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	<title>Presbíteros</title>
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	<description>Uma ampla biblioteca para formação permanente, com temas de espiritualidade, pastoral, teologia, direito canônico e liturgia, além de roteiros homiléticos e diversos outros materiais, sempre em total sintonia com o Magistério da Igreja.</description>
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	<title>Presbíteros</title>
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		<title>Preces – XXX Domingo do Tempo Comum – Ano A</title>
		<link>https://presbiteros.org.br/preces-xxx-domingo-do-tempo-comum-ano-a-2/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Pe. Demétrio Gomes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 19 Oct 2026 13:14:18 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Subsídios Litúrgicos]]></category>
		<category><![CDATA[xxx domingo do tempo comum ano a 2026]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Sacerdote: Caríssimos cristãos, oremos para que os discípulos de Jesus ponham em prática o duplo mandamento do amor, inscrito no coração de todo o homem, dizendo, com fé e humildade: R. Lembrai-Vos, Senhor, do vosso povo. 1. Pelo Papa N., pelos bispos e presbíteros, pelos diáconos e fiéis, para que se entreguem, com ardor e [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><strong>Sacerdote:</strong> Caríssimos cristãos, oremos para que os discípulos de Jesus ponham em prática o duplo mandamento do amor, inscrito no coração de todo o homem, dizendo, com fé e humildade:</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>R. Lembrai-Vos, Senhor, do vosso povo.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">1. Pelo Papa N., pelos bispos e presbíteros, pelos diáconos e fiéis, para que se entreguem, com ardor e sem descanso, ao serviço do Deus vivo e da sua Palavra, oremos ao Senhor.</p>
<p style="text-align: justify;">2. Pelos povos onde a guerra parece não ter fim e pelas famílias onde já não há amor, para que Deus lhes renove a esperança, oremos ao Senhor.</p>
<p style="text-align: justify;">3. Pelos pobres, os explorados e os órfãos e por aqueles que a sociedade põe de lado, para que encontrem quem os ame e os acolha, oremos ao Senhor.</p>
<p style="text-align: justify;">4. Pelos homens e mulheres não violentos, para que Deus seja a sua força nos combates que tiverem de travar, oremos ao Senhor.</p>
<p style="text-align: justify;">5. Pela nossa comunidade, para que a Palavra que nela escutamos nos leve a falar e a viver como Jesus, oremos ao Senhor.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Sacerdote:</strong> Senhor, Pai santo, que sabeis amar e perdoar sempre, concedei a estes vossos filhos, que escutaram a vossa Palavra, a graça de Vos imitar no amor e no perdão. Por Cristo, nosso Senhor.</p>
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		<title>Comentário Exegético – XXX Domingo do Tempo Comum – Ano A</title>
		<link>https://presbiteros.org.br/comentario-exegetico-xxx-domingo-do-tempo-comum-ano-a-2/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Pe. Demétrio Gomes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 19 Oct 2026 13:13:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Exegese]]></category>
		<category><![CDATA[Subsídios Litúrgicos]]></category>
		<category><![CDATA[xxx domingo do tempo comum ano a 2026]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>EPÍSTOLA (1Ts 1, 5c-10) (Pe. Ignácio, dos padres escolápios) APELO DE PAULO: Tendes conhecido de que modo nos comportamos entre vós por vossa causa (5). Scitis quales fuerimus vobis propter vos. A partir do início deste versículo, Paulo explica como aconteceu a entrada dos tessalonicenses no cristianismo: a pregação de Paulo foi acompanhada de milagres [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<h2>EPÍSTOLA (1Ts 1, 5c-10)</h2>
<p dir="ltr"><strong>(Pe. Ignácio, dos padres escolápios)</strong></p>
<p dir="ltr">APELO DE PAULO: Tendes conhecido de que modo nos comportamos entre vós por vossa causa (5). Scitis quales fuerimus vobis propter vos. A partir do início deste versículo, Paulo explica como aconteceu a entrada dos tessalonicenses no cristianismo: a pregação de Paulo foi acompanhada de milagres [en dynamei] de dons do Espírito [en Pneumati] e tudo com profunda entrega [plërosofia pollë]. É agora que Paulo apela a seu comportamento entre os Tessalonicenses e a resposta destes últimos diante das verdades do evangelho. Quase com as mesmas palavras descreve Paulo seu ministério apostólico em Corinto: Para que a vossa fé não se apoiasse em sabedoria dos homens, mas no poder de Deus (1 Cor 2, 5). E é para que através da fé os corações dos tessalonicenses, como escreve aos de Colossos, sejam consolados, e estejam unidos em amor, e enriquecidos da plenitude da inteligência, para conhecimento do mistério de Deus e Pai, e de Cristo (Cl 2,2).</p>
<p dir="ltr">OS IMITADORES: Assim vos tornastes nossos imitadores e do Senhor, recebendo a palavra em grande aflição, no meio do gozo do Espírito de Deus (6). Et vos imitatores nostri facti estis et Domini excipientes verbum in tribulatione multa cum gaudio Spiritus Sancti. Nas condições narradas no versículo anterior, os tessalonicenses tornaram-se IMITADORES [mimëtai&lt;3402&gt;=imitatores] de mimëtës como modelo e exemplo, como também pede aos de Corinto: Peço-vos, portanto, que sigam o meu exemplo (1 Cor 4,16). Porque Paulo lhes escrevia, dizendo: Até esta presente hora, sofremos fome e sede, e estamos nus, e recebemos bofetadas, e não temos pousada certa. E nos afadigamos, trabalhando com nossas próprias mãos. Somos injuriados, e bendizemos; somos perseguidos, e sofremos; Somos blasfemados, e rogamos; até o presente temos chegado a ser como o lixo deste mundo, e como a escória de todos (1 Cor 4, 11-13). Também o Senhor esteve sujeito a uma  rejeição violenta, como ele afirmou: Desde os dias de João o Batista até agora, se faz violência ao reino dos céus, e pela força se apoderam dele (Mt 11, 12). E dá a razão: porque receberam a palavra com GRANDE AFLIÇÃO [thlipsei &lt;2347&gt; pollë&lt;4183&gt;=tribulatione multa]: Thlipsis é a palavra grega que significa opressão, aflição, tribulação e perseguição, como em At 11, 19. Como tribulação Paulo fala aos romanos dizendo: Alegrai-vos na esperança, sede pacientes na tribulação, perseverai na oração (Rm 12, 12). Como dificuldade, em plural dificuldades, lemos 2 Cor 8, 13: Não digo que vão fazer bem a outros, a ponto de passarem dificuldades, a respeito da esmola dada para os outros fiéis em necessidade. Porém, sendo as tribulações externas, o interior está cheio do GOZO [chara&lt;5479&gt;=gaudium] do Espírito SANTO [agios&lt;40&gt;=sanctus]. Chara grego é gozo como em Mt 28, 8 em que as mulheres, saindo pressurosamente do sepulcro, com temor e grande alegria [chara], correram a anunciá-lo aos seus discípulos. Paulo descreve em Rm 14, 17 a realidade interna do Reino: o reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo. E Jesus descreve este gozo em Mt 25, 21: E o seu senhor lhe disse: Bem está, servo bom e fiel. Sobre o pouco foste fiel, sobre muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor. Agios uma coisa pertencente à divindade e consequentemente sagrada ou divina: Se alguém destroi o templo de Deus, também Deus o destruirá. De fato, o templo de Deus é santo [agios] e vocês são esse templo (1 Cor 3,17). PNEUMA: Dentre os espíritos, temos o ESPÍRITO HUMANO, como afirma Paulo: Eu, na verdade, ainda que ausente no corpo, mas presente no espírito, já determinei, como se estivesse presente, que o que tal ato praticou (1 Cor 5, 3). Os ESPÍRITOS MALIGNOS ou impuros: estava na sinagoga deles um homem com um espírito imundo, o qual exclamou (Mc 1, 23). Finalmente, o que chamamos de ESPÍRITO SANTO e que aparece primeiro em Mt 3, 11: Eu, em verdade, vos batizo com água, para o arrependimento; mas aquele que vem após mim é mais poderoso do que eu; cujas sandálias não sou digno de levar; ele vos batizará com o Espírito Santo, e com fogo. Esse Espírito nos foi dado como amor de Deus: o amor de Deus está derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado (Rm 5,5). Também dos dons carismáticos que não implicam necessariamente justificação. Finalmente do próprio Espírito Santo que habita dentro do homem, justificado pelo batismo, e que o Batista viu repousar em forma de pomba sobre Jesus (Jo 1, 32). Espírito que repousa ou habita interiormente em todo batizado, como rogavam em At 8, 15: Quando estes chegaram, oraram pelos crentes da Samaria para que recebessem o Espírito Santo.</p>
<p dir="ltr">MODELO: De modo que vos tornastes exemplos a todos os crentes na Macedônia e na Acaia(7). Ita ut facti sitis forma omnibus credentibus in Macedonia et in Achaia. EXEMPLOS [typoi&lt;5179&gt;=forma] A palavra typos significa MARCA, como em  Jo 20, 25: se eu não vir o sinal [typon] dos cravos em suas mãos, e não puser o dedo no lugar dos cravos, e não puser a minha mão no seu lado, de maneira nenhuma o crerei. IMAGEM ou estátua como em At 7, 43: Antes tomastes o tabernáculo de Moloc,e a estrela do vosso deus Refam, Figuras que vós fizestes para as adorar. MODELO como em At 7, 44: O tabernáculo do testemunho, como ordenara aquele que disse a Moisés que o fizesse segundo o modelo que tinha visto. Moralmente é um EXEMPLO ou paradigma como Fl 3,17: Sede também meus imitadores, irmãos, e tende cuidado, segundo o exemplo que tendes em nós, pelos que assim andam. MACEDÔNIA: província romana, estabelecida oficialmente em 146 aC depois que o general romano Quinto Cecílio Metelo derrotara Andrisco de Macedônia. Era então o resto do império macedônico que teve seu esplendor com Alexandre, o Magno. Salônica ou Tessalônica era a capital da região. Hoje ocupa o nordeste da Grécia atual. Ela foi também a cuna de Aristóteles. ACAIA: seu território corresponde com o Peloponeso, onde estava o golfo de Corinto, o monte Patras, a cidade de Esparta e a região de Arcádia ao norte desta última. Foi conquistada por Roma no ano 146 aC numa campanha militar conduzida por Lucio Mummio que terminou com a destruição de Corinto. Esta cidade era próspera nos tempos de Paulo, assim como Tessalônica. Falar de Macedônia e Acaia era praticamente falar de toda a Grécia continental em tempos do apóstolo.</p>
<p dir="ltr">LABOR DOS TESSALONICENSES: Por meio de vós há ressonado a palavra de(o) Deus não só na Macedônia e Acaia, mas também em todo lugar vossa fé, a dirigida a Deus, há ressonado de modo que não há necessidade de nós termos que falar alguma coisa (8). A vobis enim diffamatus est sermo Domini non solum in Macedonia et in Achaia sed in omni loco fides vestra quae est ad Deum profecta est ita ut non sit nobis necesse quicquam loqui. POR MEIO DE VÓS: Talvez por meio de Priscila e Áquila que chegaram de Roma, seguindo a expulsão dos judeus por Claudio, segundo lemos em At 18, 2, Paulo soube em Corinto das notícias de Macedônia, vindas de Roma, quando o casal se juntou a Paulo para falar de Jesus na sinagoga (At 18,2). EM TODO LUGAR: Sem dúvida que é um ditirambo; mas pelo menos em Roma, capital que acolhia toda novidade religiosa, a fama dos tessalonicenses como cristãos tinha chegado aos fiéis da capital do império. Após a entrada em Filipos, abortada pelos judeus, Tessalônica foi o lugar propriamente grego em que Paulo teve oportunidade durante um tempo de pregar e converter grande número de gregos (At 17, 4). Essa fé é descrita como DIRIGIDA A DEUS: como se disséssemos, de uma fé em ídolos, agora encontramos a fé no único e verdadeiro Deus; pois o número de conversos entre os pagãos de Tessalônica foi grande, segundo o livro dos Atos (cap 17). Essa fé é tão conhecida que Paulo diz que não tem necessidade dele contar como foi a conversão dos tessalonicenses quando chegar a uma outra cidade e especialmente em Roma. Ou também que ele não teve necessidade  de pregar o evangelho porque os próprios tessalonicenses o faziam de modo perfeito. A primeira conclusão parece mais conforme com o que Paulo escreve no versículo seguinte.</p>
<p dir="ltr">FINAL: Pois eles mesmos anunciam, no tocante a nós, que classe de entrada tivemos junto a vós e como os volvestes a(o) Deus desde os ídolos para servirdes o Deus vivo e verdadeiro (9). E para aguardardes o seu Filho dos céus, a quem levantou dentre os mortos, Jesus que nos livra da ira vindoura (10). Ipsi enim de nobis adnuntiant qualem introitum habuerimus ad vos et quomodo conversi estis ad Deum a simulacris servire Deo vivo et vero. Et expectare Filium eius de caelis quem suscitavit ex mortuis Iesum qui eripuit nos ab ira ventura; A acolhida de Paulo em Tessalônica foi muito comentada como vimos no versículo anterior, por ser uma cristianização em massa de gregos e pelo longo espaço de pregação de Paulo na sinagoga contra os judeus, que aparentemente não podiam o contradizer. Dessa pregação, Paulo resume os principais resultados: mudança do paganismo idolátrico ao monoteísmo estrito que Paulo declara ser o Deus VIVO [zön&lt;2198&gt;vivus]. Este atributo oposto ao morto como era todo ídolo, que em figura de homem principalmente, não podia nem ver, nem ouvir, nem andar (Ap 9, 29). O primeiro que usa a palavra vivo para o Deus monoteísta é Caifás: Conjuro-te pelo Deus vivo que nos digas se tu és o Cristo, o Filho de Deus (Mt 26, 63). VERDADEIRO:      [alëthinos&lt;228&gt;=verus] com o significado de verdadeiro ou real. VERDADEIRO, como em Jo 3, 33: Aceitar o seu testemunho é reconhecer que Deus é verdadeiro. Ou REAL, como em Jo 17, 3: A vida eterna consiste em conhecerem-te como único Deus verdadeiro e a Jesus Cristo, a quem enviaste. No AT temos Jahveh Elohim que poderíamos traduzir por o existente dos deuses ou o Deus vivo de Caifás. Assim temos um Deus que é real e amante da verdade. Mas essa fé tem uma esperança que é motivo da nova vida do cristão; pois nos movemos pelo desejo, que é esperança de um bem, neste caso supremo: a liberdade da IRA [orgë&lt;3709&gt;=ira] VINDOURA [erchomenë &lt;2064&gt; =ventura]. IRA: Frequentemente encontramos no NT a ira de Deus. Qual o significado? Em Jo 3, 36 encontramos a resposta inicial: Aquele que crê no Filho tem a vida eterna; mas aquele que não crê no Filho não verá a vida, mas a ira de Deus sobre ele permanece. A fé é a primeira causa de salvação. Se não dobrarmos a soberba mental diante da loucura do amor divino, nos espera a ira de Deus, como diz Dante nas portas do inferno, abertas pelo amor desprezado. Ira que recai sobre os filhos da desobediência (Ef 5, 6) ou da rebelião [os anjos rebeldes?](Cl 3, 6). Ira que também se manifesta diante da impiedade e da injustiça ante os homens necessitados: Porque do céu se manifesta a ira de Deus sobre toda a impiedade e injustiça dos homens, que detêm a verdade em injustiça (Rm 1, 18). VINDOURA: Muitos pensam que esta ira é a do juízo final na Parousia, em cujo caso o verbo ruomai &lt;4506&gt; deveria estar no futuro [livrará] e não no particípio de presente [livra]. No caso, com o presente que nos livra, Paulo expressa uma proposição dogmática, dando a Jesus o titulo de Redentor. Mas se traduzimos no futuro, a visão paulina se traslada ao juízo final, com Jesus como juiz supremo do universo. No primeiro caso, temos o juízo particular de cada pessoa, juízo que Paulo admite em Fl 1, 25: Tenho o desejo de partir e de estar com Cristo, o que seria incomparavelmente melhor. No segundo caso, o da Parousia, é para ouvir: Vinde, benditos de meu Pai, possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo (Mt 25, 34). Em ambos os casos serão recebidos como triunfadores, podendo a eles se referir as palavras de Jesus: levantai as vossas cabeças, porque a vossa redenção está próxima (Lc 21, 28). E não como vencidos, pisoteados pelo inimigo, como diz o Salmo 7, 5: Calque o inimigo aos pés a minha vida sobre a terra, e reduza a pó a minha glória.</p>
<h2>EVANGELHO (Mt 22, 34-40)</h2>
<p dir="ltr"><strong>Lugares paralelos:  Mc 12,28-31 e Lc 10, 25-28</strong></p>
<h3>O DEVER PRIMÁRIO DO HOMEM</h3>
<p dir="ltr"><strong>(Pe Ignácio, dos padres escolápios)</strong></p>
<p dir="ltr">INTRODUÇÃO: Os três sinóticos trazem o episódio do legista ou escriba tentando por Jesus à prova por meio de uma pergunta: Qual é o mandamento principal da lei? Embora Lucas difira um pouco, [que devo fazer para obter a vida eterna? &#8211; será a questão proposta pelo fariseu]  a pergunta é a mesma em essência. Dos três evangelistas podemos deduzir que a resposta de Jesus foi ad hominem, especialmente se seguimos Lucas,  isto é, perguntando por sua vez: Que recitas [lês em voz alta, será a melhor tradução de anagignoskeis = discernir ou ler] por meio da lei? (Lc 10, 26). E imediatamente o legista, ou escriba recitou o Shemá: Ouve, Israel! O Senhor é teu Deus. O Senhor é único. E amarás o Senhor, teu  Deus, com todo o teu coração, com toda tua alma, e com toda tua força (Dt 6,4-5).  Marcos acrescenta com toda a tua mente. Segundo Mateus e Marcos, parece que houve um intento de fazer um pulso com Jesus para ver sua qualidade como rabi, ou mestre. Jesus acabava de dar uma reposta magistral aos saduceus (Mt 22, 23-33) sobre a ressurreição dos mortos e, agora, era questão de saber sua altura teológica sobre uma questão na qual eles mesmos estavam divididos: Qual é o principal dos mandamentos da Lei? A pergunta é também atual, não só por sua materialidade, mas também porque na resposta encontraremos a base para realizar com perfeição todos os demais mandatos. O amor a Deus deve ser também a razão de que amemos ao próximo, ou cumpramos com perfeição os mandamentos da segunda tábua. É falso afirmar que amar uma pessoa por amor a Deus e não por amor a ela mesma, seria bastante estranho e o próprio Jesus não  terminaria de o entender. (J A P).</p>
<p dir="ltr">OS FARISEUS: Mas os fariseus, tendo ouvido que tinha silenciado os saduceus, reuniram-se sobre isso (34). Pharisaei autem audientes quod silentium inposuisset Sadducaeis convenerunt in unum. NOME: Da palavra parisaya [plural farisim, já que p e f eram sons confundíveis em hebraico] significa separados. Aparecem como grupo à parte nos tempos de Hircano [c. de 135 aC], separados do resto do povo que não guardava a lei e que, portanto,  poderia ser considerado como ímpio.  Mas foi no reinado de Alexandra (76-67 aC) que começam a ter influência como o grupo mais respeitado do judaísmo e, portanto, como líderes do mesmo. IDEOLOGIA: O que era peculiar ao farisaísmo era que procurava, mediante a obediência à Torah [Lei], representar o verdadeiro povo de Deus que se preparava para a vinda do Messias. Os pontos de vista eram os preceitos legais, observados com toda escrupulosidade, tanto os que se referiam à purificação como as datas sagradas e as ações rituais. A tradição era tão obrigatória como a lei escrita, de modo que Rabi Shammai podia afirmar que tinha duas Torah: a Torah escrita e a Torah oral. Nisso se diferenciavam dos saduceus que só consideravam como lei o Pentateuco e conseguiam persuadir os ricos, enquanto os fariseus tinham a seu lado a multidão. Praticamente, toda a vida veio a ser regulada por uma série de disposições individuais. Como atos de purificação, adotaram os ritos severos que eram próprios dos sacerdotes antes dos atos litúrgicos. Afirmavam que havia 613 preceitos dos quais eram negativos tanto quantos dias tem o ano (365) e o resto (248) eram positivos. Os escribas davam preferência aos mandatos transmitidos por via oral (Mt 15, 2). Adotaram os conceitos persas e helenísticos da ressurreição e do julgamento depois da morte e da existência de seres supra-humanos como anjos e demônios que os saduceus rejeitavam (At 23, 8). Em política, contra os zelotes, renunciavam a todo ato de violência. Aguardavam o Messias que os saduceus não esperavam. No NT são nomeados 75 vezes. Três dos evangelistas tratam dos fariseus como inimigos de Jesus, com a exceção de Nicodemos, por sua hipocrisia (Mt 23, 15) e por sua cegueira em compreender o verdadeiro messiado, não aceitando Jesus por suas implicações teológicas ( Lc 5, 21 e Jo 7, 48) e iniciando a perseguição dos primeiros discípulos, como foi o caso de Saulo, antes de sua conversão. Lucas parece que opta por um termo médio. Há fariseus que aceitam Jesus (At 5, 34 e 23, 9) e outros mais intransigentes que o rejeitam como Saulo. NÚMERO: Eram aproximadamente 6 mil no tempo de Jesus. Dividiam-se em grupos não menores de 12 e não maiores de 20, segundo o que estava prescrito sobre o banquete pascal. Tinham como costume celebrar, cada sábado, um banquete na casa de um dos que formavam o grupo. O banquete era preparado antes das 6 horas da tarde da sexta feira e se celebrava depois dessa hora. Sua principal ocupação era o estudo da lei, de modo que desprezavam o povo comum, chamado de ham-haaretz ou povo da terra, aos quais jamais convidariam para seus banquetes. Não obstante, um deles, Simão, convidou Jesus a um desses banquetes como lemos em Lucas 7, 36. O SILÊNCIO: Como lemos em Mt 22, 23-33 a pergunta dos saduceus foi sobre a ressurreição dos mortos, que Jesus resolveu mostrando a inépcia dos interrogadores. As ideias que tinham dos ressuscitados eram exageradamente materiais e humanas e como tal não correspondiam com a realidade. O CONSELHO: Foi uma reunião informal, e o assunto era Jesus: como demonstrar que era um incompetente como Rabi. O grego usa a frase epi auto, temos traduzido como se fosse uma frase neutra [sobre isso], mas pode ser do gênero masculino [sobre ele] ou seja sobre Jesus. A Vulgata traduz in unum, que creio não corresponde exatamente ao texto grego, que, por outra parte é traduzido por entorno a El, nos comentários em espanhol de Tuya O.P. Outras traduções: insieme, together, em grupo, não me parece mais prováveis.</p>
