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	<title>Presbíteros</title>
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	<description>Uma ampla biblioteca para formação permanente, com temas de espiritualidade, pastoral, teologia, direito canônico e liturgia, além de roteiros homiléticos e diversos outros materiais, sempre em total sintonia com o Magistério da Igreja.</description>
	<lastBuildDate>Mon, 13 Apr 2026 14:18:01 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Presbíteros</title>
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		<title>Preces &#8211; III Domingo da Páscoa &#8211; Ano A</title>
		<link>https://presbiteros.org.br/preces-iii-domingo-da-pascoa-ano-a/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Presbiteros]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 13 Apr 2026 14:16:17 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Subsídios Litúrgicos]]></category>
		<category><![CDATA[iii domingo da pascoa ano a 2026]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Sacerdote: Irmãos e irmãs, nesta oração pública que agora começamos, reconheçamos a Cristo que está diante de nós, e procuremos detê-lo com nosso amor e nossa oração confiante: Todos: Ficai conosco, Senhor. 1. “Pedro de pé, junto com os onze apóstolos, levantou a voz e falou à multidão” (At 2, 14). Pastor eterno, que fizestes [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Sacerdote: </strong>Irmãos e irmãs, nesta oração pública que agora começamos, reconheçamos a Cristo que está diante de nós, e procuremos detê-lo com nosso amor e nossa oração confiante:</p>
<p><strong>Todos:</strong> <em>Ficai conosco, Senhor.</em></p>
<p><strong>1.</strong> “Pedro de pé, junto com os onze apóstolos, levantou a voz e falou à multidão” (At 2, 14). Pastor eterno, que fizestes do Santo Padre o Papa Francisco, Sucessor de Pedro e Vigário de Cristo, fortificai-o em sua missão de Pastor de toda Igreja, e fazei que todos os povos reconheçam na sua voz a voz do Doce Cristo na Terra. Rezemos ao Senhor.</p>
<p><strong>2. </strong>“E agora, exaltado pela direita de Deus, Jesus recebeu o Espírito Santo que fora prometido pelo Pai, e o derramou” (At 2, 33). Tendo-nos feito renascer pelo Batismo e consagrado-nos pela Crisma, concedei-nos continuamente o Dom do vosso Espírito Santo, para apreciarmos o que é reto e termos a vossa consolação. Rezemos ao Senhor.</p>
<p><strong>3. </strong>“Pois não haveis de me deixar entregue á morte, nem vosso amigo conhecer a corrupção” (Sl 15). Tornai mais forte a nossa amizade convosco, para que na entrega de nossa vida em vossas mãos, como amigos vossos, possamos receber a vossa vida imortal em nós. Rezemos ao Senhor.</p>
<p><strong>4. </strong>“Não estava ardendo o nosso coração, quando ele nos falava pelo caminho e nos explicava as Escrituras” (Lc 24, 32). Que cresçamos a cada dia no amor e na escuta à vossa Palavra, para que com o coração repleto do vosso ardor, possamos aquecer os que se acham frios pelo pecado e pela indiferença. Rezemos ao Senhor.</p>
<p><strong>5. </strong>“E assim a vossa fé e esperança estão em Deus” (1Pd 1, 21). Olhai com misericórdia para os nossos irmãos que já chamastes desta vida, e já que eles colocaram sua esperança em vós, concedei-lhes a realização de vossas promessas. Rezemos ao Senhor.</p>
<p><strong>Sacerdote: </strong>Ficai conosco, Senhor Jesus, porque a tarde cai e, sendo nosso Companheiro na estrada, aquecei-nos os corações e reanimai nossa esperança, para vos reconhecermos com os irmãos nas Escrituras e no partir do pão. Vós, que sois Deus com o Pai, na unidade do Espírito Santo.</p>
<p><strong>Todos:</strong> <em>Amém.</em>    	</p>
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		<title>Comentário Exegético &#8211; III Domingo da Páscoa &#8211; Ano A</title>
		<link>https://presbiteros.org.br/comentario-exegetico-iii-domingo-da-pascoa-ano-a-2/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Pe. Demétrio Gomes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 13 Apr 2026 14:12:49 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Exegese]]></category>
		<category><![CDATA[Subsídios Litúrgicos]]></category>
		<category><![CDATA[iii domingo da pascoa ano a 2026]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>EPÍSTOLA (1Pd 1, 17-21) (Padre Ignácio, dos padres escolápios) O PAI: E se chamais de Pai a quem julga sem acepção de pessoas, segundo a obra de cada um, procedei em temor o tempo de vossa peregrinação (17). Et si Patrem invocatis eum qui sine acceptione personarum iudicat secundum uniuscuiusque opus in timore incolatus vestri [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<h2>EPÍSTOLA (1Pd 1, 17-21)</h2>
<p><strong>(Padre Ignácio, dos padres escolápios)</strong></p>
<p>O PAI: E se chamais de Pai a quem julga sem acepção de pessoas, segundo a obra de cada um, procedei em temor o tempo de vossa peregrinação (17). Et si Patrem invocatis eum qui sine acceptione personarum iudicat secundum uniuscuiusque opus in timore incolatus vestri tempore conversamini. A intenção do apóstolo é afirmar que a fé, e não as obras fundadas na lei de Moisés, é a que salva, pois foi o sacrifício de Cristo que com seu sangue pagou o resgate pelos pecados. E foi esta fé na ressurreição de Cristo que causa a esperança em Deus como Pai. Porém, Pedro não esquece que, em definitivo, a fé sem obras está morta (Tg 2, 20). É por isso que neste versículo chama a Deus o Pai que julga SEM ACEPÇÃO DE PESSOAS [aprosôpolêptôs&lt;678&gt;=sine acceptione personarum] O grego é um composto de a (sem) prosopôn (pessoa) e lambano (tomar) cujo significado é imparcialmente ou sem acepção de pessoas, que responde evangelicamente às palavras do Batista, sobre o julgamento divino na nova era messiânica: Toda árvore que não produz bom fruto é cortada e lançada ao fogo (Mt 3,10) e em sua mão tem a pá, e limpará a sua eira, e recolherá no celeiro o seu trigo e queimará a palha com fogo que nunca se apagará (Mt 3, 12). Nesse juízo, segundo Paulo, Deus recompensará cada um segundo as suas obras, a saber: a vida eterna aos que, com perseverança em fazer o bem, procuram honra, glória e incorrupção, mas a indignação e a ira aos que são contenciosos, desobedientes à verdade e obedientes à iniquidade (Rm 2, 6-8). Para deduzir que esse juízo é exato, pois para Deus não há acepção (prosopôlêpsia) de pessoas (idem 11). PROCEDEI [anastrafête&lt;390&gt;=conversamini] é o imperativo do aoristo do verbo anastrefö com o significado de revolver, retornar, reverter e como típico da conduta humana é comportar-se, conviver, proceder. Ou seja, devemos nos portar com esse temor saudável de nossa parte de perder o trem como vulgarmente se diz, porque as nossas obras não correspondem ao que deveríamos realizar. E o apóstolo acrescenta no tempo de vossa PEREGRINAÇÃO [paroikia&lt;3940&gt;=incolatus] a paroikia grega tem o significado de moradia em terra estranha, como vemos na outra ocasião em que aparece a palavra: O Deus deste povo de Israel escolheu  nossos pais e exaltou o povo, sendo eles estrangeiros na terra do Egito (At 13, 17). Como adjetivo [paroikos] aparece também em 1Pd 2, 11 : peço-vos como a peregrinos [paroikous] e forasteiros. De modo que os fieis pertencem a uma paróquia ou grupo que na terra considera-se como peregrino na terra. A mesma palavra peregrino indicava em Roma um sujeito não cidadão, mas estrangeiro.</p>
<p>A REDENÇÃO: Sabendo que não por corruptíveis (meios) de prata e ouro fostes remidos da vossa inútil conduta tradicional (18). Scientes quod non corruptibilibus argento vel auro redempti estis de vana vestra conversatione paternae traditionis. CORRUPTÍVEIS [fthartoi&lt;5349&gt;=corruptibiles] a palavra grega indica uma coisa corruptível, perecível. A palavra sai 6 vezes no NT: 4 em Paulo e dois em Pedro, sempre com o significado de coisa perecível, que em si leva a corrupção e destruição de modo especial o homem (Rm 1, 23), pois seu corpo, uma vez que a morte toma conta de sua existência, chega a corromper-se de modo que todos sabem do resultado. Por isso, Paulo fala sempre da diferença entre o corpo mortal corruptível e o corpo dos ressuscitados, incorruptível e imortal (1Cor 15,53). Pedro trata do ouro e da prata como coisas corruptíveis, ou seja, perecíveis máxime dando a elas um valor praticamente nulo, pois não podem ser usados eternamente. Pedro alude aqui ao resgate (lytron) usando o verbo remir [lytro&lt;3084&gt;=redimere] próprio do preço pago em ouro ou prata pelo livramento de um escravo. Pedro coincide com Paulo ao definir a obra de Cristo como um resgate de escravos que se em Paulo é do pecado e da morte, aqui, falando aos pagãos neoconversos, é dos cultos politeístas, que define como inúteis [mataias&lt;3152&gt;=vana] palavra que em grego significa sem força, inútil, desnecessário, imprestável, fútil, vão. Inútil conduta é a expressão que a Setenta e o NT aplicam ao culto dos ídolos como vemos em At 14, 15: Vos anunciamos que vos convertais dessas vaidades ao Deus vivo, dirá Paulo aos de Icônio. E aos de Éfeso: E testifico no Senhor para que não andeis como andam os outros gentios, na vaidade [mataioteti] da sua mente (Ef 4, 17). Eram costumes que tradicionalmente receberam de seus antecessores.</p>
<p>O SANGUE DE CRISTO: Mas com precioso sangue, como de cordeiro sem defeito e mancha, de Cristo (19). Sed pretioso sanguine quasi agni incontaminati et inmaculati Christi. Pedro agora define qual foi o preço do resgate: o sangue de Cristo, que ele chama de PRECIOSO [timios&lt;5093&gt;=pretiosus] o termo grego indica um valor precioso, um grande preço, de muita estima, especialmente caro. Nada menos que o de Cristo a quem compara com um cordeiro sem defeito e sem mancha como eram os escolhidos para o sacrifício. É o que Paulo afirma em 1 Cor 6, 20: fostes comprados a bom preço. Um comentário de Pelágio diz: se comprado por um preço pequeno, de um escravo se exige plena servidão, quanto mais exigirá de nós que nos comprou por um preço altíssimo? A figura de Cristo como cordeiro pascal é coisa conhecida pelos primeiros cristãos e fundamentada nos escritos evangélicos. O Batista o define como cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (Jo 1, 29), coisa que o próprio escritor do quarto evangelho reafirma ao atribuir a Jesus na hora da morte dos cordeiros pascais esta profecia: isto aconteceu para que se cumprisse a Escritura que diz: Nenhum dos seus ossos será quebrado (Jo 19, 36). E Finalmente Paulo em 1Cor 5, 7: Cristo nossa Páscoa foi sacrificado por nós. Diante destas palavras que cremos tão claras como poderemos interpretar as de um moderno comentarista afirmando que REDENÇÃO é um termo metafórico que implica uma mudança de situação sem que Cristo tenha pago nada. A Cristo ele custou muito, mas não no sentido de preço, que é pura imagem. Falar de seu sangue e falar de sua morte não implica necessariamente num sacrifício expiatório que tem o sentido pagão de volver favorável a um Deus ofendido. (É que os sacrifícios expiatórios não existiam entre os judeus? Ver Êx 29, 33 e 30, 10 em que o animal para a expiação é precisamente um carneiro [ayil&lt;352&gt;] para a expiação [kippur&lt;3725&gt;]).</p>
<p>PLENITUDE DOS TEMPOS: Já de antemão conhecido desde (a) fundação do mundo, mas manifestado em últimos tempos por causa de vós (20). Praecogniti quidem ante constitutionem mundi manifestati autem novissimis temporibus propter vos. CONHECIDO DE ANTEMÃO [proegnôsmenou&lt;4267&gt;=precognitus] o verbo é composto de pró  [antes] e gignoskò [conhecer] com o qual temos um preconhecimento. O texto diz desde a FUNDAÇÃO DO MUNDO [katabolê &lt;2602&gt; kosmou&lt;2889&gt;=constitutio mundi] uma frase que em Mateus 13, 35 significa desde que houve habitantes na terra é o mesmo que o reino preparado desde  a fundação do mundo (Mt 25, 34). Também Lucas fala do sangue de todos os profetas derramado desde a fundação do mundo (Lc 11, 50). O conhecimento era, sem dúvida, o que tinha Deus em seus planos ocultos e que foi revelado como diz Paulo na plenitude dos tempos, (Ef 1, 10) e não em outras gerações (Ef 3, 5). O conhecimento estava reservado aos tempos messiânicos que eram considerados como a última etapa da História ou plenitude dos tempos em que Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a Lei (Gl 4, 4). POR VÓS [di ymas&lt;5209&gt;=propter vos] é uma expressão que indica a finalidade do sacrifício de Cristo: se imolou por nós pois como diz Paulo em Gl 2,20 todos podemos dizer que vivemos a nossa vida na fé, como crucificados com Cristo, que nos amou e se entregou por nós, cujo sangue foi derrammado por nós (Lc 22, 20).</p>
<p>A ESPERANÇA CRISTÃ: Os crentes por causa dele em Deus, o qual o ergueu dentre os mortos e deu-lhe glória, de modo que a vossa fé e esperança estejam em Deus (21). Qui per ipsum fideles estis in Deo qui suscitavit eum a mortuis et dedit ei gloriam ut fides vestra et spes esset in Deo. CRENTES [pisteuontas&lt;4100&gt;=fideles] na realidade muitos manuscritos têm pistous [fideles] ou fieis que para o sentido total não introduz muita diferença. Por causa de acreditar em Cristo temos a segurança de que Deus que o ressuscitou dentre os mortos será a nossa glória como foi a de Cristo de modo que a fé seja causa de uma esperança que o próprio Deus avalia.</p>
<h2>EVANGELHO <strong>Lc 24, 13-35</strong></h2>
<p><strong> </strong></p>
<h3>OS DISCÍPULOS DE EMAÚS</h3>
<p><strong>(Pe Ignácio, dos padres escolápios)</strong></p>
<p>EMAÚS: Ora, eis que dois deles estavam caminhando nesse dia a uma vila, distante sessenta estádios de Jerusalém, de nome Emaús (13). Et ecce duo ex illis ibant ipsa die in castellum quod erat in spatio stadiorum sexaginta ab Hierusalem nomine Emmaus. EMAÚS: Seu nome significa banhos quentes e era uma vila [komes], ou seja, um conglomerado de casas rústicas para servir de habitações para os camponeses e outros, chamados teknos [marceneiro, pedreiro e ferreiro numa só pessoa] com uma população talvez inferior a 400 habitantes. Na atualidade, existe um local a 60 estádios ou aproximadamente 10 Km de distância de Jerusalém, que corresponde ao relato de Lucas. O Emaús bíblico [El- Qubeibah] está situado ao lado de uma via romana que ia de Jerusalém ao mar. Perto existe uma fonte que diz era onde Jesus lavou os pés após a caminhada com os dois discípulos.</p>
<p>A CONVERSA: E eles conversavam entre si acerca de todas as coisas acontecidas (14). E sucedeu que, enquanto eles conversavam e discorriam, também ele, (o) Jesus, tendo-se aproximado, caminhava com eles (15). Et ipsi loquebantur ad invicem de his omnibus quae acciderant Et factum est dum fabularentur et secum quaererent et ipse Iesus adpropinquans ibat cum illis. ACONTECIDAS [Symbebëkotön &lt;4819&gt;=acciderant]: Evidentemente eram os sucessos da morte de Jesus e de sua desaparição, tendo como sinal de discussão o sepulcro vazio. Era o domingo e o acontecido estava recente em suas mentes. Disso falavam entre si enquanto caminhavam. DISCORRIAM [Syzëtein &lt;4802&gt;=quaererent]: O verbo grego significa buscar, inspecionar, examinar e também debater, comentar. Temos optado por um verbo neutro como discorrer, ou seja, comentar em sentido de querer compreender o que tinha sucedido, pois para eles, os fatos não tinham uma razão compreensível. Nesse momento, Jesus,  que no grego tem o artigo determinante para indicar que era Ele precisamente, uniu-se a eles, como nova companhia.</p>
<p>OLHOS IMPOSSIBILITADOS: Porém, os olhos deles estavam travados de modo a não o reconhecerem (16). Oculi autem illorum tenebantur ne eum agnoscerent. TRAVADOS [Ekratounto &lt;2902&gt;=tenebantur]: Segundo o sentir da época, os olhos tinham dentro uma espécie de lanterna ou lâmpada, que se iluminava e assim podiam ver as coisas  (Mt 6, 22 e Lc 11, 34). O verbo grego Krateö significa agarrar, se manter firme, resistir, conter, e por isso, optamos por travar; daí entupir, estar fechado. Os seus olhos estavam atenazados, segurados; o latim diz tenebantur [estavam retidos ou reprimidos]. A consequência é que Jesus não foi reconhecido. NÃO O RECONHECERAM: Muitos falam de que na ressurreição existe uma diferença corporal que transforma a aparência natural, como viram os apóstolos o rosto de Jesus no monte Tabor. Ou melhor, como foi a aparência que tomou Jesus ao  aparecer a Maria Madalena (Jo 20, 14) ou aos discípulos na margem do lago (Jo 21, 4-7). Sem dúvida que Jesus não tomou a aparência usual de seu rosto terreno, para não causar pânico ou medo, como devia ser, caso vissem um morto ressuscitado que seria tomado por um fantasma (Lc 24, 37).</p>
<p>A PERGUNTA: Então lhes disse: Quais as palavras essas que discorríeis entre vós, caminhando; e (por que) estais tristes?(17). Et ait ad illos qui sunt hii sermones quos confertis ad invicem ambulantes et estis tristes. Sem dúvida que Jesus fala sobre o que pode escutar deles entrando na conversa sem produzir sobressalto algum. Foi um encontro normal entre caminhantes. No versículo 21 explica a causa da tristeza como sendo a perda de uma grande esperança que a morte tinha defraudado.</p>
<p>A RESPOSTA: Tendo respondido então, um deles, de nome Cléofas, disse-lhe: tu só dos que moras em Jerusalém e não conheces as (coisas) acontecidas nela nestes dias? (18). Et respondens unus cui nomen Cleopas dixit ei tu solus peregrinus es in Hierusalem et non cognovisti quae facta sunt in illa his diebus. CLÉOFAS: O grego diz Kleopas&lt;2810&gt; que o latim traduz por Cléophas e que aparentemente pode ser uma abreviatura de Cleopatros nome grego que significa [filho] de pai ilustre. Alguns distinguem entre este Kléopas e um outro que em grego tem um nome parecido, Klöpas[&lt;2832&gt;=Cleophas], mas que o latim traduz da mesma forma. Este Cleophas [latino] é o esposo da irmã de Nossa Senhora, também chamada Maria, a de Klöpas, e que estava ao pé da cruz, segundo João 19, 25: a irmã de sua mãe, Maria a de Köplas [Cleophas em latim, Cléofas português e Cleofás castelhano]. Klöplas tem a mesma  origem que o  aramaico Achab&lt;0256&gt; e significa tio. Como a mulher tinha o mesmo nome de Maria, [a da mãe de Jesus] daí deduzimos que Klöpas era realmente o irmão de José, esposo de Nossa Senhora e que a sua mulher era cunhada e ao mesmo tempo era a mãe de Tiago, chamado o menor e irmão de Jesus. Klöpas é a tradução aramaica de Cleopas. Kleopas e Klöpas eram, pois, a mesma pessoa, ou seja, tio de Jesus por parte de pai. Há quem, por esta circunstância, identifica Kleofas com Alfeu ou Alfaios, que em Mt 10, 3 se diz ser o pai de Jacob ou Tiago. Em todo caso ao indicar um nome, Lucas quer nos dizer que o relato tem uma boa fonte testemunhal. Que é uma narração de primeira mão.</p>
<p>PERGUNTA JESUS: Então lhes disse: Quais? Eles, pois, lhe disseram: as coisas acerca de Jesus o Nazoraio (sic), que se tornou homem profeta poderoso em obra e palavra diante de (o) Deus e de todo o povo (19). E como os chefes dos sacerdotes e os dirigentes [civis] o entregaram a um juízo de morte e o crucificaram (20). Quibus ille dixit quae et dixerunt de Iesu Nazareno qui fuit vir propheta potens in opere et sermone coram Deo et omni populo. Et quomodo eum tradiderunt summi sacerdotum et principes nostri in damnationem mortis et crucifixerunt eum. NAZORAIO [Nazöraios&lt;3480&gt;=nazarenus]: Qual é a diferença entre Nazareno e Nazoraio? Sem dúvida que nazareno significa oriundo de Nazaret. Mas que Significa nazoraio? Segundo alguns, a distinção está em que nazoraio vem de Naziyr [&lt;05139&gt;=sanctificentur] e que se traduz como Nazirado em português (nazireato em espanhol e italiano). Em Nm 6, 2: era o nome dado aos consagrados a Deus com voto especial, tanto homens como mulheres. Podia ser perpétuo como o caso do João, o Batista (Lc 1, 15); ou temporário, como em Paulo (At 18, 18). Pouco sabemos de como se fazia e temos muito maior conhecimento dos ritos para terminar esse estado especial. A Setenta usa o Euchë [&lt;2171&gt;=votum] voto, sem usar uma palavra para o Nazir. O voto impedia toda bebida de vinho ou fermentada, o corte de cabelo e o afastamento de todo cadáver mesmo do pai ou da mãe. Não parece que Jesus tivesse feito esse voto, pois bebia e comia (Mt 20, 22) e não teve inconveniente em tocar um cadáver (Mc 5, 41 e Lc 7, 31). Nazarenos [&lt;3479&gt;=nazarenus] é propriamente latim e Nazöraios é grego. Temos o exemplo em João 19, 19 no título da cruz em que usa o grego Nazöraios. Mateus em 2, 23 usa o mesmo Nazöraios como apodo próprio de Jesus. Uma única vez, em Lucas, vemos o Nazarene [de Nazaré] em 4, 34: Que a mim e a ti Iësou Nazarëne? Dirá o demônio. É Marcos quem usa o Nazarenos (grego latinizado) com o qual temos uma prova de que ele escreveu para os gregos de Roma. Cremos que nas três passagens de Marcos (1, 24; 14, 67 e 26, 6) o nome Nazarenos, tem um final latinizado e, portanto, equivale ao grego geográfico Nazöraios. Pois a terminção os é própria do patronímico grego, enquanto a nus é própria do latim. Estavam tristes, porque esse Jesus era PROFETA [profëtës &lt;4396&gt;=propheta]. Tanto o grego como o latim acrescentam homem (anër/vir) de modo a ser a tradução varão profeta a mais exata. Fundamentalmente profeta é quem fala em nome de Deus, iluminando e orientando a vida e a história do povo, denunciando tudo que seja ruptura com  a aliança. Jesus reivindica para si mesmo essa condição de profeta (Mt 13, 57, Lc 13, 33 ; Jo 6, 14 e 7, 40). Poderoso em obra e palavra. Dos profetas do AT sabemos que pelo menos Elias e Eliseu realizaram milagres além de falar em nome de Jahveh. E este poder extraordinário foi em Jesus testemunho de sua palavra como procedente de Deus: Se não credes em mim, crede nas obras (Jo 10, 38). Por isso, era profeta diante de Deus e de todo o povo. Como muitas vezes, a palavra Deus está acompanhada do artigo determinante o que ressalta o verdadeiro Deus dos muitos deuses pagãos da época. Os chefes dos sacerdotes [archiereis &lt;749&gt; = summi sacerdotum]. A maioria das versões vernáculas traduz por sumos sacerdotes (exemplo TEB). É verdade que um sumo sacerdote mantinha o título por vida e que em tempos de Jesus exixtiram muitos que obtiveram o título porque o cargo era venal e mudava quase anualmente; Josefo fala que houve 28 sumos pontífices entre Herodes e os anos 64, um total de 170 anos, o que dá um a cada dois anos e meio. Mas, neste caso, significa chefes dos sacerdotes (príncipes de los sacerdotes –diz Nácar Colunga e a KJB fala de chief priests), como parece indicar o latim [summi sacerdotum], que segundo Josefo eram os chefes das principais famílias além dos que tinham sido sumos pontífices e o atual chamado Nasi, que presidia a tribuna, o Sagan, o tesoureiro do templo e outros. E os nossos dirigentes [archontes &lt;75,8&gt; = príncipes], que também eram chamados de bouletes [conselheiros] ou dygnatoi, [dignatários] que eram os aristocratas das famílias mais ricas da cidade. Lucas, que em 9, 22, claramente alude aos três componentes do sinédrio, aqui não diz nada sobre a terceira parte do mesmo que era formada pelos escribas. Sem dúvida que estes últimos, como respeitados pelo povo, tinham entre seus membros Nicodemos que se opôs à condena de Jesus (Jo 7, 50). O entregaram [paredökan &lt;3860&gt;=tradiderunt] O verbo tem como significado entregar uma pessoa ou coisa nas mãos de outra. Daí atraiçoar como em Mt 5, 25 te entregue nas mãos do juiz. A entrega terminou com a morte em cruz, a mais horrível e humilhante para um romano e a mais maldita para um judeu. Deus não podia permitir semelhante morte para um profeta seu. Morrer nas mãos do príncipe inimigo, como o Batista nas de Herodes Antipas, era um martírio; mas na cruz era uma maldição.</p>
