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	<title>Geófagos</title>
	
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	<description>Blog sobre Ciências Agrárias e afins</description>
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		<title>Ainda sobre excessos, extensionistas e divulgação científica sobre solos</title>
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		<comments>http://scienceblogs.com.br/geofagos/2011/08/ainda_sobre_excessos_extension/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 06 Aug 2011 23:12:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>geofagos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Agricultura]]></category>
		<category><![CDATA[Ciência do Solo]]></category>
		<category><![CDATA[Divulgação científica]]></category>
		<category><![CDATA[Extensão rural]]></category>
		<category><![CDATA[Fertilidade do Solo]]></category>

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		<description><![CDATA[Não fiquei muito satisfeito com meu post anterior, no qual discorri sobre certas questões éticas no exercício da profissão de agrônomo. Gostaria de elaborar um pouco mais sobre os problemas levantados, lançando mão de alguns exemplos reais que podem esclarecer minhas preocupações sobre este assunto. Como comentei anteriormente, tem me preocupado muito o problema do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Não fiquei muito satisfeito com <a href="http://scienceblogs.com.br/geofagos/2011/08/a_etica_entre_os_agronomos_ou.php">meu post anterior</a>, no qual discorri sobre certas questões éticas no exercício da profissão de agrônomo. Gostaria de elaborar um pouco mais sobre os problemas levantados, lançando mão de alguns exemplos reais que podem esclarecer minhas preocupações sobre este assunto.<br />
Como comentei anteriormente, tem me preocupado muito o problema do excesso no uso de fertilizantes pelos produtores de hortaliças nas várias regiões do Brasil. Uma leitora e colega blogueira corretamente apontou a solução mais óbvia &#8211; mostrar aos agricultores, através da análise química do solo, que já há nutrientes em quantidade adequada ou demasiada e eles não adubarão mais. Acontece que é exatamente isto o que eu e muitos outros colegas temos feito ultimamente, mas o problema não parece ter diminuído. Muitos agricultores, mesmo de posse de uma análise de solo e de um laudo de agrônomo, agarram-se a um tipo de &#8220;princípio de precaução&#8221; que os leva a adubar (ou irrigar) seus campos mesmo quando assegurados de que não há necessidade. Mas esse é um problema que aflige até mesmo alguns agrônomos.<br />
Há alguns meses assisti um agrônomo responsável pela área de produção de alho de uma grande empresa agrícola afirmar que periodicamente aplicava em torno de 12 toneladas de calcário por hectare apesar de sua análise de solo mostrar que a necessidade real era em torno de 10 vezes menos do que isso. Segundo ele, como sua cultura &#8220;não morreu&#8221;, os pesquisadores da empresa onde trabalho deveriam rever as recomendações. Em um outro trecho da conversa, o mesmo profissional nos disse que aplicava uma alta dose de fósforo, anualmente e desconsiderando as recomendações, que outros produtores aplicam em culturas que atingem produtividade de mais de 100 toneladas por hectare. Acontece que a produtividade do alho deste senhor não chega a 25 toneladas por hectare. Novamente ele sugeriu que nós pesquisadores precisaríamos refazer nossas pesquisas. Um agrônomo de uma grande empresa aplicando uma dose desproporcionalmente maior do que a necessária, novamente pelo &#8220;princípio de precaução&#8221;.<br />
Minha preocupação com o uso excessivo de insumos agrícolas é tanto ambiental quanto econômica. Eu esperaria que aqueles diretamente envolvidos com a produção agrícola se preocupassem pelo menos com o aspecto econômico do problema. O uso de quantidades desnecessárias de insumo representa claramente um gasto extra e encarece a produção bem como o preço final do produto. Se apenas produtores cometessem este erro, eu entenderia a questão como mera falha de comunicação e divulgação, possivelmente pelo descaso com a extensão rural no Brasil, do qual falei <a href="http://scienceblogs.com.br/geofagos/2009/06/extensao_rural_elo_que_falta_e.php">neste texto</a> e <a href="http://scienceblogs.com.br/geofagos/2011/08/a_etica_entre_os_agronomos_ou.php">neste</a>. O fato de técnicos agrícolas, agrônomos e mesmo pesquisadores da área agrícola cometerem o mesmo erro me leva a pensar que há também um problema de má formação. O que não sei é se é um problema na formação em solos ou na formação agronômica como um todo. Em qualquer dos casos, é necessário que tenhamos atenção nesta dificuldade, nesta falha técnica recorrente.<br />
Volto à sugestão feita pelo agrônomo produtor de alho citado acima e sua sugestão de que refizéssemos as pesquisas relativas às necessidades de nutrição das hortaliças. Não direi que tudo está resolvido e solucionado em termos de nutrição de plantas. Se isto fosse verdade, aliás, meu emprego seria um gasto de dinheiro público desnecessário. Não, nem tudo está solucionado. Mas se, como sugerido, refizéssemos nossas pesquisas para mostrar que aplicar 12 toneladas por hectare de calcário a um solo com pH de 6,0, adicionar 4 toneladas por hectare de calcário a um solo com 13cmolc/dm3 de cálcio, utilizar a mesma dose de fósforo em uma cultura que produz 20 toneladas por hectare que utilizaríamos em uma cultura que produz 100 toneladas por hectare, estaríamos não só redescobrindo a roda, mas dando um atestado de incompetência. Realmente, desde que entrei na empresa na qual atualmente trabalho, tenho tido a impressão de que boa parte das demandas de pesquisa que nos chegam já têm soluções tecnológicas disponíveis. Sob o risco de parecer repetitivo, para estes problemas, muito mais do que pesquisa, é essencial uma extensão rural estatal e não-ideológica.<br />
