se afastam do mal e pelos justos que deixam de ser bons, oremos ao Senhor.</p>
<p style="text-align: justify;">3. Pelos homens seguros de si próprios, por aqueles que reconhecem a sua fragilidade e por todos os que se levantam quando caem, oremos ao Senhor.</p>
<p style="text-align: justify;">4. Pelos professores e alunos de todas as escolas, pelos que vão entrar no último ano de estudos e pelos que já terminaram, mas não têm trabalho, oremos ao Senhor.</p>
<p style="text-align: justify;">5. Pela nossa comunidade, pelos seus membros mais ativos e fiéis e pelos que se recusam a servir a comunidade, oremos ao Senhor.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Sacerdote:</strong> Senhor, Pai santo, fazei nascer em cada um de nós os mesmos sentimentos que havia em vosso Filho, que Se entregou à morte pelos homens. Por Cristo, nosso Senhor.</p>
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		<item>
		<title>Roteiro Homilético – XXVI Domingo do Tempo Comum – Ano A</title>
		<link>https://presbiteros.org.br/roteiro-homiletico-xxvi-domingo-do-tempo-comum-ano-a-2/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Pe. Demétrio Gomes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 21 Sep 2026 12:37:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Roteiros Homiléticos]]></category>
		<category><![CDATA[Subsídios Litúrgicos]]></category>
		<category><![CDATA[xxvi domingo do tempo comum ano a 2026]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>RITOS INICIAIS Dan 3, 31.29.30.43.42 ANTÍFONA DE ENTRADA: Vós sois justo, Senhor, em tudo o que fizestes. Pecámos contra Vós, não observámos os vossos mandamentos. Mas para glória do vosso nome, mostrai-nos a vossa infinita misericórdia. Introdução ao espírito da Celebração Cumprir a vontade de Deus não significa ter uma prática mais ou menos ritual ou [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2>RITOS INICIAIS</h2>
<p><em>Dan</em> 3, 31.29.30.43.42</p>
<p>ANTÍFONA DE ENTRADA: Vós sois justo, Senhor, em tudo o que fizestes. Pecámos contra Vós, não observámos os vossos mandamentos. Mas para glória do vosso nome, mostrai-nos a vossa infinita misericórdia.</p>
<h3>Introdução ao espírito da Celebração</h3>
<p>Cumprir a vontade de Deus não significa ter uma prática mais ou menos ritual ou de legalidade. A vontade de Deus somente é efectuada quando satisfazemos o preceito do amor para com os nossos irmãos.</p>
<p>Já paramos um pouco para pensar nas nossas atitudes? Serão verdadeiramente cristãs ou adoptaremos dupla posição? Estaremos em conformidade com esse mandamento ou fixámo-nos apenas na realização de alguns costumes ditos religiosos, mas ocos, que nada condizem com o verdadeiro cristianismo?</p>
<p>Nós somos frágeis e nem sempre actuamos segundo a vontade de Deus, recolhamo-nos um pouco, estudemos a nossa vida do dia-a-dia e peçamos perdão ao Senhor pelas incoerências encontradas.</p>
<p>ORAÇÃO COLECTA: Senhor, que dais a maior prova do vosso poder quando perdoais e Vos compadeceis, infundi sobre nós a vossa graça, para que, correndo prontamente para os bens prometidos, nos tornemos um dia participantes da felicidade celeste. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.</p>
<h2>LITURGIA DA PALAVRA</h2>
<h3>Primeira Leitura</h3>
<p><strong>Monição</strong><strong>:</strong> Nesta leitura, o profeta Ezequiel confronta o nosso modo de avaliar com a maneira como Deus procede. Deus pretende corrigir os nossos planos simplistas de qualificarmos as pessoas, ou de as fazermos joguetes da desventura. Este trecho ajudar-nos-á a vencer o fatalismo pagão e a adoptar com confiança as nossas responsabilidades.</p>
<p><em><strong>Ezequiel</strong> 18, 25-28</em></p>
<p><em><strong>Eis o que diz o Senhor: <sup>25</sup>«Vós dizeis: ‘A maneira de proceder do Senhor não é justa’. Escutai, casa de Israel: Será a minha maneira de proceder que não é justa? Não será antes o vosso modo de proceder que é injusto? <sup>26</sup>Quando o justo se afastar da justiça, praticar o mal e vier a morrer, morrerá por causa do mal cometido. <sup>27</sup>Quando o pecador se afastar do mal que tiver realizado, praticar o direito e a justiça, salvará a sua vida. <sup>28</sup>Se abrir os seus olhos e renunciar às faltas que tiver cometido, há-de viver e não morrerá».</strong></em></p>
<p>A leitura é tirada da secção do livro que contém uma série de oráculos contra Judá e Jerusalém (<em>Ez</em> 4 – 24. O profeta não se cansa de sublinhar a responsabilidade individual e a necessidade e o valor da conversão individual e a esperança na clemência divina; o pecador que se arrepende «<em>há-de viver e não morrerá»</em> (v. 28).</p>
<h2>Salmo Responsorial</h2>
<p><em>Sl 24 (25), 4-5.6-7.8-9 (R. 6a)</em></p>
