<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:blogger='http://schemas.google.com/blogger/2008' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd="http://schemas.google.com/g/2005" xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-2485332272413504053</id><updated>2014-01-16T09:03:22.410-02:00</updated><category term="Ficção"/><category term="Em Verso"/><category term="Nanocontos"/><category term="Sem Rumo"/><category term="Oh Vida"/><category term="Micro"/><category term="Reflexão"/><title type='text'>Fruto Maldito</title><subtitle type='html'>Blog de contos, poemas, e outros textos da autoria de Caio Ranieri.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://www.frutomaldito.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2485332272413504053/posts/default?redirect=false'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.frutomaldito.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2485332272413504053/posts/default?start-index=26&amp;max-results=25&amp;redirect=false'/><author><name>Caio Ranieri</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-9SKlpH8cKm0/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAEs/bVIUD8zJLOo/s512-c/photo.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>66</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>25</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2485332272413504053.post-5492092688352086814</id><published>2013-09-05T01:39:00.000-03:00</published><updated>2013-09-05T01:41:57.508-03:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Sem Rumo"/><title type='text'>750 Palavras por Dia</title><content type='html'>Postando só pra deixar um aviso: eu criei recentemente um novo blog, cujo nome está no título desta postagem. O blog se trata exatamente do que diz o título, e eu venho postando o mínimo de 750 palavras por dia desde de 26 de agosto. Não sei por quanto tempo eu vou manter o blog, mas com certeza eu não postarei nele durante o mês de novembro (se ele sobreviver até lá), pois estarei participando do meu segundo NaNoWriMo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tem uma história com uma certa temática de terror que eu estou postando aos poucos lá, sem fazer nenhum tipo de revisão, o que significa que a qualidade do texto provavelmente não é lá muito boa. Se eu chegar a concluir a história – pois, convenhamos, é bem possível que eu não conclua –, eu provavelmente farei uma revisão ou duas, e posto aqui.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O endereço do blog é: &lt;a href=&quot;http://750palavrasdiarias.blogspot.com/&quot;&gt;750palavrasdiarias.blogspot.com&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: x-small;&quot;&gt;P.S.: Se alguém viu a mensagem não muito bem escondida na postagem anterior, aqui está a explicação que eu prometi: eu postei aquilo no dia do meu aniversário. A postagem é uma referência ao jogo Portal, e a “porcentagem de mentira” (22%) é a minha idade.&lt;/span&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.frutomaldito.com/feeds/5492092688352086814/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.frutomaldito.com/2013/09/750-palavras-por-dia.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2485332272413504053/posts/default/5492092688352086814'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2485332272413504053/posts/default/5492092688352086814'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.frutomaldito.com/2013/09/750-palavras-por-dia.html' title='750 Palavras por Dia'/><author><name>Caio Ranieri</name><uri>https://plus.google.com/111676711682218303454</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-9SKlpH8cKm0/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAEs/bVIUD8zJLOo/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2485332272413504053.post-969940819631296393</id><published>2013-07-28T21:10:00.003-03:00</published><updated>2013-07-28T21:10:53.858-03:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Oh Vida"/><title type='text'>O Bolo</title><content type='html'>No dia de hoje, o bolo não foi uma mentira.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ainda assim, ele continha uma pequena porcentagem de mentira: 22%&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;color: #eeeeee;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;background-color: #eeeeee;&quot;&gt;&lt;span&gt;Para quem não entendeu, a próxima postagem explicará esta. Eu prometo.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.frutomaldito.com/feeds/969940819631296393/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.frutomaldito.com/2013/07/o-bolo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2485332272413504053/posts/default/969940819631296393'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2485332272413504053/posts/default/969940819631296393'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.frutomaldito.com/2013/07/o-bolo.html' title='O Bolo'/><author><name>Caio Ranieri</name><uri>https://plus.google.com/111676711682218303454</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-9SKlpH8cKm0/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAEs/bVIUD8zJLOo/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2485332272413504053.post-2138713361623643057</id><published>2013-06-01T17:50:00.000-03:00</published><updated>2013-06-20T01:04:24.501-03:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Ficção"/><title type='text'>O que não foi escrito</title><content type='html'>Eu sempre quis escrever uma postagem sobre todas as histórias que eu já comecei a escrever mas nunca terminei. E aqui está – na verdade, não todas elas, pois não me lembro de todas. Abaixo eu dou o máximo de detalhes que eu conseguir sobre cada história da qual me lembro. Histórias que eu não terminei, mas ainda estou escrevendo ou espero retomar no futuro, não estarão aqui. Aviso: espere por muitos parênteses.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;h4&gt;
Cronita &lt;/h4&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Cronita&lt;/i&gt; é uma pedra com um campo temporal ao seu redor, e a história é sobre pessoas que buscam essa pedra. Só isso já diz o bastante. Essa é uma das histórias mais antigas que eu me lembro de ter criado. Comecei a escrever na mesma época que conheci o jogo Chrono Trigger e fiquei fascinado pela história (se você nunca jogou, recomendo muito), e por isso Cronita possui a mesma temática.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Eu não sei por que não terminei essa história. Em nenhum momento eu cheguei a deixar de gostar dela. E ainda gosto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;h4&gt;
Portal Azul&lt;/h4&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Portal Azul&lt;/i&gt; é, por si só, um título bem idiota, mas acredite, não é tão ruim quanto o original. Essa eu comecei quando conheci Fullmetal Alchemist, se não me engano lá pelo ano 2006. Um pouco antes de começar a escrever Cronita, eu havia inventado toda uma mitologia de um universo que possui sete deuses, cada um deles controlando seu próprio planeta. O planeta em que essa história ocorre é o mesmo em que ocorre Cronita, e também outras histórias que escrevi antes. As personagens principais também são as mesmas de Cronita, mas estas duas histórias não são relacionadas – de fato, enquanto as personagens eram uma garota e um rapaz que eram irmãos em Cronita, em Portal Azul eles nem sequer eram da mesma família.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Portal Azul começa quando um mago abre um portal para outro mundo, de onde surgem vários monstros que começam a invadir Tuulima (o planeta onde a história ocorre). Tais monstros só podem ser vistos por poucas pessoas, que possuam grande quantidade de uma certa força espiritual que eu chamo de &lt;i&gt;kihari&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Eu mencionei o anime Fullmetal Alchemist, certo? Este anime exerceu uma influência gigantesca nesta história, junto com Yu Yu Hakusho. E eu parei de escrevê-la justamente porque mais tarde percebi que algumas cenas eram praticamente clones de cenas do FMA. (E talvez um pouco por que quando o anime terminou, eu fiquei muito decepcionado com o final. Mas em 2010 foi feito outro anime, mais fiel ao mangá, que ficou incrível.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;h4&gt;
Ecel&lt;/h4&gt;
&lt;br /&gt;
Assista aos primeiros seis minutos de FLCL (aka Furi Kuri ou Fooly Cooly) e você terá uma ideia de como começa &lt;i&gt;Ecel&lt;/i&gt;. Basta eliminar a menção à fábrica em forma de ferro de passar, e 80% de todo o absurdismo da coisa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(Agora já está óbvio que os animes que eu assistia antigamente exerceram influência em essencialmente &lt;i&gt;tudo&lt;/i&gt; que eu escrevia. Bem, isso parou com o tempo, felizmente.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Então eu vou pular o começo da história aqui. Ecel é um rapaz que possui o poder de guardar objetos em sua mente. Ele usa principalmente para guardar cigarros para seu amigo, que fuma na escola e é assim que esconde as evidências.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Desde que levou aquela pancada na cabeça (favor assistir ao começo do anime mencionado acima), Ecel perde o controle de sua habilidade. Ele se torna incapaz de recuperar certos objetos, enquanto outros escapam de sua mente nas horas mais inorpotunas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não demorou muito para eu decidir que essa era um premissa ruim e que eu estava perdendo meu tempo escrevendo a história. (Agora, de certa forma, eu acho uma pena não ter escrito até o fim, e sei que não vou mais tentar fazê-lo.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;h4&gt;
Dois Lados&lt;/h4&gt;
&lt;br /&gt;
Essa é muito mais recente do que as mencionadas até então. A influência que eu recebia dos animes já havia cessado quando eu a comecei. Para se ter uma ideia, eu abri o protótipo de blog que mais tarde se tornou este aqui em 2008. Todas histórias acima foram criadas antes disso. &lt;i&gt;Dois Lados&lt;/i&gt;, no entanto, já foi em 2011, ou 2012, não sei.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Milhões de anos no futuro. O acoplamento de marés fixou a órbita da Terra, deixando um lado sempre virado para o Sol, o calor tornando-o inóspito, e o outro lado se congelou, tornand-se igualmente inóspito. Toda a vida que continua a existir na Terra se encontra na fronteira entre ambos os lados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Do lado congelado da Terra, um (ou uma, nunca me decidi) cientista acorda de seu sono que, ele(a) acredita, durou 3000 anos, sem desconfiar da situação atual do planeta, até observá-la em um dos computadores, e presume que todo o planeta está congelado. Todas as cápsulas de criogenização, que deveriam manter outros cientitas, estão vazias.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Somente depois de sair do laboratório, com uma roupa especial, ele(a) deduz qual é a real situação do planeta, e tem uma ideia de quanto tempo se passou. Não deve haver mais nenhuma vida na Terra.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na fronteira vive uma tribo de uma espécie muito semelhante a seres humanos, e o(a) cientista chega até eles de uma forma que eu nunca cheguei a explicar, pois não continuei a história.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;h4&gt;
Cara ou Coroa&lt;/h4&gt;
&lt;br /&gt;
A posse mais importante do protagonista dessa história é uma moeda antiga dada por seu avô quando ele possuía 6 anos. Ninguém sabe a que povo a moeda pertencia, pois nenhuma moeda semelhante foi encontrada no mundo todo. De um lado, há o que parecem ser letras e números em uma escrita não decifrada. Do outro, a metade de um rosto humano e metade do rosto de algo que poderia ser um lobo. (Não tem nada a ver com lobisomens, eu juro.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O garoto acredita que a moeda é mágica. Não importa quantas vezes ele a joga, o resultado sempre é cara. Um dia, porém, ele se questiona se é possível fazer com que o resultado seja diferente, e lança a moeda para o alto, concentrando-se no desejo de que dê coroa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E funciona.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas não é só isso que acontece. Logo depois de observar o resultado de lançar a moeda, o garoto se vê na cidade, agora abandonada, em que ele viveu até os 10 anos. Por um tempo, ele acredita que foi transportado para lá pelos poderes da moeda, porém logo percebe que não está lá de fato, mas apenas tendo uma visão do lugar. Jogando a moeda novamente, sem se preocupar com o resultado, ele sai da visão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A história deveria se focar nas tentativas do garoto de descobrir como a moeda funciona, do que ela é capaz. Jogar coroa lhe dá visões, mas qual é o propósito delas? O que acontece quando ele joga cara, quando não parece ocorrer nada?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas, dada a natureza deste &lt;i&gt;post&lt;/i&gt;, é óbvio que eu nunca a terminei. E eu tenho que dizer: eu &lt;i&gt;adoro&lt;/i&gt; a premissa desta.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;h4&gt;
Zoroaster&lt;/h4&gt;
&lt;br /&gt;
Outra história cujo título é o nome do personagem principal. Geralmente estes títulos são provisórios, mas nesse caso eu acho que é o único título viável.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A história começa quando Zoroaster tem um encontro com uma moça chamada Sarah, que ele conheceu pela internet. Ela passa algumas semanas dormindo na casa dele, e a maior parte da história se passa com os dois sentados no sofá assistindo qualquer coisa enquanto Zoroaster conta a Sarah histórias do seu passado, em especial o tempo que passou no ensino médio e na faculdade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Uma notícia na TV sobre uma erupção vulcânica chama a atenção de Zoroaster, e ele descobre que dois de seus velhos amigos, que andavam junto com a banda da qual ele fez parte na época, haviam escalado o mesmo vulcão no dia anterior. Estes amigos são Alan e Fábio. Essa é a primeira vez que ele tem notícias desses amigos depois que a banda se desfez. A notícia leva Zorro (como seus velhos amigos o chamavam) a tentar reencontrá-los.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Alan e Fábio estão atrás da pessoa responsável por colocar em uma página da internet que o vulcão estava adormecido.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A história é contada alternadamente do ponto de vista de Zoroaster e Alan, até que os três se encontrem. Eu não cheguei nesse ponto da história.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nota: um dos membros da banda, conhecido no passado como Hero, é um personagem importante na história, mas ele nunca chegou a aparecer até onde que eu escrevi, sendo apenas constantemente mencionado por Alan e Fábio enquanto eles viajam de carro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nota 2: Durante um curto período de tempo, Zoroaster fez parte de um grupo de amigos em que todos possuíam nomes incomuns, com sete pessoas no total, três das quais eram garotas. A pessoa com o nome menos incomum se chamava Uma. O grupo começou a se desfazer pouco antes de Alan e Fábio aparecerem, e com o tempo só restaram eles dois e Zorro, que acabou se separando.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;h4&gt;
2-Gama-9&lt;/h4&gt;
&lt;br /&gt;
Título obviamente provisório, que provavelmente não mudará pois, provavelmente, a história não será concluída.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;2-Gama-9&lt;/i&gt; se passa em um universo que é diferente do nosso não apenas na tecnologia utilizada por seus povos, mas também nas leis fundamentais da física. Todos os planetas neste universo possuem a forma de pirâmides, com a ponta virada para o centro do universo, e pessoas e outras criaturas vivendo sobre a base (que na verdade é a parte de cima, é claro). Seres humanos vivem por todo o universo. A fonte que ilumina os planetas, escurecendo e reaparecendo em períodos regulares, é desconhecida para seus habitantes, por estar tão longe que acredita-se ser impossível chegar até ela.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A história começa quando Fir acessa a conta de e-mail de outra pessoa (acredite ou não, por acidente): uma menina também chamada Fir (o Fir que acessa a conta dela é um homem, só pra esclarecer). Ao invés de sair da conta de e-mail da menina, Fir lê a mensagem mais recente, devido ao título que chama sua atenção. O e-mail alega que Fir (ele) foi amaldiçoado. Era a conta de outra pessoa, mas estava claro que aquela mensagem era direcionada a &lt;i&gt;ele&lt;/i&gt;. A mensagem alega que ele está sob uma maldição, mas ele a ignora, e junto com ela o fato de que outra pessoa, mesmo com o mesmo nome, não poderia ter recebido uma mensagem direcionada a ele.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fir sai da conta de sua homônima. Mais tarde ele descobre algo que deveria ser impossível: O servidor do e-mail da garota ficava há anos-luz dali. Mesmo que naves pudessem percorrer essa distância em minutos, a internet não era tão rápida. Supondo que o acesso à informações da conta fossem possível, ele jamais deveria ser capaz de ver uma mensagem recebida &lt;i&gt;naquele mesmo dia&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Deste ponto em diante, Fir (o homem), fica obcecado pela suposta maldição, e Fir (a garota) usa seu conhecimento para descobrir quem havia acabado de acessar sua conta de e-mail, e como alguém pode tê-lo feito de tão longe, desafiando todas as leis da física que ela conhecia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Semelhante à história de Zoroaster, esta é contada alternadamente sob o ponto de vista de dois personagens: Fir e… Fir.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
—&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
Pronto. Tem mais umas duas ou três histórias que eu me lembro de (não) ter escrito, mas não bem o suficiente pra escrever qualquer coisa sobre elas. (Na melhor das hipóteses, eu me lembro do título…) Se eu achar anotações delas ou, com sorte, as páginas que eu escrevi, eu faço outra postagem.</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.frutomaldito.com/feeds/2138713361623643057/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.frutomaldito.com/2013/06/o-que-nao-foi-escrito.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2485332272413504053/posts/default/2138713361623643057'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2485332272413504053/posts/default/2138713361623643057'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.frutomaldito.com/2013/06/o-que-nao-foi-escrito.html' title='O que não foi escrito'/><author><name>Caio Ranieri</name><uri>https://plus.google.com/111676711682218303454</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh6.googleusercontent.com/-9SKlpH8cKm0/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAEs/bVIUD8zJLOo/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2485332272413504053.post-5759112172047122066</id><published>2013-03-23T21:35:00.002-03:00</published><updated>2013-08-06T21:31:46.506-03:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Ficção"/><title type='text'>Eu publiquei um livro!</title><content type='html'>OK, OK. O título da postagem é um pouco exagerado. Mas, desde que o livro em questão foi publicado, meus amigos (ou, pelo menos, um deles) sempre dizem às pessoas que eu publiquei um livro. É sempre “Ei, você sabia que o Caio publicou um livro?”, daí eu tenho que explicar que não é bem assim. O que aconteceu, mesmo, é que eu tive um conto publicado em uma antologia, com mais 33 autores. No livro, o meu conto ocupa cinco páginas, de um total de 238.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas, ei, já é alguma coisa. Bem, o livro em questão se chama “Quimera”, da &lt;a href=&quot;http://www.andross.com.br/&quot; rel=&quot;notLightbox&quot;&gt;Andross Editora&lt;/a&gt;. Segue abaixo uma imagem da capa do livro, o conto que eu escrevi e, depois, mais algumas informações.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;table align=&quot;center&quot; cellpadding=&quot;0&quot; cellspacing=&quot;0&quot; class=&quot;tr-caption-container&quot; style=&quot;height: 526px; margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center; width: 348px;&quot;&gt;&lt;tbody&gt;
&lt;tr&gt;&lt;td style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;http://1.bp.blogspot.com/-FFUf08SvkLQ/UU3WMK4QmVI/AAAAAAAAAyk/QfDQxSxPOo0/s1600/Capa.jpeg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: auto; margin-right: auto;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; src=&quot;http://1.bp.blogspot.com/-FFUf08SvkLQ/UU3WMK4QmVI/AAAAAAAAAyk/QfDQxSxPOo0/s1600/Capa.jpeg&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;tr&gt;&lt;td class=&quot;tr-caption&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;Né por nada não, mas de todos os livros que eu possuo, esse tem a capa mais legal.&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;h4&gt;
Nós o Despertamos &lt;/h4&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Adam virou-se e viu a torre.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Apenas alguns segundos depois ele se deu conta de que devia sair dali o mais rápido possível e então voltou a correr.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— O que foi aquilo, cara? — perguntou Sandra. Havia um cálice dourado em sua mão direita. — Você está tentando ser comido?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Me desculpe! — Adam gritou. — Aquela torre exerce um efeito esquisito sobre a gente, às vezes não dá pra não olhar!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
As criaturas se aproximavam deles. Ágeis homenzinhos de pele azul escura. Os rostos, máscaras brancas salpicadas dos pontos vermelhos que eram os olhos. Olhos famintos por carne humana. Aproximaram-se mais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fred, que estava na frente, gritou:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Penhasco!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— O quê? — Sandra perguntou.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Penhasco! — Fred repetiu.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Diacho! — Adam exclamou. Os três chegaram à borda e observaram o deserto abaixo. — O que a gente faz agora?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Pula! — disse Fred.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— O quê? — disse Sandra. — Você está louco!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Não vamos sobreviver a uma queda dessas — disse Adam.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Não há tempo para discutir, apenas pulem!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fred pulou primeiro. Sandra e Adam decidiram que era melhor que serem devorados, e então o acompanharam.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fred caiu com o corpo na horizontal. Adam e Sandra ficaram em uma posição vertical, quebrando a resistência do ar, e o alcançaram.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Nós vamos morrer! — Sandra gritou.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Não vamos — Fred respondeu.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Tem razão! — exclamou Adam. — Já estamos mortos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Por que não confiam em mim só por um instante?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os três estavam a ponto de atingir o chão. Adam imaginou todos os seus ossos se esmigalhando, quando uma luz cegante surgiu abaixo deles e em um instante se apagou, deixando um túnel igual ao olho de um furacão, onde eles caíram.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Que lugar é esse? — Sandra perguntou, olhando ao redor. O lugar era desinteressante, uma sala escura, nenhuma saída à vista. A única iluminação vinha de uma tocha no centro. A luz da tocha formava um círculo no chão, que parecia feito de blocos de concreto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Um lugar seguro — disse Fred. — Só isso importa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Como nos trouxe aqui? — Adam perguntou.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Uma flecha. Consegui com os Kanans. Atirei-a para baixo ao pular, e ela abriu a passagem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Os Kanans? — questionou Sandra. — Eles não são confiáveis. Não pensou que poderia ter nos matado?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Mas estamos vivos, não? Se não pulássemos, morreríamos de qualquer jeito.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Seja como for — disse Adam —, estou começando a achar que pegar o cálice foi uma má ideia. Talvez estejamos a salvo aqui, mas os devoradores estarão atrás de nós o tempo todo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Você sabia do risco quando decidiu fazer parte disso — disse Sandra —, agora não dá para voltar atrás. Estamos nessa até o fim.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Eu sei, e lamento por isso. Maldita torre. Maldito cálice!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Precisamos levar o cálice a Takkon — disse Fred.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Como eu fui me meter nisso? — Adam falou para si. — Acho que agora não tenho escolha.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fred fez um gesto rápido com as mãos sobre a chama ao centro da sala, apagando-a. No momento seguinte os três estavam de volta no deserto sob o penhasco. Não havia sinal de devoradores por perto, deveria levar algum tempo antes que os localizassem. Fred perguntou a Adam a localização de Takkon, e ele apontou a direção que deveriam tomar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Percorreram o deserto em segurança por horas, quando um devorador saltou de lugar nenhum e agarrou a mão direita de Adam com os dentes. Quando Adam se soltou da criatura, seu mindinho havia sido arrancado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O devorador correu de volta em sua direção e teve uma faca cravada na cabeça. Era a faca de Sandra, que a puxou de volta. A criatura não voltou a se mover.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Você está bem? — Sandra perguntou.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Adam não respondeu. Estava de joelhos, segurando a mão ferida. Olhou para Sandra com uma expressão que dizia: &lt;i&gt;Você tá de sacanagem?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Deixa eu cuidar desse ferimento — Sandra jogou sua mochila no chão, ajoelhou-se ao lado de Adam e retirou dela uma caixa de primeiros socorros. Enfaixou a mão ferida, se levantou e colocou a mochila nas costas. — Precisamos nos apressar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Eles percorreram o deserto por mais dez horas antes de alcançarem a base de uma montanha. Adam disse:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Deve haver uma caverna por perto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E havia. Fred a localizou, e eles entraram. O pouco de luz que entrava na caverna tornava possível enxergar bem no interior.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Dizem que os devoradores não entram em cavernas — disse Sandra.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Espero que seja verdade — Adam respondeu.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E era. Os três dormiram ali antes de seguirem adiante. Quando acordaram, eles se aprofundaram na caverna e seguiram por um longo túnel, até que saíram por uma fenda entre duas montanhas. A paisagem ao redor era coberta por uma vegetação rasteira, com duas ou três árvores à vista. Era difícil acreditar que estavam em um deserto antes de atravessar aquele túnel.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
À frente estava um templo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— O templo de Takkon! — exclamou Sandra. — Não acredito que é real!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— É mesmo incrível — respondeu Adam.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sandra entregou o cálice a Fred, que subiu os degraus do templo e o colocou sobre o bloco de pedra no centro. Recitou as palavras escritas na pedra:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— &lt;i&gt;Nagen alipp takkon al mutan&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um feixe de luz vermelha surgiu da boca do cálice e destruiu o teto do templo, estendendo-se até o céu. O feixe se transformou em uma ave escarlate, as penas como chamas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Quem ousa despertar Takkon, o imortal? — a voz da ave ecoou.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Nós o despertamos — disse Fred.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Apenas um pode ser o responsável! Diga quem!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Eu pronunciei as palavras — Fred respondeu —, mas foi essa moça quem roubou o cálice — e apontando para Adam, disse: — E foi ele quem descobriu a localização do templo. Todos nós o despertamos!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Acham que podem me enganar? — trovejou a ave. — Todos serão destruídos!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Se um único indivíduo despertar o imortal — Adam falou.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Este será punido com uma eternidade de sofrimento — Sandra continuou.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— E o mundo estará nas mãos do imortal — Fred concluiu. Silêncio. Por um momento, os três temeram por suas vidas. Acharam que o plano não funcionaria. Que, apesar do que dizia a lenda, os três ainda assim seriam destruídos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Não sabem com o que estão brincando — disse o imortal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Acham que estão salvando o mundo, não acham? Só estão rompendo a ordem natural das coisas. Se é isso mesmo o que querem, porém, eu não tenho escolha.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O imortal estendeu as asas e gritou como uma águia. Seus olhos emitiram uma luz vermelha que se depositou sobre eles, fazendo seus corpos brilharem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Até então os três estavam incertos sobre o que aconteceria, pois a lenda era muito vaga. Agora que seus corpos mudavam de forma, tudo ficou claro. A pele de cada um deles ficou vermelha, seus rostos se tornaram caveiras brancas e agora eles não possuíam apenas dois, mas dezenas de olhos; pontos azuis salpicados no rosto. Eles se afastaram do templo e seguiram em seu caminho para a torre. Um deles falou:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Vamos devorar alguns devoradores.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
— &lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E agora, as “mais informações” que eu prometi:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nada no contrato com a editora me impede de publicar o texto em meu blog, caso alguém esteja preocupado. Na verdade, nada no contrato me impede de colocá-lo sob licença Creative Commons, junto com os outros textos do blog. Isso significa que você, que está lendo esta postagem, pode ficar à vontade caso queira postar o conto em qualquer lugar na internet, desde que siga às regras da licença. (Deixar um link para o meu blog, de preferência acima do texto e diretamente para esta postagem; não modificar o texto e não utilizá-lo para fins comerciais.)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A capa do livro, por outro lado, pertence à editora. Não acredito que haja problema em postá-la também, no entanto. Eu só sou obrigado a avisar que não tenho nenhum direito sobre a capa. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O livro estará à venda na Livraria Cultura (se não me engano, somente pela internet), mas eu não sei quando. Me desculpe. Todas as cópias que foram vendidas até o momento, foram vendidas pelos próprios autores.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E por fim, e mais importante que todo o resto, os agradecimentos:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
À minha irmã, Flávia, por me apresentar a editora e por participar dos últimos estágios da revisão. Dois pontos importantes da narrativa foram modificados com sua ajuda.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
À minha amiga Yasmin, por participar da primeira etapa da revisão. Boa parte do conto não faria muito sentido sem ela.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
À minha outra amiga Patrícia, também por participar da primeira etapa da revisão. Sua ajuda trouxe uma maior consistência na forma como descrevi os cenários.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ao pessoal que trabalha na editora. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A todas as pessoas que compraram o livro. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E, só pra ser bem clichê mesmo, a todos que leram esta postagem até aqui.</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.frutomaldito.com/feeds/5759112172047122066/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.frutomaldito.com/2013/03/nos-o-despertamos.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2485332272413504053/posts/default/5759112172047122066'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2485332272413504053/posts/default/5759112172047122066'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.frutomaldito.com/2013/03/nos-o-despertamos.html' title='Eu publiquei um livro!'/><author><name>Caio Ranieri</name><uri>https://plus.google.com/104556725618588461707</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh5.googleusercontent.com/-bttC9RL9m9Y/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAu4/U8DcWwCqabU/s512-c/photo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://1.bp.blogspot.com/-FFUf08SvkLQ/UU3WMK4QmVI/AAAAAAAAAyk/QfDQxSxPOo0/s72-c/Capa.jpeg" height="72" width="72"/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2485332272413504053.post-7822235397084706078</id><published>2012-11-30T22:59:00.000-02:00</published><updated>2012-12-10T13:44:46.646-02:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Oh Vida"/><title type='text'>NaNoWriMo</title><content type='html'>Eu pensei em fazer uma postagem sobre isso durante todo o mês de novembro, mas acabei enrolando até agora. Existe uma competição na internet chamada &lt;a href=&quot;http://www.nanowrimo.org/&quot;&gt;NaNoWriMo&lt;/a&gt;, ou National Novel Writing Month -- traduzindo livremente, é &lt;i&gt;Mês Nacional de Escrever Romance&lt;/i&gt;, ou qualquer coisa assim.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O objetivo da competição é escrever um romance de no mínimo 50000 palavras durante o mês de novembro. Eu aproveitei a oportunidade para escrever uma história que está na minha cabeça desde os meus quatorze anos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E eu consegui!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Estou bastante feliz com isso. Eu cheguei a 50105 palavras no dia 28 deste mês. Agora estou em 50173; não há mais o que acrescentar a história. Para quem não está acostumado a avaliar o tamanho de uma história de acordo com o número de palavras -- eu, pessoalmente, acho muito mais intuitivo -- isso são em média 150 páginas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Começarei as revisões no meio de janeiro, e sabe-se lá quando vou terminar. Vamos ver no que isso vai dar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Informações sobre o texto? Claro, aqui: &lt;a href=&quot;http://nanowrimo.org/en/participants/quote-pilgrim/novels/um-lugar-vazio&quot;&gt;http://nanowrimo.org/en/participants/quote-pilgrim/novels/um-lugar-vazio&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
