<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><rss xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" xmlns:openSearch="http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/" xmlns:blogger="http://schemas.google.com/blogger/2008" xmlns:georss="http://www.georss.org/georss" xmlns:gd="http://schemas.google.com/g/2005" xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0" version="2.0"><channel><atom:id>tag:blogger.com,1999:blog-27284148</atom:id><lastBuildDate>Wed, 18 Dec 2024 19:16:20 +0000</lastBuildDate><category>Comportamento</category><category>Amizade</category><category>Casos</category><category>Contos</category><category>Humor</category><category>Reflexão</category><category>Zoológico Doméstico</category><title>Mira na Rede</title><description>&lt;center&gt;&lt;strong&gt;&quot;Rapadura é doce, mas não é mole não!...&quot;&lt;/strong&gt;&lt;/center&gt;</description><link>http://miranarede.blogspot.com/</link><managingEditor>noreply@blogger.com (ju rigoni)</managingEditor><generator>Blogger</generator><openSearch:totalResults>27</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>25</openSearch:itemsPerPage><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-27284148.post-433955055234435915</guid><pubDate>Sun, 22 Jan 2012 21:11:00 +0000</pubDate><atom:updated>2012-01-22T19:11:32.089-02:00</atom:updated><title>Visita do Além</title><description>&lt;a href=&quot;http://1.bp.blogspot.com/_-c3w51FHjO8/SoNUxWjyLrI/AAAAAAAAA5Y/BCu7SOynBgM/s1600-h/leite_condensado.jpg&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;&quot; border=&quot;0&quot; id=&quot;BLOGGER_PHOTO_ID_5369228387601755826&quot; src=&quot;http://1.bp.blogspot.com/_-c3w51FHjO8/SoNUxWjyLrI/AAAAAAAAA5Y/BCu7SOynBgM/s200/leite_condensado.jpg&quot; style=&quot;height: 200px; width: 167px;&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
&lt;div&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Desta vez somos dezenove pessoas passando a Semana Santa em Parati. Um de nós, João, é professor de expressão corporal e responsável por um dos episódios mais engraçados protagonizados pela Mira, - aquela amiga sem a qual ninguém do meu grupo gosta de viajar. Pois é! Ela, com a sua mania de levar a casa na bagagem, desta vez trouxe também, por conta da sua hipoglicemia, oito latas de leite condensado. Roberta, a irmã, achou um exagero, mas não disse nada porque Mira poderia estar pensando em fazer &lt;span style=&quot;font-style: italic;&quot;&gt;brigadeiro&lt;/span&gt;, - doce pelo qual todo mundo é tarado.&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
Só não gostou de vê-la, assim que chegou, escondendo cuidadosamente, debaixo do colchão, as tais latas de leite condensado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Com esse povo todo aí, se eu não malocar, não sobra nem latinha suja prá lamber!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Roberta não ficou satisfeita com a justificativa mas, naquele momento, deu o assunto por encerrado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Tudo aconteceu na última noite do feriado, quando só o congelador permanecia abarrotado: cervejas, vinhos e afins. A geladeira mesmo já estava cheia. De espaço. Metade de um queijo, um terço do pote de margarina, um outro pote com pó de café, restos de presunto fatiado, três maçãs, meia dúzia de laranjas, o macarrão que sobrou do almoço, oito pizzas semiprontas, ... Êpa! Oito pizzas?! Ah, era o que a turma iria comer na madrugada que aí estava, e que prometia...&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Na espaçosa sala, o grupo, após a refeição, estava dividido. Roberta, que, só para lmbrar, é a irmã de Mira, e João, o tal professor de expressão corporal, conversavam sentados no chão sobre almofadas:&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
- Puxa! Depois dessa pizza, um sorvetinho cairia muito bem...&lt;br /&gt;
- Que esperança! Não há mais um único pote de sorvete no congelador. Fim de festa. Quer dizer... Se alguém quiser sair para comprar...&lt;br /&gt;
- Duvido! A uma hora dessas?... E a preguiça? Fica aonde?...&lt;br /&gt;
- É verdade! Nem mesmo um guindaste conseguiria tirar alguém daqui. Ainda bem que encontramos aquelas pizzas na geladeira, senão...&lt;br /&gt;
- Mas bem que eu comeria um docinho agora. Huuum! Um sorvetinho, uma trufinha, uma tortinha, um brigadeirinho,...&lt;br /&gt;
- ???!&lt;br /&gt;
- Que foi? Você tá com uma cara, Beta...&lt;br /&gt;
- É que eu me lembrei de uma coisa... Eu sei onde podemos encontrar umas certas latas de leite condensado...&lt;br /&gt;
- O QUÊ???&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Roberta põe o indicador sobre os lábios:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
- Shhh!!! Fala baixo, João. Não vai ser muito fácil pegá-las, não... São da Mira. É aquela mania de doce por causa da hipo. Ela escondeu oito latas debaixo do colchão. Ainda deve ter alguma coisa lá... Só não sei como é que a gente vai fazer pra ela liberar as latinhas... E se souber que eu contei prá alguém... Já viu, né?&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
João anima-se:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Deixa comigo! Você distrai a Mira, e eu vou de um em um contando como vai ser.&lt;br /&gt;
- E como vai ser?...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
João explica o seu plano, que deve ser bem engraçado porque ela já está rindo a mais não poder.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cerca de vinte minutos após a conversa, todos são &quot;surpreendidos&quot;, por uns tremeliques que sacodem João violentamente. Alguém diz:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Caramba! Acho que ele tá incorporando alguma entidade...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Mira, que tem verdadeiro pavor de tudo que não conhece, atravessa a sala como um raio, e coloca-se atrás da irmã tentando se proteger. João continua lá, girando a cabeça de um lado para o outro, rosto crispado, olhos semi-cerrados... Aos poucos, os movimentos vão diminuindo e, agora, João tem a postura infantil de um indivíduo mimado, carente, mas determinado. Alguém lembra-se de perguntar:&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
- Quem é você?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
João, o dedo na boca, cara do filho sem mãe, trejeitos de criança:&lt;br /&gt;
- Mo nomi é Pedrim!...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mira, as pontas dos dedos geladas de medo, a apertar o ombro de Roberta:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Credo! Baixou mesmo um santo no João...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Alguém segue sabatinando o ectoplasma moleque:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Seja bem-vindo, &quot;Pedrinho&quot;. O que você está procurando por aqui?&lt;br /&gt;
- Pedrim qué docim...&lt;br /&gt;
- Docinho??? Ih, &quot;Pedrinho&quot;... Você chegou numa hora meio ruim. Hoje é o último dia do feriado e já não temos quase nada aqui em casa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O &quot;santinho&quot; parece irritar-se:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Pedrim qué sabê de nada, não... Pedrim qué docim!&lt;br /&gt;
- Mas a gente não tem nada doce aqui prá você.&lt;br /&gt;
- Tem sim, tem sim. Pedrim qué... Se num dé docim prá Pedrim...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Roberta aproveita o tom de ameaça de &quot;Pedrinho&quot; e cutuca:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Mira, ele quer doce.&lt;br /&gt;
- É... E agora?&lt;br /&gt;
- Agora, a gente tem que dar doce prá ele!&lt;br /&gt;
- Mas não tem doce! O que é que esse santo tá pretendendo fazer com a gente???&lt;br /&gt;
- Buaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa... Pedrim qué docim...&lt;br /&gt;
- Calma, Pedrinho! A gente não trouxe nada, nem uma balinha.&lt;br /&gt;
- BUAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA... PEDRIM QUÉ DOCIM... QUÉ DOCIM... QUÉ DOCIM... BUAAAAAAAAAA... PEDRIM QUÉ DOCIM..., - insiste, sem parar, o espírito de porco, para desespero da Mira e deleite dos amigos-da-onça.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
&quot;Pedrinho&quot; começa então a caminhar por entre o grupo e a sacudir pelos braços um-a-um, sem abandonar o refrão...&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
- Xunxê tem? Pedrim qué!...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E lá vem ele, aproximando-se cada vez mais de onde estão Mira e Roberta.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Pedrim tá esperanu docim... Pedrim qué...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Roberta continua tentando...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Ih! Mira. Ele está quase chegando aqui. A gente vai ter que arranjar um doce qualquer pra esse santo...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E a Mira, já tremendo com a possibilidade do &quot;espírito&quot; tocar-lhe o corpo:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Ai, meu Deus! O que é que a gente vai fazer???&lt;br /&gt;
- Ué, têm aquelas latas de leite condensado que você escondeu lá embaixo do colchão...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mira titubeia:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Será??? Mas aquilo é leite condensado, não é um doce!&lt;br /&gt;
- Bem, é o que temos... Quem sabe assim esse espírito se aquieta e vai embora?...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nem há tempo para Mira dizer qualquer coisa, pois o &quot;espírito&quot; já está apontando o dedo em sua direção:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Xunxê tem docim prá Pedrim!... XUNXÊ TEEEM!!!- vai logo afirmando.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mira gela, enquanto Roberta cochicha-lhe:&lt;br /&gt;
- Tá vendo?! Ele sabe que você tem. Espírito vê tudo, Mira...&lt;br /&gt;
- Xunxê tem... XUNXÊ TEEEM!!! PEDRIM QUÉ DOCIM!!!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Os amigos, sacanas, assistem com a maior cara-dura, e sem nenhum remorso, Mira girar nos trêmulos calcanhares e voar para o quarto onde estava escondido o &quot;tesouro&quot;. E enquanto ela está lá dentro o pessoal desata a rir.&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
- Caramba! Ela acreditou mesmo. Foi lá pegar as latas...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
O som dos passos de Mira, que já vem voltando, faz com que todos retomem o ar sério, grave, compenetrado.&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
- Pega aí! -, ela entrega apavorada as latas a Roberta para não ter nenhum contato com o tal &quot;Pedrinho&quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Roberta passa-as ao &quot;espírito&quot; e, pelo menos três de nós correm à cozinha em busca de colheres.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&quot;Pedrinho&quot; enche a sua colher, enquanto as outras passeiam, com as latas, de mão-em-mão, de boca-em-boca.&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Depois que todo mundo se lambuzou no leite condensado, o &quot;santo&quot;, arrotando (literalmente) satisfação, avisa que vai &quot;subir&quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entreolhamo-nos disfarçadamente, todos morrendo de vontade de rir. Alguém  lembra de   despedir-se:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Vá com deus!...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E João dá seguimento a sua performance. Sacode a cabeça, grita, - agora com os olhos totalmente fechados -, parece um contorcionista tentando livrar-se de algo que o incomoda. E treme, e gira... até cair no chão. Depois, relaxa, abre lentamente os olhos, e pergunta com a maior cara-de-pau:&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
- Onde estou? O que está acontecendo?...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
Parece uma senha, porque ninguém aguenta... A gargalhada é geral. Tem gente chorando de rir. Mira, ainda assustada e sem nada entender, faz o sinal da cruz, beija a medalhinha do cordão que traz ao pescoço, e foge da sala, temendo, talvez, uma outra visita do além, - o que leva as pessoas a rirem mais ainda.&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;
No dia seguinte, durante o parco café da manhã, Mira (olhos fundos, resultado de um sono cheio de pesadelos) descobre que foi vítima de mais uma brincadeira da turma. Fica pê da vida. Com toda razão, o que faz com que entremos todos na fila para abraçá-la e pedir-lhe desculpas. Somos muito danados mesmo, mas adoramos Mira. E ela sabe muito bem que, nas horas realmente necessárias, sempre pode contar conosco. Além do mais, ela também tem seu lado sacana. Caso contrário, porque haveria de esconder dos amigos o leite condensado?!&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
Amizade que é amizade tem dessas coisas...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-style: italic; font-weight: bold;&quot;&gt;ju rigoni&lt;/span&gt; (Anos 80)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
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E o que continham aqueles pacotes, raízes e folhas esquisitos, tão arrumadinhos bem ali?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que é que está acontecendo por aqui? Você não tinha ido ao mercado fazer as compras do mês?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ah, Beta, a gente tá precisando emagrecer, né?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A gente, uma ova! Eu estou bem satisfeita, - mesmo com esses quilinhos a mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ih! Tá muito estressada! Calma, Beta. Eu só estou tentando fazer a nossa iniciação na macrobiótica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pirou! Você descassetou, foi? Só te compra quem não te conhece. O que é isso aqui?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Arroz integral. Vai ser a base do nosso regime.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nosso não. &lt;em&gt;SEU&lt;/em&gt; regime.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pô, Beta, você bem que podia me fazer companhia nessa empreitada. Dar uma força! Eu preciso de estímulo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tá doida! Você precisa é voltar prá análise. Só me faltava essa... Depois dos regimes da lua, do abacaxi, das sopas, da água, - macrobiótica! Ah, meu padim padi ciço, eu mereço!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Olha, é bem porreta. Você tá assim porque não assistiu às aulas. A macrobiótica deve ser levada muito a sério. Há quem fique totalmente curado dos mais diferentes tipos de câncer, e até de aids, fazendo um dos regimes macrobióticos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Roberta está fuxicando os pacotes...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E isto aqui, o que é?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É soja. Agora, ao invés de carne, a gente vai comer soja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A gente não, Mira. &lt;em&gt;VOCÊ.&lt;/em&gt; Isso aqui? É o quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ervas. Nós agora vamos evitar beber água. Quando a gente sentir sede, a gente bebe chá. É muito mais saudável. Beber água é muito &lt;em&gt;yin. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É o quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Muito &lt;em&gt;yin&lt;/em&gt;. Muito negativo. É assim: os alimentos positivos são &lt;em&gt;yang&lt;/em&gt; e os negativos são &lt;em&gt;yin&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Roberta corre até a sala para atender o telefone.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Alô?... Ju? Tudo bem com você? Eu estou aqui assistindo a mais um surto da minha irmã maluca. Imagine que ela foi ao mercado fazer as compras do mês, e adivinhe o que ela trouxe prá casa?... Soja, arroz integral, um monte de cereais, um feijão que eu nunca vi na vida, sal grosso, raízes, uva-passa, folhas e mais folhas prá fazer chás... Disse que é macrobiótica... Diz ela que agora não bebe mais água. Pode?... Quer que eu faça esse tal regime com ela, - é ruim, hein... Pois é! Hein? Cadê ela? Ela tá lá na cozinha fazendo essa tal comida salvadora do mundo... Diz que cura tudo... Diz que é in, ian, triguilim, sei lá! A Mira é doida! O que eu vou fazer? Vou ao mercado, né Ju?... Se eu não for vou passar fome. Ela só trouxe essa comida chinesa pra casa! Tá! Mais tarde eu te ligo. Beijim! Inté!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Beta volta para a cozinha onde Mira está preparando o almoço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ô Mira, que comida feia, escura...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É por causa do sal grosso. Ele escurece o arroz, os legumes, tudo. A aparência não é lá essas coisas, mas o sabor não é dos piores não. E os resultados a gente vai ver logo, logo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ah, eu não vou comer isso aí nem que a vaca tussa...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Bobagem! Não é tão ruim assim. Além do mais, você deveria comer porque já está ficando &lt;em&gt;sampaku.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- &lt;em&gt;Sam&lt;/em&gt; o quê?...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- &lt;em&gt;Sampaku&lt;/em&gt;. É assim: você tem que olhar de frente nos olhos da outra pessoa. Se os olhos dela, na posição normal, mostrarem excesso da área branca ao redor da íris, é porque ela é &lt;em&gt;sampaku&lt;/em&gt;, resultado da má alimentação ocidental.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tá, e daí?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Daí que o &lt;em&gt;sampaku&lt;/em&gt; carrega o destino nos olhos. Geralmente ele tem morte horrível, porque é incapaz de ter reações acertadas diante de situações difíceis da vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Como assim?...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Por exemplo: ele não tem reflexos no momento de um acidente; não é capaz de pressentir o perigo como o não-&lt;em&gt;sampaku.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Meu Deus! É isso que você tem aprendido nessas aulas caríssimas? Você também deve ser &lt;em&gt;sampaku&lt;/em&gt;, porque eles levaram o seu dinheiro e você não pressentiu, nem reagiu...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ah, fala sério, Beta! É muito interessante a filosofia...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Meu estômago que o diga! Tô aqui com fome e vou ter que descer prá comer lá no restaurante a peso...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Olha, isso é sério. O Kennedy era &lt;em&gt;sampaku&lt;/em&gt;. Recebeu o primeiro tiro - que não seria capaz de matá-lo, mas não teve capacidade para reagir e acabou tomando o segundo, que lhe foi fatal. O Connally, aquele governador do Texas, que também era &lt;em&gt;sampaku&lt;/em&gt;, ao invés de mandar os ocupantes do carro abaixarem-se para evitar as balas, gritou apenas &quot;não, não...&quot; Marilyn Monroe era &lt;em&gt;sampaku&lt;/em&gt; também...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ai, Mira você não tem jeito não. Olha fica aí com o seu exército de &lt;em&gt;sampakus&lt;/em&gt; famosos que eu vou lá, almoçar. Até já!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mira acabou de preparar o almoço inédito e sentou-se para comer. Ainda bem que Roberta já não estava em casa para ver-lhe as caras e bocas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo assim, Mira seguiu com o regime que proibe a ingestão de frutas, com exceção de maçã, (e assim mesmo em pequenas porções), e exige que cada garfada seja mastigada no mínimo cinquenta vezes. Batatas e tomates (que ela adora!) também eram proibidos. Permitido só mesmo cenoura, cebola, abóbora, rabanete, couve, couve-flor, agrião e alface. E raízes de bardana e de lótus. E nada podia ser quente ou gelado. Somente os chás podiam ser ingeridos fervendo. Uvas eram proibidas. Só podiam ser consumidas em passas. O café da manhã? &lt;em&gt;Umeboshi&lt;/em&gt;, uma ameixa salgada que expulsa todos os vermes do organismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, no terceiro dia, quando Roberta chegou do trabalho, encontrou Mira passando muito mal. Estava tendo enjôos e vertigens. Ela explicou que era uma reação normal a todos os que se iniciam na macrobiótica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No sexto dia, Mira já estava diante do fogão mexendo um brigadeiro cujo aroma a irmã sentiu desde a porta do elevador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ué! E a macrobiótica? E a morte horrível dos &lt;em&gt;sampakus&lt;/em&gt;?... - estranhou Roberta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Que macrobiótica, que nada! Os &lt;em&gt;sampaku&lt;/em&gt; é que sabem das coisas. E pega uma cervejinha aí na geladeira que que eu tô morrendo é de calor...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não, amigo leitor. Nem &lt;em&gt;Freud&lt;/em&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;ju rigoni&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; &lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Visite também&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;a href=&quot;http://jurigoni.blogspot.com/&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-weight: bold; color: rgb(204, 0, 0);&quot;&gt;Fundo de Mim&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;, &lt;a href=&quot;http://dormentes.blogspot.com/&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-weight: bold; color: rgb(204, 0, 0);&quot;&gt;Dormentes&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;, &lt;a href=&quot;http://medodeaviao.blogspot.com/&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-weight: bold; color: rgb(204, 0, 0);&quot;&gt;Medo de Avião&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;, &lt;a href=&quot;http://planetazora.blogspot.com/&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-weight: bold; color: rgb(204, 0, 0);&quot;&gt;Navegando...&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;blogger-post-footer&quot;&gt;Os textos publicados neste blogue estão protegidos pelas Leis de Direitos Autorais.&lt;/div&gt;</description><link>http://miranarede.blogspot.com/2011/04/de-como-mandar-um-regime-para-o-espaco.html</link><author>noreply@blogger.com (ju rigoni)</author><thr:total>1</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-27284148.post-5489182358958644742</guid><pubDate>Wed, 23 Feb 2011 22:40:00 +0000</pubDate><atom:updated>2011-02-23T20:01:36.155-03:00</atom:updated><title>Muito Além da Imaginação</title><description>&lt;a onblur=&quot;try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}&quot; href=&quot;http://4.bp.blogspot.com/_-c3w51FHjO8/S1tppAIic4I/AAAAAAAABTU/qkfPSkdWUIE/s1600-h/Wallpaper+Explos%C3%A3o.jpg&quot;&gt;&lt;img style=&quot;cursor: pointer; width: 320px; height: 240px;&quot; src=&quot;http://4.bp.blogspot.com/_-c3w51FHjO8/S1tppAIic4I/AAAAAAAABTU/qkfPSkdWUIE/s320/Wallpaper+Explos%C3%A3o.jpg&quot; alt=&quot;&quot; id=&quot;BLOGGER_PHOTO_ID_5430049928856630146&quot; border=&quot;0&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Eugênio era um sujeito estranho. Sobre ele havia muitas histórias. Uma delas dava conta de suas incursões pelo mundo dos espíritos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Diziam que ele via espíritos em todo lugar. Que era impossível ter um único contato com o rapaz sem que se experimentasse essa sua, digamos assim, qualidade.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Mira sempre ouviu tudo fazendo um desconto em favor de Eugênio. Apesar de excessivamente medrosa, ela sabia que a imaginação popular tem uma certa tendência a aumentar tudo o que vê e ouve na hora de reproduzir. Até que um dia...&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Eugênio era seu vizinho. Morava três andares abaixo do apartamento dela. Nunca haviam conversado. Sua convivência nunca passou do &quot;bom dia&quot;, &quot;boa tarde&quot;, &quot;boa noite&quot;, quando esbarravam-se em alguma dependência do prédio.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Certa noite ela estava parada em frente à porta do elevador. Eugênio chegou e a cumprimentou muito gentilmente, como sempre fazia. Quando a caixa metálica finalmente chegou, o rapaz abriu a porta e deu um passo para trás, segurando-a. &quot;Pelo menos é educado&quot;, Mira pensou, e fez menção de mover-se para entrar no elevador cuja porta ele tão atenciosamente retinha. Mal deu o primeiro passo, sentiu que algo a continha pela cintura. Era o outro braço de Eugênio. Assustou-se. Ele a imobilizara de tal forma que, por mais que fizesse, não conseguia sair do lugar. Eugênio pareceu adivinhar a confusão que se formava em sua mente e anunciou:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;- Assim que todos tiverem saído, a gente entra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mira com toda certeza perdeu a cor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Todos? Ó xente, mas só estamos eu e você aqui!...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Eugênio riu um risinho estranho e ela, ainda confusa e finalmente livre, entrou no elevador, - o coração em disparada. Apertou o botão do 11º andar. Eugênio entrou logo em seguida, pressionou o botão do oitavo andar e ficaram parados, um ao lado do outro, aguardando que a porta do elevador finalmente se fechasse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não foi o que aconteceu. Alguém, para alegria de Mira, que não estava se sentindo segura sozinha com o tal Eugênio, segurou a porta e a abriu. Era uma mulher bonita, morena, traços delicados... Voz suave, desejou uma &quot;boa noite&quot; a Mira e Eugênio, pressionou o botão do décimo-segundo andar e lá foram eles, subindo, subindo... - o Eugênio com um risinho esquisito nos lábios.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;No oitavo andar, depois de um rápido &quot;até logo!&quot;, Mira ficou definitivamente livre da presença de Eugênio. A mulher, talvez para puxar conversa, perguntou-lhe se o conhecia há muito tempo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;- Esse cabra é doido! Dizem que vê espíritos em todo lugar...&lt;br /&gt;- É mesmo? Que interessante! E você não acredita?...&lt;br /&gt;- Eu e quase todo mundo aqui do prédio. Acho que ele tem é um côco no lugar do cérebro!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;A desconhecida riu um sorriso muito parecido com o de Eugênio. Mira achou prudente manter-se calada. Mas a mulher mantinha um ar divertido. E aquele risinho com jeito de escárnio parecia não desistir de seus lábios.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Finalmente, o 11º andar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Este é o meu, disse a Mira, deu as costas à mulher e foi empurrando a porta para sair.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Já ensaiava um &quot;boa noite&quot; como despedida quando virou-se para fechar a porta do elevador e... Cadê ela?... A mulher não estava mais lá!...&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Seus joelhos tremiam e os pés não saiam do lugar. Ela queria gritar, mas parecia impossível. Era como se voz não tivesse. Depois de algum tempo conseguiu chegar até a porta do seu apartamento, e esqueceu o dedo na campainha. Beta abriu:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;- Que houve? Surtou outra vez, foi?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas ela só conseguia dizer:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tinha uma mulher lá, Beta. Eu juro que tinha... Juro!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Para tentar dormir, Mira aboletou-se na cama de Beta que, é claro, passou a noite acordada com a irmã grudada em seu corpo. Durante a madrugada, qualquer barulhinho merecia um grito apavorado de Mira, - uma buzina, uma freiada, um vizinho em crise de tosse, uma descarga de banheiro, - qualquer som era motivo de medo. Não houve lexotan que colocasse Mira em &lt;em&gt;off&lt;/em&gt;. No dia seguinte, Beta levantou-se decidida a levar Mira a um analista.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;- Eu não quero um analista, Beta. Eu quero é me mudar! Não moro mais neste prédio, e ponto final. Liga pra Ju e diz que eu vou passar uns dias lá na casa dela.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Verdade ou imaginação da Mira, ninguém sabe. Tudo que eu sei é que para sair do prédio naquela manhã Beta teve que servir-lhe como guia. Mira entrou, desceu e saiu do elevador de olhos fechados, as mãos crispadas no braço da irmã, que ia cumprimentando os vizinhos ao longo do caminho justificando a atitude de Mira com a história de uma conjuntivite muito forte.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;E não houve jeito mesmo. Beta passou um bom tempo procurando um novo apartamento para as duas. O único modo de garantir que Mira voltasse para casa.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;ju rigoni&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;span style=&quot;font-weight: bold;font-size:100%;&quot; &gt;&lt;/span&gt; (sem registro de data)&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size:85%;&quot;&gt;Visite também &lt;a style=&quot;color: rgb(204, 0, 0);&quot; href=&quot;http://jurigoni.blogspot.com/&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-weight: bold;&quot;&gt;Fundo de Mim II&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;, &lt;a href=&quot;http://dormentes.blogspot.com/&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-weight: bold; color: rgb(204, 0, 0);&quot;&gt;Dormentes&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;, &lt;a href=&quot;http://medodeaviao.blogspot.com/&quot;&gt;&lt;span style=&quot;color: rgb(204, 0, 0); font-weight: bold;&quot;&gt;Medo de Avião.&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;blogger-post-footer&quot;&gt;Os textos publicados neste blogue estão protegidos pelas Leis de Direitos Autorais.&lt;/div&gt;</description><link>http://miranarede.blogspot.com/2011/02/muito-alem-da-imaginacao.html</link><author>noreply@blogger.com (ju rigoni)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://4.bp.blogspot.com/_-c3w51FHjO8/S1tppAIic4I/AAAAAAAABTU/qkfPSkdWUIE/s72-c/Wallpaper+Explos%C3%A3o.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-27284148.post-751079314420430071</guid><pubDate>Sat, 23 Oct 2010 19:19:00 +0000</pubDate><atom:updated>2010-10-23T17:27:03.116-02:00</atom:updated><title>O Contágio</title><description>&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Mira está sentada, lanchando, na praça de alimentação de um &lt;em&gt;shopping&lt;/em&gt; quando aproxima-se uma mulher muito bem vestida, cheia de jóias, perfumosa, que senta-se à mesa ao lado. Coloca sobre uma das cadeiras a bolsa importada, o celular de última geração, e várias peças de material de campanha política. Repentinamente, vira-se para ela e pergunta sem o menor pudor:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;- A senhora já tem candidato?