<p dir="ltr">OS MANDAMENTOS: Então interrogou um deles, jurista, tentando-lhe e dizendo (35): Mestre, que mandato (é) grande na Lei? (36). Et interrogavit eum unus ex eis legis doctor temptans eum. Magister quod est mandatum magnum in lege. JURISTA: A palavra NOMIKÓS significa um experto na Lei, que hoje diríamos jurista. Mestre é o mesmo vocábulo usado anteriormente na pergunta do tributo em Mt 22, 17, com a intenção de logo ironizar sobre a idoneidade de Jesus como versado na Lei, o qual ridicularizava em extremo sua liderança. A pergunta, em grego, que tem comparativos e superlativos, adoece de uma falta de sintaxe, mas indica uma tradução literal de uma língua semítica que carece dos mesmos. Seria: qual é o maior dos mandatos na Lei. Nas versões mais literais se introduz o artigo definido para ficar como qual é o grande mandamento na Lei, ou the great commandment. Corretamente, Marcos fala do principal [prötë] de todos (12, 28). Em Lucas, a pergunta é: o que devo fazer para obter a vida eterna? (10, 25). Os judeus distinguiam entre Torah [Lei] e mandatos [Mizvoth em hebraico e Entolai em grego]. Um dito farisaico afirmava que O Santo [Há Kadosh] só revelou a recompensa a dois preceitos. O mais importante: Honra os teus pais (Êx 20,22) e o menor de todos: Deixa livre a mãe quando pegares os filhotes dos passarinhos (Dt 22,7). Dos 613 mandatos, 365 eram negativos e 248 positivos. Os legistas davam preferência aos mandatos transmitidos por via oral {as tradições dos anciãos de que fala Jesus (Mt 15,2)} sobre os escritos como lei de Moisés (Mt 15,3). Não se discutia se as leis cerimoniais, como referidas ao culto, eram superiores aos preceitos morais referidos aos homens, nem se discutia entre preceitos grandes e pequenos (Mt 23, 23 e Mt 5,19). Era importante saber qual deles era o [megalé] grande (sic) na Lei, ou seja, um superlativo, segundo as normas das línguas semitas: Qual era o maior dos mandamentos prescritos por Moisés? Na resposta, Jesus fala de prótë [principal ou primeiro em excelência]. Os próprios fariseus falavam do Sábado, já que diziam que quem guarda o sábado guarda toda a lei. Outros diziam que era a observância das três refeições ou banquetes nas três festas principais como era tradição entre os anciãos e que sempre se celebravam no Sábado da correspondente semana. Outros falavam do sacrifício diário do cordeiro no templo.</p>
<p dir="ltr">A RESPOSTA: Jesus, pois, lhe disse: Amarás (o) Senhor, o teu Deus de todo o teu coração, e em toda a tua alma e em toda a tua mente (37). Ait illi Iesus diliges Dominum Deum tuum ex toto corde tuo et in tota anima tua et in tota mente tua. Segundo Mateus e Marcos, Jesus dá uma resposta direta. É a resposta do Shemá.  Mas a leitura de Lucas é a mais provável: Jesus pergunta, em termos socráticos, por sua vez: Que está escrito na lei, como  recitas a mesma (Lc 10, 26)? Ou seja, qual é o dever iniludível e diário, como oração e como adoração de um judeu religioso? Sem dúvida, Jesus está perguntando pelo SHEMÁ, a recitação da lei, feita duas vezes por dia, por todo judeu maior de idade. Essa lei era a que estava dentro das filaterias, as caixinhas amarradas na fronte. O Shemá constituía a confissão de fé fundamental de Israel. Consta o Shemá de três lugares da Escritura: A primeira parte (Dt 6,4-9) consiste na profissão de fé no Deus do céu e da terra, manifestando a total consagração do homem a ele. A esta declaração de fé a chamavam tomar sobre si o jugo da soberania celestial. Nela se faz do amor de Deus o rasgo fundamental da piedade judaica que por amor a Deus é capaz de sacrifício e renúncia. Do versículo 8 [as atarás a tua mão como um sinal e serão como um frontal entre os teus olhos] os mestres da lei fabricaram os filatérios na fronte e na mão esquerda. É provável que também Jesus usasse os mesmos, especialmente para orar, particularmente, de manhã cedo. Dizem do rabi Aquiba que, torturado e penteadas suas carnes com ganchos de ferro, afirmou: Agora conheço o que significa com toda tua alma e pronunciou a palavra único várias vezes até que saiu dele a alma com esta palavra. A segunda parte (Dt 11,13-21) é uma exortação a cumprir os mandatos do Senhor. A terceira parte (Nm 15,37-41) é o mandato de tecer um manto com faixas e borlas para servir de recordação dos mandatos. São os tsitsit ou franjas do manto chamado Talit. Comparado este texto de Mateus com o grego da Setenta temos as seguintes diferenças: no lugar de dianoia [pensamento como causa, ou seja, mente] está dunamis [força, capacidade]  e no lugar do ex preposição de procedência, temos, em Mateus, para o segundo e o terceiro agentes [alma e entendimento] o en geralmente traduzido por em, mas que pode ter o significado de lebab&lt;03824&gt; [o ser interior], nephesh&lt;05315&gt;  [alento ou espírito de vida], maod&lt;03966&gt; [poder, força]. E implicam um pleonasmo contínuo para indicar que todo o ser humano, em potencial, deve ser usado no amor a Deus.</p>
<p dir="ltr">O SEGUNDO: Este é primeiro e grande mandato (38). Mas (o) segundo é semelhante a ele: amarás teu próximo como a ti mesmo (39). Hoc est maximum et primum mandatum. Secundum autem simile est huic diliges proximum tuum sicut te ipsum. Semelhante em motivo e objeto: o amor ao próximo que Lucas explicará com uma parábola quem é o tal próximo. Ou seja, todo necessitado, todo aquele que necessita de misericórdia de modo especial.  O próximo, que em grego é traduzido por Plësios [vizinho, contíguo], tem em hebraico a palavra Rea como expressão do mesmo com outras conotações. Segundo o comentário bíblico moderno do rabino Meir Matziliah, as palavras que designam companheiro, próximo e irmão são réa – amith- ben- am- ah. Ah é irmão e era usado para todo israelita. Em Lv 19, 17-18 saem esses quatro termos ah (irmão) amith (companheiro), bem (filho) am (povo) e rea (próximo) A citação será: Não odiarás o teu irmão [ah 0251] no teu coração; repreenderás a teu companheiro [amith 05997] e por causa dele não levarás sobre ti pecado(17). Não te vingarás nem guardarás ira contra os filhos [ben 01121] do teu povo [am 05971]; mas amarás o teu próximo [rea 07453] como a ti mesmo. O texto do Levítico (19, 18) frequentemente citado de amarás o próximo como a ti mesmo é um texto negativo de não fazer o mal, pois começa com não te vingarás nem guardarás ira contra os filhos de teu povo, mas amarás o teu amigo [rea em hebraico significa companheiro, irmão] como a ti mesmo. A Vulgata traduz rea como amicum e o grego como plesion, este como próximo, ou vizinho. A Nova Vulgata usa o proximum. Vemos que é um texto negativo impedindo atos de vingança ou de rancor. Mas Jesus, ao citar o mandato, dizendo que é semelhante ao primeiro, o transforma em amor positivo, amplamente descrito em Lucas como se demonstra com a parábola do bom samaritano. O próximo é todo aquele que necessita de nossa ajuda sem distinção de qualquer  classe. Ele deve ser amado como nos amamos a nós mesmos. E como mandato positivo, ele obriga sempre. Os dois mandatos são semelhantes, porque têm a mesma motivação: o amor.</p>
<p dir="ltr">A LEI E OS PROFETAS: Destes dois mandamentos toda a lei e os profetas estão pendurados (40). In his duobus mandatis universa lex pendet et prophetae. Esta frase, que temos  sublinhado, para um judeu significava a Sagrada Escritura, a Revelação. Com esta afirmação,  Jesus declara que toda a obra divina feita para o povo de Israel  teve como motor o amor e que o amor que Deus espera dos homens é uma resposta ao amor anteriormente recebido pelos mesmos. Por isso, a lei explica o modo de amar a Deus como sendo total: em todo teu coração [kardia], e em toda tua alma [psyché] e em toda tua mente [dianoia]. A vulgata traduz o En grego por ex toto corde  e por in tota anima e in tota mente. É uma tradução do Becol hebraico original, que a Setenta traduz com a preposição EX ou EK e que tem o significado como desde ou tendo como origem. Exatamente como trazem Marcos e Lucas o becol é traduzido por Ex [desde] como faz a Vulgata: ex toto corde tuo et ex tota anima tua et ex tota fortitudine tua. A Fortitudo [força] foi trocada por Mateus por Dianoia [mens latina e entendimento português]. Com isso, ele conseguia entrar no mundo tripartido dos Pitagóricos que dividiam o ser humano em corpo, alma e razão, e do qual temos uma reminiscência em Paulo, aos Tessalonicenses, falando do espírito, alma e corpo (5, 23). A ideia, como vemos, é que Deus é o Senhor absoluto e a ele devemos tudo o que temos. Foi tendo em mente esse relacionamento Senhor/súdito, esse Senhor que tirou Israel da terra do Egito, que a vida humana se torna uma dívida e que Jesus dirá: Devolvei a César [o senhor temporal] o que é de César e a Deus o que é de Deus (Mt 22, 21). É agora que Jesus explica em que consiste esse tributo a Deus: Não era propriamente dar dois dracmas – o dobro que anualmente se dava como capitatio ao César &#8211; mas era um tributo total. A reposta de Maria, eis a escrava do Senhor:  faça-se em mim a tua palavra, é a única correspondente a toda criatura que quer cumprir com esse mandamento as responsabilidades de uma vida, que só a Deus pertence. Deus deve ocupar o primeiro lugar em nossos planos [mente], em nossos desejos [coração] e em nossas atividades [corpo]. Devemos cumprir em nossas vidas o que rezamos em nossas orações: Faça-se em mim a tua vontade como ela é suprema no céu. Este é o nosso Shemá Cristão.</p>
<p dir="ltr">CONCLUSÕES: O mandato supremo não é negativo, mas positivo. Indica que fazer o bem é muito mais importante que evitar o mal. 1o) Esse bem que desejamos realizar se traduz no amor que estamos obrigados a dar. 2o) Que se nossa vontade total (mente, alma e forças) está dirigida, todo o pensamento, todo o ser e toda nossa força estarão implicados e facilmente o mal será evitado. 3o) Que o amor não deve ser unicamente o fim como mandato mas o motivo e a razão de toda conduta. Exclusivo e total em nossa vida, qualquer deficiência ou insuficiência devem ser consideradas como pecado; ao grande mandamento corresponde logicamente o grande pecado. Em Deus, o amor é misericórdia devido à pequenez e debilidade do homem. No próximo e para o próximo o amor é benevolência e bondade, além de equidade e justiça. O budismo se fecha em si mesmo. Judaísmo e Islã se fecham na comunidade, e debatem o mal com o mal. Só o cristianismo rejeita o mal, mas acolhe o pecador como próximo e assim transforma a regra da caridade em norma universal.</p>
<p dir="ltr">PISTAS: 1) Jesus não responde unicamente à pergunta de qual é o mandato mais importante, mas dá uma visão total da vida, como estando sujeita a um dever fundamental: nascemos, vivemos e realmente crescemos para amar. Todo outro caminho está equivocado. E esse amor tem como objeto o outro. O Outro que é Deus  e o outro que é o homem com quem convivemos. Se nessa relação com o outro existisse uma outra razão fora do amor, podemos afirmar que essa relação seja dinheiro, poder, sexo, ou prazer, estaria errada e seria a base do pecado.</p>
<p dir="ltr">2) A Deus o amamos mais do que a nós mesmos: com tudo que é nosso, sem medida, que é a verdadeira medida do amor a Deus. Ao próximo como a nós mesmos. Estas são as únicas diferenças entre um e outro amor. O primeiro é total e absoluto. O segundo é relativo, mas não oposto ao maior amor com o qual amamos: aquele com o qual amamos e estimamos nossa própria vida, saúde e bem-estar.</p>
<p dir="ltr">3) Nesse amor encontramos a medida exata de nossa autêntica realidade. Qualquer outra regra de conduta é falsa e não oferece a razão verdadeira ou causa formal de nossa existência. Nascemos para amar porque somos, por causa de Deus e de nossos pais, produtos do amor.</p>
<p dir="ltr">4) Todos os dias, e, especialmente nos momentos de reflexão, devemos pensar: como podemos amar melhor as pessoas com as quais convivemos. Amar é uma entrega de pequenos sacrifícios e de insignificantes renúncias. Porém somadas, constituem o grande holocausto em que se consome uma existência que produz a grande convivência de confiança, paz, liberdade e felicidade de todos.</p>
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		<title>Roteiro Homilético – XXX Domingo do Tempo Comum – Ano A</title>
		<link>https://presbiteros.org.br/roteiro-homiletico-xxx-domingo-do-tempo-comum-ano-a-2/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Pe. Demétrio Gomes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 19 Oct 2026 13:11:54 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Roteiros Homiléticos]]></category>
		<category><![CDATA[xxx domingo do tempo comum ano a 2026]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>RITOS INICIAIS Salmo 104, 3-4 ANTÍFONA DE ENTRADA: Alegre-se o coração dos que procuram o Senhor. Buscai o Senhor e o seu poder, procurai sempre a sua face. Introdução ao espírito da Celebração A nossa vida terrena é tremendamente passageira. É mesmo «como um ai que mal soa, ou como uma nuvem que passa». Como é [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<h2>RITOS INICIAIS</h2>
<p><em>Salmo</em> 104, 3-4</p>
<p>ANTÍFONA DE ENTRADA: Alegre-se o coração dos que procuram o Senhor. Buscai o Senhor e o seu poder, procurai sempre a sua face.</p>
<h3>Introdução ao espírito da Celebração</h3>
<p>A nossa vida terrena é tremendamente passageira. É mesmo «como um ai que mal soa, ou como uma nuvem que passa». Como é tão necessário aproveitá-la, já que dela depende uma vida que não tem fim – a eternidade!</p>
<p>Esta vida será bem vivida, na medida em que, em cada momento, fizermos o melhor. Como é importante não nos enganarmos! Cada dia que passa não volta.</p>
<p>Jesus, que é o Caminho, a Verdade e a Vida, diz-nos claramente como devemos proceder para, em cada momento, fazermos o melhor. Vamos estar atentos à Palavra de Deus, que hoje nos vai ser dirigida.</p>
<p>ORAÇÃO COLECTA: Deus eterno e omnipotente, aumentai em nós a fé, a esperança e a caridade; e para merecermos alcançar o que prometeis, fazei-nos amar o que mandais. Por Nosso Senhor&#8230;</p>
<h2>LITURGIA DA PALAVRA</h2>
<h3>Primeira Leitura</h3>
<p><strong>Monição</strong><strong>:</strong> Os estrangeiros, órfãos, viúvas, pobres em geral e todos os marginalizados da vida, são particularmente protegidos pelo Senhor. Ele está atento à maneira como são tratados por nós.</p>
<p><em><strong>Êxodos</strong> 22, 21-27 (20-26)</em></p>
<p><em><strong>Eis o que diz o Senhor: <sup>21</sup>«Não prejudicarás o estrangeiro, nem o oprimirás, porque vós próprios fostes estrangeiros na terra do Egipto. <sup>22</sup>Não maltratarás a viúva nem o órfão. <sup>23</sup>Se lhes fizeres algum mal e eles clamarem por Mim, escutarei o seu clamor; <sup>24</sup>inflamar-se-á a minha indignação e matar-vos-ei ao fio da espada. As vossas mulheres ficarão viúvas, e órfãos, os vossos filhos. <sup>25</sup>Se emprestares dinheiro a alguém do meu povo, ao pobre que vive junto de ti, não procederás com ele como um usurário, sobrecarregando-o com juros. <sup>26</sup>Se receberes como penhor a capa do teu próximo, terás de lha devolver até ao pôr do sol, <sup>27</sup>pois é tudo o que ele tem para se cobrir, é o vestuário com que cobre o seu corpo. Com que dormiria ele? Se ele Me invocar, escutá-lo-ei, porque sou misericordioso».</strong></em></p>
<p>Estas prescrições legais pertencem àquela parte do Êxodo chamada pelos críticos <em>Código da Aliança </em>(<em>Ex</em> 20, 22 – 23, 19; certamente pelo facto de que em 24, 7 se chama «Livro da Aliança»); estamos na sua primeira parte, que se compõe de <em>leis casuísticas</em> (os <em>mixpatîm</em><em>,</em> ou leis formuladas de modo condicional: «<em>se…»,</em> reflectindo uma certa primitiva jurisprudência), a que se segue uma 2ª parte, as <em>leis apodícticas</em> (<em>Ex</em>22, 17 – 23, 19, umas leis formuladas no modo imperativo, em hebraico ditas <em>devarîm</em>). Estas leis, que correspondem a outros códigos legais semitas do Antigo Médio Oriente, têm a particularidade de serem apresentadas como algo que faz parte das exigências da Aliança de Deus. Com a <em>canonização</em> dessas leis, toda a vida do povo, em todos os campos – sócio-político, pessoal e institucional, particular e familiar,cultual e profano –, adquire um carácter religioso. Note-se ainda a extraordinária humanidade e sábia pedagogia destas normas para virem a preparar a Lei evangélica do amor.</p>
<p>25-26 Ainda hoje os árabes, de igual maneira, usam como manta para se agasalharem de noite o mesmo manto ou capa com que se cobrem durante o dia.</p>
<h3>Salmo Responsorial</h3>
<p><em>Sl 17 (18), 2-3.7.47.51ab (R. 2)</em></p>
<p><strong>Monição</strong><strong>:</strong> No seu conjunto, este Salmo, é uma acção de graças pelas vitórias que o Senhor deu a David e à sua descendência. As antífonas orientam-nos para Jesus Cristo, o verdadeiro Ungido do Senhor.</p>
<p>Cristo é a nossa força. O amor de Deus é o essencial da Antiga e da Nova Aliança.</p>
<p><strong>Refrão: </strong> <em>EU VOS AMO, SENHOR: SOIS A MINHA FORÇA.</em></p>
<p><em><strong>Eu Vos amo, Senhor, minha força,</strong></em></p>
<p><em><strong>minha fortaleza, meu refúgio e meu libertador.</strong></em></p>
<p><em><strong>Meu Deus, auxílio em que ponho a minha confiança,</strong></em></p>
<p><em><strong>meu protector, minha defesa e meu salvador.</strong></em></p>
<p><em><strong>Na minha aflição invoquei o Senhor</strong></em></p>
<p><em><strong>e clamei pelo meu Deus.</strong></em></p>
<p><em><strong>Do seu templo Ele ouviu a minha voz</strong></em></p>
<p><em><strong>e o meu clamor chegou aos seus ouvidos.</strong></em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em><strong>Viva o Senhor, bendito seja o meu protector;</strong></em></p>
<p><em><strong>exaltado seja Deus, meu salvador.</strong></em></p>
<p><em><strong>O Senhor dá ao Rei grandes vitórias</strong></em></p>
<p><em><strong>e usa de bondade para com o seu Ungido.</strong></em></p>
<h3>Segunda Leitura</h3>
<p><strong>Monição</strong><strong>:</strong> S. Paulo elogia os Tessalonicenses pela vivência alegre e convicta de sua fé. Tal comportamento era modelo para outras comunidades.</p>
<p><em>1 <strong>Tessalonicenses</strong> 1, 5c-10</em></p>
<p><em><strong>Irmãos: <sup>5c</sup>Vós sabeis como procedemos no meio de vós, para vosso bem. <sup>6</sup>Tornastes-vos imitadores nossos e do Senhor, recebendo a palavra no meio de muitas tribulações, com a alegria do Espírito Santo; <sup>7</sup>e assim vos tornastes exemplo para todos os crentes da Macedónia e da Acaia. <sup>8</sup>Porque, partindo de vós, a palavra de Deus ressoou não só na Macedónia e na Acaia, mas em toda a parte se divulgou a vossa fé em Deus, de modo que não precisamos de falar sobre ela. <sup>9</sup>De facto, são eles próprios que relatam o acolhimento que tivemos junto de vós e como dos ídolos vos convertestes a Deus, para servir ao Deus vivo e verdadeiro <sup>10</sup>e esperar dos Céus o seu Filho, a quem ressuscitou dos mortos: Jesus, que nos livrará da ira divina que há-de vir.</strong></em></p>
<p>Este texto é a continuação do de há oito dias.</p>
<p><strong>6 </strong>Em <em>Act</em> 17, 5-9 faz-se uma descrição duma dessas muitas tribulações.</p>
<p><strong>7</strong> «<em>Macedónia e Acaia». </em>Eram as duas províncias da administração romana em que então se dividia a Grécia. S. Paulo estava a escrever da Acaia, pois estava em Corinto; Tessalónica (cujo nome procedia da mulher de Cassandro, general de Alexandre, fundador da cidade) ficava na Macedónia.</p>
<p><strong>10</strong><em> «Ira divina que há-de vir»</em>. A ira divina é uma imagem para falar do estrito juízo de Deus a que ninguém pode escapar; <em>há-de vir,</em> isto é, há-de manifestar-se no fim do mundo, por ocasião do Juízo final. Para nós a ira é uma paixão; mas, quando na S. E. se refere a Deus, designa a sua justiça punitiva. Jesus, pela sua obra redentora, livrou-nos do castigo divino merecido.</p>
<h3>Aclamação ao Evangelho</h3>
<p><em>Mt 15, 20</em></p>
<p><strong>Monição</strong><strong>:</strong> Jesus diz-nos que o essencial da Lei de Deus é o Amor e aponta caminhos que devemos seguir para assim fazermos o máximo aproveitamento da vida.</p>
<h3>ALELUIA</h3>
<p><em><strong>Se alguém Me ama, guardará a minha palavra, diz o Senhor;</strong></em></p>
<p><em><strong>meu Pai o amará e faremos nele a nossa morada.</strong></em></p>
<h2>Evangelho</h2>
<p><em><strong>São Mateus</strong> 22, 34-40</em></p>
<p><em><strong>Naquele tempo, <sup>34</sup>os fariseus, ouvindo dizer que Jesus tinha feito calar os saduceus, reuniram-se em grupo, <sup>35</sup>e um doutor da Lei perguntou a Jesus, para O experimentar: <sup>36</sup>«Mestre, qual é o maior mandamento da Lei?»<sup>37</sup>Jesus respondeu: «‘Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todo o teu espírito’. <sup>38</sup>Este é o maior e o primeiro mandamento. <sup>39</sup>O segundo, porém, é semelhante a este: ‘Amarás o teu próximo como a ti mesmo’. <sup>40</sup>Nestes dois mandamentos se resumem toda a Lei e os Profetas».</strong></em></p>
<p>A questão posta a Jesus tinha como base a multiplicidade de leis mosaicas, ao todo 613.</p>
<p><strong>37 </strong>«<em>Jesus respondeu»</em>, citando uma passagem do A.T. (o texto é mais exacto em <em>Mc</em> 12, 29-30), que todo o judeu piedoso recitava duas vezes por dia – a chamada <em>Xemá</em> – e que muitos escreviam e metiam dentro das filactérias ou caixinhas que atavam à testa, ao braço esquerdo ou às costas da mão (cf. <em>Dt</em> 6, 4-9).</p>
<p><strong>38-39</strong> «<em>O primeiro mandamento… O segundo…». </em>Sendo inseparáveis estes dois preceitos, há neles uma jerarquia: devemos amar a Deus mais do que a ninguém e dum modo incondicional; ao próximo, como consequência e efeito do amor a Deus. Se amasse ao próximo por ele mesmo, e não por amor a Deus, esse amor impediria o cumprimento do primeiro mandamento e deixaria de ser autêntico amor ao próximo, pois entrar-se-ia pelo caminho de pouco se interessar pela sua salvação eterna e de vir a reduzir o próximo a uma determinada classe de pessoas, as que agradam ou oferecem vantagens, ou de o equiparar ao amor a um cachorrinho ou a um gato de estimação.</p>
