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	<title>Cracatoa Simplesmente Sumiu</title>
	
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	<description>Crônicas, contos e outras coisas de Alessandro Martins</description>
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		<title>O dia em que João Francisco peitou Lulu Santos</title>
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		<pubDate>Fri, 30 Jul 2010 02:34:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alessandro Martins</dc:creator>
				<category><![CDATA[Textos]]></category>

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		<description><![CDATA[Praia de curitibano é shopping center e o povo gosta de passear nesses lugares de plástico como se fosse divertido. Dia de inauguração de loja importante costuma causar comoção e locomoção de milhares de pessoas para o local da dita. Foi assim com a FNAC, com seus estoques infinitos de títulos de livros, CDs e [...]<p><br/><br/><a href="http://www.cracatoa.com.br/o-dia-em-que-joao-francisco-peitou-lulu-santos/">O dia em que João Francisco peitou Lulu Santos</a></p>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Praia de curitibano é shopping center e o povo  gosta de passear nesses lugares de plástico como se fosse divertido. Dia  de inauguração de loja importante costuma causar comoção e locomoção de  milhares de pessoas para o local da dita. Foi assim com a FNAC, com  seus estoques infinitos de títulos de livros, CDs e DVDs. Convites  disputados à tapa e presença de personalidades inchadas do meio musical e  global. Cometi o erro de estar parado quando cairam-me na mão alguns  desses pepelotes que me deram direito a levar eu e mais duas pessoas que  eu bem entendesse para me acotovelar com a turba no meio das estantes.</p>
<p>Quando estávamos lá dentro &#8211; meu pai, a Tati, com quem eu namorava na  época, e eu &#8211; já era tarde demais. Aqueles corredores eram uma espécie  de Caaba. Lentamente a multidão se locomovia em torno dos produtos  trocando pisões, suores e, por muito pouco, também tapas na disputa pelo  ar viciado. Todo mundo queria estar ali dentro, ninguém queria estar  fora. Um braço esticado conseguia, raramente, garfar um refrigerante ou  uma água ou um salgadinho e não se sabe quais técnicas os garçons usavam  para se deslocar mais rapidamente que os muçulmanos de ocasião.</p>
<p>Para completar, nós três acabamos nos perdendo uns dos outros. Lembrava  muito aquelas cenas de filmes em que a multidão separa as pessoas que  deveriam estar juntas e só se vê a mão erguida do outro sinalizando a  posição que, ainda assim, em segundos se perde. Não tive dúvidas. Nunca  mais nos veríamos novamente.</p>
<p>Para encontrá-los, decidi ir em sentido contrário do deslocamento das  pessoas. Não bastassem aquelas que prefiriam ficar paradas, agora eu  atrapalhava o culto, indo na contra-mão. Olhavam-me com certa raiva.</p>
<p>- Com licença, licencinha&#8230; com licença&#8230; ops&#8230; refrigerante sai  fácil da roupa, sabe? Com licença?&#8230; ah&#8230; ainda não tinham batizado  seu sapato novo?&#8230; como? No seu calo? Olha conheço calistas  excelentes&#8230; sim, sim&#8230; a sua mãe também&#8230;</p>
<p>Finalmente encontrei a Tati. Eu estava decidido a sairmos dali. Levei-a até a entrada onde havia menos gente.</p>
<p>- Olha fica aqui para não nos perdermos mais. Vou tentar encontrar meu pai. Se eu não voltar em dez minutos, chame a Swat.</p>
<p>Encontrei-o arfante, suado e angustiado. Certamente também imaginava que  nunca mais nos veríamos. Tinha encontrado um lugar mais tranqüilo entre  as prateleiras de CDs de Beethoven e de Chopin, embora temesse que o  grande grupo em volta dos lançamentos de axé music fizesse um arrastão  raivoso para aquele lado, como uma boiada.</p>
<p>Como estava difícil chegar até ali fiz um sinal para que me seguisse. Eu  abriria caminho usando técnicas de kung-fu. Iria bater ferindo o menos  possível os inocentes úteis. E os inúteis também. De vez em quando, eu  olhava para trás e verificava se ele ainda me seguia.</p>
<p>Finalmente cheguei até a Tati, depois de passar pela última barreira de  pessoas. Novamente olho para trás e observo que meu pai, que continuava a  me seguir, dá de dedo em alguém que, pacientemente, escuta. Finalmente,  junta-se a nós.</p>
<p>- Pai, você sabe quem era aquele?</p>
<p>- Não sei e nem quero saber! Você acredita que o amigo dele não queria  me deixar sair? Me barrou? Falei algumas para os dois. Que falta de  educação. E eu ali querendo só um pouco de ar fresco&#8230;</p>
<p>- Acho que não era o amigo dele&#8230; acho que era o segurança&#8230;</p>
<p>- Ah, é?</p>
<p>- Pois é. O sujeito era o Lulu Santos.</p>
<p>- É mesmo?</p>
<p>A essa altura, Lulu Santos já estava sobre um pequeno palco colocado ali  para os famosos dizerem palavras elogiosas sobre a nova loja.</p>
<p>- Então era mesmo o Lulu Santos? Ele não é cabeludo?</p>
<p>- Era, pai &#8211; respondi de uma vez as duas perguntas com uma única afirmação.</p>
<p>Então João Francisco, meu pai, até resolveu perdoar o cara e acenou para  ele, todo feliz por ter conversado com o cantor, ainda que dando uma  bronca. Lulu retribuiu o cumprimento. Certamente o rei do pop sentiu-se  melhor.</p>
<p><br/><br/><a href="http://www.cracatoa.com.br/o-dia-em-que-joao-francisco-peitou-lulu-santos/">O dia em que João Francisco peitou Lulu Santos</a></p>
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		<title>Olho roxo</title>
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		<pubDate>Thu, 29 Jul 2010 01:59:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alessandro Martins</dc:creator>
				<category><![CDATA[Textos]]></category>

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		<description><![CDATA[O homem, com o olho roxo, encontra o amigo. - Brigou, é? - Não&#8230; - O que é isso então? Caiu da escada&#8230; Difícil entender por que uma das desculpas preferidas de quem aparece com o olho roxo é dizer que caiu da escada. Não há corrimão em forma de punho. Por isso, preferiu contar [...]<p><br/><br/><a href="http://www.cracatoa.com.br/olho-roxo/">Olho roxo</a></p>
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O homem, com o olho roxo, encontra o amigo.</p>
<p>- Brigou, é?</p>
<p>- Não&#8230;</p>
<p>- O que é isso então? Caiu da escada&#8230;</p>
<p>Difícil entender por que uma das desculpas preferidas de quem aparece com o olho roxo é dizer que caiu da escada. Não há corrimão em forma de punho. Por isso, preferiu contar a história.</p>
<p>- Sabe&#8230; aquela mulher?</p>
<p>- Aquela que você ia sair ontem?</p>
<p>- Isso. Então. Saí.</p>
<p>- E o que tem a ver? Vai dizer que ela bateu em você?</p>
<p>- Foi.</p>
<p>Tudo tem uma explicação lógica. Ou ilógica. Mas tem.</p>
<p>A verdade é que nem sabia disso, mas estava cansado daquela vida de emoções fortes e sensações intensas a que nunca tinha se entregado com a devida virtuosidade. Não agüentava mais o meio termo. Ou se entregava para aquela existência &#8211; que não conseguia evitar &#8211; ou se enclausurava, protegido. Entre ser ermitão ou louco paraquedista sem pára-quedas, preferiu entrar para a categoria dos que saltam do veículo em movimento, que é a mesma dos que pulam para dentro dos trens quando ele já partiu da estação.</p>
<p>- Fomos no cinema. Depois fomos ao café. As coisas aconteceram como deveriam acontecer. Conversamos muito, aqueles papos cheios de entrelinhas que dão a entender tudo o que as linhas não dão.</p>
<p>- Sei como é.</p>
<p>- E, por isso, acabamos no meu apartamento.</p>
<p>- E sabe como é, né?</p>
<p>- Claro!</p>
<p>Sexo é uma coisa que acontece, afinal de contas. Não tem muito segredo.</p>
<p>- Lá pelas tantas, com ela montada em mim, eu senti muito tesão.</p>
<p>- E já não tava?</p>
<p>- Tava. Mas senti mais. Não sei se você entende. Não era só o pau, que até doía de tão duro. Me deu uma coisa na cabeça. Fiquei meio possuído.</p>
<p>Ele, na hora, não encontrou as palavras exatas para descrever. Talvez tenha tido pudor, daqueles pudores que impedem de falar coisas que em outros momentos seriam banais, mas naquele eram por demais apenas às paredes segredáveis. Mas o que sentiu era como ter visto de novo as nuvens avermelhadas da infância, na cidade do interior onde nasceu, que prenunciavam uma noite quente e talvez tempestade na madrugada e que lhe encheram de angústia pois iria dormir, como poucas vezes naquela época, longe dos pais. Ou a sensação de solidão e desolamento no dia que fez um piercing no pinto, que então não parava de sangrar, causando uma sensação concreta de responsabilidade sobre absolutamente todos os seus atos e suas conseqüências.</p>
<p>- Então eu falei pra ela me bater.</p>
<p>- Sério? E ela?</p>
<p>- Estacou. Parece que não entendeu.</p>
<p>- E?</p>
<p>- Eu repeti: “me bate”.</p>
<p>- E ela te meteu um soco.</p>
<p>- Não. Eu tive que segurar a mão dela e mostrar que aquilo não tinha nada demais. Eu queria. E fiz ela dar um tapa no meu rosto.</p>
<p>A delícia de transformar chumbo em ouro. Nada como ver Luke Skywalker convertido ao lado negro. Sua delícia, embora ainda não soubesse disso, era descobrir o momento exato em que a hesitação diante do proibido se transforma em ímpeto furioso e comprometido com a desagregação.</p>
<p>Por isso, segurou o braço dela e fez com que lhe aplicasse um tapa. Sabia que, a partir dali, não haveria volta. As paixões são assim. Depois que o banhista entra no mar furioso, nem sua vontade será capaz de tirá-lo das ondas.</p>
<p>- Ela ficou meio assustada. E eu disse: “viu? não dói&#8230; não faz nada.”</p>
<p>- E então?</p>
<p>- Falei pra ela me dar um. Saiu fraco.</p>
<p>- Claro. Acho que ela estava com medo de machucar.</p>
<p>Ele entendia isso. No colégio, ele mesmo nunca fora de brigas. Não que achasse que poderia apanhar. Mas sempre teve medo de machucar demais seu adversário. Não era lutador exímio, pelo que se pode imaginar. Mas a mera possibilidade de ferir alguém o assustava. Por isso, evitava contendas físicas.</p>
<p>- Então chamei ela de fraca.</p>
<p>- Não parece uma coisa boa de dizer nessas horas.</p>
<p>Cada hora é uma hora diferente. E as coisas boas de então podem ser coisas ruins de outros tempos.</p>
<p>- É. Mas era o que eu precisava dizer. Me senti um maestro. Ela me deu um mais forte. Fez eu virar o rosto. Até fiz ar de susto, mero reflexo. Olhei no olho dela, com raiva, sabendo o que estava a fazer, e disse de novo: “fraca”.</p>
<p>- Funcionou?</p>
<p>- Aham. Meteu-me mais um. E repeti isso mais três vezes até que não fosse mais preciso. Ela começou a me bater e a me agredir com fúria, ali, sobre mim. Eu só fazia me defender, mas &#8211; como eu queria &#8211; algumas vezes ela me atingia. Batia com a mão aberta, fechada, se movimentava, como se estivesse descontrolada. No final, caiu exausta sobre meu corpo. Chorava como se tivesse expulsado um demônio. Eu acariciava suas costas como se faz aos gatos, enquanto eu mesmo escorria de dentro dela. Aos poucos sossegou, a respiração já não estava mais ofegante, e me deu um beijo. Com certeza o beijo mais gostoso que já recebi.</p>
<p>- E o olho roxo?</p>
<p>- Só fui ver hoje. Deve ter sido no meio daquilo tudo.</p>
<p>- E agora?</p>
<p>- Ela acabou de me ligar. Vamos sair de novo amanhã.</p>
<p><br/><br/><a href="http://www.cracatoa.com.br/olho-roxo/">Olho roxo</a></p>
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		<title>No meio da pedra tinha um caminho</title>
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		<pubDate>Tue, 27 Jul 2010 23:53:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alessandro Martins</dc:creator>
				<category><![CDATA[Textos]]></category>

