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	<title>18 Segundos</title>
	
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	<description>antes do nascer do sol</description>
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		<title>Dao</title>
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		<pubDate>Mon, 31 May 2010 23:03:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sávio</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Renova-te, renasce em ti mesmo. Multiplica os teus olhos, para verem mais. Multiplica os teus braços, para semeares tudo. Destrói os olhos que tiverem visto, cria outros para as visões novas. Destrói os braços que tiverem semeado, para se esquecerem de colher. Sê sempre o mesmo. Sempre outro. Mas sempre alto, sempre longe e dentro [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote>
<p style="text-align: justify;">Renova-te, renasce em ti mesmo. Multiplica os teus olhos, para verem mais. Multiplica os teus braços, para semeares tudo. Destrói os olhos que tiverem visto, cria outros para as visões novas. Destrói os braços que tiverem semeado, para se esquecerem de colher. Sê sempre o mesmo. Sempre outro. Mas sempre alto, sempre longe e dentro de tudo.</p>
<p style="text-align: right;"><em>(Cecília Meirelles)</em></p>
</blockquote>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">O cultivo do corpo visando a saúde e a longevidade, expresso na graciosidade da postura e dos movimentos, e o cultivo do saber e da consciência complementam-se mutuamente […] A mera acumulação de informações é, do ponto de vista taoísta, apenas teoria vazia, já que neste caso seu portador não seria um exemplo, uma encarnação daquilo que julga conhecer.</p>
<p style="text-align: right;"><em>(José Bizerril)</em></p>
</blockquote>
<blockquote><p>Para querer iniciar o recolhimento<br />
É necessário consolidar a expansão<br />
Para querer iniciar o enfraquecimento<br />
É necessário consolidar o fortalecimento<br />
Para querer iniciar o abandono<br />
É necessário consolidar o amparo<br />
Para querer iniciar a subtração<br />
É necessário consolidar o aumento<br />
Isto se chama breve iluminação</p>
<p style="text-align: right;"><em>(Tao Te Ching, 36)</em></p>
</blockquote>
<blockquote><p>A vida é assim<br />
Esquenta e esfria<br />
Aperta e daí afrouxa<br />
Sossega e depois<br />
desinquieta<br />
O que ela quer da gente é coragem</p>
<p style="text-align: right;"><em>(Guimarães Rosa)</em></p>
</blockquote>
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		<title>Aum</title>
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		<pubDate>Sun, 09 May 2010 17:36:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sávio</dc:creator>
				<category><![CDATA[citações]]></category>
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		<category><![CDATA[citação]]></category>
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		<category><![CDATA[mitologia]]></category>
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		<description><![CDATA[Enquanto não recobro o ânimo de escrever aqui no blogue, vou enchendo-o de citações e textos de outras pessoas. Esta é um trecho de uma entrevista dada pelo mitólogo Joseph Campbell (o cara!) ao jornalista Bill Moyers no Museu de História Natural de Nova York, para o documentário O Poder do Mito. A quem quiser, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Enquanto não recobro o ânimo de escrever aqui no blogue, vou enchendo-o de citações e textos de outras pessoas. Esta é um trecho de uma entrevista dada pelo mitólogo <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Joseph_Campbell">Joseph Campbell</a> (o cara!) ao jornalista <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Bill_Moyers">Bill Moyers</a> no Museu de História Natural de Nova York, para o documentário <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/The_Power_of_Myth"><em>O Poder do Mito</em></a>. A quem quiser, recomendo fortemente ler o <a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=65119&amp;sid=89610610212414450483359953&amp;k5=3A68637C&amp;uid=">livro</a> (publicado no Brasil pela editora Palas Athena), bem como assistir a todas as seis partes do <a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/videos/resenha/resenha.asp?nitem=2810001&amp;sid=89610610212414450483359953&amp;k5=31A7A0C7&amp;uid=">DVD</a> (distribuído pela Log On – para quem preferir, tem na internet para baixar).</p>
<p style="text-align: justify;">Campbell certamente foi o maior estudioso de mitologias que já existiu, e seu trabalho, que cobria vários aspectos da experiência humana, influenciou a literatura, a música e o cinema. Em breve, pretendo assistir também Sukhavati – Uma Jornada Mítica, descrito na caixinha do DVD como “uma viagem em busca de transcendência e iluminação por meio da análise de símbolos e sagas deixadas por nossos antepassados”, que “narra de maneira envolvente a trajetória do homem em busca de autoconhecimento desde os primórdios”. Nesse vídeo (ainda segundo a descrição na caixinha do DVD), “o relacionamento de mitos de diferentes culturas é costurado com uma direção poética, onde a explicação dos mitos é quase uma ode a eles”. Esse ainda não achei para baixar, nem para assistir online. Assim que encontrar, posto aqui.<span style="color: #ff0000;"><br />
