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	<title>Presbíteros</title>
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	<description>Uma ampla biblioteca para formação permanente, com temas de espiritualidade, pastoral, teologia, direito canônico e liturgia, além de roteiros homiléticos e diversos outros materiais, sempre em total sintonia com o Magistério da Igreja.</description>
	<lastBuildDate>Mon, 17 Aug 2026 18:07:46 +0000</lastBuildDate>
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		<title>Roteiro Homilético – XXI Domingo do Tempo Comum – Ano A</title>
		<link>https://presbiteros.org.br/roteiro-homiletico-xxi-domingo-do-tempo-comum-ano-a-2/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Pe. Demétrio Gomes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 17 Aug 2026 18:07:11 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Roteiros Homiléticos]]></category>
		<category><![CDATA[Subsídios Litúrgicos]]></category>
		<category><![CDATA[xxi domingo do tempo comum ano a 2026]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>RITOS INICIAIS &#160; Salmo 85, 1-3 ANTÍFONA DE ENTRADA: Inclinai o vosso ouvido e atendei-me, Senhor, salvai o vosso servo, que em vós confia. Tende compaixão de mim, Senhor, que a Vós clamo dia inteiro. &#160; Introdução ao espírito da Celebração &#160; O Senhor distribuiu o governo do mundo por uma grande multidão de pessoas: pelos pais [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2>RITOS INICIAIS</h2>
<p>&nbsp;</p>
<p><i>Salmo</i> 85, 1-3</p>
<p>ANTÍFONA DE ENTRADA: Inclinai o vosso ouvido e atendei-me, Senhor, salvai o vosso servo, que em vós confia. Tende compaixão de mim, Senhor, que a Vós clamo dia inteiro.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h3>Introdução ao espírito da Celebração</h3>
<p>&nbsp;</p>
<p>O Senhor distribuiu o governo do mundo por uma grande multidão de pessoas: pelos pais e outros educadores; pelos governantes a todos os níveis; pelos estão à frente destas empresas; e pelas autoridades incumbidas de manter a ordem, como condição indispensável para o bem comum.</p>
<p>A Liturgia da Palavra deste Domingo fala-nos sobre o modo como usamos a autoridade que nos foi confiada pelo Senhor.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h3>ACTO PENITENCIAL</h3>
<p>&nbsp;</p>
<p>Somos tentados a encarar a autoridade que nos é confiada a um poder que temos possibilidade de uma afirmação pessoal diante dos outros, a transformá-lo numa fonte de benefícios pessoais, ou a renunciar a exercê-lo, por preguiça ou por cobardia.</p>
<p>Peçamos humildemente perdão pelas vezes que nos temos deixar vencer por alguma destas tentações.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>(<i>Tempo de silêncio. Apresentamos, como alternativa, elementos para o esquema C</i>)</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>•   Para as vezes em que temos encolhido os ombros e fechado os olhos,</p>
<p>por cobardia em exercer a autoridade que nos foi confiada na vida,</p>
<p>Senhor, misericórdia!</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><b>    Senhor, misericórdia!</b></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>•   Para as vezes em que, passando por sobre os direitos dos outros,</p>
<p>tentamos comprar favores aos que têm autoridade, prejudicando-os,</p>
<p>Cristo, misericórdia!</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><b>    Cristo, misericórdia!</b></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>•   Para a nossa recusa preguiçosa em colaborar com outras pessoas</p>
<p>nas iniciativas que se destinam a ajudar os que precisam de nós,</p>
<p>Senhor, misericórdia!</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><b>    Senhor, misericórdia!</b></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Deus todo poderoso tenha compaixão de nós,</p>
<p>perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>ORAÇÃO COLECTA: Senhor Deus, que unis os corações dos fiéis num único desejo, fazei que o vosso povo ame o que mandais e espere o que prometeis, para que, no meio da instabilidade deste mundo, fixemos os nossos corações onde se encontra as verdadeiras alegrias. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<h2>LITURGIA DA PALAVRA</h2>
<p>&nbsp;</p>
<h3>Primeira Leitura</h3>
<p>&nbsp;</p>
<p><b>Monição:</b> Isaías fala-nos de Chebna – um mau administrador do reino – que vai ser excluído do cargo por desviar o trabalho que lhe foi confiado para proveito próprio.</p>
<p>Todos somos administradores e o Senhor há-de pedir-nos contas do modo como nos conduzimos nesta administração.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em><b>Isaías</b> 22, 19-23</em></p>
<p><strong><em>Eis o que diz o Senhor: a Chebna, administrador do palácio: <sup>19</sup>«Vou expulsar-te do teu cargo, remover-te do teu posto. <sup>20</sup>E nesse mesmo dia chamarei o meu servo Eliacim, filho de Elcias. <sup>21</sup>Hei-de revesti-lo com a tua túnica, hei-de pôr-lhe à cintura a tua faixa, entregar-lhe nas mãos os teus poderes. E ele será um pai para os habitantes de Jerusalém e para a casa de Judá. <sup>22</sup>Porei aos seus ombros a chave da casa de David: há-de abrir, sem que ninguém possa fechar; há-de fechar, sem que ninguém possa abrir. <sup>23</sup>Fixá-lo-ei como uma estaca em lugar firme e ele será um trono de glória para a casa de seu pai».</em></strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Quase a terminar a série de «oráculos conta as nações estrangeiras» (Is 13 – 23) aparecem no livro de Isaías dois oráculos, um contra Jerusalém (Is 22, 1-14) e outro contra Chebna (<i>Is</i> 22, 15-19) e contra o seu sucessor Eliaquim (vv. 24-25). O texto fala da entrega dos poderes da administração da cidade a este homem (vv. 20-22), inicialmente honesto (v. 23), mas que acaba de cair no mesmo vício do nepotismo: «penduram-se nele todos os nobres da casa de seu pai, filhos e netos» (v. 24), uma censura que já não aparece na leitura de hoje; esta limita-se a falar da investidura no cargo em termos solenes e simbólicos: como insígnia, tinha uma banda sobre o ombro na qual trazia uma chave, símbolo do poder de administrar; com esta mesma imagem e servindo-se da mesma expressão de Isaías, o Apocalipse representa assim Jesus Cristo (<i>Apoc</i> 3, 7). Certamente que 1ª leitura foi escolhida, como é frequente acontecer, em função do Evangelho do dia, que fala do poder das chaves dado a Pedro (cf. <i>Mt</i> 16, 19).</p>
<p>&nbsp;</p>
<h3>Salmo Responsorial</h3>
<p><em>Sl 137(138), 1-2a. bc-3.6. 8 bc (R. 8bc)</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><b>Monição:</b> O salmista entoa um cântico de louvor ao Altíssimo e convida-nos a acompanhá-lo nesta oração, pela Sua bondade para connosco.</p>
<p>Aceitemos o seu convite e cantemos esta oração de louvor que o Espírito Santo coloca nos nossos lábios.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Refrão:</strong>        <em>SENHOR, A VOSSA MISERICÓRDIA É ETERNA:  NÃO ABANDONEIS A OBRA DAS VOSSAS MÃOS.</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Ou:              <em>PELA VOSSA MISERICÓRDIA, NÃO NOS ABANDONEIS, SENHOR.</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong><em>De todo o coração, Senhor, eu Vos dou graças</em></strong></p>
<p><strong><em>porque ouvistes as palavras da minha boca.</em></strong></p>
<p><strong><em>Na presença dos Anjos Vos hei-de cantar</em></strong></p>
<p><strong><em>e Vos adorarei, voltado para o vosso templo santo.</em></strong></p>
<p><strong><em> </em></strong></p>
<p><strong><em>Hei-de louvar o vosso nome pela vossa bondade</em></strong></p>
<p><strong><em>e fidelidade,</em></strong></p>
<p><strong><em>porque exaltastes acima de tudo o vosso nome</em></strong></p>
<p><strong><em>e a vossa promessa.</em></strong></p>
<p><strong><em>Quando Vos invoquei, me respondestes,</em></strong></p>
<p><strong><em>aumentastes a fortaleza da minha alma.</em></strong></p>
<p><strong><em> </em></strong></p>
<p><strong><em>O Senhor é excelso e olha para o humilde,</em></strong></p>
<p><strong><em>ao soberbo conhece-o de longe.</em></strong></p>
<p><strong><em>Senhor, a vossa bondade é eterna,</em></strong></p>
<p><strong><em>não abandoneis a obra das vossas mãos.</em></strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<h3>Segunda Leitura</h3>
<p>&nbsp;</p>
<p><b>Monição:</b> S. Paulo convida-nos a contemplar a riqueza, a sabedoria e a ciência de Deus que, às vezes, parecendo desconcertante, realiza os Seus projectos da nossa salvação.</p>
<p>Resta que nos entreguemos cheios de confiança nas mãos de Deus e deixemos Ele conduza a nossa vida.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em><b>Romanos</b> 11, 33-36</em></p>
<p><strong><em><sup>33</sup>Como é profunda a riqueza, a sabedoria e a ciência de Deus! Como são insondáveis os seus desígnios e incompreensíveis os seus caminhos! <sup>34</sup>Quem conheceu o pensamento do Senhor? Quem foi o seu conselheiro? <sup>35</sup>Quem Lhe deu primeiro, para que tenha de receber retribuição? <sup>36</sup>D’Ele, por Ele e para Ele são todas as coisas. Glória a Deus para sempre.</em></strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>S. Paulo desata em exclamações de louvor entusiástico a Deus, ao contemplar o seu plano salvífico: Deus escolhe Israel para seu povo; dada a infidelidade deste, chama os gentios à fé; e, por fim, todos formarão um só e mesmo povo no Reino de Deus.</p>
<p><strong>36</strong> «<i>D’Ele, por Ele e para Ele são todas as coisas», </i>uma expressão que introduz a doxologia final, com que se encerra a parte doutrinal da epístola: «<i>Glória a Deus para sempre. Amen».</i> Assim parafraseia a expressão J. M. Bover: «Todas as coisas procedem de Deus <i>(d’Ele),</i> pois é o Criador; subsistem por <i>(Ele)</i> Deus, que é o Conservador; olham e tendem para Deus <i>(para Ele), </i>como seu último fim».</p>
<p>&nbsp;</p>
<h3>Aclamação ao Evangelho<i>        </i></h3>
<p><em>Mt 16, 18</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><b>Monição:</b> O Senhor fundou a Sua Igreja para nos servir os bens a Salvação eterna e colocou à frente o Santo Padre para ser o primeiro e o exemplo de servidor.</p>
<p>Agradeçamos ao Senhor este dom e aclamemos o Evangelho que no-lo anuncia.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h3>ALELUIA</h3>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong><em>Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja e as portas do inferno não prevalecerão contra ela.</em></strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<h2> Evangelho</h2>
<p>&nbsp;</p>
<p><em><b>São Mateus</b> 16, 13-19</em></p>
<p><strong><em>Naquele tempo, <sup>13</sup>Jesus foi para os lados de Cesareia de Filipe e perguntou aos seus discípulos: «Quem dizem os homens que é o Filho do homem?». <sup>14</sup>Eles responderam: «Uns dizem que é João Baptista, outros que é Elias, outros que é Jeremias ou algum dos profetas». Jesus perguntou: <sup>15</sup>«E vós, quem dizeis que Eu sou?». <sup>16</sup>Então, Simão Pedro tomou a palavra e disse: «Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo». <sup>17</sup>Jesus respondeu-lhe: «Feliz de ti, Simão, filho de Jonas, porque não foram a carne e o sangue que to revelaram, mas sim meu Pai que está nos Céus. <sup>18</sup>Também Eu te digo: Tu és Pedro sobre esta pedra edificarei a minha Igreja e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. <sup>19</sup>Dar-te-ei as chaves do reino dos Céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos Céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos Céus».</em></strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O texto da leitura consta de duas partes distintas, mas intimamente ligadas: a confissão de fé de Pedro (vv. 13-16), comum a Marcos 8, 27-30 e a Lucas 9, 18-21 (cf. <i>Jo</i> 6, 67-71), e a promessa feita a Pedro (vv. 17-19), exclusiva de Mateus (cf. <i>Jo</i> 21, 15, 23).</p>
<p><strong>13</strong> «<i>Cesareia de Filipe»</i> era a cidade construída por Filipe, filho de Herodes, o Grande, em honra do César romano, nas faldas do Monte Hermon, a uns 40 quilómetros a Nordeste do Lago de Genesaré.</p>
<p><strong>13-17</strong> «<i>Quem dizem os homens… E vós, quem dizeis que Eu sou?»</i> É uma pergunta que, em face de Jesus, uma pessoa tão singular, surpreendente e apaixonante, não pode deixar de se fazer em todos os tempos. As respostas podem ser variadas e até contraditórias, mas só uma é a certa, a resposta de Pedro, a resposta esclarecida da fé, resposta que Jesus aprova: «<i>Feliz de ti, Simão»</i> (v. 17). «<i>Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo»</i> (v. 16):<i>Messias</i> é a forma hebraica da palavra do texto original grego, <i>Cristo</i>, que quer dizer <i>ungido</i> (os reis eram ungidos com azeite na cabeça ao serem<i> </i>investidos). Jesus é o Rei (ungido) anunciado pelos Profetas e esperado pelo povo. Quando se diz <i>Jesus Cristo</i> é como confessar a mesma fé<b> </b>de Pedro, reconhecer que Jesus é o Cristo, isto é, o Messias, mas num sentido mais denso e profundo, a saber, o Filho de Deus, num sentido que ultrapassa o corrente e que só o dom divino da fé pode fazer descobrir, segundo as palavras de Jesus a Pedro: «<i>Não foram a carne e o sangue que to revelaram»</i> (v. 17).<i> </i>A fé de Pedro, como<b> </b>a nossa, não pode proceder dum mero raciocínio humano, da sagacidade natural, mas da luz, da certeza e da firmeza, que procede da revelação de Deus. «<i>A carne e o sangue»</i> é uma forma semítica de designar o homem enquanto ser débil e exposto ao erro e ao pecado.</p>
<p><strong>18</strong> «Tu és Pedro». É significativo que o texto grego não tenha conservado a palavra aramaica «<i>kêphá»,</i> aliás usada noutras passagens do N. T. sem ser traduzida, como é habitual com os patronímicos. Aqui o evangelista teve o cuidado de usar o nome correntemente dado ao Apóstolo Simão: <i>Pedro. </i>É expressivo o trocadilho, com efeito <i>Pedro</i> é a <i>pedra</i> sobre a qual assenta a solidez de toda a Igreja do Senhor. Note-se que o apelido de <i>Pedro</i> = <i>Pedra</i>não existia na época, nem em aramaico <i>(Kêphá),</i> nem em grego <i>(Pétros),</i> nem em latim <i>(Petrus),</i> uma circunstância que reforça o seu significado e originalidade. Além disso, este apelido também não era apto para caracterizar o temperamento ou o carácter do Apóstolo, pois aquilo que distingue a sua personalidade não é precisamente a dureza ou firmeza da pedra, mas antes a debilidade, mobilidade e até inconstância (cf. <i>Mt</i> 14, 28-31; 26, 33-35.69-75;<i>Gal</i> 2, 11-14). Se Jesus assim o chama, é em razão da função ou cargo em que há-de investi-lo.</p>
<p><i>«Edificarei a minha Igreja».</i> Jesus, ao dizer <i>a minha, </i>significa que tem intenção de <i>fundar</i> algo de novo, <i>uma nova comunidade</i> de Yahwéh. «<i>Ekklêsía»</i> é a tradução grega corrente dos LXX para a designação hebraica da<i>Comunidade de (q<sup>e</sup><span style="text-decoration: underline;">h</span>al) Yahwéh, </i>isto é, «o povo escolhido de Deus reunido para o culto de Yahwéh» (cf. Dt 23, 2-4.9). Não é, portanto, a Igreja uma seita dentro do judaísmo, é uma realidade nova e independente. «Jesus pôde dizer<i>minha, </i>porque Ele a salva, Ele a adquire com o seu sangue, Ele a convoca, Ele realiza nela a presença divina, a aliança, o sacrifício». «<i>As portas do inferno não prevalecerão».</i> Esta linguagem tipicamente bíblica (<i>Is</i> 38, 10; <i>Sab</i>16, 13; cf. Job 38, 17; <i>Salm</i> 9, 14) é uma sinédoque com que se designa a parte pelo todo. <i>Inferno</i> tanto pode designar a destruição e a morte <i>(xeol=inferi=os infernos), </i>como Satanás e os poderes hostis a Deus. Por ocasião da eleição do Papa Bento XVI viu-se bem como estes poderes hostis à verdadeira Igreja de Cristo mais uma vez se assanharam…</p>
<p><strong>19</strong> «<i>Dar-te-ei as chaves do reino dos Céus». </i>Os poderes conferidos a Pedro não são para ele vir a exercer no Céu (segundo a crença popular), mas aqui neste mundo, onde a Igreja, o Reino de Deus em começo e em construção, tem de ser edificada. No judaísmo e no Antigo Testamento (cf. Is 22, 22), lidar com as chaves é uma atribuição de quem representa o próprio dono, significa administrar a casa. <i>Ligar-desligar </i>significa <i>tomar decisões</i>com tal autoridade e <i>poder supremo</i> que serão consideradas válidas por Deus, «nos Céus». É de notar que Jesus diz a todos os Apóstolos esta mesma frase (<i>Mt</i> 18, 18), mas sem que seja tirada qualquer força à autoridade suprema de Pedro, a quem é dado um especial poder de «ligar e desligar» na Igreja, enquanto pedra fundamental e pastor supremo a ser investido após a Ressurreição (<i>Jo</i> 21, 15-17). Este primado de Pedro sobre toda a Igreja – que hoje se designa por ministério petrino – não é conferido apenas a ele, mas a todos os seus sucessores; com efeito Jesus fala a Pedro na qualidade de chefe duma edificação estável e perene, a Igreja; se o edifício é perene também o será a pedra fundamental. Como recorda o Catecismo da Igreja Católica, nº 882, «o Papa, Bispo de Roma e sucessor de S. Pedro, «é princípio perpétuo e visível, e fundamento da unidade que liga, entre si, todos os bispos com a multidão dos fiéis» (LG 23). Em virtude do seu cargo de vigário de Cristo e pastor de toda a Igreja, o pontífice romano tem sobre a mesma Igreja um poder pleno, supremo e universal, que pode sempre livremente exercer» (LG 22). Este é um dos pontos cruciais do diálogo ecuménico, que terá uma saída feliz quando todos os que se consideram cristãos compreenderem que o carisma petrino, por vontade de Cristo, é o indispensável instrumento de união e unidade na legítima diversidade.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Sugestões para a homilia</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>• A autoridade vem de Deus para servir</p>
<p>Não podemos servir-nos dos irmãos</p>
<p>Para servir os irmãos</p>
<p>Prestaremos contas da administração</p>
<p>• Jesus Cristo serve-nos na Igreja</p>
<p>Que pensam os homens acerca de Jesus</p>
<p>Jesus Cristo Redentor</p>
<p>Todos somos Igreja</p>
<p>1. A autoridade vem de Deus para servir</p>
<p>a) Não podemos servir-nos da autoridade. «<i>Eis o que diz o Senhor a Chebna, administrador do palácio: «Vou expulsar-te do teu cargo, remover-te-ei do teu posto</i>.»</p>
<p>A profecia de Isaías hoje proclamada situa-se no reinado de Ezequias, rei de Judá. Em 714 o rei atinge a maioridade e começa a reinar.</p>
<p>O profeta dirige-se, “administrador do palácio”. Anuncia-lhe a expulsão do cargo e a sua substituição por Elyaqîm. Porquê? Shebna mandou construir para si um sepulcro no alto e cavou na rocha um mausoléu, diz o texto um pouco antes (Is 22,16).</p>
<p>Por que é que o erigir um monumento funerário é condenado? Talvez porque é sinal do orgulho de Shebna; ou talvez porque Shebna utilizou o dinheiro do povo ou despendeu dinheiro em futilidades num momento difícil em que todo viviam, ameaçados por Senaquerib, rei da Assíria.</p>
<p>Shebna será substituído nas suas funções. Irá ser despojado das insígnias do seu poder (a túnica, o cinto e a chave do palácio), as quais serão entregues a Elyaqîm.</p>
<p>No entanto, as esperanças de Isaías em Elyaqim desiludiram-no, como se narra a seguir. A estaca de que aqui se fala sugere que os seus familiares penduraram-se e apoiaram-se nela todos os familiares de Elyaqîm (os nobres que pertenciam à família, os filhos e os netos) e a “estaca” acabou por cair, arrastando na queda todos aqueles que a ela se seguravam (cf. Is 22,24-25).</p>
<p>Esta história ajuda-nos a compreender o que se passa em nossos dias.</p>
<p>São estas as tentações de quem alcança o poder:</p>