<p><strong>Monição</strong><strong>:</strong> Quando, em momentos de indecisão, não sabemos a melhor maneira de agir, poderemos rezar este salmo. Com ele suplicamos ao Senhor que nos auxilie a encontrar o Seu caminho e o rumo correcto a preferir. Pensemos bem no conteúdo desta respeitosa oração.</p>
<p><strong>Refrão: </strong> <em>LEMBRAI-VOS, SENHOR, DA VOSSA MISERICÓRDIA.</em></p>
<p><em><strong>Mostrai-me, Senhor, os vossos caminhos,</strong></em></p>
<p><em><strong>ensinai-me as vossas veredas.</strong></em></p>
<p><em><strong>Guiai-me na vossa verdade e ensinai-me,</strong></em></p>
<p><em><strong>porque Vós sois Deus, meu Salvador:</strong></em></p>
<p><em><strong>em vós espero sempre.</strong></em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em><strong>Lembrai-Vos, Senhor, das vossas misericórdias</strong></em></p>
<p><em><strong>e das vossas graças que são eternas.</strong></em></p>
<p><em><strong>Não recordeis as minhas faltas</strong></em></p>
<p><em><strong>e os pecados da minha juventude.</strong></em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em><strong>Lembrai-Vos de mim segundo a vossa clemência,</strong></em></p>
<p><em><strong>por causa da vossa bondade, Senhor.</strong></em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em><strong>O Senhor é bom e recto,</strong></em></p>
<p><em><strong>ensina o caminho aos pecadores.</strong></em></p>
<p><em><strong>Orienta os humildes na justiça</strong></em></p>
<p><em><strong>e dá-lhes a conhecer os seus caminhos.</strong></em></p>
<h3>Segunda Leitura*</h3>
<p><strong>Monição</strong><strong>:</strong> Esta segunda leitura constitui um persistente apelo à união e à caridade como imagem dos sentimentos e atitudes do próprio Jesus Cristo. Importa assimilá-lo e pô-lo em prática na nossa vida e nas nossas comunidades.</p>
<p>* O texto entre parêntesis pertence à forma longa e pode ser omitido.</p>
<p><em>Forma longa: <strong>Filipenses</strong> 2, 1-11 </em> <em>Forma breve: <strong>Filipenses</strong> 2, 1-5</em></p>
<p><em><strong>Irmãos: <sup>1</sup>Se há em Cristo alguma consolação, algum conforto na caridade, se existe alguma consolação nos dons do Espírito Santo, alguns sentimentos de ternura e misericórdia, <sup>2</sup>então, completai a minha alegria, tendo entre vós os mesmos sentimentos e a mesma caridade, numa só alma e num só coração. <sup>3</sup>Não façais nada por rivalidade nem por vanglória; mas, com humildade, considerai os outros superiores a vós mesmos, <sup>4</sup>sem olhar cada um aos seus próprios interesses, mas aos interesses dos outros.<sup>5</sup>Tende em vós os mesmos sentimentos que havia em Cristo Jesus.</strong></em></p>
<p><em><strong>[<sup>6</sup>Cristo Jesus, que era de condição divina, não Se valeu da sua igualdade com Deus, mas aniquilou-Se a Si próprio. <sup>7</sup>Assumindo a condição de servo, tornou-Se semelhante aos homens. Aparecendo como homem, <sup>8</sup>humilhou-Se ainda mais, obedecendo até à morte e morte de cruz. <sup>9</sup>Por isso Deus O exaltou e Lhe deu um nome que está acima de todos os nomes, <sup>10</sup>para que ao nome de Jesus todos se ajoelhem no céu, na terra e nos abismos, <sup>11</sup>e toda a língua proclame que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai.]</strong></em></p>
<p>É este um dos mais preciosos textos paulinos: o entranhável apelo à caridade – união fraterna e espírito de serviço – é alicerçado na humildade, a exemplo de Cristo, que, sem deixar de ser Deus, tomou a condição de servo, a fim de nos poder servir.</p>
<p>Ver notas <em>supra,</em> para a 2ª leitura da Festa da Exaltação da Santa Cruz (14 de Setembro).</p>
<h3>Aclamação ao Evangelho</h3>
<p><em> Jo 10, 27</em></p>
<p><strong>Monição</strong><strong>:</strong> Para Jesus não existe povo anónimo. Ele conhece cada um de nós pelo nome. Ao ouvirmos a Sua voz devemos escutar o Seu chamamento e segui-l’O sem indecisão, conforme as promessas feitas quando fomos baptizados.</p>
<h3>ALELUIA</h3>
<p><em><strong>As minhas ovelhas ouvem a minha voz, diz o Senhor;   Eu conheço-as e elas seguem-Me.</strong></em></p>
<h2>Evangelho</h2>
<p><em><strong>São Mateus </strong>21, 28-32</em></p>
<p><em><strong>Naquele tempo, disse Jesus aos príncipes dos sacerdotes e aos anciãos do povo: <sup>28</sup>«Que vos parece? Um homem tinha dois filhos. Foi ter com o primeiro e disse-lhe: ‘Filho,vai hoje trabalhar na vinha’. <sup>29</sup>Mas ele respondeu-lhe: ‘Não quero’. Depois, porém, arrependeu-se e foi. <sup>30</sup>O homem dirigiu-se ao segundo filho e falou-lhe do mesmo modo. Ele respondeu: ‘Eu vou, Senhor’. Mas de facto não foi. <sup>31</sup>Qual dos dois fez a vontade ao pai?» Eles responderam-Lhe: «O primeiro». Jesus disse-lhes: «Em verdade vos digo: Ospublicanos e as mulheres de má vida irão diante de vós para o reino de Deus. <sup>32</sup>João Baptista veio até vós, ensinando-vos o caminho da justiça, e não acreditastes nele; mas ospublicanos e as mulheres de má vida acreditaram. E vós, que bem o vistes, não vos arrependestes, acreditando nele».</strong></em></p>