</span></p>
<p style="text-align: justify;">Ao trecho de hoje, então:</p>
<blockquote style="text-align: justify;"><p><a title="Aum RuLes!!!" href="http://farm3.static.flickr.com/2515/3747123684_7de3876726_b_d.jpg"><img class="alignright" src="http://farm3.static.flickr.com/2515/3747123684_7de3876726_b_d.jpg" alt="Aum RuLes!!!" width="344" height="231" /></a></p>
<dl>
<dt>Moyers:</dt>
<dd>Interpretei aquela afirmação poderosa e misteriosa, <em>“A Palavra se fez carne”</em>, como o princípio eterno que se encontra na trajetória humana, em nossa experiência.</dd>
<dt>Campbell:</dt>
<dd>E você também pode encontrar a Palavra em você mesmo.</dd>
<dt>Moyers:</dt>
<dd>Onde encontrá-la senão em você mesmo?</dd>
<dt>Campbell:</dt>
<dd>Já foi dito que a poesia consiste em permitir que a Palavra seja ouvida para além das palavras. E Goethe diz: <em>“Todas as coisas são metáforas”</em>. Tudo o que é transitório não é senão uma referência metafórica. Eis o que todos somos.</dd>
<dt>Moyers:</dt>
<dd>Mas como alguém pode cultuar uma metáfora, amá-la, morrer por ela?</dd>
<dt>Campbell:</dt>
<dd>É o que as pessoas fazem, por toda parte – morrem por metáforas. Mas quando você realmente capta o som <em>AUM</em>, o som do mistério da palavra em todos os lugares, então você não precisa sair à procura de alguma coisa e morrer por ela, porque é certo que ela está à sua volta. Aquiete-se apenas, veja-a, experimente-a e conheça-a. Essa é uma experiência culminante.</dd>
<dt>Moyers:</dt>
<dd>Explique o AUM.</dd>
<p><span id="more-846"></span></p>
<dt>Campbell:</dt>
<dd><em>AUM</em> é uma palavra que representa aos nossos ouvidos aquele som da energia do universo, da qual todas as coisas são manifestações. O som começa na parte posterior da boca, <em>aa</em>, depois o <em>uu</em> a preenche e o <em>mm</em> fecha-a. Quando você pronuncia adequadamente, todos os sons vocálicos estão incluídos na pronúncia. <em>AUM</em>. As consoantes são tomadas aqui simplesmente como interrupções do som vocálico essencial. Todas as palavras são, portanto, fragmentos de <em>AUM</em>, assim como todas as imagens são fragmentos da Forma das formas. <em>AUM</em> é um som simbólico que coloca você em contato com o ser reverberante que é o universo. Se ouvisse alguns dos registros dos monges tibetanos cantando <em>AUM</em>, você saberia exatamente o que a palavra significa. É o <em>AUM</em> de estar no mundo. Estar em contato com isso, captar-lhe o sentido, é a experiência culminante de tudo.</dd>
<dd><em>A U M</em>. O nascimento, a vinda ao ser e a dissolução que reinicia o ciclo. O <em>AUM</em> é chamado a “sílaba de quatro elementos”. <em>A U M</em> – e qual é o quarto elemento? O silêncio do qual brota <em>AUM</em> e ao qual retorna, ou seja, é o que subjaz a ele. Minha vida é o <em>AUM</em>, mas há também um silêncio subjacente. Eis o que chamaríamos <em>o imortal</em>. Aqui está o mortal e lá o imortal, e não haveria aquele se não houvesse este. Deve-se fazer uma diferenciação entre o aspecto mortal e o imortal na existência de cada indivíduo. Na experiência com meus pais, que já se foram, pude compreender que há algo que transcende o que foi nossa relação temporal. Naturalmente, houve certos momentos nessa relação em que pude perceber de maneira evidente o que ela significava. Lembro-me claramente de alguns deles. Eles destacavam se como momentos de epifania, de revelação, de esplendor.</dd>
<dt>Moyers:</dt>
<dd>O significado é essencialmente indizível.</dd>
<dt>Campbell:</dt>
<dd>Sim. As palavras são sempre qualificações e limitações.</dd>
<dt>Moyers:</dt>
<dd>E assim mesmo, Joseph, todos nós, fracos seres humanos, acabamos ficando com essa linguagem miserável, embora bela, mas limitada para se tentar descrever…</dd>
<dt>Campbell:</dt>
<dd>É certo, eis por que é uma experiência culminante romper com tudo isso, às vezes, e perceber: “Oh… ah…”</dd>
</dl>
</blockquote>
<p class="imgcredit">Imagem: Aum RuLes!!! por <a href="http://www.flickr.com/photos/36156727@N05/3747123684/">hidrojeno</a></p>
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		<title>Posso te fazer uma pergunta séria?</title>
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		<pubDate>Fri, 19 Mar 2010 17:34:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sávio</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Aonde você está? www.youtube.com/watch?v=8qiosdLjcfo Curti esse vídeo. E, com ele, ficam meus votos de um bom final de semana a todos!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Aonde você está?</p>
<p style="text-align: center;"><p style="text-align:center;"><span class="youtube">
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</span><p><a href="http://www.youtube.com/watch?v=8qiosdLjcfo&fmt=18">www.youtube.com/watch?v=8qiosdLjcfo</a></p></p></p>
<p style="text-align: justify;">Curti esse vídeo. E, com ele, ficam meus votos de um bom final de semana a todos!</p>