P.S.: O editor de texto que eu usei se chama yWriter, e ele é incrível. Link: &lt;a href=&quot;http://www.spacejock.com/yWriter5.html&quot;&gt;http://www.spacejock.com/yWriter5.html&lt;/a&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.frutomaldito.com/feeds/7822235397084706078/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.frutomaldito.com/2012/11/nanowrimo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2485332272413504053/posts/default/7822235397084706078'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2485332272413504053/posts/default/7822235397084706078'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.frutomaldito.com/2012/11/nanowrimo.html' title='NaNoWriMo'/><author><name>Caio Ranieri</name><uri>https://plus.google.com/104556725618588461707</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh5.googleusercontent.com/-bttC9RL9m9Y/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAu4/U8DcWwCqabU/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2485332272413504053.post-2123616842840491464</id><published>2012-10-30T22:42:00.003-02:00</published><updated>2013-04-17T00:43:44.517-03:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Ficção"/><title type='text'>Camada Inferior</title><content type='html'>George dirigiu-se a seu cubículo, sentou-se à frente do computador e preparou-se para começar o trabalho quando um objeto chamou a sua atenção. Uma caixa preta repousava ao lado do monitor. Ele a pegou, examinou, tentou abri-la. Nada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Olhou ao redor. Viu Sarah em seu cubículo, a cada poucos segundos ajeitando os óculos, como sempre fazia. Deveria perguntar a ela o que era aquela caixa – é claro que havia sido ela que a deixou ali: Sarah tinha o costume de deixar presentinhos depois de certos feriados. Não faria sentido se outra pessoa o tivesse feito.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No entanto, Sarah não sabia do que George estava falando. Ele a conduziu então ao seu cubículo e apontou para onde estava o objeto, sem olhar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— De que caixa você está falando? — Ela perguntou.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Você está dizendo que… — George começou a perguntar, ia dizer “não está vendo nenhuma caixa aqui?”, mas parou quando olhou na direção do monitor. Lá estava a caixa, inquestionável. Não havia como alguém deixá-la passar despercebida. Sem entender como podia a caixa ser invisível aos olhos de Sarah, mas sem querer parecer maluco, George girou a cabeça e olhou de volta para sua colega de trabalho, e falou:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Que estranho… Eu tinha certeza que ela estava aqui. — E &lt;i&gt;está&lt;/i&gt;. Ele ainda a vê bem onde a deixou. — Bem, acho melhor voltar ao trabalho.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Balançando a cabeça num sinal de concordância, e com um sorriso meio forçado mas ainda simpático, Sarah girou e caminhou em direção a seu cubículo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
George começou a trabalhar, mas não conseguiu se concentrar direito. O tempo todo a caixa permaneceu ali, desafiando a lógica. Ninguém mais a viu. Ele não conseguia parar de olhar para o objeto, abismado, confuso. Quando voltou para casa, porém, esqueceu-se por completo da presença da caixa, e a deixou ali, ao lado do monitor.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
***&lt;/div&gt;
George estava tomando o seu café da manhã quando Carl apareceu na sala. Carl era um homem magro e alto, com os cabelos escuros sempre desgrenhados. George dividia o apartamento com ele.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— O que é essa coisa branca na mesa? — George perguntou, espetou um pedaço de ovo com um garfo e enfiou-o na boca.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Que coisa branca? — Carl perguntou. George engoliu o pedaço de ovo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Essa aqui, bem no meio da mesa. É algum tipo de enfeite que você comprou?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Você está sob efeito de alguma droga? Não tem nada aí.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
George olhou para o centro da mesa. Um objeto de forma aparentemente cilíndrica repousava ali. Ao olhar com mais atenção, havia reparado que era na verdade um prisma de base hexagonal, um pouco retorcido no sentido horário; não era possível ignorar sua presença.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Eu… pensei que tinha visto. Vamos esquecer isso. — George se levantou e levou seu prato para a pia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Tá certo. — Carl saiu sem dizer mais nada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
George olhou para o objeto. Pegou-o e olhou atentamente. Havia algo de estranho nele. Quando viu a caixa, notara que ela mais parecia uma silhueta do que uma caixa, como se a terceira dimensão a estivesse faltando. O prisma branco passava uma sensação não muito diferente. Ele considerou a possibilidade de estar alucinando, e decidiu que consultar um psicólogo não seria má ideia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
-&lt;/div&gt;
O primeiro psicólogo com quem ele conversou o alertou que seu problema deveria ser solucionado por um psiquiatra. George se recusou a acreditar que era um problema tão sério, mas foi ao consultório do psiquiatra que lhe fora recomendado mesmo assim.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ele tomou os medicamentos que lhe foram prescritos, e em pouco tempo deixou de ver estranhos objetos irreais. Antes que os remédios fizessem qualquer efeito, ele havia visto uma pequena pirâmide, também negra, no mesmo lugar que caixa em seu cubículo. A caixa havia aparecido em sua casa dessa vez.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Ainda vendo caixas por aí? — Perguntou Carl. George havia contado sobre a caixa preta quando ela apareceu pela segunda vez; não contou, no entanto, que havia consultado um psiquiatra cinco dias atrás.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— &lt;i&gt;Caixa&lt;/i&gt;, Carl. É uma só; eu só a vi duas vezes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Que seja. Pelo menos você não está mais delirando.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;Delirar&lt;/i&gt; não era o verbo correto. &lt;i&gt;Alucinando&lt;/i&gt; é o que Carl deveria ter dito. George pensou em corrigi-lo, mas mudou de ideia, e voltou os olhos para a televisão. Não havia nada de interessante passando, e ele pensou em pegar o controle para desligá-la. Talvez devesse ler aquele livro que havia começado já fazia uma semana, que já deveria ter terminado. Uma coisa na tela chamou sua atenção: um quadrado vermelho, no canto superior esquerdo. Quis perguntar a Carl sobre aquilo, mas ele havia deixado a sala. Mudou de canal algumas vezes, e o quadrado continuou ali; mesmo quando a tela se apagava entre um canal e outro, o quadrado persistia. Desligou a TV e o quadrado sumiu apenas dois ou três segundos depois. Quando a TV foi ligada novamente o quadrado não voltou.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ele havia acabado de tomar alguns comprimidos, não fazia sentido que experimentasse outra alucinação agora.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
***&lt;/div&gt;
— Me desculpe, mas eu não posso resolver o seu problema. — disse o médico — O que você tem não são alucinações.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Se não são alucinações, o que mais pode ser? Estou sonhando acordado, ou algo assim?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Não, Sr. Gardener. O que eu estou dizendo é que não há nada de errado com seu cérebro. Eu tenho um amigo que pode te ajudar, ele também é psiquiatra.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Eu não entendo. Se eu não tenho nenhum problema, porque ainda tenho que consultar um psiquiatra?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O médico olhou para George por cima dos óculos redondos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— O senhor tem um problema, Sr. Gardener. No entanto não é, digamos, um problema convencional. Este meu amigo é especialista em situações como a sua.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O psiquiatra se inclinou para frente e esticou o braço, entregando um pedaço de papel para George, que não havia visto de onde ele o tirou.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Tome, este é o cartão de visita dele. Quanto mais cedo o senhor consultá-lo, melhor. — George pegou o cartão e enfiou no bolso da calça.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Obrigado, doutor, — disse George, levantando-se e estendendo a mão, que o médico apertou — farei isso.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Menos de três horas mais tarde, ele estava no consultório do outro psiquiatra. O homem parecia uma caricatura de Freud.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Você está experienciando a camada inferior da realidade — Disse &lt;i&gt;Freud&lt;/i&gt; ao ouvir a história de George, que não conseguiu extrair nenhum sentido da frase.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Como é? — foi tudo o que conseguiu dizer.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— A realidade não é apenas o que vemos ou sentimos, existe algo além disso. Graças à ciência podemos identificar algumas dessas coisas, como as partículas nos núcleos dos átomos. Outras são um mistério, e a camada inferior da realidade é uma delas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Camada inferior? Do que diabos você está falando!?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Ninguém sabe o que é a camada inferior. Tudo o que sabemos é que está &lt;i&gt;debaixo&lt;/i&gt; da realidade, e essa é a melhor explicação possível. Poucas pessoas conseguem perceber a camada inferior, e cada pessoa a percebe de forma diferente. Algumas veem objetos, outras escutam ruídos, algumas sentem cheiros, sabores ou estímulos táteis. E um número muito pequeno de pessoas sentem duas ou mais destas coisas ao mesmo tempo. Este é o seu caso.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Fingirei por um momento que não estou escutando um monte de loucuras, e perguntarei: O que eu devo fazer para que isso pare?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— O que você precisa fazer é tentar entender o significado das suas experiencias com a camada inferior. Talvez eu possa te ajudar com isso.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
George passou duas horas conversando com o clone de Freud, e imaginou que a maioria das coisas ditas por ele não serviriam para nada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
***&lt;/div&gt;
Ele estava perdido olhando para a caixa preta ao lado do monitor quando a viu mudar de forma. A caixa se esticou para cima, depois se espremeu até ficar fina como uma folha de papel; se enrolou numa esfera e então se dividiu em várias pequenas partes e ficou flutuando no ar. Prestando atenção, em muito se parecia com uma galáxia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
George estendeu a mão para a via láctea negra, mas não pode tocá-la. Ele puxou sua mão de volta quando viu que ela atravessou o objeto. Tentou voltar a trabalhar e ignorar o que estava vendo. Quando ele começou a digitar, a galáxia voltou a ser caixa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
-&lt;/div&gt;
George chegou em casa satisfeito por ter conseguido fazer o seu trabalho ao invés de ficar prestando atenção a um objeto que nem sequer estava lá. E, ao mesmo tempo, não conseguia parar de pensar na forma que a caixa assumira. Uma pequena galáxia negra.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Carl não estava no apartamento. George sentou-se na poltrona e ligou a televisão. Na mesa de centro estava um objeto que ele ignorou, supondo ser um daqueles que &lt;i&gt;Freud&lt;/i&gt; alegava ser uma “experiência da camada inferior da realidade”. Depois de meia hora assistindo à TV, ele não resistiu e voltou seu olhar para sobre a mesa. O objeto era de um azul quase indistinto do branco; era esférico com a base achatada, que o permitia ficar parado. Tendo a aparência do objeto fixada à mente, George voltou a assistir TV.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
-&lt;/div&gt;
Quando Carl entrou no apartamento, a televisão estava desligada e George segurava a esfera azul nas mãos, os olhos fixos no objeto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— O que você tá fazendo com isso? — Carl perguntou.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Ah! Então você está vendo?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Do que você tá falando? É claro que eu estou vendo, eu comprei isso aí. Você anda muito estranho ultimamente. — Carl havia trazido algumas sacolas e as deixou no balcão que dividia o apartamento ao meio, separando a cozinha da sala.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Ah… — disse George. Ele não pensou em perguntar sobre o objeto. Colocou-o de volta no lugar e dirigiu-se a seu quarto. — Acho que eu preciso dormir um pouco. — Disse, enquanto fechava a porta.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Eu fiz as compras! — Carl exclamou. Como resposta houve apenas um murmúrio do quarto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quando George se deitou, viu um objeto no criado-mudo. O objeto não era em nada diferente daquele que vira na sala. Aquele Carl não poderia ter comprado, ele pensou; Carl nunca entrava em seu quarto. George pegou o objeto e começou a analisá-lo, mas nada de interessante aconteceu.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dormiu.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
-&lt;/div&gt;
Ao acordar George olhou para o relógio ao lado do objeto irreal e viu que eram quatro horas da manhã. Ficou olhando para o objeto, sem pensar em mais nada. O objeto mudou de forma e de cor, virando uma fumaça escura. A fumaça não se espalhou pelo quarto. Por um instante, George pensou ter compreendido algum segredo profundo da realidade. Pensou ter visto a solução para algum mistério do universo, que pareceu-lhe tão óbvia que teve de se perguntar como era possível que ninguém tivesse pensado nisso antes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Então o objeto voltou à sua forma original, levando a compreensão embora.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
George olhou para o relógio mais uma vez, e percebeu que estava quase na hora de sair para trabalhar. Se vestiu para sair e começou a preparar o café da manhã. Comeu, pegou a maleta, e saiu.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No trabalho, viu a caixa preta novamente – a caixa parecia gostar daquele lugar –, e fez o possível para ignorá-la. Funcionou até quarenta minutos antes do fim do horário de trabalho, quando ele olhou para caixa por pelo menos dez minutos seguidos antes que ela mudasse de forma.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para a surpresa de George, ela não se transformou em galáxia negra. Ao invés disso, tornou-se uma esfera alaranjada brilhante, talvez uma estrela. Uma compreensão profunda se apossou de sua mente mais uma vez, e ele não conseguiu suportá-la, então olhou para o outro lado. Uma mão pousou em seu ombro, e ele teve um sobressalto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Você está bem? — A voz era de Sarah.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— O quê?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Você estava com as mãos na cabeça, e com uma expressão horrível. Parecia que sua cabeça estava prestes a explodir.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Estava? — ele perguntou. Não conseguia pensar direito. — Eu… Acho que estou bem agora.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Você está estranho, George. Talvez precise de uma folga.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Não. Eu estou bem, juro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sarah deu um suspiro, e andou de volta para seu cubículo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Eu estou bem. — Ele sussurrou, falando com ele próprio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quando dirigia de volta para o prédio onde morava, George viu um triângulo negro em seu para-brisa. Teve de ignorá-lo até estacionar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com o carro parado, ele olhou para o triângulo. Havia percebido que apenas olhar não era o suficiente. Ele precisava se concentrar no objeto, precisava prestar atenção nele. Em poucos segundos o triângulo se espalhou pelo vidro, formando uma imagem abstrata colorida.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Uma compreensão se formou em sua mente. Era difícil suportá-la, mas George continuou se concentrando.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A imagem no vidro desapareceu. George saiu do carro e voltou para o apartamento o mais rápido possível. Ele precisava escrever antes que aquela informação se apagasse de sua mente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Escreveu sem parar por uma hora. Era pouco, ele precisava de mais, porém não conseguiu. Perto dos papeis em que acabara de escrever, viu três objetos. A caixa preta, o prisma retorcido, a esfera achatada. Olhou para eles, se concentrou. A pressão gerada pela concentração o fez desmaiar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
George acordou alguns minutos depois, no chão do quarto. Levantou-se, evitou olhar para os objetos, e deitou na cama.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
***&lt;/div&gt;
— Como está se sentindo? — Carl perguntou.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Melhor do que nunca. — George respondeu, e espetou um pedaço de ovo com o garfo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Por que eu só vejo você comendo ovo?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Não sei. Por que pergunta?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Por nada. — Carl disse, e saiu.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
George terminou de comer e foi para o quarto, não iria trabalhar neste dia. Sentou-se à escrivaninha e olhou para a esfera achatada, até que ela assumiu a forma de fumaça de antes. Começou a escrever e não parou mais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um dia inteiro se passou, e George não havia percebido. Depois do amanhecer, ele ainda estava escrevendo, e continuou por mais algumas horas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Houveram batidas na porta. E a voz de Carl surgiu, dizendo:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Ei, George! Você está bem?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Estou. — Ele respondeu — Por quê?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Você ainda pergunta? Já passam das onze, você não tomou café da manhã e não foi trabalhar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Eu não vou trabalhar hoje.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Por que não? Você não disse que estava bem?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— E estou, mas não vou trabalhar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Por quê?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Eu não quero. Por isso.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Carl não disse mais nada. Sabia que não adiantaria ficar discutindo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
-&lt;/div&gt;
Na manhã do dia seguinte, Carl bateu na porta do quarto de George novamente. Não houve resposta. Bateu mais algumas vezes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Eu estou bem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Não vai tomar seu café da manhã?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Não preciso.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Vinte minutos depois, Carl entrou no quarto. George se virou para ele, e perguntou:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— O que você está fazendo?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Carl colocou um prato de comida perto dos papéis, e respondeu:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Eu não ligo se você não quer trabalhar. Mas é melhor que você tenha comido isso quando eu voltar. — Então ele deixou o quarto e fechou a porta.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Carl voltou pouco depois do anoitecer. Ao abrir o quarto de George, não pode deixar de gritar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Havia comida e cacos de vidro espalhados pelo quarto. George estava debruçado imóvel sobre um monte de papéis, e Carl pensou por um segundo que ele poderia estar morto. Ele se aproximou, pegou a mão de George e sentiu o pulso – estava vivo. Carl tentou acordá-lo, mas não conseguiu, então deitou-o na cama. Limpou a bagunça, sentou-se e pegou o monte de papéis sobre a escrivaninha. Leu cada palavra, passando a noite inteira ali.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tão logo George acordou, Carl perguntou:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— De onde vem tudo isso?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Está escrito. — George respondeu — Vem da camada inferior da realidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Mas isso é um absurdo. O que está escrito aqui explica quase tudo o que ainda não entendemos sobre o universo. Mas essa parte, sobre a camada inferior, não faz o menor sentido.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Não importa. É a verdade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Ninguém ia acreditar nisso.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
— Acho que você tem razão.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Depois de alguns minutos, Carl convenceu George a revisar aquele texto e remover todas as menções à camada inferior. George só conseguiu fazer a revisão meses depois.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Semanas depois, George conseguiu que o texto fosse publicado como um artigo científico, pelo qual mais tarde ganharia um Nobel de Física. Quando perguntavam como ele havia feito suas descobertas, ele respondia, brincando, que se fosse possível explicar uma coisa como essa, Einstein teria ensinado a todos como ser um gênio.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Durante os anos restantes de sua vida, George procurou conseguir novas experiências com a camada inferior da realidade, mas jamais obteve outra. Com frequência ele pegava qualquer objeto que estivesse a seu alcance e observava, se concentrando. Quando dormia, agarrava em sua mão direita uma caixa preta que ele havia conseguido. Agarrava-a com tamanha força que ninguém a conseguiria remover dali.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
—&lt;/div&gt;
-Comentários do Autor- &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esse texto é longo demais para publicar em uma postagem só? Espero que não.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Este conto passou por uma revisão. (E eu pretendo revisar mais coisas antes de postar aqui.) Eu o enviei para uma moça que disse que eu poderia publicá-lo como está, então eu meio que confiei nela. No entanto, é possível que eu venha a fazer uma segunda e talvez uma terceira revisão – essa é a beleza de publicar na internet, eu posso modificar o que eu quiser quando quiser. Caso eu faça outra(s) revisão(ões), deixarei uma nota no topo da postagem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Este conto é o primeiro de uma série; cada um com personagens e histórias diferentes, mas com um aspecto em comum, que é o fato de serem contos que envolvem uma camada inferior da realidade. Não faço a menor ideia de quantos contos serão, no total. Mas pretendo escrever não menos de cinco.</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.frutomaldito.com/feeds/2123616842840491464/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.frutomaldito.com/2012/10/camada-inferior.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2485332272413504053/posts/default/2123616842840491464'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2485332272413504053/posts/default/2123616842840491464'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.frutomaldito.com/2012/10/camada-inferior.html' title='Camada Inferior'/><author><name>Caio Ranieri</name><uri>https://plus.google.com/104556725618588461707</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh5.googleusercontent.com/-bttC9RL9m9Y/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAu4/U8DcWwCqabU/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2485332272413504053.post-8615758417201956011</id><published>2012-08-24T13:41:00.000-03:00</published><updated>2012-09-10T17:14:19.258-03:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Sem Rumo"/><title type='text'>Twenty Thirteen on Scribd</title><content type='html'>Eu estou fazendo esta postagem para avisar que finalmente terminei de revisar o conto “Dois Mil e Treze” e o postei no Scribd.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Eis o link: &lt;a href=&quot;http://www.scribd.com/doc/103811291/Dois-Mil-e-Treze&quot;&gt;http://www.scribd.com/doc/103811291/Dois-Mil-e-Treze&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A revisão não está tão completa quanto eu esperava/gostaria. No geral eu só removi umas palavras desnecessárias, e mudei apenas dois ou três pedaços da história em si. Então é possível que eu venha a fazer novas revisões no futuro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ah, sim. Eu não postei a revisão apenas no Scibd. Se você olhar as postagens do conto aqui no blog, verá que todas têm o aviso “Atualizado em 24 de Agosto de 2012.”.</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.frutomaldito.com/feeds/8615758417201956011/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.frutomaldito.com/2012/08/twenty-thirteen-complete-and-revised.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2485332272413504053/posts/default/8615758417201956011'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2485332272413504053/posts/default/8615758417201956011'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.frutomaldito.com/2012/08/twenty-thirteen-complete-and-revised.html' title='Twenty Thirteen on Scribd'/><author><name>Caio Ranieri</name><uri>https://plus.google.com/104556725618588461707</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh5.googleusercontent.com/-bttC9RL9m9Y/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAu4/U8DcWwCqabU/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2485332272413504053.post-3129094601807097816</id><published>2012-04-30T17:37:00.002-03:00</published><updated>2013-03-23T13:16:47.134-03:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Ficção"/><title type='text'>Do Topo de uma Torre</title><content type='html'>Antes de mais nada, eu quero explicar como o texto abaixo surgiu. Eu não gosto de comentar os meus textos antes do texto propriamente dito; no entanto, neste caso, é importante.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O texto abaixo foi escrito no dia 22 de abril, como uma &lt;i&gt;postagem&lt;/i&gt; no serviço &lt;a href=&quot;http://750words.com/&quot;&gt;750words&lt;/a&gt;, no qual eu me inscrevi no dia 19 de abril e venho escrevendo todos os dias, seguindo a regra de escrever no mínimo 750 palavras por dia – nos últimos dez dias, eu escrevi mais de 8 mil palavras. O objetivo é se acostumar com o hábito de escrever todos os dias e ajudar as ideias a fluírem naturalmente. É um ótimo serviço, e eu recomendo muitíssimo. Tudo o que você escreve lá é completamente privado, mas você pode compartilhar algumas estatísticas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
38 minutos foi o tempo que levou para escrevê-lo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O texto veio naturalmente, sem que eu fizesse nenhum tipo de pesquisa e nem sequer pensasse sobre o que eu iria escrever antes de começar o ato, de forma que o final me surpreendeu um pouco. Exceto pelo fato de eu ter corrigido dois ou três erros de digitação já depois de colá-lo no editor de postagens do Blogger hoje, o texto não passou por nenhum tipo de revisão. Não é o meu primeiro texto não revisado e não será o último, mas eu acho importante dizer isso, visto que eu nunca escrevi nada (que valesse a pena ler ou mesmo ser escrito) tão rápido. 38 minutos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O texto segue abaixo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;hr /&gt;
Acabo de acordar no topo de uma torre. Ao meu redor não há nada além de um extenso deserto avermelhado, com algumas montanhas aqui e ali. Eu não consigo mover meus braços, ou minhas pernas, e também não consigo falar. Mas posso mover minha cabeça e ver a paisagem; o topo da torre está rodeado de estruturas de pedras que parecem presas. Se houver qualquer coisa atrás de mim, eu não posso ver. Eu estou de joelhos, e eles estão doendo um pouco.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Eu queria saber como sair daqui.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Estou ouvindo um zumbido. Este som lembra um inseto voando perto dos meus ouvidos, mas não há nenhum inseto à vista. Não há nenhuma vida a vista em lugar nenhum; somente eu.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O ar fede a enxofre. Esse lugar poderia até ser o inferno, e eu teria de permanecer aqui pela eternidade. Eu não consigo pensar em nada que explique a situação em que eu estou. Eu poderia até aceitar a ideia de que eu vim parar no inferno, mas há duas coisas que me impedem de pensar isso: a primeira é que eu não me lembro de ter morrido e, a segunda e mais importante, é que eu não acredito que o inferno existe.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A minha respiração está estranha. A sensação do ar é diferente de qualquer coisa que eu poderia descrever. É difícil inspirar essa atmosfera e, ao mesmo tempo, expirar esse ar é tão fácil que até parece que ele está saindo sozinho. Independente do quão esquisito seja esse ar, parece claro que deve haver oxigênio nele. Sinto o chão tremendo. Parece que a torre vai cair. É impossível descrever o terror que estou sentindo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A torre não desmorona. Nada acontece.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Olho para cima. O céu também é avermelhado, e não tem nenhuma nuvem. Olhando mais uma vez ao redor, noto que algumas montanhas ao horizonte têm uma incrível semelhança com pirâmides. Há duas – não, três montanhas assim. Esse lugar me é familiar, mesmo que eu nunca tenha estado aqui.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Acabei de pensar numa coisa maluca. Talvez o ar não tenha oxigênio, talvez a minha respiração tenha sido mudada de alguma forma, para que eu pudesse respirar aqui. Tenho uma quase-certeza de que eu sei onde eu estou, embora seja incapaz de dizer o nome desse lugar. Tento me mover novamente, nada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sinto outro tremor, e depois de um tempo o chão se abre atrás de mim. Ou eu penso que ele se abre. Um ser passa pela minha direita, e continua andando até ficar diante de mim, olhando para meu rosto. Começo a imaginar como está meu rosto, penso que ele deve estar sujo da terra avermelhada desse deserto imenso. O ser parado na minha frente é muito parecido com um ser humano, porém possui a pele de uma cor ligeiramente esverdeada, mas que é quase que um cinza escuro. Ele não possui nenhum cabelo, e está vestindo nada além de algo que muito se parece com uma saia. Se eu fosse dar um palpite baseado na sua anatomia, diria que é um indivíduo do sexo masculino.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De repente, me levanto. É involuntário, eu não escolhi levantar mas apenas o fiz. Só agora que estou de pé percebo o quão alto é o... o... droga, uma palavra passou pela minha cabeça, mas foi tão rápido que não pude fisgá-la... O alienígena, como o chamarei por não saber que palavra usar, mede quase três metros de altura. Dando uma boa olhada no seu rosto, vejo que ele não tem nariz, mas parece possuir narinas bem pequenas no lugar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ele me faz dar meia-volta. Nesta parte da paisagem que eu não havia antes visto, há uma montanha tão grande que dá medo. Mesmo tendo visto o monte Everest de perto, o tamanho daquela montanha me horrorizou.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O chão se abriu diante de mim, e eu dei dois passos involuntários adiante, caindo no buraco. Na verdade, eu não caí, pois há um solo liso apenas alguns centímetros abaixo da abertura que aperecera. Esse solo parece feito de metal, ainda que tenha a mesma cor da terra ao redor. O alienígena também desceu ao solo liso, e houve mais um tremor.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Eu estou descendo junto com o chão, enquanto tudo treme. O buraco se fechou, me deixando numa escuridão implacável por alguns segundos, até que algumas luzes se acendem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dentro da torre, eu estou descendo junto com aquele estranho ser por um túnel de paredes prateadas, onde eu posso ver meu reflexo. Meu rosto está mesmo sujo com aquela terra avermelhada. A terra avermelhada de Marte.
&lt;br /&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
—&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
–(Mais) Comentários do Autor–&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há algumas coisas que precisam ser esclarecidas. Quando eu comecei a escrever o texto, eu não estava pensando em Marte, mas a ideia surgiu cedo o bastante para eu ter escrito alguns pequenos detalhes que davam esta pista. Mas existem alguns problemas. Um deles é o cheiro que eu dei para o ar. A atmosfera de Marte provavelmente cheira a ferrugem. Outra coisa é a cor da terra de Marte. OK, eu já li e ouvi em vários lugares que a terra de lá é avermelhada, no entanto na maioria das fotos que eu já vi do planeta, ela não parece exatamente vermelha – e isso me incomoda um pouco.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O meu wallpaper atual, inclusive, é uma imagem do Monte Olimpo (o maior vulcão do sistema solar, com 22 km de altura), em Marte, e o solo tem uma cor muito acinzentada/esbranquiçada e que se parece, na melhor das hipóteses, com marrom. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E já que eu falei no Monte Olimpo, tem o outro problema: eu não fazia ideia de qual é a distância entre o vulcão e a região de Cydonia quando eu escrevi o texto, então o fato desta distância estar relativamente correta no conto foi pura sorte.</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.frutomaldito.com/feeds/3129094601807097816/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.frutomaldito.com/2012/04/antes-de-mais-nada-eu-quero-explicar.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2485332272413504053/posts/default/3129094601807097816'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2485332272413504053/posts/default/3129094601807097816'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.frutomaldito.com/2012/04/antes-de-mais-nada-eu-quero-explicar.html' title='Do Topo de uma Torre'/><author><name>Caio Ranieri</name><uri>https://plus.google.com/104556725618588461707</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh5.googleusercontent.com/-bttC9RL9m9Y/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAu4/U8DcWwCqabU/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2485332272413504053.post-1407470084373040186</id><published>2012-02-28T18:22:00.000-03:00</published><updated>2012-08-24T13:24:44.964-03:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Ficção"/><title type='text'>Dois Mil e Treze – Parte XI (Final)</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;i&gt;(Atualizado em 24 de Agosto de 2012.)&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p style=&quot;text-align: right;&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;a href=&quot;http://www.frutomaldito.com/2012/02/dois-mil-e-treze-parte-ix.html&quot;&gt;Clique aqui para ler a parte IX&lt;/a&gt;.&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
D&lt;span style=&quot;font-size:0.7em&quot;&gt;EZEMBRO&lt;/span&gt;.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Marco sentou-se diante do computador antigo e conectou-se à antiga internet, onde foi informado de algo um tanto quanto assustador.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Quando o mundo virtual que substituiu a internet surgira, em poucos dias havia adquirido mais visitantes do que a internet já possuiu. Agora, no entanto, o número de visitas a ele vem diminuindo consideravelmente. E o número de pessoas que andavam pelas ruas não aumenta.&lt;/p&gt;