Além disto tudo, parece-me também que falta de nossa parte, nós profissionais da Ciência do Solo, uma maior atividade de divulgação de nossa ciência. E falo em divulgação para leigos, não apenas a produção de artigos científicos em periódicos especializados, sob o risco de nossas pesquisas parecerem irrelevantes ou inexistentes para a sociedade. Digo mais: parece-me que estamos sendo ineficientes em divulgar a Ciência do Solo de forma acessível até para os profissionais das Ciências Agrárias. Se não melhorarmos nossa performance, corremos o risco de continuarmos a ser cobrados a pesquisar o óbvio.</p>
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		<title>A ética entre os agrônomos ou Como faz falta o extensionista rural</title>
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		<pubDate>Fri, 05 Aug 2011 02:50:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>geofagos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Agricultura]]></category>
		<category><![CDATA[Ética]]></category>
		<category><![CDATA[Extensão rural]]></category>

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		<description><![CDATA[Desde que assumi meu atual emprego há quase três anos tive a inestimável oportunidade de conhecer de perto e com certa riqueza de detalhes produções de hortaliças em todas as regiões do Brasil, tanto em campo aberto como em cultivo protegido. Uma impressão que tive e cada dia mais tenho é a de que o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Desde que assumi meu atual emprego há quase três anos tive a inestimável oportunidade de conhecer de perto e com certa riqueza de detalhes produções de hortaliças em todas as regiões do Brasil, tanto em campo aberto como em cultivo protegido. Uma impressão que tive e cada dia mais tenho é a de que o produtor de hortaliças em geral e por uma série de razões aduba muito mal suas culturas. Em um número recente do Boletim da Sociedade Brasileira de Ciência do Solo fiquei sabendo que os campos produtores de fruteiras no Brasil também não são muito bem adubados. Não sei dizer nada sobre a fertilização das grandes culturas, então não generalizarei minhas impressões. Infelizmente, esta má adubação de hortaliças e fruteiras é quase invariavelmente sinônima de adubação em excesso. Digo infelizmente porque me parece que é mais fácil corrigir a adubação deficiente do que a excessiva e os impactos ambientais daquela são certamente menores do que os desta.<br />
Como já disse, as causas do uso excessivo de adubo certamente são vários mas tenho notado um tipo de ocorrência que tem me deixado perturbado e triste &#8211; a ação de agrônomos recomendando adubos e corretivos quando não há necessidade ou recomendando altas doses quando a necessidade é pequena ou mínima. Sem dúvida, talvez seja lícito em muitos casos pensar-se que não há má fé, há má formação. Mas quando um agrônomo de alguma revenda ou empregado de empresas produtoras de fertilizantes faz isso, a suspeita de má fé não me parece descabida. Pergunto-me se as escolas formadoras de agrônomos têm dado a ênfase necessária à questão da ética na atuação profissional. Esta é uma necessidade premente. Independentemente da causa, se a má formação ou a má fé, permanece o fato de que estão sendo formados ou maus agrônomos ou agrônomos maus, talvez ambos.<br />
Uma outra faceta deste problema, a que me refiro no título, é a escassez e as más condições de trabalho dos extensionistas rurais, profissionais que deveriam levar o melhor da tecnologia e do conhecimento gerado pelas ciências agrárias para o campo. <a href="http://scienceblogs.com.br/geofagos/2009/06/extensao_rural_elo_que_falta_e.php">Em um outro texto</a>, infelizmente pouco lido, falei de minha impressão de que muitos dos problemas ambientais e de outras naturezas geradas na e pela agricultura seriam muito reduzidos se tivéssemos no Brasil uma extensão rural tão forte e incentivada quanto a pesquisa agrícola. Já tivemos no Brasil uma Empresa Brasileira de Assistência Técnica e Extensão Rural, Embrater, mas o ilustríssimo então presidente Fernando Collor de Mello cometeu o crime de extingui-la. Desde então, as empresas estaduais de extensão rural, quando existem, competem de forma ineficiente com os agrônomos e técnicos da iniciativa privada, presumivelmente mais interessados em vender seus produtos do que em realmente informar os agricultores.<br />
Sou um entusiasta de minha profissão e acredito no papel importante da Agronomia na resolução presente e futura do grande desafio de alimentar uma enorme população humana sem destruir e de preferência melhorando o ambiente. Sei que é uma injustiça generalizar-se qualquer tipo de atitude. Creio que há agrônomos honestos e éticos mesmo na iniciativa privada mais competitiva. Mas não há como deixar o papel da extensão rural nas mãos desta mesma iniciativa privada, até porque não raro o mais moderno conhecimento gerado desaconselha o uso de muitos dos produtos vendidos como &#8220;a solução para os problemas do campo&#8221;.</p>
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		<title>Livro “Geoquímica – uma introdução”</title>
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		<pubDate>Thu, 21 Jul 2011 20:30:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>geofagos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Divulgação de livros]]></category>
		<category><![CDATA[Geoquímica]]></category>

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		<description><![CDATA[Geoquímica &#8211; uma introdução Francis Albarède Tradução: Fábio R. D. de Andrade Novo livro detalha os fundamentos da geoquímica moderna e sua aplicação no estudo dos mais diversos ambientes Relativamente nova, a geoquímica apresenta-se como a vanguarda científica de diversas áreas de conhecimento, levando-se em conta sua interdisciplinaridade e alcance enquanto ciência. Presente em quase [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img alt="capona_internet_Geoquimica.jpg" src="http://scienceblogs.com.br/geofagos/files/2011/08/capona_internet_Geoquimica1.jpg" width="510" height="723" class="mt-image-center" style="text-align: center;margin: 0 auto 20px" /><br />
