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<?xml-stylesheet type="text/xsl" media="screen" href="/~d/styles/atom10full.xsl"?><?xml-stylesheet type="text/css" media="screen" href="http://feeds.feedburner.com/~d/styles/itemcontent.css"?><feed xmlns="http://www.w3.org/2005/Atom" xmlns:openSearch="http://a9.com/-/spec/opensearch/1.1/" xmlns:georss="http://www.georss.org/georss" xmlns:gd="http://schemas.google.com/g/2005" xmlns:thr="http://purl.org/syndication/thread/1.0" gd:etag="W/&quot;CEYDRX47eSp7ImA9WhRUE04.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-8768401474994996719</id><updated>2012-01-23T13:22:54.001-02:00</updated><category term="Vacina" /><category term="Equilíbrio" /><category term="placebo" /><category term="Charlatanismo" /><category term="Direito" /><category term="Acupuntura" /><category term="Numerologia" /><category term="sexualidade" /><category term="Criacionismo" /><category term="Jornalismo" /><category term="Ciência e política" /><category term="Homeopatia" /><category term="Fusão Fria" /><category term="Cultura Pop" /><category term="Pandemia" /><category term="Energia" /><category term="Odontologia" /><category term="Astrologia" /><category term="Precisão" /><category term="Magnetismo" /><category term="Cultura científica" /><category term="Extra-terrestre" /><category term="Vitaminas" /><category term="Pinker" /><category term="Quiropraxia" /><category term="Religião" /><category term="Feyerabend" /><category term="Maias" /><category term="Medicina Complementar e Alternativa" /><category term="Psicologia" /><category term="Método Científico" /><category term="Câncer" /><category term="Ação Afirmativa" /><category term="Ensino Superior" /><category term="Humor" /><category term="linguagem" /><category term="Relatividade" /><category term="instinto" /><category term="Pseudo-ciências" /><category term="Telefone celular" /><category term="Mecânica Quântica" /><category term="NASA" /><category term="Universidade" /><category term="Economia" /><category term="Dietas" /><title>Cultura Científica</title><subtitle type="html">Espaço para discussão de temas relacionados à Ciência e à Cultura Científica.</subtitle><link rel="http://schemas.google.com/g/2005#feed" type="application/atom+xml" href="http://ccientifica.blogspot.com/feeds/posts/default" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://ccientifica.blogspot.com/" /><link rel="next" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/8768401474994996719/posts/default?start-index=26&amp;max-results=25&amp;redirect=false&amp;v=2" /><author><name>Leandro R. Tessler</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08680318456015079933</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="31" height="21" src="http://3.bp.blogspot.com/-mm44jH1bAvQ/TpjmpqN-dXI/AAAAAAAAA9k/7qpg43_WDDY/s220/IMG_3750.JPG" /></author><generator version="7.00" uri="http://www.blogger.com">Blogger</generator><openSearch:totalResults>71</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>25</openSearch:itemsPerPage><atom10:link xmlns:atom10="http://www.w3.org/2005/Atom" rel="self" type="application/atom+xml" href="http://feeds.feedburner.com/CulturaCientfica" /><feedburner:info xmlns:feedburner="http://rssnamespace.org/feedburner/ext/1.0" uri="culturacientfica" /><atom10:link xmlns:atom10="http://www.w3.org/2005/Atom" rel="hub" href="http://pubsubhubbub.appspot.com/" /><feedburner:emailServiceId xmlns:feedburner="http://rssnamespace.org/feedburner/ext/1.0">CulturaCientfica</feedburner:emailServiceId><feedburner:feedburnerHostname xmlns:feedburner="http://rssnamespace.org/feedburner/ext/1.0">http://feedburner.google.com</feedburner:feedburnerHostname><entry gd:etag="W/&quot;C0YHSX4zfip7ImA9WhRWFkU.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-8768401474994996719.post-4456835374220268392</id><published>2011-12-31T20:32:00.000-02:00</published><updated>2012-01-04T10:45:38.086-02:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2012-01-04T10:45:38.086-02:00</app:edited><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Equilíbrio" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Pseudo-ciências" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Charlatanismo" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Cultura científica" /><title>Pseudociência nas alturas</title><content type="html">Último dia do ano. Eu queria na verdade estar surfando nos mares do sul mas o vento nordeste de 20 nós e o mar mexido não permitem. Então aproveito para o último post do ano. Dei uma olhada nos vários inacabados e escolhi esse assunto porque é muito bom. &amp;nbsp;O Guilherme Genestreti da Folha tinha me &lt;a href="http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/961961-empresa-chinesa-lanca-outra-pulseira-do-equilibrio-no-brasil.shtml"&gt;entrevistado&lt;/a&gt;&amp;nbsp;em agosto sobre uma nova família de pulseiras do equilíbrio. Trata-se da iBalance, anunciada pela empresa chinesa Oregon Scientific Brasil no &lt;a href="http://oregonscientificbr.blogspot.com/2011/08/pulseira-ibalance-mais-harmonia-para-o.html"&gt;Blogger&lt;/a&gt; (estranho usar o Blogger para promover um produto comercial...) com um preço recomendado de R$99. O texto promocional é um amontoado de bobagens entoado em linguajar tipicamente pseudo-científico. A melhor parte é "Os íons negativos são capazes de aumentar os níveis alcalinos do corpo, o que neutraliza os íons positivos e melhora a circulação sanguínea, elevando a temperatura corporal e o equilíbrio do metabolismo." Isso não significa rigorosamente nada. A iBalance "recebeu o certificado e registro da Associação Japonesa de Pesquisa e Aplicação de Íons (The Japan Association of Ion Research and Application)". Ah, bom! Então a tal pulseira é certificada pela obscura JAIRA. No entanto, infelizmente a página da &lt;a href="http://www.japan-ion.jp/"&gt;JAIRA&lt;/a&gt; é em japonês e organizada de forma que o Google Translate só consegue traduzir o menu para o inglês. Mas a página da &lt;a href="http://www.eco-holi.co.jp/english/lecture.html"&gt;Eco-Holistic Inc.&lt;/a&gt; &amp;nbsp;tem explicações em inglês. Ali é possível descobrir que a JAIRA apareceu para "endireitar o caótico mercado de íons negativos no Japão". Que sorte. Assim a gente fica livre de picaretas! Desnecessário dizer que a Eco-Holistic dedica-se a vender geradores de íons negativos para incautos. Um dos produtos, o &lt;a href="http://www.eco-holi.co.jp/english/entry/33.html"&gt;iOnion&lt;/a&gt; deve ter um baita cheiro de cebola . Tem mais na &lt;a href="http://hk.oregonscientific.com/eng/i.balance"&gt;página de Hong Kong&lt;/a&gt; da Oregon Scientific, que dado o tom do que afirma na verdade devia se chamar Oregon PseudoScientific. Ainda que houvesse qualquer evidência de que aumentar a densidade de íons negativos tivesse algum efeito benéfico para a saúde (estou agora próximo ao mar, com uma alta densidade de do íon negativo Cl&lt;sup&gt;-&lt;/sup&gt; no ar, o que na verdade tem um efeito corrosivo sobre estruturas metálicas), não há como uma pulseira com dois imãs gerar íons negativos sem uma fonte de corrente associada, ou ela mesma rapidamente assumiria uma maléfica carga positiva...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;table cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="float: left; margin-right: 1em; text-align: left;"&gt;&lt;tbody&gt;
&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-tgrDgkMPKt0/Tv-C5IKaN8I/AAAAAAAAA-s/uMkS9a4J1Mw/s1600/pulseira+lufthansa.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; margin-bottom: 1em; margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="285" src="http://2.bp.blogspot.com/-tgrDgkMPKt0/Tv-C5IKaN8I/AAAAAAAAA-s/uMkS9a4J1Mw/s400/pulseira+lufthansa.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;Revista da Lufthansa&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;
&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="float: right; margin-left: 1em; text-align: right;"&gt;&lt;tbody&gt;
&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-ZPNNgFa5OLY/Tv-DalliFrI/AAAAAAAAA-0/gvU7DdBA85s/s1600/pulseira+pluna2.jpg" imageanchor="1" style="clear: right; margin-bottom: 1em; margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="400" src="http://3.bp.blogspot.com/-ZPNNgFa5OLY/Tv-DalliFrI/AAAAAAAAA-0/gvU7DdBA85s/s400/pulseira+pluna2.jpg" width="303" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;Revista da Pluna&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;
&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;
&amp;nbsp;&lt;span style="text-align: left;"&gt;Mas a Oregon não está sozinha nisso. Eu tenho viajado muito nos últimos tempos (essa é uma das razões pelas quais algumas vezes levo tanto tempo para produzir um novo artigo). Na falta do que fazer em aeroportos e aviões algumas vezes leio a revista de bordo ou de vendas sem impostos de companhias aéreas. É falta do que fazer mesmo! Para minha surpresa encontrei na alemã Lufthansa a propaganda da &lt;a href="http://www.lunavit.com/en/lunavit-power-bracelet.html"&gt;Lunavit&lt;/a&gt;, uma variante da iBalance. Pelo menos na página eles dizem os supostos "efeitos são controversos na Alemanha e não reconhecidos pela medicina ortodoxa". Germanicamente é exibido um esquema da pulseira: dois imãs com um bloquinho de &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Germanium"&gt;germânio&lt;/a&gt; 99,9% entre eles (no meu laboratório eu só uso germânio 99,999%). O germânio é um semicondutor que era muito usado nos anos 60 para confeccionar diodos e transistores até o desenvolvimento da tecnologia do silício. Se alguém souber como dois ímãs e um pedaço de germânio podem gerar íons negativos por favor me avise. Por 79 euros ou 23 mil milhas, essa pulseira é a mais cara.&lt;/span&gt;&lt;span style="text-align: left;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
A uruguaia Pluna oferece a &lt;a href="http://www.enerjii.co.uk/"&gt;Enerjii&lt;/a&gt;, sua versão por US$ 29. Nesse preço não dá para oferecer o germânio 99,9%, mas somente "silicone com íons negativos, bolas de cerâmica e ímãs de neodímio". É a versão sul-americana. Dado que o efeito das 3 pulseiras é o mesmo: nenhum. Melhor ser enganado pela Pluna...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Bom 2012 para todos (melhor ir aproveitando bem porque se os apocalípticos estiverem certos quando chegar 21/12 vai ser um problema...)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8768401474994996719-4456835374220268392?l=ccientifica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://ccientifica.blogspot.com/feeds/4456835374220268392/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8768401474994996719&amp;postID=4456835374220268392" title="0 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/8768401474994996719/posts/default/4456835374220268392?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/8768401474994996719/posts/default/4456835374220268392?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://ccientifica.blogspot.com/2011/12/pseudociencia-nas-alturas.html" title="Pseudociência nas alturas" /><author><name>Leandro R. Tessler</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08680318456015079933</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="31" height="21" src="http://3.bp.blogspot.com/-mm44jH1bAvQ/TpjmpqN-dXI/AAAAAAAAA9k/7qpg43_WDDY/s220/IMG_3750.JPG" /></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://2.bp.blogspot.com/-tgrDgkMPKt0/Tv-C5IKaN8I/AAAAAAAAA-s/uMkS9a4J1Mw/s72-c/pulseira+lufthansa.jpg" height="72" width="72" /><thr:total>0</thr:total><georss:featurename>Capão da Canoa, RS</georss:featurename><georss:point>-29.757298920976115 -50.009422302246094</georss:point><georss:box>-29.760744920976116 -50.014357802246096 -29.753852920976115 -50.00448680224609</georss:box></entry><entry gd:etag="W/&quot;C0cMR3o-fSp7ImA9WhdaEE8.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-8768401474994996719.post-2849694462500068681</id><published>2011-10-15T01:37:00.000-03:00</published><updated>2011-10-19T08:44:46.455-02:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2011-10-19T08:44:46.455-02:00</app:edited><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Vitaminas" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Câncer" /><title>Vitamina E e câncer de próstata</title><content type="html">&lt;span style="float: left; padding-bottom: 5px; padding-left: 5px; padding-right: 5px; padding-top: 5px;"&gt;&lt;a href="http://www.researchblogging.org/"&gt;&lt;img alt="ResearchBlogging.org" src="http://www.researchblogging.org/public/citation_icons/rb2_large_gray.png" style="border: 0;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;
Há uns 20 anos descobri quase acidentalmente que tenho duas enzimas hepáticas, &lt;a href="http://www.nlm.nih.gov/medlineplus/ency/article/003472.htm"&gt;AST&lt;/a&gt; e &lt;a href="http://www.nlm.nih.gov/medlineplus/ency/article/003473.htm"&gt;ALT&lt;/a&gt; eternamente em doses um pouco elevadas no sangue. Isso é indicativo de inflamação no fígado. Fui testado para hepatites de A a Z, fiz uma biópsia de fígado e até hoje não tenho um diagnóstico conclusivo.&lt;br /&gt;
Logo depois descobri que tinha o colesterol elevado para os padrões estabelecidos. Minha médica, muito cuidadosa, me receitou a estatina da época (acho que era &lt;a href="http://www.lipitor.com/"&gt;Lipitor&lt;/a&gt;). Meu nível de colesterou baixou rapidamente. Com base em um artigo da época (só consigo lembrar que era um estudo alemão) ela me receitou também uma cápsula diária de &lt;a href="http://www.bayerconsumer.com.br/scripts/pages/pt/produtos/vitaminas/ephynal_/index.php"&gt;Ephynal&lt;/a&gt;, contendo 400mg de &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Vitamin_E"&gt;vitamina E&lt;/a&gt;. O artigo não era conclusivo, mas apontava efeitos aparentemente positivos na redução do&lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Low-density_lipoprotein"&gt; LDL&lt;/a&gt;, o colesterol ruim. Na dúvida e aparentemente sem efeitos colaterais relevantes, decidi aderir ao tratamento. Ephynal era caríssimo. Eu logo descobri que nos Estados Unidos era possível comprar em qualquer farmácia ou supermercado cápsulas de vitamina E por uma fração do preço do Ephynal. Eu comprava embalagens com 400 cápsulas, suficientes para mais de um ano. Assim por mais de 10 anos eu tomei uma dose diária de vitamina E que correspondia a 40 vezes o recomendado a um indivíduo saudável. Isso pode parecer estranho para um cético assumido como eu, mas dada a ausência de efeitos colaterais achei que no pior caso não teria efeito algum, no melhor teria uma redução no LDL, além dos supostos efeitos benéficos que na época se achava que todos os &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Antioxidant"&gt;antioxidantes&lt;/a&gt; teriam no organismo. O tempo passou e um belo dia em 2009 um &lt;a href="http://www.nytimes.com/2009/03/24/health/24brod.html"&gt;artigo&lt;/a&gt; no NY Times fez com que eu desistisse de vez da vitamina E. O título já diz tudo: "Vitamina E: nenhum benefício, talvez danos". Estudos mais bem feitos tinham mostrado que a ingestão contínua de vitamina E aumentava o risco de ataque cardíaco. Atualmente a &lt;a href="http://www2.cochrane.org/reviews/en/ab007749.html"&gt;Cochrane Collaboration&lt;/a&gt; afirma claramente que "vitamina E não deve ser recomendada para doenças do fígado". Trato do nível de colesterol com uma dose mínima de &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Rosuvastatin"&gt;rosuvastatina&lt;/a&gt;. &lt;br /&gt;
&lt;div style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;
&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;
&lt;object class="BLOGGER-youtube-video" classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0" data-thumbnail-src="http://2.gvt0.com/vi/z8Phj3lOYZY/0.jpg" height="266" width="320"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/z8Phj3lOYZY&amp;fs=1&amp;source=uds" /&gt;










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Qual não foi minha surpresa ao ler em pleno feriado do dia da criança um artigo escrito pelo amigo Reinaldo Lopes na Folha: "&lt;a href="http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/989232-suplementos-de-vitamina-e-aumentam-risco-de-cancer-de-prostata.shtml"&gt;Suplementos de vitamina E aumentam o risco de câncer de próstata&lt;/a&gt;". Como eu faço parte do grupo de risco para esse tipo de câncer, devorei o &lt;a href="http://jama.ama-assn.org/content/306/14/1549.short"&gt;artigo original&lt;/a&gt;. Vale a pena comentá-lo porque é um excelente exemplo de ciência bem feita.O objetivo original do estudo era verificar se afinal a ingestão de &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Selenium"&gt;selênio&lt;/a&gt; ou de vitamina E &lt;b&gt;reduziriam&lt;/b&gt; o risco de câncer de próstata. A conclusão foi &lt;b&gt;contrária &lt;/b&gt;à hipótese: a ingestão contínua de 400mg de vitamina E por dia &lt;b&gt;aumenta &lt;/b&gt;em 17% o risco de câncer de próstata em homens brancos com mais de 50 anos e negros com mais de 55 anos. O estudo envolveu 35533 homens e o resultado tem relevância estatística. Mais que isso, os autores reconhecem não poder propor a partir dos dados um mecanismo químico responsável por esse aumento. Ele deve existir e será objeto de mais estudos.&lt;br /&gt;
Uma outra conclusão importante é, literalmente: "é preciso que os consumidores sejam céticos em relação a alegações a respeito de saúde de produtos não regulados vendidos &amp;nbsp;sem controle, na ausência de forte evidência de benefícios demonstrada em testes clínicos".&lt;br /&gt;
Espero que outras pessoas não caiam no meu erro de achar que uma vitamina recomendada por 10 entre 10 naturebas era inofensiva. É impressionante a quantidade de drogas e produtos sem nenhum efeito comprovado em testes clínicos sérios que são vendidos livremente em farmácias brasileiras (e americanas também!).&lt;br /&gt;
Depois da leitura desse artigo eu, como todos os homens na minha idade deveriam fazer, tenho mais motivos para repetir anualmente meu exame de próstata para caso (mais provavelmente quando) apareçam os primeiros sintomas de &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Prostate_cancer"&gt;câncer&lt;/a&gt; ele seja tratado em sua fase inicial, com grandes chances de cura.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;Update: &lt;/b&gt;O Petrucio me passou links para dois ótimos artigos no Science-Based Medicine: &lt;a href="http://www.sciencebasedmedicine.org/index.php/another-negative-study-of-vitamins/"&gt;um&lt;/a&gt; sobre um estudo de cohorte em mulheres pós-menopausa, que não encontrou evidência de efeitos positivos e &lt;a href="http://www.sciencebasedmedicine.org/index.php/vitamins-and-mortality/"&gt;outro&lt;/a&gt; recente que mostra a inutilidade de ingestão de megadoses de vitaminas.
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;Referência:&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
Klein, E., Thompson, I., Tangen, C., Crowley, J., Lucia, M., Goodman, P., Minasian, L., Ford, L., Parnes, H., Gaziano, J., Karp, D., Lieber, M., Walther, P., Klotz, L., Parsons, J., Chin, J., Darke, A., Lippman, S., Goodman, G., Meyskens, F., &amp;amp; Baker, L. (2011). Vitamin E and the Risk of Prostate Cancer: The Selenium and Vitamin E Cancer Prevention Trial (SELECT) &lt;span style="font-style: italic;"&gt;JAMA: The Journal of the American Medical Association, 306&lt;/span&gt; (14), 1549-1556 DOI: &lt;a href="http://dx.doi.org/10.1001/jama.2011.1437" rev="review"&gt;10.1001/jama.2011.1437&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8768401474994996719-2849694462500068681?l=ccientifica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://ccientifica.blogspot.com/feeds/2849694462500068681/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8768401474994996719&amp;postID=2849694462500068681" title="5 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/8768401474994996719/posts/default/2849694462500068681?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/8768401474994996719/posts/default/2849694462500068681?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://ccientifica.blogspot.com/2011/10/vitamina-e-e-cancer-de-prostata.html" title="Vitamina E e câncer de próstata" /><author><name>Leandro R. Tessler</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08680318456015079933</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="31" height="21" src="http://3.bp.blogspot.com/-mm44jH1bAvQ/TpjmpqN-dXI/AAAAAAAAA9k/7qpg43_WDDY/s220/IMG_3750.JPG" /></author><thr:total>5</thr:total><georss:featurename>Campinas - São Paulo, Brasil</georss:featurename><georss:point>-22.9071048 -47.0632391</georss:point><georss:box>-23.1411283 -47.3790961 -22.6730813 -46.747382099999996</georss:box></entry><entry gd:etag="W/&quot;DE4GQXs5fip7ImA9WhdUFk0.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-8768401474994996719.post-7757943661816591187</id><published>2011-09-25T23:38:00.001-03:00</published><updated>2011-10-02T22:55:20.526-03:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2011-10-02T22:55:20.526-03:00</app:edited><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Método Científico" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Precisão" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Relatividade" /><title>O fantasma da OPERA</title><content type="html">A &amp;nbsp;primeira vez que eu cometi um erro monumental num experimento foi lá por 1983 ou 84. Eu fazia o mestrado na Unicamp, onde junto com o trabalho de pesquisa individual de cada um dos membros do grupo tentava desenvolver uma tecnologia de células solares de silício amorfo com 4% de eficiência. Tínhamos preparado um,a nova série com uma camada tipo-n diferente e eu fiquei de medir a eficiência num simulador solar. Era o final do expediente e a primeira célula que medi deu mais de 6%. Todas as demais ficavam entre 5 e 10%. Chamei colegas para verificarem se eu não estava fazendo nada de errado. Nada. Alguém teve a brilhante idéia de ligar para o chefe do grupo vir de casa para comemorar. Quando ele chegou ele não acreditou nos 10%. Apesar de não violar nenhuma lei&amp;nbsp;fundamental&amp;nbsp;da Física, 10% de eficiência com aquela tecnologia estava acima do atingível naquela época. Na verdade alguém numa medida anterior mexeu num controle que ninguém usava e &amp;nbsp;multiplicou por 10 o ganho de um amplificador de sinal. Nossas células tinham cerca de 1% de eficiência. Mesmo hoje em dia é muito difícil atingir eficiência de 10% com essa tecnologia. Paguei meu mico, pedi desculpas a todos e o episodio só teve&amp;nbsp;conseqüências&amp;nbsp;para o meu ego machucado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há ocasiões em que pesquisadores estão certos de que há algo de errado nas medidas mas não conseguem encontrar o que está errado. E o que fazer quando os resultados obtidos violam alguma lei fundamental do universo?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nos últimos dias a imprensa mundial vem noticiando com estardalhaço o que pode ser uma das mais&amp;nbsp;importantes&amp;nbsp;descobertas dos últimos cem anos: &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Neutrino"&gt;neutrinos&lt;/a&gt; movendo-se mais rápido que a luz. Isso teria sido detectado pelo projeto &lt;a href="http://operaweb.lngs.infn.it/"&gt;OPERA&lt;/a&gt; no &lt;a href="http://public.web.cern.ch/public/"&gt;CERN&lt;/a&gt;. Minha primeira reação, de professor de laboratório de física moderna: mais um grupo de pesquisadores&amp;nbsp;que não sabe tratar erros experimentais&amp;nbsp;buscando notoriedade, a exemplo de vários casos recentes discutidos aqui e em outros blogs. E o anúncio foi feito antes que um artigo tenha sido aceito em alguma revista científica respeitada...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sexta-feira uma versão preliminar do &lt;a href="http://arxiv.org/abs/1109.4897"&gt;artigo&lt;/a&gt; foi divulgada no repositório &lt;a href="http://arxiv.org/"&gt;ArXiv&lt;/a&gt;, junto com o &lt;a href="http://cdsweb.cern.ch/record/1384486"&gt;seminário&lt;/a&gt; de Dario Autiero, que falou pela OPERA. O seminário dura cerca de uma hora, com mais uma hora de perguntas. Meu julgamento precipitado do grupo estava completamente enganado. Trata-se de um pessoal sério, que sabe muito bem o que está fazendo e trata os erros de forma sofisticada e aparentemente correta. Eles mesmos estão surpresos com o resultado. Em resumo, medir velocidade é sempre medir uma distância e um tempo. A maior fonte de erros nesse caso é a medida do tempo. Eles supostamente conseguem uma precisão muito boa na posição usando uma versão sofisticada do &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Global_Positioning_System"&gt;GPS&lt;/a&gt;, que dá conta em tempo real do &lt;i&gt;&lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Continental_drift"&gt;continental drift&lt;/a&gt;&lt;/i&gt;. Eles conseguem uma precisão de 20cm em 1000km, e afirmam que essa medida poderia ser melhor (1cm) se não se tratasse de um túnel subterrâneo! Ao medir eles detectam os neutrinos chegando 60ns&amp;nbsp;com uma incerteza de 10ns&amp;nbsp;adiantados em relação à velocidade da luz. &amp;nbsp;Chamamos esse tipo de resultado de "6&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Calibri, sans-serif; font-size: 15px; line-height: 17px;"&gt;σ", &lt;/span&gt;pois o &amp;nbsp;sinal é 6 vezes maior que a incerteza&amp;nbsp;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Calibri, sans-serif; font-size: 15px; line-height: 17px;"&gt;σ&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;