<p><strong>Sugestões para a homilia</strong></p>
<p>O mais importante da vida.</p>
<p>A nossa correspondência ao amor de Deus.</p>
<p>A importância do amor ao próximo.</p>
<p>Como a vida será bem aproveitada.</p>
<p>1. O mais importante da vida.</p>
<p>Deus, que é Amor, criou-nos por amor e criou-nos para amar, pelo que, o amor, surge como o «habitat» natural e sobrenatural do nosso viver. Feliz quem ama e sabe amar. Por isso, à pergunta do doutor da Lei, Jesus afirma que no amor a Deus e ao próximo se resume toda a Lei e os Profetas.</p>
<p>Os rabinos de então descobriram na Bíblia 613 mandamentos: 365 proibições e 248 acções o que gerava em todos uma grande confusão. Era assim demasiado pesado o fardo que colocavam sobre as pessoas. Além disso, discutiam qual deles seria o maior. Havia quem afirmasse, que o mais importante, deveria ser o descanso de Sábado. No meio de tantas dúvidas, como vimos no Evangelho de hoje, um doutor da Lei, para experimentar Jesus, perguntou-Lhe: «Mestre, qual é o maior mandamento da Lei?» E Jesus imediatamente respondeu: «Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todo o teu espírito». Este é o maior e o primeiro mandamento. O segundo, porém, é semelhante a este: «Amarás o teu próximo como a ti mesmo». «Nestes dois mandamentos se resumem toda a Lei e os Profetas».</p>
<p>2. A nossa correspondência ao Amor de Deus.</p>
<p>Não podemos ter dúvidas, o Senhor, que é a Verdade, foi bem claro. Estaremos a aproveitar tanto melhor o tempo que Deus nos dá, quanto mais O amarmos de todo o coração. Ele não aceita corações divididos. Esta doação total concretiza-se com o cumprimento generoso e alegre da vontade do mesmo Deus. Para que seja possível esta maneira tão proveitosa de viver, é necessário que se dê prioridade à oração e à recepção assídua dos Sacramentos, onde se encontra a verdadeira fonte do Amor e a força para amar e para cumprir, com fidelidade, o plano amoroso que Deus a cada um quis conceder. Tudo isto pressupõe um plano de vida levado muito a sério. Com tais pressupostos essenciais, a vida será bem vivida e como que transformada em oração, com a possibilidade do tão necessário amor, não só existir, mas também crescer em nós. Assim, tudo poderá ser grande diante de Deus, pois que a grandeza das coisas depende apenas do amor com que são executadas.</p>
<p>3. A importância do nosso amor ao próximo.</p>
<p>Como vimos, Jesus chamou a atenção para a importância do amor ao próximo, equiparando-o ao próprio amor a Deus. Ele quer a salvação de todos os homens. Por todos morreu na cruz. Não podemos dizer que amamos a Deus, se não amamos o que Ele ama também. E o próximo, que Ele ama, são todos os outros. Todos, sem excepção: os nossos amigos e inimigos, santos e pecadores. Este amor aos outros, além de universal, deverá ser sincero e constante. Amar é estar ao serviço, atento às necessidades dos outros. Podemos mesmo afirmar que «o egoísmo é o suicídio do amor». Assim o amor aos outros surge como indicador do verdadeiro amor a Deus. A primeira Leitura chama particularmente a atenção para o socorro a prestar aos órfãos e às viúvas, isto é, aos mais carenciados e marginalizados da sociedade.</p>
<p>Esta preocupação pelos outros, não pode limitar-se às carências de bens materiais. Importa que todos encontrem também o verdadeiro caminho da salvação. Caminhos que temos também obrigação de apontar com o nosso viver. Na hora que passa, existem por aí, tantos desvios doutrinais no campo da justiça e da moral, concretamente na vivência da sexualidade, nas infidelidades conjugais, na mesquinhez verificada na aceitação dos filhos e sua educação integral, em tanta rejeição ao magistério da Igreja, na vida de namoro, no cumprimento de todos os mandamentos de Deus. Sinais desses caminhos errados estão certos comentários feitos recentemente a propósito dos 40 anos da maravilhosa e corajosa Encíclica de Paulo VI «Humanae Vitae».</p>
<p>Como Jesus lembra «que vale ao homem ganhar o mundo inteiro se perder a sua alma?»</p>
<p>Importa que todos, todos se salvem. É urgente lançar-lhes uma mão salvadora.</p>
<p>Como é importante preocuparmo-nos com a sorte eterna de todos. Rezar pela conversão dos pecadores foi um dos grandes pedidos de Nossa Senhora, em Fátima, afirmando mesmo que «vão muitas almas para o inferno, por não haver quem se sacrifique e peça por elas». Ensinou mesmo aos pastorinhos uma jaculatória para interceder por eles: «Ó meu Jesus perdoai-nos e livrai-nos do fogo do inferno&#8230;socorrei sobretudo as almas mais precisadas». E «as almas mais precisadas» são os pecadores que estão em maior perigo de se perderem.</p>
<p>Na segunda Leitura, S. Paulo, manifesta a sua alegria por saber que os Tessalonicenses se amam e assim se tornam exemplo vivo para todos os crentes.</p>
<p>4. Como a vida será bem aproveitada.</p>
<p>Um dia seremos julgados pelo amor. Assim, a nossa vida na terra, será bem vivida, bem aproveitada, se amarmos a Deus sobre todas as coisas, com todo o coração e a todo o próximo pelo Seu amor. Cada dia da vida que passa, deverá ser vivido com mais amor. Só com uma vida assim, estaremos, com a misericórdia do Senhor, no caminho do reino dos céus, que é o Reino do Amor.</p>
<p><strong>Fala o Santo Padre</strong></p>
<p>«No amor se resume toda a lei divina.»</p>
<p>[…] A liturgia de hoje convida-nos a contemplar a Eucaristia como fonte de santidade e alimento espiritual para a nossa missão no mundo: este sumo «dom e mistério» manifesta e comunica a plenitude do amor de Deus.</p>
<p>A Palavra do Senhor, que há pouco ressoou no Evangelho, recorda-nos que no amor se resume toda a lei divina. O dúplice mandamento do amor de Deus e do próximo contém os dois aspectos de um único dinamismo do coração e da vida. Assim, Jesus leva a cumprimento a revelação antiga, sem acrescentar um mandamento inédito, mas realizando em si mesmo e na própria acção salvífica a síntese viva das duas grandes palavras da antiga Aliança: «Amarás o Senhor, teu Deus, com todo o teu coração&#8230;» e «Amarás o próximo como a ti mesmo» (cf. <em>Dt</em> 6, 5; <em>Lv</em> 19, 18). Na Eucaristia nós contemplamos o Sacramento desta síntese viva da lei: Cristo entrega-nos em si mesmo a plena realização do amor a Deus e do amor aos irmãos. Ele comunica-nos este seu amor quando nos alimentamos do seu Corpo e do seu Sangue. Pode então realizar-se em nós quanto escreve São Paulo aos Tessalonicenses na segunda Leitura de hoje: «convertestes-vos dos ídolos de Deus, para servirdes o Deus vivo e verdadeiro» <em>(1 Ts</em> 1, 9). Esta conversão é o princípio do caminho de santidade que o cristão está chamado a realizar na sua existência. O santo é aquele que, sentindo-se de tal forma atraído pela beleza de Deus e pela sua perfeita verdade, progressivamente por ele é transformado. Por esta beleza e verdade está pronto a renunciar a tudo, também a si mesmo. Para ele é suficiente o amor de Deus, que experimenta no serviço humilde e abnegado do próximo, sobretudo de quantos não são capazes de retribuir. […]</p>
<p>Bento XVI, Vaticano, 23 de Outubro de 2005</p>
<p><strong>LITURGIA EUCARÍSTICA</strong></p>
<p>ORAÇÃO SOBRE AS OBLATAS: Olhai, Senhor, para os dons que Vos apresentamos e fazei que a celebração destes mistérios dê glória ao vosso nome. Por Nosso Senhor&#8230;</p>
<p><strong>SANTO</strong></p>
<p>Monição da Comunhão</p>
<p>Na Sagrada Comunhão, expressão máxima do Amor de Deus por nós, encontramos força para amar. Vamos receber Jesus com muita fé e pedir-Lhe que nos faça crescer no Amor, para correspondermos, com generosidade, à missão, sempre nobre, que, a cada um, confiou.</p>
<p><em>Salmo</em> 19, 6</p>
<p>ANTÍFONA DA COMUNHÃO: Celebramos, Senhor, a vossa salvação e glorificamos o vosso santo nome.</p>
<p>Ou</p>
<p><em>Ef</em> 5, 2</p>
<p>Cristo amou-nos e deu a vida por nós, oferecendo-Se em sacrifício agradável a Deus.</p>
<p>ORAÇÃO DEPOIS DA COMUNHÃO: Fazei, Senhor, que os vossos sacramentos realizem em nós o que significam, para alcançarmos um dia em plenitude o que celebramos nestes santos mistérios. Por Nosso Senhor&#8230;</p>
<p><strong>RITOS FINAIS</strong></p>
<p>Monição final</p>
<p>Diante de Deus, tudo tem valor. E este valor, será tanto maior quanto maior for também o amor com que tudo realizamos. O Senhor considera feito a Si, tudo quanto fazemos aos outros.</p>
<p>Vamos estar atentos à nossa vida de oração e às necessidades espirituais e materiais do nosso próximo.</p>
<p>Como vamos concretizar, esta semana, o duplo mandamento do amor?</p>
<p>Não esqueçamos que será pelo amor, que um dia, seremos julgados.</p>
<p><strong>HOMILIAS FERIAIS</strong></p>
<p>30ª SEMANA</p>
<p>2ª Feira, 27-X: Elevar os olhos para o Céu.</p>
<p><em>Ef</em> 4, 32 – 5, 8 / <em>Lc</em> 13, 10-17</p>
<p>Apareceu então uma mulher com um espírito que a tornava enferma havia dezoito anos: andava curvada.</p>
<p>Esta mulher que andava curvada (cf Ev) é o símbolo dos que não conseguem <em>levantar os olhos do chão</em> e olhar para cima, para contemplar a Deus.</p>
<p>Cristo quer <em>ajudar-nos a levantar</em>: «entregou-se a si mesmo por nós, oferecendo-se como vítima agradável a Deus» (Leit). Para isso, teve que libertar-nos das escravidões, tornar-nos filhos de Deus, fazer-nos participantes da natureza divina e da vida eterna. É altura de nos comportarmos como verdadeiros filhos de Deus: «agora sois luz pela união com o Senhor. Comportai-vos como filhos da luz» (Leit).</p>
<p>3ª Feira, 28-X: S. Simão e S. Judas: Participar na construção da Igreja.</p>
<p><em>Ef</em> 2, 19-22 / <em>Lc</em> 6, 12-19</p>
<p>E, em união com Ele, também vós sois integrados na construção, para vos tornardes, no Espírito Santo, habitação de Deus.</p>
<p>A Igreja é apostólica porque está fundada sobre os Apóstolos. E continua a ser construída sobre o <em>alicerce dos Apóstolos</em> (cf Leit), testemunhos escolhidos e enviados em missão pelo próprio Cristo. <em>S. Simão e S. Judas</em>participaram activamente na construção da Igreja. Segundo a Tradição andaram pelo Egipto, Mesopotâmia e Pérsia, onde sofreram o martírio.</p>
<p>Todos nós estamos integrados na <em>construção da Igreja</em>. Toda a Igreja é enviada a todo o mundo e todos os seus membros participam, de diversos modos, deste envio.</p>
<p>4ª Feira, 29-X:Entrada pela porta estreita.</p>
<p><em>Ef</em> 6, 1-9 / <em>Lc</em> 13, 22-30</p>
<p>Senhor, são poucos os que se salvam? Jesus disse aos presentes: Esforçai-vos por entrar pela porta estreita.</p>
<p>A vontade de Deis é que todos se salvem. Mas pede-nos que entremos pela <em>porta estreita</em> Esta afirmação é um <em>apelo urgente à conversão</em> (cf CIC 1036), que se pode traduzir por uma maior exigência no cumprimento dos nossos deveres para com Deus, a família a e a sociedade.</p>
<p>A 1ª Leitura recomenda que se <em>viva bem o 4º Mandamento</em>, quer pelos pais quer pelos filhos: «na certeza de que cada um virá a receber do Senhor a recompensa do bem que tiver praticado» (Leit).</p>
<p>5ª Feira, 30-X: Meios para nos mantermos no caminho.</p>
<p><em>Ef</em> 6, 10-20 / <em>Lc</em> 13, 31-35</p>
<p>No entanto, hoje e amanhã e depois, devo seguir o meu caminho, porque não se admite que um profeta morra fora de Jerusalém.</p>
<p>Jesus tomou a firme resolução de se dirigir a Jerusalém, apesar da ameaça de Herodes, que o queria matar (cf Ev). Era essa a vontade do Pai, que não poupou o seu próprio Filho mas entregou-o à morte por nós.</p>
<p>Para cumprirmos a vontade de Deus, sem nos desviarmos, precisamos utilizar muitos meios: tomemos a <em>armadura de Deus</em> (a fortaleza de Deus), o <em>cinturão da verdade</em>, o <em>escudo da fé, </em>o <em>capacete da salvação</em>, e a<em>espada do espírito</em> (a palavra de Deus) (cf Leit).</p>
<p>6ª Feira, 31-X: Generosidade no serviço ao próximo.</p>
<p><em>Flp</em> 1, 1-11 / <em>Lc</em> 14, 1-6</p>
<p>Jesus tomou a palavra e disse aos doutores da Lei e aos fariseus: É permitido ou não fazer curas ao Sábado?</p>
<p>Jesus lembra que o <em>serviço ao próximo</em> não viola o repouso sabático, e é muito importante: «O homem, a única criatura que Deus quis por si mesmo, não pode encontrar-se plenamente senão por um <em>dom sincero de si mesmo</em>» (GS, 24).</p>
<p>S. Paulo, impregnado dos mesmos sentimentos de Cristo, dá um belo <em>exemplo desse serviço</em>: lembra-se de todos nas suas orações; tem saudades deles, porque os traz no seu coração; pede pela sua perseverança, confiado na ajuda de Cristo (cf Leit)</p>
<p>Celebração e Homilia:  ALVES MORENO</p>
<p>Nota Exegética:       GERALDO MORUJÃO</p>
<p>Homilias Feriais:      NUNO ROMÃO</p>
<p>Sugestão Musical:    DUARTE NUNO ROCHA</p>
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]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Homilia do D. José Maria Pereira – XXX Domingo do Tempo Comum – Ano A</title>
		<link>https://presbiteros.org.br/homilia-do-d-jose-maria-pereira-xxx-domingo-do-tempo-comum-ano-a/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Pe. Demétrio Gomes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 19 Oct 2026 13:08:12 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Homilias]]></category>
		<category><![CDATA[Homilias Dominicais]]></category>
		<category><![CDATA[Subsídios Litúrgicos]]></category>
		<category><![CDATA[xxx domingo do tempo comum ano a 2026]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A Causa da Tristeza e a Fonte da Alegria! Dom José Maria Pereira Os fariseus, em grupos, continuam preparando armadilhas para Jesus. Queriam surpreender Jesus em alguma contradição e ter motivo para condená &#8211; Lo. A pergunta, aliás, foi muito inteligente, apesar da má intenção. De fato, havia um acúmulo de leis. Qual seria a [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><b>A Causa da Tristeza e a Fonte da Alegria!</b></p>
<p><b>Dom José Maria Pereira</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os fariseus, em grupos, continuam preparando armadilhas para Jesus. Queriam surpreender Jesus em alguma contradição e ter motivo para condená &#8211; Lo. A pergunta, aliás, foi muito inteligente, apesar da má intenção. De fato, havia um acúmulo de leis. Qual seria a lei maior? Porém, pesquisar a essência da Lei era uma questão apaixonante para os homens religiosos do tempo de Jesus. Qual é a coisa realmente importante para Deus, no vasto acervo de tantos preceitos? Jesus participou, também ele, deste esforço de unificação. À pergunta: “Qual é o maior dos mandamentos?”, respondeu: “Amarás o Senhor teu Deus com todo o coração; amarás o teu próximo como a ti mesmo. Desses dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas”. Alguns afirmavam que o maior de todos os mandamentos era guardar o sábado. Outros diziam que todos os mandamentos tinham o mesmo valor. Além disso, os Judeus tinham 613 mandamentos (a maioria proibições).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Jesus responde, buscando fundamentação em duas passagens da Bíblia: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento!” (Dt 6,5). E, “amarás ao teu próximo como a ti mesmo” (Lv 19,18). Amar a Deus e amar ao próximo: se fossem espontâneos ou fáceis, não seriam mandamentos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Define o Amor de Deus e ao próximo como o centro essencial da Lei. Esses dois mandamentos são a expressão maior da vontade de Deus. É o resumo de toda a Bíblia. Podemos dizer que Jesus convida à alegria, porque é um apelo ao amor. O mandamento do amor é, ao mesmo tempo, o da alegria, pois esta virtude, ensina São Tomás: “não é diferente da caridade, mas um certo ato e efeito seu”. Por isso, um dos elementos mais claros para medirmos o grau da nossa união com Deus é verificarmos o nível de alegria e bom humor que pomos no cumprimento do dever, no trato com os outros, à hora de enfrentarmos a dor e as contrariedades.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando os fariseus se aproximaram de Jesus e lhe perguntaram qual era o principal mandamento da Lei, Jesus respondeu-lhes: “Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma, com todas as tuas forças. O segundo é semelhante a ele: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. É disto que precisamos: de procurar o rosto de Deus com tudo o que temos e somos, e de servir o nosso próximo, abrindo-nos a ele e esquecendo-nos de nós mesmos, fugindo da preocupação obsessiva pelo conforto, abandonando a nossa vaidade e orgulho, colocando o olhar longe de nós mesmos…, amando.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Precisamos aprender de Jesus e dos santos como viver a caridade. A caridade é a virtude mais importante nesta terra, e será também a nossa ocupação no Céu. Aqui, exercitamos o que depois viveremos em perfeição. Quem de nós não precisa progredir no caminho do amor a Deus e ao próximo? Precisamos progredir no amor.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O amor-caridade, do qual fala o Evangelho, é sair de si mesmo, desinstalar-se, desacomodar-se para fazer o bem ao outro. Exige compromisso com a verdade e com o bem objetivo diante de Deus. Esse amor não é um sentimento, mas um ato de vontade, que pode ou não ser acompanhado por um sentimento. Amar é querer o bem para o outro. É a razão iluminada pela fé que dirá o que é o bem e o mal para o outro. O amor supõe a verdade e a justiça aos olhos divinos. Daí que ensine a Bíblia: “amar também é dizer não”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Muitos pensam que serão mais felizes quando possuírem mais coisas, quando forem mais admiradas…, e se esquecem de que só necessitamos de “um coração enamorado”. E nenhum amor pode saciar o nosso coração – que foi feito por Deus para alcançar a sua plenitude nos bens eternos — se vier a faltar o Amor (com maiúscula!), os outros amores limpos –se não forem limpos, não serão amor– só adquirem o seu verdadeiro sentido quando se procura o Senhor sobre todas as coisas. É por isso que nem o egoísta, nem o invejoso, nem quem tem colocada a sua alma nos bens da terra… podem saborear a alegria que Jesus prometeu aos seus discípulos, porque não saberão amar, no sentido mais profundo e nobre da palavra. Ensina Santa Teresa: “Quando é perfeito, o amor tem esta força: leva-nos a esquecer o nosso próprio contentamento para contentar Aquele a quem amamos. E verdadeiramente é assim, porque, ainda que sejam grandíssimos os trabalhos, se nos afiguram doces quando percebemos que contentamos a Deus” (Santa Teresa, Fundações, 5,10).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Exorta S. Paulo: “Alegrai-vos sempre no Senhor! Repito, alegrai-vos!” (Fl 4,4). Quando a alma está alegre, abre-se e ganha asas para voar para Deus e para exceder-se no serviço aos outros; um coração alegre está mais perto de Deus, dispõe-se a levar a cabo grandes tarefas e é estímulo para os seus irmãos. Por outro lado, no meio das grandes contradições que se abatiam sobre os primeiros cristãos, a alegria era uma fortaleza e o melhor meio de atraírem os outros à fé.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A tristeza não resulta das dificuldades ou sofrimentos mais ou menos graves, mas de se deixar de olhar para Jesus. São Tomás ensina que este mal da alma é um verdadeiro vício causado pelo desordenado amor de si próprio e é causa de muitos outros males. É como uma planta que, atingida na raiz pela praga, só produz frutos amargos. A tristeza ocasiona muitas faltas de caridade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ensinou o Papa Francisco, na Exortação Apostólica Gaudete et Exsultate, Sobre a Chamada à  Santidade no Mundo Atual: “Não tenhas medo de apontar para mais alto, de te deixares amar e libertar por Deus. Não tenhas medo de te deixares guiar pelo Espírito Santo. A santidade não te torna menos humano, porque é o encontro da tua fragilidade com a força da graça. No fundo, como dizia León Bloy, na vida “existe apenas uma tristeza: a de não ser santo”. Continua o Papa Francisco: “Não tenhas medo da santidade. Não te tirará forças, nem vida, nem alegria. Muito pelo contrário, porque chegarás a ser o que o Pai pensou quando te criou e serás fiel ao teu próprio ser. Cada cristão, quanto mais se santifica, tanto mais fecundo se torna para o mundo” (números 32 ,33 e 34).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A alegria e a Paz, que bebemos nessa fonte inesgotável que é Cristo, temos de levá-las aos que Deus colocou mais perto de nós, isto é, aos nossos lares, que nunca devem ser tristes, nem tenebrosos, nem tensos pelas incompreensões e egoísmos, mas “luminosos e alegres”, como foi aquele em que Jesus viveu com Maria e José. “O que é preciso para conseguir a felicidade não é uma vida cômoda, mas um coração enamorado” (Sulco, 795), pois a alegria é o primeiro efeito do amor, e a tristeza o fruto estéril do egoísmo, da falta de amor, numa palavra. “A tristeza move à ira e à contrariedade, e assim percebemos que, quando estamos tristes, facilmente nos incomodamos e nos irritamos por qualquer coisa; mais ainda: a tristeza enche o homem de suspeitas e de malícia, e algumas vezes perturba-o de tal maneira que parece que o deixa sem domínio próprio e fora de si” (São Gregório Magno).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando se diz em linguagem figurada que esta ou aquela casa “parece um inferno”, vem-nos à mente um lar sem amor, sem alegria, sem Cristo. Um lar cristão deve ser alegre, porque nele está o Senhor que o preside, e porque, ser discípulo seu significa, entre outras coisas, viver essas virtudes humanas e sobrenaturais a que está tão intimamente unida a alegria: generosidade, cordialidade, espírito de sacrifício, simpatia, empenho por tornar mais amável a vida de todos…</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Fujamos da tristeza! A alma entristecida cai com facilidade no pecado e fica sem forças para o bem; caminha com certeza para a derrota. “Assim como a traça corrói o vestido, e o caruncho a madeira, assim a tristeza prejudica o coração do homem” (São Bernardo). Se alguma vez sentimos que esta doença da alma nos ronda ou já se introduziu em nós, examinemos onde está colocado o nosso coração.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ensina Sto. Agostinho: “O pecado é o motivo de tua tristeza. Deixa que a santidade seja o motivo de tua alegria. A busca de Deus é a busca da alegria. O encontro com Deus é a própria alegria. O que mais Deus odeia depois do pecado é a tristeza, porque nos predispõe ao pecado”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Diz o Doc. De Aparecida, nº 29: “Desejamos que a alegria que recebemos no encontro com Jesus Cristo chegue a todos os homens e mulheres feridos pelas adversidades. A alegria do discípulo é antídoto frente a um mundo aterrorizado pelo futuro e oprimido pela violência e pelo ódio. Conhecer a Jesus é o melhor presente que qualquer pessoa pode receber; tê-lo encontrado foi o melhor que ocorreu em nossas vidas, e fazê-lo conhecido com nossa palavra e obras é nossa alegria.”</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Durante o Mês das Missões, a Igreja relembra-nos que todo cristão deve ser missionário.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Vivendo intensamente os dois amores (a Deus e ao próximo), crescerá também em nós um novo ardor missionário.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Recorramos à Virgem Maria, Causa de nossa alegria! Com Ela, encontraremos, facilmente, o caminho da paz e da felicidade verdadeiras, se alguma vez o perdemos. Compreenderemos, imediatamente, que esse caminho que conduz à alegria é o mesmo que leva a Deus.</span></p>