<p>ESPERANÇA VÃ: Já que nós esperávamos que viesse libertar Israel. Mas já sobre estas coisas prevalece o terceiro dia desde que passaram elas (21). Nos autem sperabamus quia ipse esset redempturus Israhel et nunc super haec omnia tertia dies hodie quod haec facta sunt. E explicam a causa de sua tristeza que, em definitivo, é uma perda de esperança: Jesus tinha fomentado a esperança messiânica [libertação de Israel] e agora tudo acabou. Nestas palavras está resumido o sentimento mais profundo e a alma de todos os discípulos de Jesus. Tanto esforço, tanta ilusão perdida. Tudo foi um sonho bonito que agora se transforma em dolorosa desilusão. Eram três dias de profunda tristeza, como o Mestre tinha anunciado Klausete [plorabitis=lamentareis] e thrënësete [flebitis= chorareis] (Jo 16, 20), como faziam as plangentes na morte dos que pranteavam.</p>
<p>OS RUMORES: Mas também certas mulheres das nossas nos deixaram surpresos havendo estado muito de manhã sobre o túmulo (22). E não tendo encontrado o corpo dele, voltaram dizendo também ter visto uma visão de anjos os quais dizem que ele está vivo (23). E alguns dos que estavam conosco foram ao sepulcro e encontraram assim como as mulheres falaram, mas a ele não viram (24). Sed et mulieres quaedam ex nostris terruerunt nos quae ante lucem fuerunt ad monumentum et non invento corpore eius venerunt dicentes se etiam visionem angelorum vidisse qui dicunt eum vivere et abierunt quidam ex nostris ad monumentum et ita invenerunt sicut mulieres dixerunt ipsum vero non viderunt. Havia, porém uma coisa estranha que eles duvidavam fosse realidade interessante: Temos traduzido o mais literalmente possível, respeitando tempos de verbos e significado das palavras. O caso é que os dois discípulos se mostraram tão céticos como hoje muitos dos leitores do evangelho, que só admitem como históricos o sepulcro vazio e a ausência do corpo. As visões e aparições são tidas como imaginárias, sem fundamento real. Jesus não aparece como apareceu Nossa Senhora aos pastorinhos de Fátima. A Virgem não era vista pelos assistentes. Era, pois, uma aparição interna sem que uma máquina fotográfica pudesse recordar a cena. Mas no evangelho de hoje temos a resposta: ele tinha um corpo como um homem qualquer. Precisamente a ¨cegueira¨ dos dois discípulos de Emaús, indica que ele não foi uma aparição do tipo que certos teólogos indicam: ele, para todos os efeitos, era de carne e osso, indistinguível como se fosse um homem comum. Os evangelistas distinguem perfeitamente a visão dos anjos [vestes resplandecentes], que podem ser semelhantes às aparições de Fátima,  das aparições de Jesus durante os 40 dias: é o mesmo Jesus de sempre, o Jesus ainda não transformado porque não tinha ido ao Pai (Jo 20, 17). Quer dizer que só depois da Ascensão ele tomou o corpo espiritual que dirá Paulo (1 Cor 15, 43-45)? É uma hipótese que não tem nada contra a teologia e que não pode ser descartada, já que a visão de Paulo de Jesus Ressuscitado parece ser uma visão, cuja fonte era a luz (At 9, 3). Neste trecho, escrito muito antes do evangelho de João, segundo o que nos diz a tradição, temos um resumo das primeiras aparições de Jesus que concorda plenamente com o relato joanino. Estes dois evangelistas devem ser tomados como base real do sucedido e não como descrição catequética do mesmo.</p>
<p>APOLOGIA DE JESUS: Então ele lhes disse: Ó sem inteligência e tardos no coração para crer em todas (as coisas) que falaram os profetas! (25). Et ipse dixit ad eos o stulti et tardi corde ad credendum in omnibus quae locuti sunt prophetae. Começa censurando-os: Sem entendimento e tardos de mente [coração no original]. Usando termos mais claros poderíamos traduzir por tontos e estúpidos, não no sentido de um insulto, mas de um fato certamente real e comprovável. A compreensão das Escrituras não depende unicamente da graça de Deus, mas também da disposição de ânimo do leitor. Com uma mente perturbada por prejuízos como a dos saduceus, que não admitiam a ressurreição, era impossível admitir a de Cristo. Com uma mente como a moderna em que o milagre é menosprezado, é lógico que os relatos dos evangelhos sejam tomados exatamente como os das mulheres foram aceitos pelos discípulos: lendas, fantasias.</p>
<p>A INTERPRETAÇÃO: Certamente, não convinha Cristo padecer essas coisas e entrar na sua glória? (26). E começando desde Moisés e desde todos os profetas interpretava-lhes em todas as Escrituras os (acontecimentos) acerca dEle (28). Nonne haec oportuit pati Christum et ita intrare in gloriam suam. Et incipiens a Mose et omnibus prophetis interpretabatur illis in omnibus scripturis quae de ipso erant. Jesus, como companheiro de viagem, se torna agora mestre de sabedoria para interpretar as Escrituras, fazendo apologia de sua paixão: Era necessário que o Ungido [Messias] padecesse, para assim entrar na sua glória [a posse do seu reino]. O verbo Deo [&lt;1163&gt;=oportuit] significa atar, e em termos teóricos obrigar, por estar sujeito a uma lei. O singular impessoal dei significa uma obrigação iniludível, porque estava escrito, isto é: era um plano de Deus transmitido através dos profetas (25). E começando por Moisés, diz Lucas. Na realidade, Moisés diretamente não fala do Messias a não ser  em Dt 18, 15: Javé, teu Deus suscitará um profeta como eu, no meio de ti, dentre os teus irmãos, e vós o ouvireis. Temos uma outra citação em Gn 3, 15: A descendência da mulher esmagará tua cabeça e tu lhe ferirás o calcanhar. Porque o Pentateuco era o livro escrito por Moisés, ao menos substancialmente. Além destas profecias que podemos chamar diretas e que são as únicas que nos tempos modernos aceitamos como verdadeiras, não podemos esquecer que, muitas vezes, os antigos viam na Escritura tipos e imagens do futuro como verdadeiras profecias. Entre esses tipos temos Isaac levando a lenha para o sacrifício que ia ser executado pelo pai, mas que no último momento foi substituído por um carneiro (Gn 22, 6-14). Temos a serpente de bronze, da qual o próprio Jesus comentou que era sua figura (Nm 21, 8 e Jo 3, 14). Também podemos ver nos sacrifícios ordenados por Moisés, figuras do sacrifício de expiação pelos pecados da Nova Aliança de Jesus, especialmente no dia do Yom Kippur pelo holocausto do bode expiatório (Lv cap 9), que a epístola aos hebreus, no capítulo 9, afirma ser figura imperfeita de Jesus. Pelo que diz respeito aos outros profetas, tais como Davi nos salmos 22, 1-31, Isaías 53, 1-12 e Daniel 9, 1-27 as referências são muito notáveis. Por isso Jesus interpretava as Escrituras, embora não saibamos em que termos, pois o evangelista não o declara.</p>
<p>FICA CONOSCO: Então se aproximaram da vila para a qual caminhavam e Ele pareceu passar adiante (28). E o coagiram dizendo: fica conosco já que é a tarde e o dia declina. Então entrou para ficar com eles (29).  Et adpropinquaverunt castello quo ibant et ipse se finxit longius ire. Et coegerunt illum dicentes mane nobiscum quoniam advesperascit et inclinata est iam dies et intravit cum illis. Só devido a uma pequena dificuldade para a volta, vamos explicar o vocábulo grego por TARDE [espera &lt;2073&gt; =advesperascit]. De fato, o original diz que é a tarde [substantivo] e não que é tarde [adjetivo, fora do tempo]. A Vulgata com o verbo advesperascit indica que já chegou a tarde. Esta começava às três horas, e era o momento do almoço. O dia, ou melhor, a luz do dia acabava às seis horas.</p>
<p>AO PARTIR O PÃO: E sucedeu ao se recostar ele com eles, tomando o pão, (o) abençoou e tendo (o) partido (o) dava a eles (30). Et factum est dum recumberet cum illis accepit panem et benedixit ac fregit et porrigebat illis. Segundo a Mishná, se são três os que devem comer juntos, são obrigados a benzer a mesa, porque se são três os que comem juntos não podem separar-se para a bênção (Berajot 7, 4). Segundo a tradição judaica, na liturgia da Páscoa após a segunda copa,  copa de Haggadá [das narrações da tradição] se iniciava o banquete com a bênção da mesa, feita pelo pater-famílias sobre o pão ázimo: tomava o pão e o abençoava com estas palavras: Louvado sejas tu, Senhor nosso Deus, Rei do mundo que fazes sair o pão da terra. Os comensais respondiam Amém; e, na continuação, o pai de família repartia o pão. O pai da casa tomava o último pedaço e começava a comer; com isso ele dava o sinal para todos de que o banquete tinha começado.</p>
<p>OS OLHOS SE ABRIRAM: Os seus olhos então se abriram e conheceram-no e Ele se tornou invisível para eles (31). Et aperti sunt oculi eorum et cognoverunt eum et ipse evanuit ex oculis eorum. É precisamente nesta bênção e no partir o pão que os dois discípulos reconhecem a pessoa de Jesus. Os olhos se abriram e o reconheceram. Os três sinóticos  falam de como Jesus, erguendo os olhos ao céu (exemplo Lc 9, 18) e abençoando o pão partiu-o e o entregou a seus discípulos. A oração, entre os judeus, sempre se fazia com o olhar baixo, em sinal de submissão; e Jesus pronunciava o nome de Pai no lugar do Adonai usual entre os conterrâneos. Os olhos, que estavam travados, agora reconheceram o Mestre; mas não puderam gozar da visão por muito tempo, porque a figura que foi seu acompanhante  no caminho, agora se desvaneceu. Ele se tornou invisível [afantos] a eles. A palavra grega indica um não ser visto, um desvanecer ou desaparecer. Indica que é assim que nós vamos encontrar o Cristo: desvanecido nas Escrituras, e sem poder ver seu rosto, que pela fé encontramos no partir o pão, como os dois contaram aos onze [que na realidade eram dez] após a volta de Emaús.</p>
<p>OS DISCÍPULOS: Então disseram entre si: não estava ardendo nosso coração dentro de nós enquanto falava conosco no caminho e nos abria as Escrituras?(32). E tendo se levantado, na mesma hora, voltaram para Jerusalém e encontraram reunidos os onze e os que (estavam) com eles (33), dizendo que ressuscitou o Senhor verdadeiramente e foi visto por Simão (34). Et dixerunt ad invicem nonne cor nostrum ardens erat in nobis dum loqueretur in via et aperiret nobis scripturas. et surgentes eadem hora regressi sunt in Hierusalem et invenerunt congregatos undecim et eos qui cum ipsis erant dicentes quod surrexit Dominus vere et apparuit Simoni. Somente eram dez, mas como Lucas não narra a aparição particular a Tomé, daí que ele o inclua entre os apóstolos e fala dos onze. Quando chegam os de Emaús que particularmente não pertenciam aos onze, encontram junto com estes, outros discípulos congregados e falando de que realmente Jesus tinha ressuscitado e tinha sido visto por Simão [Pedro]. Esta aparição é confirmada por Paulo: Apareceu a Cefas e depois aos doze (1 Cor 15, 5). Vemos como aqui também o número 12 é usado como uma relação genérica, sem incluir no caso a Judas e Tomé.</p>
<p>SEU TESTEMUNHO: Então eles contaram as coisas no caminho e como foi por eles conhecido ao partir o pão (35). Et ipsi narrabant quae gesta erant in via et quomodo cognoverunt eum in fractione panis. Então eles acrescentaram sua história que, além de vê-lo vivo, continha uma lição de como interpretar as Escrituras. Jesus não olvidava seu ministério de Rabi, como Mestre de seus discípulos. É um fato, que muitos exegetas apresentam como significativo, que Ele fosse reconhecido ao partir o pão. Ele foi pela primeira vez reconhecido como rei após a primeira multiplicação dos pães, quando os abençoou e partiu (Mt 14, 19) e depois mandou que os discípulos os dessem à multidão. Esse foi o momento em que a multidão o declarou como o profeta que deveria vir ao mundo e alguns até queriam torná-lo rei (Jo 6, 14-15). Foi também ao partir o pão que Ele foi reconhecido pelos dois discípulos.</p>
<p>PISTAS: 1) A pergunta inicial: Por que a vida é sempre vencida pela morte? Por que o mal sempre triunfa do bem? O Pai abandona o Filho Jesus, ou este era simplesmente um impostor? Essencialmente as perguntas que se faziam os dois discípulos eram estas. Jesus não usa o raciocínio humano para responder, mas os escritos sagrados. Sem Jesus, as Escrituras não têm mais sentido que o dado pela comemoração de uma História particular e parcial do povo hebreu. Em Jesus encontraremos a culminação da História e a razão de nossa história porque em Jesus encontramos a justificação de como o mal deve ser vencido pelo bem: pelo sacrifício da própria vida para que, perdendo-a, outros a encontrem e a vivam melhor.</p>
<p>2) S. Agostinho afirma que o Senhor foi conhecido ao partir o pão; e também o conheceremos hoje ao partir o pão: a) O pão da Eucaristia onde o encontramos substancialmente. b) O pão repartido entre os necessitados, com os quais ele quis se identificar.</p>
<p>3) A vida, como uma dádiva de Deus, está se tornando uma circunstância para gozar da mesma sem sentido de solidariedade. Os cristãos não  param na dádiva, mas no Senhor da mesma e vemos, como sendo Ele amor e ela produto do amor, devemos responder com amor. Ou seja, como entrega e não como posse definitiva. Por isso o padecer temporal é a base para a glória definitiva.</p>
<p>4) Apareceu a Simão: ele era o irmão que devia manter a fé dos irmãos (Lc 22, 32). A contrariedade e o sofrimento nos tornam fracos em nossa fé. Mas é aí onde a fortaleza de Deus se manifesta (2 Cor 12, 10). Os judeus pediam milagres e profecias (Lc 22, 64 e 23, 8) e os romanos poder, porque, quando Pilatos ouviu que Jesus veio a dar testemunho da verdade, o desprezou (Jo 18, 38). Mas é essa verdade que Jesus afirma: o Messias deve sofrer e assim unicamente entrar na glória do seu reino (25).    	</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Roteiro Homilético – III Domingo de Páscoa – Ano A</title>
		<link>https://presbiteros.org.br/roteiro-homiletico-iii-domingo-de-pascoa-ano-a-2/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Pe. Demétrio Gomes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 13 Apr 2026 14:11:01 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Roteiros Homiléticos]]></category>
		<category><![CDATA[Subsídios Litúrgicos]]></category>
		<category><![CDATA[iii domingo da pascoa ano a 2026]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>RITOS INICIAIS Salmo 65, 1–2 ANTÍFONA DE ENTRADA: Aclamai a Deus, terra inteira, cantai a glória do seu nome, celebrai os seus louvores. Aleluia. Diz-se o Glória. Introdução ao espírito da Celebração A liturgia deste Domingo apresenta-nos Jesus Cristo ressuscitado como companheiro de viajem, alentando a esperança, aquecendo o coração dos discípulos de Emaús. Como os [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<h2>RITOS INICIAIS</h2>
<p><em>Salmo 65, 1–2</em></p>
<p>ANTÍFONA DE ENTRADA: Aclamai a Deus, terra inteira, cantai a glória do seu nome, celebrai os seus louvores. Aleluia.</p>
<p>Diz-se o Glória.</p>
<h3>Introdução ao espírito da Celebração</h3>
<p>A liturgia deste Domingo apresenta-nos Jesus Cristo ressuscitado como companheiro de viajem, alentando a esperança, aquecendo o coração dos discípulos de Emaús. Como os primeiros discípulos, é na Eucaristia que nós reconhecemos hoje a presença viva de Jesus Ressuscitado: caminha connosco, fala-nos através da Escritura, alimenta-nos com o seu Corpo.</p>
<p>ORAÇÃO COLECTA: Exulte sempre o vosso povo, Senhor, com a renovada juventude da alma, de modo que, alegrando-se agora por se ver restituído à glória da adopção divina, aguarde o dia da ressurreição na esperança da felicidade eterna. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.</p>
<h2>LITURGIA DA PALAVRA</h2>
<h3>Primeira Leitura</h3>
<p><strong>Monição:</strong> «Jesus de Nazaré cravado na cruz… Deus ressuscitou-O… porque não era possível que Ele ficasse sob o domínio da morte!» Esta foi pregação de S. Pedro, citando o Salmo 15. Todo o Antigo Testamento apontava para Jesus Cristo. Ele próprio dirá: «Estava escrito nos profetas e nos salmos que o Messias havia de sofrer e Ressuscitar!» Acreditar em Jesus e escutar a sua Palavra é uma garantia de ressurreição.</p>
<p><em><strong>Actos</strong>, 2, 14.22–33</em></p>
<p><em><strong>No dia de Pentecostes, <sup>14</sup>Pedro, de pé, com os onze Apóstolos, ergueu a voz e falou ao povo: <sup>22</sup>«Homens de Israel, ouvi estas palavras: Jesus de Nazaré, foi um homem acreditado por Deus junto de vós com milagres, prodígios e sinais, que Deus realizou no meio de vós, por seu intermédio, como sabeis. <sup>23</sup>Depois de entregue, segundo o desígnio imutável e a previsão de Deus, vós deste-Lhe a morte, cravando-O na cruz pela mão de gente perversa. <sup>24</sup>Mas Deus ressuscitou-O, livrando-O dos laços da morte, porque não era possível que Ele ficasse sob o seu domínio. <sup>25</sup>Diz David a seu respeito: «O Senhor está sempre na minha presença, com Ele a meu lado não vacilarei. <sup>26</sup>Por isso o meu coração se alegra e a minha alma exulta e até o meu corpo descansa tranquilo. <sup>27</sup>Vós não abandonareis a minha alma na mansão dos mortos, nem deixareis o vosso Santo sofrer a corrupção.<sup>28</sup>Destes-me a conhecer os caminhos da vida, a alegria plena em vossa presença». <sup>29</sup>Irmãos, seja-me permitido falar-vos com toda a liberdade: o patriarca David morreu e foi sepultado e o seu túmulo encontra-se ainda hoje entre nós. <sup>30</sup>Mas, como era profeta e sabia que Deus lhe prometera sob juramento que um descendente do seu sangue havia de sentar-se no seu trono, <sup>31</sup>viu e proclamou antecipadamente a ressurreição de Cristo, dizendo que Ele não O abandonou na mansão dos mortos, nem a sua carne conheceu a corrupção. <sup>32</sup>Foi este Jesus que Deus ressuscitou e disso todos nós somos testemunhas. <sup>33</sup>Tendo sido exaltado pelo poder de Deus, recebeu do Pai a promessa do Espírito Santo, que Ele derramou, como vedes e ouvis».</strong></em></p>
<p>A leitura corresponde a uma selecção de versículos do discurso de S. Pedro no dia do Pentecostes. «<em>Pedro» </em>aparece aqui, como noutras vezes, na sua função de Chefe dos Apóstolos, falando em nome de todos e à frente de todos (cf. Act 2, 37-38; 5, 2-3.29; 1, 15).</p>
<p><strong>22</strong> «<em>Jesus de Nazaré» </em>Pedro, para anunciar Jesus como o Messias, parte da Sua humanidade, no aspecto mais humilde, um homem de Nazaré, terra desprezada (Jo 1 48); nos vv. seguintes estabelece a sua perfeita identidade com o Cristo da fé, o Senhor ressuscitado.</p>
<p><strong>23 </strong>«<em>Segundo o desígnio imutável e previsão de Deus». </em>A morte na cruz, o grande «escândalo para os Judeus», não era mais do que o cumprimento do desígnio salvador de Deus, anunciado pelos Profetas.</p>
<p><strong>24 </strong>«<em>Deus ressuscitou-O. </em>O grande sinal de que aquele homem de Nazaré já antes credenciado com «milagres, prodígios e sinais» (v. 22), era o Messias, Deus vindo à terra, é sem dúvida a Ressurreição. Esta apresenta-se como anunciada no Salmo 15 (16).</p>
<p><strong>27</strong> «<em>Nem deixareis o vosso Santo sofrer a corrupção». </em>Citação do Salmo 15 (16), segundo a tradução dos LXX, que alguns chegam a considerar inspirada. O texto hebraico massorético não é tão expressivo, pois diz: «<em>conhecer a cova»,</em> isto é, a morte; Pedro e depois Paulo (cf. Act 13, 35) dão-nos o sentido mais profundo, o cristológico do Salmo, ao explicitar que designa a ressurreição do Messias, sentido este que, em geral, os exegetas classificam de sentido plenário (intentado só por Deus), ou sentido típico (o salmista como tipo do Messias).</p>
<h3>Salmo Responsorial    <em>Sl</em> 15 (16), 1–2a.5.7–8.9–10.11</h3>
<p><strong>Monição:</strong> O Salmo de hoje foi utilizado na pregação dos Apóstolos como prova de que Deus não abandonaria o Justo na decomposição do túmulo. Também nós acreditamos que a misericórdia e a fidelidade de Deus se estendem de geração em geração, dilatando a nossa esperança. Confiamos nas suas promessas! «Gozaremos da alegria plena, delícias eternas na sua presença».</p>
<p><strong>Refrão: </strong> <em> MOSTRAI–ME, SENHOR, O CAMINHO DA VIDA.</em></p>
<p>Ou:                <em>ALELUIA.</em></p>
<p><em><strong>Defendei–me, Senhor; Vós sois o meu refúgio.</strong></em></p>
<p><em><strong>Digo ao Senhor: Vós sois o meu Deus.</strong></em></p>
<p><em><strong>Senhor, porção da minha herança e do meu cálice,</strong></em></p>
<p><em><strong>está nas vossas mãos o meu destino.</strong></em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em><strong>Bendigo o Senhor por me ter aconselhado,</strong></em></p>
<p><em><strong>até de noite me inspira interiormente.</strong></em></p>
<p><em><strong>O Senhor está sempre na minha presença,</strong></em></p>
<p><em><strong>com Ele a meu lado não vacilarei.</strong></em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em><strong>Por isso o meu coração se alegra e a minha alma exulta</strong></em></p>
<p><em><strong>e até o meu corpo descansa tranquilo.</strong></em></p>
<p><em><strong>Vós não abandonareis a minha alma na mansão dos mortos,</strong></em></p>
<p><em><strong>nem deixareis o vosso fiel conhecer a corrupção.</strong></em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em><strong>Dar–me–eis a conhecer os caminhos da vida,</strong></em></p>
<p><em><strong>alegria plena em vossa presença,</strong></em></p>
<p><em><strong>delícias eternas à vossa direita.</strong></em></p>
<h3>Segunda Leitura</h3>
<p><strong>Monição:</strong> «Fomos resgatados pelo sangue precioso de Cristo» derramado por todos, oferecendo-nos uma salvação universal. A nossa fé e a nossa esperança estão em Deus e não nas alegrias passageiras deste «exílio neste mundo».</p>
<p><em>1 <strong>São Pedro</strong> 1, 17–21</em></p>
<p><em><strong>Caríssimos: <sup>17</sup>Se invocais como Pai Aquele que, sem acepção de pessoas, julga cada um segundo as suas obras, vivei com temor, durante o tempo de exílio neste mundo. <sup>18</sup>Lembrai-vos que não foi por coisas corruptíveis, como prata e oiro, que fostes resgatados da vã maneira de viver, herdada dos vossos pais, <sup>19</sup>mas pelo sangue precioso de Cristo, Cordeiro sem defeito e sem mancha, <sup>20</sup>predestinado antes da criação do mundo e manifestado nos últimos tempos por vossa causa. <sup>21</sup>Por Ele acreditais em Deus, que O ressuscitou dos mortos e Lhe deu a glória, para que a vossa fé e a vossa esperança estejam em Deus.</strong></em></p>