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		<description><![CDATA[(Preciso dizer antes de iniciar a crônica que a frase &#8220;no meio da pedra tinha um caminho&#8221; é daquele tipo que, quando vem pela primeira vez na cabeça do sujeito, ele se sente muito esperto, mas um segundo depois tem consciência de que alguém bolou isso antes, afinal, os versos de Drummond de que ela [...]<p><br/><br/><a href="http://www.cracatoa.com.br/no-meio-da-pedra-tinha-um-caminho/">No meio da pedra tinha um caminho</a></p>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><em>(Preciso dizer antes de iniciar a  crônica que a frase &#8220;no meio da pedra tinha um caminho&#8221; é daquele tipo  que, quando vem pela primeira vez na cabeça do sujeito, ele se sente  muito esperto, mas um segundo depois tem consciência de que alguém bolou  isso antes, afinal, os versos de Drummond de que ela é paráfrase nem  são tão novos assim. Assim, se o original &#8220;proprietário&#8221; dessa frase  quiser se manifestar, terei o prazer de tirar essa crônica do ar caso  ele queira, desde que ele possa provar que a publicou antes.)</em></p>
<p>No meio do caminho tinha uma pedra. E, no meio da pedra, tinha um caminho. Era uma das grandes.</p>
<p>O caminho, o que tinha na pedra, era dos pequenos. Saltei pra cima da  pedra e me equilibrei na estrada fininha, fininha. E comecei a andar  sobre a pedra.</p>
<p>No meio do caminho da pedra, tinha uma outra pedra, que bloqueava  toda a trilha. Apesar de ser pequena, um verdadeiro pedregulhinho, era  suficiente para ocupar a estradinha de lado a lado.</p>
<p>Então, peguei um dedo &#8211; o indicador &#8211; e peguei o outro &#8211; o polegar.  Aproximei a mão, assim em pinça, próxima da pedra pequena, pequena.  Quando a pedra, a pedrinha &#8211; pequena, pequena &#8211; estava no meio dos dois  dedos, juntei-os. O polegar e o indicador.</p>
<p>Peguei a pedra, a pequenina, tão pequenina que eu nem via direito,  tão pequenina que era menor que meu olhar que se espremia, se espremia e  se espremia tanto, que até saiu um suquinho.</p>
<p>Cheguei aquilo perto do olho.</p>
<p>E vi que, na pedra, pequenina, pequenina assim, tinha um outro  caminho, menor que o fio de cabelo de um cabelo. E nesse outro caminho &#8211;  imagine o quanto de pequeno ele era &#8211; havia um outro eu.</p>
<p>Mas, para me ver, ele precisava abrir os olhos (diferente de mim, que  precisava espremer). Precisava abrir muito as vistas. Arregalar o  vislumbrador, arreganhar as viseiras, arregaçar as vidraças.</p>
<p>E abriu tanto que quem viu fui eu.</p>
<p>Eu vi dentro das idéias daquele minúsculo eu-mesmo os pensamentos  dele passeando por uma infinidade de pedras que tinha na infinidade de  caminhos que havia dentro daquela cabeça que embora  pequena-pequena-pequena também era minha.</p>
<p>E, num daqueles caminhos de uma daquelas pedras, ele pensava que, nossa!, no meio do caminho tinha um gigante.</p>
<p>Ficamos uns instantes a nos decifrar, eu de cima da minha pedra e ele de cima da dele, dois soberanos das rochas.</p>
<p>Fiquei com medo que ele pensasse que eu era deus. Logo eu, um mero  caminhante. Mas fiquei tranqüilo, pois logo ele pensou: que nada, de  fato é um mero caminhante, um caminhante gigante, mas um caminhante.</p>
<p>Aquilo de nos adivinharmos não ia nos levar a nada. Diferentemente  dos caminhos, que sempre levam a algum lugar, e das pedras, que podem  ser levadas ou deixadas. Foi então que resolvi deixar aquela exatamente  onde encontrei.</p>
<p>Exatamente não. Coloquei no ladinho da estrada, no cantinho.</p>
<p>Afinal, se há uma pedra no meio do caminho, alguém pode tropeçar.</p>
<p>E ele, o eu-mesmo pequenino, por sua vez resolveu deixar estar.  Afinal, nossas retinas já estavam fatigadas. Ele de arregalar. Eu de  apertar.</p>
<p>De repente, no fim da pedra, sobre a qual eu andava, era o fim do  caminho, do pequeno caminho da pedra. Pulei de volta para o chão e pisei  de volta no caminho original.</p>
<p>No meio do caminho, sempre tem uma pedra. Mas, depois da pedra, o  caminho continua. De qualquer forma, é melhor ter uma pedra no caminho  que, em uma avalanche, estar no caminho da pedra.</p>
<p>Pensei em voltar para contar ao meu amigo, o pequenino, a descoberta que eu acabara de fazer.</p>
<p>Mas deixei pra lá.</p>
<p>Pedras passadas não movem moinhos.</p>
<p>Nem caminhos.</p>
<p><br/><br/><a href="http://www.cracatoa.com.br/no-meio-da-pedra-tinha-um-caminho/">No meio da pedra tinha um caminho</a></p>
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		<title>Andar é bom</title>
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		<pubDate>Tue, 27 Jul 2010 01:54:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alessandro Martins</dc:creator>
				<category><![CDATA[Textos]]></category>

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		<description><![CDATA[Quando eu fugi de casa senti o que costumo chamar de não querer mais voltar. Já havia andado quilômetros. Suficientes para me perder, perder a conta dos dias e perder você. Só para sentir como é aquilo que costumo chamar de não querer mais voltar. Andar é bom. Tem a ver com o que costumo [...]<p><br/><br/><a href="http://www.cracatoa.com.br/andar-e-bom/">Andar é bom</a></p>
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong></strong>Quando eu  fugi de casa senti o que costumo chamar de não querer mais  voltar. Já  havia andado quilômetros. Suficientes para me perder, perder a  conta  dos dias e perder você. Só para sentir como é aquilo que costumo  chamar  de não querer mais voltar. Andar é bom. Tem a ver com o que costumo chamar de equilíbrio e desequilíbrio. O corpo se projeta à frente e rápida a perna se adianta, ampara a queda. Numa sequência que costumo chamar de passos. Que constituem o que costumo chamar de caminho. Andar  é bom. Tem a ver com ouvir sua a voz às minhas costas. Com a sua mão   estendida para a minha, com a minha tocando a sua, que me conduz para   aquilo que costumo chamar de casa. Andar é bom.   Tem a ver com o que costumo chamar de sentir vontade de voltar   ardentemente. Pois você sempre está em meu caminho. E meus passos sempre   acabam me levando até aquilo que costumo chamar de…</p>
<p>… você.</p>
<p>via <a href="http://www.cracatoa.com.br/2005/fragmentos/archives/2004/11/fragmento_fotog_27.php">conteúdo antigo</a> (<a href="http://www.cracatoa.com.br/2005/fragmentos/archives/2004/11/fragmento_fotog_27.php">dá para ouvir aqui ó</a>)</p>
<p><br/><br/><a href="http://www.cracatoa.com.br/andar-e-bom/">Andar é bom</a></p>
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		<title>Bolhas</title>
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		<pubDate>Fri, 23 Jul 2010 04:15:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alessandro Martins</dc:creator>
				<category><![CDATA[Textos]]></category>