<p style="text-align: right;"><b>Dom  José Maria Pereira.</b></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Homilia do D. Henrique Soares da Costa – XXX Domingo do Tempo Comum – Ano A</title>
		<link>https://presbiteros.org.br/homilia-do-d-henrique-soares-da-costa-xxx-domingo-do-tempo-comum-ano-a-2/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Pe. Demétrio Gomes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 19 Oct 2026 13:07:09 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Homilias]]></category>
		<category><![CDATA[Homilias Dominicais]]></category>
		<category><![CDATA[Subsídios Litúrgicos]]></category>
		<category><![CDATA[xxx domingo do tempo comum ano a 2026]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Ex 22,20-26 Sl 17 1Ts 1,5c-10 Mt 22,34-40 Aproxima-se o final do Ano Litúrgico, ano da Igreja. Estamos já no trigésimo Domingo comum. Mais três, e encerraremos o ano litúrgico, com a Solenidade de Cristo-Rei. O tempo passa, a vida passa, a história passa&#8230; Elevemos o olhar e o coração para Aquele que não passa, [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Ex 22,20-26<br />
Sl 17<br />
1Ts 1,5c-10<br />
Mt 22,34-40</p>
<p>Aproxima-se o final do Ano Litúrgico, ano da Igreja. Estamos já no trigésimo Domingo comum. Mais três, e encerraremos o ano litúrgico, com a Solenidade de Cristo-Rei. O tempo passa, a vida passa, a história passa&#8230; Elevemos o olhar e o coração para Aquele que não passa, Aquele que é o Alfa e o Ômega, o Princípio e o Fim da nossa existência, o Cristo, nosso Deus!</p>
<p>No passado Domingo, o Senhor Jesus ordenava: <em>“Dai a Deus o que é de Deus!”</em> De Deus é tudo, ainda que tudo pareça nosso: <em>“Tudo pertence a vós: Paulo, Apolo, Cefas, o mundo, a vida, a morte, as coisas presentes e as futuras.Tudo é vosso; mas vós sois de Cristo e Cristo é de Deus” (1Cor 3,21-23). </em>Esta é, precisamente, a dificuldade, a miopia ou, mais ainda, a cegueira, o triste pecado do mundo atual: não perceber Deus, não enxergar com a razão, com o afeto, com o coração que Deus é o Tudo, o Substrato, o Sentido da nossa existência. Sem ele, nada tem sentido perene, nada tem valor duradouro, nada tem valor absoluto&#8230; nem a vida humana, que somente pode ser respeitada de modo absoluto quando é compreendida como imagem de Deus.</p>
<p>Pois bem, a Palavra deste Domingo prolonga a de oito dias atrás. <em>“Mestre, qual é o maior mandamento da Lei?”</em>, da Lei de Moisés – perguntam ao Senhor para novamente tentar apanhá-lo em armadilha. Qual o preceito que, sendo observado, resume a observância de toda Lei? Jesus responde prontamente: <em>“Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento!”</em> Como bom judeu, o Senhor Jesus nada mais faz que retomar o preceito do Antigo Testamento. Amar a Deus! Amá-lo significa fazer dele o tudo da nossa existência, significa viver a vida aberta para ele, buscando sinceramente a sua santa vontade. Amá-lo é não conceber a vida como algo que é meu em sentido absoluto, mas um dom que recebi de Deus, que em diante de Deus devo viver e a Deus devo, um dia, devolver com frutos. Amá-lo é não viver na minha vontade, mas buscando a sua santa vontade, mesmo que esta não seja o que eu esperaria ou desejaria&#8230; Amá-lo é sair de mim para encontrar-me nele!</p>
<p>Mas, para que este amor a Deus não seja algo abstrato, teórico, meramente feito de palavras ou sentimentos superficiais, o Senhor Jesus nos aponta uma medida concreta desse amor. Seguindo ainda a tradição judaica do Antigo Testamento, ele liga, condiciona o amor a Deus ao amor aos outros, aos próximos, àqueles que a providência divina coloca no nosso caminho: <em>“’Amarás ao teu próximo como a ti mesmo’. Toda a Lei e os profetas dependem desses dois mandamentos”.</em> Eis, portanto: a medida da verdade do amor a Deus é o amor, a dedicação para com os outros; e não os outros teoricamente, mas os próximos: <em>“Amarás o teu próximo como a ti mesmo!”</em> Notemos que aqui Jesus não ensina nada de novo. Este preceito já valia para um bom judeu. Jesus está respondendo a um fariseu, um escriba judeu. Basta recordar como a primeira leitura de hoje, tirada da<em>Torah</em>, da Lei de Moisés, já ligava os dois amores, a Deus e ao próximo. O Senhor, já no Antigo Testamento, deixava claro que estará sempre do lado do nosso próximo, sobretudo se ele for débil e necessitado: <em>“Se clamar por mim, eu o ouvirei, porque sou misericordioso.”</em> Estejamos, portanto, atentos: o amor concreto para com o nosso próximo é a medida do nosso amor a Deus! O Evangelho – como todo o Novo Testamento e a reta e sadia Tradição da Igreja – desconhece uma relação com Deus baseada numa fé sem obras que nasçam do amor. Basta recordar o belíssimo hino ao amor, da Primeira Carta aos Coríntios: <em>“Ainda que eu tivesse toda a fé, a ponto de transportar montanhas, se não tivesse a caridade, eu nada seria” (13,2).</em> Que ninguém se iluda com um vazio discurso sobre uma fé vã sem as obras que dela nascem e a revelam! A fé sem amor a Deus e ao próximo, aquela fé que gosta de dizer “estou salvo” de se compraz em decretar a condenação dos outros é uma fé inútil, vazia, falsa e morta!</p>
<p>Caríssimos, se o Senhor Jesus respondeu ao escriba fariseu, dizendo que ele deveria amar a Deus e ao próximo como a si mesmo, a nós, seus discípulos, a nós, cristãos, ele aponta um ideal muito mais alto! Ouso afirmar que não basta, de modo algum para um cristão, amar os outros como a si mesmo! Recordai-vos todos que, na véspera de sua paixão santíssima, quando sentou-se à Mesa santa conosco, para dar-se a nós na Eucaristia, como maior dom de amor, o Senhor nosso e Deus nosso, Jesus Cristo, deu-nos, então, o mandamento pleno, completo: <em>“Amai-vos como eu vos amei!” (Jo 13,34); “Dei-vos o exemplo para que, como eu vos fiz, também vós o façais” (Jo 13,15).</em> Agora, às vésperas da cruz, agora, à Mesa da Eucaristia, agora, lavando-nos os pés, dando-se totalmente a nós, Jesus poderia ser compreendido! Ele é o amor verdadeiro, ele é a medida e o modelo do amor: <em>“Não há maior prova de amor que dar a vida!”</em> <em>(Jo 15,13)</em> Amai-vos como eu vos amei!</p>
<p>Eis, caríssimos, como é grande a tarefa que o Senhor nos confia! Quem poderá realizá-la? Onde poderemos conseguir um amor assim? Eu vos digo: contemplando Jesus na oração, escutando Jesus na Escritura, comungando com Jesus na Eucaristia, procurando Jesus nos irmãos! É assim que teremos os mesmos sentimentos do Cristo Jesus (cf. Fl 2,5) e viveremos a vida no amor total que ele, nosso Senhor, teve para com Deus, o Pai e para com os próximos. Fora disso, toda conversa sobre amor não passa de teoria, de ideologia que de cristã tem pouco ou nada. Que o Senhor nos conceda, então, por esta Eucaristia, o dom do verdadeiro amor. Amém.</p>
<p><strong>D. Henrique Soares</strong>    	</p>
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			</item>
		<item>
		<title>XXX Domingo do Tempo Comum – Ano A</title>
		<link>https://presbiteros.org.br/xxx-domingo-do-tempo-comum-ano-a-2/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Pe. Demétrio Gomes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 19 Oct 2026 13:06:50 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Homilética]]></category>
		<category><![CDATA[Subsídios Litúrgicos]]></category>
		<category><![CDATA[xxx domingo do tempo comum ano a 2026]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Leituras e subsídios para liturgia e homilia do XXX Domingo do Tempo Comum – Ano A</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Leituras e subsídios para liturgia e homilia:</p>
<ul>
<li>Roteiro Homilético</li>
<li>Comentário Exegético</li>
<li><a href="https://presbiteros.org.br/homilia-do-d-henrique-soares-da-costa-xxx-domingo-do-tempo-comum-ano-a-2/">Homilia do D. Henrique Soares da Costa</a></li>
<li><a href="https://presbiteros.org.br/homilia-do-d-jose-maria-pereira-xxx-domingo-do-tempo-comum-ano-a/">Homilia do D. José Maria Pereira</a></li>
<li>Preces</li>
</ul>


<p class="wp-block-paragraph"></p>
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]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Preces – XXIX Domingo do Tempo Comum – Ano A</title>
		<link>https://presbiteros.org.br/preces-xxix-domingo-do-tempo-comum-ano-a-2/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Pe. Demétrio Gomes]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 13 Oct 2026 12:55:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Subsídios Litúrgicos]]></category>
		<category><![CDATA[xxix domingo do tempo comum ano a 2026]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Sacerdote: Irmãs e irmãos, a exemplo do apóstolo São Paulo, oremos, nós também, ao Pai celeste pela Igreja e por todos os homens deste mundo, dizendo numa só voz: R: Escutai, Senhor, a nossa oração. 1. Pelas Igrejas do Oriente e do Ocidente, pelas que vivem em países de missão e pelos seus bispos, presbíteros [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><strong>Sacerdote:</strong> Irmãs e irmãos, a exemplo do apóstolo São Paulo, oremos, nós também, ao Pai celeste pela Igreja e por todos os homens deste mundo, dizendo numa só voz:</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>R:</strong> <strong>Escutai, Senhor, a nossa oração. </strong></p>
<p style="text-align: justify;">1. Pelas Igrejas do Oriente e do Ocidente, pelas que vivem em países de missão e pelos seus bispos, presbíteros e missionários, oremos ao Senhor.</p>
<p style="text-align: justify;">2. Pelos que estão constituídos em autoridade, pelos que dão a César o que é de César, e pelos que dão a Deus o que é de Deus, oremos ao Senhor.</p>
<p style="text-align: justify;">3. Pelos homens e mulheres mais infelizes, pelos que sofrem a ditadura e a opressão e por aqueles que vivem sem direitos, oremos ao Senhor.</p>
<p style="text-align: justify;">4. Pelas missões de todo o mundo, pelas religiosas e irmãos leigos que as servem e pelos cristãos que por elas oram sem desânimo, oremos ao Senhor.</p>
<p style="text-align: justify;">5. Pela nossa assembleia aqui reunida, pelos fiéis que permanecem firmes na esperança e pelos que praticam com alegria a caridade, oremos ao Senhor.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Sacerdote:</strong> Senhor, Deus do universo, que acolheis as orações e ações de graças daqueles que se reúnem em Igreja, escutai os anseios do coração e as súplicas que Vos apresentamos com toda a confiança. Por Cristo, nosso Senhor.</p>
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		<item>
		<title>Comentário Exegético – XXIX Domingo do Tempo Comum – Ano A</title>
		<link>https://presbiteros.org.br/comentario-exegetico-xxix-domingo-do-tempo-comum-ano-a-2/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Pe. Demétrio Gomes]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 13 Oct 2026 12:54:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Exegese]]></category>
		<category><![CDATA[Subsídios Litúrgicos]]></category>
		<category><![CDATA[xxix domingo do tempo comum ano a 2026]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>EPÍSTOLA (1Ts 1,1-5b) (Pe. Ignácio, dos padres escolápios) &#160; &#160; INTRODUÇÃO: Paulo e Silvano e Timóteo à Igreja dos tessalonicenses em Deus Pai e Senhor de Jesus Cristo: Graça para vós e paz da parte de Deus Pai e de(o) Senhor Jesus cristo (1). Paulus et Silvanus et Timotheus ecclesiae Thessalonicensium in Deo Patre et [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2><strong>EPÍSTOLA (1Ts 1,1-5b)</strong></h2>
<p>(Pe. Ignácio, dos padres escolápios)</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>INTRODUÇÃO: </strong><em>Paulo e Silvano e Timóteo à Igreja dos tessalonicenses em Deus Pai e Senhor de Jesus Cristo: Graça para vós e paz da parte de Deus Pai e de(o) Senhor Jesus cristo (1). Paulus et Silvanus et Timotheus ecclesiae Thessalonicensium in Deo Patre et Domino Iesu Christo gratia vobis et pax.</em><strong>SILVANO </strong>[<strong>Silouanos</strong>&lt;4610&gt;=<em>Silvanus</em>] <em>Silvanus</em>, de origem latina significava o espírito tutelar dos bosques. Já o nome de <strong><em>Silas</em></strong> parece semítico com o significado de pequeno Saul ou lobo. Com o nome de Silas sai 12 vezes nos Atos. Em 15, 22 é junto com Barsabás [ou Judas] o escolhido para acompanhar Paulo e Barnabé a Antioquia e declarar o acordado  no concílio de Jerusalém. Tanto Barsabás como Silas eram profetas, ou tinham o carisma da profecia (Idem 15, 32). O profeta neotestamentário tinha como função principal a de exortar os fiéis e algumas vezes como no caso de Ágabo prediziam o futuro (At 11, 27-28). Numa segunda atuação, Silas foi escolhido por Paulo ao se separar de Barnabé para a segunda viagem a Síria e Cilícia (At 15, 40). Nessa viagem, em Listra, uniu-se a eles Timóteo. Em Filipos são vítimas de uma demonstração hostil por ter curado uma escrava possessa que, com suas adivinhações, dava enormes ambições a seus amos (At 16, 19). Em Tessalônica são perseguidos pelos judeus locais e também em Berea. Paulo deixa Silas e Timóteo e marcha só a Atenas e daí a Corinto (At 17, 15), onde parece uniram-se os três (2 Cor 1, 19). Aqui desaparece Silas do livro dos Atos. Mas é de Corinto que com o nome de Silvano aparece como co-autor da epístola aos Tessalonicenses (1 Ts 1,1). Finalmente na primeira epístola de Pedro aparece Silvano como companheiro e irmão fiel que é o seu amanuense e escritor material da carta (1 Pd 5, 12). <strong>TIMÓTEO </strong>[<strong>Timotheos</strong> <strong>&lt;5095&gt;=</strong><em>Timotheus</em>] nome grego que significa aquele que honra Deus, era filho de Eunice (2 Tm 1, 5), mulher judia de Listra, casada com um grego (At 16, 1), e neto de Loide, cristãs de início. Paulo o circuncidou para torná-lo aceitável aos judeus-cristãos que ainda praticavam o rito (At  16, 3). Acompanhou Paulo nas suas últimas viagens, mencionadas no ano 49 nos Atos. O interesse de Paulo era que Timóteo representava a primeira geração de cristãos que não tinham conhecido Jesus e que passavam da era judaica messiânica à universal dos gregos e pagãos. <strong>TESSALÔNICA </strong>[&lt;2331&gt;] atualmente Salônica é a segunda cidade da Grécia,  capital da Macedônia e importante porto do norte do mar Egeu, com uma população de 1 milhão de habitantes. Fundada em 315 aC pelo rei Casandro de Macedônia, casado com Tessalonike, meia-irmã de Alexandre, o Grande. Ela recebeu o nome devido a vitória  do Pai, Filipo,  pelo triunfo sobre Tessália. Em 146 Tessalônica passou a formar parte do Império romano como capital das quatro províncias de Macedônia e se transformou num importante centro comercial sobre a via Egnacia, calçada romana que unia Bizâncio com Durazzo no Adriático. <strong>DEUS PAI: </strong>É um título que Paulo sempre atribui a Deus em relação com o homem Jesus, que não tem pai humano e que assim confirma as palavras de Gabriel:<em>o espírito <span style="text-decoration: underline;">de Deus</span></em> [agios] <em>descerá sobre ti, e a virtude do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra; por isso também o Santo, que de ti há de nascer, será chamado <span style="text-decoration: underline;">Filho de Deus</span>.</em> E como Pai, é Senhor segundo a natureza e a lei. <strong>GRAÇA </strong>[<strong>charis</strong> &lt;5489&gt;= <em>gratia</em>] e <strong>PAZ </strong>[<strong>eirënë</strong>&lt;1515&gt;=<em>pax</em>]: a frase substitui o <strong>chaire </strong>[&lt;5463&gt;<strong> = </strong>alegra-te] grego e o <em>salve</em> [= saúde] latino. É a introdução cristã das cartas de Paulo, em que <strong>charis</strong> expressa o desejo de que a boa vontade de Deus encha  de alegria e paz, ou conforto, as almas dos ouvintes com as palavras da carta. É o início da carta aos gálatas, romanos, coríntios etc. Nas pastorais, ainda temos misericórdia [<strong>éleos</strong>] intercalada entre a graça e a paz. A graça corresponde, pois, ao <strong>chaire</strong> ou <strong>chairein</strong> [plural] grego e a paz ao <strong><em>shalon</em></strong> hebraico. Graça está no lugar de favor, amabilidade; e fala da bondade de Deus  que provém  todas as necessidades e desejos dos ouvintes, especialmente as do tipo espiritual, das quais Cristo é o intercessor. A paz, que era a saudação hebraica por excelência, agora se torna, em palavras de Paulo, como reconciliação mais do que conjunto de bens para aqueles aos quais a carta está dirigida. A reconciliação é uma das ideias primordiais de Paulo, como efeito da cruz:<em> E tudo isto provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por Jesus Cristo, e nos deu o ministério da reconciliação (2 Cor 5, 18). </em>Pois<em> havendo por ele feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele reconciliou consigo mesmo todas as coisas, tanto as que estão na terra, como as que estão nos céus (Cl 1, 20)..</em></p>
<p><strong>AÇÃO DE GRAÇAS: </strong><em><span style="text-decoration: underline;">Damos gra</span></em><em>ças ao Deus sempre, por todos vós, <span style="text-decoration: underline;">fazendo memória</span> vossa em nossas orações (2). Gratias agimus Deo semper pro omnibus vobis memoriam facientes in orationibus nostris sine intermissione</em>. <strong>DAMOS GRAÇAS </strong>[<strong>eucharistoumen</strong>&lt;2168&gt;=<em>gratias agimus</em>] do verbo <strong>eucharisteö</strong>, com o significado de dar graças, agradecer. Essa é também uma das prioridades de Paulo nas orações:<em> Dando sempre graças por tudo a nosso Deus e Pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo (Ef 5, 20). </em>Em tudo vê Paulo a bondade de Deus e por isso a ação de graças é a coisa mais natural. Devemos a vida e devemos a justificação como mercês <span style="text-decoration: underline;">do Bom Deus </span>que dizia Teresa de Lisieux, e estamos no caminho da glorificação. Não por méritos, mas por pura mercê que unicamente exige nessa linha de salvação a cooperação, o não se opor à obra de Deus criador, Redentor, Santificador e Glorificador. Mas especialmente, Paulo tem um motivo particular: a fé dos tessalonicenses é motivo de ação de graças e por isso termina <strong>FAZENDO MEMÓRIA </strong>[<strong>mneian</strong> &lt;3417&gt; <strong>poioumenoi</strong> &lt;4106&gt;=<em>memoriam facientes</em>] que tanto pode ser traduzido por recordando-vos como por mencionando-vos. Esta última parece mais apropriada; pois usando o plural <span style="text-decoration: underline;">nossas</span> indica que as orações [<strong>proseuchai</strong>] eram as recitadas em voz alta nas assembleias religiosas da comunidade.</p>