Geoquímica &#8211; uma introdução<br />
Francis Albarède<br />
Tradução: Fábio R. D. de Andrade<br />
Novo livro detalha os fundamentos da geoquímica moderna e sua<br />
aplicação no estudo dos mais diversos ambientes<br />
Relativamente nova, a geoquímica apresenta-se como a vanguarda<br />
científica de diversas áreas de conhecimento, levando-se em conta sua<br />
interdisciplinaridade e alcance enquanto ciência. Presente em quase<br />
todos os campos das ciências da Terra, a geoquímica utiliza princípios<br />
da química para explicar os mecanismos que regulam o funcionamento dos<br />
principais sistemas geológicos.<br />
Apesar de haver periódicos dedicados à divulgação da pesquisa na área,<br />
ainda é pequeno o número de livros de geoquímica geral que cobrem de<br />
modo amplo os vários segmentos da geoquímica moderna. Esta é uma das<br />
razões que fazem do livro de Francis Albarède um livro oportuno,<br />
direcionado aos cursos introdutórios para alunos de graduação.<br />
Brilhantemente traduzido pelo professor de geoquímica da USP, Fábio<br />
Ramos, o livro explica de forma didática os fundamentos da geoquímica<br />
moderna, que atua desde a medição do tempo geológico, passando pela<br />
origem dos magmas, pela evolução dos continentes, dos oceanos e do<br />
manto, até a compreensão das mudanças ambientais. Com exemplos e<br />
exercícios, a obra enfatiza os princípios gerais da geoquímica e traz<br />
informações essenciais para estudantes de ciências da Terra e ciências<br />
ambientais.<br />
A partir de uma introdução sobre as propriedades dos átomos e núcleos<br />
dos elementos químicos, o autor discute os princípios de<br />
fracionamento, mistura de isótopos e de elementos, geocronologia e uso<br />
de traçadores radiogênicos na caracterização de reservatórios e<br />
fontes. Explora o transporte geoquímico por advecção e difusão, o<br />
conceito de temperatura de fechamento, cromatografia e taxas de reação<br />
em sistemas de larga escala, como os oceanos, a crosta e o manto.<br />
Pela abrangência e profundidade dos temas tratados e pela excelência<br />
do trabalho de tradução, este livro certamente será bastante útil não<br />
apenas aos estudantes da disciplina, mas a todos os interessados nos<br />
conceitos e aplicações da Geoquímica nas diversas áreas das ciências<br />
da Terra.<br />
PÚBLICO A QUE SE DESTINA<br />
&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;..<br />
•       Cursos introdutórios de geoquímica, alunos de graduação e<br />
profissionais da área.<br />
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•       Preço: R$ 108,00 |ISBN: 978-85-7975-020-5 | Formato: 18X25,5<br />
cm | Páginas: 400</p>
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		<title>Baixo uso de fertilizantes e o melhoramento de plantas</title>
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		<pubDate>Sun, 26 Jun 2011 21:40:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>geofagos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Agricultura]]></category>
		<category><![CDATA[Agricultura de baixo uso de insumos]]></category>
		<category><![CDATA[Fertilidade do Solo]]></category>
		<category><![CDATA[Melhoramento de plantas]]></category>
		<category><![CDATA[Nutrição de plantas]]></category>

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		<description><![CDATA[A agricultura dita convencional tem muitas vezes utilizado grandes quantidades de insumos, principalmente fertilizantes ou adubos, visando sustentar as altas produtividades almejadas pela agricultura industrial. Ralmente, não há dúvida de que um dos requisitos para se alcançar altas produtividades são quantidades consideráveis de nutrientes. Por outro lado, boa parte destes fertilizantes vêm de fontes não [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A agricultura dita convencional tem muitas vezes utilizado grandes quantidades de insumos, principalmente fertilizantes ou adubos, visando sustentar as altas produtividades almejadas pela agricultura industrial. Ralmente, não há dúvida de que um dos requisitos para se alcançar altas produtividades são quantidades consideráveis de nutrientes. Por outro lado, boa parte destes fertilizantes vêm de fontes não renováveis, como os fosfatos e o cloreto de potássio. A uréia, para piorar, é produzida com o uso de combustíveis fósseis.<br />
Além da questão da insustentabilidade de uma agricultura grande consumidora de fertilizantes não renováveis, há o quase sempre presente problema do uso excessivo de adubos e a consequente poluição ambiental e alguns problemas de saúde humana. Este último problema, como insistimos em afirmar, poderia ser grandemente minimizado se as adubações fossem baseadas nas reais necessidades das plantas principalmente na análise química do solo.<br />
Por tudo isto e ainda por questões de segurança alimentar em países que não detêm grandes jazidas de minérios usados na fabricação de fertilizantes, grande ênfase tem sido dada à pesquisa e à adoção de práticas agrícolas que minimizem o uso de insumos externos à propriedade. Em geral, o foco é na utilização da reciclagem de nutrientes, com grande utilização de adubos orgânicos, de preferência os gerados na propriedade. A idéia é excelente, inclusive por tentar mimetizar o que ocorre naturalmente nos ecossistemas.<br />
Uma faceta nem sempre levada em consideração quando se propõe a adoção de práticas agrícolas com baixo uso de fertilizantes é a daptabilidade das variedades mais comuns das espécies cultivadas a este tipo de manejo. Nos últimos três anos tive a chance de participar de equipes multidisciplinares envolvidas no melhoramento de várias espécies de hortaliças. Um fato que observei diversas vezes e que tem me preocupado muito é a condução de programas de melhoramento sobre solos muito enriquecidos de nutrientes. Tenho discutido esse problema com meus colegas melhoristas e venho tentado elaborar melhor o problema.<br />