<p>A parábola dos dois filhos, que é contada apenas no Primeiro Evangelho, pertence ao conjunto das controvérsias de Jesus com os judeus, que S. Mateus agrupa no ministério de Jesus em Jerusalém, capítulos 21-23, a partir de <em>Mt</em> 21, 23. A parábola visaria particularmente os fariseus, que se ufanavam da exacta fidelidade à Lei, aqui representados pelo filho que diz «<em>eu vou»</em>, mas que na realidade não faz a vontade de seu pai; também eles ficavam só em palavras e exterioridades. Jesus, por outro lado, põe em evidência que a conversão é possível e que os maiores pecadores, através da penitência, se podem tornar santos de primeira categoria. Para os fariseus, «<em>ospublicanos e as mulheres de má vida» </em>(vv. 31-32) eram dos pecadores mais abomináveis. Note-se que nunca se nomeiam as prostitutas entre as pessoas que seguiam na companhia de Jesus, mas apenas se diz que «<em>acreditaram»</em> (v. 32) e <em>irão diante dos príncipes dos sacerdotes e dos anciãos do povo para o reino de Deus</em> (v. 31), o que põe em evidência tanto o valor da conversão, como a misericórdia do coração de Cristo.</p>
<p><strong>Sugestões para a homilia</strong></p>
<p>As incoerências religiosas</p>
<p>A necessidade de conversão</p>
<p>O apelo de S. Paulo</p>
<p>As incoerências religiosas</p>
<p>Nesta parábola dos dois filhos, hoje escutada, somos confrontados com posições muito reais que se podem encarar como a repetição das nossas próprias incoerências.</p>
<p>Descobrimos três pessoas: <em>um pai e dois filhos</em>. Naturalmente identificamos o pai com Deus; o primeiro filho com Israel, o povo eleito; o segundo com os gentios, os não pertencentes ao povo israelita, mas que se converteram e foram os primeiros a labutar na «vinha».</p>
<p>A parábola inicialmente pode parecer-nos perturbadora. Todavia, Jesus vem avaliar a nossa franqueza e a nossa lealdade. Ainda hoje Deus continua a ter dois filhos: na Igreja, nas nossas comunidades cristãs, no mundo&#8230; subsistem sempre os dois filhos. Uns solicitam o Baptismo, dizem «sim», mas, logo, na vida real, o seu «sim» é mudado em muitos «nãos». Porém, existem muitas pessoas que nunca aceitaram claramente a Deus, mas na sua experiência diária amam o irmão, dedicam-se aos outros, praticam desprendidamente a caridade.</p>
<p>Sob uma fictícia teimosia, pode existir um verdadeiro amor que no instante próprio se exterioriza francamente. No oposto, certas formas de obediência podem constituir apenas desinteresse, por falta de amor autêntico. É o facto das pessoas que pronunciam sempre «sim», porque não são capazes de dizer «não»: verdadeiramente nunca passam das palavras às obras, não sentem necessidade de conversão.</p>
<p>A necessidade de conversão</p>
<p>Jesus, como desfecho da parábola, pôs em confrontação a disposição dos filhos do Povo Eleito com a dos pagãos. De igual modo, o profeta Ezequiel – como escutamos na primeira leitura &#8211; comparou o modo de julgar do povo israelita com a maneira como Deus procede. Ninguém acarreta os delitos dos outros. Pelo brado do profeta, Deus pretende repreender os esquemas simplistas com que, às vezes, classificamos sem recurso as pessoas, ou as fazemos joguetes das desgraças. Para Deus todo o homem, mesmo grande pecador, tem capacidade de se converter, como também aquele que se acha bom e justo, pode cair. O Senhor conhece-nos bem e espera que empreguemos conscientemente a nossa autonomia.</p>
<p>As palavras do profeta, confirmadas pelas sentenças de Jesus no final da parábola, são palavras fortes, que encerram uma denúncia sempre actual. Devemos pensar séria e autenticamente sobre elas, para ver qual é a nossa forma de agir: se copiamos os que se pensam bons e não fazem nenhuma tentativa por se converterem, ou se respeitosamente nos identificamos pecadores e com mansidão nos convertemos ao Senhor, consoante o apelo de S. Paulo.</p>
<p>O apelo de S. Paulo</p>
<p>A segunda leitura vem fortalecer as duas leituras antecedentes. A comunidade de Filipos era admirável e Paulo vangloriava-se dela. Mas lá, como também acontece nas nossas melhores comunidades, havia a dificuldade da inveja entre cristãos. Existia quem desejasse distinguir-se, não olhando ao estilo como agia, pretendendo ter o encargo de alguma função a seus olhos relevante (a proclamação da Palavra durante as celebrações litúrgicas, a administração dos bens da comunidade, a organização da vida comunitária, a responsabilidade pelos cânticos&#8230;). É verdade que aspiravam a tais incumbências para ajudar os irmãos, mas também para afirmação própria, para mandar, para se exibirem.</p>