&lt;p style=&quot;text-align:center;&quot;&gt;***&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Vida extraterrestre inteligente.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Um novo planeta foi encontrado na mesma galáxia de Hipnos. Para manter a velha tradição este também recebeu um nome vindo da mitologia grega: Moros, o deus do destino. A espécie dominante daquele planeta era bastante similar aos seres humanos, o que foi uma imensa surpresa para os cientistas, devido à grande improbabilidade de algo assim acontecer.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Estes seres construíam cidades e tinham uma tecnologia também muito parecida com a criada pelos seres humanos, porém um pouco mais primitiva. Tal semelhança da vida extraterrestre com a vida originada na Terra levou muitos cientistas a acreditarem que talvez este seja o único tipo de vida que pode existir no universo, enquanto muitos outros dizem que é apenas o tipo de vida com as melhores chances de surgir.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Os habitantes de Moros eram observados sem saber disso. Não houveram tentativas de comunicação, e qualquer tipo de intervenção humana naquele planeta estava proibida até que fosse determinado que era seguro.&lt;/p&gt;

&lt;p style=&quot;text-align:center;&quot;&gt;***&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;— Vida inteligente fora da Terra? — disse Joanne, e logo depois se corrigiu — Vida inteligente &lt;i&gt;originada&lt;/i&gt; fora da Terra!? Isso é inacreditável!&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;— Faz a gente pensar, não é? — respondeu Marco. — Que nós não somos tão especiais assim. Que a vida não é algo tão raro quanto imaginávamos. E, é claro, que se nós encontramos vida inteligente, então outros podem nos encontrar da mesma forma.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;— Isso é… — disse Ed — Assustador.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;— Sim. Assim como tudo o que vem acontecendo ultimamente… Acho que já disse isso antes. — Marco respirou fundo, olhou a praça ao seu redor. Nenhuma pessoa além de Joanne, Ed e, é claro, ele próprio. Estranhamente aquele era o pôr do Sol mais bonito que ele já chegou a ver — Tem uma outra coisa que me preocupa. Essa nova internet. Vocês chegaram a notar que há cada vez menos visitantes nela?&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;— Mas como você pode saber de algo assim? — Perguntou Ed — Eu pensei que você não entrasse mais na internet.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;— Não importa. Eu só sei.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;— Tudo bem. De qualquer forma, você tem razão. Ainda tem muita gente por lá, mas muito menos do que antes. Parece que ninguém percebe isso, no entanto.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;— Era o que eu temia.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;— O você acha que está acontecendo? — Joanne perguntou.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;— Eu não sei. E isso é que mais me incomoda.&lt;/p&gt;