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Mira, pega com a boca cheia do naco do sanduiche que acabara de morder, responde quase rosnando:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;- Já.&lt;br /&gt;- Se a senhora tiver um tempinho eu gostaria de lhe falar sobre o candidato Fulano de Tal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mira mastiga as palavras...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu não tenho um tempinho agora.&lt;br /&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;- Quando a senhora ouvir o que eu tenho a dizer, com certeza vai mudar de opinião sobre o seu candidato.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Mira acabara de morder, novamente, o sanduiche.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Já lhe disse que não tenho tempo agora.&lt;br /&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;- Senhora, muitas vezes perder é ganhar tempo. Eu sei que a senhora vai ficar muito satisfeita com o que eu tenho a lhe dizer sobre o Fulano...&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;A irritação de Mira é madrasta...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Minha filha, você é surda?&lt;br /&gt;- A senhora não precisa me ofender...&lt;br /&gt;- Eu também acho que não. Mas parece que você pensa o contrário.&lt;br /&gt;- Olha, não estou lhe entendendo não...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mira aponta a própria boca, novamente cheia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não está claro que eu estou com pressa e não posso conversar com você agora?&lt;br /&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;- Mas eu apenas estou querendo apresentar à senhora uma excelente opção para prefeito...&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;- E eu já dei a perceber que estou muito satisfeita com a minha própria escolha.&lt;br /&gt;- A senhora já ouviu falar no candidato Fulano de Tal?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mira, outra vez com a boca cheia. Não é mesmo uma boa hora para regras de etiqueta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Já ouvi e não gosto do que ouvi.&lt;br /&gt;- Provavelmente o que a senhora ouviu não é a expressão da verdade...&lt;br /&gt;- Ah, é sim!&lt;br /&gt;- Eu não sei o que a senhora ouviu, mas com certeza é uma grande mentira.&lt;br /&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;- Olha, você não sabe o que eu ouvi, mas sendo você um dos cabos eleitorais dele, - Mira faz uma pausa para olhar a mulher dos pés à cabeça e continua -, tenho agora a certeza de que ouvi uma grande verdade.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;- Que arrogância! A senhora está me discriminando porque estou trabalhando em favor de um candidato sobre quem a senhora formou uma opinião errada.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Mira vai se levantando, desistindo do restante do sanduiche e do suco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Respeito a sua opinião. Respeite a minha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;A mulher estende à Mira, que já está pegando as sacolas da cadeira para bater em retirada, um impresso.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;- Tome! Leve pelo menos este jornalzinho de campanha para que a senhora conheça um pouco melhor o Fulano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;- Tá! Ele vai ter uma serventia lá em casa. Eu tenho cachorro e gato.&lt;br /&gt;- Vá ser malcriada assim na puta que a pariu!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mira olha ao redor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Cadê os seguranças deste shopping, hein?... Você sabia que é proibido fazer campanha aqui dentro, né não?&lt;br /&gt;- O quê?... Agora, a senhora está me ameaçando, é?&lt;br /&gt;- Vamos ver essa empáfia toda já-já...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mira vê um grandalhão com o rádio na mão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ei! -, ela chama.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;A mulher desaparece como um raio. Mira olha o lanche pela metade sobre a mesa e sai, decidida a voltar para casa. Parece que hoje é mais um daqueles dias...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;Na porta do shopping, um rapaz lhe estende um &quot;santinho&quot;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A senhora já tem candidato?&lt;br /&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;- Ah, não!... Por hoje chega! Meu filho, se você tem amor a vida mantenha distância que eu já tô com o &quot;diabinho&quot; no corpo. E tal é a irritação com que Mira, num gesto brusco, o afasta que o cabo eleitoral acha melhor não insistir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;Mira entra no taxi, dividindo com suas compras o banco traseiro.&lt;br /&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;O motorista ia puxar conversa, tentar conseguir mais um eleitor para o seu candidato, mas percebe que a passageira está inquieta e acha mais prudente ficar calado. O carro pára no sinal, onde um grupo de cabos eleitorais agita bandeiras onde se lê o nome de um partido e seu respectivo candidato. Um deles bate freneticamente no vidro da janela na esperança que Mira o abra. Lá de dentro dá pra ouvir a pergunta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;- ... já tem candidato?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Mira transpira mais do que de costume. A pressão deve estar alta. A sensação é a de que as ruas foram novamente invadidas por essas estranhas e sintomáticas tribos de desempregados a sacudir bandeiras e distribuir todos os papelotes do eventual patrão, em quem, muito provavelmente, nem eles próprios votarão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Quando o carro pára em frente ao seu prédio Mira nem pode acreditar. Finalmente, em casa. Longe daquele filme felliniano, misto de certezas e utopias, retrato colorido de um país em branco e preto, e personagens de uma transparência que dói na alma. Salta do carro e pára ao lado da janela do motorista do taxi que lhe estende o troco sem saber do que escapara quando optou pela mudez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;- Boa noite, senhora!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Mais tranquila, ao passar pela portaria em direção ao elevador, sêo Zé, o zelador, vem correndo e chamando:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;- Dona Mira! Dona Mira!&lt;br /&gt;- Que é, sêo Zé? Aconteceu alguma coisa?&lt;br /&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;- Não, não. Tá tudo bem, dona Mira. Eu só queria perguntar se a senhora e a dona Roberta já têm candidato?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;- Sêo Zé, o senhor tem mãe?...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;O zelador coça a cabeça, enquanto Mira vira-lhe as costas, ignorando o &quot;santinho&quot; que ele tentara lhe entregar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;Já em casa, com Chiquinha ao colo, ouve a irmã perguntar:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Que cara é essa? Pisaram-lhe os calos?&lt;br /&gt;- Não me enche o saco hoje não...&lt;br /&gt;- Credo! Perdoe-me por ter nascido, viu? Que grosseria!&lt;br /&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;- Tá certo, desculpe-me. É o segundo turno dessa falta de educação que, por sua vez, é resultado da total ausência de uma real consciência política. Acho que fui contaminada na praça de alimentação do shopping.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;- &lt;em&gt;Nooossa!...&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;ju rigoni&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; (sem registro de data)&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Visite também&lt;span style=&quot;color: rgb(255, 0, 0);&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href=&quot;http://jurigoni.blogspot.com/&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-weight: bold; color: rgb(204, 0, 0);&quot;&gt;Fundo de Mim&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;, &lt;a style=&quot;color: rgb(204, 0, 0);&quot; href=&quot;http://dormentes.blogspot.com/&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-weight: bold;&quot;&gt;Dormentes&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;, &lt;a style=&quot;color: rgb(204, 0, 0);&quot; href=&quot;http://medodeaviao.blogspot.com/&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-weight: bold;&quot;&gt;Medo de Avião&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;, &lt;a style=&quot;color: rgb(204, 0, 0);&quot; href=&quot;http://planetazora.blogspot.com/&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-weight: bold;&quot;&gt;Navegando...&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;strong style=&quot;color: rgb(255, 0, 0);&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size:130%;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;http://rigoni.wordpress.com/&quot;&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class=&quot;blogger-post-footer&quot;&gt;Os textos publicados neste blogue estão protegidos pelas Leis de Direitos Autorais.&lt;/div&gt;</description><link>http://miranarede.blogspot.com/2010/10/o-contagio.html</link><author>noreply@blogger.com (ju rigoni)</author><thr:total>2</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-27284148.post-2226782683226528149</guid><pubDate>Tue, 27 Jul 2010 17:47:00 +0000</pubDate><atom:updated>2010-07-27T14:53:13.880-03:00</atom:updated><title>Emoções na Areia...</title><description>&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;a href=&quot;http://1.bp.blogspot.com/_-c3w51FHjO8/Sl4l-_xFfJI/AAAAAAAAApQ/gJlXjJWKuGc/s1600-h/Maric%C3%83%C2%A1+-+Mell.jpg&quot;&gt;&lt;img id=&quot;BLOGGER_PHOTO_ID_5358762370816900242&quot; style=&quot;width: 400px; height: 300px;&quot; alt=&quot;&quot; src=&quot;http://1.bp.blogspot.com/_-c3w51FHjO8/Sl4l-_xFfJI/AAAAAAAAApQ/gJlXjJWKuGc/s400/Maric%C3%A1+-+Mell.jpg&quot; border=&quot;0&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O melhor das férias de Mira era aquela praia depois das três horas da tarde. Quilômetros e quilômetros de extensão, - areia limpa, água muito azul, refletindo um céu de brigadeiro riscado por gaivotas. Tudo só para ela e Chiquinha porque, à tardinha, a praia ficava totalmente deserta. &quot;Este mar é meu&quot;, pensava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Normalmente lia um pouco e depois deitava-se sob o guarda-sol, - único ponto multicor em toda a extensão de areia -, cobrindo o rosto com o livro. &quot;Férias, que coisa boa! E nesse lugar abençoado pela natureza... Ah, que delícia! Que paz! Que tranquilid...&quot;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chiquinha começa a latir desesperadamente. Mira, ainda com o livro sobre o rosto, ouve passos que se aproximam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Chiquinha, olha a educação! Não foi assim que a mamãe te ensinou...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os passos estão cada vez mais perto e Mira pensa que hoje a praia não vai ser só delas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&quot;Espera aí... Esses passos estão próximos demais!? Será que Roberta resolveu vir à praia?...&quot;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mira levanta o livro do rosto e o posiciona contra o sol para poder ver melhor as pessoas que estão ali, - bem mais perto do que desejaria. Levanta-se assustada, enquanto Chiquinha, histérica, continua a latir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quetinha, moça, é um assalto!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diante da arma, Mira, imediatamente ergue os braços.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ih! Baixa isso aê, mermã. Cê anda vendo muito filme na televisão...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mira desce os braços.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E pega esse filhote de rato branco no colo, pra vê se para de latir, senão eu piso nessa coisa.&lt;br /&gt;- D-desculpe, s-sêo a-a-as-saltante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cabelos, joelhos, dedinhos do pé... até a alma treme quando Mira põe a agitada Chiquinha ao colo. Estende para um deles - eram dois! - a sacola de praia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Num quero isso não, moça. Quero o que tá dentro, tá ligado? E a jóia também, - aponta o cordão de ouro com medalhinha que ela traz ao pescoço, mas que não sai pela cabeça. Mira prende Chiquinha entre as pernas. Precisa das mãos livres para abrir o fecho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Anda logo, mermã! Nós num temo o dia todo não, reclama o outro marginal. Inda quero apertá mais unzinho...&lt;br /&gt;- ...ó só, cara: se esse cachorro nun pará de lati eu vô dá um teco nele!&lt;br /&gt;- C-cachorro n-não! É ela. U-m-ma me-menina. O no-nome é Ch-Chi-Chiquinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os ladrões desatam a rir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Chiquinha ou Chicão, vai tomar uma azeitona no quengo se continuar a latir. Vai virar tapete, tá ligado?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continuam rindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- To-toma! - Mira entrega finalmente o cordão e tenta acalmar a &lt;em&gt;poodle&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;- Ô-ô meu b-bijuzinho, f-fica qu-quietinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os homens não param mais de rir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Viu só, cara? Bijuzinho... Essa mulé é uma peça!&lt;br /&gt;- D-dá pr-pro se-senhor v-virar is-isso pr-pra lá? - Mira refere-se à arma apontada em sua direção.&lt;br /&gt;- Num enrola não, maluquete! Tira logo o que tem aí nessa bolsa que já tamo demoranu muito...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela entrega o celular e o dinheiro que estavam na sacola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Agora, senta aí na areia com esse bicho chato que eu já tô ficanu nervoso, tá ligado?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sujeito obriga Mira a fechar Chiquinha, que não para de latir, dentro da sacola de praia. Diante dessa violência, a gagueira de fundo nervoso desaparece, como por encanto, para defender a &quot;filha&quot;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não faça isso não, moço. A bichinha vai morrer aí dentro. Ela sofre de claustrofobia...&lt;br /&gt;- Ói qui, moça, a senhora pode escolher: ô ela morre do teco que eu vô dá nela, ô ela morre dessa &quot;caubia&quot; aí, tá ligado?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em seguida, ele rasga a &lt;em&gt;kanga&lt;/em&gt; de praia ao meio com habilidade de quem já fez isso inúmeras vezes, amarra mãos e pés de Mira e dá um conselho:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tá choranu por que, mermã? Praia deserta é um negócio pirigoso mermo, viu? Inda mais com esse cachorro, que o que tem de pequeninim tem de chatim. Cê teve muita sorte. Se nós tivesse vindo cum meu primo, esse bicho já tinha virado cumida di urubu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mira estava iconsolável, preocupada com as &quot;condições psíquicas&quot; de Chiquinha presa dentro da sacola de praia. Assistia, impotente, os homens apertando um cigarro de maconha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tranquilos e rindo cada vez mais, acenderam e passaram a tragar com sofreguidão a erva, proseando com a respiração em suspenso, - uma conversa cada vez mais pausada. E rindo sempre. Rindo muito. O assunto &quot;tão engraçado&quot; que, combinado à canabis, afrouxava-lhes o riso, é claro, eram suas vítimas mais recentes. O mais alto apontava para a sacola onde Chiquinha, nervosa, mexia-se sem parar, dizendo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tá viva! A bolsa tá viva! - e nova sessão de gargalhadas era iniciada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mira deu graças a Deus quando os dois, trôpegos e de olhos muito vermelhos, guardaram a guimba no compartimento de uma carteira e anunciaram a partida como se fossem velhos conhecidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Aí moça, valeu! Tamo ino... Discurpa o mau jeito, mas sacumé... nóis temo que sobrevivê, tá ligado?&lt;br /&gt;- Vambora, cara. Deixa de estorinha... - apressa o outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E lá se foram os meliantes, rindo muito e caminhando tranqüilamente pela areia alva e fofa, pisando em delicadas conchinhas que ainda hoje ela pensara em escolher para levar como lembrança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mira esperou um pouco, até que estivessem bem longe, para então se arrastar até a sacola e, - experiência difícil com os punhos amarrados -, tentar desatar o nó da alça para livrar Chiquinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Descia sobre o mar um sol imponente, - vermelho e lindo! -, quando Roberta e os amigos, preocupados com a demora, acabaram encontrarando e libertando a chorosa Mira e sua estressada e trêmula &lt;em&gt;poodle&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;ju rigoni&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Foto:&lt;/strong&gt; &lt;a href=&quot;http://mellrigoni.blogspot.com/&quot;&gt;&lt;span style=&quot;color: rgb(153, 0, 0);&quot;&gt;&lt;strong&gt;Mell&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Visite também &lt;strong&gt;&lt;a href=&quot;http://rigoni.wordpress.com/&quot;&gt;&lt;span style=&quot;color: rgb(153, 0, 0);&quot;&gt;Fundo de Mim.&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;blogger-post-footer&quot;&gt;Os textos publicados neste blogue estão protegidos pelas Leis de Direitos Autorais.&lt;/div&gt;</description><link>http://miranarede.blogspot.com/2010/07/emocoes-na-areia.html</link><author>noreply@blogger.com (ju rigoni)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://1.bp.blogspot.com/_-c3w51FHjO8/Sl4l-_xFfJI/AAAAAAAAApQ/gJlXjJWKuGc/s72-c/Maric%C3%A1+-+Mell.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>4</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-27284148.post-4868880176766268965</guid><pubDate>Sun, 09 May 2010 22:08:00 +0000</pubDate><atom:updated>2010-05-09T19:15:22.565-03:00</atom:updated><title>Cachorro Quente</title><description>&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;E não é que a Mira conseguiu levar a Chiquinha para passar o fim-de-semana em Friburgo?!... Reclamações não faltaram. Na verdade foi o maior bate-boca na hora de sair para a estrada. Mas quando a Mira cisma, não tem jeito não. E bastou que ela ameaçasse desistir de viajar com a turma para que a discussão fosse encerrada. Tem graça viajar sem a Mira, ora bolas?...&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Chiquinha, contra todas as previsões, subiu a serra como uma &lt;em&gt;lady&lt;/em&gt;. Alheia a toda confusão armada em torno dela, permaneceu aconchegada ao colo de sua dona, como que guardando as energias para mais tarde.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Desta vez, além do travesseiro e das latas de leite condensado, precisávamos ficar atentos também à cadelinha &lt;em&gt;poodle&lt;/em&gt; que tinha o latido mais agudo e irritante que eu já ouvi. O que seria deste fim-de-semana? Só Deus sabia.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;E nós tivemos uma prévia assim que o empregado do sítio abriu os portões para dar passagem aos carros. Dois cães enormes (já ouviu falar em dogue alemão?) seguiram-nos, latindo e saltando, até o lugar onde, finalmente, estacionamos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Só de olhar para Mira dava prá perceber que ela já não estava achando uma idéia tão boa assim ter trazido a Chiquinha. Esta, atrevida, esticava-se latindo sobre o ombro de dona, enfrentando feito gente grande os monstrengos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Kênia, - nossa amiga desde longa data -, recebeu-nos com alegria e descontração, acalmando Mira e mandando que o empregado prendesse os grandalhões. Ainda bem! Pelo menos conseguimos sair de dentro dos carros.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Depois de acomodar a bagagem, fomos caminhar pelo sítio, - Mira com Chiquinha presa à coleira. Foi uma tarde agradável em que divertimo-nos, desfrutando de uma paisagem belíssima em que não faltaram um rio, uma cachoeira e um pomar (dos deuses!) onde matei a saudade de uma fruta que fez parte da minha infância. Sapotis carnudos, deliciosos, com aquele aroma tão peculiar. Delícias que só de lembrar enchem de água a boca. Havia de tudo por lá: tangerineiras, aceroleiras, abacateiros, macieiras, mangueiras... Deus, que coisa maravilhosa!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Chiquinha ia fuçando tudo, fazendo xixi aqui e acolá. O que lhe sobrava do rabo, bem empinadinho, e o jeitinho faceiro de quem é dona da situação. Vez por outra, diante de alguém, ou de um animal diferente, (o que não faltava no sítio), disparava aquele latido enlouquecedor.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;À tarde, um passeio pela cidade da &lt;em&gt;lingerie,&lt;/em&gt; onde comprou-se calcinhas, sutiãs, cuecas, camisolas, pijamas, pantufas e até um roupãozinho pra Chiquinha. Uma dama! Nem parecia aquela cachorrinha histérica que obrigou Mira, por força de um abaixo-assinado entre os condôminos, a procurar um novo apartamento. Lá ia feliz no colo da &quot;mãe&quot;, língua de fora, cheirosa e branquinha, apontada por todas as crianças que passavam por nós. Como diria a namorada do meu aborrecente sobrinho:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;- Que meiguinha!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;À noite, uma partida de bolão no &lt;em&gt;Country&lt;/em&gt;, e depois, jantar e muita conversa jogada fora, regada a cerveja. Chiquinha? Anjinho de quatro patas. Na cadeira onde Mira a colocou ela ficou. De vez em quando, uma queijinho, um pedacinho de carne, um agrado. Quando resolvemos ir para casa dormir, já passava das três.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;- Socoooooooorro! Socooooooooorro! Alguém me ajude, pelamordedeus...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi assim que começou o nosso domingo.&lt;br /&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Morena, baixinha, jeito decidido e doce, e um restinho do sotaque nordestino, Mira surgiu no alto da escada que levava ao corredor onde ficavam nossos quartos. Estava descabelada, descalça e, como sempre faz quando fica nervosa, sacudia os braços e meneava descoordenadamente a cabeça.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Seus gritos devem ter acordado até mesmo o povo dos sítios vizinhos, embora estivessem muito distantes. Kênia, nossa anfitriã surgiu, assustada, também com os cabelos em desalinho, a cara amassada, um olho mais inchado que o outro, ainda tonta de sono.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;- Meu Deus, o que está acontecendo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a Mira só conseguia gritar por socorro.&lt;br /&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Agora, já todos estavam de pé. Zumbis perambulando pela casa, a olhar uns para os outros naquilo que deveria ser uma tranquila manhã de domingo em Friburgo. Apesar do sono, o olhar de Roberta, (a irmã de Mira, lembra-se?) encontrou o de João. Com toda certeza estariam pensando: &quot;Pronto! Vai começar...&quot;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Embora dia de descanso, todos os empregados do sítio foram convocados para a busca a Chiquinha. Mira, inconsolável, metia-se em todos os lugares chamando pela cadelinha: &quot;Chiquinha! Chiquinha! Vem com a mamãe, Chiquinha...&quot; E pensando alto: Por que é que eu fui trazer o meu bijú?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Nove, dez, onze horas e... nada! Nenhuma notícia.&lt;br /&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Todos ainda procuravam Chiquinha quando Roberta viu Mira seguir em direção à casa. Seguiu-a até o quarto. Entrou e viu a irmã trocando de roupa, preparando-se para sair.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;- Vai aonde, Mira?&lt;br /&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;- Vou à polícia! Vou dar queixa do desaparecimento da Chiquinha. Alguém roubou a minha lindinha, Beta.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;- Tá doida, Mira? Você acha que eles não têm nada prá fazer? Eu bem que avisei prá não trazer essa cachorra junto.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;- Não chama a Chiquinha de cachorra!&lt;br /&gt;- Ah, dai-me paciência... E a Chiquinha é o quê, Mira?...&lt;br /&gt;- Mas eu não gosto que fale assim do meu bijú.&lt;br /&gt;E Mira desatou a chorar. Roberta, com pena, afagou-lhe os cabelos.&lt;br /&gt;- Sossega, Mira. A Chiquinha vai aparecer, você vai ver...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meio-dia, uma, duas, três horas da tarde. E nada!&lt;br /&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;A turma já conhecendo o sítio em todos os seus detalhes mais íntimos, e a Chiquinha? Cadê? Mira era o retrato do desalento.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;- Se ela não aparecer até a hora de ir embora, vocês vão e eu fico. Eu não saio daqui sem o meu bijuzinho.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Kênia, exausta, já não sabia o que fazer para amenizar o sofrimento da amiga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Quando as malas já estavam sendo colocadas nos carros, um menino, filho da cozinheira, vem correndo em direção a Mira.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;- Dona! Dona!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todo mundo atento ao moleque.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;- Vem, vem... - chamava e corria em direção ao canil, o único lugar ao qual ninguém deu atenção, por conta do tamanho e da inquietude dos dois &quot;bezerros&quot; que lá continuavam presos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;De longe já dava prá ver a cena.&lt;br /&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Chiquinha deitada, e um dos monstrengos, meio metro de língua, a lamber-lhe prazerosamente, por entre a tela que recobria o canil.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Mira só conseguiu dizer &quot;Ainda bem que esse &quot;sujeito&quot; está preso&quot;, e correu a resgatar a Chiquinha.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Mas não foi fácil tirá-la de lá não. O protesto grave e intermitente do bonitão e os agudos apelos da Chiquinha, rosnando e latindo para Mira como nunca fora capaz, formavam um dueto de arrebentar tímpanos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Durante a viagem de volta, Chiquinha jururu, olhinho caído, cara de banzo. E Mira fazendo promessas.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;- Eu sei que você prefere os altos, musculosos e temperamentais. Mas a mamãe vai conseguir prá você um namorado porreta, um amor bem arretado. A língua daquele &quot;cabra&quot; era quase do seu tamanho, bijuzinho...&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;ju rigoni&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; (sem registro de data)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Visite também &lt;a href=&quot;http://jurigoni.blogspot.com/&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-weight: bold; color: rgb(204, 0, 0);&quot;&gt;Fundo de Mim II&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;, &lt;a href=&quot;http://dormentes.blogspot.com/&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-weight: bold; color: rgb(204, 0, 0);&quot;&gt;Dormentes&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;, &lt;a href=&quot;http://medodeaviao.blogspot.com/&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-weight: bold; color: rgb(204, 0, 0);&quot;&gt;Medo de Avião&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;, &lt;a href=&quot;http://rigoni.wordpress.com/&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-weight: bold; color: rgb(204, 0, 0);&quot;&gt;Fundo de Mim (no wp)&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;text-decoration: underline; font-weight: bold; color: rgb(204, 0, 0);&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href=&quot;http://rigoni.wordpress.com/&quot;&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style=&quot;color: rgb(204, 0, 0);&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class=&quot;blogger-post-footer&quot;&gt;Os textos publicados neste blogue estão protegidos pelas Leis de Direitos Autorais.&lt;/div&gt;</description><link>http://miranarede.blogspot.com/2010/05/cachorro-quente.html</link><author>noreply@blogger.com (ju rigoni)</author><thr:total>1</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-27284148.post-8370413254203843375</guid><pubDate>Mon, 15 Mar 2010 00:52:00 +0000</pubDate><atom:updated>2010-03-14T23:40:09.611-03:00</atom:updated><title>Visita do Além...</title><description>&lt;a href=&quot;http://1.bp.blogspot.com/_-c3w51FHjO8/SoNUxWjyLrI/AAAAAAAAA5Y/BCu7SOynBgM/s1600-h/leite_condensado.jpg&quot;&gt;&lt;img id=&quot;BLOGGER_PHOTO_ID_5369228387601755826&quot; style=&quot;width: 167px; height: 200px;&quot; alt=&quot;&quot; src=&quot;http://1.bp.blogspot.com/_-c3w51FHjO8/SoNUxWjyLrI/AAAAAAAAA5Y/BCu7SOynBgM/s200/leite_condensado.jpg&quot; border=&quot;0&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-size:85%;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-weight: bold;&quot;&gt;N.A.&lt;/span&gt; Lembro que, por mais incrível que possa parecer, os episódios aqui relatados realmente aconteceram. Apenas, e para evitar constrangimentos, os nomes dos protagonistas foram trocados.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Desta vez somos dezenove pessoas passando a Semana Santa em Parati. Um de nós, João, é professor de expressão corporal e responsável por um dos episódios mais engraçados protagonizados pela Mira, - aquela amiga sem a qual ninguém do meu grupo gosta de viajar. Pois é! Ela, com a sua mania de levar a casa na bagagem, desta vez trouxe também, por conta da sua hipoglicemia, oito latas de leite condensado. Roberta, a irmã, achou um exagero, mas não disse nada porque Mira poderia estar pensando em fazer &lt;span style=&quot;font-style: italic;&quot;&gt;brigadeiro&lt;/span&gt;, - doce pelo qual todo mundo é tarado.