<p><strong> A MEMÓRIA<span style="text-decoration: underline;">:</span></strong><em><span style="text-decoration: underline;"> Sem interrupção,</span></em><em> recordando de vossa <span style="text-decoration: underline;">obra de fé</span>, e do <span style="text-decoration: underline;">trabalho do amor</span>, e da <span style="text-decoration: underline;">perseverança da esperança</span> de nosso Senhor Jesus Cristo diante do Deus e Pai nosso (3). Memores operis fidei vestrae et laboris et caritatis et sustinentiae spei Domini nostri Iesu Christi ante Deum et Patrem nostrum</em><strong>. SEM INTERRUPÇÃO </strong>[<strong>adialeiptös</strong> &lt;89&gt;= <em>sine intermissione</em>]: o grego é um advérbio com o significado de sem interrupção, assiduamente, incessantemente. Tendo na memória a <strong>OBRA </strong>[<strong>ergon</strong>&lt;2041&gt;=<em>opus</em>] de vossa <strong>FÉ </strong>[<strong>pistis </strong>&lt;4102&gt;=<em>fides</em>]. <strong>Ergon</strong> é obra ou ação, também prática. Parece que os tessalonicenses foram submetidos, como Paulo, às diversas perseguições, pelo fato da sua fé em Cristo, como Messias, Filho de Deus, morto para a Redenção dos homens. Inicialmente, <strong>pistis</strong> era fidelidade. Asim fala a Septuaginta da fidelidade [<strong><em>emunah</em></strong>] de Deus em Hab 2, 4: <strong>‘o de díkaios ek pisteös <span style="text-decoration: underline;">mou</span> zësetai</strong> [=viverá por <strong>minha</strong> fidelidade]; mas que no hebraico será a fidelidade <em><span style="text-decoration: underline;">dele</span></em>, do justo [por <span style="text-decoration: underline;">sua fidelidade</span> =<strong><em>emunatu</em></strong>] Porém, esta última acepção do hebraico parece ilógica diante do contexto. Não obstante, o massorético foi o texto usado por Paulo em Rm 1, 17 com a tradução <span style="text-decoration: underline;">de fé  do justo</span>:<em> Mas o justo viverá da fé </em>[<strong>‘o de díkaios ek písteös zësetai</strong>]<em>.</em> Obra esta da fé, talvez como diz João, mais por parte de Deus do que do homem: <em>A obra de Deus é esta: Que creiais naquele que ele enviou (Jo 6, 29). </em><strong>TRABALHO </strong>&lt;<strong>kopus</strong>&lt;2873&gt;=<em>labor</em>] <strong>DO AMOR </strong>[<strong>agapë</strong> &lt;26&gt; =<em>caritas</em>] <strong>Kopus</strong> inicialmente designava um batido do coração em pena (Jr 51, 3 na Septuaginta),  para depois significar trabalho, labuta, unido à fadiga; daí aflição. Como em Lc 11, 7: <em>Se ele, respondendo de dentro, disser: Não me <span style="text-decoration: underline;">importunes;</span> já está a porta fechada, e os meus filhos estão comigo na cama; não posso levantar-me para te dar. </em>Paulo usa-o com o significado de fadigas e 2 Cor 6, 5:<em> espancamentos, prisões, tumultos, <span style="text-decoration: underline;">fadigas</span></em> [<strong>kopois</strong>]<em>, vigílias e fome.</em> Assim, como um resumo dessa vida sofrida dos tessalonicenses, Paulo escreve um pouco mais adiante:<em> Vindo, porém, agora Timóteo de vós para nós, e trazendo-nos boas novas da vossa <span style="text-decoration: underline;">fé e amor</span>, e de como sempre tendes boa lembrança de nós, desejando muito ver-nos, como nós também a vós</em> (3, 6)<em>.</em> E em Hebreus 6:10<em> Porque Deus não é injusto para se esquecer da <span style="text-decoration: underline;">vossa obra</span>, e do <span style="text-decoration: underline;">trabalho do amor</span> que para com o seu nome mostrastes, enquanto servistes aos santos; e ainda servis.</em> A isso chamará Paulo cooperação no evangelho (Fp 1, 5). Finalmente <strong>PERSEVERANÇA </strong>[<strong>ypomonë</strong> &lt;5281&gt;=<em>sustinentia</em>] <strong>DA ESPERANÇA </strong>[<strong>elpis</strong>&lt;1680&gt;=<em>spes</em>]. <strong>Ypomonë</strong> é constância, firmeza, perseverança, traduzida muitas vezes por paciência como virtude passiva. E entra agora a terceira virtude cristã: a esperança. Se em Fp 4, 8 Paulo diz que as virtudes humanas devem ser a base de todo cristão, agora louva as virtudes cristãs por excelência, nos tessalonicenses, já que como diz em Rm 8, 6: <em>A inclinação da carne é morte; mas a inclinação do Espírito é vida e paz.</em> Trata-se da esperança, essa da <em>que vos está reservada nos céus, da qual já antes ouvistes pela palavra da verdade do evangelho. </em>Realmente a vida cristã se identifica com essas três virtudes teologais. Dirá Paulo em 1 Cor 13:13:<em> Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três, mas o maior destes é o amor. </em></p>
<p><strong>A ELEIÇÃO: </strong><em>Sabendo, irmãos <span style="text-decoration: underline;">diletos</span> por Deus, a vossa <span style="text-decoration: underline;">eleição</span> (4). Scientes fratres dilecti a Deo electionem vestram. </em><strong>DILETOS </strong>[<strong>ëgapëmonoi</strong>&lt;25&gt;=<em>dilecti</em>] é o particípio perfeito passivo do verbo <strong>agapaö</strong>, de significado amar, ter preferência por, estimar. Em parte sinônimo de <strong>fileö</strong>, mas tendo suas diferenças. Praticamente, é a mesma diferença entre os vocábulos latinos <em>diligere </em>e <em>amare</em>. Cícero escreve de um amigo: <em>Ut scires illum a me non </em><em><span style="text-decoration: underline;">diligi</span></em><em> solum, verum etiam </em><em><span style="text-decoration: underline;">amari</span></em><em>. O amor implica uma entrega total ao amado. A dileção é predileção e confiança. De modo que o amor  é a dileção levado ao extremo de que o outro é mais importante do que o eu próprio. No nosso caso, o verbo <strong>agapaö</strong> é o preferido para as relações entre Deus, como Pai, e os homens, como seus filhos. Por isso, dirá João </em>3:16 <em>Deus <span style="text-decoration: underline;">amou</span> </em>[ëgapësen] <em>o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna</em>. <strong>Fileö</strong> é mais próprio de uma eleição intelectual e <strong>amaö</strong> de uma escolha íntima e sentimental. Embora ambos os verbos podem ser usados como iguais em Jo cap 21 nas perguntas de Jesus a Pedro. <strong>ELEIÇÃO </strong>[<strong>eklogë</strong>&lt;1589&gt;=<em>electio</em>] é a eleição feita por Deus para a entrada na fé de determinadas pessoas como diz Jesus; <em>Todo aquele o que o Pai me dá virá a mim; e o que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora (Jo 6, 37).</em> No cântico de Ef 1, 3-10 lemos: <em>Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo; Como também nos <span style="text-decoration: underline;">elegeu</span> nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor; E nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade.</em> <em>Para louvor da sua graça gloriosa que ele gratuitamente nos concedeu no seu amado Filho.</em></p>
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<p><strong>MÉTODO EVANGÉLICO: </strong><em>Porque o nosso evangelho não chegou a vós somente em palavra, mas também em <span style="text-decoration: underline;">poder</span> e em Espírito <span style="text-decoration: underline;">de Deus</span> e em muita <span style="text-decoration: underline;">garantia</span> como soubestes como nos comportamos entre vós por vós (5). </em><em>Quia evangelium nostrum non fuit ad vos in sermone tantum sed et in virtute et in Spiritu Sancto et in plenitudine multa sicut scitis quales fuerimus vobis propter vos. </em>Paulo fala agora de seu ministério evangélico. Não foi a palavra só, mas as obras, como diz Paulo em Rm 15, 16. 18-19: <em>Que seja ministro de Jesus Cristo para os gentios, ministrando o evangelho de Deus, para que seja agradável a oferta dos gentios, santificada pelo Espírito Santo. Porque não ousarei dizer coisa alguma, que Cristo por mim não tenha feito, para fazer obedientes os gentios, por palavra e por obras. Pelo <span style="text-decoration: underline;">poder dos sinais e prodígios</span>, na <span style="text-decoration: underline;">virtude do Espírito de Deus</span>; de maneira que desde Jerusalém e arredores até à Ilíria, tenho pregado o evangelho de Jesus Cristo.</em> <strong>ESPÍRITO DE DEUS </strong>[pneumati&lt;4151&gt; <strong>agiou</strong>&lt;40&gt;=<em>spirito sancto</em>] Uma das acepções de Espírito [<strong>Pneuma</strong>] é a que diferencia Deus de toda entidade diferente do mesmo. É o Espírito de Deus ou do Senhor, como em Mt 3, 16:<em> sendo Jesus batizado, saiu logo da água, e eis que se lhe abriram os céus, e viu o <span style="text-decoration: underline;">Espírito de Deus</span> </em>[to Pneuma tou Theou] <em>descendo como pomba e vindo sobre ele. </em>Ou em Lc 4, 18: <em>O <span style="text-decoration: underline;">Espírito do Senhor </span></em>[pneuma kuriou] <em>é sobre mim, pois que me ungiu para evangelizar os pobres. </em>Espírito que também é chamado de <span style="text-decoration: underline;">sagrado </span>[agios] e que tanto a Vulgata como as línguas vernáculas traduzem por santo, como testemunha o Batista: <em>E eu, em verdade, vos batizo com água, para o arrependimento; mas aquele que vem após mim é mais poderoso do que eu; cujas sandálias não sou digno de levar; ele vos batizará com o Espírito <span style="text-decoration: underline;">Santo</span></em> [agiö]<em>, e com fogo (Mt 3, 11).</em>Esse Espírito é <strong>PALAVRA</strong> de Deus e <strong>PODER</strong> de Deus: <em>Porque aquele que Deus enviou fala as <span style="text-decoration: underline;">palavras de Deus</span>; pois não lhe dá Deus o Espírito por medida (Jo 3, 14). </em>E em Rm 15, 19, Paulo fala do poder de Deus que acompanhou seu ministério:<em> Pelo <span style="text-decoration: underline;">poder dos sinais e prodígios</span>, <span style="text-decoration: underline;">na virtude do Espírito</span> de Deus; de maneira que desde Jerusalém, e arredores, até à Ilíria, tenho pregado o evangelho de Jesus Cristo. </em><strong>GARANTIA </strong>[<strong>plërosofia</strong>&lt;4136&gt;=<em>plenitudo multa</em>] literalmente estar cheio que traduzem por total convicção, ou máxima garantia e certeza. Naturalmente, que o poder [<strong>dynamis</strong>] de Deus manifestado nos milagres, dava a Paulo essa garantia de que sua palavra era a palavra de Deus. E desses fatos os tessalonicenses foram testemunhas: como discutiu três sábados na sinagoga, e como ao se converterem vários cidadãos pela palavra de Paulo, foi este perseguido e teve que se ocultar em Berea  de onde também foi expulso (At cap 17). Mas foi em Filipos, onde milagrosamente as correntes de Paulo e Silas, após um terremoto, foram soltas. Sem dúvida, que estes atos eram também conhecidos pelos tessalonicenses, cuja cidade não distava muito de Filipos. E Paulo apela à sinceridade de sua palavra como um exemplo dado aos tessalonicenses enquanto esteve entre eles. Nos comportamos entre vós -escreve.</p>
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<h2><strong>EVANGELHO </strong></h2>
<p><strong>Lugares paralelos: Mc 12, 13-17 e Lc 20, 20-26)</strong></p>
<h3><strong>O TRIBUTO A CÉSAR</strong></h3>
<p>(Pe Ignácio, dos padres escolápios)</p>
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<h2>INTRODUÇÃO: Estamos na última semana da vida de Jesus. Ele atua como Rabi [mestre] no pórtico de Salomão ao oriente da esplanada do templo. Seus inimigos estão à espreita para ver como apanhá-lo em suas palavras e, por isso, propõem diversas questões, que eram discutidas na época, com o intuito de ver seus conhecimentos e até de poder acusá-lo diante das autoridades por sua discrepância da Lei, ou sua oposição às autoridades romanas. Um destes episódios é o de hoje, em que existe um acordo entre inimigos com o fim de poder apresentá-lo como inimigo do verdadeiro Israel e falso messias em consequência. A resposta tem servido para distinguir os dois poderes, o espiritual e o temporal, para não transformar em teocracias os governos das diversas nações. A solução não contrapõe os dois poderes, mas reconhece que ambos têm autonomia própria e implicitamente admite a superioridade do poder divino a quem devemos obediência e principalmente adoração. O cristão tem que ser um bom cidadão, cumprindo as leis civis e os compromissos sociais, mas deve, antes de tudo, obedecer aos mandatos de Deus, impressos na sua consciência.</h2>
<h2>A REUNIÃO (15): <em>Então, tendo se retirado, os fariseus reuniram-se em conselho, como tender a ele </em>(Jesus)<em> uma cilada, de palavra (15). </em><em>Tunc abeuntes Pharisaei consilium inierunt ut caperent eum in sermone.</em> Após a parábola dos vinhateiros homicidas, os chefes sacerdotais, os escribas e os anciãos procuravam prender Jesus; mas tinham medo da multidão (Mc 12, 12). Ou seja, os componentes do grande Sinédrio declararam Jesus como inimigo, mas sabiam que era perigoso atuar contra ele, pois não encontravam um argumento válido para condená-lo, de modo que o povo concordasse com a ação repressiva. Segundo João, até reuniram o Sinédrio (sic) ou Conselho, como traduz a Vulgata, e que a bíblia de Jerusalém conserva. Na realidade, foi um conselho formado pelos componentes do Sinédrio.  Por isso Lucas pode afirmar que foi num symbolium [uma sessão deliberativa] em que se buscava precisamente prender Jesus numa armadilha [esse é o sentido de pagideuö], que, infelizmente, traduzem por surpreender algumas bíblias. O propósito era mostrar Jesus como inimigo da lei e, portanto, do povo. Nesta última semana, Jesus se manifestou extremamente prudente, por exemplo, quando não quis dizer com que autoridade ele tinha expulsado os vendedores do templo.</h2>
<p><strong>OS INTERROGADORES (16):</strong> <em>Então enviaram-lhe seus discípulos com os herodianos, dizendo: Mestre, temos visto que és verdadeiro e  ensinas em verdade o caminho de Deus e não </em>(te)<em> importas por ninguém, pois não olhas as aparências dos homens (16). Et mittunt ei discipulos suos cum Herodianis dicentes magister scimus quia verax es et viam Dei in veritate doces et non est tibi cura de aliquo non enim respicis personam hominum</em> <strong>DISCÍPULOS: </strong>Eram discípulos [<strong>mathetai</strong>] dos fariseus, segundo Lucas, junto com herodianos.  O que significa que os verdadeiros responsáveis não se atreveram a dar a cara. Já a coisa começa por ser maldosamente preparada. Sabemos que os fariseus, amantes e observantes da lei, eram os que tinham escrúpulos de dar o tributo a César porque era o mesmo que dá-lo ao deus [Júpiter Capitolino] do qual era representante. Era, pois, um ato de idolatria. Sabemos pela história que os generais [<em>imperatores]</em> romanos vitoriosos pintavam seus rostos de vermelho e coroados com um diadema de laurel representando o deus Marte, atravessavam a via sacra para subir ao Capitólio onde veneravam a tríada capitolina: Júpiter [Ótimo , Máximo] Juno [esposa e irmã de Júpiter] e Minerva [deusa da sabedoria e de Roma, assim como Atenea era de Atenas]. Como encarnação do deus Marte, o general vitorioso, vinha  oferecer seus respeitos a sua mãe Juno e seu pai Júpiter aos quais ele creditava a vitória. Desde Augusto, no ano 12, a C. o Príncipe, foi nomeado também <em>Pontifex  Maximus</em>, obtendo assim a suprema direção do Estado e do culto. Embora Tibério rejeitasse o culto ao Imperador por considerar a si mesmo um simples mortal, pagar o imposto a César era, segundo os fariseus, oposto ao primeiro mandamento. Os judeus <strong>reconheciam o protetorado romano </strong>mediante o juramento de fidelidade e o sacrifício diário no templo em nome do Imperador, ficando eximidos de qualquer outro culto. Por outra parte, entre os judeus no século I, se recitava o <strong>Shemá</strong>, junto com o primeiro mandamento e não se considerava válida a oração em que faltasse ao nome de Deus o título de rei. Pois era  Ele o único Senhor de Israel (Dt 6,5). Por isso, à instigação de Judas, apodado o galileu, houve uma revolta após a morte de Herodes o Grande, no ano 6 d.C.  Judas era  provavelmente um rabi, pois Josefo o declara sofista, a  quem seguiu uma parte dos <strong><em>fariseus</em></strong> da seita de <span style="text-decoration: underline;">Sammay</span> que depois foram denominados de zelotas. Os romanos os trataram como ladrões ou malfeitores (ver  Lc 23, 33). Esse era provavelmente o espírito dos fariseus. A rebelião obrigou Públio Quintílio Varo, o legado da Síria, a uma luta contra os insurretos, terminando com a toma de Jerusalém e crucifixões em massa. As rebeliões na Palestina nos últimos 150 anos a.C. causaram 200 mil mortos em Israel. Já os <strong><em>herodianos</em></strong> eram partidários da união com Roma, da qual derivavam muitas vantagens para os tetrarcas herdeiros de Herodes, o Grande, e seus oficiais e servidores. Como vemos, os herodianos tinham uma política completamente contrária dos fariseus. Da resposta de Jesus, como veremos mais tarde, esperavam-se duas conclusões: duma delas se aproveitariam os fariseus para condená-lo como inimigo da lei e do povo. Da outra, os herodianos teriam argumento suficiente para denunciá-lo a seu tetrarca como subversivo, por negar o imposto devido a César, tal como pediam a Pôncio Pilatos, por Jesus se declarar como Ungido Rei (Lc 23, 2). Por essas razões, os judeus se opuseram aos recenseamentos romanos. Só Jahweh teria direito a fazer semelhante ato de total soberania. Já Davi teve um castigo por um recenseamento como vemos em 2 Sm 24, 1-14. Por isso houve duas revoltas por motivo dos recenseamentos romanos. O recenseamento romano estava dividido em duas partes: o <strong>REGISTRO</strong> [<strong>apografé</strong>] ou inventário de todas as pessoas e propriedades. Por causa destas últimas, o registro deveria ser feito no lugar onde estavam as mesmas. No caso de José, sabemos que foi em Belém. Em todo o império romano esse censo ficou registrado no ano 8 a.C, exceto no reino de Herodes, na Palestina, onde foi feito um ano mais tarde, no ano 7. a.C, ainda na época de Herodes em que os judeus deveriam prestar o juramento de fidelidade ao Imperador. Uma segunda parte era o  <strong>TRIBUTO</strong> ou arrecadação (<strong>apotimesis</strong>) feito durante 0 legado de Quirino no ano 6 d C, cessado o domínio de Arquelau na Judeia. Este foi o momento em que Judas o Galileu inicia a revolta e prega a doutrina dos Zelotas contra o tributo aos romanos, conquistando Séforis, a capital do Norte. Citamos Flávio Josefo<em>: Em Séforis (a 7 km. de Nazaré) da Galileia, Judas, filho de Ezequías, o chefe dos bandidos que havia assolado antes a região até que foi dominado pelo rei Herodes, reuniu uma banda muito numerosa, rompeu as portas dos arsenais do rei e, distribuindo as armas a seus partidários, atacou os demais candidatos ao poder. Varo, então legado na Síria, tomou consigo as duas legiões que restavam com quatro regimentos de cavalaria e foi para Tolemaida&#8230;. Gaio, um dos seis generais, derrotou as tropas enviadas contra ele, tomou Séforis a incendiou e reduziu seus habitantes à escravidão. &#8230;Varo subiu com o grosso do exército em direção à Samaria, mas respeitou a cidade ao saber que seus habitantes não tinham tomado parte nos distúrbios provocados por outras cidades. &#8230;Dali chegou a Jerusalém e bastou que aparecesse com o exército para que se dispersassem os judeus no campo. Os que estavam na cidade acolheram Varo, que por meio do exército buscou os responsáveis da sedição. Os menos turbulentos foram encarcerados e os mais culpáveis em número de dois mil foram crucificados. </em>Jesus morava em Nazaré e teria na ocasião 13 anos. A contemplação das ruínas de Séforis foi um espetáculo triste de sua juventude. A ideia da revolta foi, sem dúvida, a razão pela qual Caifás afirmou: <em>é de interesse</em> [dos judeus] <em>que um só homem morra pelo povo e não perca a nação toda</em> (Jo 11, 50). Outro momento de rebelião foi na morte de Herodes, o Grande. Um tal Atrongeo, pastor que se intitulou rei e assolou a Pereia com seus homens armados. Tudo demonstra que havia uma síndrome de temor diante da repercussão que um messianismo político/militar poderia  acarretar ao povo com a violenta resposta romana. <strong>MESTRE: </strong>O título de <strong>didaskalos</strong> (o<em> magister</em> latino) responde, sem dúvida, ao <strong><em>rabi</em> </strong>hebraico, um mestre da Lei que tinha discípulos. A palavra RABI  significa <em>meu grande</em> (mestre). O título, assim como o ditirâmbico subsequente, é pura adulação. Diante de um juízo, a imparcialidade é a principal qualidade de um juiz  e, além disso, para um judeu, era importante que o ensino estivesse em conformidade com a vontade divina, mostrada em seus preceitos [caminhos] como colunas da verdade. Jesus era um mestre que não tinha precedentes e seguia seu próprio critério. Por isso podiam afirmar que não olhava a face [<strong>prosopon</strong>] de ninguém, que podemos traduzir por: que não tinha uma linha determinada e ensinava segundo o que sentia verdadeiro e justo. Queriam saber sua opinião, que, sem dúvida, seria particular e distinta.</p>