&lt;p style=&quot;text-align:center;&quot;&gt;***&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Marco se mantinha informado pelos servidores caseiros escondidos na antiga internet. À medida que o fim do mês se aproximava, o número de pessoas no mundo virtual que era a nova internet se tornava menor. Faltava muito pouco para ficar totalmente vazio.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Ele não podia suportar o fato de que ele era um personagem passivo nessa história, que não fazia nada além de observar o que acontecia. Ele precisava fazer alguma coisa.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Então ele saiu correndo de casa. Bateu nas portas de várias casas de estranhos. Bateu mesmo, espancou; esmurrou, deu joelhadas, pontapés, e até mesmo uma ou duas cabeçadas. Mas não houve nenhuma resposta.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Ele correu para a mesma praça de sempre, parou bem no meio e deu um grito para o céu. Em uma cena assim era de se esperar que os pássaros se assustassem e levantassem voo, mas isso também não aconteceu. Não haviam pássaros.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Marco caiu de joelhos no chão. Ele não sabia o que fazer, não tinha o que fazer. Então ele chorou.&lt;/p&gt;

&lt;p style=&quot;text-align:center;&quot;&gt;***&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Eventualmente, Marco se acalmou e voltou para casa.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Devia ter algo que ele pudesse fazer, qualquer coisa; nem que fosse apenas entender o que estava havendo.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Era isso. Ele nunca havia compreendido o que acontecia. Ele deveria ter tentando tudo o possível para entender as coisas desde o início.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Então ele se sentou diante do computador e começou a pesquisar. Ficou ali por dias.&lt;/p&gt;

&lt;p style=&quot;text-align:center;&quot;&gt;***&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;21 de Dezembro de 2013.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;De repente, Marco decidiu analisar o que havia acontecido &lt;i&gt;antes&lt;/i&gt; da assim chamada Singularidade. Tudo o que ele pesquisou este tempo todo foram coisas que aconteceram depois deste evento. Ele se sentiu um tanto quanto estúpido por não ter percebido isto logo.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Então Marco encontrou uma página num dos cantos mais obscuros daquela internet que já era muito obscura. Uma pessoa havia armazenado uma imensa quantidade de páginas da antiga internet antes que ela fosse substituída e as disponibilizou em um servidor caseiro depois. Muitas destas páginas, como Marco pôde notar, nem sequer haviam sido visualizadas desde então.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;A página falava sobre a explosão tecnológica que causou a Singularidade. E, quando Marco viu a data que separava a tecnologia da hiper tecnologia, ele finalmente entendeu tudo.&lt;/p&gt;

&lt;p style=&quot;text-align:center;&quot;&gt;21 de Dezembro de 2012.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;“Maias…”, ele pensou.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Então ele suspirou, fechou os olhos.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;E sorriu.&lt;/p&gt;

&lt;p style=&quot;text-align:center;&quot;&gt;—&lt;/p&gt;

&lt;br /&gt;
-Comentários do Autor- &lt;br /&gt;O FIM!&lt;br /&gt; Eu não sei, mas tenho uma sensação de que este final vai decepcionar algumas pessoas… Mas acho que é o único que serve para essa história.</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.frutomaldito.com/feeds/1407470084373040186/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.frutomaldito.com/2012/02/dois-mil-e-treze-parte-xi-final.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2485332272413504053/posts/default/1407470084373040186'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2485332272413504053/posts/default/1407470084373040186'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.frutomaldito.com/2012/02/dois-mil-e-treze-parte-xi-final.html' title='Dois Mil e Treze – Parte XI (Final)'/><author><name>Caio Ranieri</name><uri>https://plus.google.com/104556725618588461707</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh5.googleusercontent.com/-bttC9RL9m9Y/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAu4/U8DcWwCqabU/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2485332272413504053.post-6349374743490502264</id><published>2012-02-26T16:40:00.000-03:00</published><updated>2012-08-24T13:17:42.258-03:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Ficção"/><title type='text'>Dois Mil e Treze – Parte X</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;i&gt;(Atualizado em 24 de Agosto de 2012.)&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p style=&quot;text-align:right;&quot;&gt;&lt;b&gt;&lt;a href=&quot;http://www.frutomaldito.com/2012/02/dois-mil-e-treze-parte-ix.html&quot;&gt;Clique aqui para ler a parte IX&lt;/a&gt;.&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
N&lt;span style=&quot;font-size:0.7em;&quot;&gt;OVEMBRO&lt;/span&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Exceto pelas pessoas que vinham desembarcando de naves espaciais – e voltando logo para suas casas –, não se viam pessoas andando pelas ruas.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;A internet não existe mais. Ao invés disso, há um mundo virtual gigantesco onde as pessoas podem fazer tudo que quiserem, que só é chamado de internet por tradição. Marco não acredita que as pessoas possam preferir uma vida artificial à vida real; no entanto, é verdade.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Não só a vida das pessoas pode ser artificial. Agora também existe a possibilidade de que existam pessoas artificiais. Todos os órgãos humanos podem ser feitos em laboratório, sendo cem por cento funcionais e, por serem construídos a partir do DNA do paciente, não há risco de rejeição. Os cientistas dizem, no entanto, que o cérebro é o único órgão que não pode ser fabricado; Marco tem dificuldades em acreditar nisso.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;“É claro que eles estão mentindo. Sim, o cérebro pode ser construído artificialmente. É claro que pode. Eles só não contam isso para não assustar a população mais do que o necessário.”&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Essa tecnologia está sendo usada para substituir os órgãos mais danificados das vítimas do acidente radiativo de Marte. Acredita-se que pelo menos 90% da população do planeta poderá ser descongelada.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;As viagens espaciais ainda estão suspensas, até que haja uma solução para o problema causado pelas instabilidades no espaço-tempo.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Sentado no banco da praça, pensando em todas essas coisas, Marco diz em voz alta, sem ninguém para ouvir:&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;— Mas o que isso tudo significa?&lt;/p&gt;

&lt;p style=&quot;text-align:center;&quot;&gt;***&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;— Então, todos os órgão humanos podem ser criados em laboratório? — Joanne deu um soco no ar, e sua mão recuou como se tivesse atingido alguma superfície elástica. Ela vestia uma imensa armadura robótica e parecia estar lutando com uma pessoa invisível, dando diversos golpes no ar.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;— Estão dizendo que o cérebro é o único órgão que não pode ser criado dessa forma.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;— Talvez o cérebro seja complexo demais. — Joanne deu um chute, movimento que foi reproduzido por uma representação dela mesma na TV, atingindo o inimigo virtual na barriga e derrubando-o no chão; então surgiu uma mensagem na tela dizendo que ela havia vencido a luta, e Joanne gritou ergueu o punho direito, comemorando sua vitória.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;— Está brincando, Joanne? — indagou Marco — Nós temos tecnologia de leitura de mentes, nós temos o BranXtractor. É óbvio que os cientistas entendem o cérebro humano bem o suficiente para cloná-lo, e eu não gosto nada disso.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;— Que tal outra luta, Joanne? — Era a voz de Ed, vindo da televisão — Oh, espere… Você não quer jogar também Marco?&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;— Não, obrigado.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;— Ah, então tá. Joanne, você devia jogar isso com uma holovisão, é incrível!&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;— Não mesmo, — ela respondeu — é realista demais para mim.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;— Eu não sei como vocês dois conseguem jogar isso, — disse Marco — quando estamos à beira do que pode ser o fim da humanidade.&lt;/p&gt;

&lt;p style=&quot;text-align:center;&quot;&gt;***&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Apenas por curiosidade, Marco decidiu entrar na internet. Não no mundo virtual que agora a substituía; não, Marco queria manter o máximo de distância daquilo. A internet em que ele tentou entrar era a mesma internet que já existia quando ele nasceu.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Marco sabia que todos os servidores desta internet haviam sido fechados, mas ele imaginou que com seus conhecimentos de tecnologia que, segundo Joanne, eram os de um gênio, ele seria capaz de encontrar algum servidor caseiro, caso existisse. E funcionou.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Ele encontrou redes sociais de pessoas com uma aversão à hiper tecnologia semelhante a sua própria. Encontrou diversas teorias sobre o que podia estar acontecendo, como a ideia de que toda essa tecnologia só poderia existir se os cientistas houvessem encontrado vida extraterrestre com inteligência superior à humana, e que tal tecnologia estaria sendo usada para transformar as pessoas em seres antissociais. Esta ideia chamou a atenção de Marco, não por ser nova para ele – pois era, de fato, quase a mesma coisa que ele pensava –, mas porque eram exibidas evidências para suportá-las que ele jamais havia visto.&lt;/p&gt;

&lt;p style=&quot;text-align:center;&quot;&gt;—&lt;/p&gt;

&lt;p style=&quot;text-align:right;&quot;&gt;&lt;b&gt;&lt;a href=&quot;http://www.frutomaldito.com/2012/02/dois-mil-e-treze-parte-xi-final.html&quot;&gt;Clique aqui para ler a parte XI (Final)&lt;/a&gt;.&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;-Comentários do Autor- &lt;br /&gt;Desta vez a próxima parte não está pronta (oh noes!). No entanto, será a última parte! Não acredito que finalmente estou terminando essa história. E logo agora que eu estava começando a gostar dos personagens... Ah, mas o que eu estou dizendo!? Eu ainda vou ter que revisar tudo para postar no Scribd!&lt;/p&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.frutomaldito.com/feeds/6349374743490502264/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.frutomaldito.com/2012/02/dois-mil-e-treze-parte-x.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2485332272413504053/posts/default/6349374743490502264'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2485332272413504053/posts/default/6349374743490502264'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.frutomaldito.com/2012/02/dois-mil-e-treze-parte-x.html' title='Dois Mil e Treze – Parte X'/><author><name>Caio Ranieri</name><uri>https://plus.google.com/104556725618588461707</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh5.googleusercontent.com/-bttC9RL9m9Y/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAu4/U8DcWwCqabU/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2485332272413504053.post-2923758875462338432</id><published>2012-02-24T21:38:00.000-02:00</published><updated>2012-08-24T13:25:20.794-03:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Ficção"/><title type='text'>Dois Mil e Treze – Parte IX</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;i&gt;(Atualizado em 24 de Agosto de 2012.)&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p style=&quot;text-align: right;&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;a href=&quot;http://www.frutomaldito.com/2012/02/dois-mil-e-treze-parte-viii.html&quot;&gt;Clique aqui para ler a parte VIII&lt;/a&gt;.&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;O&lt;span style=&quot;font-size:0.7em&quot;&gt;UTUBRO&lt;/span&gt;.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;As ruas da cidade se esvaziaram mais uma vez. E, desta vez, nem mesmo os androides as ocupavam.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Não era fácil dizer o que fazia com que as pessoas se isolassem do mundo em suas casas, depois voltassem para as ruas, e logo se isolassem novamente. Mas Marco, que nunca deixava de acompanhar o desenvolvimento da hiper tecnologia pela internet, achou ter visto o padrão.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Quando uma nova tecnologia aparecia, as pessoas ficavam em casa. Uma ou duas semanas depois, elas saíam; até surgir outra tecnologia. Porém haviam momentos que não condiziam com o padrão, como no começo do ano, com o Dreamulator.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Dreamulator. Ninguém mais se lembrava que isso existiu.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;É claro que não. Havia algo muito mais interessante agora. A recém-criada holovisão.&lt;/p&gt;

&lt;p style=&quot;text-align:center;&quot;&gt;***&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Não foi a holovisão, no entanto, que fez com que se trancassem para, aparentemente, nunca mais saírem. Quando chegou o tempo em que Marco imaginou que as ruas seriam novamente ocupadas, aconteceu algo que aterrorizou toda humanidade.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Era o ápice da viagens espaciais. Existiam tantas naves construídas por seres humanos espalhadas pelo universo que elas carregavam 4,5 dos 7,5 bilhões de pessoas que vivem hoje, com o objetivo de colonizarem planetas até então desconhecidos.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Mas quase todas estas naves desapareceram.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Como isso aconteceu, ninguém sabe. Mas agora todos estão apavorados demais para saírem de casa. Para muitos o desaparecimento das naves parece uma prova irrefutável de existem alienígenas que querem destruir a raça humana de uma vez por todas, e quem tentar sair de casa será abduzido no instante em que colocar um pé do lado de fora.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Os cientistas, por outro lado, acreditam que pode ter havido alguma instabilidade no hiperespaço que transportou as naves para um universo paralelo, e logo eles descobrirão uma forma de trazê-las de volta.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;No entanto surgiu um grande problema com isso. Os recursos dos habitantes de outros planetas vêm da Terra. E enquanto as naves não forem encontradas, todas as viagens hiperespaciais estão suspensas. Em pouco tempo estes planetas poderão ficar sem recursos, causando a inevitável morte de toda sua população. Neste caso os únicos sobreviventes seriam os habitantes da Terra, da Lua e de Marte.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Marco não sabia se devia confiar no que diziam os cientistas ou se devia acreditar na ideia de que era um ataque alienígena que havia se espalhado pela população aparentemente sem motivo. Mas sabia de uma coisa:&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Ele não ia ficar trancado dentro de casa.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Andou pelas ruas vazias, pensando sobre tudo o que estava acontecendo. Por que ele não conseguia descobrir o que estava de errado? Ele tinha a sensação de que devia saber o que era, mas não importava o que fizesse, ele era incapaz de dizer o quê.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Chegou à praça. Nenhum sinal de vida além das árvores. Sentou-se no banco, e ficou olhando para o céu por mais tempo do que imaginou que seria capaz.&lt;/p&gt;

&lt;p style=&quot;text-align:center;&quot;&gt;***&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;— Ei, Marco! — alguém gritou — Marco!! — gritou novamente, mais alto.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Ele abriu os olhos. Era Joanne.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;— Ahn, o quê? O que aconteceu?&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;— Você estava dormindo neste banco — Ed respondeu. Marco não havia percebido que ele estava lá até então.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Marco se sentou.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;— Que estranho… eu achei que tinha voltado para casa. Não, na verdade eu tinha &lt;i&gt;certeza&lt;/i&gt;. — ele sacudiu a cabeça e suspirou — De qualquer forma… imagino que vocês sabem do desastre espacial que acaba de acontecer.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;— Sim, sabemos, — disse Joanne — mais da metade das pessoas pelo universo estavam naquelas naves. É terrível.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;— Sabe uma coisa curiosa? Eu só percebi o quanto a população da Terra estava diminuindo por causa disso. Eu sabia que muitas pessoas estavam em outros planetas, especialmente em Marte. É verdade que nossa população é superior a sete bilhões e meio. Mas já faz um tempo que, aqui na Terra, a população é só um pouco mais de um bilhão. E só parou de diminuir por causa desse desastre. Como eu deixei isso passar?&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;— Você não acha que se você tivesse percebido, poderia ter feito alguma coisa, acha? — Joanne perguntou.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;— Eu não sei… Mas eu não consigo acreditar que eu fui tão cego. — e deu um suspiro — Eu queria saber o que está acontecendo.&lt;/p&gt;