<p>• Julgar-se grande, importante, (<i>às vezes, até nas pessoas que têm cargos na comunidade acabam por se julgar superiores ou proprietárias</i>).</p>
<p>• Aproveitar-se do cargo para enriquecer, para favorecer a família e os amigos, muitas vezes à custa de prejudicar os direitos dos outros.</p>
<p>Vivemos na sociedade da cunha, do envelope que se entrega por detrás da porta, de procurar todos os meios para chamar para si o que pertence a outros. Passa-se isto no emprego, nas facilidades que os poderes públicos devem dar a todos, e até no futebol.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>b) Para servir os irmãos. «<i>E nesse mesmo dia chamarei o meu servo Eliacim, filho de Elcias.</i> [&#8230;]<i> E ele será um pai para os habitantes de Jerusalém e para a casa de Judá</i>.»</p>
<p>A autoridade com que são investidas algumas pessoas é uma missão que o Senhor lhes confia para servir: na família, na Igreja e na sociedade civil.</p>
<p>Um dia prestaremos contas desta administração e o Senhor chama nossa atenção, no Evangelho, para esta verdade.</p>
<p>Servir exige uma atenção contínua e um grande espírito de sacrifício, porque é preciso renunciar a cada momento aos próprios gostos e descanso, para atender quem precisa.</p>
<p>(<i>Conta-se de S. Tomás Moro, nomeado Chanceler de Inglaterra, que se preocupou em despachar todos os assuntos que estavam adormecidos nos arquivos do palácio real. Até que um dia pediu que lhe trouxessem mais um e responderam-lhe que estavam todos despachados. Recusou-se a nomear um amigo para um cargo, porque sabia que ele não era imparcial</i>).</p>
<p>• Devem prestar o serviço de mandar os pais, não abdicando nunca da sua autoridade. Se fecharem os olhos e encolherem os ombros, à procura de uma simpatia barata, prestam um mau serviço aos filhos. É preciso desenvolver neles as virtudes humanas.</p>
<p>• O mesmo se pode dizer nos professores na escola, dos governantes, de todos nós quando somos chamados a escolher quem nos há-de governar.</p>
<p>• Esta mesma exigência é para os que são chamados a servir os outros, na Igreja, ajudando-os a chegar ao Céu.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>c) Prestaremos contas da administração. «“<i>Fixá-lo-ei como uma estaca em lugar firme e ele será um trono de glória para a casa de seu pai</i>”.»</p>
<p>Em todas as pessoas há a tentação de comprar a simpatia com favores, com encolher de ombros, com fechar os olhos. Prestaremos contas do modo como administramos o talento da autoridade que nos foi confiado.</p>
<p>Também Elyaqim, escolhido para substituir Chebna, foi afastado do lugar por má administração.</p>
<p>O exercício do poder, quer para Shebna, quer para Elyaqîm, aparece associado à corrupção, à venalidade, ao aproveitamento do serviço da autoridade para a concretização de finalidades egoístas, interesseiras, pessoais.</p>
<p>O Senhor ensina-nos, pela Sua Palavra, um sentido contrário a tudo isto: o exercício do poder só faz sentido enquanto está ao serviço do bem comunitário… O exercício de um cargo público supõe, precisamente, a secundarização dos interesses próprios em benefício do bem comum.</p>
<p>Ao cantarmos o salmo responsorial pedimos duas graças: que Deus não nos abandone e nos dê coragem para cumprirmos a nossa missão; e que não nos deixe cair nas mãos de maus administradores. «<i>Pela vossa misericórdia, não nos abandoneis, Senhor</i>.»</p>
<p>2. Jesus Cristo serve-nos na Igreja.</p>
<p>a) Que pensam os homens acerca de Jesus. «<i>Jesus foi para os lados de Cesareia de Filipe e perguntou aos seus discípulos</i>: “<i>Quem dizem os homens que é o Filho do homem</i>?”»</p>
<p>Que dizem as pessoas com quem vivemos todos os dias sobre Jesus Cristo?</p>
<p>Desconhecem-n’O e prescindem d’Ele, embora não se esqueçam de marcar com o sinal cristão os momentos mais importantes da vida: nascimento, casamento e morte.</p>
<p>• João Baptista. Tentou endireitar o mundo e, humanamente, acabou por fracassar. Muitos são tentados a pensar assim. Perante a crise da família, com a infidelidade, o divórcio, o casamento (!) de homossexuais, contracepção e aborto, encaram Jesus e a Sua doutrina como um fracasso e algo que está fora de moda.</p>
<p>• Elias e Jeremias. São o símbolo da Palavra de Deus. Pensam que está desactualizada e é preciso adaptar os Mandamentos aos seus vícios.</p>
<p>Podemos ainda perguntar: E para mim? Que influência real tem Jesus Cristo quando trabalho, vivo em família ou passeio? Não haverá o perigo de o cristianismo ficar reduzido a algumas práticas rotineiras?</p>
<p>Pensam de modo muito diferente os que vivem nos países onde o cristianismo é perseguido, como por exemplo na China.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>b) Jesus Cristo Redentor. «<i>Então, Simão Pedro tomou a palavra e disse: “Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo</i>”.»</p>
<p>Jesus Cristo é o único Redentor do mundo. Ou somos salvos por Ele, pela fidelidade à Sua doutrina e aos Mandamentos, ou perdemo-nos eternamente. Não há salvação fora d’Ele.</p>
<p>(<i>De que nos adianta ter um médico excepcional, se não fazemos caso dos seus conselhos e receitas</i>?)</p>
<p>É o nosso melhor Amigo, porque deu a vida para nos salvar e está sempre disponível para nos ajudar a qualquer momento. Basta que mostremos vontade de receber a Sua ajuda.</p>
<p>Oferece-Se a cada um de nós como alimento, especialmente nos Sacramentos da reconciliação e da Eucaristia. Precisamos de nos confessar bem e de não profanar a Eucaristia, mas comungar bem.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>c) Todos somos Igreja. «<i>Também Eu te digo: Tu és Pedro; sobre esta pedra edificarei a minha Igreja e as portas do inferno não prevalecerão contra ela</i>.»</p>
<p>Jesus Cristo actua no mundo. Mas a Sua acção passa pela nossa generosidade. Ele é a Cabeça da Igreja. Mas numa pessoa não pode ser só a cabeça a trabalhar. Cada um dos membros deve fazer aquilo para que foi formado.</p>
<p>A Igreja é Cristo a actuar nos dias de hoje, ajudando as pessoas. Somos o coração de Cristo, os Seus pés e mãos, os lábios e os olhos.</p>
<p>Tem a governá-la em nome de Cristo o Santo Padre, Seu Vigário na terra. Por mais dificuldades que a Igreja tenha, está-lhe prometido por Jesus que não sucumbirá aos perigos e ciladas.</p>
<p>Esta verdade torna-se mais visível na santa Missa que estamos a celebrar.</p>
<p>Há uma só fé, um só baptismo e um só Senhor que guarda para nós uma só recompensa eterna.</p>
<p>Ele serve-nos a Palavra de Deus e o Seu Corpo e Sangue, para que possamos viver em plenitude. Cristo torna-se visível pelo sacerdócio ministerial.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Fala o Santo Padre</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p align="center"><strong><em>«Cristo é o verdadeiro &#8220;tesouro&#8221;, pelo qual vale a pena sacrificar tudo»</em></strong></p>
<p align="center"><strong><em> </em></strong></p>
<p><em>Prezados irmãos e irmãs</em></p>
<p><em> </em></p>
<p><em>A liturgia deste domingo dirige-nos, a nós cristãos mas ao mesmo tempo a cada homem e mulher, a dúplice pergunta que certo dia Jesus formulou aos seus discípulos. Primeiro, perguntou-lhes: &#8220;Quem dizem as pessoas que é o Filho do homem?&#8221;. Eles responderam que para alguns membros do povo Ele era o novo João Baptista, para outros, Elias, Jeremias ou um dos profetas. Então, o Senhor interpelou directamente os Doze: &#8220;E vós, quem dizeis que Eu sou?&#8221;. Em nome de todos, com impulso e determinação, foi Pedro que tomou a palavra: &#8220;Tu és Cristo, o Filho de Deus vivo&#8221;. Solene profissão de fé, que desde então a Igreja continua a repetir. No dia de hoje, também nós queremos proclamar com íntima convicção: sim, Jesus, Tu és Cristo, o Filho de Deus vivo! Fazemo-lo com a consciência de que Cristo é o verdadeiro &#8220;tesouro&#8221;, pelo qual vale a pena sacrificar tudo; Ele é o amigo que nunca nos abandona, porque conhece as expectativas mais íntimas do nosso coração. Jesus é o &#8220;Filho de Deus vivo&#8221;, o Messias prometido, que veio à terra para oferecer à humanidade a salvação e para satisfazer a sede de vida e de amor que habita em cada ser humano. Como seria grande a vantagem para a humanidade, se acolhesse este anúncio que traz consigo a alegria e a paz!</em></p>
<p><em>&#8220;Tu és Cristo, Filho de Deus vivo&#8221;. A esta profissão de fé da parte de Pedro, Jesus responde: &#8220;Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno nada poderão contra ela. Dar-te-ei as chaves do reino dos céus&#8221;. É a primeira vez que Jesus fala da Igreja, cuja missão é a realização do grandioso desígnio de Deus, de reunir em Cristo toda a humanidade numa única família. A missão de Pedro e dos seus sucessores é precisamente a de servir esta unidade da única Igreja de Deus, formada por judeus e pagãos de todos os povos; o seu ministério indispensável consiste em fazer com que ela nunca se identifique com uma única nação, nem com uma só cultura, mas que seja a Igreja de todos os povos, para tornar presente no meio dos homens, marcados por inúmeras divisões e contrastes, a paz de Deus e a força renovadora do seu amor. Por conseguinte, servir a unidade interior que provém da paz de Deus, a unidade de quantos em Jesus Cristo se tornaram irmãos e irmãs: eis a missão especial do Papa, Bispo de Roma e Sucessor de Pedro. […]</em></p>
<p><em> </em></p>
<p align="right"><em>Papa Bento XVI, Angelus, Palácio Apostólico de Castel Gandolfo,24 de Agosto de 2008</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<h3>LITURGIA EUCARÍSTICA</h3>
<p>&nbsp;</p>
<p>INTRODUÇÃO</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O Senhor instituiu a nossa participação dominical na santa Missa, porque é indispensável para vivermos como bons filhos de Deus.</p>
<p>Iluminou-nos com a Sua Palavra proclamada. Actualiza agora o gesto da Última ceia, para Se nos dar como Alimento divino.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>ORAÇÃO SOBRE AS OBLATAS: Senhor, que pelo único sacrifício da cruz, formastes para Vós um povo de adopção filial, concedei à vossa Igreja o dom da unidade e da paz. Por Nosso Senhor.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>SANTO</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><b>Saudação da Paz</b></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>A paz será uma realidade na medida em que cada um de nós vir Jesus Cristo presente no seu irmão e procurar servi-lo: pela amizade, ajuda e perdão generoso.</p>
<p>Com o desejo de vivermos com fidelidade este mandamento do Senhor,</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Monição da Comunhão</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Antes de comungarmos o Corpo e Sangue de Cristo, devemos pensar diante do Senhor se estamos na graça de Deus e em comunhão com as outras pessoas.</p>
<p>Quem não ama a seu irmão que vê – pergunta o Apóstolo S. Tiago – como pode dizer que ama a Deus a quem não vê?</p>
<p>Cada comunhão há-de levar-nos a uma aproximação crescente dos outros e a um compromisso generoso de os ajudar no caminho da salvação eterna.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><i>Salmo</i> 103, 13-15</p>
<p>ANTÍFONA DA COMUNHÃO: Encheis a terra, Senhor, com o fruto das vossas obras. Da terra fazeis brotar o pão e o vinho que alegra o coração do homem.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Ou</p>
<p><i>Jo</i> 6, 55</p>
<p>Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, diz o Senhor, e Eu o ressuscitarei no último dia.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>ORAÇÃO DEPOIS DA COMUNHÃO: Realizai em nós plenamente, Senhor, a acção redentora da vossa misericórdia e fazei-nos tão generosos e fortes que possamos ajudar-Vos em toda a nossa vida. Por Nosso Senhor.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h3> RITOS FINAIS</h3>
<p>&nbsp;</p>
<p>Monição final</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Não somos Igreja apenas aqui dentro, antes de partirmos para as nossas casas, retomando as ocupações habituais.</p>
<p>Somos, em qualquer lugar, e em todo o tempo, sinais visíveis do Seu Amor salvador por todas as pessoas.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Celebração e Homilia:         FERNANDO SILVA</p>
<p>Nota Exegética:                    GERALDO MORUJÃO</p>
<p>Sugestão Musical:                DUARTE NUNO ROCHA    	</p>
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]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Homilia do D. José Maria Pereira – XXI Domingo do Tempo Comum – Ano A</title>
		<link>https://presbiteros.org.br/homilia-do-d-jose-maria-pereira-xxi-domingo-do-tempo-comum-ano-a/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Pe. Demétrio Gomes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 17 Aug 2026 18:06:01 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Homilias]]></category>
		<category><![CDATA[Homilias Dominicais]]></category>
		<category><![CDATA[Subsídios Litúrgicos]]></category>
		<category><![CDATA[xxi domingo do tempo comum ano a 2026]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Jesus Continua Perguntando-nos: Quem Sou Eu?  Dom José Maria Pereira  O Evangelho (Mt 16, 13-20) apresenta-nos Jesus, com os seus discípulos, em Cesareia de Filipe. Enquanto caminham, Jesus pergunta aos Apóstolos: “Quem dizem os homens ser o Filho do Homem?” E, depois que eles apresentaram as várias opiniões que as pessoas tinham, Jesus pergunta-lhes diretamente: [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><b>Jesus Continua Perguntando-nos: Quem Sou Eu? </b></p>
<p><b>Dom José Maria Pereira</b></p>
<p><b> </b><span style="font-weight: 400;">O Evangelho (Mt 16, 13-20) apresenta-nos Jesus, com os seus discípulos, em Cesareia de Filipe. Enquanto caminham, Jesus pergunta aos Apóstolos: “Quem dizem os homens ser o Filho do Homem?” E, depois que eles apresentaram as várias opiniões que as pessoas tinham, Jesus pergunta-lhes diretamente: “E vós, quem dizeis que eu sou?”. Simão Pedro respondeu, formulando a primeira confissão de fé: “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo”. A fé vai mais longe que os simples dados empíricos ou históricos, e é capaz de apreender o Mistério da Pessoa de Cristo na sua profundidade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo”. A esta profissão de fé da parte de Pedro, Jesus responde: “Tu és Pedro, e sobre esta pedra construirei a minha Igreja, e o poder do Inferno nunca poderá vencê-la. Eu te darei as chaves do Reino dos Céus” (Mt16, 18 – 19). É a primeira vez que Jesus fala da Igreja, cuja missão é a realização do grandioso desígnio de Deus, de reunir, em Cristo, toda a humanidade, numa única família. A missão de Pedro e dos seus sucessores é, precisamente, a de servir esta unidade da única Igreja de Deus, formada por judeus e pagãos, de todos os povos; o seu ministério, indispensável, consiste em fazer com que ela nunca se identifique com uma única nação, nem com uma só cultura, mas que seja a Igreja de todos os povos, para tornar presente, no meio dos homens, marcados por inúmeras divisões e contrastes, a paz de Deus e a força renovadora do seu Amor. Por conseguinte, servir a unidade interior que provém da paz de Deus, a unidade de quantos em Jesus Cristo se tornaram irmãos e irmãs: eis a missão especial do Papa, Bispo de Roma e sucessor de Pedro.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A fé, porém, não é fruto do esforço do homem, da sua razão, mas é um dom de Deus: “Feliz és tu, Simão, filho de Jonas, porque não foi um ser humano que te revelou isso, mas o meu Pai que está no Céu”. Tem a sua origem na iniciativa de Deus, que nos desvenda a sua intimidade e nos convida a participar da sua própria vida divina. A fé não se limita a proporcionar alguma informação sobre a identidade de Cristo, mas supõe uma relação pessoal com Ele, a adesão de toda a pessoa, com a sua inteligência, vontade e sentimentos, à manifestação que Deus faz de Si mesmo. Desse modo, a pergunta de Jesus: “E vós, quem dizeis que Eu sou?”, no fundo está impelindo os discípulos a tomarem uma decisão pessoal em relação a Ele. Fé e seguimento de Cristo estão intimamente relacionados.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Disse São João Paulo II, em 1980: “Todos nós conhecemos esse momento em que já não basta falar de Jesus repetindo o que os outros disseram, em que já não basta referir uma opinião, mas é preciso dar testemunho, sentir-se comprometido pelo testemunho dado e depois ir até aos extremos das exigências desse compromisso”. Os melhores amigos, seguidores, apóstolos de Cristo, foram sempre aqueles que perceberam um dia dentro de si a pergunta definitiva, incontornável, diante da qual todas as outras se tornam secundárias e derivadas: “Para você, quem sou Eu?” Todo o futuro de uma vida “depende da nossa resposta nítida e sincera, sem retórica nem subterfúgios, que se possa dar a essa pergunta”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa pergunta encontra particular ressonância no coração de Pedro, que, movido por uma graça especial, respondeu: “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo”. Jesus chama-o bem-aventurado (Feliz és tu, Simão…) por essa resposta cheia de verdade, na qual confessou abertamente a divindade d’Aquele em cuja companhia andava há vários meses. Esse foi o momento escolhido por Cristo para comunicar ao seu Apóstolo que sobre ele recairia o Primado de toda a sua Igreja: “Por isso eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra construirei a minha Igreja, e o poder do inferno nunca poderá vencê-la”(Mt 16,19).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Pedro confessou sua fé no Cristo, Filho de Deus vivo, graças à escuta de sua palavra e à cotidiana convivência. O Discípulo reconheceu o Messias porque a revelação do Pai encontrou nele abertura e acolhida. Quer dizer, descobre a verdade dos desígnios de Deus quem se deixa iluminar pela luz da fé. Com razão, reconhece o Documento de Aparecida: “A fé em Jesus como o Filho do Pai é a porta de entrada para a Vida.”  Como discípulos de Jesus, confessamos nossa fé com as palavras de Pedro: “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo” (DAp, 100). A fé é um dom de Deus, é uma adesão pessoal a Ele.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“Tu és o Messias. O Filho de Deus vivo” (Mt 16,16). Com estas palavras, Pedro, interrogado juntamente com os outros discípulos pelo Mestre, sobre a fé n’Ele, expressa em síntese o tesouro que a Igreja, através da sucessão apostólica, guarda, aprofunda e transmite há dois mil anos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Crer só é possível pela graça e pelos auxílios interiores do Espírito Santo. Concentremos toda nossa atenção acerca das duas perguntas de Jesus: “No dizer do povo quem é o Filho do Homem?” Ele, o Vivente, está ainda em condições de interrogar os homens. Não é, por isso, uma ficção do espírito se aquelas perguntas as ouvimos como dirigidas a nós, aqui, agora.