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		<description><![CDATA[Há certas percepções que só nos são dadas quando podemos assimilá-las. De vez em quanto, um sujeito as obtém antes de ser capaz disso. Assim nascem os loucos. No que diz respeito às outras pessoas e como nos relacionamos com elas, sabemos que esses laços, por mais duradouros, permanentes e absolutos que pareçam, são temporários. [...]<p><br/><br/><a href="http://www.cracatoa.com.br/bolhas/">Bolhas</a></p>
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Há certas percepções que só nos são dadas quando podemos assimilá-las.</p>
<p>De vez em quanto, um sujeito as obtém antes de ser capaz disso. Assim nascem os loucos.</p>
<p>No que diz respeito às outras pessoas e como nos relacionamos com elas, sabemos que esses laços, por mais duradouros, permanentes e absolutos que pareçam, são temporários.</p>
<p>Dizer que se sabe isso é uma coisa.</p>
<p>Saber, efetivamente, outra. Ter essa sensação, de fato, pode ser esmagador. Como se fôssemos passageiros de uma viagem em que mesmo a paisagem, por si só fugidia, está se desmanchando.</p>
<p>Não é a solidão. É uma ideia, que pode ser insuportável, de independência das coisas, como se o mundo fosse separado de si. No entanto, é essa ideia que sustenta os pequenos, os grandes, os bons e os maus apegos daqueles que a percebem e daqueles que não a percebem também.</p>
<p>Mas mesmo essa ideia é uma ilusão.</p>
<p>Na verdade, talvez vivamos em diferentes bolhas de sabão. A duração dessa bolha não importa. 10 segundos, 100 anos, que diferença faz para a idade de uma estrela?</p>
<p>Uma hora, a bolha estoura. E o ar que está fora da bolha é o mesmo que o que está dentro. E o mesmo que está dentro das outras bolhas que nos orbitam. E, surpresa, só há ar.</p>
<p>Mas isto já seria uma outra percepção.</p>
<p><br/><br/><a href="http://www.cracatoa.com.br/bolhas/">Bolhas</a></p>
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		<title>Raptor</title>
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		<comments>http://www.cracatoa.com.br/sou-seu-raptor/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 20 Jul 2010 02:00:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alessandro Martins</dc:creator>
				<category><![CDATA[Textos]]></category>
		<category><![CDATA[bandido]]></category>
		<category><![CDATA[forasteiro]]></category>
		<category><![CDATA[fotografias]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>
		<category><![CDATA[rapto]]></category>

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		<description><![CDATA[Sou seu raptor. Sou aquele que você esperou. Que então eu surgisse no meio da noite. Que eu então viesse, violentamente, e arrebatasse seu corpo sonolento para o escuro da madrugada. E levasse você a outro mundo cheio de portas, todas abertas. Sei que às vezes você quer fugir. Desenha paisagens onde morar. Cria um [...]<p><br/><br/><a href="http://www.cracatoa.com.br/sou-seu-raptor/">Raptor</a></p>
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Sou seu raptor.</p>
<p>Sou aquele que você esperou.</p>
<p>Que então eu surgisse no meio da noite.</p>
<p>Que eu então viesse, violentamente, e arrebatasse seu corpo sonolento para o escuro da madrugada.</p>
<p>E levasse você a outro mundo cheio de portas, todas abertas.</p>
<p>Sei que às vezes você quer fugir.</p>
<p>Desenha paisagens onde morar.</p>
<p>Cria um rosto que chama de amigo.</p>
<p>Sou esse rosto.</p>
<p>Sou o bandido que salta do papel para a vida.</p>
<p>E antes que possa reagir, seus pés já correm, guiados pelos meus, sua mão vem veloz, puxada pela minha.</p>
<p>Pois sou seu raptor, o forasteiro na rua principal.</p>
<p>E você não me opõe resistência.</p>
<p>Como a ave que caça, de longe vi você, fechei forte as minhas garras e nunca mais se ouviu falar de nós nessa cidadezinha de merda.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="size-full wp-image-1076 aligncenter" title="estemcrac8" src="http://www.cracatoa.com.br/wp-content/uploads/2008/12/estemcrac8.jpg" alt="" width="350" height="1700" /></p>
<p><strong>O projeto Eu Estive Em Cracatoa está desativado. Estou apenas republicando.</strong></p>
<p><br/><br/><a href="http://www.cracatoa.com.br/sou-seu-raptor/">Raptor</a></p>
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		<title>Como eu poderia amar você</title>
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		<comments>http://www.cracatoa.com.br/como-eu-poderia-amar-voce/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 19 Jul 2010 03:08:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alessandro Martins</dc:creator>
				<category><![CDATA[Textos]]></category>

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		<description><![CDATA[Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto. (Ausência, Vinicius de Moraes) Para Maísa Quero amar você, que nem conheço, como quem acrescenta, na mera e improvável possibilidade de amar. Não como quem preenche. [...]<p><br/><br/><a href="http://www.cracatoa.com.br/como-eu-poderia-amar-voce/">Como eu poderia amar você</a></p>
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><em>Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto.</em><br />
(Ausência, Vinicius de Moraes)</p>
<p style="text-align: right;">Para Maísa</p>
<p>Quero amar você, que nem conheço, como quem acrescenta, na mera e improvável possibilidade de amar. Não como quem preenche. Não como a casca de alegria que pressiona o núcleo de tristeza que hora ou outra vai implodir toda a estrutura arquitetada.</p>
<p>Pretendo adicionar coisas por dentro e por fora. Não só felicidades: admita imediatamente ao olhar nos meus olhos &#8211; que já são de outras eras &#8211; o nosso eventual desamparo. Não surpreenda-se comigo ou com coisas que você mesma já sabe.</p>
<p>Amar pode doer e exige músculo, pode desgastar os nervos. Nem sempre é uma ladeira coberta de grama que se desce às cambalhotas. Quase nunca. Às vezes é o aclive de pedras soltas. Lá em cima a paisagem talvez seja bonita. Mas siga como se paisagem não houvesse.</p>
<p>É preciso que essa história seja cheia de pequenas histórias. E, em cada uma delas, necessária é a insistência. Cada vez mais acredito que desistir é coisa de covardes, não dos meramente fracos. Como somos covardes, os humanos. Os humanos que não ousam e encobrem a covardia sob a máscara de uma bravura, que na verdade é teimosia, orgulho e apego aos próprios traumas. Fortes e gelatinosos somos.</p>
<p>Quero amar você com dor e prazer. Um prazer tão grande que até dói. Uma dor tão grande que é viva. Um cacto nas tripas.</p>
<p>Ensine-me, sem saber, seu silêncio e seu resguardo. Silêncio é bom, principalmente depois de espernear. Os contrastes são lindos.</p>
<p>Deixe eu ser feio, deixe eu ser melancólico, deixe eu chorar no filme, deixe eu ser assim, quase sempre sozinho. Pra que vez em quando você possa me ver bonito, satisfeito e, no espelho, acompanhado. Mas deixe eu chorar no filme. Todos os personagens são eu e ser muitos fere. Na tela, ando e desando.</p>
<p>Que eu seja não a tábua de salvação no meio do mar. Porém, mesmo você vendo a palavra perdição estampada em cada parte do meu corpo, você se agarre a mim, fincando as unhas, porque ainda assim, sabe que valerá a pena. Serei seu gosto e desgosto, as melhores e as piores lembranças. Exijo coragem.</p>
<p>Permita-me exigir coisas pois nunca quero exigir. Nem pedir. E se exijo e se peço e se rogo é algo acima do querer, é algo mais forte que eu, que me arranca as artérias pelo pescoço. Por favor, entenda que não tenho necessidades, mas às vezes tenho necessariedades incontroláveis. Torno-me, nessas horas, fraco e rochoso, seco e sem saber para onde rolar. E, se recusa essas coisas, são minhas artérias que recusa. Já não deu. Apaga-se tudo.</p>
<p>Vivo com muito pouco. Como pouco. Bebo pouco. Sem ser um roedor, estabeleço-me em pequenos espaços. Gostaria apenas de segundos de atenção e o espaço esquerdo ou direito na sua cama de casal. Nem precisa ser sempre. Não me mexo muito. Eventualmente, roubo a coberta.</p>
<p>Costumo perdoar punhaladas. Só tenho dificuldade com as dadas pelas costas, pois é difícil arrancar sozinho a lâmina ali cravada. Os braços não alcançam. Daí quase sempre essa mania de procurar o amparo de quem tenta me assassinar.</p>
<p>Gosto de mentir denunciando a própria mentira, como se a mentira &#8211; assim evidenciada &#8211; fosse mais perdoável. De qualquer forma, acreditar que a denúncia sim seja falsa é sempre um desejo de quem a declara e de quem a ouve. Acima de tudo, somos os únicos animais que têm esperança de que pequenas falsificações sejam verdadeiras. Por isso nos abaixamos para tomar o dinheiro, descaradamente forjado, no chão da praça. Somos biologia de brinquedo.</p>
<p>Quero te amar, por isso, sem esperança alguma. Quero que seja minha danação, o demônio em minha carne, a pobreza e as feridas de Jó. Se eu conseguir isso, tudo o que me der será bom.</p>
<p>Poderei até mesmo partir. Sem que partir, para mim ou para você, seja novamente uma dor.</p>
<p><br/><br/><a href="http://www.cracatoa.com.br/como-eu-poderia-amar-voce/">Como eu poderia amar você</a></p>
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		<title>Cracatoa destaca de 13.7.2010 a 18.7.2010</title>
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		<comments>http://www.cracatoa.com.br/cracatoa-destaca-de-13-7-2010-a-18-7-2010/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 18 Jul 2010 06:00:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alessandro Martins</dc:creator>
				<category><![CDATA[Indicações]]></category>
		<category><![CDATA[Arte]]></category>
		<category><![CDATA[capas]]></category>
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		<description><![CDATA[The Smiths e as belas capas de seus discos &#8211; Saiba a origem de cada uma delas Uma bela cr&#244;nica de super-mercado &#8211; Muito bem escrita, hist&#243;ria muito bem contada Tatuagens de criminosos conservadas em formol &#8211; The tattoo collection at the Department of Forensic Medicine at Jagiellonian University in Krakow, Poland consists of 60 [...]<p><br/><br/><a href="http://www.cracatoa.com.br/cracatoa-destaca-de-13-7-2010-a-18-7-2010/">Cracatoa destaca de 13.7.2010 a 18.7.2010</a></p>
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<ul>
<li><a href="http://freakshowbusiness.com/2009/02/14/the-smiths-e-as-belas-capas-de-seus-discos/">The Smiths e as belas capas de seus discos</a> &#8211; Saiba a origem de cada uma delas</li>
<li><a href="http://champ-vinyl.blogspot.com/2010/07/devidise.html">Uma bela cr&ocirc;nica de super-mercado</a> &#8211; Muito bem escrita, hist&oacute;ria muito bem contada</li>
<li><a href="http://www.foto8.com/new/online/photo-stories/1175-prison-tattoos">Tatuagens de criminosos conservadas em formol</a> &#8211; The tattoo collection at the Department of Forensic Medicine at Jagiellonian University in Krakow, Poland consists of 60 objects preserved in formaldehyde, a method devised by one of the experts employed by the Department at the turn of 20th century</li>
<li><a href="http://marketingnacozinha.com.br/2010/07/os-bastidores-do-fast-food/">Os bastidores do fast food</a> &#8211; Uma HQ que explica o que move tudo isso</li>
<li><a href="http://registrodissonante.blogspot.com/2010/07/show-de-rock-um-cliche.html">Show de rock, um clich&ecirc;</a> &#8211; Voc&ecirc; j&aacute; ouviu essa hist&oacute;ria. Agora leia. Muito bom</li>
</ul>
<p><br/><br/><a href="http://www.cracatoa.com.br/cracatoa-destaca-de-13-7-2010-a-18-7-2010/">Cracatoa destaca de 13.7.2010 a 18.7.2010</a></p>
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		<item>
		<title>Relacionamentos abertos</title>
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		<pubDate>Sat, 17 Jul 2010 07:04:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alessandro Martins</dc:creator>
				<category><![CDATA[Textos]]></category>