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		<title>Criando um dachshund</title>
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		<pubDate>Sun, 17 Jan 2010 19:57:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sávio</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Hoje faz uma semana que estou criando aqui em casa um cão dachshund (ou teckel – nome oficial da raça –, ou salsichinha, ou cofap, como você preferir), o Dexter. Na sexta-feira, dia 08, minha amiga o encontrou perdido no Lago Sul. No sábado, dia 09, perguntou se eu gostaria de ficar com ele, e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://18segundos.net/365/wp-content/uploads/2010/01/2010-01-14.jpg"><img class="alignleft" title="Dexter" src="http://18segundos.net/365/wp-content/uploads/2010/01/2010-01-14.jpg" alt="" width="354" height="266" /></a>Hoje faz uma semana que estou criando aqui em casa um cão <a href="http://www.seucachorro.com/teckel-pelo-curto/">dachshund</a> (ou teckel – nome oficial da raça –, ou salsichinha, ou cofap, como você preferir), o Dexter. Na sexta-feira, dia 08, minha amiga o encontrou perdido no Lago Sul. No sábado, dia 09, perguntou se eu gostaria de ficar com ele, e eu aceitei na hora. No domingo, dia 10, ele chegou aqui em casa, e, desde então, as coisas por aqui mudaram consideravelmente. Só tem um problema: acho que este cachorro e eu não servimos um para o outro…</p>
<p style="text-align: justify;">Ter um cachorro é ótimo. Como ele fica solto pela casa, acaba sendo uma companhia bem mais presente que a das minhas chinchilas, além de trazer mais agitação. É também muito mais carinhoso, e a hora do passeio fica bem mais divertida, por poder ser fora de casa. Nunca fui muito de xodó com animais, mas só porque não sabia o quanto isso era bom; porque nunca tinha tido um animal de estimação assim de verdade – minha mãe nunca deixou.</p>
<p style="text-align: justify;">Quando eu era criança, tínhamos em casa um papagaio, o Minha Rosa (é, era assim que ele era chamado: no feminino, e com o pronome possessivo fazendo parte do nome), mas ele nunca deixava eu chegar perto, nem para trocar água e comida, nem para tentar brincar, então, de certa forma, acabava não contando. E minha mãe nunca aceitou outro animal lá em casa: sempre que alguma gata de rua dava cria no nosso quintal, mesmo eu implorando para ficar com um dos gatinhos, ela enfiava todos os filhotes dentro de um saco plástico, amarrava, pegava o carro e ia jogá-los do alto de um viaduto que passava sobre a linha do trem. Não sou muito bom em estimar medidas, mas imagino que do alto do Viaduto do Mafuá até o fundo da linha do trem deva dar uns dez metros de altura. (Procurei uma foto para pôr aqui mas não encontrei; absurdo. Lembrar de tirar uma quando chegar a Teresina).</p>
<p style="text-align: justify;">A única exceção que ela já abriu a isso foi um filhote de pequinês com poodle, a quem eu chamava de Teddy. Lembro que ele era branquinho e bem pequeno, mas não tenho muitas lembranças de brincar com ele. O pobrezinho era proibido de entrar dentro de casa, e até para ir ao quintal ele sofria restrições: era obrigado a ficar num beco todo úmido e cheio de lodo, mas onde ao menos ele tinha algum espaço para correr. As lembranças mais fortes que eu tenho são dele latindo para mim, feliz da vida, pela janela que dava para esse bequinho. Assim que ele começou a crescer e não cabia mais dentro do beco, minha mãe o deu de presenta para a empregada, e lá se foi embora meu cachorro, com quem, afinal, eu nunca tive muito contato…</p>
<p><span id="more-822"></span></p>
<p style="text-align: justify;">E assim, eu cresci sem muito apego a cachorros ou outros animais. Minhas primas é que sempre tinham algum cachorro em casa: o Bingo, a Lady, o Caos, o Bob, e, atualmente, a Drica, uma labradora muito linda e carinhosa. Já tiveram até um coelho, o Bambi, para desespero da minha tia, que odiava a possibilidade de ter os móveis roídos. Enquanto isso, eu implorava por um hamster (que é baratinho, não fede, não ocupa espaço, e requer cuidados simples e baratos), minha mãe dizia que ia pegar um no esgoto (ou seja, um rato), eu torcia o nariz, e acabava que eu ficava sem um animal que fosse.</p>
<p style="text-align: justify;">Desde que comecei a vistar meu pai em Fortaleza, também lembro de ele ter cachorros em casa: Simbá, Capitu, Zero, Total… Mas, como eram na maioria cães de grande porte (lembros dos mastins napolitanos e dos mastiffs ingleses) e pouco acostumados a minha presença, eram sempre eles num canto e eu no outro. A única exceção foi Capitu, uma poodle pequenininha, mas, como eu não tinha crescido exatamente acostumado a ter cães por perto, também nunca dei muita bola para ela.</p>