&lt;p style=&quot;text-align:center;&quot;&gt;***&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Faltando três dias para acabar o mês, uma das naves desaparecidas reapareceu. Uma cientista que trabalhava na nave explicou que ninguém havia percebido o que aconteceu, até que algumas naves começaram a desembarcar em Marte e na Lua, e perceberem que não havia nenhum sinal de vida. O planeta Hipnos também estava vazio.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Esta cientista percebeu que estava em um universo paralelo devido a uma falha de estabilidade no hiperespaço e descobriu, sozinha, uma forma de voltar. Aos poucos, as outras naves foram sendo trazidas de volta, num processo que seria concluído na primeira metade do mês seguinte.&lt;/p&gt;

&lt;p style=&quot;text-align:center;&quot;&gt;—&lt;/p&gt;

&lt;p style=&quot;text-align: right;&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;a href=&quot;http://www.frutomaldito.com/2012/02/dois-mil-e-treze-parte-x.html&quot;&gt;Clique aqui para ler a parte X&lt;/a&gt;.&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt; -Comentários do Autor- &lt;br /&gt;Yay! Parte nove!
&lt;p&gt;Como vocês devem ter previsto, a décima parte já está pronta, o que significa que só falta uma parte a ser escrita. Além disso, a última será bem mais curta do que eu imaginava, pois eu cheguei perto do fim mais rápido do que o esperado; então a última parte, que era para ser a mais longa de todas, pode acabar sendo a mais curta.&lt;/p&gt;
&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
A princípio, eu não queria usar a palavra holovisão, porque ela já é usada com significados diferentes do significado que eu usei. Mas é uma palavra boa demais para não se usar.
&lt;/p&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.frutomaldito.com/feeds/2923758875462338432/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.frutomaldito.com/2012/02/dois-mil-e-treze-parte-ix.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2485332272413504053/posts/default/2923758875462338432'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2485332272413504053/posts/default/2923758875462338432'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.frutomaldito.com/2012/02/dois-mil-e-treze-parte-ix.html' title='Dois Mil e Treze – Parte IX'/><author><name>Caio Ranieri</name><uri>https://plus.google.com/104556725618588461707</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh5.googleusercontent.com/-bttC9RL9m9Y/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAu4/U8DcWwCqabU/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2485332272413504053.post-8717137530163238286</id><published>2012-02-23T10:48:00.000-02:00</published><updated>2012-08-24T13:15:07.862-03:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Ficção"/><title type='text'>Dois Mil e Treze – Parte VIII</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;i&gt;(Atualizado em 24 de Agosto de 2012.)&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p style=&quot;text-align:right;&quot;&gt;&lt;b&gt;&lt;a href=&quot;http://www.frutomaldito.com/2012/02/dois-mil-e-treze-parte-vii.html&quot;&gt;Clique aqui para ler a parte VII&lt;/a&gt;.&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;S&lt;span style=&quot;font-size:0.7em;&quot;&gt;ETEMBRO&lt;/span&gt;.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Joanne acordou com o barulho de seu celular. Havia recebido uma mensagem que dizia apenas “Praça. Agora.”.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Sem se preocupar em observar quem lhe havia enviado a mensagem – presumindo que era Ed –, Joanne se vestiu e saiu de casa. Foi à praça andando.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Quando, há poucos metros do local, ela viu um rapaz sentado no banco, ela não conseguiu acreditar; convenceu-se de que era algum tipo de ilusão. Porém à medida que se aproximava, a ideia de uma ilusão se dissipava, e as lágrimas – não de tristeza, mas de algum outro sentimento; mas qual? – começavam a encher-lhe os olhos.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;— Marco… — soluçou.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Ela estava atrás do banco, e Marco girou a cabeça até que pudesse vê-la, no exato momento em que o punho da garota o atingiu no maxilar. Raiva, claro.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;— Como você pôde fazer isso comigo!?!? — vociferou — Desaparecer sem deixar nenhum aviso! — e seu tom de voz baixou: — Como você pôde ser tão irresponsável? — caiu de joelhos, e cobriu os olhos, chorando — Eu fiquei tão preocupada… eu…&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Por alguns segundos, Marco não soube o que fazer; talvez a dor no queixo tenha bagunçado um pouco o seu cérebro. Então ele deu a volta no banco e a abraçou, e não largou enquanto ela não parou de chorar.&lt;/p&gt;

&lt;p style=&quot;text-align:center;&quot;&gt;***&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;— Então você também leu sobre o tal de AR-HID — disse Marco; eles estavam agora sentados no banco, olhando para as ruas povoadas por robôs e humanos. Mais robôs do que humanos; muito mais. — Como você se sentiu quando leu?&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;— Eu não sei ao certo — ela respondeu —, senti náuseas. Um pouco de medo, talvez.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;— É, eu também. E eu li muitas outras coisas que me deixaram bastante perturbado. Há mais de um mês eu mostrei a Ed um aparelho chamado BranXtractor, e pouco tempo depois, eu vi o que as pessoas andam fazendo com ele. Elas andam publicando dezenas, talvez centenas de imagens, sons, vídeos e textos gerados diretamente de suas mentes. Você consegue entender o quão terrível é isso?&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;— Não tenho certeza. Mas de alguma forma eu sinto que seja algo muito ruim. Todas estas coisas que sempre te incomodaram, Marco, começaram a me incomodar recentemente.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;— As pessoas estão colocando seus cérebros na internet, Jo. Estão literalmente dizendo “ei, que tal dar uma boa olhada em tudo que se passa na minha cabeça?”. É verdade que o que chamam de ruído só pode, em teoria, ser entendido pela mesma pessoa de quem a mente foi “extraída”. Mas, e quanto aos cientistas que criaram esta tecnologia, hein? Você não acha que eles devem ser capazes de decodificar este tal ruído?&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;— Meu deus!… — disse Joanne, pela primeira vez entendendo tudo o que Marco dizia, sem ficar confusa ou achar que ele estava ficando biruta.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;— Você se lembra quando eu falei sobre as pessoas estarem lendo muitos textos na internet, sem nenhum motivo razoável? E disse que era um sinal de que algo estranho estava acontecendo?&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;— Eu me lembro, sim. E também me lembro de ter dito que era loucura. Não parece loucura agora.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;— Eu continuei verificando isto — Marco falou — Vasculhei por informações por toda a internet. Você não vai acreditar no que eu descobri — ele esperou que Joanne dissesse alguma coisa, mas ela permaneceu em silêncio — Rastreei a atividade na internet de pelo menos 30 destas pessoas que andam expondo sua mente de forma indiscriminada pela rede. Todos eram leitores dos mesmos textos dos quais falei no passado. Todos eles.&lt;/p&gt;

&lt;p style=&quot;text-align:center;&quot;&gt;***&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Vida extraterrestre.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Nenhuma vida inteligente, ainda. Mas foi encontrado um planeta em um sistema estelar semelhante ao sistema em que a Terra se encontra, onde há uma vida incrivelmente familiar. O seres que viviam naquele planeta, que recebeu o nome de Hipnos – o deus grego do sono –, podiam ser facilmente classificados de acordo com os mesmos padrões já usados no planeta natal dos humanos.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Haviam animais que possuíam uma semelhança marcante com as aves mas que, curiosamente, não tinham asas. Os seres que voavam eram todos tipos de mamíferos. E formas de vida fixas ao solo e espalhadas por toda parte, as plantas daquele planeta, possuíam estruturas semelhantes a folhas, porém de cor quase sempre azulada. Hipnos parecia muito com uma Terra alternativa em que a evolução tivesse tomado algumas “decisões” diferentes.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Não demorou muito para que a carne daqueles animais e os frutos daquelas plantas virassem comida para os seres humanos. Entretanto, essa comida jamais chegou à Terra, sendo exclusiva dos cidadãos de Marte, e tornando-se o alimento padrão de todo aquele planeta.&lt;/p&gt;

&lt;p style=&quot;text-align:center;&quot;&gt;***&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;— Eu não sei todos os detalhes, — disse Marco — mas ninguém sequer pensou em analisar os níveis de radiatividade de Hipnos. Agora todo o planeta Marte está contaminado e sua população, por causa disso, foi totalmente isolada do resto do universo.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;— É meio estranho dizer isso, “isolada do resto do universo”. É difícil conseguir absorver a ideia de pessoas vivendo em outros planetas. Em outras galáxias — respondeu Joanne.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;— Engraçado, — disse Ed. Os três estavam em sua casa, Marco e Joanne sentados no mesmo sofá na sala de estar, enquanto ele instalava a holovisão que havia acabado de comprar — eu sempre me senti muito confortável com a hiper tecnologia, sabe? Como se antes dela houvesse algo faltando no mundo. — Ed olhou para o objeto cúbico que segurava entre o indicador e o polegar, tão pequeno quando a unha de seu dedo mínimo, como quem estivesse tentando descobrir o que era aquilo — Mas depois de ouvir essa história, essa coisa toda está começando a me assustar. — ele colocou o cubo no objeto metálico em sua cabeça que tinha alguma semelhança com uma coroa – é claro, aquele cubo era o controle telepático da holovisão. — Quem diria que as primeiras formas de vida extraterrestre que encontraríamos seriam radiativas?&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Uma imagem tridimensional se formou e preencheu a metade da sala mais próxima da holovisão. Um paciente sobre uma cama de hospital, um médico o diagnosticando com alguma doença de nome quase impronunciável. Era impossível distinguir os personagens fictícios da realidade.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Ed se sentou na ponta vaga do sofá, do lado esquerdo de Marco, que disse:&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;— Eu diria. Aprendi a sempre esperar pelo pior.&lt;/p&gt;

&lt;p style=&quot;text-align:center;&quot;&gt;***&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;O acidente radiativo de Marte matou quase metade da população do planeta e deixou todos os sobreviventes contaminados. Este acidente também antecipou o surgimento de uma nova tecnologia: a criogenização.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;As primeiras pessoas a serem congeladas foram 80% da população restante de Marte, para permanecerem neste estado até que fosse descoberta uma forma de reverter os efeitos da radiatividade. Os outros 20% – correspondentes aos que sofreram menos com a contaminação – só poderiam ser congelados semanas mais tarde.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;As próximas pessoas a serem congeladas teriam de pagar uma fortuna pelo serviço – especialmente devido ao prejuízo causado com o congelamento dos 900 milhões de pessoas que viviam no planeta vermelho.&lt;/p&gt;

&lt;p style=&quot;text-align:center;&quot;&gt;—&lt;/p&gt;

&lt;p style=&quot;text-align:right;&quot;&gt;&lt;b&gt;&lt;a href=&quot;http://www.frutomaldito.com/2012/02/dois-mil-e-treze-parte-ix.html&quot;&gt;Clique aqui para ler a parte IX&lt;/a&gt;.&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt; -Comentários do Autor- &lt;br /&gt;Wow! Estamos bem pertinho do fim agora! São mais três partes para postar aqui, das quais uma e meia já estão escritas. &lt;/p&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.frutomaldito.com/feeds/8717137530163238286/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.frutomaldito.com/2012/02/dois-mil-e-treze-parte-viii.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2485332272413504053/posts/default/8717137530163238286'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2485332272413504053/posts/default/8717137530163238286'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.frutomaldito.com/2012/02/dois-mil-e-treze-parte-viii.html' title='Dois Mil e Treze – Parte VIII'/><author><name>Caio Ranieri</name><uri>https://plus.google.com/104556725618588461707</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh5.googleusercontent.com/-bttC9RL9m9Y/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAu4/U8DcWwCqabU/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2485332272413504053.post-2594010264396454838</id><published>2012-02-19T12:00:00.000-02:00</published><updated>2012-02-19T12:56:15.713-02:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Sem Rumo"/><title type='text'>Três Anos</title><content type='html'>Hoje é o aniversário de três anos do blog.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Essa é a primeira postagem de aniversário do blog que eu faço do jeito certo (i.e. na data certa e falando realmente sobre o aniversário do blog).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O problema é que eu não faço ideia de como uma postagem de aniversário de um blog deve ser. Quero dizer, falar que o blog faz aniversário hoje já não basta? Por que eu deveria fazer algo além disso?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De qualquer forma, eu fiz esse desenho, para &quot;comemorar&quot; a data:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;a href=&quot;http://4.bp.blogspot.com/-m8y5Szm6tBw/T0BbLfeM7nI/AAAAAAAAAio/VSxPVejRrUE/s1600/apples.jpg&quot; imageanchor=&quot;1&quot; style=&quot;margin-left: 1em; margin-right: 1em;&quot;&gt;&lt;img border=&quot;0&quot; height=&quot;292&quot; src=&quot;http://4.bp.blogspot.com/-m8y5Szm6tBw/T0BbLfeM7nI/AAAAAAAAAio/VSxPVejRrUE/s640/apples.jpg&quot; width=&quot;500&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class=&quot;separator&quot; style=&quot;clear: both; text-align: center;&quot;&gt;
&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
É isso.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
P.S.: Para quem estiver curioso, o desenho foi feito a lápis e pintado no GIMP.</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.frutomaldito.com/feeds/2594010264396454838/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.frutomaldito.com/2012/02/tres-anos.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2485332272413504053/posts/default/2594010264396454838'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2485332272413504053/posts/default/2594010264396454838'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.frutomaldito.com/2012/02/tres-anos.html' title='Três Anos'/><author><name>Caio Ranieri</name><uri>https://plus.google.com/104556725618588461707</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh5.googleusercontent.com/-bttC9RL9m9Y/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAu4/U8DcWwCqabU/s512-c/photo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://4.bp.blogspot.com/-m8y5Szm6tBw/T0BbLfeM7nI/AAAAAAAAAio/VSxPVejRrUE/s72-c/apples.jpg" height="72" width="72"/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2485332272413504053.post-7576502680002598736</id><published>2012-02-03T19:01:00.000-02:00</published><updated>2012-08-24T13:27:24.113-03:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Ficção"/><title type='text'>Dois Mil e Treze – Parte VII</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;i&gt;(Atualizado em 24 de Agosto de 2012.)&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p style=&quot;text-align: right;&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;a href=&quot;http://www.frutomaldito.com/2012/01/dois-mil-e-treze-parte-vi.html&quot;&gt;Clique aqui para ler a parte VI&lt;/a&gt;.&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;A&lt;span style=&quot;font-size:0.7em;&quot;&gt;GOSTO&lt;/span&gt;.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Joanne acordou.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Haviam pelo menos duas semanas que ela não via Marco. Estava preocupada com ele. Deveria ter começado a visitá-lo todos os dias depois que ele destruiu todos os objetos de seu quarto, ela pensou. Deveria ter feito o possível para convencê-lo a falar com um psiqui… psicólogo, ela se corrigiu.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Entrou de pijamas na cápsula que ficava próxima a sua cama e, em poucos segundos, saiu vestida de forma que poderia sair de casa. E saiu, sem tomar seu café da manhã.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;O terminal de teletransporte mais próximo ficava a menos de cem metros dali, ela entrou, inseriu seu cartão-passe no painel e digitou o código que havia associado ao terminal mais próximo da casa de Marco. Uma luz verde acendeu, e ela saiu, já na rua em que ele mora.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Tocou a campainha, e não houve resposta. Tocou novamente, esperou, e nada. Lembrou-se que Marco a havia dado o código do teletransportador pessoal que ele possuía, sem explicar a razão; então ela voltou para o terminal próximo dali.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Quando ela saiu do aparelho, estava na sala de estar de Marco. Olhou em volta; a não ser pelo teletransportador do qual havia acabado de sair, não havia nenhum sinal de hiper tecnologia à vista. Gritou o nome de Marco, e nada. Olhou por toda casa, e não havia nenhum sinal de vida.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Marco havia desparecido.&lt;/p&gt;

&lt;p style=&quot;text-align:center;&quot;&gt;***&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;— Espera, — disse Ed, Joanne havia acabado de lhe contar sobre sua ida a casa de Marco — ele não morava com os pais? Por que você não os procurou?&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;— Sim, ele morava com os pais. Mas há alguns meses eles foram para um pseudo-país recém-criado na Europa, e Marco se recusou a ir. Eles enviam dinheiro para ele todo mês. Eu não tenho ideia de como entrar em contato com eles, e Marco me disse que eles só voltariam, se não me engano, no início de 2014.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;— Então, ele sumiu mesmo, né?&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;— É, sumiu. E não há nada que eu possa fazer.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Silêncio.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Então, Ed falou:&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;— Eu preciso voltar para casa. Espero que Marco esteja em segurança.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;— É. Eu também.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Ed se levantou do banco da praça e andou até o seu carro. Antes de entrar e ir embora, perguntou a Joanne se ela iria mesmo ficar ali; ela disse que sim. Estava começando a escurecer. Joanne só se levantou muito depois de a luz do Sol se apagar.&lt;/p&gt;

&lt;p style=&quot;text-align:center;&quot;&gt;***&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;— A máquina do fim do mundo — disse Marco para si próprio, sentado diante de um computador mais antigo que a própria internet – algo considerado uma verdadeira relíquia no ano de 2013; utilizava-o em uma sala escura, onde a única luz presente vinha do monitor. Com o modem que usava, ele mal conseguia acessar os sites da antiga internet; os sites da nova internet, por sua vez, eram todos visualizados de forma incorreta, mas lhe era o bastante para acessar o conteúdo de que precisava.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;A notícia que lia era sobre a criação do “Dispositivo de Absoluta Interação Humana à Distância”, apelidado de “AR-HID”. É um aparelho que permite que dois seres humanos, separados a qualquer distância possível no mesmo planeta – seja a Terra ou Marte –, podem interagir como se estivessem na mesma sala, sem nenhum tipo de restrição. Cada pessoa envolvida controla, por intermédio de sensores presos ao corpo, um robô anatomicamente perfeito presente no mesmo local onde se encontra a outra pessoa. Interações entre três ou mais pessoas também são possíveis, mas requerem um sistema muito mais complexo.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;“Nunca mais sairão de casa”, Marco pensou, “Todos vão começar a ter relações sexuais apenas através dessa coisa. Esse dispositivo vai causar a extinção da espécie”.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Desligou o computador, ficando cercado de trevas.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;“Talvez eu deva sair”.&lt;/p&gt;