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O povo, quem diz que Eu seja? O povo (literalmente: “os homens”) compreende, aqui, aqueles de fora, aqueles que ouviram falar de Jesus ou O viram, mas não aderiram a Ele. Tem, talvez, necessidade de nós o Senhor para saber o que pensam dele os homens? Não, certamente, aquela pergunta serve antes para nós que cremos. Para alguma finalidade que devemos descobrir em seguida, Jesus estimula-nos, portanto, a indagar o que dizem dele os homens, nossos contemporâneos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para dar uma resposta convincente de fé, os cristãos precisam conhecer a fundo Jesus Cristo, saber sempre mais sobre sua pessoa e obra, pela leitura e meditação dos Evangelhos e pelos encontros com Ele por meio da ação litúrgica, em particular, dos Sacramentos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“Tu és Pedro…”. Pedro será a rocha, o alicerce firme sobre o qual Cristo construirá a sua Igreja, de tal maneira que nenhum poder poderá derrubá-la. E foi o próprio Senhor que quis que ele se sentisse apoiado e protegido pela veneração, amor e oração de todos os cristãos. Se desejamos estar muito unidos a Cristo, devemos estar, sim, em primeiro lugar, a quem faz as suas vezes aqui na terra. Ensinava São Josemaria Escrivá: “Que a consideração diária do duro fardo que pesa sobre o Papa e sobre os bispos, te leve a venerá-los, a estimá-los com a tua oração” (Forja, 136).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O nosso amor pelo Papa não é apenas um afeto humano, baseado na sua santidade, simpatia, etc. Quando vamos ver o Papa, escutar a sua palavra, fazemo-lo para ver e ouvir o Vigário de Cristo, o “doce Cristo na terra”, na expressão de Santa Catarina de Sena, seja ele quem for. O Romano Pontífice é o sucessor de Pedro; unidos a ele, estamos unidos a Cristo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na sua resposta à confissão de Pedro, Jesus fala da sua Igreja: “Também Eu te digo: Tu és Pedro, e sobre esta Pedra edificarei a minha Igreja”. Que significa isto? Jesus constrói a Igreja sobre a rocha da fé de Pedro, que confessa a divindade de Cristo. Sim, a Igreja não é uma simples instituição humana, como outra qualquer, mas está intimamente unida a Deus. O próprio Cristo Se refere a ela como a “sua” Igreja. Não se pode separar Cristo da Igreja, tal como não se pode separar a cabeça do corpo (1Cor 12,12). A Igreja não vive de si mesma, mas do Senhor. Ele está presente no meio dela e dá-lhe vida, alimento e fortaleza.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O que é a Igreja? Onde está a Igreja? A única Igreja de Cristo é a que nosso Salvador entregou a Pedro para que dela cuidasse, encarregando – a a ele e aos outros apóstolos de a difundirem e de a governarem e que erigiu para sempre como coluna e fundamento da verdade. Foi Cristo quem a instituiu e confiou a missão de anunciar e estabelecer o Reino de Deus em todo o mundo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Jesus continua perguntando-nos: “quem dizeis que eu sou?” Para responder, não basta procurar na memória alguma fórmula que aprendemos no Catecismo, ou ouvimos de outros ou lemos nos livros. É preciso procurar no coração, em nossa fé vivida e testemunhada. Assim descobriremos o que Jesus representa, de fato, em nossa vida. Também hoje Jesus não se contenta que nós saibamos o que diz dele a cultura; quer a nossa resposta, de nós que cremos nele e que nele colocamos nossa esperança. A resposta não se deve certamente inventar, há aquela que deu um dia Pedro: “Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo”. Aquela resposta, revivida e aprofundada por todas as gerações cristãs que nos precederam, proclamada pelos Concílios e pelo Magistério da Igreja, chegou até nós, e nós, quando recitamos a oração do Creio, não fazemos outra coisa senão repeti-la: “Creio em um só Senhor, Jesus Cristo, Filho unigênito de Deus, nascido do Pai antes de todos os séculos: Deus de Deus… que por nós, homens, e para nossa salvação se encarnou e se fez homem….” Nas suas orações e no seu ensinamento, a Igreja sempre repete a si mesma esta fé: Jesus não é somente um homem, ou um profeta; é mais do que um profeta: é Deus conosco.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“E vós quem dizeis que eu sou?” Eis uma pergunta que o Senhor nos faz a cada novo dia, tanto pessoalmente, quanto como Igreja. Quem é Cristo? É uma pergunta que deveria voltar a cada tomada de decisão, a cada ato nosso.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A Igreja é Cristo continuado! “Quem vos ouve, a mim ouve; e quem vos rejeita, a mim rejeita; quem me rejeita, rejeita aquele que me enviou” (Lc 10, 16). Jesus não nos enganou: o poder do inferno nunca poderá vencê-la” (Mt 16, 18). Perpetuamente atacada, cercada de dificuldades e atraiçoada, prossegue com serenidade e confiança a missão que lhe foi confiada pelo seu Fundador.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se olharmos a História, veremos que nunca faltaram contradições, dificuldades internas ou externas, perseguições mais ou menos veladas e violentas à Igreja. Começou com a perseguição e morte de seu Divino Fundador, na Cruz. Mais tarde, foram os apóstolos e os mártires. Nascem, mudam e morrem os personagens e as ideologias, e a Igreja permanece. Se fosse só humana, já teria acabado. Em tempos de Santo Agostinho, os inimigos da Igreja diziam: “A Igreja vai morrer, os cristãos tiveram a sua época”. Ao que o Santo Bispo de Hipona respondia: “No entanto, são eles que morrem todos os dias e a Igreja continua em pé, anunciando o poder de Deus às gerações que se sucedem”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Que todos na Igreja, pastores e fiéis, nos aproximemo-nos, de dia para dia, sempre mais do Senhor, para crescermos em santidade de vida e darmos assim um testemunho eficaz de que Jesus Cristo é verdadeiramente o Filho de Deus, o Salvador de todos os homens e a fonte viva da sua esperança.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Somos convidados a entrar na intimidade de Jesus. Pedro é modelo de discípulo e nos leva ao centro de nossa fé: reconhecer Jesus como o Cristo. Também lembramos do importante papel que Pedro teve na comunidade primitiva. A resposta à pergunta de Jesus: “Quem dizeis que eu sou?”deve continuar sendo dada, hoje, por todos os batizados. Não é só uma resposta falada, mas sobretudo testemunhada com a própria vida. É isso que se espera de todos os membros da Igreja de nosso Senhor Jesus Cristo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Hoje, a nós, seus discípulos, Jesus manda que digamos a todos que Ele é o Cristo: e dizê-lo, sobretudo, ao povo que continua a se perguntar quem é Jesus de Nazaré.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Neste mês vocacional, no quarto domingo, rezamos pela Vocação Leiga (cristãos leigos que atuam na sociedade e nas pastorais). Rezemos pelos leigos e leigas de nossa Igreja, para que se comprometam sempre com sua vocação de ser sal da terra e luz do mundo.</span></p>
<p><b><i>Dom José Maria Pereira</i></b></p>
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]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>XXI Domingo do Tempo Comum – Ano A</title>
		<link>https://presbiteros.org.br/xxi-domingo-do-tempo-comum-ano-a-2/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Pe. Demétrio Gomes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 17 Aug 2026 18:05:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Homilética]]></category>
		<category><![CDATA[Subsídios Litúrgicos]]></category>
		<category><![CDATA[xxi domingo do tempo comum ano a 2026]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://presbiteros.org.br/?p=23933</guid>

					<description><![CDATA[<p>Leituras e subsídios para liturgia e homilia para o XXI Domingo do Tempo Comum (Ano A)</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Leituras e subsídios para liturgia e homilia:</p>
<ul>
<li><a href="https://presbiteros.org.br/roteiro-homiletico-xxi-domingo-do-tempo-comum-ano-a-2/">Roteiro Homilético</a></li>
<li><a href="https://presbiteros.org.br/homilia-do-d-jose-maria-pereira-xxi-domingo-do-tempo-comum-ano-a/">Homilia do D. José Maria Pereira</a></li>
</ul>
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]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Homilia de D. Anselmo Chagas de Paiva – Assunção de Nossa Senhora</title>
		<link>https://presbiteros.org.br/homilia-de-d-anselmo-chagas-de-paiva-assuncao-de-nossa-senhora-2/</link>
					<comments>https://presbiteros.org.br/homilia-de-d-anselmo-chagas-de-paiva-assuncao-de-nossa-senhora-2/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Pe. Demétrio Gomes]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 14 Aug 2026 22:31:30 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Homilias]]></category>
		<category><![CDATA[Homilias Dominicais]]></category>
		<category><![CDATA[Homilias para Solenidades]]></category>
		<category><![CDATA[Subsídios Litúrgicos]]></category>
		<category><![CDATA[assunção de nossa senhora ano a 2026]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://presbiteros.org.br/?p=23929</guid>

					<description><![CDATA[<p>Lc 1,39-56 Caros irmãos e irmãs Celebramos neste domingo a Solenidade da Assunção da Virgem Maria em corpo e alma à glória do Paraíso. Este também é o destino que todos nós almejamos, é o destino dos filhos adotivos de Deus e membros do Corpo de Cristo. Assim como Maria, nós também somos chamados a [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://presbiteros.org.br/homilia-de-d-anselmo-chagas-de-paiva-assuncao-de-nossa-senhora-2/">Homilia de D. Anselmo Chagas de Paiva – Assunção de Nossa Senhora</a> apareceu primeiro em <a href="https://presbiteros.org.br">Presbíteros</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Lc 1,39-56</p>



<p class="wp-block-paragraph">Caros irmãos e irmãs</p>



<p class="wp-block-paragraph">Celebramos neste domingo a Solenidade da Assunção da Virgem Maria em corpo e alma à glória do Paraíso. Este também é o destino que todos nós almejamos, é o destino dos filhos adotivos de Deus e membros do Corpo de Cristo. Assim como Maria, nós também somos chamados a participar plenamente na vitória do Senhor sobre o pecado e a morte e a reinar com Ele no seu Reino eterno.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O dogma da Assunção da Virgem Maria foi proclamado pelo Papa Pio XII no dia 1º de novembro de 1950, sendo instituída esta celebração para o dia 15 de agosto, mas, por razões pastorais, no Brasil esta Solenidade é transferida para o domingo seguinte. Na sua Constituição Apostólica “Munificientissimus Deus”, o Papa Pio XII proclamava como dogma que a Virgem Maria, “concluindo o curso da vida terrena, foi elevada à glória celeste em alma e corpo”. Esta verdade de fé era conhecida pela Tradição, afirmada pelos Padres da Igreja, e representava um aspecto relevante do culto prestado à Mãe de Cristo.&nbsp; Com esta proclamação, temos, de forma dogmática, aquilo que já tinha sido celebrado no culto e na devoção do Povo de Deus, como a mais elevada e estável glorificação de Maria.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim como aconteceu com o Cristo, Maria venceu a morte e já triunfa na glória celeste, na totalidade do seu ser, &#8220;de corpo e alma&#8221;.&nbsp; É preciso lembrar, aqui, que somente Jesus e Maria subiram ao céu, de corpo e alma. Os santos estão lá apenas com suas almas, pois os corpos estão na terra, aguardando a ressurreição do último dia. Maria, ao contrário, foi elevada ao céu também com seu corpo já ressuscitado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Como Maria não teve na alma a mancha do pecado original, ficou isenta da dura sentença dada aos demais: “És pó e ao pó hás de retornar” (Gn 3,19). A nós que herdamos o pecado original, é preciso voltar ao pó da terra de onde saímos, para que na ressurreição do último dia, o Senhor nos refaça sem as sequelas do mal. Maria não esteve sujeita ao poder do pecado para poder ser a Mãe de Deus, também não podia ficar sob o império da morte; pois, como disse São Paulo, “o salário do pecado é a morte” (Rm 6,23).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim, Maria não experimentou a corrupção da carne, mas foi glorificada em sua alma e seu corpo. Jesus tem a mesma carne de Maria, por isto, ela devia ter a mesma glória do seu divino Filho. Era necessário, como afirmam os Padres da Igreja, que aquela que no parto havia conservado íntegra a sua virgindade, conservasse o seu corpo sem corrupção, também após a morte.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com a Assunção da Virgem Maria aos céus, temos o êxito final daqueles “que escutam a Palavra de Deus e a colocam em prática” (Lc 11,28). Nesta perspectiva, a solenidade da Assunção de Maria, constitui um estímulo providencial para meditar sobre a altíssima dignidade de cada ser humano, também na sua dimensão corpórea. Trata-se de uma reflexão que se insere muito bem na vida de cada cristão.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por lei natural, os corpos de seres humanos se decompõem após a morte e só no último dia cada corpo irá juntar-se com sua própria alma. Todos serão ressuscitados, tanto aqueles que praticaram o mal, como aqueles que fizeram o bem. Será a &#8220;ressurreição da carne&#8221;, como rezamos no Credo. Contudo, alguns virão para uma ressurreição de vida e outros ressuscitados para a condenação (cf. Jo 5,29). Nossos corpos ressuscitados serão nossos próprios corpos, mas em um novo estado: imortal, sem defeito, não mais corrupto, nem doente, sem envelhecer, pois estaremos na dimensão gloriosa.&nbsp; É o que chamamos de imortalidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Assunção de Maria é um acontecimento que nos interessa de perto, precisamente porque cada homem é destinado a morrer. Todavia, a morte não é a última palavra, pois, como ressalta São Paulo: “O último inimigo a ser destruído será a morte” (1Cor 15,26). A morte torna-se uma passagem para a vida, é a passagem para a bem-aventurança celestial, reservada a quantos se empenham em prol da verdade e da justiça, esforçando-se por seguir a Cristo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Lançando um olhar para a liturgia da Palavra, somos chamados a contemplar a Mulher revestida de sol, resplandecente de luz, tendo a lua debaixo dos pés e sobre a cabeça uma coroa de doze estrelas. Nela resplandece a vitória de Cristo sobre o maligno, representado na linguagem apocalíptica como um “grande dragão vermelho” (Ap 12,1.3), conforme nos diz a primeira leitura.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Evangelho, por sua vez, nos convida a estar no limiar da casa de Zacarias, onde chega Maria para estar com a sua prima Isabel, levando consigo o mistério de Deus que se fez homem no seu seio e vem para partilhar com ela a sua própria alegria.&nbsp; E, nesse instante, do fundo da intimidade de Maria, do fundo do seu silêncio, brota aquele cântico que exprime toda a verdade do grande Mistério. É o cântico do Magnificat que anuncia a história da salvação e manifesta o coração da Mãe: “A minha alma glorifica ao Senhor&#8230;” (Lc 1,46).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">E nesta poesia, a Virgem Maria, inspirada pelo Espírito Santo, ainda diz profeticamente: “Doravante, todas as gerações me chamarão bem-aventurada” (Lc 1,48). Trata-se de uma profecia para toda a história da Igreja. Esta expressão do Magnificat, mencionada pelo evangelista São Lucas, indica que o louvor à Virgem Santa, Mãe de Deus, intimamente unida a Cristo seu Filho, diz respeito à Igreja de todos os tempos e de todos os lugares. Isto também pressupõe que a glorificação de Maria já estava presente desde os tempos mais remotos. As palavras de Maria expressam o dever da Igreja de recordar a sua grandeza e, por conseguinte, esta solenidade é um convite a louvar o Senhor e a contemplar a importância de Nossa Senhora na História da Salvação, porque, através dela o verbo de Deus se fez carne e veio habitar entre nós (cf. Jo 1,14).</p>



<p class="wp-block-paragraph">As palavras do Magnificat são como o testamento espiritual da Virgem Mãe. Com razão, portanto, elas constituem a herança daqueles que, ao reconhecerem-se seus filhos, decidem acolhê-la na própria casa, como fez o apóstolo João, que a recebeu como Mãe diretamente de Jesus, aos pés da cruz (cf. Jo 19,27).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesta solenidade da Assunção, lancemos o nosso olhar para Maria, pois ela nos abre à esperança, a um futuro cheio de alegria e nos ensina o caminho para acolher o seu Filho na fé, sem nunca perder a amizade com Ele, sendo sempre iluminados e orientados pela Sua palavra. Maria nos convida a segui-lo todos os dias, mesmo nos momentos em que sentirmos que as nossas cruzes se tornam pesadas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Que a Virgem da Glória interceda sempre por nós e nos ajude a viver no caminho do bem, sendo quotidianamente fortalecidos na fé e na esperança da vida eterna.&nbsp; Assim seja.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>D. Anselmo Chagas de Paiva, OSB<br>Mosteiro de São Bento/RJ</strong></p>
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		<title>Homilia de Dom José Maria Pereira – Assunção de Nossa Senhora</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Pe. Demétrio Gomes]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 13 Aug 2026 12:47:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Homilias]]></category>
		<category><![CDATA[Homilias Dominicais]]></category>
		<category><![CDATA[Homilias para Solenidades]]></category>
		<category><![CDATA[Subsídios Litúrgicos]]></category>
		<category><![CDATA[assunção de nossa senhora ano a 2026]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Dom José Maria Pereira A Virgem Maria, Elevada ao Céu em Corpo e Alma!   No dia 15 de agosto, a Igreja celebra a Solenidade da Assunção de Nossa Senhora, ou Nossa Senhora da Glória. Porém, no Brasil, a festividade é celebrada no domingo, logo após o dia 15. Neste ano, será no dia 16 de [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><strong>Dom José Maria Pereira</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A Virgem Maria, Elevada ao Céu em Corpo e Alma!  </p>