<p style="text-align: justify;">Um outro ponto importante para esta história é o fato de minha mãe ter me incutido, desde cedo, uma certa aversão a criar cachorros dentro de apartamentos. Cachorro, de modo geral, é bicho que precisa de movimento, de exercício, de espaço para correr. Tanto que, quando cheguei a Brasília, tive dificuldades de entender por que diabos tanta gente criava cães em apartamentos, e achava isso um absurdo… Isso só começou a mudar quando conheci o <a href="http://www.seucachorro.com/pug/">pug</a>, que, graças ao focinho curto, não é muito de se exercitar, e é ideal, portanto, para a vida dentro de um apartamento… Depois é que fui conhecendo outras raças, bem adaptadas à vida em ambientes pequenos, e descobrindo que mesmo aquelas que gostam de se exercitar podem ser criadas tranqüilamente dentro de um apê, desde que saiam diariamente para fazer ao menos uma caminhada.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas então. A história começou a mudar em maio/junho do ano passado, quando li <a href="http://www.morandosozinho.net/2009/05/30/companheiro-de-quarto/">este post</a> da Angélica, no <a href="http://www.morandosozinho.net/">Morando Sozinho</a>, sobre companheiros de quarto, e começou a tomar forma a idéia de criar roedores… Roedores não precisam de grandes cuidados, são econômicos, e poderiam ficar horas e horas sozinhos enquanto eu estava na faculdade/estágio, sem se desesperarem de solidão nem destruírem minha casa (isso, claro, desde que ficassem presos na gaiola). Quando, em julho seguinte, minha prima veio me visitar e decretou que eu precisava de um animal de estimação, acabei adquirindo uma chinchila, o Aníbal. Um mês depois, mais ou menos, veio a segunda, para fazer companhia a ele, a Cordélia. Certamente que são o casal de chinchilas mais adoráveis que há.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://18segundos.net/365/wp-content/uploads/2010/01/2010-01-02.jpg"><img class="aligncenter" title="Chinchilas" src="http://18segundos.net/365/wp-content/uploads/2010/01/2010-01-02.jpg" alt="" width="415" height="553" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">E, assim, ficamos juntos Aníbal, Cordélia e eu, até uma semana atrás, quando chegou o Dexter (o da foto lá no alto do post, com a coleira peitoral e a medalhinha martinista). Antes disso, porém, alguns amigos já vinham falando do quanto era bom ter um cachorro. Um deles tem um pug, o Anúbis, e os dois, pelo visto, são realmente melhores amigos. Outro tinha em casa uma poodle (não lembro o nome), que na verdade pertencia ao colega de casa dele, mas de quem ele gostava bastante (como não consegui redigir a frase de outro modo, elimino a ambigüidade: meu amigo gostava bastante da cachorra do amigo dele). Outros morriam de vontade de ter um cachorro, mas até agora não lhes foi possível cuidar de um.</p>
<p style="text-align: justify;">E, ouvindo volta e meia a conversa sobre cachorros se repetir, lá foi a idéia se fixando na minha cabeça… Ainda não pretendia comprar um, nem adotar, mas a vontade já vinha surgindo, e crescendo cada vez mais… Até que, sábado retrasado, enquanto eu fazia a faxina da casa, minha amiga veio no GTalk me oferecer o cãozinho que ela tinha encontrado perdido, caso os donos não fossem encontrados… Aceitei sem titubear.</p>
<p style="text-align: justify;">Os primeiros dias com ele aqui foram ótimos. Tanto ele quanto eu estávamos ainda conhecendo um ao outro, e acabou sendo bem divertido. Nunca tinha tido uma sombra assim tão profissional, que me acompanhasse até o banheiro, pouco importando o que eu fosse fazer. (OK, minha priminha mais nova também teve uma fase em que era uma sombra e tanto, mas não chegava ao nível do Dexter. Não mesmo). Se eu vou à cozinha, ele fica sentado à porta dela me esperando. Se sento no sofá, ele fica se esfregando nos meus pés. (Hoje ele tentou transar com a minha perna, o que não foi lá muito agradável, mas foi a primeira vez. Só temo que venham outras, já que ele não é castrado). E tenho minhas dúvidas sobre se, à noite, ele dorme na caminha que comprei: quando vou para meu quarto dormir, ele vai até a porta e se senta lá, onde fica chorando um tempinho. Pela manhã, quando acordo, ouço o movimento dele, ainda à porta. Não consegui descobrir se ele passa a noite inteira lá, esperando, ou se já aprendeu o horário em que costumando me levantar e vai até lá. Quando saio e deixo ele sozinho em casa, então, ele se desespera! Essa foi a única circunstância, até hoje, em que o ouvi latir: solidão.</p>
<p style="text-align: justify;">O problema é que simplesmente não consigo amar alguém assim tão submisso, seja gente ou animal. Meu lado escorpiano, assim que percebe isso, se aproveita da situação de poder e começa a maltratar a pessoa ou bicho, e é isso que tenho me percebido fazendo com o Dexter. Não falo de bater, chutar, nem nenhuma violência física, mas de brigar, e deixar de me comover com os pedidos de carinho, que vão passando a me parecer ridículos. Ontem, por exemplo, saí de casa por volta das quatro da tarde (já meio irritado porque ele não tinha feito cocô depois do almoço, apesar de eu ter caminhado com ele por quase uma hora enquanto eu ainda fazia a digestão), deixando-o sozinho com as chinchilas, e voltei às onze da noite. Ele estava simplesmente desesperado por carinho, mexendo-se todo e ganindo. Qualquer pessoa teria abaixado e passado a mão na cabeça dele, ou algo assim; mas a mim parecia que ele estava tendo um ataque epiléptico. Não consegui me comover com a situação. Hoje de manhã também não fiz carinho: já saí pondo guia e coleira nele, e saindo para passear, ver se ele fazia o cocô que ainda não tinha feito. Fez, mas hoje depois do almoço, novamente, nada.</p>