O melhoramento de plantas é na verdade uma seleção dirigida, na maior parte dos casos. Se o que se deseja é uma planta resistente a <em>Ralstonia</em>, deve-se expor uma população razoavelmente grande e variável ao patógeno e se selecionar, por um número x de gerações, aquelas plantas mais resistentes ou tolerantes, utilizando-se inclusive cruzamentos entre materiais com resistência ou tolerância diferenciada. Ao final do processo, espera-se ter uma linhagem ou linhagens com a característica desejada bem fixada para que se possa comercializá-la.<br />
No meu ponto de vista, se se conduz um programa de melhoramento sobre solos contendo altas concentrações de nutrientes, ainda que inadvertidamente, está se selecionando um material com altas necessidades de nutrientes, como dizemos na área de nutrição vegetal, materiais com níveis críticos altos. A utilização de um material com este tipo de característica em uma agricultura de baixo insumos é garantia quase certa de insucesso ou, no mínimo, de resultados aquém do esperado.<br />
Estas variedades não foram selecionadas para ser eficientes no uso de nutrientes &#8211; pelo contrário, foram selecionadas para responder ao uso de altas doses. Para os que gostam de denunciar a Revolução Verde, isto é feito de caso pensado para beneficiar as empresas produtoras de fertilizantes. Em minha curta experiência, penso que isto é feito pela pequena participação de especialistas em fertilidade do solo e nutrição de plantas nas equipes de melhoramento.<br />
Acredito que um programa de agricultura de baixo uso de insumos deve antes de qualquer coisa procurar utilizar variedades que sejam sabidamente mais eficientes no uso de nutrientes. Caso estes não existam ou não estejam disponíveis, deve-se criar programas de melhoramento que visem explicitamente o desenvolvimento de variedades menos exigentes e mais eficientes na utilização de nutrientes, mesmo que para isso seja necessária a utilização de técnicas de biotecnologia, caso se queira atingir altas produtividades. Esta seleção obrigatoriamente deverá ser feita expondo-se vários materiais a solos ou soluções nutritivas mais pobres em nutrientes e selecionando-se os materiais que se saiam melhor.</p>
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		<item>
		<title>Uso excessivo de fertilizantes – interações entre nutrientes</title>
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		<comments>http://scienceblogs.com.br/geofagos/2011/06/uso_excessivo_de_fertilizantes/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 10 Jun 2011 15:11:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>geofagos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Agricultura]]></category>
		<category><![CDATA[Fertilidade do Solo]]></category>

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		<description><![CDATA[Muitos agricultores e mesmo técnicos cometem um erro perigoso na adubação de culturas agrícolas, principalmente hortaliças &#8211; confundir uma cultura bem nutrida com uma cultura nutrida em excesso. O uso excessivo de fertilizantes, sem levar em consideração o que está disponível no solo e o que a cultura realmente necessita, tem se tornado um problema [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Muitos agricultores e mesmo técnicos cometem um erro perigoso na adubação de culturas agrícolas, principalmente hortaliças &#8211; confundir uma cultura bem nutrida com uma cultura nutrida em excesso. O uso excessivo de fertilizantes, sem levar em consideração o que está disponível no solo e o que a cultura realmente necessita, tem se tornado um problema recorrente e danoso em cultivos olerícolas, inclusive de tomate, em todas as regiões do Brasil.<br />
Pelas produções mais altas de biomassa comercializável, as necessidades de nutrientes pelas hortaliças são reconhecidamente mais altas. Obviamente a aplicação de fertilizantes em uma cultura que produzirá 30t/ha deverá ser mais alta do que em uma espécie que produz 5t/ha. Deve estar muito claro, tanto para produtores quanto para técnicos, que a adubação de qualquer cultura deve ser feita criteriosamente, sob o risco de se perder dinheiro e poluir solo e água.<br />
Qualquer recomendação de adubação ou de aplicação de corretivos deve ser feita com base em uma análise química do solo, a qual informa ao técnico a quantidade de nutrientes que o solo oferece. Se esta quantidade for menor do que a necessidade da cultura, faz-se o uso de fertilizantes. Os problemas começam a aparecer quando, apesar de o solo ter a quantidade necessária de nutrientes para as plantas, insiste-se em aplicar adubo. A aplicação de fertilizantes sem levar em conta os resultados da análise de solo e a real necessidade da cultura é mera adivinhação e uma prática impensável na agricultura moderna.<br />
O uso excessivo de fertilizantes não é danoso apenas devido aos problemas ambientais e de perda de dinheiro. Da mesma forma que ocorre em seres humanos, o excesso de nutrientes é danoso à saúde das plantas e pode comprometer a produção da mesma forma que a falta de nutrientes. Muitos dos elementos químicos essenciais para as plantas são absorvidos na forma de íons, ou seja, na forma de elementos químicos com carga elétrica. Aqueles com carga elétrica negativa são chamados ânions, os que possuem carga positiva são os cátions. No interior das células, que é para onde vão os nutrientes, deve ser mantido um equilíbrio eletroquímico, ou seja, um equilíbrio entre a concentração de ânions e cátions.<br />