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Só não gostou de vê-la, assim que chegou, escondendo cuidadosamente, debaixo do colchão, as tais latas de leite condensado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Com esse povo todo aí, se eu não malocar, não sobra nem latinha suja prá lamber!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Roberta não ficou satisfeita com a justificativa mas, naquele momento, deu o assunto por encerrado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Tudo aconteceu na última noite do feriado, quando só o congelador permanecia abarrotado: cervejas, vinhos e afins. A geladeira mesmo já estava cheia. De espaço. Metade de um queijo, um terço do pote de margarina, um outro pote com pó de café, restos de presunto fatiado, três maçãs, meia dúzia de laranjas, o macarrão que sobrou do almoço, oito pizzas semiprontas, ... Êpa! Oito pizzas?! Ah, era o que a turma iria comer na madrugada que aí estava, e que prometia...&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Na espaçosa sala, o grupo, após a refeição, estava dividido. Roberta, que, só para lmbrar, é a irmã de Mira, e João, o tal professor de expressão corporal, conversavam sentados no chão sobre almofadas:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;- Puxa! Depois dessa pizza, um sorvetinho cairia muito bem...&lt;br /&gt;- Que esperança! Não há mais um único pote de sorvete no congelador. Fim de festa. Quer dizer... Se alguém quiser sair para comprar...&lt;br /&gt;- Duvido! A uma hora dessas?... E a preguiça? Fica aonde?...&lt;br /&gt;- É verdade! Nem mesmo um guindaste conseguiria tirar alguém daqui. Ainda bem que encontramos aquelas pizzas na geladeira, senão...&lt;br /&gt;- Mas bem que eu comeria um docinho agora. Huuum! Um sorvetinho, uma trufinha, uma tortinha, um brigadeirinho,...&lt;br /&gt;- ???!&lt;br /&gt;- Que foi? Você tá com uma cara, Beta...&lt;br /&gt;- É que eu me lembrei de uma coisa... Eu sei onde podemos encontrar umas certas latas de leite condensado...&lt;br /&gt;- O QUÊ???&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Roberta põe o indicador sobre os lábios:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Shhh!!! Fala baixo, João. Não vai ser muito fácil pegá-las, não... São da Mira. É aquela mania de doce por causa da hipo. Ela escondeu oito latas debaixo do colchão. Ainda deve ter alguma coisa lá... Só não sei como é que a gente vai fazer pra ela liberar as latinhas... E se souber que eu contei prá alguém... Já viu, né?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João anima-se:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Deixa comigo! Você distrai a Mira, e eu vou de um em um contando como vai ser.&lt;br /&gt;- E como vai ser?...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João explica o seu plano, que deve ser bem engraçado porque ela já está rindo a mais não poder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cerca de vinte minutos após a conversa, todos são &quot;surpreendidos&quot;, por uns tremeliques que sacodem João violentamente. Alguém diz:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Caramba! Acho que ele tá incorporando alguma entidade...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Mira, que tem verdadeiro pavor de tudo que não conhece, atravessa a sala como um raio, e coloca-se atrás da irmã tentando se proteger. João continua lá, girando a cabeça de um lado para o outro, rosto crispado, olhos semi-cerrados... Aos poucos, os movimentos vão diminuindo e, agora, João tem a postura infantil de um indivíduo mimado, carente, mas determinado. Alguém lembra-se de perguntar:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;- Quem é você?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João, o dedo na boca, cara do filho sem mãe, trejeitos de criança:&lt;br /&gt;- Mo nomi é Pedrim!...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mira, as pontas dos dedos geladas de medo, a apertar o ombro de Roberta:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Credo! Baixou mesmo um santo no João...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguém segue sabatinando o ectoplasma moleque:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Seja bem-vindo, &quot;Pedrinho&quot;. O que você está procurando por aqui?&lt;br /&gt;- Pedrim qué docim...&lt;br /&gt;- Docinho??? Ih, &quot;Pedrinho&quot;... Você chegou numa hora meio ruim. Hoje é o último dia do feriado e já não temos quase nada aqui em casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O &quot;santinho&quot; parece irritar-se:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pedrim qué sabê de nada, não... Pedrim qué docim!&lt;br /&gt;- Mas a gente não tem nada doce aqui prá você.&lt;br /&gt;- Tem sim, tem sim. Pedrim qué... Se num dé docim prá Pedrim...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Roberta aproveita o tom de ameaça de &quot;Pedrinho&quot; e cutuca:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mira, ele quer doce.&lt;br /&gt;- É... E agora?&lt;br /&gt;- Agora, a gente tem que dar doce prá ele!&lt;br /&gt;- Mas não tem doce! O que é que esse santo tá pretendendo fazer com a gente???&lt;br /&gt;- Buaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa... Pedrim qué docim...&lt;br /&gt;- Calma, Pedrinho! A gente não trouxe nada, nem uma balinha.&lt;br /&gt;- BUAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA... PEDRIM QUÉ DOCIM... QUÉ DOCIM... QUÉ DOCIM... BUAAAAAAAAAA... PEDRIM QUÉ DOCIM..., - insiste, sem parar, o espírito de porco, para desespero da Mira e deleite dos amigos-da-onça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;&quot;Pedrinho&quot; começa então a caminhar por entre o grupo e a sacudir pelos braços um-a-um, sem abandonar o refrão...&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;- Xunxê tem? Pedrim qué!...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E lá vem ele, aproximando-se cada vez mais de onde estão Mira e Roberta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pedrim tá esperanu docim... Pedrim qué...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Roberta continua tentando...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ih! Mira. Ele está quase chegando aqui. A gente vai ter que arranjar um doce qualquer pra esse santo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a Mira, já tremendo com a possibilidade do &quot;espírito&quot; tocar-lhe o corpo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ai, meu Deus! O que é que a gente vai fazer???&lt;br /&gt;- Ué, têm aquelas latas de leite condensado que você escondeu lá embaixo do colchão...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mira titubeia:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Será??? Mas aquilo é leite condensado, não é um doce!&lt;br /&gt;- Bem, é o que temos... Quem sabe assim esse espírito se aquieta e vai embora?...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem há tempo para Mira dizer qualquer coisa, pois o &quot;espírito&quot; já está apontando o dedo em sua direção:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Xunxê tem docim prá Pedrim!... XUNXÊ TEEEM!!!- vai logo afirmando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mira gela, enquanto Roberta cochicha-lhe:&lt;br /&gt;- Tá vendo?! Ele sabe que você tem. Espírito vê tudo, Mira...&lt;br /&gt;- Xunxê tem... XUNXÊ TEEEM!!! PEDRIM QUÉ DOCIM!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Os amigos, sacanas, assistem com a maior cara-dura, e sem nenhum remorso, Mira girar nos trêmulos calcanhares e voar para o quarto onde estava escondido o &quot;tesouro&quot;. E enquanto ela está lá dentro o pessoal desata a rir.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;- Caramba! Ela acreditou mesmo. Foi lá pegar as latas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;O som dos passos de Mira, que já vem voltando, faz com que todos retomem o ar sério, grave, compenetrado.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;- Pega aí! -, ela entrega apavorada as latas a Roberta para não ter nenhum contato com o tal &quot;Pedrinho&quot;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Roberta passa-as ao &quot;espírito&quot; e, pelo menos três de nós correm à cozinha em busca de colheres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&quot;Pedrinho&quot; enche a sua colher, enquanto as outras passeiam, com as latas, de mão-em-mão, de boca-em-boca.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Depois que todo mundo se lambuzou no leite condensado, o &quot;santo&quot;, arrotando (literalmente) satisfação, avisa que vai &quot;subir&quot;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entreolhamo-nos disfarçadamente, todos morrendo de vontade de rir. Alguém  lembra de   despedir-se:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vá com deus!...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E João dá seguimento a sua performance. Sacode a cabeça, grita, - agora com os olhos totalmente fechados -, parece um contorcionista tentando livrar-se de algo que o incomoda. E treme, e gira... até cair no chão. Depois, relaxa, abre lentamente os olhos, e pergunta com a maior cara-de-pau:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;- Onde estou? O que está acontecendo?...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Parece uma senha, porque ninguém aguenta... A gargalhada é geral. Tem gente chorando de rir. Mira, ainda assustada e sem nada entender, faz o sinal da cruz, beija a medalhinha do cordão que traz ao pescoço, e foge da sala, temendo, talvez, uma outra visita do além, - o que leva as pessoas a rirem mais ainda.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;No dia seguinte, durante o parco café da manhã, Mira (olhos fundos, resultado de um sono cheio de pesadelos) descobre que foi vítima de mais uma brincadeira da turma. Fica pê da vida. Com toda razão, o que faz com que entremos todos na fila para abraçá-la e pedir-lhe desculpas. Somos muito danados mesmo, mas adoramos Mira. E ela sabe muito bem que, nas horas realmente necessárias, sempre pode contar conosco. Além do mais, ela também tem seu lado sacana. Caso contrário, porque haveria de esconder dos amigos o leite condensado?!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Amizade que é amizade tem dessas coisas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-style: italic; font-weight: bold;&quot;&gt;ju rigoni&lt;/span&gt; (Anos 80)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Visite também&lt;br /&gt;&lt;a href=&quot;http://jurigoni.blogspot.com/&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-weight: bold; color: rgb(204, 0, 0);&quot;&gt;Fundo de Mim II&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;, &lt;a href=&quot;http://dormentes.blogspot.com/&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-weight: bold; color: rgb(204, 0, 0);&quot;&gt;Dormentes&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;, &lt;a href=&quot;http://medodeaviao.blogspot.com/&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-weight: bold; color: rgb(204, 0, 0);&quot;&gt;Medo de Avião&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;, &lt;a href=&quot;http://planetazora.blogspot.com/&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-weight: bold; color: rgb(204, 0, 0);&quot;&gt;Navegando...&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class=&quot;blogger-post-footer&quot;&gt;Os textos publicados neste blogue estão protegidos pelas Leis de Direitos Autorais.&lt;/div&gt;</description><link>http://miranarede.blogspot.com/2010/03/visita-do-alem.html</link><author>noreply@blogger.com (ju rigoni)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://1.bp.blogspot.com/_-c3w51FHjO8/SoNUxWjyLrI/AAAAAAAAA5Y/BCu7SOynBgM/s72-c/leite_condensado.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-27284148.post-3015569223144394059</guid><pubDate>Sat, 20 Feb 2010 22:25:00 +0000</pubDate><atom:updated>2010-02-20T21:08:40.888-02:00</atom:updated><title>Haja Divã!</title><description>&lt;a onblur=&quot;try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}&quot; href=&quot;http://3.bp.blogspot.com/_-c3w51FHjO8/S4BhkhkuCcI/AAAAAAAABWw/gPJ88OAiCbI/s1600-h/Menina+dos+sapatos.jpg&quot;&gt;&lt;img style=&quot;cursor: pointer; width: 306px; height: 320px;&quot; src=&quot;http://3.bp.blogspot.com/_-c3w51FHjO8/S4BhkhkuCcI/AAAAAAAABWw/gPJ88OAiCbI/s320/Menina+dos+sapatos.jpg&quot; alt=&quot;&quot; id=&quot;BLOGGER_PHOTO_ID_5440455629979126210&quot; border=&quot;0&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Mira tem um medo da violência que foge ao normal. Sêo Zé e sêo Severino, - o zelador e o porteiro -, que o digam!  Além de revelar o nome de quem pretende subir ao seu apartamento, eles têm que colocar o visitante ao fone para que ela lhe ouça a voz. Ainda que seja a mãe dela! Se estiver rouca, afônica, - se Mira não lhe reconhecer o timbre, babau! Não sobe mesmo. Esse medo gerou, é claro, muitas histórias. Aí vai uma delas...&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Certa ocasião, Roberta precisou ir a São Paulo para cobrir um evento. Mira não gostava nem um pouco dessas viagens. Ficar sozinha em casa, especialmente agora que havia aquele tal maníaco a solta... (&quot;Mira o cara tá lá em São Paulo. Você vai ficar aqui em Niterói. Eu é que deveria estar com medo!&quot;)&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Pela manhã, Roberta atravessou de catamarã de Niterói para o Rio com a irmã.  Despediu-se de Mira em frente à Biblioteca, e correu para o Aeroporto. Pretendia estar de volta em dois dias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Mira, insegura,  não conseguia se concentrar no trabalho. Na hora do almoço, para relaxar, saiu a comprar sapatos. (Não. Não me pergunte! Eu nunca consegui entender...) Eu a encontrei quando me dispunha a atravessar a avenida Rio Branco, bem ali, na esquina da rua Sete de Setembro. Ela pediu-me que a acompanhasse. Queria experimentar alguns pares que ela havia &quot;namorado&quot; no dia anterior. E eu caí na armadilha.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;- Em seguida almoçamos juntas, que tal?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Achei que ela estivesse precisando uma outra opinião e aceitei o convite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entramos numa loja. Mira apontou à gentil vendedora uns cinco ou seis pares de sapatos que estavam expostos na vitrine.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- ...calço 36, - ela dizia, enquanto eu me sentava numa das confortáveis longarinas, prestando atenção à percussão que o meu estômago iniciara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vieram os calçados, lindos, todos bem ao estilo da Mira. Os saltos sempre muito altos para compensar a baixa estatura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Uma hora se passara, e ela a desfilar em frente ao espelho, aqueles e todos os outros pares que, neste tempo, solicitara à vendedora. Eu com os olhinhos pequenos, uma lerdeza, um tremor nos joelhos... Sempre fico assim quando a pressão cai.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;- Escolhe logo, Mira! Já estou desmaiando de fome...&lt;br /&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;- Gostei destes dois aqui. - Segurou, virando-os para mim, dois modelos maravilhosos - e carésimos -, um na cor uísque e o outro preto.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;- Escandalosamente lindos! Leva esses... Têm cores que combinam com tudo. Excelente escolha!&lt;br /&gt;- É... Mas eu já tenho uns quatro pares de sapatos pretos. E tenho em uíque também...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vendedora informa que desses modelos já não há outras cores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;- Ah! Tá vendo? É por isso que eu fico tão aperreada na hora de comprar. Passo um tempão escolhendo, e quando me decido por dois deles descubro que haveria outras opções.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;- E qual é o problema, Mira? Essas cores estão perfeitas. Combinam com tudo, já disse. Hoje eu estou dura. Quem me dera ter grana para levar pelo menos um deles...&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;- ... mas se havia outras cores deste modelo, que venderam muito mais rápido, é porque eram mais bonitas, concorda?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;A vendedora tinha aquele ar de quem só aguenta a cliente porque quando compra, compra muito. Ou compra o pouco que é caro. Mira, uma autêntica Imelda Marcos tupiniquim, (não sei quantos pares têm ao todo, mas com certeza, muito mais de cem), babava, hesitante, as belezuras.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Bem, aquele definitivamente não era o dia de nenhuma de nós três. Depois de novamente experimentar todos os pares que nos rodeavam, ela decidiu que não estava num bom dia para escolher, agradeceu à vendedora garantindo que voltaria no dia seguinte, (coitada!), e saímos da loja em direção ao restaurante. Eu queria chamar-lhe a atenção sobre essas suas atitudes, mas estava cambaleante de fome e deixei prá lá.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Almocei, finalmente, e pedi a Mira que me desculpasse. Teria que voltar ao trabalho, pois já estava bem atrasada. Quando saí, ela retornava ao bufê para &quot;tirar uma lasquinha da lasanha aos 4 queijos.&quot; Mira põe um pouquinho de cada prato do &lt;span style=&quot;font-style: italic;&quot;&gt;buffet&lt;/span&gt;, até decidir o que vai comer. Quando afinal decide, percebe que já comeu muito mais do que deveria comer. (Novamente, não me pergunte. Eu não sei explicar...) Os garçons, - cansados de conhecê-la -, ficavam pelos cantos, apontando-a, e a morrer de rir.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;À noite, ao retornar do trabalho, e como sempre, deu ordens ao sêo Zé e ao sêo Severino para que não deixassem ninguém subir sem que fosse avisada pelo interfone.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;- Mas a gente sempre faz isso, dona Mira.&lt;br /&gt;- Tá! É só pra lembrar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pegou a correspondência e entrou no elevador.&lt;br /&gt;Ao abrir a porta de casa, como em todos os dias, encontrou Chiquinha a pular e abanar o que lhe sobrava do rabinho empinado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- ô meu bijuzinho, que saudade!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A bolsa e o próprio corpo jogados ao sofá, Chiquinha aconchegava-se para os afagos de hábito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Olha, querida, você tem que ficar com os ouvidos bem abertos, viu? Porque a tia Beta não vai dormir aqui em casa hoje, não. Qualquer barulhinho, você avisa a mamãe, tá?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Antes de ir para a cama, pelo sim pelo não, houve por bem pendurar um panelão na maçaneta da porta de entrada do apartamento. Fez o mesmo na porta da cozinha, conjugada à área de serviço, que dá para o corredor do seu andar. E, excesso de cautela, fechou a janela da área e também pendurou nela uma de suas panelas. Novamente, não me pergunte, porque, convenhamos,  para que alguém subisse pelo lado de fora seria preciso uma escada magirus. Ou um homem-aranha disposto a tecer até o décimo-primeiro andar.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Deitou-se, mas não conseguia dormir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dia seguinte, nem bem eu entrara no estúdio e o celular tocando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;- Ju, pelamordedeus, vai lá em casa ver como a Mira está. O telefone está sempre ocupado e ela não liga pra mim...&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;- Ela está bem. Eu a encontrei ontem. Ela queria comprar uns sapatos... Até almoçamos juntas...&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;- Mais sapatos? Depois passa o resto do mês dizendo que não tem dinheiro!...&lt;br /&gt;- Mas o que está acontecendo, Beta?&lt;br /&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;- A Sonia da Biblioteca ligou. Disse que a Mira não foi trabalhar, e que ela não está conseguindo um contato. Liguei lá pra casa, mas a linha está sempre ocupada, e ela não telefona pra mim. O celular está fora de área. Estou inquieta. Quero saber o que está havendo mas não posso sair daqui agora. E mesmo que saísse... Sem reserva, não sei se seria ser fácil conseguir lugar num vôo...Ainda tenho duas entrevistas que foram previamente marcadas. E você sabe como é a Mira...&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;- Fica tranquila. Vou dar um jeito de ir até lá. Me dá um tempo. Depois te ligo.&lt;br /&gt;- Eu aguardo. Obrigada mesmo. Inté!&lt;br /&gt;- Inté!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Larguei o que estava começando a fazer, e corri para a casa da Mira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A senhora não vai poder subir, dona Ju...&lt;br /&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;- Como não vou poder subir? Vocês estão cansados de conhecer a minha cara. Além disso, foi a Beta quem me pediu para vir até aqui.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;- Beta? Que Beta?&lt;br /&gt;- A Roberta, sêo Zé. A irmã da Mira.&lt;br /&gt;- Ah, a dona Roberta. A dona Roberta viajô. Ela num tá aí não...&lt;br /&gt;- Ô meu Deus, eu sei, sêo Zé. O que é que eu estou lhe dizendo? Foi a RO-BER-TA que pediu que eu viesse até aqui para saber o porquê da Mira não ter ido trabalhar hoje.&lt;br /&gt;- Mas onti a dona Mira disse pra gente num deixá ninguém passá sem a autorização dela...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Eu estava digitando o número do celular de Roberta quando o síndico apareceu e salvou a situação. Finalmente, subi. Abri a porta do elevador no décimo-primeiro andar e caminhei até a porta do apartamento. Toquei a campainha, soquei a porta, e só conseguia ouvir os latidos da Chiquinha. Fiquei desesperada. Muitas coisas me passavam pela cabeça e eu não queria aceitar nenhuma das opções. Por fim, girei a maçaneta e ouvi o som de alguma coisa de metal caindo e saltitando por umas três vezes ao chão. Mais preocupada ainda. &quot;Que som seria aquele?&quot; Vieram o síndico, o vizinho do apartamento em frente (o do &quot;Capacho Voador&quot;, lembra?), sêo Zé, Marquinhos e os amiguinhos, as diaristas dos andares imediatamente acima e abaixo de onde estávamos, - muita gente. O corredor estava repleto. E da Mira, nem um sinalzinho de vida.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Como já de tudo tentáramos sem qualquer resultado, fomos obrigados a novamente apelar para aqueles que os demais moradores do prédio já chamavam de &quot;a segurança pessoal da Mira&quot;. Enquanto aguardávamos que o Corpo de Bombeiros atendesse ao chamado, o celular tocou novamente. Era Roberta. Tratei de enrolar a minha amiga ao telefone. Disse-lhe que acabara de chegar ao prédio. Que logo, logo estaria ligando para dizer o que acontecera.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;No corredor não havia mais espaço nem para um microscópico ácaro. As crianças, para quem tudo é festa, batiam na porta e tocavam seguidamente a campainha. Eu, à essa altura dos acontecimentos, só conseguia rezar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Quando dois bombeiros (um deles já vinha rindo, pois já estava se tornando um &quot;velho&quot; conhecido) saíram do elevador, e eu me preparava para descrever a situação para eles, a porta se abriu e surgiu a figura da Mira em camisola, descalça, olhar entre o sonolento e o assustado, um facão do tipo &quot;pexêra&quot; na canhota, e Chiquinha aos calcanhares, latindo com a arrogância de quem pede satisfação.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;- O que é isso, Mira? -, foi tudo que consegui dizer em meio ao silêncio provocado pela sua estapafúrdia aparição.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Alô?...&lt;br /&gt;- Roberta? Tudo resolvido.&lt;br /&gt;- O que é que houve, Ju?&lt;br /&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;- Ela está tomando um banho pra tentar despertar. Disse que, como não conseguia dormir, tomou dois comprimidos para relaxar e apagou.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;- Ai, meu Deus... Isso tudo é por causa da história do maníaco que ela vem acompanhando nos jornais. A Mira e os seus medos...&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;- Não brinca! Então foi por isso...&lt;br /&gt;- ... o quê?&lt;br /&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;- Ela pendurou panelas nas maçanetas das portas de entrada e na janela da área de serviço...&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;- Não tem que voltar pra análise? Agora vê se eu posso ficar aqui tranquila?...&lt;br /&gt;- Vamos fazer o seguinte: quando é que você volta?&lt;br /&gt;- Amanhã.&lt;br /&gt;- Então, eu fico aqui com ela até amanhã, ok?&lt;br /&gt;- Puxa, valeu mesmo!&lt;br /&gt;- Só uma coisa, ju: por que o telefone aí de casa só dava ocupado?&lt;br /&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;- Ela solicitou à telemar o serviço-depertador para tentar acordar a tempo de ir para o trabalho. Provavelmente, o telefone tocou, ela atendeu, mas voltou a dormir antes de devolver o fone ao devido lugar.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;- Ai, meu Deus, quem merece?...&lt;br /&gt;- Inté, querida!&lt;br /&gt;- Inté!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;ju rigoni&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; (sem registro de data)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Visite também&lt;br /&gt;&lt;a href=&quot;http://jurigoni.blogspot.com/&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-weight: bold; color: rgb(204, 0, 0);&quot;&gt;Fundo de Mim II&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;,  &lt;a href=&quot;http://medodeaviao.blogspot.com/&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-weight: bold; color: rgb(204, 0, 0);&quot;&gt;Medo de Avião&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;, &lt;span style=&quot;font-weight: bold; color: rgb(204, 0, 0);&quot;&gt;&lt;a style=&quot;color: rgb(204, 0, 0);&quot; href=&quot;http://dormentes.blogspot.com/&quot;&gt;Dormentes&lt;/a&gt; &lt;/span&gt;e &lt;a href=&quot;http://planetazora.blogspot.com/&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-weight: bold; color: rgb(204, 0, 0);&quot;&gt;Navegando...&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class=&quot;blogger-post-footer&quot;&gt;Os textos publicados neste blogue estão protegidos pelas Leis de Direitos Autorais.&lt;/div&gt;</description><link>http://miranarede.blogspot.com/2010/02/haja-diva.html</link><author>noreply@blogger.com (ju rigoni)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://3.bp.blogspot.com/_-c3w51FHjO8/S4BhkhkuCcI/AAAAAAAABWw/gPJ88OAiCbI/s72-c/Menina+dos+sapatos.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-27284148.post-1462371058934036676</guid><pubDate>Sat, 23 Jan 2010 21:25:00 +0000</pubDate><atom:updated>2010-01-29T16:51:12.311-02:00</atom:updated><title>Muito Além da Imaginação...</title><description>&lt;a onblur=&quot;try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}&quot; href=&quot;http://4.bp.blogspot.com/_-c3w51FHjO8/S1tppAIic4I/AAAAAAAABTU/qkfPSkdWUIE/s1600-h/Wallpaper+Explos%C3%A3o.jpg&quot;&gt;&lt;img style=&quot;cursor: pointer; width: 320px; height: 240px;&quot; src=&quot;http://4.bp.blogspot.com/_-c3w51FHjO8/S1tppAIic4I/AAAAAAAABTU/qkfPSkdWUIE/s320/Wallpaper+Explos%C3%A3o.jpg&quot; alt=&quot;&quot; id=&quot;BLOGGER_PHOTO_ID_5430049928856630146&quot; border=&quot;0&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eugênio era um sujeito estranho. Sobre ele havia muitas histórias. Uma delas dava conta de suas incursões pelo mundo dos espíritos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diziam que ele via espíritos em todo lugar. Que era impossível ter um único contato com o rapaz sem que se experimentasse essa sua, digamos assim, qualidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mira sempre ouviu tudo fazendo um desconto em favor de Eugênio. Apesar de excessivamente medrosa, ela sabia que a imaginação popular tem uma certa tendência a aumentar tudo o que vê e ouve na hora de reproduzir. Até um dia...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Eugênio era seu vizinho. Morava três andares abaixo do apartamento dela. Nunca haviam conversado. Sua convivência nunca passou do &quot;bom dia&quot;, &quot;boa tarde&quot;, &quot;boa noite&quot;, quando esbarravam-se em alguma dependência do prédio.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Certa noite ela estava parada em frente à porta do elevador. Eugênio chegou e a cumprimentou muito gentilmente, como sempre fazia. Quando a caixa metálica finalmente chegou, o rapaz abriu a porta e deu um passo para trás segurando-a. &quot;Pelo menos é educado&quot;, Mira pensou, e fez menção de mover-se para entrar no elevador cuja porta ele tão atenciosamente retinha. Mal deu o primeiro passo, sentiu que algo a segurava pela cintura. Era o outro braço de Eugênio. Ficou assustada. Ele a imobilizara de tal forma que, por mais que fizesse, não conseguia sair do lugar. Eugênio pareceu adivinhar a confusão que se formava em sua mente e anunciou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;- Assim que todos tiverem saído, a gente entra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mira com toda certeza perdeu a cor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Todos? Ó xente, mas só estamos eu e você aqui!...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Eugênio riu um risinho estranho e ela, ainda confusa e finalmente livre, entrou no elevador, - o coração em disparada. Apertou o botão do 11º andar. Eugênio entrou logo em seguida, pressionou o botão do oitavo andar e ficaram parados, um ao lado do outro, aguardando que a porta do elevador finalmente se fechasse. Não foi o que aconteceu. Alguém, para alegria de Mira, que não estava se sentindo segura sozinha com o tal Eugênio, segurou a porta e a abriu. Era uma mulher bonita, morena, traços delicados... Voz suave, desejou uma &quot;boa noite&quot; a Mira e Eugênio, pressionou o botão do décimo-segundo andar e lá foram eles, subindo, subindo... - o Eugênio com um risinho esquisito nos lábios.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;No oitavo andar, depois de um rápido &quot;até logo!&quot;, Mira ficou definitivamente livre da presença de Eugênio. A mulher, talvez para puxar conversa, perguntou-lhe se o conhecia há muito tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;- Esse cabra é doido! Dizem que vê espíritos em todo lugar...&lt;br /&gt;- É mesmo? Que interessante! E você não acredita?&lt;br /&gt;- Eu e quase todo mundo aqui do prédio. Acho que ele tem é um côco no lugar do cérebro...