<p style="text-align: justify;">Aliás, o passeio, que a princípio era divertidíssimo, também se mostrou outro problema. Passar com cachorro é ótimo, e é um estímulo e tanto a sair e se exercitar. Tem até <a href="http://www.ar.terra.com/tecnologia/interna/0,,OI4125344-EI1497,00.html">estudos a respeito</a>, e tals. O problema foi quando comecei a usar a guia retrátil, aceitando fazer paradas para que se aliviasse (como ele já tinha dono antes, foi educado a não fazer xixicocô dentro de casa, a menos que se trate de uma situação extrema), e, agora, ele pára para demarcar território <strong>o tempo todo!</strong> Fico me perguntando o que leva uma pessoa a não castrar um animal de estimação que vai servir apenas para companhia… Animais castrados vivem mais, são menos propensos a uma série de doenças, diminui as fugas (o que me leva a pensar que, talvez, ele não estivesse aqui se fosse castrado), evita a superpopulação de animais (especialmente cães e gatos de rua), e, também importantíssimo, evita que eles demarquem território! Algumas das vantagens da castração de cães estão <a href="http://www.amigocao.com/page19/page19.html">aqui</a>. Quando eu ganhar ou adquirir um filhotinho, pode ter certeza de que logo logo ele vai virar eunuco.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas isso ainda não é tudo. Não faço exatamente o tipo carinhoso, que consegue ficar horas e horas alisando alguém, e é só disso que esse cachorro quer saber. Ele simplesmente não brinca! Jogo uma bolinha para ele pegar, ele vê onde ela foi parar, olha de novo para mim e se vira, oferecendo a barriga. Alguns podem achar isso lindo; eu acho brochante. Posso conviver com os puns horrendos que ele solta, com bagunça na casa, até com móveis roídos ou com eventual xixicocô no meio da sala, e ainda com carregar o cachorro nos braços pelos três andares de escada que antecedem meu apartamento, mas desde que ele corra para pegar a maldita bolinha… e que não pare para demarcar território, e que saiba cuidar da própria vida quando se vir sozinho.</p>
<p style="text-align: justify;">Durante esta semana em que o Dexter está aqui, tenho lido muito sobre as mais diversas raças de cachorro. Interessante como as que mais me apetecem são também as mais incomuns, como o <a href="http://www.seucachorro.com/schipperke/">schipperke</a>, o <a href="http://www.seucachorro.com/basenji/">basenji</a>, o <a href="http://www.seucachorro.com/samoieda/">samoieda</a> ou até o <a href="http://www.seucachorro.com/cao-de-crista-chines/">cão de crista chinês</a>. Preciso de um que possa ficar algumas horas em casa sem morrer de desespero nem destruir minha casa (em outras palavras, que seja quase um gato), mas que goste também de brincar e de sair para passear, caminhando bastante – e, claro, que se dê bem com minhas chinchilas, que o Dexter já tentou abocanhar. (Não o culpo, afinal a raça dele foi desenvolvida para caçar animais de toca). Por ora, meu preferido tem sido o schipperke, mas cadê dinheiro para comprar um? Se alguém quiser me dar de presente, aceito um filhotinho, de preferência já castrado. Chamá-lo-ei de Hermes, se macho, ou de Hécate, se fêmea.</p>
<p style="text-align: justify;">Até lá, continuo cuidando do Dexter, da melhor maneira que puder, e me esforçando para não ficar puto com o pobre do cachorro, que, afinal, só merece afeto e dedicação… Não mereço, portanto, ficar com ele de vez.</p>
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		<title>Projeto 365</title>
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		<pubDate>Fri, 01 Jan 2010 20:48:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sávio</dc:creator>
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		<description><![CDATA[UPDATE: FAIL! =D Então que uma das minhas resoluções de ano novo foi começar e levar a cabo o Projeto 365. Fazia um tempinho que queria participar dele, que sempre me pareceu interessante. E poderia ter começado em qualquer dia que quisesse, mas o dia de ano novo, por razões bem óbvias (para não dizer [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><strong>UPDATE:</strong> FAIL! =D</p>
<p style="text-align: justify;"><a title="Canon Powershot Pro1" href="http://farm5.static.flickr.com/4038/4232007303_7a94c473d6_b_d.jpg"><img class="alignright" src="http://farm5.static.flickr.com/4038/4232007303_7a94c473d6_b_d.jpg" alt="Canon Powershot Pro1" width="368" height="277" /></a>Então que uma das minhas resoluções de ano novo foi começar e levar a cabo o <a href="http://18segundos.net/365">Projeto 365</a>. Fazia um tempinho que queria participar dele, que sempre me pareceu interessante. E poderia ter começado em qualquer dia que quisesse, mas o dia de ano novo, por razões bem óbvias (para não dizer clichês) acabou sendo o escolhido para isso. A idéia original, pelo que encontrei de informações na web, foi de Taylor McKnight, em 2004, e consiste em todo dia, durante um ano, tirar uma foto e publicá-la. A idéia é tão boa que logo muita gente ao redor do mundo resolveu aderir, e surgiu até um <a href="http://www.flickr.com/groups/project_365/">grupo no Flickr</a> – ao que me consta, até hoje movimentadíssimo.</p>