Existem interações, sinergísticas e antagônicas, entre alguns nutrientes. Nas interações sinergísticas, a absorção de determinado elemento pode favorecer a absorção de outro, como tem sido observado entre K+ e Cl- em algumas espécies. Por outro lado, nas interações antagônica, a absorção de determinada forma de um nutriente pode dificultar a absorção de algum outro nutriente. Muito conhecida entre os técnicos que lidam com tomate é a interação antagônica que existe entre a forma amoniacal do nitrogênio (NH4+) e o cálcio (Ca2+). Como se pode observar, ambas as formas são catiônicas.<br />
Em geral, o uso exclusivo ou excessivo da forma amoniacal de nitrogênio leva ao surgimento de sintomas de deficiência em cálcio, como a podridão apical dos frutos (fundo preto). Apesar de o cálcio estar presente no solo em formas disponíveis, a planta não o aproveita porque a célula necessita manter o equilíbrio eletroquímico &#8211; o excesso de um determinado cátion impede a absorção (ou causa a saída) de outro cátion. Por outro lado, a aplicação demasiada de formas nítricas de nitrogênio (NO3-), além de poder afetar a absorção de outros nutrientes na forma aniônica, pode levar à elevação excessiva do pH do solo, afetando negativamente a absorção de micronutrientes metálicos, como ferro, cobre, zinco e níquel, os quais podem se tornar indisponíveis em valores mais altos de pH. As calagens excessivas têm o mesmo efeito.<br />
Outro nutriente que pode afetar a absorção de micronutrientes metálicos, se aplicado em excesso, é o fósforo. Não é raro se observar, no campo, sintomas de deficiência em zinco, apesar da aplicação do nutriente. A análise do solo em geral mostra teores muito altos de fósforo. Neste caso, a interação negativa não se dá pela manutenção do balanço eletroquímico nas células, mas provavelmente pela formação de compostos de baixa solubilidade no solo.<br />
Pelo que foi resumidamente exposto, fica claro que, ao contrário do que se possa pensar, adubações excessivas na verdade podem levar a deficiência de nutrientes devido a interações antagônicas. Da mesma forma que não se concebe um médico receitar um medicamento sem um exame de sangue do paciente, é inconcebível um agrônomo recomendar uma adubação sem uma análise química do solo.</p>
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		<title>O amor pelos cães e a imaturidade epidêmica</title>
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		<pubDate>Mon, 23 May 2011 04:03:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>geofagos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ditadura da mediocridade]]></category>

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		<description><![CDATA[Duas coisas me surpreenderam quando cheguei em Águas Claras para morar &#8211; a ausência de pedestres e a profusão de pessoas passeando com cachorros. A ausência de pedestres eu entendi rapidamente: o jovem profissional urbano de sucesso teme ser confundido com a massa pobre deserdada e utiliza o automóvel até para ir à padaria da [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Duas coisas me surpreenderam quando cheguei em <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%81guas_Claras_%28Distrito_Federal%29">Águas Claras</a> para morar &#8211; a ausência de pedestres e a profusão de pessoas passeando com cachorros. A ausência de pedestres eu entendi rapidamente: o jovem profissional urbano de sucesso teme ser confundido com a massa pobre deserdada e utiliza o automóvel até para ir à padaria da esquina. A questão dos cães, no entanto, permaneceu obscura para mim até há pouco.<br />
A luz começou a surgir quando observei que minhas tentativas de civilidade eram quase sempre recebidas com frieza, como quando tentava dar um bom dia dentro do elevador. As relações humanas nesta cidade são dificílimas, a não ser em duas situações &#8211; quando se fala de futebol ou de cães. Dois cidadãos que em qualquer ocasião se ignorariam mutuamente, conversavam animadamente quando acompanhados de seus cães e a conversa giraria invariavelmente ao redor dos cães, sobre os cães, quase para os cães. Não me surpreenderia se repentinamente parassem de conversar e começassem a latir.<br />
O que acho mais estranho é que, sinceramente, nunca vi ninguém com outro animal de estimação que não fosse canino, nem mesmo gatos. Será que gatos são mais difíceis de criar que cachorros? Então se fez a luz! Não, o problema é que os gatos, como as pessoas, não são tão subservientes (ou, no jargão dos cinófilos, &#8220;carinhosos&#8221;).<br />
Mas que luz é essa, tão obscura ainda? O que só agora entendi é que as pessoas nesta cidade, e talvez em outras grandes cidades, estão substituindo as relações humanas pelas relações caninas. As pessoas são muito complicadas, desapontam, não são fáceis de agradar. Até mesmo ter filhos passa a ser preterido por ter cães. Um idiota recentemente me disse que para ele cães e crianças estão na mesma categoria, mas ele preferiu ter um cão.<br />
Para mim, o amor moderno pelos cães é mais um sintoma da imaturidade epidêmica das pessoas. O jovem profissional urbano tem medo da complexidade das relações humanas. Teme-se até mesmo a infelicidade, qualquer desconforto é visto como depressão e se trata com remédios e com cães. O cão, como me disse o idiota acima citado, também é gente, a ele se permite tudo. O respeito pelas pessoas é posto em último plano, como atesta o mar de merda no parque da cidade, onde deixei de passear com meus filhos por medo de zoonoses.<br />
Não tenho medo da complexidade, prefiro pessoas a cães. Não tenho medo de decepções, na verdade, as decepções e o sofrimento me tornaram uma pessoa melhor, mais madura. Não desisti de ter filhos pelo temor infantil de que venham a me decepcionar. A maior decepção para mim será se eles decidirem abandonar sua humanidade e trocar as pessoas pelos cães e que só dêem bom dia a quem abanar o rabo para eles.</p>
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		<title>A humilde origem do homem no solo</title>