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		<description><![CDATA[Todos aqueles que porventura conheceram um casal com relacionamento aberto acabam por admirá-lo, por seu desprendimento, desapego e emoções bem resolvidas. Mas apenas os homens acabam demonstrando. Com entusiasmo de cachorrinho que acabou de ser solto da coleira. Não estou, naturalmente falando das exceções, mas da generalização. Acontece que a mulher, em geral (a partir [...]<p><br/><br/><a href="http://www.cracatoa.com.br/relacionamentos-abertos/">Relacionamentos abertos</a></p>
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Todos aqueles que porventura conheceram um casal com relacionamento aberto acabam por admirá-lo, por seu desprendimento, desapego e emoções bem resolvidas.</p>
<p>Mas apenas os homens acabam demonstrando.</p>
<p>Com entusiasmo de cachorrinho que acabou de ser solto da coleira.</p>
<p>Não estou, naturalmente falando das exceções, mas da generalização.</p>
<p>Acontece que a mulher, em geral (a partir daqui, vou parar de usar termos que demonstrem que se trata de uma generalização, supondo que o meu leitor é inteligente), acha admirável tal casal, mas não se relacionaria com o parceiro desse casal ainda que gostasse dele, uma vez que espera algo mais de um relacionamento, seja ele casual seja ele mais que isso, em diferentes graus. E, considerando que já existe um casal &#8211; ainda que um casal com um relacionamento dito aberto -, esse <em>mais </em>não é possível.</p>
<p>Isso passa por outras questões, por exemplo, não saber exatamente o que é esse <em>mais</em>, o que é suficiente e o que é mais que suficiente, mas isso seria assunto para outro texto.</p>
<p>Por outro lado, geralmente (eu disse que não usaria mais termos desse tipo, não é? menti), os homens vem nas mulheres que compõem casais de relacionamento aberto mais uma oportunidade de experimentar o sexo com uma parceira com a qual supostamente (em suas cabeças ocas) não terão um tipo de comprometimento emocional.</p>
<p>Indo mais longe, alguns, casados ou envolvidos em outras modalidades de relacionamentos fechados, vão à maneira dos mitomaníacos jurar para si mesmos que tem sim relacionamentos abertos. E acreditar! Embora sua esposa não saiba disso e, pelamordedeus, que jamais venha a saber.</p>
<p>Quanto a esses, cada casal se comporta eticamente à sua maneira, mas o  que se pode se esperar de uma dupla que decidiu conviver honestamente,  sem esconder sequer pensamentos um do outro, de alguém que prefere viver de outro  modo, de um modo quase oposto a isso? É o óleo sobre a água pura.</p>
<p>Curiosamente, algumas mulheres de personalidade mais frágil (em geral, em geral! você não e nem suas amigas e nem suas parentas!) vão se interessar em se relacionar com essa categoria de homem, pois nele veem a possibilidade daquele <em>mais, </em>pois embora fincado na mentira o novo relacionamento se sustenta também no desmoranamento do outro que essa própria mentira atesta.</p>
<p>O homem que vive em relacionamento aberto, por outro lado, agiria com mais correção &#8211; de acordo com essas normas sociais &#8211; se também mentisse, dizendo que não, não tem nenhum relacionamento em andamento e que, a exemplo do outro, revelasse-o mais tarde, quando a pequena estivesse em suas mãos. Pois, comportando-se com a verdade, ele tira a expectativa do <em>mais</em>. A verdade pode assustar quem se compromete com ela e quem a observa em ação.</p>
<p>Mentir é o comportamento do canalha. O canalha, normalmente, vê assim no relacionamento aberto a oportunidade de ser apenas meio-canalha, como se houvesse vantagem em ter de se safar apenas de meio problema. Esse também costuma agir ocultando da parceira, aquela que de fato tem um relacionamento aberto, que tem um relacionamento fechado.</p>
<p>Existem também relacionamentos abertos em que o homem está muito satisfeito com suas inúmeras parceiras, mas quando depara com a possibilidade de sua companheira ter outro relacionamento além do dele, passa a agir de maneira diferente daquela com que espera que ela aja em relação a ele.</p>
<p>Há também o mito de que é possível relacionamentos abertos em que a emoções e sentimentos não estejam envolvidos. Meus amigos, minhas amigas: não somos robôs. Se você espera que seu parceiro ou sua parceira se relacione com alguém pelo qual não nutra a mínima afeição, sinceramente, espero que ela ou ele encontre alguém melhor e não estou me referindo ao outro e à outra. Se você acha que tudo se baseia no &#8220;lavou-tá-novo&#8221;, prepare-se para grandes momentos de decepção. Você não entendeu nada.</p>
<p>Também poderíamos pensar sobre o que diz respeito ao casal e ao que diz respeito a cada um dos seres que o compõe e qual o direito de cada uma dessas 3 entidades (o casal e os dois seres) se meterem individualmente nas relevâncias que não lhes dizem.</p>
<p>Assim, nesses meus 37 anos em que experimentei alguns tipos de relacionamentos dentre os infinitos possíveis posso dizer que vi poucos relacionamentos realmente abertos, pois um relacionamento realmente <strong>aberto </strong>exige um casal verdadeiramente <strong>fechado </strong>em suas convicções éticas.</p>
<p>Mais uma vez, faço o necessário friso de que tudo o que escrevi acima é uma generalização (embora saiba que o(a) leitor(a) é inteligente, quero que você saiba que nem todos os que aparecem aqui são meus leitores). Em muitos casos, onde escrevi homem pode ser lido mulher e onde escrevi mulher pode ser lido homem. Também acho que talvez se aplique a casais do mesmo sexo ou mesmo a outros tipos de casais dos quais ainda nem ouvimos falar com tanta frequência.</p>
<p>Outro adendo importante: o relacionamento aberto é apenas um conceito e certamente quando damos um nome a um conceito as pessoas preenchem essas palavras com todas as suas expectativas boas e más, boa parte das vezes equivocadas. Ele é apenas uma de inúmeras opções que temos para interagir afetivamente com outras pessoas. Cada um deve buscar a sua modalidade, aberta, fechada, feijão com arroz, colorida&#8230; não importa. Não existe<strong> a melhor</strong>: existe a sua.</p>
<p>Como não sou autoridade no delicado assunto, abro os debates.</p>
<h3>Quer saber mais sobre isso?</h3>
<ul>
<li><a href="http://swasthya.marcocarvalho.com/o-que-e-um-relacionamento-aberto/">Recomendo a leitura do artigo do meu amigo Marco Carvalho sobre relacionamentos abertos</a></li>
</ul>
<p><br/><br/><a href="http://www.cracatoa.com.br/relacionamentos-abertos/">Relacionamentos abertos</a></p>
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		<title>Velho</title>
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		<pubDate>Sat, 17 Jul 2010 02:11:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alessandro Martins</dc:creator>
				<category><![CDATA[Textos]]></category>

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		<description><![CDATA[Aos 17 anos eu me sentia com 17 anos. Aos 18, uma coisa engraçada aconteceu. Pois eu continuava a me sentir como se tivesse 17 anos. E aos 19. Aos 20. Aos 30. E, agora, prestes a completar 37. Durante muito tempo imaginei que fosse a permanência da adolescência em mim. Hoje, rolando na cama, [...]<p><br/><br/><a href="http://www.cracatoa.com.br/velho/">Velho</a></p>
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Aos 17 anos eu me sentia com 17 anos.</p>
<p>Aos 18, uma coisa engraçada aconteceu.</p>
<p>Pois eu continuava a me sentir como se tivesse 17 anos.</p>
<p>E aos 19. Aos 20. Aos 30. E, agora, prestes a completar 37.</p>
<p>Durante muito tempo imaginei que fosse a permanência da adolescência em mim.</p>
<p>Hoje, rolando na cama, esbarrei com um pensamento.</p>
<p>Na verdade, é que desde aquela época sou velho. Velho, não idoso.</p>
<p>Então, desde o tempo em que algo em mim envelheceu, como envelhecem as pedras, que ainda assim rolam nos rios, sinto-me com a mesma idade.</p>
<p>Sempre terei uma aparência e um comportamento mais jovial do que os anos que realmente, deste os 17, tenho.</p>
<p>Sei que vivemos uma época (desde os gregos? desde antes?) em que a juventude é cultivada. Por isso, do alto dos meus sei lá quantos anos, do alto da sabedoria adquirida dos milênios vendo as montanhas crescerem e as estrelas morrerem, se você tem algum problema com o fato de eu ser velho (mesmo aos 37), com uma voz repleta de paciência e bondade eu lhe digo:</p>
<p>- Foda-se.</p>
<p><br/><br/><a href="http://www.cracatoa.com.br/velho/">Velho</a></p>
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		<title>Câmera</title>
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		<pubDate>Fri, 16 Jul 2010 03:59:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alessandro Martins</dc:creator>
				<category><![CDATA[Textos]]></category>