<p style="text-align: justify;">O texto a seguir é do <a href="http://photojojo.com/content/tutorials/project-365-take-a-photo-a-day/">site oficial do projeto</a>, em tradução livre:</p>
<p><span id="more-815"></span></p>
<blockquote style="text-align: justify;"><p>As pessoas costumam dizer que a vida inteira passa diante dos olhos depois de algum evento traumático. Talvez seja um tanto mórbido, mas nós achamos isso muito incrível.</p>
<p>Quando Taylor McKnight começou a tirar uma foto por dia em 1º de janeiro de 2004, não imaginava que o projeto serviria não apenas para relembrar um ano, mas também para ajudá-lo a entender o que era importante para ele em sua vida.</p>
<p>Fossem seus relacionamentos, sua carreira ou seu senso de moda, tirar uma foto por dia durante um ano inteiro deixou-lhe um rico histórico visual de sua vida. E ainda fez dele um fotógrafo melhor!</p>
<p>[…]</p>
<p><strong>POR QUE FAZER ISSO?</strong></p>
<p>Tirar uma foto todo dia é uma grande empreitada, com grandes recompensas. Aqui estão apenas algumas razões para você cogitar fazê-lo:</p>
<ul>
<li>Imagine poder olhar para qualquer dia do seu ano e ser capaz de lembrar o que você fez, quem você encontrou, o que você aprendeu… (Não raro temos dificuldades em lembrar o que fizemos ainda ontem ou mesmo noite passada, que dizer de um ano atrás!)</li>
<li>Seu álbum-anuário será uma maneira e tanto de documentar suas viagens e conquistas, seus cortes de cabelo e relacionamentos. O tempo se move surpreendentemente rápido.</li>
<li>Tirar uma foto por dia <em>fará</em> de você um fotógrafo melhor. Usar sua câmera todo dia irá ajudar-lhe a conhecer os limites dela. Você aprenderá a compor melhor suas fotos, começará a se importar com a iluminação, e se tornará mais criativo na arte da fotografia quando for forçado a encontrar algo novo todo santo dia.</li>
</ul>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">Pois então é isso. Depois de um ou dois anos namorando o projeto (não lembro exatamente quanto tempo),  ontem à noite tomei a tal da resolução, e, na madrugada de hoje, depois das comemorações de <em>réveillon</em> (ou, para os que preferem coisas bem aportuguesadas, <em>reveião</em>), peguei minha máquina e tirei a prima foto. Agora, só preciso continuar indo em frente! Confesso que estou muito receoso de expor minha vida assim explicitamente na internet,  no que vai acabar sendo um diário fotográfico virtual e público, repleto de informações pessoais.  Parece muito umbiguismo, e é: afinal, o assunto principal deste projeto seremos minha vida e eu. Parece mais um meio de procrastinação, e, de fato, não deixa de sê-lo em parte, já que certamente há de desviar minha atenção de outras coisas que sejam, talvez, mais urgentes. Mas, acima disso, parece algo bem divertido, apesar de trabalhoso – além de uma ferramenta e tanto de autoconhecimento – e são justamente estas duas últimas coisas que procuro aqui.</p>
<p style="text-align: justify;">Se brincar, qualquer dia ponho uma senha no blog do projeto, ou deleto-o de vez e continuo com tudo apenas offline. Sei que provavelmente não há de interessar a muita gente – é só o meu umbigo, caramba! – e, para a falar a verdade, até prefiro que seja assim. Coisinha pequena, mais para mim mesmo que para a audiência, apesar de estar tudo aí bem acessível.  E que até o final do ano venham, pelo menos, mais 364 outras fotos!  <img src='http://18segundos.net/wp-content/plugins/smilies-themer/tango-gnome/face-smile-big.png' alt=':grin:' class='wp-smiley' /> </p>
<p class="imgcredit">Imagem: Canon Powershot Pro 1 por <a title="Wootang01" href="http://www.flickr.com/photos/7310714@N06/4232007303/" target="_blank">Wootang01</a></p>
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		<title>O pequeno mas poderoso guia para descobrir suas paixões</title>
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		<pubDate>Mon, 28 Dec 2009 23:12:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sávio</dc:creator>
				<category><![CDATA[gente grande]]></category>
		<category><![CDATA[emprego]]></category>
		<category><![CDATA[paixões]]></category>
		<category><![CDATA[sustento]]></category>
		<category><![CDATA[trabalho]]></category>

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		<description><![CDATA[Comecei a traduzir este texto do Leo Babauta, do blog Zen Habits, que a moça Thahy retuitou faz um tempão, depois que terminei a redação d&#8217;Aquela Que Não Deve Ser Nomeada (a.k.a monografia), , numa noite chuvosa e feliz, mas acabei deixando de mão por um tempo. Hoje, lutando para resolver umas pendengas de ultimíssima [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Comecei a traduzir este texto do <a href="http://twitter.com/zen_habits">Leo Babauta</a>, do blog <a href="http://zenhabits.net/">Zen Habits</a>, que a <a href="http://www.thahy.com/">moça Thahy</a> <a href="http://twitter.com/thahy/status/5804395349">retuitou</a> faz um tempão, depois que terminei a redação d&#8217;Aquela Que Não Deve Ser Nomeada (a.k.a <em>monografia</em>), , numa noite chuvosa e feliz, mas acabei deixando de mão por um tempo. Hoje, lutando para resolver umas pendengas de ultimíssima hora com a faculdade (e a minha é uma das instituições mais paunocu que já conheci), ele voltou a me parecer bastante apropriado para mim que estou terminando – finalmente – a faculdade (ou, pelo menos, espero estar), e não sei o que fazer da vida depois disso, e há certamente de ser também útil para muita gente mais. Quanto aos problemas uenebísticos, só peço uma coisa: desejem-se sorte, por favor.</p>