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		<pubDate>Mon, 07 Mar 2011 13:35:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>geofagos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Agricultura]]></category>
		<category><![CDATA[Ciência do Solo]]></category>
		<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[evolução humana]]></category>
		<category><![CDATA[Matéria orgânica do solo]]></category>

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		<description><![CDATA[O descaso para com o solo pode ser um dos sintomas do distanciamento do homem moderno em relação ao mundo natural, distanciamento inclusive da natureza modificada e posta a serviço da sobrevivência humana, sob a forma da agricultura. Nos primórdios da civilização ocidental esse descaso seria impensável, talvez mesmo herético, como deixam entrever alguns aspectos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O descaso para com o solo pode ser um dos sintomas do distanciamento do homem moderno em relação ao mundo natural, distanciamento inclusive da natureza modificada e posta a serviço da sobrevivência humana, sob a forma da agricultura. Nos primórdios da civilização ocidental esse descaso seria impensável, talvez mesmo herético, como deixam entrever alguns aspectos linguísticos e religiosos ainda hoje presentes em nossa cultura.<br />
O substantivo hebraico &#8216;<em>adama</em>&#8216;, significando &#8216;solo&#8217;, deu origem ao nome Adão, ancestral de todos os homens segundo a tradição judaico-cristã. Aliás, a palavra &#8216;homem&#8217; deriva do latim &#8216;<em>homo</em>&#8216;, vindo do termo &#8216;<em>humus</em>&#8216;, a parte viva, orgânica, do solo. &#8220;Do pó vieste, ao pó voltarás&#8221;. Imagino algum perspicaz ancestral atento ao fato de que nos lugares onde jaziam os corpos mortos surgia um solo mais escuro, mesmo negro, mais fértil e propício à vida &#8211; humus. Ao solo negro e fértil às margens do Rio Nilo os antigos egípcios chamavam de &#8216;Chemi&#8217;, mesma palavra com que designavam sua pátria. Os gregos pegaram a palavra emprestada e dela vem &#8216;química&#8217;. A origem dos elementos e da vida claramente associada ao solo negro e fértil, às substâncias húmicas.<br />
Curiosamente, as palavra &#8216;humildade&#8217; e &#8216;humanidade&#8217;, assim como &#8216;homem&#8217;, têm suas profundas raízes em &#8216;humus&#8217;. O desinteresse pelo mundo natural e pelo solo parece de certa forma representar a perda da humildade do homem, a perda de suas origens.</p>
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		<title>Descobriram a pólvora…mas ela pega fogo com arsênio</title>
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		<pubDate>Fri, 03 Dec 2010 18:42:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>juscimarsilva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Extremófilos]]></category>
		<category><![CDATA[Vida baseada em arsênio]]></category>
		<category><![CDATA[Arsênio]]></category>
		<category><![CDATA[bioquimica]]></category>
		<category><![CDATA[NASA]]></category>
		<category><![CDATA[vida extraterrestre]]></category>

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		<description><![CDATA[Artigo publicado recentemente no site da Science Express relatando à descoberta, pela equipe de Astrobiologia da NASA , de uma bactéria &#8211; organismos unicelulares que pode ser encontrados na forma isolada ou em colônias &#8211; que utiliza o arsênio (As) em suas rotas metabólicas ganhou destaque em vários meios de comunicação científica do mundo todo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Artigo publicado recentemente no site da<a href="http://www.sciencemag.org/content/early/2010/12/01/science.1197258.abstract"> Science Express</a> relatando à descoberta, pela equipe de Astrobiologia da <a href="http://www.nasa.gov/home/hqnews/2010/dec/HQ_10-320_Toxic_Life.html">NASA </a>, de uma bactéria &#8211; organismos unicelulares que pode ser encontrados na forma isolada ou em colônias &#8211; que utiliza o arsênio (As) em suas rotas metabólicas ganhou destaque em vários meios de comunicação científica do mundo todo e também dos telejornais. Em que pese a importância da descoberta desse microorganismo que poderá auxiliar nas pesquisas relacionadas à biogeoquímica de elementos traço e também para os estudos futuros dessa agência que até então tem procurado novas formas de vida baseada apenas nas análises de N, P, K, Ca, Mg e S, a minha grande surpresa a qual traduzo numa pergunta simples é: O que há de tão novo nisso?<br />
Para os leigos &#8211; uso o termo sem nenhuma conotação pejorativa, mas sim para agrupar aqueles que não desenvolvem pesquisas relacionadas ao As e aqueles que não são do meio científico- a noticia tem caráter impactante afinal de contas como um elemento tóxico, contido num produto para matar rato (As é elemento presente no &#8220;chumbinho&#8221;), pode servir como fonte de vida para algum organismo? Seria isso a explicação do porquê de algumas pessoas não morrerem após ingestão de tal veneno?<br />
A similaridade geoquímica do As e do P é de senso comum no meio acadêmico e se deve as suas diversas propriedades as quais os agrupam na mesma posição da tabela periódica. O suporte a vida conferida pelo As ou outros elementos químicos é bastante possível desde que sejam bem próximos na tabela periódica e apresentem propriedades similares daqueles considerados essenciais. A substituição do carbono por silício e do oxigênio por enxofre são os exemplos mais comuns.<br />
No livro The Biological Chemistry of the Elements, os editores Frausto da Silva e Willians (2001) já fazem referência ao As como possível elemento essencial a vida de algumas espécies, como por exemplo: algas castanhas- algas multicelulares, fundamentalmente marinhas, embora algumas espécies sejam de água doce; samambaias- como a bioacumuladora <em>Pteris vittata</em>, publicação da Nature (Ma et al., 2001); celenterados- animais aquáticos representados por hidras de água doce, medusas ou águas vivas, corais, etc. A revista <a href="http://www.elementsmagazine.org/backissues_2006.htm">Element</a> em 2006 dedicou número especial ao AS e nos diferentes capítulos há informações bem fundamentadas sobre microorganismos que obtém energia a partir da oxidação do As(III) para As(V).<br />