<p class="wp-block-paragraph">No dia 15 de agosto, a Igreja celebra a Solenidade da Assunção de Nossa Senhora, ou Nossa Senhora da Glória. Porém, no Brasil, a festividade é celebrada no domingo, logo após o dia 15. Neste ano, será no dia 16 de agosto. Celebramos a Assunção corporal de Nossa Senhora ao Céu, que é dogma da fé católica. O que é dogma? É uma verdade de fé, reconhecida como tal, pela Igreja; que chegou, até nós, através da Revelação de Deus. O dogma traduz, em palavras, o que já existia em Deus.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Para nós, a Solenidade, de hoje, é, como uma continuação da Páscoa, da Ressurreição e da Ascensão do Senhor. E é, ao mesmo tempo, o sinal e a fonte da esperança da vida eterna e da futura Ressurreição” (São João Paulo ll, Homilia). Trata-se de uma festa antiga, que tem o seu fundamento último, na Sagrada Escritura: de fato, ela apresenta a Virgem Maria, estreitamente unida ao seu Filho divino e, sempre solidária com Ele. Mãe e Filho mostram-se, estreitamente, associados na luta contra o inimigo infernal, até à plena vitória sobre ele.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esta vitória expressa-se, em particular, na superação do pecado e da morte, isto é, em vencer aqueles inimigos que São Paulo apresenta, sempre em conjunto (cf. Rm 5, 12.15-21; 1Cor 15, 21-26). Por isso, como a Ressurreição gloriosa de Cristo foi o sinal definitivo desta vitória, também, a glorificação de Maria, no seu corpo virginal, constitui a confirmação final da sua plena solidariedade com o Filho, tanto na luta, quanto na vitória.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diz o Prefácio da Solenidade que proclama, maravilhosamente, o mistério celebrado: “Hoje, a Virgem Maria, Mãe de Deus, foi elevada à glória do Céu. Aurora e esplendor da Igreja triunfante, ela é consolo e esperança para o vosso povo, ainda em caminho, pois preservastes da corrupção da morte aquela que gerou, de modo inefável, o vosso próprio Filho, feito homem, autor de toda a vida”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Todos ressuscitaremos! Cada qual, porém, em sua ordem: como primícias, Cristo; em seguida, os que forem de Cristo, na ocasião de sua vinda (1Cor 15,23).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entre aqueles que são do Cristo, há uma pessoa que é “de Cristo,” de modo único e inigualável: sua Mãe, aquela que O gerou, como homem; que viveu com Ele, partilhando a oração, as alegrias, os trabalhos e, sobretudo, ficando a Seu lado, ao pé da Cruz. Para essa criatura, Jesus não esperou o fim dos tempos para uni-la a Si, na glória; imediatamente, depois de sua morte, Ela foi ao Céu, em corpo e alma. É esta uma convicção da Igreja, celebrada com uma festa muito antiga, mas, a partir de 1º de novembro de 1950, a festa tornou-se mais solene, com a proclamação do Dogma da Assunção, pelo papa Pio XII.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O que diz, para nós, o Mistério da Assunção? Maria é, também ela, de um modo diferente de Cristo, o primeiro fruto: as primícias da Ressureição e da Igreja. Nela, Deus traçou como que um esboço daquilo que, ao final, acontecerá para toda a Igreja. Porque, toda a Igreja, no fim, tornada como Maria, imaculada e santa, será elevada ao Céu! A festa da Assunção, tão querida à tradição popular, constitui, para todos os crentes, uma ocasião útil, para meditar acerca do sentido verdadeiro e sobre o valor da existência humana, na perspectiva da eternidade. Indica, para nós, que é o Céu, a nossa habitação definitiva. Dali, Maria encoraja-nos, com o seu exemplo, a aceitar a Vontade de Deus, a não nos deixarmos seduzir pelas chamadas falazes de tudo o que é efêmero e passageiro, a não ceder às tentações do egoísmo e do mal que apagam, no coração, a alegria da vida.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em Maria, Deus quis mostrar quão grande e profunda foi a redenção, operada por Cristo, e, a que tamanha glória pode conduzir a criatura que se deixa envolver, inteiramente. Maria, por sua vez, ensina-nos como chegar à glória que, hoje, contemplamos e nos abre o caminho. É um caminho traçado, em todo seu percurso, por duas linhas retas: “a fé e a humildade”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Bem-aventurada és tu que creste! Maria foi uma pessoa de fé, sempre; acreditou na Encarnação e disse: Fiat- seja feita a vossa vontade; acreditou, apesar do longo silêncio de Nazaré; acreditou no Calvário. Acreditou, também, quando tudo parecia estar sendo desmentido pelos fatos, também, quando não compreendia; deixou-se conduzir, docilmente por Deus, como uma ovelha que segue o Cordeiro, conduzido à imolação, como é definida, num hino da liturgia bizantina (Romano, o Mélode).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A carne de Jesus e a de Maria são a mesma carne. Portanto, a carne de Maria devia ter a mesma glória que teve a de seu Filho. São João Damasceno, no ano 749, escreve: “Era necessário que, aquela que, no parto, havia conservado ilesa sua virgindade, conservasse, também, o seu corpo, sem corrupção alguma, depois da morte. Era preciso que, aquela que havia trazido, no seio, o Criador, feito menino, habitasse nos tabernáculos divinos. Era necessário que, aquela que tinha visto o Filho, sobre a Cruz, recebendo, no coração, aquela espada das dores, das quais fora imune ao dá-Lo à luz, O contemplasse, sentado à direita do Pai. Era necessário que a Mãe de Deus possuísse aquilo que pertence ao Filho e fosse honrada por todas as criaturas, como Mãe de Deus”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A humildade é a explicação do mistério de Maria e da sua eleição. Ela foi “cheia de graça,” porque era vazia de si.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para que Deus possa realizar “grandes coisas,” também em nós, para que possa conduzir-nos àquela glória final, alcançada por Maria, é necessário, portanto, que nós, também, apresentemos estes dois requisitos: a fé e a humildade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quem poderá ter uma fé pura e forte como a da Mãe de Jesus? Quem poderá alcançar a profundidade e a sinceridade da sua humildade? Ninguém! Podemos, porém, aproximar-nos dela, imitar- lhe a docilidade e a abertura a Deus. Podemos, sobretudo, rezar a Ela: Aumentai nossa fé; ensinai-nos a permanecer, na humildade, “sob a poderosa – e paterna- mão de Deus”. É a oração que, levantando o olhar, dirigimos-lhes, neste dia, em que a liturgia nos apresenta Maria, como Rainha, sentada à direita do Rei.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os textos bíblicos contemplam esta realidade: O trecho da Leitura (Ap 11, 19; 12, 1-10) apresenta uma mulher vestida com o sol, tendo a lua sob os pés, e do Filho que ela deu à luz, um varão, que irá reger todas as nações. Nesta imagem, a Mulher e o Filho representam Jesus Cristo e a Igreja, mas a mulher confunde-se, também, com Maria, pois, nela, realizou-se, plenamente, a Igreja.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O texto de São Paulo (1 Cor 15, 20-27), falando de Cristo, primícias dos ressuscitados, termina dizendo que, um dia, todos os que creem terão parte na Sua glorificação, mas, em proporção diversa: “- Em primeiro lugar, Cristo, como primícias; depois, os que pertencem a Cristo, por ocasião da sua vinda” (1 Cor 15, 23). Entre os cristãos, o primeiro lugar pertence, sem dúvida, a Nossa Senhora, que foi sempre de Deus, porque jamais conheceu o pecado. É a única criatura em quem o esplendor da imagem de Deus nunca se viu ofuscado; é a Imaculada Conceição, a obra prima e intacta da Santíssima Trindade em quem o Pai, o Filho e o Espírito Santo sentiram as suas complacências, encontrando nela uma resposta total ao Seu amor.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A resposta de Maria, ao amor de Deus, ressoa no Evangelho (Lc 1, 39-56), tanto nas palavras de Isabel, que exaltam a grande fé que levou Maria a aderir, sem vacilação alguma, à vontade de Deus, como nas palavras da própria Virgem, que entoa um hino de louvor ao Altíssimo, pelas maravilhas que realizou nela.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É bela a expressão do Evangelho: “pôs-se a caminho, apressadamente” (Lc1,39). Maria põe-se a caminho, com a pressa de quem quer anunciar aos outros aquela alegria, e com a ânsia de se pôr ao serviço da prima. E, no fim, a sua peregrinação terrena, termina com a Assunção ao Céu, onde, juntamente com o Seu Filho, goza, para sempre, da alegria da vida eterna.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Hoje, Maria canta a esperança e reacende-a em nós. Nela, vemos a meta do caminho. Ela é a primeira criatura que, com todo o seu ser, de corpo e alma, cruza vitoriosa a linha de chegada no Céu.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ela é a nossa grande intercessora, junto do Altíssimo. Maria nunca deixa de ajudar os que recorrem ao seu amparo: “Nunca se ouviu dizer que algum daqueles que tivesse recorrido à vossa proteção, fosse por Vós desamparado”, rezava São Bernardo. Procuremos confiar mais, na sua intercessão, persuadidos de que Maria é a Rainha dos céus e da terra, o refúgio dos pecadores, e peçamos-lhe com simplicidade: Mostrai-nos Jesus!</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Assunção de Maria é uma preciosa antecipação da nossa ressurreição e baseia-se na Ressurreição de Cristo, que transformará o nosso corpo corruptível, fazendo-o semelhante ao seu corpo glorioso (Fil 3, 21). Por isso, São Paulo recorda-nos (1 Cor 15, 20-26): “Se a morte veio por um homem (pelo pecado de Adão), também, por um homem, Cristo, veio a Ressurreição. Por Ele, todos retornarão à vida, mas, cada um a seu tempo: como primícias, Cristo; em seguida, quando Ele voltar, todos os que são de Cristo; depois, os últimos, quando Cristo devolver a Deus Pai o seu reino… &nbsp;Essa vinda de Cristo, de que fala o Apóstolo, disse São João Paulo II, “não devia, por acaso, cumprir-se, neste único caso (o da Virgem), de modo excepcional, por dizê-lo assim, imediatamente, quer dizer, no momento da conclusão da sua vida terrena? Esse final da vida que para todos os homens é a morte, a Tradição, no caso de Maria, chama-o com mais propriedade dormição. Externamente, deve ter sido como um doce sono: “Saiu deste mundo, em estado de vigília” (São Germano de Constantinopla, Homilia sobre a Virgem); na plenitude do amor. “- Terminado o curso da sua vida terrena, foi assunta, em corpo e alma, à glória celestial” (Papa Pio Xll). Ali, esperava-a o seu Filho Jesus, com o seu corpo glorioso, tal como Ela o tinha contemplado depois da Ressurreição.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Solenidade, de hoje, enche-nos de confiança, nas nossas súplicas. Pois, diz São Bernardo: “subiu aos céus a nossa Advogada para, como Mãe do Juiz e Mãe de Misericórdia, tratar dos negócios da nossa salvação.” Ela alenta, continuamente, a nossa esperança. Ensina São Josemaria Escrivá: “Somos ainda peregrinos, mas a nossa Mãe precedeu-nos e indica-nos já o termo do caminho: repete-nos que é possível, lá chegarmos, e que lá chegaremos, se formos fiéis. Porque, a Santíssima Virgem não é apenas nosso exemplo: é auxílio dos cristãos. E, ante a nossa súplica – mostra que és Mãe –, não sabe nem quer negar-se a cuidar dos seus filhos, com solicitude maternal”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Fixemos o nosso olhar em Maria, já assunta aos céus! Ela é a certeza e a prova de que os seus filhos estarão, um dia, com o corpo glorificado, junto de Cristo glorioso. A nossa aspiração à vida eterna ganha asas ao meditarmos que a nossa Mãe celeste está lá em cima, que nos vê e nos contempla com o seu olhar, cheio de ternura, com tanto mais amor, quanto mais necessitados nos vê. “Realiza a função, própria da mãe, de medianeira de clemência, na vinda definitiva”&nbsp;(São João Paulo ll). Contemplando Nossa Senhora da Assunção, no Céu, compreendemos melhor que a nossa vida, de todos os dias, não obstante seja marcada por provações e dificuldades, corre, como um rio, rumo ao oceano divino, para a plenitude da alegria e da paz. Entendemos que o nosso morrer não é o fim, mas o ingresso na vida que não conhece a morte. O nosso crepúsculo no horizonte deste mundo é um ressurgir, na aurora do mundo novo, do dia eterno.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Maria foi elevada ao Céu, em corpo e alma: também, para o corpo existe um lugar em Deus. Para nós, o Céu já não é uma esfera muito distante e desconhecida. No Céu, temos uma Mãe. E a Mãe de Deus, a Mãe do Filho de Deus, é a nossa Mãe. Ele mesmo o disse. Ele a constituiu nossa Mãe, quando disse ao discípulo e a todos nós: “Eis a tua Mãe!.” No Céu, temos uma Mãe. O Céu está aberto, o Céu tem um coração.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Confiemo-nos Àquela que – como afirma São Paulo Vl – “tendo subido ao Céu, não abandonou a sua missão de intercessão e de salvação”. A Ela, guia dos Apóstolos, sustentáculo dos Mártires, luz dos Santos, dirijamos a nossa oração, suplicando-lhe que nos acompanhe nesta vida terrena, que nos ajude a olhar para o Céu e que nos receba um dia ao lado do seu Filho Jesus.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Atraídos pelo esplendor celeste da Mãe do Redentor, recorramos com confiança àquela que do alto nos guarda e nos protege. Todos temos necessidade da sua ajuda e do seu conforto para enfrentar as provas e os desafios de cada dia; precisamos de a sentir mãe e irmã nas situações concretas da nossa existência. E, para poder partilhar um dia, também, para sempre, o seu mesmo destino, imitemo-La, no dócil seguimento de Cristo e no generoso serviço aos irmãos. Este é o único modo para saborear, já na nossa peregrinação terrena, a alegria e a paz que vive em plenitude quem alcança a meta imortal do Paraíso.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Contemplemos Maria, a Assunta. Elevada ao Céu, Maria não se afastou de nós, mas permanece, ainda mais próxima, e a sua luz projeta-se sobre a nossa vida e sobre a História da Humanidade inteira. Deixemo-nos encorajar para a fé e para a festa da alegria: Deus vence! E digamos com Isabel: bendita sois Vós entre todas as mulheres. Pedimos-te, juntamente com toda a Igreja: Santa Maria, rogai por nós pecadores, agora e na hora da nossa morte! Amém.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Celebrando o Dia das Vocações Religiosas e Consagradas, percebemos que a vida religiosa é um caminho de entrega total e perseverança. Maria é apresentada como Modelo de pessoa consagrada e um “sinal” de Deus, no mundo de hoje. A plenitude da vida, em Deus, é, também, a nossa meta, meta que Ela alcançou, por pura graça, antes de nós. A chamada “vida religiosa” ou “vida consagrada”, em suas várias modalidades de organização, é uma forma reconhecida pela Igreja de viver, radicalmente, o Evangelho. De maneira especial, seu modelo é Maria, que, cheia de graça, entregou-se totalmente a Deus e aos seus desígnios, fazendo-se serva do Senhor.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Maria toma-nos pela mão, acompanha-nos à glória, convida-nos a regozijar-nos, pensando no paraíso. Bendigamos Maria com a nossa prece, pedindo-lhe um olhar capaz de vislumbrar o Céu na terra.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Dom José Maria Pereira</strong></p>
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		<item>
		<title>Preces &#8211; Assunção de Nossa Senhora</title>
		<link>https://presbiteros.org.br/preces-assuncao-de-nossa-senhora/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Pe. Demétrio Gomes]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 11 Aug 2026 12:11:23 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Subsídios Litúrgicos]]></category>
		<category><![CDATA[assunção de nossa senhora ano a 2026]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Sacerdote: Irmãos e irmãs diletos, Maria foi elevada aos céus e os anjos se alegram em prestar suas homenagens a Filha, Esposa e Mãe de Deus. Unidos a eles elevemos jubilosamente a Trindade Santíssima as nossas orações: Todos: Interceda por nós a Mãe de vosso Filho. 1. “E apareceu no Templo a arca da Aliança” [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><strong>Sacerdote:</strong> Irmãos e irmãs diletos, Maria foi elevada aos céus e os anjos se alegram em prestar suas homenagens a Filha, Esposa e Mãe de Deus. Unidos a eles elevemos jubilosamente a Trindade Santíssima as nossas orações:</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Todos: Interceda por nós a Mãe de vosso Filho.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">1. “E apareceu no Templo a arca da Aliança” (Ap 11, 19). Vós, que fizestes de Maria o sacrário de vosso Filho e Arca da nova e eterna Aliança, concedei ao Santo Padre e aos Bispos do mundo inteiro, perseverarem sempre em vosso serviço. Rezemos ao Senhor.</p>
<p style="text-align: justify;">2. “A minha alma engrandece o Senhor, e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador” (Lc 1, 46). Perpetuai nos corações e lábios de vossos fiéis o canto de louvor que a Virgem Santíssima elevou a vós e fazei que a nossa vida concorde com nossas palavras. Rezemos ao Senhor.</p>
<p style="text-align: justify;">3. “Que o Rei se encante com vossa beleza” (Sl 44, 12). Vós, que juntastes em Maria todas as graças e toda beleza, tornai-nos, por vossa graça, parecidos com nossa Mãe. Rezemos ao Senhor.</p>
<p style="text-align: justify;">4. “Maria ficou três meses com Isabel” (Lc 1, 56). Vós, que inspirastes em Santa Maria o caridoso serviço à sua prima, Santa Isabel, concedei-nos servir a todos os nossos irmãos com diligência. Rezemos ao Senhor.</p>
<p style="text-align: justify;">5. “Cristo ressuscitou dos mortos como primícias dos que morreram” (1Cor 15, 20). Vós, que antecipais em Maria a glória de vossa Igreja, libertai de todo pecado as almas de nossos irmãos falecidos.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Sacerdote:</strong> Ó Deus eterno e onipotente, que elevastes hoje à glória dos céus a Bem-aventurada Virgem Maria, Mãe de vosso Filho, escutai propício as preces que por sua intercessão vos apresentamos. Por Cristo, nosso Senhor. <strong>Amém.</strong></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Comentário Exegético &#8211; Assunção de Nossa Senhora</title>
		<link>https://presbiteros.org.br/comentario-exegetico-assuncao-de-nossa-senhora/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Pe. Demétrio Gomes]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 11 Aug 2026 12:09:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Exegese]]></category>
		<category><![CDATA[Subsídios Litúrgicos]]></category>
		<category><![CDATA[assunção de nossa senhora ano a 2026]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>EPÍSTOLA (1 Cor 15, 20-27) (Pe. Ignácio, dos padres escolápios) INTRODUÇÃO: Num breve resumo, Paulo formula os planos divinos sobre os destinos da raça humana que em definitivo é a sorte final do Universo. Existe uma luta inicial em que a antiga serpente parece triunfal, mas não ganhará a guerra, embora triunfe em batalhas parciais: [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2>EPÍSTOLA (1 Cor 15, 20-27)</h2>
<p><strong>(Pe. Ignácio, dos padres escolápios)</strong></p>
<p>INTRODUÇÃO: Num breve resumo, Paulo formula os planos divinos sobre os destinos da raça humana que em definitivo é a sorte final do Universo. Existe uma luta inicial em que a antiga serpente parece triunfal, mas não ganhará a guerra, embora triunfe em batalhas parciais: o pecado e a morte. Dele cantará a igreja: O felix culpa quae talem et tantum meruit redemptorem [feliz culpa que mereceu tal e tão grande redentor]. E Paulo comentará numa frase lapidária: onde abundou o pecado superabundou a misericórdia [ou a graça](Rm 5, 20). E se isto foi dito em geral, não podemos restringi-lo em cada caso em particular, de modo que o canto de todo fiel salvo deve ser um hino à misericórdia de Deus, que em forma de graça superabundou em sua vida. Paulo especificamente admite que a ressurreição de Cristo seja a base de sua argumentação de modo que nela está a vitória final sobre todos os inimigos, sendo o último a ser derrotado a morte.</p>
<p>CRISTO PRIMÍCIAS: Mas agora Cristo foi ressuscitado dentre os mortos, feito primícias dos adormecidos (20). Nunc autem Christus resurrexit a mortuis primitiae dormientium. RESSUSCITADO [egëgertai&lt;1453&gt;=resurrexit] na verdade foi levantado [erguido] numa passiva cujo sujeito ativo é Deus como claramente o indica em outra passagem: Deus ressuscitou [egeiren=suscitavit] o Senhor (1 Cor 6,14). PRIMÍCIAS [aparchë &lt;536&gt; = primitiae] era a oferenda dos primeiros frutos, ou da primeira parte da massa, com a qual os pães da preposição eram elaborados. Daí o termo era usado para determinar as pessoas consagradas a Deus em sua totalidade.  É a tradução grega do hebraico reshith&lt;7225&gt;, que sai como início em Gn 1, 1 (Be)reshith, [no princípio] Deus criou os céus e a terra. E como primícias dos frutos da terra em Êx 23, 19: As primícias dos frutos da sua terra [reshit bicurei admatecha=as aparchas tön prötogevëmatön tës gës] trarás à casa do Senhor, teu Deus. Como primeiro e principal temos: Balaão disse: Amaleque é o primeiro [reshith=archë] das nações (Nm 24, 20). Vemos como o hebraico reshit pode ser traduzido como aparchë [primícias] ou archë [primeiro ou principal]. Usando Paulo aparchë 6 vezes das 8 que aparece no NT [outra em Tg 1, 18 e outra em Ap 14, 4] todas elas traduzidas por first fruits  [primeiros frutos] na KJV. DOS ADORMECIDOS [kekoimënön&lt;2837&gt;=dormientium] no grego é o particípio passado  do verbo koimaö, causar o sono, pôr a dormir, com o significado metafórico de calmar, cair no sono, dormir e finalmente morrer. Lemos em Lc 22, 45: Foi ter com os discípulos e os achou dormindo. Com o último significado de morrer, temos em Mt 27,52: Abriram-se os sepulcros e muitos corpos de santos que dormiam, ressuscitaram. E em Paulo, das 8 vezes, todas têm o significado de morrer, como vemos por exemplo em 1 Cor 15, 18: Portanto também os que dormiram em Cristo, pereceram. Como Paulo está falando da ressurreição, dizer que Cristo é primícias dentre os que adormeceram é afirmar que é o primeiro a ressurgir dentre os mortos.</p>