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;A desconhecida riu um sorriso muito parecido com o de Eugênio. Mira achou prudente manter-se calada. Mas a mulher mantinha um ar divertido. E aquele risinho com jeito de escárnio parecia não desistir de seus lábios.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Finalmente, o 11º andar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Este é o meu, disse a Mira, deu as costas à mulher e foi empurrando a porta para sair.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já ensaiava um &quot;boa noite&quot; como despedida quando virou-se para fechar a porta do elevador e... Cadê ela?... A mulher não estava mais lá!...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Seus joelhos tremiam e os pés não saiam do lugar. Ela queria gritar, mas parecia impossível. Era como se voz não tivesse. Depois de algum tempo conseguiu chegar até a porta do seu apartamento, e esqueceu o dedo na campainha. Beta abriu:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;- Que foi? Surtou outra vez, foi?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas ela só conseguia dizer:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tinha uma mulher lá, Beta. Eu juro que tinha... Juro!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Para tentar dormir, Mira aboletou-se na cama de Beta que, é claro, passou a noite acordada com a irmã grudada em seu corpo. Durante a madrugada, qualquer barulhinho merecia um grito apavorado de Mira, - uma buzina, uma freiada, um vizinho em crise de tosse, uma descarga de banheiro, - qualquer som era motivo de medo. Não houve lexotan que colocasse Mira em &lt;em&gt;off&lt;/em&gt;. No dia seguinte, Beta levantou-se decidida a levar Mira a um analista.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;- Eu não quero um analista, Beta. Eu quero é me mudar! Não moro mais neste prédio, e ponto final. Liga pra Ju e diz que eu vou passar uns dias lá na casa dela.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Verdade ou imaginação da Mira, ninguém sabe. Tudo que eu sei é que para sair do prédio naquela manhã Beta teve que funcionar como guia. Mira entrou, desceu e saiu do elevador de olhos fechados, as mãos crispadas no braço da irmã, que ia cumprimentando os vizinhos ao longo do caminho justificando a atitude de Mira com a história de uma conjuntivite muito forte.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;E não houve jeito mesmo. Beta passou um bom tempo procurando um novo apartamento para as duas. O único modo de garantir que Mira voltasse para casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;ju rigoni&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;span style=&quot;font-weight: bold;font-size:100%;&quot; &gt;Amigo(a) Leitor(a):&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha poesia está sob o olhar de &lt;a href=&quot;http://literaturaemvida2.blogspot.com/2010/01/literatura-ja-palavras-sobre-palavras.html&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-weight: bold; color: rgb(204, 0, 0);&quot;&gt;Eliane F. C. Lima&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;, do &lt;a href=&quot;http://literaturaemvida2.blogspot.com/2010/01/literatura-ja-palavras-sobre-palavras.html&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-weight: bold; color: rgb(204, 0, 0);&quot;&gt;Literatura em Vida 2&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;. Convido você a clicar num dos linques para conhecer o blogue, ler o post e, se desejar, deixar lá o seu comentário. Obrigada! Bjs e inté!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size:85%;&quot;&gt;Visite também &lt;a style=&quot;color: rgb(204, 0, 0);&quot; href=&quot;http://jurigoni.blogspot.com/&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-weight: bold;&quot;&gt;Fundo de Mim II&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;, &lt;a href=&quot;http://dormentes.blogspot.com/&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-weight: bold; color: rgb(204, 0, 0);&quot;&gt;Dormentes&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;, &lt;a href=&quot;http://planetazora.blogspot.com/&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-weight: bold; color: rgb(204, 0, 0);&quot;&gt;Navegando...&lt;/span&gt;&lt;strong style=&quot;font-weight: bold; color: rgb(204, 0, 0);&quot;&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;blogger-post-footer&quot;&gt;Os textos publicados neste blogue estão protegidos pelas Leis de Direitos Autorais.&lt;/div&gt;</description><link>http://miranarede.blogspot.com/2010/01/muito-alem-da-imaginacao.html</link><author>noreply@blogger.com (ju rigoni)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://4.bp.blogspot.com/_-c3w51FHjO8/S1tppAIic4I/AAAAAAAABTU/qkfPSkdWUIE/s72-c/Wallpaper+Explos%C3%A3o.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>1</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-27284148.post-246322182778071071</guid><pubDate>Sat, 05 Dec 2009 14:09:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-12-05T13:26:34.423-02:00</atom:updated><title>De Como Mandar um Regime Para o Espaço...</title><description>&lt;a onblur=&quot;try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}&quot; href=&quot;http://3.bp.blogspot.com/_-c3w51FHjO8/SxpqwZE1kCI/AAAAAAAABM4/2yDpcLxR0aA/s1600-h/foguete.0.jpg&quot;&gt;&lt;img style=&quot;cursor: pointer; width: 400px; height: 318px;&quot; src=&quot;http://3.bp.blogspot.com/_-c3w51FHjO8/SxpqwZE1kCI/AAAAAAAABM4/2yDpcLxR0aA/s400/foguete.0.jpg&quot; alt=&quot;&quot; id=&quot;BLOGGER_PHOTO_ID_5411755281836511266&quot; border=&quot;0&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;;font-family:lucida grande;font-size:130%;&quot;  &gt;Roberta levou um susto ao abrir a despensa. &lt;/span&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;;font-family:lucida grande;font-size:130%;&quot;  &gt;&lt;br /&gt;Onde estavam o feijão, o arroz, as massas, as latas de creme de leite, o leite condensado, as azeitonas, os biscoitos, as frutas e legumes habituais?... E o que continham aqueles pacotes, raízes e folhas esquisitos, tão arrumadinhos, bem ali?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que é que está acontecendo por aqui? Você não tinha ido ao mercado fazer as compras do mês? &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style=&quot;;font-family:lucida grande;font-size:130%;&quot;  &gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;- Ah, Beta, a gente tá precisando emagrecer, né? &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;- A gente, uma ova! Eu estou bem satisfeita, - mesmo com esses quilinhos a mais. &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;- Ih! Tá muito estressada! Calma, Beta. Eu só estou tentando fazer a nossa iniciação na macrobiótica. &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;- Pirou! Você descassetou, foi? Só te compra quem não te conhece. O que é isso aqui? &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;- Arroz integral. Vai ser a base do nosso regime. &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;- Nosso não. &lt;em&gt;SEU&lt;/em&gt; regime. &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;- Pô, Beta, você bem que podia me fazer companhia nessa empreitada. Dar uma força! Eu preciso de estímulo... &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;- Tá doida! Você precisa é voltar prá análise. Só me faltava essa!... Depois dos regimes da lua, do abacaxi, das sopas, da água,... - macrobiótica! Ah, meu padim padi ciço, eu mereço! &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;- Olha, é bem porreta. Você tá assim porque não assistiu às aulas. A macrobiótica deve ser levada muito a sério. Há quem fique totalmente curado dos mais diferentes tipos de câncer, e até de aids, fazendo um dos regimes macrobióticos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Roberta está fuxicando os pacotes...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E isto aqui, o que é? &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;- É soja. Agora, ao invés de carne, a gente vai comer soja. &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;- A gente não, Mira. &lt;em&gt;VOCÊ.&lt;/em&gt; Isso aqui? É o quê? &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;- Ervas. Nós agora vamos evitar beber água. Quando a gente sentir sede, vai beber chá. É muito mais saudável. Beber água é muito &lt;span style=&quot;font-style: italic;&quot;&gt;yin...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;- É o quê? &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;- Muito &lt;em&gt;yin&lt;/em&gt;. Muito negativo. É assim: os alimentos positivos são &lt;em&gt;yang&lt;/em&gt; e os negativos são &lt;em&gt;yin&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Roberta corre até a sala para atender o telefone.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Alô?... ju? Tudo bem com você? Eu estou aqui assistindo a mais um surto da minha irmã maluca. Imagine que ela foi ao mercado fazer as compras do mês, e adivinhe o que ela trouxe pra casa?... Soja, arroz integral, um monte de cereais, um feijão que eu nunca vi na vida, sal grosso, raízes, uva-passa, folhas e mais folhas prá fazer chás... Disse que é macrobiótica... Diz ela que agora não bebe mais água. Pode?... Quer que eu faça esse tal regime com ela, - é ruim, hein... Pois é! Hein? Cadê ela? Ela tá lá na cozinha fazendo essa tal comida salvadora do mundo... Diz que cura tudo... Diz que é &lt;span style=&quot;font-style: italic;&quot;&gt;in, ian, triguilim,&lt;/span&gt; sei lá! A Mira é doida! O que eu vou fazer? Vou ao mercado, né Ju?... Se eu não for, vou passar fome. Ela só trouxe essa comida chinesa pra casa! Tá! Mais tarde eu te ligo. Beijim! Inté!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Beta volta para a cozinha onde Mira está preparando o almoço. &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;- Ô Mira, que comida feia, escura... &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;- É por causa do sal grosso. Ele escurece o arroz, os legumes, tudo. A aparência não é lá essas coisas, mas o sabor não é dos piores, não. E os resultados a gente vai ver logo, logo... &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;- Ah, eu não vou comer isso aí nem que a vaca tussa... &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;- Bobagem! Não é tão ruim assim. Além do mais, você deveria comer porque já está ficando &lt;em&gt;sampaku.&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;- &lt;em&gt;Sam...&lt;/em&gt; o quê?... &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;- &lt;em&gt;Sampaku&lt;/em&gt;. É assim: você tem que olhar de frente nos olhos de outra pessoa. Se os olhos dela, na posição normal, mostrarem excesso da área branca ao redor da íris, é porque ela é &lt;em&gt;sampaku&lt;/em&gt;, resultado da má alimentação ocidental. &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;- Tá, e daí? &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;- Daí que o &lt;em&gt;sampaku&lt;/em&gt; carrega o destino nos olhos. Geralmente ele tem morte horrível, porque é incapaz de ter reações acertadas diante de situações difíceis da vida. &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;- Como assim?... &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;- Por exemplo: ele não tem reflexos no momento de um acidente; não é capaz de pressentir o perigo como o não-&lt;em&gt;sampaku.&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;- Meu Deus! É isso que você tem aprendido nessas aulas caríssimas? Você também deve ser &lt;em&gt;sampaku&lt;/em&gt;, porque eles levaram o seu dinheiro e você não pressentiu, nem reagiu... &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;- Ah, fala sério, Beta! É muito interessante a filosofia... &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;- Meu estômago que o diga! Tô aqui com fome e vou ter que descer prá comer lá no restaurante a peso... &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;- Olha, isso é sério. O Kennedy era &lt;em&gt;sampaku&lt;/em&gt;. Recebeu o primeiro tiro - que não seria capaz de matá-lo, mas não teve capacidade para reagir e acabou tomando o segundo, que lhe foi fatal. O Connally, aquele governador do Texas, que também era &lt;em&gt;sampaku&lt;/em&gt;, ao invés de mandar os ocupantes do carro abaixarem-se para evitar as balas, gritou apenas &quot;não, não...&quot; Marilyn Monroe era &lt;em&gt;sampaku&lt;/em&gt; também... &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;- Ai, Mira você não tem jeito não. Olha fica aí com o seu exército de &lt;em&gt;sampakus&lt;/em&gt; famosos que eu vou lá, almoçar. Até já!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mira acabou de preparar o almoço inédito e sentou-se para comer. Ainda bem que Roberta já não estava em casa para ver-lhe as caras e bocas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo assim, Mira seguiu com o regime que proibe a ingestão de frutas, com exceção de maçã, (e assim mesmo em pequenas porções), e exige que cada garfada seja mastigada no mínimo cinquenta vezes. Batatas e tomates (que ela adora!) também eram proibidos. Permitido só mesmo cenoura, cebola, abóbora, rabanete, couve, couve-flor, agrião e alface. E raízes de bardana e de lótus. E nada podia ser quente ou gelado. Somente os chás podiam ser ingeridos fervendo. Uvas eram proibidas. Só podiam ser consumidas em passas. O café da manhã? &lt;em&gt;Umeboshi&lt;/em&gt;, uma ameixa salgada que expulsa todos os vermes do organismo. &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;Bem, no terceiro dia, quando Roberta chegou do trabalho, encontrou Mira passando muito mal. Estava tendo enjôos e vertigens. Ela explicou que era uma reação normal a todos os que se iniciam na macrobiótica. &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;No sexto dia, Mira já estava diante do fogão mexendo um brigadeiro cujo aroma a irmã sentiu desde a porta do elevador. &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;- Ué! Tá fazendo brigadeiro para a sobremesa? E a macrobiótica? E a morte horrível dos &lt;em&gt;sampaku&lt;/em&gt;?... - estranhou Roberta. &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;- Que macrobiótica, que nada! Os &lt;em&gt;sampaku&lt;/em&gt; é que sabem das coisas. E pega uma cervejinha aí na geladeira que que eu tô morrendo é de calor...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não, amigo leitor. Nem &lt;em&gt;Freud&lt;/em&gt;...&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;ju rigoni&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Visite meus outros blogues:&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;a href=&quot;http://jurigoni.blogspot.com/&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-weight: bold; color: rgb(204, 0, 0);&quot;&gt;Fundo de Mim II&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;, &lt;a style=&quot;color: rgb(204, 0, 0);&quot; href=&quot;http://dormentes.blogspot.com/&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-weight: bold;&quot;&gt;Dormentes&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;, &lt;a href=&quot;http://medodeaviao.blogspot.com/&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-weight: bold; color: rgb(204, 0, 0);&quot;&gt;Medo de Avião&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; e &lt;a href=&quot;http://planetazora.blogspot.com/&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-weight: bold; color: rgb(204, 0, 0);&quot;&gt;Navegando...&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class=&quot;blogger-post-footer&quot;&gt;Os textos publicados neste blogue estão protegidos pelas Leis de Direitos Autorais.&lt;/div&gt;</description><link>http://miranarede.blogspot.com/2009/12/de-como-mandar-um-regime-para-o-espaco.html</link><author>noreply@blogger.com (ju rigoni)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://3.bp.blogspot.com/_-c3w51FHjO8/SxpqwZE1kCI/AAAAAAAABM4/2yDpcLxR0aA/s72-c/foguete.0.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>2</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-27284148.post-8476258717500831482</guid><pubDate>Tue, 24 Nov 2009 15:05:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-11-24T14:08:30.230-02:00</atom:updated><title>Trem Doido...</title><description>&lt;a onblur=&quot;try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}&quot; href=&quot;http://2.bp.blogspot.com/_-c3w51FHjO8/Swv5vlvGz2I/AAAAAAAABMI/S7GykRKtXf0/s1600/trem-1.jpg&quot;&gt;&lt;img style=&quot;cursor: pointer; width: 272px; height: 216px;&quot; src=&quot;http://2.bp.blogspot.com/_-c3w51FHjO8/Swv5vlvGz2I/AAAAAAAABMI/S7GykRKtXf0/s400/trem-1.jpg&quot; alt=&quot;&quot; id=&quot;BLOGGER_PHOTO_ID_5407690373567270754&quot; border=&quot;0&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;;font-family:lucida grande;font-size:130%;&quot;  &gt;Mira conhece quase o mundo todo. Quando conseguia tirar férias de 30 dias ela sempre viajava. Na volta tinha sempre muita coisa pra contar, e quem ia com ela tinha mais ainda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa de suas primeiras viagens, nos anos 70, dentro de um trem que ligava duas cidades italianas, Mira ia olhando a paisagem e admirando a beleza bucólica que desfilava à janela. Roberta esperava-a na estação. Estava tudo certo para embarcarem ainda naquele dia. Iam para a França, oportunidade surgida durante a viagem, porque encontraram em Roma um amigo que tinha parentes em Saint Hilaire, Paris. A chance de conhecer a cidade-luz sem gastos com hospedagem era imperdível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em frente ao lugar em que estava sentada havia um padre que, desde que embarcara, lá se acomodou não desgrudando um único segundo da leitura do livro sagrado. Tudo era muito diferente do Brasil. Embora os italianos sejam entre os europeus um dos povos mais expansivos, ainda assim era impossível compará-los com a xeretice e o calor humano brasileiros quando se tratava de estar juntos num transporte coletivo qualquer. Como o padre a ignorasse, ela seguiu deliciando-se com a paisagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algum tempo depois o trem parou. O padre em frente à Mira esboçou um muxoxo, girando rapidamente a cabeça em direção à janela e, em seguida, voltando à Bíblia. Mira agitou-se na cadeira, esticando o corpo para tentar ver um pouco mais do que a janela do trem exibia. Supunha que tivessem parado em alguma estação de algum lugarejo distante e que estivessem embarcando e desembarcando alguns passageiros ou, quem sabe, alguma carga especial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já eram passados cerca de 20 minutos e o trem continuava imóvel. Como o padre continuasse lendo tranquilamente, Mira manteve-se firme em seu lugar. Ela não fora à Itália para pagar o mico de ficar incomodando as pessoas por nada. &quot;Esses trens italianos, pensava, fazem umas paradas bem longas.&quot;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Provavelmente já havia olhado o relógio umas cem vezes quando se deu conta de que, - não era possível! - estava acontecendo alguma coisa estranha. Quarenta e cinco minutos desde que o trem parou... Mira dirigiu-se ao padre em inglês:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;;font-family:lucida grande;font-size:130%;&quot;  &gt;&lt;em&gt;...speak english?&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;O padre continuava debruçado sobre o livro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- &lt;em&gt;Please! Do you speak english?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem santo não se mexia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&quot;Morreu!, pensou Mira. Já deve estar se entendendo diretamente com Deus, e eu aqui, precisando de uma informação...&quot;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando já se levantava para sair em busca de notícias sobre a imobilidade do trem, o padre finalmente acordou. Mira sentou-se e perguntou-lhe novamente se falava inglês. Ele acenou afirmativamente. Mira então quis saber porque o trem havia parado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O padre, entre bocejos e um ar de enfado, disse-lhe que provavelmente tratava-se de uma greve de ferroviários.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- GREVE?! Que coisa doida! Que greve é esta que não esperam nem que o trem chegue à estação para começar?...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O padre explicou que lá era assim mesmo. As paralisação dos trabalhadores obedeciam rigorosamente a um horário de início, decidido numa espécie de assembléia. No caso dos ferroviários, os trens eram parados onde quer que estivessem até que as negociações chegassem a bom termo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ai, meu Deus. Eu preciso chegar a estação. Minha irmã está lá me esperando... Quanto tempo dura isso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nunca se sabe quanto tempo uma greve pode durar. Às vezes dura duas horas, às vezes 5 horas. Pode até durar dias...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O QUÊ? Eu quero um taxi. Como é que eu faço pra chamar um taxi?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Oh! Não se preocupe. Não vai-lhe faltar nada. Quando há greve são oferecidos alimentação, travesseiros, cobertores e até hospedagem em hotéis, se estivermos próximos de alguma cidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- ALIMENTAÇÃO? HOSPEDAGEM? Eu preciso é encontrar minha irmã lá na estação. Ela vai ficar doida se eu não chegar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não se preocupe. Já devem ter anunciado a greve lá na estação. Ela já deve estar sabendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, não! Ela não tinha vindo a Itália para hospedar-se num trem!?.... Se pelo menos estivesse no Expresso Oriente... Uma possibilidade supereconômica de ir a Paris e ela e Roberta iam se perder do amigo que as estaria esperando. Mira resolveu botar a boca no trombone. Que os ferroviários italianos fizessem a greve que bem entendessem desde que não a impedissem de ir a Paris. Levantou-se para buscar no trem alguém com quem pudesse reclamar e exigir um transporte até a estação. Ia mostrar para a italianada daquele trem o que é &quot;rodar a baiana&quot;. Porém, no momento em que ficou de pé o trem deu um solavanco e voltou, finalmente, a andar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o tranco, Mira caiu de bunda em cima do colo e da Bíblia do padre. Este fez apenas:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Oooooh! - ajeitou as páginas que ficaram meio amassadinhas, e voltou a concentrar-se nas sagradas escrituras como se Mira, suas fartas nádegas e suas aflições não existissem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto olhava a paisagem que corria emoldurada pela janela, (e que ela agora já não estava achando tão encantadora assim), pensava com seus botões: &quot;Essas coisas só acontecem comigo...&quot;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na estação encontrou uma Roberta à beira de um ataque de nervos que nem ao menos queria ouvir a sua nova história:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vamos embora! Depois você me conta. A gente ainda tem que passar no hotel pra pegar a bagagem e correr para encontrar o Alvinho. &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size:130%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong style=&quot;font-family: trebuchet ms;&quot;&gt;&lt;em&gt;ju rigoni&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong style=&quot;font-family: trebuchet ms;&quot;&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;;font-family:lucida grande;font-size:130%;&quot;  &gt;&lt;span style=&quot;font-weight: bold;&quot;&gt;&lt;/span&gt;Visite também  &lt;a href=&quot;http://rigoni.wordpress.com/&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-weight: bold; color: rgb(204, 0, 0);&quot;&gt;Fundo de Mim (no wp)&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;,&lt;a href=&quot;http://jurigoni.blogspot.com/&quot;&gt; &lt;span style=&quot;font-weight: bold; color: rgb(204, 0, 0);&quot;&gt;Fundo de Mim II&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;  e &lt;a href=&quot;http://dormentes.blogspot.com/&quot;&gt; &lt;span style=&quot;font-weight: bold; color: rgb(204, 0, 0);&quot;&gt;Dormentes&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;.&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class=&quot;blogger-post-footer&quot;&gt;Os textos publicados neste blogue estão protegidos pelas Leis de Direitos Autorais.&lt;/div&gt;</description><link>http://miranarede.blogspot.com/2009/11/trem-doido.html</link><author>noreply@blogger.com (ju rigoni)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://2.bp.blogspot.com/_-c3w51FHjO8/Swv5vlvGz2I/AAAAAAAABMI/S7GykRKtXf0/s72-c/trem-1.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>4</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-27284148.post-6836902370992022042</guid><pubDate>Tue, 10 Nov 2009 15:47:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-11-10T14:31:25.662-02:00</atom:updated><title>Cachorra, não!...</title><description>&lt;a onblur=&quot;try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}&quot; href=&quot;http://2.bp.blogspot.com/_-c3w51FHjO8/SvmT7TRNTEI/AAAAAAAABKY/61V2_K4R68g/s1600-h/miniature-poodle-1a.jpg&quot;&gt;&lt;img style=&quot;cursor: pointer; width: 320px; height: 240px;&quot; src=&quot;http://2.bp.blogspot.com/_-c3w51FHjO8/SvmT7TRNTEI/AAAAAAAABKY/61V2_K4R68g/s320/miniature-poodle-1a.jpg&quot; alt=&quot;&quot; id=&quot;BLOGGER_PHOTO_ID_5402511875001633858&quot; border=&quot;0&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mira foi dar seu passeio habitual à beira-mar com Chiquinha, a &lt;span style=&quot;font-style: italic;&quot;&gt;poodle&lt;/span&gt; histérica. Resolveu que deveria descer até a areia. Tirou as sandálias, colocou Chiquinha ao colo, e caminhou até bem perto da água.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo ouviu a voz da amiga Dinazarda...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mira, Mirinha!...&lt;br /&gt;- Arre! Só mesmo o acaso pra gente conseguir se encontrar...&lt;br /&gt;- Minha amiga, faz uma semana que não nos vemos...&lt;br /&gt;- Posso sentar aqui na pontinha da sua kanga?&lt;br /&gt;- Claro! Senta aí! Vamos colocar os assuntos em dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mira colocou Chiquinha no chão e abaixou-se para limpar a areia antes de sentar-se. Foi o bastante...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chiquinha disparou pela praia...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Volta aqui, meu bijuzinho! Chiquinha! CHIQUINHA! CHIQUIIINHA!!! - gritava e corria tentando alcançar a cadela que parecia enlouquecida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mira corria, e Dinazarda corria atrás. À medida que corria, Mira ia vendo outros amigos que estavam na praia e fazia-lhes sinal, apontando Chiquinha, para que a ajudassem.  Popular como só ela, não demorou  muito e metade da praia corria atrás da cadela mais perua, mais chata, e de latido mais estridente que se conhece...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- CHIQUINHAAAA! CHIQUIIIIINHA!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vez ou outra, quando uma onda quebrava e chegava perto, Chiquinha parecia reduzir a velocidade para contornar a areia encharcada, e quando Mira e os amigos, - festival de línguas para fora -, acreditavam que finalmente iriam colocar a mão na fujona, a bicha desembestava a correr...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mira já nem gritava... Quase sem ar, era berrar ou correr... Além disso, agora estavam perto do lugar mais concorrido da praia e em meio a tanta gente, tanto guarda-sol, tanta cadeira, já não dava mais para ver uma cadelinha tão miúda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aconteceu, então, o que já era de se esperar... Mira jogou-se na areia e começou a chorar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Aaaaaai, meu jesus cristinho! Onde foi parar o meu bijuzinho?...  Cadê o meu bebê?... O que eu faço agora?...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos poucos, todos os amigos que vinham correndo atrás iam chegando e prestando sua solidariedade...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Calma, Mira! A gente vai encontrar a Chiquinha. Ela vai acabar parando por aí para brincar. Ela adora a meninada e a praia está repleta de crianças...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mira chorava cada vez mais alto e já estava chamando a atenção das pessoas ao redor...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Meu padim padi Ciço, protege a minha Chiquinha!... Onde foi parar o meu bijú... - E hajá &lt;span style=&quot;font-style: italic;&quot;&gt;buá&lt;/span&gt;, que tudo na Mira é farto...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que foi, hein? Quem é Chiquinha? É a filha dela,é?&lt;br /&gt;- Não. É a &lt;span style=&quot;font-style: italic;&quot;&gt;poodle&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;- É. É, sim! A Chiquinha é a minha filhinha querida... E agora? Ah, coitadinha! Onde será que ela está?... EU QUERO A MINHA CHIQUINHA!... EU QUERO MORRER!!!...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pronto! O ataque mirótico começa a evoluir...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zeca nunca teve muita paciência...&lt;br /&gt;- Que morrer, que nada, Mira! Deixa de ser dramática! Daqui a pouco a gente acha essa cachorra...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O nome dela é Chiquinha! Não a chame de cachorra ou nunca mais falo com você. UAAAAAh.... EU  QUERO O MEU BIJUZINHO!...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E tome chororô...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mira, vamos todos caminhando até o final da praia. A gente vai perguntando aqui e ali... Alguma notícia vamos ter...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que houve, hein? O filho está perdido por aí pela praia?... - maiS um curioso...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, não! Não foi uma criança, e sim a cach... Foi a Chiquinha, (e, baixinho,quase ao ouvido), a cachorra dela que se perdeu...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Aaaaaaah!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resumo da ópera: Caminharam até o final da praia, perguntaram ao mundo pela Dona Chica, mais conhecida como Chiquinha, e... nada!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mira pediu o celular de um dos amigos emprestado pois, na pressa, largou a bolsa com telefone, dinheiro e tudo mais, lá atrás, sobre a kanga de Dinazarda...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tá ligando pra quem, Mira?...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- &lt;span style=&quot;font-style: italic;&quot;&gt;Alô, é do Corpo de Bombeiros? Meu nome é Mira Ramalho...