<p>Esta leitura adapta-se maravilhosamente ao tempo pascal, falando-nos da nossa libertação através do Sangue do novo Cordeiro Pascal e da Ressurreição de Jesus. Há mesmo exegetas que vêem nesta carta um fundo de homilia pascal ou baptismal. O trecho de hoje é tirado de uma secção inicial da Carta (1, 13 – 2, 10), uma série de exortações que têm como pano de fundo a libertação dos hebreus a caminho da terra prometida, símbolo do Baptismo e da vida cristã, o que faz pensar que formariam parte duma catequese ou homilia pascal-baptismal. Vejamos: «de ânimo preparado para servir» (v. 13; cf. Lc 12, 35) é dito no original com uma imagem («cingida a cintura da vossa mente»), que evoca a forma de celebrar a Páscoa (cf. Ex 12, 11, símbolo do Baptismo (cf. 1 Cor 10, 1-2.6); «sede santos» (v. 14-16) é uma exigência da aliança (cf. Lv 11, 44; 19, 2; 20, 7) e do Baptismo (cf. Rom 6, 4.11.19; 12, 2; Gal 3, 27); o santo temor de Deus (cf. 2 Cor 2, 11; Rom 2, 11) «<em>no tempo da peregrinação» </em>(cf. 1, 1.17; 2, 11; 4, 2, é a alusão à peregrinação pelo deserto no Êxodo) está na sequência de <em>invocar a Deus como Pai </em>(referência ao Pai-nosso, Mt 6, 9, recitado no rito do Baptismo e certamente matéria da instrução preparatória); o <em>resgate pelo sangue de Cristo</em> é mais do que uma referência ao custo da nossa redenção (1 Cor 6, 20; 7, 23; cf. Ef 1, 7; Hebr 9, 14; Apoc 1, 5), pois <em>alude</em> a Jesus como <em>cordeiro pascal</em> (Ex 12, 3-14; cf. Jo 1, 29.36; 19, 36; 1 Cor 5, 7; Act 8, 32-35); o <em>amor fraterno </em>(v. 22-25) é proposto <em>como consequência</em> de se ter purificado (cf. Ex 19, 10-11) e ter nascido de novo e por meio da palavra de Deus (cf. Tg 1, 18; 1 Jo 3, 9; Is 40, 8); esta mesma palavra é o «<em>leite puro» </em>(cf. Ex 3, 8; 1 Cor 3, 2) que os baptizados têm de desejar avidamente (2, 1-2; cf. Salm 34, 9); assim <em>todos entram activamente na construção do edifício </em>que é o novo Povo de Deus, figurado no antigo (2, 4-10).</p>
<p><strong>17</strong> «<em>Pai&#8230; que&#8230; julga». </em>Pode-se ver aqui uma alusão à recitação do Pai Nosso. Deus, que é o melhor dos pais, também é um Juiz imparcial; o sentido correcto da nossa filiação divina traz consigo o santo temor de Deus, o temor de desagradar a um Pai que nos julga e que calibra perfeitamente o valor de todos os nossos actos.</p>
<p><em>«Exílio neste mundo».</em> Cf. 1 Pe 1, 1; 2, 11; 4, 2; Hebr 11, 13. Nestes textos inspirados fica patente a nossa condição não apenas de peregrinos da Pátria celeste, mas também a ideia de pena que envolve a nossa situação de «degredados filhos de Eva» neste «desterro» (cf. Salve Rainha).</p>
<p><strong>18-19</strong> «<em>Libertados&#8230; com o Sangue precioso de Cristo». </em>A obra salvadora de Jesus não consistiu numa mera libertação, como, por exemplo, a libertação do Egipto, pois foi um verdadeiro resgate, pagando Jesus o preço dessa libertação com o Seu Sangue, daí que esta obra libertadora se chama mais propriamente Redenção (cf. Ef 1, 7; Apoc 1, 5).</p>
<p><em>«Cordeiro sem defeito e sem mancha». </em>Cf. Ex 12, 5; 1 Cor 5, 7; Jo 1, 29.36; 19, 36. Cf. também: Is 53, 7; Act 8, 32-35. Os primeiros textos falam de Jesus, Cordeiro imolado na nova Páscoa; os segundos, de Jesus manso «Cordeiro de Deus».</p>
<h3>Aclamação ao Evangelho</h3>
<p><em>Lc</em> 24, 32</p>
<p><strong>Monição:</strong> Cantemos o triunfo de Jesus ressuscitado que nos fala através das Escrituras, inflamando no fogo do seu amor divino os nossos corações.</p>
<h3>ALELUIA</h3>
<p><em>Senhor Jesus, abri–nos as Escrituras,   falai–nos e inflamai o nosso coração.</em></p>
<h2>Evangelho</h2>
<p><em><strong>São</strong> <strong>Lucas</strong> 24, 13–35</em></p>
<p><em><strong><sup>13</sup>Dois dos discípulos de Jesus iam a caminho duma povoação chamada Emaús, que ficava a duas léguas de Jerusalém. <sup>14</sup>Conversavam entre si sobre tudo o que tinha sucedido. <sup>15</sup>Enquanto falavam e discutiam, Jesus aproximou-Se deles e pôs-Se com eles a caminho. <sup>16</sup>Mas os seus olhos estavam impedidos de O reconhecerem. <sup>17</sup>Ele perguntou-lhes: «Que palavras são essas que trocais entre vós pelo caminho?» Pararam, com ar muito triste, <sup>18</sup>e um deles, chamado Cléofas, respondeu: «Tu és o único habitante de Jerusalém a ignorar o que lá se passou nestes dias». <sup>19</sup>E Ele perguntou: «Que foi?» Responderam-Lhe: «O que se refere a Jesus de Nazaré, profeta poderoso em obras e palavras diante de Deus e de todo o povo; <sup>20</sup>e como os príncipes dos sacerdotes e os nossos chefes O entregaram para ser condenado à morte e crucificado. <sup>21</sup>Nós esperávamos que fosse Ele quem havia de libertar Israel. Mas, afinal, é já o terceiro dia depois que isto aconteceu. <sup>22</sup>É verdade que algumas mulheres do nosso grupo nos sobressaltaram: foram de madrugada ao sepulcro, <sup>23</sup>não encontraram o corpo de Jesus e vieram dizer que lhes tinham aparecido uns Anjos a anunciar que Ele estava vivo. <sup>24</sup>Alguns dos nossos foram ao sepulcro e encontraram tudo como as mulheres tinham dito. Mas a Ele não O viram». Então Jesus disse-lhes: <sup>25</sup>«Homens sem inteligência e lentos de espírito para acreditar em tudo o que os profetas anunciaram! <sup>26</sup>Não tinha o Messias de sofrer tudo isso para entrar na sua glória?» <sup>27</sup>Depois, começando por Moisés e passando pelos Profetas, explicou-lhes em todas as Escrituras o que Lhe dizia respeito. <sup>28</sup>Ao chegarem perto da povoação para onde iam, Jesus fez menção de seguir para diante. <sup>29</sup>Mas eles convenceram-n’O a ficar, dizendo: «Ficai connosco, porque o dia está a terminar e vem caindo a noite». Jesus entrou e ficou com eles. <sup>30</sup>E quando Se pôs à mesa, tomou o pão, recitou a bênção, partiu-o e entregou-lho. <sup>31</sup>Nesse momento abriram-se-lhes os olhos e reconheceram-n’O. Mas Ele desapareceu da sua presença. <sup>32</sup>Disseram então um para o outro: «Não ardia cá dentro o nosso coração, quando Ele nos falava pelo caminho e nos explicava as Escrituras?» <sup>33</sup>Partiram imediatamente de regresso a Jerusalém e encontraram reunidos os Onze e os que estavam com eles, <sup>34</sup>que diziam: «Na verdade, o Senhor ressuscitou e apareceu a Simão». <sup>35</sup>E eles contaram o que tinha acontecido no caminho e como O tinham reconhecido ao partir o pão.</strong></em></p>
<p>Temos aqui uma das mais belas páginas do Evangelho: um relato cheio de vivacidade, de finura e de psicologia, em que acompanhamos o erguer daquelas almas desde a mais amarga frustração até às alturas da fé e da descoberta de Jesus ressuscitado. A crítica bíblica procura distinguir neste relato os <em>elementos de tradição</em> e os <em>elementos redaccionais; </em>podem identificar-se muitos elementos de tradição neste relato, mas não dispomos de meios para classificar como meramente redaccionais todos os restantes, pois não são do nosso conhecimento todas as fontes de que Lucas dispôs; a própria crítica admite «fontes especiais» para a redacção de Lucas. Um facto indiscutível é que Lucas é um teólogo e um catequista, não é um jornalista e não se limita a contar a seco umas aparições, mas não temos elementos suficientes para definir em que medida reelaborou as suas fontes.</p>
<p><strong>13 </strong>«<em>Emaús»: </em>uma povoação a 60 estádios, traduzidos por <em>duas léguas,</em> que se traduzem nuns 11 quilómetros e meio de Jerusalém. Há duas leituras variantes nos manuscritos gregos do Evangelho de Lucas: a imensa maioria deles regista 60 estádios. Alguns poucos têm 160 (o que equivale a uns 30 Km). Também não existe completo acordo sobre a sua localização, sendo indicados vários locais na tradição cristã; El-Qubeibe é o de maior aceitação, a uns 12 Km a Noroeste da Cidade Santa (Abugoxe corresponde aos 160 estádios).</p>
<p><strong>16</strong> «<em>Mas os seus olhos estavam impedidos de O reconhecerem».</em> Não é que não vissem a Jesus, ou que Jesus se quisesse ocultar, mas eles é que estavam obcecados pelo seu extremo desalento. E fica-nos a lição: para que se possa reconhecer a Jesus ressuscitado é indispensável o olhar da fé.</p>
<p><strong>18</strong><em> «Cléofas» </em>parece ser diferente do marido de Maria, mãe de Tiago e José (Jo 19, 25); embora alguns o identifiquem, a grafia é diferente: <em>Kleopâs.</em></p>
<p><strong>22-24</strong> «<em>É verdade que algumas mulheres… Alguns dos nossos…»: </em>aqui se resume o que foi relatado antes com mais pormenor (Lc 23, 56b – 24, 9) e correspondente à tradição sinóptica e joanina. Certamente que <em>os nossos</em> são Pedro e João (cf. v. 12 e Jo 20, 1-10). «<em>Mas a Ele não O viram»:</em> se não se trata de um pormenor meramente redaccional, temos que admitir que ainda não lhes constava da aparição de Jesus a Pedro referida adiante, no v. 34 (cf. 1 Cor 15, 5).</p>
<p><strong>28-30</strong> «<em>Jesus fez menção de seguir para diante». </em>Lucas volta a aludir ao «caminho de Jesus» (no v. 15 já tinha usado o mesmo verbo grego que significa <em>caminhar).</em> R. J. Dillon <em>(From eye-witnesses to ministers of the word)</em> pensa que este pormenor lucano insinua que a presença de Jesus no meio dos seus através da Eucaristia (a <em>fracção do pão</em> do v. 30) constitui o momento cume do seu <em>caminhar </em>pelo caminho da salvação. Enternece o leitor ver como Jesus ressuscitado se torna <em>o companheiro de caminho </em>(recorde-se como Lucas gosta de focar a vida cristã como um caminho e um seguimento de Jesus): depois de se fazer encontrado, agora faz-se rogado. Isto sucede-nos muitas vezes na vida cristã: Ele vem ao nosso encontro sem O procurarmos e, outras vezes, quer dar-nos o ensejo de O convidarmos a <em>ficar connosco</em> e de praticarmos a caridade com os outros, que são Ele (cf. Mt 25, 40). Mas aqui o convite feito a Jesus não é um simples acto de caridade e de cortesia; com efeito, parece que a narrativa nos leva a pensar que quem faz este pedido é toda a comunidade cristã, que se reúne para celebrar a Eucaristia e anseia estabelecer uma comunhão íntima com Jesus ressuscitado <em>(ibid.).</em> Todos estão de acordo em ver a estreita relação da refeição descrita com a multiplicação dos pães e a instituição da Eucaristia.</p>
<p><strong>31</strong> «<em>Abriram-se-lhes os olhos e reconheceram-no, mas Ele desapareceu da sua presença</em>»: É na Eucaristia que se abrem os olhos para a fé, para captar o que é invisível, mas real. Impressiona muito o relato ao unir o <em>aparecimento</em> com o <em>desaparecimento,</em> sem se dizer para onde é que Jesus se retirou. Desta maneira fica sugerida <em>uma nova presença,</em> a de Jesus glorioso e ressuscitado: uma ausência que é presença.Comenta João Paulo II: «É significativo que os dois discípulos de Emaús, devidamente preparados pelas palavras do Senhor, O tenham reconhecido, quando estavam à mesa, através do gesto simples da &#8216;fracção do pão&#8217;. Uma vez iluminadas as inteligências e rescaldados os corações, os sinais &#8216;falam&#8217;. A Eucaristia desenrola-se inteiramente no contexto dinâmico de sinais que encerram uma densa e luminosa mensagem; é através deles que o mistério, de certo modo, se desvenda aos olhos do crente. Como sublinhei na encíclica <em>Ecclesia de Eucharistia,</em> é importante que nenhuma dimensão deste Sacramento fique transcurada. Com efeito, subsiste sempre no homem a tentação de reduzir às suas próprias dimensões a Eucaristia, quando na realidade é ele que se deve abrir às dimensões do Mistério. &#8216;A Eucaristia é um dom demasiado grande para suportar ambiguidades e reduções&#8217;» (Carta <em>Mane nobiscum Domine, </em>14).</p>
<p><strong>32</strong> «<em>Não ardia cá dentro o nosso coração?».</em> Quando lemos a Escritura guiados por Jesus, presente na Igreja, inflama-se o nosso coração e sentimo-nos urgidos a mostrar aos que nos rodeiam, com as nossas vidas, pela palavra e pelo exemplo, que Cristo vive, que a Ressurreição é uma realidade. O episódio constitui um apelo a fazermos o mesmo papel do Ressuscitado junto dos desiludidos da vida e sem esperança e a comunicar-lhes a nossa experiência de fé. No relato põe-se em evidência a união do pão e da palavra na vida da Igreja.</p>
<p><strong>33</strong> «<em>Partiram imediatamente». «</em>Os dois discípulos de Emaús, depois de terem reconhecido o Senhor, «partiram imediatamente» para comunicar o que tinham visto e ouvido. Quando se faz uma verdadeira experiência do Ressuscitado, alimentando-se do seu Corpo e do seu Sangue, não se pode reservar para si mesmo a alegria sentida. O encontro com Cristo, continuamente aprofundado na intimidade eucarística, suscita na Igreja e em cada cristão a urgência de testemunhar e evangelizar» (João Paulo II, <em>Mane nobiscum Domine,</em> 24).</p>
<h3>Sugestões para a homilia</h3>
<p>Jesus Cristo caminha connosco,</p>
<p>Neste terceiro Domingo da Páscoa, S. Lucas descreve-nos a aparição de Jesus ressuscitado aos discípulos de Emaús.</p>
<p>Lembremos que Maria Madalena não reconheceu Jesus, quando O viu pela primeira vez. Os seus olhos embaciados pelas lágrimas não a deixavam ver bem. Pensou que era o jardineiro. Os discípulos de Emaús também não O reconhecem devido à sua profunda tristeza. Estavam desiludidos! Como bons israelitas esperavam um Messias glorioso e libertador. Jesus tinha morrido e com a sua morte desmoronou-se o sonho, perdeu-se a esperança: «Nós esperávamos que Ele viria libertar Israel! Mas já lá vai o terceiro dia depois da sua morte!»</p>
<p>Tinham vivido com Jesus durante três anos, mas só isso não foi suficiente. Tinham visto os milagres e podiam afirmar que Jesus foi um «Profeta poderoso em obras e palavras», mas só isso não chegou. Tinham escutado o testemunho das santas mulheres, falando do túmulo vazio, mas como a «Ele não o tinham visto», só isso não os convenceu. Tinham caminhado com Jesus como companheiro de viagem. Tinham desabafado com Ele acerca do que se tinha passado em Jerusalém naquela Sexta-feira. Tinham ouvido a Palavra da Escritura, mas a ideia de um Messias triunfal não se adaptava minimamente a Jesus Cristo carregado de sofrimentos, humilhado até à morte e morte de cruz. Como seria possível acreditar em alguém que morreu condenado à morte mais cruel e humilhante?</p>
<p>É certo que os profetas tinham anunciado esta morte redentora. O próprio Jesus por várias vezes predissera tudo quanto aconteceu. Por isso fez-lhes uma forte repreensão «ó gente sem compreensão e lentos de espírito! Não tinha o Messias de sofrer tudo isso para se cumprir o que os profetas tinham anunciado e assim entrar na sua glória?»</p>
<p>O seu coração foi aquecendo: «não ardia cá dentro o coração quando Ele falava?», mas ainda não acreditavam. Isto significa que não basta apenas ouvir a Palavra, conhecer a Escritura! Pode saber-se o que está escrito na Bíblia e não creditar em Deus! Conhecemos muita gente que acredita no Jesus da História, mas não acreditam que Ele esteja vivo. Para os discípulos de Emaús nem mesmo a presença de Jesus ressuscitado foi suficiente para acreditar! Verdadeiramente pode o Senhor estar muito perto e caminhar ao nosso lado e nós não O reconhecermos, se não tivermos fé.</p>
<p>«Jesus fez menção de seguir para diante», dispondo-se a deixá-los. Contudo, eles convidaram-no: «Fica connosco, Senhor porque vem caindo a noite». Foi um gesto de simpatia, mostrando a sua hospitalidade e a sua gratidão. Sentiam-se bem na presença deste companheiro, que fazia renascer a esperança, inflamando os seus corações. Jesus aceitou o convite, entrou em casa e tomou lugar com eles à mesa. Depois «tomou o Pão, recitou a bênção, partiu-o e entregou-lho». Que maravilha! Reviviam a Quinta-feira anterior! «Nesse momento abriram-se-lhes os olhos e reconheceram-n’O».</p>
<p>Se a fé de muitos cristãos é fria e espiritualmente pouco produtiva não será por falta de alimento? Andamos desfalecidos e com fome?! Na Eucaristia Jesus está vivo no meio de nós. Aqui todos O podem encontrar, para O ouvir, para O receber. Aqui Ele torna-se nosso companheiro de viagem. Aqui Ele oferece-nos o alimento que mata a nossa fome de infinito. Está escrito: «Os discípulos reconheceram o Senhor Jesus na fracção do Pão».</p>
<h3>LITURGIA EUCARÍSTICA</h3>
<p>ORAÇÃO SOBRE AS OBLATAS: Aceitai, Senhor, os dons da vossa Igreja em festa. Vós que lhe destes tão grande felicidade, fazei–a tomar parte na alegria eterna. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.</p>
<p>Prefácio pascal: p. 469 [602–714] ou 470–473</p>
<p><strong>SANTO</strong></p>
<p><strong>Monição da Comunhão</strong></p>
<p>Os discípulos reconheceram o senhor Jesus na fracção do Pão. A Eucaristia é sempre um momento privilegiado para ouvirmos a palavra do divino Mestre, para nos alimentarmos com o Pão vivo.</p>
<p><em> Lc 24, 35</em></p>
<p>ANTÍFONA DA COMUNHÃO: Os discípulos reconheceram o Senhor Jesus ao partir o pão. Aleluia.</p>
<p>ORAÇÃO DEPOIS DA COMUNHÃO: Olhai com bondade, Senhor, para o vosso povo e fazei chegar à gloriosa ressurreição da carne aqueles que renovastes com os sacramentos de vida eterna. Por Nosso Senhor.</p>
<h3>RITOS FINAIS</h3>
<p><strong>Monição final</strong></p>
<p>«Fica connosco, Senhor!»</p>
<p>Juntamente com os discípulos de todos os tempos nós vos suplicamos: Fica connosco, Senhor!</p>
<p>Com a vossa palavra queremos crescer na fé, proclamada por S. Pedro: «fomos resgatados pelo sangue precioso de Jesus Cristo, Cordeiro sem defeito e sem mancha».</p>
<p>Com a vossa presença queremos testemunhar que sois o Emanuel, o Deus vivo no meio de nós, «ressuscitado de entre os mortos, para que a nossa fé e a nossa esperança estejam em Deus», apontando-nos o horizonte da vida eterna.</p>
<h2>HOMILIAS FERIAIS</h2>
<p><strong>3ª SEMANA</strong></p>
<p>2ª Feira, 7-IV: À procura de Jesus.</p>
<p><em>Act</em> 6, 8-15 / <em>Jo</em> 6, 22-29</p>
<p>A multidão viu que Jesus ali não estava… Subiram todos para as embarcações e foram para Cafarnaum à procura de Jesus.</p>
<p>É admirável este <em>desejo de procurar Jesus</em>, embora não fosse com a melhor das intenções: tinham ficado saciados com os pães (cf. Ev). Noutras ocasiões, a <em>procura e o encontro com Jesus</em> acarretam dificuldades, como aconteceu com Estêvão (cf. Leit).</p>
<p>Nesta <em>semana de orações pelas vocações consagradas</em> peçamos a Deus para que muitos O procurem, para se dedicarem ao seu serviço. E também que todos nós não deixemos de ir ao seu encontro nos sacramentos e nas orações, vencendo as dificuldades que encontrarmos.</p>
<p>3ª Feira, 8-IV: O Pão que dá forças.</p>
<p><em>Act</em> 7, 51-8, 1 / <em>Jo</em> 6, 30-35</p>
<p>Meu Pai é que vos dá o verdadeiro Pão que vem do Céu. O Pão de Deus é que desce do Céu, para dar a vida ao mundo.</p>
<p>Jesus promete um grande milagre: um <em>alimento que é o seu próprio Corpo</em> (cf. Ev). É o alimento que dá forças a Estêvão, para suportar o seu martírio (cf. Leit).</p>
<p>Todos precisamos deste <em>Pão da vida</em>, pois vivemos num ambiente paganizado, em que encontramos hostilidade para sermos coerentes com a nossa fé. Somos acusados de ‘fanáticos’ por defendermos a dignidade e a liberdade de cada pessoa: a defesa da vida desde o início até à morte natural, a defesa da família, etc. O Senhor garante-nos a sua ajuda: «Eu é que sou Pão da vida» (Ev).</p>
<p>4ª Feira, 9-IV: A vontade do Pai revelada por Jesus.</p>
<p><em>Act</em> 8, 1-8 / <em>Jo</em> 6, 35-40</p>
<p>Porque desci do Céu, não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou.</p>
<p>Jesus apresenta-se como exemplo do cumprimento da <em>vontade de Deus</em>, ao mesmo tempo que nos revela qual é essa vontade: que não se perca ninguém que lhe foi confiado e quem n’Ele acredita terá a vida eterna (cf. Ev). Por vezes a vontade de Deus pode ocasionar grandes contrariedades: uma perseguição contra a igreja de Jerusalém mas que ajuda à pregação da boa nova noutras cidades (cf. Leit).</p>
<p>Procuremos seguir a <em>vontade de Deus</em>, como Jesus, no cumprimento de todos os nossos deveres e, quando for difícil, digamos: tudo é para meu bem.</p>
<p>5ª Feira, 10-IV: Os alimentos para termos uma vida divina.</p>
<p><em>Act</em>. 8, 26-40 / <em>Jo</em> 6, 44-52</p>
<p>Eu sou o Pão vivo que desceu do Céu. Quem comer deste pão viverá eternamente.</p>
<p>O homem comeu um alimento de morte (no pecado original) e agora deve tomar um remédio que sirva de antídoto, como acontece com aqueles que tomam um veneno devem tomar um contraveneno (cf. S. Gregório de Nissa). E este remédio é o Pão da<em> vida</em> (cf. Ev). Para eliminar a ignorância das Escritura, Deus enviou o diácono Filipe a um etíope (cf. Leit).</p>
<p>A <em>vida divina</em> que recebemos no Baptismo vai desenvolvendo-se graças aos alimentos da palavra de Deus e da Eucaristia. Temos muita necessidade de ambos.</p>
<p>6ª Feira, 11-IV: Frutos da Comunhão.</p>
<p><em>Act</em> 9, 1-20 / <em>Jo</em> 6, 52-59</p>
<p>Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele.</p>
<p>A Comunhão <em>aumenta a união com Cristo</em> (cf. Ev). Jesus quer associar a sua vida à nossa de um novo modo: é uma comunhão misteriosa e real entre o seu Corpo e o nosso.</p>
<p>Mas a Comunhão também tem como efeito a <em>unidade do Corpo Místico</em>. Foi uma das verdades fundamentais, descoberta por S. Paulo, no momento da sua conversão (cf. Leit). Podemos ajudar os outros, vivendo fielmente os compromissos da nossa vocação cristã, rezando mais por todos, pedindo a conversão dos pecadores, etc.</p>
<p>Sábado, 12-IV: Unidade da Palavra e do Pão.</p>
<p><em>Act</em> 9, 31-42 / <em>Jo</em> 6, 0-69</p>
<p>As palavras que eu vos disse são espírito e vida. Mas entre vós há alguns que não acreditam.</p>
<p>Muitos acreditaram e se converteram ao Senhor, quando presenciaram os dois milagres realizados por Pedro (cf. Leit). Mas com o anúncio da Eucaristia muitos se afastaram (cf. Ev).</p>
<p>Na Missa existe uma <em>unidade de duas mesas</em>: a da Palavra e a do Pão. Manifestemos a nossa fé em ambas, aproximando-nos. E que a <em>Palavra</em> seja uma orientação para a nosso comportamento; e que a <em>Comunhão</em> nos comunique a vida divina e nos dê forças para tudo o que tivermos que fazer.</p>
<p>Celebração e Homilia:           JOSÉ ROQUE</p>
<p>Nota Exegética:                    GERALDO MORUJÃO</p>
<p>Homilias Feriais:                 NUNO ROMÃO    	</p>
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]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Homilia do D. Henrique Soares da Costa – III Domingo de Páscoa – Ano A</title>
		<link>https://presbiteros.org.br/homilia-do-d-henrique-soares-da-costa-iii-domingo-de-pascoa-ano-a-2/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Pe. Demétrio Gomes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 13 Apr 2026 14:08:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Homilias]]></category>
		<category><![CDATA[Homilias Dominicais]]></category>
		<category><![CDATA[Subsídios Litúrgicos]]></category>
		<category><![CDATA[iii domingo da pascoa ano a 2026]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://presbiteros.org.br/?p=23398</guid>