<p>Paulo, que sempre guardara muito afecto pelos Filipenses, pede-lhes que lhe dêem a imensa alegria de conviverem sem interesse, sem espírito de preponderância, mas unidos em efectiva caridade, não pretendendo o próprio proveito, mas o dos outros. O Apóstolo não se apraz em aconselhar: alude ao modelo, Jesus Cristo, e pede que nas relações recíprocas retratem a sensibilidade e maneiras de Jesus.</p>
<p>Tomara que com a reflexão destes textos, escritos há mais de dois mil anos, mas actuais, consigamos corrigir alguma postura menos correcta que em nós ainda persista, a fim de sermos verdadeiras testemunhas de Jesus Cristo, presente através de cada um de nós, no mundo de hoje.</p>
<p><strong>LITURGIA EUCARÍSTICA</strong></p>
<p>ORAÇÃO SOBRE AS OBLATAS: Deus de misericórdia infinita, aceitai esta nossa oblação e fazei que por ela se abra para nós a fonte de todas as bênçãos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.</p>
<p><strong>SANTO</strong></p>
<p>Monição da Comunhão</p>
<p>Que a comunhão do vosso Corpo, que vamos receber, nos auxilie a não nos atraiçoarmos a nós mesmos executando normas vazias de conteúdo, mas nos amplie a inclinação para acolher o dom de Deus sabendo-o pôr em prática no serviço generoso e desinteressado à nossa comunidade e a todos os irmãos.</p>
<p><em>Salmo</em> 118, 9-5</p>
<p>ANTÍFONA DA COMUNHÃO: Senhor, lembrai-Vos da palavra que destes ao vosso servo. A consolação da minha amargura é a esperança na vossa promessa.</p>
<p>Ou</p>
<p>1 <em>Jo</em> 3, 16</p>
<p>Nisto conhecemos o amor de Deus: Ele deu a vida por nós; também nós devemos dar a vida pelos nossos irmãos.</p>
<p>ORAÇÃO DEPOIS DA COMUNHÃO: Fazei, Senhor, que este sacramento celeste renove a nossa alma e o nosso corpo, para que, unidos a Cristo neste memorial da sua morte, possamos tomar parte na sua herança gloriosa. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.</p>
<p><strong>RITOS FINAIS</strong></p>
<p>Monição final</p>
<p>Fomos hoje convidados a converter a nossa forma de actuar como sendo o terceiro filho de que não fala a parábola. Esse filho é aquele que diz «sim» e vai mesmo trabalhar desapaixonadamente na vinha do Senhor. Que assim suceda no nosso dia-a-dia.</p>
<p>Celebração e Homilia:           ANTÓNIO E. PORTELA</p>
<p>Nota Exegética:                      GERALDO MORUJÃO</p>
<p>Sugestão Musical:                 DUARTE NUNO ROCHA    	</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Homilia do D. Henrique Soares da Costa – XXVI Domingo do Tempo Comum – Ano A</title>
		<link>https://presbiteros.org.br/homilia-do-d-henrique-soares-da-costa-xxvi-domingo-do-tempo-comum-ano-a-2/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Pe. Demétrio Gomes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 21 Sep 2026 12:36:55 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Homilias]]></category>
		<category><![CDATA[Homilias Dominicais]]></category>
		<category><![CDATA[Subsídios Litúrgicos]]></category>
		<category><![CDATA[xxvi domingo do tempo comum ano a 2026]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Ez 18,25-28 Sl 24 Fl 2,1-11 Mt 21,28-32 A Palavra de Deus deste Domingo recorda-nos que nossa relação com o Senhor não é algo estático, congelado, adquirido uma vez por todas. Ninguém pode dizer que possui uma amizade permanente com o Senhor, amizade que é garantida para sempre e não poderia jamais ser perdida. Não! [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">Ez 18,25-28</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">Sl 24</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">Fl 2,1-11</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">Mt 21,28-32</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A Palavra de Deus deste Domingo recorda-nos que nossa relação com o Senhor não é algo estático, congelado, adquirido uma vez por todas. Ninguém pode dizer que possui uma amizade permanente com o Senhor, amizade que é garantida para sempre e não poderia jamais ser perdida. Não! Não é assim! Nossa relação com o Senhor é um caminho, caminho dinâmico, que vai se configurando na nossa vida, crescendo ou diminuindo, aprofundando-se ou morrendo, conforme nossa atitude em cada fase de nossa existência. O Senhor é sempre fiel, não muda jamais; quanto a nós, devemos cuidar de ir sempre crescendo, de fé em fé, de esperança em esperança, de amor em amor, na nossa relação com o Senhor. É isto que as leituras de Ezequiel e do Evangelho nos sugerem. O profeta Ezequiel, em nome de Deus, previne: </span><i><span style="font-weight: 400;">“Quando o justo se desvia da justiça, pratica o mal e morre, é por causa do mal praticado que ele morre!” </span></i><span style="font-weight: 400;">Eis, que exemplo trágico: o amigo de Deus que morre para a vida com Deus! E por quê? Porque se descuidou e foi matando a relação com o Senhor, a ponto de matar Deus no seu coração e morrer para a relação com Deus! Ninguém pode dizer: “Já fiz tanto, já dei tanto ao Senhor, já renunciei tanto. Agora basta! Vou estacionar!” Isso seria regredir, definhar no caminho do Senhor, morrer para a vida com Deus! Mas, o contrário também é verdadeiro. Escutemos: </span><i><span style="font-weight: 400;">“Quando um ímpio se arrepende da maldade que praticou e observa o direito e a justiça, conserva a própria vida. Arrependendo-se de todos os seus pecados, com certeza viverá; não morrerá!”