<p><strong>A PERGUNTA:</strong> <em>Dize-nos, portanto, que te parece? É lícito dar tributo a César ou não? (17). Dic ergo nobis quid tibi videatur licet censum dare Caesari an non. </em><strong>LÍCITO:</strong> O grego usa o verbo impessoal <strong>exestin</strong> que propriamente significa estar conforme à lei, ou seja, ser lícito. <strong>O TRIBUTO:</strong> Distinguia-se o <strong><em>FOROS</em></strong>, ou <span style="text-decoration: underline;">tributo direto</span> anual sobre casas, terras e  até pessoas (ver Lc 20,22) e o <strong><em>KENSOS</em></strong> (Mt e Mc) ou imposto <em>per cápita</em>, a <em>capitatio </em>romana, chamada também <em>tributum</em>, diferente das taxas alfandegárias, chamados <strong><em>TELOS</em></strong>, <span style="text-decoration: underline;">impostos</span> <span style="text-decoration: underline;">indiretos</span> daí a palavra <em>telônion</em>. Assim como o tributo ou <strong>didracma</strong> do templo, parece que o censo era pago em moeda, logicamente a moeda romana, o <strong>denário</strong> de prata. Moedas de cobre eram cunhadas nas províncias, mas a prata e o ouro eram todas feitas em Roma. Com isso, a dependência do poder central era evidente. Os denários tinham a efígie do imperador com a inscrição correspondente. Já as moedas hebraicas não tinham efígies, mas somente inscrições como Davi e Salomão de um lado e Jerusalém de outro. Na moeda romana havia uma palavra que podia também ter uma interpretação duvidosa: o cognome de <em>augustus</em>, palavra de origem cultual que denotava uma elevação sagrada de um personagem e era derivada de <em>augere</em> e <em>augur</em> traduzida em grego por <strong>Sebastós</strong>, venerável ou adorável. Entre os romanos, os impostos diretos eram de três classes: <strong>Tributum soli</strong>,(= imposto sobre a terra) sobre todas as propriedades salvo as beneficiadas pelo <em>ius</em> <em>italicum</em> (=direito itálico)<strong>, Tributum capitis</strong> sobre todas as rendas mobiliárias; e o simples <strong>Capitatio </strong>(= capitação), imposto direto anual, que recaia sobre todos que fossem peregrinos ou não cidadãos romanos: Trata-se do imposto pessoal, que todos as pessoas deveriam pagar: os homens desde os 14 anos e as mulheres desde os 12 até a idade de 65 anos. Nos impostos indiretos poderiam ser incluídos todos os demais impostos territoriais e alfandegários. Como vemos, a questão era especialmente sobre o imposto pessoal. Logo  provavelmente se trata do <em>capitatio</em>. Por outra parte, estava o <strong>didracma</strong>, tributo pessoal, dado ao templo, também anual, equivalente a dois denários (= ou salários de dois dias) que obrigava a todos os judeus varões maiores de vinte anos, tanto da Palestina como da Diáspora, excluindo mulheres, crianças e escravos. Sobre este imposto capital, romano, vejamos <strong>AS DUAS MENTALIDADES </strong>tradicionais na época<strong>:</strong> <strong>1)</strong> A teoria dos <strong><em>zelotas</em></strong>,  seguida pelos fariseus discípulos de Shammay, cujo chefe Sadduk lutou com Judas, era de que o único rei de Israel era Jahweh, de modo que não consideravam válida uma oração em que faltasse a Deus o título de rei. Os romanos mantinham o princípio de que, com a conquista, as terras de um país passavam a ser propriedade do Estado, mas cujo usufruto era deixado aos nativos. Neste princípio jurídico fundamentavam a exigência dos impostos. Em contra estava a <em>posição israelita</em> de que as terras eram uma herança dada a  Israel por Deus, a título inalterável. A obediência a Deus proibia, pois, aceitar o princípio jurídico romano e, como contrária a esse mandamento, interpretavam a participação nos tributos. Uma outra questão era o culto ao Imperador que aparecia nas imagens das moedas. As imagens do imperador eram, pelo culto dado ao mesmo, as que produziam maior escândalo. Hipólito dirá que alguns exageram os preceitos de modo a não tocar as moedas afirmando que não é lícito nem tocar, nem olhar, nem fabricar imagens. Também não entram nas cidades cujas portas estão adornadas com imagens, pois consideram esse caminho como pecaminoso. <strong>2)</strong> A outra maneira de considerar os impostos era a dos <strong><em>herodianos,</em></strong> que outrora viram em Herodes o Messias de Israel. Os impostos eram uma maneira de ter os romanos como amigos e realizar uma política de paz que, em definitivo, seria de bem-estar para o povo. Não existia mal algum em se deixar influir por culturas modernas e progressistas. Para estes, a recusa do pagamento de tributos era voltar a uma era obscurantista e  se expor a represálias por parte da potência dominadora. Não podemos pensar que estes tivessem o pensamento de Paulo de que toda autoridade procede de Deus (Rm 13, 1). <strong>A PERGUNTA:</strong> É lícito significa se está de acordo com a lei. Pagar o tributo a César seria, segundo os zelotas e os fariseus, dar dinheiro a um representante de um deus pagão. Seria manter o princípio de propriedade do Estado Romano sobre terras que Jahvé-Deus tinha dado a Israel a título inalienável. Segundo os juristas romanos, os indígenas tinham unicamente o usufruto das mesmas. Por isso a taxação era uma escravidão evidente, segundo os radicais palestinos. Diante deste fato, a resposta, se fosse favorável aos romanos, atrairia o desprezo do povo sobre Jesus. Mas se a resposta de Jesus fosse contrária ao pagamento do tributo, poderia ser causa suficiente para tratar Jesus como revoltoso e os herodianos acusá-lo-iam às autoridades, como realmente o fizeram, de impedir de pagar tributo [<strong>foros</strong>] a César (Lc 23,2).</p>
<p><strong>PRIMEIRA RESPOSTA: </strong><em>Tendo conhecido Jesus a maldade deles, disse: por que estais me tentando, hipócritas? (18). Cognita autem Iesus nequitia eorum ait quid me temptatis hypocritae. </em>Jesus conhece de imediato o laço e a intenção, totalmente maldosa, dos interlocutores. É uma cilada. E a sua ignorância e as suas palavras de louvor ao Mestre eram completamente falsas. Daí o título de hipócritas.</p>
<p><strong> PETIÇÃO E SEGUNDA RESPOSTA: </strong><em>Mostrai-me a moeda do censo. Eles, então, lhe trouxeram um denário (19). Assim, lhes diz: De quem esta imagem e a inscrição? (20). Dizem-lhe: de César. Então lhes diz: restitui, pois, as </em>(coisas)<em> de César a César e as do Deus ao Deus (21)</em> (sic). <em>Ostendite mihi nomisma census at illi obtulerunt ei denarium. et ait illis Iesus cuius est imago haec et suprascriptio. dicunt ei Caesaris. </em><em>Tunc ait illis reddite ergo quae sunt Caesaris Caesari et quae sunt Dei Deo.</em> Quis traduzir literalmente o grego que tem uma especial força na sua simplicidade. A palavra essencial é <strong>apodote</strong> &lt;591&gt; [o <em>reddite</em> latino] que não é um simples dar, mas devolver, restituir, retribuir, pagar um débito. A Vulgata, como quase sempre é a melhor tradução do grego, pois o <em>reddite </em>significa devolver. A moeda que eles usavam pertencia ao César, pois foi cunhada em Roma (vide 17). Quais os bens que deveriam pagar ao César? Logicamente a paz, a segurança e os diversos benefícios e utilidades que de um bom governo obtêm os cidadãos, que eles aceitavam com o juramento de fidelidade e o sacrifício diário no templo. Sobre o censo, e o <strong><em>denário</em></strong> vede o comentário aos versículos 16 e especialmente o 17. Uma outra tradução do <em>reddite</em> é pagar, no sentido de pagar  uma dívida ou um benefício, que, no caso, vemos completamente coerente com os benefícios obtidos sob a dominação romana. Jesus pede a moeda onde estava escrita ao redor da efígie do César: <em>César Tibério, do divino Augusto filho, ele mesmo Augusto, Pontifice Máximo.</em> A moeda estava cunhada em Roma, como todas as moedas em ouro ou prata. Todos, tanto fariseus como herodianos, usavam a moeda, o que era de fato aceitar o domínio do César. A tradução mais exata da resposta  de Jesus seria: <strong><em>Devolvei </em>[pagai] </strong><em>a César o que é de César e a Deus o que é de Deus</em>. Sem dúvida, que Jesus aponta para uma dívida que temos, tanto com as autoridades civis como para com Deus. 1<sup>o</sup>) Ele estabelece uma clara distinção entre os deveres cívicos e os religiosos, não confundindo as áreas, mas separando-as. 2<sup>o</sup>) Toda autoridade da qual nos servimos, como se serviam do denário os judeus, tem origem divina, como ele respondeu a Pilatos: <em>Nenhuma autoridade terias sobre mim se de cima não te fosse dada </em>(Jo 19,11). 3º) Devemos pagar o tributo a César. 4º) Assim como pagamos o tributo a Deus, pois ambos são autoridades legítimas, que contribuem para o bem-estar de nossas vidas.</p>
<p><strong>CONCLUSÃO:</strong> Deus quer ser representado na autoridade do homem, como diz Paulo, independentemente dessa autoridade ser boa ou má. Em Rm 3,1 afirma: <em>Não há autoridade que não proceda de Deus e as autoridades que existem foram por Ele instauradas.</em> Este princípio não pode ser interpretado como o fez Wycliffe (<em>De Dominio Divino Libri Tres</em>), afirmando que somente era real o domínio dos que não estavam em pecado mortal. E dele se serviu para desacreditar a autoridade eclesiástica, determinando como único princípio dominante a Bíblia, interpretada individualmente. Não o interpretavam assim Paulo e Pedro. O primeiro advertiu a Timóteo (1 Tm 2,2): <em>“Se façam pedidos, orações, súplicas, ações de graças &#8230;pelos reis e todos os que detêm autoridade a fim de que levemos uma vida calma e tranquila, com toda a piedade e dignidade”</em>. Pois os bandidos, os revolucionários da época tornavam a convivência cidadã em temor e insegurança contínuos, como sucede hoje pelo terrorismo e guerras revolucionárias. Por outra parte, Pedro em (1 Pd 2,18) atacará o princípio wycleffiano diretamente, já que escreve: <em>“Sede submissos a qualquer instituição humana por causa do Senhor, quer ao rei, porque é soberano, quer aos governadores, delegados por ele para punir os malfeitores e louvar as pessoas de bem”. </em>E aos escravos: <em>“Sede submissos com profundo temor aos vossos senhores, não apenas aos bons e afáveis, mas também aos perv</em>ersos (1 Pd 2,18)”.</p>
<p><strong>PISTAS:</strong> 1) No mundo moderno, não interrogamos Jesus sobre o tributo a César, mas interrogamos a Igreja sobre o Jesus que está mostrando ao mundo: O <em>homem oprimido</em> tem adulterado a mensagem evangélica sobre o verdadeiro Jesus, Filho de Deus, Redentor e Salvador. Do evangelho tomamos unicamente a mensagem sobre a justiça e igualdade; e a fé, fundamento da vida cristã,  fica diluída em termos humanos. O <em>Homem oprimido</em> substitui o <em>Deus encarnado</em>.</p>
<p>2) Em Jesus queremos ver um revolucionário e, na revolução, um remédio universal, uma redenção necessária, embora dolorosa. Portanto, devemos favorecê-la e acompanhá-la com ilusão e até propagá-la como remédio dos males modernos. Da frase <em>eu vim evangelizar os pobres, </em>reduzimos o evangelho a uma simples consequência de semelhante afirmação. O resto da boa notícia não interessa.</p>
<p>3) É por isso, que os milagres de Jesus, ou são silenciados ou são negados e, entre eles, a Ressurreição. A vida eterna do evangelho é traduzida como vida melhor na terra, por uma divisão mais justa das riquezas. O sobrenatural é substituído pelo natural, o pão de cada dia desloca o Pão Eucarístico, necessário para a verdadeira vida. A política tem tomado o lugar da religião. Damos a César [o povo, ou melhor, o povinho é o César atual] o que é de César; mas não damos a Deus o que é de Deus, embora esse Deus moderno seja o Grande Arquiteto que anula o Cristo do qual temos recebido o nome. A fé se reduz a uma ideia mais conforme com a Filosofia natural do que com a dos versículos dos evangelhos.</p>
<p>4)Temos que nos perguntar se damos a Deus o que é de Deus. Porque, embora sabendo que ele é o verdadeiro Senhor de nossas vidas, o temos relegado a um segundo plano, quando nos declaramos independentes ou buscamos nosso próprio bem, no lugar da vontade que é absoluta no céu e que deveria ser também soberana na terra, como rezamos no Pai Nosso.    	</p>
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			</item>
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		<title>Roteiro Homilético – XXIX Domingo do Tempo Comum – Ano A</title>
		<link>https://presbiteros.org.br/roteiro-homiletico-xxix-domingo-do-tempo-comum-ano-a-2/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Pe. Demétrio Gomes]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 13 Oct 2026 12:53:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Roteiros Homiléticos]]></category>
		<category><![CDATA[Subsídios Litúrgicos]]></category>
		<category><![CDATA[xxix domingo do tempo comum ano a 2026]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>RITOS INICIAIS Salmo 16, 6.8.9 ANTÍFONA DE ENTRADA: Respondei-me, Senhor, quando Vos invoco, ouvi a minha voz, escutai as minhas palavras. Guardai-me dos meus inimigos, Senhor. Protegei-me à sombra das vossas asas. Introdução ao espírito da Celebração «Eu te chamei pelo teu nome e te dei um título glorioso». (Frase de Isaías, 45, 5). Este chamamento [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<h2>RITOS INICIAIS</h2>
<p><em>Salmo</em> 16, 6.8.9</p>
<p>ANTÍFONA DE ENTRADA: Respondei-me, Senhor, quando Vos invoco, ouvi a minha voz, escutai as minhas palavras. Guardai-me dos meus inimigos, Senhor. Protegei-me à sombra das vossas asas.</p>
<h3>Introdução ao espírito da Celebração</h3>
<p>«Eu te chamei pelo teu nome e te dei um título glorioso». (Frase de Isaías, 45, 5).</p>
<p>Este chamamento é palavra-chave para o Dia Mundial das Missões. Também devemos «dar a César o que é de César e a Deus o que é de Deus»</p>
<p>Todos somos chamados a realizar algo de novo nas terras de Missão. Nem todos nos deslocaremos para lá. Mas todos podemos rezar, pelo bom êxito do trabalho missionário, e oferecer algo das nossas economias para esse fim.</p>
<p>ORAÇÃO COLECTA: Deus eterno e omnipotente, dai-nos a graça de consagrarmos sempre ao vosso serviço a dedicação da nossa vontade e a sinceridade do nosso coração. Por Nosso Senhor&#8230;</p>
<h2>LITURGIA DA PALAVRA</h2>
<h3>Primeira Leitura</h3>
<p><strong>Monição</strong><strong>:</strong> Ciro, rei da Pérsia, foi chamado para um trabalho de grande responsabilidade. O trabalho missionário é mais importante que a missão de Ciro.</p>
<p><em><strong>Isaías</strong> 45, 1.4-6</em></p>
<p><em><strong><sup>1</sup>Assim fala o Senhor a Ciro, seu ungido, a quem tomou pela mão direita, para subjugar diante dele as nações e fazer cair as armas da cintura dos reis, para abrir as portas à sua frente, sem que nenhuma lhe seja fechada: <sup>4</sup>«Por causa de Jacob, meu servo, e de Israel, meu eleito, Eu te chamei pelo teu nome e te dei um título glorioso, quando ainda não Me conhecias. <sup>5</sup>Eu sou o Senhor e não há outro; fora de Mim não há Deus. Eu te cingi, quando ainda não Me conhecias, <sup>6</sup>para que se saiba, do Oriente ao Ocidente, que fora de Mim não há outro. Eu sou o Senhor e mais ninguém».</strong></em></p>
<p>A leitura é tirada do Segundo Isaías; apresenta o rei Ciro da Pérsia, que em 539 acabou com o reino de Babilónia. Este é chamado, à maneira dos reis do povo escolhido, como o «<em>Ungido»</em> de Yahwéh. Ele permitiu que os exilados hebreus regressassem à pátria, e reconstruíssem o templo de Jerusalém. Nesta passagem, o profeta dá-lhe os grandiosos títulos de<em> «Pastor»</em> e «<em>Ungido» </em>do Senhor. É saudado como instrumento de Deus para libertar Israel e difundir a fé em Yahwéh, o único Deus. Também no Evangelho se fala doutro imperador pagão, Tibério César, mas sem que seja elogiado, ou condenado.</p>
<h3>Salmo Responsorial</h3>
<p><em> Sl 95 (96), l.3.4-5.7-8.9-10a.c (R. 7b)</em></p>
<p><strong>Monição</strong><strong>:</strong> Que todos os nossos actos aclamem a glória e o poder do Senhor.</p>
<p><strong>Refrão:</strong> <em> ACLAMAI A GLÓRIA E O PODER DO SENHOR.</em></p>
<p><em><strong>Cantai ao Senhor um cântico novo,</strong></em></p>
<p><em><strong>cantai ao Senhor, terra inteira.</strong></em></p>
<p><em><strong>Publicai entre as nações a sua glória,</strong></em></p>
<p><em><strong>em todos os povos as suas maravilhas.</strong></em></p>
<p><em><strong>O Senhor é grande e digno de louvor,</strong></em></p>
<p><em><strong>mais temível que todos os deuses.</strong></em></p>
<p><em><strong>Os deuses dos gentios não passam de ídolos,</strong></em></p>
<p><em><strong>foi o Senhor quem fez os céus.</strong></em></p>
<p><em><strong>Dai ao Senhor, ó família dos povos,</strong></em></p>
<p><em><strong>dai ao Senhor glória e poder.</strong></em></p>
<p><em><strong>Dai ao Senhor a glória do seu nome,</strong></em></p>
<p><em><strong>levai-Lhe oferendas e entrai nos seus átrios.</strong></em></p>
<p><em><strong>Adorai o Senhor com ornamentos sagrados,</strong></em></p>
<p><em><strong>trema diante d’Ele a terra inteira.</strong></em></p>
<p><em><strong>Dizei entre as nações: «O Senhor é Rei»,</strong></em></p>
<p><em><strong>governa os povos com equidade.</strong></em></p>
<h3>Segunda Leitura</h3>
<p><strong>Monição</strong><strong>:</strong> É necessário que todos os que evangelizam o façam «não somente com palavras, mas também com obras poderosas e com a acção do Espírito (1.ªTessalonicenses, 1, 5b)</p>
<p><em>1 <strong>Tessalonicenses</strong> 1, 1-5b</em></p>
<p><em><strong><sup>1</sup>Paulo, Silvano e Timóteo à Igreja dos Tessalonicenses, que está em Deus Pai e no Senhor Jesus Cristo: A graça e a paz estejam convosco. <sup>2</sup>Damos continuamente graças a Deus por todos vós, ao fazermos menção de vós nas nossas orações. <sup>3</sup>Recordamos a actividade da vossa fé, o esforço da vossa caridade e a firmeza da vossa esperança em Nosso Senhor Jesus Cristo, na presença de Deus, nosso Pai. <sup>4</sup>Nós sabemos, irmãos amados por Deus, como fostes escolhidos. <sup>5b</sup>O nosso Evangelho não vos foi pregado somente com palavras, mas também com obras poderosas, com a acção do Espírito Santo.</strong></em></p>
<p>É este o início daquele que é muitíssimo provavelmente primeiro de todos os escritos do Novo Testamento, e dos que são mais fáceis de datar: pelo ano 51. S. Paulo. em Corinto, recebe, através de Timóteo, boas noticias da comunidade fundada há pouco, no decurso desta 2.ª viagem apostólica, e escreve esta carta cheia de carinho, para os confirmar na fé. Temos a breve saudação inicial (v. 1), à boa maneira clássica; junto a Paulo estavam dois dos seus companheiros da 2ª viagem, Silvano(Silas) e Timóteo. Chamamos a atenção para o facto de que nas palavras de acção de graças a Deus pela fidelidade dos Tessalonicenses (vv. 3-10), o Apóstolo, uns 20 anos após a Morte e Ressurreição de Cristo, alude ao mistério central da nossa fé, ao referir o «<em>Pai», </em>ao Filho, «<em>o Senhor Jesus» </em>(v. 3) e ao<em> «Espírito Santo» </em>(v. 5).</p>
<h3>Aclamação ao Evangelho</h3>
<p><em> Filip 2, 15d.16a</em></p>
<p><strong>Monição</strong><strong>:</strong> Meditemos, seriamente, nesta frase de Jesus: «Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus (<em>Mt</em> 22,21).</p>
<h3>ALELUIA</h3>
<p><em><strong>Vós brilhais como estrelas no mundo,</strong></em></p>
<p><em><strong>ostentando a palavra da vida.</strong></em></p>
<h2>Evangelho</h2>
<p><em><strong>São Mateus</strong> 22, 15-21</em></p>
<p><em><strong>Naquele tempo, <sup>15</sup>os fariseus reuniram-se para deliberar sobre a maneira de surpreender Jesus no que dissesse. <sup>16</sup>Enviaram-Lhe alguns dos seus discípulos, juntamente com os herodianos, e disseram-Lhe: «Mestre, sabemos que és sincero e que ensinas, segundo a verdade, o caminho de Deus, sem te preocupares com ninguém, pois não fazes acepção de pessoas. <sup>17</sup>Diz-nos o teu parecer: É lícito ou não pagar tributo a César?» <sup>18</sup>Jesus, conhecendo a sua malícia, respondeu: «Porque Me tentais, hipócritas? <sup>19</sup>Mostrai-me a moeda do tributo». Eles apresentaram-Lhe um denário e Jesus perguntou: <sup>20</sup>«De quem é esta imagem e esta inscrição?» <sup>21</sup>Eles responderam: «De César». Disse-Lhes Jesus: «Então, dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus».</strong></em></p>
<p>A questão proposta era uma hábil cilada em que Jesus deveria cair: se dissesse que se devia pagar o tributo a Tibério César, ali estavam os<em> «fariseus»</em> para O desacreditarem perante o povo, pois apoiava o domínio romano, ao qual os fariseus se opunham tenazmente; se Jesus dissesse que não, ali tinha os<em> «herodianos», </em>que O iriam denunciar a Pilatos como rebelde e agitador do povo contra os Romanos, pois os partidários de Herodes apoiavam o domínio romano.</p>
<p>19 «<em>A moeda do tributo». </em>Era o denário, que tinha a efígie do imperador com a inscrição: «Tibério César, filho do divino Augusto».</p>
<p>21 Jesus evita cair na armadilha, dando uma resposta que transcende a pergunta: a pergunta era política; a resposta é de ordem moral e religiosa e muito mais ampla. Se é certo que Jesus declara: «<em>dai a César o que é de César», </em>também é verdade que restringe imediatamente esta declaração, ao afirmar um princípio superior: «<em>dai a Deus o que é de Deus». </em>É como se dissesse: dai a César o que lhe pertence, mas não mais do que aquilo que lhe pertence, pois há direitos superiores e prioritários, os de Deus, Yahwéh, a quem César tem de servir.</p>
<p><strong>Sugestões para a homilia</strong></p>
<p>Vamos principiar com algumas advertências tiradas da mensagem do Santo padre, Bento XVI, para este Dia Mundial das Missões.</p>
<p>A dado passo da Sua Mensagem, diz Bento XVI: «O meu venerado Predecessor, o Servo de Deus Paulo VI, já afirmava na Exortação Apostólica Evangelii nuntiandi, que «evangelizar constitui, de facto, a graça e a vocação própria da Igreja, a sua mais profunda identidade» (n.14). Como modelo deste compromisso apostólico, apraz-me indicar particularmente São Paulo, o Apóstolo das nações, uma vez que no corrente ano celebramos um Jubileu especial a ele dedicado. Trata-se do Ano Paulino, que nos oferece a oportunidade de familiarizar com este insigne Apóstolo, que recebeu a vocação de proclamar o Evangelho aos gentios…</p>
<p>Como deixar de aproveitar a oportunidade oferecida por este jubileu especial às Igrejas locais, às comunidades cristãs e a cada um dos fiéis separadamente, para propagar até aos extremos confins do mundo «<span style="text-decoration: underline;">o anúncio do Evangelho, força de Deus para a salvação de todo aquele que acredita</span>» (cf. <em>Rm</em> 1,16»</p>
<p>Perante os graves problemas com que se debate a humanidade hodierna o Santo Padre pergunta: «O que será da humanidade e da criação? Existe esperança para o futuro, ou melhor, há um futuro para a humanidade? Como será esse futuro? A resposta a estas interrogações provêm-nos do Evangelho. Cristo é o nosso futuro e, como escrevi na Carta Encíclica Spe salvi, o seu Evangelho é a comunicação que «transforma a vida», incute esperança, abre de par em par as portas obscuras do tempo e ilumina o porvir da humanidade e do universo (cf. n.2). São Paulo compreendeu bem que somente em Cristo a humanidade pode encontrar a redenção e a esperança. Com efeito, «<span style="text-decoration: underline;">quem não conhece Deus, mesmo podendo ter muitas esperanças, no fundo está sem esperança</span>».</p>
<p><span style="text-decoration: underline;">Últimas palavras da Mensagem:</span></p>
<p>«Enquanto confio ao Senhor a obra apostólica dos missionários, das Igrejas espalhadas pelo mundo e dos fiéis comprometidos em várias actividades missionárias, invocando a intercessão do Apóstolo Paulo e de Maria Santíssima, Estrela de Evangelização e da Esperança, concedo a todos a Bênção Apostólica».</p>