&lt;p style=&quot;text-align:center;&quot;&gt;***&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;“Marco pode ter razão”, Joanne pensou, “Talvez a hiper tecnologia seja um forma de controlar a mente das pessoas. Talvez não pertença a este tempo.”. Ela não podia acreditar que estava concordando com aquela loucura mas… talvez não fosse loucura, afinal.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;“Mas por que eu não vejo o que ele vê? Por que eu não enxergo o que está errado?”, ela se perguntou.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;— Ah, Marco — Suspirou — Onde você está?&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Era manhã. Tão logo acordou, Joanne foi até aquela praça. Nada de teletransportadores, nada de veículos que voam; ela foi andando. Muitos robôs andavam pelas ruas; e uma pessoa ou duas. Muitas vezes não era possível dizer quem era robô e quem era humano e, pela primeira vez, aquilo estava deixando Joanne perturbada. Talvez ela estivesse começando a entender a mente daquele maluco que ela tem por amigo.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;“Onde você está?”.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Joanne chorou.&lt;/p&gt;

&lt;p style=&quot;text-align:center;&quot;&gt;***&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;31 de Agosto.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Joanne leu sobre o AR-HID. Ela demorou alguns minutos para conseguir absorver aquilo.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;“Isso é terrível.”, pensou.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;“Esse aparelho está destruindo o contato humano, mas estão divulgando como se fizesse o contrário.”.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;“Eu me pergunto se Marco leu isso.”.&lt;/p&gt;

&lt;p style=&quot;text-align:center;&quot;&gt;—&lt;/p&gt;

&lt;p style=&quot;text-align: right;&quot;&gt;
&lt;b&gt;&lt;a href=&quot;http://www.frutomaldito.com/2012/02/dois-mil-e-treze-parte-viii.html&quot;&gt;Clique aqui para ler a parte VIII&lt;/a&gt;.&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;



-Comentários do Autor- &lt;br /&gt;A próxima parte – que é a melhor, na minha opinão – já está escrita. Então faltam apenas três partes para eu terminar.</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.frutomaldito.com/feeds/7576502680002598736/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.frutomaldito.com/2012/02/dois-mil-e-treze-parte-vii.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2485332272413504053/posts/default/7576502680002598736'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2485332272413504053/posts/default/7576502680002598736'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.frutomaldito.com/2012/02/dois-mil-e-treze-parte-vii.html' title='Dois Mil e Treze – Parte VII'/><author><name>Caio Ranieri</name><uri>https://plus.google.com/104556725618588461707</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh5.googleusercontent.com/-bttC9RL9m9Y/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAu4/U8DcWwCqabU/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2485332272413504053.post-5985092980135957587</id><published>2012-01-24T14:30:00.002-02:00</published><updated>2012-08-24T13:12:50.181-03:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Ficção"/><title type='text'>Dois Mil e Treze – Parte VI</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;i&gt;(Atualizado em 24 de Agosto de 2012.)&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p style=&quot;text-align:right;&quot;&gt;&lt;b&gt;&lt;a href=&quot;http://www.frutomaldito.com/2011/10/dois-mil-e-treze-parte-v.html&quot;&gt;Clique aqui para ler a parte V&lt;/a&gt;.&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
J&lt;span style=&quot;font-size:0.7em;&quot;&gt;ULHO&lt;/span&gt;.
&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;— Então, um extrator de informações mentais? — Ed perguntou, sem tirar os olhos do capacete em suas mãos. Era muito parecido com um Dreamulator, exceto pela caixa preta anexada à parte superior. — Mas isso é loucura!&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;— Dentro das condições em que nós estamos vivendo, era até esperado. — disse Marco — A tecnologia de leitura de mentes já existe a algum tempo, e até fico surpreso que o BranXtractor não exista a mais tempo.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;BranXtractor possui a tecnologia mais avançada existente, quando se fala em extrair informações da mente das pessoas.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Concentre-se em uma imagem, palavras, ou sons. Tudo em que você pensar será gravado em um cartão de memória.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;— Por que você comprou um desses? Achei que você tivesse aversão aos aparelhos de hiper tecnologia.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;— Não é aversão. É só uma… — Marco deu uma pausa, procurando pela palavra certa — antipatia. De qualquer forma, eu precisava comprar um desses para acreditar.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;— Entendo. Acho que ninguém poderia acreditar nisso sem ver pessoalmente. Mas eu ainda não vi — Ed colocou então o capacete, e fechou os olhos por alguns segundos, até que se ouviu um som de &lt;i&gt;bip&lt;/i&gt; do aparelho. — Então, como é que eu vejo a imagem?&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Marco apertou um botão sobre o capacete na cabeça de Ed, e a caixa preta sobre ele expeliu uma folha com a imagem impressa.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;— Ah! — exclamou Ed — É como uma câmera polaroide.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;— Na verdade a impressão é opcional, você também poderia transferir a imagem para um computador, ou visualizá-la pela tela do aparelho.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;A folha ficou ali no chão por alguns segundos, antes que Marco dissesse:&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;— Hã… você não vai pegar a folha para dar uma olhada?&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Ed respondeu, ao mesmo tempo em que recolhia a folha do chão:&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;— Eu já sei o que está aí, e você não. Eu esperava que você quisesse olhar prime…&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Ed ficou olhando para a imagem, atônito, sem mover um músculo. A quantidade de detalhes era incrível. Não só a imagem em que havia se concentrado se encontrava lá, mas inúmeros outros pensamentos estavam lá, em imagens superpostas; incluindo alguns dos quais nem se lembrava de ter pensado.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;— Surpreendente, não? — disse Marco — Tudo em que você pensou enquanto usava o BranXtractor foi registrado, isso se chama ruído. Demora um pouco para que o aparelho aprenda a filtrar apenas o pensamento no qual seu usuário está se concentrando. A melhor parte é que, se eu olhar essas imagens, eu não vou entender.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;— Mas por quê? Ela parece bem clara para mim.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;— Os pensamentos são seus, não meus. É provável que eu compreenda uma imagem ou outra, no meio dessa bagunça, mas só você é capaz de entender tudo até que o aparelho comece a extrair apenas imagens sem ruído da sua mente.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;— Mas ele não está configurado para a sua mente?&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;— Oh, isso não é necessário. Ele é capaz de identificar o usuário a partir dos pensamentos, e se configurar de forma automática.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;— Isso é… assustador.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;“É, sim”, Marco pensou, “Assim como toda hiper tecnologia”.&lt;/p&gt;

&lt;p style=&quot;text-align:center;&quot;&gt;***&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;O hiperespaço foi descoberto. Cientistas estavam executando experiências em que quantidades significativas de matéria eram aceleradas quase à velocidade da luz, quando perceberam que era possível fazê-las cessar o movimento dentro de um intervalo de tempo dezenas de vezes menor que um nanosegundo. Quando isto era feito, a matéria que era paralisada desaparecia, e não se sabia aonde ela ia parar. Um transmissor de rádio passou pelo experimento, e os cientistas continuaram recebendo mensagens dele, mostrando que o mesmo não havia deixado de existir, mas estava em algum lugar.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Na terceira semana do mês, a tecnologia já estava sendo usada em naves espaciais. O hiperespaço é como um espelho do universo, porém não é feito de matéria e algumas leis da física não parecem funcionar, de forma que as naves se movem muito mais rápido que a luz.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Por incrível que pareça, os cientistas não fazem a menor ideia de como isso é possível. Algumas pessoas desconfiam disso, mas os homens que fizeram a descoberta sempre explicam que, às vezes, a humanidade encontra e até controla coisas que não é capaz de entender por completo; os homens que descobriram o fogo não entendiam nada sobre combustão e, ainda assim, aprenderam manipulá-lo.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Graças a essa descoberta, colônias foram formadas em planetas por todo o universo, e os cientistas esperavam descobrir vida extraterrestre em breve.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;E Marco encontrou motivos para alimentar sua paranoia.&lt;/p&gt;

&lt;p style=&quot;text-align:center;&quot;&gt;—&lt;/p&gt;

&lt;p style=&quot;text-align:right;&quot;&gt;&lt;b&gt;&lt;a href=&quot;http://www.frutomaldito.com/2012/02/dois-mil-e-treze-parte-vii.html&quot;&gt;Clique aqui para ler a parte VII&lt;/a&gt;.&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt; -Comentários do Autor- &lt;br /&gt;Agora que eu finalmente postei essa parte, tem uma coisa que eu tenho que dizer sobre este conto: eu o estou escrevendo sem fazer nenhum tipo de revisão. Eu escrevo e pronto, nem leio o que escrevi (a menos que eu precise me lembrar de algum detalhe da história). Isso é uma coisa que eu não deveria fazer, porque o jeito &quot;certo&quot; é publicar tudo depois da revisão e tal, mas eu achei que valia a pena experimentar. Além disso, eu queria explicar porque o texto é tão pior do que o resto.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Quando eu terminar de escrever, eu provavelmente vou revisar tudo de uma vez, e postar no Scribd.&lt;/p&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.frutomaldito.com/feeds/5985092980135957587/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.frutomaldito.com/2012/01/dois-mil-e-treze-parte-vi.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2485332272413504053/posts/default/5985092980135957587'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2485332272413504053/posts/default/5985092980135957587'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.frutomaldito.com/2012/01/dois-mil-e-treze-parte-vi.html' title='Dois Mil e Treze – Parte VI'/><author><name>Caio Ranieri</name><uri>https://plus.google.com/104556725618588461707</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh5.googleusercontent.com/-bttC9RL9m9Y/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAu4/U8DcWwCqabU/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2485332272413504053.post-5681504771656721660</id><published>2012-01-14T17:43:00.000-02:00</published><updated>2013-04-17T00:52:25.473-03:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Ficção"/><title type='text'>Rupert</title><content type='html'>&lt;p&gt;Rupert, meu irmão mais novo, não era um menino como os outros. Percebemos o quanto ele era inteligente cedo. Pouco antes de fazer seis anos, ele falava de coisas que só se esperaria ouvir de adultos. Ele solucionava com facilidade problemas de matemática que viriam a me dar dores de cabeça no ensino médio. É possível que você ache que eu estou exagerando ao dizer isto, mas eu acredito que nem mesmo Einstein era como Rupert foi.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Ao mesmo tempo em que começou a mostrar sua inteligência excepcional, Rupert também apresentou uma capacidade artística incrível, fazendo recortes de papel. Na primeira vez, ele simplesmente apareceu na sala de estar, com um pedaço de papel recortado em um formato que parecia a silhueta de nossa mãe. Ele parou diante dela e disse: “olhe só, mamãe, eu fiz você”.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Ele não precisava ter dito.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Eu entendo se você não acreditar em mim, mas o recorte era tão elaborado que qualquer um teria reconhecido nele nossa mãe imediatamente. Era possível até mesmo dizer qual era seu penteado e que roupa vestia. Eu adoraria poder lhe mostrar uma foto daquele pedaço de papel, mas ele já não existe mais há anos. Tente agora imaginar a expressão de espanto no rosto da mãe; porque eu jamais conseguiria descrever.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Em poucas semanas, Rupert começou a passar muito tempo no quarto, fazendo recortes e mais recortes. Ele criou um mundo inteiro assim. Ele definiu a geografia daquele mundo, o clima de cada área, e as dezesseis estações do ano – era um sistema muito complexo, em que um planeta orbitava uma estrela que orbitava outra estrela. Passava horas recortando os habitantes do planeta, definindo sua cultura de acordo com o lugar em que viviam, elaborando os aspectos particulares dos idiomas falados em cada lugar. Era como o mundo real, em muitos aspectos.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;A primeira coisa que eu aprendi sobre o mundo que ele estava criando foi que nada é como parece. Ele me mostrou os caubóis amarelos: todos recortados em papel azul – sim, azul; Rupert explicou que eles tinham a pele azul por causa do que se come no deserto. Além disso, eles não eram caubóis, mas apenas gostavam de chamar assim a si próprios.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Contradições como esta estavam presentes por toda parte no mundo que meu irmão criou. Ele me falou das árvores altas que eram, na verdade, as mais baixas que existiam. Havia a Floresta Alta, só com árvores deste tipo – esta floresta ficava abaixo do nível do mar. Existia um povo cujo nome era, se me lembro bem, Tritões do Topo da Montanha. Preciso dizer que eles viviam ao nível do mar? Bem, na verdade eles viviam no mar, pois eram tritões de verdade. Viviam, pelo menos, relativamente próximos a montanhas.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Rupert sempre recortou apenas os personagens que viviam naquele mundo, e gostava de deixar o cenário para a sua imaginação. Mas houve um dia em que eu entrei no porão e, quando vi o chão, esqueci completamente o motivo de ter ido até alí. A maior parte do chão estava coberta de recortes de papel, formando todo um cenário de um mundo inteiro incrivelmente detalhado. Papeis sobrepondo papeis sobrepondo papeis formavam os relevos no solo; as pessoas estavam por toda a parte, presas ao chão por abas que Rupert havia colado a seus pés, assim como as inúmeras árvores formando densas florestas.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Logo reconheci o Deserto Cinzento, com sua areia alaranjada – na verdade era terra, Rupert explicou – onde viviam os caubóis amarelos, com sua cor azul que se destacava do solo. Pouco mais da metade da área coberta de papel era de um vermelho escuro – o mar. Haviam recortes de papel pendurados no teto por fios tão finos que não se viam. Claro, eram as aves que voavam pelos céus daquele mundo: os pinguins. É impossível para mim descrever o quão incrível tudo aquilo era. É uma pena que tudo que eu tenho destas coisas sejam apenas lembranças.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Em poucos dias eu comecei a passar a maior parte do tempo no porão, com Rupert. Eu observava enquanto ele fazia os recortes, e me explicando cada vez mais detalhes sobre aquele mundo, contando histórias sobre as pessoas que viviam ali.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Vou lhes contar um segredo: Esta é a minha primeira história não fictícia – digo isto mesmo sabendo que poucos ainda acreditarão quando chegarem ao fim –, porém todos os livros que eu lancei e que fizeram algum sucesso surgiram aqui. Rupert não escreveu os meus livros, eu escrevi. Todas as histórias que eu escrevi até então são criações minhas, sem dúvida. Mas se não fosse por Rupert e o mundo maravilhoso que ele criou e mostrou para mim, eu jamais teria me tornado escritor.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Por passar tanto tempo no porão com Rupert, eu comecei a ir muito mal na escola, ao ponto de meus pais acabarem me proibindo de descer ali. Foi o que fez com que eu começasse a escrever – eu precisava de algum mundo para mim que não fosse o mundo real.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Claro que eu não fiquei completamente separado do mundo que meu irmão criou, e não só por causa das minhas histórias. Rupert passou a vir ao meu quarto de vez em quando, para me mostrar recortes e contar sobre a história que ia se desenvolvendo em seu mundo. E as coisas ruins começaram a acontecer.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Toda a vida no mundo que Rupert criou começou a se degradar, ele me contou. Uma doença terrível se espalhou por toda parte, afetando todos os seres vivos. Os principais sintomas eram o apodrecimento de toda a carne e manchas escuras na pele. As árvores ficavam todas retorcidas, perderam quase todas as folhas (as que permanceram adquiriram uma coloração roxa e cinzenta) e adquiriram um cheiro putrefato.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Você deve pensar que isto não pode ser uma coisa tão ruim, afinal é só a imaginação de Rupert. Também pensei isso, no começo. Mas a mente do garoto ficou terrivelmente perturbada, e ele andava com um rosto pálido, sem expressão; era impossível olhar para ele sem sentir vontade de chorar.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;E haviam os amigos de Rupert. Ah, os amigos.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Peço desculpas por não ter falado sobre eles antes, mas só agora me dei conta de que eles tinham um papel importante na história. E eu não pretendo alterar o que já foi escrito.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Em resumo, quando eu ainda ia ao porão para ver Rupert fazer seus recortes de papel, quas sempre alguns dos amigos de Rupert também estavam lá.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;E quando esta terrível doença apareceu no mundo que ele criou, todos os seus amigos que estiveram naquele porão pelo menos uma vez começaram a agir de forma estranha. Se apavoravam com qualquer coisa sem nenhuma razão aparente, se recusavam a sair de seus quartos e não suportavam a luz – sempre queriam ficar no escuro. Também aconteceu comigo, mas por algum motivo não foi tão intenso.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Nunca descobriram qual era a causa.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Durante os dias em que a doença se espalhava, Rupert não parava de me dizer que aquilo acontecera porque ele foi distraído, que havia esquecido de criar algo que era muito importante, e agora precisava se apressar para descobrir o que era antes que todos morressem. Eu não conseguia entender – se aquela doença estava lá só podia ser Rupert quem a criou, e ele deveria ser capaz de eliminá-la quando quisesse. Ainda assim eu sabia que era muito mais do que apenas a imaginação do meu irmãozinho; afetava pessoas fora daquele mundo imaginário.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Eu tentei ajudá-lo a criar o que estava faltando. Dei todas as ideias que pude, mas sempre falhei. E então Carlos, um amigo de Rupert, desapareceu sem deixar nenhum rastro. Pouco tempo depois de eu ficar sabendo da notícia meu irmão entrou no meu quarto e me mostrou um recorte de uma pessoa. Estava um pouco disforme. Eu fiquei um pouco confuso, a princípio, mas ao ouvir o que ele disse fiquei aterrorizado:&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;“Eu achei que tinha descoberto o que estava faltando. Eu recortei o Carlos. Não funcionou.”&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;De forma inexplicável, eu compreendi uma coisa terrível: aquele papel, aquele recorte de Carlos não era um recorte – era o próprio Carlos. Minha mente gritou que aquilo era loucura, mas esta mesma mente me convenceu de que era a única explicação para o desaparecimento do garoto.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Tão logo Rupert saiu do quarto, sem dizer mais nada, eu corri para a porta e tranquei-a. Fiquei ali por pelo menos uma semana. No primerio dia minha mãe bateu à porta e perguntou se eu estava bem; eu disse que sim. Mais tarde ela me trouxe comida. Eu fui obrigado a abrir a porta para pegar, e depois tranquei de novo. Mesmo sem sair do meu quarto notei que ela agia normalmente, e meu pai também. Ela me deu comida e também água nos próximos dias, mas eu sempre joguei a comida pela janela, e só me lembro de ter bebido a água uma vez.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;De repente, sem nenhum motivo, eu decidi sair daquele quarto e descer ao porão. À medida que me aproximava da porta, eu sentia um pavor crescente, incontrolável; um forte impulso de voltar correndo para o meu quarto. Não achei que fosse conseguir chegar ao porão – cada passo exigia o máximo de esforço. Mas eu consegui.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Rupert ficou feliz ao me ver. Ele disse que havia acabado de criar o Cientista Louco, e este personagem descobrira o antídoto da doença, e queria que eu visse aquilo. O mundo de Rupert estava como antes. O meu pavor sumiu imediatamente, e eu fiquei aliviado. No dia depois disto, ouvi que todos os amigos de Rupert voltaram a agir normalmente.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Meu irmão continuou fazendo seus recortes, mas a cada dia que passava, estes ficavam cada vez mais disformes. As formas realistas de seus recortes foram dando lugar a linhas retas em ângulos esquisitos e formas assimétricas. Ele estava perdendo, aos poucos, seu talento.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Rupert tinha oito anos quando todos seus recortes assumiram formas quase irreconhecíveis. &lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Uma vez, Rupert me disse que a órbita do planeta que ele criou não era estável, e a qualquer momento ele acabaria sendo puxado pelo segundo sol e seria completamente destruído. Ele também disse que não tinha problema, pois o Cientista Louco estava criando uma máquina que destruiria um dos sóis e estabilizaria o planeta. Mais tarde o cientista cumpriu sua missão.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Neste mesmo dia, meu pai sumiu. Não havia um recorte dele.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Duas semanas depois, Rupert sumiu.&lt;/p&gt;