					<description><![CDATA[<p>At 2,14.22-33 Sl 15 1Pd 1,17-21 Lc 24,13-35 No Tempo Pascal, a Igreja vive, celebra e testemunha sua certeza, aquela convicção que a faz existir e sem a qual ela não teria sentido neste mundo: “Jesus de Nazaré foi um homem aprovado por Deus pelos milagres, prodígios e sinais que Deus realizou por meio dele entre [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">At 2,14.22-33</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">Sl 15</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">1Pd 1,17-21</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">Lc 24,13-35</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No Tempo Pascal, a Igreja vive, celebra e testemunha sua certeza, aquela convicção que a faz existir e sem a qual ela não teria sentido neste mundo: </span><i><span style="font-weight: 400;">“Jesus de Nazaré foi um homem aprovado por Deus pelos milagres, prodígios e sinais que Deus realizou por meio dele entre vós. Deus, em seu desígnio e previsão, determinou que Jesus fosse entregue nas mãos dos ímpios e vós o matastes pregando numa Cruz… Deus ressuscitou este mesmo Jesus e disto todos nós somos testemunhas. Exaltado pela Direita de Deus, Jesus recebeu o Espírito Santo prometido e o derramou…”</span></i><span style="font-weight: 400;"> Este é o núcleo da nossa fé, o fundamento da nossa esperança, a inspiração para a nossa vida e nossa ação, isto é, para nossas atitudes concretas, nossa vida moral.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na Liturgia da Palavra deste Domingo, o encontro de Emaús sintetiza muito bem a experiência cristã. Prestemos atenção, porque é de nós que fala o Evangelho de hoje! O que há aí? Há, primeiramente o caminho – aquele da vida: aí, os discípulos conversavam sobre todas as coisas que tinham acontecido com Jesus. Mas, os acontecimentos, lidos somente à nossa luz, segundo a nossa razão e os nossos critérios, são opacos, são tantas e tantas vezes, sem sentido… Por isso, no coração e no rosto daqueles dois havia tristeza e escuridão; eles estavam cegos e tristes… Dominava-os o desânimo e a incerteza: esperaram tanto e, agora, só restava um túmulo vazio… Mas, à luz do Ressuscitado – quando o experimentamos vivo entre nós – tudo muda, absolutamente. Primeiro o coração arde no nosso peito. Arde com a alegria e o calor de quem vê um sentido – e um sentido de amor e de vida – para os acontecimentos da existência, mesmo os mais sombrios: </span><i><span style="font-weight: 400;">“Não era necessário que o Cristo sofresse tudo isso para entrar na glória?”</span></i><span style="font-weight: 400;"> Que palavras impressionantes! São as mesmas dos Atos dos Apóstolos, na primeira leitura: </span><i><span style="font-weight: 400;">“Deus em seu desígnio e previsão, determinou que Jesus fosse entregue…”</span></i><span style="font-weight: 400;"> Aqui, compreendamos bem: só na fé se pode penetrar o mistério e ultrapassar o absurdo! Então, com Jesus, na sua luz, os olhos nossos se abrem e reconhecemos Jesus, experimentamo-lo vivo, próximo, como Senhor, que dá orientação, sustento e sentido à nossa vida! Sentimos, então, a necessidade de conviver e compartilhar com outros que fizeram a mesma experiência, todos reunidos em torno daqueles que o Senhor constituiu como primeiras testemunhas suas – os Apóstolos e seus sucessores, os Bispos em comunhão com o Sucessor de Simão, a quem o Senhor apareceu em primeiro lugar dentre os Apóstolos. É assim que somos cristãos; é assim que somos Igreja!</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esta é, portanto, a certeza dos cristãos, a nossa certeza! Hoje somos nós as testemunhas! Hoje somos nós quem devemos pedir: </span><i><span style="font-weight: 400;"> – “Fica conosco, Senhor!”</span></i><span style="font-weight: 400;"> Somente seremos cristãos de verdade se ficarmos com o Senhor que fica conosco, se o encontrarmos sempre na Palavra e no Pão eucarístico. Nunca esqueçamos: os discípulos sentiram o coração arder ao escutá-lo na Escritura e o reconheceram ao partir o Pão! Esta é a experiência dos cristãos de todos os tempos. João Paulo Magno, precisamente na sua Carta Apostólica Mane Nobiscum Domine, afirmava essa necessidade absoluta de Cristo, necessidade de voltar sempre a ele: </span><i><span style="font-weight: 400;">“Cristo está no centro não só da história da Igreja, mas também da história da humanidade. Tudo é recapitulado nele. Cristo é o fim da história humana, o ponto para onde tendem os desejos da história e da civilização, o centro do gênero humano, a alegria de todos os corações e a plenitude de suas aspirações. Nele, Verbo feito carne, revelou-se realmente não só o mistério de Deus, mas também o próprio mistério do homem. Nele, o homem encontra a redenção e a plenitude!” (n. 6)</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O mundo atual – e o mundo de sempre – deseja apontar outros caminhos de realização para o homem; outras possibilidades de vida… Os cristãos não se iludem! Sabemos onde está a nossa vida, sabemos onde encontrar o caminho e a verdade de nossa existência: em Cristo sempre presente na Palavra e na Eucaristia experimentadas na vida da Igreja! Repito: este é o centro da experiência cristã; e precisamente daqui brotam as exigências de coerência de nossa vida: </span><i><span style="font-weight: 400;">“Fostes resgatados da vida fútil, herdada de vossos pais, não por meio de coisas perecíveis, como a prata e o ouro, mas pelo precioso sangue de Cristo, como de um Cordeiro sem mancha e sem defeito. Antes da criação do mundo ele foi destinado para isso, e neste final dos tempos, ele apareceu por amor de vós!”</span></i><span style="font-weight: 400;"> Eis, que mistério! Antes do início do mundo o Pai nos tinha preparado este Cordeiro imolado, para que nele encontrássemos a vida e a paz! Por ele alcançamos a fé em Deus; por ele, nossa vida ganhou um novo sentido; por ele, não mais pensamos, vivemos e agimos como o mundo das trevas! E porque Deus o ressuscitou dos mortos e lhe deu a glória, a nossa fé e a nossa esperança estão em Deus, estão firmadas na Rocha! </span><i><span style="font-weight: 400;">“Vivei, pois, respeitando a Deus durante o tempo da vossa migração neste mundo!”</span></i><span style="font-weight: 400;"> Vivamos para Deus e manifestemos isso pelo nosso modo de pensar, falar, agir e viver!</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Irmãos! Irmãs! Não tenhais medo de colocar em Cristo toda a vossa vida e toda a vossa esperança! É ele quem nos fala agora, na Palavra, e agora mesmo, para que nossos olhos se abram e o reconheçamos, ele mesmo nos partirá o Pão. A ele a glória pelos séculos! Amém.</span></p>
<p style="text-align: right;"><b style="color: var(--adminprimarycolor); font-family: var(--fontFamily); font-size: var(--fontSize); letter-spacing: var(--letterSpacing); text-transform: var(--textTransform); background-color: var(--background-color);">Henrique Soares da Costa</b></p>
<p>O post <a href="https://presbiteros.org.br/homilia-do-d-henrique-soares-da-costa-iii-domingo-de-pascoa-ano-a-2/">Homilia do D. Henrique Soares da Costa – III Domingo de Páscoa – Ano A</a> apareceu primeiro em <a href="https://presbiteros.org.br">Presbíteros</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Homilia de Dom José Maria Pereira – III Domingo de Páscoa – Ano A</title>
		<link>https://presbiteros.org.br/homilia-de-dom-jose-maria-pereira-iii-domingo-de-pascoa-ano-a/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Pe. Demétrio Gomes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 13 Apr 2026 14:05:37 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Homilias]]></category>
		<category><![CDATA[Homilias Dominicais]]></category>
		<category><![CDATA[Subsídios Litúrgicos]]></category>
		<category><![CDATA[iii domingo da pascoa ano a 2026]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Emaús: Um Encontro Transformador com o Ressuscitado! O Texto do Evangelho (Lc 24, 13 – 35) refere-se à célebre narração dos discípulos de Emaús. Conta que dois seguidores de Cristo, os quais, no dia depois do sábado, isto é, o terceiro após a sua morte, tristes e abatidos, deixaram Jerusalém e dirigiam-se para uma aldeia, [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Emaús: Um Encontro Transformador com o Ressuscitado!</strong></p>
<p>O Texto do Evangelho (Lc 24, 13 – 35) refere-se à célebre narração dos discípulos de Emaús.<br />
Conta que dois seguidores de Cristo, os quais, no dia depois do sábado, isto é, o terceiro após a<br />
sua morte, tristes e abatidos, deixaram Jerusalém e dirigiam-se para uma aldeia, pouco<br />
distante, chamada Emaús. Ao longo do caminho, aproximou-se deles Cristo Ressuscitado, mas<br />
eles não O reconheceram. Vendo-os aflitos, Jesus explicou, com base nas Escrituras, que o<br />
Messias tinha que sofrer e morrer para alcançar a sua Glória. Depois, entrou com eles em casa,<br />
sentou-se à mesa, abençoou o pão e partiu-o, e, nesse momento, reconheceram-no, mas ele<br />
desapareceu, deixando-os cheios de admiração diante daquele Pão partido, novo sinal da sua<br />
Presença. Imediatamente, os dois voltaram para Jerusalém e contaram o que tinha acontecido<br />
aos outros discípulos.</p>
<p>Ao longo da conversa com Jesus, os discípulos passam da tristeza à alegria, recuperam a<br />
esperança e, com isso, o afã de comunicar a alegria que há nos seus corações, tornando-se,<br />
deste modo, anunciadores e testemunhas de Cristo Ressuscitado. Este episódio mostra as<br />
consequências que Jesus Ressuscitado realiza nos dois discípulos: conversão do desespero em<br />
esperança; conversão da tristeza em alegria; e, também, conversão à vida comunitária. Às<br />
vezes, quando se fala de conversão, pensa-se unicamente no seu aspecto cansativo, de<br />
desapego e renúncia. Ao contrário, a conversão cristã é também, e sobretudo, fonte de<br />
alegria, de esperança e de amor. Ela é sempre obra de Cristo Ressuscitado, Senhor da vida, que<br />
nos obteve esta graça por meio da sua Paixão e no-la comunica em virtude da sua<br />
Ressurreição.</p>
<p>Jesus caminha junto daqueles dois homens que perderam quase toda a esperança, de modo<br />
que a vida começa a parecer-lhes sem sentido. Compreende a sua dor, penetra nos seus<br />
corações, comunica-lhes algo da vida que nele habita. “Quando, ao chegar àquela aldeia, Jesus<br />
faz menção de seguir o caminho; porém os discípulos insistiram com Jesus para que Ele ficasse<br />
com eles. Reconhecem-no depois ao partir o pão: O Senhor, exclamam, esteve conosco! Então<br />
um disse ao outro: ‘“Não estava ardendo o nosso coração quando Ele nos falava pelo caminho,<br />
e nos explicava as Escrituras?’ (Lc 24,32). Cada cristão deve tornar Cristo presente entre os<br />
homens; deve viver de tal maneira que todos com quem tem contato sintam o bom odor de<br />
Cristo (2 Cor 24,32); o bom odor de Cristo deve atuar de forma que, através das ações do<br />
discípulo, se possa descobrir o rosto do Mestre” (Cristo que passa, nº 105).</p>
<p>A conversa dos dois discípulos com Jesus, a caminho de Emaús, resume perfeitamente a<br />
desilusão dos que tinham seguido o Senhor, diante do aparente fracasso que representava<br />
para eles a Sua morte.</p>
<p>A localidade de Emaús não foi identificada com certeza. Existem várias hipóteses, e isso é<br />
sugestivo, porque nos deixa pensar que Emaús representa, na realidade, todos os lugares: a<br />
estrada que nos conduz é o caminho de todos os cristãos, aliás, de todos os homens. Nas<br />
nossas estradas, Jesus Ressuscitado faz-se companheiro de viagem, para reavivar, nos nossos<br />
corações, o calor da fé e da esperança e partir o Pão da Vida Eterna. No diálogo dos discípulos<br />
com o peregrino desconhecido, impressiona a expressão que o evangelista Lucas coloca nos<br />
lábios de um deles: “Nós esperávamos…” (Lc 24, 21). Este verbo, no passado, diz tudo:<br />
Acreditamos, seguimos, esperamos…, mas acabou. Também Jesus de Nazaré, que se mostrou</p>
<p>um profeta poderoso em obras e em palavras, falhou, e nós ficamos desiludidos. Esse drama<br />
dos discípulos de Emaús surge como um espelho da situação de muitos cristãos de nosso<br />
tempo: parece que a esperança da fé tenha falhado. A própria fé entra em crise, por causa de<br />
experiências negativas que nos fazem sentir abandonados pelo Senhor. Contudo, esta estrada<br />
para Emaús, na qual caminhamos, pode tornar-se uma via de purificação e maturação do<br />
nosso crer em Deus. Também hoje podemos entrar em diálogo com Jesus, escutando a sua<br />
Palavra. Também hoje Ele parte o Pão por nós e doa-se a Si mesmo como nosso Pão. Dessa<br />
maneira, o encontro com Cristo Ressuscitado, que é possível também hoje, doa-nos uma fé<br />
mais profunda e autêntica, harmonizada, por assim dizer, através do fogo do Evento pascal;<br />
uma fé robusta porque se alimenta não com ideias humanas, mas com a Palavra de Deus e a<br />
sua Presença Real na Eucaristia. É preciso sentar-se à mesa com o Senhor, tornar-se seus<br />
comensais, para que a sua Presença humilde, no Sacramento do Seu Corpo e do Seu Sangue,<br />
restitua-nos o olhar da fé, para vermos tudo e todos com os olhos de Deus, na luz do seu<br />
Amor. Estar com Jesus, que permaneceu conosco, assimilar o seu estilo de vida doada,<br />
escolher com Ele a lógica da comunhão entre nós, da solidariedade e da partilha. A Eucaristia é<br />
a máxima expressão da doação que Jesus faz de Si mesmo e é um convite constante a viver a<br />
nossa existência na lógica eucarística, como um dom a Deus e ao próximo.<br />
Jesus, em resposta ao desalento dos discípulos, vai, pacientemente, descobrindo-lhes o<br />
sentido de toda a Sagrada Escritura, acerca do Messias: “Não era preciso que o Cristo<br />
padecesse estas coisas e assim entrasse na Sua glória?” Com essas palavras o Senhor desfaz a<br />
ideia que ainda poderiam ter de um Messias terreno e político, fazendo-lhes ver que a missão<br />
de Cristo é sobrenatural: a salvação do gênero humano.</p>
<p>Na Sagrada Escritura, estava anunciado que o plano salvador de Deus se realizaria por meio da<br />
Paixão e Morte redentora do Messias. A Cruz não é um fracasso, mas o caminho querido por<br />
Deus para o triunfo definitivo de Cristo sobre o pecado e sobre a morte (1 cor 1, 23-24).</p>
<p>A presença e a palavra do Mestre recuperam esses discípulos desanimados, e acendem neles<br />
uma esperança nova e definitiva: “Iam os dois discípulos para Emaús. O seu caminho era<br />
normal, como o de tantas outras pessoas que passavam por aquelas estradas. E aí, com<br />
naturalidade, aparece-lhes Jesus e vai com eles, com uma conversa que diminui a fadiga.</p>
<p>Termina o trajeto ao chegar à aldeia e aqueles dois que, sem o saberem, tinham sido feridos<br />
no fundo do coração pela Palavra e pelo Amor de Deus feito homem, têm pena de que Ele se<br />
vá embora. Porque Jesus se despede como quem vai para mais longe (Lc 24,28). Nosso Senhor<br />
nunca se impõe! Quer que O chamemos livremente, desde que entrevimos a pureza do Amor<br />
que nos colocou na alma. Temos de detê-lO à força e pedir-lhe: fica conosco, pois já é tarde e a<br />
noite vem chegando (Lc 24,29).</p>
<p>Somos assim: sempre pouco atrevidos, talvez por falta de sinceridade, talvez por pudor. No<br />
fundo, pensamos: fica conosco, porque as trevas nos rodeiam a alma e só Tu és luz, só Tu<br />
podes acalmar esta ânsia que nos consome! Porque entre as coisas belas, honestas, não<br />
ignoramos qual é a primeira: possuir sempre Deus (São Gregório Nazianzeno).</p>
<p>Depois da escuta da Palavra e o partir o Pão, os discípulos de Emaús sentem agora a urgência<br />
de voltar a Jerusalém! Partem logo para anunciar a descoberta aos irmãos e, junto com eles,<br />
proclamam a fé: “ O Senhor ressuscitou!” É o impulso à Missão. Os dois discípulos sentem a<br />
necessidade de regressar a Jerusalém e de contar a extraordinária experiência que viveram: o<br />
encontro com o Senhor Ressuscitado. Há um grande esforço que deve ser realizado para que cada cristão se transforme em testemunha, pronta a anunciar com vigor e com alegria o<br />
acontecimento da Morte e da Ressurreição de Cristo.</p>
<p>Os discípulos dizem: “enquanto Ele nos falava, ardia o nosso coração!”<br />
A verdade é que, sem a Eucaristia, sem a Palavra, os outros nos cansam, assustam-nos. Com a<br />
Palavra e com o partir o Pão, reconhecemos que Cristo está no próximo. Reconhecemos que<br />
Cristo está do nosso lado, e a presença dele é capaz de reanimar-nos.</p>
<p>Quando Jesus Cristo saiu, os discípulos levantaram-se e foram correndo contar a boa nova<br />
para os outros discípulos!  São João Paulo II disse: “Os discípulos de Emaús, repletos de<br />
esperança e de alegria por terem reconhecido o Senhor “na fração do pão”, regressaram a<br />
Jerusalém sem hesitações para narrar aos irmãos aquilo que acontecera ao longo do<br />
caminho”. Todos nós somos convidados a dar testemunho da Ressurreição de Cristo pela<br />
Eucaristia que comungamos. Essa é a missão e o compromisso que temos por ser Igreja e<br />
tomarmos parte da mesa do Senhor. Missa, que significa missão, é o envio do batizado, pela<br />
Igreja, a proclamar que Cristo vive e reina.</p>
<p>Este maravilhoso texto evangélico já contém a estrutura da Santa Missa: na primeira parte, a<br />
escuta da Palavra através das Sagradas Escrituras; na segunda, a Liturgia Eucarística e a<br />
comunhão com Cristo presente no Sacramento do seu Corpo e do seu Sangue. Ao alentar-se<br />
nesta dúplice mesa, a Igreja edifica-se incessantemente e renova-se, dia após dia, na fé, na<br />
esperança e na caridade.</p>
<p>Aceitemos o convite do Apóstolo São Pedro: “Vivei respeitando a Deus durante o tempo de<br />
vossa migração neste mundo” (1Pd 1, 17); convite que se concretiza numa vida vivida<br />
intensamente nos caminhos do nosso mundo, conscientes da meta que devemos alcançar: a<br />
unidade com Deus, em Cristo crucificado e ressuscitado. De fato, a nossa fé e a nossa<br />
esperança estão colocadas em Deus (1Pd 1, 21): dirigidas para Deus, porque radicadas n’Ele,<br />
fundadas no seu amor e na sua fidelidade.</p>
<p>Diz Santo Agostinho: “Recordai, caríssimos, como o Senhor Jesus quis ser reconhecido ao partir<br />
o pão por aqueles cujos olhos eram incapazes de reconhecê-lo. Os fiéis compreendem o que<br />
quero dizer, pois eles, também, reconhecem a Cristo na fração do pão. Porque não é qualquer<br />
pão que se converte no corpo de Cristo, mas somente o que recebe a bênção de Cristo”.</p>
<p>Por intercessão de Maria Santíssima, rezemos a fim de que todos os cristãos e comunidades,<br />
ao reviver a experiência dos discípulos de Emaús, redescubram a graça do encontro<br />
transformador com o Senhor Ressuscitado; pois, o Senhor Ressuscitado caminha conosco,<br />
ontem, hoje e sempre!</p>
<p style="text-align: right;"><strong>Dom José Maria Pereira</strong></p>
<p>O post <a href="https://presbiteros.org.br/homilia-de-dom-jose-maria-pereira-iii-domingo-de-pascoa-ano-a/">Homilia de Dom José Maria Pereira – III Domingo de Páscoa – Ano A</a> apareceu primeiro em <a href="https://presbiteros.org.br">Presbíteros</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>III Domingo da Páscoa &#8211; Ano A</title>
		<link>https://presbiteros.org.br/iii-domingo-da-pascoa-ano-a-3/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Pe. Demétrio Gomes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 13 Apr 2026 14:02:24 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Homilética]]></category>
		<category><![CDATA[Subsídios Litúrgicos]]></category>
		<category><![CDATA[iii domingo da pascoa ano a 2026]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://presbiteros.org.br/?p=23391</guid>