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		<description><![CDATA[Gostaria de que, no tempo em que passássemos juntos, pudesse fotografar não com uma câmara digital, que revela tudo na hora, mas com uma analógica. Assim, talvez, os momentos irrevelados talvez pudessem ficar assim irrevelados. Talvez, por outro lado, ao serem revelados &#8211; se essa fosse a vontade &#8211; pudessem ser descobertos &#8211; momentos depois [...]<p><br/><br/><a href="http://www.cracatoa.com.br/camera/">Câmera</a></p>
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Gostaria de que, no tempo em que passássemos juntos, pudesse fotografar não com uma câmara digital, que revela tudo na hora, mas com uma analógica.</p>
<p>Assim, talvez, os momentos irrevelados talvez pudessem ficar assim irrevelados.</p>
<p>Talvez, por outro lado, ao serem revelados &#8211; se essa fosse a vontade &#8211; pudessem ser descobertos &#8211; momentos depois &#8211; outros momentos, que não chegamos a perceber, dentro dos momentos que de fato vivemos.</p>
<p><br/><br/><a href="http://www.cracatoa.com.br/camera/">Câmera</a></p>
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		<title>Um tema gasoso: o peido</title>
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		<comments>http://www.cracatoa.com.br/um-tema-gasoso-o-peido/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 15 Jul 2010 13:48:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alessandro Martins</dc:creator>
				<category><![CDATA[Textos]]></category>

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		<description><![CDATA[O tema sobre o qual gostaria de falar agora é gasoso. Gasoso e delicado, eu diria. E, como tal, não há como falar dele com muitos rodeios. O tema é o peido. A palavra é feia, o som é feio e o cheiro nauseabundo. Aliás, creio que a palavra nauseabundo foi criada depois de um. [...]<p><br/><br/><a href="http://www.cracatoa.com.br/um-tema-gasoso-o-peido/">Um tema gasoso: o peido</a></p>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>O tema sobre o qual gostaria de falar agora é gasoso.</p>
<p>Gasoso e delicado, eu diria.</p>
<p>E, como tal, não há como falar dele com muitos rodeios.</p>
<p>O tema é o peido.</p>
<p>A palavra é feia, o som é feio e o cheiro nauseabundo. Aliás, creio que a palavra nauseabundo foi criada depois de um.</p>
<p>Estou certo de que se um peido fosse uma entidade visível ele seria algo horrível que, quando visto, tiraria o sono das pessoas durante noites seguidas.</p>
<p>Se você come, inevitavelmente você tem peidos dentro de si, em maior ou menor quantidade. Isso é mais certo do que ter ética dentro de si. Nem todos tem ética, mas certamente todos, inclusive os éticos, tem peidos.</p>
<p>O potencial destrutivo dos aromas dessa nossa propriedade (ou maldição) mamífera, no entanto, dependem de vários fatores. Por exemplo, dos alimentos e das combinações entre eles que, através das reações químicas, gerarão mais ou menos volume de gases e <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Sulfeto_de_hidrog%C3%AAnio">sulfeto de hidrogênio</a>. Tal sulfeto &#8211; como o nome sugere é composto de enxofre &#8211; é substância que caracteriza o odor dos peidos nas notas de cabeça, nas notas de coração e, sobretudo, nas notas de fundo, como talvez concorde algum leitor perfumista.</p>
<p>Algum demonologista também há de concordar: enxofre só passou a ser coisa do capeta depois que conseguiram ligar essa substância à flatulência humana e animal. Não tem nada a ver com vulcões e que tais.</p>
<p>Tanto mais rica for sua dieta em enxofre &#8211; alimentos como ovos, couve-flor e cebolas &#8211; mais poderoso será seu peido. Alguns alimentos, como feijões, produzem gases, mas eles não são capazes de produzir sulfeto de hidrogênio em quantidade suficiente.</p>
<p>Mas, surpresa, a maior parte dos gases responsáveis pelo volume de flatos que o indivíduo vai emitir durante a sua vida é de responsabilidade do ar que ele ingere enquanto come. Portanto, se você come de boca aberta, se você come muito rápido ou se você fala enquanto come, é grande candidato a peidorrento (outra palavra horrosa, mas de grande efeito quando se quer xingar alguém).</p>
<p>Quantos homens e mulheres perderam uma noite inteira de sono por causa disso. Imagine. Encontro, jantar, trepada. Trepada que garante a devida mistura dos elementos. Finalmente, os dois na cama temerosos de cair no sono e, com os músculos, incluindo os esfíncteres, devidamente relaxados, soltar um sonoro e odorífero peido.</p>
<p>Ainda que o seu não tenha cheiro algum &#8211; suponhamos que você não como ovos ou cebolas &#8211; o som é algo muito característico e patético. E, por outro lado, dizem que os mais silenciosos são os mais facilmente confundíveis com a guerra química (como se acústica estivesse ligada de alguma forma aos efeitos olfativos).</p>
<p>Isso sem falar no medo do erro de julgamento. Sim o sujeito pensa que é apenas gás, mas trata-se do caminhão inteiro de entrega a domicílio. Fatal quando não se está em casa.</p>
<p>O fato é que me admira que a esta altura de evolução tecnológica ainda não tenham inventado algum modo de tornar os peidos mais agradáveis. Para quem os emite e para quem, hoje, ainda tem o desprazer de testemunhá-los. Sim, o indivíduo toma uma pílula e instantaneamente e durante 24 horas, seus flatos terão odores de rosa, jasmim ou, quem sabe, de algo mais másculo.</p>
<p>Eu, aliás, fico pensando por que afinal desde o início da evolução os tais não poderiam ter tido um odor menos deplorável.</p>
<p>- Ora &#8211; dirá um sabichão -, porque aí acabaríamos comendo merda.</p>
<p>Mas, meu caro, nem tudo o que cheira bem eu tenho vontade de comer. De outra forma, estaríamos aí com a cara enfiada nos canteiros dos floristas e a beber perfume. Ainda que algumas pessoas façam isso (ou coisa pior), são a famosa exceção confirmadora da regra.</p>
<p>Porém, sendo assim, temos que nos dar por felizes. Afinal, evoluímos de tal modo que um bocejo é contagiante. Ao ver ou ouvir um todos bocejam. Talvez ao ler a palavra bocejo você tenha bocejado. Mas o peido não. O peido não é contagiante. Pois aí sim, eu lhe garanto, teríamos problemas.</p>
<p><br/><br/><a href="http://www.cracatoa.com.br/um-tema-gasoso-o-peido/">Um tema gasoso: o peido</a></p>
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		<title>Ficar sem bolso</title>
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		<pubDate>Thu, 15 Jul 2010 13:05:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alessandro Martins</dc:creator>
				<category><![CDATA[Textos]]></category>

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		<description><![CDATA[Uma das meninas mais legais e criativas com quem já tive o prazer de namorar inventou uma expressão ótima: ficar sem bolso. Ela é aplicável àquelas situações em que, de fato, ficamos sem bolso. É como ficar sem chão, mas mais humano. Pois, diferentemente de ficar sem chão, é facilmente imaginável o que acontece quando [...]<p><br/><br/><a href="http://www.cracatoa.com.br/ficar-sem-bolso/">Ficar sem bolso</a></p>
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Uma das meninas mais legais e criativas com quem já tive o prazer de namorar inventou uma expressão ótima: ficar sem bolso.</p>
<p>Ela é aplicável àquelas situações em que, de fato, ficamos sem bolso.</p>
<p>É como ficar sem chão, mas mais humano. Pois, diferentemente de ficar sem chão, é facilmente imaginável o que acontece quando ficamos sem bolsos e, portanto, sem saber onde colocar as mãos.</p>
<p>Não como um desenho animado. Como quando o coiote dá tchauzinho antes de cair pelo desfiladeiro. Ficar sem chão é para tragédias e grandes revelações. Ficar sem bolso é para o dia a dia.</p>
<p>No inverno, no entanto, sofremos da síndrome do excesso de bolsos. Nunca sabemos em quais deles, de tantas blusas e jaquetas, colocamos a carteira, o celular, as chaves.</p>
<p>A coisa que procuramos não só não está em nenhum deles em que apalpamos, como tarados a se autobolinar, como deve estar justamente naquele do qual nem lembramos a existência.</p>
<p>No verão, ao contrário, sofremos da síndrome da falta de bolsos. Aí precisamos atulhar todas as coisas nos poucos e apertados bolsos da calça ou contar com a ajuda, no caso de sorte no amor, da bolsa da namorada.</p>
<p>Mas o sem bolso de que falava aquela menina que inventou a expressão é outro.</p>
<p>É aquele sem bolso que sentimos mesmo no inverno, quando estamos repletos deles, e nossas mãos parecem dois seres estrangeiros a procurar a pátria onde pátria não há.</p>
<p>Ficar sem bolso é ficar assim meio sem jeito. Porque o bolso, às vezes, é onde enfiamos nossa cara.</p>
<p><br/><br/><a href="http://www.cracatoa.com.br/ficar-sem-bolso/">Ficar sem bolso</a></p>
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		<title>Cracatoa destaca de 22.6.2010 a 9.7.2010</title>
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		<pubDate>Fri, 09 Jul 2010 16:01:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alessandro Martins</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Japão, um país estranho &#8211; Um vídeo feito por, é bom lembrar, um japonês Revista Sorria: leia e ajude! /via @revistasorria &#8211; O valor da venda, descontados os impostos, é 100% doado ao GRAACC Veja agora um fan film incrível de Batman &#8211; O curta-metragem Batman: City of Scars, completo até com uma narração totalmente [...]<p><br/><br/><a href="http://www.cracatoa.com.br/cracatoa-destaca-de-22-6-2010-a-9-7-2010/">Cracatoa destaca de 22.6.2010 a 9.7.2010</a></p>
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			<content:encoded><![CDATA[<ul>
<li><a href="http://www.moshimoshi.com.br/2010/07/japao-um-pais-estranho.html">Japão, um país estranho</a> &#8211; Um vídeo feito por, é bom lembrar, um japonês</li>
<li><a href="http://revistasorria.com.br/site/">Revista Sorria: leia e ajude! /via @revistasorria</a> &#8211; O valor da venda, descontados os impostos, é 100% doado ao GRAACC</li>
<li><a href="http://jovemnerd.ig.com.br/jovem-nerd-news/cinema/veja-agora-fan-film-incrivel-de-batman/">Veja agora um fan film incrível de Batman</a> &#8211; O curta-metragem Batman: City of Scars, completo até com uma narração totalmente Noir</li>
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		<title>Os cento e um loucos nomes do amor</title>
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		<pubDate>Wed, 07 Jul 2010 03:50:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alessandro Martins</dc:creator>
				<category><![CDATA[Textos]]></category>