&lt;p style=&quot;text-align:center;&quot;&gt;***&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Eu me convenci de que tudo isto não era nada além de minha própria imaginação; eu só podia estar louco. Eu cheguei até mesmo a me convencer de que nunca tive um irmão e meu pai havia desaparecido antes mesmo de eu nascer.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Mas não se foge da realidade, ela te persegue. E não importa o quão rápido você seja, ela sempre te alcança. Mesmo tento vivido sua curta vida inteira longe da realidade, Rupert me ensinou isso.&lt;/p&gt;

 &lt;p&gt;Há poucos dias atrás, e muitos anos depois do desaparecimento do meu irmão, a realidade finalmente voltou até mim. Abri a gaveta de baixo do meu criado-mudo, e lá estava o que eu não queria acreditar que estava lá. Embaixo de alguns livros, um envelope; dentro do envelope, um pedaço de papel recortado.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Uma forma humana deformada, de cor vermelha; eu havia encontrado no dia em que Rupert sumiu – era o único recorte que estava no porão, todos os outros haviam desaparecido. Eu sabia exatamente o que era aquele pedaço de papel recortado:&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Rupert.&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align:center;&quot;&gt;—&lt;/p&gt;
&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;

-Comentários do Autor- &lt;br /&gt;
Escrito há mais de uma semana atrás, revisado hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;
Não sei o que o leitor sentiu ao ler. Mas eu, ao escrever, me senti um tanto quanto perturbado.</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.frutomaldito.com/feeds/5681504771656721660/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.frutomaldito.com/2012/01/rupert.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2485332272413504053/posts/default/5681504771656721660'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2485332272413504053/posts/default/5681504771656721660'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.frutomaldito.com/2012/01/rupert.html' title='Rupert'/><author><name>Caio Ranieri</name><uri>https://plus.google.com/104556725618588461707</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh5.googleusercontent.com/-bttC9RL9m9Y/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAu4/U8DcWwCqabU/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2485332272413504053.post-7200721518568265285</id><published>2012-01-13T13:05:00.002-02:00</published><updated>2012-01-13T13:06:41.101-02:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Em Verso"/><title type='text'>Eu quero ser eu</title><content type='html'>Por que não deixa ser eu, eu?&lt;br /&gt;
Por que faz do que não sou, eu?&lt;br /&gt;
Por que faz sentir mal, eu, comigo?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Qual problema há em ser eu&lt;br /&gt;
Para querer como outra pessoa, eu?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Eu quero ser eu&lt;br /&gt;
Eu quero para mim, eu&lt;br /&gt;
Deixa ser eu, eu&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não impeça que seja eu, eu&lt;br /&gt;
Não faça destruir, eu, eu&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
-Comentários do Autor-&lt;br /&gt;
Isso é mais um experimento com uma construção gramatical estranha do que um exercício de criatividade. Somente dois versos estão com a gramática convencional.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Posso estar enganado, mas acho que não é todo mundo que vai decifrar a gramática estranha.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
P.S.: Acabo de fazer uma &lt;a href=&quot;http://grammexp.blogspot.com/2012/01/pontuacao.html&quot;&gt;nova postagem&lt;/a&gt; lá no GrammExp, complementando a postagem &lt;a href=&quot;http://www.frutomaldito.com/2012/01/o-ponto-de-ironia.html&quot;&gt;O Ponto de Ironia&lt;/a&gt;.</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.frutomaldito.com/feeds/7200721518568265285/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.frutomaldito.com/2012/01/eu-quero-ser-eu.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2485332272413504053/posts/default/7200721518568265285'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2485332272413504053/posts/default/7200721518568265285'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.frutomaldito.com/2012/01/eu-quero-ser-eu.html' title='Eu quero ser eu'/><author><name>Caio Ranieri</name><uri>https://plus.google.com/104556725618588461707</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh5.googleusercontent.com/-bttC9RL9m9Y/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAu4/U8DcWwCqabU/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2485332272413504053.post-1036971908986056416</id><published>2012-01-03T13:25:00.002-02:00</published><updated>2012-03-10T19:09:11.164-03:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Sem Rumo"/><title type='text'>O Ponto de Ironia</title><content type='html'>Um autor francês do qual não me lembro o nome e estou com preguiça 
demais para pesquisar propôs o &lt;i&gt;ponto de ironia&lt;/i&gt;, que é um sinal gráfico 
usado no fim de uma frase para denotar sarcasmo. Esse sinal é uma 
interrogação invertida – espelhada, não de cabeça pra baixo – e em 
sobrescrito.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O cartunista brasileiro Ziraldo também propôs um ponto de ironia, que seria uma exclamação com um ponto em cima [ ị ].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O
 que estes dois &quot;pontos de ironia&quot; têm em comum, além de seu uso? Falta 
de praticidade. Ambos fazem uso de caracteres inexistentes, exigindo a 
criação de fontes especiais. O segundo, do Ziraldo, é um pouco melhor – 
afinal, eu consegui digitá-lo (ou quase), não foi? –, mas mesmo na forma
 mais prática possível, requer o uso de diacríticos combináveis, que nem
 sempre são renderizados corretamente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outro defeito é a
 ambiguidade. No caso do ponto de ironia do autor francês, você acaba 
por entoar a frase, instintivamente, como fosse uma pergunta; e o do 
Ziraldo pode ser facilmente confundido com o ponto de exclamação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Então, proponho aqui a minha versão do ponto de ironia:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
&lt;span style=&quot;font-size: x-large;&quot;&gt;‹&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;
&lt;br /&gt;
Trata-se de um caractere bastante comum, mas sem nenhum uso na língua portuguesa. Assim evitam-se tanto o problema da falta de praticidade no uso quanto o da 
ambiguidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Então você já sabe que, quando a minha amiga Yasmin diz:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&quot;Você é um gênio, Caio‹&quot;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ela só está sendo sarcástica, keke.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
P.S.:
 Meu ponto de ironia também pode ser usado mais ou menos como aspas para
 marcar somente a palavra – ou trecho – da frase onde o sarcasmo está 
&quot;concentrado&quot;, ou seja, onde a mudança de entoação seria mais notável, 
assim: &quot;Nossa, Jhonny, você é ›muito inteligente‹ mesmo!&quot;, porém o uso 
desta forma não é tão recomendável.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
P.P.S.: Este caractere não é um sinal de menor que, mas uma aspa angular simples.</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.frutomaldito.com/feeds/1036971908986056416/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.frutomaldito.com/2012/01/o-ponto-de-ironia.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2485332272413504053/posts/default/1036971908986056416'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2485332272413504053/posts/default/1036971908986056416'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.frutomaldito.com/2012/01/o-ponto-de-ironia.html' title='O Ponto de Ironia'/><author><name>Caio Ranieri</name><uri>https://plus.google.com/104556725618588461707</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh5.googleusercontent.com/-bttC9RL9m9Y/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAu4/U8DcWwCqabU/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2485332272413504053.post-6044884004488694831</id><published>2011-11-05T12:14:00.000-02:00</published><updated>2012-08-18T13:14:38.095-03:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Ficção"/><title type='text'>Três Piscadelas</title><content type='html'>&lt;p&gt;Ela abriu a porta do quarto, entrou, e se lançou na cama.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Piscou os olhos três vezes. Ela não sabia o que ia acontecer; nunca sabia, e por isso era tão divertido. O teto do quarto ficou verde. Ela abriu um sorriso, depois riu, e depois gargalhou, soluçando enquanto se esforçava para impedir o próprio riso: não queria que sua mãe aparecesse ali pra perguntar do que ela tanto ria, pois acabaria vendo o teto verde. Então a menina se perguntou o que tinha de tão engraçado em um teto verde afinal. Mas isso não importava, só era engraçado.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Ela estava grata pelo fato de só ter descoberto essa habilidade aos doze anos. Ainda era uma criança, mas não era mais ingênua o suficiente para acreditar que todos achariam isso perfeitamente natural; ela sabia que ninguém poderia tomar conhecimento de seus poderes, ou seria vista como uma aberração.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Fechou os olhos por três segundos e, quando abriu, o teto estava normal. De certa forma, isso acontecia com todos, pensou a garotinha. É claro que nem todos tinham habilidades especiais como as dela, mas ela percebia que as pessoas não têm espaço para fazer o que quiserem, sem que tenha alguém para achar isso esquisito ou errado. Isso era uma chatice.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Novamente, ela piscou os olhos três vezes. Ela demorou um pouco para ver, pois estava esperando que seria no teto de novo. Às vezes, ela cometia esse erro de esperar por algo específico, mesmo conhecendo a imprevisibilidade daquilo que fazia. Torneiras. Várias delas, espalhadas pela porta do quarto. No momento em que as viu, quase fechou os olhos de imediato, mas se deteve: as coisas nunca se repetem, e ela não poderia perder aquela oportunidade e, além disso, lembrou-se que sua habilidade jamais afeta o exterior do ambiente onde ela é usada.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;O que poderia sair daquelas torneiras? As possibilidades eram literalmente infinitas. Não precisava ser líquido, não precisava ser possível que passasse pelo cano da torneira; podia até mesmo ser perigoso. Sim, por que não? Se ela não sabe, então pode ser qualquer coisa. Não pense que há palitos de dente na caixa só porque é uma caixa de palitos de dente, ela sempre dizia para si. Abriu uma torneira.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Um pó branco começou a sair. Açúcar? Sal? Por ter pensado nessas coisas, teve certeza de que não era nem um nem outro. Fez uma concha com a mão e a colocou debaixo da torneira, enchendo-a com o pó. Lambeu, e não sentiu gosto nenhum; também não tinha cheiro. Coçou a cabeça, um pouco confusa. Derramou o pó no chão e olhou para a porta, a fim de escolher a próxima torneira. Gigante.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;A menina estava medindo um palmo de altura, encolhida pelo efeito do misterioso pó; como conseguiria abrir aquela torneira enorme? Poderia apenas fechar os olhos e voltaria ao seu tamanho normal, porém nunca mais veria aquelas torneiras, jamais saberia o que sai de cada uma, e ela não suportaria tamanha curiosidade. Olhou ao redor, em busca de qualquer coisa no quarto que poderia ajudá-la.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Uma das torneiras estava de ponta-cabeça. Estava bem perto do chão, então a garota pensou que talvez pudesse abri-la. Ela empurrou a válvula com as duas mãos, e ela girou. Da boca virada para cima da torneira jorraram milhares de pequenas esferas vermelhas, que pareciam do tamanho de aspirinas para a garota.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;As esferas quase a soterraram, mas ela foi escavando ao seu redor até que conseguiu sair. Por sorte, a torneira parou sozinha. Ela ficou parada diante do morro de bolinhas, perguntando-se o que fazer. Faria o óbvio, é claro; pegou uma e engoliu, esperando que fizesse com que ela voltasse ao tamanho normal, mas nada aconteceu.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Ela se sentou no chão e pôs-se a pensar. Ela não queria fechar os olhos para que tudo voltasse ao normal; ela queria abrir todas as torneiras, uma a uma, e ver o que sairia. Porém não havia nada no quarto que pudesse ajudá-la, e ela provavelmente seria obrigada a fechar os olhos mais cedo ou mais tarde. Ela não estava sentindo o chão abaixo de si.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Porque ele não estava lá. Ela estava flutuando.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Voou pelo quarto, rindo, girando no ar até ficar tonta. Parou olhando para a porta, escolhendo a próxima torneira. Abriu-a, e uma gosma verde saiu. Abriu outra: fogo. Mais uma: trovões; não raios, mas trovões. De uma saiu cabelo; de outra, xampu. Sapos. Alfinetes. Doces. E, o mais estranho: outras torneiras. Ela abriu todas, e se divertiu até com aquelas que a assustaram. Fechou os olhos.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Tudo estava de volta ao normal, e ela se deitou na cama de novo. Já faziam alguns meses que ela tinha esses poderes somente dela, e de ninguém mais no mundo. Pela primeira vez desde então, ela parou pra pensar sobre isso. Se perguntou por que ela tinha estes poderes, como eles teriam surgido. Um dom dado por Deus? Parecia uma ideia absurda. Talvez fosse uma habilidade que, no fundo, todo mundo tem, mas só pouquíssimas pessoas a despertam. Fazia algum sentido. Ou talvez a habilidade simplesmente não exista, e ela estaria ficando louca. Era uma ideia assustadora.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Piscou os olhos três vezes.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Vários peixes surgiram no ar, e nadavam por ali como se o quarto fosse um aquário. Ela não conseguiu achar aquilo divertido, então fechou os olhos. Seus pensamentos a estavam incomodando de tal forma que ela não poderia se divertir.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Levantou-se da cama. Saiu do quarto. Da porta, avisou para a mãe que iria para a casa de uma amiga, mas não houve resposta – talvez ela tivesse saído para comprar algo.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;A menina saiu de casa.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Não ia para a casa de uma amiga. Não sabia para onde ia; qualquer lugar serviria, desde que não fosse cercado por quatro – ou cinco ou seis ou um milhão, por que sempre tem de ser quatro? – paredes. As paredes limitavam seus poderes; ela não queria limites. Um parque, ótimo.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Sentou-se num balanço.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Piscou os olhos três vezes.&lt;/p&gt;

&lt;p style=&quot;text-align:center;&quot;&gt;—&lt;/p&gt;
&lt;br /&gt;
-Comentários do Autor- &lt;br /&gt;Eu adorei esse conto. Nem a minha narrativa exageradamente acelerada e muito pouco descritiva – quando se trata dos cenários – conseguiu estragá-lo. É o meu novo favorito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;
Eu fiquei surpreso que eu tenha conseguido escrever uma coisa assim bem no meio de um bloqueio criativo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;
Agora, se eu conheço meus leitores – ou melhor, se eu conheço as pessoas que gostam de ler –, eu acho que não vão gostar muito desse final. Por mais que eu o tenha achado perfeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span style=&quot;font-size:x-small; color:#666;&quot;&gt;(se bem que esse título...)&lt;/span&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.frutomaldito.com/feeds/6044884004488694831/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.frutomaldito.com/2011/11/tres-piscadelas.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2485332272413504053/posts/default/6044884004488694831'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2485332272413504053/posts/default/6044884004488694831'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.frutomaldito.com/2011/11/tres-piscadelas.html' title='Três Piscadelas'/><author><name>Caio Ranieri</name><uri>https://plus.google.com/104556725618588461707</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh5.googleusercontent.com/-bttC9RL9m9Y/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAu4/U8DcWwCqabU/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2485332272413504053.post-6839486635319931082</id><published>2011-10-03T12:06:00.003-03:00</published><updated>2012-08-24T13:11:40.647-03:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Ficção"/><title type='text'>Dois Mil e Treze – Parte V</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;i&gt;(Atualizado em 24 de Agosto de 2012.)&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p style=&quot;text-align:right;&quot;&gt;&lt;b&gt;&lt;a href=&quot;http://www.frutomaldito.com/2011/07/dois-mil-e-treze-parte-iv.html&quot;&gt;Clique aqui para ler a parte IV&lt;/a&gt;.&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;J&lt;span style=&quot;font-size:0.7em;&quot;&gt;UNHO&lt;/span&gt;.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Passadas duas semanas, nada de relevante aconteceu em relação à evolução tecnológica. Talvez a Singularidade tenha acabado e, assim, a tecnologia não tenha mais para onde evoluir, pensou Marco. Ou talvez a tecnologia precise parar de evoluir antes que surja algo ainda mais avançado.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;— Marco, eu não te perguntei isso antes mas… — começou Joanne — Por que você destruiu todo o seu quarto? — perguntou.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;— Não foi todo o quarto, — Eles estavam na praça, embora Marco não se sentisse tão bem quanto antes, naquele lugar. Os robôs, ou androides, apagaram a beleza dali. Será que o mundo todo estava assim? Ou será que os androides tomaram conta somente naquela cidade? Marco não havia pensado nisso antes. — foram apenas os aparelhos eletrônicos. Toda essa tecnologia… Não pertence a esse tempo, mas ao futuro. No entanto ela está aqui, ela veio parar aqui de algum jeito. Algo está errado. Muito, muito errado.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;— Com você, Marco. Algo está errado com você. Você está se ouvindo? O que está dizendo é loucura.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;— Você não precisa acreditar para que seja verdade. Olhe à sua volta, Joanne. Onde estão as pessoas? Onde!? Você vê algo que não sejam robôs!? — ele estava gritando e, quando notou, fez silêncio por uns segundos, e falou em voz baixa: — Parece até que nós somos as únicas pessoas no mundo… algo está errado, &lt;i&gt;tem&lt;/i&gt; que estar errado. Eu não posso aceitar que &lt;i&gt;isso&lt;/i&gt; seja o certo.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;— Nós? Você e eu?&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;— Você, eu e Ed. — Disse Marco, e repetiu: — Parece até que nós somos as únicas pessoas no mundo.&lt;/p&gt;

&lt;p style=&quot;text-align:center;&quot;&gt;***&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;— Interessante… — falou Marco, sozinho, diante do resultado de suas pesquisas. Era impressionante o tipo de informações que agora poderiam ser obtidas com uma busca simples pela “nova” internet. Certamente, se quisesse obter os mesmos resultados há sete meses atrás, teria gastado semanas; isto é, se fosse possível. No entanto, apenas uma hora bastou. Ele conseguiu descobrir que as pessoas quase pararam de ler material impresso, fossem livros, revistas ou jornais, ou até mesmo – pensou Marco, rindo da ideia – cardápios.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Tudo o que as pessoas queriam ler, liam on-line. Blogs de conteúdo pretensamente literário tornaram-se algumas das mais visitadas páginas da internet, nomes antes anônimos ficaram famosos ou, pelo menos, conhecidos pela maioria.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Tentando entender como era possível as pessoas passarem a ler mais ao mesmo tempo em que largavam os livros, Marco resolveu dar uma olhada por alguns destes blogs. “Como as pessoas conseguem ler este lixo?” foi o pensamento despertado por cada um dos textos que leu.&lt;/p&gt;