Vale a pena mencionar que essa NÃO é a primeira vez que são detectados neutrinos andando acima da velocidade da luz. Um &lt;a href="http://arxiv.org/PS_cache/arxiv/pdf/0706/0706.0437v3.pdf"&gt;artigo &lt;/a&gt;do experimento &lt;a href="http://www-numi.fnal.gov/"&gt;MINOS&lt;/a&gt; do &lt;a href="http://www.fnal.gov/"&gt;Fermilab&lt;/a&gt;&amp;nbsp;detetou neutrinos a velocidades supraluminais mas os desconsiderou devido às incertezas nas medidas. E há o caso da supernova &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/SN_1987A"&gt;SN1987a&lt;/a&gt;, quando o feixe de neutrinos originado na explosão da&amp;nbsp;estrela&amp;nbsp;chegou à terra 3 horas antes da luz. No entanto, aparentemente o resultado da OPERA não é &lt;a href="http://neutrinoscience.blogspot.com/2011/09/arriving-fashionable-late-for-party.html"&gt;consistente &lt;/a&gt;com o da SN1987a.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;nbsp;Há um aspecto sociológico interessante. Na Itália, país com uma cultura bastante chauvinista, onde fica o detector em que foram feitas as medidas, o jornal &lt;a href="http://www3.lastampa.it/cronache/sezioni/articolo/lstp/421578/"&gt;La Stampa&lt;/a&gt; não tem o cuidado dos pesquisadores da OPERA e avança tomando como correto o resultado da equipe italiana e colocando a relatividade de Einstein em questão. Ainda bem que ciência não é copa do mundo!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O &lt;a href="http://motls.blogspot.com/2011/09/italian-out-of-tune-superluminal.html"&gt;blog &lt;/a&gt;de um físico teórico engraçado mas de estética duvidosa menciona, por exemplo, que desconsiderar a variação do índice de refração da atmosfera (1.00003 contra 1.00000 no vácuo), procedimento legítimo para quase todos os proósitos do GPS, pode ser a causa do aparente adiantamento de 60ns na medida do tempo. O mesmo &lt;a href="http://motls.blogspot.com/2011/09/potential-mistakes-in-opera-research.html"&gt;blog&lt;/a&gt; levanta outras hipóteses.&amp;nbsp;O sistema GPS não foi projetado para tamanha precisão. Caso neutrinos realmente andem acima da velocidade da luz há uma dependência da velocidade com a energia que deveria ser observado. &lt;a href="http://blog.vixra.org/2011/09/19/can-neutrinos-be-superluminal/"&gt;Aparentemente&lt;/a&gt;&amp;nbsp;isso não ocorre.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se os resultados da OPERA estiverem corretos, nosso entendimento do universo precisará mudar. A&amp;nbsp;&lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Special_relativity"&gt;teoria da relatividade restrita&lt;/a&gt;, que foi testada tantas vezes, precisará mudar.&amp;nbsp;Minha intuição vai na direção de a relatividade estar correta e alguma fonte de erro sistemático não estar sendo considerada.&amp;nbsp;&lt;i&gt;Extraordinary claims require extraordinary evidence&lt;/i&gt;. Afirmações extraordinárias exigem evidências extraordinárias. Essa frase foi popularizada pelo extraordinário divulgador da ciência&amp;nbsp;&lt;a href="http://www.carlsagan.com/"&gt;Carl Sagan&lt;/a&gt;. Infelizmente, as evidências do OPERA apontam mais para um erro sistemático que escapou dos pesquisadores do que para evidências extraordinárias.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;Update:&lt;/b&gt; O excelente &lt;a href="http://fisicamoderna.blog.uol.com.br/"&gt;Física na Veia!&lt;/a&gt; do meu colega Dulcídio Braz Jr. tem uma &lt;a href="http://fisicamoderna.blog.uol.com.br/arch2011-09-18_2011-09-24.html#2011_09-24_20_16_42-7000670-0"&gt;abordagem&lt;/a&gt; mais do ponto de vista da Física. Vale a pena conferir. É o nosso segundo &lt;a href="http://ccientifica.blogspot.com/2011/01/epoca-do-kwh.html"&gt;bate-blog&lt;/a&gt;, expressão cunhada pelo Dulcídio!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;Update 2:&lt;/b&gt; Citando &lt;a href="http://www.bobpark.org/"&gt;Bob Park&lt;/a&gt;: "Disseram-me que &lt;a href="http://physics.bu.edu/people/show/cohen"&gt;Andrew Cohen&lt;/a&gt; e &lt;a href="http://physics.bu.edu/people/show/slg"&gt;Sheldon Glashow&lt;/a&gt;&amp;nbsp;(prêmio &lt;a href="http://www.nobelprize.org/nobel_prizes/physics/laureates/1979/glashow-autobio.html"&gt;Nobel &lt;/a&gt;em 1979) em arXiv &lt;a href="http://arxiv.org/abs/1109.6562v1"&gt;1109.6562v1&lt;/a&gt; fazem a observação que neutrinos superluminais iriam irradiar pelo mesmo efeito da &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Cherenkov_radiation"&gt;radiação de Cerenkov&lt;/a&gt; quando a velocidade das partículas excedesse c/&lt;i&gt;n&lt;/i&gt; (onde &lt;i&gt;n&lt;/i&gt; é o índice de refração do meio). Isso torna claro, se já não estivesse, que a suposta observação de neutrinos superluminais está errada. Ninguém sabe o porquê."&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8768401474994996719-7757943661816591187?l=ccientifica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://ccientifica.blogspot.com/feeds/7757943661816591187/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8768401474994996719&amp;postID=7757943661816591187" title="2 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/8768401474994996719/posts/default/7757943661816591187?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/8768401474994996719/posts/default/7757943661816591187?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://ccientifica.blogspot.com/2011/09/o-fantasma-da-opera.html" title="O fantasma da OPERA" /><author><name>Leandro R. Tessler</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08680318456015079933</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="31" height="21" src="http://3.bp.blogspot.com/-mm44jH1bAvQ/TpjmpqN-dXI/AAAAAAAAA9k/7qpg43_WDDY/s220/IMG_3750.JPG" /></author><thr:total>2</thr:total><georss:featurename>Campinas - São Paulo, Brasil</georss:featurename><georss:point>-22.9071048 -47.0632391</georss:point><georss:box>-23.1411283 -47.3790961 -22.6730813 -46.747382099999996</georss:box></entry><entry gd:etag="W/&quot;AkICR3Y-eyp7ImA9WhRWE0g.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-8768401474994996719.post-8436561532660663809</id><published>2011-08-16T00:27:00.000-03:00</published><updated>2011-12-31T17:09:26.853-02:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2011-12-31T17:09:26.853-02:00</app:edited><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Cultura científica" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Energia" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Economia" /><title>Mais kW/h</title><content type="html">No início desse ano foi a &lt;a href="http://ccientifica.blogspot.com/2011/01/epoca-do-kwh.html"&gt;Época&lt;/a&gt;. Agora é a poderosa &lt;a href="http://www.fiesp.com.br/"&gt;FIESP&lt;/a&gt;. Grande imprensa e federação das indústrias unidas pela confusão conceitual, tão bem comentada com profundidade no &lt;a href="http://fisicamoderna.blog.uol.com.br/arch2011-01-30_2011-02-05.html#2011_02-02_18_14_58-7000670-0"&gt;Física na Veia!&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;
Num &lt;a href="http://acervo.folha.com.br/fsp/2011/08/14/10"&gt;anúncio&lt;/a&gt; de página dupla (páginas B6 e B7) na edição dominical da Folha de São Paulo, a FIESP reclama do preço cobrado pela energia brasileira. Curiosamente, em todo o anúncio não é dito nenhuma vez que eles estão se referindo às tarifas da energia elétrica.&lt;br /&gt;
O pior é quando o anúncio denuncia que o preço médio da energia (elétrica, subentende-se) vendido nas usinas é de R$ 90,98 por megawatt/hora. Essa unidade meio estranha se repete outras vezes no texto.&lt;br /&gt;
O que há de errado nisso? Simples:&amp;nbsp;&amp;nbsp;megawatt/hora&amp;nbsp;não é uma unidade de energia! o Watt é uma unidade de potência no &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Sistema_Internacional_de_Unidades"&gt;Sistema Internacional de Unidades&lt;/a&gt;&amp;nbsp;(SI), adotado no Brasil. A unidade de energia é o Joule. Um Watt corresponde a um Joule/s. Em sistemas elétricos é comum utilizar-se a unidade prática Watt.hora, que corresponde a uma potência de um Watt utilizada durante uma hora. Um megaWatt.hora (MWh) corresponde a um milhão (10 elevado à potência 6) Watts.hora.&lt;br /&gt;
As concessionárias cobram pela energia consumida, não pela variação da potência com o tempo, como sugere a campanha da FIESP. Se o texto da FIESP estivesse correto, poderíamos deixar todas as luzes, computadores e chuveiros elétricos da casa funcionando o tempo todo e não pagaríamos nada por isso desde que não houvesse variação da potência utilizada.&lt;br /&gt;
Na própria &lt;a href="http://www.energiaaprecojusto.com.br/entenda.asp"&gt;página &lt;/a&gt;da campanha o megawatt/hora aparece impune na seção chamada "Entenda" (!).&lt;br /&gt;
Uma entidade como a FIESP, povoada por engenheiros, devia ser um pouco mais cuidadosa com unidades em seus textos oficiais.&lt;br /&gt;
Motivado pela campanha fui conferir minha conta de luz. A &lt;a href="http://www.cpfl.com.br/"&gt;CPFL&lt;/a&gt; cobra aqui em Campinas R$ 0,32882 pelo kWh, ou seja, R$ 328,82 pelo MWh. Isso é mais de 3 vezes o custo médio na usina! Pagamos pela distribuição o dobro do que pagamos pela geração. Há uma &lt;a href="http://www.iea.org/textbase/nppdf/free/2010/key_stats_2010.pdf"&gt;publicação &lt;/a&gt;muito legal que compara os preços ao consumidor da energia elétrica em diversos países (infelizmente o Brasil não está nela). O preço varia de US$ 0,0786 no México até US$ 0,3655 na Dinamarca. Nosso valor é comparável aos US$ 0,2060 do Reino Unido. Poderia ser menor.&lt;br /&gt;
Com ou sem MW/h sou a favor da assinatura do manifesto. Acho poucas as&amp;nbsp;2781 dada a dimensão da campanha. Talvez as pessoas tenham se intimidado pelo MW/h e recusam-se a assinar um documento com um erro tão básico de unidades!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;Upideite&lt;/b&gt; 31/12/2011: O deputado federal Alfredo Sirkis escreveu dia 15/12/2011 um artigo&amp;nbsp;chamado &lt;a href="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/14927-o-desafio-solar.shtml"&gt;O Desafio Solar&lt;/a&gt; na Folha de São Paulo (acesso só para assinantes) onde mede energia elétrica em MW/h e GW/h. Apesar das boas intenções ecológicas, o erro continua. Não é possível medir energia em W/h.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8768401474994996719-8436561532660663809?l=ccientifica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://ccientifica.blogspot.com/feeds/8436561532660663809/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8768401474994996719&amp;postID=8436561532660663809" title="1 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/8768401474994996719/posts/default/8436561532660663809?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/8768401474994996719/posts/default/8436561532660663809?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://ccientifica.blogspot.com/2011/08/mais-kwh.html" title="Mais kW/h" /><author><name>Leandro R. Tessler</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08680318456015079933</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="31" height="21" src="http://3.bp.blogspot.com/-mm44jH1bAvQ/TpjmpqN-dXI/AAAAAAAAA9k/7qpg43_WDDY/s220/IMG_3750.JPG" /></author><thr:total>1</thr:total><georss:featurename>Campinas - São Paulo, Brasil</georss:featurename><georss:point>-22.9071048 -47.06323910000003</georss:point><georss:box>-23.0729243 -47.27805010000003 -22.741285299999998 -46.848428100000035</georss:box></entry><entry gd:etag="W/&quot;Dk8BSHw4fCp7ImA9WhdTFkk.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-8768401474994996719.post-7954124855553937749</id><published>2011-07-14T09:00:00.002-03:00</published><updated>2011-07-14T09:00:59.234-03:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2011-07-14T09:00:59.234-03:00</app:edited><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Pseudo-ciências" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Homeopatia" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Medicina Complementar e Alternativa" /><title>Edzard Ernst, homeopatia e outras pseudociências</title><content type="html">O médico e pesquisador &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Edzard_Ernst"&gt;Edzard Ernst&lt;/a&gt; tem uma carreira peculiar. Durante&amp;nbsp;muitos anos ele&amp;nbsp;manteve uma carreira de homeopata (que não deve considerada atividade médica, como muito bem apontado por um "Médico E Homeopata" no comentário #11 a &lt;a href="http://ccientifica.blogspot.com/2011/02/homeopatia-nao-e-ciencia.html"&gt;esse artigo&lt;/a&gt;) paralela ao exercício de medicina. Com dez anos de experiência ele iniciou uma carreira acadêmica que o levou a ser o primeiro Professor Titular de Medicina Complementar e Alternativa (MCA) do mundo na &lt;a href="http://www.exeter.ac.uk/"&gt;Universidade de Exeter&lt;/a&gt;, na Inglaterra. Nessa posição ele começou a estudar, com um rigor científico raro para a área, diferentes assuntos relacionados à MCA. Em&amp;nbsp;uma trajetória notável de honestidade intelectual, Ernst terminou se convencendo do que para céticos parece óbvio: que com raras exceções as práticas de MCA tem efeito igual ao efeito placebo. Imagino o quanto isso deve ter custado para ele: ter demonstrado que aquilo no que ele vinha acreditando por anos não corresponde aos fatos. E passar a dizer isso alto e bom tom, inclusive com uma coluna no prestigiado jornal &lt;a href="http://www.guardian.co.uk/profile/edzardernst"&gt;The Guardian&lt;/a&gt;, além de livros e numerosos artigos científicos publicados em revistas com rigoroso processo de revisão por pares.&lt;br /&gt;
A Época dessa semana publica uma &lt;a href="http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI247819-15257,00.html"&gt;excelente entrevista&lt;/a&gt; com o Prof. Ernst. No entanto ela não menciona um fato recente que o colocou em evidência na mídia européia.&lt;br /&gt;
Em 2005 o&amp;nbsp;&lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Charles,_Prince_of_Wales"&gt;Príncipe Charles&lt;/a&gt;, adepto de MCA entre outras bobagens, encomendou ao economista Christopher Smallwood um estudo que mostrasse que MCA é barata e valeria apena mantê-la no &lt;a href="http://www.nhs.uk/Pages/HomePage.aspx"&gt;Sistema Nacional de Saúde&lt;/a&gt; britânico. A propósito, o &lt;a href="http://portal.saude.gov.br/portal/saude/cidadao/default.cfm"&gt;SUS&lt;/a&gt; brasileiro, assim como meu seguro de saúde privado, também financia essas práticas. Comentário meu: do ponto de vista estritamente econômico, MCA é muito efetiva: sem tratamento adequado os pacientes morrem mais rápido e assim deixam de onerar os cofres do sistema.&lt;br /&gt;
Ernst tornou-se um ácido crítico do relatório Smallwood, inclusive tendo publicado &lt;a href="http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC1821425/"&gt;artigos&lt;/a&gt; desafiando a metodologia empregada. Ernst foi acusado pelo secretário do Príncipe de ao publicar seus artigos ter rompido um acordo de confidencialidade em relação ao relatório. Ele foi investigado por uma comissão de sindicância da universidade pela qual, segundo suas palavras, ele foi "tratado como culpado até provar sua inocência". A universidade o considerou inocente, mas continuou tratando-o, segundo ele, como &lt;i&gt;persona non-grata.&lt;/i&gt;&amp;nbsp;Toda atividade de captação de fundos para sua pesquisa foi interrompida e ele se viu forçado a fechar seu laboratório. &amp;nbsp;Em 2011 ele aposentou-se, dois anos antes do previsto.&lt;br /&gt;
Ernst é o autor, junto com &lt;a href="http://ccientifica.blogspot.com/2009/06/quiropraxia-nos-tribunais.html"&gt;Simon Singh&lt;/a&gt;, do excelente livro &lt;a href="http://www.sciencebasedmedicine.org/index.php/trick-or-treatment/"&gt;Trick or Treatment?&lt;/a&gt;. Espero que mesmo depois de sua aposentadoria ele continue ativo trazendo mais luz para o entrevado mundo da Medicina Complementar e Alternativa. Não tenho nem nunca tive nada contra os usuários dessas práticas, mas validá-las e transformá-las em políticas de estado certamente não é uma boa prática. Ernst tem sido uma importante voz nessa direção.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8768401474994996719-7954124855553937749?l=ccientifica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://ccientifica.blogspot.com/feeds/7954124855553937749/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8768401474994996719&amp;postID=7954124855553937749" title="3 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/8768401474994996719/posts/default/7954124855553937749?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/8768401474994996719/posts/default/7954124855553937749?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://ccientifica.blogspot.com/2011/07/edzard-ernst-homeopatia-e-outras.html" title="Edzard Ernst, homeopatia e outras pseudociências" /><author><name>Leandro R. Tessler</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08680318456015079933</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="31" height="21" src="http://3.bp.blogspot.com/-mm44jH1bAvQ/TpjmpqN-dXI/AAAAAAAAA9k/7qpg43_WDDY/s220/IMG_3750.JPG" /></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry gd:etag="W/&quot;DEYNQn0-eip7ImA9WhZXE00.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-8768401474994996719.post-3014143840959153521</id><published>2011-05-02T00:16:00.000-03:00</published><updated>2011-05-02T00:16:33.352-03:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2011-05-02T00:16:33.352-03:00</app:edited><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Cultura científica" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Ensino Superior" /><title>Cultura universitária</title><content type="html">Eu passei uma semana de abril visitando a &lt;a href="http://www.wisc.edu/"&gt;University of Wisconsin - Madison&lt;/a&gt;. É uma universidade pública norte-americana das boas, número 17 no &lt;a href="http://www.arwu.org/"&gt;ranking de Shangai&lt;/a&gt;. Madison foi um centro importante de protestos contra a guerra do Vietnã e pelos direitos civis nos anos 1960, essa história é contada no ótimo documentário &lt;a href="http://www.imdb.com/title/tt0080118/"&gt;War at Home&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;
Como em todas as universidades norte americanas públicas ou privadas os estudantes pagam parte da sua formação. Seguindo ouvi da reitora &lt;a href="http://www.chancellor.wisc.edu/"&gt;Biddy Martin&lt;/a&gt;, a UW cobra a &lt;a href="http://www.wisc.edu/about/facts/fees.php"&gt;segunda menor anuidade&lt;/a&gt; de uma universidade pública, depois da Universidade de Iowa. Na minha primeira visita a Madison, no ano passado, ouvi que a contribuição do estado ao orçamento da universidade não passava de 14%. O resto vem de fundos federais (principalmente através de bolsas e contratos de pesquisa), fundos privados e do &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Financial_endowment"&gt;endowment&lt;/a&gt;, essa palavra de difícil tradução porque não é um hábito brasileiro. Para completar, com a eleição do ultra-conservador republicano &lt;a href="http://www.scottwalker.org/"&gt;Scott Walker&lt;/a&gt; para o governo do estado o campus de Madison está sendo privatizado. Isso mesmo. Essa palavra que causa horror aos intelectuais das universidades públicas brasileiras foi muito &lt;a href="http://chronicle.com/article/U-of-Wisconsin-at-Madisons/126532/"&gt;bem recebida pela reitora&lt;/a&gt; e comunidade da UW-Madison (mas não pelos demais campi da universidade). Pior, a reitora não foi eleita pelos professores, alunos e funcionários, mas escolhida pelo &lt;a href="http://www.wisconsin.edu/bor/"&gt;board of regents&lt;/a&gt; (conselho diretor) que é indicado pelo governador (com mandato de sete anos) e envolve representantes da sociedade. Na composição atual só um é da comunidade universitária. Com a privatização o board of regents será substituído por um board of trustees.&lt;br /&gt;
Quando cheguei ao Brasil deparei com a &lt;a href="http://www1.folha.uol.com.br/saber/902542-familia-de-patrono-pede-de-volta-doacao-de-r-1-mi-a-usp.shtml"&gt;notícia&lt;/a&gt; de que a família de um banqueiro que havia deixado R$1 milhão para a USP estava pedindo o dinheiro de volta alegando que a faculdade de Direito não cumpriu o contrato de doação que estipulava que o auditório reformado com o dinheiro doado tivesse o nome do doador.&lt;br /&gt;
O Brasil tem uma cultura universitária auto centrada, claramente inspirada na Europa da virada do século XIX para o XX.&lt;br /&gt;
Vou aqui enumerar algumas das suas características, com a intenção óbvia de acender um debate para que possamos pensar em mudar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #990000;"&gt;1. Ensino público deve ser gratuito.&lt;/span&gt; Partindo do princípio (correto) que pessoal bem formado contribui para o progresso do país, entende-se que o próprio país (ou estado) deve bancar a formação de seus abnegados cidadãos selecionados pelos vestibulares. Além disso, o ensino superior público não for gratuito, como os cidadãos das camadas mais pobres poderão ter alguma chance de subir na vida?&lt;br /&gt;
Ocorre que se por um lado a formação superior de qualidade contribui para o progresso do país, ela também contribui para o progresso pessoal do indivíduo. Não me parece absurdo que o indivíduo contribua para parte dessa formação. Programas de bolsas e de crédito educativo podem dar conta de apoiar os estudantes mais pobres. Hoje em dia na Europa já é comum a cobrança de taxas para o ensino superior (em Portugal elas se chamam propinas). As famílias americanas que podem guardam dinheiro para garantir a formação de seus filhos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #990000;"&gt;2. Universidade privada não faz pesquisa de qualidade.&lt;/span&gt; Algumas das melhores universidades do mundo são privadas. Ocorre que as boas universidades privadas não têm fins lucrativos, e funcionam como gestoras de fundos que recebem de fontes públicas e privadas. Assim não ficam amarradas às regulações e leis da burocracia estatal ganhando agilidade e autonomia administrativa. No Brasil praticamente todo o sistema privado tem fins lucrativos. Falta na nossa cultura a percepção de que um patrimônio privado bem gerido pode trazer grandes vantagens educacionais. Antes que alguém me censure, aviso que tenho conhecimento de casos catastróficos de mau uso do dinheiro público por parte de instituições privadas. Um célebre museu na Av. Paulista é o melhor exemplo disso.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #990000;"&gt;3. A comunidade universitária é soberana na sua autogestão.&lt;/span&gt; Reitores devem ser eleitos pela comunidade, preferivelmente em eleições paritárias. Todo o funcionamento da universidade deve ser regido por órgãos colegiados que devem ser soberanos.&lt;br /&gt;
Acho que em poucos lugares do mundo a escolha de reitores ocorre exclusivamente pela comunidade universitária. As universidades são financiadas pela sociedade e devem considerar essa sociedade na sua gestão. É mais que razoável que um comitê dessa sociedade participe da escolha dos dirigente, que não precisam obrigatoriamente ser professores da própria universidade.&lt;br /&gt;
Não aceitamos interferência externa nem mesmo de um doador que vincula sua doação a seu nome batizar algo da universidade.&lt;br /&gt;
Sempre que visito universidades no estrangeiro me surpreende que os nomes dos edifícios, bibliotecas, laboratórios, cátedras sejam associados a doadores que nem sempre passaram pela universidade. Eu tive meu doutorado financiado pela bolsa Helmuth Heineman, O senhor Heineman nunca passou pela minha universidade. Ele enriqueceu muito com suas minas de cobre no Chile e doou uma quantidade razoável de dinheiro para estabelecer um fundo que até hoje financia doutorados de latino-americanos em áreas remotamente ligadas a energia em universidades israelenses. Se fosse no Brasil as universidades decidiriam atribuir o nome de algum personagem local ao fundo e talvez o senhor Heineman desistisse de sua doação. Foi exatamente isso que causou a discórdia entre doador e USP.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #990000;"&gt;4. Todo conhecimento tem o mesmo valor, portanto os salários de todos deve ser igual.&lt;/span&gt; Isso viola um princípio básico do mercado, e condena algumas áreas a não ter as pessoas mais brilhantes trabalhando na universidade. Infelizmente não existem tantas oportunidades para um físico ou um filósofo como para um dermatologista. Da mesma forma um estudante de medicina está disposto a pagar mais por sua formação que um de antropologia. Na tabela de taxas da UW algumas carreiras custam 3 vezes mais que outras. Há um motivo para isso. Seria importante as universidades poderem oferecer salários compatíveis com a área e competir por professores da melhor qualidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #990000;"&gt;5. A educação superior é dever do estado.&lt;/span&gt; Se eu enriqueci em função do que aprendi na universidade isso é mérito meu e não devo nada para ela. Não há no Brasil a cultura de doações para as universidades, nem de ex-alunos que enriqueceram nem de empresários importantes. Há pouco tempo um dos empresários mais ricos do Brasil (educado em Harvard) doou um &lt;a href="http://www.clacs.illinois.edu/"&gt;centro de estudos latino-americanos e caribenhos&lt;/a&gt; à pública &lt;a href="http://illinois.edu/"&gt;University of Illinois at Urbana-Champaign&lt;/a&gt;. O centro leva seu nome. É verdade que no Brasil foi estabelecido o &lt;a href="http://www.natalneuro.org.br/"&gt;Instituto Internacional de Neurociências de Natal Edmond e Lily Safra&lt;/a&gt;, mas ele não é parte da universidade e deve-se a o esforço de um cientista brasileiro radicado nos EUA.&lt;br /&gt;
O endowment é provavelmente a fonte mais importante de recursos e de estabilidade financeira das melhores universidades do mundo. Nisso precisamos avançar em duas direções: as doações e as condições de aceitação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cinco pontos polêmicos é suficiente para um domingo à noite, mas certamente tem muito mais para se discutir sobre cultura universitária. Está mais do que na hora de revermos conceitos muito arraigados. Uma universidade mais dinâmica é muito importante para um país que percebe seu papel no futuro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8768401474994996719-3014143840959153521?l=ccientifica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://ccientifica.blogspot.com/feeds/3014143840959153521/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8768401474994996719&amp;postID=3014143840959153521" title="4 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/8768401474994996719/posts/default/3014143840959153521?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/8768401474994996719/posts/default/3014143840959153521?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://ccientifica.blogspot.com/2011/05/cultura-universitaria.html" title="Cultura universitária" /><author><name>Leandro R. Tessler</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08680318456015079933</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="31" height="21" src="http://3.bp.blogspot.com/-mm44jH1bAvQ/TpjmpqN-dXI/AAAAAAAAA9k/7qpg43_WDDY/s220/IMG_3750.JPG" /></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry gd:etag="W/&quot;DkABRH85eSp7ImA9WhZSEUo.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-8768401474994996719.post-1194401858015976070</id><published>2011-03-26T08:03:00.001-03:00</published><updated>2011-03-26T18:25:55.121-03:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2011-03-26T18:25:55.121-03:00</app:edited><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Universidade" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Ensino Superior" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Ação Afirmativa" /><title>A busca da equidade no Ensino Superior Brasileiro</title><content type="html">&lt;div style="margin-bottom: 0.21cm; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;O artigo a seguir foi publicado originalmente em&amp;nbsp;&lt;a href="https://htmldbprod.bc.edu/pls/htmldb/CIHE.cihe_public_rpt2.download_issue?p_issue_id=114609"&gt;inglês&lt;/a&gt;&amp;nbsp;no jornal&amp;nbsp;&lt;a href="http://www.bc.edu/research/cihe/ihe.html"&gt;International Higher Education&lt;/a&gt;, editado pelo&amp;nbsp;&lt;a href="http://www.bc.edu/research/cihe.html"&gt;Center for International Higher Education&lt;/a&gt;&amp;nbsp;do&amp;nbsp;&lt;a href="http://www.bc.edu/"&gt;Boston College&lt;/a&gt;.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0.21cm; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;Em alguns lugares do mundo, especialmente nos Estados Unidos, há vários grupos de pesquisa que tratam a atividade humana em ensino superior como assunto científico no sentido de conseguir respostas a perguntas do tipo: Como estruturar um sistema? Como expandir um sistema? Como atrair os melhores estudantes para a ciência, etc.&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0.21cm; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;O artigo foi escrito para um público internacional e portanto contém passagens que podem parecer obvias para os brasileiros. Apesar de estar um pouco fora da pauta usual do blog, publico-o aqui atendendo a inúmeros pedidos (na verdade três) para que eu o publicasse em português e porque esse assunto terá consequências sobre o futuro da atividade científica no Brasil. Agradeço ao Roberto Takata pela primeira versão da tradução.&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0.21cm; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0.21cm; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;A busca da equidade no Ensino Superior Brasileiro&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Leandro R. Tessler&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;O Supremo Tribunal Federal está para decidir se as ação afirmativa é compatível com a Constituição Federal. Em 2003, o Conselho Universitário da Universidade de Brasília decidiu reservar 20 porcento das suas vagas para os candidatos PPI (pretos, pardos e indígenas) brasileiros, a partir do processo seletivo de 2004. Após essa decisão, diversas instituições de ensino superior adotaram programas de ação afirmativa, seja por iniciativa própria seja seguindo leis estaduais. Em 2009, o partido de direita Democratas (DEM) entrou com uma ação no Supremo Tribunal Federal, alegando que o sistema de cotas raciais da Universidade de Brasília violaria não menos que nove preceitos fundamentais da Constituição. A decisão sobre esse caso determinará o futuro das políticas de ação afirmativa no Brasil. A imprensa geral e especializada vem publicando artigos que buscam formar opinião para uma ou outra posição. Surpreendemente, todo os artigos “provam” que ação afirmativa é ou a salvação ou uma ameaça a todo o sistema de ensino superior brasileiro.