					<description><![CDATA[<p>Leituras e subsídios para liturgia e homilia do III Domingo da Páscoa (Ano A)</p>
<p>O post <a href="https://presbiteros.org.br/iii-domingo-da-pascoa-ano-a-3/">III Domingo da Páscoa &#8211; Ano A</a> apareceu primeiro em <a href="https://presbiteros.org.br">Presbíteros</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Leituras e subsídios para liturgia e homilia:</p>
<ul>
<li><a href="https://presbiteros.org.br/roteiro-homiletico-iii-domingo-de-pascoa-ano-a-2/">Roteiro Homilético</a></li>
<li><a href="https://presbiteros.org.br/comentario-exegetico-iii-domingo-da-pascoa-ano-a-2/">Comentário Exegético</a></li>
<li><a href="https://presbiteros.org.br/homilia-do-d-henrique-soares-da-costa-iii-domingo-de-pascoa-ano-a-2/">Homilia do D. Henrique Soares da Costa</a></li>
<li><a href="https://presbiteros.org.br/homilia-de-dom-jose-maria-pereira-iii-domingo-de-pascoa-ano-a/">Homilia de Dom José Maria Pereira</a></li>
<li><a href="https://presbiteros.org.br/preces-iii-domingo-da-pascoa-ano-a/">Preces</a></li>
</ul>
<p>O post <a href="https://presbiteros.org.br/iii-domingo-da-pascoa-ano-a-3/">III Domingo da Páscoa &#8211; Ano A</a> apareceu primeiro em <a href="https://presbiteros.org.br">Presbíteros</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Homilia do D. Anselmo Chagas de Paiva – II Domingo de Páscoa – Ano A</title>
		<link>https://presbiteros.org.br/homilia-do-d-anselmo-chagas-de-paiva-ii-domingo-de-pascoa-ano-a/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Pe. Demétrio Gomes]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 10 Apr 2026 15:07:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Homilias]]></category>
		<category><![CDATA[Homilias Dominicais]]></category>
		<category><![CDATA[Subsídios Litúrgicos]]></category>
		<category><![CDATA[ii domingo da pascoa ano a 2026]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://presbiteros.org.br/?p=23389</guid>