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		<description><![CDATA[Alguns, de estrupícios de feira, transformam-se em heróis de bolero. Outros largam a batina. Uns mudam de horário e chegam atrasados, dia sim, dia não. Tem aqueles que se jogam da ponte e se arrependem no meio do caminho. O que sai do emprego. O que arranja um emprego. O que abandona tudo. E um [...]<p><br/><br/><a href="http://www.cracatoa.com.br/os-cento-e-um-loucos-nomes-do-amor/">Os cento e um loucos nomes do amor</a></p>
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Alguns, de estrupícios de feira, transformam-se em heróis de bolero.</p>
<p>Outros largam a batina.</p>
<p>Uns mudam de horário e chegam atrasados, dia sim, dia não.</p>
<p>Tem aqueles que se jogam da ponte e se arrependem no meio do caminho.</p>
<p>O que sai do emprego.</p>
<p>O que arranja um emprego.</p>
<p>O que abandona tudo.</p>
<p>E um que nunca teve nada, mas comprou um buquê e mandou entregar.</p>
<p>Uns não fazem coisa alguma, pensando em fazer tudo. Ainda assim, calam e escutam, embora as palavras sempre ganhem formas inesperadas, mais próximas de seus desejos.</p>
<p>Tem um que, largado na vida, nada mais fez que se agarrar, como o galho à deriva se prende à curva do rio, com outros tantos galhos emaranhados.</p>
<p>Outro beijou a mulher, os filhos, foi embora e nunca mais voltou.</p>
<p>Há o abandonado que vê a amada todo dia. Mas escondido.</p>
<p>E também o que não esconde nem as vistas nem os sentimentos. Destes há os com esperanças e os sem, em maior e menor grau, de acordo com a temperatura, a luminosidade do dia e a pressão barométrica.</p>
<p>Tudo é uma questão de clima às vezes. Às vezes, faça chuva, faça sol, não importa, é a mesma coisa.</p>
<p>Tudo, às vezes, é uma questão de ar, como se respirar dependesse de alguém. De fato, uns morrem asfixiados. Outros renascem, tal fosse o primeiro alento.</p>
<p>Diversos terminam em tragédia.</p>
<p>E outros, desta tragédia, fazem uma maior, numa sucessão bíblica de cataclismos. Até o fim, seguem como se a vida fosse um barranco.</p>
<p>Existem os que, de um fim, com paciência reconstroem a casa em outras paragens. E os que empilham as pedras no exato mesmo lugar, com boas e más arquiteturas.</p>
<p>Não faltam os que se sujeitam a humilhações. Embora haja os que aguentam tudo, menos isso.</p>
<p>Os grandiosos que se dão a fazer palácios gigantescos para a que virá ou para a que está ou para a que já foi. De pedras, sempre se pode fazer ou muros ou paredes. Ou pontes.</p>
<p>Tem o patético que bebe até cair, não consegue esquecer e morre de dor de cabeça.</p>
<p>O que atravessa o rio a nado pra ver se encontra um tesouro, alguma coisa, e resgata um pneu.</p>
<p>O que atravessa o rio a nado e, do outro lado, já esqueceu. E volta de costas.</p>
<p>O que beijou no cinema e nunca mais esqueceu e evita a trilha sonora, como se aquelas notas fossem a manifestação sonora do Cão.</p>
<p>Como esse, alguns deixam de ir a lugares só para não lembrar. Pois nos lugares, mais que os beijos, mais que as palavras há &#8211; houve &#8211; os olhares.</p>
<p>Os que jogam a louça fora infestam o mundo. Pois na louça, em certa manhã, se bebeu à vida.</p>
<p>Tem os que entristecem quando o sol entra pela janela de seu quarto em determinado ângulo, com determinado calor, pois foi sob aqueles raios, vindos daquela estrela a milhões de quilômetros, que certos olhos brilharam para os seus.</p>
<p>Mas quando garoa é pior.</p>
<p>Tem quem não agüente fim de semana.</p>
<p>Tem quem prefira.</p>
<p>Os que não amarram mais o cadarço, em desmazelo. E, na seqüência, desistem de andar simplesmente, escorrendo para a calçada e mendigando.</p>
<p>Há os que acham que vão morrer mas acabam numa boa e os que no melhor da vida se dão a jogos perigosos, como se não mais se importassem.</p>
<p>Mas, finalmente, há os que &#8211; talvez de tanto tentar, talvez por talento, talvez por sorte mesmo &#8211; conseguem ser felizes, ainda que debaixo da ponte ou no conforto de uma lareira.</p>
<p>Sim, esses também há.</p>
<p>Enfim.</p>
<p>Há de tantos tipos que sei lá se cabe chamar algo tão único em sua variedade com um nome só.</p>
<p>Talvez cada variedade merecesse o nome de sua vítima.</p>
<p><br/><br/><a href="http://www.cracatoa.com.br/os-cento-e-um-loucos-nomes-do-amor/">Os cento e um loucos nomes do amor</a></p>
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		<title>Para quando Maradona estiver triste</title>
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		<pubDate>Mon, 05 Jul 2010 12:04:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alessandro Martins</dc:creator>
				<category><![CDATA[Textos]]></category>