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Imediatamente os amigos entreolharam-se a conter o riso... Todos sabem que Mira Ramalho é o nome mais conhecido naquela corporação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- &lt;span style=&quot;font-style: italic;&quot;&gt;Não. Não é a minha filha. É a minha&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-style: italic;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;span&gt;poodle&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-style: italic;&quot;&gt;, mas é como uma criança... Ela é o meu eterno bebê...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- &lt;span style=&quot;font-style: italic;&quot;&gt;Como não podem vir procurá-la? Eu pago meus impostos em dia, inclusive a taxa de incêndio, e temos, eu e Chiquinha, os mesmos direitos que qualquer cidadão...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- &lt;span style=&quot;font-style: italic;&quot;&gt;Como assim?... A Chiquinha não pode ser chamada de cidadã?...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os amigos, disfarçando e rindo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- &lt;span style=&quot;font-style: italic;&quot;&gt;É claro que eu sei que não se deve trazer animais à praia! A Chiquinha não é um animal qualquer. Só faz xixi e cocô no banheirinho dela... E eu não vou ficar aqui discutindo com alguém que ainda não sabe que o mundo divide-se entre animais racionais e irracionais.  A Chiquinha pensa, sabia? Eu quero é saber se vocês vêm ou não vêm?...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mira ainda esperneou ao telefone por alguns minutos... Ao desligar, desolada, explicou que o atendente havia informado que o corpo de bombeiros realmente atua em situações de emergência que envolvam animais, porém, somente quando estão em risco de vida iminente, ou&lt;br /&gt;colocando em risco a vida de pessoas... Revoltada, contou que ele disse que, se cada vez que alguém perdesse um animal de estimação uma unidade do corpo de bombeiros fosse deslocada, eles não fariam mais nada nesta vida...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os amigos voltaram com Mira e Dinazarda até onde estavam a kanga e a bolsa de Mira que, felizmente, ainda jaziam sobre a areia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mira abriu a bolsa e retirou o celular. Ia ligar para Beta, sua irmã, para contar a mais nova tragédia. Abriu o&lt;span style=&quot;font-style: italic;&quot;&gt; flip&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Meu padim padi Ciço! Tem oito ligações não atendidas... São da Beta...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- &lt;span style=&quot;font-style: italic;&quot;&gt;Alô, Beta, você nem imagina o que aconteceu... A Chiq... Hein? Como?... Affe Maria!... Arre égua!...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os amigos perceberam que havia uma notícia ali...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Gente, a Chiquinha foi encontrada! A Beta disse que, como não estavam conseguindo falar comigo pelo celular, ligaram pra ela e disseram que a Chiquinha tá lá na casa do Ed Motta...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Caramba! Na casa do Ed Motta?... A Chiquinha tem bom gosto musical, hein!...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ela tem bom gosto musical, sim. Mas não estamos falando desse Ed Motta, e sim do &lt;span style=&quot;font-style: italic;&quot;&gt;poodle&lt;/span&gt; cor de mel da minha vizinha... Vamos, vamos embora correndo que eu não conheço as intenções daquele cabra... Não quero sair de uma tragédia e entrar em outra. A Chiquinha é virgem! Eu ainda não a levei a um ginecologista e, falando francamente, eu não estou preparada para ser vovó...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-weight: bold; font-style: italic;&quot;&gt;ju rigoni&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Imagem obtida &lt;a style=&quot;color: rgb(0, 0, 153);&quot; href=&quot;http://images.google.com.br/imgres?imgurl=http://www.cuddlebabies.com/images/1%25204608%2520poodle.jpg&amp;amp;imgrefurl=http://allhellisbreakingloose.blogspot.com/2006/09/ces-e-caniches.html&amp;amp;usg=__ELo87oUxy8Vpw4r1MzriO40zpTo=&amp;amp;h=362&amp;amp;w=474&amp;amp;sz=34&amp;amp;hl=pt-BR&amp;amp;start=64&amp;amp;sig2=tfGX75Exlw1nXPm7kj3h_A&amp;amp;tbnid=o-3rvTvWwT-zuM:&amp;amp;tbnh=99&amp;amp;tbnw=129&amp;amp;prev=/images%3Fq%3Dpoodle%2Brosa%26gbv%3D2%26ndsp%3D20%26hl%3Dpt-BR%26rls%3Dig%26sa%3DN%26start%3D60&amp;amp;ei=6Yj5SoCQN9CWtgfNkImcCQ&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-weight: bold;&quot;&gt;Aqui.&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Visite também  &lt;a style=&quot;color: rgb(0, 0, 153);&quot; href=&quot;http://rigoni.wordpress.com/&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-weight: bold;&quot;&gt;Fundo de Mim&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;,  &lt;a style=&quot;color: rgb(0, 0, 153);&quot; href=&quot;http://jurigoni.blogspot.com/&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-weight: bold;&quot;&gt;Fundo de Mim II&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;,  &lt;span style=&quot;font-weight: bold;&quot;&gt;&lt;a style=&quot;color: rgb(0, 0, 153);&quot; href=&quot;http://medodeaviao.blogspot.com/&quot;&gt;Medo de Avião&lt;/a&gt; &lt;/span&gt;e&lt;span style=&quot;font-weight: bold;&quot;&gt; &lt;a style=&quot;color: rgb(0, 0, 153);&quot; href=&quot;http://dormentes.blogspot.com/&quot;&gt;Dormentes&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;.&lt;div class=&quot;blogger-post-footer&quot;&gt;Os textos publicados neste blogue estão protegidos pelas Leis de Direitos Autorais.&lt;/div&gt;</description><link>http://miranarede.blogspot.com/2009/11/cachorra-nao.html</link><author>noreply@blogger.com (ju rigoni)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://2.bp.blogspot.com/_-c3w51FHjO8/SvmT7TRNTEI/AAAAAAAABKY/61V2_K4R68g/s72-c/miniature-poodle-1a.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>1</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-27284148.post-7339230100113533471</guid><pubDate>Sat, 31 Oct 2009 19:56:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-10-31T18:36:20.298-02:00</atom:updated><title>Nunca aos Domingos...</title><description>&lt;a onblur=&quot;try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}&quot; href=&quot;http://3.bp.blogspot.com/_-c3w51FHjO8/SuyXGvGKr1I/AAAAAAAABJQ/vc4ERTFQkwc/s1600-h/elevador.jpg&quot;&gt;&lt;img style=&quot;cursor: pointer; width: 320px; height: 240px;&quot; src=&quot;http://3.bp.blogspot.com/_-c3w51FHjO8/SuyXGvGKr1I/AAAAAAAABJQ/vc4ERTFQkwc/s320/elevador.jpg&quot; alt=&quot;&quot; id=&quot;BLOGGER_PHOTO_ID_5398856195287723858&quot; border=&quot;0&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Mira e Chiquinha, sua &lt;span style=&quot;font-style: italic;&quot;&gt;poodle&lt;/span&gt;, estão de volta do passeio matinal. Entra no prédio onde mora com a irmã, cumprimenta o porteiro e o zelador, e aperta o botão para chamar o elevador.  Olha ao redor e pensa que só mesmo um domingo para usufruir dessa tranquilidade, desse silêncio... Durante a semana é um verdadeiro entra-e-sai nos elevadores, - o som da campainha dos interfones deixando sêo Severino, o porteiro, completamente enlouquecido. Sem falar no &lt;span style=&quot;font-style: italic;&quot;&gt;zum-zum&lt;/span&gt; das crianças, andando de bicicleta pelo condomínio, brincando, pulando, gritando e, às vezes, saindo até no tapa.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Mira entra com Chiquinha no elevador e aperta o botão do décimo-primeiro andar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1º, 2º, 3º...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Mira está pensando em como vai ser bom refrescar-se sob o chuveiro. &quot;Eita, calor da mulesta!&quot; Chiquinha, como de hábito, está fuçando tudo, tentando quem sabe, identificar o cheiro do Ed Mota, - o macho cor de mel do 602, por quem ela anda apaixonada.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;4º, 5º... VVRRRRRRRRRUMMM!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Num tranco assustador, o elevador trava entre o quinto e o sexto andar. Mira mete o dedo no botão de alarme. Chiquinha se assusta e começa a latir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;- Calma, meu bijuzinho Já-já o sêo Zé vem tirar a gente daqui...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Realmente, em alguns minutos Mira ouve a voz do zelador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tem alguém aí?...&lt;br /&gt;- É claro né, sêo Zé! Esse alarme ainda não toca sozinho...&lt;br /&gt;- É a senhora, dona Mira?&lt;br /&gt;- Não, sêo Zé. É a sua mãe!&lt;br /&gt;- O quê que a senhora qué, dona Mira?&lt;br /&gt;- Que pergunta! Quero sair daqui imediatamente.&lt;br /&gt;- E como é que eu vou tirar a senhora daí? Num sei como se faz isso, não senhora...&lt;br /&gt;- Então, chama o sêo Severino...&lt;br /&gt;- Ele também num sabe, não...&lt;br /&gt;- Santa incompetência! Um zelador, um porteiro, e é como se ninguém houvesse... Então, mexa-se! O senhor não tá pensando que eu e a Chiquinha vamos passar o resto dos nossos dias aqui dentro, né? Vai lá no apartamento do síndico. Pede prá ele vir rapidinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tá! Tô ino...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chiquinha continua a latir. Mira já está andando de um lado para o outro, sacudindo os braços como faz sempre que fica nervosa. &quot;Ô meu Deus, bem que a Beta diz pra eu não sair de casa sem o celular... Sêo Zé é uma toupeira. Só quero saber quando é que a gente vai conseguir sair deste elevador...&quot;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem bem terminara o pensamento e ouve novamente a voz do zelador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Dona Mira?&lt;br /&gt;- Que foi, sêo Zé? Já vão nos tirar daqui?&lt;br /&gt;- O síndico num tá em casa não, dona Mira.&lt;br /&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;- Ai, meu jesus cristinho! Faça alguma coisa, sêo Zé! Será possível que o senhor não tenha a menor idéia de como nos livrar desta situação?!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;- Sei não, dona Mira.&lt;br /&gt;- Pode ser que a Beta já tenha chegado em casa. Vá até lá e peça pra ela vir aqui.&lt;br /&gt;- Beta? Que Beta, dona Mira?&lt;br /&gt;- Putz! A Roberta, minha irmã, sêo Zé!&lt;br /&gt;- Ah, a dona Roberta!&lt;br /&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;- E não demora não, sêo Zé. A Chiquinha já tá surtando aqui dentro. Ela sofre de claustrofobia...&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;- Caus... o quê, dona Mira?&lt;br /&gt;- Ah, deixa prá lá! Vá buscar a Beta.&lt;br /&gt;- Beta???&lt;br /&gt;- A MINHA IRMÃ, SÊO ZÉ!!!&lt;br /&gt;- Ah, é... A dona Roberta. Tô ino...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Chiquinha cansou de latir e agora está meio jururu, encolhidinha num dos cantos do elevador.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;- Que foi, meu bijuzinho? Tá tristinha, tá? Fica calminha que a titia já tá vindo aí pra libertar a gente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma criança no andar imediatamente acima de onde o elevador encalhou percebe o movimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tem alguém preso aí?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mira reconhece a voz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Marquinhos?...&lt;br /&gt;- Tia Mira? É a senhora?...&lt;br /&gt;- Ô meu rei! Sou eu, sim. Sua mãe está em casa?&lt;br /&gt;- Tá não, tia Mira. Mamãe saiu.&lt;br /&gt;- Marquinhos, por favor, dá um pulinho lá em casa e pede a Beta prá vir até aqui. Eu pedi ao sêo Zé pra fazer isso, mas ele foi e ficou.&lt;br /&gt;- Pode deixar, tia Mira. Eu vou buscar a tia Beta.&lt;br /&gt;- Vapt-vupt, hein Marquinhos? Que eu já não estou aguentando mais...&lt;br /&gt;- Tá legal! Vou lá...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto espera, Mira pensa que nunca mais sai de casa aos domingos. &quot;Diacho! Parece até que o prédio foi evacuado. Eu, Chiquinha, uma criança, Sêo Severino e... Sêo Zé. Eu mereço!&quot;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Dona Mira?...&lt;br /&gt;- Cadê a Beta, sêo Zé?&lt;br /&gt;- Que Beta???&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mira ia desabafar num palavrão quando ouve a voz de Marquinhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tia Roberta não está lá, não!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;- Marquinhos, vai até a sua casa e liga para o corpo de bombeiros. Explica que tem duas pessoas presas no elevador e que uma delas tem fobia a ambientes fechados; que o síndico não está no prédio, e o zelador, além de ter medo de entrar no elevador, não sabe como fazer para nos tirar daqui e...&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;- Nooossa, tia Mira! Eu tenho que dizer isso tudo mesmo?...&lt;br /&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;- Arre! Não, não, Marquinhos. É que eu estou nervosa. Só diz que tem duas pessoas presas no elevador, e prá eles virem bem rápido.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;- Ih! Eu pensei que só a senhora e a Chiquinha estivessem aí. Tem outra pessoa, é?...&lt;br /&gt;- Ah, Marquinhos, esquece isto! Vai lá ligar. Rápido, hein...&lt;br /&gt;- Já vou!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem bem Marquinhos sai, Mira ouve novamente a voz do zelador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Dona Mira?...&lt;br /&gt;- Diga, sêo Zé?&lt;br /&gt;- A senhora não vai dar queixa de mim para o síndico não, né? Ele me manda embora daqui com a minha família...&lt;br /&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;- Não vou dar não. Mas deveria. O senhor tem que me prometer que vai parar com esse medo bôbo de elevador. E vai também procurar saber que providências tomar caso alguém venha a ficar preso aqui novamente.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;- Tá, eu prometo, dona Mira.&lt;br /&gt;- Então ficamos combinados assim. Agora, vai lá prá baixo e avisa ao sêo Severino prá trazer os bombeiros aqui assim que chegarem.&lt;br /&gt;- Brigado, dona Mira!&lt;br /&gt;- Vai, vai sêo Zé! Vai, que daqui a pouco eles estão chegando aí.&lt;br /&gt;- Tá! To ino...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Roberta levou um susto ao dobrar a esquina da Otávio Carneiro com Tavares de Macedo e deparar-se com o carro do corpo de bombeiros parado em frente ao seu prédio. Os curiosos espremiam-se junto a grade que separava jardins e calçada da rua. Roberta apertou o passo, - o coração aos pulos. Encontrou sêo Zé e sêo Severino na portaria.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;- Meu Deus, o que houve?&lt;br /&gt;- Foi a dona Mira que...&lt;br /&gt;- ... a Mira tá bem? Ela botou fogo no apartamento, foi?...&lt;br /&gt;- Não, dona Roberta! Ela tá presa no elevador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Roberta respirou aliviada. Sendo a Mira quem é, ficar presa no elevador é o menor dos problemas... é uma bênção dos céus...&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-weight: bold;&quot;&gt;&lt;br /&gt;ju rigoni&lt;span style=&quot;font-style: italic;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style=&quot;font-size:85%;&quot;&gt;Foto obtida &lt;a href=&quot;http://fotolog.alt1040.com/fotos/elevador.jpg&quot;&gt;&lt;span style=&quot;color: rgb(51, 204, 0);&quot;&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style=&quot;color: rgb(204, 0, 0);&quot;&gt;AQUI&lt;/span&gt;.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;;font-family:georgia;font-size:100%;&quot;  &gt;Visite também  &lt;a href=&quot;http://rigoni.wordpress.com/&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-weight: bold; color: rgb(204, 0, 0);&quot;&gt;Fundo de Mim (no wp)&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;,  &lt;a href=&quot;http://jurigoni.blogspot.com/&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-weight: bold; color: rgb(204, 0, 0);&quot;&gt;Fundo de Mim II&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;color: rgb(204, 0, 0);&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/a&gt; e  &lt;a href=&quot;http://dormentes.blogspot.com/&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-weight: bold; color: rgb(204, 0, 0);&quot;&gt;Dormentes&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;div class=&quot;blogger-post-footer&quot;&gt;Os textos publicados neste blogue estão protegidos pelas Leis de Direitos Autorais.&lt;/div&gt;</description><link>http://miranarede.blogspot.com/2009/10/nunca-aos-domingos.html</link><author>noreply@blogger.com (ju rigoni)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://3.bp.blogspot.com/_-c3w51FHjO8/SuyXGvGKr1I/AAAAAAAABJQ/vc4ERTFQkwc/s72-c/elevador.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>1</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-27284148.post-3942420451092403108</guid><pubDate>Thu, 22 Oct 2009 14:53:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-10-22T15:17:39.280-02:00</atom:updated><title>&quot;Ais&quot; do Volante...</title><description>&lt;a onblur=&quot;try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}&quot; href=&quot;http://2.bp.blogspot.com/_-c3w51FHjO8/SuB2vKtzI2I/AAAAAAAABIE/9zo36_OA4X0/s1600-h/mulher-volante-blog-interna1.jpg&quot;&gt;&lt;img style=&quot;cursor: pointer; width: 300px; height: 304px;&quot; src=&quot;http://2.bp.blogspot.com/_-c3w51FHjO8/SuB2vKtzI2I/AAAAAAAABIE/9zo36_OA4X0/s320/mulher-volante-blog-interna1.jpg&quot; alt=&quot;&quot; id=&quot;BLOGGER_PHOTO_ID_5395442906292233058&quot; border=&quot;0&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Mira tinha acabado de receber a participação de lucros da empresa onde trabalhava e não sabia o que fazer com o dinheiro. Resolveu comprar um automóvel. Porém, não tinha carteira de habilitação. Por isso, começou a frequentar a auto-escola do bairro. Tentou várias vezes e, finalmente, no quinto teste foi aprovada e conseguiu a sua carta de motorista.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Três semanas depois, foi buscar o carro que havia comprado. Estava na TPM, mas a alegria de ter em mãos o novo brinquedo, aparentemente, lhe inspirava calma. Conduziu muito bem o veículo e chegou feliz ao prédio onde morava. Aqui, é preciso uma pausa para descrever as possibilidades de aventuras nas quais Mira estava prestes a mergulhar.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;A tal garagem era peculiar: entrada  estreitíssima, logo após o grande portão, havia uma descida vertiginosa, - parecia pista de &lt;span style=&quot;font-style: italic;&quot;&gt;skate&lt;/span&gt;. Ao entrar, era necessário muita atenção, porque assim que terminava a rampa, havia uma curva que exigia cuidado no acesso a cada uma das vagas. Alguns moradores do prédio guardavam suas motos e bicicletas  junto às colunas desses nichos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Mira atrapalhou-se toda... Na estréia catastrófica, pegou de jeito a bicicleta da mulher do 701. Foi literalmente um choque! Ela não havia pensado que alguma coisa assim pudesse acontecer, e logo no primeiro dia! Fazer o quê? Foi lá, pediu desculpas à vizinha e colocou a bicicleta, - completamente destruída -, no conserto. Em seguida, foi ao apartamento do síndico para responsabilizar-se pelas obras que deveriam ser feitas para reparar o estrago na garagem.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Estava tão traumatizada com o ocorrido que desfez-se do carro. A opção agora seria a carona do namorado, da irmã, Roberta, dos amigos, ou um taxi.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Mês e meio depois do acidente, Mira devolveu à mulher do 701 a bicicleta novinha: linda, tinindo, mais bonita do que antes.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;O tempo passou. Mira frequentou um psicólogo, distraiu-se com outras coisas e, um belo dia, decidiu fazer mais algumas aulas na auto-escola pois, segundo ela, &quot;já estava na hora de voltar a dirigir, ganhar mais independência.&quot;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Certa tarde, ignorando os apelos de Roberta, que ainda não a julgava pronta para enfrentar o volante, tomou-lhe a chave do carro e desceu para a garagem.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Olhou satisfeita o possante da irmã, que partilharia com ela esta hora que finalmente chegara. Conseguiu tirar direitinho o carro da vaga. Passeou com ele na avenida à beira-mar, visitou amigos, fez compras, - e saiu-se muito bem na garagem do &lt;span style=&quot;font-style: italic;&quot;&gt;shopping&lt;/span&gt;. À noitinha, voltou para casa tão feliz... Na entrada do prédio, acionou o controle remoto para abrir o portão e descer a rampa em direção à sua vaga. Mas, sim,... havia alguma coisa &quot;no meio do caminho&quot; e... CRASH!!!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;Lá se foi a Mira, - mancando de uma perna, testa machucada, braço quebrado -, levar a bicicleta da mulher do 701 para consertar. Foi e voltou de taxi, é claro!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style=&quot;text-align: justify;&quot;&gt;O que restava do carro de Roberta foi anunciado na seção &quot;ferro velho&quot; dos classificados de um jornal local. Depois de consertar duas vezes a mesma bicicleta, pagar duas vezes a obra na garagem, e ajudar a irmã a comprar outro carro, a família e os amigos tranquilizaram-se, pois certamente Mira, tão cedo, não retornaria às emoções ao volante.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Na semana seguinte, ela apareceu no prédio com uma moto. Setecentos e cinquenta cilindradas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;ju rigoni&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Visite também &lt;a href=&quot;http://rigoni.wordpress.com/&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-weight: bold;&quot;&gt;Fundo de Mim&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;, &lt;a href=&quot;http://jurigoni.blogspot.com/&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-weight: bold;&quot;&gt;Fundo de Mim II&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; e &lt;a href=&quot;http://dormentes.blogspot.com/&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-weight: bold;&quot;&gt;Dormentes&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;.&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class=&quot;blogger-post-footer&quot;&gt;Os textos publicados neste blogue estão protegidos pelas Leis de Direitos Autorais.&lt;/div&gt;</description><link>http://miranarede.blogspot.com/2009/10/ais-do-volante.html</link><author>noreply@blogger.com (ju rigoni)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://2.bp.blogspot.com/_-c3w51FHjO8/SuB2vKtzI2I/AAAAAAAABIE/9zo36_OA4X0/s72-c/mulher-volante-blog-interna1.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>1</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-27284148.post-8919999619150118560</guid><pubDate>Sat, 26 Sep 2009 21:55:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-09-26T19:16:15.958-03:00</atom:updated><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Casos</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Comportamento</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Contos</category><category domain="http://www.blogger.com/atom/ns#">Zoológico Doméstico</category><title>Um Zôo Nem Tão Lógico Assim...</title><description>&lt;a href=&quot;http://photos1.blogger.com/blogger/5071/2108/1600/Cesto1.jpg&quot;&gt;&lt;img style=&quot;&quot; alt=&quot;&quot; src=&quot;http://photos1.blogger.com/blogger/5071/2108/320/Cesto1.jpg&quot; border=&quot;0&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mira não desgosta de animais. Prefere-os em seu &lt;span style=&quot;font-style: italic;&quot;&gt;habitat&lt;/span&gt; natural. O único bichinho de estimação que teve até hoje, além dos miquinhos, tartarugas e hamsters que simplesmente apareceram em seu sítio, foi a Chiquinha, a &lt;span style=&quot;font-style: italic;&quot;&gt;poodle&lt;/span&gt; histérica. Seu irmão, não. Desde criança, o negócio dele era trazer todo bicho que encontrava na rua para casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando ela tinha quatorze anos, era obrigada a dividir o jardim e o quintal de casa com dois cães, um gato, três porquinhos da índia, dois passarinhos, peixinhos no lago, uma tartaruga, um papagaio, um casal de coelhos de olhos bem vermelhinhos, e um sapo que o irmão afirmava ser da espécie dendrobata. Imagine! Se era, ou não, Mira nunca soube dizer, mas era um sapão bem feio...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entrar e sair de casa era para ela um desafio. Um evento! Sempre tinha que olhar muito bem onde pisava. Durante as visitas, seu avô, que andava se arrastando apoiado numa bengala, já havia tropeçado umas três vezes na tartaruga. A avó quase pisou no sapo, e o susto foi tão grande que a pressão explodiu. Mas isso não era tudo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Havia todo aquele cocô... Mal o jardineiro acabava de limpar, e pimba! lá estavam eles de novo enfeitando o gramado. Cocô para todos os gostos. Cocô grande, cocô médio, cocô pequeno, cocô miudinho... Era uma merda! Literalmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Altino era o caçula de cinco irmãos, - o xodó da casa. Eram para ele todos os mimos, todas as vontades satisfeitas. Era de dar náuseas... Às vezes, ela reclamava. Mas entrava por um ouvido e saía pelo outro; quando seu irmão veio ao mundo, com toda certeza nascera o homem da vida da sua mãe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia, chegou em casa e encontrou a mãe e o irmão confabulando em voz muito baixa. Não deu atenção, foi para o quarto cuidar das suas tarefas escolares. A tarde transcorreu em meio a algazarra da bicharada, e lá pelas 19 horas saiu do quarto para fazer um lanche. Da cozinha, percebeu que na área de serviço estava um cesto de palha, alto e bonito. Acreditou que a mãe o havia adquirido numa feira que acontecia perto de casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhou, mas não xeretou. Lanchou, voltou para o quarto, e sentou-se para ler.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por volta das 22 horas julgou ter ouvido um gritinho da secretária doméstica. Mas, como ela era meio doidinha ignorou. &quot;Lá está ela dando outro daqueles ataques do nada...&quot; Ouviu, em seguida, algumas vozes alteradas, mas não se incomodou. Aquilo era uma casa de doido mesmo e ir até lá para saber o que estava acontecendo não iria mudar em absolutamente nada tal condição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às seis horas da manhã o despertador tocou. Estava vestindo seu uniforme quando novamente ouviu o gritinho da Aretusa. &quot;Diacho! - pensou - Já de manhã?...&quot; E abriu a porta do quarto para ir até à cozinha. Não foi. Levou o maior susto da sua vida. Aretusa estava caída no chão, completamente apagada, e sobre ela passeava uma cobra enoooorme, goooorda, argh! blergh!, fedoreenta, horroroooosa. Demorou um pouco para vencer a paralisia que a visão provocara. Quando conseguiu dar um passo atrás e fechar a porta do quarto parecia que o coração ia saltar pela boca. E aí, gritou... Gritou como jamais havia gritado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mãe e o irmão batiam à porta de tal modo que poderiam tê-la derrubado. Estava trancada e só de pensar em abri-la ela tremia inteira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que está acontecendo, Mirinha? Abra esta porta!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tira essa cobra daí! Vocês estão completamente doidos. Num hospício, as pessoas são mais normais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o irmão:&lt;br /&gt;- Deixa de ser histérica! É só uma jibóia. Não é cobra venenosa, não...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a mãe:&lt;br /&gt;- Então, meu bem... Ela é tão mansinha!...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Isto quer dizer o quê, mainha? Que a senhora vai permitir essa coisa rastejante aqui dentro de casa?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Claro que não, Mirinha! Ela vai ficar lá no quintal, num viveiro que o seu irmão vai construir para ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- AAAAhhhh! Não. De jeito nenhum, mainha. Se essa coisa fica, eu saio de casa. Vou morar com a vó. A Beta não vai acreditar quando eu ligar contando esta história... E se Beta estivesse aqui em casa ela não iria permitir que a senhora deixasse Altino trazer essa coisa pra casa..&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ô desmancha-prazeres, você precisa mesmo é de uma outra &quot;cobra&quot; pra largar de histeria...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vixe! Como você é grosso!... Tem que viver entre os irracionais mesmo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ó xente, parem de discutir!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Escute: vocês não vão socorrer a Aretusa, não? Ela vai esticar as canelas se acordar e este bicho ainda estiver aí em cima dela...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Afe! E num é que é mesmo?! Vamos tirar ela dái. Coitada da &quot;cobrinha&quot;. Deve estar assustada... Estressada com essa confusão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mãe e o irmão cessaram a discussão com Mira e trataram de socorrer a moça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto isso, Mira saiu pela janela e ganhou a rua. Ia pedir abrigo em casa dos avós. Lá fora, estavam todos os vizinhos querendo saber o motivo de tanta gritaria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É claro que a jibóiona fedorenta não conseguiu abrigo no solar dos Ramalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-weight: bold;&quot;&gt;ju rigoni&lt;span style=&quot;font-style: italic;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Visite também&lt;span style=&quot;font-weight: bold;&quot;&gt; &lt;a href=&quot;http://rigoni.wordpress.com&quot;&gt;Fundo de Mim&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;, &lt;span style=&quot;font-weight: bold;&quot;&gt; &lt;a href=&quot;http://jurigoni.blogspot.com/&quot;&gt;Fundo de Mim II&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;, &lt;span style=&quot;font-weight: bold;&quot;&gt; &lt;a href=&quot;http://dormentes.blogspot.com/&quot;&gt;Dormentes&lt;/a&gt; &lt;/span&gt; e  &lt;a href=&quot;http://medodeaviao.blogspot.com/&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-weight: bold;&quot;&gt;Medo de Avião&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;.