&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="font-weight: bold; margin-bottom: 0cm; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;b&gt;O inevitável viés das provas seletivas&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;O Brasil teve que esperar até o início do século 20 para ver o estabelecimento das primeiras universidades. Já em 1911, o Ministro da Justiça e Negócios Interiores aprovou uma lei determinando que o acesso às instituições públicas de ensino superior deveria se dar por um exame universal, que se tornou conhecido como&amp;nbsp;&lt;i&gt;vestibular&lt;/i&gt;&lt;span style="font-style: normal;"&gt;, já que os candidatos eram em número superior ao de vagas existentes. Essa lei tinha a intenção de introduzir a equidade ao processo seletivo: em lugar de serem escolhidos entre os membros da elite, seriam admitidos os mais bem preparados em um processo democrático e imparcial que oferecia as mesmas chances para todos. Um século depois, a maioria das instituições ainda organizam e aplicam seus próprios processos de admissão, embora o Ministério da Educação tente implementar um exame nacional similar ao SAT. Ao longo dos anos, o público brasileiro foi levado a perceber o&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;i&gt;vestibular&lt;/i&gt;&lt;span style="font-style: normal;"&gt;&amp;nbsp;como um processo justo e confiável. No entanto, estudos têm mostrado que mesmo onde os testes são cuidadosamente preparados para depender mais das capacidades verbais e de raciocínio do que da memorização, os candidatos de famílias mais ricas têm mais chances de sucesso. Algum grau de viés do teste é inevitável.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;span style="font-style: normal;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;span style="font-style: normal;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="font-style: normal; margin-bottom: 0cm; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;b&gt;A melhor educação: ensino fundamental particular, educação superior pública&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;span style="font-style: normal;"&gt;Desde os anos de 1990, a expansão do sistema de ensino superior tem se dado principalmente entre as instituições privadas com fins lucrativos e de menor qualidade. Atualmente, apenas 25 porcento dos 5,5 milhões de matrículas são em instituições públicas de maior qualidade, que são constitucionalmente proibidas de cobrar mensalidades. Devido à falta de investimentos apropriados, a qualidade da educação fundamental pública caiu drasticamente a partir da década de 1960. Escolas particulares caras de educação fundamental que preparam seus alunos explicitamente para ter sucesso no&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;i&gt;vestibular&lt;/i&gt;&lt;span style="font-style: normal;"&gt;&amp;nbsp;das melhores universidades públicas são as preferidas pelos que podem arcar com os custos. Como consequência, esse modelo de exame tornou-se um instrumento validado de exclusão social: as vagas mais disputadas das melhores universidades públicas são ocupadas principalmente por candidatos brancos das classes média e alta. Ter estudado em escola pública ou particular tornou-se um indicador confiável da classe social.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="font-style: normal; margin-bottom: 0cm; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="font-style: normal; margin-bottom: 0cm; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="font-style: normal; margin-bottom: 0cm; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;b&gt;O debate da equidade&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;span style="font-style: normal;"&gt;A demanda para tornar o&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;i&gt;vestibular&lt;/i&gt;&lt;span style="font-style: normal;"&gt;&amp;nbsp;das universidades públicas mais equitativo começou ainda na década de 1990. Depois da Conferência Mundial contra o Racismo, em Durban, 2001, pressões para o estabelecimento de cotas para estudantes de escolas públicas e para PPI ganharam força. Logo o debate chegou à grande imprensa e a círculos intelectuais por todo o país; as discussões tornaram-se altamente polarizadas. Movimentos sociais organizados, especialmente de ativistas negros, demandavam cotas raciais em todas as universidades públicas usando argumentos de reparação histórica pelo passado de escravagismo e racismo. Do outro lado, intelectuais que realmente acreditavam na justiça e democracia associados ao&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;i&gt;vestibular&lt;/i&gt;&lt;span style="font-style: normal;"&gt;&amp;nbsp;alegavam que a implementação de ação afirmativa seria injusta com os candidatos que obtinham pontuação maior nas provas (e não seriam admitidos) e certamente iria reduzir o nível acadêmico das universidades públicas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="font-style: normal; margin-bottom: 0cm; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="font-style: normal; margin-bottom: 0cm; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;A questão mais controversa era se raça poderia ser usada como critério para ação afirmativa. Devido à radicalização do debate, cotas tornaram-se sinônimo de ação afirmativa no Brasil. Diversas universidades (algumas fontes dizem que 70% de todas as instituições públicas de educação superior) aplicam alguma forma de ação afirmativa, mais frequentemente cotas para escolas públicas. Enquanto isso, o Governo Federal criou o Programa Universidade para Todos (ProUni), em que universidades privadas ganham redução de impostos se não cobrarem mensalidades para um certo número de estudantes das escolas públicas, entre os quais uma porcentagem de PPI. Curiosamente, embora beneficie 500 mil estudantes e na prática implemente cotas sociais e raciais, esse programa nunca foi alvo das severas críticas dirigidas aos programas de ação afirmativa nas universidades públicas. A elite brasileira aparentemente percebe as prestigiosas instituições públicas de ensino superior como seu território exclusivo.&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="font-style: normal; margin-bottom: 0cm; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="font-style: normal; margin-bottom: 0cm; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="font-style: normal; margin-bottom: 0cm; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;b&gt;Confiabilidade na seleção&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;span style="font-style: normal;"&gt;No que se refere ao desempenho acadêmico, os sistemas de cotas que reservam vagas para um número fixo de estudantes independentemente da demanda pode admitir estudantes que não estão nem um pouco preparados para a educação superior de qualidade. Relatos individuais confirmando isso em diversas instituições são frequentemente ideologicamente motivados, inconclusivos e não confiáveis – apoiando-se mais de opiniões preconcebidas que em dados robustos. Em contraste, um estudo recente e abrangente comparou resultados acadêmicos da Unicamp, uma conceituada universidade de pesquisa do Estado de São Paulo, com da UFBA, a Universidade Federal da Bahia. Desde 2005 a primeira adota um sistema de bônus para estudantes das escolas públicas e para PPIs autodeclarados. A última tem um sistema de cotas, reservando quase metade das vagas para essencialmente a mesma população. Os dados da Unicamp mostraram que estudantes das escolas públicas admitidos com bônus, em média, possuem melhor desempenho do que seus correspondentes que estudaram em escolas privadas. Isso significa que os estudantes admitidos pelo programa de ação afirmativa estão na verdade mais bem preparados do que aqueles que deixaram de ser admitidos por causa deles. Na UFBA, como em qualquer lugar que adote cotas, os candidatos que deixaram de ser admitidos em função da ação afirmativa são os que têm as menores notas no&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;i&gt;vestibular&amp;nbsp;&lt;/i&gt;&lt;span style="font-style: normal;"&gt;entre os não-cotistas. O desempenho acadêmico e a taxa de evasão dos estudantes admitidos por cotas não são piores do que os dos últimos classificados no&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;i&gt;vestibular&lt;/i&gt;&lt;span style="font-style: normal;"&gt;&amp;nbsp;nos anos anteriores à adoção de cotas (que eles estão substituindo).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="font-style: normal; margin-bottom: 0cm; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="font-style: normal; margin-bottom: 0cm; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;Um grande número de estudantes que alcançam a educação superior com a ajuda de programas de ação afirmativa no Brasil, vêm de escolas secundárias de baixa qualidade. Isso não significa que eles não tenham talento ou as competências necessárias para completar a educação superior de boa qualidade. Dadas as condições adequadas, os melhores estudantes vindos de condições socioeconômicas adversas se saem melhor do que seus colegas após um ou dois semestres na universidade. Suas taxas de evasão podem ser maiores do que a média em algumas instituições, mas não maiores do que as correspondentes aos candidatos que eles substituem. Como um benefício colateral, as instituições tornam-se mais diversas, proporcionando um ambiente melhor para a educação.&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="font-style: normal; margin-bottom: 0cm; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;span style="font-style: normal;"&gt;As reais consequências institucionais e sociais dos programas de ação afirmativa no Brasil ainda não estão claras porque a primeira turma ainda está se formando. Independentemente de qual venha a ser a decisão do Supremo Tribunal Federal, o sucesso dos programas de ação afirmativa no Brasil mostra que selecionar estudantes com base somente no desempenho em uma bateria de testes está longe de ser um processo justo, democrático e equitativo. Todo o processo de seleção de alunos deveria ser ser revisado nos próximos anos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8768401474994996719-1194401858015976070?l=ccientifica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://ccientifica.blogspot.com/feeds/1194401858015976070/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8768401474994996719&amp;postID=1194401858015976070" title="10 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/8768401474994996719/posts/default/1194401858015976070?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/8768401474994996719/posts/default/1194401858015976070?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://ccientifica.blogspot.com/2011/03/busca-da-equidade-no-ensino-superior.html" title="A busca da equidade no Ensino Superior Brasileiro" /><author><name>Leandro R. Tessler</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08680318456015079933</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="31" height="21" src="http://3.bp.blogspot.com/-mm44jH1bAvQ/TpjmpqN-dXI/AAAAAAAAA9k/7qpg43_WDDY/s220/IMG_3750.JPG" /></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry gd:etag="W/&quot;C0AFSH0yfCp7ImA9Wx9UE0Q.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-8768401474994996719.post-8800486929749391071</id><published>2011-02-09T02:39:00.001-02:00</published><updated>2011-02-11T00:35:19.394-02:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2011-02-11T00:35:19.394-02:00</app:edited><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Método Científico" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Homeopatia" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Cultura científica" /><title>Homeopatia não é ciência</title><content type="html">&lt;span style="float: left; padding-bottom: 5px; padding-left: 5px; padding-right: 5px; padding-top: 5px;"&gt;&lt;a href="http://www.researchblogging.org/"&gt;&lt;img alt="ResearchBlogging.org" src="http://www.researchblogging.org/public/citation_icons/rb2_large_gray.png" style="border: 0;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;Os eventos ocorridos às &lt;a href="http://1023.haaan.com/"&gt;10:23&lt;/a&gt; do último sábado 5/2/2011 chamaram mais uma vez a atenção para o status da &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Homeopatia"&gt;homeopatia&lt;/a&gt; na sociedade brasileira. Isso fez com que a &lt;a href="http://amhb.org.br/"&gt;Associação Médica Homeopática Brasileira&lt;/a&gt;&amp;nbsp;se sentisse incomodada a ponto de manifestar-se através de &lt;a href="http://www.amhb.org.br/media/Gazetinha%2040_2011.pdf"&gt;Nota Oficial&lt;/a&gt;&amp;nbsp;em seu periódico "A Gazetinha". Nota oficial, como seu&amp;nbsp;pomposo&amp;nbsp;nome indica, é um recurso utilizado quando algum fato é grave o suficiente demandando uma atitude formal e solene. Aqui vou analisar e comentar a nota e as informações nela contidas dentro de uma visão científica.&lt;br /&gt;
&lt;div&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_j2Oc0m3l-hI/TVH35rLwYWI/AAAAAAAAAqQ/fTTbtg0-O7g/s1600/gazetinha.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="84" src="http://1.bp.blogspot.com/_j2Oc0m3l-hI/TVH35rLwYWI/AAAAAAAAAqQ/fTTbtg0-O7g/s320/gazetinha.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;O cabeçalho da Gazetinha, reproduzido aqui, já chama a atenção. Além de uma estranha imagem de Samuel Hannemann, o criador da doutrina homeopática e do logo da associação, aparecem os logos da &lt;a href="http://www.amb.org.br/"&gt;Associação Médica Brasileira&lt;/a&gt; e do&lt;a href="http://portal.cfm.org.br/"&gt; Conselho Federal de Medicina&lt;/a&gt;, como se eles fossem parceiros da AMHB na publicação. A presença do logo da AMB se justifica. Trata-se de uma associação à qual a AMHB é filiada. Já a presença do CFM causa desconfiança. O que o logo de um conselho que possui atribuições constitucionais de fiscalização e normatização da prática médica faz na Gazetinha? Seria a Gazetinha um instrumento de fiscalização e normatização? Obviamente não. Por exemplo, na capa do boletim &lt;a href="http://www.sbacv.com.br/index.php?option=com_content&amp;amp;view=article&amp;amp;id=43&amp;amp;Itemid=77"&gt;Circulação&lt;/a&gt; da &lt;a href="http://www.sbacv.com.br/"&gt;Associação Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular&lt;/a&gt; há o logo da AMB mas &lt;b&gt;não &lt;/b&gt;o do CRF.&lt;br /&gt;
O título da Nota Oficial é "Céticos versus homeopatia: conflitos de idéias e interesses". Abaixo reproduzo em &lt;span class="Apple-style-span" style="color: blue;"&gt;azul &lt;/span&gt;e comento somente as partes principais que estão em desacordo com os fatos e com a Cultura Científica.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;span class="Apple-style-span" style="color: blue;"&gt;"Com apelos publicitários expressivos, lançam mão agora de&amp;nbsp;falsos conceitos sobre a ciência, para enganar a opinião pública e principalmente tentar ludibriar as&amp;nbsp;INSTITUIÇÕES de ensino, de pesquisa e de profissionais."&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
Não sei exatamente a quem a nota se refere, mas não li nenhuma linha crítica à homeopatia empregando "falsos conceitos sobre a ciência para enganar a opinião pública".&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;span class="Apple-style-span" style="color: blue;"&gt;"Os motivos verdadeiros que os movem, naturalmente se escondem atrás das&amp;nbsp;fontes de seus financiamentos. E estas fontes não são oriundas da ciência nem daqueles que são&amp;nbsp;sinceros com os interesses da mesma!"&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
A velha e paranóica afirmação em relação aos cientistas que mostram que homeopatia não é ciência. Este blog, como vários outros, tem reiteradamente afirmado que homeopatia não é ciência. E nunca recebeu um centavo da indústria&amp;nbsp;farmacêutica. Aliás, ele não tem fonte de financiamento alguma.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;span class="Apple-style-span" style="color: blue;"&gt;"A homeopatia tem sido uma ferramenta a mais nas mãos das ciências médicas há mais de 200 anos,&amp;nbsp;prestando serviços à saúde das populações. Ao longo destes anos, os HOMEOPATAS jamais se&amp;nbsp;furtaram ao debate acadêmico e científico."&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
Aí está a primeira confusão conceitual: Ciência não é debate. É método. Ao contrário do que ocorre nas humanidades, o debate acadêmico científico só existe balizado por uma metodologia que permite verificar hipóteses. As idéias de Hannemann jamais foram validadas pelo método científico. Ao contrário.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;span class="Apple-style-span" style="color: blue;"&gt;"E do ponto de vista da ciência, existe algo&amp;nbsp;que nunca se pode abrir mão: SÃO OS FATOS."&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
Eu não poderia concordar mais com essa passagem da nota.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
"&lt;span class="Apple-style-span" style="color: blue;"&gt;É&amp;nbsp;importante salientar que a Organização Mundial de Saúde, além de constatar o crescimento do uso&amp;nbsp;da homeopatia nos diversos continentes, vem também adotando como estratégia o incentivo aos&amp;nbsp;seus países membros, para que adotem o uso da homeopatia como recurso terapêutico e adotem&amp;nbsp;pesquisas sobre a segurança e a eficácia de seu uso."&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
Essa frase longa contém uma verdade e uma mentira.&lt;br /&gt;
É verdade que a &lt;a href="http://www.who.int/en/"&gt;OMS&lt;/a&gt; publicou em 2010 um "Guia de Segurança para a preparação de remédios homeopáticos, que pode ser &lt;a href="http://www.who.int/medicines/areas/traditional/prephomeopathic/en/index.html"&gt;obtido&lt;/a&gt; diretamente na página da OMS. Nada mais apropriado: vários remédios homeopáticos são preparados a partir de substâncias altamente tóxicas ou letais, sacudidas e diluídas até que não sobre nenhuma molécula da substância original no remédio que será tomado. É muito importante o farmacêutico que prepara essa diluição ter certeza de que nenhuma molécula tóxica está presente no produto final, caso contrário&amp;nbsp;conseqüências&amp;nbsp;desagradáveis podem ocorrer.&lt;br /&gt;
É mentira que a OMS incentive o uso da homeopatia. Em 1999 B. Poitevin, então presidente da "Associação Francesa de Pesquisas em Homeopatia" publicou um artigo de opinião no &lt;a href="http://www.who.int/bulletin/archives/77(2)160.pdf"&gt;Bulletin of the World Health Organization&lt;/a&gt;, no qual ele propunha a integração da homeopatia nos sistemas de saúde. Esse artigo reflete a opinião do Sr. Poitevin, não da OMS. &amp;nbsp;Em meados de 2010 o grupo &lt;a href="http://www.senseaboutscience.org.uk/index.php/site/about/11/"&gt;Voice of Young Science Network&lt;/a&gt; enviou uma &lt;a href="http://www.senseaboutscience.org.uk/docs/VOYSlettertoWHO.doc"&gt;carta aberta&lt;/a&gt; à OMS sugerindo que a OMS condenasse o uso de homeopatia para tratar de tuberculose, diarréia infantil, gripe, malária e HIV. Todas doençcas que podem levar ao óbito do paciente. A carta foi devidamente &lt;a href="http://www.amhb.org.br/?op=conteudo&amp;amp;id=234"&gt;criticada &lt;/a&gt;na página da ABMH. No entanto, a OMS pronunciou-se claramente NÃO recomendando homeopatia para tratar essas doenças. Isso está documentado no &lt;a href="http://counterknowledge.com/2009/08/who-homeopathy-not-a-cure/"&gt;Counterknowledge&lt;/a&gt;&amp;nbsp;e pela &lt;a href="http://news.bbc.co.uk/2/hi/8211925.stm"&gt;BBC&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;span class="Apple-style-span" style="color: blue;"&gt;"SÃO OS&amp;nbsp;FATOS OBSERVADOS PELA EVOLUÇÃO CLÍNICA DOS PACIENTES E DOENTES que&amp;nbsp;atestam e cientificamente definem o valor de um tratamento, pois a prova final será dada pela&amp;nbsp;qualidade dos resultados clínicos, em termos de segurança e eficácia, para a medicina."&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
Quem escreveu a nota mostra desconhecimento do que é o método científico. Testes clínicos científicos exigem um protocolo rígido a ser seguido, o do&amp;nbsp;&lt;a href="http://ccientifica.blogspot.com/2008/06/o-estudo-duplo-cego.html"&gt;estudo duplo cego&lt;/a&gt;. Todos os meta-estudos feitos a partir de estudos duplo-cego até hoje mostraram que a homeopatia não tem efeito maior que o placebo. Isso é &lt;a href="http://www.thelancet.com/journals/lancet/article/PIIS0140-6736(05)67177-2/abstract#"&gt;definitivo&lt;/a&gt;, motivou em 2005 um &lt;a href="http://download.thelancet.com/pdfs/journals/lancet/PIIS0140673605671498.pdf"&gt;editorial&lt;/a&gt; da &lt;a href="http://www.thelancet.com/"&gt;Lancet&lt;/a&gt; sugerindo que não se gaste mais recursos em pesquisas com homeopatia. O resultado não surpreende, dado que os remédios homeopáticos não contém concentração relevante de princípio ativo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;span class="Apple-style-span" style="color: blue;"&gt;"Por isso, o nosso repúdio a&amp;nbsp;este movimento de pseudo-céticos ingleses, que procuram expandir mundo afora os seus&amp;nbsp;ataques à Homeopatia, que insultam deliberadamente a inteligência, a autonomia, as instituições, a&amp;nbsp;auto-determinação e a soberania da nação brasileira!"&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
Não sei por que a nota qualifica o movimento &lt;a href="http://www.1023.org.uk/"&gt;10:23&lt;/a&gt; britânico como &lt;b&gt;pseudo&lt;/b&gt;-cético. A frase final de tom emocionado-nacionalista mostra um certo exagero. Eu venho há anos dizendo que a homeopatia não é uma prática científica sem insultar essa lista de instituições.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para finalizar esse longo texto, quero chamar a atenção para o que o &lt;a href="http://nccam.nih.gov/"&gt;NCCAM &lt;/a&gt;afirma sobre homeopatia em sua página. O National Center for Complementary and Alternative Medicine é uma instituição de pesquisa do &lt;a href="http://www.nih.gov/"&gt;National Institutes of Health&lt;/a&gt; norte-americano que foi estabelecida para estudar medicina complementar e alternativa. Ele foi criado por pressão de membros do congresso adeptos dessas práticas que esperavam assim validá-las. &lt;a href="http://ccientifica.blogspot.com/2008/03/quanto-custa-medicina-complementar-e.html"&gt;Milhões de dólares&lt;/a&gt;&amp;nbsp;do contribuinte americano foram investidos nessas pesquisas. Está na &lt;a href="http://nccam.nih.gov/health/homeopathy/#status"&gt;página&lt;/a&gt;&amp;nbsp;deles:&lt;br /&gt;
"A maior parte das análises da pesquisa em homeopatia concluiu que há pouca evidência para apoiar homeopatia como um tratamento efetivo para qualquer condição de saúde específica, e que muitos estudos foram falhos. No entanto, existem alguns estudos observacionais individuais, estudos duplo-cego controlados por placebo, além de pesquisa laboratorial que apontam resultados positivos ou propriedades físicas e químicas únicas de remédios homeopáticos".&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Eu adoraria ver esses raros estudos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O maior problema com a Nota Oficial da ABMH é que ela pretende validar cientificamente o que não pode ser&amp;nbsp;demonstrado&amp;nbsp;cientificamente. E apelam para outras formas de validação de autoridade, como o logo e a menção ao CRM e a falsa recomendação da OMS.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não seria a hora, como sugeriu aqui nesse blog o ex-conselheiro e ex-diretor do Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo) Dr. Celio Levyman, de o CRM rever o status de especialidade conferido à homeopatia? Não&amp;nbsp;poderíamos&amp;nbsp;seguir o exemplo do Voice of Young Science Network e buscar formar opinião nessa direção?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;Referências:&lt;/b&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;Shang, A., Huwiler-Müntener, K., Nartey, L., Jüni, P., Dörig, S., Sterne, J., Pewsner, D., &amp;amp; Egger, M. (2005). Are the clinical effects of homoeopathy placebo effects? Comparative study of placebo-controlled trials of homoeopathy and allopathy &lt;span style="font-style: italic;"&gt;The Lancet, 366&lt;/span&gt; (9487), 726-732 DOI: &lt;a href="http://dx.doi.org/10.1016/S0140-6736(05)67177-2" rev="review"&gt;10.1016/S0140-6736(05)67177-2&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;span class="Z3988" title="ctx_ver=Z39.88-2004&amp;amp;rft_val_fmt=info%3Aofi%2Ffmt%3Akev%3Amtx%3Ajournal&amp;amp;rft.jtitle=The+Lancet&amp;amp;rft_id=info%3Adoi%2F10.1016%2FS0140-6736%2805%2967149-8&amp;amp;rfr_id=info%3Asid%2Fresearchblogging.org&amp;amp;rft.atitle=The+end+of+homoeopathy&amp;amp;rft.issn=01406736&amp;amp;rft.date=2005&amp;amp;rft.volume=366&amp;amp;rft.issue=9487&amp;amp;rft.spage=690&amp;amp;rft.epage=690&amp;amp;rft.artnum=http%3A%2F%2Flinkinghub.elsevier.com%2Fretrieve%2Fpii%2FS0140673605671498&amp;amp;rft.au=The+Lancet%2C+.&amp;amp;rfe_dat=bpr3.included=1;bpr3.tags=Other%2CScience%2C+Culture"&gt;The Lancet, . (2005). The end of homoeopathy &lt;span style="font-style: italic;"&gt;The Lancet, 366&lt;/span&gt; (9487), 690-690 DOI: &lt;a href="http://dx.doi.org/10.1016/S0140-6736(05)67149-8" rev="review"&gt;10.1016/S0140-6736(05)67149-8&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8768401474994996719-8800486929749391071?l=ccientifica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://ccientifica.blogspot.com/feeds/8800486929749391071/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8768401474994996719&amp;postID=8800486929749391071" title="11 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/8768401474994996719/posts/default/8800486929749391071?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/8768401474994996719/posts/default/8800486929749391071?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://ccientifica.blogspot.com/2011/02/homeopatia-nao-e-ciencia.html" title="Homeopatia não é ciência" /><author><name>Leandro R. Tessler</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08680318456015079933</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="31" height="21" src="http://3.bp.blogspot.com/-mm44jH1bAvQ/TpjmpqN-dXI/AAAAAAAAA9k/7qpg43_WDDY/s220/IMG_3750.JPG" /></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://1.bp.blogspot.com/_j2Oc0m3l-hI/TVH35rLwYWI/AAAAAAAAAqQ/fTTbtg0-O7g/s72-c/gazetinha.jpg" height="72" width="72" /><thr:total>11</thr:total></entry><entry gd:etag="W/&quot;CkAMSXw_eCp7ImA9Wx9UEEk.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-8768401474994996719.post-7491723762554134797</id><published>2011-02-05T00:08:00.014-02:00</published><updated>2011-02-06T23:06:28.240-02:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2011-02-06T23:06:28.240-02:00</app:edited><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Charlatanismo" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Homeopatia" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Cultura científica" /><title>Desespero homeopático, ou beba gotas de água e vá em cana</title><content type="html">Era 2004. As mais importantes companhias de seguros de saúde belgas dobraram-se à pressão popular e passaram a cobrir os custos de tratamentos homeopáticos. Um grupo de 23 céticos caiu em profunda depressão devido à decepção com o fato de as seguradoras encorajarem a charlatanice (nas palavras deles). Isso teve uma&amp;nbsp;conseqüência&amp;nbsp;terrível, e os levou a decidir pela única saída. Suicídio em massa em praça pública. Eles resolveram tomar um coquetel de venenos mortais que incluiu arsênico, veneno de cobra e beladona. Para o horror dos homeopatas, eles aumentaram a potência da mistura da melhor maneira homeopática.&amp;nbsp;Diluíram uma parte&amp;nbsp;em 100 de água, obviamente tomando o cuidado de sacudir o frasco vigorosamente antes da diluição para potencializar o efeito. Essa diluição foi repetida 30 vezes, obtendo assim um preparado mortal diluído 30C. Qualquer homeopata que se preza garantirá que numa diluição dessas é preciso tomar muito cuidado com os remédios. Todos os jornais e TVs foram convidados para acompanhar a lenta agonia dos 23 suicidas, entre os quais renomados professores de medicina. A cobertura da mídia foi um sucesso. A tentativa de suicídio um fracasso.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Hoje lembrei dessa história que na época apareceu no &lt;a href="http://bobpark.physics.umd.edu/WN04/wn052104.html"&gt;What's New&lt;/a&gt; e no &lt;a href="http://www.csicop.org/si/show/belgium_skeptics_commit_mass_suicide/"&gt;Skeptical Enquirer&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;a href="http://1023.haaan.com/wp-content/uploads/2011/01/300x205x1023-Brazil-300x205.png.pagespeed.ic.J0B-Z9i81n.png" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="136" src="http://1023.haaan.com/wp-content/uploads/2011/01/300x205x1023-Brazil-300x205.png.pagespeed.ic.J0B-Z9i81n.png" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;Em poucas horas, às 10:23 da manhã de 5/2/2011 ocorrerá em Natal, São Paulo e Porto Alegre, assim como em várias outras cidades do mundo, o &lt;a href="http://www.1023.org.uk/"&gt;Desafio 10:23 2011&lt;/a&gt;. Várias pessoas (inclusive eu, não fosse um imprevisto doméstico que me impede de viajar até São Paulo) tomarão overdoses de preparados homeopáticos para mostrar de uma vez por todas que homeopatia é feita de nada. 10:23 é uma alusão ao número de Avogadro, que implica que qualquer coisa&amp;nbsp;diluída&amp;nbsp;acima de 10²³ (aproximadamente 12C) não contém &lt;b&gt;nenhuma&lt;/b&gt; molécula do produto original. Tem mais sobre o protesto muito bem humorado no &lt;a href="http://www.ceticismoaberto.com/ceticismo/6012/consumidores-brasileiros-encenaro-overdose-homeoptica"&gt;Ceticismo Aberto&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Claro que isso causaria a ira das várias organizações homeopáticas. No entanto uma delas passou dos limites do risível. Segundo a Associação Brasileira de Farmaceuticos Homeopatas (ABFH) todos aqueles que estiverem bebendo água ou engolindo bolinhas de açúcar em praça pública às 10:23 do dia 5/2/2011 devem ser presos. Isso mesmo: ir em cana. A página deles tem a seguinte chamada: &lt;a href="http://www.abfh.com.br/noticias_det.php?id=81"&gt;Movimento dos céticos contra homeopatia pode cometer crime se consumir medicamentos em praça pública&lt;/a&gt;. Não resisto a reproduzir a declarações de Márcia Gutierrez, a presidente da associação: “Um ato de irresponsabilidade contra a saúde pública que pode ser impedido pelas autoridades, tanto sanitárias quanto da segurança”. A matéria continua dizendo que "De acordo com a lei penal, este ato pode configurar crimes de indução ao suícidio, infração de medida sanitária preventiva e incitação ao crime."&lt;br /&gt;