					<description><![CDATA[<p>Jesus aparece aos Apóstolos Jo 20,19-31 Caros irmãos e irmãs, Nestes dias a Igreja canta sua fé e a sua alegria pascal, porque celebramos a Ressurreição do Cristo Senhor. Ressoa ainda em nossos ouvidos o Salmo: “Este é o dia que o Senhor fez para nós, alegremo-nos e nele exultemos” (Sl 117,24). Cada domingo da [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://presbiteros.org.br/homilia-do-d-anselmo-chagas-de-paiva-ii-domingo-de-pascoa-ano-a/">Homilia do D. Anselmo Chagas de Paiva – II Domingo de Páscoa – Ano A</a> apareceu primeiro em <a href="https://presbiteros.org.br">Presbíteros</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><strong><i>Jesus aparece aos Apóstolos</i></strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Jo 20,19-31</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Caros irmãos e irmãs,</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nestes dias a Igreja canta sua fé e a sua alegria pascal, porque celebramos a Ressurreição do Cristo Senhor. Ressoa ainda em nossos ouvidos o Salmo: “Este é o dia que o Senhor fez para nós, alegremo-nos e nele exultemos” (Sl 117,24). </span><span style="font-weight: 400;">Cada domingo da Páscoa se reveste de uma solenidade especial, com leituras apropriadas, ressaltando o importante momento litúrgico.  E neste domingo, a primeira leitura nos apresenta um significativo trecho do Livro dos Atos dos Apóstolos, onde sintetiza o estilo de vida dos primeiros cristãos: comunidade de fé, comunidade de vida, comunidade de oração e ainda descreve os primeiros tempos da Igreja</span><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">como comunidade da Palavra e da Eucaristia:  “Eram assíduos ao ensino dos Apóstolos, à união fraterna e à fração do pão” (At 2,42), costume que se perpetua até os nossos dias.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em cada domingo, somos chamados a imitar estes exemplos dos primeiros cristãos e nos reunimos para ouvir os ensinamentos dos apóstolos e para participar na fração do pão e na oração comum.  Que possamos continuar sendo esta comunidade fraterna e reunida em seu nome, para que o próprio Cristo possa estar no meio de nós.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="font-weight: 400;">O Evangelho nos apresenta as duas aparições de Jesus aos seus discípulos: uma na tarde do dia da Ressurreição, e a outra, oito dias depois. O texto que nos é proposto está dividido em duas partes bem distintas. Na primeira parte (v. 19-23), descreve-se uma “aparição” de Jesus aos discípulos. Pode-se observar em um primeiro momento a situação de insegurança e de fragilidade em que a comunidade estava: o “anoitecer”, as “portas fechadas”, o “medo”, e Jesus aparece no meio deles, “no centro” (v. 19). Ao aparecer “no meio deles”, Jesus assume-se como ponto de referência como um fator de unidade.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os discípulos estão reunidos ao seu redor, pois ele é o centro onde todos vão buscar as forças necessárias para que possam vencer o “medo” e a hostilidade do mundo.  A estes discípulos, enfraquecidos pelo medo, ao anoitecer, sinal de trevas de um mundo indiferente, Jesus transmite duplamente a paz (v. 19 e 21).  É o “shalom” hebraico, que tem o sentido de harmonia, serenidade, tranquilidade, confiança. Assegura-se, assim, aos discípulos que ele venceu aquilo que o assustava, ou seja, a morte, a opressão, a apatia do mundo; e que, de agora em diante, os discípulos não têm razão para ter medo. Jesus já havia dito muitas vezes a eles: “Não tenhais medo”.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em seguida (v. 22), vimos que Jesus “soprou” sobre os discípulos reunidos à sua volta. O verbo aqui utilizado é o mesmo do texto de Gn 2,7, quando se diz que Deus soprou sobre o homem de argila, infundindo-lhe a vida. Com o “sopro” de Gn 2,7, o homem tornou-se um ser vivente.  Ao soprar sobre os Apóstolos, Jesus transmite a eles a vida nova que os fará homens novos. Com isto, eles passam a ser portadores do Espírito Santo, a vida de Deus, para poderem, como Jesus, doar-se também aos outros. </span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na segunda parte do Evangelho (vv. 24-29), encontramos uma catequese sobre a fé, onde o apóstolo Tomé faz uma experiência de Cristo vivo.  O texto nos faz rever a experiência do encontro dos apóstolos com o Cristo ressuscitado, que aparece no cenáculo, na noite do mesmo dia da ressurreição, “o primeiro da semana”, e sucessivamente “oito dias depois” (cf. Jo 20,19.26). Aquele dia, chamado posteriormente de “domingo”, que quer dizer “dia do Senhor”, o dia em que a comunidade cristã se reúne para celebrar a Eucaristia. Com efeito, com a celebração do Dia do Senhor os primeiros cristãos iniciam um culto diverso em relação ao sábado judaico.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em cada Celebração Eucarística temos um encontro com o Senhor Ressuscitado, que torna-se realmente presente no meio da comunidade, fala-nos nas Sagradas Escrituras e parte para nós o Pão de vida eterna. Através destes sinais nós vivemos a mesma experiência dos apóstolos, isto é, o fato de ver Jesus e ao mesmo tempo de não o reconhecer; de tocar o seu corpo e estar em comunhão com Ele.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="font-weight: 400;">O texto evangélico nos diz que Jesus “apareceu”; ou seja, ele “deixou-se ver”.  Na verdade, depois da ressurreição, Jesus pertence a uma esfera da realidade, que normalmente se subtrai aos nossos sentidos.  Não pertence mais ao mundo perceptível com os sentidos, mas ao mundo de Deus.  Por conseguinte, só pode vê-lo aquele a quem ele próprio o concede.   Ele deixa as suas chagas serem tocadas por Tomé, todavia, Ele não é um homem que voltou a ser como antes da morte.  Impressiona, acima de tudo, o fato de os discípulos, em certas aparições, em um primeiro momento não o reconhecerem.  Isto acontece não só aos discípulos de Emaús, mas também a Maria Madalena e, depois, uma vez mais, junto do mar de Tiberíades.  Em outras palavras trata-se de um reconhecer a partir de dentro.  </span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="font-weight: 400;">Jesus chega estando as portas fechadas, apresenta-se de improviso no meio dos apóstolos, atingidos pelo medo.  E, correlativamente, desaparece, como no fim do encontro com os discípulos de Emaús. Jesus aparece plenamente corpóreo, mas não está ligado às leis da corporeidade e liberdade dos vínculos do corpo, manifesta-se a essência peculiar, misteriosa, da nova existência do Ressuscitado.  Com efeito, ele é o mesmo, ou seja, Homem de carne e osso, e Ele é também o novo, aquele que entrou em um gênero diverso de existência.  O fato é que Jesus é verdadeiramente homem; e como homem, Ele sofreu e morreu; agora vive de modo novo na dimensão do Deus vivo; aparece como verdadeiro homem, todavia, a partir de Deus: e ele mesmo é Deus.   Jesus não voltou à existência empírica, sujeita à lei da morte, mas ele vive de modo novo na comunhão com Deus (cf. BENTO PP XVI, </span><i><span style="font-weight: 400;">Jesus de Nazaré: Da entrada em Jerusalém até a Ressurreição</span></i><span style="font-weight: 400;">, Rio de Janeiro, 2011, p. 238).  </span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="font-weight: 400;">É importante conhecermos alguns símbolos pascais, que se revestem de expressivos significados. Dentre estes símbolos, pode-se destacar o Círio Pascal, que </span><span style="font-weight: 400;">representa o Cristo ressuscitado, vencedor das trevas e da morte</span><i><span style="font-weight: 400;">.  </span></i><span style="font-weight: 400;">A palavra &#8220;círio&#8221; vem do latim &#8220;cereus&#8221;, que se pode traduzir por </span><i><span style="font-weight: 400;">de cera</span></i><span style="font-weight: 400;">. É o símbolo de Cristo &#8211; Luz -, e é colocado sobre uma coluna ou candelabro, devidamente ornamentado, até o dia de Pentecostes. Desde os primeiros séculos o Círio é um dos símbolos mais expressivos do Tempo Pascal. Nele encontramos uma inscrição em forma de cruz, acompanhada da data do ano em curso e das letras </span><i><span style="font-weight: 400;">Alfa</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Ômega</span></i><span style="font-weight: 400;">, a primeira e a última letra do alfabeto grego, para indicar que a Páscoa do Senhor Jesus, é o princípio e fim do tempo e da eternidade, e nos alcança com força sempre nova no ano concreto em que vivemos. O Círio Pascal tem ainda incrustados em sua cera cinco cravos de incenso que simbolizam as cinco chagas do Cristo.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma vez concluído o tempo Pascal, o Círio é conservado no batistério. É usado durante os batismos e nas exéquias, para ressaltar o princípio e o fim da vida temporal, para simbolizar que um cristão participa da luz de Cristo ao longo de todo o seu caminho terreno, como garantia de sua incorporação definitiva à Luz da vida eterna.  Além do simbolismo da luz, o Círio Pascal tem também o marco de uma oferenda, como cera que se consome em honra de Deus, espalhando sua Luz.  A Ressurreição de Cristo nos faz lembrar que também devemos ser luz, a fim de levarmos a luz aos outros.  Para isso, devemos estar unidos a Cristo, como diz São Paulo: Instaurar todos em Cristo (Ef 1,10).</span><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="font-weight: 400;">Contudo, possamos todos nós fazer esta mesma experiência de Tomé e, com ele, coloquemos também as nossas mãos no lado traspassado de Jesus e professemos: “Meus Senhor e meu Deus” (Jo 20,28).</span><span style="font-weight: 400;">  </span><span style="font-weight: 400;">Que possamos reconhecer no Cristo Ressuscitado o nosso Senhor e o nosso Deus, assim como fizeram também muitos santos, que souberam edificar a Igreja com o testemunho de fé, de amor e de coragem, e anunciaram Jesus Cristo com os seus ensinamentos e com o testemunho de vida. Que eles possam interceder por nós, para que possamos também, sem cessar, buscar a santidade e continuar a nossa peregrinação a caminho da pátria celeste.  Assim seja. </span></p>
<p style="text-align: right;"><strong>Anselmo Chagas de Paiva, OSB<br />
Mosteiro de São Bento/RJ</strong></p>
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]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Roteiro Homilético – II Domingo de Páscoa – Ano A</title>
		<link>https://presbiteros.org.br/roteiro-homiletico-ii-domingo-de-pascoa-ano-a-2/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Pe. Demétrio Gomes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 06 Apr 2026 13:34:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Roteiros Homiléticos]]></category>
		<category><![CDATA[Subsídios Litúrgicos]]></category>
		<category><![CDATA[ii domingo da pascoa ano a 2026]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>RITOS INICIAIS 1 Pedro 2, 2 ANTÍFONA DE ENTRADA: Como crianças recém-nascidas, desejai o leite espiritual, que vos fará crescer e progredir no caminho da salvação. Aleluia. Ou: 4 Es 2, 36–37 Exultai de alegria, cantai hinos de glória. Dai graças a Deus, que vos chamou ao reino eterno. Aleluia. Diz–se o Glória. Introdução ao espírito da Celebração Celebramos em [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2>RITOS INICIAIS</h2>
<p>1 <em>Pedro</em> 2, 2</p>
<p>ANTÍFONA DE ENTRADA: Como crianças recém-nascidas, desejai o leite espiritual, que vos fará crescer e progredir no caminho da salvação. Aleluia.</p>
<p>Ou:</p>
<p>4 <em>Es</em> 2, 36–37</p>
<p>Exultai de alegria, cantai hinos de glória. Dai graças a Deus, que vos chamou ao reino eterno. Aleluia.</p>
<p>Diz–se o Glória.</p>
<h3>Introdução ao espírito da Celebração</h3>
<p>Celebramos em cada domingo a Páscoa do Senhor, a Sua Morte e Ressurreição.</p>
<p>Jesus quis aparecer aos Apóstolos no domingo de Páscoa e no de Pascoela, marcando o ritmo da celebração pascal para os discípulos e para os cristãos de todos os tempos.</p>
<p>Alegremo-nos, porque o Senhor ressuscitado está aqui no meio de nós como esteve no Cenáculo.</p>
<p>Irmãos, peçamos perdão dos nossos pecados, pois são os que dEle nos separam.</p>
<p>ORAÇÃO COLECTA: Deus de eterna misericórdia, que reanimais a fé do vosso povo na celebração anual das festas pascais, aumentai em nós os dons da vossa graça, para compreendermos melhor as riquezas inesgotáveis do Baptismo com que fomos purificados, do Espírito em que fomos renovados e do Sangue com que fomos redimidos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.</p>
<h2>LITURGIA DA PALAVRA</h2>
<h3>Primeira Leitura</h3>
<p><strong>Monição:</strong> O livro dos Actos dos Apóstolos conta-nos neste trecho a vida dos primeiros cristãos de Jerusalém. São exemplo para todos fixarmos e imitarmos.</p>
<p><em><strong>Actos</strong> 2, 42–47</em></p>
<p><em><strong><sup>42</sup>Os irmãos eram assíduos ao ensino dos Apóstolos, à comunhão fraterna, à fracção do pão e às orações. <sup>43</sup>Perante os inumeráveis prodígios e milagres realizados pelos Apóstolos, toda a gente se enchia de temor.<sup>44</sup>Todos os que haviam abraçado a fé viviam unidos e tinham tudo em comum. <sup>45</sup>Vendiam propriedades e bens e distribuíam o dinheiro por todos, conforme as necessidades de cada um. <sup>46</sup>Todos os dias frequentavam o templo, como se tivessem uma só alma, e partiam o pão em suas casas; tomavam o alimento com alegria e simplicidade de coração, <sup>47</sup>louvando a Deus e gozando da simpatia de todo o povo. E o Senhor aumentava todos os dias o número dos que deviam salvar–se.</strong></em></p>
<p>Esta é a primeira das três maiores «descrições sumárias» de Actos da primitiva comunidade cristã de Jerusalém. As outras duas mais desenvolvidas estão em Act 4, 32-35; e 5, 12-16. Nestas descrições focam-se três aspectos da vida dos primeiros cristãos de Jerusalém: a sua vida religiosa, o cuidado dos pobres e os prodígios realizados pelos Apóstolos, insistindo-se ora num, ora noutro aspecto; aqui insiste-se na vida religiosa. Os relatos sumários são breves resumos da vida da Igreja, que não se reduzem a estes três relatos maiores. Os críticos vêem nalguns deles uma descrição um tanto idealizada, pois é feito um juízo global a partir de casos concretos, como quando se diz que ninguém tinha nada seu (4, 42), ou que todos eram curados (5, 16), etc. A credibilidade do conteúdo destes sumários é no entanto confirmada pelo facto de que a clara <em>visão idílica</em> de alguns elementos não leva o autor a deformar a realidade, pois não esconde acontecimentos que podiam embaciar essa visão tão optimista (por ex., o caso de Ananias e de Safira, em Act 5, 1-11).</p>
<p><strong>42</strong> «O<em> ensino dos Apóstolos».</em> Os Apóstolos não se limitavam a pregar o primeiro anúncio <em>(kérigma),</em> em ordem à conversão inicial e ao Baptismo (cf. Act 2, 14-41); dedicavam-se também a uma instrução catequética dos que já tinham a fé.</p>
<p><em>«A comunhão fraterna»,</em> isto é, havia uma grande unidade de espíritos e de corações <em>(«um</em><em> só coração e urna só alma» </em>Act 4, 32); a tradução latina da Vulgata interpretou a expressão no sentido da comunhão eucarística <em>(«comunhão</em><em> da fracção do pão»), </em>uma vez que, de facto, este Sacramento é o fundamento da união de todos os cristãos entre si: 1 Cor 10, 17.</p>
<p><em>«Fracção do pão»:</em> <em>partir do pão </em>era o nome primitivo dado à celebração da Eucaristia, um nome tirado do gesto de Jesus de partir o pão na Última Ceia. Com toda a probabilidade, temos aqui uma referência à celebração eucarística, designada desta maneira em 1 Cor 10, 16-17 e Act 20, 7.</p>
<p><strong>44</strong> «<em>Tinham tudo em comum». </em>Esta atitude extraordinariamente generosa ficou para sempre como um luminoso exemplo de como «compartilhar com os outros é uma atitude cristã fundamental… Os primeiros cristãos puseram em prática espontaneamente o princípio segundo o qual os bens deste mundo são destinados pelo Criador à satisfação das necessidades de todos sem excepção» (Paulo VI). Esta atitude cristã nada tem que ver com a colectivizarão de toda a propriedade privada imposta por um estado totalitário, pois aqui era respeitada a liberdade individual, podendo não se pôr tudo em comum, por isso em Actos se louva o gesto de Barnabé (Act 4, 36-37) e se censura a fraude de Ananias (Act 5, 4). Daqui se conclui que o «<em>todos» </em>do texto é uma generalização.</p>
<p><strong>46</strong> No princípio, os cristãos de Jerusalém continuavam a participar nos actos de culto judaico, acrescentando a essas práticas um novo rito que celebravam nas casas particulares: a Eucaristia, que, como é óbvio, não podiam celebrar no Templo. O original grego sugere mesmo que esta se celebrava, ora numa casa, ora noutra. Pode-se perguntar se a celebrariam diariamente. Não é certo, mas a sua celebração no «primeiro dia da semana» consta-nos de Act 20, 7.11; 1 Cor 16, 2; cf. <em>Didaquê,</em> 14, 1, dia que já na época apostólica se começa a chamar «dia do Senhor», isto é, Domingo (cf. Apoc 1, 10).</p>
<p><em>«Com alegria». </em>S. Lucas sublinha frequentemente esta alegria dos primeiros cristãos: (Act 5, 41; 8, 8.39; 13, 48-52; 15, 3; 16, 34), bem como o tom de louvor que havia na sua vida de oração (v. 47; cf. 3, 8.9; 4, 21; 10, 46; 11, 18; 13, 48; 19, 17; 21, 20).</p>
<h3><strong>Salmo Responsorial</strong> <em>Sl</em> 117 (118), 2–4.13–15.22–24 (R. 1)</h3>
<p><strong>Monição:</strong> O salmo 117 convida-nos a encher-nos da alegria pascal, a viver o dia que o Senhor fez, a celebrar a vitória de Jesus.</p>
<p><strong>Refrão:</strong> <em>DAI GRAÇAS AO SENHOR, PORQUE ELE É BOM, PORQUE É ETERNA A SUA MISERICÓRDIA.</em></p>
<p>Ou:                <em>ACLAMAI O SENHOR, PORQUE ELE É BOM:  O SEU AMOR É PARA SEMPRE.</em></p>
<p>Ou:              <em> ALELUIA.</em></p>
<p><em><strong>Diga a casa de Israel:</strong></em></p>
<p><em><strong>é eterna a sua misericórdia.</strong></em></p>
<p><em><strong>Diga a casa de Aarão:</strong></em></p>
<p><em><strong>é eterna a sua misericórdia.</strong></em></p>
<p><em><strong>Digam os que temem o Senhor:</strong></em></p>
<p><em><strong>é eterna a sua misericórdia.</strong></em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em><strong>Empurraram–me para cair,</strong></em></p>
<p><em><strong>mas o Senhor me amparou.</strong></em></p>
<p><em><strong>O Senhor é a minha fortaleza e a minha glória,</strong></em></p>
<p><em><strong>foi Ele o meu Salvador.</strong></em></p>
<p><em><strong>Gritos de júbilo e de vitória nas tendas dos justos:</strong></em></p>
<p><em><strong>a mão do Senhor fez prodígios.</strong></em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em><strong>A pedra que os construtores rejeitaram</strong></em></p>
<p><em><strong>tornou–se pedra angular.</strong></em></p>
<p><em><strong>Tudo isto veio do Senhor:</strong></em></p>
<p><em><strong>é admirável aos nossos olhos.</strong></em></p>
<p><em><strong>Este é o dia que o Senhor fez:</strong></em></p>
<p><em><strong>exultemos e cantemos de alegria.</strong></em></p>
<h3>Segunda Leitura</h3>
<p><strong>Monição:</strong> S.Pedro lembra-nos que a fé nos enche de alegria já neste mundo, mesmo no meio das provações.</p>
<p><em>1 <strong>São Pedro</strong> 1, 3–9</em></p>
<p><em><strong><sup>3</sup>Bendito seja Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, que, na sua grande misericórdia, nos fez renascer, pela ressurreição de Jesus Cristo de entre os mortos, <sup>4</sup>para uma esperança viva, para uma herança que não se corrompe, nem se mancha, nem desaparece, reservada nos Céus para vós <sup>5</sup>que pelo poder de Deus sois guardados, mediante a fé, para a salvação que se vai revelar nos últimos tempos. <sup>6</sup>Isto vos enche de alegria, embora vos seja preciso ainda, por pouco tempo, passar por diversas provações, <sup>7</sup>para que a prova a que é submetida a vossa fé – muito mais preciosa que o ouro perecível, que se prova pelo fogo – seja digna de louvor, glória e honra, quando Jesus Cristo Se manifestar. <sup>8</sup>Sem O terdes visto, vós O amais; sem O ver ainda, acreditais n&#8217;Ele. E isto é para vós fonte de uma alegria inefável e gloriosa, <sup>9</sup>porque conseguis o fim da vossa fé, a salvação das vossas almas.</strong></em></p>
<p>Em todos os domingos pascais deste ano A vamos ter como 2ª leitura um trecho da 1ª Carta de Pedro. Estes vv. têm um certo aspecto de <em>hino trinitário</em> de sabor baptismal (v. 3): dão-se graças ao Pai (v. 3-5; cf. Ef 2, 4; Col 1, 12), pela obra salvadora do Filho (v. 6-9); a referência ao Espírito Santo é deixada fora da leitura de hoje (vv. 10-12).</p>
<p><strong>3-4</strong> «<em>Nos fez renascer pela Ressurreição».</em> A Ressurreição de Jesus, facto realmente sucedido «ao terceiro dia», tem uma dimensão existencial que nos afecta «hoje, agora»: pela união a Cristo ressuscitado, também nós ressuscitamos para uma vida nova (cf. Rom 6, 4-11), «<em>renascemos para uma esperança viva» </em>(cf. Jo 1, 13; 3, 5-7; Gal 6, 15; Tit 3, 5); é assim a esperança cristã, não uma mera utopia: o seu objecto material é a verdadeira vida, a vida eterna: «<em>uma herança que não se corrompe&#8230; herança reservada nos Céus para vós» </em>(vv. 3-4).</p>
<p><strong>6</strong> «<em>Isto vos enche de alegria». </em>A esperança na «herança» e «salvação» eternas é fonte de alegria no meio das «<em>diversas provações» </em>pelas que «<em>é preciso passar». </em>Isto não tem nada de alienante, uma vez que o objecto da esperança, o Céu, tem existência real e está ao nosso alcance: a certeza da esperança é firmíssima e não nos deixa confundidos, uma vez que Deus é «omnipotente, infinitamente misericordioso e fidelíssimo às suas promessas», havendo apenas a recear de nós próprios, que podemos vir a ser infiéis a Deus e a seu plano salvador. Esta esperança no Céu é algo que responsabiliza os cristãos mais fortemente do que os demais cidadãos, uma vez que eles sabem que não podam chegar ao Céu se não se preocupam pelo bem dos seus semelhantes, incluindo o que respeita ao bem-estar material (cf. Mt 25, 34-46).</p>
<p><em>«Sem O verdes ainda, acreditais n’Ele». </em>É fácil descobrir nestas palavras uma alusão ao que, na Missa de hoje, Jesus diz a Tomé: «felizes os que acreditam sem terem visto».</p>
<p>A vida cristã, vida de ressuscitados com Cristo, é uma vida teologal, vida de fé, esperança e amor, a qual nos leva a estar «<em>cheios de alegria inefável»,</em> já agora.</p>
<h3><strong>Aclamação ao Evangelho</strong></h3>
<p><strong><em>Jo 20, 29</em></strong></p>
<p><strong>Monição:</strong> O Apóstolo João conta as aparições de Jesus ressuscitado no dia de Páscoa e no de Pascoela. Como então, Jesus está vivo no meio de nós. Aclamemo-Lo com alegria.</p>
<h3>ALELUIA</h3>
<p><em><strong>Disse o Senhor a Tomé:</strong></em></p>
<p><em><strong>«Porque Me viste, acreditaste;</strong></em></p>
<p><em><strong>felizes os que acreditam sem terem visto.</strong></em></p>
<h2>Evangelho</h2>
<p><em><strong>São João</strong> 20, 19–31</em></p>
<p><em><strong><sup>19</sup>Na tarde daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas as portas da casa onde os discípulos se encontravam, com medo dos judeus, veio Jesus, colocou–Se no meio deles e disse–lhes: «A paz esteja convosco». <sup>20</sup>Dito isto, mostrou–lhes as mãos e o lado. Os discípulos ficaram cheios de alegria ao verem o Senhor. <sup>21</sup>Jesus disse–lhes de novo: «A paz esteja convosco. Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós». <sup>22</sup>Dito isto, soprou sobre eles e disse–lhes: «Recebei o Espírito Santo: <sup>23</sup>àqueles a quem perdoardes os pecados ser–lhes–ão perdoados; e àqueles a quem os retiverdes serão retidos». <sup>24</sup>Tomé, um dos Doze, chamado Dídimo, não estava com eles quando veio Jesus. <sup>25</sup>Disseram–lhe os outros discípulos: «Vimos o Senhor». Mas ele respondeu–lhes: «Se não vir nas suas mãos o sinal dos cravos, se não meter o dedo no lugar dos cravos e a mão no seu lado, não acreditarei». <sup>26</sup>Oito dias depois, estavam os discípulos outra vez em casa e Tomé com eles. Veio Jesus, estando as portas fechadas, apresentou–Se no meio deles e disse: «A paz esteja convosco». <sup>27</sup>Depois disse a Tomé: «Põe aqui o teu dedo e vê as minhas mãos; aproxima a tua mão e mete–a no meu lado; e não sejas incrédulo, mas crente». <sup>28</sup>Tomé respondeu–Lhe: «Meu Senhor e meu Deus!» <sup>29</sup>Disse–lhe Jesus: «Porque Me viste acreditaste: felizes os que acreditam sem terem visto». <sup>30</sup>Muitos outros milagres fez Jesus na presença dos seus discípulos, que não estão escritos neste livro. <sup>31</sup>Estes, porém, foram escritos para acreditardes que Jesus é o Messias, o Filho de Deus, e para que, acreditando, tenhais a vida em seu nome.</strong></em></p>
<p>Neste breve relato pode ver-se como Jesus cumpriu a suas promessas que constam dos discursos de despedida: <em>voltarei a vós</em> (14, 18) – <em>pôs-se no meio deles</em> (v. 19); <em>um pouco mais e ver-Me-eis</em> (16, 16) –<em>encheram-se de alegria por verem o Senhor</em> (v. 20); <em>Eu vos enviarei o Paráclito</em> (16, 7) – <em>recebei o Espírito Santo</em> (v. 22); ver também Jo 14, 12 e 20, 17.</p>
<p><strong>19 </strong>«<em>A paz esteja convosco!» </em>Não se trata de uma mera saudação, a mais corrente entre os Judeus, mesmo ainda hoje. A insistência joanina nestas palavras do Senhor ressuscitado (vv. 19.21.26) – que, embora habituais, nunca são registadas nos Evangelhos! – é grandemente expressiva. De facto, com a sua Morte e Ressurreição Jesus acabava de nos garantir a paz, a paz com Deus, origem e alicerce de toda a verdadeira paz (cf. Jo 14, 27; Rom 5, 1; Ef 2, 14; Col 1, 20).</p>
<p><strong>20</strong> O mostrar das <em>mãos</em> e do <em>peito</em> acentua a continuidade entre o Jesus crucificado e o Senhor glorioso (cf. Hebr 2, 18); a sua presença, que transcende a dimensão espácio-temporal (cf. vv. 19.26), é uma realidade que os enche de paz (vv. 19.21.26; cf. Jo 14, 27; 16, 33; Rom 5, 1; Col 1, 20) e de alegria (v. 20; cf. Jo 15, 11; 16, 20-24; 17, 13).<em> «Ficaram cheios de alegria» </em>é uma observação que confere ao relato uma grande credibilidade; com efeito, naqueles discípulos espavoridos (v. 19), desiludidos e estonteados, surge uma vivíssima reacção de alegria, ao verem o Senhor; ao contrário do que era de esperar, não se verifica aqui o esquema habitual das visões divinas, as teofanias do A. T., em que sempre há uma reacção de temor e de perturbação. A grande alegria dos Apóstolos procede da certeza da vitória de Jesus sobre a morte e também de verem como Jesus reatava com eles a intimidade anterior, sem recriminar a fraqueza da sua fé e a vergonha da sua deslealdade.</p>
<p><strong>22</strong> «<em>Soprou sobre eles… Recebei o Espírito Santo».</em> Este soprar de Jesus não é ainda «o vento impetuoso» do dia de Pentecostes; é um sinal visível do dom invisível do <em>Espírito</em> (em grego é a mesma palavra que também significa <em>sopro</em>). Esta efusão do Espírito Santo não aparece como a mesma que se dá 50 dias depois, na festa do Pentecostes. Aqui, tem por efeito conferir-lhes o poder de perdoar os pecados, poder dado só aos Apóstolos (e seus sucessores no sacerdócio da Nova Aliança), ao passo que no dia do Pentecostes é dado o Espírito Santo também a outros discípulos reunidos com Maria no Cenáculo, iluminando-os e fortalecendo-os com carismas extraordinários em ordem ao cumprimento da missão de que já estavam incumbidos.</p>
<p><strong>23</strong> «<em>A quem perdoardes os pecados…»:</em> não se trata de um mero preceito da pregação do perdão dos pecados que Deus concede a quem confia nesse perdão (interpretação protestante); é uma das poucas passagens da Escritura cujo sentido foi solenemente definido como verdade de fé: estas palavras «devem entender-se do poder de perdoar e reter os pecados no Sacramento da Penitência» (DzS 913); o mesmo Concílio de Trento também se baseia nestas palavras para falar da necessidade de confessar todos os pecados graves depois do Baptismo, uma doutrina que tem vindo a ser reafirmada pelo Magistério: «a doutrina do Concílio de Trento deve ser firmemente mantida e aplicada fielmente na prática»; por isso, os fiéis que, em perigo de morte ou em caso de grave necessidade, tenham recebido legitimamente a absolvição comunitária ou colectiva de pecados graves ficam com a grave obrigação de os confessar dentro de um ano <em>(Normas Pastorais da Congregação para a Doutrina da Fé, 16-VI-1972); </em>cf. <em>Motu proprio</em> de João Paulo II<em>Misericordia Dei</em> (7.4.2002) e Código D. C., nº 960.</p>
<p><em>«Ser-lhes-ão perdoados»: </em>esta expressão é muito forte, pois temos aqui o chamado <em>passivum divinum,</em> isto é, o uso judaico da voz passiva para evitar pronunciar o nome inefável de Deus; sendo assim, a expressão corresponde a «<em>Deus lhes perdoará»,</em> e «<em>serão retidos» </em>equivale a «<em>serão retidos por Deus»,</em> isto é, Deus não perdoará.</p>
<p><strong>24</strong> «<em>Tomé»,</em> nome aramaico <em>Tomá</em> significa «gémeo»; em grego, <em>dídymos.</em></p>
<p><strong>29</strong> «<em>Felizes os que acreditam sem terem visto».</em> Para a generalidade dos fiéis, a fé (dom de Deus) não tem mais apoio humano verificável do que o testemunho grandemente crível da pregação apostólica e da Igreja através dos séculos (cf. Jo 17, 20). Para crer não precisamos de milagres, basta a graça, que Deus nunca nega a quem busca a verdade com humildade e sinceridade de coração. O facto de as coisas da fé não serem evidentes, nem uma mera descoberta da razão, só confere mérito à atitude do crente, que crê porque Deus, que revela, não se engana nem pode enganar-nos. Por isso, Jesus proclama-nos «<em>felizes»,</em> ao submetermos o nosso pensamento e a nossa vontade a Deus na entrega que o acto de fé implica. Tanto Tomé, naquela ocasião, como nós, agora, temos garantias de credibilidade suficientes para aceitar a Boa Nova de Jesus: as nossas escusas para não crer são escusas culpáveis, escusas de mau pagador. Também as estrelas não deixam de existir pelo facto de os cegos não as verem.</p>
<p><strong>30-31</strong> Temos aqui a primeira conclusão do Evangelho de S. João que nos deixa ver o objectivo que o Evangelista se propôs. Este Evangelho foi escrito para crermos que «<em>Jesus é o Messias, o Filho de Deus».</em>Note-se que a fé não é uma mera disposição interior de busca ou caminhada sem uma base doutrinal, <em>um conteúdo de ensino</em> (cf. Rom 6, 17), pois exige que se aceitem «verdades» como esta, a saber, que Jesus é o Filho de Deus, e Filho, não num sentido genérico, humano ou messiânico, mas o «Filho Unigénito que está no seio do Pai» (Jo 1, 18), verdadeiro Deus, segundo a confissão de S. Tomé: «<em>Meu Senhor e meu Deus»</em>(v. 28; cf. Jo 1, 1; Rom 9, 5). Há quem veja o Evangelho segundo S. João contido dentro de uma grande inclusão, que põe em evidência a divindade de Cristo: Jo 1, 1 <em>(O Verbo era Deus)</em> e Jo 20, 28 <em>(meu Senhor e meu Deus), </em>tendo como centro e clímax a afirmação de Jesus: <em>Eu e o Pai somos Um</em> (10, 30).</p>
<h3>Sugestões para a homilia</h3>
<p>Meu Senhor e meu Deus</p>
<p>Fé mais preciosa que o ouro</p>
<p>Assíduos ao ensino dos Apóstolos</p>
<p>1) Meu Senhor e meu Deus</p>
<p>S. João conta-nos como Jesus apareceu aos Apóstolos no domingo de Páscoa e, depois, no de Pascoela, que hoje recordamos. E como tiveram dificuldade em acreditar na ressurreição do Mestre.</p>
<p>«Bem aventurados os que não viram e acreditaram» – diz-lhes. Não vemos a Jesus, mas sabemos que está vivo aqui connosco, porque Ele o disse.</p>
<p>As dúvidas de Tomé, permitidas por Deus, reforçam a nossa fé. Vemos que não eram crédulos nem se deixaram levar por fantasias.</p>
<p>Ao tocar nas chagas, o apóstolo faz um acto de fé muito belo na divindade de Jesus. É uma oração muito bonita que podemos repetir muitas vezes, durante a Santa Missa, saboreando-a no íntimo da nossa alma: Meu Senhor e meu Deus!</p>
<p>Muitos hoje não querem acreditar naquilo que Jesus ensinou mas vão para a bruxa, para os astrólogos e para as seitas que os iludem e exploram.</p>
<p>Temos de procurar conhecer sempre melhor o que Deus nos revelou e continua a ensinar-nos pela Sua Igreja. Não basta dizer que acreditamos.</p>