&lt;strong&gt;&lt;span style=&quot;font-size:130%;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;http://rigoni.wordpress.com/&quot;&gt;&lt;span style=&quot;color: rgb(0, 0, 0);&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class=&quot;blogger-post-footer&quot;&gt;Os textos publicados neste blogue estão protegidos pelas Leis de Direitos Autorais.&lt;/div&gt;</description><link>http://miranarede.blogspot.com/2009/09/um-zoo-nem-tao-logico-assim.html</link><author>noreply@blogger.com (ju rigoni)</author><thr:total>1</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-27284148.post-7210859220076469689</guid><pubDate>Sat, 05 Sep 2009 19:39:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-09-05T16:55:49.524-03:00</atom:updated><title>A Saga da Escova Progressiva</title><description>&lt;a onblur=&quot;try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}&quot; href=&quot;http://2.bp.blogspot.com/_-c3w51FHjO8/SqK-x78-ZBI/AAAAAAAABDQ/el8G_AXFIF8/s1600-h/eprogressiva.jpg&quot;&gt;&lt;img style=&quot;cursor: pointer; width: 249px; height: 250px;&quot; src=&quot;http://2.bp.blogspot.com/_-c3w51FHjO8/SqK-x78-ZBI/AAAAAAAABDQ/el8G_AXFIF8/s400/eprogressiva.jpg&quot; alt=&quot;&quot; id=&quot;BLOGGER_PHOTO_ID_5378070670150099986&quot; border=&quot;0&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Arre égua! Eu não vou a festa do João com este cabelo nem que a vaca tussa...&lt;br /&gt;- Marca com o Robert. Ele vai dar um jeito nisso...&lt;br /&gt;- Tô de saco cheio deste cabelo. Mais parece uma palha escura... Quando está molhado fica uma beleza. Aí, começa a secar, e vai subindo, subindo... Se me derem uma vassoura eu saio voando...&lt;br /&gt;- Aaaah! Você é uma exagerada! Ninguém bota reparo nisso...&lt;br /&gt;- Quer saber?... Vou fazer essa tal de escova progressiva.&lt;br /&gt;- Ah, meu padim padi Ciço! Não inventa, Mira! Da última vez que você colocou uma dessas químicas no cabelo quase ficou careca, lembra? Eu não esqueci não. Fiquei sem trabalhar uma semana cuidando da madame...&lt;br /&gt;- Ih, Beta, lá vem você...&lt;br /&gt;- Ih, Beta, uma ova! Sempre sobra pra mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, com a Mira não adianta. Já estava procurando o caderninho de endereços. Ligou para o salão de beleza e agendou uma consulta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Realmente, seu cabelo está precisando ser domado.&lt;br /&gt;- Isto mesmo, domado! Este meu cabelo é uma fera. Selvagem. Perigosa. Quando penso que ele está de um jeito, descubro que está de outro, completamente diferente. Tem vida própria. Faça eu o que fizer, ele não está nem aí...&lt;br /&gt;- Mira, você é uma figura!&lt;br /&gt;- Por estas e outras, eu quero que você me faça uma dessas tais escovas progressivas. Pode ser?&lt;br /&gt;- Claro! A gente faz primeiro um teste para saber se o seu organismo vai reagir à química. Eu coloco um pouco do produto atrás da sua orelha e um outro tanto debaixo do braço, junto da axila. Esperamos 24 horas. Se não houver reação fazemos a escova, combinado?&lt;br /&gt;- Combinadíssimo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Robert aplicou cuidadosamente o teste do produto e ficaram de se falar ao telefone assim que as tais 24 horas se completassem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mira saiu do cabeleireiro com a cabeça cheia de planos. Com um cabelo lisinho, baixinho, tudo ia ser diferente. Havia a promessa de entrar e sair da água do mar ou da piscina sem aquela preocupação de ficar aplicando toneladas de cremes para que, sob o sol intenso, o cabelo se mantivesse com a aparência de molhado que tanto lhe favorecia. E também o conforto de, pela manhã, ter apenas que passar um pente ou escova e nada mais; estava pronta para sair. Nada de gel ou mousse. Nunca mais a necessidade de arcos, menudinhos, elásticos, faixas ou lenços para deixar à mostra a beleza dos traços da mulher nordestina, tão evidentes no rosto de Mira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava assim pensando, - em êxtase com a possibilidade de madeixas nipônicas -, quando lembrou-se que a despensa estava vazia e embicou para o supermercado mais próximo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já de carrinho cheio, passou de nariz em pé pela prateleira de cremes rinses, alisantes, cremes para pentear, pomadas para cabelos volumosos, e tais... Finalmente ia se ver livre daquele tormento. A indústria de cosméticos para cabelos de bruxa ia, finalmente, perder uma das suas mais ávidas consumidoras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em casa, Beta também encontrava vantagens nessa empreitada da irmã. Se tudo corresse bem, o banheiro ficaria livre dos cerca de cinquenta produtos para cabelo que Mira mantinha sobre a larga bancada da pia. O armário também ficaria agradecido já que Mira ocupava duas gavetas só com adornos para segurar o cabelo. E havia também as toucas especiais de massagem e as tais pranchas alisadoras - que a Mira nunca se contentava com uma só.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Beta já estava arquitetando uma nova arrumação para o banheiro e para os armários quando o telefone tocou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É da casa de dona Mira Ramalho?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O coração de Beta mudou de compasso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É, sim senhor.&lt;br /&gt;- Eu poderia falar com a irmã dela?&lt;br /&gt;- Sou eu, - o que há?...&lt;br /&gt;- Senhora, eu estou ligando para avisar que a sua irmã está internada aqui na emergência do Hospital Universitário Antonio Pedro.&lt;br /&gt;- Meu padim padi Ciço!!! O que aconteceu com ela?&lt;br /&gt;- Parece que trata-se de uma reação alérgica... A senhora pode ter maiores informações vindo até aqui para conversar com o médico.&lt;br /&gt;- Diga, por favor, a ela que eu já estou indo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Beta encontrou Mira deitada de lado com parte do rosto e o braço totalmente deformados.&lt;br /&gt;- É Beta... Fala pro João que, este ano, ele vai passar o aniversário sem a minha presença.&lt;br /&gt;- Como é que você está se sentindo, minha irmã?&lt;br /&gt;- Como se tivesse sido picada pelo mosquito da elefantíase. E o pior é que o médico nem sabe me dizer em quantos dias eu vou voltar ao normal...&lt;br /&gt;- Mas, o que é que aconteceu? Seu cabelo está do mesmo jeito! Você nem fez a tal escova...&lt;br /&gt;- Foi só um pouquinho do produto que o Robert aplicou, a título de teste, atrás da minha orelha e debaixo do meu braço. Imagine se tivesse aplicado no cabelo todo...&lt;br /&gt;- Valha-me Deus! É, minha irmã... Esse tal alisamento não é pra você. Mas eu já lhe disse mais de uma vez que o seu cabelo não é esse terror todo que você prega... Cabelos ondulados também são bonitos. Por que é que agora toda mulher tem que ser loura e ter cabelos lisos, escorridos?...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a Mira, amuada:&lt;br /&gt;- Não fala mais nada não Beta, que a emenda pode ser pior que o soneto. De mais a mais, diante das circunstâncias, eu já me conformei com a minha &quot;escova regressiva&quot;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-weight: bold; font-style: italic;&quot;&gt;ju rigoni&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Visite também &lt;a href=&quot;http://rigoni.wordpress.com/&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-weight: bold;&quot;&gt;Fundo de Mim&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;,  &lt;a href=&quot;http://jurigoni.blogspot.com/&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-weight: bold;&quot;&gt;Fundo de Mim II&lt;/span&gt; &lt;/a&gt; e  &lt;a href=&quot;http://medodeaviao.blogspot.com/&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-weight: bold;&quot;&gt;Medo de Avião&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;.&lt;div class=&quot;blogger-post-footer&quot;&gt;Os textos publicados neste blogue estão protegidos pelas Leis de Direitos Autorais.&lt;/div&gt;</description><link>http://miranarede.blogspot.com/2009/09/saga-da-escova-progressiva.html</link><author>noreply@blogger.com (ju rigoni)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://2.bp.blogspot.com/_-c3w51FHjO8/SqK-x78-ZBI/AAAAAAAABDQ/el8G_AXFIF8/s72-c/eprogressiva.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>1</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-27284148.post-1632115412839708611</guid><pubDate>Wed, 12 Aug 2009 23:15:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-08-12T20:36:46.277-03:00</atom:updated><title>O Travesseiro</title><description>&lt;a href=&quot;http://4.bp.blogspot.com/_-c3w51FHjO8/SoNNMcZlggI/AAAAAAAAA44/_zLMYdJGXiE/s1600-h/travesseiro.jpg&quot;&gt;&lt;img id=&quot;BLOGGER_PHOTO_ID_5369220056933040642&quot; style=&quot;WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 200px&quot; alt=&quot;&quot; src=&quot;http://4.bp.blogspot.com/_-c3w51FHjO8/SoNNMcZlggI/AAAAAAAAA44/_zLMYdJGXiE/s400/travesseiro.jpg&quot; border=&quot;0&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family:arial;font-size:130%;&quot;&gt;Estávamos nos preparando para ir a Angra dos Reis passar um fim-de-semana em casa de um amigo. E, claro!, Mira ia conosco. Mira é aquele tipo de pessoa que, quando sai para dormir fora, ainda que seja uma única noite, leva bagagem para um mês. Leva bagagem, não. Leva a casa nas costas. Leva copo, prato, talheres, guarda-chuva, os lençóis preferidos, roupas e calçados para as quatro estações do ano, o biscoito predileto, o pão de forma sem casca (&quot;é que lá pode não ter!&quot;), água mineral, travesseiro, e só não leva Chiquinha, a pequena &lt;em&gt;poodle,&lt;/em&gt; porque, depois de enfrentar inúmeros episódios perfeitamente dispensáveis, a gente não deixa mais. Mas ela bem que tenta...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, você já deve ter percebido que, por conta disso, a confusão sempre começa na hora de acomodar as malas nos carros. É uma briga danada! Sempre. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family:arial;font-size:130%;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family:arial;font-size:130%;&quot;&gt;- Por que você traz tanta tralha, Mira? Você não vai usar um terço disso aí, - tem sempre alguém reclamando. E ela, irredutível, não desiste de nada. Quando o &quot;comboio&quot; finalmente sai a bagagem de Mira está dividida entre todos os carros, - todo mundo apertadinho mas feliz, porque levar Mira é diversão extra garantida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São 7 horas da manhã quando saímos de Niterói. Como sempre, vamos parando pelo caminho. Pro xixi, prá gasolina, prá admirar a paisagem, pro almoço... Em algum momento, na estrada, Mira sente sono. Consegue encontrar e puxar o seu travesseirinho, (parece um travesseiro de criança!), e ajeitá-lo entre o rosto e o vidro da janela do carro prá tirar um cochilo. Umas dez paradas depois, já ao cair da tarde, finalmente chegamos a Angra. O dono da casa faz-nos entrar, sugerindo que tiremos as malas dos carros mais tarde, já que a espaçosa garagem é capaz de guardar todos eles. Idéia aceita, passamos a curtir sua linda casa, de vista paradisíaca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rimos, brincamos, jogamos sinuca, &lt;em&gt;war&lt;/em&gt;, pingue-pongue. Bebemos, dançamos e, lá pelas tantas, alguém lembra que &quot;é melhor descarregar os carros antes que todo mundo fique grogue...&quot; É o que fazemos. Em seguida, saímos para jantar e dar uma volta pela cidade. Ao retornarmos, sentamo-nos todos ao chão conversando, contando piadas, lembrando as histórias que já tínhamos vivido com a Mira, enfim, rindo, rindo e rindo, - que não há nada mais gostoso para um grupo de amigos do que rir juntos. Mais tarde, sonolentos, um a um, tratamos de nos recolher para arrumar as camas e descansar. Mira é uma das últimas a se retirar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Havia saído da sala não havia dez minutos e volta esbaforida: &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style=&quot;font-size:130%;&quot;&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-family:arial;&quot;&gt;- Vocês &#39;tão de sacanagem comigo. Cadê o meu travesseiro? &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-family:arial;&quot;&gt;E como todo mundo jura que não sabe, começa a andar prá lá e prá cá a resmungar, como sempre faz quando fica nervosa. Resmungar em voz alta. Muito alta. Tão alta que, os que já haviam se recolhido para dormir estão, pouco a pouco, retornando a sala, fato que acaba por nos reunir novamente. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-family:arial;&quot;&gt;- Mira, você não está em sua casa. Reclama mais baixo, pô! &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-family:arial;&quot;&gt;Mas ela já está desesperada. Lembro-me que a última vez em que pus os olhos em seu travesseiro foi dentro do carro, durante a viagem, quando dormitava com a cabeça sobre ele. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-family:arial;&quot;&gt;- Eu não sei dormir sem o meu travesseirinho. E agora? Como é que eu vou fazer?...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-family:arial;&quot;&gt;Em minutos todos estão envolvidos na busca ao travesseiro perdido. Procuramos nos carros, em todos os cômodos da casa, nas tralhas que Mira havia trazido, no jardim, na rua, - junto ao portão de entrada da casa... e nada!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todo mundo cansado, morto de sono e, de repente, a Mira atravessa a sala para pedir um dos carros emprestado. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-family:arial;&quot;&gt;- Vai aonde a uma hora dessas?... &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family:arial;&quot;&gt;- Olha, eu pensei direitinho e acho que posso ter deixado o travesseiro cair no chão do posto de gasolina, na hora que eu saltei do carro prá fazer xixi. Vou dar um pulinho lá, prá ver se encontro o &quot;bichinho&quot;.&lt;br /&gt;- Brincadeirinha, né? Você não vai sair daqui prá ir a um posto de gasolina no meio da estrada e da madrugada, em busca de um travesseiro!?...&lt;br /&gt;- Vou sim! Como é que eu vou dormir sem ele?... &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-family:arial;&quot;&gt;Ninguém acha engraçado, porque quando a Mira diz que vai, vai mesmo. E, é claro, que não vamos deixá-la dirigir sozinha até um posto de gasolina, no meio da estrada Angra-Rio, naquela altura do campeonato. Fazer o quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levamos cerca de 40 minutos para chegar ao tal posto.&lt;br /&gt;O frentista parecia não acreditar no que estava ouvindo:&lt;br /&gt;- O senhor sabe se alguém encontrou um travesseiro caído aqui pelo posto?...&lt;br /&gt;- ... um travesseiro??? Sei, não! Mas a senhora pode ir até ali (e apontou para a loja de conveniências) e perguntar... Quando a gente encontra alguma coisa perdida por aqui, a gente entrega lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Mira pro caixa da loja:&lt;br /&gt;- O senhor sabe se alguém entregou um travesseiro aqui, hoje?&lt;br /&gt;- ... travesseiro??? Travesseiro, não senhora.&lt;br /&gt;- Mas não é possível!... Eu tenho quase certeza de que deixei o travesseiro cair no chão do posto, hoje à tarde... &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-family:arial;&quot;&gt;E o caixa encerrando o papo:&lt;br /&gt;- Olha, tudo que as pessoas perdem ou esquecem no posto é trazido para cá. Eu acho que a senhora não esqueceu aqui não... &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-family:arial;&quot;&gt;Segue-se, então, uma das cenas mais insólitas já protagonizadas pela Mira. Ela saca da bolsa um bloquinho e anota os números do telefone de casa, do celular, do telefone da casa de nosso amigo em Angra, o endereço de sua própria casa e o e-mail. Depois destaca a folha, entrega-a ao caixa da loja, e pede, chorosa: &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-family:arial;&quot;&gt;- Olha, se o senhor souber de alguma coisa, por favor, tente me avisar num desses números. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-family:arial;&quot;&gt;O homem olhava o papel sem acreditar no que via:&lt;br /&gt;- Sim, senhora, pode deixar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltamos para a casa e, exaustos, vamos, finalmente, dormir. Nosso anfitrião, ainda meio atordoado, oferece à Mira vários travesseiros para ver se ela identifica entre eles, algum que lembre o desaparecido. Mira recusa todos. Fica lá, de mau-humor, andando de um lado para o outro, e fazendo sabe-se-lá-mais-o-quê, porque tratamos todos de cair na cama para dormir o sono dos justos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No final da manhã encontramos a Mira dormindo no sofá da sala. Sob a cabeça, seu insubstituível, tão amado e procuradíssimo travesseiro. Não conseguíamos imaginar de onde ele havia saído após toda aquela peregrinação... &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-family:arial;&quot;&gt;Mira acorda faminta. Enquanto serve-se de café, satisfaz nossa curiosidade:&lt;br /&gt;- O cara do posto ligou. O travesseiro, que deveria estar sob o balcão com os demais objetos perdidos, foi encontrado num outro cômodo da loja, que os funcionários usam como vestiário. Todo mundo já estava dormindo, chamei um taxi e fui até lá!&lt;br /&gt;-?!...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aaarrgh!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;ju rigoni&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Visite também &lt;strong&gt;&lt;a href=&quot;http://rigoni.wordpress.com/&quot;&gt;&lt;span style=&quot;color:#cc0000;&quot;&gt;Fundo de Mim&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;, &lt;strong&gt;&lt;a href=&quot;http://jurigoni.blogspot.com/&quot;&gt;&lt;span style=&quot;color:#cc0000;&quot;&gt;Fundo de Mim II&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;, &lt;strong&gt;&lt;a href=&quot;http://dormentes.blogspot.com/&quot;&gt;&lt;span style=&quot;color:#cc0000;&quot;&gt;Dormentes&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size:130%;&quot;&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class=&quot;blogger-post-footer&quot;&gt;Os textos publicados neste blogue estão protegidos pelas Leis de Direitos Autorais.&lt;/div&gt;</description><link>http://miranarede.blogspot.com/2009/08/o-travesseiro.html</link><author>noreply@blogger.com (ju rigoni)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://4.bp.blogspot.com/_-c3w51FHjO8/SoNNMcZlggI/AAAAAAAAA44/_zLMYdJGXiE/s72-c/travesseiro.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-27284148.post-774769192095249415</guid><pubDate>Mon, 03 Aug 2009 04:06:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-08-08T01:47:36.215-03:00</atom:updated><title>Presente de Grego</title><description>&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;a href=&quot;http://photos1.blogger.com/blogger/5071/2108/1600/hamsters.jpg&quot;&gt;&lt;img style=&quot;CURSOR: hand&quot; alt=&quot;&quot; src=&quot;http://photos1.blogger.com/blogger/5071/2108/400/hamsters.jpg&quot; border=&quot;0&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Feijoada.&lt;br /&gt;- Feijoada, Mira? Pega leve! Se fosse um churrasco, ou um pequeno &lt;em&gt;buffet&lt;/em&gt;, como fizemos no ano passado... Mas, feijoada?&lt;br /&gt;- É isso mesmo, Beta. Vou fazer uma feijoada pra comemorar meu aniversário. Tô afim... Posso?&lt;br /&gt;- Bem, não vai adiantar mesmo eu dizer qualquer coisa, né? Você já decidiu. Você é quem sabe, o aniversário é seu.&lt;br /&gt;- Então, tá fechado! Vai ser feijoada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os aniversários de Mira são sempre comemorados em sua casa de praia, que tem uma cara de sítio. Por isso, tudo acontece ao ar livre. Muito vinho, muita cerveja, muito violeiro, muita alegria que, afinal, é o aniversário da Mira, gente!&lt;br /&gt;Todos os anos, no dia anterior, ela e dona Elza, a &quot;secretária doméstica&quot; já estão lá, a preparar os comes, que os bebes vão chegando à medida em que chegam os convidados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como sempre, Mira e Beta estão animadíssimas para a festa, exceto por um detalhe. Estavam com um dos sobrinhos em casa. E o menino era bem sobrinho da Mira. Não era mole não!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As irmãs tinham na casa de praia alguns animaizinhos de pequeno porte como coelhos, &lt;em&gt;hamsters &lt;/em&gt;e porquinhos-da-índia, tartarugas, todos soltos, pela propriedade. O garoto botava a bicharada em polvorosa, o que deixava Mira enlouquecida. Vez por outra, estavam as duas esticadas na rede, sob as acácias, e lá vinha a bicharada correndo em disparada com o pestinha atrás, uma tartaruguinha debaixo de cada sovaco, morrendo de rir. &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;- Deixe os meus bichos em paz, ó peste!&lt;br /&gt;Beta, embora adore crianças e ame de paixão o sobrinho, sucumbia o tempo todo:&lt;br /&gt;- Esse garoto parece que tem o diabo no corpo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A preocupação com a presença de Albertinho justo na festa de aniversário de Mira enraizava-se na quantidade de vezes que ele já havia aprontado para as duas, de outras vezes que viera do nordeste para passar férias de verão ou feriados prolongados com as tias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só para ilustrar, certa ocasião, Mira, sabendo que o danadinho ia chegar e vendo sua mini plantação de tomates explodindo em frutos saudáveis e apetitosos, necessitando de apenas mais dois ou três dias para serem colhidos, juntou-se à Beta e dona Elza e passaram uma manhã ensacando os frutinhos nos pés, como a proteger-lhes de uma poderosa praga. Quando terminaram, os tomateiros mais pareciam instalação de bienal. &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;- Eu acho que assim é que vai chamar mais a atenção do Albertinho.&lt;br /&gt;- Deixa comigo, Beta, que eu vou contar uma história bem horripilante pra ele não passar nem perto.&lt;br /&gt;- Só quero ver... &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;Quando o menino chegou, - moreninho, olhos vivos, inquieto, as mãos sempre procurando o que segurar, explorar, destruir -, Mira levou-o até os tomateiros. &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;- Olha, meu querido, a tia só quer que você fique bem longe daqui, viu?&lt;br /&gt;- Que arvorezinhas engraçadas, tia...&lt;br /&gt;- Engraçadas e perigosíssimas...&lt;br /&gt;- Nasceram aí esses saquinhos, tia? Eu nunca vi um pé de pacotinhos...&lt;br /&gt;- É claro que não, Albertinho. Os frutos estão dentro dos pacotinhos, junto com umas coisinhas que eu e a tia Beta colocamos...&lt;br /&gt;- Foi o quê que as tias colocaram dentro?&lt;br /&gt;Mira, psicologia infantil de botequim:&lt;br /&gt;- Veneno. Poderoso! A tia teve que encher os tomatinhos de veneno pra ver se consegue exterminar os bichos que estavam comendo os frutos, e depois cobri-los com esses saquinhos.&lt;br /&gt;- Hummmmmm!&lt;br /&gt;- Você entendeu direitinho?&lt;br /&gt;- An-ran! -, fez o Albertinho, ar compenetradíssimo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dois dias depois, Mira e Beta foram até lá para, finalmente, colher os tomatinhos. Ao chegarem, Mira respirava aliviada. &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;- Viu? Deu certo. Tá tudo como nós deixamos.&lt;br /&gt;- Nossa! Inacreditável. &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;Dona Elza já chegava com um grande vasilhame e as moças se preparavam para colher as frutinhas. Qual não foi a surpresa ao soltarem os barbantinhos que amarravam aos galhos os pacotinhos... Eram só isto: pacotinhos. Não havia um único tomate para contar história. Beta não conseguia se conter e ria a mais não poder. Dona Elza disfarçava, mas também estava se divertindo. Só a Mira não relaxava de jeito nenhum. &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;- Que moleque danadinho! Eu vou dar uns piparotes nesse sem-vergonha...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A lembrança de travessuras como essa, infestava-lhes de pulgas as orelhas. Enfim, um ano se passara desde a última estripulia, e Albertinho, quem sabe, estaria mais amadurecido... &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;- Deus é grande! - sonhava Roberta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A festa foi aquele sucesso de sempre. Roberta contou cerca de 80 pessoas entre os amigos e os amigos dos amigos que sempre vinham a reboque. Os violeiros movidos à alcóol se revezando, tocando sem parar para um coro ébrios, vozes pastosas, nem sempre afinadas, mas ávidas pelas de canções do Chico, do Djavan, da Fátima Guedes, do Tom e do Vinícius, do Vandré, do sêo Adoniran, da Violeta Parra, - um êxtase interrompido apenas quando Albertinho passava correndo (por entre os convidados) com os ratos domésticos, os coelhos, a Chiquinha, as mulheres estranhas à casa a gritar de nervoso, e a tartaruga sempre ensovacada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu disse &quot;a tartaruga&quot;? Mas não eram duas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eram sim. A outra foi retirada de dentro de um dos panelões de feijoada, pretinha da silva, por uma amiga do João que viera junto, - lindos olhos azuis esbugalhados de susto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dois dias depois Mira &quot;deportou&quot; Albertinho com um bilhete para a irmã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Déia:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Estou pensando em conhecer a China nas próximas férias de verão. Nas de inverno, talvez, a Tailândia. Beta manda avisar que vai junto. Nossos feriados também estão todos comprometidos. Com o trabalho e pequenas viagens com a turma. Infelizmente não poderemos receber o Albertinho por um bom tempo. Beijos pra mãinha, maninho e você. Mira&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;ju rigoni&lt;/strong&gt; &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-size:85%;&quot;&gt;(foto obtida em &lt;a href=&quot;http://www.dlh.lahora.com.ec/&quot;&gt;&lt;span style=&quot;color:#990000;&quot;&gt;http://www.dlh.lahora.com.ec/&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style=&quot;color:#990000;&quot;&gt;)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;color:#990000;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Visite também &lt;strong&gt;&lt;a href=&quot;http://rigoni.wordpress.com/&quot;&gt;&lt;span style=&quot;color:#cc0000;&quot;&gt;Fundo de Mim&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;&lt;span style=&quot;color:#990000;&quot;&gt; &lt;/span&gt;e &lt;strong&gt;&lt;a href=&quot;http://jurigoni.blogspot.com/&quot;&gt;&lt;span style=&quot;color:#cc0000;&quot;&gt;Fundo de Mim II&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;. &lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;blogger-post-footer&quot;&gt;Os textos publicados neste blogue estão protegidos pelas Leis de Direitos Autorais.&lt;/div&gt;</description><link>http://miranarede.blogspot.com/2009/08/presente-de-grego.html</link><author>noreply@blogger.com (ju rigoni)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-27284148.post-562393302157751684</guid><pubDate>Wed, 15 Jul 2009 18:53:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-07-15T16:58:30.424-03:00</atom:updated><title>Emoções na Areia...</title><description>&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;a href=&quot;http://1.bp.blogspot.com/_-c3w51FHjO8/Sl4l-_xFfJI/AAAAAAAAApQ/gJlXjJWKuGc/s1600-h/MaricÃ¡+-+Mell.jpg&quot;&gt;&lt;img id=&quot;BLOGGER_PHOTO_ID_5358762370816900242&quot; style=&quot;WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px&quot; alt=&quot;&quot; src=&quot;http://1.bp.blogspot.com/_-c3w51FHjO8/Sl4l-_xFfJI/AAAAAAAAApQ/gJlXjJWKuGc/s400/Maric%C3%A1+-+Mell.jpg&quot; border=&quot;0&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O melhor das férias de Mira era aquela praia depois das três horas da tarde. Quilômetros e quilômetros de extensão, - areia limpa, água muito azul, refletindo um céu de brigadeiro riscado por gaivotas. Tudo só para ela e Chiquinha porque, à tardinha, a praia ficava totalmente deserta. &quot;Este mar é meu&quot;, pensava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Normalmente lia um pouco e depois deitava-se sob o guarda-sol, - único ponto multicor em toda a extensão de areia -, cobrindo o rosto com o livro. &quot;Férias, que coisa boa! E nesse lugar abençoado pela natureza... Ah, que delícia! Que paz! Que tranquilid...&quot;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chiquinha começa a latir desesperadamente. Mira, ainda com o livro sobre o rosto, ouve passos que se aproximam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Chiquinha, olha a educação! Não foi assim que a mamãe te ensinou...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os passos estão cada vez mais perto e Mira pensa que hoje a praia não vai ser só delas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&quot;Espera aí... Esses passos estão próximos demais!? Será que Roberta resolveu vir à praia?...&quot;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mira levanta o livro do rosto e o posiciona contra o sol para poder ver melhor as pessoas que estão ali, - bem mais perto do que desejaria. Levanta-se assustada, enquanto Chiquinha, histérica, continua a latir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quetinha, moça, é um assalto!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diante da arma, Mira, imediatamente ergue os braços.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ih! Baixa isso aê, mermã. Cê anda vendo muito filme na televisão...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mira desce os braços.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E pega esse filhote de rato branco no colo, pra vê se para de latir, senão eu piso nessa coisa.&lt;br /&gt;- D-desculpe, s-sêo a-a-as-saltante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cabelos, joelhos, dedinhos do pé... até a alma treme quando Mira põe a agitada Chiquinha ao colo. Estende para um deles - eram dois! - a sacola de praia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Num quero isso não, moça. Quero o que tá dentro, tá ligado? E a jóia também, - aponta o cordão de ouro com medalhinha que ela traz ao pescoço, mas que não sai pela cabeça. Mira prende Chiquinha entre as pernas. Precisa das mãos livres para abrir o fecho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Anda logo, mermã! Nós num temo o dia todo não, reclama o outro marginal. Inda quero apertá mais unzinho...&lt;br /&gt;- ...ó só, cara: se esse cachorro nun pará de lati eu vô dá um teco nele!&lt;br /&gt;- C-cachorro n-não! É ela. U-m-ma me-menina. O no-nome é Ch-Chi-Chiquinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os ladrões desatam a rir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Chiquinha ou Chicão, vai tomar uma azeitona no quengo se continuar a latir. Vai virar tapete, tá ligado?