Como foi mostrado acima, a última tentativa de suicídio homeopático na Bélgica foi um fracasso total. Pelo contrário, talvez se mais suicidas fossem adeptos da homeopatia e utilizassem seus venenos em diluições acima de 12C teríamos uma redução na taxa de sucesso dos suicidas.&lt;br /&gt;
Márcia vai além: "A prática proposta por esse grupo torna-se perigosíssima à saúde dos manifestantes, tendo em vista que os medicamentos homeopáticos devem ser tomados observando as prescrições e recomendações médicas, podendo desenvolver em pacientes, sensíveis a eles, uma série de sinais e sintomas peculiares ou mesmo a gravação (sic) de sintomas de enfermidades pré-existentes. Também a prática proposta pode levar insegurança e pânico aos milhares de pacientes que no Brasil e no mundo fazem uso da homeopatia como escolha terapêutica e que influenciados por este episódio poderão optar pela interrupção do tratamento vigente expondo-os também a sérios riscos de comprometimento de seu estado saúde."&lt;br /&gt;
Essa é realmente boa. Já imagino o pânico nos pacientes adeptos da homeopatia quando algum dos manifestantes tomar sua overdose homeopática.&lt;br /&gt;
A ABFH continua reduzindo o protesto a uma disputa comercial britânica (a velha inimiga indústria&amp;nbsp;farmacêutica, que como se sabe não é nenhuma flor de ética) e insiste que "os estudos sobre a eficácia do medicamento (sic) homeopáticos são divulgados quase que exclusivamente no âmbito científico, médico e farmacêutico." Desnecessário repetir aqui que os estudos publicados nas mais prestigiosas revistas científicas têm sempre demonstrado que o efeito da homeopatia nunca é maior que o efeito placebo.&lt;br /&gt;
O desespero demonstrado pelo tom da notícia da ABFH e ao sugerir a prisão das pessoas que cometerão o crime de beber uma overdose de água sacudida só mostra que o protesto está tendo um efeito colateral antes mesmo de começar. Parabéns aos organizadores!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_j2Oc0m3l-hI/TUyvIbqoWaI/AAAAAAAAAqE/sJ2KHAFkifY/s1600/IMG_0841.JPG" imageanchor="1" style="clear: left; display: inline !important; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="197" src="http://4.bp.blogspot.com/_j2Oc0m3l-hI/TUyvIbqoWaI/AAAAAAAAAqE/sJ2KHAFkifY/s200/IMG_0841.JPG" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="-webkit-border-horizontal-spacing: 2px; -webkit-border-vertical-spacing: 2px; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 14px;"&gt;Esse texto é dedicado ao Omo, o simpático rapaz de 3 meses e meio dessa foto, que conquistou a todos da casa. Quando cheguei em casa hoje ele estava machucado e caído. A veterinária diagnosticou um rompimento da bexiga, talvez devido a um atropelamento. O estado dele é grave e só poderá ser operado amanhã cedo. Espero que ele resista a essa noite e amanhã tudo dê certo na cirurgia.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span class="Apple-style-span" style="-webkit-border-horizontal-spacing: 2px; -webkit-border-vertical-spacing: 2px; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 14px;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span class="Apple-style-span" style="-webkit-border-horizontal-spacing: 2px; -webkit-border-vertical-spacing: 2px; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 14px;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span class="Apple-style-span" style="-webkit-border-horizontal-spacing: 2px; -webkit-border-vertical-spacing: 2px; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 14px;"&gt;&lt;b&gt;Update 1.&lt;/b&gt; O Omo infelizmente não resistiu até poder ser operado.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="-webkit-border-horizontal-spacing: 2px; -webkit-border-vertical-spacing: 2px; font-size: 14px;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="-webkit-border-horizontal-spacing: 2px; -webkit-border-vertical-spacing: 2px; font-size: 14px;"&gt;&lt;b&gt;Update 2.&lt;/b&gt; Há um post legal sobre o mesmo assunto no &lt;a href="http://bulevoador.haaan.com/2011/02/04/associacao-de-farmaceuticos-homeopatas-diz-que-podemos-estar-cometendo-crime/"&gt;Bule Voador&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="-webkit-border-horizontal-spacing: 2px; -webkit-border-vertical-spacing: 2px; font-size: 14px;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;
&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="-webkit-border-horizontal-spacing: 2px; -webkit-border-vertical-spacing: 2px; font-size: 14px;"&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8768401474994996719-7491723762554134797?l=ccientifica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://ccientifica.blogspot.com/feeds/7491723762554134797/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8768401474994996719&amp;postID=7491723762554134797" title="18 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/8768401474994996719/posts/default/7491723762554134797?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/8768401474994996719/posts/default/7491723762554134797?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://ccientifica.blogspot.com/2011/02/desespero-homeopatico-ou-beba-gotas-de.html" title="Desespero homeopático, ou beba gotas de água e vá em cana" /><author><name>Leandro R. Tessler</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08680318456015079933</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="31" height="21" src="http://3.bp.blogspot.com/-mm44jH1bAvQ/TpjmpqN-dXI/AAAAAAAAA9k/7qpg43_WDDY/s220/IMG_3750.JPG" /></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://4.bp.blogspot.com/_j2Oc0m3l-hI/TUyvIbqoWaI/AAAAAAAAAqE/sJ2KHAFkifY/s72-c/IMG_0841.JPG" height="72" width="72" /><thr:total>18</thr:total></entry><entry gd:etag="W/&quot;CUQDR3Y9fCp7ImA9Wx9VFkU.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-8768401474994996719.post-1820122926548589323</id><published>2011-01-31T00:19:00.001-02:00</published><updated>2011-02-02T19:49:36.864-02:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2011-02-02T19:49:36.864-02:00</app:edited><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Jornalismo" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Cultura científica" /><title>A Época do kW/h</title><content type="html">Durante meus anos coordenando o vestibular da Unicamp eu recomendei sempre que os candidatos lessem jornais e revistas para se manterem informados. Mas tenho ficado surpreso pela baixa qualidade das matérias que envolvem ciência. Um amigo jornalista uma vez me corrigiu ironizando sobre o fato de eu entender melhor os assuntos ligados à ciência que os demais...&lt;br /&gt;
&lt;div&gt;Aqui registro mais um de uma longa lista. A revista &lt;a href="http://revistaepoca.globo.com/"&gt;Época&lt;/a&gt; da semana passada publicou um &lt;a href="http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI203989-18049,00-DIAGRAMA+O+CRISTO+REDENTOR+TECNOLOGICO.html"&gt;diagrama&lt;/a&gt; para explicar a nova iluminação do Cristo Redentor no Rio que é um amontoado de erros e equívocos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A partir de 1º de março o Cristo será iluminado por LEDs. Época se atrapalha ao tentar explicar o que é um LED. Segundo ela, as lâmpadas comuns "tem filamentos que propagam calor e se queimam. A luz se dispersa mais facilmente." Já o LED "é baseado em um condutor elétrico (diodo). A luz é dirigida, melhorando o foco."&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Se você consegue entender alguma coisa a partir dessa explicação deve ser um gênio.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O que a revista queria dizer é que o funcionamento das lâmpadas de filamento é baseado na &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Thermal_radiation"&gt;radiação térmica&lt;/a&gt; emitida devido à alta temperatura do filamento (cerca de 2800 a 3000ºC). Somente uma pequena parte da energia emitida corresponde à parte visível do &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Electromagnetic_spectrum"&gt;espectro eletromagnético&lt;/a&gt;, sendo o resto perdido na forma de calor. É possível modelar a emissão do filamento como se esse fosse um &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Black_body"&gt;corpo negro&lt;/a&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Isso caso o Cristo ainda fosse iluminado por lâmpadas de filamento. Há décadas a iluminação é feita por &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Metal_halide_lamp"&gt;lâmpadas de haletos metálicos&lt;/a&gt;, nas quais a luz é resultado de uma descarga elétrica em um gás a alta pressão, que são muito mais eficientes. Não há filamento aquecido, mas um arco de alta voltagem. Essas lâmpadas emitem algum calor devido à alta potência dissipada no arco, mas muito menos do que as lâmpadas de filamento.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Já os &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Light-emitting_diode"&gt;LEDs&lt;/a&gt; baseiam-se na emissão de luz devido à recombinação de portadores em uma junção de &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Semiconductor"&gt;semicondutores&lt;/a&gt;. Essa emissão tem um espectro bastante estreito comparado às lâmpadas de filamento e de descarga de gases e por isso são ainda mais eficientes. Praticamente toda a energia é emitida na forma de radiação visível.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Pode piorar? Claro que sim. Quando Época decide explicar a sustentabilidade a confusão só aumenta. Eles desenham um diagrama mostrando corretamente que atualmente as lâmpadas (que não são de filamento!) emitem luz e calor para frente. Na verdade elas emitem em todas as direções mas um refletor atrás da lâmpada projeta toda a radiação para frente. Mas segundo eles nas lâmpadas LED a luz sai pela frente e o calor por trás. Como elas conseguem essa façanha é impossível saber. Desconfio que isso seja resultado de um entendimento muito raso do processo por parte de quem fez o diagrama. Os LEDs também emitem calor em todas as direções, mas a quantidade de calor emitida é muito pequena comparada com a energia luminosa.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E a pérola maior: o consumo. Segundo a revista o consumo vai cair de 72 para 17,2 &lt;b&gt;kW/h&lt;/b&gt;. Potência (medida em kW) por unidade de tempo (medida em horas) é uma grandeza sem significado nesse contexto.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;É possível entender de onde vem essa &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/KWh#Confusion_of_kilowatt_hours_and_kilowatts_per_hour"&gt;confusão&lt;/a&gt;. A concessionária de energia elétrica cobra pela energia que fornece, não pela potência. Ela usa uma unidade prática de energia que é o &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/KWh"&gt;kWh&lt;/a&gt;&amp;nbsp;(kW*hora, e não kW/hora). Um kWh corresponde a um dispositivo com 1000 W de potência operando durante uma hora. Por exemplo, um banho de 12,5 minutos (0,208 hora) em um chuveiro elétrico de 4800 W consome 1 kWh. Um banho de 25 minutos no mesmo chuveiro elétrico na posição "verão", de 2400 W consome também 1 kWh.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O que a revista provavelmente queria dizer é que a potência do novo sistema de iluminação é de 17,2 kW. O /h apareceu para o consumo ficar parecido com a conta de luz. Só que kW/h é muito diferente de kWh.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Enfim, um assunto que poderia ser esclarecedor numa das mais importantes revistas semanais brasileiras virou uma peça de desinformação com uma&amp;nbsp;seqüencia&amp;nbsp;de erros primários.&amp;nbsp;Uma revista desse tamanho poderia, a exemplo de similares estrangeiras, pagar um bom consultor científico.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;Update:&lt;/b&gt;&amp;nbsp;Numa parceria inédita, há uma continuação muito aprofundada desse post no ótimo &lt;a href="http://fisicamoderna.blog.uol.com.br/arch2011-01-30_2011-02-05.html#2011_02-02_18_14_58-7000670-0"&gt;Física na Veia!&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8768401474994996719-1820122926548589323?l=ccientifica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://ccientifica.blogspot.com/feeds/1820122926548589323/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8768401474994996719&amp;postID=1820122926548589323" title="4 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/8768401474994996719/posts/default/1820122926548589323?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/8768401474994996719/posts/default/1820122926548589323?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://ccientifica.blogspot.com/2011/01/epoca-do-kwh.html" title="A Época do kW/h" /><author><name>Leandro R. Tessler</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08680318456015079933</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="31" height="21" src="http://3.bp.blogspot.com/-mm44jH1bAvQ/TpjmpqN-dXI/AAAAAAAAA9k/7qpg43_WDDY/s220/IMG_3750.JPG" /></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry gd:etag="W/&quot;D0AGQnk8cCp7ImA9Wx9UEEU.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-8768401474994996719.post-5811624505836952557</id><published>2011-01-05T17:40:00.002-02:00</published><updated>2011-02-07T11:35:23.778-02:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2011-02-07T11:35:23.778-02:00</app:edited><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Mecânica Quântica" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Equilíbrio" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Cultura Pop" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Charlatanismo" /><title>(Des)Equilíbrio Poderoso</title><content type="html">&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_j2Oc0m3l-hI/TSTGOw5IkQI/AAAAAAAAApY/RTKf4JbNAyw/s1600/size_590_Power_Balance.jpg" imageanchor="1" style="clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="150" src="http://4.bp.blogspot.com/_j2Oc0m3l-hI/TSTGOw5IkQI/AAAAAAAAApY/RTKf4JbNAyw/s200/size_590_Power_Balance.jpg" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;Esse assunto foi motivo de vários textos no passado, como o do &lt;a href="http://www.ceticismoaberto.com/ceticismo/3697/pulseiras-do-equilbrio-power-balance-no-funcionam"&gt;Ceticismo Aberto&lt;/a&gt; e mais recentemente do &lt;a href="http://coletivoacidocetico.blogspot.com/2011/01/desancando-o-power-balance.html"&gt;Coletivo Ácido Cético&lt;/a&gt;&amp;nbsp;(eu realmente adorei o nome deste blog). Ele&amp;nbsp;voltou a mim ontem com uma ligação de um jornalista da editoria &lt;a href="http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/"&gt;Equilíbrio e Saúde&lt;/a&gt; da Folha de São Paulo, enquanto eu comprava frutas para garantir uma alimentação equilibrada. Ele queria saber se pulseiras com hologramas podem afetar o equilíbrio de uma pessoa. Imediatamente pensei no que ele queria dizer com equilíbrio. Equilíbrio mental? Emocional? Financeiro?&lt;br /&gt;
&lt;a href="http://www.powerbalance.com/"&gt;Power Balance&lt;/a&gt;&amp;nbsp;(literalmente Equilíbrio Poderoso, ou Equilíbrio do Poder, ou Equilíbrio da Potência), uma empresa&amp;nbsp;com sede em Orange County na California, foi fundada em 2007 "por atletas com uma grande experiência em cuidado holístico". Essa empresa só comercializa quatro produtos: uma pulseira de silicone (que existe em 16 cores), uma faixa de neoprene (em 10 cores), &amp;nbsp;um pendente em liga de zinco (em duas cores) ou um pendente em prata de Bali. Os produtos são vendidos por US$ 29.95 na página da empresa (US$ 79.95 em prata) e têm em comum o holograma reproduzido ao lado. Até aí tudo bem. Gosto não se discute. Todo cidadão tem o direito de carregar os penduricalhos que bem entender e pagar por eles o que achar razoável. No entanto, o fabricante &lt;a href="http://www.powerbalance.com/powerbalance"&gt;afirma&lt;/a&gt; que "Power Balance é baseado na idéia de otimizar o fluxo de energia do corpo natural, semelhante aos conceitos que sustentam muitas filosofias orientais. O holograma em Power Balance foi projetado para entrar em ressonância e responder ao campo de energia natural do corpo". Aí complicou. No Brasil elas passaram a ser chamadas de "&lt;a href="http://vender-produtos-beleza-saude.vivastreet.com.br/comprar-produtos-beleza-saude+centro/pulseira-bio-quantica/24405142"&gt;pulseiras bioquânticas&lt;/a&gt;". É curioso como&amp;nbsp;freqüentemente&amp;nbsp;as pessoas acham que todo tipo de &lt;a href="http://ccientifica.blogspot.com/2008/10/picaretagem-quntica-lusitana-atacando.html"&gt;picaretagem&lt;/a&gt; em saúde tem a ver com mecânica quântica.&lt;br /&gt;
Um &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Holography"&gt;holograma&lt;/a&gt; é um registro de imagem baseado em padrões de interferência de luz. Para descrever o fenômeno, que rendeu o Prêmio Nobel de 1971 a &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Dennis_Gabor"&gt;Dennis Gabor&lt;/a&gt;, é preciso usar uma descrição sofisticada da &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Optical_interference"&gt;teoria eletromagnética clássica&lt;/a&gt;. Nadinha de &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Quantum_mechanics"&gt;Mecânica Quântica&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;
Nenhum holograma pode entrar em ressonância com o campo de energia natural do corpo porque hologramas não entram em ressonância e não existe campo de energia natural do corpo.&lt;br /&gt;
Em &lt;a href="http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/789769-anvisa-veta-publicidade-de-pulseira-da-moda-vendida-com-apelo-de-melhorar-equilibrio.shtml"&gt;agosto de 2010&lt;/a&gt; a &lt;a href="http://portal.anvisa.gov.br/"&gt;ANVISA&lt;/a&gt; determinou através da &lt;a href="http://www.in.gov.br/imprensa/visualiza/index.jsp?jornal=1&amp;amp;pagina=64&amp;amp;data=03/09/2010"&gt;Resolução 4092&lt;/a&gt; a suspensão de todas as propagandas dos produtos Power Balance e similares "pelo fato dos produtos apresentarem indicações de uso em saúde e não possuírem o devido cadastro junto à Anvisa".&lt;br /&gt;
Na Austrália eles foram muito mais longe: A&lt;a href="http://www.accc.gov.au/content/index.phtml/itemId/964074"&gt; Comissão de Concorrência e Consumo&lt;/a&gt; obrigou a empresa a reconhecer que&amp;nbsp;fazia alegações sem fundamento em sua página e a publicar o seguinte &lt;a href="http://www.powerbalance.com/australia/CA"&gt;Anúncio Correto&lt;/a&gt;r:&lt;br /&gt;
"Em&amp;nbsp;nossa publicidade afirmamos que as pulseiras Power Balance melhoram sua força, equilíbrio e flexibilidade.&lt;br /&gt;
Admitimos que não há evidências científicas confiáveis que sustentem nossa alegação e portanto nós tivemos uma conduta enganosa, violando o artigo s52 do Trade Practices Act de 1974.&lt;br /&gt;
Se você acha que foi enganado por nossas promoções, queremos pedir desculpas sem reservas e oferecer um reembolso total.&lt;br /&gt;
...&lt;br /&gt;
Este Anúncio Corretor foi pago por Power Balance Australia Pty Ltd e publicado seguindo um compromisso com a Comissão Australiana de Concorrência e Consumo de acordo com a &amp;nbsp;seção&amp;nbsp;87B do Trade Practices Act de 1974."&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para provar que a Power Balance respeita o consumidor também no Brasil, eles mostram um alerta contra falsificações já na &lt;a href="http://www.powerbalance.com.br/index.asp"&gt;página de entrada&lt;/a&gt; brasileira. Como todo o produto que é vendido por um preço muito acima do custo (segundo o próprio representante é impossível vender por menos de R$120 no Brasil) eles são vítimas de imitações. Eles alertam para a venda de produtos clandestinos em "sites piratas e pequenos comércios" e dão uma série de orientações ao consumidor. A&amp;nbsp;&lt;a href="http://www.powerbalance.com.br/representantes_n.asp#representante"&gt;melhor de todas&lt;/a&gt;:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
"- Se você comprou seu Power Balance em sites de venda - DESCONFIE, Provavelmente você adquiriu um produto falso sem utilidade."&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Falso sim, mas tão (in)útil quanto o original. E o representante já &lt;a href="http://exame.abril.com.br/marketing/noticias/powerbalance-admite-que-suas-pulseiras-nao-tem-comprovacao-cientifica"&gt;afirmou&lt;/a&gt; que ao contrário da Austrália, no Brasil não haverá devolução de dinheiro aos incautos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Provavelmente existe um efeito similar ao &lt;a href="http://ccientifica.blogspot.com/2008/10/o-preo-da-cura.html"&gt;placebo&lt;/a&gt; nas pessoas que usam as tais pulseiras. Basta ver o &lt;a href="http://www.powerbalance.com.br/videos.asp?Codigo=1"&gt;depoimento&lt;/a&gt; do piloto &lt;a href="http://barrichello.com.br/pt/"&gt;Rubens Barrichello&lt;/a&gt;, que "sentiu uma diferença muito forte na pista". Pelo menos uma coisa é verdade: o fabricante nunca afirmou que o uso das pulseiras pode fazer um piloto andar rápido! Há vários vídeos no &lt;a href="http://www.youtube.com/"&gt;YouTube&lt;/a&gt; mostrando uma suposto melhor equilíbrio quando as pessoas sabem que estão usando a pulseira. Mais placebo impossível.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_j2Oc0m3l-hI/TSSr4_-JAQI/AAAAAAAAApI/59bqHTgG6uI/s1600/real020a.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="91" src="http://4.bp.blogspot.com/_j2Oc0m3l-hI/TSSr4_-JAQI/AAAAAAAAApI/59bqHTgG6uI/s200/real020a.jpg" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_j2Oc0m3l-hI/TSTAjXzXftI/AAAAAAAAApU/MHJZ0qWK3NU/s1600/images.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="60" src="http://4.bp.blogspot.com/_j2Oc0m3l-hI/TSTAjXzXftI/AAAAAAAAApU/MHJZ0qWK3NU/s200/images.jpg" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;Mesmo estando claro que os hologramas não melhoram nem seu equilíbrio nem sua capacidade de pilotar um carro de Fórmula 1, ter alguns hologramas no bolso não causam dano algum à saúde. No entanto, seu equilíbrio financeiro pode ser duramente afetado se você tem uma tendência a se afastar dos hologramas&amp;nbsp;presentes nas notas de R$20, ou pior ainda, não souber controlar o poder oferecido pela águia ou pelos dois mundos que aparecem nas imagens holográficas dos cartões de crédito mais utilizados. Nesse sentido, certamente alguns hologramas afetam o equilíbrio. Negativamente...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Update: Tem Power Balance de barbada &lt;a href="http://click2.virtualtarget.com.br/index.dma/DmaPreview?4114,1,1027060,db43158f7bd16a99851e339e386d1efc,2"&gt;aqui&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8768401474994996719-5811624505836952557?l=ccientifica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://ccientifica.blogspot.com/feeds/5811624505836952557/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8768401474994996719&amp;postID=5811624505836952557" title="12 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/8768401474994996719/posts/default/5811624505836952557?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/8768401474994996719/posts/default/5811624505836952557?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://ccientifica.blogspot.com/2011/01/desequilibrio-poderoso.html" title="(Des)Equilíbrio Poderoso" /><author><name>Leandro R. Tessler</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08680318456015079933</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="31" height="21" src="http://3.bp.blogspot.com/-mm44jH1bAvQ/TpjmpqN-dXI/AAAAAAAAA9k/7qpg43_WDDY/s220/IMG_3750.JPG" /></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://4.bp.blogspot.com/_j2Oc0m3l-hI/TSTGOw5IkQI/AAAAAAAAApY/RTKf4JbNAyw/s72-c/size_590_Power_Balance.jpg" height="72" width="72" /><thr:total>12</thr:total></entry><entry gd:etag="W/&quot;CE4GSH46eSp7ImA9WhdbF0w.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-8768401474994996719.post-2357242853437097147</id><published>2010-12-22T21:24:00.000-02:00</published><updated>2011-10-15T18:08:49.011-03:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2011-10-15T18:08:49.011-03:00</app:edited><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Mecânica Quântica" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Pseudo-ciências" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Homeopatia" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Câncer" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Quiropraxia" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Acupuntura" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Telefone celular" /><title>Cólera, epidemiologia e celular</title><content type="html">Em meados do século XIX Londres era castigada por&amp;nbsp;freqüentes&amp;nbsp;surtos de cólera. As pessoas que a contraíam a doença quase sempre morriam em poucos dias. Havia pouco a fazer pelos pacientes. Sabia-se que pessoas próximas às já infectadas tinham tendência a também contrair a doença. Com essas evidências e sem ainda ter sido estabelecida a conexão entre doenças contagiosas e micróbios, o melhor modelo para a propagação da doença era a teoria do &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Miasma_theory_of_disease"&gt;miasma&lt;/a&gt;. O miasma era um suposto vapor ou névoa invisível contendo partículas de matéria em decomposição (miasmata) que carregaria a doença. Ele supostamente podia ser identificado pelo cheiro nauseabundo característico. Um modelo que fazia sentido e tinha suporte parcial nos dados disponíveis na época.&lt;br /&gt;