</span></i><span style="font-weight: 400;"> Eis a bondade do Senhor, que não nos prende no passado pecaminoso: Senhor da vida, teu amor nos faz recomeçar sempre! Não há desculpas para não mudarmos de vida, para não recomeçarmos, para não deixarmos nosso atoleiro de pecado, de vício de preguiça espiritual! O Senhor nos espera sempre hoje, no aqui e no agora; ainda que não muitas vezes não acreditemos mais em nós mesmos, ele continua crendo em nós, ele nos dá sempre a chance de experimentar seu perdão e sua misericórdia!</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O que o Senhor falou pela boca de Ezequiel, Jesus confirma na parábola do Evangelho deste hoje. Quem são os dois filhos? O primeiro, que não queria obedecer ao pai, mas depois se arrependeu, são os pecadores que, arrependidos e humilhados, de coração acolheram Jesus e o Reino que ele veio anunciar; o segundo filho, que prometeu fazer a vontade do pai e, depois, fez como bem quis e entendeu, são aqueles escribas e fariseus, justos aos seus próprios olhos, caprichosos e autossuficientes, que terminaram perdendo o Reino de Deus por recusarem acolher Jesus e sua palavra. Eis, caríssimos: o que estamos sendo diante de Deus? Estamos sendo generosos para com ele? Temos acolhido sua vontade na nossa vida? Temos sido atentos aos seus apelos? Deveríamos sempre progredir no caminho do Senhor… Progredimos quando o amamos, quando fazemos sua vontade, quando a ele nos dedicamos; progredimos quando crescemos na virtude, progredimos quando somos fiéis aos nossos compromissos para com ele… Mas, entre nós, há aqueles que regridem, que esmorecem, que esfriam e se afastam… aqueles que pensam que podem ser cristãos numa atitude de comodismo burguês…</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Que fazer para não parar? Que fazer para crescer no caminho do Senhor? São Paulo nos indica um caminho de grande beleza, simplicidade e eficácia, um caminho indispensável a todos nós! Quereis crescer na estrada de Deus? Quereis experimentar seu amor? Quereis viver de verdade? Então, </span><i><span style="font-weight: 400;">“tende em vós o mesmo sentimento de Cristo Jesus!”</span></i><span style="font-weight: 400;"> Que conselho! Contemplar Jesus, aprender dele, do seu coração, seus sentimentos de total amor e total doação em relação ao Pai e a nós; aprender sua doçura, sua humildade, sua obediência radical ao Pai: </span><i><span style="font-weight: 400;">“Ele, existindo na condição divina, esvaziou-se a si mesmo, assumindo a condição de escravo, tornando-se igual aos homens, fazendo-se obediente até à morte, e morte de cruz”.</span></i><span style="font-weight: 400;"> Caríssimos, em Cristo, temos o hábito de pensar em Jesus, de contemplar essa sua atitude? Olhemos a cruz, aprendamos a lição do Senhor! Cristo nunca se buscou a si próprio, mas esvaziou-se totalmente, desejando somente a vontade do Pai. Por isso foi livre, por isso foi a mais perfeita e completa manifestação do Reino de Deus, pois isso o Pai o exaltou, o glorificou, encheu-o de vida plena!</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Pois, bem, o Apóstolo nos convida a contemplar Jesus, escutar Jesus, para adquirir os sentimentos de Jesus e, assim, viver a vida de Jesus. Viver assim, é ser amigo de Deus, é viver de verdade e tornar-se sinal de vida divina para os outros. Isso os cristãos deveriam ser; isso a Igreja deve ser! Pensem no quadro encantador que São Paulo traça: </span><i><span style="font-weight: 400;">“Se existe consolação na vida em Cristo, se existe alento no mútuo amor, se existe comunhão no Espírito, se existe ternura e compaixão… aspirai à mesma coisa, unidos no mesmo amor; vivei em harmonia, procurando a unidade. Nada façais por competição ou vanglória, mas, com humildade, e cada um não cuide somente do que é seu, mas também do que é do outro!”</span></i><span style="font-weight: 400;"> Eis, caríssimos, o que é ter os sentimentos do Cristo; eis o que é viver para Deus; eis o que é ser já agora, testemunha daquela verdadeira vida que o Senhor nos dará por toda a eternidade! Cresçamos nesse caminho, progridamos nessa vida, para vivermos de verdade. Como pede a oração inicial desta Santa Missa: </span><i><span style="font-weight: 400;">“Ó Deus, derramai em nós a vossa graça, para que, caminhando ao encontro das vossas promessas, alcancemos os bens que nos reservais!”</span></i><span style="font-weight: 400;"> Amém.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><b>Henrique Soares</b>    	</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Homilia do D. José Maria Pereira – XXVI Domingo do Tempo Comum – Ano A</title>