Para finalizar, esse &#8220;Post&#8221; não tem a mínima pretensão de desqualificar o trabalho dos pesquisadores da NASA, no entanto minha irrequieta consciência não concorda com a maneira que o noticia esta sendo veiculada. Na minha modesta opinião, tal informação não se trata do estado da arte, mas sim da ratificação de informações já relatadas por outros autores. Imagina se alguém vem e diz que inventou a pólvora!  Às vezes uma pequena revisão de literatura pode economizar milhares de dólares.</p>
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		<title>Chimpanzés geófagos, malária e a origem da vida</title>
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		<pubDate>Tue, 23 Nov 2010 21:14:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>geofagos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ciência do Solo]]></category>
		<category><![CDATA[Geofagia]]></category>
		<category><![CDATA[Geomedicina]]></category>

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		<description><![CDATA[Há algum tempo, através do blog Terra Sigillata, agora publicado aqui, neste excelente post, tomei conhecimento do artigo: &#8220;Geophagy: soil consumption enhances the bioactivities of plants eaten by chimpanzees&#8220;, escrito por uma equipe do Muséum National d&#8217;Histoire Naturelle, da França, encabeçada pela pesquisadora Noémie Klein. A equipe documentou a ingestão de solo por chimpanzés do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Há algum tempo, através do blog <a target="_blank" href="http://scienceblogs.com/terrasig/">Terra Sigillata</a>, agora publicado <a href="http://cenblog.org/terra-sigillata/">aqui</a>, <a target="_blank" href="http://scienceblogs.com/terrasig/2008/01/terra_sigillata_in_action_why.php">neste excelente post</a>, tomei conhecimento do artigo: &#8220;<a href="http://www.springerlink.com/content/c75t402487h68126/?p=01a5f0d6094d485aae42440e42f82d48&amp;pi=0">Geophagy: soil consumption enhances the bioactivities of plants eaten by chimpanzees</a>&#8220;, escrito por uma equipe do Muséum National d&#8217;Histoire Naturelle, da França, encabeçada pela pesquisadora Noémie Klein. A equipe documentou a ingestão de solo por chimpanzés do Kibale National Park, em Uganda, depois de se alimentarem de plantas com suposta ação contra a malária e, após ensaios em laboratório, os pesquisadores concluíram que a presença do solo potencializou de alguma forma a ação anti-malária dos extratos vegetais.<br />
A análise mineralógica das amostras de solo utilizadas tanto pelos chimpanzés quanto por um curandeiro de uma aldeia próxima ao parque revelou que o mineral dominante era uma argila conhecida como caulinita, muito comum em solos de regiões tropicais, como África e Brasil.  É interessante notar que a caulinita faz parte da composição de uma série de medicamentos utilizados no combate de problemas digestivos e para curar diarréias, mas o efeito de incrementar a ação anti-malária de materiais vegetais não tinha sido antes observada.<br />
Os autores levantaram algumas hipóteses para explicar a ação da caulinita, sem no entanto entrar em detalhes quanto à química dos processos porventura atuantes. Arrisco-me a aventar uma hipótese e o mecanismo que acredito ter potencializado a ação anti-malária é o mesmo que pode ter possibilitado a formação das primeiras moléculas de RNA precursoras da origem da vida. Como já foi diversas vezes comentado no Geófagos, os materiais coloidais presentes no solo, como a matéria orgânica humificada e os minerais de argila, como a própria caulinita, expõem cargas eletrostáticas.<br />
Uma importantíssima função destas cargas é a retenção dos elementos químicos que servem de &#8220;alimento mineral&#8221; para as plantas, além de outros elementos ou substâncias que exponham cargas de sinal contrário (cargas negativas retêm ânions e cargas positivas adsorvem cátions). Embora a maior parte dos minerais de argila e a matéria orgânica exponham cargas negativas na faixa de pH predominante dos solos (o pH pode influenciar muito o sinal das cargas expostas), alguns minerais do solo, entre eles a caulinita, podem expor também cargas de sinal positivo.<br />
As moléculas orgânicas presentes no solo ou na água, quando ionizadas, tendem a expor cargas negativas, ou seja, tendem a ser aniônicas, de forma que são preferencialmente adsorvidas por minerais com carga positiva, como a caulinita. Imaginemos que as espécies com função medicinal ingeridas por chimpanzés contenham compostos mais simples, com potencial reduzido de combater os efeitos da malária. Se alguns desses compostos pudessem reagir entre si, formariam uma outra substância com função anti-malária mais potente . Para reagir eles têm antes que se aproximar, e é aí que entra a caulinita: ao adsorver os compostos, ela os aproxima, permitindo que reajam. Na ausência da argila, esta reação seria muito mais difícil, pois dependeria do encontro casual dos compostos.<br />
Mas onde entra a origem da vida, de que falei acima? Segundo alguns biólogos e geoquímicos, na sopa orgânica inicial pré-vida, as moléculas precursoras das primeiras e primitivas células estavam presentes, mas não as macromoléculas essenciais tanto à transmissão de informação genética, DNA e RNA, como aquelas responsáveis pelo funcionamento dos organismos, as proteínas. Recentemente descobriu-se que o RNA pode agir tanto como portador das informações genéticas quanto como enzimas, que são proteínas, o que levou alguns a sugerirem que a vida pode ter surgido em um &#8220;mundo de RNA&#8221;.<br />