<p><span style="text-decoration: underline;">Apelo</span></p>
<p>Tudo a mais que pode dizer-se já é suficientemente conhecido. Rezemos, ofereçamos algo das nossas economias e lembremos o atraso e a miséria em que vivem muitas Nações.</p>
<p>Recordo só este caso: Esteve entre nós um Padre da Guiné-Bissau. Falou dos imensos problemas que lá existiam e uma das grandes aspirações era levar um tractor para melhorar a agricultura naquele País. Sem máquinas, como se pode viver? A miséria é tal que nós, dificilmente acreditámos. Não se pode pregar a estômagos vazios.</p>
<p><strong>Fala o Santo Padre</strong></p>
<p><strong>MENSAGEM DO PAPA BENTO XVI</strong></p>
<p><strong>PARA O DIA MISSIONÁRIO MUNDIAL DE 2008</strong></p>
<p>«Servos e apóstolos de Jesus Cristo»</p>
<p><em>Queridos irmãos e irmãs</em></p>
<p>Por ocasião do Dia Missionário Mundial, gostaria de vos convidar a reflectir acerca da urgência que subsiste em anunciar o Evangelho inclusivamente nesta nossa época. O mandato missionário continua a constituir uma prioridade absoluta para todos os baptizados, chamados a ser «<em>servos e apóstolos de Jesus Cristo»</em> neste início de milénio. O meu venerado Predecessor, o Servo de Deus Paulo VI, já afirmava na Exortação Apostólica <em><span style="text-decoration: underline;">Evangelii</span></em><em><span style="text-decoration: underline;"> nuntiandi</span>, </em>que «evangelizar constitui, de facto, a graça e a vocação própria da Igreja, a sua mais profunda identidade» (n. 14). Como modelo deste compromisso apostólico, apraz-me indicar particularmente São Paulo, o Apóstolo das nações, uma vez que no corrente ano celebramos um Jubileu especial a ele dedicado. Trata-se do Ano Paulino, que nos oferece a oportunidade de familiarizar com este insigne Apóstolo, que recebeu a vocação de proclamar o Evangelho aos gentios, em conformidade com quanto o Senhor lhe tinha prenunciado: «Vai! É para longe, é para junto dos pagãos que Eu te hei-de enviar» (<em>Act</em> 22, 21). Como deixar de aproveitar a oportunidade oferecida por este Jubileu especial às Igrejas locais, às comunidades cristãs e a cada um dos fiéis separadamente, para propagar até aos extremos confins do mundo «o anúncio do Evangelho, força de Deus para a salvação de todo aquele que acredita» (cf. <em>Rm</em> 1, 16)?</p>
<p><em>1. A</em><em> humanidade tem necessidade de libertação</em></p>
<p>A humanidade tem necessidade de ser libertada e redimida. A própria criação afirma São Paulo sofre e nutre a esperança de entrar na liberdade dos filhos de Deus (cf. <em>Rm</em> 8, 19-22). Estas palavras são verdadeiras também no mundo de hoje. A criação sofre. A humanidade sofre e espera a verdadeira liberdade, aguarda um mundo diferente, melhor; espera a «redenção». E, em última análise, sabe que este novo mundo esperado supõe um homem novo, supõe «filhos de Deus». Vejamos mais de perto a situação do mundo de hoje. Se, por um lado, o panorama internacional apresenta perspectivas de um desenvolvimento económico e social promissor, por outro, chama a nossa atenção para algumas graves preocupações no que diz respeito ao próprio porvir do homem. Em não poucos casos, a violência caracteriza os relacionamentos entre os indivíduos e os povos; a pobreza oprime milhões de habitantes; as discriminações e às vezes até as perseguições por motivos raciais, culturais e religiosos impelem numerosas pessoas a escapar dos seus países para procurar refúgio e salvaguarda alhures; quando não tem como finalidade a dignidade e o bem do homem, quando não tem em vista um desenvolvimento solidário, o progresso tecnológico perde a sua potencialidade de factor de esperança e, ao contrário, corre o risco de agravar os desequilíbrios e as injustiças já existentes. Além disso, há uma ameaça constante no que se refere à relação homem-meio ambiente, devido ao uso indiscriminado dos recursos, com repercussões sobre a própria saúde física e mental do ser humano. Depois, o futuro do homem é posto em risco pelos atentados contra a sua vida, atentados estes que adquirem várias formas e modalidades.</p>
<p>Diante deste cenário, «sentimos o peso da inquietação, agitados entre a esperança e a angústia» (Constituição <em><span style="text-decoration: underline;">Gaudium</span></em><em><span style="text-decoration: underline;"> et spes</span>, </em>4) e, preocupados, interrogamo-nos: o que será da humanidade e da criação? Existe esperança para o futuro, ou melhor, há um futuro para a humanidade? E como será este futuro? A resposta a estas interrogações provêm-nos do Evangelho. Cristo é o nosso futuro e, como escrevi na Carta Encíclica <em><span style="text-decoration: underline;">Spe</span></em><em><span style="text-decoration: underline;"> salvi,</span> </em>o seu Evangelho é a comunicação que «transforma a vida», incute a esperança, abre de par em par as portas obscuras do tempo e ilumina o porvir da humanidade e do universo (cf. n. 2). São Paulo compreendeu bem que somente em Cristo a humanidade pode encontrar a redenção e a esperança. Por isso, sentia impelente e urgente a missão de «anunciar a promessa da vida em Jesus Cristo» (<em>2 Tm </em>1, 1), «nossa esperança» (<em>1 Tm </em>1, 1), a fim de que todos os povos possam participar na mesma herança e tornar-se partícipes da promessa por meio do Evangelho (cf. <em>Ef</em> 3, 6). Ele estava consciente de que, desprovida de Cristo, a humanidade permanece «sem esperança e sem Deus no mundo (Ef 2, 12) sem esperança porque sem Deus» (<em><span style="text-decoration: underline;">Spe</span></em><em><span style="text-decoration: underline;"> salvi</span>, </em>3). Com efeito, «quem não conhece Deus, mesmo podendo ter muitas esperanças, no fundo está sem esperança, sem a grande esperança que sustenta toda a vida (cf. <em>Ef</em> 2, 12)» (<em><span style="text-decoration: underline;">Ibid</span>., </em>n. 27).</p>
<p><em>2. A</em><em> Missão é uma questão de amor</em></p>
<p>Por conseguinte, anunciar Cristo e a sua mensagem salvífica constitui um dever premente para todos. «Ai de mim afirmava São Paulo se eu não anunciar o Evangelho!» (<em>1 Cor</em> 9, 16). No caminho de Damasco, ele tinha experimentado e compreendido que a redenção e a missão são obra de Deus e do seu amor. O amor de Cristo levou-o a percorrer os caminhos do Império Romano como arauto, apóstolo, anunciador e mestre do Evangelho, do qual se proclamava «embaixador aprisionado» (<em>Ef</em> 6, 20). A caridade divina tornou-o «tudo para todos, a fim de salvar alguns a qualquer custo» (<em>1 Cor </em>9, 22). Considerando a experiência de São Paulo, compreendemos que a actividade missionária é a resposta ao amor com que Deus nos ama. O seu amor redime-nos e impele-nos rumo à <em>missio</em><em> ad gentes; </em>é a energia espiritual capaz de fazer crescer na família humana a harmonia, a justiça, a comunhão entre as pessoas, as raças e os povos, à qual todos aspiram (cf. Carta Encíclica <em><span style="text-decoration: underline;">Deus caritas est</span>, </em>12). Portanto é Deus, que é amor, quem conduz a Igreja rumo às fronteiras da humanidade e quem chama os evangelizadores a beberem «da fonte primeira e originária que é Jesus Cristo, de cujo Coração trespassado brota o amor de Deus» (<em><span style="text-decoration: underline;">Deus caritas est</span>, </em>7). Somente deste manancial se podem haurir a atenção, a ternura, a compaixão, o acolhimento, a disponibilidade e o interesse pelos problemas das pessoas, assim como aquelas outras virtudes necessárias para que os mensageiros do Evangelho deixem tudo e se dediquem completa e incondicionalmente a difundir no mundo o perfume da caridade de Cristo.</p>
<p><em>3. Evangelizar sempre</em></p>
<p>Enquanto a primeira evangelização em não poucas regiões do mundo permanece necessária e urgente, a escassez de clero e a falta de vocações afligem hoje várias Dioceses e Institutos de vida consagrada. É importante reiterar que, mesmo na presença de dificuldades crescentes, o mandato de Cristo de evangelizar todos os povos permanece uma prioridade. Nenhuma razão pode justificar uma sua diminuição ou uma sua interrupção, dado que «a tarefa de evangelizar todos os homens constitui a missão essencial da Igreja» (Paulo VI, Exortação Apostólica <em><span style="text-decoration: underline;">Evangelii</span></em><em><span style="text-decoration: underline;"> nuntiandi</span>, </em>14). Esta missão «ainda está no começo e devemos empenhar-nos com todas as forças no seu serviço» (João Paulo II, Carta Encíclica <em><span style="text-decoration: underline;">Redemptoris</span></em><em><span style="text-decoration: underline;"> missio</span>, </em>1). Como deixar de pensar aqui no Macedónio que, tendo aparecido em sonho a Paulo, clamava: «Vem à Macedónia e ajuda-nos»? Hoje são inúmeros aqueles que esperam o anúncio do Evangelho, aqueles que se sentem sequiosos de esperança e de amor. Quantos se deixam interpelar profundamente por este pedido de ajuda que se eleva da humanidade, abandonam tudo por Cristo e transmitem aos homens a fé e o amor por Ele! (cf. <em><span style="text-decoration: underline;">Spe</span></em><em><span style="text-decoration: underline;"> salvi</span>, </em>8).</p>
<p><em>4. «Ai de mim se eu não anunciar o Evangelho!»</em> (<em>1 Cor </em>9, 16)</p>
<p>Caros irmãos e irmãs, «<em>duc</em><em> in altum»! </em>Façamo-nos ao largo no vasto mar do mundo e, aceitando o convite de Jesus, lancemos as redes sem temor, confiantes na sua ajuda constante. São Paulo recorda-nos que anunciar o Evangelho não é um título de glória (cf. <em>1 Cor </em>9, 16), mas uma tarefa e uma alegria. Estimados irmãos Bispos, seguindo o exemplo de Paulo, cada um se sinta «prisioneiro de Cristo em favor dos pagãos» (<em>Ef</em> 3, 1), consciente de que nas dificuldades e nas provações pode contar com a força que dele nos provém. O Bispo é consagrado não apenas para a sua diocese, mas para a salvação do mundo inteiro (cf. Carta Encíclica <em><span style="text-decoration: underline;">Redemptoris</span></em><em><span style="text-decoration: underline;"> missio</span>, </em>63). Como o Apóstolo Paulo, ele é chamado a ir ao encontro daqueles que estão distantes, dos que ainda não conhecem Cristo, ou que ainda não experimentaram o seu amor libertador; o seu compromisso consiste em tornar missionária toda a comunidade diocesana, contribuindo de bom grado, em conformidade com as possibilidades, para destinar presbíteros e leigos a outras Igrejas, para o serviço da evangelização. Assim, a <em>missio</em><em> ad gentes </em>torna-se o princípio unificador e convergente de toda a sua actividade pastoral e caritativa.</p>
<p>Vós, queridos presbíteros, primeiros colaboradores dos Bispos, sede pastores generosos e evangelizadores entusiastas! Não poucos de vós, ao longo destas décadas, partiram para os territórios de missão, a seguir à Carta Encíclica <em><span style="text-decoration: underline;">Fidei</span></em><em><span style="text-decoration: underline;"> donum</span>, </em>cujo 50º aniversário há pouco comemorámos, e com a qual o meu venerado Predecessor o Servo de Deus Pio XII deu impulso à cooperação entre as Igrejas. Formulo votos a fim de que não definhe esta tensão missionária nas Igrejas locais, apesar da escassez de clero que aflige não poucas delas.</p>
<p>E vós, amados religiosos e religiosas, caracterizados por vocação por uma forte conotação missionária, levai o anúncio do Evangelho a todos, especialmente aos que estão distantes, mediante um testemunho coerente de Cristo e um seguimento radical do seu Evangelho.</p>
<p>Todos vós, prezados fiéis leigos que trabalhais nos diversos âmbitos da sociedade, sois chamados a participar na difusão do Evangelho de maneira cada vez mais relevante. Assim, abre-se diante de vós um areópago complexo e multifacetado a ser evangelizado: o mundo. Dai testemunho com a vossa própria vida, do facto de que os cristãos «pertencem a uma sociedade nova, rumo à qual caminham e que, na sua peregrinação, é antecipada» (<em><span style="text-decoration: underline;">Spe</span></em><em><span style="text-decoration: underline;"> salvi</span>,</em> 4).</p>
<p><em>5. Conclusão</em></p>
<p>Caros irmãos e irmãs, a celebração do <em>Dia Missionário Mundial </em>encoraje todos vós a tomar uma renovada consciência da urgente necessidade de anunciar o Evangelho. Não posso deixar de relevar com profundo apreço a contribuição das Pontifícias Obras Missionárias para a acção evangelizadora da Igreja. Agradeço-lhes o apoio que oferecem a todas as Comunidades, de maneira especial às mais jovens. Elas constituem um válido instrumento para animar e formar missionariamente o Povo de Deus e alimentam a comunhão de pessoas e de bens entre os vários membros do Corpo místico de Cristo. A colecta, que no Dia Missionário Mundial se realiza em todas as paróquias, seja um sinal de comunhão e de solicitude recíproca entre as Igrejas. Enfim, que no povo cristão se intensifique cada vez mais a oração, meio espiritual indispensável para difundir no meio de todos os povos a luz de Cristo, «a luz por antonomásia» que resplandece sobre «as trevas da história» (<em><span style="text-decoration: underline;">Spe</span></em><em><span style="text-decoration: underline;"> salvi</span>,</em> 49). Enquanto confio ao Senhor a obra apostólica dos missionários, das Igrejas espalhadas pelo mundo e dos fiéis comprometidos em várias actividades missionárias, invocando a intercessão do Apóstolo Paulo e de Maria Santíssima, «Arca da Aliança viva», Estrela da evangelização e da esperança, concedo a todos a Bênção apostólica.</p>
<p>Bento XVI, Vaticano, 11 de Maio de 2008</p>
<p><strong>LITURGIA EUCARÍSTICA</strong></p>
<p>ORAÇÃO SOBRE AS OBLATAS: Fazei, Senhor, que possamos servir ao vosso altar com plena liberdade de espírito, para que estes mistérios que celebramos nos purifiquem de todo o pecado. Por Nosso Senhor&#8230;</p>
<p><strong>SANTO</strong></p>
<p>Monição da Comunhão</p>
<p>Se não comungas com frequência, não dás a Deus o que é de Deus nem a César o que é de César.</p>
<p><em>Salmo</em> 32, 18-19</p>
<p>ANTÍFONA DA COMUNHÃO: O Senhor vela sobre os seus fiéis, sobre aqueles que esperam na sua bondade, para libertar da morte as suas almas, para os alimentar no tempo da fome.</p>
<p>Ou</p>
<p><em>Mc</em> 10, 45</p>
<p>O Filho do homem veio ao mundo para dar a vida pela redenção dos homens.</p>
<p>ORAÇÃO DEPOIS DA COMUNHÃO: Concedei, Senhor, que a participação nos mistérios celestes nos faça progredir na santidade, nos obtenha as graças temporais e nos confirme nos bens eternos. Por Nosso Senhor&#8230;</p>
<p><strong>RITOS FINAIS</strong></p>
<p>Monição final</p>
<p>Quem está disposto a dar a Deus o que é de Deus e a César o que é de César, não pode esquecer-se do problema missionário.</p>
<p><strong>HOMILIAS FERIAIS</strong></p>
<p>29ª SEMANA</p>
<p>2ª Feira, 20-X: As riquezas de Deus.</p>
<p><em>Ef</em> 2, 1-10 / <em>Lc</em> 12, 13-21</p>
<p>Depois, direi à minha alma: Ó alma, tens muitos bens em depósito para largos anos. Descansa, come, bebe e regala-te.</p>
<p>Este homem rico pensou ter encontrado a <em>felicidade</em> na acumulação de bens materiais. No entanto, «a <em>verdadeira felicidade</em> não reside nem na riqueza ou no bem-estar, nem na glória humana ou no poder, …nem em qualquer criatura, mas só <em>em Deus</em>, fonte de todo o bem e de todo o amor» (CIC, 1723).</p>
<p>Saibamos descobrir as <em>riquezas de Deus</em>: «Deus é rico em misericórdia…Assim quis mostrar nos séculos futuros a extraordinária riqueza da sua graça, pela bondade que teve para connosco em Cristo Jesus» (Leit).</p>
<p>3ª Feira, 21-X:Vigilância para boa construção.</p>
<p><em>Ef</em> 2, 12-22 / <em>Lc</em> 12, 35-38</p>
<p>Em Cristo, qualquer construção bem ajustada, cresce para formar um templo santo do Senhor.</p>
<p>«A Igreja é também muitas vezes chamada <em>construção de Deus</em>. O próprio Cristo se comparou à pedra que os construtores rejeitaram e que se tornou pedra angular (Leit)» (CIC, 756).</p>
<p>Nós também estamos «integrados na construção» (Leit). Para isso, precisamos estar muito <em>vigilantes</em>. O Senhor vai bater à nossa porta (cf Ev), no momento da nossa morte e em muitos momentos do nosso dia, para nos pedir um trabalho mais bem feito, umas orações com mais piedade, uma vida familiar com mais amor…</p>
<p>4ª Feira, 22-X:Vigilância nas actividades correntes.</p>
<p>Ef 3, 2-12 / Lc 12, 39-48</p>
<p>Feliz daquele servo a quem o Senhor ao chegar, assim encontrar fazendo. Em verdade vos digo: há-de pô-lo à frente de todos os seus bens.</p>
<p><em>A vigilância</em> que o Senhor nos pede está nas pequenas actividades de cada dia: levantar-se à hora certa, cumprir o horário de trabalho, não perder o tempo em programas inúteis de TV, entrar em casa com um sorriso. «Por cada <em>vitória contra os pequenos inimigos </em>colocaremos uma pedra preciosa na coroa de glória que o Senhor preparou para nós» (S. Francisco de Sales).</p>
<p>A <em>vigilância </em>também se poderia concretizar «na coragem de nos <em>aproximarmos</em> de Deus com toda a confiança» (Leit). São os momentos dedicados diariamente a Deus.</p>
<p>5ª Feira, 23-X: A energia transformadora do Espírito Santo.</p>
<p><em>Ef</em> 3, 14-21 / <em>Lc</em> 12, 49-53</p>
<p>Eu vim lançar fogo sobre a terra e só quero que ele se tenha ateado.</p>
<p>«O <em>fogo</em>! Simboliza a energia transformadora dos actos do Espírito Santo, aquele Espírito do qual Jesus dirá: ‘Eu vim lançar fogo …’(Ev)» (CIC, 696).</p>
<p>Peçamos a Deus que o <em>fogo do seu amor</em> robusteça a nossa alma: «Ele vos dará, por meio do seu Espírito, a força de vos tornardes robustos no que há de <em>mais íntimo em vós</em>» (Leit). E cada um de nós há-de ser igualmente <em>fogo para transmitir aos outros</em> a largura, o comprimento, a altura e a profundidade do mistério da habitação de Cristo nos nossos corações (cf Leit).</p>
<p>6ª Feira, 24-X: Interpretar os sinais dos tempos.</p>
<p><em>Ef</em> 4, 1-6 / <em>Lc</em> 12, 54-59</p>
<p>Hipócritas, sabeis apreciar o aspecto da terra e do céu; mas este tempo, como é que não o apreciais?</p>
<p>«O homem esforça-se por interpretar os dados da experiência e os <em>sinais dos tempos</em> (cf Ev), graças à virtude da prudência, aos conselhos de pessoas sensatas e à ajuda do Espírito Santo e dos seus dons» (CIC, 1788).</p>
<p>Um dos sinais dos nossos tempos é recuperar a <em>unidade de todos os cristãos</em>: «Pela comunhão do Corpo de Cristo, a Igreja consegue ser cada vez como que o <em>sacramento ou sinal</em>, e o instrumento da íntima união com Deus e da unidade de todo o género humano» (João Paulo II).</p>
<p>Sábado, 25-X: Aumentar os frutos na nossa vida.</p>
<p><em>Ef</em> 4, 7-16 / <em>Lc</em> 13, 1-9</p>
<p>Certo homem tinha uma figueira plantada na sua vinha. Foi procurar fruto a essa figueira e não o encontrou.</p>
<p><em>A figueira</em> representa cada um de nós. Do mesmo modo, o Senhor procura constantemente em nós frutos de santidade. Tem a minha vida os frutos que o Senhor nela espera encontrar? Não será que posso corresponder melhor?</p>
<p>Uma vez que a figueira estava estéril, o vinhateiro resolveu deitar adubo para recolher frutos no futuro (cf Ev). O <em>adubo fertilizante</em> é símbolo do Espírito Santo, Senhor que dá a vida: «A cada um de nós foi concedida a graça» (Leit). Precisamos viver a verdade na caridade para crescermos aos olhos do Senhor (cf Leit).</p>
<p>Celebração e Homilia: ADRIANO TEIXEIRA</p>
<p>Nota Exegética: GERALDO MORUJÃO</p>
<p>Homilias Feriais: NUNO ROMÃO</p>
<p>Sugestão Musical: DUARTE NUNO ROCHA</p>
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		<title>Homilia do D. José Maria Pereira – XXIX Domingo do Tempo Comum – Ano A</title>
		<link>https://presbiteros.org.br/homilia-do-d-jose-maria-pereira-xxix-domingo-do-tempo-comum-ano-a/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Pe. Demétrio Gomes]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 13 Oct 2026 12:52:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Homilias]]></category>
		<category><![CDATA[Homilias Dominicais]]></category>
		<category><![CDATA[Subsídios Litúrgicos]]></category>
		<category><![CDATA[xxix domingo do tempo comum ano a 2026]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O Cristão na Igreja e na Política! Dia Mundial das Missões! Dom José Maria Pereira No Evangelho (Mt 22, 15-21), perante uma pergunta insidiosa, Jesus reafirma o dever de obedecer à autoridade civil. Uns fariseus, unidos aos herodianos – com quem tinham feito causa comum para atacar o Senhor – perguntam-lhe se é lícito pagar [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><b>O Cristão na Igreja e na Política! Dia Mundial das Missões!</b></p>