<p>Temos de tomar a sério o que Jesus nos disse, sem discutir o que não agrada. O pecado de heresia está em negar alguma verdade revelada ou pô-la em dúvida. O papa João Paulo I ensinava numa das suas catequeses: «A minha mãe dizia-me quando já era crescido: Em pequeno estiveste muito doente; tive de levar-te de um médico para outro e velar noites inteiras; acreditas no que te digo? Como poderia eu dizer: – mãe, não creio? Mas sim: creio. Creio o que me dizes, mas creio-te sobretudo a ti. Assim acontece com a fé. Não se trata só de crer no que Deus revelou, mas sim a Ele, que merece a nossa fé, que nos amou tanto e tanto fez por nosso amor» (Aloc.13-IX-78)</p>
<p>2) Fé mais preciosa que o ouro</p>
<p>Que sejamos homens e mulheres de fé grande. Ela é dom maravilhoso que temos de estimar e guardar e comunicar aos outros. S. Pedro dizia-nos que é «muito mais preciosa que o ouro». Mesmo no meio das perseguições e provações «é para vós fonte de alegria inefável e gloriosa» (2ª leit.).</p>
<p>Amamos a Cristo sem O ver como Ele é, acreditamos nEle, vivemos com Ele cá na terra, participando já da Sua Ressurreição gloriosa pela vida nova que nos comunicou no Baptismo. E temos, pela esperança viva, a certeza de alcançar essa herança que não se corrompe, a felicidade eterna no Céu.</p>
<p>Só há uma coisa que pode tirar-nos a alegria. É o pecado, porque nos afasta de Deus, que é a própria felicidade.</p>
<p>Para vencer o pecado Jesus deixou, no dia de Páscoa o Sacramento do perdão. Ele é por excelência o Sacramento da alegria, que temos de agradecer a Jesus. É a Sua prenda de pascal para a Igreja.</p>
<p>É o sacramento da misericórdia de Deus. Santa Faustina Kowalska, religiosa polaca, difundiu no mundo a devoção à Divina Misericórdia e pediu a instituição da sua festa precisamente neste Domingo de Pascoela. Foi o que fez o papa João Paulo II, seu conterrâneo. O Senhor quis chamá-lo para Si na vigília deste dia depois da celebração, no seu quarto, da Santa Missa.</p>
<p>A misericórdia de Deus manifesta-se de modo especial no Sacramento do Perdão. Por Jesus e através dos sacerdotes Ele perdoa os pecados dos homens, sem excluir ninguém. Ele é o pai da parábola à espera do filho pródigo que se afastou da casa paterna, que o recebe de braços abertos e o cobre de beijos.</p>
<p>Com o Seu amor misericordioso anima-nos a regressar através do arrependimento e por uma acusação humilde dos nossos pecados.</p>
<p>Jesus aparece aos Apóstolos com o Seu corpo glorificado, mas conserva as chagas. Elas são o sinal do amor infinito que tem aos pecadores de todos os tempos.</p>
<p>Explicavam a um miudito a história de Judas, o seu remorso e como foi enforcar-se numa figueira.</p>
<p>– Tu se tivesses a desgraça de atraiçoar a Jesus farias como Judas?</p>
<p>– Faria sim!</p>
<p>– Irias dependurar-te como ele?</p>
<p>– Sim…Só que em vez de dependurar-me numa árvore, iria dependurar-me no pescoço de Jesus, pedindo-Lhe que me perdoasse.</p>
<p>3) Assíduos ao ensino dos Apóstolos</p>
<p>Os primeiros cristãos são modelo sempre actual para os de hoje.</p>
<p>A primeira leitura resume a sua vida de discípulos de Cristo, que viviam a sério a sua fé. «Eram assíduos ao ensino dos Apóstolos, à comunhão fraterna, à fracção do pão e às orações».</p>
<p>Estavam atentos aos ensinamentos dos Apóstolos, arranjavam tempo para escutar a sua pregação. E eram perseverantes, assíduos. Empregavam os meios para conhecerem melhor a sua fé. Não iam atrás de qualquer vendedor da banha da cobra, mas daqueles que o Senhor pôs à frente da Sua Igreja.</p>
<p>No Credo professamos a nossa fé e dizemos: <span style="text-decoration: underline;">Creio na remissão dos pecados</span>. Essa remissão dá-se no Baptismo e no Sacramento da Penitência. Hoje temos de estar mais atentos àquilo que o Sucessor de Pedro nos ensina sobre a confissão. João Paulo II tantas vezes lembrou a necessidade de acudir a este sacramento da misericórdia.</p>
<p>Na festa da Divina misericórdia de 2002 (7 de Abril) publicou um <span style="text-decoration: underline;">Motu próprio</span> chamando a atenção para alguns pontos importantes:</p>
<p>«Na incessante praxe da Igreja ao longo da história, o &#8216;ministério da reconciliação&#8217; (2 <em>Cor</em> 5,18), actuada mediante os sacramentos do Baptismo e da Penitência, revelou-se sempre um empenho pastoral vivamente prezado, realizado segundo o mandato de Jesus como parte essencial do ministério sacerdotal. A celebração do sacramento da Penitência conheceu, ao longo dos séculos, uma evolução com diversas formas expressivas, mas sempre conservando a mesma estrutura fundamental que compreende necessariamente, além da participação do ministro – só um Bispo ou um presbítero, que julga e absolve, cura e sara em nome de Cristo –, os actos do penitente: a contrição, a confissão e a satisfação.</p>
<p>Na Carta Apostólica Novo millennio ineunte, escrevi: «Solicito ainda uma renovada coragem pastoral para, na pedagogia quotidiana das comunidades cristãs, se propor de forma persuasiva e eficaz a prática do Sacramento da Reconciliação. Em 1984, como recordareis, intervim sobre este tema através da Exortação pós-sinodal Reconciliatio et paenitentia, na qual foram recolhidos os frutos da reflexão da Assembleia Geraldo Sínodo dos Bispos dedicada a esta problemática. Lá convidava a que se fizesse todo o esforço para superar a crise do &#8216;sentido do pecado&#8217;. [&#8230;] Quando o referido Sínodo se debruçou sobre o tema, estava à vista de todos a crise deste Sacramento, sobretudo nalgumas regiões do mundo. E os motivos que a originaram, não desapareceram neste breve espaço de tempo. Mas o Ano Jubilar, que foi caracterizado particularmente pelo recurso à Penitência sacramental, ofereceu-nos uma estimulante mensagem que não deve ser perdida: se tantos fiéis – jovens muitos deles – se aproximaram frutuosamente deste Sacramento, provavelmente é necessário que os Pastores se armem de maior confiança, criatividade e perseverança para o apresentarem e o fazerem valorizar». (nº 37)</p>
<p>Com estas palavras, quis e quero encorajar e, ao mesmo tempo, dirigir um forte convite aos meus irmãos Bispos – e, através deles, a todos os presbíteros – para um solícito relançamento do sacramento da Reconciliação, inclusive como exigência de autêntica caridade e de verdadeira justiça pastoral, (CDC can.213 e 843) lembrando-lhes que cada fiel, com as devidas disposições interiores, tem o direito de receber pessoalmente o dom sacramental&#8230;</p>
<p>Nas actuais circunstâncias pastorais, para atender aos pedidos apreensivos de numerosos Irmãos no Episcopado, considero conveniente recordar algumas leis canónicas em vigor sobre a celebração deste sacramento, especificando certos aspectos para, em espírito de comunhão com a responsabilidade que é própria de todo o Episcopado, (LG 23, 27) favorecer uma melhor administração daquele. Trata-se de tornar efectiva e de tutelar uma celebração cada vez mais fiel, e portanto sempre mais proveitosa, do dom confiado à Igreja pelo Senhor Jesus depois da ressurreição (cf. <em>Jo</em> 20, 19-23). Isto revela-se especialmente necessário quando se observa em certas regiões a tendência ao abandono da confissão pessoal, juntamente a um recurso abusivo à «absolvição geral» ou «colectiva», de modo que esta deixa de ser vista como meio extraordinário em situações totalmente excepcionais. Partindo de um alargamento arbitrário do requisito da grave necessidade (CDC, can.961), perde-se de vista praticamente a fidelidade à configuração divina do sacramento, e concretamente a necessidade da confissão individual, com graves danos para a vida espiritual dos fiéis e para a santidade da Igreja».</p>
<p>E o papa lembra concretamente:</p>
<p>«a) ‘A confissão individual e íntegra e a absolvição constituem o único modo ordinário pelo qual o fiel, consciente de pecado grave, se reconcilia com Deus e com a Igreja; somente a impossibilidade física ou moral o escusa desta forma de confissão, podendo neste caso obter-se a reconciliação também por outros meios&#8217;. (Ib.can.960)</p>
<p>b) Por isso, ‘todo aquele que, em razão do ofício, tem cura de almas, está obrigado a providenciar para que sejam ouvidas as confissões dos fiéis que lhe estão confiados e que de modo razoável peçam para se confessar, a fim de que aos mesmos se ofereça a oportunidade de se confessarem individualmente em dias e horas que lhes sejam convenientes&#8217;. (Ib.c.986)</p>
<p>Além disso, todos os sacerdotes com faculdade de administrar o sacramento da Penitência, mostrem-se sempre e plenamente dispostos a administrá-lo todas as vezes que os fiéis o peçam razoavelmente. (Cf.PO, 13) A falta de disponibilidade para acolher as ovelhas feridas, mais, para ir ao seu encontro e reconduzi-las ao aprisco, seria um doloroso sinal de carência de sentido pastoral em quem, pela Ordenação sacerdotal, deve reproduzir em si mesmo a imagem do Bom Pastor.</p>
<p>2. Os Ordinários do lugar, bem como os párocos e os reitores de igrejas e santuários, devem verificar periodicamente se existem efectivamente as maiores facilidades possíveis para as confissões dos fiéis. De modo particular, recomenda-se a presença visível dos confessores nos lugares de culto durante os horários previstos, a acomodação destes horários à situação real dos penitentes, e uma especial disponibilidade para confessar antes das Missas e mesmo para ir de encontro à necessidade dos fiéis durante a celebração da Eucaristia, se houver outros sacerdotes disponíveis. (C.Culto Divino)</p>
<p>3. Visto que ‘o fiel tem obrigação de confessar, na sua espécie e número, todos os pecados graves de que se lembrar após diligente exame de consciência, cometidos depois do baptismo e ainda não directamente perdoados pelo poder das chaves da Igreja nem acusados em confissão individual’, (CDC, can.988) seja reprovado qualquer costume que limite a confissão a uma acusação genérica ou somente de um ou mais pecados considerados significativos. Por outro lado, levando-se em conta a chamada de todos os fiéis à santidade, recomenda-se-lhes que confessem também os pecados veniais» (Ib.). (Motu próprio Misericordia Dei).</p>
<p>Bento XVI tem lembrado esta doutrina uma e outra vez. Na Exortação Sacramento da Caridade recorda «o dever pastoral do Bispo&#8230;de favorecer entre os fiéis a confissão frequente» (21)</p>
<p>Peçamos à Virgem que saibamos imitar os primeiros cristãos nesta escuta atenta dos ensinamentos do Magistério da Igreja.</p>
<h3>Fala o Santo Padre</h3>
<p>«A Paz é o dom que Cristo deixou aos seus amigos»</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em>Estimados irmãos e irmãs</em></p>
<p>A todos vós renovo os bons votos de feliz Páscoa, no Domingo que encerra a Oitava e é tradicionalmente chamado Domingo «in Albis». […]</p>
<p>Este Domingo conclui a semana ou, mais propriamente, a «Oitava» de Páscoa, que a liturgia considera como um único dia: «O dia que fez o Senhor» (<em>Sl</em> 117, 24). Não é um tempo cronológico, mas espiritual, que Deus inaugurou no tecido dos dias, quando ressuscitou Cristo de entre os mortos. Infundindo a vida nova e eterna no corpo sepultado de Jesus de Nazaré, o Espírito Criador completou a obra da criação, dando origem às «primícias»: primícias de uma renovada humanidade que, ao mesmo tempo, é primícias de um novo mundo e de uma nova época.</p>
<p>Esta renovação do mundo pode resumir-se com uma palavra: a mesma que Jesus ressuscitado pronunciou como saudação, e sobretudo como anúncio da sua vitória aos discípulos: «A paz esteja convosco!» (<em>Jo</em> 20, 19.21.26). A Paz é o dom que Cristo deixou aos seus amigos (cf. <em>Jo</em> 14, 27), como bênção destinada a todos os homens e a todos os povos. Não a paz segundo a mentalidade do «mundo», como equilíbrio de forças, mas uma nova realidade, fruto do Amor de Deus, da sua Misericórdia. É a paz que Jesus Cristo adquiriu com o preço do seu Sangue e que comunica a quantos nele confiam. «Jesus, em Vós confio!»: nestas palavras resume-se a fé do cristão, que é fé na omnipotência do Amor misericordioso de Deus.</p>
<p><em>Papa Bento XVI, Regina Caeli, 15 de Abril de 2007</em></p>
<h3>LITURGIA EUCARÍSTICA</h3>
<p>ORAÇÃO SOBRE AS OBLATAS: Aceitai benignamente, Senhor, as ofertas do vosso povo [e dos vossos novos filhos], de modo que, renovados pela profissão da fé e pelo Baptismo, mereçamos alcançar a bem-aventurança eterna. Por Nosso Senhor.</p>
<p>Prefácio pascal I [mas com maior solenidade neste dia]: p. 469 [602–714]</p>
<p>No Cânone Romano dizem-se o Communicantes (Em comunhão com toda a Igreja) e o Hanc igitur (Aceitai benignamente, Senhor) próprios. Nas Orações Eucarísticas II e III fazem-se também as comemorações próprias.</p>
<p><em><strong>SANTO</strong></em></p>
<p><strong>Monição da Comunhão</strong></p>
<p>Pela comunhão não tocamos apenas no Corpo de Jesus, como Tomé. Temo-Lo em nós como alimento divino. Digamos uma e muitas vezes, cheios de fé e amor: Meu Senhor e meu Deus.</p>
<p>ANTÍFONA DA COMUNHÃO: Disse Jesus a Tomé: Com a tua mão reconhece o lugar dos cravos. Não sejas incrédulo, mas fiel. Aleluia.</p>
<p>ORAÇÃO DEPOIS DA COMUNHÃO: Concedei, Deus todo–poderoso, que a força do sacramento pascal que recebemos permaneça sempre em nossas almas. Por Nosso Senhor.</p>
<h3>RITOS FINAIS</h3>
<p><strong>Monição final</strong></p>
<p>A nossa fé vivida a sério é o segredo da alegria. E leva-nos a estar atentos aos ensinamentos do Papa, sucessor de Pedro e a viver a oração e a comunhão fraterna.</p>
<p>Celebração e Homilia:           CELESTINO FERREIRA CORREIA</p>
<p>Nota Exegética:                    GERALDO MORUJÃO</p>
<p><em>Fonte: <a href="http://www.cliturgica.org/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Celebração  Litúrgica</a></em>    	</p>
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]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Homilia do D. Henrique Soares da Costa – II Domingo de Páscoa – Ano A</title>
		<link>https://presbiteros.org.br/homilia-do-d-henrique-soares-da-costa-ii-domingo-de-pascoa-ano-a-2/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Pe. Demétrio Gomes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 06 Apr 2026 13:32:48 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Homilias]]></category>
		<category><![CDATA[Homilias Dominicais]]></category>
		<category><![CDATA[Subsídios Litúrgicos]]></category>
		<category><![CDATA[ii domingo da pascoa ano a 2026]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>At 2,42-47 Sl 117 1Pd 1,3-9 Jo 20,19-31 Estamos ainda em pleno dia da Páscoa, “o Dia que o Senhor fez para nós” – é esta a Oitava da Santa Páscoa! Se no dia mesmo da Ressurreição, a Liturgia centrava nossa atenção no próprio Senhor ressuscitado, vencedor da morte, hoje, neste Domingo da Oitava, a atenção concentra-se [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><b>At 2,42-47</b><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><b>Sl 117</b><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><b>1Pd 1,3-9</b><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><b>Jo 20,19-31</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Estamos ainda em pleno dia da Páscoa, </span><b><i>“o Dia que o Senhor fez para nós”</i></b><span style="font-weight: 400;"> – é esta a Oitava da Santa Páscoa!</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se no dia mesmo da Ressurreição, a Liturgia centrava nossa atenção no próprio Senhor ressuscitado, vencedor da morte, hoje, neste Domingo da Oitava, a atenção concentra-se nos efeitos dessa vitória formidável para nós e para toda a humanidade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Eis! O Senhor Jesus, morto como homem, morto na Sua natureza humana, foi ressuscitado pelo Pai, que derramou sobre Ele o Espírito Santo, Senhor que dá a Vida; como diz a Primeira Epístola de São Pedro: </span><b><i>“Morto na carne</i></b><span style="font-weight: 400;">, isto é, na Sua natureza humana, </span><b><i>foi vivificado no Espírit</i></b><i><span style="font-weight: 400;">o</span></i><span style="font-weight: 400;">, isto é, na força vivificante, que é o Espírito do Pai (cf. 3,18). E agora, cheio do Espírito, Jesus Senhor nos dá esse Dom divino, esse fruto da Sua Ressurreição. Sim, caríssimos: pleno do Espírito, a tal ponto de São Paulo exclamar </span><b><i>“o Senhor é Espírito” (2Cor 3,17)</i></b><i><span style="font-weight: 400;">,</span></i><span style="font-weight: 400;"> Ele agora e para sempre, derrama o Seu Espírito sobre todo aquele que Nele crê e no Seu Nome for batizado!</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Primeiro dá-Lo aos Seus apóstolos </span><b><i>“ao anoitecer daquele dia, o primeiro depois do sábado”</i></b><span style="font-weight: 400;">. Passou o sábado dos judeus, passou a Lei de Moisés, passou a antiga criação. E Jesus ressuscitado sopra sobre os Apóstolos o Espírito Santo, recebido do Pai na Ressurreição: “Como o Pai Me enviou na potência do Espírito, também Eu vos envio agora na força desse mesmo Espírito! Recebei, pois, o Espírito Santo, dado para gerar o mundo novo, o homem novo, o homem segundo a Minha imagem, o homem transfigurado, reconciliado, na paz, no </span><i><span style="font-weight: 400;">shalom</span></i><span style="font-weight: 400;"> com Deus! Paz a vós! Por todas as gerações os pecados do mundo serão perdoados nesse dom do Meu Espírito!” Assim começa o cristianismo, assim ganha vida a Igreja: no Espírito do Ressuscitado, Espírito ressuscitante, “Senhor que dá a Vida”!</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os Apóstolos agora, recebendo o Espírito, recebem a Vida nova do Cristo, a Vida que dura para a Eternidade. Esse mesmo Espírito, nós O recebemos nas águas do Batismo e na comunhão com o Sangue do Senhor na Eucaristia, prefigurados no sangue e na água brotados do Coração do Salvador entregue por nós (cf. Jo 19,34). Por isso mesmo, a oração da Missa hodierna nos pede a graça de compreender melhor, isto é, de viver intensamente na vida </span><b><i>“o Batismo que nos lavou, o Espírito que nos deu nova Vida e o Sangue que nos lavou”</i></b><i><span style="font-weight: 400;">.</span></i><span style="font-weight: 400;"> Em outras palavras: pela participação aos santos sacramentos, sobretudo o Batismo e a Eucaristia, nós recebemos continuamente o Espírito do Ressuscitado e, assim, recebemos a Sua nova Vida, a Vida que nos renova já aqui, neste mundo, e nos dá a Vida eterna, preparando para a plenitude do Reino, na Glória. Por isso a segunda leitura de hoje nos diz que o Pai, </span><b><i>“em Sua grande misericórdia, pela Ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, nos fez nascer de novo, para uma esperança viva, para uma herança incorruptível”</i></b><span style="font-weight: 400;">, reservada para nós nos Céus! A Ressurreição de Cristo é garantia da nossa, o Seu Espírito, que nós recebemos, é semente e garantia de Vida eterna e, por isso, é causa de alegria e força para nós, cristãos. Nós recebemos a Vida eterna, nós cremos na Vida eterna, nós já vivemos tendo em nós as sementes da Vida eterna! (cf. Jo 6,54)</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas, estejamos atentos: esta nossa fé na Ressurreição não é uma teórica e distante esperança, mas tem consequências concretas para nós: </span><b><i>“Os que haviam se convertido eram perseverantes em ouvir o ensinamento dos apóstolos, na comunhão fraterna, na fração do pão e nas orações. Todos os que abraçavam a fé viviam unidos e colocavam tudo em comum…”</i></b><span style="font-weight: 400;"> Eis: a fé na Ressurreição do Senhor, a vida vivida na Vida nova que Cristo nos concedeu, faz-nos existir de um modo novo, iluminados por uma nova regra de vida (o ensinamento dos apóstolos e seus sucessores), sustentados pela fração do Pão eucarístico e testemunhas de uma vida de comunhão, de amor fraterno, de mansidão, de coração aberto para Deus e os irmãos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mais uma coisa: estejamos atentos para um fato importantíssimo: a Ressurreição do Senhor não é uma fábula, não é um mito, não é uma parábola. O Senhor realmente venceu a morte, realmente entrou no Cenáculo e realmente Tomé, admirado e envergonhado, feliz pelo Senhor e triste por sua incredulidade, tocou as mãos e o lado do Senhor vivo, ressuscitado! Por isso, o cristão não se apavora diante dos reveses da vida, dos compromissos e renúncias pelo testemunho de Cristo e nem mesmo diante da morte: </span><b><i>“Sem ter visto o Senhor, vós O amais. Sem o ver ainda, Nele acreditais. Isso será para vós fonte de alegria indizível e gloriosa, pois obtereis aquilo em que acreditais: a vossa salvação”</i></b><span style="font-weight: 400;">.</span><i><span style="font-weight: 400;"> </span></i><span style="font-weight: 400;">Esta é a nossa fé, a nossa esperança, a firme certeza da nossa existência neste mundo e naquele que há de vir! Por tudo isto, continuamos a dizer, de coração: Feliz Tempo Pascal, Irmãos! Que vossa Páscoa permaneça para sempre! Amém.</span></p>
<p style="text-align: right;"><b>Dom Henrique Soares da Costa</b><span style="font-weight: 400;"></p>
<p></span></p>
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]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Homilia de D. Anselmo Chagas de Paiva, OSB – II Domingo de Páscoa – Ano A</title>
		<link>https://presbiteros.org.br/homilia-de-d-anselmo-chagas-de-paiva-osb-ii-domingo-de-pascoa-ano-a-2/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Pe. Demétrio Gomes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 06 Apr 2026 13:31:53 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Homilias]]></category>
		<category><![CDATA[Homilias Dominicais]]></category>
		<category><![CDATA[Subsídios Litúrgicos]]></category>
		<category><![CDATA[ii domingo da pascoa ano a 2026]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Jesus aparece aos Apóstolos Jo 20,19-31 Caros irmãos e irmãs, Nestes dias a Igreja canta sua fé e a sua alegria pascal, porque celebramos a Ressurreição do Cristo Senhor. Ressoa ainda em nossos ouvidos o Salmo: “Este é o dia que o Senhor fez para nós, alegremo-nos e nele exultemos” (Sl 117,24). Cada domingo da [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3><strong><i>Jesus aparece aos Apóstolos</i></strong></h3>
<p><span style="font-weight: 400;">Jo 20,19-31</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Caros irmãos e irmãs,</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nestes dias a Igreja canta sua fé e a sua alegria pascal, porque celebramos a Ressurreição do Cristo Senhor. Ressoa ainda em nossos ouvidos o Salmo: “Este é o dia que o Senhor fez para nós, alegremo-nos e nele exultemos” (Sl 117,24). </span><span style="font-weight: 400;">Cada domingo da Páscoa se reveste de uma solenidade especial, com leituras apropriadas, ressaltando o importante momento litúrgico.  E neste domingo, a primeira leitura nos apresenta um significativo trecho do Livro dos Atos dos Apóstolos, onde sintetiza o estilo de vida dos primeiros cristãos: comunidade de fé, comunidade de vida, comunidade de oração e ainda descreve os primeiros tempos da Igreja</span><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">como comunidade da Palavra e da Eucaristia:  “Eram assíduos ao ensino dos Apóstolos, à união fraterna e à fração do pão” (At 2,42), costume que se perpetua até os nossos dias.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em cada domingo, somos chamados a imitar estes exemplos dos primeiros cristãos e nos reunimos para ouvir os ensinamentos dos apóstolos e para participar na fração do pão e na oração comum.  Que possamos continuar sendo esta comunidade fraterna e reunida em seu nome, para que o próprio Cristo possa estar no meio de nós.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O Evangelho nos apresenta as duas aparições de Jesus aos seus discípulos: uma na tarde do dia da Ressurreição, e a outra, oito dias depois. O texto que nos é proposto está dividido em duas partes bem distintas. Na primeira parte (v. 19-23), descreve-se uma “aparição” de Jesus aos discípulos. Pode-se observar em um primeiro momento a situação de insegurança e de fragilidade em que a comunidade estava: o “anoitecer”, as “portas fechadas”, o “medo”, e Jesus aparece no meio deles, “no centro” (v. 19). Ao aparecer “no meio deles”, Jesus assume-se como ponto de referência como um fator de unidade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os discípulos estão reunidos ao seu redor, pois ele é o centro onde todos vão buscar as forças necessárias para que possam vencer o “medo” e a hostilidade do mundo.  A estes discípulos, enfraquecidos pelo medo, ao anoitecer, sinal de trevas de um mundo indiferente, Jesus transmite duplamente a paz (v. 19 e 21).  É o “shalom” hebraico, que tem o sentido de harmonia, serenidade, tranquilidade, confiança. Assegura-se, assim, aos discípulos que ele venceu aquilo que o assustava, ou seja, a morte, a opressão, a apatia do mundo; e que, de agora em diante, os discípulos não têm razão para ter medo. Jesus já havia dito muitas vezes a eles: “Não tenhais medo”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em seguida (v. 22), vimos que Jesus “soprou” sobre os discípulos reunidos à sua volta. O verbo aqui utilizado é o mesmo do texto de Gn 2,7, quando se diz que Deus soprou sobre o homem de argila, infundindo-lhe a vida. Com o “sopro” de Gn 2,7, o homem tornou-se um ser vivente.  Ao soprar sobre os Apóstolos, Jesus transmite a eles a vida nova que os fará homens novos. Com isto, eles passam a ser portadores do Espírito Santo, a vida de Deus, para poderem, como Jesus, doar-se também aos outros. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na segunda parte do Evangelho (vv. 24-29), encontramos uma catequese sobre a fé, onde o apóstolo Tomé faz uma experiência de Cristo vivo.  O texto nos faz rever a experiência do encontro dos apóstolos com o Cristo ressuscitado, que aparece no cenáculo, na noite do mesmo dia da ressurreição, “o primeiro da semana”, e sucessivamente “oito dias depois” (cf. Jo 20,19.26). Aquele dia, chamado posteriormente de “domingo”, que quer dizer “dia do Senhor”, o dia em que a comunidade cristã se reúne para celebrar a Eucaristia. Com efeito, com a celebração do Dia do Senhor os primeiros cristãos iniciam um culto diverso em relação ao sábado judaico.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em cada Celebração Eucarística temos um encontro com o Senhor Ressuscitado, que torna-se realmente presente no meio da comunidade, fala-nos nas Sagradas Escrituras e parte para nós o Pão de vida eterna. Através destes sinais nós vivemos a mesma experiência dos apóstolos, isto é, o fato de ver Jesus e ao mesmo tempo de não o reconhecer; de tocar o seu corpo e estar em comunhão com Ele.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O texto evangélico nos diz que Jesus “apareceu”; ou seja, ele “deixou-se ver”.  Na verdade, depois da ressurreição, Jesus pertence a uma esfera da realidade, que normalmente se subtrai aos nossos sentidos.  Não pertence mais ao mundo perceptível com os sentidos, mas ao mundo de Deus.  Por conseguinte, só pode vê-lo aquele a quem ele próprio o concede.   Ele deixa as suas chagas serem tocadas por Tomé, todavia, Ele não é um homem que voltou a ser como antes da morte.  Impressiona, acima de tudo, o fato de os discípulos, em certas aparições, em um primeiro momento não o reconhecerem.  Isto acontece não só aos discípulos de Emaús, mas também a Maria Madalena e, depois, uma vez mais, junto do mar de Tiberíades.  Em outras palavras trata-se de um reconhecer a partir de dentro.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Jesus chega estando as portas fechadas, apresenta-se de improviso no meio dos apóstolos, atingidos pelo medo.  E, correlativamente, desaparece, como no fim do encontro com os discípulos de Emaús. Jesus aparece plenamente corpóreo, mas não está ligado às leis da corporeidade e liberdade dos vínculos do corpo, manifesta-se a essência peculiar, misteriosa, da nova existência do Ressuscitado.  Com efeito, ele é o mesmo, ou seja, Homem de carne e osso, e Ele é também o novo, aquele que entrou em um gênero diverso de existência.  O fato é que Jesus é verdadeiramente homem; e como homem, Ele sofreu e morreu; agora vive de modo novo na dimensão do Deus vivo; aparece como verdadeiro homem, todavia, a partir de Deus: e ele mesmo é Deus.   Jesus não voltou à existência empírica, sujeita à lei da morte, mas ele vive de modo novo na comunhão com Deus (cf. BENTO PP XVI, </span><i><span style="font-weight: 400;">Jesus de Nazaré: Da entrada em Jerusalém até a Ressurreição</span></i><span style="font-weight: 400;">, Rio de Janeiro, 2011, p. 238).  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É importante conhecermos alguns símbolos pascais, que se revestem de expressivos significados. Dentre estes símbolos, pode-se destacar o Círio Pascal, que </span><span style="font-weight: 400;">representa o Cristo ressuscitado, vencedor das trevas e da morte</span><i><span style="font-weight: 400;">.  </span></i><span style="font-weight: 400;">A palavra &#8220;círio&#8221; vem do latim &#8220;cereus&#8221;, que se pode traduzir por </span><i><span style="font-weight: 400;">de cera</span></i><span style="font-weight: 400;">. É o símbolo de Cristo &#8211; Luz -, e é colocado sobre uma coluna ou candelabro, devidamente ornamentado, até o dia de Pentecostes. Desde os primeiros séculos o Círio é um dos símbolos mais expressivos do Tempo Pascal. Nele encontramos uma inscrição em forma de cruz, acompanhada da data do ano em curso e das letras </span><i><span style="font-weight: 400;">Alfa</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Ômega</span></i><span style="font-weight: 400;">, a primeira e a última letra do alfabeto grego, para indicar que a Páscoa do Senhor Jesus, é o princípio e fim do tempo e da eternidade, e nos alcança com força sempre nova no ano concreto em que vivemos. O Círio Pascal tem ainda incrustados em sua cera cinco cravos de incenso que simbolizam as cinco chagas do Cristo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma vez concluído o tempo Pascal, o Círio é conservado no batistério. É usado durante os batismos e nas exéquias, para ressaltar o princípio e o fim da vida temporal, para simbolizar que um cristão participa da luz de Cristo ao longo de todo o seu caminho terreno, como garantia de sua incorporação definitiva à Luz da vida eterna.  Além do simbolismo da luz, o Círio Pascal tem também o marco de uma oferenda, como cera que se consome em honra de Deus, espalhando sua Luz.  A Ressurreição de Cristo nos faz lembrar que também devemos ser luz, a fim de levarmos a luz aos outros.  Para isso, devemos estar unidos a Cristo, como diz São Paulo: Instaurar todos em Cristo (Ef 1,10).</span><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Contudo, possamos todos nós fazer esta mesma experiência de Tomé e, com ele, coloquemos também as nossas mãos no lado traspassado de Jesus e professemos: “Meus Senhor e meu Deus” (Jo 20,28).</span><span style="font-weight: 400;">  </span><span style="font-weight: 400;">Que possamos reconhecer no Cristo Ressuscitado o nosso Senhor e o nosso Deus, assim como fizeram também muitos santos, que souberam edificar a Igreja com o testemunho de fé, de amor e de coragem, e anunciaram Jesus Cristo com os seus ensinamentos e com o testemunho de vida. Que eles possam interceder por nós, para que possamos também, sem cessar, buscar a santidade e continuar a nossa peregrinação a caminho da pátria celeste.  Assim seja. </span></p>
<p style="text-align: right;"><span style="font-weight: 400;">Anselmo Chagas de Paiva, OSB</span></p>
<p style="text-align: right;"><span style="font-weight: 400;">Mosteiro de São Bento/RJ</span></p>
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		<title>Homilia de Dom José Maria – II Domingo de Páscoa – Ano A</title>
		<link>https://presbiteros.org.br/homilia-de-dom-jose-maria-ii-domingo-de-pascoa-ano-a/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Pe. Demétrio Gomes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 06 Apr 2026 13:30:23 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Homilias]]></category>
		<category><![CDATA[Homilias Dominicais]]></category>
		<category><![CDATA[Subsídios Litúrgicos]]></category>
		<category><![CDATA[ii domingo da pascoa ano a 2026]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Domingo da Divina Misericórdia! Dom José Maria Pereira&#160; Estamos no Segundo Domingo da Páscoa, que São João Paulo ll quis intitular, Domingo da Divina Misericórdia! Isto aconteceu por ocasião da canonização de Faustina Kowalska, humilde Irmã polonesa, nascida em 1905 e falecida em 1938, mensageira zelosa de Jesus Misericordioso. Na realidade, a Misericórdia é o [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong><strong>Domingo da Divina Misericórdia!</strong></strong></p>