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		<description><![CDATA[Uma das passagens mais memoráveis dos quadrinhos, para mim pelo menos, é de uma historinha do Pateta. Permita-me contá-la mais ou menos como lembro dela, já avisando que, como convém, a lembrança é um pouco diferente do original, mas que o ponto a que quero chegar está preservado: Pateta comprara uma casa cujo jardim estava [...]<p><br/><br/><a href="http://www.cracatoa.com.br/para-quando-maradona-estiver-triste/">Para quando Maradona estiver triste</a></p>
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Uma das passagens mais memoráveis dos quadrinhos, para mim pelo menos, é de uma historinha do Pateta. Permita-me contá-la mais ou menos como lembro dela, já avisando que, como convém, a lembrança é um pouco diferente do original, mas que o ponto a que quero chegar está preservado:</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.cracatoa.com.br/wp-content/uploads/2010/07/goofy15.gif"><img class="size-full wp-image-1912 aligncenter" title="goofy15" src="http://www.cracatoa.com.br/wp-content/uploads/2010/07/goofy15.gif" alt="" width="325" height="303" /></a></p>
<p>Pateta comprara uma casa cujo jardim estava muito mal cuidado.</p>
<p>Mato por todo o lado.</p>
<p>Mal se mudara, os vizinhos já começaram a olhar torto e a fazer comentários sobre o desmazelo do proprietário.</p>
<p>Ora, ele tinha acabado de adquirir a casa. Não tinha culpa e mal tivera tempo de arrumar a propriedade. As pessoas, porém, não se importavam em dizer que aquele era o quintal mais sujo e feio que já tinham visto na vida bem na frente do novo vizinho, como se ele tivesse morado ali nas últimas décadas.</p>
<p>Tudo o que ele desejava era ser querido por seus vizinhos e, tão logo chegou o fim de semana, pediu ajuda para seu amigo Mickey e, juntos, começaram a dar um jeito naquela bagunça.</p>
<p>Arrumaram canteiros aqui, cortaram a grama ali e plantaram flores acolá.</p>
<p>A surpresa se deu quando, ao capinar o mato mais alto do jardim, descobriram que sob aquilo tudo havia uma fonte. Uma fonte com peixinhos que cuspiam água e com uma pequena queda que poderia ser acionada para tornar o jardim, agora limpo, ainda mais bonito.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.cracatoa.com.br/wp-content/uploads/2010/07/fonte.gif"><img class="size-full wp-image-1913 aligncenter" title="fonte" src="http://www.cracatoa.com.br/wp-content/uploads/2010/07/fonte.gif" alt="" width="400" height="374" /></a></p>
<p>No dia seguinte, quando as pessoas iam para o trabalho, Pateta fico a postos para observar as reações ao seu jardim &#8211; agora limpo &#8211; e à fonte recém-descoberta.</p>
<p>Elas detestaram. Acharam a fonte horrível e, embora o quintal estivesse limpo, agora só viam a fonte que, para o gosto daquela gente, era terrível.</p>
<p>Mickey chega a tempo de encontrar seu amigo com a cabeça sob a pequena queda d&#8217;água, a enxarcar-se.</p>
<p>- O que está fazendo, amigão?</p>
<p>- Estou com a cabeça debaixo da água para ninguém perceber que estou chorando.</p>
<p>Não dá para agradar todo o mundo. Às vezes não dá para agradar ninguém.</p>
<p>Certa vez, eu tinha passado a manhã com meu pai em seu trabalho. Voltáramos de ônibus, pois embora tivéssemos carro, um fusca vermelho, não tínhamos dinheiro para a gasolina na época.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.cracatoa.com.br/wp-content/uploads/2010/07/FUSCA-VERMELHO.jpg"><img class="size-full wp-image-1914 aligncenter" title="FUSCA VERMELHO" src="http://www.cracatoa.com.br/wp-content/uploads/2010/07/FUSCA-VERMELHO.jpg" alt="" width="400" height="300" /></a></p>
<p>Então íamos a pé, nós dois, pai e filho, pela rua que ligava o ponto do ônibus até a nossa casa. Uma imagem suburbana de Curitiba. O pai voltando para casa com o filho, os dois prestes a fazer a próxima refeição &#8211; arroz, feijão e picadinho &#8211; preparada pela avó (a mãe trabalhava também).</p>
<p>Vou supor, para efeitos dramáticos, que era o ano de 86, o da Copa do Mundo do México, embora não tenha certeza.</p>
<p>Eu tinha então 12 anos e estava na sexta-série do que, na época, era chamado de ginásio. Meu pai, 36 (minha idade hoje).</p>
<p>Falávamos sobre, é claro, o mundial de futebol. De repente, vem à nossa conversa um personagem qualquer.</p>
<p>Vou supor, para efeitos dramáticos, que era o jogador Maradona, embora tenha quase certeza de que não era pois tenho a impressão de que seus problemas com drogas ainda não tinham se tornado públicos.</p>
<p>De qualquer maneira, poderia ser qualquer um dentre todas as personalidades que já tiveram problemas com drogas. Você sabe, celebridades desse tipo nunca mudam e são todas iguais.</p>
<p>Certo? Concorda comigo?</p>
<p><a href="http://www.cracatoa.com.br/wp-content/uploads/2010/07/Maradona_1981.jpg"><img class="size-full wp-image-1915 aligncenter" title="Maradona_1981" src="http://www.cracatoa.com.br/wp-content/uploads/2010/07/Maradona_1981.jpg" alt="" width="400" height="302" /></a></p>
<p>E foi o que eu disse quando a questão das drogas e o nome Maradona vieram à discussão.</p>
<p>- Essa gente nunca mais muda e são todos iguais.</p>
<p>O que eu esqueci foi que.</p>
<p>Meu.</p>
<p>Pai.</p>
<p>Tinha.</p>
<p>Acabado.</p>
<p>De.</p>
<p>Sair.</p>
<p>Da.</p>
<p>Reabilitação.</p>
<p>Por.</p>
<p>Abuso.</p>
<p>De.</p>
<p>Drogas.</p>
<p>- Então é isso o que você pensa?</p>
<p>Disse ele.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.cracatoa.com.br/wp-content/uploads/2010/07/comandantemaradona.jpg"><img class="size-full wp-image-1916 aligncenter" title="comandantemaradona" src="http://www.cracatoa.com.br/wp-content/uploads/2010/07/comandantemaradona.jpg" alt="" width="300" height="250" /></a></p>
<p>Não vou escrever o que respondi, pois não lembro. Talvez tenha tentado emendar o soneto. Talvez tenha ficado quieto.</p>
<p>Meu pai não era uma celebridade. Meu pai nunca jogou bola bem. Meu pai tinha um trabalho de meia-boca no serviço público.</p>
<p>Até onde sei, daquele ano em diante nunca mais teve problemas com drogas ou com qualquer outra coisa até o dia de sua morte.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.cracatoa.com.br/wp-content/uploads/2010/07/Picture0006.jpg"><img class="size-full wp-image-1919 aligncenter" title="Picture0006" src="http://www.cracatoa.com.br/wp-content/uploads/2010/07/Picture0006.jpg" alt="" width="406" height="302" /></a></p>
<p>(esses aí em cima: eu e meu pai)</p>
<p>O fato é que nem sempre você consegue agradar todo o mundo.</p>
<p>Às vezes nem o seu filho, que se revela nos resvalos das palavras. Nessas horas, às vezes o melhor é colocar a cabeça sob a água para ninguém perceber que você está chorando.</p>
<p>- Então é isso o que você pensa?</p>
<p>Disse meu pai. Sem chorar.</p>
<p>Essas palavras foram mais duras que qualquer surra que ele pudesse me dar. Eu ainda as ouço.</p>
<p>Quando vi a Argentina ser desclassificada de um jeito tão catastrófico e ouvi algumas pessoas comemorando por aqui de um jeito tão infeliz (toda comemoração pela derrota alheia é infeliz), lembrei-me da Copa de 82, quando o Brasil tinha um time que jogava de um jeito tão ou mais (provavelmente, para efeitos dramáticos, mais) expansivo que o argentino deste ano.</p>
<p>Zico, Falcão, Júnior, Sócrates e outros foram personagens de minha infância. Não eram atletas, eram heróis gregos. Estavam acima da bandeira de qualquer multinacional de artigos esportivos. E as camisetas eram de algodão.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.cracatoa.com.br/wp-content/uploads/2010/07/zico.jpg"><img class="size-full wp-image-1917 aligncenter" title="zico" src="http://www.cracatoa.com.br/wp-content/uploads/2010/07/zico.jpg" alt="" width="350" height="281" /></a></p>
<p>(Maldito seja Paolo Rossi, maldito seja, pelas duas horas que fiquei berrando sob a mesa da sala, dizendo que você não passaria no exame anti-dopping, que o jogo seria anulado, e de um jeito tal que meus pais pensaram em me levar para emergência médica para curar algo que até hoje não foi curado)</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.cracatoa.com.br/wp-content/uploads/2010/07/PaoloRossi_dc_g.jpg"><img class="size-full wp-image-1918 aligncenter" title="PaoloRossi_dc_g" src="http://www.cracatoa.com.br/wp-content/uploads/2010/07/PaoloRossi_dc_g.jpg" alt="" width="205" height="345" /></a></p>
<p>A saída melancólica e humilhante da Argentina desta Copa do Mundo de  2010 acabou me lembrando de todas essas histórias.</p>
<p>E, de repente, percebi que, bem ou mal, Maradona deixou de ser um jogador ou um técnico argentino. E passou a ser um desses personagens da minha infância, alguém com dimensões míticas, não porque o noticiário diz que assim ele o é, mas porque eu assim o percebo.</p>
<p>Ele deixa de fazer parte desse ou daquele país e passa a fazer parte de um território chamado minha memória. Para mim e para tantos outros. E quando algo faz parte desse território, é como se fizesse parte de um órgão vital que não está nos manuais de anatomia, porém sem o qual você não é você.</p>
<p>Se você não o tem, você não é nada. Se você não o valoriza e não cuida dele, mais próximo de ser nada você está.</p>
<p>Se você fez pouco desse time que há pouco perdeu por 4 a 0 da Alemanha, é bom lembrar que é difícil agradar todo o mundo. Para muitos, 4 e 0 não são números, mas uma conveniência.</p>
<p>Às vezes você não agrada ninguém e números, que normalmente não tem nenhum sentido emocional, passam a ser isso: convenientes.</p>
<p>Torço agora não para times, mas para que todos nós tenhamos por perto uma fonte. Para quando os números forem convenientes, para quando nosso time perder o campeonato, para quando fizerem pouco de nossas lembranças mais preciosas, para quando dissermos algo que não deveríamos ter dito a alguém que amamos ou até para quando Maradona estiver triste.</p>
<p>Assim, quando for preciso, teremos onde colocar nossas cabeças e esconder nossas lágrimas.</p>
<p><br/><br/><a href="http://www.cracatoa.com.br/para-quando-maradona-estiver-triste/">Para quando Maradona estiver triste</a></p>
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		<title>Penso em você, Miss I’m Waiting For You Forever</title>
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		<comments>http://www.cracatoa.com.br/penso-em-voce-miss-im-waiting-for-you-forever/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 04 Jul 2010 03:50:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alessandro Martins</dc:creator>
				<category><![CDATA[Textos]]></category>