		<link>https://presbiteros.org.br/homilia-do-d-jose-maria-pereira-xxvi-domingo-do-tempo-comum-ano-a/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Pe. Demétrio Gomes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 21 Sep 2026 12:36:41 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Homilias]]></category>
		<category><![CDATA[Homilias Dominicais]]></category>
		<category><![CDATA[Subsídios Litúrgicos]]></category>
		<category><![CDATA[xxvi domingo do tempo comum ano a 2026]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Orgulho: Máximo Obstáculo à Salvação! Dom José Maria Pereira Hoje, o Evangelho (Mt 21, 28-32) apresenta-nos a parábola dos dois filhos enviados pelo pai para trabalhar na sua vinha. Um deles diz, imediatamente sim, mas, depois, não vai; o outro, ao contrário, recusa-se, imediatamente, mas, depois, tendo-se arrependido, obedece ao desejo paterno. À pergunta de [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Orgulho: Máximo Obstáculo à Salvação!</strong></p>
<p><strong>Dom José Maria Pereira</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Hoje, o Evangelho (Mt 21, 28-32) apresenta-nos a parábola dos dois filhos enviados pelo pai para trabalhar na sua vinha. Um deles diz, imediatamente sim, mas, depois, não vai; o outro, ao contrário, recusa-se, imediatamente, mas, depois, tendo-se arrependido, obedece ao desejo paterno. À pergunta de Jesus sobre qual dos dois cumprira a vontade do pai, os ouvintes respondem: “O primeiro” (Mt 21, 31). A mensagem da parábola é clara: Não são as palavras que contam, mas o agir, os atos de conversão e de fé. Jesus, no trecho evangélico, insiste, porém, sobre um aspecto importante: sobre a concretude da resposta. A adesão do homem a Deus é livre, mas deve ser concreta e eficiente. Não é quem diz “Senhor, Senhor” que entra no Reino dos Céus, mas quem faz a vontade de Deus. Não quem se contenta com pios sentimentos e veleidades, mas quem arregaça as mangas e traduz em gestos e fatos de vida cotidiana a vontade de Deus. Dos dois filhos da parábola, Jesus diz que prefere aquele que recusa por palavras, mas depois se arrepende e faz aquilo que o pai lhe pediu; prefere a este porque o outro diz sim ao pai, mas depois não faz nada e não vai para a lavoura trabalhar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"> Com esta parábola, Jesus recorda a sua predileção pelos pecadores que se convertem e ensina-nos que é preciso humildade para acolher o dom da salvação. Jesus dirige esta mensagem aos sumos sacerdotes e aos anciãos do povo de Israel, isto é, aos peritos da religião do seu povo. Esses começam por dizer “sim” à Vontade de Deus; mas a sua religiosidade torna-se rotineira, e Deus já não os inquieta. Por isso sentem a mensagem de João Batista e a de Jesus como um incômodo. E, assim, o Senhor conclui a sua parábola, com estas palavras: “Os cobradores de impostos e as prostitutas vos precedem no Reino de Deus. Porque João veio até vós, num caminho de justiça, e vós não acreditastes nele. Ao contrário, os cobradores de impostos e as prostitutas creram nele. Vós, porém, mesmo vendo isso, não vos arrependestes para crer nele” (Mt 21,31-32). É urgente que nos interroguemos: Como é minha relação pessoal com Deus na oração, na participação da Missa dominical, no aprofundamento da fé por meio da meditação da Sagrada Escritura e do estudo do Catecismo da Igreja Católica? Em última análise, a renovação da Igreja só poderá realizar-se através da disponibilidade à conversão e de uma fé renovada.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se descuidarmos de procurar, com mais diligência, consolidar nossa vocação e eleição (2Pd 1,10), mediante uma contínua conversão do coração, é contra nós que se dirige a Palavra de Jesus: Os publicanos e as meretrizes vos precedem no Reino de Deus. A salvação é coisa pessoal e se decide na atitude que cada um assume diante de Deus e de seu anúncio. Cada um tem a possibilidade de se salvar, mas somente se o quiser; sinal disso é o perdão que Deus dá sempre e generosamente a quem decide deixar a vida do mal para converter – se a Ele de todo o coração. Diz Santo Agostinho: “Aquele que te criou sem a tua vontade não te salva se tu não queres”. Sinal dessa liberdade do homem é sua