&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_j2Oc0m3l-hI/TRFcINjTQCI/AAAAAAAAAo0/VQe9X74cgj8/s1600/snow_cholera_mapsm.jpg" imageanchor="1" style="clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="306" src="http://1.bp.blogspot.com/_j2Oc0m3l-hI/TRFcINjTQCI/AAAAAAAAAo0/VQe9X74cgj8/s400/snow_cholera_mapsm.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/John_Snow_(physician)"&gt;John Snow&lt;/a&gt; era um médico inglês reputado por seus estudos em anestesia. Ele era um cético em relação ao modelo do miasma, que nem sempre se verificava. Por isso ele fez algo simples que mudou a história da medicina: marcou em um mapa o número de mortos por cólera em cada casa da Broad Street no surto de 1854. Com o auxílio do mapa acima ele mostrou que o número de mortos em cada casa diminuía na medida em que se afastava de uma bomba usada para o abastecimento de água potável. Mais que isso, não havia nenhum morto na cervejaria (BREWERY no mapa), onde os operários bebiam a água da fonte usada para a fabricação do precioso líquido em lugar da água bombeada. Snow concluiu corretamente que a transmissão da cólera devia estar relacionada com o consumo de água contaminada. Para provar isso e evitar mais mortes Snow usou seu prestígio para fazer com que a alavanca de bombeio fosse retirada. O surto desapareceu graças à primeira intervenção de um médico sanitarista na história.&lt;br /&gt;
E estava criada a &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Epidemiology"&gt;epidemiologia&lt;/a&gt;. Desde então a interpretação de dados demográficos é uma ferramenta fundamental para ajudar a entender relações sutis de causa e efeito em saúde. Um trabalho bem feito pode mudar a história. Há uma excelente palestra legendada sobre o assunto no &lt;a href="http://www.ted.com/talks/steven_johnson_tours_the_ghost_map.html"&gt;TED&lt;/a&gt;. &lt;br /&gt;
Lembrei disso ao ler uma &lt;a href="http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/826876-pesquisa-liga-proximidade-de-antena-a-maior-risco-de-cancer.shtml"&gt;matéria&lt;/a&gt; publicada na Folha há algumas semanas. Uma tese de doutorado defendida na &lt;a href="http://www.ufmg.br/boletim/bol1690/4.shtml"&gt;UFMG&lt;/a&gt; afirma associar proximidade da antena de celular a maior probabilidade de câncer.&lt;br /&gt;
Uau. Finalmente a mecânica quântica foi desmentida (ver &lt;a href="http://ccientifica.blogspot.com/2010/09/mecanica-quantica-e-celular.html"&gt;artigo anterior&lt;/a&gt;) e fótons de alguns mili eV estão conseguindo causar danos em ligações químicas de mais de 3 eV em moléculas de DNA. Será verdade?&lt;br /&gt;
Lá vou eu em minha eterna busca por informação. Infelizmente a UFMG não disponibiliza suas teses on line, de forma que não é fácil obter uma cópia eletrônica. Mas um resultado epidemiológico de tal importância certamente foi publicado em uma revista importante. Peço ajuda ao &lt;a href="http://scholar.google.com/"&gt;&lt;span id="goog_313784797"&gt;&lt;/span&gt;Google Acadêmico&lt;/a&gt;. Nada. Ou seja, uma pesquisadora mineira mostra definitivamente que a proximidade a antenas de celular aumenta a incidência de câncer e não publica isso numa revista de impacto? Sempre pode piorar. Basta entrar na página da &lt;a href="http://www.mreengenharia.com.br/"&gt;MRE Engenharia&lt;/a&gt;, uma empresa que ganha dinheiro explorando a desinformação e o medo de radiações invisíveis que foi incutido nas pessoas ao longo dos últimos 30 anos. Por exemplo, ali aprendemos que "Radiações eletromagnéticas dos linhões preocupam" e podemos agendar uma "Medição de radiações eletromagnéticas Industrial, Empresarial, Ocupacional, Residencial e de Público em Geral". &amp;nbsp;Não só isso, lá podemos comprar a tese de mestrado da autora, "com impressão colorida, 175 páginas e encadernação com capa dura, enviada por Sedex, preço sob consulta". Há também referências a uma série de artigos da revista &lt;a href="http://www.sciencedirect.com/science/journal/09284680"&gt;Patophysiology&lt;/a&gt;, lamentavelmente célebre por seus baixos padrões editoriais e por publicar regularmente artigos mostrando que tudo causa câncer, do &lt;a href="http://www.sciencedirect.com/science?_ob=ArticleURL&amp;amp;_udi=B6TBB-4XG9079-1&amp;amp;_user=10&amp;amp;_coverDate=06/30/2010&amp;amp;_rdoc=3&amp;amp;_fmt=high&amp;amp;_orig=browse&amp;amp;_origin=browse&amp;amp;_zone=rslt_list_item&amp;amp;_srch=doc-info(%23toc%235138%232010%23999829996%231981699%23FLA%23display%23Volume)&amp;amp;_cdi=5138&amp;amp;_sort=d&amp;amp;_docanchor=&amp;amp;_ct=9&amp;amp;_acct=C000050221&amp;amp;_version=1&amp;amp;_urlVersion=0&amp;amp;_userid=10&amp;amp;md5=af63bccc263445e5de23b8796c83b548&amp;amp;searchtype=a"&gt;tipo de cama&lt;/a&gt; (isso mesmo!!) a qualquer campo eletromagnético, ou as maravilhas da drenagem linfática. Desnecessário mencionar a ligação próxima entre a autora das teses e a empresa. Pelo menos eles não prestam serviços de des-fantasmização. A Folha também publicou uma &lt;a href="http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/826872-vamos-esperar-os-cadaveres-para-agir-contra-o-celular-questiona-pesquisadora.shtml"&gt;entrevista&lt;/a&gt; com a "epidemiologista" Devra Davis, que afirma um amontoado de besteiras sobre celulares e câncer. Um recente &lt;a href="http://bobpark.physics.umd.edu/WN10/wn121010.html"&gt;What's New&lt;/a&gt;&amp;nbsp;questiona a qualificação da Dra. Davies como epidemiologista.&lt;br /&gt;
Existe epidemiologia como a feita por Snow e seus &lt;a href="http://www.ph.ucla.edu/epi/snow.html"&gt;seguidores&lt;/a&gt; 150 anos depois e que através de rigorosa análise de dados continua produzindo resultados científicos relevantes. Existe pesquisa mal feita, com metodologia furada e sem rigor algum, que nem consegue ser publicada em uma revista internacional como as citadas acima.&lt;br /&gt;
Enquanto isso, o &lt;a href="http://www.sciencebasedmedicine.org/?p=8870"&gt;Science Based Medicine&lt;/a&gt; abre um artigo dizendo que "Telefones celulares continuam sendo o foco de estudos epidemiológicos e preocupação pelo público, apesar de até hoje não ter aparecido evidência convincente de qualquer qualquer risco à saúde a eles associado". Aliás, uma das autoras do SBM fez uma declaração com o bom senso dos médicos em lugar da pretensão dos físicos ao &lt;a href="http://www.skeptic.com/eskeptic/10-12-08/"&gt;Skeptic Magazine&lt;/a&gt;: "Não existem boas evidências de que telefones celulares causem câncer. Até hoje não estou convencida que os mecanismos propostos possam causar câncer". Gostei muito disso. É possível que os celulares causem câncer, mas se esse for o caso, certamente não é através dos mecanismos propostos. No entanto, até hoje não há evidências epidemiológicas confiáveis que sugiram isso. Nem os estudos mineiros.&lt;br /&gt;
O mesmo vale para vários tratamentos alternativos sem base científica: É possível que acupuntura tenha um efeito analgésico, mas isso não se deve a correções do fluxo de &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Qi"&gt;qi&lt;/a&gt; pelos meridianos. É possível que quiropraxia alivie dores nas costas, mas isso não se deve à ação da &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Innate_intelligence"&gt;inteligência inata&lt;/a&gt; nem ao realinhamento das vértebras. É possível que as pessoas melhorem enquanto usam homeopatia, mas isso não se deve ao potencial das diluições infinitas nem ao reforço dos sintomas. O perigo das pseudociências para nossa compreensão é justamente esse: propor mecanismos sem pé nem cabeça e acreditar neles mesmo quando as evidências apontam em outra direção.&lt;br /&gt;
Celulares são equipamentos extremamente &lt;a href="http://www.livescience.com/technology/050201_cell_danger.html"&gt;perigosos&lt;/a&gt; para nossa saúde, quando na mão de motoristas. Pelo menos aqui em Campinas vejo todo dia gente dirigindo enquanto fala ao celular (ou será que é falando ao celular enquanto dirige?) sem&amp;nbsp;medo&amp;nbsp;nenhum de punição, multa ou de causar um acidente grave. Algum dia alguém fará um estudo epidemiológico sério mostrando que celular associado a automóvel põe em risco usuários e transeuntes. Mas através de um mecanismo de mecânica que nada tem a ver com as emanações de microondas ou mecânica quântica.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8768401474994996719-2357242853437097147?l=ccientifica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://ccientifica.blogspot.com/feeds/2357242853437097147/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8768401474994996719&amp;postID=2357242853437097147" title="8 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/8768401474994996719/posts/default/2357242853437097147?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/8768401474994996719/posts/default/2357242853437097147?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://ccientifica.blogspot.com/2010/12/colera-epidemiologia-e-celular.html" title="Cólera, epidemiologia e celular" /><author><name>Leandro R. Tessler</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08680318456015079933</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="31" height="21" src="http://3.bp.blogspot.com/-mm44jH1bAvQ/TpjmpqN-dXI/AAAAAAAAA9k/7qpg43_WDDY/s220/IMG_3750.JPG" /></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://1.bp.blogspot.com/_j2Oc0m3l-hI/TRFcINjTQCI/AAAAAAAAAo0/VQe9X74cgj8/s72-c/snow_cholera_mapsm.jpg" height="72" width="72" /><thr:total>8</thr:total></entry><entry gd:etag="W/&quot;C04ASX87cSp7ImA9Wx9QEU4.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-8768401474994996719.post-1401642043177655534</id><published>2010-12-14T07:50:00.001-02:00</published><updated>2010-12-23T17:19:08.109-02:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2010-12-23T17:19:08.109-02:00</app:edited><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Extra-terrestre" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Pseudo-ciências" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="NASA" /><title>Extra Terrestres, NASA e sonhos de infância</title><content type="html">Para todos nós que crescemos nos anos 60/70 a palavra&lt;a href="http://www.nasa.gov/"&gt; NASA&lt;/a&gt; tem um significado quase mítico. Dez entre dez dos meus colegas de jardim de infância tinha uma resposta pronta quando nos perguntavam "O que você vai ser quando crescer?". Astronauta.&lt;br /&gt;
A NASA significava a descoberta de outros mundos, o desafio para os corajosos, a aventura.&amp;nbsp;Nós achávamos que a NASA era O lugar onde trabalhavam os cientistas. O grande sonho era&amp;nbsp;um dia eles encontrarem vida em outros planetas.&lt;br /&gt;
De lá para cá o mundo mudou e mudei eu. Hoje eu sei que a NASA era um ambiente muito mais de realizações de engenharia do que da ciência. Sei também que diferentes formas de vida não precisam ser antropomórficas nem mesmo baseadas no DNA que conhecemos.&lt;br /&gt;
Mesmo depois de falhas graves como os dois &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Space_Shuttle_Columbia_disaster"&gt;acidentes&lt;/a&gt; com o ônibus espacial que resultaram a cada vez na morte de toda a tripulação, e outros erros patéticos como a &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Mars_Climate_Orbiter"&gt;perda de uma espaçonave não tripulada&lt;/a&gt; devido a confusão entre os sistemas de unidades métrico e o americano (essa foi difícil de acreditar mas aconteceu), o nome NASA continua associado a alta tecnologia e é continua usado para vender de &lt;a href="http://www.duoflex.com.br/"&gt;travesseiros&lt;/a&gt; até &lt;a href="http://ccientifica.blogspot.com/2008/10/picaretagem-quntica-lusitana-atacando.html"&gt;geringonças pseudocientíficas inúteis&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;
Mas nos Estados Unidos, onde os contribuintes pagam as contas da NASA, ela hoje em dia não é uma unanimidade. Críticos questionam os pesados investimentos demandados pela agência argumentando que os avanços científicos dela advindos não se justificam. Bob Park, do clássico blog &lt;a href="http://bobpark.physics.umd.edu/"&gt;What's New&lt;/a&gt;, é um ácido crítico da insistência da NASA em missões tripuladas enquanto segundo ele os mesmos resultados poderiam ser obtidos de forma mais barata e menos arriscada através e missões não-tripuladas. Claro que isso tiraria grande parte do charme que me fascinava na infância...&lt;br /&gt;
A NASA vem buscando justificativas para sua existência. Então, na semana passada eu estava numa conferência sobre educação para todos na UNESCO quando recebi da amiga Sabine Righetti da Folha de São Paulo uma notícia que quase me fez ter um treco: &lt;a href="http://www1.folha.uol.com.br/ciencia/839737-pesquisadores-descobrem-bacteria-com-dna-et.shtml"&gt;Pesquisadores descobrem bactéria com DNA "ET"&lt;/a&gt;. Será que tinham descoberto vida fora da terra? Lendo a notícia fica claro que não é bem isso, como o &lt;a href="http://www.nasa.gov/home/hqnews/2010/nov/HQ_M10-167_Astrobiology.html"&gt;press release da NASA&lt;/a&gt; dava a entender com uma aura de mistério. Nossa imprensa seguiu o script da NASA. Teve até um &lt;a href="http://aovivo.folha.uol.com.br/ciencia/2010/vidaextraterrestre/index.shtml"&gt;blog&lt;/a&gt; ao vivo.&lt;br /&gt;
Afinal, qual era a novidade? Para citar o título do artigo publicado na Science e está aberto ao público: &lt;a href="http://www.sciencemag.org/content/early/2010/12/01/science.1197258"&gt;Uma bactéria que pode crescer usando arsênio no lugar de fósforo&lt;/a&gt;. Isso é uma notícia muito importante, mas não exatamente extra-terrestre. Afinal, os ácidos nucléicos conhecidos até hoje são compostos dos elementos carbono, hidrogênio, oxigênio, nitrogênio, enxofre e fósforo. Uma forma de vida que substitui o fósforo pelo arsênio é improvável do ponto de vista energético mas não impossível sob condições extremas. É&amp;nbsp;o fato do arsênio substituir o fósforo mas não realizar processos metabólicos vitais que o torna tão tóxico para os seres vivos.&amp;nbsp;Isso seria portanto realmente uma novidade importante. Mas daí para sugerir que essa forma de vida tem origem extra-terrestre é um longo caminho. Não dei muita atenção ao fato, mas de volta ao Brasil assisti na TV a uma entrevista com&amp;nbsp;&amp;nbsp;Felisa Wolfe-Simon,&amp;nbsp;a principal autora do artigo. Fiquei um pouco perturbado pela atitude dela de usar evidência limitada para fazer afirmações profundas e significativas. Hoje decidi ver o que há na web sobre o assunto. E o resultado não cheira bem. Talvez cheire a arsênico...&lt;br /&gt;
Comecemos pelo &lt;a href="http://www.ironlisa.com/"&gt;blog da Felisa&lt;/a&gt;. Poucas vezes vi algo tão metido na internet. Adorei a parte: "Eu sou intrinsicamente multidisciplinar". Vai piorar. Através do &lt;a href="http://blog.the-scientist.com/2010/12/07/heavy-metal/"&gt;The Scientist&lt;/a&gt; descobri que o blog &lt;a href="http://rrresearch.blogspot.com/2010/12/arsenic-associated-bacteria-nasas.html"&gt;RRResearch &lt;/a&gt;da microbióloga Rosie Redfield faz sérias críticas metodológicas ao artigo. Qual a reação da NASA? &lt;a href="http://www.wired.com/wiredscience/2010/12/the-wrong-stuff-nasa-dismisses-arsenic-critique-because-critical-priest-not-standing-on-altar/"&gt;Desqualificar&lt;/a&gt; as críticas porque elas não foram feitas em um periódico com revisão de pares. Isso é um absurdo. Artigos científicos precisam de revisão pelos pares (e ainda assim o processo não é infalível), não críticas. A atitude da NASA só me deixou ainda mais desconfiado. Atualmente acho que é bem provável que o artigo nem consiga provar o que afirma.&lt;br /&gt;
Em lugar de encontrar vida nas luas de Saturno ou em Marte, Felisia e seus colegas isolaram uma linhagem de uma bactéria que eles chamaram de GFAJ-1 nas águas ricas em arsênio do lago Mono, na Califórnia. No laboratório, eles cultivaram a bactéria numa sopa de nutrientes. Quando eles diminuíram a oferta de fosfatos e o substituiram por arsenatos a bactéria sobreviveu e se reproduziu, ainda que mais lentamente. Eles então examinaram o DNA dessas bactérias e concluíram que ele continha arsênio. Mas não convenceram a todos.&lt;br /&gt;
Os críticos simplesmente dizem que não foram feitos experimentos simples que poderiam mostrar além de qualquer dúvida que o fósforo do DNA realmente foi substituído por arsênio. Mais que isso, eles não mostram que o DNA supostamente arseniado é capaz de replicar-se como o DNA comum.&lt;br /&gt;
&lt;a href="http://blogs.discovermagazine.com/loom/2010/12/08/of-arsenic-and-aliens-what-the-critics-said/"&gt;The Loom&lt;/a&gt;, da Discover juntou numa página os 9 mais relevantes críticos ao artigo. Carl Zimmer do Slate vai além: &lt;a href="http://www.slate.com/id/2276919/"&gt;Esse artigo nunca deveria ter sido publicado&lt;/a&gt;. Numa era de afiados blogs científicos só mesmo a NASA para insistir em ignorá-los.&lt;br /&gt;
Uma coisa é clara: Ciência mal feita não é usada só para validar crenças sem fundamento, mas também para justificar investimentos bilionários também com fundamento limitado. A sociologia da ciência certamente tem muito a dizer sobre como cientistas como a Felisia e seus chefes se comportam.&lt;br /&gt;
Não foi dessa vez que se demonstrou vida extra-terrestre. Mas também não se mostrou sua impossibilidade. Posso continuar sonhando tranquilo...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
PS: Levei vários dias escrevendo esse texto. Quando comecei verifiquei os blogs mais óbvios para ver se já tinha saído algo. Não tinha. Acontece que viajei e não conferi se no momento que terminei já tinha saído algo. Tinha. Então tardiamente faço referência ao &lt;a href="http://scienceblogs.com.br/brontossauros/2010/12/a_polemica_do_arsenio.php"&gt;Brontossauros em meu Jardim&lt;/a&gt;, ao &lt;a href="http://genereporter.blogspot.com/2010/12/muito-barulho-por-nasa-das-bacterias.html"&gt;Gene Reporter&lt;/a&gt;, ao &lt;a href="http://scienceblogs.com.br/geofagos/2010/12/descobriram_a_polvora.php"&gt;Geófagos &lt;/a&gt;e ao &lt;a href="http://quiprona.wordpress.com/2010/12/02/arsenico-em-vez-de-fosforo/"&gt;Quiprona&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8768401474994996719-1401642043177655534?l=ccientifica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://ccientifica.blogspot.com/feeds/1401642043177655534/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8768401474994996719&amp;postID=1401642043177655534" title="4 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/8768401474994996719/posts/default/1401642043177655534?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/8768401474994996719/posts/default/1401642043177655534?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://ccientifica.blogspot.com/2010/12/extra-terrestres-nasa-e-sonhos-de.html" title="Extra Terrestres, NASA e sonhos de infância" /><author><name>Leandro R. Tessler</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08680318456015079933</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="31" height="21" src="http://3.bp.blogspot.com/-mm44jH1bAvQ/TpjmpqN-dXI/AAAAAAAAA9k/7qpg43_WDDY/s220/IMG_3750.JPG" /></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry gd:etag="W/&quot;A0MCQHw4fSp7ImA9Wx5QFUQ.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-8768401474994996719.post-1690611533338083952</id><published>2010-09-03T01:24:00.004-03:00</published><updated>2010-09-04T08:24:21.235-03:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2010-09-04T08:24:21.235-03:00</app:edited><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Mecânica Quântica" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Telefone celular" /><title>Mecânica Quântica e celular</title><content type="html">Na minha vida real de professor eu gosto de lecionar uma disciplina de Laboratório de Física Moderna para estudantes do último ano da graduação. Nesse curso os alunos devem realizar uma série de experimentos que no final do século XIX e início do século XX revolucionaram nosso&amp;nbsp;entendimento&amp;nbsp;da natureza e deram origem a duas das mais importantes construções teóricas da história: a &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Teoria_da_relatividade"&gt;Teoria da Relatividade&lt;/a&gt; e a &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Quantum_mechanics"&gt;Mecânica Quântica&lt;/a&gt;&amp;nbsp;(usarei os links para a Wikipedia em inglês sempre que eu achar os textos em inglês melhores ou mais completos que em português).&lt;br /&gt;
Nesse curso um experimento muito simples, &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Photoelectric_effect"&gt;o efeito fotoelétrico&lt;/a&gt;, exigiu para sua interpretação uma reviravolta nos conceitos então estabelecidos. Sua interpretação com novas idéias resultou no prêmio &lt;a href="http://nobelprize.org/nobel_prizes/physics/laureates/1921/einstein.html"&gt;Nobel da Física em 1921&lt;/a&gt; para &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Einstein"&gt;Albert Einstein&lt;/a&gt;. Curiosamente, muita gente pensa que Einstein ganhou o Nobel pela Teoria da Relatividade.&lt;br /&gt;
O equipamento experimental consiste em um tubo transparente contendo uma placa de um &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Metal_alcalino"&gt;metal alcalino&lt;/a&gt; (normalmente&amp;nbsp;&lt;a href="http://www.webelements.com/sodium/"&gt;Sódio&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://www.webelements.com/potassium/"&gt;Potássio&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://www.webelements.com/rubidium/"&gt;Rubídio&lt;/a&gt;,&amp;nbsp;&lt;a href="http://www.webelements.com/caesium/"&gt;Césio&lt;/a&gt; ou uma liga desses elementos) que chamamos de catodo e outra de algum metal nobre como &lt;a href="http://www.webelements.com/copper/"&gt;Cobre&lt;/a&gt; que chamamos de anodo. O experimento consiste em iluminar o catodo com luz de um comprimento de onda bem definido e medir a eventual corrente elétrica que pode ocorrer entre catodo e anodo. Parece complicado, mas o experimento é bem simples.&lt;br /&gt;
Para modelar o comportamento da corrente em função do comprimento de onda e da intensidade Einstein propôs que quando interage com a matéria, a luz consiste em pacotes de energia que hoje chamamos de &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Photon"&gt;fótons&lt;/a&gt;. A energia E associada a cada fóton é dada E=hν é a freqüência da luz (inversamente proporcional a seu &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Light"&gt;comprimento de onda&lt;/a&gt;) e h é a &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Planck_constant"&gt;constante de Plank&lt;/a&gt;. Essa idéia de associar energia à&amp;nbsp;freqüência&amp;nbsp;é revolucionária. Ela na verdade foi proposta por &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Max_Planck"&gt;Max Plank&lt;/a&gt; que foi o primeiro a resolver de forma satisfatória o chamado problema do &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Black_body"&gt;corpo negro&lt;/a&gt;. O corpo negro é um modelo usado para, por exemplo, deteminar a temperatura da superfície de coisas a partir do espectro de radiação que emitem. Por exemplo, a partir desse modelo sabemos que a temperatura da superfície do sol é aproximadamente 5700K. Plank&amp;nbsp;(que propôs a constante h que leva seu nome) mostrou que é possível escrever uma equação que associa o espectro emitido à temperatura se associarmos energia com&amp;nbsp;freqüência&amp;nbsp;da luz. No entanto, ele por muitos anos achou que isso era nada mais que um artifício matemático. Ao interpretar o efeito fotoelétrico Einstein deu-se conta de que associar energia à&amp;nbsp;freqüência (estou insistindo nisso porque é&amp;nbsp;muito importante) é muito mais que um artifício de cálculo mas parte da natureza. Isso deu origem ao que hoje chamamos de Mecânica Quântica.&lt;br /&gt;
A fórmula&amp;nbsp;E=hν&amp;nbsp;pode ser expressa em função do comprimento de onda dos fótons E=hc/λ onde c é a velocidade da luz e λ é o comprimento de onda, ou seja, a energia do fóton é inversamente proporcional a seu comprimento de onda.&lt;br /&gt;
Existem excelentes simulações do efeito fotoelétrico (lembre que uma simulação NÃO é a mesma coisa que um experimento e não pode substituí-lo) na web. Eu gosto &lt;a href="http://phet.colorado.edu/en/simulation/photoelectric"&gt;desta&lt;/a&gt;&amp;nbsp;e &lt;a href="http://www.lon-capa.org/~mmp/kap28/PhotoEffect/photo.htm"&gt;desta&lt;/a&gt;. Podemos variar parâmetros virtualmente e observar o que ocorre.&lt;br /&gt;
Um fato é muito importante: para um dado material de cátodo, o efeito fotoelétrico só ocorre para fótons com energia acima de uma energia mínima. Por exemplo, se usamos um catodo de sódio, NENHUM elétron é emitido se o comprimento de onda da luz incidente for maior que 451nm, não importando a intensidade da luz nem a voltagem aplicada. Isso não tem explicação usando a chamada &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Classical_physics"&gt;Física Clássica&lt;/a&gt; ensinada no ensino médio, mas pode ser facilmente entendido pelo modelo de Einstein. 451nm corresponde a fótons com energia de 2.75eV (essa unidade de energia é um pouco curiosa mas muito prática. 1eV corresponde à energia ganha por um elétron ao passar por uma diferença de potencial de 1 Volt, ou seja, 1eV=1,6x10⁻19J) que é a energia correspondente à ligação de um elétron com o catodo. Fótons com comprimento de onda maior do que este simplesmente não têm energia suficiente para romper a ligação entre um elétron e os átomos que compõem o catodo. Isso significa que mesmo se iluminarmos um catodo de sódio com luz vermelha&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: red;"&gt; para sempre&lt;/span&gt;&lt;/b&gt; nenhum, mas nenhunzinho elétron será ejetado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E o que isso tem a ver com telefonia celular?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Acontece que o mesmo efeito fotoelétrico que arranca elétrons de superfícies também arranca elétrons de ligações químicas. Isso pode ter&amp;nbsp;conseqüências&amp;nbsp;muito importantes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Hoje sabemos que vários tipos de câncer são devidos a danos ao DNA do núcleo de algumas células. Essas mudanças são induzidas sempre que um elétron é arrancado de alguma ligação estratégica entre átomos. Os elétrons podem ser arrancados por um efeito químico (é por isso que alguns produtos químicos, vírus e alimentos podem contribuir para causar câncer) ou pelo efeito fotoelétrico, quando radiação com energia de fóton superior à da ligação química atinge o DNA. Vale lembrar que em geral o dano causado pelo elétron arrancado é reparado por diversos mecanismos, e é por isso que as pessoas só adquirem&amp;nbsp;câncer&amp;nbsp;quando os mecanismos reparadores falham.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A energia das ligações químicas presentes no nosso DNA é da ordem de 4eV, que corresponde a fótons na região do ultravioleta. Por isso a exposição ao sol do meio dia que tem grande intensidade no ultravioleta pode causar câncer de pele. Ou a exposição a raios-X ou raios gama, com fótons com energia de alguns milhares de eV. A probabilidade de falha dos mecanismos reparadores do DNA aumenta na medida em que o tempo de exposição aumenta, de modo que devemos sempre minimizar as doses recebidas dessa radiação. Por outro lado, as ondas do infravermelho (calor) e de rádio, com energia de fóton de frações de eV não podem causar danos eletrônicos ao DNA. Claro que calor intenso danifica o DNA, podendo destruí-lo, mas por outras razões. Os danos eletrônicos justamente causam câncer porque preservam o DNA exceto pela mudança causada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A radiação dos telefones celulares está na região das microondas, com comprimentos de onda da ordem de alguns centímetros, muito mais longo que o ultravioleta. A energia de fótons correspondente é incapaz de causar danos ao DNA. Ao contrário do que afirmou em uma revista de grande circulação uma "&lt;a href="http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI164953-15224,00.html"&gt;especialista&lt;/a&gt;" no assunto, não há "efeito cumulativo". Por outro lado, as microondas têm outro efeito: elas podem excitar vibrações moleculares, especialmente na água e portanto aumentar a temperatura local. É por isso que é possível usar fornos de microondas para cozinhar ou aquecer alimentos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;O único possível efeito da radiação dos celulares é um aumento da temperatura local. Dada a potência usada pelos aparelhos e a eficiente circulação sanguínea no cérebro, o aumento de temperatura que pode ser associado ao uso intenso de celulares é muito pequeno, &lt;a href="http://ieeexplore.ieee.org/xpl/freeabs_all.jsp?arnumber=942573"&gt;alguns décimos de grau&lt;/a&gt; no máximo para alguém que passe horas ao celular. Esse aumento na temperatura é menor que o que acontece quando corremos alguns quilômetros num dia ensolarado. Obviamente, existem na web &lt;a href="http://www.radiationresearch.org/"&gt;artigos&lt;/a&gt; de qualidade científica pelo menos duvidosa atribuindo câncer a celulares, com vários "sustentadores" &amp;nbsp;(inclusive um brasileiro) sem explicar muito bem os supostos mecanismos.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;Nunca ninguém associou a prática de corridas a câncer no cérebro. Ao contrário, uma vida saudável aparentemente ajuda a prevenir o câncer por tornar os mecanismos de reparação do DNA mais eficientes.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;Pelos motivos acima, eu sempre desconfiei muito de erros metodológicos em vários estudos que associavam celulares a câncer.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;Da mesma forma, fiquei muito cético quando no início do ano um grupo de pesquisadores &lt;a href="http://health.usf.edu/nocms/publicaffairs/now/pdfs/Arendash_JAD_01228.pdf"&gt;anunciou&lt;/a&gt; que o uso de celulares pode na verdade reverter o mal de Alzheimer em ratos! Trata-se de um &lt;a href="http://health.usf.edu/byrd/adrc/index.htm"&gt;laboratório sério&lt;/a&gt;, que fez um estudo aparentemente cuidadoso do ponto de vista metodológico. Os próprios autores desconfiaram dos resultados e recomendaram cuidado ao extrapolar os dados para seres humanos porque da mesma forma que não encontramos nenhum mecanismo para causar câncer eles não conseguiam imaginar um mecanismo para a prevenção do câncer. Um &lt;a href="http://www.skeptic.com/eskeptic/10-06-09/#feature"&gt;artigo recente&lt;/a&gt; argumenta &amp;nbsp;que um muito leve aumento de temperatura pode mobilizar melhor as defesas do organismo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O resumo de tudo o que sabemos sobre riscos associados a celulares pode ser encontrado na página da &lt;a href="http://www.who.int/mediacentre%3Cdiv%3E/factsheets/fs193/en/"&gt;Organização Mundial da Saúde&lt;/a&gt;:&lt;br /&gt;