<p>ADÃO E CRISTO: Porque, pois, por um homem veio a morte e por um homem vem a ressurreição dos mortos (21). Quoniam enim per hominem mors et per hominem resurrectio mortuorum. Paulo dirige seu olhar aos inícios da humanidade, segundo a tradição do Gênesis. E encontra a morte como efeito do pecado de Adão. E agora no último Adão (1 Cor 15, 45), temos a causa da nossa ressurreição; pois como diz Paulo, nossos corpos formam parte de seu corpo, como membros do mesmo (1 Cor 6, 15). Comumente da ressurreição, fala-se em termos gerais, mais especificamente como almas unidas num mesmo espírito; mas esta frase de Paulo é clara: o corpo material também entra dentro do pléroma corporal de Cristo. Consequentemente não pode um membro particular estar morto se o corpo está vivo após ressurgir dentre os mortos. A restauração da primitiva ordem, em que a morte não era o último destino humano, mas através da árvore da vida a morte era evitada segundo os planos divinos (Gn 2. 9 e 3, 22), forma parte do plano final da restauração de todas as coisas em Cristo (Ef 1, 10), como alfa e ômega (Ap 1, 8) porque assim como em Adão todos morrem, assim também em Cristo todos serão vivificados (1 Cor 15, 22).</p>
<p>A RESTAURAÇÃO: Porque assim como em Adão todos morrem, assim também em Cristo todos serão restaurados à vida (22). Et sicut in Adam omnes moriuntur ita et in Christo omnes vivificabuntur. RESTAURADOS À VIDA: estar vivo, ou reviver e em passiva vivificar, fazer retornar à vida como é nosso caso. Paulo afirma, pois, que todos morrem por serem parte do sêmen de Adão, ou, como agora diríamos, por terem o genoma dele. Mas em Cristo, assim como ele ressuscitou, todos serão devolvidos à vida, porque como corpos formam parte de seu corpo total (1 Cor 6, 15).</p>
<p>ORDEM DA RESSURREIÇÃO: Cada um, pois, em sua própria ordem: primícias Cristo, depois os de Cristo na sua parusia (23). Unusquisque autem in suo ordine primitiae Christus deinde hii qui sunt Christi in adventu eius. PARUSIA [parousia &lt;3952&gt;=adventus] isto é a presença, a vinda,  a chegada, e especialmente de Cristo, a vinda gloriosa do céu, para a ressurreição final, o juízo universal e a imposição do seu reino definitivo. Tem o nome grego de parousia para distingui-lo de outra manifestação de Cristo possível na História. É o chamado segundo advento como o declara Mt 23, 27. Existem algumas dúvidas: 1º) Houve ressurreições de mortos antes de Cristo e feitas por ele? Como é que se fala de Cristo como primícias? Uma delas, a feita por intercessão de Elias, voltando à vida o filho da viúva de Sarepta  (1 Rs 17, 17-24). Para não falar das feitas por Jesus, como a de Lázaro após 4 dias da  morte deste último (Jo 11, 38-44). Todos eles foram ressuscitados da morte, mas nenhum deles foi realmente ressuscitado, no sentido que esta palavra tem em Paulo. Cada um deles tinha seu corpo, ainda sem estar totalmente destruído pela corrupção e foi suscitado da morte para a vida, a mesma que possuía horas ou dias antes, sem que houvesse uma transformação do corpo material em espiritual como afirma Paulo (1 Cor 15, 43-44). Jesus não foi o primeiro a ser trazido de novo da morte, mas o primeiro ressuscitado em corpo glorioso. 2º) Que dizer das palavras de Mateus 27, 52-53: os túmulos abriram-se, os corpos de muitos santos já falecidos, ressuscitaram: saindo dos túmulos, depois da ressurreição dEle. Eles entraram na cidade santa e apareceram a um grande número de pessoas. Em primeiro lugar, estas ressurreições estavam incluídas nas profecias que anunciavam o dia do juízo final em Is 26, 19: Os vossos mortos e também o meu cadáver viverão e ressuscitarão&#8230;porque teu orvalho, ó Deus, será como o orvalho da vida e a terra dará à luz os seus mortos. Ez 37, 12: Portanto, profetiza e dize-lhes: Assim fala o Senhor Deus: Eis que abrirei a vossa sepultura e vos farei sair dela, ó povo meu, e vos trarei à terra de Israel. Finalmente Dn 12, 2: Muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns para a vida eterna e outros para vergonha e horror eterno. Mateus diz duas coisas: 1º) Se abriram os sepulcros. Isso está em conformidade com o tremor da terra que abriu a tumba do Senhor, e atribuído a um anjo que removeu a pedra da entrada (Mt 28, 2). Caso confirmado pelos outros evangelistas indiretamente, ao afirmar que a pedra estava removida. 2º) As aparições dos mortos. A solução do caso, desta afirmação de Mateus, é difícil. Evidentemente os mortos ressuscitaram após a ressurreição de Cristo, como afirma o próprio evangelista. Com isto está a salvo o que diz Paulo, de Cristo como primícias da ressurreição dos mortos. Mas quem eram os ressuscitados? Antigos profetas que estavam enterrados no vale do Cedrão, como afirmam alguns? Não parece seja esta a melhor solução. Familiares dos vivos na época? É o mais provável, pois  a frase de corpos de muitos santos já falecidos, que não discrimina indica que não eram antigos profetas, em cujo caso Mateus o teria dito explicitamente. E que essa nova vida foi temporária e não a eterna da última parusia parece implícita na frase eles entraram na cidade santa e apareceram a um grande número de pessoas. Ou seja, não foram vistas por todos como era de se esperar de uma verdadeira revivificação. Além disso, a ênfase está na aparição e não na ressurreição. Cremos que o fenômeno é semelhante ao que acontece na vida de muitos santos que tem experiência da vida em ultra tumba de pessoas mortas. Consequentemente não podemos anunciar que alguns santos já estão em corpo e alma no Reino dos céus, como é o caso de Nossa Senhora. A  ressurreição de que Paulo fala é a do fim dos tempos para a vida eterna como diz o catecismo (988). Por isso ao falar de quando, o catecismo diz, sem dúvida, no último dia ao fim do mundo, pois a ressurreição está intimamente associada à Parusia de Cristo (1001). Em consequência, ao falar da Assunção de Nossa Senhora o mesmo catecismo afirma: Este dogma constitui uma participação singular na ressurreição de seu Filho e uma antecipação da ressurreição dos demais cristãos (966). Diante da eternidade, o tempo de espera desde a morte até a parusia é como instantâneo de modo que poderíamos afirmar que morte e ressurreição são fenômenos quase simultâneos. Mil anos são como um dia aos olhos do Senhor, dirá o salmista (90, 4).</p>
<p>O FIM: Então o fim, quando entregar o reino ao  Deus e Pai, quando tiver abolido todo principado e toda autoridade e poder (24). Deinde finis cum tradiderit regnum Deo et Patri cum evacuaverit omnem principatum et potestatem et virtutem. O FIM [telos&lt;5056&gt;=finis] também término de uma coisa ou de uma era. Um segundo significado é o de taxas alfandegárias, como em Mt 17, 25 em que pedem a Pedro se Jesus não paga o didracma e Jesus pergunta: Simão, que te parece? De quem cobram os reis da terra impostos [telë]. É claro que aqui o significado é o fim, do qual fala Paulo em Rm 6, 22: Transformados e servos, tendes o vosso fruto para a santificação e por fim [telos] a vida eterna.  ENTREGAR [paradidömi&lt;3860&gt;=tradidere] passar, entregar, dar, e até atraiçoar, como no caso de Judas (Mt 26, 2). O que é entregue é o Reino dos céus, formado pelos que cumprem a vontade de Deus (Mt 5, 10) como justiça [retidão de conduta]. E quem recebe esse Reino, ou melhor, Reinado, constituído pelos filhos do Reino (Mt 13, 38) é Deus como Pai. Um reino que tem como Rei o próprio Jesus (Jo 18, 47) e como sucessor Pedro a quem entrega as chaves (Mt 18 19) e cujos súditos se distinguem porque o maior dentre eles é como o menor e o que dirige é como o que serve (Lc 22, 26), que Paulo descreve como sendo escravos uns dos outros (Gl 5, 13) e que o próprio Jesus, dando exemplo na última ceia, lavou como escravo, os pés dos discípulos, declarando: Compreendeis o que vos fiz?&#8230;Dei-vos exemplo para que como eu vos fiz façais vós também&#8230; Se souberdes estas coisas, bemaventurados sois se as praticardes (Jo 13, 12-17). De modo que a frase paulina atribuída a Jesus, mais bemaventurada coisa é dar que receber (At 20, 25) pode ser traduzido em há mais felicidade em servir que em mandar. ABOLIDO [katargësë&lt;2673&gt;=evacuaverit] do verbo katargeö com o significado de tornar inativo, inoperante, ineficaz, acabar ou abolir. Parece que Paulo afirma que o poder não é conforme aos planos de Deus, de modo que no reino definitivo, não haverá tal modo de reinar, mas será o serviço quem ordena as relações entre os filhos do Reino. Jesus, em sua vida terrena, declarou tal método como prática e agora Paulo, ao abolir todo império, o declara como norma futura: Não mais existirá um reino, um que manda ou é superior ao outro, mas somente Deus e seus planos serão os que dirigem o mundo futuro. Eram, por outra parte, tempos em que o império ainda estava sob o Princeps Senatus, título dos Imperadores desde Augusto (ano 28 aC). A Autoridade era o poder moral de quem tem a capacidade para ditar uma norma de conduta. Estava fundamentalmente no Senado. Poder era a potestade de mandar cumprir as normas impostas. Eram os cônsules e pretores e em tempo de guerra o  imperador ou general.</p>
<p>OS INIMIGOS: Porque convém que ele reine até que haja posto todos os inimigos debaixo dos pés (25). Oportet autem illum regnare donec ponat omnes inimicos sub pedibus eius. DEBAIXO DOS PÉS: Paulo alude ao costume da época de colocar de bruços os vencidos, para que os oficiais vencedores passassem por cima deles, como lemos no salmo 7, 5; e especialmente em Js 10, 24: Josué disse aos principais da gente de guerra que tinham vindo com ele: chegai, ponde os pés sobre o pescoço destes reis. Coisa que Jesus usa como nota do seu messiado em Mc 12, 36. É, pois sinal de absoluta derrota e total submissão. Com isso, Paulo indica uma vitória final.</p>
<p>A MORTE: Último inimigo a desaparecer é a morte (26). Novissima autem inimica destruetur mors. Com esta frase, Paulo afirma que todo mal, é resultado do pecado, pois com o pecado entrou a morte. O primeiro inimigo é Satanás como lemos em Ap 12, 9. Temos também o mundo, que apesar de ser feito por Ele não o conheceu (Jo 1, 10). E a carne, da qual diz Paulo que nela não habita bem nenhum (7,18), de modo que são os três inimigos clássicos do homem. Em lugar de construir, eles destroem a ordem do Senhor em geral e, em particular, em cada homem. Finalmente, Paulo enumera o último, que é a morte. O catecismo fala do mal físico e do mal moral. Como recordação temos as palavras de S. Tomás de Aquino: Por que Deus não criou um mundo tão perfeito que nele não pudesse existir nenhum mal? Deus poderia criar coisa melhor. Porém na sua sabedoria infinita Deus criou um mundo em estado de via, caminhando para sua perfeição e não perfeito (CIC 310). Por isso, tanto os homens como os animais contribuem ao melhoramento do mesmo. Aqueles por instinto, estes por razão. Assim, é importante a escolha do bem, que em Deus é perfeita, pois como diz o catecismo, Deus em sua providência toda-poderosa,  pode sacar um bem das consequências do mal, incluso moral, causado por suas criaturas (312). É por isso que todo ato conforme a natureza é agradável, exceto o parto (Gn 3, 16). A base do pecado do homem é dirigir seu fim ao agradável e transformá-lo num fim quando é unicamente um meio.</p>
<p>SOB SEUS PÉS: Porque todas as coisas sujeitou debaixo dos seus pés: (27). Omnia enim subiecit sub pedibus eius. Paulo usa a mesma linguagem dos salmos, quando fala da suprema condição do homem a respeito do Universo: Deste-lhe domínio sobre as obras de tua mão e sob seus pés tudo lhe puseste (Sl 8, 6). Mas sobre o homem do AT está o novo homem do NT que é Cristo a quem tudo é submetido. Pois existindo criaturas superiores, não foi aos anjos que sujeitou o mundo que há de vir (Hb 2, 5). Para que por sua morte destruísse aquele que tem o poder da morte, a saber, o diabo (Hb 2, 14). De modo que o poder de Cristo está sobre o poder daquele que aparentemente tem o máximo poder como é o da morte ante a qual todos estávamos sujeitos.</p>
<h2>EVANGELHO ( Lc 1, 39-56)</h2>
<p>(Pe Ignácio, dos padres escolápios)</p>
<p>OS NOMES: Tendo, pois, se levantado Mariam, naqueles dias foi à montanha, com presteza, a uma cidade de Judá (39). Exsurgens autem Maria in diebus illis abiit in montana cum festinatione in civitatem Iuda. Mariam significa senhora e, segundo Lucas, devemos distinguir seu nome de Maria que é o nome dado à Madalena, ou o nome da irmã de Lázaro, assim como o de Maria Salomé. Lucas expressamente usa Mariam para a Mãe de Jesus. Elizabet, de origem hebraica, significa juramento de Javé. Zacaria(s) significa Javé se lembrou. Segundo o modo de pensar dos judeus, o nome tinha muito a ver com a vida e existência do sujeito nomeado. A Senhora visita a casa de quem foi lembrado por Deus, porque cumpriu seu juramento, dando origem a um bebê [Johanan] que é um dom precioso de Javé. Talvez Lucas não soubesse a metáfora que os nomes significavam. Numa época em que Fílon interpretava as Escrituras de modo simbólico e que teve como sucessores Orígenes e Cirilo de Alexandria, fundadores da escola simbólica escriturária para depois dar lugar à Cabala. Daí podemos deduzir que a possibilidade desta interpretação não é absolutamente irresponsável. A MONTANHA: Termo técnico, semelhante ao Deserto de Judeia, para designar a região entre Jericó e Bethoron, como indicamos na exegese do IV Domingo do Advento de 2007. (Ver comentários exegéticos Número 14 de presbíteros.com. br) Como a resposta de Isabel até o versículo 45 já foi devidamente estudada nesses comentários, neste evangelho de hoje vamos especialmente interpretar o canto mariano por excelência, o Magnificat.</p>
<p>O MAGNIFICAT: É um dos três cânticos que Lucas nos oferece em seu evangelho. Sem dúvida tomando como modelo outros cânticos como o de Moisés, em Êxodo 15, 1-18 e a pequena estrofe de Miriam no versículo 21. Assim se inaugura uma ação de graças com cântico que formam um conjunto de louvores pelos feitos maravilhosos, provindos das mãos do Senhor. Mas o cântico que está mais perto do Magnificat é o de Ana em 1 Sm 2, 1-10. Tenho o coração alegre, graças ao Senhor, e a fronte erguida, graças ao Senhor, minha boca abre-se contra os meus inimigos: eu me alegro por tua vitória. (&#8230;) O Senhor torna pobre e enriquece, rebaixa e também exalta. Ergue o fraco da poeira e retira o pobre do monturo para fazê-los sentar com os príncipes e atribuir-lhe o lugar de honra. A questão é se o canto foi um espontâneo de Maria ou foi produto de um poeta cristão posterior. O mais provável é que Maria meditou muito durante a viagem de três dias e o tivesse composto meditando o cântico de Ana e o de Judite: Deus, o nosso Deus, está conosco para manifestar seu vigor em Israel e sua força contra os inimigos (Jt 13, 11). E Louvai a Deus que não retirou sua misericórdia da casa de Israel, mas esmagou nossos inimigos por minha mão esta noite (Jt 13, 14). Se em Ana o impulso que a levou ao cântico é o nascimento do filho, em Judite está a vitória de Israel sobre os inimigos. Ambas as razões estão vivas no cântico de Maria.</p>
<p>ESTRUTURA: Dividiremos o Magnificat em três partes diferentes: 1a) Introdução (47). 2a) razão do louvor (48-53). 3a) A especial providência para com Israel, figura da misericórdia para com ele (54-55). Vamos tentar explicar cada uma das partes, dando no final uma tradução livre do cântico.</p>
<p>INTRODUÇÃO: E disse Mariam: Engrandece a minha alma o Senhor (46). Et ait Maria magnificat anima mea Dominum. E encheu-se de gozo meu espírito no Deus, meu salvador (47). Et exultavit spiritus meus in Deo salutari meo. É um louvor de agradecimento a Deus que é Senhor [Kyrios] e ao Deus, o seu Salvador [o theós, o soter]. É um beraká ou louvor em alta voz. O grego usa o verbo megalenö, que significa engrandecer tal e qual as traduções portuguesa e italiana. Também a Vulgata usa a palavra magnificat que é uma tradução literal do grego. Porém podemos traduzir livre, mas mais ajustado ao sentido próprio, por exaltar ou glorificar. De fato, esta última é a preferida pela tradução espanhola: Exalta minha alma o Senhor. É, pois um grito de louvor, ou melhor, de ação-de-graças por um benefício recebido. Não podemos esquecer que na língua semita não existe a palavra agradecer que é substituída por louvar ou exaltar. A segunda parte da introdução é o gozo existente por ter visto de perto a ação salvífica divina: E meu espírito encheu-se de gozo no Deus, o meu salvador. Tanto Deus, como Salvador, estão com artigo, indicando uma realidade definida e próxima de Maria.</p>
<p>RAZÃO: Porque fixou seu olhar na insignificância de sua escrava: Eis, pois, desde agora me chamarão ditosa todas as gerações (48). Quia respexit humilitatem ancillae suae ecce enim ex hoc beatam me dicent omnes generationes. O verbo epiblepö, que mais do que um simples olhar significa observar, prestar atenção [respexit latino] por isso temos traduzido fixou seu olhar. Uma outra palavra mal traduzida é tapeinosis  porque o latim traduz por humilitas [humildade] que pode ser uma virtude ativa contrária à soberba e assim foi traduzido às línguas vernáculas. Por isso a tradução espanhola moderna diz se há fijado em la humilde condición de su esclava. Já a italiana diz há considerato l’umiltà della sua serva. As duas portuguesas dirão olhou para a humilhação de sua serva (Bíblia de Jerusalém) e contemplou na (sic) humildade da sua serva (RA evangélica) que é uma construção um tanto irregular. Tapeinosis pode ser também uma condição nativa de impotência e insignificância, ou seja, ser pequeno demais. Daí que o olhar deve ser meticuloso, um observar, como indica o latim [respicio= considerar, olhar com atenção, com piedade].  Doulë=serva que o espanhol traduz como escrava e o latim como ancilla [escrava doméstica], muito melhor que as traduções de serva, pois o doulë grego significa escrava propriamente dita. A primeira razão da ação-de-graças é pois a natureza transcendental ou divina de quem provê a eleição traduzida em benevolência: Deus. A segunda é a pequenez da qual ele se deixou conquistar: escolheu um ser insignificante como é uma escrava. É por isso que todas as gerações a chamarão bendita (de Deus). O grego diz propriamente me abençoarão [chamar bendita] que muitos traduzem por bemaventurada, ou feliz. O que não é realmente uma tradução feliz. Melhor seria, considerarão que sou privilegiada de Deus.</p>
<p>O PRIVILÉGIO(49): Já que fez para mim magníficas (coisas) [megaleios] o Poderoso. Porque Santo é o seu nome (49). Quia fecit mihi magna qui potens est et sanctum nomen eius. Na realidade, megaleios é um adjetivo que significa excelente, magnífico.  O PODEROSO era um dos títulos com os quais os judeus substituíam o nome santo Hashem ou HASHEM YITBARAH [o nome recôndito]. É com este nome de PODEROSO que Jesus responde à conjura de Caifás( Mt 26, 64) só que aqui é adjetivo e no momento do julgamento usa-se o substantivo Poder [dynamis]. Por isso, como era costume entre os judeus, termina Maria com um louvor ao nome santo: pois sagrado é seu nome. Ou se queremos calibrar melhor diríamos: pois seu nome é único, divino. Traduzimos o Kai grego, como correspondência ao wau hebraico que tem o significado de conjunção causal ou explicativa, tanto como conjuntiva. Será, pois, porque.</p>