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continuam rindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- To-toma! - Mira entrega finalmente o cordão e tenta acalmar a &lt;em&gt;poodle&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;- Ô-ô meu b-bijuzinho, f-fica qu-quietinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os homens não param mais de rir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Viu só, cara? Bijuzinho... Essa mulé é uma peça!&lt;br /&gt;- D-dá pr-pro se-senhor v-virar is-isso pr-pra lá? - Mira refere-se à arma apontada em sua direção.&lt;br /&gt;- Num enrola não, maluquete! Tira logo o que tem aí nessa bolsa que já tamo demoranu muito...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela entrega o celular e o dinheiro que estavam na sacola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Agora, senta aí na areia com esse bicho chato que eu já tô ficanu nervoso, tá ligado?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sujeito obriga Mira a fechar Chiquinha, que não para de latir, dentro da sacola de praia. Diante dessa violência, a gagueira de fundo nervoso desaparece, como por encanto, para defender a &quot;filha&quot;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não faça isso não, moço. A bichinha vai morrer aí dentro. Ela sofre de claustrofobia...&lt;br /&gt;- Ói qui, moça, a senhora pode escolher: ô ela morre do teco que eu vô dá nela, ô ela morre dessa &quot;caubia&quot; aí, tá ligado?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em seguida, ele rasga a &lt;em&gt;kanga&lt;/em&gt; de praia ao meio com habilidade de quem já fez isso inúmeras vezes, amarra mãos e pés de Mira e dá um conselho:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tá choranu por que, mermã? Praia deserta é um negócio pirigoso mermo, viu? Inda mais com esse cachorro, que o que tem de pequeninim tem de chatim. Cê teve muita sorte. Se nós tivesse vindo cum meu primo, esse bicho já tinha virado cumida di urubu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mira estava iconsolável, preocupada com as &quot;condições psíquicas&quot; de Chiquinha presa dentro da sacola de praia. Assistia, impotente, os homens apertando um cigarro de maconha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tranquilos e rindo cada vez mais, acenderam e passaram a tragar com sofreguidão a erva, proseando com a respiração em suspenso, - uma conversa cada vez mais pausada. E rindo sempre. Rindo muito. O assunto &quot;tão engraçado&quot; que, combinado à canabis, afrouxava-lhes o riso, é claro, eram suas vítimas mais recentes. O mais alto apontava para a sacola onde Chiquinha, nervosa, mexia-se sem parar, dizendo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tá viva! A bolsa tá viva! - e nova sessão de gargalhadas era iniciada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mira deu graças a Deus quando os dois, trôpegos e de olhos muito vermelhos, guardaram a guimba no compartimento de uma carteira e anunciaram a partida como se fossem velhos conhecidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Aí moça, valeu! Tamo ino... Discurpa o mau jeito, mas sacumé... nóis temo que sobrevivê, tá ligado?&lt;br /&gt;- Vambora, cara. Deixa de estorinha... - apressa o outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E lá se foram os meliantes, rindo muito e caminhando tranqüilamente pela areia alva e fofa, pisando em delicadas conchinhas que ainda hoje ela pensara em escolher para levar como lembrança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mira esperou um pouco, até que estivessem bem longe, para então se arrastar até a sacola e, - experiência difícil com os punhos amarrados -, tentar desatar o nó da alça para livrar Chiquinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Descia sobre o mar um sol imponente, - vermelho e lindo! -, quando Roberta e os amigos, preocupados com a demora, acabaram encontrarando e libertando a chorosa Mira e sua estressada e trêmula &lt;em&gt;poodle&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;ju rigoni&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Foto:&lt;/strong&gt; &lt;a href=&quot;http://mellrigoni.blogspot.com/&quot;&gt;&lt;span style=&quot;color:#990000;&quot;&gt;&lt;strong&gt;Mell&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Visite também &lt;strong&gt;&lt;a href=&quot;http://rigoni.wordpress.com/&quot;&gt;&lt;span style=&quot;color:#990000;&quot;&gt;Fundo de Mim.&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;blogger-post-footer&quot;&gt;Os textos publicados neste blogue estão protegidos pelas Leis de Direitos Autorais.&lt;/div&gt;</description><link>http://miranarede.blogspot.com/2009/07/emocoes-na-areia.html</link><author>noreply@blogger.com (ju rigoni)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://1.bp.blogspot.com/_-c3w51FHjO8/Sl4l-_xFfJI/AAAAAAAAApQ/gJlXjJWKuGc/s72-c/Maric%C3%A1+-+Mell.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-27284148.post-2811542528392008442</guid><pubDate>Sun, 03 May 2009 23:24:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-05-03T20:26:43.481-03:00</atom:updated><title>Capacho Voador</title><description>&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;a href=&quot;http://photos1.blogger.com/blogger/5071/2108/1600/capacho.1.jpg&quot;&gt;&lt;img style=&quot;CURSOR: hand&quot; alt=&quot;&quot; src=&quot;http://photos1.blogger.com/blogger/5071/2108/200/capacho.jpg&quot; border=&quot;0&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-family:georgia;font-size:130%;&quot;&gt;Três horas da manhã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mira e Roberta, estão chegando ao edifício onde moram depois de curtir a festa de bota-fora de um amigo. Mira bebeu além da conta. Ela tem problemas quando bebe: fica com ânsia de movimentos, tem a percepção completamente alterada, perde a noção do ridículo, e por aí vai... Bem, lá vão as duas irmãs, entre risos e tropeços, entrando no elevador. Moram no décimo-primeiro piso. Mira, rindo muito, aperta duas ou três vezes o botão de emergência fazendo o elevador estancar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pára com isso, Mira. Que saco! - reclama Beta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mira continua a brincar e vai nesse pára-não-pára até chegar ao seu andar. Roberta abre a porta do elevador e sai na frente. Mira segue a irmã pelo corredor de seis apartamentos, ainda rindo e comentando os &quot;detalhes mórbidos&quot; da festa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Fala baixo... Ri baixo, Mira! Já é muito tarde. Deste jeito você vai acordar todos os vizinhos. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family:georgia;font-size:130%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;Ela nem liga. Continua a rir e falar sem parar. Roberta ainda está com a mão dentro da bolsa, procurando a chave para abrir a porta quando, de repente, o quase grito:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Meu Deus!!!&lt;br /&gt;- ... que foi, Mira?&lt;br /&gt;- Esse tapete aí na porta de entrada não é o nosso!...&lt;br /&gt;- Ih! É mesmo. O zelador deve ter trocado com o de algum outro apartamento quando limpou o corredor. Amanhã a gente fala com ele.&lt;br /&gt;- Amanhã, não! Mira sacode os braços andando prá lá e prá cá. - E eu sou mulher de deixar alguma coisa pra amanhã? Eu vou resolver isso é agora.&lt;br /&gt;- Tá maluca, Mira? Vamos entrar. Vai dormir. São mais de três horas da manhã!!!&lt;br /&gt;- Nããão. Eu vou é resolver isso agorinha mesmo.&lt;br /&gt;- Vai resolver como, sua maluca? Quem é que vai se preocupar com um capachinho de porta numa hora dessas?... Sossega o pito!&lt;br /&gt;- Vou lá embaixo pedir ao porteiro da noite prá acordar o zelador.&lt;br /&gt;Roberta já com a porta do apartamento aberta:&lt;br /&gt;- Mira, entra por favor?... Vai tomar um banho frio. Eu acho que você está mais bêbada que de costume...&lt;br /&gt;- Se você não quer ir comigo, fica aí. Eu já tô indo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não há nem tempo de Roberta tomar alguma providência. Mira, resmungando, já está fechando a porta do elevador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&quot;Pronto! Lá vai a Mira me arranjar confusão de novo! E na madrugada. Eu mereço!&quot;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim pensando Roberta entra em casa e vai preparar um café forte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&quot;É disto que aquela doida tá precisando...&quot;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O café está quase pronto quando alguém esquece o dedo na campainha. Roberta abre a porta fula de raiva e dá de cara com Mira e o zelador caindo de sono.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Boa noite, d. Roberta! Ou bom dia, sei lá...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mira nem percebe a ironia do cumprimento. Fica lá sacudindo os braços e reclamando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sêo Zé, o senhor precisa prestar mais atenção ao que faz. Olha só... Amanhã o dono do capacho vê ele aí na minha porta e vai achar que fui eu quem o pegou.&lt;br /&gt;- Sêo Zé, o senhor sabe como é a Mira... Eu peço desculpas por ela ter acordado o senhor a esta hora da madrugada. - e virando-se para a irmã: Quer fazer o favor de entrar e tomar um café?...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a Mira:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Se isso acontecer novamente eu vou denunciar o senhor na reunião de condôminos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Roberta pisca um olho para o zelador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pode ir, sêo Zé! Amanhã a gente conversa mais sobre isso. E mais uma vez peço desculpas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sêo Zé já está descendo no elevador e Mira está lá, examinando o inocente tapetinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu acho que esse capacho é do vizinho do 1101... É sim! Agora me lembro.&lt;br /&gt;- Mira, chega! Entra, toma um café, um banho frio e vai deitar. Você hoje está passando da conta...&lt;br /&gt;- Peraí, que eu vou ali na porta do vizinho conferir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E lá vai a Mira investigar a entrada do 1101...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Volta aqui, Mira! Aonde é que você vai? Eu preciso dormir, tenho que acordar cedo amanhã. Chega, Mira!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a Mira já voltando pelo corredor...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Viu? Não falei? É do 1101 mesmo. O nosso capacho tá lá na porta dele. Peraí que eu vou destrocar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Roberta, o rosto encostado à porta, já está que não se aguenta e quase não acredita quando vê Mira apertando a campainha do apartamento 1101. Morrendo de vergonha, esconde-se atrás da porta entreaberta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mira você pirou? Ai, meu padim padi ciço, é hoje!... Mira, larga esse capacho aí e entra aqui em casa. O cara vai chamar a polícia!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E Mira lá, com o dedo na campainha...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De repente, a porta se abre e aparece o vizinho. Calça de pijama, sem camisa, pés no chão, cabelo totalmente em desalinho, olhar a meio-palmo, voz rouca de quem foi arrancado do sono:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que houve?...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Olha, o seu capacho tava lá na minha porta. Mas não fui eu quem colocou ele lá não. Foi o seu Zé. Como eu não quero confusão comigo, vim até aqui para devolver o seu tapete. Eu estou levando o meu, (abaixou-se para fazer a troca), e colocando o seu no lugar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O vizinho olhava incrédulo. Provavelmente pensava estar tendo um pesadelo. Decididamente não estava entendendo nada. Resolveu então não contrariar a moça. Disse apenas:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tá! - E bateu a porta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mira finalmente entrou em casa. Encontrou Roberta ainda atrás da porta de entrada tendo um ataque de riso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu tenho que admitir que você tem muita sorte, Mira!&lt;br /&gt;- Não quero conversa não. Vou dormir que isso tudo me deixou muito estressada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pode??? &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family:georgia;font-size:130%;&quot;&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;ju rigoni&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Visite também &lt;a href=&quot;http://rigoni.wordpress.com/&quot;&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style=&quot;font-size:130%;&quot;&gt;Fundo de Mim&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/a&gt;&lt;div class=&quot;blogger-post-footer&quot;&gt;Os textos publicados neste blogue estão protegidos pelas Leis de Direitos Autorais.&lt;/div&gt;</description><link>http://miranarede.blogspot.com/2009/05/tres-horas-da-manha.html</link><author>noreply@blogger.com (ju rigoni)</author><thr:total>2</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-27284148.post-6211706519235149284</guid><pubDate>Sun, 12 Apr 2009 21:08:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-04-12T18:10:45.528-03:00</atom:updated><title>Haja Divã!...</title><description>&lt;a href=&quot;http://4.bp.blogspot.com/_-c3w51FHjO8/SeJVl9g8WGI/AAAAAAAAAlg/GSEiL38pSkk/s1600-h/72586338.jpg&quot;&gt;&lt;img id=&quot;BLOGGER_PHOTO_ID_5323911820161603682&quot; style=&quot;WIDTH: 260px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px&quot; alt=&quot;&quot; src=&quot;http://4.bp.blogspot.com/_-c3w51FHjO8/SeJVl9g8WGI/AAAAAAAAAlg/GSEiL38pSkk/s400/72586338.jpg&quot; border=&quot;0&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Mira tem um medo da violência que foge ao normal. Sêo Zé e sêo Severino, - o zelador e o porteiro -, que o digam. Além de revelar o nome de quem pretende subir, eles têm que colocar o visitante ao fone para que ela lhe ouça a voz. Pode ser a mãe dela. Se estiver rouca ou afônica, se Mira não lhe reconhecer o timbre, babau!, não sobe mesmo. Esse medo gerou, é claro, muitas histórias. Aí vai uma delas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certa ocasião, Roberta precisou ir a São Paulo para cobrir um evento. Mira não gostava nem um pouco dessas viagens. Ficar sozinha em casa, especialmente agora que havia aquele maníaco... (&quot;Mira o cara tá lá em São Paulo. Você vai ficar aqui em Niterói. Eu é que deveria estar com medo!&quot;)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pela manhã Roberta atravessou de Niterói para o Rio com a irmã, despediu-se de Mira em frente à Biblioteca, e correu para o Aeroporto. Ela pretendia estar de volta em dois dias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mira não conseguia se concentrar no trabalho. Na hora do almoço, para relaxar, saiu a comprar sapatos. (Não. Não me pergunte. Eu nunca consegui entender...) Eu a encontrei quando me dispunha a atravessar a Rio Branco, bem ali, na esquina da Sete de Setembro. E caí na armadilha. Ela pediu-me que a acompanhasse. Queria experimentar alguns pares que ela havia &quot;namorado&quot; no dia anterior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Em seguida almoçamos juntas, que tal?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Achei que ela estivesse precisando uma outra opinião e aceitei o convite.&lt;br /&gt;Entramos numa loja. Mira apontou à gentil vendedora uns cinco ou seis pares de sapatos que estavam expostos na vitrine.&lt;br /&gt;- ...calço 36, - ela dizia, enquanto eu me sentava numa das confortáveis longarinas, prestando atenção à percussão que o meu estômago iniciara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vieram os calçados, lindos, todos bem ao estilo da Mira. Os saltos sempre muito altos para compensar a baixa estatura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma hora se passara e ela a desfilar em frente ao espelho, aqueles e todos os outros pares que, neste tempo, solicitara à vendedora. Eu com os olhinhos pequenos, uma lerdeza, um tremor nos joelhos... (sempre fico assim quando a pressão cai.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Escolhe logo, Mira! Já estou desmaiando de fome...&lt;br /&gt;- Gostei destes dois aqui. - Segurou, virando-os para mim, dois modelos maravilhosos - e carésimos -, um na cor uísque e o outro preto.&lt;br /&gt;- Escandalosamente lindos. Leva esses... Têm cores que combinam com tudo. Excelente escolha.&lt;br /&gt;- Pois é! Mas eu já tenho uns quatro pares de sapatos pretos. E tenho em uíque também...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vendedora informa que desses modelos já não há outras cores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ah! Tá vendo? É por isso que eu fico louca na hora de comprar. Passo um tempão escolhendo e quando me decido por dois deles descubro que haveria outras opções.&lt;br /&gt;- E qual é o problema, Mira? Essas cores estão perfeitas. Combinam com tudo, já disse. Quem me dera ter grana para levar pelo menos um deles...&lt;br /&gt;- ... mas se havia outras cores deste modelo, que venderam muito mais rápido, é porque eram mais bonitas, concorda?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vendedora tinha aquele ar de quem só aguenta a cliente porque quando compra, compra muito. Ou compra o pouco que é caro. Mira, uma autêntica Imelda Marcos tupiniquim, (não sei quantos pares têm ao todo, mas com certeza, muito mais de cem), babava, hesitante, as belezuras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, aquele definitivamente não era o dia de nenhuma de nós três. Depois de novamente experimentar todos os pares que nos rodeavam, ela decidiu que não estava num bom dia para escolher, agradeceu à vendedora garantindo que voltaria no dia seguinte, (coitada!), e saímos da loja em direção ao restaurante. Eu queria chamar-lhe a atenção sobre essas suas atitudes, mas estava cambaleante de fome e deixei prá lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Almocei finalmente e pedi a Mira que me desculpasse. Teria que voltar ao trabalho, pois já estava bem atrasada. Quando saí, ela retornava ao bufê para &quot;tirar uma lasquinha da lasanha aos 4 queijos.&quot; Mira come um pouquinho de cada coisa, até decidir o que vai colocar no prato. (Novamente, não me pergunte. Eu não sei.)&lt;br /&gt;Os garçons, - do restaurante em que estávamos -, já a conheciam e ficavam pelos cantos a morrer de rir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À noite, ao retornar do trabalho, deu ordens ao sêo Zé e ao sêo Severino para que não deixassem ninguém subir sem que fosse avisada pelo interfone.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas a gente sempre faz isso, dona Mira.&lt;br /&gt;- Tá! É só pra lembrar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pegou a correspondência e entrou no elevador.&lt;br /&gt;Ao abrir a porta de casa, como sempre, encontrou Chiquinha a pular e abanar o que lhe sobrava do rabinho empinado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- ô meu bijuzinho, que saudade!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A bolsa e o próprio corpo jogados ao sofá, Chiquinha aconchega-se para os afagos de hábito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Olha, querida, você tem que ficar com os ouvidos bem abertos, viu? Porque a tia Beta não vai dormir aqui em casa hoje não. Qualquer barulhinho, você avisa a mamãe, tá?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes de preparar-se para dormir, pelo sim pelo não, houve por bem pendurar um panelão na maçaneta da porta de entrada do apartamento. Fez o mesmo na porta que liga a cozinha à área de serviço que é aberta e que, convenhamos, para que alguém a alcance pelo lado de fora é preciso uma escada magirus ou um homem-aranha disposto a tecer até o décimo-primeiro andar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deitou-se mas não conseguia dormir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dia seguinte, nem bem eu entrara no estúdio e o celular tocando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ju, pelamordedeus, vai lá em casa ver como a Mira está. O telefone só dá ocupado e ela não liga pra mim...&lt;br /&gt;- Ela está bem. Eu a encontrei ontem. Ela queria comprar uns sapatos... Até almoçamos juntas...&lt;br /&gt;- Mais sapatos? Depois passa o resto do mês dizendo que não tem dinheiro!&lt;br /&gt;- Mas o que está acontecendo?&lt;br /&gt;- A Sonia da Biblioteca ligou e disse que a Mira não foi trabalhar e que ela não está conseguindo um contato. Liguei lá pra casa, mas a linha está sempre ocupada e ela não telefona pra mim. O celular está fora de área. Estou inquieta. Quero saber o que está havendo mas não posso sair daqui agora. E mesmo que saísse... sem reserva, não sei se seria ser fácil conseguir lugar num vôo...Ainda tenho duas entrevistas que foram previamente marcadas. E você sabe como é a Mira...&lt;br /&gt;- Fica tranquila. Vou dar um jeito de ir até lá. Me dá um tempo. Depois te ligo.&lt;br /&gt;- Eu aguardo. Obrigada mesmo. Inté!&lt;br /&gt;- Inté!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Larguei o que estava começando a fazer e corri para a casa da Mira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A senhora não vai poder subir, dona Ju...&lt;br /&gt;- Como não vou poder subir? Vocês estão cansados de conhecer a minha cara. Além disso, foi a Beta quem me pediu para vir até aqui.&lt;br /&gt;- Beta? Que Beta?&lt;br /&gt;- A Roberta, sêo Zé. A irmã da Mira.&lt;br /&gt;- Ah, a dona Roberta. A dona Roberta viajô. Ela num tá aí não...&lt;br /&gt;- Ô meu Deus, eu sei, sêo Zé. O que é que eu estou lhe dizendo? Foi a RO-BER-TA que pediu que eu viesse até aqui para saber o porquê da Mira não ter ido trabalhar hoje.&lt;br /&gt;- Mas onti a dona Mira disse pra gente num deixá ninguém passá sem a autorização dela...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava digitando o número do celular de Roberta quando o síndico apareceu e salvou a situação. Finalmente subi. Abri a porta do elevador no 11º andar e caminhei até a porta do apartamento. Toquei a campainha, soquei a porta, e só conseguia ouvir os latidos da Chiquinha. Fiquei desesperada. Muitas coisas me passavam pela cabeça e eu não queria aceitar nenhuma das opções. Por fim, girei a maçaneta e ouvi o som de alguma coisa de metal caindo e saltitando por umas três vezes ao chão. Mais preocupada ainda. &quot;Que som seria aquele?&quot; Vieram o síndico, o vizinho do apartamento em frente (o do &quot;Capacho Voador&quot;, lembra?), sêo Zé, Marquinhos e os amiguinhos, as diaristas dos andares imediatamente acima e abaixo de onde estávamos, - muita gente. O corredor estava repleto. E da Mira, nem um sinalzinho de vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como já de tudo tentáramos sem qualquer resultado, fomos obrigados a novamente apelar para aqueles que os demais moradores do prédio, já chamavam de &quot;a segurança pessoal da Mira&quot;. Enquanto aguardávamos que o corpo de bombeiros atendesse ao chamado, o celular tocou novamente. Era Roberta. Tratei de enrolar a minha amiga ao telefone. Disse-lhe que acabara de chegar ao prédio. Que logo, logo estaria ligando para dizer o que acontecera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No corredor não havia mais espaço nem para um microscópico ácaro. As crianças, para quem tudo é festa, batiam na porta e tocavam seguidamente a campainha. Quando dois bombeiros (um deles já vinha rindo, pois já estava se tornando um &quot;velho&quot; conhecido) saíram do elevador, e eu me preparava para descrever a situação para eles, a porta se abriu e surgiu a figura da Mira em camisola, descalça, olhar entre o sonolento e o assustado, um facão do tipo &quot;pexêra&quot; na canhota, e Chiquinha aos calcanhares, latindo com a arrogância de quem pede satisfação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que é isso, Mira? -, foi tudo que consegui dizer em meio ao silêncio provocado pela sua estapafúrdia aparição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Alô?...&lt;br /&gt;- Roberta? Tudo resolvido.&lt;br /&gt;- O que é que houve, Ju?&lt;br /&gt;- Ela está tomando um banho pra tentar despertar. Disse que, como não conseguia dormir, tomou dois comprimidos para relaxar e apagou.&lt;br /&gt;- Ai, meu Deus... Isso tudo é por causa da história do maníaco que ela vem acompanhando nos jornais. A Mira e os seus medos...&lt;br /&gt;- Não brinca! Então foi por isso...&lt;br /&gt;- ... o quê?&lt;br /&gt;- Ela pendurou panelas nas maçanetas das portas da entrada e da área de serviço.&lt;br /&gt;- Não tem que voltar pra análise? Agora vê se eu posso ficar aqui tranquila?...&lt;br /&gt;- Vamos fazer o seguinte: quando é que você volta?&lt;br /&gt;- Amanhã.&lt;br /&gt;- Então, eu fico aqui com ela até amanhã, ok?&lt;br /&gt;- Puxa, ju, valeu mesmo.&lt;br /&gt;- Só uma coisa, ju. Por que o telefone aí de casa só dava ocupado?&lt;br /&gt;- Ela solicitou à telemar o serviço-depertador, para tentar acordar a tempo de ir para o trabalho. Provavelmente o telefone tocou, ela atendeu, mas voltou a dormir antes de devolver o fone ao devido lugar.&lt;br /&gt;- Ai, meu Deus, quem merece?...&lt;br /&gt;- Inté, querida!&lt;br /&gt;- Inté!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;ju rigoni&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; (sem registro de data)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;imagem obtida &lt;a href=&quot;http://images.teamsugar.com/files/users/0/3362/17_2007/72586338.jpg&quot;&gt;&lt;strong&gt;AQUI.&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Visite também&lt;a href=&quot;http://rigoni.wordpress.com/&quot;&gt; &lt;strong&gt;&lt;span style=&quot;font-size:130%;color:#009900;&quot;&gt;Fundo de Mim&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt; e &lt;strong&gt;&lt;a href=&quot;http://dormentes.blogspot.com/&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size:130%;color:#009900;&quot;&gt;Dormentes&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;&lt;span style=&quot;font-size:130%;&quot;&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class=&quot;blogger-post-footer&quot;&gt;Os textos publicados neste blogue estão protegidos pelas Leis de Direitos Autorais.&lt;/div&gt;</description><link>http://miranarede.blogspot.com/2009/04/haja-diva.html</link><author>noreply@blogger.com (ju rigoni)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://4.bp.blogspot.com/_-c3w51FHjO8/SeJVl9g8WGI/AAAAAAAAAlg/GSEiL38pSkk/s72-c/72586338.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-27284148.post-785933501525869244</guid><pubDate>Thu, 12 Mar 2009 23:22:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-03-12T20:30:53.070-03:00</atom:updated><title>Cachorro Quente</title><description>(&lt;em&gt;&lt;span style=&quot;font-size:85%;&quot;&gt;Mira leva Chiquinha a Friburgo&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E não é que a Mira conseguiu levar a Chiquinha para passar o fim-de-semana em Friburgo?!... Reclamações não faltaram. Na verdade foi o maior bate-boca na hora de sair para a estrada. Mas quando a Mira cisma, não tem jeito não. E bastou que ela ameaçasse desistir de viajar com a turma para que a discussão fosse encerrada. Tem graça viajar sem a Mira, ora bolas?...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chiquinha, contra todas as previsões, subiu a serra como uma &lt;em&gt;lady&lt;/em&gt;. Alheia a toda confusão armada em torno dela, permaneceu aconchegada ao colo de sua dona, como que guardando as energias para mais tarde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desta vez, além do travesseiro e das latas de leite condensado, precisávamos ficar atentos também à cadelinha &lt;em&gt;poodle&lt;/em&gt; que tinha o latido mais agudo e irritante que eu já ouvi. O que seria deste fim-de-semana? Só Deus sabia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E nós tivemos uma prévia assim que o empregado do sítio abriu os portões para dar passagem aos carros. Dois cães enormes (já ouviu falar em dogue alemão?) seguiram-nos, latindo e saltando, até o lugar onde, finalmente, estacionamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só de olhar para Mira dava prá perceber que ela já não estava achando uma idéia tão boa assim ter trazido a Chiquinha. Esta, atrevida, esticava-se latindo sobre o ombro de dona, enfrentando feito gente grande os monstrengos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Kênia, - nossa amiga desde longa data -, recebeu-nos com alegria e descontração, acalmando Mira e mandando que o empregado prendesse os grandalhões. Ainda bem! Pelo menos conseguimos sair de dentro dos carros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de acomodar a bagagem, fomos caminhar pelo sítio, - Mira com Chiquinha presa à coleira. Foi uma tarde agradável em que divertimo-nos, desfrutando de uma paisagem belíssima em que não faltaram um rio, uma cachoeira e um pomar (dos deuses!) onde matei a saudade de uma fruta que fez parte da minha infância. Sapotis carnudos, deliciosos, com aquele aroma tão peculiar. Delícias que só de lembrar enchem de água a boca. Havia de tudo por lá: tangerineiras, aceroleiras, abacateiros, macieiras, mangueiras... Deus, que coisa maravilhosa!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chiquinha ia fuçando tudo, fazendo xixi aqui e acolá. O que lhe sobrava do rabo, bem empinadinho, e o jeitinho faceiro de quem é dona da situação. Vez por outra, diante de alguém, ou de um animal diferente, (o que não faltava no sítio), disparava aquele latido enlouquecedor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À tarde, um passeio pela cidade da &lt;em&gt;lingerie,&lt;/em&gt; onde comprou-se calcinhas, sutiãs, cuecas, camisolas, pijamas, pantufas e até um roupãozinho pra Chiquinha. Uma dama! Nem parecia aquela cachorrinha histérica que obrigou Mira, por força de um abaixo-assinado entre os condôminos, a procurar um novo apartamento. Lá ia feliz no colo da &quot;mãe&quot;, língua de fora, cheirosa e branquinha, apontada por todas as crianças que passavam por nós. Como diria a namorada do meu aborrecente sobrinho:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Que meiguinha!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À noite, uma partida de bolão no &lt;em&gt;Country&lt;/em&gt;, e depois, jantar e muita conversa jogada fora, regada a cerveja. Chiquinha? Anjinho de quatro patas. Na cadeira onde Mira a colocou ela ficou. De vez em quando, uma queijinho, um pedacinho de carne, um agrado. Quando resolvemos ir para casa dormir, já passava das três.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Socoooooooorro! Socooooooooorro! Alguém me ajude, pelamordedeus...