&lt;ul class=""&gt;&lt;li&gt;O uso de telefones móveis é onipresente, com aproximadamente 4,6 bilhão de assinaturas no mundo.&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;Até agora nenhum efeito adverso à saúde devido ao uso de celulares foi estabelecido.&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;Há estudos em andamento para avaliar os possíveis efeitos a longo prazo do uso de celulares.&lt;/li&gt;
&lt;li&gt;Há um aumento no risco de acidentes de trânsito quando os motoristas usam celulares (tanto de mão quanto em viva voz) enquanto dirigem.&lt;/li&gt;
&lt;/ul&gt;Realmente os celulares são perigosos para nossa saúde se mal usados, mas não aumentam o risco de câncer.&lt;br /&gt;
Eu nunca gostei de falar ao telefone. Fixo ou celular. Os celulares ainda por cima têm o péssimo hábito de tocar nos lugares e momentos mais impróprios. Continuo evitando na medida do possível.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8768401474994996719-1690611533338083952?l=ccientifica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://ccientifica.blogspot.com/feeds/1690611533338083952/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8768401474994996719&amp;postID=1690611533338083952" title="3 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/8768401474994996719/posts/default/1690611533338083952?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/8768401474994996719/posts/default/1690611533338083952?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://ccientifica.blogspot.com/2010/09/mecanica-quantica-e-celular.html" title="Mecânica Quântica e celular" /><author><name>Leandro R. Tessler</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08680318456015079933</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="31" height="21" src="http://3.bp.blogspot.com/-mm44jH1bAvQ/TpjmpqN-dXI/AAAAAAAAA9k/7qpg43_WDDY/s220/IMG_3750.JPG" /></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry gd:etag="W/&quot;Dk4GSHw8fyp7ImA9Wx5TEEo.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-8768401474994996719.post-5500766076606433986</id><published>2010-07-25T10:32:00.005-03:00</published><updated>2010-07-25T13:22:09.277-03:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2010-07-25T13:22:09.277-03:00</app:edited><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Cultura Pop" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Cultura científica" /><title>Vale a pena blogar sobre ciência?</title><content type="html">&lt;div&gt;Eu participei recentemente em uma mesa redonda no &lt;a href="http://portal.cbpf.br/index.php?page=home&amp;amp;lang=pt_BR"&gt;CBPF&lt;/a&gt; sobre &lt;a href="http://escoladocbpf.blogspot.com/2010/07/blogs-de-ciencia-podem-estimular-o.html"&gt;A prática da divulgação científica e as novas mídias sociais&lt;/a&gt;. A mesa era parte da programação da &lt;a href="http://mesonpi2.cat.cbpf.br/e2010/"&gt;VIII Escola do CBPF&lt;/a&gt;. Deve ser mais que elogiada a idéia dos organizadores de abordar esse assunto num evento voltado para jovens estudantes de Física. Os demais componentes da mesa eram o Dulcídio Braz Jr. do premiado &lt;a href="http://fisicamoderna.blog.uol.com.br/"&gt;Física na veia!&lt;/a&gt; (que tem a nobre missão de levar a Física às pessoas de idade avançada do sexo feminino) e a Fernanda Poletto do &lt;a href="http://scienceblogs.com.br/bala_magica/"&gt;Bala Mágica&lt;/a&gt;. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Nossas falas foram diferentes mas parecidas. Dulcídio falou sobre como motivar o numeroso público de seu blog a entender e discutir Física, provando seu slogan "A Física é pop". Fernanda abordou a importância que os blogs vêm ganhando na divulgação, inclusive citando o célebre editorial da Nature &lt;a href="http://www.nature.com/nature/journal/v457/n7233/full/4571058a.html"&gt;It's good to blog&lt;/a&gt;. Eu tentei falar sobre a importância de uma formação que todo cidadão deveria ter em método científico para entender minimamente a natureza. Isso é uma parte fundamental da cultura ocidental. Já que estava entre físicos, não pude deixar de falar também sobre a direção oposta, a importância que deveria ser dada a uma formação mínima em humanidades, estética e artes para os estudantes de exatas. Em algum momento da nossa história algum positivista deve ter achado que ensinar fundamentos de ciência para estudantes interessados em humanidades ou ensinar humanidades para estudantes interessados em "exatas" era uma perda de tempo. Deu no que deu, uma sociedade de cidadãos (e de intelectuais) com conhecimento fragmentado e com baixa capacidade de entende qualquer conceito que fuja de seus interesses mais imediatos. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;O que mais gostei foi uma pergunta feita no final da discussão sobre que tipo de reconhecimento institucional nós blogueiros temos. Fernanda é farmacêutica e doutoranda em Química. Seu blog é reconhecido e estimulado por suas orientadoras. O Dulcídio é físico e trabalha em uma grande instituição privada de ensino médio. Seu blog é reconhecido e inclusive festejado e mencionado cada vez que ganha um prêmio. Nada mais justo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Minha percepção pessoal, como professor de uma prestigiosa &lt;a href="http://www.unicamp.br"&gt;universidade pública&lt;/a&gt;, é que em meus colegas de instituto consideram minha dedicação ao Cultura Científica uma perda do precioso tempo que eu deveria estar dedicando a "coisas sérias" como publicar mais artigos em revistas indexadas. A atitude da grande maioria dos cientistas acadêmicos em relação à divulgação e discussões com grande público é meio esquizofrênica: queremos muito mas não fazemos muito, e damos pouca importância ao que é feito. Parece que no Brasil blogueiros científicos com mais de 40 anos são uma raridade.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Esperemos que essa cena mude e num futuro próximo falar de ciência e entender ciência e suas relações com a sociedade seja parte da nossa cultura geral. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8768401474994996719-5500766076606433986?l=ccientifica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://ccientifica.blogspot.com/feeds/5500766076606433986/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8768401474994996719&amp;postID=5500766076606433986" title="9 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/8768401474994996719/posts/default/5500766076606433986?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/8768401474994996719/posts/default/5500766076606433986?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://ccientifica.blogspot.com/2010/07/vale-pena-blogar-sobre-ciencia.html" title="Vale a pena blogar sobre ciência?" /><author><name>Leandro R. Tessler</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08680318456015079933</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="31" height="21" src="http://3.bp.blogspot.com/-mm44jH1bAvQ/TpjmpqN-dXI/AAAAAAAAA9k/7qpg43_WDDY/s220/IMG_3750.JPG" /></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry gd:etag="W/&quot;D0UMRXkyfSp7ImA9WxFaFUQ.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-8768401474994996719.post-8354528487137842424</id><published>2010-07-19T22:44:00.005-03:00</published><updated>2010-07-20T00:08:04.795-03:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2010-07-20T00:08:04.795-03:00</app:edited><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Jornalismo" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Cultura científica" /><title>Cotas infladas</title><content type="html">Estou cada vez mais prestando atenção na Cultura Científica (ou a ausência dela) na grande imprensa brasileira. O azedíssimo (isso é um elogio!) blogueiro Ben Goldacre, do &lt;a href="http://www.badscience.net/"&gt;Bad Science&lt;/a&gt; atribui à falta de um mínimo conhecimento científico de editores e jornalistas do Reino Unido grande parte do sucesso de tratamentos milagrosos com pílulas, ervas e vitaminas naquelas bandas. Ele sempre insiste que os editores em geral têm formação mais próxima das humanidades e das ciências sociais, com uma percepção bastante incompleta sobre o que é a ciência e como ela funciona.&lt;div&gt;Li hoje no &lt;a href="http://www.jornaldaciencia.org.br/"&gt;Jornal da Ciência&lt;/a&gt;, clipping de ciência da &lt;a href="http://www.sbpcnet.org.br/site/home/"&gt;SBPC&lt;/a&gt;, um&lt;a href="http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=72242"&gt; artigo curioso&lt;/a&gt; sobre cotas no acesso ao ensino superior. O &lt;a href="http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100717/not_imp582320,0.php"&gt;artigo original&lt;/a&gt; saiu no jornal &lt;a href="http://www.estadao.com.br"&gt;O Estado de São Paulo&lt;/a&gt;. O título é: "&lt;b&gt;País tem 148 instituições públicas de ensino superior com sistema de cotas&lt;/b&gt;". Eu estive bastante envolvido na elaboração do projeto de Ação Afirmativa da Unicamp e conheço os debates que até hoje vêm ocorrendo. Achei o número um pouco exagerado. O artigo ainda menciona que "Enquanto projeto [de lei] sobre o tema tramita no Congresso, as universidades têm autonomia para criar seus próprios modelos". A fonte da informação é uma compilação feita pelo &lt;a href="http://www.educafro.org.br/"&gt;Educafro&lt;/a&gt;, entidade que vem há anos defendendo cotas com todos os meios que dispõe. Resolvi olhar os &lt;a href="http://www.educafro.org.br/downloads/PLANILHA.IES.html"&gt;dados originais&lt;/a&gt; do Educafro (que no meu browser pelo menos aparecem com caracteres estranhos). Parece ser uma compilação bastante completa de tudo o que há em ação afirmativa no Brasil.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A conclusão a que se pode chegar a partir da compilação é bem distinta da oferecida pelo Estadão. Segundo os dados do Educafro 48 instituições de ensino superior (1/3 do total) têm programas de bônus, que não é a mesma coisa que cotas. Não se pode classificar instituições que oferecem bônus como se oferecessem cotas. Cotas consistem em reserva de vagas. Bônus não. Mais de 2/3 do total, ou seja 102 instituições adotaram programas de ação afirmativa por força de decreto ou lei (municipal, distrital, estadual ou federal), o que é o contrário de "autonomia para criar seus próprios modelos". Há no meio acadêmico debate sobre a legitimidade de uma lei determinar como uma universidade deve selecionar seus estudantes.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Cada uma das 12 FATECs do &lt;a href="http://www.faetec.rj.gov.br"&gt;Rio de Janeiro&lt;/a&gt; e das 38 &lt;a href="http://www.fatecsp.br"&gt;São Paulo&lt;/a&gt; foi listada como se fosse uma instituição diferente. Na verdade são braços de uma só. As decisões são tomadas para o conjunto delas. Ou seja, 48 das 148 instituições não são instituições independentes.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O texto do jornal não chama a atenção para nenhum desses aspectos. A dificuldade de ler e entender textos, números, tabelas e gráficos não é exclusividade de artigos jornalísticos sobre ciências da natureza, como o Bad Science sempre insiste. Ela está presente também  em artigos mais próximos às ciências sociais mesmo em jornais de prestígio.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8768401474994996719-8354528487137842424?l=ccientifica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://ccientifica.blogspot.com/feeds/8354528487137842424/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8768401474994996719&amp;postID=8354528487137842424" title="2 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/8768401474994996719/posts/default/8354528487137842424?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/8768401474994996719/posts/default/8354528487137842424?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://ccientifica.blogspot.com/2010/07/cotas-infladas.html" title="Cotas infladas" /><author><name>Leandro R. Tessler</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08680318456015079933</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="31" height="21" src="http://3.bp.blogspot.com/-mm44jH1bAvQ/TpjmpqN-dXI/AAAAAAAAA9k/7qpg43_WDDY/s220/IMG_3750.JPG" /></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry gd:etag="W/&quot;Dk4FQ385eSp7ImA9WxFbGUU.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-8768401474994996719.post-2380226111296571486</id><published>2010-07-12T22:35:00.001-03:00</published><updated>2010-07-12T22:35:12.121-03:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2010-07-12T22:35:12.121-03:00</app:edited><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Religião" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Jornalismo" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Cultura científica" /><title>Isto É um milagre!</title><content type="html">O &lt;a href="http://www.istoe.com.br/revista/indice-de-materias/592_MILAGRES+CONTEMPORANEOS"&gt;artigo de capa&lt;/a&gt; da &lt;a href="http://www.istoe.com.br/"&gt;Isto É&lt;/a&gt; de 30 de junho chamou-me a atenção. A revista, que tem seu conteúdo aberto na web, o que é louvável, apresenta-se como "a revista mais combativa do Brasil". Deve ser combate à razão.&lt;div&gt;O artigo chama-se "Milagres Contemporâneos". Ele trata literalmente de supostos "milagres" que estariam ocorrendo em torno de nós atualmente no Brasil. Ora, todo mundo sabe que milagres são eventos fora do normal que envolvem a intervenção divina. Coerentemente eles estão em geral descritos com detalhes nas escrituras. Mas milagres ocorrendo no início do século 21, no Brasil, sob nossos narizes...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O artigo apresenta casos médicos, alguns triviais e alguns mais especiais como milagres. não apresenta nenhuma informação científica para ajudar o leitor a entender o que realmente ocorre. Ao contrário, numa demonstração de proselitismo católico barato diz que "A maioria das denominações religiosas crê em milagres, mas os católicos são os únicos que usam o rigor científico para conferir o selo apostólico romano de miraculosidade. Não podia ser diferente. Para os cristãos, o primeiro a fazer milagres foi Jesus Cristo, que multiplicou pães, transformou água em vinho e fez um morto voltar à vida, entre outros gestos, segundo contam os evangelistas no Novo Testamento. Para estar à altura de um ato que já foi executado pelo Filho de Deus, dois mil anos depois de sua passagem pela Terra, um &lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:large;"&gt;caso só é considerado milagre depois do aval de uma comissão mista de teólogos e cientistas do Vaticano.&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;" O negrito e texto maior aparecem na versão impressa. Esse parágrafo é uma contradição em si: Se usasse realmente rigor científico, o Vaticano se recusaria a reconhecer &lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:large;"&gt;TODOS&lt;/span&gt;&lt;/b&gt; os milagres relatados no artigo e tantos outros mais. Eu fico imaginando quem são os "cientistas" que compõem as comissões mistas com teólogos para validar os milagres. Que experiência científica têm? Costumam publicar seus resultados em periódicos especializados? Conhecem realmente o método científico e o aplicaram aos supostos milagres?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Tomo como exemplo um dos "milagres" relatados, o do jovem João que sofreu um terrível acidente e teve grave traumatismo craniano e parada cardiorrespiratória, com pequenas chances de sobreviver. Mas ele sobreviveu, graças aos competentes cuidados médicos aos quais foi submetido (mesmo com a infraestrutura limitada disponível em Barra Bonita, onde o acidente aconteceu) e à incrível capacidade de recuperação que do corpo humano. O artigo atribui a cura à oração praticada pelos colegas de João. Cita também a opinião do neurologista Odérzio Marcato, de Barra Bonita, que acompanhou João (a revista não esclarece se foi ele quem prestou atendimento primário): "A medicina não explica uma melhora tão rápida e plena". Acho curioso um médico falar em nome da Medicina. Como infelizmente não conheço nenhuma instituição de pesquisa médica em Barra Bonita, busquei mais informações sobre a atuação científica do Dr. Marcato. Não encontrei nenhum artigo científico de sua autoria. No entanto, encontrei alguns artigos que indicam que a opinião do Dr. Marcato deve ser tomada com cautela. O &lt;a href="http://www.diarioweb.com.br/"&gt;Diário da Região&lt;/a&gt; de São José do Rio Preto publicou pelo menos 2 artigos que citam o Dr. Marcatto. Em &lt;a href="http://www.diarioweb.com.br/noticias/imp.asp?id=56245"&gt;2005&lt;/a&gt; ele foi citado no processo de beatificação do &lt;a href="http://www.csa.osa.org.br/santo/paroquia/pe_mariano_beatificado.html"&gt;Padre Mariano&lt;/a&gt;, justamente atribuindo a cura de João a esse religioso espanhol que viveu no Brasil. Só tem um problema: o Padre Mariano faleceu em 1983. O acidente de João aconteceu em 1996. Imagino que esses milagres não dependem da presença física do milagreiro entre nós. Outra citação ao Dr. Marcatto é de &lt;a href="http://www.csj.g12.br/pemariano/caminhoPeMariano/artigos/2006-11-05%20Vaticano%20beatifica%20hoje%20o%20Padre%20Mariano.pdf"&gt;2007&lt;/a&gt;, quando o Padre Mariano foi beatificado. Sou absolutamente solidário à família de João e seu sofrimento que felizmente terminou bem. Daí para atribuir sua cura a um milagre há uma enorme distância.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O artigo da Isto É vai mais longe. Afirma que "São muitos os estudos que comprovam que a fé tem efeito positivo sobre a saúde...Está provado, por exemplo, que crer em Deus ou em algo transcendente provoca reações no organismo que reduzem a produção de substâncias como o hormônio cortisol.". Busquei na &lt;a href="http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed"&gt;Medline&lt;/a&gt; as palavras "cortisol" e "god". Nenhum dos 3 resultados apóia essa afirmação. Pode piorar: "Para o neurocirurgião Raul Marino Júnior, professor de bioética da Faculdade de Medicina da USP e autor do livro `A Religião do Cérebro` (editora Gente), ter algum tipo de fé é sempre melhor que ser ateu. `A vida fica sem propósito se a pessoa achar que é formada de carbono, cálcio, fósforo e magnésio', afirma."  O&lt;a href="http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.jsp?id=K4702912E0"&gt; Currículo Lattes&lt;/a&gt; do Prof. Marino Jr. lista a invejável marca de 144 artigos publicados. Nenhum deles trata da questão da fé e de ateísmo. Ao contrário de livros (e blogs), para publicar um artigo é preciso convencer outros cientistas de que suas afirmações fazem sentido. O Prof. Marino Jr. não tentou ou não conseguiu esse feito em sua longa e produtiva carreira. Eu pessoalmente entendo que ser ateu é melhor que ter algum tipo de fé. Mas não tento convencer ninguém disso a partir de argumentos duvidosos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; Um famoso estudo duplo cego aleatorizado sobre o efeito de rezas sobre a saúde de pacientes mostrou claramente que o efeito é ZERO. Sua versão original, que mostrava o efeito contrário, revelou-se uma fraude. Isso foi parar nos tribunais, pois o principal autor da fraude abriu um processo contra um médico que sistematicamente desafiava as falsas conclusões do artigo. A &lt;a href="http://skepticblog.org/2009/11/03/a-skeptical-triumph-over-medical-flim-flam/"&gt;decisão judicial&lt;/a&gt; no ano passado favoreceu o médico. A Isto É ignora isso e insiste em atribuir poderes terapêuticos à reza e à fé. Ela termina com mais proselitismo religioso: "Traduzindo, os propósitos divinos seriam insondáveis. Para quem crê, o que importa é que Ele continua estendendo sua mão para a humanidade." É difícil acreditar que isso tenha saído numa das supostamente boas revistas semanais do Brasil.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Se os jornalistas envolvidos tivessem um mínimo de senso crítico e de formação científica talvez teriam buscado informação de verdade para seus leitores.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Eu passei há alguns anos por uma situação terrível. Minha mãe teve câncer de pâncreas, diagnosticado já em um estado avançado. Todos sabíamos que não havia muito a fazer para curá-la. A medicina (olha ela de novo aí) ainda não consegue oferecer uma cura para essa doença. Ela submeteu-se a quimioterapia usando o que havia de mais avançado na época, uma droga chamada gemcitabina, comercializada com o nome &lt;a href="http://www.gemzar.com"&gt;Gemzar&lt;/a&gt;. Mesmo com o tratamento, a mediana de sobrevivência é de 6 meses. Ela resistiu por um ano, chances de 18% para pacientes tratados com Gemzar. Seria isso um milagre? Claro que não. 18 de cada 100 pacientes tratados com Gemzar sobrevivem um ano. Por sorte ela foi um deles. Sem que ninguém rezasse para isso. Há casos (raros) de pacientes que sobrevivem 5 anos. Eu queria muito que um milagre acontecesse e ela fosse um deles...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8768401474994996719-2380226111296571486?l=ccientifica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://ccientifica.blogspot.com/feeds/2380226111296571486/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8768401474994996719&amp;postID=2380226111296571486" title="10 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/8768401474994996719/posts/default/2380226111296571486?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/8768401474994996719/posts/default/2380226111296571486?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://ccientifica.blogspot.com/2010/07/isto-e-um-milagre.html" title="Isto É um milagre!" /><author><name>Leandro R. Tessler</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08680318456015079933</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="31" height="21" src="http://3.bp.blogspot.com/-mm44jH1bAvQ/TpjmpqN-dXI/AAAAAAAAA9k/7qpg43_WDDY/s220/IMG_3750.JPG" /></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry gd:etag="W/&quot;C0AERn4yeSp7ImA9WxBUFEw.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-8768401474994996719.post-7976042413653393464</id><published>2010-02-28T22:57:00.009-03:00</published><updated>2010-02-28T23:48:27.091-03:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2010-02-28T23:48:27.091-03:00</app:edited><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Homeopatia" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Humor" /><title>Plantão Médico Homeopático</title><content type="html">Estou trabalhando em umas 4 postagens diferentes sem conseguir terminar nenhuma. Crise de inspiração? Muita coisa pra fazer?  Eis que sou salvo por uma mensagem de um amigo com um vídeo anexado. Investiguei um pouco sobre o vídeo, que apareceu na web em meados de 2009, já tendo sido mencionado em inglês em vários blogs científicos.&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;object width="384" height="236"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/gRxk-UuQUqc&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;fs=1&amp;amp;rel=0"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/gRxk-UuQUqc&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;fs=1&amp;amp;rel=0" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="384" height="236"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O sketch é da série &lt;a href="http://www.bbc.co.uk/programmes/b0092s71"&gt;That Mitchell and Webb Look&lt;/a&gt; e faz referência aos clichês dos seriados médicos. &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/British_humour"&gt;Humor britânico&lt;/a&gt; de primeira. Reparem nos nomes das enfermarias que aparecem nas placas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Para nossa sorte os pronto-socorros do mundo não funcionam assim. Nem os bares!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Como será que os usuários da homeopatia compatibilizam sua fé na diluição infinita como potencializador de efeito terapêutico com a experiência mundana ao diluir a &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Lager"&gt;lager&lt;/a&gt;?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Agradeço ao Bindi por ter mandado o vídeo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8768401474994996719-7976042413653393464?l=ccientifica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://ccientifica.blogspot.com/feeds/7976042413653393464/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8768401474994996719&amp;postID=7976042413653393464" title="9 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/8768401474994996719/posts/default/7976042413653393464?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/8768401474994996719/posts/default/7976042413653393464?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://ccientifica.blogspot.com/2010/02/plantao-medico-homeopatico.html" title="Plantão Médico Homeopático" /><author><name>Leandro R. Tessler</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08680318456015079933</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="31" height="21" src="http://3.bp.blogspot.com/-mm44jH1bAvQ/TpjmpqN-dXI/AAAAAAAAA9k/7qpg43_WDDY/s220/IMG_3750.JPG" /></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry gd:etag="W/&quot;A04ESX0zeSp7ImA9WxFaEEw.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-8768401474994996719.post-1379592504948209055</id><published>2009-12-06T15:45:00.005-02:00</published><updated>2010-07-13T08:18:28.381-03:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2010-07-13T08:18:28.381-03:00</app:edited><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="placebo" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="sexualidade" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Jornalismo" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Cultura científica" /><title>O Viagra cor-de-rosa e a referência que não existe</title><content type="html">Excesso de atividades profissionais deixaram escapar várias manifestações públicas de pseudo-ciência recentes como a terra quadrada (ou retangular), o Cacique Cobra Coral e o apagão, o chefe de estado visitante que nega parte da história recente da humanidade, etc...