<p>A PROVIDÊNCIA DIVINA (50): Porque sua misericórdia é para geração de gerações, aos que o temem (50). Et misericordia eius in progenies et progenies timentibus eum. Maria agora eleva seu olhar, e da intimidade de seu ser, parte para a lei geral da providência divina para com todos os povos: Visto que sua misericórdia se estende de geração em geração para com os que o temem. Maria nos dá uma definição da atuação divina que merece a pena considerar: Deus é misericórdia para os que o respeitam, pois é a maneira que devemos traduzir o fobeo [temer] grego quando referido a Deus. Respeito e reverência, que se traduzem em obedecer suas leis de modo escrupuloso. A misericórdia é um ato de amor correspondente a quem se inclina ao mais fraco para ajuda e consolação. Esta é a linha geral que Maria descobre em Deus através da escolha particular de sua insignificante pessoa.</p>
<p>O BRAÇO (51): Seu braço se mostrou poderoso ao dispersar os arrogantes de pensamento dentro de seu coração (51). fecit potentiam in brachio suo dispersit superbos mente cordis sui. Podemos contemplar dois sentidos na frase: A) O particular de uma batalha em que são derrotados os inimigos de Israel como aconteceu no caso de Judite 9, 4 e 13, 14 e o verbo pode ser empregado com toda a literalidade do mesmo, como dispersar ou desbaratar, do qual fala o salmo 89, 11 esmagaste Raab, como um cadáver, dispersaste teus inimigos com teu braço poderoso, como modelo da canção Mariana. É esse braço cuja destra esplendorosa de poder esmaga o inimigo (Êx 15, 6). B) Ou o sentido geral de todos os que têm orgulho de serem melhores e mais poderosos que os humildes e então o modelo é o canto de Ana:  O arco dos poderosos é quebrado, os debilitados são cingidos de força (1 Sm 2,4). Neste último caso optaremos por uma tradução menos literal e no lugar do dispersou usaremos, peneirou como palha, descartando-os, como a palha é descartada do trigo.</p>
<p>OS PODEROSOS (52): Derribou os poderosos dos tronos e elevou os pequenos (52). deposuit potentes de sede et exaltavit humiles. Aos famintos cumulou de bens e aos ricos despediu vazios (53). Esurientes implevit bonis et divites dimisit inanes. PODEROSOS são chamados de dynastes que podemos traduzir por príncipes ou poderosos. A tradução será, pois, destronou os homens de poder de seus tronos e ergueu os de humilde condição (52). Aos necessitados cumulou de bens e aos ricos despediu vazios (53). Neste ponto Maria segue o modelo de Sl 107, 9 e o canto de Ana: Os que viviam na fartura se empregam por comida. Os que tinham fome não precisam trabalhar (1 Sm 2,4-5). Maria segue assim a política de Jesus das bemaventuranças, de modo especial a redação que nós temos hoje de Lucas: Benditos os famintos&#8230; Ai de vós os saciados agora.( Lc 6).</p>
<p>ISRAEL O SERVO (54): Protegeu Israel seu servo, para recordar misericórdia (54), como falou aos nossos pais, Abraão e sua descendência para os séculos (55). Suscepit Israhel puerum suum memorari misericordiae sicut locutus est ad patres nostros Abraham et semini eius in saecula.  Em Is 41, 8-9 Javé chama a Israel meu servo. A palavra usada é pais que tanto pode significar filho como escravo. Por isso a atuação de Javé com o nascimento de Jesus significa um efeito peculiar de Deus em favor de seu povo. E fez isso lembrado da misericórdia. Um momento peculiar dessa benevolência divina foi o cumprimento de sua promessa dada como palavra divina a  Abraão e sua semente [sua descendência] para sempre (55). É uma recordação de Gn 17,7. Esta aliança perene fará de mim teu Deus e o de tua descendência depois de ti.</p>
<p>TRÊS MESES (56): Permaneceu, pois, Mariam com ela uns três meses e voltou para sua casa (56). Mansit autem Maria cum illa quasi mensibus tribus et reversa est in domum suam. Era o tempo que faltava para que Isabel desse à luz seu filho e Maria, sem dúvida, ficou com a anciã parente até o momento do nascimento de João. Assim se explicam os detalhes do mesmo, dos quais Lucas é narrador e Maria, sem dúvida, testemunha.</p>
<p>A TRADUÇÃO: Exulta minha alma ao Senhor e meu espírito encheu-se de gozo no Deus, o meu salvador; porque fixou seu olhar na insignificância de sua escrava. Por isso, pois, desde agora aclamar-me-ão como bendita todas as gerações; já que realizou em mim fatos extraordinários, porque seu nome é divinamente sagrado, visto que sua misericórdia se manifesta de geração em geração em favor dos que o respeitam. Seu braço mostrou-se poderoso ao desbaratar os arrogantes de pensamento no íntimo de seus corações. De modo que obrigou os homens de poder a descer de seus tronos e ergueu os de condição humilde. Aos necessitados cumulou de bens e aos ricos despediu vazios. Protegeu Israel, seu servo, guiado da sua misericórdia, como prometeu a nossos pais, a Abraão e sua descendência para sempre.</p>
<p>PISTAS: 1) O Magnificat de Maria é o canto da maioria dos fiéis humildes, isto é, pequenos e sem ambições, que constituem a maioria dos seguidores de Jesus. Diante das ambições das doutoras do sexo feminino que  pretendem o sacerdócio é bom que recitem o cântico com a mesma sinceridade e humildade com que o fez Maria, todas as tardes nas vésperas para aprender que não é com direitos que vamos nos apresentar ao Deus dos pequenos, mas com a sinceridade que a humildade nos dá, ao saber que dele dependemos e que unicamente os que se humilham serão exaltados (Mt 23, 12).</p>
<p>2) Não é pela pessoa em si mesma, que a Igreja exalta e venera Maria, simples criatura, mas pelos grandes favores que recebeu de Deus e que por isso anima os mais desprestigiados a esperar favores desse mesmo Deus que exalta os humildes. Em Maria vemos as maravilhas que Deus pode realizar com as almas que reconhecem sua bondade; o que outros chamariam de méritos.</p>
<p>3) Maria é a única que louva o Senhor  de modo a ser exemplo para todas as mulheres. Ela não o disse no Magnificat, mas será Isabel que em termos de santa inveja a declara modelo de todas as mulheres.</p>
<p>4) Maria indica o verdadeiro caminho de salvação do seu Filho: Deus escolhe desde agora os mais imprestáveis segundo o mundo, como diz Paulo (1 Cor 1, 17 –31) e que com clareza óbvia Maria expressa em seu cântico, para que ninguém se glorie em si mesmo.    	</p>
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		<title>Roteiro Homilético – Assunção de Nossa Senhora</title>
		<link>https://presbiteros.org.br/roteiro-homiletico-assuncao-de-nossa-senhora-3/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Pe. Demétrio Gomes]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 11 Aug 2026 12:08:38 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Roteiros Homiléticos]]></category>
		<category><![CDATA[Subsídios Litúrgicos]]></category>
		<category><![CDATA[assunção de nossa senhora ano a 2026]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>RITOS INICIAIS Ap 12, 1 ANTÍFONA DE ENTRADA: Um sinal grandioso apareceu no céu: uma mulher revestida de sol, com a lua debaixo dos pés e uma coroa de estrelas na cabeça. Ou: Exultemos de alegria no Senhor, ao celebrar este dia de festa em honra da Virgem Maria. Na sua Assunção alegram-se os Anjos e [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2>RITOS INICIAIS</h2>
<p><em>Ap</em> 12, 1</p>
<p>ANTÍFONA DE ENTRADA: Um sinal grandioso apareceu no céu: uma mulher revestida de sol, com a lua debaixo dos pés e uma coroa de estrelas na cabeça.</p>
<p>Ou:</p>
<p>Exultemos de alegria no Senhor, ao celebrar este dia de festa em honra da Virgem Maria. Na sua Assunção alegram-se os Anjos e cantam louvores ao Filho de Deus.</p>
<p>Diz-se o Glória.</p>
<h3>Introdução ao espírito da Celebração</h3>
<p>Nossa Senhora está associada a Cristo na Sua Ressurreição e subida ao Céu. Celebremos a glorificação da Santíssima Virgem com alegria e confiantes na Sua protecção maternal.</p>
<p>ORAÇÃO COLECTA: Deus eterno e omnipotente, que elevastes à glória do Céu em corpo e alma a Imaculada Virgem Maria, Mãe do vosso Filho, concedei-nos a graça de aspirarmos sempre às coisas do alto, para merecermos participar da sua glória. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.</p>
<h2>LITURGIA DA PALAVRA</h2>
<h3>Primeira Leitura</h3>
<p><strong>Monição:</strong> Após as tribulações desta vida, chegará: «A salvação e a realeza do nosso Deus e o domínio do seu Ungido». A Virgem Maria é o primeiro ser humano a participar, em plenitude, na «salvação e realeza do nosso Deus e do domínio do seu Ungido»</p>
<p><em><strong>Apocalipse</strong> 11, 19a 12, 1-6a.10ab</em></p>
<p><em><strong><sup>19a</sup>O templo de Deus abriu-se no Céu e a arca da aliança foi vista no seu templo. <sup>12, 1</sup>Apareceu no Céu um sinal grandioso: uma mulher revestida de sol, com a lua debaixo dos pés e uma coroa de doze estrelas na cabeça. Estava para ser mãe e gritava com as dores e ânsias da maternidade. <sup>3</sup>E apareceu no Céu outro sinal: um enorme dragão cor de fogo, com sete cabeças e dez chifres e nas cabeças sete diademas. <sup>4</sup>A cauda arrastava um terço das estrelas do céu e lançou-as sobre a terra. O dragão colocou-se diante da mulher que estava para ser mãe, para lhe devorar o filho, logo que nascesse. <sup>5</sup>Ela teve um filho varão, que há-de reger todas as nações com ceptro de ferro. O filho foi levado para junto de Deus e do seu trono <sup>6a</sup>e a mulher fugiu para o deserto, onde Deus lhe tinha preparado um lugar. <sup>10ab</sup>E ouvi uma voz poderosa que clamava no Céu: «Agora chegou a salvação, o poder e a realeza do nosso Deus e o domínio do seu Ungido».</strong></em></p>
<p>Sob a imagem da Arca (v. 19) e da mulher (vv. 1-17) é-nos apresentada, na intenção da liturgia, a Virgem Maria. Entretanto os exegetas continuam a discutir, sem chegar a acordo, se estas imagens se referem à Igreja ou a Maria. Sem nos metermos numa questão tão discutida, podemos pensar com alguns estudiosos que a Mulher simboliza, num primeiro plano, a Igreja, mas, tendo em conta as relações tão estreitas entre a Igreja e Maria &#8211; «membro eminente e único da Igreja, seu tipo e exemplar perfeitíssimo na fé e na caridade&#8230; sua Mãe amorosíssima» (Vaticano II, LG 53) –, podemos englobar a Virgem Maria nesta imagem da mulher do Apocalipse. Tendo isto em conta, citamos o comentário de Santo Agostinho ao Apocalipse (Homilia IX):</p>
<p>4-5 «<em>O Dragão colocou-se diante da mulher</em>&#8230;<em>»:</em> «A Igreja dá à luz sempre no meio de sofrimentos, e o Dragão está sempre de vigia a ver se devora Cristo, quando nascem os seus membros. Disse-se que deu à luz um filho varão, vencedor do diabo».</p>
<p>6 «<em>E a mulher fugiu para o deserto»:</em> «O mundo é um deserto, onde Cristo governa e alimenta a Igreja até ao fim, e nele a Igreja calca e esmaga, com o auxílio de Cristo, os soberbos e os ímpios, como escorpiões e víboras, e todo o poder de satanás».</p>
<h3>Salmo Responsorial</h3>
<p><em>Sl 44 (45), 10.11.12.16 (R. cf. 10b)</em></p>
<p><em> </em></p>
<p><strong>Monição:</strong> Cantemos, com entusiasmo: «À Vossa Direita, Senhor, está a Rainha do Céu».</p>
<p>Refrão:       <strong><em> À VOSSA DIREITA, SENHOR, A RAINHA DO CÉU, </em></strong><em>ORNADA DO OURO MAIS FINO.<br />
</em></p>
<p>Ou:               <em><strong> À VOSSA DIREITA, SENHOR, ESTÁ A RAINHA DO CÉU.</strong></em></p>
<p><em><strong>Ao vosso encontro vêm filhas de reis,</strong></em></p>
<p><em><strong>à vossa direita está a rainha, ornada com ouro de Ofir.</strong></em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em><strong>Ouve, minha filha, vê e presta atenção,</strong></em></p>
<p><em><strong>esquece o teu povo e a casa de teu pai.</strong></em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em><strong>Da tua beleza se enamora o Rei</strong></em></p>
<p><em><strong>Ele é o teu Senhor, presta-Lhe homenagem.</strong></em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em><strong>Cheias de entusiasmo e alegria,</strong></em></p>
<p><em><strong>entram no palácio do Rei.<br />
</strong></em></p>
<h3>Segunda Leitura</h3>
<p><strong>Monição:</strong> Cristo ressuscitou dos mortos, triunfou sobre o pecado e a morte, e sobe ao Céu. Também a Mãe de Deus subiu ao Céu em corpo e alma. No final dos tempos, o corpo dos que cumpriram a vontade de Deus entrará no Céu e será glorificado.</p>
<p><em>1 <strong>Coríntios</strong> 15, 20-27</em></p>
<p><em><strong>Irmãos: <sup>20</sup>Cristo ressuscitou dos mortos, como primícias dos que morreram. <sup>21</sup>Uma vez que a morte veio por um homem, também por um homem veio a ressurreição dos mortos <sup>22</sup>porque, do mesmo modo que em Adão todos morreram, assim também em Cristo serão todos restituídos à vida. <sup>23</sup>Cada qual, porém, na sua ordem: primeiro, Cristo, como primícias a seguir, os que pertencem a Cristo, por ocasião da sua vinda. <sup>24</sup>Depois será o fim, quando Cristo entregar o reino a Deus seu Pai depois de ter aniquilado toda a soberania, autoridade e poder. <sup>25</sup>É necessário que Ele reine, até que tenha posto todos os inimigos debaixo dos seus pés. <sup>26</sup>E o último inimigo a ser aniquilado é a morte, porque Deus tudo colocou debaixo dos seus pés. <sup>27</sup>Mas quando se diz que tudo Lhe está submetido é claro que se exceptua Aquele que Lhe submeteu todas as coisas.</strong></em></p>
<p>É a partir deste texto e do de Romanos 5 que os Padres da Igreja estabelecem a tipologia baseada num paralelismo antiético, entre <em>Eva </em>e<em> Maria</em>: Eva, associada a Adão no pecado e na morte; Maria, associada a Cristo na obra de reparação do pecado e na ressurreição.</p>
<p>20-23 S. Paulo, começando por se apoiar no facto real da Ressurreição de Cristo, procura demonstrar a verdade da ressurreição (vv. 1-19). Nestes versículos, diz que «<em>Cristo ressuscitou dos mortos, como primícias dos que morreram»</em> (v. 20). As primícias eram os primeiros frutos do campo que se deviam oferecer a Deus e só depois se podia comer deles (cf. <em>Ex</em> 28; <em>Lv</em> 23, 10-14; <em>Nm</em> 15, 20-21). De igual modo, Cristo nos precede na ressurreição. Nós (exceptuando pelo menos a Virgem Maria) havemos de ressuscitar «<em>por ocasião da sua vinda»</em> (v. 23). Não se pode confundir esta ressurreição sobrenatural e misteriosa de que aqui se fala com a imortalidade da alma. O Credo do Povo de Deus de Paulo VI, no nº 28, diz: «Cremos que as almas de todos aqueles que morrem na graça de Cristo &#8211; tanto as que ainda devem ser purificadas com o fogo do Purgatório, como as que são recebidas por Jesus no Paraíso logo que se separem do corpo, como o Bom Ladrão &#8211; constituem o Povo de Deus depois da morte, a qual será destruída por completo no dia da Ressurreição, em que as almas se unirão com os seus corpos». Por seu turno, a S. Congregação para a Doutrina da Fé, na carta de 17-5-79, declara: «A Igreja, ao expor a sua doutrina sobre a sorte do homem depois da morte, exclui qualquer explicação com que se tirasse o seu sentido à Assunção de Nossa Senhora, naquilo que esta tem de único, ou seja, o facto de ser a glorificação que está destinada a todos os outros eleitos».</p>
<h3>Aclamação ao Evangelho</h3>
<p><strong>Monição:</strong> De nosso coração brotam estas palavras jubilosas: Maria foi elevada ao Céu: alegre-se a multidão dos Anjos.</p>
<h3>ALELUIA</h3>
<p><em>Maria foi elevada ao Céu:   alegra-se a multidão dos Anjos.</em></p>
<p><em> </em></p>
<h2>Evangelho</h2>
<p><strong>São Lucas</strong> 1, 39-56</p>
<p><em><strong><sup>39</sup>Naqueles dias, Maria pôs-se a caminho e dirigiu-se apressadamente para a montanha, em direcção a uma cidade de Judá. <sup>40</sup>Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel.<sup>41</sup>Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, o menino exultou-lhe no seio. Isabel ficou cheia do Espírito Santo <sup>42</sup>e exclamou em alta voz: «Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. <sup>43</sup>Donde me é dado que venha ter comigo a Mãe do meu Senhor? <sup>44</sup>Na verdade, logo que chegou aos meus ouvidos a voz da tua saudação, o menino exultou de alegria no meu seio. <sup>45</sup>Bem-aventurada aquela que acreditou no cumprimento de tudo quanto lhe foi dito da parte do Senhor». <sup>46</sup>Maria disse então: «A minha alma glorifica o Senhor <sup>47</sup>e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador, <sup>48</sup>porque pôs os olhos na humildade da sua serva: de hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações. <sup>49</sup>O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas: Santo é o seu nome. <sup>50</sup>A sua misericórdia se estende de geração em geração sobre aqueles que O temem.<sup>51</sup>Manifestou o poder do seu braço e dispersou os soberbos. <sup>52</sup>Derrubou os poderosos de seus tronos e exaltou os humildes. <sup>53</sup>Aos famintos encheu de bens e aos ricos despediu de mãos vazias. <sup>54</sup>Acolheu a Israel, seu servo, lembrado da sua misericórdia, <sup>55</sup>como tinha prometido a nossos pais, a Abraão e à sua descendência para sempre».<sup>56</sup>Maria ficou junto de Isabel cerca de três meses e depois regressou a sua casa.</strong></em></p>
<p>Os estudiosos descobrem neste relato uma série de ressonâncias vetero-testementárias, o que corresponde não apenas ao estilo do hagiógrafo, mas sobretudo à sua intenção teológica de mostrar como na Mãe de Jesus se cumprem as figuras do A.T.: Maria é a verdadeira e nova <em>Arca da Aliança</em> (comparar <em>Lc</em> 1, 43 com 2 <em>Sam</em> 6, 9 e <em>Lc</em> 1, 56 com 2 <em>Sam</em> 6, 11) e a verdadeira salvadora do povo, qual nova Judite (comparar <em>Lc</em> 1, 42 com <em>Jdt</em> 13, 18-19) e qual nova <em>Ester</em> (<em>Lc</em> 1, 52 e <em>Est</em> 1 – 2).</p>
<p>39 «<em>Uma cidade de Judá»</em>. A tradição diz que é Ain Karem, uma povoação a 6 Km a Oeste da cidade nova de Jerusalém. De qualquer modo, ficaria a uns quatro dias de viagem de Nazaré. Maria empreende a viagem movida pela caridade e espírito de serviço. A «<em>Mãe do meu Senhor»</em> (v. 43) não fica em casa à espera de que os Anjos e os homens venham servir a sua rainha; e Ela mesma, que se chama «escrava do Senhor» (v. 38), «<em>a sua humilde serva»</em> (v. 48), apressa-se em se fazer a <em>criada</em> da sua prima e de acudir em sua ajuda. Ali permanece, provavelmente, até depois do nascimento de João, uma vez que S. Lucas nos diz que «<em>ficou junto de Isabel cerca de três meses»</em>.</p>
<p>42 «<em>Bendita és Tu entre as mulheres».</em> Superlativo hebraico: a mais bendita de todas as mulheres.</p>
<p>43-44 «<em>A Mãe do meu Senhor». </em>As palavras de Isabel são proféticas: o mexer-se do menino no seu seio (v. 41) não era casual, mas «<em>exultou de alegria»</em> para também ele saudar o Messias e sua Mãe.</p>