<p><strong>Dom José Maria Pereira</strong>&nbsp;</p>



<p>Estamos no Segundo Domingo da Páscoa, que São João Paulo ll quis intitular, Domingo da Divina Misericórdia! Isto aconteceu por ocasião da canonização de Faustina Kowalska, humilde Irmã polonesa, nascida em 1905 e falecida em 1938, mensageira zelosa de Jesus Misericordioso. Na realidade, a Misericórdia é o núcleo da mensagem evangélica, é o próprio nome de Deus, o rosto com o qual Ele se revelou na Antiga Aliança e, plenamente, em Jesus Cristo, Encarnação do Amor Criador e Redentor. Este amor de misericórdia ilumina também o rosto da Igreja e manifesta-se, quer mediante os Sacramentos, em particular o Sacramento da Reconciliação (Confissão), quer com as obras de caridade, comunitárias e individuais. Tudo o que a Igreja diz e realiza, manifesta a misericórdia que Deus sente pelo homem, portanto, por nós. Da misericórdia divina, que pacifica o coração, brota, depois, a paz autêntica no mundo, a paz entre os povos, culturas e religiões diversas.</p>



<p>Com a celebração do presente Domingo da Misericórdia, concluímos a Oitava de Páscoa, ou seja, esta semana que a Igreja nos convidou a considerar como um dia só: ”O dia que o Senhor fez”.</p>



<p>Nestes dias de Páscoa, a Liturgia fez-nos assistir ao nascimento da fé pascal. Mediante a narração das aparições do Ressuscitado, vimos renascer, nos discípulos de Jesus, desanimados e dispersos, a fé e o amor para com Ele: a Ressurreição gerou a fé.</p>



<p>Cristo ressuscitado é a razão de ser de nossa existência. Celebrar essa história é motivo de grande alegria para os cristãos.</p>



<p>O Evangelho (Jo 20, 19-31), inicia falando do primeiro dia da semana, isto é, o Dia por excelência, pois foi o dia da Ressurreição do Senhor; relata a aparição de Jesus Misericordioso aos seus discípulos, no mesmo dia da sua Ressurreição, no qual derramou sobre eles e lhes confiou o tesouro da sua Paz e dos seus Sacramentos, e confirmou a nossa fé e a fé de todos os “Tomés” do mundo, que estão cheios de dúvidas e com ânsias de ter certezas.</p>



<p>“Ao anoitecer daquele dia, o primeiro da semana” (Jo 20,19), Jesus veio confortar os amigos mais íntimos: A paz esteja convosco, disse-lhes. Depois mostrou-lhes as mãos e o lado. Nessa ocasião, Tomé não estava com os demais Apóstolos; não pôde, pois, ver o Senhor nem ouvir as suas palavras consoladoras.</p>



<p>Imagino os Apóstolos, cheios de júbilo, procurando Tomé para contar-lhe que tinham visto o Senhor! Mal o encontraram, disseram-lhe: Vimos o Senhor! Tomé continuava profundamente abalado com a crucifixão e a morte do Mestre; por isso quer ver para crer! Acredito que os Apóstolos devem ter-lhe repetido, de mil maneiras diferentes, a mesma verdade que era agora a sua alegria e a sua certeza: Vimos o Senhor!</p>



<p>Hoje, temos que fazer o mesmo! Para muitos homens e para muitas mulheres, é como se Cristo estivesse morto, porque pouco significa para eles e quase não conta nas suas vidas. A nossa fé, em Cristo ressuscitado, anima-nos a ir ao encontro dessas pessoas e a dizer-lhes, de mil maneiras diferentes, que Cristo vive, que estamos unidos a Ele pela fé e permanecemos com Ele, todos os dias; que Ele orienta e dá sentido à nossa vida.</p>



<p>Dessa maneira, cumprindo essa exigência da fé, que é difundi-la com o exemplo e a palavra, contribuímos, pessoalmente, para a edificação da Igreja, como aqueles primeiros cristãos de que falam os Atos dos Apóstolos: “Crescia sempre mais o número dos que aderiam ao Senhor pela fé: uma multidão de homens e mulheres” (At. 5,14).</p>



<p>Oito dias depois, encontravam-se os discípulos, novamente, reunidos em casa, e Tomé estava com eles. Estando fechadas as portas, Jesus entrou, pôs-se no meio deles e disse:&nbsp; “A paz esteja convosco. Depois disse a Tomé: Põe o teu dedo aqui e olha as minhas mãos. Estende a tua mão e coloca-a no meu lado. E não sejas incrédulo, mas fiel” (Jo 20,26-27).</p>



<p>A resposta de Tomé é um ato de fé, de adoração e de entrega sem limites: Meu Senhor e meu Deus! A fé do Apóstolo brota não tanto da evidência de Jesus, mas de uma dor imensa. O que o levou à adoração e ao retorno ao apostolado não são tanto as provas como o amor. Diz a Tradição que o Apóstolo Tomé morreu mártir pela fé no seu Senhor; consumiu a vida a seu serviço.</p>



<p>As dúvidas de Tomé viriam a servir para confirmar a fé dos que mais tarde haviam de crer n’Ele. Comenta São Gregório Magno: “Porventura pensais que foi um simples acaso que aquele discípulo escolhido estivesse ausente, e que depois, ao voltar, ouvisse relatar a aparição e, ao ouvir, duvidasse, e, duvidando, apalpasse, e, apalpando acreditasse? Não foi por acaso, mas por disposição divina que isso aconteceu. A divina clemência agiu de modo admirável quando este discípulo que duvidava tocou as feridas das carnes do seu Mestre, pois assim curava em nós as chagas da incredulidade… Foi assim, duvidando e tocando, que o discípulo se tornou testemunha da verdadeira ressurreição”.</p>



<p>Peçamos ao Senhor que aumente em nós a fé, pois, se a nossa fé for firme, também haverá muitos que se apoiarão nela.</p>



<p>A virtude da fé é a que nos dá a verdadeira dimensão dos acontecimentos e a que nos permite julgar, retamente, todas as coisas. Somente com a luz da fé e a meditação da palavra divina é que é possível reconhecer Deus sempre e por toda a parte. Esse Deus em quem vivemos e nos movemos e existimos (At 17,28).</p>



<p>A fé em Cristo é fonte de paz, de alegria, de amor e de vida nova. Vale mais do que o ouro, como afirma São Pedro (1Pd 1,7). Nossa fé é um tesouro, que nos faz felizes ao possuir e do qual podemos ser sempre mais ricos.</p>



<p>Meu Senhor e meu Deus! Estas palavras têm servido de jaculatória a muitos cristãos, e como ato de fé na presença real de Jesus Cristo, na Eucaristia, quando se passa diante de um Sacrário ou no momento da Consagração, na Missa.</p>



<p>A Ressurreição do Senhor é um apelo para que manifestemos com a nossa vida que Ele vive. As obras do cristão devem ser fruto e manifestação de sua fé em Cristo. Hoje, também, o Senhor quer que o mundo, a rua, o trabalho, as famílias, sejam veículo para a transmissão da fé, pois, a fé na Ressurreição de Cristo é a verdade fundamental da nossa salvação. “Se Cristo não ressuscitou, vã é a nossa pregação, e vã nossa fé “ (1Cor 15, 14).&nbsp;</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O texto de São Pedro (1Pd 1, 3 – 9) fala-nos da fé, e é justamente São Pedro que escreve, cheio de entusiasmo espiritual, indicando aos recém-batizados as razões da sua esperança e da sua alegria. Interessante observar que, nesta passagem, situada na parte inicial da sua Primeira Carta, Pedro exprime-se não no modo exortativo, mas indicativo. De fato, escreve: “Isto é motivo de alegria para vós”; e acrescenta: “Sem ter visto o Senhor, vós o amais. Sem o ver ainda, nele acreditais. Isso será para vós fonte de alegria indizível e gloriosa, pois obtereis aquilo em que acreditais: a vossa salvação” (1Pd 1, 6.8-9). Está no indicativo, porque existe uma nova realidade, gerada pela Ressurreição de Cristo, uma realidade que nos é acessível pela fé. “Esta é uma obra admirável” – diz o Salmo Sl 117 (118), 23 – “que o Senhor realizou aos nossos olhos”, os olhos da fé.&nbsp;</p>



<p>A fé em Cristo era a força que congregava os primitivos cristãos numa coesão perfeita de sentimentos e de vida: “A multidão dos fiéis era um só coração e uma só alma” (At. 4,32). Era uma fé tão arraigada que os levava a renunciar, voluntariamente, aos próprios bens, para colocá-los à disposição dos mais necessitados, considerados verdadeiramente irmãos em Cristo. É esta fé que hoje é tão escassa; para muitos que dizem ser crente, a fé não exerce influência alguma nos seus costumes nem na sua vida. Um cristianismo assim não convence nem converte o mundo. É preciso voltar a acomodar a própria fé ao exemplo da Igreja primitiva; é preciso pedir a Deus uma fé profunda, pois que, no poder da fé, está a certeza da vitória dos cristãos. “Esta é a vitória que venceu o mundo: a nossa fé. Quem vence o mundo, senão aquele que crê que Jesus é o Filho de Deus?” (1Jo 5, 4 -5).</p>



<p>Oito dias depois da Páscoa, os discípulos estavam em casa quando Jesus veio, estando fechadas as portas, parou no meio deles e disse: “A paz esteja convosco!” Também agora, na nossa assembleia, Jesus vem em nosso meio e nos dá sua paz. Nós, como Tomé, O reconhecemos como nosso Senhor e&nbsp;nosso Deus. Rezemos para que Ele faça de nós uma verdadeira comunidade reunida em Seu nome.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Como a Irmã Faustina, São João Paulo ll fez-se, por sua vez, Apóstolo da Misericórdia Divina. Na noite do inesquecível sábado, 2 de abril de 2005, quando fechou os olhos para este mundo, era, precisamente, a vigília do segundo Domingo de Páscoa, e muitos notaram a singular coincidência, que unia, em si, a dimensão mariana, o primeiro sábado do mês, e a da Misericórdia Divina. De fato, o seu longo pontificado tem, aqui, o seu ápice; toda a sua missão, ao serviço da verdade sobre Deus e sobre o homem e da paz no mundo, resume-se neste anúncio, como ele mesmo disse em Cracóvia, em 2002: “Fora da misericórdia de Deus não há qualquer outra fonte de esperança para os seres humanos”. A sua mensagem, como a de Santa Faustina, reconduz, portanto, ao rosto de Cristo, Revelação suprema da Misericórdia de Deus. Contemplar, constantemente, Aquele Rosto: esta é a herança que Ele nos deixou, e que nós, com alegria, acolhemos e fazemos nossa.</p>



<p>Recomendamos cada um de vocês, cada família, à proteção celeste de Maria Santíssima, Mãe de Misericórdia. Confiamos-lhe a grande causa da paz no mundo, para que a Misericórdia Divina realize o que é impossível, unicamente, às forças humanas, e infunda nos corações a coragem do diálogo e da reconciliação.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-right"><strong>Dom José Maria Pereira</strong></p>
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		<title>II Domingo da Páscoa &#8211; Ano A</title>
		<link>https://presbiteros.org.br/ii-domingo-da-pascoa-ano-a-2/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Pe. Demétrio Gomes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 06 Apr 2026 13:28:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Homilética]]></category>
		<category><![CDATA[Subsídios Litúrgicos]]></category>
		<category><![CDATA[ii domingo da pascoa ano a 2026]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Leituras e subsídios para liturgia e homilia do II Domingo da Páscoa (Ano A)</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Leituras e subsídios para liturgia e homilia:</p>
<ul>
<li><a href="https://presbiteros.org.br/roteiro-homiletico-ii-domingo-de-pascoa-ano-a-2/">Roteiro Homilético</a></li>
<li><a href="https://presbiteros.org.br/homilia-do-d-henrique-soares-da-costa-ii-domingo-de-pascoa-ano-a-2/">Homilia de D. Henrique Soares da Costa</a></li>
<li><a href="https://presbiteros.org.br/homilia-de-dom-jose-maria-ii-domingo-de-pascoa-ano-a/">Homilia de Dom José Maria</a></li>
<li><a href="https://presbiteros.org.br/homilia-de-d-anselmo-chagas-de-paiva-osb-ii-domingo-de-pascoa-ano-a-2/">Homilia de D. Anselmo Chagas de Paiva, OSB</a></li>
</ul>
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