capacidade de se converter do mal para o bem, de mau tornar – se bom e, por outro lado, a capacidade de se perverter, passando de bom para réprobo. Ninguém, portanto, está condicionado, irremediavelmente, na vida pelo seu passado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se os adversários de Jesus não acreditaram na Sua palavra e não se converteram, foi, principalmente, por orgulho, o bicho roedor de todo o bem e máximo obstáculo à salvação. Por isso, surge muito a propósito, a exortação de São Paulo à Virtude da humildade: “Tende entre vós o mesmo sentimento que existe em Cristo Jesus. Ele que era de condição divina…esvaziou-se a Si mesmo, assumindo a condição de escravo, tornando –se igual aos homens” (Fl.2,5-7). Se o Filho de Deus Se humilhou ao ponto de carregar sobre Si os pecados dos homens, será pedir muito que esses sejam humildes no reconhecimento do seu orgulho e dos seus pecados? Assim como Cristo estava totalmente unido ao Pai e era-Lhe obediente, assim também os seus discípulos devem obedecer a Deus e manter entre si um mesmo sentir.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com a exortação da unidade, Paulo associa o apelo à humildade. Diz: “Não façais nada por competição ou vanglória, mas, com humildade, cada um julgue que o outro é mais importante, e não cuide somente do que é seu, mas também do que é do outro” (Fl 2, 3-4). A vida cristã é uma “existência-para”: um viver para o outro, um compromisso humilde a favor do próximo e do bem comum. A humildade é uma virtude que, no mundo de hoje, e, de modo geral, de todos os tempos, não goza de grande estima. Mas os discípulos do Senhor sabem que esta virtude é, por assim dizer, o óleo que torna fecundos os processos de diálogo, possível a colaboração e cordial a unidade. As pessoas humildes vivem com ambos os pés na terra; mas, sobretudo, escutam Cristo, a Palavra de Deus, que, ininterruptamente, renova a Igreja e cada um dos seus membros.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Peçamos ao Senhor a graça de progredirmos na virtude da humildade, fundamento de todas as outras; pois a humildade, ensina o Cura D’Ars, “é a porta pela qual passam as graças que Deus nos outorga; é ela que amadurece todos os nossos atos, dando –lhes valor e fazendo com que sejam agradáveis a Deus. Finalmente, constitui-nos donos do coração de Deus, até fazer Dele, por assim dizer, nosso servidor, pois Deus nunca pode resistir a um coração humilde”.  É uma virtude que não consiste essencialmente em reprimir os impulsos da soberba, da ambição, do egoísmo, da vaidade … Trata-se de uma virtude que consiste, fundamentalmente, em inclinar-se diante de Deus e diante de tudo o que há de Deus nas criaturas, em reconhecer a nossa pequenez e indigência em face da grandeza do Senhor. As almas santas sentem uma alegria muito grande em aniquilar-se diante de Deus, em reconhecer que só Ele é grande e que, em comparação com a d’Ele, todas as grandezas humanas estão vazias de verdade e não são mais do que mentira. Este aniquilamento não reduz, não encurta as verdadeiras aspirações da criatura, mas enobrece-as e concede-lhes novas asas, abre-lhes horizontes mais amplos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A humildade far-nos-á descobrir que todas as coisas boas, que existem em nós, vêm de Deus, tanto no âmbito da natureza como no da graça: “Diante de Ti, Senhor, a minha vida é como um nada” (Sl.39(38),6). Somente a fraqueza e o erro é que são especificamente nossos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A humildade nada tem a ver com a timidez ou a mediocridade. Os santos foram homens magnânimos, capazes de grandes empreendimentos para a glória de Deus. O humilde é audaz, porque conta com a graça do Senhor, que tudo pode, porque recorre com frequência à oração, convencido da absoluta necessidade da ajuda divina. E, por ser simples e nada arrogante ou autossuficiente, atrai as amizades, que são veículo para uma ação apostólica eficaz e de longo alcance. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A soberba e a tristeza andam frequentemente de mãos dadas, enquanto a alegria é patrimônio da alma humilde.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Hoje, o Senhor envia-nos a trabalhar na sua vinha. Somos o filho que diz sim ou o que diz não? Somos o primeiro ou o segundo? Seria melhor que fôssemos como o terceiro filho, do qual a parábola não fala: aquele que diz sim e vai mesmo!</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Vale perguntarmo-nos: Como vai a nossa fé? Quais são nossos critérios e princípios? Levamos a sério estarmos no mundo como peregrinos, mas nosso destino é a eternidade? O que significa dizer “sim” a Deus? Na parábola apresentada por Jesus, afirma-se que não bastam palavras e declarações de boas intenções; é preciso lutar para viver, dia a dia, os valores do Evangelho, apoiados na graça de Deus.