<p>46-55 O cântico de Nossa Senhora, o <em>Magnificat,</em> é um poema de extraordinária beleza poética e elevação religiosa. Dificilmente poderiam ficar melhor expressos os sentimentos do coração da Virgem Maria – «a mais humilde e a mais sublime das criaturas» (DANTE, <em>Paraíso,</em> 33, 2) –, em resposta à saudação mais elogiosa (vv. 42-45) que jamais se viu em toda a Escritura. É como se Maria dissesse que não havia motivo para uma tal felicitação; tudo se deve à benevolência, à misericórdia e à omnipotência de Deus. Sem qualquer referência ao Messias, refulge aqui a alegria messiânica da sua Mãe e a sua humildade num extraordinário hino de louvor e de agradecimento. O cântico está todo entretecido de reminiscências bíblicas, sobretudo do cântico de Ana (1 <em>Sam</em> 2, 1-10) e dos Salmos (35,9; 31, 8; 111, 9; 103, 17; 118, 15; 89, 11; 107, 9; 98, 3); cf. também <em>Hab</em> 3, 18; <em>Gn</em> 29, 32; 30, 13; <em>Ez</em> 21, 31; <em>Si</em> 10, 14; <em>Mi</em> 7, 20. Ao longo dos tempos, muitos e belos comentários se fizeram ao<em>Magnificat;</em> mas também é conhecida a abordagem libertacionista, abundando leituras materialistas utópicas, falsificadoras do genuíno sentido bíblico, com base no princípio marxista da luta de classes. Com efeito, a transformação social que é urgente realizar, não se faz com o inverter a ordem social, o «derrubar os poderosos dos seus tronos» e o «despedir os ricos de mãos vazias». Eis o comentário da Encíclica <em>Redemptoris Mater, </em>nº 36: «Nestas sublimes palavras… vislumbra-se a experiência pessoal de Maria, o êxtase do seu coração; nelas resplandece um raio do mistério de Deus, a glória da sua santidade inefável, o amor eterno que, como um dom irrevogável, entra na história do homem».</p>
<p><strong>Sugestões para a homilia</strong></p>
<p>1. <span style="text-decoration: underline;">Nossa Senhora da Assunção situa-se perto de nós</span>.</p>
<p>Ela é diferente e superior a toda a criatura humana mas situa-se muito perto de nós em muitas das suas atitudes.</p>
<p>Com toda a naturalidade, no momento da Anunciação, dirigia-se ao Anjo nestes termos: «Como será isso, se eu não conheço homem?» (Lc 1, 34).</p>
<p>Na visita a Santa Isabel, esta trata-a com exuberância: «Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. Donde me é dado que venha ter comigo a Mãe do meu Senhor?&#8230; Bem-aventurada aquela que acreditou no cumprimento de tudo quanto lhe foi dito da parte do Senhor»</p>
<p>A Senhora da Visitação responde com toda a simplicidade: «A minha alma glorifica ao Senhor e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador». (Evangelho da Eucaristia de hoje).</p>
<p>A Santíssima Virgem é verdadeiramente «arca da aliança» e «mulher revestida de sol, com a lua debaixo dos pés e uma coroa de doze estrelas na cabeça» (Primeira leitura desta Eucaristia)</p>
<p>Apesar de tudo isto, era assídua à oração da Igreja (Act 1, 14).</p>
<p>2. <span style="text-decoration: underline;">O dogma da Assunção da Nossa Senhora ao Céu em corpo e alma</span>.</p>
<p>A Igreja celebra esta festa desde o século VI.</p>
<p>Pio XII, antes de proclamar o dogma da Assunção de Nossa Senhora ao Céu em corpo e alma, consulta os Bispos de todo o mundo. As cartas recebidas manifestaram que o povo de Deus era unânime quanto à crença nesta verdade que o Papa proclamou em 1 de Novembro de 1950<strong>, </strong>dizendo: «Pela autoridade de Nosso Senhor Jesus Cristo e dos Bem-aventurados Apóstolos Pedro e Paulo e também pela nossa proclamamos, declaramos e definimos ter sido divinamente revelado o dogma de que a Imaculada sempre Virgem Maria Mãe de Deus, terminado o curso da Sua vida na terra, foi elevada em corpo e alma à glória do Céu (Const. Apostólica Munificentissimus Deus, em AAS 43 (1951) 638).</p>
<p>São João Damasceno diz: «Convinha que aquela que no parto tinha conservado íntegra a sua virgindade, conservasse depois da morte o seu corpo sem corrupção alguma. Convinha que aquela que tinha trazido no seu seio o Criador feito menino, habitasse na morada divina».</p>
<p>A partir daqui os teólogos tiram esta conclusão: «Convinha, Deus podia fazê-lo; e por isso o fez» (João Duns Escoto, III Setentiarum, dist III, q 1).</p>
<p>Nesta Solenidade tudo convida à alegria. A firme esperança na nossa santificação pessoal é um dom de Deus, embora o homem tenha de colaborar. Isto implica o tomar a Cruz de cada dia. Com a Senhora da Assunção, serviremos o Senhor com alegria.</p>
<p>A festa da Assunção de Nossa Senhora projecta-nos para a realidade da feliz esperança. Somos ainda peregrinos, mas a Nossa Mãe precedeu-nos e aponta-nos o termo do caminho. Repete-nos que é possível lá chegar e que, se formos fiéis, lá chegaremos pois a Santíssima Virgem não é só nosso modelo, mas também auxílio dos cristãos, e cuida dos Seus filhos com solicitude maternal.</p>
<p><strong>Fala o Santo Padre</strong></p>
<p>«No céu temos uma mãe.»</p>
<p>[…] A festa da Assunção é um dia de alegria. Deus venceu. O amor venceu. Venceu a vida. Mostrou-se que o amor é mais forte do que a morte. Que Deus tem a verdadeira força e a sua força é bondade e amor.</p>
<p>Maria foi elevada ao céu em corpo e alma: também para o corpo existe um lugar em Deus. Para nós o céu já não é uma esfera muito distante e desconhecida. No céu temos uma mãe. E a Mãe de Deus, a Mãe do Filho de Deus, é a nossa Mãe. Ele mesmo o disse. Ele constituiu-a nossa Mãe, quando disse ao discípulo e a todos nós: «Eis a tua Mãe!» No céu temos uma Mãe. O céu está aberto, o céu tem um coração.</p>
<p>No Evangelho ouvimos o <em>Magnificat</em>, esta grande poesia pronunciada pelos lábios, aliás, pelo coração de Maria, inspirada pelo Espírito Santo. Neste cântico maravilhoso reflecte-se toda a alma, toda a personalidade de Maria. Podemos dizer que este seu cântico é um retrato, é um verdadeiro ícone de Maria, no qual podemos vê-la precisamente como é. Gostaria de realçar somente dois pontos deste grande cântico. Ele inicia com a palavra <em>«Magnificat»: </em>a minha alma «engrandece» o Senhor, ou seja, «proclama grande» o Senhor. Maria deseja que Deus seja grande no mundo, seja grande na sua vida, esteja presente entre todos nós. Não teme que Deus possa ser um «concorrente» na nossa vida, que nos possa tirar algo da nossa liberdade, do nosso espaço vital com a sua grandeza. Ela sabe que, se Deus é grande, também nós somos grandes. A nossa vida não é oprimida, mas elevada e alargada: justamente então torna-se grande no esplendor de Deus.</p>
<p>[…] Com Maria devemos começar a entender que é assim. Não devemos distanciar-nos de Deus, mas tornar Deus presente; fazer com que Ele seja grande na nossa vida; assim também nós nos tornamos divinos; todo o esplendor da dignidade divina então é nosso. Apliquemos isto à nossa vida. É importante que Deus seja grande entre nós, na vida pública e na vida privada. Na vida pública é importante que Deus esteja presente, por exemplo, através da Cruz nos edifícios públicos, que Deus esteja presente na nossa vida comum, porque somente se Deus está presente temos uma orientação, uma estrada comum; se não os contrastes tornam-se inconciliáveis, deixando de existir o reconhecimento da dignidade comum.</p>
<p>Tornemos grande Deus na vida pública e na vida privada. Isto quer dizer, dar espaço todos os dias a Deus na nossa vida, começando de manhã com a oração, e depois dando tempo a Deus, dando o domingo a Deus. Não perdemos o nosso tempo livre se o oferecermos a Deus. Se Deus entra no nosso tempo, todo o tempo se torna maior, mais amplo, mais rico.</p>
<p>Segunda observação. Esta poesia de Maria o <em>Magnificat </em>é toda original; contudo, ao mesmo tempo, é um «tecido» feito totalmente com «fios» do Antigo Testamento, feito de palavra de Deus.</p>
<p>Dessa maneira, vemos que Maria era, por assim dizer, «em casa» na palavra de Deus, vivia da palavra de Deus, estava imbuída da palavra de Deus. Na medida em que falava com as palavras de Deus, pensava com as palavras de Deus, os seus pensamentos eram os pensamentos de Deus, as suas palavras as palavras de Deus. Era invadida pela luz divina e por isso era tão esplêndida, tão bondosa, tão radiante de amor e de bondade. Maria vive da palavra de Deus, é inundada pela palavra de Deus. E este estar imersa na palavra de Deus, este ser totalmente familiar com a palavra de Deus dá-lhe também a luz interior da sabedoria. Quem pensa com Deus pensa bem, e quem fala com Deus fala bem. Tem critérios de juízo válidos para todas as coisas do mundo. Torna-se sábio, prudente e, ao mesmo tempo, bom: torna-se também forte e corajoso, com a força de Deus que resiste ao mal e promove o bem no mundo.</p>
<p>[…] Maria é elevada em corpo e alma à glória do céu e com Deus e em Deus é rainha do céu e da terra. Porventura, está tão distante de nós? É verdadeiro o contrário. Precisamente porque está com Deus e em Deus, está pertíssimo de cada um de nós. Quando estava na terra podia somente estar perto de algumas pessoas. Estando em Deus, que está próximo de nós, que está no «interior» de todos nós, Maria participa nesta aproximação de Deus. Estando em Deus e com Deus, está perto de cada um de nós, conhece o nosso coração, pode ouvir as nossas orações, pode ajudar-nos com a sua bondade materna e é-nos dada como disse o Senhor como «mãe», à qual podemos dirigir-nos em todos os momentos. Ela escuta-nos sempre, está sempre perto, e sendo Mãe do Filho, participa no poder do Filho, na sua bondade. Podemos confiar sempre toda a nossa vida a esta Mãe, que não está longe de nós.</p>
<p>Papa Bento XVI, Angelus, Solenidade da Assunção, 15 de Agosto de 2005</p>
<p><strong>LITURGIA EUCARÍSTICA</strong></p>
<p>ORAÇÃO SOBRE AS OBLATAS: Suba até Vós, Senhor, a nossa humilde oferta e, pela intercessão da Santíssima Virgem Maria, elevada ao Céu, fazei que os nossos corações, inflamados na caridade, se dirijam continuamente para Vós. Por Nosso Senhor.</p>
<p><strong>Prefácio</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>A glória da Assunção de Maria</strong></p>
<p><strong>V.</strong> O Senhor esteja convosco.</p>
<p><strong>R.</strong> Ele está no meio de nós.</p>
<p><strong>V.</strong> Corações ao alto.</p>
<p><strong>R.</strong> O nosso coração está em Deus.</p>
<p><strong>V.</strong> Dêmos graças ao Senhor nosso Deus.</p>
<p><strong>R.</strong> É nosso dever, é nossa salvação.</p>
<p>Senhor, Pai santo, Deus eterno e omnipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação dar-Vos graças, sempre e em toda a parte, e louvar-Vos, bendizer-Vos e glorificar-Vos na Assunção da Virgem Santa Maria.</p>
<p>Hoje a Virgem Mãe de Deus foi elevada à glória do Céu. Ela é a aurora e a imagem da Igreja triunfante, ela é sinal de consolação e esperança para o vosso povo peregrino. Vós não quisestes que sofresse a corrupção do túmulo aquela que gerou e deu à luz o Autor da vida, vosso Filho feito homem.</p>
<p>Por isso, com os Anjos e os Santos, proclamamos a vossa glória, cantando com alegria:</p>
<p>Santo, Santo, Santo.</p>
<p><strong>SANTO</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p>Monição da Comunhão</p>
<p>Pela mão de Maria, vivamos de Cristo – Eucaristia.</p>
<p>cf. <em>Lc</em> 1, 48-49</p>
<p>ANTÍFONA DA COMUNHÃO: Todas as gerações me proclamarão bem-aventurada, porque o Senhor fez em mim maravilhas.</p>
<p>ORAÇÃO DEPOIS DA COMUNHÃO: Senhor, que nos alimentastes com o pão da vida eterna, concedei-nos, por intercessão da Virgem Santa Maria, elevada ao Céu, a graça de chegarmos à glória da ressurreição. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>RITOS FINAIS</strong></p>
<p>Monição final</p>
<p>A verdadeira devoção a Nossa Senhora passa pelo cumprimentos da vontade de Deus.</p>
<p><strong>HOMILIA FERIAL</strong></p>
<p>Sábado, 16-VIII: Coração novo e alma nova.</p>
<p><em>Ez</em> 18, 1-10. 13. 30-32 / <em>Mt</em> 19, 13-15</p>
<p>Deixai as criancinhas e não as impeçais de se aproximarem de mim, que o reino dos céus é daqueles que são como elas.</p>
<p><em>Tornar-se crianças</em> diante de Deus é a condição para receber a Revelação de Deus e também para entrar no reino dos Céus (cf Ev). Que significa tornar-se criança diante de Deus? É necessário ter «um coração contrito que nos faça voltar ao estado de criança» (CIC, 2785).</p>
<p>Além disso, precisamos converter-nos e criar um <em>coração novo e uma alma nova</em>: «Convertei-vos e renunciai a todas as vossas culpas… lançai para longe de vós todas as faltas que praticastes e criai um novo coração e uma alma nova» (Leit).</p>
<p>Celebração e Homilia:           ADRIANO TEIXEIRA</p>
<p>Nota Exegética:                      GERALDO MORUJÃO</p>
<p>Homilia Ferial:                       NUNO ROMÃO</p>
<p>Sugestão Musical:                 DUARTE NUNO ROCHA    	</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Homilia de Dom Henrique Soares da Costa – Assunção de Nossa Senhora</title>
		<link>https://presbiteros.org.br/homilia-de-dom-henrique-soares-da-costa-assuncao-de-nossa-senhora-2/</link>
					<comments>https://presbiteros.org.br/homilia-de-dom-henrique-soares-da-costa-assuncao-de-nossa-senhora-2/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Pe. Demétrio Gomes]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 11 Aug 2026 12:05:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Homilias]]></category>
		<category><![CDATA[Homilias Dominicais]]></category>
		<category><![CDATA[Homilias para Solenidades]]></category>
		<category><![CDATA[Subsídios Litúrgicos]]></category>
		<category><![CDATA[assunção de nossa senhora ano a 2026]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Ap 11,19a; 12,1.3-6a.10abSl 441Cor 15,20-27aLc 1,39-56 Esta é a maior das festas da Santíssima Virgem Maria; é a sua Assunção; a festa da sua entrada na glória, da sua plenitude como criatura, como mulher, como mãe, como discípula de Cristo Jesus. Como um rio, que após longa corrida deságua no mar, hoje, a Virgem Toda [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><strong>Ap 11,19a; 12,1.3-6a.10ab<br>Sl 44<br>1Cor 15,20-27a<br>Lc 1,39-56</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">Esta é a maior das festas da Santíssima Virgem Maria; é a sua Assunção; a festa da sua entrada na glória, da sua plenitude como criatura, como mulher, como mãe, como discípula de Cristo Jesus. Como um rio, que após longa corrida deságua no mar, hoje, a Virgem Toda Santa deságua na glória de Deus: transfigurada no Espírito Santo, derramado pelo Cristo, ela está na glória do Pai!<br>Para compreendermos o profundo sentido do que celebramos, tomemos as palavras de São Paulo:&nbsp;<em>“Cristo ressuscitou dos mortos como primícias dos que morreram. Com efeito, por um homem veio a morte e é também por um homem que vem a ressurreição dos mortos. Como em Adão todos morrem, em Cristo todos reviverão. Porém, cada qual segundo uma ordem determinada”</em>. – Eis a nossa fé, o centro da nossa esperança: Cristo ressuscitou dos mortos como primícias dos que adormeceram. Ele é o primeiro a ressuscitar, ele é a causa e o modelo da nossa ressurreição. Os que nele nascem pelo batismo, os que nele creem e nele vivem, ressuscitarão com ele e como ele: logo após a morte ressuscitarão naquela dimensão imaterial que temos, núcleo da nossa personalidade, a que chamamos “alma”; e, no final dos tempos, quando todo o universo for glorificado, ressuscitaremos também no nosso corpo. Assim, em todo o nosso ser, corpo e alma, estaremos, um dia, revestidos da glória de Cristo, nosso Salvador, estaremos plenamente conformados a Ele!<br>Ora, a Igreja crê, desde os tempos antigos, que a Virgem Maria já entrou plenamente nessa glória. Aquilo que todos nós só teremos em plenitude no final dos tempos, a Santíssima Mãe de Deus, já recebeu logo após a sua morte. Ela é a&nbsp;<em>“Mulher vestida de sol, tendo a lua debaixo dos pés e sobre a cabeça uma coroa de doze estrelas”</em>. Ela já está totalmente revestida da glória do Cristo, Sol de justiça – e esta glória é o próprio Espírito Santo que o Cristo Senhor nos dá. Ela já pisa a lua, símbolo das mudanças e inconstâncias deste mundo que passa. Ela já está coroada com doze estrelas, porque é a Filha de Sião, filha perfeita do antigo Israel e Mãe do novo Israel, que é a Igreja. Assim, a Virgem, logo após a sua morte – doce como uma dormição -, foi elevada ao Céu, à glória do seu Filho em todo o seu ser, corpo e alma. Aquela que esteve perfeitamente unida ao Filho na cruz (cf. Lc 2,34s; Jo 19,25ss), agora está perfeitamente unida a ele na glória. São Paulo não dissera, falando do Cristo morto e ressuscitado?&nbsp;<em>“É digna de fé esta palavra: Se morremos com ele, também com ele viveremos; se resistimos com ele, também com ele reinaremos” (2Tm 2,11)</em>. Eis! A Virgem que perfeitamente esteve unida ao seu Filho no caminho da Cruz, perfeitamente foi unida a ele na glória da Ressurreição. Aquela que sempre foi&nbsp;<em>“plenamente agraciada” (Lc 1,28)</em>, de modo a não ter a mancha do pecado, não permaneceu na morte, salário do pecado. Assim, o que nós esperamos em plenitude para o fim dos tempos, a Virgem já experimenta agora, em plenitude. Como é grande a salvação que o Cristo nos obteve! Como é grande a sua força salvífica ao realizar coisas tão grandes na sua Mãe!<br>Mas, a Festa de hoje não é somente da Virgem Maria. Primeiramente, ela glorifica o Cristo, Autor da nossa salvação, pois em Maria aparece a vitória sobre a morte, que Jesus nos conquistou. A liturgia hoje exclama:&nbsp;<em>“Preservastes, ó Deus, da corrupção da morte, aquela que gerou de modo inefável vosso próprio Filho feito homem, Autor de toda a vida”</em>. Este senhorio de Cristo aparece, hoje, radiante na sua Mãe toda santa: em Maria, Cristo venceu a morte de Maria! Em segundo lugar, a festa de hoje é também festa da Igreja, de quem Maria é Mãe e figura. A liturgia canta:&nbsp;<em>“Hoje, a Virgem Maria, Mãe de Deus, foi elevada à glória do céu. Aurora e esplendor da Igreja triunfante, ela é consolo e esperança para o vosso povo ainda em caminho”</em>. Sim! A Mãe Igreja contempla a Mãe Maria e fica cheia de esperança, pois um dia, estará totalmente glorificada como ela, a Mãe de Jesus, já se encontra agora. Finalmente, a festa é de cada um de nós, pois já vemos em Nossa Senhora aquilo que, pela graça de Cristo, o Pai preparou para todos nós: que sejamos totalmente glorificados na glória luminosa do Espírito do Filho morto e ressuscitado. Aquilo que a Virgem já possui plenamente, nós possuiremos também: logo após a morte, na nossa alma; no fim dos tempos, também no nosso corpo!<br>Estejamos atentos! A festa hodierna recorda o nosso destino, a nossa dignidade e a dignidade do nosso corpo. O mundo atual, por um lado exalta o corpo nas academias, no culto da forma física, da moda e da beleza exterior; por outro lado, entrega o corpo à sensualidade, à imoralidade, à droga, ao álcool… É comum escutarmos que o que importa é o “espírito”, que a matéria, o corpo passa… Os cristãos não aceitam isso! Nosso corpo é templo do Espírito Santo, nosso corpo ressuscitará, nosso corpo é dimensão indispensável do nosso eu. Um documento recente da Igreja sobre a relação homem-mulher, chamava-se atenção exatamente para essa questão: o corpo em si, para o mundo, parece que não significa muita coisa, que não tem uma linguagem própria, que não diz algo do que eu sou, da minha identidade – inclusive sexual. Para nós, cristãos, o corpo integra profundamente a personalidade de cada um: meu corpo será meu por toda eternidade; meu corpo é parte de minha identidade por todo o sempre! Honremos, então nosso corpo:&nbsp;<em>“O corpo não é para a imoralidade sexual, ele é para o Senhor, e o Senhor é para o corpo; e Deus, que ressuscitou o Senhor, nos ressuscitará também a nós,&nbsp;&nbsp; pelo seu poder. Glorificai, portanto, a Deus no vosso corpo” (1Cor 6,13.20)</em>.<br>Então, caríssimos, olhemos para o Céu, voltemos para lá o nosso coração! Celebremos! Com a Virgem Maria, hoje vencedora da morte, com a Igreja, que espera, um dia, triunfar totalmente como Maria Virgem, cantemos as palavras da Filha de Sião, da Mãe da Igreja, pensando na nossa vitória:&nbsp;<em>“A minha alma engrandece o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador, porque olhou para a humildade de sua serva. O Todo-poderoso fez grandes coisas em meu favor!”&nbsp;</em>A Ele a glória pelos séculos dos séculos. Amém.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Dom Henrique Soares da Costa</strong></p>