&lt;p style=&quot;text-align:center;&quot;&gt;***&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;— Eu já disse o quanto o que você vem falando parece loucura?&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;— Já, Joanne. — Marco respondeu — Várias vezes.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;— Mas parece que você não entendeu. E seu eu disser desse jeito?… — Joanne agarrou os ombros de Marco, olhou em seus olhos e, enquanto o sacudia, gritou: — Você está enlouquecendo!!&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Marco não reagiu, o que apenas a deixou mais preocupada. Quando ela finalmente soltou seus ombros, sem deixar de olhá-lo fixamente, ele falou:&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;— Joanne, olhe ao seu redor. Por favor, olhe! O que você vê, hein!? Carros voadores, androides, terminais de teletransporte! Teletransporte, Joanne, teletransporte!! — Exclamou, expressando o quão absurdo lhe parecia o fato, e depois disse: — Estão começando a manipular as pessoas como fossem marionetes. E estão usando a hiper tecnologia para isso.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;— Que está fazendo isso, Marco? Quem está manipulando as pessoas?&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;— Eu não sei quem são eles. Só sei que estão fazendo isso.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;— Você está pirando, Marco.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;— Não estou, não. Estes textos na internet… Nada explica porque todo mundo está tão viciado neles. A menos que haja alguma coisa neles para, não sei… controlar a mente das pessoas.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Joanne não conseguiu deixar de rir – gargalhar, na verdade – dessa afirmação. Quando parou de rir ela disse:&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;— Se você disser isso perto de um psiquiatra, vai parar numa camisa de força.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;— Isso não é piada, Jo. Eu estou falando sério. Tenho certeza de que tem alguma coisa muito errada acontecendo. — ficou em silêncio por um tempo, observou os robôs passeando, pensou sobre as cidades em Marte; e depois concluiu: — Se tem alguém que está enlouquecendo, é o mundo.&lt;/p&gt;

&lt;p style=&quot;text-align:center;&quot;&gt;—&lt;/p&gt;

&lt;p style=&quot;text-align:right;&quot;&gt;&lt;b&gt;&lt;a href=&quot;http://www.frutomaldito.com/2012/01/dois-mil-e-treze-parte-vi.html&quot;&gt;Clique aqui para ler a parte VI&lt;/a&gt;.&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;
&lt;br /&gt;
-Comentários do Autor- &lt;br /&gt;
De todas as partes desse conto esta é, digamos, a minha &quot;menos favorita&quot;. Compensarei isso na próxima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;
De qualquer forma, eu acredito que, apesar dessa demora colossal, eu vou terminar esse conto antes do ano acabar.</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.frutomaldito.com/feeds/6839486635319931082/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.frutomaldito.com/2011/10/dois-mil-e-treze-parte-v.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2485332272413504053/posts/default/6839486635319931082'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2485332272413504053/posts/default/6839486635319931082'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.frutomaldito.com/2011/10/dois-mil-e-treze-parte-v.html' title='Dois Mil e Treze – Parte V'/><author><name>Caio Ranieri</name><uri>https://plus.google.com/104556725618588461707</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh5.googleusercontent.com/-bttC9RL9m9Y/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAu4/U8DcWwCqabU/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2485332272413504053.post-8279148834172817477</id><published>2011-09-05T17:00:00.000-03:00</published><updated>2011-09-06T17:48:59.104-03:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Em Verso"/><title type='text'>Que Razão Tenho?</title><content type='html'>Você tenta&lt;br /&gt;
Fazer-me engolir&lt;br /&gt;
Teu tosco conto de fadas&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E diz ainda&lt;br /&gt;
Que não posso descrê-lo&lt;br /&gt;
Se sua falsidade não provar&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas é você, amigo&lt;br /&gt;
Que me tem que provar&lt;br /&gt;
Que é verdade este seu conto&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se não&lt;br /&gt;
Que razão tenho,&lt;br /&gt;
Então, para nele acreditar?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
-Comentários do Autor- &lt;br /&gt;
Eu não gosto tanto desse, pra falar a verdade. Mas eu precisava de uma coisa pra postar, né?</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.frutomaldito.com/feeds/8279148834172817477/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.frutomaldito.com/2011/09/que-razao-tenho.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2485332272413504053/posts/default/8279148834172817477'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2485332272413504053/posts/default/8279148834172817477'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.frutomaldito.com/2011/09/que-razao-tenho.html' title='Que Razão Tenho?'/><author><name>Caio Ranieri</name><uri>https://plus.google.com/104556725618588461707</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh5.googleusercontent.com/-bttC9RL9m9Y/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAu4/U8DcWwCqabU/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2485332272413504053.post-8590612861622653453</id><published>2011-07-19T19:46:00.005-03:00</published><updated>2013-08-06T21:51:04.400-03:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Em Verso"/><title type='text'>Será?</title><content type='html'>Há um toque de humor aqui e ali&lt;br /&gt;
Num texto meu ou noutro&lt;br /&gt;
Mas ninguém vê, e levam-nos a sério&lt;br /&gt;
Como fosse sério que os escreve&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Será que sou eu?&lt;br /&gt;
Com um senso de humor tão meu?&lt;br /&gt;
Por isso ninguém entendeu?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Eu nunca falo sério nem falei&lt;br /&gt;
Sempre brinquei ao dizer o que dizia&lt;br /&gt;
Mas ninguém ri nem nunca riu&lt;br /&gt;
Levaram a sério cada minha palavra&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Será que sou eu?&lt;br /&gt;
Com um senso de humor tão meu?&lt;br /&gt;
Por isso ninguém entendeu?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
-Comentários do Autor- &lt;br /&gt;
Esse é um texto em verso relativamente novo, que estava perdido em meus rascunhos. Minha opinião? Não é um dos meus favoritos, mas acho que já postei coisa pior aqui, então tá OK.</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.frutomaldito.com/feeds/8590612861622653453/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.frutomaldito.com/2011/07/sera.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2485332272413504053/posts/default/8590612861622653453'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2485332272413504053/posts/default/8590612861622653453'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.frutomaldito.com/2011/07/sera.html' title='Será?'/><author><name>Caio Ranieri</name><uri>https://plus.google.com/104556725618588461707</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh5.googleusercontent.com/-bttC9RL9m9Y/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAu4/U8DcWwCqabU/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2485332272413504053.post-8149275201540709658</id><published>2011-07-07T22:17:00.001-03:00</published><updated>2011-07-07T22:18:05.256-03:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Sem Rumo"/><title type='text'>A Existência</title><content type='html'>E aí pessoal, tudo bem?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esta postagem é para apresentar um novo blog que eu fiz: &lt;a href=&quot;http://a-exis.blogspot.com/&quot;&gt;A Existência&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;A Existência&lt;/i&gt; é um conto de seis finais distintos, que variam de acordo com as decisões feitas pelo leitor. Trata-se de um projeto bem pequeno. Toda a história foi escrita ontem, com todas as ramificações e etc, em 6 ou 7 folhas de caderno, e o blog foi feito hoje.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Uma parte interessante é que todas as imagens foram inseridas em CSS, de tal forma que, se eu quiser trocar qualquer uma delas (o que eu pretendo fazer), eu nunca mais preciso editar as postagens. Legal, né?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A história em si não é realmente boa, e é um tanto absurda (&lt;i&gt;propositalmente&lt;/i&gt; absurda, na verdade, mas...). A parte que eu realmente queria trabalhar era na de fazer ramificações na história e múltiplos finais, pois estou trabalhando em outras histórias do tipo. Acho que me saí bem (até fiz um inventário e tal). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
&lt;a href=&quot;http://a-exis.blogspot.com/&quot;&gt;Clique aqui&lt;/a&gt; e divirta-se (ou não)!</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.frutomaldito.com/feeds/8149275201540709658/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.frutomaldito.com/2011/07/existencia.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2485332272413504053/posts/default/8149275201540709658'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2485332272413504053/posts/default/8149275201540709658'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.frutomaldito.com/2011/07/existencia.html' title='A Existência'/><author><name>Caio Ranieri</name><uri>https://plus.google.com/104556725618588461707</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh5.googleusercontent.com/-bttC9RL9m9Y/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAu4/U8DcWwCqabU/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2485332272413504053.post-7335914090014447987</id><published>2011-07-05T20:14:00.003-03:00</published><updated>2013-05-14T21:19:15.072-03:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Nanocontos"/><title type='text'>#microcontos IV</title><content type='html'>&lt;div class=&quot;tweet-meta&quot;&gt;
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&lt;i&gt;&quot;O que está acontecendo?&quot; pensou, &quot;Quero escrever um microconto, mas não consigo pensar em nada&quot;, escreveu.&amp;nbsp;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
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&lt;span class=&quot;hash-text&quot;&gt;-&lt;i&gt;-&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span class=&quot;hash-text&quot;&gt;&lt;i&gt;&amp;nbsp;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;i&gt;Escreveu um conto em letras miúdas, disse que era microconto.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
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&lt;i&gt;Tropeçou, e acabou por fazer cair a Lua sobre a Terra.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;/div&gt;
</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.frutomaldito.com/feeds/7335914090014447987/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.frutomaldito.com/2011/07/microcontos-iv.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2485332272413504053/posts/default/7335914090014447987'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2485332272413504053/posts/default/7335914090014447987'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.frutomaldito.com/2011/07/microcontos-iv.html' title='#microcontos IV'/><author><name>Caio Ranieri</name><uri>https://plus.google.com/104556725618588461707</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh5.googleusercontent.com/-bttC9RL9m9Y/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAu4/U8DcWwCqabU/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2485332272413504053.post-6253039518686945630</id><published>2011-07-04T15:25:00.004-03:00</published><updated>2012-08-24T13:05:54.822-03:00</updated><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Ficção"/><title type='text'>Dois Mil e Treze – Parte IV</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;i&gt;(Atualizado em 24 de Agosto de 2012.)&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p style=&quot;text-align:right;&quot;&gt;&lt;b&gt;&lt;a href=&quot;http://www.frutomaldito.com/2011/06/dois-mil-e-treze-parte-iii.html&quot;&gt;Clique aqui para ler a parte III&lt;/a&gt;.&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;M&lt;span style=&quot;font-size: 0.7em;&quot;&gt;AIO&lt;/span&gt;.&lt;p&gt;Primeira semana.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Cidades inteiras construídas em Marte. Os terminais de teletransporte foram criados. E a tecnologia de microfissão começou a ser usada em quase todos os aparelhos eletrônicos.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Preocupado com a possibilidade de a energia de um teletransportador cair durante o processo, o que faria com que uma pessoa desaparecesse, Marco pesquisou um pouco mais sobre a tecnologia. O teletransporte é instantâneo.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;O tempo que leva para que uma pessoa seja teletransportada de um lugar para o outro é exatamente nenhum e, desta forma, é impossível que não haja energia durante o processo, mas apenas antes ou depois. Pessoas não podem desaparecer com o teletransporte; este tipo de coisa só pode acontecer na ficção científica. Engraçado pensar nisto… Esta realidade, o que a faz diferente da ficção científica, afinal?&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Mesmo que fosse possível o desaparecimento de uma pessoa ao ser teletransportada, isto jamais aconteceria, devido ao fato de que os terminais de teletransporte são alimentados por pastilhas de microfissão. Tudo o que Marco descobriu sobre a tecnologia é que trata-se de uma forma ridiculamente eficiente de se gerar energia. O que há dentro de uma pastilha de microfissão, que é do tamanho de uma unha, é uma matéria de baixíssima densidade, de forma que seria impossível existir matéria de densidade mais baixa. Os átomos da matéria dentro das pastilhas de microfissão passam por um processo de fissão nuclear para gerar energia, que os cientistas decidiram não explicar como funciona para o público, mas garantiram que as pastilhas não podem explodir. Se elas não explodem, Marco se perguntou, então porque os cientistas estão escondendo informações sobre seu funcionamento?&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Quanta energia uma pastilha de microfissão é capaz de gerar? Não é possível dizer ao certo, mas sabe-se que elas são capazes de alimentar qualquer aparelho eletrônico por mais tempo do que sua vida útil. Em menos de um mês, espera-se que estas pastilhas sejam a única fonte de energia utilizada no mundo. Menos de um ano se passou para que o mundo ficasse diferente por completo do que era antes, sem carregar uma única semelhança; nem mesmo na cultura das pessoas. Marco achou isto assustador.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Ao menos ainda não é possível viajar no tempo.&lt;/p&gt;

&lt;p style=&quot;text-align:center;&quot;&gt;***&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Agora era pouco mais de um mês. Marco estava cansado de ficar isolado dentro de casa, e nem mesmo sabia por que tinha feito isso. Pensou em algo desagradável: talvez ele estivesse ficando como as outras pessoas. Precisava sair.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Ao sair, o que viu o atingiu como um soco na boca do estômago.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;As ruas estavam incrivelmente movimentadas, haviam ali mais pessoas até do que antes da Singularidade. E então outro soco o atingiu.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Robôs. Eram todos robôs. Não havia uma única pessoa ali; só havia mais robôs do que um dia houve pessoas. Os robôs eram idênticos a pessoas, e até se moviam como tal; qualquer um diria que eram pessoas, à primeira vista. O que fez Marco notar que eram robôs era algo mais sutil, alguma coisa na forma como se comportavam, era… Eles pareciam não interagir uns com os outros de forma alguma, cada um fazia o que fazia, ignorando por completo os outros; se conversavam, o faziam sem se olhar, sem abrir a boca, faziam dentro de seus &lt;i&gt;cérebros.&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Marco não tentou conversar com eles, apenas continuou andando até chegar à praça, tentando ignorá-los.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;E lá estava Joanne.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Ela perguntou o que aconteceu, por que ele havia sumido. Ele tentou explicar, disse que ele mesmo não sabia o motivo, que apenas desistiu de sair de casa por um tempo. Joanne pareceu preocupada, e Marco disse que estava tudo bem com ele.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;— Então, qual é a dos robôs por toda parte? — ele perguntou.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;— Não sei. — ela respondeu — Ninguém sabe. Eles começaram a aparecer há cinco dias, mais ou menos. Demorou um pouco para as pessoas se tocarem que eram robôs.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;— Era de se esperar, eles agem como pessoas. O único problema é que…&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;— Eles deixam transparecer sua ausência de sentimentos — ela disse, concluindo a frase de Marco.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;— Não diria com estas palavras mas, sim, é isso.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;O que Joanne disse era, de fato, perfeito para exprimir o que Marco queria dizer. O grande problema, ele pensou, é que ultimamente os seres humanos também estavam “deixando transparecer a sua ausência de sentimentos” e, mesmo assim, os robôs eram diferentes. Pensar nisso o deixou muito desconfortável.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;— Uma moeda pelos seus pensamentos!&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;— O quê? — Marco perguntou, embora tenha escutado e compreendido claramente o que ela havia dito.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;— Sua cara, parece que algo está te incomodando… O que é?&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;— Os robôs… — não era o que ele queria dizer, mas não soou incorreto quando disse, o que o perturbava ainda mais — Quero dizer… as pessoas. Tem algo muito errado com elas e, por um tempo, estava errado comigo também.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;— Esse último mês…&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;— É, esse mês.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Passaram-se alguns minutos de silêncio. Marco ainda estava tentando entender tudo o que estava acontecendo. Por que se manteve isolado em casa por tanto tempo? Não sabia responder. Não sabia também por que todas as outras pessoas estavam agindo da mesma forma. De onde vieram estes robôs? De onde veio tanta evolução tecnológica? O que aconteceu com o mundo real? Várias questões surgiram na mente de Marco, mas ele não tinha respostas. Era a primeira vez que ele tinha tantas dúvidas. Seus pensamentos foram interrompidos quando Joanne perguntou:&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;— Tudo bem com você?&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Marco balançou a cabeça. “Não”. Fechou os olhos e escondeu o rosto nas mãos. O que aconteceu com ele? Por que ele estava assim? Joanne achou que ele começaria a chorar, ou talvez já estivesse chorando, em silêncio, desde antes de chegar à praça. Talvez já estivesse assim há dias. Ela sentiu uma dor no peito ao ver seu amigo assim.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Abraçou-o.&lt;/p&gt;

&lt;p style=&quot;text-align:center;&quot;&gt;***&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Acordou. Havia passado quase que todo o dia anterior com Marco. Quando ele ia embora, ela perguntara se ele ficaria bem sozinho; ele não respondeu, e apenas voltou para casa.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Perguntou-se se ele estava bem. Se ele estava melhor. Ligou para ele, mas ele não atendeu. Foi pega de surpresa quando percebeu que não sabia como entrar em contato com os pais dele, ou qualquer outro membro da família. Saiu de casa.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Entrou em um terminal de teletransporte, que ficava há uns 200 metros de sua casa, e teletransportou-se para a praça – era o lugar mais próximo de que sabia o código. Foi até a casa de Marco. Quando tocou a campainha a porta se abriu sozinha logo em seguida; ela entrou em seu quarto. Ficou feliz ao ver que ele estava bem, mas chocada ao ver o caos que estava aquele lugar.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Ele havia destruído tudo. O que mais chamou atenção eram os pedaços de seu computador espalhados por todo o quarto, quase como se tivesse explodido. O caos do cenário contrastava com o sorriso com o qual ele a recebera.&lt;/p&gt;

&lt;p style=&quot;text-align:center;&quot;&gt;***&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Última semana.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Marco passou a maior parte do restante do mês na companhia de Joanne, sua melhor amiga, e de Ed, que acabou se tornando um grande amigo.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Ele estava mesmo feliz. Já nem se lembrava como era se sentir assim.&lt;/p&gt;

&lt;p style=&quot;text-align:center;&quot;&gt;—&lt;/p&gt;

&lt;p style=&quot;text-align:right;&quot;&gt;&lt;b&gt;&lt;a href=&quot;http://www.frutomaldito.com/2011/10/dois-mil-e-treze-parte-v.html&quot;&gt;Clique aqui para ler a parte V&lt;/a&gt;.&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;-Comentários do Autor-&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Pois é, aí está. Agora que eu tenho que postar à medida que vou escrevendo, é impossível dizer se vai demorar ou não pra concluir. Eu dei uma certa &quot;empacada&quot; bem nessa parte, e pode ou não acontecer de novo. Eu queria poder escrever logo a história inteira, sem ficar me interrompendo, mas é bem difícil isso. Principalmente porque eu estou escrevendo umas três histórias ao mesmo tempo.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Eu meio que não gostei muito dessa parte. Mas como eu aprendi a não confiar no meu julgamento sobre meus próprios textos, vou esperar que alguém deixe algum comentário dizendo o que achou.&lt;/p&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.frutomaldito.com/feeds/6253039518686945630/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.frutomaldito.com/2011/07/dois-mil-e-treze-parte-iv.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2485332272413504053/posts/default/6253039518686945630'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2485332272413504053/posts/default/6253039518686945630'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.frutomaldito.com/2011/07/dois-mil-e-treze-parte-iv.html' title='Dois Mil e Treze – Parte IV'/><author><name>Caio Ranieri</name><uri>https://plus.google.com/104556725618588461707</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh5.googleusercontent.com/-bttC9RL9m9Y/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAAAu4/U8DcWwCqabU/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>