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Diante da proposta de Nosso Senhor, temos dois caminhos: ou dizer “sim” a Deus, e colaborar com Ele ou escolher caminhos de egoísmo, de comodismo, fugindo do compromisso sério e coerente que Deus nos pede. O “sim,” que Deus pede, não se reduz à declaração teórica de boas intenções; é compromisso firme e exigente com o Reino, com os valores de Jesus Cristo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E Nosso Senhor compromete-se em nos dar as graças para sermos fiéis. Quando falharmos, começaremos de novo pelo Sacramento da Confissão. Ele nos aguarda nesse Sacramento, invenção de seu amor para purificar-nos e dar graças de renovação.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O que importa mesmo não é parecer, mas ser realmente; realizar, na vida, o plano de Deus. Para tal, que tenhamos “o mesmo sentimento que existe em Cristo Jesus” (Fl. 2,5). Para evitar as aparências que enganam, a Palavra de Deus convida-nos a guiar-nos pelas atitudes de Cristo. Importa entrar na atitude de humildade, reconhecendo em tudo o dom de Deus. Quem se considera justo e perfeito, corre o risco de perder esse dom, porque já se apropriou da santidade.  A parábola dos dois filhos deve alertar-nos contra o farisaísmo das aparências e conduzir-nos à essência das coisas geradas na humildade.  Sejamos humildes, sinceros. As aparências enganam!</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dia da Bíblia!</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O que motivou a escolha do mês de setembro como mês da Bíblia é o fato de a Igreja celebrar, no dia 30, São Jerônimo. Trata-se de um Doutor da Igreja, um Padre, teólogo e tradutor que dedicou sua vida à interpretação e tradução dos textos sagrados para a língua latina. Comentou-a em suas obras e sobretudo empenhou-se em vive-la concretamente em sua longa existência terrena (cf. Bento XVl, Audiência Geral, 07 nov. 2007). O testemunho de sua vida, certamente, nos ensina amar a Palavra de Deus na Sagrada Escritura.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ensina o Catecismo da Igreja Católica, no número 104: “Na Sagrada Escritura, a Igreja encontra, incessantemente, seu alimento e sua força, pois nela não acolhe somente uma palavra humana, mas o que ela é realmente: a Palavra de Deus. Com efeito, nos Livros Sagrados, o Pai que está nos Céus vem carinhosamente ao encontro de seus filhos e com eles fala”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“Pois, a Palavra de Deus é viva, eficaz e mais penetrante que qualquer espada de dois gumes” (Hb 4,12).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“A Igreja sempre venerou as divinas Escrituras da mesma forma como o próprio Corpo do Senhor” (DV 21): ambos alimentam e dirigem toda a vida cristã. “Tua Palavra é a lâmpada para meus pés, e luz para meu caminho” (Sl119(118), 105.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com efeito, “ignorar as Escrituras é ignorar Cristo” (São Jerônimo).  </span></p>
<p><b>Dom José Maria Pereira</b></p>
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		<title>XXVI Domingo do Tempo Comum – Ano A</title>
		<link>https://presbiteros.org.br/xxvi-domingo-do-tempo-comum-ano-a-2/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Pe. Demétrio Gomes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 21 Sep 2026 12:36:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Homilética]]></category>
		<category><![CDATA[Subsídios Litúrgicos]]></category>
		<category><![CDATA[xxvi domingo do tempo comum ano a 2026]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://presbiteros.org.br/?p=24038</guid>

					<description><![CDATA[<p>Leituras e subsídios para liturgia e homilia do XXVI Domingo do Tempo Comum – Ano A</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Leituras e subsídios para liturgia e homilia:</p>
<ul>
<li><a href="https://presbiteros.org.br/roteiro-homiletico-xxvi-domingo-do-tempo-comum-ano-a-2/">Roteiro Homilético</a></li>
<li><a href="https://presbiteros.org.br/homilia-do-d-henrique-soares-da-costa-xxvi-domingo-do-tempo-comum-ano-a-2/">Homilia do D. Henrique Soares da Costa</a></li>
<li><a href="https://presbiteros.org.br/homilia-do-d-jose-maria-pereira-xxvi-domingo-do-tempo-comum-ano-a/">Homilia do D. José Maria Pereira</a></li>
<li><a href="https://presbiteros.org.br/homilia-do-d-anselmo-chagas-de-paiva-osb-xxvi-domingo-do-tempo-comum-ano-a/">Homilia do D. Anselmo Chagas de Paiva, OSB</a></li>
<li><a href="https://presbiteros.org.br/preces-xxvi-domingo-do-tempo-comum-ano-a-2/">Preces</a></li>
</ul>


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