Alguns pesquisadores descobriram ainda que outros minerais de argila, principalmente a montmorillonita (comum em solos da região semi-árida do Nordeste), tem a capacidade de catalizar a formação de moléculas de RNA. Como? Exatamente aproximando moléculas menores (monômeros) pela adsorção e permitindo que reajam formando moléculas maiores (polímeros), possíveis precursoras da vida. Viemos do pó e com o pó nos curamos.<br />
<strong>Observação</strong>: Este post é uma versão revisada e atualizada de um outro publicado em janeiro de 2008.</p>
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		<title>Sobre transgenia na agricultura</title>
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		<pubDate>Sun, 14 Nov 2010 13:46:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>geofagos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Agricultura]]></category>
		<category><![CDATA[Biotecnologia]]></category>

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		<description><![CDATA[Acredito muito no potencial da biotecnologia agrícola, principalmente da manipulação genética de espécies vegetais cultivadas. Ao afirmar que acredito no potencial desta tecnologia, no entanto, quero afastar qualquer tipo de ingenuidade ou dogmatismo ideológico. Não acredito como artigo de fé, como boa parte dos opositores, mas baseado em muitas leituras e muita reflexão. E quando [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Acredito muito no potencial da biotecnologia agrícola, principalmente da manipulação genética de espécies vegetais cultivadas. Ao afirmar que acredito no potencial desta tecnologia, no entanto, quero afastar qualquer tipo de ingenuidade ou dogmatismo ideológico. Não acredito como artigo de fé, como boa parte dos opositores, mas baseado em muitas leituras e muita reflexão. E quando falo de leituras, refiro-me a artigos científicos revisados por pares, não a folhetos de ONGs cheios de palavras de ordem tão emotivas quanto vazias, nem em livros de ideólogos praticantes. O argumento de que a transgenia é brincar de Deus não me diz absolutamente nada, porque sou agnóstico. Dizer que a transgenia é uma artificialização excessiva me parece ingênuo &#8211; onde está o limite desta artificialização? Não seria a própria agricultura uma artificialização excessiva? Vestir roupas, usar óculos?<br />
Uma preocupação que me parece válida é o fato de que boa parte da expertise em biotecnologia está na posse de grandes empresas multinacionais, cujos interesses e ações podem levar à dependência de agricultores e mesmo afetar a segurança alimentar nacional. Mas esta preocupação não é um argumento contra a transgenia ou outras técnicas biotecnológicas &#8211; é um argumento a favor da pesquisa e do domínio nacionais nesta área, conduzidos por universidades e empresas de pesquisa agrícola, tornando o conhecimento gerado um patrimônio do povo e permitindo inclusive a criação de empresas nacionais usando tecnologia gerada no país.<br />
As técnicas de melhoramento vegetal convencionais contribuíram e têm contribuido muito para os aumentos de produtividade agrícola, melhorias na resistência ou tolerância a pragas e patógenos, na eficiência no uso da água e nutrientes, no teor de compostos funcionais, na adaptação de espécies a diversas regiões climáticas. Há instâncias, no entanto, em que o melhoramento tradicional encontra limites biológicos de difícil superação, a não ser talvez pela transgenia. Que fique bem claro que a transgenia não é obrigatoriamente feita utilizando-se genes de espécies não aparentadas entre si. Imaginemos por exemplo a possibilidade de se inserir um gene de alguma jurubeba selvagem que confira resistência a nematóides em uma linhagem de tomates &#8211; ambas pertencem à família Solanacea, têm ancestrais comuns.<br />
Vejo ainda maior potencial na transgenia quanto à introdução em espécies agrícolas de genes que as permitam produzir em regiões ditas marginais, como terras afetadas por secas, ou salinidade dos solos e da água, além de outras. No sertão nordestino é cultivada uma espécie de cactácea chamada palma forrageira (na verdade, são pelo menos duas espécies, dos gêneros <em>Opuntia</em> e <em>Nopalea</em>) que tem excelente resistência à escassez de água, produzindo bem em condições semi-áridas e sendo uma das únicas fontes de alimento (e mesmo água) para o gado durante as longas secas.<br />
Estas espécies infelizmente têm teores relativamente baixos de proteína, necessários para a produção de massa animal (carne). Não sei se há variabilidade natural nas espécies de palma para permitir um trabalho de melhoramento visando um considerável aumento nos teores de proteína. A transgenia poderia superar este problema inserindo genes que permitissem maior síntese de proteínas, o que possivelmente refletiria em maiores produtividades animais, quem sabe em menores áreas, diminuindo a pressão sobre a caatinga. Empresas multinacionais de biotecnologia talvez não tenham interesse neste tipo de produto, mas certamente o domínio por parte de universidades e empresas de pesquisa, associado à demanda da sociedade, poderia tornar real uma tecnologia desse tipo.<br />
<strong>Atualização:</strong><br />
O Professor Mario Lira Junior, da UFRPE, acrescentou algo nos comentários acerca da palma forrageira que acho relevante transcrever no corpo do post:<br />
&#8220;Uma ressalva &#8211; a palma, seja de qual espécie for, tem na realidade teores muito bons de carboidratos de alta disponibilidade e proteína, considerando a base matéria seca. O problema é que o teor de matéria seca é muito baixo. Este baixo teor de [matéria seca] reduz a capacidade de ingestão da palma, e pode levar a problemas de falta de fibra na alimentação de ruminantes. No entanto, é relativamente fácil fornecer fibras a bovinos, se alguma gramínea for conservada, como o capim elefante.&#8221;</p>
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