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		<title>Homilia do Pe. Matheus Pigozzo – Assunção de Nossa Senhora</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Pe. Demétrio Gomes]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 11 Aug 2026 12:04:11 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Homilias]]></category>
		<category><![CDATA[Homilias Dominicais]]></category>
		<category><![CDATA[Homilias para Solenidades]]></category>
		<category><![CDATA[Subsídios Litúrgicos]]></category>
		<category><![CDATA[assunção de nossa senhora ano a 2026]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>“Eis o lugar do meu repouso para sempre.” (Sl 131,13) – esta frase do salmo recitado na liturgia da vigília desta solenidade recolhe a exclamação de toda a Igreja ao contemplar a Assunção da Virgem Maria. Na Senhora Assunta vemos a realização do ser humano redimido – a contemplação eterna de Deus. Maria de corpo [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">“Eis o lugar do meu repouso para sempre.” (Sl 131,13) – esta frase do salmo recitado na liturgia da vigília desta solenidade recolhe a exclamação de toda a Igreja ao contemplar a Assunção da Virgem Maria. Na Senhora Assunta vemos a realização do ser humano redimido – a contemplação eterna de Deus. Maria de corpo e alma no céu mostra que se formos fiéis a Deus e às suas promessas, um dia seremos envolvidos da glória eterna e saciaremos para sempre nosso coração.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A primeira leitura da vigília, tirada do livro das Crônicas, apresenta a reverência e o amor do povo de Israel com a Arca da Aliança. A Arca era o recipiente que levava o sagrado, trazia dentro de si uma presença espiritual de Deus. De algum modo o povo sabia que Deus estava com eles, que Deus se fazia presente através da Arca da aliança. Dessa forma, o povo de Israel, inclusive a mando do próprio Deus, ornava a Arca com solenidade, a reverenciava com respeito e veneração, a transportava, como diz o texto, com “cânticos festivos”. Toda solenidade ao tratar a Arca era ainda pouca para o povo do Antigo Testamento, não era uma reverência ao material com o qual fora confeccionada a Arca, não se tratava de idolatria a um recipiente, mas, a reverência, o respeito e o amor dirigidos à Arca da Aliança eram uma manifestação de adoração a Adonai, o Senhor, que escolheu, através da Arca, se fazer presente no meio do seu povo, escolheu mostrar seu amor-presença em Israel.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O povo do Antigo Testamento ao transladar a Arca para a “tenda que Davi tinha armado” (1Cro 16,1) festejou, hoje, nós, ao termos sido libertos das figuras, passando para a realidade, festejamos com solenidade o translado de Maria à tenda eterna do céu. Ao olhar para Maria deveríamos nos prostrar diante do amor de Deus. No seio dela Nosso Senhor escolheu não só trazer sua presença espiritual, diz a palavra – <em>Verbo caro factum est – </em>O Verbo, a Palavra, o intocável, o inacessível, se fez carne, se fez um de nós, não só veio de algum modo estar no meio de seu povo, Ele se fez humano, se fez povo para mostrar de forma palpável o seu amor. Muito mais que a Arca, Maria traz Deus encarnado no seu ventre, Maria traz a salvação do mundo em suas entranhas. Na sua frase – “Eis aqui a serva do Senhor” – perde-se todo o sentido a antiga Arca, não é mais extraordinário uma presença espiritual de Deus no mundo, porque, no seio da Virgem mulher Deus se faz humano e vem nos salvar. Ela não é só a portadora de Deus, o recipiente, a Nova Arca, ela é a porta que Deus escolheu para entrar no mundo para levar o homem para o repouso eterno.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Enquanto Israel se alegra ao transportar a Arca para a tenda de Davi, nós exultamos por celebrar o mistério do translado de Maria à tenda, não feita por mãos humanas, mas a tenda da eternidade. Para celebrar a transposição da Arca antiga à tenda, Davi ordenou que cantassem, que tomassem nas mãos harpas, cítaras, pediu que trouxessem varais solenes para o translado, hoje, a Igreja, povo da Nova Aliança, ao contemplar Maria entrar no céu prescreve seu incenso, suas velas, sua música festiva, adorando a Deus, que assumiu a humanidade no seio da Virgem Maria.</p>



<p class="wp-block-paragraph">São Paulo afirma – “quando este ser incorruptível estiver revestido de incorruptibilidade então estará cumprida a palavra da escritura: a morte foi tragada pela vitória.” (1Cor 15,54). A assunção de Maria traz-nos a certeza de que essas palavras não são literatura inteligível, mas são concretas. Em Maria gloriosa vemos que somos chamados não à morte, incentivada por esse mundo, mas à vida, à vitória. Ela, pessoa humana como nós, preservada do pecado, mas, humana feita do mesmo barro frágil que qualquer ser humano, foi revestida de glória e refulge nela o esplendor celeste, isso indica que o caminho está aberto, que as promessas se realizam para todos, como nos recordou Jesus no evangelho, para todos os que “ouvem a palavra de Deus e a põem em prática.” (Lc 11,28).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Assunção de Nossa Senhora eleva nosso olhar ao céu, mas nos faz compreender que o futuro glorioso é para os que buscam a fidelidade no tempo. O sim de Maria diante da proposta avassaladora do anjo Gabriel, o serviço caritativo à Isabel, a corrida e rejeição sofrida para o parto sagrado, a obediência a José, a aflição da perda do menino Jesus, a perseverança de amor irrestrita perante a dor da cruz, conduziu Maria à glória celeste. Saibamos que também, a exemplo de Maria, quando defendemos a verdade de Deus, quando somos fiéis aos seus mandamentos, quando nos sacrificamos pelo bem do outro, quando acolhemos seus desígnios mesmo sem muitas vezes compreender, ou seja, quando abraçamos a cruz do dia-a-dia colocando em prática a palavra de Deus estamos nos encaminhando para a alegria que jamais terá fim.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Igreja nos convida a contemplar admirados a Repleta de Deus, a Rainha dos anjos, a Mãe da Divina Graça, ela rodeada da corte celeste e reverenciada pelos coros angélicos. Penetrando nesse mistério, podemos, em nossa oração, pedir a essa tão excelsa Rainha que é ao mesmo tempo tão nossa mãe, que coloque em nosso coração o desejo do céu, um desejo que não se resuma a sentimentos, mas um desejo que seja uma impulsão ao Reino no qual ela reina com seu Filho.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;Que a Virgem, Senhora da Assunção, refúgio dos pecadores, nos tome pela mão e nos auxilie a fazer esse caminho para um dia, com ela, adoramos eternamente a Deus na tenda celeste. Amém!&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-right wp-block-paragraph" id="block-840112e9-011c-4a0a-af40-9ff8e748b0a9"><strong><em>(Pe. Matheus Pigozzo)</em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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		<title>Solenidade da Assunção de Nossa Senhora</title>
		<link>https://presbiteros.org.br/solenidade-da-assuncao-de-nossa-senhora/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Pe. Demétrio Gomes]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 11 Aug 2026 12:00:12 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Homilética]]></category>
		<category><![CDATA[Subsídios Litúrgicos]]></category>
		<category><![CDATA[assunção de nossa senhora ano a 2026]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Leituras e subsídios para liturgia e homilia do Domingo da Assunção de Nossa Senhora (ano C)</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Leituras e subsídios para liturgia e homilia:</p>
<ul>
<li><a href="https://presbiteros.org.br/roteiro-homiletico-assuncao-de-nossa-senhora-3/">Roteiro Homilético</a></li>
<li><a href="https://presbiteros.org.br/comentario-exegetico-assuncao-de-nossa-senhora/">Comentário Exegético</a></li>
<li><a href="https://presbiteros.org.br/homilia-de-dom-henrique-soares-da-costa-assuncao-de-nossa-senhora-2/">Homilia de Dom Henrique Soares da Costa</a></li>
<li><a href="https://presbiteros.org.br/homilia-do-pe-matheus-pigozzo-assuncao-de-nossa-senhora-2/">Homilia do Padre Matheus Pigozzo</a></li>
<li><a href="https://presbiteros.org.br/homilia-de-dom-jose-maria-pereira-assuncao-de-nossa-senhora/">Homilia de Dom José Maria Pereira</a></li>
<li><a href="https://presbiteros.org.br/homilia-de-d-anselmo-chagas-de-paiva-assuncao-de-nossa-senhora-2/">Homilia de Dom Anselmo Chagas de Paiva</a></li>
<li><a href="https://presbiteros.org.br/preces-assuncao-de-nossa-senhora/">Preces</a></li>
</ul>


<p class="wp-block-paragraph"></p>
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]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Homilia do D. Anselmo Chagas de Paiva – XIX Domingo do Tempo Comum – Ano A</title>
		<link>https://presbiteros.org.br/homilia-do-d-anselmo-chagas-de-paiva-xix-domingo-do-tempo-comum-ano-a/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Pe. Demétrio Gomes]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 07 Aug 2026 17:50:31 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Homilias]]></category>
		<category><![CDATA[Homilias Dominicais]]></category>
		<category><![CDATA[Subsídios Litúrgicos]]></category>
		<category><![CDATA[xix domingo do tempo comum ano a 2026]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Jesus caminha sobre o mar Mt 14,22-33 Caros irmãos e irmãs, A liturgia da palavra deste domingo traz para a nossa reflexão um texto do Evangelho de São Mateus, onde nos apresenta o episódio de Jesus que caminha sobre o mar (cf. Mt 14,22-33). Após multiplicar os pães e os peixes, Jesus convida os seus [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://presbiteros.org.br/homilia-do-d-anselmo-chagas-de-paiva-xix-domingo-do-tempo-comum-ano-a/">Homilia do D. Anselmo Chagas de Paiva – XIX Domingo do Tempo Comum – Ano A</a> apareceu primeiro em <a href="https://presbiteros.org.br">Presbíteros</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><b><i>Jesus caminha sobre o mar</i></b></p>
<p><em><span style="font-weight: 400;">Mt 14,22-33</span></em></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Caros irmãos e irmãs,</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A liturgia da palavra deste domingo traz para a nossa reflexão um texto do Evangelho de São Mateus, onde nos apresenta o episódio de Jesus que caminha sobre o mar (cf. Mt 14,22-33). Após multiplicar os pães e os peixes, Jesus convida os seus discípulos a entrar no barco e a precedê-lo, na outra margem, enquanto Ele despede a multidão, ficando, em seguida, na completa solidão para rezar em uma montanha até de madrugada.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entretanto, começa uma forte tempestade e, precisamente no meio da tempestade, Jesus chega ao barco onde estavam os discípulos, caminhando sobre as águas do mar (v. 26). No contexto da catequese judaica, só Deus “caminha sobre o mar” (Jó 38,16; Sl 77,20); só Ele acalma as ondas e as tempestades (cf. Sl 107,25-30). Jesus é, portanto, o Deus que vela pelo seu povo e que não deixa que a força da morte, simbolizada pelo mar, destrua o homem. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao ver Jesus andando sobre as águas, os discípulos ficam apavorados e pensam que é um fantasma, mas Ele tranquiliza-os: “Coragem, sou eu. Não tenhais medo!” (v. 27). Com isto, Jesus transmite aos discípulos a certeza de que eles nada têm a temer, porque Ele é o Deus que vence as forças da morte e lhes dá ânimo para vencerem as adversidades.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em seguida, Pedro, tomado por um impulso de amor pelo seu Mestre, quer ir até Ele, mas ao mesmo tempo, parece pedir uma prova, para confirmar ser mesmo Jesus: “Senhor, se és tu, manda-me ir ao teu encontro, caminhando sobre a água” (v. 28); então, Jesus lhe diz: “Vem!” (v. 29). O Apóstolo Pedro desce do barco e começa a caminhar sobre as águas; no entanto, o vento impetuoso parece forte e ele começa a afundar. Então, clama: “Senhor, salva-me!” (v. 30), e Jesus lhe estende a mão e o segura. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na perícope do Evangelho, chama a nossa atenção esta atitude de Pedro, que deixa o barco e começa a caminhar ao encontro de Jesus.  Ele começa a caminhar sobre a água, mas começa a afundar no momento em que desvia o seu olhar de Jesus, deixando-se abalar pelas adversidades que o circundam. Mas o Senhor está sempre presente, e quando Pedro o invoca, Jesus o salva do perigo. Na figura de Pedro, com os seus impulsos e as suas debilidades, está descrita a nossa própria fé: sempre frágil, mas, mesmo assim, caminha ao encontro do Senhor ressuscitado, no meio das tempestades e dos perigos do mundo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Pedro caminha sobre as águas, não pelas suas próprias forças, mas pela graça divina, na qual crê; mas, ao sentir-se dominado pela dúvida, quando deixa de fixar o olhar em Jesus e tem medo do vento, quando não confia plenamente na palavra do Mestre, é então que corre o risco de afundar no mar da vida, e é assim também para nós: se olharmos unicamente para nós mesmos, não conseguiremos suportar os ventos, atravessar as tempestades, as águas agitadas que muitas vezes fazem parte do nosso quotidiano.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Podemos ver nesta narração evangélica um bonito ícone da fé do apóstolo Pedro. Na voz de Jesus que lhe diz: “Vem!”. Isto nos faz lembrar o chamado de naquele primeiro encontro também na margem daquele mesmo lago, quando Pedro deixa tudo para seguir o Mestre. E aqui mais uma vez ele deixa o barco e começa a caminhar ao encontro de Jesus. Ele caminha sobre as águas! Mas Pedro começa a afundar no momento em que desvia o seu olhar de Jesus, deixando-se abalar pelas adversidades que o circundam. Ele desvia o olhar de Jesus e passa a olhar o vento “τὸν ἄνεμον” (ton anemon). Neste momento ele começa a afundar. Mas quando Pedro o invoca, Jesus o salva do perigo. Na figura de Pedro, com os seus impulsos e as suas debilidades, está descrita a nossa própria fé: sempre frágil e pobre. Mas este é o nosso próprio retrato. Nunca devemos deixar de caminhar ao encontro do Senhor ressuscitado, no meio das tempestades e dos perigos do mundo. Pela fé, precisamos confiar que o Senhor está sempre próximo, a nos estender a sua mão, a nos amparar nos momentos difíceis. Jesus comunicou aos seus discípulos o poder para que pudessem vencer todos os males deste mundo que se opõem à vida. No entanto, enquanto enfrentam as ondas e os ventos, os discípulos oscilam entre a confiança em Jesus e o medo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um outro detalhe assinalado pelo texto está no fato do episódio ocorrer à noite, momento em que o barco é açoitado pelos ventos e pelas ondas, e navega com dificuldades. Os discípulos estão inquietos e preocupados, pois Jesus não está com eles. A noite representa as trevas, a escuridão, o medo, a insegurança em que navegam os discípulos de Jesus, sem saber exatamente que caminhos percorrer, nem para onde ir.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Também a cena final é muito importante. “Assim que subiram no barco, o vento se acalmou. Os que estavam no barco, prostraram-se diante dele, dizendo: &#8216;Verdadeiramente, tu és o Filho de Deus!&#8217;” (v. 32s).  No barco encontram-se todos os discípulos, irmanados pela experiência da debilidade, da dúvida, do medo e da “pouca fé”. No entanto, quando Jesus volta àquele barco, o clima muda imediatamente: todos estão unidos na fé, por isto, se colocam de joelhos, reconhecem no seu Mestre o Filho de Deus. Quantas vezes também acontece conosco a mesma coisa! Sem Jesus, longe de Jesus, somos amedrontados e chegamos a pensar que não aguentaremos. Falta a fé! Mas Jesus está sempre ao nosso lado, sempre presente e pronto para nos segurar, a nos estender a mão.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O Evangelista São Mateus observa esta reação nos discípulos, porém, foram encorajados pela presença do Senhor. Isso é comprovado na profissão de fé manifestada por eles ao dizer: “Verdadeiramente, tu és o Filho de Deus!”.  Com isto, a desconfiança inicial dos discípulos se transforma em fé firme. Como de fato, esta confissão reflete a fé dos verdadeiros discípulos, que encontram em Jesus o Deus que vence o “mar”, o Senhor da vida a transmitir força e coragem aos seus discípulos para vencer o mal e lhes estende a mão, na tentativa de reanimá-los e não os deixa afundar.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Podemos ainda dizer que todos nós estamos dentro de uma barca que é a Igreja, que parece estar sempre a ponto de afundar, devastada pelas ondas de numerosos perigos, da pouca fé, da coerência insuficiente dos cristãos, de tantas ideologias que a atacam de todos os lados, mas nesta barca encontra-se Cristo.  O que salva a barca não são as qualidades e a coragem dos marinheiros; a garantia segura contra o naufrágio é a fé.  A barca de Pedro continua navegando e enfrentando tempestades das mais diversas realidades.  Por isto, jamais podemos desviar o nosso olhar do Cristo, pois se isto acontecer, certamente pereceremos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como seguidores de Jesus, de certa maneira, esta é também a nossa experiência.  Quantas vezes também somos abalados pelos sofrimentos e pelas dificuldades oriundas de ventos fortes e tempestades a nos atingir.  Quantas vezes somos submergidos pelo “mar” da frustração, do desânimo, da desilusão. Quantas vezes sentimos que afundamos na dúvida, no medo, no desespero e somos incapazes de enfrentar as tempestades, as forças das ondas que nos atingem. É neste momento que também nós devemos segurar nas mãos de Jesus e, como Pedro, gritar: “Senhor, salva-me!” (v. 30).  Que Ele nos conceda a virtude da esperança e nos conduza com segurança pelos caminhos da vida e nos faça encontrar a sua mão. Que Ele também nos leve a estender aos outros a nossa mão, sobretudo, para aqueles que dela necessitarem. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A imagem dos discípulos no barco nos faz lembrar a imagem da própria Igreja. Ela também pode enfrentar as tempestades e às vezes parece que está prestes a sucumbir. Aquilo que a salva não são as qualidades nem a coragem dos seus membros, mas a fé, que permite caminhar até no meio da escuridão, entre as dificuldades. A fé nos confere a segurança e a certeza da presença de Jesus sempre ao nosso lado, a nos oferecer a sua mão que nos segura para nos proteger dos perigos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Também nós caminhamos no meio da noite deste mundo, navegando com dificuldade, porque constantemente a barca da vida é agitada pelos ventos.  Peçamos que o Senhor Jesus venha ao nosso encontro, venha ao nosso socorro. E que ele possa dizer também a cada um de nós: “Coragem! Sou eu! Não tenhais medo!”. Que possamos todos nós ir ao encontro de Jesus, caminhando sobre as águas do mar da vida, com coragem e confiança, sem desviar o nosso olhar daquele que é o Caminho, a Verdade e a Vida (cf. Jo 14,6).  E somente se tomarmos a mão do Senhor, se nos deixarmos orientar por Ele, o nosso caminho será justo e bom. Assim seja.</span></p>
<p><strong>Anselmo Chagas de Paiva, OSB<br />
Mosteiro de São Bento/RJ</strong></p>
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