<p><b>Dom José Maria Pereira</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No Evangelho (Mt 22, 15-21), perante uma pergunta insidiosa, Jesus reafirma o dever de obedecer à autoridade civil. Uns fariseus, unidos aos herodianos – com quem tinham feito causa comum para atacar o Senhor – perguntam-lhe se é lícito pagar o tributo ao César. O pagamento dessas contribuições era considerado por alguns como uma forma de colaboração com o poder estrangeiro, que, com a sua autoridade – pensavam –, limitava o domínio de Deus sobre o Povo eleito. Se o Mestre admitisse o pagamento, os fariseus poderiam considerá-lo como colaborador do domínio romano e desacreditá –lo perante uma boa parte do povo; se se opusesse, os herodianos, amigos do poder estabelecido, teriam motivo suficiente para denunciá-lo à autoridade romana.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Devemos estar convencidos de que o Evangelho não afasta os cristãos da política, mas, antes, quer que o cristão participe com especial responsabilidade e testemunho da construção do bem comum. O difícil é fundamentar, no Evangelho, este compromisso, isto é, como uni-lo ao compromisso religioso a fim de que não se perpetue aquela separação nefasta entre fé e vida, entre o tributo que devemos dar a Deus e o tributo que devemos dar a César.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A questão do tributo a César: Jesus responde com um surpreendente realismo político. O tributo a César deve ser pago, porque a efígie na moeda é sua; mas o homem, cada homem, traz em si mesmo outra imagem, a de Deus, e, portanto, é a Ele, e somente a Ele que cada um é devedor da própria existência. Os Padres da Igreja, inspirando-se no fato de que Jesus faz referência à efígie do imperador, gravada na moeda do tributo, interpretaram este trecho à luz do conceito fundamental de homem-imagem de Deus, contido no primeiro capítulo do Livro do Gênesis. Um autor anônimo escreve: “A imagem de Deus não está gravada no ouro, mas no gênero humano. A moeda de César é ouro, a de Deus é a humanidade… Portanto, concede a tua riqueza material a César, mas conserva para Deus a inocência singular da tua consciência, onde Deus é contemplado… Com efeito, César pediu que a sua imagem fosse gravada em cada moeda, mas Deus escolheu o homem, que Ele mesmo criou, para refletir a sua Glória.”  E Santo Agostinho recorreu várias vezes a esta referência nas suas homilias: “Se César reclama a própria imagem impressa na moeda – afirma – não exigirá Deus do Homem a imagem divina esculpida nele?” E ainda: “Do mesmo modo que se devolve a moeda a César, assim se restitui a Deus a alma iluminada e impressa pela luz da sua Face… Com efeito, Cristo habita no homem interior” (Salmo 94).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Discípulos dos fariseus e herodianos, favoráveis ao poder romano, fazem uma pergunta capciosa: “é permitido ou não pagar o tributo a César?”; Se dissesse sim: apareceria como colaborador da dominação romana. Se dissesse não: seria denunciado às autoridades romanas como subversivo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Jesus percebe a armadilha. Pede uma moeda e pergunta: “De quem é essa imagem? Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“Dai a César” não significa que a religião esteja confinada ao templo, nem que a ordem e o cuidado dos assuntos sociais e econômicos devam ser feitos à margem da lei divina, como se Deus não existisse. Jesus reconheceu a competência do poder civil e de seus direitos, mas avisou: devem ser respeitados também os direitos superiores de Deus.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Jesus dá uma resposta cheia de profundidade divina, que soluciona com toda a exatidão o problema que lhe tinham proposto, mas, ao mesmo tempo, vai muito além do que lhe tinham perguntado. Não se limita ao “sim” ou ao “não”. Dai a César o que é de César, diz-lhes. Quer dizer, dai-lhe aquilo que lhe corresponde, mas não mais do que isso, porque o Estado não tem poder e domínio absolutos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As autoridades públicas estão gravemente obrigadas a servir o bem comum sem buscar o proveito pessoal; a legislar e governar com o mais pleno respeito pela lei natural e pelos direitos da pessoa: em favor da vida desde o momento da sua concepção, que é o primeiro de todos os direitos; da família, que é a origem da sociedade; da liberdade religiosa; do direito dos pais à educação dos filhos… “Ai daqueles que fazem leis injustas!” (Is 10,1), clama o senhor pela boca do profeta Isaías. Rezar pelos que estão constituídos em autoridade é um dever de todos os cristãos, pois é muito grande a responsabilidade que pesa sobre eles.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por sua vez, como cidadãos iguais aos outros, os cristãos devem ser homens e mulheres que cumprem escrupulosamente os seus deveres para com a sociedade, para com o Estado, para com a empresa em que trabalham… Essa fidelidade é para os cristãos um dever de consciência, pois diz respeito a prestações que se enquadram no seu caminho de santidade. O pagamento dos impostos justos, o exercício responsável do voto, a colaboração nas iniciativas que têm em vista o bem público, a intervenção na política quando a pessoa se sente chamada a isso…, são tarefas próprias de qualquer cidadão, mas, no cristão, tornam-se veículos para o exercício das virtudes da justiça e da caridade; são, portanto, meio de santificação.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando o cristão atua na vida pública, no ensino, em qualquer iniciativa cultural…, não pode ocultar a sua fé, pois “a distinção estabelecida por Cristo não significa, de modo algum, que a religião tenha que ser relegada ao templo – à sacristia -, nem que a ordenação dos assuntos humanos deva ser feita à margem de toda a lei divina e cristã” (São Josemaría Escrivá). Antes, pelo contrário, os cristãos devem ser sal e luz no lugar onde se encontram, devem converter o mundo num lugar mais humano, habitável, onde os homens encontrem com facilidade o caminho que leva a Deus.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os fiéis leigos cumprem “esta missão da Igreja no mundo, antes de tudo por aquela coerência da vida com a fé, pela qual se transformam em luz do mundo; pela honestidade em qualquer negócio, honestidade que atrai todos os homens para o amor da verdade e do bem e, afinal, para Cristo e a Igreja; pela caridade fraterna, pela qual participam das condições de vida, trabalho, dores e aspirações dos irmãos, dispondo insensivelmente os corações de todos para a ação salutar da graça…” (Concílio Vaticano II, A.A, nº13).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dar a Deus o que é de Deus! Conseguiremos com o testemunho de uma vida coerente, sentindo-nos filhos de Deus, tanto na praça pública como na conversa amável na casa de alguns amigos, persuadidos de que só no seio da Igreja se guardam os valores que podem preencher o tremendo vazio moral e religioso que encontramos na sociedade. Uma sociedade sem esses valores está voltada para uma crescente agressividade e também uma progressiva desumanização. Deus não é uma estrela longínqua, inoperante, mas uma poderosa luz que dá sentido a todos os afazeres humanos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Diante das tentativas de afastar Deus da vida dos homens contemporâneos, na pressuposição que Ele diminua a sua liberdade e a responsabilidade, o Papa Bento XVI afirmou com renovado vigor: “Onde Deus está presente, há esperança e abrem-se perspectivas novas e, frequentemente, inesperadas que vão para além do hoje e das coisas efêmeras”. Como membros vivos e atuantes nas nossas comunidades, somos chamados a participar na vida e na ação evangelizadora e missionária da Igreja. A Igreja, no Brasil, nas suas diretrizes gerais, pede-nos que todos devemos: “ Evangelizar, a partir de Jesus Cristo e na força do Espírito Santo, como Igreja discípula, missionária e profética, alimentada pela Palavra de Deus e pela Eucaristia, à luz da evangélica opção preferencial pelos pobres, para que todos tenham vida, rumo ao Reino definitivo” (DGAE).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Jesus disse: “Vós sois o sal da terra, vós sois a luz do mundo”. Como cristãos, devemos ser luz do mundo e sal da terra, para converter o mundo num lugar mais humano e mais divino, numa liberdade que se sabe responsável diante dos homens e diante de Deus. Dando a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em Missa celebrada em setembro de 2013, o Papa Francisco assinalou que um bom católico deve empenhar-se na política e que o contrário não é um bom caminho para os fiéis.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O Santo Padre recordou que “a política – diz a Doutrina Social da Igreja – é uma das formas mais elevadas da caridade, porque serve ao bem comum. Eu não posso lavar as mãos, né? Todos devemos dar algo!”</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Muitas vezes, existe o hábito de somente falar mal dos governantes e criticar o que não vai bem: “Assiste-se ao noticiário na televisão, lê-se o jornal, e as críticas são contínuas. Fala-se sempre mal e contra!”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Talvez, “o governante seja, sim, um pecador, como Davi, mas eu devo colaborar com a minha opinião, com a minha palavra, e também com a minha correção” porque todos “devemos participar do bem comum!”. E se “muitas vezes ouvimos: que ‘um bom católico não entra na política’, isto não é verdade, esse não é um bom caminho”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“Um bom católico não se envolve na política. Isso não é certo. Este não é um bom caminho. Um bom católico deve empenhar-se na política, oferecendo o melhor de si, para que o governante possa governar. Mas, qual é a melhor coisa que podemos oferecer aos governantes? A oração! Isso é o que diz Paulo: ‘A oração por todos os homens e pelo rei e por todos os que estão no poder’. ‘Mas, Padre, aquela é uma má pessoa, tem que ir para o inferno…’.” Reza por ele, reza por ela, para que possa governar bem, para que ame o seu povo, para que sirva ao seu povo, para que seja humilde “</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“Um cristão que não reza pelos seus governantes não é um bom cristão! “. Continuou dizendo que é necessário rezar para que se convertam.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ser cristão não é apenas participar em cerimônias sagradas, enquanto o mundo comum vai percorrendo o seu caminho. Precisamos do testemunho de uma vida coerente, vivendo como filhos de Deus tanto sozinhos como entre amigos, no trabalho, na família, no namoro, ou nos negócios, conscientes de que nos cabe a edificação da sociedade, elevar o mundo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Deus chama-nos a servi – Lo nas tarefas materiais, comuns da vida humana, onde nos espera cada dia. Importa viver santamente todas as atividades diárias, fazendo delas meio e ocasião para o encontro contínuo com o Senhor, pondo amor nas pequenas coisas, descobrindo esse algo divino que se encerra nos detalhes. Há uma única vida, e deve ser, na alma e no corpo, santa e plena de Deus.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Refletindo sobre a Carta de São Paulo a Timóteo, em que lhe pede rezar pelos governantes, disse o Papa: Quem governa, “deve amar o seu povo “, porque, “um governante que não ama não pode governar: no máximo poderá disciplinar, colocar um pouco de ordem, mas não governar”. O Santo Padre recordou o exemplo de Davi, como ele amava o seu povo, tanto que, depois do pecado cometido, pede ao Senhor que não castigue o povo, mas a ele mesmo. Assim, as duas virtudes de um governante “são o amor pelo povo e a humildade”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os cristãos devem ser luz do mundo e sal da terra, para converter o mundo num lugar mais humano e mais divino, numa liberdade que se sabe responsável diante dos homens e diante de Deus. Dando a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A Igreja celebra, hoje, o 100 Dia Mundial das Missões. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O Papa Leão XlV enviou uma mensagem para esta celebração que marca o centenário deste dia. Disse o Papa, na introdução da mensagem: “Para o Dia Mundial das Missões de 2026, que marca o centenário desta celebração, instituída por Pio Xl e tão estimada pela Igreja, escolhi o tema “Um em Cristo, unidos, unidos na missão”. Após o Ano Jubilar, desejo exortar toda a Igreja a prosseguir o caminho missionário com alegria e zelo no Espírito Santo, o que requer corações unificados em Cristo, comunidades reconciliadas e, em todos, disponibilidade para colaborar com generosidade e confiança”. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Continua o Papa Leão XlV: “Refletindo sobre o nosso ser um em Cristo e unidos na missão, deixemo-nos guiar e inspirar pela graça divina, para “renovar em nós o fogo da vocação missionária” e avançar juntos no empenho pela evangelização, numa “nova era missionária” na história da Igreja” (Homilia na Missa pelo Jubileu do Mundo Missionário e dos Migrantes, 5 de outubro de 2025).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda o Papa Leão: “E para promover a comunhão espiritual, deixo-vos, com a minha bênçâo, esta simples oração: Pai santo, concedei-nos ser um em Cristo, enraizados no seu amor que une e renova. Fazei que todos os membros da Igreja sejam unidos na missão, dóceis ao Espírito Santo, corajosos no testemunho do Evangelho, anunciando e encarnando todos os dias o vosso amor fiel por cada criatura.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Abençoai os missionários e as missionárias, sustentai-os no seu esforço, guardai-os na esperança!</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Maria, Rainha das missões, acompanhai a nossa obra evangelizadora em todos os cantos da terra: tornai-vos instrumentos de paz e fazei que o mundo inteiro reconheça em Cristo a luz que salva. Amém.”</span></p>
<p style="text-align: right;"><b>Dom José Maria Pereira</b></p>
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		<title>Homilia do D. Henrique Soares da Costa – XXIX Domingo do Tempo Comum – Ano A</title>
		<link>https://presbiteros.org.br/homilia-do-d-henrique-soares-da-costa-xxix-domingo-do-tempo-comum-ano-a-2/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Pe. Demétrio Gomes]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 13 Oct 2026 12:51:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Homilias]]></category>
		<category><![CDATA[Homilias Dominicais]]></category>
		<category><![CDATA[Subsídios Litúrgicos]]></category>
		<category><![CDATA[xxix domingo do tempo comum ano a 2026]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Is 45,1.4-6 Sl 95 1Ts 1,1-5b Mt 22,15-21 “Dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus”. Eis, caríssimos irmãos no Senhor, a frase que resume perfeitamente a Liturgia da Palavra deste Domingo. Frase tão conhecida, tão repetida e tão poucamente compreendida! E, no entanto, uma das frases mais [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">Is 45,1.4-6</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">Sl 95</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">1Ts 1,1-5b</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">Mt 22,15-21</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">“Dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus”.</span></i><span style="font-weight: 400;"> Eis, caríssimos irmãos no Senhor, a frase que resume perfeitamente a Liturgia da Palavra deste Domingo. Frase tão conhecida, tão repetida e tão poucamente compreendida! E, no entanto, uma das frases mais radicais e revolucionárias do Evangelho; frase que bem serve de bandeira para os crentes do mundo descrente de hoje.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Recordemos o contexto. Os inimigos de Jesus prepararam-lhe uma inteligente armadilha. Primeiro o elogiaram com um elogio hipócrita, mas, fiel à realidade, que nos mostra bem a grandeza de caráter do Senhor nosso: </span><i><span style="font-weight: 400;">“Mestre, sabemos que és verdadeiro e que, de fato, ensinas o caminho de Deus. Não te deixas influenciar pela opinião dos outros, pois não julgas um homem pelas aparências”.</span></i><span style="font-weight: 400;"> Que belo elogio! Que belo exemplo a ser seguido! Mas, eis que vem a armadilha: </span><i><span style="font-weight: 400;">“É lícito ou não pagar o imposto a César?”</span></i><span style="font-weight: 400;"> Se Jesus respondesse “sim”, seria acusado de peleguismo, de colaboracionismo com os opressores pagãos romanos, impuros e odiados pelo povo; se respondesse “não”, seria acusado de revoltoso anti-romano diante de Pôncio Pilatos pelos seus próprios inimigos; se respondesse “não sei”, seria desmoralizado como um rabi incompetente e estulto. Eis, pois: a armadilha era perfeita! Mas, a resposta de Jesus foi mais perfeita ainda, verdadeiramente admirável! Pediu uma moeda, perguntou de quem era a inscrição… “Então, se usais a moeda de César, é porque César é quem manda de fato! Dai, pois, a César o que é de César!” E, então vem o complemento. Impressionante: “Mas, dai a Deus o que é de Deus!”</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Que significa tal resposta? À primeira vista, Jesus estaria dividindo o mundo, as realidades, em duas áreas: uma para Deus e outra para César. Deus e César, lado a lado… Nada disso! Ao ensinar a dar a César o que é de César, o Senhor nos convida a respeitar as estruturas da sociedade em que vivemos, a levá-las a sério, a bem viver nelas. César, aqui, significa o mundo em que vivemos, com toda sua riqueza e complexidade. César é a política, César é a Pátria, a família; César é o trabalho, o emprego, o esporte que praticamos; César são os amigos e os sonhos nossos… Tudo quanto é humano e legítimo pode e deve ser apreciado e respeitado pelos cristãos. Podemos dar a César o que é de César, sem medo nem temor! Mas, ao ensinar e exortar a dar a Deus o que é de Deus, o Senhor nos recorda com toda seriedade que somente Deus é Deus. E o que se deve dar a Deus? Tudo; absolutamente, tudo! De Deus é a nossa vida, de Deus é a nossa morte, de Deus é tudo quanto temos, vivemos e somos: Dai a César o que é de César, mas recordai que também César pertence a Deus! César não é Deus! E aqui está o genial e admirável da resposta de Nosso Senhor. César se julgava Deus, era chamado “Divino César”, considerava-se senhor da vida e da morte! Ora, Jesus nega a César tal pretensão! César é somente César e, como César, morrerá! Somente o Senhor é Deus! A ciência não é Deus, a tecnologia não é Deus, os grandes do mundo não são Deus! Só o Senhor é Deus! São Paulo faz eco a essas palavras de Jesus ao nos afirmar: </span><i><span style="font-weight: 400;">“Tudo pertence a vós: Paulo, Apolo, Cefas, o mundo, a vida, a morte, as coisas presentes e as futuras.Tudo é vosso; mas vós sois de Cristo e Cristo é de Deus” (1Cor 3,21-23).</span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A grande tentação nossa é colocar no lugar de Deus os tantos césares da vida. Não se endeusa a ciência? Não se absolutiza a tecnologia, não se adora o sexo? Os grandes do mundo – grandes pelo poder, ou pela riqueza, ou pelo sucesso – não se acham divinos, sem reconhecer, como Ciro, na primeira leitura de hoje, que tudo vem de Deus, que estamos nas suas mãos, que tudo é, misteriosamente, fruto da sua providência?</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Cristão, tu deves participar da vida da humanidade, deves ser homem entre os homens, deves participar da construção da sociedade… Tu deves saber apreciar o que de bom e de belo existe no mundo… Mas, não te esqueças: nada disso é Deus, nada disso merece tua adoração, nada disso deve prender teu coração: nem família, nem pátria, nem amigos, nem posse, idéias ou poder! Só o Senhor é Deus! A César, o que é de César; a Deus tudo, pois tudo é de Deus! Viver assim é crer de verdade, é levar Deus a sério de verdade! Grande ilusão nossa é pensar que podemos colocar Deus no meio de tantos e tantos amores, de tantas e tantas paixões, fazendo dele apenas mais uma, entre tantas realidades da vida. Não! Ele é tudo, ele é o Tudo, como dizia São Francisco de Assis: “Tu és o Bem, todo o Bem, o Bem universal!”</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Caríssimos, que na oração, na experiência da vida sacramental e na escuta da Palavra do Senhor nós aprendamos e reconhecer Deus como Deus na nossa vida, para que, como aconteceu com os cristãos de Tessalônica, na segunda leitura de hoje, estejam diante de Deus sem cessar </span><i><span style="font-weight: 400;">“a atuação da vossa fé, o esforço da vossa caridade e a firmeza da vossa esperança em nosso Senhor Jesus Cristo”.</span></i><span style="font-weight: 400;"> Amém.</span></p>
<p><strong>D. Henrique Soares</strong>    	</p>
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		<item>
		<title>XXIX Domingo do Tempo Comum – Ano A</title>
		<link>https://presbiteros.org.br/xxix-domingo-do-tempo-comum-ano-a-2/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Pe. Demétrio Gomes]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 13 Oct 2026 12:50:24 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Homilética]]></category>
		<category><![CDATA[Subsídios Litúrgicos]]></category>
		<category><![CDATA[xxix domingo do tempo comum ano a 2026]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://presbiteros.org.br/?p=24118</guid>

					<description><![CDATA[<p>Leituras e subsídios para liturgia e homilia do XXIX Domingo do Tempo Comum – Ano A</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Leituras e subsídios para liturgia e homilia:</p>
<ul>
<li><a href="https://presbiteros.org.br/roteiro-homiletico-xxix-domingo-do-tempo-comum-ano-a-2/">Roteiro Homilético</a></li>
<li><a href="https://presbiteros.org.br/comentario-exegetico-xxix-domingo-do-tempo-comum-ano-a-2/">Comentário Exegético</a></li>
<li><a href="https://presbiteros.org.br/homilia-do-d-henrique-soares-da-costa-xxix-domingo-do-tempo-comum-ano-a-2/">Homilia do D. Henrique Soares da Costa</a></li>
<li><a href="https://presbiteros.org.br/homilia-do-d-jose-maria-pereira-xxix-domingo-do-tempo-comum-ano-a/">Homilia do D. José Maria Pereira</a></li>
<li><a href="https://presbiteros.org.br/preces-xxix-domingo-do-tempo-comum-ano-a-2/">Preces</a></li>
</ul>
<p>O post <a href="https://presbiteros.org.br/xxix-domingo-do-tempo-comum-ano-a-2/">XXIX Domingo do Tempo Comum – Ano A</a> apareceu primeiro em <a href="https://presbiteros.org.br">Presbíteros</a>.</p>
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