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi assim que começou o nosso domingo.&lt;br /&gt;Morena, baixinha, jeito decidido e doce, e um restinho do sotaque nordestino, Mira surgiu no alto da escada que levava ao corredor onde ficavam nossos quartos. Estava descabelada, descalça e, como sempre faz quando fica nervosa, sacudia os braços e meneava descoordenadamente a cabeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seus gritos devem ter acordado até mesmo o povo dos sítios vizinhos, embora estivessem muito distantes. Kênia, nossa anfitriã surgiu, assustada, também com os cabelos em desalinho, a cara amassada, um olho mais inchado que o outro, ainda tonta de sono.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Meu Deus, o que está acontecendo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a Mira só conseguia gritar por socorro.&lt;br /&gt;Agora, já todos estavam de pé. Zumbis perambulando pela casa, a olhar uns para os outros naquilo que deveria ser uma tranquila manhã de domingo em Friburgo. Apesar do sono, o olhar de Roberta, (a irmã de Mira, lembra-se?) encontrou o de João. Com toda certeza estariam pensando: &quot;Pronto! Vai começar...&quot;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embora dia de descanso, todos os empregados do sítio foram convocados para a busca a Chiquinha. Mira, inconsolável, metia-se em todos os lugares chamando pela cadelinha: &quot;Chiquinha! Chiquinha! Vem com a mamãe, Chiquinha...&quot; E pensando alto: Por que é que eu fui trazer o meu bijú?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nove, dez, onze horas e... nada! Nenhuma notícia.&lt;br /&gt;Todos ainda procuravam Chiquinha quando Roberta viu Mira seguir em direção à casa. Seguiu-a até o quarto. Entrou e viu a irmã trocando de roupa, preparando-se para sair.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vai aonde, Mira?&lt;br /&gt;- Vou à polícia! Vou dar queixa do desaparecimento da Chiquinha. Alguém roubou a minha lindinha, Beta.&lt;br /&gt;- Tá doida, Mira? Você acha que eles não têm nada prá fazer? Eu bem que avisei prá não trazer essa cachorra junto.&lt;br /&gt;- Não chama a Chiquinha de cachorra!&lt;br /&gt;- Ah, dai-me paciência... E a Chiquinha é o quê, Mira?...&lt;br /&gt;- Mas eu não gosto que fale assim do meu bijú.&lt;br /&gt;E Mira desatou a chorar. Roberta, com pena, afagou-lhe os cabelos.&lt;br /&gt;- Sossega, Mira. A Chiquinha vai aparecer, você vai ver...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meio-dia, uma, duas, três horas da tarde. E nada!&lt;br /&gt;A turma já conhecendo o sítio em todos os seus detalhes mais íntimos, e a Chiquinha? Cadê? Mira era o retrato do desalento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Se ela não aparecer até a hora de ir embora, vocês vão e eu fico. Eu não saio daqui sem o meu bijuzinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Kênia, exausta, já não sabia o que fazer para amenizar o sofrimento da amiga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando as malas já estavam sendo colocadas nos carros, um menino, filho da cozinheira, vem correndo em direção a Mira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Dona! Dona!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todo mundo atento ao moleque.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vem, vem... - chamava e corria em direção ao canil, o único lugar ao qual ninguém deu atenção, por conta do tamanho e da inquietude dos dois &quot;bezerros&quot; que lá continuavam presos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De longe já dava prá ver a cena.&lt;br /&gt;Chiquinha deitada, e um dos monstrengos, meio metro de língua, a lamber-lhe prazerosamente, por entre a tela que recobria o canil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mira só conseguiu dizer &quot;Ainda bem que esse &quot;sujeito&quot; está preso&quot;, e correu a resgatar a Chiquinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não foi fácil tirá-la de lá não. O protesto grave e intermitente do bonitão e os agudos apelos da Chiquinha, rosnando e latindo para Mira como nunca fora capaz, formavam um dueto de arrebentar tímpanos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante a viagem de volta, Chiquinha jururu, olhinho caído, cara de banzo. E Mira fazendo promessas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu sei que você prefere os altos, musculosos e temperamentais. Mas a mamãe vai conseguir prá você um namorado porreta, um amor bem arretado. A língua daquele &quot;cabra&quot; era quase do seu tamanho, bijuzinho...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;ju rigoni&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; (sem registro de data)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Visite também&lt;span style=&quot;color:#cc0000;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;a href=&quot;http://rigoni.wordpress.com/&quot;&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style=&quot;color:#cc0000;&quot;&gt;Fundo de Mim&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class=&quot;blogger-post-footer&quot;&gt;Os textos publicados neste blogue estão protegidos pelas Leis de Direitos Autorais.&lt;/div&gt;</description><link>http://miranarede.blogspot.com/2009/03/cachorro-quente.html</link><author>noreply@blogger.com (ju rigoni)</author><thr:total>1</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-27284148.post-8798434685140086092</guid><pubDate>Sat, 14 Feb 2009 13:49:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-02-14T12:24:21.674-02:00</atom:updated><title>Visita do Além</title><description>A Mira tem muito medo de alma-do-outro-mundo. E como!...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Descubra quão doce e divertido pode ser alguém que leva seu pânico tão a sério que esquece o quanto podem ser loucos e sacanas os melhores amigos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Preparado(a)? Então, clique em &lt;a href=&quot;http://miranarede.blogspot.com/2006/04/visita-do-alm.html&quot;&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style=&quot;color:#cc33cc;&quot;&gt;Visita do Além&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/a&gt;e conheça o outro lado de Mira Ramalho.&lt;div class=&quot;blogger-post-footer&quot;&gt;Os textos publicados neste blogue estão protegidos pelas Leis de Direitos Autorais.&lt;/div&gt;</description><link>http://miranarede.blogspot.com/2009/02/visita-do-alem.html</link><author>noreply@blogger.com (ju rigoni)</author><thr:total>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-27284148.post-5826262451684188757</guid><pubDate>Sun, 04 Jan 2009 22:48:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-02-04T15:05:19.620-02:00</atom:updated><title>De Como Mandar um Regime Para o Espaço...</title><description>&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;a href=&quot;http://photos1.blogger.com/blogger/5071/2108/1600/foguete.0.jpg&quot;&gt;&lt;img style=&quot;CURSOR: hand&quot; alt=&quot;&quot; src=&quot;http://photos1.blogger.com/blogger/5071/2108/400/foguete.0.jpg&quot; border=&quot;0&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=&quot;font-family:lucida grande;font-size:130%;&quot;&gt;Roberta levou um susto ao abrir a despensa. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family:lucida grande;font-size:130%;&quot;&gt;&lt;br /&gt;Onde estavam o feijão, o arroz, as massas, as latas de creme de leite, o leite condensado, as azeitonas, o nescau, os pacotes de bolo pronto, os biscoitos?... E o que continham aqueles pacotes, raízes e folhas esquisitos, tão arrumadinhos bem ali?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que é que está acontecendo por aqui? Você não tinha ido ao mercado fazer as compras do mês? &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style=&quot;font-family:lucida grande;font-size:130%;&quot;&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;- Ah, Beta, a gente tá precisando emagrecer, né? &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;- A gente, uma ova! Eu estou bem satisfeita, - mesmo com esses quilinhos a mais. &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;- Ih! Tá muito estressada! Calma, Beta. Eu só estou tentando fazer a nossa iniciação na macrobiótica. &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;- Pirou! Você descassetou, foi? Só te compra quem não te conhece. O que é isso aqui? &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;- Arroz integral. Vai ser a base do nosso regime. &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;- Nosso não. &lt;em&gt;SEU&lt;/em&gt; regime. &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;- Pô, Beta, você bem que podia me fazer companhia nessa empreitada. Dar uma força! Eu preciso de estímulo... &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;- Tá doida! Você precisa é voltar prá análise. Só me faltava essa... Depois dos regimes da lua, do abacaxi, das sopas, da água, - macrobiótica! Ah, meu padim padi ciço, eu mereço! &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;- Olha, é bem porreta. Você tá assim porque não assistiu às aulas. A macrobiótica deve ser levada muito a sério. Há quem fique totalmente curado dos mais diferentes tipos de câncer, e até de aids, fazendo um dos regimes macrobióticos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Roberta está fuxicando os pacotes...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E isto aqui, o que é? &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;- É soja. Agora, ao invés de carne, a gente vai comer soja. &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;- A gente não, Mira. &lt;em&gt;VOCÊ.&lt;/em&gt; Isso aqui? É o quê? &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;- Ervas. Nós agora vamos evitar beber água. Quando a gente sentir sede, a gente bebe chá. É muito mais saudável. Beber água é muito &lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size:130%;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family:lucida grande;&quot;&gt;&lt;em&gt;yin. &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style=&quot;font-size:130%;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family:lucida grande;&quot;&gt;&lt;em&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;- É o quê? &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;- Muito &lt;em&gt;yin&lt;/em&gt;. Muito negativo. É assim: os alimentos positivos são &lt;em&gt;yang&lt;/em&gt; e os negativos são &lt;em&gt;yin&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Roberta corre até a sala para atender o telefone.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Alô?... Ju? Tudo bem com você? Eu estou aqui assistindo a mais um surto da minha irmã maluca. Imagine que ela foi ao mercado fazer as compras do mês, e adivinhe o que ela trouxe prá casa?... Soja, arroz integral, um monte de cereais, um feijão que eu nunca vi na vida, sal grosso, raízes, uva-passa, folhas e mais folhas prá fazer chás... Disse que é macrobiótica... Diz ela que agora não bebe mais água. Pode?... Quer que eu faça esse tal regime com ela, - é ruim, hein... Pois é! Hein? Cadê ela? Ela tá lá na cozinha fazendo essa tal comida salvadora do mundo... Diz que cura tudo... Diz que é in, ian, triguilim, sei lá! A Mira é doida! O que eu vou fazer? Vou ao mercado, né Ju?... Se eu não for vou passar fome. Ela só trouxe essa comida chinesa pra casa! Tá! Mais tarde eu te ligo. Beijim! Inté!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Beta volta para a cozinha onde Mira está preparando o almoço. &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;- Ô Mira, que comida feia, escura... &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;- É por causa do sal grosso. Ele escurece o arroz, os legumes, tudo. A aparência não é lá essas coisas, mas o sabor não é dos piores não. E os resultados a gente vai ver logo, logo... &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;- Ah, eu não vou comer isso aí nem que a vaca tussa... &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;- Bobagem! Não é tão ruim assim. Além do mais, você deveria comer porque já está ficando &lt;em&gt;sampaku.&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;- &lt;em&gt;Sam&lt;/em&gt; o quê?... &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;- &lt;em&gt;Sampaku&lt;/em&gt;. É assim: você tem que olhar de frente nos olhos da outra pessoa. Se os olhos dela, na posição normal, mostrarem excesso da área branca ao redor da íris, é porque ela é &lt;em&gt;sampaku&lt;/em&gt;, resultado da má alimentação ocidental. &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;- Tá, e daí? &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;- Daí que o &lt;em&gt;sampaku&lt;/em&gt; carrega o destino nos olhos. Geralmente ele tem morte horrível, porque é incapaz de ter reações acertadas diante de situações difíceis da vida. &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;- Como assim?... &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;- Por exemplo: ele não tem reflexos no momento de um acidente; não é capaz de pressentir o perigo como o não-&lt;em&gt;sampaku.&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;- Meu Deus! É isso que você tem aprendido nessas aulas caríssimas? Você também deve ser &lt;em&gt;sampaku&lt;/em&gt;, porque eles levaram o seu dinheiro e você não pressentiu, nem reagiu... &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;- Ah, fala sério, Beta! É muito interessante a filosofia... &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;- Meu estômago que o diga! Tô aqui com fome e vou ter que descer prá comer lá no restaurante a peso... &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;- Olha, isso é sério. O Kennedy era &lt;em&gt;sampaku&lt;/em&gt;. Recebeu o primeiro tiro - que não seria capaz de matá-lo, mas não teve capacidade para reagir e acabou tomando o segundo, que lhe foi fatal. O Connally, aquele governador do Texas, que também era &lt;em&gt;sampaku&lt;/em&gt;, ao invés de mandar os ocupantes do carro abaixarem-se para evitar as balas, gritou apenas &quot;não, não...&quot; Marilyn Monroe era &lt;em&gt;sampaku&lt;/em&gt; também... &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;- Ai, Mira você não tem jeito não. Olha fica aí com o seu exército de &lt;em&gt;sampakus&lt;/em&gt; famosos que eu vou lá, almoçar. Até já!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mira acabou de preparar o almoço inédito e sentou-se para comer. Ainda bem que Roberta já não estava em casa para ver-lhe as caras e bocas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo assim, Mira seguiu com o regime que proibe a ingestão de frutas, com exceção de maçã, (e assim mesmo em pequenas porções), e exige que cada garfada seja mastigada no mínimo cinquenta vezes. Batatas e tomates (que ela adora!) também eram proibidos. Permitido só mesmo cenoura, cebola, abóbora, rabanete, couve, couve-flor, agrião e alface. E raízes de bardana e de lótus. E nada podia ser quente ou gelado. Somente os chás podiam ser ingeridos fervendo. Uvas eram proibidas. Só podiam ser consumidas em passas. O café da manhã? &lt;em&gt;Umeboshi&lt;/em&gt;, uma ameixa salgada que expulsa todos os vermes do organismo. &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;Bem, no terceiro dia, quando Roberta chegou do trabalho, encontrou Mira passando muito mal. Estava tendo enjôos e vertigens. Ela explicou que era uma reação normal a todos os que se iniciam na macrobiótica. &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;No sexto dia, Mira já estava diante do fogão mexendo um brigadeiro cujo aroma a irmã sentiu desde a porta do elevador. &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;- Ué! E a macrobiótica? E a morte horrível dos &lt;em&gt;sampakus&lt;/em&gt;?... - estranhou Roberta. &lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;br /&gt;- Que macrobiótica, que nada! Os &lt;em&gt;sampaku&lt;/em&gt; é que sabem das coisas. E pega uma cervejinha aí na geladeira que que eu tô morrendo é de calor...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não, amigo leitor. Nem &lt;em&gt;Freud&lt;/em&gt;...&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;ju rigoni&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Visite também &lt;strong&gt;&lt;span style=&quot;font-size:130%;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;http://rigoni.wordpress.com/&quot;&gt;Fundo de Mim&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class=&quot;blogger-post-footer&quot;&gt;Os textos publicados neste blogue estão protegidos pelas Leis de Direitos Autorais.&lt;/div&gt;</description><link>http://miranarede.blogspot.com/2009/01/de-como-mandar-um-regime-para-o-espao.html</link><author>noreply@blogger.com (ju rigoni)</author><thr:total>1</thr:total></item><item><guid isPermaLink="false">tag:blogger.com,1999:blog-27284148.post-4157901498314899714</guid><pubDate>Thu, 27 Nov 2008 21:02:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-02-04T15:06:39.433-02:00</atom:updated><title>Pega Ladrão!</title><description>&lt;a href=&quot;http://1.bp.blogspot.com/_-c3w51FHjO8/SS8Kzt1p9vI/AAAAAAAAAiE/msTI2v0lsX8/s1600-h/ist2_5079241-sheriff-star.jpg&quot;&gt;&lt;img id=&quot;BLOGGER_PHOTO_ID_5273445572268390130&quot; style=&quot;WIDTH: 253px; CURSOR: hand; HEIGHT: 380px&quot; alt=&quot;&quot; src=&quot;http://1.bp.blogspot.com/_-c3w51FHjO8/SS8Kzt1p9vI/AAAAAAAAAiE/msTI2v0lsX8/s400/ist2_5079241-sheriff-star.jpg&quot; border=&quot;0&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mira vinha caminhando pela calçada da avenida Amaral Peixoto quando, de repente, puxaram-lhe a bolsa de modo tão violento que ela foi jogada ao chão. Aturdida, ouvia os gritos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pega! Pega!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levantou um braço para proteger os olhos do sol, e ainda conseguiu ver o pivete com sua bolsa na mão atravessando uma das ruas de pior trânsito de Niterói, em performance merecedora de medalha olímpica. O &quot;bichinho&quot; parecia personagem de desenho animado, o corpo magro, ágil, bamboleante feito mola, por entre os carros que passavam rápido tentando vencer o sinal prestes a fechar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguém estendeu a mão para ajudar Mira a levantar-se. Cambaleante, ia estapeando a roupa na tentativa de limpar a poeira do chão e tentando se recompor do susto, quando percebeu o bololô na calçada oposta da avenida. Alguém já havia pego o meliante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Medrosa, Mira não sabia se aquilo era bom ou ruim. De qualquer modo, tratou de ligar para a irmã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Beta? Um pivete me levou a bolsa.&lt;br /&gt;- Ai, meu jesus cristinho! Como foi isto? Onde você está agora? Tem que dar queixa, Mira. Eu conheço um investigador...&lt;br /&gt;- Vou não! Um policial civil que estava passando conseguiu pegar ele e a bolsa já está aqui na minha mão. Depois esse sujeito me encontra por aí e quer a forra...&lt;br /&gt;- Vai sim! Não é assim que se deve agir numa situação como esta, Mira. Me diz onde você está que eu vou até aí te pegar. Vamos juntas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já no distrito policial para onde haviam levado o tal garoto, aguardavam ambas na ante-sala do delegado. Um investigador, conhecido de Roberta, tratou logo de providenciar-lhe uma audiência com &quot;o homem&quot; para agilizar as providências. Ainda assim, Roberta ligou para uma amiga da turma que era advogada pedindo que viesse acompanhar a ocorrência. Mas esta, enrolada como era, ainda não aparecera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mira parecia extremamente agitada, desconfortával. Vez por outra levantava-se do banco onde estavam sentadas e caminhava de um lado para o outro, como que enjaulada, sacudindo os braços de modo descoordenado do jeitinho que sempre faz quando está nervosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Senta aí e se acalma, mulher.&lt;br /&gt;- Não tô gostando desse negócio de fazer reconhecimento de pivete não, Beta.&lt;br /&gt;- É preciso, Mira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A porta do gabinete entreaberta, ouvia-se diferentes vozes em acalorada discussão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- ... o senhor vai ter que provar. Isto não é assim não...&lt;br /&gt;- Safado, é isso que você é! Não vou deixar isso barato não...&lt;br /&gt;- Minha filha, doutor, minha filha...&lt;br /&gt;- Sua filha está doida varrida. Eu nunca a vi. Nem sei como ela é...&lt;br /&gt;- Eu vou te encher de porrada, sêo advogadinho de merda. Minha filha não mente.&lt;br /&gt;A confusão lá dentro parecia aumentar. Dava para perceber que alguém tentara atingir alguém com um soco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mira ouvia isso tudo agitadíssima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma voz, que parecia ser a do delegado, chamava:&lt;br /&gt;- Baraúna! Baraúna!&lt;br /&gt;Passa pelas duas irmãs, em direção à sala do delegado, um homem moreno, alto, forte, - um verdadeiro armário embutido.&lt;br /&gt;- Pois não, doutô!&lt;br /&gt;- É melhor você ficar por aqui. Os ânimos estão muito mexidos.&lt;br /&gt;A entrada do gigante na sala pareceu surtir algum efeito sobre os contendores.&lt;br /&gt;O delegado parecia dirigir-se ao acusado.&lt;br /&gt;- O senhor está sendo apontado como autor de um estupro. A moça, apesar de muito machucada, não apenas nos deu o seu nome como já o reconheceu.&lt;br /&gt;- Um equívoco, doutor. O senhor sabe que pessoas sob forte impacto emocional podem cometer enganos.&lt;br /&gt;- Eu vou te matar, seu sacana, sem-vergonha!&lt;br /&gt;- Calma, senhor. Eu sei que está nervoso, e partilho da sua indignação. Eu também tenho filhas. Mas vamos resolver tudo dentro da lei.&lt;br /&gt;- Este sujeito é um cínico, doutor, não está vendo?...&lt;br /&gt;- O senhor me respeite. Eu sou um advogado. E a sua filha é louca!&lt;br /&gt;- E o senhor cale a boca ou mando lhe meter no xadrex imediatamente.&lt;br /&gt;- Doutor, o senhor sabe que não pode falar comigo desta maneira. Eu sou um advogado, um colega seu.&lt;br /&gt;- Eu não tenho colega estuprador. Abra a boca somente quando algo lhe for perguntado.&lt;br /&gt;- O senhor não pode afirmá-lo assim. Não está pensando que porque é delegado pode me tratar como trata esses seus bandidos de terceira categoria.&lt;br /&gt;- Tem razão. O senhor é um bandido de primeira categoria.&lt;br /&gt;- Enquadra esse filho da mãe, doutor.&lt;br /&gt;- Isto não vai ser fácil não. Eu conheço os meus direitos. Onde está o telefone?&lt;br /&gt;- O senhor pode procurar um lá onde eu vou mandar acomodá-lo.&lt;br /&gt;- Isso mesmo, doutor. Esse cara já passou dos limites faz tempo.&lt;br /&gt;- Eu não vou ser preso sem que, antes, entre em contato com um colega advogado.&lt;br /&gt;- Baraúna!&lt;br /&gt;- Pois não, doutor.&lt;br /&gt;- Recolha o eminente advogado ao xilindró.&lt;br /&gt;- O senhor não sabe com quem está falando. Isto não vai ficar assim não, hein?...&lt;br /&gt;Baraúna sai da sala arrastando o talzinho, que não pára de protestar.&lt;br /&gt;- Eu não vou ficar neste pardieiro. Eu tenho diploma de curso superior. Eu exijo uma cela especial...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mira e Roberta olham de modo discreto, enojadas, o sujeito que passa puxado pelo colarinho. Alto, bonito, perfumoso, - um homem como tantos que passam ao lado pelas ruas e a quem até lançariam olhares de admiração. Quase em seguida vêm à porta do gabinete para as despedidas um homem alto, grisalho, de cerca de 50 anos, pela voz com certeza o delegado, acompanhando um casal, provavelmente o pai e a mãe da vítima que, penalizadas, as irmãs, coração doendo, observam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mira nunca esteve tão nervosa. Roubo, estupro, pancadaria, choradeira, - muita violência para um dia só. Cheio de mesuras, o xerife vem buscá-las na ante-sala.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A senhora é a dona Roberta? Que prazer recebê-la.&lt;br /&gt;- Olha, meu senhor, posso lhe assegurar que, de minha parte, não estou nada feliz por estar aqui.&lt;br /&gt;- Ah, eu compreendo. Me expressei mal. Quis dizer que vai ser muito bom poder ajudá-la em qualquer coisa. E quem é essa moça bonita que a acompanha? É ela a vítima do moleque?&lt;br /&gt;- Minha irmã, Mira. É ela sim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O delegado, cheio de salamaleques, toma a mão de Mira e a beija.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- ... um seu criado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mira não está nem aí para os olhares compridos do policial famoso. Dava tudo para girar nos calcanhares e ir para casa agora mesmo. O delegado aponta a porta do gabinete.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Entrem e acomodem-se, por favor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mira, já sentada, sente um calafrio ao lembrar que os &quot;ouvidos&quot; das paredes da sala onde está já escutaram muito lamento, muito choro, muita súplica, muito medo... Seu primeiro ímpeto é levantar-se e cair fora. Mas Roberta não permitiria. Era preciso enfrentar a situação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ledo, o investigador, já me contou o que aconteceu, dona Roberta. O garoto já está recolhido ao xadrex. Só falta o reconhecimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mira tremelica na cadeira. Ia dizer qualquer coisa quando o tal Baraúna adentra novamente a sala.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Doutô, o carcereiro tá aí fora. Veio dizer que aquele advogado tá fazendo o maior barulho lá na cela.&lt;br /&gt;- Manda ele entrar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Baraúna chama o carcereiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Boa tarde, doutô!&lt;br /&gt;- Oi, Nelson. O que é que tá havendo?&lt;br /&gt;- O homem mal chegou tá provocando o maior tumulto lá embaixo. Não quer ficar na cela com os outros de jeito nenhum. Disse que é advogado, tem diploma e direito a cela especial. Só que a carceragem tá lotada. Eu num tenho onde botá o homem.&lt;br /&gt;- Você não disse que o sujeito é um estuprador, disse?&lt;br /&gt;- Não, doutô. Senão os presos esfolam ele vivo.&lt;br /&gt;- Mas ele não sabe que você não disse?&lt;br /&gt;- Não senhor, doutô. Deve ser por isso que ele tá morto de medo.&lt;br /&gt;- Ótimo! Vamos deixar esse salafrário sentir um gostinho do próprio veneno. É advogado e sabe muito bem o que acontece com um estuprador que é colocado junto com outros presos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mira se inquieta na cadeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Entendido, doutô. Mas por causa desse medo ele quer a tal cela especial. Começou a falar alto, exigir, esbravejar, já arranja antipatias. E os presos, - o senhor sabe como é -, tão fazendo o maior barulho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O delegado parecia pensar. Mira e Roberta nem se mexiam, pasmas com a conversa que fluía como se não estivessem ali. De repente, &quot;o homem&quot; soltou do grande risque-rabisque sobre a mesa uma folha em branco, tomou do porta-lápis uma caneta, escreveu alguma coisa e estendeu o papel ao carcereiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Toma, Nelson. Dá um jeito de prender isso na frente da cela onde ele está.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mira e Roberta quase não acreditavam no que estavam lendo no tal cartaz improvisado pelo delegado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Diga a ele que é um presente pessoal do delegado. Cola isso lá na grade da cela e manda ele calar a boca, ou eu vou ser obrigado a ir até lá. E ele não vai gostar.&lt;br /&gt;- Tá certo, doutô. Dá licença? -, e o homem foi saindo da sala com o tal cartazete onde se lia &quot;CELA ESPECIAL&quot; em letras de fôrma bem grandes, enquanto Roberta olhava, propositadamente, o relógio de pulso a afrontar o delegado exibido e metido a sedutor.&lt;br /&gt;- Bem, as senhoras me desculpem, mas não vou atrasá-las mais. Vamos ao reconhecimento do moleque?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mira apontou por duas vezes o garoto errado. Tremia feito vara verde. Roberta, que esbarrou no menino, que chegou a delegacia no mesmo momento que elas, sabia que a irmã estava fazendo isso de propósito e dava-lhe safanões raivosos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mira deixa de ser besta. Você sabe muito bem qual deles é o tal pivete. Eu já tô perdendo minha paciência...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O delegado também parecia inquieto e Mira, finalmente, apontou, com muito medo, mas também com muita pena, o bandidinho adolescente que, muito provavelmente, iria para uma instituição para menores e, mais cedo ou mais tarde, estaria de volta às ruas, pior do que quando lá entrou. &quot;Merda de vida&quot;, ela pensava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As duas ainda ficaram um tempo na delegacia, a espera da amiga advogada que iria acompanhar os acontecimentos. Mas sem a corte do delegado que já estava no gabinete a tentar resolver uma briga entre vizinhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando, finalmente, chegaram em casa Roberta cutucou Mira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Viu? Não dói tanto assim exercer a sua cidadania.&lt;br /&gt;- Isto é muito bonito de dizer. Mas me lembra de não colocar mais os pés numa delegacia, viu?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tomou dois calmantes e deitou-se para dormir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia seguinte, Roberta, que escrevia para o segundo caderno de um jornal de grande circulação, pedia espaço ao editor do caderno principal para contar na seção policial a história da &quot;cela especial&quot; ouvida na desventurosa tarde anterior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma semana depois, na tentativa de abafar o caso, o delegado foi transferido para outro município.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;ju rigoni&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Visite também &lt;span style=&quot;font-size:130%;&quot;&gt;&lt;strong&gt;&lt;a href=&quot;http://rigoni.wordpress.com/&quot;&gt;Fundo de Mim&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class=&quot;blogger-post-footer&quot;&gt;Os textos publicados neste blogue estão protegidos pelas Leis de Direitos Autorais.&lt;/div&gt;</description><link>http://miranarede.blogspot.com/2008/11/pega-ladro.html</link><author>noreply@blogger.com (ju rigoni)</author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://1.bp.blogspot.com/_-c3w51FHjO8/SS8Kzt1p9vI/AAAAAAAAAiE/msTI2v0lsX8/s72-c/ist2_5079241-sheriff-star.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>3</thr:total></item></channel></rss>