&lt;div&gt;Não resisto a uma que saiu na &lt;a href="http://revistaepoca.globo.com/"&gt;Época &lt;/a&gt;da semana passada. A matéria de capa  tem o sugestivo nome &lt;a href="http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI105847-15257,00-EM+BUSCA+DO+VIAGRA+CORDEROSA+TRECHO.html"&gt;Em busca do Viagra cor-de-rosa:Uma nova droga está em testes para combater a falta de desejo feminino. Ela funciona mesmo ou é apenas uma jogada da indústria farmacêutica?&lt;/a&gt; A matéria fala sobre a suposta eficácia de uma substância chamada &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Flibanserin"&gt;flibanserina&lt;/a&gt; no tratamento de mulheres com baixa libido. Um estudo financiado pela dona da patente da substância, a multinacional &lt;a href="http://www.boehringer-ingelheim.com/"&gt;Boehringer Ingelheim&lt;/a&gt;, foi apresentado recentemente "em um encontro médico na França". O que mais me chamou a atenção foram as seguintes frases: "O estudo reuniu dados recolhidos por sete grupos de testes envolvendo mais de 5 mil europeias e americanas ao longo de 48 semanas. Enquanto tomavam o novo medicamento, pediu-se a elas que relatassem eventos sexuais de qualquer espécie. Valiam relação sexual, sexo oral, masturbação ou estimulação genital pelo parceiro. O questionário perguntava se o ato foi satisfatório ou não. As 738 participantes do teste publicado na revista científica Journal of Sex Research relataram um aumento médio de 96% no número de “eventos sexuais satisfatórios” por mês." Isso me pareceu obviamente efeito placebo. Na página seguinte num quadro obtido a partir de dados fornecidos pela própria Boehringer Ingelheim é dito de forma um pouco confusa que no grupo com flibanserina o número médio de eventos satisfatórios passou de 2,8 para 4,5 por mês e no grupo com placebo ele foi de 2,7 para 3,7. Para mim esse número não é exatamente satisfatório: 1 por mês com placebo, 1,7 com a droga... Em um mês!!! Como não trabalho nessa área, a primeira coisa que fiz foi ver se o &lt;a href="http://www.informaworld.com/smpp/title~content=t775653667~link=cover"&gt;Journal of Sex Research&lt;/a&gt; é indexado no &lt;a href="http://isiknowledge.com/"&gt;ISI Web of Knowledge&lt;/a&gt;. Trata-se de um índice de publicações científicas que atendem a alguns critérios importantes como revisão por pares e periodicidade. Uma tentativa de hierarquizar as publicações científicas (piada interna, ver o &lt;a href="http://ccientifica.blogspot.com/2009/10/hierarquizar-blogosfera.html"&gt;texto anterior&lt;/a&gt;). Estar indexado não é uma garantia de qualidade (por exemplo, &lt;a href="http://www.elsevier.com/wps/find/journaldescription.cws_home/623042/description"&gt;Homeopathy&lt;/a&gt; é indexado), mas não estar indexado é uma indicação de falta de qualidade e rigor da publicação. O JSR é indexado. Ótimo. Então fui procurar o artigo e não encontrei. Época não dá a referência completa e uma busca no periódico ou no &lt;a href="http://scholar.google.com/"&gt;Google Acadêmico&lt;/a&gt; usando como critério "flibanserin" ou "738" ou "2,7, 3,7, 2,8, 4,5" resulta em nada! &lt;b&gt;O artigo citado não existe&lt;/b&gt;. Consegui aprender mais sobre o assunto num &lt;a href="http://www.boehringer-ingelheim.com/news/news_releases/press_releases/2009/17_november_2009.html"&gt;press release&lt;/a&gt; da própria Boehringer Ingelheim. Para ter acesso precisei declarar que sou jornalista (pelo menos amador...). Lá descobri qual foi o "encontro médico na França" citado na Época. Descobri mais sobre os dados: participaram do estudo 1378 mulheres norte-americanas pre-menopausa (como isso se transformou em 738 é um mistério que a &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Numerologia"&gt;numerologia&lt;/a&gt; deve explicar...) nas quais verificou-se o resultado citado. Sobre as 634 européias pre-menopausa apenas é afirmado que foram detetadas melhoras estatisticamente significativas no nível de desejo sexual. Os estudos duraram 24 semanas. O release termina com  10 referências, nenhuma no JSR. Provavelmente as 48 semanas da Época resultam da soma das 24 semanas do estudo europeu com as 24 do estudo americano. Como ela chegou a 5 mil mulheres quando a soma dos dois estudos corresponde a cerca de 2 mil é um mistério.&lt;div&gt;Conclusão minha: a jornalista da Época leu o press release da Boehringer Ingelheim, entendeu pouco do que ali está escrito, misturou números e ainda citou um artigo de periódico científico que ela nunca viu porque não existe. Em ciência nós sempre lemos os artigos antes de citá-los.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Cá entre nós, uma diferença de 0,7 eventos prazerosos por mês da droga em relação ao placebo, por mais estatisticamente significativo que seja não é grande coisa. É um evento a cada 43 dias. Melhor tomar um bom vinho, comer num bom restaurante, enfim, buscar outros prazeres na vida...&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8768401474994996719-1379592504948209055?l=ccientifica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://ccientifica.blogspot.com/feeds/1379592504948209055/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8768401474994996719&amp;postID=1379592504948209055" title="4 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/8768401474994996719/posts/default/1379592504948209055?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/8768401474994996719/posts/default/1379592504948209055?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://ccientifica.blogspot.com/2009/12/o-viagra-cor-de-rosa-e-referencia-que.html" title="O Viagra cor-de-rosa e a referência que não existe" /><author><name>Leandro R. Tessler</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08680318456015079933</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="31" height="21" src="http://3.bp.blogspot.com/-mm44jH1bAvQ/TpjmpqN-dXI/AAAAAAAAA9k/7qpg43_WDDY/s220/IMG_3750.JPG" /></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry gd:etag="W/&quot;CEIFQ3wzfCp7ImA9WxNWFEk.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-8768401474994996719.post-7638077416858181690</id><published>2009-10-10T21:32:00.002-03:00</published><updated>2009-10-13T11:01:52.284-03:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2009-10-13T11:01:52.284-03:00</app:edited><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Cultura científica" /><title>Hierarquizar a blogosfera</title><content type="html">&lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height: normal"&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language:PT-BRfont-family:&amp;quot;;font-size:12.0pt;color:black;"&gt;Minha fala no II EWCLiPo causou reações muito além do que eu imaginava. A Maria Guimarães do &lt;/span&gt;&lt;a href="http://scienceblogs.com.br/cienciaeideias/2009/10/mais_sobre_o_ewclipo.php"&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;;mso-fareast-language: PT-BRfont-family:&amp;quot;;font-size:12.0pt;color:blue;"&gt;Ciência e Idéias&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;;mso-fareast-language:PT-BRfont-family:&amp;quot;;font-size:12.0pt;color:black;"&gt; entendeu que eu estava criticando os jornalistas. A Adriana Carvalho do &lt;/span&gt;&lt;a href="http://karapana.wordpress.com/2009/10/07/anticiencia-na-web-da-para-controlar-isso/"&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;;mso-fareast-language: PT-BRfont-family:&amp;quot;;font-size:12.0pt;color:blue;"&gt;Karapanã&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language:PT-BRfont-family:&amp;quot;;font-size:12.0pt;color:black;"&gt; viu uma contradição (só uma?!) nas minhas idéias: "por um lado, é boa a expressão livre, mas depende de quem ou do que se fala?". Eu acho que não critiquei os jornalistas nem quis tolher o direito de alguém expressar o que pensa. Se o fiz peço desculpas em público. Nunca foi essa minha intenção.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height: normal"&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language:PT-BRfont-family:&amp;quot;;font-size:12.0pt;color:black;"&gt;Eu devia falar sobre &lt;/span&gt;&lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Antiscience"&gt;&lt;span style=" font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;;mso-fareast-language:PT-BRfont-family:&amp;quot;;font-size:12.0pt;color:blue;"&gt;anti-ciência&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language:PT-BRfont-family:&amp;quot;;font-size:12.0pt;color:black;"&gt;. Falei um pouco sobre isso mas também sobre informação e poder. Sobre hierarquia e autoridade. Autoridade no sentido de credibilidade e fé pública.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height: normal"&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language:PT-BRfont-family:&amp;quot;;font-size:12.0pt;color:black;"&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language:PT-BRfont-family:&amp;quot;;font-size:12.0pt;color:black;"&gt;Falei sobre como a civilização ocidental mudou de forma irreversível com a invenção da &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Printing_press"&gt;&lt;span style="color:blue;"&gt;imprensa&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; por &lt;/span&gt;&lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Johannes_Gutenberg"&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;;mso-fareast-language: PT-BRfont-family:&amp;quot;;font-size:12.0pt;color:blue;"&gt;Gutenberg&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language:PT-BRfont-family:&amp;quot;;font-size:12.0pt;color:black;"&gt; em 1454. Antes disso os livros eram manuscritos ou impressos em quantidades muito pequenas. Isso permitia que a difusão de idéias fosse controlada pelos poderosos, em particular pela &lt;/span&gt;&lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Christian_Church"&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;;mso-fareast-language:PT-BRfont-family:&amp;quot;;font-size:12.0pt;color:blue;"&gt;igreja&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language:PT-BRfont-family:&amp;quot;;font-size:12.0pt;color:black;"&gt;. Com a imprensa o controle da difusão de idéias escapou da igreja. Quem tinha acesso a máquinas de imprimir podia editar livros e panfletos com suas idéias, independentemente da vontade dos poderosos. A imprensa foi um instrumento tão perigoso e subversivo que cem anos depois a igreja publicou o &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Index_Librorum_Prohibitorum"&gt;&lt;span style="color:blue;"&gt;Index Librorum Prohibitorum&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;, o qual só foi revogado 4 séculos mais tarde em 1966, 15 anos antes da &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Bitnet"&gt;&lt;span style="color:blue;"&gt;bitnet&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height: normal"&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language:PT-BRfont-family:&amp;quot;;font-size:12.0pt;color:black;"&gt;A internet, e o aparecimento de ferramentas simples para blogs pode ter a longo prazo um efeito comparável à invenção da imprensa. Acabou o poder dos editores e donos do poder na imprensa. Qualquer pessoa com acesso à web (até eu!) pode escrever e difundir suas idéias, sua arte, sua ciência para quem quiser ouvir (ou ler). Isso tem uma conseqüência maravilhosa em termos de difusão de idéias. Mas tem também um lado sombrio. Para citar um exemplo radical, a web está cheia de blogs nazistas, racistas, homófobos, xenófobos e com todo tipo de preconceito e incitação à violência. Basta procurar que você os encontrará.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height: normal"&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language:PT-BRfont-family:&amp;quot;;font-size:12.0pt;color:black;"&gt;Outro aspecto da democratização radical da difusão de idéias tem a ver com qualidade. Isso vem preocupando intelectuais e artistas e deve preocupar também os que se importam com a cultura científica. Eu ouvi essa conversa pela primeira vez de artistas mais ou menos na época em que comecei meu blog. Ela materializou-se no livro &lt;a href="http://www.zahar.com.br/catalogo_detalhe.asp?id=1262&amp;amp;ORDEM=A"&gt;O culto do amador&lt;/a&gt; de &lt;a href="http://andrewkeen.typepad.com/home/"&gt;Andrew Keen&lt;/a&gt;. Ele diz que a web "É a celebração do amadorismo: qualquer um, por mais mal-informado que seja pode publicar um blog, postar um vídeo no&lt;a href="http://www.youtube.com/?gl=BR&amp;amp;hl=pt"&gt; YouTube&lt;/a&gt; ou alterar um verbete na &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/P%C3%A1gina_principal"&gt;Wikipedia&lt;/a&gt;. Esse anonimato da web põe em dúvida a confiabilidade da informação".  No início de setembro o &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/P%C3%A1gina_principal"&gt;Nouvel Observateur&lt;/a&gt; publicou uma entrevista com Emmanuel Hoog, presidente do &lt;a href="http://www.ina.fr/"&gt;Institut National de l'Audiovisuel&lt;/a&gt; francês. Ele preocupa-se com a ausência de hierarquia para bens culturais na rede, e o consequente nivelamento por baixo da atividade cultural. Ele afirma que a hierarquização é feita pelos mecanismos de busca (&lt;a href="http://www.google.com.br/"&gt;Google&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://www.yahoo.com.br/"&gt;Yahoo&lt;/a&gt;, etc) e sugere, dentro de uma visão absolutamente francesa de mundo, que o governo estabeleça mecanismos de busca de qualidade. Obviamente isso não resolveria nada. Uma entrevista parecida saiu no&lt;a href="http://www.lemonde.fr/opinions/article/2009/09/11/le-pacte-faustien-par-emmanuel-hoog_1239108_3232.html"&gt; Le Monde&lt;/a&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height: normal"&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language:PT-BRfont-family:&amp;quot;;font-size:12.0pt;color:black;"&gt;Todas as áreas do conhecimento construíram mecanismos de validação e de suporte à qualidade. Como nós não-artistas podemos decidir quais tendências em arte contemporânea podem ser relevantes? Podemos ir a um museu. Por exemplo o &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.upf.br/mavrs/"&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language:PT-BRfont-family:&amp;quot;;font-size:12.0pt;color:blue;"&gt;Museu de Artes Visuais Ruth Schneider&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language:PT-BRfont-family:&amp;quot;;font-size:12.0pt;color:black;"&gt; em Passo Fundo. Com todo respeito por Passo Fundo, se você tiver possibilidade e quer saber sobre as últimas tendências seria melhor ir ao &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.moma.org/"&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;;mso-fareast-language: PT-BRfont-family:&amp;quot;;font-size:12.0pt;color:blue;"&gt;MOMA&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language:PT-BRfont-family:&amp;quot;;font-size:12.0pt;color:black;"&gt; em Nova Iorque. Lá você poderá até encontrar trabalhos que talvez não entenda se não estiver muito por dentro do que acontece em arte hoje. Talvez uma instalação que consiste numa sala com o piso de madeira coberto por estopa. Você pode mexer na estopa a vontade e achar isso uma bobagem, mas é possível que isso mexa com você. Por que o MOMA tem mais prestígio que o MAVRS? Porque a sociedade atribuiu ao MOMA uma autoridade maior do que ao MAVRS.  &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height: normal"&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language:PT-BRfont-family:&amp;quot;;font-size:12.0pt;color:black;"&gt;A ciência criou toda uma sociologia própria (vou escrever especificamente sobre esse assunto em breve). Rituais, meios de divulgação, procedimentos de validação, &lt;/span&gt;&lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/University"&gt;&lt;span style=" font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;;mso-fareast-language:PT-BRfont-family:&amp;quot;;font-size:12.0pt;color:blue;"&gt;universidades&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language:PT-BRfont-family:&amp;quot;;font-size:12.0pt;color:black;"&gt;, meritocracia (que não tem nada a ver com democracia), títulos acadêmicos, &lt;/span&gt;&lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Peer_review"&gt;&lt;span style=" font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;;mso-fareast-language:PT-BRfont-family:&amp;quot;;font-size:12.0pt;color:blue;"&gt;revisão pelos pares&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language:PT-BRfont-family:&amp;quot;;font-size:12.0pt;color:black;"&gt;, etiqueta, encontros, etc... A comunidade científica atribui à &lt;a href="http://www.nature.com/"&gt;&lt;span style="color:blue;"&gt;Nature&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; mais credibilidade que ao &lt;a href="http://www.journalchiromed.com/"&gt;&lt;span style="color:blue;"&gt;Journal of Chiropractic Medicine&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;.  Quem trabalha com ciência conhece a diferença. A maioria das pessoas não já que os dois têm políticas de publicação seletivas, revisão por pares, etc.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height: normal"&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language:PT-BRfont-family:&amp;quot;;font-size:12.0pt;color:black;"&gt;A internet é o paraíso da informação de qualidade duvidosa. Ela está cheia de arte de segunda categoria posando de relevante e de blogs e discussões citando periódicos do padrão do citado JCM como se fossem sérias. Como pode o pacato cidadão entender e qualificar essas coisas? Não existe o MOMA da internet. Nem os mecanismos de validação usados pela ciência.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height: normal"&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language:PT-BRfont-family:&amp;quot;;font-size:12.0pt;color:black;"&gt;Eu disse claramente em Arraial do Cabo e repito aqui que não sei a resposta para essas inquietações. O bom de ser cientista é que ao contrário das culturas dogmáticas nós temos o privilégio de discutir sem saber as respostas. Sugeri um mecanismo primário de validação, copiado da sociologia da ciência, o tal selo de qualidade. Alguma autoridade científica (qual?) poderia certificar blogs com algum critério de qualidade da informação. Isso é uma espécie de revisão por pares a priori. Isso não impediria a difusão de blogs pseudo-científicos, mas eles não conseguiriam jamais o status de blogs científicos.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;line-height: normal"&gt;&lt;span style="font-family:&amp;quot;Georgia&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-bidi-Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language:PT-BRfont-family:&amp;quot;;font-size:12.0pt;color:black;"&gt;Estou velho demais para achar, como alguns blogueiros por aí, que com informação de qualidade as pessoas em geral (jornalistas incluídos) deixarão de se fazer enganar. Não consigo imaginar nada além de algum mecanismo hierárquico para validação de qualidade. Ou alguém tem outra idéia?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8768401474994996719-7638077416858181690?l=ccientifica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://ccientifica.blogspot.com/feeds/7638077416858181690/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8768401474994996719&amp;postID=7638077416858181690" title="14 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/8768401474994996719/posts/default/7638077416858181690?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/8768401474994996719/posts/default/7638077416858181690?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://ccientifica.blogspot.com/2009/10/hierarquizar-blogosfera.html" title="Hierarquizar a blogosfera" /><author><name>Leandro R. Tessler</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08680318456015079933</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="31" height="21" src="http://3.bp.blogspot.com/-mm44jH1bAvQ/TpjmpqN-dXI/AAAAAAAAA9k/7qpg43_WDDY/s220/IMG_3750.JPG" /></author><thr:total>14</thr:total></entry><entry gd:etag="W/&quot;DEUHQ3g_eip7ImA9WxNWEE8.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-8768401474994996719.post-2419643099369556875</id><published>2009-10-08T13:22:00.000-03:00</published><updated>2009-10-08T15:23:52.642-03:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2009-10-08T15:23:52.642-03:00</app:edited><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Magnetismo" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Pseudo-ciências" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Medicina Complementar e Alternativa" /><title>Cura magnética</title><content type="html">&lt;p class="MsoNormal"&gt;Participar do &lt;a href="http://www.bioletim.org/ii_ewclipo"&gt;II EWCLiPo&lt;/a&gt; foi uma experiência muito gratificante. Rever amigos, conhecer novos, discutir ciência e cultura científica, aprender com pessoas que pensam parecido comigo e especialmente com pessoas que pensam diferente. Acima de tudo ver nossa pequena comunidade crescendo e fazendo alguma diferença. Infelizmente eu não pude ficar no domingo para ouvir algumas palestras que devem ter sido excelentes. Eu precisava viajar para a Colômbia ao meio dia e precisei sair cedo. Para minha felicidade ainda levei até Niterói uma carona com quem mantive uma conversa tão boa e envolvente que nem notei passar as duas horas e meia entre Arraial do Cabo e o Rio. Então de alma leve embarquei no vôo da Copa Airlines. Como cheguei ao aeroporto em cima da hora não tive tempo para comprar um livro para ler na viagem. Apelei para a revista de bordo. Qual não foi minha surpresa quando dei de cara com uma manchete na página de Ciência (uma revista de bordo ter uma página de Ciência em si só já é uma boa notícia. O exemplo poderia ser seguido pelas companhias aéreas brasileiras): “Pesquisa invalida eficácia de terapia magnética”. Trata-se de um estudo feito na &lt;a href="http://puj-portal.javeriana.edu.co/"&gt;Pontifícia Universidad Javeriana de Colômbia&lt;/a&gt;, em Bogotá. Descobri mais na revista “&lt;a href="http://educon.javeriana.edu.co/pesquisa/"&gt;Pesquisa&lt;/a&gt;” dessa universidade: Foi feito um estudo duplo-cego aleatorizado sobre o efeito de imãs sobre a dor no pós-operatório de 165 voluntários. O estudo concluiu o que qualquer pessoa de bom senso esperaria: o efeito dos ímãs é zero. Nenhum. Nada além do efeito placebo. O &lt;a href="http://www.anesthesia-analgesia.org/cgi/content/full/104/2/290?maxtoshow=&amp;amp;HITS=10&amp;amp;hits=10&amp;amp;RESULTFORMAT=&amp;amp;fulltext=magnetic&amp;amp;andorexactfulltext=and&amp;amp;searchid=1&amp;amp;FIRSTINDEX=0&amp;amp;sortspec=relevance&amp;amp;resourcetype=HWCIT"&gt;trabalho&lt;/a&gt; foi publicado na &lt;a href="http://www.anesthesia-analgesia.org/"&gt;Anesthesia and Analgesia&lt;/a&gt; e foi o assunto de três &lt;a href="http://www.anesthesia-analgesia.org/cgi/content/full/104/2/249"&gt;editoriais&lt;/a&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Por que estudar um assunto como esse? Porque por incrível que pareça a indústria de imãs com supostos efeitos terapêuticos é um &lt;a href="http://www.csicop.org/si/show/magnet_therapy_a_billion-dollar_boondoggle/"&gt;negócio bilionário&lt;/a&gt; no mundo inteiro. No Brasil várias empresas os &lt;a href="http://www.kenkokanemut.com.br/"&gt;vendem&lt;/a&gt; para diferentes &lt;a href="http://www.paranashop.com.br/colunas/colunas_n.php?id=20347&amp;amp;op=Saude&amp;amp;PHPSESSID=f51bb8"&gt;propósitos&lt;/a&gt;. Por sorte &lt;a href="http://www.terapiamagnetica.com.br/br/home.php"&gt;magnetoterapia&lt;/a&gt; não foi elevada à condição de especialidade médica, ao contrário de uma outra terapêutica que após anos e anos de estudo nunca apresentou efeito superior ao placebo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;O que mais me intriga nisso é o que leva as pessoas a acreditar que a presença de um imã poderia trazer algum efeito benéfico. &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Magnetism"&gt;Magnetismo&lt;/a&gt; é tido por muitos como algo misterioso. Já vi gente argumentar que a hemoglobina contém ferro e portanto os imãs poderiam influenciar beneficamente o fluxo sanguíneo. Claro, todos sabemos que imãs atraem ferro metálico. Felizmente o ferro na hemoglobina não é metálico. Ele está num estado eletrônico fracamente &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Diamagnetism"&gt;diamagnético&lt;/a&gt;, que na verdade é muito fracamente repelido por um campo magnético Para obtermos algum efeito detectável é preciso aplicar campos muito maiores que os presentes em pewquenos ímãs. Por isso não somos arrastados pelos vários campos magnéticos presentes no nosso dia a dia.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;A maior parte das pessoas que usam terapias magnéticas não lê revistas científicas. Aproximar um ímã de um ponto doloroso não causa nenhum dano. Usar ou não essas terapias é uma questão de fé. Sé espero que ninguém as use em lugar de um tratamento convencional. Na ausência de regulação oficial os fabricantes continuarão fazendo afirmações pseudo-científicas em seus produtos. Um comerciante apresenta a &lt;a href="http://www.kenkopremium.com.br/site/"&gt;assinatura&lt;/a&gt; de um geriatra em um"parecer médico". Eu lembro de um fato ocorrido quando eu ainda era um mestrando na Unicamp. O colchão magnético &lt;a href="http://www.kenkopattocuritiba.com.br/"&gt;Kenko Patto&lt;/a&gt; solicitou um laudo de toxicidade à &lt;a href="http://www.fcm.unicamp.br/"&gt;Faculdade de Ciências Médicas&lt;/a&gt; da Unicamp. Como ele não apresentava toxicidade, recebeu um laudo de que não apresentava riscos à saúde. O fabricante passou a destacar em sua publicidade “aprovado pela Unicamp”. Só parou depois de um processo judicial.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt; É triste ver tanta gente se deixando enganar. &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8768401474994996719-2419643099369556875?l=ccientifica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://ccientifica.blogspot.com/feeds/2419643099369556875/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8768401474994996719&amp;postID=2419643099369556875" title="1 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/8768401474994996719/posts/default/2419643099369556875?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/8768401474994996719/posts/default/2419643099369556875?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://ccientifica.blogspot.com/2009/10/cura-magnetica.html" title="Cura magnética" /><author><name>Leandro R. Tessler</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08680318456015079933</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="31" height="21" src="http://3.bp.blogspot.com/-mm44jH1bAvQ/TpjmpqN-dXI/AAAAAAAAA9k/7qpg43_WDDY/s220/IMG_3750.JPG" /></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry gd:etag="W/&quot;C0UHR307cSp7ImA9WxNXE08.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-8768401474994996719.post-5723413518919080410</id><published>2009-09-29T19:12:00.001-03:00</published><updated>2009-09-30T11:33:56.309-03:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2009-09-30T11:33:56.309-03:00</app:edited><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Pseudo-ciências" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Homeopatia" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Medicina Complementar e Alternativa" /><title>Homeopatia mata</title><content type="html">Gloria Sam era um bebê como todos os outros. Nascida na Austrália de pais com nível universitário, tinha tudo para crescer feliz. Isso não aconteceu devido a um &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Eczema"&gt;eczema&lt;/a&gt;. Eczemas são irritações na pele decorrentes de alguma inflamação. Causam coceira e o ato de coçar só piora a situação. As causas podem ser diversas, mas o tratamento é relativamente simples, em geral envolvendo a aplicação tópica de um &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Corticosteroide"&gt;corticóide&lt;/a&gt;. O corticóide não cura o eczema, mas reduz ou elimina seus sintomas permitindo que o corpo se recupere. Na maioria dos países, pode-se comprar um creme corticóide em farmácias sem necessidade de receita médica.