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	<title>Eterno Retorno</title>
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	<description>Pensamentos, Existencialismo, Trágico, Absurdo, Música, etc.</description>
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		<title>O relógio &#8211; Baudelaire</title>
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		<pubDate>Mon, 26 Jul 2010 19:57:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>adv</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poesias e Poemas]]></category>

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		<description><![CDATA[Relógio! Deus sinistro, hediondo, indiferente, Que nos aponta o dedo em riste e diz: “Recorda! A Dor vibrante que a lama em pânico te acorda Como num alvo há de encravar-se brevemente; Vaporoso, o Prazer fugirá no horizonte Como uma sílfide por trás dos bastidores; Cada instante devora os melhores sabores Que todo homem degusta [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Relógio! Deus sinistro, hediondo, indiferente,<br />
Que nos aponta o dedo em riste e diz: “Recorda!<br />
A Dor vibrante que a lama em pânico te acorda<br />
Como num alvo há de encravar-se brevemente;</p>
<p>Vaporoso, o Prazer fugirá no horizonte<br />
Como uma sílfide por trás dos bastidores;<br />
Cada instante devora os melhores sabores<br />
Que todo homem degusta antes que a morte o afronte.</p>
<p>Três mil seiscentas vezes por hora, o Segundo<br />
Te murmura: Recorda! &#8211; E logo, sem demora,<br />
Com voz de inseto, a Agora diz: Eu sou o Outrora,<br />
E te suguei a vida com meu bulbo imundo!</p>
<p>Remenber! Souviens-toi! Esto memor!(Eu falo<br />
Qualquer idioma em minha goela de metal.)<br />
Cada minuto é como uma ganga, ó mortal,<br />
E há que extrair todo o ouro até purificá-lo!</p>
<p>Recorda: O Tempo é sempre um jogador atento<br />
Que ganha, sem furtar, cada jogada! É a lei.<br />
O dia vai, a noite vem; recordar-te-ei!<br />
Esgota-se a clepsidra; o abismo está sedento.</p>
<p>Virá a hora em que o Acaso, onde quer que te aguarde,<br />
Em que a augusta Virtude, esposa ainda intocada,<br />
E até mesmo o Remorso(oh, a última pousada!)<br />
Te dirão: Vais morrer, velho medroso! É tarde!</p>
<p align="right"><strong>Charles Baudelaire<br />
As flores do mal</strong></p>
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		<title>Sobre a melancolia</title>
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		<pubDate>Thu, 22 Jul 2010 10:27:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>adv</dc:creator>
				<category><![CDATA[Pensamentos]]></category>
		<category><![CDATA[aforismos]]></category>

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		<description><![CDATA[O melancólico, por não estar preparado ao desapego, mantém-se no desapego de quase tudo: não consegue deixar de se apegar nas perdas. E as perdas mais perdidas são aquelas de que não se sabe. A perda maior do melancólico talvez seja a perda da condição de nunca ter nascido. E uma vez nascido acaba gostando [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O melancólico, por não estar preparado ao desapego, mantém-se no desapego de quase tudo: não consegue deixar de se apegar nas perdas. E as perdas mais perdidas são aquelas de que não se sabe. A perda maior do melancólico talvez seja a perda da condição de nunca ter nascido.</p>
<p>E uma vez nascido acaba gostando tanto de viver que quer viver no esgotamento de cada instante: e que alegre conviva conseguiria esgotar cada instante da vida que não tem fundo?</p>
<p>Ainda, o melancólico tem que se defrontar com o desejo de transbordar cada dia com o vazio imperioso de uma existência sem sentido: eis a sua implacável batalha de criar sentidos, ainda que seja um sem-sentido, para se abrigar diante de um estar aí em estado de dissolução.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Sobre flores e guerra com Beethoven</title>
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		<pubDate>Wed, 21 Jul 2010 23:21:01 +0000</pubDate>
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				<category><![CDATA[Músicas]]></category>

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		<description><![CDATA[Com Beethoven o ter que morrer se torna uma injustiça mais do que insuportável. Com Beethoven a cólera, o grito da loucura e toda potência agressiva são musicados com a delicadeza de um piano que desmancha os corações. São como flores pegando as espadas para fazerem glória numa arena de sangue: são como você meu [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Com Beethoven o <em>ter que morrer</em> se torna uma injustiça mais do que insuportável. Com Beethoven a cólera, o grito da loucura e toda potência agressiva são musicados com a delicadeza de um piano que desmancha os corações. São como flores pegando as espadas para fazerem glória numa arena de sangue: são como você meu bem, quando fica irritada comigo porque não consigo esconder meus atributos <em>humanos, demasiadamente humanos.</em></p>
<p>Em tempos decadentes, onde o <em>barulho</em> impera com toda sua anemia e fraqueza, onde alguns menininhos cantando cantigas com letra política são venerados pelas décadas&#8230; que o Olimpo seja reservado a Beethoven e à Música que apaga o homem fazendo do corpo uma arena de acontecimento de pulsações em força dançante.</p>
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		<title>A tagarelice do intelecto enfada a carne</title>
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		<pubDate>Wed, 21 Jul 2010 17:08:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>adv</dc:creator>
				<category><![CDATA[Pensamentos]]></category>
		<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
		<category><![CDATA[aforismos]]></category>

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		<description><![CDATA[Estupidez por estupidez, religião e ciência se tocam. Ambas estão interessadas em corrigir a vida e o homem; aquela via a Verdade no plano celestial, esta via a verdade no plano terreno. Uma atrelada a Deus, a outra atrelada à economia. Dogma celeste por dogma terreno, fé e razão: enfim, estamos falando de mesmos processos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Estupidez por estupidez, religião e ciência se tocam. Ambas estão interessadas em corrigir a vida e o homem; aquela via a Verdade no plano celestial, esta via a verdade no plano terreno. Uma atrelada a Deus, a outra atrelada à economia. Dogma celeste por dogma terreno, fé e razão: enfim, estamos falando de mesmos processos com um monólogo discursado diferentemente.</p>
<p>No entanto, não convém descartar o que não podemos mais descartar (?). E com o uso de luvas e dando ao entendimento a sua capacidade de distância, conseguimos retirar da estupidez os seus extratos de sabedoria.</p>
<blockquote><p>E, demais disto, filho meu, atenta: não há limite para fazer livros, e o muito estudar é enfado da carne. &#8211; Eclesiastes, 12, 12.</p></blockquote>
]]></content:encoded>
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		<title>Malone Morre &#8211; Beckett</title>
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		<pubDate>Tue, 20 Jul 2010 18:42:57 +0000</pubDate>
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				<category><![CDATA[Livros]]></category>

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		<description><![CDATA[&#8230; por fim, tudo o que um Evangelho poderia conter: Antes de mais nada, quero dizer que não perdôo ninguém. Desejo a todos uma vida atroz no fogo do gélido inferno e nas gerações execráveis que hão de vir.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&#8230; por fim, tudo o que um Evangelho poderia conter:</p>
<p><em>Antes de mais nada, quero dizer que não perdôo ninguém. Desejo a todos uma vida atroz no fogo do gélido inferno e nas gerações execráveis que hão de vir. </em></p>
]]></content:encoded>
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