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		<description><![CDATA[Às mulheres que esperam. Ela está debruçada na janela do aeroporto e nenhum dos aviões que toca o solo é aquele que espera. As portas se abrem, os passageiros descem e vão atrás de suas malas. E, no portão onde abraços se fecham e sorrisos se abrem, Miss I’m Waiting For You Forever é só [...]<p><br/><br/><a href="http://www.cracatoa.com.br/penso-em-voce-miss-im-waiting-for-you-forever/">Penso em você, Miss I&#8217;m Waiting For You Forever</a></p>
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Às mulheres que esperam.</em></p>
<p>Ela está debruçada na janela do aeroporto e nenhum dos aviões que toca o solo é aquele que espera. As portas se abrem, os passageiros descem e vão atrás de suas malas. E, no portão onde abraços se fecham e sorrisos se abrem, Miss I’m Waiting For You Forever é só olhos compridos para as portas que nada revelam.</p>
<p>No restaurante, ela pediu mesa pra dois e o garçom mais uma vez pergunta se ela deseja fazer o seu pedido. E a mesa é pra dois, uma cadeira apenas está ocupada e o apetite é nenhum. Mais um drinque colorido, por favor, ou um daqueles transparentes com uma azeitona dentro. Qualquer coisa que dure quinze minutos. É o que ela pede, então, quando o garçom mais uma vez pergunta. E a bebida dura não quinze, mas dez minutos, e, por isso, ela pede mais uma.</p>
<p>Miss I’m Waiting For You Forever sabe que ela é dele e ele um dia há de ser dela. E o primeiro beijo, depois de um longo intervalo sem que seus lábios tenham se encontrado, será em alguma lanchonete de mesa de fórmica riscada e assentos acolchoados vermelhos. Talvez inesperadamente no cinema, talvez durante um passeio de mãos dadas no parque, o sol de fim de tarde, o vento frio de inverno, cachecóis que se confundem e pálpebras cerradas.</p>
<p>I saw you in a dream last night diz para si mesma Miss I’m Waiting For You Forever, mas não havia parque, sol, tarde, inverno, cachecóis e nem mesmo lábios e olhos. Havia um cara que partia e do qual ela só via as costas. Havia nevoeiro e dissolução, como se fosse Londres ou lugar algum. Havia um sentimento sólido que prendia seus pés, um sentimento, uma cola que a impedia de correr e se agarrar naquelas pernas que partiam. Don’t go, don’t go, my love, se depois você ainda terá que voltar, não há por que ir. Poupe-nos da mútua ausência.</p>
<p>Distância é algo que às vezes mede 14 mil quilômetros. Distância é algo que às vezes mede meio metro. Distância é o nome que se dá a algo que afasta e também a algo que não é capaz de afastar duas pessoas que se sentem juntas e, por isso, não é distância. Essa garota não consegue distingüir entre as duas. De fato, como separá-las se entre apartar e apertar há apenas uma letra de diferença?</p>
<p>Às vezes, pouco depois da chuva, faz sol. E, com isso, o inevitável arco-íris. E é incrível como esse fenômeno, ainda que previsível sempre seja uma surpresa. Sempre tem alguém que estende o indicador:</p>
<p>- Olha, o arco-íris!</p>
<p>Tem algo dentro dela, algo que está constantemente pronto a estender o indicador, mas nem ela sabe.</p>
<p>Eu, às vezes, encontro Miss I’m Waiting e isso sempre me parte o coração. Pois a pior dor é a dor da hora. E quando dói a dor da hora parece que nunca mais ela vai passar. A cabeça diz, vai passar. Mas o peito só sabe que ela é infinita e, por mais que outras dores já tenham ido embora em outras ocasiões, ele, o peito, jamais aprenderá. E é isso o que sente esta menina. Ela é aquela que se contrai segundo a segundo na quase angústia e na quase alegria da fé no outro.</p>
<p>E Miss I’m Waiting For You parte-me assim o coração porque não é a mim que ela deseja. Por mais que, na verdade, eu mesmo não a queira. Porém, o fato é que eu não sou a alegria tão aguardada. E é difícil para um ser humano não cair no delito, ainda que ocasionalmente, de querer ser o alvo de tamanha devoção.</p>
<p>Ela é isso. Uma devota. Quem sabe não do objeto da sua espera. Da espera em si possivelmente. Ela garante que esperaria cem anos. Um século no parapeito do aeroporto, um século na porta da rodoviária, um século de bar até que a porta se feche e as cadeiras se virem sozinhas de pernas para o ar, um século a ver encontros e desencontros, um século de vidas que se fazem e se desfazem. Um século de água a correr em um riacho é muita água, Miss I’m Waiting, e nesse tempo até os peixes aprendem a amar.</p>
<p>Mas ela está lá. A olhar a caixa de entrada de seu e-mail e nada. O correio e nada. As nuvens, nada. A procurar por um bilhete esquecido no bolso de um velho casaco, testemunha de um tempo mais feliz. A gastar fotos com os olhos. A vasculhar páginas em seu computador em busca de pistas.</p>
<p>A mensagem secreta na música que ele um dia mandou para ela é verdadeiramente uma mensagem secreta da qual só ela sabe o código. E cujos significados intrincados ele mesmo jamais imaginou. Às vezes, uma canção é só uma canção, Miss Waiting.</p>
<p>Mesmo agora, deitado em minha cama, não posso deixar de imaginar essa garota. Enquanto sinto o sono se aproximar, ela está ao lado do telefone e finge ver um programa barato na tevê. O telefone toca. É engano. E de nada adiantaria. Se eu ligasse para ela, também seria o maior dos equívocos.</p>
<p>Queria que ela montasse uma banda, que ela comprasse bilhetes para o próximo jogo, que comprasse tênis para correr de madrugada, que gritasse no terraço do seu prédio, que conversasse com uma criança, que lesse um livro até a metade e depois o jogasse fora, que escrevesse bilhetes para o vizinho debaixo, que cultivasse flores, que aprendesse um idioma, que tecesse longos bordados. A vida é cheia de coisas pequenas para se fazer. E nunca se sabe o que, destas tão pequeninas coisas, serviria para preencher o seu mundo por completo. De uma maneira que aguardar tanto assim, então, seria desnecessário, inútil, uma perda de tempo. Mas que bobagem, ela já é cheia de afazeres. Eu é que devia me ocupar menos de pensar nela. No fim, as coisas mudam, no fim, o jogo vira, no fim, o fim é outro com o qual ninguém contava.</p>
<p>Pois um dia Miss Waiting For You Forever verá que ao seu lado, bem perto, havia alguém que sempre esteve a contar com seus olhos, seus lábios e seu sorriso.</p>
<p>Mas isso só vai acontecer quando ela, e todo mundo, menos esperar.</p>
<p>Às vezes, a vida tem seu arco-íris.</p>
<p><br/><br/><a href="http://www.cracatoa.com.br/penso-em-voce-miss-im-waiting-for-you-forever/">Penso em você, Miss I&#8217;m Waiting For You Forever</a></p>
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		<title>Penso em você, Miss Runaway Everyday</title>
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		<pubDate>Thu, 24 Jun 2010 04:07:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alessandro Martins</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Às mulheres fugitivas Penso em você, Miss Runaway Everyday, como lembro de uma estrada. Sem casas por perto, a luz no meio da noite ao longe é a fogueira dos viajantes que atravessam a mata e pararam para descansar. A vê com o canto dos olhos, sem prestar atenção. Pisa fundo no acelerador e o [...]<p><br/><br/><a href="http://www.cracatoa.com.br/penso-em-voce-miss-runaway-everyday/">Penso em você, Miss Runaway Everyday</a></p>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Às mulheres fugitivas</em></p>
<p>Penso em você, Miss Runaway Everyday, como lembro de uma estrada.</p>
<p>Sem casas por perto, a luz no meio da noite ao longe é a fogueira dos viajantes que atravessam a mata e pararam para descansar. A vê com o canto dos olhos, sem prestar atenção. Pisa fundo no acelerador e o carro engole com mais vontade a faixa descontínua e amarela que separa a mão dos que voltam e a mão dos que runaway today.</p>
<p>Mas a primeira coisa que me vem é a imagem do cacto &#8211; que comprou &#8211; e, depois, a do antúrio &#8211; que ganhou. Duas plantas que pouco requerem cuidado. Caso um dia quisesse fugir, como sempre quer, ao menos elas iriam se virar. Corações têm espinhos por vezes, mas a água &#8211; de que precisam em abundância &#8211; é diversa da água que cai do céu e a faz ligar o limpador de parabrisa.</p>
<p>O motor, so so, mais ou menos, improvisa a quinta de Beethoven. Não sou eu que assovio essa melodia, não é o próximo amor, não é o último. Mas it’s the last city pelas próximas thousand miles. A última flor, do último campo, do último planeta, do último universo pelos próximos cem mil anos. O tempo é um nó corrediço em volta do pescoço.</p>
<p>“I wanna see you, my love, mas onde andas que talvez o tenha ultrapassado há tanto tempo, há tantos quilômetros?”, pensa ela.</p>
<p>Miss Runaway Everyday: sabe-se que só veio e que só voltará. Porém, estar com ela no meio de nenhum lugar já é alguma coisa. Por isso quero um ticket to ride ao menos uma vez com Miss Everyday Runaway.</p>
<p>Ela limpa o vidro embaçado com a calcinha rosa que encontrou no porta-luvas. Lots of laughs no pocket show de sua vereda. Ela é um brinquedo de risadas cuja energia às vezes finda. Não. Não tem manual de instruções nem controle remoto. Pilhas não estão incluídas.</p>
<p>I see you, Miss Runaway Everyday, nas esquinas mais movimentadas da cidade, naquelas onde os acidentes acontecem, onde os carros capotam e os corações se quebram, próxima aos cafés dos primeiros beijos, nos telefones públicos das primeiras palavras, no olho da mulher do outdoor que didn’t see a shit dos meus tropeços por você.</p>
<p>Open your eyes, Miss, e veja que o dia nasceu em minha janela. A vidraça do meu quarto não é o retrovisor. Seu carro não o tem. Isso é pra quem olha pra trás.</p>
<p>Eu a imagino, Runaway, a parar em um restaurante de beira de estrada, olhar para o rosto das pessoas ali, também em transição, e a pensar na vida, assim tão estática. Na vida, não como ela é, não como tem sido, mas como uma possibilidade romântica. Talvez ali mesmo você a tenha atropelado. Talvez seja a vida o solavanco sentido sob as rodas. A vida palpável feita de chão, a vida de terra, underground.</p>
<p>A vida, esse ser imaginário, essa anêmona de mil braços, não tem carteira de motorista, mas porte de arma. E saltou por cima do capô como um bicho desesperado. Melhor não parar para jogar um pouco de água sobre a lataria.</p>
<p>Engate a primeira, a segunda e tantas quantas marchas tiver e se afaste rápido das perguntas. Não deixe de pagar a conta. Só então cante os pneus and sing a happy song with a sad smile in your lips.</p>
<p>Talvez um dia, saberá that my life is yours, Miss, and meus beijos sempre foram seus desde o primeiro, dado, em outros tempos, em outra garota that is not my girlfriend anymore.</p>
<p>Once upon a time, Miss Runaway Everyday sabia que meu amor era aquilo, jogado no asfalto, atravessado em seu caminho. E ela não hesitou em passar por cima. It’s ok. Não foi por mal. É assim mesmo. Ninguém mandou eu não olhar para os dois lados.</p>
<p>Se me pedirem para dizer algo de Miss Runaway Everyday, nada afirmarei de pessoal, incriminador ou íntimo. Apenas que a deixem em paz. Pois ela precisa fugir um pouco. Todo dia.</p>
<p><br/><br/><a href="http://www.cracatoa.com.br/penso-em-voce-miss-runaway-everyday/">Penso em você, Miss Runaway Everyday</a></p>
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		<title>Cracatoa destaca de 10.6.2010 a 17.6.2010</title>
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		<pubDate>Thu, 17 Jun 2010 06:01:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alessandro Martins</dc:creator>
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<li><a href="http://papocast.com/01-alessandro-martins-e-seus-sete-blogs">Alessandro Martins e seus sete blogs</a> &#8211; Ou&ccedil;a entrevista comigo feita pelo Rodrigo Ghedin</li>
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		<title>Cracatoa destaca de 1.6.2010 a 8.6.2010</title>
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		<pubDate>Tue, 08 Jun 2010 14:00:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alessandro Martins</dc:creator>
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<li><a href="http://www.smashingmagazine.com/2010/05/29/the-beauty-of-paper-art/">Arte em papel</a> &#8211; Uma  colet&acirc;nea, com links, das coisas mais bonitas</li>
<li><a href="http://www.youtube.com/watch?v=ibCcp0Y3OB0">Copenhagen: City of Cyclists, Part 1 of 5</a> &#8211; Para acompanhar o document&aacute;rio inteiro, basta clicar nos links do YouTube</li>
<li><a href="http://www.oversodoinverso.com/desenhos-de-crianca-transformados-em-realidade/?utm_source=feedburner&amp;utm_medium=feed&amp;utm_campaign=Feed%3A+OVersoDoInverso+%28O+verso+do+Inverso%29&amp;utm_content=Google+Reader">Desenhos de crian&ccedil;a transformados em realidade</a> &#8211; J&aacute; vi outros exemplos e outros posts, mas sempre vale compartilhar este</li>
<li><a href="http://www.designboom.com/weblog/cat/9/view/10344/narrow-house-by-ohad-yahieli.html">Uma casa estreita</a> &#8211; Como aproveitar um terreno pequeno</li>
</ul>
<p><br/><br/><a href="http://www.cracatoa.com.br/cracatoa-destaca-de-1-6-2010-a-8-6-2010/">Cracatoa destaca de 1.6.2010 a 8.6.2010</a></p>
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