&lt;div&gt;Como muitos outros bebês pelo mundo, aos 4 meses Gloria apresentou um eczema. Como em qualquer situação desse tipo, os pais de Gloria, Thomas e Manju, decidiram procurar ajuda médica. O único problema é que Thomas é um &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Homeopatia"&gt;homeopata&lt;/a&gt; e buscou atendimento com pediatras homeopatas. Os homeopatas receitaram tratamento homeopático. Algumas gotas de algum princípio ativo com nome em latim diluído até que nenhuma molécula estivesse nas gotas foram administradas seguindo rigorosamente as indicações do pediatra homeopata.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Com um tratamento adequado, o eczema de Gloria deveria ter se resolvido em algumas semanas. No entanto, com o tratamento homeopático a situação só se agravava. A pele desprotegida é uma porta aberta para infecções. Gloria contraiu uma infecção. Infecções podem ser tratadas com &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Antibi%C3%B3ticos"&gt;antibióticos&lt;/a&gt;.  Os homeopatas preferem ministrar preparados com nomes latinos  diluídos até que nenhuma molécula do princípio ativo esteja presente nas gotas. Efeito no máximo igual ao placebo, ou seja, efeito nenhum. A infecção de Gloria piorou. Seu corpo passou a usar toda a energia que recebia pela alimentação para combater a infecção. Apesar de normalmente alimentada ela chegou a um quadro grave de desnutrição. Os pais insistiram no tratamento homeopático e a levaram para visitar a família na Índia, onde recebeu mais tratamento homeopático. Após voltar à Austrália, percebendo que Gloria não melhorava os pais decidiram levá-la a um hospital infantil. Ela &lt;a href="http://www.news.com.au/story/0,27574,26135817-421,00.html"&gt;tinha&lt;/a&gt; um quadro de desnutrição, irritação severa na pele e infecção no globo ocular. Teve que receber morfina para a dor e finalmente foi tratada com antibióticos. Infelizmente isso foi tarde demais para Gloria. Ela morreu três dias depois aos nove meses e meio de idade. Isso ocorreu em 2002.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Os pais de Gloria foram presos e julgados pela justiça australiana por homicídio culposo, onde não há a intenção de matar. A sentença acaba de ser &lt;a href="http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2009/09/090929_casalaustralia_ba.shtml"&gt;pronunciada&lt;/a&gt;. O pai deve ficar pelo menos seis anos e a mãe pelo menos 4 anos na cadeia.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Há mais informação sobre o caso no excelente &lt;a href="http://www.ceticismoaberto.com/ceticismo/1789/homeopatia-que-mal-faz"&gt;Ceticismo Aberto&lt;/a&gt;, e em inglês no &lt;a href="http://richarddawkins.net/articleComments,3930,Homeopath-Thomas-Sam-guilty-of-daughter-Glorias-death,The-Daily-Telegraph-Australia,page5"&gt;RichardDawkins.net&lt;/a&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Como pai, não consigo concordar com a condenação ao casal. Eles fizeram o que entendiam ser o melhor para sua filha. Usaram uma forma de tratamento usada por eles mesmos, praticada por alguns médicos e reconhecida por parte da sociedade.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Parece-me que os verdadeiros culpados por esse caso (e por vários outros que ocorrem pelo mundo) são os que validam uma prática baseada em princípios não-científicos como especialidade médica e afirmam para a população que estão curando. De fato estão, mas nada além do &lt;a href="http://ccientifica.blogspot.com/2008/10/o-preo-da-cura.html"&gt;efeito placebo&lt;/a&gt;. No Brasil a homeopatia é legalmente considerada especialidade médica, com &lt;a href="http://www.amb.org.br/teste/servicos/titulos_de_especialista.html"&gt;título de especialista&lt;/a&gt; outorgado pela &lt;a href="http://www.amb.org.br/"&gt;Associação Médica Brasileira&lt;/a&gt;. O fato de ser especialidade reconhecida é seguidamente usado como argumento a favor de tratamentos homeopáticos. Reconhecimento legal ou por uma sociedade profissional não eleva uma disciplina categoria de ciência. Do ponto de vista científico, tratar-se com homeopatia não é diferente de tratar-se com uma reza forte ou com o pai-de-santo. Há poucos anos um ex-conselheiro do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo publicou na grande imprensa um &lt;a href="http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=47036"&gt;artigo&lt;/a&gt; sugerindo que o status legal da homeopatia fosse rediscutido. Que eu saiba até agora nada foi feito. Meu &lt;a href="http://www.unimedcampinas.com.br/"&gt;seguro de saúde&lt;/a&gt; torra recursos pagando consultas e tratamentos homeopáticos, comprovadamente inócuos (inócuo nesse contexto significa de eficácia igual à do palcebo).&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Grave é a sociedade validar como aceitável uma prática médica baseada em princípios nunca comprovados cientificamente. Gloria e seus pais são vítimas disso. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Agradeço ao  Hecton por ter me indicado essa notícia. Esse caso me tocou particularmente porque uma criança muito próxima teve um eczema tratado com "óleos essenciais" segundo a conduta indicada por uma &lt;a href="http://www.medicinaantroposofica.com.br/"&gt;médica antroposófica&lt;/a&gt; (uma corrente de tratamento ainda mais radical que a homeopatia). A situação só reverteu devido à atuação da avó que fez com que fosse a um pediatra. O quadro estava agravado mas foi resolvida com alguns meses de aplicação de corticóides. Infelizmente Gloria não teve a sorte de ter uma avó esclarecida.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8768401474994996719-5723413518919080410?l=ccientifica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://ccientifica.blogspot.com/feeds/5723413518919080410/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8768401474994996719&amp;postID=5723413518919080410" title="23 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/8768401474994996719/posts/default/5723413518919080410?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/8768401474994996719/posts/default/5723413518919080410?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://ccientifica.blogspot.com/2009/09/homeopatia-mata.html" title="Homeopatia mata" /><author><name>Leandro R. Tessler</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08680318456015079933</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="31" height="21" src="http://3.bp.blogspot.com/-mm44jH1bAvQ/TpjmpqN-dXI/AAAAAAAAA9k/7qpg43_WDDY/s220/IMG_3750.JPG" /></author><thr:total>23</thr:total></entry><entry gd:etag="W/&quot;A0ECSHY9eSp7ImA9WxNQF0U.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-8768401474994996719.post-2913962724553747676</id><published>2009-09-24T07:52:00.000-03:00</published><updated>2009-09-24T07:54:29.861-03:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2009-09-24T07:54:29.861-03:00</app:edited><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Cultura científica" /><title>II EWCLiPo</title><content type="html">O primeiro foi um sucesso. O segundo com certeza será. Nesse final de semana estaremos todos lá em Arraial do Cabo, no II &lt;b&gt;E&lt;/b&gt;ncontro de &lt;b&gt;W&lt;/b&gt;eblogs &lt;b&gt;C&lt;/b&gt;ientíficos em &lt;b&gt;Lí&lt;/b&gt;ngua &lt;b&gt;Po&lt;/b&gt;rtuguesa. Adoro a sigla. A programação completa está no &lt;a href="http://www.bioletim.org/ii_ewclipo"&gt;Bioletim&lt;/a&gt;.&lt;div&gt;O movimento de blogs científicos em português vem crescendo e pode um dia fazer alguma diferença. É só olhar os comentários que recebemos, ora simpáticos, ora irados.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Parabéns ao Mauro Rebelo do &lt;a href="http://scienceblogs.com.br/vqeb/"&gt;Você que é biólogo&lt;/a&gt; pelo árduo e competente trabalho de organização.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Vai ser muuuuuito legal!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8768401474994996719-2913962724553747676?l=ccientifica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://ccientifica.blogspot.com/feeds/2913962724553747676/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8768401474994996719&amp;postID=2913962724553747676" title="0 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/8768401474994996719/posts/default/2913962724553747676?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/8768401474994996719/posts/default/2913962724553747676?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://ccientifica.blogspot.com/2009/09/ii-ewclipo.html" title="II EWCLiPo" /><author><name>Leandro R. Tessler</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08680318456015079933</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="31" height="21" src="http://3.bp.blogspot.com/-mm44jH1bAvQ/TpjmpqN-dXI/AAAAAAAAA9k/7qpg43_WDDY/s220/IMG_3750.JPG" /></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry gd:etag="W/&quot;D0MFRnw_fyp7ImA9WxNSEUk.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-8768401474994996719.post-2505458866957806513</id><published>2009-08-21T09:13:00.004-03:00</published><updated>2009-08-24T17:23:37.247-03:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2009-08-24T17:23:37.247-03:00</app:edited><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Pandemia" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Charlatanismo" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Vacina" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Homeopatia" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Medicina Complementar e Alternativa" /><title>Vacina homeopática contra a gripe suína: desde quando água sacudida protege contra vírus?</title><content type="html">&lt;div&gt;Finalmente ela chegou!!!! A tão esperada vacina contra o vírus influenza A(H1N1), causador da gripe suína, começará a ser aplicada em &lt;a href="http://intertvonline.globo.com/rj/noticias.php?id=4622"&gt;Petrópolis &lt;/a&gt;e em &lt;a href="http://g1.globo.com/Sites/Especiais/Noticias/0,,MUL1274869-16726,00-MATO+GROSSO+DO+SUL+USA+HOMEOPATIA+PARA+PREVENCAO+A+NOVA+GRIPE.html"&gt;Campo Grande&lt;/a&gt;. Em pouco tempo a pandemia terá sido controlada!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Como assim? Não iam começar a produzir a vacina no Brasil só em &lt;a href="http://g1.globo.com/Sites/Especiais/Noticias/0,,MUL1270759-16726,00-BUTANTAN+COMECA+A+FAZER+VACINA+ANTIGRIPE+EM+OUTUBRO+CONHECA+A+FABRICA+POR+D.html"&gt;outubro&lt;/a&gt;? Como esses municípios conseguiram a vacina antes dos demais? Será que eles contam com algum fornecimento exclusivo, a exemplo do que o nosso nobre congresso &lt;a href="http://www.agora.uol.com.br/saopaulo/ult10103u608979.shtml"&gt;tentou&lt;/a&gt; fazer em relação ao &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Oseltamivir"&gt;Tamiflu&lt;/a&gt;? &lt;b&gt;Será????? &lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;Obviamente &lt;b&gt;NÃO&lt;/b&gt;. Trata-se de uma "vacina homeopática".&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;No caso de Petrópolis é um preparado chamado &lt;a href="http://decs.bvs.br/cgi-bin/wxis1660.exe/decsserver/?IsisScript=../cgi-bin/decsserver/decsserver.xis&amp;amp;task=exact_term&amp;amp;previous_page=homepage&amp;amp;interface_language=p&amp;amp;search_language=p&amp;amp;search_exp=Influenzinum&amp;amp;show_tree_number=T"&gt;Influenzinum&lt;/a&gt; RC 32 DH, "fruto de uma parceria entre a Prefeitura de Petrópolis, através da Secretaria Municipal da Saúde, o Instituto Roberto Costa e a Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ, num projeto inédito".&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O  &lt;a href="http://www.robertocosta.org.br/"&gt;Instituto Roberto Costa&lt;/a&gt; tem toda a aura de instituição científica. Seu diretor tem tem seu &lt;a href="http://lattes.cnpq.br/2276684404232516"&gt;currículo &lt;/a&gt;cadastrado na base de dados &lt;a href="http://lattes.cnpq.br/"&gt;Lattes&lt;/a&gt; do CNPq. Suas páginas têm versões em inglês, (ok, macarrônico mas vale a intenção). Eles oferecem cursos de formação e fazem o que chamam de pesquisa em homeopatia. Infelizmente essa pesquisa não usa o método científico nem metodologias consagradas pela comunidade. Não há nenhum artigo publicado em revista científica na vasta lista de publicações do diretor.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Eu não consegui encontrar menções a essa parceria na página da &lt;a href="http://www.ufrj.br/"&gt;UFRJ&lt;/a&gt;, nem qual o pesquisador (ir)responsável. Duvido que uma pesquisa com esse teor passe por algum comitê de ética em uma universidade séria como é a UFRJ. Duvido que uma instituição séria liberasse uma vacina sem antes passar pelos protocolos de testes clínicos estabelecidos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O caso de Campo Grande foi parar no &lt;a href="http://jornalnacional.globo.com/Telejornais/JN/0,,MUL1275022-10406,00-MS+USA+HOMEOPATIA+CONTRA+A+NOVA+GRIPE+E+CAUSA+POLEMICA.html"&gt;Jornal Nacional&lt;/a&gt;. Aqui eles simplesmente aplicam princípios da homeopatia à gripe e esperam algum efeito. Se entendi bem, sua poção é preparada a partir do próprio vírus influenza, não o A(H1N1) mas uma "junção de várias cepas do vírus influenza". Ahá, o princípio dos semelhantes. Eles devem ter faltado à aula sobre genética, mas tudo bem. Esse caldo de vírus é diluído e "dinamizado" (sacudido) 200 vezes, "o que significa que nesse medicamento já não há mais nem uma partícula, nenhuma molécula do vírus original". Entendi! A "vacina" na verdade é água! Além de ter faltado à aula sobre genética eles não acompanharam o nefasto &lt;a href="http://ccientifica.blogspot.com/2008/06/o-estudo-duplo-cego.html"&gt;caso da memória da água&lt;/a&gt;. Uma senhora da Sociedade de Homeopatia-MS esclarece que não se trata de vacina, mas de &lt;span style="text-decoration: line-through;"&gt;água&lt;/span&gt; uma prevenção homeopática. O Conselho Regional de Medicina se esquiva dizendo que homeopatia é uma especialidade reconhecida (apesar desse reconhecimento não ser uma &lt;a href="http://ccientifica.blogspot.com/2008/08/medicina-pseudo-cientfica-na-grande.html"&gt;unanimidade&lt;/a&gt; entre os próprios médicos dos Conselhos).&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O que seria cômico se não fosse trágico é o depoimento do Secretário de Saúde de Campo Grande: "A gente pode esperar que funcione como um elemento de estabilização do humor". Então eles dão água pra população para estabilizar o humor fazendo as pessoas pensarem que estão se protegendo contra a gripe suína!!!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O melhor (mesmo) da reportagem é o &lt;a href="http://oglobo.globo.com/cidades/mat/2009/08/20/homeopatia-sera-usada-para-prevenir-gripe-suina-no-mato-grosso-do-sul-757595245.asp"&gt;depoimento &lt;/a&gt;da Dra. Andrea Lindemberg, ex-presidente da Sociedade de Infectologia do MS. É tão lúcido que reproduzo aqui:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;"- A gente tenta trabalhar em cima de literatura científica, com coisas que comprovadamente são eficazes, que já têm estudos. Eu como infectologista desconheço os estudos e eficácia."&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ela  desconhece esses estudos porque eles não existem para essas "vacinas". E quando existem, estudos sobre a eficácia da homeopatia demonstraram que ela não tem efeito maior do que o efeito &lt;a href="http://ccientifica.blogspot.com/2008/10/o-preo-da-cura.html"&gt;placebo&lt;/a&gt;, ou seja, não tem eficácia alguma.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Com as melhores intenções, essas prefeituras estão no mínimo jogando fora dinheiro público com terapias comprovadamente ineficazes, envolvendo estudos mal-feitos e não-científicos. Em Campo Grande a própria farmacêutica responsável reconhece que estão dando à populção água sem nenhum traço do vírus como "vacina". Em Petrópolis trata-se do coroamento de uma longa série de estudos metodologicamente deficientes.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Pior que esbanjar os nossos suados reais é causar na população a sensação de estar protegida e imune contra uma doença que ainda não conhecemos bem. &lt;b&gt;Isso pode matar.&lt;/b&gt; A "vacina homeopática" deveria vir com aquele aviso clássico presente nos rótulos e bulas de pseudo-medicamentos que são tratados como complementos alimentares: "O Ministério da Saúde adverte: não existem evidências científicas comprovadas que este alimento previna, trate ou cure doenças ou alterações fisiológicas".&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Agradeço ao Osame por ter me mostrado a vacinação em Campo Grande.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8768401474994996719-2505458866957806513?l=ccientifica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://ccientifica.blogspot.com/feeds/2505458866957806513/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8768401474994996719&amp;postID=2505458866957806513" title="28 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/8768401474994996719/posts/default/2505458866957806513?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/8768401474994996719/posts/default/2505458866957806513?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://ccientifica.blogspot.com/2009/08/vacina-homeopatica-contra-gripe-suina.html" title="Vacina homeopática contra a gripe suína: desde quando água sacudida protege contra vírus?" /><author><name>Leandro R. Tessler</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08680318456015079933</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="31" height="21" src="http://3.bp.blogspot.com/-mm44jH1bAvQ/TpjmpqN-dXI/AAAAAAAAA9k/7qpg43_WDDY/s220/IMG_3750.JPG" /></author><thr:total>28</thr:total></entry><entry gd:etag="W/&quot;D0ENQ30zfSp7ImA9WxNTFU0.&quot;"><id>tag:blogger.com,1999:blog-8768401474994996719.post-7124297703013637030</id><published>2009-08-14T17:35:00.013-03:00</published><updated>2009-08-17T07:41:32.385-03:00</updated><app:edited xmlns:app="http://www.w3.org/2007/app">2009-08-17T07:41:32.385-03:00</app:edited><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Maias" /><category scheme="http://www.blogger.com/atom/ns#" term="Cultura científica" /><title>Duas luas na noite sem lua</title><content type="html">&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_j2Oc0m3l-hI/SoXMfGr_bAI/AAAAAAAAAk0/Ks6hwdhW6pk/s1600-h/images.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 141px; height: 120px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_j2Oc0m3l-hI/SoXMfGr_bAI/AAAAAAAAAk0/Ks6hwdhW6pk/s320/images.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5369922965452319746" /&gt;&lt;/a&gt;Provavelmente começou em espanhol, mas nunca se sabe. Pode ter sido em inglês ou português. A internet é ótima para propagar boatos de todo o tipo. Boatos científicos entre els. Boatos científicos que invocam misticismo então são melhores ainda.&lt;div&gt;O curioso é que as pessoas não param para pensar 1 segundo antes de passar adiante as mensagens por mais que pareçam, absurdas!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Nos últimos três dias recebi variaçõe da mesma mensagem, em espanhol, português e inglês. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Em espanhol ela diz:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000099;"&gt;EL 27 DE AGOSTO DE 2009&lt;br /&gt;El planetario Internacional en Vancouver de la British Columbia Canada, ha calculado la precisión en la que Marte estará orbitando el (27-08-2009).&lt;br /&gt;Pero lo más interesante de todo es que esto estaba predicto en un códice Maya encontrado en la pirámide a lado del Observatorio Estelar en Palenque en Chiapas México.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000099;"&gt;Con este cálculo matemático Maya ahora los Mayas son considerados como los Griegos de América y orgullo de México.&lt;br /&gt;Por lo menos cuatro o cinco generaciones de la humanidad no volveremos a ver este fenomeno natural.&lt;br /&gt;Muy poca gente lo sabe por el momento, esto fue publicado el lunes 11 de mayo 2009.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hazlo circular!&lt;/span&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000099;"&gt;&lt;br /&gt;Dos Lunas en el Cielo&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000099;"&gt;El 27 de Agosto, a medianoche y 30 minutos, mirar al cielo.&lt;br /&gt;El planeta Marte será la estrella más brillante en el cielo. Será tan grande como la luna llena, Marte estará a 55,75 millones de kilómetros de la tierra&lt;br /&gt;No te lo pierdas Será como si la tierra tuviera dos lunas.&lt;br /&gt;La próxima vez que este acontecimiento se producirá, está previsto para el año 2287&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Compartir esta información. Nadie que esté vivo podrá volverlo a ver.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Em inglês:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000099;"&gt;Dear Friends,&lt;br /&gt;*Two moons on 27 August 2007*&lt;br /&gt;*27th Aug the Whole World is waiting for.........Two moons ....*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Planet Mars will be the brightest in the night sky starting August.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;It will look as large as the full moon to the naked eye.&lt;br /&gt;This will cultivate on Aug. 27 when Mars comes within 34.65M miles of&lt;br /&gt;earth.&lt;br /&gt;Be sure to watch the sky on Aug. 27 12:30 am.&lt;br /&gt;It will look like the earth has 2 moons.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000099;"&gt;&lt;the next="" time="" mars="" may="" come="" this="" close="" is="" in=""&gt;&lt;/the&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000099;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Share this with your friends as NO ONE ALIVE TODAY will ever see it&lt;br /&gt;again.&lt;br /&gt;Regards," &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Em português é parecido com espanhol:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000099;"&gt;O Planetario Internacional de Vancouver, da British Columbia - Canadá, calculou a precisão em que Marte estará orbitando perto da terra. Será no dia 27 de agosto de 2009.&lt;br /&gt;Todavia, o mais interessante de tudo é que isto estava previsto em um código Maya, encontrado na piramide ao lado do Observatorio Estrelar em Palenque, Chiapas-México.&lt;br /&gt;Com este cálculo matemático Maya, agora os Mayas estão sendo vistos como os gregos da America, e orgulho da Guatemala.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#000099;"&gt;Pelo menos, quatro ou cinco gerações da humanidade não voltará a ver este fenomeno natural, e poucas pessoas sabem até o momento, embora tenha sido noticiado em 11 de maio de 2009.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Duas Luas no Ceu&lt;br /&gt;No dia 27 de Agosto, a meia noite e meia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O planeta Marte será a estrela mais brilhante do ceu, e será tao grande quanto a lua cheia, e estará a 55,75 milhões de kilometros da terra.&lt;br /&gt;Não perca!!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Falemos da versão em português. Ela provavelmente foi gerada em algum site de tradução. Usa palavras pouco usadas (todavia), palavras que não existem no sentido proposto (Estrelar), palavras com grafia errada em português (Maya) estruturas erradas (quatro ou cinco gerações da humanidade não voltará). Pode ter sido simplesmente um tradutor humano pouco versado na língua mátria, nunca se sabe.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;img src="http://3.bp.blogspot.com/_j2Oc0m3l-hI/SoiSHrDOVtI/AAAAAAAAAlM/XYktexxnwa4/s200/mars_hoax.gif" style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 135px;" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5370703216152303314" /&gt;&lt;div&gt;A primeira coisa que fiz foi verificar a existência do tal "Planetario Internacional de Vancouver". Ele não existe. O mais próximo que cheguei foi o &lt;a href="http://www.hrmacmillanspacecentre.com/"&gt;H. R. MacMillan Space Centre&lt;/a&gt;, em Vancouver, que até tem uma &lt;a href="http://www.hrmacmillanspacecentre.com/mars_hoax.htm"&gt;nota &lt;/a&gt;sobre a fraude da internet. Apesar de a versão em inglês (reproduzida parcialmente pelo centro) não mencionar nada em Vancouver como as versões latinas, eles esclarecem que essa informação não partiu deles nem vai ser possível ver duas luas nessa data simplesmente porque a nossa lua não estará acima do horizonte na data e hora mencionadas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Encontrei pelo menos quatro lugares que analisam com mais profundidade o assunto, três blogs (&lt;a href="http://ungaman.wordpress.com/2009/06/10/mars-hoax-el-engano-marciano/"&gt;aqui&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://foro.mediotiempo.com/showthread.php?t=81504"&gt;aqui &lt;/a&gt;e &lt;a href="http://hubpages.com/hub/Two_Moons_On_August_27_-_The_Latest_Old_Hoax"&gt;aqui&lt;/a&gt;) e uma &lt;a href="http://www.lajornadamichoacan.com.mx/2009/06/22/index.php?section=opinion&amp;amp;article=015o1pol"&gt;revista&lt;/a&gt;. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Do ponto de vista da Cultura Científica, o mais interessante é a menção ao maias, "os gregos da América". Orgulho do México em espanhol e da Guatemala em português. Eu tratei disso em um &lt;a href="http://ccientifica.blogspot.com/2009/01/macaco-harmonico-azul.html"&gt;texto anterior&lt;/a&gt;. Um &lt;a href="http://www.calendariodapaz.com.br/"&gt;grupo new age americano&lt;/a&gt; com uma horda de seguidores no Brasil inventou um "calendário maia". No entanto, eles mesmos avisam que &lt;a href="http://www.calendariodapaz.com.br/homeSementeAutoExistenteAmarela/calendario.php?cdItem=3&amp;amp;cdSubItem=16"&gt;"Cabe ressaltar, no entanto, que este não é o calendário maia. Nem tampouco constitui-se numa tentativa de reviver a cultura maia."&lt;/a&gt; Ou seja, a menção à cultura maia é apenas um subterfúgio para trazer credibilidade ao delírio das tempestades magnéticas vermelhas, ou do ano-semente auto-existente amarelo. Como fenômeno cultural, isso não é muito diferente do que se fez em relação à acupuntura, que para ganhar credibilidade foi classificada como "milenar" e parte da "cultura tradicional chinesa" apesar de as evidências para isso serem &lt;a href="http://ccientifica.blogspot.com/2009/03/acupuntura-um-tratamento-milenar.html"&gt;&lt;tênues&gt;&lt;/tênues&gt;&lt;/a&gt;. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Civiliza%C3%A7%C3%A3o_maia"&gt;cultura maia&lt;/a&gt; é fascinante e há ainda muito para aprender sobre ela. Mas algumas coisas já sabemos. Uma delas é que em &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Palenque"&gt;Palenque&lt;/a&gt; há ruínas muito impórtantes, mas nenhum observatório estelar (nem "estrelar"). Assim como não existe o "Planetário Internacional de Vancouver". Os seguidores da falsa cultura maia pelo menos podiam aprender um pouco de geografia, já que em ciência são meio fraquinhos...&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8768401474994996719-7124297703013637030?l=ccientifica.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel="replies" type="application/atom+xml" href="http://ccientifica.blogspot.com/feeds/7124297703013637030/comments/default" title="Postar comentários" /><link rel="replies" type="text/html" href="http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8768401474994996719&amp;postID=7124297703013637030" title="3 Comentários" /><link rel="edit" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/8768401474994996719/posts/default/7124297703013637030?v=2" /><link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://www.blogger.com/feeds/8768401474994996719/posts/default/7124297703013637030?v=2" /><link rel="alternate" type="text/html" href="http://ccientifica.blogspot.com/2009/08/duas-luas-na-noite-sem-lua.html" title="Duas luas na noite sem lua" /><author><name>Leandro R. Tessler</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08680318456015079933</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel="http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail" width="31" height="21" src="http://3.bp.blogspot.com/-mm44jH1bAvQ/TpjmpqN-dXI/AAAAAAAAA9k/7qpg43_WDDY/s220/IMG_3750.JPG" /></author><media:thumbnail xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" url="http://3.bp.blogspot.com/_j2Oc0m3l-hI/SoXMfGr_bAI/AAAAAAAAAk0/Ks6hwdhW6pk/s72-c/images.jpg" height="72" width="72" /><thr:total>3</thr:total></entry></feed>