<p style="text-align: justify;">O <em>Zen Habits</em> não aceita comentários, e o Leo Babauta não usa email, então não pude entrar em contato com ele para pedir permissão para traduzir o texto. Vai sem autorização, mesmo: estava precisando compartilhar isso. Se, de algum modo, eu souber que isso desagradou o autor, apago imediatamente. Para quem quiser, segue o link para o <a href="http://zenhabits.net/2009/11/the-short-but-powerful-guide-to-finding-your-passion/">texto original</a>.</p>
<p style="text-align: center;">* * *</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">A realização suprema é tornar indistinta a linha divisória entre o trabalho e a diversão.<br />
<small>(Arnold Toynbee)</small></p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">
<div id="attachment_811" class="wp-caption alignleft" style="width: 410px"><a href="http://18segundos.net/wp-content/uploads/2009/12/20091111passion.jpg"><img class="size-full wp-image-811" title="20091111passion" src="http://18segundos.net/wp-content/uploads/2009/12/20091111passion.jpg" alt="" width="400" height="400" /></a><p class="wp-caption-text">A felicidade que resulta de fazer algo que você ama</p></div>
<p>Seguir suas paixões pode ser algo difícil, mas descobrir quais são elas pode ser ainda mais elusivo.</p>
<p style="text-align: justify;">Sou sortudo – descobri minha paixão, e a estou vivendo. Posso atestar que é a coisa mais maravilhosa, poder tirar seu sustento daquilo que você ama.</p>
<p style="text-align: justify;">E assim, neste pequeno guia, eu gostaria de ajudá-los a começar a descobrir o que vocês amam fazer. Este é o problema mais comum de vários leitores do <em>Zen Habits</em> – incluindo vários que recentemente entraram em contato comigo via Twitter.</p>
<p style="text-align: justify;">Isto será aquela coisa que lhe dará motivação para levantar da cama, de manhã, e gritar “Estou vivo(a)! Posso sentir, <em>baby!</em>”, e assustar seus familiares ou qualquer um que possa ouvi-lo.</p>
<p style="text-align: justify;">O guia não é abrangente, e não encontrará suas paixões por você, mas irá ajudá-lo(a) a descobri-las.</p>
<p style="text-align: justify;">Eis como.</p>
<p><span id="more-802"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>1. No que você é bom?</strong> A menos que você esteja apenas começando na vida, você deve ter algumas habilidades ou talento, deve ter mostrado algum tipo de aptidão. Mesmo que você esteja só começando, deve ter mostrado algum talento quando jovem, ainda que na escola primária. Você sempre foi um bom escritor, orador, desenhista, organizador, construtor, professor, amigo? Sempre foi bom em idéias, em ligar pessoas, em jardinagem, vendas? Pense um pouco sobre isso. Leve ao menos 30 minutos examinando essa questão – freqüentemente nos esquecemos das coisas que fizemos bem. Lembre-se o quanto puder de trabalhos, projetos, <em>hobbies</em>: essa pode ser sua paixão. Ou podem ser várias coisas. Comece uma lista de candidatos potenciais.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>2. O que te excita?</strong> Pode ser algo no trabalho – uma pequena parte do seu serviço que te satisfaz.  Pode ser algo do trabalho – um <em>hobby</em>, um emprego paralelo, algo que você faz como voluntário, pai, cônjuge ou amigo. Pode ser algo que você não tem feito há um bom tempo. Novamente, pense nisso por uns 30 minutos, ou, no mínimo, 15. Se não o fizer, provavelmente estará trapaceando a si mesmo. Junte todas as respostas à sua lista.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>3. Sobre o que você lê?</strong> Sobre que tipo de coisa você passa horas lendo na internet? Que revistas você procura ler? Que blogs você acompanha? Que seção na livraria você folheia? Pode haver vários assuntos, aqui: adicione-os à lista.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>4. Com o que você já sonhou secretamente?</strong> Você pode ter algum ridículo emprego dos sonhos, que sempre quis fazer – ser um romancista, um artista, um <em>designer</em>, um arquiteto, um médico, um empresário, um programador. No entanto, medo e dúvida o detiveram, fizeram você dispensar a idéia. Pode haver vários. Junte-os à lista, não importa o quão irreais.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>5. Aprenda, pergunte, tome notas.</strong> OK, você tem uma lista. Escolha um item dentro dela que o excite mais. Este é seu primeiro candidato. Agora leia sobre isso, converse com pessoas que tiveram sucesso no ramo (através de seus blogs, se os tiverem, ou email). Faça uma lista de coisas que precisa aprender, em que precisa se aprimorar, habilidades que pretende dominar, pessoas com quem conversar. Estude sobre isso, mas não demora demais antes de dar o passo seguinte.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>6. Experimente, tente.</strong> É aqui o verdadeiro ponto do aprendizado. Caso ainda não o tenha feito, comece a praticar aquilo que escolheu. Talvez já tenha começado, e nesse caso pode pular para o próximo passo, ou escolher outro candidato que experimentar. Do contrário, comece agora – simplesmente faça-o. Pode ser na privacidade de sua própria casa, mas, tão rápido quanto possível, torne isso público da maneira que puder. Isso motiva a melhorar, fornece <em>feedback</em>, e sua reputação irá melhorar no mesmo passo. Preste atenção a como você se sente fazendo isso – é algo por que você espera, algo que te excita, que você ama compartilhar?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>7. Apure as coisas.</strong> Eu recomendo escolher três a cinco coisas da sua lista, se ela for maior do que isso, e repetir os passos 5 e 6 com elas. Isso pode levar meses, ou talvez você já tenha aprendido sobre e testado todas. Então, é agora que você precisa se perguntar: o que deixa você mais excitado? O que você consegue se enxergar fazendo por anos (mesmo que não seja uma carreira tradicional)? Escolha uma, ou duas, no máximo, e foque-se nela(s). Você vai aplicar a ela(s) os três próximos passos: banir seus medos, encontrar o tempo e transformar isso em carreira, se possível. Se não der certo, você pode experimentar o próximo item da sua lista – não há vergonha alguma em tentar algo e fracassar, porque isso irá lhe ensinar lições valiosas, que o ajudarão a ter sucesso na próxima empreitada.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>8. Espante seus medos.</strong> Este é o maior obstáculo para a  maioria das pessoas  – dúvidas e medo do fracasso. Você irá enfrentá-lo e bani-lo. Primeiro, tome conhecimento dele, em vez de ignorá-lo ou negá-lo. Segundo, escreva-o, para externalizá-lo. Terceiro, sinta-o, e sinta-se bem mesmo com ele. Quarto, pergunte a si mesmo: “O que é o pior que pode acontecer?” Normalmente não é nada catastrófico. Quinto, prepare-se para fazê-lo de qualquer modo, e faça-o. Dê passos pequenos, tanto quanto possível, e esqueça o que pode acontecer – foque no que está efetivamente acontecendo, agora mesmo. E então, celebre seu sucesso, não importa o quão pequeno.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>9. Encontre tempo.</strong> Não tem tempo para perseguir esta paixão? Faça-o surgir, caramba! Se  isso for uma prioridade, você encontrará o  tempo – reorganize sua vida até encontrá-lo. Isto pode significar ter que acordar mais cedo, ou fazê-lo depois do trabalho ou na hora do almoço, ou  nos  fins de semana. Provavelmente, implicará em cancelar alguns compromissos, simplificar seu trabalho de encaminhamento ou fazer vários trabalhos antecipadamente (como se estivesse saindo de férias). Faça o que for necessário.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>10. Como se sustentar disso.</strong> É algo que não acontece do dia para a noite. Você precisa fazer algo, ser bom nisso, ser apaixonado pelo  que faz. Pode levar meses ou anos, mas, se você estiver se divertindo, isso é o mais importante. Quando você chegar ao  ponto  em que alguém lhe pagar para fazê-lo, você terá  encontrado o ouro – existem várias maneiras de ganhar a vida a partir deste ponto, como fazendo <em>freelances</em> ou consultoria, redigindo material de informação como <em>ebooks</em>, mantendo um blog e vendendo publicidade. De fato, eu recomendo manter um blog, se não já tiver um – isso irá ajudar a solidificar seu pensamento, construir uma reputação, encontrar pessoas que se interessam pelo que você faz, demonstrar seu conhecimento e paixão.</p>
<p style="text-align: justify;">Eu disse que não iria ser fácil. É necessária muita reflexão e auto-descoberta, no início, em seguida muita coragem e aprendizado e experimentação, e finalmente muito compromisso.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas tudo isso vale a pena – cada segundo, cada grama de coragem e esforço. Porque no final, você terá algo que irá transformar sua vida de muitas maneiras, dará a você uma razão para pular da sua cama, fará você feliz  não importa o quanto esteja ganhando.</p>
<p style="text-align: justify;">Espero que você siga este guia e encontre sucesso, porque desejo a você nada menos que encontrar sua verdadeira paixão.</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">Escolha um trabalho que você ame, e não terá que trabalhar um único dia em sua vida.<br />
<small>(Confúcio)</small></p>
</blockquote>
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		<title>Saudades daqui</title>
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		<pubDate>Mon, 28 Dec 2009 17:51:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sávio</dc:creator>
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